Dr. bem como gestores de saúde pública e de planos privados de saúde têm recorrido à SBD para elucidar suas dúvidas na busca de orientação sobre como normatizar a assistência aos portadores de diabetes em suas respectivas instituições. Os Posicionamentos Oficiais SBD-2006 terão por objetivo a definição oficial da SBD em relação a aspectos preventivos. São Paulo. como mais uma prestação de serviços. Outro objetivo igualmente importante é o de propiciar aos associados o recebimento. consensos e. mais recentemente. agosto de 2006. recorrendo a orientações da SBD sob a forma de atividades presenciais de atualização. Além disso. Marcos Tambascia Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes 2 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . Prof.Prefácio A Sociedade Brasileira de Diabetes vem sendo solicitada a se posicionar oficialmente quanto a vários conceitos e recomendações relativos a importantes aspectos da assistência ao portador de diabetes na prática clínica diária. dos Posicionamentos Oficiais definidos pela SBD. Portadores de diabetes. na defesa de seus direitos constitucionais de assistência à saúde. via correio. através de Posicionamentos Oficiais sobre os aspectos mais importantes relacionados à boa prática clínica na assistência ao portador de diabetes. médicos especialistas e clínicos não especialistas têm uma urgente necessidade de atualizar seus conhecimentos e suas condutas clínicas. diagnósticos e terapêuticos do diabetes e das doenças comumente associadas. visando a atualização continuada de médicos e gestores de serviços de atenção ao portador de diabetes.

Luiz Alberto Turatti Doutor em Endocrinologia – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Dr. Ex-Coordenador do Comitê de Educação em Diabetes do Ministério da Saúde.AUTOMONITORIZAÇÃO GLICÊMICA E MONITORIZAÇÃO CONTÍNUA DA GLICOSE Indicações e Recomendações para a Disponibilização pelos Serviços de Atenção ao Portador de Diabetes Editores Médicos: Dr. Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Coordenação Editorial: Dr. Antonio Carlos Lerário Professor Livre-Docente de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Walter Minicucci Médico da Divisão de Endocrinologia da Universidade de Campinas (UNICAMP). Dr. Augusto Pimazoni Netto Consultor Médico para Projetos de Educação Médica Continuada. Médico Assistente da Liga de Diabetes do Hospital das Clínicas da FMUSP. Ex-Consultor da UNESCO para Projetos Educacionais em Diabetes e Hipertensão junto ao Ministério da Saúde do Brasil. Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Diabetes. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 3 .

A MCG está indicada para uso pontual e ocasional. através da implantação de sensores de glicose colocados no tecido subcutâneo (sensores do tipo minimamente invasivo) ou na superfície cutânea do pulso e em outros locais. variando apenas a freqüência recomendada. possibilitando também avaliar se as metas glicêmicas recomendadas estão sendo efetivamente atingidas. sob a coordenação editorial de Richard Bergenstal. Seu uso tem o objetivo de oferecer um perfil completo dos níveis de glicose durante as 24 horas do dia. As diretrizes sobre as freqüências recomendadas e os horários para a realização dos testes de glicemia variam entre as associações internacionais de diabetes. • Sistema de Monitorização Contínua da Glicose A monitorização contínua da glicose (MCG) é uma tecnologia inovadora que permite identificar padrões ou tendências na flutuação dos níveis de glicemia para cima ou para baixo em relação à faixa desejada. por falta de informações. A AMG também contribui para redução do risco de hipoglicemia e para a manutenção de uma boa qualidade de vida. a AMG é uma parte integral. publicada como um suplemento do The American Journal of Medicine. Antonio Roberto Chacra [3]. na detecção de hipo e hiperglicemias não sintomáticas e no ajuste da conduta terapêutica medicamentosa e não medicamentosa. tanto em portadores de DM-1 como de DM-2. tanto para portadores de diabetes mellitus tipo 1 (DM-1) como para os portadores de diabetes mellitus tipo 2 (DM-2). além de detectar excursões pós-prandiais e padrões inaceitáveis de perfil glicêmico. Este procedimento permite ao paciente avaliar sua resposta individual à terapia. do International Diabetes Center (IDC) e de James Gavin III. como o antebraço (sensores nãoinvasivos). a American Diabetes Association considera a automonitorização glicêmica (AMG) como parte integrante do conjunto de intervenções e como componente essencial de uma efetiva estratégia terapêutica para o controle adequado do diabetes. Os níveis de glicose intersticial são medidos e registrados em intervalos regulares que variam de 1 a 10 minutos. Essas informações são armazenadas em uma unidade portátil e depois transferidas para um computador para a devida avaliação dos resultados pelos profissionais de saúde [4]. conforme o instrumento utilizado. a América Latina esteve representada pelo Prof. ajudando os pacientes a avaliar a eficácia de suas ações de estilo de vida e de seu esquema terapêutico. As Diretrizes SBD 2006 para o Tratamento e Acompanhamento do Diabetes Mellitus também se manifesta no mesmo sentido [2]. cujo controle esteja insatisfatório por apresentarem níveis elevados de A1C ou variações glicêmicas muito amplas. complementando informações proporcionadas pela A1C. Nessa Conferência. a qual deve ser definida pelas necessidades individuais e pelas metas de cada paciente [1]. obtidos através da AMG. De acordo com esse Consenso. em todos os pacientes portadores de DM-1. Dr. os pacientes freqüentemente desconhecem as ações mais adequadas que deveriam tomar em resposta aos resultados da glicemia. hipoglicemias noturnas freqüentes e com padrão irregular de horário de ocorrência. Além disso. da Emory University School of Medicine. Existe uma excelente correlação entre os 4 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . o que torna mais seguro o manejo de crianças menores em insulinização intensiva ou convencional. Além disso. O papel da AMG nos cuidados com os portadores de diabetes foi extensamente avaliado por uma Conferência Global de Consenso. porém subutilizada da estratégia integrada de gerenciamento da doença. a MCG permite determinar hipoglicemias noturnas assintomáticas. de setembro de 2005. O objetivo dessa Conferência Global de Consenso foi definir a AMG como uma ferramenta de auxílio para otimizar o controle glicêmico. nos Estados Unidos. por um período de 1 a 3 dias. Os resultados da AMG podem ser úteis na prevenção da hipoglicemia.AUTOMONITORIZAÇÃO GLICÊMICA E MONITORIZAÇÃO CONTÍNUA DA GLICOSE Indicações e Recomendações para a Disponibilização pelos Serviços de Atenção ao Portador de Diabetes Justificativa deste posicionamento oficial • Automonitorização glicêmica Em seu Posicionamento Oficial “Standards of Medical Care in Diabetes-2006”.

O desconhecimento dos médicos e dos pacientes sobre as indicações específicas e os benefícios potenciais da monitorização contínua da glicose impedem uma utilização mais ampla desse recurso diagnóstico quando clinicamente justificado. razão pela qual este procedimento é utilizado para a avaliação indireta dos níveis glicêmicos. Tabela 1. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 5 . total ou parcial para esses insumos. A MCG é um valioso instrumento de avaliação da flutuação glicêmica em condições clínicas especificamente delimitadas mais adiante.níveis de glicose intersticial e os níveis de glicemia. para avaliação e orientação da conduta terapêutica adotada. • Problemática da avaliação do controle glicêmico no Brasil A grande maioria das instituições públicas e privadas de assistência ao paciente diabético não disponibiliza monitores de glicemia nem as necessárias tiras reagentes para a prática da automonitorização glicêmica. A essa falta de cobertura para procedimentos tão essenciais para o controle do diabetes. de estudos clínicos utilizando protocolos adequados de investigação clínica e metanálises sobre a importância da automonitorização glicêmica em pacientes com DM-2 não usuários de insulina mostram que esta prática está associada a melhoras nos níveis de A1C. • Atitude tolerante do médico em relação a pacientes que não praticam a automonitorização glicêmica. Recomendações gerais sobre freqüências e horários para realização dos testes de glicemia Os dados existentes na literatura internacional suportam a utilização da automonitorização glicêmica em populações de portadores de DM-1. • Recusa do paciente em praticar a automonitorização glicêmica com a freqüência necessária de testes. Da mesma forma. A Tabela 2 mostra os requisitos considerados essenciais para o sucesso da automonitorização glicêmica. em diferentes horários do dia. principalmente para os pacientes que necessitam um maior número de testes diários e que não dispõem de nenhum tipo de cobertura. embora tenham os conhecimentos e os recursos necessários para fazê-lo. para evitar as punções digitais (picadas de dedo). que são os recursos rotineiros de avaliação do controle glicêmico na prática clínica. associam-se outros obstáculos importantes que precisam ser vencidos para que as estratégias de estímulo ao controle glicêmico sejam bem-sucedidas. Embora estudos adicionais sejam necessários para se estabelecer freqüências ideais de testes de glicemia. Dados de estudos observacionais mais recentes. • Custo da automonitorização glicêmica. • Deficiência de programas de educação em diabetes como um todo e de técnicas e informações sobre a importância da avaliação sistemática e permanente dos níveis glicêmicos em portadores de diabetes. os estudos atualmente disponíveis podem ser utilizados para definir algumas recomendações que possam melhor orientar os portadores de diabetes e os profissionais de saúde sobre o assunto[5]. Os principais obstáculos associados estão relacionados na Tabela 1. Requisitos básicos para o sucesso da automonitorização glicêmica A automonitorização glicêmica precisa ser encarada como uma ferramenta de obtenção de dados essenciais sobre valores de glicemia. DM-2 (usuários ou não de insulina) e diabetes gestacional. • Interpretação de dados: mesmo os pacientes que praticam a automonitorização glicêmica muitas vezes não sabem o que fazer com os resultados obtidos.Principais obstáculos adicionais à prática da automonitorização glicêmica no Brasil • Falta de conscientização do paciente quanto à importância da automonitorização glicêmica para o bom controle glicêmico. é preciso ter em mente que essa informação se destina a suplementar aquela obtida pelos testes normais de glicemia capilar e/ou pela medida dos níveis de A1C.

Tabela 2 . o qual é o perfil estimado dos níveis de glicose sangüínea durante as 24 horas do dia.Freqüências sugeridas de testes. UTI etc. • O paciente deve entender que a automonitorização glicêmica é parte integrante de uma estratégia terapêutica global. não proporciona nenhum benefício ao portador de diabetes. • Deve-se sempre ter em mente que a automonitorização glicêmica é um procedimento diagnóstico e não terapêutico.) • Episódios de hipoglicemias graves • A1C elevada com glicemia de jejum normal ⇒ Testes pré-prandiais: antes do café da manhã. É uma atitude relativamente comum o registro de falsos resultados mais “favoráveis” por parte de alguns pacientes. sem a devida interpretação dos resultados obtidos e sem a necessária adoção de eventuais medidas corretivas. o paciente deve assumir o controle das ações corretivas necessárias. imunossupressores etc.Requisitos essenciais para o sucesso da automonitorização glicêmica • A automonitorização glicêmica somente pode ser eficaz se o paciente tiver capacidade. • De qualquer forma. levando em consideração os vários fatores que interferem na glicemia durante as 24 horas do dia. os programas atualmente disponíveis para todos os modelos de monitores de glicemia permitem que o médico ou os serviços de atendimento às pessoas com diabetes possam fazer o “download” dos valores de glicemia armazenados nos monitores. sugerimos uma proposta de esquema de automonitorização glicêmica domiciliar. conforme orientação médica. o almoço e o jantar Testes adicionais para paciente do tipo 1 ou do tipo 2 usuário de insulina: ⇒ Hora de dormir ⇒ Madrugada (2.) • Terapia com drogas diabetogênicas (corticosteróides. • Os resultados dos testes de glicemia devem ser fielmente registrados em formulário especial. Na medida do possível. o primeiro conceito básico a ser entendido é a necessidade da determinação do assim chamado “perfil glicêmico”. até o alcance das metas preestabelecidas) tem a finalidade de definir o perfil glicêmico do paciente naquele momento em particular da evolução de sua doença.3 horas da manhã) 6 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . A Tabela 3 mostra um resumo das condições clínicas. horários e condições da realização dos testes. A simples realização dos testes de glicemia. Considerando o conceito atual de que tanto as glicemias de jejum como as pós-prandiais são determinantes importantes dos níveis de A1C. do almoço e do jantar ⇒ Testes pós-prandiais: 2 horas após o café da manhã. • O paciente deve ser devidamente orientado sobre as condutas a serem tomadas diante de determinados resultados dos testes de glicemia. conhecimento e motivação suficientes para garantir a melhor aderência possível às recomendações médicas de condutas terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas. indicando datas. Seria quase impossível definir um esquema perfeito de monitorização domiciliar da glicemia que fosse 100% adequado a TODOS os pacientes diabéticos. conforme a situação clínica Situação clínica Freqüência de testes DETERMINAÇÃO DO PERFIL GLICÊMICO NECESSIDADE MAIOR DE TESTES: 6 testes por dia. nas quais as respectivas freqüências de testes de glicemia estão indicadas. na medida em que proporciona informações valiosas para avaliar e orientar o tratamento. Tabela 3 . Quando falamos de automonitorização glicêmica domiciliar. até o alcance das metas preestabelecidas (*) • Início do tratamento (agentes orais e/ou insulina) • Ajuste da dose do medicamento • Mudança de medicação (introdução / exclusão de qualquer medicamento) • Estresse clínico e cirúrgico (infecções. cirurgias. O número aparentemente alto de testes por dia sugerido por este esquema durante as situações “agudas” (≥6 testes por dia. principalmente se for usuário de insulina.

3. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 7 . em diferentes horários.Recomendações da conferência global de consenso sobre automonitorização glicêmica 1. Muitos pacientes requerem testes mais freqüentes. com a determinação de perfis glicêmicos mais freqüentes para pacientes com controle glicêmico adequado e tratados com agentes orais associados a dose única diária de insulina. O médico deverá definir as metas individuais mais adequadas para cada paciente. • ≥ 1 vez por semana em pacientes sob tratamento não farmacológico. mas não a validade intrínseca do procedimento de automonitorização glicêmica como estratégia essencial para o bom controle do diabetes. A Conferência Global de Consenso sobre Automonitorização Glicêmica definiu as recomendações indicadas na Tabela 4 sobre a prática adequada e bem-sucedida dessa estratégia[6].FASE DE ESTABILIZAÇÃO GLICÊMICA NECESSIDADE MENOR DE TESTES FREQÜÊNCIA VARIÁVEL (**) • Condição clínica estável. alterações no tratamento. O médico deverá definir a freqüência e os horários dos testes mais adequados para cada paciente. • ≥ 2 vezes por dia em pacientes acima das metas glicêmicas. • ≥ 1 vez por dia. com um perfil glicêmico semanal. Testes adicionais devem ser realizados na ocorrência de certas situações clínicas. Importante . devendo variar apenas a freqüência e os horários dos testes de glicemia. tratados com agentes orais e/ou dose única diária de insulina. em diferentes horários ⇒ Tipo 2 em uso de antidiabéticos orais + insulinização parcial: pelo menos 1 teste por dia. o que deve ser objeto de discussão é a definição dos parâmetros de freqüência e horário dos testes. incluindo pré e pós-prandiais (e. 2. com A1C normal ou quase normal ⇒ Tipo 1 ou tipo 2 com insulinização plena: pelo menos 3 testes por dia. Os parâmetros de freqüência e horário deverão ser definidos com base nas condições clínicas. de madrugada). tais como doenças agudas. sendo que caberá ao profissional de saúde definir a freqüência e os horários dos testes de glicemia mais adequados para cada paciente. sobre o controle do diabetes. • ≥ 1 vez por dia. no grau de controle glicêmico e nas necessidades específicas de cada paciente. estando ou não com o controle glicêmico adequado. O esquema proposto anteriormente deve servir apenas como marco referencial. em diferentes horários (*) Para a determinação do padrão glicêmico.A indicação médica para a prática da automonitorização glicêmica está devidamente fundamentada tanto para os pacientes com DM-1 como para aqueles com DM-2 usuários ou não de insulina. As freqüências recomendadas para a prática da automonitorização glicêmica são as seguintes: • ≥ 3 a 4 vezes por dia em pacientes tratados com múltiplas injeções de insulina ou que utilizem uma bomba de insulina. Testes de glicemia pós-prandial devem ser realizados por todos os pacientes com diabetes para minimizar as excursões pós-prandiais e para orientar as modificações necessárias no tratamento e no estilo de vida. em pacientes com controle glicêmico adequado e tratados apenas com dose única diária de insulina OU com agentes orais. A automonitorização glicêmica deve ser indicada para todos os pacientes portadores de diabetes como parte integrante de um programa global de gerenciamento da doença. individualmente. Tabela 4 . incluindo um perfil semanal ⇒ Tipo 2 em uso de antidiabéticos orais ou em tratamento não farmacológico: pelo menos 1 a 2 testes por semana. doenças intercorrentes. (**) De acordo com o grau de controle glicêmico. Baixa variabilidade nos resultados dos testes. a automonitorização glicêmica deve ser encarada como uma ferramenta educacional para informar os pacientes sobre os efeitos do estilo de vida e das alterações de comportamento. pacientes com falta de percepção da hipoglicemia e durante a gravidez. 5. ocasionalmente. Portanto. 4. Além de sua utilidade como uma ferramenta de avaliação do controle glicêmico.

é absolutamente necessário que o paciente assuma as responsabilidades que lhe cabem. A título de sugestão. responsável e consciente pelo paciente. Nos planos de saúde. As mesmas recomendações são aplicáveis aos planos de saúde. • Há evidências suficientes para que planos e entidades governamentais de saúde disponibilizem monitores e tiras para testes de glicemia. está resumida nos tópicos a seguir. • O custo da assistência ao paciente portador de diabetes com múltiplas hospitalizações é TRÊS VEZES MAIOR do que o custo de pacientes com apenas uma hospitalização por ano [7]. 8 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD .Disponibilização gratuita de monitores de glicemia e tiras reagentes por entidades privadas ou governamentais de saúde Tendo em vista os reais benefícios proporcionados ao portador de diabetes pela automonitorização glicêmica. • Os custos médicos diretos com portadores de diabetes tipo 2 foram 20% mais baixos em pacientes com bom controle glicêmico [8]. . A falta de adesão do paciente às recomendações dos profissionais de saúde relativas às condutas terapêuticas medicamentosas e não medicamentosas é motivo necessário e suficiente para a interrupção do fornecimento do benefício. mais diretamente nos esforços de médicos e pacientes para a melhoria do controle glicêmico. Para fazer jus a esse benefício. estimulando a adoção de padrões mais desejáveis de cuidados com o diabetes e aumentando a aderência ao tratamento [10]. prevenindo suas complicações. • A automonitorização da glicemia por pacientes portadores de diabetes tipo 1 e tipo 2 pelos planos de saúde promoveu uma melhora no controle glicêmico. . a Sociedade Brasileira de Diabetes manifesta sua posição de pleno apoio à disponibilização gratuita de monitores de glicemia e tiras reagentes por entidades privadas ou governamentais de saúde. 3. desde que obedecidas algumas recomendações essenciais para a maior efetividade dessa estratégia de controle. a Sociedade Brasileira de Diabetes também reconhece que o investimento na disponibilização de insumos para avaliação do controle glicêmico é plenamente justificável. 6. promoveu uma economia de US$ 2.66% .Algumas recomendações essenciais para justificar o investimento em automonitorização glicêmica 1. Considerando que os recursos financeiros destinados à saúde são finitos. mesmo que os segurados não disponham de assistência farmacêutica e de insumos para controle glicêmico. A Tabela 5 resume algumas dessas recomendações essenciais.42% . • Percentual de pacientes com mau controle glicêmico. desde que o percentual dessa participação não ultrapasse os limites do razoável. A automonitorização glicêmica deve ser proporcionada gratuitamente como uma das estratégias essenciais de um programa mais abrangente de educação e controle do diabetes. Da mesma forma. conforme o tipo de tratamento [8]: . recomenda-se que os planos de saúde desenvolvam estratégias de incentivo e de motivação para a obtenção do controle glicêmico adequado de seus segurados portadores de diabetes. As entidades governamentais precisam efetivamente disponibilizar os recursos terapêuticos e de controle glicêmico necessários. 4. como parte integrante de um programa mais abrangente e contínuo de educação em diabetes.antidiabéticos orais + insulina.5 BILHÕES em custos hospitalares nos Estados Unidos [7]. quando praticada de maneira adequada. o sistema de co-participação dos pacientes nos custos com insumos para o controle glicêmico pode ser considerado. uma cota de participação do paciente inferior a 20% seria o recomendável. sobre os custos do mau controle glicêmico para as instituições privadas ou governamentais de atenção ao portador de diabetes.57% . Uma revisão da bibliografia internacional mais recente. com as respectivas referências bibliográficas: • Um programa adequado de atenção primária ao paciente portador de diabetes. 7. antes de se atribuir ao paciente a responsabilidade pela sua falta de adesão. Tabela 5 . 5. para pacientes portadores de diabetes tipo 1 ou tipo 2 [9]. recomenda-se a suspensão do benefício também quando o paciente não o utiliza na forma recomendada. Da mesma forma.apenas com insulina.antidiabéticos orais. 2.

O procedimento da MCG está indicado tanto para pacientes portadores de DM-1 como de DM-2. as quais somente podem ser detectadas através da monitorização contínua. a duração. o sistema de MCG proporciona uma visão muito mais ampla dos níveis de glicose durante todo o dia. • Substituição da insulina NPH por um análogo de insulina de longa duração ou adição de aplicações adicionais de insulina NPH. Quantificação da resposta a um agente antidiabético. 6. 2. a magnitude. Tabela 6 . A SBD faz algumas ressalvas a alguns dos parâmetros da PEIA relacionados a seguir. em 2005.• A utilização dos recursos disponíveis para a avaliação da glicemia no paciente portador de diabetes proporciona um controle metabólico adequado. • Ajustes de doses de insulina basal e prandial. citamos o protocolo desenvolvido pela West Virginia Public Employees Insurance Agency (PEIA). A indicação mais importante da MCG é a de facilitar os ajustes na conduta terapêutica. pacientes em UTI). A Tabela 6 mostra as principais indicações reconhecidas pela SBD para a realização da MCG. com a finalidade de identificar alterações significativas das flutuações glicêmicas ocorridas durante as 24 horas do dia. • Alterações na composição de carboidratos da dieta.Principais indicações reconhecidas pela SBD para a monitorização contínua da glicose 1. Avaliação do impacto de modificações do estilo de vida sobre o controle glicêmico. Indicações clínicas para o exame de monitorização contínua da glicose As indicações clínicas para a realização do exame de MCG incluem situações que exigem uma informação detalhada sobre as flutuações da glicemia. 7. podendo levar a uma redução significante na mortalidade e na morbidade relacionadas ao diabetes [11]. com base nas recomendações de Klonoff [4]. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 9 . Diagnóstico e prevenção da hipoglicemia pós-prandial.97 por paciente participante do programa [13]. enquanto que a MCG tem suas indicações restritas a um grupo de condições clínicas especiais [4]. com o objetivo de melhorar o controle glicêmico. Diagnóstico e prevenção da hipoglicemia assintomática e noturna. desde que seja devidamente caracterizada a necessidade médica de um perfil glicêmico completo. de qualidade de vida e de economia [12]. além de proporcionar informações sobre tendências de níveis glicêmicos que podem identificar e prevenir períodos de hipo ou hiperglicemia. Em comparação com a automonitorização glicêmica (AMG) convencional que engloba algumas determinações diárias e pontuais da glicemia. 5. 3. • A melhora no controle glicêmico do diabetes tipo 2 está associada. em curto prazo. Apenas a título de exemplo. Indicações e recomendações para a monitorização contínua da glicose A MCG proporciona informações sobre a direção. para definir os critérios de inclusão para justificar a realização da MCG [14]. • Nos Estados Unidos um programa bem-sucedido de gerenciamento de doenças aplicado ao diabetes pode ser implementado a um custo adicional mensal de apenas US$ 36. 4. diabetes em crianças. a freqüência e as causas das flutuações nos níveis de glicemia. Monitoramento das condições nas quais um controle glicêmico intensivo é desejado (diabetes gestacional. a benefícios substanciais em termos clínicos. Por outro lado. a AMG tem uma ampla indicação para uso freqüente e rotineiro pelo portador de diabetes. Os referidos ajustes incluem: • Substituição da insulina rápida pelo análogo de insulina ultra-rápida ou adição de aplicações adicionais de insulina de ação rápida ou de análogo de insulina de ação ultra-rápida. • Alterações nas metas desejáveis para glicemia pré ou pós-prandial.

Do portador de diabetes se espera que assuma um papel responsável no autocontrole de sua condição clínica. Do provedor de cuidados. A principal crítica manifestada por alguns trabados lhos da literatura internacional é a inércia do paciente em termos de não saber como proceder diante dos resultados da automonitorização.Receber múltiplas injeções de insulina (3 ou mais por dia).Ser portador de DM-1 ou DM-2. De fato. sem uma adequada educação em diabetes e sem uma orientação prática sobre o que fazer com os resultados dos testes. .) . é uma ferramenta educacional. . sendo o paciente aderente ao tratamento prescrito. como o DCCT e o UKPDS. SBD: Posição por si mesma. Considerações importantes A automonitorização da glicemia é um recurso diagnóstico essencial para o bom controle do DM-1 e do DM2.Gestante diabética com dificuldades de controle glicêmico adequado.Paciente diabética e recém-grávida ou planejando engravidar.) . benefícios importantes de saúde podem ser obtidos a um custo adicional aceitável [15]. . a automonitorização perde o seu sentido.Apresentar uma freqüência documentada de automonitorização glicêmica com 4 ou mais medidas ao dia. Neste Posicionamento Oficial a SBD reconhece a importância médica dos procedimentos de automonitorização glicêmica e monitorização contínua da glicose. clínicos e laboratoriais em diabetes. (Posição da SBD A realização da MCG. (Posição da SBD Esta exigência não deve ser SBD: Posição uma condição “sine qua non”. . conforme os valores de A1C. com espírito combativo. aderindo rigidamente às recomendações dos profissionais de saúde e defendendo. .Apresentar diabetes em uso de insulina com episódios de cetoacidose ou hospitalizações por descontrole glicêmico. . ou seja.Ter completado um programa abrangente de educação em diabetes. visando a melhoria da atenção ao portador de diabetes. o paciente deverá também obedecer a um ou mais dos seguintes critérios acessórios: .• Serão aceitas apenas as solicitações feitas por especialistas em medicina interna e pediatria que tenham completado o treinamento em endocrinologia e que sejam também certificados como especialistas nessa área.Apresentar diabetes em uso de insulina com episódios inexplicáveis de hipoglicemia (<50 mg/dl). o autocontrole da doença e a educação em diabetes foram componentes vitais em estudos clínicos de referência sobre o impacto do tratamento intensivo e de modificações no estilo de vida. . de acordo com as recomendações expostas neste documento. As referidas estratégias demonstraram ter efetividade de custo. • Para a obtenção de autorização do exame da MCG o paciente precisa obedecer a todos os seguintes critérios obrigatórios: . (Posição da SBD Esta exigência não deve ser uma condição “sine qua non”. • Além desses critérios obrigatórios.Apresentar diabetes tipo 2 com boa aderência cuja terapia resulte em hipoglicemia ou controle glicêmico inadequado. pacientes em início de terapia insulínica ou de regime de bomba de infusão. incluindo análises e recomendações sobre propostas de estratégias governamentais e/ou privadas. seus direitos constitucionais de cidadãos que reivindicam e merecem a devida atenção do Estado no atendimento às suas necessidades de saúde. com efetividade de custo e com a freqüência de testes especificamente indicada para cada condição clínica em especial.Apresentar diabetes em uso de insulina com flutuações amplas e inexplicáveis nos valores de glicemia préprandial (acima de 150 mg/dl) e não adequadamente controlados conforme demonstrado pela A1C. podendo ser a estratégia inicial para o paciente envolver-se de maneira responsável num projeto mais amplo de educação em diabetes.Apresentar aderência às recomendações do endocrinologista. seja na esfera pública ou privada. desde que utilizado de maneira inteligente.) SBD: Posição . espera-se uma atitude firme de apoio a intervenções eficazes que melhorem o controle glicêmico e que contribuam para a prevenção das complicações do diabetes.Apresentar valores de A1C acima de 7% ou abaixo de 7% com episódios freqüentes e documentados de hipoglicemia severa (abaixo de 50 mg/dl). Segundo a International Diabetes Federation. Resumo e comentários finais A Sociedade Brasileira de Diabetes tem a responsabilidade de definir posicionamentos oficiais da Entidade diante de temas polêmicos ou de atualização médica relativos a aspectos preventivos. 10 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD .

Healthcare Cost and Utilization Project.org/Diabetes_education/Cost_ effectiveness_of_education/. Disponível em: http://care. Blonde. Bergenstal. 2005. Benefit Guidelines for Continuous Glucose Monitoring System (CGMS). Disponível em: http://jama. JAMA 295:1688-1697. Disponível em: http://www. Disponível em: http://www. 9. sob Número 01/06. Rothman RL et al.westvirginia.eatlas. 8. AJ. Healthcare Cost and Utilization Project. January 2005. HCUP Highlights. Diabetes Care 29(Suppl 1). 2006. 1998. Diabetes Atlas – International Diabetes Federation. Disponível em: http://archinte. Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ). Diabetes Care 28:1231-1239. 6. Acesso em: 25 de julho de 2006. January 16. 2005. Davidson.resource-allocation. Economic and Health Costs of Diabetes. AK et al. na data de 15 de Agosto de 2006. Acesso em: 03 de agosto de 2006.org/clinicaldiabetes/V17N41999/pg180. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 11 . Strategies for Improving Glycemic Control: Effective Use of Glucose Monitoring.pdf. Disponível em: http://www. Arch Intern Med 164:645652.pdf. The American Journal of Medicine 188(9A).ama-assn. Cost Effectiveness and Resource Allocation. RM et al.org/cgi/content/abstract/295/14/1688. Acesso em: 25 de julho de 2006. HCUP Highlights.gov/data/hcup/highlight1/high1.amaassn. NOTA: Este Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes foi devidamente registrado na Secre2006. Soumerai. 3.diabetes.diabetesjournals.ajmc. Acesso em: 25 de julho de 2006. Disponível em: http://www. 5. 4. 2004. Labor Characteristics and Program Costs of a Successful Diabetes Disease Management Program. 2006.idf. Am J Manag Care 12:277-283. Em: Tratamento e Acompanhamento do Diabetes Mellitus – Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: http://www. Acesso em: 25 de julho de 2006. J. The Role of Self-Monitoring of Blood Glucose in the Care of People with Diabetes: Report of a Global Consensus Conference. Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ). Saudek. CD et al. 11.htm. Acesso em: 25 de julho de 2006. Standards of Medical Care in Diabetes-2006. Cost-Effectiveness of Diabetes Education. 2006. Linking Improved Glycemic Control. Disponível em: http://www.The American Journal of Medine 118(9A). L. et al. 4:1.pdf. The Association Between Diabetes Related Medical Costs and Glycemic Control: A Retrospective Analysis. 15. 2. 2005.Referências bibliográficas 1. The Amerian Journal of Medicine 118(9A):1S-6S.org/cgi/content/abstract/164/ 6/645. 14. págs. Acesso em: 25 de julho de 2006. 70-72. Acesso em: 25 de julho de 2006.org/cgi/reprint/29/suppl_1/s4. Quality of Life. 13. 20S-26S. January 2005. JAMA 280:1490-96.com/files/articlefiles/AJMC06mayRothman 277to283. Acesso em: 25 de julho de 2006.ahrq. 2005.com/content/4/ 1/1/abstract. 7. Klonoff. 2006. Acesso em: 25 de julho de 2006. Testa MA and Dey.ahrq. Disponível em: http:// journal. 27S-32S. Economic and Health Costs of Diabetes. Métodos para Monitorar o Tratamento da Hiperglicemia. 12.diabetesjournals. Current Evidence Regarding the Value of Self-Monitored Blood’ Glucose Testing. Acesso em: 25 de julho de 2006. SB. Continuous Glucose Monitoring. 2006. DC.pdf.org/cgi/reprint/28/5/1231.com/ peia/content/Glucose%20Monitoring%20System% 20Policy.gov/data/hcup/highlight1/high1. Assessing Glycemia In Diabetes Using Self-Monitoring Blood Glucose And Hemoglobin A1C. 10. J. and Economics: Evidence to Support Intuition. taria da Entidade. and Karter. Disponível em: http://care. Effects of Health Maintenance Organization Coverage of Self-Monitoring Devices on Diabetes Self-Care and Glycemic Control. West Virginia Public Employees Insurance Agency – 2005. Oglesby.

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