como mais uma prestação de serviços.Prefácio A Sociedade Brasileira de Diabetes vem sendo solicitada a se posicionar oficialmente quanto a vários conceitos e recomendações relativos a importantes aspectos da assistência ao portador de diabetes na prática clínica diária. diagnósticos e terapêuticos do diabetes e das doenças comumente associadas. Marcos Tambascia Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes 2 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . médicos especialistas e clínicos não especialistas têm uma urgente necessidade de atualizar seus conhecimentos e suas condutas clínicas. na defesa de seus direitos constitucionais de assistência à saúde. bem como gestores de saúde pública e de planos privados de saúde têm recorrido à SBD para elucidar suas dúvidas na busca de orientação sobre como normatizar a assistência aos portadores de diabetes em suas respectivas instituições. recorrendo a orientações da SBD sob a forma de atividades presenciais de atualização. Outro objetivo igualmente importante é o de propiciar aos associados o recebimento. consensos e. através de Posicionamentos Oficiais sobre os aspectos mais importantes relacionados à boa prática clínica na assistência ao portador de diabetes. visando a atualização continuada de médicos e gestores de serviços de atenção ao portador de diabetes. Dr. Além disso. dos Posicionamentos Oficiais definidos pela SBD. São Paulo. agosto de 2006. mais recentemente. Prof. Os Posicionamentos Oficiais SBD-2006 terão por objetivo a definição oficial da SBD em relação a aspectos preventivos. via correio. Portadores de diabetes.

Walter Minicucci Médico da Divisão de Endocrinologia da Universidade de Campinas (UNICAMP). Ex-Coordenador do Comitê de Educação em Diabetes do Ministério da Saúde.AUTOMONITORIZAÇÃO GLICÊMICA E MONITORIZAÇÃO CONTÍNUA DA GLICOSE Indicações e Recomendações para a Disponibilização pelos Serviços de Atenção ao Portador de Diabetes Editores Médicos: Dr. Dr. Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Dr. Ex-Consultor da UNESCO para Projetos Educacionais em Diabetes e Hipertensão junto ao Ministério da Saúde do Brasil. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 3 . Luiz Alberto Turatti Doutor em Endocrinologia – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Médico Assistente da Liga de Diabetes do Hospital das Clínicas da FMUSP. Coordenação Editorial: Dr. Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Diabetes. Antonio Carlos Lerário Professor Livre-Docente de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Augusto Pimazoni Netto Consultor Médico para Projetos de Educação Médica Continuada.

tanto em portadores de DM-1 como de DM-2. Os níveis de glicose intersticial são medidos e registrados em intervalos regulares que variam de 1 a 10 minutos. sob a coordenação editorial de Richard Bergenstal. cujo controle esteja insatisfatório por apresentarem níveis elevados de A1C ou variações glicêmicas muito amplas. Essas informações são armazenadas em uma unidade portátil e depois transferidas para um computador para a devida avaliação dos resultados pelos profissionais de saúde [4]. Nessa Conferência. do International Diabetes Center (IDC) e de James Gavin III. Os resultados da AMG podem ser úteis na prevenção da hipoglicemia. tanto para portadores de diabetes mellitus tipo 1 (DM-1) como para os portadores de diabetes mellitus tipo 2 (DM-2). obtidos através da AMG. As diretrizes sobre as freqüências recomendadas e os horários para a realização dos testes de glicemia variam entre as associações internacionais de diabetes. Existe uma excelente correlação entre os 4 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . hipoglicemias noturnas freqüentes e com padrão irregular de horário de ocorrência. complementando informações proporcionadas pela A1C. a American Diabetes Association considera a automonitorização glicêmica (AMG) como parte integrante do conjunto de intervenções e como componente essencial de uma efetiva estratégia terapêutica para o controle adequado do diabetes. A AMG também contribui para redução do risco de hipoglicemia e para a manutenção de uma boa qualidade de vida. como o antebraço (sensores nãoinvasivos). por um período de 1 a 3 dias. a AMG é uma parte integral. a MCG permite determinar hipoglicemias noturnas assintomáticas. Este procedimento permite ao paciente avaliar sua resposta individual à terapia. a qual deve ser definida pelas necessidades individuais e pelas metas de cada paciente [1]. Dr. porém subutilizada da estratégia integrada de gerenciamento da doença. através da implantação de sensores de glicose colocados no tecido subcutâneo (sensores do tipo minimamente invasivo) ou na superfície cutânea do pulso e em outros locais. As Diretrizes SBD 2006 para o Tratamento e Acompanhamento do Diabetes Mellitus também se manifesta no mesmo sentido [2]. da Emory University School of Medicine. por falta de informações. os pacientes freqüentemente desconhecem as ações mais adequadas que deveriam tomar em resposta aos resultados da glicemia. Além disso. a América Latina esteve representada pelo Prof. nos Estados Unidos. Antonio Roberto Chacra [3]. ajudando os pacientes a avaliar a eficácia de suas ações de estilo de vida e de seu esquema terapêutico. Seu uso tem o objetivo de oferecer um perfil completo dos níveis de glicose durante as 24 horas do dia. na detecção de hipo e hiperglicemias não sintomáticas e no ajuste da conduta terapêutica medicamentosa e não medicamentosa. variando apenas a freqüência recomendada. de setembro de 2005. A MCG está indicada para uso pontual e ocasional. publicada como um suplemento do The American Journal of Medicine.AUTOMONITORIZAÇÃO GLICÊMICA E MONITORIZAÇÃO CONTÍNUA DA GLICOSE Indicações e Recomendações para a Disponibilização pelos Serviços de Atenção ao Portador de Diabetes Justificativa deste posicionamento oficial • Automonitorização glicêmica Em seu Posicionamento Oficial “Standards of Medical Care in Diabetes-2006”. o que torna mais seguro o manejo de crianças menores em insulinização intensiva ou convencional. De acordo com esse Consenso. O objetivo dessa Conferência Global de Consenso foi definir a AMG como uma ferramenta de auxílio para otimizar o controle glicêmico. em todos os pacientes portadores de DM-1. Além disso. além de detectar excursões pós-prandiais e padrões inaceitáveis de perfil glicêmico. • Sistema de Monitorização Contínua da Glicose A monitorização contínua da glicose (MCG) é uma tecnologia inovadora que permite identificar padrões ou tendências na flutuação dos níveis de glicemia para cima ou para baixo em relação à faixa desejada. O papel da AMG nos cuidados com os portadores de diabetes foi extensamente avaliado por uma Conferência Global de Consenso. possibilitando também avaliar se as metas glicêmicas recomendadas estão sendo efetivamente atingidas. conforme o instrumento utilizado.

• Recusa do paciente em praticar a automonitorização glicêmica com a freqüência necessária de testes. total ou parcial para esses insumos. que são os recursos rotineiros de avaliação do controle glicêmico na prática clínica.Principais obstáculos adicionais à prática da automonitorização glicêmica no Brasil • Falta de conscientização do paciente quanto à importância da automonitorização glicêmica para o bom controle glicêmico. os estudos atualmente disponíveis podem ser utilizados para definir algumas recomendações que possam melhor orientar os portadores de diabetes e os profissionais de saúde sobre o assunto[5]. Embora estudos adicionais sejam necessários para se estabelecer freqüências ideais de testes de glicemia. Recomendações gerais sobre freqüências e horários para realização dos testes de glicemia Os dados existentes na literatura internacional suportam a utilização da automonitorização glicêmica em populações de portadores de DM-1. O desconhecimento dos médicos e dos pacientes sobre as indicações específicas e os benefícios potenciais da monitorização contínua da glicose impedem uma utilização mais ampla desse recurso diagnóstico quando clinicamente justificado. associam-se outros obstáculos importantes que precisam ser vencidos para que as estratégias de estímulo ao controle glicêmico sejam bem-sucedidas. • Custo da automonitorização glicêmica. de estudos clínicos utilizando protocolos adequados de investigação clínica e metanálises sobre a importância da automonitorização glicêmica em pacientes com DM-2 não usuários de insulina mostram que esta prática está associada a melhoras nos níveis de A1C. para evitar as punções digitais (picadas de dedo). em diferentes horários do dia. Requisitos básicos para o sucesso da automonitorização glicêmica A automonitorização glicêmica precisa ser encarada como uma ferramenta de obtenção de dados essenciais sobre valores de glicemia. • Atitude tolerante do médico em relação a pacientes que não praticam a automonitorização glicêmica. • Problemática da avaliação do controle glicêmico no Brasil A grande maioria das instituições públicas e privadas de assistência ao paciente diabético não disponibiliza monitores de glicemia nem as necessárias tiras reagentes para a prática da automonitorização glicêmica.níveis de glicose intersticial e os níveis de glicemia. A essa falta de cobertura para procedimentos tão essenciais para o controle do diabetes. Dados de estudos observacionais mais recentes. A MCG é um valioso instrumento de avaliação da flutuação glicêmica em condições clínicas especificamente delimitadas mais adiante. é preciso ter em mente que essa informação se destina a suplementar aquela obtida pelos testes normais de glicemia capilar e/ou pela medida dos níveis de A1C. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 5 . para avaliação e orientação da conduta terapêutica adotada. Os principais obstáculos associados estão relacionados na Tabela 1. razão pela qual este procedimento é utilizado para a avaliação indireta dos níveis glicêmicos. • Deficiência de programas de educação em diabetes como um todo e de técnicas e informações sobre a importância da avaliação sistemática e permanente dos níveis glicêmicos em portadores de diabetes. Tabela 1. • Interpretação de dados: mesmo os pacientes que praticam a automonitorização glicêmica muitas vezes não sabem o que fazer com os resultados obtidos. A Tabela 2 mostra os requisitos considerados essenciais para o sucesso da automonitorização glicêmica. embora tenham os conhecimentos e os recursos necessários para fazê-lo. principalmente para os pacientes que necessitam um maior número de testes diários e que não dispõem de nenhum tipo de cobertura. DM-2 (usuários ou não de insulina) e diabetes gestacional. Da mesma forma.

Freqüências sugeridas de testes. o qual é o perfil estimado dos níveis de glicose sangüínea durante as 24 horas do dia. conforme orientação médica.Tabela 2 . • De qualquer forma. horários e condições da realização dos testes. conhecimento e motivação suficientes para garantir a melhor aderência possível às recomendações médicas de condutas terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas. O número aparentemente alto de testes por dia sugerido por este esquema durante as situações “agudas” (≥6 testes por dia. sem a devida interpretação dos resultados obtidos e sem a necessária adoção de eventuais medidas corretivas.) • Episódios de hipoglicemias graves • A1C elevada com glicemia de jejum normal ⇒ Testes pré-prandiais: antes do café da manhã. Tabela 3 . o paciente deve assumir o controle das ações corretivas necessárias. A simples realização dos testes de glicemia. conforme a situação clínica Situação clínica Freqüência de testes DETERMINAÇÃO DO PERFIL GLICÊMICO NECESSIDADE MAIOR DE TESTES: 6 testes por dia. A Tabela 3 mostra um resumo das condições clínicas. • O paciente deve entender que a automonitorização glicêmica é parte integrante de uma estratégia terapêutica global. cirurgias. nas quais as respectivas freqüências de testes de glicemia estão indicadas. não proporciona nenhum benefício ao portador de diabetes. Seria quase impossível definir um esquema perfeito de monitorização domiciliar da glicemia que fosse 100% adequado a TODOS os pacientes diabéticos. levando em consideração os vários fatores que interferem na glicemia durante as 24 horas do dia. • Deve-se sempre ter em mente que a automonitorização glicêmica é um procedimento diagnóstico e não terapêutico. É uma atitude relativamente comum o registro de falsos resultados mais “favoráveis” por parte de alguns pacientes.) • Terapia com drogas diabetogênicas (corticosteróides. Na medida do possível.3 horas da manhã) 6 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . até o alcance das metas preestabelecidas (*) • Início do tratamento (agentes orais e/ou insulina) • Ajuste da dose do medicamento • Mudança de medicação (introdução / exclusão de qualquer medicamento) • Estresse clínico e cirúrgico (infecções. do almoço e do jantar ⇒ Testes pós-prandiais: 2 horas após o café da manhã. sugerimos uma proposta de esquema de automonitorização glicêmica domiciliar.Requisitos essenciais para o sucesso da automonitorização glicêmica • A automonitorização glicêmica somente pode ser eficaz se o paciente tiver capacidade. Quando falamos de automonitorização glicêmica domiciliar. Considerando o conceito atual de que tanto as glicemias de jejum como as pós-prandiais são determinantes importantes dos níveis de A1C. o almoço e o jantar Testes adicionais para paciente do tipo 1 ou do tipo 2 usuário de insulina: ⇒ Hora de dormir ⇒ Madrugada (2. • Os resultados dos testes de glicemia devem ser fielmente registrados em formulário especial. UTI etc. os programas atualmente disponíveis para todos os modelos de monitores de glicemia permitem que o médico ou os serviços de atendimento às pessoas com diabetes possam fazer o “download” dos valores de glicemia armazenados nos monitores. • O paciente deve ser devidamente orientado sobre as condutas a serem tomadas diante de determinados resultados dos testes de glicemia. principalmente se for usuário de insulina. o primeiro conceito básico a ser entendido é a necessidade da determinação do assim chamado “perfil glicêmico”. na medida em que proporciona informações valiosas para avaliar e orientar o tratamento. até o alcance das metas preestabelecidas) tem a finalidade de definir o perfil glicêmico do paciente naquele momento em particular da evolução de sua doença. indicando datas. imunossupressores etc.

Importante . • ≥ 2 vezes por dia em pacientes acima das metas glicêmicas. devendo variar apenas a freqüência e os horários dos testes de glicemia. 3.A indicação médica para a prática da automonitorização glicêmica está devidamente fundamentada tanto para os pacientes com DM-1 como para aqueles com DM-2 usuários ou não de insulina. O médico deverá definir as metas individuais mais adequadas para cada paciente. individualmente. Testes de glicemia pós-prandial devem ser realizados por todos os pacientes com diabetes para minimizar as excursões pós-prandiais e para orientar as modificações necessárias no tratamento e no estilo de vida. A automonitorização glicêmica deve ser indicada para todos os pacientes portadores de diabetes como parte integrante de um programa global de gerenciamento da doença. com a determinação de perfis glicêmicos mais freqüentes para pacientes com controle glicêmico adequado e tratados com agentes orais associados a dose única diária de insulina. estando ou não com o controle glicêmico adequado. O médico deverá definir a freqüência e os horários dos testes mais adequados para cada paciente. sendo que caberá ao profissional de saúde definir a freqüência e os horários dos testes de glicemia mais adequados para cada paciente. Baixa variabilidade nos resultados dos testes. em diferentes horários. em diferentes horários (*) Para a determinação do padrão glicêmico.FASE DE ESTABILIZAÇÃO GLICÊMICA NECESSIDADE MENOR DE TESTES FREQÜÊNCIA VARIÁVEL (**) • Condição clínica estável. Muitos pacientes requerem testes mais freqüentes.Recomendações da conferência global de consenso sobre automonitorização glicêmica 1. com um perfil glicêmico semanal. tratados com agentes orais e/ou dose única diária de insulina. incluindo um perfil semanal ⇒ Tipo 2 em uso de antidiabéticos orais ou em tratamento não farmacológico: pelo menos 1 a 2 testes por semana. pacientes com falta de percepção da hipoglicemia e durante a gravidez. (**) De acordo com o grau de controle glicêmico. sobre o controle do diabetes. Testes adicionais devem ser realizados na ocorrência de certas situações clínicas. doenças intercorrentes. O esquema proposto anteriormente deve servir apenas como marco referencial. • ≥ 1 vez por dia. Além de sua utilidade como uma ferramenta de avaliação do controle glicêmico. ocasionalmente. Tabela 4 . o que deve ser objeto de discussão é a definição dos parâmetros de freqüência e horário dos testes. mas não a validade intrínseca do procedimento de automonitorização glicêmica como estratégia essencial para o bom controle do diabetes. 5. Os parâmetros de freqüência e horário deverão ser definidos com base nas condições clínicas. incluindo pré e pós-prandiais (e. alterações no tratamento. no grau de controle glicêmico e nas necessidades específicas de cada paciente. de madrugada). 4. com A1C normal ou quase normal ⇒ Tipo 1 ou tipo 2 com insulinização plena: pelo menos 3 testes por dia. 2. As freqüências recomendadas para a prática da automonitorização glicêmica são as seguintes: • ≥ 3 a 4 vezes por dia em pacientes tratados com múltiplas injeções de insulina ou que utilizem uma bomba de insulina. • ≥ 1 vez por dia. Portanto. a automonitorização glicêmica deve ser encarada como uma ferramenta educacional para informar os pacientes sobre os efeitos do estilo de vida e das alterações de comportamento. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 7 . em diferentes horários ⇒ Tipo 2 em uso de antidiabéticos orais + insulinização parcial: pelo menos 1 teste por dia. em pacientes com controle glicêmico adequado e tratados apenas com dose única diária de insulina OU com agentes orais. • ≥ 1 vez por semana em pacientes sob tratamento não farmacológico. tais como doenças agudas. A Conferência Global de Consenso sobre Automonitorização Glicêmica definiu as recomendações indicadas na Tabela 4 sobre a prática adequada e bem-sucedida dessa estratégia[6].

sobre os custos do mau controle glicêmico para as instituições privadas ou governamentais de atenção ao portador de diabetes. • Os custos médicos diretos com portadores de diabetes tipo 2 foram 20% mais baixos em pacientes com bom controle glicêmico [8]. . As entidades governamentais precisam efetivamente disponibilizar os recursos terapêuticos e de controle glicêmico necessários.apenas com insulina. mais diretamente nos esforços de médicos e pacientes para a melhoria do controle glicêmico. promoveu uma economia de US$ 2. antes de se atribuir ao paciente a responsabilidade pela sua falta de adesão. 8 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . • Há evidências suficientes para que planos e entidades governamentais de saúde disponibilizem monitores e tiras para testes de glicemia. 2. . mesmo que os segurados não disponham de assistência farmacêutica e de insumos para controle glicêmico. Nos planos de saúde. para pacientes portadores de diabetes tipo 1 ou tipo 2 [9].66% . uma cota de participação do paciente inferior a 20% seria o recomendável. conforme o tipo de tratamento [8]: . 4.5 BILHÕES em custos hospitalares nos Estados Unidos [7]. 7. As mesmas recomendações são aplicáveis aos planos de saúde. • A automonitorização da glicemia por pacientes portadores de diabetes tipo 1 e tipo 2 pelos planos de saúde promoveu uma melhora no controle glicêmico. estimulando a adoção de padrões mais desejáveis de cuidados com o diabetes e aumentando a aderência ao tratamento [10].antidiabéticos orais + insulina. recomenda-se que os planos de saúde desenvolvam estratégias de incentivo e de motivação para a obtenção do controle glicêmico adequado de seus segurados portadores de diabetes. 5. A falta de adesão do paciente às recomendações dos profissionais de saúde relativas às condutas terapêuticas medicamentosas e não medicamentosas é motivo necessário e suficiente para a interrupção do fornecimento do benefício. é absolutamente necessário que o paciente assuma as responsabilidades que lhe cabem. responsável e consciente pelo paciente. Da mesma forma. está resumida nos tópicos a seguir. desde que obedecidas algumas recomendações essenciais para a maior efetividade dessa estratégia de controle. • O custo da assistência ao paciente portador de diabetes com múltiplas hospitalizações é TRÊS VEZES MAIOR do que o custo de pacientes com apenas uma hospitalização por ano [7]. 3. 6. Para fazer jus a esse benefício. A Tabela 5 resume algumas dessas recomendações essenciais. a Sociedade Brasileira de Diabetes também reconhece que o investimento na disponibilização de insumos para avaliação do controle glicêmico é plenamente justificável. Da mesma forma. prevenindo suas complicações.42% .Disponibilização gratuita de monitores de glicemia e tiras reagentes por entidades privadas ou governamentais de saúde Tendo em vista os reais benefícios proporcionados ao portador de diabetes pela automonitorização glicêmica. o sistema de co-participação dos pacientes nos custos com insumos para o controle glicêmico pode ser considerado.Algumas recomendações essenciais para justificar o investimento em automonitorização glicêmica 1. Tabela 5 . a Sociedade Brasileira de Diabetes manifesta sua posição de pleno apoio à disponibilização gratuita de monitores de glicemia e tiras reagentes por entidades privadas ou governamentais de saúde.57% . A título de sugestão.antidiabéticos orais. desde que o percentual dessa participação não ultrapasse os limites do razoável. Considerando que os recursos financeiros destinados à saúde são finitos. recomenda-se a suspensão do benefício também quando o paciente não o utiliza na forma recomendada. • Percentual de pacientes com mau controle glicêmico. Uma revisão da bibliografia internacional mais recente. quando praticada de maneira adequada. com as respectivas referências bibliográficas: • Um programa adequado de atenção primária ao paciente portador de diabetes. A automonitorização glicêmica deve ser proporcionada gratuitamente como uma das estratégias essenciais de um programa mais abrangente de educação e controle do diabetes. como parte integrante de um programa mais abrangente e contínuo de educação em diabetes.

citamos o protocolo desenvolvido pela West Virginia Public Employees Insurance Agency (PEIA). com o objetivo de melhorar o controle glicêmico. • Substituição da insulina NPH por um análogo de insulina de longa duração ou adição de aplicações adicionais de insulina NPH. as quais somente podem ser detectadas através da monitorização contínua. diabetes em crianças. Em comparação com a automonitorização glicêmica (AMG) convencional que engloba algumas determinações diárias e pontuais da glicemia. a duração. • Alterações na composição de carboidratos da dieta. com a finalidade de identificar alterações significativas das flutuações glicêmicas ocorridas durante as 24 horas do dia. Diagnóstico e prevenção da hipoglicemia pós-prandial. • Alterações nas metas desejáveis para glicemia pré ou pós-prandial. 6. Indicações e recomendações para a monitorização contínua da glicose A MCG proporciona informações sobre a direção. Diagnóstico e prevenção da hipoglicemia assintomática e noturna. O procedimento da MCG está indicado tanto para pacientes portadores de DM-1 como de DM-2. 7. para definir os critérios de inclusão para justificar a realização da MCG [14]. de qualidade de vida e de economia [12]. em 2005. A SBD faz algumas ressalvas a alguns dos parâmetros da PEIA relacionados a seguir. a freqüência e as causas das flutuações nos níveis de glicemia. Avaliação do impacto de modificações do estilo de vida sobre o controle glicêmico.• A utilização dos recursos disponíveis para a avaliação da glicemia no paciente portador de diabetes proporciona um controle metabólico adequado. podendo levar a uma redução significante na mortalidade e na morbidade relacionadas ao diabetes [11]. Tabela 6 . 4. 5. enquanto que a MCG tem suas indicações restritas a um grupo de condições clínicas especiais [4]. pacientes em UTI). A Tabela 6 mostra as principais indicações reconhecidas pela SBD para a realização da MCG. Apenas a título de exemplo. a magnitude.Principais indicações reconhecidas pela SBD para a monitorização contínua da glicose 1. • A melhora no controle glicêmico do diabetes tipo 2 está associada. Indicações clínicas para o exame de monitorização contínua da glicose As indicações clínicas para a realização do exame de MCG incluem situações que exigem uma informação detalhada sobre as flutuações da glicemia. • Ajustes de doses de insulina basal e prandial. com base nas recomendações de Klonoff [4]. Monitoramento das condições nas quais um controle glicêmico intensivo é desejado (diabetes gestacional. a AMG tem uma ampla indicação para uso freqüente e rotineiro pelo portador de diabetes. 2. Os referidos ajustes incluem: • Substituição da insulina rápida pelo análogo de insulina ultra-rápida ou adição de aplicações adicionais de insulina de ação rápida ou de análogo de insulina de ação ultra-rápida. POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD 9 . além de proporcionar informações sobre tendências de níveis glicêmicos que podem identificar e prevenir períodos de hipo ou hiperglicemia. Quantificação da resposta a um agente antidiabético. a benefícios substanciais em termos clínicos.97 por paciente participante do programa [13]. o sistema de MCG proporciona uma visão muito mais ampla dos níveis de glicose durante todo o dia. 3. A indicação mais importante da MCG é a de facilitar os ajustes na conduta terapêutica. desde que seja devidamente caracterizada a necessidade médica de um perfil glicêmico completo. • Nos Estados Unidos um programa bem-sucedido de gerenciamento de doenças aplicado ao diabetes pode ser implementado a um custo adicional mensal de apenas US$ 36. em curto prazo. Por outro lado.

de acordo com as recomendações expostas neste documento. Resumo e comentários finais A Sociedade Brasileira de Diabetes tem a responsabilidade de definir posicionamentos oficiais da Entidade diante de temas polêmicos ou de atualização médica relativos a aspectos preventivos. .Apresentar valores de A1C acima de 7% ou abaixo de 7% com episódios freqüentes e documentados de hipoglicemia severa (abaixo de 50 mg/dl).) .Ser portador de DM-1 ou DM-2.) SBD: Posição .Apresentar diabetes em uso de insulina com episódios de cetoacidose ou hospitalizações por descontrole glicêmico. As referidas estratégias demonstraram ter efetividade de custo. Do portador de diabetes se espera que assuma um papel responsável no autocontrole de sua condição clínica.Apresentar diabetes em uso de insulina com episódios inexplicáveis de hipoglicemia (<50 mg/dl). clínicos e laboratoriais em diabetes.• Serão aceitas apenas as solicitações feitas por especialistas em medicina interna e pediatria que tenham completado o treinamento em endocrinologia e que sejam também certificados como especialistas nessa área. podendo ser a estratégia inicial para o paciente envolver-se de maneira responsável num projeto mais amplo de educação em diabetes. .Apresentar uma freqüência documentada de automonitorização glicêmica com 4 ou mais medidas ao dia. (Posição da SBD Esta exigência não deve ser SBD: Posição uma condição “sine qua non”.Apresentar aderência às recomendações do endocrinologista. visando a melhoria da atenção ao portador de diabetes. com efetividade de custo e com a freqüência de testes especificamente indicada para cada condição clínica em especial. benefícios importantes de saúde podem ser obtidos a um custo adicional aceitável [15].Paciente diabética e recém-grávida ou planejando engravidar. espera-se uma atitude firme de apoio a intervenções eficazes que melhorem o controle glicêmico e que contribuam para a prevenção das complicações do diabetes. a automonitorização perde o seu sentido. (Posição da SBD A realização da MCG. com espírito combativo.Apresentar diabetes em uso de insulina com flutuações amplas e inexplicáveis nos valores de glicemia préprandial (acima de 150 mg/dl) e não adequadamente controlados conforme demonstrado pela A1C. Do provedor de cuidados. De fato. como o DCCT e o UKPDS. Considerações importantes A automonitorização da glicemia é um recurso diagnóstico essencial para o bom controle do DM-1 e do DM2. seus direitos constitucionais de cidadãos que reivindicam e merecem a devida atenção do Estado no atendimento às suas necessidades de saúde. ou seja. • Além desses critérios obrigatórios. o autocontrole da doença e a educação em diabetes foram componentes vitais em estudos clínicos de referência sobre o impacto do tratamento intensivo e de modificações no estilo de vida.Gestante diabética com dificuldades de controle glicêmico adequado. incluindo análises e recomendações sobre propostas de estratégias governamentais e/ou privadas. A principal crítica manifestada por alguns trabados lhos da literatura internacional é a inércia do paciente em termos de não saber como proceder diante dos resultados da automonitorização. é uma ferramenta educacional. . conforme os valores de A1C. pacientes em início de terapia insulínica ou de regime de bomba de infusão. Segundo a International Diabetes Federation. desde que utilizado de maneira inteligente.Ter completado um programa abrangente de educação em diabetes. Neste Posicionamento Oficial a SBD reconhece a importância médica dos procedimentos de automonitorização glicêmica e monitorização contínua da glicose.Receber múltiplas injeções de insulina (3 ou mais por dia). aderindo rigidamente às recomendações dos profissionais de saúde e defendendo. (Posição da SBD Esta exigência não deve ser uma condição “sine qua non”. sendo o paciente aderente ao tratamento prescrito. SBD: Posição por si mesma. . .) . . • Para a obtenção de autorização do exame da MCG o paciente precisa obedecer a todos os seguintes critérios obrigatórios: . . o paciente deverá também obedecer a um ou mais dos seguintes critérios acessórios: . seja na esfera pública ou privada. 10 POSICIONAMENTOS OFICIAIS SBD . sem uma adequada educação em diabetes e sem uma orientação prática sobre o que fazer com os resultados dos testes.Apresentar diabetes tipo 2 com boa aderência cuja terapia resulte em hipoglicemia ou controle glicêmico inadequado.

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