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MEISHU SAMA E A

LUTA ENTRE O
BEM E O MAL

Revisado em agosto de 2005


Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

ÍNDICE

MEISHU SAMA E A LUTA ENTRE O BEM E O MAL..................................... ............................1


REVISADO EM AGOSTO DE 2005............................................................................................... .........1
ÍNDICE........................................................................................................................ .................2
PREFÁCIO............................................................................................................................ .......4
INTRODUÇÃO - O SIGNIFICADO DA ÚLTIMA CRISE........................................................... ....6
PARTE I - PROCESSO E ASPECTOS DA CRISE................................................. .....................7
1 - ORIGEM DO CONFLITO................................................................................................ .....8
a) Autoritarismo do assessor.......................................................................................8
b) O Sistema de unificação e a fé centralizada no Solo Sagrado..........................10
c) Germinação da ambição.........................................................................................12
d) Irregularidade financeira como arma de ataque..................................................13
2 - CONSPIRAÇÃO PARA TOMAR O PODER................................................................... ....15
a) Eclosão do Conflito................................................................................................15
b) Aproveitamento da autoridade de Kyoshu-Sama................................................16
c) Origem do Concílio de Renovação........................................................................18
d) O Concílio de Renovação como esconderijo estratégico..................................20
e) Viagem Missionária de Kyoshu-Sama e operação destruidora da Igreja.........25
3 - RECONSTRUÇÃO DA FÉ DIANTE DO MAL.................................................... ................28
a) A reformulação dos estatutos e o domínio da Igreja..........................................28
b) O quadro de Leonardo Da Vinci............................................................................29
c) Destituição de Matsumoto e tomada do Templo Messiânico.............................29
d) A reconstrução da Igreja é prova de fé em Meishu Sama..................................33
PARTE II - O SIGNIFICADO DA ÚLTIMA CRISE...................................................... ................37
1 - O QUE DEVEMOS BUSCAR PARA NOSSA FÉ............................................ ...................37
2 - UMA FE UNIDA EM MEISHU SAMA.................................................................... .............39
CAPÍTULO I - A EVOLUÇÃO DA FÉ MESSIÂNICA....................................................41
Parte I - A Igreja Messiânica após a ascensão de Meishu Sama............................................................ ..........42
1 - A ASCENSÃO DE MEISHU SAMA E A POSSE DE NIDAI-SAMA........................... ......................42
2 - POLÍTICA RELIGIOSA DA SEGUNDA LÍDER ESPIRITUAL............................................ .............45
3 - ESTABELECIMENTO DA ESTRUTURA RELIGIOSA POR NIDAI-SAMA.......................... ..........49
PARTE II - A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL APÓS A ASCENSÃO DA SEGUNDA LÍDER
ESPIRITUAL..................................................................................................................................... ............50
1 - TERCEIRA LÍDER ESPIRITUAL E A ORGANIZAÇÃO DA SEKAI KYUSSEI KYO.....................50
2 - PERIGO DA IGREJA E UNIFICAÇÃO............................................................................................. ..53
3 - VENCENDO A CRISE — EDIFICAR A FÉ SINTONIZADA COM O PLANO DIVINO..................56
CAPITULO II - O NÍVEL DIVINO DE MEISHU SAMA E O PROCESSO DO PLANO
DIVINO..........................................................................................................................58
PARTE I - ORIGEM DA FUNDAÇÃO DA IGREJA POR MEISHU SAMA..................................... ...........59
1 - A RELAÇÃO ENTRE MEISHU SAMA E A "BOLA DE LUZ"......................................... .................59
2 - MEISHU SAMA INTUI A TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA NO MUNDO ESPIRITUAL.....65
3 - SALVAÇÃO PELO JOHREI E AÇÃO DE IMPEDIMENTO........................................ ......................68
4 - FUNDAÇÃO DA IGREJA POR MEISHU SAMA............................................................................. ..71
PARTE II - O PLANO DIVINO DE MEISHU SAMA NA LUTA ENTRE O BEM E O MAL......................74
Construção, destruição e, depois, o caminho da construção................................................... ....................74
1 - OBRA DIVINA DE MEISHU SAMA E IMPEDIMENTOS......................................... ......................74
a) Dissolução do Dai Nippon Kannon Kai e proibição de atos de tratamento...................... ..................75
b) ReinÍcio e suspensão da atividade de cura............................................................................ .............76
c) Reinício da atividade religiosa................................................................................................ ...........77
2 - ELEVAÇÃO DO NÍVEL DIVINO VENCENDO A LUTA................................................ ..................83
ORAÇÃO ZENGUEN SANJI............................................................................................. ......................88
3 - SOFRIMENTO, DEPOIS A REVELAÇÃO......................................................................... ................90
PARTE III - PROCESSO DO PLANO DIVINO DE MEISHU SAMA NUM ESTADO DE UNIÃO COM
DEUS............................................................................................................................................. ................95
1 - MEISHU SAMA EM ESTADO DE UNIÃO COM DEUS......................................................... ..........95
2 - ESTADO DE UNIÃO COM DEUS E PLANO DIVINO..................................................................... .99
POSFÁCIO............................................................................................................................. ..108

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

COMO DEVEMOS BUSCAR AGORA MEISHU SAMA......................................................... ..108

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

PREFÁCIO

O Instituto de Estudos sobre Mokiti Okada, desde a sua


fundação, vem maximizando os esforços no sentido de abrir
caminho para o estudo sobre "Mokiti Okada", em escala
internacional. Como primeiro passo, publicou um livrete sob o título
de "Meishu Sama e Seu Estado de União com Deus", em 1982,
ano em que se completou o Zuiun-Kyo (Solo Sagrado) de Atami.

Nesse livrete esclarecemos que Meishu Sama não é


simplesmente fundador de uma entidade religiosa, a Sekai Kyusei
Kyo, mas sim o possuidor de um elevado nível divino que fará
desenvolver mundialmente sua obra de salvação ultra-religiosa.

Questionamos, ao mesmo tempo, como devemos buscá-lo na


vida cotidiana para sintonizarmo-nos com sua vontade.

Posteriormente, em meio à busca constante em pesquisas e


estudos, através do livrete "Meishu Sama e a MOA", procuramos
definir a salvação de forma concreta — as atividades que podem
ligar-se à "criação da nova civilização", objetivo final do Processo do
Plano Divino de Meishu Sama.

Neste livrete, portanto, com base nos que já foram


publicados, intencionamos esclarecer o sentido que a última
purificação da Sekai Kyussei Kyo encerra, já que, atualmente,
como resultado destes anos de crise, está sendo questionado, pelo
mundo afora, o significado de sua própria existência.

Por intermédio de fatos registrados e trabalhos deixados por


Meishu Sama, ou da força que ele irradiou e dos Ensaios que
publicou, queremos deixar clara a sua posição. Ao mesmo tempo,
procuramos tornar compreensível como ele deseja que sejam as
nossas atitudes e como deve ser a imagem verdadeira da Sekai
Kyussei Kyo por ele dirigida.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Atualmente, a Igreja empreende-se voltada para uma grande


tarefa. Alicerçada em pessoas que venceram os sofrimentos dos
últimos três anos, ela caminha com o dever de "edificar uma fé
absoluta em Meishu Sama", procurando aproximar-se ao máximo dos
seus Ensinamentos no cotidiano, para concretizar uma sociedade
fundamentada nessa doutrina.

Como a tarefa que empreendemos é grande, não podemos


permanecer apenas a nível teórico. Precisamos concretizá-la
verdadeiramente. Somente assim sentiremos alegrias e emoções.
Mas, para concretizá-la, dentro de uma grande organização como é a
nossa, que reúne inúmeros fiéis, necessita-se de um "manual" que
seja de fácil compreensão e que possa convencer qualquer pessoa,
não dando margem a quaisquer interpretações erradas,
possibilitando a todos divulgarem o tema.

Esperamos que, neste sentido, este livrete seja útil aos que se
dedicam de corpo e alma à Obra de Meishu Sama, que fará criar a
civilização do século XXI.

Fazemos votos de que este sirva, também, como manual de


busca dos Ensinamentos de nosso Mestre e, através da sua
prática, aprimorem-se ainda mais junto ao maior número de
colegas e amigos de fé, edificando, desta forma, dentro de si, uma
inabalável e absoluta fé em Meishu Sama, que veio a este mundo
como Salvador.

Abril de 1987 - Instituto de Estudos sobre Mokiti Okada

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

INTRODUÇÃO - O SIGNIFICADO DA ÚLTIMA CRISE

Em virtude da crise ocorrida na Igreja, atualmente é


questionada, pela sociedade, a validade da Fé da Sekai Kyussei
Kyo, bem como o significado de sua existência, obrigando-nos a
esclarecer o sentido da crise desses últimos anos.

Aqui, partindo do ponto de vista histórico da Igreja,


explicaremos alguns aspectos e a crise propriamente dita, para
depois esclarecermos o sentido que ela encerra.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

PARTE I - PROCESSO E ASPECTOS DA CRISE

Revisando o passado, vimos que durante a existência de


Meishu Sama entre nós e em meio à grande expansão da Obra
Divina, surgiram diversas crises e que até ele próprio foi detido.

Na época da Segunda Líder Espiritual, ou mesmo na da atual


Líder, em meio ao franco progresso do programa divino, é verdade
que surgiram diversos tipos de crise.

Entretanto, esses problemas aconteceram por causa de


nossos administradores não terem tido suficiente conhecimento das
leis, ou ainda, na maioria das vezes, causados por terceiros que
armaram sobre a Igreja com segundas intenções.

Mas a crise destes últimos anos surgiu da intriga de


elementos que queriam apossar-se do poder interno da Igreja,
perdendo de vista o verdadeiro objetivo da Kyussei Kyo.

Se existem dentro da entidade elementos ou grupos que


possuem constante apego ao poder, eles podem usar de vários
estratagemas para alcançar seus objetivos, o que pode tornar-se no
estopim de uma profunda crise, fazendo perder de vista até o
significado da existência da própria Sekai Kyussei Kyo.

Aqui, num ponto de vista de luta entre as duas partes — uma,


daqueles que se utilizam de ações ardilosas para mudar e perder a
atitude original da Igreja baseada nos Ensinamentos de Meishu Sama
e, outra, que salvaguarda o significado existencial da Igreja, tornando-a
mais forte — gostaríamos de concatenar o processo e aspectos da crise
em questão.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

1 - ORIGEM DO CONFLITO

a) Autoritarismo do assessor

Quando pensamos na origem do conflito hoje existente, o que


não podemos esquecer é a explicação sobre o que se passou à época da
Unificação da nossa Igreja.

Desde o tempo de Nidai-Sama (Segunda Líder Espiritual),


havia um elemento que entrou para a Igreja como assessor.
Conhecendo o ponto fraco da organização em assuntos de leis,
impostos e finanças, ele foi fortalecendo gradualmente sua
influência e, traiçoeiramente, chegou ao ponto de controlar o setor
pessoal, financeiro e até a difusão da Igreja.

O poder desse assessor, já em 1969, estava em seu limite


máximo, quando as pessoas conscientes, sob o comando do então
Presidente Teruaki Kawai, ergueram-se corajosamente para
salvaguardar a Fé Messiânica, resultando na sua saída da Igreja.

Esse incidente constituiu um grande golpe para a Igreja,


fazendo-a mergulhar numa grande crise. Mas, graças à atuação
daqueles que não mediram esforços para defendê-la, ela renasceu e,
mais tarde, foi movida para a Unificação.

Descrevemos, aqui, o resumo dessas lutas.

O ex-assessor, que fracassou em tomar a Igreja, teve que pedir


demissão. A partir daí, então, ele iniciou seus ataques, começando por
pressionar a Igreja usando vários elementos com os quais mantinha,
já há algum tempo, relações amistosas. Por exemplo: hostilizando a
entidade por meio de publicações, obstruindo o reconhecimento do
novo regulamento, abrindo processo para atacar o Johrei por
infringir as leis médicas, encaminhando requerimento para a
dissolução da Igreja, etc.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Diante disso, a Kyussei Kyo, que era muito fraca em termos


sociais, formou uma Comissão para Assuntos Externos; sob a chefia
de Akishigue Matsumoto e comando do Presidente Kawai, tomou as
medidas necessárias diante dos ataques do ex-assessor. Graças à
proteção de Meishu Sama e aos esforços de muitos, conseguiu-se a
resolução dos difíceis problemas, um após outro.

Por outro lado, os messiânicos refletiram sobre a sua


constituição que permitira a atuação arbitrária do ex-assessor,
tomando, a seguir, consciência de que, mesmo em termos
religiosos e administrativos, deveriam reformulá-la. Isto é,
transformar a descentralização das igrejas em centralização,
fazendo existir uma única diretriz para toda a messiânica. Se isso não
fosse feito, seria difícil cumprir "a missão de construir o Paraíso
Terrestre confiada a nós por Meishu Sama". Foi dado, assim, o
grande passo para a Unificação.

Em 20 de novembro de 1972, finalmente foi reconhecida


juridicamente a Unificação da Igreja (absorção e centralização de 63
igrejas). Mas para chegar até aí, ela teve de trilhar caminhos árduos.

As pessoas que ofereceram suas vidas a Meishu Sama,


partindo de uma posição sem qualquer recurso, humano e
monetário, dedicaram-se com toda sinceridade à Obra de Salvação.
Conseguiram adeptos e formaram suas próprias igrejas. Justamente
nesse momento, tiveram que devolver tudo em nome de Meishu Sama:
seu direito doutrinário, os poderes relacionados ao pessoal e à
contabilidade (administração) e deixar uma conduta independente,
para abraçar uma que leva em consideração, em primeiro lugar a
nossa entidade.

Embora isso fosse possível na teoria, pô-la em prática exigia de


cada dirigente uma verdadeira fé em Meishu Sama.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Na Sede Geral promovia-se, quase que diariamente, reuniões


com dirigentes de igrejas que, voltando ao ponto de origem da fé
Messiânica, inteiravam-se dos objetivos da Unificação.

Com isso, cada dirigente foi consolidando sua determinação de


dirigir-se a qualquer lugar como missionário a serviço da difusão,
devolvendo incondicionalmente a igreja da qual tinha sido dono e
autoridade máxima por longos anos.

Realmente, assim, a Unificação da Igreja não visava somente a


integração organizacional, pessoal e contábil, mas também uma
unificação em termos da fé daqueles dirigentes no sentido de
"oferecer sua fé à Kyussei Kyo com sentimento puro, tornando-se
novamente discípulos de Meishu Sama".

Diante desse grande movimento de Unificação, 19 igrejas


manifestaram-se contra e, posteriormente, apesar do esforço em
convencê-las, sete delas acabaram por se afastar. A origem do
conflito dos últimos anos podemos encontrar naqueles que, até o último
instante, não puderam compreender a verdadeira intenção da
Unificação.

b) O Sistema de unificação e a fé centralizada no Solo Sagrado

A Unificação teve início com o retorno ao ponto de origem da fé


Messiânica que é, em outra palavras, buscar a vontade de Meishu
Sama, convergindo o sentimento de fé ao Solo Sagrado. Mesmo em
termos de organização, o sistema unido, composto de Sede Regional
— Sede Provincial — Casa de Difusão, foi posto em prática, tendo
como eixo a Sede Geral, possibilitando, dessa forma, tornar aberta e
ampla a constituição da Fé, que antes era muitas vezes fechada e
restrita.

Em virtude dos esforços de dirigentes, ministros e membros


no sentido de centralizar sua fé no Solo Sagrado, a Igreja conseguiu obter
um caráter social incomparável. Não apenas na atividade de Johrei,

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

como também em outras atividades, encontrou meios para contribuir


com a sociedade, ganhando sua confiança.

Tanto a eficácia da fé centralizada no Solo Sagrado como a do


Sistema de Unificação foram comprovadas e motivaram, de uma forma
diferente, o início de novas atividades, realizadas uma após outra, tais
como:
— inauguração do Edifício Messiânico de Quioto (1971);
— abertura do Instituto de Pesquisa Científica do Meio Ambiente
(1971);
— abertura do Colégio Messiânico (1972);
— instalação de Consultório Médico (1972);
— fundação da Academia Sanguetsu de Arranjo Floral (1972);
— instituição da Fundação Brasil-Japão de Artes Plásticas
(1973);
— instituição da Fundação de Pesquisa de Indústria e Economia
(1973);
— instalação do Centro de Aprimoramento Juvenil em Okinawa
(1975);
— formação do Escotismo Messiânico (1976);
— abertura do Jardim da Infância Messiânico (1977);
— instituição da Associação MOA (1980);
— instituição do Movimento para Formação da Sociedade Feliz
(1981);
— abertura da Escola de Cerâmica e Porcelana de Toluca,
México (1981);
— inauguração do Museu de Belas Artes MOA (1982); —
conclusão do Zuiun-Kyo, protótipo do Paraíso Terrestre;
— formação do Instituto de Estudos sobre Mokiti Okada (1982);
— abertura do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a
Agricultura Natural — Fazenda Experimental em Oohito (1982);
— instituição da Federação Messiânica do Partido Liberal
Democrata;
— atividade de Intercâmbio Cultural realizado entre diversos
países do mundo;

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

— atividades beneficente, cultural, política, preparação do


Sistema para Divulgação Mundial, etc.

Especialmente, de um período inicial da construção do Museu de


Belas-Artes MOA até seu término, a fé centralizada no Solo Sagrado
era levada com afinco. Todos voltavam seus pensamentos para estender
a virtude de Meishu Sama ao mundo, oferecendo em seu favor a mais
sincera dedicação à construção do Museu. Mediante isto,
comemoramos o Centenário do Nascimento de Meishu Sama com
emoção e alegria.

As pessoas da sociedade, que acompanhavam de perto a


dedicação dos membros, elogiavam de coração a maravilha da nossa
Igreja, depositando-nos grande esperanças.

O futuro da Igreja era, assim, cheio de expectativas positivas.

c) Germinação da ambição

Entretanto, em meio a esse crescimento normal, havia


elementos que aguardavam uma oportunidade para satisfazer suas
ambições. Trata-se de pai e filho Watanabe e seu grupo que vêm se
preparando clandestinamente por longo tempo, visando apossar-se da
direção, partindo do ódio da época da Unificação.

Katsuichi Watanabe formou algumas igrejas no sistema antigo e


sobre elas exerceu grande influência e domínio. Portanto, tinha
aversão em perder seus direitos especiais com a Unificação. Isto fez
com que, desde o começo, se movesse contra esse novo sistema.
Mas a corrente naquela época se movia a favor da Unificação. Ele
concordava aparentemente, mas não inteiramente.

A Igreja Chukyo que Watanabe formara foi absorvida pela


Kyussei Kyo com a Unificação. Por isso, foi aumentando seu ódio pelo
corpo diretivo da Unificação, especialmente ao então Presidente
Teruaki Kawai.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Por outro lado, o filho, Tetsuo Watanabe, que ambicionava


apossar-se do poder da Igreja, desejava tornar-se presidente da
mesma, pois considerava ser este o caminho para dar
prosseguimento aos passos de seu pai Katsuichi. Para isso, foi se
tornando amigo pessoal de Kenji Nakagawa, que conhecia bem os
problemas internos da Igreja, pois era secretário de Akishigue
Matsumoto, que ocupava um cargo de destaque na entidade.

d) Irregularidade financeira como arma de ataque

A ambição de Watanabe veio à tona em 22 de dezembro de


1983, quando Tetsuo Watanabe e seu aliado, Kenji Nakagawa,
acusaram o corpo diretivo da Unificação de ser responsável por
irregularidade financeira sob o comando de Teruaki Kawai.

Convocaram, na ocasião, Teruaki Kawai, Tsutomu Nakamura,


Yukio Ishihara e Yassushi Matsumoto e pediram-lhes que se demitissem
de seus cargos.

O problema que Watanabe e Nakagawa atacaram foi aquele


relacionado com Akishigue Matsumoto, Presidente da Comissão de
Assuntos Externos, com quem Teruaki Kawai, há mais de dez anos,
vinha trabalhando para concretizar o Sistema de Unificação.

Em 1980, Akishigue Matsumoto afastou-se desse cargo por


motivo de saúde. Além disso, por ter servido arduamente, durante dez
anos, à Igreja como presidente da referida Comissão, não lhe tinha
sido possível cumprir satisfatoriamente sua missão no "Movimento
Público". Portanto, não havia qualquer problema que ele se afastasse
dos destinos da Igreja.

Com a retirada de Akishigue Matsumoto, o corpo diretivo da


Igreja fez de tudo para não surgir, posteriormente, qualquer
problema. Indicou o advogado e contador oficial, Hideo Kawata, para
tomar as providências necessárias entre a Igreja e a Nihon Minshu
Doshi-Kai (Associação de Voluntários Democráticos do Japão) e

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

também entre a Comissão de Assuntos Externos e a Nihon Minshu Doshi-


Kai.

Hideo Kawata fez, em vários sentidos, uma rigorosa


averiguação sobre os assuntos que poderiam ressurgir como
problema entre a Igreja e Matsumoto, bem como entre ele e a
Comissão. Encerrando seu trabalho com responsablidade, assim disse:
"Tudo ficou claro. Nos documentos que preparei não há margem para
quaisquer dúvidas. Poderia submetê-los à apreciação do Tribunal de
Contas, do Departamento de Polícia Nacional e do Departamento de
Fiscalização, que jamais surgiriam problemas."

Akishigue Matsumoto ficou satisfeito com esse resultado e


dizendo palavras como "nunca jogues pedras a que vai sair" afastou-
se em paz, desejando o progresso da Kyussei Kyo que, por sua vez,
reconheceu seus trabalhos meritórios.

Mas Watanabe e Nakagawa criticaram e atacaram esse ponto


como problema. Especialmente porque Nakagawa sabia que seu
mestre, Akishigue Matsumoto, tinha lutado de corpo e alma por uma
missão especial para salvaguardar a Igreja de terceiros. Houve,
inclusive, um acordo firmado com o corpo diretivo da entidade. Sabia
que, para conter os ataques de terceiros, precisava dispor de extras.
Mas, ignorando-o, fez crítica e acusações sobre esse aspecto, como
irregularidade financeira, à direção daquela época. Teruaki Kawai pediu
que ele fizesse profunda reflexão "se poderia como homem tomar tal
atitude.” Porém, não foi ouvido.

Nessa oportunidade, Teruaki Kawai tinha a preocupação de que


os assuntos sigilosos da Igreja, acumulados durante os dez anos em que
fora presidente, fossem aproveitados por pessoas ambiciosas. A
entidade poderia vir a sofrer uma grande crise. Portanto, para evitar
que isso acontecesse, decidiu permanecer quieto. Contudo disse: "O
problema, em questão, é interno. Eu me responsabilizarei por tudo
isso. Não leve esse problema a terceiros. Eu gostaria que isso
fosse debatido na reunião dos dirigentes."

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Pediu também: "Não vamos criar crises desnecessárias, peço


que sejam empreendidos esforços para o bem da Igreja com a união de
todos". Assim, ele se afastou da entidade.

2 - CONSPIRAÇÃO PARA TOMAR O PODER

a) Eclosão do Conflito

O grupo Watanabe / Nakagawa, já na primeira fase (22 de


setembro) em que ia apossar-se do poder, teria se aliado ao então
presidente Tsutomu Nakamura. Isso ficou claro posteriormente.

Como Tsutomu Nakamura e Hiroshi Hashizume tinham


intenções de concentrar o poder em suas mãos, foi fácil se aliarem
para tirar Teruaki Kawai da linha de frente.

Logo que Teruaki Kawai se afastou, o grupo Watanabe /


Nakagawa, com o pretexto de fazer uma revisão no sistema
organizacional para unir em uma direção a entidade religiosa Sekai
Kyusei Kyo, a Fundação MOA de Arte e Cultura e a Empresa MOA
de Indústria e Comércio — os quais, devido à diferença de seu caráter,
são independentes entre si — formou um órgão chamado
Consultoria do Planejamento Global. Na verdade, essa Consultoria era
um lugar de negociações entre Tsutomu Nakamura e o grupo Watanabe
/ Nakagawa, onde se discutiam planos para obterem maior poder.

Dessa forma, uma vez que a direção da Igreja começa deslocar


seus objetivos, a Fé em Meishu Sama também começa a apagar-se.

As conspirações, que tinham o poder em mira, tornaram-se


ainda mais complexas, obscuras em vários movimentos da Igreja
daquela época. E, ainda, em virtude disso, surgia uma situação em que
cada um tomava atitudes individuais.

Diante do parcial deslocamento do pessoal de Watanabe para a


direção, em fins de 1983, a Igreja reage em janeiro do ano seguinte,
mas logo iniciam-se as interferências de terceiros com pedidos de

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"reconciliação" e "promessa" entre Tsutomu Nakamura e Watanabe /


Nakagawa. Dessa forma, a direção da Igreja mergulhou na crise.

Durante a ofensiva de Tsutomu Nakamura, que era o então


presidente da entidade, o grupo distribuiu folheto anônimo
divulgando uma suspeita de ter havido desvio da soma de 600
milhões de ienes, tentando, dessa maneira, destruir de uma só vez
Tsutomu Nakamura. Novamente, a entidade entra em crise.

Nessa divergência de ambos os lados e na desarmonia gerada


por isso, e ainda, sem sequer tomarem qualquer providência para
solucionar o problema, a crise da Igreja alastrou-se, atingindo os
ministros e até mesmo os membros, constituindo-se um grande
conflito.

b) Aproveitamento da autoridade de Kyoshu-Sama

O grupo ambicioso, que era minoria, não medindo esforços,


integrou os advogados de origem esquerdista. Para esconder sua
ambição diante da autoridade do Governo e dos meios de
comunicação de massa, usou o nome da "Comissão de Restauração da
Igreja" (simplesmente chamado Seijyoka) como máscara da Justiça.
Até aos membros inocentes distribuiu informações sem antes ter
procurado saber se estas constituíam verdades ou mentiras,
ampliando a crise a âmbito internacional.

Diante disso, os ministros e funcionários da Igreja, quase


leigos aos pensamentos de Nakamura e à verdade de conspiração do
grupo Watanabe / Nakagawa, formaram a "Comissão de
Salvaguarda da Igreja" (simplesmente chamado Goji) para protegê-
la, lutando contra o grupo Seijoka.

Resultado: o grupo Watanabe teve de sair do Escritório


Central e ocupar a seguir uma das salas do Edifício Dai-ichi de Atami
(que era usada como escritório da entidade), repetindo os ataques,
com distribuição de informação interna e secreta à autoridade e aos
meios de comunicação de massa.
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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Mas assim que a sua situação começou a andar de mal a pior,


Tetsuo Watanabe, Nakagawa, Seiji Kamiyama e mais um advogado
esquerdista foram procurar Kyoshu-Sama, no dia 14 de maio de 1984,
em sua residência particular. Transmitiram-lhe informações falsas
sobre a situação difícil a que eram submetidos e imploraram a ajuda
dela para que participasse da Reunião dos Dirigentes do dia seguinte
e lá se pronunciasse.

Isso feito, o resultado foi seu comparecimento inesperado e


incomum à Reunião dos Dirigentes do dia 15 de maio, ocasião em que
comunicou ter escolhido o diretor Yoji Yoshioka do Museu para
presidente da Igreja e solicitou que ambas as partes parassem o conflito.

Mas logo ficou evidente que Kyoshu-Sama foi induzida a isso pelo
grupo ambicioso e que o diretor do Museu, Yoshioka, por sua vez,
apresentou sua intenção de não aceitar a Presidência. Esse fato terminou
por ferir a autoridade de Kyoshu-Sama.

A partir de então, o grupo Seijyoka começou a pregar em voz alta


a "autoridade eclesiástica de Kyoshu-Sama".

Já em todas as localidades levantavam-se versões e mais


versões sobre as palavras de Kyoshu-Sama e viam-se, cada vez
mais, maiores confrontos.

Finalmente o grupo ambicioso criou uma "Associação para


Impulsionar a Construção do Mundo Cristal", formada pelos
membros que tiveram o apoio teórico do elemento de origem
esquerdista, Massanori Umehara.

Nessa situação crítica, o grupo Seijyoka trouxe à tona a


questão da "autoridade eclesiástica de Kyoshu-Sama". Mas qual foi o
verdadeiro sentido dessa "autoridade" que eles pregavam?

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

c) Origem do Concílio de Renovação

Em fins de maio de 1984, em meio ao conflito entre os grupos


Seijyoka e Goji, Kenji Nakagawa pediu a Teruaki Kawai uma
audiência acompanhado dos advogados Kawata e Sakaoka.
Dirigiu-se ao Hotel Dai-ichi em Shimbashi, Tóquio, indo ao encontro
de Kawai.

Nessa ocasião disse: "Chegamos até esse ponto. Não sei o que
fazer daqui em diante. Minha frente está cheia de escuridão. Ajude-me,
por favor. Eu me ergui pensando no Justo e no Bem, mas isso foi um
grande erro. Peço-lhe sinceramente perdão pelo que fiz: desonrar seu
nome, criticar e revoltar-me contra o senhor. Peço que me perdoe por
meus atos. Gostaria que, de agora em diante, me incluísse entre
seus discípulos e que me desse suas orientações."

Mais tarde, Tetsuo Watanabe, acompanhado de Takaaki


Nakano, veio ao encontro de Kawai e disse: "Fui muito imprudente
em minhas ações. Eu não possuo força doutrinária nessa
perspectiva. A situação chegou a um ponto em que nem posso tomar
mais responsabilidade. Perdoe-me e me oriente, por favor." Assim, com
atitude humilde, pediu perdão a Teruaki Kawai e implorou sua ajuda.

Então, dias antes do Culto do Paraíso Terrestre, ele fez de tudo


para abrir caminho à reconciliação. Em primeiro lugar, relatou a
Kyoshu-Sama e, depois de haver se encontrado com Katsuichi,
Watanabe e Sakae Iwamatsu, reuniu-se com Tsutomu Nakamura, Yukio
Ishihara e Yassushi Matsumoto, representantes da Igreja, Fundação e
Empresa MOA, respectivamente. Essas três pessoas concordaram
basicamente com a concepção de estabelecer o Concílio de
Renovação, movidos pelos sentimentos de Teruaki Kawai, que
entregava tudo a Meishu Sama com grande amor, até a justiça dos atos
de Nakagawa e Watanabe, que causaram a crise e os conflitos dentro
da Igreja, aproveitando-se dos meios estratégicos do Departamento
de Fiscalização e dos veículos de Comunicação de massa.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Comprometeram-se em dar o máximo para contornar a


situação crítica despojando-se de seus próprios interesses, até que a
Igreja restaurasse suas atividades com a participação ativa de
dirigentes, ministros e membros, vencendo inclusive obstáculos de
confronto temperamental.

Ouvia-se boatos de que o Culto do Paraíso Terrestre, uma das


cerimônias mais importantes de nossa Igreja, se transformaria,
possivelmente, num lugar de tumulto pelo grupo Seijyoka. Portanto,
a fim de evitar o perigo de uma situação que não teria respaldo, foi
feita uma preparação das mais minuciosas dentro de pouco tempo.
Dessa forma, finalmente, realizou-se a reunião dos membros
fundadores do Concílio de Renovação.

Foi discutido na reunião que, reciprocamente, deveriam


esquecer os conflitos do passado e pensar, para o presente e futuro, no
bem de Meishu Sama e Kyoshu-Sama, assim como, diante da
sociedade e dos membros que feriram, deveriam formar um órgão de
confiança e de responsabilidade.

Com essa promessa firme, oficialmente, em julho de 1984, deu-


se a criação do Concílio de Renovação, tendo Kyoshu-Sama na
liderança e os três conselheiros, Teruaki Kawai, Katsuichi Watanabe
e Sakae Iwamatsu como representantes e, inclusive, a participação de
três advogados, Tatsuo Soma, Hideo Kawata e Makoto Sakaoka. Em
conseqüência disso, Watanabe e outros conseguiram se reabilitar.

19
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

d) O Concílio de Renovação como esconderijo estratégico

Entretanto, já no momento de criação do Concílio de


Renovação, o grupo ambicioso havia começado a segunda fase de sua
estratégia.

Tsutomu Nakamura, que era o então presidente, mantinha a


posição de "não tomar atitude notável até conhecer o resultado das
investigações da autoridade judiciária, por ser ele o homem
acusado de suspeita de irregularidades financeiras de 600 milhões
de ienes". Portanto, quem participava do Concílio era seu
substituto. Mas todos consideravam importante que ele próprio,
como Presidente que era, participasse diretamente para que os dois
órgãos, Concílio de Renovação e Conselho Diretor Executivo,
funcionassem regularmente. Foi criado então um outro posto
abaixo dos três representantes, o do Presidente, cuja presença era
solicitada.

Com isso, o ex-grupo Seijyoka fez o seguinte pedido: "Já que


Tsutomu Nakamura fará parte do Concílio, Nakagawa também deve
participar" — surgindo, naturalmente, a opinião de que "é estranho
que, na qualidade de simples membro, participe como titular do
Concílio de Renovação". Contudo, foi reconhecido o direito de sua
participação, sem poder conter a forte voz do ex-grupo Seijyoka.

Entretanto, Tsutomu Nakamura, que deveria ser importante


elemento de articulação, continuou negando-se a participar do
Concílio. Em conseqüência, fortaleciam-se somente a "presença" e o
direito de Nakagawa. Aos poucos, através de sua secretaria, o
Concílio foi se impondo sobre a administração da entidade,
revelando atitudes que não lhe competiam.

Watanabe e seu grupo aproveitaram ao máximo este potencial


de autoridade conferido ao Concílio de Renovação. Por intermédio da
"Reunião de Preparação das palavras de Kyoshu-Sama", a
questão da autoridade de Líder Espiritual era tazida à superfície e as

20
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

palavras "Renovação e União" eram usadas como trunfo para


ocultar seu passado.

No começo, eles mantinham uma postura humilde: "nós


somos os culpados". Mas logo mudou: "ambos os lados, o grupo
Goji e o Seijyoka, estavam errados". Promoviam reuniões em todas as
localidades do Japão para "pedirem perdão" aos membros. E,
assim, tentavam controlar a ira, a vacilação e a crítica dos ministros e
membros, aumentando, por outro lado, o seu terreno.

Finalmente, dizendo que "nós" é que trouxemos Kyoshu-


Sama à superfície, afirmaram ser eles os justos e correios,
ampliando, dessa maneira, o poderio do grupo ambicioso que era
minoria no começo, não chegando a atingir dos 10% de membros.
Tsutomu Nakamura que, desde o começo, estava insatisfeito com o
Sistema do Concílio de Renovação e que não teve vez de participar
nesse Concílio, sem poder conter a impaciência, repentinamente,
no dia 30 de outubro de 1984, ordenou a dissolução do Concílio
de Renovação.Os diretores executivos, então, tentaram convencê-
lo de sua imprudência e parcialidade, pedindo que refletisse
melhor. Como se isso não bastasse, o sr. Nakamura ainda queria
demitir cinco diretores executivos: Yassushi Matsumoto, Takaaki
Nakano, Seiji Kawai, Masao Shiga e Kenzo Shimbo. Dividiu pelas
próprias mãos os colaboradores da "Comissão de Salvagarda da
Igreja", que era pronome da facção da maioria, e formou a sua nova
"Comissão de Salvaguarda" (grupo Goji) ocupando o quinto andar do
Escritório Central da Sede Geral. O Concílio de Renovação,
fortalecido pela voz do ex-grupo Seijoka, reagiu imediatamente e, no
dia seguinte, 31 de outubro, na reunião do Conselho Diretor
Executivo, destituiu Nakamura do cargo de Presidente da Igreja,
logo elegendo seu substituto, Yassushi Matsumoto. No Culto do
mês de novembro, a própria Líder Espiritual dirigiu suas palavras aos
presentes, referindo-se ao erro cometido por Tsutomu Nakamura.

No começo do mês de novembro, para averiguar a "suspeita


de irregularidade financeira de 600 milhões de ienes" sobre

21
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Tsutomu Nakamura, criou-se, sob a chefia do advogado Toichiro


Kikawa, a "Comissão Averiguadora". Para tratar dos problemas
externos da Igreja, estabeleceu-se um órgão ligado ao Concílio — o
"Comitê de Assuntos Externos".

Esse movimento logo se propagou em todo o Japão e, mais


uma vez, a Igreja encontrava-se em estado crítico. A facção da
maioria passou a ser atacada por duas facções. Uma, da nova
Comissão Goji / Nakamura e, outra, da ex-Seijyoka / Watanabe.

Em virtude disso, o ex-grupo Seijyoka foi fortalecendo, mais e


mais, o seu vigor e justificando suas ações, quando começou a usar a
expressão "facção contra Kyoshu", referindo-se à facção da maioria
que praticamente dirigia a Igreja.

Como contramedida às ações dos membros que apoiavam a


Comissão Goji, foram designados principalmente os ministros e
dirigentes da facção da maioria. Mas os dirigentes da ex-Seijyoka
criticavam a medida que estava sendo tomada, dizendo que era
branda demais e exigiam, assim, uma medida mais radical. Por outro
lado, eles jamais esqueciam de se esforçar para aumentar o campo de
sua atuação.

"Renovação e União", era essa a meta. Mas, contrariando


essas lindas palavras, o grupo ambicioso intentava tomar o poder,
causando conflito dentro da Igreja, o que pode se perceber por
intermédio de seus atos:

I - convidava o crítico religioso esquerdista, Massanori Umeha-ra,


aos estabelecimentos da Igreja para nela ministrar a teoria
revolucionária;

II - os dirigentes da ex-Comissão Seijyoka faziam viagens a várias


localidades do Japão e fomentavam a crítica à entidade, reunindo
pessoas somente de seu grupo;

22
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

III - distribuía folhetos anônimos com os dizeres "buscando a


origem da purificação", promovendo clandestinamente "aulas de
aprimoramento";

IV - nunca abriu mão das unidades religiosas pertecentes a ele e,


embora não preenchessem as condições requeridas, promovia-as para
Casas de Difusão jamais tentando uni-las a outras;

V- mantendo ligação com a Associação para Impulsionar a


Construção do Mundo Cristal, dava apoio a atividades para fomentar
críticas à Entidade.

Era isso que estava sendo desenvolvido nas áreas de difusão


no momento em que Kyoshu-Sama e membros de bom senso não
mediam esforços em obediência à Renovação e União. De fato, o grupo
ambicioso aproveitou-se ao máximo do nome do Concílio de Renovação.

Em especial, o que gostaríamos de enfatizar aqui diz respeito ao


folheto anônimo "Buscando a Origem da Purificação". Esse folheto
trata a facção da maioria da Igreja como sendo o grupo Kawai e diz
que sua origem remonta à Tengoku-Kai. Divulgou entre ministros e
membros, de maneira maliciosa, que a referida Tengoku-Kai é um
grupo egoísta que não está de acordo com a vontade de Meishu
Sama, tentando dessa forma incutir nos membros uma impressão
desvirtuada.

Yoshifumi Shibui e outros, que prepararam tais folhetos


anônimos, são pessoas de linhagem de Sosai Shibui, orientador da
Miroku-Kai. Mas por quem foi conduzido ao caminho da fé?

Kiseko Nakajima, esposa de Issai Nakajima, ex-orientador da


Tengoku-Kai, certa vez, sentiu-se penalizada por uma pessoa
desnorteada, trazendo-a para sua casa, onde lhe deu alimento e
ministrou-lhe Johrei. Essa pessoa sentiu-se muito grata pela
assistência que recebeu da família Nakajima e encaminhou outra

23
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

pessoa a Issai Nakajima, que foi justamente Sosai Shibui que, na


ocasião, era proprietário de uma alfaiataria.

Issai Nakajima orientou Sosai Shibui de que Meishu Sama é o


Salvador e o levou para junto dele. Conhecendo, então, a
grandiosidade de Meishu Sama e, sensibilizado pelo amor de Issai
Nakajima, Shibui foi tomando contato com os Ensinamentos. Depois,
adquirindo convicção de que Meishu Sama é o verdadeiro Salvador,
decidiu abraçar a carreira sacerdotal e passou a receber orientação
direta do Mestre. Portanto, sem mencionar Issai Nakajima, jamais
podemos falar sobre Sosai Shibui e, muito menos, sobre seus
discípulos como foram Watanabe e outros. As pessoas que ignoram a
realidade, distorcendo-a e provocando equívocos, jamais
compreenderão o sentido profundo do Processo do Plano Divino
de Meishu Sama. Diante desta atitude, que deturpa os fatos sem
qualquer fundamento, convergiam as vozes dos membros de
toda parte do Japão que sentiam-se contrariados.

De fato, Issai Nakajima foi a primeira pessoa a descobrir em


Meishu Sama o Salvador. Por isso, se ele não nos tivesse indicado o
caminho, não poderíamos compreender nem afirmar nada sobre o
nível divino de Meishu Sama. Ele foi o grande pioneiro desde a
época da religião Oomoto, quando se questionava sobre quem era o
Salvador, se Onisaburo Deguchi ou Meishu Sama, buscando a
verdade na escrita sagrada da Oomoto. Finalmente teve a
convicção de que era Meishu Sama. Não é fácil chegar a essa
convicção, pois, apesar de existirem, dentre os pioneiros, aqueles
que afirmam ser Meishu Sama um deus, não houve quem chegasse a
afirmar, categoricamente, que ele fosse o Salvador.

O próprio Meishu Sama, posteriormente, respondendo à


pergunta de um dirigente, reconheceu que Nakajima tinha sido o
primeiro a descobrir e a compreender profundamente esse mistério.

Fizemos aqui uma ressalva especial a Nakajima porque


cremos que ele constitui ponto chave, tanto no sentido de

24
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

esclarecer a verdade, como no de pregar o nível divino de Meishu


Sama.

e) Viagem Missionária de Kyoshu-Sama e operação destruidora


da Igreja

Os ministros e membros que esperavam a resolução da crise e


do conflito internos pelo Concílio de Renovação, conhecendo agora
a sua realidade, começavam a vacilar sem saber "em que e em
quem acreditar".

Watanabe e seu grupo, então, aproveitando-se dessa


chance, estendiam triunfantemente a "autoridade eclesiástica de
Kyoshu-Sama" e se preparavam, passo a passo, para mudar o
sistema de fé cultivado na Unificação.

No início, publicaram o livro "Buscando a Renovação da


Igreja" num estilo de entrevista entre Masanori Umehara —
esquerdista, crítico religioso e inspirador teórico da "Associação
para Impulsionar a Construção do Mundo Cristal" — e Koji
Fukuoka — genro de Katsuichi Watanabe.

Esse livro desenvolve a teoria religiosa de que "após o


falecimento do Fundador, o Líder Espiritual é quem dá
continuidade à qualidade carismática dele", ocultando sutilmente a fé
em Meishu Sama, que é o fundamento principal da fé
messiânica, podendo causar até sua destruição.

Chegaram ao ponto de convencer Kyoshu-Sama a recomendar


a leitura desse livro. Dessa forma, o grupo ambicioso, a fim de
alcançar o seu objetivo, escondia-se por trás das belíssimas
palavras da "autoridade eclesiástica de Kyoshu-Sama", nada
fazendo a seu respeito e apoiando, ao contrário, a ideologia de
terceiros para destruir a Igreja, invadindo até o pensamento da
própria Líder Espiritual.

25
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Por outro lado, para dar o significado de que a "Viagem


Missionária de Kyoshu-Sama" é a "segunda instituição da Igreja",
através das palestras de Katsuichi Watanabe e Sakae Iwamatsu,
foram ministrando idéias para colocar no mesmo nível Meishu
Sama e Kyoshu-Sama.

Especialmente, Sakae Iwamatsu, que chegou a ponto de


se referir a assuntos que não haviam sido pregados por Meishu
Sama, tal foi sua presunção de "conhecedor" das coisas espirituais.
Por exemplo, a partir de uma interpretação tendenciosa do nome
"Itsuki" (nome de Kyoshu-Sama) que quer dizer "consagração ou
culto", atribuía um significado todo especial ao trono de Kyoshu.
Afirmou também que a "Bola de Luz" de Meishu Sama passara
para Kyoshu-Sama, e que ela adquirira as mesmas características
dele. Dessa forma, ele divulgou essa questão de suma importância,
como é a da fé messiânica, segundo sua própria concepção.

Com esses preparativos, o grupo Watanabe posicionou a


"Viagem Missionária da Líder Espiritual", como a oportunidade mais
propícia para revelar que Kyoshu-Sama e Yassushi Matsumoto
estavam a favor de suas diretrizes. Executou, dessa maneira, os
planos da viagem missionária, praticamente com o seu grupo, sob o
nome de Concílio de Renovação.

Durante um ano, em todos os locais por onde passou a viagem


missionária, inclusive nos Estados Unidos e no Brasil, preparou-se as
falas da Líder Espiritual referindo-se à Unificação como um sistema
do tipo "matéria precede o espírito". Referia-se, também, "ao
desrespeito de Teruaki Kawai em relação ao assessor da Líder
Espiritual, Fujieda", e "ao sofrimento de Kyoshu-Sama por ser tratada
como símbolo", etc.

Dessa forma, exigiu a responsabilidade de Teruaki Kawai que, à


frente de todos, veio lutando para defender a Igreja, vencendo
inúmeras barreiras, com base na fé em Meishu Sama. Forçou-o a
escrever uma carta pedindo perdão a Kyoshu-Sama e a se afastar de

26
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

todos os seus cargos da Igreja, pois, se assim fizesse, não mais faria
crítica à Unificação. Com essa atitude, tentava excluir a influência que
Kawai exercia sobre a Igreja.

Desde o começo, portanto, eram eles que indicavam as


pessoas que iriam compor a comitiva que acompanharia Kyoshu-Sama
em sua viagem missionária. Mesmo em se trantando das palavras
proferidas na ocasião, Watanabe e seu grupo prestavam relatos a
Kyoshu-Sama de que essas estavam sendo recebidas com simpatia ou
compaixão, apesar de, na verdade, a maioria dos membros ter
revelado contrariedade. Por isso, em todas as oportunidades, eles
estavam quebrando o compromisso havido com Kawai, fazendo com
que a própria Kyoshu-Sama criticasse e se referisse negativamente à
Unificação.

De fato, a viagem missionária da Líder Espiritual foi


aproveitada como o melhor momento de representação para
Watanabe e seu grupo apossarem-se do poder.

Assim, aproveitando ao máximo essa viagem, os dirigentes e


membros da ex-Seijyoka incutiam, mais e mais, a crítica ao corpo
diretivo do passado, taxando-o de "podridão financeira", afirmando
que o Sistema da Unificação é que levaria a destruição à Igreja por ser
"matéria precede o espírito". Diziam, ainda, que colocar Kyoshu-Sama
como símbolo é uma conspiração para negar a sua existência, etc.

Caluniando e criticando, dessa maneira, o grupo revoltoso


tentou condenar todo o passado da Kyussei Kyo. Preparou terreno,
propagando a errada e radical idéia em relação a Kyoshu-Sama.

— "Primeiro é Kyoshu-Sama, segundo é Kyoshu-Sama também


e nada sem ela."
— "Alojou-se a Bola de Luz no ventre de Kyoshu-Sama."
— "Meishu Sama, agora, está unido com Kyoshu-Sama e ela é
quem fará desenvolver a Obra Divina daqui por diante."

27
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

— "Quem critica essa Kyoshu-Sama e quem não lhe oferece


sua absoluta fé, não será jamais dirigente da Kyussei Kyo. Não serão
ministros e nem membros".
— "Meishu Sama, que partiu para o Mundo Espiritual, não tem
mais relação. Kyoshu-Sama é que é o salvador que substituiu
Meishu Sama."

Esse tipo de fé fanática, destituído de bom senso, é que chegou a


dominar a Igreja. O grupo Watanabe, a fim de atingir sua ambição de
apoderar-se da Igreja, aproveitou-se também de Kyoshu-Sama,
tentando tirar da linha de ação Teruaki Kawai, que pregava a fé em
Meishu Sama. Dessa forma, mesmo distorcendo a fé dos
messiânicos, levou com afinco seus planos

3 - RECONSTRUÇÃO DA FÉ DIANTE DO MAL

a) A reformulação dos estatutos e o domínio da Igreja

Confirmando o andamento normal da Viagem Missionária de


Kyoshu-Sama, eles intentaram tomar o poder da Igreja legalmente e
começaram a preparar a reformulação dos Estatutos da Entidade, por
volta do mês de agosto de 1985.

Tendo como integrantes principais Yassushi Matsumoto, que se


aliou ao grupo Watanabe enquanto fazia parte da comitiva que
acompanhava a viagem de Kyoshu-Sama, e o advogado Kikawa, de
quem dependiam basicamente suas ações, formou-se a comissão
preparatória para mudar o sistema estatutário em "santidade-
mundanismo", separando a atividade religiosa da administrativa, com o
que objetivaram dominar o Conselho Diretor Executivo.

Entretanto, aos pensamentos por eles expostos, muitos


dirigentes e ministros se manifestaram contra, argumentando que o modo
de pensar deles não estaria de acordo com os Ensinamentos de
"Identidade de Espírito-Matéria" e Ultra-religiosos, como também ao
se perceberam que ali se escondiam suas estratégias.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

b) O quadro de Leonardo Da Vinci

Ainda, Yassushi Matsumoto, Tetsuo Watanabe, Kenji


Nakagawa, Masahisa Katsuno, Shuhei Shimpo e outros aliaram-se com
o advogado Kikawa e levantaram o problema do quadro de Da Vinci,
forçando a Igreja a adquiri-lo com o pretexto de resolver de vez a
suspeita de irregularidade financeira de Tsutomu Nakamura.

O plano era de comprar o quadro (esboço) falso por uma


quantia exorbitante de 2,1 bilhões de ienes, que terminou
fracassando graças à reação contrária de Takaaki Nakano, Seiji
Kawai, Massao Shiga, Koichiro Arashi, Kenzo Shimbo e Seihachiro
Nakajima, com o apoio de numerosos ministros e também
representantes dos membros que formam a "Associação para criar a
Sociedade Feliz".

c) Destituição de Matsumoto e tomada do Templo Messiânico

Em virtude do grupo ambicioso, centralizado em Tetsuo


Watanabe e Matsumoto, ter causado problemas na reformulação dos
Estatutos, no caso do dualismo, no quadro de Da Vinci e em outros,
ficou claro que eles aproveitaram o Concílio de Renovação para
aumentar seu poderio.

O Concílio de Renovação teve que ser dissolvido e o


presidente Matsumoto, responsabilizado por seus atos, mostrava sua
intenção de renunciar ao cargo.

Por outro lado, pessoas que, com paciência, vinham


interpretando as atitudes de Watanabe, Matsumoto e seu grupo, como
provação religiosa, sempre tendo uma firme fé em Meishu Sama, faziam
preparativos para restaurar a Fé e reconstruir a Igreja que se encontrava
em situação caótica.

Entretanto, o grupo Watanabe entendeu que, se Matsumoto


renunciasse, não poderia alcançar seus objetivos, pois havia
armado uma estratégia maliciosa para transferir a responsabilidade a

29
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

outros, dizendo que "toda a crise da Igreja está em Teruaki Kawai".


Na Comissão Averiguadora, comandada pelo advogado Kikawa. com
base no "memorando Motomoti" que Nakagawa e outros mandaram
fazer, o grupo preparou a suspeita de irregularidade financeira, de
modo que parecesse verdade. Preparou também um relatório sobre o
resultado das averiguações, usando isso como meio de ataque para
expulsar Kawai, taxando-o de "causador do mal", enfatizando ainda
mais a suspeita de fraude que fora divulgada anteriormente aos
membros.

Ainda, com a ação de Nakagawa, o grupo Watanabe usou a


Nippon Minshu Doshi Kai (Associação Democrática do Japão),
afirmando que, "desde o começo da viagem missionária de
Kyoshu-Sama, o fato de Teruaki Kawai não estar presente na
comitiva ocorreu porque ele era suspeito de ter cometido
irregularidades financeiras. Em virtude disso, Kawai escreveu uma carta
pedindo perdão a Kyoshu e se isolou. Toda crise da Igreja está nele".

Com esse tipo de crítica, foi publicado um jornal, "Nikan


Kanko", que foi distribuído ao público. E, nas imediações da
residência de Teruaki Kawai, diariamente veiculou-se propagandas,
através de carro com alto-falante, referente a tais fatos. Sem pensar
no incômodo que causariam à vizinhança, promoviam imenso
barulho. Dessa forma, o grupo Watanabe não só maculou o nome de
Kawai, como também tentou isolá-lo perante a sociedade, através de
meios abomináveis.

Todavia, formou-se uma "Comissão Especial de


Averiguação" com representantes de dirigentes, ministros e
membros que desejavam a reconstrução da Igreja. Através dessa
comissão, foi esclarecido que o relatório Kikawa estava destituído de
qualquer fundamento e que a eliminação de Kawai não passava de uma
estratégia do grupo ambicioso. Dessa maneira, mais e mais fortaleceu-se
o movimento de reconstrução da Kyussei Kyo.

30
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Assim, o grupo ambicioso, que vem acumulando estratégias


descabidas, gradualmente foi sendo colocado numa situação difícil,
como se estivesse cavando sua própria sepultura. Vendo a situação de
desvantagem em que se encontrava, Matsumoto anulou a promessa
anterior de que renunciaria ao cargo na véspera do Culto da
Primavera, dizendo que "não queria renunciar sozinho, mas junto com
todos os diretores executivos.” Finalmente, não levando em
consideração a opinião da diretoria, dirigiu suas palavras no Culto de
maneira tendenciosa.

Por motivos de má administração da Igreja, Matsumoto foi aos


poucos perdendo a confiança de Kyoshu-Sama, o que resultou na
convocação de Takaaki Nakano para representar o Conselho Diretor
Executivo, todas as vezes que ela concedia audiência a Matsumoto,
procurando encontrar soluções para os problemas.

Mas Matsumoto se mostrava cada vez mais inflexível em suas


atitudes, não dando mais atenção ao Conselho.

Certamente, tudo isso teria preocupado Kyoshu-Sama, que


finalmente deixou de atender quaisquer serviços referentes à liturgia
e cerimônia religiosa. E declarou que entregaria esses ofícios nas
mãos do Conselho Diretor Executivo.

No dia 16 de abril de 1986, foi destituído o presidente Matsumoto


pelo Conselho Diretor Executivo, por sete votos a favor e três contra.
Para substituí-lo foi eleito Takaaki Nakano.

Logo após a destituição de Matsumoto, os que foram


instruídos pelo grupo ambicioso tentaram ocupar o Escritório Central
em Atami, mas não conseguiram devido à defesa de ministros e
funcionários. Porém, no dia 19 de abril, violentamente, tomaram o
Templo Messiânico.

Eles acabaram por colocar arames farpados e tubos metálicos


como proteção no Templo Messiânico. Colocaram, ainda, portas de

31
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

aço na entrada, interrompendo a Luz de Meishu Sama. Trancaram-


se no Templo, proclamando a "autoridade eclesiástica de Kyoshu-Sama"
e a sua participação no Culto.

Diante dessa situação crítica, em termos de fé, os dirigentes,


ministros e membros, que desejavam a reconstrução da Igreja,
concentraram-se, imediantamente, no Solo Sagrado, e se ergueram
manifestando fé em Meishu Sama, rogando a mais breve abertura do
Templo Messânico.

"Tomar o Templo Messiânico que é o centro do Solo Sagrado do


Zuiun-Kyo, construído com total esmero de Meishu Sama, é um ato
semelhante a amarrar com arame farpado o corpo dele e colocá-lo dentro
de uma cela com grades de ferro.

Assim, a grande revolta, manifestada diante de membros


violentos, motivou a instalação da Sede do Movimento de
Reconstrução da Igreja que, fortalecendo-se, expandiu-se por várias
localidades do Japão.

Surgia, por outro lado, uma atitude que colocava pessoas


numa posição neutra, uma fé imparcial, pois defendia-se que a fé
que presta fidelidade única a Kyoshu-Sama devia ser neutra.

Apareceram, então, pessoas que ficavam tranquilas e


indiferentes, defendendo o neutralismo, justamente quando o Solo
Sagrado encontrava-se em crise, enquanto outras, sentido-se
revoltadas, dedicavam-se para salvaguardar a Igreja, suportando
tudo, inclusive ataques dos meios de comuicação de massa dirigida à
nossa Entidade.

Para aquelas pessoas, bastava a própria salvação, pois,


mesmo que a tempestade viesse, procuravam esconder-se atrás de
algo que evitasse o vento. Possuiam uma fé que busca apenas o
benefício próprio e a própria proteção.

32
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Em virtude de ter surgido uma fé oportunista, que deseja a


conservação de si mesmo, somado à heresia fanática do grupo
ambicioso, os fiéis de toda parte do Japão, bem como de todo o
mundo, foram submetidos a uma provação religiosa,
questionando-se sobre qual caminho escolher: erguer-se numa fé
verdadeira em Meishu Sama, ou professar uma fé fanática em
Kyoshu-Sama? Ou, ainda, seguir ou não a fé conservadora em
Kyoshu-Sama?

d) A reconstrução da Igreja é prova de fé em Meishu Sama

Teruaki Kawai, que se encontrava afastado, com a tomada do


Templo Messiânico, entrevistou-se com Kyoshu-Sama e declarou seu
sentimento: "Agora que a Igreja se encontra envolta pelo perigo de
destruição, embora eu espere minha morte isolado, tomarei uma
atitude perante os membros que crêem em Meishu Sama, mesmo
que eu caia no inferno." Desta forma, mostrando-se decidido,
começou a agir.

Diante dos dirigentes e ministros que se ergueram com o


Movimento de Reconstrução, Kawai disse que as afirmações de que
"Meishu Sama partiu para o Mundo Espiritual e, por isso, seu
Ensinamento já é ultrapassado, e que agora a centralização deve ser
em Kyoshu-Sama", constituem pretexto para esconder ambições e o
egoísmo do grupo Watanabe. Por isso não passa de heresia, fazer
com que se perca e distorça a pura fé dos membros em fé em
Meishu Sama e, ainda, se centralize em Kyoshu-Sama, de forma
conservadora, como têm afirmado os mais indiferentes.

Assim, Kawai mostrou seu forte desejo de lutar pela fé em


Meishu Sama.

Correspondendo, então, a esse desejo, os dirigentes, ministros


e membros de todo o Japão, corrigindo os erros da fé fanática ou
conservadora, reuniram-se em Hakone, a Terra Primordial, para
reconstruir a Igreja. Objetivando fortalecer, ainda mais, a atitude de
fé dos messiânicos decidiram "revisar a verdadeira Fé
33
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Messiânica" desde a sua fundação até os dias de hoje e colocá-la


em prática, para estender o nome de Meishu Sama ao mundo e à
humanidade".

A partir dessa época, através dos Ensinamentos de Meishu


Sama em relação ao Solo Sagrado de Hakone e dos vários
processos porque a Igreja vem passando, tornou-se claro que a
crise constitui a vontade de Meishu Sama, que desenvolverá sua
Obra Divina dentro do plano "destruição e construção".

Com a fé fanática ou conservadora em Kyoshu-Sama, o grupo


revoltoso, que atraía os membros dizendo que "Kyoshu-Sama
aparecerá no Culto do Paraíso Terrestre" e que "no Culto dos
Antepassados ela aparecerá sem falta", finalmente tomou pela
violência a Loja MOA, em setembro de 1986, revelando ao público em
geral seu caráter bárbaro. Também ficou claro que o fato do grupo
continuar ocupando o Templo Messiânico é para causar obstáculo
ao andamento da Igreja e, como meio para removê-lo, convencer a
direção da Entidade com a proposta de restaurar o antigo sistema
de igrejas independentes. Várias atitudes do grupo revoltoso
fizeram com que explodisse um sentimento de fé naqueles
ministros e membros que, até então, aguardavam o momento
certo salvaguardando o Solo Sagrado Zuiun-Kyo das forças
negativas. Surgiram até opiniões de que deveria haver contra-
ataque. Se fosse possível, pela violência diante da violência. Dentro
desse ambiente, foi enviado um processo de acusação de crime por
agressão física e crime de reunião de armas perigosas, chegando ao
ponto de, se continuasse a violência, receber interferência do
governo.

De qualquer forma, negar a Unificação da Igreja —


conseguida com grande sacrifício, objetivando, com a união de todos
os membros, contribuir com a humanidade e construir a verdadeira
civilização — bem como macular com a violência o Solo Sagrado —
construído por Meishu Sama como o protótipo do Belo — já mostra que,

34
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

diante dessa realidade, eles não têm mais direito a falar em qualquer
assunto sobre fé ou religiosidade.

A energia para a reconstrução da Igreja, nascida da união e


esforço daqueles que convergiram ao Solo Sagrado de Hakone,
agora foi transferida para uma meta indicada por Meishu Sama:
"destruição" para a "construção". Crescendo, dia após dia, através do
aprimoramento e de Cultos, a fé em Meishu Sama faz nascer a alegria e
a esperança.

Aproveitando todas as oportunidades, foram dadas


orientações, pela direção, sobre a imagem verdadeira da Igreja
Messiânica Mundial e de seus membros.

Como resultado dessas práticas, conseguimos obter a vitória


em termos de fé. Além disso, no Culto do Natalício de Meishu Sama,
do ano passado, concluímos a construção provisória do Templo
Koomyo.

Em meio ao conflito e às crises destruidoras, evidenciaram-se


fatos felizes e construtivos. Hoje pode-se sentir a mão salvadora de
Meishu Sama. Sucederam-se maravilhosos milagres como prova da
precisão da fé dirigida a Meishu Sama, que sempre quis que a nossa
Igreja desenvolvesse a Obra de Salvação em prol da humanidade.
Portanto, recebemos dele a permissão para participar do seu Novo
Plano de Construir o Templo Koomyo, a Sede Principal da Religião
que fará unir todas as religiões, assim como abrir caminho alegre e
positivo para o próximo século.

No Culto da Primavera passado, formou-se um órgão, em


escala nacional, para impulsionar a construção do Solo Sagrado de
Hakone a começar do Templo Koomyo. Naquela ocasião,
estabeleceu-se a diretriz que visará o século XXI, por unanimidade.
Agora, nós, procurando nos aprofundar ainda mais em nossa fé
messiânica, buscando verdadeiramente Meishu Sama, estamos

35
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

imbuídos do desejo de dar o máximo de nós mesmos para o


caminho que cremos ser útil ao nosso semelhante.

36
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

PARTE II - O SIGNIFICADO DA ÚLTIMA CRISE

Procuramos, na Parte I, concatenar as ideias sobre o processo e


aspectos da crise.

Por meio dessa crise, partindo do questionamento sobre a fé


em relação ao nosso Mestre, que é a origem de nossa crença,
avançamos nesse contexto para a tarefa de adquirir uma fé absoluta em
Meishu Sama.

Agora, a passos firmes e felizes, estamos assumindo uma nova


missão: a de construir o Templo Koomyo e participar do Plano Divino
rumo ao século XXI.

Mas, ainda hoje, a estrutura da Igreja continua abalada e o


Templo Messiânico com aspecto semelhante ao de uma prisão. O que
significa isso? Na história da Sekai Kyussei Kyo, onde está o erro e
como devemos corrigi-lo para que Meishu Sama nos perdoe?

Sobre esses assuntos é que gostaríamos de desenvolver nosso


ponto de vista, questionando a nós mesmos sobre o que precisamos
entender e compreender por intermédio da última crise.

1 - O QUE DEVEMOS BUSCAR PARA NOSSA FÉ

Quando se concluiu o Sistema de Unificação saindo do


sistema antigo de igrejas descentralizadas, seus dirigentes,
despojando-se de seus próprios sentimentos, ofereceram, em nome
de Meishu Sama, os seus esforços acumulados por longo período
de luta e sacrifício. Enfim, ofereceram até o seu patrimônio
privado, formando assim a Sekai Kyussei Kyo.

No estágio em que se desenvolveu o Plano Divino, não eram


mais permitidas atividades que só compreendiam uma igreja do
sistema antigo. Somente unificadas e centralizadas no Solo
Sagrado é que se tornavam viáveis as palavras de Meishu Sama

37
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

que dizia: "Tendo como órgão a Sekai Kyussei Kyo, será


desenvolvido o plano da construção do Paraíso Terrestre".

Naturalmente, se existem muitos centros, não se conseguirá a


união de forças. O individualismo e a descentralização das igrejas
não funcionam. Somente com a Unificação de todas é que se torna
possível pensar sobre a transformação do Mundo em Paraíso.

Fundamentados nesse espírito, a Igreja veio acumulando


esforços para cultivar a Fé centralizada no Solo Sagrado, razão pela
qual, mesmo estando numa situação de quase destruição, o Sistema
de Unificação não sofreu qualquer dano. Ao contrário, foi
protegido pelos ministros e membros que centralizaram sua fé no
Solo Sagrado.

Ainda, para não molestar Kyoshu-Sama, pedimos a ela que se


mantivesse na posição de símbolo. Nessa posição, ela veio
desempenhando várias atividades apropriadas à sua elevada
hierarquia religiosa, encorajando e dando-nos exemplos. Por isso,
continua e continuará existindo o mesmo respeito e afeição que
temos por ela.

Quanto à reformulação dos Estatutos, que tentava desvanecer


o orgulho e o fervor da Fé messiânica, trazendo o Trono de Kyoshu
para o plano inferior, considerando-o como "trono de poder", foi
debatida francamente, com toda a justiça. Foi confirmado que não
passava de heresia o fato de afirmar a fé centralizada em Kyoshu,
ocultando a imagem de Meishu Sama, considerando-o apenas
como um dos fundadores de religiões.

A relação de Meishu Sama e o Trono de Kyoshu, pode-se


dizer, é semelhante a de Jesus Cristo e o Papa, no Catolicismo. O .
Trono de Kyoshu, portanto, deve ter em primeiro plano Meishu
Sama como Salvador deixando para pensar depois em suas
atividades.

38
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Acreditamos que o Trono de Kyoshu da Sekai Kyussei Kyo


existe para os dirigentes, ministros e membros. Dessa maneira,
alcançamos hoje um estágio em que podemos, mais uma vez,
analisar bem como deveria ser o verdadeiro Trono de Kyoshu.

Cremos que somente com a definição do nível divino de


Meishu Sama é que será automaticamente estabelecido o trono,
conforme o desejo e a vontade de todos os membros.

O Museu de Belas Artes almejado por Meishu Sama se


concretizou maravilhosamente graças à união, ao amor e à
sinceridade dos membros que tinham por base a fé centralizada no
Solo Sagrado. Hoje este Museu é renomado e tido como um
"Museu do Mundo". De fato, embora a nossa Igreja se encontre em
situação crítica, ele é visitado diariamente por milhares de pessoas, o
que demonstra claramente que: as coisas a que a Igreja vem
empenhando esforços estavam e estão certas.

Mas qual é a verdadeira causa do conflito de três anos, que fez


a Igreja mergulhar na lama?

A verdadeira causa é a fraqueza da nossa fé, por não estar


muito claro dentro de nós qual é o centro do Solo Sagrado.
Devemos, todos nós, reconhecer isso.

2 - UMA FE UNIDA EM MEISHU SAMA

Para os fiéis da Sekai Kyussei Kyo, quem é o objeto de


crença? Sem dúvida é Meishu Sama, o fundador da Sekai Kyussei
Kyo.

Mas por que a nossa fé, sem ao menos percebermos, foi


transferida para Kyoshu-Sama?

É porque o fundamento básico da nossa fé não estava bem


claro. Isto é, o nível divino de Meishu Sama não estava sendo
compreendido claramente.
39
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Seguir a fé significa entregar todo o seu ser ao objeto de sua


crença. Portanto, se nosso sentimento em relação a esse objeto for
incerto, quer dizer, não estiver firme, tudo fica incerto.

No passado, viemos cometendo o erro de colocar esse


objeto, de entregar a si próprio, ao Conselho Diretor Executivo, ao
Concílio de Renovação ou, ainda, ao presidente e à Kyoshu-Sama.
Às vezes, seguíamos o exemplo daqueles que nos haviam
conduzido (como o presidente de área de Difusão ou o chefe de
Casa de Difusão) sem possuirmos uma firme convicção.

Se é assim a nossa atitude, não podemos adquirir uma


verdadeira fé.

Quanto mais se torna complexo o problema, mais nos


desviamos do ponto essencial das coisas. Assim sendo, ficamos
apegados às situações que nos rodeiam e mesmo por uma simples
pergunta: de onde vem a Luz Divina que recebemos no peito? "De
Meishu Sama." Essa resposta, que pode parecer simples e clara,
pode ficar, não sabemos como, "incerta".

Nós dizemos que o Johrei é maravilhoso e afirmamos que a


característica da salvação da Kyussei Kyo está nele. Mas a pureza de
nossa fé perde até o seu brilho se não formos firmes naquilo que
cremos, mesmo sabendo responder muito bem, obedientemente, tal
como pregam os Ensinamentos, que "vem de Meishu Sama" a
cada vez que nos perguntam: "de onde vem a força do Johrei e de
quem recebemos?"

Muitas vezes, em virtude de não estar claro dentro de nós o


nível divino de Meishu Sama, que deveria ser o fundamento da
nossa crença, é que a nossa fé perde sua solidez e dá margem à
entrada de forças negativas.

40
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Para não mais repetirmos dentro da Igreja um conflito


semelhante à crise lamentável como a destes últimos anos, não
podemos continuar "cobrando" a responsabilidade individual. Mas
partindo de quem percebeu a falha de entendimento sobre o nível de
divindade de Meishu Sama, deve corrigir suas próprias condutas e
buscar, por si mesmo, a verdadeira visão sobre Meishu Sama. Se não
houver essa consciência, jamais poderemos edificar a verdadeira Fé.
Se não for, ainda, a Igreja apoiada por tais membros, ela não poderá
desenvolver atividades futuras.

A nós faltava uma firme fé, a ponto de afirmar que Meishu


Sama não é simplesmente o fundador de uma religião, mas sim o
"Salvador" que apareceu na Terra a fim de salvar o maior número de
pessoas, no momento do Juízo Final, e construir o Paraíso
Terrestre, criando a verdadeira civilização do Mundo.

A causa maior, que fez surgir a última crise na Igreja, estava


no fato de encontrar-se obscuro e turvo o "foco", ou seja, o objeto de
nossa crença. Esta foi a maior razão que nos obrigou a
questionarmo-nos sobre a fé absoluta no "Salvador — Meishu
Sama".

Portanto, só se erguendo assim é que nos será possível


vencer a época crucial de "Transição da Noite para o Dia", o
chamado Juízo Final. Assim, constituir-se-á a chave para criar um
século XXI repleto de esperança.

CAPÍTULO I - A EVOLUÇÃO DA FÉ MESSIÂNICA

O último conflito da Igreja trouxe à tona uma situação que não


estava clara, apesar de passados mais de trinta anos da ascensão de
nosso Mestre: o nível divino de Meishu Sama e visão de Deus
pregada por ele, temas de grande importância em nossa vida de fé.
Quem é Meishu Sama? Qual é a essência da Fé da Sekai
Kyussei Kyo?

41
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Em que consiste a natureza da nossa fé, embora citemos


freqüentemente "Fé Messiânica"?

A crise inédita ocorrida dentro da Igreja nos últimos anos fez


emergir, para nós membros, tais questões. Estamos, assim, no
momento de, com toda fé, procurar respostas a estas perguntas de
suma importância, que se referem à visão de Deus e visão de
fundador.

A chave para corrigir o ponto inseguro corresponde ao núcleo


da fé da Kyussei Kyo; é, sem dúvida, buscar o próprio Meishu
Sama, que criou nossa Igreja.

Neste capítulo, antes de abraçarmos esse tema religioso de


importante teor religioso, vejamos a evolução da Fé Messiânica
após a ascensão de Meishu Sama.

Parte I - A Igreja Messiânica após a ascensão de Meishu Sama

Como é a visão de Deus e visão do Fundador da Sekai


Kyussei Kyo, a nós ensinada? Como elas vieram se estabelecendo
dentro de nós?

Após a ascensão de Meishu Sama, a própria existência da


Igreja passou por sério perigo. Para reconstruí-la naquela situação
caótica, Nidai-Sama discerniu que é importante fortalecer a
religiosidade da Igreja, tanto no que se refere aos Ensinamentos
quanto ao sistema.

1 - A ASCENSÃO DE MEISHU SAMA E A POSSE DE NIDAI-SAMA

Como a Igreja começou a dar seus passos, então, depois de


ter sofrido um grande golpe com a ascensão de Meishu Sama?
Os fiéis que perderam Meishu Sama, o objeto de sua crença,
que era tido como ser absoluto e de existência imortal,
encontravam-se atônitos e em extrema pertubação. Os olhos da
sociedade da época, inclusive do mundo religioso, eram frios e

42
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

críticos como se podia ver nas manchetes dos jornais: "Para onde irá
a Sekai Kyussei Kyo?".

A cúpula da Igreja teve que acalmar a perturbação do membros


e, ao mesmo tempo, assegurar a existência da Sekai Kyussei Kyo e
sua organização dentro daquela situação. Realizou-se, portanto, na
primeira noite em que ocorrera a ascensão de Meishu Sama, uma
reunião extraordinária com os Diretores.

Meishu Sama não tinha sequer mencionado algo sobre a


sucessão da Obra Divina. Mas — considerando, em primeiro lugar, a
estabilidade da Entidade e a política da Igreja de prevenir-se o
melhor possível para conter a crise que porventura pudesse ocorrer —
deliberou receber Yoshi Okada, esposa de Meishu Sama, no trono
de Líder Espiritual.

Proporcionar alegria ou dedicar-se inteiramente a Meishu


Sama era a forma de manifestação da crença da Sekai Kyussei Kyo.
Os membros compreendiam que qualquer sofrimento e infortúnio era
uma maneira de remir os pecados e que a fé deveria constituir-se em
algo capaz de proteger aquilo que Meishu Sama construiu.

Sem dúvida, vencendo as dificuldades que haviam, buscaram


por ele perseverantemente.

A nossa Igreja não era como as religiões existentes na época


que, com base nas teorias religiosas, desenvolviam suas atividades.
Tendo Meishu Sama no topo da Igreja, objetivava principalmente colher
os frutos da difusão, salvando verdadeiramente as pessoas dos
sofrimentos. A maioria dos ministros se dedicava mais à obra de
salvação do que à atividade religiosa nas cerimônias e nos cultos.
Era essa a realidade.
Naqueles dias, mesmo em meio à censura e calúnia ou
perseguições, os ministros e membros identificavam-se em sua fé com
apenas a convicção de dirigir-se a Meishu Sama. Com a perda do ser
absoluto diante de seus olhos, houve quem tenha perdido a base da fé,

43
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

transformando, assim, a própria convicção e experiência em apoio à


sua própria conduta: começaram por si mesmos a correr ao fanatismo
religioso.

Yoshihiko Kihara, que na época era diretor-presidente do


Conselho, reagiu diante da resolução de receber Nidai-Sama como
Líder Espiritual e disse: "Eu sou o primeiro discípulo de Meishu
Sama. Eu quem devo sucedê-lo e ser responsável pela Igreja". Mas,
percebendo logo que sua opinião não seria aceita, afastou-se da Igreja
levando consigo seus seguidores.

Houve, também, quem tenha se afastado por ter trilhado


parcialmente o caminho dos fenômenos espirituais, dizendo que
"Meishu Sama apossou-se de meu corpo" ou que "a Bola de Luz
passou para mim", etc.

Houve, ainda, quem fosse considerado, pela sociedade, como


herege devido a suas ações egoístas e exclusivistas de querer
justificar que estava correto e a sociedade errada. Divulgavam os
Ensinamentos interpretando-os de maneira temperamental e
dogmática ao público em geral, sem considerar o senso comum da
época, ainda que fosse reconhecível a sua convicção de fé em
afirmar que as palavras de Meishu Sama eram a verdade absoluta, ou
que Johrei é absoluto.

Por causa disso, muitas vezes, sem poder transmitir a salvação


original do Johrei, pregado por Meishu Sama, criaram a ilusão entre
as pessoas de que a crença da Sekai Kyussei Kyo é simplesmente
pregar sobre os efeitos negativos da toxina e negar a Medicina. Assim
criaram certos equívocos quanto às questões de Johrei e Medicina,
Agricultura Natural e fertilizantes, o que, de vez em quando, acarretavam
problemas sociais.
Quando Meishu Sama estava entre nós, ele dizia: "Se
tiverem dúvidas, façam-me perguntas durante as entrevistas, que logo
darei as respostas". Assim, nos reservando tempo para as perguntas
e, ainda, para melhor esclarecer as dúvidas, ele nos advertia: "Vocês

44
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

estão lendo meus Ensinamentos? Tudo está escrito nos


Ensinamentos. Leiam diversas vezes, até assimilarem bem o seu
conteúdo."

Dessa maneira, por sua virtude, a Igreja estava controlada e


protegida. Mas, após a ascensão de Meishu Sama, ela mergulhou
numa situação quase incontrolável. Portanto, esse fato não somente
provocou uma crise na Igreja, como também colocou-a à exposição do
público, criando uma expectativa sobre como se reergueria visando o
futuro.

Em todos os aspectos, a Igreja, que perdera a presença de


Meishu Sama, encontrava-se num período de grande transformação.

Em 30 de março de 1955, foi oficiada a cerimônia de


Recebimento de Yoshi Okada no Trono de Líder Espiritual,
mostrando, com isso, interna e externamente, a atitude da Igreja de
continuar, com a sua liderança, a desenvolver suas atividades.

2 - POLÍTICA RELIGIOSA DA SEGUNDA LÍDER ESPIRITUAL

Novas interpretações: visão de Deus, Fundador, Líder Espiritual


e Johrei

A segurança da organização de uma religião pode influenciar


muito na estabilidade em termos de Fé dos seguidores. Por isso, o
estabelecimento da doutrina que regulamenta a crença é um dos
pontos de maior importância.

Quando o Mestre ascendeu, desde os dirigentes até os


membros, havia naturalmente uma forte crença em Meishu Sama.
Contudo, a fé apegada à imagem, ao corpo de Meishu Sama,
poderia distorcer sua verdadeira conduta. Discernindo dessa
maneira, Nidai-Sama estabeleceu a seguinte doutrina e deu
orientações baseando-se em sua própria concepção religiosa:

a) Visão de Deus, Fundador e Kyoshu


45
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Nidai-Sama discerniu que: Deus — conforme o próprio


Meishu Sama acreditava e nos indicou — é Miroku Oomikami. Por isso,
crendo nele, podemos edificar uma fé eterna. Ela nos orientou que o
objeto de fé da Sekai Kyussei Kyo é este "Deus Miroku Oomikami", o
Deus manifestado do Supremo Deus.

Meishu Sama rendia sua fé em "Miroku Oomikami" e fundou a


Sekai Kyussei Kyo. Portanto, ele é o Fundador, o Mensageiro de Deus
e o Grande Anjo.

A "Bola de Luz", que se encontrava em seu ventre, retornou ao


Deus Criador (Deus que criou todo o Universo) e seu corpo —
seguindo as leis da Grande Natureza — transformou-se em terra.
Portanto, agora Meishu Sama é "Oshiemi-Oya". É venerado e
querido, e seus trabalhos continuam sendo desenvolvidos por seus fiéis.
Assim posicionou-se Meishu Sama como Líder Espiritual-Homem.

A seguir, Nidai-Sama estabeleceu a nova imagem de Deus.


Colocou como objeto de fé a imagem de "Miroku Oomikami", escrito
de próprio punho com pincel. Para Meishu Sama, então, resolveu não
adorá-lo como Deus ou fazer orações a ele, limitando-se a manifestar seu
sentimento de amor e respeito como fundador da Sekai Kyussei Kyo.

Além disso, estava confirmado e fortalecido seu trono de Líder


Espiritual que disse ter recebido de Meishu Sama — que foi primeiro
Líder Espiritual — a autoridade eclesiástica de Kyoshu-Sama. Em
virtude disso, era até divinizado, entre alguns membros, o trono de Líder
Espiritual.

46
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

b) Visão sobre Johrei

Nidai-Sama observou que, se a Igreja pregasse abertamente os


Ensinamentos como "Transição da Noite para o Dia" — cuja
revelação constitui o motivo principal de Meishu Sama ter começado
a salvação da humanidade e a construção do Paraíso Terrestre — ou,
ainda, pregar sobre a vinda da "Época do Grande Terror" e "Época da
Grande Purificação" — ocorrências essas do período de transição, e dar
a entender que o Johrei é a salvação para isso — poderia ser
considerada pela sociedade e pelo próprio País como uma religião
herética que engana os sentimentos dos homens. Para evitar isso,
Nidai-Sama considerou brandamente que a Transição da Noite para o
Dia representa os fenômenos que acontecem no Mundo Espiritual
e, assim, deixou de publicar Ensinamentos como A luta entre o Bem
e o Mal e outros semelhantes.

Foram compilados os Ensinamentos, que seriam "alimento


para o espírito" na vida cotidiana dos membros, e publicados no livro
"Alicerce do Paraíso".

O método de salvação, que é o Johrei, foi posicionado como ato


religioso independente da "Transição da Noite para o Dia", como sendo
o amor de Deus e prece em ação altruísta. Portanto, havia uma linha
divisória entre o tratamento ou Medicina.

O Johrei foi incluído nas práticas básicas de fé junto ao Culto e à


Dedicação, interpretando-o como o melhor meio para conduzir os
novos membros.

A segunda Líder Espiritual ainda discerniu que a Kyussei Kyo


estaria à margem da sociedade se ela não mudasse sua maneira de
ser exclusiva e egoísta, considerando somente Meishu Sama como
ser absoluto, e que além dele ninguém mais existe.

A salvação da humanidade que Meishu Sama deseja e o


Johrei como seu meio são atitudes dignas que inspiram simpatia a

47
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

todos, mas quando o ministrante do Johrei tiver pensamento restrito e,


por respeitar demais o valor do Johrei, caluniar e atacar a
Medicina, certamente a religião dessa pessoa será considerada pela
sociedade como exclusivista e egoísta ou fanática. A fim de corrigir
esse tipo de erro, ou evitá-lo, o Johrei foi colocado dentro das
ações religiosas como prece em ação.

Mesmo assim, surgiram problemas de tratamento medicinal


relacionados com o Johrei. Todas as vezes buscavam-se reflexões
dizendo que isso acontecia por falta de considerações religiosas,
fortalecendo ainda mais o lado religioso do Johrei. Entregavam a
solução dos problemas à responsabilidade dos dirigentes de cada
Igreja.

Com base nessas visões sobre Deus, Fundador, Líder


Espiritual e Johrei, Nidai-Sama preparou, uma após outra, a
estrutura e a formalidade de uma religião e, fazendo viagem
missionária a todo o Japão, pregou a importância de união e
concentração de fé.

Através da reforma em todos os aspectos da religião,


conseguiu-se salvaguardar a Igreja das críticas e ataques da
sociedade de até então e deu-se fim à crise interna, fazendo
despertar uma firme fé nos fiéis.

Para alguns dos pioneiros que, até aquele momento,


consideravam Meishu Sama o tudo, e que a atuação do grandioso
espírito divino do Mestre é o que supera tudo e todas as coisas, a
diretriz tomada por Nidai-Sama parecia não ser a imagem original da
Igreja, mas, para não causar transtorno à Igreja fundada por
Meishu Sama, por causa de convicções pessoais, interpretavam a
situação como sendo a sua vontade.

Mesmo aqueles que não sentiam qualquer contradição em crer


que Meishu Sama é "Miroku Oomikami", e que ele é o "último
salvador", esperaram pelo "tempo" certo confiando nele, dando o

48
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

apoio aos serviços divinos aos quais Nidai-Sama dava


prosseguimento.

3 - ESTABELECIMENTO DA ESTRUTURA RELIGIOSA POR


NIDAI-SAMA

Nidai-Sama coordenou a teoria religiosa sobre Miroku


Oomikami e Meishu Sama. Escreveu também a imagem da Luz
Divina e, com base na formalidade da religião xintoísta, valorizou ao
máximo o "Culto", que tem o sentido de "harmonia" ou "sintonia"
entre Deus e Homem, dando significado aos Cultos Mensais e
Especiais.

Mas a messiânica da época ainda não estava unida, pois,


mesmo com a grande virtude com que Nidai-Sama dirigia a Igreja,
havia limites de sua autoridade. Isto porque, na prática, recebia
restrições das leis da entidade religiosa. Ela entregou, portanto, aos
dirigentes de cada Igreja o cargo de ensino e doutrinação dos
membros. Além disso, o corpo diretivo da Sede Geral estava sob o
regime de um assessor de grande poder.

Mesmo em meio a essa dificuldade, Nidai-Sama estabeleceu o


Soreisha — Santuário dos Antepassados — no Shinsen-kyo de
Hakone, criando, assim, na qualidade de Sede Geral da Igreja, o
caminho para sufragar os antepassados, que são cultuados em cada
família, junto ao Solo Sagrado de Hakone, a Terra Primordial.

E, com o Culto de Inauguração do Altar do Santuário


Messiânico de Atami, em outubro de 1961 — depois de completar a
estrutura religiosa da Sekai Kyussei Kyo — Nidai-Sama ascendeu
em janeiro do ano seguinte, em 1962.

49
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

PARTE II - A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL APÓS A ASCENSÃO DA


SEGUNDA LÍDER ESPIRITUAL

Como ficou então a nossa Igreja, após Nidai-Sama partir para o


Mundo Espiritual, terminando a missão como Segunda Líder
Espiritual?

Vamos observar aqui os processos que se seguiram.

1 - TERCEIRA LÍDER ESPIRITUAL E A ORGANIZAÇÃO DA


SEKAI KYUSSEI KYO

Pela ascensão repentina da Segunda Líder Espiritual, a


terceira filha de Meishu Sama, Itsuki Fujieda, foi escolhida como
Terceira Líder Espiritual para dar continuidade à Obra Divina,
tomando posse em 4 de fevereiro de 1962.

A época ainda era de "trepidações" constantes. A Terceira


Líder, baseando-se na política religiosa de Nidai-Sama e recebendo
assessoramento do Conselho de Diretores — que era apenas em
nome, pois na verdade a administração da Igreja estava sob o
controle do assessor — deu prosseguimento à Obra Divina.

Por outro lado, a orientação religiosa feita em cada área de


difusão era a mesma da época da Segunda Líder, não havendo vez
de indagar sobre a própria fé, no que tange ao nível divino de
Meishu Sama, ou seja, visão sobre o Fundador. Isto ocorreu porque
as atividades eram desenvolvidas com base no antigo sistema de
igrejas.

Como nos referimos nas páginas anteriores, apesar de Deus


Miroku Oomikami e Meishu Sama serem uma existência una, em
termos de fé estavam separados. À relação de "Bola de Luz" e
Meishu Sama também eram dadas novas interpretações. Diziam
que, com a ascensão do Mestre, a "Bola de Luz" retornaria ao Deus da
Criação e o seu corpo ao solo.

50
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Em consequência disso, apesar da fonte da força do Johrei


ter estreita ligação com a "Bola de Luz", unindo esta com Meishu
Sama, foi envolta num véu de mistério com a separação de ambos,
tornando-se uma coisa vaga.

Aqui devemos uma explicação, em resumo, sobre a relação


entre Meishu Sama e Johrei.

O nascimento de Meishu Sama e sua "Bola de Luz" é o que


revela, sem dúvida, o grande Processo do Plano Divino de|
Transição da Noite para o Dia no Mundo Material, tal como a
Meishu Sama foi revelado em 15 de junho de 1931, no Monte
Nokoguiri. Portanto, quem crê nisso também pode crer no
aparecimento da "Bola de Luz", isto é, força de salvação neste
Mundo. Poderá conhecer a salvação do Johrei como absoluta. Se
não pode crer nisso, a nossa compreensão sobre o Johrei poderá
permanecer como "tratamento" um pouco mais avançado daqueles já
existentes.

Num aspecto religioso, pode ser tratado como espécie de


"oração ou prece", com grandes benefícios.

A visão de Nidai-Sama sobre o Johrei, ainda hoje, é


interpretada como resultado de oração e empenho de Meishu
Sama, pois é verdade que também existe esta parcela.

“Experimentei todos os tipos de doenças.", disse Meishu


Sama, que desde a nascença fora muito doente. Ele próprio, em
meio a lutas constantes com o sofrimento, foi comprovando
verdades.

Por exemplo: quando estava sofrendo com fortes dores de


dentes, a ponto de querer suicidar-se, Meishu Sama conheceu um
asceta da Nitiren, apresentado por seu conhecido e, seguindo a
orientação dele, deixou de ir ao médico. Então, viu que as dores

51
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

diminuíram e percebeu que "por usar os remédios as dores de


dentes aumentavam".

Certa vez, no caminho em que estava sendo levado ao


hospital por causa de tifo intestinal, ele próprio sentiu não ter mais
esperanças: "Pensei comigo que aquela seria a última vez que veria
gente". Ele conta que o fato de ter-se desapegado completamente da
vida é que motivou a sua cura do perigoso tifo.

A visão sobre o Johrei mostrada por Nidai-Sama também


constitui verdade. Porém, precisamos entender que o Johrei surgiu com
a chegada do Mundo do Dia, como está indicado nos Ensinamentos
"Transição da Noite para o Dia", "Princípio do Johrei", etc. A chegada
do Mundo do Dia significa o aumento do elemento fogo no Mundo
Espiritual e, com isso, aumentar-se-á a força purificadora, ocorrendo
uma grande mudança no Mundo Material.

Em termos de saúde humana, o tratamento convencional de


solidificar as toxinas, que até então produzia efeito, perde ano após ano
a sua eficácia. A eficácia do Johrei, pelo contrário, que tem base
praticamente no elemento fogo e faz dissolver as toxinas, aumentará
a cada ano evidentemente.

Baseando-nos neste princípio fundamental, devemos nos


conscientizar a fundo que a relação entre Meishu Sama, que
alcançou o "estado de união com Deus" e que possui a "Bola de Luz",
e Johrei, constituem-se no núcleo da doutrina messiânica.

Voltando ao assunto em questão, continuaremos a nossa


explicação.

Em virtude da política escolhida por Nidai-Sama, foi-se


apagando a fé dogmática. Mesmo assim, a Igreja, que visava
cooperação e harmonia entre ela e a sociedade, encontrava-se
realmente numa época de grande trepidação.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

O Conselho de Diretores daquela época, a quem cabia a missão


de assessorar a Terceira Líder, teve que dar, por si mesmo,
continuidade à trilha aberta pela Segunda Líder.

Entretanto, havia um problema: o proseguimento da política


religiosa tal como foi indicada pela Segunda Líder, logo após a
ascensão do Fundador, poderia ocultar ainda mais a fé centralizada em
Meishu Sama.

Supondo que Meishu Sama fosse o primeiro corredor que deu


início à construção do Paraíso Terrestre, prosseguido pelo segundo
corredor, a Segunda Líder, e agora, prosseguindo a caminhada com o
terceiro corredor que seria a Terceira Líder e, assim
sucessivamente, o que seria de Meishu Sama se continuar esse
processo? Por mais que elogiemos "de boca" a grandiosidade dele, sua
presença se tornaria infalivelmente pequena.

Os membros, cada um na prática de sua fé, podiam buscar


Meishu Sama e receber várias graças.

Mas, quando se tratava da posição da Líder, a situação era


diferente. Além desta possuir autoridade eclesiástica, era Diretora
Presidente do Conselho de Diretores; cabia-lhe toda a
responsabilidade de dar frente à política religiosa, tomando
medidas certas de acordo com o Plano Divino, de tempos em
tempos. Por isso, muito mais necessitava-se de uma transição
política a ser seguida. E, justamente nessa época, em que eram
examinados os Planos da Igreja, seu trono foi exposto a uma
situação crítica.

2 - PERIGO DA IGREJA E UNIFICAÇÃO

Esse fato, ocorrido em 1969, repercutiu como um golpe à Igreja.

Em virtude de ter-se continuado atividades de difusão com o


mesmo regime estabelecido na época caótica de pós-guerra, e não ter

53
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

levado em consideração o avanço do tempo, começaram a aparecer


problemas no sistema de igrejas em que se baseava a divulgação da
Igreja.

Esse fato deu oportunidade ao assessor que intentava o domínio


da Igreja. Por isso, o trono de Kyoshu e até a estrutura da própria
entidade foram expostos a grande perigo.

A oposição entre o Conselho de Diretores e o assessor, quanto à


administração, tornava-se cada vez mais forte e constituía-se em sério
sofrimento para a Terceira Líder Espiritual.

O Presidente Fujieda, que tomou o posto de comando depois do


Presidente Okusa, ergueu-se para eliminar a pressão que o assessor
exercia sobre o Conselho de Diretores. Mas todas as tentativas
sucederam em fracasso e, finalmente, ele teve que afastar-se do
cargo de Presidente.

Em meio a essa difícil situação, quem deu prosseguimento à


presidência da Igreja foi Teruaki Kawai, que já havia recebido
incumbências por parte de Kyoshu-Sama. Portanto, teve que se erguer
para realmente eliminar o regime de assessoramento e edificar, em
teor e forma, um Conselho de Diretores forte e funcional.

Finalmente, o Conselho de Diretores, por uma tática de


renúncia total, eliminou o regime de assessoramento. O assessor,
todavia, logo que se afastou do poder, iniciou seu ataque, por todos os
meios de comunicação de massa, distribuindo folhetos com dizeres
como "acuso a Kyussei Kyo".

Diante disso, tanto o corpo diretivo quanto os dirigentes da


Igreja tiveram que tomar uma decisão: continuar o sistema de igrejas
ou absorvê-las e uni-las à Sekai Kyussei Kyo ou, ainda, se iria escolher
o caminho da Unificação. A inquietação era igual em ambos os
caminhos. "Então vamos escolher a Unificação". Era essa a vontade
e o pensamento de todos os dirigentes da Kyussei Kyo.

54
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Diante de difíceis problemas e barreiras, com fé em Meishu


Sama se ergueram, apreendendo uma a uma a vontade de Meishu
Sama ao fundar a nossa Igreja. Salvaguardando-a, bem como
assessorando a Líder Espiritual, fizeram a Kyussei Kyo ressuscitar de
uma condição de perigo até da sua própria existência.

Daí em diante, para que nunca mais os problemas viessem a


ferir a posição de Kyoshu-Sama, estabeleceu-se o regime de
símbolo à Líder Espiritual, caminhando, assim, em direção à
Unificação de toda a Igreja.

Graças à Unificação abriu-se caminho para divulgar ampla e


claramente a existência de Meishu Sama a todos os messiânicos. As
atividades de Arranjo Floral Sanguetsu, da Agricultura Natural e de seus
produtos naturais foram levadas avante como a obra de salvação de
Meishu Sama. Isso deu origem a várias outras atividades sociais,
aumentando também a confiança do público.

A construção do Museu de Belas Artes, o grande desejo de


Meishu Sama, foi tocada à frente. Essa santa tarefa de construção, que
reuniu as forças de membros, constituiu-se para nós numa prática no
sentido de "tirar o véu" que encobria a existência de Meishu Sama,
por uma necessidade do passado.

Através da ampla atividade começou-se a descobrir toda a


imagem de Meishu Sama. Houve a conscientização de que a
salvação não se limita ao campo religioso e, sim, abrange todos os
setores da vida humana. A sociedade em geral deveria buscar suas
idéias e diretrizes como orientadoras da humanidade.

À fundação MOA coube a divulgação dessas idéias, que


compreendem atividades em escala mundial.

55
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

3 - VENCENDO A CRISE — EDIFICAR A FÉ SINTONIZADA COM


O PLANO DIVINO

A conclusão do Zuiun-kyo criou um palco onde se permite


representar mundialmente a Obra de salvação ultra-religiosa.
Conforme as palavras de Meishu Sama, estamos no tempo de
expandir mundialmente a Luz de Salvação.

Talvez, se não tivéssemos uma fé ou uma atividade que busque


Meishu Sama e o Solo Sagrado, como a Unificação e outras,
teríamos perdido de vista a essência de Meishu Sama.

Acreditamos que a construção do Museu de Belas Artes MOA,


que levou dez anos, foi um processo em que Meishu Sama nos
conduziu ao núcleo da fé Messiânica.

No ano do Centenário do Mestre foram lançados os livros "Luz do


Oriente", "A Saúde Revelada por Deus" e, ainda, pelo Instituto MOA
"Meishu Sama e o Estado de União com Deus". Podemos dizer que
essas publicações foram os preparativos necessários para buscarmos o
nível divino de Meishu Sama com espírito renovado, justamente nessa
época em que começa a se expandir mundialmente a Luz da
Salvação.

Entrentanto, o que aconteceu após a conclusão do Zuiun-kyo, o


protótipo do Paraíso Terrestre de Atami?

Aconteceram a crise e o conflito, já citados na parte


introdutória.

Resumindo, as atitudes tomadas naquela época visavam ocultar


Meishu Sama e obstar o estudo sobre seu ser, além de barrar a fé,
aproveitando maliciosamente a visão sobre Deus e Fundador
estabelecida por Nidai-Sama após a ascensão do nosso Mestre

56
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Crise gerou crise porque o grupo de oposição nos criticava


dizendo que somos a "facção contra a Líder", entendendo
distorcidamente a autoridade eclesiástica de Kyoshu-Sama. Dizia-se que
a "Bola de Luz" passou para ela, mal aplicando ainda os direitos que
competem ao Presidente da Igreja.

Quanto mais se invocava a fé centralizada em Kyoshu-Sama de


modo fanático e dogmático, usando o registro de Presidente, mais a
Igreja mergulhava no abismo.

Mas tornou-se claro que a essência da fé messiânica não está no


"trono de Kyoshu", tal como pregavam o Presidente e alguns
dirigentes.

Foi-nos revelado nitidamente sobre o quanto poderíamos


submeter a existência da nova religião ao perigo, se deixássemos
obscura e incerta a existência de Meishu Sama no aspecto homem-
Fundador.

Depois que o Templo Messiânico foi tomado, nós seguimos em


direção ao Solo Sagrado de Hakone obedecendo as palavras de
Meishu Sama que diz: "Hakone completado, passa-se a Atami e este
concluído volta-se novamente a Hakone". "Daquele (Templo
Messiânico) pretendo fazer um lugar exclusivo para espetáculo.
Portanto, não tem sentido como Sede Principal Religiosa". "Naquela
colina (Koomyo-dai), futuramente, pretendo construir a Sede Principal."

Baseando-nos nessas palavras, podemos dizer que estamos no


ponto de onde, do Solo Primordial, daremos partida, de acordo com a
Obra Divina de Meishu Sama que fará desenvolver o seu segundo
estágio.

É hora de buscarmos, no dia-a-dia, o nível máximo de Meishu


Sama e gravarmos dentro de nossa alma o ponto de origem da nossa
fé.

57
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Diante da catástrofe mundial a nós apresentada, precisamos


saber o que a atual Sekai Kyussei Kyo deve buscar, em que base ela
deve estar assentada, para que seja verdadeiramente uma ultra-religião.

Urge, para tanto, a edificação da nossa fé sintonizada com o


Processo de Plano Divino de Meishu Sama.

CAPITULO II - O NÍVEL DIVINO DE MEISHU SAMA E O


PROCESSO DO PLANO DIVINO

Como vimos até agora, separar a relação existente entre


"Miroku Oomikami" e Meishu Sama, considerando este último como
fundador de uma religião, trouxe como resultado o fim da crise ocorrida
logo após a ascensão do Mestre. Porém, neste último conflito, essa
visão foi aproveitada como pretexto para ocultar Meishu Sama.

Após a sua ascensão, por ser considerado Líder Espiritual-


Homem, não foram discutidos abertamente os Ensinamentos como
"Transição da Noite para o Dia", "A Luta entre o Bem e o Mal", "A
Época de Grande Terror", etc., que têm estreita ligação com a
construção do Paraíso Terrestre. Desta maneira, a intensidade da fé em
relação ao Programa Divino de Meishu Sama enfraqueceu.

Porém, com a busca da vontade de Meishu Sama, essa fraqueza


foi desaparecendo com o processo da Unificação, através da fé
centralizada no Solo Sagrado.

A conclusão do Museu de Belas Artes MOA veio completar o


Zuium-Kyo de Atami e, em termos de fé, pudemos conscientizar-nos da
precisão do Plano Divino desenvolvido por Meishu Sama.

Entretanto, a crise que a Igreja está atravessando provou que


ainda temos essa fraqueza.

A falta de convicção de que "Meishu Sama é quem está


desenvolvendo o Programa Divino da Construção do Paraíso

58
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Terrestre" permitiu a infiltração da força negativa, que causou


obstáculos ao desenvolvimento do Plano Divino.

Aqui esclarecemos, através de Ensinamentos, a relação entre o


crescimento do nível divino de Meishu Sama e o progresso do Plano
Divino, objetivando estabelecer dentro de nós "a fé absoluta em Meishu
Sama".

PARTE I - ORIGEM DA FUNDAÇÃO DA IGREJA POR MEISHU SAMA

Será que Meishu Sama fundou a Kyussei Kyo professando a fé


em Deus Miroku Oomikami? Não, pelo contrário, os membros da época
buscavam Meishu Sama como "Salvador", almejado pela humanidade
que poderá ser salva dos sofrimentos deste Mundo pela absoluta força
do Johrei que ele possui.

Antes de explicar isso, deixamos claro que os Ensaios que aqui


vão ser mencionados são aqueles já revelados após a guerra.

Dessa maneira, a luta entre "Bem e o Mal" ocorreu numa época


tão turbulenta que poderia ter atingido a própria vida de Meishu Sama.

1 - A RELAÇÃO ENTRE MEISHU SAMA E A "BOLA DE LUZ"

Meishu Sama disse: “Quando eu era jovem, era completamente


atencioso e gostava de fazer boas coisas". E também: "Nunca cheguei a
fazer oração diante de uma escrita no papel ou em frente a uma pedra".

Era essa a atitude que ele tomava.

Mas por volta do ano 13 da era Taisho (1924) começaram a


acontecer fenômenos, como o aparecimento da imagem de Kannon
(Avalokitesvara) por trás de Meishu Sama, fazendo os mesmos
movimentos dele. Uma pessoa que viu esse fenômeno, por achar
estranho, perguntou a Meishu Sama sobre a afinidade dele e
Kannon. Mas, mesmo com essa indagação, ele ficou indiferente e, no
começo, deixava passar, crendo somente que poderia haver tal coisa
59
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

estranha. Porém, esses fenômenos se repetiam ao redor de Meishu


Sama. Então, pela primeira vez, ele toma consciência de uma profunda
afinidade sua com Kannon.

Mas, mesmo acontecendo tais fatos, não se verificava nenhuma


diferença em Meishu Sama. Ele continuava com seu caráter de
edokko, nativo de Tokyo, povo alegre e rico de sentimentos. Nem
sequer rezava a Kannon, nem mesmo fazia algum chamamento nem
qualquer espécie de oração ou prece, para que acontecesse aquele
fenômeno.

Finalmente, em fins de 1926, Meishu Sama passa por uma


experiência mística jamais registrada em sua vida.

Sobre sua experiência, ele nos conta da seguinte maneira: "(...)


A cada dia aumentava o número de milagres, até que finalmente
recebi a revelação espiritual, diante de meus olhos, sobre o passado,
o presente e o futuro, além de ser investido de um poder sobre-humano
e da grande missão de salvar a humanidade.

Um fenômeno que achei muito curioso, nessa época, foi que


uma força grandiosa me manejava livremente, fazendo com que, por
meio de milagres, eu me encontrasse, pouco a pouco, com o Mundo
de Deus. A minha alegria, nessas horas, era irrefreável. Era uma
sensação indescritivelmente profunda, nítida e elevada. Além do mais,
os milagres continuavam e, ao mesmo tempo, aconteciam fatos
interessantíssimos. Não sei quantas vezes cheguei a provar essas
sensações num só dia. O maior de todos os milagres foi o que ocorreu
em dezembro de 1926, último ano do reinado do Imperador Taisho."

1952

"Por volta das 24 horas em certo dia do mês de dezembro de


1926, ocorreu-me uma sensação muito estranha, jamais
experimentada até então. Ao mesmo tempo que experimentava essa
agradável e inexplicável sensação, sentia-me induzindo a falar.

60
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Mesmo desejando deter esse impulso, não conseguia. Insurportável


força compelia-me de dentro para fora. Não podendo a ela resistir,
deixei-a expressar-se livremente; as primeiras palavras foram:
"Prepare papel e pincel" — pedi à minha esposa que assim
procedesse. Após isso, as palavras que brotavam initerrupta e
compassadamente eram apenas sobre fatos surpreendentes.
Primeiramente, relatos que podiam ser chamados de História dos
tempos primitivos do Japão. Era o registro da formação do Japão de
500.000 anos antes..."

5 de outubro de 1949

Depois, sem que Meishu Sama soubesse, a "Bola de Luz"


alojou-se em seu ventre. Ele mesmo disse uma vez que não sabe
quando nem como aconteceu. Sem ao menos perceber, a "Bola de Luz",
ou seja, um Espírito Divino, teria tomado seu corpo e, depois, começou a
manejá-lo livremente, chegando mesmo a dizer-lhe: "Você é a pessoa
que tem a missão de se erguer daqui em diante para a salvação da
humanidade. Portanto, pare com todo o serviço".

Diante desse fenômeno, com surpresa e dúvida, Meishu Sama


repetia, consigo mesmo, perguntas e respostas:

"Será que eu tenho dentro de mim uma força para salvar a


humanidade?".

"Uma Obra tão grande como a de salvar a humanidade jamais


eu poderei executar".

"Se eu deixar meus serviços que sustentam a minha vida, logo


sofrerei. Então, quem é que vai me dar segurança? Não, eu não
posso."

As perguntas e respostas, entre a "Bola de Luz" e Meishu


Sama, repetiam-se com grande freqüência, ou seja, diariamente.

61
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Se negasse aquilo que a "Bola de Luz" ordenava, Meishu Sama


era conduzido a uma situação difícil, mas, ao obedecê-la,
entregando seu destino, as coisas resultavam em sucesso
inesperado.

Ainda, sem tempo para pensar, se certa coisa vinha à sua mente
ou quando lhe eram feitas perguntas, as respostas fluíam-lhe
espontaneamente, etc.

Eram inúmeras as experiências realmente misteriosas que ele


vivenciava.

Meishu Sama disse: "Eu, com 45 anos de idade, alcancei o


estado de Kenshinjitsu (o estado mais alto de iluminação)." e declarou
ter chegado a um estado em que conheceu a verdade de todas as
coisas do passado, do presente e do futuro.

Meishu Sama, ao passar por essa misteriosa experiência,


deixou finalmente os seus serviços a cargo de outra pessoa e se
dedicou inteiramente ao estudo dos espíritos. Sobre isso, ele nos diz o
seguinte:

"(...) Dentre aqueles manuscritos, havia muitas coisas com


relação ao futuro, mas publicá-los, no momento, é difícil em virtude
do fator tempo. O incidente da Manchúria, a Guerra do Pacífico, a
situação atual do mundo, aconteceram tal como foram anunciados.
Constam, ainda, informações sobre o futuro do mundo e sinto-me
realmente pesaroso em não poder publicá-las.

Ao tomar conhecimento de que nasci com tão grandiosa missão,


ocorreu uma total mudança em meu coração. Não posso ficar
indiferente. Ao mesmo tempo em que tomei a resolução de lançar-me à
grandiosa Obra de corpo e alma, no dia abençoado do início da
Primavera, em 4 de fevereiro de 1928, passei todos os meus negócios
para meu gerente, sem nenhuma compensação para mim, entrando
para a vida religiosa."

62
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

5 de outubro de 1949

Nesse ensaio, Meishu Sama disse ainda estar muito pesaroso


em não poder publicar nada sobre o registro de formação do Japão e
nem sobre o futuro do mundo. Acontece que Meishu Sama queimou
esses manuscritos, já que se sentia em perigo de vida, devido ao
rigoroso controle de idéias da época. Aqui também notamos uma
parte da luta entre o Bem e o Mal que ultrapassa a nossa imaginação.

No ensaio "Eu, visto por mim mesmo", que transcrevemos


abaixo, Meishu Sama nos fala, francamente, sobre seu misterioso
sentimento.

"Os leitores que vêem este título certamente o acharão estranho,


mas acredito que, no decorrer da leitura, se convencerão.

Em primeiro lugar, creio que minha existência é por demais


estranha. Isso porque, na história da humanidade, não houve
registro de nenhum homem como eu. Aqui escreverei sobre mim de
maneira objetiva, evitando ao máximo a visão subjetiva. Por isso,
gostaria que lessem com esse pensamento.

Escreverei começando por meus trabalhos. O objetivo do meu


trabalho, naturalmente, está na salvação da humanidade. Portanto,
todos os meus atos jamais se desviam dessa linha. Dentre os meus
serviços, aquele a que tenho mais me dedicado, ultimamente, é à
escrita de ideogramas. É ao ideograma propriamente dito.

Eu me esforço nesse sentido para satisfazer, ao máximo, o


desejo de muitos membros que me fazem pedidos. Os membros o
penduram no pecoço colocando-o no peito como talismã e fazem a
irradiação do "espírito" a um paciente, levantando a mão a uma
distância de 50 a 100 centímetros. Com esse ato diminuem os
sofrimentos e as dores do paciente, sem exceção.

63
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

(...) A esse método nós chamamos de Johrei. Por intermédio do


Johrei, observam-se inúmeros fatos, como o da fuga do bandido que
estava prestes a arrombar a porta; ou outros que foram salvos sem
nenhum arranhão, como aquele que caiu de um precipício, bem como
aquele que foi atropelado por um carro. Há também casos em que as
pessoas não sofreram grande prejuízos em incêndios.

(...) Existem casos de milagres, desde antigamente, em que


grandes santos ou religiosos conseguiram salvar pessoas enfermas, uma
de cada vez. Existem outros em que, convertendo-se a uma religião,
conseguiu-se a graça da cura de uma doença, ou em que se manifestou
a força de curar doenças. Entretanto, quando comparada com a
força manifestada através da ministração do Johrei por um discípulo
meu, talvez não haja equivalência.

Existem fatos como os que se seguem:

— ao observar as letras escritas por mim, elas espalham-se no


espaço, movimentando-se em partículas de luz, formando a figura de
acordo com o que está escrito. Esse é um fato narrado por
inúmeras pessoas. Ainda existe quem veja uma bola de luz, do
tamanho de uma bola de borracha (mais ou menos de seis
centímentos de diâmetro), no meu ventre. Há inúmeras pessoas que
observaram a luz saindo da palma da minha mão. Algumas vezes foi
retratado o estado em que a luz jorrava como onda saindo da "Bola de
Luz". Em outras ocasiões, a luz preencheu todo o espaço de uma sala.

Eu faço entrevista a mais de cem membros, estabelecendo uma


hora por dia. Antecipadamente peço aos membros que façam
qualquer tipo de pergunta, mesmo que elas sejam difíceis. Assim,
dentro de uma hora, chegam a atingir mais de uma dezena de
perguntas, porém quase não há casos em que eu não tenha uma
resposta satisfatória; naturalmente as perguntas são variadas. De vez
em quando, aparecem casos em que eu não saberia como
responder, mas só de ouvir a questão, imediatamente, me vem a

64
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

resposta. Assim, ocorre um fenômeno anormal e eu aprendo comigo


mesmo.

(...) Nesse sentido, tudo que eu faço não é por minha própria
vontade, mas Deus é que me utiliza livremente. Por isso, é o
mesmo que ser um boneco manejado por Deus.

É um fato inédito no mundo. Diante disso, eu fico a me observar


com profundo interesse, pensando como é que Deus vai me utilizar na
próxima vez. (...) Tudo isso é a realidade do "Eu, visto por mim mesmo"."

30 de janeiro de 1950

2 - MEISHU SAMA INTUI A TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA


NO MUNDO ESPIRITUAL

Meishu Sama foi se conscientizando cada vez mais de sua


relação com a força salvadora e a sabedoria manifestadas pelo
"Kanzeon Bossatsu", que se tornou uno com ele. Nesse Ínterim,
Meishu Sama recebeu a ordem divina: "Vá ao Templo Nihon no Monte
Nokoguiri, em Booshu".

Na madrugada do dia 15 de junho de 1931, juntamente com sua


esposa Yoshi e 28 acompanhantes, num total de 30 pessoas,
entoaram a oração Amatsu Norito, no topo do Monte Nokoguiri.

Foi justamente nesse momento que Meishu Sama recebeu a


grande revelação da Transição da Noite para o Dia. Ele relatou sobre
esse acontecimento da seguinte maneira:

"Com relação à Transição da Noite para o Dia, que menciono


constantemente, creio que há a necessidade de explicar qual o seu real
significado. Esse fato ocorreu no dia 15 de junho de 1931.

Naquela ocasião, recebi instrução de Deus e, então, passei à sua


execução. Vou escrever, aqui, sobre o ocorrido.

65
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Houve uma revelação Divina no dia anterior a 15 de junho de


1931. Era para eu visitar e orar no famoso Templo Nihon, no Monte
Nokoguiri em Booshu. Deveria me fazer acompanhar por mais de trinta
pessoas, pousando ali por uma noite. Imediatamente iniciei os
preparativos necessários. Felizmente, entre os fiéis, havia um amigo
íntimo do famoso sacerdote Zen, Tanaka Jossetsu, abade responsável
pelo Templo Nihon. Então, incumbi-o de dar andamento às
combinações. Reunindo todos, parti com trinta pessoas da estação
Ryogoku, na manhã do dia 14. Chegamos ao Templo por volta das 21
horas desse dia. Esse Templo Zen-Budista situa-se no meio da encosta
de uma montanha relativamente alta. Sua construção é ampla e as
cores esmaecidas pelo tempo. Evidentemente, para nós da cidade,
acostumados a ruídos e tumultos no nosso cotidiano, era como
passear na terra encantada que está além da imaginação.

Na manhã seguinte, antes do alvorecer, saímos do Templo em


direção ao cume da montanha, iluminando o caminho com
lanternas. Com aproximadamente uma hora de caminhada
alcançamos o topo. Felizmente fazia bom tempo. A vista
panorâmica era algo indescritível: descortinava-se, na névoa do
amanhecer, o monte Kiyomizu entremeado pelo mar de Booshu ao
longe, onde o famoso Nitiren entoou a Oração Namumyo-
Horenguekyo, com o ardente desejo de difundir mais e mais o
budismo.

Em direção ao sol que se levantava, rompendo o alvorecer,


todos nós entoamos a Oração Amatsu Norito. Não há adjetivos que
possam qualificar a sensação sublime experimentada naquele
momento, com as palavras ecoando no ar puro do amanhecer.

Logo mais, iniciamos a descida. Oramos reverentemente diante


da imagem principal de Buda no Templo Nihon. Após o café da
manhã, tiramos uma foto de lembrança e empreendemos o
caminho de volta.

Vou agora narrar alguns fatos misteriosos.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Diante do prédio principal do Templo havia um grande pé de


figueira-dos-pagodes. Um pé de figueira tão grande é novidade no
Japão. Conta-se que Sakyamuni praticou o ascetismo e que dorme o
sono eterno debaixo de uma dessas árvores. Essa montanha
também é conhecida como Monte Kenkon e, do meio dela até o
topo, havia aproximadamente cem estátuas de pedra com mais ou
menos 93 cm de altura.

Começando pelas estátuas de Sakyamuni, Amida, Kannon,


Daruma, Fudô, Aizen, os quatro reis Kujaku, os dez discípulos de
Sakyamuni, de Rakan, etc., inclui as mais variadas estátuas
búdicas.

Realmente mostra o mundo búdico do Japão. Mas,


misteriosamente, em novembro de 1943, foram consumidas
completamente pelo incêndio que se iniciou no Templo. Segundo os
artigos dos jornais da época, seria impossível conseguir sua
restauração. Na ocasião, um pensamento me ocorreu: "o que seria
isso, senão a amostra do fim do mundo do budismo?"

(Com respeito ao artigo sobre a viagem até o Templo Nihon, já


escrevi na Coletânea de poemas "Yama to Mizu". Tomem como
referência).

Finalmente pegamos o trem de volta, chegando à Estação


Ryogoku ao entardecer. Passei em seguida na casa de Akaishi, no
bairro Midori Mata, naquela cidade, para realizar um culto que
havíamos combinado anteriormente.

Isto não é do conhecimento de ninguém, e somente eu fiquei


surpreso e em júbilo, continuando como segredo dos segredos até o
presente momento. Mas, chegando o tempo oportuno, quero fazer
uma publicação sobre este assunto."

15 de junho de 1953

67
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Dessa forma, Meishu Sama teve a convicção de que o


fenômeno da Transição da Noite para o Dia, que ninguém
conseguiu prever em que época aconteceria, em breve tornar-se-á
realidade, provocando uma grande transformação na humanidade. E,
logo após esse episódio, por intermédio de vários fenômenos, em
pequenina forma, foi-lhe revelado o futuro do Japão e do mundo.
O que aconteceu na família Akashi pode-se considerar também
uma espécie de "forma" a que Meishu Sama costuma se referir.

Dia 15 de junho de 1931


Neste belíssimo dia
Abrem-se tão mansamente
As portas dos Céus.

Mas Meishu Sama, embora passasse por experiências


realmente misteriosas como está expresso nesse poema, não teve
nenhum comportamento que possa ser comparado ao de possessão
de espírito conhecida no mundo. Ele levou, sim, uma vida normal,
como um homem comum, esperando pelo amadurecimento do
"tempo".

3 - SALVAÇÃO PELO JOHREI E AÇÃO DE IMPEDIMENTO

Mas, apesar da vida comum aparente, ele se inteirava das


pesquisas do espírito divino e intuiu a "lei da purificação", criando,
finalmente, o "método do Johrei", método que manifesta a força de
Salvação absoluta.

Depois, adotando uma forma de tratamento privado, dedicava-


se pessoalmente à atividade salvadora através do Johrei.

Ao tomar contato com Meishu Sama, que manifestava uma


força misteriosa, surgiam pessoas que acreditavam "ser ele
possuidor de um elevado nível divino". E foi surgindo uma fé entre os
seguidores que se reuniram, atraídos pela sua maravilhosa força e
personalidade, alcançando, assim, o alvorecer da "Fé em Meishu Sama".

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Expressou seu estado de espírito, em poema, da seguinte


maneira:

Para o meu bem


Pessoas se dão ao máximo
Em suas dedicações.
O meu espírito torna-se alegre
Só de pensar em suas felicidades.
Pessoas vêm alegremente
À minha procura
Dizendo estarem salvas
O que me faz ainda mais alegre e feliz.

A força manifestada através do Johrei foi gerando milagres


após milagres e, dia-a-dia, aumentavam pessoas que iam à procura de
Meishu Sama. Mas, por outro lado, surgiram ações que causavam o
impedimento de sua Obra Salvadora.

Meishu Sama, que na época era missionário da religião


Oomoto, fora considerado herege e pessoa perigosa que toma
ações desvirtuosas diante da organização.

No dia 11 de fevereiro de 1932 aconteceu um caso que ilustra


bem esse fato. Nesse dia, o jovem Yoshikawa, fiel da Oomoto, foi à
residência de Meishu Sama, em Oomori, Tóquio e disse: "Eu te mato
porque tu és um homem insolente, que distorce a ordem da Oomoto."
Pegando uma faca, ameaçava a vida de Meishu Sama e, referindo-se ao
método de salvação (Johrei), continuava a dizer: "Pare de fazer isso! Se
não parar, eu te mato! Como vai ser?"

"Não posso parar.", disse Meishu Sama, reagindo. Então, mais


nervoso ainda, o rapaz o hostilizava.

De repente, Yoshikawa, com a mão na altura do abdômen,


começou a sofrer terrivelmente. Meishu Sama, vendo Yoshikawa sofrer
ofegando, salvou-o com o Johrei.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Meishu Sama explicou esse episódio da seguinte maneira: "O


dragão vermelho tomou o corpo desse jovem e, querendo acabar
comigo, desafiou o dragão dourado para uma luta. Essa é a ação de
Satã."

Esse acontecimento foi, sem dúvida, uma luta espiritual que


tentava impedir a obra salvadora de Meishu Sama.

Mas, mesmo depois desse fato, em vez de diminuir, aumentava


cada vez mais o movimento para excluir Meishu Sama da religião
Oomoto, chegando a ponto dele não mais poder continuar lá dentro.

Meishu Sama, naquela época, já pensava em se desligar da


mesma, uma vez que notava em Onisaburo Deguchi, o Líder
Espiritual da religião, atitudes descabidas e sem fundamento, como a de
vestir quimono com estampas de crisântemo ou montar num cavalo
branco, imitando o imperador.

Foi armado, então, um plano, clandestinamente, por Issai


Nakajima, para dirigir severas críticas à pessoa de Onisaburo
Deguchi, chegando, portanto, a ser demitidos os que acreditavam em
Meishu Sama. Responsabilizado pelos atos de seus seguidores, pediu
demissão, afastando-se, enfim, da Oomoto em 15 de setembro de
1934.

Por trás desse incidente, tal como Meishu Sama nos contou
depois, houve a ajuda de Deus.

No dia 8 de dezembro do ano seguinte, a Oomoto é submetida a


uma grande perseguição de autoridades do governo. Mas, como o
nome de Meishu Sama já havia sido publicado na revista da
Oomoto, mencionando seu afastamento da mesma, conseguiu
escapar, por um fio, da referida perseguição.

Como se ainda endossasse a qualidade de que era possuidor,


Onisaburo Deguichi disse certa vez a Meishu Sama: "Daqui para

70
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

frente, se você se dedicar à cura de doenças, poderá curá-las quando


quiser. Faça-o o mais que puder. Se, por acaso, você colocar água
num copo e disser que a tomem porque é remédio, essa água se
transformará em remédio."

Pode-se dizer que essas palavras do mestre religioso nasceram


da percepção de que Meishu Sama possuía um especial nível de
espiritualidade.

Referindo-se à religião Oomoto, Meishu Sama disse,


posteriormente, o seguinte:

"A religião Oomoto nasceu com a missão de criar minha


pessoa (Meishu Sama). Isto é, o fundador (Nao Deguchi), em
termos búdicos, significa Sakyamuni e o Líder Espiritual (Onisaburo
Deguchi) é Amitaba. Como Sakyamuni e Amitaba fazem nascer
Kannon, eu sou filho deles, eu nasci da religião Oomoto."

Por meio dessas palavras, Meishu Sama pregou o mistério


sobre o "Encontro de três Miroku". Sobre este assunto, falaremos em
outra oportunidade, com explicações pormenorizadas.

4 - FUNDAÇÃO DA IGREJA POR MEISHU SAMA

Por intermédio de misteriosos fenômenos, Meishu Sama


conscientizou-se da "Bola de Luz" que tem estreita relação com
Kannon. E, segundo a revelação no Monte Nokoguiri, a "Transição da
Noite para o Dia" conheceu sua sublime missão de salvar a
humanidade que deveria ser cumprida. Portanto, vencendo a luta entre
o Bem e o Mal, havida no momento de afastamento da Oomoto,
funda, finalmente, a Associação Dai Nippon Kannon Kai, em 1º de janeiro
de 1935.

Esse dia deu início, propriamente dito, à obra salvadora pela


grande força emanada da "Bola de Luz" de Meishu Sama. Foi o

71
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

começo da fé absoluta em Meishu Sama por aqueles que


perceberam o seu divino nível.
Sobre o processo e o estado de seu espírito, Meishu Sama
explicou o seguinte:

"Parabéns pela passagem do Ano Novo. Graças a Deus, a


Associação Dai Nippon Kannon Kai acaba de ser inaugurada, motivo
pelo qual sinto-me bastante feliz.

Esta inauguração estava prevista para mais tarde, mas Kannon


estava com muita pressa de que a realizássemos no dia de hoje.
Antecedendo, no dia 23 passado, realizamos no Ooshindo a
cerimônia de abertura da Associação Kannon Kai, reunindo naquela
ocasião pouco número de dirigentes e apenas os que serão futuramente
chefes de Casas de Difusão.

Até aquela data, não tínhamos resolvido ainda o local onde seria
a nova Sede, mas, na noite do dia 23, Kannon me alertou para que
fosse feita a cerimônia inaugural da mesma nesta casa que era a
difusão de Oomoto. Como se tratava de coisa que nem em sonho havia
me ocorrido, eu mesmo fiquei surpreso.

Mas logo percebi os motivos de sua realização neste local.


Assim sendo, imediatamente, dia 24, começamos a fazer os
preparativos para a comemoração do dia de hoje e celebrar a
cerimônia de inauguração, o que considero ser ótimo.

Gostaria, nesta ocasião, de dar rápidas explicações sobre o


objetivo, a atividade e alguns programas da Associação Kannon Kai,
que são bastante ricos.

(...) Esta noite, porém, farei explicação sobre a construção do


Mundo de Miroku, que é o objetivo da nossa Associação.

O Mundo de Miroku (Mundo da Luz Divina), como já a própria


palavra indica, significa que, através da "Luz de Kannon", formar-se-á

72
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

um mundo sem escuridão. O mundo sem escuridão quer dizer o mundo


sem sofrimento nem angústia, ou mundo sem pecados.
Há milênios de anos, vários santos ou grandes religiosos vêm
pregando sobre este mundo almejado, fazendo esforços para
contruí-lo.

Mas não foi possível criar esse mundo até hoje. Nem mesmo
um mundo parecido com o que todos almejavam. Por isso, só
permaneceu como ideal da humanidade, persistindo as dúvidas em
construí-lo ou não. Essa é a situação até hoje. No entanto, tal
mundo certamente se concretizará.

Agora, sofrendo uma rápida guinada, está para se concretizar.


A mim foi revelado sobre isso há justamente sete anos, através de
Kannon, ou seja, Deus Izunome. Naquele tempo, eu mesmo, para
ser honesto, tive dúvida sobre isto. Mas, a partir de então,
sucederam-se incontáveis milagres. Todos eles foram
surpreendentes, difíceis de serem medidos e até inexplicáveis pela
inteligência e experiência humana.

Esses milagres vieram comprovar que, sem nenhuma falha,


poderá ser construído o Mundo de Miroku, fortalecendo cada vez
mais a minha convicção, compreendendo perfeitamente que
através de mim será feito tal mundo. Ou melhor, Kannon, usando
meu corpo como instrumento, fará nascer tal mundo."

1º de janeiro de 1935

A sociedade japonesa, na época que foi fundada a Igreja,


passava por uma crise econômica, isolamento de outros países,
insegurança pública, etc. Era uma época em que imperava o
militarismo.

Além da insegurança da vida e confusão social, a autoridade


era rigorosa com o pensamento da nação. Jamais, portanto, podia
se pensar em fundar uma religião.

73
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Por exemplo: o caso de "desrespeito à majestade" da religião


"Hito-no-Miti", a ordem de dissolução da religião Hito-no-Miti e,
mais grave, o incidente da Oomoto, em que as autoridades
explodiram com dinamite o seu altar-mor e outras instalações. Só de
ver esses acontecimentos relacionados às religiões, entende-se que
não era, de forma alguma, ocasião propícia para fundar uma nova
religião. Nem o País nem a sociedade esperavam ser ajudados ela
religião de Meishu Sama.

Mas, apesar da crescente pressão e impedimento, tanto


espiritual quanto material, Meishu Sama ergueu-se corajosamente
guiado pela "Bola de Luz", ou seja, por Kannon, apoiado na força
absoluta do Johrei, para "construir o Mundo de Miroku".

PARTE II - O PLANO DIVINO DE MEISHU SAMA NA LUTA ENTRE O


BEM E O MAL

Construção, destruição e, depois, o caminho da construção

Na Parte I, vimos que Meishu Sama se ergueu para cumprir sua


missão de "construir o Mundo de Miroku", lutando contra vários
obstáculos, mas sempre sustentado na "revelação da Transição da
Noite para o Dia" e na "Bola de Luz".

Analisaremos, a seguir, seguindo os feitos do Mestre e o


desenvolvimento do Processo de Plano Divino, com a elevação do seu
nível divino, as ocasiões em que Meishu Sama deparava-se com
algum impedimento.

1 - OBRA DIVINA DE MEISHU SAMA E IMPEDIMENTOS

Em 1935, logo que iniciou suas atividades adotando a forma de


religião com o nome de Associação Dai Nippon Kannon Kai, Meishu
Sama encontrou vários impedimentos.

74
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

a) Dissolução do Dai Nippon Kannon Kai e proibição de atos de


tratamento

A Associação Dai Nippon Kannon Kai, que acabava de ser


fundada com sede em Kojimachi, Tóquio, dia após dia, foi se
expandindo e, depois de passar alguns meses, essa Sede Provisória
tornou-se pequena, a ponto de ter que se transferir para Tamagawa,
em outubro daquele ano.

Entretanto, naquela atmosfera do País, que se inclinava


cada vez mais para o militarismo, a pressão que as autoridades
exerciam sobre as religiões, como Oomoto e Hito-no-Miti, tornava-se
mais violenta ainda. Meishu Sama também não foi exceção,
pairando sobre ele a ameaça da suspeita de "ser sobrevivente da
Oomoto", obrigando-o a submeter-se à grande pena de dissolução
da "Dai Nippon Kannon Kai".

Aí, em maio de 1936, Meishu Sama, a fim de abrir caminho


para a salvação, mesmo para aqueles que não acreditavam em
religião, separou a atitude religiosa do tratamento de cura,
instituindo a "Associação de Saúde do Japão", com o Tratamento do
Estilo Okada. Mas logo esta também sofreu repressão, com a
repentina "ordem de proibição de atos de cura" por parte do
Superintendente da Polícia e a investigação da Delegacia de
Oomiya e de Tamagawa. Foi barrado o caminho de salvação.

Assim que foi proibida essa ação privada de cura e


tratamento, Meishu Sama instituiu a "Associação das Cem
Imagens de Kannon" e, por meio da pintura de quadros,
secretamente, empenhou-se na formação de discípulos e na
salvação, e, àqueles que vinham à sua procura, outorgava a imagem
de Kannon pintada por ele como objeto de adoração.

75
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

b) ReinÍcio e suspensão da atividade de cura

Por intermédio de um discípulo, assim formado, foi apresentada


a Meishu Sama a filha de um tenente general do Exército, que se
curou de uma enfermidade, fato que motivou a anulação da
proibição da cura, possibilitando o reinício de sua atividade com o
nome de "Tratamento Espiritual de Digitopuntura no Estilo
Okada". Graças a isso, aumentavam, a cada dia, os discípulos e as
pessoas que recebiam Johrei.

Entretanto, esse crescimento, outra vez, estimulou as


autoridades policiais, sendo Meishu Sama detido por contrariar as
leis médicas. Em dezembro de 1940, ele teve que suspender o
tratamento com a promessa escrita de que "nunca mais na vida,
repetiria atos de tratamento".

Sobre isso, Meishu Sama se referiu assim aos discípulos da


época:

"Aquele ato, em termos espirituais, significa que subimos


mais um degrau. Por isso, internamente, constitui para mim motivo de
grande alegria. Isso porque há limites para aquele estilo de
tratamento; é um serviço como o de um soldado que está, de corpo e
alma, na linha de frente."

Esclareceu, dessa maneira, que aquele acontecimento


constituía o avanço no Processo do Programa Divino para um novo
estágio, o que, à primeira vista, parecia um grande infortúnio.

Em outras palavras, podemos dizer que, a cada vez que


ocorre algum impedimento ou pressão, sobe o nível espiritual de
Meishu Sama. Isso porque sai vitorioso na luta entre o Bem e o Mal e,
cada vez que isso acontece, sua Luz aumenta, elevando-se,
também, o Nível Divino de Meishu Sama. Quanto mistério!

76
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Através de fenômenos claros, percebemos que nós,


homens, jamais poderemos conhecer ou medir pela nossa
inteligência o insondável e misterioso Programa Divino de Meishu
Sama.

c) Reinício da atividade religiosa

A Guerra no Oceano Pacífico tornava-se cada vez mais forte e


Tokyo estava a ponto de ser atingida, segundo a percepção de
Meishu Sama, pois dizia a seus membros que se afastassem de lá.
Ele também se afastou desse lugar que era, então, centro de suas
atividades e, prevendo o progresso da Obra Divina, disse:

"Gostaria de ter um templo onde possa divulgar a minha


Verdade."

Mudou-se para Gora, Hakone, em maio de 1944 e, depois,


para Atami, construindo nesses locais os protótipos do Paraíso
Terrestre, que constituem pontos indispensáveis do Processo do
Plano Divino, preparando, assim, a grande expansão da Obra
Divina, após a Guerra.

Nesse momento, refletia nitidamente nas vistas de Meishu


Sama o aspecto do término da Guerra.

Com o término da Guerra, as atividades religiosas foram


liberadas, mas Meishu Sama não recomeçou as suas
imediatamente. Porém, reunindo discípulos espalhados em todo o
Japão por causa do refúgio, uniu a organização numa só, com o
nome de "Associação Propagadora da Purificação Espiritual
Japão", ocupando ele próprio a presidência da Associação,
restaurando, assim, a atividade salvadora ainda em forma de
tratamento terapêutico civil - esperando o momento oportuno.

77
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Em 1947, assim que foi assegurada pela lei a liberdade


religiosa, instituiu a Igreja Kannon do Japão, reiniciando a
atividade religiosa propriamente dita.

Em sua saudação pela abertura da Igreja Kannon do


Japão, Meishu Sama disse:

"Devido à pressão da autoridade policial, nós nos afastamos


da atividade religiosa e viemos trabalhando exclusivamente no
tratamento terapêutico, que teve grande expansão. Mas isso foi por
causa da atuação de Ooshin Miroku" (que possui todas as facetas
de atuação que mudam conforme a situação se apresente).

Como a atuação de Kannon pode ser dita como a de "bola",


que não tem arestas, ela toma todas as formas livremente. Portanto,
só de se entregar ao avanço da Obra Divina, com o tempo abrem-se
novos caminhos, o que justamente aconteceu com Meishu Sama.

Essa atuação de Kannon, de acordo com o tempo, e


mudando suas formas e aspectos, sempre tem sido desenvolvida
ora sob “forma” de destruição, ora apresentando "forma" de
construção, mas sempre se desenvolvendo no sentido de concretizar o
ideal em escala mundial.

Meishu Sama, referindo-se aos acontecimentos que ocorriam


ao seu redor, que à primeira vista pareciam absurdo e estranho,
explicou em seu Ensinamento "A Luta entre o Bem e o Mal" da
seguinte maneira:

"Refiro-me aqui a um assunto que todos já conhecem. Desde


antigamente, as religiões, em todas as épocas, são criadas por
homens que diferem de outros, pois eles, com o desejo de salvar o
mundo, formam sua doutrina. Enquanto ajudam a um número
considerável de pessoas, são reconhecidos pelo mundo e, na hora
que começam a se erguer, sem falta, aparecem-lhe os

78
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

impedimentos. Os melhores exemplos são Sakyamuni contra


Daiba e Jesus Cristo contra Satã, que todos conhecem.

Interessante é que, quanto maior a força e o futuro que tem


essa religião, mais rigorosas serão a perseguição e a pressão.
Os espíritos malignos, no começo, recorrem aos homens do poder e,
a fim de criar no povo o sentimento de ódio, inventam, em sigilo,
teorias falsas e esforçam-se na propaganda delas.

Dizem que "aquela religião engana a gente e acaba com


a família; é uma superstição perigosa e, portanto, jamais se deve
tomar contato com ela". Taxando-as dessa forma, insinuam-se
egoisticamente.

Controlam livremente as pessoas de confiança da sociedade


e até aquelas relacionadas a órgãos de primeira categoria, como
imprensa. Tudo isso devido à possessão de espíritos malignos, que
fazem as pessoas pensarem dessa forma. Entretanto, por não
perceberem isso, acham tratar-se da sua própria vontade. Ao
mesmo tempo, o público que ouve também é apossado pelos
companheiros daqueles espíritos malignos, pois, com
reciprocidade de ambos os lados, é possível fomentar a crítica e
ódio à religião. Eis o plano da Força Negativa.

Nesse sentido, hoje em dia, as novas religiões, com poderes que


superam os das religiões antigas e que contribuem grandemente com
a sociedade, são tidas como mira dos espíritos malignos, os quais
fazem de tudo para impedir sua atuação.

A nossa religião é tida como alvo número um deles. Portanto,


não é fácil avançar eliminando seus impedimentos. Sobre isso,
escreverei sua causa fundamental.

No Mundo Espiritual existem o Mundo do Mal chamado de


Mundo da Força Negativa e o Mundo do Bem chamado de Mundo da
Força Positiva, os quais estão em constantes lutas. No Mundo da Força

79
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Negativa existe um chefe, que governa com muito poder e utiliza


livremente os seus bilhões de subordinados. Seu objetivo é apossar-
se do poder do mundo em geral e, sobre esse surpreendente
plano, tem conseguido, passo a passo, seu resultado.

Num sentido, o maior impedimento para ele vem a ser o


religioso que prega o Bem e objetiva a justiça. Assim que surge,
então, um grande religioso, pressiona-o por todos os meios
possíveis, tentando destruí-lo. Muitas religiões até agora, que
temporariamente foram bem sucedidas, mas que
imperceptivelmente tornaram-se sem osso, sem qualquer
característica, revelam que foram vencidas pelo Mal.

O motivo disso é que, como sempre prego, até agora o mundo


era Noturno, isto é, estava sob a direção do Deus da Lua e,
portanto, com luz fraca. Assim sendo, mesmo que não fossem
fatais, as religiões preservaram somente seus formatos.

Isso é mostrado até nas religiões relativamente novas do nosso


País (Japão). Primeiramente temos as perseguições de fundadores de
novas religiões num período que foi do fim do shogunato Tokugawa
até a Era Meiji.

Os principais foram Tenry-Kyo, Oomoto-Kyo, Tokko-Kyo e Hito-


no-Miti. O fundador da Tenry-Kyo, por exemplo, experimentou
sofrimentos tais como o de ser aprisionado mais de dez vezes.
Onisaburo Deguti, da Oomoto, permaneceu durante sete anos na
cadeia e teve pouco tempo de alegria, pois após ser libertado,
faleceu; a causa, naturalmente, foi o cansaço e as severas investigações
durante o longo tempo de prisão.

O sr. Kaneda, fundador da Tokko-Kyo, era sempre vigiado por


um guarda, e ouvi dizer que, até à hora da morte, não teve quase
liberdade.
O fundador da Hito-no-Miti, Sr. Tokuiti Miki, também ficou
alguns anos na prisão e veio a falecer assim que saiu dela. A razão de

80
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

sua morte, conta-se, foi devido aos sofrimentos insuportáveis que


passara.

Entrando agora para a Era Showa, a pessoa mais perseguida


poderia ser eu. Escreverei a esse respeito. Como já vimos, o Mundo
Espiritual encontrava-se por muito tempo na Era Noturna, quando o
grupo de espíritos malignos atuava a seu bei prazer, causando
confusão no Mundo, sonhando ainda ser longa a noite. Mas de
repente e para a grande frustração deles, apareceu a nossa Kyussei
Kyo.

Como a nossa Igreja é a Religião da Era Diurna, jamais revelada


neste mundo, isto é, sob a presidência do Deus do Sol, eles ficaram
atônitos e finalmente começaram a se afobar. Aí, então, querendo dar
um "jeito" em nossa Igreja, não mediram esforços. Manifestação
disso foram as constantes perseguições: o caso de sonegação de
impostos de 1948; as investigações de grande envergadura das
tropas americanas e, depois, o caso de irregularidades financeiras
em Shizuoka, etc. Em virtude da grande pressão sofrida nessa época,
parecia, temporariamente, difícil até de reerguer-se. Mas vencemos
todos esses obstáculos e estamos hoje em franco progresso, o que é
prova de que a Força do Bem saiu vitoriosa. Entretanto, durante
esse tempo todo, pela incompreensão da imprensa em geral ou pela
transmissão falsa dos noticiários, dirigidos pelos jornalistas, a tropa de
força do Mal continuou me atacando sem cessar, o que me causou
muito aborrecimento.

Dessa maneira, no Mundo Espiritual continuam as lutas reais e


despercebidas, em mil formas, entre o Bem e o Mal. Isso porque a
nossa Igreja é, para eles, um grande inimigo sem precedentes. Por
conseguinte, Deus Todo Poderoso vem se preparando
meticulosamente porque, se a nossa Igreja sair perdendo, o mundo será
dominado pelo Mal. Uma prova disso é a democracia (estabelecida
após a II Guerra) que fez com que, apesar das várias perseguições, a
nossa Igreja, em sentido global, não sofresse grande influência. Fato
é que ela caminha em franco progresso, motivo pelo qual sinto-me feliz.

81
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Isso devido à Luz forte de Deus do Sol, pois à medida que desponta o
Sol, as tropas da força do Mal só tendem a afastar-se e serem
vencidas. Assim se concretizará o Mundo do Bem."

25 de julho de 1953

Em meio à guerra, enquanto o Japão caminhava no perigo, até


de sua existência, numa direção de quase destruição total, Meishu Sama
dava a mão para a construção do protótipo do Paraíso Terrestre,
completamente oposto do Mundo Infernal que atravessava o Japão.
Isso é, naturalmente, a manifestação da convicção de Meishu Sama.
Essa convicção podemos notar em várias citações dele feitas durante a
Guerra.

Certa vez, numa entrevista, ele disse:

"Quando esta guerra terminar, haverá a liberdade de religião e


desaparecerá a Polícia Especial de Investigação."

No dia em que terminou a Guerra (15.08.1945), numa entrevista


em Hakone, em frente aos 50 membros presentes, logo em seguida à
transmissão de rádio comunicando a rendição incondicional, Meishu
Sama disse:

"Daqui em diante, o Japão ficará bom. Está bem assim."

A Obra Divina de Meishu Sama, mesmo em situações que pela


força do indivíduo não poderia ser feita qualquer coisa diante da
guerra, desenvolvia-se adotando diversas formas. Porém, mesmo após
ser reconhecida pela lei a "liberdade de crença e opinião", Meishu
Sama trilhou um caminho de luta realmente severa.

Amante da paz que era Meishu Sama, por natureza, para


cumprir sua grande missão de salvar a Humanidade, teve que,
ininterruptamente, lutar contra a força do Mal, de modo jamais
experimentado nem mesmo por Buda ou Cristo. Esse é o ponto que nós

82
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

membros devemos assimilar bem, transformando-o em alimento


para nosso espírito para seguir a fé messiânica.

2 - ELEVAÇÃO DO NÍVEL DIVINO VENCENDO A LUTA

Por mais difícil que fosse o caminho que Meishu Sama trilhou,
seu Programa Divino desenvolveu-se sem cessar. Podemos dizer que
sua obra expandiu-se dentro da luta contra o Mal que impedia o seu
caminho, tendo elevado também o próprio nível divino.

Meishu Sama, referindo-se ao Processo do Plano Divino


insondável, escreveu o seguinte ensaio:

"O Plano Divino do Supremo Deus, como é a Construção do


Paraíso Terrestre, deve fazer progredir até certo nível a cultura
material. Com esse intuito, Ele criou o Bem e o Mal. Porque, pelo
conflito dessas duas forças, conseguiu formar uma cultura material tão
magnífica como vemos atualmente, estando agora próxima da
concretização do Paraíso. (...) No Mundo Espiritual, desde a época em
que foi criado o Homem, começou a luta entre eles. Quem tinha mais
poder ocupava toda extensão daquela época. Com a ambição de
governar livremente, ou tornar realidade esse desejo, o Mal usava
de todas as violências, indiscriminadamente. Em semelhante
aspecto, isso ocorre no Mundo Material."

25 de dezembro de 1950

"Ao nos referirmos sobre os espíritos maus, é preciso entender


que eles existem em vários níveis: alto, médio e baixo, sendo que o
homem de maior quantidade de máculas é manipulado livremente por
intermédio dos elos espirituais malignos e, sem ao menos perceber,
toma atitudes de impedimento a Deus. Entretanto, como os espíritos
malignos trabalhavam livremente, durante milênios, desconhecem a
Transição do Mundo Espiritual, e continuam, ainda, sua atuação. Mas,
finalmente, a Transição do Mundo Espiritual está por ocorrer e eles,
sem despertar completamente, começaram a precipitar-se. Isso

83
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

porque o que a força do Mal mais teme é a Luz. À medida em que o


Mundo Espiritual vai se transformando em Dia, sua Luz torna-se mais
forte, significando a chegada da época de terror para a força do Mal.
Assim, a Luz vai de encontro com a força do Mal, encolhendo-a e
enfraquecendo a sua atuação."

20 de novembro de 1949

"Tudo está dentro do Programa do Supremo Deus, pois para


desenvolver a cultura existe a luta entre o Bem e o Mal, a mistura de
claridade e escuridão, beleza e feiúra. Assim, passo a passo, o mundo
se aproxima do ideal. Mas como se trata da insondável vontade de
Deus, é difícil de se conhecer e de se imaginar esse Programa pela
inteligência humana."

25 de dezembro de 1950

Pela nova concepção de Meishu Sama, dissolveram-se a


Nippon Kannon Kyodan (Igreja Kannon do Japão) e Nippon Miroku
Kyodan (Igreja Miroku do Japão) e, unindo essas duas, instituiu-se a
Sekai Messiya Kyo (Sekai Kyussei Kyo), em 4 de fevereiro de 1950. O
ano de 1950 foi o ano talvez mais importante, com relação ao nível
divino do Programa de Meishu Sama. Cremos que isso é evidente
tanto na atuação de Meishu Sama, quanto na estrutura da Igreja de
modo completo. É também uma mostra de que torna-se cada vez mais
forte a luta entre o Bem e o Mal.

Nesse ano, o próprio Meishu Sama conscientiza-se de que seu


nível divino também deveria sofrer grande transição e muda o seu
nome, até então de Grão Mestre, para Meishu Sama.

Vamos atentar aqui em sua palestra da ocasião da abertura da


Sekai Kyussei Kyo:

"A Igreja Nippon Kannon Kyodan, fundada como entidade


religiosa em 30 de agosto de 1947, bem como a Igreja Miroku

84
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Kyodan, instituída igualmente em 30 de outubro de 1948,


dissolvem-se desta vez automaticamente e, agora, unidas com base na
nova concepção, nesta data, 4 de fevereiro, dia de início da
primavera, é fundada a Sekai Messiya Kyo.

Nisto encerra-se um grande significado e uma profunda


providência de Deus e, portanto, não compete à vontade do ser
humano.

Como dizemos sempre, o Mundo Espiritual entrou finalmente no


período de sua Transição. Esse fato tem muita relação com a
salvação do budismo, que foi realizada no período noturno,
significando que, com o desaparecimento da Noite, o trabalho de
Kanzeon Bossatsu (ou simplesmente Kannon) terá uma mudança e
progresso. Isto, em uma só palavra, significa a "destruição de
Buda". Por conseguinte, a atuação de Kannon transforma-se
naturalmente em atuação de Salvador. Quer dizer, Kannon, que havia
encarnado em Buda, desmascarando-se, volta agora ao seu trono
original e passa a exercer o trabalho de Deus.

Nesse sentido, o Mundo Espiritual, tornando-se Dia, refletirá


esse fenômeno no Mundo Material, havendo, em conseqüência, a
extinção daquilo que for inútil da cultura noturna, sobrando somente
as coisas úteis. E não será só isso. Durante os longos anos do período
de escuridão, deve-se ter acumulado uma quantidade enorme de
pecados e impurezas da humanidade, que deverão ser limpos pela
ação purificadora. "Coisas inúteis que deverão ser extintas" —
expressão usada anteriormente, indica exatamente isso. Mas, ao
mesmo tempo, será iniciada a construção da Cultura Diurna.

O que indica, então, a grande Transição sem precedentes? É


exatamente o que diz respeito ao Programa de Deus estabelecido há
milênios e milênios. Em outras palavras, podemos dizer que
ocorrerão a destruição e construção em escala mundial. Essa época
de grande significado está por chegar neste momento. Devemos
conhecer, portanto, como será manifestado o grande amor de Deus.

85
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

No período de Transição, tudo será decidido: um que será


destruído e outro que sobreviverá. No entanto, mesmo que isso não
tenha mais jeito para os pecadores, a bênção de Deus é de salvar o
maior número de pessoas da extinção. Escolheu, para tanto, o Seu
representante a fim de exercer a grande Obra de Salvação, e como
órgão complementar dessa missão Ele utiliza a nossa Igreja. Nisso
reside a importância da grande missão da Kyussei Kyo.

Nesse sentido, deve ser observada com olhos abertos a


atividade que será desenvolvida nesse período final que está prestes
a chegar. Como resultado disso, devemos ter em mente que o
Paraíso que pregamos é o último objetivo de todos nós.

Eu, até agora, vim me esforçando como assessor, quer


dizer, sigilosamente vim executando o Processo do Plano Divino,
mas como finalmente concretizou-se o alicerce, poderei agora
passar para atividade evidente. Simplesmente falando, significa que
me apresentarei ao palco, ao vivo. Por conseguinte, é lógico que,
em todos os aspectos, deve-se gradualmente consolidar a
organização e criar uma nova forma de atividades.

Os nomes que aparecem na Oração Zenguen Sanji (feita


por Meishu Sama com base na Sutra-Kannon) como Kanzeon
Bossatsu, Koomyo Nyoorai, Messias (Salvador), Deus Miroku, etc.,
embora sejam diferentes, são um único Espírito Divino e,
portanto, não muda a sua essência. Com a evolução do tempo, a
escala de atuação do Espírito Divino também será ampliada. Por
isso, a Imagem da Luz Divina e Ohikari podem continuar como
estão, até um tempo determinado. Devo esclarecer ainda outras
coisas, mas só com o passar do tempo, quando alcançaremos o
estágio que me permita apresentá-las.

O que devo falar, agora, é sobre a atuação de Kanzeon


Bossatsu, que até o presente momento compreendia somente o
plano oriental, mas que, com a chegada do tempo, deve dar um
grande salto no seu nível e salvar toda a humanidade. Assim

86
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

sendo, necessita expandir-se para o mundo todo. Por isso, o nome


da nossa organização mudou para Sekai Kyussei Kyo.

Originariamente, a salvação de Kanzeon Bossatsu era uma


salvação indiscriminada do Bem e do Mal. Mas como finalmente
estamos próximos à realização do Paraíso Terrestre, é necessária,
agora, a separação do Bem e do Mal e fomentar o Bem e destruir o
Mal. Isto é, dar fim ao Mal, devendo ser decisiva Sua força
salvadora, força essa que é manifestada no Messias."

4 de fevereiro de 1950

São palavras de Meishu Sama na abertura da Igreja. Não é


exagero dizer que ele se referiu à própria missão.

Em outras palavras, significa que a "Bola de Luz" alojada em


seu ventre, a começar da atuação de Kanzeon Bossatsu, passa para
a de Koomyo Nyoorai e depois para a de Ooshin Miroku e,
finalmente, para a do Messias, desenvolvendo realmente a atividade
de salvação em escala mundial.

O trabalho da Sekai Kyussei Kyo, portanto, a atuação do


próprio Meishu Sama, o dono da "Bola de Luz".

Neste momento, Meishu Sama inseriu a palavra "Salvador


(Messias)" para a Oração Zenguen Sanji, posicionando-se como
superintendente da Sekai Kyussei Kyo.

Nós membros, desde a fundação da Igreja, viemos entoando


a Oração Zenguen Sanji nos Cultos e nas cerimônias religiosas. Ela é
a única oração feita por Meishu Sama e constitui para nós um
tesouro. Seu conteúdo encerra a situação do Paraíso Terrestre e
também apresenta a atuação de Meishu Sama de tempos em
tempos, bem como do programa da construção do Paraíso na Terra.

87
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Meishu Sama usou várias expressões como "Plano Divino",


"Programa de Deus", "Programa Histórico" ou "Terra de Deus",
referindo-se à construção do Paraíso Terrestre, mas o que
expressou de maneira simples, clara e ainda resumida é justamente
esta Oração Zenguen Sanji. É ela que nos conta sobre a mudança da
"Bola de Luz" e o desenrolar de sua Obra Divina.

ORAÇÃO ZENGUEN SANJI

Com profundo respeito e reverência


Lembramo-nos e compreendemos
Que Vós, o respeitado Kanzeon Bossatsu
Desceste do Céu para esta Terra
Manifestastes-Vos em Koomyo Nyoorai
Transformastes-Vos em Ooshin Miroku
E tornastes-Vos Salvador (Messias)
Elimina os três males
E purifica as cinco impurezas
De todo o Universo!
Faz nascer nesta Terra
O lugar de eterna Luz
O Paraíso almejado por todos e
Por toda a Humanidade
Um Mundo ordenado
E perfeito em Luz e gozo:
De cinco em cinco dias, ventar;
De dez em dez dias, chover,
Na harmonia de toda a Natureza!
Pelo Vosso amor de grande misericórdia
Infinito e profundo
Obedecem e se arrependem
Todos os espíritos malignos
Alcançam os mestres e justos
Seu ideal de Bem
Campos, montanhas, matas e rios
São dóceis à Vossa Glória!

88
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Aves, animais, insetos e peixes


Tudo tem seu próprio lugar!
É o Mundo de Luz!
Aves celestiais revoam!
Há, no céu, alvissareira nuvem!
Fragrância de flores cobre a terra
E Santuários, solares... Do Templo da Salvação
Como que pairando no Céu,
Resplandece o dourado teto
Na fulgurância do sol!
Farta colheita enche o celeiro,
Rica é a pesca;
Em todos os recantos,
Vozes alegres e contentes.
Tudo é vida.
Os países sem fronteiras!
As criaturas, sem ódios!
Entre os homens, os conflitos
Se esvaecem como num sonho.
Seja no Céu ou na Terra,
Tudo que existe Retorna às Vossas mãos
Envolto em manto de amor!
Ao nosso viver cotidiano
Concedei Verdade e Saber;
Que a família prospere sempre
Com saúde e longevidade, sem remédios
Dignai-Vos fazer transbordar
A virtude somada ao Bem.
A Infinita Graça da felicidade
Humildemente rogamos,
E fervorosos, sinceros, Vos adoramos!

No livro "Luz dos Ensinamentos" publicado no dia 10 de maio de


1951, Meishu Sama expressou, resumidamente, o sentido da
mudança do seu nível divino.

89
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

"Não se deve pensar de maneira inflexível nas coisas que se


referem a Deus. Ele é flexível e livre."

Jesus Cristo profetizou a chegada do Juízo Final e, ao mesmo


tempo, previu que o Reino dos Céus está próximo.

Buda chamou este mundo de sofrimento e nos ensinou a


resignação, anunciando que daqui 5 bilhões e 670 milhões de anos
estaria chegando o "Mundo de Miroku".

Entretanto, os fundadores de religiões não chegaram a propor à


humanidade o Programa de construção do Paraíso. Não
esclareceram, também, o seu "tempo". Vieram apresentando ao
Mundo que Deus é uma existência deveras misteriosa e oculta.

Meishu Sama, porém, é um único ser que expressou as palavras


"Processo de Plano Divino" e que apresentou em todas as
oportunidades o Programa de Deus de Construção do Mundo Ideal, do
Mundo Diurno. Em seu poema, Meishu Sama assim se expressou:

"Para construir o Paraíso Terrestre


O Deus Miroku Oomikami
Manifesta Sua grandiosa força
Depois de uma espera de milênios de anos,
O Processo de Plano de Deus está, agora,
No limiar de sua realização.
O Deus da Salvação, há tanto tempo
Esperado pela humanidade, já Se manifestou."

3 - SOFRIMENTO, DEPOIS A REVELAÇÃO

Entretanto, o novo caminho da Kyussei Kyo, após dois meses


de sua fundação, mergulha em casos sem precedentes, a começar do
incêndio da cidade de Atami, até a detenção de Meishu Sama com
suspeita de sonegação de Imposto e suborno, este último ocorrido no
dia 29 de maio de 1950.

90
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

No dia seguinte, 30 de maio, a prisão de Meishu Sama foi assim


noticiada nos jornais de maior circulação:

"O Fundador Okada foi preso. A Igreja Messiânica Mundial


sonegou impostos por meio de suborno" (Jornal Mainichi)

"O Ohikari-Sama foi preso. Suspeita de ter sonegado impostos.


Invadida a Igreja Kannon em Atami e Hakone" (Jornal Yomiuri)

Mas, por trás desses obstáculos, houve um acontecimento muito


importante em relação ao nível divino e virtude de Meishu Sama.

Em primeiro lugar, apesar do incêndio que arrasou a cidade de


Atami, a Sede provisória de Shimizu-cho não foi atingida totalmente,
conforme previra Meishu Sama. O primeiro jornal da Igreja, "Luz", que
estava lá, não se queimou por inteiro, sobrando parte da primeira
página que trazia a fotografia de Meishu Sama. Havia sobrado ainda o
desenho da imagem de "Miroku", feito por ele e editado no jornal Kyusei
nº 53.

Por esse fato verídico, mesmo os não membros reconheceram a


grandiosidade de Meishu Sama.

Mas, logo depois, aconteceu sua prisão. Os dirigentes e


membros daquela época, que acompanhavam as investigações feitas
a Meishu Sama, com forte desejo de vê-lo em liberdade, fizeram um
requerimento ao Tribunal com abaixo assinado e, através de um
representante, o entregaram ao procurador-chefe, o qual respondeu:
"Vocês ainda crêem naquele que infringiu a Lei e cometeu delito, como
sendo Deus vivo? Ele é delinqüente e mesmo assim vocês continuam
tendo fé nele?!! Fanático é temeroso! Acredito que se não acabar
esse tipo de crença herética, a sociedade não vai melhorar.
Refutam bem e o mais rápido possível. O melhor é vocês deixarem
essa crença." E não recebeu o requerimento.

91
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Mas esse acontecimento passa a ter um significado decisivo


e ímpar em relação ao nível divino de Meishu Sama.

Sobre os processos que se seguiram, o Mestre escreveu


da seguite maneira:

"Dias passados, quando estive preso, aconteceram vários


mistérios, mas, devido ainda não ter chegado o tempo certo, não
posso esclarecer tudo. Porém, somente sobre um deles escreverei a
seguir. Não posso esquecer: fui preso no dia 29 de maio de 1950 e,
sem muita demora, fui avisado por Deus que o período de detenção
seria de 18 dias, significando que, justamente no dia 15 de junho
estaria livre.

Dois ou três dias antes do dia 15, aconteceu um grande


mistério. Sobre isso, também, posso revelar somente até certo
ponto. Escreverei apenas aquilo que me é permitido para o
momento. Certamente foi em 13 de junho. Desde o amanhecer me
sentia com um pouco de dor no ventre, mas não me preocupei
muito. Mas, chegando o pendo da tarde, a dor se alastrara por todo
o abdômen, de maneira insuportável. Pensei que talvez fosse
peritonite aguda, porque em meu corpo, também, ainda restava
uma quantidade relativamente grande de toxina de remédios
antigos e que, portanto, começava a se dissolver aquelas que
estavam solidificadas. Ministrei-me Johrei e a dor acalmou a ponto
de eu poder aguentar, apesar de ainda continuar o mal estar
com pequenas dores. Normalmente, bastava ministrar 20 ou 30
minutos para sentir melhora completa. Mas naquela ocasião,
mesmo passando metade do dia ou um dia inteiro, não me
sentia completamente bem e acabei passando a noite toda com
dores, apesar de brandas. Por ser estranho demais, pedi a Deus
que me orientasse. Então, Ele me disse que, como se tratava do
Plano Divino, eu deveria aguentar mais um pouco. Sem jeito,
aguentei.

92
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Aí, intuitivamente, me veio a idéia: É mesmo! Amanhã será


justamente o 18º dia, o dia 15 de junho. E, como está escrito em
meus livros, como o primeiro passo do alvorecer do Mundo Diurno
aconteceu no dia 15 de junho de 1931, a minha dor deverá ter
relação com isso, pois trata-se da purificação para limpar
suficientemente por dentro do meu abdômen. Assim compreendi
claramente.

Interessante foi que, na madrugada do dia 14, eu tive um


maravilhoso sonho divino. Havia subido no topo do Monte Fuji
coberto de neve, e encontrado lá uma casa semelhante a um
palácio. Entrei nessa casa e sentei-me numa das salas. Mas, na hora
de ver a paisagem de neve, despertei do sono. Eu senti uma emoção
jamais experimentada no passado. Desde antigamente, dizem que
sonhar com o Monte Fuji, falcão e beringela, um desses três, é um
bom presságio. Mas, no meu caso, foi sonho com Monte Fuji, o
melhor entre eles. Ainda sonhei ter subido ao topo desse Monte. Por
isso, talvez, não exista melhor sonho que este. Até a idade de 67
anos, que tenho hoje, nunca tinha tido um sonho tão maravilhoso.
Portanto, só de pensar nisso, ficava cheio de alegria, a ponto de
esquecer a dor branda que ainda sentia no abdômen.

Finalmente, assim, veio o dia 15 de junho. Tornou-se claro, já


na madrugada, o importante significado daquele dia.

Nos livros que escrevi antes, já me referi sobre a "Bola de Luz",


que está dentro do meu corpo. Quem os leu, compreenderá a
respeito do que digo agora. Nessa "Bola de Luz" até agora não
houve espírito. Mas hoje acaba de descer do Céu o espírito de um
Deus de elevada categoria. Isso significa que esse espírito divino
acaba de nascer neste mundo. Assim sendo, de agora em diante,
esse espírito crescerá gradativamente e, à medida que for Se
tornando adulto, aumentará, mais e mais, o brilho de Sua luz,
chegando a manisfestar futuramente uma grande virtude e força.

93
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Um acontecimento interessante foi que, desde a manhã


seguinte, dia 16, não tive nenhum apetite. Só por volta de meio-dia é
que senti vontade de tomar leite. Então o pedi à pessoa de plantão.
Bebi um copo e senti que era realmente gostoso. Um gosto fora de
série. No momento pensei que isso era devido à "criança recém-
nascida" e que, por isso, era natural que quisesse tomar leite, além
de entender que aquilo foi de fato uma "forma", um "exemplo". Dessa
maneira, enfim, chegou o momento de dar o primeiro passo ao
Programa Divino. Quer dizer, as flores caem e dão seus frutos e, nesse
fruto, uma partícula no centro da semente alojou-se dentro de meu
ventre. Realmente um grande acontecimento, jubiloso desde a
criação da humanidade. Entretanto, uma Obra tão importante e sem
precedente, que toda criatura deveria na verdade felicitar, foi realizada,
por irônico que pareça, dentro de uma cela horrível, onde não havia
sequer um seguidor que a presenciasse. Esse fato fez-me pensar
muito profundamente sobre o quão insondável e místico é o Plano
de Deus, que não permite interferência da inteligência humana."

20 de dezembro de 1950

Ainda Meishu Sama, em relação a esse acontecimento, disse o


seguinte:

"Gostaria de me referir, aqui, sobre a minha pessoa atual. Já


falei uma vez sobre tão misteriosa Obra Divina que ocorrera dentro de
uma cela quando se sucedeu o incidente de Shizuoka. Naquela
oportunidade, o Espírito do Deus, de mais elevado e sublime grau
divino, entrou dentro de mim. (...) A partir de então, não tive mais
necessidade de pedir orientação a Deus como antes. Isto porque o
Espírito Divino está presente em meu corpo, não existindo mais a
separação entre Deus e o Homem como antigamente. É o estado de
união entre Deus e o Homem. Assim sendo, o que é feito por mim
constitui uma ação direta de Deus, bastando, portanto, eu agir
conforme a minha vontade."

25 de fevereiro de 1954

94
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

PARTE III - PROCESSO DO PLANO DIVINO DE MEISHU SAMA NUM


ESTADO DE UNIÃO COM DEUS

Nós vimos nas partes anteriores os fenômenos ocorridos ao


redor da "Bola de Luz" e a situação da sociedade que cercava
Meishu Sama.

O estado de Kenshinjitsu que Meishu Sama alcançou, em 1925, a


revelação da Transição da Noite para o Dia, em 1931, a fundação da
Igreja em 1935, e a Obra maravilhosa de união entre Deus e o Homem,
em 1950. Através desses fatos, pudemos observar que sempre houve
a atuação da força negativa querendo ocultar sua presença. Mas
vencendo todos os impedimentos e agora em estado de união com
Deus, ele passou a desenvolver o seu novo plano.

1 - MEISHU SAMA EM ESTADO DE UNIÃO COM DEUS

Podemos dizer que a Obra misteriosa de 1950, em que Meishu


Sama se uniu completamente com Deus, refere-se ao núcleo da fé
messiânica. Devemos com isso deixar claro o nível divino de Meishu
Sama e a visão do fundador, os quais não estavam devidamente
definidos após a ascensão de Meishu Sama. Ele nos ensinou o
seguinte:

"Desde os tempos antigos, muito se tem falado sobre pessoas


que vivem em estado de perfeita união com Deus. Eu creio, porém, que
jamais existiu alguém que realmente tivesse vivido nesse estado. De
fato, os três grandes religiosos — Sakyamuni, Jesus Cristo e Maomé
— pareciam unos com Deus, mas, em verdade, eram apenas
mensageiros da vontade divina; em termos mais claros, eram
mensageiros de Deus. Dessa forma, não se sabia fazer diferença entre
uma pessoa em estado de união com Deus e um mensageiro de
Deus.

Os mensageiros de Deus atuam através de encostos ou seguindo


as determinações divinas. Por isso, sempre rezam a Deus e pedem Sua
proteção. Eu, porém, não faço nada disso. Como os fiéis sabem,

95
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

não oro a Deus nem Lhe peço orientação. Basta que eu aja de acordo
com a minha própria vontade, o que é muito fácil. Visto que poderão
estranhar o que estou dizendo, por ser algo inédito, explicarei apenas
os pontos que não acarretam nenhum problema.

Como sempre digo, há uma "Bola de Luz" em meu ventre. Essa


"Bola" é o Espírito de Deus, de modo que Ele mesmo maneja
livremente meus atos, minhas palavras, tudo. Ou seja: em mim não há
distinção entre Deus e o homem. Este é o verdadeiro Estado de União
com Deus. Como o Espírito de Deus que habita o meu ser é o mais
elevado, não existindo nenhum deus superior a Este, não faz sentido
reverenciar outros deuses. A melhor prova são os milagres
manifestados diariamente pelos fiéis. Ora, se até os meus
discípulos evidenciam milagres que não são inferiores aos
manifestados por Cristo, poder-se-á, através desse único fato,
imaginar a minha hierarquia divina.

Acrescente-se, ainda, que todos os religiosos existentes até


agora previram a concretização de um mundo paradisíaco, mas não
disseram que seriam eles os construtores desse mundo. Isto porque seu
nível divino era inferior, e seu poder, insuficiente. Mas eu afirmo que
o Paraíso Terrestre, mundo sem doença, miséria e conflito, será
construído por mim. Daqui para a frente evidenciarei inúmeras
realizações surpreendentes, nunca vistas até agora. Por isso, gostaria
que as observassem com muita atenção. Surgirão inúmeras
ocorrências inconcebíveis, em termos de realização humana."

7 de maio de 1952

Meishu Sama, passando por misteriosos fenômenos,


finalmente deixou claro seu próprio nível divino. Talvez não exista outro
Ensinamento tão claro, como este, que se refira à hierarquia divina de
que é possuidor.

"Os membros já sabem que eu não rezo a Deus. Talvez nunca


tenha existido, desde a Antigüidade, um fundador de religião que tenha

96
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

procedido desta forma. (...) Como eu estou numa posição mais alta
em termos de nível divino, não existe Deus superior a mim neste
mundo. Esta é a razão porque não rezo a Deus."

25 de dezembro de 1953

Esse é o ponto que talvez deixa atôito o povo em geral. Talvez


pela concepção que nós temos diante da religião ou da fé. Se
alguém disser que não reza a Deus, poderia criar polêmica. Diriam que
"isso não é fé. Pessoa assim não é um crente"; a polêmica poderia
partir até de uma pessoa materialista.

Mesmo estudando histórias de religião, os fundadores ou


criadores de uma religião sempre tiveram um Deus específico para quem
rendiam orações, preces e até mesmo recebiam uma espécie de
revelação através Dele, quer dizer, para cada fundador existia um
Deus para o qual era dirigida a sua fé. Por conseguinte, a existência
de Meishu Sama, que expressou aquela atitude tomada diante de Deus,
ultrapassa a imaginação, ou mesmo os exemplos existentes na história
da religião.

Os fundadores de religião até então consideravam que o objeto


de fé deve ser imutável. Vieram ensinando ao povo sobre Deus como
uma existência absoluta, abstrata, referindo-se, por exemplo, a Deus
Criador de todas as coisas, atendendo a necessidade religiosa do
homem. Isso porque, dentro das coisas imutáveis, valorizavam as
partes que deveriam ser aprimoradas pelo homem, que está em
constante progresso. Talvez isso seja devido, também, ao fato dele não
ter podido apreender claramente o próprio Deus. Entretanto, em se
tratando de Meishu Sama, é uma existência una com Espírito Divino
grandioso e que, com o passar do tempo, manifestará sua grande
virtude. Assim, podemos dizer que é uma existência que veio provando
a existência própria de Deus. Diante da humanidade, que só podia
apreender Deus teoricamente no mundo de idéias, Meishu Sama
mostrou um Deus existencial, derrubando completamente as idéias
preconcebidas sobre Ele. Além do mais, como resultado de muitos

97
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

anos de estudos e pesquisas sobre o Espírito Divino, Meishu Sama


exclareceu a realidade do Mundo Espiritual, explicando que é
constituído de 181 degraus, sendo que o primeiro grau é onde o
Supremo Deus toma assento.

"O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior,


Intermediário e Inferior. Cada plano é constituído de três níveis e
cada nível de vinte camadas. Ao todo, são 180 camadas, mais uma —
acima de todas — ocupada por Deus. Temos, pois, 181 camadas.
Qualquer entidade, por mais elevada que seja, acha-se numa das
180 camadas."

25 de março de 1852

Meishu Sama disse que o Espírito Divino mais elevado e


sublime, isto é, Espírito do Supremo Deus, alojou-se na "Bola de Luz"
que está em seu ventre.

Disse, também, que está num estado de união completa com


Deus. Mas apenas afirmar essa visão sobre Meishu Sama, que
alcançou tal estado de união, não teria sentido, mesmo que
pregássemos que ele é possuidor do nível mais elevado, que
salvará a humanidade no Juízo Final. Para as pessoas de bom senso
da sociedade, só causaria equívocos, jamais podendo comprovar
sua grandiosa virtude.

A nossa afirmação deve ser endossada pela realidade do


desenvolvimento do Programa Divino da construção do Paraíso
Terrestre. Isto é, com o aumento do elemento fogo, que tem como
fonte a Transição da Noite para o Dia no Mundo Espiritual, ocorrerá
infalivelmente a luta entre o Bem e Mal. Virá, então, a época de
grande terror e o julgamento final, pois, passada essa fase, o Plano de
Construção se processará no sentido da realização do Paraíso
Terrestre e a Criação da verdadeira Civilização.

98
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Podemos dizer que a última crise da nossa Igreja está


baseada no insondável Processo do Programa Divino de destruição
e construção, num plano inimaginável aos olhos humanos. Esse
fenômeno, que não podíamos evitar, procedente da Transição da
Noite para o Dia e da Lei do Espírito Precede a Matéria, foi
justamente uma indicação de Meishu Sama para nós.

2 - ESTADO DE UNIÃO COM DEUS E PLANO DIVINO

Meishu Sama esclareceu seu nível divino, jamais atingido por


qualquer ser. Como desenvolveu, posteriormente, o Processo do
Plano Divino e quais foram suas palavras e trabalhos?

Logo após a perseguição de 1950, Meishu Sama se afastou da


posição de superintendente da Kyussei Kyo. Não porque foi preso ou
devido à imperfeição organizacional ou de Estatutos, nem pela falta de
conhecimento das leis, uma vez que ele ocupava a posição de Diretor-
Presidente, posição esta que deveria responder com todas as
responsabilidades inerentes à Igreja.

Meishu Sama, a fim de trabalhar como Salvador do Mundo,


crendo que esse momento havia chegado, tinha assim se
posicionado meses depois, quando surgiu um acontecimento
imprevisto: foi levado à delegacia. Porém, por incrível que pareça, ele
se deparou com a Obra Sagrada recebendo a revelação de Deus
dentro da prisão. É possível, portanto, percebermos uma
importante vontade inserida neste acontecimento.

Após a perseguição do ano de 1950, Meishu Sama se referiu da


seguinte forma aos dedicantes próximos:

"É Deus quem está fazendo. Eu também, como homem, tenho


orgulho - ser mal interpretado e receber impedimentos a ponto de não
poder me movimentar me dá até revolta. Fico com sentimento de que
um dia mostrarei como eu sou. O povo vive como se estivesse
dormindo com portas e janelas fechadas e, mesmo com o amanhecer,

99
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

esqueceu-se de abri-las, e agora se o fizer de repente, pode sentir


tontura de tanta claridade. Eu estou fazendo exatamente esta Obra
Divina. Por isso, quando começar será rápido."

Com a perseguição de Meishu Sama, o número de membros


diminuiu notavelmente. Mesmo em meio a esta situação da Igreja, ele
iniciou a construção dos jardins de Shinsen-Kyo de Hakone e a
construção do protótipo do Paraíso Terrestre no Zuiun-Kyo de Atami.

Então ele começou contar os fatos ocorridos, coisas a que


antes e durante a guerra não se referia, como seu próprio grau
divino, fazendo os membros compreenderem sua grandiosidade de
modo gradativo.

Ensaios como o "Estado de União com Deus" e o que versa


sobre o motivo de não rezar a Deus são alguns deles.

Com relação a isso, numa entrevista realizada em abril de 1952,


ele contou da seguinte maneira:

"Os fundadores da Tenri-Kyo ou da Oomoto afirmam que


Deus disse desta ou daquela forma e sempre orando a esse Deus, mas
eu não oro. Isso porque Deus está dentro de mim. O que eu falo e
faço é Deus que está fazendo diretamente, pois eu não faço oração e
também não tenho necessidade disso. O Deus que está dentro de
mim, como é mais elevado, é natural que seja orado por outros, mas
não existe deus que possa ser rezado por mim, por ser deuses de nível
baixo. Basta eu, então, proceder como eu penso que significa que isso é
ação de Deus. Essa é a razão porque eu não faço reverência à Imagem
Divina. Assunto como este não existe em outras religiões; mesmo
Buda, Jesus Cristo e Maomé rezaram a Deus e receberam suas
orientações. Mas eu não necessito dessas coisas.

5 de abril de 1952

100
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

"Trata-se de Deus do mais elevado nível, por isso não faço


pedido nem consulta a Ele. Mesmo para escrever Ohikari (Luz
Divina) ou fazer orações, outros fundadores de religião,
geralmente, costumam vestir roupas especiais. Mas eu não procedo
assim. No verão, por exemplo, tiro minhas roupas de cima e cruzo as
pernas. A pessoa que me vê não se sente muito grata, mas eu posso
fazer assim. É Deus quem escreve. Até agora não me referi a essas
coisas, mas é bom que saibam isto."

6 de abril de 1952

Por outro lado, no dia 15 de junho de 1952, com a conclusão do


Museu de Belas Artes de Hakone, completou-se o protótipo do
Paraíso graças à dedicação e sinceridade de todos os membros.

Meishu Sama, no Culto de Outono daquele ano, proferiu as


seguintes palavras:

"Finalmente concluímos o Shinsen-Kyo. Isto, como digo


sempre, é o protótipo do Paraíso nesta Terra. Este, daqui em diante, se
expandirá em escala mundial. No Centro do Mundo Espiritual, já está
pronto o Paraíso Terreste, que, gradualmente, se refletirá no Mundo
Material e se expandirá mundialmente. É isto que vai acontecer. Em
compensação, à medida em que vão se expandindo coisas dignas e
bonitas, vão sendo eliminadas as sujeiras ou aquilo que provoque
impedimentos. Por isso, por parte de Deus, significa um acontecimento
agradável, mas por parte dos espíritos malignos ou força negativa,
significa um grande temor. Isso porque eles perdem o sustentáculo
que para eles foi motivo de tranqüilidade. É isso que mundialmente e
de modo global vai acontecer. Os espíritos malignos vão sentir medo
deste acontecimento, mas o Bem sentir-se-á grato; será até
agradável para ele. É isso que dizemos: a destruição e a criação
vão acontecer no mesmo momento. Para se fazer a criação deve
ser feita primeiro a destruição, o que ocorrerá gradualmente,
aumentando cada vez mais sua velocidade. Portanto, o Shinsen-Kyo
encerra um grande significado."

101
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

23 de setembro de 1952

Aqui Meishu Sama revelou que, no Processo do Programa


Divino de construção do Paraíso Terrestre, existe rigorosamente o
processo de destruição e criação. Fazendo a construção, a Luz será
expandida. Porém, sempre há a força negativa que tenta barrá-la. Mas
vencendo esta luta, será permitida ainda maior força. Podemos
dizer que esta é a essência da fé da Sekai Kyussei Kyo. Depois, com o
passar dos anos, Meishu Sama deixou clara a relação entre ele e a
imagem de Deus, ou, ainda, ele e a sua fotografia.

No ano de 1952, Meishu Sama disse:

"Quando se faz algum pedido, costuma-se fazer para Koomyo


Nyoorai (Imagem da Luz Divina da época) e Meishu Sama; no
entanto, basta pedir a Meishu Sama, porque sou eu quem faço o
trabalho na qualidade de Koomyo Nyoorai, eu sou a origem e, por isso,
basta fazer o pedido à origem. São coisas que até agora não deixei
muito claras a todos, mas gradativamete, com a chegada do tempo,
esclarecerei várias outras coisas."

Em 1953, disse:

"A minha fotografia atual é mais importante. Na Imagem da


Luz Divina está escrito Koomyo Nyoorai, mas ela é escrita por mim;
isso significa que sou mais alto em relação ao Koomyo Nyoorai. Há,
porém, pessoas que colocam Koomyo Nyoorai acima e a fotografia
abaixo, o que é um gravíssimo erro."

Assim, Meishu Sama chamou a atenção sobre a interpretação


dele e a Imagem da Luz Divina. Através de suas palavras podemos
discernir que o objeto da fé deve ser ele próprio e que a sua
fotografia deve ser colocada no centro do tokonoma (altar), o que vem
a ser o verdadeiro procedimento em relação a Meishu Sama.

Relacionado a isso, Meishu Sama disse:

102
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

"É fácil de ser interpretado erradamente quando esse


procedimento é visto por terceiros. Por isso, não estamos fazendo
assim, apesar de ser esta a verdadeira atitude." Essa vontade de
Meishu Sama foi transmitida a todos por intermédio do presidente
Okusa em exercício na época.

Assim, à medida em que foi transmitido, através da própria boca


de Meishu Sama, o nível divino sem precedente, os membros da Sekai
Kyussei Kyo. foram aprofundando suas convicções de que o objeto de fé
deve ser unicamente Meishu Sama.

Essa busca de Meishu Sama, busca da sua grandiosa virtude,


dele finalmente foi concentrada na Cerimônia de Comemoração
Provisória da Vinda do Messias. Um acontecimento inédito que
consideramos ser também uma forma mostrada divinamente.

Em 4 de outubro de 1952, um jornalista, em uma entrevista com


Meishu Sama, fez a seguinte pergunta:

"Só Meishu Sama possui a chamada "Bola de Luz"?" "Sim".


Meishu Sama respondeu.

"Assim sendo, se por acaso daqui a cem anos, Meishu Sama


passar para o Mundo Espiritual, significa que essa "Bola de Luz"
desaparecerá?"

"Não. — Meishu Sama respondeu — Vai ser igual porque


emitirei sua Luz do Mundo Espiritual, e, ao contrário, será mais intensa
porque o corpo pode causar obstáculo."

Mesmo que seu corpo se transformasse em terra, o seu espírito


junto à "Bola de Luz", como Salvador do mais alto nível divino,
continuará emitindo a Luz a partir do Mundo Espiritual.

É como se Meishu Sama estivesse dando um grande alerta,


questionando-nos — "Messiânicos, em quem vocês crêem?" —

103
Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

procurando despertar-nos com relação à sua posição dessa maneira,


mesmo após a sua ascensão.

No Culto de Outono de 1953, referindo-se à "Bola de Luz",


Meishu Sama disse o seguinte:

"A Bola de Luz do meu ventre já está bem crescida. Mais e mais
ela crescerá. E, quando abranger uma escala mundial, concretizar-se-á
o Mundo de Miroku. Antes de crescer até aí, as coisas que não devem
continuar existindo serão dissolvidas. A minha Luz ainda tem o
tamanho correspondente a este salão (Nikko-den), mas crescerá
cada vez mais, significando o aumento do elemento fogo. Assim, a
purificação será verdadeiramente forte. Então, naturalmente, haverá
a distinção entre o Bem e o Mal. Daqui a dois ou três anos as coisas
ficarão mais nítidas."

Mas em sua saudação do Ano Novo de 1954 (5 de janeiro),


observou que sua força tinha se fortalecido e que a construção do
protótipo do Paraíso Terrestre do Zuiun-Kyo de Atami teria um grande
significado à Obra Divina, e ainda que em breve teria início o estudo
sobre Mokiti Okada.

"Ultimamente fiquei mais rápido em escrever o ideograma Luz; só


levo seis segundos para cada uma (no Ensinamento "Minha Luz" ele
disse que levava sete segundos). Por intermédio deste, que é escrito
em seis segundos, pode-se salvar centenas e milhares de pessoas.
Em termos de rapidez e força, eu mesmo estou surpreso.

Nesse sentido, quando o protótipo do Paraíso Terrestre de


Atami estiver concluído, a Igreja será conhecida no mundo. E
finalmente o público começará a dizer: "É maravilhosa a obra da Sekai
Kyussei Kyo", "Quem estará executando aquilo?", "Dizem ser um tal
de Mokiti Okada", "Mokiti Okada era um simples fundador de uma
nova religião, mas deverá ser feito um estudo profundo sobre ele".
Surgirá, assim, uma espécie de polêmica em torno de mim, quando
começará o "Estudo sobre Mokiti Okada". Assim sendo, muitos

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

pensarão: — "para isso devemos ler seus livros" — quando então


meus livros serão bastante vendidos e todo o mundo os lerá.

(...) Deus toma várias providências, mas, diferindo do homem,


as d'Ele são originais, fantásticas e inimagináveis.

Nós seres humanos, jamais poderemos imaginar que o protótipo


do Paraíso e o Museu de Arte pudessem surtir tal efeito. Mas, se não
fosse assim, curando, por exemplo, um a um de sua doença e depois
fazendo-os compreender, não poderíamos saber quanto tempo
levaríamos (para concretizar o Paraíso). Mas depois de completar
este protótipo do Paraíso na Terra de uma só vez, a nossa Igreja será
conhecida pelo mundo. Por isso, a conclusão do Modelo do Paraíso tem
grande significado.

O que tenho em mente, no próximo ano, será concretizado.


Assim, por sua maravilha, até os nossos membros ficarão
surpresos."

Centralizados nas terras de Hakone e Atami, Meishu Sama


impulsionou sua Obra Divina. Contudo, não podemos esquecer,
também, da importância de suas viagens missionárias a outras
regiões, porque todas elas tiveram grande significado. Nessas
viagens, a começar pela aquisição do Heian-Kyo de Quioto,
ocorreram diversos acontecimentos misteriosos.

Aqui apresentaremos um episódio relacionado com o nível


divino de Meishu Sama em sua última viagem à região de Kansai do
Japão, em abril de 1954.

Terminada a sua palestra no Auditório de Nara, Meishu Sama


dirigiu-se ao Templo Muroji. A pessoa que o acompanhava tinha
comunicado antecipadamente à administração do Templo que fosse
reservado a melhor sala, mas infelizmente a resposta foi negativa.
No entanto, nesse dia, chegando Meishu Sama e sua comitiva ao

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Templo, o monge, vestindo roupa formal, o recebeu respeitosamente e


o conduziu à sala nobre do fundo.

Diante dessa repentina mudança, o dirigente encarregado de tal


preparação ficou atônito. Perguntou, então, o porquê disso e
responderam-lhe que existe uma lenda desde a Antigüidade de que
quando o Muroji é visitado por um nobre, costumava chover
algumas horas antes. Mas na hora da chegada a chuva parava,
purificando, assim, o jardim do Templo. Além disso, o rio Murogawa,
que corre em frente ao Templo, nem sequer se turvara, apesar da chuva.
A chegada de Meishu Sama ao local provou, sem dúvida, o
ressurgimento da lenda lá existente.

Após essa viagem missionária, Meishu Sama passa por


misteriosa purificação e, pouco tempo depois, em junho de 1954,
acontecem em seu cabelo e na mão fenômenos realmente
misteriosos.

Começaram a nascer-lhe fios de cabelo preto e, ao mesmo


tempo, surgiam novas linhas na palma da mão esquerda. Convocou,
então, os dirigentes à sua residência Hekium-so, onde deu explicação
sobre a mudança que ocorrera em seu corpo.

"Fala-se sobre a vinda de Messias, não? Pois o Messias nasceu.


Não são apenas palavras, é realidade mesmo. Eu próprio fiquei
surpreso. E não se trata de renascer, mas de um novo nascimento. É
esquisito nascer depois de velho, mas o mais interessante é que
minha pele ficou delicada como a pele de um bebê. Além disso, como
podem constatar, surgiram-me estes cabelos pretos. Ao vê-los, o
barbeiro disse que pareciam cabelos de criança. Os fios brancos
foram sumindo gradativamente e só nasciam fios pretos. (...) Esse
Messias tem a posição mais elevada na hierarquia do mundo. No
Ocidente, ele é considerado Rei dos Reis. Assim, a minha vinda
reveste-se da maior importância, pois graças a ela a humanidade será
salva."

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

5 de junho de 1954

Dez dias depois, ou seja, em 15 de junho, foi solenemente


realizada no Templo Messiânico, que estava 90% pronto, a
Cerimônia de Comemoração Provisória da Vinda do Messias. Os
membros que ali se reuniam, então, dirigindo-se a Meishu Sama,
entoaram uma oração, comemorando o nascimento do Salvador.

Depois, Meishu Sama, que apressara a construção do Palácio de


Cristal, logo que o vira terminado, passou nele a noite de 11 de
dezembro, quando convocou os dirigentes e proferiu estas palavras:

"Finalmente entramos no verdadeiro eixo da Obra Divina.


Daqui em diante acontecerão muitos fatos estranhos. Por isso, não
vacilem..."

Depois, o Palácio de Cristal, que recebia unicamente Meishu


Sama, foi envolto pela misteriosa Luz Branca e, mais tarde, formou-
se uma coluna de Luz lançando magníficos raios em direção ao céu,
colocando, assim, o Palácio num fenômeno difícil de ser expresso em
palavras.

Dessa maneira, desde o dia 15 de junho de 1950, esclarecendo e


posicionando-se como "ser unido completamente com Deus" e com o
desenvolver da Obra Divina revelando misteriosos acontecimentos,
Meishu Sama veio a ascender no dia 10 de fevereiro, fazendo sua
última aparição física no Culto de Início da Primavera de 1955.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

POSFÁCIO

COMO DEVEMOS BUSCAR AGORA MEISHU SAMA

Retrocedendo há mais de 30 anos, viemos analisando nossa fé,


questionando a nós mesmos o que perdemos com a ascensão de
Meishu Sama.

Vimos que a vida de Meishu Sama era inteiramente dedicada à


sagrada missão de salvar a humanidade e construir o Paraíso
Terrestre e, como pioneira da Transição da Noite para o Dia, ele a levou
em meio à constante luta entre o Bem e o Mal.

Satã para o Cristo


Daiba para o Buda
Contra mim também sempre
Existem forças do Mal.

Refletindo sobre meu passado


De sessenta anos
Vejo como foi possível
Trilhar tão espinhosos caminhos!

Entretanto, o próprio Meishu Sama jamais preferiu lutar. Desde


jovem ele teve inclinação pelo Belo, amava a flor, compreendia os
sentimentos e a dor do próximo, qualidades essas expressas em seu
ensaio "Minha Natureza":

(...)"Desde jovem gosto de dar alegria ao próximo, a ponto


disso se tornar quase um "hobby" para mim. Sempre estou
pensando no que devo fazer para que todos fiquem felizes. (...) Por esse
motivo, algo que me deixa muito triste é escutar gritos de raiva,
lamentações inúteis e reclamações. Também me é difícil ouvir
repetidas vezes um mesmo assunto. Minha natureza é sempre
pacífica e alegre."

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

30 de agosto de 1949

Assim, desde que nasceu, foi amante da paz.

Se lermos agora o Ensinamento "O Herói da Paz",


compreenderemos melhor sua imagem, o seu instinto de amor à paz,
embora tenha tido que lutar corajosamente contra o Mal.

(...) "Agora, torna-se necessário que eu fale a meu respeito.


Como todos sabem, escolhi três pontos para Solo Sagrado
-Hakone, Atami e Quioto, no Japão - lugares extremamente
aprazíveis, onde estou construindo atualmente um pequeno
protótipo do Paraíso Terrestre.

Meu objetivo é construir um ambiente paradisíaco cujas


características internas e externas estejam harmonizadas: enormes
jardins com a beleza das montanhas e das águas, um palácio das
belas artes, construções inéditas entre as religiões, etc. Dedico-me
também ao desenvolvimento revolucionário da medicina e da
agricultura; além disso, através de infinitos e fabulosos milagres,
empenho-me em fazer com que o homem se conscientize da
existência de Deus. Enfim, faço difusão religiosa através de
métodos ainda não explorados, não utilizados por nenhum homem.
Estas atividades constituem o importantíssimo alicerce do mundo de
perfeita Verdade, Bem e Belo.

Gostaria de acrescentar que todas as atividades de construção a


serem realizadas de agora em diante, da primeira à última, já estão
elaboradas na minha cabeça, só restando esperar pelo tempo certo.
Com o passar do tempo, tudo irá se concretizando. Trata-se de um plano
por demais grandioso; pode-se dizer que é a criação da nova civilização
mundial.

Como se pode ver, a nossa Igreja não é propriamente uma


religião, e não estamos conseguindo sequer dar-lhe um nome
adequado. Além disso, tudo veio se concretizando conforme o Plano

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

de Deus; eu mesmo chego a ficar assustado com a exatidão com que


isso vem se processando. Segundo registra a história desta Igreja,
iniciada como religião em agosto de 1947, ela conseguiu, em apenas
seis anos, a magnífica expansão que vemos atualmente. Se
observarmos que ela conseguiu tamanho progresso enfrentando pressão
das autoridades, a incompreensão dos jornalistas e os mais variados
obstáculos durante esse período, teremos de admitir que isso não é
obra do homem. Naturalmente, daqui por diante, continuaremos
caminhando de acordo com o programa definido por Deus e, dessa
forma, um dia se descortinará o grande Drama Divino que tem o mundo
como palco. A esse simples pensamento, sentimo-nos tomados de
grande interesse e curiosodade. Além do mais, doravante se
evidenciarão, uns após outros, milagres surpreendentes e cenas de
eufórica alegria. Portanto, desejo que aguardem com muita atenção.

Em suma, eu me considero um Herói da Paz."

11 de março de 1953

Dessa maneira, Meishu Sama nos conta que sua Obra de


construção do Paraíso Terrestre não pode ser desenvolvida sem a luta
entre o Bem e o Mal. Por isso, ele próprio, na qualidade de "herói da
paz", trilhou o seu caminho eliminando os impedimentos da força do Mal.

Nós vimos, neste livrete, que Meishu Sama, na grande luta,


alcançou seu estado de união com Deus no dia 15 de junho de 1950,
quando ocorreu a descida do Espírito Divino da mais elevada hierarquia
para a sua "Bola de Luz". Vimos também que, até a sua ascensão
durante cinco anos, sua atuação foi se elevando de nível como Salvador
do Mundo. Entretanto, referindo-se ao seu trabalho como Salvador do
Mundo, ele diz o seguinte:

"Devo confessar que não gosto de afirmar que sou o


Salvador, mas , por outro lado, também não posso dizer que não o seja."

20 de outubro de 1948

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Ele diz, também, em outro ensaio:

"O milagre manifestado por mim deve deve ser reconhecido


como de Messias, mesmo vendo pelo ponto de vista sereno. (...) Mas,
quanto a isso, devo entregar ao livre critério das pessoas. Porém,
chegando ao fim, todo mundo saberá que foi verdade."

Fevereiro de 1954

"Eu ainda não me chamo de Salvador, apesar de já estar


manifestando a força salvadora do mundo."

24 de janeiro de 1951

Entregou, assim, a aceitação dessa definição ao critério das


pessoas e à fé de cada um, assim como ao tempo.

A trajetória da nossa Igreja, cheia de turbulências, foi um


caminho para provar que Meishu Sama é o Salvador. Por isso,
devemos agora, mesmo dentro da crise da Igreja — jamais
experimentada como esta última — restaurar a nossa fé em Meishu
Sama e dar fim à nossa história de fé imprecisa e obscura de trinta anos,
em relação ao nível divino de Meishu Sama e visão sobre Deus.

A tão esperada força de Messias


E a Força que eu manifesto
São idênticas

Somente uma pessoa,


Eu sozinho recebendo a missão de Deus
Procuro salvar o mundo

Sem a sabedoria divina que eu possuo


Como poderia criar A verdadeira civilização?

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Agora, a Obra da Sekai Kyussei Kyo, terminando o primeiro


estágio da construção, obedecendo À Lei do "Espírito precede a
Matéria", isto é, construção de Hakone, depois a de Atami,
novamente está voltando para as construções de Hakone, da Terra
Primordial, entrando assim no segundo estágio em que se manifesta
a força divina, como Salvador, de Meishu Sama.

Nesse sentido, podemos dizer que a construção do Templo


Koomyo é o nosso novo caminho, avançando para o segundo
estágio da Obra Divina. Cada um de nós deve, portanto, oferecer sua
dedicação sincera a Meishu Sama, permitindo a sua conclusão.Talvez
para isso devemos conscientizar-nos do que nos espera: uma rigorosa
luta entre o Bem e o Mal.

Mas acreditando no Processo do Programa Divino de


Transição da Noite para o Dia, devemos contribuir com nossa
dedicação para a atividade salvadora, diante do Juízo Final, com o qual a
humanidade infalivelmente se deparará. E a hora de edificarmos
nosso caminho contribuindo sinceramente para a "Criação da
Verdadeira Civilização do século XXI".

Oferecer a fé absoluta a Meishu Sama significa crer que ele é o


Salvador do período crítico decorrente da Transição da Noite para o Dia
e, também, que ele é o criador da civilização do século XXI Portanto,
devemos nos entregar a esse trabalho de corpo e alma para provar
isso.

Estamos conscientes de que Meishu Sama levou uma vida


inteira lutando contra o Mal, mas esse fato nos faz pensar, refletir. que
não existe coisa mais abominável que o conflito dentro da religião. A
religião é símbolo da paz e deve ser exemplo disso. A luta entre os
religiosos, o conflito interno, são as piores coisas. Naturalmente existe
esse ponto de vista comum.

As pessoas que defenderam sua posição neutra, dentro do


processo dessa última crise, partiram justamente desse ponto de vista.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Mas, originalmente, qual é a missão da religião? É ir contra o Mal que se


alastra pelo mundo; é fazê-lo arrepender-se, eliminá-lo e salvar os que
sofrem e, ainda, construir uma sociedade onde o Bem progrida. Para
os que estão no caminho da fé, será que podemos evitar a luta
contra o Mal e pregar a paz para o mundo ideal? É verdade que a luta e
o conflito dentro da religião são coisas que não podem existir, mas
acontecem porque o próprio religioso não consegue vencer o próprio
Mal.

Por isso mesmo, nós membros, que sentimos na pele o conflito,


desta vez, devemos assimilar bem o sentido da vida de luta contra o Mal
que Meishu Sama levou para salvar justamente o homem que possui
esse caráter.

Em toda a obra de Meishu Sama, seja ela prática do Johrei,


contribuição de donativo, prática da Agricultura Natural, divulgação
dos produtos naturais, atividades de arte, de Sanguetsu, no setor de
política, beneficente, escotismo, educação, cultura, enfim, ele nos
ensina que há sempre impedimentos que seriam uma pequena forma de
luta entre o Bem e o Mal. Na obra de Meishu Sama, que vai
transformar o mundo infernal em Paraíso, ele nos indicou por si mesmo
essa pequena "forma" e, cada vez que vencia os obstáculos, sua "Luz"
aumentava, recebendo, assim, sua inteligência e força, podendo
vencer o próximo obstáculo e nessa repetição, gradativamente, o
Paraíso foi-se concretizando. Em outras palavras siginifica que, à
medida em que eliminamos os impedimentos da força do Mal,
podemos aproximar-nos da concretização do Paraíso Terrestre,
que é o desejo de toda a humanidade.

Já que Meishu Sama está manifestando sua absoluta força


como Salvador e, ainda, o "tempo" está se transformando da Noite para
o Dia, significa que a justiça vai vencer. Basta que nós nos
empenhemos, buscando-o compenetradamente. Dentro dessa
busca é que poderemos encontrar a força para vencer o próprio Mal.

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Meishu Sama e a luta entre o Bem e o Mal

Baseando-nos no caminho trilhado corajosamente por Meishu


Sama, devemos vencer obstáculos e impedimentos, mesmo que
sejam pequenos, para dar o máximo de cada um à construção do
Templo Koomyo, onde se manifestará a força de Meishu Sama.

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