Você está na página 1de 15

Universidade Federal de Ouro Preto – 2ª Lista de Exercícios – MET269

Disciplina: Tratamento Térmico dos Metais Código: MET138 Turma: 22


Departamento: DEMET Unidade: Escola de Minas
Professor: Dr. Geraldo L. de Faria
Aluna: Paulo Henrique Cirilo Matrícula: 17.2.1663

Segunda Lista de Exercícios

1) Defina corretamente:
a) Transformações de fases fora do equilíbrio;

São transformações que fora do equilíbrio sofrem influência do tempo e da


taxa/velocidade de transformação, sendo assim, ao ocorrer o aumento da
velocidade de resfriamento por exemplo, as transformações não possuem o
tempo suficiente para crescerem igual numa transformação com
resfriamento lento, portanto, são “forçadas” a formar uma nova fase.

b) Estudo cinético das transformações de fases

Esse estudo de transformações de fases pode ser dividido em 3 grupos:


• Reação difusional sem alteração da composição química: que dependem
da difusão (Ex.:Solidificação de um metal puro, transformações
alotrópicas, recristalização e crescimento de grãos);
• Reação difusional com alteração da composição química e
frequentemente do número de fases presentes. (Ex.: Reação eutetóide);
• Reações que não envolvem processos difusionais. (Ex.: Formação de
uma fase metaestável denominada martensita).

c) Nucleação e crescimento de grãos.

A nucleação é um processo embrionário no estado sólido onde será


formado as primeiras partículas ou núcleos de uma nova fase, de maneira
que, os núcleos devem atingir o raio crítico para que seja capaz de crescer.
Crescimento de grãos é um processo posterior ao de nucleação, onde os
embriões consolidados recebem átomos da rede e aumentam seu
volume,passando a crescer e resutando no desaparecimento de parte da
fase ou de toda a fase original.

2) Considerando que ocorram transformações de fases no estado


sólido fora do equilíbrio, o que se entende por grau de super-
resfriamento e grau de superaquecimento?

O Grau de super-resfriamento pode ser caracterizado pela a diferença entre


a temperatura de equilíbrio estável e a temperatura real da transformação
durante o resfriamento, de maneira que, uma transformação que deveria
ocorrer em uma temperatura T>T1, acaba por ocorrer em T1 devido a
velocidade do resfriamento. Este intervalo (T~T1) seria o grau de super
aquecimento. Quanto maior a velocidade de resfriamento, maior o seu valor.
Analogamente, o grau de super aquecimento é a diferença entre a
temperatura de equilíbrio e a real de transformação no aquecimento. Porém,
diferentemente do resfriamento, a taxa de aquecimento é constante.
3) Considerando a teoria clássica de nucleação, explique como o aumento
da velocidade de resfriamento de uma estrutura de aço completamente
austenitizada afeta o raio crítico de nucleação das novas fases que
serão formadas.

Se observamos o gráfico abaixo de variação da energia livre de Gibbs de


duas fases em função da temperatura, é possível perceber que o valor de
∆G varia com o aumento da taxa de resfriamento. Portanto, se o
resfriamento é acelerado, o ∆G (que pode ser considerado como força motriz
na temperatura que a transformação acontece) irá aumentar e o raio crítico
será menor. Isso também pode ser observado através da equação de raio
crítico, onde 𝑟𝑐𝑟 = 4𝛾/∆𝑔

Fonte: Slide de Transformações de Fase Fora do Equilíbrio,pág.5

4) Explique porque contornos de grãos austeníticos, inclusões,


precipitados e regiões de elevada densidade de discordâncias são
regiões preferenciais para a nucleação de constituintes difusionais nas
transformações de fases que ocorrem nos aços no estado sólido.

Pois a energia necessária para se nuclear nessas regiões é menor, de


maneira que, a energia de ativação é diminuída quando os núcleos se
formam sobre essas superfícies e interfaces já existentes, caracterizando
então este tipo de nucleação como heterogênea.
5) Qual é o modelo mais aceito para descrever a cinética de
transformações de fases? Explique-o detalhadamente, apresentando as
curvas características e destacando a influência da temperatura na
velocidade de reação de formaçãode uma nova fase.

O modelo de Avrami é o mais aceito, de modo que, as leis anteriores para


avaliar a transformação de fase em função do tempo eram muito complexas,
desse modo, por meio de vários estudos cinéticos esse modelo foi
desenvolvido, onde a fração da reação que ocorreu é medida em função do
tempo, enquanto a temperatura é mantida constante. A análise de progresso
da transformação é feita por meio macroscópico ou por medição de alguma
propriedade física característica da nova fase. Os dados são representados
como a fração de material transformado em função do logaritmo do tempo,
conforme mostra a equação abaixo:
𝑛)
𝑦 = 1 − 𝑒(−𝑘𝑡

Onde
y = fração da nova fase
k = constante cinética relacionada com a velocidade de transformação
n = expoente de Avrami
t = tempo

O comportamento cinético se dá por uma curva do tipo S (y x log t) na


maioria das reações no estado sólido. A região onde a fração de
transformação é zero até o início da curva corresponde ao perído de
nucleação. O crescimento corresponde a curva na sua totalidade, até
chegar a 1 na fração de transformação. A curva e esses comportamentos
podem ser observados abaixo:

Fonte: Slide de Transformações de Fase Fora do Equilíbrio,pág.13

A velocidade ou taxa de transformação é dada como o inverso do tempo


necessário para que a transformação prossiga até metade da sua conclusão,
sendo assim, ou seja, demora 50% do tempo para que a transformação de
fase aconteça. A temperatura possui uma influência sobre a velocidade de
transformação. Se tratando apenas de difusão, o abaixamento da
temperatura dificulta o início da nucleação, como é observado abaixo.
Fonte: Slide de Transformações de Fase Fora do Equilíbrio,pág.14

6) Explique o princípio de funcionamento de um dilatômetro de têmpera e


como ele pode ser utilizado para se determinar experimentalmente um
diagrama TTT de um aço.

O dilatômetro é tipo de equipamento que tem como característica a sua


grande sensibilidade, de maneira que facilite na medição da variação do
comprimento de um material ou amostra que está sendo analisada. Essa
variação de comprimento é provocada pela mudança de temperatura ou
mudança de fase. As transformações de fase implicam a formação de novas
fases, normalmente com densidades diferentes da fase original e isso pode
causar uma contração ou expansão do corpo de prova e essa variação de
volume será detectada pelo dilatômetro.
Falando mais especificamente do princípio de funcionamento, temos que :
A amostra é aquecida por indução, com auxílio de um termopar soldado
nela para detectar as variações de temperaturas. Uma extremidade da
amostra é fixa e a outra ligada a um extensômetro que detecta as variações
em seu comprimento. A amostra é furada para que o seu resfriamento por
meio de jato de hélio ou de argônio possa ser o mais rápido possível,
quando se desejar uma queda brusca de temperatura. Durante o
procedimento de um o aço austenitizado até uma temperatura T0 e
comprimento L0, quando a amostra é resfriada para T1, ela se contrai e passa
a ter comprimento L1. Após um certo tempo nessa temperatura, a austenita
começa a se transformar em perlita com um aumento constante do volume
que é detectado pelo dilatômetro. Quando a amostra adquire um
comprimento estável, após um tempo, é porque a transformação de
austenita para perlita terminou. Esse procedimento é repetido para outras
temperaturas. A partir das temperaturas de início e final das transformações e
assim o diagrama TTT é construído.
7) Mostre matematicamente que durante o aquecimento de uma barra de
aço ferrítico, a mudança de estrutura cristalina CCC para CFC
acarretará em uma contração volumétrica da mesma.

Calculando o Volume molar (CCC)


3
4𝑟
𝑉𝑐𝑒𝑙(𝐶𝐶𝐶) = 𝑎3 = ( ) = 12,31𝑟 3
√3

𝑉𝑐𝑒𝑙(𝐶𝐶𝐶) 12,31𝑟 3 𝑢. 𝑣.
= = 6,16𝑟 3
𝑛°á𝑡𝑜𝑚𝑜𝑠 2 á𝑡𝑜𝑚𝑜

𝑉𝑐𝑒𝑙(𝐶𝐶𝐶)
𝑉𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟(𝐶𝐶𝐶) = . 6,02𝑥1023 = 𝟑, 𝟕𝒙𝟏𝟎𝟐𝟒 𝒖. 𝒗.
𝑛°á𝑡𝑜𝑚𝑜𝑠

Calculando o Volume molar (CFC)

𝑉𝑐𝑒𝑙(𝐶𝐶𝐶) = 𝑎3 = 2√2. 𝑟³ = 22,63𝑟 3

𝑉𝑐𝑒𝑙(𝐶𝐹𝐶) 22,63𝑟 3 𝑢. 𝑣.
= = 5,67𝑟 3
𝑛°á𝑡𝑜𝑚𝑜𝑠 4 á𝑡𝑜𝑚𝑜

𝑉𝑐𝑒𝑙(𝐶𝐹𝐶)
𝑉𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟(𝐶𝐹𝐶) = . 6,02𝑥1023 = 𝟑, 𝟒𝒙𝟏𝟎𝟐𝟒 𝒖. 𝒗.
𝑛°á𝑡𝑜𝑚𝑜𝑠

Logo 𝑉𝑐é𝑙𝑢𝑙𝑎(𝐶𝐶𝐶) > 𝑉𝑐é𝑙𝑢𝑙𝑎(𝐶𝐹𝐶)

A partir dos cálculos, percebe-se que o volume molar de uma célula unitária
CCC é maior do que de uma célula CFC.Portanto, essa diminuição de
volume mola explica a contração do volume ao aquecer uma barra de aço
ferrítico.
8) Explique o que são os diagramas TTT, como eles são obtidos a partir
das curvas “tipo S” e como eles são úteis para descrever as
transformações de fases fora do equilíbrio em aços.
Esses diagramas TTT são utilizados para determinar as transformações da
austenita em função do tempo a uma temperatura constante. Além de poder
definir e acompanhar as transformações que o aço passará ao longo do
tempo em que continua em uma temperatura definida. As curvas S auxiliam
na construção porque possuem três fatores que são bastante importantes
para a construção do diagrama: a velocidade de resfriamento, a temperatura
de aquecimento, composição química. Entretanto ainda existem 3 fatores
que interferem nas linhas do diagrama, são eles: o tamanho de grão da
austenita, a homogeneidade da austenita e a composição química. Os
diagramas TTT tem relação forte com a cinética de transformação e com a
velocidade que a austenita se transforma com uma temperatura definida.

9) Esboce diagramas TTT para aços não ligados hipoeutetóides,


eutetóides e hipereutetóides. Para cada um deles proponha um
tratamento isotérmico que resultará em uma microestrutura final
constituída por bainita e martensita.

Aço Hipereutetóide ( C> 0,76%)


Aço Hipoeutetóide (C<0,76%)

Aço Eutetóide (C=0,76%)

10) Alguns fatores exercem fortes influências sobre as linhas do diagrama


TTT. Cite alguns deles e como eles afetam estas curvas, deixando claro
o efeito físico de cada um sobre a cinética das transformações de
fases.
Serão citados 3 fatores que afetam afetam as linhas do diagrama TTT:
• Composição química: Além do carbono, todos os elementos (exceto
o cobalto) adicionados ao aço causam um deslocamento nas curvas
do diagrama, empurrando-as para a direita. Isso ocorre tanto devido
ao aspecto termodinâmico (elementos alfa e gama gêneos), quanto
devido ao aspecto cinético (a “quantidade” de elementos contida
dificulta e atrasa os processos difusionais).
• Tamanho de grão da austenita: tamanhos de grãos maiores de
austenita implicam em menores densidades de contornos de grão e,
consequentemente, na diminuição de sítios preferenciais de
nucleação dos constituintes. Quanto maior o tamanho de grão, mais
para a direita as curvas se deslocam.
• Homogeneidade da austenita: uma microestrutura austenítica
homogênea implica em uma estrutura livre de áreas ricas em
carbono, inclusões e carbonetos. Porém, esses “defeitos”
encontrados na microestrutura são núcleos para a formação de
perlita. Portanto, quanto mais homogênea a estrutura, mais
dificultada é a nucleação. Curva é deslocada para a direita.
11) Qual é uma das principais mudanças nos perfis das linhas de
transformação de um diagrama TTT de um aço que contenha elevada
concentração de elementos químicos formadores de carbonetos (Cr,
Mo, V, W) em relação ao diagrama TTT de um aço com composição
química semelhante, mas que não os contenha? Justifique sua
resposta.

A mudança no perfil se dá pelo falo de que esses elementos formadores de


carbonetos, possuem mais afinidade pelo carbono do que o Ferro, por isso,
em determinada faixa de temperatura, os carbonetos serão formados até
que fiquem saturados de carbono mudando o comportamento da curva como
mostra a figura abaixo. Logo, em temperaturas mais baixas, o Ferro volta a
“ter preferência”. Porém, como a temperatura está mais baixa, há menos
energia pra difusão e a bainita acaba se formando ao invés da perlita.

12) Explique o que são os diagramas CCT ou TRC. Em que eles diferem
dos diagramas TTT?

Diagramas de resfriamento contínuo (TRC) se diferem dos TTT pelo seu


mecanismo de transformação de fase. Enquanto o TTT se caracteriza pela
transformação isotérmica, o TRC se dá por uma transformação em um
resfriamento contínuo.
13) Esboce um diagrama TTT para um aço hipoeutetóide. Se possível,
proponha alguns tratamentos isotérmicos que resultem nas seguintes
constituições finais: a) 100% de Perlita Grossa; b) 100% de Martensita;
c) Perlita fina e bainita; d) 100% de Bainita; e) Bainita e martensita.

Não é possível obter 100% de Perlita Grossa pois formará a Ferrita pró-
eutetoide. Além disso, a transformação perlita fina + bainita não é possível
pois estão em regiões distintas.

14) Considere o diagrama TTT de um aço ligado hipoeutetóide com 0,53%


de carbono apresentado abaixo. Proponha tratamentos isotérmicos que
resultem em microestruturas finais: a) ferrita e perlita grossa, b) ferrita
e perlita fina, c) bainita e austenita residual, d) martensita e austenita
residual.
15) Considere o diagrama CCT ou TRC de um aço ligado hipoeutetóide com
0,44% de carbono apresentado abaixo. Descreva quais serão as
microestruturas resultantes provenientes de cada um dos
resfriamentos contínuos propostos.

• HRC 59 a 56: 100% martensita.


• HRC 53: Bainita e Martensita.
• HRC 50: Bainita e Martensita.
• HRC 42: Ferrita pró-eutetóide, bainita e martensita.
• HRC 38: Ferrita pró-eutetóide, perlita e bainita.
• HRC 36: Ferrita pró-eutetóide e perlita.
• HRC 27,20,18 e 214HV: Ferrita pró-eutetóide, perlita grossa.

16) Explique os mecanismos de transformação bainítica e martensítica que


ocorrem nos aços durante resfriamentos fora do equilíbrio a partir de
uma estrutura completamente austenitizada.
Quando o aço carbono é resfriado rapidamente até uma região abaixo do
“nariz” da curva e mantido nessa temperatura, há a formação da bainita: uma
matriz de ferrita com precipitação de cementita. Ela pode ser classificada
como superior e inferior. A superior se forma em temperaturas mais altas,
onde há mais energia para difusão. A transformação envolve dois estágios:
no primeiro, ocorre a formação da ferrita e o carbono é rejeitado para a
austenita que a envolve, propiciando, num segundo estágio a precipitação de
cementita entre agulhas de ferrita (há uma segregação de C, portanto uma
região ficará com segregação negativa e outra positiva. À medida que a
região de segregação positiva vai aumentando a concentração de carbono,
até atingir 6,7%, forma-se a cementita. A região empobrecida forma a ferrita).
A bainita superior são pequenos cristais de ferrita com cementita
preferencialmente nos contornos de grão. A bainita inferior se forma em T
mais baixas, com menos energia para a difusão. A microestrutura é
semelhante a superior, a diferença é que a cementita, além de precipitar
entre as agulhas de ferrita, também precipita dentro das agulhas de ferrita.
Isso ocorre pois em baixas temperaturas a difusão do carbono é reduzida e
nem todo carbono consegue segregar para a austenita, ficando um pouco
dentro da ferrita. A martensita é uma fase metaestável formada quando o
aço é bruscamente resfriado, partindo da temperatura de austenitização.
Devido ao abaixamento rápido da estrutura, não “dá tempo” para que a
austenita se transforme em perlita. Não há difusão na transformação, ela
ocorre por cisalhamento da estrutura.

17) Um aço resfriado muito lentamente a partir do campo austenítico até a


temperatura ambiente apresentará um ou mais constituintes que são
previstos pelos diagramas de fases: ferrita proeutetóide, cementita
proeutetóide e perlita, a depender da sua composição química.
Entretanto,se o resfriamento for rápido o suficiente, outros constituintes
não previstos pelo diagrama ferro- cementita aparecerão: bainita e
martensita. Neste contexto responda:

a) Fisicamente, explique porque os constituintes bainita e martensita


não são previstos no diagrama ferro-cementita.
Pois o diagrama retrata uma situação onde as fases estão estáveis e os
resfriamentos são lentos. Os constituintes bainita e martensita são fases instáveis a
temperatura ambiente e só ocorrem quando são aplicados resfriamentos elevados.

b) A transformação da austenita em outros constituintes pode ocorrer


basicamente por dois mecanismos principais, e em alguns casos
específicos, pela combinação simultânea dos dois. Quais são estes
mecanismos?
Mecanismo difusional e adifusionais.

c) Por meio de uma das possibilidades de mecanismos citadas no item


(b), explique os estágios de formação da bainita superior a partir de
grãos de austenita supersaturados em carbono.
Bainita superior se forma em temperaturas mais elevadas com mais energia para a
difusão. A formação ocorre em dois diferentes estágios: no primeiro ocorre a
formação da ferrita e o carbono é rejeitado para a austenita que a envolve,
propiciando, em um segundo estágio a precipitação de cementita entre as agulhas
de ferrita. A bainita superior são esses pequenos cristais de ferrita com cementitas
preferencialmente nos contornos de grão.

18) Defina corretamente o que é um metal encruado. Quais os principais


efeitos de uma deformação plástica sobre a estrutura de um metal e
consequentemente sobre suas propriedades físicas?
Quando se conforma um metal a frio, por qualquer processo, o material sofre uma
mudança da estrutura, ou seja, ele fica encruado. Esse processo implica na
mudança da orientação e morfologia dos grãos, aumento da densidade de
contornos de grãos e aumento da densidade de discordâncias do material, e tudo
isso restringe, a mobilidade dos planos atômicos caso este material seja
conformado novamente. Quanto maior o grau de encruamento, maior será a
dureza, limite de escoamento e limite de resistência do material. Entretanto, terá
uma menor ductilidade.
19) O que são células de deformação ou células de discordâncias? Faça
um desenho esquemático para ilustrar.

Materiais com estruturas com elevada EFE deformados plasticamente por


métodos habituais apresentam as discordâncias dissociadas em parciais
próximas umas das outras facilitando a movimentação das mesmas. Por se
movimentarem mais, essas discordâncias interagem entre si e acabam se
aniquilando quando possuem sinais opostos e as de mesmo sinal se
interagem empilhando umas às outras, formando emaranhados de
discordância dentro do grão.

20) Faça uma comparação entre os efeitos da temperatura de deformação e


da velocidade de deformação na quantidade e distribuição dos defeitos
cristalinos criados durante a deformação plástica.

Deformações geram atrito. Diferentes processos podem incrementar uma


maior temperatura ao processo de deformação a frio. Este incremento da
temperatura promove uma maior mobilidade das discordâncias, que por sua
vez causa um efeito semelhante a um material com alta energia de falha de
empilhamento, ou seja, processos com maiores temperaturas favorecem o
fenômeno de formação de células de discordâncias ainda na etapa de
conformação. Se tratando da velocidade, dependendo da sua condição, o
efeito pode ser contrário. O aumento da velocidade do processo pode
diminuir a mobilidade das discordâncias, o que dificulta a formação de
células de discordâncias.

21) Quais as principais diferenças entre bandas de transição e bandas de


cisalhamento?

Bandas de transição são heterogeneidades que aparecem no material


deformado a frio, caracterizados por deformações heterogêneas do
reticulado cristalino. São formadas entre partes diferentes de um mesmo grão
que sofreram rotações diferentes durante a deformação devido a utilização de
diferentes sistemas de escorregamento. Bandas de cisalhamento, por outro
lado, provém de escorregamentos em regiões de máxima tensão
macroscópica de cisalhamento e em planos nos quais a deformação
encontra pequena resistencia.

22) Explique como um tratamento térmico de recozimento de recristalização


pode ser empregado em um metal encruado com o objetivo de
restaurar as suas propriedades e modificar sua microestrutura.

Um material deformado a frio (encruado) é um material com elevada energia


livre, de modo que,a natureza sempre busca o estado de menor energia, mas
ela não evolui de um estado de maior energia para um de menor sem que
haja uma energia de ativação para ativar os processos responsáveis por
essa mudança (processos difusionais). De forma geral, este tratamento tem
como objetivo fornecer energia para que a barreira da energia de ativação
seja compensada. Ao fornecer temperatura suficiente para vencer a barreira
de energia de ativação e não ultrapassar A1, os processos difusionais são
ativados e o sistema irá começar a aniquilar os defeitos pontuais e até
mesmo discordâncias (dependendo da temperatura e tempo). Chega um
momento em que a estrutura começa a dar origem a novos grãos
(recristalização) ,onde os grãos alongados se transformam em grãos
equiaxiais e por fim, havendo uma recuperação da ductilidade.

23) O que se entende por poligonização dos grãos deformados?

É quando durante o aquecimento de um metal deformado plasticamente,


as discordâncias são reagrupadas,havendo aniquilação de discordâncias
de sinais opostos e rearranjo das restantes, minimizando seus campos de
tensão elástica.

24) Descreva detalhadamente a recristalização primária e a recristalização


secundária.

A recristalização ocorre após a recuperação. Ao fornecer mais temperatura e


tempo as células de discordâncias vão ficando mais bem definidas. A medida
que o processo continua, os arranjos celulares vão se refinando cada vez
mais de forma que o subgrão que vai se formando vai ficando cada vez mais
livre de defeitos. Os átomos que estão em subgrãos mais carregados de
defeitos começam a migrar para aqueles com menor densidade de defeitos
(abaixamento de energia livre) e os contornos de subgrão vão começar a se
expandir e o arranjo acaba virando um núcleo de um novo grão. Este grão vai
crescer a medida que for consumindo os grãos vizinhos, caracterizando a
recristalização primária. A recristalização secundária é um crescimento de
grão descontinuo. Durante o processo de recristalização, alguns grãos se
formam com uma energia livre muito menor do que os demais. Dessa forma,
ao continuar fornecendo energia e tempo, esse grão terá um potencial de
crescimento mais alto porque os átomos vão se difundir para lá, devido a
baixa energia. Isso causa heterogeneidade no comportamento mecânico.
25) Esboce o diagrama ferro-cementita e marque nele a faixa de
temperatura comum recomendada para realização do tratamento
térmico de recozimento de recristalização em aços carbono. Porque não
se deve submeter o materiala temperaturas superiores à linha A1?

Não se deve submeter o material a temperaturas superiores a A1, pois não


envolve austenitização nesse tratamento. Quando o tratamento tem como
objetivo o alivio de tensões, não é recomendado transformações de fase.

26) Explique como se relacionam os parâmetros: grau de deformação,


temperatura de início de recristalização e tempo para recristalização
completa.
O grau de deformação plástica implica na variação da dureza do material. Ao
ser deformado plasticamente, o material se torna mais resistente e uma
tensão maior é necessária para que se continue a deformação. O tempo de
recristalização é inversamente proporcional a dureza final do material: quanto
mais tempo o material for tratado, menor será a dureza final. A temperatura
deve ser suficiente para ativar os processos difusionais. Quanto mais
deformado o material, mais duro ele está. Maiores temperaturas e tempos
serão necessários para que o alivio de tensões seja efetivo.
27) Enuncie e explique cada uma das leis da recristalização.

1. Para que a recristalização ocorra, é necessária uma deformação mínima


(deformação crítica);
• Quanto mais deformado é o material, maior será seu estado de energia
livre e consequentemente, menor será a energia de ativação do
processo. O inverso é análogo, pois quanto menor o grau de deformação,
maior será a barreira energética para a recristalização, ou seja, existe um
ponto em que deformação mínima que torna a recristalização viável ou
não viável energeticamente.
2. Quanto menor o grau de deformação, mais alta é a temperatura para início
da recristalização;
• Quanto menos encruado o material está, maior será a barreira energética
para sua recristalização devido a todos os fenômenos envolvendo a
aniquilação de discordâncias e formação de subnúcleos de grãos. Dessa
forma maior será a energia necessária inserida no sistema, na forma de
temperatura, para começar a recristalização.
3. Quanto mais longo o tempo de recozimento, menor é a temperatura
necessária para ocorrência da recristalização (para amostras de mesma
composição e submetidas ao mesmo grau de encruamento);
• Quanto menor a temperatura, menor será a cinética de recristalização e,
consequentemente, maior será o tempo a se completar a recristalização.
4. O tamanho de grão final depende “fortemente” do grau de deformação e
“fracamente” da temperatura de recozimento. Quanto maior o grau de
deformação e/ou menor a temperatura de recozimento, menor será o
tamanho de grão final.
• Quanto maior o grau de deformação, maior será a quantidade de
descontinuidades o que facilitará, energeticamente, a formação de
subnúcleos. Analogamente menor será a temperatura de recozimento
necessária para refinar os grãos.
5. Quanto maior o tamanho de grão inicial, maior é o grau de deformação
necessário para que a recristalização se complete no mesmo tempo e
temperatura de recozimento;
• Materiais com grãos mais grosseiros terão um caminho livre médio de
movimentação de discordâncias maior que grãos refinados, logo
materiais com menores densidades defeitos precisam de maiores graus
de deformação para chegar no mesmo patamar que materiais mais
refinados e para que isso ocorra necessita-se, obviamente, de uma maior
energia e tempo para ocorrer.
6. O grau de redução necessário para se obter um mesmo endurecimento por
deformação (encruamento) aumenta com o aumento da temperatura de
deformação.
• Para um dado grau de redução, quanto maior é a temperatura de
deformação, maior é temperatura de recristalização e maior é o tamanho
de grão final.
7. O aquecimento continuado após o término da recristalização causa
crescimento de grão.
• Trata-se da recristalização secundária, onde após todo o processo de
recozimento e recristalização, a estrutura final ainda possuí uma alta
energia livre, caso calor continue entrando no sistema somado com o
tempo de processo, os grãos tenderão a ir para uma situação de menor
energia livre, por meio de crescimento e aniquilação dos contornos de
grão.

Você também pode gostar