Curso: Nutrição
FISIOPATOLOGIA DA OBESIDADE Me. Lilian Cavalcante
OBJETIVO DA AULA
Compreender os aspectos epidemiológicos
envolvidos na obesidade.
Compreender os aspectos fisiológicos envolvidos na
obesidade.
Compreender aspectos clínicos da obesidade.
Fernando Bottero
Pintor colombiano
OBESIDADE
Definida como excesso de
peso, caracterizada
especificamente pelo
excesso de MASSA
GORDA.
DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL
Adulto: OMS, 1998
CONTEXTUALIZANDO
A obesidade encontra-se inserida na sociedade
desde a pré- história.
Hipócrates, em 460 anos a. C já alertava sobre
a influencia da obesidade na saúde, afirmando
a incidência de morte súbita era mais frequente
em indivíduos com excesso de peso.
Em vários períodos da história a obesidade foi
referenciada como positiva
PADRÃO DE BELEZA
Paleolítico Idade Média Renascimento Século 20 Anos 90- 00
OBESIDADE PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
Consultas (cardio, endocrino, nefro)
DM - amputação, surdez, cegueira
Obesidade Internações/ UTI
Cirurgias
Medicações
Entre outros
Consequências da Obesidade
Pulmonar:
Neurológico:
Apneia obstrutiva do sono
- Acidente Vascular Encefálico
Síndrome de hipoventilação
- Hipertensão Craniana
asma
- Pseudotumor cerebral
Gastrointestinal: - Catarata
- Colelitíase
- DRGE: (refluxo) Cardiovascular:
- Esteatose hepática - Doença arterial coronariana
- Hérnias abdominais e inguinais - Hipertensão Arterial Sistêmica
- Câncer de cólon - Tromboembolismo venoso
- Pancreatite - Coagulopatias
- Flebite
Endócrino, metabólico e imunológico:
- Dislipidemia
- Tolerância a glicose diminuida Psicossocial:
- Diabetes tipo 2 - Transtornos alimentares
- Síndrome metabólica - Baixa autoestima
- Hipotireoidismo - Estigmatização
- Osteoartrite - Depressão
- Inflamação Crônica - Discriminação social e laboral
- Imunodepressão - Aumento do custo de vida
- Menor produtividade
DETERMINANTES GENÉTICOS
A genética possui papel importante na determinação da massa corporal.
A células adiposas podem sofrer hiperplasia no bebê ainda na barriga da
mãe.
Pai + Mãe obesos = 80 %
Pai ou Mãe obeso = 50 %
Ambos com peso adequado = 15 %
Univitelinos separados = chances diferentes
Bivitelinos na mesma casa = chances similares
Filhos adotivos = chances similares aos pais adotivos
EPIDEMIOLOGIA
Nas últimas décadas, o sobrepeso e obesidade cresceram de
maneira significativa, caracterizando uma pandemia.
Problema de saúde pública.
Mundo: Projeção da OMS para 2025- cerca de 2,3 bilhões de
adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões com
obesidade.
Brasil: A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2008/2009 já
encontrava altas prevalências de obesidade.
TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA NUTRICIONAL
Modificação de um cenário de desnutrição para
obesidade.
Melhora do poder aquisitivo
Bolsa Família – acesso das pessoas
Compreender os fatores sociopolíticos que estão envolvidos na transição
nutricional no Brasil.
Desnutrição Sobrepeso/ Obesidade
BATISTA FILHO, Malaquias; RISSIN, Anete. A transição nutricional no Brasil: tendências regionais e
temporais. Cadernos de saúde pública, v. 19, p. S181-S191, 2003.
FATORES NEURONAIS
O hipotálamo é o órgão central que regula
a ingestão alimentar, gasto energético e
apetite (fome) e saciedade. Abriga duas
populações vizinhas de neurônios:
➢peptídeo relacionado ao gene agouti
(AgRP) e os pró-ópio melanocortina (Pomc).
➢Os AgRP quando ativos, despertam
sensação de fome (orexígeno), e os Pomc
despertam sensação de saciedade
(anorexígeno).
FISIOLOGIA DO RECEPTOR DE INSULINA
FISIOPATOLOGIA DA OBESIDADE – DIABETES 2
2. Se eu tiver muito HORMÔNIO “RUIM”, ele
consegue “atrapalhar” a relação entre a glicose
-
1. Os adipócitos passam a produzir e o receptor.
HORMÔNIOS que vão atuar na forma
como a insulina se relaciona com o
receptor celular.
3. Se isso acontecer, a insulina e a glicose não
consegue entrar na célula e se acumulam no
sangue.
Hormônios secretados pelo adipócito
Leptina Informa ao cérebro sobre os estoques corporais de gordura
Regula o apetite e o gasto energético
Resistina Causa resistência à Insulina
TNF- alfa Causa resistência à Insulina
Adiponectina Aumenta a sensibilidade à insulina; inibe a aterogênese
ASP Influencia a taxa de síntese de TAG no tecido adiposo
EXCESSO DE:
- Carboidrato
- Proteína
- Lipídeo
- álcool
HORMÔNIOS PRODUZIDOS PELO TECIDO ADIPOSO
O tecido adiposo exerce função de um órgão endócrino,
secretando inúmeras proteínas, denominadas adipocitoquinas, que
apresentam função importante no metabolismo do tecido adiposo.
Exercem função importante na patogênese da OBESIDADE.
LEPTINA ADIPONECTINA
HORMÔNIOS PRODUZIDOS PELO TECIDO ADIPOSO
LEPTINA
A leptina é produto proteico do gen Ob (gene que regula a
obesidade).
Sua concentração plasmática é similar em crianças e adultos,
porém é bem maior em indivíduos obesos que indivíduos não
obesos que em indivíduos não obesos.
É maior em mulheres que em homens, obesos ou não.
Pode estar relacionada com os hormônios sexuais.
HORMÔNIOS PRODUZIDOS PELO TECIDO ADIPOSO
ADIPONECTINA
É secretada somente no tecido adiposo, especialmente pelo tecido
adiposo branco.
Os níveis de adiponectina estão reduzidos em indivíduos obesos,
em comparação aos magros.
Níveis baixos de adiponectina está associada a resistência à
insulina e a hiperinsulinemia ou intolerância à glicose.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO (TA)
Até recentemente o tecido adiposo era considerado apenas um
depósito inerte de armazenamento de energia a ser utilizado pelo
organismo.
Atualmente é considerado um ÓRGÃO ENDÓCRINO envolvido em
uma grande variedade de vias metabólicas.
Proativo na realização de muitas outras funções.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO (TA)
Exerce funções de sustentação mecânica, modelagem corporal,
isolamento térmico, mecânico e elétrico, secreção de hormônios e
citocinas.
A capacidade do adipócito para armazenar (lipogênese) e
mobilizar (lipólise) lipídeos é um processo gerenciado por genes.
Síntese Lipogênese
Mobilização (quebra) Lipólise
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO (TA)
O aumento do tecido adiposo pode ocorrer
pela expansão do seu tamanho ou pelo
aumento do número de células.
A hiperplasia varia de acordo com o
padrão dietético, hormonal e gasto
RESUMINDO:
energético.
Hipertrofia: aumento do volume
de adipócitos
Hiperplasia: aumento do número
de adipócitos
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
LIPOGÊNESE X LIPÓLISE EXPANSÃO DO TA NA OBESIDADE
HIPERTROFIA
LIPÓGÊNESE
insulina LIPÓLISE
catecolaminas
HIPERPLASIA
Aumento do
tamanho
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TIPOS DE TECIDO ADIPOSO (TA)
TECIDO ADIPOSO TECIDO ADIPOSO
BRANCO (TAB) MARROM (TAM)
TECIDO ADIPOSO BEGE
(TABege) TECIDO PINK
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO BRANCO - TAB
Compreende cerca de 20 a 25% da massa corporal de mulheres
e 15 a 20% da massa corporal de homens.
Estão presentes em depósitos de gordura visceral (TAV) e
subcutâneo (TAVS).
TAV: apresenta atividade endócrina mais intensa, é mais resistente
a ação da insulina e mais sensível a ação das catecolaminas e ao
cortisol.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO BRANCO - TAB
Por isso, situações que cursam com a elevação do cortisol como
estresse, ansiedade e depressão, associadas ou não ao alcoolismo e
tabagismo podem contribuir para AUMENTO DA OBESIDADE
VISCERAL E INSULINO RESISTÊNCIA.
A maioria das adipocinas (hormônios que regulam o metabolismo)
são produzidas quando ocorre a expansão do tecido adiposo,
característica da obesidade.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO BRANCO - TAB
A expansão do adipócito (hipertrofia) está associada à
desregulação da sua função endócrina, que implica, entre outras
alterações, no aumento da leptina e diminuição da adiponectina.
O mecanismo dessa adipocinas ainda não é completamente
esclarecido.
LEPTINA ADIPONECTINA
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
Principais adipocinas e ações biológicas na obesidade
Apetite e balanço energético:
Leptina e Apelina
Homeostase vascular, angiogênese, pressão
sanguínea, aterogênese: efeito protetor:
adiponectina; leptina; apelina.
Metabolismo ósseo/ lipídico:
Apiponectina; Leptina; TFN-α; IL-6.
Sensibilidade à insulina (SI) ou Resistência a Imunidade; Inflamação e resposta de fase
Insulina (RI): SI: adiponectina; omentina./ RI: aguda: . TFN-α; IL-6; leptina; resistina; PCR.
resistina; visfatina.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO MARROM
Papel fisiológico: termogênese (regulação da temperatura
corporal).
Realiza um processo conhecido como TERMOGÊNESE ADAPTATIVA
mediada por estimulação adrenérgica e sob responsabilidade da
UCP-1 (termogenina).
Quando ativada, utiliza substratos energéticos
para a produção de calor.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO MARROM
Até um tempo recente pensava-se que a
gordura marrom existia apenas em bebês,
para mantê-los aquecidos.
Hoje sabe-se que indivíduos adultos também
possuem quantidade substancial de TAM
metabolicamente ativo.
Estudos indicam uma correlação inversa entre o
IMC e TAM.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO ADIPOSO MARROM
cervical
supraclavicular
axilar
mediastino
pericardial
traqueo-esofágica
intercostal
mesentérica
Nedergaard, 2007
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO BEGE
As células beges apresentam baixas concentrações de UCP1
(termogenina), proteína chave para a queima de energia e geração
de calor, expressivamente presente no adipócitos marrons.
As células beges respondem também a um hormônio conhecido como
IRISINA para ativar o programa de queima de energia.
A IRISINA é liberada pelos músculos mediante exercícios físicos e é
responsável por alguns benefícios que a atividade física traz.
FISIOLOGIA ADIPOCITÁRIA
TECIDO PINK
São as células epiteliais alveolares da
glândula mamária que apresentam a
principal função produção e secreção de
leite.
FISIOLOGIA ENDÓCRINA
INSULINA
Estudos mostram que alto consumo de
alimentos ricos em lipídios saturados e
carboidratos com alto índice glicêmico
contribuem para INTOLERÂNCIA À
GLICOSE E RESISTÊNCIA À INSULINA.
PADRÕES ALIMENTARES ACÚMULO DE RESISTÊNCIA À
INADEQUADOS GORDURA INSULINA
FATORES INTESTINAIS
A presença de alimento no Trato
Gastrointestinal (TGI) e sua absorção
modula o apetite e regula a energia.
No TGI existem células secretoras de
peptídeos que, combinadas a outros
sinais, regulam o processo digestivo e
atuam no sistema nervoso central (SNC)
para a regulação da fome e da
saciedade.
O conhecimento da ação dos hormônios grelina e leptina pelo
nutricionista, torna possível o estabelecimento de ações com a
finalidade de regular o apetite e controlar o peso, por meio de
estratégias eficientes como: fracionar alimentação durante o dia,
consumir alimentos ricos em fibras que aumentam a saciedade,
distinguir fome de vontade de comer, entre outros.
MICROBIOTA INTESTINAL E OBESIDADE
Microbiota intestinal indivíduos
Bacterioides
Fermicutes
MAGRO OBESO
OBESIDADE:
SÍNDROME MULTIFATORIAL
Alterações:
GENÉTICAS FISIOLÓGICAS BIOQUÍMICAS
METABÓLICAS PSICOLÓGICAS
AMBIENTAL SOCIOCULTURAL COMPORTAMENTAL