Você está na página 1de 57

ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE GOIÁS – AECG

FACULDADE PADRÃO
CURSO DE ENFERMAGEM

DETECÇÃO E PREVENÇÃO DO CÂNCER DA PRÓSTATA

ADRYANNE CLEUSA CRISTINA TAVARES BATISTA


CÁSSIA RODRIGUES SIMÕES MACHADO
CLAUDIANA DO PRADO FERREIRA
GILVANIRA DA SILVA ALVES
LAIANNY GLEICY VIANA RAMOS

GOIÂNIA-GO
2010
ADRYANNE CLEUSA CRISTINA TAVARES BATISTA
CÁSSIA RODRIGUES SIMÕES MACHADO
CLAUDIANA DO PRADO FERREIRA
GILVANIRA DA SILVA ALVES
LAIANNY GLEICY VIANA RAMOS

DETECÇÃO E PREVENÇÃO DO CÂNCER DA PRÓSTATA

Monografia apresentada com pré-requisitos para


obtenção do título de Bacharel em Enfermagem da
Associação de Educação e Cultura de Goiás –
Faculdade Padrão.
Orientadora: Profª MSc. Nelma Costa Borborema

GOIÂNIA-GO
2010
ADRYANNE CLEUSA CRISTINA TAVARES BATISTA
CÁSSIA RODRIGUES SIMÕES MACHADO
CLAUDIANA DO PRADO FERREIRA
GILVANIRA DA SILVA ALVES
LAIANNY GLEICY VIANA RAMOS

DETECÇÃO E PREVENÇÃO DO CÂNCER DA PRÓSTATA

Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao


corpo da banca examinadora do Curso de
Enfermagem da Associação de Educação e
Cultura de Goiás – Faculdade Padrão, como
parte dos pré-requisitos para obtenção do título
de Bacharel em Enfermagem.
Orientadora: Profª MSc. Nelma Costa

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________
Profª MSc. Nelma Costa Borborema - Faculdade Padrão - Orientadora

____________________________________________________
Enfermeira Valéria Nunes Pereira - Diretora Técnica do Distrito Sanitário Sul

____________________________________________________
Enfermeira Adriana Zottarelli B. de Sousa – Chefe de Enf. Hospital Lúcio Rebelo

GOIÂNIA-GO
2010
DEDICATÓRIA

Aos nossos pais, por serem os primeiros professores, na qual com


carinho, compreensão nos momentos difíceis tem-nos sido exemplo
e também pela dedicação que tiveram em nossa formação como
pessoa, ensinando-nos valores imprescindíveis de como sermos
responsáveis e como respeitar as pessoas em suas diferenças.
AGRADECIMENTOS

A Deus, que através da força do Seu Espírito, nos fez superar as dificuldades
encontradas no caminho, e que nos permitiu conseguir mais uma conquista ao concluirmos
este trabalho, acrescentando, assim, ainda mais a nossa paixão por viver.
Para que a concretização deste estudo se efetivasse, agradecemos às inúmeras
pessoas que foram incentivadoras neste processo e seus ensinamentos serão a partir de agora
essenciais em nossa caminhada pessoal e profissional. Então, por estes extraordinários
exemplos, expressamos nossos reais agradecimentos:
À coordenadora Kellen Cristina Mata, que com sua capacidade e empenho de
coordenar o Curso de Enfermagem, sempre esteve disposta a melhor atender, nos
proporcionando chegarmos até aqui.
À Professora Nelma Borborema, pela sua delicadeza, paciência e inteligência, que
soube orientar e valorizar esta pesquisa.
Aos professores mestres e doutores que a nós repassaram seus conhecimentos,
fazendo com que nosso desenvolvimento fosse o melhor possível.
Aos nossos colegas de curso e disciplinas que compartilharam conosco seus
conhecimentos.
A todos aqueles que de alguma forma contribuíram ou torceram pela concretização
deste curso.
RESUMO

O câncer da próstata representa um dos principais problemas de saúde pública. No


Brasil, o câncer da próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer
de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais
prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Vários estudos
comparativos, entre homens e mulheres, têm comprovado o fato de que os homens são mais
vulneráveis às doenças, sobretudo às enfermidades graves e crônicas, e que morrem mais
precocemente que as mulheres. E a despeito da maior vulnerabilidade e das altas taxas de
morbimortalidade, os homens não buscam, como as mulheres, os serviços de atenção básica.

Palavras Chaves: Câncer da Próstata, Detecção, Prevenção, Masculinidade.


ABSTRACT

The prostate cancer represents one of the main health-care problems. In Brazil, the
prostate cancer is the second most frequent malignancy diagnosed in adult men (it only loses
for melanoma). It in absolute values is the sixth most common cancer worldwide and it is
more prevalent in men, estimated about 10% of all cancers. Many comparative studies
between men and women, has showed the fact that men are more likely vulnerable to major
chronic diseases and that men die earlier in life more often than women. And despite of his
more vulnerability and high rates of death, men are less likely than women to actively seek
medical care.

Key-word: Prostate Cancer, Detection, Prevention, Masculinity.


LISTA DE FIGURAS

Figura I: Localização da Próstata. 16


Figura II: Toque Retal 19
Figura III: Biópsia Prostática. 20
Figura IV: Mostrando o Aumento da Próstata. 25
Figura V: Distribuição Espacial do Câncer da Próstata no Brasil. 28
Figura VI: Escore de Gleason 32
Figura VII: Estágios do Câncer de Próstata 36
Figura VIII: Atividade Física Regular 45
Figura IX: Alimentação Saudável 45
Figura X: Constrangimento ao Realizar o Exame de Próstata 46
Figura XI: Disfunção Erétil 47
LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS

Tabela I: Distribuição do CP entre 2000-2006 26


Tabela II: Estimativas 2010 – Goiás/Goiânia-GO 27
Tabela III: Escala de Gleason 31
Tabela IV: O Sistema de Estadiamento TNM 34
Tabela V: Estadiamento T 34
Tabela VI: O Estágio T1 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C 35
Tabela VII: O Estágio T2 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C 35
Tabela VIII: O Estágio T3 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C 35
Tabela IX: O Estágio T4 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C 35
Tabela X: Estadiamento N 36
Tabela XI: Estadiamento M 36

Gráfico I: Risco Estimado de CP em Todas as Regiões por 100 mil habitantes 25


Gráfico II: Taxa de Mortalidade do Câncer de Próstata por Idade 28
Gráfico III: Vitória Da Vida 43
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CP – Câncer da Próstata
DNA – Ácido Desoxirribonucleico
ERD – Exame Retal Digital
HPB – Hiperplasia Prostática Benigna
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INCA – Instituto Nacional do Câncer
LHRH – Hormônio Liberador do Hormônio Luteinizante
OMS – Organização Mundial de Saúde
PSA – Antígeno Prostático-Específico
SAE – Sistematização da Assistência de Enfermagem
SBU – Sociedade Brasileira de Urologia
SVS – Secretaria de Vigilância em Saúde
TC – Tomografia Computadorizada
TNM – Tumor Nódulo Metástase
TRUS – Ultra-som Transretal
SUMÁRIO

Resumo VI
Abstract VII
Lista de Figuras VIII
Lista de Tabelas e Gráficos IX
Listas de Abreviaturas e Siglas X
1. INTRODUÇÃO 12
2. METODOLOGIA 14
3. OBJETIVOS 15
3.1 Objetivo Geral 15
3.2 Objetivos Específicos 15
4. ANATOMIA DA PRÓSTATA 16
4.1 Neoplasia e Definição Do Câncer Da Próstata 17
4.2 Diagnósticos 19
5. EPIDEMIOLOGIA 24
6. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 29
7. EVOLUÇÃO DO CÂNCER DA PRÓSTATA 31
8. FATORES DE RISCO 33
9. ESTADIAMENTO 34
10. TRATAMENTO 37
10.1 Efeitos e Sequelas Do Tratamento 42
11. PREVENÇÃO DO CÂNCER 44
12. PAPEL DA ENFERMAGEM DIANTE DO PACIENTE COM CÂNCER 48
12.1 Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) 49
13. CONCLUSÃO 51
14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 53
12

1. INTRODUÇÃO

A próstata é um órgão do sistema reprodutor masculino que ajuda a produzir e


armazenar o fluido seminal. Nos homens adultos, a próstata normal possui cerca de 3
centímetros de cumprimento e pesa cerca de 20 gramas. Verifica-se que com o aumento da
expectativa de vida, doenças como o câncer da próstata (CP), que surgem com o
envelhecimento e que potencialmente podem ser detectadas e tratadas precocemente, vêm
assumindo uma dimensão cada vez maior, não somente como um problema de Saúde Pública,
mas pelo impacto socioeconômico sobre a população (SCHOFFEN, et al., 2009).
A causa do CP é desconhecida, presume-se que alguns fatores possam influenciar no
seu desenvolvimento. Ultimamente, tem se dado muita atenção a alimentação, uma vez que
dietas ricas em gordura predispõem ao câncer e as ricas em fibras diminuem o seu
aparecimento. Os fatores genéticos e ambientais são alvo, também, de investigação. Fumaça
de automóveis, cigarros, fertilizantes e outros produtos químicos estão sob suspeita. Quanto
aos fatores ambientais, existem muitas relações possíveis, entre as quais com substâncias
químicas utilizadas na indústria de fertilizantes, ferro, cromo, cádmo, borracha e chumbo,
embora não seja cientificamente comprovada a relação entre esses fatores e uma maior
incidência do CP. Sabe-se, entretanto, que o crescimento de células normais e cancerosas na
próstata é estimulado pelos hormônios masculinos, especialmente a testosterona
(SCHOFFEN, et al., 2009).
Segundo SROUGI e SIMON, a próstata pode ter dois processos: o crescimento
benigno, chamado de hiperplasia prostática benigna (HPB), e o maligno, denominado CP,
podendo este último surgir associado ou não ao crescimento benigno. O CP caracteriza-se
pelo crescimento exagerado da próstata, com conseqüente diminuição da intensidade do jato
urinário. Influências genéticas, história sexual, exposição à patógenos, substâncias químicas
industriais, urbanização, hábitos alimentares, metabolismo hormonal, além da idade e do
estilo de vida, são fatores postulados na promoção e início da doença (SCHOFFEN, et.al,
2009).
Nos últimos anos a frequência do CP aumentou de forma explosiva representando,
atualmente, o câncer que mais freqüentemente acomete o homem. A pesquisa da literatura nos
mostra que no Brasil o CP é o segundo tumor maligno mais freqüente no sexo masculino
(atrás apenas do câncer de pele não melanoma) e se estima que um em cada doze homens seja
13

diagnosticado com a doença ao longo da vida, sendo sua taxa de incidência cerca de seis
vezes maior em países desenvolvidos em comparação com os países em desenvolvimento
(INCA, 2010).
Mais do que qualquer outro tipo de câncer o CP é considerado um mal da terceira
idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Sua
incidência aumenta com a idade atingindo quase 50 % dos indivíduos com 80 anos. No Brasil,
de 60% a 70% dos casos são diagnosticados quando a doença já está disseminada
(SCHOFFEN, et al., 2009).
Podemos notar que mesmo diante das campanhas do governo e da instituição do “Dia
Mundial de Combate ao CP - 17 de Novembro” para ajudar a combater o tabu dos exames
preventivos e descobrir casos antes do estágio avançado os brasileiros do sexo masculino
ainda relutam em realizar o exame periódico e deixam de reconhecer a importância de se
detectar o câncer em sua fase inicial – o que aumenta as chances de cura – apenas uma
pequena parte da população realiza os exames precocemente. A falta de informação o
preconceito e o próprio medo de se deparar com a doença são fatores que dificultam a
prevenção, muitos pacientes apenas procuram o médico quando já sentem alguns sintomas
como dificuldade para urinar, presença de sangue na urina ou ainda incontinência urinária e
relata que muitos homens só chegam ao consultório com a doença já em estado avançado e
sem possibilidade de cura (FONSECA, 2009).
A próstata por se tratar de um órgão que afeta a sensibilidade sexual masculina, a
depressão e o sentimento de impotência estão presentes em todos os pacientes, mesmo
naqueles em que a impotência possa ser temporária (TOFANI, et al., 2007).
Sendo assim a busca do diagnóstico precoce assume fundamental importância e este
deve ser realizado através de exame preventivo anual em todos os homens a partir de 45 anos
de idade, independente de apresentarem ou não sintomas. E naqueles que possuem história de
incidência de CP na família, a recomendação é que o exame preventivo seja iniciado aos 40
anos (ORQUIZA, 2010).
14

2. METODOLOGIA

Foi realizada a revisão de literatura a partir das bases de dados on line Scielo, Lilacs,
Bireme/BVS no período de 2000/2010 utilizando os seguintes descritores: CP, manifestações
clínicas, prevenção, masculinidade, homens. A revisão foi ampliada através de busca em
outras fontes, tais como documentos governamentais, estatísticas de saúde, sites na Internet
sobre CP, referencias citadas nos artigos obtidos.
Os critérios de inclusão foram artigos originais com populações adultas (>45 anos),
publicados entre 2000 e 2010 na língua portuguesa, que avalia aspectos de prevenção e
diagnóstico do CP. Os critérios de exclusão foram artigos de línguas estrangeiras e com mais
de 10 anos de publicação. A pesquisa bibliográfica foi realizada através de análise de
conteúdo, nos quais os resultados preliminares apontam para a mudança na vida social para os
homens.
O presente estudo tem como meta analisar as recomendações voltadas para a
prevenção do CP presentes na literatura específica sobre o assunto.
15

3. OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

Descrever as formas de prevenção e detecção do câncer de próstata.

3.2 Objetivos Específicos

1. Avaliar fatores clínicos, morfológicos e laboratoriais associados ao diagnóstico dos


pacientes com câncer de próstata;
2. Descrever seus estágios e os métodos que podem ser detectados por toque retal;
3. Comparar a complementação dietética como um efeito protetor contra o câncer de
próstata;
4. Analisar os preconceitos e medos infundados ao toque retal problematizado pela
masculinidade hegemônica.
16

4. ANOTOMIA DA PRÓSTATA

A próstata é uma glândula exclusiva dos homens, situada logo abaixo da bexiga, de
aparência e volume semelhante a uma castanha. É responsável pela produção de boa parte do
líquido seminal (TOFANI, et al., 2007).
Outra definição da próstata é uma glândula masculina que se localiza entre a bexiga e
o reto. Essa glândula participa da produção do sêmen, líquido que carrega os espermatozóides
produzidos no testículo (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
E ainda segundo MARQUES (2007), sua função no organismo é produzir um líquido
que serve para alimentar os espermatozóides depois que são ejaculados no ato sexual, sendo a
maior glândula do sistema reprodutivo masculino. Sua secreção é viscosa e alcalina; tem por
função neutralizar a acidez da urina residual acumulada na uretra e também à acidez natural
da vagina (BERNARDES, et al., 2010).
Segundo a SBU (2003) – SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA – a próstata
pesa em torno de 20g no adulto jovem. Integra tanto a estrutura do aparelho genital quanto do
urinário. Em relação ao sistema genital, é responsável pela produção de, aproximadamente,
30% do líquido seminal que é eliminado durante a ejaculação, no ato sexual (Figura I).

Figura I: Localização da Próstata.


Fonte: MEDSCAN

A próstata por ser uma glândula é afetada pelos hormônios sexuais masculinos. Esses
hormônios estimulam a atividade da próstata e a substituição das células da próstata, uma vez
que essas sejam destruídas. Para um funcionamento adequado, a próstata necessita de
hormônios masculinos (andrógenos), que são os responsáveis pelas características sexuais
masculinas. O principal hormônio masculino é a testosterona, que é produzida quase
totalmente pelos testículos (ONCOGUIA, 2008).
17

À medida que o homem envelhece sua próstata vai aumentando de tamanho. Em razão
deste aumento, é comum que a partir dos 50 anos os homens sintam o fluxo urinário mais
lento e um pouco menos fácil de sair. Por isso, quando aumenta de volume, a próstata se
transforma em uma verdadeira ameaça para o bem-estar do homem, pois começa a comprimir
a uretra e a dificultar a passagem da urina: o jato urinário se torna gradativamente fino e fraco
(SCHOFFEN, et al., 2009).
Um dos problemas do não esvaziamento completo da bexiga é o favorecimento ao
crescimento de bactérias em seu interior. O ato de urinar expulsa boa parte das bactérias
presentes na urina, mas nos pacientes com HPB, há sempre um "laguinho" de urina para as
bactérias se reproduzirem. Não é de se estranhar que a cistite é rara em homens até os 45-50
anos e depois passa a ser um diagnóstico comum. A bexiga só consegue vencer a resistência
da uretra comprimida pela próstata quando está cheia de urina. Quando o nível de urina dentro
da bexiga desce, a pressão já não é mais suficiente e o jato se interrompe. O resultado final
disto é uma bexiga que não consegue mais se esvaziar por completo. Uma bexiga que está
sempre com alguma urina em seu interior fica cheia mais rapidamente, e por isso, a vontade
de urinar é frequente (PINHEIRO, 2009).
De acordo com CORRÊA (2003), como todos os outros tecidos e órgãos do corpo, a
próstata é composta por células, que normalmente se dividem e se reproduzem de forma
ordenada e controlada, no entanto, quando ocorre uma disfunção celular que altere este
processo de divisão e reprodução, produz-se um excesso de tecido, que dá origem ao tumor,
podendo este ser classificado como benigno ou maligno (SCHOFFEN, et al., 2009).

4.1 – Neoplasia E Definição Do Câncer Da Próstata

Segundo STEVENS E LOWE (2002), o termo neoplasia é usado para descrever o


crescimento celular descontrolado, onde se encontra células neoplásicas transformadas, isso
ocorre quando há um colapso no mecanismo de controle normal da proliferação e maturação
das células (RODRIGUES, 2007).
De acordo com CORRÊA (2003) o conceito indica bem a origem da palavra
“neoplasia": "neo” = novo; "plasia" = formação. O crescimento autônomo de uma população
celular, bem como a liberdade de diferenciação (a perda da diferenciação pode ser entendida
como uma ação que a célula adquire de se especializar segundo novas regras, interpretada por
18

nós como sendo uma perda da diferenciação normal) indica que há um novo tecido se
formando no local (RODRIGUES, 2007).
O termo tumor foi aplicado ao crescimento causado pela inflamação. Os neoplasmas
também podem induzir crescimentos, mas o uso não-neoplásico de tumor passou para o
limbo. Assim o termo hoje é um sinônimo de neoplasmas. A oncologia é o estudo dos
tumores. Câncer é o termo utilizado para determinar todos os tumores malignos. Tratando do
assunto de neoplasia STEVENS E LOWE (2002), ressaltam que elas podem ser divididas em
malignas e benignas: quando o tumor apresenta um contorno bem definido e crescimento
localizado é denominada de neoplasia benigna e é dita neoplasia maligna quando o tumor
apresenta um contorno indefinido e as células crescem sobre os tecidos circundantes, assim
promovendo a sua destruição (RODRIGUES, 2007).
O câncer é um processo patológico que começa quando uma célula anormal é
transformada por mutação genética do DNA celular. Essa célula anormal forma um clone e
começa a se proliferar, ignorando os sinais de regulação do crescimento no ambiente que
circunda a célula. As células adquirem características invasivas, e as alterações têm lugar nos
tecidos circunvizinhos. O câncer não é uma doença única; em lugar disso, é um grupo de
doenças distintas com diferentes causas, manifestações, tratamentos e prognósticos. As
células cancerosas são descritas como neoplasias malignas, ou seja, demonstram crescimento
celular desordenado que não seguem a demanda fisiológica. É o resultado da multiplicação
exagerada e descontrolada de algumas células que adquirem a capacidade de invadir as
estruturas sadias à sua volta. Eventualmente podem deslocar-se do seu local de origem, atingir
a corrente sanguínea e alcançar outras partes do corpo. Quando essas alterações ocorrem no
tecido prostático, temos o CP, ao invés de as células morrerem como deveriam, as células
cancerígenas ultrapassam as células normais e continuam a formar novas células anormais. O
crescimento de células anormais é chamado tumores. O termo “tumor primário” entende-se
como o original tumor, tumores secundários são causados quando o original câncer se espalha
para outros locais do corpo (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
A detecção precoce ou screening para um tipo de câncer é o processo de procurar um
determinado tipo de câncer na sua fase inicial, antes mesmo que ele cause algum tipo de
sintoma. Em alguns tipos de câncer, o médico pode avaliar qual grupo de pessoas corre mais
risco de desenvolver um tipo específico de câncer por causa de sua história familiar, por causa
das doenças que já teve ou por causa dos hábitos que possui como: fumar, consumir bebidas
de álcool ou comer dieta rica em gorduras (ZELMANOWICZ, 2001).
19

4.2 – Diagnósticos

O exame de toque retal é aquele em que um médico especialista ou profissional


treinado introduz o dedo indicador recoberto por uma luva no ânus do paciente a fim de
palpar a porção anterior do reto, região em que se localiza a próstata. Se há um aumento da
glândula ou a presença de endurecimento ou nódulos, o examinador pode definir aonde se
localiza essa alteração e recomendar outros exames diagnósticos mais detalhados para se
descartar ou não a possibilidade de uma alteração neoplásica (ZELMANOWICZ, 2001).
(Figura II).

Figura II: Toque Retal


Fonte: UROBH

FRIEDENREICH (2001) descreve o toque retal ou ERD (Exame Retal Digital) como
um exame realizado pela introdução do dedo indicador do médico, lubrificado e enluvado, no
ânus do paciente. Dura de 5 a 30 segundos, é relativamente indolor e presta ao médico
informações como: estado do esfíncter anal, estado das fezes dentro do reto, presença ou não
de tumores do reto, alcançáveis pelo dedo do médico, presença ou não de dor na próstata,
vesículas seminal e reto, que pode indicar presença de inflamações, avaliação do tamanho da
próstata, avaliação da presença de nódulos suspeitos de CP, avaliação da consistência da
próstata (dura, mole ou elástica) e avaliação dos bordos, limites e simetria da próstata
(ALMEIDA, et al., 2004).
O exame de ultra-sonografia ou ecografia transretal (TRUS) segundo
ZELMANOWICZ (2001) é um exame em que um transdutor (aparelho que emite uma onda
sonora e o seu eco é captado pelo mesmo aparelho para gerar uma imagem na tela de um
monitor) é introduzido no reto do paciente através do ânus, e assim, de modo semelhante ao
20

exame do toque retal, a próstata e as outras estruturas do assoalho pélvico são visualizados
para se detectar alterações de tamanho ou forma.
O PSA, ou Antígeno Prostático-Específico, é um exame de sangue que mede níveis de
uma substância relacionada a alterações presentes na próstata. Na maioria das vezes, quando
muito aumentado, significa que houve uma alteração maligna das células dessa glândula.
Porém, quando os níveis estão levemente aumentados, pode ser devido a qualquer outra
alteração da próstata, inclusive um toque retal recente. Por outro lado, alguns pacientes com
CP não tem esse exame alterado. O PSA é uma proteína componente do líquido seminal
produzida pelas células prostáticas. Esta substância pode ser encontrada no sangue dos
pacientes do sexo masculino, habitualmente em concentrações baixas. Em algumas situações
pode ocorrer elevação das taxas de PSA, como na presença de CP. Assim sendo, a
determinação dos níveis de PSA na circulação sanguínea passou a integrar a rotina preventiva
do paciente do sexo masculino (ZELMANOWICZ, 2001).
A biópsia prostática é indicada frente a uma suspeita de CP. Consiste na retirada de
fragmentos da próstata a partir de punções guiadas por TRUS é um exame invasivo e não é
isenta de complicações, logo sua indicação tem de ser criteriosa a fim de se evitar biópsias
desnecessárias e seus riscos inerentes, como sangramentos e infecção (Figura III) (JÚNIOR,
2010).

Figura III: Biópsia Prostática.


Fonte: FARMACIADORNELA

Os fragmentos retirados são uma pequena amostra de toda a próstata, mas nos
permitem realizar análise do tecido e células prostáticas, na tentativa de se identificar e
esclarecer o que está ocasionando áreas endurecidas e/ou nódulos na próstata ou a elevação
nos valores do PSA. Atualmente, as biópsias são realizadas com anestesia local, sedação
endovenosa e profilaxia antimicrobiana. O médico ultrassonografista ou urologista utilizam o
TRUS com doppler colorido para retirar cerca de 18 a 24 fragmentos. Após a biópsia, pode
ocorrer sangramento nas fezes em pequena quantidade por até dois dias, na urina por até duas
21

semanas e no sêmen por até dois meses. Quando positiva, a biópsia da próstata define o tipo
de tumor que acomete a próstata, o volume tumoral (Soma das porcentagens dos fragmentos
acometidos) e sua agressividade (escala de Gleason) – capacidade de replicação, de invasão e
de gerar metástases (CATARIN, 2010).
Caso os testes diagnósticos e outros exames revelem um tumor prostático maligno, o
médico pode optar pelo sistema de graduação de Gleason para ajudar a descrever a aparência
do tecido canceroso. Como exemplo de exames e visualizações podemos citar: o Raio-X de
tórax, imagem que pode mostrar se o câncer disseminou para os pulmões ou outras estruturas,
tais como as costelas; Cintilografia óssea, uma imagem que pode mostrar se o câncer se
disseminou para os ossos; Tomografia computadorizada (TC), imagens produzidas por
computador a partir de raios-X, mostrando a próstata e outras partes adjacentes do corpo;
Urografia Excretora, Raio-X dos rins, ureteres e bexiga que é obtido após um contraste
especial ter sido injetado no paciente; Imagem por Ressonância Magnética, que é imagem
produzida por um computador e um potente magneto que mostra a próstata e outras partes
adjacentes do corpo. Já como amostras teciduais podem citar: Dissecção nodular pélvica ou
linfadenectomia, procedimento utilizado para ajudar a determinar se o CP se disseminou. Este
exame é tipicamente realizado durante a cirurgia para a remoção da próstata (ONCOGUIA,
2008).
No CP, há mutações e transformações de células normais em células cancerosas. As
glândulas da próstata necessitam de hormônios, conhecidos como andrógenas, para funcionar
corretamente. Os andrógenas incluem a testosterona, que é produzida nos testículos, a
dehidroepiandrosterona, produzida nas supra-renais e a dihidrotestoreno, que é convertido a
partir da testosterona no interior da próstata. Os andrógenos também são responsáveis pelas
características sexuais secundários dos homens, como os pêlos da face e uma massa muscular
aumentada (BERNARDES, et al., 2010).
Quando um tumor canceroso é pequeno e está localizado apenas dentro da próstata, o
câncer freqüentemente não é detectado. O câncer pode não causar sintomas e pode ser
pequeno demais para um médico conseguir palpá-lo durante um exame de rotina da próstata.
Um homem pode viver durante muitos anos sem descobrir que tem câncer. Conforme o
câncer se desenvolve, entretanto, a próstata eventualmente pode comprimir a uretra, que é
envolvida pela próstata. Então, podem ocorrer sintomas como a dificuldade para urinar.
Geralmente, esse é o primeiro sintoma do CP. (É importante notar, entretanto, que a
dificuldade em urinar pode ser causada por outras condições não-cancerosas da próstata e nem
sempre significa que o CP esteja presente.) Com ou sem sintomas, um câncer em
22

desenvolvimento também pode começar a atacar as células próximas à próstata. Ao mesmo


tempo, as células podem se desprender do câncer e se disseminar para outras partes do corpo,
como os nódulos linfáticos, pulmões, e ossos, especialmente os ossos do quadril e da região
lombar inferior. O sintoma mais comum dessa disseminação é a dor óssea (ONCOGUIA,
2008).
Todo homem com mais de 40 anos de idade deve fazer um ERD como parte de seu
exame regular de saúde. A forma mais fácil de detectar precocemente o câncer prostático é
através da observação visual de lesões suspeitas, seguida da palpação. A palpação retal
rotineira da próstata é importante porque o câncer inicial pode ser detectado como um nódulo
dentro da substância da glândula ou como um endurecimento extenso no lobo posterior. São
procedimentos fáceis, de baixo custo e com um mínimo de desconforto. O exame preventivo
deve ser realizado por urologista, anualmente, a partir dos 45 anos. Dessa forma, consegue-se
detectar tanto a HPB, quanto o câncer em fase inicial e, portanto, ainda curável. Mesmo os
pacientes operados da próstata por HPB, devem submeter-se ao preventivo, pois, as cirurgias
para o tratamento das doenças benignas da próstata, não a retiram por completo, deixando
intacta sua cápsula, a partir de onde o câncer pode começar a desenvolver-se (ALMEIDA, et
al., 2004).
O ERD também fornece informações clínicas úteis sobre o reto, esfíncter anal e
qualidade das fezes. O diagnostico do CP é confirmado por um exame histológico do tecido
removido por meios cirúrgicos através da ressecção transuretral, prostatectomia aberta ou
biópsia por agulha transuretral. A aspiração por agulha fina é um método rápido e indolor de
obter células da próstata para o exame citológico. O procedimento também é valioso para
determinar o estágio da doença (CASCAES, et al., 2007).
Achados no exame clínico (ERD) combinados com o resultado da dosagem do PSA no
sangue podem sugerir a existência da doença. Nesses casos, é indicada a ultrassonografia
pélvica (ou prostática transretal, se disponível). O resultado da ultrassonografia, por sua vez,
poderá mostrar a necessidade de biópsia prostática transretal. O diagnóstico de certeza do
câncer é feito pelo estudo histopatológico do tecido obtido pela biópsia da próstata. O
relatório anatomopatológico deve fornecer a graduação histológica do sistema de Gleason,
cujo objetivo é informar sobre a provável taxa de crescimento do tumor e sua tendência à
disseminação, além de ajudar na determinação do melhor tratamento para o paciente (INCA,
2010).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção precoce de um
câncer compreende duas diferentes estratégias: aquela destinada ao diagnóstico em pessoas
23

que apresentam sinais iniciais da doença (diagnóstico precoce) e aquela, voltada para pessoas
sem nenhum sintoma e aparentemente saudáveis (rastreamento).
A busca do diagnóstico precoce visa um tratamento curativo, assumindo, portanto,
fundamental importância. Uma vez realizado o diagnóstico, todos os pacientes com CP devem
ser estagiados, o que é feito rotineiramente por meio de dosagens séricas de PSA e de
fosfatase ácida, de mapeamento ósseo, de tomografia (ou ultra-som) do retroperitônio e de
radiografias do tórax. Os níveis de PSA sérico são proporcionais ao volume tumoral, o que
faz com que as neoplasias localizadas nesses valores situem-se sempre abaixo de 20 ng/ml e
em tumores metastáticos superem 100 ng/mL (ALMEIDA, et al., 2004).
Quando o Urologista percebe que existe uma alteração suspeita de CP no PSA ou no
ERD, ele irá recomendar uma biópsia da próstata. Essa biópsia deve ser realizada guiada por
TRUS e sob sedação para maior conforto do paciente. Como dito anteriormente, o CP
somente leva a sintomas quando apresenta crescimento acentuado. Por esse motivo é que se
recomenda o check up anual, independente de o paciente apresentar qualquer sintomatologia.
Nesse check up o Urologista deve solicitar o exame de PSA e realizar o ERD para palpar a
superfície da glândula (semelhante ao exame das mamas nas mulheres). Desta forma, o
Urologista terá a possibilidade de detectar o tumor ainda nos estágios iniciais, o que levará a
uma maior chance de cura (ALMEIDA, 2007).
Só existe um modo seguro de se curar o CP que é descobrindo-o precocemente, ou
seja, submetendo-se ao exame preventivo (GOMES, 2010).
A dificuldade da prevenção prende-se a diversos fatores como a falta de informação da
população, que mantém algumas crenças ultrapassadas e negativas sobre o câncer e seu
prognóstico; o preconceito contra o câncer e contra o exame preventivo, principalmente o
toque retal; a inexistência de um exame específico e sensível que possa detectar em fase
microscópica e a falta de rotinas abrangentes programadas no serviço de saúde públicas e
privadas (FILIPINI, et al., 2009).
O INCA recomenda que o controle do CP seja baseado em ações educativas voltadas
em primeiro ligar à população masculina, acelerando sobre os sinais e sintomas iniciais do
CP, estimulando-os a procurar uma unidade de saúde tão logo sejam notadas; e os
profissionais de saúde atualizando-os sobre sinais de alerta para suspeição do CP e os
procedimentos de encaminhamento para o diagnóstico precoce dos casos. Como em todas as
outras doenças, os maiores e mais efetivos resultados têm sido obtidos ou com as
antecipações nas chamadas medidas preventivas ou com a detecção e tratamento precoces
(INCA, 2010).
24

5. EPIDEMIOLOGIA

A freqüência do CP aumentou de forma explosiva nos últimos anos, representando,


atualmente, o câncer que mais freqüentemente acomete o homem. Segundo o INCA - Instituto
Nacional do Câncer (2010), o CP é a neoplasia mais freqüente no sexo masculino,
representando 30% dos casos identificados.
Segundo CORRÊA (2003), atualmente o CP é a patologia maligna mais freqüente e
que mais aumenta em incidência no Brasil (52 novos casos a cada 100 mil homens). Estima-
se que cerca de 140.000 novos casos de câncer prostático surjam a cada ano e que, desses,
aproximadamente 10.000 resultem em óbito devido a complicações desta patologia. E de
acordo com SROUGI (2006), o CP apresenta duas características bem peculiares. A sua
incidência aumenta com a idade, atingindo quase 50 % dos indivíduos com 80 anos; este
tumor, provavelmente, não poupará nenhum homem que viver até 100 anos. Além disto, o CP
é encontrado em um número elevado de indivíduos, sem lhes causar qualquer mal. Por
exemplo, ao examinar-se a próstata de qualquer homem com idade entre 60 e 70 anos e que
faleceram sem doença prostática aparente, encontrar-se-á focos cancerosos em 24% deles.
Contudo, apenas 11% dos indivíduos nesta faixa etária apresentam, em vida, problemas com
CP. Em outras palavras, 13% dos tumores neste grupo têm um caráter indolente, não se
manifestam clinicamente e os seus portadores morrem, por outros motivos, com o câncer, mas
não pelo câncer (SCHOFFEN, et al., 2009).
O uso de serviços de triagem do CP descobriu que o conhecimento sobre o CP
correlaciona-se negativamente com a educação, idade e rendimentos. Os fatores de risco para
o CP incluem a idade crescente: a incidência do CP aumenta rapidamente depois de 50 anos
de idade, e mais de 70% dos casos acontecem em homens acima de 65 anos de idade. Uma
predisposição familiar pode ocorrer em 5 a 10% dos casos do CP. Ter um pai ou irmão com o
CP duplica o risco; o risco aumenta ainda mais quando vários parentes tiveram CP e se os
parentes eram jovens no momento do diagnóstico. O aumento do tamanho da próstata ocorre
com a idade em praticamente todos os homens. Aos 50 anos, metade tem a próstata
aumentada, e após os 80 anos, mais de 80% têm HPB (PINHEIRO, 2009). (Figura IV).
25

Figura IV: Mostrando o Aumento da Próstata.


Fonte: MDSAÚDE

A distribuição de casos novos de câncer segundo sua localização primária é bem


heterogênea entre estados e capitais do país. As regiões Sul e Sudeste, de maneira geral,
apresentam as maiores incidências de CP, enquanto as regiões Norte e Nordeste mostram as
menores incidências. As taxas da região Centro-Oeste apresentam um padrão intermediário.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o CP é o mais freqüente em todas as
regiões, com risco estimado de 69/100.000 na região Sul, 63/100.000 na região Sudeste,
47/100.000 na região Centro-Oeste, 38/100.000 na região Nordeste, e 22/100.000 no Norte
(SCHOFFEN, et al., 2009).

Risco Estimado de CP em Todas as


Regiões por 100.000 Habitantes
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Centro
Sul Sudeste Nordeste Norte
Oeste
Risco Estimado de CP
em Todas as Regiões 69 63 47 38 22
por 100.000 Habitantes

Gráfico I: Risco Estimado de CP em Todas as Regiões por 100 mil habitantes


Fonte: SCHOFFEN
26

E ainda segundo o INCA (2010) o CP é câncer que mais atingirá os homens no Brasil
em 2010, quando deverão surgir aproximadamente 52 mil novos casos dessa doença e coloca
o CP como um dos mais incidentes entre os homens brasileiros. No Brasil, a taxa de
mortalidade por CP em 2006, último dado disponível, foi de 15,29 homens a cada 100 mil,
superada, no caso dos homens, apenas pela taxa de mortalidade por câncer de traquéia,
brônquios e pulmão (17,44 homens a cada 100 mil). No entanto, o CP foi o que apresentou o
maior aumento de mortalidade em dez anos – quase 40%, ante 6% de crescimento em óbitos
por câncer de traquéia, brônquios e pulmão. Os dados são do Atlas de Mortalidade por
Câncer, elaborado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pela Secretaria de Vigilância
em Saúde (SVS), em conjunto com a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) (INCA, 2010).
De acordo com o Relatório Mundial do Câncer, da Agência Internacional de Pesquisa
em Câncer, braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2008 tenha
havido 12,4 milhões de novos casos de câncer no mundo e 7,6 milhões de óbitos por causa da
doença. Na América do Sul, na América Central e no Caribe, estimam-se 1 milhão de casos
novos e 589 mil óbitos no mesmo período. Entre os homens dessas regiões, o principal tipo de
câncer foi o de próstata (INCA, 2010).
A estimativa do INCA é de que 49.530 homens tenham CP em 2009. Esse número
representa 52,43 casos da doença a cada 100 mil homens. Assim o CP está entre os mais
freqüentes, só superado pelo câncer de pele não-melanoma. Ainda de acordo com o INCA, a
taxa de mortalidade por CP passou de 10,18 para 13,93 de 2000 para 2006, como indica a
Tabela I.

Tabela I: Distribuição do CP entre 2000-2006.


ANO TAXA PADRÃO
2000 10,18
2001 10,8
2002 11,16
2003 11,83
2004 12,52
2005 13,06
Fonte: INCA

Segundo a OMS, o impacto do câncer afetará principalmente os países de médio e


baixo desenvolvimento. Dados mostram que a União Européia registrou queda na mortalidade
27

por CP. Isso pode ser explicado pela maior expectativa de vida nos países da União Européia,
uma vez que qualquer tipo de câncer apresenta como fator de risco a idade (INCA, 2010).
A Tabela 2 mostra as estimativas para o ano 2010 das taxas brutas de incidência por
100.000 e número de casos novos por câncer, em homens, segundo os mais comuns tipos de
câncer no estado de Goiás e na capital Goiânia-GO (INCA, 2010).

Tabela II: Estimativas 2010 – Goiás/Goiânia-GO.


LOCALIZAÇÃO GOIÁS/GOIÂNIA ESTIMATIVA DOS CASOS NOVOS
NEOPLASIA MALIGNA ESTADO CAPITAL

CASOS TAXA CASOS TAXA


BRUTA BRUTA
Próstata 1.360 44,47 350 54,98

Traquéia, Brônquio e Pulmão 470 15,29 130 19,75


Estômago 310 9,95 80 12,16
Cólon e Reto 310 10,27 110 16,88
Cavidade Oral 240 7,84 80 12,08
Esôfago 180 5,81 50 7,26
Leucemias 150 4,77 50 7,98
Pele Melanoma 60 1,85 20 3,43
Outras Localizações 1.730 56,36 530 82,59
Subtotal 4.810 156,7 1.400 218,17
Pele não Melanoma 1.320 43,03 330 51,43
Todas as Neoplasias 6.130 199,8 1.730 269,43
Fonte: INCA, 2010
28

Segundo o INCA (2010) a representação espacial das taxas brutas de incidência por
100.000 homens estimados para o ano 2010, segundo a Unidade da Federação (neoplasia
maligna da próstata). (Figura V).

Figura V: Distribuição Espacial do Câncer da Próstata no Brasil.


Fonte: INCA 2010

Pode-se observar também elevação da mortalidade por CP nos homens de faixa etária
acima dos 70 anos e, mais nitidamente, acima dos 80 anos. Esses dados levam a refletir que
existe um pequeno risco de morte precoce, antes dos 50 anos, por CP, pois os homens morrem
por outras causas antes que o CP possa se manifestar (INCA, 2008).

Gráfico II: Taxa de Mortalidade do Câncer de Próstata por Idade


Fonte: SIM/DATASUS/MS e INCA/CONPREV
29

6. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

O CP, em seus estágios iniciais, raramente produz sintomas. Os sintomas que se


desenvolvem devido à obstrução urinária acontecem tardiamente na doença. Esse câncer
tende a variar em sua evolução. Quando a neoplasia é suficientemente grande para avançar
sobre o colo vesical, ocorrem sinais e sintomas de obstrução urinária: dificuldade e freqüência
da micção, retenção urinária e tamanho e força diminuídos do jato urinário. Os outros
sintomas podem incluir o sangue na urina ou sêmen e ejaculação dolorosa. A hematúria pode
resultar quando o câncer invade a uretra e/ou a bexiga. O CP pode gerar metástases para ossos
e linfonodos. Os sintomas relacionados com a metástases incluem dor nas costas, dor no
quadril, desconforto perineal e retal, anemia, perda de peso, fraqueza, náuseas e oligúria;
esses sintomas podem ser as primeiras indicações de CP (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
Nestes casos deve-se pensar também em cálculo renal, infecção urinária ou câncer da
bexiga. Se não for tratada e permitir que ela cresça, as células a partir desses tumores podem
se espalhar em um processo chamado metástase. Nesse processo, células de CP são
transportadas através do sistema linfático e da circulação sanguínea para outras partes do
corpo, onde começa a crescer tumores secundários. Logo que o câncer se espalhou para além
da próstata (PINHEIRO, 2009).
Muitos pacientes confundem HPB que leva a um aumento da próstata com obstrução
da saída de urina, com CP. Os casos de CP que apresentam sintomas são casos avançados
quando o tumor cresceu a ponto de obstruir a uretra e sair dos limites da glândula
(ALMEIDA, 2007).
Um ponto a observar é que o esforço para urinar, em conseqüência da obstrução ao
fluxo urinário, aumenta a pressão no interior da bexiga e provoca o aumento de suas camadas
musculares. O aumento da pressão dentro da bexiga se transmite aos ureteres e aos rins,
podendo levar à doença chamada hidronefrose e culminar com um quadro de insuficiência
renal (ORQUIZA, 2010).
Os sintomas para o CP podem ser desde uma sensação de queimação da uretra, até dor
dos mais variados graus na região entre o ânus e o escroto, seguida ou não de febre e mal-
estar. Na sua grande maioria, os sintomas estão relacionados à obstrução de urina e pode
também estar associada a uma infecção urinária: jato urinário que pára e recomeça, dor ao
urinar, perda da força do jato urinário, várias micções noturnas, retenção de urina, dores na
30

coluna, fêmur e bacia, sangue na urina, insuficiência renal, perda de peso e infecções
generalizadas (ONCOGUIA, 2008).
Os sintomas da HPB são exatamente os relacionados a essa obstrução da urina. Os
primeiros sinais são a perda de força do jato urinário e a necessidade de urinar
freqüentemente. Outro sintoma do crescimento da próstata é a disfunção erétil (impotência),
que ocorre por compressão dos nervos que controlam a ereção. Portanto, o termo benigno se
refere apenas à ausência de câncer, pois a hiperplasia prostática pode levar a complicações
graves e até morte pela insuficiência renal. Ao contrário da HPB que cresce de modo
uniforme e simétrico, a próstata com câncer apresenta crescimento irregular e localizado. Por
isso, dependendo da área onde surge o tumor, pode não haver compressão da uretra e,
portanto, sintomas de uma próstata aumentada. Quando o tumor cresce em direção a uretra e
causa obstrução, os sintomas são semelhantes à HPB. Conforme a próstata cresce, maior é a
obstrução, até o ponto onde pode haver a completa obstrução da urina. A urina que não é
drenada se acumula na vias urinárias e acaba por acometer os rins, levando a hidronefrose
(dilatação dos rins). O resultado final é a insuficiência renal grave, inclusive com necessidade
de hemodiálise de urgência (PINHEIRO, 2009).
Ao se espalhar da sua localização original para outros órgãos, o novo tumor tem o
mesmo tipo e o mesmo nome das células anormais do tumor primário. Por exemplo, se o CP
contamina os ossos, as células cancerosas do novo tumor são células da próstata, a doença é
um câncer metastático da próstata, e não um câncer de osso. Dessa maneira, a neoplasia se
dissemina desde o seu estágio primário, formando tumores secundários em outros órgãos
(SCHOFFEN, et al., 2009).
Verifica-se que com ou sem sintomas, um câncer em desenvolvimento também pode
começar das células próximas à próstata. Aleatoriamente, as células podem desprender-se do
tumor e disseminar-se para outras partes do corpo, como os nódulos linfáticos, pulmões e
ossos, especialmente os ossos do quadril e da região lombar inferior. O sintoma mais comum
desta disseminação é a dor óssea. Assim como o tumor da próstata primário, os tumores que
tenham se disseminado para outras partes do corpo podem expandir-se e comprimir outras
partes do corpo (ONCOGUIA, 2008).
31

7. EVOLUÇÃO DO CÂNCER DA PRÓSTATA

A evolução dos pacientes com CP dependem de algumas variáveis, destacando-se o


grau histológico do tumor e o estágio da doença no momento do diagnóstico e o volume
tumoral. Sob o ponto de vista histológico, as neoplasias da próstata costumam ser
classificadas em função do grau da distorção glandular. Para isso um dos principais sistemas
utilizados é o Sistema de Gleason (FRANCO, 2007).

Tabela III: Escala de Gleason


A próstata cancerosa se parece muito com o tecido normal. As glândulas são pequenas,
GRAU 1 bem-formadas e muito próximas.
O tecido ainda possui glândulas bem formadas, mas elas são maiores e possuem mais tecido
GRAU 2 entre cada uma.
O tecido ainda possui glândulas reconhecíveis, mas as células são mais escuras. Em
GRAU 3 uma magnificação maior, algumas destas células deixaram as glândulas e estão começando
a invadir o tecido circundante.
GRAU 4 O tecido possui poucas glândulas reconhecíveis. Muitas células estão invadindo o tecido
circundante.
GRAU 5 O tecido não possui glândulas reconhecíveis.
FONTE: ASTRAZENECA, 2004

Segundo CALVETE (2004), a escala de Gleason permite caracterizar a agressividade


dos tumores malignos da próstata, sendo um critério adicional de prognóstico para se
estabelecer com precisão as características biológicas das neoplasias prostáticas. Este sistema
é o mais utilizado e seu resultado é dado por escala que varia de 2 a 10. Os tumores de graus 2
e 4 compreendem as lesões diferenciadas; já os de graus 5 e 6 incluem as lesões
moderadamente diferenciadas; e, por último, os de graus de 7 a 10 relacionam-se às lesões
indiferenciadas. Levando em conta essa classificação, a sobrevida de 15 anos é de,
respectivamente, 90%, 60% e 30% nos pacientes com lesões de graus de 2 a 4, 5 a 6 e por
último, de 7 a 10. Utilizando o sistema de graduação de Gleason, o patologista examinará o
tecido prostático biopsado sob um microscópio. Será examinada a aparência das células
cancerosas em comparação com as células prostáticas normais. Se as células forem bastante
semelhantes ao tecido prostático normal, diz-se que são bastante diferenciadas e são
consideradas de grau 1 pela escala de Gleason. Isto significa que não é esperado que o tumor
cresça rapidamente. Por outro lado, se as células em questão forem bastante irregulares e
muito diferentes das células prostáticas normais, então serão menos diferenciadas e serão
consideradas como sendo de grau 5 pela escala de Gleason. Os graus 2-4 serão utilizados para
os tumores que se encontram entre os graus 1 e 5, com os números mais altos correspondendo
32

a um crescimento tumoral mais rápido. Pelo fato do tecido do CP ser freqüentemente


composto de áreas que têm graus diferentes, o patologista examinará rigorosamente as áreas
que compõem a porção maior do tecido. Os graus de Gleason são então atribuídos aos dois
padrões de células que ocorrem mais comumente. Uma vez que os dois graus tenham sido
atribuídos, uma pontuação pode ser determinada. Isto é feito através da somatória dos dois
graus de Gleason. A pontuação terá como resultado um número entre 2 e 10. Quanto mais
elevada à pontuação, maior a agressividade do câncer (ALMEIDA, et al., 2004).

Figura VI: Escore de Gleason


Fonte: UROLOGISTA GUSTAVO CARDOSO
33

8. FATORES DE RISCO

Para FRIEDENREICH (2001), os fatores de risco que desencadeiam o CP podem ser


divididos em fatores de riscos variáveis e fatores de riscos permanentes. Os fatores de risco
variáveis são adquiridos e nesses casos os riscos seriam passíveis de modificações. Os
exemplos são: vida sedentária, hábitos alimentares, obesidade, tabagismo e alcoolismo. Todos
esses itens devem ser adequados tal que deixem de constituir fatores de risco para o
aparecimento do CP, já os fatores de risco permanentes seriam constitucionais, por enquanto
não modificáveis ou parcialmente modificáveis, e que podem ser exemplificados por: Idade,
pois o CP é incomum em homens com menos de 50 anos. Porém, depois dessa idade torna-se
mais comum a cada década que passa, de forma linear. Raça: é mais comum em homens
negros, mesmo quando a possibilidade de fazer o diagnóstico é comparável. Homens negros
americanos, onde esta relação entre raça e CP foi mais estudada, também morrem mais por
esse tipo de câncer do que homens brancos. Hereditariedade: homens com antecedentes
familiares com CP têm maior chance de desenvolver a doença. Os riscos aumentam de 2,2
vezes quando um parente de 1º grau (pai ou irmão) é acometido pelo problema; 4,9 vezes
quando dois parentes de 1º grau são portadores do tumor; 10,9 vezes quando três parentes de
1º grau têm a doença. Nos casos hereditários, o câncer se manifesta mais precocemente,
muitas vezes antes dos 50 anos (ALMEIDA, et al., 2004).
34

9. ESTADIAMENTO

O CP pode ser tratado de diversas maneiras. O método selecionado depende de seu


estágio, velocidade de crescimento, idade e saúde geral do paciente. Também é importante
considerar os benefícios e potenciais efeitos colaterais para cada opção de tratamento, todos
esses fatores podem e devem ser completamente discutidos com o médico. O método mais
comum de estadiamento do CP é a utilização de um sistema denominado sistema de
estadiamento TNM. É um sistema internacional desenvolvido pelo The American Joint
Committee on Cancer que descreve os estágios do CP e os métodos comuns de tratamento.
Atualmente, certas escolhas são feitas mais freqüentemente do que outras para o tratamento
de cada estágio do CP. Utilizando o sistema de estadiamento TNM, o médico dirá o estágio da
doença e explicará os métodos comuns de tratamento para aquele estágio. O médico pode se
referir ao estágio da doença utilizando as letras A, B, C ou D. Os equivalentes aproximados
para esses estágios estão entre parênteses ao lado das descrições (ONCOGUIA, 2008).

Tabela IV: O Sistema de Estadiamento TNM


T se refere ao tamanho do tumor primário
N descreverá a extensão do envolvimento do nódulo linfático
M se refere à presença ou ausência de metástases

Fonte: INCA, 2010

Tabela V: Estadiamento T
Estágio TX Descrição: o tumor primário não pode ser avaliado.

Estágio TO Descrição: não há evidência de tumor primário.

Estágio T1 Descrição: o tumor está limitado apenas à próstata. Nesse estágio, não causa nenhum
(Estágio A) sintoma. O tumor ainda é muito pequeno para ser sentido durante um ERD ou se
observado por imagem durante o processo de varredura. Esses tumores normalmente
são encontrados casualmente durante a cirurgia para um tumor benigno ou para alguma
outra doença da próstata. Os tumores também podem ser encontrados durante o
seguimento dos testes de rastreio que medem o PSA. Escolhas comuns de tratamento:
algumas vezes a cirurgia ou a radioterapia serão escolhidos durante o estágio T1. Em
outros casos, pode ser que nenhum tratamento seja necessário. Nesses casos, médico e
paciente, decidem simplesmente observar o câncer. A terapia expectante pode incluir
ERDs e exames de sangue regulares realizados por seu médico. O tratamento pode ser
iniciado tardiamente, se necessário.
Fonte: INCA, 2010
35

Tabela VI: O Estágio T1 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C


Estágio T1a (A1) Descrição: Tumor incidentalmente encontrado em > 5% da amostra de tecido
prostático.
Estágio T1b (A2) Descrição: Tumor incidentalmente encontrado em > 5% da amostra de tecido
prostático.
Estágio T1c(BO) Descrição: Tumor identificado através de biópsia por agulha (em casos de PSA
elevado).
Estágio T2 Descrição: Um tumor que se encontra em estágio T2 ainda está limitado apenas à
(Estágio B) próstata. O tumor agora é suficientemente grande para ser sentido durante um ERD,
mas os pacientes freqüentemente não experimentam quaisquer sintomas. As opções de
tratamento para esse estágio freqüentemente incluem cirurgia, radioterapia ou
hormonoterapia.
Fonte: INCA, 2010

Tabela VII: O Estágio T2 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C


Estágio T2a Descrição: O tumor compromete menos da metade de um lobo da próstata. O tumor
pode ser freqüentemente palpado (e é normalmente descoberto) pelo médico durante
um exame de ERD.
Estágio T2b (b1) Descrição: O tumor compromete mais da metade de um lobo da próstata e
normalmente pode ser palpado durante um exame de ERD.
Estágio T2c (b2) Descrição: O tumor compromete ambos os lobos (o esquerdo e o direito) da próstata e
é palpado durante um exame de ERD.
Estágio T3 Descrição: Neste estágio, o tumor se disseminou da próstata para o tecido
(Estágio C) imediatamente adjacente. As vesículas seminais podem ser incluídas.
Escolhas comuns de tratamento: cirurgia, radioterapia ou ambas são escolhas
comuns durante este estágio. Além disso, a hormoterapia pode ser utilizada antes e
depois da cirurgia ou da radioterapia.
Fonte: INCA, 2010

Tabela VIII: O Estágio T3 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C


Estágio T3a (C1) Descrição: O tumor se estende além da cápsula prostática em apenas um lado. Isso às
vezes recebe a denominação de extensão extracapsular bilateral.
Estágio T3b (C2) Descrição: O tumor se estende além da cápsula prostática em ambos os lados. Isso às
vezes recebe a denominação de extensão extracapsular bilateral.
Estágio T3c (C3) Descrição: O tumor invade uma ou ambas as vesículas seminais.
Estágio T4 Descrição: no estágio T4, o tumor ainda está limitado à região pélvica, mas pode se
(sem equivalente no disseminar para outras áreas.
sistema a, b, c e d) Escolhas comuns de tratamento: as opções de tratamento disponíveis durante o
estágio T4 geralmente são iguais àquelas no estágio T3.
Fonte: INCA, 2010

Tabela IX: O Estágio T4 pode ser Adicionalmente Subdividido em A, B e C


Estágio T4a Descrição: o tumor se estende além da próstata e invade qualquer uma ou todas as
estruturas a seguir: o colo vesical, o esfíncter externo (que ajuda a controlar a micção),
e/ou reto.
Estágio T4 b Descrição: o tumor se estende além da próstata e agora pode invadir os músculos
elevadores do reto (os músculos que ajudam a levantar e a baixar o órgão) e/ou o tumor
pode estar aderido à parede pélvica.
Fonte: INCA, 2010
36

Tabela X: Estadiamento N
Estágio NO- N3 Escolhas comuns de tratamento: a hormonoterapia geralmente é utilizada em
primeiro lugar. A quimioterapia pode ser utilizada depois de a hormonoterapia não
mais estiver dando resultados.
Estágio NO Descrição: ausência de metástases em linfonodos regionais.

Estágio N1 Descrição: o CP é descrito como N1 se a metástase for encontrada em um único


(Estágio D1) linfonodo na região pélvica e medir 2 cm (cerca de 3/4 de uma polegada) ou menos em
sua maior dimensão.
Estágio N2 Descrição: o CP é descrito como N2 se a metástase for encontrada em um único
(Estágio D1) linfonodo medindo mais de 2 cm, mas menos de 5 cm (cerca de 2 polegadas) em sua
maior dimensão. O N2 também pode ser utilizado para descrever as metástases
ganglionares múltiplas, mas os linfonodos afetados não devem ser maiores que 5cm
em sua maior dimensão.
Estágio N3 Descrição: o CP é descrito como N3 quando as metástases em um linfonodo forem
maiores que 5 cm em sua maior dimensão.
Fonte: INCA, 2010

Tabela XI: Estadiamento M


Estágio MO- M1 Escolhas comuns de tratamento: as escolhas disponíveis para o estágio M são iguais
àquelas para o estágio N.
Estágio MO Descrição: ausência de metástases distantes.
Estágio M1 Descrição: metástases distantes (o tumor se estende além da região pélvica para outras
(Estágio D2) partes do corpo), que podem incluir a coluna vertebral. Dor óssea, perda de peso e
cansaço são sintomas comuns.
Fonte: INCA, 2010

Figura VII: Estágios do Câncer de Próstata


Fonte: ONCOGUIA
37

10. TRATAMENTO

O CP pode ser tratado de diversas maneiras. O método escolhido para tratar o CP


depende de seu estágio, velocidade de crescimento, assim como da idade e saúde geral do
paciente. Também é importante considerar os benefícios e potenciais efeitos colaterais para
cada opção de tratamento (ONCOGUIA, 2008).
Do ponto de vista médico, para se determinar a modalidade de tratamento, há de se
considerar os fatores relacionados às características do tumor (tipo histológico, escore de
Gleason, volume tumoral e PSA), individualizar fatores determinantes de qualidade de vida
(Idade, volume da próstata, doenças preexistentes, vida sexual, padrão miccional, entre
outras) e, por fim, a preferência do paciente por determinada modalidade. É fundamental que
o paciente seja bem orientado acerca das características, vantagens e desvantagens de cada
modalidade terapêutica, para que tenha condições de optar, dentre as possibilidades
terapêuticas, pelo tratamento que melhor se adequar às suas expectativas e a seus valores
pessoais e sociais (CATARIN, 2010).
Hoje em dia os homens com CP estão vivendo por muito mais tempo, com menor
desconforto e menos efeitos colaterais, em função dos novos métodos tratamento. Assim
conhecendo como o câncer está se desenvolvendo e a localização exata do tumor o médico
poderá optar pelo melhor tratamento (ONCOGUIA, 2008).
Cerca de 35% dos pacientes com tumor prostático disseminado permanecem vivos e
bem após 5 anos, muitos sobrevivendo mais de 10 anos. Como crescimento das células
malignas da próstata é estimulado pela testosterona, qualquer medida que reduza os níveis
desta substância no sangue, faz retroceder o câncer, tanto a lesão inicial da próstata como os
focos de metástases. Na prática, recorre-se à castração ou à administração de hormônios
chamados de anti-androgênicos, que antagonizam a testosterona. A eficiência clínica destas
diversas alternativas é mais ou menos parecida, o que as diferenciam são seus efeitos
colaterais. O mais incômodo deles é a impotência sexual, que surge em quase todos os casos e
é difícil de ser contornada, já que o paciente perde as ereções e, também, o desejo sexual
(SROUGI, 2010).
De acordo com CALVETE (2003), as decisões acerca do tratamento do CP
compreendem muitos fatores. Os pacientes com CP devem ser tratados em função do estágio
da doença: recorre-se à prostatectomia e à terapêutica endócrina anti-androgênica nos casos
de doença disseminada. Ao planejar o tratamento do CP, os médicos levam principalmente em
38

consideração a extensão da doença. Os tumores localizados inteiramente dentro da glândula,


denominados estágio A ou B, às vezes não precisam ser tratados, mas quando isto for
necessário, pode-se recorrer à cirurgia, tecnicamente denominada prostatectomia radical, ou à
radioterapia. Quando o câncer atinge os envoltórios da próstata, o chamado estágio C,
costuma-se indicar tratamento radioterápico. Finalmente, quando o tumor se estende para
outros órgãos, instalando outros focos de câncer denominados metástases, a doença é
classificada como estágio D e é tratada com castração ou hormônios (ALMEIDA, et al.,
2004).
A prostatectomia radical é a cirurgia que permite a remoção da próstata e de estruturas
próximas que estejam acometidas pelo câncer. Realizada geralmente em estádios mais iniciais
da doença, quando o câncer ainda está limitado à próstata. Se o tumor for pequeno e não tiver
disseminado, a cirurgia cura o paciente. Além dessas vantagens, a cirurgia evita alguns dos
problemas observados com a radioterapia. Sua maior desvantagem, e que assusta a maioria
dos pacientes, é a possibilidade de lesão dos nervos da região, ocasionando incontinência
urinária (o paciente não consegue mais "segurar" a urina) e, principalmente, impotência. A
impotência ocorre mais frequentemente nos pacientes mais velhos, especialmente aqueles
com mais de 70 anos. Porém, com as técnicas mais modernas, a incidência dessa complicação
tem diminuído. É a principal opção para os casos de CP em indivíduos jovens, saudáveis e
em estágio inicial. Entretanto, é foco de grande preocupação pessoal e familiar. A cirurgia
está associada a riscos previsíveis e inerentes à própria realização da cirurgia, como disfunção
sexual erétil, incontinência urinária – perda involuntária de urina, esclerose de colo vesical –
estreitamento na via urinária que dificulta ou impede a micção, entre outras. Nos últimos
anos, a cirurgia do CP vem adquirindo aperfeiçoamentos consideráveis na técnica operatória e
assegurando resultados melhores na erradicação do tumor e na qualidade de vida dos
pacientes (CATARIN, 2010).
A radioterapia envolve a aplicação de raios de alta energia, que são capazes de
destruir as células do câncer. Pode eliminar a doença, reduzir o tamanho do tumor ou prevenir
que ele se dissemine. Como é praticamente impossível direcionar os raios apenas para as
células do câncer, eles podem danificar células normais, levando aos efeitos colaterais do
tratamento. Assim como a cirurgia, os melhores resultados são obtidos quando o câncer ainda
não se disseminou. Porém, nos casos disseminados ela pode ser utilizada em associação com
outros tratamentos, como a hormonioterapia. Outro uso importante é no alívio das dores
ósseas relacionadas ao acometimento dos ossos pela doença. A radioterapia pode ser aplicada
externamente ou na forma de "sementes radioativas" que são implantadas dentro da glândula.
39

Nesse último caso, a radiação é colocada mais próxima das células do tumor, reduzindo a
ocorrência dos efeitos colaterais. A maioria dos efeitos colaterais não é grave e desaparece
após o término das sessões. São eles: cansaço; lesões de pele na região tratada; micção
freqüente e dolorosa; irritação do estômago; diarréia; sangramento pelo ânus (BOA SAÚDE,
2005).
A observação vigilante é o processo na qual se mantêm o acompanhamento do CP,
pois geralmente o tumor possui um crescimento lento, permitindo ser monitorado e observado
cuidadosamente nos casos em que os tumores são muito pequenos, em pacientes idosos ou
com outras doenças associadas. Muitos pacientes nunca irão necessitar de tratamento do
câncer e estarão livres dos efeitos colaterais das terapias agressivas. Para alguns pacientes em
certos estágios do CP, a terapia recomendada pode ser simplesmente a "observação vigilante",
pelo menos em curto prazo. Este pode ser o caso quando o CP é diagnosticado em um estágio
muito precoce ou quando não é esperado que o câncer progrida tão rapidamente para começar
a utilizar outros tratamentos (ONCOGUIA, 2008).
Já na hormonioterapia o objetivo é controlar o crescimento do câncer, em pacientes
que ainda não receberam qualquer tipo de tratamento, opta-se pelo bloqueio do hormônio
masculino, a testosterona, desde que as células prostáticas acometidas pelo câncer ainda
crescem estimuladas pela testosterona. Esse bloqueio hormonal pode ser medicamentoso ou
cirúrgico (castração). É mais comumente utilizada para tratamento dos cânceres
disseminados. Ela não cura o câncer e sim reduz seu tamanho. São duas as opções: a remoção
cirúrgica dos testículos: assim com a remoção dos testículos a produção desse hormônio cai
significativamente. O objetivo é reduzir o tamanho do tumor e/ou prevenir o crescimento
futuro. Mas esse tratamento é dificilmente aceito por muitos homens. Os efeitos colaterais
são: redução do desejo sexual, sensibilidade e/ou crescimento das mamas, ondas de calor,
impotência; medicamentos que inibem a produção ou a ação da testosterona; os efeitos
colaterais são semelhantes aos da remoção dos testículos. A quimioterapia consiste no uso de
medicamentos tóxicos que atacam as células cancerosas. Porém, eles atacam também células
sadias, principalmente aquelas com alta taxa de multiplicação, como as células do sangue, dos
folículos pilosos, da pele, entre outras. A quimioterapia é utilizada nos pacientes com doença
avançada, que não respondem à hormonioterapia. Os efeitos colaterais mais comuns são:
queda de cabelo, náuseas, vômitos, diarréia, alterações das células do sangue (que pode
predispor a infecções) (BOA SAÚDE, 2005).
Quando o urologista detecta um CP, o primeiro esforço é saber se o tumor está
localizado, avançado ou metastático. Se estiver situado internamente, recorre-se à cirurgia, à
40

radioterapia externa ou à braquiterapia, que também é uma forma de radioterapia. Quando o


tumor está avançado ou já existem metástases, o médico pode indicar o uso de hormônio e
optar por fazer ou não a cirurgia e a radioterapia, dependendo de uma série de fatores. A
primeira opção de tratamento é a cirurgia, feita através de uma incisão no abdome, abaixo do
umbigo, pela qual a próstata é removida e com ela o tumor. O doente permanece no hospital
por 4 ou 5 dias. A radioterapia externa é realizada através de múltiplas aplicações, uma por
dia, de um feixe concentrado de irradiação que incide sobre a próstata. É um tratamento
prolongado, que se estende por seis ou sete semanas, mas um pouco mais simples do que a
cirurgia, já que não envolve internação, nem anestesia. E por fim, o terceiro método é a
braquiterapia, que consiste na colocação de agulhas na próstata do doente mantido sob leve
anestesia, através das quais são inseridas sementes radioativas dentro da glândula (LA
ROCCA, 2007).
A cirurgia é a opção de tratamento mais agressiva, pois é uma intervenção complexa.
A radioterapia e a braquiterapia são procedimentos mais simples, embora a próstata
permaneça no organismo e possa apresentar uma recidiva do tumor, além de manifestações
obstrutivas como a hiperplasia benigna. No caso do tratamento do CP neste estado, a cirurgia
pode acarretar impotência sexual por lesão dos feixes neurovasculares que passam ao lado da
glândula, bem como incontinência urinária nos três primeiros meses. A opção radioterápica
não leva à incontinência urinária, mas em alguns casos, pode causar algum déficit sobre a
potência sexual (LA ROCCA, 2007).
Para o tratamento do CP quando a doença é localizada, cirurgia, radioterapia e até
mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para
doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento
hormonal tem sido utilizada. Para doença metastática, o tratamento de eleição é a terapia
hormonal (INCA, 2010).
Quando o câncer prostático encontra-se localizado, a radioterapia é uma das opções de
tratamento vigentes. Esta se baseia em administrar radiações externas ou internas sobre a
próstata para destruir as células cancerígenas. Na radiação externa o feixe de radiação é
invasivo e pode matar cânceres que estão à extremidade da próstata, todavia, acaba
danificando outros órgãos, podendo os pacientes sentir cansaço durante o tratamento. Já na
radiação interna, também conhecida como braquiterapia, a radiação é emitida dentro do órgão
(aplicação de sementes radioativas de iodo ou de ouro na próstata), sendo, por isso, mais
concentrada e constante, apresentando-se então, mais eficiente, porém, muitas vezes levando a
impotência sexual e a incontinência urinária (SCHOFFEN, et al., 2009).
41

A prostatectomia radical tem apresentado os melhores resultados quanto à cura do


câncer prostático. A sobrevida em dez anos para pacientes portadores de doença confinada à
próstata pode atingir 90%, sendo equivalente à da população normal. O índice de recorrência
local da doença após cinco anos da cirurgia é de 10%, contra 40% após a radioterapia. A
opção entre cada um dos métodos depende de uma série de variáveis, inicialmente, a idade do
paciente ao diagnóstico. Os tumores prostáticos crescem lentamente e quando diagnosticados
em indivíduos idosos geralmente possuem comportamento biológico menos agressivo. É
necessário esclarecer que o paciente possui autonomia frente às particularidades de cada
método, podendo opinar ativamente sobre a sua opção terapêutica (JÚNIOR, 2010).
Já no caso de CP metastático, a terapia endócrina ou hormonoterapia é o tratamento
mais indicado. Nesta terapia são empregados vários medicamentos à base de hormônios
(estrógenos, análogos da LHRH e antiandrógenos), que impedem a produção de testosterona
ou bloqueiam as suas ações na próstata. A castração (orquiectomia), retirada cirúrgica dos
testículos, também é utilizada como hormonoterapia, já que elimina os órgãos que produzem
o hormônio masculino, este apontado como principal responsável pelo crescimento do tumor
(SCHOFFEN, et a.l, 2009).
Se o estadiamento clínico-oncológico acusar que tais pacientes possuem metástases
sistêmicas, está contra-indicado o tratamento curativo, ou seja, a prostatectomia radical ou a
radioterapia. Nesses casos, inicia-se o tratamento paliativo. É oportuno salientar que cerca de
20 a 30% dos homens portadores de CP virão a falecer devido a esta doença. Grandes parcelas
destes pacientes tiveram seu diagnóstico realizado tardiamente (câncer avançado). O
tratamento será realizado com base no bloqueio hormonal, medicamentoso ou cirúrgico
(orquiectomia). Este grupo de pacientes concentra elevada morbidade durante sua evolução.
São complicações decorrentes da evolução do câncer prostático avançado a retenção urinária
secundária à obstrução infravesical, necessitando de procedimento cirúrgico paliativo
(ressecção trans-uretral prostática/tunelização prostática); efeitos colaterais secundários ao
bloqueio hormonal: perda de libido, disfunção erétil, ginecomastia, mastodínea, osteoporose,
obesidade, andropausa etc; e dor óssea não-responsiva a analgésicos, secundária às metástases
- necessidade de radioterapia antiálgica (JÚNIOR, 2010).
42

10.1 Efeitos e Sequelas Do Tratamento

A próstata desempenha importante papel na vida sexual, ou seja, na fertilidade do


paciente. Após uma operação ou tratamento radioterápico, o homem fica impossibilitado de
procriar. Também a ereção pode passar a ser mais dificultosa, podendo, inclusive, em alguns
casos, surgir uma impotência (disfunção erétil). Não raramente a terapia de CP ocasiona
também uma incontinência urinária. Havendo o aparecimento de incontinência, fica difícil de
saber desde o princípio do tratamento, qual será a sua gravidade e se a mesma vai desaparecer
alguns meses após da operação (PROSTATAKREBS, 2010).
SROUGGI (2006), reflete ainda que há argumentos desfavoráveis em relação à
cirurgia radical. Embora seu valor curativo seja inquestionável, a prostatectomia radical pode
provocar impotência sexual e incontinência urinária. A impotência, que se caracteriza por
perda das ereções penianas, apesar do paciente poder atingir o orgasmo, surge em 95% dos
operados com mais de 70 anos de idade, em 50% a 60% dos pacientes com 55 a 65 anos e em
15% a 20% nos pacientes com menos de 55 anos. Ressalta-se que os riscos de impotência
diminuem significativamente quando o tumor é oculto, não palpável no ERD. Incontinência
urinária moderada ou grave surge em 20% a 40% dos pacientes submetidos à cirurgia em
centros não-especializados, mas acomete apenas 1% a 2% dos casos quando a intervenção e
realizada por equipes habilitadas (ALMEIDA, et al., 2004).
A radioterapia externa, divulgada como uma terapêutica menos agressiva que a
cirurgia, também não é isenta de problemas. Entre 30% a 40% dos pacientes desenvolvem
impotência sexual, que surge 1 ou 2 anos após o tratamento e, por isso, nem sempre é
atribuída à radioterapia. Além disto, 20% a 40% dos casos apresentam queimaduras no
intestino grosso, no ânus e na bexiga durante o tratamento, que tendem a melhorar após
alguns meses, mas produzem grande desconforto nos pacientes (SCROUGI, 2010).
Após o término do tratamento, os pacientes devem procurar seus médicos
regularmente para controles posteriores. É ele que vai orientar o paciente individualmente,
marcando com ele as consultas necessárias nos intervalos de tempo recomendados
(PROSTATAKREBS, 2010).
Todas as formas de tratamento, no entanto, podem oferecer algum risco. Mesmo
assim, nada se compara às seqüelas deixadas pelos tratamentos antigos. Atualmente, a
possibilidade de um paciente sofrer de incontinência urinária depois de ser submetido a uma
prostatectomia radical varia de 3% a 5%. Há vinte anos, esse perigo era de até 30%. A
43

probabilidade de um homem ficar impotente depois da operação era de 80%. Agora, essa
ameaça foi reduzida a um terço. Extremamente agressiva, a radioterapia costumava lesionar a
bexiga e o reto, os órgãos mais próximos da próstata. Hoje, a radiação pode ser controlada de
modo a preservar os tecidos ao redor do tumor. É como diz o urologista Guimarães: "O modo
de lidar com o CP mudou tanto nos últimos anos que hoje temos a impressão de estar diante
de uma doença completamente nova – e, certamente, mais controlável" (LOPES, 2008).

Gráfico III: Vitória Da Vida


Fonte: REVISTA VEJA, 2008
44

11. PREVENÇÃO DO CÂNCER

Entende-se por prevenção precoce do CP o rastreamento de homens assintomáticos


por meio da realização do toque retal e pela dosagem do PSA. O INCA recomenda que o
controle do CP seja baseado em ações educativas voltadas à população masculina (INCA,
2008).
A maioria dos tumores malignos é curável quando o diagnóstico é precoce. O
problema é que, freqüentemente, esses tumores não produzem sintomas específicos em sua
fase inicial, tornando difícil o diagnóstico. A avaliação preventiva para o CP deve ser
realizada a partir dos 40 anos de idade para os homens que apresentam antecedentes
familiares de CP. Se houver um caso entre familiares de primeiro grau, a chance de detecção
de tumor da próstata chega a 16%, em contraste com os 8% relativos à ausência desta
particularidade de parentesco (JÚNIOR, 2010).
Apesar da inexistência de medidas específicas de prevenção do CP, constata-se que os
conhecimentos de prevenção primária associados com os conhecimentos da prevenção
secundária, permitem a diminuição da exposição da população a fatores de riscos e a
realização de diagnóstico precoce, podendo reduzir em 2/3 o número de casos de câncer em
nosso meio. A prevenção primária consiste na limitação da exposição a agentes causais ou
fatores de riscos como o fumo, sedentarismo, dieta inadequada, vírus e exposição solar. A
prevenção secundária do câncer se faz necessários procedimentos junto à população que
permitam o diagnóstico precoce ou detecção das lesões pré-cancerosas, cujo tratamento pode
levar à cura ou, ao menos, à melhora da sobrevida dos indivíduos (SCHOFFEN, et al., 2009).
Sendo assim o ministro de estado da saúde, José Gomes Temporão, no uso das
atribuições previstas no inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e
considerando que a população masculina apresenta altos índices de morbimortalidade que
representam verdadeiros problemas de saúde pública, institui no âmbito do Sistema Único de
Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem pela Portaria nº
1.944 de 27 de Agosto de 2009. E ainda destaca que os indicadores e os dados básicos para a
saúde demonstram que os coeficientes de mortalidade masculina são consideravelmente
maiores em relação aos coeficientes de mortalidade femininos ao longo das idades do ciclo de
vida, surgindo assim à necessidade de organizar uma rede de atenção à saúde que garanta uma
linha de cuidados integrais voltada para a população masculina (INCA, 2010).
45

A adoção de hábitos saudáveis é capaz de evitar o desenvolvimento de certas doenças,


entre elas, o câncer. Atividade física, alimentação, manutenção do peso corporal correto e o
não-uso de drogas, são algumas das medidas importantes para se prevenir doenças em geral
(SCHOFFEN, et al., 2009).

Figura VIII: Atividade Física Regular


Fonte: ONCOMÉDICA/ VIDA INTEGRAL

Neste sentido, tem-se recomendado alimentação com baixo teor de gordura animal,
comum nos países onde a incidência da doença é baixa (apenas 15% do total de calorias sob
forma de gordura). A ingestão abundante de tomate e seus derivados parece diminuir de 35%
os riscos de CP, segundo estudo realizado na Universidade de Harvard. O efeito benéfico do
tomate resultaria da presença de grandes quantidades de lycopene, um b-caroteno natural
precursor da vitamina A (COLOMBO, et al., 2008).
Ainda segundo GOMES (2008), o exercício regular e a comida saudável diminui a
taxa de crescimento do câncer. Deve-se evitar gorduras, álcool, carnes em geral
(especialmente carne vermelha) e cálcio (nunca mais de 2 copos de leite ao dia), já que o
câncer necessita de calorias para crescer. A melhor forma para uma alimentação saudável é
comer muita verdura e vegetais, grãos e legumes, produtos de soja, chá verde ou branco, água
(2 litros/dia), fibras (pelo menos 25 gramas), vitaminas A, D e E e o mineral selênio
(SCHOFFEN, et al., 2009).

Figura XI: Alimentação Saudável


Fonte: BLOG MUNDO VERDE
46

Tem-se alegado preconceito cultural para explicar porque a maioria dos homens
resiste ao exame, assim a realização de exames de preventivos contra o CP ainda é um tabu
(FILIPINI, et al., 2009).
Segundo MARQUES (2007) o simples pronunciamento desta palavra causa
inquietação, receio e mal-estar para a maioria dos homens. Exatamente porque envolve um
problema grave para a população masculina. A próstata é um glândula exclusiva dos homens
e é um dos órgãos genitais mais sensíveis. Os homens conservam réstias de um machismo
tolo, recusam-se a permitir que o toque seja feito. E se fazem o exame não contam para
ninguém, envergonhando-se da atitude tomada (BERNARDES, et al., 2010).
O mito do toque retal ao contrário do que se pensa, não é um exame "antigo" ou
"superado"; não compromete a masculinidade nem é indigno. Jamais deverá ser trocado por
qualquer outro exame tipo ultra-sonografia ou radiografia, que não o substituem, mas
complementam-no quando for o caso. Concluído o exame preventivo, se nada de anormal for
encontrado, o paciente é orientado para retornar após um ano. Caso haja alguma suspeita de
CP ou HPB importante, o urologista tomará providências para esclarecer o caso,
aprofundando a investigação através da realização de outros exames (MARZANO, 2009).

Figura X: Constrangimento ao Realizar o Exame de Próstata


Fonte: ESTILO.IG.COM.BR – VLADIMIR MALUF

O sofrimento emocional dos homens se deve às limitações físicas, à diminuição da


capacidade de ereção, ao cansaço, à fadiga e à retirada dos testículos, responsável pela
produção do hormônio masculino o testosterona, que inibe o crescimento do tumor, mas que
também interfere na ejaculação. Os tratamentos nos homens, quase invariavelmente,
acarretam os conhecidos riscos da incontinência e da impotência que atingem a essência da
masculinidade. Quando os pacientes liberam seus sentimentos, reconhecendo-os e aceitando-
os, e quando percebem que podem lidar com emoções como o medo pode desenvolver maior
autoconfiança, quebrando o ciclo da depressão e desesperança, aumentando assim suas
47

condições de enfrentar o sofrimento. A masculinidade não é algo dado, mas algo que
constantemente o homem procura conquistar (TOFANI, et al., 2007).

Figura XI: Disfunção Erétil


Fonte: SUADIETA.UOL.COM.BR

GOMES (2003) também refere que na construção da identidade masculina pode estar
embutido, de forma contraditória, justamente o não cuidar de si, porque ser homem para
alguns é ser alguém que é poderoso e imbatível. O sentimento de impotência repercute como
uma ferida na vida dos pacientes com CP. Embora haja uma evolução da medicina em termos
de possibilidades de tratamento, observa-se que por se tratar de um órgão que afeta a
sensibilidade sexual masculina, o sentimento de impotência está presente em todos os
pacientes, mesmo naqueles com impotência transitória (TOFANI, et al., 2007).
48

12. PAPEL DA ENFERMAGEM DIANTE DO PACIENTE COM CÂNCER

A prática de enfermagem no câncer abrange todos os grupos etários e especialidades


de enfermagem, e é realizada em diversos ambientes de cuidados de saúde, inclusive no
domicilio, na comunidade, nas instituições de cuidados agudos e nos centros de reabilitação
(BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
Como muitas pessoas associam o câncer à dor e à morte, as enfermeiras precisam
identificar suas próprias reações ao câncer e estabelecer metas realistas para satisfazer aos
desafios inerentes ao cuidado dos pacientes com câncer, além disso, a enfermeira que lida
com o câncer deve estar preparada para apoiar o paciente e a família enfrentando uma ampla
gama de crises físicas, emocionais, sociais, culturais e espirituais (RODRIGUES, 2010).
Ao adquirir conhecimento e habilidades necessárias para educar a comunidade sobre o
risco de câncer, as enfermeiras em todos os ambientes desempenham um papel na prevenção
do câncer. Assistir os pacientes a evitar os carcinógenos conhecidos é uma maneira para
reduzir o risco de câncer. Outra maneira envolve adotar mudanças na dieta e as diversas
alterações no estilo de vida que os estudos epidemiológicos e laboratoriais mostram
influenciar o risco de câncer. As enfermeiras podem usar suas habilidades de educadoras e
orientadoras para encorajar os pacientes a participar dos programas de prevenção do câncer e
para promover os estilos de vida saudáveis. Para fornecer a educação individualizada e as
recomendações para a vigilância e cuidado continuados em populações de alto risco, as
enfermeiras precisam familiarizar-se com os contínuos desenvolvimentos no campo da
genética e do câncer (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
As prescrições de enfermagem incluem a avaliação da presença da disfunção sexual
depois da cirurgia. É importante proporcionar um ambiente privativo e confidencial para
discutir as questões da sexualidade. Os desafios emocionais da cirurgia da próstata e suas
conseqüências precisam ser cuidadosamente explorados com o paciente e sua parceira
(SILVA, et al., 2009).
O papel fundamental das enfermeiras é o comprometimento com a promoção da saúde
da população, devem estender ações na atenção primaria à saúde, estar atentos e verificar se
os usuários se encontram na idade de iniciar os exames de detecção e outras doenças
associadas, como também incentivar e sensibilizá-los quanto à importância dos homens
aprenderem acerca da manutenção da saúde como um todo (ANDRADE , et al.., 2007).
49

12.1 Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE)

Plano de cuidado de Enfermagem ao paciente com CP:


Diagnóstico de Enfermagem: Ansiedade relacionada com a preocupação e falta de
conhecimento sobre o diagnóstico, plano de tratamento e prognóstico. Meta: Estresse
reduzido e melhora na capacidade de enfrentamento. Prescrições de Enfermagem: 1. Obter a
história de saúde para determinar o seguinte: Preocupações do paciente; O nível de
compreensão sobre seu problema de saúde; Sua experiência pregressa com o câncer; Seus
sistemas de suporte e métodos de enfrentamento; 2. Fornecer a educação sobre o diagnostico e
plano de tratamento: Explicar em termos simples o que esperar dos exames diagnósticos,
quanto eles irão demorar e o que apresentará durante cada exame; Rever o plano de
tratamento e permitir que o paciente faça perguntas. Justificativa: 1. Esclarece as
informações e facilita a compreensão e enfrentamento do paciente; 2. Ajuda o paciente a
compreender os exames diagnósticos e o plano de tratamento auxiliará a diminuir a ansiedade
e promoverá a cooperação. Resultados Esperados: Redução ou alivio da ansiedade;
Compreensão da doença e tratamento, quando questionado (BRUNNER & SUDDARTH,
2005).
Diagnóstico de Enfermagem: Retenção urinária relacionada com a obstrução uretral
secundaria ao aumento da próstata ou tumor e perda d tônus vesical decorrente da distensão/
retenção prolongada. Meta: Melhora do padrão de eliminação urinária. Prescrições de
Enfermagem: 1. Determinar o padrão usual da função urinária do paciente; 2. Avaliar quanto
aos sinais e sintomas de retenção urinária: quantidade e freqüência de micção, distensão
suprapúbica, queixas de urgência e desconforto; 3. Iniciar as medidas para tratar a retenção: a)
Encorajar a assumir a posição normal para micção; b) Administrar o agente colinérgico
prescrito; c) Monitorar os efeitos do medicamento. Justificativa: 1. Fornece uma linha de
base comparativa e a meta; 2. A Eliminação freqüente de 20 a 30 ml de urina e o débito
menor que a ingesta sugerem a retenção; 3. Promove a micção: a) A posição usual
proporciona as condições relaxadas propícias para a micção; b) Estimula a contração vesical;
c) Quando malsucedido, outra medida pode ser necessária. Resultados Esperados: Urinar a
intervalos normais; Relatar ausência de freqüência, urgência ou plenitude vesical; Manter o
balanço hídrico equilibrado (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
Diagnóstico de Enfermagem: Conhecimento deficiente relacionado com o
diagnóstico de câncer, dificuldades urinarias e modalidades de tratamento. Meta:
50

Compreensão do diagnóstico e da capacidade para cuidar de si próprio. Prescrições de


Enfermagem: 1. Encorajar a comunicação com o paciente; 2. Rever a anatomia da área
envolvida; 3. Identificar as maneiras para reduzir a pressão sobre a área operatória depois da
prostatectomia: a) Evitar ficar sentado (em uma cadeira, longas viagens de automóvel), ficar
em pé, caminhar por períodos prolongados; b) Evitar o esforço, como durante os exercícios,
defecação, levantamento de peso e relação sexual; 4. Familiarizar o paciente com as maneiras
para atingir/ manter o controle vesical: a) Encorajar a micção a cada 2 a 3 horas; desencorajar
a micção quando em decúbito dorsal; b) Evitar beber refrigerantes do tipo cola e bebidas
cafeinadas; definir um horário limite à noite para beber líquidos para minimizar a micção
freqüente durante a noite; c) Descrever os exercícios perineais a serem realizados a cada hora.
Justificativa: 1. Isso busca estabelecer a comunicação e a confiança; 2. A orientação sobre
anatomia para a pessoa é básica para compreender seu funcionamento; 3. Isso busca evitar o
sangramento; certas precauções são empreendidas por 6 a 8 semanas no período pós-
operatório; 4. Essas medidas ajudarão a controlar a freqüência e gotejamento e auxiliarão na
prevenção da retenção: a) Ao ficar sentado ou em pé, é mais provável que o paciente esvazie a
bexiga; b) Espaçar o tipo e a quantidade da ingesta de líquidos ajudará a evitar a freqüência;
c) Os exercícios o ajudarão no inicio e interrupção do jato urinário; Resultados Esperados:
Discute livremente suas preocupações e problemas; Faz perguntas e mostra interesse em sua
condição; Descreve atividades que ajudam ou estimulam a recuperação; Identifica as maneiras
de atingir/ manter o controle vesical (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
Diagnóstico de Enfermagem: Disfunção sexual relacionada com os efeitos da terapia:
quimioterapia, terapia hormonal, radioterapia, cirurgia. Meta: Capacidade para retomar/
apreciar a função sexual modificada. Prescrições de Enfermagem: 1. Determinar, a partir da
história de enfermagem, que efeito a condição clinica do paciente está apresentando sobre seu
funcionamento sexual; 2. Informar o paciente sobre os efeitos da cirurgia de próstata,
orquiectomia (quando aplicável), quimioterapia, irradiação e terapia hormonal sobre a função
sexual; Justificativa: 1. A libido comumente está diminuída e, mais adiante, o paciente pode
apresentar impotência; 2. As modalidades de tratamento podem alterar a função sexual, porém
cada uma delas é avaliada em separado com relação a seu efeito sobre determinado paciente;
Resultados Esperados: Descreve os motivos para as alterações no funcionamento sexual;
Discute com os profissionais de saúde apropriados as condutas e métodos alternativos de
expressão sexual (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
51

13. CONCLUSÃO

O Câncer de Próstata é notadamente conhecido como um problema de saúde pública.


Muitos homens têm pouco conhecimento a respeito do CP e poucos realizam o exame de
prevenção, os assuntos relacionados com a sexualidade preocupam muito aos pacientes que
sofrem de CP. A informação é fundamental para detecção do CP. Acredita-se que havendo
informações sobre o câncer, mesmo simples, podem ser valiosos, principalmente sobre o
rastreamento e a importância da prática de exames de detecção, os homens se mostrarão mais
sensibilizados e poderão pensar melhor suas atitudes, crenças e comportamento diante da
pratica destes exames.
Verifica-se que a prevenção é essencial e o ERD é o mais eficaz método de prevenção
para esse tipo de doença. Atualmente, as principais medidas terapêuticas concentram-se no
diagnóstico precoce da doença, em virtude da existência de tipos de tratamentos com altos
índices de sucesso. A avaliação preventiva da próstata deverá realizar-se anualmente com o
urologista, a partir dos 40 anos em homens com antecedentes familiares de câncer prostático,
e a partir dos 45 anos de idade para a maioria da população masculina. O toque retal é exame
obrigatório dentro da avaliação prostática, não havendo espaço para justificativas que beiram
a ignorância. A dosagem do PSA é arma fundamental na avaliação preventiva – sempre
associada ao toque retal.
O diagnóstico de câncer prostático em fases iniciais permite a implementação de
opções de tratamento com elevados índices de sucesso: cirurgia ou radioterapia. O tratamento
de casos avançados de CP visa controlar e interromper o desenvolvimento tumoral,
preservando a qualidade de vida dos pacientes.
A redução da ingestão de alimentos ricos em gordura animal (carne vermelha, por
exemplo), o consumo de dietas ricas em fibras e em licopeno (presente no tomate,
principalmente), são medidas realmente preventivas para evitar-se o surgimento do CP.
Apesar do ERD ser uma medida preventiva de baixo custo o medo de ser tocado e de
sentir dor, e o constrangimento pelo fato, são alguns fatores que impedem o homem a
procurar os serviços de saúde, associados muitas vezes ao despreparo dos profissionais de
saúde em abordar os aspectos simbólicos que permeiam o imaginário masculino para
realização deste exame.
52

O CP, uma das principais causas de doença e morte no mundo, uma vez que muitas
variáveis o influenciam: idade do paciente, níveis do PSA, estágio do tumor. O grande desafio
é realizar o diagnóstico precoce da doença, buscando sua cura logo nos estágios inicias.
Contudo, nota-se ainda um descaso da população masculina com relação à
fisiopatologia do câncer prostático, assim como sobre a importância da utilização de medidas
preventivas para se evitar o seu desenvolvimento, já que se registra na literatura um aumento
progressivo de sua incidência com o passar dos anos. Este aumento pode ser parcialmente
justificado pela evolução dos métodos diagnósticos, pela melhoria na qualidade dos sistemas
de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida do brasileiro. No entanto,
superar o preconceito, o medo e as barreiras impostas à realização do exame preventivo do
toque retal, assim como a desinformação dos homens com respeito a esta patologia, ainda é
uma realidade em nosso meio.
Diante deste cenário, fica evidente a necessidade de se ampliar os investimentos no
desenvolvimento de ações abrangentes para o controle do CP, nos diferentes níveis de atuação
como: na promoção da saúde, na detecção precoce, na assistência aos pacientes, na vigilância,
na formação de recursos humanos, na comunicação e mobilização social, assim como, na
pesquisa.
Neste contexto da busca do diagnóstico precoce, as enfermeiras precisam familiarizar-
se com os contínuos desenvolvimentos no campo da genética e do câncer e estarem
preparadas para apoiar o paciente e sua família enfrentando uma ampla gama de crises físicas,
emocionais, sociais, culturais e espirituais já que se trata de um tema que envolve diretamente
com a masculinidade do homem, assumindo assim um papel de fundamental importância na
conscientização desta população.
53

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, J. C., LEFORT, A. Câncer da próstata: A importância das Campanhas de


Prevenção. Centro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento. 2004.

ALMEIDA, F. Câncer de Próstata: Considerações Gerais. Disponível em:


<http://www.cancerdeprostata.med.br/> Publicado em 2007. Acessado em agosto de 2010.

ANDRADE, L. M., CAETANO, J. A., LIMA, A. C. F., LIMA, M. A., SILVA, K. V. M.


Conhecimento dos Trabalhadores de uma Universidade Privada Sobre a Prevenção do Câncer
de Próstata. Cogitare Enferm. Out/Dez, 2007.

BERNARDES, S. A. M. S., GABRIEL, S.A.S. A importância da detecção precoce e


prevenção do câncer de próstata. 2010.

BOA SAÚDE. Câncer de Próstata - A Prevenção Começa Cedo. Disponível em:


<http://boasaude.uol.com.br/lib/emailorprint.cfm?id=4878&type=lib>
Publicado em: Dez/2005. Acessado em: Outubro de 2010.

BRASIL.; MINISTÉRIO DA SAÚDE; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Ações de


Enfermagem para o Controle do Câncer: Uma Proposta de Integração Ensino-serviço. 2. ed.
Rio de Janeiro: INCA, 2010.

BRASIL.; MINISTERIO DA SAUDE; Secretária De Atenção Básica. Departamento De


Atenção Básica. Política Nacional De Atenção Integral à Saúde do Homem – Princípios e
Diretrizes. BRASILIA: MINISTERIO DA SAUDE. 2007

BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Enfermagem Médico-Cirúrgica, 10° ed. V. 3 Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan. p. 1583-85, 2005.

BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Enfermagem Médico-Cirúrgica, 10° Ed. V. 3 Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan. P. 1586-89, 2005.
54

CASCAES, C. N.; COSTA, J; DUTRA, K. S.; LOPES, J. M. R. O Processo De Viver E


Adoecer De Homens Com Diagnóstico De Câncer De Próstata E Hiperplasia Prostática
Benigna Fundamentado Na Teoria De Paterson E Zderad. FLORIANOPÓLIS, FEV. 2007

CATARIN, M. V. G., Câncer da próstata. Disponível em:


<http://drcatarin.site.med.br/index.asp?PageName=C-E2ncer-20de-20Pr-F3stata>. Acessado
em agosto de 2010.

COLOMBO, J. R. NESRALLAH, A., RIBEIRO, L. A., SROUGI, M., Doenças da próstata.


Rev. Med. São Paulo: 87 (3):166-77. JUL/SET, 2008.

FARMACIADORNELA – Câncer da próstata. Disponível em:


<http://www.farmaciadornela.com.br/v1/cancer/Cancer_arquivos/frame.htm#slide0075.htm>.
Acessado em agosto de 2010.

FILIPINI, S. M., MAIA, K. O., MOREIRA. S.H; Conhecimento e Dificuldades em Relação à


Prevenção do Câncer de Próstata na Ótica dos Homens de Meia Idade. Outubro, 2009.

FONSECA, A., Câncer: prevenção ainda é o melhor remédio. Oncologista da Oncomed. Out,
2009.

FRANCO, D. L.; Eletropolimerizção de aminofenóis para desenvolvimento de biossensores


eletroquímicos aplicados à detecção de gene especifico para câncer de próstata. Universidade
Federal de Uberlândia – Instituto de Química. Julho, 2007.

GOMES, C. S., Câncer da Próstata: a Saúde contra o Preconceito. Publicado em Março de


2004. Revisado em Setembro de 2010.

INCA, Estimativa 2010 - Incidência de Câncer no Brasil. Tipos de Câncer, Prevenção,


Sintomas e Tratamento do Câncer da próstata. Disponível em: <www.inca.gov.br>. Acessado
em setembro de 2010.
55

INCA. TIPOS DE CANCER. PRÓSTATA. DIAGNÓSTICOS. Disponível em:


<http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/prostata/diagnostico_pr
ofissional> Acessado em outubro de 2010.

JÚNIOR, C. H. F. Câncer da próstata – Diagnóstico Precoce Compensa. Disponível em:


<http://www.racine.com.br/portal-racine/setor-publico/saude-coletiva/cancer-de-prostata-o-
diagnostico-precoce-compensa>. Publicado em Janeiro de 2010. Acessado agosto de 2010.

LA ROCCA, R. Envelhecer com Saúde: conheça a Importância de prevenir os problemas da


próstata. Janeiro, 2007.

LA ROCCA, R. Hiperplasia e Câncer de Próstata. Disponível em:


<http://www.redevital.net/Not%C3%ADcias/Geral/1280/%20M%C3%A1rcia%20Wirth%20/
%20Hiperplasia%20e%20c%C3%A2ncer%20de%20pr%C3%B3stata%20/GERAL/>
Publicado em Fevereiro de 2007. Acessado em Outubro de 2010.

LOPES, A.D., O Inicio De Uma Nova Era. Revista Veja. Ed. 2083. Publicada em 22 de
Outubro de 2008.

MARZANO, C. Câncer de Próstata. Disponível em:


<http://www.celsomarzano.com.br/si/site/3806?P=Cancer%20de%20Prostata> Publicado em
2009. Acessado em Agosto de 2010.

MEDSCAN – Câncer da próstata. Disponível em:


<http://medscanbh.com.br/C%C3%82NCER%20DE%20PR%C3%93STATA.asp>. Acessado
em setembro de 2010.

ONCOGUIA – O Que é a Próstata? - Disponível em:


<http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=14&id=21&menu=2>. Revisado em Julho
de 2008. Acessado em setembro de 2010.

ONCOGUIA – Os testes do Câncer da Próstata - Disponível em:


<http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=14&id=23&menu=2>. Revisado em:
Julho de 2008. Acessado em setembro de 2010.
56

ONCOGUIA – Diagnósticos do Câncer da Próstata - Disponível em:


<http://www.oncoguia.com.br/site/print.php?cat=14&id=22&menu=2>. Revisado em: Julho
de 2008. Acessado em setembro de 2010.

ONCOGUIA – Tratamento do Câncer da Próstata – Disponível em:


<http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=14&id=24&menu=2 > Revisado em:
Julho de 2008. Acessado em setembro de 2010.

ORQUIZA, S. M. C., Como vai sua Próstata? Disponível em:


<http://www.orientacoesmedicas.com.br/examedeprostata.asp>. Acesso em: 19 mar. 2010.

PINHEIRO, P. - Câncer da próstata – Hiperplasia Benigna Prostática. Disponível em: <


http://www.mdsaude.com/2009/02/sintomas-aumento-cancer-prostata.html>. Acessado em
setembro de 2010.

PROSTATAKREBS. Câncer de Próstata – Carcinoma de Próstata. Disponível em:


<http://assets.getunik1.vm02.interway.ch/downloads/fs_prostatakrebs_portugiesisch.pdF>.
Revisado em: Agosto de 2010. Acessado em setembro de 2010.

RODRIGUES, J. F. M., Tratamentos Coadjuvantes Relacionados À Craniotomia Para


Os Tumores Cerebrais Realizados Na Uopeccan No Ano De 2006. Cascavel, 2007.
Disponível em:
<http://www.fag.edu.br/tcc/2007/Fisioterapia/Tratamentos_coadjuvantes_relacionados_a_cra
niotomia_para_os_tumores_cerebrais_realizados_na_uopeccan_no_ano_de_2006.pdf>
Acessado em Setembro de 2010.

RODRIGUES, A. – O Cotidiano do Paciente com Câncer Submetido à Quimioterapia. Maio,


2010.

SBU – SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA - Câncer da próstata (In: Guia Prático


de Urologia 2003 – Soc. Bras. Urol.): p. 421-523; 2003.
57

SCHOFFEN, J. P. F; TONON, T. C. A. Câncer de Próstata: uma revisão da literatura. Revista


Saúde e Pesquisa, v.2, n.3, p.403-410, set./dez. 2009.

SILVA, E. C. N., UDAETA, M. C. G. A. – Assistência ao Paciente Prostatectomizado: Na


Perspectiva de Enfermagem. Agosto, 2009.

SROUGI, M., Câncer da Próstata: uma opinião médica. Disponível em: <
http://www.uronline.unifesp.br/uronline/ed1098/caprostata.htm> Acessado em: setembro de
2010.

TOFANI, A. C. A.; VAZ, E. C. Câncer da próstata, Sentimento de Impotência e Fracassos


Ante os Cartões IV e VI do Rorschach. Revista Interamericana de Psicología/ Interamerican
Journal of Psychology, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre,
Brasil, vol. 41, n. 2, p.197-204, 2007.

UROBH – CUSTÓDIO, D. S.- Câncer da próstata - Doenças Urológicas. Disponível em:


<http://www.urobh.com.br/doencas-urologicas-cancer-de-prostata>. Acessado em setembro
de 2010.

ZELMANOWICZ, A. M. – Detecção Precoce para Câncer da Próstata. Disponível em:


<http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?123&-cancer-de-prostata-deteccao-precoce>.
Acessado em setembro de 2010.

Você também pode gostar