Patologia, Estomatologia e Radiologia PDF
Patologia, Estomatologia e Radiologia PDF
AUTORES:
1ª EDIÇÃO
ANO: 2021
APRESENTAÇÃO
O presente material didático visa atender ao conteúdo prático da disciplina de Patologia,
Radiologia e Estomatologia I.
Está direcionado a alunos e professores da disciplina supracitada, que constitui parte
obrigatória da grade curricular do 4° período do curso de graduação em Odontologia da
Universidade Federal de Minas Gerais.
Espera-se que com este material possa ser otimizado o tempo empregado em atividades
práticas desta disciplina e que os alunos tenham uma referência para guiar seus estudos
e orientar sua formação.
SUMÁRIO
UNIDADE 1 ................................................................................................................................................. 5
RADIOGRAFIA PANORÂMICA .......................................................................................................... 5
1.1 Avaliação da imagem radiográfica panorâmica .............................................................................. 5
1.2 Estruturas anatômicas ..................................................................................................................... 6
1.3 Erros em radiografias panorâmicas ................................................................................................ 7
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................... 8
UNIDADE 2 ............................................................................................................................................... 10
MÉTODOS RADIOGRÁFICOS DE LOCALIZAÇÃO........................................................................ 10
2.1 Método de Parma .......................................................................................................................... 10
2.2 Método Le Master ........................................................................................................................ 10
2.3 Método têmporo-tuberosidade de Mataldi .................................................................................... 10
2.4 Método de Clark ........................................................................................................................... 11
2.5 Método Miller-Winter e Donovan ................................................................................................ 11
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 12
UNIDADE 3 ............................................................................................................................................... 13
DOENÇA PULPAR INFLAMATÓRIA E ALTERAÇÕES REGRESSIVAS DA POLPA DENTÁRIA
............................................................................................................................................................... 13
3.1 A polpa dentária ........................................................................................................................... 13
3.2. Alterações inflamatórias da polpa ............................................................................................... 13
3.2.1. Hiperemia pulpar .................................................................................................................. 13
3.2.2 Pulpite aguda ......................................................................................................................... 14
3.2.2.1 Pulpite aguda serosa ........................................................................................................... 14
3.2.3 Pulpite crônica ....................................................................................................................... 15
3.2.3.1 Pulpite crônica ulcerativa ................................................................................................... 15
3.2.3.2 Pulpite crônica hiperplásica ................................................................................................ 15
3.2.4. Necrose pulpar ...................................................................................................................... 16
3.3 Alterações regressivas da polpa .................................................................................................... 16
3.3.1 Dentina secundária (Fisiológica) ........................................................................................... 16
3.3.2 Dentina terciária .................................................................................................................... 16
3.3.3 Esclerose dentinária ............................................................................................................... 17
3.3.4 Calcificações pulpares ........................................................................................................... 17
3.3.5 Fibrose pulpar ........................................................................................................................ 18
3.3.6 Reabsorção dentinária interna................................................................................................ 18
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 18
UNIDADE 4 ............................................................................................................................................... 20
DOENÇA PERIAPICAL INFLAMATÓRIA ........................................................................................ 20
RADIOGRAFIA PANORÂMICA
A radiografia panorâmica é uma técnica radiográfica que permite uma visão global de
todas as estruturas que compõem o complexo maxilomandibular, ou seja, dentes, tecido ósseo de
suporte e estruturas anatômicas adjacentes tais como seio maxilar, articulação
temporomandibular (ATM) e cavidade nasal, com uma única exposição.
Zona 2: Cavidade nasal e seio maxilar. A sombra do palato duro deve estar dentro dos seios
maxilares, acima dos ápices radiculares. As conchas nasais inferiores devem ser visualizadas
dentro da cavidade nasal.
Zona 3: Corpo da mandíbula. A borda inferior da mandíbula deve estar contínua e lisa.
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Zona 4: Articulação temporomandibular. Os côndilos devem estar centralizados na fossa
mandibular e apresentar simetria bilateral.
Zona 6: Osso hioide. Aparece como uma imagem real duplicada. O osso hioide não deve estar
sobreposto à mandíbula.
Zona 5: Ramo da mandíbula e coluna cervical. Devem ser bilateralmente simétricos. A coluna
cervical não deve sobrepor o ramo da mandíbula.
1. Órbita
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2. Seio maxilar
3. Fossa nasal
4. Concha nasal
5. Septo nasal
6. Processo palatino da maxila
7. Túber da maxila
8. Ramo ascendente da mandíbula
9. Côndilo
10. Processo coronóide
11. Processo zigomático da maxila
12. Osso zigomático
13. Arco zigomático
14. Fissura pterigomaxilar
15. Coluna vertebral
16. Canal mandibular
17. Forame mentual
18. Base da mandíbula
19. Osso hióide
20. Nasofaringe
21. Orofaringe
Outras estruturas: Fossa mandibular, eminência articular, meato auditivo externo, canal e forame
infraorbital, forame incisivo, processo pterigóide do osso esfenóide, lóbulo da orelha, palato
mole, sulco nasolabial, dorso da língua.
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✓ Zona 3: aparece a imagem do apoio de mento.
REFERÊNCIAS
ALVARES, LC; TAVANO, O; CAPELOZZA, ALA; CONSOLARO, A. O curso de
radiologia em odontologia. 5 ed. São Paulo: Santos, 2009. 274p.
LANGLAND, O.E.; LANGLAIS, R.P. Imagem em Odontologia. São Paulo: Santos, 2002.
8
463p.
WHITE, SC; PHAROAH, MJ. Radiologia oral: fundamentos e interpretação. 7. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2015. 679p.
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UNIDADE 2
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anterior da orelha. A angulação vertical deve ser de 40 a 50º e a angulação horizontal de 100 a
110º.
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sagital mediano forme um ângulo de 45° com o solo, pois o ombro do paciente impede o correto
posicionamento do tubo de raios X. Para a radiografia oclusal no método de Miller-Winter, o
filme é posicionado sobre a face oclusal dos dentes, na direção do dente que se deseja localizar,
e mantido pelo paciente pela oclusão dos dentes. Para a radiografia oclusal no método de
Donovan, o filme é colocado sobre o ramo ascendente da mandíbula, abrangendo a área do
trígono-retromolar, e com auxílio do dedo, o paciente mantém a borda do filme apoiada na
superfície do segundo molar inferior. Para as radiografias oclusais de ambas as técnicas, o feixe
deve incidir perpendicular ao filme sem nos preocuparmos com ângulo vertical e horizontal.
REFERÊNCIAS
ALVARES, LC; TAVANO, O; CAPELOZZA, ALA; CONSOLARO, A. O curso de
radiologia em odontologia. 5 ed. São Paulo: Santos, 2009. 274p.
LANGLAND, O.E.; LANGLAIS, R.P. Imagem em Odontologia. São Paulo: Santos, 2002.
463p.
WHITE, SC; PHAROAH, MJ. Radiologia oral: fundamentos e interpretação. 7. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2015. 679p.
UNIDADE 3
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garantir vitalidade ao dente (função nutritiva), tendo também as funções sensorial, formativa
(dentina secundária) e protetiva (resposta imune-inflamatória, dentina reacional). O
envolvimento da polpa por um tecido duro, de paredes inelásticas, limita sua capacidade de
expansão quando há formação de edema, comprimindo fibras nervosas, gerando dor e
dificultando a microcirculação local. A polpa dentária, diante de um fator agressor (bacteriano,
físico, químico e/ou elétrico), pode apresentar reações inflamatórias e/ou regressivas. Estas
dependem do tipo, da frequência e da intensidade do agente irritante, assim como da resposta
imune do paciente.
Pulpite Aguda
Serosa
Pulpite Aguda
Pulpite Aguda
Purulenta
Hiperemia
Polpa Dentária
Pulpar
Pulpite Crônica
Ulcerativa
Pulpite Crônica
Pulpite Crônica
Hiperplásica
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3.2.2 PULPITE AGUDA
Representa o estágio mais inicial das pulpites, sendo caracterizadas pelos eventos de
uma resposta inflamatória aguda, ou seja, fenômenos vásculo-exsudativos.
3.2.2.1 PULPITE AGUDA SEROSA
Estágio inicial da pulpite aguda. Em resposta ao estímulo nocivo, com a hiperemia
pulpar instalada, a dilatação dos vasos sanguíneos promove a exsudação de líquidos destes para
o espaço extracelular, provocando edema. O líquido extravasado é do tipo transudato.
3.2.2.2 PULPITE AGUDA PURULENTA
Estágio final da inflamação pulpar aguda, caracteriza-se pela formação de exsudato
purulento, com presença exuberante das células inflamatórias, principalmente neutrófilos. Como
um quadro inflamatório clássico, a pulpite aguda purulenta apresenta os sinais cardinais que são
rubor, calor, tumor, dor e alterações funcionais. Na cavidade pulpar, não há meios de o tecido
sofrer aumento de volume devido às paredes rígidas de dentina que circundam a polpa, por isso
os eventos da inflamação são exacerbados e podem culminar na necrose do tecido pulpar. A dor
geralmente é intensa, contínua, pulsátil.
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3.2.3 PULPITE CRÔNICA
3.2.3.1 PULPITE CRÔNICA ULCERATIVA
A pulpite crônica ulcerativa ocorre quando a cavidade pulpar entra em contato com o
meio oral, seja por destruição da dentina pela progressão da cárie, seja pela abertura coronária
feita pelo cirurgião-dentista. Desta forma, cria-se uma via de drenagem para o edema e exsudato
que estão sendo formados na cavidade pulpar, tornando o processo uma inflamação crônica. O
tecido é, portanto, caracterizado histologicamente por uma inflamação crônica, com presença
marcante de células inflamatórias mononucleares (linfócitos, plasmócitos e macrófagos), além
de fibroblastos e vasos sanguíneos. Esta condição é usualmente assintomática, porém pode
sofrer reagudização, caso a via de drenagem seja obstruída.
3.2.3.2 PULPITE CRÔNICA HIPERPLÁSICA
É um tipo de inflamação crônica da polpa com características clínicas e histológicas
bem definidas. Usualmente ocorre em pacientes com boa resposta imunológica, especialmente
em primeiros molares de crianças ou jovens. Nestes pacientes, a inflamação crônica da polpa
pode resultar na formação de um pólipo, composto pela proliferação de um tecido de granulação
(tecido conjuntivo ricamente vascularizado e inflamado cronicamente) que se projeta a partir da
câmara pulpar. É uma condição normalmente assintomática. É comum a presença de
calcificações pulpares na parte radicular e coronal. O pólipo pulpar pode ser visualizado a olho
nu e tem aspecto flácido, vermelho e sangrante ao toque.
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3.2.4. NECROSE PULPAR
A necrose da polpa é o resultado final das alterações inflamatórias que acometem este
tecido. Trata-se da morte do tecido pulpar, que ocorre quando o efeito indesejado do dano
tecidual causado pela resposta inflamatória supera a capacidade de regeneração e reparo do
tecido. A necrose do tecido pulpar ocorre com mais facilidade, uma vez que ela está delimitada
por paredes rígidas e sem circulação colateral. Um dente com polpa necrótica geralmente é
assintomático, sendo que o paciente pode relatar episódio prévio de dor.
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seguintes fatores: atrito, fratura, erosão, abrasão, cáries, doença periodontal, lesão mecânica por
procedimentos dentários e/ou irritação por materiais dentários. A quantidade e qualidade (grau
de mineralização) de dentina reacional formada dependem da intensidade e duração do estímulo,
bem como do estado inicial da polpa e sua capacidade de resposta. Se o estímulo agressor for
mais severo, esse poderá levar a morte dos odontoblastos primários, aqueles que foram
responsáveis pela formação da dentina primária e secundária. Nesse caso, células
indiferenciadas da polpa podem se diferenciar para odontoblastos e produzir um tecido
dentinoide, denominado de dentina reparativa. A dentina reparativa apresenta uma camada
inicial atubular e acelular, mas é seguida pela formação de novas camadas de dentina tubular.
Apesar de tubular, nessa camada da dentina reparativa não existe conexão dos túbulos
dentinários com aqueles da dentina primária e secundária. Essa falta de comunicação dos
túbulos dentinários da dentina reparativa pode ajudar na proteção da polpa dos estímulos
nocivos externos.
3.3.3 ESCLEROSE DENTINÁRIA
Mineralização dos canalículos dentinários, podendo obliterar os túbulos dentinários. Isso
pode acontecer como uma forma de defesa à cárie de progressão lenta ou como processo de
envelhecimento. Essas áreas de dentina são muito mais duras e mais escuras que uma dentina
normal, porque tem uma conformação diferente. Radiograficamente a dentina esclerótica possui
uma imagem radiopaca devido ao seu maior grau de mineralização.
3.3.4 CALCIFICAÇÕES PULPARES
Formação de agregados de tecidos mineralizados, que podem estar presentes em
qualquer região do tecido pulpar. Podem se desenvolver como processo fisiológico de
envelhecimento da polpa, ou em associação com processos inflamatórios, especialmente os
crônicos. A forma mais comum de calcificações pulpares são a forma livre, dispersa no tecido
pulpar como calcificações lineares difusas. A calcificação difusa da polpa é um tipo de
calcificação que pode se iniciar nas paredes dos vasos sanguíneos da polpa que servem de
núcleo para o depósito de materiais calcificados. As causas deste tipo de calcificação são
desconhecidas, mas existem indícios de que estejam ligadas ao processo normal de
envelhecimento. Clinicamente não há evidências deste tipo de calcificação, mas
radiograficamente podem-se observar massas radiopacas generalizadas que ocupam extensas
áreas da câmara pulpar e dos condutos radiculares. Os nódulos pulpares são cálculos produzidos
pelo depósito de lâminas concêntricas de sais de cálcio em torno de um núcleo central de tecido
pulpar, como por exemplo, fibras colágenas. Geralmente essas massas calcificadas são múltiplas
e ao crescerem podem se fundir formando uma única massa calcificada. Os nódulos pulpares
não produzem alterações clínicas e por isso são detectados no exame radiográfico de rotina. A
maioria é microscópica, portanto somente os nódulos maiores são visualizados nas radiografias
como estruturas radiopacas ovais ou redondas de tamanho variado. Algumas vezes é possível
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observar uma linha radiolúcida que os separam da parede pulpar; outras vezes estão aderidos ao
assoalho da cavidade pulpar.
REFERÊNCIAS
ALVARES, LC; TAVANO, O; CAPELOZZA, ALA; CONSOLARO, A. Curso de radiologia
em odontologia. 5 ed. São Paulo: Santos, 2009. 274p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ODONTOLOGIA. O que é pulpite?. Disponível em:
18
<https://www.abo.org.br/noticia/o-que-e-pulpite>. Acesso em: 11 fev. 2019.
BOGLIOLO, Luigi; BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Patologia. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000. xiv, 1328p, il.
DE DEUS QD. Endodontia. 5. ed. Rio de Janeiro: Médica e científica. 1992;
FREITAS, A; ROSA, JE; SOUZA, IF; HERNANDEZ, A. Radiologia odontológica. 6 ed. São
Paulo: Artes Médicas, 2004. 833p.
LOPES, H. P. & SIQUEIRA, J. F. Endodontia: Biologia e Técnica. 4ª. ed. Rio de Janeiro. Ed.
Medsi-Guanabara Koogan S. A. 2004. 964p.
NEVILLE, Brad W. Patologia oral & maxilofacial. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2016. xviii, 798 p, il. Tradução de: Oral & maxillofacial pathology.
PASLER, FA. Radiologia odontológica. Rio de Janeiro: Medsi, 1999. 437p.
RAMOS CAS. BRAMANTE CM. Endodontia - Fundamentos Biológicos e Clínicas. 2. ed.
São Paulo: Livraria Santos Editora. 2001.
REGEZI, Joseph A; SCIUBBA, James J. Patologia bucal: correlações clinicopatológicas. 3.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2000. 475p, il. Tradução de: Oral pathology : clinical
pathologic correlations.
ROBBINS, Stanley L. (Stanley Leonard) et al. Patologia: bases patológicas das doenças. 7.
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. xix, 1592 p, il., 1 CD-ROM. Tradução de: Robbins and
Cotran Pathologic Basis of Disease.
WATANABE, PCA; ARITA, ES. Imaginologia e radiologia odontológica. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2013. 515p.
WHITE, SC; PHAROAH, MJ. Radiologia oral: fundamentos e interpretação. 7 ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2015. 679p.
UNIDADE 4
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processo inflamatório. Desconforto espontâneo de moderado a severo, assim como dor à
mastigação e à percussão vertical. Se a pericementite for uma extensão da pulpite, os sintomas
irão incluir a sensibilidade ao frio, ao calor e ao teste elétrico. A presença de exsudato na região
do periodonto apical, força o dente a extruir minimamente do alvéolo, proporcionando ao
paciente a sensação de dente crescido.
Características radiográficas: Podem não ser observadas alterações ou pode estar presente um
ligeiro aumento do espaço periodontal apical e a lâmina dura normalmente apresenta-se intacta.
Evolução e tratamento: A pericementite é um quadro transitório. Normalmente evolui para a
formação de um abscesso apical agudo, se a causa não for removida. O tratamento consiste na
remoção da causa, e se a causa for o comprometimento pulpar, o tratamento de escolha é a
terapia endodôntica.
4.4.2 ABSCESSO APICAL AGUDO
Surge quando a resposta inflamatória não é capaz de reduzir significativamente a
intensidade da agressão proveniente do canal radicular. O processo resulta em uma inflamação
caracterizada por exsudação de pus.
Etiopatogenia: É uma resposta inflamatória acentuada aos irritantes bacterianos oriundos da
polpa necrosada, que forma uma lesão liquefativa que destrói os tecidos periapicais.
Características clínicas: Aparecimento rápido e dor espontânea. Dor intensa, pulsátil, contínua
e localizada. Os dentes acometidos pelo abscesso apical agudo são sensíveis à palpação e à
percussão. Ausência de resposta a todos os testes de sensibilidade. Nos quadros em fase clínica
mais evoluída é possível presença de tumefação local, dor reflexa em outros elementos
dentários, febre, linfadenopatia, trismo, astenia, cefaleia e prostração.
Histologia: conteúdo purulento, típico de uma inflamação aguda. É uma lesão destrutiva
localizada de necrose liquefativa. Constituído por leucócitos polimorfonucleares frequentemente
misturados com exsudato inflamatório, resíduo celular, material necrótico, colônias bacterianas
ou histiócitos.
Características radiográficas: No estágio inicial, observa-se radiograficamente um
espessamento do espaço do ligamento periodontal que pode progredir para a reabsorção e
destruição da lâmina dura e do osso alveolar apical, que pode ser identificada como uma área
radiolúcida difusa com bordas indefinidas. Na fase inicial, nenhuma evidência de reação óssea
esclerótica é observada e a maior parte da lesão é de reabsorção óssea (osteíte rarefaciente
periapical). Com a evolução da doença observa-se esclerose e/ou rarefação óssea. Em razão da
resposta do hospedeiro poderá ocorrer a deposição de um tecido ósseo esclerótico denso ao
redor da lesão (osteíte esclerosante periapical, osteíte condensante ou osteomielite
esclerosante focal), sendo essa consequência direta da tentativa do hospedeiro em confinar o
processo infeccioso. A densidade do osso esclerótico tende a normalizar-se após a eliminação da
infecção.
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Evolução e tratamento: O tratamento consiste na drenagem e eliminação do foco de infecção. A
drenagem deve ser acompanhada pelo tratamento endodôntico, que é o tratamento causal. Os
abscessos apicais agudos que não encontram via de drenagem, frequentemente podem se
disseminar, comprometendo estruturas adjacentes. As duas principais complicações são a
celulite, que ocorre quando o conteúdo do abscesso se espalha de maneira difusa pelos planos
fasciais do tecido mole e a osteomielite que é o processo inflamatório agudo ou crônico nos
espaços medulares ou nas superfícies corticais do osso que se estendem para longe do sítio de
envolvimento inicial. Antibioticoterapia pode ser necessária.
4.4.3 ABSCESSO APICAL CRÔNICO
Deixado a seu próprio curso, o abscesso agudo normalmente sofrerá drenagem
espontânea, a qual ocorre através da zona de menor resistência. Neste caso a lesão pode assumir
curso crônico.
Vias de drenagem do abscesso: A drenagem pode ocorrer de forma espontânea, induzida através
de um estímulo térmico quente ou através de um acesso cirúrgico. Pode ser estabelecida pelas
vias:
1. Pericemento: drenagem para a cavidade bucal através do ligamento periodontal.
2. Osso alveolar: a placa cortical pode ser perfurada formando uma parúlide.
3. Drenagem cutânea: o abscesso pode canalizar-se através de pele sobrejacente e drenar
por uma fístula cutânea.
4. Seio maxilar: quando a raiz do dente apresenta associação com o soalho do seio,
principalmente molares superiores.
5. Fossa nasal: depende da localização anatômica do dente afetado, principalmente
incisivos superiores.
Quando uma trajetória de drenagem crônica é alcançada a lesão se torna assintomática.
Características radiográficas: Rarefação óssea de aspecto difuso no ápice da raiz. A zona
radiolúcida normalmente apresenta forma grosseiramente circular com bordas mal definidas.
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Etiopatogenia: Está relacionada a fatores irritantes leves e contínuos, incapazes de desenvolver
um abscesso. Os granulomas periapicais podem surgir após a quiescência de um abscesso
periapical ou podem se desenvolver como uma lesão periapical inicial.
Histologia: Consistem em tecido conjuntivo com vasos e denso infiltrado inflamatório de
células predominantemente mononucleares, circundado por tecido conjuntivo fibroso. O
infiltrado inflamatório é formado por mastócitos, macrófagos, linfócitos, plasmócitos e,
ocasionalmente leucócitos polimorfonucleares. Células gigantes multinucleadas, células
espumosas, cristais de colesterol e epitélio podem ser encontrados. A lesão apresenta 3 zonas:
1. Zona de exsudação: local de extravasamento de células e plasma, mais próxima ao
forame apical. Esta região conserva características de uma resposta inflamatória aguda.
2. Zona granulomatosa: reação inflamatória que lembra um tecido de granulação. Tecido
conjuntivo com proliferação de fibroblastos, vasos sanguíneos, fibras colágenas e
infiltrado inflamatório mononuclear.
3. Zona de fibrose: região que envolve e delimita todo o granuloma. Área de tecido
conjuntivo fibroso.
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Classificação dos granulomas
1. Granuloma simples: distribuição homogênea de células inflamatórias pela lesão.
2. Granuloma epiteliado: epitélio organizado no interior da lesão sem formar cavidade.
3. Granuloma abscedado: intenso infiltrado inflamatório de polimorfonucleares no centro
da lesão. É o tipo de granuloma associado a formação do abscesso fênix.
Características radiográficas: Radiograficamente observa-se uma área radiolúcida oval ou
arredondada, que se estende da porção região apical da raiz do dente afetado, frequentemente
bem definida, acompanhada da perda da lâmina dura. A reabsorção radicular não é incomum.
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Evolução e tratamento: Os granulomas podem evoluir para a formação de um cisto periapical,
ou sofrer a reagudização do processo, caracterizando o surgimento de um abscesso fênix.
Quando o dente pode ser mantido, o tratamento é a terapia endodôntica. Os dentes não
restauráveis devem ser extraídos, seguido por curetagem de todo o tecido mole apical.
4.2.2 CISTO PERIAPICAL
Por definição, um cisto é uma cavidade patológica revestida por epitélio com uma
parede de tecido conjuntivo fibroso, contendo no seu interior material líquido ou semissólido.
Cisto periapical é uma cavidade epitelial de crescimento lento, forrando uma cavidade
patológica do osso, no ápice de um dente com necrose pulpar.
Características clínicas: Os cistos periapicais podem apresentar diferentes localizações em
relação à raiz dentária que originou o estímulo:
1. Cisto periapical: Associado ao ápice do dente. Radiograficamente é observada uma
radiolucidez arredondada cercando o ápice dentário afetado.
2. Cisto radicular lateral: radiolucência discreta ao longo do aspecto lateral da raiz.
3. Cisto interradicular: situado nas áreas de furca, entre raízes de dentes multirradiculados.
4. Cisto residual: radiolucidez de tamanho variável, de forma redonda a oval, dentro da
crista alveolar, no sítio de uma extração dentária prévia, sem associação a nenhum
dente. Etiopatogenia: O cisto periapical pode se originar de um granuloma dentário, que
se tornou epiteliado, embora nem todo granuloma necessariamente progrida para um
cisto. Este tipo de lesão é resultado de uma infecção endodôntica de longa duração.
Remanescentes epiteliais presentes na região do ligamento periodontal apical são
estimulados e proliferam. As células epiteliais no centro da massa celular tridimensional
sofrem apoptose e dão origem à cavidade cística. O processo de formação dos cistos é
constituído de 3 etapas:
1. Iniciação: quando as células epiteliais começam a proliferar.
2. Progressão: quando a cavidade cística é formada.
3. Expansão: Quando o cisto formado aumenta de tamanho. Teorias da formação
cística apical
1. Teoria da formação de microcistos: as células centrais de um granuloma apical sofrem
morte celular, formando microcistos no componente epitelial. Estes microcistos
coalescem dando origem à cavidade cística.
2. Teoria do abscesso: na área central de um granuloma ocorre a formação de um
abscesso, formando uma cavidade que posteriormente é recoberta por epitélio.
Mecanismo de expansão do cisto apical: Os cistos apicais sofrem expansão em virtude da
diferença de pressão osmótica dentro da cavidade em relação ao exterior. À medida que o
epitélio descama no lúmen, a concentração de proteína aumenta. O fluido entra no lúmen em
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uma tentativa para equalizar a pressão osmótica, ocorrendo uma dilatação lenta.
Concomitantemente há a reabsorção do tecido ósseo ao redor, pelos osteoclastos.
Características radiográficas: O padrão radiográfico dos cistos periapicais é semelhante ao dos
granulomas. O cisto pode atingir proporções maiores que o granuloma, embora o tamanho não
possa ser utilizado como critério para o diagnóstico diferencial entre as lesões. Pode ou não estar
delimitado por uma cortical e pode causar o afastamento das raízes dos dentes adjacentes e
reabsorção radicular.
Histologia: O quadro histológico do cisto é constituído por uma cavidade patológica revestida
tipicamente por epitélio estratificado pavimentoso não ceratinizado, com lúmen contendo
células descamadas, células inflamatórias e debris, sendo toda a lesão envolvida externamente
por uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso que apresenta infiltrado inflamatório crônico.
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Classificação dos cistos:
1. Cisto em bolsa ou baía: revestimento epitelial incompleto devido a extensão da parte
apical do dente para o lúmen do cisto.
2. Cisto verdadeiro: estrutura completa revestida de epitélio, adjacente ao ápice dentário,
onde a loja cística não tem qualquer contato com a luz do canal.
3. Cisto residual: tecido infamatório que não é curetado no momento da remoção do dente
e origina um cisto inflamatório sem associação a um elemento dentário.
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Evolução e tratamento: A maioria dos cistos periapicais cresce lentamente e não atinge um
tamanho grande. Similar aos granulomas, o tratamento é feito através da extração ou terapia
endodôntica.
REFERÊNCIAS
FREITAS, A; ROSA, JE; SOUZA, IF; HERNANDEZ, A. Radiologia odontológica. 6 ed. São
Paulo: Artes Médicas, 2004. 833p.
LOPES, H. P. & SIQUEIRA, J. F. Endodontia: Biologia e Técnica. 4ª. ed. Rio de Janeiro. Ed.
Medsi-Guanabara Koogan S. A. 2004. 964p.
NEVILLE, Brad W. Patologia oral & maxilofacial. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2016. xviii, 798 p, il. Tradução de: Oral & maxillofacial pathology.
ROBBINS, Stanley L. (Stanley Leonard) et al. Patologia: bases patológicas das doenças. 7.
ed. Rio de JaneirO: Elsevier, 2005. xix, 1592 p, il., 1 CD-ROM. Tradução de: Robbins and
Cotran Pathologic Basis of Disease.
UNIDADE 5
OSTEOMIELITES
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Osteomielite é um processo inflamatório agudo ou crônico nos espaços medulares ou
nas superfícies corticais do osso que se estendem para além do sítio de envolvimento inicial.
Normalmente é associada a infecções bacterianas que podem resultar em destruição lítica do
osso envolvido, com supuração e formação de sequestro ósseo. Estas infecções normalmente
alcançam o osso através de dentes desvitalizados, lesões periodontais ou injúrias traumáticas.
No entanto, em alguns casos, não é possível identificar um fator causal específico. As
osteomielites ocorrem preferencialmente na mandíbula, visto que o osso mandibular é mais
denso e com vascularização menos abundante que a maxila, o que dificulta a resposta do
hospedeiro e favorece o confinamento bacteriano. Condições sistêmicas e locais podem
predispor o desenvolvimento de osteomielites, tais como imunocomprometimento, tratamento
radioterápico na região, displasia óssea na região, diabetes mellitus.
Esclerosante
Aguda
Osteomielites Supurativa
Crônica
Com periostite
proliferativa
29
Tratamento: Resolução do foco odontogênico de infecção. Após a remoção do foco de infecção,
a lesão pode se resolver, ou pode permanecer uma área residual de osteíte condensante, chamada
cicatriz óssea. Como acredita-se ser uma reação óssea a um estímulo conhecido, a lesão em si
não necessita ser removida, indicando-se o tratamento endodôntico da polpa que estimulou a
osteomielite esclerosante focal.
Diagnóstico diferencial: Displasia óssea focal, osteoma, odontoma complexo, cementoblastoma,
osteoblastoma e hipercementose.
5.1.2 OSTEOMIELITE CRÔNICA COM PERIOSTITE PROLIFERATIVA
Esta condição é comumente referida como osteomielite de Garrè. A osteomielite com
periostite proliferativa representa uma reação periosteal à presença de inflamação. A causa mais
frequente são as cáries dentárias com doença periapical inflamatória associada. A maioria dos
casos surge na área dos pré-molares e molares da mandíbula, e a hiperplasia se situa com mais
frequência ao longo da borda inferior da mandíbula. Afeta principalmente crianças e jovens,
com uma idade média de 13 anos.
Aspecto radiográfico: A lesão se apresenta com um padrão compatível com a osteomielite
crônica, da qual se difere pela reação periosteal. O periósteo afetado forma várias camadas de
osso vital reacional, paralelas entre si que expandem a superfície do osso. Nota-se um aspecto
radiográfico de casca de cebola, formado por linhas radiopacas e radiolúcidas.
Aspecto histológico: normalmente, a biópsia não é necessária, o diagnóstico é
clínicoradiográfico. As amostras revelam fileiras paralelas de tecido ósseo altamente celular.
Entre as trabéculas ósseas há tecido conjuntivo fibroso. Infiltrado inflamatório não é comum.
30
Tratamento: O tratamento é direcionado para a eliminação do foco de infecção. Após a
eliminação do foco de infecção e a resolução da inflamação, é possível que o osso seja
remodelado ao longo do tempo.
5.1.3 OSTEOMIELITE SUPURATIVA (AGUDA/CRÔNICA)
Normalmente associada a processos inflamatórios agudos, com a formação de exsudato
purulento nos espaços medulares. Ocorre quando a agressão resulta em reabsorção óssea.
31
mononucleares e polimorfonucleares neutrófilos preenchendo as áreas intertrabeculares do osso,
estas usualmente apresentando bordas irregulares. Sequestros ósseos dispersos e formação de
áreas de abscesso são comuns em casos mais avançados da doença.
REFERÊNCIAS
ALVARES, LC; TAVANO, O; CAPELOZZA, ALA; CONSOLARO, A. Curso de radiologia
em odontologia. 5 ed. São Paulo: Santos, 2009. 274p.
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FENYO-PEREIRA, Marlene. Radiologia odontológica e imaginologia. 2. ed. São Paulo:
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2016. xviii, 798 p, il. Tradução de: Oral & maxillofacial pathology.
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ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. xix, 1592 p, il., 1 CD-ROM. Tradução de: Robbins and
Cotran Pathologic Basis of Disease.
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WHITE, SC; PHAROAH, MJ. Radiologia oral: fundamentos e interpretação. 7 ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2015. 679p.
33
UNIDADE 6
6.1 GENGIVITE
A doença periodontal se inicia com a gengivite, que por definição é a inflamação localizada da
gengiva, iniciada por bactérias e biofilme. A gengivite apresenta 3 momentos:
1. Inicial: A gengivite inicial se dá como a reação inicial do processo inflamatório nos
tecidos. A inflamação é um processo fisiológico em resposta ao dano tecidual causado
pelas bactérias do biofilme e se desenvolve rapidamente à medida que a placa é
depositada sobre o dente. Em 24h, alterações na microcirculação são evidentes, como
hiperemia. Há um aumento na pressão hidrostática na microcirculação, com isso, há a
formação de espaços intercelulares entre células adjacentes dos capilares endoteliais.
Isso provoca o aumento da permeabilidade vascular, possibilitando o extravasamento de
fluidos e proteínas para os tecidos. Com o passar do tempo, o fluxo do fluido gengival
aumenta. Concomitantemente com estas alterações vasculares, o deslocamento dos
leucócitos para o local de agressão é possibilitado pela expressão de moléculas de
adesão expressas no endotélio, nas quais o leucócito adere para posteriormente sair do
vaso. Os leucócitos seguem a partir do tecido conjuntivo e a maior parte fica acumulada
na região do epitélio juncional e do sulco gengival.
34
2. Precoce: Com a presença dos fatores irritantes antigênicos no local, tem início a
resposta imunológica mediada por linfócitos T, com a apresentação de antígenos
realizada por células de Langerhans e macrófagos. Essas células apresentadoras de
antígenos levam a ativação de linfócitos T no local e o infiltrado inflamatório presente é
crônico e se dispõe logo abaixo do sulco gengival. Nessa fase existe uma pequena
destruição de fibras, permitindo maios infiltrado de linfócitos nos tecidos.
3. Estabelecida: Não havendo uma resposta imunológica efetiva, antígenos bacterianos
presentes no ambiente intersticial são drenados para os linfonodos regionais e tem início
a apresentação de antígenos por linfócitos B localizados nos linfonodos. Esses linfócitos
ativados serão mobilizados para o sítio gengival e darão origem a novos linfócitos B
regionais, além de plasmócitos. O processo inflamatório é intensificado nesta fase,
sendo composto por linfócitos T, B, macrófagos, neutrófilos e, principalmente,
plasmócitos. Há aumento na exsudação do fluido e na migração dos leucócitos para o
tecido e sulco gengivais. O edema e sangramento observados anteriormente são
intensificados. A lesão nessa fase pode permanecer por um longo período, mesmo com
a remoção mecânica do biofilme, ou podem evoluir para a fase seguinte, acarretando na
maior destruição dos tecidos que dão suporte e proteção ao periodonto. Diversos
estudos têm sido realizados na tentativa de compreender por que os mecanismos de
resistência ou susceptibilidade relacionados aos sítios periodontais ou indivíduos.
Alguns indivíduos mostram evolução da doença em maior grau e severidade, enquanto
outros exibem resistência e não evoluem para a fase progressiva.
35
6.2 PERIODONTITE (FASE AVANÇADA DA DOENÇA PERIODONTAL)
A periodontite crônica é caracterizada pela migração apical do epitélio juncional, com
destruição de fibras e do osso alveolar. A resposta imunológica ineficaz, mediada por linfócitos
T e B, permite o acúmulo de endotoxinas, antígenos e enzimas bacterianos que levam a um
fluxo intenso de neutrófilos, com formação de microabscessos. O ambiente inflamatório nessa
fase atrai neutrófilos que tentam eliminar os agentes agressores, mas deixam como efeitos
secundários destruição de fibras, hiperplasia e migração do epitélio juncional, além de ativação
de osteoclastos, inibição de osteoblastos, com destruição do osso alveolar. Por que alguns
indivíduos ou sítios periodontais evoluem para a periodontite? Essa é uma importante pergunta
que ainda permanece sem resposta na literatura. Entretanto, fatores genéticos, fumo, acúmulo de
placa microbiana ou desordens sistêmicas estejam envolvidos nesse processo.
36
periodontal pode depender de fatores genéticos. Os níveis de mediadores inflamatórios, como a
IL1, TNF e prostaglandina E2 estão correlacionados a extensão do dano ao periodonto e podem
agravar a resposta inflamatória. Isso sugere que a produção aumentada desses mediadores em
resposta a disbiose no sulco ou bolsa periodontal está relacionada com a evolução da doença.
Em alguns casos, a progressão da doença é lenta e o paciente tem risco mínimo de perda da
função periodontal, em contrapartida, em outros, a progressão da doença pode ser rápida.
6.2.2 DOENÇA PERIODONTAL INFLAMATÓRIA E ENVOLVIMENTO SISTÊMICO
Os microorganismos envolvidos na doença periodontal podem disseminar da cavidade
oral para lugares distantes, como placas ateroscleróticas, pulmão e placenta. As bactérias e seus
produtos (antígenos e endotoxinas) podem entrar na corrente sanguínea ou no trato respiratório
resultando em bacteremia transitória que pode culminar em complicações para indivíduos
imunocomprometidos e susceptíveis a alguma condição. Os produtos bacterianos e moléculas
inflamatórias do periodonto doente tem potencial de promoverem inflamação sistêmica através
de diversas vias, exacerbando ou atuando como fator de risco de doenças sistêmicas associadas a
resposta inflamatória nos pacientes susceptíveis.
Doença cardiovascular: A ulceração gengival nas bolsas periodontais ativa a translocação de
bactérias para a circulação sistêmica, causando bacteremia, que pode causar estimulo
aterogênico, o que leva a doença aterosclerótica cardiovascular. A inflamação sistêmica leva
também a uma elevação na produção das proteínas de fase aguda pelo fígado, promovendo a
aterosclerose Efeitos adversos na gravidez: A periodontite materna pode estar associada com
um risco elevado de efeitos adversos na gravidez, como baixo peso neonatal, parto prematuro,
aborto espontâneo e/ou natimorto.
Doenças respiratórias: acredita-se que o biofilme bacteriano associado ao dente seja um
reservatório para infecções respiratórias.
6.2.3 NOVA CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DA DOENÇA PERIODONTAL
Todas as fases da doença periodontal são classificadas como periodontite apenas, porém em
estágios diferentes e graus diferentes de complexidade.
o Estágios: baseado na gravidade da doença e complexidade de tratamento.
✓ Estágio I: periodontite inicial. Perda de inserção de 1 a 2mm. Perda óssea no
terço coronal, com envolvimento menor do que 15% da raiz. Não há perda de
elementos dentários. Profundidade de sondagem menor que 4mm e perda
óssea predominantemente horizontal.
✓ Estágio II: periodontite moderada. Perda de inserção de 3 a 4mm. Perda óssea
no terço coronal de 15% a 33% da raiz. Perda de até 4 dentes. Profundidade de
sondagem menor que 5mm e perdas ósseas predominantemente horizontais.
✓ Estágio III: periodontite grave com potencial de perda dentária adicional.
Perda de inserção maior que 5mm. Perda óssea do terço médio para apical.
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Perda de mais de 5 dentes. Profundidade de sondagem maior que 6mm e
envolvimento de furca grau II e III.
✓ Estágio IV: periodontite grave com perda dentaria extensa e potencial de
perda da dentição. Perda de inserção maior que 5mm. Perda óssea do estágio
médio pra apical. Perda de mais de 5 dentes. Profundidade de sondagem maior
que 6mm e envolvimento de furca grau II e III. Reabilitação protética
complexa, disfunção mastigatória com colapso oclusal. O indivíduo tem
menos de 20 dentes.
✓ Para cada estágio, acrescentar a extensão: localizada, generalizada ou
padrão incisivo-molar.
38
em um único dente, embora o indivíduo possa ter múltiplos defeitos ósseos verticais. As bolsas
periodontais associadas a este tipo de reabsorção são normalmente do tipo infraósseas. Esses
defeitos são difíceis de reconhecer na radiografia, pois uma ou ambas as tábuas ósseas corticais
permanecem sobrepostas ao defeito. Na radiografia aparecem desníveis ósseos irregulares ou
angulares, por áreas de maior ou menor radiopacidade, devido as alterações em altura. Isso
sugere que as diferentes paredes ósseas estão sofrendo reabsorção em quantidades distintas.
Podem ser relacionadas a presença de forças excessivas ou excêntricas, como no trauma oclusal.
Em estágios mais avançados da periodontite pode haver o comprometimento da região
de furca das raízes dentárias cuja imagem radiográfica varia desde um espessamento do espaço
do ligamento periodontal e perda da lâmina dura até uma extensa área de destruição óssea que
aparece radiograficamente como uma zona triangular radiolúcida, de tamanho variável, na
região de bifurcação ou trifurcação das raízes.
REFERÊNCIAS
BOGLIOLO, Luigi; BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Patologia. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000. xiv, 1328p, il.
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FALCAO, Artur; BULLÓN, Pedro. A review of the influence of periodontal treatment in
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<https://w2.fop.unicamp.br/ddo/patologia/downloads/dp312_patogendoencaperio.pdf>. Acesso
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FREITAS, A; ROSA, JE; SOUZA, IF; HERNANDEZ, A. Radiologia odontológica. 6 ed. São
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KINANE, Denis F.; STATHOPOULOU, Panagiota G.; PAPAPANOU, Panos N.. Periodontal
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LINDHE J. Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral. 5ed. Rio de Janeiro:
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LU, Haitian; OUYANG, Weiming; HUANG, Chuanshu. Inflammation, a key event in cancer
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WHITE S. C.; PHAROAH M. J. Radiologia Oral: Princípios e Interpretação. 7 ed. St. Louis:
Mosby; 2015.
UNIDADE 7
LESÕES FUNDAMENTAIS
As doenças que ocorrem na cavidade bucal manifestam-se clinicamente por alterações
morfológicas, muitas vezes, comuns a grande número delas. Por essa razão, na descrição clínica
da lesão observada na cavidade bucal de um paciente, os termos que definem uma lesão
fundamental devem ser utilizados com a finalidade de permitir uma padronização na descrição
e, facilitar assim, a comunicação entre os profissionais.
Placa: lesão plana, ligeiramente elevada e que não se desprende por raspagem.
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Pseudomembrana: placa que se desprende à raspagem.
Pápula: lesão elevada, circunscrita e sólida, cujo tamanho varia até 5 mm de diâmetro.
Tumor: lesão elevada, sólida, com dimensões superiores a 15 mm É importante lembrar que
neste caso, tumor não é sinônimo de neoplasia.
Vesícula: lesão elevada contendo líquido no seu interior, cuja dimensão não ultrapassa 5 mm de
diâmetro.
Bolha: lesão superficial elevada, contendo líquido em seu interior, com dimensão superior a 5
mm de diâmetro.
Pústula: lesão superficial elevada, contendo pus no seu interior, cuja dimensão não ultrapassa
10 mm de diâmetro.
Erosão: perda parcial do revestimento epitelial, sem exposição do tecido conjuntivo subjacente.
Crosta: placa irregular que se forma na superfície cutânea previamente ulcerada ou erodida,
devido ao ressecamento da membrana de fibrina do processo cicatricial.
Hematoma: lesão hemorrágica localizada no interior dos tecidos e que produzem aumento de
volume.
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9. Superfície: plana, rugosa, irregular, íntegra, etc.
10. Localização: bem específica: ex: lábio = mucosa ou vermelhão? Qual lado? Superior ou
inferior? Próximo a qual dente?
11. Achados imaginológicos
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Ney Soares; ARAÚJO, Vera Cavalcanti. Patologia Bucal. 1 ed. Artes Médicas: São
Paulo, 1984.
BOGLIOLO, Luigi; BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Patologia. 9. ed. Rio de Janeiro:
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GOMEZ, Ricardo Santiago. Lesões fundamentais da mucosa bucal.mp4. 2012. (4m18s).
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?
time_continue=3&v=AsuhpqM7Eo4>. Acesso em: 24 abr. 2019.
UNIDADE 8
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Tratamento: O tratamento é determinado pela gravidade da apresentação da doença. O paciente
é encaminhado à clínica médica para tratar sobretudo a infecção pulmonar que pode ser grave.
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que são as células epiteliais acantolíticas que se desprendem do epitélio. Observa-se no
conjuntivo um infiltrado inflamatório crônico, leve a moderado.
REFERÊNCIAS
NEVILLE, Brad W. Patologia oral & maxilofacial. 4. ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan,
2016. xviii, 798 p, il. Tradução de: Oral & maxillofacial pathology.
ARAÚJO, Ney Soares; ARAÚJO, Vera Cavalcanti. Patologia Bucal. 1 ed. Artes Médicas: São
Paulo, 1984.
45