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Psicólogo e Catástrofes Urbanas: Acolhimento

Este artigo abordará como tema principal as catástrofes urbanas, bem como a atuação do psicólogo diante destes acontecimentos, entendendo o conceito de catástrofe e como ela atinge as pessoas provendo desafios no atendimento do psicólogo e como se dá este acolhimento; utilizando a metodologia de pesquisa bibliográfica.

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Psicólogo e Catástrofes Urbanas: Acolhimento

Este artigo abordará como tema principal as catástrofes urbanas, bem como a atuação do psicólogo diante destes acontecimentos, entendendo o conceito de catástrofe e como ela atinge as pessoas provendo desafios no atendimento do psicólogo e como se dá este acolhimento; utilizando a metodologia de pesquisa bibliográfica.

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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA

O PAPEL DO PSICÓLOGO DIANTE DAS CATÁSTROFES URBANAS

Ana Tereza Vieira da Silva1


Gilliard Hilário Silva¹
João Jerônimo Galvão Costa¹
Williamys Leonardo Nascimento de Oliveira¹
Vinícius Bezerra de Melo¹

Ana Carolina Cruz2

Resumo – Este artigo abordará como tema principal as catástrofes urbanas, bem como
a atuação do psicólogo diante destes acontecimentos, entendendo o conceito de
catástrofe e como ela atinge as pessoas provendo desafios no atendimento do
psicólogo e como se dá este acolhimento; utilizando a metodologia de pesquisa
bibliográfica.

Palavras-Chave: Catástrofes Urbanas; Acolhimento Psicológico, Psicologia das


emergências.

Abstract - This article will focus on the urban catastrophe as well as the psychologist's
action in the face of these events, understanding the concept of catastrophe and how it
affects people by providing challenges in the care of the psychologist and how this
happens; using the methodology of bibliographic research.

Keywords - Catastrophes Urban; Psychological Reception, Psychology of


emergencies.

1
Graduandos da faculdade Universo, do curso de Psicologia
2
Professora docente da Faculdade Universo, do curso de Psicologia
BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO TEMÁTICA, OBJETIVO, RELEVÂNCIA E
JUSTIFICATIVA.

No Brasil ao longo dos anos vem passando por diversos eventos catastróficos,
como as diversas inundações ocorridas no Brasil ao longo dos últimos 10 anos,
rompimento de barragens com grandes proporções catastróficas como nas ocorrências
das barragens de Mariana em novembro de 2015 e Brumadinho em janeiro de 2019,
ambas, cidades do estado de Minas Gerais; que tem gerado crises em diversas áreas
da existência humana bem como psicopatologias muitas vezes de caráter irreversível.
Desta forma, é de grande relevância analisar como estas catástrofes têm impactado a
vida das pessoas, quais são as crises geradas em decorrência delas, as principais
dificuldades e desafios encontrados nesta questão, bem como compreender a atuação
do psicólogo dentro deste contexto, e as dificuldades e limitações do profissional de
psicologia frente às catástrofes urbanas.
Destacar a importância da atuação do psicólogo diante das catástrofes é de
grande relevância para a psicologia considerando o papel que a psicologia ocupa
enquanto ciência e prática psicoterapêutica, além de sua integração social e
comunicação com os diversos setores da sociedade e campos do saber.
Diante do exposto, faz-se necessário antes de tudo conceituar o que
entendemos por catástrofe urbana, e inicialmente podemos dizer que catástrofe urbana
significa desgraça pública, flagelo, situação anormal provocada por desastres.
Aplicar a psicologia dentro de um cenário caótico exige uma real necessidade de
preparo do profissional e como irá atuar com as vivências das pessoas ou dos grupos,
isso porque estes são cenários com fortes abalos na estrutura psíquica e emocional
das vítimas de catástrofes urbanas. Sendo assim surge aqui uma psicologia de
emergências e desastres com o intuito de atender à mais esta demanda social.

“A psicologia de emergências e desastres é o ramo da psicologia que


abarca o estudo do comportamento e o modo de reação dos indivíduos,
grupos ou coletivos humanos nas diferentes fases de uma situação de
emergências ou desastres” (Acevedo e Martínez, 2007).

Tendo em vista uma sociedade atingida diretamente por essas circunstâncias de


mudanças ambientais ou naturais, temos a intervenção dos profissionais de saúde
mental, com um intenso trabalho de intervenção, resgate e integração do indivíduo,
acolhendo em qualquer tipo de emergência que podem surgir.
Em consequência disso, nota-se um elo do corpo de profissionais de saúde,
médicos, terapeutas, enfermeiros, assistentes sociais, toda equipe envolvida, onde
esse cenário não havia espaço para a aplicação da psicologia de maneira relevante,
uma vez que a atenção das autoridades diante das catástrofes estava no socorro
imediato das vítimas, considerando apenas as lesões físicas e descartando-se os
aspectos emocionais e psicológicos, e isso se deu com um único fim, acolher da
melhor maneira esse indivíduo. Levando-se em consideração esses aspectos, o
psicólogo traz a vivência do profissional enriquecedora ao desenvolvimento do seu
trabalho em situações de emergências com uma nova visão de como deve aplicar suas
técnicas em diferentes áreas, tendo que adaptar-se a problemática em face da
realidade de enfrentamento da catástrofe ou crises repentinas.

OBJETIVO GERAL

Discutir a atuação do psicólogo no enfrentamento de Catástrofes Urbanas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

● Definir Catástrofes Urbanas.

● Destacar as principais consequências geradas a população.

● Identificar como se dá o acolhimento das pessoas afetadas.

● Compreender a atuação do psicólogo diante das crises e catástrofes.

METODOLOGIA

Em virtude dos fatos mencionados, realizaram-se pesquisas com delimitação do


tema, tendo em vista o objetivo do presente artigo. As informações foram incluídas
através dos conhecimentos que estão ligados as tragédias urbanas e acolhimento
psicológico. Diante do exposto o conteúdo documental coletado, se faz necessário às
considerações, relacionadas com as principais consequências de desastres urbanos
(ARAÚJO-2012,P.18), com atuação do psicólogo antes, durante e após a fatalidade.
(AZEVEDO E MARTINEZ, 2007).

Foram utilizados para coleta dos dados, os métodos de pesquisa bibliográfica,


utilizando fontes como artigos científicos, obras literárias, as plataformas do site google
acadêmico, e do periódico scielo. As informações foram aplicadas dentro de uma
abordagem qualitativa, pois objetivou analisar o assunto, explicando a atuação do
psicólogo diante das catástrofes urbanas. Pode-se observar que a apuração dos
parâmetros nas escolhas das fontes utilizadas: 8 artigos científicos, documentários/
jornalísticas e entrevista com profissional de psicólogo atuante nesse contexto.
Em face aos materiais apresentados com explicação, compreensão e definição,
consolidamos dados para auxiliar na explanação de conceitos e considerações
relevantes sobre a temática. Nos estudos bibliográficos, tivemos como ponto de partida
o conceito e análise de pesquisa das palavras “acolhimento psicológico” e “catástrofes
urbanas”, “psicologia das emergências”, “desastres e catástrofes”. Tendo em vista, o
diagnóstico indicado, constitui em uma proposta de estudos, com resultados na
veracidade dos fatos ocorridos na relação do indivíduo diante das fatalidades.

Levando em consideração esses aspectos, realizou-se uma entrevista com


profissional especializado, onde se fez uma explanação sobre o tema, integrando ao
estudo da problemática acima citada, em que teve como propósito explicar a relevância
do profissional que promove a saúde mental, psicólogo, na operação especificamente
em desastres urbanos.
DEFININDO DESASTRES E CATÁSTROFES URBANAS

Antes de discutir qualquer ação ou intervenção do psicólogo e seu papel, faz-se


necessário antes de tudo conceituar o que entendemos por catástrofe urbana e para
tanto precisamos de primeira mão entender o que é desastre.

“Desastre é o resultado de eventos adversos naturais ou humanos sobre


um ecossistema vulnerável, causando danos humanos, materiais,
ambientais e consequentes prejuízos econômicos, culturais e sociais”.
(ARAÚJO, 2012, p.18).

Nesse sentido, para Araújo o desastre não é o evento adverso, mas a


consequência do mesmo.
A partir do conceito de desastre é possível entender melhor o conceito de
catástrofe.

“Catástrofe é grande desgraça, acontecimento funesto e lastimoso,


desastre de grandes proporções envolvendo alto número de vítimas e
ou danos severos.” (ARAÚJO, 2012, p.14)

Olhando estes conceitos a professora Caroline Orlandi Brilinger afirma que o


desastre põe em evidência a vulnerabilidade e abala o equilíbrio necessário para
sobreviver e prosperar.

O ACOLHIMENTO DAS VÍTIMAS AFETADAS

Os primeiros estudos sobre esse tema foram realizados por Edward Stierlin em
1909. Depois Samuel Price em 1917. Lindemann, em 1944. Nas décadas de 1960 e
1970 a american psychological association investiram em estudos. Depois a
associação de psiquiatria americana em 1970, instituto de saúde mental do
departamento de saúde dos EUA em 1974.
Em 1985, no México e na Colômbia, a primeira criou um programa de
intervenção em crises, já a segunda estabeleceu o programa de atenção primária em
saúde mental para vítimas de desastres. Em 1991 e em 2001 foram criadas o centro de
capengue de apoio psicológico e no peru foi criada uma linha telefônica chamada
“infosaúde” para atendimento psicológico em 72 horas após o desastre. Em 2002, a
criação da federação latina americana de psicologia das emergências e dos desastres
FLIPPED. Em 2004, foi criada a sociedade chilena de psicologia das emergências e
desastres (SHCHPED 2015 a).
No Brasil o primeiro registro de intervenção e inserção da psicologia em
pesquisas e estudos foi em decorrência do acidente Césio 137 em Goiânia 1987.
Depois em 1992 a UFRJ E a UNB e a UCG juntas com psicólogos cubanos realizaram
o atendimento. No ano de 2006, aconteceu o I congresso nacional de psicologia das
emergências e desastres em parceria com a secretaria de defesa civil e o conselho
federal de psicologia para discutir propostas e estratégia na formação dos futuros
profissionais. Em 2008 o conselho regional de Santa Catarina propôs ações a serem
desenvolvidas junto com a defesa civil. Nesse mesmo ano foi organizado um grupo de
ajuda humanitária para atender os atingidos da enchente de novembro de 2008.
(SHCHPED 2015, b)

AS PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS GERADAS A POPULAÇÃO

Em virtude de propor assistências às vítimas, que tiveram seus bens subtraídos


pela catástrofe, familiares desaparecidos, as próprias perspectivas futuras sendo
suspensa em decorrência do presente, tentando se reconstruir as vítimas buscam
apenas serem ouvidas, acolhidas, supridas em alimentos cobertores, e materiais
básicos de higiene para a sobrevivência.

“Na primeira semana foi muito triste, a gente acordava de manhã e pensava o
que é que eu vou fazer hoje? sem saber o que fazer. A minha mãe, por
exemplo, ia bem cedo alimentar os cachorros e as galinhas do terreiro dela e o
meu pai a mesma coisa todos os dias, eu ainda tenho o meu trabalho, dando
continuidade, mas e o meus pais que estão muitos ansiosos, o sentimento que
dá mesmo, é de muita saudade” (SOBREVIVENTE (A) 2015)3.

3
Reportagem sobre as vítimas em brumadinho MG, publicado no dia 29 de janeiro de 2019. citação das
sobreviventes. Link: [Link]
É nessas horas que o apoio de uma equipe treinada, disciplinada possa auxiliar
todos os que precisam naquele momento tão importante, pois o psicólogo não atuará
sem a ajuda de outros profissionais, haverá vítimas que precisam de acolhimento
específico emocional das próprias dores, anteriores à tragédia e as da pós-tragédia que
se somam, físicas e sociais, ou seja, a autora considera de suma relevância que o/a
profissional não aja sozinho (a), tampouco desconheça a estratégia a priori
determinada nos níveis sociais, de saúde e educação, para mitigar e/ou responder à
demanda gerada pelos desastres.
Por isso, em uma catástrofe o psicólogo precisará ter boa comunicação, saber
dos manuais e procedimentos corretos para minimizar os pensamentos negativos e
possíveis estresses pós-traumáticos.

“Aquela montanha de lama percorrendo os arredores, e nos subindo correndo,


e eu pensei: nossa meu pet a cheio de lama, eu vim parar em mariana de
bermuda, e aquela angústia aquela, angústia, aquele pavor e todo mundo
chorando e as pessoas, familiares que moravam perto de nós vindos ao nosso
encontro, e, acabou todo”. (OUTRO SOBREVIVENTE, 2015)4.

É importante frisar que a catástrofe por si só traz perdas irreparáveis para


qualquer pessoa e podem variar como: perder um ente querido seja um pai, ou mãe,
irmã (o), primo (a), animais, casa, objetos eletrodomésticos, carro, suas lembranças da
vizinhança, ou seja, a rotina muda, o aspecto emocional, físicas, sociais, profissionais,
familiares, paradigmas de crença, entram em estágios ruins, para isso é preciso ter
acompanhamentos: psicossocial, médicos, assistente social. Sendo assim, TRINDADE
(2013) aponta a inserção da atuação da psicologia como colaboradora nas
intervenções de emergências e desastres na qual “priorizasse a subjetividade” das
pessoas.
Portanto, ALBUQUERQUE (2008) menciona que no Brasil a vulnerabilidade é
muito maior comparada a países mais desenvolvidos, na qual a péssima distribuição de
riqueza, ausência de serviços e amparo social aos mais necessitados residentes em
comunidades alinhado à diminuto serviço de saúde e educação, segundo o autor,
favorecem um ambiente de risco e vulnerável, sem falar na insegurança e insuficiência
em resposta ao desastre. Sendo assim, é na pós-catástrofes que o apoio de equipes

4
Op Cit
deve ser contínuo e multidisciplinar de instituições, órgãos públicos, conselho de
saúde, defesa civil, secretarias de saúde federal presentes, e voluntários que somam
parcerias para um excelente trabalho em conjunto, juntos a psicologia.

A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO DIANTE DAS CATÁSTROFES URBANAS

No Brasil ocorreram vários desastres, catástrofes e calamidades que podem ser


considerados de grandes ou médias proporções que gerou grande impacto emocional
à sociedade. Após tantas tragédias, compreendemos o dano psicológico gerado por
esses eventos nos indivíduos que estavam presentes. “A Psicologia em emergências e
desastres é o ramo da psicologia que abrange o estudo do comportamento e da reação
de indivíduos ou grupos humanos nas diferentes fases de uma situação de emergência
ou desastre” (ACEVEDO E MARTINEZ, 2007).
Esse tema é de grande importância e, devemos considerar que “as contribuições
da psicologia são muito importantes na prevenção e redução de desastres, bem como
no tratamento das consequências psicológicas oriundas de um evento adverso vivido”
(Cecília, Felipe 2011), apesar de que o predomínio das vítimas não adquirirem alguma
patologias como o transtorno de estresse pós traumático (TEPT), transtorno do pânico
(TP) e depressão, elas adquirem frequente o estado de luto, o sentimento de medo e
desespero. “Dessa forma, a atuação do psicólogo nestas situações transita a tênue
linha divisória entre a normalidade da reação de dor à perda e à crise, e a patologia”
(CECÍLIA et. al. 2014).
Quando falamos da atuação do psicólogo em emergências e desastre, nós
pensamos em um atendimento pós-desastre, porém a atuação do psicólogo vai além
do tratamento psicológico. Com base nisso, Cecília cita em seu artigo:

“A emergência exige rapidez de atuação e de resposta, e, por isso, o processo


de ensino e aprendizagem precisa ser desencadeado, preferencialmente, antes
da existência de um desastre, visando a preparação e a reflexão sobre a saúde
mental e seus mecanismos de intervenção.”5

5
Op. Cit. (2014)
Nesse sentido, a autora confirma que a uma necessidade de capacitação dos
moradores e profissionais para a prevenção o desastre ou atuação logo após o
desastre. Já a autora Desireé S. et. al. (2011) fala sobre uma parte do processo de
atuação do psicólogo após o desastre, ela diz que se inicia com:

“As equipes de saúde que realizam o acompanhamento recebem,


primeiramente, informação do estado dos cadáveres e as condições às quais
estão expostos (corpos inteiros ou partes deles). [...] A descrição realizada
ajuda as equipes a efetuar o acompanhamento, a visualizar a área, a se
preparar e a preparar também as famílias das vítimas, o que diminui o impacto
quando as famílias tiverem de reconhecê-las. Isso também permite que alguns
dos membros da equipe de saúde possam se retirar caso considerem que não
estão preparados para tal acompanhamento. [...] As famílias que reconheceram
e identificaram os corpos serão abordadas por essas equipes, as quais lhes
explicarão o que vão encontrar. Nesse processo é importante considerar a
preparação para as famílias, que implica descrever o cenário ao qual elas
serão expostas. [...] acompanhamos os familiares permitindo-lhes expressar os
seus pensamentos e sentimentos. [...] Essas pessoas se submeterão a um luto
prolongado e deverão receber apoio psicológico permanente, até conseguirem
aceitar a perda do familiar”. (DESIREÉ S. et. al. (2011)

Como foi citado acima as situações que o psicólogo ficará exposto, é necessário
ter um preparo emocional e psicológico para atuar nessa área, e uma variedade de
conhecimento para oferecer um serviço adequado que atenda às necessidades da
situação. Essas técnicas que podem ser utilizadas pelo psicólogo com o intuito de
amenizar o sofrimento humano. O objetivo desse profissional é controlar
emocionalmente tanto as vítimas como ele mesmo, com o propósito de não agravar a
situação. Ele atuará com uma equipe multidisciplinar composta por técnicos, médicos,
trabalhadores sociais, sociólogos, engenheiros, entidades de resgate e de ajuda como
a Cruz Vermelha, polícia, exército, defesa civil, entre outros. O psicólogo deverá
compreender a história e o processo até o momento em que o indivíduo ou grupo está,
para atender as necessidades que cada um apresenta.

“É fundamental reforçar a posição da importância de se considerarem: o


sujeito, o contexto, o drama, a história, as relações, o entorno, as condições e
estratégias comunitárias e sanitárias do local. A recuperação das referências, a
reorganização social, a colaboração com as equipes, com as estratégias as
mais diversas de suporte às instâncias da vida cotidiana, são fatores essenciais
para a (re)produção das identidades dos afetados nessas situações e, por
conta disso, a ação do psicólogo precisa se inserir nessas estratégias de
articulação” ( CECÍLIA et. al. 2014).

Sendo assim, papel do psicólogo é auxiliar o indivíduo com seu estado de


vulnerabilidade e analisar o impacto emocional que o desastre causou e controlar
emocionalmente tanto as vítimas como ele mesmo, com o propósito de não agravar a
situação, garantir que as políticas públicas sejam asseguradas aos indivíduos, gerar
um ambiente de acolhimento, proteção e assistência, oferecer aos familiares das
vítimas os auxílios básicos de saúde mental no começo do processo de luto e colaborar
em ações preventivas. Devemos ressaltar que, o atendimento psicológico não é restrito
somente para as vítimas e familiares das vítimas, mas também para os profissionais
que com ele atua.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Ao definir desastres e catástrofes fica compreensível a aflição que ambos


ocasionam no ser humano, há eventos recentes que comprovam esse conceitos e que
foram citados anteriormente. Visando essa definição de desastres e catástrofes, a
professora Caroline Orlandi Brilinger reconhece que o desastre expõe a fragilidade e
remete “o equilíbrio necessário para sobreviver e prosperar”. E ainda neste contexto, foi
levantada a discussão sobre o papel do profissional da psicologia no que se refere ao
amparo psicológico das vítimas desses eventos traumáticos que afetam várias
pessoas.
Portanto, há uma necessidade de profissionais capacitados que ajudem essas
pessoas que passaram/passam/passariam por essas situações, com esses
pensamentos. Em 2006, ocorreu o I congresso nacional de psicologia das
emergências e desastres para discutir propostas que visavam a efetividade e qualidade
da ajuda/atendimento e estratégia na formação dos futuros profissionais que atuariam
nessa área, pelas consequências físicas e psicopatológicas, onde já fica visível a
necessidade da atuação do psicólogo de forma multidisciplinar.
Visto que, o psicólogo tem um papel fundamental, tanto para a reconstrução da
identidade e significado de vida do indivíduo, como assistência no estado psicológico e
no planejamento preventivo. A atuação possibilita uma maior agilidade de resposta e
atendimento às necessidades das vítimas, familiares e/ou profissionais que atuam em
conjunto com ele. É visível, portanto, a prática da psicologia social e clínica que são
fundamentais e os seus conceitos são bem amplos na tentativa de fazer uma ação
coletiva. Todavia, podemos categorizar tal função como de extrema importância, tanto
pela necessidade quanto pela efetividade. Por isso, do ponto de vista dos resultados
obtidos na literatura, tal função merece incentivos no contexto do próprio ensino.
De modo algum podemos dizer que o psicólogo deve atuar individualmente,
apesar de que com uma boa formação profissional e um amplo conhecimento das
causas do fenômeno catastrófico poderá oferecer a sua contribuição quanto ao
acolhimento emocional que previna ou ameniza possíveis doenças mentais
provenientes da situação de desespero e desesperança enfrentadas pelas populações
atingidas, nessa ação de estado, vários profissionais são necessários, para o resgate,
para o tratamento de ferimentos, entres outras coisas. Conforme dito pelo profissional
entrevistado durante esta pesquisa, muitas vezes o psicólogo é coadjuvante no cenário
da catástrofe urbana, e em outras vezes ele é protagonista, pois o evento catastrófico e
tratado por momentos de atuação de cada equipe envolvida. Quanto à isso sua fala é
relevante:
“No momento em que você vai fazer a intervenção, um destes atores vai ser o
especialista na equipe. Estamos falando em gerenciamento de risco, se for
numa questão de risco de um edifício ou deslizamento de barreira, com certeza
não vai ser o psicólogo que vai atuar nesta questão, quem vai avaliar os riscos
físicos são os engenheiros e geólogos. Se você está falando na prevenção do
risco, não vai ser o engenheiro, já vai ser aqueles que têm o trabalho das
ciências humanas. Quem vai ser o protagonista da ação, vai depender da ação
que está sendo pensada. Esse é um ponto bem interessante, porque às vezes,
nós psicólogos que somos protagonistas em muitos espaços às vezes
achamos que a nossa intervenção é a intervenção. Só que a nossa intervenção
é pautada desde para onde a gente vai ou não vai; por exemplo, quando a
gente está na resposta imediata quem avalia o risco é quem determina quando
a gente vai dar o atendimento, ou seja a estrutura é pensada num primeiro
momento por quem está atuando no concreto, e a gente é apoio. Nas
respostas subsequentes a gente vai saindo desse lugar de apoio e vai
analisando os riscos e desdobramentos de tudo o que aconteceu. Tudo isso é
6
feito com planos.”

6
Fala do profissional de psicologia entrevistado durante a execução desta pesquisa.
Podemos dizer que a ocorrência de tantas tragédias no Brasil é por falta de
planejamento e gerenciamento, e que, segundo o instituto brasileiro de geografia e
estatísticas (IBGE), dos 5.570 municípios brasileiros, cerca de 59,4% dos municípios
não tinham instrumentos de planejamento e gerenciamento de riscos em 2017.
Possivelmente essa falta de estrutura de planejamento acarretou um aumento
desenfreado de desastres (em um termo geral),no dia 25 de janeiro de 2019 ocorreu a
tragédia em Brumadinho (MG), no dia 03 março só na cidade do Rio de janeiro (RJ)
ocorreu pelo menos 12 deslizamentos de terra e 11 desabamentos.
Ainda em relação à atuação do psicólogo diante das catástrofes urbanas
ressalta o profissional entrevistado que temos que estar preparados enquanto
psicólogos para dar resposta às catástrofes urbanas, porque este é um evento que não
ocorre o tempo inteiro, por isso é uma ação que não deve esperar por uma
necessidade do mercado. Com isso ele justifica na opinião do mesmo a não existência
de uma cadeira específica na formação do psicólogo durante a graduação, mas como
uma área em que o psicólogo pode se especializar após sua formação para atuar no
gerenciamento e prevenção de crises e catástrofes urbanas, enxergando assim uma
atuação muito mais ampla por parte do psicólogo, que vai desde a prevenção até à
atuação nos casos de catástrofes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluirmos este trabalho acadêmico onde abordamos o tema em questão


por conta de seus impactos recentes na sociedade, reafirmamos a questão sobre "o
papel do psicólogo", onde, ficou visível a necessidade do mesmo nesse contexto
considerando o papel que a psicologia ocupa enquanto ciência e prática
psicoterapêutica, além de sua integração social e comunicação com os diversos
setores da sociedade e campos do saber, no qual, todo objetivo é amenizar as
fragilidades e sofrimentos objetivos e subjetivos de cada vítima. Não perdemos de vista
a necessidade e importância da colaboração mútua com outros profissionais e setores
da sociedade. Reafirmamos a importância do preparo profissional e emocional em
razão da imprevisibilidade tanto do ambiente quanto do indivíduo.
Ao trazer tal informação, compreendemos sua funcionalidade e relevância. Em
razão disso, buscamos mostrar ao público essa percepção, e informações necessárias
que ajudem em sua formação acadêmica e/ou atuação profissional, e acrescentando,
que a atuação do psicólogo pode, no contexto de desastre, estender-se muito além do
que aprendemos em nossa formação básica. Como pudemos perceber nesta pesquisa,
a catástrofe urbana não espera ela acontece quando menos se espera, por outro lado a
especialização para atender a esta demanda não significa atuar apenas nas situações
de catástrofes urbanas, mas na prevenção delas, daí a importância e relevância deste
estudo para a psicologia enquanto ciência e prática terapêutica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Brasil?. In ZANELLA, AV., et al., org. Psicologia e práticas sociais [online]. Rio de
Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. pp. 221-228. ISBN: 978-85-
99662-87-8. Available from SciELO Books. Disponível em:

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ACEVEDO, G. Y MARTINEZ, G. (2007). Manual de Salud Pública. Editorial Encuentro.


Córdoba, Argentina. Psicologia dos desastres e emergências: Disponível em:
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26/02/2019.

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sg=AOvVaw3FaGxryTxzkU9loOFuptlk. Acesso em: 28/02/19

Angela C. et. al. (2011). Psicologia de emergências e desastres na América Latina:


Promoção de direitos e construção de estratégias de atuação. Disponível em:
[Link]
content/uploads/2011/06/emergencias_e_desastres_final.pdf&ved=2ahUKEwjX99qs--
7gAhUPE7kGHft1AjYQFjAAegQIBRAB&usg=AOvVaw17o6fnnADkWnH91dhbiOY5 ;
Acesso em: 06/03/19

Cecília, A. e Felipe, A. (2011). As contribuições da psicologia nas emergências e


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[Link]
[Link] em: 01/03/19.

Brilinger, caroline Orlandi, GESTÃO DE DESASTRES E CATÁSTROFES, link de


acesso:
[Link]
la%205_Gestão%20de%20 Catá[Link] acesso em 25-03-2019
Site: Agência de notícias [Link]. Acessado em 25/02/2019 com a seguinte
paráfrase: Quais os municípios foram afetados pela seca nos últimos anos. E outro de
noticias foi [Link]: brasil chuvas fortes provoca deslizamentos e
alagamentos no rio de janeiro. Acessado em: 25/02/2019.

TRINDADE, MILENA CARVALHO. O papel dos psicólogos em situações de


emergência e desastres. Universidade de franciscana – UNIFRA, SANTA MARIA, RIO
GRANDE DO SUL, BRASIL. Av. Rua Tobias da Silva, 248, 1˚ andar, Moinhos de
Vento, CEP: 90570-020 Porto Alegre-RS, Brasil
Endereço eletrônico: melctrindade@[Link]. Acesso em 22/02/19.

WEINTRAUB, A. C. A. DE MORAES. Et. al. Atuação do psicólogo em situações de


desastre: reflexões a partir da práxis. Publicado em 2015, disponível em
[Link]
Acesso em: 25/02/2019.
ANEXO 1

ENTREVISTA COM PROFISSIONAL ATUANTE DE PSICOLOGIA NESSE


CONTEXTO

Pergunta: Gostaria que você se apresentasse e falasse um pouco de sua trajetória do


seu trabalho.

Resposta: Eu estudei em Olinda fiz psicologia na Facho, Eu fazia psicologia na Facho e


pedagogia na federal e me formei em 2007. Perto de formar e o passei na seleção
para Psicólogo da Codecir Prefeitura do Recife, informação antecipada e entrei na
Codecir assim recém-formado mesmo. Na Defesa Civil antes não tinha psicólogo
atuando como psicólogo, psicólogo antes trabalhava como técnico social, hoje sim já
tem psicólogo atuando como psicólogo mesmo na defesa civil. Trabalhei em outros
lugares e fui gerente do CAPS já, depois viajei; fiz mestrado e em Desenvolvimento
Humano no México e Doutorado em ciências culturais também no México. E agora em
janeiro voltei e vim para cá em abril, sou da comissão de direitos humanos do CRP, e
concorre em chapa única no CRP e estarei trabalhando lá na comissão de direitos
humanos. Estive durante o doutorado no Haiti. Recentemente fui chamado para esta
dando assistência a familiares de vítimas em Moçambique, mas o projeto foi adiado.
Trabalhei na operação reconstrução em 2010 no interior do estado durante seis meses,
atendo aqui e em meu consultório.

Pergunta: Gostaria de saber do Senhor sobre uma breve definição de catástrofe e


desastre do ponto de vista psicológico.

Resposta: Eu acho que a nossa intervenção está muito mais baseada na estrutura que
se disponibiliza no lugar que a gente está ocupando, do que no evento em si. Porque
se você tem, por exemplo, como é na defesa civil, o psicólogo para trabalhar com
situações de crise e gerenciamento de crise, é o de esperar se o engenheiro trabalha
bem, se o que cuida da geologia trabalha bem, a comunidade responde bem e tudo
está andando direitinho, não vai ter o deslizamento, não vai morrer gente ali. eu acho
que esse é um primeiro problema, se o psicólogo vai quando a situação ocorreu e todo
o sistema está funcionando bem; para que então eu tenho que pagar à um psicólogo
os 12 meses do ano se eu estou trabalhando para que não aconteça? Estou
trabalhando porque vai acontecer? Então o que é que o psicólogo faz nesse período?
O primeiro desafio da Psicologia que atende esse tipo de situação de gerenciar crise
como criar um plano de psicólogos que estão capacitados para responder a situação
quando ela aparece se todo mundo precisa trabalhar os 12 meses do ano. Então
assim, no começo se dava uma resposta, em casos de acidentes aéreos se chamava
tudo quanto é psicólogo, psicólogo sensível, psicólogo que trabalha com luto, mas o
evento era muito maior do que trabalhar com o luto, e aí você tinha às vezes
profissionais que eram despreparados para aquelas condições. No meu consultório é
diferente eu trabalhar o luto de uma pessoa de trabalhar o luto em cima de uma
barreira ou gritando, num cenário onde alguém que chega para dar entrevista, pessoas
gritando, um carro que passou, enfim esse contexto exige um planejamento muito
maior, daí é por isso, que no meu entendimento se você formar psicólogos para
gerenciar situações de crise e emergência. Porque você não pode começar a restringir
ao evento em si; porque se não você vai preparar o psicólogo para dizer, me dê
desastres, me dê catástrofes, isso não, você vai trabalhar o psicólogo para gerenciar
situações de crise, e estas situações podem ser geradas por uma queda de um avião
ou um morador que está numa zona de risco e o engenheiro diz para ele sair, mas ele
não quer sair e daí se instala aí uma crise; não caiu nada não tem ninguém ferido, mas
aquele psicólogo que está sendo formado para atuar em gerenciamento de crise vai
atuar ali, então ele trabalha desde a prevenção; e aí passa a ter sentido que esse
psicólogo ele atenda. Então para mim o psicólogo que trabalha no gerenciamento de
crise e em situações de emergência, ele está preparado para evitar, para gerenciar a
crise e para acolher em situações de luto e todo esse processo de situações de perda.
Então é um processo contínuo em que antes tinha falado em três momentos e agora a
gente acrescenta a prevenção.

Quando falado sobre a escassez de uma cadeira específica na formação, o


Entrevistado ainda ressalta essa preparação é prevista pelo mercado de trabalho, por
isso é uma especialização que o psicólogo tem, mas que não atua nela todo o tempo,
uma vez que exige a existência da situação de crise ou catástrofe. Ressalta ainda que
temos que estar preparados enquanto psicólogos, para dar resposta e essa deve ser
uma ação que não deve esperar por uma necessidade do mercado.

Pergunta: como é a atuação com as várias áreas envolvidas?

Resposta: No momento em que você vai fazer a intervenção, um destes atores vai ser
o especialista na equipe. Estamos falando em gerenciamento de risco, se for numa
questão de risco de um edifício ou deslizamento de barreira, com certeza não vai ser o
psicólogo que vai atuar nesta questão, quem vai avaliar os riscos físicos são os
engenheiros e geólogos. Se você está falando na prevenção do risco, não vais ser o
engenheiro, já vai ser aqueles que têm o trabalho das ciências humanas. Quem vai ser
o protagonista da ação, vai depender da ação que está sendo pensada. Esse é um
ponto bem interessante, porque às vezes, nós psicólogos que somos protagonistas em
muitos espaços às vezes achamos que a nossa intervenção é a intervenção. Só que a
nossa intervenção é pautada desde para onde a gente vai ou não vai; por exemplo,
quando a gente está na resposta imediata quem avalia o risco é quem determina
quando a gente vai dar o atendimento, ou seja, a estrutura é pensada num primeiro
momento por quem está atuando no concreto, e a gente é apoio. Nas respostas
subsequentes a gente vai saindo desse lugar de apoio e vai analisando os riscos e
desdobramentos de tudo o que aconteceu. Tudo isso é feito com planos. Pela questão
do incomum que é o evento, se você não tem plano de ação, é um caos. Têm planos
que são feitos e pensados dentro do próprio conselho. E isso foi discutido no último
pré-congresso. Enfim, essa previsão de qual é o nosso lugar, tem que ser determinada
antes e ela não é determinada por nós psicólogos, como a primeira avaliação é o risco
físico, nós então somos meio coadjuvantes nesse momento.

Pergunta: Aí depois é que vai se tomar as precauções e as iniciativas, né isso?


Primeira avaliação física e depois a atuação do psicólogo?
Resposta: Isso. Como funcionava da defesa civil. Era uma avaliação no verão do que
ficou de pé ou não durante o inverno no que diz respeito às barreiras. Faz um
mapeamento das casas que ficaram em risco pelos técnicos de edificações que
encaminham para os engenheiros que avaliam os riscos, a partir dai eles vão
conscientizar as pessoas que estão naquelas áreas. Ao mesmo tempo vai acontecendo
a ação educativa, que vão acontecer nas comunidades onde o risco aumentou, e daí
vai o técnico social e o psicólogo para fazer as pessoas entenderem que o risco mudou
e elas precisam mudar o comportamento. Não é só informar, é pensar como vai
trabalhar aquilo ali, e isso é feito por uma equipe. Por exemplo, a pessoa que vai
analisar a zona amarela é quem vai determinar onde eu vou atuar de acordo com os
riscos. Quem vai determinar para onde eu vou é a pessoa que primeiro foi ali. Isso no
período de preparação. Um pouco antes do período de chuva começa a organização
para receber a água, e daí se verifica a necessidade das áreas que precisam receber
lona, outras que precisam ser desocupadas, e nessa hora o psicólogo vai para
conscientizar as pessoas do risco. Agora a intervenção será particular de acordo com o
risco. E daí tem aquelas pessoas que já enfrentaram situação antes, que ficam sem
dormir por conta dos riscos, aquela pessoa que já tem histórico psiquiátrico porque teve
perdas em situações anteriores. Toda essa análise é feita por quem vai e avalia
primeiramente a situação. Quando começa o inverno, começa a intensificar esses
deslizamentos, e aí o psicólogo em casos de deslizamento vai para o local, para dar
apoio para que as coisas funcionem bem. E atua nos conflitos e crises que surgem
naturalmente dessas situações, até mesmo para fazer com que o trabalho dos
engenheiros faça seu trabalho tranquilo. Muitas vezes a comunidade está revoltada,
mas essa revolta muitas vezes não é contra o município, mas contra o sentimento de
impotência diante daquela situação de perda e o psicólogo atua para ajudar a canalizar
aquelas emoções e aliviar as tensões ali no momento da catástrofe. Se houve óbito
vamos atuar para dar a possibilidade de a pessoa viver aquela dor de forma mais
tranquila, mas saudável que coloque ele em menos risco prevenindo o trauma que
pode advir daquele contexto. É nesse momento que nós psicólogos somos
protagonistas.

Pergunta: como seria o direcionamento para o psicólogo dar o suporte nos casos de
catástrofes como foi no caso de Minas Gerais.

Resposta: Vai dentro desta mesma lógica. Aconteceu uma situação quem vai chegar
primeiro são os bombeiros, para dar uma resposta e a resposta imediata vai ser de
criar área de segurança e garantir vidas. Então eu tenho uma resposta médica e uma
resposta da parte mais técnica do risco, mais da engenharia que é quem vai avaliar;
esses grupos vão identificar demandas e vão avaliar quem vai atuar nessas demandas.
Uma das áreas dessas demandas é nossa, porque a gente está falando de psicologia,
mas assistência social é necessária. Então esse pessoal vai morar onde? Vai ter
abrigo, não vai ter abrigo? A gente de psicologia vai circular pelos abrigos, vai ver os
riscos que estes abrigos podem oferecer, no caso de abusos. Os primeiros que vão dar
respostas para garantir vidas, eles vão ver que além das vidas existem outras
necessidades, e a gente entra nessas outras necessidades. Isso vai ser acionado,
instituições que trabalha com estes casos, o município, e desse acionar e acionar se
convoca. Abrem-se convocatórias e quem quiser se inscreve. E quando se entra para
atuar, o psicólogo entra no fluxo, quando tudo está ocorrendo, e cabe a ele buscar as
informações de tudo o que está acontecendo. Quem vai fazer o trabalho de
comunicação com as pessoas que são vítimas e estão sobre impacto é o psicólogo.

Pergunta: O senhor fala das questões da informação e do preparo emocional?

Resposta: Sim, porque é um fato, nesse contexto as pessoas elas ficam em uma
situação inesperada, as pessoas tem uma resposta, que não é a mesma “de eu chegar
hoje qual é o dia que nós vamos fazer uma reunião aqui da vacinação”, a outra é de
quando eu chegar e reunir várias pessoas sem eu saber o número de vítimas, se o
parente estiver ou não, a capacidade que reúna pessoas com informação e essa
informação não seja de toda retida é muito grande, “eu preciso que todos me
escutem!”; esses momentos são importantes tanto antes quanto depois para que essa
informação seja retida, aí nesse caso seriam para aqueles que não puderam escutar.
Aí o psicólogo tem essa facilidade de lidar com dor e sofrimento de uma forma mais
acolhedora. Por isso a necessidade de estamos nesses lugares, não é uma abordagem
pedagógica, a necessidade de escuta e empatia é muito grande.

Pergunta: Os principais desafios e estratégias?

Resposta: Em relação aos desafios e estratégias, o principal desafio é “sair da


caixinha” que éramos colocados em nossa formação, quando você mais preparados
para efetuar uma escuta, em um espaço onde te garante condições. Temos uma
imagem que o psicólogo tem que estar em uma sala segura e confortável, e quando
vamos fazer uma leitura nessas situações, tem que ter uma leitura de onde vou fazer,
aqui pode ou não chegar alguém, como me aproximar, como respeitar, um cuidado e
uma atenção que não vemos em nossa formação. Para que ela não sofra mais nós
somos responsáveis por isso. O desafio é sair da nossa salinha e entrar em um
contexto que não previmos As estratégias é ser proativo, é ser criativo, é ser
simpático, é se preparar o máximo antes para seu olhar esteja mais para aquela
necessidade, e, para criar uma relação empática com aquela pessoa.
Pergunta: Como lidar com sofrimento e a dor naquele momento?

Resposta: Isso seria muito particular, na verdade a sua preparação é para ter uma
visão mais ampla para as possibilidades de respostas. Cada situação concreta vai te
levar a uma forma de reagir. Você será solicitado para fazer uma escuta (da vítima),
por estarem muito machucada ou precisa que essa pessoa se desloque para outro
lugar. Lá (em um desastre) um psicólogo pode fazer mais do que uma escuta.

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