Curso de Medicina – HAM – 2º Período Bruna Franco Teotonio
EXAME MOTOR DA COORDENAÇÃO
Coordenação: relação entre elementos que
funcionam de modo articulado dentro de uma
totalidade ordenada
Em neurologia:
® Capacidade de manter o equilíbrio do
corpo, ficar de pé, mover-se
® Capacidade de realizar movimento
intencionais, distintos, finos.
Cerebelo – faz o que? É um coordenador.
Ato motor: envolvimento de muitos grupos
musculares
o Agonistas
o Antagonistas
o Sinergistas
o Músculos de fixação
Perturbação desta organização, a PERDA DE
COORDENAÇÃO se chama ATAXIA — Pode
ser de 3 tipos cerebelar, sensorial e mista.
A coordenação adequada traduz o bom
funcionamento de pelo menos 2 setores do
sistema nervoso: o cerebelo – que é o centro
coordenador – e a sensibilidade
proprioceptiva, que informa ao centro
coordenador as modificações de posição dos
vários segmentos corporais.
Posterior ao tronco
o Lobo floculonodular (azul) –
Vestibulocerebelo, coordena
movimentos oculares e equilíbrio
macroscópico.
o Vermis (rosa) – Espinocerebelo,
controle de marcha, postura, tônus
muscular e controle de músculos axiais
(cabeça e tronco)
o Hemisférios (verde) – Pontocerebelo
ou Corticocerebelo, controle dos
movimentos motores finos das
extremidades
O cerebelo faz conexões com o córtex, com a
medula.
O cerebelo faz aferências de forma cruzada e
recebe aferências da medula de forma
cruzada.
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A função do cerebelo é invertida da função o DISDIADOCOCINESIA: falha nessa
cortical – a alteração no cerebelo do lado execução, a dificuldade em realizar
direito faz alteração na coordenação a direita. esses movimentos.
Importante para fazer correlação com sinais e
sintomas clínicos do paciente. O cerebelo não REAÇÃO DE PARADA
é cruzado.
Capacidade de cessar um ato motor após
brusca retirada da resistência, em um
movimento rápida até atingir o alvo o membro
parar
Perda da reação de parada: é um efeito rebote
CONTROLE DO TÔNUS MUSCULAR
o Grau de contração passiva
(inconsciente) que a musculatura
normal é mantida
HIPOTONIA: diminuição da resistência para
movimentos passivos, flacidez muscular,
reflexos pendulares (muitos) aumento no
limite e na duração da oscilação do braço
envolvido (teste da sacudida do ombro)
CONTROLE DA FALA: articulação da fala,
ritmo, cadencia
o Disartria cerebelar: fala fica lenta,
pastosa, arrastada, espasmódica.
Disartria escandida (fala ebriosa)
MOVIMENTOS OCULARES: capacidade de
fixar o olhar, acompanhar objetos no campo
FUNÇÃO CEREBELAR visual e mudar o fogo da visão (sácades)
o Nistagmo: movimento oscilatório do
o Eussinergia: adequada escala globo ocular – há muito movimento
temporal na execução do ato motor ocular para cima. Incapacidade de fixar
(sequencia de movimentos para o olhar com necessidade de sácades
execução uniforme e precisa do ato). corretivas frequentes, desvio skew,
o Dessinergia: decomposição do dismetria ocular, flutter ocular,
movimento. opsoclonia
o Eumetria: julgamento adequado a
distância POSTURA E MARCHA: capacidade de
o Dismetria: não acerta o alvo, não para manter-se de pé, com a base estreita e de
no local certo, não faz o movimento em caminhar em linha reta de forma fluída, com
linha reta, tremor intencional. movimentos harmônios dos 4 membros.
o Marcha atáxica cerebelar: tendência
COORDENAÇÃO AGONISTA- a cair para o lado, desvio da direção ou
ANTAGONISTA não consegue ficar de pé; se
consegue, tende a cair para t´ras ou
o EUDIADOCOCINESIA são os para frente; dificuldade com os olhos
movimentos rápidos e alternados abertos ou fechados
o Sequencia normal trifásica,
agonista-antagonista-agonista.
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EXAME DE COORDENAÇÃO
Realizar o teste várias vezes.
COORDENAÇÃO EQUILIBRATÓRIA: ® Primeiro em velocidade normal, depois
marcha e postura mais rápido, com os olhos abertos e
com os olhos fechados.
COORDENAÇÃO NÃO EQUILIBRATÓRIA ® Para sensibilizar o teste, faz-se a
® Movimentos apendiculares: sensibilização, pedindo para o paciente
dissinergia, dismetria, deslizar o calcanhar pela crista tibial
Disdiadococinesia, rebote, tremor após tocar o joelho.
intencional.
Há dismetria (distúrbio na medida do
EXAME CLÍNICO: movimento) quando o paciente não alcança o
o Observação alvo com precisão.
o Testes específicos
PROVA DOS MOVIMENTOS RÁPIDOS E
ALTERNADOS
TESTE ÍNDEX-NARIZ (dedo-nariz) Solicitar que o paciente execute atos que
Paciente com o membro superior estendido sejam imediatamente seguidos por
lateralmente, deve tocar o dedo indicador no movimento diametralmente oposto.
nariz, estica o braço e volta a tocar no nariz –
repetição. Abrir e fechar a mão;
Movimento de supinação e pronação;
Pedir para fazer em velocidade normal e Extensão e flexão dos pés
depois rápido.
® Fazer com os olhos abertos e depois ® Os movimentos se chamam
com os olhos fechados diadococinesia.
® Pode exercer resistência ao ® A capacidade de realizar esses
movimento. movimentos é a Eudiadococinesia.
® A dificuldade em realizar esses
COMPLEMENTO: dedo-nariz-dedo do movimentos é chamada de
examinador (paciente toca no seu próprio Disdiadococinesia.
nariz depois no dedo do examinador) ® A incapacidade é a Adiadococinesia.
® Primeiro contra o alvo fixo. TESTE DA PARADA E FENÔMENO DE
® Pode-se dificultar o teste, modificando REBOTE
a posição do alvo (dedo do Paciente para Normal: liberação súbita da
examinador). carga.
® cerebelo – comando – contração súbita
*A função do cerebelo não depende da visão, do antagonista para cessar o
depende das funções espinocerebelares – movimento
propriocepção inconsciente – sabendo a ® TESTE DE HOLMES: a ausência de
posição dos membros e posicionar os rebote é anormal.
membros no espaço coordenadamente. ® DESVIO E PASSAGEM DO PONTO:
Mesmo de olhos fechados o paciente deve ser testar capacidade de manter o
capaz de tocar nas regiões do seu corpo. alinhamento dos membros.
® Manter os braços estendidos (olhos
TESTE CALCANHAR-JOELHO abertos e depois fechados)
® Se há disfunção cerebelar o paciente
Fazer exame do membro inferior. Tem o desvia-se para o lado da lesão.
mesmo objetivo do teste índex-nariz.
Paciente em decúbito dorsal, é solicitado a
tocar o joelho oposto com o calcanhar do
membro a ser examinado.
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EXAME DA POSTURA E MARCHA Indivíduo normal em que nada se observa, ou
apenas ligeiras oscilações no corpo – prova
Fisiologia da postura de Romberg negativa.
o Tônus normal dos músculos
antigravitacionais Em algumas alterações neurológicas, ao
o Reflexos posturais, de endireitamento fechar os olhos, o paciente apresenta
tônico cervicais e labirínticos oscilações do corpo, com desequilíbrio e forte
o Propriocepção tendência à queda – prova de Romberg
o Integridade do sistema ósseo positiva.
o Músculos funcionando normalmente
o Coordenação adequada Interpretação da resposta:
o Força 1. Instável com os olhos abertos. Igual ou
discreta piora com os olhos fechados,
Fisiologia da marcha tendência a queda lateralizada.
o Tronco cerebral e a medula espinhal 2. Instável com olhos abertos. Tendência
nas formas inferiores contêm
geradores centrais de padrão Pode haver, portanto:
o Controlam a atividade em ® Se a tendência a queda é para um lado
neurónios e após interromper a visão, há lesão
das vias de sensibilidade
proprioceptiva consciente.
O ciclo da marcha refere-se aos eventos ® Se a queda é sempre para o mesmo
transcorridos entre o momento em que um lado, após transcorrer pequeno período
calcanhar toca o solo e o momento em que o de latência, há lesão do aparelho
mesmo calcanhar toca o solo novamente. vestibular.
® Fase estática (sustentar o peso do
corpo) e a oscilação (fazer avançar o MARCHA – AVALIAÇÃO
membro).
® *Não pensamos para caminhar* Disbasia é todo distúrbio da marcha.
Avaliar marcha espontânea:
EXAME CLÍNICO POSTURA o Largura da base – distância de uma
perna e outra, uns 5 cm separam os
® Postura maléolos durante a fase da passada
® Atitude ao ficar em pé o Grau da saída do chão da parte anterior
do pé (tocar com calcanhar e depois a
AVALIAR frente, sai a frente e depois o
o Largura da base (distância dos pés calcanhar).
quando se está de pé – há afastamento o Comprimento da passada.
da base para ficar melhor de pé) o Oscilação dos braços ao longo do
o Diferença ao juntar os pés corpo (movimento antagónicos, braços
para trás e pernas para frente).
MANOBRA DE ROMBERG o Movimentos involuntários da mão.
® Paciente em pé normal – observar.
® Pedir para juntar os pés (base) – Atenção às limitações não neurológicas
observar. o Dor; problemas ortopédicos;
® Pedir para fechar os olhos com base Hipotensão postural
fechada – observar.
® Paciente deve manter posições por Testes sensibilizadores
pelo menos 30 segundos. o Andar em fila indiana (tandem – um pé
® Não vai ter desequilíbrio na manobra em frente do outro).
de Romberg. o Andar rápido e parar abruptamente.
o Andar sobre os artelhos e calcanhares.
o Pular sobre qualquer um dos pés.