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NOÇÕES SOBRE ENGENHARIA CIVIL

Prof. Dr. Rudney C. Queiroz Professor Adjunto – Livre Docente Departamento de Engenharia Civil Unesp - Bauru

- Bauru/2008 -

Noções sobre Engenharia Civil

Introdução

Prof. Rudney C. Queiroz

Esta apostila tem como objetivo puramente didático e de informações básicas aos alunos ingressantes no curso de engenharia civil do Departamento de Engenharia Civil da Unesp – Bauru. Não pretende esgotar o assunto, pois essa área é muito vasta e necessita de estudos históricos e sobre as legislações e atuações profissionais, de forma mais profundos. Portando, constitui-se em notas de aulas auxiliando o estudante na disciplina “Introdução à Engenharia Civil” complementadas pelas aulas expositivas em sala, pesquisas sobre a profissão e seminários realizados pelos alunos.

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1. Engenharia e Arquitetura

Prof. Rudney C. Queiroz

Contemporaneamente, denomina-se engenharia o conjunto sistemático de conhecimentos e técnicas aplicadas ao projeto, construção e manutenção de estruturas materiais, quer se trate das edificações de natureza habitacional ou viária, funcional ou produtiva, quer se trate de máquinas de produção em série, instrumentos, veículos, aparelhos ou máquinas para o prolongamento da vida humana. O nome também designa a profissão de quem se ocupa de um ou mais desses campos do saber e fazer tecnológico. Utilizando a energia do fogo, da água, dos fósseis, do solo, do vento e dos átomos, o homem foi aprendendo a se relacionar com a natureza, desfrutando-a segundo suas necessidades. Percebe-se que desde suas mais incipientes manifestações a engenharia tem contribuído como mediadora das relações entre o homem e a natureza. É fato, também, que o aspecto mecânico e direto desse relacionamento originou a "tecnologia", e o registro e a verificação experimental das explicações e princípios demonstráveis constituiu a "ciência". Por sua vez, a aplicabilidade do conhecimento técnico-científico tem influenciado os destinos da própria engenharia. Mais recentemente, os conhecimentos e as experiências de engenharia passaram a ser observados e assimilados pelo homem, em suas relações cotidianas, interação esta que, de certa forma, influenciou o surgimento de novos campos e conseqüentes paradigmas, como por exemplo: a "engenharia humana", a "engenharia cultural", a "engenharia do lazer", etc. Tudo indica que, desprezando alguns séculos, a engenharia e a arquitetura são filhas da mesma mãe Minerva, mesmo porque o verbo "engenhar" tem o mesmo significado do verbo "arquitetar". Considerando as vocações da engenharia civil (à estática e segurança) e da arquitetura (à estética e espaço), é muito importante que haja diálogo entre essas duas irmãs, a fim de que o habitat humano esteja em constante aprimoramento. Como exemplos, são tantas as vezes em que os projetos arquitetônicos exigem esbeltez dos pilares, das vigas, das lajes, etc., mas o engenheiro civil compromissado com a estática, com os princípios científicos, com a segurança e com a normalização faz robustecer aquelas estruturas, causando polêmicas, tanto teóricas como no dia-a-dia da

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atuação profissional. Mas, ao mesmo tempo, devido a essas mesmas discussões e às provocações arquitetônicas, a engenharia civil estrutural tem evoluído, buscando sempre responder aos desafios (de encontrar soluções ousadas) que sua "irmã arquitetura" lhe apresenta. Arquitetura pode ser definida de acordo com vários autores em diversas partes do mundo, como sendo a arte de planejar o espaço, tanto no meio ambiente, como em edifícios e obras, dentro de um partido funcional e estético, procurando atender às necessidades do ser humano e respeitando as peculiaridades do meio ambiente. Para a engenharia civil, uma definição geral é: “Engenharia Civil é a arte da aplicação da ciência e da tecnologia na utilização racional dos recursos naturais em benefício do homem em sociedade”. Segundo o ICE (Institution of Civil Engineers) de Londres, engenharia civil pode ser modernamente definida como: "a great art, on which the wealth and well- being of the whole of society depends. Its essential feature, as distinct from science and the arts, is the exercise of imagination to fashion the products, processes and people needed to create a sustainable physical and natural built environment. It requires a broad understanding of scientific principles, knowledge of materials and the art of analysis and synthesis. It also requires research, team working, leadership and business skills".

2. Engenharia Civil

A Engenharia Civil é uma das mais antigas profissões da humanidade. A primeira denominação para a engenharia civil vem dos Romanos “Ingenium Civitas”, isto é, Engenharia das Cidades ou Engenharia da Civilização, pois era a profissão que durante o Império Romano era responsável por projetar e construir as estradas, pontes, aquedutos, palácios, sistemas de esgotos, termas, ou qualquer obra ligada à vida das pessoas em sociedade. Uma das obras monumentais da época dos romanos é a “Cloaca Massima” ou “Grande Esgoto” em Roma. Essa grande rede subterrânea foi construída no final do Século VI a.C., recebendo as águas pluviais, esgotos e lixo, e funcionam até os dias de hoje, com mais de dois milênios de existência. Para o abastecimento de água os Romanos chegaram a construir condutos para água em canais revestidos, com inclinação constante de 0,5% ao longo de dezenas de quilômetros, atravessando elevações com túneis escavados na rocha e vales com aquedutos elevados. Os canais de

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escoamento eram revestidos com argamassas obtidas de calcários, que por possuírem

superfícies lisas diminuíam o atrito e aumentavam a vazão, demonstrando

conhecimentos de hidráulica de canais.

Os engenheiros civis Romanos também foram hábeis na construção de pontes

em arcos constituídos por blocos de rochas, estradas pavimentadas, palácios, entre

outras maravilhas da engenharia civil e arquitetura, que permanecem até hoje como

testemunha da engenhosidade e criatividade humana.

Durante a Idade Media a engenharia civil passou a ser denominada somente de

engenharia e incorporava tanto a parte civil como a militar. Nessa fase da historia,

foram construídas grandes catedrais e castelos e os profissionais começaram a se

organizar em sociedades de construtores.

Modernamente a denominação de Engenharia Civil passou a ser utilizada a partir

do inicio do Século XVIII, mais precisamente em 1744, na Politécnica de Paris, França,

quando houve a separação entre engenharia militar e civil. Sendo nesta época, o

engenheiro civil, considerado o profissional que seria responsável pelo projeto e

construção das obras de infra-estrutura para a sociedade civil, sendo, portanto, o

engenheiro que construía para o bem da humanidade. Na Inglaterra, o primeiro

engenheiro civil foi John Smeaton (1725 – 1792), criou o Institution of Civil Engineers

de Londres, considerado modernamente o Patrono da Engenharia Civil.

Segundo Thomas Tredgold, fundador da British Institution of Civil Engineers, em 1808: “Civil Engineering is the art of directing the great sources of Power in Nature for the use and convenience of man; being that practical application of the most important principles of natural Philosophy which has in a considerable degree realized the anticipations of Bacon, and changed the aspect and state of affairs in the whole world. The most important object of Civil Engineering is to improve the means of production and of traffic in states, both for external and internal Trade. This applied in the construction and management of Roads - Bridges - Rail Roads - Aqueducts - Canals - River Navigation - Docks, and Storehouses for the convenience of internal intercourse and exchange; - and in the construction of Ports - Harbors - Moles - Breakwaters - and Lighthouses, and in the navigation by artificial Power for the purposes of commerce”.

Observa-se, portanto, que a engenharia civil era naquela época e continua sendo

nos dias atuais, uma profissão muito ampla e de grande importância para a sociedade

civil moderna, implicando em muita responsabilidade para quem a exerce.

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A engenharia civil é uma profissão fim, pois é responsável pelo planejamento,

coordenação, projeto, fiscalização, construção, operação e manutenção de qualquer obra

ou atividade ligada à indústria da construção civil.

A engenharia civil esta presente em todos os lugares da Terra onde existe a

presença da civilização e em todos os momentos da nossa vida, enquanto cidadãos. Está presente quando dirigimos nosso automóvel por uma rodovia, circulamos por uma rua ou avenida, no Metrô que viajamos, no edifico que trabalhamos, na residência em que vivemos, na água potável que bebemos e utilizamos, no lixo ou esgoto que descartamos, na energia elétrica que consumimos, nos aeroportos que decolamos e aterrissamos com as aeronaves, nos portos onde são feitos os transbordos de mercadorias, nas ferrovias que transportam passageiros e cargas, nas hidrovias, nos túneis, no transito urbano, no planejamento dos sistemas de transportes de passageiros e de mercadorias, no planejamento urbano e territorial, nas barragens e diques, nas pontes e viadutos, nas escolas, nos hospitais, nas industrias, nas fundações dos edifícios e pontes, nas áreas de

lazer que freqüentamos, enfim, em qualquer espaço construído ou modificado pelo homem na superfície e sub-superfície terrestre. Na história moderna, a engenharia civil produziu mudanças na geografia da Terra, com a construção de grandes canais, como o Canal do Panamá ligando o Oceano Atlântico ao Pacifico, e o Canal de Suess, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, construção de grandes túneis submarinos, pontes, ferrovias transcontinentais, ilhas artificiais para grandes aeroportos, etc. A engenharia civil é uma profissão de extrema importância e está tão intimamente ligada à sociedade moderna e à segurança do ser humano nos diversos espaços construídos, que pode ser considerada uma engenharia social, pois dela depende, em grande parte, a vida do homem em sociedade. Segundo Donald P. Coduto (1999), “Civil engineers protect public health by designing and building facilities that provide clean water and sanitation. No other profession, including medicine, has done more to reduce the spread of disease and save lives”.

As principais áreas da engenharia civil são: estruturas, estradas e transportes, geotecnia, hidráulica e saneamento, materiais, construção civil, e meio ambiente.

O engenheiro civil é o engenheiro da Indústria da Construção Civil, sendo,

portanto, um engenheiro pleno, e as suas realizações trazem uma enorme gratificação ao

engenheiro civil, na pratica da profissão. Pois é uma profissão em que o resultado do

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trabalho do profissional permanece por longo período de tempo servindo a humanidade, como uma estrada, um edifício, uma rede de abastecimento de água, uma rede de esgotos, uma ponte, um túnel, etc.

O exercício desta profissão exige uma serie de conhecimentos científicos e

tecnológicos, principalmente nas áreas de física, matemática, informática, química,

geologia, topografia, meio ambiente, administração, produção, logística, economia,

arquitetura, urbanismo, ética profissional, humanidades, e modernamente até biologia, entre outras.

A historia da engenharia civil se confunde com a historia da humanidade e,

portanto, com a historia da civilização, desde a idade antiga até a era moderna. Contar essa historia é praticamente impossível, pois por detrás dela esta cada construção feita pelo homem em todas as épocas e em todas as partes do mundo. Cada livro de historia descreve o homem inserido com suas manifestações arquitetônicas, disputas territoriais, políticas, etc.

Desde a antiga Messopotania, Índia, China, Egito, Américas, Grécia, Roma, até os dias atuais, a engenharia civil esteve viva e participativa dentro da própria civilização, pois é uma engenharia que faz parte do ser humano e do seu habitat. Engenhar e arquitetar são verbos sinônimos, que dizem trabalhar com criatividade e raciocínio, cabendo ao arquiteto e engenheiro civil pôr esses sinônimos em prática. Engenhar significa inventar, planejar, traçar, criar, etc., assim pode-se dizer que os engenheiros inventam, pelo uso da aplicação da ciência e criatividade humana, um futuro que está sempre se modificando com a utilização de novas tecnologias. Portanto, uma profissão somente pode ser denominada engenharia se “engenha” planeja, projeta ou cria e “produz” fabrica ou constrói bens materiais com a aplicação da ciência e da tecnologia.

A seguir tem-se uma breve descrição de algumas das principais obras da

engenharia civil e seus responsáveis, na era moderna.

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3. Grandes Feitos da Engenharia Civil e de Ilustres Engenheiros Civis na Era Moderna

Na era moderna, a partir da revolução industrial, a engenharia civil teve um impulso muito grande, principalmente com a invenção da maquina a vapor e com o advento das ferrovias. As ferrovias se constituíram em uma revolução no sistema de transportes e a sua construção exigia um traçado adequado e preciso, necessitando de projeto geométrico, grandes obras de arte, como pontes, viadutos, túneis, drenagens, etc., além de obras geotécnicas como a abertura de cortes e construção de aterros.

A partir de então, foram criados associações e institutos que congregavam os

engenheiros civis, profissionais imprescindíveis para a infra-estrutura de cada país. Foi criada em 1771 por John Smeaton, a primeira associação de engenheiros civis da Inglaterra, que a partir de 1808 passou a ser denominada de ``Institution of Civil

Engineers´´ (ICE) de Londres. Em 1854 foi criada a ``Americam Society of Civil Engineers´´ (ASCE), nos Estados Unidos, entre outras nos diversos paises. A ASCE é uma das maiores associação profissional dos Estados Unidos e ao longo da historia recente, juntamente com os profissionais ligados a ela, teve uma influência muito grande na construção da infra-estrutura e desenvolvimento dos Estados Unidos. Outras associações de engenheiros civis ao redor do mundo podem ser encontradas no site: http://www.asce.org/inside/intlagree.cfm. No Brasil temos o Instituto de Engenharia de São Paulo (IE) e a Associação Brasileira dos Engenheiros Civis (Abenge), além de outras associações ligadas à engenharia civil, como Associação Brasileira de Engenharia Estrutural, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, Associação Brasileira de Cimento Portland, Associação

Brasileira da Construção Metálica, Associação Brasileira de Corrosão, Associação Brasileira de Engenharia Consultiva, entre outras. Ao longo da historia a engenharia civil possuiu inúmeros profissionais de altíssimo nível, que contribuíram para o progresso das ciências e da engenharia e para o desenvolvimento da humanidade.

A seguir são descritos de forma resumidos alguns dos principais feitos da

engenharia civil e seus principais autores:

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1. Fundamentos Básicos da Engenharia Civil: Citam-se alguns engenheiros civis no mundo e no Brasil e cientistas que lançaram os fundamentos básicos da moderna engenharia, principalmente nas áreas de geotecnia, hidráulica, estruturas e resistência dos materiais e demais áreas da ciência:

a) William John Macquorn Rankine, engenheiro civil escocês (1820- 1872) que deu enorme contribuição a diversos ramos da engenharia, incluindo a área de mecânica dos solos com a teoria sobre empuxos em maciços terrosos, denominada de método de Rankine, nas áreas de termodinâmica com a escala de Rankine, e em mecânica. Inicialmente teve interesse pela matemática e musica, e em seguida passou a trabalhar com projetos e construção de sistemas fluviais, hidráulica, ferrovias e portos.

de sistemas fluviais, hidráulica, ferrovias e portos. William John Macquorn Rankine b) Henry Philibert Gaspard

William John Macquorn Rankine

b) Henry Philibert Gaspard Darcy (10 Junho, 1803 – 3 Janeiro, 1858), engenheiro civil Francês, que lançou as bases da hidráulica, publicando a Lei de Darcy, sobre a perda de carga de fluidos através de condutos. Como engenheiro, participou de um grande numero de obras hidráulicas.

de fluidos através de condutos. Como engenheiro, participou de um grande numero de obras hidráulicas. Henry

Henry Darcy

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c) Charles Augustin de Coulomb, engenheiro civil, matemático e cientista francês (1736-1806), graduou-se em 1761 pela ``École du Génie at Mézières´´ de Paris. Coulomb deu enorme contribuição à engenharia e à física, principalmente na área de resistência dos materiais. Como engenheiro civil, envolveu-se em diversas áreas, como projeto de estruturas, mecânica dos solos, fortificações, entre outras. Trabalhou na Martinica onde foi encarregado de projetar e construir o Forte Bourbon. Devido a problemas de saúde teve que retornar à França onde se dedicou à ciência.

teve que retornar à França onde se dedicou à ciência. Charles Augustin de Coulomb d) Stephen

Charles Augustin de Coulomb

d) Stephen Prokofyevich Timoshenko, engenheiro mecânico e civil

russo (1878-1972), graduado pela ``St. Petersburg Railway Engineering Institute´´ em 1901. Durante toda carreira profissional dedicou-se ao estudo da resistência dos materiais e sistemas estruturais, desenvolvendo vários métodos, principalmente em estática e dinâmica das estruturas. Emigrou para os Estados Unidos

em

1922, e a partir 1936 foi professor na Stanford University.

O

professor Timoshenko é considerado o pai da mecânica,

principalmente em analise de estruturas.

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Noções sobre Engenharia Civil Prof. Rudney C. Queiroz Stephen Prokofyevich Timoshenko 2. Remodelação de Paris: Sob

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Stephen Prokofyevich Timoshenko

2. Remodelação de Paris: Sob a administração do Barão Haussmann e a coordenação do engenheiro civil Marie François Eugène Belgrand (1810- 1878), Paris passou por uma intensa reconstrução, tendo produzido grandes avenidas, edifícios majestosos e um dos mais fabulosos sistemas de esgotos do mundo. Grande parte da atual Paris deve-se a esses grandes profissionais que tiveram a ousadia e a capacidade de vislumbrar o futuro e criar uma das mais belas cidades do mundo moderno.

futuro e criar uma das mais belas cidades do mundo moderno. Marie François Eugène Belgrand 3.

Marie François Eugène Belgrand

3. Torre Eiffel: Foi projetada e construída pelo engenheiro civil Gustave Alexandre Eiffel (1832-1923) que se tornou grande projetista de estruturas metálicas, tendo projetado centenas de outras obras famosas, como a estrutura da Estatua da Liberdade em Nova York, o viaduto de Garabit na França e a ponte do Porto, em Portugal. Eiffel foi o primeiro engenheiro a construir um túnel de vento para analise de aerodinâmica dos primeiros aviões na década de 1910.

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Noções sobre Engenharia Civil Gustave Alexandre Eiffel Prof. Rudney C. Queiroz 4. Canal de Suess: Deve-se

Gustave Alexandre Eiffel

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4. Canal de Suess: Deve-se a Ferdinand de Lesseps, engenheiro civil francês (1805-1894) a construção do Canal de Suess ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, através do Egito. Foi também um dos primeiros idealizadores do Canal do Panamá.

também um dos primeiros idealizadores do Canal do Panamá. Ferdinand de Lesseps 5. Canal do Panamá:

Ferdinand de Lesseps

5. Canal do Panamá: O Canal do Panamá teve inicio entre 1881 e 1889 pelos franceses, com Lesseps a frente do projeto, tendo sido abandonado devido aos problemas enfrentados pela selva e condições insalubres. A partir de 1904 as obras foram retomadas pelos Estados Unidos. Inicialmente teve a coordenação do engenheiro civil John F. Wallace que enfrentou sérios problemas, principalmente com a malaria. Para dar continuidade às obras o presidente Roosevelt enviou o engenheiro civil John Stevens (1853-1943), que contratou o medico sanitarista Dr. William Gorgas para a erradicação da malaria. Sob a coordenação de Stevens, o projeto foi

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remodelado, feito o saneamento dos pântanos e construção de vilas para os operários, fornecendo melhores condições de trabalho. John Stevens antes de ir para o Panamá era um famoso engenheiro civil projetista e construtor de ferrovias nos Estados Unidos. Segundo a historia, ao terminar as obras do canal, ele não quis participar da inauguração e regressou para os EUA, tendo continuado na área de ferrovias e aposentado em 1923.

tendo continuado na área de ferrovias e aposentado em 1923. John Stevens Segundo os historiadores, o

John Stevens Segundo os historiadores, o sucesso da construção do Canal do Panamá deve-se a três pessoas: O presidente Theodore Roosevelt, o engenheiro civil John Stevens e ao medico sanitarista William Gorgas.

6. Ferrovia Transcontinental: Na América do Norte houve duas sagas da engenharia civil em obras ferroviárias, uma foi a construção da ferrovia transcontinental no Canadá e a outra nos Estados Unidos. No dia 10 de maio de 1869, exatamente às 12:00 h, a ferrovia Union Pacific foi inaugurada, fazendo a ligação entre o Oceano Atlântico e o Pacifico, com a finalização da linha no local denominado Promontory, no Estado de Utah, onde foi cravado o ultimo prego de linha. Participaram desta obra diversos engenheiros civis. Uma outra obra ferroviária de grande vulto foi a construção da ferrovia Canadian Pacific, no Canadá. A realização desta ferrovia deveu-se em grande parte à obstinação do engenheiro civil William Cornelius Van Horn. Como obra ferroviária, outra saga da engenharia civil foi a construção da Ferrovia Transiberiana, ligando Moscou a Vladivistok no Mar do Japão, com

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uma extensão

de aproximadamente 9.000 km, atravessando oito

fusos

horários.

7. Ponte do Brooklyn em Nova York: A ponte do Brooklyn, com cerca de 1,8 km de extensão em estrutura pênsil, foi projetada e construída pelo engenheiro civil John Augustus Roebling (1806-1869). John A. Roebling formou-se engenheiro civil na Alemanha e emigrou para os EUA, onde projetou e construiu diversas pontes penseis antes de ganhar o concurso para a ponte do Brooklyn. A construção da ponte teve inicio em 1867 e terminou em 1884. Roebling faleceu em um acidente durante a construção, sendo substituído pelo seu filho, também engenheiro civil, Washington Roebling, que também sofreu um acidente e continuou a comandar a construção da ponte em uma maca.

e continuou a comandar a construção da ponte em uma maca. John Augustus Roebling 8. Ponte

John Augustus Roebling

8. Ponte Golden Gate em San Francisco: A ponte Golden Gate, a mais famosa ponte de San Francisco, ligando a cidade a Salsalito, foi construída entre os anos de 1933 a 1937, com um comprimento total de 2,7 km, em estrutura pênsil. Teve como idealizador, coordenador do projeto e da construção o engenheiro civil Joseph Baerman Strauss (1870-1938). Strauss faleceu um ano após a inauguração, deixando para a cidade de San Francisco esta obra como principal cartão postal.

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Noções sobre Engenharia Civil Joseph Baerman Strauss Prof. Rudney C. Queiroz 9. Ponte Bay Bridge de

Joseph Baerman Strauss

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9. Ponte Bay Bridge de San Francisco: A ponte Bay Bridge ligando San Francisco a Oakland, possui um trecho suspenso, um em túnel e outro em estrutura metálica, totalizando 11 km, com dois níveis. Foi construído entre os anos de 1930 e 1936, sendo o chefe do projeto o engenheiro civil Charles H. Purcell (1885-1951), tendo como assistente o engenheiro civil Charles E. Andrew e como desenhista Glen Woodruff.

civil Charles E. Andrew e como desenhista Glen Woodruff. Charles H. Purcell 10. Mecânica dos Solos:

Charles H. Purcell

10. Mecânica dos Solos: Até o inicio do Século XX os trabalhos na área de geotecnia eram realizados de forma empírica, com base na experiência do profissional. Em 1928 o Professor Karl Von Terzaghi publicou o primeiro livro denominado “Soil Mechacnics”, lançando os fundamentos da Mecânica dos Solos como ciência de engenharia civil.

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Karl Terzaghi (1883-1963) nasceu em Praga, formou-se engenheiro civil em Viena, na Áustria, onde publicou sua tese de doutoramento. Emigrou para os Estados Unidos onde foi professor e pesquisador na Universidade de Harvard, no MIT (Massachusetts Institute of Technology) onde juntamente com outros pesquisadores desenvolveu as bases da mecânica dos solos, publicando uma quantidade muito grande de artigos na área de geotecnia. O Prof. Terzaghi foi um dos maiores consultores em geotecnia, participando de inúmeros projetos em todas as partes do mundo. Terzaghi é considerado o pai da mecânica dos solos e um dos maiores engenheiros civis do Século XX.

dos solos e um dos maiores engenheiros civis do Século XX. Karl Terzaghi A ASCE (

Karl Terzaghi

A ASCE (American Society of Civil Engineers) concede aos maiores

especialistas em geotecnia, que tenham contribuido para o desenvolvimento da área, o

premio Terzaghi Lecture.

- Eminentes Engenheiros Civis brasileiros:

O Brasil possui uma engenharia civil muito desenvolvida, equiparando-se aos paises mais desenvolvidos. Isto se deve a grandes obras como usinas hidroelétricas, rodovias, pontes, etc., e a centros de pesquisas avançadas nas diversas áreas da engenharia civil.

Ao longo da historia o Brasil contou com inúmeros profissionais de elevada

competência, entre eles, pode-se citar:

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a) André Rebouças (1843-1898): Nascido na Bahia seguiu a carreira de engenheiro civil, tornando-se o responsável por importantes obras ferroviárias, portuárias e de saneamento em diversas províncias do Brasil. Foi militante do movimento abolicionista junto com José do Patrocínio, tendo fundado, com Joaquim Nabuco, o Centro Abolicionista da Escola Politécnica, onde era professor e jornalista.

b) Eugenio Gudin (1886-1986) engenheiro civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro (1905). Professor da Universidade do Brasil. Atuou como Engenheiro na construção de Ribeirão das Lages nas obras do Rio Carioca do abastecimento de água do Rio de Janeiro, da Exposição Nacional de 1908 e várias outras obras tais como na Construção da grande represa do Acarape no Ceará. Foi Presidente da Associação das Estradas de Ferro do Brasil da Companhia Paulista de Força e Luz e da Sociedade Brasileira de Economia Política. Doutor Honorís Causa pela Universidade de Dijon, França e pela Universidade da Bahia (1957), recebeu também, Diploma de Doutor Honorís Causa da Escola Superior de Guerra (1978). Professor da Universidade do Brasil (1957). Sócio honorário da American Economic Associatíon. Homem Global (1973) e Homem Visão (1974).

c) Francisco Paes Leme de Monlevade (1861-1944) Engenheiro Civil responsável pela primeira eletrificação ferroviária no Brasil. Diretor (1897) e Inspetor Geral da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (1907 – 1927) implantou a eletrificação da linha principal da Cia Paulista, no interior do Estado de São Paulo. Este feito fez com que de 1921 a 1926, o Brasil ganhou uma ferrovia eletrificada com o sistema mais moderno existente na época, superando então quase todos os demais paises.

d) Entre outros iminentes engenheiros civis brasileiros, pode-se citar: Prestes Maia, Odair Grillo, Ramos de Azevedo, Teodoro Sampaio, Aarão Reis, Figueiredo Ferraz, Lucas Nogueira Garces, Falcão Bauer, Milton Vargas e muitos outros mais.

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4. Código de Ética do Engenheiro

Etimologicamente falando, ética vem do grego "ethos" ou “ηθική, ethiké”, e tem seu correlato no latim "morale", com o mesmo significado: Conduta, ou relativo aos costumes. Pode-se concluir que ética e moral são palavras sinônimas. Portanto, Ética é um ramo da filosofia, e um sub-ramo da axiologia (estudo da razão). A ética estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Pode-se afirmar também que Ética é, portanto, uma Doutrina Filosófica que tem por objeto a Moral no tempo e no espaço, sendo o estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana. A Ética tem sido aplicada na economia, política e ciência política, conduzindo a muitos campos distintos e não relacionados de ética aplicada, incluindo: ética nos negócios, na sociedade, no direito, na medicina, na engenharia, nas ciências biológicas, nas ciências humanas, entre outras áreas de atividades. No exercício da profissão, o engenheiro civil deve se ater constantemente à ética, pois é uma profissão que lida diretamente com o ser humano em sociedade e com suas interferências com o meio ambiente. A importância do trabalho do engenheiro civil é observada a todo instante, pois esse profissional projeta, constrói e mantém o habitat do ser humano. Considerando que a grande parte da infra-estrutura de um país, como as rodovias, ferrovias, vias publicas urbanas, hospitais, escolas, saneamento básico, geração de energia e controle do meio ambiente, entre outras, são obras exclusivas da engenharia civil e envolvem grandes investimentos financeiros públicos.

A Ética na Engenharia é regulamentada através da “Resolução Nº 205, de 30/09/1971 do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, publicado no Diário Oficial da União” de 23/11/1971.

A seguir transcreve-se o Código de Ética do Engenheiro:

São deveres dos profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia:

1º - Interessar-se pelo bem público e com tal finalidade contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir à humanidade.

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2º - Considerar a profissão como alto título de honra e não praticar nem permitir a prática de atos que comprometam a sua dignidade.

3º - Não cometer ou contribuir para que se cometam injustiças contra colegas.

4º - Não praticar qualquer ato que, direta ou indiretamente, possa prejudicar legítimos interesses de outros profissionais.

5º - Não solicitar nem submeter propostas contendo condições que constituam competição de preços por serviços profissionais.

6º - Atuar dentro da melhor técnica e do mais elevado espírito público, devendo, quando Consultor, limitar seus pareceres às matérias específicas que tenham sido objeto da consulta.

7º - Exercer o trabalho profissional com lealdade, dedicação e honestidade para com seus clientes e empregadores ou chefes, e com espírito de justiça e eqüidade para com os contratantes e empreiteiros.

8º - Ter sempre em vista o bem-estar e o progresso funcional dos seus empregados ou subordinados e tratá-los com retidão, justiça e humanidade.

9º - Colocar-se a par da legislação que rege o exercício profissional da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, visando a cumpri-la corretamente e colaborar para sua atualização e aperfeiçoamento.

Guia do Profissional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia para Aplicação do Código de Ética:

Art. 1º - Interessar-se pelo bem público e com tal finalidade contribuir com seus conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir à humanidade.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:

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a) Cooperar para o progresso da coletividade, trazendo seu concurso intelectual e

material para as obras de cultura, ilustração técnica, ciência aplicada e investigação científica.

b) Despender o máximo de seus esforços no sentido de auxiliar a coletividade na

compreensão correta dos aspectos técnicos e assuntos relativos à profissão e a seu exercício.

c) Não se expressar publicamente sobre assuntos técnicos sem estar devidamente

capacitado para tal e, quando solicitado a emitir sua opinião, somente fazê-lo com conhecimento da finalidade da solicitação e se em benefício da coletividade.

Art. 2º - Considerar a profissão como alto título de honra e não praticar nem permitir a prática de atos que comprometam a sua dignidade.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:

a) Cooperar para o progresso da profissão, mediante o intercâmbio de informações

sobre os seus conhecimentos e tirocínio, e contribuição de trabalho às associações de classe, escolas e órgãos de divulgação técnica e científica.

b) Prestigiar as Entidades de Classe, contribuindo, sempre que solicitado, para o sucesso das suas iniciativas em proveito da profissão, dos profissionais e da coletividade.

c) Não nomear nem contribuir para que se nomeiem pessoas que não tenham a

necessária habilitação profissional para cargos rigorosamente técnicos.

d) Não se associar a qualquer empreendimento de caráter duvidoso ou que não se

coadune com os princípios da ética.

e) Não aceitar tarefas para as quais não esteja preparado ou que não se ajustem às

disposições vigentes, ou ainda que possam prestar-se a malícia ou dolo.

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f) Não subscrever, não expedir, nem contribuir para que se expeçam títulos, diplomas,

licenças ou atestados de idoneidade profissional, senão a pessoas que preencham os requisitos indispensáveis para exercer a profissão.

g) Realizar de maneira digna a publicidade que efetue de sua empresa ou atividade

profissional, impedindo toda e qualquer manifestação que possa comprometer o conceito de sua profissão ou de colegas.

h) Não utilizar sua posição para obter vantagens pessoais, quando ocupar um cargo ou

função em organização profissional.

Art. 3º - Não cometer ou contribuir para que se cometam injustiças contra colegas.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:

a) Não prejudicar, de maneira falsa ou maliciosa, direta ou indiretamente, a reputação, a

situação ou a atividade de um colega.

b) Não criticar de maneira desleal os trabalhos de outro profissional ou as determinações do que tenha atribuições superiores.

c) Não se interpor entre outros profissionais e seus clientes sem ser solicitada sua

intervenção e, nesse caso, evitar, na medida do possível, que se cometa injustiça.

Art. 4º - Não praticar qualquer ato que, direta ou indiretamente, possa prejudicar legítimos interesses de outros profissionais.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:

a) Não se aproveitar nem concorrer para que se aproveitem de idéias, planos ou projetos

de autoria de outros profissionais, sem a necessária citação ou autorização expressa.

Noções sobre Engenharia Civil

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b) Não injuriar outro profissional, nem criticar de maneira desprimorosa sua atuação ou

a

de entidades de classe.

c)

Não substituir profissional em trabalho já iniciado, sem seu conhecimento prévio.

d)

Não solicitar nem pleitear cargo desempenhado por outro profissional.

e)

Não procurar suplantar outro profissional depois de ter este tomado providências para

a

obtenção de emprego ou serviço.

f)

Não tentar obter emprego ou serviço à base de menores salários ou honorários nem

pelo desmerecimento da capacidade alheia.

g) Não rever ou corrigir o trabalho de outro profissional, salvo com o consentimento

deste e sempre após o término de suas funções.

h) Não intervir num projeto em detrimento de outros profissionais que já tenham atuado

ativamente em sua elaboração, tendo presentes os preceitos legais vigentes.

Art. 5º - Não solicitar nem submeter propostas contendo condições que constituam competição por serviços profissionais.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:

a) Não competir por meio de reduções de remuneração ou qualquer outra forma de

concessão.

b) Não propor serviços com redução de preços, após haver conhecido propostas de

outros profissionais.

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Prof. Rudney C. Queiroz

c) Manter-se atualizado quanto a tabelas de honorários, salários e dados de custo

recomendados pelos órgãos de Classe competentes e adotá-los como base para serviços

profissionais.

Art. 6º - Atuar dentro da melhor técnica e do mais elevado espírito público, devendo, quando Consultor, limitar seus pareceres às matérias específicas que tenham sido objeto de consulta.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:

a) Na qualidade de Consultor, perito ou árbitro independente, agir com absoluta

imparcialidade e não levar em conta nenhuma consideração de ordem pessoal.

b) Quando servir em julgamento, perícia ou comissão técnica, somente expressar a sua

opinião se baseada em conhecimentos adequados e convicção honesta.

c) Não atuar como consultor sem o conhecimento dos profissionais encarregados

diretamente do serviço.

d) Se atuar como consultor em outro país, observar as normas nele vigentes sobre

conduta profissional, ou - no caso da inexistência de normas específicas - adotar as

estabelecidas pela FMOI (Fédération Mondiale des Organisations d'Ingénieurs).

e) Por serviços prestados em outro país, não utilizar nenhum processo de promoção,

publicidade ou divulgação diverso do que for admitido pelas normas do referido país.

Art. 7º - Exercer o trabalho profissional com lealdade, dedicação e honestidade para com seus clientes e empregadores ou chefes, e com o espírito de justiça e eqüidade para com os contratantes e empreiteiros.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:

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a) Considerar como confidencial toda informação técnica, financeira ou de outra

natureza, que obtenha sobre os interesses de seu cliente ou empregador.

b) Receber somente de uma única fonte honorários ou compensações pelo mesmo

serviço prestado, salvo se, para proceder de modo diverso, tiver havido consentimento

de todas as partes interessadas.

c) Não receber de empreiteiros, fornecedores ou de entidades relacionadas com a

transação em causa, comissões, descontos, serviços ou outro favorecimento, nem apresentar qualquer proposta nesse sentido.

d) Prevenir seu empregador, colega interessado ou cliente, das conseqüências que

possam advir do não-acolhimento de parecer ou projeto de sua autoria.

e) Não praticar quaisquer atos que possam comprometer a confiança que lhe é

depositada pelo seu cliente ou empregador.

Art. 8º - Ter sempre em vista o bem-estar e o progresso funcional de seus empregados ou subordinados e tratá-los com retidão, justiça e humanidade.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:

a) Facilitar

obstáculos aos seus anseios de promoção e melhoria.

e estimular

a

atividade

funcional

de

seus empregados,

não

criando

b) Defender o princípio de fixar para seus subordinados ou empregados, sem distinção, salários adequados à responsabilidade, à eficiência e ao grau de perfeição do serviço que executam.

c) Reconhecer e respeitar os direitos de seus empregados ou subordinados no que

concerne às liberdades civis, individuais, políticas, de pensamento e de associação.

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d) Não utilizar sua condição de empregador ou chefe para desrespeitar a dignidade de

subordinado seu, nem para induzir um profissional a infringir qualquer dispositivo deste

Código.

Art. 9º - Colocar-se a par da legislação que rege o exercício profissional da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, visando a cumpri-la corretamente e colaborar para sua atualização e aperfeiçoamento.

Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:

a) Manter-se em dia com a legislação vigente e procurar difundi-la, a fim de que seja

prestigiado e defendido o legítimo exercício da profissão.

b) Procurar colaborar com os órgãos incumbidos da aplicação da Lei de regulamentação

do exercício profissional e promover, pelo seu voto nas entidades de classe, a melhor composição daqueles órgãos.

c) Ter sempre presente que as infrações deste Código de Ética serão julgadas pelas

Câmaras Especializadas instituídas nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREAs - cabendo recurso para os referidos Conselhos Regionais e, em última instância, para o CONFEA - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e

Agronomia - conforme dispõe a legislação vigente.

5. Atribuições Profissionais do Engenheiro Civil

5.1. Atribuições Profissionais da Resolução 218 de 29/06/1973

De acordo com a Resolução nº 218 de 29/06/1973 do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia):

Art. 7º - Compete ao ENGENHEIRO CIVIL ou ao ENGENHEIRO DE FORTIFICAÇÃO e CONSTRUÇÃO:

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I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, estradas, pistas de rolamentos e aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos, rios, canais, barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos.

Art. 1º - Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades:

Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica;

Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação;

Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica;

Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria;

Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico;

Atividade 06 - Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico;

Atividade 07 - Desempenho de cargo e função técnica;

Atividade 08 - Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão;

Atividade 09 - Elaboração de orçamento;

Atividade 10 - Padronização, mensuração e controle de qualidade;

Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico;

Atividade 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico;

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Atividade 13 - Produção técnica e especializada;

Atividade 14 - Condução de trabalho técnico;

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Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção;

Atividade 16 - Execução de instalação, montagem e reparo;

Atividade 17 - Operação e manutenção de equipamento e instalação;

Atividade 18 - Execução de desenho técnico.

5.2. Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)

Anotação de Responsabilidade Técnica – Lei 6.496/77 institui a "Anotação de Responsabilidade Técnica" na prestação de serviços de Engenharia, de Arquitetura e Agronomia.

Destaque da Lei 6.496/77:

Art. 1º – todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART).

O QUE É ART

a) É o documento que define para os efeitos legais os responsáveis técnicos por uma

obra ou serviço nas áreas da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, conforme determina a Lei 6.496/77 e a Resolução 425/98 – Confea;

b) É um instrumento básico para a fiscalização do exercício da profissão, permitindo

identificar se uma obra ou serviço está sendo realizado por um profissional habilitado;

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c) É a garantia técnica e contratual ao profissional e ao cliente na prestação de serviços

e/ou obras de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.

A Importância da ART para a Sociedade:

a) Permite que a sociedade identifique os responsáveis por determinado empreendimento e as características do serviço prestado;

b) Em caso de sinistro e acidentes, a ART identifica, individualmente, os profissionais

responsáveis auxiliando na acareação dos responsáveis junto ao poder público;

c) a ART garante os direitos básicos estabelecidos no Código de Defesa do Consumidor

(Lei 8.076/90 – Art. 6º, inciso I).

A Importância da ART para o Profissional:

a) Garante os direitos autorais;

b) Funciona como contrato de trabalho/serviço entre as partes;

c) Define os limites de responsabilidade e viabiliza o Acervo Técnico.

6. Responsabilidades Decorrentes da Construção

6.1. Responsabilidades Civis

A seguir apresentam-se de forma resumida alguns tópicos relativos às responsabilidades que o engenheiro civil possui sobre projetos e construções. Segundo Meirelles (1979): Da construção, como realização material e intencional do homem, podem resultar responsabilidades diversas do construtor para com o proprietário da obra, e deste para com vizinhos e terceiros que venham a ser prejudicados pelo só fato da construção ou por ato dos que a executam.

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A construção de obra particular ou pública, além das responsabilidades estabelecidas no contrato, pode acarretar outras para o construtor, para o autor do projeto, para o fiscal ou consultor, e para o proprietário ou Administração contraente. São responsabilidades legais e extracontratuais, de ordem pública, decorrente da lei, de fatos da obra e da ética profissional, e, por isso mesmo, independente de convenção das partes. Daí a necessidade de ser apreciada separadamente cada uma dessas responsabilidades, para se fixar com precisão os encargos de todos os participantes da obra, e de quem a encomendou. Cabe ao Poder Publico (Prefeituras e demais órgãos públicos) conceder o Alvará de Construção, desde que a obra se enquadre dentro do Código de Obras e das leis que regem aquele tipo de empreendimento. O Alvará de Construção é concedido ao responsável pela execução da obra (engenheiro civil), transferindo para o profissional todas as responsabilidades decorrentes da construção. Vale observar que quando um engenheiro civil submete um projeto à aprovação junto ao poder publico (prefeitura ou outro órgão), o alvará de construção é concedido em nome do engenheiro civil responsável pela obra. Pois dele é a responsabilidade integral pela segurança e integridade da obra. Aos demais profissionais que atuam na obra como pedreiros, eletricistas, armadores, carpinteiros encanadores, entre outros, não cabem responsabilidades pela segurança e solidez, cabendo única e exclusivamente ao engenheiro civil responsável, pois este é profissional habilitado e registrado no CREA.

Nesta ordem de idéias, serão examinadas as seguintes responsabilidades:

a) Responsabilidade pela Perfeição da Obra: a responsabilidade pela perfeição da obra é o primeiro dever legal de todo profissional ou firma de engenharia civil ou arquitetura, sendo de se presumir em qualquer contrato de construção, particular ou publica, mesmo que não conste de nenhuma cláusula do ajuste. Isto porque a construção civil é modernamente, mais que um empreendimento leigo, um processo técnico de alta especialização, que exige além da peritia artis do passado, a peritia technica do profissional da atualidade (Meirelles, 1979).

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Tanto o autor do projeto, quanto o construtor respondem pela imperfeição da obra, até que se apure a quem cabe a incorreção profissional, equiparável à culpa comum.

b)

Responsabilidade pela Solidez e Segurança da Obra: a responsabilidade pela solidez de obra particular ou publica é de natureza legal. De acordo com o Novo Código Civil, Lei n o 10.406, de 10/01/2002, Capítulo VIII – DA EMPREITADA, têm-se os principais artigos:

Art. 610. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ele só com seu trabalho ou com ele e os materiais;

§ 1º A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.

§ 2 º O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de

executá-lo, ou de fiscalizar-lhe a execução. Art. 611. Quando o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de que a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Art. 612. Se o empreiteiro só forneceu mão de obra, todos os riscos em que não tiver culpa correrão por conta do dono. Art. 613. Sendo a empreitada unicamente de lavor (art. 610), se perecer antes de entregue, sem mora do dono nem culpa do empreiteiro, este perderá a retribuição, se não provar que a perda resultou de defeito dos materiais e quem em tempo reclamar contra a sua quantidade ou qualidade. Art. 614. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Art. 615. Concluída da obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebê-la. Poderá, porém, rejeite-la, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza.

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Art. 616. No caso da segunda parte do artigo antecedente, pode que encomendou a obra, em vez de enjeitá-la, recebê-la com abatimento no preço. Art. 617. O empreiteiro é obrigado a pagar os materiais que recebeu se por imperícia ou negligencia os inutilizar. Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo. Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não propuser a ação contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito. Art. 621. Sem anuência do seu autor, não pode o proprietário da obra introduzir modificações no projeto por ele aprovado, ainda que a execução seja confiada a terceiros, a não ser que, por motivos supervenientes ou razoes de ordem técnica, fique comprovada a inconveniência ou a excessiva onerosidade de execução do projeto em sua forma originária. Parágrafo único. A proibição deste artigo não abrange alterações de pouca monta, ressalvada sempre a unidade estética da obra projetada. Art. 622. Se a execução da obra for confiada a terceiros, a responsabilidade do autor do projeto respectivo, desde que não assuma a direção ou fiscalização daquela, ficará limitada aos danos resultantes de defeitos previstos no art. 618 e seu parágrafo único.

Vale lembrar que a responsabilidade do prestador de serviços, tanto em projetos como em execução de obras, deve ser seguida, também, toda a legislação do Código de Defesa do Consumidor.

De acordo com Meirelles (1979), “O prazo qüinqüenal (cinco anos) que trata o art. 618 é de garantia e não de prescrição. Desde que a falta de solidez ou a segurança da obra apresente-se dentro de cinco anos de seu recebimento, a ação contra o construtor e demais participantes do empreendimento subsiste pelo prazo prescricional comum de 20 anos, a contar do dia em que surgiu o defeito”.

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Projetando ou construindo, o arquiteto ou o engenheiro civil ou a empresa habilitada, cada um é autônomo no desempenho de suas atribuições profissionais e responde técnica e civilmente por seus trabalhos, quer os execute pessoalmente, quer os faça executar por prepostos ou auxiliares. Em tema de construção, pode-se dizer que há uma cadeia de responsabilidades, que se inicia no autor do projeto e termina no seu executor. Verifica-se que os profissionais que não são habilitados, como os pedreiros, armadores, carpinteiros, encanadores, eletricistas, etc., não são responsabilizados diretamente, podendo participar dos processos na qualidade de testemunhas. As responsabilidades recaem somente no (s) arquiteto (s) ou engenheiro (s) civil (is) responsável pelo projeto e pela obra.

c) Responsabilidade por Danos a Vizinhos e Terceiros:

A construção, muitas vezes, sem culpa dos seus executores, comumente causa danos à vizinhança, por recalques do terreno, vibrações do estaqueamento, queda de materiais e outros eventos comuns na edificação. Tais danos têm que ser reparados pelos seus responsáveis. Vizinho não é somente aquele que está ao lado ou faz divisa com a obra e sim quem se encontra nas proximidades e é afetado pela construção. Um exemplo muito comum é a construção de aterros em terrenos urbanos próximos de construções existentes. Os recalques devido à colapsividade do solo produzem um arqueamento no terreno original atingindo construções vizinhas e produzindo danos estruturais, como trincas, ruptura de canalizações, etc. Neste caso, o responsável pela obra assume a responsabilidade, pois se entende que o proprietário é um leigo e contratou um serviço especializado com um profissional habilitado. Segundo Meirelles (1979) “Se a execução do projeto esta sob a responsabilidade de profissional diplomado ou a sociedade legalmente autorizada a construir, fica afastada a presunção de culpa do proprietário, ainda que o dano decorra de ato culposo do construtor ou de seus prepostos, porque não é admissível que o leigo fiscalize o profissional na sua atividade técnica. Daí por que não há falar em culpa in vigilando do dono da obra em relação ao construtor habilitado, qualquer que seja a modalidade do contrato de construção”.

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Ainda segundo Meirelles (1979) “A lei civil abre uma exceção para responsabilizar, em caso de danos a vizinhos e terceiros, quando resultantes da ruína do edifício, parte deste, ou construção carentes de reparos, cuja necessidade fosse manifesta”.

d) Responsabilidade pelos Materiais:

A escolha dos materiais a serem empregados na obra ou serviço é da competência exclusiva do profissional responsável. Logo, por medida de precaução, tornou-se habitual fazer a especificação desses materiais através do "Memorial Descritivo" e “Especificações Técnicas”, determinando tipo, marca e peculiaridade outras, dentro dos critérios exigíveis de segurança. Quando o material não estiver de acordo, com as especificações, ou dentro dos critérios de segurança, o profissional deve rejeitá-lo, sob pena de responder por qualquer dano futuro.

e) Responsabilidade Objetiva:

Estabelecida pelo Código de Defesa do Consumidor - Artigos 12º e 14º. Resultante das relações de consumo, envolvendo o fornecedor de produtos e de serviços (pessoa física e jurídica) e o consumidor, assegura direitos consagrados pela Lei 8.078, que dispõe sobre a Proteção ao Consumidor. O Código responde a uma antiga aspiração da sociedade, visando à garantia de proteção físico-psíquica ao consumidor, incluindo proteção à vida, ao meio ambiente e a proteção no aspecto econômico, detalhando quais são esses direitos e a forma como pretende viabilizar essa proteção. A responsabilidade profissional está mais do que nunca, estabelecida através do Código de Defesa e Proteção ao Consumidor, pois coloca em questão a efetiva participação preventiva e consciente dos profissionais. Portanto, é fundamental que o profissional esteja atento à obrigatoriedade de observância às Normas Técnicas e à execução de orçamento prévio de projeto completo, com especificação correta de qualidade, garantia contratual (contrato escrito) e legal (ART).

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ao Consumidor coloca o

profissional (pessoa física e jurídica) em julgamento, com possibilidade de rito

sumaríssimo, inversão do ônus da prova e com assistência jurídica gratuita ao consumidor, provocando, assim, a obrigação de sua obediência.

Uma infração

ao

Código de Defesa e Proteção

Além dessas responsabilidades, tem-se ainda:

Responsabilidade Administrativa, Responsabilidade Ética, Responsabilidade Trabalhista, Responsabilidade por Tributos.

6.2. Responsabilidades Penais

Responsabilidade penal é toda aquela de decorre de infração definida em lei como crime ou contravenção, sujeitando o autor e co-autor, somente pessoas físicas a sanções de natureza corporal (reclusão, detenção, prisão simples), multa, ou restritiva de direito ou atividade.

a) Responsabilidade por Desabamento:

Para efeitos penais desabamento é a queda da construção por desequilíbrio ou ruptura dos elementos de sustentação. Desmoronamento é a destruição de obra da natureza, ou a realização humana, por desagregação ou deformação de suas estruturas, como ocorre nos escorregamentos de taludes. A modalidade dolosa por crime de desabamento ou desmoronamento é punida com reclusão e multa acumuladas, dada a gravidade da inflação (Meirelles

(1979).

Ainda segundo Meirelles (1979) “Causas dolosamente desabamento ou desmoronamento é propiciar, por ação ou omissão intencional, a queda de construção ou de partes do solo, expondo a perigo direto a vida, a integridade física ou o patrimônio de alguém. Neste crime incorrem os que executam ou ordenam demolições por meios

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violentos, como explosões, solapamento de fundações, etc.) ou que, realizando trabalhos em outras obras causem o desabamento de construção vizinha, em razão de abalo, recalques, infiltrações ou escavações”. A modalidade culposa do crime de desabamento ou desmoronamento, prevista no parágrafo único do art. 256 do Código Penal, é punida simplesmente com detenção. Segundo Meirelles (1979) “A culpa pode revestir as mais variadas formas de imprudência, negligência ou imperícia e se situar em falhas na execução da obra, ou em erros do projeto. Em qualquer caso, porém, o causador do fato lesivo responde por suas conseqüências, desde que se estabeleça a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão culposa e o desabamento ou desmoronamento”. A responsabilidade pelo crime culposo de desabamento ou desmoronamento é, em principio, dos profissionais habilitados que elaboraram o projeto ou se incumbiram de sua execução, não alcançando, em regra, o proprietário, nem os encarregados, mestres de obra e operários que colaboraram na construção. A responsabilidade única dos profissionais habilitados, (engenheiros civis ou arquitetos), decorre do fato da regulamentação destas profissões, legislação especifica profissional do CREA e da Construção Civil moderna ser atividade acentuadamente técnica, que exige conhecimentos científicos fora do alcance de leigos.

b) Contravenção de Desabamento:

A contravenção de desabamento se distingue do crime de desabamento, porque, para o crime exigi-se que o fato tenha resultado perigo efetivo para as pessoas ou bens, ao passo que para a contravenção, basta a possibilidade de perigo. Por exemplo, se alguém demolir por explosão uma laje sobre uma calçada de grande movimento de pessoas em hora movimentada sem os devidos cuidados, cometerá crime, pois houve perigo concreto. Se neste caso executar a demolição em uma hora erma, com pouco movimento, cometerá contravenção, pois ocorreu perigo eventual, dado que havia a possibilidade que alguém estivesse passando pelo local no momento da demolição.

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c) Contravenção de Perigo de Desabamento:

Prof. Rudney C. Queiroz

Neste caso a infração contravencional é dada somente pela omissão das providencias quanto a reparos ou demolição de obra, exigida pelo estado instável de suas estruturas, considerando o perigo pela potencial possibilidade de desabamento ou desmoronamento.

d) Responsabilidade por Construção Clandestina:

A construção clandestina é considerada toda obra que não possui o licenciamento com a aprovação pelo poder público. Portanto, toda obra realizada sem a aprovação (alvará de construção) é obra ilícita. Quem a executa sem o projeto aprovado, ou dele se afasta na execução dos trabalhos, se sujeita à sanção administrativa correspondente. Construção clandestina esta sujeita à ação de demolição pelo poder público (prefeitura) com base no poder de polícia. 7. Placa de Identificação Profissional em Obras/Serviços

A identificação do profissional responsável por obra ou serviço de engenharia

civil deve constar em placa a ser fixada em local visível da obra.

A placa deve constar o nome do profissional ou empresa, título completo do

profissional responsável, número do CREA, tipo de responsabilidade e endereço.

O uso de placa é obrigatório conforme a RESOLUÇÃO Nº 407, de 09 AGOSTO

1996.

O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, no uso das atribuições que lhe confere a letra "f" do art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966,

CONSIDERANDO que a colocação de placas previstas na Lei 5.194/66 tem por finalidade a identificação dos responsáveis técnicos pela obra, instalação ou serviço de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia;

CONSIDERANDO que cabe ao profissional decidir sobre a forma de se identificar como Responsável Técnico pela obra, instalação ou serviço,

Noções sobre Engenharia Civil

RESOLVE:

Prof. Rudney C. Queiroz

Art. 1º - O uso de placas de identificação do exercício profissional é obrigatório de acordo com o Art. 16 da Lei 5.194/66.

Art. 2º - Os infratores estão sujeitos a pagamento de multa prevista no Art. 73, alínea "a", da Lei 5.194/66.

Art . 16 da Lei 5.194/66: Enquanto durar a execução de obras, instalações e serviços de qualquer natureza é obrigatória a colocação e manutenção de placas visíveis e legíveis ao público, contendo o nome do autor e co-autores do projeto, em todos os seus aspectos técnicos e artísticos, assim como os dos responsáveis pela execução dos trabalhos.

8. A Construção Civil

A construção civil como atividade técnica teve inicio na área militar e ao longo da historia ocorreu a separação entre a construção bélica e a civil, sendo a ultima ligada diretamente às civitas, isto é, às cidades, denominada construção civil e modernamente constitui-se em uma atividade técnica e econômica denominada “Industria da Construção Civil” (Meirelles, 1979). Todas as atividades relacionadas à construção civil, como projetos, execuções, materiais, características tecnológicas, ensaios, etc., são normalizados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

- Construção ou Edificação:

São expressões técnicas de sentido diverso, comumente confundido pelos leigos. Construção é o gênero do qual a edificação é a espécie. Construção, como realização material é toda obra executada intencionalmente pelo homem. Edificação é a obra destinada à habitação, trabalho, saúde, culto, ensino ou recreação.

Noções sobre Engenharia Civil

- Projeto, Planta e Plano:

Prof. Rudney C. Queiroz

Projeto de uma construção é o conjunto de documentos constituídos por estudos, cálculos e desenhos necessários à expressão técnica da obra a ser executada. O projeto abrange: (a) estudos preliminares, tais como medições do terreno, sondagens do subsolo e ensaios de laboratório; (b) os cálculos estruturais dos elementos de fundações, vigas, pilares, lajes e demais elementos estruturais; (c) desenhos representativos de todos os projetos, como de fundações, estruturas, instalações hidráulicas e sanitárias, instalações elétricas e comunicações, etc., com plantas, cortes, fachadas e detalhamentos; (d) especificações técnicas, com descrição detalhada dos materiais e das técnicas a serem utilizadas, de acordo com as teorias consagradas e as normas técnicas de todos os projetos, no que diz respeito à execução da obra; (e) memórias de cálculo; (f) orçamentos e cronogramas financeiros e executivos. Todos os projetos têm que ser confeccionados seguindo as melhores técnicas consagradas em todas as áreas da engenharia civil, tanto do ponto de vista teórico, experimentais e científicos. Alem disso devem estar de acordo com as normas técnicas relativas às metodologias, materiais e sistemas construtivos, relativos a cada área e descrito de forma detalhada através de memória de cálculo. Todos os documentos dos projetos devem ser acompanhados das respectivas ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Planta é a representação gráfica e em escala de toda a obra ou de cada parte, na horizontal e em cortes, com detalhes que possam ilustrar e tornar o projeto fácil de entender e executar. Escala é a relação existente entre as dimensões do objeto real e os do desenho. As escala dos desenhos e as dimensões das folhas são normalizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Plano no sentido amplo da palavra, dentro da construção civil é usado para a designação urbanística ou de outra área, como Plano Viário, Plano Urbanístico, Plano Diretor, Plano de Zoneamento, etc., mais utilizado pelo poder publico para a ordenação física regional e social de determinadas áreas.

Normas Técnicas:

As

normas

técnicas

são

as

prescrições

cientificas

que

definem

todas

as

atividades ligadas à construção civil e outras áreas da indústria.

Noções sobre Engenharia Civil

Prof. Rudney C. Queiroz

As normas técnicas são elaboradas por entidades especializadas em cada país,

com a consultoria de profissionais altamente especializados e em resultados de estudos

científicos comprovados.

No Brasil a entidade responsável pela elaboração das normas técnicas é a ABNT

(Associação Brasileira de Normas Técnicas).

A publicação das normas técnicas sobre determinada área deve ser de

conhecimento obrigatório dos profissionais e atendimento na realização de projetos e execução de obras. Portanto, ao elaborar um projeto ou executar uma obra, o engenheiro civil deve conhecer e seguir as prescrições de todas as normas técnicas da ABNT relativas a métodos, sistemas, materiais, características tecnológicas, ensaios, etc., do serviço ou dos serviços que estão sendo realizados.

REFERÊNCIAS

Coduto, D. P. Geotechnical engineering. Editora Prentice Hall. 1998.

Ediciones Del Prado. Construções fabulosas. Volume I. Marshall Editions Limited.

1991. 125 p.

Instituto de Engenharia de São Paulo. Contribuições à historia da engenharia no Brasil. Editado pela USP e IE. 1998. 500 p.

Meirelles, H.L. Direito de construir. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo (SP).

1979. 530 p.

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CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo). http://www.creasp.org.br

Lei 5.194/66 de 24 de dezembro de 1966 do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia).