Ao Juízo da 2ª Vara de Execuções Fiscais da Comarca de Lauro de Freitas
Execução Fiscal de no. ...
RENATO ARAGÃO, já devidamente qualificados nos autos da execução fiscal
supracitada, movida pelo Estado da Bahia vem respeitosamente, perante
[Link]., por intermédio de sua advogada, com base na Constituição Federal, no
artigo 5, XXXIV, bem como Súmula 393, STJ, opor
EXCEÇÃO DE PRE EXECUTIVIDADE
o que faz com base nos argumentos fáticos e jurídicos adiante expendidos.
I.- SÍNTESE FÁTICA DA DEMANDA
Em março de 2013, a Empresa Global Tech LTDA foi constituída, voltada ao
comércio de mercadorias de informática no Estado da Bahia, tendo como
Sócios-administradores os Srs. RENATO ARAGÃO e RONALD GOLIAS.
Em função da forte crise econômica de 2016 a referida empresa declarou mas
não realizou o recolhimento do ICMS devido referente aos anos de 2016, 2017
e 2018, o que terminou por acarretar uma dívida de R$ 1.750,00 (um milhão
setecentos e cinqüenta mil reais).
Ocorre que, em janeiro de 2019 após desentendimentos internos os sócios
resolvem alterar a constituição societária, razão pelo qual RENATO ARAGÃO
retira-se da sociedade empresária, cedendo integralmente suas cotas a
FRANCISCO ANÍSIO que passa a ser sócio administrador, juntamente com o
sócio remanescente , Sr. RONALD GOLIAS.
Após funcionamento normal da empresa nos anos de 2019, 2020 e 2021, os
sócio resolvem pôr fim as atividades em janeiro de 2022, realizando contudo
encerramento irregular da empresa perante a JUCEB, deixando inclusive em
aberto as dívidas tributárias já citadas.
Diante destes fatos o Estado da Bahia ingressa com execução fiscal na 2ª Vara
de Fazenda Pública da Comarca de Lauro de Freitas, em 01/02/2024 cobrando
o ICMS dos anos de 2016 a 2018. Após tentativa por AR, o Oficial de Justiça,
em 10/03/2024, se dirigiu a sede da executada para realizar citação, contudo
observou que a empresa foi encerrada e não funcionava mais no local, sendo o
fato certificado nos autos.
Diante de tal situação o Procurador do Estado da Bahia atravessou petição nos
autos da execução fiscal, requerendo o redirecionamento do feito a todos os
sócios da empresa (os atuais e aqueles à época dos fatos geradores), sendo o
Sr RENATO ARAGÃO citado para pagar o valor executado.
II-FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO
- Da ilegitimidade ad causam do sócio para integrar o polo passivo
Como se sabe a temática da responsabilidade tributária dos Sócios da
empresa possui largo tratamento na jurisprudência dos Tribunais superiores,
além da própria legislação vigente.
Nesse sentido, convém destacar o art. 135, III, CTN:
Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos
correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social
ou estatutos:
[...]
III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de
direito privado. (BRASIL, 1966)
Nestes termos, como se pode observar pela norma posta, a responsabilidade
tributária dos sócios decorre das hipóteses de “atos praticados com excesso de
poderes ou infração de lei, contato social ou estatutos”.
Reitera esta condição o entendimento Sumulado do STJ nos termos da Súmula
430:
Súmula 430, STJ - O inadimplemento da obrigação tributária pela
sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-
gerente. (BRASIL, 2010)
In casu, convém destacar que o Sr. RENATO ARAGÃO ao tempo do fato
gerador da obrigação ora discutida não incorreu em nenhuma das hipóteses do
art. 135, III, CTN citado, motivo pelo qual não se mostrou lícito o
redirecionamento da execução aos sócio à época, uma vez que tratava-se de
mero inadimplemento da sociedade empresária. Por outro lado, com a
mudança societária, a empresa executada tem como sócios doravante os Srs
FRANCISCO ANÍSIO e RONALD GOLIAS, os quais deverão responder pela
dívida tributária, haja vista a dissolução irregular da empresa (que inclusive
está certificada nos autos), a autorizar a cobrança dos sócio –gerentes atuais,
nos termos definidos pela Súmula 435, STJ:
Súmula 435 do STJ: “Presume-se dissolvida irregularmente a
empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem
comunicação aos órgãos competentes, legitimando o
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.”
Da Prescrição
A prescrição em matéria tributária, encerra causa de extinção da obrigação
tributária, prevista no art. 156, V, CTN. Sua Ocorrência, como, se sabe, fulmina
o direito de cobrança do Estado fiscal, impedindo assim a propositura da ação
executiva.
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em
cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.
Parágrafo único. A prescrição se interrompe:
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução
fiscal;
II - pelo protesto judicial;
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que
importe em reconhecimento do débito pelo devedor. (BRASIL, 1966)
In casu, os créditos cobrados datam dos anos de 2016, 2017 e 2018. Endo a
ação executiva proposta pelo Estado da Bahia apenas no ano de 2024,
havendo portando um interregno de seis ano (se considerado apenas o ano de
2018), ocorrendo portanto Prescrição.
III-CONCLUSÕES: OS PEDIDOS
Face ao exposto, partindo-se da premissa da existência de causa de exclusão
do crédito,
Requer-se a [Link].:
( i ) a autuação em apenso e posterior conhecimento da presente exceção de
pré-executividade, determinando-se a imediata suspensão da Execução Fiscal
indicada no intróito da presente peça, até decisão definitiva desta, em vista de
sua provável influência na decisão final da demanda executiva;
(ii) Que seja julgada procedente a presente petição, com reconhecimento da
ilegitimidade do ser. RENATO ARAGÃO para constar no pólo passivo da
presente ação executiva;
( iii) que seja reconhecida ocorrência da Prescrição referente aos crédios
dosanos de 2016, 2017 e 2018, com respectiva extinção do crédito tributário,
nos termos do art. 156, V, CTN
(iv) A intimação do ESTADO DA BAHIA na pessoa de seus Procuradores para
impugnar a presente petição no prazo de 30 dias, em aplicação analógica do
art. 17 da Lei 6830/80.
(iv) a condenação do ESTADO DA BAHIA em eventuais custas processuais e
honorários advocatícios sucumbenciais de acordo com os novos critérios e
percentuais definidos no artigo 85, §2º e 3º, do Novo Código de Processo Civil
Brasileiro, tendo em vista o estabelecimento do contraditório no presente feito.
Nestes termos,
p. deferimento.
(local), (data)
Advogado
OAB/...