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Gestão de Projetos Sociais Rurais

O documento discute a importância dos projetos sociais como ferramentas estratégicas para a transformação de situações problemáticas em benefícios para a sociedade, especialmente em contextos rurais e de pobreza. Destaca a necessidade de um planejamento participativo e a mobilização da comunidade para garantir a viabilidade e sustentabilidade dos projetos, além de enfatizar a análise cuidadosa das condições locais e dos beneficiários. A gestão eficaz de projetos sociais deve considerar múltiplos fatores e envolver a participação ativa da população para promover mudanças significativas e duradouras.
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Gestão de Projetos Sociais Rurais

O documento discute a importância dos projetos sociais como ferramentas estratégicas para a transformação de situações problemáticas em benefícios para a sociedade, especialmente em contextos rurais e de pobreza. Destaca a necessidade de um planejamento participativo e a mobilização da comunidade para garantir a viabilidade e sustentabilidade dos projetos, além de enfatizar a análise cuidadosa das condições locais e dos beneficiários. A gestão eficaz de projetos sociais deve considerar múltiplos fatores e envolver a participação ativa da população para promover mudanças significativas e duradouras.
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PROJETO SOCIAL

INTRODUÇÃO

Os projetos são considerados ferramentas estratégicas para a tomada de decisão das organizações
governamentais e sociais. São a expressão técnica de soluções para problemas de interesse geral e
um meio para transformar situações desvantajosas ou problemáticas em pontos convenientes
para o benefício da sociedade.

Na concepção de projetos sociais, são exploradas as melhores opções para atingir os objetivos e
metas que se deseja alcançar, planejando etapas e caminhos para sua concretização. As propostas
são elaboradas para satisfazer as necessidades sociais e modificar as condições de vida das
pessoas, a fim de melhorar a vida quotidiana da sociedade como um todo, ou pelo menos dos
grupos mais desfavorecidos, tentando beneficiar a sua qualidade de vida, de trabalho e o seu
ambiente em geral.

Muitos destes projetos procuram gerar rendimento para grupos vulneráveis, empoderar as
mulheres; São projetos que desde a escala microssocial combatem a fome e a pobreza, a violência
familiar, escolar e laboral, promovem a saúde, difundem a cultura e a arte, além de resgatarem
tradições e costumes, ou promoverem ações ecológicas e de proteção ambiental, etc. Mas como
estes projetos são construídos a partir do território? Como são geradas através deles as evidências
do seu impacto?

Estas e outras questões ligadas à gestão de projetos sociais motivaram este exercício heurístico
que concebe contribuições reflexivas para a tomada de decisões em contextos de concepção e
operação de projetos sociais, com o intuito de enriquecer a análise metodológica da gestão social
e aprofundar a revitalização de os territórios rurais do México, especialmente aqueles em situação
de pobreza.

O artigo inclui diversas etapas de análise reflexiva em torno dos principais passos que
convencionalmente segue a elaboração e desenvolvimento de um projeto social. A intenção é
analisá-los a partir da sua dimensão técnica e das suas implicações sociais, económicas e
institucionais ao concebê-los e geri-los localmente.

Projetos sociais e planejamento

Os projetos sociais são uma ferramenta que nos permite induzir mudanças a partir das iniciativas
dos atores que interagem num determinado território ou setor. A transformação social por meio
de projetos implica uma gestão local que construa novas estruturas de oportunidades e maiores
espaços de liberdade para os habitantes, criando assim um ambiente favorável ao aproveitamento
das potencialidades dos territórios. Trata-se, portanto, de reverter situações desvantajosas que
impedem o desenvolvimento local, que é conceituado como a capacidade endógena de criar bem-
estar económico e social (Boisier, 2005).
Por esta razão, assume-se que a mudança estrutural a partir da base social pode partir de
projectos estratégicos abrangentes (de carácter local e comunitário), que envolvam a participação
de vários actores em processos de criação de valor e geração de bem-estar económico e social. .
Esta é uma perspectiva microssocial e regional, que pode crescer em diferentes níveis territoriais
de acordo com a evolução de um processo de gestão local.

A gestão de projetos nesta perspectiva implica um processo de “microplanejamento” local, ou


seja, “de baixo para cima”, mas não ignora a importância do planejamento “de cima para baixo”,
pois busca harmonizar seus objetivos com os objetivos oficiais municipais, estaduais e nacionais.
planos.

Este esquema de microplaneamento exige acção colectiva e mobilização social. Assim, a


participação local dos cidadãos é um requisito essencial, como salienta Weitz (1981: 41): “A
participação activa da população local em projectos de desenvolvimento constitui um factor de
importância crucial para o desenvolvimento integrado, dada a exigência de mudanças no estrutura
social e uma mobilização máxima dos recursos humanos e naturais locais.”

Por tudo isso, os projetos aqui referidos referem-se a projetos sociais de pequena escala
localizados no espaço local, que podem ser evidenciados em pequenos negócios, unidades de
produção familiar, microempresas e outras iniciativas locais que, agrupadas, podem desencadear
ações locais. esquemas de desenvolvimento para áreas rurais e marginalizadas. Trata-se de propor
estratégias produtivas em tempos onde a globalização económica impõe uma cultura centrada no
consumo, o que pode inibir as capacidades empreendedoras da população em geral.

A aglomeração de iniciativas e projetos de pequena escala no espaço local cria círculos virtuosos
de prosperidade, que podem ser observáveis na articulação de cadeias produtivas regionais,
vínculos institucionais ou comerciais que geram e retêm riquezas em um determinado território.
Alguns casos relevantes neste contexto de articulações locais para o desenvolvimento têm sido
estudados a partir da linha de sistemas produtivos locais, sistemas agroalimentares localizados,
clusters, enclaves e corredores produtivos, entre outros.

A viabilidade dos projetos sociais e das iniciativas cidadãs será largamente influenciada por
múltiplos fatores que determinarão o seu sucesso ou fracasso. É necessário um balanço inicial que
pese os pontos fortes do projeto em termos de fatores sociais, económicos, políticos, ambientais,
entre outros. Ou seja, deve ser realizada uma abordagem e análise multidimensional às
circunstâncias do próprio projeto.

A intenção de um projeto que tende à integralidade busca agregar vários aspectos determinantes
para sua viabilidade. Tenta, a partir de uma visão sistêmica, responder aos problemas de uma
comunidade ou território. Assim, desde o início a população deve ter uma participação muito
activa no projecto, uma vez que são os cidadãos que conhecem de perto os seus problemas e
necessidades mais sentidos.
Articular o projeto com a comunidade implica articular, ativar a “energia social” e criar redes
territoriais; Isto representa um desafio para quem realiza a extensão dos serviços vinculados ao
projeto. Assim, facilitadores, extensionistas, prestadores de serviços profissionais, promotores
comunitários, técnicos ou outras figuras adquiridas por quem promove projetos nos territórios
podem trabalhar de forma coordenada para obter um maior impacto nas suas próprias iniciativas
ou tarefas institucionais.

Ao longo deste processo de planeamento, é fundamental que no final do projecto as comunidades


assumam um papel de autogestão para a sustentabilidade dos resultados; Isto depende do grau
de apropriação do projecto pelas comunidades rurais, pois em muitos casos acontece que o
próprio projecto não gerou os mecanismos necessários para garantir que as comunidades sujeitas
a apoio realizassem as alterações essenciais estabelecidas nos objectivos do projecto.

Esta deficiente engenharia social no planeamento e monitorização a longo prazo significa que, se
os projectos não forem cuidadosamente desenvolvidos, tornam-se simples mecanismos
subsidiários ou unidades desarticuladas para a colocação de fundos públicos nas comunidades
rurais, reforçando assim o controlo político destes grupos sociais marginais. transferências de
montería e projetos sem bases técnicas e sociais adequadas tornam-se instrumentos que
perpetuam a dependência do Estado. As políticas de bem-estar inibem o crescimento das
comunidades se os projetos sociais não incorporarem na sua concepção e funcionamento diversos
reagentes que libertem o potencial que os territórios rurais têm para o seu desenvolvimento
integral.

DIAGNÓSTICO ANALÍTICO E PARTICIPATIVO

Onde começam os projetos? No contexto de projetos inovadores para o meio rural, o diagnóstico
consiste na análise de situações, condições ou restrições que impedem a satisfação das
necessidades da população local. O diagnóstico nesta estrutura envolve o reconhecimento da
natureza de um problema através da observação e análise abrangente. O diagnóstico de um
problema visa detectar um conjunto de fatos ou circunstâncias que dificultam o alcance de algum
objetivo.

Um bom programa tem que partir de um bom diagnóstico, de uma boa análise de qual é o
problema, quais são as características específicas desse problema (Yaschine, 2013: 26). Cada projecto deve
começar por determinar a situação global que precisa de ser melhorada, os prováveis beneficiários
e outras partes interessadas, o âmbito geográfico, a gama de questões a serem abordadas e a
duração e despesas prováveis do projecto. Da mesma forma, você deve determinar quais são os
interesses da comunidade, do governo e de possíveis agências financiadoras no projeto. Durante
esta fase inicial é importante determinar se o conceito básico subjacente ao projecto é viável e se
os principais intervenientes fornecem apoio suficiente para que valha a pena passar para a fase
seguinte (Guijt e Woodhill, 2002: 3-17).

A elaboração do diagnóstico para a produção de projetos sociais nas comunidades rurais adquire
uma conotação pública muito importante, pelo que o planeamento dos projetos, desde a sua fase
inicial, deve integrar a participação cidadã, ou seja, fazer prevalecer uma abordagem de
planeamento participativo, e. incorporar as ideias, interesses e expectativas da população local
para determinar a legitimidade do projeto e as contribuições sociotécnicas para o projeto.

No diagnóstico com participação cidadã, a precisão da análise e as oportunidades são fatores-


chave aos quais os facilitadores rurais ou extensionistas devem prestar especial atenção, uma vez
que os atores territoriais interessados no projeto alocarão tempo e trabalho para atendê-lo.
Portanto, é importante que a comunicação assertiva seja o eixo para articular a elaboração do
diagnóstico, e que os participantes não vejam nos exercícios vinculados ao projeto uma “perda de
tempo” ou algo que não seja significativo para o seu dia a dia.

Na abordagem participativa, o diagnóstico inicial é também um instrumento de sensibilização e


mobilização das pessoas; faz parte da ação e dela não pode ser totalmente dissociada; Isso
também significa que cria expectativas maiores do que um diagnóstico tradicional. O diagnóstico
participativo também é um processo iterativo, ou seja, não termina com o início da
implementação, mas requer ser concluído e ajustado ao longo do processo, de acordo com as
necessidades das pessoas e do projeto. Os diagnósticos podem ser muito amplos ou temáticos
(centrados num tema específico) (Geilfus, 2009: 13).

O diagnóstico ordena a realização de estudos e pesquisas que conduzam à análise dos problemas
existentes, o que é um exercício altamente contextual, ou seja, requer uma análise das múltiplas
dimensões envolvidas, para evitar a exclusão de elementos importantes que direcionam ou
indiretos representam as causas ou consequências do problema. Por exemplo, a metodologia do
quadro http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1405-14352016000300069 - fn1lógico1 contempla as seguintes
etapas de diagnóstico com vista à resolução de problemas sociais:

1. Análise dos atores participantes

2. Análise do problema

3. Análise de Metas

4. Análise de soluções alternativas

Estas etapas fazem parte do diagnóstico e foram testadas pelos gestores de programas e projetos
ao nível do trabalho de campo; Estas fases são fundamentais para a posterior definição das demais
etapas, as informações derivadas da análise fornecerão os insumos necessários ao
desenvolvimento do projeto; Portanto, o diagnóstico passa a ser a base para estabelecer os
alicerces.

No âmbito do diagnóstico é também feita uma descrição do contexto do problema, focando-se nas
dimensões mais representativas do setor, da comunidade, do grupo e do território onde o projeto
se pretende desenvolver. Para isso, os dados podem ser obtidos de fontes diretas e secundárias de
informação; Neste aspecto também são valiosos estudos, notícias jornalísticas e conhecimentos
científico-tecnológicos que possam ser de interesse para determinar o núcleo central do
problema.

Localização do projeto

A localização do projeto e dos seus beneficiários implica o estabelecimento de critérios para


determinar a sua viabilidade territorial, o que pode ser feito em função dos interesses e
conveniências do projeto. Por exemplo, numa agroindústria rural é importante utilizar critérios de
localização para determinar a área onde o seu estabelecimento é mais viável. Isto depende da
proximidade das fontes de abastecimento de matérias-primas e insumos, também da
disponibilidade de mão-de-obra, das infra-estruturas rodoviárias, da proximidade aos
consumidores, da identidade regional dos produtos agro-alimentares, dos centros de
conhecimento educativo e científico, entre outros factores.

Alguns exemplos de projetos baseados na proximidade territorial e organizacional da produção


baseiam-se na ideia de que na medida em que as cadeias de abastecimento rurais sejam mais
curtas, isso será benéfico para os atores económicos envolvidos, devido à redução do consumo de
energia e da redução do consumo de energia. baixo custo para a mobilização de produtos a nível
local-regional.

Da mesma forma, num projecto abrangente de gestão da água com uma abordagem micro-bacia,
o seu enfoque territorial não só tentará explicar a situação actual do solo, as condições
topográficas ou hidrológicas da bacia, mas é pertinente incorporar, entre outros, o dimensão
social e institucional do território, ou seja, o papel dos atores sociais e institucionais na gestão da
água; Da mesma forma, é importante rever o quadro legal e institucional que afecta a regulação e
as políticas subsidiárias do sector hidrológico.

Nos projetos sociais, os gestores devem ter em mente o continuum territorial dos problemas para
além de uma demarcação político-administrativa do território. Embora a localização geográfica do
projecto implique traçar um limite ou recorte do espaço-lugar onde será realizado, é fundamental
considerar a natureza do problema a abordar no território e as suas interligações com diferentes
áreas geográficas e governamentais. escala em que é realizada levanta problemas sociais.

Territorializar projetos significa centrar a ação social numa determinada localidade, num ejido,
num município ou numa região que, pelas suas características, seja importante para o
desenvolvimento de um projeto. Deve-se sempre levar em conta que o território é
multidimensional, e os sujeitos, como parte dele, devem ser considerados no seu contexto
situado. Desta forma, será possível evitar uma intervenção que subestime a dimensão social do
desenvolvimento, concentre recursos com base em prioridades definidas de fora, sirva unidades
segmentadas da população, favoreça a formação de enclaves para o desenvolvimento de
atividades produtivas comerciais, estabelece prazos limitados para a assistência sem endossar a
sua continuidade no futuro (Pérez e Zizumbo, 2014).
A localização de determinado projeto em determinado território pode trazer benefícios à
população, mas também pode afetá-la gravemente, por isso o diagnóstico é fundamental.
Exemplo disso são os megaprojetos relacionados à exploração de minas, à busca de petróleo, à
instalação de hidrelétricas, às obras ferroviárias ou aos grandes complexos agroindustriais e
rodoviários, onde convencionalmente se exclui a participação cidadã e, consequentemente,
surgem conflitos sociopolíticos. .

Caracterização dos sujeitos beneficiários

Todo projeto exige uma análise do perfil de seus beneficiários, que são classificados em primeira
instância como beneficiários diretos e, em segunda instância, como beneficiários indiretos. A
gestão de projetos tem que ser sensível e compreender que embora a gestão social seja uma
tarefa técnica, não se deve omitir que se trata essencialmente de trabalhar com sujeitos sociais,
ou seja, o gestor enfrentará invariavelmente a intricada vida subjetiva do ser humano; Portanto,
trabalhar com adultos, mulheres, homens, jovens ou crianças não será a mesma coisa.

Da mesma forma, a condição de género dos beneficiários pode ser uma limitação ou fracasso para
aqueles projetos que não incorporam a perspectiva de género nas suas análises. Além disso, não
podemos perder de vista que embora as pessoas possam ser beneficiárias de um projecto, antes
de mais são sujeitos de direitos humanos, são dotadas de inteligência e têm dignidade, não são
simples dados estatísticos que ajudam a cumprir objectivos.

Com efeito, para elaborar o perfil dos beneficiários, é importante captar, através de questionários,
características como género, idade, estado civil, nível de escolaridade, entre outras. Porém, se
desejar se aprofundar na caracterização dos beneficiários, você pode utilizar ferramentas como
histórias de vida ou entrevistas em profundidade, que ajudam a obter mais informações sobre o
perfil dessas pessoas.

Esta fase de caracterização dos beneficiários é fundamental na medida em que ajuda a traçar o
perfil (construir e reconhecer) o “sujeito”, recolhendo informação sobre a sua condição
sociodemográfica, económica e, em geral, a dimensão subjectiva de quem irá beneficiar do
projecto. .

A METODOLOGIA DE PROJETOS COMO ESTRATÉGIA DE GESTÃO

A gestão de um projeto social envolve a concepção e aplicação de uma série de métodos, técnicas
e por vezes algoritmos necessários ao deslocamento de uma estratégia no território ou dentro de
um setor. A gestão, neste sentido, envolve coordenar os esforços dos atores da gestão do projeto
para cumprir as metas estabelecidas e alcançar o impacto esperado em determinado setor ou
comunidade rural. Partindo deste pressuposto, o que a metodologia procura é responder à
questão: Como serão alcançados os objetivos do projeto?

A resposta à questão anterior não é fácil, e não existe apenas uma, pois cada projeto tem uma
perspetiva metodológica diferente. Neste caso, o importante será selecionar as ferramentas
adequadas para atingir os objetivos e metas. Como parte da estratégia metodológica, procura ter
uma comunicação adequada com os membros do projeto e seus beneficiários para trabalhar de
forma coordenada com base em uma estratégia previamente planejada entre todos os
participantes.

Refira-se que, tradicionalmente, a metodologia tem sido uma fase ou componente de projetos que
recebe pouca atenção, apesar da importância estratégica que representa, tanto em projetos
aplicados como em pesquisas realizadas em contextos rurais. Porém, a omissão metodológica é
um erro que pode ser fatal para o projeto; visto que a metodologia é o principal elo entre teoria e
prática; Você pode ter ideias brilhantes, mas se não souber como colocá-las em prática o projeto
não se concretizará.

A metodologia, na sua opinião, tem origem na filosofia do projeto (teoria, modelo de


desenvolvimento ou ideologia política). Neste contexto, aspectos como valores, missão e visão são
aqueles elementos que nos permitem visualizar o tipo de metodologia a ser utilizada. Nas
pesquisas no âmbito das ciências sociais, por exemplo, os métodos qualitativos estão mais
relacionados com teorias que são constituídas por preceitos mais flexíveis, que permitem o
diálogo e a discussão de ideias como a fenomenologia, a dialética ou a hermenêutica. Pelo
contrário, existem teorias rígidas que, para serem testadas, necessitam de controle de variáveis
em um experimento, portanto, estas terão mais afinidade e harmonização com metodologias
quantitativas, que garantem em maior medida o controle numérico e estatístico dos processos de
pesquisa .

Da mesma forma, a metodologia no contexto dos projetos sociais obedece à necessidade de


“identificar e aperfeiçoar procedimentos, técnicas e instrumentos que permitam vincular a análise
da realidade social com a intervenção nela, de forma a identificar e utilizar espaços estratégicos
para atuar” (Pichardo , 2008: 86). Assim, cada projeto é um espaço de conhecimento e aprendizagem para
a formulação de “modelos” de desenvolvimento social.

Então, a estratégia metodológica de gestão ou desenvolvimento local contempla uma série de


ações para materializar os resultados do projeto, para isso existe uma sequência de tarefas.
Segundo o ILPES (2006: 15), esta é conhecida como as fases do projeto “preparação-negociação-
execução (ou implementação) operação, e etapas de preparação para a identificação da ideia, os
pré-projetos preliminares (estudos de viabilidade prévios) , o anteprojeto definitivo (estudo de
viabilidade) e o projeto completo (engenharia e execução).”

Esta estruturação metodológica em fases ou etapas de implementação do projeto, conforme


observado acima, encontra suas bases teóricas na filosofia do projeto para desencadear as ações
programadas. Isto implica uma combinação de valores, ferramentas técnicas e procedimentos que
norteiam o projeto. Segundo ILPES (2006), a estratégia que busca o desenvolvimento será colocada em
prática por meio de uma série de instrumentos, que operam em diferentes níveis, escalas e
horizontes temporais. A aplicação destes instrumentos a grupos de actividades homogéneas ou
inter-relacionadas conduz à preparação de programas (e projectos), que cobrem um conjunto de
tarefas espacialmente ou sectorialmente interligadas.
Por outro lado, na concepção metodológica do projecto é também relevante a perspectiva teórica
de planeamento a partir da qual se pretende implementar; Em qualquer caso, partir de uma
abordagem de planeamento “de baixo para cima” (descentralizada) não é o mesmo que partir de
uma abordagem de planeamento “de cima para baixo” (centralizada), onde no primeiro modelo
teórico prevalecem as relações horizontais, e no. segundo, as relações verticais. Este conjunto de
situações deverá levar os projetistas a questionar a eficácia do projeto e, nesse sentido, propor
uma metodologia que, embora deva dar resultados, deve também considerar a consonância com
os valores que emanam do projeto.

Neste sentido, a constituição metodológica de projetos de natureza setorial ou territorial deve ser
equilibrada e harmonizada entre ambas as abordagens de planeamento, uma vez que as
abordagens de planeamento, num sentido ou outro, estabelecem o conjunto de parâmetros em
que se baseará o jogo do planeamento. variáveis, cuja análise constitui o estudo e a ação dentro
dos projetos (ILPES, 2006). Então,

Você pode ter um desenho teórico muito adequado ao problema, mas se não conseguir pousar em
processos específicos que funcionem bem no campo, com um bom desenho institucional que
possibilite essa operação, fica muito difícil gerar o resultados desejados (Yaschine, 2013: 27).

OBJETIVOS E METAS: RUMO À EFICÁCIA DOS RESULTADOS

As metas representam a materialização de objetivos, porém, é muito comum que conceitos como
“metas” e “objetivos” sejam utilizados de forma intercambiável. Uma forma de diferenciá-los é
especificar que os objetivos orientam uma ação genérica ou específica, são a meta, ponto ou
conquista que se pretende alcançar. Por sua vez, as metas são um fim tangível e mensurável para
o qual se dirigem as ações do projeto.

As metas são formuladas de forma realista; Além disso, é importante assumir na sua concepção
um sentido crítico e razoável da viabilidade do seu cumprimento, pois para alcançá-los devem ser
incorporados recursos, tempo e processos de gestão eficientes; que, se não forem geridos de
forma adequada, podem comprometer objetivos muito ambiciosos que, na prática, são
irrealizáveis ou inatingíveis.

A isto devemos acrescentar que em cada projecto são geradas tensões normais entre os tempos
propostos pelo projecto e os do colectivo social para atingir os objectivos e metas, particularmente
quando o projecto adquire uma função mais tecnocrática e carece de um trabalho social de base
participativa em o seu desenho, de tal forma que os tempos das instituições e gestores se limitem
a procedimentos regulatórios, fiscais ou de administração governamental que não levam em conta
os períodos em que as pessoas aceitam e assimilam as mudanças promovidas em suas
comunidades.

Portanto, embora as principais características dos objetivos devam ser tangíveis, verificáveis e
devam ser cumpridas num prazo razoável, é importante considerar que tanto na sua concepção
como na estratégia para a sua concretização recomenda-se que haja maior participação dos atores
do projeto, a fim de determinar conjuntamente entre sua gestão e os demais atores envolvidos os
momentos em que os objetivos poderão ser alcançados.

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