Processo Judicial tributário – ações tributárias
1.
Ação Anulatória
A ação anulatória visa anular o lançamento tributário e, consequentemente, a cobrança da
exação.
“É uma ação de conhecimento de rito ordinário, prevista no artigo 38 da Lei
n° 6.830/80, movida com o propósito de se obter uma tutela jurisdicional que
implique o desfazimento de um ato administrativo que resulte em cobrança
tributária eivado de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Também pode ser
utilizada para anular ato de aplicação de penalidades, como auto de infração
ou apreensão de mercadorias.
Josiane Minardi
O que fundamenta a ação, portanto, é a irresignação em face da execução fiscal.
Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é
admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de
segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato
declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do
débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e
demais encargos.
Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste
artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e
desistência do recurso acaso interposto.
- paga;
Fisco lança. Opções do contribuinte: - recorre administrativamente;
- recorre judicialmente – ação anulatória
Obs1: UM OU OUTRO. O parágrafo único impede a propositura nas duas esferas.
Obs2: O ajuizamento da ação de execução fiscal não impede a propositura de ação anulatória.
Vide julgado do STJ:
“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO
FISCAL. POSTERIOR AJUIZAMENTO DE AÇÃO ANULATÓRIA DO
LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
1. O atual entendimento do STJ é de que o ajuizamento de Execução
Fiscal não obsta que o devedor exerça o direito constitucional de
ação para ver declarada a nulidade do título ou a inexistência da
obrigação. Precedentes: AgRg no REsp 822.491/RR, Rel. Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/3/2009; REsp 786.721/RJ, Rel.
Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 9.10.2006.
2. Agravo Regimental não provido”.
(STJ, AgRg no AREsp 836.928/SP; Rel. Min. Herman Benjamin; 2ª Turma,
DJe 27/05/2016)
Obs3: O depósito não constitui requisito da ação anulatária (§ único), mas não impede atos
expropriatórios na ação de execução fiscal. Veja julgado do STJ:
“TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. DEPÓSITO
PREPARATÓRIO. DESNECESSIDADE.
O depósito previsto no artigo 38 da Lei nº 6.830/80 não é
pressuposto à propositura da ação anulatória do débito fiscal. Inibe
apenas a cobrança do crédito.
(STJ, REsp 176.642; Rel. Min. Helio Mosimann; 2ª Turma, DJ 29/03/1999)
Súmula STJ nº 112 – Depósito. Suspensão do Crédito Tributário. O depósito somente suspende
a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro.
Súmula TFR nº 247 – Ação Anulatória do débito fiscal. Depósito. Não constitui pressuposto da
ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o Art. 38 da Lei 6.830, de 1980.
Ação Repetitória ou Ação de Repetição de Indébito
A ação repetitória ou repetição de indébito tem como pressupostos exigir a devolução daquilo
que foi pago erroneamente ou à maior. Tem fundamento no Art. 165 do CTN:
Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto,
à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu
pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:
I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o
devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou
circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;
II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota
aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência
de qualquer documento relativo ao pagamento;
III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.
Portanto, para que haja fundamento para ação repetitória, tem que existir:
- existencia de pagamento indevido ou à maior;
- erro na identificação do sujeito passivo;
- erro na alíquota;
- erro na base de cálculo;
- reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.
Obs: No que diz respeito aos chamados impostos indiretos, há que se observar que é até
possível o manejo da presente ação, contudo, deve provar que não houve o repasse do encargo,
nos termos do Art. 166. Vide a Súmula nº 546 – STF:
Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por
decisão, que o contribuinte "de jure" não recuperou do contribuinte "de facto"
o "quantum" respectivo.
Jurisprudência do STF:
(...) 1. A pretensão de compensação do IPI não merece acolhida. É que,
diversamente do que preceitua a Súmula 546/STF, ficou consignado no aresto
impugnado que a ora agravante, contribuinte de direito, não logrou comprovar
que o tributo pago indevidamente não foi repassado ao consumidor final.
[RE 589.715 AgR, rel. min. Ayres Britto, 2ªT, j. 31-8-2010, DJE 204 de 25-10-
2010.]
Ação Declaratória
A ação declaratória visa ao reconhecimento de existência ou inexistência de vínculo jurídico
obrigacional para com a Administração. Uma vez que a sentença não constitui ou desconstitui
aventual atos já manejados, admite-se sua propositura apenas e tão somente antes do
lançamento tributário.
Linha do tempo tributária:
Lançamento
Obs1: não há restrição a que se cumule pedido de declaração cumulado com devolução de
indébito, nos termos do Art. 327 do CPC.
Obs2: a propositura da ação declaratória não impede a execução do lançamento, SALVO A
CONCESSÃO DE LIMINAR (151 CTN), ao contrário, deverá a Administração fazê-lo sob
pena de decadência.
Ação Consignatória
A ação de consignação em pagamento visa livrar o contribuinte dos efeitos negativos da mora
e quando este não discute o débito, sendo modalidade de extinção do crédito tributário (156,
VIII).
Fundamenta-se no Art. 539 e seguintes do CPC, bem como no Art. 164 do CTN:
Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo
sujeito passivo, nos casos:
I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro
tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória;
II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências
administrativas sem fundamento legal;
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de
tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador.
§ 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se
propõe pagar.
§ 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a
importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a
consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora,
sem prejuízo das penalidades cabíveis.
Obs1: O STJ não admite a propositura de ação de consignação em pagamento para obtenção
de direito ao parcelamento tributário. (AgInt no AREsp 427.799. Dje 11/04/2019).
Obs2: O contribuinte se livrará do montante que efetivamente depositar, mas se o fizer em
quantia menor que o exigido pelo Fisco, não impedirá a propositura de execução fiscal.
Observar o Art. 151, II do CTN.
Mandado de Segurança
Toda vez que se defender ofensa a direito líquido e certo, haverá possibilidade de manejo do
MS, observados os requisitos constantes da Lei nº 12.016/09. A previsão está no Art. 5 º,
LXIX da CF:
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo,
não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
no exercício de atribuições do Poder Público;
O MS em processo tributário segue todas as demais regras aplicáveis a este remédio
constitucional:
- não comporta dilação probatória;
- deve ser impetrado no prazo de 120 dias;
- ao contrário das ações declaratória e repetitória, não cabe cumular pedido de
devolução de valores no MS.
Obs1: O MS não se presta para convalidar a compensação tributária, ou seja, se o
contribuinte precisar provar a existencia de créditos tributários para poder realizar a
compensação, deverá propor, primeiro, ação declaratória, por exemplo. Vide Súmula
460 do STJ:
É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária
realizada pelo contribuinte.
Obs2: Se depois de comprovada a existência do crédito e ainda assim a autoridade
administrativa recusar-se à compensação, caberá MS. Vide Súmula 213 do STJ:
O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à
compensação tributária.
Obs3: Não é sempre que caberá impetração de MS. Veja o Art. 5º da Lei nº 12.016/09:
Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo,
independentemente de caução;
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
III - de decisão judicial transitada em julgado.