📘1 – Aspectos Gerais, Constituição e Lançamento do Crédito
Tributário
📌 1. Crédito Tributário: Conceito e Natureza
● Crédito tributário = direito do Estado de exigir o cumprimento da obrigação tributária
principal (pagamento de tributo ou penalidade pecuniária).
● Surge após o lançamento, sendo a “face exigível” da obrigação.
● Inclui tributos e multas.
● Decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (CTN, art. 139).
📌 2. Relação entre obrigação e crédito tributário
● Modificações no crédito tributário não afetam a obrigação tributária (CTN, art. 140).
📌 3. Constituição do Crédito Tributário: o Lançamento
● Lançamento é o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário.
● Envolve:
○ Verificação do fato gerador;
○ Determinação da matéria tributável;
○ Cálculo do tributo;
○ Identificação do sujeito passivo;
○ Aplicação de penalidade, se cabível (CTN, art. 142).
● O lançamento não cria a obrigação, apenas a torna exigível.
📌 4. Natureza Jurídica do Lançamento
● Mista:
○ Declaratória: reconhece o fato gerador (efeitos ex tunc).
○ Constitutiva: constitui o crédito (efeitos ex nunc).
📌 5. Competência para o Lançamento
● Competência privativa da autoridade administrativa designada por lei.
● Vedadas: delegação, avocação e realização por juiz.
● Obrigatoriedade: atividade vinculada e obrigatória (CTN, art. 142, parágrafo único).
📌 6. Modalidades de Lançamento
● Direto/de ofício: feito pela administração, sem colaboração do contribuinte.
● Por declaração: contribuinte fornece dados e a autoridade apura o valor.
● Por homologação: contribuinte antecipa pagamento, sujeito à homologação posterior da
autoridade.
📌 7. Legislação Aplicável ao Lançamento
● Material (substancial): vigente na data do fato gerador (efeito ex tunc).
● Formal (procedimental): norma processual vigente à época do lançamento (efeito
imediato).
●
●
📌 8. Princípios envolvidos
Irretroatividade tributária: lei nova não se aplica a FG anteriores.
● Ultratividade: aplica-se lei revogada se vigente no momento do FG.
Dicionário Técnico
Termo/Expressão Significado
Crédito tributário Direito subjetivo do Fisco à exigência de tributo ou penalidade pecuniária
Obrigação tributária principal Dever de pagar tributo ou multa
Lançamento Procedimento que torna exigível o crédito tributário
Natureza mista Componente declaratório + constitutivo
Efeito ex tunc Efeito retroativo (desde o fato gerador)
Efeito ex nunc Efeito prospectivo (da constituição do crédito em diante)
Legislação material Regras do tributo (fato gerador, alíquota, etc.)
Legislação formal Regras processuais aplicáveis ao lançamento
Competência privativa Apenas autoridade legalmente designada pode lançar tributo
Ultratividade Aplicação de lei revogada a FG pretérito
Irretroatividade Proibição de aplicar nova lei a FG passado
📘2 - Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário
📌 1. Conceito e Consequência
● Suspensão = impossibilidade de cobrança do crédito tributário enquanto durar a causa
suspensiva.
● Não extingue o crédito, nem impede o lançamento.
● Obrigações acessórias continuam exigíveis.
📌 2. Fundamento Legal
● Prevista no art. 151 do CTN.
● Deve ser interpretada literalmente (exegese restritiva).
📌 3. Hipóteses Legais de Suspensão
1. Moratória
● Dilação legal do prazo para pagamento.
● Pode ser:
○ Geral: concedida por lei para todos os contribuintes.
○ Individual: mediante despacho da autoridade, autorizada por lei.
● Subtipos:
○ Autônoma: concedida por quem tem competência sobre o tributo.
○ Heterônoma: União concede junto com obrigações de natureza privada e de outros entes.
2. Depósito do montante integral
● Para suspender a exigibilidade, o valor deve ser depositado integralmente em juízo.
● Deve ser judicial e integral, não parcial nem administrativo.
3. Reclamações e recursos administrativos
● Quando interpostos dentro do prazo legal, suspendem a exigibilidade.
● Aplica-se somente no processo administrativo tributário.
4. Liminar em mandado de segurança
● Concessão de liminar judicial em MS suspende a exigibilidade enquanto perdurar.
5. Liminar/tutela antecipada em outras ações
● Ações ordinárias, declaratórias, anulatórias etc. também podem gerar suspensão mediante
decisão judicial.
6. Parcelamento
● Concede-se a suspensão desde a formalização até a inadimplência.
📌 4. Importante: Suspensão e Lançamento
● É possível suspender antes do lançamento: o Fisco lança, mas não pode cobrar.
● Isso evita a decadência do direito de lançar.
Dicionário Técnico
Termo/Expressão Significado
Suspensão da exigibilidade Impede temporariamente a cobrança do crédito tributário
Moratória Prorrogação legal do prazo para pagamento
Depósito do montante integral Depósito judicial de 100% do valor devido, com efeito suspensiv
Reclamação administrativa Contestação do lançamento no âmbito administrativo
Liminar Decisão provisória concedida por juiz antes da sentença final
Parcelamento Acordo formal para pagamento fracionado do crédito tributário
Interpretação literal Regra de hermenêutica que exige leitura restritiva da norma
Lançamento Ato administrativo que constitui o crédito tributário
Decadência Perda do direito de lançar por decurso do prazo legal
🔄 Mnemônico para memorização:
MORDER e LIMPAR
● MORatória
● DEpósito integral
● Reclamações e recursos
● LIMinar em MS
● PARcelamento
📘3 – Extinção do Crédito Tributário
📌 1. Conceito
● Extinguir = encerrar definitivamente a obrigação do contribuinte.
● Causas listadas no art. 156 do CTN.
● Exige previsão legal expressa.
● Regra: rol do art. 156 é taxativo (numerus clausus) para fins de concurso.
📌 2. Hipóteses Legais de Extinção (CTN, art. 156)
1. Pagamento
● Forma ordinária e mais comum.
● Regras específicas:
○ Feito em moeda corrente, cheque (eficácia só com compensação), vale postal etc.
○ Pagamento antecipado pode ter desconto (somente por lei).
○ Estampilha, papel selado ou processo mecânico são formas indiretas.
○ Não há presunção de quitação de outros débitos.
○ Mora ex re: inadimplência gera efeitos automáticos (juros, multa).
2. Compensação
● Encontro de créditos e débitos entre contribuinte e Fisco.
● Depende de lei autorizadora e de requisitos de liquidez e certeza.
3. Transação
● Acordo entre Fisco e contribuinte para extinguir ou reduzir crédito.
● Depende de lei específica autorizando.
4. Remissão
● Perdão legal de débito tributário.
● Também depende de lei específica.
5. Prescrição
● Perda do direito de cobrar judicialmente (prazo: 5 anos após constituição definitiva).
6. Decadência
● Perda do direito de lançar (prazo: 5 anos do fato gerador, salvo exceções).
7. Conversão de depósito em renda
● Valor depositado em juízo é revertido definitivamente à Fazenda Pública.
8. Pagamento antecipado com homologação
● Típico do lançamento por homologação.
● Extinção só se completa com homologação expressa ou tácita (5 anos).
9. Consignação em pagamento
● Quando há dúvida ou impedimento quanto ao pagamento direto ao Fisco.
10. Decisão administrativa irreformável
● Decisão definitiva na esfera administrativa favorável ao contribuinte.
11. Decisão judicial com trânsito em julgado
● Sentença definitiva que reconhece inexistência ou quita o crédito.
12. Dação em pagamento em bens imóveis
● Entrega de imóveis como forma de quitação, desde que autorizada por lei.
📌 3. Observações Importantes
● Bens móveis não podem ser usados para dação (inconstitucionalidade).
● Mesmo em pagamento, podem coexistir multa + tributo (art. 157 CTN).
● A definição de prazo para pagamento não depende de lei (RE 195.218/MG – STF).
🧠 Mnemônico para Extinção:
"PCT RPP CPCCD DD"
Dica: imagine um "Cartão Rápido do Crédito Público com Código Duplo" – ajuda a lembrar a
sequência.
Desenvolvendo o mnemônico:
● P – Pagamento
● C – Compensação
● T – Transação
● R – Remissão
● P – Prescrição
● P – Decadência (Prazo de lançamento)
● C – Conversão em renda
● P – Pagamento com homologação
● C – Consignação
● D – Decisão administrativa irreformável
● D – Decisão judicial com trânsito
● D – Dação em pagamento (bens imóveis)
Dicionário Técnico
Termo/Expressão Significado
Extinção Desaparecimento definitivo do crédito tributário
Mora ex re Inadimplemento gera consequências automáticas
Compensação Quitação de débito com crédito equivalente
Transação Acordo entre Fisco e contribuinte
Remissão Perdão legal de crédito tributário
Prescrição Perda do direito de cobrar
Decadência Perda do direito de constituir o crédito
Homologação Confirmação do pagamento pelo Fisco (explícita ou tácita)
Consignação Depósito judicial feito para quitar tributo em caso de controvérsia
Dação em pagamento Entrega de bem imóvel em substituição ao pagamento em dinheiro
📘 4 – Exclusão do Crédito Tributário
📌 1. Conceito
● A exclusão impede a constituição do crédito tributário, mesmo que o fato gerador tenha
ocorrido.
● Não se confunde com extinção: não há constituição do crédito, portanto não há o que extinguir.
● Fundamento legal: art. 175 do CTN.
● Requer interpretação literal e lei específica (CF, art. 150, §6º).
📌 2. Efeitos
● Não dispensa obrigações acessórias.
● Não atinge crédito já constituído (regra).
● Depende de previsão legal anterior ao lançamento.
📌 3. Hipóteses Legais de Exclusão
1. Isenção
● Dispensa legal do pagamento de tributo devido.
● Requisitos:
○ Necessita lei específica.
○ Pode ser geral (abrange todos os contribuintes) ou individual (condicionada à comprovação).
● Vedada a isenção heterônoma:
○ Um ente não pode isentar tributo de outro (CF, art. 151, III).
● Pode haver isenção regional pela União para equilíbrio socioeconômico (princípio da uniformidade
geográfica).
● Não se presume:
○ Não se estende a taxas ou contribuições, nem a tributos futuros, salvo se a lei permitir (CTN,
art. 177).
2. Anistia
● Dispensa legal da multa tributária (não do tributo).
● Pode abranger:
○ Infrações formais: mesmo sem crédito constituído.
○ Infrações materiais: exige que o crédito ainda não tenha sido pago.
● Depende de lei específica.
● Também pode ser geral ou individual.
●
🧠 Mnemônico para Exclusão:
"IA = Impede a Arrecadação"
Ou lembre-se de: “Exclusão é I.A. — Isenção e Anistia”
● I – Isenção → dispensa de tributo
● A – Anistia → dispensa de multa
📌 4. Comparativo com Extinção e Suspensão
Elemento Exclusão Extinção Suspensão
Crédito constituído? Não Sim Sim
Exige lei específica? Sim Em regra, sim Sim
Efeitos Impedir o nascimento do Eliminar crédito existente Impedir a exigibilidade
crédito
Obrigações acessórias Mantidas Em regra, cessam Mantidas
Dicionário Técnico
Termo/Expressão Significado
Exclusão do crédito Impede a constituição do crédito, mesmo após o fato gerador
Isenção Dispensa legal do tributo devido
Anistia Perdão legal das penalidades (multas)
Isenção heterônoma Concedida por ente diverso do competente – vedada pela CF
Uniformidade geográfica União pode conceder benefícios fiscais regionalizados
Lei específica Requisito constitucional para concessão de isenção/anistia
📘5 – Garantias e Privilégios do Crédito Tributário
📌 1. Conceito
● Garantias: mecanismos legais para assegurar o recebimento do crédito tributário.
● Privilégios: preferência de pagamento em relação a outros créditos do devedor.
Fundamento Legal: art. 183 e seguintes do CTN.
📌 2. Garantias do Crédito Tributário
🔹 Natureza Exemplificativa
● CTN, art. 183: o rol não é taxativo — outras garantias podem ser previstas por lei.
🔹 Garantias não alteram a natureza da obrigação tributária
● Ex: mesmo garantido por hipoteca, o crédito tributário não vira crédito hipotecário.
🔹 Exemplo de garantia legal extra CTN:
● Depósito prévio ou hipoteca como condição para benefício fiscal (desde que previsto em lei).
📌 3. Universalidade da Cobrança (CTN, art. 184)
● O crédito tributário pode ser cobrado sobre todos os bens e rendas do sujeito passivo:
○ Mesmo os bens onerados por hipoteca, inalienáveis ou com cláusulas contratuais.
● Exceção: bens absolutamente impenhoráveis por lei (ex: art. 833 do CPC).
📌 4. Presunção de Fraude à Execução (CTN, art. 185)
● Alienação ou oneração de bens, após inscrição em dívida ativa, sem reserva suficiente, é
fraudulenta.
● Presunção absoluta (não admite prova em contrário).
● Inclui oneração (ex: nova hipoteca).
📌 5. Indisponibilidade de Bens (CTN, art. 185-A)
● Após o ajuizamento da execução fiscal, se o juiz verificar indícios de que o devedor está se
desfazendo de bens, pode decretar indisponibilidade, antes mesmo de citação.
📌 6. Privilégios do Crédito Tributário (CTN, art. 186)
● O crédito tributário é preferencial em relação a quase todos os outros, com ressalvas:
○ Execução judicial: preferente à maioria.
○ Execução falimentar: não prefere aos créditos com garantia real (hipoteca, penhor, anticrese).
● Privilégios também podem ser gerais (sobre todo o patrimônio) ou especiais (sobre bens
específicos).
🧠 Mnemônico para lembrar do pacote:
“FUI PIG”
(Fraude, Universalidade, Indisponibilidade, Privilégio, Garantias)
● F – Fraude à execução (art. 185)
● U – Universalidade da cobrança (art. 184)
● I – Indisponibilidade de bens (art. 185-A)
● P – Privilégios do crédito tributário (art. 186)
● G – Garantias legais (art. 183 e ss.)
🟩 Tabela Comparativa – Preferência de Créditos
Situação Crédito Tributário tem preferência?
Execução judicial comum ✅ Sim, preferência sobre a maioria dos créditos
Execução falimentar ❌ Não prefere aos créditos com garantia real
Bem gravado com hipoteca ❌ Garantia real tem preferência
Bens voluntariamente impenhoráveis ✅ Crédito tributário atinge esses bens
Bens legalmente impenhoráveis ❌ Crédito tributário não os atinge
Dicionário Técnico
Termo/Expressão Significado
Garantia tributária Mecanismo que assegura a cobrança do tributo
Privilégio tributário Preferência de recebimento sobre outros credores
Universalidade da cobrança Totalidade dos bens e rendas responde pela dívida
Fraude à execução fiscal Alienação ou oneração de bens após inscrição em dívida
ativa
Indisponibilidade de bens Decretação judicial que impede o devedor de dispor dos bens
Crédito com garantia real Crédito garantido por penhor, hipoteca ou anticrese
Bem absolutamente impenhorável Bem que a lei proíbe que seja penhorado (ex: salário)
🎯 Resumo final: garantias e privilégios tributários fortalecem o poder de cobrança do Estado,
permitindo atingir até mesmo bens que, em regra, não responderiam por outras dívidas — com exceções.
🕵️♂️HISTÓRIA: “OS TRIBUTOS DE CÉSAR DO
IMPOSTOLÂNDIA S/A”
Ato I – A Arte de Enrolar (Fato Gerador e a Obrigação)
César B. Malasombra, CEO da promissora “Impostolândia S/A”, resolveu aumentar seus lucros
sonegando impostos com a mesma criatividade de quem lava dinheiro vendendo coxinha gourmet a
R$ 500.
Na terça-feira, às 15h37, sua empresa vendeu R$ 1 milhão em produtos eletrônicos sem emitir uma
mísera nota fiscal. O contador, Sr. Tô Nem Aí, alertou:
— Isso aí vai gerar uma obrigação tributária, chefia.
— Obrigação? Só se for moral, respondeu César, abrindo um vinho argentino comprado com CPF do
sobrinho.
Nasceu então, do fundo pantanoso da contabilidade criativa, a obrigação tributária principal: pagar
imposto sobre aquela venda. Mas, como sempre, ninguém deu bola.
Ato II – A Chegada da Maldição (Lançamento)
Meses depois, um auditor fiscal conhecido como “Carrasco”, com olhar de quem já viu planilha do
Excel do inferno, bateu à porta da empresa.
— Vim lançar.
E não era um livro, era o lançamento tributário de ofício: identificou a venda, calculou o imposto
devido e cravou um valor na testa do contribuinte.
César, revoltado, gritou:
— Isso é perseguição!
— Não. É lançamento com efeito constitutivo e declaratório, respondeu o fiscal, tomando um café e
deixando um carnê de cobrança que parecia um boleto de faculdade de medicina.
Ato III – A Cômica Ilusão da Suspensão
César, buscando escapar da guilhotina, correu até o contador e gritou:
— Suspende essa p*#%!
Eis as opções que surgiram:
● Pediu moratória — foi negada (não era ano eleitoral).
● Tentou um parcelamento — e pagou uma só parcela.
● Entrou com mandado de segurança — e conseguiu uma liminar com validade menor que
cupom de fast food.
● Fez um depósito judicial integral — por engano, porque confundiu com sinal de um
apartamento.
Por um breve período, o crédito ficou com a exigibilidade suspensa. Mas como nada foi levado a
sério, a suspensão caiu. O leão voltou com fome.
Ato IV – A Tática do Perdão (Exclusão e Extinção)
O contador teve outra ideia:
— E se tentarmos uma exclusão?
Pediram isenção, mas era um tributo estadual, e a empresa atuava em seis estados e dois paraísos
fiscais — logo, isenção heterônoma? Rejeitada.
— E anistia?
Infelizmente, as multas já tinham sido aplicadas, e não havia campanha de anistia em vigor. Tentaram
alegar que foi tudo uma “ação cultural”, mas o fiscal respondeu:
— Isso é fraude com nome de TED.
Sem saída, César tentou a extinção do crédito pela via clássica: pagamento parcial e espera da
prescrição. O problema? Pagou com cheque pré-datado do Banco das Ideias Ruins, e o resto
esperava que o tempo apagasse.
O prazo prescricional bateu, mas antes disso, o auditor já tinha ajuizado a execução.
Ato V – A Desgraça é Preferencial (Garantias e Privilégios)
Veio a fase da execução fiscal. E aí, o pau quebrou.
Descobriram que César vendeu seus bens para a sogra dois dias após inscrição em dívida ativa. O
Ministério Público riu com gosto:
— Isso aqui é fraude à execução, bebê!
Todos os bens foram bloqueados via indisponibilidade, inclusive uma Kombi azul usada para
“ações de marketing”.
— Mas isso é inconstitucional! – gritou César.
— Aqui é CTN, meu caro, e o crédito tributário tem privilégio até sobre tua bicicleta, respondeu o
juiz.
Para piorar, o imóvel dado em garantia ao banco tinha hipoteca anterior. Resultado: o crédito com
garantia real passou na frente.
O Fisco ficou com o que sobrou: um lote em Marte no metaverso e uma coleção de bonecos do Pelé.
Epílogo – Moral da História
No fim, o crédito tributário foi cobrado na marra, com privilégio, sem perdão e com o
contribuinte morando de aluguel no nome da prima.
César hoje dá palestras motivacionais sobre “como a carga tributária impede o empreendedorismo”,
mas nunca conta essa história direito. Já o auditor Carrasco… foi promovido.