APONTAMENTOS DE FILOSOFIA/ 11ª CLASSE - LICEU Nº 382 DO PANGUILA
TEMA 3: TEORIA DO CONHECIMENTO/ GNOSEOLOGIA
“O propósito do treinamento de hoje é derrotar a compreensão de ontem”
(Miyamoto Musashi)
A Gnoseologia é o ramo da Filosofia que reflecte sobre o conhecimento. É uma
investigação de segunda ordem, pois reflecte os conhecimentos produzidos pelos homens.
Coloca as seguintes questões: qual é a origem, natureza, valor, possiblidade do conhecimento?
3.1.A ESTRUTURA DO ACTO DE CONHECER E A DICOTOMIA SUJEITO-
OBJECTO
O conhecimento é uma relação entre o sujeito que apreende e o objecto que é
apreendido. O conhecimento do objecto e o próprio objecto não se identificam.
Objectos reais e ideais
Objectos reais são aqueles que nos são dados pela experiência. Exemplo: as plantas, o
rio, os animais, etc. E os objectos ideais são representações mentais, são irreais, fruto do
pensamento. Exemplo: as estruturas da matemática, os números e as figuras geométricas.
Origem do conhecimento
Existiam os filósofos que defendiam o conhecimento como fruto da nossa experiência
sensível (Empiristas) e os que defendiam o conhecimento como resultado intrínseco à razão,
mediante a intervenção de certas noções de causa e princípios (Racionalistas).
a) Empirismo - Segundo J. Locke, antes do contacto com a realidade, o espiríto é
como uma tábua rasa, em que se escrevem os dados da experiência. Da sensação (fonte de
experiência externa) e da reflexão (fonte da experiência interna) nascem as ideias.
O homem evita o fogo por causa de seu instinto animal, que o lembra e o faz acreditar
que o fogo queima, e não pelo entendimento da razão.
b) Racionalismo - Segundo Leibniz, Espinoza e Descartes, o homem possui ideias
inatas de que depende a interpretação e compreensão da experiência. A experiência sensível é
apenas uma ocasião de conhecimento e está sujeita a enganos. Por exemplo: quando
colocamos uma colher dentro de um copo com água, de modo que parte dela fique dentro da
água e parte fora, vemos uma espécie de “desvio” na colher, como se ela estivesse torta.
Porém, sabemos que ela não está torta, e basta tirá-la da água para verificar isso.
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3.2. NATUREZA DO CONHECIMENTO
“Os limites do meu conhecimento são os limites do meu mundo”
(Ludwig Wittgenstein)
Natureza do conhecimento consiste em dizer qual dos membros da relação sujeito-
objecto é determinante. Será que o objecto existe ou não independentemente do sujeito?
a) O Realismo
O realismo é a doutrina segundo a qual o conhecimento é a representação do objecto
ou realidade. As coisas existem quer a consciência exista quer não.
Ex: a forma e a cor que percebemos no pássaro são as que realmente ele possui.
Se o sujeito fosse factor “determinante” daquilo que se conhece, haveria uma
percepção distinta para cada sujeito e não seria possível haver ciência, nem comunicação dela.
b) O Idealismo
Para o Idealismo, o nosso conhecimento atinge apenas as modificações subjectivas e
não a própria realidade. O homem não conhece as coisas (essas possuem algo que vai além
das aparências), mas a representação que a nossa consciência forma em razão delas.
Ex: a forma e a cor que percebemos no pássaro são as ideias das representações desses
atributos, não sendo questionado se realmente existem ou não.
3.2.1. TEORIA DO CONHECIMENTO DE ARISTÓTELES
“Todo homem, por natureza, deseja saber”
(Aristóteles)
Aristóteles afirma que não existem ideias inatas. Todo o conhecimento começa pela
percepção sensível. O objecto da ciência é o conceito. Mas é na percepção que os conceitos
têm origem. A operação que permite extrair da percepção o conceito (do particular o
universal) é a abstração. Exemplo: conhecemos o Mavinga, o Nduka e o Makiesse, separando
o que neles há de particular e individual e ficar com o que neles há de comum e universal,
chegamos ao conceito homem.
Os estímulos dos sentidos externos dividem-se em próprios e comuns. Próprios são os
que aprendemos por um só sentido (a cor, o som, apreendidos, respectivamente, pela vista e
pelo ouvido); comuns são os que percebemos por mais de um sentido: a forma e o
movimento, que são apreendeidos pela vista (em virtude da extensão ou da cor) e pelo tacto.
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3.2.2. A TEORIA DE CONHECIMENTO DE DAVID HUME
“Todo processo de entendimento inicia-se com impressões” (David Hume)
Para Hume, todo o conhecimento começa na experiência. As impressões sensíveis são
tidas como as unidades básicas do conhecimento. Os conhecimentos são impressões e ideias.
Impressões – são os conhecimentos no estado forte. São actos originários do nosso
conhecimento e correspondem aos dados da experiência presente.
Exemplo: tenho a vista de uma árvore, recebo a impressão da cor, a forma, o ruído.
Ideias – são imagens debilitadas, enfraquecidas, das impressões no pensamento. São
como que as marcas deixadas pelas impressões, uma vez estas desaparecidas.
Exemplo, a recordação da cor, a forma, o ruído da árvore que tinha visto.
Há dois tipos de conhecimentos: conhecimento de ideias e conhecimento de facto.
Conhecimento de ideias é um conhecimento que consiste em analisar o significado
dos elementos de uma proposição, em estabelecer as relações entre as ideias que elas contêm.
A proposição “o todo é maior que a parte” é um juízo que não se baseia nos factos. É o caso
do conhecimento da Lógica e da Matemática.
Conhecimento de factos são proposições cujo valor de verdade tem de ser testado
pela experiência (factos). Assim a proposição “este martelo é pesado” é um juízo cujo valor
de verdade é determinado pela verificação experimental.
3.2.3. A TEORIA KANTIANA DO CONHECIMENTO
“Não se deve ensinar Filosofia, mas sim a filosofar” (Immanuel Kant)
A gneologia de Kant consiste numa reflexão sobre as condições que tornam possível o
conhecimento. Ele pergunta: como é possível o conhecimento?
1) Todo o conhecimento começa com experiência
Para que haja conhecimento, é necessário que tanhamos algo para conhecer. Como
conhecemos? Para Kant, o conhecimento começa com a intuição, acto pelo qual recebemos
dados ou algo para conhecer. Como intuímos? Para ele, toda a nossa intuição está
condicionada por duas formas: o espaço e o tempo. Só temos intuição de realidades sensíveis
ou empíricas. Espaço e tempo precedem e tornam possíveis toda a nossa experiência, por isso
são estruturas transcendentais da nossa sensibilidade.
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Ex: todas as sextas-feiras, à noite, o meu vizinho escuta música alta incomodando os
vizinhos. A música alta provoca em mim uma determinada impressão sensível. Eu recebo esta
impressão sensível de uma terminada forma, isto é, espacializo-a (ao lado da minha casa) e
temporalizo-a (das 19h as 22h). Vê-se que a intuição sensível consiste em estabelecer uma
relação espácio-temporal entre as impressões sensíveis.
2) – O conhecimento científico não deriva da experiência, mas de certas forma à priori
do sujeito que conhece
O conhecimento científico, em sentido estrito, é explicativo. Explicar é indicar a causa
de algo. Conhecer científicamente um fenómeno como a dilatação de um corpo é dizer que o
aumento da temperatura é a causa ou a explicação da dilatação de um corpo. O conceito de
causa e de efeito permite estabelecer relações de dependência entre dois fenómeno. Se A é
causa e B é efeito, isto quer dizer que B depende do A.
A causa é a forma estrutural à priori com a qual o entendimento está equipado. É o
nosso modo de organizar, relacionar e explicar os fenómenos.
3) o conhecimento científico é o conhecimento de realidades empíricas ou sensíveis.
Todo o conhecimento possível ao homem está limitado ao campo dos objectos que eu
posso enquadrar no espaço e no tempo, aos dados da intuição empírica ou sensível.
Os dados sensíveis são o que a sensibilidade coloca ao dispor do entendimento e do
seu conceito por excelência: o conceito de causa.
3.2.4. A INTERPRETAÇÃO DO PROCESSO COGNITIVO SEGUNDO PIAGET
“A inteligência é o que você usa quando não sabe o que fazer”
(Jean Piaget)
Piaget opôs-se ao racionalismo e o empirismo. Para Piaget "a assimilação e a
acomodação são os dois pólos de uma interacção entre o organismo e o meio, a qual é a
condição de todo funcionamento biológico e intelectual".
- Assimilação: incorporação de elementos do meio de forma a integrarem as estruturas
mentais do sujeito (com modificação desses elementos)
- Acomodação: modificação das estruturas cognitivas para enfrentar o novo
(modificação ou criação de estruturas)
Quando ocorrem esses mecanismos, a criança encontra-se no estado de equilibração.
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Os Estádios de Desenvolvimento do Conhecimento
Estádio sensório-motor (do nascimento aos dois anos) - O seu primeiro modelo de
conhecer é levar os objectos à boca. Vê somente o que está diante de si, chora quando tem
fome ou sede. A forma de conhecimento do mundo exterior é predominante percepção
sensorial e movimento, não estão envolvidos representações mentais e pensamentos. Assim,
pegar um pauzinho para atrair um objecto afastado é uma acto de inteligência.
Estádio pré-operatório (dos dois aos sete anos) - nesta fase a criança começa a
desenvolver a sua capacidade simbólica, não dependendo exclusivamente das suas sensações
e movimentos. A palavra carro já pode gerar uma imagem mental de um carro mesmo que não
tenha nenhum a sua frente. Passa também a distinguir o significante (imagem, palavra,
símbolo) do significado (conceito). Ex: a criança, ao ver a mãe com a bolsa, compreende que
ela sairá. Ainda não compreende a reversibilidade – compreende que 6+1= 7, mas não 7-1= 6.
Além disso, a criança é egocéntrica. Quando tropessa, culpa a calçada e não ela
própria. Fala mal o brinquedo por estragar, ou responde “não fui eu, foi a minha mãe”.
Brincar de faz de conta, contar histórias e desenhar fazem parte do aprendizado.
Estádio operatório concreto (dos sete aos 12 anos) – nesta fase, a criança desenvolve
estruturas mentais e começa a pensar de forma lógica, mas precisa do auxílio da realidade
concreta. Compreende que dois copos com diâmetros diferentes – um cheio e outro até a
metade – podem ter a mesma quantidade. É a consolidação da noção do espaço e volume.
Consegue desenvolver o pensamento reversível, abandona o pensamento egocêntrico e passa
a pensar o mundo de forma social.
Estádio operatório formal – nesta fase, o pensamento lógico está desenvolvido,
sendo possível a abstração do mundo independente de recursos provenientes de experiências
materiais, agindo com autonomia. Começa a entender teorias, doutrinas e conceitos, sendo
capaz de fazer críticas do mundo ao redor. É capaz de referir ao universal, tratando de temas
genéricos, como por exemplo, a família, a classe social, mesmo não sendo a sua.
Piaget adverte que nem todas as pessoas chegam esse nível de inteligência,
dependendo de muito estímulo na sua concepção, às estruturas são hierarquicamente
construídas e as superiores dependem das primeiras.
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3.3. VALOR, POSSIBILIDADE E LIMITES DO CONHECIMENTO
“O que você sabe não tem valor. O valor está no que você faz com o que sabe”
(Provérbio chinês)
Qual é o valor do conhecimento? É possível um conhecimento seguro e infalível?
Existe um critério que nos permite reconhecer a verdade? E se existe, em que limites
funciona? É extensivo a toda realidade, ou haverá níveis de realidades que serão vedados?
Cepticismo - é a doutrina que nega ao homem a possibilidade de um conhecimento
objectivamente válido. Não é possível conhecer a verdade porque os sentidos enganam.
Dogmatismo – é a doutrina que defende ser possível ao homem atingir verdades
absolutas, isto é, conhecimentos objectivos, caracterizados pela universalidade e necessidade.
O homem olha para a realidade (árvore, montanha, água, etc.) e crê na existência delas.
Depois generaliza e aceita como indubitável o que lhe parece.
O relativismo – é a corrente filosófica segundo a qual todo o conhecimento é relativo
porque depende do contexto e do modo de conhecer (válido em função do sujeito). A opinião
e o ponto de vista são importantes meios de conhecomento.
Pragmatismo – é a doutrina que coloca o critério da verdade na eficácia e no valor do
pensamento para a vida. Para ele, as ideias são provisórias, podendo vir a sofrer alterações a
partir de investigações futuras.
A IMPORTÂNCIA E PERIGO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO DO
SÉCULO XX: CÍRCULO DE VIENA
“Precisamos pensar no facto que ainda não começamos a pensar”
(Martin Heidegger)
O homem teve grandes necessidades de melhorar as suas técnicas e instrumentos de
trabalho. Os novos saberes trouxeram muitos benefícios, como o aumento da expectativa de
vida, o conforto da vida urbana e a agilidade nas comunicações. Porém, quando realizada de
forma excessiva e sem parâmetros, a interferência na natureza pode colocar em risco a vida de
diversas espécies, inclusive a humana, por isso, envolvem-se discussões éticas.
Com o avanço da medicina, é possível realizar o transplante de órgãos, o que levanta
um dilema ético relacionado à vida. O critério médico da morte encefálica (ou cerebral) atesta
o óbito do potencial doador, embora muitas vezes o coração continue a bater e a temperatura
do corpo se mantenha normal. Cabe à equipe de transplantes orientar os familiares do paciente
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sobre o critério, confortá- los pela perda e convencê-los da importância da doação imediata
dos órgãos, que poderão melhorar a qualidade de vida ou até mesmo salvar a vida de outras
pessoas. Acima de tudo, é dever ético da equipe respeitar a vontade da família.
Assim, no sec. XX, pensadores de diferentes ramos do conhecimento reuniram-se em
Viena com o objectivo de visarem a base de fundamentação de conhecimentos verdadeiros.
Para o Círculo de Viena, o conhecimento científico é verdadeiro na medida em que se
relaciona à experiência, mas para o desenvolvimento da mesma teria de estar intrinsicamente
ligado à Lógica e à Matemática. Este pensamento que procura na experiência o valor de
verdade última de suas proposições, auxiliado pelas regras da Lógica e dos procedimentos
matemáticos chamou-se Positivismo lógico ou empirismo lógico.
Uma das principais contribuições do Círculo de Viena reside na noção de que todo o
conhecimento científico e o desenvolvimento que produzirá deverá estar sempre a favor da
preservação da humanidade. Isso porque a ambição do homem pelo poder faz dessas
tecnologias um desmoronamento da própria humanidade, tais como: as guerras, a pobreza, as
pandemias e endemias, constituindo assim um perigo para a vida deste planeta.
3.4.1. PROBLEMAS DA CULTURA CIENTÍFICO-TECNOLÓGICA
“Antes de tentar ser inteligente, tente não ser burro”
(Charlie Muncer)
A ciência e a técnica são os grandes responsáveis por muitos problemas de sociedades
desenvolvidas, tais como: a poluição industrial, esgotamento de recursos naturais, extermínio
de espécies vegetais e ruptura dos equilíbrios ecológicos.
A ciência e a técnica invadiram os sectores de actividades desenvolvidas, tornando-se
um elemento estratégico na competitividade industrial, impondo a reformulação das relações
entre os seres humanos e entre as nações, alterando as relações primitivas do homem com o
trabalho e com o ambiente e originando novos valores culturais e códigos jurídicos.
Diante desse fenómeno, a Filosofia faz uma reflexão que nos permite:
- evitar que a ciência e a técnica se tornem em pensamentos fechado e unidimensional;
- denunciar os pressupostos ideológicos que estão por detrás das teorias científicas.
- analisar o modo em que a ciência e a técnica estão implicados no processo de
dominação técnica do mundo, da natureza e do homem.
- usar a Filosofia nesse processo da dominação científica e técnica do mundo.
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3. 5. ATITUDES DA INTELIGÊNCIA PERANTE A VERDADE
“Procurar o que é verdadeiro não é procurar o desejável”
(Albert Camus)
O valor do conhecimento mede-se pela verdade que contém. A ignorância, a dúvida, a
opinião e a certeza são as atitudes fundamentais da inteligência perante a verdade.
3.5.1. Critérios da verdade
O critério da verdade é a norma que nos permite distinguir o conhecimento verdadeiro
do falso. Temos também algumas correntes filosóficas que se apresentam como autênticos
critérios da verdade: o fideísmo, o sensum comum e o pragmatismo.
O fideísmo considera que as verdades morais, metafísicas e religiosas, como no caso
da existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade não se alcançam por via
da razão, apenas entendidos por via da fé.
O senso comum entende que são verdadeiros os conhecimentos comuns a todos os
homens. Esse tipo de conhecimento é adquirido através da observação, das vivências pessoais
e colectivas e é passado de geração em geração.
O pragmatismo a verdade identifica-se com a verificação. Ex: se eu defendo que o
Pedro é honesto, isso só terá sentido caso se comprove essa honestidade por meio das
atitudes.
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