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Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos

CAPÍTULO III – MOTORES ELÉTRICOS – PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO
3.1 – Introdução. 3.1.1 – Estator e Rotor. As máquinas elétricas girantes normalmente são constituídas por duas partes básicas: o estator e o rotor. O estator constitui a parte estática das máquinas elétricas girantes. Costumam ser constituídos por um núcleo de chapas finas de aço magnético, tratadas termicamente para reduzir ao mínimo as perdas por correntes parasitas e por histerese. As chapas têm a forma de um anel com ranhuras internas que servem para acomodar os conjuntos de bobinas, ou simplesmente enrolamentos, que irão criar o campo girante. Em um motor elétrico, as bobinas localizadas nas ranhuras do estator recebem a potência elétrica diretamente da rede; já em um gerador, será induzida tensão elétrica nas bobinas. A Figura 3.1 apresenta o núcleo de chapas de um estator. Figura 3.1: Núcleo de chapas de um estator.

Inserido no interior do estator encontra-se o rotor, a parte girante das máquinas elétricas. O rotor é igualmente constituído por um núcleo de chapas magnéticas quase sempre com as mesmas características das chapas do estator. Essas chapas são ranhuradas externamente para acomodar as bobinas do rotor, ou mais comumente as barras que fazem o papel das bobinas. O núcleo de chapas do rotor é suportado pelo eixo do motor, como mostra o esquema da Figura 3.2
Figura 3.2: Núcleo de chapas do rotor.

No caso dos geradores elétricos, o rotor é posto em movimento por uma máquina primária, normalmente uma turbina hidráulica ou a vapor. Já nos motores elétricos o rotor gira em função do campo girante que se forma no estator. Alguns tipos de motores

Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 10

Atualmente essa função também pode ser desempenhada por retificadores constituídos por elementos de eletrônica de potência. 3. outros dispensam esta fonte de tensão. Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 11 . o que torna proibitivo sua utilização em ambientes perigosos. normalmente alternada e senoidal. o que possibilita a circulação de corrente alternada no rotor através de uma fonte cc. A Figura 3. Os motores de corrente contínua apresentam como principais vantagens o alto conjugado que pode ser obtido e a possibilidade de um amplo controle de sua velocidade. Isso é feito no chamado comutador. Os motores de corrente contínua necessitam de uma fonte de energia contínua para operar. 3. denominada de excitação composta (compound). que tendem a mover o condutor em um sentido que depende do sentido do campo e da corrente da armadura. principalmente em seu comutador. O conjunto estator-rotor constitui um circuito magnético que possibilita ao fluxo um caminho fechado de baixa relutância.2. em paralelo (shunt) com a armadura. então.1 – Introdução.4 mostra o sentido das forças que agem sobre uma espira. necessário a inversão da corrente na espira para que tenha-se um movimento contínuo.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos necessitam de uma fonte de tensão aplicada em seus enrolamentos do rotor para que possam funcionar.3: Conjunto estator-rotor. Torna-se. não dando continuidade ao movimento. No entanto. Esses diferentes tipos de excitação afetam diretamente as características dos motores de corrente contínua e serão vistos com maiores detalhes mais adiante. Também. Quando ligados à rede elétrica. ou utilizando uma combinação das duas configurações. Este problema é resolvido utilizando um comutador de corrente.2 – Motores de corrente contínua. necessário para o desenvolvimento da rotação. O funcionamento de um motor de corrente contínua está baseado nas forças produzidas da interação entre o campo magnético e a corrente de armadura no rotor.3 apresenta o conjunto estator-rotor.2 – Princípio de funcionamento de um motor de corrente contínua. a comutação de corrente por elemento mecânico implica no surgimento de arcos e faíscas. Figura 3. A Figura 3.2. Os motores de corrente contínua necessitam de fontes de excitação que podem ser ligadas em série com sua armadura (parte do circuito do rotor). O vão livre entre o estator e o rotor. anéis condutores ligados de forma tal que retificam a tensão proveniente da rede. eles apresentam maior dificuldade em sua construção e uma maior necessidade de manutenção. Sob a ação da força a espira irá se movimentar até a posição X –Y onde a força resultante é nula. é chamado entreferro. eles necessitam retificar a tensão proveniente. 3.

a = número de caminhos que o enrolamento apresenta.Ia. Para obter-se um conjugado constante durante todo um giro da armadura do motor.φ sendo: ω = velocidade angular do motor [rad/s]. (3.4) Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 12 . kmáquina = constante que depende de aspectos construtivos do motor e pode ser expressa por: k máquina = N.1) E = kmáquina.m]. A velocidade de um motor qualquer é normalmente fornecida em rpm (n). percorrida pela corrente de armadura. que atuam no sentido contrário ao da tensão aplicada.φ sendo: C = conjugado eletromagnético [N. Esta força contra eletromotriz é proporcional à velocidade do motor e ao fluxo magnético e pode ser expressa por: (3.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Figura 3.n  60  (3. utiliza-se várias espiras defasadas no espaço montadas sobre um tambor e conectadas ao comutador. φ = fluxo magnético [Wb].p 2 .2) sendo: N = número de condutores ativos presentes no enrolamento da armadura.ω.4: Forças que atuam em uma espira imersa num campo magnético.3) A soma das forças que atuam sobre os condutores do induzido cria o conjugado eletromagnético dado por: C = kmáquina. p = número total de pólos que compõem o estator do motor cc.π .a (3. Para determinar o valor da velocidade angular utiliza-se a expressão seguinte:  2π  ω =  . Com o deslocamento dos condutores da armadura no campo surgem tensões induzidas (força contra eletromotriz – E).

η (3.000 rpm e o fluxo que atravessa o entreferro vale 32 mWb. Deve-se calcular a velocidade angular por:  2. b) se a armadura da máquina for projetada para suportar uma corrente de 72 A.72 Pmec = 27. Solução a) Inicialmente vamos calcular a constate da máquina: k máquina = N.ω ⇒ Pmec = kmáquina. 3.7 tem-se: Pmec = potência mecânica desenvolvida pelo motor [W].3.209.4 A velocidade do motor foi fornecida em rpm. agora.Ia Pmec = Ua.Ia ⇒ Pmec = 384. Sabendo que a máquina é posta a girar numa rotação de 2.ω.4 ⇒ k máquina = ⇒ k máquina = 57.6) (3.φ.03.03 V b) A potência mecânica pode ser calculada por: Pmec = E.Ia.5.2000 ⇒ ω = 209. determine o conjugado desenvolvido pelo motor.π .φ ⇒ E = 57.7) Pmec = C.n ⇒ ω =    60  . determine: a) a força contra eletromotriz induzida no enrolamento da armadura.32x10-3.π .3 2 .65 [kW] Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 13 .1: O enrolamento de armadura de um motor cc tem 360 condutores ativos e foi desenvolvido para um estator de 4 pólos.Ia.ω Nas equações 3.44 E = 384. qual a potência convertida por ela? c) Nas condições do item b.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Ia = corrente da armadura [A]. Considere que o número de caminhos (a) é igual ao número de pólos do motor.π .5) (3.a 2 . A potência mecânica do motor cc pode ser calculada pelas seguintes expressões: Pmec = E.44[rad / s ]  Pode-se.p 360 . Exemplo 3.π ω =  60   2. calcular a tensão induzida na armadura: E = kmáquina. ω =velocidade angular do motor [rad/s].6 e 3. Ua = tensão aplicada à armadura do motor cc [V]. η = rendimento do motor.

5. Determine o fluxo magnético do motor.5 [rad / s ]  60   60  A partir da equação seguinte.φ ⇒ k máquina = 655.p 736 .p 728. cada uma com 16 condutores.π .86 ω .2 A velocidade angular do motor é obtida por: Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 14 .2 E ⇒ k máquina = ⇒ k máquina = 115. 46 ranhuras e 16 condutores por ranhura. uma velocidade de 1.π .30 x10 −3 Com o valor de kmáquina.m Exemplo 3.π .4 ⇒ k máquina = ⇒ k máquina = 234.1800 ⇒ ω = 188.4 ⇒a= ⇒a= 2 .p N.n ⇒ ω =  . O kmáquina é calculado como se segue: k máquina = N.800 rpm e um fluxo magnético de 30 mWb. Solução.a 2 . Inicialmente vamos calcular a velocidade angular do motor:  2π   2π  ω =  .2: Um motor de corrente contínua apresenta uma tensão induzida na armadura de 655. Como o motor conta com 46 ranhuras.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos c) O conjugado desenvolvido pelo motor pode ser calculado por: C= Pmec 27650 ⇒C = ω 209. Sabendo que a máquina apresenta 4 pólos.86 a=4 Exemplo 3. 16 ⇒ N = 736. 2 caminhos no enrolamento da armadura. Solução. determina-se o valor de kmáquina:: E = kmáquina.3: Um motor de corrente contínua de 4 pólos.ω.28 2 .π .k máquina 2. o número total de condutores (N) pode ser obtido por: N = 46 . determine o número de caminhos que o enrolamento de armadura apresenta.115. Tem-se: k máquina = N. apresenta uma tensão induzida na armadura de 480 V quando desenvolve uma velocidade de 1200 rpm.2V.44 C = 132 N. 728 condutores. é possível determinar o número de caminhos do enrolamento da armadura (a).π .φ 188.a 2.

como nos motores de tração.5 e 3.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos  2π   2π  ω =  . • isolamento elétrico: composto de isolantes sólidos e são responsáveis pelo nível de tensão admissível entre as diversas partes da máquina.66 [rad / s ]  60   60  O fluxo magnético é obtido como se segue: E = kmáquina. possuem os seguintes componentes básicos: • circuito magnético: responsável pela condução do fluxo magnético. para a transmissão de energia.φ ⇒ φ = E k máquina . de uma forma geral. as partes fixas formam o denominado estator e as partes móveis o rotor.6 apresentam. As máquinas de corrente contínua. Os motores cc podem ser estacionários.125.1200 ⇒ ω = 125. respectivamente.3 [mWb] 3. Como já observado. e rotativas.5: Corte longitudinal de um motor CC de tração GE 761.ω ⇒φ = 480 234.3 – Partes componentes dos motores de corrente contínua. • enrolamento de armadura (induzido): local onde são induzidas tensões e circulam correntes elétricas responsáveis pela formação do conjugado eletromecânico.2.n ⇒ ω =  .ω.28. • componentes mecânicos: os quais podem ser fixos. • enrolamento de campo: nos quais circulam correntes que serão responsáveis pela criação do campo magnético. como nas aplicações industriais. Figura 3. As Figuras 3. Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 15 . para suportar e proteger as partes eletro-magnéticas. um corte longitudinal de um motor de tração da GE e uma vista explodida de um motor industrial Bardela Boriello.66 φ = 16. ou móveis. Nos motores de corrente contínua a armadura é girante e os pólos são fixos na carcaça.

entretanto.7 mostra um corte transversal de ambos os modelos a fim de comparação. A carcaça é a estrutura que suporta os demais componentes do estator e compõe o circuito magnético.1 – Partes componentes do estator. A Figura 3. interpólos e enrolamentos de campo e de compensação.6: Vista explodida – Motor CC Bardela Boriello 3. Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 16 .7: Corte transversal de carcaças de motores de corrente contínua. O estator em máquinas de corrente contínua é constituído basicamente por carcaça.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Figura 3.2. pólos.3. visando reduzir o uso de material. As máquinas mais antigas possuem carcaça de formato circular. motores cc modernos estão sendo construídos com uma carcaça em formato octagonal. Figura 3.

Tais chapas formam um pacote que é fixo à carcaça por meio de parafusos.2 – Partes componentes do rotor.8: Partes componentes dos pólos indutores.8 ilustra as partes componentes de um pólo indutor.9. 3. sendo fixados à carcaça por meio de parafusos. Podem ser do tipo série. Os pólos de comutação são quase sempre feitos de ferro fundido.3. Na maioria dos casos. paralelo (shunt) ou composto (compound). o comutador e o eixo. Figura 3. necessária para seu funcionamento. Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 17 .2. A Figura 3. A armadura é composta por um núcleo magnético. As partes componentes de um rotor de motor cc são a armadura. conforme mostrado na Figura 3. Figura 3. são construídos separadamente do resto do conjunto e são constituídos por chapas de aço fundido ou ferro doce. Os enrolamentos de campo são responsáveis pela excitação do motor de corrente contínua. enrolamento e respectivos órgãos de sustentação.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Os pólos indutores são responsáveis pelo estabelecimento do fluxo magnético principal.9: Corte de um rotor de um motor cc.

11. sendo constituído de chapas magnéticas superpostas com espessuras de 0. O comutador é o componente responsável pela retificação da tensão cc para ca em uma máquina cc.4 a 0.12 apresenta um corte parcial de um comutador.10. como pode ser visto na Figura 3. de modo que o comutador tenha tantas teclas quanto forem as bobinas da armadura. A Figura 3. sendo considerada sua parte mais importante.10: Diversos tipos de ranhuras utilizadas em armaduras de motores cc. conforme ilustra a Figura 3. Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 18 .Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos O núcleo da armadura é atravessado pelo fluxo magnético produzido pelos pólos principais. Em cada tecla é conectado o final de uma bobina e ou princípio de outra. Figura 3. sendo que estas ranhuras possuem várias formatos. chamadas de teclas.5 mm. detalhando todas as suas partes constituintes. que são eletricamente isoladas entre si e do suporte do induzido. Normalmente é constituído por peças de cobre de formato especial.11: Detalhe das teclas de um comutador. Na periferia externa da armadura existem ranhuras com a função de alojar o enrolamento. Figura 3.

O eixo é o elemento mecânico responsável pela sustentação dos diversos componentes da armadura e também é através dele que se consegue o acoplamento do motor à carga que será acionada. a qual é armazenada na forma de um campo magnético. que podem ser analisados isoladamente.1 – Motor cc com excitação independente. • motores com excitação série. recebe energia elétrica de uma fonte independente para a excitação da máquina. em corrente contínua. Basicamente tem-se: • motores com excitação independente. • motores com excitação em derivação (shunt). Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 19 .2. tem-se dois circuitos elétricos independentes. que alimenta o motor em nível de força. 3. Nota-se pela Figura 3.4. Um motor cc é denominado de excitação independente quando o circuito de campo é eletricamente independente do circuito da armadura.13 apresenta o diagrama de um circuito equivalente de um motor cc com excitação independente. O primeiro circuito. Os motores de corrente contínua podem ser classificados conforme as interconexões entre os enrolamentos de campo e da armadura. • motores com excitação composta (compound). Já os circuitos de excitação são responsáveis pela formação do fluxo magnético.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Figura 3.12: Corte parcial de um comutador. ou seja. circuito de campo.2. o que é necessário em função da maneira de fixar-se a armadura e o coletor sobre ele. 3. A Figura 3. Os enrolamentos de armadura são aqueles nos quais são aplicadas as tensões provenientes de uma fonte contínua. O segundo circuito é formado pelo circuito da armadura ligado a uma segunda fonte de energia.9 que o diâmetro do eixo de um motor cc é variável.4 – Classificação dos motores de corrente contínua.

1. ∆V = queda de tensão nos terminais das escovas do motor cc (as escovas não estão apresentadas na Figura 3. ou seja.9) (3. Neste tipo de ligação do motor cc. Neste problema a corrente de excitação é constante. Exemplo 3. Para um motor com excitação independente valem as seguintes relações: circuito da armadura ⇒ Ua = E + Ra . Solução.1 Ω. o fluxo também permanecerá constante. Ia + 2. Com uma corrente de campo constante.8) sendo: Ua = tensão aplicada ao circuito da armadura [V]. Ia = corrente do circuito da armadura [A].13) [Ω]. a tesão induzida na armadura pode ser expressa por: Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 20 .∆V Desprezando a queda de tensão nas escovas. Caso essa permaneça constante.2. este motor consome uma corrente de armadura de 50 A sob uma tensão de 120 V. A resistência de armadura é de 0.50 ⇒ E = 115 V Como já observado.13) [V]. Re (3.Ia .13: Diagrama elétrico de um motor cc com excitação independente. Ra = resistência dos enrolamentos da armadura [Ω].4: Um motor de corrente contínua com excitação independente gira a uma rotação de 1405 rpm. Ia + 2. o fluxo magnético depende somente da corrente de excitação. Despreze a queda de tensão nas escovas do motor.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Figura 3. tem-se: E = Ua – Ra. Se a carga no motor variar de tal maneira que ele passe a consumir 95 A sob 120 V. Re = resistência do circuito de excitação (não apresentada na Figura 3. o fluxo magnético do motor permanecerá constante para qualquer carga acionada pelo motor.∆V circuito de excitação ⇒ Ue = Ie . determine a velocidade do motor para esta nova carga. Pode-se calcular a tensão inicialmente induzida na armadura deste motor como se segue: Ua = E + Ra .Ia ⇒ E = 120 – 0.∆V ⇒ E = Ua – Ra. E = tensão induzida nos enrolamentos da armadura [V]. Ue = tensão aplicada no circuito de excitação [V] Ie = corrente do circuito de excitação [A].

78 k Determina-se a nova velocidade em rpm como se segue:  60   60  n= .ω ⇒ n =  . Assim.1.n ⇒ ω =  .13 A seguir deve-se determinar a tensão induzida na armadura com a nova carga: E = Ua – Ra.67 ⇒ n = 1352.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos E = kmáquina.5 E ⇒k= ⇒ ω = 141.4.85 [rpm ]  2.141.Ia ⇒ E = 120 – 0.π   2. 3.π  O motor de corrente contínua com excitação independente é indicado para tarefas nas quais o usuário necessita de controle muito preciso da velocidade angular no eixo mecânico.78 ω 147.2. Pode ser empregado no controle de velocidade de processos industriais em que uma banda muito larga de velocidades é requerida. Nessa situação. determina-se a nova velocidade angular do motor: ω= 110.5 V A partir do valor de k já determinado (lembre-se que o fluxo permanece constante pois a corrente de excitação não varia).φ Pode-se calcular k a partir da relação seguinte: k= E ω A velocidade angular é determinada por:  2π   2π  ω =  . Em um motor de corrente contínua com excitação série.2 – Motor cc com excitação série.ω sendo: k = kmáquina.1405 ⇒ ω = 147.ω. k= 115 E ⇒k= ⇒ k = 0.67 [rad / s ] 0. a própria corrente Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 21 .φ Como a corrente de excitação é constante o fluxo também o será. a tensão induzida na armadura depende apenas da velocidade angular do motor: E = k.13 [rad / s ]  60   60  Substituindo-se os valores de E e ω determina-se o valor de k. a bobina de excitação é conectada em série com os enrolamentos da armadura.95 ⇒ E = 110.

15 Ω. Isso é realizado a partir da seguinte equação: E = kmáquina.5: Um motor de corrente contínua com excitação série apresenta os seguintes valores para suas resistências: Ra = 0.ω.10) sendo: Ua = tensão aplicada ao circuito da armadura [V]. deve-se calcular φ.14 ilustra o circuito elétrico equivalente de um motor com excitação série. Ra = resistência dos enrolamentos da armadura [Ω].Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos da armadura irá atuar na formação do fluxo magnético do motor. Figura 3.5 V Solução. Exemplo 3. Re = resistência do circuito de excitação [Ω]. O conjugado eletromagnético pode ser determinado por: C = kmáquina. queda de tensão nas escovas = 2. Para essa configuração pode-se escrever: Ua = E + (Ra + Re) .1 Ω e Re = 0. ∆V = queda de tensão nos terminais das escovas do motor cc [V]. Ia = corrente do circuito da armadura [A]. Considere que: Kmáquina = 235.Ia.φ ⇒ φ = E k máquina . Ia + 2. E = tensão induzida nos enrolamentos da armadura [V].φ Como se conhece o valor de kmáquina e de Ia.ω Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 22 . Este motor consome 48 A quando alimentado com 230 V e desenvolvendo uma rotação de 720 rpm.∆V (3.14: Diagrama elétrico de um motor cc com excitação série. Nestas condições determine o conjugado eletromagnético desenvolvido. A Figura 3. Ue = tensão aplicada no circuito de excitação [V] Ie = corrente do circuito de excitação [A].

12x10-3 C = 135.2.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos A velocidade angular é obtida como se segue:  2π   2π  ω =  . Os motores ligados em derivação (também conhecidos como shunt ou paralelo) são aqueles em que o circuito de excitação está diretamente ligado à fonte de alimentação e em paralelo com a armadura do motor.40 [rad / s ]  60   60  Já a tensão induzida da armadura é obtida a partir da equação geral do motor cc série: Ua = E + (Ra + Re) .15) .4. danificando a máquina. 48 . Ia + 2.Ia.m] O motor de corrente contínua com excitação série é amplamente utilizado no acionamento de veículos metroviários e ferroviários e em aplicações em que grandes conjugados devem ser desenvolvidos. A Figura 3. 3. pois a sua velocidade tenderia a aumentar indefinidamente. automaticamente.2. calcula-se o conjugado eletromagnético: C = kmáquina.∆V E = 230 -(0.∆V ⇒ E = Ua .720 ⇒ ω = 75. Ia . Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 23 .5 E = 213 V Calcula-se o fluxo magnético como segue-se: φ= 213 ⇒ φ = 12 [mWb ] 235.(Ra + Re) .3 – Motor cc com excitação em derivação (shunt). às solicitações das cargas. 48 .15 apresenta o diagrama elétrico de um motor com esse tipo de excitação.2.1 + 0. Deve-se tomar o cuidado de não operar motores desse tipo em vazio. Por apresentarem grandes conjugados em baixas velocidades e adaptarem-se.2.36 [N. como é o caso dos motores para tração elétrica. são potencialmente empregados na tração elétrica.n ⇒ ω =  .75.φ ⇒ C = 235 .40 Assim.

14) sendo: Ua = tensão aplicada ao circuito da armadura [V]. Ie (3. Pode-se escrever: IT = Ia + Ie (3. Solução. Re = resistência do circuito de excitação [Ω]. Exemplo 3. Nestas condições determine o conjugado eletromagnético desenvolvido. Ra = resistência dos enrolamentos da armadura [Ω].5 V.6: Um motor de corrente contínua com excitação em derivação apresenta os seguintes valores para suas resistências: Ra = 0. Ia + 2. Como o circuito de excitação está em paralelo com o circuito de armadura. Considere que: kmáquina = 215.φ Como se conhece o valor de kmáquina.Ia. E = tensão induzida nos enrolamentos da armadura [V].13) (3. deve-se determinar os valores de Ia e de φ. Re = E + Ra .∆V Ie . Ia pode ser obtido como se segue: Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 24 .Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Figura 3. IT = corrente total fornecida pelo sistema elétrico [A]. Ia = corrente do circuito da armadura [A].05 Ω e Re = 75 Ω.11) Ua = Re . queda de tensão nas escovas = 1. Ia + 2. Este motor consome 46 A da rede elétrica quando alimentado com 230 V e desenvolve uma velocidade de 1110 rpm. as duas tensões são iguais: Ua = Ue.12) Ua = E + Ra .15: Diagrama elétrico de um motor cc com excitação em derivação.∆V (3. Ue = tensão aplicada no circuito de excitação [V] Ie = corrente do circuito de excitação [A]. ∆V = queda de tensão nos terminais das escovas do motor cc [V]. O conjugado eletromagnético pode ser determinado por: C = kmáquina.

∆V ⇒ E = 230 – 0. Pode ser empregado no acionamento de cargas em que o controle de velocidade é mais simples.2. 43 – 2 .85 ⇒ φ = 9.21 [N.2. 3.ω A velocidade angular é obtida como se segue:  2π   2π  ω =  . Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 25 .Ia.00x10-3 C = 83. ser obtido como: E = kmáquina .4 – Motor cc com excitação composta (compound). calcula-se o conjugado eletromagnético: C = kmáquina.φ ⇒ C = 215 .85 [V] Calcula-se o fluxo magnético como segue-se: φ= 224.m] O motor de corrente contínua com excitação em derivação é indicado para tarefas nas quais o usuário possui uma única fonte de energia que irá alimentar os circuitos de campo e de armadura.1110 ⇒ ω = 116. 1.4. 43 . O motor cc com excitação composta apresenta seu sistema de excitação dividido em duas partes: uma parte conectada em paralelo com a armadura do motor e a outra parcela colocada em série com a armadura.Ra .Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Ie = 230 Ua ⇒ Ie = ⇒ Ie ≅ 3 [ A] ⇒ Ia = It − Ie ⇒ Ia = 46 − 3 ⇒ Ia = 43 [ A] 75 Re O fluxo magnético pode.05 . mesmo que a banda de velocidade requerida seja bastante ampla.24 [rad / s ]  60   60  Já a tensão induzida na armadura é obtida a partir da equação geral do motor cc com seu campo ligado em derivação: E = Ua . A Figura 3.16 apresenta um esquema de ligação do motor com excitação composta.φ ⇒ φ = E k máquina .00 [mWb ] 215. então. ω . Ia .116.24 Assim.n ⇒ ω =  . 9.5 E = 224.

IT = corrente total fornecida pelo sistema elétrico [A].7: Um motor de corrente contínua com excitação composta apresenta os seguintes valores para suas resistências: Ra = 0. Este motor consome 60 A da rede elétrica quando alimentado com 230 V e desenvolvendo uma velocidade de 1300 rpm. E = tensão induzida nos enrolamentos da armadura [V].16) (3. queda de tensão nas escovas = 1. Considere que: kmáquina = 240.Ia. Nestas condições determine o conjugado eletromagnético desenvolvido. Ue = tensão aplicada no circuito de excitação [V] Ie = corrente do circuito de excitação [A].φ Como se conhece o valor de kmáquina. Re1 = resistência de excitação colocada em paralelo com a armadura do motor[Ω]. Solução. Ia pode ser obtido como se segue: Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 26 . ∆V = queda de tensão nos terminais das escovas do motor cc [V]. Exemplo 3.5 V.05 Ω e Re1 = 60 Ω e Re2 = 0. Ia = corrente do circuito da armadura [A].15) (3. Para o motor cc com excitação composta pode-se escrever as seguintes equações: IT = Ia + Ie Ua = Re1 . deve-se determinar os valores de Ia e de φ.17) Ua = E + (Ra + Re2) .16: Diagrama elétrico de um motor cc com excitação composta.15 Ω. O conjugado eletromagnético pode ser determinado por: C = kmáquina. Ra = resistência dos enrolamentos da armadura [Ω]. Re2 = resistência de excitação colocada em série com a armadura do motor[Ω].Ie (3. Ia + 2 ∆V sendo: Ua = tensão aplicada ao circuito da armadura [V].Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Figura 3.

possuem um elevado conjugado de partida e velocidade aproximadamente constante no acionamento de cargas variáveis.φ ⇒ φ = E k máquina . isto é.136.17 [ A] 60 Re1 O fluxo magnético pode.2 ∆V⇒ E = 230 – (0.75 [N.14 [rad / s ]  60   60  Já a tensão induzida na armadura é obtida a partir da equação geral do motor cc com seu campo ligado em derivação: E = Ua . 1.83 [ A] ⇒ Ia = It − Ie ⇒ Ia = 60 − 3. 6.n ⇒ ω =  . então.φ ⇒ C = 240 .ω A velocidade angular é obtida como se segue:  2π   2π  ω =  . 60 – 2 . Professor Luiz Henrique Alves Pazzini 27 . Ia .15) . calcula-se o conjugado eletromagnético: C = kmáquina.58 [mWb ] 240.58x10-3 C = 94.05 + 0. ser obtido como: E = kmáquina . 60 .ω ⇒φ = 215 ⇒ 6.14 Assim.m] Os motores compostos acumulam as vantagens do motor série e do motor em derivação.(Ra + Re2) .Ia.Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos Ie = 230 Ua ⇒ Ie = ⇒ Ie = 3.83 ⇒ Ia = 56. ω .1300 ⇒ ω = 136.5 E = 215 [V] Calcula-se o fluxo magnético como segue-se: φ= E k máquina .