Você está na página 1de 130

1

PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Luiz Inácio Lula da Silva

MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Fernando Haddad

GOVERNADOR DO ESTADO
Wellington Dias

REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ


Luiz de Sousa Santos Júnior

SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ


Antonio José Medeiros

SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO MEC


Carlos Eduardo Bielschowsky

DIRETOR DE POLITICAS PUBLICAS PARA EAD


Hélio Chaves

COORDENADORIA GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL


Celso Costa

COORDENADOR GERAL DO CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA A DISTÂNCIA DA UFPI


Gildásio Guedes Fernandes

SUPERITENDÊNTE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NO ESTADO


Eliane Mendonça

DIRETOR DO CENTRO
Helder Nunes da Cunha

COORDENADOR DO CURSO NA MODALIDADE EAD


João Benício de Melo Neto

CHEFE DO DEPARTAMENTO
Jurandir de Oliveira Lopes

COODENADORA DE MATERIAL DIDÁTICO DO CEAD/UFPI


Cleidinalva Maria Barbosa Oliveira

DIAGRAMAÇÃO
Emanuel Alcântara da Silva
Ezequiel Vieira Lima Júnior
João Paulo Barros Bem
Joaquim Carvalho de Aguiar Neto
Josimária da Silva Macedo

Copyright © 2008. Todos os direitos desta edição estão reservados à Universidade Federal do
Piauí (UFPI). Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer
meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, do autor.

XXXX OLIVEIRA, G. L.
Matemática para Administração/Gilvan Lima de Oliveira – Teresina:
UFPI/UAPI
2008.
140p.

Incluir bibliografia

1 – xx

CDU: 32

2
APRESENTAÇÃO

Este texto destina-se aos estudantes que participam do


programa de Educação a Distância da Universidade Aberta do
Piauí (UAPI) vinculada ao consórcio formado pela Universidade
Federal do Piauí (UFPI), Universidade Estadual do Piauí
(UESPI) e Centro Federal de Ensino Tecnológico do Piauí
(CEFET-PI), com apoio do Governo do Estado do Piauí,
através da Secretaria Estadual de Educação.

O texto é composto de IV unidades, contendo itens e


subitens, que discorrem sobre:
Na Unidade 1, estudaremos, de forma prática e aplicada
à Administração, a teoria das funções reais de variável real e
seus gráficos. Daremos uma ênfase maior às funções
elementares: algébricas, trigonométricas, exponenciais,
logarítmicas e inversas.

Na Unidade 2, discutiremos a noção de limite e


continuidade das funções elementares descritas na unidade 1,
os quais serão de grande valia para o desenvolvimento da
unidade seguinte.

Na Unidade 3, faremos um estudo sistemático e prático


da noção de derivada das funções elementares, bem como de
sua interpretação geométrica e da sua caracterização como
taxa de variação entre grandezas. Como aplicação,
discutiremos sobre Análise Marginal de certas funções como:
Demanda, Receita, Custos, Lucros, Análise do Ponto de
Equilíbrio, Oferta, etc.

Na Unidade 4, abordaremos o conceito de integrais das


funções elementares, dando ênfase à relação existente entre
integrais e a noção de área sob curvas.
3
SUMÁRIO

UNIDADE 1: Funções e Gráficos

1.1 Introdução 8
1.2 Função 9
1.2.1. A Noção de Função 9
1.2.2. Funções Polinomiais 15
1.2.2.1. Função Afim 19
1.2.2.2. Função Quadrática 22
1.2.3. Funções Exponenciais 30
1.2.3.1. Potenciação 31
1.2.4. Funções Logarítmicas 33
1.2.4.1. Logaritmo 33
1.2.5. Funções Trigonométricas 37
1.2.5.1. Ciclo Trigonométrico 37
1.2.5.2. Função Seno 38
1.2.5.3. Função Cosseno 44
1.2.5.4. Função Tangente 49
Exercícios 52

UNIDADE 2: Limite e Continuidade

2.1. Introdução 57

2.2. Limite de Funções 58


2.2.1. Noção Intuitiva de Limite 58
2.2.2. Definição de Limite 59
2.2.3. Propriedades Operatórias de Limites 59
2.2.4. Limites Fundamentais 60
2.2.5. Limite da Função Composta

2.3. Continuidade de Funções 65


2.3.1. Definição de Continuidade 65

4
2.3.2. Pontos de Desconhecimento de uma Função 67
2.3.2. Propriedades Operatórias entre Funções Contínuas 68

UNIDADE 3: Derivadas

3.1. Introdução 74

3.2. Derivadas 74
3.2.1. Definição 74
3.2.2. Interpretação Geométrica 78
3.2.3. Propriedades Operatórias 79
3.2.4. Derivada da Função Inversa 81
3.2.5. Derivadas Sucessivas 86
3.2.6. Máximos e Mínimos 88
3.2.6.1. Localização dos Pontos de Máximos ou Mínimos 89
3.3.7. Regra de L’Hospital 92

UNIDADE 4: Noções de Integrais

4.1. Introdução 99

4.2. Integral Indefinida 100


4.2.1. Definição 100
4.2.2. Propriedades Operatórias de Integração 101
4.2.3. Tabela de Integrais Imediatas 106
4.3. Integral Definida 113
4.3.1. Soma Integral 113
4.3.2. Integral Definida 114
4.3.3. Teorema Fundamental do Cálculo 115
4.3.4. Aplicações: Cálculo de Áreas 116
Bibliografia 127
Sobre o Autor 130

5
6
SUMÁRIO

UNIDADE 1: Funções e Gráficos

1.1 Introdução 8
1.2 Função 9
1.2.1. A Noção de Função 9
1.2.2. Funções Polinomiais 15
1.2.2.1. Função Afim 19
1.2.2.2. Função Quadrática 22
1.2.3. Funções Exponenciais 30
1.2.3.1. Potenciação 31
1.2.4. Funções Logarítmicas 33
1.2.4.1. Logaritmo 33
1.2.5. Funções Trigonométricas 37
1.2.5.1. Ciclo Trigonométrico 37
1.2.5.2. Função Seno 38
1.2.5.3. Função Cosseno 44
1.2.5.4. Função Tangente 49

Exercícios 52

7
1. FUNÇÕES E GRÁFICOS

1.1 Introdução

Um dos conceitos pertencente aos fundamentos da Matemática


Moderna é o de função. Trata-se de uma ferramenta de suma
importância no princípio de funcionamento de muitos
fenômenos na natureza. Por exemplo, a idéia de mapear o
comportamento evolutivo das células de um tecido cancerígeno
tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores atuais. O
objetivo deste procedimento nada mais é do que tentar se
descrever de forma precisa como tais células se desenvolvem
e a partir daí obter algo que possa controlar tal crescimento ou,
se possível, acabar com tal evolução. O controle da evolução
dessas células, passa pelo conhecimento da noção de função.
Outra situação, diz respeito à deterioração de uma substância
química com o passar do tempo, a qual também se utiliza a
noção de função. Numa empresa é importante, para efeito de
otimização de custos, precisar a quantidade ótima de
funcionários para o perfeito funcionamento da mesma, levando-
se em consideração as metas estabelecidas por esta empresa.
A quantidade de funcionários, suas remunerações, os custos
da mesma, constituem variáveis importantes para se
determinar o lucro ótimo desta empresa. Enfim, são muitas as
situações práticas onde o conceito de função faz-se necessário.
Portanto, é importante começarmos nosso livro abordando um
tema de natureza matemática simples, porém de muita
importância para o entendimento dos temas que virão
posteriormente.

8
1.2. Função

1.2.1. A Noção de Função

A definição de função f : A → B , como um subconjunto do


produto cartesiano A× B , deixa muito a desejar e não fica claro
o verdadeiro sentido do que é função. Tal definição é, por
demais, simplória, formal, estática e não evidencia a idéia
intuitiva de função como uma correspondência, transformação,
dependência entre duas grandezas. Para nós, tais
características não podem deixar de serem evidenciadas e
mostradas aos nossos alunos para que estes possam fazer
suas reflexões a cerca do assunto. A definição que
mostraremos a seguir evidencia de forma clara a essência da
idéia correta do tema que estudaremos agora.
O estudo de
funções e de
Função é uma terna composta de: um conjunto de saída outros
conteúdos do
(domínio), um conjunto de chegada (contradomínio) e uma lei ensino médio
(ou regra) que associa a cada elemento do conjunto de saída pode ser
complementado
um único elemento do conjunto de chegada. no site
somatematica.
Essa definição se apresenta de forma geral, conclusiva, não se
importando com a natureza dos conjuntos de saída e de
chegada, portanto mais abrangente. O importante nela é a
correspondência única existente entre cada elemento do
conjunto de saída com um elemento do conjunto de chegada.
Vale ressaltar aqui que nesse jogo nenhum elemento do
domínio pode ficar de fora e, esse deve estar em comunicação
com um, e apenas um, elemento do contradomínio.

Notação: A notação correta que utilizaremos para nos


referirmos às funções, será apresentada como segue:
f :A→ B
x a f (x )

9
Aqui vale citar que A e B denotam o conjunto de saída,
(domínio) e o conjunto de chegada (contradomínio) da
Não devemos
função, respectivamente. A notação
confundir a
função f com o x a f (x )
seu valor no
ponto x, a saber, indica que, por meio de f , cada elemento x ∈ A , é associado o
f(x). elemento f ( x) ∈ B .

No decorrer desse nosso texto, muitas vezes diremos a “função


f ” ao invés de “a função f : A → B ”. Isso não deverá provocar
no leitor dúvida alguma. Certifique-se!

A seguir mostraremos alguns exemplos e contra-exemplos, não


muito convencionais, de função. Nesses exemplos deixamos
claro que duas condições são imprescindíveis: não deve haver
exceções no domínio e não deve haver ambigüidades ao nos
referirmos ao correspondente f ( x ) do elemento x oriundo do
domínio de f .

Exemplos:
1. Sejam T o conjunto dos triângulos do plano e ℜ∗+ o

conjunto dos números reais positivos e f : T → ℜ∗+ a


correspondência que faz associar cada triângulo x ∈ T a
sua área f (x) . Claramente, f assim definida
representa uma função, uma vez que a qualquer
triângulo temos em correspondência sua área a qual é
única.
2. Aproveitando os conjuntos do exemplo anterior,
consideremos agora a correspondência f : ℜ∗+ → T que

associa cada número real positivo x ∈ ℜ∗+ , um triângulo


f ( x) ∈ T cuja área é x . Esta lei não representa uma

função, pois para cada x ∈ ℜ∗+ existem infinitos


triângulos f ( x) cuja área é x .

10
3. Sejam ℜ o conjunto dos números reais e f : ℜ → ℜ a
correspondência que associa cada número real x um
número real f ( x) , tal que x ⋅ f ( x) = 1 . Do jeito que foi
definida f , esta regra não representa uma função, pois
para o número real x = 0 não existe f ( x) tal que
0 ⋅ f (0) = 1 .

4. Por outro lado, se considerarmos f : ℜ∗ → ℜ que


associa cada número real não-nulo x o número real
f ( x) tal que x ⋅ f ( x) = 1 , segue-se que esta regra
representa uma função.

Outra noção que queremos tornar clara aos nossos leitores é a


de Gráfico de uma função. O gráfico de uma função f : A → B
é o subconjunto G ( f ) ⊆ A × B formado pelos pares ordenados
( x, f ( x)) , onde x ∈ A e f ( x) ∈ B . Simbolicamente temos,
G ( f ) = {( x, y ) ∈ A × B; y = f ( x)}.
Reciprocamente, para que um subconjunto G ⊆ A × B seja
gráfico de uma função f : A → B é necessário e suficiente que,
para cada x0 ∈ A arbitrário, deve existir um único par ordenado

( x0 , y ) ∈ G . Geometricamente esta condição significa que toda

reta paralelamente traçada, por um ponto x ∈ A , ao eixo das


ordenadas, ou seja, ao eixo dos y ' s , deve cortar o gráfico G
num único ponto.

Figura 1

Seja a função f : A → B e X ⊆ A , um subconjunto não-vazio


de A , a imagem do conjunto X pela função f , é o conjunto

11
f ( X ) ⊆ B formado pelos valores f ( x) assumidos por f nos
pontos x ∈ X . Comumente, nos livros de ensino médio,
costuma-se indicar f ( X ) pela notação Im( f ) . Portanto,
simbolicamente:
f ( X ) = Im( f ) = { f ( x); x ∈ X } ,
de outra forma:
f ( X ) = Im( f ) = {y ∈ B; y = f ( x), x ∈ X } .
No caso em que X = A , diremos que o conjunto f ( A) é a
imagem da função f .

Exemplos:
5. Para a função f : ℜ → ℜ dada pela lei f ( x) = x 2 , a
imagem de f é o conjunto ℜ + .
6. A imagem da função definida no Exemplo 4 acima é o
1
conjunto ℜ∗ ; de fato, dado y ∈ ℜ∗ , considerando x = ,
y
temos que f ( x) = y .

Na maioria dos casos, para uma função f : A → B , a imagem


de f é um subconjunto próprio de B , isto é, f ( A) ⊂ B . Nos
casos em que f ( A) = B , diremos que f é uma função
sobrejetiva (ou sobrejetora). Ou equivalentemente, diremos
que f : A → B é sobrejetiva quando, para cada y ∈ B existe
pelo menos um x ∈ A tal que f ( x) = y . Isto é, todo e qualquer
elemento de B possui uma pré-imagem em A .

Observe que para caracterizar a sobrejetividade de uma função


f é preciso que saibamos, a priori, qual é o seu contradomínio
para que possamos compará-lo com a imagem de f . Isso
reforça o fato de que uma função só fica completamente
definida quando se é estabelecido seu domínio, seu
contradomínio e a lei que a rege. Isso quer dizer que não faz

12
sentido perguntarmos se determinada função f é sobrejetora,
ou não, se antes não especificarmos seu contradomínio.

Exemplos:
7. A função, f : ℜ → ℜ dada pela lei f ( x) = x 2 , não é
sobrejetora, uma vez que a imagem f (ℜ) = ℜ + é
diferente do contradomínio ℜ . Agora, se definirmos f

como f : ℜ → ℜ + , onde f ( x) = x 2 , a mesma, nestas


condições, passa a ser sobrejetora.

Ou seja, qualquer função pode tornar-se sobrejetora, bastando


para isso determinar o seu conjunto-imagem e colocá-lo como
sendo o contradomínio de f .

Seja f : A → B uma função. Diremos que f é injetiva (ou


injetora) quando, dados x, y quaisquer em A , se f ( x) = f ( y ) ,
então x = y , ou equivalentemente, se x ≠ y , em A , então
f ( x) ≠ f ( y ) , em B .

13
Exemplos:
8. A função f : ℜ → ℜ definida por f ( x) = x 2 não é injetiva,
uma vez que f (−2) = f (2) = 4 e, no entanto, − 2 ≠ 2 .
A noção de
sobrejetividade e 9. A função f : ℜ → ℜ dada por f ( x) = x 3 é injetiva, de

injetividade é de fato, f ( x) = f ( y ) , temos que x 3 = y 3 , o que implica


suma x= y.
importância no
estudo das Uma função f : A → B é dita bijetiva (ou bijetora, ou
funções, pois
correspondência biunívoca) quando é sobrejetiva e injetiva ao
com elas
mesmo tempo.
podemos definir
a inversa de uma
Exemplos:
função.
10. Sejam a, b números reais com a ≠ 0 . A função
f : ℜ → ℜ , dada por f ( x) = ax + b é bijetora; de fato,
sejam x, y números reais tais que f ( x) = f ( y ) . Assim,
ax + b = ay + b , somando − b em ambos os lados da
igualdade temos que ax = ay . Como a ≠ 0 , temos que

existe 1 e multiplicando a última igualdade por 1 ,


a a
segue-se que x = y , isso mostra a injetividade de f .
Por outro lado, dado y ∈ ℜ no contradomínio de f ,
fazendo f ( x) = y , segue-se que ax + b = y , portanto
y −b
temos que x = ∈ ℜ ; isso mostra a sobrejetividade
a
de f . Daí, pela injetividade e sobejetividade de f ,
resulta que f é uma função bijetiva.

11. A função f : ℜ + → ℜ dada por f ( x) = x não é bijetiva,


uma vez que a mesma não é sobrejetiva; de fato, a
imagem f (ℜ + ) = ℜ + a qual é diferente do contradomínio
de f . Por outro lado, se redefinirmos f da forma:

f : ℜ + → ℜ + , com f ( x) = x , segue-se que tal função é

14
bijetiva. O leitor não terá dificuldades para comprovar tal
fato.

1.2.2. Funções Polinomiais

Dentre as funções elementares, podemos dizer que as


polinomiais representam as mais simples da classe. Trata-se
de funções fáceis de trabalhar; a soma, a diferença, o produto
e o quociente de polinômios são funções ainda muito simples e
de uma trabalhabilidade considerável.

Definição: Diz-se que p : ℜ → ℜ é uma função polinomial


quando existem números an , an−1 , ⋅ ⋅⋅, a1 , a0 tais que, para todo

x ∈ ℜ , tem-se
p( x) = an x n + an−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 x + a0 .

Se an ≠ 0 , dizemos que p tem grau n ∈ N = {1,2,3,4,⋅ ⋅ ⋅, n,⋅ ⋅ ⋅}.

A definição dada acima se encontra na referência [3]. Nós


vamos adotá-la por ser, sob nosso ponto de vista, a mais
correta, simples e direta definição de função polinomial.

A soma e o produto de funções polinomiais são ainda funções


polinomiais. Aqui vale ressaltar que ao somarmos duas funções
polinomiais, o grau da nova função polinomial pode ser menor
que o grau de cada função polinomial envolvida na soma; de
fato, por exemplo, se p1 ( x) = 2 x 2 − 3 x + 1 e p2 ( x) = −2 x 2 + 2 x + 1 ,
temos que ( p1 + p2 )( x) = − x + 2 . Este por sua vez é uma função
polinomial de grau 1 , enquanto que as outras duas têm grau 2 .

Diremos que o número real α é raiz (ou zero) da função


polinomial p( x) = an x n + an−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 x + a0 se, e somente se,

p(α ) = 0 .

15
Exemplos:
12. O número real α = 2 é raiz da função polinomial
p ( x) = x 2 − 3 x + 5 .

13. A função polinomial p( x) = x3 − x 2 − 4 x + 4 admite como


raízes reais os números α1 = −2 , α 2 = 1 e α 2 = 2 .

14. Já a função polinomial p ( x) = x 2 + 4 não possui raízes

reais; de fato basta observar que x 2 + 4 ≥ 4 .

O resultado a seguir nos fornece uma caracterização para que


um número real seja raíz de uma função polinomial dada. Mas
antes apresentaremos uma definição que será necessária na
prova da proposição a seguir.

A função polinomial p = p(x) é divisível pela função polinomial


d = d (x) se, existe uma terceira função polinomial q = q(x) tal
que p ( x) = d ( x) ⋅ q ( x) .

Nestas condições, dizemos que as funções polinomiais


d = d (x) e q = q(x) são divisores da função polinomial
p = p(x) .

16
Exemplo:
15. A função polinomial p( x) = 2 x 3 − 3x 2 + 2 x − 3 é divisível
por d ( x) = 2 x − 3 ; de fato,

p( x) = ( x 2 + 1) ⋅ (2 x − 3) .

Na verdade, de acordo com definição p( x) = 2 x 3 − 3x 2 + 2 x − 3

também é divisível por q( x) = x 2 + 1 .

Proposição: O número real α é uma raiz da função polinomial


p( x) = an x n + an−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 x + a0 se, e somente se, p(x) é

divisível por x − α .
Demonstração:
Se p(x) é divisível por x − α segue-se que p( x) = ( x − α ) ⋅ q( x) .
Portanto, p(α ) = (α − α ) ⋅ q(α ) = 0 ⋅ q (α ) = 0 . Essa é a parte fácil
da proposição. Suponhamos, por outro lado, que α seja raíz
da função polinomial p( x) = an x n + an−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 x + a0 .

Inicialmente, observemos que x n − α n é divisível por x − α ; de


fato, para tal basta observarmos a identidade:
x n − α n = ( x − α ) ⋅ ( x n −1 + αx n − 2 + ⋅ ⋅ ⋅ + α n − 2 x + α n −1 )
Para quaisquer números reais x e α , temos:
p( x) − p (α ) = an ( x n − α n ) + an−1 ( x n−1 + α n−1 ) + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 ( x − α )
Pela identidade citada acima cada parcela, desta última soma,
é divisível por x − α , logo p( x) − p(α ) = ( x − α ) ⋅ q( x) , onde
q = q(x) é uma função polinomial de grau n − 1 . Uma vez que
α é raiz de p = p(x) , ou seja, p(α ) = 0 , segue-se que
p( x) = ( x − α ) ⋅ q( x) . Conforme queríamos demonstrar. ■

No caso em que a função polinomial p(x) possuir como raízes


α1 , α 2 , α 3 ,⋅ ⋅ ⋅, α k , o uso da proposição anterior indutivamente
implica que: p( x) = ( x − α1 )( x − α 2 )( x − α 3 ) ⋅ ⋅ ⋅ ( x − α k )q( x), onde

q(x) é uma função polinomial de grau n − k , caso o grau de


p(x) seja n . Como conseqüência importante deste fato, temos

17
toda função polinomial p(x) de grau n , não possui mais do
que n raízes.

Dois fatos que têm importância muito grande na teoria das


funções polinomiais é o de função polinomial identicamente
nula e igualdade entre duas funções polinomiais. Porém, tais
noções são muito simples e não devem acarretar nenhuma
dificuldade de entendimento para o leitor.

Diremos que uma função polinomial p(x) é identicamente


nula, se p( x) = 0 para todo x ∈ ℜ . Tal definição nos permite
atribuir valores convenientemente escolhidos e concluir que a
função polinomial,
p( x) = an x n + an−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 x + a0
é identicamente nula se, e só se, todos seus coeficientes
an , an−1 , ⋅ ⋅⋅, a1 , a0 são nulos.

Outra observação importante decorrente da nulidade de uma


função polinomial p(x) , é que nenhum número inteiro positivo
n pode ser grau de p(x) ; de fato, se p( x) = 0 para todo x ∈ ℜ ,
então p(x) possui infinitas raízes, contrariando o fato
mencionado acima, de que uma função polinomial de grau n ,
possui n raízes no máximo.

A igualdade entre duas funções polinomiais p(x) e q(x)


decorre imediatamente da noção de nulidade estabelecida
anteriormente.

As funções polinomiais p( x) = an x n + an−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a1 x + a0 e

q( x) = bn x n + bn−1 x n−1 + ⋅ ⋅ ⋅ + b1 x + b0 serão ditas iguais se, e

somente se, an = bn , an−1 = bn−1 , ⋅ ⋅⋅, a1 = b1 , a0 = b0 .

18
Dentre as funções polinomiais, há duas que devemos
dar uma importância maior devido às suas inúmeras aplicações
Do ponto de
em situações práticas, a saber, a função afim e a função
vista
quadrática.
matemático,
existe uma
1.2.2.1. Função Afim diferença sutil
entre função
Uma função polinomial p : ℜ → ℜ é dita afim quando existem polinomial e
constantes a, b ∈ ℜ tais que p ( x) = ax + b , para todo x ∈ ℜ . polinômio. Em
nosso contexto,
Como dizemos anteriormente, caso a ≠ 0 tal função será dita não faremos
de grau 1 . São casos particulares de funções afins: a função distinção, mas o
identidade p : ℜ → ℜ , definida por p( x) = x ; as funções leitor interessado

lineares definidas por p( x) = ax e as funções constantes em maiores


detalhes deve
p ( x) = b .
consultar a
referência [3].
Exemplos:
16. Uma situação bem corriqueira refere-se ao preço pago
numa corrida de taxi, o qual é dado por uma função afim
p : x a ax + b , onde x representa a distância percorrida
(geralmente expressa em quilômetros). Nesse caso, a
constante b representa a bandeirada e o preço de cada
quilômetro (ou metro) rodado é dado pelo valor da
constante a .
17. No regime de juros simples, o modelo matemático que
melhor retrata o valor atualizado do montante é
estabelecido pela função afim M (n ) = C.i.n + C , onde n
representa o número de período da transação financeira,
i a taxa acordada pelas partes envolvidas na
negociação e C o capital investido.

O gráfico da função afim p : x a ax + b é uma linha reta.

19
Existem várias maneiras de se mostrar esse fato, mas há uma
demonstração que, sob nosso ponto de vista, é bastante
simples, geométrica e que utiliza apenas a noção de distância
entre pontos. O leitor interessado pode consultar [3].

Geometricamente, a constante b representa a ordenada onde


a reta corta o eixo OY e a constante a representa a taxa de
variação da função afim p : x a ax + b num determinado
intervalo, também chamada de inclinação (ou coeficiente
angular) dessa reta em relação ao eixo horizontal OX .

Na função afim p : x a ax + b , a constante b fica determinada a


partir do valor p(0) ; a constante a , por sua vez, pode ser
conhecida a partir dos valores p ( x1 ) e p ( x2 ) , assumidos pela
função afim p em dois pontos distintos x1 e x2 ,

respectivamente; de fato, sendo p ( x1 ) = ax1 + b e p ( x2 ) = ax2 + b ,


temos que p ( x1 ) − p ( x2 ) = a.( x1 − x2 ) , isto é:
p( x1 ) − p( x2 )
a= .
x1 − x2
A partir desta expressão para o valor da constante a , podemos
caracterizar o crescimento ou decrescimento da função afim
p : x a ax + b ; com efeito, sabemos que uma função é dita
crescente se x1 < x2 ⇒ p ( x1 ) < p ( x2 ) e p será dita decrescente
se, dados x1 e x2 , com x1 < x2 implicar que p ( x1 ) > p ( x2 ) .
Conseqüentemente, teremos que a função polinomial afim
p : x a ax + b é crescente se, e só se, a > 0 e será decrescente
se, e só se, a < 0 . Ou seja, no sentido de crescimento da
variável independente x , quando a > 0 , o gráfico de p é uma
reta ascendente e quando a < 0 , a reta é descendente.

20
FIGURA 2

Exemplos:
18. A taxa de inscrição num clube de natação é de
R$ 150,00 para o curso de 12 semanas. Se uma pessoa
se inscreve após o início das aulas, a taxa é reduzida
linearmente. Nessas condições, expressar a taxa de
inscrição como função do número de semanas
transcorridas desde o início do curso. Para uma pessoa
que se inscreveu 5 semanas após o início do curso,
quanto irá pagar?
Solução: Nas condições do problema se chamarmos
P(x) o valor da taxa de inscrição a ser pago após x
semanas do início do curso, temos que P(0) = 150 . Uma
vez que esta função é linear, segue-se que esta será
dada pela fórmula: P ( x) = mx + 150 . Para determinarmos
o coeficiente angular, observemos que o mesmo é
negativo, pois se refere à diminuição do valor a ser pago
e observemos, também, que este nos dá o valor a ser
deduzido em cada semana após o início do curso,
150
portanto, será: m = − = −12,50 . Portanto a função
12
obtida será: P ( x) = −12,5 x + 150 . Daí, após 5 semanas do
início do curso uma pessoa deverá pagar:
P(5) = −12,5 ⋅ x + 150 = 87,50
ou seja, R$ 87,50.

21
19. Um fabricante adquiriu uma máquina por R$ 2.000,00,
valor este que sofre uma depreciação linear até
R$ 100,00 após 10 anos. Calcule o valor da máquina
após 4 anos de uso.
Solução: Por se tratar de um modelo linear, temos que
a função que melhor modela essa situação é a função
afim. Sendo V (x) o valor após x anos de uso, temos
que: V ( x) = mx + 2000 , onde 0 ≤ x ≤ 10 . O valor do
coeficiente angular pode ser obtido através do quociente:
V (10) − V (0)
m=
10 − 0
isto é,
100 − 2000
m= = −190
10
Portanto, V ( x) = −190 x + 2000 e, conseqüentemente,
V (4) = −190 ⋅ 4 + 2000 = −760 + 2000 = −1240
ou seja, R$ 1.240,00 será o valor da máquina após 4
anos de uso.

1.2.2.2. Função Quadrática

Uma função polinomial p : ℜ → ℜ é dita quadrática (ou de


grau 2) quando existem constantes a, b, c ∈ ℜ tais que

p ( x) = ax 2 + bx + c , para todo x ∈ ℜ , com a ≠ 0 .

Exemplos:
20. A função p : ℜ → ℜ , dada pela lei p ( x) = 2 x 2 − x + 1 ;
nesse caso, a = 2, b = −1 e c = 1 .

21. Para a função p : ℜ → ℜ definida por p( x) = − x 2 + 1 ,


tem-se que a = −1, b = 0 e c = 1 .

22
x2
22. Já para a função p : ℜ → ℜ , dada por p ( x) = , tem-se
3
1
que a = e b = c = 0.
3

Da mesma forma que nas funções afins, geometricamente, a


O gráfico de
constante c representa a ordenada onde a parábola corta o
uma função
eixo OY e a constante a dá a concavidade da função
quadrática é
p : x a ax + bx + c ; na referência indicada acima [3], prova-se
2
uma curva plana
que se a > 0 , a concavidade da parábola está voltada para chamada
cima e quando a < 0 , a concavidade está voltada para baixo. parábola. A
Vale ressaltar aqui que tal formato da concavidade diz respeito demonstração
ao eixo horizontal OX . desse fato
encontra-se
Construindo o Gráfico da Função Quadrática detalhada na
referência [3].
Para se construir o gráfico de uma função quadrática é
extremamente importante atentar para os seguintes pontos:
concavidade, o ponto do gráfico que corta o eixo das
ordenadas, os pontos que cortam o eixo das abscissas e
localizar o vértice da parábola.

O formato da concavidade da função quadrática é dado pelo


sinal da constante a ≠ 0 ; como já citamos antes, se a > 0 , a
concavidade fica voltada para cima e, quando a < 0 a
concavidade fica voltada para baixo.

O ponto do gráfico da função quadrática que corta o eixo das


ordenadas, ou eixo dos y ' s é obtido fazendo x = 0 na

expressão p ( x) = ax 2 + bx + c , ou seja, p(0) = c . Portanto, o


ponto em questão é P = (0, c) . Este ponto já é automaticamente
fornecido pela expressão polinomial da função quadrática dada.

23
Por exemplo, para a função dada por p ( x) = − x 2 + 3x + 1 , o
ponto que corta o eixo dos y ' s é o ponto P = (0,1) .

Os pontos que cortam o eixo das abscissas, ou eixo dos x' s ,


podem ser encontrados resolvendo a equação ax 2 + bx + c = 0 .
Para isolarmos a incógnita x nesta equação, podemos
conseguir por completude de quadrados como segue:
inicialmente, multiplicando a equação por 4a , obtém-se:
4a 2 x 2 + 4abx + 4ac = 0
Depois, somemos b 2 a ambos os membros desta última
igualdade, obtemos:
4a 2 x 2 + 4abx + b 2 + 4ac = b 2
Mas esta equação, nada mais é do que:

( 2 ax + b ) + 4 ac = b 2
ou equivalentemente,
(2ax + b) 2 = b 2 − 4ac

Fazendo ∆ = b 2 − 4ac , temos que se ∆ < 0 , a função quadrática


não corta o eixo das abscissas, pois a última equação não
possuirá raízes reais; se ∆ > 0 , então a equação acima
possuirá duas raízes reais e distintas, a saber:

−b− ∆ −b+ ∆
x1 = e x2 =
2a 2a
Finalmente, se ∆ = 0 , a solução da equação acima será dita
b
raiz real dupla da função quadrática e será dada por x = − .
2a

Geometricamente, temos que se ∆ < 0 o gráfico da função


quadrática não corta o eixo das abscissas, quando ∆ > 0 , o
gráfico corta duas vezes o eixo das abscissas, a saber, nos

−b− ∆ −b+ ∆
pontos de abscissas x1 = e x2 = . Finalmente,
2a 2a
se ∆ = 0 , então o gráfico da função quadrática “toca” somente

24
uma vez no eixo das abscissas, exatamente no ponto
 b 
P =  − , 0 .
 2a 

FIGURA 3

O vértice da função quadrática x a p ( x) = ax 2 + bx + c , é o


b
ponto cuja abscissa é o número xv = − , conseqüentemente,
2a
a ordenada correspondente será o número yv = p( xv ) , isto é,
2
 b   b 
yv = a −  + b −  + c
 2a   2a 
ou seja,
 b2  b2 b 2 − 4ac
yv = a 2  − +c = − .
 4a  2a 4a

Portanto, o vértice é o ponto do gráfico da parábola dado por:


 b ∆
V = − ,−  .
 2a 4a 
Se a < 0 , a parábola estará voltada para cima e, portanto, o A observação da
vértice V será dito ponto de mínimo da função quadrática, concavidade da
enquanto que se a > 0 , a parábola estará voltada para baixo e, função
nesse caso, o vértice V será o ponto de máximo da função quadrática é de
quadrática. grande valia na
resolução de
Exemplos: problemas na
23. Um fabricante produz objetos por R$ 3,00 cada, área Otimização.
vendendo-os por R$ 5,00. Com este preço, tem havido
uma demanda de 5000 objetos por mês, pelos
consumidores. Pensando em elevar o preço, o
fabricante observa que venderá menos 500 objetos por
mês para cada R$ 1,00 aumentado. Nessas condições,

25
qual deve ser o novo preço de cada objeto para se obter
o maior lucro possível nas vendas?
Solução: Para esse problema o que queremos é maximizar
a função-lucro. O lucro pode ser expresso da seguinte
maneira:
Lucro = (número de objetos vendidos ) ⋅ (lucro por objeto )
Seja x o novo preço de venda de cada objeto e L(x) o
lucro correspondente. De acordo com os dados do
problema, o número de objetos vendidos é dado através da
diferença:
5000 − 500( x − 5)
onde x − 5 representa o número de aumentos de R$ 1,00.
Como o custo de produção de cada objeto é R$ 3,00, temos
que o lucro por cada objeto é dado pela diferença x − 2 .
Portanto, o lucro será dado como:
L( x) = [5000 − 500( x − 5)] ⋅ ( x − 3)
Ou seja,
L( x) = 500(15 − x )(x − 3)
Abaixo, está o gráfico da função-lucro obtida acima na
forma fatorada, restrito a seu domínio de importância prática.

Figura 4

26
O valor que fornece o valor máximo desta da função-lucro
corresponde à abscissa do vértice dessa função que é:
18
xV = =9
2
Ou seja, o novo preço de cada objeto para obtermos o
maior lucro possível deve ser R$ 9,00. E, de acordo com
nossos dados, o lucro máximo é obtido determinando a
imagem de x = 9 . Portanto temos
L(9) = 500 ⋅ (15 − 9 ) ⋅ (9 − 3) = 500 ⋅ 6 ⋅ 6 = 18000
Ou seja, o lucro máximo é R$ 18.000,00.

24. A demanda de um certo produto pelo consumidor é


dado pela fórmula D( p ) = −50 p + 800 unidades mensais,
quando o preço de mercado é de p reais por unidade.
Estime o preço de mercado com o qual é maior o gasto
total mensal do consumidor.
Solução: Nesse caso, o gasto total, G ( p) , a ser
determinado, será dado pelo produto entre a demanda e o
preço de mercado, ou seja:
G ( p ) = D( p ) ⋅ p = (− 50 p + 800 ) ⋅ p
Observe que a função-gasto trata-se de uma função
polinomial de segundo grau em p com concavidade voltada
para baixo. Ademais, pondo
G ( p ) = 50 ⋅ (− p + 16 ) ⋅ p
observamos facilmente que suas raízes são os números
reais p1 = 0 e p 2 = 16 . Da mesma forma que na questão
anterior, o preço ótimo de mercado com o qual o gasto total
é máximo corresponde à abscissa do vértice dessa
parábola que é obtido como segue:
16
pv = = 8,
2
isto é, R$ 8,00.

27
Figura 5

25. Dentre todos os retângulos de perímetro p qual aquele


de área máxima?
Solução: Essa pergunta pode ser respondida determinando
o valor máximo de uma função quadrática
convenientemente determinada; de fato, sendo x e y as
medidas do comprimento e altura, respectivamente, do
retângulo de perímetro p , temos que: 2 x + 2 y = p . A área
de tal retângulo é dada pela expressão A = xy . Portanto,

p − 2x  p − 2x 
uma vez que y = , resulta que: A = x ⋅   , ou
2  2 
seja,
p
A( x) = − x 2 + x
2
Portanto, para que A = A(x) seja máxima, devemos
determinar o ponto de máximo de tal função, o qual é dado
p
pela abscissa do vértice da parábola A( x) = − x 2 + x , pois
2
tal função é uma parábola com a concavidade voltada para
baixo. Logo:
p
b p
xv = − =− 2 =
2a 2 ⋅ (−1) 4
Portanto, a outra dimensão do retângulo é dada por

28
 p
p − 2⋅ 
y= 4 = p
2 4
Logo, tal retângulo de área máxima é um quadrado de
p
lado .
4
26. Um ônibus de 60 lugares foi fretado para uma excursão
em Parnaíba (PI). A empresa exigiu de cada passageiro
R$ 40,00 mais R$ 5,00 por cada lugar desocupado. Para
que a rentabilidade da empresa seja máxima determine
o número de passageiros necessários.
Solução: Chamando de x o número de passageiros
presentes, temos que o número de lugares vagos é dado
por 60 − x . Sendo R(x) a rentabilidade obtida em função
de x , segue-se que:
R ( x) = 60 x + 5(60 − x )x
Isto é,
R ( x) = −5 x 2 + 360 x
Portanto a função rentabilidade é uma função polinomial
quadrática com a concavidade voltada para baixo.
Sendo assim R(x) possui um ponto de máximo, a saber,
dado pela abscissa de seu vértice:
360 360
xv = − = = 36
2 ⋅ (−5) 10
Assim serão precisos 36 passageiros presentes para
que a rentabilidade seja a maior possível.
27. Tio João possui uma fábrica de sorvetes. Mensalmente
são vendidos, em média, 400 caixas de picolés pelo
preço R$ 25,00 cada. Com o objetivo de incentivar o
aumento da venda do número de caixas de sorvetes, Tio
João observa que a cada R$ 1,00 diminuído no preço da
caixa, ele vende 40 caixas a mais. Sendo assim, quanto
Tio João deveria cobrar pela caixa para que sua receita
fosse máxima?

29
Solução: Sendo x o número de R$ 1,00 deduzido no preço
de cada caixa, temos que o novo preço da caixa será 25 − x
e 400 + 40 x será o número de caixas vendidas. Portanto a
receita total recebida por Tio João será dada pela
expressão:
R ( x) = (25 − x ) ⋅ (400 + 40 x )
Ou seja,
R ( x) = −40 x 2 + 600 x + 10000
O ponto de máximo desta função quadrática é dado pela
abscissa do vértice, isto é:
600 600
xv = − = = 7,5
2 ⋅ (− 40) 80
Não esqueçamos que x é o número de R$ 1,00 deduzido
de R$ 25,00. Logo, o preço ótimo será fornecido pela
diferença
R$ 25,00 − R$ 7,50 = R$17,50

1.2.3. Funções Exponenciais

A importância As funções exponenciais desempenham um papel de suma


dos modelos importância no entendimento de muitos modelos matemáticos
exponenciais complexos. Operações financeiras como capitalização pelo
também aparece regime de juros compostos pode ser interpretada com o uso
nas operações adequado de manipulações algébricas e modelos exponenciais.
financeiras de A desintegração radioativa de uma determinada substância, no
empréstimos. decorrer do tempo, pode ser entendida matematicamente
através de modelos exponenciais.
Portanto, faz-se necessário estudar funções exponenciais e,
para tal, começaremos entendendo as propriedades das
potências onde os expoentes são números reais, as quais
servem de alicerce para o desenvolvimento destas funções.

30
1.2.3.1. Potenciação

Definição: Seja a um número real tal que 0 < a ≠ 1 e n um


número natural. O número real a n é definido como segue:
 1, se n = 0

a = a ⋅ a ⋅ a ⋅ ... ⋅ a, se n ≠ 0
n

1424 43
n vezes
4

Por exemplo, ( 3 ) = ( 3 )⋅ ( 3 )⋅ ( 3 ) =
3
9 ⋅ 3 = 3⋅ 3 . Como
vemos, a potenciação nada mais é do que uma operação
criada para sintetizar a idéia de um produto de fatores iguais.
Esta notação se presta muito bem a algumas manipulações
algébricas utilizadas em cálculos que envolvam modelos
exponenciais. Como veremos, a mesma tornar-se-á prática e
muito trabalhável.

Mais esta definição está restrita a expoentes naturais, e isso


limita muito a aplicabilidade dessa importante ferramenta
matemática. Por exemplo, o que representaria 3−4 ? No caso
das potências com expoentes do tipo m = − n , onde n ∈ N ,
define-se:
1
a m = a −n =
an
1 1
Por exemplo, 3− 2 = = . E se, quiséssemos calcular o valor
32 9
2

1 3
de   ? Nesses casos, onde a potência possui um
2
expoente fracionário, usaremos a seguinte definição:
m
a n = n am

Então voltando ao nosso exemplo, temos:


2
− −2
1 3 1 1 1 3
  =  
3 = = = 4
2 2 3 1
2 3 1
  4
2

31
E como se define a potência 5 2 ? Nesse caso, o que se faz é
considerar uma seqüência de números racionais ( xn )

convergindo para 2 , isto é, xn → 2 , com xn ∈ Q , e definir

5 2
= lim 5 x n
n → +∞

Agora estamos em condições de definir a função exponencial.

Definição: Seja a um número real tal que 0 < a ≠ 1 . A função


O corpo dos
números reais é f : ℜ → ℜ , dada pela lei x a f ( x) = a x , onde x ∈ ℜ , é
um conjunto
completo, no chamada função exponencial.
sentido que toda
seqüência de
Cauchy é Observações:
convergente. 1. Obviamente, temos que f (0) = 1 ;
Este é um tópico
avançado da 2. Para qualquer x ∈ ℜ , f ( x) = a x > 0 , ou seja, o gráfico da
Matemática e,
portanto, foge ao função exponencial não toca o eixo das abscissas,
escopo desse ficando sempre no semi-plano superior determinado por
livro.
tal eixo;
3. Se 0 < a < 1 , a função exponencial dada por f ( x) = a x é

decrescente, pois se x < y , então a x > a y ;

4. Se a > 1 , a função exponencial dada por f ( x) = a x é

crescente, pois se x < y , então a x < a y ;


5. Uma propriedade, menos óbvia, da função exponencial
é que a mesma é convexa, isto é, o seu gráfico é
“voltado para cima”. Maiores informações, leia [4]. Veja
o gráfico da função exponencial nos dois casos citados
acima:

32
FIGURA 6

Exemplos:
28. f : ℜ → ℜ , dada por f ( x) = 3x ;
x
1
29. f : ℜ → ℜ , dada por f ( x) =   ;
2
30. f : ℜ → ℜ , dada por f ( x) = π x ;

1.2.4. Função Logarítmica

A função que ora apresentaremos, tem com a função


exponencial uma relação muito intrínseca, na verdade uma é a
inversa da outra. Por isso, ambas desempenham um papel
importante no contexto elucidativo do comportamento de
determinadas grandezas matemáticas.
Nomenclatura:
Na notação
Do mesmo modo que fizemos no estudo das funções
log a b = c , o
exponenciais começaremos com algumas definições e
número a é
propriedades.
chamado base do

1.2.4.1. Logaritmo logaritmo, o


número b de
logaritmando e o
33 número real c é
o logaritmo.
Definição: Sejam a e b números reais tais que 0 < a ≠ 1 e
b > 0 . O logaritmo de b , na base a , o qual denotaremos pelo
símbolo log a b , é o número real c , tal que b = a c . Isto é:

log a b = c ⇔ b = a c

Então, como vimos, o logaritmo de um determinado número


positivo é o expoente que devemos elevar a base para
obtermos o número positivo dado a priori.

Observe, nesta definição, a relação natural entre potências e


logaritmos; a partir de um se tem o outro e vice-versa. Nesse
sentido é que afirmamos que, como veremos, a função
logarítmica é a inversa da função exponencial.
Por exemplo,
1. log 2 8 = 3 , pois 23 = 8 ;
1
1
2. log 3 3 = , pois 3 2 = 3 ;
2
−3
1
3. log 1 8 = −3 , pois   = 8 .
2 2
Agora apresentaremos uma lista de propriedades decorrentes
da definição dos logaritmos que serão muito úteis
posteriormente. A título de entendimento, demonstraremos
algumas destas propriedades e deixaremos as demais para o
leitor, como exercício. Por sinal, um belo exercício!

Propriedades dos Logaritmos:


1. log a 1 = 0 ;

2. log a a = 1 ;

3. log a (b ⋅ c ) = log a b + log a c ;

b
4. log a   = log a b − log a c ;
c
( )
5. log a b c = c ⋅ log a b ;

1
6. log (ac ) b = ⋅ log a b ;
c

34
log c b
7. log a b = . (Mudança de Base)
log c a
Prova: A título de exemplificação, mostremos a propriedade 4;
b
fazendo, log a   = x , log a b = y e log a c = z , por definição,
c
b
segue-se que: = a x , b = a y e c = a z . Portanto, substituindo
c
estas duas últimas igualdades na primeira, temos:
ay
ax = z
⇒ a x = a y−z ⇒ x = y − z ,
a
b
ou seja, log a   = log a b − log a c , como queríamos. ■
c

Definição: Seja a um número real tal que 0 < a ≠ 1 . A função


logarítmica é definida pela seguinte lei de formação:
f : ℜ* + → ℜ
x a f ( x) = log a x
Exemplos:
31. f : ℜ*+ → ℜ , dada por f ( x) = log 0,5 x ;

32. f : ℜ*+ → ℜ , dada por f ( x) = log1,5 x ;

33. f : ℜ*+ → ℜ , dada por f ( x) = logπ (3x ) ;

 x
34. f : ℜ*+ → ℜ , dada por f ( x) = log 3   .
5

Convenções: No estudo dos logaritmos é comum fazer as


seguintes convenções: para o logaritmo na base a = 10 ,
escreveremos apenas log x , ao invés de log10 x . E, quando

a = e ≈ 2,718 (Constante de Napier), escreveremos ln x para


representar log e x .

Nem sempre o domínio da função logarítmica é o conjunto dos


números reais positivos ℜ*+ ; de fato, a definição exige que o
logaritmando seja positivo e isso permite alterar muito o

35
domínio da função logarítmica dada. Por exemplo, para a
função logarítmica dada pela regra f ( x) = log 3 (3x − 1) , devemos

1
impor que 3 x − 1 > 0 , ou seja, x > . Nesse caso, o domínio da
3
 1
função dada será o conjunto D =  x ∈ ℜ; x >  . Vejamos mais
 3
alguns exemplos.

Exemplos:
 1
35. f :  x ∈ ℜ; x > −  → ℜ , f ( x) = log 0,5 (2 x + 1) ;
 2

 3
36. f :  x ∈ ℜ; x <  → ℜ , f ( x) = log1,5 (3 − 2 x ) ;
 2

37. f : ℜ* → ℜ , f ( x) = ln x ;

 3
38. f : ℜ − −  → ℜ , f ( x) = ln 2 x + 3 .
 2

O gráfico da função logarítmica, ao contrário da função


exponencial, ao invés de ser convexo é côncavo voltado para
baixo. Pela própria definição, não tocará o eixo das ordenadas
no plano cartesiano e estar situado à direita do referido eixo,
uma vez que seu logaritmando é positivo. Da mesma forma
que a função exponencial, quando a base do logaritmo for
positivo e menor que 1, a função logarítmica será decrescente
e quando a base for maior que 1, a função logarítmica será
crescente.

FIGURA 7

36
1.2.5. Funções Trigonométricas

1.2.5.1. O Círculo Trigonométrico

A maneira mais didática, e de certa forma mais elementar, de


se introduzir as funções trigonométricas é através da utilização
do ciclo trigonométrico. O ciclo trigonométrico nada mais é do
que uma circunferência de raio unitário centrada na origem do
plano cartesiano, onde se convencionou um sentido positivo de
percurso, a saber, o sentido contrário ao movimento dos Não esqueçam:
ponteiros de um relógio. No Círculo
Na prática o que se faz é considerar o ângulo x , com medida Trigonométrico

dada em radiano e, em seguida, percorrer no sentido positivo adota-se o

de percurso um arco, no ciclo trigonométrico, de medida x . A sentido positivo

esse arco fica subtendido um ângulo central que mede x como sendo o

radianos. Na figura abaixo representamos o Ciclo sentido anti-

trigonométrico, denotado por C , e as coordenadas de um horário!

ponto genérico Q = ( x, y ) . Então, como Q ∈ C , temos que x e

y , satisfazem à equação x 2 + y 2 = 1 .

FIGURA 8

Do ponto de vista formal matemático o que acabamos de


estabelecer foi uma correspondência entre o conjunto dos reais
e o conjunto de pontos do ciclo trigonométrico; de fato, a cada
número real x associa-se um ponto P do ciclo trigonométrico,

37
construído da maneira descrita acima. E dado um ponto P do
ciclo trigonométrico, a medida do arco OP , representa o
número real x determinado por tal ponto.
A correspondência obtida acima é sobrejetora, porém não é
injetora; de fato, suponhamos que o ponto P do ciclo
trigonométrico esteja associado a um certo número real x , o
mesmo ocorrerá com os números reais expressos pela
igualdade y = x + 2kπ , onde k é um número inteiro positivo.
Essa observação é imediata, basta o leitor observar que o
inteiro positivo k indicará o número de voltas percorridas no
sentido positivo ao sairmos de O até chegarmos ao ponto final
P.
1.2.5.2. Função Seno

Nesta seção faremos uma introdução ao seno de um número


real x , a partir do círculo trigonométrico, tal como foi feito no
ensino médio. Em seguida, definiremos a função seno e
estudaremos algumas propriedades da mesma.

Para definir o seno do número real x começamos, tal como


indicado na figura abaixo, considerando o ângulo orientado θ
cuja medida em radianos é x . A partir da correspondência
acima descrita, consideramos, no círculo trigonométrico, o
ponto P associado ao número real x . Tal ponto possui
coordenadas P = (α , β ) tais que α 2 + β 2 = 1 . Finalmente o seno
de x corresponde à ordenada do ponto P , isto é, β = sen x .

38
FIGURA 9

Desta forma, a cada número real x fica associado um outro


número real que chamaremos de seno de x , usualmente
designado por sen x .

De imediato, observemos que da igualdade α 2 + β 2 = 1 e,


lembrando que β = sen x , vale a seguinte desigualdade

β 2 = sen 2 x ≤ 1 , ou seja, sen x ≤ 1 . Portanto, eliminando o


módulo, segue-se que:
− 1 ≤ sen x ≤ 1
O que fizemos foi definir o seno de um determinado número
real x . Portanto considerando arbitrariamente um número real
qualquer x , temos a seguinte função, chamada de Função
Seno:
sen : ℜ → [− 1,1]
x a sen x
Para determinados valores de x , utilizando o círculo
trigonométrico, é muito fácil determinar o correspondente valor
do seno de x , senão vejamos:
π 
sen 0 = 0 sen   = 1 sen π = 0
2

 3π   π
sen   = −1 sen (2π ) = 0 sen  −  = −1
 2   2

39
Para obtermos o seno de alguns outros ângulos elementares
podemos recorrer à trigonometria no triângulo retângulo. Para
isso devemos utilizar as razões trigonométricas seno e cosseno.
Mas também podemos utilizar o círculo trigonométrico, que traz
em si uma geometrização muito interessante. Por exemplo,
vamos obter o seno dos seguintes ângulos, expressos em
π π π π
radianos, , e . Para o cálculo do seno do ângulo ,
6 3 4 6
observemos a figura abaixo:

Figura 10

π
O valor do seno do ângulo , corresponde à medida do
6
π 
segmento PR , ou seja, simbolicamente, sen   = PR . Mas
6
observemos que o triângulo ∆OQP é eqüilátero; de fato, tal

triângulo já é isósceles, pois os segmentos OP e OQ são


congruentes e, ambos, medem 1 unidade, que corresponde à
medida do raio do círculo trigonométrico. Por outro lado, os
π
ângulos ∠OPR e ∠OQR são congruentes e medem
3
radianos. Isso mostra que o triângulo ∆OQP é eqüilátero e,
conseqüentemente, OP = OQ = PQ = 1 . Uma vez que os
triângulos ∆ORP e ∆ORQ são ambos retângulos e

congruentes, temos que os lados RP e RQ possuem a mesma


1
medida e, conseqüentemente, RP = RQ = , isto é,
2

40
π  1
sen   = .
6 2
π
Para calcularmos o valor do seno de recorreremos, mais
4
uma vez, ao círculo trigonométrico. Observando a figura abaixo,

Figura 11

temos que o triângulo ∆OQP é retângulo, em Q , e isósceles,


cuja hipotenusa mede 1 unidade de comprimento. Pelo
Teorema de Pitágoras, segue-se que:
OQ 2 + QP 2 = 1

2
Como OQ = QP , resulta: 2.QP 2 = 1 , ou seja, QP = . Da
2
definição, temos que:
π  2
sen  = .
4 2

π
Finalmente, para o cálculo do seno de , recorremos mais
3
uma vez ao círculo trigonométrico. Observe a figura abaixo.

Figura 12

41
Por construção, os triângulos ∆ORS e ∆OQP são retângulos
em S e Q , respectivamente e, além disso, são congruentes.

Pela correspondência de congruência, os lados SR e QP são


congruentes e, uma vez que
π  1
QP = sen  = ,
6 2
1
segue-se que SR = . Aplicando o Teorema de Pitágoras no
2
triângulo ∆ORS , temos:
(OS )2 + (SR )2 = 1
Daí segue-se que:
2
1 3
(OS )
2
=1−   =
2 4
3
isto é, OS = . Mas por construção, o comprimento do
2
π
segmento OS é exatamente o seno de , logo acabamos de
3
π  3
mostrar que sen  = .
3 2

Um fato muito importante nesse contexto é que a função seno


é uma função ímpar, isto é, para qualquer número real x , vale:
sen(− x ) = − sen x
De fato, esta igualdade fica muito evidente ao observarmos a
figura abaixo:

A curva obtida
ao construirmos
o gráfico da
função sendo, é Figura 13

denominada 42
senóide.
os triângulos ∆ORP e ∆ORQ são congruentes e,
correspondentemente, RP = RQ . Mas, por definição sabemos
que sen x = RP e sen(− x ) = − RQ ; portanto, segue-se que
sen x = − sen(− x ) , como queríamos.

Analogamente, usado a mesma técnica utilizada acima,


podemos mostrar as seguintes igualdades, que serão de
grande valia para os cálculos que envolvem a função seno:
π  π 
sen  + x  = sen  − x 
2  2 
sen (π − x ) = sen x
sen (π + x ) = − sen x
 3π   3π 
sen  + x  = sen  − x
 2   2 
Abaixo exibimos o gráfico da função seno restrita ao intervalo
[0, 2π ] .

Figura 14

A função seno é periódica, de período 2π , isto é:


sen ( x + 2π ) = sen x, ∀x ∈ ℜ .
Isto quer dizer que, a partir de 2π , ou seja, depois de uma
volta no círculo trigonométrico, os valores do seno se repetem
e, devido a isso, em termos do esboço gráfico a função seno se
estende de forma repetida ao que está figurado no intervalo
[0, 2π ] , para a direita e para a esquerda do esboço acima. Veja
a figura abaixo:

43
Figura 15

Uma outra coisa muito importante envolvendo o seno de


números reais e que pode ser resolvido com o auxílio do
círculo trigonométrico diz respeito à resolução da equação:
sen x = sen α
onde α ∈ ℜ . Como resolver esta equação? Como sabemos o
seno do número real α satisfaz: − 1 ≤ sen α ≤ 1 . Para resolver a
equação trigonométrica dada, basta observar que traçando-se
uma reta horizontal r definida pela equação y = sen α , os
números reais x que são soluções da equação dada
correspondem aos pontos de interseção P e Q do círculo
trigonométrico com a reta y = sen α . Conseqüentemente os
valores de x que resolvem tal equação é α ou π − α , ou difere
destes valores por um múltiplo inteiro de 2π . Desta forma,
temos:
sen x = sen α ⇔ x = α + 2kπ ou x = (π − α ) + 2kπ
onde k ∈ Z .

Figura 16

1.2.5.3. Função Cosseno

44
O cosseno de um número real x é definido de maneira
inteiramente análoga à dada para o seno de x . O cosseno de
x é a abscissa do ponto P do círculo trigonométrico associado
ao número real x , tal como está representado na figura abaixo.

FIGURA 17

A função cosseno é aquela que a cada número real x associa


o cosseno de x , que denotaremos por cos x , da seguinte forma:
cos : ℜ → [− 1,1]
x a cos x

Da mesma forma que a função seno, temos que a função


cosseno, tal como definida acima, é sobrejetiva, porém não é
injetiva.

A primeira expressão importante que relaciona o cosseno com


o seno e que justifica a razão do nome cosseno, que para ser
mais correto é escrito como co-seno, diz respeito aos arcos
π 
complementares, ou seja: cos x = sen  − x  , para todo x ∈ ℜ .
2 
Com efeito, observando a figura abaixo:

45
Figura 18

temos que os triângulos ∆OQP e ∆ORS são congruentes. O

segmento OQ corresponde ao cosseno do número real x ,

enquanto o segmento OS corresponde ao seno do número real


π
− x . Como eles representam dois lados correspondentes
2
pela congruência dos triângulos ∆OQP e ∆ORS , segue-se que:

π 
OQ = OS ⇒ cos x = sen  − x  .
2 
Agora, o número real x que trabalhamos no parágrafo anterior
está relacionado com um ponto P do círculo trigonométrico
situado no primeiro quadrante. Mas este mesmo raciocínio
estende-se de forma bastante natural para os demais
quadrantes, de forma que:
π 
cos x = sen  − x , ∀x ∈ ℜ .
2 
Esta igualdade permite-nos calcular o valor do cosseno de
alguns ângulos elementares nos quais sabemos calcular o
respectivo valor do seno, senão vejamos:
π  π 
• cos 0 = sen − 0  = sen  = 1
2  2

π  π π  π  3
• cos  = sen −  = sen  =
6 2 6 3 2

π  π π  π  2
• cos  = sen −  = sen  =
4 2 4 4 2

46
π  π π  π  1
• cos  = sen −  = sen  =
3 2 3 6 2
π   π π 
• cos π = sen − π  = sen −  = − sen  = −1
2   2 2
 3π   π 3π 
• cos  = sen −  = sen(− π ) = − senπ = 0
 2  2 2 
π   3π   3π 
• cos(2π ) = sen − 2π  = sen −  = − sen  = −(− 1) = 1
2   2   2 

Com a utilização do círculo trigonométrico, é fácil provar que a


função cosseno é par, isto é,
cos x = cos (− x ), ∀x ∈ ℜ
de fato,
π  π 
cos (− x ) = sen + x  = sen − x  = cos x .
2  2 
Vale também as seguintes igualdades, para todo x ∈ ℜ :
cos(π + x ) = − cos x
cos(π − x ) = − cos x
Para maiores esclarecimentos ao leitor, mostremos a primeira
dessas duas igualdades, a outra igualdade é demonstrada de
forma inteiramente análoga:
π   π 
cos(π + x ) = sen − (π + x ) = sen − − x 
2   2 
ou seja,
 π  π 
cos(π + x ) = sen −  + x   = − sen + x  = − cos x
 2  2 

π 
A igualdade cos x = sen − x  , mostra que o gráfico da função
2 
cosseno pode ser obtido a partir do gráfico da função seno
π
transladando-o para a esquerda unidades. Veja o gráfico da
2
função cosseno a seguir:

47
Figura 19

Seja x um número real e P = (ε , δ ) o ponto no círculo


trigonométrico associado ao número real x dado. Por
definição, sabemos que ε = cos x e δ = sen x correspondem aos
catetos de um triângulo retângulo cuja hipotenusa mede 1
unidade de comprimento. Pelo Teorema de Pitágoras, segue-
se que ε 2 + δ 2 = 1 , isto é,
cos 2 x + sen 2 x = 1 .
Esta é conhecida como a Relação Trigonométrica
Fundamental, a qual é verdadeira para qualquer x ∈ ℜ .

Agora, como fizemos ao estudarmos a função seno, vamos


aprender resolver algumas equações trigonométricas
envolvendo o cosseno de números reais. Para tal comecemos
com a equação:
cos x = cos α
onde α é um número real dado e x é a incógnita. Usando a
π 
igualdade cos x = sen − x  , resulta:
 2 
π  π 
sen − x  = sen − α  ,
2  2 
portanto, temos
π π π π 
−x= − α + 2kπ ou − x = π −  − α  + 2kπ ,
2 2 2 2 
para todo k ∈ Z , ou seja,
x = α + 2kπ ou x = −α + 2kπ ,
ou equivalentemente,
x = ± α + 2kπ , ∀k ∈ Z .

48
Consideremos agora a equação do tipo: cos x = sen x , para todo
x ∈ ℜ . A idéia é transformarmos toda a equação em função
somente de seno ou cosseno. Uma vez que
π 
sen x = cos − x  ,
2 
logo,
π 
cos x = cos − x  ,
2 
ou seja,
π  π 
x =  − x  + 2kπ ou x = − − x  + 2kπ
2  2 
A segunda equação é impossível, portanto, obrigatoriamente
temos que:
π  π
x =  − x  + 2kπ ⇒ x = + kπ , ∀k ∈ Z .
2  4

1.2.5.4. Função Tangente

A tangente de um número real x , denotado por tg x , é definido


como a razão entre o seno e o cosseno, nessa ordem, do
número real x , ou seja,
sen x
tg x = .
cos x
Observemos que, para essa razão devemos impor que
cos x ≠ 0 . Daí só existe tangente para os números reais x
pertencentes ao conjunto:
 π 
D =  x ∈ ℜ; x ≠ + kπ , k ∈ Z 
 2 
Portanto, a função tangente é definida como segue:
tg : D → ℜ
sen x
x a tg x =
cos x

49
Geometricamente, a tangente de um número real x
 π
pertencente ao intervalo 0, , possui uma interpretação muito
 2
simples no círculo trigonométrico, o qual encontra-se
representado no gráfico abaixo:

Figura 20

Observemos que os triângulos, representados no círculo


trigonométrico acima, ∆OQP e ∆OSR são semelhantes,
portanto seus lados são proporcionais, isto é:
QP SR
=
OQ OS
QP
Pela definição, tg x = e, observando que OS = 1 , pois é o
OQ
raio do círculo trigonométrico, segue-se que:
QP
tg x = = SR
OQ

 π
Para x ∈ 0,  , como o círculo trigonométrico possui raio
 2
medindo 1 unidade de comprimento, temos que o comprimento
do arco SP é igual à medida (em radianos) do ângulo ao
 π
centro, ou seja, x . Concluímos assim que, para todo x ∈ 0, 
 2
, se tem sen x ≤ x . Retornando ao triângulo ∆OSR no círculo
anterior, temos que a área desse triângulo é maior que a área
do setor circular OSP . Por outro lado, como o raio do círculo
trigonométrico mede 1 unidade de comprimento, sabemos que

50
1
a área do setor circular OSP é dada por x e, a área do
2
1
triângulo ∆OSR é dada por ⋅ OS ⋅ SR ; portanto, segue-se que:
2
1 1
⋅ x ≤ ⋅ OS ⋅ SR
2 2
Uma vez que, OS = 1 e SR = tg x , segue-se que:
x ≤ tg x

 π
Concluindo, para todo x ∈ 0,  , temos que:
 2
sen x ≤ x ≤ tg x

51
EXERCÍCIOS

1. Sejam T o conjunto dos triângulos do plano e C (r ) o


conjunto dos círculos do plano cartesiano de raio r > 0 e
f : T → C (r ) a correspondência que associa a cada
triângulo x ∈ T um círculo f ( x) ∈ C (r ) que possuem
áreas iguais. Pergunta-se: “ f é função?” Justifique sua
resposta.
2. Determinar o domínio da função f : D → ℜ , definida
3x + 1
pela regra: f ( x) = .
x 2 − 3x
3. Desde o início do mês, um reservatório de água de um
local tem sofrido um vazamento numa razão constante.
No dia 15, o reservatório possuía cerca de 100 milhões
de litros de água e, no dia 25, possuía somente 44
milhões de litros.
a) Expresse a quantidade de água como função do
tempo e construa o gráfico correspondente.
b) Calcule a quantidade de água do reservatório, no dia
12.
4. A cada 20 anos, um certo livro tem seu valor triplicado.
Originalmente, o preço do livro era de R$ 300,00.
Nestas condições, pede-se:
a) O valor do livro quando tiver 40 anos. E quando tiver
60 anos?
b) A relação entre o valor e o tempo do livro é linear?
Justifique.
5. Qual o conjunto imagem da função f : ℜ → ℜ definida

pela lei f ( x) = x 2 − 1 .
6. Determine o conjunto dos números reais x tais que:
2x2 + x −1
.
2x − x2

52
7. Com um lápis cuja ponta tem 0,02 mm de espessura,

deseja-se traçar o gráfico da função f ( x) = 2 x . Até que


distância à esquerda do eixo vertical pode-se ir sem que
o gráfico atinja o eixo horizontal?
8. A grandeza y se exprime como y = ba t em função do
tempo t . Sejam d o acréscimo que se deve dar a t para
que y dobre e m (meia-vida de y ) o acréscimo de t
necessário para que y se reduza à metade. Mostre que
t 1
m = −d e y = b.2 d , logo d = log a 2 = .
log a 2
9. Observações feitas durante longo tempo mostram que,
após período de mesma duração, a população da terra
fica multiplicada pelo mesmo fator. Sabendo que essa
população era de 2,68 bilhões em 1956 e 3,78 bilhões
em 1972, pede-se:
a) O tempo necessário para que a população da terra
dobre de valor.
b) A população estimada para o ano 2012.
c) Em que ano a população da terra era de 1 bilhão.
10. A função P = 60.(1,04)
t
representa a estimativa do
Produto Interno Bruto em bilhões de dólares (PIB) de um
país no ano t adotando-se a seguinte convenção:
t = 0 representa o ano de 1996;
t = 1 representa o ano de 1997;
t = 2 representa o ano de 1998;
e assim por diante. Use a calculadora e responda:
a) Qual a estimativa do PIB em 2005?
b) Em que ano o PIB será o dobro do que era em
1996? E o triplo? Em geral, em que ano o PIB
será igual ao PIB inicial multiplicado por x ?
11. Determine as três menores soluções positivas da
 π
equação: cos 3x −  = 0 .
 4

53
12. Determinar o conjunto dos números reais x tais que:
 π
tan 2 x − 
 3
1
13. Para que valores de x tem-se sen x > ?
2
14. Para que valores reais de m existe x tal que
sen x = 3m − 2 ?

54
55
SUMÁRIO

UNIDADE 2: Limite e Continuidade

2.1. Introdução 57

2.2. Limite de Funções 58


2.2.1. Noção Intuitiva de Limite 58
2.2.2. Definição de Limite 59
2.2.3. Propriedades Operatórias de Limites 59
2.2.4. Limites Fundamentais 60
2.2.5. Limite da Função Composta

2.3. Continuidade de Funções 65


2.3.1. Definição de Continuidade 65
2.3.2. Pontos de Desconhecimento de uma Função 67
2.3.2. Propriedades Operatórias entre Funções Contínuas 68
Exercícios 70

56
2 LIMITE E CONTINUIDADE

2.1. Introdução

Em toda esta unidade estudaremos, sem muito rigor


matemático, as noções básicas de limites e derivadas. Na
verdade, dessas duas a mais importante pelo seu conteúdo é a
noção de limite, pois como veremos derivada é, por definição,
um limite especial.
Muitos estudiosos famosos estudaram e expuseram
suas idéias sobre o importante tema Limite. O matemático
francês, Augustin Louis Cauchy (1789-1857) foi, dentre outros,
um grande estudioso da Teoria dos Limites. Mas antes dele,
podemos citar outros grandes nomes, a saber, o matemático e
físico inglês Isaac Newton (1642-1727), o matemático alemão
Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) já haviam desenvolvido
o Cálculo Infinitesimal.
A noção de Limite é essencialmente o que há de O tópico
sustentação na teoria de derivação e integração. Por conta Limites, a nível
de ensino médio,
disso, essa noção também se estende às teorias de equações pode ser visto
diferenciais ordinárias, estas por sua vez desempenham um com mais
detalhes no site
papel crucial no desvendamento do comportamento de da Revista do
determinados fenômenos tanto na Física como na Biologia, Professor de
Matemática da
Química e outras áreas das Ciências Exatas. Sociedade
Basicamente esta unidade encontra-se dividida em duas Brasileira de
Matemática.
seções: na primeira estudaremos as noções básicas de limites,
enquanto que na segunda seção descreveremos o que há de
importante, nesse contexto, sobre derivadas.
As demonstrações de proposições e teoremas, aqui
enunciados, podem ser encontradas com rigor matemático em
muitas referências, mas queremos aqui indicar o livro de
Análise Real do autor Elon Lages Lima. Trata-se de uma
referência brilhante no assunto.

57
2.2. Limites

Nesta seção dissertaremos sobre limites que se constitui


numa das mais belas e imprescindíveis idéias do calculo
diferencial e integral. Nós poderíamos citar milhões de
exemplos onde se utilizada largamente os cálculos envolvendo
limites. Mas deixaremos essa descoberta para o nosso aluno
que a partir de então se prevalecerá da aprendizagem de uma
das mais importantes idéias de toda a Matemática Moderna.

2.2.1. Noção Intuitiva de Limite

A idéia de limite, como o próprio nome diz, refere-se à


noção de proximidade, à noção de está próximo o suficiente.
Aqui estaremos preocupados em estudar o comportamento das
imagens de pontos que estão “próximos” de um determinado
número real.
Ou seja, estaremos considerando pontos arbitrariamente
próximos de um determinado ponto e ao olharmos para as
imagens desses pontos estaremos interessados em
observarmos se tais imagens ficam próximas de algum número
real. Caso afirmativo esse será o limite em questão.
Formalizando melhor esta idéia, consideremos uma
função
f : Df ⊆ ℜ → ℜ

e escolhamos um número real a tal que possamos se


aproximar desse número por pontos x ∈ D f , isto é, para

qualquer número suficientemente pequeno ε > 0 , a interseção


(a − ε , a + ε ) ∩ D f ≠ φ
Assim sendo, para todo x ∈ (a − ε , a + ε ) ∩ D f , onde ε > 0 e

arbitrário, queremos saber se f (x ) estão próximos de algum


número real L .

58
2.2.2. Definição de Limite Importante:
Não é necessário
Definição: Sejam que f : D f ⊆ ℜ → ℜ e a um ponto que pode que a pertença
ser aproximado por pontos x ∈ D f , diremos que o limite de ao domínio da
função. A
f ( x ) existe, e é igual a L , se, e somente se:
exigência que se
para x ∈ D f “próximo” de a ⇒ f ( x ) esteja “próximo” de L
faz sobre o
Simbolicamente, a representação será:
número a é que o
lim f ( x) = L
x→a mesmo possa ser
aproximado por
Exemplos: pontos do
1. lim x 3 = 2 3 = 8 domínio de f .
x→2

 x +1 − 3 +1 1
2. lim 
x → −3 x − 3
= =
  −3−3 3
 π  π 3π
3. lim cos 2 x −  = cos 2π −  = cos =0
x →π
 2  2 2
2 2
4. lim 2 3 x = 2 3.2 = 2048
x→2

 π  π π π
5. lim tan 2 x −  = tan 2. −  = tan = 1
π 4
x→
4
  4 4 4

2.2.3. Propriedades Operatórias de Limites


O resultado a seguir reúne todas as propriedades
indispensáveis para o andamento de nossos cálculos
referentes a derivadas. Não demonstraremos, uma vez que
essa meta foge aos objetivos deste livro. Mas o leitor
interessado em ver as demonstrações pode consultar [3].

Teorema:
Sejam f,g :D ⊆ ℜ → ℜ funções e a ∈ ℜ tais que
existam os limites:
lim f ( x) = L e lim g ( x ) = M
x→a x→a

59
f
Então as funções f + g , f − g , f ⋅ g e admitem limite no
g
ponto a ∈ ℜ e, além disso, vale:
• lim( f + g )( x) = lim f ( x ) + lim g ( x ) = L + M ;
x→a x→a x→a

• lim( f − g )( x) = lim f ( x ) − lim g ( x ) = L − M ;


x→a x→a x→a

• lim( f ⋅ g )( x ) = lim f ( x ) ⋅ lim g ( x ) = L ⋅ M ;


x→a x→a x→a

f  lim f ( x) L
• lim ( x) = x →a = , ( M ≠ 0) .
x→a g lim g ( x) M
  x→a

• Se f ( x) ≤ g ( x) , para todo x ∈ D , então temos que:


lim f ( x) ≤ lim g ( x) , isto é, L ≤ M .
x→a x→a

Exemplos:
( )
6. lim x 2 + 2 x + 1 = 2 2 + 2.2 + 1 = 9
x→2

( )
7. lim x 3 − 3x + 1 = (− 2) − 3(− 2) + 1 = −8 + 6 + 1 = −1
x → −2
3

( ) ( )
8. lim x 2 − 1 (1 − 3x ) = 2 2 − 1 (1 − 3.2) = 3.(− 5) = −15
x→2

2.2.4. Limites Fundamentais


A seguir enunciaremos alguns limites que serão de
grande valia para os nossos propósitos futuros, no que
concerne aos cálculos envolvendo limites e, posteriormente,
derivadas.
As demonstrações destes limites encontram-se nas mais
diversas referências bibliográficas, mas a título de sugestão, o
leitor interessado pode consultar [2] ou [3].

60
2.2.4.1. Limite Trigonométrico Fundamental

sen x
Proposição: lim =1
x →0 x
Mais uma vez, a demonstração desse fato pode ser
encontrado em [3]. Aqui o nosso objetivo é usar tal limite na
resolução dos problemas que envolvam cálculo de limites de
outras funções trigonométricas.

Exemplos:
sen(3x )
9. Calcular o valor do seguinte limite: lim .
x →0 x
Solução: Para calcular o valor desse limite, basta fazermos
a seguinte mudança de variável y = 3 x . Daí temos:
sen(3x ) sen y sen y
= = 3⋅
x y y
3
Agora, observemos que se x → 0 , temos que y → 0 .
Portanto, segue-se que:
sen(3x ) sen y sen y
lim = lim 3 ⋅ = 3 ⋅ lim = 3 ⋅1 = 3
x →0 x y → 0 y y → 0 y

 π
sen 2 x − 
 3
10. Calcular o limite: limπ .
π
x→
6 x−
6
π
Solução: Aqui fazendo a mudança de variável y = 2 x − ,
3
π y π
temos que x − = . E, observando que se x → resulta
6 2 6
que y → 0 , segue-se que:

 π
sen 2 x − 
 3 sen y  sen y  sen y
lim = lim = lim 2 ⋅  = 2 ⋅ lim = 2 ⋅1 = 2
π π y →0 y y →0
 y  y →0 y
x→
6 x−
6 2

1 − cos x
11. Calcule o limite: lim
x →0 x

61
Solução: Esse limite, aparentemente, não decorre do limite
trigonométrico fundamental. Mas, como havíamos dito antes,
qualquer limite que envolva funções trigonométricas
devemos pensar, a priori, no limite trigonométrico
fundamental. Sendo assim, observe que:
1 − cos x (1 − cos x )(1 + cos x ) 1 − cos 2 x
= =
x x(1 + cos x ) x(1 + cos x )
Agora recordando a relação trigonométrica fundamental,
sen 2 x + cos 2 x = 1 ,
temos que sen 2 x = 1 − cos 2 x , portanto voltando à igualdade
1 − cos x
anterior envolvendo , resulta que:
x
1 − cos x sen 2 x sen x sen x
= = ⋅
x x(1 + cos x ) x 1 + cos x
Logo, calculando o limite teremos:
1 − cos x  sen x sen x 
lim = lim ⋅ 
x →0 x x →0
 x 1 + cos x 
Pelas propriedades operatórias de limite, segue-se que:
1 − cos x  sen x   sen x 
lim = lim  ⋅ lim  = 1.0 = 0
x →0 x x → 0
 x  x → 0
 1 + cos x 

2.2.4.2. Limite Exponencial Fundamental

x
 1
Proposição: lim 1 +  = e , onde 2 < e < 3 , é um número
x → +∞
 x
irracional, denominado constante de Euler.
Na verdade, no limite dessa proposição, podemos substituir
x → +∞ , por x → −∞ que o resultado será o mesmo. Ou seja,
x
 1
lim 1 +  = e
x → ±∞
 x
Vamos nesse momento calcular o valor de alguns limites
que envolvem o limite exponencial descrito acima. É bom
ressaltar que nesse ponto seria muito importante que o leitor,
caso necessário, faça uma revisão sobre potenciação.
62
Exemplos:

12. Calcule o valor do limite:


3x
 2
lim 1 − 
x → +∞
 x
Solução: Para calcular o valor desse limite, seremos bem
objetivos e práticos. A idéia é fazer com que apareça a
x
 1
expressão 1 +  , com x → ±∞ ; para tal faremos a
 x
1 2
seguinte mudança de variável: = − , equivalentemente
y x
temos x = −2 y . Sendo assim, observemos que se x → +∞ ,
temos que y → −∞ . Portanto, resulta:
−6
 2
3x
 1
−6 y
 1  y 
lim 1 −  = lim 1 +  = lim 1 +   = e −6
x → +∞
 x y → −∞
 y y → −∞
 y 

13. Qual o valor do limite


2 x −1
 x +1 
lim  
x → +∞ x − 2
 
Solução: Inicialmente, observemos as seguintes
manipulações algébricas:
2 x −1 2 x −1
 x +1   3 
  = 1 + 
 x−2  x −2
1 3
Agora fazendo = , segue-se que x = 3 y + 2 , logo
y x−2
6
 x +1 
2 x −1
 1
6 y +3
 1  y   1  3
  = 1 +  = 1 +   ⋅ 1 + 
 x −2  y  y  

y

Por outro lado, se x → +∞ , temos que y → +∞ , portanto

 y 6 3
  1   1 
2 x −1
 x +1 
lim   = lim 1 +   ⋅ 1 +   = e 6 ⋅ 1 = e 6
x → +∞ x − 2 y   y 
  y → +∞
  

63
Uma outra forma de olharmos para o limite exponencial
1
fundamental é através da mudança de variável y = .
x
Nesse contexto, temos que se x → ±∞ , então y → 0 .
Portanto, o limite exponencial reduzir-se-á:
1
e = lim = lim(1 + y ) y
x → ±∞ y →0

14. Qual o valor do limite;


lim(1 − 2 x )
3x
x →0

Solução: Nesse caso façamos a mudança de variável


y
y = −2 x , portanto resulta que x = − ; logo, uma vez que
2
x → 0 , resulta também que y → 0 . Sendo assim temos:

[ ]
3y 3 3

lim(1 − 2 x ) = lim(1 + y ) = lim (1 + y )
3x − y −2
2 =e 2
x →0 y →0 y →0

2.2.5. Limite da Função Composta

Sobre a
Usaremos, para nossos propósitos, o resultado a seguir,
definição do
sem nos preocupar com demonstrações, uma vez que isso
limite de uma
foge aos objetivos desse livro.
função
composta,
Proposição:
podemos
Sejam f e g funções reais de variável real tais que:
encontrar uma
lim f ( x) = b e g seja contínua em b , isto é, lim g ( x ) = g (b) .
argumentação x→a x →b

mais rigorosa, do Então, podemos afirmar que:


ponto de vista (
lim g ( f ( x)) = g lim f ( x) = g (b)
x→a x→a
)
matemático, em
Algumas aplicações desse importante resultado podem ser
[3].
vistas nos exemplos abaixo:
( )
15. lim ln (3 x − 2 ) = ln lim(3 x − 2 ) = ln (3.4 − 2 ) = ln 10
x→4 x→4

 2x − π    2x − π  π 1
16. lim cos  = cos lim    = cos =
x →π
 3   x →π  3  3 2

64
( )
= 3 (1 −1+1) = 3
2
− x +1 lim x 2 − x +1 2
17. lim 3 x = 3 x →1
x →1

2.3. Continuidade

Uma primeira aplicação do conceito de limite diz respeito


à noção de continuidade. É muito importante tal conceito, uma
vez que, em sua quase maioria, a s funções com as quais
trabalhamos são funções contínuas e que possuam uma
“suavidade” bastante razoável para os nossos propósitos.
Mais adiante daremos um tratamento mais correto, do
ponto de vista matemático, dessa última afirmação feita no
parágrafo anterior.

2.3.1. Definição de Continuidade


Definição:
I. Diremos que uma função f : Df ⊆ ℜ → ℜ é

contínua num ponto a ∈ D f se, e somente se:

lim f ( x) = f ( a )
x→a

II. Diremos que f : D f ⊆ ℜ → ℜ é contínua, se ela é

contínua em todo a ∈ D f .

Ou seja, a função f (x) é contínua num ponto a , se:


1) a função é determinada no ponto a , isto é, a ∈ D f ;

2) existe o limite finito lim f ( x ) ;


x→ a

3) além disso, este limite é igual ao valor da função no ponto a ,


isto é, lim f ( x) = f ( a ) .
x→a

Uma outra forma de se expressar continuidade de uma


função um ponto de seu domínio, é através da mudança:
h = x − a . Observe, que se x se aproxima de a , a diferença

65
h = x − a se aproxima de zero. Portanto, o limite lim f ( x) = f (a) ,
x→a

pode ser reescrito na forma: lim f ( a + h) = f (a )


h →0

ou equivalentemente, lim[ f (a + h) − f (a )] = 0 . Observemos que


h →0

nessa última igualdade, a partir da igualdade h = x − a ,


obtemos x = a + h .
Abaixo, mostramos alguns exemplos gráficos de funções
contínuas e outras que não o são.

Figura 2 1

Figura 22

Exemplos:
18. Mostremos que a função f ( x) = x 2 é contínua para todo
a ∈ℜ.
Solução: De fato,

66
[ ] [
lim[ f (a + h) − f (a)] = lim (a + h ) − a 2 = lim 2ah + h 2 = 0
h →0 h→0
2
h →0
]
19. Agora, verifiquemos que a função y = sen x é contínua.
Solução: De fato, usando a fórmula identidade
trigonométrica:
h  h
sen(a + h ) − sen a = 2 sen  cos a +  ,
2  2
temos que:
h
sen 
sen(a + h ) − sen a =  2  ⋅ cos a + h  ⋅ h
 
h  2
2
Uma vez que, para todo x ∈ ℜ , temos:
cos x ≤ 1,

segue-se que:

h h
sen  sen 
0≤  2  ⋅ cos a + h 2 ⋅ h
 ⋅h ≤
h  2 h
2 2

Ao limite com h → 0 , observando que:


h
sen 
lim  2  = 1 e lim h = 0
h→0 h h→0

2
segue-se que:
lim[sen(a + h) − sen(a )] = 0
h→0

ou seja,
lim sen(a + h ) = sen a
h →0

2.3.2. Pontos de Descontinuidade de uma Função

Uma função y = f (x) é dita descontínua num ponto a


de seu domínio, quando a mesma não é contínua nesse ponto.
Por exemplo, a função f : ℜ → ℜ definida pelas sentenças:

67
f ( x) = x 2 , se x ≤ 0 e f ( x) = x − 1 , se x > 0 , é descontínua no
ponto x = 0 ; de fato, os limites laterais à esquerda e à direita,
valem respectivamente, 0 e − 1 . Como esses limites laterais
são distintos, segue-se que a condição (2), da definição de
continuidade, é violada. Um outro exemplo é a função definida
1
pela lei f ( x) = , se x ≠ 1 e f (1) = 0 ; aqui, a condição (2)
(x − 1)2
também é violada, pois o limite da função no ponto x = 1 não é
finito.

2.3.3. Propriedades Operatórias de Continuidade

As propriedades de funções contínuas, praticamente são


as mesmas relacionadas no Teorema na seção de Limite.
Vamos enunciá-las, da mesma forma que fizemos no estudo
dos limites, para evidenciar a importância de todas elas e para
usá-las quando preciso.

Teorema 1:
Sejam f , g : D ⊆ ℜ → ℜ funções contínuas num ponto
f
a ∈ D . Então as funções f + g , f − g , f ⋅ g e , também são
g
contínuas no mesmo ponto a ∈ D e, além disso, vale:
• lim( f + g )( x ) = lim f ( x ) + lim g ( x ) = f ( a ) + g ( a );
x→a x→a x→a

• lim( f − g )( x) = lim f ( x) − lim g ( x) = f (a ) − g (a );


x→a x→a x→a

• lim( f ⋅ g )( x ) = lim f ( x) ⋅ lim g ( x ) = f (a ) ⋅ g ( a );


x→a x→a x→a

f  lim f ( x) f (a )
• lim ( x) = x→ a = , ( g ( a ) ≠ 0) .
x→a g lim g ( x) g (a )
  x→a

Como na maioria dos casos as funções que trabalhamos


são funções oriundas da composição de outras funções, vamos
enunciar um resultado que trata da continuidade de funções

68
compostas. Como sempre, evitaremos as demonstrações
desses fatos, pois os mesmos fogem aos objetivos desse livro,
numa primeira instância.

Teorema 2: A composta de duas funções contínuas é contínua.


Ou seja, se f : A ⊆ ℜ → ℜ e g : B ⊆ ℜ → ℜ são contínuas nos
pontos a ∈ A e b ∈ B , respectivamente, e, além disso,
f ( A) ⊂ B , então g o f : A ⊆ ℜ → ℜ é contínua no ponto a ∈ A .

Exemplos:
20. Uma vez que a função x a x é contínua em toda a reta
real, isto é, para todo x ∈ ℜ , pelo Teorema 1, o mesmo
ocorre com a função x a x n , para todo número natural
n.
21. Ainda com o uso do Teorema 1, temos que todo
polinômio p : ℜ → ℜ , dado por:

p ( x) = a n x n + a n −1 x n −1 + ⋅ ⋅ ⋅ + a 2 x 2 + a1 x + a 0

onde os coeficientes a n , a n −1 , ⋅ ⋅⋅, a 2 , a1 , a 0 são números

reais, são funções contínuas.


p ( x)
22. Também é contínua, toda função racional f ( x) =
q ( x)
(quociente de dois polinômios), nos pontos onde é
definida, ou seja, nos pontos onde seu denominador não
se anula, ou seja, q( x) ≠ 0 .
23. Agora consideremos a função f : ℜ → ℜ , definida por

x
f ( x) = , se x ≠ 0 e f (0) = 0 . Nesse caso, f ( x) = −1
x
para x < 0 e f ( x) = 1 para x > 0 . Portanto, a função f é
contínua para todo x ≠ 0 , mas não o é para x = 0 , uma
vez que não existe o limite lim f ( x) .
x→ 0

69
EXERCÍCIOS

1) Mostre, através de exemplos, que a existência do limite


lim( f ( x) ⋅ g ( x) ) ,
x →a

não implica na existência dos seguintes limites:


lim f ( x) e lim g ( x)
x →a x →a

2) Calcular o valor de cada limite abaixo:


3
x −1
a) lim
x →1
x −1
 1 3 
b) lim − 
x →1 x − 1 1 − x3 

1 − cos x
c) lim
x →0 x2
3) Calcular o limite abaixo:
x2
 x +1 
a) lim  
x →+∞ 2 x + 1
 
ln (1 + x )
b) lim
x →0 x
4) Determine o valor da constante k ∈ ℜ que torne
contínua a função abaixo:
 x 2 − 1, x ≤ 2
f ( x) = 
2 x + k , x > 2
5) Dê exemplo de duas funções cuja soma é contínua, mas
tais funções não sejam contínuas.
6) Dê exemplo de duas funções cujo produto é uma função
contínua, porém tais funções são descontínuas.
7) A função f : ℜ → ℜ definida pela lei:

 1+ x − 1− x
 , x≠0
f ( x) =  x
1 , x = 0
 2

70
é contínua em todo o seu domínio? Justifique sua
resposta.
8) Expresse a área de um campo retangular cujo perímetro
é de 320 metros como função do comprimento de um
dos lados. Construa o gráfico correspondente e calcule
as dimensões do campo de área máxima.
9) Mostre que a função f : ℜ → ℜ , dada por f ( x) = cos x é
contínua. Faça o mesmo para a função dada por
f ( x) = sen x .

71
72
SUMÁRIO

UNIDADE 3: Derivadas

3.1. Introdução 74

3.2. Derivadas 74
3.2.1. Definição 74
3.2.2. Interpretação Geométrica 78
3.2.3. Propriedades Operatórias 79
3.2.4. Derivada da Função Inversa 81
3.2.5. Derivadas Sucessivas 86
3.2.6. Máximos e Mínimos 88
3.2.6.1. Localização dos Pontos de Máximos ou Mínimos 89
3.3.7. Regra de L’Hospital 92
Exercícios 96

73
3 DERIVADAS

3.1. Introdução

A noção de derivada é uma das importantes no ramo da


Matemática. A idéia de derivada está intrínsicamente
relacionada com a idéia de taxa de variação (crescimento e
decrescimento) de grandezas. Por exemplo, se considerarmos
uma partícula deslocando-se de um ponto A para um ponto B
As idéias, aqui
sobre uma reta R . Definamos a função f : [0, T ] ⊆ ℜ → ℜ que,
apresentadas, se
para cada instante t ∈ [0, T ] , dá a posição da partícula sobre a
estendem
naturalmente ao reta R . Fixado c ∈ [0, T ] , a razão incremental

estudo de custo f (t ) − f (c)


marginal, receita t −c

marginal e, de representa a velocidade média da partícula no trecho entre

uma forma geral, f (t ) e f (c) . O limite desse quociente no ponto c representa a

análise marginal, velocidade da partícula no instante t = c .

conceito muito
importante nas Vamos, a partir de agora, aprofundar um pouco mais
áreas de sobre a noção de derivada. Mas, evitaremos demonstrações
Administração e matemáticas da maioria das afirmações que faremos, uma vez
Economia. que tais demonstrações são dispensáveis ao profissional da
área de Administração.

3.2. Derivadas

3.2.1. Definição: Diremos que uma função f : D ⊆ ℜ → ℜ é


derivável num ponto a ∈ D f se, e somente se, existe o limite

 f ( x) − f (a) 
lim 
x→a
 x−a 

74
O limite acima, quando existe, é chamado a derivada da
função f no ponto x = a e, denotaremos o valor desse limite
df
pelo símbolo f ' ( a ) ou pelo símbolo (a ) . Ou seja,
dx
 f ( x) − f (a ) 
f ' (a ) = lim 
x→a
 x−a 

Há uma outra forma de nos referirmos ao limite acima é através Importante: A


notação, f ' ( a ) ,
da mudança de variável h = x − a . Uma vez que x → a , temos
por ser mais
que h → 0 . Portanto, podemos dar uma nova versão para a simples e prática
definição da derivada a partir da variação em termos de h , a é a mais
utilizada, porém
saber: nela não fica
f ( a + h) − f ( a ) claro a variável
f ' (a ) = lim na qual está
h →0 h sendo feita a
derivação. Nesse
sentido, a
Exemplos: segunda notação
df
(a ) é mais
24. Usando a definição de derivada, obtenha f ' (a) , dx
completa.
sabendo se f ( x) = x n , onde n ∈ N .
Solução:
Nesse caso, usaremos a primeira forma de definir a
derivada; portanto
f ( x) − f ( a ) xn − an
f ' (a) = lim = lim
x→a x−a x→a x − a

xn − an
O quociente pode ser obtido por um processo
x−a
elementar utilizado na divisão de polinômios. Esse processo
nos leva à seguinte identidade:
x n − a n = ( x − a )(x n −1 + ax n − 2 + a 2 x n −3 + ⋅ ⋅ ⋅ + a n − 2 x + a n −1 )
Portanto, temos:
( )
f ' (a) = lim x n−1 + ax n − 2 + a 2 x n−3 + ⋅ ⋅ ⋅ + a n− 2 x + a n −1 = na n −1
x→a

75
25. Obter a derivada da função f ( x ) = sen x , para todo x ∈ ℜ .
Solução:
Usando a definição, teremos:
x−a x+a
2 sen  cos 
sen x − sen a  2   2 
f ' (a ) = lim = lim
x→a x−a x→a x−a
Ou seja,
 x−a 
 sen 2  
f ' (a ) = lim    ⋅ cos x + a 
 
x→a  x−a  2 
 2 
 
Agora lembremos, via limite trigonométrico fundamental,
que
x−a
sen 
 2 
lim = 1,
x→a x−a
2
Logo segue-se que: f ' ( a ) = cos a .

26. Agora, calcule a derivada da função f ( x ) = cos x , para


todo x ∈ ℜ .
Solução:
Usando a definição, teremos:
x−a x+a
− 2 sen  sen 
cos x − cos a  2   2 
f ' (a ) = lim = lim
x→a x−a x→a x−a
Ou seja,
 x−a 
 sen 2  
    x + a 
f ' (a ) = lim − ⋅ sen 
x→a  x−a  2 
 2 
 
Da mesma forma que exemplo anterior, via limite
trigonométrico fundamental, segue-se que: f ' ( a ) = − sen a .

76
27. Determine a derivada da função f ( x) = a x , onde
0 < a ≠ 1.
Solução:
Usando a segunda versão para a definição de derivada,
temos que:
a x+h − a x a x (a h − 1) ah −1
f ' (a) = lim = lim = a x ⋅ lim
h →0 h h →0 h h →0 h
Uma vez que,
ah −1
lim = ln a
h →0 h
Portanto, segue-se que: f ' ( x) = a x ln a .

28. Vamos agora determinar a derivada da função


f ( x) = log a x , onde 0 < a ≠ 1 .

Solução:
Usando a definição temos:
log a ( x + h ) − log a x
f ' ( x) = lim
h →0 h
Usando as propriedades de logaritmos para simplificar o
quociente temos que:
1
 x+h  h h
ln  ln1 + 
log a ( x + h ) − log a x 1  x+h 1  x =  x
= ⋅ log a  = ⋅
h h  x  h ln a ln a

Observando que
1
 h h 1
lim1 +  =
h →0
 x x
Sendo assim, segue-se que
1
 h h
ln1 + 
x 1
f ' ( x) = lim  =
h →0 ln a x ⋅ ln a

77
3.2.2. Interpretação Geométrica

Para entendermos o que representa geometricamente a


idéia de derivada, basta que entendamos inicialmente o que
representa geometricamente o quociente
f ( x) − f (a )
x−a
Observando a figura abaixo, para o gráfico de uma função
f ( x) − f (a )
arbitrária f , temos que o quociente representa o
x−a
coeficiente angular da reta secante ao gráfico da função f nos

pontos (a, f (a) ) e (x, f ( x) ) .


Um projeto da
Universidade
Estadual de
Maringá
produziu um Kit
de sobrevivência
em Cálculo.

FIGURA 23

Ao limite com x → a , o que se observa é que as retas secantes


com coeficientes angulares expressos pelo quociente mostrado
acima tendem para uma reta que se mostra tangente ao gráfico
da função f no ponto com coordenadas (a, f (a) ) .
Dessa forma, quando o limite
f ( x) − f (a)
lim
x→a x−a
existir, ele representará o coeficiente angular da reta tangente
ao gráfico da função f no ponto com coordenadas (a, f (a) ) .
Essa é de fato a interpretação geométrica da noção de
derivada.

78
3.2.3. Propriedades Operatórias

A seguir listaremos as propriedades que servirão de


base para obtermos derivadas de outras funções. Essa lista
virá no formato de um teorema e a demonstração do mesmo
poderá ser encontrado em [3].

Teorema:
Sejam f , g : I ⊆ ℜ → ℜ funções deriváveis no ponto
a ∈ I . Então vale:
a) (f + g )' (a) = f ' (a) + g ' (a);
b) ( f − g )' (a) = f ' (a) − g ' (a);
c) (k. f )' (a) = k. f ' (a) , onde k ∈ ℜ ;
d) ( f .g )' (a) = f ' (a).g (a) + f (a).g ' (a) ;

f  f ' (a ).g (a ) − f (a ).g ' (a )


e)  ' (a ) = , onde g ( a ) ≠ 0
g [g (a)]2
f) (Derivada da Função Composta):
( f o g )' (a) = f ' ( g (a)).g ' (a)

Agora vamos mostrar algumas aplicações envolvendo as


propriedades operatórias das derivadas que constam no
teorema acima. Elas são por demais úteis e serão de grande
valia em inúmeros cálculos que envolvem a noção de derivada.

Aplicações:
2x + 1
29. Derive a função f ( x) = .
x−2
Solução:
Aplicando a regra para a derivada do quociente que
consta no teorema acima, resulta:

 2 x + 1  2.(x − 2) − (2 x + 1).1
'
−3
f ' ( x) =   = =
 x−2  (x − 2) 2
( x − 2 )2

79
30. Obtenha a derivada da função dada pela lei
f ( x) = ln(x 2 − 3x + 1) .
Solução:
Aplicando a regra para a derivada da função composta,
temos:
1 2x − 3
f ' ( x) = ⋅ (2 x − 3) = 2
x − 3x + 1
2
x − 3x + 1

31. Determine a equação da reta tangente ao gráfico da


função f : ℜ → ℜ , dada pela lei f ( x ) = sen x , no ponto
π
de abscissa x = .
3
Solução:
Como vimos, o coeficiente angular da reta tangente ao
π 
gráfico de f , será dado pelo número real f '   ; ora, como
3
foi visto anteriormente, f ' ( x ) = cos x . Portanto,

π  π  1
f '   = cos  =
3 3 2
Assim, a equação da reta em questão reduz-se a:
1
T ( x) = x+b
2
onde a constante b representa o coeficiente linear da
referida reta. Para determinarmos essa constante, basta
observarmos que tal reta passa pelo ponto de coordenadas
π 3 
 , 
 3 2  . Dessa forma, segue-se que:
 

3 1 π 3 3 −π
= ⋅ +b⇒b =
2 2 3 6
Portanto, a equação da reta tangente solicitada, na forma
reduzida, é dada pela equação:
1 3 3 −π
T ( x) = x+
2 6

80
32. Determine a equação da reta normal ao gráfico da
função definida por f ( x) = x 2 , no ponto de abscissa
x = 1.
Solução:
A idéia é que determinemos, inicialmente, o coeficiente
angular da reta tangente ao gráfico de f e, em seguida,
usando perpendicularidade entre retas, determinar a
equação da reta normal.
Para a obtenção do coeficiente angular da reta tangente
ao gráfico de f , no ponto de abscissa x = 1 , basta que

calculemos f ' (1) ; ora a derivada da função é f ' ( x) = 2 x ,

portanto segue-se que: f ' (1) = 2 .


Logo o coeficiente angular da reta normal ao gráfico de
1
f no ponto de abscissa x = 1 , será igual a − . Portanto, a
2
equação pedida terá o formato
1
N ( x) = − x + b
2
Para determinarmos o coeficiente angular b , usemos o fato
que tal reta passa pelo ponto de coordenadas (1,1) .
Substituindo essa informação na equação da reta normal,
segue-se que:
1 1 3
1 = − ⋅1 + b ⇒ b = 1 + =
2 2 2
Finalmente, a equação da reta normal solicitada será dada
pela lei de formação:
1 3
N ( x) = − x + .
2 2

3.2.4. Derivada da Função Inversa

Essa seção é destinada à obtenção das funções inversas,


funções como arco-seno, arco-cosseno, arco-tangente, etc.
Essas, à primeira vista, podem aparentar de pouca utilização,

81
mas se prestam perfeitamente a resolver equações que
envolvam funções trigonométricas. Aqui, temos mais uma
brilhante aplicação da derivada para funções compostas
(conhecida como Regra da Cadeia).
Começaremos esta seção relembrando uma definição
muita utilizada no ensino médio, que é a de função inversa.

Definição:
Sejam f : A → B e g : B → C funções. Diz-se que a
−1
função g é a inversa da função f , e denotaremos g = f , se,
e somente se, para todo x ∈ A , tivermos que:
( f o g )( x) = (g o f )( x) = x
Observe que dessa igualdade, podemos obter facilmente
a derivada da função inversa. De fato, derivando ambos os
lados dessa última igualdade segue-se que:
(g o f )' ( x) = g ( f ( x))' = 1
Pela Regra da Cadeia, temos:
g ' ( f ( x )) ⋅ f ' ( x ) = 1 ,
Logo, supondo g ' ( x) ≠ 0 , teremos:
1
g ' ( f ( x)) = .
f ' ( x)
Essa é a fórmula que nos permitirá obter a derivada das
funções arco-seno, arco-cosseno e arco-tangente. As outras
funções são obtidas aplicando-se o mesmo procedimento com
as devidas adaptações.

3.2.4.1. Derivada da Função Arco-Seno:

Quando escrevemos y = sen x , estamos dizendo, de


uma outra forma, que:
“ x é o arco cujo seno é y ”
Escrito de uma forma simbolicamente matemática, tem-se:
y = sen x ⇔ x = arc sen y

82
Exemplos:
π 2 π 2
33. sen = ⇔ = arc sen ;
4 2 4 2
π 3 π 3
34. sen = ⇔ = arc sen ;
3 2 3 2
π 1 π 1
35. sen = ⇔ = arc sen
6 2 6 2

Então, consideremos a função f : [− 1,1] → ℜ , definida pela lei:


f ( x ) = arc sen x
Pelo que foi dito anteriormente, resulta que:
f ( x) = arc sen x ⇔ sen ( f ( x) ) = x
Derivando esta última igualdade, segue-se que:
1
cos( f ( x) ) ⋅ f ' ( x) = 1 ⇒ f ' ( x) =
cos( f ( x) )
Agora, da Relação Trigonométrica Fundamental, temos que:
cos 2 ( f ( x) ) + sen 2 ( f ( x) ) = 1 ⇒ cos 2 ( f ( x) ) = 1 − sen 2 ( f ( x) )
Portanto, substituindo esta última igualdade na expressão de
f ' ( x ) , temos que:
1
f ' ( x) = ,
1 − sen 2 ( f ( x) )

mas sen( f ( x) ) = x , logo


1
f ' ( x) = (arc sen )' ( x) =
1− x2

Exemplo:
36. Assim, para derivar a função dada pela lei de formação:
f ( x) = arc sen (3x − 1)
usando a Regra da Cadeia seguir-se-á:
1 3
f ' ( x) = ⋅ (3x − 1)' =
1 − (3x − 1) 1 − (3 x − 1)
2 2

Simplificando, resulta:

83
3
f ' ( x) =
6x − 9x 2
3.2.4.2. Derivada da Função Arco-Cosseno:

Quando escrevemos y = cos x , estamos dizendo, de


uma outra forma, que:
“ x é o arco cujo cosseno é y ”
Simbolicamente, tem-se:
y = cos x ⇔ x = arc cos y

Exemplos:
π 2 π 2
37. cos = ⇔ = arc cos ;
4 2 4 2
π 3 π 3
38. cos = ⇔ = arc cos ;
6 2 6 2
π 1 π 1
39. sen = ⇔ = arc cos .
3 2 3 2
Então, consideremos a função f : [− 1,1] → ℜ , definida pela lei:
f ( x ) = arc cos x
Temos que:
f ( x) = arc cos x ⇔ cos ( f ( x) ) = x
Derivando esta última igualdade, segue-se que:
1
− sen( f ( x) ) ⋅ f ' ( x) = 1 ⇒ f ' ( x) = −
sen( f ( x) )
Pela Relação Trigonométrica Fundamental, temos que:
cos 2 ( f ( x) ) + sen 2 ( f ( x) ) = 1 ⇒ sen 2 ( f ( x) ) = 1 − cos 2 ( f ( x) )
Portanto, substituindo esta última igualdade na expressão de
f ' ( x ) , temos que:
1
f ' ( x) = − ,
1 − cos 2 ( f ( x) )

Porém, cos( f ( x) ) = x , logo


1
f ' ( x) = (arc cos )' ( x) = −
1− x2

84
Exemplo:
40. Para derivar a função dada pela lei de formação:
f ( x) = arc cos (2 x 2 − 1)
via Regra da Cadeia segue-se:

f ' ( x) = −
1
( )
⋅ 2x 2 − 1 ' =
4x
(
1 − 2x 2 − 1 )2
(
1 − 2x 2 − 1 )
2

Simplificando, resulta:
4x
f ' ( x) =
4x − 4x 4
2

3.2.4.3. Derivada da Função Arco-Tangente:

Quando escrevemos y = tan x , estamos dizendo, de uma


outra forma, que:
“ x é o arco cuja tangente é y ”
Simbolicamente, tem-se:
y = tan x ⇔ x = arc tan y
Exemplos:
π π
41. tan =1⇔ = arc tan 1 ;
4 4
π 3 π 3
42. tan = ⇔ = arc tan ;
6 3 6 3
π π
43. tan = 3⇔ = arc tan 3 .
3 3

 π π
Então, consideremos a função f : ℜ →  − ,  , definida pela
 2 2
lei:
f ( x ) = arc tan x
Temos que:
f ( x) = arc tan x ⇔ tan ( f ( x) ) = x
Derivando esta última igualdade, segue-se que:
1
sec 2 ( f ( x) ) ⋅ f ' ( x) = 1 ⇒ f ' ( x) =
sec ( f ( x) )
2

85
Uma identidade trigonométrica relacionando a função tangente
e a função secante é a seguinte:
sec 2 ( f ( x) ) = 1 + tan 2 ( f ( x) )
Portanto, substituindo esta última igualdade na expressão de
f ' ( x ) , temos que:
1
f ' ( x) = ,
1 + tan 2 ( f ( x) )

mas tan ( f ( x) ) = x , logo


1
f ' ( x) = (arc tan )' ( x) =
1+ x2

Exemplo:
44. Obtenha a derivada da função definida por:
f ( x) = arc tan (x − x 2 )
via Regra da Cadeia segue-se:
1 − 2x
⋅ (x − x 2 )' =
1
f ' ( x) =
1 + (x − x 2 2
) 1 + (x − x 2 )
2

3.2.5. Derivadas Sucessivas

A presente seção serve de preparação para a seção


seguinte que tratará da busca de pontos de máximos e pontos
de mínimos. A determinação desses pontos é muito importante
nos problemas de maximização e minimização.

Dada uma função f vimos, até o presente, momento


regras operatórias que nos permitiam determinar a sua
derivada f ' .
Essas mesmas propriedades servem para obtermos as
derivadas superiores de f ' . Daqui prá frente, teremos:

f ', ( f ')' = f '', ( f ' ')' = f ''',⋅ ⋅ ⋅

86
De um modo geral, simbolicamente, dado n ∈ N * , a derivada
de ordem n da função f no ponto a será indicada com a
(n )
notação f (a ) e definida indutivamente:

[ ]
f ' ' (a ) = [ f ']' (a), f ' ' ' (a) = f (3) (a) = [ f ' ']' (a), ..., f (n ) (a) = f (n −1) ' (a )

Por exemplo, para a função f : ℜ → ℜ , definida pela lei

f ( x) = 4 x 3 + 3x 2 + x − 1
teremos:
• f ' ( x) = 12 x 2 + 6 x + 1

• f '' ( x) = 24 x + 6

• f ''' ( x) = 24

• f (4 ) ( x) = ⋅ ⋅ ⋅ = f (n ) ( x) = 0, ∀n ≥ 4

Existem algumas funções que suas derivadas de ordem


superiores permanecem invariáveis, como é o caso da função
exponencial f ( x) = e x , para todo x ∈ ℜ . Na verdade, temos:

f (n ) ( x) = e x ,
para todo n ∈ N .

Há uma outra classe de funções que as derivadas de


ordem superiores ficam se repetindo em ciclos, como é o caso
das funções trigonométricas seno e coseno. Senão vejamos:

• f ( x) = sen x

• f ' ( x ) = cos x

• f ' ' ( x ) = − sen x

• f ''' ( x) = − cos x

• f (4 ) ( x) = sen x ,
• e assim sucessivamente.

87
3.2.6. Máximos e Mínimos

A noção de máximos e mínimos para uma função


definida num intervalo [a, b] ⊂ ℜ , é a mais clara possível e
utilizaremos, a posteriori, a noção de derivada para a
determinação daqueles.

Definição: Sejam f : [a, b] → ℜ uma função e x0 ∈ [a, b] .

Diremos que x 0 é um ponto de máximo local (ou mínimo

local) de f , se existir δ > 0 , tal que ∀x ∈ ( x0 − δ , x0 + δ ) ⊂ [a, b] ,

tivermos que f ( x) ≤ f ( x0 ) (ou f ( x) ≥ f ( x0 ) ).

De forma inteiramente análoga, definimos máximos e mínimos


absolutos de uma função f : [a, b] → ℜ . É o que faremos nesse
instante.

Definição: Sejam f : [a, b] → ℜ uma função e x0 ∈ [a, b] .

Diremos que x 0 é um ponto de máximo absoluto (ou mínimo

absoluto) de f se, e somente se, f ( x) ≤ f ( x0 ) (ou

f ( x) ≥ f ( x0 ) ) para todo x ∈ [a, b] .

FIGURA 24

Por exemplo, para a função f : ℜ → ℜ dada por f ( x) = x 2 , o

ponto x0 = 0 é o ponto de mínimo absoluto, pois x 2 ≥ 0 , para

todo x ∈ ℜ . Enquanto que para a função f : ℜ → ℜ dada por

88
f ( x) = − x 2 + 1 , o ponto x0 = 0 é o ponto de máximo absoluto de

f , uma vez que:

f ( x) = x 2 + 1 ≥ f (0) = 1, ∀x ∈ ℜ .

3.2.6.1. Localização dos Pontos de Máximos ou Mínimos

Observe a função f : ℜ → ℜ representada no gráfico


abaixo.

FIGURA 25

Conforme observamos no gráfico, nos pontos de


máximo ou de mínimo, a função admite uma reta tangente
paralela ao eixo das abscissas. Isto significa que nesses
pontos a derivada tem quer nula, pois como vimos
anteriormente, a derivada representa o coeficiente angular
dessas retas tangentes. E, uma vez que nesse caso a reta
tangente é paralela ao eixo das abscissas, segue-se que tais
retas têm coeficiente angular nulos.
Portanto, concluímos que nos pontos x 0 de máximos, ou

de mínimos de uma função f , devemos ter obrigatoriamente


que f ' ( x0 ) = 0 .

Mas aí surge uma pergunta natural: quer dizer que se


f ' ( x0 ) = 0 , então x 0 é um ponto de máximo ou um ponto de

mínimo? A resposta é não! Existem pontos x 0 nos quais

f ' ( x0 ) = 0 , no entanto eles não são nem de máximo e nem de

89
mínimos. Tais pontos são denominados de Pontos de
Inflexão.

Nesse ponto enunciaremos um resultado de Análise


Para encontrar os
pontos de Real que caracteriza os pontos de máximos ou pontos de
mínimo e pontos mínimos ou pontos de inflexão. Porém, não exibiremos a
de máximo de
uma função f, demonstração desse teorema, pois isso foge aos objetivos
devemos buscar dessas notas.
dentre aqueles
nos quais a
derivada de f se Teorema:
anula.
Seja f : I ⊆ ℜ → ℜ uma função n vezes derivável num
ponto a ∈ I . Se f ' ( a ) = 0 , a chama-se um ponto crítico de f .
Suponhamos que:
f ' (a) = f ' ' (a) = ⋅ ⋅ ⋅ = f (n −1) (a) = 0,

mas f (n ) (a) ≠ 0. Afirmamos que:


1º) Se n for par, então a será um ponto de máximo local
desde que f (n ) (a) < 0, ou um ponto de mínimo local se

f (n ) (a) > 0.
2º) Se n for ímpar, o ponto a não será de máximo nem
de mínimo.
Prova: Veja [3].

Exemplos:
2
45. A função definida pela lei f ( x) = e − x possui um ponto
de máximo local (de fato, máximo absoluto) no ponto
x = 0 ; com efeito, inicialmente a derivada de f é:
2
f ' ( x) = −2 xe − x ,
portanto,
2
f ' ( x) = −2 xe − x = 0 ⇔ x = 0 .
A derivada segunda de f é:
2 2
f ' ' ( x) = −2e − x + 4 x 2 e − x

90
Daí, f ' ' (0) = −2 < 0 e, pelo Teorema citado acima, x = 0
é ponto de máximo local.
2
Uma vez que f ' ' ( x) = e − x > 0 , para todo x ∈ ℜ , segue-
se que x = 0 é ponto de máximo absoluto da função f ,
cujo valor máximo é igual a f (0) = 1 .

46. Agora consideremos a função f : ℜ → ℜ dada por

f ( x) = x 3 − 3x 2 + 3x − 1 . Daí tem-se f ' ( x) = 3 x 2 − 6 x + 3 ,


logo o ponto crítico de f é o ponto x = 1 . Além disso,
temos f ' ' (1) = 0 e f ' ' ' (1) > 0 . Logo, x = 1 não é ponto de
máximo local nem de mínimo local, nesse caso, x = 1 é
ponto de inflexão.
47. Para a função f : ℜ → ℜ dada por f ( x) = x 6 , temos que:

f ' (0) = f ' ' (0) = f ' ' ' (0) = f (4 ) (0) = f (5 ) (0) = 0

e, finalmente, f (6 ) (0) = 720 > 0 . Portanto, x = 0 , de


acordo com nosso Teorema, é ponto de mínimo local.
Na verdade, x = 0 , é ponto de mínimo absoluto; com
efeito, f ( x) = x 6 ≥ 0, para todo x ∈ ℜ . Observe, que o
valor mínimo é alcançado, pois f (0) = 0 .
48. Para a função f : ℜ → ℜ , dada por f ( x) = sen x , temos
que f ' ( x ) = cos x . Os pontos críticos de f são os pontos
soluções da equação trigonométrica: cos x = 0 , ou seja,
π
para os pontos x = + kπ , com k ∈ Z . Além disso,
2
observemos que:
f ' ' ( x ) = − sen x
π
Portanto, nos pontos x = + 2kπ , com k ∈ Z , temos
2
pontos de mínimos de f , enquanto que nos pontos

x= + 2kπ , temos os pontos de máximos de f .
2

91
49. Dentre os retângulos de perímetro igual a 24 cm ,
determine o de área máxima.
Solução: Sendo x e y a base e a altura, respectivamente,
do retângulo, temos que:
2 x + 2 y = 24 ⇒ x + y = 12
A área de tal retângulo é dada por: A = x ⋅ y , portanto
usando a relação entre x e y , segue-se que

A( x) = x ⋅ (12 − x) = − x 2 + 12 x
Derivando a função área, temos A' ( x ) = −2 x + 12 . Portanto o
único ponto crítico desta função é obtido fazendo A' ( x ) = 0 ,
ou seja, x = 6 . Este é um máximo local (de fato, máximo
absoluto), pois A' ' (6) − 2 < 0 . Logo, o retângulo de área
máxima solicitado é um quadrado de lado 6 cm .

3.2.7. Regra de L’Hospital

Na maioria dos cálculos de limites que envolvem


funções racionais, isto é, funções que são quocientes de
0
polinômios, nos deparamos com indeterminações do tipo .
0
Nesses casos o procedimento a ser adotado é eliminarmos de
alguma forma tal indeterminação. Às vezes, as manipulações
algébricas para obtermos tal êxito são complicadas e
trabalhosas.
Para esses casos temos um resultado de grande
importância para a solução de tais problemas. Trata-se da
Regra de L’Hospital, cujo enunciado daremos a seguir e cuja
demonstração pode ser encontrada em [3].
Como veremos esse resultado transformará tais
problemas em simples cálculos de limites envolvendo funções
que permitam um cálculo quase que imediato do limite em
questão.

92
Proposição (Regra de L’Hospital): Sejam f , g : I ⊆ ℜ → ℜ
funções n vezes deriváveis no ponto a ∈ I . Suponhamos que
f e g , juntamente com suas derivadas até ordem n − 1

(inclusive) se anulam no ponto a mas que f (n ) (a ) e g (n ) (a)


não são ambas nulas. Além disso, suponhamos que g ( x ) ≠ 0 ,
para todo x ≠ a que estejam suficientemente próximo de a .
Neste caso, temos:
f ( x) f (n ) (a )
• lim = (n ) , se g (n ) (a ) ≠ 0;
x→a g ( x) g (a )

f ( x)
• lim = +∞ , se g (n ) (a) = 0.
x→a g ( x)

3.2.7.1. Aplicações da Regra de L’Hospital no Cálculo de


Limites de Funções

Como veremos a seguir, a Regra de L’Hospital pode ser


amplamente utilizada nos cálculos de limites de funções e tais
cálculos, antes muito complicados, tornam-se meros cálculos
simples de limites. Observem os exemplos abaixo.
Exemplos:
50. Calcule o valor do limite
x2 − 4
lim
x→2 x−2
Solução: Aqui nos deparamos com uma indeterminação do
0
tipo . Aplicando a Regra de L’Hospital, temos que:
0
x2 − 4 2x
lim = lim = 4.
x→2 x − 2 x→2 1

51. Calcule o valor do limite


xn − an
lim , n∈ N
x→a x−a

93
Solução: Esse limite já foi calculado anteriormente, mas
agora calcularemos via Regra de L’Hospital, pois trata-se de
0
um limite que origina uma indeterminação do tipo :
0
xn − an
lim = lim n.x n −1 = n.a n −1
x→a x−a x→a

52. Calcule o limite:


a x −1
lim , (0 < a ≠ 1)
x →0 x
Solução: Mais uma vez, nos deparamos com uma
0
indeterminação do tipo . Aplicando a Regra de L’Hospital,
0
temos que:
a x −1
lim = lim(a x . ln a ) = ln a
x→0 x x →0

53. Calcular o limite abaixo:


1 − cos x
lim
x →0 x2
Solução: Um cálculo direto mostra-nos que tal limite nos
0
leva à indeterminação do tipo . Agora, via Regra de
0
L’Hospital, temos que:
1 − cos x − sen x 1
lim 2
= lim =− ,
x →0 x x→0 2x 2
sen x
pois sabemos que: lim = 1.
x →0 x

54. Calcular o valor do limite:


sen x − sen a
lim
x →0 x−a
Solução: Esse limite poderia ser resolvido utilizando
substituições trigonométricas convenientes, por exemplo,
utilizando a igualdade:
x−a x+a
sen x − sen a = 2 sen  cos 
 2   2 

94
Mas como trata-se de um limite que nos leva a uma
0
indeterminação do tipo , podemos calcular tal limite
0
utilizando a Regra de L’Hospital, ou seja,
sen x − sen a
lim = lim cos x = cos a
x→a x−a x→a

55. Calcule o valor do limite:


x2 − x
lim
x →0 sen x
Solução: Esse limite também seria extremamente
complicado resolvê-lo sem o auxílio da Regra de L’Hospital,
a qual se adéqua perfeitamente. Portanto, segue-se:
x2 − x 2x − 1
lim = lim = = −1 .
x→a sen x x→0 cos x
56. Aplicando a Regra de L’Hospital, calcule o valor do limite:
1 − cos( x − 1)
lim
x →1 ln x
Solução: Via Regra de L’Hospital, temos que:
sen( x − 1)
lim =0
x →1 1
x

95
EXERCÍCIOS

1. Calcular o valor de cada limite abaixo:


3
x −1
a) lim
x →1
x −1
 1 3 
b) lim − 
x →1 x − 1 1 − x3 

1 − cos x
c) lim
x →0 x2
2. Calcular o limite abaixo:
x2
 x +1 
a) lim  
x →+∞ 2 x + 1
 
ln (1 + x )
b) lim
x →0 x
3. Determinar a equação da reta tangente ao gráfico da
função f : ℜ → ℜ , definida por f ( x) = x 3 − 3 x + 1 , no
ponto de coordenadas P = (1, − 1) .
4. Obtenha a equação da reta normal ao gráfico da função
1
dada pela lei f ( x) = ln(2 x − 1) , para x > , no ponto de
2
coordenadas P = (2, ln 3) .
5. Derive a função definida pela lei:
 2x − 1 
f ( x) = arc tan  
 x+2 
x2

6. Demonstrar que a função y = xe 2
satisfaz a equação

(
diferencial xy' = 1 − x 2 y . )
7. Determinar os valores mínimo e máximo absolutos da
3 5
função f ( x) = x 3 − 3x + 3 , no segmento − ≤x≤ .
2 2
8. Torcer um fio de arame de comprimento l de maneira a
formar um retângulo, cuja área seja a maior possível.

96
97
SUMÁRIO

UNIDADE 4: Noções de Integrais

4.1. Introdução 99

4.2. Integral Indefinida 100


4.2.1. Definição 100
4.2.2. Propriedades Operatórias de Integração 101
4.2.3. Tabela de Integrais Imediatas 106
4.3. Integral Definida 113
4.3.1. Soma Integral 113
4.3.2. Integral Definida 114
4.3.3. Teorema Fundamental do Cálculo 115
4.3.4. Aplicações: Cálculo de Áreas 116
Exercícios 125
Bibliografia 127
Sobre o Autor 130

98
4 NOÇÕES DE INTEGRAIS

4.1. Introdução

Nesta unidade daremos uma noção introdutória do


integral de Riemann. A principal motivação para os conceitos e
resultados introduzidos nesta unidade encontra-se em
calcularmos áreas de regiões planas. Ou mais especificamente,
suponhamos dada uma função f : [a; b] → ℜ , contínua (na
verdade, precisaríamos apenas que f fosse limitada).
Admitamos por razões de simplicidade, que f seja não-

negativa no intervalo [a; b] , isto é, f ( x ) ≥ 0 , ∀ x ∈ [a; b] .


Consideremos a seguinte região do plano determinada pelo
Para uma
{ }
gráfico de f : C = ( x, y ) ∈ ℜ = ℜ × ℜ; a ≤ x ≤ b, 0 ≤ y ≤ f ( x) , a
2
excelente
complementação
qual é formada pelos do plano que estão compreendidos entre do estudo de
o eixo das abscissas, o gráfico de f , e as retas verticais x = a Cálculo, veja o
site de um
e x = b . Pergunta-se: qual a área desta região do plano?. projeto da
Universidade de
Como veremos a integral definida nos fornecerá uma
São Paulo.
forma efetiva de determinar a medida de tal grandeza.
Uma circunstância notável é que a noção de área está
estritamente relacionada com a noção de derivada. Como diz o
Prof. Elon Lages Lima, em seu livro: Curso de Análise – vol. 1,
esta interdependência entre a derivação e a integração é
expressa pelo fato de que o conjunto C , acima associado à
função f , tem como área o número F (b) − F ( a ) , desde que F
seja uma função cuja derivada é f . Essa afirmação é o que
consta essencialmente no enunciado de um dos mais
importantes resultados da Matemática, a saber, o Teorema
Fundamental do Cálculo.
Nesta unidade, apresentaremos as definições de Integral
Indefinida ou Primitiva e Integral Definida de uma função f .
Enunciaremos o Teorema Fundamental do Cálculo e faremos

99
algumas aplicações deste magnífico resultado para o cálculo
de áreas de regiões planas.

4.2. Integral Indefinida

A integração indefinida nada mais é do que o processo


inverso da derivação. Ou seja, nesse contexto nos será
fornecida a derivada de uma função e, em seguida, estaremos
interessados a obter informações da função original.

4.2.1. Definição: (Primitiva de uma Função)


A integral indefinida ou primitiva de uma função
f : I ⊆ ℜ → ℜ é uma função F : I ⊆ ℜ → ℜ , tal que
F ' ( x ) = f ( x), ∀ x ∈ I .
Notação:
Se F ' ( x) = f ( x ), simbolicamente, teremos:

∫ f ( x)dx = F ( x) + c,
onde c ∈ ℜ é uma constante arbitrária.

Observações sobre a notação:


a. A função f = f ( x ) é denominada função integrando;

b. O símbolo ∫ é chamado de integral;

c. A função F = F ( x ) é chamada primitiva ou integral


indefinida ou antiderivada;
d. O símbolo dx indica a variável que está sendo
considerada para obtermos F ' ( x) = f ( x ) .
Exemplos:
1. ∫ (2 x + 1 ) dx = x 2 + x + c ; de fato, pois derivando a

função integrando com respeito à variável x obtém-se:


d 2
( x + x + c) = 2 x + 1 ;
dx
d
2. ∫ cos x dx = sen x + c ; de fato, dx
( sen x + c) = cos x ;

100
2x d  2x 
3. ∫ 2 dx =
x
+ c ; pois  + c  = 2 x ;
ln 2 dx  ln 2 

4.2.2. Propriedades Operatórias de Integração

Citaremos nesse ponto algumas das principais regras


para obtermos a primitiva de uma determinada função. A
verificação dessas propriedades é imediata, do ponto de vista
matemático. Na verdade segue-se da própria definição e das
propriedades operatórias das derivadas.
1) Se F ' ( x) = f ( x ) , então:

∫ f ( x)dx = F ( x) + c, c∈ℜ ;

∫ af ( x)dx = a ∫ f ( x)dx , onde a ∈ ℜ


*
2) ;

3) ∫ ( f ( x) ± g ( x) )dx = ∫ f ( x)dx ± ∫ g ( x)dx ;


4) Se ∫ f ( x)dx = F ( x) + c e u = ϕ ( x ) é derivável, então

∫ f (u )du = F (u ) + c, c∈ℜ.

4.2.3. Método de Substituição

A Tabela acima contém um número razoavelmente


grande de integrais indefinidas prontas para serem utilizadas.
Porém para uma integral que não faz parte da tabela, como
deveremos proceder para achar sua primitiva? Essa pergunta
não pode ser respondida em sua totalidade, mas podemos
utilizar algumas técnicas, ou métodos, que nos auxiliam na
determinação dessas primitivas. Existem vários métodos, mas
nos restringiremos a apenas dois, os quais num certo sentido
implicam no surgimento dos demais.
Começaremos com o Método de Substituição, que se
constitui numa versão em integração da regra da cadeia.

101
Suponha que x = g (t ) , onde t é uma nova variável e g
uma função contínua derivável, na qual g ' (t ) ≠ 0 . Então,
teremos

∫ f ( x) dx = ∫ f (g (t ))g ' (t ) dt
A função g deve ser escolhida de tal maneira que o segundo
membro da fórmula integral acima tome uma forma mais
adequada para a integração. A seguir faremos alguns
exemplos para explicar melhor o que estamos dizendo.
Exemplo:
4. Achar a integral:

∫x 2 x + 1 dx

Solução: Fazendo t = 2 x + 1 , obtemos

t 2 −1
x=
2
donde segue-se que: dx = t dt . Então a integral original tornar-
se-á:
 t 2 −1
∫ x 2 x + 1 dx =
1 4 2
( )
∫  2  ⋅ t ⋅ (t dt ) = 2 ∫ t − t dt
Daí obtemos:

1  t5 t3 
t(
1 4 2
2∫
− t dt = )  − +c
2  5 3 

Uma vez que nossa variável independente original é x ,


devemos expressar o nosso resultado em função desta, para
isso substituímos a nova variável t pela expressão que
utilizamos para resolver a integral. Logo, em nosso caso, após
fazermos tal substituição obteremos:
1
∫x 2 x + 1 dx = (2 x + 1)5 − 1 (2 x + 1)3 + c, c ∈ ℜ
10 6
Vamos supor que, de alguma maneira, conseguimos
transformar a expressão f ( x) dx na seguinte forma:
f ( x) dx = g (u ) du,

102
onde u = ϕ (x) . Se a nova integral ∫ g (u) du é conhecida, ou

seja,

∫ g (u ) du = F (u) + c ,
então, segue-se que:

∫ f ( x) dx = F (ϕ ( x)) + c
Na maioria das vezes essa sistemática adotada torna o
processo de integração mais simples e mais rápido de se fazer.
Exemplos:
5. Achar a integral
x
∫ 1+ x2
dx

Aqui vamos fazer u = 1 + x 2 , daí obteremos du = 2 x dx .


Então a integral inicial tornar-se-á:
− 1 +1
x 1 −1 du1 u 2
∫ 1+ x2
dx = ∫ = ∫ u 2 du = ⋅
2 u 2 2 − 1 +1
+c
2
Ou seja,
x
∫ 1+ x 2
dx = u + c = 1 + x 2 + c, c ∈ ℜ

6. Determinar a primitiva F = F (x) da função real, de


3
+2
variável real, definida por f ( x) = x 2 e x , tal que
F (0) = −1 .
Solução: Inicialmente, devemos achar:

F ( x) = ∫ x 2 e x
3
+2
dx

Fazendo, u = x 3 + 2 , temos que du = 3x 2 dx , daí:


 du  1 1
∫x e dx = ∫ e u   = ∫ e u du = e u + c
2 x3 + 2

 3  3 3
Logo,
1 3
F ( x) = e x + 2 + c
3
Uma vez que F (0) = 2 , segue-se que:
1 1
F (0) = e 2 + c = 2 ⇒ c = 2 − e 2
3 3
103
Nessas condições, segue-se que;
1 x3 + 2 e2
F ( x) = e +2−
3 3
7. Ache a integral
dx
∫e x
+1
utilizando a substituição: x = − ln t .
Solução: Fazendo x = − ln t , segue-se que:
1
t = e−x ⇒ e x =
t
1
além disso, dx = − dt . Fazendo as substituições na integral
t
original resulta:
1
− dt
1
∫ 1 = − ∫ 1 + t dt = − ln(1 + t ) + c
t
+1
t
Portanto, obtemos:

= − ln(1 + e − x ) + c, c ∈ ℜ
dx
∫e x
+1

4.2.4. Integração por Partes

O método de integração por partes refere-se à


determinação de integrais onde a função integrando é um
produto de duas outras funções. Ou seja, tal método é mais
utilizado ao nos deparar com a integral:

∫ f ( x) g ( x) dx
Nem sempre essa integral é simples, porém quando um dos
fatores da função integrando é derivada de alguma outra
função, então esse cálculo pode tornar-se mais trabalhável
mediante o método de integração por partes.
Num certo sentido, essa técnica é uma reformulação da
regra do produto para derivação. Senão vejamos, da derivada
do produto de duas funções f e g sabemos que:

104
( f ( x) g ( x) )' = f ' ( x) g ( x) + f ( x) g ' ( x)
Nessa última equação, integrando ambos os membros, segue-
se que:
f ( x) g ( x) = ∫ f ' ( x) g ( x) dx + ∫ f ( x) g ' ( x) dx

Logo, temos, por exemplo, que:

∫ f ( x) g ' ( x) dx = f ( x) g ( x) − ∫ f ' ( x) g ( x) dx
Essa é a fórmula que utilizaremos para acharmos algumas
integrais onde a função integrando é um produto de funções.
Vamos aos exemplos para melhor entendermos essa
pequena teoria sobre integrais.
Exemplos:
8. Achar a integral

∫ x ln x dx
Solução: Aqui fazendo f ( x) = ln x e g ' ( x) = x , teremos:

1 x2
f ' ( x) = e g ( x) = . Portanto, segue-se que:
x 2
x2 1 x2 x2 x
∫ x ln x dx = 2
ln x − ∫
x 2
dx =
2
ln x − ∫ dx
2
Assim sendo, temos
x2 x2
∫ x ln x dx = 2 ln x − 4 + c
9. Achar a função F ( x) = ∫ ln x dx , tal que F (1) = 2 .

Solução: Para acharmos a função integral F ( x) = ∫ ln x dx ,

observamos que a função integrando pode ser vista como


produto de duas outras funções, da seguinte maneira:
F ( x) = ∫ ln x dx = ∫ 1 ⋅ ln x dx

Procedendo da mesma forma que na questão anterior,


façamos f ( x) = ln x e g ' ( x) = 1 . Então, segue-se que
1
f ' ( x) = e g ( x) = x . Portanto, usando a fórmula de
x
integração por partes teremos:

105
1
∫ ln x dx = x ln x − ∫ x x dx = x ln x − ∫ 1dx
ou seja,

∫ ln x dx = x ln x − x + c, c∈ℜ

Dessa forma, F ( x) = x ln x − x + c , onde c ∈ ℜ . Uma vez que


F (1) = 2 , segue-se que:
1 ⋅ ln 1 − 1 + c = 2 ⇒ −1 + c = 2 ⇒ c = 3
Isto é,
F ( x) = ( x − 1) ln x + 3

4.2.5. Tabela de Integrais Imediatas

Uma grande parte das integrais encontradas em


Ciências Sociais, Ciências Humanas, como Administração, e
Ciências Naturais, como Biologia, Química, pode ser resolvida
aplicando-se técnicas discutidas aqui em nosso livro. Porém,
às vezes, uma integral pode não ser resolvida utilizando tais
técnicas. Nesse caso, faz-se muito necessária a utilização de
Tabelas de Integrais. Na maioria dos livros de Cálculo
encontramos tais tabelas. Abaixo, exibimos uma pequena
amostra de fórmulas que aparecem nessas tabelas.
A verificação das igualdades, constantes na tabela abaixo,
é feita de forma imediata usando a definição de primitiva e,
conseqüentemente, as propriedades das derivadas.
x n +1
∫ x dx = + c, n ≠ −1 ;
n
A.
n +1
dx
B. ∫ x
= ln x + c ;

C. ∫ sen x dx = cos x + c ;
D. ∫ cos x dx = − sen x + c ;
ax
E. ∫ a dx =
x
+ c , onde 0 < a ≠ 1 ;
ln a

F. ∫ ln x dx = (x − 1)ln x + c ;
106
dx 1 x
G. ∫x 2
+a 2
= arctg + c , onde a ≠ 0 ;
a a
dx 1 x−a
H. ∫x 2
−a 2
= ln
2a x + a
+ c , onde a ≠ 0 ;

dx 1 a+x
I. ∫a 2
−x 2
= ln
2a a − x
+ c , onde a ≠ 0 ;

dx 1 x
J. ∫ x(ax + b ) = b ln ax + b + c , onde b ≠ 0 ;
dx
K. ∫ x ±a2 2
= ln x + x 2 ± a 2 + c , onde a ≠ 0 ;

dx x
L. ∫ a −x2
= arcsen + c , onde a > 0 ;
a
2

dx
M. ∫ cos 2
x
= tg x + c ;

dx
N. ∫ sen 2
x
= − cot g x + c ;

dx x
O. ∫ sen x = ln tg 2 + c = ln cos ec x − ctg x + c ;
dx x π
P. ∫ cos x = ln tg  2 + 4  + c = ln sec x + tg x + c
Os exemplos a seguir ilustram a utilização destas fórmulas,
bem como os métodos de integração até aqui discutidos.
Exemplos:
10. Calcule a integral
dx
∫ x(3x + 5)
Solução: Fazendo uso da fórmula integral no ítem (J) da
tabela acima, com a = 3 e b = 5 , obtemos:
dx 1 x
∫ x(3x + 5) = 5 ln 3x + 5 + c , onde c ∈ ℜ

Método Alternativo: (Funções Racionais)


Para acharmos a integral do item (10) acima, podemos
ter outro procedimento. Na verdade, não existe um
procedimento único para determinarmos a primitiva de uma

107
função dada, até porque o que queremos é acharmos uma
função cuja derivada é a função dada anteriormente.
Portanto, essa é uma meta que pode ser alcançada por
diversas formas. Senão vejamos, a função integrando do
item anterior
1
f ( x) =
x(3x + 5)
pode ser transformada numa soma de funções racionais
mais simples; de fato, tentemos achar constantes A e B
tais que:
1 A B
f ( x) = = +
x(3x + 5) x 3x + 5
Simplificando a soma do lado direito da expressão cima,
obteremos
1 A(3 x + 5) + Bx
f ( x) = =
x(3x + 5) x(3x + 5)
Logo, temos

f ( x) =
1
=
(3 A + B )x + 5 A
x(3x + 5) x(3x + 5)
Como estamos interessados achar A e B satisfazendo a
igualdade acima, devemos impor a igualdade:
(3 A + B )x + 5 A = 1
onde a igualdade acima é válida para todo x ∈ ℜ . Pela
igualdade entre polinômios, devemos, obrigatoriamente, ter
3 A + B = 0 e 5 A = 1 . Assim sendo, temos que:
1 3
A= e B=− .
5 5
Portanto, voltando à nossa integral original segue-se que:
dx  1 3  1 dx 3 dx
∫ x(3x + 5) = ∫  5x − 5(3x + 5) dx = 5 ∫ − ∫
x 5 3x + 5
Dessa forma, obtém-se:

dx ln x 3 ln 3 x + 5
∫ x(3x + 5) = 5

5 3
+ c,

Ou seja,

108
∫ x(3x + 5) = 5 [ln x − ln 3x + 5 ] + c = 5 ln 3x + 5 + c
dx 1 1 x

Esse procedimento pode ser utilizado sempre que


P( x)
pudermos transformar uma função racional numa
Q( x)
A
soma de funções racionais mais simples do tipo ,
ax + b
onde A , a e b são constantes reais.
11. Achar a integral
dx
∫ 9 − 4x 2
.

Solução: Podemos utilizar o item (I) da Tabela acima ou


podemos utilizar a técnica das funções racionais discutida
acima; de fato, inicialmente observemos a identidade:
1 1
=
9 − 4x 2
(3 − 2 x )(3 + 2 x )
Então achemos constantes reais A e B tais que:
1 A B
= +
(3 − 2 x )(3 + 2 x ) 3 − 2x 3 + 2x
Daí simplificando o lado direito da igualdade acima,
1 A(3 + 2 x ) + B(3 − 2 x )
= ,
(3 − 2 x )(3 + 2 x ) (3 − 2 x )(3 + 2 x )
Isto é,
1 3( A + B ) + 2( A − B )x
=
(3 − 2 x )(3 + 2 x ) (3 − 2 x )(3 + 2 x )
Logo, por igualdade de polinômios, segue-se que:
3( A + B ) = 1 e A− B = 0 . Daí temos, A=B e, por
1
conseguinte, 6 A = 1 , o que implica que A = = B . Portanto,
6
voltando à nossa integral temos:
dx 1 dx 1 dx
∫ 9 − 4x 2
= ∫ + ∫
6 3 − 2x 6 3 + 2x
Daí segue-se que:
dx 1 1 1 
∫ 9 − 4x 2
=  − ln 3 − 2 x + ln 3 + 2 x  + c
6 2 2 

109
Portanto, fazendo as simplificações necessárias, obtemos:
dx 1 3 + 2x
∫ 9 − 4x 2
= ln
12 3 − 2 x
+ c, c ∈ ℜ .

4.2.6. Integrais Indefinidas: Aplicações

Nessa seção aplicaremos, através de vários exemplos,


os conceitos estudados a respeito de integração indefinida na
resolução de problemas dos mais variados tipos, com o intuito
de mostrar ao leitor a importância dessa ferramenta
matemática.
Exemplos:
12. Estima-se que daqui a t meses, a população de uma
2
certa cidade variará a uma taxa de 4 + 5t 3
pessoas por
mês. Se a população atual é de, aproximadamente,
10.000 pessoas, qual será a população daqui a 8 meses?
Solução: Nesse caso, devemos achar a função população.
Foi dito no problema, que a derivada de tal função é dada
2 2
pela lei 4 + 5t 3
, isto é, P' (t ) = 4 + 5t 3 . Portanto,

P(t ) = ∫  4 + 5t dt
2
3
 
ou seja,
2 +1
t 3
P(t ) = 4t + 5 ⋅ + c, c ∈ ℜ
2 +1
3
isto é,
5
P (t ) = 4t + 3t 3
+ c, c ∈ ℜ
Uma vez que a população atual, P(0) , é igual a 10.000,
resulta c = 10.000 . Portanto, a função população é dada por:
5
P(t ) = 4t + 3t 3
+ 10.000
Logo, daqui a 8 meses a população será:
5
P (8) = 4 ⋅ 8 + 3 ⋅ 8 3
+ 10.000 = 10.128 pessoas.

110
13. O preço de revenda de certa máquina decresce a uma
taxa que varia com o tempo. Quando a máquina tiver t
anos de uso, a taxa de variação de seu valor será
220(t − 10 ) reais por ano. Se a máquina foi comprada por
R$ 12.000,00, quanto valerá daqui a 10 anos?
Solução: No contexto do problema, a função-preço dessa
máquina é interpretada como sendo a primitiva da função
220(t − 10 ) , isto é:

P (t ) = ∫ 220(t − 10)dt

Portanto, temos que:


P (t ) = 110(t − 10) + c, c ∈ ℜ
2

Se a máquina foi comprada por R$ 12.000,00, segue-se


que P(0) = 12000 , ou seja:

110(0 − 10) + c = 12000 ⇒ c = 1000


2

Assim sendo, temos P(t ) = 110(t − 10 ) + 1000 . Dessa forma,


2

temos que, daqui a 10 anos, o preço da máquina será


obtido através da substituição t = 10 , ou seja,
P (10) = 1000
Isto é, R$ 1.000,00.
14. Um objeto se move a uma velocidade expressa pela
função quadrática 6t 2 + 2t + 3 metros por minuto, após t
minutos. Qual a distância percorrida pelo objeto durante
o segundo minuto?
Solução: Como sabemos, a velocidade é a taxa de
variação do espaço percorrido, como função do tempo, ou
seja,
s (t ) = ∫ (6t 2 + 2t + 3)dt

Portanto, segue-se que:


s (t ) = 3t 2 + t 2 + 3t + c, c ∈ ℜ
Para calcular a distância percorrida pelo objeto durante o
segundo minuto, basta obtermos s (2) − s(0) . Sendo assim,
segue-se que:

111
s (2) − s(0) = 3 ⋅ 2 2 + 2 2 + 3 ⋅ 2 = 22
isto é, 22 metros.

15. Um fabricante calculou que o custo marginal é 6q + 1


reais por unidade, quando q unidades são produzidas.
O custo total de produção da 1ª unidade é de R$ 130,00.
Qual o custo total de produção das 10 primeiras
unidades?
Solução: Como sabemos, o custo marginal é a derivada do
custo total. Portanto, o custo total de produção de q
unidades é dado por:
C (q) = ∫ (6q + 1)dq

ou seja,
C (q) = 3q 2 + q + k , k ∈ ℜ
Uma vez que o custo total de produção da 1ª unidade é de
R$ 130,00, temos que:
C (1) = 3 + 1 + k = 130
ou seja, k = 126 , portanto, a função custo-total é expressa
por: C (q) = 3q 2 + q + 126 . Nessas condições, o custo total de
produção das 10 primeiras unidades é dado por C (10) , isto
é,
C (10) = 3.10 2 + 10 + 126 = 436
Ou seja, o custo total é R$ 436,00.
16. Um fabricante estima que a receita marginal seja de
−1
100q 2
reais por unidade, ao produzir q unidades. O
custo marginal correspondente é de 0,4q reais por
unidade. Suponha que o fabricante lucre R$ 520,00, ao
produzir 16 unidades. Qual será o lucro do fabricante, ao
produzir 25 unidades?
Solução: Nessas condições, temos que o lucro marginal
(receita marginal – custo marginal) é dado, via integração,
por:

112
L(q) = ∫ 100q − 0,4q dq
−1
2
 
Portanto, segue-se que:
− 1 +1
q 2
L(q ) = 100 ⋅ − 0,2q 2 + k , k ∈ ℜ
− 1 +1
2
Isto é,
1
L(q) = 200q 2
− 0,2q 2 + k , k ∈ ℜ
Uma vez que o lucro do fabricante, ao produzir 16 unidades, é
R$ 520,00, temos que: L(16) = 520 , portanto
1
200 ⋅ 16 2
− 0,2 ⋅ 16 2 + k = 520 ⇒ k = 520 − 748,80 = −248,80
Logo, a função lucro-total é dada por:
1
L(q) = 200q 2
− 0,2q 2 − 248,80
Dessa forma, o lucro do fabricante, ao produzir 25 unidades
será:
1
L(25) = 200 ⋅ 25 2
− 0,2 ⋅ 25 2 − 248,80
ou seja,
L(25) = 626,20
Portanto, o lucro do fabricante, ao produzir 25 unidades será de
R$ 626,20.

4.3. Integral Definida

4.3.1. Soma Integral. Seja f = f ( x ) uma função definida no


segmento a ≤ x ≤ b e a = x0 < x1 < x 2 < ⋅ ⋅ ⋅ < x n = b , uma divisão

arbitrária deste segmento em n partes, como mostra a figura


abaixo. A soma expressa por
n −1
S n = ∑ f (ξ i )∆xi ,
i =1

onde,
xi ≤ ξ i ≤ xi +1 ; ∆xi = xi +1 − xi ; i = 0,1, 2, 3, ⋅ ⋅⋅, (n − 1) ,

113
recebe o nome de Soma Integral da função f = f ( x ) no

intervalo fechado [a; b] . Observe que Sn representa

geometricamente a soma algébrica das áreas dos retângulos


correspondentes, conforme figura abaixo.

FIGURA 26

4.3.2. Integral Definida.


Na soma Sn representada na seção anterior,

considerando-se o limite com n → +∞ e ∆xi → 0 , caso esse

exista, chamaremos ao valor desse limite de integral definida


de f = f ( x ) entre os limites de integração x = a e x = b , ou
seja,
n −1 b
lim
máx ∆xi →0
∑ f (ξ )∆x = ∫ f ( x) dx .
i =1
i i
a

A integral, definida geometricamente, é a soma algébrica


das áreas dos retângulos esboçados na figura, na qual as
áreas das partes, situadas sobre o eixo OX, são tomadas com
sinal positivo, enquanto que as áreas das partes que se
encontram abaixo do eixo OX são tomadas com sinal negativo.
Portanto, para uma função f : [a; b] → ℜ , contínua e positiva,

isto é, f ( x ) > 0 , para todo x ∈ [a; b] , a integral definida

114
b

∫ f ( x) dx
a

Representa a área do plano delimitada pelas desigualdades


a ≤ x ≤ b e 0 ≤ y ≤ f ( x) ,
e pelas retas x = a e x = b . Veja a figura abaixo.

FIGURA 27

4.3.3. Teorema Fundamental do Cálculo.

O resultado que enunciaremos a seguir constitui-se num


dos mais importantes e belos resultados da Matemática. É de
uma praticidade enorme e de uma utilização teórica fabulosa.
No nosso contexto o utilizaremos apenas para cálculo de áreas
de figuras planas. Mas sua utilização estende-se a
determinação de outras grandezas como, comprimento de
curvas, volume de corpos sólidos de revolução, cálculo de
áreas superficiais, etc.
O aluno que se interessar em sua demonstração, pode
encontrá-la no livro Curso de Análise, de autoria de Elon Lages
Lima [3].

Teorema Fundamental do Cálculo. Se uma função integrável


f : [a; b] → ℜ possui uma primitiva F : [a; b] → ℜ , então:

115
b

∫ f ( x) dx = F (b) − F (a) .
a

Entendendo o Teorema Fundamental do Cálculo:


É preciso que entendamos o que, de fato, o teorema
fundamental do cálculo se refere. Na prática, para calcularmos
áreas de figuras planas definidas por uma função f : [a; b] → ℜ ,
o que teremos que fazer é o seguinte: inicialmente,
determinemos a primitiva F : [a; b] → ℜ de f , ou seja,
determinemos uma função F tal que F ' = f e, em seguida,
calculemos a diferença entre os valores F (b) e F ( a ) .
Não podemos esquecer que o valor da diferença
representa uma soma algébrica de áreas, portanto para o
nosso caso, como estamos considerando a nossa função
contínua e positiva, tal diferença sempre será positivo. Mas a
priori, tal diferença pode ser negativa, nula ou positiva.

4.3.4. Aplicações das Integrais Definidas

4.3.4.1. Aplicações em Cálculo de Áreas

1. Determinar o valor da área limitada pela parábola


f ( x) = x 2 , pelas retas x = 1 e x = 3 e pelo eixo das
abscissas.
Solução:
Neste caso, o valor da área será dado por:
3 3
x3 33 13 1 26
A = ∫ x dx =
2
= − =9− = .
1
3 1
3 3 3 3

26
Logo, a área solicitada é igual a: A = u. a.
3
2. Calcular a área da figura limitada pela curva
x = 2 − y − y 2 e pelo eixo das ordenadas.

116
Solução:
Neste caso, os eixos coordenadas estão invertidos e
devido a isso a área procurada é dada pela expressão
integral:
1
1
 y2 y3 
A = ∫ (2 − y − y )dy =  2 y −
9
2
−  = u. a.
−2  2 3  −2 2

Os limites de integração y1 = −2 e y 2 = 1 correspondem


às intersecções da curva com o eixo das ordenadas.

Numa situação mais geral, quando a área A da região


plana, a qual estamos querendo calcular, encontra-se limitada
por duas curvas contínuas y = f1 ( x) e y = f 2 ( x) e pelas retas

verticais x = a e x = b , onde f1 ( x) ≤ f 2 ( x) para a ≤ x ≤ b ,


conforme a figura abaixo:

FIGURA 28

Então, teremos:
b
A = ∫ [ f 2 ( x) − f 1 ( x)]dx .
a

117
Exemplos:
3. Calcular a área da figura plana compreendida entre as
curvas
y = x e y = x2
Solução: Inicialmente observemos que as intersecções
dessas duas curvas ocorrem nos pontos de abscissas x = 0
e x = 1 . Ademais, no segmento 0 ≤ x ≤ 1 temos que
0 ≤ x 2 ≤ x . Portanto segue-se que:
1
1
 x2 x3 
A = ∫ (x − x )dx =  −  = − = u. a.
2 1 1 1
0  2 3 0 2 3 6

4. Calcule a área da figura plana compreendida entre as


curvas y = x 2 e y = x .

Figura 29

Solução: Da mesma forma que no exemplo anterior, as


intersecções entre essas duas curvas ocorrem nos pontos
de abscissas x = 0 e x = 1 . Além disso, nesse segmento,
temos que 0 ≤ x 2 ≤ x . Assim sendo, temos:

( )  1 
1 1
A=∫ x − x 2 dx = ∫  x 2 − x 2  dx
0 0 
logo,
1
 2 3 x3  2 1 1
A =  x 2 −  = − = u. a.
3 3
0
3 3 3

118
5. Você possui uma quantidade de dinheiro para aplicar em
um plano de investimentos escolhido entre dois planos
concorrentes. Após x anos, o primeiro plano produzirá
uma renda com taxa de R1 ( x) = 50 + 3 x 2 milhares de
reais por ano, enquanto que o segundo produzirá uma
renda com taxa constante de R2 ( x) = 200 milhares de
reais por ano. Se utilizar o segundo plano, que renda
você receberá a mais do que se utilizasse o primeiro
plano, após 5 anos?
Solução: As funções R1 ( x) e R2 ( x) representam as
taxas de variação do primeiro e do segundo planos de
investimentos, respectivamente e a diferença
R2 ( x) − R1 ( x) representa a taxa de variação entre o
segundo e o primeiro plano de investimento, nessa
ordem. Segue-se que a renda, a mais, recebida por
você ao se utilizar o segundo plano em detrimento do
primeiro, após 5 anos será dada através da integral
definida:
5

∫ (R
0
2 ( x) − R1 ( x) )dx

isto é,

∫ [200 − (50 + 3x )]dx = ∫ (150 − 3x )dx


5 5
2 2

0 0

Portanto, pelo Teorema Fundamental do Cálculo segue-


se que:
5

∫ (150 − 3x )dx = (150 x − x )


3 5
2
= 150 ⋅ 5 − 5 3 = 625
0
0

Logo o segundo plano de investimento renderá, a mais


do que o primeiro, R$ 625.000,00.
6. Quando uma máquina tem x anos de uso, gera dinheiro
a uma taxa de R( x) = 4575 − 5 x 2 reais por ano, e resulta
em custos que se acumulam com uma taxa de
C ( x) = 1200 + 10 x 2 reais por ano.

119
(a) Por quantos anos o uso da máquina é lucrativo?
(b) Qual é o ganho total líquido gerado pela máquina
durante o período do item (a)?
Solução:
(a) Para sabermos por quantos anos o uso da máquina
é mais lucrativo, basta determinarmos todos os
valores reais de x para os quais se tenha:
R ( x) − C ( x) ≥ 0
ou seja,
(4575 − 5x ) − (1200 + 10 x ) ≥ 0
2 2

isto é,
15(225 − x 2 ) = 15(15 − x )(15 + x ) ≥ 0
Então, resolvendo esta inequação produto, levando
em consideração o contexto do problema, obtemos
como conjunto-solução:
S = {x ∈ ℜ; 0 ≤ x ≤ 15}
Portanto, até os 15 primeiros anos de uso a
utilização da máquina será lucrativa.
(b) O ganho total líquido gerado pela máquina durante
esses 15 anos será obtido através da utilização da
integral definida:
15 15

∫ (R( x) − C ( x))dx = ∫ (3375 − 15 x )dx


2

0 0

Portanto, via Teorema Fundamental do Cálculo,


teremos:
15

∫ (3375 − 15 x )dx = (3375 x − 5 x )


2 3 15
0
0

isto é,
15

∫ (3375 − 15 x )dx = 3375 ⋅ 15 − 5 ⋅ 15 = 33750


2 3

Ou seja, o ganho total líquido gerado pela máquina


durante esses 15 anos será de R$ 33.750,00.

120
4.3.4.2. Valor Médio de uma Função

Existem muitas situações práticas é muito importante


calcularmos o valor médio de uma grandeza matemática; por
exemplo, o nível médio de poluição do ar, em um determinado
período do dia; a velocidade média de um automóvel durante
uma viagem de 4 horas; a pressão média sangüínea de um
paciente durante uma cirurgia; a produtividade média de um
operário no trabalho num determinado período de meses; a
média do total dos alunos aprovados, num determinado curso,
num programa seriado de ingresso a uma universidade, a
quantidade média dos alunos cotistas que não conseguiram
aprovação num vestibular, etc.
No estudo das integrais definidas, existe uma fórmula
que nos permite trabalhar com essas situações; trata-se do
valor médio de uma função que enunciaremos a seguir:

Proposição: (Valor Médio de uma Função)


O valor médio de uma função contínua y = f (x) em um
intervalo a ≤ x ≤ b , o qual denotaremos por VM ( f ) , é dado A demonstração
da Propriedade
pela fórmula: do Valor Médio
b de uma função é
1
b − a ∫a
VM ( f ) = f ( x) dx apresentada na
maioria dos
livros de Cálculo
No contexto desse livro é mais interessante
Diferencial e
entendermos melhor o que, de fato, representa o valor médio Integral onde se
utiliza,
de uma função.
basicamente, a
A fórmula da integral para valor médio de uma função soma de
Riemann
admite uma interpretação geométrica bastante interessante.
discutida no
Inicialmente, observemos que tal fórmula pode ser reescrita na início deste
capítulo.
seguinte maneira:
b
(b − a )VM ( f ) = ∫ f ( x) dx
a

Portanto, se a função f for não-negativa, como


sabemos, a integral do lado direito dessa igualdade representa

121
a área da região do plano abaixo do gráfico de f , entre as
retas verticais x = a e x = b e, limitada inferiormente, pelo eixo
dos x' s , isto é, a reta y = 0 . No lado esquerdo dessa igualdade,
temos geometricamente a área de um retângulo cuja base
mede b − a e, cuja altura, é dada pelo valor médio de f , no
intervalo a ≤ x ≤ b . Assim sendo, o valor médio de f , no
intervalo a ≤ x ≤ b é igual à altura do retângulo cuja base é o
intervalo de comprimento b − a e cuja área é equivalente à área
abaixo do gráfico de y = f (x) entre x = a e x = b e, limitada
inferiormente, pelo eixo das abscissas, isto é, pela reta y = 0 .

Figura 30

Exemplos:
7. Estima-se que t horas após a meia-noite, a temperatura
de certo local seja dada pela regra f (t ) = −0,3t 2 + 4t + 10
graus centígrados. Qual era a temperatura média no
local entre 9 horas da manhã e meio-dia?
Solução: Pela fórmula do Valor Médio da função f ,
temos que:
12
VM ( f ) =
1

12 − 9 9
(
− 0,3t 2 + 4t + 10 dt ,)
ou seja,

VM ( f ) =
1
3
(− 0,1t 3 + 2t 2 + 10t )
12

Segue-se daí que,


1
VM ( f ) = [(− 172,8 + 288 + 120) − (− 72,9 + 162 + 90)]
3

122
isto é,
1
VM ( f ) = ⋅ 56,1 = 18,7
3
Portanto, a temperatura média nes te local entre 9 horas
da manhã e meio-dia é 18,7°C.
8. Após t meses no emprego, um funcionário dos Correios
consegue classificar a correspondência a uma taxa de
Q(t ) = 700 − 400e −0,5t cartas por hora. Determine a taxa
média segundo a qual o funcionário classifica a
correspondência durante os 3 primeiros meses.
Solução: Nesse caso, utilizando a fórmula do valor
médio para a função Q = Q(t ) dada no enunciado do
problema, temos que:
3
1
(
VM (Q) = ∫ 700 − 400e −0,5t dt
30
)
Ou seja,

VM (Q) =
1
3
(700t + 800e −0,5t )
3

Realizando as substituições t = 0 e t = 3 na expressão


acima, segue-se que:

VM (Q) =
1
3
[(2100 + 800e −1,5 ) − 800 ]
logo,
1300 + 800e −1,5
VM (Q) = ≅ 492,83
3
Portanto, a taxa média segundo a qual o funcionário
classifica a correspondência durante os 3 primeiros
meses é de, aproximadamente, 492,83 cartas por hora.
9. Estima-se que daqui a t meses após o início do ano, o
preço de certo produto será dado pela expressão
matemática P (t ) = 0,06t 2 − 0,2t + 1,2 reais por quilograma.
Nessas condições, qual o preço médio do produto
durante o primeiro semestre do ano?

123
Solução: O valor médio solicitado será calculado como
segue:
6
VM ( P) =
1
6 ∫0
(
0,06t 2 − 0,2t + 1,2 dt)
portanto, temos

VM ( P ) =
1
6
(0,02t 3 − 0,1t 2 + 1,2t )
6

isto é,

VM ( P) =
1
6
(0,02 ⋅ 6 3 − 0,1 ⋅ 6 2 + 1,2 ⋅ 6 ) =
7,92
6
= 1,32

Logo, o preço médio do produto durante o primeiro


semestre do ano é de R$ 1,32.

124
EXERCÍCIOS

1) Determinar as primitivas das funções indicadas em


cada item abaixo:
dx
a) ∫ 2x −1
∫ (x )
− 4 x 2 + x − 1 dx
3
b)

 2x + 3 
c) ∫  2 x + 1  dx
2) Determinar a primitiva da função f : ℜ → ℜ definida

π 
pela lei f ( x) = sen (2 x ) que passa pelo ponto  ; 2  .
4 
3) O lucro marginal (receita marginal – custo marginal)
de uma certa fábrica é de 100 − 2q reais por unidade,
quando q unidades são produzidas. Se o lucro é de
R$ 700,00, produzindo-se 10 unidades, qual será o
lucro máximo da fábrica?
4) Um estudo do meio ambiente de certa comunidade
indica que, daqui a t anos, a taxa de monóxido de
carbono no ar estará variando de 0,1t + 0,1 partes por
milhão por ano. Se a taxa de monóxido de carbono
no ar é de 3,4 partes por milhão, qual será a taxa
daqui a 3 anos?
5) Uma árvore foi transplantada e, após x anos, está
1
crescendo a uma taxa de 1 + metros por ano.
(x + 1)2
Após 2 anos, alcançou 5 metros de altura. Qual era a
sua altura, quando foi transplantada?
6) Calcular a área da figura plana limitada pela curva
y = ln(x − 1) , pelas retas x = 2 e x = 9 e pelo eixo das
abscissas.

125
7) Determinar a área da figura limitada pela parábola
y = 2 x − x 2 e pela reta y = − x .

8) Calcular a área do segmento da parábola y = x 2 , que


corta a reta y = 3 − 2 x .
9) Calcular a área da figura compreendida entre as
x2 2
parábolas y = e y = 4 − x2 .
3 3
10) Calcular a área da figura compreendida entre as
π
curvas y = sen x e y = cos x , no intervalo 0 ≤ x ≤ .
2

126
BIBLIOGRAFIA

1. ANTON, HOWARD. Cálculo, um novo horizonte


– vol. 1., Editora Brookman, Porto Alegre.
2. GUIDORIZZI, H. L. Um Curso de Cálculo – vols.
1, 2, 3, 4. Livros Técnincos.
3. LIMA, ELON LAGES. Curso de Análise – vol. 1.
Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada
– IMPA, CNPq, Rio de Janeiro, 1976.
4. ÁVILA, G.S.S., Cálculo I: Diferencial e Integral.
Livros Técnicos e Científicos, Universidade de
Brasília, Rio de Janeiro: 1978.
5. FLEMMING, D. M. e GONÇALVES, M. B.,
Cálculo A: Funções, Limite, Derivação,
Integração, 5ª edição, Editora Makron Books do
Brasil, São Paulo, 1992.
6. GOLDSTEIN, Larry J., LAY, David C. e
SCHNEIDER, David I., Matemática aplicada:
economia, administração e contabilidade. 8. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2000.
7. GONÇALVES, M. B. e FLEMMING, D. M.,
Cálculo B: Funções de Várias Variáveis,
Integrais Duplas e Triplas, Editora Makron
Books do Brasil, São Paulo, 1999.
8. HOFFMANN, Laurence D. Cálculo: um curso
moderno e suas aplicações. 7ª edição.
Tradução de Regina Szwarcfiter – Rio de Janeiro.
LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora S.A.,
1982.
9. LEITHOLD, Louis. O cálculo com geometria
analítica. Vol. 1, 2. ed. Harbra, São Paulo: 1994.

127
10. LEITHOLD, Louis. Matemática aplicada à
economia e administração. Harbra, São Paulo:
1988.
11. SILVA, Sebastião Medeiros da, SILVA, Elio
Medeiros da e SILVA, Ermes Medeiros da.
Matemática: para os cursos de economia,
administração e ciências contábeis. 3. ed. São
Paulo: Atlas, 1988.
12. STEWART, James. Cálculo. Vol. 1, 4 ed.,
Thomson Leorving, São Paulo: 2003.
13. TAN, S.T., Matemática Aplicada à
Administração e Economia: São Paulo: Pioneira
Thomson Learning, 2001.
14. THOMAS, George B. Cálculo. Vol. 1, 10 ed.,
Addison Wesley, São Paulo: 2002.
15. WEBER, J.A.: Matemática para Economia e
Administração, Harper and Row do Brasil, São
Paulo, 1988.

Sites na Internet

• http://www.rpm.org.br/novo/conheca/60/limites.pdf
• http://ube-
164.pop.com.br/repositorio/1824/meusite/LimiteseDe
rivadas.doc
• http://www.cepa.if.usp.br/e-calculo
• www.dma.uem.br//kit/
• www.hottopos.çom.br/regeq8/cardoso2.htm-23k
• http://www.exatas.hpg.ig.com.br/historia.htm
• http://euler.mat.ufrgs.br/~portosil/oque.html
• http://mat.ufpb.br/histcalc.htm
• http://www.gregosetroianos.mat.br/calculo.asp
• http://www.geocities.com/guida_cruz2000/histmat.ht
m
• http://www.mat.uc.pt/~jaimecs/indexhm.html
• http://www.dmm.im.ufrj.br/projeto/calculo1/cap1_11.
html
• http://www.somatematica.com.br/coluna/19032002.p
hp
• http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/superior
/calculo/nreais/nreais.htm

128
• http://www.apm.pt/nucleos/coimbra/bimat/bimat7/bi
mat72.htm
• http://www.cepa.if.usp.br/e-
calculo/mapa_historia.htm
• http://www.exatas.hpg.ig.com.br/links.htm
• http://www.mtm.ufsc.br/~taneja/Maple/mapmat.htm

129
Sobre o autor

Prof. Dr. Gilvan Lima de Oliveira, graduou-se no Curso de


Licenciatura Plena em Ciâncias com Habilitação em
Matemática, em 1986, pela Universidade Federal do Piauí.
Em 1995 obteve título de Mestre em Ciências pela
Universidade Federal do Ceará, apresentando a dissertação
de Mestrado intitulada: “Evolução de Curvas Convexas Pela
Curvatura”, sob a orientação do Prof. Dr. Levi Lopes de
Lima – UFC. Obteve grau de Doutor em Engenharia de
Sistemas e Computação em 2002 na Universidade Federal
do Rio de Janeiro – COPPE/UFRJ, apresentando a tese
intitulada: “Uma Nova Classe de Métodos de Ponto
Proximal com Métrica Variável Para Problemas em
Otimização com Restrições de Positividade”, sob a
orientação do Prof. Dr. Paulo Roberto Oliveira – UFRJ e do
Prof. Dr. João Xavier da Cruz Neto – UFPi. Atualmente é
professor adjunto–1, lotado no Departamento de
Matemática do Centro de Ciências da Natureza da
Universidade Federal do Piauí, membro da Comissão
Permanente de Vestibular – COPEVE e Coordenador
Regional de Iniciação Científica dentro do Projeto das
Olimpíadas Brasileiras de Matemática – OBMEP
(http://www.obmep.org.br/)

130