DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO

DE CABOCLO A ÍNDIO: Etnicidade e organização social e política entre povos indígenas contemporâneos no nordeste do Brasil; o caso Kapinawá José Augusto Laranjeiras Sampaio

À guisa de apresentação

Por: Maria Rosário de Carvalho

Este texto, elaborado há duas décadas e meia como projeto de pesquisa para a Unicamp, no âmbito da qual o seu autor cursava o mestrado, obteve uma bolsa-prêmio

Este ensaio foi originalmente apresentado em 1986 como projeto de pesquisa ao curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), tendo então obtido "bolsa-prêmio" de pesquisa desse programa. Em 2001 atualizei algumas informações legislativas e etnográficas, quase sempre em notas de rodapé. Por fim, em 2011, fiz pequenas modificações de caráter estilístico apenas.  Bacharel em Ciências Sociais (Antropologia) pela Ufba. Professor de Antropologia na Uneb (Universidade do Estado da Bahia). Membro da coordenação do curso de Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena (Liceei) da Uneb. Secretário do Conselho Diretor e sócio fundador da Anaí (Associação Nacional de Ação Indigenista). Pesquisador associado do Leme e do Pineb (Programa de Pesquisa Povos Indígenas no Nordeste do Brasil, Ufba).

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criada por essa instituição para os melhores projetos de pesquisa apresentados ao final da realização das disciplinas, assim como logrou a aprovação de uma bolsa junto à FAPESB, usufruindo de ambas, respectivamente, em 1986-1987 e 1987-1988. Esse êxito preliminar se estenderia pela década seguinte, inaugurando uma nova fase nos estudos sobre os povos indígenas no Nordeste. As dissertações então produzidas ao abrigo do Programa de Pesquisas sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB), criado por Pedro Agostinho e sediado, desde 1971 (sob a denominação preliminar de Projeto de Pesquisa sobre Populações Indígenas da Bahia), no Departamento de Antropologia e Etnologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, foram por ele muito inspiradas, o que lhe dá um caráter de texto-formador. Inédito até agora, em boa hora o editor dos Cadernos do Leme, Rodrigo Azeredo Grünewald, decidiu publicá-lo, o que constitui um testemunho adicional da sua força entre antropólogos que compartilham o interesse pelo contexto etnográfico do nordeste. O jovem leitor que não o leu e, portanto, por ele não se deixou inspirar, haverá de indagar se um texto escrito em 1986, e sobre temática particularmente permeável a determinações de variadas ordens, terá resistido à ação do tempo. Estou segura que sim, e tentarei, ao longo desta deliberadamente sucinta apresentação, explicitar a minha posição. Dois aspectos se me afiguram especialmente relevantes neste projeto/ensaio, cujo propósito, claramente enunciado em seu longo e descritivo título, é duplo, i.e., tratar da etnicidade e da organização política de povos contemporâneos no nordeste brasileiro, tomando como eixo-condutor a sua transformação histórica (de caboclo a índio) e estreitando o foco para se deter pouco mais no caso do povo Kapinawá. Um duplo movimento, pois, em que o geral dá lugar ao particular ou específico, um informando ao outro de modo complementarmente relacional, mediante o concurso da história, na diacronia e sincronia. Se a especificidade do contexto etnográfico investigado revela-se na diacronia, as suas peculiaridades deixam-se surpreender na sincronia, como parece enfatizar o autor, nas primeiras linhas. Especificidade (histórica) e peculiaridade (cultural) constituem os dois aspectos acima referidos que serão tematizados ao longo do ensaio, não obstante a ênfase incida sobre o primeiro. O caso peculiar, assim apreendido, não corre o risco, tão frequente, de ser tomado como exótico ou decorrente de uma ação meramente instrumental por parte dos agentes sociais. Por outro lado, um outro aspecto a ser destacado decorre do deslocamento teórico que ele opera em relação à abordagem culturalista que, sob vários ângulos, guiou, em larga

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medida, os estudos produzidos entre as décadas de 1970-1980, entre os quais se inclui a minha própria dissertação de mestrado sobre os Pataxó de Barra Velha/Porto Seguro-BA, muito inspirada nas formulações de Roberto Cardoso de Oliveira sobre a fricção interétnica (Os Pataxó de Barra Velha: seu subsistema econômico, 1977). É necessário lembrar, todavia, que a pretensão de Cardoso de Oliveira ao lançar mão dessa abordagem, cujo foco é o sistema de relações sociais, as relações de conflito/poder estabelecidas, era reduzir a força da perspectiva culturalista. Nesse sentido, como o próprio autor enfatizou, muito genuinamente, não foi por outra razão que ele utilizou o conceito de fricção interétnica e não o de aculturação1 (“Problemas e Hipóteses relativos à Fricção Interétnica” In: A Sociologia do Brasil Indígena,1972. p. 85-129. De fato, a noção de fricção interétnica visava à descrição da situação de contato dos povos já incluídos em sistemas interétnicos constituídos ou em processo de constituição, ao passo que a noção de potencial de integração – características do sistema interétnico (econômicas, sociais e políticas) passíveis de serem consideradas como as responsáveis pela integração (p. 89) – asseguraria ao pesquisador efetuar o prognóstico. Mediante a avaliação conjunta do grau de dependência indígena dos recursos econômicos não indígenas; da capacidade dos grupos em contato (indígenas e regionais) para a mobilização com vistas a determinados fins; e dos meios escolhidos para atingir tais fins (p. 88-97) seria possível prever a integração dos índios ao contexto regional. Há, pois, uma correlação entre sistemas interétnicos mais integrados e sociedades indígenas mais dependentes dos contextos regionais, o que permitirá ao autor apreender a determinação do mercado sobre as organizações indígenas, em razão mesmo de ele se apresentar como um grande obstáculo para o seu desenvolvimento (idem, p. 139). Guga Sampaio preconizará que se os apreenda, de modo sistemático, através da mobilização política que eles desenvolviam, e continuam a desenvolver, nos planos interno e externo, para o que utilizavam, e continuam a utilizar, os símbolos indígenas considerados mais eficazes para o estabelecimento da sua distinção em face dos não índios. Entre esses símbolos destacavam-se, tal como ainda hoje, os rituais, sob as modalidades Ouricouri, Praiá, Toré ou Particular e, sobretudo, o uso ritual da jurema. Estudos subsequentes salientariam a especial força ritual na mobilização étnica dos povos indígenas no nordeste. Mais não digo para não retirar do leitor o direito de proceder às suas próprias descobertas e avaliações através da fonte efetivamente autorizada, o autor, a quem saúdo,
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Afinal, nessa década de setenta a oposição sociedade/cultura, entre outras distinções Durkheimianas, havia sido erradicada pela antropologia Lévi-Straussiana.

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que o LEME ora disponibiliza aos leitores contemporâneos. p. As remissões ao contexto histórico onde foram produzidos parecem supérfluas. de Antropologia. um texto erudito que investe no levantamento de fontes históricas e bibliográficas até então pouco frequentadas pelos antropólogos. 91 . dialogar e inspirar-se permanentemente com novas demandas e questões. de José Augusto Laranjeira Sampaio.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO uma vez mais. pontuada por desafios e lutas. Outros respondem a inquietações múltiplas e constituem sínteses provisórias em uma trajetória mais rica. 88 – 191. Muito se pode aprender com este texto! Seria uma tarefa inesgotável e mesmo insana recuperar os seus muitos méritos e buscar aplicá-los a debates recentes. tanto na seleção e apropriação das fontes bibliográficas quanto das formulações produzidas. refletindo sobre as suas criações (ao invés de naturalizálos ou exotizá-los. que expressam uma dimensão bem diversa do fazer sociológico. nº 2. Salvador. Na contramão do ponto final. mera curiosidade. O trabalho De Caboclo a Índio: etnicidade e organização social e política entre povos indígenas contemporâneos no nordeste do Brasil: o caso Kapinawá. pelo arrojo e rigor demonstrados na elaboração deste projeto/ensaio./dez. Depto. Campina Grande. deixar portas entreabertas. Destacase sobretudo o esforço do pesquisador efetivamente empenhado em ouvir os indígenas e tomá-los como sujeitos históricos. é tocar Cadernos do LEME. Jul. uma ampla gama de referências teóricas até aquele momento bem pouco conhecidas e citadas nos estudos sobre indígenas do nordeste. neles o autor se esmera em colocar vírgulas. São. É uma leitura prazerosa. atos de combate. deve a meu ver ser lido com mais fecundidade nesta segunda sintonia. 3. FFCH-UFBA Uma antropologia política dos indígenas do nordeste? Por: João Pacheco de Oliveira Alguns textos devem ser lidos como unidade pois o autor neles colocou um reconhecível ponto final. Associada. como diria Pierre Bourdieu. vol. 31 de dezembro de 2011 Maria Rosário de Carvalho Profa. O que posso fazer nesta breve nota introdutória. 2011. como ainda era a perspectiva dominante no Brasil).

O programa incorporava no entanto outras preocupações (ausentes naquelas coletâneas). and Tuden. espero. Jul. p. Marc Swartz. conectando a disciplina de “antropologia política” no Brasil aos trabalhos dos africanistas ingleses (Evans-Pritchard e Fortes) e mais especialmente a chamada “escola de Manchester” (sobretudo Max Gluckman) bem como aos estudos sobre etnicidade (Fredrik Barth). 1966. O uso mais sistemático dessa bibliografia na pós-graduação no Brasil iniciou-se com um curso oferecido no PPGAS/Museu Nacional. em 1978. (Eds) – Political Anthropology. possam ajudá-lo a percorrer ao reverso. a sua análise não se inscreve de maneira alguma em escolhas anteriores e então facilmente acessíveis. 92 . vol. mas terminada de fato em 1984. É em uma direção bem diversa que se move Sampaio (1986).Political Anthropology. Ou seja. A. O leitor atual certamente buscará uma unidade teórica de referência. Cadernos do LEME. nº 2. Marc – Local level politics. b) os trabalhos mais sociológicos (baseados na noção de fricção interétnica). ou c) as analises baseadas no método estruturalista (na época ainda iniciantes no Brasil e circunscritas aos trabalhos de Roberto da Mata). foram com certa frequência agrupados sob o rótulo de “antropologia política” 2. ministrado por Otávio Velho e por mim (então como professor assistente e doutorando). seja naquele contexto de produção do texto seja em ocasiões posteriores em que as nossas trajetórias se entrecruzaram. os vinte e cinco anos que nos separam da elaboração deste texto. inspirando trabalhos de pesquisa não necessariamente relacionados com indígenas (inclusive vários destes são citados por Sampaio em sua alentada bibliografia. Richard . Raymond & Adams. não como história mas como arqueologia. Eu alternava esta disciplina com o curso que oferecia sobre “relações interétnicas”. enquanto Otávio Velho seguia em outras direções. São aspectos que podem surpreender ao leitor atual e. própria de um leitor voraz e meticuloso). 2011.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO em pontos que me aproximam bastante do seu autor em termos de postura intelectual e política. 88 – 191. Turner. 1969. Neste ano à convite de Mariza 2 Vide Swartz. Swartz. Fogelson. Tais alternativas seriam: a) a tradição dos estudos culturalistas (onde a categoria de aculturação imperava por décadas). debatendo com diversos autores ingleses e norteamericanos (como Victor Turner. tese de doutorado defendida somente em 1986. 3. Victor. Nos anos seguintes várias vezes este curso foi ministrado no MN. a partir de que matrizes disciplinares (para recuperar aqui uma expressão de Roberto Cardoso de Oliveira) o autor constitui seu objeto e propõe as questões antropológicas a investigar? Embora dialogue amplamente. 1978)./dez. Campina Grande. Foi esta a abordagem que norteou a minha monografia sobre os Ticunas.Marc. Richard Adams e Raymond Fogelson) que a partir de duas coletâneas do final dos anos 60 e de outra na década seguinte. publicada em 1988.

com os Capinawás). o que antecipava um importante debate futuro sobre identidades étnicas e modalidades de reconhecimento. seja nas discussões durante os seminários seja em conversas informais. reelaborando o seu material Capinawá. Jul. a ênfase nos anos 90 deslocando-se crescentemente para a “etnicidade” (pensada segundo a perspectiva 3 No próprio Museu Nacional a linha de pesquisa que nos últimos 15 anos tem lecionado esta disciplina é de estudos sobre “a antropologia da política”. seu colega de turma. A comunicação apresentada por Guga. em monografia muito posterior./dez. 2011. mas o homem em sua trajetória). bastante visível no projeto de pesquisa que concluiu dois anos depois. Dez anos depois do curso na UNICAMP. pensando incorporá-las a partir de uma experiência de campo (que faria em Pernambuco. O uso do termo “antropologia política” progressivamente se esgarçou3. Em movimento simultâneo Guga começava a sistematizar suas fontes de informação sobre os índios da Bahia (advindas da ANAI-BA e do PINEB/UFBA.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Correa. então coordenadora da pós-graduação da UNICAMP. Além das demandas práticas sobre os antropólogos – laudos judiciais e relatórios de identificação de terras – havia uma forte importante convergência teórico-bibliográfica nestes estudos. Aprendi com ele muito sobre os índios do nordeste. eu dei um curso naquela instituição. referida sobretudo ao prof. em uma editada pela ANPOCS). onde se beneficiava do convívio com Pedro Agostinho e Rosário Carvalho). Estimulado pela qualidade das pesquisas ali em andamento propusemos um GT na ANPOCS onde vieram a cruzar-se pela primeira vez os estudos de coletividades indígena do nordeste com os então iniciantes estudos sobre quilombolas. Moacir Palmeira e aos trabalhos do Cadernos do LEME. 3. Campina Grande. vol. voltei a debater mais extensamente com Guga e colegas de ANAI e PINEB durante um período que estive na UFBA como professor-visitante. O mote porém da antropologia política (ao menos na versão abrasileirada) estava. quando vim a ali conhecer Guga (permito-me chamá-lo assim. de doutoramento sobre os índios Canellas (MA). em texto citado por Guga (como “manuscrito”) e que de fato não cheguei a publicar. pois aqui entra em cena não apenas o autor. 88 – 191. ministrando a disciplina “relações interétnicas”. A única ocasião em que lidara anteriormente com dados e estudos dessa procedência fora no âmbito de um estudo comparativo sobre os indígenas enquanto uma modalidade de campesinato de fronteira. foi um destaque deste GT. 93 . agora também em vias de publicação. p. O mesmo viés analítico pode ser encontrado no trabalho de Adalberto Rizzo de Oliveira. nº 2. em 1994. acho eu. sendo recomendado para publicação na RBCS (o que acabou acontecendo em 1996.

É com tal amplitude e a disposição em enfrentar desafios cada vez maiores que devemos debater os padrões profissionais de trabalhos dos antropólogos brasileiros. Intitulada A Viagem da Volta: etnicidade. uma 2a. assim como as hipóteses arrojadas e inovadoras formuladas. Fiquei surpreso e muito satisfeito ao deparar-me com o excelente resultado. Campina Grande. política e reelaboração cultural no nordeste indígena. Cadernos do LEME. numa conjuntura onde há crescentes pressões para uma especialização entre os domínios da antropologia. p. tão rico mas ao mesmo tempo tão distante (a ponto de nos propiciar reunir alguns dados fragmentários para uma arqueologia dos estudos sobre os índios do nordeste). Volto à metáfora da vírgula e do ponto final. como Antropologia Histórica. Jul. Em uma breve visita que fiz a Salvador em 1986 Guga me entregou uma versão deste texto. a extensa bibliografia (cerca de 30 pgs). vol. 3. As minhas entradas de curso tem sido outras.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO de Barth. Antropologia do Colonialismo e Antropologia do Território. Guga continua a ser uma referência imprescindível para os estudos e políticas relativas aos indígenas do nordeste. a sólida base de conhecimentos que precede ao projeto de pesquisa. nº 2. 88 – 191. O exemplo mais articulado desta nova direção será uma coletânea da qual Guga não participou (por estar envolvido no momento em outras pesquisas). uma figura importante nos debates atuais sobre laudos e perícias antropológicas. 94 . A classificação do texto como um projeto de pesquisa se reporta menos a características encontráveis hoje em projetos de pesquisa do que a uma estratégia conjuntural do autor. direitos e mobilizações indígenas. João Pacheco de Oliveira.UFRJ Rio de Janeiro – dezembro de 2011 NUAP. mas na qual se incluía o trabalho de sua colega Sheila Brasileiro sobre os Kiriri (objeto de sua dissertação de mestrado na UFBA). tal coletânea têve sua primeira edição em 1999. como parte de uma antropologia do conhecimento). bem como para sua separação das suas repercussões e responsabilidades sociais. um analista arguto e atualizado no debate sobre políticas públicas. edição acontecendo em 2004. Mesmo dando à público este projeto de pesquisa. Professor Titular de Etnologia do Museu Nacional . 2011./dez. comentando que era o trabalho final do curso na UNICAMP (que na realidade ainda não enviara). O leitor atual pode estranhar a extensão (103 pgs).

frequentemente noticiadas tanto pela imprensa regional quanto pela grande imprensa nacional1. De 'caboclo' passou para 'índio'. Tais situações. 1982 e 1983) informam e discutem algumas das questões políticas e legais que interessam diretamente aos índios no Nordeste. e que. Carvalho (1982b. Reesink (1983)." (Josias Patrício. ou. 61. 1981 a 1985). 1 Uma boa síntese destes noticiários na primeira metade dos anos oitenta pode ser obtida na publicação anual "Povos Indígenas no Brasil" (Aconteceu. nº 2. Lea (1981). perante o Estado e a sociedade nacional. o jornal "Porantim". analíticos sobre a situação destes povos à época são: Anaí-Bahia (1980 e 1985). vem atingindo. 65 e 67 (1984) e 76 a 79 (1985). especialmente os números de 42 a 46 (1982). CONDEPE (1981). Beltrão (1980). Dallari e Dantas (1980). se articula com fatos e mudanças sociais e políticas que dizem respeito ao Estado e à sociedade nacionais. 1981. Cadernos do LEME. por sua vez. vol.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO DE CABOCLO A ÍNDIO: Etnicidade e organização social e política entre povos indígenas contemporâneos no nordeste do Brasil. Rocha Júnior (1982 e 1983) e Sampaio (1984). conselheiro e ex-cacique kirirí – entrevista em Mirandela. Jul. Campina Grande.. em igual período. 2011. bem como uma crescente mobilização dos primeiros no sentido de fazer valer. os direitos pertinentes à sua condição étnica.. em igual período. I. Bahia. ainda que em níveis e de formas diversos. p. o caso Kapinawá José Augusto Laranjeiras Sampaio "Antigamente nós era conhecido por 'caboclo'. 95 . Magalhães (1980). maio de 1979). Carelli (1984). Figueiredo (1981). 88 – 191. Veja-se também. Alguns dos trabalhos informativos e. 52/53 e 57 (1983). As publicações da Comissão Pró-Índio (1979. sem duvida não se constituem em um fenômeno particular ao Nordeste mas sim em uma parcela da mobilização que. 1984 e 1988). amplos segmentos dos povos indígenas no Brasil. Antunes (1984)./dez. Por uma investigação sistemática de processos étnicos em segmentos sociais indígenas no sertão do nordeste do Brasil Introdução Desde meados da década de setenta do século XX se tem observado um número crescente de casos de tensão social e de conflito agrário envolvendo segmentos indígenas e parcelas da sociedade regional no Nordeste do Brasil. 3.

. configurariam um caso extremo do que os estudiosos do "contato interétnico" no Brasil costumavam classificar como "índio integrado". peculiares. em 1972. segundo penso.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Por outro lado. do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). segundo qualquer das variantes da noção de "integração" e suas correlatas em perspectivas teóricas diversas2. em 1980. profundamente envolvidos econômica e culturalmente. sem falar . caso-limite no processo de integração do índio à sociedade brasileira. O que parece dar um caráter específico e até certo ponto surpreendente aos movimentos indígenas no Nordeste está relacionado com a própria história e com as características culturais atuais destes povos. 1975: 4) E.outra língua que não o Português. trezentos anos de contato intenso com a civilização européia. registrando-se considerável mestiçagem e perda de elementos culturais tradicionais. sem dúvida. e fenotipicamente muito assemelhados. em média." (Amorim. quando não indiferenciáveis.) aqueles indígenas encontram-se integrados à economia da região. Cadernos do LEME. a partir da promulgação do Estatuto do Índio (Lei 6001 de dezembro de 1973). 3. 1959: 225) Já Amorim (1975) diz: "(. Campina Grande. certamente um marco nesse processo. com preocupações 2 Sobre os índios no Nordeste diz Galvão (1959): "População estimada em 5. no âmbito da Igreja Católica. da União das Nações Indígenas (UNI).. A maior parte vive integrada na população regional. com a qual se encontram." (Idem: 5) Veja-se também Schaden (1967). os próprios povos indígenas passariam a constituir." (Galvão.) imersos em sistema monetário de natureza capitalista (. o movimento dos índios no Nordeste se caracterize por um grande esforço político de articulação interna e externa e pelo acento e pela elaboração simbólicos e ideológicos intensos em torno dos atributos culturais identificáveis como indígenas. vol. é certamente compreensível que.. para a discussão de "integração" e categorias afins como "aculturação" e "assimilação" e suas aplicações a diversos casos no Brasil. Ribeiro (1970). da população regional envolvente. os indígenas daquela região configuram. 88 – 191. 96 .. 1964 e 1967) e Cardoso de Oliveira e Faria (1969).à exceção dos Fulni-ô . essas sim. da criação. "a questão indígena" pode ser assinalado./dez. com a criação. com mais ênfase que em outras situações. nº 2. "decorridos quase cinco séculos de contato com o 'homem branco'. e do surgimento de várias associações de "apoio ao índio" em diversos estados a partir de 1978. inclusive a língua. Deste modo. Jul. p. também. um tanto inconvenientemente. o envolvimento crescente desses Estado e sociedade naquilo que se tem correntemente denominado. Cardoso de Oliveira (1960. no dito período.500 índios. 2011. já ao final daquela década. Por sua vez. associações indígenas de caráter multiétnico. Com cerca de.

nº 2. A emergência destes povos." (Trujillo Ferrari. Cadernos do LEME. Wasú. Jul. 88 – 191. Por enquanto. seja por parte de segmentos da sociedade e dos poderes públicos regionais. Hohenthal Junior (1954: 94. também entre a extinção desta diretoria e a chegada do Serviço de Proteção aos índios na região. e a matéria "As Concepções de Indianidade do Coronel Zanoni" (Aconteceu. Encontram-se considerações semelhantes relativas a outros casos em Amorim (1971) e mesmo em Silva (1978). (. Voltarei adiante a estes processos.. 6 Por exemplo. 1982:82-83) para o caso Tingwí-Botó. 3 4 A "extinção" destes grupos pode ser verificada em Nimuendaju (1946) e em Ribeiro (1970). especialmente durante o hiato entre o fim da Junta das Missões e o estabelecimento da Diretoria Geral dos índios. 2011. Pierson (1981) e Motta & Mello (1982) para o caso kapinawá. gostaria apenas de referir que eles atingem não apenas as etnias historicamente conhecidas e bem identificadas na região. certamente coloca questões teóricas e políticas de relevância. o caso Kapinawá. Tingwí-Botó. como Kapinawá.. Kirirí e Potigwára. seja por parte da própria agência indigenista federal. particularmente tendo em vista o fato de que elas foram. diz: "As considerações acima. 1960a: 59) 7 Por exemplo. cujos "aparecimentos" provocaram. Campina Grande. mas também grupos até então considerados extintos – Pataxó. 3.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO muito nítidas em delimitar fronteiras sociais e em estabelecer distinções perante a sociedade nacional de modo a marcar suas especificidades enquanto entidades sociais e étnicas diferenciadas. tanto surpresa quanto desconfiança quanto à sua "autenticidade". essas pequenas comunidades indígenas ainda sobrevivem. Oliveira (1937: 173).será com certeza de interesse para historiadores e antropólogos. os poucos autores que se interessaram em estudar estes povos no século XX antes dos anos 70 em geral concordam em ressaltar seja sua "obstinada resistência" em permanecer indígenas apesar da quase inviabilidade disto6. 1960a e 1960 b). Este último autor diz: "O que é surpreendente é que. assistidas desde pelo menos meados do século XX pelo governo federal. Karapotó3 – e sobretudo outros que adotam denominações étnicas desconhecidas na literatura. Pankararé. ou ainda Sampaio (1984). a despeito da passagem de quatrocentos anos de dominação cultural européia. Conforme. Bandeira (1926: 20). sujeitas a muitas perseguições pelos colonos brancos do local. como os Fulni-ô. ou trabalhos do próprio âmbito administrativo da agência governamental sobre estas etnias como Magalhães (1980) e Beltrão (1980).) têm por finalidade apontar que o sentido de agrupamento tribal está se dissolvendo e confundindo-se na configuração geral da sociedade local de Porto Real do Colégio. num primeiro momento. 97 . em suas conclusões a respeito dos Karirí de Colégio. por exemplo. Estamos assim diante de um caso verdadeiro de persistência cultural. 5 Veja-se. por tantos anos. Pankararú. bem como o caráter particular do contexto indígena regional no qual ela se insere. 1957: 82). Trujillo Ferrari (1957). analisada mais profundamente. apesar de levantamentos históricos bastante simples poderem confirmar a pertinência da "indianidade" em todos os casos5. a Fundação Nacional do Índio (Funai)4.e cuja situação. seja a iminência inevitável da sua dissolução e incorporação completa aos estratos inferiores da sociedade nacional7." (Hohenthal Junior. que peleja contra forças sempre superiores. tratado adiante e em Carvalho (1982b). Com efeito./dez. por exemplo. p. vol.

as "reservas" . Pelo menos tão índios quanto compatível com sua vida diária de vaqueiros e lavradores sem terra.estejam sendo acompanhadas. It means that it will became necessary to sell manpower to the white man. e empenhado na formulação de um modelo de campesinato indígena.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Escrevendo já em 1970. Jul. Mas diz também: "Eis o que restou no século XX dos índios do interior do Nordeste. como se verá. após breve relato da situação nos diversos grupos então melhor conhecidos. vol. bastante recorrente na literatura. identificadas por Amorim no inicio dos anos setenta e mesmo por autores anteriores como Oliveira (1937)9 – para não se falar também na farta documentação histórica . 2011. engajados na economia regional. 88 – 191. já que esta se acha profundamente vinculada à posse de um território grupal ..) assim viviam os seus últimos dias os remanescentes dos índios não litorâneos do Nordeste que alcançaram o século XX" (Ribeiro.. Que as pressões sobre os índios e seus territórios. 98 ." (Amorim. simples resíduos. não pela sua "perda" mas por uma revitalização e por reelaborações bastante 8 "These tribal groups have been reached by a progressive proletarization process. in proportion to the insufficiency of the 'reserves' in allowing the independent work of all their group. Vale ressaltar que esta ideia de situação limite é também. que: "(./dez. Numa primeira tentativa de estudar os povos atuais na região enquanto um conjunto etnológico. 1970: 56). Cadernos do LEME. 1975: 1). 1975: 17)." (Idem: 57).e à possibilidade da manutenção de uma economia camponesa8.apesar das garantias legais e proteção estatal. Ribeiro diz. nº 2. conclui que tal situação implicaria. 9 Ver especialmente páginas 178 a 180. O mesmo acontece com relação à sempre referida importância do papel diferenciador da hostilidade. Amorim. ressalta em uma perspectiva que me parece bastante limitada quanto à posição do Estado na questão . the only way to assure the indispensable acquisition of money. 3. ilhados num mundo estranho e hostil e tirando dessa mesma hostilidade a força de permanecerem índios. ainda que se apresente sob perspectivas diversas de analise. p. no plano da etnicidade. na "perda da identidade étnica" (Amorim. já estaria implicando. since the ones who are forced to look for a job outside their tribal setting should disguise themselves in order not to be stigmatized by the various prejudices against the indians. ou melhor. Together with this it will gradually occur the loss of ethnic identity that still exists. identificando o processo de concentração da propriedade fundiária com uma crescente pressão sobre os territórios indígenas já insuficientes . Campina Grande.e a consequente tendência à proletarização dos índios.

15 Quinze anos após este escrito original. ou. p. é o que me parece se constituir no aspecto central a ser tratado no sentido de uma compreensão mas exata do que ocorre. 14 "Porantim". Eram apenas 5. dentre estes. há.os Karapotó de Alagoas e os Tapeba do Ceará . Os seis povos reconhecidos pela Funai em 1985 e que não o eram ate muito recentemente . pois. ou tende a ocorrer. 2001).DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO efetivas que. Cadernos do LEME. de setembro de 1985.000 pessoas14. haviam então outros grupos cuja persistência étnica já se podia vislumbrar por fontes e relatos diversos. 12 Conforme Amorim (1975: 2). Xokó em Sergipe. apenas dez anos depois. Tingwí-Botó e Wasú em Alagoas e Kapinawá em Pernambuco . bem como da própria etnicidade enquanto fenômeno social. à época da deflagração dos seus movimentos de reivindicação étnica em fins da década de setenta. que deles obtiveram informações junto a outros grupos indígenas. O que interessa aqui propor é.Pankararé na Bahia. número 79. caso dos Tingwí-Botó em Alagoas e dos Xokó em Sergipe. Vale ressaltar que. sem dúvida. em Hohenthal Junior (1954 e 1960a). Barth (1984) e Carneiro da Cunha (1985). nº 2. vol. Jul.uma etnicidade 10 11 Conforme Carvalho (1984 e 1988). na referida região. tinha-se. de onze grupos com cerca de 13. 13 Funai (1983). na faixa compreendida entre o Norte da Bahia e o Piauí. enquanto pontos de referência para estas preocupações. alguns se encontravam já totalmente proletarizados. 99 . Aconteceu (1984 e 1985).eram já indiretamente conhecidos de alguns estudiosos. com uma população de cerca de 27. entre outros. 2011. De fato. principalmente através de ligeiras referências a eles em Oliveira (1937) e. nas importantes contribuições de estudos de caso como os de Cohen (1969). dezessete povos etnicamente diferenciados. em 2001. qualquer parcela de território minimamente significativa em termos econômicos.500 pouco mais que quinze anos antes segundo Galvão (veja-se a nota 2 acima)./dez. a investigação sistemática da produção e reprodução de uma consciência étnica social e politicamente orientada .já viviam processos reivindicatórios com vistas ao seu "reconhecimento oficial" pelo Estado15. Penso aqui. 3. sem possuir. trinta e três povos indígenas com uma população de aproximadamente 70 mil índios e habitando trinta e sete territórios indígenas (Anaí. Além desses. com grupos étnicos em tais situações. pelo menos dois dos quais . Campina Grande.000 indivíduos assistidos por postos indígenas da agência governamental em 197512. 88 – 191. ou do seu alcance como categoria de analise em contextos sociais pluriétnicos ou pluriculturais11. não deixam de reafirmar uma estreita vinculação dessa etnicidade com uma "territorialidade"10. em igual número de áreas e postos indígenas13.

A elaboração do tema central de investigação. essa cultura serve de peso e de medida" (Carneiro da Cunha. Sem dúvida. 1969. tanto com relação ao contexto regional tratado quanto aos seus casos particulares. A relação entre o problema teórico proposto . não é. que a partir de uma tal perspectiva de unidade histórica regional. no âmbito de determinados processos sociais. por outro lado. tomando nessa perspectiva o conjunto de práticas políticas e culturais nas formas variáveis em que se apresentam em cada caso especifico.. Penso. a título de breve ilustração. 100 ./dez. 3. tal como aqui concebido.a constituição de identidades étnicas. tendo em vista a proposição preliminar de algumas generalizações como. o indigenismo oficial em suas diretrizes e práticas etc. vol. sociais e simbólicos16 – e a escolha dos povos indígenas no Nordeste como sujeitos de investigação. tais como as determinações do campo socioeconômico regional ou local tomando aqui o sertão como unidade sociogeográfica relevante . ocasional. Cadernos do LEME. para o caso dos segmentos sociais indígenas em situação ou em processos contemporâneos de "emergência" étnica e política.. 1979) . Pretendo aqui caracterizar os indígenas na região como uma unidade etnográfica e política historicamente constituída. p. por exemplo. nº 2. o dos índios Kapinawá. Cohen.) nos processos de identificação étnica assistimos a uma dupla e indissociável gênese: a formação de uma cultura (.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO (Barth. 2011. a qual. a afirmação étnica é uma preocupação constante e um componente organizacional angular na vida social desses povos e disto provém uma rica e 16 Penso aqui. 1985: 206).. Campina Grande. na "dupla gênese" de que fala Carneiro da Cunha: "(. e pensando em um mesmo sentido em que Barth (1984) ou Carneiro da Cunha (1985). ou de etnicidade. Carneiro da Cunha. exige. quanto à avaliação de suas posições estruturais perante contextos sociais significativos mais abrangentes.. como já se poderá antever pelo exposto acima. A partir de etnografias mais completas e da discussão das produções analíticas parciais se poderá então propor a formulação de modelos mais gerais que possam dar conta dos processos e estruturas organizacionais e simbólicos que revestem o fenômeno da etnicidade no referido contexto indígena regional. seus componentes e determinantes políticos. Jul. se poderá estender mais consequentemente a investigação etnográfica a casos diversos em particular. Tratarei.os movimentos indígenas nos planos regional e nacional. para ser mais precisa.entre os povos indígenas que vivem hoje na faixa de Sertão do Nordeste brasileiro. basicamente. no sertão oriental do estado de Pernambuco. tanto um aprofundamento histórico que permita compreender a gênese de suas situações atuais. 1969. 88 – 191. de um destes casos.) e a constituição simultânea da comunidade que se pauta por ela.

de 1973. por iniciativa do próprio indigenismo oficial como. 88 – 191. no supra referido contexto do final dos anos setenta e início dos oitenta.e em geral funestas . mais que isto. veja-se. vol. Campina Grande. Gómez Quiñones (1982) e Varesi (1982). Penso aqui especialmente. 19 Para uma abordagem das discussões a respeito de sociedades plurais ou multiétnicas veja-se MayburyLewis (1984) e aí. Cardoso de Oliveira (1984). de suas lutas atuais e passadas e das expectativas com relação ao futuro que orientam as suas praticas. é inegável que os índios do Nordeste e sua identificação étnica têm estado no epicentro de polêmicas questões políticas e legais levantadas. que está na base da falência de algumas notórias . 1983). e para as quais um melhor entendimento da situação das etnias indígenas contemporâneas no Nordeste do Brasil certamente terá muito a contribuir. 18 E bem ao contrário do que tende a ocorrer em outros países americanos. nº 2. discussão que só tem sentido na medida em que se considere os segmentos indígenas como parcelas etnicamente diferenciadas mas amplamente participativas nesta sociedade. bem como desses povos. e a correspondente insuficiência teórica no sentido da compreensão destes processos étnicos e da sua contextualização. 1984./dez. Jul. Laraia e Da Matta (1967) e Amorim (1971). Não cabem aqui. a "questão da emancipação" (Comissão Pró-Índio. quase sempre. 1988) o índio ainda é concebido antes como o "silvícola" distante18. Cadernos do LEME. 3. Para outros casos de presença indígena em sociedades nacionais na América Latina. Primov (1980). e num momento de redefinições da própria sociedade nacional. Entendo que é justamente a ausência de um maior interesse de investigação. de estabelecimento de "Critérios de indianidade" ("Porantim" 38. necessariamente revistas pelos seus autores e. que se mantém diferenciado apenas em função do próprio distanciamento social.avaliações do futuro de diversas "situações de contato" envolvendo sociedades indígenas no Brasil. 1965. Sampaio. na importância que deve ter hoje a discussão da plurietnicidade desta sociedade19. como as contidas em etnografias como as de Wagley e Galvão (1949). nem a do seu oposto lógico e também cada vez menos sustentável no real. 1979) e a tentativa.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO intensa elaboração política e simbólica cuja compreensão será certamente fértil e elucidativa a respeito destes processos. pois. há uma série de questões jurídicas e políticas apenas ensejadas por debates como os aqui referidos. Além disso. em seus artigos 231 e 232. esta canhestra formulação teórica que busca a conceituação formal de "não-índio" ou de "ex17 Refiro-me aqui em especial ao "Estatuto do Índio". dentre outros. especialmente para o caso dos índios no Brasil. Em um país em que tanto na legislação17 quanto na "consciência nacional" (Cardoso de Oliveira. pelos próprios fatos. significativamente esta perspectiva. 2011. p. nem a imagem cada vez mais distanciada do real do "silvícola". 1982. igualmente "emancipatória". Rocha. 101 . o "índio assimilado". A Constituição Federal de 1988 alteraria. Carneiro da Cunha.

não se deve reconhecer nem se legitimar . Hemming (1978) sintetiza bem o que foi ou. as always. and turned into man-eaters. entre a capital da colônia e o rio 20 Há uma boa história desta dinastia por Calmon (1939). which used to require so little food. Campina Grande. The natives left no written record and no one recorded their version of the fighting. 1945). 1978. Thomas More wrote in 'Utopia’:’ These placid creatures. A penetração nessa vasta área foi feita de início principalmente a partir da Baía de Todos os Santos e através de numerosas boiadas conduzidas pelos grandes sesmeiros. p. pelo seu poder. Aqui.pretensões de distintividade étnica. nº 2. towns. o que hoje sabemos da história do Sertão no século XVII: "Once cattle moved into an area they displace human beings. os d'Ávila. dentre os quais se destacaram. Leite. It was also the worst recorded. have now apparently developed a raging appetite. Jul. Most of the tribes displaced by the cattle have disappeared. Já na segunda metade do século XVII fundaram-se missões jesuíticas na rota das boiadas. Cadernos do LEME. mais uma vez. inclusive no sentido em que a ele. no século seguinte. there is nothing from the Indian side. Ilhéus e Pernambuco escravizada ou reduzida em aldeias missionárias em rápido declínio (Hemming. quando esses se encontravam já quase que completamente dizimados pelas epidemias e guerras havidas principalmente no governo de Mem de Sá (1557-1572) e com a maior parte da sua população sobrevivente nas capitanias da Bahia. 2011. Índios no sertão: um esboço histórico Se o século XVI foi marcado pelo contato entre o colonizador e as diversas tribos tupí que dominavam o litoral nordestino. 3. embora marginal. 1978: 346) Na trilha das boiadas seguiram os missionários. Fields. um personagem concebido como "integrado". senhores da Casa da Torre20. a compreensão da situação dos índios no Nordeste e de sua mobilização política atual reveste-se de uma relevância científica e pragmática destacável. melhor." (Hemming./dez. The native resistance to this cattle invasion was one of the most important stages in the conquest of the Brazilian Indians.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO índio". 88 – 191. The Tapuia tribes were forced to surrender their homes and huntinggrounds to provide grazing for these imported animals. algo próximo da ideia nativa de "caboclo". 102 . foi a vez dos índios do Sertão. houses. everything goes down their throats'. vol.

) 21. 1945. nos locais das atuais capitais dos estados de Paraíba. Regni.. 2011. capuchinhos e franciscanos (Leite. do mesmo modo que a questão intimamente relacionada da liberdade dos índios não se encerrou. 23 As prolongadas guerras entre os portugueses e os Potigwára são bem conhecidas. Leite. mais preocupados com registros que os portugueses. p. 1707). 88 – 191. ops. 1749: 393). principalmente. Rio Grande do Norte e Ceara23. 1983b e 1984). 1974. em seguida. Enquanto as boiadas se expandiam na capitania da Bahia. 3. 1982. vol. do mesmo modo. Jul. em quadra. O Frei Martin de Nantes. Um desfecho parcial dessa situação é marcado pelos alvarás régios de 1700 (23 de novembro) e 1703 (22 de maio) 22 que determinam que "a cada missão se dê uma légua de terra. e que cada uma seja composta de pelo menos cem casais. Willeke. comparar esses com o relato . Certamente essa legislação. para instalação de índios e missionários" ("Informação. 1937. cits. mas foi se transfigurando paralelamente à copiosa legislação a esse respeito nos séculos XVII e XVIII (Leite. apenas no inicio daquele século haviam se estabelecido as primeiras fortificações coloniais no território dos Potigwára. Os holandeses desarticularam as missões já existentes na costa (Leite." (1749: 393-4 e 384 respectivamente). não pôs fim às disputas territoriais. Veja-se também Hemming (1978. Na verdade. permanece até hoje. capítulo 8). nº 2.e.. com intervenções de ambas as partes junto ao Governo Geral e à Coroa. Beozzo. 1980.".do historiador dos sesmeiros (Calmon. de jesuítas. Infelizmente faltam-nos relatos na perspectiva da terceira parte envolvida. até certo ponto. 1945) mas. deixou um interessante relato desses e de sua política (Nantes.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO São Francisco e. 1939). Hemming. Primério. A importância daqueles alvarás. 1945. Os conflitos entre sesmeiros e religiosos dão a tônica deste período.os direitos e as pretensões territoriais de boa parte dos povos atuais na região (Dallari e Dantas. também juridicamente . 1983). ao norte do São Francisco os colonizadores e suas missões restringiam-se ainda à zona da mata quando da ocupação holandesa de 1630. 22 Transcritos em "Informação./dez. muitas mais às margens desse rio. entretanto. Com base neles e em documentos posteriores a eles associados fundamentam-se historicamente .. 1978. Reesink. Há também uma vasta documentação acerca deles nos arquivos das ordens (Regni.. com alguns dos quais foram os 21 Seria interessante comparar os relatos desses historiadores missionários com relação a estas disputas que envolveram diferentemente as principais ordens .e. por exemplo em Gouvêa (1590).que quase não os menciona . deixaram importantes relatos e iconografia sobre alguns povos indígenas do Sertão. que deve ter contribuído para o processo de concentração de população e de etnias indígenas dispersas. 103 . Willeke e. Baumann. Cadernos do LEME. um dos protagonistas desses episódios. 1988). Campina Grande. por outro lado.

com referência aos falantes da"língua geral". 1945) 25. refiro-me principalmente às telas de Albert Eckhout. que vivem no sertão. 1625. são filhos de mulato com negra. os "Tapuia" do Sertão (Leite. 1614) trazem apenas informações imprecisas e muitas vezes fantasiosas sobre os "Tapuias". tanto aos que vivem na costa.Mulatos. p. e falam língua geral. além dos holandeses. nº 2. entretanto. A estes naturais é comum o nome de índios. 27 Além dos já citados. como no sertão. 24 Os principais relatos da época disponíveis em português são os de Laet (1633). Nantes. Merece menção ainda o relato de Mascarenhas (1716) sobre os Proká do São Francisco. também em Röwer (1942). 88 – 191. Para o período anterior a 1630. Campina Grande. e também dão o mesmo nome aos filhos de mamelucos com negra. Barléu (1659) e Nieuhof (1682). 1587) e no Maranhão (Abbeville. como outros povos que tiveram contatos pacíficos com os "flamengos" . aliados seus que dominavam os vales do Apodi e do Piranhas e que. vol. que são filhos de índia com negro. Calderon (1970) e outros. como a carta do Padre Manuel Correia (1693) a respeito do ritual do Varakidzã. Caryóz. Jul. aldeados na zona da mata e que haviam lutado ao lado dos portugueses. 26 Tem-se em Rodrigues (1948) um bom exemplo de aproveitamento etnológico dessas obras. Tapuyas. Marcgrave (1648). Para o século XVII e início do XVIII dispõe-se. são os que moram na costa. são os naturais da terra. com relação ao Sertão. não há nada de significativo. Herckmann (1639).". karirí ou não (Leite. 25 Um cronista anônimo do século XVIII reserva as últimas linhas do seu extenso relato para definir as "Qualidades de pessoas de que se compõe o Pays": "Brancos . e em distinção aos "índios bravos". 1749: 484).Payakú. apenas de pequenas obras missionárias com algum interesse etnográfico relativas a povos da família linguística Karirí do vale do São Francisco (Nantes..Pretos . 1614. nos documentos da Companhia de Jesus. Soares de Souza. Cadernos do LEME. Ikó etc. Quanto à iconografia. o termo "caboclos". Caboclos. 1707. Serafim Leite faz a importante e interessante observação de que é a partir da restauração que surge. Deles provém quase tudo do pouco que hoje se sabe sobre os Otxukayana (que em geral aparecem como Janduí ou Tarariyú nas fontes lusitanas). Évreux. Beck (1649). 1945: 276-8 e 298-9). 3.foram dizimados após a restauração de 1654 por paulistas como Domingos Jorge Velho. 1698 e 1699) 26 . Caribocas. e não falam uma língua geral. encontramos algumas informações sobre os aldeamentos missionários e as práticas dos seus dirigentes. e no sertão chamam a estes salta-atrás" ("Informação. além de fazer várias referências ao que há de mais importante em Cronistas da Companhia como Vasconcelos (1663) e Vieira. 2011. que são filhos de brancos com negras. aparentemente praticado por diversos grupos. 104 ./dez. Mamelucos. que são filhos de índia com branco. que também lhe chamam mestiços.. apenas Serafim Leite reproduz documentos de interesse etnográfico. Os cronistas que produziram tão boas descrições dos Tupinambá na Bahia de Todos os Santos (Cardim. Baro (1651). . Dos historiadores missionários27.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO primeiros a contatar pacificamente24. 1709) e Norte da Bahia (Mamiani. senão cada nação a sua particular. especialmente importados para tal.

Caldas (1759). o que equivalia à afirmação oficial da inexistência de índios na região nordestina. com diretores nomeados para cada aldeia. Couto (1757). Menezes (1814). 1983). algumas bastante minuciosas e todas unânimes em referir a "decadência" e o "atraso" das recém-criadas vilas de "índios mansos" ou de "caboclos" e. os quais viviam então na área extremamente árida da Serra Negra. 1960a. a nova Lei de Terras do Império. já no início do século XIX. as Diretorias de Índios. 2011. Vilhena (1802).. não é identificada com o Nordeste. O mesmo se observa com relação às poucas aldeias-vilas visitadas ou referidas pouco depois por Spix e Martius (1823). a primeira grande questão de definição étnica na região e várias aldeias perderam as suas terras. No inicio do período imperial são criadas. praticamente não havia mais "índios" mas apenas "caboclos" no Sertão. 1945). Jul. Entre meados dos séculos XIX e XX houve grande interesse de estudiosos. 88 – 191.) manda incorporar aos próprios nacionais as terras dos índios que já não vivem aldeados mas dispersos e confundidos na massa da população civilizada" (Figueiredo. Em seguida. Entre meados do século XVIII e as décadas iniciais do XIX produziram-se algumas importantes descrições cartográficas da região. Pernambuco. Cadernos do LEME. e muito mais daí por diante. tendo chegado a várias dezenas. Aires do Casal (1813). época de plena vigência da Junta das Missões nas Capitanias da região ("Informação. a convivência e miscigenação destes com população não indígena. Campina Grande. de 21 de outubro de 1850. no plano oficial. como "Informação. Desse modo. marca o apogeu e a decadência dessas missões que.. principalmente da própria região. sobretudo ao longo do curso do submédio São Francisco. provocou o que deve ter sido.. Beozzo. 105 ." (1749). em cada uma das províncias.. estão já depopuladas e em muitos casos abandonadas quando da expulsão dos jesuítas em 1756 (Leite.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO O século XVIII.. que certamente se constitui na fase mais crítica para a sobrevivência dos aldeamentos indígenas no Sertão. 1749. 1981: 130). em termos etnográficos e da história indígena. excetuando-se os grupos ainda isolados nas matas do Sul da Bahia28. As possibilidades de reconstituição de uma história indígena do Sertão não podem ainda ser completamente avaliadas (Sampaio. nº 2./dez. 1802). Hohenthal Junior. que "(. 3.". entre outras. É também desta época o último relato conhecido a respeito da redução de índios no Sertão (Frescarolo. p. 1985b). em proceder a esta 28 Evidentemente não incluo aqui a província do Maranhão que. vol. em muitos casos.. É o período da pesada legislação integracionista do Marquês de Pombal. Até o final do século todas as diretorias haviam sido extintas.

seguramente majoritária em grande parte da região. alguns destes trabalhos ainda contêm as melhores pistas disponíveis para que se possa aprofundar o estudo através de outras fontes como. Entretanto. e no Piauí (Mott. 1984). Jorge (1901). Joffily (1892). 1976. Costa Júnior (1942). 88 – 191. com documentação produzida pelos próprios índios. 1985). podia-se considerar satisfatória. Potigwára).DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO investigação. Pinto (1938). 106 . Kaeté. ainda que muitas vezes em obras de caráter mais geral29. nº 2. Campina Grande. Na Bahia. Studart (1896). mas a produção resultante é quase sempre imprecisa. falantes da mesma "língua geral". Paraíso. Jul. Pompeu Sobrinho (1939). Kamurú e Sapuyá – chegaram a ser especificadas e parcialmente descritas (Lowie. e para o cerrado. vol. graças principalmente aos trabalhos de Dantas (1973. Ainda que seja muito difícil avaliar a extensão dessa diversidade. No plano linguístico. o agreste. impressionista. Cadernos do LEME. mas também aos de Figueiredo (1981) e Mott (1974). grandes grupos de língua jê dos cerrados a oeste. 3. no sertão propriamente dito – a caatinga – e em suas faixas de transição para a mata costeira. pode ser identificada a grande família Karirí. Tupinikím. Nimuendaju (1946) refere nada menos que oitenta diferentes etnônimos na área situada entre as duas zonas referidas. Studart Filho (1926 e 1931). pelo menos no que diz respeito ao século XIX. Bezerra (1902). o mesmo ocorrendo em Alagoas (Antunes. apenas a produção relativa à pequena área correspondente ao atual estado de Sergipe. Dzubukuá. 1984). Pereira da Costa (1909). ela contrasta flagrantemente com a relativa uniformidade dos grandes grupos Tupí da costa a leste (Tupinambá./dez. 1984). 2011. e dos Timbira e Akwê. Sabemos hoje que o sertão nordestino pré-colonial foi habitado por uma diversidade muito grande de etnias. isto é. até meados da década de oitenta do século XX. petições etc. um dos resultados significativos dos trabalhos citados é a demonstração da possibilidade de se trabalhar. Théberge (1869). A inclusão nessa família de línguas de grupos como os Kanindé e Ikó foi tentada por autores 29 Alencastre (1857). no que diz respeito à área do Ceará e do Piauí. os cocais. O nível das informações relativas a esses etnônimos é extremamente variável e. além de alguns levantamentos preliminares da documentação. Nas demais áreas praticamente nada havia sido feito. Quanto a trabalhos mais recentes e mais rigorosos no levantamento e análise da documentação. o trabalho então apenas começava (por exemplo. por exemplo. p. pouco sistemática e pouco ou mal referida às fontes primárias. Bezerra (1950) etc. Apesar disso. e quatro das suas línguas – Kípea. Barros (1923). 1946). com grande concentração no curso do baixo e do submédio São Francisco. também o é a sua confiabilidade. como cartas. consequentemente.

dos Pankararú. grande parte dos índios no Nordeste hoje concentra-se ainda na área de influência do baixo e submédio São Francisco. os Potigwára e os Wasú. em ambos os casos ainda com base em Martius (1867). Atikúm e Kambiwá. 1982). teria sido. podemos pensar que a presumível diversidade cultural e linguística do Sertão já comportava um embrião de unificação. 1946. 30 Um levantamento linguístico realizado na região na década de cinquenta (Meader.os quais. 2011. p. O avanço daqueles para o oeste. no mínimo em termos ecológicos. situados na zona da mata. 1960a e 1960b) – uma faixa mais propícia a uma agricultura mais intensiva – antes mesmo que as missões e as boiadas viessem reforçar a concentração e a miscigenação. vol. Hohenthal Junior. apesar de sua ascendência Tupí – segura no primeiro caso e bastante presumível no segundo – mantém hoje. o Xokó e o Pankararú não permite nada de conclusivo30. De fato. De qualquer modo. apesar de muitos terem tido que abandonar as suas margens buscando áreas de refúgio nos brejos ou altos de serras próximos. têm percurso histórico e bases ambientais muito diversas (ver. dentre outros. 1977b e Paraíso. constituindo historicamente esta unidade. estreita relação com os demais grupos aqui considerados32. Carvalho.em especial os Pataxó do Monte Pascoal e os diversos povos reunidos já no século XX na reserva Caramuru-Paraguaçu e hoje conhecidos como Pataxó Hã-Hã-Hãe . mas que.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO como Pinto (1935-8). em torno do qual se articulam. impedido pela presença majoritária dos Jê centrais. mas parece não haver dados suficientes para tal. incluem-se duas não propriamente sertanejas. ainda hoje. Pesquisas ainda mais recentes com a única língua ainda falada. e se localizam muito longe do eixo delineado pelo curso do baixo e submédio São Francisco. Pankararé. embora crescentemente relacionados aos povos aqui tratados em seus movimentos políticos e étnicos. permitem localizá-la de forma isolada no tronco Macro-Jê (Rodrigues. 31 Bem como dentre as trinta e três existentes ao se iniciar o terceiro milênio. sabe-se da filiação de duas línguas da região a famílias cujas demais línguas conhecidas estão todas ao Sul: a dos Masakará com a família Kamakã e a dos chamados Pimenteiras com a dos Botocudos. Jul. por sua vez. Cadernos do LEME. 107 . O parco material contemporaneamente disponível sobre o Xukurú. 1982). Campina Grande. nº 2. respectivamente. os grupos indígenas no Sul da Bahia . 3. Dentre as dezessete etnias acima referidas em meados dos anos oitenta31. casos. 1927). rumo às melhores terras do cerrado. e também o quanto é problemático o sentido científico disto. os índios no Nordeste. 88 – 191. como historicamente. reforçada pela coexistência de vários grupos no vale do submédio São Francisco (Nimuendaju. Além disso. 32 Excluem-se./dez. por outro lado. 1974) demonstra bem o quanto os informantes podem ser criativos para tentar satisfazer a grande curiosidade de seus inquiridores e fazer juiz aos seus préstimos. parece que diferentes pequenos grupos humanos foram pressionados para a zona semiárida das caatingas à medida em que os Tupí avançavam pelas matas costeiras (Métraux. Vista nessa perspectiva. o Yaathê dos Fulni-ô. desse total.

p. do Posto Indígena Dantas Barreto para os Fulni-ô de Águas Belas. 108 . 1931. e o Padre Renato Galvão na Bahia. 1937). sobretudo em consequência da grande pesquisa coordenada por Donald Pierson sobre o vale do São Francisco (Pierson. Jul. nove Postos Indígenas na região. Boudin. 1931. O estudo desses grupos. 35 Para os Xukurú veja-se também Mello (1935). 1954) 35 . 36 Dados sobre os Tuxá também em Hohenthal Junior (1960a) e Carvalho (1982c). Apenas na década de setenta aparecem monografias sobre os povos da Bahia: a de Bandeira (1972) sobre os Kirirí. Campina Grande. destaque para a participação indígena nestes processos de mobilização por reconhecimento étnico e por assistência pelo Estado. entretanto. 1956 e Hernández Díaz. dando conta sobretudo dos Xukurú (Hohenthal Junior. não é aprofundado posteriormente e destes trabalhos apenas Hohenthal Junior (1954) e Pinto (1958) fornecem etnografias minimamente satisfatórias. vol. 88 – 191. 1929. pelo menos nos registros melhor conhecidos. nº 2. 1887. 3. Mello. Em quase todos os casos a participação de religiosos e de intelectuais foi decisiva (Dâmaso.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO O conhecimento dos povos indígenas no sertão no século XX No século XX. Pompeu Sobrinho. que desde fins do século XIX têm despertado a atenção de linguístas e estudiosos regionais (Branner. entretanto. após a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Não há. Cadernos do LEME. e de Nássaro Nasser (1975) e Elizabeth Nasser (1975) sobre os Tuxá sobretudo no que diz respeito a economia e relações interétnicas. Oliveira. no final dos anos vinte. Pinto. 34 Tinha-se então basicamente o relato de visitas de Oliveira (1937). e as de Reesink (1978) sobre os Kaimbé. 36 . 1960a) e Pankararú (Pinto. pode ser considerada um marco nesta mobilização. 1983). competentes 33 A conferência pronunciada por Carlos Estêvão de Oliveira no Recife em 1937 (Oliveira. 1959)./dez. 1976) 33 . Destacaram-se também neste sentido o jornalista Mário Mello e o Padre Alfredo Dâmaso em Pernambuco. o conhecimento dos indígenas contemporâneos no Nordeste era praticamente inexistente até os anos cinquenta34 quando. instalaram-se progressivamente. 1960a). alguma atenção lhes é dada e alguns trabalhos são realizados. um trabalho descritivo mas bem complementado por uma interpretação dos seus dados em Carvalho (1977a). Karirí-Xokó (Trujillo Ferrari. 1949. a começar pela criação. 1935. Com exceção dos Fulni-ô. Pernambuco. Rosalba. e repetida alguns anos após no Museu Nacional no Rio de Janeiro. Os curtíssimos artigos escritos por Lowie e Métraux para Steward (1946) são quase que apenas históricos e classificatórios e dão uma boa ideia da limitação do conhecimento a respeito dos grupos que então se costumava chamar de "remanescentes indígenas". 1929. 1956 e 1957 e Hohental Junior. até a extinção do órgão em 1967. 1958 e Hohenthal Junior. 2011. Mello.

e Magalhães (1980). 88 – 191. 109 . Campina Grande. Praticamente todos os autores citados referem conflitos entre "brancos" e índios e registram diversas iniciativas desses para garantir os seus direitos. para modificar. esse movimento. a natureza e a amplitude destas iniciativas. Duas ordens de fatores. até aquela década. ao que tudo indica em atenção a perspectivas de "estadualização" da assistência a índios passíveis de "emancipação". as assembleias de líderes indígenas. Em primeiro lugar. Jul. Acerca desses e de outros povos em Pernambuco merece referência o levantamento realizado pela Coordenação de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco (Condepe). A bibliografia então disponível sobre os povos "emergentes" era. 2011.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Há ainda da época uma descrição dos Xukurú-Karirí de Alagoas (Antunes. 3. teoricamente afinado com as idéias então hegemônicas a respeito de contato interétnico no Brasil e empenhado em uma compreensão modelar do campesinato indígena. não havia. A nível regional. entretanto. parecem ter contribuído. em um plano externo às próprias comunidades indígenas. àquela época. Luz. fazendo com que a temática indígena chegasse mais facilmente à imprensa e à opinião pública. Evidentemente. vol. Dentre os onze povos com postos indígenas implantados antes de 1980. não começou nesta época. Em segundo lugar e principalmente. para os Truká. quase inexistente. nº 2. a rigor. excetuando-se o caso Pankararé. O movimento étnico dos povos indígenas no nordeste Já me referi ao movimento indígena que tomou forma entre os anos setenta e oitenta no Nordeste. passam a ocorrer com 37 Para o conhecimento então disponível acerca dos Potigwára veja-se também Moonen (1975). inclusive bem antes da criação dos postos./dez. Sampaio. 1976. mas em parte decorrente do anterior. 1984. 1973) e o já referido trabalho de Amorim (1971) sobre os Potigwára da Paraíba. p. passou a haver uma articulação bem mais intensa entre os diversos povos. como se poderia supor.em 1981. organizadas pelo Cimi. qualquer estudo de possível caráter acadêmico sobre os Atikúm e sobre os Kambiwá do Sertão de Pernambuco. já melhor conhecido (Soares. 1985). mas etnograficamente bastante limitado37. inclusive a nível inter-regional. Rocha Júnior. parece ter havido um sensível aumento dos canais e das facilidades de comunicação entre estes povos e a sociedade nacional. Para os demais dispunha-se então no máximo de alguns bons relatórios administrativos como os de Beltrão (1980) para os Wasú. 1983. Cadernos do LEME.

vol. a um quadro de referência bem mais amplo. p. nos quais aparecem profusamente elementos simbólicos identificados como indígenas – plumas. Tal é propiciado por danças e cantos acompanhados pelo som de maracás e com trajes e outros aparatos específicos. e desencorajando fortemente os velhos laços de parceria econômica e social. com setores da sociedade regional. 39 Um processo muitas vezes estimulado também pelo estado nacional. Também no plano interno ocorrem mudanças sensíveis. dos mutirões e roças comunitárias. e por um maior controle dos grupos sobre os seus próprios limites. preocupado em delimitar a sua administração e interessado também no controle político dessas fronteiras. colares. Todos esses processos transparecem no plano religioso em práticas rituais coletivas e regulares. caracterizadas pela incorporação pelos "mestres". Embora as aspirações de cada etnia com relação à garantia de seus territórios e a outras questões ligadas ao atendimento das necessidades de suas comunidades permanecessem num lugar central. Campina Grande. ou outros especialistas socialmente definidos. Jul. as próprias organizações indígenas encarregam-se de promovêlas38. b) Assembleia Nacional Constituinte. por exemplo. 110 . que frequentemente podem também ser definidos como ancestrais. Nesse âmbito. os "encantados". estimulando as alianças internas entre os grupos de família através. 1983) e a segunda em setembro de 1985 na "aldeia" Xokó na Ilha de São Pedro. arcos e flechas. o nível das preocupações também mudou. elas passam então a aparecer sempre vinculadas. em grande quantidade. 3. Cadernos do LEME. de entidades sobrenaturais. c) Reforma Agrária. em seguida. julho de 1985). pressionando a definição de indivíduos e segmentos em situações étnicas limítrofes ou pouco definidas39. fibras – e que são acompanhados do uso./dez. especialmente aqueles política e economicamente dominantes. de tabaco 38 A primeira dessas assembleias ocorreu em 1983 na "aldeia" Kirirí (Rocha Júnior. nº 2.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO frequência e. o qual se traduz sobretudo pela redefinição e valorização de funções como as de "cacique" e "pajé" e dos "conselhos tribais". O seguinte trecho da carta-convite enviada pelo cacique xokó aos demais povos da região para a Assembleia Indígena de 1985 dá bem uma ideia do que aqui se diz: "Achamos o momento desta assembléia muito importante para nós porque estão acontecendo muitas mudanças nas leis que apóiam os índios e por isto achamos que devemos discutir estas coisas: a) UNI (União das Nações Indígenas). como o compadrio. Já me referi ao "esforço de organização política". nos discursos e avaliações críticas de líderes indígenas. 2011. d) Funai" (Apolônio Xokó. Sergipe (conforme adiante). 88 – 191.

vol. Como diz Carvalho: "(. entretanto. além de todos aqueles que aqui chamamos de "emergentes". a elaboração Cadernos do LEME. o sentimento de "ser índio" apreendido no discurso desses povos passa frequentemente pela participação nestes rituais. ou. com frequência. a constituição e o papel das lideranças. porém.. É o campo da luta política que torna possível tal projeto. Por outro lado. 2011. tais práticas se apresentam. Para estes. que vão se alargando como se fora em atendimento a certas exigências históricas que só tornam possível alcançar a 'unidade' na 'diversidade'" (Carvalho. mais. por exemplo. Esses rituais. Aliás. povos indígenas no Nordeste. 1954. os meandros das relações internas entre os diversos grupos familiares cujos poder e prestígio são postos em cheque nestes processos. em alguns casos. p. o praticam./dez. 88 – 191. mantendo. 1956. hostilidade com os segmentos regionais. As determinações socioeconômicas e políticas a nível regional e local. como condição necessária e em grande medida auto-imposta para o seu "reconhecimento" étnico. das suas individualidades. 1982a: 12).DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO e da ingestão da jurema. o uso ritual da jurema é certamente um elemento privilegiado na autodefinição étnica destes grupos em seu conjunto. inicialmente projetos individualizados a nível de cada identidade especifica. o valor econômico e simbólico atribuído pelas partes aos territórios em disputa. esse sentimento de participação transfere-se à sua totalidade. 111 . apenas parcelas relativamente reduzidas das comunidades efetivamente o façam. o jogo de pressões e acordos e a subordinação com relação ao órgão governamental tutelar. Pinto. chamados "ouricuri". Hohenthál Junior. por sua adoção por parte de outros que não os realizavam. nº 2.) tais rearranjos têm lugar no âmbito de um projeto coletivo que os circunscreve a todos. 1937. ao Yaathê. inclusive em função da intensa reelaboração ritual e simbólica. e todos eles. o essencial das características descritas. sem prejuízo. 3.. na verdade. e o que fiz aqui foi apenas descrever os seus aspectos mais visíveis. A importância desses rituais nos movimentos referidos pode ser atestada por sua revalorização em muitos dos grupos e. assim como os linguísticos tomados. "praiá". bebida alucinógena preparada com a entrecasca da juremeira (Oliveira. são elementos a mais de identificação entre os diversos povos do Nordeste. e ainda que. comportam diversas variações de etnia para etnia. como os Kirirí e os Atikúm. "toré" ou "particular". os empréstimos rituais. já que só eles. Certamente muito há ainda a ser compreendido com relação a esses processos de identificação étnica e organização política. Jul. Martins. De fato. a dinâmica das relações de clientelismo e. 1985). Campina Grande.

/dez.) tende a crescer tendo em vista fortes indícios que dão conta da existência de outras populações. são outros tantos aspectos inegavelmente importantes que merecem maior investigação e que. Referindo-se à população indígena no Nordeste à época. seguramente. no Sertão. Campina Grande. 2011. de várias comunidades rurais distintas que. Carvalho diz: "Este número. já referidos. o caso dos grupos "emergentes" que têm vivido todos esses processos geralmente de forma bem mais intensa e crítica. Evidentemente o movimento étnico empreendido por estes últimos também não começou "de repente". como que no ar. Há. em meados dos anos oitenta. A sua existência enquanto segmentos sociais etnicamente diferenciados parece.. como nos casos referidos. nas quais a identidade indígena permanece. o agravamento da situação fundiária. Jul. Um fato bastante recorrente nos processos de emergência étnica indígena no Nordeste na época aqui tratada é a presença de vinculações mais estreitas e historicamente marcadas desses povos "emergentes" com outros já "reconhecidos": dos Pankararé com os Pankararú através da extinta aldeia missionária de Curral dos bois. e a oposição que sempre mantiveram com relação aos segmentos não indígenas a esse nível atesta bem a vigência anterior da sua afirmação étnica.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO ideológica e simbólica em torno dos rituais e a institucionalização destes face aos outros sistemas religiosos presentes no campo etc. nunca ter deixado de ser nítida no plano local. após alguns anos de luta. uma série de outras variáveis ligadas aos aspectos referidos acima. de modo algum. dos Truká com os Tuxá através da descendência comum dos Proká e das missões dos "Rodelas". ou nas proximidades desses. consideradas 'caboclas' pelos regionais. vol. assumem configurações variáveis nos diversos casos. e mais os dois então em processo de emergência mais recente. de algum modo. a esperança depositada no "reconhecimento" e. dos Kapinawá com os Xukurú e Kambiwá pela proximidade e por referências históricas comuns etc. os seis povos reconhecidos. os únicos dos quais se esperasse que pudessem empreender a uma tal "emergência".. situam-se em áreas de antigos aldeamentos missionários. p. na verdade. 112 . certamente. não eram. até que a articulação regional dos diversos povos indígenas. Era já bastante sabida a existência. e que são. dessem oportunidade à expressão dessa afirmação em um movimento com outra dimensão. (. diríamos. evidentemente. historicamente referidas a esses aldeamentos. nº 2. e que provavelmente Cadernos do LEME. De resto. 3. 88 – 191. enfim.

DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO tenderão a desencadear um movimento de afirmação de sua identidade étnica. uma compreensão similar dos fatos na região. vol. entretanto. Quanto à gênese desses movimentos. em Sampaio (1984). p. ou ainda "a etnicidade representa um vínculo organizacional poderoso". Do quanto fica aqui dito. em um radiotelegrama "urgente confidencial". o que seria expresso. uma maior presença do governo federal na região e o forte fluxo migratório para São Paulo. Waçu. Tingwí-Botó e Wasu (Alagoas) e Kapinawá (Pernambuco)" (Carvalho. 1982a: 1). Insistiria que esta deva ser investigada em seus casos particulares40 antes de qualquer possível generalização. dirigido à sede do órgão em Brasíllia pelo seu Delegado Regional no Recife à época da eclosão do caso dos Kapinawá: "Face recentes ocorrências grupos se dizem descendentes indígenas. Na verdade. nem mesmo a questão fundiária se apresenta de maneira tão uniforme quanto parece. por detrás da invariável presença de conflitos. ainda que com preocupações diversas.. a presença e a quantidade de invasões. neste sentido. apenas para os quais foi feita programação financeira. sua homologação. Campina Grande. nº 2. o estatuto histórico e legal das terras. área esta DR [Delegacia Regional] e possibilidade processo tornar-se rotineiro virtude grande número caboclos todo Nordeste. pretendo que afirmações aparentemente conclusivas como "o toré – ou o praiá – reafirma a identidade étnica". de resto historicamente sempre presente./dez. 2011. 88 – 191. Acrescento. ainda que com graus e situações variadas de "latência". laudo antropológico situação grupo se intitula Capinauá cidade Buíque este Estado (. 3. Jul. como alguns dos deflagradores de uma intensa polarização étnica.).. e consequente acumulação e incipiente hierarquização econômica na área. Sem dúvida é bom contar com essas idéias. pois. sua extensão e 40 Tentei. por exemplo. Pankaré e Capinawá. então. até a construção das grandes hidrelétricas de Paulo Afonso. Cadernos do LEME. desde a estrutura fundiária local e o caráter do poder político municipal. à semelhança do que ocorreu mais recentemente com os Pankararé (Bahia). ou "a disputa pela terra é a base dos movimentos étnicos indígenas no Nordeste". sabendo-se da sua devida dimensão explicativa. peço V. uma abordagem preliminar do caso dos Pankararé e as conclusões parciais apontavam uma grande diversidade de fatores. A própria Funai demonstrava. além dos 10 Postos Indígenas desta DR. Caríri-Shocó da Ilha de São Pedro. 113 . Aguardo brevidade possível orientação esse Departamento sobre assunto" (Araújo. à aceitação destas pelas partes.Sª. há situações diversas quanto à existência de demarcações. sirvam apenas para identificar questões gerais e orientar o percurso a ser trilhado nas investigações. esta unidade já conta mais cinco grupos: Truká. 1980).

no primeiro caso. até uma época em que passa a haver maior transparência dos movimentos – como duas variáveis especialmente significativas. 4) povos não "reconhecidos" e que afirmam muito tenuemente uma identidade etnicamente diferenciada. Pipipã em Pernambuco . Cadernos do LEME. nº 2. Desses. sem dúvida o estado em que o processo aqui tratado se fez mais intenso nos últimos quinze anos. 42 Como não se trata de proceder. em 2001. Xokó. 1964)e certamente muitos outros42. a saber: os Kaimbé e os Tuxá na Bahia. a qualidade dos solos. no segundo os Xukurú e os Kambiwá (Pernambuco). Tremembé. outros dezesseis povos indígenas perfeitamente identificados na região aqui tratada. os Potigwára (Paraíba). como pertencentes ao primeiro ou ao segundo grupos. entretanto. Potigwára do Ceará e as comunidades indígenas na cidade de Crateús no Ceará. Tendo em vista o contexto de época aqui tratado – meados da década de oitenta – podiam ser identificados. de resto. os Karirí-Xokó em Alagoas e os Atikúm e Fulni-ô em Pernambuco.estes uma "dissidência étnica" dos Kambiwá . Tapeba). São eles: Povos já "reconhecidos": Pankarú e Kantaruré na Bahia. este último povo constituindo-se. se tomar a presença efetiva de movimentos étnicos ou não e o "reconhecimento" ou não pelo Estado nacional anteriormente a 1980 – ou seja. o que faz com que. Por outro lado. Povos ainda não "reconhecidos": Tumbalalá na Bahia. 1976). 3) povos não "reconhecidos" pelo Estado Brasileiro até a década de oitenta e com presença marcante de mobilização do tipo acima referido. Kalankó e Karuazú em Alagoas. Se. se pode chegar à proposição de quatro situações básicas no que diz respeito à posição de diferentes povos indígenas face ao contexto étnico e político regional: 1) povos "tradicionalmente reconhecidos" mas com mobilização étnica e reivindicatória intensa. Karapotó e Jeripankó em Alagoas. os Xukurú-Karirí (alagoas) etc. Wasú e Kapinawá) ou não (Karapotó. Pitaguarí e Jenipápo-Kanindé no Ceará. cada caso assuma uma configuração particular. não a acionando com maior expressão política. e no quarto grupos como os Tremembé do litoral oeste do Ceará (Seraine. Tabajára. cinco dos povos "reconhecidos" antes de 1980. vol.41. os Payaku de Caraúbas no Rio Grande do Norte (Cabral de Carvalho. 3. p. aqui. já "reconhecidos" (Pankararé. Campina Grande.Kanindé. 1956. 2) povos "tradicionalmente reconhecidos" com presença pouco significativa de mobilização étnica de caráter político organizacional ou reivindicatório. os Pankararú (Pernambuco). 41 Para balanços e avaliações criticas da situação dos territórios indígenas no Nordeste. Novo. também com relação a este aspecto. Tingwí-Botó. deixo de identificar. em uma situação étnica especial dada a presença de uma língua própria./dez. 2011. há.. 88 – 191. no terceiro evidentemente todos os então "emergentes". 114 . os Arikobé no oeste da Bahia. Tapeba. a densidade demográfica etc.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO valor econômico. Jul. conforme dito na nota 15 acima. os Kirirí (Bahia). os Akroá no Piauí. veja-se a série de publicações "Povos Indígenas no Brasil" (Aconteceu). a uma classificação exaustiva. oito estão já "reconhecidos" pelo Estado em 2001 e outros oito ainda não.

Campina Grande. 4)que a imprensa estava divulgando amplamente o assunto. da "sociedade" que porta e se pauta por essa cultura (conforme Carneiro da Cunha. a qual atingiu mais diretamente uma dessas comunidades. pela diversidade de níveis de identificação étnica entre as comunidades formadas.07.. Informaram na oportunidade: 1) ser o grupo composto de 500 pessoas aproximadamente.80. Pedro II e Princesa Isabel em 30. 3) a existência de um antigo cemitério. por diferentes graus de envolvimento na situação de disputa fundiária subjacente ao processo de emergência. níveis esses orientados. os Xukurú e os Kambiwá – e. 88 – 191. 115 . ainda. 1985). nesses. nº 2. com cerca de trezentos indivíduos e cinquenta famílias (Vicente et al. Macacos. Descrevo a seguir. do processo de identificação étnica. à época. a do sítio Mina Grande. por fim. aos casos do terceiro tipo. assinado pelo Imperador D. dada à intensidade. 1981: 1). podendo-se surpreender aqui. No plano político. a 3ª DR [Delegacia Regional] informou ao DGO [Departamento Geral de Operações] através do RDG [radiograma] nº 106/3ª DR. p. localizado no município de Buíque – PE. Solicitaram a designação de antropólogo para verificar o grupo" (Pierson. inclusive quanto aos parâmetros de definição e aos limites étnicos. Kapinawá "Em 23. com todas as alterações à vida de suas comunidades que isso tende a provocar. 1985). 3. dedico aqui atenção especial. que me parece de especial interesse pelo pouco conhecimento histórico acumulado sobre esse povo anteriormente à eclosão do seu movimento étnico – se comparado a outros povos em situação semelhante – pelas relativas rapidez e autonomia na ascensão desse movimento – pouco mais articulado justamente com os povos menos envolvidos. o acompanhamento dos processos de "reconhecimento" étnico. inclusive. vol. Jul. entendido aqui como a produção de uma "cultura" e. um desses casos de "emergência étnica".1874. Cadernos do LEME. com movimentos étnicos indígenas no Nordeste. pelo conjunto da população historicamente referida ao aldeamento missionário original. enquanto situações para investigações em torno do tema da etnicidade. o comparecimento dos senhores José Antonio dos Santos e Pedro Manuel dizendo-se remanescentes de um grupo indígena 'KAPINAWá'. os procedimentos em torno da implantação efetiva da tutela do Estado sobre estes segmentos sociais indígenas. conforme dito.01. a atenção a esses casos possibilita. o dos Kapinawá. em linhas gerais e a título de ilustração./dez. basicamente.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Dentre os quatro tipos propostos. simultaneamente. no presente. 2011. 2) possuírem documento de doação das terras.

parte da Serra Negra. idêntica nos dois depoimentos. resumida a seguir: Um bisavô do informante. De fato. a Funai responderia. pacifica e cristianiza um grupo de "índios brabos" da Serra do Puiú. toda a longa descrição de limites e de fazer a narrativa.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Este foi o primeiro contato dos Kapinawá com o Estado Brasileiro. o pajé. 88 – 191. à consulta de sua DR no Recife afirmando "desconhecer a existência de aldeamento em Buíque" e que "os índios Kapinawá são considerados extintos no Brasil mas existem no Peru" (apud Pierson. e cita nominalmente todos os chefes de família beneficiários da doação. o "Diário de Pernambuco" da data do supra referido "comparecimento" anunciava. de Brasília. por outro lado. no município de Buíque. o primeiro dos indivíduos mencionados. concedendo uma gleba de terra aos "índios de Macaco".600 hectares onde viviam então 48 de suas famílias (Pierson. 1981) e por mim próprio em 1981. Alguns dias antes. Esse define os limites da propriedade através de referências a mais de uma dezena de marcos físicos naturais. índio "civilizado". indica ao Alferes uma fonte secreta de água e lhe concede as terras à sua volta para que este aí se estabeleça com a sua gente. Cadernos do LEME. 3. era capaz de recitar. havia sido mais uma vez preso pela Polícia. 1981). que "Pajé pede proteção contra fazendeiros". vol. p. de memória. o mesmo que encabeça a lista de nomes no registro de doação. uma funcionária do órgão seria enviada à área no mês seguinte e o seu relatório (Pierson. Um informante idoso autorizado pela comunidade. o Alferes Felix Machado Gomes da Silva. a criação de um Grupo de Trabalho para efetuar novas investigações. Campina Grande. O cacique desses índios. 116 . nº 2. Propõe. datado de doze meses depois. O relatório traz em anexo a cópia de um registro de doação imperial de 1874. De qualquer modo. em manchete. ouvido pela citada pesquisadora (Pierson. em retribuição. a Oeste da Mina Grande. a mando de um conhecido grileiro de terras local – Zuza Tavares – "testa de ferro" de um grande empresário do Recife – Romero Maranhão – ambos empenhados em tomar dos índios o sítio Mina Grande./dez. uma área de 1. Cinco dias depois. 1981). 1981). Firmino Gomes da Silva. referindo nada ter encontrado sobre os Kapinawá no Arquivo Publico em Recife ou no do Museu do Índio no Rio de Janeiro. nada diz de conclusivo a respeito da "detecção étnica" a que se havia proposto. da história do lugar. Jul. 2011.

1982).) a própria formação do grupo enquanto indígena. Consiste basicamente em uma lista de 42 "Conclusões" e 22 "Sugestões" quase que invariavelmente descabidas. Jul. além de lesões graves em um Xokó e em um Pataxó Hã-Hã-Hãe. permaneceria preso vários meses. É FALSA". grifos originais). líder do movimento kapinawá e personagem mais visado pelos seus oponentes. 1982). de um índio Wasú e do chefe do Posto Indígena Atikum em 1983.. após o que.. como seria de se esperar. Pude verificar em agosto de 1981 as diversas marcas de balas nos troncos das árvores e os sinais das cercas muitas vezes derrubadas e reerguidas de parte a parte. 1982: 8. p./dez. aliando-se a morosidade da Funai em dar prosseguimento a "identificação" do grupo. Lá fica o cemitério e lá viveram e estão enterrados o avô e o pai do informante43. é negativo para os índios. prepostos do grileiro. Cadernos do LEME. face às ameaças. até 1985. não ficaria vivendo por muito tempo mais junto à comunidade. e chegam à "(. 44 As ocorrências fatais não são infrequentes nos conflitos envolvendo índios no Nordeste e o saldo. Durante os anos de 1980 e 1981 a tensão e os conflitos fizeram-se crescentes na Mina Grande. cit. a pouco mais de uma légua da Mina Grande.) e no mês seguinte estaria pronto o seu relatório (Motta & Mello. além do caso mencionado. 1985).) aceitar a limitação do conceito sociocultural de auto-identificação. e de um Kirirí e outro Wasu em 1984. 1984 e Luz. 3. Já nas "sugestões". no reconhecimento quanto à necessidade de sua revisão. Campina Grande. rompendo o cerco determinado pelo supra citado grileiro Zuza. 2011. no qual resultariam mortos dois destes44. as mortes de dois posseiros em um tiroteio com os Truká em 1982. O pajé Zé Índio (José Antonio dos Santos). Esse documento informa muito pouco sobre os Kapinawá. alguns índios foram à feira na vila do Catimbau e aí se envolveram em um conflito armado com alguns regionais. nº 2. ocorreriam. 43 Essa narrativa guarda uma série de correspondências com outra do mesmo gênero mantida e relatada por dois outros respeitados informantes idosos dos Pankararé (Sampaio. no final de 1979.. desautorizando cabalmente a "indianidade" dos Kapinawá. No mesmo mês de fevereiro chega à Mina Grande o Grupo de Trabalho recomendado por Pierson um ano antes (op. Desde o assassinato do cacique dos Pankararé. mas certamente diz muito do nível de competência e seriedade com que questões desse tipo eram tratadas pelo órgão indigenista à época. 117 . Só então um outro preposto da Funai seria enviado ao local. Essa situação chegaria a um clímax a 7 de fevereiro de 1982 quando. a pressa dos grileiros em estabelecer o fato consumado com relação às terras antes de qualquer possível intervenção do órgão federal.. auxiliando a Polícia na identificação e prisão de índios (Levay. vol. se propõe "(.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO A fonte dos Macacos existe até hoje no local da antiga aldeia. As primeiras determinam que "(. 88 – 191..) formulação da hipótese de que A IDENTIDADE DO GRUPO FOI INDÍGENA" (Motta & Mello.

de uma equipe do PINEB (Programa de Pesquisa POvos Indígenas no Nordeste do Brasil) da Ufba (Universidade Federal da Bahia). em agosto de 1982. insistentemente. o qual (Carvalho. Naquele ano. por Portaria da Presidência da Funai. somente três anos mais tarde. com pequenas alterações. 1982) 46. em 1993. os referidos documentos. nº 2. em condições muito precárias de assistência às comunidades indígenas. tanto que a direção do órgão. 1984). 1997. o Ministério da Justiça. Conforme informa o "Porantim". 1981. Conforme dito na nota anterior. o efeito de arrefecer significativamente a intensidade dos conflitos pela posse da terra. um breve parecer sobre o caso. "o grileiro Romero Maranhão mandou seus jagunços invadirem a área Kapinawá com tratores. este Ministério publicaria a Portaria reconhecendo a área como de posse indígena e determinando a sua demarcação física. Campina Grande. em 1981. 1995). desta vez eu próprio. em 1996. e mais uma vez a direção do órgão viria a solicitar um parecer a um pesquisador acadêmico com experiência de trabalho junto ao grupo. os documentos até então produzidos por técnicos do órgão a respeito dos Kapinawá (Pierson. contidos no processo administrativo. e implantado no ano seguinte. o que seria realizado pela Funai no ano seguinte. 1982b) seria emitido ainda em 198245. 45. já cresciam inapelavelmente as pressões dos movimentos indígena e indigenista pelo reconhecimento oficial dos seis povos emergentes então "em luta" no Nordeste. 46 O estudo de identificação e delimitação da Terra Indígena Kapinawá seria realizado em 1984 (Sant'Anna. em 1993. os Kapinawá reocupariam por conta própria a área em 1988. em uma operação que rendeu aos agressores cerca de 800 hectares de terra (Porantim. ocasião em que a Funai negociou com o novo proprietário da fazenda em litígio com os índios da Mina Grande. 118 . Por sua vez. novembro. 88 – 191. conforme referido na matéria citada. 45 Anos mais tarde. voltariam a ser percebidos como complicadores em seu andamento junto ao Ministério da Justiça. O trabalho resultante. A dita área deveria permanecer desocupada de parte a parte até que a Funai se pronunciasse sobre o estudo de delimitação da Terra Indígena. Entretanto. como os demais novos postos recém-implantados na região. Nesse novo contexto. à sua coordenadora. 3. encaminhado a Funai naquele ano. com muitos casos de conflito armado e repercussão na imprensa regional e nacional. porém. informada da visita à área. vol. quando se encaminhava o processo de demarcação da Terra Indígena Kapinawá. Cadernos do LEME. até mesmo um helicóptero deu cobertura a invasão". seria em seguida publicado./dez. em novembro de 1982. contudo. p. Jul.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO ao lado da humildade em perceber a limitação da ciência antropológica". o processo de demarcação da Terra Indígena só seria diligenciado pela Funai junto à instância superior encarregada. passou a solicitar. Bastante sofisticados. porém. Levay. 1982 e Motta e Mello. Em seus primeiros anos de existência funcionava. tendo tido. sob forma de artigo (Sampaio. a desocupação dos 800 hectares tomados à comunidade em 1982. 1982) devem ter se tornado testemunhos incômodos no processo de implantação da administração federal junto ao grupo. Antes disto. O Posto Indígena Kapinawá seria finalmente criado. diante de infrutíferos protestos junto à Funai de já um terceiro proprietário da fazenda. propondo a substituição desse conceito por outros com base na Antropologia Física (idem: 10). o deputado federal Ricardo Fiúza. de modo tal que o próprio órgão indigenista governamental acabaria por rever a sua política em relação a estes casos no sentido do "reconhecimento". 2011.

por volta de 1800. da qual. de indenizações por benfeitorias por eles implantadas "de boa fé". que fica imediatamente a Oeste do território de Macacos. p. Em 1999 o Presidente da República assinaria o decreto de homologação da demarcação da área. 1749: 422).DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Uma abordagem preliminar dos episódios acima permite supor que a denominação Kapinawá tenha sido. tem uma nação de Tapuios Paraquióz. algumas poucas dezenas de posses de não índios nela intrusadas anteriormente ao contexto das grandes disputas fundiárias a partir da década de setenta. 1757: 170). É o primeiro passo para que os Kapinawá possam vir a ocupar pacificamente a totalidade de sua Terra ainda esse ano. Se. situa Macacos na "Ribeira Panema" (COUto. índios não submetidos a aldeias missionárias ainda perambulavam pela Serra Negra. 3. nas localidades de Jacaré e Gameleira. no interior da área. Esses índios seriam aldeados nesta época pelo Padre Vital de Frescarolo. já menciona haver "documento da Biblioteca Nacional". vol. enfim. separada deste pelo vale do rio Moxotó. o seu registro como Terra Indígena nos cartórios competentes. porém./dez. mesmo sem ir a arquivos. aos referidos ocupantes não índios. Essas duas crônicas foram publicadas pela Biblioteca Nacional em seus "Annaes" na primeira década do século XX e Hohenthal Junior.. entretanto. autorizando.. e 182 pessoas" ("Informação. Finalmente. Campina Grande. 119 . do século XVIII. já na "informação geral da Capitania de Pernambuco". em um trabalho publicado em 1954. aparentemente baseado. na Freguesia do Ararobá. Cadernos do LEME. contudo. conforme relato do próprio padre (Frescarolo. de uma: "Aldeia de Macaco. Um outro cronista da época. Permaneciam. muito provavelmente. É sabido.". ao menos em parte. 1802). e não surpreende que os pesquisadores da Funai não a tenham encontrado nos arquivos históricos. destacadamente presente na memória social dos Kapinawá e referida no documento insistentemente apresentado por eles – e que reporta um registro original de 1874 – se poderia encontrar. no anterior. escrita em 1749 por um autor desconhecido. a seguinte referência à existência então. Não disponho de outras referências à aldeia de Macacos anteriores ao registro de 1874. que. 88 – 191. que refere a aldeia de Macacos ou do Macaco (Hohenthal Junior. e que ainda ocupavam as melhores terras dos Kapinawá das comunidades de Ponta da Vargem e Julião. quase sempre em emboscadas solitárias nas estradas que ligam as comunidades indígenas às povoações regionais próximas. nº 2. adotada por esses índios no próprio curso inicial do seu processo contemporâneo de afirmação étnica. a 17 de janeiro de 2001. Jul. 1954: 100). se houvesse seguido a pista da aldeia de Macacos. não é distante. Entre 1988 e 2000 nada menos que seis kapinawás foram assassinados em circunstâncias não esclarecidas. 2011. o Diário Oficial da União publicaria Portaria da Funai determinando o pagamento. e o que teve era sacerdote do hábito de Sam Pedro. não tem missionário. efetivamente.

somado ao do próprio Frescarolo (1802).136 hectares. provavelmente de parcela do território original da "extinta" aldeia48. mas que mostram ter uma mesma origem. vol. Sobre relações entre os índios de Cimbres. precisamente 26. cada uma de poucas famíllias. ser uma alusão a contatos entre índios da Serra Negra e aqueles já anteriormente aldeados em Macacos e Cimbres – respectivamente Prakió e Xukurú – na primeira metade do século XIX. living at Aldeia do Macaco. at which time they lived apart from the Shucuru." (Aires do Casal. 3. Jul. A memória dos Kapinawá costuma associar esta doação à participação dos índios na guerra do Paraguai. Aires do Casal refere que aqueles índios já começavam a "desertar de suas aldeias" (Aires do Casal. According to Shucuru informants in 1951 there were 'many' of the Paratió some sixty years ago. Esse relato. Chocó. 1813: 254) Seguem-se informações etnográficas relativamente detalhadas que demonstram que o então vigário do Crato. à metade norte do dito "terreno" e mede 12. o que é atestado historicamente. e distinguidas pelos apelidos de Pipipã. nº 2. o primeiro desses autores diz: "Historically. voltando a vagar livremente pelas áridas serras da região47. Hohenthal Junior (1954) e Barbalho (1977) atestam fartamente essa participação para o caso dos vizinhos Xukurú. quando das primeiras visitas de pesquisadores à área. ou do Ururubá – os Xukurú – e os de Macacos. Vale lembrar que o principal representante dos índios à época da "doação" é um alferes. na verdade. Sabe-se que as aldeias de índios em Pernambuco foram formalmente extintas em 27 de março de 1872 (Hohenthal Junior. the nearest neighbors of the Shucuru of the Cimbres-Serra de Ararobá region were the Paratió.600 metros. Umã e Vouvé. não muito longe dali. dos Postos Indígenas Atikum e Kambiwá. A descrição de limites de 1874 permite estimar um território de cerca de 25 mil hectares. Campina Grande. Cadernos do LEME. 120 . aldeamentos de existência efêmera.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Foram. feita às famílias indígenas. já na segunda metade do século XX. que informam que o "terreno" a que teriam direito mediria seis léguas." 47 Aires do Casal diz mais sobre estes índios: "Eram quatro nações.260 hectares. 88 – 191. cada uma com o seu idioma particular. 48 Não disponho de informações sobre a possível extensão original do território de Macacos. "grosso modo". Para mais considerações sobre a constituição da Terra Indígena Kapinawá veja-se Sampaio (1995)./dez. Só voltariam a ser administrativamente aldeados quando da implantação. em se considerando a légua de sesmaria de 6. conheceu a estes índios ou dispôs de informações seguras sobre eles. ou seja. o que confere com os testemunhos dos Kapinawá. 1960a: 41) e isto explicaria a "doação" de 1874. O território identificado pela Funai em 1984 e demarcado em 1997 corresponde. Penso que a narrativa resumida acima sobre o contato entre índios "civilizados" e "brabos" possa. nominalmente. 2011. Escrevendo em 1813. seis léguas quadradas. 1813: 254). p. constituem exceções no parco acervo de informações sobre o contato com índios no Sertão antes do século XX. isto é. de fato.

que em algum tempo após a "extinção" de 1872. 121 .DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO "The Shucuru call these Paratió 'índíos pretos' or 'índios macunha'. Seja como for. O dia em que os Kapinawá "levantaram o cruzeiro da jurema". nº 2. a meio caminho entre os territórios dos Kambiwá e dos kapinawá. p. Cadernos do LEME.). por extensão. 3. 49 etc. Campina Grande. em 1951. Jul. 1954: 108). a se estabelecer na Mina Grande. como os Xukurú. intercâmbios relativamente intensos entre diferentes populações indígenas na região central do Estado de Pernambuco certamente não são apenas recentes nem se têm articulado somente em função de mobilizações étnicas com maior repercussão externa. 2011. ao final da década de setenta. possivelmente já face a pressões fundiárias. pelo menos por algum tempo. O pajé Zé índio. nasceu e se criou entre os Xukurú. par-e-passo com a luta pela manutenção da ameaçada posse da terra. e de que tenha. Em seguida veio a estabelecer um "terreiro" na pequena cidade de Ibimirim. para ensinar o Toré aos do lugar e com eles dar início á prática regular de suas atividades rituais. o que é corroborado por testemunhos atuais dos Kapinawá. grupos de índios de Macacos tenham daí se retirado. Descendants of these so-called 'black indians' were encountered in the Serra de Ararobá" (Hohenthal Junior. a partir daí. e antes da implantação do Posto Indígena Xukuru na década de quarenta. vindo. por essas indicações. pouco antes da implantação aí de um Posto Indígena. já mencionado e com mais de cinquenta anos à época da eclosão do movimento dos Kapinawá. e. ainda que a documentação escrita aparentemente não seja muito precisa a respeito. na Serra do Urubá. permanecendo por algum tempo entre os Xukurú e aí deixando descendentes ainda identificáveis. 88 – 191. A presença dos "Paratiós" em convivência com os Xukurú na área de influencia da Serra do Urubá – ou Ararobá – com centro na vila de Cimbres. Parece provável. é atestada também pela tradição oral na região. um sentido pejorativo. desde o século XVII. passou a desenvolver um contato regular com as comunidades do "terreno" de Macacos. Ao final dos anos sessenta estabeleceu-se como pajé entre os Kambiwá. como aparece nas fontes do século XVIII – o que pode ser tomado como uma indicação de que esta lhes fosse atribuída apenas por terceiros. do próprio território. conforme Hohenthal Junior. por fim./dez. como refere Barbalho (1977: 46. signo da sacralização deste e. vol. ao que parece. Os atuais Kapinawá aparentemente não "recordam" a denominação Paratió – ou Parakió. no centro do terreiro preparado para os rituais.

mesorregião do Agreste Pernambucano (IBGE. ou no povoado de Cabo do Campo. 1981). Em várias das paredes externas e internas destas grutas há desenhos. e 49 Informações sobre os Kapinawá. por exemplo. ou nos grandes centros. 50 Veja-se. também. onde vivem os Kambiwá. ainda como estudante de graduação. especialmente São Paulo. separa os municípios de Buíque e Tupanatinga. A migração. 3. 2011. Essas marcas. temporária ou não. geralmente em vermelho. Jul. Além disso. A privação da maioria das famílias era aparentemente muito grande. muito importantes na afirmação étnica dos Kapinawá. eram insistentemente mostradas aos visitantes. Nas mesmas direções estão as sedes municipais.. p. costuma ser referido por eles como a data de fundação de sua "aldeia" e. a dezesseis quilômetros. Os vizinhos dos Kapinawá são em geral também pequenos e médios agricultores. 88 – 191. ambos na microrregião de Arcoverde. 122 . Há porém alguns grandes fazendeiros como aqueles que lhes ameaçaram mais diretamente. respectivamente Buíque (4914 habitantes. representando seres humanos. não sei se havia então outro motivo especial para a cobiça sobre estas terras. em busca de assalariamento na região. mas os Kapinawá afirmavam que. provêm do material de campo da equipe do PINEB que os visitou em agosto de 1981. Sem dúvida o aspecto da área contrasta com o da caatinga extremamente árida imediata mente a oeste. prática que atinge em graus diversos todos os povos indígenas na região50. ocorria também com frequência entre os Kapinawá. O já referido curso d'água. uma légua ao sul. animais etc. 1981) – pouco mais que uma légua a Nordeste.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO 15 de janeiro de 1979. Luz (1985). nº 2. As terras da Mina Grande. Além das roças havia reduzida criação doméstica e apenas duas ou três famílias tinham algumas poucas cabeças de gado. Campina Grande. num extenso vale dominado por uma imensa rocha – a Mina Grande – em cujas bases se encontram diversas grutas com ossadas e farto material cerâmico. do início da luta pela posse da terra49. contudo. que na maior parte do ano não chega propriamente a sê-lo. são consideradas boas na região em função da presença de olhos-d'água e de um pequeno riacho que corre ao longo do vale. quando não indicado./dez. dispersas entre as roças familiares de mandioca e milho principalmente. geólogos já haviam andado fazendo "levantamentos" na rocha da Mina Grande. por diversas vezes. idem). muito típicos do que os especialistas chamam "Tradição Nordeste". vol. As feiras semanais dos Kapinawá eram feitas preferencialmente na Vila do Catimbau – 825 habitantes em 1980 (IBGE. e da qual participei. para o caso Pankararé. Os Kapinawá moravam á época em habitações simples que seguiam o padrão típico regional. Cadernos do LEME.

p. no sentido de que não as consideravam comunidades territorial e politicamente organizadas. tal marco significou básica mente a revisão definitiva das perspectivas culturalistas segundo as quais Cadernos do LEME. situados a oeste da Mina Grande. não havia "aldeias". idem). II.(2681 habitantes. vários núcleos rurais e povoados vizinhos. Acredito que este breve relato. que apesar de haver aí índios. Campina Grande. 88 – 191. estavam na área ameaçada ou de algum modo ligados às que lá estavam. 1982). 123 . os Kapinawá. Quando indagados sobre quantos seriam. vol. apesar dos terreiros. dentro ou próximos da área definida em 1874. faz crer que sua tutela não se estendia então muito além das quarenta e oito famílias previamente identificadas (Motta & Mello. No caso do primeiro autor. mas certamente não "estavam na luta". por outro lado.que os índios costumam designar pelo seu antigo nome de Santa Clara . há certamente uma rica história e uma intensa elaboração intelectual e política que tem orientado este pequeno segmento social na sua crítica situação. nem procuravam a Funai então. 1985). além dos Xukuru e Kambiwá. 286 indivíduos em 1983 (apud "Aconteceu". É provável que afirmassem vínculos com "Macacos". Santa Rosa e Meirim (na sede do município de Ibimirim). Subjacente ao "estar na luta". impressionista em muitos aspectos. 3. Não conheci então estes núcleos nem como se definia sua gente. Mas se se indagava acerca da existência de outros índios nas redondezas. 1984) e 322 em 1985 (Vicente et al. ou mesmo com os antigos bandos da Serra Negra. ou seja. aos marcos territoriais e históricos na Mina Grande e em Macacos. Diziam. dá porém uma boa ideia da fertilidade que possa vir a ter aí uma investigação sobre processos étnicos. nº 2./dez. 2011. Campo teórico: definições Etnicidade Ao lidar com a questão da etnicidade parto sobretudo do marco teórico representado pelos trabalhos de Barth (1969) e Cohen (1969).DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Tupanatinga . a resposta dominante era a de que quarenta ou quarenta e poucas famílias "estão na luta". compondo o que se poderia definir como a comunidade da Mina Grande. referiam. aos rituais e a relação sempre ambivalente com a Funai. Jul. dentre os quais três em que havia terreiros e pajés: Quiri d'Alho. um pouco mais distante. Os números fornecidos por essa. A definição étnica dos Kapinawá parecia então perpassada em grande medida pela disputa territorial.

como se sabe. Barth desloca o eixo da questão do "conteúdo" objetivo destes grupos para os seus "limites" e suas relações com outros grupos do mesmo tipo. especialmente no Brasil.) cuenta con unos miembros que se identificam a sí mismos y son identificados por otros y que constituyen una categoria distinguible de otras categorias del mismo orden" (idem: 11). la característica de organizar interacción entre los indivíduos" (idem: 10-11). 3. A definição hoje clássica de que a noção de grupo étnico designa "una comunidad que (. veja-se Redfield et al (1936) e Siegel et al (1954). Jul. tem sido. generalmente son el fundamento mismo sobre el cual están construidos los sistemas sociales que las contienen" (1969:10).. 124 . ao definir o grupo étnico como "um tipo de organização social" (idem: 13). nº 2. Campina Grande. 52 Toda a discussão a respeito de critérios de identidade étnica está admiravelmente sintetizada em Carneiro da Cunha (1983). redefinindo assim o estatuto e o papel dos elementos culturais: 51 Para uma síntese do modelo teórico da "aculturação". "las dístinciones étnicas no dependem de una ausencia de ínteraccion y aceptación sociales. produzidas através e em função do seu isolamento em relação a outras "culturas". por el contrario. ainda que não a tenha elaborado exaustivamente em seu trabalho de 1969./dez. Ao adotar uma perspectiva que privilegia o aspecto interacional e a "característica de autoadscrição e adscrição por outros" (idem: 15). Podese entretanto ter uma ideia da sua importância no argumento pela afirmação de que "una adscripción categorial es una adscripción étnica cuando clasifica a una persona de acuerdo con su identidad básica y más general. é desde então a base de qualquer critério antropológico de identificação e definição étnicas e. 2011. Barth possibilitaria e estimularia a ascensão da noção de "identidade" a um lugar central nos estudos imediatamente posteriores nessa área. 88 – 191. Desse modo. Voltaremos adiante à questão da noção de "identidade". e desse modo passíveis de perder suas características e sua definição uma vez em contato com outros universos culturais.. Finalmente. os chamados "estudos de aculturação" marcaram os trabalhos no campo das relações interétnicas nestas perspectivas51. "los grupos étnicos son categorias de adscripción y identificación que son utilizados por los actores mismos y tienen. para Barth. p. Há uma avaliação crítica de ambos em Cardoso de Oliveira (1964). Cadernos do LEME. supuestamente determinada por su origen y su formación" (idem: 15). Assim. De fato. um instrumento frequentemente utilizado por especialistas nas discussões suscitadas pelas questões surgidas em torno do "reconhecimento" oficial de povos indígenas52. vol. por tanto.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO os grupos étnicos definiam-se por portarem "culturas" próprias e especificas.

conservatism. within the formal framework of a national state or of any formal organization. and is not the outcome of cultural conservatism or continuity" (idem: 199).DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO "Los razgos que son tomados en cuenta no son la suma de diferencias 'objetivas'. haja visto o seu estatuto jurídico diferenciado etc. vol. Jul. 3. Cohen revela que "ethnicity is essentially a political phenomenon. Cadernos do LEME. Assim. that we can say that we are dealing with ethnicity" (idem: 200).. e esses podem ser acompanhados em praticamente todos os seus desenvolvimentos através da obra de Roberto Cardoso de Oliveira. Interessado no fenômeno de "retribalização". 125 ./dez. de modo a atuarem como "grupos de interesse" no âmbito da sociedade envolvente. an ethnic group informally organizes itself or political action. de modo a construir oposições e classificações socialmente operacionais e simbolicamente relevantes. tomada enquanto a dimensão política de grupos organizados ("polity") informalmente com base em atributos e num "idioma" étnicos. No Brasil a gênese do que se poderia hoje reunir sob o rótulo de estudos de etnicidade é anterior mesmo as obras acima referidas. 1969: 196). 2011. "(. Reencontramos aqui a colocação crítica central de Barth na afirmação de que "contemporary ethnicity is the result of intensive interaction between ethnic groupings and not the result of complete separatism" (idem: 198). 53 Esse caráter informal. e que "ethnic groupings is essentially informal. when in fact we are confronted with a new social system in which men articulate their 'new roles' in terms of traditional ethnic idioms" (Cohen. Mas. Cohen preocupa-se em demonstrar o caráter inovador e dinâmico desses movimentos. as traditional customs are used only as idioms. deve evidentemente ser relativizado e problematizado ao se tratar do caso dos povos indígenas no Brasil. p.. que envolve diversos segmentos étnicos no contexto dos grandes centros urbanos emergentes na África negra. ao contrário do que ainda então se lhes atribuía: "To the casual observer it will look as if there is here stagnation. concluindo de modo definidor que.) tribalism involves a dynamic rearrangement of relations and of customs. "it is only when. or a return to the past. nº 2. sino solamente aquellas que los actores mismos consideram significativas" (idem: 15). It does not form part of the official framework of economic and political power within the state"53. embora inegavelmente característico da organização étnica típica. 88 – 191. Já a contribuição fundamental da monografia de Cohen consiste no uso que faz da categoria "etnicidade". Campina Grande. acima de tudo. and as mechanisms for political alignment".

1962: 128). 54 55 Há boas sínteses históricas destes trabalhos em Galvão (1953) e em Schaden (1969). 1967) incorpora. 1967) – que busca dar conta das variáveis estruturais que orientam as perspectivas e os níveis da articulação e da participação de segmentos indígenas na sociedade nacional – seria responsável. 126 . definida como "situação de contato entre duas populações dialeticamente 'unificadas' através de interesses diametralmente opostos. onde suas etapas mais significativas são marcadas pelas monografias de Gluckman (1940) e de Turner (1957). em seguida ampliado e complementado com o do "potencial de integração" (Cardoso de Oliveira. O modelo da "fricção interétnica". e por outro. 1945) a respeito. principalmente através de Balandier (1955). 1964. até então amplamente dominantes no Brasil54. no mais das vezes. as noções e posturas teóricas que vinham se desenvolvendo também na Inglaterra. por uma significativa ampliação da compreensão das relações interétnicas envolvendo povos indígenas no Brasil (Cardoso de Oliveira. de estudar a "situação" – "tomada como 'totalidade sincrética'" – de "fricção interétnica". 88 – 191. p. Quanto à noção de "fricção interétnica". Trata-se assim.e.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Partindo também de uma crítica aos estudos de aculturação. ainda que interdependentes. conflituosos. assumindo esse contato muitas vezes proporções 'totais'./dez. Jul. 1962: 127-8) 55. exemplarmente elaboradas por Cardoso de Oliveira em sua aplicação ao estudo do contato entre índios e não-índios no Brasil. e que representam o produto de uma revisão critica das primeiras tentativas da Antropologia funcional em lidar com as questões do "contato interétnico" e da "mudança social". Laraia & Da Matta.. i. entre outros). Aquelas noções podem ser sintetizadas nas categorias analíticas de "processo" e de "situação". 1967. e tomando como objeto básico o "contato interétnico" – entendido sobretudo enquanto uma dimensão e uma resultante de processos coloniais – Cardoso de Oliveira (1962. veja-se também o seguinte trecho: "Chamamos 'fricção interétnica' o contato entre grupos tribais e segmentos da sociedade brasileira. envolvendo toda a conduta tribal e não-tribal que passa a ser moldada pela situação de fricção interétnica" (Cardoso de Oliveira. caracterizados por seus aspectos competitivos e. 1967. Melatti. por um lado. 3. nos anos sessenta. por paradoxal que pareça" (Cardoso de Oliveira. 2011. nº 2. expressas fundamentalmente nos trabalhos teóricos de Malinowski (1938. da "elucidação dos mecanismos que norteiam a passagem da ordem tribal à ordem nacional em que se transfiguram ou tendem a se transfigurar as populações aborígenes". que define aqui tanto um objeto quanto um modelo de análise. 1964. Cadernos do LEME. vol. Campina Grande.

Campina Grande. entre outras coisas. como por exemplo as dirigidas por Gelfand & Lee (1973). Keyes (1981) e Whitten Junior (1981). Bennett (1975). 88 – 191. 1973. Preocupado com uma conceituação antropológica de "identidade". Os estudos de etnicidade tiveram ampla propagação na década de setenta. Jul. Tomamos como exemplo significativo desta revisão uma recente comunicação do próprio Barth (1984). Esman (1977). principalmente nos Estados Unidos57. A noção de "identidade étnica" assim construída tem também como característica definidora a sua natureza "contrastiva" e situacional. em que este ocupa-se. e aqui em especial a identidade étnica. 1966. retendo como essencial e condição de inteligibilidade e eficácia dessas categorias. questão que já lhe havia sido despertada no estudo do fenômeno que denominou "caboclismo" (Cardoso de Oliveira. ocupa posição nuclear56. e busca sobretudo complementar o modelo sociológico da "fricção interétnica" acrescentando-lhe uma categoria de análise capaz de compreender o sistema interétnico a nível das suas representações e "ideologias". Bell & Freeman (1974). 127 . produzidas pela sociedade envolvente na situação de fricção interétnica. 1976). Cardoso de Oliveira dirige sua atenção especialmente para a "identidade étnica" (1971. Dofuy & Akinsola (1980). vol. no universo das quais. 1964). 1974: 51). that ethnicity is best used as a concept of social organization. e que diz respeito às diferentes representações que os indígenas fazem de si mesmos e dos outros à medida que incorporam concepções. 1969). já incorporando as formulações de Barth (1969). a identidade. nº 2.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Na década seguinte. Cohen (1974). em delimitar com mais precisão o alcance das suas ideias de 1969: "I have argued emphatically (Barth. 1969). Cardoso de Oliveira articula esta noção à de "representações coletivas" (Durkheim. ainda segundo Cardoso de Oliveira (1978). Poulantzas. one that allow us to depict the boundaries and relations of social groups in terms of the highly selective repertoire of cultural 56 57 Sobre este ponto ver também a posição de Da Matta (1976). Uma amostra dessa propagação pode ser fornecida pelo volume das coletâneas de estudos na área. 3. a "condição de serem referidas aos sistemas de relações sociais que lhe deram origem" (Cardoso de Oliveira. 1912) e sobretudo à de "ideologia" (Berger & Luckmann. Glazer & Moynihan (1975). p. 2011./dez. De Vos & Romanucci-Ross (1975). A fecundidade dos estudos de caso daí decorrentes pode ser observada em trabalhos como os de Aquino (1977) e Barros (1977). and most writers seem to agree. não necessariamente as mais significativas. sobretudo a seu respeito. Cadernos do LEME. tendo chegado a um nível de dispersão que fez surgir a necessária revisão crítica já a partir do final da década.

"give an account of their history – not in the sense of the origin of the tradition or the origin of its contents. por um lado. se adotar a distinção entre "etnicidade" e "pluralismo cultural" – que. a uma descrição minuciosa ("depiction") de todo o contexto social no qual as tradições culturais em causa se inscrevem: "(. porém. e trabalhando com o exemplo de uma pequena comunidade urbana (Sohar. mais uma vez.) since these component traditions or cultural streams are so weakly bounded. Cadernos do LEME. 2011. o que implica tanto na abordagem de sua organização social e política quanto em.. Barth demonstra a necessidade de. 1984: 80). values and practices that are distributed in a population. For that very reason. 128 . imprescindível quer estejamos lidando apenas. Ainda mais importante./dez. para uma reorientação dos estudos de etnicidade. a autora discute o sentido da especificidade da etnicidade enquanto modalidade de organização e de discurso político-sociais.. nº 2. but an account of the nature of continuity insofar as it can be ascertained" (idem: 80). we need to depict the whole context in which they are realized" (idem: 86). para esse autor. parece ser. proceder-se. Embora esteja interessado em um caso do gênero que Barth certamente classificaria como típico de "etnicidade". Jul. p. no fundo. Interessado agora em dar conta do "pluralismo cultural". por outro lado. quase sempre.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO contrasts that are employed emblematically to organize identities and interactions. No primeiro destes trabalhos.are things that change both their boundaries and their contents" (idem: 79) 58. haja visto que "the things that are associated in the plurality – the cultures or traditions or streams . quer com realidades culturais de maior complexidade. me parece ser a contribuição de Carneiro da Cunha (1979. 88 – 191. ainda mais que. though it no doubt serves to identify the set of forces that affects this distribution" (Barth. na investigação do pluralismo. com etnicidade. 3. como diria Barth. distingue-a de outras 58 Ver também o desenvolvimento inicial dessas questões em Carneiro da Cunha (1977). vol. ethnicity provides only a very oblique and deceptive framework for investigating the actual bodies of beliefs. no sentido da atenção metodológica e teórica as "situações" e "processos". Oman) onde diversas tradições culturais e religiosas bastante vigentes e efetivas interpenetram-se e atingem diferentemente os vários estratos sociais e segmentos étnicos. interessante – essas recomendações – dirigidas sobretudo contra o uso abusivo da categoria "etnicidade" como dimensão explicativa nas mais diversas situações socioculturais – me parece inegavelmente apropriadas. Apontando a insuficiência nesse sentido em defini-la simplesmente como ideologia. Campina Grande. 1985). elas estão apenas nos remetendo.

p. como se pode verificar logo a seguir: "Suponhamos que um grupo indígena. A autora retoma essas questões em sua monografia de 1985 elaborando a redefinição de "cultura" consoante seu lugar na etnicidade. Doravante parâmetro.). tradicionais. (Essas) (. ser composta de 'todos' os traços de uma eventual cultura de origem: no entanto. suas tradições. essa construção de uma cultura da diferença. ao fazer estas considerações. mas uma categoria 'nativa'. não mais que estes outros grupos. 1979: 38). a autora tem em mente justamente a situação dos índios no Nordeste. como uma forma de organização política: esta perspectiva tem sido muito fecunda e tem levado a considerar a cultura como algo constantemente reelaborado. Campina Grande. recolocando aqui criticamente a noção de "cultura". sua condição de parâmetro. 1985: 207). "portanto. imemoriais. 'Seleção' elaborada de traços culturais tidos por autênticos. na retórica usada para se demarcar o grupo – nestes casos uma assunção de fé ou de genealogias compartilhadas./dez. agora. 1985: 207) 59. 2011. É em bloco.. isto é. Vejamos o que diz: "tentei mostrar que a etnicidade pode ser melhor entendida se vista em situação. Tal implica em afirmar que. que (elas) passam a marcar relações e privilégios entre 'todos' desse grupo e um grupo 'outro'" (Carneiro da Cunha. suas técnicas. 129 . através do que chama – apenas por conveniência. mas essa perspectiva acarreta também que a etnicidade não difere do ponto de vista organizatório de outras formas de definição de grupos... de pedra de toque da identidade. Cadernos do LEME. despojando-se então esse conceito do peso constituinte de que já foi revestido. vol. Difere. 59 É interessante notar que. a 'cultura da diáspora' é coisa diversa do que poderá ter sido. põem em causa a própria noção de cultura. usada por agentes sociais para os quais ela é relevante. altera-lhe essencialmente a natureza" (Carneiro da Cunha. tais como grupos religiosos ou de parentesco.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO formas sociais de organização e expressão pela evocação que traz a uma origem (tradição. história) e a uma cultura comuns. mesmo neste improvável caso. ressalta – de "cultura da diáspora": "Os estudos da etnicidade. a etnicidade não seria uma categoria analítica. consiga recuperar plenamente a língua dos seus antepassados.. enquanto na etnicidade se invocam uma origem e uma cultura comuns" (Carneiro da Cunha. poderia até.) não serão mais estritamente o que foram na origem (. Jul. no limite. desses que lutam pelas suas terras invadidas e pelo seu reconhecimento. 88 – 191. e creio ter sido um equívoco reificá-la como tem sido feito" (idem: 38-39). nº 2. 3. isto sim.

1903. natural etc. 1912. principalmente. Se tomamos a etnicidade como um modo especial de pensar e articular ordens sociais em que a "cultura" – e certamente a "história" como constituinte fundamental dessa – aparece como elemento definidor. basicamente. a etnicidade usa espécies culturais para pensar um conjunto social de novo tipo. 3. tal qual delimitada acima./dez. desenvolvendo-se mais recentemente – e ao meu ver um tanto diluentemente – em Bourdieu (1979). temática que nos traz desde os trabalhos clássicos de Durkheim e Mauss (Durkheim & Mauss. como o dos "processos e lógicas sociais de classificação". Importante observar aqui como. 1985). nº 2. pertinente à descrição e análise dos seus processos fundamentais. como em Dumont (1966). em especial no que diz respeito ao desempenho estrutural e ideológico das sociedades indígenas. conforme Cardoso de Oliveira (1964 etc. com as quais forma um sistema. ainda que.. 1938). que ao tomá-la como fio condutor das nossas reflexões. a sociedade multiétnica" (idem: 208). julgamos a noção de etnicidade. Mauss. Cohen (1969). 2011. enquanto tal. Voltando agora ao nosso interesse nos movimentos indígenas no Nordeste. sem perder de vista entretanto o legado da moderna etnologia brasileira no estudo de sistemas interétnicos. que ela constitui "resposta política a uma conjuntura. É uma estratégia de diferenças" (idem: 206). sobretudo.). Jul. ou seja. inclusive na medida em que esta incorpora o essencial das contribuições de Barth(1969) e. resposta 'articulada' com as outras identidades em jogo. porém. É preciso deixar claro. certamente podemos e devemos tomá-la como categoria nativa. entendendo-se por classificações o conjunto de representações da sociedade a respeito. passível da nossa elaboração teórica secundária. vol. de sua própria ordem – organização social – mas também de ordens cósmica. 130 . pela posição de Carneiro da Cunha (1979. Durkheim. Oriento-me assim.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO No balanço critico que faz daqueles estudos Carneiro da Cunha reafirma que o que se ganhou com os estudos de etnicidade foi a noção clara de que a identidade é construída de forma situacional e contrastiva. desse modo. os estudos de etnicidade se inserem num campo de preocupações mais amplo e mais tradicional na Antropologia Social – sobretudo a francesa – que podemos definir. p. 88 – 191. o fazemos – como não poderia deixar de ser – enquanto uma categoria Cadernos do LEME. atinge sua dimensão cognoscitiva e elaboração teórica máximas na obra de Lévi-Strauss (especialmente 1962a e 1962b). Campina Grande. 'grosso modo'. E mais adiante: "é nesse sentido que a questão da etnicidade é análoga à do totemismo: se este usa espécies naturais para pensar grupos sociais.

1968) e Hegel (por exemplo 1802). É elementar. por outro lado. além de trazer questionamentos importantes aos seus fundamentos nas Ciências Sociais. uma delimitação sociológica mais segura da noção de "identidade". cuja extrema difusão parece ter debilitado sua eficácia cognoscitiva e explicativa. que dentro dos limites de investigação que aqui se propõe. Antropologia política 60 Ao meu ver. que poderia. nº 2. se possível. Dentro desses limites. É evidente que sabemos que ao se tratar de etnicidade estaremos forçosamente lidando com "identidades sociais". Caberia aqui ainda esclarecer a opção que faço por "etnicidade" em lugar de "identidade étnica". Tal se deve. a uma intenção em marcar a natureza essencialmente política do que estamos tratando – ou seja. em primeiro lugar. 3.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO que remete a uma ordem de fatos essencialmente políticos e marcadamente históricos. sendo as situações sociais das quais nos ocupamos informadas. Em outras palavras. 88 – 191. 2011. mas sempre bom lembrar. 131 . exigiria antes que tudo uma reavaliação das suas matrizes psicológica e filosófica.). p. organizadas e reproduzidas em termos de uma etnicidade. vol. e que tem um uso mais estabelecido. como bem o demonstra Cardoso de Oliveira (1976. É sabido também. naturalmente. 61 Ver também Héritier (1977) e Izard (1977). para contornar a polêmica epistemológica e sociológica em torno do conceito de "identidade" (conforme por exemplo Lêvi-Strauss et al. tal conceito – o de uma "identidade étnica" – pode ser suficientemente bem delimitado e operacionalizado. 1977). Campina Grande. pelo menos na Etnologia brasileira. senão até Aristóteles (século VI A. "etnicidade" parece suprir a demanda teórica com vantagens significativas. não me disponho. seja lá como se possa defini-las exatamente – e a diversidade de acepções aqui é certamente ampla – o que entretanto não parece ser motivo suficiente para que se privilegie analiticamente um conceito que se tem revelado tão "difuso"60. em vista do que se torna imprescindível à eficácia e coerência dessas reflexões o recurso a outros elementos teóricos de análise que nos permitam compreender as fundamentais dimensões político-organizacional e temporal daqueles movimentos. à primeira vista. Jul. Cadernos do LEME. tais processos só nos serão inteligíveis através de uma Antropologia em sentido mais amplo – e mais ou menos nos termos propostos por Barth (1984) – em especial uma Antropologia Política. pelo menos até Erikson (1950. 1978) 61. nos termos em que o coloca Cohen (1969) – e. o que quero dizer é que.C. tarefa à qual. que o essencial do nosso material de análise se constitui de relações sociais e suas representações./dez. lhe ser equivalente. em segundo lugar. porém.

ao meu ver. 2011. na base da já referida concepção "situacional" e "contrastiva" segundo a qual se pensam hoje as "identidades sociais". em função sobretudo da implantação do sistema de 'indirect rule'. Jul. 132 . enfim. obscurecendo-se o desenrolar do processo analítico. a resultados próximos aos de Evans-Pritchard. a base territorial. assim como de concepções mais dinâmicas a respeito de "estrutura social". sobretudo na Introdução assinada pelos editores. para formulações em torno da ideia de "conflito" e onde a "mudança estrutural". 3. mas que nem sempre aparecem convenientemente explicitadas no resultado final das pesquisas. Discutem-se questões como "chefia" e ou "governo". já traz uma preocupação transparente. No mesmo ano. os "limites" do "grupo político" e. Voltada ainda principalmente para a compilação e comparação extensivas de diversos casos. A análise exemplar desse princípio organizacional – a "segmentaridade" – está./dez. com a discussão da noção de "poder" e a proposição de conceitos a ela associados como os de "força organizada" e "correlação de forças". nº 2. se colocam de modos diversos daqueles até então amplamente estabelecidos.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO Já referi de passagem os desenvolvimentos da Antropologia Social britânica no sentido de introduzir em seus estudos noções como "mudança" e "contato". ainda que limitado. construindo oposições e alianças significativas ou não segundo níveis estruturais e situações diversas. 88 – 191. linhagens e sublinhagens. mas através de uma perspectiva algo diversa. Típica deste período é certamente a coletânea organizada por Fortes e Evans-Pritchard (1940) sobre os sistemas políticos africanos. Partindo da constatação de que as "situações sociais" constituem a matéria-prima do trabalho etnológico. De fato tal necessidade surge fundamentalmente do trabalho na África negra. Gluckman chega. vol. Campina Grande. intentando delimitar no plano teórico e empiricamente um campo próprio do "político" – essencialmente das relações de poder – delineando-o também em seus vínculos com o parentesco. clãs. em que se descreve o modo segundo o qual essa grande sociedade "descentralizada" se organiza segmentarmente em tribos. especialmente a partir da obra de Radcliffe-Brown (por exemplo 1940). que exige uma articulação e um conhecimento próximos dos sistemas políticos locais tradicionais. p. onde antropólogos frequentemente prestavam assessoria ao governo colonial. Gluckman propõe uma Cadernos do LEME. a demografia. O trabalho mais significativo então é sem duvida o de Evans-Pritchard a respeito dos Nuer (1940 a e b).. em seu ensaio sobre a Zululândia (1940). além da própria noção de "estrutura social". as respostas desses sistemas ao "domínio europeu". abrindo-se um espaço. os "valores místicos" etc.

63 No primeiro desses artigos. e isto marcaria o seu desenvolvimento subsequente. (. e por outro. 1957. vol. quando não propriamente histórico. por um lado. 133 . através da qual se procura lograr uma demonstração da "estrutura social". nº 2. 1947) 63. Campina Grande. uma preocupação já bastante explícita da "análise situacional" era também dar conta da mudança social. em que "cada caso era selecionado de acordo com sua adequação a um item particular da argumentação. 1959 etc. seguida de uma interpretação bastante direta. Cadernos do LEME. within these situations to exhibit the nature of the social structure. hoje sobejamente reconhecida.) com uma revisão do casamento mal sucedido entre a sua teoria funcional e as questões impostas pela necessidade de se lidar com a mudança e o "contato" (Gluckman. 88 – 191. como o próprio Gluckman faria questão de ressaltar ainda muitos anos após (1959. não parecia requerer muita elaboração teórica e. da contradição nos sistemas sociais. Ver também a respeito Durhan (1978). enquanto expressões acabadas da morfologia social. e contra o que se chamou de "método da ilustração adequada" ("method of apt illustration"). da obra de Malinowski para a Antropologia Social. A essa altura a noção de "situação social". p. 1959: 66). os objetivos finais da analise de caráter essencialmente morfológico eram ainda dominantes: "we called these complex events 'social situations'. imediatamente anterior à Segunda Guerra. Entretanto. da flexibilidade e. 3.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO descrição minuciosa de "situações". Gluckman crítica demolidoramente as concepções malinowskianas de "dinâmica cultural". But it was still the social morphology that we were aiming to present" (Gluckman.. o que é feito sobretudo através de um acompanhamento etnológico a bem mais longo prazo. delimita a contribuição. 1967). No segundo. um interesse decrescente nas "estruturas". Pretendia-se então. 2011. combinar os progressos do método etnográfico desenvolvido por Malinowski (1922 etc. eventualmente. dando lugar ao estudo das transformações.). Tem-se assim./dez. entendendo-se por "casos" uma sequência temporal relativamente longa de "situações" correlatas (Gluckman. de qualquer modo. mas através dessa mesma ênfase nos "casos". O próprio Gluckman sintetiza o resultado desse desenvolvimento teórico e metodológico do 62 No caso desse ensaio de Gluckman se pode definir esse objeto de demonstração como a sociedade colonial da Zululândia por ocasião da consolidação administrativa do domínio britânico. 1946. Jul. em especial sua tentativa de considerar os dois segmentos sociais envolvidos numa situação de contato como sistemas autônomos.) não havia conexão regularmente estabelecida entre as séries de incidentes nos casos citados em diferentes momentos da analise" (Gluckman. uma ênfase sempre crescente no estudo e na descrição sistemática de "casos". ainda que informada pelo conhecimento de outros fatos e situações. tal qual se apresenta em contextos social e historicamente datados62.. embora angular. selecionadas sobretudo em função da importância social nelas investida e vivenciada pelos próprios atores. 1967: XIV).

relativo ao eixo temático da série de situações abordadas. Sempre que se aplicou este método a monografias que usavam o método da ilustração adequada. etc. o seu enredo. agindo no quadro de sua cultura e do seu sistema social. 1954a./dez. "O uso mais fecundo que se pode fazer dos casos consiste em tomar uma série de incidentes específicos ligados às mesmas pessoas ou grupos. vol.. Já em Turner (1957). Sem abrir mão de uma competente descrição morfológica da "estrutura social" da aldeia que estuda e dos "princípios abstratos" que orientariam a constituição dessa estrutura. sempre com base no seu rico material etnográfico banto. inclusive exógeno. menos rígido. entretanto. menos amarrado" (idem: 68). p. seja enquanto elemento rotinizado. descritos sistematicamente numa sequência de episódios relacionados. e demonstrar como esses incidentes. Cadernos do LEME. sob uma cultura. 3. "I was (. 88 – 191. Gluckman reconhece que. 2011. Jul. ritualizado e absorvido por esta (1952. por assim dizer. têm-se conclusões que instigam a discussão em torno da definição teórica da noção de "estrutura social". Campina Grande. no decorrer de um período suficientemente longo. já então. Gluckman dedicaria boa parte da sua produção nos anos quarenta e cinquenta – reunida principalmente em 1955 e 1963 – à discussão do "conflito" em suas relações com as estruturas sociais.. constituindo. seja como agente modificador (por exemplo 1954b).). A expressão mais acabada de uma análise de variabilidade estrutural. emergiu um quadro muito diferente do sistema social: mais complexo. esses casos. onde. a série de questões que acompanhamos ao longo da obra de Gluckman desaguam no pleno desenvolvimento metodológico do que viria a ser designado "método de caso desdobrado" ("extended case method") e na formulação do conceito de "drama social". Enfim. 1967: XX). 134 .) on the way to making the kind of analysis of how the many different components in a social system operate with varying weight in different types of situation" (Gluckman. nº 2. Turner acompanha a vida da aldeia e dos seus habitantes ao longo de vinte anos. temos que utilizar uma série de casos conexos ocorrendo dentro da mesma área da vida social" (idem: 69). ao lado de uma demonstração etnologicamente cuidadosa dos complexos princípios que operam essa variabilidade.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO seguinte modo: "se pretendemos penetrar mais profundamente no processo real pelo qual pessoas e grupos convivem com um sistema social. se relacionam com o desenvolvimento e a mudança das relações sociais entre essas pessoas e grupos. é certamente a monografia de Leach (1954) sobre as diferentes ordenações políticas dos povos Kachin do Norte da Birmânia. numa avaliação bastante posterior do seu ensaio pioneiro de 1940.

Jul. Swartz contesta a necessidade da presença de "poder" na definição do "político". Cadernos do LEME. por outro lado. por sua vez. p.. 1957: XI). considerando principalmente a possibilidade de "metas" envolvendo de modo uniforme todo o grupo considerado. Essa delimitação do "político" permite.) is the study of the 'processes' involved in determining and implementing public goals and in the differential achievement and use of power by the members of the group concerned with those goals" (swartz et al.) away from the early preoccupation with the taxonomy. 135 . 88 – 191.. e nas "Introduções" desses a estas coletâneas em que. Swartz diz que "our first task in a political study is to determine what public goals are present and to move from there to the investigation of the social arrangements. Turner e Tuden (Swartz et al. mais além que apenas nas esferas ou "estruturas" tradicionalmente identificáveis como políticas. Campina Grande. A apropriação das ideias e posturas próprias da chamada "escola de Manchester" na constituição teórica de uma Antropologia Política com diretrizes e procedimentos bem definidos pode ser observada nos trabalhos reunidos por Swartz. nº 2. "how certain principles of organization and certain dominant values operates through both schisms and reconciliations. orientada sobretudo para a definição e busca de metas coletivas ("public goals"): "the study of politics (. desenvolve uma delimitação marcadamente teleológica do "político". 1966: 7) 64. 1968: 3). and function of political systems to a growing concern with the study of political processes" (Swartz et al. principles. 1966: 1). como se verá a seguir. estudar a sua presença em terrenos diversos da vida social. observam que "There has been a trend (. 1966) e por Swartz (1968).. com as disputas em torno da sucessão à chefia – em que aqueles princípios estruturais são vistos em sua ação e manipulação – tomados como vetor principal para caracterização do "drama social" em torno do qual se desenrola a análise que./dez.. pretende demonstrar. 3. vol. "if we look at the religious ceremony from the point of view of the processes by which the group goals are determined and implemented (how it was decided that a ceremony was to be held. structure. A adoção de uma perspectiva "processualista" – como de fato se tornaria conhecida – mais atenta aos "eventos" (Swartz. how the time and 64 No trabalho seguinte (1968). Pensando em termos bem práticos. basicamente. 1968). acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos na área. Por exemplo. 2011. and how the individuals and groups concerned try to exploit the varied principles and values to their own ends" (Gluckman. and values which are involved in the processes centering around those goals" (Swartz. Essa perspectiva porém parece muito centrada no "nível local" e exige a elaboração da dicotomia "campo" X "arena".DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO fundamentalmente.

É importante notar contudo que tal não implica na exclusão da investigação daquelas instituições. apenas que essas devem ser tomadas em sua ação no "campo" político. The combined unit is a spatial-temporal continuum" (Swartz et al.. crenças. meanings. Jul. vol. ou mesmo saem e entram no "campo". nº 2. Swartz chega entretanto a tentar uma delimitação mais formalizada do que venha a ser um "campo". employed by these participants in that process" (Idem: 9). 1966: 8). ou da estrutura social. it is historical time. 3. Swartz propõe a caracterização de uma "área sociocultural espacial e temporalmente adjacente ao 'campo'". "The greatest value of the 'political field' view is to broaden the scope of data collection at the same time it brings about closer scrutiny of social behaviour that might be neglected were we to assume an already known boundary to political activity on the beginning of our political investigation or a predetermined basic outcome of that activity" (idem: 8). repetitive societies. 1966: 7). que ele chama de "arena". busca tanto maior fluidez e abrangência quanto aos fatos a serem tratados. it tends to be the political 'field'. mudam de posição e de conteúdo. resources and relationships./dez.) and by which power is differentially acquired (which ritual experts are successful in telling the 'laity' what to do. Campina Grande. "political anthropology no longer exclusively studies – in structural functionalist terms – political institutions of cyclical. bem Cadernos do LEME.. p. composta pelos indivíduos e grupos de algum modo relacionados àqueles presentes no "campo". A noção de "campo" ("field"). etc. assim como seus valores. interesses. Dada a necessária fluidez desses limites à medida que os indivíduos e grupos envolvidos. seu repertório cultural de valores. Its unit of time is no longer 'structural time'.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO place were determined. 88 – 191. interesses etc. 2011. Its unit of space is no longer the isolated 'society'. "A field is defined by the 'interest and involvement of participants' in the process being studied and its contents include the values. 136 . como uma melhor integração da investigação com os dados e com uma perspectiva históricos. how the things to be used in the ceremony were obtained etc. aqui desenvolvida. 1968: 6). "'Field' is a concept which allows for both continuity and change in the relations among the participants in politics and it does not have the rather rigid quality carried by such more common terms as 'political system' or 'political structure'" (Swartz. how these experts marshal support for their power and undermine that of their rivals etc. seus recursos. Desse modo.) we are studying politics" (Swartz et al.

a investigação detalhada das genealogias. clivagens. aspectos com relação aos quais certamente encontraremos internamente diferenciais de opiniões e avaliação. mas não diretamente acionados no processo em estudo (Swartz. as relações sociais internas e externas desse grupo. 2011. Para uma discussão da noção de rede social e suas aplicações. reordenações. p. roças comunitárias). ver especialmente Barnes (1968) e Bott (1971). a consolidação interna de uma série de valores e posições sociais etc. e suas representações e os desdobramentos contemporâneos desse movimento.). vol. Tentando sintetizar o que me parece essencial no desenvolvimento teórico acima resenhado. Cadernos do LEME. enfim. Campina Grande. Outra possibilidade interessante que se nos apresenta é a de delimitarmos um "campo" político com base na articulação entre seus membros e nos objetivos desse movimento. Penso o conceito de "parentela" no sentido em que o utiliza Campbell (1963). ver Barnes (1967). A possibilidade de articulação crítica e descritiva do material assim obtido com os dados históricos – tanto os da história oral quanto os de documentos escritos etc. a instituição e distribuição de posições de destaque (cacique. das práticas sociais e políticas no grupo em questão. mas também para orientação da analise. 1968: 9ss. É certo que 65 Com relação aos levantamentos genealógicos como método de pesquisa. ou "de nível local". Jul. uma boa base lógico-descritiva para ordenação do material etnográfico. conflitos. apenas a título de exemplo. nº 2. Uma questão com a qual teremos que lidar diz respeito à articulação do nosso "campo" com as instâncias externas a ele relacionadas e que nele interferem. Teríamos assim. por parte do pesquisador.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO como todos esses atributos possuí dos pelos membros do "campo". se possível desde antes do seu aldeamento pelo colonizador até a emergência de um "movimento étnico" na segunda metade do século XX. por um lado a auto-delimitação étnica do grupo. e o que se nos apresenta à investigação é. 137 . um processo histórico: a constituição de um grupo local indígena. e mais uma vez voltando a pensar mais explicitamente em termos dos interesses de pesquisa aqui delineados. fatos e fatores que se poderá certamente dispor numa sequência lógica e cronológica estruturalmente ao estilo de um "drama social". vale dizer que julgo fundamental no estudo de grupos políticos de pequenas dimensões.). e por outro a retomada e garantia do território. parentelas e redes sociais envolvidas65. a "assistência" governamental./dez. aliada a um acompanhamento o mais duradouro e próximo possível. a adoção de práticas coletivas com uma organização prévia (rituais. 88 – 191. pajé etc. 3. o "reconhecimento". parece-me.. sem dúvida. Poderíamos ter assim algo como. – é seguramente indispensável à compreensão e delimitação de todo o processo que compete investigar.

ou ideologias. nesse terreno. Finalmente.e estou interessado em fazê-lo – nos diversos planos de relacionamento com os povos indígenas vizinhos. o que equivale a dizer. Poder-se-á talvez pensar em termos próximos aos da dualidade "campo-arena" em Swartz (1968). vol. 88 – 191. Bourdieu. 1922) – ou.). numa outra perspectiva. Acredito que. entre outros aspectos. estaremos sempre nos defrontando com padrões mais ou menos recorrentes de organização e 66 Eximo-me aqui de resenhar toda a vasta discussão em torno das dimensões simbólicas do universo político – e que teria que incluir. p./dez.. 1968. a própria noção de "ideologia política" – ou mesmo até em torno da dimensão política do universo simbólico. Vale a pena mencionar porém. "Micropolitique et Segmentarité": 253-283. de modo amplo. 1969b. Jul. e ficando apenas num campo mais propriamente antropológico.1976. no sentido de uma certa "simbologia política". Campina Grande. Cadernos do LEME. com o que se quer também dizer tratar-se de uma modalidade especial de "política". quanto para a vida social em sua atividade cotidiana constantemente criadora e "imponderável" (conforme Malinowski. 1974 etc. e isso não apenas pela necessidade de acompanhar desdobramentos políticos em áreas diversas do social – do modo bem característico de boa parte da obra de Turner (1966. em suas "práticas" (Bourdieu. representá-las. mas muito provavelmente não de modo tão esquemático. a sociedade local envolvente. 3. 138 . 1969. se se quiser. Penso em especial na formulação aqui adotada para "etnicidade" como um modo particular de se constituir ordens sociais. Com relação ao sentido e à abrangência em que devemos tomar a categoria "política". as contribuições do próprio Principalmente o capítulo 9. o governo etc. pelo menos com relação aos rituais – mas sobretudo pela abertura que isso da no sentido de se poder pensar. Sabemos que se. acima de tudo. alguns dos elementos teóricos tratados parecem interessantes (conforme Van Velsen. por um lado. os núcleos camponeses próximos – "indianizáveis" ou não – o movimento indígena a nível regional e nacional. algo da produção posterior de Balandier (por exemplo 1980). Sabemos que no plano da nossa investigação estaremos certamente sendo levados a dimensionar todo o "campo político" fundamentalmente em termos de uma etnicidade66. de pensá-las. ou no sentido de uma revisão radical das concepções de uma "estrutura social" (Sahlins. 1974) e. 1967) na medida em que permitem – sem que se tenha que entrar mais profundamente na discussão das relações entre "estrutura" e "acontecimento" ou "estratégias". mas. de qualquer modo. a discussão da "etnicidade" seja já suficiente para os nossos objetivos de analise. a dimensão eminentemente simbólica da própria "política". nº 2. Cohen (especialmente 1968. 1972) – dirigir a investigação tanto para as instâncias socioculturais mais estáveis e recorrentes.1981. 1972). teremos que pensar. parece fundamental poder-se dimensionar em termos políticos todo um conjunto bastante vasto de relações sociais e principalmente de representações. 2011.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO muitas dessas "interferências" poderão ser analiticamente subsumidas ao próprio "campo".

ainda que diferencial. Barbosa. através de uma ótica "micro". os seres humanos aplicam sua irrefreável capacidade de reflexão. importância reafirmada constantemente no atual contexto de lutas. 88 – 191. sem dúvida. Santos. Ainda que colocado de modo e em bases bem diversos. elementos sobre os quais. 139 . e talvez também nas de Deleuze e Guattari (1982) 67 . Nomeadamente questões relacionadas à territorialidade. Penso aqui em especial nas idéias e pesquisas – polêmicas mas sempre instigantes – de Foucault (especialmente 1979). Campina Grande. Antes de passarmos a outras questões. 1952 etc. 1981. e que. assim como sobre as "estruturas". 1985. às ideias de "revitalização cultural". tendo em vista mais diretamente a situação atual dos povos indígenas no Nordeste. "se existe uma palavra-chave ou um símbolo para os índios do Nordeste me parece ser 67 Principalmente o capítulo 9. 3. podemos quiçá vislumbrar em um método "genealógico" de compreensão do real. vol. ainda que basicamente sob efeito e em resposta a determinações múltiplas. ou ao menos mencionar. Zaluar. e numa intenção. Jul. p. ao "contato" e sistema interétnicos e ao quadro socioeconômico regional. podemos elaborar e aprisionar em "modelos" (conforme Lévi-Strauss. 2011. Outras questões teóricas Há ainda algumas questões de relevância teórica que gostaria de discutir preliminarmente. Cadernos do LEME. 1982. Barata. "Micropolitique et Segmentarité": 253-283. 1975. de boa parte das ideias aqui esboçadas pela Antropologia brasileira contemporânea no estudo da política a nível de pequenos grupos sociais. quanto em situações muito diversas (Velho. entre outros). a vida social é moldada sobre fatos e situações sempre novos. à tutela. tem revelado sua propriedade tanto em casos de sociedades indígenas em convívio com a sociedade nacional (Oliveira Filho. vale a pena ao menos referir a possível contribuição de outras vertentes teóricas para uma Antropologia Política. nº 2. Já assinalei o lugar central do território no movimento dos índios no Nordeste. 1983). em perseguir o poder nos seus mais recônditos interstícios. de escolha e de inovação. para mais além desses padrões. 1981. ao "campesinato indígena". Barsted. as classes sociais.) – sabemos por outro que estas instâncias só ganham sentido e expressão no uso que delas fazem os indivíduos e grupos. 1977./dez. A adoção. Como bem observa Lea.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO representação das relações sociais – as "estruturas" que. algo não muito distante daquilo que os antropólogos têm procurado fazer.

1975 etc. e o valor simbólico atribuído. a territorialidade é um dado cultural que. vol. a origem. 1985). 1984: 177). Campina Grande. parecendo se constituir no elemento crucial do engendramento da identidade dos povos considerados" (Carvalho. Já assinalei também o papel do território na definição étnica desses grupos. dos Xukuru com a Serra do Urubá e – a mais tocante também para nós – a dos Pataxó com o Monte Pascoal e a Coroa Vermelha. Arrisco mesmo dizer que ele é o suporte básico sobre o qual se constroem as etnicidades específicas na região. relações como. imaginária. a devoção que os grupos têm. pode-se dizer que essa referência "territorial" da etnicidade.. o que é aqui afirmado sobre uma inconteste e rica base etnográfica68.) todo o quadro das relações interétnicas. Para Carvalho. não pode ser encarado como conduzindo inevitavelmente a uma 68 É impressionante. como a "tradição". além das capelas e cemitérios das antigas missões respectivas a cada etnia. Jul. ainda que em graus diversos. entre outras coisas. que seriam diretamente consequentes da perda da base econômica e territorial.. e que eles cortam as cercas dos invasores de suas terras. "a figura do território perpassa (. 3. os Kiriri etc. p. que chamo aqui "territorialidade". Isso inclui. a dos Kapinawá com a "Mina Grande". Pensando em termos mais amplos acredito poder afirmar que. os Potiguara. 2011. e isso mesmo quando o "território de referência" esteja ausente. Enquanto em vários dos outros aspectos culturais há uma tendência à identificação entre os diversos grupos. em alguma medida. Revendo criticamente a ideia de um "índio genérico". nº 2. Para todos os grupos o problema da posse da terra é fundamental" (Lea. ao tempo em que afirmar o vínculo radical do território com a etnicidade. dos Pankararé com a "Fonte Grande". especialmente realçado na situação aqui tratada. Pretendo com essas considerações. 69 Aliás. Cadernos do LEME. tem sempre um papel indispensável nas definições étnicas. 88 – 191. Amorim. 140 ./dez. ou seja puramente imaginário.). Carvalho afirma: "O despojamento do patrimônio original. 1975) 69. é fundamentalmente enquanto detentores de um direito histórico e protagonistas de uma disputa particulares sobre um território específico que se constituem os Kapinawá. afastar as equações primárias que podem daí advir. 1970. 1981: 1). num certo sentido. por mais crítico que seja. ideal.. como a "terra sem mal" de alguns povos tupís (Clastres. inclusive no sentido da consolidação de uma identidade de "índios do Nordeste". frequentemente associada a esse tipo de resolução através da identificação de "perdas culturais". é sempre. O que eles têm em comum é dizer que o fazendeiro fulano levanta cerca. aos marcos físicos dos seus territórios e das suas histórias.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO arame farpado ou cerca. caso das diversas situações de diáspora (por exemplo Carneiro da Cunha. dos Pankararu com as cachoeiras sagradas de Itaparica. como "perda do território – perda da identidade" (como em Ribeiro. entre outras.

Portanto. sob pena de tomarmos cultura em termos absolutos. 1982a: 5-6). Se. vínculos de clientelismo muito típicos da região (Andrade. e que sua "sobrevivência étnica" deve ser compreendida na medida da reelaboração constante de uma etnicidade. tal não implica em que ela não possa acompanhar prováveis novas transformações. Não poderei já aqui apontar o senti do teórico dessa contribuição. 1975. ou fusões. Sabemos obviamente que as "relações de produção" e as "forças produtivas" que envolvem os índios no Nordeste. melhor dizendo no caso talvez. Cardoso de Oliveira. Os índios do Sertão mantêm tradicionalmente. Leal.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO identidade de 'índio genérico'. Pensando do mesmo modo certamente se pode também rejeitar outras tantas resoluções simplistas do gênero.). 1977. buscando situá-lo historicamente. como a que vincula a "sobrevivência étnica" à permanência de um "modo de produção" próprio à etnia em questão. assim como sua cultura. 88 – 191. têm se modificado substancialmente desde os primeiros contatos com o colonizador. como bem procura demonstrar Luz (1985) estudando subsegmentos urbanos desses povos indígenas70. Nesse quadro. há que analisar mais detidamente a figura desse 'índio genérico'. a continuar mudando. Costa. hoje. essa não pode ser dissociada de sua condição histórica de índios camponeses. O que faz uma determinada etnia desaparecer ou não enquanto tal deve estar relacionado com conjunções bem mais complexas de fatores e determinações. o que se torna tanto mais equivocado ao se tratar de uma 'cultura de contato'. 1963. p. 1970. Romano (1982) e Figoli (1984). Queiroz. nº 2. Cadernos do LEME./dez. como já referido. E por se tratar de uma cultura que se reelabora por força do contato. vol. como em Gomes (1977). 1979). com segmentos da classe dominante regional. os "caboclos" – em confronto com outros segmentos locais camponeses. 141 . 1978 etc. o que torna o trabalho do etnólogo muito mais interessante que o simples exercício de – suposta – demonstração de um punhado de equações fáceis. e isso naturalmente com desvantagens 70 Com relação a índios em situações urbanas no Brasil. mas em rearranjos múltiplos sob a égide da oposição que se impõe como fator dominante. 2011. concorrentes seus pelos "favores" e relações de trabalho oferecidos. a oposição étnica tende geralmente a colocar os índios – ou. Outra questão para a qual penso que o estudo da situação dos índios no Nordeste possa contribuir é a da relação entre "etnia" e "classe social" – ou talvez mais especificamente entre suas respectivas consciências – tão relevante na Antropologia mexicana (Bonfil Batalla. Jul. não se pode pensar simplesmente em perdas. Campina Grande. sob pena de aceitarmos uma espécie de condenação a supostos vencidos" (Carvalho. 1976. naturalmente. e tendem. mas apenas indicar alguns dados que parecem interessantes. ver Cardoso de Oliveira (1968). Varese. 3.

a título de avaliação provisória da questão. Os conflitos pela terra. no caso desses grupos. na área pankararu. já que muitas vezes são os pequenos camponeses e trabalhadores rurais os agentes mais diretos da espoliação de territórios indígenas. A existência paralela dos movimentos sindical e Indígena já chegou mesmo a desencadear conflitos. longe de ficar obscurecida ou retardada pela vigência de uma "consciência étnica". lançados que são como "pontasde-lança" dos grandes proprietários. Permanece entretanto em algumas situações a oposição a outros segmentos subordinados. têm conduzido inevitavelmente a uma identificação mais acurada das forças sociais em jogo. por sua vez. vol. e sua articulação a nível mais amplo. de ambas as partes. daria em principio a chance para modificação desse quadro. sobretudo na medida em que ambos questionam os vínculos tradicionais de dominação. já que os arraigados preconceitos são difíceis de remover e as diferenças de estatuto legal. Cadernos do LEME. parece de fato dar alguma base para o desenvolvimento de perspectivas comuns apoiadas numa "consciência de classe". e de forma grave. em vários casos. já pareciam chegar a alguns resultados positivos em meados da década de oitenta. Jul. questionamento esse que. Assim sendo. tendem a reforçar inicialmente o mesmo tipo de confronto. pelo menos no que diz respeito aos Xokó e Potiguara.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO para os índios. a emergência desses movimentos. ainda que bem diferenciados entre si. claro que nessas circunstâncias há um espaço limitado para as oposições de classe. 71 72 O caso pankararé tratado em Rocha Júnior (1982) é bem ilustrativo do que digo. A emergência de um movimento sindical rural desatrelado dos antigos vínculos. 2011. Compare-se essa situação com a analisada por Aquino (1977). é que. como ocorre em alguns municípios do Sertão onde há índios. e as "boas intenções" recíprocas e os esforços no sentido de viabilizar alianças são. 88 – 191. evidentes e. Campina Grande./dez. nº 2. de relações com as instâncias governamentais e nos próprios objetivos e estratégias dos dois movimentos concorrem em sentido oposto71. Já mencionei o fato de que esses movimentos étnicos desestimulam enfaticamente as relações acima referidas. vistos ainda como aliados dos poderosos. Apesar disso ouve-se com frequência. a emergência de uma consciência de classe. O desenvolvimento dos movimentos indígenas entretanto. pois temos aí um campo fecundo ao exercício dos preconceitos e estereótipos negativos. O que quero dizer com isso. é levado a cabo através de um redimensionamento de valores étnicos. parece ao contrário passar "necessariamente" por essa72. p. 3. 142 . como o que ocorreu há alguns anos. e com a própria redefinição de valores étnicos. Não é tão simples porém. incompatíveis com os novos termos em que o confronto é colocado. no caso dos índios. que "os pobres têm que se unir".

1979). 1976. ( 1975). N. por sua vez. Santos. sem dúvida. que "a noção de campesinato indígena integra a 'questão indígena' na problemática nacional. Sem dúvida é importante reconhecer. 1972. 1970: 150). à demonstração do seu enquadramento a alguns padrões socioeconômicos gerais definidores do que seja uma sociedade camponesa. é pertinente. 74 E isso num sentido análogo. 1970.). nº 2. sugerir o aprofundamento da questão numa outra direção. 1965. o que. talvez. embora Isto possa ser tomado de modo simples e direto. de campesinato regional73. Por outro lado. Gostaria entretanto de. Jul. de um "modo de ser" das sociedades camponesas. Amorim (1971). Galeski.). Thornee et al. 1972. que talvez não possam mesmo ir muito além da mera superposição. 1977). 1980 etc. é certo que se tem desenvolvido um campo teórico próprio – senão homogêneo. ver a revista "Actes de la Recherche" (por exemplo Grignon. no que diz respeito à caracterização dessas sociedades enquanto tais. como faz Amorim (1971. Cadernos do LEME. de uma certa dimensão étnica a modelos já conhecidos. e não apenas ao de sua economia (conforme em Firth & Yanley. a partir de dados de Nasser. 75 Para uma visão mais contemporânea de "condição camponesa". Bohannan & Dalton. Amorim. p. 1964. Bourdieu. coerente quanto a algumas questões e temáticas básicas – ao estudo dessas sociedades75. as interpretações mais gerais a respeito dessas sociedades chegaram apenas a algumas poucas tentativas altamente exploratórias (Cardoso de Oliveira. 1979). reconhecendo o avanço representado por aquelas monografias. 1975. mas também de suas relações 73 Tentamos uma avaliação crítica de algumas perspectivas de análise sobre o campesinato indígena no Nordeste em Sampaio (1985a). 143 . com Cardoso de Oliveira. 1975). passando daí a uma descrição – centrada quase sempre basicamente em seus aspectos econômicos – da articulação desses segmentos camponeses etnicamente diferenciados à sociedade mais abrangente. de uma "condição" inerente a essas74 (Redfield. 1984) ou Jê (Maybury-Lewis. Shanin. Diniz. Oliveira Filho.) tem de modo geral se limitado. 88 – 191./dez. 1974. já agora como uma questão agrária" (Cardoso de Oliveira. 2011. como bem o demonstrou Reesink (1983a). Amorim. chega a caracterização de um componente de sobreexploração associado à dimensão étnica desses segmentos. 1977b etc. ao que os etnólogos usam quando se referem a um "modo de ser" das sociedades Tupí (Viveiros de Castro. Carvalho. 1975. Campina Grande.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO A produção brasileira de monografias sobre sociedades indígenas camponesas (Cardoso de Oliveira. 1966 etc. ou previsíveis. vol. 1971. 1960. 1973. 3. Na verdade não interessa tanto a possibilidade de construção de modelos gerais de campesinato indígena no Brasil. Helm. ainda que de modos diferenciados. 1965. Se há possibilidades de caracterização.

Campina Grande. Como observou Carvalho: "A tutela. em muitos casos.. Geertz (1959) e Silverman Por exemplo Shanin (1971) e Wolf (1971). impondo restrições à liberdade de manifestação e até mesmo de deslocamento físico../dez. ao legado da tutela em práticas do antigo órgão tutelar e de outros organismos governamentais. 1975 e 1982). do seu "papel político" (por exemplo Shanin. 88 – 191. e à qual voltarei a seguir. 197177) etc. 1961). 144 . tais restrições visam primordialmente não apenas minimizar 76 Ver aí especialmente os artigos de Mintz & Wolf (1950). sobre camponeses no Sertão. transformando as reservas em algo próximo de verdadeiras "instituições totais" (conforme Goffman. parece também colocar algumas questões ainda pouco exploradas. e a permanência de práticas a isso associadas mesmo após a promulgação dessa. ou típicas (por exemplo Potter et al. como se tem.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO sociais e representações peculiares. A condição legal de tutelados que tinham os índios no Brasil até a Constituição de 1988. no nosso caso. não se dispõe ainda de uma produção quantitativa e qualitativamente satisfatória relativa ao campesinato no Sertão nordestino78. Cadernos do LEME. 1971). Jul. 2011. 1955. nº 2. 1983). bem como as diversas representações indígenas frente a essa condição. 196776). certamente se poderá redimensionar a própria questão dos modelos de campesinato indígena. Foster (1967). Interessa-me em particular as contribuições referentes a relações como o "compadrio" (Arantes. Certamente há aí um interessante trabalho a ser desenvolvido. 3. inclusive bibliográfica. Garcia Júnior. com relação à questão da "tutela". Infelizmente. enquanto instrumento jurídico (. mais que à própria condição legal. Se se puder obter algum sucesso por essa via. com relação. estabelecendo todo um jogo de punições e recompensas e. Para uma boa avaliação geral. Acredito que um melhor aproveitamento do arsenal teórico e das experiências desenvolvidas no estudo de sociedades camponesas para a abordagem do campesinato indígena possa inclusive ser útil à revelação de adaptações de novas formas de organização a modelos tradicionais indígenas. vol. para a zona da mata (por exemplo Heredia. situação agravada pelo fato de o antigo tutor dispor-se muitas vezes ainda a usar o velho instituto como instrumento de Coerção sobre os grupos e movimentos indígenas. 77 78 (1981).) tem se tornado efetivamente um instrumento cerceador. 1979. p. cuja relevância na situação aqui tratada já observei. por outro lado. ver Reesink (1965). Na prática. Paine. Já referi as atitudes ambíguas que os índios e seus movimentos são ainda levados a ter perante a tutela. e às diversas formas de "patronato" e "intermediação" ("brokerage") (por exemplo Wolf.

Trata-se aqui pois. vol. No segundo (Rocha Júnior. 1977) com populações dos Inuit (Esquimó) no Ártico79./dez. frequentemente. no qual vemos como esses. 88 – 191. ao contrario da anterior. Jul. aplicado a relacionamentos diversos entre pequenos grupos étnicos e várias instâncias e segmentos de estados e sociedades nacionais é exercitado. onde esta aparece como legitimação por excelência da condição étnica frente a sociedade envolvente. buscando-se aquela em que. no primeiro caso (Rocha Júnior. em grande medida. nas lutas pelo "reconhecimento". Campina Grande. nos quais se verifica a produção de discursos e atitudes muito significativos com respeito à tutela. Nessa percepção contudo. 3. ao tempo em que reivindicam da instância competente a garantia dos seus direitos: "o índio é federal". que já são percebidos como altamente desfavoráveis.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO reivindicações a nível interno a cada sociedade indígena. Por sua vez. como garantia de sobrevivência num meio social hostil. porém obstar a viabilização de um movimento indígena que. ao tentar romper os limites imediatos. com bastante sucesso. a uma posição de submissão a este na busca da estabilização interna e externa das suas 79 Para uma aplicação igualmente interessante do conceito de "tutela" à relação do Estado com a própria sociedade nacional num regime autoritário. dois breves estudos de caso de Rocha Júnior sobre o movimento indígena no Nordeste. a marca étnica teria. dão também uma demonstração magistral das possibilidades de análise com foco nessa relação. 1982a: 2). argumentam a ilegitimidade da ação desses sobre si. 2011. após conquistarem a demarcação e a remoção do maior invasor de suas terras. certamente. nos trabalhos dirigidos por Paine (1971. o que é especialmente verdadeiro no caso do Nordeste. como solução para que se viabilize o rompimento dos laços clientelísticos tradicionais. o caráter essencial da relação não se altera significativamente. Vemos aqui. p. 1983). de uma substituição de tutelas. através de longas e intensas pressões sobre a Funai. ver Reis (1983). como os Pankararé. pode tender a subverter a própria tutela no que esta contém de repressivo" (Carvalho. a tutela é buscada. alargando o nível de articulação. Cadernos do LEME. É preciso lembrar também que. refluem – (estrategicamente?) – num momento de crise política interna e do próprio órgão tutelar. presumivelmente. Por outro lado. pressionados pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais e por órgãos estaduais no sentido da titulação de posses dentro do seu território. nº 2. provavelmente um dos mais bem sucedidos na região à época. 1982). temos um relato do movimento dos Kiriri. um sentido positivo. Um uso sociológico abrangente do conceito de "tutela". 145 . e mesmo. esses mesmos movimentos "necessitam" da "tutela".

. a questão da "liderança". sempre tão cara a qualquer Antropologia Política (Barth. Passado. O estudo de movimentos semelhantes aos aqui tratados em diversas partes do mundo conduziu ao desenvolvimento das noções de "revivalismo" e "revitalização" (conforme. a Igreja. Por sua vez. 88 – 191. através do estudo da "tutela". as entidades e representações indígenas. Campina Grande. idealizado como um período de paz e prosperidade. com destaque para os rituais. ainda que nem sempre cômoda80. no qual a reconexão dos laços violentamente rompidos com o passado que naturalmente não deixa de ser idealizado – assume o caráter de uma recuperação de informações e de vínculos – sobrenaturais mas também e fundamentalmente de direitos que permita aos seus protagonistas seguir adiante como senhores do seu devir. ainda que refletindo semelhanças evidentes com o nosso caso. Clastres./dez. nº 2. 1972). que tendem desse modo a caracterizá-los como situações nas quais grupos sociais em estado profundo de crise buscam misticamente um "retorno" ao passado. Wallace. ser entendida em função dessas redes. entendida de modo bastante abrangente.. 1980). no sentido de conter o máximo possível das relações do tipo patrono-cliente e semelhantes. 3. Penso que uma definição desse tipo. Por fim. pode também. p. nas quais se constitui sempre em posição estratégica. presente 80 Ver Friedrich (1968). assim. os mandantes locais. 146 . vol. no sentido de que: "Estes direitos fundam-se num passado que se torna o vetor da história. por exemplo. 1956. gostaria de assinalar que parece interessante tentar. Cadernos do LEME. o antropólogo. 1974. Nessas circunstâncias. de algum modo colocados entre essas e algo além na pirâmide do poder e das tomadas de decisão. garantindo sua reafirmação no presente. O que identificamos como móvel angular desses movimentos é um projeto radical e inovador de futuro. uma compreensão mais integrada de toda uma rede de relacionamentos que envolve as sociedades indígenas ou seus segmentos discretos com setores externos diversos. nos mesmos termos em que Carvalho. as "entidades de apoio". levaria a uma análise profundamente empobrecedora e equivocada do movimento político dos índios no Nordeste. tendo em vista a sua projeção num futuro que se impõe conquistar.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO conquistas e de proteção diante dos seus temporariamente derrotados mas sempre perigosos inimigos. retorno esse intentado através da adoção de praticas e símbolos culturais identificados como "tradicionais". 2011. E essas "intermediações" incluem "o governo". 1959. Jul. "o índio é de menor". Penso. além de outras vias de compreensão.

vem do berço" (Citado em Carvalho. se traduz principalmente no resgate do "índio". Cadernos do LEME. nº 2. elos de uma mesma cadeia que se busca reconstituir. pois. desmascarando-a como fator absoluto. pois. 81 É interessante notar que essa "possibilidade" de contato com o passado parece afastar a ideia de uma "busca" constante e sempre irrealizável. Nesse processo. desta reconstituição dependendo a sua viabilização como sujeitos da sua própria história" (Carvalho. p.)"./dez. talvez. onde o futuro não é de modo algum idealizado como igual ao passado. Campina Grande. a superação da "privação étnica".. materiais pré-constrangidos que são recombinados tendo em vista a sua recontextualização" (Carvalho. assim. Fazê-lo implica em idealizar o passado. da sua reelaboração. o movimento de hoje se traduz numa busca tenaz de transformação das condições objetivamente dadas. Deixo assim em princípio de lado categorias como "revitalização". em lugar do "caboclo" (Reesink. viabilizando o futuro (. aparece como condição. relativizando-a historicamente mediante o resgate cuidadoso dos fragmentos históricos. por sua vez. 88 – 191. trata-se prioritariamente de superar a privação. 147 . 1982a: 11). inclusive através de uma língua específica. 2011. representada pela imagem do "caboclo". 1984: 183). que não tem nada de circular. tal qual hoje concebidas. Como eles próprios dizem: "o índio tem ciência e idioma e o caboclo não tem nada. indígena. Em outros termos. dominar o futuro. "buscar contê-las num horizonte social e político mais amplo que possa romper com as limitações impostas pelo presente.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO e futuro são. Jul. 3. essencial mas não única.. em geral imputadas à situação de privação. visando revertê-las politicamente para o fortalecimento da sua identidade étnica" (idem: 10). na medida em que se constituem na "ciência" que possibilita um contato "direto" com o passado. Fortalecimento esse que. vol. Índio vem da ciência. A reelaboração de identidades parece. transformando-o numa força suficientemente eficiente que possa conduzí-los à superação das relações de sujeição. como seria típico da maioria dos chamados "movimentos de revitalização" (conforme Wallace. articulada no momento do transe81. "Nesta cadeia. à superação de toda uma situação de privação. 1983b). 1982a: 10). à espera inclusive de que o estudo de movimentos como o dos índios no Nordeste possa lançar alguma luz no sentido. Podemos entender assim a dimensão de importância dos rituais. "Urge. 1956).

84 Cardoso de Oliveira (1964. Seria interessante tomar em conta também o farto material produzido pelos próprios movimentos indígenas. buscar aí subsídios à comparação e reflexão sobre o nosso caso. além da bibliografia então recente sobre índios no Nordeste.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO É evidente também. diz respeito no nosso caso apenas à sociedade indígena (Cardoso de Oliveira. 82 Ver a esse respeito. 83 O estudo mais sistemático dos movimentos indígenas no Brasil apenas se esboçava em meados da década de oitenta. possivelmente não será demais. entre outros. tendo em vista a qualidade desses estudos e. situar com mais clareza em nossa investigação o lugar do "sistema interétnico" e da noção de "contato"./dez. como já assinalado. Resta. Santana (s. o que. Campina Grande. em alguns casos. a natureza diversa desse movimento com relação a movimentos messiânicos (Queiróz. sobretudo. em geral não se busca a investigação direta do chamado "segmento regional". Certamente não poderia ser de outro modo. Por exemplo em Barbosa (1983). 1972). vol. Salazar (1977). em se tratando de um estudo de etnicidade enquanto expressão de um movimento político. apenas na medida em que se constitui numa dimensão indispensável ao entendimento daquela sociedade. um considerável material etnográfico a ser explorado nesse sentido83. com uma boa perspectiva histórica. não se estará entretanto procedendo de modo diverso do que tem sido tipicamente feito pela Etnologia brasileira no estudo de sociedades indígenas em contato com a sociedade nacional.d. Este participa da investigação. Vale enfim ressaltar que. Ainda mais relevante porém será certamente a avaliação da produção sobre movimentos e organizações indígenas na América Latina82 e no Brasil. Embora não possa identificar ainda nessa produção conclusões de alcance mais amplo. Um pesquisador não pode dar conta simultânea e convenientemente de segmentos sociais em confronto. em que. tem-se já. 148 . p. por outro lado. 1965) como os estudados em sociedades indígenas no Brasil por Melatti (1972).). o foco só pode ser mesmo o respectivo "grupo étnico". por razões metodológicas evidentes. a forte marca étnica presente nesses movimentos. Smith (1983) etc. Carneiro da Cunha (1973) e Wright & Hill (1984). quase sempre restrito a ligeiras caracterizações descritivas gerais84. Bonfil Batalla (1978). a rigor. ainda que não muito diretamente com relação à situação de contato. Entretanto. Jul. ainda que muitas vezes se anuncie um estudo de relações interétnicas. Para a América do Norte ver McNickle (1973). a não ser talvez em situações muito excepcionais de pesquisa. Desse modo. nº 2. Barros (1983) e Lea (1983). 88 – 191. capitulo VI) é uma boa exceção a isso. O estudo de segmentos regionais em contato com sociedades indígenas constitui uma lacuna nem sempre percebida em nossa Etnologia. por fim. 3. 2011. A esta altura já estará evidente que o objetivo aqui é a sociedade indígena e não o sistema interétnico do qual faz parte. apesar de alguns estudos terem procurado tratar desses (por exemplo Velho. Cadernos do LEME.

sob novas formas. 1984). das terras.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO 1976. com base na ideia de "fricção" – ainda que tenha sido aplicada a diversas situações interétnicas. excessiva. e preferiria deixar os conceitos reservados aos contextos em que possam revelar. permanecem atuantes. 1966).. uma tal caracterização me parece. p. entre os quais os indígenas. procurei desenvolver algumas ideias no sentido de identificar algumas injunções entre as mudanças sociais provocadas pela construção da grande hidrelétrica de Paulo Afonso nos anos cinquenta e alguns aspectos do desenvolvimento do movimento étnico dos vizinhos Pankararé. Campina Grande. sua operacionalidade. 1979). existe "fricção" e há uma "integração" na qual poderíamos até identificar diferenciais de "potencial". Decerto as "frentes" econômicas. no sentido de uma melhor compreensão do seu movimento indígena. desses fenômenos. Entretanto. Em outro lugar (Sampaio. sociologicamente.. Jul. de acordo. por exemplo. Carneiro da Cunha. para dar conta de situações coloniais ou de "fronteira". 1962. sem dúvida podemos falar em "contato". 149 . Talvez não estivesse necessariamente errado se tentasse aplicar esse arsenal teórico às condições do Sertão nordestino. no mínimo. De qualquer modo. muitas vezes em função da simples presença de um agente externo até muito recentemente completamente ausente. do gráu de hostilidade presente na oposição étnica etc. No nosso caso. Me parece que a noção de "contato" – especialmente como elaborada em Cardoso de Oliveira. no plano nacional. e com sociedades minoritárias com não muitas gerações de "contato" mais intenso. como é ainda hoje o caso de boa parte do Brasil central e amazônico. por sua vez."contrastiva" etc. é indiscutivelmente interessante que se possa dar conta de determinantes socioeconômicos no quadro regional. foi engendrada. não significando isso entretanto que se esteja subestimando a dimensão "interacional". nº 2. revela-se bem mais eficaz e elucidativo ao lidar com aquelas situações de fronteira. tenho a impressão que noções como "colonialismo interno" (Casanova. com as situações locais dos movimentos indígenas. mais integralmente. 2011. e bastante bem diferenciáveis. todo o seu aparato conceitual envolvendo noções como "frente de expansão" e "potencial de integração". A noção de "contato interétnico". em que a ação modificadora das "frentes" é ainda bem nítida. em que etnias minoritárias se viam na contingência de intensas transformações culturais. vol. de um modo Cadernos do LEME. como outras que ajudem a entender a situação de dependência que caracteriza tanto a região nordestina. Cardoso de Oliveira. Acredito que. dos padrões regionais. em seus múltiplos aspectos. quanto internamente os seus segmentos camponeses./dez. em especial o Sertão. podem revelar-se esclarecedoras. 3. 88 – 191.

através do que se pode chamar um "processo de objetivação" (conforme. Totalidade que espero. mas tenho. p. a representação caótica de um todo. 1976). açudes. técnicas. unidade da diversidade. Assim: "o concreto é concreto por ser a síntese de múltiplas determinações. algumas "pistas"./dez. 1977). A expressão metodológica mais acabada e mais lúcida desse "processo" acredito encontrar-se na proposição que faz Marx (1859) de um método para a Economia Política. 2011. factuais e teóricas. a interferência mais direta do Estado na região através de grandes direcionamentos econômicos – hidrelétricas. a partir de uma percepção inicial caótica do "todo". pela articulação a outras totalidades do mesmo nível. sob forma de um "concreto figurado": "(. Segundo este. por exemplo.. desta vez. incentivos agrícolas – identificável mais intensamente a partir de meados dos anos cinquenta. espero possa conduzir à apreensão e construção desse objeto enquanto "totalidade concreta" (Marx. É por isso que ele é para o pensamento um processo de síntese. Partindo daqui. à formulação de outras totalidades. III. procedimentos O que intentarei construir como objeto de pesquisa é algo que poderia ser muito vagamente denominado o "ser" da sociedade Kapinawá. seria necessário caminhar em sentido contrário até se chegar finalmente de novo à população [o 'todo' no caso]. 88 – 191. cujo trilhar.. Bruyne et al. logo. como procurei demonstrar. mais gerais e mais abrangentes. mas uma rica totalidade de determinações e de relações numerosas" (Marx. Sabemos que um objeto de pesquisa nas Ciências Sociais é fundamentalmente um produto da elaboração constante inerente à própria dinâmica de pesquisa. Em que tal consiste. nº 2. e não um ponto de partida. como também já procurei delinear. 3. vol.) passaríamos [pela análise] a abstrações cada vez mais delicadas até atingirmos as determinações mais simples. que não seria. pelas vias da ação (investigação) e da reflexão. e tendo como marco a criação da Sudene (Cohnn. não sei. possa servir de base. 1859). Jul. Método. um resultado.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO geral. apesar de ser o verdadeiro ponto de partida e Cadernos do LEME. pode ser tomada como um dado básico a partir do qual se possa acompanhar algumas hipóteses de injunções sobre a situação indígena. Campina Grande. objetivamente. 150 . 1859: 218).

151 . é de fato um produto do pensamento. Poderíamos absorver esse processo e essa relação de categorias reelaborando-os no sentido de uma melhor compreensão do movimento indígena no Nordeste? Acredito que o essencial do que teria a expor com relação a um método mais especificamente antropológico de investigação e analise esteja já contido na discussão teórica acima. melhor dizendo no caso. tal como ocorrem entre os povos indígenas no Nordeste. to the study of complex social relationships.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO portanto igualmente o ponto de partida da observação imediata e da representação. p. 88 – 191. Cadernos do LEME. Campina Grande. [with the consequent] emphasis on actors rather than informants'. "nativizadas" – de "caboclo" e "índio” 86 se nos apresentam hoje. Thus records of actual situations and particular behaviour have found their way from the fieldworker's notebooks into their analytical descriptions./dez. refiro o que Van Velsen (1967) identifica como elementos fundamentais no "método de caso desdobrado" ou. 2011.. ela não é pois de forma alguma o produto do conceito que engendra a si próprio. 1961a: 7) of the 85 Ver também o seguinte trecho. tomada aqui como paradigma da investigação antropológica sobre a dimensão ética das representações e relações sociais. ver Bonfil Batalla (1972). "This approach calls not only for the recording and presentation of the 'imponderabilia of actual life' (Malinowski. 1922: 18) but also for coordinate accounts of the action of specified individuals. nº 2. numa contestação a Hegel: "A totalidade concreta. Barnes (1958) has noted the 'shift away from the collection of statements about the customs and the details of ceremonial behavior.pelo segundo as determinações abstratas conduzem à reprodução do concreto pela via do pensamento" (idem: 218-219) 85. "análise situacional". Jul. 86 A respeito da produção e do percurso da categoria colonial de "índio". mais simplesmente. com um processo político de redefinição de conceitos que parece conduzir. É nos termos desse processo que procuro entender a construção de "categorias científicas" através de um "diálogo" entre as "categorias nativas" e as abstrações do pesquisador. Apenas a título de síntese. not as 'apt illustrations' (Gluckman. 1859: 219). as categorias nativas – ou. como prefere.. O primeiro passo reduz a plenitude da representação a uma determinação abstrata. e possa muito claramente ser dela depreendido. Num exemplo que me parece bastante pertinente. vol. cada vez mais. 3. da atividade de conceber. enquanto totalidade-de-pensamento. como variantes que vão desde sinônimos absolutos até opostos diametrais. que pensa exterior e superiormente à observação imediata e à representação. mas um produto da elaboração de conceitos a partir da observação imediata e da representação" (Marx. do primeiro ao segundo caso.

mais específicas. No tipo de pesquisa que se pretende desenvolver. Cadernos do LEME. 2011. Campina Grande. As dimensões desse. 1982). ver Foote-Whyte (1943) e Berreman (1962). seguramente pressupõe o uso de outras.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO authors' abstract formulations but as a constituent part of the analysis" (Van Velsen. em outras palavras. 3. e tendo em vista a necessidade de lidar com representações mais elaboradas dos informantes. A solução no caso parece ser o exercício – sempre mais difícil mas também mais proveitoso – de entrevistas "não diretivas" (Thiollent et al. Numa reflexão sobre minha experiência de pesquisa disse: 87 Há certamente uma vasta discussão a ser travada entre a "analise situacional" e a proposta de uma "descrição densa" em Geertz (1973). mas. Só se poderá entendê-las mais profundamente em suas múltiplas articulações e implicações observando-as em suas práticas e convivendo com elas. e não exclui jamais o recurso a "informantes". decerto deve-se fazer um censo. com todas as imprecisões e subjetividades inerentes a essas. p. não podemos minimizar a importância das entrevistas. o que. ainda que muito pouco homogêneos e padronizados. 1968. numa população de poucas centenas de indivíduos e algumas dezenas de "famílias". As proximidades e discrepâncias aqui parecem-me curiosamente extensas. devemos estar empenhados acima de tudo no exercício do conjunto de procedi mentos que. Bott. 88 Para algumas considerações bem práticas sobre "observação participante". não faz sentido algum elaborar questionários ou empreender entrevistas "diretivas". acredito possa ser feito com uma "proximidade" de relacionamento com os informantes. em geral pouco comum a esse nível. A execução de um levantamento genealógico. e ainda em função do objetivo pretendido. 1971) sobre as quais estaremos trabalhando. com um discurso destes. Essa técnica mais geral entretanto. no caso. Como ponto de partida à investigação. Num trabalho de campo desse modo orientado. que nos permita talvez já aí esboçar as "redes" sociais (Barnes. importante observar que a esse nível trata-se apenas de "esboçar" relações sociais mais complexas. aprendemos desde Malinowski (1922) a designar como "observação participante” 88. só poderão ser devidamente avaliadas durante a própria pesquisa. bem como a extensão da pesquisa sobre ramificações sociais de parentesco e outras para fora do grupo local. 152 . apesar da ênfase em "atores". dos Kapinawá. Jul. certamente se revelara esclarecedora. ainda que limitado. 1967: 139-140)87. ou. por outro lado./dez. 88 – 191. vol. nº 2.

mesmo enquanto tais – e. De princípio um grau alto de familiaridade e confiança recíprocas entre o informante ou grupo de informantes e o pesquisador é um pré-requisito indispensável e que só pode ser obtido anterior e exteriormente à relação de entrevista. na medida em que atenta a princípios estruturais básicos identificados por Freud (já em 1900 e 1901). Como disse. 3. deve ser vista "situacionalmente". 2011. quando. com atenção a como. Voltando a questões mais próximas.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO "Meu interesse pela 'não-diretividade' surgiu principalmente a partir da descoberta de que. ao deixar o informante falar livremente durante períodos relativamente longos de tempo – quando esse se dispõe a isso. vol. mas ainda com relação a um aspecto relevante na entrevista. 1958 etc. é preciso que se esteja ciente de que os informantes. e desenvolvidos – diversamente quanto às técnicas de apreensão – em Lévi-Strauss (1949a e b. o desempenho técnico de tais entrevistas porém. talvez. a possibilidade de um enriquecimento considerável da análise simbólica em Antropologia que. Jul. Uma aproximação metodológica bastante abrangente e exploratória entre psicanálise e etnologia é tentada por Devereux (por exemplo 1957). Particularmente tenho a impressão que tal recurso possa ser tentado frutiferamente. Vislumbro. Também não se pode esquecer que essa relação. mais uma vez. quem mais estava presente etc. por parte do pesquisador. às minhas próprias reflexões: 89 Desenvolvi um pouco mais essa questão em Sampaio (1985c). nº 2. ainda. p. Cadernos do LEME. se revela sempre mais fecunda./dez. como qualquer relação social. onde. mesmo quando desenvolvida e complexificada em direções diversas (por exemplo em Leach. sem procurar jamais redirecionar ou fragmentar-lhe o discurso" (Sampaio. levando-se em consideração as evidentes diferenças de situação entre a psicanálise e a entrevista sociológica não-diretiva89. em especial a "atenção flutuante" e a "livre associação". 1985c: 5-6). evidentemente – poderia colher informações e impressões insuspeitas e inatingíveis num processo padrão do tipo 'pergunta e resposta'. em alguns casos. ou na coleta mais direta de dados de modo geral. nesse desenvolvimento técnico. sobretudo – são também "atores". Uma questão importante que se coloca ao referido desempenho técnico diz respeito à possibilidade de adoção. desde que se empreenda o necessário redimensionamento dessas técnicas. o da seleção dos informantes.). de algumas técnicas próprias à pratica psicanalítica. Dito de outro modo. remeto-me. Daí achar que a situação ideal de entrevista é aquela na qual o investigador fala o mínimo possível. 153 . de qualquer modo. não é fácil. intervindo apenas no sentido de esclarecer pontos do discurso e principalmente no de estimular o desenvolvimento das ideias e temáticas sugeridas pelo informante. 1970). através de uma convivência prolongada. Campina Grande. 88 – 191. isto é.

90 A respeito desses temas. da elaboração que as sociedades fazem sobre suas informações históricas. disponibilidade e interesse contavam bastante. Cadernos do LEME. Sigaud (1980) e Viveiros de Castro & Carneiro da Cunha (1985). devemos atentar para questões análogas às tratadas acima no que diz respeito ao "controle de informações". 1978: X). 3). Ver. deixando ao contrário essa tarefa muito mais a cargo deles próprios. Jul. 3. Um aspecto importante nesse item diz respeito aos 'especialistas' que toda sociedade produz para dar conta de tarefas e assuntos determinados. no sentido contrário. nunca empreguei critérios muito especiais. que as tradições são sempre reinventadas e que. não necessariamente mais importante. em síntese. II) e./dez. cap. em especial de história oral. e especialmente em casos como o nosso. Sabemos. Campina Grande. mas é importante cotejá-la com a de informantes menos comprometidos com a 'guarda' de saberes especiais e que frequentemente enriquecem e reelaboram as visões 'oficiais'" (Sampaio. 2011. dos mais ricos em Antropologia. antes de mais nada. 1985c: 8). Vansina (1961) desenvolveu um minucioso método de coleta e análise de narrativas orais.). nº 2. e que são imediatamente apresentados ao etnólogo quando esse revela interesses específicos no setor de competência de algum deles. acreditando que todo mundo sem exceção deveria ter algo de interessante a comunicar. quando fatores como simpatia pessoal. Naturalmente admito que toda atenção deva ser dada à palavra do especialista. só num segundo movimento. Thompson. 154 . 88 – 191. trabalhar criticamente sobre o material coletado no sentido de uma "reconstituição" histórica. Leach (1953). ainda que o grau de dificuldade nessa comunicação seja bastante variável. Evans-Pritchard (1940b. o "passado" tem uma importância decisiva no presente (Hobsbawn. Um ponto fundamental a observar aqui é o "papel" da história na sociedade estudada. parece-me que uma investigação com base em história oral – e em especial uma investigação antropológica – deve procurar dar conta. Assim. entre outros. E. ou seja. Ao lidar com dados históricos. 1972. Também nunca consegui distinguir com muita precisão entre bons e maus informantes. Vernant (1956. se tal for relevante.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO "A respeito da escolha de informantes. que "The voice of the past matters to the present" (Thompson. mas suas cuidadosas e úteis recomendações em momento algum problematizam a situação de pesquisa ou a relação pesquisador-informante durante a coleta. no Brasil. da a percepção que têm do "tempo" e do lugar social da "memória"90. cap. do processo de "produção" de um passado. vol. 1978 etc. p.

1978: 124). [deve] ser posta como alvo imediato do etnólogo. como também estimula pesquisas mais aprofundadas. Seria interessante. tanto quanto no que se refere à apreensão pelo etnólogo do processo de mistificação ou ideologização dos eventos históricos (ao nível do grupo) e biográficos (ao nível do indivíduo) pelos agentes étnicos (. certamente não muitas mas talvez muito significativas. Como percebe muito bem Cardoso de Oliveira. que podemos tomar aqui como uma categoria particular de "história oral". além de tomarlhes diretamente "histórias de vida". como vimos. são as crônicas regionais. como a que se pretende desenvolver. mas em poder investigar e compreender dados históricos indispensáveis numa pesquisa antropológica que. para os quais a presença e atuação dessas personagens teve ou tem tido uma importância muito grande. Em primeiro lugar.. devo dizer o que me parece possível fazer com fontes escritas. no sentido em que a fazem os historiadores. e que talvez possam trazer surpresas positivas. tentar reconstituí-las através de outros informantes. Outras fontes inexploradas. 155 .DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO As "histórias de vida". 88 – 191. p.). No nosso caso. Por fim. A recuperação da História como parte de uma metodologia que vise dar conta da identidade. lida com uma sociedade profundamente marcada pela história e por uma "historicidade". os caciques. e inexploradas. Além das crônicas históricas que se poderá também utilizar e que. no duplo sentido da penetração no tempo. no que diz respeito à investigação histórica. 2011. Jul. não são muitas. nº 2. ou em arquivos de ordens religiosas.). deve haver algumas informações sobre a área indígena em questão.. devem ter seu lugar dentro da mesma perspectiva. por sua vez. há em Pernambuco uma vasta produção de crônicas locais. Procurarei investigar o que é possível descobrir por essa via. em arquivos públicos no Recife. a "'historização' das sociedades indígenas viabiliza extraordinariamente a própria historiografia. relativas a Cadernos do LEME. como se viu./dez.. se quisermos alcançar progressos seguros nos estudos étnicos no Brasil" (Cardoso de Oliveira. o movimento kapinawa parece articular-se em torno de algumas posições e personagens centrais (o primeiro pajé. Campina Grande. vol. Devo notar aqui que não estou especialmente interessado em fazer História.. menos provavelmente em arquivos locais. na reconstrução de processos regressivos às origens de tal ou qual movimento que diga respeito à constituição do sistema interétnico. 3. da etnia e da estrutura-social.

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municípios ou microrregiões (por exemplo Barbalho, 1977; Albuquerque, 1960 etc.), cuja exploração pode ser útil, no mínimo, à compreensão do quadro local e regional91. Deixando agora de lado os procedimentos mais puramente técnicos, gostaria de fazer algumas considerações rápidas a respeito de algo que lhes é, metodologicamente, anterior. Trata-se do relacionamento, num sentido amplo, a ser construído entre pesquisador e universo social pesquisado. Limitarei-me aqui porém a retomar sinteticamente questões que propus em outro lugar (Sampaio, 1985c). Tentei então de início avaliar algumas posturas metodológicas que me pareciam muito "idealizadas" com relação ao papel e ao "lugar" do antropólogo em campo. A posição de Seeger (1980), por exemplo, ao definir-se em tal circunstância como "uma criança no mundo", enfatizando o necessário processo de ressocialização pelo qual passa sempre o etnólogo em situação de pesquisa, em especial em sociedades muito diversas da sua própria, parece comprometer a imprescindível consciência de que se é um membro – e um membro amplamente socializado – de uma sociedade dominante com relação àquela em que se está; dominação essa, de resto, evidente na própria quantidade de técnicas e de bens que a suposta "criança" manipula em seu trabalho. Conclui-se então, facilmente, pelo prejuízo que tal perspectiva significa, tanto à busca de algumas "simetrias" básicas na relação da pesquisa, quanto à própria dimensão de realidade dessa relação. O misto de distanciamento metodológico e melancolia existencial identificado, por sua vez, por Da Matta (1978) como característica do antropólogo em campo, no que chama de 'anthropological blues', parecia-me interessante enquanto dimensão viabilizadora da transposição lógica do "estranho" ao "familiar" e vice-versa, inerente ao fazer antropológico. Disse, por outro lado, que:

"Estados agudos de 'anthropological blues' podem ser sintomáticos de falta de 'dialogicidade' entre pesquisador e sujeitos, no sentido em que Tedlock (1979) usa este termo; isto é, um procedimento de pesquisa no qual as descobertas são impulsionadas e discutidas através de um 'diálogo' entre os dois polos envolvidos na relação de pesquisa, os quais tenderiam, por essa via, a se aproximarem de uma posição de equilíbrio e identificação" (Sampaio, 1985c: 10-11).

91

Não insistirei, também aqui, na necessidade de se fazer uma abordagem crítica, "contextualizada" etc., das crônicas. Mesmo porque parece não haver muito consenso sobre "como" fazê-lo. Para algumas recomendações interessantes no trato com cronistas, ver Oliveira Filho (1982).

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Introduzia assim uma discussão das possibilidades de uma "dialogicidade" na situação da pesquisa, em oposição à fórmula clássica do "estranhamento", do qual o 'anthropological blues' é "sintoma". A "dialogicidade" entretanto, levada a seus extremos, parecia-me buscar uma redução absurda de papéis irredutíveis no processo de pesquisa, com comprometimentos para a "eficácia critica" da investigação. Busquei então algumas brechas que permitissem dizer que:

"Talvez mesmo os dois procedimentos não sejam assim necessariamente excludentes (...). De qualquer modo, se o 'insight' antropológico é realmente uma experiência individual – e até certo ponto solitária como quer Da Matta [pelo menos num momento inicial em que este ocorre] – e tenho a impressão que assim o é, então a dialogicidade tem seus limites, o que também nos parece correto embora não saibamos exatamente onde estão estes e até que ponto possam ser questionados. O que parece claro porém é que a postura de "estranhamento", típica do antropólogo (...), não pode nem deve ser confundida com ausência de compartilhamento com os sujeitos das questões e interpretações" (idem: 11). Compartilhamento que me parecia, em larga medida, viável através das técnicas nãodiretivas, sem prejuízo do "estranho metodológico". O que no fundo pretendia – e certamente sem chegar a respostas muito palpáveis, o que de todo modo não invalida a busca – era procurar algumas medidas de relativização entre as perspectivas que definem o etnólogo como "decodificador" e "tradutor" da cultura nativa, num alto grau de onipotência científica; e aquelas que tendem a encará-lo como mero "interlocutor", ou "testemunha" dessas culturas, ocupado em pouco mais que apenas "fragmentar", pela sua "escritura", a "prática" viva das mesmas. Passaria daí a considerações sobre a inserção do etnólogo em uma sociedade politicamente diferenciada internamente, e de como procurar chegar a posições o mais próximas possíveis de uma equidistância com relação aos diversos "grupos de interesse" presentes. No que diz respeito às relações que viabilizem a manutenção do pesquisador em campo e o seu trabalho de "coleta" de informações, procurei desenvolver, a partir da minha própria experiência, a ideia de "reciprocidade", sempre tão presente nas sociedades com as quais trabalhamos, como orientação, nas suas diversas formas, para estabelecimento de um "modo básico" de convivência e de exercício das necessárias trocas – econômicas e simbólicas – com os sujeitos da pesquisa.

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Coloca-se aqui então o problema das diversas "demandas" que esse sujeito dirige ao pesquisador, de acordo com anseios e expectativas não só com relação à pesquisa, mas ao próprio pesquisador enquanto agente externo "interessado" em seus problemas e aspirações. Dizia então:

"Evidentemente a demanda dos sujeitos pelas muitas formas de relacionamento com os pesquisadores – enquadráveis ou não nas diversas categorias estabelecidas, como clientelismo, paternalismo, intermediação, assessoria etc. – varia de acordo com os níveis de organização, participação e consciência política daqueles próprios, muito mais que em função de posturas adotadas ou sugeridas pelos últimos. Responder, discutir ou desencorajar estas demandas é uma questão pessoal e política a ser enfrentada por cada pesquisador em cada situação particular, e decidida de acordo com sua consciência e sua sensibilidade. Não acredito em fórmulas de uso geral para tanto (...). Pessoalmente tenho procurado me comportar com relação a isto de acordo com diretrizes políticas que me parecem claras e que julgo comprometidas com as causas vitais dos próprios sujeitos, o que não quer dizer que tenha sempre claro (...) o melhor caminho a seguir. A única atitude realmente improcedente entretanto, embora não infrequente, parece-me ser a de tentar fechar os olhos à essas demandas, buscando envolver a situação de pesquisa numa atmosfera artificial de distanciamento e 'neutralidade', claramente impossíveis" (idem: 14-15). Chegava assim enfim, inevitavelmente, a questão mais candente da "participação" do antropólogo nas "lutas" dos segmentos sociais envolvidos em suas pesquisas; e na discussão daquilo que se tem um tanto vagamente definido como "pesquisa participante" (por exemplo em Brandão, 1981), e que é muitas vezes tomado, facilmente, como um "rótulo" capaz de legitimar social e politicamente qualquer pesquisa e, às vezes, em detrimento de uma maior atenção aos procedimentos científicos utilizados. Procurei, naquela ocasião, refletir sobre minha própria prática, reconstituindo a articulação que sempre buscara entre uma "participação" – política – e minhas pesquisas "científicas". Hoje talvez saiba mais claramente da natureza radical e indissolúvel desse vinculo, nos termos em que o expressa Viveiros de Castro (1980), ao comentar posições que: "Consideram o trabalho teórico – dos 'antropólogos acadêmicos' – como irrelevante, alienado, desvinculado das lutas concretas dos povos indígenas. Ao contrário dos que sustentam aberta ou veladamente esta posição, não creio haver nenhuma Cadernos do LEME, Campina Grande, vol. 3, nº 2, p. 88 – 191. Jul./dez. 2011. 158

grifos originais). de fato. cheguei aos meandros políticos internos e Cadernos do LEME. tinha inicialmente um maior interesse pelos rituais. por reduzir a variedade e a riqueza das situações e motivações a uma lógica abstrata. através do que pude repensar sobre o meu próprio trabalho. ou música) quando os índios estão lutando pela terra ou morrendo de fome' é. genérica e estéril diante dos crimes contra os índios e de uma solidariedade abstrata e 'humanista' para com essa luta. há algum tempo atrás. a da "construção do objeto". Se não pudermos e soubermos entender isso nosso compromisso de antropólogos não passará do estágio de uma indignação abstrata. índios. imaginando estar 'ao lado' dos índios. homens" (Viveiros de Castro. formalista. apesar das crescentes dificuldades que a isto se tenta impor. Ou. absurdo. Descobri nesses rituais a busca da afirmação daquilo que realmente os preocupa: sua identificação étnica enquanto grupos diferenciados perante uma sociedade que insiste em estigmatizá-los ao mesmo tempo em que negar-lhes tal condição. desta vez. E é certamente por sabermos da eficácia especifica do nosso saber e da nossa prática – antropológicos – na compreensão dessa "luta" específica. em si mesmo. 159 . Jul. 3.mesmo a fome e a luta pela terra – em certas situações. cairemos numa prática indigenista concreta que. acamponesada e assemelhada à população envolvente. que insistimos em desenvolver trabalhos de pesquisa entre povos indígenas no Brasil. quanto as forças que combatemos são cegas para o que faz daqueles índios. a mitologia ou a musica são tão importantes para homens que lutam pela terra e morrem de fome. por ser 'terrorista' no sentido que Sartre dá a este adjetivo: isto é.DE CABOCLO A ÍNDIO – JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRAS SAMPAIO contradição em princípio entre a lógica própria da atividade científica e o compromisso ideológico e prático com o trabalho indigenista. pior ainda. Termino aqui tentando voltar à questão inicial deste tópico. (. e da importância dessa compreensão para estas mesmas "lutas". dirigindo meu interesse para as questões da etnicidade. isto é. 'Ser índio' é. assim./dez. sobre tudo – por que o parentesco. com os índios. vol. Campina Grande.. talvez por localizar aí os aspectos culturais mais 'puros' numa sociedade profundamente alterada historicamente. uma ocupação quase cotidiana de boa parte dessas populações do Sertão do Nordeste e. como – e. ser já. 88 – 191. p. é cega para o que faz daqueles homens. nº 2. ao terminar a elaboração desse plano de pesquisa. que se recusa intransigentemente a distinguir e diferenciar.) Mas o que precisamos nos perguntar – e é esse o trabalho teórico e essa a nossa responsabilidade – é se. necessariamente. Certamente é absurdo 'estudar' qualquer coisa . Reproduzo-o aqui apesar de a situação hoje.. 1980: 5. O juízo muito comum 'é absurdo estudar parentesco (ou mitologia. e o farei. ligeiramente diversa: "Ainda apegado a uma imagem 'idealizada' de índios. 2011.

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externos por onde passam as discussões e articulações relativas a cada grupo étnico em particular, através dos quais estes constroem seus discursos e viabilizam suas lutas. A etnicidade fornece o suporte ideológico-organizacional de um amplo processo de reconquistas territoriais e, trabalhando com os índios no encaminhamento dessas lutas, descobri a relevância das informações históricas e o próprio interesse que os índios demonstram neste sentido (...). Assim, meus interesses atuais de pesquisa têm a ver com uma tentativa de enfeixar todas estas diretrizes temáticas e pô-las em discussão com algumas questões teóricas pertinentes. Tenho a impressão – e a intenção – que isto possa ser caracterizado como a construção de um objeto de pesquisa junto com seu próprio sujeito" (Sampaio, 1985c: 16-17).

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