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A mélica grega arcaica

Mélica: definições
• “A Musa concedeu à lira o cantar deuses e filhos de deuses; o vencedor no pugilato e o cavalo que,
primeiro, cortou a meta nas corridas; os cuidados dos jovens e o vinho que liberta dos cuidados.”
(Horácio, Arte Poética, vv. 83-85)
• “O gênero de poesia mélica é, basicamente, o das composições destinadas à performance cantada em
coro ou em solo, com acompanhamento da lira – no caso da modalidade coral, junto a outros
instrumentos; daí, repare-se, o termo “lírica” (lyriké), na acepção antiga. Tal performance tinha por
ocasiões centrais o simpósio, feito nas casas de aristocratas ou cortes de poderosos governantes, e o
festival cívico-religioso, organizado pela cidade, em honra de um deus [...].” (G. Ragusa, in Lira Grega.
Antologia de Poesia Arcaica. SP: Hedra, 2014, 12-13).
• Métrica e matéria: Apresenta grande variedade. Os temas relacionam-se principalmente “à
contemporaneidade, articulados, de algum modo, ao cotidiano da vida na pólis, a eventos de um
passado recente e a situações próprias da experiência humana [...].” Na mélica coral “sobressaem o tom
de celebração, o largo uso da narrativa mítica e a autorreferencialidade à performance em execução
pelo coro [...].” (Ragusa, 2014:20)
• Poetas principais: Álcman, Alceu, Safo, Estesícoro, Íbico, Anacreonte, Simônides, Baquílades, Píndaro
Alceu: fr. 346, 283
...e de Helena, a argiva, no peito agitou
o coração, e pelo homem troiano
o engana-anfitrião – enlouquecida, seguiu
Bebamos! Esperarmos as lâmpadas... Por quê? Mede um dedo o dia. na nau sobre o mar.

Toma as grandes taças adornadas, meu caro, a criança na casa tendo abandonado,
pois o filho de Sêmele e Zeus deu aos homens o vinho e do marido, o leito de bela coberta...
persuadiu com a paixão o peito (...)
que traz olvido, misturando-as, verte uma parte de água, duas de vinho, filha de Zeus e...
até cheias às bordas as taças, e que uma a outra
...
empurre... ...dos irmãos muitos...
...na planície dos troianos domando
por causa daquela;
(Giuliana Ragusa)
muitos carros na poeira...
...e muitos rútilos (heróis?)...
...carnificina...
Anacreonte: fr. 357, 359, 358
Ó senhor, com quem o domador Eros,
e também as Ninfas de escuros olhos
e a purpúrea Afrodite
brincam juntos, enquanto vagueias
Com a bola purpúrea de novo me
pelos altivos picos das montanhas: acertando, Eros auricomado
os joelhos abraço-te, e tu, propício, me chama a brincar com
vem a nós, e aceitável a jovem de sandália furta-cor;
prece escuta: mas ela – pois é da bem fundada
a Cleóbulo sê bom
Lesbos – a minha coma
conselheiro, para ele minha paixão,
censura, pois que branca,
ó Dioniso, aceitar.
e por outra está... de boca aberta!
* * *
A Cleóbulo eu desejo,
por Cleóbulo estou louco, (Giuliana Ragusa)
para Cleóbulo olho a fitar...

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