EXM.º SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA 7ª VARA CÍVEL DA CIRCUNSCRIÇÃO ESPECIAL JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA – DF

Processo nº

(nome e qualificação), por intermédio de sua advogada ao final assinada, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar CONTESTAÇÃO aos fatos narrados na Ação de Conhecimento sumário com pedido de tutelas declaratória e condenatória (de indenização por danos materiais), que lhe move (nome autor), pelos fatos e fundamentos que a seguir passa a expor: DA SÍNTESE DA DEMANDA Trata-se da propositura de Ação impulsionada pela Autora proprietária de veículo que se envolveu em acidente de trânsito, dirigido por seu

filho XXX, que colidiu na traseira no veículo de propriedade do segundo Réu, conduzido pela segunda Ré. Alega a Autora que o automóvel da marca XX, modelo XX, ano XX, de sua propriedade, vinha sendo utilizado pelo seu filho acima citado, exclusivamente, no período de dois anos, como meio de condução a universidade, compromissos familiares e profissionais e atividades lúdicas. Que, em 27 de outubro de 2011, a ré ao realizar manobra de retorno pela Avenida W3 Norte, frente ao Brasília Shopping, sentido sul/norte para norte/sul, colidiu com o veículo da Autora conduzido pelo seu filho. Que embora tenha acionado o sistema de freios, seu filho, colidiu com o automóvel conduzido pela ré na sua parte posterior direita do paralama traseiro, afirma que o carro do réu ficou completamente preservado, enquanto que o da Autora sofreu uma série de danos. Que a Ré se esvaiu do local da colisão, deixando seu contato, afirmando que tinha consulta médica de seu filho que estava doente. Por fim, requer sejam os réus condenados, solidariamente, ao pagamento do valor de R$ 8.059,00 (oito mil, cinquenta e nove reais) referente aos alegados danos materiais e da quantia de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais) relativos a alegada depreciação do valor do carro no mercado, perfazendo o total de R$ 11.659,00 (onze mil, seiscentos e cinquenta e nove reais), bem como pleiteia o pagamento das custas e honorários advocatícios.

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Tal narrativa, entretanto, não condiz com a realidade dos fatos. Conforme mapa acostada a presente peça impugnativa, o local em que a Ré efetuou a conversão permite tal tipo de manobra. O condutor do veículo da Autora, entretanto, que dirigia em velocidade incompatível com a via, atravessou sinal e, após não conseguir frear o automóvel, colidiu com na traseira direita do automóvel do Réu ocasionando danos em ambos veículos. Por todas essas irrefutáveis razões não merece prosperar o pedido inicial. Da Gratuidade de Justiça Inicialmente, afirmam os Réus que não possuem condições financeiras de arcar com despesas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do seu próprio sustento e dos seus dependentes, uma vez que são casados e possuem 2 (dois) filhos, um com 10 (dez) anos e outro com 16 (dezesseis) anos, e somente o réu trabalha sendo funcionário da Marinha do Brasil, no cargo de Sargento. Desta forma, pleiteiam seja-lhes concedido o benefício da Justiça Gratuita, nos termos da Lei n.º. 1060/50.

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. o atendimento médico ocorreu às 10h40min. uma vez que seu filho estava febril e necessitando de repouso. para enfim percorrer a Via W4 e chegar a sua residência. para posteriormente efetuar o contorno em direção à Via N Dois Oeste.. porque a Ré não ingressou na Avenida W3 sentido norte/sul em frente ao Brasília shopping inadvertidamente como alega a Autora. a Ré ao pegar a Via W3 sentido sul/norte procedeu a conversão da direção do veículo à esquerda e ingressou na Via W3 sentido norte/sul (em frente ao Brasília Shopping).. a Ré foi levar seu filho de 9 anos ao Hospital. para atendimento médico no pronto socorro em razão de febre alta. Contudo.DA VERDADE DOS FATOS Da Culpa Exclusiva do Condutor do Veículo da Autora Improcedem as alegações contidas na presente ação. 4 . Ao sair do Hospital em direção a sua residência situada no . seu percurso foi interrompido pelo filho da Autora que colidiu na parte traseira direita do veículo dirigido pela Ré. Importante esclarecer que no dia 27 de outubro de 2011. principalmente. Conforme consta do atestado médico anexo.

até porque estava com seu filho ao lado do carona. dirigiu sem atenção necessária para via W3.Ao contrário da afirmação da Autora. que visa reduzir significativamente as chances de derrapagem e uma subsequente perda de controle da direção. com febre e necessitando de seus cuidados. O local do acidente tem fluxo intenso de carros de passeio. da marca XX possui sistema de freios ABS. certamente não colidiria na traseira do veículo do Réu. Além disso. taxis e ônibus. um deles deixou de mencionar que seu filho deixou de observar o sinal existente antes da convergência utilizada pela Ré. Percebe-se que o se o condutor do automóvel da Autora tivesse acionado o sistema de freios adequadamente na velocidade permitida pela via. bem como estava em velocidade acima do permitido para a via W3 de 60k/h. condutor do veículo de sua propriedade. Pode-se afirmar que o filho da Autora. omitiu a verdade dos fatos em vários momentos. a Ré tomou todos os cuidados necessários para ingressar à Via W3 sentido norte/sul. uma vez que o modelo XXX. o que facilmente se constata uma vez que a Autora ao efetuar a convergência para ingressar no sentido norte/sul verificou que não existia impedimento para sua pretensão. 5 . tendo em vista a existência do Brasília Shopping frente ao retorno utilizado pela Ré.

Contudo. A fim de elucidar V. uma vez que em razão do estado de saúde do seu filho.html 6 . uma vez que naquele momento a prioridade era a saúde do seu filho. Nota-se que os Réus não procuraram a concessionária da Peugeot. condutor do veículo. Conforme se verifica nas fotos acostadas. os Réus apresentam os orçamentos de três (3) oficinas de Brasília. deixou seu contato com o filho da Autora. o automóvel do réu – único veículo da família – sofreu avarias. que ainda não foram consertadas diante do presente impasse. A Ré ficou surpresa ao tomar ciência da presente ação. os Réus colacionam abaixo mapa1 do 1 http://www. mas sim alternativas menos dispendiosas. com diferentes valores visando o reparo do seu veículo familiar. uma vez que o filho da Autora não assumiu a culpa na colisão deixando os réus sem qualquer resposta. para posteriormente acordarem sobre o conserto do seu automóvel.Outra inverdade que merece ser rechaçada na presente peça impugnativa. não pode ficar no local e aguardar o registro da ocorrência do acidente e a necessária perícia para esclarecimento do acidente.br/Mapa-Asa-NorteBrasilia-2730708. Exa. Nesse sentido.com.mundi. é o fato de que o veículo do Réu “ficou completamente preservado na sua parte posterior direita do paralama traseiro (área do choque)”. bem como da greve da polícia civil de Brasília.

lugar onde ocorreu o acidente: Mapa panorâmico 7 .

verifica-se que existe um sinal de trânsito antes do contorno sentido Via W3 norte/sul.Imagem do local do acidente. 8 .

Percurso que seria perorrido pela Ré. caso não tivesse sido abalroada pelo filho da Autora: 9 .

constata-se culpa única e exclusiva do condutor do veículo da Autora. Em síntese. eis que dirigia de forma completamente incompatível com a 10 . que a Autora está dando interpretação equivocada ao que realmente aconteceu no dia do acidente.Ocorre. tentando eximir seu filho de culpa às normas do transito e a jurisprudência aplicada ao presente caso.

Aquele que por ação ou omissão voluntária. quando então colidiu com o veículo do requerido. Notoriamente. transitando o seu veículo de forma regular e condizente com o exigido pelo Código de Trânsito Brasileiro. de forma imprudente. vez que em momento algum agiu de forma a contribuir para o infortúnio. 11 . deixando de observar os cuidados necessários exigidos pela via. tendo acionado o dispositivo luminoso indicador da esquerda e deslocado com antecedência o seu veículo para a faixa mais à esquerda na altura da linha divisória da pista. A explicação do que é ato ilícito pode ser encontrada no Código Civil em seu artigo 186.via. a suposta vítima da lide em questão. eis que dirigiu seu veículo sem os cuidados indispensáveis à segurança do trânsito. resta evidente que os danos materiais sofridos pela autora não podem ser reputados a Ré. por sua vez. ocasionando o acidente por negligência e imprudência exclusiva deste. para que então se desencadeie a obrigação de indenizar por tais danos. ou seja. 186. quando se fala em danos materiais é necessário que haja um ato ilícito a ser reputado ao agente causador do dano. senão veja-ses: Art. não resta dúvida que o agente causador do dano foi o filho da Autora. agiu de forma completamente desidiosa. Assim sendo. violar direito e causar dano a outrem. efetuava manobra regulamentar. O filho da Autora. Vale frisar que o veículo do Réu. No caso em questão. no momento da colisão. ainda que exclusivamente moral. comete ato ilícito. negligência ou imprudência.

genericamente entendida. Rui Stoco (1999: 66): A culpa. v. Nessa figura encontramse dois elementos: o objetivo. A culpa é a violação de um dever jurídico. não há o dever de indenizar. o desprezo. desde que o agente se detivesse na consideração das conseqüências eventuais de sua atitude. O dever de indenizar vai repousar justamente no exame da transgressão ao dever de conduta que constitui o ato ilícito. do mau procedimento imputável. pois. e o subjetivo. Da mesma forma. Também o nexo de causal ou nexo de causalidade é o liame que une a conduta do agente ao dano. fundo animador do ato ilícito. Assim. José de Aguiar Dias (1979. mas previsível. 1: 136) apud Silvio de Salvo Venosa assevera: A culpa é falta de diligência na observância da norma de conduta. ofensa ou má conduta imputável. por parte do agente. o centro de exame é o ato ilícito. Ressalte-se que se o dano ocorreu por culpa exclusiva da vítima. por caso fortuito ou de força maior. isto é. 12 . é por meio da análise do nexo de causalidade que identificamos quem foi o causador do dano. da injúria. é. com resultado não objetivado.Na responsabilidade civil. expressado na iliciedade. do esforço necessário para observála.

não havendo de prosperar o pedido inicial.00 (onze mil. perfazendo o total de R$ 11.00 e o menor preço é de R$ 12. da Mercedes Benz. porque impede o nexo causal. cinquenta e nove reais) referente aos alegados danos materiais.com.00 (oito mil. conforme consulta realizada no site www. Importante ressaltar que o automóvel em questão é um modelo Classe A.br (segue abaixo): 13 .059.800. ano 2000.00 (três mil e seiscentos reais).919. conforme se pode auferir pela dicção do artigo 945 do Código Civil.icarros.600.659. pleiteando ainda o pagamento do valor de R$ 8.A culpa exclusiva da vítima elide o dever de indenizar.00. não havendo de se falar em indenização em danos materiais por parte do requerido. seiscentos e cinquenta e nove reais). cujo valor médio de mercado segundo a tabela fipe é de R$ 15. resta sobejamente comprovada a culpa exclusiva do requerente. DO VALOR DE MERCADO DO AUTOMÓVEL DA AUTORA Em sua peça inaugural a Autora afirma que seu carro teve o valor reduzido de mercado em R$ 3. Pelo exposto.

00 (quinze mil reais). o que merece ser rechaçado pelo Poder Judiciário cuja atividade nodal é a busca da justiça e não o contrário. Desta forma.000.00 (dez mil reais) e R$ 15. verifica-se que a pretensão da Autora na presente ação é de obter um novo XXX. DA INEXISTÊNCIA DE DANO MATERIAL 14 . qual seja beneficiar aquele que não detém o direito.000. pesquisando sites de venda de carros. está devidamente caracterizado enriquecimento sem causa.Contudo. o valor de mercado de venda do carro da Autora tem uma variação entre R$ 10. ou seja.

Sem dano ou sem interesse violado. o autor deve sempre buscar a reparação de um prejuízo e não a obtenção de uma vantagem. faz-se necessário que se configure os seus requisitos: ação ou omissão voluntária. não se corporifica a indenização”. dano e culpa. Ed. para que ocorra o dever de indenizar. pode-se entender que a expressão dano injusto traduz a mesma noção de lesão a um interesse. não tendo juntado aos autos qualquer prova de que tenha se prejudicado com o fato ora discutido. Em concepção mais moderna. São Paulo. Nas palavras do jurista Sílvio de Salvo Venosa2: “Somente haverá possibilidade de indenização se o ato ilícito ocasionar dano. a título de indenização. nexo causal. do dano injusto. ressaltando que.Como se sabe. temos que não possuem qualquer amparo legal e sequer há danos morais demonstrados nos autos. 2003 15 . portanto.. Ademais. em sede de Responsabilidade Civil. Atlas. Cuida-se. Em relação aos valores exigidos pela Autora.. não merece a Autora ver acolhida sua pretensão. Como se verifica na ação de indenização decorrente de ato ilícito. como já exposto 2 Responsabilidade Civil.

muito menos nos moldes pretendidos pela Autora. que gerasse o dever de indenizar e. Em sede jurisprudência. existe entendimento favorável à exclusão da responsabilidade em tais casos. ALEGAÇÃO DE PARADA REPENTINA DO VEÍCULO À FRENTE. inclusive porque aquele deve guardar distância suficiente para possibilitar a frenagem. BATIDA NA TRASEIRA DE VEÍCULO À FRENTE. e dos documentos acostados a esta contestação. PRESUNÇÃO DE CULPA NÃO AFASTADA. que deixa claro seu objetivo de obter grande lucro. acabou por ensejar dano a si próprio. de maneira que o motorista que colide na traseira 16 . a desídia e a imperícia do filho da Autora. ACIDENTE DE TRÂNSITO. RESPONSABILIDADE DO MOTORISTA DO VEÍCULO QUE COLIDE. uma vez que foi o próprio filho da Autora quem deu causa ao acidente ao colidir na traseira do veículo do réu. É presumida a culpa do motorista que colide na traseira do outro veículo que trafega à sua frente. fugindo aos princípios de moderação e equitatividade necessários e que são seguidos pelo Poder Judiciário.anteriormente. conforme se pode verificar pela dinâmica dos fatos. 1. condutor do veículo no momento do acidente. Portanto. NÃO DESINCUMBÊNCIA DO ÔNUS DA PROVA DO FATO ALEGADO PARA EXIMIR CULPA. VALOR DA REPARAÇÃO DO DANO PELO ORÇAMENTO DE MENOR VALOR. in verbis: CIVIL E PROCESSO CIVIL. a Instituição-Ré não praticou qualquer ilícito.

pois. acolher-se o pedido contraposto. as provas coligidas aos autos não desautorizam a presunção de culpa. 2. de que a culpa foi do condutor à frente devido sua parada brusca que impediu reação para evitar a colisão. sem o mínimo de prova. Demonstrados nos autos os orçamentos para o conserto do veículo avariado. a quantia é desproporcional com as 17 . ainda mais quando observado que a pretensão para redução do valor da condenação está baseada em meras alegações. sendo. não existe controvérsia quanto à batida na traseira do outro veículo. Vale dizer que. correta a sentença que condena o causador do acidente na reparação do dano no veículo batido. não havendo prova convincente nesse sentido. no conjunto.1. sendo que. especialmente. Embora relativa. senão a alegação. 1. sem prova para demonstrar que. no caso concreto.somente se exime da responsabilidade de reparar o dano causado quando. do Código de Processo Civil. efetivamente. não prevalece alegação de culpa exclusiva do autor/recorrido para. inciso I. a condenação do causador do acidente no pagamento do valor referente ao menor orçamento atende à obrigação de recompor integralmente o dano advindo do ato ilícito. demonstra que a culpa no acidente foi do outro condutor. por meio de firme prova. a presunção de culpa deve prevalecer porque a ré/recorrente não se desincumbiu do ônus da prova que lhe competia nos termos do artigo 333. Assim.

4.099/95. ABALROAMENTO EM TRASEIRA DE VEICULO. DJ 27/10/2011 p. ARTIGO 333.2011. 18.avarias provocadas. RESPONSABILIDADE CIVIL. CABAL SUJEITA DEMONSTRAÇÃO CONDUTOR DO VEÍCULO ABALROADO. 3. nos termos do artigo 55 da Lei nº 9. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE GUARDA CONSONÂNCIA AO VALOR DO COM A REALIDADE FÁTICA. Recurso conhecido e não provido. AO PERPETRADOR DO DANO (CPC. INCLUSIVE ADEQUANDO A CONDENAÇÃO 3 MENOR TJDFT. 20110310129738ACJ. Rel. E DE FORMA EXCLUSIVA. 2. Parte recorrente vencida deve ser condenada ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios. ACIDENTE DE TRÂNSITO. Caso em que o menor orçamento também não se afigura evidentemente exorbitante em relação à fotografia do veículo avariado. julg. Des. 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. 208) 18 .1. ÔNUS QUE CLARAMENTE INCUMBE.”3 CIVIL. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO JURIS TANTUM COMETE DE O CULPA ATO DO CONDUTOR DE CULPA QUE À DO LESIONADOR. Fábio Eduardo Marques. INCISO II).10. estes arbitrados no caso em 10% do valor da condenação.

mas essa prova constitui ônus exclusivo daquele contra quem tal presunção milita. a decisão monocrática. nos exatos termos do disposto no artigo 333. RECURSO IMPROVIDO. que guarda consonância com a realidade fática. portanto.ORÇAMENTO RAZOÁVEL APRESENTADO. 1. Ademais. os próprios recorrentes reafirmaram tratar-se de horário bastante movimentado. no qual. outras testemunhas seriam facilmente encontradas. 2. não houve prova. Ao contrário. as testemunhas arroladas e que se encontravam presentes no local da batida foram uníssonas quanto ao desenrolar dos fatos. A presunção legal que milita contra o motorista que abalroa veículo seguindo à sua frente. portanto. gerando sua responsabilidade civil por culpa extracontratual. 19 . de molde a justificar o resultado danoso produzido. na sua parte posterior direita. do Código de Processo Civil. pode ser elidida por prova cabal e irrefutável relativa à culpa do motorista condutor do veículo atingido na traseira. de causa determinante consistente na manobra imperita do veículo abalroado. inciso II. Correta. SENTENÇA MANTIDA. inclusive adequando a condenação ao valor do menor orçamento apresentado. além das alegações das partes recorrentes. pelo veículo que lhe vinha atrás. Na hipótese fática dos autos.

devendo esta ser feita pelo condutor que bate na traseira.Culpa – Presunção. Trata-se. julgado em 03/05/2011. cabe prova em contrário. Recurso conhecido e improvido. artigo 29. Condeno as partes recorrentes ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios. daí a presunção de quem bate na traseira ser o culpado. Relator LUIS EDUARDO YATSUDA ARIMA. inciso III. 20100410112006ACJ. com base no art.Batida na traseira . arbitrados em 10% (dez por cento) do valor da condenação. de presunção juris tantum. Indenização por perdas e danos . portanto.3. 46 da Lei dos Juizados Especiais. O Código de Trânsito Brasileiro. autorizando a lavratura do acórdão nos moldes do art.099/95. 55 da Lei 9. induz a procedência 4 TJDFT. dispõe que o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu e os demais veículos.Presunção juris tantum.Batida na traseira . 4. 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. Sentença confirmada pelos seus próprios fundamentos. isto é. 20 . DJ 26/05/2011 p. A presença de prova capaz de elidir essa presunção.”4 “Acidente de trânsito . 233.

”5 Ora.Rel. quem colide na traseira de um veículo presume-se sua culpa.. No presente caso. meio de locomoção do Réu até seu trabalho etc. fazer compras. 5 TJMG. uma vez que tiveram o único automóvel utilizado pela família para levar seus filhos à escola. 2ª Turma Recursal Cível de Belo Horizonte . Com certeza os Réus são os maiores prejudicados nessa lide. Recurso a que se nega provimento. em seu artigo 26. qual seja aquele motorista imprudente que adentra na via principal interceptando o outro veículo.do pedido de indenização formulado pelo condutor que bate na traseira. pela imprudência do condutor do veículo da Autora. Insta ressaltar. Juiz Sebastião Pereira de Souza. bem como uníssona jurisprudência dos tribunais brasileiros. a Ré efetuou a convergência completamente e posteriormente sofreu a colisão em sua traseira direita. que de acordo com o Código de Transito Brasileiro. 21 . ao contrário daquela que possui um veículo para cada membro da família. o condutor do veículo da Autora quem colidiu na traseira direita do único automóvel familiar do Réu. nº 024039948260 . que dirigia acima da velocidade máxima permitida na Via W3.Rec. A jurisprudência acostada a peça inaugural demonstra outro tipo de colisão. Boletim nº70. danificado em sua traseira direita em decorrência da negligência e imperícia do filho da Autora.

espécie de responsabilidade jurídica. ao argumento de que não existem peças no mercado paralelo. a Autora usa como parâmetro para pleitear os danos materiais um único orçamento originado da concessionária da Mercedes Benz nesta cidade. impondo ao causador do dano a consequente obrigação de indenizar.Além disso. Em simples consulta a internet verifica-se várias oficinas que apresentam esse tipo de serviço. contudo a Autora utilizou a forma mais conveniente para obter o orçamento do seu veículo. PEDIDO CONTRAPOSTO Do direito dos Réus . deriva da transgressão de uma norma jurídica preexistente.Indenização Cumpre ressaltar que a responsabilidade civil. Ora. com absoluta certeza um orçamento realizado pela concessionária é muito superior as demais oficinas capacitadas para realizar este tipo de serviço. A jurisprudência é uníssona em entender que a parte deve apresentar no mínimo três orçamentos como parâmetro justo do conserto do veículo envolvido no acidente. 22 .

Ao colidir na traseira direita do veículo do Réu. mas sim. na qual não é qualquer antecedente fático que concorre para o resultado. gerando o dever de indenizar os Réus. A responsabilidade civil aqui violada é Extracontratual ou Aquiliana (quando a norma preexistente violada derivar da própria lei). lembra Cavalieri Filho (Programa de Responsabilidade Civil). causa é somente aquele antecedente fático adequado ou abstratamente idôneo à consecução do resultado. Para que haja responsabilidade faz necessária a existência de três elementos: ato ilícito. o condutor do veículo causou-lhe prejuízo material. sob pena de reparação integral à vítima. O ato ilícito decorre de conduta humana contrária ao ordenamento jurídico vigente. enquanto que nexo de causalidade é o liame que une o agente ao prejuízo por ele causado. segundo o qual a ninguém é dado causar prejuízo a outrem. 23 . uma vez que o condutor do veículo da Autora foi o próprio causador do dano ao bem jurídico tutelado na presente ação que é o automóvel de propriedade do Réu. segundo a leitura de Serpa Lopes sobre o tema. nexo de causalidade e dano ou prejuízo.Vigora no âmbito da responsabilidade civil o princípio no neminem laedere. Neste sentido a teoria adotada pelos juristas brasileiros é a teoria da causalidade adequada.

uma vez comprovada a culpa exclusiva do filho da Autora na colisão dos veículos. a inobservância do condutor do veículo da Autora concorreu com os danoso aos réus. I. entrada e saída de taxistas e carros de passeio no recuo da entrada do citado shopping. lança-se mão. e 186 do Código Civil/2002. incidindo na colisão traseira direita do automóvel do Réu. § 1° do CPC. 29. na presente. bem como as regras mais comezinhas de direção defensiva. Assim. bem como a existência de sinal de trânsito. O condutor do veículo não observou o ingresso da Ré na pista. não respeitando a sinalização. A comprovada falta de atenção e total imprudência.503/97.Desta forma não foi o fato de a Ré ter feito a convergência que causou o evento danoso. procedimento autorizado pelo artigo 278. Assim. 42 e 43 da Lei 9. Cumpre observar que o local do acidente tem trafego intenso devido a parada de ônibus. I. 28. do pedido contraposto. tão propalada nestes tempos de insegurança no trânsito e vigência do antecedentes fáticos que concorreram para o resultado 24 . Neste sentido resta caracterizado a violação dos artigos 26. mas sim a imprudência e negligência do condutor do veículo da Autora que não dirigiu com a devida atenção pela Via W3 sentido norte/sul em frente ao Brasília Shopping.

Neste diapasão. NA PISTA ACESSÓRIA NA QUAL SE ENCONTRAVA O VEÍCULO DA RECORRENTE. II . COLIDINDO NO VEÍCULO DA RECORRIDA. cumpre transcrever alguns julgados proferidos em situações semelhantes: CIVIL. GERANDO SUA 25 . desta forma. O VEÍCULO DA RECORRENTE NÃO AGUARDOU AS CONDIÇÕES IDEAIS DE TRÂNSITO AO SAIR DO POSTO DE GASOLINA E TENTAR ADENTRAR A PISTA PRINCIPAL. ART 333. A PRESUNÇÃO LEGAL É DE QUE O MOTORISTA QUE COLIDE COM O VEÍCULO SEGUINDO À SUA FRENTE É RESPONSAVEL PELO ACIDENTE.CPC. demonstram a total responsabilidade no acidente por parte do filho da Autora. RECONHECIMENTO DO PEDIDO CONTRAPOSTO.Código de Trânsito. 1. o ato ilícito exigido para que haja dever de indenização. BATIDA TANTUM NA TRASEIRA. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANO MATERIAL. Caracteriza-se. ACIDENTE DE TRÂNSITO. NÃO PRESUNÇÃO ELIDIDA QUE IURIS PELA A RECORRIDA/AUTORA IMPONHA RECORRIDA/RÉ A RESPONSABILIDADE PELO ACIDENTE. NA SUA PONTEIRA DIREITA TRASEIRA. RESTOU DEMONSTRADO NOS AUTOS QUE HAVIA SINALIZAÇÃO COM PLACA "PARE". 2.

NÃO HÁ PROVAS NOS AUTOS DE QUE O MOTORISTA CONDUTOR DO VEÍCULO TENHA 3. CONCORRIDO PARA E O ACIDENTE.RESPONSABILIDADE CIVIL E DEVER DE REPARAR O DANO. SUJEITA. PARA DIVERSO CABAL PRETENDIDO. DE CULPA DEMONSTRAÇÃO CONDUTOR DO VEÍCULO ABALROADO. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. FL. DEMONSTRAÇÃO NÃO 26 .(20070710144197ACJ. ARTIGO 333. ABALROAMENTO EM TRASEIRA DE VEICULO. E DE FORMA EXCLUSIVA. julgado em 14/09/2010. LEONOR AGUENA. RECURSO CONHECIDO SENTENÇA MANTIDA NA FORMA QUE FOI LANÇADA. ARCARÁ O RECORRENTE COM O PAGAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS Relator ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM 10% do VALOR DA CONDENAÇÃO. POSTO QUE ELE TRAFEGAVA NA VIA PRINCIPAL.4. PELA SUCUMBÊNCIA. 59/62. AO PERPETRADOR DO DANO (CPC. DJ 24/09/2010 p. INCISO II). PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO JURIS TANTUM EFEITO DE CULPA DO CONDUTOR QUE À DO COMETE O ATO LESIONADOR. 139) CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. IMPROVIDO. ÔNUS QUE CLARAMENTE INCUMBE.

3. responder pelos prejuízos materiais provocados por essa sua conduta. O ônus da prova em relação à prática de manobra irregular. inexistiu prova. nos exatos termos do disposto no artigo 333. do Código de Processo Civil. não hajam contribuído para a geração do resultado lesivo. A presunção legal que milita contra o motorista que abalroa veículo seguindo à sua frente. Na hipótese fática dos autos. a este. 4. 1. APELO IMPROVIDO.REALIZADA. pode ser elidida por prova cabal e irrefutável relativa à culpa do motorista condutor do veículo atingido na traseira. cabe ao condutor do veículo que lhe segue atrás. 2. gerando sua responsabilidade civil por culpa extracontratual ou aquiliana. causadora do evento. desde que adequadamente processado ou contra-processado por aqueles que. inciso II. SENTENÇA MANTIDA. mas essa prova constitui ônus exclusivo daquele contra quem tal presunção milita. Sentença mantida por seus 27 . prevalecendo destarte a presunção legal de culpa. sofrendo os efeitos de sua ação. demonstrando que a manobra daquele condutor deu causa ao seu próprio abalroamento. que se limitou a trazer aos autos orçamentos para reparação de seu veículo e fotos que só vêm a corroborar a batida na traseira. PREVALECENDO DESTARTE A PRESUNÇÃO LEGAL DE CULPA. cabendo-lhe então. NA ESPÉCIE FÁTICA DOS AUTOS. para além das alegações do recorrente. por parte do motorista do veículo que seguia à frente e resulta abalroado.

desta forma. o texto de lei mencionado exige que este esteja atento a toda e qualquer condição adversa que implique em eventual risco à segurança de tráfego. evidenciado está que em decorrência do ato imprudente praticado pelo filho da Autora resultaram prejuízos aos Réus. não foi observado pelo filho da Autora. Em decorrência do acidente o veículo do Réu sofreu prejuízos. especialmente à segurança de terceiros.00 (setecentos e sessenta reais). emergindo. O CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. entretanto. estabelece que 'o condutor deverá. adotando a cautela necessária à sua própria segurança. por militar o Apelante sob o pálio da justiça gratuita. Tal procedimento. ter domínio de seu veículo. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal.próprios e jurídicos fundamentos. o seu dever de indenizar pelos danos cometidos.00 (mil quatrocentos e setenta e 28 .(20080610010540ACJ. Sem condenação em honorários advocatícios.00 (novecentos e quarenta reais) e R$ 1. em virtude da comprovação de sua exclusiva culpa. conforme se vê pelos orçamentos anexos. R$ 940. DJ 02/09/2009 p. 28. 191) Assim. dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito'. Sabe-se que todo condutor de veículo deve dirigir com a cautela devida (direção defensiva). na forma do artigo 46 da Lei nº 9.099/95. que foram feitos por três oficinas distintas com os seguintes valores: R$ 760. em seu art. a todo momento. Ao exigir do motorista domínio de seu veículo. com Súmula de julgamento servindo de Acórdão. Relator JOSÉ GUILHERME DE SOUZA. julgado em 04/08/2009. posto o caso à luz da jurisprudência pátria.474.

Para se ter uma ideia melhor da extensão dos danos ocasionados no veículo do Réu. cabendo a condenação da Autora em danos morais. requer a condenação do requerente em relação aos danos morais e materiais sofridos pelos Réus. e ao final seja julgado a procedência do pedido contraposto. a Vossa Excelência: 1) deferimento do benefício da gratuidade de justiça. caracterizando o sofrimento da Ré e de seu filho menor de idade. requerendo. DOS PEDIDOS Desta forma. da marca XXX. a ser mensurada pelo perito e julgada por esse I. uma vez que os Réus não possuem condições de arcar com as custas judiciais e honorários advocatícios. Pelo exposto.quatro reais). 29 . ainda. anexa-se à presente as fotografias do veículo. Insta frisar que. tendo presenciado toda aflição da mesma. sem prejuízo do próprio sustento e de sua família. bem com a depreciação do veículo de propriedade do Réu. não merece procedência a pretensão descrita na exordial. Julgador. modelo XX. ano XX. 2) A intimação da Autora para que querendo responda o pedido contraposto. a Ré estava com seu filho doente no caso necessitando de cuidados. em contrapartida a Ré ficou muito preocupada com o estado do seu filho que ficou visivelmente abalado com a conduta ilícita do condutor do veículo da Autora.

bem como requer.3) O julgamento de improcedência dos pedidos formulados pela Autora. verba honorária e demais cominações legais. Brasília. a produção de provas. no que pertine aos danos morais e matérias. especialmente pelo depoimento pessoal da Autora. 4) A condenação da Autora no pedido contraposto. expedição de ofícios e precatórias. depreciação do veículo. juntada de documentos. ainda. 10 de janeiro de 2012 30 . Informa que suas patronas receberão todas as intimações no endereço situado no XXX Pede deferimento. por não encontrar qualquer embasamento legal. bem como por estar totalmente desprovido de elementos comprobatórios. como também nas despesas processuais. 5) A oitiva do filho da Autora XXX . perícias e demais provas pertinentes.

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