Você está na página 1de 15

Introdução Com o presente trabalho, pretende-se estabelecer, em nível de direito comparado, qual a actual posição da Comunidade de Desenvolvimento da África

Austral (SADC), e do MERCOSUL. Evidente que os dois “sistemas” estão em níveis completamente diferentes, em termos de fases evolutivas, o que implica em uma distinção a priori e necessária da modalidade de Direito existente nos dois "sistemas". No entanto, a problematização colocada desta maneira é pertinente, tendo em vista que tanto os países integrantes da SADC como os do MERCOSUL, aparentemente, procuram imitar o sistema europeu, tomando-o como paradigma. Considerando que o Direito Comunitário do ordenamento jurídico das comunidades de integração, procurou-se e evidenciar, num plano histórico, as origens e a conformação do que se entende por Direito Comunitário. Para isto, faz-se necessário traçar o perfil das duas comunidades: SADC e MERCOSUL, com uma abordagem clássica, isto é, evolução histórica, fontes e estrutura, objectivando ter uma ideia precisa da situação actual.

1 A génese. enquanto comunidades de integração. ARGAO Luís. Do ponto de vista de Direito Comparado. há que se destacar a questão da harmonização legislativa. e a concretização de um ordenamento jurídico comunitário. 1 ROCHA Isabel. Para uma melhor compreensão dos vários sistemas jurídicos existentes em cada comunidade. além do estabelecimento do se entende por "Direito Comunitário". os sistemas de soluções de controvérsias e as relações com os ordenamentos jurídicos nacionais. Na formação do direito comunitário. como a soberania dos Estados. pg. é comparar o ordenamento jurídico da Sadc com o do Mercosul. Desta feita. Não é objectivo central deste trabalho definir se há ou não um ordenamento jurídico comunitário no Mercosul e na Sadc. que não significa o mesmo que unificação. Dando-se. e consequentemente vários ordenamentos jurídicos. a harmonização legislativa. a autonomia da entidades supra estatais e a harmonização legislativa. cada Estado com ordenamento jurídico próprio. Introdução ao Direito. aspectos cruciais da estrutura do Direito surgido nas comunidades de integração. comporta várias aspectos polémicos. existe também nas comunidades internacionais de integração regional. DIREITO COMPARADO ENTRE MERCOSUL E DA SADC: 1. dá-se a harmonização das legislações. pois a unificação corresponderia à existência de um estado federal. o direito comparado consiste no estudo dos ordenamentos jurídicos dos Estados assim como das comunidades internacionais. ou mesmo de um estado unitário. porto Editora. especial ênfase as questões relativas as fontes jurídicas. O objectivo deste trabalho. por via da harmonização das normas dos estados membros. embora esta discussão seja pertinente no contexto. aquilo que se chamaria de ordem jurídica das comunidades destinada a integração jurídica dos Estados membros. utilizando a método comparativo.1. BATALHAO Carlos.1 Breves considerações sobre o Direito comparado Assim como existem vários estados. 128 .

os quais cuidam de temas tão variados quanto economia. zona de livre comércio e a adopção de uma pauta externa comum. República do Paraguai e República Oriental do Uruguai. como ema União aduaneira.1. políticas e sociais. abolição de direitos aduaneiros e restrições quantitativas relativos à circulação de produtos (mercadorias) entre países participantes e manutenção das pautas externas próprias em relação aos países terceiros. O Mercado Comum seria uma união aduaneira e a abolição de restrições aos movimentos de factores de produção (pessoas e capitais). em 26 de Março de 1991. Com o objectivo de estabelecer um processo de integração latino-americano. Brasil.2. mas seu fim último é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum. hoje O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um amplo projecto de integração concebido por Argentina. seguindo os objectivos estabelecidos no Tratado de Assunção. o tratado de Instituiu o Mercado Comum do Sul. hoje. o carácter de União Aduaneira. por meio do qual o bloco foi fundado. sendo considerado como um dos mais importantes passos para o processo de integração entre os países latinos2.wikipedia.2 Ordenamento jurídico do MERCOSUL O ordenamento jurídico do MERCOSUL. em tratados inegavelmente exactos: o Tratado de Assunção que tem apenas 24 artigos. Paraguai e Uruguai. que envolve dimensões económicas. em 1991. 1. agricultura ou familiar. o Protocolo de Ouro Preto.2 Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) 1. 2 Http://pt. a partir da assinatura do Tratado de Assunção. No aspecto económico. de livre Comércio. encontre-se positivamente estabelecido fundamentalmente. O processo de integração configura-se em um processo evolutivo. e o seu Protocolo complementar. teve sua origem a partir da constituição do mercado comum entre a República Argentina e a República Federativa do Brasil.1 Historial O Mercado Comum do Sul. Assim.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul . o que se pode inferir da diversidade de órgãos que ora o compõem.2. com 53 artigos. o Mercosul assume. dividido em estágios.

As Decisões do Conselho do Mercado Comum. Situação esta que o seu protocolo complementar (protocolo Ouro Preto). os arts. O Tratado de Assunção é um tratado "marco" que contém regras de carácter pragmático. os quais receberam competência normativa (Conselho e Grupo Mercado Comum). II . dirigidas aos Estados partes.2. é possível vislumbrar o direito que emerge do MERCOSUL em duas vertentes. Diante disso. seus protocolos e os instrumentos adicionais ou complementares. 2) A do direito derivado (ou secundário). 4º e 7º (5). não enunciou as fontes do Mercosul e também não estabeleceu a hierarquia entre as diversas normas que integram seu ordenamento jurídico. assim como pelos Protocolos de Brasília e de Ouro Preto. as Resoluções do Grupo Mercado Comum.O Tratado de Assunção. na medida em que devem ser implementadas e desenvolvidas pelos órgãos do Tratado ou do Mercosul. III . 42. . onde estabeleceu que as fontes jurídicas do MERCOSUL são as seguintes: “I . seus protocolos e Anexos. por exemplo. veio a suprir no seu art.adoptadas desde a entrada em vigor do Tratado de Assunção ”. como. O Direito Originário (ou primário) se compõe do Tratado de Assunção. bem como normas de carácter obrigatório.1.1 Fontes Jurídicas do Mercosul O tratado de assunção de (1991).2. desde que guardadas as devidas proporções se o compararmos com o modelo europeu: 1) A do direito originário (ou primário). e as Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul .Os Acordos celebrados no âmbito do Tratado de Assunção e seus protocolos.

o qual institucionalizou o MERCOSUL. anexos e modificações. art. art. os quais devem estar de acordo com o Tratado de Assunção e seus documentos complementares.Protocolo de Ouro Preto .Já o direito derivado. quais sejam: as decisões (CMC3). ou entre os Estados-membros do Mercosul. e não podem contradizer o direito originário. (GMC) – Grupo Mercado comum. Logo depois. veremos na sua base o direito originário. o cumprimento das normas emanadas dos órgãos do MERCOSUL. 1 do POP 5 (CCM) – Comissão de Comercio do Mercosul.2. que é o órgão superior.2A Harmonização Legislativa no Mercosul A quarta parte do Tratado de Assunção diz que este mercado comum implica no "compromisso dos Estados Partes de harmonizar suas legislações. em seus respectivos territórios.Conselho do Mercado Comum.2. é composto pelos actos emanados das instituições decisórias do consórcio sediado no Cone Sul. unilaterais. dando prosseguimento ao período de transição iniciado com o Tratado de Assunção. são endereçadas à Organização e aos Estados Partes. nas áreas pertinentes. O artigo 38 do Protocolo de Ouro Preto.2. consoante o artigo 3º do POP6). 1. encontramos os acordos celebrados com terceiros países. Tais normas.2. para lograr o fortalecimento do processo de integração". porém. As decisões do Conselho prevalecem sobre as resoluções do Grupo e essas sobre as directrizes da Comissão de Comércio.2 A Pirâmide Jurídica do Mercosul Imaginando a pirâmide jurídica do Mercosul. vezes há em que faz-se mister uma aproximação das legislações ou uma harmonização das mesmas. seus tratados constitutivos. na medida em que o exija o funcionamento do 3 4 (CMC) . 1 do POP. art. Esta tem por objectivo suprimir ou amenizar as diferenças entre as disposições de direito interno. As normas de direito derivado vêm logo após. os regulamentos (GMC4) e as directrizes (CCM5). 1. reza que os Estados-partes comprometem-se a adoptar todas as medidas necessárias para assegurar. e delas as de maior nível hierárquico são as Decisões (porque oriundas do Conselho. 1 do POP 6 (POP) . isto é.

no sentido de se ter um grupo de Estados que pertencem à um organização. o Sistema de Solução de Controvérsias do MERCOSUL é regulamentado pelo Protocolo de Olivos (PO). ou fase de integração.Mercado Comum. e pelo Anexo do Protocolo de Ouro Preto e a Decisão CMC Nº. No âmbito do último. regulamentados pela Directriz CCM Nº. mas com a imposição da interveniência dos órgãos da organização (caso do Mercosul). em qualquer estágio. 17/99. importa a alteração dos respectivos conteúdos. que seria a única actualmente possível e vigente no Mercosul.2. Podem os Estados adoptar um modelo baseado nos sistemas clássicos de solução de controvérsias. Antes desse instrumento era aplicado o Anexo III do Tratado de Assunção e. ou adoptarem um sistema semelhante. foram proferidos dez laudos arbitrais.3 O Sistema de Soluções de Controvérsias As solução de controvérsias dentro de um estrutura de integração. Assim. Por sua vez. Esses mecanismos são administrados pela Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM) e pelo Grupo Mercado Comum (GMC). respectivamente. Já a aproximação das legislações correlaciona-se com o procedimento especial para garantir o bom funcionamento do Mercado Comum. . pode se dar de várias maneiras. até a entrada em vigor do PO. ambos pretendem estabelecer uma certa conformidade entre as disposições legislativas que já vigoram ou irão vigorar nos Estados empenhados num processo de integração. assinado em 18 de Fevereiro de 2002 e vigente desde 1º de Janeiro de 2004. Apesar de constituírem-se procedimentos diferentes. ou pode constituir uma Corte de Justiça supranacional (caso da União Europeia). 17/98). existem etapas anteriores e paralelas ao sistema: os procedimentos de Consultas e os de Reclamações. com muita nitidez. Actualmente. e de seu Regulamento (aprovado por meio da Decisão CMC Nº. o Protocolo de Brasília. 18/02.2. vemos a diferença entre a "harmonização supranacional" e a tradicional "harmonização internacional". 1.

Proferir medidas provisórias. O Tribunal Permanente de Revisão.Pronunciar-se sobre as medidas compensatórias adoptadas pelo Estado Parte beneficiado pelo laudo na controvérsia. . Os laudos que venham a proferir os TAHM e o TPR serão obrigatórios para os Estados Partes na controvérsia assim que se tenham tornado firmes e tenham.Emitir Recursos de Esclarecimento. os Tribunais Superiores de Justiça dos Estados Partes. em razão de sua competência para conhecer e resolver nos recursos de revisão contra os laudos dos Tribunais Arbitrais Ad Hoc (TAHM). .Opiniões Consultivas: poderão ser solicitadas por todos os Estados-Partes em conjunto. cujas Funções são: . As opiniões consultivas não serão obrigatórias nem vinculastes. 7 Tribunais Arbitrais Ad Hoc do Mercosul . .Casos nos quais os Estados Partes activem o procedimento estabelecido para as medidas excepcionais de urgência. a pedido de um deles. então. O TAHM7 é formado a partir das Listas de Árbitros depositadas por cada Estado Parte na Secretaria do MERCOSUL. . . . os órgãos com capacidade decisória do MERCOSUL. adquirido força de caso julgado.Conhecer e resolver em matéria de controvérsias que venham a surgir entre os Estados Partes.Resolver divergências a respeito do cumprimento do laudo. órgão principal do sistema. e o Parlamento do MERCOSUL.Uma das principais inovações do PO foi a criação do Tribunal Permanente de Revisão (TPR).Actuação em única instância em caso de controvérsias. . é o órgão constituído como instancia jurisdicional para conhecer e resolver em matéria de: . ou de particulares.Revisão contra o laudo do TAH apresentado por quaisquer das partes.

42 do Protocolo de Ouro Preto.2. quando necessário. Certamente. a obrigatoriedade para os Estados-membros. Trata-se. portanto. Contudo. Como se vê.4 As Relações com os Ordenamentos Jurídicos Nacionais O art.De acordo com o art. 49. acarretem encargos ou compromissos gravosos ao património nacional". existindo os instrumentos legislativos que permitam a sua entrada em vigor no ordenamento jurídico interno.2. esta obrigatoriedade deve ser entendida nos limites das competências de cada órgão. o Poder Executivo tem a obrigação . entende-se que as normas emanadas do Mercosul que representam encargos económicos ou obrigações para o património nacional devem ser objecto de aprovação pelo Congresso Nacional. de tal forma que as decisões têm maior nível hierárquico. 42 do Protocolo de Ouro Preto determina que "as normas emanadas dos órgãos do Mercosul terão carácter obrigatório e deverão. 1. os Estados Partes efectuarão uma revisão do actual sistema de solução de controvérsias. 53 do PO "Antes de culminar o processo de convergência da Tarifa Externa Comum. .decorrente do Protocolo. deixou claro que: "São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer actos que possam resultar em revisão do referido protocolo. as normas que ampliam e modificam as estruturas do Mercosul também se submetem a essa condição. nos termos do art. ser incorporadas aos ordenamentos jurídicos nacionais mediante os procedimentos previstos pela legislação de cada país". o Congresso Nacional. de obrigação de meio. prevista no art. Da mesma forma. com vistas à adopção do Sistema Permanente de Solução de Controvérsias para o Mercado Comum a que se refere o numeral 3 do Anexo III do Tratado de Assunção". no Decreto Legislativo 188. reside na sua implementação. assim como quaisquer actos complementares que.I da Constituição Federal. Desta forma. isto é. ao aprovar o Protocolo de Ouro Preto.

advém de Tratados Internacionais negociados pelos governos e que posteriormente aprovados pelos Congressos são ratificados pelos Estados-Membros e promulgados. como Conferência para a Coordenação do Desenvolvimento da África Austral (SADCC). Países fundadores: Angola. na sua reunião Cimeira. Desenvolvimento. com o objectivo principal de coordenação de projectos de desenvolvimento como forma de reduzir a dependência económica em relação à então África do Sul do apartheid. Moçambique. 9 VALIGY. Trata-se do típico e clássico fenómeno da recepção. que consequentemente afasta de alguma forma a figura de supra-nacionalidade. de uma associação voluntária. a mecânica de incorporação do direito do Mercosul aos direitos nacionais. incorporando-se assim a norma do Mercosul ao direito nacional de cada um dos seus integrantes. Madagáscar e Seychelles)9. SADCC: Um Modelo de Cooperação Regional. Mais tarde se juntaram os seguintes países: Maurícias. Seminário Conjunto CEA/IEEI. Southern African Development Community. em Windhoek. isto é.Isto para dizer que. República Democrática do Congo. do ingles. 1. Botswana. Lesoto. foi e continua sendo a mecânica clássica. a 17 de Agosto de 1992. a 1 de Abril de 1980. e Integração na África Austral. Malawi.3Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC8) 1. Relações Internacionais. 8 (SADC). de Conferência de Coordenação. Namíbia. para promover maior cooperação e integração económica.1Historico SADC: organização regional criada inicialmente. Suazilândia. O direito do Mercosul se assenta no modelo clássico. os Chefes de Estado e Governo assinaram um Tratado que transformava a “SADCC”. uma necessidade premente para os governos dos Estados Membros da SADC de transformar e reestruturar as suas economias. A independência da Namíbia em 1990 e o fim do apartheid na África do Sul levaram a redefinir a base de cooperação entre os Estados Membros. Deu-se a transformação da SADCC em SADC. Zâmbia e Zimbabwe. em SADC. para uma instituição juridicamente vinculativa. Tanzânia. Assim. Ismael (1989). Lisboa . África do Sul.3.

unilaterais.1. o tratado constitutivo da Sadc. que não podem contradizer o direito originário.3. que seriam compostas pelos actos emanados das instituições decisórias. princípios gerais de direito e outras normas legais.2.3. dirigidas à organização e aos Estados Partes. encontraríamos na sua base o direito originário. assim como no Mercosul e na maior parte das comunidades. 1. Mais adiante. onde o ordenamento jurídico deste encontre-se fundamentalmente estabelecido. ou entre os Estados-membros. Protocolo do Tribunal da SADC e outras normas legais complementares. os quais devem estar de acordo com o Tratado da Sadc e seus documentos complementares. como a “cimeira” ou o “conselho” quais sejam: as decisões. encontramos os acordos celebrados com terceiros países. isto é. não encontramos na Sadc um diploma orientativo como o Protocolo de Ouro Preto do Mercosul. os regulamentos e as directrizes. Mas.2 A harmonização Legislativa na Sadc . Desta feita poderíamos imaginar a pirâmide jurídica da Sadc. onde encontramos o Tratado da Sadc e protocolos complementares. podemos encontrar a essência do ordenamento jurídico desta comunidade através do Tratado e Protocolos da SADC. nos mesmos termos em que se apresentaria a pirâmide jurídica do Mercosul. anexos e modificações. isto é. Verificando-se aqui no ordenamento jurídico da Sadc a falta da figura das directrizes. onde encontramos os demais protocolos. o ordenamento jurídico comunitário vigente na Sadc é composto pelo direito originário ou fontes primárias. Por fim.1 Fontes do Direito Comunitário da Sadc Apesar do tratado da Sadc não enunciar as fontes e estabelecer a hierarquia entre as diversas normas que integram seu ordenamento jurídico. e pelo direito derivado ou fontes secundárias.2. Tais normas. a jurisprudência desenvolvida pelo Tribunal. vem as normas de direito derivado.2 Ordenamento jurídico da SADC Ao contrário do Mercosul. 1.3.

Pois. Faculdade de Direito. Um órgão cuja a responsabilidade principal será ajudar os Estados membros na resolução de Controvérsias.3. 1. O ordenamento jurídico da Sadc. Essas “directivas” e “recomendações” indicam os resultados a atingir sem impôr a forma e os meios para conseguir atingir os seus objectivos. Como fazer da Sadc uma Organização Regional verdadeiramente integrada.10-11 .Segundo o Professor Doutor Gilles Cistac10. Pelo contrário. em a regra geral. esses instrumentos não são realmente concebidos para lutar contra a disparidade das legislações nacionais que constituem um obstáculo pela realização de um espaço económico e social verdadeiramente integrado. isto é. Porem. tem por base. o objectivo é de “cooperar”. a harmonização jurídica precisa de técnicas específicas tais como as “directivas” ou “recomendações” que uma organização aprova e dirige aos Estados membros. que estará sedeado em Windhoek. a SADC não criou verdadeiros instrumentos jurídicos que permitissem a substituição das disparidades de legislações dos Estados membros num regime jurídico harmonizado ou uniformizado. Logo.3 O Sistema de Soluções de Controvérsias O art.2. Universidade Eduardo Mondlane. no seu Tratado da SADC. Questões de Integração Regional e o Direito da Sadc. 4 n°5 do Tratado da Sadc estabelecia que as controvérsias que surgissem entre os Estados partes deveriam ser resolvidas pacificamente. Namíbia. não consagra nenhum instrumento que permita razoavelmente concluir pela existência de um real processo de harmonização das legislações dos Estados membros. assim como assegurar a aderência e 10 CISTAC Gilles. será responsável pela resolução de conflitos entre Estados membro. o ordenamento jurídico da SADC não dispõe de instrumentos jurídicos para diminuir as dificuldades que esta enfrenta na sua integração. Pg. Por outras palavras. um Tribunal composto por 10 membros. O Tribunal da SADC. o sistema de solução de controvérsias na Sadc. Todavia. Sendo Assim privilegiado como instrumento de opção desta o “Protocolo”. coordenar a acção dos Estados membros num domínio determinado. Assim. esses acordos entre Estados membros aparecem como instrumentos particularmente indicados e adaptados para promoção de uma cooperação entre Estados. Maputo 2008.

interpretação apropriada do Tratado da SADC bem como aos outros instrumentos subsidiários que aglutinam os Estados da região. vem estabelecer que qualquer controvérsia que nasça do exercício de qualquer função política ou administrativa. não têm efeito directo sobre os nacionais dos Estados membros nem sobre as respectivas administrações. Ou seja. vocação ou profissão ou qualquer outra actividade profissional que possa interferir com o exercício correcto das suas funções judiciais. não há nenhuma previsão da intervenção directa da SADC na ordem interna dos Estados membros.2. As decisões ou deliberações dos órgãos da SADC. Universidade Eduardo Mondlane. imparcialidade e independência. Pg. as suas decisões e deliberações têm como destinatários os próprios Estados membros e nunca os seus sujeitos internos. Questões de Integração Regional e o Direito da Sadc. pois comparecem à apreciação da maioria dos casos apresentados. Como fazer da Sadc uma Organização Regional verdadeiramente integrada. esta não reflecte nenhuma limitação à soberania dos Estados membros. Quem apresentar casos ao Tribunal deve primeiro esgotar os recursos locais ou provar que estes não existem. 9 do protocolo do tribunal da Sadc. 1. Uma vez que as decisões do Tribunal são finais e vinculativas.3. Os mecanismos organizativos apenas desenvolvem relações horizontais de simples coordenação das soberanias estaduais. o Estado membro interpõe-se entre a SADC e a sua ordem interna. Faculdade de Direito.10-11 . ou de qualquer cargo político em qualquer escritório. se os protocolos 11 CISTAC Gilles. Na indisponibilidade de um deles. cinco dos quais são “regulares”. serviço de um Estado. Com efeito. Os juízes servem um mandato de cinco anos. o Presidente do Tribunal pode convidar um outro membro para ocupar o cargo em questão. que é renovável. O art. Por exemplo. O Tribunal é composto por dez membros. particularmente o indivíduo. Por isso. Maputo 2008. serão resolvidas por uma decisão do Tribunal de da Sadc. Os Estados membros ainda desempenham um papel primordial na vida da SADC.4 As Relações com os Ordenamentos Jurídicos Nacionais No que diz respeito à estrutura jurídico-organizativa da SADC segundo CISTAC 11. a Comunidade ou uma organização ou exercer qualquer comércio.

Assim. o efeito directo é ainda inexistente nas ordens jurídicas internas dos Estados membros. segurança. Na prática. o objectivo predominante da SADC. cultura.) . etc. que vão cobrindo progressivamente novos domínios de actividade à medida que a integração avança. não há transferência de poderes soberanos dos Estados membros para a SADC. é o de fomentar relações multilaterais de mera cooperação entre os Estados membros. Relações essas. correspondente apenas a uma parte do objecto material da organização que é muito mais rico (manutenção da paz. estes são sujeitos à ratificação dos Estados membros o que significa que apesar desta decisão da Cimeira. Em resumo. na esfera da actividade económica. as restrições à soberania dos Estados membros da SADC traduziram-se no facto de existirem relações de subordinação e não de mera cooperação entre a organização e os Estados membros.são aprovados pela Cimeira sob recomendação do Conselho. democracia. incluindo os seus sujeitos de Direito interno.

pelo menos nos títulos e chamadas. em virtude de ser uma denominação usual do nascente direito das comunidades de integração. existe. o que se pode denominar por "Direito Comunitário". mas que só se encontra realizado no seio da União Europeia ou Comunidade Europeia. preferiu-se manter esta denominação. de maneira verdadeiramente a rigor. nem no âmbito do MERCOSUL como no da SADC. Bibliografia . Porém.Conclusão Como podemos ver a partir da comparação dos ordenamentos jurídicos destas duas comunidades.

Brasília. Lisboa. http//:www. Maio de 1999 ROCHA Isabel. ARGAO Luís.asp? VALIGY. Ismael (1989). Maputo 2008. Como fazer da Sadc uma Organização Regional verdadeiramente integrada. e Integração na África Austral. Questões de Integração Regional e o Direito da Sadc. porto Editora . Wagner Rocha D´Angelis. 23-26 de outubro. Introdução ao Direito. Relações Internacionais. Universidade Eduardo Mondlane. ORDENAMENTO JURÍDICO DO MERCOSUL Marcos Valadão.net/editorial/sadctoday/portview. Faculdade de Direito. SADCC: Um Modelo de Cooperação Regional.CISTAC Gilles. BATALHAO Carlos. Seminário Conjunto CEA/IEEI. Desenvolvimento.Sardc. MERCOSUL E UNIÃO EUROPÉIA: UM ESTUDO COMPARATIVO DOS SISTEMAS JURIDICOS.