UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA PROFESSORA KARIN MARIA LUDWIG EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES (EPF) OBJETIVO Diagnosticar os parasitos intestinais

do homem, através da pesquisa das diferentes formas parasitárias que são eliminadas nas fezes. FINALIDADES DO EXAME DE FEZES: 1. Protoparasitológico ⇒ Essa modalidade de exame visa a pesquisa de ovos, larvas, cistos e trofozoítos de parasitos. Pesquisa de parasitos de interesse na AIDS ⇒ Com o surgimento da AIDS, alguns parasitos que não tinham tanta importância passaram a ter conotação, como o Cryptosporidium parvum, o Isospora belli e o Ciclospora cayetanensis, microsporídeos que são diagnosticados por método específico. Obs. Importante uma solicitação adequada e da necessidade de informações clínicas. Pesquisa de sangue oculto ⇒ Tem grande utilidade na triagem da neoplasia maligna do intestino grosso. Pesquisa de leucócitos e hemácias ⇒ Pesquisa de leucócitos tem a finalidade de determinar a etiologia de um quadro diarréico. A presença de leucócitos nas fezes indica invasão bacteriana e também a presença de alguns parasitos que agridem o trato digestivo e resultam em fezes disentéricas. ⇒ A presença de hemácias denota processo hemorrágico. Dosagem de gordura ⇒ Tem utilidade no diagnóstico e no acompanhamento da síndrome de má absorção, sendo que, quando se tem a síndrome tem-se um aumento do teor de gordura fecal. COLETA DAS FEZES: A coleta, armazenamento e conservação das fezes são de fundamental importância na qualidade do exame. ● FEZES FORMADAS OU PASTOSAS: 1. A evacuação deve ser feita em recipiente seco e limpo. Dê preferência ao penico, mas na falta, pode ser usado um pedaço de papel (jornal) colocado no chão; 2. Coletar o material correspondente à parte intermediária da evacuação. 3. Transferir parte das fezes (5 a 10g) para um frasco próprio, de boca larga, bem fechado e identificado. Melhor utilizar o coletor universal (frasco coletor, com espátula descartável). Observação: o frasco deve ser identificado (nome do paciente, idade e data da coleta) e é interessante que seja colocado dentro de um saco plástico para melhor acondicionar as fezes. ● FEZES LÍQUIDAS: 1. A fezes líquidas devem ser colhidas em recipientes limpos e secos. 2. Transferir para um frasco próprio, de boca larga, bem fechado e identificado. Melhor utilizar o coletor universal. 3. As fezes líquidas são emitidas normalmente por pacientes com diarréia, na fase aguda de certas parasitoses. OBSERVAÇÕES: 1. No caso de fezes frescas (sem conservador) a remessa para o laboratório deve ser imediata. 2. As fezes poderão ser mantidas em geladeira, caso o paciente tenha evacuado em um período que não seja possível fazer a entrega. 3. Para alguns parasitos, que são eliminados intermitentemente, são necessários vários exames (geralmente três), colhidos em intervalos de 2 a 3 dias. 4. As amostras de fezes não podem estar contaminadas com água, urina ou com terra, pois tais elementos causam a degeneração de alguns parasitos ou introduzem organismos de vida livre, que podem confundir o diagnóstico.

É importante verificar se o paciente as entendeu. para evitar a putrefação. ▲ Qualquer conservador deve ser usado na proporção de três partes desse para uma parte de fezes. essas devem ser mantidas a baixas temperaturas (5° a 10° C).conserva por mais de um mês os ovos e larvas de helmintos e os cistos de protozoários. Os conservadores mais empregados são: 1.250 mL Formol . ⇒ Se houver previsão de maior demora (distância do laboratório.85% . à temperatura ambiente ou sob refrigeração.90 mL 2. pois contendo provavelmente trofozoítos. cujas iniciais significam mertiolato (ou mercurocromo).sigla de um conservador muito difundido.10 mL Solução salina a 0. Distribuição de cistos e trofozoitos em relação à consistência do material fecal. ovos e larvas de helmintos. ESTRUTURAS ENCONTRADAS EM EXAMES DE FEZES: 1. MIF . devendo ser examinadas no máximo dois a três dias após a emissão.5 mL . preferencialmente antes de duas horas de colhidas. Água destilada . o paciente deve receber. TRANSPORTE DAS AMOSTRAS ⇒ Quando há possibilidade de remeter as fezes rapidamente ao laboratório ou então examina-las logo que cheguem. 1. pois é na coleta adequada que se inicia a qualidade do exame parasitológico.⇒ As instruções sobre como coletar as fezes devem ser claras e passadas ao paciente por escrito. Para tanto. Formol comercial .250 mL Solução de mercurocromo a 1:500 . do laboratório. ⇒ Para fezes pastosas e líquidas esse tempo é crítico. As fezes líquidas são melhores para pesquisa de trofozoítos de protozoários. Fig. se a colheita é realizada em hospitais ou postos de coleta). Nas fezes formadas e pastosas encontramos facilmente cistos de protozoários. sendo estas bem homogeneizadas. ⇒ As amostras de fezes formadas devem ser enviadas ao laboratório logo após a colheita. o frasco contendo o conservador. CONSERVAÇÃO DAS AMOSTRAS ▲ As fezes mantidas em conservadores. Formol a 10% . ▲ O ideal é que as fezes sejam colocadas no conservador logo após a evacuação. 2. iodo e formol. estes vão se degenerar rapidamente. demora imposta pela rotina diária do laboratório ou pela colheita feita em fins de semana.25 mL Glicerina . permite que o exame seja realizado semanas após a coleta. as amostras de fezes devem ser preservadas em solução fixadora e conservadora.

todas as formas parasitárias. Exame microscópico: permite a visualização dos ovos e larvas de helmintos. que permite o encontro de ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários. ⇒ Recomendações gerais: ■ algumas espécies de parasitos só são evidenciadas por técnicas específicas. ou pelo elevado número de exames a serem realizados por dia. Utilizar inicialmente as objetivas de menor aumento para observar toda a lâmina (objetiva 10x) e depois objetivas de maior aumento (objetiva de 40x) para melhor identificar as formas parasitárias. Flutuação espontânea: Método de Willis. da presença de elementos anormais (muco e sangue). Concentração de larvas de helmintos por migração ativa. no mínimo. que permite o encontro de ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários. Método de Richie. seja por quantidade insuficiente de fezes. ▼ Com o número reduzido de formas parasitárias eliminadas com as fezes. Neste caso os mais empregados são: Método de Hoffmann. Deve-se. não deve ser conclusivo. Sedimentação por centrifugação: Método de Blagg (MIFC). usado para a pesquisa de cistos de protozoários e ovos leves. ⇒ Quando não é especificada a suspeita clínica o exame é feito por um dos métodos citados. Pons e Janer (Lutz). do odor. e de vermes adultos ou partes deles. ■a produção de cistos ou larvas não é uniforme ao longo do dia ou do ciclo do parasito. além de serem de fácil execução e pouco dispendioso. permitindo avaliar a intensidade do parasitismo. Sedimentação espontânea: Método de Hoffmann. tal procedimento é inviável. Os principais processos de enriquecimento são: 1. Centrifugoflutuação: Método de Faust. devem ser executados. 2. Quantitativo: são aqueles nos quais se faz a contagem dos ovos nas fezes. por isso muito usado na rotina. Cobrir a lâmina com lamínula é facultativo . 5. devido ao hidrotropismo e termotropismo positivo: Método de Baermann-Moraes e método de Rugai. Qualitativo: são aqueles que demonstram as formas parasitárias. no caso de resultado negativo. 4. sem quantificá-las. 3. em que o resultado é negativo. ⇒ Algumas formas são mais gerais. examinar duas lâminas de cada amostra. ■ um exame isolado.TIPOS DE EXAMES Exame macroscópico: permite a verificação da consistência das fezes. Ex: Método de Hoffmann. sem quantificá-las. ⇒ Quando é solicitada a pesquisa de um parasito em especial. específico para larvas de helmintos e para cistos de protozoários). ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A ANÁLISE MICROSCÓPICA 1. ⇒ A maior interação entre o médico e o laboratório contribuiria para que o exame parasitológico fosse o mais exato possível. é necessário recorrer a processos de enriquecimento para concentrá-las. Isso deve ser feito para uma correta identificação dos cistos de protozoários e ovos e larvas de helmintos. ⇒ Mas na maioria das vezes. permitindo o diagnóstico de vários parasitos intestinais. ao mesmo tempo. ⇒ Alguns autores preconizam a execução de vários métodos com cada amostra (métodos geral. 3. ■ o material deve ser examinado o mais rápido possível. ⇒ É recomendável a repetição do exame com outra amostra. demonstrando a presença das formas parasitárias. Indicados para a pesquisa de larvas de Strongyloides stercoralis. o método geral e o específico. Pons e Janer (Lutz). 4. Pons e Janer (Lutz) e Método de Blagg (MIFC). que permite a pesquisa de ovos leves (principalmente ancilostomídeos). Ex: Método de Kato-Katz. cistos e trofozoítos de protozoários. Para análise microscópica é importante fazer uma leitura com a amostra natural e uma com coloração pelo lugol. 2. PRINCIPAIS MÉTODOS DE EXAME DE FEZES: ▼ Os métodos qualitativos são os mais utilizados. ao mesmo tempo. pois outros parasitos não seriam diagnosticados se fosse executado apenas o método específico. ESCOLHA DO MÉTODO: ⇒ Não existe um método capaz de diagnosticar.

SITUAÇÕES EM QUE O MÉDICO SE VOLTA PARA AS PARASITOSES INTESTINAIS ■ Quando se obtém a positividade em um exame parasitológico. Dosagens e exames químicos: ⇒ Haverá um aumento de ácidos orgânicos em dispepsia fermentativa. b) Cor ⇒ Normalmente a cor das fezes é castanho-parda. ■ acinzentada: relacionada à insuficiência gástrica e pancreática.aumento anormal de eosinófilos no sangue. presença de outros agentes. ■ avermelhada: relacionada a sangramento na parte baixa do intestino.5. síndrome fecal e trânsito acelerado.líquidas. d) pH ⇒ O pH normal das fezes fica entre 6. ■ preta (melena): relacionada à hemorragia digestiva alta. Dificuldade de digerir.sensação de desconforto digestivo.Luvas e jalecos. ■ Quando as crianças apresentam sintomas gastrintestinais cônicos. beber. c) Odor ⇒ Normalmente tem o odor sui generis ou fecal. ⇒ A diminuição ocorre em processos fermentativos. especialmente em crianças. que ocorre após as refeições. ■ branca (massa de vidraceiro): relacionada à insuficiência biliar. 2. consistentes. ■ Quando a presença de determinados sintomas ou de eosinofilia obriga a confirmação ou exclusão do diagnóstico. Eosinofilia. ■ Na presença de anemia ferropriva. Obs. ■ pardo-escura: relacionada à dispepsia putrefativa. ■ odor pútrido: relacionada à dispepsia putrefativa.Descontaminar a superfície de trabalho. manipular lentes de contato e outros. com aspecto de pedra) ou heterogêneas. ■ Quando ocorre a eliminação espontânea de vermes. fumar. ⇒ Em casos patológicos podem ser: . . . 1. ► Adotar regras de segurança universal e nível 2 de biosegurança: . Obs: estas precauções devem ser mantidas mesmo em amostras em líquidos de preservação. ■ odor rançoso ou butírico: relacionado à fermentação com aumento de ácido butírico. característico de alergias e infestações por parasitas SEGURANÇA EM TRABALHOS COM FEZES ► Riscos específicos: Ingestão de ovos ou cistos. penetração cutânea de larvas. embora possam ocorrer alterações fisiológicas ou patológicas: ■ pardo-clara: relacionada à dispepsia fermentativa. ⇒ Normalmente as fezes são: . ■ pH básico: relacionado com dispepsia putrefativa. ■ pH ácido: relacionado com dispepsia fermentativa e insuficiência biliar. finas. ■ odor de água sanitária: relacionado à disenteria bacilar.Câmaras de biosegurança. como ´por exemplo: formol 10%. química. macroscópica e microscópica que estabelece uma análise funcional de todo o sistema digestório. ESTUDO COPROLÓGICO DAS FUNÇÕES DIGESTIVAS A coprologia funcional é um método que compreende as análises física. . em cíbalo ou coprólito (fragmento de matéria fecal endurecida e calcificada. forma e homogeneidade.cilíndricas.Abster-se de comer. . insuficiência gástrica e pancreática. aplicar cosméticos. Exame físico: a) Aspecto: ⇒ O aspecto das fezes varia segundo a sua consistência. regulares e homogêneas ou pastosas. colites intensas. ■ Quando se acompanha um paciente imunodeprimido. Obs: Dispepsia.5 e 7. ■ odor pútrido penetrante: relacionado a carcinoma de colo e reto. diarréias e com o aumento do teor de água.

Sangue digerido pode ser indicativo de hemorragia digestiva alta. insuficiência pancreática. hemácias e leucócitos está relacionada a colite irritativa e colo irritável. Salmonella. propedêutica. ⇒ A presença de muco sem células. evidenciando secreção clorídrica insuficiente. ▲ Sangue vivo. . ⇒ O amido amorfo. semiótica. trânsito intestinal acelerado. invasora). Isso pode ser devido a neoplasia maligna. incluso ou cru normalmente não é encontrado nas fezes. está relacionada a insuficiência gástrica e pancreática. insuficiência gástrica. fragmentos de tecidos necrosados. na grande maioria das vezes.(enterotoxigênica. 4. em grande quantidade. ► Para a realização do exame deve-se coletar as fezes no início do processo diarréico. A ausência de muco é indicativo de colite crônica. no trânsito intestinal acelerado e nos distúrbios de absorção. e) Sangue: ▲ Sangue vivo em pequena quantidade. sintomatologia) ⇒ A presença aumentada de fibras musculares mal digeridas indica insuficiência pancreática. Obs. estando bastante aumentado nas colites mucosas. excesso de ingestão de feculentos. o sangue está misturado ao muco ou difundido na massa fecal. alergia digestiva. a) Fragmentos de cenoura e batata: ▲ Sua presença está relacionada à mastigação defeituosa. Na disenteria amebiana há muco e sangue. neoplasia do estômago e do intestino delgado e trombose mesentérica. Exame macroscópico: ⇒ Podem ser encontrados elementos não-digeridos. pode estar relacionado com neoplasia do intestino. Shigella. f) Pus: ▲ Sua presença é rara. disenteria amebiana e bacilar e gonorréia. quando presente. b) Tecido conjuntivo animal: ▲ Sua presença está relacionada à insuficiência gástrica. o que é normal até (++). quando presente.Exemplo: o ácido acético positivo indica a presença de muco nas fezes. sob a forma não-digerida. ⇒ A presença de ácidos graxos abundantes está relacionada à insuficiência biliar. Exames microscópicos: ⇒ A presença de celulose digerível indica trânsito intestinal acelerado desde o final do intestino delgado até o ceco. ⇒ Leucócitos íntegros indicam trânsito intestinal acelerado a partir da lesão ou da lesão terminal. esvaziamento gástrico rápido. COPROCULTURA ► É um importante diagnóstico quando se tem a suspeita de um quadro diarréico por bactérias enteropatogênicas. Obs. ⇒ Encontra-se pouco aumentada na insuficiência gástrica. como Escherichia coli. na disenteria bacilar há muco com bactérias. 3. está relacionado a colite ulcerativa grave e disenteria. c) Fragmentos de carne: ▲ Sua presença é rara. ⇒ Os cristais de Echarcot-Leyden aparecem na presença de verminose. alteração da flora intestinal ou ulceração intestinal. leucócitos e células. (Semiologia: meio e modo de se examinar um doente. traduz acometimento de via baixa. bactérias. ⇒ A presença de muco está relacionada a processos intestinais agudos. tanto de origem vegetal quanto animal. ▲ Nas disenterias. Obs. ⇒ A presença de células indica descamação intestinal. pode ser indicativo de hemorróida. especialmente de se verificarem os sinais e sintomas. Sangue vivo. polipose ou colite ulcerativa grave. no começo ou no fim das evacuações. A celulose não digerível não tem valor semiológico. d) Muco ▲ Sua presença está relacionada à colite membranosa e colo irritável. ⇒ As hemácias são encontradas em hemorragias digestivas baixas. ⇒ seu aparecimento em grande quantidade. fermentação intestinal e até insuficiência pancreática. indica trânsito intestinal acelerado. neoplasia maligna. ⇒ Pode ser devida a alteração da flora intestinal.

⇒ Deverá constar o(s) método(s) executados(s) e a consistência das fezes. larva. sejam eles patogênicos ou não. incluindo o gênero e a espécie.► O cultivo é realizado em meios de cultura próprios. ► Caso haja crescimento de bactérias patogênicas. cisto. verme adulto). ⇒ Deverá ser citada a forma parasitária observada (ovo. trofozoíto. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ⇒ Todos os parasitos encontrados no exame deverão ser relatados. após sua identificação pode ser realizado um teste de sensibilidade a antimicrobianos para adequada orientação terapêutica. Exemplos: Resultado negativo Resultado positivo . ⇒ Deverá ser colocado o nome científico do parasito. ⇒ Observações sobre o número de amostras colhidas poderão ser relatadas.

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