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Capítulos[1]..

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  • 1.1. Alguns conceitos sobre a luz e sobre a teoria eletromagnética
  • 1.2. Equações de Maxwell
  • 1.3. O guia de ondas óptico
  • 1.4. Funcionamento do guia óptico básico
  • 1.5. Modos de propagação na fibras óptica
  • 1.6. Tipos básicos de fibras ópticas
  • 1.7.1. Perdas por Absorsão pelo material
  • 1.7.2. Perdas por irradiação devido a curvatura
  • 1.7.3. Perdas por espalhamento da energia óptica
  • 1.7.4. Perdas por modos vazantes
  • 1.7.5. Perdas por microcurvaturas
  • 1.7.6. Considerações finais sobre a atenuação
  • 1.8.1. Dispersão modal
  • 1.8.2. Dispersão material
  • 1.8.3. Dispersão de guia
  • 1.9. Principais vantagens e desvantagens das fibras ópticas
  • 1.10.1. Cabo tipo Loose
  • 1.10.2. Cabo tipo Tight
  • 1.10.3. Cabo tipo Groove
  • 1.10.4. Cabo tipo Ribbon
  • 1.11. Fibras ópticas modernas
  • 2.1. Intro
  • 2.2.1. Dio
  • 2.2.2. Diodo Laser
  • 2.2.3. Lasers DFB
  • 2.3.2. Modulação externa
  • 2.4. Perdas por acoplamento
  • 2.5.2. Fundamentos dos fotodiodos
  • 2.5.3. Fotodiodo PIN
  • 2.5.4. Fotodiodo de avalanche (APD)
  • 2.5.5. Detecção
  • 2.5.6. Demodulação
  • 2.5.7. Ruídos de detecção
  • 2.6. Emendas, conectores e acopladores
  • 2.7.1. Amplificadores Ópticos de Semiconductor
  • 2.7.2. EDFA, Erbium Doped Fiber Amplifier
  • 2.7.3. Configurações de bombardeio
  • 2.7.4. Ganho de um EDFA
  • 2.7.5. Amplificadores de Raman
  • 2.8. Esquema estrutural da comunicação óptica
  • 3.1. Introdução
  • 3.2. Multiplexagem por Divisão na Frequência
  • 3.3.1. Sincronização dos elementos de rede
  • 3.3.2. Sistemas de multiplexagem primários
  • 3.3.3. Hierarquias de ordem superior
  • 3.4.1. Características
  • 3.4.2. Técnicas de multiplexação e demultiplexação
  • 3.4.3. Dense WDM – DWDM
  • 3.4.4. Coarse WDM – CWDM
  • 3.4.5. DWDM versus CWDM
  • 3.4.6. Outras Tecnologias WDM
  • 3.4.7. Considerações
  • 4.1. Introdução à redes de telecomunicações
  • 4.2. Topologias de redes
  • 4.3. Características das redes 4.3.1. Largura de Banda e Capacidade do canal
  • 4.4.2. Redes móveis
  • 4.4.3. Rede Digital com Integração de Serviços
  • 4.5.2. Redes Ópticas Metropolitanas
  • 4.5.3. Redes Ópticas de Longa Distância
  • 4.6.2. A Rede de Transporte SDH
  • 4.6.3. Princípios da Transmissão Síncrona
  • 4.6.4. Formação dos sinais SDH
  • 4.6.5. Funcionalidades da tecnologia SDH
  • 4.6.6. Equipamentos de Transmissão
  • 4.6.7. Topologias de rede
  • 4.6.8. Confiabilidade de rede
  • 4.6.9. Camadas de rede
  • 4.6.10. Metodologias de planeamento
  • 4.7.2. Dim
  • 5. Cabo óptico

 

 
 

CAPÍT0L0 1
CARACTERÍSTICAS
BAS FIBRAS
0PTICAS
 
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 

1.1. Alguns conceitos sobre a luz e sobre a teoria eletromagnética
Até o século passado, foram introduzidos os preceitos da Óptica Geométrica, que utiliza o
traçado de raios para analisar os fenómenos da propagação. O estudo de irradiação como
fenómeno representado por um conjunto de raios é válido quando as dimensões do meio forem
muito grandes comparadas com o seu comprimento de onda. Todavia, existem fenómenos que só
podem ser completamente estudados a partir da aceitação de uma característica de dualidade
onda-partícula. Esses fenómenos, incluindo a geração da luz, a emissão e absorção de energia
por átomos e moléculas, as interações com o meio e com partículas microscópicas carregadas,
tais como electrões e positrões, devem ser estudados Teoria Quântica da Irradiação. Essa teoria
estabelece que uma irradiação pode comportar-se como onda ou como partícula, dependendo das
circunstâncias ou do fenómeno a ser interpretado. A quantidade de energia correspondente é
múltipla de um valor fundamental denominado quantum (plural quanta), que actuaria como um
corpúsculo de massa nula associado ao campo eletromagnético. Quando a frequência da
irradiação estiver na faixa de luz, o quantum de energia é mais conhecido como fotão.
Segundo a lei de Planck, o quantum de energia é directamente proporcional à frequência f da
irradiação eletromagnética. A energia do fotão é:
E = b¡                                                                                                                                              (1.1) 
sendo b = 6,626 × 1u
-34
[. s a constante de Planck.
1.2. Equações de Maxwell
Recordemos as equações de Maxwell para meios isótropos, não magnéticos e sem carga
livre:
7
2
E -eµ
0
ð
2
L
ðt
2
= u
7
2
E -eµ
0
ð
2
H
ðt
2
= u (1.2)
Pode-se ver a similaridade destas expressões com a expressão geral de uma equação de
onda:
7
2
V -
1
¡
2
ð
2
+
ðt
2
= u (1.3)
Portanto, para as equações de onda dos campos eléctricos e magnéticos:
: =
1
.su
0
(1.4)
O espectro óptico inclui frequências entre 4Su TBz e 7Su TBz, correspondendo ao extremo
inferior da faixa de infravermelho e o limite superior da faixa de ultravioleta. O interesse para
comunicações ópticas são as freqüências no infravermelho na faixa de 1Su TBz a 4uu TBz,
aproximadamente. São valores muito maiores do que os limites comuns de radiocomunicações.
De acordo com a teoria eletromagnética, em um ambiente aberto, sem fronteiras próximas,
os campos elétrico e magnético da onda são perpendiculares entre si e contidos em um plano
transversal à direcção de propagação. Esta solução das equações de Maxwell é referida como
onda eletromagnética transversal.
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 


Figura 1.1. Espectro electromagnético.
Medições e estudos mais confiáveis mostram que a velocidade da onda eletromagnética no
vácuo é de 2,99792 × 1u
8
m. s
-1
= S × 1u
8
m. s
-1
, independentemente da frequência e do
referencial utilizado. Esta representa a máxima velocidade com que a energia poderá deslocar-se
em um meio ilimitado, sendo conhecida como velocidade limite.
Em outros meios ilimitados, a velocidade da luz será sempre menor do que o valor no vácuo.
O número que relaciona a velocidade no vácuo com a velocidade em outro meio, é o índice de
refração:
n =
c
¡
(1.5)
Usualmente, em lugar das frequências ópticas expressam-se os correspondentes
comprimentos de onda, que representa a distância necessária para que uma onda senoidal sofra
uma variação de fase de 2π radianos, em uma direcção especificada.
O valor pode ser calculado pela relação entre a velocidade de deslocamento da onda no meio
e a sua frequência. Se o meio não for especificado, considera-se como sendo o vácuo e o
comprimento de onda fica dado por:
z =
c
]
(1.6)
A luz comum é constituída de diversas frequências próximas entre si, formando um sinal
composto pela superposição dos vários campos. Como as frequências são bem próximas, as
interferências entre elas darão origem a um sinal que apresentará valores resultantes da soma de
componentes em fase (interferência construtiva) e componentes em contra-fase (interferência
destrutiva). O sinal assim composto constitui um grupo de ondas que se desloca no meio. A
velocidade de propagação deve ser considerada como a rapidez de deslocamento do conjunto que
representa toda a irradiação e não a velocidade de uma única componente. Este deslocamento por
unidade de tempo é conhecido como velocidade de grupo. Existem meios nos quais a velocidade
de grupo é igual à velocidade de uma componente da onda.
São os meios não-dispersivos e um exemplo é o meio ilimitado sem perdas, como é o caso
do vácuo. Em meios dispersivos, a velocidade de propagação de cada componente depende da
frequência. Assim, as relações de fase que deram origem às interferências construtivas e
destrutivas em um certo ponto não são preservadas à medida em que o sinal avança na região.
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 

Como consequência, o formato resultante modifica-se ao longo do meio de propagação,
fenómeno denominado dispersão.
1.3. O guia de ondas óptico
Uma fibra óptica é um ducto formado por materiais que são suficientemente transparentes
para conduzir um feixe de luz visível ou infravermelho através de um trajecto qualquer. Em
geral, a fibra óptica é composta por dois cilindros concêntricos com diferenças de índice de
refracção, o que possibilita o fenómeno de Reflexão Total Interna na superfície entre a parte
central (núcleo) e o cilindro periférico (casca). Para que haja reflexão total, o índice de refracção
do núcleo, n
1
, tem que ser maior que o índice da casca, n
2
. Esta diferença no índice de refracção
esta relacionada com o perfil da fibra óptica, que pode ser composta por materiais dieléctricos
distintos ou por dopagem de materiais semicondutores na sílica.

Figura 1.2. Vista em corte longitudinal e em corte transversal de uma fibra óptica, apresentando o núcleo e a
casca sem as camadas de protecção externas.
Houve necessidade de se incluírem proteções, a fim de se garantir sua durabilidade.
Experiências comprovam que um cabo de fibra óptica é capaz de suportar um esforço de tracção
de Suuu NN. m
-2
contra SuuuNN. m
-2
do fio de aço. Entretanto, na prática, é possível a
ocorrência de fraturas microscópicas na superfície, que se propagam rapidamente em direcção ao
núcleo, reduzindo dramaticamente sua capacidade de suportar tracções ou outros esforços
mecânicos.
 
Figura 1.3. Vista em corte transversal de uma fibra óptica, apresentando o núcleo, a casca e as camadas de
proteção. As dimensões indicadas estão em micrómetros.
A formação dessas microfracturas decorre de agentes externos, tais como humidade,
variações de temperatura, contactos com partículas ou substâncias químicas do ambiente, etc..
Por esta razão, a fibra moderna apresenta camadas de proteção externas, assumindo o aspecto da
figura 1.3. Neste modelo, entre a casca e a camada de plástico final estão incluídas duas outras
camadas que podem ser de resina silicônica ou de acrilato. A camada mais interna é um pouco
n

n

CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 

mais macia, para actuar como elemento amortecedor de algumas agressões mecânicas externas.
As fibras com acrilato têm a vantagem de possuir um diâmetro final menor do que o modelo
representado na figura 1.3. Existem outros valores recomendados pelos organismos
internacionais que normalizam a fabricação das fibras ópticas e cabos.
As dimensões indicadas são para a denominada fibra multimodo. A fibra monomodo com
camadas de acrilato possui o diâmetro do núcleo inferior a 1u µ m e seu diâmetro total externo é
inferior a u,4 µm.
1.4. Funcionamento do guia óptico básico
Pode-se obter um entendimento simplificado da propagação da luz na fibra através da óptica
geométrica ou teoria dos raios. Esta técnica é válida quando o núcleo da fibra tem o raio muito
maior do que o comprimento de onda de operação. Na técnica da óptica geométrica, a luz pode
ser considerada como consistindo de ''raios'' que se propagam em linhas rectas dentro do material
(ou meio), sofrendo reflexão e/ou refração na interface entre os dois materiais. A figura 1.4
mostra a interface entre dois meios com índices de refracção n
1
e n
2
, sendo n
1
> n
2
.

Figura 1.4. Reflexão e refracção na interface entre doie meios.
Um raio de luz do meio 1 incide na interface entre os meios 1 e 2. O ângulo de incidência θ
1

é o ângulo entre o raio incidente e a normal à interface entre os dois meios. Parte da energia é
refletida para o meio 1, como raio refletido, e a energia restante (desprezando-se a absorção)
passa para o meio 2, como raio refratado. As leis da óptica geométrica estabelecem que 0
1
= 0
1,¡

e os ângulos do raio refratado e incidente obedecem a lei de Snell, dada por:
n
1
scn0
1
= n
2
scn0
2
(1.7)
Quando o ângulo de incidência aumenta, o ângulo de refracção também aumenta. Se
n
1
> n
2
pode-se ter 0
2
= 9u°. Isto acontece quando 0
1
= 0
c
(ângulo crítico). Para 0
1
> 0
c
não
existe raio refractado e toda a energia da onda incidente é reflectida. Esse fenômeno é chamado
de reflexão total interna.
Da lei de Snell teremos então:
scn0
c
=
n
2
n
1
                                                                                                                                                    (1.8) 
Então, do ponto de vista da óptica geométrica, a luz se propaga na fibra devido a uma série
de reflexões internas totais que ocorrem na interface núcleo-casca, figura 1.5. Somente os raios
de luz que incidem para determinado ângulo na interface ar-núcleo (figura 1.6) sofrerão reflexão
interna total e então serão propagados.
n
2
 
Meio 2 
n
1
Meio 1 
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 


Figura 1.5. Transmissão do feixe de luz pelo núcleo da fibra óptica.
A partir da figura 1.6, o feixe de luz penetra no núcleo segundo um ângulo γ em relação ao
eixo longitudinal da fibra. Por causa da diferença de índices de refracção entre o ar e o núcleo, o
raio dentro do núcleo muda de direcção, o que determinará o ângulo de incidência na superfície
de separação com a casca. Se este ângulo for menor do que o valor crítico, o campo não será
totalmente refletido e parte de sua energia é transferida para a casca. O fato ocorrerá a cada nova
reflexão e após uma curta distância quase toda a energia terá escapado do núcleo e não será útil
para envio de mensagens em um enlace óptico.
Existe um valor máximo do ângulo de entrada na face da fibra, denominado ângulo de
aceitação (θ
a
), para o qual o = 0
c
que permitirá a propagação da energia luminosa ao longo do
núcleo. Este ângulo depende dos índices de refracção do núcleo e da casca e define um
parâmetro denominado abertura numérica. Seu valor é calculado por:
AN = scn0
u,mux
= .n
1
2
-n
2
2
(1.9)
Por causa da simetria cilíndrica circular da fibra óptica, a abertura numérica define um cone
de captação na sua face. Um cone espacial chamado de cone de aceitação. Quando o raio
luminoso estiver dentro desse cone, existe condições favoráveis para ser guiado pelo núcleo da
fibra. Na outra extremidade, a irradiação também ocorre dentro de um cone com idênticas
características geométricas. Ou seja, no final da fibra óptica tem-se uma situação simétrica à
encontrada no ponto de excitação.
 
Figura 1.6. Propagação de raios de luz na fibra óptica por reflexão interna total
 
Figura 1.7. Conceito de abertura numérica e ângulo de aceitação na face da fibra óptica.
n
2
 
n
1
θ
a,max
 
20
u,mux
 
n
1
n
2
 
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 

1.5. Modos de propagação na fibras óptica
As equações de Maxwell estabelecem que a transmissão de energia num guia de onda pode
ser descrita a partir de distribuições bem definidas do campo eletromagnético. Cada distribuição
indica um modo de propagação, com características próprias (factor de fase, velocidade de
propagação, comprimento de onda guiada, velocidade de grupo, e assim por diante). Do ponto de
vista da óptica geométrica, cada modo corresponde a uma trajetória diferente do raio luminoso.
Em princípio, cada raio que for captado dentro do cone definido pela abertura numérica pode dar
origem a um modo de propagação, com um ângulo de incidência próprio na interface do núcleo
com a casca.
O campo resultante no interior da fibra é a soma de campos incidentes e reflectidos, que
determinam uma distribuição específica para cada caso no plano transversal à direcção de
propagação. As trajetórias da figura 1.5 representam esses modos de propagação, onde se
considera apenas a parcela da energia óptica no núcleo. A luz que for emitida por regiões da
fonte fora dos limites do núcleo são acopladas à casca e não contribuem para o campo útil
guiado. Além disto, mesmo com a fonte de luz acoplada directamente ao núcleo, somente os
raios que incidirem com um ângulo maior ou igual ao valor crítico poderá originar um modo
guiado no núcleo. Quanto maior for a abertura numérica melhor será a eficiência de acoplamento
e mais modos terão condições favoráveis de propagação.
A onda guiada em um determinado modo pode ser decomposta em ondas planas que
constituem uma onda estacionária no plano transversal à direcção de propagação. A cada onda
plana associa-se um raio luminoso, com direcção normal à sua frente de onda, que indica a
direcção em que essa onda está se deslocando.
Admitindo que sejam satisfeitas as condições para se aplicar a óptica geométrica,
identificam-se dois tipos de raios no núcleo: os raios meridionais e os raios inviesados. Os raios
meridionais são confinados aos planos que passam pelo eixo longitudinal do guia óptico. Parte
desses raios incide na interface do núcleo com a casca com um ângulo superior ao ângulo crítico
e representarão, em sua maioria, a energia guiada através do núcleo. São os raios captados na
face de entrada até o ângulo determinado pela abertura numérica da fibra óptica. A figura 1.5
utiliza os raios meridionais para explicação do conceito de modos guiados.
Os raios inviesados tendem a seguir um percurso inclinado dentro do núcleo. A formação
destes raios depende da maneira pela qual a luz é introduzida na fibra. A cada reflexão na
fronteira entre o núcleo e a casca ocorre uma mudança de direcção 2e, onde e é o ângulo entre a
projecção do raio luminoso no plano transversal da fibra e o raio do núcleo no ponto de reflexão.
Como consequência, o feixe de luz não cruza o eixo longitudinal da fibra, mas representa uma
parte da energia guiada pelo núcleo. O ponto em que o raio inviesado emerge da fibra óptica
dependerá da quantidade de reflexões ao longo da trajectória de transmissão. Para uma excitação
com fonte óptica não uniforme existirão muitos pontos por onde saem esses raios. A
consequência é um campo óptico distribuído de maneira mais uniforme do que com os raios
meridionais. Cada um dos raios inviesados está, também, associado a um ângulo máximo de
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 

captação na face da fibra óptica. Este valor pode ser determinado por:
scn0
1,u
=
AN
cosq
(1.10)
A expressão demonstra que o ângulo máximo de captação do raio inviesado é maior do que
o limite fixado para os raios meridionais. A quantidade de modos propagantes aumenta com o
aumento do ângulo crítico na interface do núcleo com a casca e depende da relação entre os
índices de refracção dos dois materiais. Esta quantidade será tanto maior quanto maior for
diferença relativa de índices de refracção, descrita por:
∆÷
n
1
-n
2
n
1
(1.11)
Costuma-se denominar modos de ordem superior aqueles cuja incidência ocorre com um
ângulo próximo do ângulo crítico. Os modos de ordem inferior são os de incidência bem acima
da condição de ângulo crítico, com trajetória próxima ao eixo longitudinal do guia óptico. O
modo fundamental é aquela cuja trajectória coincide com o eixo longitudinal da fibra. Os modos
de ordem superior tendem a transferir parte de sua energia para a casca, principalmente quando
ocorrer uma dobra ou uma curva na fibra. Isto significará uma perda adicional de potência
durante a transmissão.
Nos pontos de reflexão a onda reflectida sofre uma defasagem em relação à onda incidente,
sempre que a incidência ocorrer com um ângulo maior do que o ângulo crítico. Os modos
guiados são os que resultam em interferências construtivas no núcleo, computadas as diferenças
de fase causadas pela reflexão e pelo percurso da onda. Dependendo do ângulo de incidência, a
interferência construtiva ocorre na casca, representando modos de casca ou modos de irradiação.
Não serão úteis para a transmissão de mensagens pela fibra óptica.
Desta análise, deduz-se que existe uma quantidade finita de modos possíveis e úteis na
transmissão por fibra óptica. Para se determinar este número, define-se um parâmetro
denominado diâmetro normalizado ou frequência normalizada ou ainda, e mais comumente,
número I da fibra óptica. É dado por:
I =
2nu
x
0
.n
1
2
-n
2
2
(1.12)
onde a é o raio do núcleo, λ
o
é o comprimento da luz medido no vácuo, n
1
e n
2
são os índices de
refracção do núcleo e da casca. Portanto, este parâmetro é directamente proporcional à abertura
numérica da fibra óptica.
A quantidade de modos guiados e as distribuições do campo óptico dependem das condições
de lançamento da luz na face da fibra e das suas características geométricas e ópticas. Se o
diagrama de irradiação da fonte de luz for muito aberto, de forma que uma grande quantidade da
energia luminosa penetra na fibra com um ângulo elevado, excitam-se muitos modos de ordens
elevadas, com incidência próxima do ângulo crítico. Este tipo de propagação tende a introduzir
perdas de potência, principalmente em curvas e dobras da fibra óptica. Quando a fonte de luz
tiver um diagrama mais estreito, a energia acoplada ao núcleo fica distribuída em modos de
ordens mais baixas, permitindo uma transmissão com menor perda de potência. Ainda que a
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
10
fonte de luz tenha um diagrama bem estreito, um desalinhamento em relação ao eixo da fibra
pode dar origem a modos de ordens elevadas, com as consequências discutidas.
1.6. Tipos básicos de fibras ópticas
Em geral, as fibras são fabricadas obedecendo determinados critérios de variação para os
índices de refracção do núcleo e da casca. Segundo especificações da Electronic Industries
Association (EIA) norte-americana, estes parâmetros obedecem às expressões:
n(r) = n
1
¹
1 -2AI
¡
u
]
g
÷ n
1
|1 -∆I
¡
u
]
g
| (1.13)
para a região do núcleo, i < o.
n
2
= n
1
√1 - 2∆ ÷ n
1
(1 -∆) (1.14)
para a região da casca, r ~ o, com Δ dado por:
∆=
(n
1
2
-n
2
2
)
2n
1
2
÷
n
1
-n
2
n
1
(1.15)
sendo n
1
o máximo índice de refracção do núcleo, correspondendo ao valor em seu centro, n
2
é o
índice de refração da casca, a é o raio do núcleo e r é a distância radial medida a partir do eixo
longitudinal do núcleo.
A lei de variação está na dependência do expoente g, da relação
¡
u
e do valor de Δ. Εste
último parâmetro é muito menor do que a unidade, uma vez que os índices de refracção do
núcleo e da casca são quase iguais. Desta maneira, as relações podem ser aproximadas das
formas indicadas sem erros apreciáveis.
Quando g = 1 o índice de refracção varia de forma praticamente linear com a distância
radial. Para g - ∞ o índice salta bruscamente de um valor constante no núcleo para o valor
especificado na casca. Representa a fibra óptica com índice em degrau. Para g = 2 tem-se uma
fibra com índice de perfil parabólico. Valores finitos para o expoente g identificam fibras com
índices graduais no núcleo. (figura 1.8). Com o valor g ÷ 2 a fibra óptica apresentará uma
focalização periódica para a luz emitida a partir de uma fonte divergente em sua entrada. O guia
óptico age como se possuísse um sistema contínuo de lentes que refocaliza o feixe luminoso à
medida que se propaga pelo núcleo. O processo de refocalização tende a equalizar os
comprimentos dos diversos percursos. Desta maneira, as velocidades de grupo dos modos ficam
com um valor aproximadamente igual para todos.
A classificação conforme a variação de índice de refracção não define completamente todas
as propriedades das fibras ópticas. As características de propagação dependem da lei de variação
do índice de refração do núcleo e também da quantidade de modos guiados. Nas fibras
multimodos o núcleo possui um diâmetro bem grande comparado ao comprimento de onda da luz
guiada. Na fibra monomodo o diâmetro do núcleo é bem menor e apenas um modo é transmitido.
O comportamento da fibra como multimodo ou monomodo depende dos parâmetros ópticos
(índices de refração, abertura numérica, lei de variação do índice de refração do núcleo, etc.) , do
comprimento de onda guiada, do diâmetro do núcleo. Estas são grandezas reunidas no
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
11
parâmetro V da fibra óptica.
Para a fibra com índice em degrau ser classificada como monomodo é necessário que
I < 2,4uS. O projecto desta fibra exige ou uma redução no diâmetro do núcleo ou na diferença
entre os índices de refracção do núcleo e da casca. Fibras monomodos disponíveis
comercialmente apresentam diâmetros do núcleo da ordem de 10μm.
   
Figura 1.8. Categorias de fibras ópticas. (a) Fibra com índice em degrau. (b) Fibra com índice de refracção
gradual linear. (c) Fibra com índice parabólico. (d) Fibra monomodo de índice em degrau.
A fibra multimodo exige I ~ 2,4uS para o comprimento de onda especificado. O
comprimento de onda que representa o limiar entre a condição de propagação de modo único e
de propagação multimodo é denominado comprimento de onda de corte (λ
c
). Para comprimentos
maiores apenas um modo pode ser transmitido pelo núcleo.
Pode ser demonstrado que para I > 2,4uS em uma fibra de índice em degrau a quantidade
de modos guiados torna-se:
N
m
÷
v
2
2
(1.16)
Nas fibras com perfil gradual de índice de refracção do núcleo a quantidade de modos
guiados dependerá do valor do expoente g. Nestes casos, costuma-se definir um valor efectivo
para V, calculado a partir da expressão:
I
c]
2
= 2 I
2n
x
0
]
2
]
{|n(r)]
2
-n
2
2
]rJr
u
0
(1.17)
sendo λ
o
o comprimento de onda no vácuo. A quantidade de modos guiados dependerá do valor
encontrado nesta integração, substituído na expressão (1.16). Em termos aproximados, a
quantidade de modos guiados pela fibra com índice gradual é dado por uma das seguintes
expressões:
N
m
÷
1
2
g
(g+2)
I
2
(1.18)
onde V é o valor máximo do diâmetro normalizado e:
N
m
÷
2g
(g+2)
I
nu
x
]
2
(AN)
2
(1.19)
sendo AN a abertura numérica tomada em relação ao centro do núcleo.
Com base nas relações discutidas, a quantidade de modos guiados na fibra com índice
gradual pode ser expressa como:
n n
n
n
n
1
n
1 n
1
n
1
n
2
n
2 n
2
n
2
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
12
N
m
=
g∆
(g+2)
I
2nun
1
x
]
2
(1.20)
onde n
1
e Δ são valores referenciados ao centro do núcleo.
Uma comparação entre as expressões para a fibra com índice gradual e para a fibra com
índice em degrau de mesmo diâmetro de núcleo mostra que se g ÷ 2 a primeira transmite a
metade dos modos da segunda. Isto terá uma consequência benéfica sobre a dispersão do sinal
guiado, permitindo uma maior largura de banda e uma maior taxa de transmissão.

Figura 1.9. Relação Tipo de fibra x Perfil do índice x Propagação no núcleo: (a) Fibra multimodo de índice em
degrau, (b) Fibra multimodo de índice gradual, (c) Fibra monomodo.
1.7. Causas de atenuação na fibra óptica
Para as extensões envolvidas nos enlaces ópticos, a perda de potência determinará a
distância entre os repetidores ou entre os amplificadores ópticos. Esses equipamentos
intermediários representam uma parcela substancial do custo final do sistema. Por conseguinte, o
investimento total será fortemente influenciado pelos factores responsáveis pela degradação do
sinal óptico.
Portanto, uma fibra óptica com grandes perdas exigiria um aumento na quantidade de
repetidores. O conhecimento das origens da atenuação é importante para se estabelecerem as
formas de controle adequadas. Entre as causas mais importantes citam-se a absorção pelo
material, irradiação devido a curvaturas, espalhamento pelo material, perdas por modos vazantes,
perdas por microcurvaturas, atenuações em emendas e conectores, perdas por acoplamento no
início e final da fibra. Em meios homogêneos, estas perdas fazem com que a amplitude do
campo eletromagnético decresça exponencialmente com a distância percorrida.
Os parâmetros que influem na atenuação global da fibra óptica relacionam-se à qualidade na
sua fabricação, ao comprimento de onda da luz guiada, ao grau de pureza do material utilizado, à
perfeição das emendas e dos conectores, e assim por diante.
1.7.1. Perdas por Absorsão pelo material
A perda devido à absorção ocorre por que uma parcela da potência óptica guiada é dissipada
sob a forma de calor, tanto no núcleo quanto na casca. A proporção correspondente a cada parte
é determinada pela proporção entre os campos existentes nessas duas regiões. As causas dessa
perda são as vibrações das moléculas e a transição de electrões entre o níveis de energia do meio.
Em frequências próximas das vibrações naturais destes componentes o campo eletromagnético
(a) (b)
(c)
 
n
1
n
1
n
1
n
2
n
2
n
2
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
13
transfere energia a eles, reforçando suas oscilações. A absorção por parte das moléculas e iões,
de maior massa do que os electrões, ocorre em frequências de infravermelho.
As maiores interações do feixe óptico com as moléculas do meio ocorrem em comprimentos
de onda superiores a 7 µ m, mas sua influência estende-se até os valores que interessam para as
comunicações ópticas. Os electrões são responsáveis pela perda que ocorre nas proximidades do
ultravioleta quando forem excitados por fotões de alta energia e ocorrer a transição para estados
de energia mais altos. A quantidade de potência absorvida decresce exponencialmente com o
aumento do comprimento de onda. A razão deste decréscimo é que maiores comprimentos de
onda indicam fotões de menor energia, as vezes insuficiente para transferir electrões entre duas
bandas de energia do material. Em geral, o nível mais severo de absorção ocorre nos
comprimentos de onda entre 1uu nm e Suu nm, sendo acentuadamente mais fraco entre Suu nm
e 1μm.
Além dos mecanismos descritos, que estão presentes mesmo em vidros perfeitamente
purificados, desde o início da produção de fibras ópticas verificou-se que iões de impureza que
existirem no meio de propagação são causas importantes de perda pela absorção de energia da
onda guiada. Uma concentração de impurezas em valores tão baixos quanto algumas partes por
milhão ou algumas partes por bilhão podem conduzir atenuações consideráveis. Além dos iões
metálicos, os iões hidroxila (OH

) são também responsáveis por perda de potência pela absorção.
As maiores perdas, neste caso, ocorrem em 72u nm, 82u nm, 94S nm e 27Su n m.
1.7.2. Perdas por irradiação devido a curvatura
Na curvatura de uma fibra óptica podem ser originados modos de ordens superiores, que são
mais fracamente guiados do que os de ordem mais baixa. A análise com a óptica geométrica,
mostra uma incidência com ângulo muito próximo do ângulo crítico ou mesmo inferior a ele e a
energia da luz é transferida para a casca. Apenas uma fibra perfeitamente reta estaria livre desta
perda durante a transmissão. Uma curvatura suave, porém, terá influência muito pequena sobre o
campo guiado.
Na interface do núcleo com a casca a componente tangencial do campo eléctrico e a
componente tangencial do campo magnético da luz guiada deverão ser contínuas. Isto exige um
ajuste automático da velocidade de propagação do campo fora do núcleo ao se encurvar a fibra.
Entretanto, a uma certa distância crítica, para que as condições de contorno sejam satisfeitas, a
velocidade do campo deve ser igual à velocidade da luz, por causa da maior trajetória percorrida
no mesmo intervalo de tempo. Por conseguinte, o campo de um modo guiado puro, contido em
uma distância maior do que o valor crítico deveria propagar-se na casca com uma velocidade
superior à velocidade da luz no vácuo. Como isto não é fisicamente possível, significa que para
uma distância radial maior do que o valor crítico o campo não pode ser constituído somente por
modos guiados, surgindo os modos de irradiação. Portanto, uma parcela da energia óptica é
perdida para o ambiente externo.
A perda por irradiação é directamente proporcional ao comprimento de onda da luz e
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
14

inversamente proporcional à relação
n
1
2
-n
2
2
n
1
2
. Consequentemente, estas perdas serão reduzidas
quando a fibra for fabricada com uma maior diferença entre os índices de refração do núcleo e da

Figura 1.10. Perdas por irradiação devido a curvatura.
casca e quando operarem em comprimentos de onda menores. Esta perda pode ser
desconsiderada para os modos de ordem mais baixa, que estão fortemente confinados ao núcleo
da fibra.
1.7.3. Perdas por espalhamento da energia óptica
Outro mecanismo de perda é o espalhamento da energia óptica, que incluem reduções na
amplitude do campo guiado por mudanças na direcção de propagação, causadas pelo próprio
material e por imperfeições no núcleo da fibra. Citam-se a dispersão linear de Rayleigh, a
dispersão de Mie, a dispersão estimulada de Raman e o espalhamento estimulado de Brillouin.
Espalhamento linear de Rayleigh
O espalhamento linear refere-se a transferência de uma parcela da luz de um modo de
propagação para outros, quando a quantidade de energia transferida for directamente
proporcional à potência da luz guiada. Os novos modos podem ser do tipo de irradiação ou
modos muito fracamente guiados, de forma que a luz escapa para a casca. Para se justificar este
facto, considera-se que as irregularidades agem como se fossem pontos diferentes do meio,
dispostos ao longo do percurso de propagação. Quando a luz incide nessas minúsculas regiões
elas comportam-se como fontes secundárias de irradiação quase isotrópicas, espalhando a
energia em todas direções. Usando a óptica geométrica, pode-se entender que alguns raios
incidirão na fronteira entre o núcleo e a casca com um ângulo menor do que o ângulo crítico,
originando os modos de irradiação, ou muito próximo a ele, excitando os modos superiores
fracamente guiados.
O espalhamento linear de Rayleigh é um dos mais importantes, originado em defeitos sub-
microscópicos na composição e na densidade do material. Essas alterações podem surgir durante
o processo de fabricação da fibra ou em função de irregularidades próprias na estrutura
molecular do vidro. As dimensões físicas e a separação desses minúsculos defeitos são bem
pequenas comparadas ao comprimento de onda da luz no meio (<
x
10
). O resultado é uma
flutuação no valor do índice de refração do material ao longo da fibra. As irregularidades
decorrentes da composição do vidro têm sido controladas por um aperfeiçoamento dos processos
de fabricação. Mas as originadas por diferenças de densidade do material são intrínsecas ao vidro
e não podem ser evitadas. Portanto, se pudesse ser construída uma fibra óptica absolutamente
perfeita em termos de pureza, a perda de potência por este espalhamento persistiria. Logo, esta
Perda
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
15
atenuação representa o limite mínimo teoricamente possível para a perda na fibra óptica. O valor
final da atenuação por ele causada é inversamente proporcional à quarta potência do
comprimento de onda e é independente da amplitude do campo óptico guiado. Uma das
consequências deste fenómeno é a luz retroespalhada, originando uma onda eletromagnética que
se reflecte em direcção ao início da fibra óptica.
O coeficiente de perdas por espalhamento é:
y
RuyIcìgh
=
8n
3
3x
4
n
8
p
2
KI
P
[
1
(1.21)
onde p é o coeficiente fotoelástico médio (u,286 para a sílica), β
T
é a compressibilidade
isométrica na temperatura fictiva e T
F
é a temperatura em que o vidro atinge o equilíbrio
termodinâmico.
Espalhamento linear de Mie
O espalhamento linear de Mie pode ser observado quando as irregularidades da fibra têm
dimensões comparáveis ao comprimento de onda da luz. Tipicamente, quando as imperfeições
forem maiores do que
x
10
. Essas imperfeições são originadas por bolhas, minúsculos defeitos na
interface do núcleo com a casca, variações no diâmetro da fibra, sinuosidades no eixo conhecidas
como microcurvaturas, variações na relação entre o índice de refracção do núcleo e o índice da
casca ao longo da fibra, e assim por diante. Por estes fatos podem ocorrer espalhamentos do
feixe óptico dependentes do ângulo de incidência. As sinuosidades no eixo longitudinal são
causadas por forças laterais que agem na superfície externa da fibra. Representam um dos
principais causadores do espalhamento de Mie e são responsáveis por um acréscimo significativo
da atenuação global.
Espalhamento estimulado de Raman e de Brillouin
O espalhamento estimulado de Raman e o estimulado de Brillouin são efeitos originados por
elevados campos eléctricos da luz transmitida no núcleo. Esses fenómenos exigem um alto valor
da intensidade óptica dentro do núcleo e só ocorrem quando a potência guiada ultrapassa um
certo limite mínimo. As distorções causadas no campo óptico indicam o aparecimento de
frequências diferentes das aplicadas no início da fibra. Por isto, uma parcela da energia é
transferida de um modo para outro, em uma frequência diferente, ou mesmo acoplada ao modo
original. Os efeitos são observados em fibras monomodos de grandes comprimentos físicos. Nas
fibras multimodos os núcleos são de diâmetros muito maiores e dificilmente a densidade de
potência alcançará o valor crítico necessário para originar o fenómeno. Quando houver
transferência de energia para uma frequência diferente, a potência contida em um comprimento
de onda especificado sofrerá redução. Em algumas circunstâncias, estes efeitos podem ser
empregados para fornecerem um ganho de potência na luz guiada dentro da fibra óptica.
No espalhamento estimulado de Brillouin ocorre uma modulação da luz causado pela
vibração das moléculas do meio. O efeito Dopler-Fizeau resultante da interação da luz com as
vibrações do meio faz surgir bandas laterais, separadas da frequência original pela frequência de
vibração do meio. A elevada densidade de potência óptica, isto é, grande quantidade de fotões
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
16
por unidade de tempo por unidade de superfície, forçará o aparecimento de vibrações mecânicas
a nível molecular. A interação com a luz guiada causará um espalhamento, que dependerá do
ângulo de incidência em relação aos planos de vibração do meio. Parte da energia do
comprimento de onda original é transferida a essas bandas laterais. O espalhamento de Brillouin
é um fenômeno que excita uma onda retrógrada na fibra.
O efeito referido como espalhamento estimulado de Raman implica em transferência da
energia em bandas laterais mais separadas em relação ao comprimento de onda original. O efeito
dominante é no mesmo sentido de propagação e acontece quando a potência aplicada for
bastante grande, da ordem de 1u a 1uuu vezes a do espalhamento de Brillouin.
1.7.4. Perdas por modos vazantes
Mesmo quando os níveis de potência são insuficientes para causar os espalhamentos
estimulados, pode ocorrer outro tipo de dispersão linear. As causas são a variação no diâmetro do
núcleo e modificações na diferença entre os índices de refracção do núcleo e da casca ao longo
da fibra. Essas irregularidades podem originar modos de ordens superiores fracamente guiados
que se irradiam para a casca. O facto é mais perceptível na parte inicial da fibra multimodo.
Felizmente, por causa da transferência de potência entre os modos guiados haverá uma
distribuição de energia entre eles que tende a se estabilizar após algumas dezenas de metros de
propagação.
Uma parte da energia guiada pode assumir um percurso helicoidal, e, ao girar radialmente,
em algum ponto essa componente terá o ângulo de incidência abaixo do valor crítico. A energia
da onda vai sendo gradativamente transferida para fora do núcleo. Esta forma de propagação é
denominada modos vazantes e também representará uma perda adicional de potência da onda
guiada. O fenómeno é semelhante ao causado pela curvatura da fibra, mas ocorre ao longo de sua
circunferência. Representa uma perda associada mesmo a fibras perfeitamente retas. Em fibras
com diâmetro normalizado de pequeno valor os modos vazantes irradiam rapidamente e só são
observáveis nas proximidades da fonte de irradiação. Quando o número V for muito grande há
muitos modos deste tipo e pode haver um vazamento superior a Su% dos modos guiados no
primeiro quilómetro de propagação. Para as fibras multimodos com I < 1uu, os modos vazantes
representam de S% a 1u% do total de modos excitados no núcleo.
1.7.5. Perdas por microcurvaturas
As minúsculas imperfeições conhecidas como microcurvaturas têm forma e distribuição
aleatórias. Mesmo quando esses defeitos forem tão pequenos quanto um comprimento de onda
ou ainda menor, responderão por um aumento na perda da potência guiada. Esta atenuação pode

Figura 1.11. Perdas por microcurvatura.
Perda
Perda Microcurvatura
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
17
variar com a temperatura e com o esforço de tracção no cabo de fibra óptica durante o processo
de instalação. Outro factor de influência é decorrente das variações na abertura numérica ao
longo da fibra. Verificou-se um efeito directamente proporcional ao quadrado da relação entre o
raio do núcleo e o raio da casca e inversamente proporcional à quarta potência da abertura
numérica.
1.7.6. Considerações finais sobre a atenuação
Pelas descrições, os mecanismos de perda são dependentes do comprimento de onda da luz
guiada. Por causa da absorção causada pelas vibrações dos electrões, em comprimentos de ondas
menores, e das vibrações de iões de impureza e moléculas, na região do infravermelho, haverá
um aumento na atenuação nestas duas regiões do espectro óptico. Em toda faixa útil para
comunicações, o efeito predominante é a atenuação pelo espalhamento de Rayleigh. As
impurezas, quando existirem, ocasionam aumento maior de perda em determinados
comprimentos de onda, produzindo picos localizados de atenuação. De uma maneira geral, a
atenuação total da fibra óptica em condições normais de operação, sem sofrer curvaturas
exageradas e sem a influência de irradiações que possam alterar sua transparência, pode ser
resumida em uma expressão do tipo:
A
1
=
S
R
x
4
+A¡
u
(z) +
B
n
(AN)
6
(1.22)
sendo as constantes S
R
, A e B
n
específicas para cada tipo de fibra.
A primeira parcela desta equação refere-se à perda causada pela dispersão de Rayleigh, o
segundo termo inclui um factor devido à absorção e a terceira parcela representa a perda pelas
microcurvaturas. A figura 1.12 mostra um perfil de variação típico de atenuação em função do
comprimento de onda conseguido em fibras multimodos. Para as recentes tecnologias de
fabricação, os picos de atenuação praticamente desapareceram, de modo que entre 12uu nm e
17uu nm tem-se baixa atenuação em toda a faixa. Na figura 1.12 estão destacadas as janelas de
baixa atenuação com os valores disponíveis comercialmente de perda por quilómetro de
transmissão.
 
Figura 1.12. Atenuação espectral típica em uma fibra óptica do tipo multimodo. Estão indicadas as janelas de
baixa atenuação, com valores típicos de perda por quilómetro de propagação.
A maior parte das fibras monomodos operam no comprimento de onda de 1Suu nm, onde
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
18
apresenta baixa perda e pequena dispersão do sinal óptico guiado. A faixa de 1SSu nm apresenta
perda de potência menor ainda, mas apresenta limitações em termos de dispersão. Sua
importância cresceu muito a partir do momento em que se desenvolveram os amplificadores a
fibra óptica dopada com érbio. Isto motivou o aperfeiçoamento de guias ópticos com baixa
dispersão também neste comprimento de onda.
1.8. Dispersão nas fibras ópticas
A dispersão é associada ao facto de que os modos de propagação são transmitidos através da
fibra óptica com velocidades diferentes. Portanto, atingem a extremidade de chegada em
intervalos de tempo diferentes. A consequência é que o sinal óptico, além da redução na
amplitude, sofre um alargamento temporal em relação ao sinal emitido no início da fibra. A luz
modulada com uma sequência de pulsos pode apresentar um erro na extremidade de chegada,
com a superposição de pulsos vizinhos deformados durante a propagação. A forma de se reduzir
este inconveniente seria separar mais os pulsos no domínio do tempo, implicando em uma
redução na quantidade transmitida por segundo. Isto é, reduzindo-se a taxa de transmissão do
sistema. Portanto, a dispersão é um sério inconveniente, que limita a capacidade do sistema,
refletindo-se no número possível de mensagens a serem enviadas.
1.8.1. Dispersão modal
Foi demonstrada a possibilidade da propagação no núcleo da fibra óptica por diversos
percursos, dependendo do diâmetro em relação ao comprimento de onda da luz guiada, da
abertura numérica e do perfil do índice de refracção. Cada percurso determina um modo de
propagação. Quanto maior a abertura numérica, melhor será o acoplamento entre a fonte de luz e
o núcleo e mais modos serão transmitidos nos núcleos de grandes diâmetros. Esta dependência
fica clara ao se analisar o crescimento do número V e o correspondente aumento na quantidade
de modos guiados. A existência de muitos modos dá origem à dispersão modal no sinal
transmitido, também conhecida como dispersão intermodal, dispersão multipercurso, dispersão
multimodo ou ainda dispersão monocromática. A última designação deve-se ao facto de que a
distorção do sinal guiado existirá ainda que a fonte de luz fosse absolutamente coerente,
irradiando apenas um comprimento de onda. É evidente que com a existência de muitas
trajectórias (figura 1.13) cada modo alcança a extremidade da fibra em instantes diferentes
devido a diferença de percurso óptico. A máxima diferença de tempo entre os percursos ocorrerá
entre um modo que se propaga paralelamente ao eixo da fibra e o raio que incide na fronteira

Figura 1.13. Modos de propagação para diferentes percursos ópticos; I
3
> I
2
> I
1
.
entre o núcleo e a casca com um ângulo igual ao valor crítico. Na fibras com índice em degrau,
seu valor será dado por:
Modo fundamental (L
1
)
Modos
Superiores
(L
2
e L
3
)
L
1
L
2
L
3
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
19
∆t =
n
1
L(n
1
-n
2
)
cn
2
(1.23)
onde se percebe que esta dispersão aumenta com a abertura numérica e com o comprimento do
enlace (L), resultando em uma menor largura de banda para a transmissão das informações.
Para as fibras multimodos de índice de refracção gradual por causa da equalização nos
percursos dos raios luminosos tem-se uma redução na diferença de tempo de chegada para os
vários modos. O valor total da dispersão é dado aproximadamente por:
∆t ÷
Ln
1

2c
I
g
g+1
] I
g-2-c
g+2
]
2
¹
g+2
3g+2
(1.24)
onde g é o expoente que determina o perfil de variação do índice do núcleo, n
1
é o índice de
refracção no centro do núcleo e Δ é a variação relativa do índice de refracção. O parâmetro e é
um número bem pequeno, correspondente à relação
c = -
2N
n
1
x
A
dA
dx
(1.25)
Na expressão (1.24), nota-se que se o valor de g for ajustado para g = c +2 a dispersão
modal tende para zero em um comprimento de onda especificado. Sendo o valor de e muito
pequeno, conclui-se que nas fibras com índice gradual de perfil aproximadamente parabólico
esta dispersão fica bastante reduzida em relação às fibras de índice em degrau.
1.8.2. Dispersão material
O material que constitui o núcleo da fibra óptica apresenta índice de refracção variável com
o comprimento de onda guiado. Nos compostos de dióxido de silício, o índice de refracção
diminui com o aumento de λ. Desta maneira, se a fonte de luz não for absolutamente coerente e
possuir uma largura espectral Δλ, ocorrem diferenças entre os tempos de propagação, mesmo
dentro de um único modo, resultando no fenómeno conhecido como dispersão de material ou
dispersão intramodal. A velocidade de grupo é o inverso da taxa de variação do factor de fase do
modo (β) com a frequência angular:
:
g
= I

do
]
-1
(1.26)
onde β representa a variação de fase por unidade de deslocamento da onda. É relacionado ao
comprimento de onda e ao índice de refracção do meio por:
[ =
2nn
x
(1.27)
A relação entre a velocidade da luz no vácuo e a velocidade de grupo do sinal guiado
representa o índice de refracção de grupo:
n
g
=
c
¡
g
= n -z
dn
dx
(1.28)
que é ligeiramente maior do que o índice de refracção próprio do núcleo, uma vez que n diminui
com o aumento de λ. A comparação entre os dois índices de refracção está na figura 1.14. Os
valores numéricos dependerão da dopagem empregada na composição do vidro utilizado no
núcleo. Na faixa de comprimento de onda de interesse para comunicações ópticas o valores dos
índices de refracção estarão entre 1,S2 e 1,4u.
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
20
O gráfico da figura 1.14 demonstra que o índice de refracção de grupo assume valor mínimo
e sensivelmente constante em comprimentos de onda ao redor de 1Suu nm. Então, os diversos
comprimentos de onda em torno deste valor propagam-se aproximadamente com a mesma
velocidade e a dispersão intramodal tende para um valor quase nulo.
Conhecida a influência do comprimento de onda sobre o índice de refracção, há necessidade
de se verificar de que maneira a largura espectral da fonte óptica pode influir sobre a dispersão
do pulso. O alargamento temporal será determinado por:
∆t =
dt
dx
∆z (1.29)
onde a derivação em relação ao comprimento de onda mostra como o tempo de propagação varia
em relação ao comprimento de onda. O intervalo de tempo necessário para o sinal propagar-se
em um comprimento L da fibra é calculado dividindo-se esta distância pela velocidade de grupo:
t =
L
¡
g
=
L
c
|n -z
dn
dx
| (1.30)
 
Figura 1.14. Variação do índice de refracção do material e do índice de refracção de grupo para o material do
núcleo da fibra óptica. Observa-se a faixa de comprimento de onda na qual o índice de refracção de grupo é mínimo
e apresenta uma variação quase nula.
Derivando-se em relação ao comprimento de onda encontra-se o valor para o cálculo do
alargamento do pulso, causado pela variação do comprimento de onda da luz entregue à fibra
óptica. Sem dificuldades, o resultado procurado é:
∆t = -|
L
c
z
d
2
n
dx
2
∆z| (1.31)
que se aproxima da situação ideal quanto menor for a segunda derivada indicada. O parâmetro
que caracteriza a maior ou menor dispersão de material é definido como:
σ
m
=
∆t
L∆\
= -
1
c
d
2
n
d\
2
(1.32)
medido em nanosegundos por quilômetro por unidade de largura espectral da fonte de luz
(ns. nm
-1
. km
-1
).
Na figura 1.15 tem-se a variação típica deste parâmetro, conforme o comprimento de onda
na fibra óptica. Para a sílica pura o parâmetro anula-se no comprimento de onda de 127u nm.
Conforme a dopagem no núcleo e o perfil de variação do índice é possível deslocar-se o ponto de
dispersão nula para um novo comprimento de onda, mantendo-se quase o mesmo formato da


n
g
n
g
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
21
curva original.
Existe outra consideração relativa à dispersão na fibra óptica. O factor de fase em uma
estrutura limitada transversalmente (β) depende do comprimento de onda do sinal. Ainda que o
 
Figura 1.15. Variação do parâmetro que determina a dispersão da material em um núcleo de fibra óptica. A
curva 1 refere-se a situação para a sílica pura e a curva 2 indica a possibilidade de deslocamento conforme a
dopagem e perfil do índice de refracção. 
índice de refracção não se altere com o comprimento de onda, o factor β sofreria modificações
quando a fibra fosse excitada por uma fonte de luz real, alterando-se a forma do sinal na saída
em relação ao aplicado na entrada da fibra. Esta dispersão poderá existir mesmo em uma fibra do
tipo monomodo. Nas fibras multimodos o fenómeno ocorrerá em cada um dos modos
transmitidos. Por este motivo, ocasionalmente é conhecida também como dispersão intramodal.
1.8.3. Dispersão de guia
O alargamento dum impulso que é transmitido através duma fibra óptica também pode
ocorrer por efeitos geométricos que dependem dos parâmetros do guia de onda. Comparado com
a distorção modal e com a dispersão do material, a dispersão de guia de onda é um efeito
pequeno que se torna importante apenas quando os outros fenómenos que provocam o
alargamento do impulso forem bastante reduzidos. Contudo é importante contabilizar a dispersão
da guia de onda para determinar o comprimento de onda para o qual a dispersão própria da fibra
é zero. A dispersão do índice de refracção com o comprimento de onda dá origem à dispersão do
material.
A dispersão de guia de onda dá origem à variação de n
g
com o comprimento de onda para
um diâmetro fixo de fibra, mesmo na ausência da dispersão do material. O índice de refracção
efectivo vem expresso por:
n
g
= n
1
scn0
1
(1.33)
Recorde que θ
1
é o ângulo de incidência na interface fibra/casca. Este ângulo varia entre 9u°
e o ângulo crítico θ
c
. Como o ângulo crítico é a razão entre
n
2
n
1
então o índice de refracção de
grupo varia entre n
1
(0
1
= 9u°) e n
2
(0
1
= 0
c
).
Assim o índice de refracção de grupo para um raio axial depende só do índice do núcleo e
para um raio segundo o ângulo crítico depende só do índice da bainha. A variação daquele índice
é pequena. Na figura 1.16 está representada esta dispersão de uma forma simbólica.
Para um dado modo, o ângulo entre o raio e o eixo da fibra varia com o comprimento de
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
22

Figura 1.16. Dispersão de guia.
onda. Então o percurso dos raios e os respectivos tempos de percurso para dois comprimentos de
onda são diferentes dando origem ao alargamento do impulso. Quantitativamente a dispersão de
guia de onda pode ser expressa como:
o = -
x
c
d
2
n
g
dx
2
∆z (1.34)
Resultados experimentais obtidos por Payne e Hartog indicam que nas fibras monomodos a
dispersão de material e a dispersão de guia de onda têm sinais contrários em comprimentos de
onda acima de 12uu nm. Então, é possível que os dois efeitos se cancelem, conduzindo uma
situação de dispersão nula.
 
Figura 1.17. Fibra com dispersão aproximadamente plana em uma faixa de comprimentos de onda entre 1250
nm e 1700 nm.
Inicialmente, demonstrou-se que existe um raio óptimo para o núcleo com o qual se obtém a
menor dispersão de guia de onda. Valores superiores apresentam maior dispersão de material do
que dispersão de guia de onda. As fibras com raio de núcleo menor do que o valor crítico
apresentam um rápido crescimento na dispersão de guia de onda. Esta característica foi bastante
explorada com o objetivo de controlar-se o comprimento de onda para dispersão nula. O segundo
factor investigado para o controle da curva de dispersão foi a dopagem da sílica com o dióxido
de germânio (GeO
2
). Modificando-se esta concentração de impurezas entre u% e 1S% o ponto
de dispersão nula deslocava-se entre 1u7u nm e 14uu nm. Ao mesmo tempo, pesquisaram-se as
influências da diferença de índices entre a casca e o núcleo. Concluiu-se que a dispersão de
material decresce com o aumento da diferença entre os dois valores.
1.9. Principais vantagens e desvantagens das fibras ópticas
As fibras ópticas apresentam várias vantagens em relação aos meios de comunicação
convecionais. São constituídas de materiais com características dieléctricas, isto faz com que ela
tenha total imunidade a qualquer interferência de qualquer intensidade que venha do meio
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
23
externo, com isso independente do nível de ruído existente no local em que a fibra óptica esteja
instalada. O tráfego de informações esta garantido com total fidelidade.
A utilização de cabos ópticos totalmente imunes à interferência evita problemas com
aterramento de cabos e equipamentos devido ao isolamento eléctrico que os materiais que
constituem os cabos proporcionam.
Dimensões reduzidas. Uma das maiores vantagens dos cabos ópticos é a sua espessura. Não
levando em conta os revestimentos necessários para sua protecção, um cabo óptico chega a ser
2u vezes mais fino do que os cabos convencionais e com a mesma capacidade de transmissão.
Para termos uma idéia da espessura de uma fibra óptica típica, podemos compará-la com um fio
de cabelo (a fibra monomodo é 1u vezes mais fina que o fio de cabelo).
Segurança no tráfego de informações. A transmissão dos dados em um cabo óptico é feita
através de sinais luminosos o que dificulta e muito os “grampos” utilizados para obter
informações sigilosas. Para decifrar estes sinais e conseguir absorver alguma informação seria
necessário equipamento sofisticado e muito conhecimento por parte do operador. Por isso as
fibras são utilizadas em aplicações que necessitam de maior segurança, como aplicações
bancárias, militares e de pesquisa.
Maior alcance de transmissão. Devido ao baixíssimo índice de atenuação na comunicação
através das fibras óptica, a distância percorrida pelos cabos ópticos sem necessidade de
repetidores chega a até 2Su km. Essa distância é cinco vezes maior que a alcançada em uma
comunicação feita através de microondas (Su km).
Maior capacidade de transmissão. A capacidade de transmissão está relacionada com a
frequência das portadoras ou com o comprimento da onda de luz. No caso das fibras ópticas,
dependendo do tipo (monomodo ou multimodo), pode-se encontrar valores de 16u NBz. km,
Suu NBz. km ou centenas de TBz. km. Por sua vez, os sistemas convencionais de microondas
estão limitados a 7uu NBz. km. Isto demonstra a possibilidade de expansão do número de canais
de voz, vídeo e dados no mesmo meio de transmissão.
Relação custo/benefício. Dependendo da aplicação, os cabos ópticos têm maior relação
custo/beneficio do que os outros meios de comunicação utilizados. Um exemplo disto são os
sistemas de comunicação a longas distâncias, pois os cabos ópticos têm maior capacidade de
transmissão e maior alcance entre os repetidores, enquanto os meios convencionais de
transmissão por microondas têm sua capacidade de transmissão limitada a Su km entre os
repetidores. Para pequenas distâncias os cabos ópticos são relativamente caros, mas se levarmos
em consideração as futuras expansões que deveram sofrer as instalações, o custo do cabo óptico
passa a ser competitivo devido a grande facilidade de expansão das fibras ópticas.
Ausência de interferências. As fibras ópticas não causam interferência entre si, eliminando
assim um problema comum enfrentado nos sistemas com cabos convencionais, principalmente
nas transmissões em alta frequência, eliminando necessidade de blindagens que representam
parte importante do custo de cabos metálicos.
Como todo meio físico de transmissão, as fibras ópticas também têm desvantagens:
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
24
Fragilidade. Uma fibra óptica e infinitamente mais frágil do que os cabos convencionais,
não podendo ser manuseada facilmente sem estar revestida.
Dificuldade de conexão. Por terem dimensões reduzidas, as fibras exigem alta precisão em
seu manuseio e na realização de conexões e junções.
Impossibilidade de alimentação remota de repetidores. Para alimentar um repetidor no
sistema de fibras ópticas é necessária uma alimentação eléctrica independente para cada
repetidor, impossibilitando uma realimentação através do próprio meio de transmissão.
1.10. Cabos de fibras ópticas.
Um cabo óptico é constituído da união de várias fibras de um mesmo tipo, revestidas de
materiais que proporcionam alta protecção e resistência às variações do ambiente externo. Em
todos os tipos de aplicações em que as fibras são utilizadas há a necessidade de uma protecção
especial por serem muito frágeis, ou seja, em todas as aplicações é necessário a utilização de
cabos ópticos. Além disso, os cabos ópticos proporcionam uma facilidade maior de manuseio na
instalação, sem o risco de danificar as fibras. A seguir serão descritos os tipos de cabos ópticos,
suas principais características e em que tipo de aplicações estes cabos são mais utilizados.
1.10.1. Cabo tipo Loose
Nos cabos do tipo Loose as fibras são acondicionadas em um tubo com diâmetro superior ao
das fibras, com isso as fibras ficam isoladas das tensões externas presentes nos cabos
convencionais de cobre. As fibras são protegidas da tracção, flexão ou variação de temperatura.
Por dentro deste tubo é aplicada uma camada de gel derivado de petróleo para isolar as fibras da
humidade externa. Este tipo de cabo é usado em sistemas de comunicações de longa distância e
ficam instalados em ductos, postes, enlaces suspensos, percursos sujeitos às variações externas
de temperaturas, enterrados ou na água.
1.10.2. Cabo tipo Tight
Nos cabos ópticos do tipo Tight as fibras são revestidas de plástico e acima deste
revestimento elas recebem um segundo revestimento de nylon ou poliéster que irá proporcionar
uma protecção maior para as fibras dentro dos cabos. Este tipo de cabo foi o primeiro a ser usado
para interligar centrais de telefonia, mas actualmente eles estão sendo usados em aplicações
internas de curta distância onde suas características de revestimentos se mostram muito
favoráveis.
1.10.3. Cabo tipo Groove
Nos cabos ópticos do tipo Groove as fibras ficam soltas nas ranhuras que possuem um
formato em “V” de um corpo de estrutura em forma de estrela que irá proporcionar uma melhor
acomodação para as fibras. Geralmente este tipo de cabo apresenta um elemento tensor em seu
centro e este elemento proporciona uma resistência mecânica maior ao cabo. Este tipo de cabo é
muito utilizado para aplicações que necessitam um número grande de fibras ópticas já que este
tipo de cabo está disponível com contagem de até 864 fibras.

CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
25
1.10.4. Cabo tipo Ribbon
Nos cabos ópticos do tipo Ribbon as fibras são envolvidas por uma camada plástica plana
com formato de uma fita, onde estas camadas são “empilhadas” formando um bloco compacto.
Estes blocos são alojados nas ranhuras das estruturas estrelares dos cabos do tipo Groove. Logo
este tipo de cabo é uma derivação do cabo tipo Groove combinado com as fitas de fibras. Este
cabo é utilizado em aplicações de grande porte onde é necessário um número muito grande de
fibras já que um cabo do tipo Ribbon pode conter em seu interior até 4uuu fibras.
1.11. Fibras ópticas modernas
O desenho de fibras tem sofrido melhorias com vista a satisfazer as necessidades dos
projectistas de sistemas. As fibras ópticas multimodo comercializadas nos finais dos anos 7u e,
no início dos anos 8u, foram rapidamente substituídas por fibras monomodo devido à menor
atenuação e maior capacidade de transporte de informação. Actualmente, a União Internacional
de Telecomunicações (ITU) padroniza, especifica e homologa três tipos de fibras monomodo.
Além dessas, outros tipos de fibra não homologados estão disponíveis comercialmente.
Introduzida comercialmente em 198S, a fibra monomodo de dispersão padrão (SMF),
também, usualmente conhecida pelo nome da recomendação da ITU-T que a homologou, G.652,
tem o valor zero de dispersão cromática próximo dos 1S1u nm e um valor de dispersão em
1SSu nm de aproximadamente 17 ps. nm
-1
. km
-1
. Este valor coloca alguns obstáculos à sua
utilização em sistemas de longa distância e com elevados taxas dos componentes
optoelectrónicos para redes fotónicas de altas taxas de transmissão. Este tipo de fibra é, porém, o
mais utilizado actualmente pelos operadores.
Em 198S, foi introduzida a fibra com dispersão deslocada (DSF), homologada como G.653.
Este tipo de fibra coloca o mínimo da dispersão cromática na mesma região espectral do mínimo
da atenuação. Este alinhamento dos mínimos de dispersão e de atenuação, associado ao
aparecimento dos amplificadores ópticos na terceira janela de transmissão, levou à convicção
inicial de que a fibra DSF seria a ideal para sistemas de comunicações ópticas a funcionarem em
1SSu nm. O subsequente entendimento e estudo dos efeitos não lineares presentes nas fibras
alterou radicalmente este ponto de vista. O mercado principal para a fibra DSF é em sistemas
submarinos de canal único.
Outro tipo especial de fibra baseada na fibra SMF é a G.654 que apresenta uma atenuação
muito baixa na região de 1SSu nm, tipicamente de u.18 uB. km
-1
. Devido ao seu elevado custo,
este tipo de fibra raramente é utilizado. A sua principal utilização é em sistemas submarinos sem
amplificação óptica. Apesar de a fibra DSF ser atractiva para sistemas de canal único, as suas
não linearidades colocam sérios obstáculos à transmissão de múltiplos comprimentos de onda na
terceira janela de transmissão. Por estas razões, o mercado das fibras DSF está a deslocar-se na
procura de novos tipos, como por exemplo, a fibra de dispersão deslocada não nula (NZDSF).
Em 199S, a empresa Lucent começou a produzir uma fibra NZDSF, com a designação de
TrueWave, desenhada especialmente para ser utilizada em sistemas WDM amplificados. Este
CARACTERÍSTICAS BAS FIBRAS 0PTICAS
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
26
tipo de fibra foi padronizado em 1996 com a designação de G.655. A principal característica da
fibra NZDSF é apresentar uma dispersão cromática muito baixa mas não nula, de modo a
suprimir a mistura de quatro ondas, na região espectral entre 1Suu nm e 162S nm. A NZDSF
tem sido utilizada intensivamente em sistemas submarinos e terrestres de longa distância. Estas
fibras NZDSF de primeira geração eram, na realidade, fibras DSF com um mínimo de dispersão
próximo de 1Suu nm. Apresentando, portanto, algumas características indesejáveis tais como a
dispersão cromática residual elevada, área eficaz muito pequena e declive da dispersão cromática
muito elevada. Estas características abriram o caminho ao aparecimento de uma segunda geração
de fibras NZDSF, como as TrueWave XL da Lucent, a LEAF da Corning ou a FreeLight da
Pirelli, com uma área eficaz superior às de primeira geração, permitindo reduzir a densidade de
potência na fibra e minimizar os efeitos não lineares.
Outras fibras recentemente introduzidas e designadas também como G.655 são a TrueWave
RS da Lucent e a TeraLight da Alcatel que são fibras NZDSF com um declive da curva de
dispersão cromática muito baixo (= u.u4S ps. nm
-1
. km
-1
), o que permite que em sistemas
WDM todos os canais estejam sujeitos, aproximadamente, ao mesmo valor de dispersão
cromática. Tal, reduz os custos de implementação de dispositivos para a compensação da
dispersão. Outro tipo de fibra, ainda que não homologado, é a AllWave da Lucent. Este tipo de
fibra é idêntico ao da SMF, mas é produzida de forma a eliminar o máximo de absorção devido à
presença de iões OH
-
que produzem um pico de elevada absorção em torno de 1S8S nm. A
supressão deste pico de absorção, na prática, permite o aparecimento de uma janela de
transmissão em torno de 14uu nm, podendo-se utilizar toda região espectral entre os 128u nm e
162S nm para a transmissão.

Figura 1.18. Dispersão x Comprimento de onda em fibras modernas.
Apesar de os operadores discordarem de uma proliferação de diferentes tipos de fibra nas
suas infra-estruturas, também, pretendem limitar a instalação de fibras que coloquem
constrangimentos a um futuro aumento da largura de banda. No entanto, tornou-se evidente que
os operadores começaram já a introduzir a G.655 na sua infra-estrutura física. Esta solução é
mais satisfatória economicamente do que a utilização da G.652, devido aos custos associados
com a compensação da dispersão.




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C0NP0NENTES
0PT0ELECTR0NIC0S
BA C0N0NICACÂ0
0PTICA

 

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2
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28
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C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

29
absover fotão.
• Emissão da radiação: produz-se quando o electrão passa do estado excitado ao estado
fundamental, desprende energia em forma de fotão, ou seja, emite um fotão. Se a variação
de estado do electrão se produz de forma espontânea, sem que haja nenhuma causa que o
propicie, então se produz luz normal e o fenómeno se conhece com emissão espontânea. Se
a transição se produz por acção de um fotão de igual energia que o electrão, então estamos
diante de um processo de emissão estimulada, onde o electrão a desprender energia o fará
em forma de outro fotão coerente com o primeiro.

Figura 2.2. Processo de emissão espontânea e emissão estimulada.
Einstein mostrou que a probabilidade de que um fotão seja absorvido pelo primeiro átomo
situado em nível inferior, equivale a probabilidade de que tal fotão provoque a emissão
estimulada no átomo situado em nível superior. Como conseguir um aumento da probabilidade?
Fabrikant racionalizou que tudo depende da quantidade de átomos que há em cada nível. Se for
maior a quantidade de átomos em nível inferior, com maior frequência sucederá a absorção de
fotões e o raio de luz se debilitará. Mas se é maior a quantidade de átomos excitados, então
transcorrirá a emissão estimulada e o raio de luz se intensificará. Portanto, para que se
intensifique é necessário criar uma situação de inversão de população. A inversão de população
consiste em ter mais átomos excitados que átomos no estado fundamental.
O princípio de funcionamento do LED baseia-se no fenómeno da electroluminescência, quer
dizer, na emissão espontânea dos fotões devido a recombinação de portadores de carga, que são
injectados na junção pn. Como se sabe, os portadores de carga nos semicondutores são os
electrões na zona de condução e as lacunas na zona de valência. No regime activo (polarização
directa da junção pn) devido a corrente eléctrica cria-se a inversão de população de portadores de
carga, isto é surge o excesso dos electrões na zona de condução e das lacunas na zona de
valência, figura 2.2. A condição de inversão de população pode ser dada na forma:
E
Pn
- E
Pp
> E
g
(2.1)
sendo E
Fn
o nível de Fermi do semicondutor tipo n, E
Fp
o nível de Fermi do semicondutor tipo p
e E
g
é a energia da banda proibida.
O regresso ao estado de equilíbrio é acompanhado pela transição dos electrões da zona de
condução para a zona de valência ou para os níveis de impureza na zona proibida . Este
fenómeno é denominado recombinação. Dois tipos fundamentais de recombinação são dados na
figura 2.2: por emissão espontânea e por emissão estimulada.
Existem duas geometrias básicas dos LEDs em uso comercial: a de emissão por superfície e
a de emissão lateral. O diodo de emissão por superfície é mostrado na figura 2.3(a). Observa-se
que a luz é emitida numa direção normal ao plano da junção. Essa forma de emissão tem como
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

30
resultado altas perdas de abertura numérica. Para melhorar o acoplamento da fonte com a fibra, é
necessário melhorar a diretividade da fonte. Para isso é usada a geometria de emissão lateral,
mostrada na figura 2.3(b).

Figura 2.3. LED por emissão por superfície e de emissão lateral.
Na configuração da figura 2.3(b), o canal formado pelas camadas de confinamento guia a
luz para produzir um feixe de saída estreito, com significante redução de perdas por abertura
numérica. A espessura da junção (camada activa) é da ordem de 1 µm a 2 µm. Uma fita de
contato restringe a largura da área para 1u µm a 2u µm. Este processo resulta numa área activa
retangular da fonte menor que o núcleo da fibra. Graças ao guiamento, a abertura angular do
feixe de luz fica reduzida a cerca de Su° no plano perpendicular ao plano da junção. No plano
lateral permanece a abertura lambertiana de 12u°. A melhor directividade num dos planos é
suficiente para melhorar a eficiência de acoplamento com a fibra. Além disso, ela simplifica os
esquemas de focalização da luz através de lentes, que podem melhorar esse acoplamento até
determinados limites.
Característica estática do LED
A característica estática (corrente de entrada versus potência óptica de saída) para o LED é
aproximadamente linear, como mostra a figura 2.4. As potências de saída estão reduzidas a uma

Figura 2.4. Característica estática dos LEDs: (a) emissão por superfície e (b) emissão lateral. Os níveis de
potência óptica se referem à potência no ar.
Fracção da máxima potência óptica que poderia ser gerada para uma dada corrente injectada,
(a) (b)
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

31
em virtude dos processos internos de recombinação não radiativa, reabsorção, recombinações
superficiais e reflexões internas.
Deve-se notar que embora os LEDs de emissão lateral gerem menos potência óptica no ar,
em virtude de sua menor eficiência quântica externa, eles são mais eficientes para colocar a luz
na fibra, em razão de sua maior diretividade.
Densidade espectral de luz do LED
Na prática, os LEDs operando na primeira janela apresentam larguras espectrais entre
2S nm e 4u nm. Para a segunda janela essas larguras se situam entre Su nm e 1uu nm. O
espectro de radiação emitida pelo LED é gaussiano, como mostra a figura 2.5. O aumento da
temperatura tende naturalmente a alargar esse espectro.

(a) Janela 8Su nm (b) Janela 1Suu nm
Figura 2.5. Espectros de emissão típicos de LEDs.
As principais características do LED são: potência máxima de saída dos LEDs é menor que
– 1u uBm, emissão incoerente com largura espectral larga (entre Su nm e 6u nm), baixa
capacidade de modulação (frequência máxima de modulação típica 1uu NBz para LED de
InGaAsP) e divergência angular elevada gerando dificuldade para acoplamento em fibras ópticas
(eficiência de acoplamento máxima de 1 %). As aplicações mais importantes dos LEDs em
telecomunicações são em redes locais, cujas taxas de transmissão são menores do que 1u Nbps.
O uso de LEDs para comunicação normalmente é associado ao uso de fibras multimodo.
2.2.2. Diodo Laser
O laser é uma fonte óptica que opera com o princípio da emissão estimulada. Alguns fotões
viajando através de um meio excitado interagem com electrões e lacunas na região de
recombinação. Átomos são derivados do seu estado de alta energia para um estado de energia
mais baixa, liberando energia na forma de luz. Nesse processo, um único fotão é capaz de
produzir vários outros. Os fotões emitidos entram em uma cavidade ressonante e são reflectidos
para formar um intenso feixe monocromático coerente. Fotões emitidos em outras direcções são
eventualmente perdidos através das paredes da cavidade.
Ganho óptico
O ganho óptico é uma propriedade que adquirem os materiais semiconductores quando neles
se consegue a inversão de população, que permite que se produza o fenómeno de emissão
estimulada, e que este predomine frente a emissão espontânea. Para que um material tenha ganho
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

32
óptico a densidade dos portadores injectados na zona activa tem de superar um determinado
valor conhecido com valor de transparência, n
0
. Isto se consegue, por exemplo, injectando
electrões a uma junção pn polarizada directamente.
O ganho do material, sendo sua unidade o inverso de comprimento, (normalmente cm
-1
) se
obtém a partir da seguinte expressão:
g(æ) =
(R
stim
(o)-R
cbs
(o))
¡
g
(2.2)
onde, :
g
=
c
n
g
representa a velocidade de grupo no material que compõe a zona activa, e
R
stìm
(æ), R
ubs
(æ) são a taxas de emissão e absorção na zona activa do material. Em geral o
cálculo de g(ω) se realiza de forma numérica, obtendo-se curvas que mostram seu valor em
função da energia de radiação expressa em eV para diferentes valores de intensidade de
portadores injectados. Um exemplo deste tipo de curva é a figura 2.6. Para densidades inferiores
a n
0
(valor de transparência, tipicamente 1u
18
cm
-3
no caso das curvas da figura 2.6), o ganho
óptico é sempre negativo (abaixo de zero), e portanto, não se consegue emissão estimulada.
Pelo contrário, se a densidade dos valores injectados é superior ao valor de transparencia então
existem comprimentos de onda para os quais se produz emissão estimulada. Quanto maior é o
valor da densidade de portadores injectados, maior será a zona do espectro para a qual se obtém
amplificação óptica. Também se pode observar que o máximo valor do ganho se desloca até
comprimentos de onda mais curtos (maiores valores de energia) onde as curvas anteriores
mostram qua a partir de um determinado valor da densidade de portadores injectados o ganho
varia linearmente com n.

Figura 2.6. Espectros do coeficiente de ganho tomando a densidade de portadores na zona activa como
parâmetro.
Destas curvas pode deduzir-se que quanto maior é a dopagem do semiconductor, mais
cresce o ganho óptico, porque aumenta a densidade de portadores. E vice-versa, quanto menos
impurezas injectarmos no semiconductor diminuem a quantidade de portadores e, portanto, o
ganho óptico diminui. Com isto e as formas de curvas, se conclui que o que interessa é trabalhar
nas zonas dos picos, onde se consegue um maior ganho com menos dopagem do semiconductor.
Segunda janela
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

33
Realimentação e efeito de limiar
Para explicar o funcionamento da cavidade ressonante em um laser semicondutor,
utiliza-se o modelo de laser mais simples: a cavidade Fabry-Perot. Na figura 2.7 pode-se ver o
esboço chave.

Figura 2.7. Cavidade Fabry-Perot
A cavidade Fabry-Perot se forma ao introduzir uma heteroestrutura entre dois espelhos
semiconductores, figura 2.7. A reflexão se produz devido a descontinuidade entre o meio
semiconductor e o ar. A reflectividade de potência destes espelhos se pode calcular aplicando as
fórmulas de Fresnel para incidência normal e resulta:
R
1
= R
2
= I
n-n
cxt
n+n
cxt
]
2
(2.3)
onde n
ext
representa o índice de reflexão do meio exterior, que na maioria dos casos será o ar
Em geral, o índice de refracção dos materiais semiconductores empregados ronda o valor
n = S,S, pelo que R = u,S é suficiente para a maioria das aplicações.

Figura 2.8. Configuração geométrica de um laser de heteroestructura, mostrando suas dimensões longitudinal,
transversal e lateral.
Como pode apreciar-se na figura 2.8, a direcção por onde se forma a cavidade é paralela ao
plano da junção pn e está fisicamente localizada na zona activa do semiconductor. Por outra
parte, a inversão de população necessária na zona activa se consegue injectando electrões na
zona activa na direcção perpendicular ao plano da união pn. As dimensões típicas da zona activa
são, quanto a longitude, de 1uu μm a Suu μm; quanto a largura, S μm a 1S μm e em espessura,
de u,1 μm a u,S μm. Portanto, para todos os efeitos, pode-se considerar um guia de onda
dieléctrico plano. Mais especificamente, dentro da estrutura existem três tipos de modos:
1. Modos laterais, que são ondas estacionárias formadas na coordenada y da zona activa e
determinam a forma e o perfil do campo eléctrico na referida direcção.
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

34
2. Modos transversais, que são ondas estacionárias formadas na coordenada x da zona
activa e determinam a forma e o perfil do campo eléctrico na referida direcção.
3. Modos longitudinais, que são ondas estacionárias formadas na coordenada z da zona
activa e determinam o espectro de frequências emitidas pelo laser.
Dos três modos, a combinação de 1 e 2 resulta nos perfis modais especiais do campo, ao
passo que os terceiros, determinam as frequências próprias da cavidade que se emitirão em forma
de radiação ao exterior desta.
A estrutura de cavidade Fabry-Perot, formada por dois espelhos reflectores separados por
uma distância L, o material compreendido entre ambos os espelhos é o meio amplificador e
possui uma constante de propagação dada por:
g
c
=
u
c
-g
2+]b
(2.4)
onde g é o ganho óptico do meio, a
c
representa as perdas por absorção e espalhamento no
material e b é a constante de fase. Uma onda óptica incidente (linearmente polarizada, por
exemplo, na direcção y) de amplitude de campo dada por E
iy
sofre sucessivas reflexões em
espelhos que formam a cavidade, de forma que a onda de saída da estrutura está formada pela
interferência múltipla daquelas que vão saindo da cavidade depois de cada transição, como se
mostra na figura 2.9.
O campo eléctrico da saída da cavidade Fabry-Perot vem dado por:
E
s
= t
1
t
2
E
ì
c
-yL
∑ |(r
1
r
2
)
ì
c
-2ìyL
! = E
ì
t
1
t
2
c
-yL
1-¡
1
¡
2
c
-2yL
«
ì=0
(2.5)
As condições de oscilação do laser Fabry-Perot conseguem-se ao forçar que haja saída na
ausência de sinal de entrada na cavidade, quer dizer, anulando o denominador da expressão (2.5),
e se obtém:
.R
1
R
2
c
(-2]ßL+(g-u
c
)L)
= 1 (2.6)
A equação 2.6 é complexa e pode decompor-se em uma parte real e outra imaginária:
• A parte real dá a condição de ganho de limiar necessária para conseguir-se a radiação do
laser:
g
th
= o
c
+
1
2L
ln I
1
R
1
R
2
] (2.7)

Figura 2.9. Esquema e evolução do sinal na zona activa de um laser Fabry-Perot.
• A parte imaginária dá a condição de fase:
Espelho 1 Espelho 2
Soma = Campo transmitido
Meio activo
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

35
[I = mn : m e Z (2.8)
A partir da condição de fase podem-se obter as frequências próprias da cavidade Fabry-Perot
ou modos longitudinais. Assim, as possíveis frequências de oscilação da cavidade vêm dadas
por:
v
q
= m
c
2n´L
: m e Z (2.9)
As possíveis frequências são infinitas, e estão separadas entre si pela constante:
Av =
c
2Ln
g
=
¡
g
2L
=
1
:
L
(2.10)
onde τ
L
é o tempo de transição correspondente a uma volta completa a cavidade, e vale
aproximadamente 1u ps.
Apesar das frequências possíveis serem infinitas, nem todas cumprem a condição de
amplitude, pelo que o laser só emitirá um conjunto destas. Isto se explica graficamente na figura
2.10, onde se representa o espectro de frequências próprias da cavidade Fabry-Perot junto com a
curva do ganho do material e as perdas. Só aquelas frequências para as quais o ganho óptico é
maior que o ganho de limiar serão emitidas pelo laser.

Figura 2.10. Espectro de emissão de um laser Fabry-Perot.
Funcionamento do laser
Para a análise do funcionamento do laser há que partir das equações de emissão (no caso,
particularidades para o caso de lasers monomodo), que são a solução das equações de Maxwell
para o caso do laser:
ðP
ðt
= 0P -
P
:
µ
+R
csp
(2.11)
ðN
ðN
=
1
q
-
N
:
n
-0P (2.12)
onde P e N representam a quantidade ou número de fotões e portadores na cavidade, τ
p
é o tempo
de vida dos fotões e τ
n
é o tempo de recombinação dos portadores; R
esp
é a taxa de emissão
espontânea e G é a taxa de emissão estimulada ou ganho óptico da cavidade.
A definição ou o valor da cada um dos parâmetros que determinam o funcionamento do
laser é:
• A quantidade de fotões vem dada em função do campo eléctrico:
P =
s
0
uu
g
2lo
]
|e
2
|JI (2.13)
onde ε
0
é a permissividade do meio, µ é o índice do modo, µ
g
é o índice dos portadores induzidos
e ħω é a energia de um fotão.
Espectro transmitido por um
laser Fabry-Perot
Curva do ganho do
material da cavidade
Modos da cavidade
Fabry-Perot
Ganho de limiar gth
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

36
• O número dos portadores na zona activa se define como:
N = ]nJI = nI (2.14)
onde n é a densidade de portadores e é praticamente constante; I = IwJ é o volume da cavidade
sendo L a longitude, w a largura e d a espessura da mesma.
• O ganho óptico se define como:
0 = I:
g
g (2.15)
onde Г é o factor de confinamento, v
g
é a velocidade de grupo calculada como :
g
=
c
u
g
e g é o
ganho da cavidade cujo valor é g = s
g
(n -n
0
), onde s
g
é o coeficiente do ganho diferencial, n
0

é a densidade de portadores requerida para alcançar o nível de transparência e n é a densidade de
portadores.
• O tempo de vida dos fotões se define como:
1
:
µ
= :
g
(o
c
+o
ìnt
) (2.16)
onde α
e
são as perdas nos espelhos, α
int
outras perdas intrísecas a cavidade.
• O tempo de recombinação dos portadores é:
1
:
n
= (A

+Bn +Cn
2
) (2.17)
• A taxa de emissão espontânea, vem dada por:
R
spon
= 0 |1 -c
|
ln-E
]
k
g
T
1
|
-1
(2.18)
onde todo o conteúdo dentro de colchetes se conhece como factor de inversão de população e E
f

é a energia de separação entre os níveis de Fermi.
Se à aquação (2.11) e (2.12) se junta a equação de emissão de fase, se tem o sistema de
equações de emissão dos lasers monomodo, equações (2.19).
ðP
ðt
= 0P -
P
:
µ
+R
csp

ðN
ðN
=
1
q
-
N
:
n
-0P
ðO
ðt
=
uu
N
2
(N -N
th
) (2.19)
Característica luz-corrente
Para achar a curva L-I se parte, como sempre, do sistema de equações de emissão (2.11) e
(2.12), em regime estacionário, isto é:
0P -
P
:
µ
+R
csp
= u (2.20)
1
q
-
N
:
n
-0P = u (2.21)
onde, na equação (2.20) pode-se ver que o aumento da quantidade de fotões (luz) é favorecido
principalmente pelo processo de emissão estimulada (GP) e um pouco, pela emissão espontânea
(R
esp
) graças a qual se desencadeia a primeira. Mas como 0P >> R
csp
, se poderia desprezar R
esp

para implificar os cálculos. Logo,
P
:
µ
representa os processos de recombinações não radiativos,
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

37
quer dizer, são os fotões que se recombinam desprendendo calor e portanto, actuam diminuindo
o número de fotões, contrário ao que interessa. E na equação (2.21) vê-se que a quantidade de
portadores aumenta com o aumento da corrente injectada no laser, mas diminui por emissão
estimulada (GP) e por recombinação térmica I
N
t
n
]. De (2.20) resulta:
P =
R
csµ
|u-
1
¬
µ
1
(2.22)
Como já foi dito, R
esp
é uma quantidade muito pequena, praticamente nula, daí ou o
denominador deve ser nulo ou a cavidade não emitirá luz. Se 0¡
p
< 1 então P > R
csp
> u e a
cavidade semicondutora funcionará como um LED em vez de como um laser. Quando 0¡
p
> 1,
se alcança uma quantidade apreciável de fotões, e o dispositivo começa a funcionar como um
laser, a emissão espontânea deixa de ser a maiorotária para dar lugar a emissão estimulada. A
esta situação se conhece como situação limiar, e o valor dos distintos parâmetros neste ponto de
funcionamento são:
• Valor limiar dos portadores (N
th
):
N = N
0
+
1
u
N
:
µ
= N
th
(2.23)
Quando a cavidade alcança uma quantidade de portadores igual a N
th
, começa a produzir-se
emissão estimulada, que como se vê, é maior que a quantidade de portadores necessários para
conseguir inversão de população (N
0
).
• Valor limiar da corrente de polarização (I
th
):
I
th
=
qN
th
:
n
(2.24)
onde q é a carga eléctrica do electrão. Os valores típicos da corrente limiar estão compreendidos
entre 1u mA e Su mA.
Uma vez alcançado o estado limiar, a quantidade de portadores vai permanecer praticamente
constante mesmo que aumente a corrente injectada. Isto é devido a que o excesso de portadores
se recombinam por meio da emissão estimulada. E ao manter-se fixo o nivel de portadores,
também a taxa de emissão espontânea se manterá fixa. Portanto, o número de fotões gerados por
emissão estimulada por cima do valor limiar vai ser proporcional a (I -I
th
), onde I é a corrente
aplicada.
• Valor dos fotões (P):
P =
:
µ
q
(I -I
th
) (2.25)
• A potência óptica de saída do laser é proporcional ao número de fotões gerados em seu
interior, e seu valor é o mostrado na equação (2.26).
P
opt
=
1
2
v
g
o
csp
læP =
v
g
u
csµ
lo:
µ
q
(I -I
th
) (2.26)
onde α
esp
 n
g
representa a taxa em que os fotões com energia hω abandonam a cavidade.
A figura 2.11 mostra uma curva L-I típica de um laser semiconductor. Na realidade se
representa a potência frente a corrente, mas como já dito, a potência é proporcional a quantidade
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

38
de fotões (de luz) que há na cavidade. Como se pode ver na figura 2.11, para valores abaixo da
corrente limiar a potência de saida (a luz) é praticamente nula. Ao aplicar uma corrente igual ou
superior a corrente limiar a potência aumenta e, ademais, linearmente com a corrente segundo a
equação (2.28), até chegar a uma corrente em na qual o laser já não vai produzir mais luz mesmo
que se aumente a corrente: zona de saturação. Se se exige ao laser trabalhar muito tempo nesta
zona se queimará.

Fig. 2.11. Curva L-I típica de um laser semiconductor
2.2.3. Lasers DFB
Os lasers DFB (Distributed FeedBack) são montados com a colocação da grade Bragg
dentro da cavidade do laser FP. A presença da grade de Bragg causa uma variação periódica no
índice de refração da região dentro da cavidade ao longo do seu comprimento, e esta variação
causa pequenas reflexões. Quando um período da grade de Bragg é múltiplo inteiro de um
comprimento de onda de um feixe de luz, ocorre uma interferência construtiva e parte da luz é
refletida. Os outros comprimentos de onda sofrem interferência destrutiva e não podem ser
refletidos. Esse efeito é mais forte quando o período da grade de Bragg é igual ao comprimento
de onda da luz a ser selecionada. No entanto, o dispositivo funciona quando o período da grade é
um múltiplo inteiro de um comprimento de onda e somente um modo pode ser transmitido,
o modo que é compatível com o comprimento de onda da grade, figura 4.12.
Em dispositivos mais recentes, a aplicação da grade dentro da região ativa apresentou muita
atenuação, portanto, a grade foi movida para uma camada de guia de onda imediatamente
adjacente à cavidade. A cavidade onde a luz está se propagando, estende-se para dentro da
camada adjacente e interage com a grade para produzir o efeito desejado. A princípio, o laser
DFB não precisa de espelhos, pois a grade pode ser configurada para produzir reflexão suficiente
para o laser acontecer.
Uma forma de melhorar a eficiência do dispositivo é colocar um espelho final de alta
refletância em uma ponta da cavidade e um revestimento na outra ponta da cavidade. Neste caso,
a grade não precisa ser muito forte, mas o suficiente para garantir que um simples modo domine.
Como os lasers DFB são confiáveis nas freqüências nas regiões 1S1u nm e 1S2u nm a 1S6S
nm, são compatíveis com os amplificadores EDFA e excelentes fontes em aplicações DWDM.
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

39
Os lasers podem ser modulados com muita precisão e podem produzir potência
relativamente alta. Como a luz do laser é produzida em feixes paralelos, grande parte (Su% a
8u%) pode ser transferida para a fibra. Os lasers utilizados na operação de redes de comunicação
devem ter uma largura de banda espectral estreita, resposta rápida e ser capaz de acoplar uma
quantidade significativa de potência óptica em uma fibra. Os lasers são dispositivos
relativamente caros pois, em aplicações de longa distância, o controlo de temperatura e o
controle de potência de saída são necessários. O controlo de temperatura mantém um laser com
limiar estável, e o controle de potência garante que o detector possa receber um sinal estável.

Figura 4.12. Esquemático do laser DFB.
Em sistemas WDM, é necessário o transporte de muitos sinais ópticos multiplexados na
mesma fibra. Para fazer isto, é importante que cada sinal tenha a mais estreita largura espectral
possível e seja o mais estável possível. E os lasers Fabry Perot possuem uma largura espectral
relativamente grande para o uso nesta aplicação. Os lasers DFB são os mais indicados.
2.3. Modulação da portadora óptica
2.3.1. Modulação directa
A capacidade de modulação directa dos diodos lasers através da corrente aplicada é uma das
principais vantagens deste dispositivo. Nas sessões seguintes se analizam os formatos de
modulação directa do laser.
Modulação On/Off Keying
Este tipo de modulaçõa consiste em aplicar ao diodo laser uma corrente, I
ON
, superior a sua
corrente de limiar para que tenha lugar a radiação quando se deseja emitir o bit 1. No caso de
transmitir um bit 0 a potência óptica emitida pelo laser deve ser nula, e portanto a corrente
aplicada, I
OFF
, deve ser menor que a corrente de limiar. Empregar uma corrente I
OFF
próxima a
zero tem a vantagem de que a potência residual associada aos bits 0 devida a emissões
espontâneas é mínima, incrementando o quociente de extinção e portanto reduzindo a
probabilidade de erro.

Figura 2.13. Modulação OOK.
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

40
A figura 2.13 apresenta um exemplo de modulação OOK. Ao inicio de cada pulso óptico
aparecem umas escilações amortecidas (oscilação de relaxação) cuja origem está no processo
pelo qual os portadores e fotões tendem a seus valores de equilibrio.
Como tambem se observa na figura 2.13 existe um atraso em cada comutação (atraso de
arranque, t
D
) devido a lenta resposta dos portadores de carga para que se inicie a oscilação do
laser. Este atraso pode reduzir-se incrementando a quantidade de portadores existentes no laser, o
qual supõe empregar uma corrente I
OFF
, próxima a corrente de limiar do laser.
O valor concreto do atraso de arranque, t
D
, pode ser calculado como:
t
Ð
= ¡
c
ln |
I
ON
-I
OFF
I
OFF
-I
µ
1 (2.27)
onde τ
e
é o tempo de vida das combinações espontâneas.
Pulsação mediante comutação de ganho
Existem aplicações nas quais o diodo laser gera pulsos ópticos muito estreitos, cuja duração
é menor que o intervalo de tempo entre pulsos consecutivos. Nesta situação se aplica ao laser um
pulso de corrente que durante um breve intervalo de tampo está por cima da corrente de limiar
para a oscilação do laser. Se este pulso de corrente é suficientemente estreito o pulso óptico
emitido se corresponde com o primeiro pico das oscilações de relaxação vistas na figura 2.13.
Este método de operação se denomina comutação de ganho.
2.3.2. Modulação externa
A modulação externa consiste em um diodo laser emitindo uma potência óptica contínua
seguido por um dispositivo externo que realiza a modulação desejada. Isto permite evitar os
efeitos que provoca o chirp de frequência gerado ao modular a amplitude da potência óptica
gerada pelo laser, cuja origem se encontra na dependência existente entre o índice de refracção
do material semiconductor e a densidade de electrões.
Outra aplicação é gerar sinais RZ. A partir de uma sequência de pulsos periódicos gerados
por um laser, pela aplicação de uma corrente pulsada, o modulador não deixará passar os pulsos
ópticos que correspondem ao bit 0. Actualmente os dois tipos de moduladores externos são os
mais empregados.
Moduladores baseados em Interferómetros de Mach-Zehnder (MZI) e em materiais
electroópticos
O MZI é um dispositivo formado por um divisor, dois braços de fibra óptica e um
combinador, cujo funcionamento se baseia no fenómeno de interferência entre as ondas. O sinal
óptico de entrada se divide em duas partes iguais, cada uma das quais percorrendo um caminho
óptico distinto para combinarem-se depois. Esta combinação pode produzir uma interferência
construtiva se a diferença de fase dos sinais é nula, recompondo-se assim o sinal de entrada
(geração de um bit 1). Se a diferença de fase dos sinais combinados é diferente de zero, estes
sinais interferem de forma destrutiva e a saida não se obtém sinal óptico (geração de um bit 0).
Mediante o emprego num dos braços do MZI de um material electroóptico (como o niobato
de lítio), que tem a propriedade de poder variar seu índice de refracção segundo a variaçao de
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

41
tensão electrica que se aplica, se encontra a desfasagem entre os sinais que são combinados,
controlando-se assim a modulação.
Moduladores Electro-absorventes
Um material electro-absorvente tem a capacidade de absorver a radiação, e portanto permite
controlar a quantidade de potência que este deixa passar por meio da tensão existente entre seus
extremos. Nos materiais semicondutrores esta propriedade de controlar a radiação absorvida se
conhece como efeito Franz-Keldysh ou efeito Stark. Segundo este fenómeno as longitudes de
onda que podem ser absorvidas variam com o campo eléctrico aplicado.
Os moduladores fabricados com este tipo de materiais semicondutores têm a vantagem de
sua fácil integração junto com o diodo laser, reduzindo-se as perdas de acolpamento entre
ambos.
2.4. Perdas por acoplamento
Além da atenuação na fibra, o acoplamento na entrada contribui muito com as perdas do
sistema. Essas perdas estão relacionadas a Iluminação não interceptada, a Abertura numérica e
a Reflexão.
Em geral, a magnitude das perdas de acoplamento na entrada depende da característica
óptica e da geometria da fonte e da fibra. Parâmetros particularmente importantes são a área e o
perfil angular de emissão da fonte, a área do núcleo da fibra, o índice de refracção, a abertura
numérica e a distância entre a superfície de emissão e o final da fibra.
Perdas por iluminação não interceptada
Perdas por iluminação não interceptada resultam do descasamento entre a área da projecção
da iluminação da fonte (no plano de entrada da fibra) e a área do núcleo da fibra. Se a área de
emissão da fonte é maior do que a área do núcleo da fibra, parte da luz emitida não será acoplada
na fibra. Mesmo se a fonte é menor que o núcleo, ainda pode existir problemas como iluminação
não interceptada, figura 2.14. Qualquer separação entre a fonte e a entrada da fibra provoca uma
perda da luz emitida. Esta perda de iluminação não interceptada é dada aproximadamente por:
P
ìIum
= 1ulog
A
c
A
s
(2.28)
em que A
c
  é a área do núcleo da fibra e A
s
é a área da projecção da luz no plano transversal à
entrada da fibra. A magnitude da perda de iluminação depende, basicamente, do perfil de
emissão angular da fonte, da distância entre a superfície de emissão da fonte e a entrada da fibra
e do diâmetro do núcleo.


Figura 2.14. Perdas por emissão não interceptada
Cone óptico
Cápsula da
fonte
Fonte de emissão
Fibra óptica
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

42
Todas as fontes pequenas têm feixes de radiação que divergem rapidamente. Então, para
evitar perdas intoleráveis, a separação entre a fonte e a entrada da fibra não pode ser maior do
que duas a quatro vezes o diâmetro do núcleo. A solução é construir um diodo não encapsulado
e, então, montar a fibra tão perto quanto possível da superfície de emissão, ou utilizar uma fonte
com um trecho de fibra já instalado pelo fabricante.
Perdas devido à abertura numérica
Este tipo de perda é devido aos raios de luz com ângulos de incidência fora do cone de
aceitação da fibra. Com a perda por iluminação não interceptada eliminada, podem-se considerar
as perdas associadas com o perfil de acoplamento. Especificamente, esta é uma redução da
potência devido à abertura numérica. A figura 2.15 mostra que uma considerável quantidade de
luz é perdida devido ao conflito entre o relativamente pequeno ângulo do cone de aceitação da
fibra (metade do ângulo da ordem de 10° a 14°) e a grande divergência do feixe de emissão do
LED ou Laser.

Figura 2.15. Perdas por acoplamento.
Perdas por reflexão
Esta ocorre na entrada, em conectores e no final da fibra. Comparada às perdas por abertura
numérica, a perda por reflexão é quase desprezível. Ela é importante, contudo, nas emendas das
fibras. Luz incidindo na entrada da fibra sofre uma variação no índice de refracção na interface
ar-núcleo. Então, parte da luz é reflectida e é perdida. A proporção de luz que é reflectida, com
relação à incidente, depende do índice de refracção do núcleo.
2.5. Receptores ópticos
2.5.1. Introdução
Os receptores ópticos transformam os sinais ópticos em sinais eléctricos, na realidade é o
fotodetector o encarregado desta transformação. Na figura 2.16 se mostra o diagrama em blocos
genérico de um receptor para um sistema digital com detecção directa. A componente chave
Fibra
Fonte de
Luz
Fibra
Cone de aceitação de
uma fibra de índice
degrau
Perfil de emissão no
plano perpendicular
da junção
Fonte de
luz
A luz emitida num ângulo
maior que α será perdida
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

43
é o detector de luz.
Os fotodetectores mais utilizados são os baseados em semicondutores. Os fotodiodos são os
mais adequados porque com eles é possível obter fotodetectores com alta sensibilidade,
rápida resposta, pouco ruído, baixo custo e uma alta fiabilidade. Os mais comuns são os
fotodiodos PIN e o fotodiodos de avalanche (APD).


Figura 2.16. Diagrama de blocos de um receptor óptico básico de um sistema digital com detecção directa.
2.5.2. Fundamentos dos fotodiodos
Os fotodiodos se baseiam no processo de absorção estimulada de fotões. Suponhamos
uma junção pn polarizada inversamente como se mostra na figura 2.17.
Ao incidir um fotão sobre o semiconductor tal que a energia do fotão E = b. ¡ é superior a
energia da banda proibida, E
g
, este é absorvido gerando-se um par electrão-lacuna. Assim, as
longitudes de onda que podem ser detectadas são:
b. ¡ ~ E
g
÷
h.c
x
~ E
g
- z <
1,24
L
g
|cv]
(2.29)

Figura 2.17. Esquema de uma junção pn polarizada inversamente.
Devido ao campo eléctrico estabelecido pela tensão aplicada ao circuito, os electrões e
lacunas põe-se me circulação dando lugar a uma corrente eléctrica. Ao ser o fotodiodo
polarizado inversamente o campo eléctrico interno é mais intenso, portanto a aceleração que
experimentam os pares electrão-lacuna é maior, e a resposta do fotodiodo ante as variações da
potência óptica é melhor. A corrente resultante, I
p
, é proporcional a potencia óptica incidente:
I
p
= +P
ìn
(2.30)
onde + é a responsividade do fotodiodo. Este parâmetro, cuja unidade é A. W
-1
, representa a
capacidade do fotodiodo de gerar pares electrão-lacuna pela incidência de um sinal óptico. Outro
parâmetro importante num fotodiodo é a sua largura de banda. A largura de banda de um
fotodiodo determina a velocidade com que este responde ante as variações da potência óptica
incidente.
Se define o tempo de subida do fotodetector, T
r
, como o intervalo de tempo transcorrido
desde que a corrente, I
p
, aumenta desde 1u% até 9u% do seu valor final ante uma variação
abrupta da potência óptica incidente. Este intervalo de tempo desde a chegada de um pulso de luz
ao fotodiodo e a aparição da corrente se deve ao tempo que retardam o electrões e lacunas
gerados por absorção dos fotões em sair do fotodiodo ao circuito.
Amplificador front-end Fotodetector Filtro Decisor
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

44
Uma boa aproximação da largura de banda do fotodiodo em função do tempo de subida é a
seguinte expressão:
I
¡
=
0,35
w
(2.31)
onde W é a largura de banda do fotodetector.
Junto com a responsividade e a largura de banda, um terceiro parâmetro dum fotodiodo é a
corrente de escuridão, I
d
. Esta corrente gera-se na ausência de um sinal óptico, tem sua origem
nos pares electrão lacuna gerados termicamente. Em um bom fotodiodo I
d
deve ser desprezível,
menor que 1u nA.
2.5.3. Fotodiodo PIN
A largura de banda de um fotodiodo está limitada pelo fenômeno da absorção fora da região
de depleção. Os electrões (lacunas) gerados na região p (região n) são difundidos através da
região de depleção. Este fenômeno de difusão é um processo lento e que distorce a resposta
temporal do fotodiodo.
O efeito de difusão se pode diminuir aumentando a largura da banda de depleção e
reduzindo as zonas p e n. Assim a absorção de fotões se produz maioritariamente no interior da
região de depleção. Este é o fundamento dos fotodiodos PIN.
Num fotodiodo PIN, como seu nome diz, intercala-se um material intrínseco na junção pn.
Desta forma simples se incrementa a região de depleção. Ao incrementar a região de depleção se
incrementa a responsividade pois o número de fotões absorvidos nesta zona aumenta. Como
aumenta +, também se incrementa a eficiência do fotodiodo. A variação no tempo da resposta
aumenta uma vez que os electrões e lacunas gerados pela absorção tardam mais tempo em cruzar
a região de depleção.
Um fotodiodo PIN de uso comum é o fotodiodo PIN de InGaAs, mostrado na figura 2.18.

Figura 2.18. Estrutura de uma junção PIN de InGaAs.
Com este tipo de estrutura em que o material intrínseco está rodeado de camadas p e n de
distintos materiais semiconductores, se consegue que a absorção se produza unicamente na
camada intrínseca eliminando completamente o efeito de difusão. Para isso, se escolhe
convenientemente a energia da banda proibida para que o material seja transparente para as
longitudes de onda de trabalho.
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

45
Como a energia da banda proibida da camada InP é de 1,SS ev, para as longitudes de
onda maiores que u,92 μm este material é transparente, pois não se produz o fenômeno de
absorção dos fotões incidentes.
Os fotodiodos PIN se caracterizam por sua fácil fabricação, sua alta fiabilidade e baixo
ruído. Sua largura de banda é muito mais elevada. Na tabela 2.1 mostram-se os valores das
principais características dos três tipos de fotodiodos mais comuns.
Tabela 2.1. Características dos fotodiodos mais comuns
Parâmetro Símbolo Unidade Si Ge InGaAs
Comprimento de
onda
λ µm u,4 – 1,1 u,8 – 1,8 1,u – 1,7
Responsividade + A. W
-1
u,4 – u,6 u,S – u,7 u,6 – u,9
Eficiência B % 7S – 9u Su – SS 6u – 7u
Corrente de
escuridão
I
u
nA 1 – 1u Su – Suu 1 – 2u
Tempo de subida T
i
ns u,S – 1 u,1 – u,S u,uS – u,S
Largura de banda Δf uBz u,S – u,6 u,S – S 1 – S

2.5.4. Fotodiodo de avalanche (APD)
Os fotodiodos de avalanche (APD) se aplicam quando a potência recebida pode ser limitada,
já que tem uma responsividade maior que os fotodiodos PIN. Isto se deve a que todos os
fotodiodos requerem uma corrente mínima para o seu funcionamento correcto, quer dizer,
requerem uma potência óptica mínima. Para isso são necessários fotodiodos com uma
responsividade alta, pois requerem menor potência óptica para o seu funcionamento.
Os APD´s se baseiam no fenômeno de ionização por impacto. Um electrão (igual que uma
lacuna) gerado por absorção de um fotão com suficiente energia cinética pode gerar novos pares
electrão-lacuna e dar lugar de sua energia a outro electrão de forma que este passe da banda de
valência para a banda de condução. Logo a corrente gerada por absorção dos fotões incidentes,
I
p
, se vê incrementada por um factor M (ganho multiplicativo de corrente, isto é, a média de
electrões gerados por cada fotão):
I
m
= HI
p
(2.32)
Portanto, a responsividade de um fotodiodo APD é:
+
APÐ
=
I
m
P
in
=
MI
µ
P
in
= H+ (2.33)
Os APD´s ao multiplicar a fotocorrente gerada na união pn consegue um aumento da
sensibilidade com relação ao fotodiodos PIN. Na tabela 2.2 se comparam as principais
características dos fotodiodos APD´s de Si, Ge e InGaAs.
O projecto dos APD´s difere principalmente num aspecto com relação aos fotodiodos PIN.
Se adiciona uma camada onde se originam os pares electrão-lacuna pelo fenómeno de ionização
por impacto. Para isso, esta camada se denomina camada de multiplicação. Nas figuras 2.19 se
mostra a estrutura de um APD de Si. Neste figura a camada de depleção alcança o contacto
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

46
através das zonas de absorção e multiplicação.
Nos APD´s de InGaAs se empregam estruturas como as da figura 2.19(b) para conferir
maior performance ao fotodiodo. Na estrutura da figura 2.19(a) o fotodiodo seria perfurado
devido ao campo eléctrico intenso a que está submetido.
Tabela 2.2. Características dos fotodiodos APD
Parâmetro Símbolo Unidade Si Ge InGaAs
Comprimento de
onda
λ µm u,4 – 1,1 u,8 – 1,8 1,u – 1,7
Responsividade + A. W
-1
8u – 1Su S – Su S – 2u
Ganho APD N - 1uu – Suu Su – 2uu 1u – 4u
Corrente de
escuridão
I
u
nA u,1 – 1 Su – Suu 1 – S
Tempo de subida T
i
ns u,1 – 2 u,S – u,8 u,1 – u,S
Largura de banda Δf uBz u,2 – 1,u u,4 – u,7 1 – S

O emprego de uma camada adicional de InP resolve este problema já que um campo
eléctrico intenso pode existir nesta camada sem perfurá-la. Esta estrutura se denomina
SAM, Separate Absortion Multiplication, figura 2.19(b).
O problema desta estrutura é a sua lenta resposta e sua pequena largura de banda devido a
grande diferença entre a energia da banda proibida do InP e do InGaAs que dificulta a circulação
dos electrões e lacunas. Isto se soluciona empregando outra camada entre as camadas de
absorção e multiplicação, de forma que sua energia de banda proibida tenha um valor intermédio
ao do InGaAs e InP. Estes fotodiodos APD´s se denominam SAGM, Separate Absortion Grading
and Multiplication.

Figura 2.19.(a) Estrutura de um fotodiodo APD de Si. (b) Estruturas de APD de InGaAs que evitam o seu
perfuramento: a esquerda, SAM (Separate Absortion Multiplication) e a direita, SAGM (Separate Absortion
Grading and Multiplication).
Vantagem do APD vs PIN: Existência de uma ganho elevado na conversão ópticoeléctrica.
Desvantagens do APD vs PIN: A limitação do desempenho pode dar-se pelo ruído
quântico. (No PIN este é desprezável sendo a limitação geralmente imposta pelo ruído de
circuito); estrutura mais complexa (necessita da estrutura onde ocorre a multiplicação em
(a) (b)
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

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47
avalanche). Portanto é mais caro; o desempenho fica limitado pelo ruído de circuito e não pelo
ruído quântico; sensibilidade elevada das suas propriedades (como o ganho) à temperatura;
requer tensões de polarização muito superiores (para garantir a multiplicação em avalanche).
2.5.5. Detecção
A detecção directa consiste em converter a potência óptica directamente em uma corrente
eléctrica proporcional a ela. Este método de detecção não permite a recuperação, para seu
processamento, da informação transportada em fase pela portadora óptica. Este sistema tem a
vantagem de sua simplicidade e baixo custo, frente ao sistema de detecção coerente, devido a
complexidade dos componentes que este inclui.
A detecção coerente se baseia na mistura não linear, no fotodetector, do sinal a detectar
com um sinal gerado num laser (oscilador local) no receptor, figura 2.20. Isto se pode realizar
mediante um acoplador de fibra 2x2.

Figura 2.20. Diagrama de blocos de um sistema de detecção coerente.
O campo magnético de entrada pode representar-se como:
E
s
(t) = E
s
cos|æ
s
t +e
s
]u
s
(2.34)
onde se considera que este possui uma polarização linear na direcção do vector unitário u
s
; E
s
é a
amplitude do campo; ω
s
é a frequência da portadora óptica e φ
s
é a sua fase. Enquanto o campo
gerado pelo oscilador local, supondo também linear segundo a direcção do vector unitário u
y
,
pode expressar-se como:
E
0L
(t) = E
0L
cos|æ
0L
t +e
0L
]u
y
(2.35)
onde E
OL
, ω
OL
, φ
OL
, são amplitude, frequência e fase respectivamente do laser local; que a
diferença dos sinais de entrada são valores constantes. O campo de entrada pode decompor-se na
soma da componente na direcção do oscilador local e outra na direcção perpendicular:
E
s
(t) = E
sy
(t) +E
sx
(t) (2.36)
Com:
E
sy
(t) = E
s
cos|æ
s
t +e
s
]cos(0)u
y
e E
sx
(t) = E
s
cos|æ
s
t +e
s
]cos(0)u
x
(2.37)
onde θ é o ângulo que formam os vectores de campo eléctrico do oscilador local e do sinal de
entrada. Portanto o campo total incidente sobre o fotodiodo na direcção y é:
E
y
(t) = E
0L
(t) +E
sy
(t) = |E
0L
cos(æ
0L
t +e
0L
) +E
s
cos(æ
s
+e
s
)cos(0)]u
y
(2.38)
O fotodiodo gera uma corrente eléctrica proporcional a potência do sinal incidente, i(t) × P(t),
logo, como a potência do sinal incidente é:
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

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48
P(t) × (|E(t)|
2
) = (|E
x
(t)|
2
+|E
y
(t)|
2
) (2.39)
Portanto:
i(t) ×
L
OL
2
2
+
L
s
2
2
+E
0L
E
s
cos0cos|(æ
s

0L
)t +(e
s
-e
0L
)] (2.40)
Desprezando o segundo somando por ser um sinal de muito baixo nivel de potência e salvo a
componente continua que depende do oscilador local, o resultado da mistura não linear
produzido no fotodiodo uma corrente com uma portadora de frequência igual a diferença entre as
frequências do sinal de entrada e do oscilador local, o mesmo que sucede com a fase desta
corrente. Se a frequência do oscilador local é igual que é a do sinal de entrada, o sinal se
translada em banda base. Isto é o sistema homodino. Se pelo contrário estas frequências são
distintas o sistema é heterodino. Neste caso o sistema se translada a uma frequência intermédia.
2.5.6. Demodulação
A demodulação consiste em detectar a presença ou ausência de luz durante o intervalo de
bit. Se não há luz se está recebendo um 0, caso contrário se está recebendo um 1. Isto é o que se
denomina detecção directa. Até mesmo em condições de ausência de ruido este processo não está
livre de erros devido a natureza aleatória da chegada dos portadores ao receptor.
Num sistema com recepção directa, quando se transmite um 0 não se produz nenhum erro.
Mas ao transmitir um 1, o receptor pode decidir que se recebeu um 0 se nenhum fotão chega
durante o intervalo de bit. Sendo B a taxa binária e supondo que a ocorrência de bits 1 e 0
durante um intervalo de tempo
1
B
são equiprováveis, a taxa de erro de bit neste receptor ideal é:
BER =
1
2
c
-
P
h]
c
B
(2.41)
Denotando como M o expoente da expressão de BER, a taxa de erro de bit pode ser expressa
como:
BER =
1
2
c
-M
(2.42)
Esta expressão representa a taxa de erro de um receptor ideal, também chamado quantum limit.
Notar que para obter um BER de 1u
-12
se necessita uma média de N = 27 fotões por bit.
2.5.7. Ruídos de detecção
Os receptores estão submetidos a varias formas de ruído que não os torna ideias.
• Ruído térmico. Causado pelo movimento aleatório dos electrões na resistência de carga
do fotodiodo:
o
th
2
=
4k
B
1
R
L
w
c
F
n
(2.43)
onde, k
B
é a constante de Boltzman (1,S8 × 1u
-23
I. K
-1
). T é a temperatura absoluta, W
e
é a
largura de banda eléctrica do receptor, R
L
é a resistência de carga do circuito receptor e F
n
é a
figura do ruído do pre-amplificador no receptor. Vale realçar que o ruído térmico é o mesmo
quando se transmite um bit 1 ou 0.
w
c
e |
Ð
b
2
: Ð
b
|
onde D
b
é a taxa de transmissão ou débito binário. Tipicamente W
c
= u,7SB
b
.
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

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49
• Ruído quântico ou shot. Tem origem no facto de a fotocorrente gerada pelo fotodiodo
ser um fluxo de electrões criados em instantes de tempo aleatório, pelo que a corrente não se
pode considerar contínua, senão como uma corrente formada por um conjunto de impulsos de
carga eléctrica. Esta variabilidade se modela como um ruido de variança, cujo valor para os
fotodiodos PIN é:
o
sh
2
= 2oIw
c
(2.44)
onde I = I
p
+I
Ð
, é a corrente média gerada pelo fotodiodo PIN.
No caso de um fotodiodo APD:
o
sh
2
= 2oIH
2
w
c
F (2.45)
onde o factor M é o ganho multiplicativo de corrente e F é o factor de excesso de ruido
dependente do material do fotodiodo e pode aproximar-se por, F = Hx. O parâmetro x depende
do material e toma valores entre 0 (material pouco ruidoso) e 1 (material muito ruidoso).
• Ruido devido a corrente de escuridão. A corrente de escuridão, I
D
, se gera na ausência
de um sinal óptico e tem sua origem nos pares electrão-lacuna gerados termicamente. Devido a
sua natureza, I
D
se manifesta de forma aleatória, sendo um ruido de tipo shot. A variança de
corrente devida a este tipo de ruido é:
o
Ð
2
= 2oI
Ð
w
c
(2.46)
Como I
D
é uma corrente muito pequena, tipicamente 10 nA, a contribuição deste tipo de ruido
pode desprezar-se frente a outros casos.
• Ruido de Intensidade Relativa (RIN, Relative Intensity Noise). Tem sua origem nas
flutuações da potência provocadas pelo comportamento aleatório das emissões espontâneas
acopladas ao modo radiante de um laser. O receptor traduz estas flutuações de potência óptica
recebida em flutuações na fotocorrente que gera, sendo a variança deste tipo de ruido:
o
I
2
= I
2
r
I
2
(2.47)
onde r
I
é o inverso da relação sinal/ruido da luz emitida pelo transmissor. A contribuição deste
tipo de ruido também se despreza frenta a contribuição dos dois primeiros. Portanto, o ruido
produzido no receptor é determinado pelo ruido térmico e pelo ruido quântico.
o
¡x
2
= o
th
2
+o
sh
2
(2.48)
2.6. Emendas, conectores e acopladores
As emendas são utilizadas para unir comprimentos de fibras ou cabos, de forma definitiva.
Perdas, durabilidade e facilidade de confecção são as questões fundamentais a serem abordadas
em relação às emendas. O parâmetro fundamental a ser considerado nas emendas é a atenuação,
a qual se manifesta de duas formas:
• Perdas intrínsecas: oriundas das diferenças entre as fibra a serem emendadas, como
diferenças na variação dos índices, diferenças na elipsidade e na excentricidade do núcleo.
• Perdas extrínsecas: estão relacionadas com a natureza da própria emenda; dependem do
alinhamento entre as fibras, da contaminação, casamento do índice de refração entre as
extremidades, etc.
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

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50
Estas duas contribuições combinam-se gerando uma atenuação total menor que a soma
aritmética de ambas, apresentado níveis muito baixos.
A respeito dos tipos de emendas, tem-se basicamente:
• Emenda de Fusão: Consiste no derretimento das extremidades das duas fibras
juntamente, fundindo-as, obtendo-se emendas que apresentam perdas entre u,uS uB e u,2 uB (em
geral abaixo de u,1 uB).
• Emenda Mecânica: As emendas mecânicas consistem na junção de duas fibras através
de estruturas de travamento ou de colagem de suas extremidades. Apresentam maiores perdas e
maior custo de consumo que as emendas de fusão, porém requerem equipamentos menos
sofisticados para serem efetuadas.
Os conectores são úteis na interligação temporária entre equipamentos que podem ser
rearranjados. Os conectores apresentam atenuação mais alta que a encontrada nas emendas,
situando-se, tipicamente, entre u,2 uB e u,8 uB. As perdas em uma conexão são dadas por uma
série de factores, advindos da maneira como a luz é guiada nas fibras, tais como sobreposição
dos núcleos das fibras, alinhamento dos eixos das fibras, abertura numérica da fibra,
espaçamento das fibras e reflexão na extremidades das fibras.
Em diversas situações faz-se necessária em um sistema de comunicações a conexão de
muitos terminais. Por exemplo no caso de uma rede local em anel, em cada ponto em que um
dispositivo é conectado à rede, o sinal precisa ser dividido em uma parte que é entregue ao
dispositivo e outra que deve continuar ao longo da rede. Esta tarefa é efectuada por acopladores.
Uma outra aplicação dos acopladores é como separadores ou combinadores em um sistema
WDM (multiplexação por divisão de comprimento de onda). Pode-se através de um acoplador
combinar sinais gerados em diferentes comprimentos de onda e transmiti-los em uma mesma
fibra.
Os acopladores sensíveis ao comprimento de onda são chamados de acopladores WDM,
enquanto os acopladores destinados apenas a divisão de potência em um mesmo comprimento de
onda recebem o nome de splitter.
Os acopladores, em sua maioria, são dispositivos passivos que dividem sinais entre duas ou
mais portas de saída, o que ocasiona as chamadas perdas de acoplamento. Além das perdas
características de acoplamento (em uma divisão do sinal, por igual, em duas fibras a perda
característica é de S uB), podem existir perdas adicionais dado que são componentes passivos.
Os acopladores podem ser classificados em direccionais e bidireccionais. Nos chamados
direcionais o acoplamento só funciona de forma eficiente em um sentido de propagação, um
sinal sendo transmitido em sentido contrário sofre grandes perdas, sendo praticamente
aniquilado.
2.7. Amplificadores ópticos
Os principais tipos de amplificadores ópticos são os SOA´s (Semiconductor Optical
Amplifier) e os DFA´s (Doped-Fiber Amplifiers).
O fundamento de um amplificador óptico é o processo de emissão estimulada igual a um
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

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51
laser. Sua estrutura é similar a de um laser salvo que não possui uma realimentação para evitar
que o dispositivo oscile, de forma que pode elevar o nivel de potência do sinal mas não gerar um
sinal óptico coerente. Na figura 2.21 mostra-se um esquema do funcionamento de um
amplificador óptico básico.

Figura 2.21. Funcionamento de um amplificador óptico.
Uma fonte de bombeamento injecta uma energia na zona activa do amplificador. Esta
energia é absorvida pelos electrões que incrementam seus niveis de energia prduzindo-se a
inversão de população. Ao serem alcançados estes electrões pelos fotões do sinal óptico de
entrada caem a uns niveis energéticos mais baixos dando lugar a um novo fotão, isto é o
processo de emissão estimulada, produzindo-se assim a amplificação do sinal. A amplificação se
produz dentro de uma gama de frequências que dependem do material, assim, de sua estrutura.
Nos SOA a zona activa é construida com ligas de elementos semicinduteores como fósforo,
índio, gálio e arsénio. Nos DFA´s o nícleo da fibra óptica dopada com iões de elementos raros
como o érbio, o praseodimio, o iterbio e o neodimio.
2.7.1. Amplificadores Ópticos de Semiconductor
A estrutura de um SOA é muito similar a de um laser semiconductor mas sem a
realimantação que faz que este oscile. De acordo com o modo como se evita esta oscilação se
obtém três tipos de amplificadores.
• Amplificadores de engate por injecção. São os menos empregados e consistem em
lasers de semiconductor polarizados acima do limiar que se emprega para amplificar um sinal
óptico de entrada.
• Amplificador Fabry-Perot (FP). Sua estrutura é basicamente como a de uma laser
Fabry-Perot mas polarizado por baixo do limiar impedindo assim sua oscilação. Seu principal
incoveniente é a sua resposta em frequênciaconsiste em uma série de bandas espçadas
periodicamente.
• Amplificadores de ondas viajantes (TWSLA, travelling Wavw SLA). Neste se
eliminam as reflectividades dos espelhos de saida da cavidade, evitando assim a realimantação
do sinal, pelo que a amplificação se produz pela passagem do sinal uma só vez pelo dispositivo.
O amplificador TWSLA é o tipo de SOA mais empregado na actualidade devido as suas
prestações em saturação, largura de banda e ruido. Sua estrutura consiste em uma junção pn
Sinal de entrada
Sinal de saída
amplificado
Fonte de
Bombardeio
Acopladores
Amplificador
Óptico
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

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52
polarizada directamente com os extremos da zona activa recobertos por um material
antireflector, como se mostra na figura 2.22. O esquema a esquerda consiste em situar o plano
activo em uma posição não ortognal as faces de entrada e saida. O objectivo disto é que o sinal
incidente sobre a superficie da saida não o faça formando um ângulo de 9u
o
com esta, de forma
que o pouco sinal reflectido pela face de saida não se realimente. No último esquema, que tem a
mesma missão que a anterior, as faces extremas não estão paralelas entre si.
Suas principais vantagens são a possibilidade de integração devido ao seu tamanho reduzido,
a facilidade de construção a distintas longitudes de onda variando a composição do material.
Seus principais incovenientes são sua geometria rectangular produz perdas ao acoplar-lhe a fibra,
e não amplifica de forma igual as duas polarizações do sinal.

Figura 2.22. Estruturas de um SOA de onda viajante. No centro o meio activo se situa se forma ortogonal às
faces de entrada e saida; a direita as faces não são paralelas.
Quando os sinais transmitidos possuem certos niveis de potência aparecem fenómenos de
natureza não linear que produzem distorção e diafonia. Por exemplo, devido a saturação do
ganho do sinal de um canal pode modular o ganho instantâneo do amplificador de forma que a
informação deste sinal passe aos sinais dos outros canais, isto é a modulação cruzada do ganho
(XGM, Cross-Gain Modulation). Outro efeito similar ao anterior que pode produzir-se na fase é
a modulação do cruzamento de fase (XPM, Cross-Phase Modulation).
2.7.2. EDFA, Erbium Doped Fiber Amplifier
O EDFA é o amplificador de fibra dopado mais empregado na actualidade, já que possibilita
amplificar sinais na terceira janela de transparência (1SSu nm). O motivo pode deduzir-se do
diagrama de níveis do érbio, figura 2.23.
Se pode ver no diagrama de niveis do érbio que a transição entre os níveis
4
I
13/2
y
4
I
15/2

corresponde a um comprimento de onda entre 1SSu nm e 1S6u nm aproximadamente. Logo ao
provocar uma inversão de população entre estes niveis se pode amplificar sinais na terceira
janela de transparência. O primeiro nivel excitado,
4
I
13/2
, desde que as frequências de transição
correspondem com a terceira janela, tem um tempo de vida médio de 1u ms, enquanto que nos
dois superiores é de u,uu1 ms, pelo que o nivel
4
I
13/2
é um estado meta-estável. Portanto todo ião
que chega a estes niveis por meio do bombardeio acabará caindo ao nível
4
I
13/2
por emissão
espontânea, e por sua vez cairá ao nivel fundamental por emisssão estimulada, produzindo assim
a amplificação.
Ao dopar com iões de érbio o nucleo de uma fibra se provoca um alargamento das bandas de
transição. Isto por sua vez provoca um alargamento condiderável da gama de comprimentos de
onda que podem ser amplificados. Este efeito pode melhorar-se acrescentando ao núcleo,
material antireflector
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

53
alumínio e óxido de germanio.
Os dois comprimentos de onda de bombardeio mais adequados são 148u nm (mediante um
diodo laser InGaAs) e 98u nm (mediante um laser de InGaAs). O emprego de um ou outro
comprimento de onda depende de certas características do processo de absorção em cada um

Figura 2.23. Diagrama de nivéis energéticos do Érbio
destes níveis, derivados dos diferentes tipos de ruido a que podem originar-se, da disponibilidade
das fontes de bombardeio ou da saturação do ganho. O bombardeioa 1480 nm sumpõe um
amplificador mais ruidoso mas mais imune a saturação do ganho. Enquanto que o bombadeio a
980 nm proporciona um amplificador com prestações de ruido excelentes mas é mais propenso a
saturação do ganho. Em ambos os casos é possível obter ganhos entre Su uB e Su uB.
2.7.3. Configurações de bombardeio
Os elementos básicos para implementar um EDFA são:
• O meio activo onde se produz a inversão de população. Formado por um trecho de fibra
de SiO
2
com o nucleo dopado com iões de érbio.
• A fonte de bombardeio óptico a 148u nm ou 98u nm, formado por uma laser
semiconductor.
A figura 2.24 mostra as configurações possíveis do EDFA. A primeira configuração é a mais
empregada hoje em dia. O sinal que há que amplificar e o sinal de bombardeio são injectados no
EDFA combinados por meio de um acoplador. O primeiro isolador se emprega para impedir a
propagação para fora do EDFA de emissão espontânea (ruído ASE) que se gera e propaga em
sentido contrário ao da transmissão. O bombardeio e a amplificação se realizam no mesmo
sentido de propagação. A saida se coloca outro isolador que evita que a entrada ao EDFA e
portanto sua amplificação de qualquer sinal reflectido. Finalmente se emprega um filtro óptico
para filtrar o ruído ASE, gerado no amplificador, que se encontra fora da banda do sinal útil.
A configuração seguinte se diferencia da anterior em que o sinal de bombardeio se injecta ao
EDFA em sentido contrário a propagação. O isolador de entrada ademais de cumprir as funções
anteriores, tem a missão de evitar a propagação do sinal de bombardeio fora do amplificador. A
vantagem desta configuração é que permite ganhos maiores mas suas característicass de ruído
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

54
são piores.
A terceira configuração é uma combinação das duas anteriores. Consiste em um duplo
bombardeio pelo que se designa bombardeio dual ou bidireccional. O ganho portanto pode
chegar a duplicar-se. Este esquema é muito empregado na implementação de amplificadores
repetidores.



Figura 2.24. Configurações de um EDFA
2.7.4. Ganho de um EDFA
A figura 2.25 apresenta o ganho de um EDFA em função do comprimento de onda para
diferentes valores de potência de entrada com um sinal de bombardeio de 148u nm. O EDFA
não apresenta ganho uniforme com o comprimento de onda. Devido a saturação, a medida que
cresce a potência de entrada diminui o ganho até chegar a um ponto em que se mantém
constante. O ganho máximo se obtém ao redor de 1SSu nm e 1SSS nm. Como pode ver-se na
figura 2.25 a potências altas a resposta em toda gama da banda C (1SSu nm – 1S6S nm) é
bastante plano o que não sucede a potência de entrada mais baixos. Isto é um grande
incoveniente para os sistemas WDM, já que não todos os canais se amplificam de igual forma.
Como consequência da sua geometria cilindrica suas perdas de inserção nas junções com a
fibra são muito reduzidas. Devido também a sua geometria o seu ganho é pouco sensível
apolarização do sinal. Gera baixo ruído. A saturação do ganho não provoca distorção.
Seu principal incoveniente é que só operam na terceira janela, embora existam dispositivos
similares mais dopados com outros elementos que podem operar noutra janela. Outro problema é
que o seu ganho não é uniforme para todos comprimentos de onda, embora isto se resolva
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

55
trabalhando perto da sua saturação, pois a curva do ganho é mais plana.

Figura 2.25. Representação do ganho de um EDFA com relação ao comprimento de onda.
A tabela 2.3 resume os parâmetros típicos de um amplificador EDFA.
Tabela 2.3. Características do amplificador EDFA.
Comprimento de onda de
bombardeio
148u nm 98u nm
Eficiência de bombardeio S uB. mW
-1
1u uB. mW
-1

Figura de ruido S,S uB S uB – 4,S uB
Potência de saida de
saturação
2u uBm S uBm
Ganho 4u uB Su uB
Potência de bombardeio Su mW – 2uu mW 1u – 2u mW

2.7.5. Amplificadores de Raman
Este amplificador se baseia no efeito Raman, SRS, Stimulated Raman Scattering. Esta não
linearidade das fibras ópticas tem lugar quando esta é atravessda por uma radiação
mobnocromática de alta intensidade. Fora certas condições, a radiação interactua com o material
dando lugra a aparição de um novo comprimento de o onda. De maior intensidade que a inicial.
O efeito Raman estimulado, em principio é similar a uma emissão estimulada, fenomeno na
qual se baseiam os amplificadores de fibra dopada. Na emissão estimulada, o fotão que
interactua com o meio provocando a emissão estimulada de outro fotão continua presente. No
caso Raman estimulado, depois da interação entre o o fotão e o meio se gera um novo fotão de
menor energia (menor frequência) e a diferença de energia se transfere ao material dando lugar a
vibrações moleculares, desaparecendo o fotão inicial.
As frequências que podem ser geradas dependem das frequências características das
moléculas que compõe o material. Se durante a passagem pela fibra óptica do sinal de
Comprimento de onda (nm)
C0NP0NENTES 0PT0ELECTR0NIC0S BA C0N0NICACÂ0 0PTICA

REBES 0PTICAS 0RBANAS

56
bomberdeio passa outro sinal com uma frequência característica do material, esta frequência será
estimulada. No caso de um material amorfo, como é uma fibra óptica, as frequências
características do material são ao todo quase contínuo, isto é, não são um conjunto de
frequências claramente diferenciados como ocorre com os materiais monocristalinos.

Figura 2.26. Obtenção de um ganho constante em relação ao comprimento de onda, empregando EDFA junto a
um amplificador Raman.
Graças a este conceito se obtém um novo método de amplificar um sinal óptico. O sinal que
provoca a amplificação será o proprio sinal que transmite a informação. Ademais, se pela fibra se
transmite mais de um canal, cada um dará lugar ao efeito Raman em sua própria frequência,
produzindo-se a amplificação, sempre que estas frequências estão dentro da gama de frequências
características do material.
Os principais incovenientes que representam este amplificadores é a necessidade de uma alta
potência de bombardeio, cerca de alguns volts. Pelo contrário uma das suas vantagens é que
cobre uma margem de comprimentos de onda não coberto pelos EDFA, pelo que podem
empregar-se de forma complementar. A figura 2.26 mostra esse conceito graficamente. Como se
vê, empregando ambos amplificadores se obtém numa gama compreendido entre 1SSu nm e
16uu nm uma curva praticamente plana. Em um sistema WDM, o amplificador óptico amplifica
todos os comprimentos de onda.
2.8. Esquema estrutural da comunicação óptica
O esquema estrutural dum sistema típico para a transmissão da informação através da fibra
óptica é composto de três partes fundamentais: emissor, receptor e o canal de comunicação,
figura 2.27.
O emissor é um conversor electro-óptico, que transforma o sinal eléctrico em sinal óptico.
Consiste de uma fonte luminosa e equipamento electrónico apropriado para a modulação e
multiplexagem de sinais. A fonte de luz dum sistema de comunicação óptica deve ter alto brilho
energético numa banda estreita na região de comprimentos de onda (λ) entre u,8μm e 1,7μm. Os
parâmetros mais importantes destes dispositivos são rendimento do emissor, preço, segurança e
estabilidade da potência de saída.
Curva do Ganho composto
Ganho de um amplificador Raman
Ganho de uma
fibra dopada
com érbio
Comprimento de onda (nm)

R

O
de re
O
a tran
demo
T
comu
mund
sistem
expe
enco
reduz
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REBES 0PTICA
O canal de
epetidores e
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C0N
AS 0RBANAS
comunicaç
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municação ó
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NP0NENTES 0
ção é um gu
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ptico em si
xagem do si
Figura 2.27. E
nto é instru
comparaçã
ncia acum
óptica por t
depositaram
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atenuação da
0PT0ELECTR0
uia de onda
ção: fonte lu
-electrónico
nal eléctric
inal.
Esquema estru
utivo consi
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m. De form
omunicação
as fibras óp
0NIC0S BA C0N
as luminosas
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o. Consiste n
o, e equipa
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derar as va
tros sistema
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do mundo p
ma resumida
óptica são
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N0NICACÂ0 0
s. Consiste
bra e fibra-d
num detecto
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0PTICA
dum cabo d
detector ópt
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trónico apro
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confirmar
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nterferências
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57
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CAPÍT0L0 S
PRINCÍPI0S BE
N0LTIPLEXAuEN

 
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
59 
3.1. Introdução
O custo do meio de transmissão (incluindo meio de transmissão e repetidores) é elevado, por
isso é conveniente aproveitar a largura de banda disponível para transmitir pelo mesmo meio
mais do que um canal telefónico. Os sistemas usados para este efeito são designados por
sistemas de telefonia múltipla (ou multiplexagem).
A multiplexagem é para os sistemas de comunicação, um dos factores mais importantes pois
viabiliza a partilha de um mesmo recurso, tornando assim possível a sua exploração de uma
forma mais eficiente. Para os sistemas ópticos, em particular, este factor torna-se ainda mais
relevante, já que a capacidade de informação nestes é de tal ordem que a sua partilha aumenta
significativamente a rentabilidade do sistema.
A multiplexagem é o processo pelo qual múltiplos canais de dados, provenientes de
diferentes fontes, são combinados e transmitidos através de um único canal de dados ou de um
único feixe de dados.

Figura 3.1. Sistema de Multiplexagem.
Existem n canais de entrada num multiplexador (MUX). Este encontra-se ligado por uma
única conexão a um demultiplexador (DEMUX). O multiplexador combina (multiplexa) dados
provenientes de n canais de entrada e transmite os dados por uma única ligação. O
demultiplexador aceita o fluxo de dados multiplexado, separa (demultiplexa) os dados e entrega-
os pelos n canais de saída correspondentes (figura 3.1). A única ligação tem a capacidade de
transportar n canais de dados independentes.
Existem três formas de multiplexagem: a Multiplexagem por Divisão de Tempo – TDM, a
Multiplexagem por Divisão de Frequência – FDM e a Multiplexagem por Divisão do
Comprimento de Onda – WDM.
3.2. Multiplexagem por Divisão na Frequência
A multiplexagem FDM baseia-se no princípio de que o espectro de um sinal modulado
em amplitude é exactamente o espectro do sinal em banda base transladado para a banda de
frequências centrada na frequência da portadora. Assim, para transportar na mesma via de
transmissão diferentes sinais, basta que eles se encontram modulados por portadoras com
frequências tais que as diferentes réplicas espectrais não interfiram entre si.
Na figura 3.2 apresenta-se o esquema de blocos de um multiplexador FDM. Os sinais de
áudio presentes na entrada são filtrados de modo a garantir que o espectro desses sinais não
excede a banda entre os Suu Bz e os S,4 kBz. Cada um dos sinais de áudio filtrado é em seguida
multiplicado (usando um modulador balanceado) por uma portadora com uma determinada
frequência. Tem-se, assim, uma modulação de banda lateral dupla com supressão de portadora.
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
60 
Para evitar interferência entre os diferentes canais essas portadoras distam 4 kBz entre si. A
fase seguinte do processo consiste em eliminar uma das bandas (no esquema da figura 3.2
eliminou-se a inferior) usando um filtro passa-banda, designado por filtro de banda lateral. Os
diferentes sinais resultantes desse tratamento são em seguida combinados de modo a originar um
sinal FDM.
Tabela 3.1. Hierarquia dos sistemas FDM.
Nome Número de canais Banda ocupada (kHz)
Grupo
Supergrupo
Grupo mestre
Super grupo mestre
12
6u
Suu
9uu
6u – 1u8
S12 – SS2
812 – 2u44
8S16 – 12SS8

A operação de demultiplexagem é realizada multiplicando cada um dos canais por uma
portadora com a mesma frequência e fase que a usada na multiplexagem, seguida de filtragem
passa-baixo.
A multiplexagem de um número elevado de canais telefónicos não é efectuada através de
uma única operação de modulação e filtragem, mas antes, através de etapas sucessivas, formando
uma estrutura hierárquica. O número de canais presentes em cada nível hierárquico é fruto de
normalização do ITU-T. Na tabela 3.1 indica-se a designação de cada nível, o número de canais
e a banda ocupada.

Figura 3.2. Esquema de blocos de um sistema de multiplexagem FDM.
Normalmente, para um melhor aproveitamento das capacidades dos meios de transmissão
usados no contexto da transmissão FDM (cabos coaxiais e feixes hertzianos), os diferentes
Canal 1
Canal 2
Canal n
Oscilador
Amplificador
Filtro
Passa-Banda Multiplicador
Filtro
Passa-Lateral
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
61 
grupos eram associados de modo apropriado. Por exemplo, a recomendação G.333 do ITU-T,
destinada à transmissão sobre cabo coaxial, apontava para a associação de 12 super grupos
mestre, o que corresponde a 1u8uu canais telefónicos e uma banda ocupada entre os 4,SS2 NBz
e S9,684 NBz.
Para terminar estas breves considerações sobre o FDM será de destacar que as redes
telefónicas modernas já praticamente não fazem uso desta técnica de multiplexagem. No entanto,
o FDM continua a ser a técnica dominante nas redes de distribuição de televisão por cabo, já que
a transmissão analógica continua a ser predominante nesta área.
No caso das redes híbridas (fibra/coaxial) o FDM aparece vulgarmente com a designação de
multiplexagem de sub-portadora (subcarrier multiplexing), o que se explica pelo facto de a
portadora principal nessas redes ser uma portadora óptica, funcionando as portadoras eléctricas
usadas para obter o sinal FDM como sub-portadoras.
3.3. Multiplexagem por divisão no tempo
De acordo com o teorema da amostragem um sinal banda-base com largura de banda B (Hz),
pode ser univocamente determinado a partir das suas amostras, desde que estas sejam tomadas
em intervalos de tempo uniformemente espaçados de I
u
<
1
2B
. Como o sinal amostrado está em
estado desligado uma parte significativa do tempo, pode-se aproveitar esses intervalos sem sinal,
para transmitir as amostras correspondentes a outros sinais. De forma resumida é este o princípio
do TDM. Este princípio está ilustrado na figura 3.3. Segundo essa figura os sinais passa-baixo
correspondentes aos diferentes canais são amostrados usando portas lógicas, que são activadas
num curto intervalo de tempo, pela acção das sequências de pulsos representadas na figura
3.3(b). Todas as sequências têm a mesma frequência de repetição, mas estão desfasadas no
tempo. O sinal TDM resulta da interposição das sequências de pulsos moduladas pelos sinais
provenientes dos diferentes canais.
No demultiplexador as portas são activadas por sequências de pulsos sincronizadas com as
usadas no multiplexador. Assim, para além dos pulsos correspondentes aos canais de informação
é necessário transmitir um sinal apropriado para sincronizar os pulsos responsáveis pelo
controlo das portas lógicas do multiplexador e do demultiplexador. O sinal transmitido durante
um período de repetição T
a
é constituído por um determinado número de janelas temporais
(time-slots) sendo, por exemplo, um destinado ao sinal de sincronização e os outros às amostras
dos diferentes canais. O sinal completo é designado por quadro e o sinal de sincronismo por
sinal de enquadramento de quadro.
O sistema TDM representado na figura 3.3 usa modulação de pulsos em amplitude (PAM,
Pulse Amplitude Modulation) daí designar-se por TDM – PAM. Este método de modulação é,
como se sabe, analógico, não sendo por isso apropriado para transmissão a grandes distâncias.
Como consequência, é usado na generalidade dos casos PCM (Pulse Code Modulation) para a
transmissão do TDM (TDM – PCM).
Têm-se duas técnicas para obter um sinal TDM – PCM. A primeira consiste em multiplexar
as amostras analógicas seguida de codificação. A segunda realiza primeiro a codificação e em
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
62 
seguida a multiplexagem dos bits correspondentes. No primeiro caso, a multiplexagem é
analógica e usa-se um codec (Codificador – Decodificador) comum para todos os canais
telefónicos, para realizar a digitalização do sinal multiplexer. No segundo caso, a multiplexagem
é digital, havendo necessidade de usar um codec por cada canal telefónico. Normalmente, nos
sistemas telefónicos usa-se o segundo método, ou seja, multiplexagem digital.


Figura 3.3. Principio do TDM.

Figura 3.4. Estrutura do quadro TDM.
Existem dois métodos para entrelaçar a informação relativa aos diversos canais telefónicos:
interposição de bit e interposição de palavra. No primeiro caso, a cada canal atribui-se um time
slot constituído por um único bit, enquanto no segundo caso atribui-se um time-slot mais longo,
constituído por vários bits (palavra). No caso particular em que a palavra é constituída por 8
Canal 1
Canal 2
Canal n
Sinal
TDM
Canal 1
Canal 2
Canal n
Multiplexador Demultiplexador
Filtro
Passa-Baixo
Porta de
Emissão
Porta de
Reposição
Relógio
P
1
P
1

P
2
P
2

P
n
P
n

Sinal P
1

Sinal P
2

Sinal P
n

T
a

(b)
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
63 
bits o entrelaçamento designa-se por interposição de octeto.
3.3.1. Sincronização dos elementos de rede
Os multiplexadores TDM, assim como a generalidade dos elementos das redes de
telecomunicações digitais, requerem uma fonte de temporização, ou por outras palavras um
relógio, de modo a sincronizar todas as operações realizadas por esses elementos de rede. Um
sinal de temporização é um sinal gerado por um relógio (usualmente 2u48 NBz para sistemas
analógicos ou 2u48 Nbps para sistemas digitais) e é caracterizado por ser um sinal periódico de
período T e frequência ¡
0
=
1
1
. As formas típicas usadas para descrever são ondas sinusoidais e
quadradas, como se representa na figura 3.5. Um sinal de relógio, ainda pode ser modelado por
uma sequência de pulsos espaçados de T e localizados em instantes significativos, ou seja, nos
instantes em que o sinal de temporização influencia o processo que controla.

Figura 3.5. Sinais de temporização dos instantes significativos.
Na figura 3.5, a sequência de instantes significativos é constituída pelos instantes de
passagem por zero no flanco ascendente dos sinais representados. Os sinais em que o intervalo
de tempo entre instantes significativos tem pelo menos em média a mesma duração, ou as
mesmas durações no caso desses intervalos serem múltiplos de um mais pequeno, designam-se
por sinais isócronos.
Os relógios reais são concebidos para operarem a uma determinada frequência nominal (f
0
).
Na prática, contudo, devido a limitações físicas o relógio opera a uma frequência real (f
r
), que se
pode afastar mais ou menos da frequência nominal. O parâmetro que contabiliza o desvio da
frequência real de uma relógio relativamente à sua frequência nominal designa-se por precisão
de relógio e é definido por
Prccisão =
|]
r
-]
0
|
]
0
(3.1)
sendo expresso usualmente em p.p.m (partes por milhão). Tendo em conta a precisão, define-se
usualmente uma hierarquia com quatro níveis (stratum), com os relógios com precisão mais
elevada (relógios atómicos) pertencendo ao stratum 1.
Tabela 3.2. Níveis de precisão dos relógios usados no sincronismo de redes.
Nível Stratum 1 Stratum 2 Stratum 3 Stratum 4
Precisão 1 × 1u
-10
1,6 × 1u
-8
4,6 × 1u
-6
S,2 × 1u
-5

Instantes significativos
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
64 
Outro aspecto a ter em consideração quando se analisa a problemática da sincronização de
elementos de rede é relação de temporização entre sinais. Dois sinais isócronos dizem-se
síncronos se tiverem a exactamente a mesma frequência e o seu desvio de fase for constante. Por
sua vez, dois sinais isócronos dizem-se plésiocronos se as suas frequências nominais forem
idênticas, mas as frequências reais são diferentes. Os sinais gerados por dois relógios oscilando
independentemente são sempre plésiocronos. Por isso, para gerar sinais síncronos é necessário

Figura 3.6. Exemplo de uma rede síncrona
que todos os relógios sejam sincronizados a partir de um relógio central. No caso específico das
redes de telecomunicações este relógio central é normalmente um relógio atómico (Césio ou
Rubídio) e designa-se por referência primária ou PRC (Primary Reference Clock). As redes em
que esta estratégia é seguida, designam-se por redes síncronas, e requerem a existência de uma
rede de sincronização, apropriada para distribuir o sinal de relógio proveniente da referência
primária a todos os elementos de rede,ver figura 3.6.
3.3.2. Sistemas de multiplexagem primários
Nos sistemas de multiplexagem primários (TDM – PCM) a sequência binária transmitida é
estruturada em quadros de duração igual a 12S μs (correspondendo a uma frequência de
amostragem de 8uuu amostras por segundo). Cada quadro contém uma amostra codificada de
cada um dos canais de voz multiplexados, juntamente com bits adicionais para funções de
sinalização e de sincronismo de quadro.
A nível internacional são usados, normalmente, dois sistemas de multiplexagem primários,
que têm a particularidade de serem incompatíveis entre si: o sistema europeu designado por
CEPT1, definido pela Conference of European Post and Telecommunications (CEPT), e o
sistema americano designado por DS1 (Digital Signal-1). Ambos foram fruto de normalização
por parte do ITU-T (ver tabela 3.3).
O sistema CEPT1, hoje designado usalmente por E1, suporta 30 canais telefónicos, enquanto
o DS1 foi projectado para 24. Ambos usam uma frequência de amostragem de 8uuu amostras
por segundo e 8 bits por amostra, mas enquanto o CEPT1 usa a lei de compressão A, o DS1 usa
a lei de compressão μ.
A estrutura do quadro de um sistema primário de 30 canais está representada na figura 3.7.
O quadro é dividido em 32 time-slots, cada um com 8 dígitos binários (octetos), de modo que a
taxa de transmissão total é de 8 × 8 × S2 kbps = 2u48 Nbps. O time slot 0, dos quadros
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
65 
ímpares, é destinado ao padrão de enquadramento de quadro (PET) e o dos quadros pares à
transmissão de um alarme. Os time slots de 1 – 15 e de 17 – 31 são destinados aos canais
telefónicos de voz. O time-slot 16 é alocado para a sinalização dos canais de voz. A sinalização é
transmitida canal a canal à razão de 4 bits por canal, possibilitando, assim, a transmissão da
informação de sinalização de dois canais em cada quadro. São necessários, deste modo, 15
quadros para transmitir a informação de sinalização dos 30 canais. A esses quadros é adicionado
Tabela 3.3. Sistemas de multiplexagem primários europeus e americano.

Parâmetros
Sistema Europeu
(Recomendação G.732)
Sistema Americano
(Recomendação G.733)
Frequência de amostragem 8 kBz 8 kBz
Número de níveis de quantificação 2S6 2S6
Número de bits por amostra 8 8
Taxa de transmissão por canal 64 kbps 64 kbps
Lei de quantificação A µ
Característica de compressão 1S segmentos 1S segmentos
Número de time slots S2 24
Número de canais telefónicos Su 24
Número de bits por quadro S2 × 8 = 2S6 24 × 8 = 19S
Taxa binária total 2S6 × 8 kBz = 2u48 Nbps 19S × 8 kBz = 1S44 Nbps
Enquadramento do quadro Em bloco
Palavra de 7 bits no time slot 0
dos quadros ímpares
Distribuído
Sequência 101010…
constituida pelo 193ésimo bit
dos quadros ímpares
Sinalização Time slot 16 à razão de 4 bits
por canal repartidos por 16
quadros (multiquadro)
Oitavo bit de cada canal num
quadro em cada seis

um outro de modo a formar um multiquadro constituído por 16 quadros. O padrão de
enquadramento de multiquadro situa-se no time-slot 16 do décimo-sexto quadro. Em síntese,
neste sistema todos os canais de voz têm à sua disposição para sinalização 4 bits de 2 ms em 2
ms (16 × 12Sµs). Esta técnica de sinalização corresponde à chamada sinalização de canal
associado. No caso da sinalização em modo-comum (ex: sistema de sinalização nº7), o time-slot
16 é usado para proporcionar uma via de sinalização a 64 kbps, usada conforme as necessidades
por todos os Su canais.
O quadro básico de um sinal DS1 é constituída por 193 bits, a que correspondem os 24 time-
slots dos canais de voz (cada um com 8 bits), mais um bit adicional (bit F) para funções de
enquadramento de quadro. A taxa de transmissão total é assim igual a 19S × 8 kbps =
1S44 Nbps.
Nos quadros ímpares o bit F representa o padrão 1,u,1,u,1,…, que é usado para fins de
enquadramento de quadro. Repare-se que este enquadramento é distribuído em alternativa ao
enquadramento em bloco do sistema E1. A informação transportada no bit F dos quadros pares
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
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66 
corresponde ao padrão uu111u,…., é usada para definir um multiquadro de 12 quadros. No sexto
e duodécimo quadro de cada multiquadro, o oitavo bit de cada time-slot, é usado para transmitir
a informação de sinalização do correspondente canal. Nesse time-slot o canal de voz é codificado
só com 7 bits, o que conduzirá a uma ligeira degradação do desempenho devido ao aumento do
ruído de quantificação. Destaque-se que, neste sistema, para proporcionar uma via de sinalização
a 64 kbps para operação em modo comum, é necessário sacrificar um dos canais de voz, ficando
disponíveis só 2S canais para tráfego de voz.

Figura 3.7. Estrutura de um sistema TDM – PCM primário (E1) de 2u48 Nbps.
3.3.3. Hierarquias de ordem superior
Os sistemas de multiplexagem primários de Su e 24 canais são usados como bloco básico
para a construção de sistemas multiplex de ordem superior, estruturados segundo um esquema
hierárquico bem definido. Em cada nível hierárquico, diferentes sequências binárias conhecidas
como tributários são combinadas usando um multiplexador. A saída desse multiplexador origina
um sinal que funciona como tributário para o multiplexador de ordem seguinte da hierarquia.
Diz-se que a multiplexagem é síncrona, quando os diferentes tributários que servem de
entrada para um multiplexador de ordem superior têm todos exactamente a mesma taxa de
trasnmissão binária e além disso estão em fase. Contudo, na primeira geração de sistemas de
multiplexagem digitais de ordem superior os diferentes tributários não estão geralmente
perfeitamente sincronizados. Embora, todos tenham a mesma taxa de transmissão binária
nominal, como as suas fontes de origem são controladas por relógios distintos e independentes,
será de esperar ligeiras flutuações nessas taxas dentro dos limites impostos pela tolerância desses
relógios. Esses tributários designam-se, por isso, plesiócronos (do grego plésio significa quase) e
a hierarquia que lhes corresponde hierarquia digital plesiócrona. A segunda geração dos
sistemas de multiplexagem de ordem superior é já baseada em tributários síncronos e, por isso,
designa-se por hierarquia digital síncrona (abordada capítulo 4).
3.4. Multiplexagem por Divisão do Comprimento de Onda
Objetivando se tornar mais eficiente o uso de fibras ópticas, por volta de 1990, foi desenvolvida
a tecnologia WDM (Wavelength Division Multiplexing). Esta tecnologia consiste em juntar
numa mesma fibra vários sinais de luz, de diferentes comprimentos de onda, cada um gerado
por um laser separado. No receptor, os sinais de cores diferentes são novamente separados. Essa
técnica de multiplexação é realizada com o objetivo de aumentar a capacidade de transmissão e
Sincronismo de quadro Sinalização
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
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67 
como consequência, usar a largura de banda da fibra óptica mais adequadamente. No entanto,
nos sistemas WDM, esse objetivo ainda não é alcançado completamente, pois é possível a
multiplexação de poucos comprimentos de onda.

Figura 3.8. Princípio do WDM
3.4.1. Características
Os sinais a serem transmitidos nos diferentes comprimentos de onda podem possuir
formatos e taxas de bit diferentes, o que promove uma maior transparência aos sistemas de
transporte. Cada sinal pode ser formado por fontes de dados (texto, voz, vídeo, etc.) diferentes e
é transmitido dentro de seu próprio comprimento de onda. Assim, o WDM carrega os sinais
de maneira independente uns dos outros, significando que cada canal possui sua própria
banda dedicada.
A grande vantagem associada ao WDM é a possibilidade de se modular o aumento da
capacidade de transmissão conforme o mercado e de acordo com a necessidade de tráfego. A
principal razão para a utilização destes sistemas é o baixo custo. Estes sistemas possibilitam o
alcance de uma melhor relação entre custos e bits transmitidos, sob determinadas condições.
Algumas análises mostram que, para distâncias menores que Su Km, a solução de multi-fibra é
menos dispendiosa e para distâncias maiores que este valor, o custo da solução WDM é melhor.
Os sistemas WDM possuem algumas características básicas, apresentadas a seguir:
• Flexibilidade de capacidade: migrações de 622 Nbps para 2,S ubps e, a seguir para 1u
ubps poderão ser realizadas sem a necessidade de se trocar os amplificadores e multiplexadores
WDM. Desta maneira, é possível se preservar os investimentos realizados;
• Transparência a sinais transmitidos: podem transmitir uma grande variedade de sinais
de maneira transparente. Como não há o envolvimento de processos elétricos, diferentes taxas de
transmissão e sinais poderão ser multiplexados e transmitidos para o outro lado do sistema, sem
a necessidade de uma conversão ópto-elétrica.
• Permite crescimento gradual de capacidade: um sistema WDM pode ser planejado
para 16 canais, podendo ter sua operação iniciada com um número menor de canais. A
introdução de mais canais no sistema pode ser feita simplesmente adicionando novos
equipamentos terminais.
Multiplexador
Demultiplexador
Receptor óptico
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
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68 
• Reutilização dos equipamentos terminais e da fibra: permite o crescimento da
capacidade, mantendo os mesmos equipamentos terminais e a mesma fibra.
• Atendimento de demanda inesperada: geralmente, o tráfego aumenta mais rapidamente
que o esperado e, neste caso, alguns sistemas podem não possuir uma infra-estrutura disponível
para suportá-lo. Os sistemas WDM podem solucionar este problema, economizando tempo na
expansão da rede.
Serão citadas algumas situações que favorecem a utilização de WDM: casos onde a rede
apresenta longas distâncias, especialmente redes ponto-a-ponto e em cadeia; situações onde o
aumento da capacidade requer a instalação de novos cabos e principalmente se não há espaço
para novos cabos na infra-estrutura existente; casos em que o aumento de capacidade deve ser
alcançado em curtos períodos de tempo.
É muito comum comparar os sistemas TDM e WDM, com a finalidade de se encontrar a
melhor solução. Após serem realizados alguns testes, chegou-se às seguintes conclusões: em
aplicações de distâncias pequenas, onde regeneradores e amplificadores não são utilizados, um
sistema TDM é a solução mais viável; em aplicações de longas distâncias, o sistema WDM se
torna mais barato, pois um mesmo regenerador óptico é utilizado para um grupo de canais, o que
reduz o número de regeneradores e fibras utilizados; em aplicações entre 12u km e Suu km, a
melhor solução é variável, dependendo do caso e também dos custos de implementação.
Foi visto que o WDM pode ser introduzido em sistemas já existentes de forma a ampliar a
capacidade de transmissão destes sistemas. Para garantir uma perfeita integração entre um
sistema antigo e o WDM, é necessário tomar ter uma noção geral do tráfego que é transmitido
pela rota, definindo seu formato e taxas de transferência, considerando que a existência de
tráfego analógico também deve ser examinada; ter uma visão da infra-estrutura existente, o tipo
de cabo óptico utilizado, comprimentos dos enlaces e pontos de regeneração; definir a
capacidade final de transferência do sistema; ter uma noção das interfaces ópticas disponíveis
nos terminais; definir se é necessário o uso de equipamentos adicionais, como, por exemplo,
transponders, módulos de compensação; definir a quantidade necessária de regeneradores;
migração do tráfego para novos sistemas após a instalação dos mesmos. A instalação causa uma
interrupção do tráfego, por um tempo indeterminado.
Os sistemas WDM necessitam de equipamentos capazes de combinar sinais que provêm de
várias fontes emissoras, para que sejam transmitidos por uma única fibra. Assim, os
multiplexadores convergem sinais de diversos comprimentos de onda em um único feixe. Nos
receptores, temos equipamentos demultiplexadores, que possuem a função de separar o feixe
recebido em suas várias componentes de comprimento de onda. A estrutura dos multiplexadores
e demultiplexadores é basicamente a mesma, mas em um enlace WDM, são colocados em
direções opostas.
Esses equipamentos podem ser classificados como passivos ou ativos. Se forem passivos,
são baseados na utilização de prismas, difração ou filtros. Se forem ativos, se baseam na
combinação de dispositivos passivos com filtros sintonizados. Nestes dispositivos, é
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
69 
necessário minimizar a interferência entre canais e maximizar a separação entre eles.
Existe um tipo especial de multiplexador denominado add/drop-multiplexer. Este
dispositivo, além de realizar a função de um multiplexador comum, permite a remoção de um
sinal e a inserção de um novo sinal, de mesmo comprimento de onda, em um enlace de
transmissão. Todos os outros comprimentos de onda passam através do multiplexador add/drop
com uma pequena perda de potência (geralmente alguns dB). Isso facilita a evolução de links
ópticos WDM ponto-a-ponto, pois nem todos os canais da transmissão possuem a mesma origem
e o mesmo destino.
3.4.2. Técnicas de multiplexação e demultiplexação
Uma maneira simples de multiplexação ou demultiplexação da luz poderia ser realizada
utilizando-se um prisma, figura 3.9 e figura 3.10.

Figura 3.9. Multiplexação através de um Prisma

Figura 3.10. Demultiplexação através de um Prisma
Como o feixe de luz policromática incide paralelamente na superfície do prisma, durante a
demultiplexação, cada comprimento de onda é refratado diferentemente. Assim, cada
comprimento de onda é separado um do outro por um ângulo. Então, uma lente irá focalizar cada
feixe, de maneira que entrem adequadamente na fibra. Essa mesma técnica pode ser feita para
realizar a multiplexação de diferentes comprimentos de onda dentro de uma única fibra.
Uma outra técnica tem base nos princípios de difração e interferência óptica, figura 3.11 e
figura 3.12. Ao incidir numa grade de refração, cada comprimento de onda que compõe o feixe
de luz policromática é difratado em diferentes ângulos e, assim, para pontos diferentes no
espaço. Para focalizar este feixes dentro de uma fibra, pode-se usar lentes.
As grades de guias de ondas (AWG – Arrayed WaveGuide) são dispositivos que também se
baseam nos princípios da difração. O AWG, também é conhecido como roteador óptico de guia
Fibra
Lente
Prisma
Lente
Prisma
Lente
Lente
Feixe multiplexado
Fibra
Fibras nos 
pontos focais   
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
70 
de onda e consiste de uma matriz de canais curvados com uma diferença fixa no caminho entre
canais adjacentes. Os AWG´s são conectados àos terminais de entrada e saída. Ao incidir no
terminal de entrada, a luz é difratada e entra na matriz de guia de ondas. Nessa matriz a diferença
de comprimento óptico de cada guia de onda produz uma diferença de fase no terminal de saída,
quando acoplado uma matriz de fibras. Isso resulta em diferentes comprimentos de onda
possuindo máximos de interferência em diferentes lugares, que correspondem às portas de
saídas, figura 3.13.

Figura 3.11. Multiplexação através de Grades de Difração

Figura 3.12. Demultiplexação através de Grades de Difração

Figura 3.13. Demultiplexação através de AWG.

Figura 3.14. Concepção de filtros de filmes finos.
Fibras
Lentes  
Feixe multiplexado
Fibras
Feixe incidente
Grade de difracção
Grade de
difracção
Comprimentos
de onda
difractados
Lentes
Comprimentos de
onda incidentes
Comprimentos de onda
demultiplexados
Sinal policromático
Sinais individuais
Guia de onda de saída
Guia de onda de entrada
Matriz Guia de onda de entrada
Matriz Guia de onda de
saída
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
71 
Tem-se ainda uma técnica que utiliza filtros de interferência em dispositivos denominados
filtros de filmes finos ou filtros de interferência de múltiplas camadas, figura 3.14.
Essa técnica consiste em inserir filmes finos no caminho óptico, de forma que os
comprimentos de onda da luz policromática possam ser separados. Cada filme colocado no
caminho da luz deve transmitir um comprimento de onda e refletir todos os outros. Colocando
estes dispositivos em cascata, muitos comprimentos de onda podem ser demultiplexados.
3.4.3. Dense WDM – DWDM
O DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing – multiplexação densa por
comprimento de onda) é uma tecnologia WDM. Segundo a ITU (International
Telecommunications Union), os sistemas DWDM podem combinar até 64 canais em uma única
fibra. No entanto, podemos encontrar, na prática, sistemas DWDM que podem multiplexar até
128 comprimentos de onda. Além disso, foram realizados alguns testes que provaram ser
possível a multiplexação de até 2u6 canais.
O espaçamento entre os canais pode ser de 2uu uBz (1,6 nm), 1uu uBz (u,8 nm), Su uBz
(u,4 nm), podendo chegar a 2S uBz (u,2 nm). Os sistemas DWDM utilizam comprimentos de
onda entre aproximadamente 1Suu nm e 16uu nm e apresentam alta capacidade de transmissão
por canal, 1u ubps, podendo alcançar 1 Tbps na transmissão de dados sobre uma fibra óptica.
Um sistema DWDM capaz de multiplexar 4u comprimentos de onda a 1u ubps por canal,
possui uma banda total de 4uu ubps, o que é suficiente para transportar em uma única fibra o
conteúdo equivalente a mais que 11uu volumes de uma enciclopédia em 1 s. Sistemas DWDM
com 4u ubps por comprimento de onda já são realizáveis, e a tendência é aumentar
continuamente tanto a densidade de canais multiplexados quanto a taxa de bits por canal.
O DWDM é a chave tecnológica para integração das redes de dados, voz e imagem de
altíssima capacidade. Além de ampliar exponencialmente a capacidade disponível na fibra, o
DWDM possui a vantagem de não necessitar de equipamentos finais para ser implementado. E
ainda, esta técnica de multiplexação obedece ao padrão de fibra G.652 (monomodo) que é
utilizado na maioria dos backbones de fibra óptica.
Atualmente, o DWDM é utilizado principalmente em ligações ponto-a-ponto. Nessa
tecnologia, é possível que cada sinal transmitido esteja em taxas ou formatos diferentes. Desta
forma, a capacidade de transmissão de sistemas DWDM podem ser ampliadas
consideravelmente e de maneira relativamente fácil. E ainda é capaz de manter o mesmo grau de
desempenho, confiabilidade e robustez do sistema.
Enlace DWDM
Nas redes ópticas emprega-se a utilização de um enlace DWDM ponto-a-ponto. Neste
sistema, emissores de luz lançam feixes de luz na entrada do multiplexador óptico. Este
multiplexador irá combinar os diferentes comprimentos de onda em um único caminho, sendo
então acoplados em uma fibra monomodo. No final do enlace, os canais ópticos são separados
pelo demultiplexador óptico e levados para os diferentes receptores. Para enlace de transmissão
que possuem longas distâncias, é preciso que os sinais sejam amplificados.
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
72 
Banda Óptica
Atualmente as bandas de freqüência óptica mais utilizadas em sistemas DWDM são:
• S - Band (Short Band) – 14Su nm a 1Suu nm.
• C - Band (Conventional Band) – 1SSu nm a 1S7u nm;
• L - Band (Long Band) – 1S7u nm a 162S nm;
3.4.4. Coarse WDM – CWDM
O CWDM (Coarse WDM ou WDM Esparso) é uma tecnlogia WDM de baixa densidade e
seu princípio de funcionamento é o mesmo do WDM. Nesta técnica, a informação é agrupada em
até 16 canais entre os comprimentos de onda de 1S1u nm e 161u nm, onde a distância entre os
canais é de 2u nm (Suuu uBz).
Esse sistema exige menos controle do comprimento de onda e possui elevada qualidade de
serviço. Além disso, essa tecnologia utiliza lasers como transmissores e é desnecessária a
presença de amplificadores ópticos. Isso faz com que seja preferível o uso do CWDM em redes
metro, devido a seu custo acessível.
Outra característica dos sistemas CWDM é que estes possuem flexibilidade suficiente para
serem empregados em conexões ponto-a-ponto. Também suportam tráfego Ethernet e
interconexão de SANs (Storage Area Networks). A taxa de transmissão suportada é de
1,2S ubps, cobrindo distâncias de até 4u km. Além disso, oferece suporte para taxas de
2,S ubps, cobrindo distâncias de até 8u km.
Banda Óptica
Atualmente as bandas de freqüência óptica mais utilizadas em sistemas CWDM são:
• O - Band (Original Band) - vai de 126u nm a 1S6u nm;
• E - Band (Extended Band) - está na faixa de 1S6u nm a 146u nm;
• C - Band (Conventional Band) - vai de 1SSu nm a 1S7u nm.
3.4.5. DWDM versus CWDM
O CWDM e o DWDM, por serem tecnologias WDM, ambos apresentam o mesmo princípio
de funcionamento de combinar vários comprimentos de onda em uma única fibra, de forma a
aumentar sua capacidade. No entanto, existem algumas diferenças básicas que serão
apresentadas a na tabela 3.4.
Na tabela 3.4 vemos diferenças em algumas características das tecnologias CWDM e DWDM.
Além dessas diferenças, temos outras, que também serão citadas. Os sistemas DWDM requerem
que os lasers utilizados possuam temperaturas estáveis, além de necessitarem de filtros de banda
estreita. Já os sistemas CWDM não necessitam que os lasers utilizados possuam temperaturas
estáveis e os filtros utilizados são de banda larga. Assim, percebemos que a implementação de
sistemas DWDM é mais complexa, se comparado com o CWDM.
Geralmente, o DWDM é a melhor escolha para aplicações onde a densidade dos canais ou a
largura de banda são de maior prioridade. O CWDM, por sua vez, é uma excelente opção onde
os gastos devem ser considerados. Há uma estimativa de que o emprego do CWDM pode
economizar em até 30% dos gastos se comparado com o DWDM.
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
73 
Tabela 3.4. DWDM versus CWDM
Características DWDM CWDM
Número de comprimentos de onda que podem ser combinados
numa fibra
64 16
Faixa de comprimento de onda 1S1u nm – 161u
nm
1492,2S nm – 1611,79
nm
Espaçamento entre canais 2u nm u,8 nm
Bandas ópticas utilizadas O, E e C S, C e L
Áreas de aplicações Redes
Metropolitanas
Aplicações ponto a
ponto
Devido devido ao espaçamento entre os canais Baixa Alta


Figura 3.16. Faixa de Comprimento de Onda e Espaçamento entre Canais: CWDM versus DWDM
3.4.6. Outras Tecnologias WDM
Wide Wavelength Division Multiplexing – WWDM
O Wide Wavelength Division Multiplexing (WWDM) utiliza a janela óptica em 1S1u nm e
possui um amplo espaçamento entre os canais multiplexados. O WWDM permite a combinação
de 4 comprimentos de onda em uma única fibra. Além disso, é uma tecnologia muito versátil,
pois suporta fibras multimodo para distâncias curtas (Suu m) e fibras monomodo para longas
distâncias (1u km).
Tabela 3.5. Característiacas do WWDM
Meio de transmissão Banda Modal (MHz.km) Distância máxima (m)
Fibra multimodo 62,S µm Suu Suu
Fibra multimodo Su µm 4uu 24u
Fibra monomodo ‐ 1uuuu

O Wide WDM é amplamente aplicado a LAN's (Local Area Networks - redes locais). Além
disso, é utilizado nas especificações 10GBase-LX4/LW4 do protocolo 10GE (10 Gigabit
Ethernet), aprovado em março de 2001 pelo comitê IEEE 802.3. Nestas especificações se usam
duas fibras monomodos ou multimodos com WWDM, no comprimento de onda de 1S1u nm.
Neste caso, são multiplexados quatro comprimentos de onda em cada fibra, espaçados de 24,S
nm. A tabela 3.5 apresenta alguns parâmetros desta especificação.
PRINCÍPI0S BE N0LTIPLEXAuEN
 
REBES 0PTICAS 0RBANAS
 
74 
Ultra - Dense Wavelength Division Multiplexing – U-DWDM
O Ultra - Dense Wavelength Division Multiplexing (U-DWDM) é considerado como o
próximo estágio nas comunicações ópticas. Esta tecnologia combina 128 ou 2S6 comprimentos
de onda em uma única fibra óptica, sendo que cada comprimento de onda teria uma taxa de
transmissão de 2,S ubps, 1u ubps e até 4u ubps. No U-DWDM os canais estão espaçados de
1u uBz, o que corresponde a u,u8 nm.
Nos Laboratórios Bell, em Holmdel, New Jersey, conseguiu-se atingir uma transmissão de
1u22 comprimentos de onda em uma única fibra óptica, utilizando-se U-DWDM. Nessa
transmissão experimental, cada comprimento de onda carregava informações distintas. Foi
utilizado um único laser de alta velocidade para gerar todos os sinais, ao invés de usar um laser
para cada comprimento de onda. como é feito nos sistemas WDM convencionais. Cada canal
carrega informações a uma taxa de S7 Nbps, totalizando mais de S7 ubps. Pesquisadores
acreditam que esta taxa pode chegar a uma ordem de Tbps.
3.4.7. Considerações
Apesar de apresentar custo elevado em relação às tecnologias usadas atualmente, as fibras
ópticas nos oferecem muitas vantagens, como, por exemplo, imunidade não só a interferências
externas, mas também a freqüências de rádio e radar e impulsos eletromagnéticos. As fibras
ópticas também apresentam baixa atenuação, imunidade a ruídos externos e taxas de transmissão
maiores.
O WDM, por sua vez, é usado para ampliar ainda mais a capacidade de transmissão da fibra.
Essa tecnologia tem como princípio, combinar vários comprimentos de onda diferentes em uma
única fibra. O WDM possui uma série de variações como o CWDM, o DWDM e o WWDM.
Futuramente teremos também o U-DWDM, que irá multiplexar centenas de comprimentos de
onda em apenas uma fibra, alcançando taxas de transmissão na ordem de Tbps.
Com o aumento da procura por aplicações que exigem altas taxas de transmissão de dados,
acompanhado da crescente evolução das próprias fibras e das tecnologias aplicadas nas redes
ópticas, espera-se que, brevemente, os cabos metálicos sejam substituídos por cabos de fibra
óptica.



 
CAPÍT0L0 4
PRINCÍPI0S BE
C0NSTR0CÂ0 BE
REBES 0PTICAS
0RBANAS

 
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

76
4.1. Introdução à redes de telecomunicações
As redes de telecomunicações compreendem o conjunto de meios técnicos (de natureza
electromagnética) necessários para transportar e encaminhar tão fielmente quanto possível a
informação à distância. É constituída por nós e enlaces que possibilitam a interconexão entre
diferentes pontos de acesso à rede, tanto nacional como internacionalmente, podendo então ser
dividido em três ramos: transmissão – transporte fiável da informação à distância; comutação –
encaminhamento da informação (pôr em contacto dois utilizadores quaisquer, de acordo com as
suas ordens); controlo e gestão – responsável pela dinâmica (controlo) e pela fiabilidade (gestão)
das redes. A função de controlo é implementada através da sinalização.
As redes de telecomunicações devem garantir que a informação nas suas diversas formas
(voz, música, vídeo, texto, etc.) é transmitida com o mínimo de perdas e alterações assim como
assegurar um serviço permanente e sem falhas.
4.1.1 Elementos básicos de uma rede
As redes de telecomunicações são constituídas por uma infinidade de equipamentos
baseados numa grande diversidade de tecnologias e em muitos casos concebidos e instalados em
épocas muito diferentes.
Uma rede pode-se dividir em vias de transmissão (suporte de transmissão tais como cabos
de pares simétricos, cabo coaxial, fibra óptica, feixes hertezianos, etc., mais repetidores,
amplificadores, regeneradores) e elementos de rede que incluem equipamento terminal,
equipamento de transporte, equipamento de comutação e sistemas de sinalização e gestão que
são responsáveis por processarem a informação de sinalização e gestão.
4.2. Topologias de redes
A estratégia de interligação entre os nós designa-se por topologia da rede, ou de um modo
mais preciso por topologia física. Este refinamento na definição ajuda a distinguir o aspecto
físico do modo como a informação é distribuída na rede que define a topologia lógica.

Figura 4.1. Exemplo de uma rede e do seu grafo equivalente.
Tendo como exemplo a figura 4.1 pode-se admitir que o nó 1 funciona como nó distribuidor
e que toda a comunicação é feita directamente entre os diferentes nós e o nó 1. Como
consequência a topologia física e a topologia lógica são diferentes como se evidência na figura
4.2 através da representação dos grafos correspondentes.
Nas redes de telecomunicações encontra-se uma grande variedade de topologias. Essas
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

77

Figura 4.2. Comparação entre a topologia física e a lógica.
topologias condicionam à partida a estratégia de desenvolvimento e o tipo de serviços que a rede
pode fornecer e por isso a definição adequada da topologia constitui uma etapa importante no
processo de planeamento da rede. A topologia mais simples é a topologia em barramento (Bus).
Como se mostra na figura 4.3 nessa topologia o meio de transmissão é partilhada por todos os
elementos de rede.


Figura 4.3. Grafos correspondentes às topologias em barramento, anel e malha.
Na topologia em anel cada nó só está interligado aos nós vizinhos. No caso de querer
comunicar com outros nós as mensagens terão de ser enviadas através dos vizinhos. Uma rede
em anel pode ser unidireccional ou bidireccional. No caso unidireccional toda a informação viaja
no mesmo sentido e cada nó só pode comunicar directamente com um vizinho, enquanto no caso
bidireccional a informação viaja nos dois sentidos e cada nó pode comunicar directamente com
os dois vizinhos. É a topologia mais popular pelo facto desta garantir graus de fiabilidade
elevados (resistência a falhas) com um consumo modesto de recursos de transmissão.
A topologia em malha é uma topologia com conexão total caracterizada por apresentar uma
ligação directa entre todos os pares de nós. Numa rede baseada nesta topologia o processo de
comunicação está muito facilitado, pois qualquer troca de informação entre dois nós não envolve
a intervenção de mais nenhum outro nó. A principal desvantagem desta solução reside na grande
quantidade de recursos de transmissão que exige o que faz com que essa topologia se torne
impraticável quando o valor do número de nós ultrapassa algumas dezenas.
A topologia em estrela é a solução, normalmente usada sempre que é necessário interligar um
elevado número de nós. Nesta topologia há uma diferenciação entre as funcionalidades do nó
central e as dos restantes nós, já que é este nó que controla as comunicações entre todos os
outros. A existência de um nó com responsabilidade acrescida, indica que nesta topologia o
controlo do processo de informação é centralizado. A solução em estrela tem sido muito usada
nas redes telefónicas, particularmente na rede de acesso, onde todo o fluxo de informação com o
utilizador é controlado pelo comutador local, permitindo concentrar o equipamento sofisticado e
Topologia física Topologia lógica

Barramento Anel Malha
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

78
caro na rede, e garantir que o equipamento terminal usado pelo utilizador é relativamente
simples.

Figura 4.4. Grafos correspondentes às topologias em estrela e árvore.
A topologia em árvore surgiu associada a serviços distributivos, onde o objectivo é difundir
o mesmo sinal desde o nó onde é gerada para todos os outros nós. Esta perspectiva distributiva
faz com que nos vários pontos de divisão o sinal seja repetido até atingir o equipamento terminal
do utilizador. Esta solução foi desenvolvida no âmbito das redes de distribuição de televisão por
cabo, também referidas na literatura como redes de cabo. Com o desenvolvimento tecnológico
foi possível introduzir nestas redes um canal ascendente, garantindo, assim, a bidireccionalidade
requerida pelos serviços interactivos tais como serviço telefónico e o acesso à Internet.
4.3. Características das redes
4.3.1. Largura de Banda e Capacidade do canal
O termo largura de banda indica a diferença entre os limites inferior e superior das
frequências que são suportadas pelo canal. Por exemplo, um canal de voz, que admite
frequências da ordem de Suu Bz a S4uu Bz, tem uma largura de banda igual a BW =
S4uuBz – SuuBz = S1uu Bz.
A largura de banda do sinal de audio é de 2u Bz a 2u kBz.
Para definir uma medida da eficácia com a qual um canal transmite informação e para
determinar seu limite superior, Shannon introduziu o conceito de “capacidade de um canal”, que
comummente se representa com a letra C.
O Teorema Fundamental de Shannon estabelece que se a velocidade de informação V
i
da fonte é
menor ou igual que a capacidade C do canal, então existe uma técnica de codificação que
permite a transmissão sobre o canal com uma frequência de erros arbitrariamente pequena, não
obstante a presença do ruído. Quer dizer, se:
u < I
ì
< C (4.1)
se pode transmitir sem erro, mas se I
ì
> C então não é possível transmitir sem erro.
A capacidade do canal é então a máxima velocidade na qual o canal pode transportar
informação confiavel até ao destino. A capacidade C se expressa em bits por segundo (bps).
Esta capacidade diminui como consequência dos erros introduzidos na transmissão causada por
sinais perturbadores ou ruido, e como consequência se produz uma perda de informação.
Se o canal tem uma largura de banda W, a potência média do sinal transmitido é S, e a
potência média do ruído no canal é N, então a capacidade do canal na presença do ruído é
Estrela Árvore
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

79
dada por:
C = wlog
2
I1 +
S
N
] |bps] (4.2)
A este resultado se chama “Equação de Hartley-Shannon”.
A equação de Hartley-Shannon proporciona o limite superior para a transmissão de
informação confiável por um canal ruidoso, e relaciona os três parâmetros de importância em um
canal: a largura de banda do canal, a potência média do sinal útil e a potência média do sinal
perturbador.
Algumas vezes o comportamento do canal se pode caracterizar mediante as relações ou
definições seguintes:
• Redundância do Canal, R
c

R
c
= C -I
ì
: R
c
~ u (4.3)
• Redundância Relativa, ρ
c

µ
c
=
R
c
C
= 1 -
v
i
C
(4.4)
• Rendimento do Canal, η
c

n
c
=
v
i
C
ou n
c
% = 1uu ×
v
i
C
(4.5)
Também, n
c
= 1 - µ
c
donde n
c
< 1 (4.6)
• Rendimento do Canal com relação a largura de banda, η
B

n
B
=
v
i
w
|bps. Ez
-1
] (4.7)
Das expressões (4.2) e (4. 7), o rendimento máximo de um canal vem dado por
n
mux
=
C
w
= log
2
I1 +
S
N
] |bps. Ez
-1
] (4.8)
A razão entre a potência do sinal e a potência do ruído é conhecida como relação sinal-ruído,
normalmente sendo expressa em decibéis.
4.4. Tipos de redes
4.4.1. Redes fixas
Numa rede telefónica convencional o equipamento terminal é essencialmente o telefone que
é fixo. A estrutura mais simples que é possível conceber para uma rede telefónica comutada está
representada na figura 4.5 e consiste numa central de comutação telefónica directamente ligada
ao equipamento terminal dos utilizadores através de uma linha telefónica (central local) de
acordo com uma topologia física em estrela.
Quando a área coberta pela rede em estrela e o número de utilizadores por ela servidos
cresce, o preço da linha telefónica aumenta. Então, torna-se mais económico dividir essa rede em
várias redes de pequenas dimensões, cada uma delas servido pela sua própria central de
comutação telefónica. Nesse caso, o comprimento médio da linha de assinante decresce,
diminuindo o seu custo total, mas em contrapartida o custo associado à comutação aumenta.
Numa área servida por diferentes centrais locais, os utilizadores de uma central terão certamente
necessidade de comunicar com os utilizadores de outras centrais. É, assim, necessário estabelecer
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

80
ligações, ou junções, entre as diferentes centrais usando centrais Tandem, formando-se a rede de
junção. A presença desta central introduz uma estrutura hierárquica na rede, figura 4.6.

Figura 4.5. Rede em estrela com comutação centralizada.

Figura 4.6. Estrutura hierárquica das redes fixas.
As enormes limitações dos pares simétricos, nomeadamente a sua largura de banda muito
reduzida e a enorme susceptibilidade às interferências, têm levado os engenheiros de
telecomunicações a explorar outras soluções, sobretudo quando está em causa o acesso de banda
larga. A solução mais sólida é sem dúvida a que faz uso da fibra óptica, sendo de referir entre
outras as seguintes alternativas: ligação em fibra óptica entre a central local e um armário
exterior, ligando em seguida o armário às instalações do utilizador através da par simétrico (fibra
até ao quarteirão); ligar a fibra directamente até às instalações do utilizador (fibra até casa).
4.4.2. Redes móveis
A rede de telefonia móvel é uma rede de telecomunicações projectada para o
provisionamento de serviços de telefonia móvel, ou seja, para a comunicação entre uma ou mais
estações móveis. O conceito básico subjacente às comunicações celulares consiste em dividir as
regiões densamente povoadas em várias regiões de pequena dimensão, designadas por células.
Cada célula tem uma estação base que proporciona uma cobertura via rádio a toda a célula.
Como se mostra na figura 4.7(a) cada estação base está ligada a uma central de comutação de
móveis, designada por MSC (Mobile Switching Centre).
No extremo do sistema figura 4.7(b) temos a estação móvel ou MT (Mobile Terminal), que
para além da parte de rádio e funções de processamento para acesso à rede através do interface
rádio, deve incorporar o interface para com o homem (microfone, auscultador, visor, teclado, ...)
e ou o interface para interligação com equipamento terminal (computador pessoal ou fax). Outro
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

81
aspecto significativo da arquitectura da estação móvel, é o módulo do assinante, onde está
envolvido mais que uma simples identificação.

Figura 4.7(a). Estrutura básica de uma rede móvel.
NSS (Networking Switching System), o subsistema estação de base, ou BSS (Base Station
Subsystem), agrupa as infra-estruturas de máquinas que são específicas aos aspectos rádio
celulares. O BSS encontra-se em contacto directo com as estações base, através do interface
rádio, incluindo portanto o equipamento responsável pela transmissão e recepção do percurso
rádio e sua gestão. Necessitando de controle, o BSS encontra-se também em contacto com o
OMC (Operation and Maintenance Centre) através duma rede de comunicação de dados a
funcionar sobre X.25. Os equipamentos abrangidos por este subsistema são:
• BTS – Base Transceiver Station. A BTS compreende os dispositivos de transmissão e


Figura 4.7(b). Arquitectura de um sistema móvel.
recepção de rádio, incluindo as antenas, bem como o processamento de sinal específico da
interface rádio.
• BSC – Base Station Controller. O BSC é responsável por toda a gestão da interface
rádio, através do comando remoto da BTS e da MT, e principalmente da atribuição de canais de
rádio bem como o controle de handover. Está ligada por um lado ao Switching System (SS) e por
outro a várias BTS’s . Outro subsistema é o SS, que inclui as principais funções de comutação do
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

82
DCS (Dedicated Channel Suport), bem como as bases de dados necessárias para os assinantes e
para a gestão da mobilidade.
Dentro do subsistema NSS, as funções de comutação básicas são executadas pela MSC
(Mobile Switching Centre), que tem como principal papel a coordenação e estabelecimento de
chamadas de e para os assinantes do sistema. A MSC tem ligações com os BSS’s, com as redes
externas, com o OMC e com as bases de dados. Três importantes bases de dados do sistema
armazenam informação sobre os assinantes e equipamento. O HLR (Home Location Register),
guarda a informação sobre níveis de assinaturas, serviços suplementares e a posição actual, ou
mais recente, dos assinantes da própria rede. Associada a cada MSC existe um VLR (Visitors
Location Register), que conserva informação sobre níveis de assinantes, serviços suplementares
e a posição actual dos assinantes “visitantes” dessa área. Outra base de dados é o AuC
(Authentication Center), que contém toda a informação adequada para evitar as intromissões na
interface rádio e a utilização indevida do equipamento. Quanto ao sistema de operação e gestão
OSS (Operation and Suport System), este desempenha diversas tarefas, requerendo todas
interacção com as infra-estruturas, tal como com a BSS ou o NSS. As principais funções do OSS
são:
• Operação e manutenção das máquinas da rede. Responsável por este serviço está um
equipamento a que se dá o nome de OMC (Operation and Maintenance Centre), e que é
considerada a interface entre o homem e a rede, permitindo a este efectuar operações de
manutenção, assim como fazer a gestão de todas as máquinas do sistema.
• Gestão das assinaturas, taxação e contabilização. Normalmente é um equipamento
independente que se ocupa destas tarefas. Com ligação ao HLR para consulta e actualização de
dados referentes aos assinantes, assim como também para taxação. Este aspecto, de taxação e
contabilização, é um assunto para o qual não existem especificações dedicadas nas
recomendações do sistema, sendo assim um processo livre. No entanto tem-se verificado uma
convergência de princípios aplicados para uma mais fácil interligação de redes e uniformização
neste aspecto a nível internacional.
• Gestão do equipamento móvel. Parte desta tarefa é realizada na operação de rede pelos
equipamentos da infra-estrutura. Contudo, existe um equipamento, identificado como sendo EIR
(Equipment Identity Register), responsável pelo armazenamento dos dados relativos ao
equipamento móvel.
4.4.3. Rede Digital com Integração de Serviços
A Rede Digital com Integração de Serviços (RDIS) resulta da evolução natural da rede
telefónica. A rede telefónica foi projectada simplesmente para tráfego de voz sobre linhas
analógicas, mas na década de cinquenta foi introduzido o modem para transportar dados sobre
essa infra-estrutura. Contudo, devido às limitações das velocidades de transmissão e qualidade
dos modems, os operadores de telecomunicações criaram uma rede digital alternativa à rede de
voz, para suportar a transmissão de dados com maior velocidade e melhor qualidade, a rede
pública de dados.
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

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A RDIS surge como tentativa de integrar todas as redes públicas (telefónica, dados, etc.)
numa única rede, com um acesso único ao assinante. Assim, o utilizador pode através de uma
única linha de assinante ter acesso a uma grande diversidade de serviços, como voz, dados,
imagem, texto, etc., com uma característica fundamental, que é a de todos serem digitais.
A evolução para a RDIS só é possível com a digitalização da linha de assinante (ou lacete de
assinante), o que permitiu eliminar o fosso analógico existente nas redes digitais integradas.
Como os débitos oferecidos pelo RDIS são relativamente modestos a ITU-T avançou com o
conceito de RDIS de banda larga e publicou uma série de normas no sentido de dar substância a
esse conceito. Com esta evolução a RDIS passaria a ter também capacidade para suportar
serviços de vídeo e de transmissão de dados a alta velocidade, para além dos serviços RDIS
tradicionais e o acesso do utilizador à rede seria efectivado a débitos de várias dezenas de Mbps.
Devido aos elevados custos, porém, o RDIS de banda larga nunca viu a luz do dia.
4.5. Redes ópticas
4.5.1. Redes Ópticas de Acesso
As Redes Ópticas de Acesso têm como função permitirem o acesso dos usuários finais (ou
clientes) localizados em residências e empresas de pequeno porte às Redes Ópticas dos
Provedores de Acesso e Operadoras de Telecomunicações. A topologia mais comum para este
tipo de rede é o ponto-a-ponto, pois conecta o usuário final directamente a um multiplexador da
Operadora ou do Provedor. Uma outra topologia utilizada é o anel que poderá agregar dois ou
mais clientes a um único multiplexador da Operadora. Um exemplo típico de uma Rede de
Acesso é ilustrado na figura 4.8, onde o multiplexador da Operadora multiplexa os tráfegos
provenientes de clientes residenciais conectados através de uma topologia ponto-a-ponto e de
clientes corporativos através de uma topologia anel e os encaminha para uma Rede
Metropolitana.

Figura 4.8. Diagrama de uma rede óptica de acesso.
4.5.2. Redes Ópticas Metropolitanas
As Redes Ópticas Metropolitanas têm como função permitirem o acesso de empresas de
médio e grande porte (por exemplo: clientes corporativos) e o transporte do tráfego das Redes
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Ópticas de Acesso. As Redes Ópticas Metropolitanas podem ser divididas em dois segmentos:
(1) Redes Ópticas Metropolitanas de Acesso (Metro Access Optical Networks) e (2) Redes
Ópticas Metropolitanas Centrais (Metro Core Optical Networks) conforme é ilustrados na figura
4.9. Esta divisão entre Redes Ópticas Metropolitanas de Acesso e Centrais nem sempre é fácil
identificar em campo, devido à complexidade das mesmas.
No entanto, em linhas gerais, identifica-se como sendo a Rede Óptica Metropolitana de
Acesso àquela que permite o acesso do tráfego proveniente das Redes Ópticas de Acesso e dos
clientes corporativos de médio porte. Ao passo que para a Rede Óptica Metropolitana Central
reserva-se o acesso de clientes corporativos de grande porte e transporte do tráfego local e
proveniente das Redes Ópticas de Acesso para as Redes Ópticas de Longa Distância e vice-
versa.

Figura 4.9. Diagrama de uma rede óptica metropolitana.
A topologia mais comum para as Redes Ópticas Metropolitanas é o anel, pois admite
diversos elementos de rede em uma única rede, apesar de existir uma tendência muito forte
destas redes migrarem para a topologia em malha. Nestas redes, observa-se o surgimento de
alguns elementos de rede locais com funcionalidade de comutação cruzada.
4.5.3. Redes Ópticas de Longa Distância
As Redes Ópticas de Longa Distância têm como função permitirem a comunicação de uma
ou mais Redes Ópticas Metropolitanas a longas distâncias (geralmente, considera-se “longa
distância” a compreendida entre 6uu km e 1Suu km e “ultralonga distância” a compreendida
entre 1Suu Km e 4uuu Km). As Redes Ópticas de Longa Distância são geridas pelas Operadoras
de Telecomunicações e têm como topologias mais comuns o ponto-a-ponto e o anel. Elas são
consideradas como o “núcleo das redes ópticas” (core ou backbone), pois não há conexão directa
com os usuários finais devido às altas taxas de transmissão que circulam nestas redes na ordem
de Gbps ou Tbps.
4.6. Concepção de uma Rede Óptica Urbana
4.6.1. Planeamento da Rede de Transmissão
O planeamento da transmissão, utilizando como dados de entrada matrizes de demandas por
serviços e/ou taxas de transmissão, tem por objectivo dimensionar o número e tipos de
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equipamentos de transmissão, suas respectivas taxas de transmissão, além do meio de
transmissão (fibras ópticas).
A proposição do Planeamento da Rede de Transmissão é o assunto desta tese e será tratado
adiante. Antes, porém, descrevemos a tecnologia SDH utilizada neste planeamento.
4.6.2. A Rede de Transporte SDH
Este item não tem o objectivo de fazer uma descrição minuciosa e exaustiva da tecnologia
SDH, mas de enfatizar os aspectos que consideramos relevantes para a sua utilização no
Planeamento da Rede de Transporte. Para uma compreensão mais aprofundada desta tecnologia,
forneceremos uma extensa bibliografia. Os tópicos tratados ao longo deste capítulo serão:
• Características principais (princípios) da tecnologia SDH
• Conceitos básicos e formação dos sinais
• Elementos de rede e topologias
• Confiabilidade de rede
• Modelo em camadas
Vale referenciar primeiro os padrões europeus de sinais eléctricos. E1 é um padrão de linha
telefónica digital europeu criado pela ITU-T e o nome determinado pela Conferência Europeia
Postal de Telecomunicação (CEPT), sendo o padrão usado em Angola e na Europa; é o
equivalente ao sistema T-carrier norte-americano, embora o sistema T norte-americano utilize
taxas de transmissão diferentes.
O E1 possui uma taxa transferência de 2 Nbps e pode ser dividido em S2 canais de 64 Kbps
cada. A contratação de linhas E1 de 2 Nbps é conhecida como "E1 fraccionário".
Suas variantes:
• E2: 8,448 Mbps.
• E3: 34,368 Mbps.
• E4: 139,264 Mbps.
• E5: 565,148 Mbps.
• DS3: 44,736 Mbps.
4.6.3. Princípios da Transmissão Síncrona
A tecnologia de transmissão SDH (Synchronous Digital Hierarchy – Hierarquia Digital
Síncrona) é um padrão proposto pelo ITU-T (International Telecommunications Union –
Telecommunication Standardization Sector) e foi desenvolvida graças aos avanços tecnológicos
verificados na microeletrônica e na fotónica, com o intuito de suprir algumas deficiências da sua
predecessora, a tecnologia PDH (Plesiochronous Digital Hierarchy). A SDH permite a
convivência de vários fabricantes de equipamentos em uma mesma rede. A ITU-T, através das
Recomendações G707, G708 e G709 busca uma padronização completa da SDH que inclui taxas
de bits de transmissão e funcionalidades dos equipamentos, interfaces de tributários e de linha,
estrutura de quadro e de multiplexação, mecanismos de protecção, interfaces e equipamentos de
gestão.
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A estrutura de formação dos sinais SDH possui características que facilitam a derivação e
inserção de tributários (sinais de taxas de bits mais baixas) do sinal agregado (sinais de taxas
maiores), permitindo que a rede SDH seja bastante flexível. A multiplexação de sinais, que é
realizada por entrelaçamento de bytes, enquanto que na PDH é realizada por entrelaçamento
de bits, favorece esta flexibilidade e permite que utilizadores da rede sejam atendidos mais
rapidamente e sob demanda.
As facilidades de derivação e inserção de tributários permitem também que novas
funcionalidades e configurações de equipamentos sejam viabilizadas. Estes equipamentos, por
sua vez, possibilitam que topologias de rede sejam mais protegidas contra falhas e, portanto,
mais confiáveis.
A estrutura de quadro SDH facilita a gerência da rede, na medida em que mais bytes são
reservados para esta função. A tabela 4.1 apresenta de forma sucinta e comparativa estas duas
tecnologias nos aspectos acima relatados.
Tabela 4.1. Comparação entre as tecnologias PDH e SDH
PDH SDH
Padrões de Estrutura de Quadro Três padrões: Americano, Japonês e
Europeu

ITU – T
Interfaces de Linha Proprietárias Padronizadas
Funcionalidades de Gestão Proprietárias Três padrões
Derivação e Inserção de Tributários
Difícil

Fácil
Capacidade de Gestão Baixa Alta
Mecanismo de Protecção Pouco Eficientes Eficientes
Funcionalidade dos Equipamentos
Multiplexação
Multiplexação, Inserção e
Derivação, Cross-connect

4.6.4. Formação dos sinais SDH
A analogia entre o transporte de sinais pela rede SDH e o transporte de carga numa rede
ferroviária será utilizada para ilustrar o funcionamento da tecnologia de transmissão.
O processo de multiplexação e formação dos sinais SDH, principal inovação desta
tecnologia, envolve dois conceitos fundamentais: enlace ou secção (section) e via (path). Uma
secção está relacionada com a trajectória da informação entre dois elementos de rede
(equipamentos) adjacentes ou vizinhos. Uma via está relacionada com a trajectória da
informação entre a sua origem e o seu destino, ou seja, os pontos onde as informações
transportadas são montadas/desmontadas no sinal SDH , o que pode envolver um ou mais
elementos de rede e, portanto, um ou mais enlaces.
O sinal básico de transporte em uma rede SDH é composto de quadros (frames) ou módulos
de transporte STM-N (Synchronous Transport Module – ordem N), que pode ser visto como um
vagão de um trem. O quadro STM-1 (figura 4.10) possui 2.4Su bytes (27u colunas por 9 linhas)
que se repetem a cada 12S μs (período do quadro), fornecendo uma taxa de 1SS,S2 Nbps.
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Figura 4.10. Estrutura do quadro STM-1.
Este sinal básico STM-1 é multiplexado através de entrelaçamento de bytes, gerando sinais
múltiplos (STM-N). O sinal multiplexado pode ser visto analogamente como uma composição de
vagões do trem. A tabela 4.2 mostra as taxas de transmissão dos sinais STM-N.
Tabela 4.2. Taxas de bits e capacidades dos sinais STM-N
Módulos de
Transporte SDH
Taxa de
Transmissão (Mbps)
Capacidade de Transmissão (em
canais de 2 Mbps)
STM-1 1SS,S2u 6S
STM-4 622,u8u 2S2
STM-16 2488,S2u 1uu8
STM-64 996S,28u 4uS2

Cada módulo de transporte STM-N pode, por sua vez, transportar como carga (payload)
vários sinais de taxas de transmissão mais baixas. As cargas ou sinais que serão transportados
são inicialmente embalados em caixas de diversos tamanhos denominadas containers.
A cada container é acrescentada uma etiqueta ou cabeçalho (bytes de overhead),
denominado POH (Path OverHead), que contém informações sobre desempenho, destino,
manutenção e alarmes da via percorrida pelo payload. O container acrescido do cabeçalho POH
compõe um container virtual (VC-Virtual Container).
Os VC’s transportam os sinais síncronos de 1,S Nbps e 2 Nbps e permitem também o
transporte dos sinais PDH de 8 Nbps, S4 Nbps e 14u Nbps. Dependendo da taxa de
transmissão do sinal transportado, os VC’s são classificados em containers de baixa ordem
(LOVC – Low Order Virtual Container) e de alta ordem (HOVC – High Order Virtual
Container). A tabela 4.3 mostra as taxas de transmissão e os sinais que podem ser transportados
pelos VC’s.
A ITU-T define três tipos de VC: VC-12 para transporte de sinais de 2 Mbps, VC-3 para o
transporte de sinais de 34 Mbps e VC-4 para os de 140 Mbps. O VC-3 pode ainda transportar 21
VC-12, enquanto que um VC-4 pode conter 3 VC-3 ou 63 VC-12.
A próxima etapa do processo de formação do sinal SDH é “arrumar” ou “empacotar” (to groom)
os LOVC em containers VC-4. Por analogia, isto significa que as caixas menores (LOVC) são
colocadas dentro de caixas maiores (VC-4). Para indicar as posições dos VC de baixa ordem
dentro de um VC de ordem mais alta são utilizados ponteiros de TU (Unidade de Tributários).
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Estes são multiplexados formando Grupos de Unidade de Tributários (TUG). Ao VC-4 deve ser
adicionado também um ponteiro para indicar a sua posição dentro de um STM-N. Finalmente, é
acrescentado um cabeçalho para gerir os enlaces da rede denominado SOH (Section OverHead),
obtendo-se, desta forma, o STM-1. O SOH é dividido em dois campos, um para gestão dos
enlaces de regeneração (trecho entre um regenerador e um multiplexador), e outro para os
enlaces de multiplexação (trecho entre dois equipamentos multiplexadores adjacentes),
denominados respectivamente RSOH (Regenerator Section OverHead) e MSOH (Multiplex
Section OverHead).
Tabela 4.3. Tipo de conteiners virtuais
Classificação do
VC
Taxa de Transmissão
(Mbps)
Sinais Transportados
VC-12 LOVC 2,24u 2 Nbps
VC-3 LOVC 48,96u S4 Nbps
21 x VC-12
VC-4 HOVC 1SS,SS6 14u Nbps
3 x VC-3
63 x VC-12

As funções do SOH são prover comunicação entre os equipamentos instalados nas extremidades
do enlace, sincronizar quadros através de uma palavra de alinhamento, fornecer informações
necessárias à adaptação do nível de enlace ao nível de via (path) e perfazer as operações de
gestão e administração de facilidades no enlace da rede. O processo de formação do sinal
STM-N está mostrado na figura 4.11.

Figura 4.11. Estrutura de multiplexação do sinal STM-N.

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4.6.5. Funcionalidades da tecnologia SDH
Pelo que foi descrito na secção anterior, a formação dos sinais SDH pode ser decomposta
em duas funcionalidades básicas:
• Empacotamento dos sinais de informação em VC-4 e STM-1
• Multiplexação dos STM-1 em STM-N
Além das funcionalidades básicas descritas anteriormente (empacotamento e multiplexação),
a tecnologia SDH permite a realização de actividades de intercâmbio temporal de quadros (TSI –
Time Slot Interchange) e Cross-connnection.
A actividade denominada TSI permite que a posição relativa de um VC-4 em uma sequência
temporal de quadros STM-N seja alterada, conforme mostrado na figura 4.12(a). Seguindo nossa
analogia com o sistema ferroviário, essa funcionalidade corresponde a troca de posição entre
dois vagões de um mesmo trem.


Figura 4.12. Funcionalidade da tecnologia SDH. (a) Funcionalidade TSI. (b) Funcionalidade Cross-connection
A Cross-connection (transconexão) é uma actividade que permite a troca de posição entre
tributários de diferentes agregados, conforme mostrado na figura 4.12(b). Essa funcionalidade é
implementada em 2 níveis por matrizes de comutação denominadas HPC (High-Order Path
Connection) e LPC (Low-Order Path Connection), que comutam, respectivamente, HOVC (VC-
4) e LOVC (VC-12 e VC-3). Analogamente ao sistema ferroviário, a transconexão acontece num
cruzamento entre dois ou mais ramais. Caixas dentro de vagões ou mesmo vagões inteiros dos
trens que se cruzam neste local podem ser trocadas de um vagão para outro ou de um trem para
outro.
4.6.6. Equipamentos de Transmissão
Os equipamentos de transmissão SDH, utilizados para interligar estações, são classificados
de acordo com as funcionalidades que são capazes de desempenhar e podem ser dos seguintes
tipos:
• LTM (Line Terminal Multiplexer - Multiplexador Terminal de Linha);
• ADM (Add/Drop Multiplexer - Multiplexador de Inserção/Derivação);
• SDxC (Synchronous Digital Cross-connect – Transconector Digital Síncrono).
Um equipamento LTM possui as funções de empacotamento e multiplexação de tributários
em um agregado, além da terminação de linha óptica (conversão do sinal elétrico em óptico e
vice-versa). Estes equipamentos diferem quanto ao tipo de interface de tributário que pode ser
PDH ou SDH. Já a interface do agregado é sempre STM-N.
(a) (b)
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Um equipamento ADM é constituído por 2 terminais de linha ópticos (agregados) e um
conjunto de tributários, conectados por uma matriz de comutação SDH, que executa operações
de inserção/derivação dos tributários sobre os agregados.
No ADM de acesso total, é possível a inserção/derivação de qualquer tipo de VC de
qualquer um dos dois agregados; caso contrário, temos um ADM de acesso parcial. Existe ainda
o ADM que permite a inserção/derivação apenas de HOVC (ADM tipo 1) e aquele que permite
também a retirada de LOVC (ADM tipo 2). O ADM tipo 1 pode ser entendido como uma
estação ferroviária, onde vagões são retirados e inseridos em composições, sem que se altere a
carga dentro dos vagões; no ADM tipo 2, parte da carga dos vagões podem ser
retiradas/inseridas.

Figura 4.13. Equipamentos SDH.
Um equipamento SDxC consiste num conjunto de matrizes de comutação SDH associadas a
um conjunto de tributários, de modo que sinais provenientes de um tributário podem ser
conduzidos a qualquer outro tributário diferente. Há dois tipos de SDxC que se distinguem em
relação ao nível dos tributários comutados.
O SDxC 4/4 permite apenas a comutação de HOVC entre os agregados e, portanto, é
implementado pela matriz HPC. Os SDxC que comutam LOVC são denominados SDxC 4/1
(comutação de VC-12), SDxC 4/3 (comutação de VC-3) e SDxC 4/3/1 (comutação de VC-12 e
V-3) e são implementados pela matriz LPC e HPC. A figura 4.13 ilustra estes 3 tipos de
equipamentos em uma configuração particular.
4.6.7. Topologias de rede
Os equipamentos SDH podem ser combinados para produzir diferentes topologias
elementares de rede, tais como: Enlaces ponto-a-ponto; Anéis de ADM’s; Cadeias de ADM’s e
Estrela. Os Enlaces ponto-a-ponto são constituídos por ligações directas entre 2 nós e podem ser
implementados por um LTM em cada extremidade do enlace. As Cadeias de ADM’s são
formadas por ADM’s nos nós intermediários e 2 LTM’s terminais.
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Figura 4.14. Topologias elementares.

Figura 4.15. Fluxo de informações nos anéis.
Os Anéis de ADM’s podem ser representados como uma “cadeia fechada” formada por 3 ou
mais ADM’s. Existem 2 tipos de anéis: bidirecionais e unidirecionais. Nos anéis bidirecionais, a
informação pode trafegar nos 2 sentidos do anel (horário e anti-horário), enquanto que nos anéis
unidirecionais, apenas um sentido é permitido. Dependendo do número de fibras que interligam
os ADM’s, os anéis podem ser classificados em anéis a 2 fibras e anéis a 4 fibras.
Na topologia em Estrela, uma estação central (também chamado de hub) concentra e
distribui a demanda vinda ou originada das outras estações. Pode ser implementada por SDxC no
hub central e por LTM’s nas extremidades. A figura 4.14 mostra exemplos destas topologias
elementares. A figura 4.15 mostra como as informações flúem através de anéis bidirecionais e
unidirecionais.
4.6.8. Confiabilidade de rede
Na eventualidade de ocorrência de falhas, a rede deve assegurar níveis de confiabilidade
aceitáveis, sobretudo no que se refere aos grandes volumes de demanda. Tal comportamento é
alcançado pela redundância da topologia e/ou busca de conexões (ou caminhos) alternativas, ou
seja, tudo depende de uma criteriosa selecção dos equipamentos que integrarão a rede. As
topologias fornecem as conexões que devem assegurar uma maior confiabilidade da rede.
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Diversos esquemas de protecção são combinados numa mesma rede SDH para torná-la mais
confiável. Descreveremos alguns deles, tais como:
• Anéis auto-regenedores (Self-Healing Rings);
• Redes baseadas em Cross-connect; e
• Proteção em Enlaces ponto-a-ponto e cadeias.
A proteção por Anéis auto-regeneradores é possível graças a dupla conectividade oferecida
pelo anel. Os ADM’s que compõem o anel possuem funcionalidades que permitem
reconfiguração automática na presença de falhas, em 2 processos conhecidos por Line Switching
e Path Switching.

Figura 4.16. Esquema de protecção em anéis (Line Switching).
No esquema de protecção Line Switching (comutação do enlace), geralmente utilizado em
anéis bidirecionais, quando ocorre uma falha num enlace óptico, o sinal STM-N é desviado por
um enlace alternativo. Essa falha é detectada pelos 2 ADM’s que interligam o enlace no qual
ocorreu a falha, daí o nome. Estes ADM’s é que serão responsáveis pela comutação da
informação pelo enlace alternativo, conforme podemos observar pela figura 4.16.
Já no esquema Path Switching (chaveamento do caminho), geralmente utilizado em anéis
unidirecionais a 2 fibras, os VC’s são duplicados e enviados por 2 caminhos alternativos,
conforme pode ser visto na figura 4.17. A falha em algum enlace do caminho utilizado é
detectado pelos ADM’s terminais deste caminho, que são responsáveis pelo chaveamento da
informação pelo caminho alternativo.
Os anéis podem ainda interligar-se entre si, aumentando a confiabilidade da rede. A
conexão de dois anéis dentro de uma mesma estação através de um ADM de cada anel não
garante a protecção contra falha no nó. A solução é duplicar esta conexão através da interligação
de dois ADM’s de uma estação a dois ADM’s da outra, uma configuração em Anéis
Biconectados.
Os equipamentos SDxC que compõem as redes baseadas em Cross-connects possuem alto
poder de comutação entre tributários, facilitando a busca de caminhos alternativos. Na
ocorrência de falha num determinado caminho, os SDxC’s são automaticamente reconfigurados,
comutando a informação por um caminho alternativo.
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Figura 4.17. Esquema de protecção em anéis (Path Switching).
Os esquemas de protecção em enlaces ponto-a-ponto e cadeias são geralmente realizados
pela duplicação dos componentes eletro-ópticos dos equipamentos e dos cabos de fibras ópticas.
Na duplicação de componentes eletro-ópticos, o sinal é duplicado na origem e enviado através de
pares de fibra óptica distintos. Uma cópia do sinal é enviada por um caminho e a outra é roteada
automaticamente por um caminho disjunto do realizado pelo primeiro par, conforme mostrado na
figura 4.18. Dois tipos de configuração são possíveis nesta estratégia: 1+1 e 1:N. Na
configuração 1+1, cada sistema de protecção é destinado a apenas um sistema de trabalho. Já na
configuração 1:N, N sistemas de trabalho compartilham um único sistema de protecção.

Figura 4.18. Protecção por caminhos disjuntos.
4.6.9. Camadas de rede
Uma estratégia eficiente de organizar uma rede de forma a suportar um crescimento cada
vez mais complexo e eficiente é dividi-la em camadas. Apresentaremos duas divisões possíveis,
a primeira baseada na taxa de transmissão dos enlaces, e a segunda baseada na funcionalidade
desempenhada por cada camada de rede (modelo funcional).
Divisão pela capacidade de transmissão dos enlaces
Pode-se pensar numa rede de rransporte em 2 níveis: uma de alta capacidade de transmissão
formada pelas estações mais importantes fortemente conectados (sub-rede backbone), outra de
baixa capacidade formado pelos nós menos importantes que se ligam ao backbone (figura 4.19).
A sub-rede backbone é minimamente formada pelos hubs, podendo incorporar outras estações
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importantes.

Figura 4.19. Sub-redes backbone e de acesso ao backbone.
Modelo funcional e Camadas de Rede
A rede de transporte SDH pode ser considerada também a partir de uma concepção que
subdivide esta rede em camadas funcionais, onde cada camada realiza funções específicas e
transporta algum “conteúdo” específico de um ponto a outro. Nesta tese, propomos um modelo
composto por 4 camadas (figura 4.20):
• Camada de Circuitos;
• Camada de Vias subdividida em Baixa Ordem (VC-12 e VC-3) e Alta Ordem (VC-4);
• Camada de Enlaces (ou de Equipamentos);
• Camada Física (ou de Fibra Ópticas).

Figura 4.20. Camadas do modelo funcional.
A Camada de Circuitos traduz o tráfego dos serviços requeridos pelos usuários numa taxa de
bits equivalente. Esta taxa calculada para todos os enlaces da rede, fornece uma matriz de
demanda dos assinantes, que será utilizada como dado de entrada pelas outras camadas.
Os nós desta camada correspondem a estações, pontos de localização de centrais de
comutação telefónica e de acesso de usuários a outros serviços (dados, imagens, TV, etc), e os
arcos representam a necessidade de fornecer taxas de transmissão entre estes pontos para suporte
dos serviços.
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O tráfego gerado pela necessidade de comunicação entre os usuários é traduzido em
demandas entre as estações, cuja taxa de transmissão depende de cada serviço suportado:
• Circuitos de 64 Kbps da comutação telefónica, multiplexados em módulos de 2 Nbps;
• Linhas telefónicas privadas a 2 Nbps;
• Circuitos de TV a S4 Nbps;
• Dados PDH de 8 Nbps, S2 Nbps ou 14u Nbps;
• Células ATM de S8 bytes multiplexadas em módulos de 1SS Nbps ou 622 Nbps.
Estes dados são apresentados na forma de matrizes de demanda entre as estações, uma para
cada tipo de serviço e/ou taxa de transmissão e repassados como dados de entrada para a camada
de vias.
Na Camada de Vias (ou Lógica), essas demandas são empacotadas em VC’s que, por sua
vez, serão roteados entre as estações. Esta camada é subdividida em 2 subcamadas, uma para os
VC’s de baixa ordem (VC-12, VC-3) e outra a de alta ordem (VC-4). Nesta camada são
definidos: (1) os números e tipos de VC’s entre as estações e (2) como os LOVC’s são mapeados
ou arrumados em HOVC’s. Esta última actividade é realizada por uma matriz de comutação
denominada LPC. A matriz de VC’s entre estações gerada por esta camada é repassada para a
Camada de Equipamentos.
















Figura 4.21. Fluxo de informações no Modelo em Camadas.
Na Camada de Enlaces (ou Equipamentos), os VC’s são multiplexados em STM-N,
definindo-se as taxas de transmissão do conjunto de equipamentos que serão instalados, como
estes equipamentos são combinados em topologias elementares para formar a topologia de rede,
e por quais equipamentos as demandas em VC serão roteados.
PLANEAMENTO DA CAMADA DE CIRCUITOS
Elaborar previsão de demandas
PLANEAMENTO DA CAMADA DE ENLACES
Rotear canais de 2 Mbps, 8 Mbps, 34 Mbps, 140 Mbps sobre STM-N
PLANEAMENTO DA CAMADA DE VIAS
“Arrumar” canais de 2 Mbps, 8 Mbps, 34 Mbps, 140 Mbps em VC-12,
VC-3, VC-4 (LOVC).
“Arrumar” VC-12, VC-3, VC-4 nos STM-N (HOVC)
PLANEAMENTO DA CAMADA DE MEIOS FÍSICOS
Rotear STM-N sobre fibras ópticas
Fibras Ópticas
2 Mbps, 8 Mbps, 34 Mbps, 140 Mbps
STM-N
VC´s
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

96
A Camada Física trata da ligação entre as estações através de cabos de fibra óptica. Interessa
nesta camada a necessidade de regeneradores de sinais em alguns pontos. A necessidade de
transportar vários sinais ópticos em vários comprimentos de ondas dentro de um mesmo par de
fibras (WDM – Wavelenght Division Multiplexing). O diagrama da figura 4.21 mostra o fluxo
de informações entre as várias camadas do Modelo Funcional proposto.
4.6.10. Metodologias de planeamento
A subdivisão da rede de transporte SDH em camadas funcionais apresentada anteriormente
sugere que o planeamento também seja dividida em fases, embora a sequência de etapas
realizadas no planeamento não tenha que necessariamente coincidir com a sequência das
camadas do Modelo Funcional, como veremos adiante.
Na Metodologia a usar, o planeamento da Camada de Vias precede o da Camada de Enlaces,
ou seja, inicialmente “arrumaremos” os circuitos em VC-4 e posteriormente dimensionaremos os
equipamentos a partir destes VC-4. Finalmente, procedemos ao planeamento da Camada de
Meios Físicos.
4.7. Projecto de rede de fibra óptica em caxito.
4.7.1. Visão geral do estudo
Tendo em conta o desenvolvimento da rede estruturada de fibras óptica que esta a ser
desenvolvida em Angola, desenvolvemos um estudo, para o estabelecimento de uma rede de
fibra óptica para a cidade de Caxito, distribuída em quatro grandes centros habitacionais,
ocupando uma área de 6S28 km
2
. A cidade de Caxito possui pouco mais de 9u mil habitantes e
encontra-se situada no município do Dande.
Para o trabalho em causa será usada uma extensão de Su km de fibra óptica que cobrirá o
anel a ser dimensionado. Este anel terá três nós que estarão localizados no Governo da Província
do Bengo, na Angola Telecom e no Condomínio Palmeiras. Com esta rede poder-se-á dar
cobertura as insituições como Governo da província, Administração municipal, bancos,
hospitais, etc.
O Nó SDH no Governo da Província do Bengo (Nó SDH A) dista 7,8S km do Nó SDH na
Angola Telecom (Nó SDH B); o nó SDH na Angola Telecom dista 8 km do nó SDH no
Condomínio Palmeiras (Nó SDH C); e este por sua vez dista 1S km do nó SDH no Governo da
Província do Bengo (Nó SDH A), figura 4.22.
Neste momento o sistema comporta uma rede com capacidade de Suu linhas, possuindo
apenas 16u assinantes, tendo uma capacidade de 2uu linhas para a rede primária. A tecnologia
de transmissão é por microondas. Existe o serviço de telefonia sem fio com um total de 2500
linhas. Os serviços associados a tecnologia ADSL com uma largura de banda de 1 NBz, que
comportam S12 linhas não estão ainda comercializadas, a velocidade de Internet é de 1SS Kbps,
está em implementação uma rede de cobre que permitira um maior número de acesso.
Constatamos um crescimento muito pequeno na utilização da rede fixa comparativamente a rede
de telefonia móvel. Concorre para este facto a quase inexistente oferta de outros serviços com
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

97
qualidade e preços baixos, por isso a integração dos serviços, o melhoramento da qualidade de
serviço a prestar e uma política de preços adequada em função dos rendimentos da população
poderão ser elementos catalisadores de adesão de um maior número de assinantes a rede de
telefonia fixa.
Pensamos que uma maior divulgação dos benefícios da rede e dos serviços e capacidade da
rede poderão servir como outro elemento de atracção de novos clientes. Será necessário a
implantação da rede as instituições de utilidade pública bem como a implantação de cabinas
públicas e formas expeditas de pagamento, o acesso a Internet deverá ser encarado como uma
forma de adesão aos serviços de telefonia fixa dado aos diversos serviços disponíveis.

Figura 4.22. Estrutura de rede óptica sob SDH em Caxito.
Para o trabalho usaremos fibras do tipo monomodo tendo em conta a obtenção de taxas de
transmissão cada vez mais altas. Propomos a comutação electrónica digital síncrona via SDH,
usando como fonte luz um laser. Para atendimento a demandas futuras o sistema deverá suportar
transmissão do sinal será usada com multiplexação por comprimento de onda WDM, oferecendo
serviços como: e-mail, vídeo de alta resolução, multimédia, TV e voz sobre tecnologia IP –
Internet Protocol. Actualmente as transmissões de dados utilizam meios de transportes sobre
circuitos de voz, o que se verifica como tendência é que a voz seja transportada sobre redes de
dados SDH, sobre camada óptica.
A rede proposta será em anel bidireccional a duas fibras, sendo um para a transmissão e
outra para a protecção do sinal, com uma taxa de transmissão de até 622 Nbps, capacidade
comparável a mais de 6uuu conversações simultâneas. Um projecto de enlace óptico é
basicamente entendido como a selecção de três elementos básicos (transmissor, receptor, cabo

R

óptic
O
trans
confi
proje
comu
4
U
P
N
deno
infor
trans
comb
serão
O
entre
2 Nb
T


A
total
D



D
O

REBES 0PTICA
co).
O objectivo
smissão esp
fiabilidade (
ecto é basica
unicação dig
4.7.2. Dim
Utilizaremo
Planeamen
Na Camada
ominados ST
rmações ad
smissão do
binados par
o roteados.
Os dados de
e estações
bps.
Tabela 4.4.
A partir da
da rede:
Demanda t
• Estação A
• Estação B
• Estação
Demanda t
O fluxo máx
• Rota AB
P
AS 0RBANAS
o do planeam
ecifíca e ob
(disponibili
amente a m
gital por ser
mensionam
os o sistema
Figu
nto da cama
a de Enlace
TM-N. Este
dicionais pa
conjunto d
ra formar a
e entrada qu
e a matriz d
Matriz de d
matriz de e
total de cad
A = 2uu cir
B = 2uu cir
C = 2uu ci
total da red
ximo com p
B: 2uu circu
E
E
PRINCÍPI0S BE
mento é gar
bedecendo a
dade do si
mesma para
r a mais com
mento do
a de grafos d
ura 4.23. Loca
ada de enla
es, os VC-4
e contém u
ara gerir os
de equipame
a topologia
ue serão usa
de demanda
demanda da
ntrada pode
da estação:
rcuitos de 2
rcuitos de
ircuitos de
de: 300 cir
possibilidad
uitos de 2 N

stação A
stação B
E C0NSTR0CÂ
rantir a info
a critérios d
istema). É
a enlaces d
mum em tra
s enlaces
da rede prop
alização geogr
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4 são multi
um cabeçalh
s enlaces d
entos que s
de rede, e
ados no pla
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ada em núm
emos calcul

2 Nbps


cuitos de 2
de de ser esc
Nbps; uso de
Estaçã
1uu

0 BE REBES 0
ormação a u
de qualidad
importante
de curto ou
ansmissão ó
e dos nós
posta para C
ráfica das esta
iplexados e
ho denomin
da rede. Ne
serão instal
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aneamento d
a par de esta
mero de cana
lar a demand
2 Mbps
coado por c
e STM-4
ão B
u
0PTICAS 0RBA
uma dada di
e (probabili
enfatizar
u longa dista
óptica.
s da rede
Caxito:
ações ou nós d
em módulos
nado SOH (
esta camada
ados, como
equipament
da camada d
ações em ter
ais de 2 Nbp
da total de c
ada rota da
Estação C
1uu
1uu
ANAS
istância, a u
idade de err
que a metod
ancia dedica
da rede.
s de transpo
(Section Ov
a definimo
o estes equi
os as dema
de enlaces s
rmos de sist
ps
cada estaçã
rede é:
uma taxa de
ro de bit) e
dologia de
amo-nos a

orte síncron
verHead) c
s as taxas
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andam em V
são as relaçõ
temas de
o e a deman

98
e
de
nos
om
de
são
VC
ões
nda
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

99
• Rota AC: 2uu circuitos de 2 Nbps; uso de STM-4
• Rota BC: 2uu circuitos de 2 Nbps; uso de STM-4
Cada canal de 2 Nbps é “arrumado” em VC-12. Com isso tem-se 200 VC-12 em cada rota.
Planeamento da camada de vias
O Planeamento da Camada de Vias tem por objectivo definir os VC-4 pelos quais as
demandas serão escoadas. Para isso, serão utilizados os resultados obtidos no Planeamento da
Camada de Enlaces, ou seja, uma solução de rede que contém as topologias seleccionadas e suas
respectivas taxas de transmissão (módulos STM-N).
Os arcos seleccionados possuem uma capacidade total (CAPT
ij
) que depende da sua taxa de
transmissão, e uma folga total (FLGT
ij
) que expressa a diferença entre a sua capacidade total e a
demanda prevista para cada rota.
A partir de CAPT
ij
, podemos calcular o número de VC-4 disponíveis no enlace entre i e j
(VC
ij
) sabendo que em um VC-4 cabem 6S VC-12:
IC
ì]
=
CAP1
i]
63
(4.9)
A metodologia aqui proposta é baseada em regras criteriosas que buscam alocar toda a
demanda de canais E1 dentro dos VC-4 disponíveis nos arcos, objectivando minimizar as
actividades de transconexão ou cross-connection (troca de posição de tributários entre diferentes
agregados), actividades que necessitam de matrizes de comutação 4/1 ou matrizes LPC
(comutação de VC-12 ou de baixa ordem) para serem realizadas. Visando atingir tais objectivos,
esta metodologia propõe a criação de dois tipos de VC-4: directos e mistos.
O container VC-4 directo transporta demandas de uma mesma origem para um mesmo
destino e não é submetido a actividades de comutação 4/1 em pontos intermediários, sendo
montado e desmontado somente nas estações geradoras da demanda. Isto significa que as
demandas alocadas neste tipo de VC, terão apenas uma etiqueta POH ao longo de seu trajecto na
rede.
O container VC-4 misto transporta demandas de diferentes origens para diferentes destinos e
realiza comutação 4/1 em algum ponto intermediário. Portanto, essas demandas terão mais de
uma etiqueta POH ao longo de seu trajecto. Porém, se os VC-4 misto transportarem demandas
inter-relacionadas (demandas que possuem estações de origem/destino em comum), estas
actividades de comutação serão minimizadas.
A alocação para cada arco será:
CAPT
ij
 = 2S2 canais E1 = IC
ì]
=
252
63
= 4
FLGT
ij
= S2 canais E1
Cada rota possui 2uu canais E1, o que significa que três VC-4 estarão mapeados com 6S
E1´s e um VC-4 estará mapeado com 11 E1´s. Na rede teremos um total de doze VC-4, quatro
em cada rota.
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

100
Planeamento da camada de meios físicos 
Para o efeito de funcionamento de um sistema de transmissão em fibra óptica, é necessario
que o enlace óptico não atenue, nem distorça o sinal óptico, além do permitido (de acordo com a
potência transmitida e a sensibilidade do receptor), a fim de não se atingir a máxima taxa de erro
permitida para o enlace óptico, (BER – Bit Error Rate), que é da ordem de 10
-10
, ou seja, um bit
recebido com erro para cada 10 bilhões de bits transmitidos.
Os requisitos fundamentais na análise de qualquer sistema digital por fibra óptica são:
• Distância pretendida (ou possível)
• Taxa ou capacidade de transmissão
• Taxa de erros
Para preencher estes requisitos o projectista dispõe da escolha dos seguintes componentes (e
respectivas características associadas):
1. Fibra óptica
• Multimodo ou monomodo
• Largura de banda ou dispersão
• Atenuação
• Comprimento de onda
• Dispersão cromática
• Abertura numérica
2. Transmissor óptico
• Emissor óptico LED ou laser
• Potência óptica
• Comprimento de onda de operação
• Largura espectral da fonte
• Perdas de acoplamento com a fibra
• Taxa de transmissão suportada pelo transmissor óptico
3. Receptor óptico
• Fotodiodo PIN ou de avalanche (APD)
• Comprimento de onda de operação
• Taxa de recepção suportada pelo receptor
• Sensibilidade
Metodologia do projecto 
Duas análises são normalmente efectuadas para assegurar que o desempenho pretendido do
sistema é alcançado:
• Balanço de potência óptica. Através do balanço de potência óptica do sistema
determina-se qual o alcance do sistema (how far), tendo em consideração as perdas presentes na
ligação.
• Balanço do tempo de subida ou dispersão. A obtenção de um balanço de potência
óptica satisfatória não é condição suficiente para garantir o correcto funcionamento da ligação. É
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

101
necessário uma análise complementar do tempo de subida ou dispersão para verificar se o débito
pretendido (how fast) é suportado pelos componentes seleccionados.
Solução
Requisitos do sistema
• Distância máxima: B
max
= 2u km
• Taxa de transmissão: 622 Nbps
• Taxa de erro: 1u
-10

Escolha dos componentes
1. Transmissor óptico com laser DFB
• Comprimento de onda de operação: λ = 1SSu nm
• Potência óptica acoplada à fibra: P
Tx
= -S uBm.
• Largura espectral do emissor: Δλ
s
= u,uu1 nm
• Penalidades: S uB
2. Fibra óptica
• Fibra monomodo de dispersão deslocada e não nula, NZ-DSF (G.655)
• Atenuação máxima da fibra: α
\
= u,SS uB. km
-1

• Dispersão cromática na banda C : (2,6 – 6,u)ps. nm
-1
. km
-1

• Dispersão cromática a 1550 nm: B
\
= 4 ps. nm
-1
. km
-1

3. Receptor óptico com fotodiodo PIN
• Penalidades: S uB
• Largura de banda óptica do receptor: W
o
= 2,S uBz
4. Conectores e emendas
• Perda de inserção: u,7 uB
• Atenuação nas emendas: u,S uB
• Atenuação média nas emenda e conectores: α
m
= u,S uB
5. Cabo óptico
• Loose de 2 fibras
No cálculo do balanço de potência, e no subsequente cálculo de dispersão assume-se a
aproximação designada por pior caso. Nesta aproximação, apenas são considerados os piores
valores para os diversos parâmetros dos componentes envolvidos numa ligação por fibra óptica.
Esta aproximação penaliza a distância de transmissão do sistema, mas garante a 100%, durante o
tempo de vida útil do sistema, que os valores da atenuação e da dispersão são inferiores aos
valores calculados para a ligação (e que constituem a especificação do sistema).
Balanço de potência
A camada física deve ser projectada de tal maneira a levar em conta uma série de
degradações, que resultam em penalidades de potência ao sistema. Será necessário que façamos
um estudo da distribuição das potências em um enlace óptico. Estes parâmetros são
características específicas dos componentes ópticos e electro-ópticos utilizados no enlace óptico.
As penalidades podem ser envelhecimento dos componentes, gorjeio do laser, absorção pela
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

102
fibra óptica, etc. Estas penalidades todas, além das emendas extras a serem introduzidas na fibra
por acidentes serão consideradas na Margem de Segurança.
















Figura 4.24. Distribuição de potência num enlace óptico.
A distribuição de potência em um enlace óptico está representada na figura 4.24. O raciocínio
apresentado aqui para a distribuição de potência em um enlace óptico pode ser aplicado a
qualquer sistema de transmissão.
• Dimensionamento do enlace óptico
Para dimensionar o enlace óptico, necessitamos definir três dos parâmetros estabelecidos no
diagrama de distribuição de potência:
• Potência óptica acoplada à fibra – P
Tx

• Margem de Segurança – MS
• Sensibilidade óptica de recepção – S
0

• Potência óptica de recepção – P
Rx

Estes parâmetros são definidos pelo projectista em função das características do projecto. O
sistema que está sendo projectado não é um sistema de longa distância, que necessitará de ponto
ou pontos de regeneração do sinal trafegado. Com o objectivo de garantir que estes pontos não
serão realmente necessários devemos fazer com que os pontos extremos estejam afastados dentro
da máxima distância possível.
A potência de saída de um laser varia de 1 mW a 1u mW. Podemos assumir uma potência
de emissão a meio desta faixa: S mW. A deteminação da potência óptica média acoplada à fibra
depende do tipo de codificação em banda base. Assim, para o caso geral teremos um sinal do
tipo ON-OFF NRZ (com igual probabilidades de 1 e 0) e a potência óptica média é dada por:
P
Rx
(dB)
Potência Óptica de Recepção
(Potência óptica acoplada ao detector
óptico)
S
0
(dB)
Sensibilidade Óptica de Recepção
(Menor potência de recepção)
NBP = P
Tx
-P
Rx
= NTB -NS
NBP = `Atenuacões
MDP (dB)
Margem Disponível para o Projecto
NS = P
Rx
-S
0

MS (dB)
Margem de Segurança
(Envelhecimento + penalidades + previsões
das emendas)
NTB = P
Tx
+S
0

MTD (dB)
Margem Total Disponível
P
Tx
(dB)
Potência Óptica de Transmissão
(Potência óptica acoplada à fibra)
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

103
P
1x
=
P
mcx
(0N)+P
mcx
(0PP)
2
(4.10)
Como P
mux
(0N) > P
mux
(0FF) , então:
P
1x
=
P
mcx
(0N)
2
(4.11)
P
1x
=
5 mw
2
= 2,S mw = 4 JBm
A Margem de Segurança deve prever o envelhecimento dos componentes utilizados nos
enlaces ópticos, as penalidades e a atenuação que poderá ser introduzida por emendas extras.
Desta forma estaremos definindo uma margem de 6 uB para o envelhecimento do laser e do
detector óptico (S uB para cada um), 2 uB para as emendas extras e 2 uB para as penalidades,
totalizando 1u uB para a Margem de Segurança.
A sensibilidade do receptor que é a potência média que deve receber-se para obter a BER
para taxa de transmissão binária especificada. Num sistema que emprega sinais NRZ, supondo
que a transmissão de 1s e 0s são equiprováveis e que não se transmite potência óptica para se
transmitir um 0, a potência média no receptor é:
P
mcd
=
P
rx,1
+P
rx,0
2
=
P
rx,1
2
(4.12)
As componentes do ruido do sistema, ao transmitir um 1 são devidas ao ruido térmico e
shot, ao passo que ao transmitir um 0 só se considera o ruido térmico já que ao receber um 0 o
fotodiodo não produz corrente. Logo:
o
1
2
= o
th,1
2
+o
sh,1
2

o
0
2
= o
th,0
2
(4.13)
O BER está relacionada com um factor Q pela expressão:
BER =
1
2
cr¡c I
0
√2
] =
1
√2n
] c
-
1
2
x
2
«
0
Jx =
1
√2n0
c
-
O
2
2
(4.14)
O factor Q se define como:
0 =
I
1
-I
0
c
1
+c
0
(4.15)
onde I
1
é a corrente média gerada pelo fotodetector quando recebe um 1 e I
0
é a corrente média
do fotodetector quando recebe um 0; σ
1
e σ
0
são as varianças do ruido na presença de um bit 1 e
0 respectivamente.
Primeiro é determinado o valor ideal de Q que é necessário para uma determinada BER. A
partir da expressão (4.14), para BER = 1u
-10
, teremos:
1u
-10
=
1
√2n0
c
-
O
2
2
= 0 = 6,S6S
A corrente gerada pelo fotodiodo PIN será I
1
= +P
mcd,1
=
1
2
+P
¡x
. Então:
0 =
I
1
-I
0
c
1
+c
0
=
1
2
+P
rx
c
1
+c
0
=
+P
rx
2(c
1
+c
0
)
(4.16)
Incorporando as expressões (4.13) na expressão (4.16) obtém-se:
0 =
+P
rx
2|¹c
th,1
2
+c
sh,1
2
+c
th,0
+
(4.17)
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

104
Sabe-se que σ
th,0
= σ
th,1
= σ
th
, e substituindo a expressão (2.48) na expressáo (4.17) e isolando
P
rx
obtém-se:
P
¡x
=
40
+
o
th
+
40
2
R
ow
c
, com o
th
= ¹
4k
B
1
R
L
w
c
F
n
.
P
rx
representa a mínima potência que se deve ter no receptor para que se alcance uma BER de
1u
-10
como especificado, ou seja, esta deve ser a sensibilidade do receptor, S
0
.
S
0
=
40
+
(o
th
+o0w
c
) (4.18)
Levando-se em conta as penalidades para os componentes prevista na margem de segurança, a
potência de recepção, P
Rx
, deve ser:
P
Rx
= S
0
+HS (4.19)
Para valores típicos teremos F
n
= S uB = 1,99S; R
L
= Suu Ω; W
c
= u,7SB
b
= u,7S ×
622 NBz = 466,S NBz ; + = u,9 e T = Suu K. A variança do ruído térmico será:
o
th
= ¹
4×1,38×10
-23
×300
500
× 466,S × 1u
6
× 1,99S = 1,7S6 × 1u
-7
A
e a sensibilidade será:
S
0
=
4×6,635
0,9
(1,7S6 × 1u
-7
+1,6u2 × 1u
-19
× 6,6SS × 466,S × 1u
6
)
= 4,968 × 1u
-6
W
S
0
= 4,968 μW = -2S uBm
A potência óptica de recepção (de acordo com a expressão 4.19) será P
Rx
= -1S uBm.
Os valores aqui definidos não podem ser considerados padrões, pois poderão depender das
características do enlace a ser projectado. Assim ficaram definidos os parâmetros:
• P
Tx
= 4 uBm
• P
Rx
= -1S uBm
• S
o
= -2S uBm
• NS = 1u uB
A Margem Disponível para o Projecto (de acordo com a figura 4.25) é dada por:
HÐP = P
1x
- P
Rx
= ∑Atcnuocõcs (4.20)
NBP = 4 uBm-(-1S uBm) = 17 uB
Podemos dimensionar cada um dos enlaces ópticos usando ou não amplificação óptica. É
claro que na condição de se usar a amplificação óptica teremos um alcance maior para cada um
dos enlaces e por consequência um menor número de pontos repetição regenerativa. Assim
podemos dimensionar o enlace óptico considerando o uso ou não dos amplificadores ópticos.
A Margem Disponível para o Projecto – MDP – representa na verdade a máxima atenuação
no enlace óptico. Assim para se conseguir a máxima distância entre dois pontos de regeneração
iremos, a princípio utilizar toda esta margem disponível.
Supondo que a distância máxima seja definida por D
max
, a atenuação total do
enlace óptico, A
T
, é dada por:
HÐP = Ð
mux
o
x
+I
Ð
mcx
L
m
-1] o
m
= A
1
(4.21)
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

105
Nesta expressão, L
m
representa a distância de cada troço de fibra, ou seja a distância entre
duas emendas consecutivas. Vamos assumir que as bobinas de cabos ópticos são fornecidas com
2 Km de fibra. Tomaremos como atenuação média nas emendas a média aritmética das
atenuações nos conectores e nas emendas, que no caso será u,S uB. Com estes parâmetros
substituídos na expressão (4.14) obtemos:
NBP = u,SSB
max
+I
D
max
2
-1] × u,S = 17
B
max
= 29,17 km
Esta distância pode ser aumentada se os cabos de fibras de fibra possuirem comprimento
maior que 2 km. Aumentando o comprimento das bobinas de cabos estremos diminuindo o
número de emendas no enlace e como consequência, diminuimos a atenuação. Por exemplo, para
cabos de fibra com 4 km de comprimento a distância se estenderia para S6,84 km.
Para o nosso projecto, a distância máxima é de 16 Km pelo que, com o resultado obtido, não
serão necessários regeneradores nem amplificadores ao longo dos enlaces. Realçar que na prática
as estações multiplexers já incorporam funções de amplificação.
Pode-se associar a relação sinal/ruido (SNR) com a correspondente BER através da
expressão (4.22):
0
]
=
2SNR¹
W
c
W
c
1+√1+4SNR
; com 0
]
= 0 +HS (4.22)
Onde W
o
é a largura de banda óptica do receptor e W
e
é a largura de banda eléctrica do
receptor.
Passando Q para decibéis resulta 0
dB
= 2ulog0 = 2u × log6,S6S = 16 uB. Em seguida,
adiciona-se as penalidades (margem de segurança) de potência devido a cada degradação.
0
I,dB
= 0
dB
+NS = 16 uB +1u uB = 26 uB, ou 0
I
= 19,9S.
Isolando o SNR na expressão (4.22), tem-se:
SNR =

W
c
W
c
+0
]
1w
c
0
]
w
c
(4.23)
Com o valor da expressão (4.23), pode-se ter uma estimativa de quanto é a relação
sinal/ruido que um determinado sinal deve produzir no receptor para proverdeterminada BER.
Considerando os valores típicos W
c
= 466,S NBz; W
o
= 2,SuBz; tem-se:
SNR =

2,S×10
9
466,S×10
6
+19,95+×466,5×10
6
×19,95
2,5×10
9
= 82,88S
SNR
dB
= 1ulogSNR = 1u × log82,88S = 19,18S JB
Balanço do tempo de subida (ou de dispersão)
Para assegurar o correcto funcionamento do sistema é também necessária uma análise da
dispersão total do sistema, que no caso dos sistemas digitais é equivalente a uma análise do
tempo de subida ao longo da ligação.
O tempo de subida do sistema é dado pela expressão:
PRINCÍPI0S BE C0NSTR0CÂ0 BE REBES 0PTICAS 0RBANAS

REBES 0PTICAS 0RBANAS

106
t
sìstcmu
= .∑ t
2
ì ì
= ¹t
10
2
+t
R0
2
+t
]
2
(4.24)
onde:
t
TO
→ tempo de subida do transmissor óptico
t
RO
→ tempo de subida do receptor óptico
t
f
→ tempo de subida da fibra devido a dispersão material
Tempo de subida do transmissor e do receptor óptico
Uma regra empírica relacionando o tempo de subida quer do transmissor quer do receptor
com as suas larguras de banda é dada pela expressão:
t
10
= t
R0
=
0,35
w
(4.25)
onde W é a largura de banda óptica do transmissor e do receptor. O tempo de subida poderia
ainda ser determinado experimentalmente, considerando pulsos quadrados na entrada,
determinando-se o tempo de subida correspondente ao intervalo de tempo que o sistema demora
entre 10% e 90% da amplitude do impulso (diferença entre o valor mínimo e máximo do
impulso).
Tempo de subida da fibra devido a dispersão material
O tempo de subida associado á dispersão material é dado pela expressão:
t
]
= Az
s
Ð
x
I (4.26)
Onde, Δλ
s
é a largura espectral da fonte; D
λ
é o parâmetro da dispersão material da fibra; L é
o comprimento do enlace.
Associando às expressões (4.24), (4.25) e (4.26) as características do sistema obtemos:
t
sìstcmu
2
= 2 I
0,35
w
]
2
+(Az
s
Ð
x
I)
2
(4.27)
t
sIstcma
2
= 2 × I
0,35
2,5×10
9
]
2
+(u,uu1 × 4 × 1u
-9
× 2u)
2

t
sIstcma
2
= S9,2 × 1u
-21
s
2

t
sIstcma
= 198 × 1u
-9
s = 198 ps
O débito binário ou taxa de transmissão suportado pelo sistema é da do por:
Ð
b
=
1
t
sistcmc
[bps] (4.28)
Numericamente, para os parâmetros do sistema, temos:
B
b
=
1
198×10
-9
= S,uS × 1u
9
bps = S,uS ubps
Conclui-se, pois que com os parâmetros dos componentes sugeridos o sistema poderá
suportar uma expansão futura para uma taxa de transmissão de até 2,S ubps. Em cada enlace
óptico o BER é de 1u
-10
.



CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS

 

 

1.1. Alguns conceitos sobre a luz e sobre a teoria eletromagnética
Até o século passado, foram introduzidos os preceitos da Óptica Geométrica, que utiliza o traçado de raios para analisar os fenómenos da propagação. O estudo de irradiação como fenómeno representado por um conjunto de raios é válido quando as dimensões do meio forem muito grandes comparadas com o seu comprimento de onda. Todavia, existem fenómenos que só podem ser completamente estudados a partir da aceitação de uma característica de dualidade onda-partícula. Esses fenómenos, incluindo a geração da luz, a emissão e absorção de energia por átomos e moléculas, as interações com o meio e com partículas microscópicas carregadas, tais como electrões e positrões, devem ser estudados Teoria Quântica da Irradiação. Essa teoria estabelece que uma irradiação pode comportar-se como onda ou como partícula, dependendo das circunstâncias ou do fenómeno a ser interpretado. A quantidade de energia correspondente é múltipla de um valor fundamental denominado quantum (plural quanta), que actuaria como um corpúsculo de massa nula associado ao campo eletromagnético. Quando a frequência da irradiação estiver na faixa de luz, o quantum de energia é mais conhecido como fotão. Segundo a lei de Planck, o quantum de energia é directamente proporcional à frequência f da irradiação eletromagnética. A energia do fotão é:                                                                                                                                               (1.1)  sendo    6,626 10 . a constante de Planck.

1.2. Equações de Maxwell
Recordemos as equações de Maxwell para meios isótropos, não magnéticos e sem carga livre: 0 0 (1.2)

Pode-se ver a similaridade destas expressões com a expressão geral de uma equação de onda: 0 Portanto, para as equações de onda dos campos eléctricos e magnéticos: (1.4) O espectro óptico inclui frequências entre 450 THz e 750 THz, correspondendo ao extremo inferior da faixa de infravermelho e o limite superior da faixa de ultravioleta. O interesse para comunicações ópticas são as freqüências no infravermelho na faixa de 150 THz a 400 THz, aproximadamente. São valores muito maiores do que os limites comuns de radiocomunicações. De acordo com a teoria eletromagnética, em um ambiente aberto, sem fronteiras próximas, os campos elétrico e magnético da onda são perpendiculares entre si e contidos em um plano transversal à direcção de propagação. Esta solução das equações de Maxwell é referida como onda eletromagnética transversal.
REDES ÓPTICAS URBANAS 

(1.3)

 

3   

CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS

 

 

Figura 1.1. Espectro electromagnético.

Medições e estudos mais confiáveis mostram que a velocidade da onda eletromagnética no 10  m. s 3 10  m. s , independentemente da frequência e do referencial utilizado. Esta representa a máxima velocidade com que a energia poderá deslocar-se em um meio ilimitado, sendo conhecida como velocidade limite. Em outros meios ilimitados, a velocidade da luz será sempre menor do que o valor no vácuo. O número que relaciona a velocidade no vácuo com a velocidade em outro meio, é o índice de refração: (1.5) Usualmente, em lugar das frequências ópticas expressam-se os correspondentes comprimentos de onda, que representa a distância necessária para que uma onda senoidal sofra uma variação de fase de 2π radianos, em uma direcção especificada. O valor pode ser calculado pela relação entre a velocidade de deslocamento da onda no meio e a sua frequência. Se o meio não for especificado, considera-se como sendo o vácuo e o comprimento de onda fica dado por: (1.6) A luz comum é constituída de diversas frequências próximas entre si, formando um sinal composto pela superposição dos vários campos. Como as frequências são bem próximas, as interferências entre elas darão origem a um sinal que apresentará valores resultantes da soma de componentes em fase (interferência construtiva) e componentes em contra-fase (interferência destrutiva). O sinal assim composto constitui um grupo de ondas que se desloca no meio. A velocidade de propagação deve ser considerada como a rapidez de deslocamento do conjunto que representa toda a irradiação e não a velocidade de uma única componente. Este deslocamento por unidade de tempo é conhecido como velocidade de grupo. Existem meios nos quais a velocidade de grupo é igual à velocidade de uma componente da onda. São os meios não-dispersivos e um exemplo é o meio ilimitado sem perdas, como é o caso do vácuo. Em meios dispersivos, a velocidade de propagação de cada componente depende da frequência. Assim, as relações de fase que deram origem às interferências construtivas e destrutivas em um certo ponto não são preservadas à medida em que o sinal avança na região.
REDES ÓPTICAS URBANAS 

vácuo é de 2,99792

 

4   

3. . m do fio de aço. fenómeno denominado dispersão. n1  n2  Figura 1.   Figura 1. entre a casca e a camada de plástico final estão incluídas duas outras camadas que podem ser de resina silicônica ou de acrilato. a fibra moderna apresenta camadas de proteção externas. etc. Por esta razão. Entretanto. A camada mais interna é um pouco REDES ÓPTICAS URBANAS    5    . Em geral.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     Como consequência. Vista em corte longitudinal e em corte transversal de uma fibra óptica. que pode ser composta por materiais dieléctricos distintos ou por dopagem de materiais semicondutores na sílica. Neste modelo. O guia de ondas óptico Uma fibra óptica é um ducto formado por materiais que são suficientemente transparentes para conduzir um feixe de luz visível ou infravermelho através de um trajecto qualquer. Esta diferença no índice de refracção esta relacionada com o perfil da fibra óptica. Vista em corte transversal de uma fibra óptica. A formação dessas microfracturas decorre de agentes externos. na prática. Para que haja reflexão total. assumindo o aspecto da figura 1.. reduzindo dramaticamente sua capacidade de suportar tracções ou outros esforços mecânicos. o que possibilita o fenómeno de Reflexão Total Interna na superfície entre a parte central (núcleo) e o cilindro periférico (casca). Experiências comprovam que um cabo de fibra óptica é capaz de suportar um esforço de tracção de 5000 MN. 1. que se propagam rapidamente em direcção ao núcleo. tem que ser maior que o índice da casca. contactos com partículas ou substâncias químicas do ambiente.3. m contra 3000MN. As dimensões indicadas estão em micrómetros. apresentando o núcleo e a casca sem as camadas de protecção externas. . apresentando o núcleo.3. o índice de refracção do núcleo. a casca e as camadas de proteção. Houve necessidade de se incluírem proteções. tais como humidade. a fim de se garantir sua durabilidade. o formato resultante modifica-se ao longo do meio de propagação. é possível a ocorrência de fraturas microscópicas na superfície. a fibra óptica é composta por dois cilindros concêntricos com diferenças de índice de refracção. variações de temperatura.2.

Isto acontece quando (ângulo crítico). Reflexão e refracção na interface entre doie meios. Somente os raios de luz que incidem para determinado ângulo na interface ar-núcleo (figura 1. Da lei de Snell teremos então:                                                                                                                                                     (1. sofrendo reflexão e/ou refração na interface entre os dois materiais. A figura 1.7) Quando o ângulo de incidência aumenta. do ponto de vista da óptica geométrica. Se pode-se ter 90°. Então. Funcionamento do guia óptico básico Pode-se obter um entendimento simplificado da propagação da luz na fibra através da óptica geométrica ou teoria dos raios.4. A fibra monomodo com camadas de acrilato possui o diâmetro do núcleo inferior a 10 µ  e seu diâmetro total externo é m inferior a 0. a luz pode ser considerada como consistindo de ''raios'' que se propagam em linhas rectas dentro do material (ou meio). como raio refratado. figura 1. Figura 1. 1. Na técnica da óptica geométrica. Esta técnica é válida quando o núcleo da fibra tem o raio muito maior do que o comprimento de onda de operação. As dimensões indicadas são para a denominada fibra multimodo.6) sofrerão reflexão interna total e então serão propagados. Um raio de luz do meio 1 incide na interface entre os meios 1 e 2. e a energia restante (desprezando-se a absorção) passa para o meio 2. REDES ÓPTICAS URBANAS    6    . a luz se propaga na fibra devido a uma série de reflexões internas totais que ocorrem na interface núcleo-casca.4 µm.8)  . As fibras com acrilato têm a vantagem de possuir um diâmetro final menor do que o modelo representado na figura 1. para actuar como elemento amortecedor de algumas agressões mecânicas externas. sendo Meio 2    Meio 1  .5. As leis da óptica geométrica estabelecem que   e os ângulos do raio refratado e incidente obedecem a lei de Snell.3. Para não existe raio refractado e toda a energia da onda incidente é reflectida. Existem outros valores recomendados pelos organismos internacionais que normalizam a fabricação das fibras ópticas e cabos. dada por: (1. Parte da energia é refletida para o meio 1. como raio refletido. Esse fenômeno é chamado de reflexão total interna. o ângulo de refracção também aumenta.4 mostra a interface entre dois meios com índices de refracção n1 e n2. O ângulo de incidência θ1 é o ângulo entre o raio incidente e a normal à interface entre os dois meios.4.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     mais macia.

denominado ângulo de aceitação (θa). Ou seja. θ . Seu valor é calculado por: . Um cone espacial chamado de cone de aceitação. REDES ÓPTICAS URBANAS    7    .     Figura 1. Por causa da diferença de índices de refracção entre o ar e o núcleo. para o qual   que permitirá a propagação da energia luminosa ao longo do núcleo.6. Na outra extremidade.7.5.     Figura 1. a abertura numérica define um cone de captação na sua face. A partir da figura 1. existe condições favoráveis para ser guiado pelo núcleo da fibra. a irradiação também ocorre dentro de um cone com idênticas características geométricas. o campo não será totalmente refletido e parte de sua energia é transferida para a casca. Propagação de raios de luz na fibra óptica por reflexão interna total   2 .6. Este ângulo depende dos índices de refracção do núcleo e da casca e define um parâmetro denominado abertura numérica. Se este ângulo for menor do que o valor crítico. Existe um valor máximo do ângulo de entrada na face da fibra. no final da fibra óptica tem-se uma situação simétrica à encontrada no ponto de excitação. Conceito de abertura numérica e ângulo de aceitação na face da fibra óptica.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS       Figura 1. O fato ocorrerá a cada nova reflexão e após uma curta distância quase toda a energia terá escapado do núcleo e não será útil para envio de mensagens em um enlace óptico. Transmissão do feixe de luz pelo núcleo da fibra óptica.9) Por causa da simetria cilíndrica circular da fibra óptica. o raio dentro do núcleo muda de direcção. (1. Quando o raio luminoso estiver dentro desse cone. o feixe de luz penetra no núcleo segundo um ângulo γ em relação ao eixo longitudinal da fibra. o que determinará o ângulo de incidência na superfície de separação com a casca.

5 representam esses modos de propagação. Como consequência. mas representa uma parte da energia guiada pelo núcleo. cada modo corresponde a uma trajetória diferente do raio luminoso. cada raio que for captado dentro do cone definido pela abertura numérica pode dar origem a um modo de propagação. onde se considera apenas a parcela da energia óptica no núcleo. associado a um ângulo máximo de REDES ÓPTICAS URBANAS    8    . Do ponto de vista da óptica geométrica. Parte desses raios incide na interface do núcleo com a casca com um ângulo superior ao ângulo crítico e representarão. Cada um dos raios inviesados está. A formação destes raios depende da maneira pela qual a luz é introduzida na fibra. O ponto em que o raio inviesado emerge da fibra óptica dependerá da quantidade de reflexões ao longo da trajectória de transmissão.5. velocidade de grupo. também. O campo resultante no interior da fibra é a soma de campos incidentes e reflectidos. Para uma excitação com fonte óptica não uniforme existirão muitos pontos por onde saem esses raios. somente os raios que incidirem com um ângulo maior ou igual ao valor crítico poderá originar um modo guiado no núcleo. As trajetórias da figura 1. A luz que for emitida por regiões da fonte fora dos limites do núcleo são acopladas à casca e não contribuem para o campo útil guiado. velocidade de propagação. que indica a direcção em que essa onda está se deslocando. com características próprias (factor de fase. com direcção normal à sua frente de onda. comprimento de onda guiada. A onda guiada em um determinado modo pode ser decomposta em ondas planas que constituem uma onda estacionária no plano transversal à direcção de propagação. A cada onda plana associa-se um raio luminoso. Em princípio. onde é o ângulo entre a projecção do raio luminoso no plano transversal da fibra e o raio do núcleo no ponto de reflexão. a energia guiada através do núcleo. o feixe de luz não cruza o eixo longitudinal da fibra. Cada distribuição indica um modo de propagação. em sua maioria. mesmo com a fonte de luz acoplada directamente ao núcleo. Admitindo que sejam satisfeitas as condições para se aplicar a óptica geométrica.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     1. Além disto. São os raios captados na face de entrada até o ângulo determinado pela abertura numérica da fibra óptica. com um ângulo de incidência próprio na interface do núcleo com a casca. Os raios meridionais são confinados aos planos que passam pelo eixo longitudinal do guia óptico. A consequência é um campo óptico distribuído de maneira mais uniforme do que com os raios meridionais. A cada reflexão na fronteira entre o núcleo e a casca ocorre uma mudança de direcção 2 . Os raios inviesados tendem a seguir um percurso inclinado dentro do núcleo.5 utiliza os raios meridionais para explicação do conceito de modos guiados. Quanto maior for a abertura numérica melhor será a eficiência de acoplamento e mais modos terão condições favoráveis de propagação. e assim por diante). A figura 1. Modos de propagação na fibras óptica As equações de Maxwell estabelecem que a transmissão de energia num guia de onda pode ser descrita a partir de distribuições bem definidas do campo eletromagnético. que determinam uma distribuição específica para cada caso no plano transversal à direcção de propagação. identificam-se dois tipos de raios no núcleo: os raios meridionais e os raios inviesados.

Para se determinar este número. com incidência próxima do ângulo crítico. Isto significará uma perda adicional de potência durante a transmissão. este parâmetro é directamente proporcional à abertura numérica da fibra óptica. Os modos de ordem inferior são os de incidência bem acima da condição de ângulo crítico. (1. Esta quantidade será tanto maior quanto maior for diferença relativa de índices de refracção. descrita por: ∆ (1.11) Costuma-se denominar modos de ordem superior aqueles cuja incidência ocorre com um ângulo próximo do ângulo crítico. computadas as diferenças de fase causadas pela reflexão e pelo percurso da onda. λo é o comprimento da luz medido no vácuo. principalmente quando ocorrer uma dobra ou uma curva na fibra. representando modos de casca ou modos de irradiação. número  da fibra óptica. n1 e n2 são os índices de refracção do núcleo e da casca. Se o diagrama de irradiação da fonte de luz for muito aberto. Este tipo de propagação tende a introduzir perdas de potência. É dado por: (1. Não serão úteis para a transmissão de mensagens pela fibra óptica. Os modos de ordem superior tendem a transferir parte de sua energia para a casca. Os modos guiados são os que resultam em interferências construtivas no núcleo.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     captação na face da fibra óptica. Quando a fonte de luz tiver um diagrama mais estreito. excitam-se muitos modos de ordens elevadas.10) A expressão demonstra que o ângulo máximo de captação do raio inviesado é maior do que o limite fixado para os raios meridionais. e mais comumente.12) onde a é o raio do núcleo. Ainda que a REDES ÓPTICAS URBANAS    9    . define-se um parâmetro denominado diâmetro normalizado ou frequência normalizada ou ainda. a interferência construtiva ocorre na casca. sempre que a incidência ocorrer com um ângulo maior do que o ângulo crítico. permitindo uma transmissão com menor perda de potência. deduz-se que existe uma quantidade finita de modos possíveis e úteis na transmissão por fibra óptica. O modo fundamental é aquela cuja trajectória coincide com o eixo longitudinal da fibra. A quantidade de modos guiados e as distribuições do campo óptico dependem das condições de lançamento da luz na face da fibra e das suas características geométricas e ópticas. Nos pontos de reflexão a onda reflectida sofre uma defasagem em relação à onda incidente. Este valor pode ser determinado por: . Desta análise. principalmente em curvas e dobras da fibra óptica. de forma que uma grande quantidade da energia luminosa penetra na fibra com um ângulo elevado. Dependendo do ângulo de incidência. com trajetória próxima ao eixo longitudinal do guia óptico. A quantidade de modos propagantes aumenta com o aumento do ângulo crítico na interface do núcleo com a casca e depende da relação entre os índices de refracção dos dois materiais. a energia acoplada ao núcleo fica distribuída em modos de ordens mais baixas. Portanto.

∆ sendo n1 o máximo índice de refracção do núcleo. (figura 1. as fibras são fabricadas obedecendo determinados critérios de variação para os índices de refracção do núcleo e da casca. as relações podem ser aproximadas das formas indicadas sem erros apreciáveis. O comportamento da fibra como multimodo ou monomodo depende dos parâmetros ópticos (índices de refração. lei de variação do índice de refração do núcleo. A lei de variação está na dependência do expoente g.15) 1 ∆ (1.) . Representa a fibra óptica com índice em degrau. Estas são grandezas reunidas no REDES ÓPTICAS URBANAS    10   . estes parâmetros obedecem às expressões: 1 2 . r √1 2∆  para a região da casca. do diâmetro do núcleo. 1. abertura numérica. O processo de refocalização tende a equalizar os comprimentos dos diversos percursos. Na fibra monomodo o diâmetro do núcleo é bem menor e apenas um modo é transmitido. Tipos básicos de fibras ópticas Em geral. da relação e do valor de Δ. Quando radial.6. a é o raio do núcleo e r é a distância radial medida a partir do eixo longitudinal do núcleo. correspondendo ao valor em seu centro. Para   fibra com índice de perfil parabólico. Com o valor 2 a fibra óptica apresentará uma focalização periódica para a luz emitida a partir de uma fonte divergente em sua entrada. com Δ dado por: (1.8). 1 ∆ (1. Segundo especificações da Electronic Industries Association (EIA) norte-americana. as velocidades de grupo dos modos ficam com um valor aproximadamente igual para todos. A classificação conforme a variação de índice de refracção não define completamente todas as propriedades das fibras ópticas. Nas fibras multimodos o núcleo possui um diâmetro bem grande comparado ao comprimento de onda da luz guiada. Valores finitos para o expoente g identificam fibras com índices graduais no núcleo.14) . Para 1 o índice de refracção varia de forma praticamente linear com a distância ∞  o índice salta bruscamente de um valor constante no núcleo para o valor    2 tem-se uma especificado na casca. do comprimento de onda guiada.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     fonte de luz tenha um diagrama bem estreito. uma vez que os índices de refracção do núcleo e da casca são quase iguais. Εste último parâmetro é muito menor do que a unidade.13) para a região do núcleo. n2 é o índice de refração da casca. Desta maneira. um desalinhamento em relação ao eixo da fibra pode dar origem a modos de ordens elevadas. As características de propagação dependem da lei de variação do índice de refração do núcleo e também da quantidade de modos guiados. etc. O guia óptico age como se possuísse um sistema contínuo de lentes que refocaliza o feixe luminoso à medida que se propaga pelo núcleo. Desta maneira. com as consequências discutidas.

substituído na expressão (1.16) Nas fibras com perfil gradual de índice de refracção do núcleo a quantidade de modos guiados dependerá do valor do expoente g. (d) Fibra monomodo de índice em degrau. Para comprimentos maiores apenas um modo pode ser transmitido pelo núcleo. n  n1  n2  n  n1 n2 n n1 n2 n  n1  n2      Figura 1. Nestes casos. costuma-se definir um valor efectivo para V.405.405 para o comprimento de onda especificado. A quantidade de modos guiados dependerá do valor encontrado nesta integração. a quantidade de modos guiados na fibra com índice gradual pode ser expressa como: REDES ÓPTICAS URBANAS    11   . O comprimento de onda que representa o limiar entre a condição de propagação de modo único e de propagação multimodo é denominado comprimento de onda de corte (λc).8. A fibra multimodo exige  2. Pode ser demonstrado que para de modos guiados torna-se: 2. Para a fibra com índice em degrau ser classificada como monomodo é necessário que 2. Fibras monomodos disponíveis comercialmente apresentam diâmetros do núcleo da ordem de 10μm. Categorias de fibras ópticas. (c) Fibra com índice parabólico.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     parâmetro V da fibra óptica. a quantidade de modos guiados pela fibra com índice gradual é dado por uma das seguintes expressões: (1. calculado a partir da expressão: 2 (1.19) sendo AN a abertura numérica tomada em relação ao centro do núcleo.18) onde V é o valor máximo do diâmetro normalizado e: (1. (b) Fibra com índice de refracção gradual linear.17) sendo λo o comprimento de onda no vácuo. O projecto desta fibra exige ou uma redução no diâmetro do núcleo ou na diferença entre os índices de refracção do núcleo e da casca. Em termos aproximados.405 em uma fibra de índice em degrau a quantidade   (1. Com base nas relações discutidas. (a) Fibra com índice em degrau.16).

estas perdas fazem com que a amplitude do campo eletromagnético decresça exponencialmente com a distância percorrida. atenuações em emendas e conectores. Portanto. à perfeição das emendas e dos conectores.1.20)   ∆ onde n1 e Δ são valores referenciados ao centro do núcleo. Uma comparação entre as expressões para a fibra com índice gradual e para a fibra com índice em degrau de mesmo diâmetro de núcleo mostra que se 2 a primeira transmite a metade dos modos da segunda.7. (c) Fibra monomodo. permitindo uma maior largura de banda e uma maior taxa de transmissão. a perda de potência determinará a distância entre os repetidores ou entre os amplificadores ópticos. (c) 1. 1. o investimento total será fortemente influenciado pelos factores responsáveis pela degradação do sinal óptico. uma fibra óptica com grandes perdas exigiria um aumento na quantidade de repetidores. Os parâmetros que influem na atenuação global da fibra óptica relacionam-se à qualidade na sua fabricação. O conhecimento das origens da atenuação é importante para se estabelecerem as formas de controle adequadas.7.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS   (1. Em meios homogêneos. (b) Fibra multimodo de índice gradual. tanto no núcleo quanto na casca. perdas por acoplamento no início e final da fibra. perdas por modos vazantes. Por conseguinte. Esses equipamentos intermediários representam uma parcela substancial do custo final do sistema. Relação Tipo de fibra x Perfil do índice x Propagação no núcleo: (a) Fibra multimodo de índice em degrau. A proporção correspondente a cada parte é determinada pela proporção entre os campos existentes nessas duas regiões. e assim por diante. Entre as causas mais importantes citam-se a absorção pelo material. irradiação devido a curvaturas. n2 n1 n2 n1 (a)   (b) n2 n1 Figura 1. espalhamento pelo material.9. perdas por microcurvaturas. ao grau de pureza do material utilizado. Em frequências próximas das vibrações naturais destes componentes o campo eletromagnético REDES ÓPTICAS URBANAS    12   . ao comprimento de onda da luz guiada. Isto terá uma consequência benéfica sobre a dispersão do sinal guiado. Causas de atenuação na fibra óptica Para as extensões envolvidas nos enlaces ópticos. As causas dessa perda são as vibrações das moléculas e a transição de electrões entre o níveis de energia do meio. Perdas por Absorsão pelo material A perda devido à absorção ocorre por que uma parcela da potência óptica guiada é dissipada sob a forma de calor.

o nível mais severo de absorção ocorre nos comprimentos de onda entre 100 nm e 300 nm. Perdas por irradiação devido a curvatura Na curvatura de uma fibra óptica podem ser originados modos de ordens superiores. a velocidade do campo deve ser igual à velocidade da luz. Portanto. Apenas uma fibra perfeitamente reta estaria livre desta perda durante a transmissão. A absorção por parte das moléculas e iões. Além dos iões metálicos. ocorre em frequências de infravermelho. que estão presentes mesmo em vidros perfeitamente purificados. Uma curvatura suave. Uma concentração de impurezas em valores tão baixos quanto algumas partes por milhão ou algumas partes por bilhão podem conduzir atenuações consideráveis. 820 nm.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     transfere energia a eles. m 1. contido em uma distância maior do que o valor crítico deveria propagar-se na casca com uma velocidade superior à velocidade da luz no vácuo. Entretanto. reforçando suas oscilações. A quantidade de potência absorvida decresce exponencialmente com o aumento do comprimento de onda. A perda por irradiação é directamente proporcional ao comprimento de onda da luz e REDES ÓPTICAS URBANAS    13   . porém. uma parcela da energia óptica é perdida para o ambiente externo. mostra uma incidência com ângulo muito próximo do ângulo crítico ou mesmo inferior a ele e a energia da luz é transferida para a casca.7. As maiores perdas. sendo acentuadamente mais fraco entre 300 nm e 1μm. Em geral. de maior massa do que os electrões. terá influência muito pequena sobre o campo guiado. neste caso. A análise com a óptica geométrica. para que as condições de contorno sejam satisfeitas. Isto exige um ajuste automático da velocidade de propagação do campo fora do núcleo ao se encurvar a fibra. a uma certa distância crítica. desde o início da produção de fibras ópticas verificou-se que iões de impureza que existirem no meio de propagação são causas importantes de perda pela absorção de energia da onda guiada. surgindo os modos de irradiação. as vezes insuficiente para transferir electrões entre duas bandas de energia do material. Na interface do núcleo com a casca a componente tangencial do campo eléctrico e a componente tangencial do campo magnético da luz guiada deverão ser contínuas. mas sua influência estende-se até os valores que interessam para as m comunicações ópticas. por causa da maior trajetória percorrida no mesmo intervalo de tempo. Por conseguinte. o campo de um modo guiado puro. ocorrem em 720 nm. que são mais fracamente guiados do que os de ordem mais baixa. Além dos mecanismos descritos. As maiores interações do feixe óptico com as moléculas do meio ocorrem em comprimentos de onda superiores a 7 µ  . os iões hidroxila (OH−) são também responsáveis por perda de potência pela absorção. Como isto não é fisicamente possível.2. 945 nm e 2730 n  . significa que para uma distância radial maior do que o valor crítico o campo não pode ser constituído somente por modos guiados. A razão deste decréscimo é que maiores comprimentos de onda indicam fotões de menor energia. Os electrões são responsáveis pela perda que ocorre nas proximidades do ultravioleta quando forem excitados por fotões de alta energia e ocorrer a transição para estados de energia mais altos.

Para se justificar este facto. pode-se entender que alguns raios incidirão na fronteira entre o núcleo e a casca com um ângulo menor do que o ângulo crítico. Portanto. Mas as originadas por diferenças de densidade do material são intrínsecas ao vidro e não podem ser evitadas. 1. considera-se que as irregularidades agem como se fossem pontos diferentes do meio. Citam-se a dispersão linear de Rayleigh. causadas pelo próprio material e por imperfeições no núcleo da fibra. As irregularidades decorrentes da composição do vidro têm sido controladas por um aperfeiçoamento dos processos de fabricação. O espalhamento linear de Rayleigh é um dos mais importantes. excitando os modos superiores fracamente guiados. que estão fortemente confinados ao núcleo da fibra. quando a quantidade de energia transferida for directamente proporcional à potência da luz guiada. Quando a luz incide nessas minúsculas regiões elas comportam-se como fontes secundárias de irradiação quase isotrópicas. esta REDES ÓPTICAS URBANAS    14   . a dispersão estimulada de Raman e o espalhamento estimulado de Brillouin. Esta perda pode ser desconsiderada para os modos de ordem mais baixa. dispostos ao longo do percurso de propagação. Essas alterações podem surgir durante o processo de fabricação da fibra ou em função de irregularidades próprias na estrutura molecular do vidro. O resultado é uma flutuação no valor do índice de refração do material ao longo da fibra. As dimensões físicas e a separação desses minúsculos defeitos são bem pequenas comparadas ao comprimento de onda da luz no meio ( ). estas perdas serão reduzidas quando a fibra for fabricada com uma maior diferença entre os índices de refração do núcleo e da Perda Figura 1. Perdas por espalhamento da energia óptica Outro mecanismo de perda é o espalhamento da energia óptica. espalhando a energia em todas direções.10. originado em defeitos submicroscópicos na composição e na densidade do material. Perdas por irradiação devido a curvatura.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     inversamente proporcional à relação . ou muito próximo a ele. Usando a óptica geométrica. Espalhamento linear de Rayleigh O espalhamento linear refere-se a transferência de uma parcela da luz de um modo de propagação para outros. casca e quando operarem em comprimentos de onda menores. que incluem reduções na amplitude do campo guiado por mudanças na direcção de propagação. originando os modos de irradiação.3. se pudesse ser construída uma fibra óptica absolutamente perfeita em termos de pureza. Logo. Os novos modos podem ser do tipo de irradiação ou modos muito fracamente guiados.7. Consequentemente. a perda de potência por este espalhamento persistiria. de forma que a luz escapa para a casca. a dispersão de Mie.

CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     atenuação representa o limite mínimo teoricamente possível para a perda na fibra óptica. Essas imperfeições são originadas por bolhas. O coeficiente de perdas por espalhamento é: (1. Nas fibras multimodos os núcleos são de diâmetros muito maiores e dificilmente a densidade de potência alcançará o valor crítico necessário para originar o fenómeno. O efeito Dopler-Fizeau resultante da interação da luz com as vibrações do meio faz surgir bandas laterais.21) onde p é o coeficiente fotoelástico médio (0. uma parcela da energia é transferida de um modo para outro. Esses fenómenos exigem um alto valor da intensidade óptica dentro do núcleo e só ocorrem quando a potência guiada ultrapassa um certo limite mínimo. e assim por diante. Em algumas circunstâncias. A elevada densidade de potência óptica. Por estes fatos podem ocorrer espalhamentos do feixe óptico dependentes do ângulo de incidência. Quando houver transferência de energia para uma frequência diferente. quando as imperfeições forem maiores do que . As distorções causadas no campo óptico indicam o aparecimento de frequências diferentes das aplicadas no início da fibra. sinuosidades no eixo conhecidas como microcurvaturas.286 para a sílica). em uma frequência diferente. variações na relação entre o índice de refracção do núcleo e o índice da casca ao longo da fibra. Tipicamente. Espalhamento linear de Mie O espalhamento linear de Mie pode ser observado quando as irregularidades da fibra têm dimensões comparáveis ao comprimento de onda da luz. minúsculos defeitos na interface do núcleo com a casca. Por isto. isto é. grande quantidade de fotões REDES ÓPTICAS URBANAS    15   . a potência contida em um comprimento de onda especificado sofrerá redução. originando uma onda eletromagnética que se reflecte em direcção ao início da fibra óptica. estes efeitos podem ser empregados para fornecerem um ganho de potência na luz guiada dentro da fibra óptica. Uma das consequências deste fenómeno é a luz retroespalhada. As sinuosidades no eixo longitudinal são causadas por forças laterais que agem na superfície externa da fibra. variações no diâmetro da fibra. Espalhamento estimulado de Raman e de Brillouin O espalhamento estimulado de Raman e o estimulado de Brillouin são efeitos originados por elevados campos eléctricos da luz transmitida no núcleo. Os efeitos são observados em fibras monomodos de grandes comprimentos físicos. βT é a compressibilidade isométrica na temperatura fictiva e TF é a temperatura em que o vidro atinge o equilíbrio termodinâmico. ou mesmo acoplada ao modo original. O valor final da atenuação por ele causada é inversamente proporcional à quarta potência do comprimento de onda e é independente da amplitude do campo óptico guiado. No espalhamento estimulado de Brillouin ocorre uma modulação da luz causado pela vibração das moléculas do meio. separadas da frequência original pela frequência de vibração do meio. Representam um dos principais causadores do espalhamento de Mie e são responsáveis por um acréscimo significativo da atenuação global.

100. responderão por um aumento na perda da potência guiada. Representa uma perda associada mesmo a fibras perfeitamente retas. Felizmente. Em fibras com diâmetro normalizado de pequeno valor os modos vazantes irradiam rapidamente e só são observáveis nas proximidades da fonte de irradiação. mas ocorre ao longo de sua circunferência. ao girar radialmente. Mesmo quando esses defeitos forem tão pequenos quanto um comprimento de onda ou ainda menor. O facto é mais perceptível na parte inicial da fibra multimodo. O espalhamento de Brillouin é um fenômeno que excita uma onda retrógrada na fibra. Perdas por microcurvaturas As minúsculas imperfeições conhecidas como microcurvaturas têm forma e distribuição aleatórias. Esta forma de propagação é denominada modos vazantes e também representará uma perda adicional de potência da onda guiada. A interação com a luz guiada causará um espalhamento.7. Esta atenuação pode Perda Microcurvatura Perda Figura 1. As causas são a variação no diâmetro do núcleo e modificações na diferença entre os índices de refracção do núcleo e da casca ao longo da fibra. O efeito referido como espalhamento estimulado de Raman implica em transferência da energia em bandas laterais mais separadas em relação ao comprimento de onda original. forçará o aparecimento de vibrações mecânicas a nível molecular.7.11. por causa da transferência de potência entre os modos guiados haverá uma distribuição de energia entre eles que tende a se estabilizar após algumas dezenas de metros de propagação. 1. Quando o número V for muito grande há muitos modos deste tipo e pode haver um vazamento superior a 50% dos modos guiados no primeiro quilómetro de propagação.4. da ordem de 10 a 1000 vezes a do espalhamento de Brillouin. os modos vazantes 1.5. em algum ponto essa componente terá o ângulo de incidência abaixo do valor crítico. Uma parte da energia guiada pode assumir um percurso helicoidal. e. Essas irregularidades podem originar modos de ordens superiores fracamente guiados que se irradiam para a casca. Parte da energia do comprimento de onda original é transferida a essas bandas laterais. Perdas por microcurvatura. Perdas por modos vazantes Mesmo quando os níveis de potência são insuficientes para causar os espalhamentos estimulados.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     por unidade de tempo por unidade de superfície. O efeito dominante é no mesmo sentido de propagação e acontece quando a potência aplicada for bastante grande. REDES ÓPTICAS URBANAS    16   . O fenómeno é semelhante ao causado pela curvatura da fibra. pode ocorrer outro tipo de dispersão linear. A energia da onda vai sendo gradativamente transferida para fora do núcleo. que dependerá do ângulo de incidência em relação aos planos de vibração do meio. Para as fibras multimodos com representam de 5% a 10% do total de modos excitados no núcleo.

os picos de atenuação praticamente desapareceram.7. onde REDES ÓPTICAS URBANAS    17   . Considerações finais sobre a atenuação Pelas descrições. Em toda faixa útil para comunicações. a atenuação total da fibra óptica em condições normais de operação.12 mostra um perfil de variação típico de atenuação em função do comprimento de onda conseguido em fibras multimodos. Verificou-se um efeito directamente proporcional ao quadrado da relação entre o raio do núcleo e o raio da casca e inversamente proporcional à quarta potência da abertura numérica. Atenuação espectral típica em uma fibra óptica do tipo multimodo.12 estão destacadas as janelas de baixa atenuação com os valores disponíveis comercialmente de perda por quilómetro de transmissão. os mecanismos de perda são dependentes do comprimento de onda da luz guiada. com valores típicos de perda por quilómetro de propagação. quando existirem. Estão indicadas as janelas de baixa atenuação.   Figura 1. Outro factor de influência é decorrente das variações na abertura numérica ao longo da fibra. o efeito predominante é a atenuação pelo espalhamento de Rayleigh. Por causa da absorção causada pelas vibrações dos electrões. Para as recentes tecnologias de fabricação. na região do infravermelho.22) sendo as constantes SR. A e Bn específicas para cada tipo de fibra. De uma maneira geral. o segundo termo inclui um factor devido à absorção e a terceira parcela representa a perda pelas microcurvaturas. sem sofrer curvaturas exageradas e sem a influência de irradiações que possam alterar sua transparência. de modo que entre 1200 nm e 1700 nm tem-se baixa atenuação em toda a faixa. em comprimentos de ondas menores. haverá um aumento na atenuação nestas duas regiões do espectro óptico. Na figura 1. A maior parte das fibras monomodos operam no comprimento de onda de 1300 nm.12. pode ser resumida em uma expressão do tipo: (1. As impurezas. A figura 1. produzindo picos localizados de atenuação. ocasionam aumento maior de perda em determinados comprimentos de onda.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     variar com a temperatura e com o esforço de tracção no cabo de fibra óptica durante o processo de instalação.6. 1. A primeira parcela desta equação refere-se à perda causada pela dispersão de Rayleigh. e das vibrações de iões de impureza e moléculas.

Sua importância cresceu muito a partir do momento em que se desenvolveram os amplificadores a fibra óptica dopada com érbio. Portanto. Isto é. da abertura numérica e do perfil do índice de refracção. A consequência é que o sinal óptico. também conhecida como dispersão intermodal. a dispersão é um sério inconveniente.13. A luz modulada com uma sequência de pulsos pode apresentar um erro na extremidade de chegada. Modos de propagação para diferentes percursos ópticos. mas apresenta limitações em termos de dispersão. A existência de muitos modos dá origem à dispersão modal no sinal transmitido. Esta dependência fica clara ao se analisar o crescimento do número V e o correspondente aumento na quantidade de modos guiados. A última designação deve-se ao facto de que a distorção do sinal guiado existirá ainda que a fonte de luz fosse absolutamente coerente. A forma de se reduzir este inconveniente seria separar mais os pulsos no domínio do tempo. Dispersão modal Foi demonstrada a possibilidade da propagação no núcleo da fibra óptica por diversos percursos. refletindo-se no número possível de mensagens a serem enviadas. que limita a capacidade do sistema. atingem a extremidade de chegada em intervalos de tempo diferentes. A máxima diferença de tempo entre os percursos ocorrerá entre um modo que se propaga paralelamente ao eixo da fibra e o raio que incide na fronteira L3 L1 L2 Modo fundamental (L1) Modos Superiores (L2 e L3) .CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     apresenta baixa perda e pequena dispersão do sinal óptico guiado. dispersão multimodo ou ainda dispersão monocromática.8. Portanto. 1.8. A faixa de 1550 nm apresenta perda de potência menor ainda. dispersão multipercurso. Dispersão nas fibras ópticas A dispersão é associada ao facto de que os modos de propagação são transmitidos através da fibra óptica com velocidades diferentes. com a superposição de pulsos vizinhos deformados durante a propagação. É evidente que com a existência de muitas trajectórias (figura 1. Cada percurso determina um modo de propagação. seu valor será dado por: REDES ÓPTICAS URBANAS    18   . além da redução na amplitude. implicando em uma redução na quantidade transmitida por segundo. Na fibras com índice em degrau. Isto motivou o aperfeiçoamento de guias ópticos com baixa dispersão também neste comprimento de onda. sofre um alargamento temporal em relação ao sinal emitido no início da fibra. Quanto maior a abertura numérica. irradiando apenas um comprimento de onda. dependendo do diâmetro em relação ao comprimento de onda da luz guiada. melhor será o acoplamento entre a fonte de luz e o núcleo e mais modos serão transmitidos nos núcleos de grandes diâmetros. reduzindo-se a taxa de transmissão do sistema. entre o núcleo e a casca com um ângulo igual ao valor crítico. 1.1.13) cada modo alcança a extremidade da fibra em instantes diferentes devido a diferença de percurso óptico.  Figura 1.

A velocidade de grupo é o inverso da taxa de variação do factor de fase do modo (β) com a frequência angular: (1. 1. uma vez que n diminui com o aumento de λ.40.24). Os valores numéricos dependerão da dopagem empregada na composição do vidro utilizado no núcleo.24) onde g é o expoente que determina o perfil de variação do índice do núcleo.27) A relação entre a velocidade da luz no vácuo e a velocidade de grupo do sinal guiado representa o índice de refracção de grupo: (1. Sendo o valor de e muito pequeno. É relacionado ao comprimento de onda e ao índice de refracção do meio por: (1. o índice de refracção diminui com o aumento de λ. O parâmetro e é um número bem pequeno. Na faixa de comprimento de onda de interesse para comunicações ópticas o valores dos índices de refracção estarão entre 1.26) onde β representa a variação de fase por unidade de deslocamento da onda.52 e 1. resultando no fenómeno conhecido como dispersão de material ou dispersão intramodal. A comparação entre os dois índices de refracção está na figura 1.2. Nos compostos de dióxido de silício. Dispersão material O material que constitui o núcleo da fibra óptica apresenta índice de refracção variável com o comprimento de onda guiado. correspondente à relação (1.23)   ∆ onde se percebe que esta dispersão aumenta com a abertura numérica e com o comprimento do enlace (L). conclui-se que nas fibras com índice gradual de perfil aproximadamente parabólico esta dispersão fica bastante reduzida em relação às fibras de índice em degrau. mesmo dentro de um único modo.28) que é ligeiramente maior do que o índice de refracção próprio do núcleo. REDES ÓPTICAS URBANAS    19   . n1 é o índice de refracção no centro do núcleo e Δ é a variação relativa do índice de refracção.25) Na expressão (1.8. resultando em uma menor largura de banda para a transmissão das informações. se a fonte de luz não for absolutamente coerente e possuir uma largura espectral Δλ.14. nota-se que se o valor de g for ajustado para 2 a dispersão modal tende para zero em um comprimento de onda especificado. Para as fibras multimodos de índice de refracção gradual por causa da equalização nos percursos dos raios luminosos tem-se uma redução na diferença de tempo de chegada para os vários modos.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS   (1. O valor total da dispersão é dado aproximadamente por: ∆ ∆ (1. Desta maneira. ocorrem diferenças entre os tempos de propagação.

29) onde a derivação em relação ao comprimento de onda mostra como o tempo de propagação varia em relação ao comprimento de onda. conforme o comprimento de onda na fibra óptica. Na figura 1. O alargamento temporal será determinado por: ∆ ∆ (1.15 tem-se a variação típica deste parâmetro.30) n  ng ng n    Figura 1. Então.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     O gráfico da figura 1. há necessidade de se verificar de que maneira a largura espectral da fonte óptica pode influir sobre a dispersão do pulso. Sem dificuldades. Observa-se a faixa de comprimento de onda na qual o índice de refracção de grupo é mínimo e apresenta uma variação quase nula. Derivando-se em relação ao comprimento de onda encontra-se o valor para o cálculo do alargamento do pulso. ).14 demonstra que o índice de refracção de grupo assume valor mínimo e sensivelmente constante em comprimentos de onda ao redor de 1300 nm. Conhecida a influência do comprimento de onda sobre o índice de refracção. o resultado procurado é: ∆ ∆ (1. causado pela variação do comprimento de onda da luz entregue à fibra óptica. O parâmetro que caracteriza a maior ou menor dispersão de material é definido como: σ ( . Para a sílica pura o parâmetro anula-se no comprimento de onda de 1270 nm. Conforme a dopagem no núcleo e o perfil de variação do índice é possível deslocar-se o ponto de dispersão nula para um novo comprimento de onda. os diversos comprimentos de onda em torno deste valor propagam-se aproximadamente com a mesma velocidade e a dispersão intramodal tende para um valor quase nulo.32) medido em nanosegundos por quilômetro por unidade de largura espectral da fonte de luz . mantendo-se quase o mesmo formato da REDES ÓPTICAS URBANAS    20   . ∆ L∆ (1. O intervalo de tempo necessário para o sinal propagar-se em um comprimento L da fibra é calculado dividindo-se esta distância pela velocidade de grupo: (1. Variação do índice de refracção do material e do índice de refracção de grupo para o material do núcleo da fibra óptica.14.31) que se aproxima da situação ideal quanto menor for a segunda derivada indicada.

grupo varia entre n1 ( Assim o índice de refracção de grupo para um raio axial depende só do índice do núcleo e para um raio segundo o ângulo crítico depende só do índice da bainha.8. Dispersão de guia O alargamento dum impulso que é transmitido através duma fibra óptica também pode ocorrer por efeitos geométricos que dependem dos parâmetros do guia de onda. Por este motivo.15. o factor β sofreria modificações quando a fibra fosse excitada por uma fonte de luz real.3. Ainda que o   Figura 1. ocasionalmente é conhecida também como dispersão intramodal. A dispersão do índice de refracção com o comprimento de onda dá origem à dispersão do material. Para um dado modo. mesmo na ausência da dispersão do material. O índice de refracção efectivo vem expresso por: (1. o ângulo entre o raio e o eixo da fibra varia com o comprimento de REDES ÓPTICAS URBANAS    21   . Contudo é importante contabilizar a dispersão da guia de onda para determinar o comprimento de onda para o qual a dispersão própria da fibra é zero.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     curva original. 1. O factor de fase em uma estrutura limitada transversalmente (β) depende do comprimento de onda do sinal.  índice de refracção não se altere com o comprimento de onda.16 está representada esta dispersão de uma forma simbólica. Na figura 1. Variação do parâmetro que determina a dispersão da material em um núcleo de fibra óptica. Este ângulo varia entre 90° e o ângulo crítico θc. A variação daquele índice é pequena.33) Recorde que θ1 é o ângulo de incidência na interface fibra/casca. a dispersão de guia de onda é um efeito pequeno que se torna importante apenas quando os outros fenómenos que provocam o alargamento do impulso forem bastante reduzidos. A dispersão de guia de onda dá origem à variação de ng com o comprimento de onda para um diâmetro fixo de fibra. A curva 1 refere-se a situação para a sílica pura e a curva 2 indica a possibilidade de deslocamento conforme a dopagem e perfil do índice de refracção. alterando-se a forma do sinal na saída em relação ao aplicado na entrada da fibra. Existe outra consideração relativa à dispersão na fibra óptica. Comparado com a distorção modal e com a dispersão do material. Como o ângulo crítico é a razão entre então o índice de refracção de 90°) e n2 ( ). Nas fibras multimodos o fenómeno ocorrerá em cada um dos modos transmitidos. Esta dispersão poderá existir mesmo em uma fibra do tipo monomodo.

é possível que os dois efeitos se cancelem. Valores superiores apresentam maior dispersão de material do que dispersão de guia de onda.34) Resultados experimentais obtidos por Payne e Hartog indicam que nas fibras monomodos a dispersão de material e a dispersão de guia de onda têm sinais contrários em comprimentos de onda acima de 1200  nm. Concluiu-se que a dispersão de material decresce com o aumento da diferença entre os dois valores. demonstrou-se que existe um raio óptimo para o núcleo com o qual se obtém a menor dispersão de guia de onda.9. Principais vantagens e desvantagens das fibras ópticas As fibras ópticas apresentam várias vantagens em relação aos meios de comunicação convecionais.   Figura 1. Então. isto faz com que ela tenha total imunidade a qualquer interferência de qualquer intensidade que venha do meio REDES ÓPTICAS URBANAS    22   . Fibra com dispersão aproximadamente plana em uma faixa de comprimentos de onda entre 1250 nm e 1700 nm. Ao mesmo tempo. onda. As fibras com raio de núcleo menor do que o valor crítico apresentam um rápido crescimento na dispersão de guia de onda. O segundo factor investigado para o controle da curva de dispersão foi a dopagem da sílica com o dióxido de germânio (GeO2). Quantitativamente a dispersão de guia de onda pode ser expressa como: ∆ (1. São constituídas de materiais com características dieléctricas.16. pesquisaram-se as influências da diferença de índices entre a casca e o núcleo. Inicialmente. conduzindo uma situação de dispersão nula.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     Figura 1. 1. Então o percurso dos raios e os respectivos tempos de percurso para dois comprimentos de onda são diferentes dando origem ao alargamento do impulso. Modificando-se esta concentração de impurezas entre 0% e 15% o ponto de dispersão nula deslocava-se entre 1070 nm e 1400 nm. Dispersão de guia.17. Esta característica foi bastante explorada com o objetivo de controlar-se o comprimento de onda para dispersão nula.

podemos compará-la com um fio de cabelo (a fibra monomodo é 10 vezes mais fina que o fio de cabelo). Ausência de interferências. eliminando assim um problema comum enfrentado nos sistemas com cabos convencionais. Relação custo/benefício. Dependendo da aplicação. o custo do cabo óptico passa a ser competitivo devido a grande facilidade de expansão das fibras ópticas. Não levando em conta os revestimentos necessários para sua protecção. militares e de pesquisa. Essa distância é cinco vezes maior que a alcançada em uma comunicação feita através de microondas (50 km). Como todo meio físico de transmissão. A capacidade de transmissão está relacionada com a frequência das portadoras ou com o comprimento da onda de luz. A transmissão dos dados em um cabo óptico é feita através de sinais luminosos o que dificulta e muito os “grampos” utilizados para obter informações sigilosas. Isto demonstra a possibilidade de expansão do número de canais de voz. como aplicações bancárias. km.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     externo. Para termos uma idéia da espessura de uma fibra óptica típica. com isso independente do nível de ruído existente no local em que a fibra óptica esteja instalada. As fibras ópticas não causam interferência entre si. principalmente nas transmissões em alta frequência. a distância percorrida pelos cabos ópticos sem necessidade de repetidores chega a até 250  km. Uma das maiores vantagens dos cabos ópticos é a sua espessura. Maior capacidade de transmissão. Devido ao baixíssimo índice de atenuação na comunicação através das fibras óptica. um cabo óptico chega a ser 20 vezes mais fino do que os cabos convencionais e com a mesma capacidade de transmissão. km. Segurança no tráfego de informações. A utilização de cabos ópticos totalmente imunes à interferência evita problemas com aterramento de cabos e equipamentos devido ao isolamento eléctrico que os materiais que constituem os cabos proporcionam. Para decifrar estes sinais e conseguir absorver alguma informação seria necessário equipamento sofisticado e muito conhecimento por parte do operador. Dimensões reduzidas. dependendo do tipo (monomodo ou multimodo). km. vídeo e dados no mesmo meio de transmissão. as fibras ópticas também têm desvantagens: REDES ÓPTICAS URBANAS    23   . eliminando necessidade de blindagens que representam parte importante do custo de cabos metálicos. Por sua vez. Um exemplo disto são os sistemas de comunicação a longas distâncias. No caso das fibras ópticas. Para pequenas distâncias os cabos ópticos são relativamente caros. pode-se encontrar valores de 160 MHz. 500 MHz. mas se levarmos em consideração as futuras expansões que deveram sofrer as instalações. O tráfego de informações esta garantido com total fidelidade. enquanto os meios convencionais de transmissão por microondas têm sua capacidade de transmissão limitada a 50 km entre os repetidores. Por isso as fibras são utilizadas em aplicações que necessitam de maior segurança. km ou centenas de THz. os sistemas convencionais de microondas estão limitados a 700 MHz. os cabos ópticos têm maior relação custo/beneficio do que os outros meios de comunicação utilizados. Maior alcance de transmissão. pois os cabos ópticos têm maior capacidade de transmissão e maior alcance entre os repetidores.

revestidas de materiais que proporcionam alta protecção e resistência às variações do ambiente externo.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     Fragilidade. Uma fibra óptica e infinitamente mais frágil do que os cabos convencionais. Impossibilidade de alimentação remota de repetidores. REDES ÓPTICAS URBANAS    24   . Este tipo de cabo é usado em sistemas de comunicações de longa distância e ficam instalados em ductos.10. os cabos ópticos proporcionam uma facilidade maior de manuseio na instalação. 1. A seguir serão descritos os tipos de cabos ópticos. 1. Este tipo de cabo é muito utilizado para aplicações que necessitam um número grande de fibras ópticas já que este tipo de cabo está disponível com contagem de até 864 fibras. 1. mas actualmente eles estão sendo usados em aplicações internas de curta distância onde suas características de revestimentos se mostram muito favoráveis.2. flexão ou variação de temperatura. Um cabo óptico é constituído da união de várias fibras de um mesmo tipo.10. Cabo tipo Tight Nos cabos ópticos do tipo Tight as fibras são revestidas de plástico e acima deste revestimento elas recebem um segundo revestimento de nylon ou poliéster que irá proporcionar uma protecção maior para as fibras dentro dos cabos. enlaces suspensos. ou seja. percursos sujeitos às variações externas de temperaturas. Por terem dimensões reduzidas. Cabos de fibras ópticas. em todas as aplicações é necessário a utilização de cabos ópticos. as fibras exigem alta precisão em seu manuseio e na realização de conexões e junções. enterrados ou na água. com isso as fibras ficam isoladas das tensões externas presentes nos cabos convencionais de cobre. não podendo ser manuseada facilmente sem estar revestida. Por dentro deste tubo é aplicada uma camada de gel derivado de petróleo para isolar as fibras da humidade externa. Cabo tipo Loose Nos cabos do tipo Loose as fibras são acondicionadas em um tubo com diâmetro superior ao das fibras. impossibilitando uma realimentação através do próprio meio de transmissão. postes. As fibras são protegidas da tracção. sem o risco de danificar as fibras. Dificuldade de conexão. suas principais características e em que tipo de aplicações estes cabos são mais utilizados. Além disso.1. Geralmente este tipo de cabo apresenta um elemento tensor em seu centro e este elemento proporciona uma resistência mecânica maior ao cabo. Em todos os tipos de aplicações em que as fibras são utilizadas há a necessidade de uma protecção especial por serem muito frágeis.10.3. Para alimentar um repetidor no sistema de fibras ópticas é necessária uma alimentação eléctrica independente para cada repetidor. 1.10. Cabo tipo Groove Nos cabos ópticos do tipo Groove as fibras ficam soltas nas ranhuras que possuem um formato em “V” de um corpo de estrutura em forma de estrela que irá proporcionar uma melhor acomodação para as fibras. Este tipo de cabo foi o primeiro a ser usado para interligar centrais de telefonia.

Introduzida comercialmente em 1983.652. foram rapidamente substituídas por fibras monomodo devido à menor atenuação e maior capacidade de transporte de informação. Este tipo de fibra é. homologada como G. Apesar de a fibra DSF ser atractiva para sistemas de canal único. Além dessas. o mercado das fibras DSF está a deslocar-se na procura de novos tipos. Este alinhamento dos mínimos de dispersão e de atenuação. Este REDES ÓPTICAS URBANAS    25   . a União Internacional de Telecomunicações (ITU) padroniza.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     1. Outro tipo especial de fibra baseada na fibra SMF é a G. As fibras ópticas multimodo comercializadas nos finais dos anos 70 e. Logo este tipo de cabo é uma derivação do cabo tipo Groove combinado com as fitas de fibras. tipicamente de 0.11. O subsequente entendimento e estudo dos efeitos não lineares presentes nas fibras alterou radicalmente este ponto de vista. desenhada especialmente para ser utilizada em sistemas WDM amplificados. como por exemplo. Este tipo de fibra coloca o mínimo da dispersão cromática na mesma região espectral do mínimo da atenuação. Em 1993. km . G. Fibras ópticas modernas O desenho de fibras tem sofrido melhorias com vista a satisfazer as necessidades dos projectistas de sistemas. especifica e homologa três tipos de fibras monomodo. também. com a designação de TrueWave. outros tipos de fibra não homologados estão disponíveis comercialmente. usualmente conhecida pelo nome da recomendação da ITU-T que a homologou.4. o mais utilizado actualmente pelos operadores. 1. levou à convicção inicial de que a fibra DSF seria a ideal para sistemas de comunicações ópticas a funcionarem em 1550 nm. O mercado principal para a fibra DSF é em sistemas submarinos de canal único.18 dB. Estes blocos são alojados nas ranhuras das estruturas estrelares dos cabos do tipo Groove. foi introduzida a fibra com dispersão deslocada (DSF). A sua principal utilização é em sistemas submarinos sem amplificação óptica. km . a empresa Lucent começou a produzir uma fibra NZDSF. porém. associado ao aparecimento dos amplificadores ópticos na terceira janela de transmissão. Este valor coloca alguns obstáculos à sua utilização em sistemas de longa distância e com elevados taxas dos componentes optoelectrónicos para redes fotónicas de altas taxas de transmissão.653. Actualmente. Este cabo é utilizado em aplicações de grande porte onde é necessário um número muito grande de fibras já que um cabo do tipo Ribbon pode conter em seu interior até 4000 fibras.10.654 que apresenta uma atenuação muito baixa na região de 1550 nm. este tipo de fibra raramente é utilizado. as suas não linearidades colocam sérios obstáculos à transmissão de múltiplos comprimentos de onda na terceira janela de transmissão. Devido ao seu elevado custo. no início dos anos 80. tem o valor zero de dispersão cromática próximo dos 1310 nm e um valor de dispersão em 1550 nm de aproximadamente 17 ps. nm . Em 1985. Por estas razões. a fibra monomodo de dispersão padrão (SMF). a fibra de dispersão deslocada não nula (NZDSF). onde estas camadas são “empilhadas” formando um bloco compacto. Cabo tipo Ribbon Nos cabos ópticos do tipo Ribbon as fibras são envolvidas por uma camada plástica plana com formato de uma fita.

A NZDSF tem sido utilizada intensivamente em sistemas submarinos e terrestres de longa distância. de modo a suprimir a mistura de quatro ondas.655. Outro tipo de fibra. km ). No entanto. na prática. Esta solução é mais satisfatória economicamente do que a utilização da G. A principal característica da fibra NZDSF é apresentar uma dispersão cromática muito baixa mas não nula. mas é produzida de forma a eliminar o máximo de absorção devido à presença de iões OH. Este tipo de fibra é idêntico ao da SMF. REDES ÓPTICAS URBANAS    26   . nm . pretendem limitar a instalação de fibras que coloquem constrangimentos a um futuro aumento da largura de banda. aproximadamente. Tal. fibras DSF com um mínimo de dispersão próximo de 1500 nm. Estas fibras NZDSF de primeira geração eram. devido aos custos associados com a compensação da dispersão. como as TrueWave XL da Lucent.18. A supressão deste pico de absorção. tornou-se evidente que os operadores começaram já a introduzir a G.655 na sua infra-estrutura física.652. na realidade.CARACTERÍSTICAS DAS FIBRAS ÓPTICAS     tipo de fibra foi padronizado em 1996 com a designação de G. Figura 1. Estas características abriram o caminho ao aparecimento de uma segunda geração de fibras NZDSF. reduz os custos de implementação de dispositivos para a compensação da dispersão. Outras fibras recentemente introduzidas e designadas também como G. algumas características indesejáveis tais como a dispersão cromática residual elevada. o que permite que em sistemas WDM todos os canais estejam sujeitos. Dispersão x Comprimento de onda em fibras modernas. é a AllWave da Lucent. permitindo reduzir a densidade de potência na fibra e minimizar os efeitos não lineares. ao mesmo valor de dispersão cromática. ainda que não homologado.045 ps. Apesar de os operadores discordarem de uma proliferação de diferentes tipos de fibra nas suas infra-estruturas.655 são a TrueWave RS da Lucent e a TeraLight da Alcatel que são fibras NZDSF com um declive da curva de dispersão cromática muito baixo (  0. Apresentando. podendo-se utilizar toda região espectral entre os 1280 nm e 1625 nm para a transmissão.que produzem um pico de elevada absorção em torno de 1385 nm. portanto. também. permite o aparecimento de uma janela de transmissão em torno de 1400 nm. com uma área eficaz superior às de primeira geração. área eficaz muito pequena e declive da dispersão cromática muito elevada. na região espectral entre 1500 nm e 1625 nm. a LEAF da Corning ou a FreeLight da Pirelli.

CAPÍTULO 2 

COMPONENTES  OPTOELECTRÓNICOS  DA COMUNICAÇÃO  ÓPTICA 
 

 

COM MPONENTES O OPTOELECTRÓ ÓNICOS DA COM MUNICAÇÃO Ó ÓPTICA 

2.1. Intro 2 odução
O início d das comun nicações óp pticas foi determinad pelo de do esenvolvimento de d dois comp ponentes es ssenciais: a fibra óptica como me de transp a, eio porte de inf formação, e o laser (light ampl lification b stimulate emission of radiat by ed n tion) semic condutor, c como fonte de radiaç e ção. Poste eriormente, o aparecim mento de am mplificador ópticos permitiu o incremento do ritmo de res o trans smissão e d distância máxima de propagaçã Neste c da e ão. capítulo, são analisados os concei o itos básic cos de fun ncionamento dos div versos com mponentes o optoelectrón nicos de uma rede de u comu unicação óp ptica.

2.2. Emis 2 ssores ópt ticos
O emissor ó óptico é resp ponsável po converter o sinal eléc or r ctrico em si óptico que esse po inal q ossa ser a acoplado a u uma fibra ó óptica. Para sistemas de comunic a d cações via f fibra óptica, os emisso ores são d dispositivos à base de semicondu s utor. As van ntagens no uso de disp positivos se emiconduto ores são m muitas, entr elas: tam re manho comp pacto, alta eficiência, b confiab e boa bilidade, áre de emiss ea são comp patível com as dimen m nsões do n núcleo das fibras ópt ticas dispon níveis com mercialmente e e possi ibilidade de emissão e comprim e em mentos de onda na fa aixa de baixas perdas das fibras de sílica a.

Figura 2.1. Emissor óptico. E

Os O emissor ópticos são compos res stos de uma fonte de l a luz, um mo odulador e um acoplad u dor, como mostra a figura 2.1. Existem b o basicamente dois tipos de fontes óptica de luz: o Dio e s odo Emis ssor de Lu (LED, L uz Light Emit tting Diode que con e); nsiste num junção ma polariza ada direc ctamente ge erando luz por emissão espont z tânea; e o LASER ( (Light Am mplification by Stim mulated Em mission of Radiation) de semi ) icondutor, que geral lmente é composto de heter roestruturas em múltip s plas camad cujas fa das aces formam uma cav m vidade, ger rando emiss são estim mulada. O m modulador re ealiza a fun nção de inse a inform erir mação no sin óptico a partir do si nal inal eléct trico de entrada. O sin óptico p nal pode ser mo odulado dire ectamente p pela variaçã da corre ão ente eléct trica, ou ex xternamente nos casos de sistem em altas taxas de transmissão de dados. O e, s mas s o . acoplador é uma microlente que focali o sinal óptico no pla de entra da fibra óptica com a a e iza ó ano ada a m máxi eficiênc possível ima cia l.

2.2.1. Dio 2 odos Emis ssores de L Luz
Para entend os fenó P der ómenos da r radiação da fontes óp as pticas de lu é necess uz sário conhe ecer conceitos de abs sorção radi iação, emiss de radia são ação e inver rsão de pop pulação. • Absorção de radia o ação: produ uz-se quand o electrã passa d estado fu do ão do undamental a um nível energétic mais ele l co evado. Para poder pa a assar ao es stado excita é preciso ado
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COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA 

absover fotão. • Emissão da radiação: produz-se quando o electrão passa do estado excitado ao estado fundamental, desprende energia em forma de fotão, ou seja, emite um fotão. Se a variação de estado do electrão se produz de forma espontânea, sem que haja nenhuma causa que o propicie, então se produz luz normal e o fenómeno se conhece com emissão espontânea. Se a transição se produz por acção de um fotão de igual energia que o electrão, então estamos diante de um processo de emissão estimulada, onde o electrão a desprender energia o fará em forma de outro fotão coerente com o primeiro.

Figura 2.2. Processo de emissão espontânea e emissão estimulada.

Einstein mostrou que a probabilidade de que um fotão seja absorvido pelo primeiro átomo situado em nível inferior, equivale a probabilidade de que tal fotão provoque a emissão estimulada no átomo situado em nível superior. Como conseguir um aumento da probabilidade? Fabrikant racionalizou que tudo depende da quantidade de átomos que há em cada nível. Se for maior a quantidade de átomos em nível inferior, com maior frequência sucederá a absorção de fotões e o raio de luz se debilitará. Mas se é maior a quantidade de átomos excitados, então transcorrirá a emissão estimulada e o raio de luz se intensificará. Portanto, para que se intensifique é necessário criar uma situação de inversão de população. A inversão de população consiste em ter mais átomos excitados que átomos no estado fundamental. O princípio de funcionamento do LED baseia-se no fenómeno da electroluminescência, quer dizer, na emissão espontânea dos fotões devido a recombinação de portadores de carga, que são injectados na junção pn. Como se sabe, os portadores de carga nos semicondutores são os electrões na zona de condução e as lacunas na zona de valência. No regime activo (polarização directa da junção pn) devido a corrente eléctrica cria-se a inversão de população de portadores de carga, isto é surge o excesso dos electrões na zona de condução e das lacunas na zona de valência, figura 2.2. A condição de inversão de população pode ser dada na forma:          (2.1) sendo EFn o nível de Fermi do semicondutor tipo n, EFp o nível de Fermi do semicondutor tipo p e Eg é a energia da banda proibida. O regresso ao estado de equilíbrio é acompanhado pela transição dos electrões da zona de condução para a zona de valência ou para os níveis de impureza na zona proibida . Este fenómeno é denominado recombinação. Dois tipos fundamentais de recombinação são dados na figura 2.2: por emissão espontânea e por emissão estimulada. Existem duas geometrias básicas dos LEDs em uso comercial: a de emissão por superfície e a de emissão lateral. O diodo de emissão por superfície é mostrado na figura 2.3(a). Observa-se que a luz é emitida numa direção normal ao plano da junção. Essa forma de emissão tem como
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3. LED por emissão por superfície e de emissão lateral. As potências de saída estão reduzidas a uma Figura 2. é necessário melhorar a diretividade da fonte. Fracção da máxima potência óptica que poderia ser gerada para uma dada corrente injectada.4. Para melhorar o acoplamento da fonte com a fibra. o canal formado pelas camadas de confinamento guia a luz para produzir um feixe de saída estreito. ela simplifica os esquemas de focalização da luz através de lentes.3(b). Os níveis de potência óptica se referem à potência no ar. REDES ÓPTICAS URBANAS  30   . Graças ao guiamento. Característica estática dos LEDs: (a) emissão por superfície e (b) emissão lateral. A espessura da junção (camada activa) é da ordem de 1 µm a 2  µm.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  resultado altas perdas de abertura numérica. Característica estática do LED A característica estática (corrente de entrada versus potência óptica de saída) para o LED é aproximadamente linear. como mostra a figura 2. A melhor directividade num dos planos é suficiente para melhorar a eficiência de acoplamento com a fibra. que podem melhorar esse acoplamento até determinados limites. mostrada na figura 2. Na configuração da figura 2.3(b). Além disso. No plano lateral permanece a abertura lambertiana de 120°. com significante redução de perdas por abertura numérica. Este processo resulta numa área activa retangular da fonte menor que o núcleo da fibra. (a) (b) Figura 2. Para isso é usada a geometria de emissão lateral. Uma fita de contato restringe a largura da área para 10 µm a 20 µm. a abertura angular do feixe de luz fica reduzida a cerca de 30° no plano perpendicular ao plano da junção.4.

os LEDs operando na primeira janela apresentam larguras espectrais entre 25 nm e 40 nm. emissão incoerente com largura espectral larga (entre 30 nm e 60 nm). O aumento da temperatura tende naturalmente a alargar esse espectro. Espectros de emissão típicos de LEDs. As aplicações mais importantes dos LEDs em telecomunicações são em redes locais.5. reabsorção.2. Para que um material tenha ganho REDES ÓPTICAS URBANAS  31   . um único fotão é capaz de produzir vários outros. e que este predomine frente a emissão espontânea. que permite que se produza o fenómeno de emissão estimulada. Diodo Laser O laser é uma fonte óptica que opera com o princípio da emissão estimulada.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  em virtude dos processos internos de recombinação não radiativa. Alguns fotões viajando através de um meio excitado interagem com electrões e lacunas na região de recombinação. O espectro de radiação emitida pelo LED é gaussiano. em razão de sua maior diretividade. Fotões emitidos em outras direcções são eventualmente perdidos através das paredes da cavidade. (a) Janela 850 nm (b) Janela 1300 nm  Figura 2. Para a segunda janela essas larguras se situam entre 50 nm e 100 nm. eles são mais eficientes para colocar a luz na fibra. recombinações superficiais e reflexões internas. Átomos são derivados do seu estado de alta energia para um estado de energia mais baixa. O uso de LEDs para comunicação normalmente é associado ao uso de fibras multimodo. liberando energia na forma de luz. 2. Nesse processo. como mostra a figura 2.2. As principais características do LED são: potência máxima de saída dos LEDs é menor que – 10 dBm. baixa capacidade de modulação (frequência máxima de modulação típica 100 MHz para LED de InGaAsP) e divergência angular elevada gerando dificuldade para acoplamento em fibras ópticas (eficiência de acoplamento máxima de 1 %). Os fotões emitidos entram em uma cavidade ressonante e são reflectidos para formar um intenso feixe monocromático coerente. Ganho óptico O ganho óptico é uma propriedade que adquirem os materiais semiconductores quando neles se consegue a inversão de população. cujas taxas de transmissão são menores do que 10 Mbps. Densidade espectral de luz do LED Na prática. em virtude de sua menor eficiência quântica externa. Deve-se notar que embora os LEDs de emissão lateral gerem menos potência óptica no ar.5.

Quanto maior é o valor da densidade de portadores injectados. porque aumenta a densidade de portadores. são a taxas de emissão e absorção na zona activa do material. mais cresce o ganho óptico. Pelo contrário. e portanto. Para densidades inferiores a n0 (valor de transparência.2) onde. e . (normalmente cm ) se obtém a partir da seguinte expressão: (2. representa a velocidade de grupo no material que compõe a zona activa. tipicamente 10  cm no caso das curvas da figura 2. sendo sua unidade o inverso de comprimento. Também se pode observar que o máximo valor do ganho se desloca até comprimentos de onda mais curtos (maiores valores de energia) onde as curvas anteriores mostram qua a partir de um determinado valor da densidade de portadores injectados o ganho varia linearmente com n. Com isto e as formas de curvas.6. por exemplo. n0. se conclui que o que interessa é trabalhar nas zonas dos picos. E vice-versa. Segunda janela Figura 2. o ganho óptico diminui.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  óptico a densidade dos portadores injectados na zona activa tem de superar um determinado valor conhecido com valor de transparência. onde se consegue um maior ganho com menos dopagem do semiconductor.6). o ganho óptico é sempre negativo (abaixo de zero). REDES ÓPTICAS URBANAS  32   . maior será a zona do espectro para a qual se obtém amplificação óptica. obtendo-se curvas que mostram seu valor em função da energia de radiação expressa em eV para diferentes valores de intensidade de portadores injectados. injectando electrões a uma junção pn polarizada directamente. O ganho do material. não se consegue emissão estimulada. Espectros do coeficiente de ganho tomando a densidade de portadores na zona activa como parâmetro. Isto se consegue. Em geral o cálculo de g(ω) se realiza de forma numérica. se a densidade dos valores injectados é superior ao valor de transparencia então existem comprimentos de onda para os quais se produz emissão estimulada.6. quanto menos impurezas injectarmos no semiconductor diminuem a quantidade de portadores e. Destas curvas pode deduzir-se que quanto maior é a dopagem do semiconductor. Um exemplo deste tipo de curva é a figura 2. portanto.

REDES ÓPTICAS URBANAS  33   . de 100 μm a 500 μm. a inversão de população necessária na zona activa se consegue injectando electrões na zona activa na direcção perpendicular ao plano da união pn. de 0. quanto a largura. que são ondas estacionárias formadas na coordenada y da zona activa e determinam a forma e o perfil do campo eléctrico na referida direcção. a direcção por onde se forma a cavidade é paralela ao plano da junção pn e está fisicamente localizada na zona activa do semiconductor.3) onde next representa o índice de reflexão do meio exterior.8. A reflectividade de potência destes espelhos se pode calcular aplicando as fórmulas de Fresnel para incidência normal e resulta: (2. que na maioria dos casos será o ar Em geral. utiliza-se o modelo de laser mais simples: a cavidade Fabry-Perot. Figura 2. Figura 2.8. o índice de refracção dos materiais semiconductores empregados ronda o valor n 3. Modos laterais. Configuração geométrica de um laser de heteroestructura. pelo que R   0. Como pode apreciar-se na figura 2. pode-se considerar um guia de onda dieléctrico plano.7 pode-se ver o esboço chave.7.5 μm. Na figura 2. transversal e lateral. Portanto.3 é suficiente para a maioria das aplicações. Cavidade Fabry-Perot A cavidade Fabry-Perot se forma ao introduzir uma heteroestrutura entre dois espelhos semiconductores.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  Realimentação e efeito de limiar Para explicar o funcionamento da cavidade ressonante em um laser semicondutor. Por outra parte. Mais especificamente. mostrando suas dimensões longitudinal. para todos os efeitos.1 μm a 0. quanto a longitude. figura 2.7.5. A reflexão se produz devido a descontinuidade entre o meio semiconductor e o ar. dentro da estrutura existem três tipos de modos: 1. 5 μm a 15 μm e em espessura. As dimensões típicas da zona activa são.

que são ondas estacionárias formadas na coordenada x da zona activa e determinam a forma e o perfil do campo eléctrico na referida direcção. O campo eléctrico da saída da cavidade Fabry-Perot vem dado por: ∑ (2.9. na direcção y) de amplitude de campo dada por Eiy sofre sucessivas reflexões em espelhos que formam a cavidade. ao passo que os terceiros. determinam as frequências próprias da cavidade que se emitirão em forma de radiação ao exterior desta. Modos transversais. ac representa as perdas por absorção e espalhamento no material e b é a constante de fase. • A parte imaginária dá a condição de fase: 34 REDES ÓPTICAS URBANAS    . por exemplo. 3. de forma que a onda de saída da estrutura está formada pela interferência múltipla daquelas que vão saindo da cavidade depois de cada transição. a combinação de 1 e 2 resulta nos perfis modais especiais do campo.6 é complexa e pode decompor-se em uma parte real e outra imaginária: • A parte real dá a condição de ganho de limiar necessária para conseguir-se a radiação do laser: (2.6) A equação 2. formada por dois espelhos reflectores separados por uma distância L. o material compreendido entre ambos os espelhos é o meio amplificador e possui uma constante de propagação dada por: (2. anulando o denominador da expressão (2. quer dizer.4) onde g é o ganho óptico do meio. e se obtém: 1 (2. Uma onda óptica incidente (linearmente polarizada.9. A estrutura de cavidade Fabry-Perot. como se mostra na figura 2.5). Modos longitudinais. que são ondas estacionárias formadas na coordenada z da zona activa e determinam o espectro de frequências emitidas pelo laser.7) Espelho 1 Espelho 2 Soma = Campo transmitido Meio activo Figura 2. Dos três modos. Esquema e evolução do sinal na zona activa de um laser Fabry-Perot.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  2.5) As condições de oscilação do laser Fabry-Perot conseguem-se ao forçar que haja saída na ausência de sinal de entrada na cavidade.

e vale aproximadamente 10 ps.12) onde P e N representam a quantidade ou número de fotões e portadores na cavidade. Espectro de emissão de um laser Fabry-Perot. Funcionamento do laser Para a análise do funcionamento do laser há que partir das equações de emissão (no caso.10) As possíveis frequências são infinitas.11) (2. µ é o índice do modo.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA   .8) A partir da condição de fase podem-se obter as frequências próprias da cavidade Fabry-Perot ou modos longitudinais. τp é o tempo de vida dos fotões e τn é o tempo de recombinação dos portadores. que são a solução das equações de Maxwell para o caso do laser: (2. Assim. Isto se explica graficamente na figura 2.13) onde ε0 é a permissividade do meio. A definição ou o valor da cada um dos parâmetros que determinam o funcionamento do laser é: • A quantidade de fotões vem dada em função do campo eléctrico: | | (2. as possíveis frequências de oscilação da cavidade vêm dadas por: ´   .10.          (2. Resp é a taxa de emissão espontânea e G é a taxa de emissão estimulada ou ganho óptico da cavidade. Só aquelas frequências para as quais o ganho óptico é maior que o ganho de limiar serão emitidas pelo laser.9) (2. Apesar das frequências possíveis serem infinitas. µg é o índice dos portadores induzidos e ħω é a energia de um fotão.10. particularidades para o caso de lasers monomodo).          (2. e estão separadas entre si pela constante: onde τL é o tempo de transição correspondente a uma volta completa a cavidade. onde se representa o espectro de frequências próprias da cavidade Fabry-Perot junto com a curva do ganho do material e as perdas. REDES ÓPTICAS URBANAS  35   . Curva do ganho do material da cavidade Modos da cavidade Fabry-Perot Ganho de limiar gth Espectro transmitido por um laser Fabry-Perot Figura 2. nem todas cumprem a condição de amplitude. pelo que o laser só emitirá um conjunto destas.

(2. Logo.20) (2.11) e (2. Se à aquação (2. vem dada por: 1 (2.19). • O tempo de vida dos fotões se define como: (2.16) onde αe são as perdas nos espelhos.12). como sempre. 36   .21) onde. sendo L a longitude. n0 é a densidade de portadores requerida para alcançar o nível de transparência e n é a densidade de portadores.19) Característica luz-corrente Para achar a curva L-I se parte. αint outras perdas intrísecas a cavidade.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  • O número dos portadores na zona activa se define como: (2. Mas como para implificar os cálculos. se tem o sistema de equações de emissão dos lasers monomodo. isto é: 0  0 (2.18) onde todo o conteúdo dentro de colchetes se conhece como factor de inversão de população e Ef é a energia de separação entre os níveis de Fermi.12) se junta a equação de emissão de fase. na equação (2.11) e (2. • O ganho óptico se define como: é o volume da cavidade (2. w a largura e d a espessura da mesma. vg é a velocidade de grupo calculada como ganho da cavidade cujo valor é egéo .15) onde Г é o factor de confinamento.14) onde n é a densidade de portadores e é praticamente constante. REDES ÓPTICAS URBANAS  .17) • A taxa de emissão espontânea. equações (2. em regime estacionário. do sistema de equações de emissão (2. pela emissão espontânea (Resp) graças a qual se desencadeia a primeira.20) pode-se ver que o aumento da quantidade de fotões (luz) é favorecido principalmente pelo processo de emissão estimulada (GP) e um pouco. • O tempo de recombinação dos portadores é: (2. onde sg é o coeficiente do ganho diferencial. se poderia desprezar Resp representa os processos de recombinações não radiativos.

daí ou o denominador deve ser nulo ou a cavidade não emitirá luz. A esta situação se conhece como situação limiar. Se 1 então 0ea 1. são os fotões que se recombinam desprendendo calor e portanto. E ao manter-se fixo o nivel de portadores. • Valor dos fotões (P): . Na realidade se representa a potência frente a corrente. cavidade semicondutora funcionará como um LED em vez de como um laser.26). A figura 2. Quando se alcança uma quantidade apreciável de fotões. e o valor dos distintos parâmetros neste ponto de funcionamento são: • Valor limiar dos portadores (Nth): (2. o número de fotões gerados por emissão estimulada por cima do valor limiar vai ser proporcional a aplicada. a potência é proporcional a quantidade REDES ÓPTICAS URBANAS  37   . praticamente nula. Resp é uma quantidade muito pequena. (2. também a taxa de emissão espontânea se manterá fixa. que como se vê.11 mostra uma curva L-I típica de um laser semiconductor. começa a produzir-se emissão estimulada. a quantidade de portadores vai permanecer praticamente constante mesmo que aumente a corrente injectada. actuam diminuindo o número de fotões.21) vê-se que a quantidade de portadores aumenta com o aumento da corrente injectada no laser. e o dispositivo começa a funcionar como um laser. e seu valor é o mostrado na equação (2. mas como já dito. contrário ao que interessa. a emissão espontânea deixa de ser a maiorotária para dar lugar a emissão estimulada.24) onde q é a carga eléctrica do electrão. Os valores típicos da corrente limiar estão compreendidos entre 10 mA e 50 mA.25) • A potência óptica de saída do laser é proporcional ao número de fotões gerados em seu interior. E na equação (2. De (2. • Valor limiar da corrente de polarização (Ith): (2. é maior que a quantidade de portadores necessários para conseguir inversão de população (N0). onde I é a corrente (2. mas diminui por emissão estimulada (GP) e por recombinação térmica .COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  quer dizer.20) resulta: (2. Uma vez alcançado o estado limiar.22) Como já foi dito.23) Quando a cavidade alcança uma quantidade de portadores igual a Nth. Portanto. Isto é devido a que o excesso de portadores se recombinam por meio da emissão estimulada.26) onde αesp ng representa a taxa em que os fotões com energia hω abandonam a cavidade.

COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  de fotões (de luz) que há na cavidade.11. o dispositivo funciona quando o período da grade é um múltiplo inteiro de um comprimento de onda e somente um modo pode ser transmitido. o laser DFB não precisa de espelhos. linearmente com a corrente segundo a equação (2. A cavidade onde a luz está se propagando. Como se pode ver na figura 2. Uma forma de melhorar a eficiência do dispositivo é colocar um espelho final de alta refletância em uma ponta da cavidade e um revestimento na outra ponta da cavidade. No entanto. A princípio. REDES ÓPTICAS URBANAS  38   . até chegar a uma corrente em na qual o laser já não vai produzir mais luz mesmo que se aumente a corrente: zona de saturação. ocorre uma interferência construtiva e parte da luz é refletida.28). Lasers DFB Os lasers DFB (Distributed FeedBack) são montados com a colocação da grade Bragg dentro da cavidade do laser FP.3. A presença da grade de Bragg causa uma variação periódica no índice de refração da região dentro da cavidade ao longo do seu comprimento. portanto. a grade foi movida para uma camada de guia de onda imediatamente adjacente à cavidade. Neste caso. Fig. Em dispositivos mais recentes. Quando um período da grade de Bragg é múltiplo inteiro de um comprimento de onda de um feixe de luz. e esta variação causa pequenas reflexões. figura 4. 2. Ao aplicar uma corrente igual ou superior a corrente limiar a potência aumenta e. para valores abaixo da corrente limiar a potência de saida (a luz) é praticamente nula. Os outros comprimentos de onda sofrem interferência destrutiva e não podem ser refletidos. pois a grade pode ser configurada para produzir reflexão suficiente para o laser acontecer. estende-se para dentro da camada adjacente e interage com a grade para produzir o efeito desejado.2. Como os lasers DFB são confiáveis nas freqüências nas regiões 1310 nm e 1520 nm a 1565  nm. são compatíveis com os amplificadores EDFA e excelentes fontes em aplicações DWDM. Se se exige ao laser trabalhar muito tempo nesta zona se queimará.11. ademais. a aplicação da grade dentro da região ativa apresentou muita atenuação. o modo que é compatível com o comprimento de onda da grade.12. Esse efeito é mais forte quando o período da grade de Bragg é igual ao comprimento de onda da luz a ser selecionada. mas o suficiente para garantir que um simples modo domine. Curva L-I típica de um laser semiconductor 2. a grade não precisa ser muito forte.

o controlo de temperatura e o controle de potência de saída são necessários.1. Figura 4.3. superior a sua corrente de limiar para que tenha lugar a radiação quando se deseja emitir o bit 1. e portanto a corrente aplicada. resposta rápida e ser capaz de acoplar uma quantidade significativa de potência óptica em uma fibra. Esquemático do laser DFB. Os lasers DFB são os mais indicados. 2.13. e o controle de potência garante que o detector possa receber um sinal estável. Os lasers utilizados na operação de redes de comunicação devem ter uma largura de banda espectral estreita.12. E os lasers Fabry Perot possuem uma largura espectral relativamente grande para o uso nesta aplicação. Modulação directa A capacidade de modulação directa dos diodos lasers através da corrente aplicada é uma das principais vantagens deste dispositivo. deve ser menor que a corrente de limiar. é necessário o transporte de muitos sinais ópticos multiplexados na mesma fibra. Modulação On/Off Keying Este tipo de modulaçõa consiste em aplicar ao diodo laser uma corrente.3. Os lasers são dispositivos relativamente caros pois. No caso de transmitir um bit 0 a potência óptica emitida pelo laser deve ser nula. Figura 2. incrementando o quociente de extinção e portanto reduzindo a probabilidade de erro. Empregar uma corrente IOFF próxima a zero tem a vantagem de que a potência residual associada aos bits 0 devida a emissões espontâneas é mínima. ION. Modulação da portadora óptica 2. em aplicações de longa distância. é importante que cada sinal tenha a mais estreita largura espectral possível e seja o mais estável possível. Em sistemas WDM. grande parte (50% a 80%) pode ser transferida para a fibra. Como a luz do laser é produzida em feixes paralelos. IOFF. Modulação OOK. REDES ÓPTICAS URBANAS  39   . Nas sessões seguintes se analizam os formatos de modulação directa do laser.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  Os lasers podem ser modulados com muita precisão e podem produzir potência relativamente alta. O controlo de temperatura mantém um laser com limiar estável. Para fazer isto.

que tem a propriedade de poder variar seu índice de refracção segundo a variaçao de REDES ÓPTICAS URBANAS  40   . Isto permite evitar os efeitos que provoca o chirp de frequência gerado ao modular a amplitude da potência óptica gerada pelo laser. pode ser calculado como: (2. cada uma das quais percorrendo um caminho óptico distinto para combinarem-se depois. dois braços de fibra óptica e um combinador. Esta combinação pode produzir uma interferência construtiva se a diferença de fase dos sinais é nula. 2. Modulação externa A modulação externa consiste em um diodo laser emitindo uma potência óptica contínua seguido por um dispositivo externo que realiza a modulação desejada. Moduladores baseados em Interferómetros de Mach-Zehnder (MZI) e em materiais electroópticos O MZI é um dispositivo formado por um divisor. próxima a corrente de limiar do laser.13. O sinal óptico de entrada se divide em duas partes iguais. recompondo-se assim o sinal de entrada (geração de um bit 1).13 apresenta um exemplo de modulação OOK. o modulador não deixará passar os pulsos ópticos que correspondem ao bit 0. Pulsação mediante comutação de ganho Existem aplicações nas quais o diodo laser gera pulsos ópticos muito estreitos. Se a diferença de fase dos sinais combinados é diferente de zero.13 existe um atraso em cada comutação (atraso de arranque. tD. tD) devido a lenta resposta dos portadores de carga para que se inicie a oscilação do laser.2. Outra aplicação é gerar sinais RZ.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  A figura 2. O valor concreto do atraso de arranque. Este atraso pode reduzir-se incrementando a quantidade de portadores existentes no laser. Actualmente os dois tipos de moduladores externos são os mais empregados. cujo funcionamento se baseia no fenómeno de interferência entre as ondas. cuja origem se encontra na dependência existente entre o índice de refracção do material semiconductor e a densidade de electrões. Nesta situação se aplica ao laser um pulso de corrente que durante um breve intervalo de tampo está por cima da corrente de limiar para a oscilação do laser.27) onde τe é o tempo de vida das combinações espontâneas. Mediante o emprego num dos braços do MZI de um material electroóptico (como o niobato de lítio). Como tambem se observa na figura 2. Este método de operação se denomina comutação de ganho. o qual supõe empregar uma corrente IOFF. Se este pulso de corrente é suficientemente estreito o pulso óptico emitido se corresponde com o primeiro pico das oscilações de relaxação vistas na figura 2. Ao inicio de cada pulso óptico aparecem umas escilações amortecidas (oscilação de relaxação) cuja origem está no processo pelo qual os portadores e fotões tendem a seus valores de equilibrio. A partir de uma sequência de pulsos periódicos gerados por um laser. estes sinais interferem de forma destrutiva e a saida não se obtém sinal óptico (geração de um bit 0). pela aplicação de uma corrente pulsada.3. cuja duração é menor que o intervalo de tempo entre pulsos consecutivos.

a área do núcleo da fibra. a abertura numérica e a distância entre a superfície de emissão e o final da fibra. Nos materiais semicondutrores esta propriedade de controlar a radiação absorvida se conhece como efeito Franz-Keldysh ou efeito Stark. Perdas por iluminação não interceptada Perdas por iluminação não interceptada resultam do descasamento entre a área da projecção da iluminação da fonte (no plano de entrada da fibra) e a área do núcleo da fibra. a magnitude das perdas de acoplamento na entrada depende da característica óptica e da geometria da fonte e da fibra. Moduladores Electro-absorventes Um material electro-absorvente tem a capacidade de absorver a radiação. parte da luz emitida não será acoplada na fibra.14. da distância entre a superfície de emissão da fonte e a entrada da fibra e do diâmetro do núcleo. A magnitude da perda de iluminação depende. basicamente.14. o índice de refracção. reduzindo-se as perdas de acolpamento entre ambos. Mesmo se a fonte é menor que o núcleo. se encontra a desfasagem entre os sinais que são combinados. Em geral. Essas perdas estão relacionadas a Iluminação não interceptada. ainda pode existir problemas como iluminação não interceptada. e portanto permite controlar a quantidade de potência que este deixa passar por meio da tensão existente entre seus extremos. Segundo este fenómeno as longitudes de onda que podem ser absorvidas variam com o campo eléctrico aplicado. Esta perda de iluminação não interceptada é dada aproximadamente por: 10 (2.4. Os moduladores fabricados com este tipo de materiais semicondutores têm a vantagem de sua fácil integração junto com o diodo laser. Qualquer separação entre a fonte e a entrada da fibra provoca uma perda da luz emitida.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  tensão electrica que se aplica. o acoplamento na entrada contribui muito com as perdas do sistema. figura 2. Perdas por emissão não interceptada REDES ÓPTICAS URBANAS  41   . Parâmetros particularmente importantes são a área e o perfil angular de emissão da fonte. do perfil de emissão angular da fonte.28) em que Ac é a área do núcleo da fibra e As é a área da projecção da luz no plano transversal à entrada da fibra. Se a área de emissão da fonte é maior do que a área do núcleo da fibra. controlando-se assim a modulação. 2. a Abertura numérica e a Reflexão. Fonte de emissão Cone óptico Fibra óptica Cápsula da fonte Figura 2. Perdas por acoplamento Além da atenuação na fibra.

ou utilizar uma fonte com um trecho de fibra já instalado pelo fabricante. Luz incidindo na entrada da fibra sofre uma variação no índice de refracção na interface ar-núcleo. Na figura 2. A proporção de luz que é reflectida. Perdas por reflexão Esta ocorre na entrada. Receptores ópticos 2.15 mostra que uma considerável quantidade de luz é perdida devido ao conflito entre o relativamente pequeno ângulo do cone de aceitação da fibra (metade do ângulo da ordem de 10° a 14°) e a grande divergência do feixe de emissão do LED ou Laser. Comparada às perdas por abertura numérica. Perdas devido à abertura numérica Este tipo de perda é devido aos raios de luz com ângulos de incidência fora do cone de aceitação da fibra. em conectores e no final da fibra.15. a separação entre a fonte e a entrada da fibra não pode ser maior do que duas a quatro vezes o diâmetro do núcleo.1. A figura 2.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  Todas as fontes pequenas têm feixes de radiação que divergem rapidamente. nas emendas das fibras.5. esta é uma redução da potência devido à abertura numérica. Introdução Os receptores ópticos transformam os sinais ópticos em sinais eléctricos. a perda por reflexão é quase desprezível. para evitar perdas intoleráveis. parte da luz é reflectida e é perdida. A solução é construir um diodo não encapsulado e. Com a perda por iluminação não interceptada eliminada. Perdas por acoplamento. Fonte de Luz Fibra Perfil de emissão no plano perpendicular da junção Fonte de luz Cone de aceitação de uma fibra de índice degrau Fibra A luz emitida num ângulo maior que α será perdida Figura 2. Então. depende do índice de refracção do núcleo. podem-se considerar as perdas associadas com o perfil de acoplamento. Ela é importante. então. contudo.5. Então. Especificamente.16 se mostra o diagrama em blocos genérico de um receptor para um sistema digital com detecção directa. montar a fibra tão perto quanto possível da superfície de emissão. 2. na realidade é o fotodetector o encarregado desta transformação. com relação à incidente. A componente chave REDES ÓPTICAS URBANAS  42   .

Outro parâmetro importante num fotodiodo é a sua largura de banda. Os fotodiodos são os mais adequados porque com eles é possível obter fotodetectores com alta sensibilidade. W . 2. Este parâmetro. Ip . representa a capacidade do fotodiodo de gerar pares electrão-lacuna pela incidência de um sinal óptico.16.30)  onde é a responsividade do fotodiodo.2. é proporcional a potencia óptica incidente:       (2. A corrente resultante.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  é o detector de luz. pouco ruído.29) Figura 2. Devido ao campo eléctrico estabelecido pela tensão aplicada ao circuito. cuja unidade é A. rápida resposta. este é absorvido gerando-se um par electrão-lacuna. aumenta desde 10% até 90% do seu valor final ante uma variação abrupta da potência óptica incidente. Suponhamos uma junção pn polarizada inversamente como se mostra na figura 2. Ao ser o fotodiodo polarizado inversamente o campo eléctrico interno é mais intenso. e a resposta do fotodiodo ante as variações da potência óptica é melhor. REDES ÓPTICAS URBANAS  43   . Diagrama de blocos de um receptor óptico básico de um sistema digital com detecção directa. Assim. A largura de banda de um fotodiodo determina a velocidade com que este responde ante as variações da potência óptica incidente. Ao incidir um fotão sobre o semiconductor tal que a energia do fotão . Fundamentos dos fotodiodos Os fotodiodos se baseiam no processo de absorção estimulada de fotões. as longitudes de onda que podem ser detectadas são: . como o intervalo de tempo transcorrido desde que a corrente. é superior a energia da banda proibida.5. Ip. Filtro Fotodetector Amplificador front-end Decisor Figura 2. os electrões e lacunas põe-se me circulação dando lugar a uma corrente eléctrica. Tr .17. Eg. . baixo custo e uma alta fiabilidade. Os mais comuns são os fotodiodos PIN e o fotodiodos de avalanche (APD). Os fotodetectores mais utilizados são os baseados em semicondutores. portanto a aceleração que experimentam os pares electrão-lacuna é maior. Este intervalo de tempo desde a chegada de um pulso de luz ao fotodiodo e a aparição da corrente se deve ao tempo que retardam o electrões e lacunas gerados por absorção dos fotões em sair do fotodiodo ao circuito.17. . Se define o tempo de subida do fotodetector. Esquema de uma junção pn polarizada inversamente. (2.

Assim a absorção de fotões se produz maioritariamente no interior da região de depleção. também se incrementa a eficiência do fotodiodo. (2. Num fotodiodo PIN. Esta corrente gera-se na ausência de um sinal óptico. Fotodiodo PIN A largura de banda de um fotodiodo está limitada pelo fenômeno da absorção fora da região de depleção. menor que 10 nA. Um fotodiodo PIN de uso comum é o fotodiodo PIN de InGaAs. O efeito de difusão se pode diminuir aumentando a largura da banda de depleção e reduzindo as zonas p e n. Este é o fundamento dos fotodiodos PIN.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  Uma boa aproximação da largura de banda do fotodiodo em função do tempo de subida é a seguinte expressão: .5. Junto com a responsividade e a largura de banda. Com este tipo de estrutura em que o material intrínseco está rodeado de camadas p e n de distintos materiais semiconductores. Figura 2. Id. intercala-se um material intrínseco na junção pn. Como aumenta . mostrado na figura 2. Estrutura de uma junção PIN de InGaAs. Desta forma simples se incrementa a região de depleção.31) onde W é a largura de banda do fotodetector. um terceiro parâmetro dum fotodiodo é a corrente de escuridão. Para isso.3.18. Em um bom fotodiodo Id deve ser desprezível. REDES ÓPTICAS URBANAS  44   . se consegue que a absorção se produza unicamente na camada intrínseca eliminando completamente o efeito de difusão.18. como seu nome diz. 2. se escolhe convenientemente a energia da banda proibida para que o material seja transparente para as longitudes de onda de trabalho. A variação no tempo da resposta aumenta uma vez que os electrões e lacunas gerados pela absorção tardam mais tempo em cruzar a região de depleção. Este fenômeno de difusão é um processo lento e que distorce a resposta temporal do fotodiodo. Os electrões (lacunas) gerados na região p (região n) são difundidos através da região de depleção. tem sua origem nos pares electrão lacuna gerados termicamente. Ao incrementar a região de depleção se incrementa a responsividade pois o número de fotões absorvidos nesta zona aumenta.

3 – 0. Os APD´s se baseiam no fenômeno de ionização por impacto.6 75 – 90 1 – 10 0. requerem uma potência óptica mínima. Os fotodiodos PIN se caracterizam por sua fácil fabricação. Logo a corrente gerada por absorção dos fotões incidentes. Fotodiodo de avalanche (APD) Os fotodiodos de avalanche (APD) se aplicam quando a potência recebida pode ser limitada.05 – 0.4. Tabela 2.5 1 – 5 2.5  0.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  Como a energia da banda proibida da camada InP é de 1.1 0. a responsividade de um fotodiodo APD é: (2.7  50 – 55  50 – 500  0.32) Portanto.1. para as longitudes de onda maiores que 0. sua alta fiabilidade e baixo ruído. Nas figuras 2.6 – 0.7 0.2 se comparam as principais características dos fotodiodos APD´s de Si. Características dos fotodiodos mais comuns Parâmetro Comprimento de onda Responsividade Eficiência Corrente de escuridão Tempo de subida Largura de banda Símbolo λ    H  Id  Tr  Δf  Unidade µm A. Ge e InGaAs. Na tabela 2.5 – 0. Um electrão (igual que uma lacuna) gerado por absorção de um fotão com suficiente energia cinética pode gerar novos pares electrão-lacuna e dar lugar de sua energia a outro electrão de forma que este passe da banda de valência para a banda de condução.8 – 1.9 60 – 70 1 – 20 0.6 Ge 0.1 – 0.4 – 0.92 μm este material é transparente.5 – 1 0. Se adiciona uma camada onde se originam os pares electrão-lacuna pelo fenómeno de ionização por impacto.35 eV. já que tem uma responsividade maior que os fotodiodos PIN.5. O projecto dos APD´s difere principalmente num aspecto com relação aos fotodiodos PIN. a média de electrões gerados por cada fotão): (2. Na tabela 2.0 – 1. esta camada se denomina camada de multiplicação.19 se mostra a estrutura de um APD de Si. pois não se produz o fenômeno de absorção dos fotões incidentes.1 mostram-se os valores das principais características dos três tipos de fotodiodos mais comuns. Isto se deve a que todos os fotodiodos requerem uma corrente mínima para o seu funcionamento correcto. W % nA ns GHz Si 0. pois requerem menor potência óptica para o seu funcionamento. Ip. Para isso são necessários fotodiodos com uma responsividade alta. Para isso.33) Os APD´s ao multiplicar a fotocorrente gerada na união pn consegue um aumento da sensibilidade com relação ao fotodiodos PIN.8  0.5 – 3  InGaAs 1. Neste figura a camada de depleção alcança o contacto REDES ÓPTICAS URBANAS  45   . Sua largura de banda é muito mais elevada. isto é. quer dizer. se vê incrementada por um factor M (ganho multiplicativo de corrente.4 – 1.

Estes fotodiodos APD´s se denominam SAGM.7  InGaAs 1.4 – 1.1 – 2 0.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  através das zonas de absorção e multiplicação.1 – 1 0. Desvantagens do APD vs PIN: A limitação do desempenho pode dar-se pelo ruído quântico.1 80 – 130 100 – 500 0.8 – 1. estrutura mais complexa (necessita da estrutura onde ocorre a multiplicação em REDES ÓPTICAS URBANAS  46   .0 Ge 0. Isto se soluciona empregando outra camada entre as camadas de absorção e multiplicação. Nos APD´s de InGaAs se empregam estruturas como as da figura 2. (No PIN este é desprezável sendo a limitação geralmente imposta pelo ruído de circuito). Na estrutura da figura 2.1 – 0.4 – 0.8  0. Separate Absortion Multiplication.(a) Estrutura de um fotodiodo APD de Si.19. Tabela 2. W nA ns GHz Si 0.8  3 – 30  50 – 200  50 – 500  0.2 – 1. figura 2. SAM (Separate Absortion Multiplication) e a direita.2. Características dos fotodiodos APD Parâmetro Comprimento de onda Responsividade Ganho APD Corrente de escuridão Tempo de subida Largura de banda Símbolo λ    M  Id  Tr  Δf  Unidade µm A.19(b).7 5 – 20 10 – 40 1 – 5 0. O problema desta estrutura é a sua lenta resposta e sua pequena largura de banda devido a grande diferença entre a energia da banda proibida do InP e do InGaAs que dificulta a circulação dos electrões e lacunas. Esta estrutura se denomina SAM. SAGM (Separate Absortion Grading and Multiplication).19(b) para conferir maior performance ao fotodiodo.0 – 1. de forma que sua energia de banda proibida tenha um valor intermédio ao do InGaAs e InP. (b) Estruturas de APD de InGaAs que evitam o seu perfuramento: a esquerda.19(a) o fotodiodo seria perfurado devido ao campo eléctrico intenso a que está submetido.5 – 0. Separate Absortion Grading and Multiplication. Vantagem do APD vs PIN: Existência de uma ganho elevado na conversão ópticoeléctrica.5 1 – 3 O emprego de uma camada adicional de InP resolve este problema já que um campo eléctrico intenso pode existir nesta camada sem perfurá-la. (a) (b) Figura 2.

35) onde EOL.5. 47   . logo. Detecção A detecção directa consiste em converter a potência óptica directamente em uma corrente eléctrica proporcional a ela. ωs é a frequência da portadora óptica e φs é a sua fase. Portanto o campo total incidente sobre o fotodiodo na direcção y é: (2. figura 2. do sinal a detectar com um sinal gerado num laser (oscilador local) no receptor.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  avalanche). para seu processamento. frequência e fase respectivamente do laser local. pode expressar-se como: (2.38) O fotodiodo gera uma corrente eléctrica proporcional a potência do sinal incidente. Isto se pode realizar mediante um acoplador de fibra 2x2. frente ao sistema de detecção coerente. Este método de detecção não permite a recuperação. da informação transportada em fase pela portadora óptica. no fotodetector. Figura 2.34) onde se considera que este possui uma polarização linear na direcção do vector unitário us.20.37) onde θ é o ângulo que formam os vectores de campo eléctrico do oscilador local e do sinal de . O campo magnético de entrada pode representar-se como: (2. φOL. O campo de entrada pode decompor-se na soma da componente na direcção do oscilador local e outra na direcção perpendicular: (2. requer tensões de polarização muito superiores (para garantir a multiplicação em avalanche). sensibilidade elevada das suas propriedades (como o ganho) à temperatura. devido a complexidade dos componentes que este inclui. Diagrama de blocos de um sistema de detecção coerente. ωOL. Este sistema tem a vantagem de sua simplicidade e baixo custo. supondo também linear segundo a direcção do vector unitário uy. o desempenho fica limitado pelo ruído de circuito e não pelo ruído quântico. como a potência do sinal incidente é: REDES ÓPTICAS URBANAS  (2.5.20. 2. A detecção coerente se baseia na mistura não linear. que a diferença dos sinais de entrada são valores constantes. são amplitude. Es é a amplitude do campo.36) Com: e entrada. Portanto é mais caro. Enquanto o campo gerado pelo oscilador local.

Ruídos de detecção Os receptores estão submetidos a varias formas de ruído que não os torna ideias.41) Denotando como M o expoente da expressão de BER. caso contrário se está recebendo um 1. também chamado quantum limit. Num sistema com recepção directa.38 10 J. o receptor pode decidir que se recebeu um 0 se nenhum fotão chega durante o intervalo de bit. Vale realçar que o ruído térmico é o mesmo quando se transmite um bit 1 ou 0. 2.75D .42) Esta expressão representa a taxa de erro de um receptor ideal. Se pelo contrário estas frequências são distintas o sistema é heterodino.39) (2.6. quando se transmite um 0 não se produz nenhum erro. . Se a frequência do oscilador local é igual que é a do sinal de entrada. o sinal se translada em banda base. Isto é o que se denomina detecção directa. Sendo B a taxa binária e supondo que a ocorrência de bits 1 e 0 durante um intervalo de tempo são equiprováveis. o resultado da mistura não linear produzido no fotodiodo uma corrente com uma portadora de frequência igual a diferença entre as frequências do sinal de entrada e do oscilador local. Se não há luz se está recebendo um 0. • Ruído térmico.43) onde. kB é a constante de Boltzman (1. Notar que para obter um BER de 10 se necessita uma média de M 27 fotões por bit.40) Desprezando o segundo somando por ser um sinal de muito baixo nivel de potência e salvo a componente continua que depende do oscilador local. a taxa de erro de bit pode ser expressa como: (2. Demodulação A demodulação consiste em detectar a presença ou ausência de luz durante o intervalo de bit. We é a largura de banda eléctrica do receptor. Causado pelo movimento aleatório dos electrões na resistência de carga do fotodiodo: (2. RL é a resistência de carga do circuito receptor e Fn é a figura do ruído do pre-amplificador no receptor. onde Db é a taxa de transmissão ou débito binário. K ).5. 48   . 2.7. Até mesmo em condições de ausência de ruido este processo não está livre de erros devido a natureza aleatória da chegada dos portadores ao receptor. o mesmo que sucede com a fase desta corrente. Tipicamente W   REDES ÓPTICAS URBANAS   0. Isto é o sistema homodino.5. Neste caso o sistema se translada a uma frequência intermédia.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  | Portanto: | | | (2. a taxa de erro de bit neste receptor ideal é: (2. T é a temperatura absoluta. Mas ao transmitir um 1.

(2. sendo a variança deste tipo de ruido: (2.48) (2.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  • Ruído quântico ou shot.44) 2.45) No caso de um fotodiodo APD: onde o factor M é o ganho multiplicativo de corrente e F é o factor de excesso de ruido dependente do material do fotodiodo e pode aproximar-se por. cujo valor para os fotodiodos PIN é: 2 onde 2 . ID. pelo que a corrente não se pode considerar contínua. Relative Intensity Noise).6. A contribuição deste tipo de ruido também se despreza frenta a contribuição dos dois primeiros. da contaminação. a qual se manifesta de duas formas: • Perdas intrínsecas: oriundas das diferenças entre as fibra a serem emendadas. o ruido produzido no receptor é determinado pelo ruido térmico e pelo ruido quântico. REDES ÓPTICAS URBANAS  49   . • Perdas extrínsecas: estão relacionadas com a natureza da própria emenda. dependem do alinhamento entre as fibras. ID se manifesta de forma aleatória. . casamento do índice de refração entre as extremidades. A variança de corrente devida a este tipo de ruido é: 2 (2. etc. tipicamente 10 nA. Devido a sua natureza. O receptor traduz estas flutuações de potência óptica recebida em flutuações na fotocorrente que gera.46) Como ID é uma corrente muito pequena. A corrente de escuridão. Tem origem no facto de a fotocorrente gerada pelo fotodiodo ser um fluxo de electrões criados em instantes de tempo aleatório. sendo um ruido de tipo shot. Emendas. • Ruido devido a corrente de escuridão. Perdas. conectores e acopladores As emendas são utilizadas para unir comprimentos de fibras ou cabos. a contribuição deste tipo de ruido pode desprezar-se frente a outros casos. como diferenças na variação dos índices. de forma definitiva. Tem sua origem nas flutuações da potência provocadas pelo comportamento aleatório das emissões espontâneas acopladas ao modo radiante de um laser.47) onde rI é o inverso da relação sinal/ruido da luz emitida pelo transmissor. durabilidade e facilidade de confecção são as questões fundamentais a serem abordadas em relação às emendas. se gera na ausência de um sinal óptico e tem sua origem nos pares electrão-lacuna gerados termicamente. senão como uma corrente formada por um conjunto de impulsos de carga eléctrica. • Ruido de Intensidade Relativa (RIN. O parâmetro fundamental a ser considerado nas emendas é a atenuação. Portanto. O parâmetro x depende do material e toma valores entre 0 (material pouco ruidoso) e 1 (material muito ruidoso). diferenças na elipsidade e na excentricidade do núcleo. (2. Esta variabilidade se modela como um ruido de variança. é a corrente média gerada pelo fotodiodo PIN.

em cada ponto em que um dispositivo é conectado à rede. Além das perdas características de acoplamento (em uma divisão do sinal. A respeito dos tipos de emendas. obtendo-se emendas que apresentam perdas entre 0.7.1 dB). 2. fundindo-as. espaçamento das fibras e reflexão na extremidades das fibras. porém requerem equipamentos menos sofisticados para serem efetuadas. Os conectores apresentam atenuação mais alta que a encontrada nas emendas. tem-se basicamente: • Emenda de Fusão: Consiste no derretimento das extremidades das duas fibras juntamente. Amplificadores ópticos Os principais tipos de amplificadores ópticos são os SOA´s (Semiconductor Optical Amplifier) e os DFA´s (Doped-Fiber Amplifiers). são dispositivos passivos que dividem sinais entre duas ou mais portas de saída. Por exemplo no caso de uma rede local em anel.8 dB. Em diversas situações faz-se necessária em um sistema de comunicações a conexão de muitos terminais. O fundamento de um amplificador óptico é o processo de emissão estimulada igual a um REDES ÓPTICAS URBANAS  50   . Uma outra aplicação dos acopladores é como separadores ou combinadores em um sistema WDM (multiplexação por divisão de comprimento de onda). Os conectores são úteis na interligação temporária entre equipamentos que podem ser rearranjados. em sua maioria. podem existir perdas adicionais dado que são componentes passivos. Pode-se através de um acoplador combinar sinais gerados em diferentes comprimentos de onda e transmiti-los em uma mesma fibra. Os acopladores. Esta tarefa é efectuada por acopladores. advindos da maneira como a luz é guiada nas fibras. • Emenda Mecânica: As emendas mecânicas consistem na junção de duas fibras através de estruturas de travamento ou de colagem de suas extremidades. o sinal precisa ser dividido em uma parte que é entregue ao dispositivo e outra que deve continuar ao longo da rede. As perdas em uma conexão são dadas por uma série de factores. tais como sobreposição dos núcleos das fibras. Os acopladores podem ser classificados em direccionais e bidireccionais. um sinal sendo transmitido em sentido contrário sofre grandes perdas. abertura numérica da fibra. sendo praticamente aniquilado. alinhamento dos eixos das fibras.2 dB (em geral abaixo de 0. Os acopladores sensíveis ao comprimento de onda são chamados de acopladores WDM.05 dB e 0. enquanto os acopladores destinados apenas a divisão de potência em um mesmo comprimento de onda recebem o nome de splitter.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  Estas duas contribuições combinam-se gerando uma atenuação total menor que a soma aritmética de ambas. o que ocasiona as chamadas perdas de acoplamento. Nos chamados direcionais o acoplamento só funciona de forma eficiente em um sentido de propagação. apresentado níveis muito baixos. situando-se. tipicamente. por igual. em duas fibras a perda característica é de 3 dB).2 dB e 0. Apresentam maiores perdas e maior custo de consumo que as emendas de fusão. entre 0.

• Amplificadores de engate por injecção.21 mostra-se um esquema do funcionamento de um amplificador óptico básico.21. gálio e arsénio. isto é o processo de emissão estimulada. largura de banda e ruido.7. Funcionamento de um amplificador óptico. De acordo com o modo como se evita esta oscilação se obtém três tipos de amplificadores. o iterbio e o neodimio. Nos SOA a zona activa é construida com ligas de elementos semicinduteores como fósforo. Sua estrutura é basicamente como a de uma laser Fabry-Perot mas polarizado por baixo do limiar impedindo assim sua oscilação. Fonte de Bombardeio Sinal de entrada Sinal de saída amplificado Amplificador Óptico Acopladores Figura 2. Uma fonte de bombeamento injecta uma energia na zona activa do amplificador. de sua estrutura. • Amplificador Fabry-Perot (FP). Na figura 2. Nos DFA´s o nícleo da fibra óptica dopada com iões de elementos raros como o érbio. O amplificador TWSLA é o tipo de SOA mais empregado na actualidade devido as suas prestações em saturação. Amplificadores Ópticos de Semiconductor A estrutura de um SOA é muito similar a de um laser semiconductor mas sem a realimantação que faz que este oscile. Sua estrutura consiste em uma junção pn REDES ÓPTICAS URBANAS  51   . Neste se eliminam as reflectividades dos espelhos de saida da cavidade. Ao serem alcançados estes electrões pelos fotões do sinal óptico de entrada caem a uns niveis energéticos mais baixos dando lugar a um novo fotão. assim. 2. Seu principal incoveniente é a sua resposta em frequênciaconsiste em uma série de bandas espçadas periodicamente. de forma que pode elevar o nivel de potência do sinal mas não gerar um sinal óptico coerente. Sua estrutura é similar a de um laser salvo que não possui uma realimentação para evitar que o dispositivo oscile. pelo que a amplificação se produz pela passagem do sinal uma só vez pelo dispositivo. A amplificação se produz dentro de uma gama de frequências que dependem do material. São os menos empregados e consistem em lasers de semiconductor polarizados acima do limiar que se emprega para amplificar um sinal óptico de entrada. índio. o praseodimio. evitando assim a realimantação do sinal. • Amplificadores de ondas viajantes (TWSLA.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  laser. Esta energia é absorvida pelos electrões que incrementam seus niveis de energia prduzindo-se a inversão de população. travelling Wavw SLA).1. produzindo-se assim a amplificação do sinal.

O esquema a esquerda consiste em situar o plano activo em uma posição não ortognal as faces de entrada e saida. figura 2. tem um tempo de vida médio de 10 ms.22.22. Logo ao provocar uma inversão de população entre estes niveis se pode amplificar sinais na terceira janela de transparência. que tem a mesma missão que a anterior. REDES ÓPTICAS URBANAS  52   .001 ms. 2. O objectivo disto é que o sinal incidente sobre a superficie da saida não o faça formando um ângulo de 90 com esta. O motivo pode deduzir-se do diagrama de níveis do érbio. produzindo assim a amplificação. Isto por sua vez provoca um alargamento condiderável da gama de comprimentos de onda que podem ser amplificados. a facilidade de construção a distintas longitudes de onda variando a composição do material. as faces extremas não estão paralelas entre si. já que possibilita amplificar sinais na terceira janela de transparência (1550  nm). de forma que o pouco sinal reflectido pela face de saida não se realimente. Este efeito pode melhorar-se acrescentando ao núcleo. isto é a modulação cruzada do ganho (XGM.23. Quando os sinais transmitidos possuem certos niveis de potência aparecem fenómenos de natureza não linear que produzem distorção e diafonia. Cross-Phase Modulation). Ao dopar com iões de érbio o nucleo de uma fibra se provoca um alargamento das bandas de transição. Estruturas de um SOA de onda viajante. Portanto todo ião que chega a estes niveis por meio do bombardeio acabará caindo ao nível 4I13/2 por emissão espontânea. e por sua vez cairá ao nivel fundamental por emisssão estimulada. No centro o meio activo se situa se forma ortogonal às faces de entrada e saida.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  polarizada directamente com os extremos da zona activa recobertos por um material antireflector. devido a saturação do ganho do sinal de um canal pode modular o ganho instantâneo do amplificador de forma que a informação deste sinal passe aos sinais dos outros canais. Outro efeito similar ao anterior que pode produzir-se na fase é a modulação do cruzamento de fase (XPM.7. Cross-Gain Modulation). pelo que o nivel 4I13/2 é um estado meta-estável. material antireflector Figura 2. enquanto que nos dois superiores é de 0. Por exemplo. 4I13/2.2. EDFA. No último esquema. desde que as frequências de transição correspondem com a terceira janela. e não amplifica de forma igual as duas polarizações do sinal. Suas principais vantagens são a possibilidade de integração devido ao seu tamanho reduzido. como se mostra na figura 2. Seus principais incovenientes são sua geometria rectangular produz perdas ao acoplar-lhe a fibra. Se pode ver no diagrama de niveis do érbio que a transição entre os níveis 4I13/2 y 4I15/2 corresponde a um comprimento de onda entre 1530 nm e 1560 nm aproximadamente. a direita as faces não são paralelas. O primeiro nivel excitado. Erbium Doped Fiber Amplifier O EDFA é o amplificador de fibra dopado mais empregado na actualidade.

Enquanto que o bombadeio a 980 nm proporciona um amplificador com prestações de ruido excelentes mas é mais propenso a saturação do ganho. Os dois comprimentos de onda de bombardeio mais adequados são 1480 nm (mediante um diodo laser InGaAs) e 980 nm (mediante um laser de InGaAs). derivados dos diferentes tipos de ruido a que podem originar-se. Formado por um trecho de fibra de SiO2 com o nucleo dopado com iões de érbio.24 mostra as configurações possíveis do EDFA. A saida se coloca outro isolador que evita que a entrada ao EDFA e portanto sua amplificação de qualquer sinal reflectido. A primeira configuração é a mais empregada hoje em dia. formado por uma laser semiconductor. que se encontra fora da banda do sinal útil. • A fonte de bombardeio óptico a 1480  nm ou 980  nm. da disponibilidade das fontes de bombardeio ou da saturação do ganho.3. A figura 2. A vantagem desta configuração é que permite ganhos maiores mas suas característicass de ruído REDES ÓPTICAS URBANAS  53   . O primeiro isolador se emprega para impedir a propagação para fora do EDFA de emissão espontânea (ruído ASE) que se gera e propaga em sentido contrário ao da transmissão. O sinal que há que amplificar e o sinal de bombardeio são injectados no EDFA combinados por meio de um acoplador. gerado no amplificador. O bombardeio e a amplificação se realizam no mesmo sentido de propagação.23. Diagrama de nivéis energéticos do Érbio destes níveis. 2. tem a missão de evitar a propagação do sinal de bombardeio fora do amplificador. Finalmente se emprega um filtro óptico para filtrar o ruído ASE.7. Em ambos os casos é possível obter ganhos entre 30 dB e 50 dB. O bombardeioa 1480 nm sumpõe um amplificador mais ruidoso mas mais imune a saturação do ganho.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  alumínio e óxido de germanio. A configuração seguinte se diferencia da anterior em que o sinal de bombardeio se injecta ao EDFA em sentido contrário a propagação. O emprego de um ou outro comprimento de onda depende de certas características do processo de absorção em cada um Figura 2. O isolador de entrada ademais de cumprir as funções anteriores. Configurações de bombardeio Os elementos básicos para implementar um EDFA são: • O meio activo onde se produz a inversão de população.

Isto é um grande incoveniente para os sistemas WDM. Como pode ver-se na figura 2. Este esquema é muito empregado na implementação de amplificadores repetidores. Seu principal incoveniente é que só operam na terceira janela. A terceira configuração é uma combinação das duas anteriores.25 a potências altas a resposta em toda gama da banda C (1530  nm  –  1565  nm) é bastante plano o que não sucede a potência de entrada mais baixos. Consiste em um duplo bombardeio pelo que se designa bombardeio dual ou bidireccional. Configurações de um EDFA 2. Ganho de um EDFA A figura 2. Outro problema é que o seu ganho não é uniforme para todos comprimentos de onda. O EDFA não apresenta ganho uniforme com o comprimento de onda. Como consequência da sua geometria cilindrica suas perdas de inserção nas junções com a fibra são muito reduzidas.25 apresenta o ganho de um EDFA em função do comprimento de onda para diferentes valores de potência de entrada com um sinal de bombardeio de 1480 nm.7. A saturação do ganho não provoca distorção. O ganho máximo se obtém ao redor de 1530 nm e 1535 nm. Devido também a sua geometria o seu ganho é pouco sensível apolarização do sinal.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  são piores. a medida que cresce a potência de entrada diminui o ganho até chegar a um ponto em que se mantém constante. Gera baixo ruído. embora existam dispositivos similares mais dopados com outros elementos que podem operar noutra janela. O ganho portanto pode chegar a duplicar-se. embora isto se resolva REDES ÓPTICAS URBANAS  54   .4. Devido a saturação.24. já que não todos os canais se amplificam de igual forma. Figura 2.

Amplificadores de Raman Este amplificador se baseia no efeito Raman. SRS. Se durante a passagem pela fibra óptica do sinal de REDES ÓPTICAS URBANAS  55   . Fora certas condições. Características do amplificador EDFA. mW 5. o fotão que interactua com o meio provocando a emissão estimulada de outro fotão continua presente. pois a curva do ganho é mais plana. Comprimento de onda de bombardeio Eficiência de bombardeio Figura de ruido Potência de saida de saturação Ganho Potência de bombardeio 1480 nm 5 dB.25. Na emissão estimulada.7.3. Representação do ganho de um EDFA com relação ao comprimento de onda. Comprimento de onda (nm) Figura 2. fenomeno na qual se baseiam os amplificadores de fibra dopada. O efeito Raman estimulado. No caso Raman estimulado. mW   3 dB – 4. desaparecendo o fotão inicial.5 dB 20 dBm 40 dB 50 mW – 200 mW 980 nm  10 dB.5. De maior intensidade que a inicial.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  trabalhando perto da sua saturação. depois da interação entre o o fotão e o meio se gera um novo fotão de menor energia (menor frequência) e a diferença de energia se transfere ao material dando lugar a vibrações moleculares. A tabela 2. Esta não linearidade das fibras ópticas tem lugar quando esta é atravessda por uma radiação mobnocromática de alta intensidade. Tabela 2. Stimulated Raman Scattering. em principio é similar a uma emissão estimulada. a radiação interactua com o material dando lugra a aparição de um novo comprimento de o onda.3 resume os parâmetros típicos de um amplificador EDFA. As frequências que podem ser geradas dependem das frequências características das moléculas que compõe o material.5 dB  5 dBm  50 dB  10 – 20 mW  2.

2. REDES ÓPTICAS URBANAS  56   . A figura 2. O sinal que provoca a amplificação será o proprio sinal que transmite a informação. A fonte de luz dum sistema de comunicação óptica deve ter alto brilho energético numa banda estreita na região de comprimentos de onda (λ) entre 0. Consiste de uma fonte luminosa e equipamento electrónico apropriado para a modulação e multiplexagem de sinais. cada um dará lugar ao efeito Raman em sua própria frequência. não são um conjunto de frequências claramente diferenciados como ocorre com os materiais monocristalinos. O emissor é um conversor electro-óptico.8. cerca de alguns volts. Como se vê. Curva do Ganho composto Ganho de uma fibra dopada com érbio Ganho de um amplificador Raman Comprimento de onda (nm) Figura 2.26. sempre que estas frequências estão dentro da gama de frequências características do material. preço. Os principais incovenientes que representam este amplificadores é a necessidade de uma alta potência de bombardeio. figura 2. se pela fibra se transmite mais de um canal. No caso de um material amorfo. Obtenção de um ganho constante em relação ao comprimento de onda. Em um sistema WDM. as frequências características do material são ao todo quase contínuo.COMPONENTES OPTOELECTRÓNICOS DA COMUNICAÇÃO ÓPTICA  bomberdeio passa outro sinal com uma frequência característica do material. empregando EDFA junto a um amplificador Raman. que transforma o sinal eléctrico em sinal óptico.8μm e 1. Ademais. Os parâmetros mais importantes destes dispositivos são rendimento do emissor. empregando ambos amplificadores se obtém numa gama compreendido entre 1530  nm e 1600 nm uma curva praticamente plana. Graças a este conceito se obtém um novo método de amplificar um sinal óptico. receptor e o canal de comunicação. Esquema estrutural da comunicação óptica O esquema estrutural dum sistema típico para a transmissão da informação através da fibra óptica é composto de três partes fundamentais: emissor. esta frequência será estimulada. produzindo-se a amplificação. pelo que podem empregar-se de forma complementar. o amplificador óptico amplifica todos os comprimentos de onda. isto é. como é uma fibra óptica.27. Pelo contrário uma das suas vantagens é que cobre uma margem de comprimentos de onda não coberto pelos EDFA. segurança e estabilidade da potência de saída.7μm.26 mostra esse conceito graficamente.

O receptor é um conv r versor opto-electrónico Consiste n o. perd das reduz zidas devid a baixa a do atenuação da fibras óp as pticas. A experiên do ncia acum mulada com o projec m cto. E Esquema estru utural da com municação ópti ica. e equipa amento elect trónico apro opriado par a ra demo odulação e d demultiplex xagem do si inal.27.COM MPONENTES O OPTOELECTRÓ ÓNICOS DA COM MUNICAÇÃO Ó ÓPTICA  O canal de comunicaç é um gu de onda luminosas Consiste dum cabo de fibra ópti ção uia as s. REDES ÓPTICA R AS URBANAS  57   . ma a. d ica. de re epetidores e de sistemas de adaptaç fonte lu s ção: uminosa-fib e fibra-d bra detector ópt tico. Todavia. Figura 2. imun nidade às in nterferências e isolamen s nto eléct trico. num detecto óptico qu proporcio or ue ona a tran nsformação do sinal óp o ptico em sinal eléctrico. constr rução e in nstalação d dos sistem de com mas municação ó óptica por t toda parte do mundo p d permitiram confirmar a maioria d das expectativas qu neles se depositaram De form resumida as vanta ue m. agens que alguém pod a derá encontrar no us dos siste so emas de co omunicação óptica são a grande l largura de banda. ne T este momen é instru nto utivo considerar as va antagens pr roporcionad pelas das comu unicações ó ópticas em comparaçã com out ão tros sistema de comu as unicações existentes p e pelo mund a fora.

          CAPÍTULO 3  PRINCÍPIOS DE  MULTIPLEXAGEM      .

uma modulação de banda lateral dupla com supressão de portadora. REDES ÓPTICAS URBANAS    59   .1. Existem três formas de multiplexagem: a Multiplexagem por Divisão de Tempo – TDM. Sistema de Multiplexagem. provenientes de diferentes fontes. 3. tornando assim possível a sua exploração de uma forma mais eficiente. Os sistemas usados para este efeito são designados por sistemas de telefonia múltipla (ou multiplexagem). A multiplexagem é o processo pelo qual múltiplos canais de dados. basta que eles se encontram modulados por portadoras com frequências tais que as diferentes réplicas espectrais não interfiram entre si. Este encontra-se ligado por uma única conexão a um demultiplexador (DEMUX). por isso é conveniente aproveitar a largura de banda disponível para transmitir pelo mesmo meio mais do que um canal telefónico. Os sinais de áudio presentes na entrada são filtrados de modo a garantir que o espectro desses sinais não excede a banda entre os 300 Hz e os 3. Cada um dos sinais de áudio filtrado é em seguida multiplicado (usando um modulador balanceado) por uma portadora com uma determinada frequência.1). para transportar na mesma via de transmissão diferentes sinais. O demultiplexador aceita o fluxo de dados multiplexado. Para os sistemas ópticos. assim. este factor torna-se ainda mais relevante. um dos factores mais importantes pois viabiliza a partilha de um mesmo recurso. O multiplexador combina (multiplexa) dados provenientes de canais de entrada e transmite os dados por uma única ligação. A única ligação tem a capacidade de transportar n canais de dados independentes. em particular. são combinados e transmitidos através de um único canal de dados ou de um único feixe de dados. Figura 3. a Multiplexagem por Divisão de Frequência – FDM e a Multiplexagem por Divisão do Comprimento de Onda – WDM. Na figura 3.1.2. já que a capacidade de informação nestes é de tal ordem que a sua partilha aumenta significativamente a rentabilidade do sistema. Assim. separa (demultiplexa) os dados e entregaos pelos canais de saída correspondentes (figura 3. Tem-se. Multiplexagem por Divisão na Frequência A multiplexagem FDM baseia-se no princípio de que o espectro de um sinal modulado em amplitude é exactamente o espectro do sinal em banda base transladado para a banda de frequências centrada na frequência da portadora. Existem canais de entrada num multiplexador (MUX). A multiplexagem é para os sistemas de comunicação.2 apresenta-se o esquema de blocos de um multiplexador FDM. Introdução O custo do meio de transmissão (incluindo meio de transmissão e repetidores) é elevado.4 kHz.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     3.

através de etapas sucessivas.1. Normalmente. designado por filtro de banda lateral. O número de canais presentes em cada nível hierárquico é fruto de normalização do ITU-T. Filtro Passa-Banda Multiplicador Filtro Passa-Lateral Canal 1 Oscilador Amplificador Canal 2 Canal n Figura 3.2 eliminou-se a inferior) usando um filtro passa-banda. Na tabela 3. para um melhor aproveitamento das capacidades dos meios de transmissão usados no contexto da transmissão FDM (cabos coaxiais e feixes hertzianos). seguida de filtragem passa-baixo. A fase seguinte do processo consiste em eliminar uma das bandas (no esquema da figura 3. mas antes. Nome Grupo Supergrupo Grupo mestre Super grupo mestre Número de canais 12 60  300  900 Banda ocupada (kHz) 60 – 108   312 – 552   812 – 2044   8516 – 12338 A operação de demultiplexagem é realizada multiplicando cada um dos canais por uma portadora com a mesma frequência e fase que a usada na multiplexagem. os diferentes REDES ÓPTICAS URBANAS    60   . o número de canais e a banda ocupada. Hierarquia dos sistemas FDM.2.1 indica-se a designação de cada nível. formando uma estrutura hierárquica. Esquema de blocos de um sistema de multiplexagem FDM.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     Para evitar interferência entre os diferentes canais essas portadoras distam 4 kHz entre si. Tabela 3. A multiplexagem de um número elevado de canais telefónicos não é efectuada através de uma única operação de modulação e filtragem. Os diferentes sinais resultantes desse tratamento são em seguida combinados de modo a originar um sinal FDM.

já que a transmissão analógica continua a ser predominante nesta área.333 do ITU-T. mas estão desfasadas no tempo.3. Por exemplo. O sinal completo é designado por quadro e o sinal de sincronismo por sinal de enquadramento de quadro. pode ser univocamente determinado a partir das suas amostras. por exemplo. O sinal TDM resulta da interposição das sequências de pulsos moduladas pelos sinais provenientes dos diferentes canais. não sendo por isso apropriado para transmissão a grandes distâncias. para além dos pulsos correspondentes aos canais de informação é necessário transmitir um sinal apropriado para sincronizar os pulsos responsáveis pelo controlo das portas lógicas do multiplexador e do demultiplexador.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     grupos eram associados de modo apropriado. o FDM continua a ser a técnica dominante nas redes de distribuição de televisão por cabo. a recomendação G. Este princípio está ilustrado na figura 3.3(b). Para terminar estas breves considerações sobre o FDM será de destacar que as redes telefónicas modernas já praticamente não fazem uso desta técnica de multiplexagem. destinada à transmissão sobre cabo coaxial. 3. que são activadas num curto intervalo de tempo. pode-se aproveitar esses intervalos sem sinal. O sistema TDM representado na figura 3. o que corresponde a 10800 canais telefónicos e uma banda ocupada entre os 4. Multiplexagem por divisão no tempo De acordo com o teorema da amostragem um sinal banda-base com largura de banda B (Hz). apontava para a associação de 12 super grupos mestre. Assim. é usado na generalidade dos casos PCM (Pulse Code Modulation) para a transmissão do TDM (TDM – PCM). pela acção das sequências de pulsos representadas na figura 3.332 MHz e 59. Todas as sequências têm a mesma frequência de repetição. O sinal transmitido durante um período de repetição Ta é constituído por um determinado número de janelas temporais (time-slots) sendo. No entanto. Têm-se duas técnicas para obter um sinal TDM – PCM. funcionando as portadoras eléctricas usadas para obter o sinal FDM como sub-portadoras. No caso das redes híbridas (fibra/coaxial) o FDM aparece vulgarmente com a designação de multiplexagem de sub-portadora (subcarrier multiplexing). como se sabe. Segundo essa figura os sinais passa-baixo correspondentes aos diferentes canais são amostrados usando portas lógicas. Pulse Amplitude Modulation) daí designar-se por TDM – PAM. A segunda realiza primeiro a codificação e em REDES ÓPTICAS URBANAS  61     . Este método de modulação é. para transmitir as amostras correspondentes a outros sinais.3 usa modulação de pulsos em amplitude (PAM. Como consequência. desde que estas sejam tomadas em intervalos de tempo uniformemente espaçados de . De forma resumida é este o princípio do TDM.3. A primeira consiste em multiplexar as amostras analógicas seguida de codificação. Como o sinal amostrado está em estado desligado uma parte significativa do tempo. um destinado ao sinal de sincronização e os outros às amostras dos diferentes canais.684 MHz. o que se explica pelo facto de a portadora principal nessas redes ser uma portadora óptica. analógico. No demultiplexador as portas são activadas por sequências de pulsos sincronizadas com as usadas no multiplexador.

3. a multiplexagem é digital. ou seja. No caso particular em que a palavra é constituída por 8 REDES ÓPTICAS URBANAS    62   . Normalmente. havendo necessidade de usar um codec por cada canal telefónico. Estrutura do quadro TDM. No segundo caso. a multiplexagem é analógica e usa-se um codec (Codificador – Decodificador) comum para todos os canais telefónicos.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     seguida a multiplexagem dos bits correspondentes. Figura 3. a cada canal atribui-se um time slot constituído por um único bit. No primeiro caso. multiplexagem digital. No primeiro caso. nos sistemas telefónicos usa-se o segundo método. Existem dois métodos para entrelaçar a informação relativa aos diversos canais telefónicos: interposição de bit e interposição de palavra. Filtro Passa-Baixo Canal 1 Sinal TDM Porta de Emissão Porta de Reposição Canal 1 Relógio Canal 2 P1 P1 Canal 2 P2 P2 Canal n Canal n Pn Multiplexador Pn Demultiplexador Sinal P1 Sinal P2 Sinal Pn Ta (b) Figura 3.4. Principio do TDM. para realizar a digitalização do sinal multiplexer. constituído por vários bits (palavra). enquanto no segundo caso atribui-se um time-slot mais longo.

2.6 10 Stratum 3 4. assim como a generalidade dos elementos das redes de telecomunicações digitais.1. Sinais de temporização dos instantes significativos.m (partes por milhão). devido a limitações físicas o relógio opera a uma frequência real (fr). requerem uma fonte de temporização. ainda pode ser modelado por uma sequência de pulsos espaçados de T e localizados em instantes significativos. O parâmetro que contabiliza o desvio da frequência real de uma relógio relativamente à sua frequência nominal designa-se por precisão de relógio e é definido por ã | | (3.5. designam-se por sinais isócronos. ou por outras palavras um relógio. As formas típicas usadas para descrever são ondas sinusoidais e quadradas. Os sinais em que o intervalo de tempo entre instantes significativos tem pelo menos em média a mesma duração. ou as mesmas durações no caso desses intervalos serem múltiplos de um mais pequeno. Tabela 3. como se representa na figura 3. Sincronização dos elementos de rede Os multiplexadores TDM.3.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     bits o entrelaçamento designa-se por interposição de octeto.5.1) sendo expresso usualmente em p. Na figura 3. define-se usualmente uma hierarquia com quatro níveis (stratum). Um sinal de relógio. a sequência de instantes significativos é constituída pelos instantes de passagem por zero no flanco ascendente dos sinais representados.2 10 REDES ÓPTICAS URBANAS    63   . 3. com os relógios com precisão mais elevada (relógios atómicos) pertencendo ao stratum 1. Nível Precisão Stratum 1 1 10 Stratum 2 1.5. Instantes significativos Figura 3. Tendo em conta a precisão. que se pode afastar mais ou menos da frequência nominal. Na prática. contudo. Os relógios reais são concebidos para operarem a uma determinada frequência nominal (f0). nos instantes em que o sinal de temporização influencia o processo que controla. Um sinal de temporização é um sinal gerado por um relógio (usualmente 2048 MHz para sistemas analógicos ou 2048 Mbps para sistemas digitais) e é caracterizado por ser um sinal periódico de período T e frequência .6 10 Stratum 4 3. ou seja. de modo a sincronizar todas as operações realizadas por esses elementos de rede.p. Níveis de precisão dos relógios usados no sincronismo de redes.

PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     Outro aspecto a ter em consideração quando se analisa a problemática da sincronização de elementos de rede é relação de temporização entre sinais. Ambos usam uma frequência de amostragem de 8000 amostras por segundo e 8 bits por amostra. A estrutura do quadro de um sistema primário de 30 canais está representada na figura 3. Por sua vez.2. para gerar sinais síncronos é necessário Figura 3. Cada quadro contém uma amostra codificada de cada um dos canais de voz multiplexados. suporta 30 canais telefónicos. juntamente com bits adicionais para funções de sinalização e de sincronismo de quadro. hoje designado usalmente por E1. Por isso. definido pela Conference of European Post and Telecommunications (CEPT). No caso específico das redes de telecomunicações este relógio central é normalmente um relógio atómico (Césio ou Rubídio) e designa-se por referência primária ou PRC (Primary Reference Clock). O quadro é dividido em 32 time-slots.3). dois sistemas de multiplexagem primários. normalmente.3. dos quadros 64     . mas enquanto o CEPT1 usa a lei de compressão A. dois sinais isócronos dizem-se plésiocronos se as suas frequências nominais forem idênticas. mas as frequências reais são diferentes. Ambos foram fruto de normalização por parte do ITU-T (ver tabela 3. de modo que a taxa de transmissão total é de 8 REDES ÓPTICAS URBANAS  8 32 kbps 2048 Mbps. apropriada para distribuir o sinal de relógio proveniente da referência primária a todos os elementos de rede. enquanto o DS1 foi projectado para 24. O time slot 0. Exemplo de uma rede síncrona que todos os relógios sejam sincronizados a partir de um relógio central. As redes em que esta estratégia é seguida. e requerem a existência de uma rede de sincronização.ver figura 3. que têm a particularidade de serem incompatíveis entre si: o sistema europeu designado por CEPT1. O sistema CEPT1. Os sinais gerados por dois relógios oscilando independentemente são sempre plésiocronos.6. Sistemas de multiplexagem primários Nos sistemas de multiplexagem primários (TDM – PCM) a sequência binária transmitida é estruturada em quadros de duração igual a 125  μs (correspondendo a uma frequência de amostragem de 8000 amostras por segundo).6. designam-se por redes síncronas. Dois sinais isócronos dizem-se síncronos se tiverem a exactamente a mesma frequência e o seu desvio de fase for constante. A nível internacional são usados. e o sistema americano designado por DS1 (Digital Signal-1). cada um com 8 dígitos binários (octetos). o DS1 usa a lei de compressão μ.7. 3.

Repare-se que este enquadramento é distribuído em alternativa ao enquadramento em bloco do sistema E1. No caso da sinalização em modo-comum (ex: sistema de sinalização nº7). Esta técnica de sinalização corresponde à chamada sinalização de canal associado. A informação transportada no bit F dos quadros pares REDES ÓPTICAS URBANAS  8 kbps   65   . a transmissão da informação de sinalização de dois canais em cada quadro. O quadro básico de um sinal DS1 é constituída por 193 bits.3.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     ímpares. A esses quadros é adicionado Tabela 3. mais um bit adicional (bit F) para funções de enquadramento de quadro. é destinado ao padrão de enquadramento de quadro (PET) e o dos quadros pares à transmissão de um alarme. assim. A sinalização é transmitida canal a canal à razão de 4  bits por canal. São necessários. que é usado para fins de enquadramento de quadro. Os time slots de 1 – 15 e de 17 – 31 são destinados aos canais telefónicos de voz. Parâmetros Frequência de amostragem Número de níveis de quantificação Número de bits por amostra Taxa de transmissão por canal Lei de quantificação Característica de compressão Número de time slots Número de canais telefónicos Número de bits por quadro Taxa binária total Enquadramento do quadro 256 32 Sistema Europeu (Recomendação G. A taxa de transmissão total é assim igual a 193 1544 Mbps. Em síntese. deste modo. O padrão de enquadramento de multiquadro situa-se no time-slot 16 do décimo-sexto quadro.0.732) 8 kHz 256 8 64 kbps A 13 segmentos 32 30 8 256 2048 Mbps 193 24 8 kHz Sistema Americano (Recomendação G.1. 15 quadros para transmitir a informação de sinalização dos 30 canais. a que correspondem os 24 timeslots dos canais de voz (cada um com 8 bits).733) 8 kHz  256  8  64 kbps µ  15 segmentos 24  24  8 193 1544 Mbps 8 kHz Em bloco Palavra de 7 bits no time slot 0 dos quadros ímpares Time slot 16 à razão de 4 bits por canal repartidos por 16 quadros (multiquadro) Distribuído Sequência 101010… constituida pelo 193ésimo bit dos quadros ímpares Oitavo bit de cada canal num quadro em cada seis Sinalização um outro de modo a formar um multiquadro constituído por 16 quadros. o time-slot 16 é usado para proporcionar uma via de sinalização a 64 kbps. neste sistema todos os canais de voz têm à sua disposição para sinalização 4 bits de 2 ms em 2  ms (16 125µs). usada conforme as necessidades por todos os 30 canais. possibilitando.0.….1. Sistemas de multiplexagem primários europeus e americano. Nos quadros ímpares o bit F representa o padrão 1. O time-slot 16 é alocado para a sinalização dos canais de voz.

A saída desse multiplexador origina um sinal que funciona como tributário para o multiplexador de ordem seguinte da hierarquia. Esses tributários designam-se. designa-se por hierarquia digital síncrona (abordada capítulo 4).3. Estrutura de um sistema TDM – PCM primário (E1) de 2048 Mbps. todos tenham a mesma taxa de transmissão binária nominal. Nesse time-slot o canal de voz é codificado só com 7 bits. quando os diferentes tributários que servem de entrada para um multiplexador de ordem superior têm todos exactamente a mesma taxa de trasnmissão binária e além disso estão em fase. cada um gerado por um laser separado. A segunda geração dos sistemas de multiplexagem de ordem superior é já baseada em tributários síncronos e. por isso. diferentes sequências binárias conhecidas como tributários são combinadas usando um multiplexador. foi desenvolvida a tecnologia WDM (Wavelength Division Multiplexing).7. de diferentes comprimentos de onda. Hierarquias de ordem superior Os sistemas de multiplexagem primários de 30 e 24 canais são usados como bloco básico para a construção de sistemas multiplex de ordem superior. é necessário sacrificar um dos canais de voz. Sincronismo de quadro Sinalização Figura 3. será de esperar ligeiras flutuações nessas taxas dentro dos limites impostos pela tolerância desses relógios.. No sexto e duodécimo quadro de cada multiquadro. Contudo. Embora. é usado para transmitir a informação de sinalização do correspondente canal.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     corresponde ao padrão 001110. Destaque-se que.4. Em cada nível hierárquico. Multiplexagem por Divisão do Comprimento de Onda Objetivando se tornar mais eficiente o uso de fibras ópticas. 3. por volta de 1990. Diz-se que a multiplexagem é síncrona. é usada para definir um multiquadro de 12 quadros. o que conduzirá a uma ligeira degradação do desempenho devido ao aumento do ruído de quantificação. para proporcionar uma via de sinalização a 64 kbps para operação em modo comum. Essa técnica de multiplexação é realizada com o objetivo de aumentar a capacidade de transmissão e REDES ÓPTICAS URBANAS    66   .….3. 3. estruturados segundo um esquema hierárquico bem definido. o oitavo bit de cada time-slot. neste sistema. na primeira geração de sistemas de multiplexagem digitais de ordem superior os diferentes tributários não estão geralmente perfeitamente sincronizados. plesiócronos (do grego plésio significa quase) e a hierarquia que lhes corresponde hierarquia digital plesiócrona. como as suas fontes de origem são controladas por relógios distintos e independentes. No receptor. ficando disponíveis só 23 canais para tráfego de voz. os sinais de cores diferentes são novamente separados. por isso. Esta tecnologia consiste em juntar numa mesma fibra vários sinais de luz.

Os sistemas WDM possuem algumas características básicas. sob determinadas condições. podendo ter sua operação iniciada com um número menor de canais.4. para distâncias menores que 50 Km. Desta maneira. etc. o custo da solução WDM é melhor. vídeo. Características Os sinais a serem transmitidos nos diferentes comprimentos de onda podem possuir formatos e taxas de bit diferentes. usar a largura de banda da fibra óptica mais adequadamente. Estes sistemas possibilitam o alcance de uma melhor relação entre custos e bits transmitidos. o que promove uma maior transparência aos sistemas de transporte.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     como consequência. significando que cada canal possui sua própria banda dedicada. diferentes taxas de transmissão e sinais poderão ser multiplexados e transmitidos para o outro lado do sistema. a solução de multi-fibra é menos dispendiosa e para distâncias maiores que este valor.8. Como não há o envolvimento de processos elétricos.1. Cada sinal pode ser formado por fontes de dados (texto. A grande vantagem associada ao WDM é a possibilidade de se modular o aumento da capacidade de transmissão conforme o mercado e de acordo com a necessidade de tráfego.5 Gbps e. REDES ÓPTICAS URBANAS    67   . o WDM carrega os sinais de maneira independente uns dos outros. Algumas análises mostram que. apresentadas a seguir: • Flexibilidade de capacidade: migrações de 622 Mbps para 2. sem a necessidade de uma conversão ópto-elétrica. No entanto. voz. • Transparência a sinais transmitidos: podem transmitir uma grande variedade de sinais de maneira transparente. Princípio do WDM 3. a seguir para 10  Gbps poderão ser realizadas sem a necessidade de se trocar os amplificadores e multiplexadores WDM. nos sistemas WDM. A introdução de mais canais no sistema pode ser feita simplesmente adicionando novos equipamentos terminais.) diferentes e é transmitido dentro de seu próprio comprimento de onda. é possível se preservar os investimentos realizados. A principal razão para a utilização destes sistemas é o baixo custo. Receptor óptico Multiplexador Demultiplexador Figura 3. pois é possível a multiplexação de poucos comprimentos de onda. esse objetivo ainda não é alcançado completamente. • Permite crescimento gradual de capacidade: um sistema WDM pode ser planejado para 16 canais. Assim.

Após serem realizados alguns testes. Os sistemas WDM podem solucionar este problema. especialmente redes ponto-a-ponto e em cadeia. Se forem passivos. um sistema TDM é a solução mais viável. casos em que o aumento de capacidade deve ser alcançado em curtos períodos de tempo. por um tempo indeterminado. definir se é necessário o uso de equipamentos adicionais. neste caso. definindo seu formato e taxas de transferência. Os sistemas WDM necessitam de equipamentos capazes de combinar sinais que provêm de várias fontes emissoras. É muito comum comparar os sistemas TDM e WDM. difração ou filtros. como. se baseam na combinação de dispositivos passivos com filtros sintonizados. situações onde o aumento da capacidade requer a instalação de novos cabos e principalmente se não há espaço para novos cabos na infra-estrutura existente. em aplicações entre 120 km e 300 km. • Atendimento de demanda inesperada: geralmente. são baseados na utilização de prismas. chegou-se às seguintes conclusões: em aplicações de distâncias pequenas. em aplicações de longas distâncias.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     • Reutilização dos equipamentos terminais e da fibra: permite o crescimento da capacidade. temos equipamentos demultiplexadores. Esses equipamentos podem ser classificados como passivos ou ativos. Assim. Para garantir uma perfeita integração entre um sistema antigo e o WDM. por exemplo. A instalação causa uma interrupção do tráfego. A estrutura dos multiplexadores e demultiplexadores é basicamente a mesma. a melhor solução é variável. economizando tempo na expansão da rede. com a finalidade de se encontrar a melhor solução. pois um mesmo regenerador óptico é utilizado para um grupo de canais. mantendo os mesmos equipamentos terminais e a mesma fibra. é necessário tomar ter uma noção geral do tráfego que é transmitido pela rota. Nos receptores. onde regeneradores e amplificadores não são utilizados. comprimentos dos enlaces e pontos de regeneração. migração do tráfego para novos sistemas após a instalação dos mesmos. o que reduz o número de regeneradores e fibras utilizados. definir a quantidade necessária de regeneradores. módulos de compensação. para que sejam transmitidos por uma única fibra. os multiplexadores convergem sinais de diversos comprimentos de onda em um único feixe. o sistema WDM se torna mais barato. ter uma noção das interfaces ópticas disponíveis nos terminais. alguns sistemas podem não possuir uma infra-estrutura disponível para suportá-lo. mas em um enlace WDM. ter uma visão da infra-estrutura existente. Serão citadas algumas situações que favorecem a utilização de WDM: casos onde a rede apresenta longas distâncias. são colocados em direções opostas. é REDES ÓPTICAS URBANAS    68   . dependendo do caso e também dos custos de implementação. Se forem ativos. considerando que a existência de tráfego analógico também deve ser examinada. definir a capacidade final de transferência do sistema. Foi visto que o WDM pode ser introduzido em sistemas já existentes de forma a ampliar a capacidade de transmissão destes sistemas. que possuem a função de separar o feixe recebido em suas várias componentes de comprimento de onda. transponders. o tráfego aumenta mais rapidamente que o esperado e. Nestes dispositivos. o tipo de cabo óptico utilizado.

PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM

 

 

necessário minimizar a interferência entre canais e maximizar a separação entre eles. Existe um tipo especial de multiplexador denominado add/drop-multiplexer. Este dispositivo, além de realizar a função de um multiplexador comum, permite a remoção de um sinal e a inserção de um novo sinal, de mesmo comprimento de onda, em um enlace de transmissão. Todos os outros comprimentos de onda passam através do multiplexador add/drop com uma pequena perda de potência (geralmente alguns dB). Isso facilita a evolução de links ópticos WDM ponto-a-ponto, pois nem todos os canais da transmissão possuem a mesma origem e o mesmo destino.

3.4.2. Técnicas de multiplexação e demultiplexação
Uma maneira simples de multiplexação ou demultiplexação da luz poderia ser realizada utilizando-se um prisma, figura 3.9 e figura 3.10.

Lente Feixe multiplexado

Fibra

Prisma

Lente

Figura 3.9. Multiplexação através de um Prisma

Lente Fibra

Prisma

Lente

Fibras nos  pontos focais   

Figura 3.10. Demultiplexação através de um Prisma

Como o feixe de luz policromática incide paralelamente na superfície do prisma, durante a demultiplexação, cada comprimento de onda é refratado diferentemente. Assim, cada comprimento de onda é separado um do outro por um ângulo. Então, uma lente irá focalizar cada feixe, de maneira que entrem adequadamente na fibra. Essa mesma técnica pode ser feita para realizar a multiplexação de diferentes comprimentos de onda dentro de uma única fibra. Uma outra técnica tem base nos princípios de difração e interferência óptica, figura 3.11 e figura 3.12. Ao incidir numa grade de refração, cada comprimento de onda que compõe o feixe de luz policromática é difratado em diferentes ângulos e, assim, para pontos diferentes no espaço. Para focalizar este feixes dentro de uma fibra, pode-se usar lentes. As grades de guias de ondas (AWG – Arrayed WaveGuide) são dispositivos que também se baseam nos princípios da difração. O AWG, também é conhecido como roteador óptico de guia
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PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM

 

 

de onda e consiste de uma matriz de canais curvados com uma diferença fixa no caminho entre canais adjacentes. Os AWG´s são conectados àos terminais de entrada e saída. Ao incidir no terminal de entrada, a luz é difratada e entra na matriz de guia de ondas. Nessa matriz a diferença de comprimento óptico de cada guia de onda produz uma diferença de fase no terminal de saída, quando acoplado uma matriz de fibras. Isso resulta em diferentes comprimentos de onda possuindo máximos de interferência em diferentes lugares, que correspondem às portas de saídas, figura 3.13.
Fibras Comprimentos de onda incidentes

Lentes  
Grade de difracção

Feixe multiplexado

Figura 3.11. Multiplexação através de Grades de Difração Fibras Comprimentos de onda demultiplexados Comprimentos de onda difractados

Feixe incidente

Grade de difracção

Lentes Figura 3.12. Demultiplexação através de Grades de Difração Matriz Guia de onda de saída Matriz Guia de onda de entrada Guia de onda de entrada

Guia de onda de saída

Sinal policromático Sinais individuais Figura 3.13. Demultiplexação através de AWG.

Figura 3.14. Concepção de filtros de filmes finos.
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PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM

 

 

Tem-se ainda uma técnica que utiliza filtros de interferência em dispositivos denominados filtros de filmes finos ou filtros de interferência de múltiplas camadas, figura 3.14. Essa técnica consiste em inserir filmes finos no caminho óptico, de forma que os comprimentos de onda da luz policromática possam ser separados. Cada filme colocado no caminho da luz deve transmitir um comprimento de onda e refletir todos os outros. Colocando estes dispositivos em cascata, muitos comprimentos de onda podem ser demultiplexados.

3.4.3. Dense WDM – DWDM
O DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing – multiplexação densa por comprimento de onda) é uma tecnologia WDM. Segundo a ITU (International Telecommunications Union), os sistemas DWDM podem combinar até 64 canais em uma única fibra. No entanto, podemos encontrar, na prática, sistemas DWDM que podem multiplexar até 128 comprimentos de onda. Além disso, foram realizados alguns testes que provaram ser possível a multiplexação de até 206 canais. O espaçamento entre os canais pode ser de 200 GHz (1,6 nm), 100 GHz (0,8 nm), 50 GHz (0,4 nm), podendo chegar a 25 GHz (0,2 nm). Os sistemas DWDM utilizam comprimentos de onda entre aproximadamente 1500 nm e 1600 nm e apresentam alta capacidade de transmissão por canal, 10 Gbps, podendo alcançar 1 Tbps na transmissão de dados sobre uma fibra óptica. Um sistema DWDM capaz de multiplexar 40 comprimentos de onda a 10 Gbps por canal, possui uma banda total de 400 Gbps, o que é suficiente para transportar em uma única fibra o conteúdo equivalente a mais que 1100 volumes de uma enciclopédia em 1 s. Sistemas DWDM com 40  Gbps por comprimento de onda já são realizáveis, e a tendência é aumentar continuamente tanto a densidade de canais multiplexados quanto a taxa de bits por canal. O DWDM é a chave tecnológica para integração das redes de dados, voz e imagem de altíssima capacidade. Além de ampliar exponencialmente a capacidade disponível na fibra, o DWDM possui a vantagem de não necessitar de equipamentos finais para ser implementado. E ainda, esta técnica de multiplexação obedece ao padrão de fibra G.652 (monomodo) que é utilizado na maioria dos backbones de fibra óptica. Atualmente, o DWDM é utilizado principalmente em ligações ponto-a-ponto. Nessa tecnologia, é possível que cada sinal transmitido esteja em taxas ou formatos diferentes. Desta forma, a capacidade de transmissão de sistemas DWDM podem ser ampliadas consideravelmente e de maneira relativamente fácil. E ainda é capaz de manter o mesmo grau de desempenho, confiabilidade e robustez do sistema. Enlace DWDM Nas redes ópticas emprega-se a utilização de um enlace DWDM ponto-a-ponto. Neste sistema, emissores de luz lançam feixes de luz na entrada do multiplexador óptico. Este multiplexador irá combinar os diferentes comprimentos de onda em um único caminho, sendo então acoplados em uma fibra monomodo. No final do enlace, os canais ópticos são separados pelo demultiplexador óptico e levados para os diferentes receptores. Para enlace de transmissão que possuem longas distâncias, é preciso que os sinais sejam amplificados.
REDES ÓPTICAS URBANAS 

 

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PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     Banda Óptica Atualmente as bandas de freqüência óptica mais utilizadas em sistemas DWDM são: • S .5. onde a distância entre os canais é de 20 nm (3000 GHz). Isso faz com que seja preferível o uso do CWDM em redes metro. Na tabela 3. essa tecnologia utiliza lasers como transmissores e é desnecessária a presença de amplificadores ópticos.Band (Extended Band) . Além dessas diferenças. • C . Nesta técnica. Coarse WDM – CWDM O CWDM (Coarse WDM ou WDM Esparso) é uma tecnlogia WDM de baixa densidade e seu princípio de funcionamento é o mesmo do WDM.Band (Conventional Band) – 1530 nm a 1570 nm. temos outras. a informação é agrupada em até 16 canais entre os comprimentos de onda de 1310 nm e 1610 nm. é uma excelente opção onde os gastos devem ser considerados. Banda Óptica Atualmente as bandas de freqüência óptica mais utilizadas em sistemas CWDM são: • O .Band (Original Band) . Já os sistemas CWDM não necessitam que os lasers utilizados possuam temperaturas estáveis e os filtros utilizados são de banda larga.4 vemos diferenças em algumas características das tecnologias CWDM e DWDM. • L .Band (Conventional Band) . No entanto.Band (Short Band) – 1450 nm a 1500 nm. Os sistemas DWDM requerem que os lasers utilizados possuam temperaturas estáveis. cobrindo distâncias de até 40  km. devido a seu custo acessível. o DWDM é a melhor escolha para aplicações onde a densidade dos canais ou a largura de banda são de maior prioridade. Outra característica dos sistemas CWDM é que estes possuem flexibilidade suficiente para serem empregados em conexões ponto-a-ponto.está na faixa de 1360 nm a 1460 nm. • E . DWDM versus CWDM O CWDM e o DWDM. 3.4. A taxa de transmissão suportada é de 1. se comparado com o CWDM. existem algumas diferenças básicas que serão apresentadas a na tabela 3. 3.Band (Long Band) – 1570 nm a 1625 nm. Esse sistema exige menos controle do comprimento de onda e possui elevada qualidade de serviço.vai de 1530 nm a 1570 nm. Além disso. cobrindo distâncias de até 80 km.4. por sua vez.25 Gbps. oferece suporte para taxas de 2. além de necessitarem de filtros de banda estreita. Também suportam tráfego Ethernet e interconexão de SANs (Storage Area Networks). percebemos que a implementação de sistemas DWDM é mais complexa.vai de 1260 nm a 1360 nm. O CWDM. Assim. Há uma estimativa de que o emprego do CWDM pode economizar em até 30% dos gastos se comparado com o DWDM.4. REDES ÓPTICAS URBANAS    72   .4. • C . ambos apresentam o mesmo princípio de funcionamento de combinar vários comprimentos de onda em uma única fibra. Geralmente.5 Gbps. por serem tecnologias WDM. Além disso. que também serão citadas. de forma a aumentar sua capacidade.

O WWDM permite a combinação de 4 comprimentos de onda em uma única fibra.6.5 µm Fibra multimodo 50 µm Fibra monomodo Banda Modal (MHz. Faixa de Comprimento de Onda e Espaçamento entre Canais: CWDM versus DWDM 3. Além disso.8 nm S. é utilizado nas especificações 10GBase-LX4/LW4 do protocolo 10GE (10 Gigabit Ethernet). no comprimento de onda de 1310  nm.5 apresenta alguns parâmetros desta especificação.16. E e C Redes Metropolitanas Baixa CWDM 16 1492.5. Outras Tecnologias WDM Wide Wavelength Division Multiplexing – WWDM O Wide Wavelength Division Multiplexing (WWDM) utiliza a janela óptica em 1310 nm e possui um amplo espaçamento entre os canais multiplexados. DWDM versus CWDM Características Número de comprimentos de onda que podem ser combinados numa fibra Faixa de comprimento de onda Espaçamento entre canais Bandas ópticas utilizadas Áreas de aplicações Devido devido ao espaçamento entre os canais DWDM 64 1310 nm – 1610  nm  20 nm O. aprovado em março de 2001 pelo comitê IEEE 802. Neste caso. pois suporta fibras multimodo para distâncias curtas (300  m) e fibras monomodo para longas distâncias (10 km).5  nm.redes locais).PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     Tabela 3. Nestas especificações se usam duas fibras monomodos ou multimodos com WWDM.3.79  nm  0. A tabela 3.4. Tabela 3. são multiplexados quatro comprimentos de onda em cada fibra. Característiacas do WWDM Meio de transmissão Fibra multimodo 62. espaçados de 24. é uma tecnologia muito versátil. C e L Aplicações ponto a ponto Alta Figura 3. Além disso. REDES ÓPTICAS URBANAS    73   .25 nm – 1611.km) 500 400 ‐ Distância máxima (m) 300  240  10000  O Wide WDM é amplamente aplicado a LAN's (Local Area Networks .4.

O WDM possui uma série de variações como o CWDM.08 nm. em Holmdel. imunidade não só a interferências externas.4.7. O WDM.5 Gbps.PRINCÍPIOS DE MULTIPLEXAGEM     Ultra . cada comprimento de onda carregava informações distintas. espera-se que. brevemente. Futuramente teremos também o U-DWDM. Nessa transmissão experimental.Dense Wavelength Division Multiplexing – U-DWDM O Ultra . Com o aumento da procura por aplicações que exigem altas taxas de transmissão de dados. mas também a freqüências de rádio e radar e impulsos eletromagnéticos. como. Nos Laboratórios Bell. Essa tecnologia tem como princípio. o que corresponde a 0. No U-DWDM os canais estão espaçados de 10 GHz. imunidade a ruídos externos e taxas de transmissão maiores. que irá multiplexar centenas de comprimentos de onda em apenas uma fibra. alcançando taxas de transmissão na ordem de Tbps.Dense Wavelength Division Multiplexing (U-DWDM) é considerado como o próximo estágio nas comunicações ópticas. é usado para ampliar ainda mais a capacidade de transmissão da fibra. 10 Gbps e até 40 Gbps. os cabos metálicos sejam substituídos por cabos de fibra óptica. ao invés de usar um laser para cada comprimento de onda. REDES ÓPTICAS URBANAS    74   . como é feito nos sistemas WDM convencionais. As fibras ópticas também apresentam baixa atenuação. conseguiu-se atingir uma transmissão de 1022 comprimentos de onda em uma única fibra óptica. as fibras ópticas nos oferecem muitas vantagens. 3. totalizando mais de 37  Gbps. Considerações Apesar de apresentar custo elevado em relação às tecnologias usadas atualmente. utilizando-se U-DWDM. por sua vez. sendo que cada comprimento de onda teria uma taxa de transmissão de 2. por exemplo. Pesquisadores acreditam que esta taxa pode chegar a uma ordem de Tbps. Foi utilizado um único laser de alta velocidade para gerar todos os sinais. acompanhado da crescente evolução das próprias fibras e das tecnologias aplicadas nas redes ópticas. combinar vários comprimentos de onda diferentes em uma única fibra. Esta tecnologia combina 128 ou 256 comprimentos de onda em uma única fibra óptica. o DWDM e o WWDM. Cada canal carrega informações a uma taxa de 37  Mbps. New Jersey.

    CAPÍTULO 4  PRINCÍPIOS DE  CONSTRUÇÃO DE  REDES ÓPTICAS  URBANAS       .

2. mais repetidores. equipamento de comutação e sistemas de sinalização e gestão que são responsáveis por processarem a informação de sinalização e gestão.) é transmitida com o mínimo de perdas e alterações assim como assegurar um serviço permanente e sem falhas. etc. Figura 4. Como consequência a topologia física e a topologia lógica são diferentes como se evidência na figura 4. ou de um modo mais preciso por topologia física. Introdução à redes de telecomunicações As redes de telecomunicações compreendem o conjunto de meios técnicos (de natureza electromagnética) necessários para transportar e encaminhar tão fielmente quanto possível a informação à distância. comutação – encaminhamento da informação (pôr em contacto dois utilizadores quaisquer. cabo coaxial.1 Elementos básicos de uma rede As redes de telecomunicações são constituídas por uma infinidade de equipamentos baseados numa grande diversidade de tecnologias e em muitos casos concebidos e instalados em épocas muito diferentes.1. regeneradores) e elementos de rede que incluem equipamento terminal. controlo e gestão – responsável pela dinâmica (controlo) e pela fiabilidade (gestão) das redes. Tendo como exemplo a figura 4. Nas redes de telecomunicações encontra-se uma grande variedade de topologias. música.1. tanto nacional como internacionalmente. podendo então ser dividido em três ramos: transmissão – transporte fiável da informação à distância.1 pode-se admitir que o nó 1 funciona como nó distribuidor e que toda a comunicação é feita directamente entre os diferentes nós e o nó 1. Essas REDES ÓPTICAS URBANAS  76   . É constituída por nós e enlaces que possibilitam a interconexão entre diferentes pontos de acesso à rede. Este refinamento na definição ajuda a distinguir o aspecto físico do modo como a informação é distribuída na rede que define a topologia lógica.. A função de controlo é implementada através da sinalização. As redes de telecomunicações devem garantir que a informação nas suas diversas formas (voz. vídeo. Topologias de redes A estratégia de interligação entre os nós designa-se por topologia da rede.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    4.2 através da representação dos grafos correspondentes. Uma rede pode-se dividir em vias de transmissão (suporte de transmissão tais como cabos de pares simétricos. texto. amplificadores. 4.1. fibra óptica. de acordo com as suas ordens). feixes hertezianos. etc. Exemplo de uma rede e do seu grafo equivalente. 4. equipamento de transporte.

permitindo concentrar o equipamento sofisticado e REDES ÓPTICAS URBANAS  77   . A solução em estrela tem sido muito usada nas redes telefónicas. particularmente na rede de acesso. pois qualquer troca de informação entre dois nós não envolve a intervenção de mais nenhum outro nó. Como se mostra na figura 4. enquanto no caso bidireccional a informação viaja nos dois sentidos e cada nó pode comunicar directamente com os dois vizinhos. A topologia mais simples é a topologia em barramento (Bus). A topologia em malha é uma topologia com conexão total caracterizada por apresentar uma ligação directa entre todos os pares de nós.3. indica que nesta topologia o controlo do processo de informação é centralizado. A existência de um nó com responsabilidade acrescida. É a topologia mais popular pelo facto desta garantir graus de fiabilidade elevados (resistência a falhas) com um consumo modesto de recursos de transmissão. A topologia em estrela é a solução. Uma rede em anel pode ser unidireccional ou bidireccional. No caso de querer comunicar com outros nós as mensagens terão de ser enviadas através dos vizinhos. Grafos correspondentes às topologias em barramento.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Topologia física Topologia lógica Figura 4. No caso unidireccional toda a informação viaja no mesmo sentido e cada nó só pode comunicar directamente com um vizinho. Numa rede baseada nesta topologia o processo de comunicação está muito facilitado. Comparação entre a topologia física e a lógica. Nesta topologia há uma diferenciação entre as funcionalidades do nó central e as dos restantes nós. onde todo o fluxo de informação com o utilizador é controlado pelo comutador local.3 nessa topologia o meio de transmissão é partilhada por todos os elementos de rede. normalmente usada sempre que é necessário interligar um elevado número de nós.2. Barramento Anel Malha Figura 4. anel e malha. Na topologia em anel cada nó só está interligado aos nós vizinhos. A principal desvantagem desta solução reside na grande quantidade de recursos de transmissão que exige o que faz com que essa topologia se torne impraticável quando o valor do número de nós ultrapassa algumas dezenas. já que é este nó que controla as comunicações entre todos os outros. topologias condicionam à partida a estratégia de desenvolvimento e o tipo de serviços que a rede pode fornecer e por isso a definição adequada da topologia constitui uma etapa importante no processo de planeamento da rede.

4. A capacidade do canal é então a máxima velocidade na qual o canal pode transportar informação confiavel até ao destino. então existe uma técnica de codificação que permite a transmissão sobre o canal com uma frequência de erros arbitrariamente pequena. Grafos correspondentes às topologias em estrela e árvore. Estrela Árvore Figura 4. tem uma largura de banda igual a BW 3400Hz –  300Hz   3100 Hz. Shannon introduziu o conceito de “capacidade de um canal”.3. se: 0   (4. a potência média do sinal transmitido é S. a bidireccionalidade requerida pelos serviços interactivos tais como serviço telefónico e o acesso à Internet. Com o desenvolvimento tecnológico foi possível introduzir nestas redes um canal ascendente.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    caro na rede. Características das redes 4. que admite frequências da ordem de 300 Hz a 3400 Hz. Para definir uma medida da eficácia com a qual um canal transmite informação e para determinar seu limite superior. O Teorema Fundamental de Shannon estabelece que se a velocidade de informação Vi da fonte é menor ou igual que a capacidade C do canal. 4. assim. A topologia em árvore surgiu associada a serviços distributivos. e garantir que o equipamento terminal usado pelo utilizador é relativamente simples. garantindo. onde o objectivo é difundir o mesmo sinal desde o nó onde é gerada para todos os outros nós. A capacidade C se expressa em bits por segundo (bps). e como consequência se produz uma perda de informação. também referidas na literatura como redes de cabo. Esta solução foi desenvolvida no âmbito das redes de distribuição de televisão por cabo. Se o canal tem uma largura de banda W. Por exemplo. um canal de voz. então a capacidade do canal na presença do ruído é REDES ÓPTICAS URBANAS  78   . Largura de Banda e Capacidade do canal O termo largura de banda indica a diferença entre os limites inferior e superior das frequências que são suportadas pelo canal. Esta capacidade diminui como consequência dos erros introduzidos na transmissão causada por sinais perturbadores ou ruido. A largura de banda do sinal de audio é de 20 Hz a 20 kHz.1. e a potência média do ruído no canal é N.3. Esta perspectiva distributiva faz com que nos vários pontos de divisão o sinal seja repetido até atingir o equipamento terminal do utilizador. Quer dizer. que comummente se representa com a letra C. mas se     então não é possível transmitir sem erro.1) se pode transmitir sem erro. não obstante a presença do ruído.

7) 1       . o preço da linha telefónica aumenta.5 e consiste numa central de comutação telefónica directamente ligada ao equipamento terminal dos utilizadores através de uma linha telefónica (central local) de acordo com uma topologia física em estrela. o comprimento médio da linha de assinante decresce.  1   donde    1 • Rendimento do Canal com relação a largura de banda.1. o rendimento máximo de um canal vem dado por (4. assim. os utilizadores de uma central terão certamente necessidade de comunicar com os utilizadores de outras centrais. mas em contrapartida o custo associado à comutação aumenta.2) dada por: 1   A este resultado se chama “Equação de Hartley-Shannon”. Algumas vezes o comportamento do canal se pode caracterizar mediante as relações ou definições seguintes: • Redundância do Canal.2) e (4. Tipos de redes 4. Redes fixas Numa rede telefónica convencional o equipamento terminal é essencialmente o telefone que é fixo. A equação de Hartley-Shannon proporciona o limite superior para a transmissão de informação confiável por um canal ruidoso.5) (4. Então. 4.8)    0  (4. e relaciona os três parâmetros de importância em um canal: a largura de banda do canal.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    (4. A estrutura mais simples que é possível conceber para uma rede telefónica comutada está representada na figura 4. Rc  . Numa área servida por diferentes centrais locais.  1 • Rendimento do Canal. Nesse caso. diminuindo o seu custo total. Quando a área coberta pela rede em estrela e o número de utilizadores por ela servidos cresce.4) • Redundância Relativa. a potência média do sinal útil e a potência média do sinal perturbador.6) (4. É.    Também. necessário estabelecer REDES ÓPTICAS URBANAS  79   . normalmente sendo expressa em decibéis. ηc ou % 100 (4. Das expressões (4. ρc A razão entre a potência do sinal e a potência do ruído é conhecida como relação sinal-ruído. torna-se mais económico dividir essa rede em várias redes de pequenas dimensões.4. 7).4. ηB . cada uma delas servido pela sua própria central de comutação telefónica.3)  (4.

visor. Rede em estrela com comutação centralizada. ligar a fibra directamente até às instalações do utilizador (fibra até casa).5. Redes móveis A rede de telefonia móvel é uma rede de telecomunicações projectada para o provisionamento de serviços de telefonia móvel. ou seja. As enormes limitações dos pares simétricos. que para além da parte de rádio e funções de processamento para acesso à rede através do interface rádio. têm levado os engenheiros de telecomunicações a explorar outras soluções. No extremo do sistema figura 4. teclado. figura 4. Cada célula tem uma estação base que proporciona uma cobertura via rádio a toda a célula. designada por MSC (Mobile Switching Centre). Figura 4. ou junções.7(b) temos a estação móvel ou MT (Mobile Terminal). para a comunicação entre uma ou mais estações móveis.6. designadas por células. Figura 4. Estrutura hierárquica das redes fixas.6. deve incorporar o interface para com o homem (microfone. sobretudo quando está em causa o acesso de banda larga. nomeadamente a sua largura de banda muito reduzida e a enorme susceptibilidade às interferências. .. formando-se a rede de junção. A solução mais sólida é sem dúvida a que faz uso da fibra óptica. 4.2. O conceito básico subjacente às comunicações celulares consiste em dividir as regiões densamente povoadas em várias regiões de pequena dimensão.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    ligações. A presença desta central introduz uma estrutura hierárquica na rede. auscultador.. ligando em seguida o armário às instalações do utilizador através da par simétrico (fibra até ao quarteirão). entre as diferentes centrais usando centrais Tandem. Como se mostra na figura 4. Outro REDES ÓPTICAS URBANAS  80   .) e ou o interface para interligação com equipamento terminal (computador pessoal ou fax).7(a) cada estação base está ligada a uma central de comutação de móveis. sendo de referir entre outras as seguintes alternativas: ligação em fibra óptica entre a central local e um armário exterior.4.

que inclui as principais funções de comutação do REDES ÓPTICAS URBANAS  81   . o BSS encontra-se também em contacto com o OMC (Operation and Maintenance Centre) através duma rede de comunicação de dados a funcionar sobre X.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    aspecto significativo da arquitectura da estação móvel. recepção de rádio. NSS (Networking Switching System). e principalmente da atribuição de canais de rádio bem como o controle de handover. onde está envolvido mais que uma simples identificação. bem como o processamento de sinal específico da interface rádio. • BSC – Base Station Controller.25. A BTS compreende os dispositivos de transmissão e Figura 4. o subsistema estação de base. incluindo as antenas. Necessitando de controle. Estrutura básica de uma rede móvel.7(b). Está ligada por um lado ao Switching System (SS) e por outro a várias BTS’s . ou BSS (Base Station Subsystem). O BSS encontra-se em contacto directo com as estações base. agrupa as infra-estruturas de máquinas que são específicas aos aspectos rádio celulares. Figura 4. Arquitectura de um sistema móvel. Os equipamentos abrangidos por este subsistema são: • BTS – Base Transceiver Station. incluindo portanto o equipamento responsável pela transmissão e recepção do percurso rádio e sua gestão. através do interface rádio. Outro subsistema é o SS. através do comando remoto da BTS e da MT.7(a). O BSC é responsável por toda a gestão da interface rádio. é o módulo do assinante.

os operadores de telecomunicações criaram uma rede digital alternativa à rede de voz. serviços suplementares e a posição actual dos assinantes “visitantes” dessa área. Outra base de dados é o AuC (Authentication Center). com o OMC e com as bases de dados. é um assunto para o qual não existem especificações dedicadas nas recomendações do sistema. REDES ÓPTICAS URBANAS  82   . Parte desta tarefa é realizada na operação de rede pelos equipamentos da infra-estrutura. permitindo a este efectuar operações de manutenção. assim como fazer a gestão de todas as máquinas do sistema. bem como as bases de dados necessárias para os assinantes e para a gestão da mobilidade.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    DCS (Dedicated Channel Suport). mas na década de cinquenta foi introduzido o modem para transportar dados sobre essa infra-estrutura. com as redes externas. serviços suplementares e a posição actual. taxação e contabilização. Contudo. que tem como principal papel a coordenação e estabelecimento de chamadas de e para os assinantes do sistema. devido às limitações das velocidades de transmissão e qualidade dos modems. Contudo. • Gestão das assinaturas. No entanto tem-se verificado uma convergência de princípios aplicados para uma mais fácil interligação de redes e uniformização neste aspecto a nível internacional. tal como com a BSS ou o NSS. requerendo todas interacção com as infra-estruturas. Três importantes bases de dados do sistema armazenam informação sobre os assinantes e equipamento. As principais funções do OSS são: • Operação e manutenção das máquinas da rede. que contém toda a informação adequada para evitar as intromissões na interface rádio e a utilização indevida do equipamento. A rede telefónica foi projectada simplesmente para tráfego de voz sobre linhas analógicas. Quanto ao sistema de operação e gestão OSS (Operation and Suport System). A MSC tem ligações com os BSS’s. sendo assim um processo livre. Este aspecto. Dentro do subsistema NSS. Normalmente é um equipamento independente que se ocupa destas tarefas. este desempenha diversas tarefas. existe um equipamento. Associada a cada MSC existe um VLR (Visitors Location Register). Responsável por este serviço está um equipamento a que se dá o nome de OMC (Operation and Maintenance Centre). 4. que conserva informação sobre níveis de assinantes. identificado como sendo EIR (Equipment Identity Register). dos assinantes da própria rede. a rede pública de dados.4. Rede Digital com Integração de Serviços A Rede Digital com Integração de Serviços (RDIS) resulta da evolução natural da rede telefónica. guarda a informação sobre níveis de assinaturas. de taxação e contabilização. assim como também para taxação. responsável pelo armazenamento dos dados relativos ao equipamento móvel. Com ligação ao HLR para consulta e actualização de dados referentes aos assinantes. • Gestão do equipamento móvel. as funções de comutação básicas são executadas pela MSC (Mobile Switching Centre). para suportar a transmissão de dados com maior velocidade e melhor qualidade. O HLR (Home Location Register). ou mais recente.3. e que é considerada a interface entre o homem e a rede.

com um acesso único ao assinante. dados. o utilizador pode através de uma única linha de assinante ter acesso a uma grande diversidade de serviços.) numa única rede. onde o multiplexador da Operadora multiplexa os tráfegos provenientes de clientes residenciais conectados através de uma topologia ponto-a-ponto e de clientes corporativos através de uma topologia anel e os encaminha para uma Rede Metropolitana. o RDIS de banda larga nunca viu a luz do dia. texto.8.5. que é a de todos serem digitais.. para além dos serviços RDIS tradicionais e o acesso do utilizador à rede seria efectivado a débitos de várias dezenas de Mbps. Um exemplo típico de uma Rede de Acesso é ilustrado na figura 4.5. Figura 4. Redes ópticas 4. Com esta evolução a RDIS passaria a ter também capacidade para suportar serviços de vídeo e de transmissão de dados a alta velocidade. Uma outra topologia utilizada é o anel que poderá agregar dois ou mais clientes a um único multiplexador da Operadora. etc. Redes Ópticas Metropolitanas As Redes Ópticas Metropolitanas têm como função permitirem o acesso de empresas de médio e grande porte (por exemplo: clientes corporativos) e o transporte do tráfego das Redes REDES ÓPTICAS URBANAS  83   . A topologia mais comum para este tipo de rede é o ponto-a-ponto. 4.1. 4. Redes Ópticas de Acesso As Redes Ópticas de Acesso têm como função permitirem o acesso dos usuários finais (ou clientes) localizados em residências e empresas de pequeno porte às Redes Ópticas dos Provedores de Acesso e Operadoras de Telecomunicações. A evolução para a RDIS só é possível com a digitalização da linha de assinante (ou lacete de assinante). Assim. pois conecta o usuário final directamente a um multiplexador da Operadora ou do Provedor. o que permitiu eliminar o fosso analógico existente nas redes digitais integradas. dados. etc. imagem. Como os débitos oferecidos pelo RDIS são relativamente modestos a ITU-T avançou com o conceito de RDIS de banda larga e publicou uma série de normas no sentido de dar substância a esse conceito. porém. com uma característica fundamental.8. como voz. Diagrama de uma rede óptica de acesso.2. Devido aos elevados custos.5.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    A RDIS surge como tentativa de integrar todas as redes públicas (telefónica.

considera-se “longa distância” a compreendida entre 600 km e 1500 km e “ultralonga distância” a compreendida entre 1500 Km e 4000 Km). pois não há conexão directa com os usuários finais devido às altas taxas de transmissão que circulam nestas redes na ordem de Gbps ou Tbps. 4.1. Redes Ópticas de Longa Distância As Redes Ópticas de Longa Distância têm como função permitirem a comunicação de uma ou mais Redes Ópticas Metropolitanas a longas distâncias (geralmente. No entanto. As Redes Ópticas Metropolitanas podem ser divididas em dois segmentos: (1) Redes Ópticas Metropolitanas de Acesso (Metro Access Optical Networks) e (2) Redes Ópticas Metropolitanas Centrais (Metro Core Optical Networks) conforme é ilustrados na figura 4. Nestas redes. Figura 4.3. Concepção de uma Rede Óptica Urbana 4. apesar de existir uma tendência muito forte destas redes migrarem para a topologia em malha. pois admite diversos elementos de rede em uma única rede. Planeamento da Rede de Transmissão O planeamento da transmissão. identifica-se como sendo a Rede Óptica Metropolitana de Acesso àquela que permite o acesso do tráfego proveniente das Redes Ópticas de Acesso e dos clientes corporativos de médio porte.9.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Ópticas de Acesso. Esta divisão entre Redes Ópticas Metropolitanas de Acesso e Centrais nem sempre é fácil identificar em campo. devido à complexidade das mesmas. utilizando como dados de entrada matrizes de demandas por serviços e/ou taxas de transmissão.5. Elas são consideradas como o “núcleo das redes ópticas” (core ou backbone). 4. Ao passo que para a Rede Óptica Metropolitana Central reserva-se o acesso de clientes corporativos de grande porte e transporte do tráfego local e proveniente das Redes Ópticas de Acesso para as Redes Ópticas de Longa Distância e viceversa.6. em linhas gerais. tem por objectivo dimensionar o número e tipos de REDES ÓPTICAS URBANAS  84   . Diagrama de uma rede óptica metropolitana. observa-se o surgimento de alguns elementos de rede locais com funcionalidade de comutação cruzada. As Redes Ópticas de Longa Distância são geridas pelas Operadoras de Telecomunicações e têm como topologias mais comuns o ponto-a-ponto e o anel. A topologia mais comum para as Redes Ópticas Metropolitanas é o anel.6.9.

264 Mbps. Os tópicos tratados ao longo deste capítulo serão: • Características principais (princípios) da tecnologia SDH • Conceitos básicos e formação dos sinais • Elementos de rede e topologias • Confiabilidade de rede • Modelo em camadas Vale referenciar primeiro os padrões europeus de sinais eléctricos. A contratação de linhas E1 de 2 Mbps é conhecida como "E1 fraccionário". Princípios da Transmissão Síncrona A tecnologia de transmissão SDH (Synchronous Digital Hierarchy – Hierarquia Digital Síncrona) é um padrão proposto pelo ITU-T (International Telecommunications Union – Telecommunication Standardization Sector) e foi desenvolvida graças aos avanços tecnológicos verificados na microeletrônica e na fotónica. suas respectivas taxas de transmissão. embora o sistema T norte-americano utilize taxas de transmissão diferentes. porém. sendo o padrão usado em Angola e na Europa.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    equipamentos de transmissão. 4. A Rede de Transporte SDH Este item não tem o objectivo de fazer uma descrição minuciosa e exaustiva da tecnologia SDH.3. mecanismos de protecção. • E4: 139.368 Mbps. • DS3: 44. com o intuito de suprir algumas deficiências da sua predecessora. O E1 possui uma taxa transferência de 2 Mbps e pode ser dividido em 32 canais de 64 Kbps cada. 4. A SDH permite a convivência de vários fabricantes de equipamentos em uma mesma rede. A ITU-T. REDES ÓPTICAS URBANAS  85   .148 Mbps.6. a tecnologia PDH (Plesiochronous Digital Hierarchy). • E5: 565. E1 é um padrão de linha telefónica digital europeu criado pela ITU-T e o nome determinado pela Conferência Europeia Postal de Telecomunicação (CEPT).448 Mbps. é o equivalente ao sistema T-carrier norte-americano. A proposição do Planeamento da Rede de Transmissão é o assunto desta tese e será tratado adiante.2. Antes. descrevemos a tecnologia SDH utilizada neste planeamento.6. forneceremos uma extensa bibliografia. através das Recomendações G707. Para uma compreensão mais aprofundada desta tecnologia. interfaces de tributários e de linha. estrutura de quadro e de multiplexação. mas de enfatizar os aspectos que consideramos relevantes para a sua utilização no Planeamento da Rede de Transporte. • E3: 34. além do meio de transmissão (fibras ópticas). interfaces e equipamentos de gestão. Suas variantes: • E2: 8. G708 e G709 busca uma padronização completa da SDH que inclui taxas de bits de transmissão e funcionalidades dos equipamentos.736 Mbps.

mais confiáveis. A estrutura de quadro SDH facilita a gerência da rede. enquanto que na PDH é realizada por entrelaçamento de bits. Formação dos sinais SDH A analogia entre o transporte de sinais pela rede SDH e o transporte de carga numa rede ferroviária será utilizada para ilustrar o funcionamento da tecnologia de transmissão. os pontos onde as informações transportadas são montadas/desmontadas no sinal SDH . o que pode envolver um ou mais elementos de rede e. Tabela 4.430 bytes (270 colunas por 9 linhas) que se repetem a cada 125 μ  (período do quadro). que é realizada por entrelaçamento de bytes. As facilidades de derivação e inserção de tributários permitem também que novas funcionalidades e configurações de equipamentos sejam viabilizadas. Japonês e Europeu Proprietárias Proprietárias SDH ITU – T Padronizadas Três padrões 4.10) possui 2. Uma secção está relacionada com a trajectória da informação entre dois elementos de rede (equipamentos) adjacentes ou vizinhos. favorece esta flexibilidade e permite que utilizadores da rede sejam atendidos mais rapidamente e sob demanda. Cross-connect Três padrões: Americano. A tabela 4. portanto. envolve dois conceitos fundamentais: enlace ou secção (section) e via (path). REDES ÓPTICAS URBANAS  86   . Inserção e Derivação. na medida em que mais bytes são reservados para esta função. fornecendo uma taxa de 155. permitindo que a rede SDH seja bastante flexível. ou seja. O processo de multiplexação e formação dos sinais SDH. Estes equipamentos.6. Uma via está relacionada com a trajectória da informação entre a sua origem e o seu destino.52 Mbps.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    A estrutura de formação dos sinais SDH possui características que facilitam a derivação e inserção de tributários (sinais de taxas de bits mais baixas) do sinal agregado (sinais de taxas maiores). que pode ser visto como um vagão de um trem.4. O sinal básico de transporte em uma rede SDH é composto de quadros (frames) ou módulos de transporte STM-N (Synchronous Transport Module – ordem N). portanto. por sua vez. principal inovação desta tecnologia.1. O quadro STM-1 (figura 4. um ou mais enlaces. Comparação entre as tecnologias PDH e SDH PDH Padrões de Estrutura de Quadro Interfaces de Linha Funcionalidades de Gestão Derivação e Inserção de Tributários Difícil Capacidade de Gestão Mecanismo de Protecção Funcionalidade dos Equipamentos Multiplexação Baixa Pouco Eficientes Fácil Alta Eficientes Multiplexação.1 apresenta de forma sucinta e comparativa estas duas tecnologias nos aspectos acima relatados. possibilitam que topologias de rede sejam mais protegidas contra falhas e. A multiplexação de sinais.

REDES ÓPTICAS URBANAS  87   . Tabela 4. Dependendo da taxa de transmissão do sinal transportado. isto significa que as caixas menores (LOVC) são colocadas dentro de caixas maiores (VC-4).3 mostra as taxas de transmissão e os sinais que podem ser transportados pelos VC’s.10. 34 Mbps e 140 Mbps. os VC’s são classificados em containers de baixa ordem (LOVC – Low Order Virtual Container) e de alta ordem (HOVC – High Order Virtual Container). O VC-3 pode ainda transportar 21 VC-12.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Figura 4. transportar como carga (payload) vários sinais de taxas de transmissão mais baixas. VC-3 para o transporte de sinais de 34 Mbps e VC-4 para os de 140 Mbps. Por analogia. Taxas de bits e capacidades dos sinais STM-N Módulos de Transporte SDH STM-1 STM-4 STM-16 STM-64 Taxa de Transmissão (Mbps) 155.2. Este sinal básico STM-1 é multiplexado através de entrelaçamento de bytes. O container acrescido do cabeçalho POH compõe um container virtual (VC-Virtual Container). Para indicar as posições dos VC de baixa ordem dentro de um VC de ordem mais alta são utilizados ponteiros de TU (Unidade de Tributários).520 622.320 9963. Os VC’s transportam os sinais síncronos de 1. O sinal multiplexado pode ser visto analogamente como uma composição de vagões do trem. A tabela 4. A próxima etapa do processo de formação do sinal SDH é “arrumar” ou “empacotar” (to groom) os LOVC em containers VC-4. A cada container é acrescentada uma etiqueta ou cabeçalho (bytes de overhead). que contém informações sobre desempenho. Estrutura do quadro STM-1. destino. gerando sinais múltiplos (STM-N). A tabela 4. por sua vez.5 Mbps e 2 Mbps e permitem também o transporte dos sinais PDH de 8 Mbps. A ITU-T define três tipos de VC: VC-12 para transporte de sinais de 2 Mbps. manutenção e alarmes da via percorrida pelo payload.2 mostra as taxas de transmissão dos sinais STM-N. enquanto que um VC-4 pode conter 3 VC-3 ou 63 VC-12. denominado POH (Path OverHead).080 2488.280 Capacidade de Transmissão (em canais de 2 Mbps) 63  252  1008  4032  Cada módulo de transporte STM-N pode. As cargas ou sinais que serão transportados são inicialmente embalados em caixas de diversos tamanhos denominadas containers.

Finalmente. denominados respectivamente RSOH (Regenerator Section OverHead) e MSOH (Multiplex Section OverHead). sincronizar quadros através de uma palavra de alinhamento. Estrutura de multiplexação do sinal STM-N.3. Figura 4. Tabela 4.11. o STM-1. O SOH é dividido em dois campos.240 48. Ao VC-4 deve ser adicionado também um ponteiro para indicar a sua posição dentro de um STM-N. é acrescentado um cabeçalho para gerir os enlaces da rede denominado SOH (Section OverHead).PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Estes são multiplexados formando Grupos de Unidade de Tributários (TUG). obtendo-se.11. Tipo de conteiners virtuais Classificação do VC VC-12 VC-3 VC-4 LOVC LOVC HOVC Taxa de Transmissão (Mbps) 2. um para gestão dos enlaces de regeneração (trecho entre um regenerador e um multiplexador).336 Sinais Transportados 2 Mbps  34 Mbps 21 x VC-12 140 Mbps 3 x VC-3 63 x VC-12 As funções do SOH são prover comunicação entre os equipamentos instalados nas extremidades do enlace. REDES ÓPTICAS URBANAS  88   . e outro para os enlaces de multiplexação (trecho entre dois equipamentos multiplexadores adjacentes). O processo de formação do sinal STM-N está mostrado na figura 4. desta forma.960 153. fornecer informações necessárias à adaptação do nível de enlace ao nível de via (path) e perfazer as operações de gestão e administração de facilidades no enlace da rede.

REDES ÓPTICAS URBANAS  89   . conforme mostrado na figura 4. conforme mostrado na figura 4.Multiplexador de Inserção/Derivação). Equipamentos de Transmissão Os equipamentos de transmissão SDH.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    4. Já a interface do agregado é sempre STM-N.12(a).12(b). essa funcionalidade corresponde a troca de posição entre dois vagões de um mesmo trem. HOVC (VC4) e LOVC (VC-12 e VC-3). (a) Funcionalidade TSI.5.6.6. Estes equipamentos diferem quanto ao tipo de interface de tributário que pode ser PDH ou SDH. que comutam. a formação dos sinais SDH pode ser decomposta em duas funcionalidades básicas: • Empacotamento dos sinais de informação em VC-4 e STM-1 • Multiplexação dos STM-1 em STM-N Além das funcionalidades básicas descritas anteriormente (empacotamento e multiplexação).12. Um equipamento LTM possui as funções de empacotamento e multiplexação de tributários em um agregado. A actividade denominada TSI permite que a posição relativa de um VC-4 em uma sequência temporal de quadros STM-N seja alterada. a transconexão acontece num cruzamento entre dois ou mais ramais. utilizados para interligar estações. Essa funcionalidade é implementada em 2 níveis por matrizes de comutação denominadas HPC (High-Order Path Connection) e LPC (Low-Order Path Connection). (b) Funcionalidade Cross-connection A Cross-connection (transconexão) é uma actividade que permite a troca de posição entre tributários de diferentes agregados. Analogamente ao sistema ferroviário.6. • ADM (Add/Drop Multiplexer . a tecnologia SDH permite a realização de actividades de intercâmbio temporal de quadros (TSI – Time Slot Interchange) e Cross-connnection. são classificados de acordo com as funcionalidades que são capazes de desempenhar e podem ser dos seguintes tipos: • LTM (Line Terminal Multiplexer . Caixas dentro de vagões ou mesmo vagões inteiros dos trens que se cruzam neste local podem ser trocadas de um vagão para outro ou de um trem para outro. Funcionalidades da tecnologia SDH Pelo que foi descrito na secção anterior. Seguindo nossa analogia com o sistema ferroviário.Multiplexador Terminal de Linha). (a) (b) Figura 4. • SDxC (Synchronous Digital Cross-connect – Transconector Digital Síncrono). 4. além da terminação de linha óptica (conversão do sinal elétrico em óptico e vice-versa). respectivamente. Funcionalidade da tecnologia SDH.

Os Enlaces ponto-a-ponto são constituídos por ligações directas entre 2 nós e podem ser implementados por um LTM em cada extremidade do enlace. caso contrário.7.13. Topologias de rede Os equipamentos SDH podem ser combinados para produzir diferentes topologias elementares de rede. parte da carga dos vagões podem ser retiradas/inseridas. no ADM tipo 2. é implementado pela matriz HPC. onde vagões são retirados e inseridos em composições. tais como: Enlaces ponto-a-ponto.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Um equipamento ADM é constituído por 2 terminais de linha ópticos (agregados) e um conjunto de tributários. que executa operações de inserção/derivação dos tributários sobre os agregados. Existe ainda o ADM que permite a inserção/derivação apenas de HOVC (ADM tipo 1) e aquele que permite também a retirada de LOVC (ADM tipo 2). portanto. Equipamentos SDH. Os SDxC que comutam LOVC são denominados SDxC 4/1 (comutação de VC-12). Um equipamento SDxC consiste num conjunto de matrizes de comutação SDH associadas a um conjunto de tributários. temos um ADM de acesso parcial. A figura 4. é possível a inserção/derivação de qualquer tipo de VC de qualquer um dos dois agregados. conectados por uma matriz de comutação SDH.6. Cadeias de ADM’s e Estrela. sem que se altere a carga dentro dos vagões. Anéis de ADM’s. de modo que sinais provenientes de um tributário podem ser conduzidos a qualquer outro tributário diferente. SDxC 4/3 (comutação de VC-3) e SDxC 4/3/1 (comutação de VC-12 e V-3) e são implementados pela matriz LPC e HPC. REDES ÓPTICAS URBANAS  90   . Figura 4. O ADM tipo 1 pode ser entendido como uma estação ferroviária. No ADM de acesso total. O SDxC 4/4 permite apenas a comutação de HOVC entre os agregados e. 4.13 ilustra estes 3 tipos de equipamentos em uma configuração particular. Há dois tipos de SDxC que se distinguem em relação ao nível dos tributários comutados. As Cadeias de ADM’s são formadas por ADM’s nos nós intermediários e 2 LTM’s terminais.

15 mostra como as informações flúem através de anéis bidirecionais e unidirecionais. A figura 4. apenas um sentido é permitido.14. a rede deve assegurar níveis de confiabilidade aceitáveis. Topologias elementares. tudo depende de uma criteriosa selecção dos equipamentos que integrarão a rede. As topologias fornecem as conexões que devem assegurar uma maior confiabilidade da rede. os anéis podem ser classificados em anéis a 2 fibras e anéis a 4 fibras. Tal comportamento é alcançado pela redundância da topologia e/ou busca de conexões (ou caminhos) alternativas. Na topologia em Estrela. Pode ser implementada por SDxC no hub central e por LTM’s nas extremidades. Nos anéis bidirecionais. Confiabilidade de rede Na eventualidade de ocorrência de falhas. Dependendo do número de fibras que interligam os ADM’s. enquanto que nos anéis unidirecionais.8.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Figura 4.15.6. Figura 4.14 mostra exemplos destas topologias elementares. Fluxo de informações nos anéis. Existem 2 tipos de anéis: bidirecionais e unidirecionais. a informação pode trafegar nos 2 sentidos do anel (horário e anti-horário). 4. sobretudo no que se refere aos grandes volumes de demanda. ou seja. uma estação central (também chamado de hub) concentra e distribui a demanda vinda ou originada das outras estações. REDES ÓPTICAS URBANAS  91   . A figura 4. Os Anéis de ADM’s podem ser representados como uma “cadeia fechada” formada por 3 ou mais ADM’s.

Figura 4.16. os VC’s são duplicados e enviados por 2 caminhos alternativos. No esquema de protecção Line Switching (comutação do enlace). conforme podemos observar pela figura 4. Estes ADM’s é que serão responsáveis pela comutação da informação pelo enlace alternativo. A falha em algum enlace do caminho utilizado é detectado pelos ADM’s terminais deste caminho. A proteção por Anéis auto-regeneradores é possível graças a dupla conectividade oferecida pelo anel. REDES ÓPTICAS URBANAS  92   . A solução é duplicar esta conexão através da interligação de dois ADM’s de uma estação a dois ADM’s da outra. Na ocorrência de falha num determinado caminho. Essa falha é detectada pelos 2 ADM’s que interligam o enlace no qual ocorreu a falha. o sinal STM-N é desviado por um enlace alternativo. Já no esquema Path Switching (chaveamento do caminho). uma configuração em Anéis Biconectados. geralmente utilizado em anéis unidirecionais a 2 fibras. A conexão de dois anéis dentro de uma mesma estação através de um ADM de cada anel não garante a protecção contra falha no nó.16. conforme pode ser visto na figura 4. • Redes baseadas em Cross-connect. Os anéis podem ainda interligar-se entre si. facilitando a busca de caminhos alternativos.17. aumentando a confiabilidade da rede. em 2 processos conhecidos por Line Switching e Path Switching. Os ADM’s que compõem o anel possuem funcionalidades que permitem reconfiguração automática na presença de falhas. Esquema de protecção em anéis (Line Switching). quando ocorre uma falha num enlace óptico. tais como: • Anéis auto-regenedores (Self-Healing Rings). Descreveremos alguns deles. e • Proteção em Enlaces ponto-a-ponto e cadeias. os SDxC’s são automaticamente reconfigurados.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Diversos esquemas de protecção são combinados numa mesma rede SDH para torná-la mais confiável. comutando a informação por um caminho alternativo. geralmente utilizado em anéis bidirecionais. que são responsáveis pelo chaveamento da informação pelo caminho alternativo. Os equipamentos SDxC que compõem as redes baseadas em Cross-connects possuem alto poder de comutação entre tributários. daí o nome.

Camadas de rede Uma estratégia eficiente de organizar uma rede de forma a suportar um crescimento cada vez mais complexo e eficiente é dividi-la em camadas. Dois tipos de configuração são possíveis nesta estratégia: 1+1 e 1:N. a primeira baseada na taxa de transmissão dos enlaces. cada sistema de protecção é destinado a apenas um sistema de trabalho. Já na configuração 1:N. Figura 4. Na configuração 1+1. 4. outra de baixa capacidade formado pelos nós menos importantes que se ligam ao backbone (figura 4.18. A sub-rede backbone é minimamente formada pelos hubs.18.9.6. Esquema de protecção em anéis (Path Switching). Os esquemas de protecção em enlaces ponto-a-ponto e cadeias são geralmente realizados pela duplicação dos componentes eletro-ópticos dos equipamentos e dos cabos de fibras ópticas. Divisão pela capacidade de transmissão dos enlaces Pode-se pensar numa rede de rransporte em 2 níveis: uma de alta capacidade de transmissão formada pelas estações mais importantes fortemente conectados (sub-rede backbone).17. podendo incorporar outras estações REDES ÓPTICAS URBANAS  93   . Na duplicação de componentes eletro-ópticos. Protecção por caminhos disjuntos. e a segunda baseada na funcionalidade desempenhada por cada camada de rede (modelo funcional).PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Figura 4. Uma cópia do sinal é enviada por um caminho e a outra é roteada automaticamente por um caminho disjunto do realizado pelo primeiro par.19). Apresentaremos duas divisões possíveis. conforme mostrado na figura 4. N sistemas de trabalho compartilham um único sistema de protecção. o sinal é duplicado na origem e enviado através de pares de fibra óptica distintos.

A Camada de Circuitos traduz o tráfego dos serviços requeridos pelos usuários numa taxa de bits equivalente. • Camada Física (ou de Fibra Ópticas). pontos de localização de centrais de comutação telefónica e de acesso de usuários a outros serviços (dados. Figura 4. Modelo funcional e Camadas de Rede A rede de transporte SDH pode ser considerada também a partir de uma concepção que subdivide esta rede em camadas funcionais. • Camada de Enlaces (ou de Equipamentos). onde cada camada realiza funções específicas e transporta algum “conteúdo” específico de um ponto a outro.20. Camadas do modelo funcional.19. Nesta tese. Sub-redes backbone e de acesso ao backbone. imagens. REDES ÓPTICAS URBANAS  94   . TV.20): • Camada de Circuitos. Figura 4. etc). Esta taxa calculada para todos os enlaces da rede.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    importantes. propomos um modelo composto por 4 camadas (figura 4. • Camada de Vias subdividida em Baixa Ordem (VC-12 e VC-3) e Alta Ordem (VC-4). fornece uma matriz de demanda dos assinantes. que será utilizada como dado de entrada pelas outras camadas. e os arcos representam a necessidade de fornecer taxas de transmissão entre estes pontos para suporte dos serviços. Os nós desta camada correspondem a estações.

140 Mbps em VC-12. VC-4 (LOVC). “Arrumar” VC-12.21. VC-4 nos STM-N (HOVC) VC´s PLANEAMENTO DA CAMADA DE MEIOS FÍSICOS Rotear STM-N sobre fibras ópticas Fibras Ópticas Figura 4. Na Camada de Enlaces (ou Equipamentos). os VC’s são multiplexados em STM-N. 140 Mbps PLANEAMENTO DA CAMADA DE ENLACES Rotear canais de 2 Mbps. REDES ÓPTICAS URBANAS  95   . A matriz de VC’s entre estações gerada por esta camada é repassada para a Camada de Equipamentos. definindo-se as taxas de transmissão do conjunto de equipamentos que serão instalados. • Circuitos de TV a 34 Mbps. por sua vez. 8 Mbps. 34 Mbps. VC-3) e outra a de alta ordem (VC-4). multiplexados em módulos de 2 Mbps. como estes equipamentos são combinados em topologias elementares para formar a topologia de rede. uma para cada tipo de serviço e/ou taxa de transmissão e repassados como dados de entrada para a camada de vias. Estes dados são apresentados na forma de matrizes de demanda entre as estações. Fluxo de informações no Modelo em Camadas. 140 Mbps sobre STM-N STM-N PLANEAMENTO DA CAMADA DE VIAS “Arrumar” canais de 2 Mbps. 34 Mbps. 32 Mbps ou 140 Mbps. Na Camada de Vias (ou Lógica). cuja taxa de transmissão depende de cada serviço suportado: • Circuitos de 64 Kbps da comutação telefónica. • Linhas telefónicas privadas a 2 Mbps. Nesta camada são definidos: (1) os números e tipos de VC’s entre as estações e (2) como os LOVC’s são mapeados ou arrumados em HOVC’s.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    O tráfego gerado pela necessidade de comunicação entre os usuários é traduzido em demandas entre as estações. Esta última actividade é realizada por uma matriz de comutação denominada LPC. PLANEAMENTO DA CAMADA DE CIRCUITOS Elaborar previsão de demandas 2 Mbps. 34 Mbps. VC-3. 8 Mbps. Esta camada é subdividida em 2 subcamadas. uma para os VC’s de baixa ordem (VC-12. VC-3. essas demandas são empacotadas em VC’s que. 8 Mbps. serão roteados entre as estações. • Células ATM de 58 bytes multiplexadas em módulos de 155 Mbps ou 622 Mbps. e por quais equipamentos as demandas em VC serão roteados. • Dados PDH de 8 Mbps.

hospitais.6. Constatamos um crescimento muito pequeno na utilização da rede fixa comparativamente a rede de telefonia móvel.85 km do Nó SDH na Angola Telecom (Nó SDH B).10. procedemos ao planeamento da Camada de Meios Físicos. ocupando uma área de 6528 km . o nó SDH na Angola Telecom dista 8  km do nó SDH no Condomínio Palmeiras (Nó SDH C). O diagrama da figura 4. desenvolvemos um estudo. está em implementação uma rede de cobre que permitira um maior número de acesso. Os serviços associados a tecnologia ADSL com uma largura de banda de 1  MHz. Na Metodologia a usar. a velocidade de Internet é de 153 Kbps. Administração municipal. Metodologias de planeamento A subdivisão da rede de transporte SDH em camadas funcionais apresentada anteriormente sugere que o planeamento também seja dividida em fases. para o estabelecimento de uma rede de fibra óptica para a cidade de Caxito. Visão geral do estudo Tendo em conta o desenvolvimento da rede estruturada de fibras óptica que esta a ser desenvolvida em Angola. distribuída em quatro grandes centros habitacionais. O Nó SDH no Governo da Província do Bengo (Nó SDH A) dista 7. e este por sua vez dista 15 km do nó SDH no Governo da Província do Bengo (Nó SDH A). na Angola Telecom e no Condomínio Palmeiras. Concorre para este facto a quase inexistente oferta de outros serviços com REDES ÓPTICAS URBANAS  96   . 4. A tecnologia de transmissão é por microondas. como veremos adiante. bancos. Com esta rede poder-se-á dar cobertura as insituições como Governo da província. 4. A necessidade de transportar vários sinais ópticos em vários comprimentos de ondas dentro de um mesmo par de fibras (WDM – Wavelenght Division Multiplexing). Neste momento o sistema comporta uma rede com capacidade de 500 linhas. Este anel terá três nós que estarão localizados no Governo da Província do Bengo.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    A Camada Física trata da ligação entre as estações através de cabos de fibra óptica. ou seja.22. tendo uma capacidade de 200 linhas para a rede primária.1.7. 4.21 mostra o fluxo de informações entre as várias camadas do Modelo Funcional proposto. A cidade de Caxito possui pouco mais de 90 mil habitantes e encontra-se situada no município do Dande. etc. Interessa nesta camada a necessidade de regeneradores de sinais em alguns pontos. embora a sequência de etapas realizadas no planeamento não tenha que necessariamente coincidir com a sequência das camadas do Modelo Funcional. Para o trabalho em causa será usada uma extensão de 30 km de fibra óptica que cobrirá o anel a ser dimensionado. Projecto de rede de fibra óptica em caxito. que comportam 512 linhas não estão ainda comercializadas. possuindo apenas 160 assinantes.7. Existe o serviço de telefonia sem fio com um total de 2500 linhas. Finalmente. o planeamento da Camada de Vias precede o da Camada de Enlaces. figura 4. inicialmente “arrumaremos” os circuitos em VC-4 e posteriormente dimensionaremos os equipamentos a partir destes VC-4.

capacidade comparável a mais de 6000 conversações simultâneas. Para o trabalho usaremos fibras do tipo monomodo tendo em conta a obtenção de taxas de transmissão cada vez mais altas. A rede proposta será em anel bidireccional a duas fibras. Pensamos que uma maior divulgação dos benefícios da rede e dos serviços e capacidade da rede poderão servir como outro elemento de atracção de novos clientes. multimédia.22. o melhoramento da qualidade de serviço a prestar e uma política de preços adequada em função dos rendimentos da população poderão ser elementos catalisadores de adesão de um maior número de assinantes a rede de telefonia fixa. sendo um para a transmissão e outra para a protecção do sinal. cabo REDES ÓPTICAS URBANAS  97   . Estrutura de rede óptica sob SDH em Caxito. Propomos a comutação electrónica digital síncrona via SDH.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    qualidade e preços baixos. receptor. oferecendo serviços como: e-mail. Será necessário a implantação da rede as instituições de utilidade pública bem como a implantação de cabinas públicas e formas expeditas de pagamento. por isso a integração dos serviços. Para atendimento a demandas futuras o sistema deverá suportar transmissão do sinal será usada com multiplexação por comprimento de onda WDM. Um projecto de enlace óptico é basicamente entendido como a selecção de três elementos básicos (transmissor. com uma taxa de transmissão de até 622  Mbps. sobre camada óptica. vídeo de alta resolução. usando como fonte luz um laser. o que se verifica como tendência é que a voz seja transportada sobre redes de dados SDH. o acesso a Internet deverá ser encarado como uma forma de adesão aos serviços de telefonia fixa dado aos diversos serviços disponíveis. TV e voz sobre tecnologia IP – Internet Protocol. Actualmente as transmissões de dados utilizam meios de transportes sobre circuitos de voz. Figura 4.

Este contém u cabeçalh denomin e um ho nado SOH ( (Section Ov verHead) com infor rmações ad dicionais pa gerir os enlaces da rede. Matriz de d T demanda da em núm ada mero de cana de 2 Mbp ais ps Estaçã B ão Estação A Estação B 100 0 ‐ Estação C 100 100 A partir da matriz de entrada pode emos calcul a demand total de c lar da cada estação e a deman nda total da rede: Demanda t D total de cad estação: da • Estação A = 200 cir rcuitos de 2 2 Mbps • Estação B = 200 cir rcuitos de • Estação C = 200 ci ircuitos de Demanda t D total da red 300 circuitos de 2 Mbps de: 2 O fluxo máx ximo com p possibilidad de ser esc de coado por cada rota da rede é: • Rota AB 200 circu B: uitos de 2 M Mbps. Dim 4 mensionam mento dos enlaces e dos nós da rede s Utilizaremo o sistema de grafos d rede prop U os a da posta para C Caxito: Figu 4. 4. e por quais e ra equipamentos as dema andam em V VC serão roteados.PRINCÍPIOS DE P E CONSTRUÇÃO DE REDES Ó ÓPTICAS URBA ANAS    óptic co).2. Loca ura alização geogr ráfica das esta ações ou nós d rede. O objectivo do planeam o mento é gar rantir a info ormação a u dada di uma istância.7. Ne ara s d esta camada definimos as taxas de a trans smissão do conjunto d equipame de entos que serão instalados. Tabela 4. da Planeamen da cama de enla P nto ada aces Na N Camada de Enlace os VC-4 são multi a es. como estes equi s o ipamentos s são comb binados par formar a topologia de rede.4.23. a uma taxa de u e trans smissão especifíca e ob bedecendo a critérios de qualidade (probabili d idade de err de bit) e de ro confi fiabilidade ( (disponibilidade do si istema). o Os O dados de entrada qu serão usa e ue ados no pla aneamento d camada d enlaces são as relaçõ da de s ões entre estações e a matriz d demanda entre cada par de esta e de a a ações em ter rmos de sist temas de 2 Mb bps. É importante enfatizar que a metod dologia de proje é basica ecto amente a m mesma para enlaces de curto ou longa dista a d u ancia dedica amo-nos a comu unicação dig gital por ser a mais com r mum em tra ansmissão ó óptica. uso de STM-4 e REDES ÓPTICA R AS URBANAS  98   . 4 iplexados e módulos de transpo síncron em s orte nos deno ominados ST TM-N.

e uma folga total (FLGTij) que expressa a diferença entre a sua capacidade total e a demanda prevista para cada rota.9) A metodologia aqui proposta é baseada em regras criteriosas que buscam alocar toda a demanda de canais E1 dentro dos VC-4 disponíveis nos arcos. estas actividades de comutação serão minimizadas. se os VC-4 misto transportarem demandas inter-relacionadas (demandas que possuem estações de origem/destino em comum). objectivando minimizar as actividades de transconexão ou cross-connection (troca de posição de tributários entre diferentes agregados). Na rede teremos um total de doze VC-4. A partir de CAPTij. uso de STM-4 Cada canal de 2 Mbps é “arrumado” em VC-12. Visando atingir tais objectivos.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    • Rota AC: 200 circuitos de 2 Mbps. podemos calcular o número de VC-4 disponíveis no enlace entre i e j (VCij) sabendo que em um VC-4 cabem 63 VC-12: (4. essas demandas terão mais de uma etiqueta POH ao longo de seu trajecto.  Planeamento da camada de vias O Planeamento da Camada de Vias tem por objectivo definir os VC-4 pelos quais as demandas serão escoadas. O container VC-4 misto transporta demandas de diferentes origens para diferentes destinos e realiza comutação 4/1 em algum ponto intermediário.    4 REDES ÓPTICAS URBANAS  99   . Com isso tem-se 200 VC-12 em cada rota. sendo montado e desmontado somente nas estações geradoras da demanda. A alocação para cada arco será: CAPTij = 252 canais E1 FLGTij = 52 canais E1 Cada rota possui 200 canais E1. o que significa que três VC-4 estarão mapeados com 63 E1´s e um VC-4 estará mapeado com 11 E1´s. Os arcos seleccionados possuem uma capacidade total (CAPTij) que depende da sua taxa de transmissão. Isto significa que as demandas alocadas neste tipo de VC. O container VC-4 directo transporta demandas de uma mesma origem para um mesmo destino e não é submetido a actividades de comutação 4/1 em pontos intermediários. uso de STM-4 • Rota BC: 200 circuitos de 2 Mbps. uma solução de rede que contém as topologias seleccionadas e suas respectivas taxas de transmissão (módulos STM-N). serão utilizados os resultados obtidos no Planeamento da Camada de Enlaces. ou seja. esta metodologia propõe a criação de dois tipos de VC-4: directos e mistos. actividades que necessitam de matrizes de comutação 4/1 ou matrizes LPC (comutação de VC-12 ou de baixa ordem) para serem realizadas. Portanto. Porém. Para isso. quatro em cada rota. terão apenas uma etiqueta POH ao longo de seu trajecto na rede.

um bit recebido com erro para cada 10 bilhões de bits transmitidos. a fim de não se atingir a máxima taxa de erro permitida para o enlace óptico. que é da ordem de 10-10. A obtenção de um balanço de potência óptica satisfatória não é condição suficiente para garantir o correcto funcionamento da ligação. além do permitido (de acordo com a potência transmitida e a sensibilidade do receptor). • • • • • • 3. • Balanço do tempo de subida ou dispersão. • • • • • • 2.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Planeamento da camada de meios físicos  Para o efeito de funcionamento de um sistema de transmissão em fibra óptica. é necessario que o enlace óptico não atenue. É REDES ÓPTICAS URBANAS  100   . Através do balanço de potência óptica do sistema determina-se qual o alcance do sistema (how far). Os requisitos fundamentais na análise de qualquer sistema digital por fibra óptica são: • Distância pretendida (ou possível) • Taxa ou capacidade de transmissão • Taxa de erros Para preencher estes requisitos o projectista dispõe da escolha dos seguintes componentes (e respectivas características associadas): 1. tendo em consideração as perdas presentes na ligação. nem distorça o sinal óptico. (BER – Bit Error Rate). ou seja. • • • • Fibra óptica Multimodo ou monomodo Largura de banda ou dispersão Atenuação Comprimento de onda Dispersão cromática Abertura numérica Transmissor óptico Emissor óptico LED ou laser Potência óptica Comprimento de onda de operação Largura espectral da fonte Perdas de acoplamento com a fibra Taxa de transmissão suportada pelo transmissor óptico Receptor óptico Fotodiodo PIN ou de avalanche (APD) Comprimento de onda de operação Taxa de recepção suportada pelo receptor Sensibilidade Metodologia do projecto  Duas análises são normalmente efectuadas para assegurar que o desempenho pretendido do sistema é alcançado: • Balanço de potência óptica.

Fibra óptica • Fibra monomodo de dispersão deslocada e não nula. que resultam em penalidades de potência ao sistema. Nesta aproximação. absorção pela REDES ÓPTICAS URBANAS  20 km • Taxa de transmissão: 622 Mbps  1550 nm   5 dBm.35 dB. mas garante a 100%.5 GHz 101   . Transmissor óptico com laser DFB • Comprimento de onda de operação: λ • Potência óptica acoplada à fibra: PT • Largura espectral do emissor: Δλ • Penalidades: 3 dB 2.6 –  6. Conectores e emendas • Perda de inserção: 0. apenas são considerados os piores valores para os diversos parâmetros dos componentes envolvidos numa ligação por fibra óptica. gorjeio do laser. e no subsequente cálculo de dispersão assume-se a aproximação designada por pior caso. As penalidades podem ser envelhecimento dos componentes. km 4 ps.5 dB  5. Receptor óptico com fotodiodo PIN • Penalidades: 3 dB • Largura de banda óptica do receptor: W 4. km • Dispersão cromática na banda C :  2. Cabo óptico • Loose de 2 fibras No cálculo do balanço de potência. 0. Estes parâmetros são características específicas dos componentes ópticos e electro-ópticos utilizados no enlace óptico. nm .655) • Atenuação máxima da fibra: α • Dispersão cromática a 1550 nm: D 3. NZ-DSF (G. nm . durante o tempo de vida útil do sistema.7 dB • Atenuação nas emendas: 0.3 dB • Atenuação média nas emenda e conectores: α 0. que os valores da atenuação e da dispersão são inferiores aos valores calculados para a ligação (e que constituem a especificação do sistema).PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    necessário uma análise complementar do tempo de subida ou dispersão para verificar se o débito pretendido (how fast) é suportado pelos componentes seleccionados.001 nm  0. Solução Requisitos do sistema • Distância máxima: D • Taxa de erro: 10 Escolha dos componentes 1. km     2.0 ps. Será necessário que façamos um estudo da distribuição das potências em um enlace óptico. Balanço de potência A camada física deve ser projectada de tal maneira a levar em conta uma série de degradações. Esta aproximação penaliza a distância de transmissão do sistema.

Potência Óptica de Transmissão (Potência óptica acoplada à fibra) MDP (dB) Margem Disponível para o Projecto MDP PT PR MTD MS MDP Atenuações MTD (dB) Margem Total Disponível MTD PT S Potência Óptica de Recepção (Potência óptica acoplada ao detector óptico) PTx (dB) PRx (dB) Sensibilidade Óptica de Recepção (Menor potência de recepção) Figura 4. para o caso geral teremos um sinal do tipo ON-OFF NRZ (com igual probabilidades de 1 e 0) e a potência óptica média é dada por: REDES ÓPTICAS URBANAS  102   . Podemos assumir uma potência de emissão a meio desta faixa: 5 mW. Com o objectivo de garantir que estes pontos não serão realmente necessários devemos fazer com que os pontos extremos estejam afastados dentro da máxima distância possível. necessitamos definir três dos parâmetros estabelecidos no diagrama de distribuição de potência: • Potência óptica acoplada à fibra – PTx • Margem de Segurança – MS • Sensibilidade óptica de recepção – S0 • Potência óptica de recepção – PRx Estes parâmetros são definidos pelo projectista em função das características do projecto. que necessitará de ponto ou pontos de regeneração do sinal trafegado. O sistema que está sendo projectado não é um sistema de longa distância. Distribuição de potência num enlace óptico.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    fibra óptica. etc.24. A potência de saída de um laser varia de 1 mW a 10 mW. além das emendas extras a serem introduzidas na fibra por acidentes serão consideradas na Margem de Segurança. S0 (dB) MS (dB) Margem de Segurança (Envelhecimento + penalidades + previsões das emendas) MS PR S A distribuição de potência em um enlace óptico está representada na figura 4. Assim. • Dimensionamento do enlace óptico Para dimensionar o enlace óptico. Estas penalidades todas. A deteminação da potência óptica média acoplada à fibra depende do tipo de codificação em banda base. O raciocínio apresentado aqui para a distribuição de potência em um enlace óptico pode ser aplicado a qualquer sistema de transmissão.24.

teremos: 6. (4. . 2 dB para as emendas extras e 2 dB para as penalidades. A corrente gerada pelo fotodiodo PIN será . REDES ÓPTICAS URBANAS  103   . Primeiro é determinado o valor ideal de Q que é necessário para uma determinada BER.13) na expressão (4.5  4  A Margem de Segurança deve prever o envelhecimento dos componentes utilizados nos enlaces ópticos.11) 2.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    (4.14). A sensibilidade do receptor que é a potência média que deve receber-se para obter a BER para taxa de transmissão binária especificada.17) .15) onde I1 é a corrente média gerada pelo fotodetector quando recebe um 1 e I0 é a corrente média do fotodetector quando recebe um 0. totalizando 10 dB para a Margem de Segurança. Logo: .10) Como    . . para BER 10 √ 10 . . Num sistema que emprega sinais NRZ. ao transmitir um 1 são devidas ao ruido térmico e shot.13) O BER está relacionada com um factor Q pela expressão: √ √ √ (4. . as penalidades e a atenuação que poderá ser introduzida por emendas extras. (4. σ1 e σ0 são as varianças do ruido na presença de um bit 1 e 0 respectivamente.16) obtém-se: (4. a potência média no receptor é: . A partir da expressão (4.12) As componentes do ruido do sistema.16) Incorporando as expressões (4. então: (4. Então: (4. .14) O factor Q se define como: (4. Desta forma estaremos definindo uma margem de 6  dB para o envelhecimento do laser e do detector óptico (3 dB para cada um). ao passo que ao transmitir um 0 só se considera o ruido térmico já que ao receber um 0 o fotodiodo não produz corrente. . supondo que a transmissão de 1s e 0s são equiprováveis e que não se transmite potência óptica para se transmitir um 0.365 .

a atenuação total do enlace óptico.0 = σth. Prx representa a mínima potência que se deve ter no receptor para que se alcance uma BER de como especificado.968 μW A potência óptica de recepção (de acordo com a expressão 4.602 10 6.75    0. A variança do ruído térmico será: 10 1. Supondo que a distância máxima seja definida por Dmax.75D    0. e substituindo a expressão (2. A Margem Disponível para o Projecto – MDP – representa na verdade a máxima atenuação no enlace óptico. Assim para se conseguir a máxima distância entre dois pontos de regeneração iremos. Assim ficaram definidos os parâmetros: • PT • PR • S 4 dBm   13 dBm 23 dBm • MS   10 dB  A Margem Disponível para o Projecto (de acordo com a figura 4. ou seja.48) na expressáo (4. W    0. com 10 . .  3 dB   1. R L 500 Ω. deve ser: (4. esta deve ser a sensibilidade do receptor.5 MHz . a potência de recepção.18) Levando-se em conta as penalidades para os componentes prevista na margem de segurança. S0. Os valores aqui definidos não podem ser considerados padrões.756 10 W 10 23 dBm 1. PRx.5  300 K.25) é dada por:         ∑ çõ                                                                 (4. É claro que na condição de se usar a amplificação óptica teremos um alcance maior para cada um dos enlaces e por consequência um menor número de pontos repetição regenerativa.1 = σth.5 10 4.20) MDP 4 dBm 13  dBm 17 dB                                                               Podemos dimensionar cada um dos enlaces ópticos usando ou não amplificação óptica. 1. é dada por: 1 REDES ÓPTICAS URBANAS  (4.756 10   e a sensibilidade será: .968 S 4.635 466.9 e T  466. AT. Assim podemos dimensionar o enlace óptico considerando o uso ou não dos amplificadores ópticos.995.17) e isolando Prx obtém-se:   . . pois poderão depender das características do enlace a ser projectado.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Sabe-se que σth.21) 104   .    (4.995 1.19) Para valores típicos teremos F 622 MHz 466.19) será PR 13 dBm. a princípio utilizar toda esta margem disponível.

5 17 D 29.23). ou seja a distância entre duas emendas consecutivas. 82. pode-se ter uma estimativa de quanto é a relação sinal/ruido que um determinado sinal deve produzir no receptor para proverdeterminada BER. Em seguida. Realçar que na prática as estações multiplexers já incorporam funções de amplificação.22) Onde Wo é a largura de banda óptica do receptor e We é a largura de banda eléctrica do receptor. Vamos assumir que as bobinas de cabos ópticos são fornecidas com 2 Km de fibra.885 19. Tomaremos como atenuação média nas emendas a média aritmética das atenuações nos conectores e nas emendas.885 Balanço do tempo de subida (ou de dispersão) Para assegurar o correcto funcionamento do sistema é também necessária uma análise da dispersão total do sistema.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    Nesta expressão. diminuimos a atenuação. tem-se: . Com estes parâmetros substituídos na expressão (4. O tempo de subida do sistema é dado pela expressão: REDES ÓPTICAS URBANAS  105   .14) obtemos: MDP 0.  Aumentando o comprimento das bobinas de cabos estremos diminuindo o número de emendas no enlace e como consequência.5 MHz. que no caso dos sistemas digitais é equivalente a uma análise do tempo de subida ao longo da ligação. não serão necessários regeneradores nem amplificadores ao longo dos enlaces.35D D 1 0.5GHz. Por exemplo. 2.185  10 10 82.17 km Esta distância pode ser aumentada se os cabos de fibras de fibra possuirem comprimento maior que 2  km. que no caso será 0. Isolando o SNR na expressão (4. Considerando os valores típicos W . .22): √ .95. 466. W .84 km.23) Com o valor da expressão (4. ou Q 19. com o resultado obtido. B MS 16 dB 10 dB 26 dB. adiciona-se as penalidades (margem de segurança) de potência devido a cada degradação. B Passando Q para decibéis resulta Q Q B Q. a distância máxima é de 16 Km pelo que.365 16 dB. tem-se: (4. 20logQ 20 log6.22).5  dB. Lm representa a distância de cada troço de fibra. Para o nosso projecto. Pode-se associar a relação sinal/ruido (SNR) com a correspondente BER através da expressão (4. para cabos de fibra com 4 km de comprimento a distância se estenderia para 36. . . com (4.

temos: D 5. determinando-se o tempo de subida correspondente ao intervalo de tempo que o sistema demora entre 10% e 90% da amplitude do impulso (diferença entre o valor mínimo e máximo do impulso). O tempo de subida poderia ainda ser determinado experimentalmente. . pois que com os parâmetros dos componentes sugeridos o sistema poderá suportar uma expansão futura para uma taxa de transmissão de até 2.05 10  bps 5. considerando pulsos quadrados na entrada.PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DE REDES ÓPTICAS URBANAS    (4. para os parâmetros do sistema.05 Gbps Conclui-se. Em cada enlace óptico o BER é de 10 . Tempo de subida da fibra devido a dispersão material O tempo de subida associado á dispersão material é dado pela expressão: (4.25) e (4.2 . L é o comprimento do enlace. (4.25) onde W é a largura de banda óptica do transmissor e do receptor.28) REDES ÓPTICAS URBANAS  106   .27) 0.26) Onde. .24). Δλs é a largura espectral da fonte. Associando às expressões (4. Dλ é o parâmetro da dispersão material da fibra. (4. (4.26) as características do sistema obtemos: 2 t t 2 39.001  s 4 10 20 10 t 198 10  s 198 ps O débito binário ou taxa de transmissão suportado pelo sistema é da do por:   [bps] Numericamente.5  Gbps.24) ∑ onde: tTO → tempo de subida do transmissor óptico tRO → tempo de subida do receptor óptico tf → tempo de subida da fibra devido a dispersão material Tempo de subida do transmissor e do receptor óptico Uma regra empírica relacionando o tempo de subida quer do transmissor quer do receptor com as suas larguras de banda é dada pela expressão: . (4.

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