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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS

UNIDADE DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS


GRADUAÇÃO EM QUÍMICA INDUSTRIAL

AULA Nº. 09
DETERMINAÇÃO DE CALORES DE REAÇÃO
E
APLICAÇÃO DA LEI DE HESS

Thiago Oliveira Lopes, Glauco César e Eduardo Andrade.


Professora: Msc. Lílian Camargo; Disciplina: Físico-Química Experimental I
Experimento realizado dia 18/05/2009.

1. INTRODUÇÃO: efeito do calor produzido. Como exemplo


[1]
:
C ( grafita ) + O2 ( g ) →CO 2 ( g )
Através da experiência diária, o
conceito de calor como sendo uma forma de ∆H ° f = −393 ,51 kJ / mol
energia que flui do mais quente para o mais
frio, surge de maneira quase que intuitiva. e
Enquanto outras formas de energia podem 1
ser convertidas integralmente em calor, o H 2( g ) + O 2 → H 2 O( l )
inverso não é possível. Nas reações 2
químicas, grande parte das energias ∆H ° f = −285 ,83 kJ / mol
envolvidas nas interações de natureza
elétrica ou magnética, aparece sob forma de
calor ou de trabalho. Muitas reações Já a maioria das reações de
ocorrem com liberação de calor para o formação são inadequadas para medidas
ambiente, sendo denominadas exotérmicas. calorimétricas; esses calores de reação
Outras, endotérmicas, retiram calor do precisam se determinados por métodos
ambiente com conseqüente abaixamento de indiretos. Como por exemplo:
temperatura [2].
Pode ser demonstrado que o calor
transferido em uma mudança de estado à C ( grafita) + 2 H 2 ( g ) → CH 4 ( g )
pressão constante, é igual à variação de
entalpia do sistema, Q p = ∆H [2].
Em alguns casos é possível No caso da reação acima, o metano
determinar diretamente o calor de formação queima facilmente e gera produtos
de um composto conduzindo a reação de definidos, portanto essa combustão pode ser
formação num calorímetro e medindo o usada para achar sua entalpia de formação.
Os compostos orgânicos que contem determinam os calores de reação e constatar
somente carbono, hidrogênio e oxigênio a lei de Hess.
queimam formando dióxido de carbono
gasoso e água liquida [2].
3. PROCEDIMENTO
CH 4 ( g ) + 2O2( g ) → CO2( g ) + 2 H 2 O(l ) EXPERIMENTAL [2]:
O calor de combustão medido é
∆H °comb = −890 ,36 kJ / mol . Em 3.1 PARTE I: Determinação da
termos das entalpias de substancias capacidade calorífica de um
individuais: calorímetro

∆H °comb = H °(CO 2 ( g ) ) + 2 H °( H 2 O( l ) ) − Em uma proveta, mediu-se 200,0


mL de água destilada. Esta água foi
H °(CH 4 ( g ) ) colocada no calorímetro, onde foi agitada,
até que a temperatura permanecesse
Substituindo as entalpias de
constante (essa temperatura foi anotada).
formação do dióxido de carbono e da água
Feito isso, adicionou-se ao calorímetro
conhecidas, temos:
contendo a água, 9,95g de cloreto de
amônio. Agitou-se e observou-se a
temperatura mínima alcançada.
H °(CH 4(g) ) = −393 ,51 + 2( −285 ,83 ) −
Para determinação da densidade da
( −890 ,36 )
solução resultante, utilizou-se o método do
H °(CH 4 ( g ) ) = −74,81 kJ / mol picnômetro.

3.2 PARTE II: Constatação da Lei


A mudança de estado de um de Hess
sistema produzida por uma dada reação
química é bem definida. A correspondente
variação de entalpia é também definida,
 Dissolução do hidróxido de
pois a entalpia é uma função de estado.
Portanto, se transformarmos um dado sódio em água ( ∆H 1 ):
conjunto de reações, a variação total da
entalpia será a mesma para cada seqüência
de reações, a variação total de entalpia será Utilizando a proveta, mediu-se
a mesma para cada seqüência. Essa regra, 200,0 mL de água destilada, colocou-se no
que é uma conseqüência do primeiro
princípio da termodinâmica, era calorímetro e agitou-se até que temperatura
originalmente conhecida com lei de Hess permanecesse constante. Em seguida,
ou da Soma constante de calores [1].
adicionou-se 2,02 g de hidróxido de sódio,
agitou-se e observou-se a temperatura
n k
∆H ° = Σ H °( produtos ) i − Σ H °( reagentes ) j máxima alcançada.
i =1 j =1

 Reação entre o hidróxido de


2. OBJETIVO:
sódio e ácido clorídrico ( ∆H 2 ):

Determinar a capacidade calorífica


Foram medidos 100,0 mL de solução de
de um calorímetro, verificar como se
ácido clorídrico 0,50 mol/L, transferiu-se

2
para o calorímetro e a temperatura foi Sabe-se que o calor de dissolução
verificada. Então, adicionou-se 100,0 mL da reação é igual ao calor absorvido pela
de solução de hidróxido de sódio 0,50 solução mais o calor absorvido pelo
mol/L, agitou-se rapidamente e mais uma calorímetro. Então:
vez a temperatura máxima foi observada.
n × ∆H dissolução = ρ ×V × c sol × ∆T + C cal × ∆T

 Reação entre o hidróxido de A massa molecular do sal usado é


sódio sólido e ácido clorídrico ( ∆H 3 ):
de 53 , 49 g/mol , e tendo usado 0,186 mol
do sal, isso implica que o calor específico é
O procedimento anterior foi repetido, no c =1,572
de: J / gK . Sendo as
entanto, utilizou-se 100,0 mL de solução de
temperaturas inicial e final,
ácido clorídrico 0,25 mol/L, no lugar dos
respectivamente, 296,15 K e 292,15 K, o
200,0 mL de água destilada. Novamente a
volume da solução de cloreto usada de 200
temperatura máxima foi observada.
mL e a densidade igual a 1,009g/cm³
Densidade determinada pelo
capacidade calorífica do calorímetro é de:
método do picnômetro.

0,186 ×1520 =1,009 × 200 ×1,572 × ( −4) + C cal × ( −4)


OBS.: Todas as temperaturas (iniciais e
finais) foram anotadas para a execução dos 1551 ,638
C cal =
cálculos. −4
C cal = 387 ,91 J / mol

4. RESULTADOS E
DISCUSSÕES: 4.2 PARTE II: Constatação da Lei
de Hess
4.1 PARTE I: Determinação da
capacidade calorífica de um
 Dissolução do hidróxido de
calorímetro
sódio em água ( ∆H 1 ):

Para determinar a capacidade


calorífica do calorímetro, tomamos como NaOH( s ) + H 2 O(l ) → Na+ ( aq.) + OH − ( aq.)
referência a reação de dissolução do cloreto ∆H 1 = ρsol ×V sol × c hidróxido × ∆T − C cal × ∆T
de amônio (com ∆H conhecido).
A densidade da solução foi

NH 4 Cl( aq ) → NH 4+ ( aq.) + Cl − ( aq.) determinada pelo método do calorímetro


(1,008 g/cm³), o volume da solução
∆H dissolução = 1520 J / mol
estudada era de 200 mL, de acordo com a
C cloreto = 84 ,1 J / mol
de amônio
tabela o calor específico da solução de

3
NaOH é de 1,285 J/g.K e ∆T = 294,15 – A densidade calculada da solução foi de
297,15 = 2 K. Portanto: 1,022 g/mL, o volume da solução era de
100 mL, a capacidade calorífica da solução
∆H 1 = 1,008 × 200 ×1,285 ×3 − 387 ,91 ×3 de acordo com a tabela era de 29,1 J/mol.K

∆H 1 = −2186 ,562 J ou 0,797 J/g.K e ∆T = 299,15 -294,15 = 5


K.

 Reação entre o hidróxido de


sódio e ácido clorídrico ( ∆H 2 ): ∆H 3 = 1,022 ×100 × 0,797 × 5 − 987 ,91 × 5

∆H 3 = −4532 ,283 J

Na + ( aq.) + OH − ( aq.) + H + ( aq.) + Cl − ( aq.) →


Na − ( aq.) + Cl − ( aq.) Ou seja, foram liberados 4532,283
∆H 2 = ρsol ×V sol × c sol × ∆T − joules nesta reação (reação exotérmica).
C cal × ∆T
 Lei de Hess:
A densidade da solução calculada
foi de 1,004 g/cm³, o volume da solução era Segundo a Lei de Hess:
de 200 mL, de acordo com a tabela o calor
específico da solução era de 50,5 J/K.mol Microsoft Equation 3.0
ou 0,863 J/g.K e ∆T = 296,65 – 294,15 =
∆H 3 = ∆H 1 + ∆H 2
2,5 K.

Porém
∆H 2 = 1,004 × 200 × 0,863 × 2,5 − 387 ,91 × 2,5
∆H 1 + ∆H 2 = −2723 ,111 J , enquanto
∆H 2 = −536 ,549 J
∆H 3 = −4532 ,83 J , o que demonstra

um erro experimental, provavelmente


Ou seja, foram liberados 536,549
devido ao calorímetro.
joules nesta reação (reação exotérmica).

5. CONCLUSÃO:
 Reação entre o hidróxido de
sódio sólido e ácido clorídrico ( ∆H 3 ):
Após a realização dos experimentos
concluímos que reações com ∆H < 0 são
NaOH( s ) + H + ( aq.) + Cl − ( aq) →
exotérmicas, reações com ∆H > 0 são
Na + ( aq.) + OH − ( aq.) + Cl − ( aq.)
endotérmicas e que entalpia é uma
propriedade de estado, ou seja, não depende
∆H 3 = ρsol ×Vsol × c sol × ∆T − C cal × ∆T do caminho e, portanto a Lei de Hess é
válida.

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Entretanto os valores duvidosos e a
alta perda atribuída ao calorímetro e a não
pureza dos reagentes comprometeram os
resultados finais.

6. REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA:

[1] Adaptado de:


“Fundamentos de Físico-Química”;
CASTELLAN. Gilbert; traduzido de
“Physical Chemistry” por SANTOS,
Cristina Maria Pereira e FARIA Roberto de
Barros; Rio de Janeiro, RJ, Brasil; Ed.
LTC; 2001.

[2] Adaptado de: “Apostila de


Físico-Química Experimental I e II”;
SILVA, Valmir Jacinto.