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OPERAÇÕES UNITÁRIAS III – DESTILAÇÃO – 2008/4 – Profª Lisete Scienza

Destilação é uma operação unitária que visa separar os componentes de uma fase líquida
através de sua vaporização parcial. Os vapores produzidos são, normalmente, mais ricos nos
componentes mais voláteis do que no líquido, o que possibilita a separação de frações enriquecidas
nos componentes desejáveis.

Solução original 2 fases com diferente


composição e entalpia

energia

Fundalmentalmente, a destilação é uma operação de transferência de massa entre uma fase


líquida e uma fase vapor, onde o transporte de energia envolvido é a contradifusão equimolecular,
enquanto que na absorção a transferência de massa é unidirecional (unimolecular). Na destilação a
transferência de massa ocorre entre o líquido num prato de destilação e as bolhas de vapor que
sobem através dele. Se os calores latentes molares de vaporização da mistura são constantes e o
sistema for adiabático, os moles do componente mais volátil que se vaporizam devem ser iguais aos
moles dos componentes menos voláteis que se condensam. Neste caso, o componente mais volátil
se difunde na direção oposta a do componente menos volátil, porém na mesma velocidade (NA = -
NB).

PRESSÕES PARCIAIS: Leis de Raoult, Dalton e Henry

Considera-se uma mistura de dois componentes A e B. A pressão parcial PA do componente


A em uma mistura de vapores é a pressão que exerceria o componente A, à mesma temperatura, se
estivesse presente na mesma concentração volumétrica que na mistura.
Pela Lei de Dalton das pressões parciais, PT = ΣPA, ou seja, a pressão total de uma mistura é
igual ao somatório das pressões parciais de seus componentes. Assim, numa mistura ideal, a pressão
parcial é proporcional à fração molar de um componente na fase de vapor:

PA = yA PT

A Lei de Henry fornece uma relação simples para a pressão desenvolvida por um soluto
líquido A em um solvente líquido B, da forma:

PA = H xA,

onde H é a constante de Henry. Segundo esta lei, a pressão parcial é diretamente proporcional à
fração molar de xA no soluto no solvente. Isto é válido unicamente para soluções diluídas.
A pressão parcial se relaciona com a concentração na fase líquida por meio da Lei de
Raoult, que se escreve da forma:

PA = PA° xA, PB = PB° xB = PB° (1 – xA) (xA + xB = 1 em um sistema de


bicomponentes)

onde PA° é a pressão parcial de A puro, na mesma temperatura. Assim, para uma solução ideal, a
pressão parcial de um componente a uma dada temperatura é igual ao produto de sua pressão de
vapor quando puro, nesta temperatura, e sua fração molar no líquido.
Relacionando as Leis de Raoult e Dalton teremos:
1
PT = Ptotal = PA + PB = PA° x + PB° (1 – x), onde x é a fração molar do componente mais volátil.
PA = PT y … y = PA / PT = (PA° x) / PT

Uma solução será considerada ideal quando:


- As forças intermoleculares de atração e repulsão não variam com a mistura dos constituintes;
- O volume da solução varia linearmente com a composição expressa em fração molar;
- Não existe absorção ou liberação de calor na mistura dos constituintes;
- A pressão total de vapor varia linearmente com a composição expressa em fração molar.

EQUILÍBRIO LÍQUIDO-VAPOR: Diagrama à temperatura constante

Pressão Pressão
PT.y PA° PA°
PB°
PB° PB.xB
PA.xA
x y
x=0 Fração molar x=1 Fração molar

Diagrama à pressão constante

São os mais importantes para os cálculos térmicos. Neste diagrama, temperatura = f (fração
molar), há uma curva que se estende desde o ponto de ebulição do componente A puro até o ponto
de ebulição do componnte B puro. A curva superior deste diagrama representa a relação entre a
temperatura e a composição do vapor, enquanto que a curva inferior relaciona a temperatura e
composição do líquido. No diagrama abaixo, uma mistura líquida binária é aquecida de TC até TG.
Com base no FOUST p.27 e 30, complete as lacunas.

G
Temperatura
F
TB°

LL E V

D TA°

x y
xA=0 xA=0,4 xA=1
Quando a mistura se encontra no ponto C o sistema é considerado um ……………………. A curva
inferior (azul) é denominada …………………………………………………..No ponto D, sobre
esta curva, ocorre a formação da primeira bolha de vapor. O ponto E, entre as duas curvas, constitui
uma mistura de líquido saturado de composição ……… e vapor saturado de composição………….
Em F, a última gota de líquido foi vaporizada. Esta curva superior (vermelha) é
denominada………………………….…….……………….. Acima desta curva, ponto G, o sistema
será um …………………………………..Assim, quando um líquido de composição inicial xA=0,40

2
for aquecido até a temperatura TE, ele produzirá uma vapor V de composição yA>0,40 e um líquido
L de composição xA<0,40. A relação entre as quantidades das fases em equilíbrio estão relacionadas
pela regra da alavanca:

Moles de L
=
Moles de V

Como se pode perceber, a vaporização de uma mistura líquida ocorre numa faixa de
temperaturas (entre TD e TF, por exemplo) e não numa única temperatura como ocorre com as
substâncias puras. Por isto o termo ponto de ebulição não tem significado para uma mistura.

VOLATILIDADE RELATIVA => Num diagrama x = f (y), quanto maior a distância entre a
curva de equilíbrio e a diagonal maior será a diferença entre as composições do líquido e do vapor,
o que significa maior facilidade de separação. Uma medida numérica desta separação é chamada de
fator de separação ou volatilidade relativa (α). A volatilidade relativa é definida como a razão entre
a concentração de A e B na fase vapor e a razão entre a concentração destes componentes na fase
líquida. A volatilidade expressa uma medida da facilidade de separação (quanto maior α maior é a
facilidade de separação).

y / (1-y) y (1-x) PA°


y = fração molar no vapor α= = =
x / (1-x) x (1-y) PB°

volat. relativa aumenta

x = fração molar no líquido

Se α = 1,0 a separação não é possível.


Se a pressão aumenta a volatilidade relativa diminui e, consequentemente, a separação torna-se
mais difícil.
Quando o sistema não possui um comportamento ideal, a volatilidade relativa não pode ser obtida
diretamente pela divisão das pressões de vapor. Uma constante de equilíbrio líquido-vapor permite
relacionar as fases em equilíbrio: K = (y / x)  α = KA / KB, onde K = f (T, P, composição).

SISTEMAS COM MULTICOMPONENTES: são descritos por dados de equilíbrio


expressos em função do coeficiente de distribuição K. Considerando J como sendo o componente
de referência, a volatilidade relativa do componente I em relação a J será: α I,J = (yI / yJ)/ (xI / xJ) =
KI / KJ

Ponto de Bolha: para o vapor no ponto de bolha: Σ yi = 1,0, ou seja, KAxA + KBxB +….= 1,0 (*)

Fazendo J o componente de referência:

(KAxA / KJ) + (KBxB / KJ) + (KCxC / KJ) + …. = 1,0 / KJ


ou
αA,J xA + αB,J xB + αC,J xC + …… = Σαi,J xi = 1,0 / KJ

3
A composição do vapor em equilíbrio, na temperatura do ponto de bolha, é dada por :
yi = (αi,J xi) / (Σαi,J xi). Se a composição do líquido e a pressão total forem fixadas, o cálculo da
temperatura é feito por tentativas satisfazendo a equação (*).

Exemplo 1: Seja um líquido com a seguinte composição molar: 35% de n-butano (C4), 20% de n-
hexano (C6), 30% de n-heptano (C7) e 15% de n-octano (C8), a 20 psia. Determine a temperatura de
bolha da mistura.

Dados: x4 = 0,35 x6 = 0,20 x7 = 0,30 x8 = 0,15 P = 20 psia

Resolução:
1) Com a pressão de 20 psi entre no Apêndice D-1 (Foust) e encontre as temperaturas de ebulição
para cada um dos componentes (pressão  linha correspondente ao componente  lê-se a
temperatura correspondente na abcissa).
2) Arbitre uma temperatura entre a maior e a menor.
3) Com a pressão de 20 psi e a temperatura arbitrada, vá ao Apêndice 21 ou 22 (constantes de
equilíbrio) e retire os valores de K para cada um dos componentes. Observe que esta figura é um
ábaco, assim você terá que ligar a pressão e a temperatura como uma reta para poder ler os
valores de K quando esta reta interceptar as linhas correspondentes a cada componente.
4) Observe se a equação abaixo é satisfeita:

K4 x4 + K6 x6 + K7 x7 + K8 x8 = 1,0

Se for satisfeita, a temperatura arbitrada corresponde a temperatura de bolha da mistura líquida.


Se não for satisfeita, arbitre uma nova temperatura e encontre os novos valores de K. Refaça
este procedimento até que a equação acima seja satisfeita.

Ponto de Orvalho: para o líquido no ponto de orvalho: Σ xi = 1,0 , ou

yA / KA + yB / KB + yC / KC + …. = 1,0. Tendo J como componente de referência tem-se:

KJ yA / KA + KJ yB / KB + KJ yC / KC + … = KJ ou yA /αA,J + yB /αB,J + yC /αC,J = Σ yi / αi,J = KJ

Desta forma, a composição do líquido no ponto de orvalho será dada por:

xi = (yi / αi,J) / (Σ yi / αi,J) (**)


Exemplo 2: Determinar o ponto de orvalho e a composição do líquido para um vapor
superaquecido com a seguinte composição molar: 60% de n-butano, 20% de n-hexano, 12% de n-
heptano e 8% de n-ocatano, a 20 psia.
Dados: y4 = 0,60 y6 = 0,20 y7 = 0,12 y8 = 0,08 PT = 20 psia
Resolução: Proceda de forma análoga ao exemplo anterior: Do apêndice D-1 retire os valores de T
para cada substância. Arbitre uma temperatura entre os limites máximos encontrados. Os valores de
K são retirados do Apêndice 20 ou 21. A equação abaixo deverá ser satisfeita, senão uma nova
temperatura deverá ser arbitrada:
y4 / K4 + y6 / K6 + y7 / K7 + y8 / K8 = 1,0

Exemplo 3: Uma mistura de propano e isobutano está em equilíbrio a 40 °F e 44,7 psia. Calcular a
volatilidade relativa de propano em relação ao isobutano nestas condições, bem como a composição
do líquido e do vapor usando:
a) As Leis de Raoult e Dalton.
4
b) As constantes de equilíbrio.

Dados: T = 40 °F PT = 44,7 psi A = propano B = isobutano αA,B = ?


Resolução:
a) Lei de Raoult: αA,B = PA° / PB° = (PA xA) / (PB xB) = (yA PT xB) / (yB PT xA) = KA / KB
Faça o procedimento inverso do exemplo anterior, ou seja, entre com a temperatura e encontre a
pressão parcial para o propano (PA°) e isobutano (PB°) puros (lidos na ordenada). A volatilidade
relativa para esta mistura pode ser calculada pela primeira parcela da expressão dada acima.
A Lei de Raout permite relacionar as frações no líquido através das pressões da seguinte forma:

PT = PA + PB = PA° xA + PB° xB = PA° xA + PB° (1-xA)


PT = xA (PA° - PB°) + PB°  xA = (PT - PB°) / (PA° - PB°)

Pela equação acima calcule a composição do líquido (xA e xB).

Relacionando a Lei de Dalton: PA = PT yA e de Raoult: PA = PA° xA temos que PA° xA = PT yA


Assim, yA = (PA° xA) / PT. Com esta equação calcule a composição do vapor.

b) Constantes de equilíbrio: Com a temperatura entre no Apêndice D-2 (Foust) e encontre (na
ordenada) os valores de K correspondentes a cada componente. Calcule a volatilidade relativa
através destas constantes (última parcela da primeira equação deste exemplo). Compare o valor
com o obtido no ítem (a), qual deve ser o mais preciso?
Agora relacione as composições e as constantes: KA = yA / xA  yA = KA xA
KB = yB / xB. Assim, KB = (1-yA) / (1-xA)  (1-yA) = KB (1-xA)
Com os valores de K obtidos e com as duas equações acima calcule a composição do líquido
(xA e xB). Com a primeira destas duas equações calcule a composição do vapor (yA e yB).

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6
7
Exemplo 4: Construa a curva de equilíbrio líquido-vapor (yA = f (xA)), à pressão constante de 1
atm absoluta (14,7 psia), para a mistura n-heptano e n-octano supondo que formam uma solução
ideal.
Resolução: com esta pressão determine, pelo Apêndice D-1 (Foust), as temperaturas de
ebulição destes componentes. Arbitre várias temperaturas dentro destes limites de temperaturas
encontrados. Para cada temperatura arbitrada entre no mesmo diagrama e determine as pressões
parciais dos componentes puros (P7° e P8°). Agora calcule as composições das fases líquido e
vapor através das Leis de Raoult e Dalton:
xA = (PT-PB°) / (PA°-PB°) e yA = (PA° xA) / PT

Considerando a volatilidade relativa da mistura é possível fazer esta separação?

T (°F) PA° PB° αA,B xA xB

Diagramadeequilíbrioparaosisteman-heptanoen-octanoa1atm

1
0.9
0.8
0.7
0.6
ya

0.5
0.4
0.3
0.2
0.1
0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
xa

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DESTILAÇÃO FLASH

F la s h D is tilla tio n

Vapor D
É uma operação realizada em um único estágio.
xD
HD

F
Válvula de
xF ou zF expansão
hF Q

Líquido W
Balanço Material
xw
W y − xF
F = D +W F .z F = D. y D + W .x w → − = D hw
D xw − xF
Balanço Entálpico
W H D − (hF + Q / F ) y − xF
F .hF + Q = D.H D + W .hw − = = D
D hw − (hF + Q / F ) xw − xF

No diagrama H x y ⇒ reta que passa pelos pontos: D (yD, HD), W (xw, hw) e F (xF, hF +
Q/F)

Isolando-se yD da equação acima obtemos uma reta de


W W 
inclinação – W/D: yD = − x + xF  + 1
D D 

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Pela Lei de Dalton e de Raoult temos:
o
y P P .x P o
K= = = 1 =
x PT .x PT .x PT
Assim podemos rescrever a equação anterior em relação ao K: F .x F = W .x w + D. y D
y F .z F F .x F K .F . z F
F .x F = . y D + W D yD = = =  
W   D.K + W  D.K + W F  K .x F 
K  y = .
D +    D
D  K + W 
 K  K   D

Para uma mistura de vários componentes:  


F  K .x F 
∑ y = 1 =
D
.∑ 
 K + W 
 D
Métodos de Cálculo
1º) Tentativas
 Arbitra-se D/F
 Conhece-se a composição da alimentação (zF) e as condições do sistema (T,P).
 Determina-se K pelas cartas de COX
 Confirma-se o valor de D/F pela expressão:
D K a .x aF K b .x bF
= + Para 2 componentes
F Ka + W K +W
D b D

 K .x 
F  
 Determina-se a composição do vapor: y aD = . a aF

2º) Pelo diagrama de equilíbrio D  K a + W 


 D

W W 
y = − x + xF  + 1
D D 
D
H, h
A inclinação é obtida pela L.A. que, quando
prolongada passa por F W
x, y

y F

–W/D
Exemplo: Uma mistura líquida contendo 50 kgmois de heptano e 50 kgmois de octano à 30ºC, é
submetida a uma destilação em um único estágio, a 1 atm, para vaporizar 60% (molar) da
alimentação. No vaporizador a temperatura da mistura é acrescida de 83ºC. Deseja-se saber qual a
composição do líquido e do vapor obtidos

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DESTILAÇÃO DIFERENCIAL (RAYLEIGH, SIMPLES)

Rayleigh Distillation (Simple Differential Distillation)

Neste tipo de destilação a carga líquida é aquecida até sua temperatura de ebulição e, imediatamente
depois de produzido, o vapor formado é removido através do condensador.

y
dD –Q

Resfriamento

Aquecimento
Fervedor

Os cálculos relativos a este tipo de operação visam relacionar a quantidade de líquido que se
encontra no fervedor, num dado instante, com a sua composição. Como a operação é realizada em
batelada, o regime é transiente. O Balanço Material para esta operação será:

Balanço Global Para um componente


Moles entrando 0 0
Moles saindo dD y dD
Moles acumulados dL d ( Lx) = L.dx + x.dL
Entra – Sai = Acúmulo 0 − dD = dL 0 − y.dD = L.dx + x.dL
Substituindo-se – dD por dL tem-se: y.dL = L.dx + x.dL y.dL − x.dL = L.dx
F xF
dL dx x
( y − x).dL = L.dx ∫ = ∫ (y −
F
F dx
L x) ln = ∫ Equação de Rayleigh
W xw W xw ( y − x)

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A integral poderá ser obtida analiticamente ou por método gráfico. Para que se possa utilizar
o método analítico a relação de equilíbrio y = f(x) terá que ser conhecida sob a forma de uma
relação algébrica. Quando a curva de equilíbrio é uma reta y = mx + b, no intervalo de concentração
considerado, o resultado será:

1 /( n −1)
F  yF − xF 
= 
W  y − x 

Se a volatilidade relativa α for constante no intervalo considerado, a relação de equilíbrio


poderá ser escrita da seguinte forma:
α .x
y=
1 + (α − 1).x

Esta área representa a relação ln F/W

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Exemplo 1: A água produzida numa indústria acha-se saturada com benzeno a 20ºC, o qual será
removido por destilação diferencial a 1 atm. A carga do destilador encerra 99,75 % (molar) de água,
devendo ser destilada de modo a reduzir a composição do benzeno a um milésimo do valor inicial.
Calcular a quantidade percentual da carga a ser vaporizada para se conseguir este resultado.

A relação de equilíbrio é dada por: PA = 31,7 xA


PA = pressão parcial do benzeno no vapor em equilíbrio com o líquido.
xA = fração molar do benzeno no líquido.
Sabe-se que, na temperatura de operação, a solubilidade do benzeno na água é 1,5 % (molar).

DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA BENZENO-TOLUENO

0,9
y (fração molar de benzeno no vapor)

0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de benzeno no líquido)

Exemplo 2: Um mistura eqüimolar contendo n-heptano e n-octano é submetida a uma destilação


diferencial à pressão atmosférica, sendo destilado 60 % (em base molar) do líquido. Calcular a
composição do destilado e do resíduo.

Dados do equilíbrio:
x 0,50 0,46 0,40 0,36 0,30
y 0,67 0,64 0,59 0,55 0,49
1 / (y-x)

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DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA C7 - C8

0,9
y (fração molar de n-heptano no vapor)

0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de n-heptano no líquido)

4
1 / (y - x)

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7
x

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DESTILAÇÃO FRACIONADA – COLUNA DE PRATOS

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Cálculo do nº de pratos pelo Método McCabe-Thiele

O método supõe:
 Fluxo molar constante (L e V = ctes.)
 Os calores latentes molares das substâncias considerados iguais e constantes.
 O calor de solução, as perdas de calor nos estágios e as variações do calor sensível do
líquido e do vapor são considerados desprezíveis.
V1
Seção de enriquecimento

1 Lo, xo D, xD
Ln Vn
Ln Vn
n xn-1 yn

Ln Vn
xn yn + 1
 O líquido L que sai de cada prato (Ln) e o vapor V que chega a cada prato (Vn) são
constantes
 As correntes que saem dos estágios estão em equilíbrio ⇒ (xn, yn) deve estar sobre a
C.E.
 O condensador remove todo o calor latente do vapor no topo, mas não resfria o líquido
resultante. O refluxo e o destilado são, portanto, líquidos no ponto de bolha, e tem-se
que y1 = xo = xn.

Balanço Material Vn = Ln + D

Balanço Material para o componente mais volátil V n . y n +1 = Ln .x n + D.x D


L L R.D.x n D.x D
Como R = o = n , teremos: y n +1 = +
D D Vn Vn

Vn
Do B.M.G. tira-se V n = L n + D = D.( R + 1) .... D=
R +1
R x
que substituindo na expressão anterior y n +1 = .x n + D dará:
R +1 R +1
Ln D
y n +1 = .x n + . x D
Vn Vn Equação da Linha de
Operação Superior (L.O.S.)

Considerando xn = xD obtém-se yn+1 = xD. Logo esta reta passará pelo ponto (xD = xD)

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Seção de esgotamento

Lm Vm
xm ym+1
m+1
Lm Vm
xm-1 ym+2
m+2
Lm Vm
xm+ yr
2
Vm, ym
r
Lm
xr Vm

W
Lm, xr xw

 O vapor do fervedor está em equilíbrio com o líquido


 L e V são constantes mas não necessariamente iguais aos valores da seção de
enriquecimento.

Balanço Material Lm = Vm + W
Balanço Material para o componente mais volátil L m .x m = V m . y m +1 + W .x w
Assim teremos:
L W
y m +1 = m .x m + .x w Equação da Linha de
Vm Vm Operação Inferior (L.O.I.)

Lm W
y n +1 = .x m − .x w
Lm − W Lm − W

Quando xm = xw, obtém-se ym+1 = xw. Logo esta reta passará pelo ponto (xw = xw).

Introdução da alimentação hf-1 Vn


Ln Hf
L
f
F Lm Vm
xF hf Hf-1
hF L

 As quantidades das correntes de vapor e líquido variam abruptamente no prato f, pois a


alimentação pode ser um líquido, um vapor ou uma mistura de ambos.
 Se, por exemplo, Lm excederá Ln pela quantidade adicional de alimentação líquida. O
B.M. e B.E. nesta seção será:
F = Ln + Vm = Vn + Lm F .h F + Ln .h f −1 + V m .H f +1 = V n .H f + L m .h f
 Os vapores e líquidos dentro da torre são todos saturados e as entalpias nesta seção são
essencialmente idênticas: H m = H n e hn = hm

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A equação anterior poderá ser escrita: ( Lm − Ln ).h L = (V m − V n ).H v + F .h F

que relacionando com a equação do B.M. dará: Lm − Ln H v − hF


= =q
F ( H v − hL )
Hv = entalpia do vapor saturado
hL = entalpia do líquido saturado, hF = entalpia da alimentação
q = calor necessário para converter 1 mol da alimentação de sua condição hF a vapor saturado
dividido pelo calor latente molar de vaporização. H v − h L = λ
Relacionando-se a equação acima com a do B.M. V m − Vn = F .(q − 1)
As linhas L.O.S. e L.O.I. se interceptam no ponto (xq, yq). Assim, substituindo nas equações
respectivas destas linhas teremos:
V n . y q = L n .x q + D.x D Lm W
yq = .x q − .x w
– V m . y q = L m .x q − W .x w Vm Vm

(V m − V n ). y q = ( L m − L n ).x q − (W .x w + D.x D
Do B.M. no sistema para o componente volátil dará: F .x F = D.x D + W .x w

q x (xF, xF )
yq = .x q − F Equação da reta q
Pontos
(0, – xF /(q – 1))
q −1 q −1

q=
1 q>
1

q=
xF 0

q<
0

xF

xD,
1

2 “A mudança na inclinação na
L.O. linha de operação (L.O.S. ∩
3 L.O.I. (e q)) se dá no estágio
L.O. ótimo para a introdução na
alimentação.”
xD
R+

xw xF xD
19
Razão de Refluxo
L
R= o
D

D ≅ 0 ⇒ NP = mínimo
L.O.S. e L.O.I. coincidem com a diagonal.

D = total ⇒ NP = infinito ⇒ L.O.S. e L.O.I. interceptam q sobre a C.E.

20
Condições Térmicas da Alimentação
Condição da F HF HV − H F q
q=
Alimentação (móis/tempo) (energia/mol) H V − hL q −1
Líquido frio
y
Ln Vn
F
f LF hF < hL q>1

Lm Vm
xF x
Líquido saturado

Ln Vn y
F
f LF hF = hL q=1

Lm Vm
xF x
Mistura Líquido - Vapor
y
Ln Vn
F
f VF + LF hL < hF <HV 0<q<1

Lm Vm
xF x

Vapor Saturado
y
Ln Vn
F
f VF h F = Hv q=0

Lm Vm
xF x
Vapor Superaquecido
y
Ln Vn
F
f VF h F > HV q<0

Lm Vm
xF x

q x
L m = L n + q.F y m = V n + F .(q − 1) yq = .x q − F
q −1 q −1

21
MÉTODO McCABE-THIELE - PROCEDIMENTO

1°) Determinar as correntes F, D e W, bem como suas respectivas composições xF, xD e xW.
Devem ser conhecidos: a razão de refluxo no condensador (R), a entalpia da alimentação (hF) e a
volatilidade relativa.
2°) Traçar a Linha de Operação Superior (LOS). A reta deverá passar pelos pontos: (xD, xD) e
(0, xD/(R+1)) yn+1 = (R/(R+1)) xn + xD/(R+1) = (Ln/Vn) xn + (D/Vn) xD
3°) Calcular q e traçar a linha q. Esta linha representará a introdução da alimentação. A linha q
deverá passar pelos pontos: (xF, xF) e (0, - xF/(q-1))
q = (Hv – hF) / (Hv – hL) = (Lm – Ln) / F Hv – hL = λ
yq = (q/(q-1)) xq – xF / (q-1) = (Lm/Vm) xq – (W/Vm) xW
4°) Traçar a Linha de Operação Inferior (LOI). Esta linha deverá passar pelos pontos (xW, xW) e
pelo ponto onde a LOS intercepta a linha q.
ym+1 = (Lm/Vm) xm – (W/Vm) xW = (Lm/(Lm-W)) xm – (W/(Lm-W)) xW
“A mudança da inclinação da linha de operação ocorre no estágio ótimo para a introdução da
alimentação, que permitirá a obtenção do menor número possível de estágios teóricos necessários
para efetuar a operação”.
5°) Traçar os estágios teóricos. (“degraus” entre a LO e a CE, partindo de (xD, xD) até (xW, xW).
INFLUÊNCIA DA RAZÃO DE REFLUXO
A) RAZÃO DE REFLUXO TOTAL => D = 0, ou seja, não há retirada de produto de topo. Todo o
vapor produzido é condensado e retorna na coluna como corrente de refluxo. Nesta situação a
LOS e a LOI coincidem com a diagonal, e o número de estágios teóricos traçados será o
mínimo.
B) RAZÃO DE REFLUXO MÍNIMA => D é muito grande, assim a corrente de refluxo (Lo) que
retorna à coluna é muito pequena. Então a razão de refluxo R = Lo/D terá um valor mínimo.
Quando isto ocorre a LOS e a LOI interceptam a reta q sobre a curva de equilíbrio (CE), e seria
necessário um número infinito de estágios para efetuar a separação.

EXEMPLO 1: Uma coluna de pratos para fracionamento contínuo é utilizada para separar uma
mistura 0,695 (fração molar) de n-heptano e 0,305 de n-octano, em produtos com 95% (molar) de
pureza. A coluna opera a uma pressão de 1 atm, com uma alimentação de 5.000 Kg/h.

a. Determinar a razão mínima de refluxo (Rmin) quando:


a.1. A alimentação é um líquido saturado.
a.2. A alimentação é um vapor saturado.

b. Determinar o número mínimo de estágios teóricos para esta operação.

c. Determinar o número de pratos teóricos necessários, bem como o estágio onde deve ser
introduzida a alimentação (líquido saturado) quando a razão de refluxo para o sistema é o dobro
da razão mínima.

22
DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA C7 - C8

0,9

y (fração molar de n-heptano no vapor)


0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de n-heptano no líquido)

DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA C7 - C8

0,9
y (fração molar de n-heptano no vapor)

0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de n-heptano no líquido)

DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA C7 - C8

0,9
y (fração molar de n-heptano no vapor)

0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de n-heptano no líquido)

23
Método M c C a b e – T h i e l e - D u p l a Al i m e n t a ç ã o

Cond.
D
B. M. em I
F1 + Vi +1 = D + Li
Ln Vn+1 I
Lo F1.xF + Vi +1. yi +1 = D.xD + Li .xi
F1
Li Vi+1
Li D.x D − F1 .x F 1
yi +1 = . xi +
F2 Vi +1 Vi +1
Vm+1
L Vm+1
II
B. M. em II

Ref.
W Li F . x − W .x w
yi + 1 = .xi + 2 F 2
Vi + 1 Vi + 1

Do B.M.G para a coluna temos: F1 + F2 = D + W e F1 .x F 1 − D.x D = W .xw − F2 .x F 2


B.E. no prato da alimentação F1: Li .hi + Vn +1 .H n +1 = Ln .hn + Vi +1 .H i +1 + F1 .hF 1
Considerando: hi = hn e H n +1 = H i +1 , teremos: hn .( Li − Ln ) = F1 .hF 1 + H n +1 .(Vi +1 − Vn +1 ) (1)

Do B.M., no prato da alimentação F1, tiramos:


Li + Vn +1 = Ln + Vi +1 + F1 ⇒ Vi +1 = Li + Vn +1 − Ln − F1 (2)

Substituindo (2) em (1) temos:


hn .( Li − Ln ) = F1 .hF 1 + H n +1 .( Li + Vn +1 − Ln − F1 − Vn+1 )
hn .( Li − Ln ) = F1 .hF 1 + H n+1 .( Li − Ln ) − H n +1 .F1
F1 .( H n +1 − hF 1 ) = ( Li − Ln ).( H n +1 − hn )
( H n+1 − hF 1 ) ( L − Ln )
= q1 = i Então: q1 .F1 = Li − Ln Li = Ln + q1 .F1
( H n +1 − hn ) F1 (3)

(2) Li = Ln + Vi +1 + F1 − Vn +1
Substituindo ( 3 ) em ( 2 ) teremos:
Ln + q1 .F1 = Ln + Vi +1 + F1 − Vn +1
Vi +1 = Vn+1 + q1 .F1 − F1
Vi +1 = Vn +1 + (q1 − 1).F1 (4)
Método McCabe-Thiele – Dupla Alimentação - Exemplo

Dois componentes A e B (sistema genérico) são fracionados sob pressão constante numa coluna de
destilação equipada com um condensador e um refervedor total. A alimentação I é de 50 kgmois,

24
contendo 50% molar de cada componente, que entram na coluna na forma de líquido saturado. A
alimentação II é de 100 kgmois, contendo 35% molar do componente A, que entra na forma de
vapor saturado. As composições do destilado e do resíduo são 0,90 e 0,05 fração molar de A. A
volatilidade relativa é igual a 4 e a razão de refluxo é 1,5. Determine o número de estágios
teóricos.

Orientação para a resolução do problema:

1) Traçar a curva de equilíbrio (x = f (y)). Com os limites da composição do líquido para as corrente W e D,
arbitra-se valores intermediários de x, calculando-se o y pela volatilidade relativa:
y = ( α x ) / ( 1 + (α-1)x )

x 0,05 0,90
y

2) Pelo balanço material global e para o componente mais volátil na coluna, determine as taxas das
correntes D e W.

3) Com a razão de refluxo (R = Ln / D) e o balanço material no condensador (Vn+1 = Ln + D), calcule as


taxas das correntes Ln e Vn+1.

4) Localize no gráfico os pontos (XW, XW), (XD, XD), e trace as retas q1 e q2 que
representam a alimentação I e II, respectivamente. Lembre-se que elas tem origem no
ponto (XF1, XF1) e (XF2, XF2), e dependem das condições de cada alimentação.

5) Trace a LOS (linha de operação superior): yn+1 = (R/R+1) Xn + XD /(R+1)

6) Trace a LOInt (linha de operação intermediária):


Li = Ln + q1 F1
Vi+1 = Vn+1 + (q1 –1) F1

yi+1 = (Li/Vi+1) Xi + (F2 XF2 – W XW) / (Vi+1) ou


yi+1 = (Li/Vi+1) Xi + (D XD – F1 XF1) / (Vi+1)

7) A partir do ponto (Xw, Xw) e do ponto de intersecção da LOInt com a reta q2 trace a LOI (linha de
operação inferior).

8) Com as três linhas de operação traçadas, comece a contar os estágios a partir do ponto (XD, XD) até o
ponto (Xw, Xw) da mesma forma como foi procedido em exercícios anteriores.

25
DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO A/B

0,9

0,8

0,7
y (fração molar no vapor)

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1
x (fração molar no líquido)

26
DESTILAÇÃO – EFICIÊNCIA DE ESTÁGIO

A eficiência de uma coluna de destilação depende de uma série de fatores:

1) Fatores associados com o sistema processado:

- Natureza das fases.


- Considerações cinéticas (resistência à transferência de massa).
- Propriedades das fases: viscosidade, tensão superficial e interfacial, solubilidade e densidade
relativa.
- Relação de equilíbrio (volatilidade relativa).
- Tendência à formação de espuma.

2) Fatores de operação

- Agitação.
- Manutenção da capacidade de projeto.
- Constância das composições, temperaturas e vazões.
- Controle de processo.
- Condições de operação: temperatura, pressão.

3) Fatores associados com o equipamento

- Tipo, tamanho e geometria.


- Perda de carga.
- Características de escoamento da fases.
- Acessórios do equipamento principal.
- Construção mecânica.
- Defeitos, modificações e adaptações.

4) Fatores associados com o projeto:

- Grau de conheimento do engenheiro.


- Concepção básica adequada.
- Previsões realistas de desempenho.
- Precisão nos cálculos.
- Disponibilidade de dados cinéticos.
- Experiência prévia de terceiros.
- Estabilidade do projeto.
- Flexibilidade desejada.

27
EFICIÊNCIA GLOBAL DA COLUNA

É definida pela relação: E = NPT / NPR

O objetivo final do engenheiro de processo envolvido com eficiências é obter o valor de E,


que deve ser determinado experimentalmente com uma coluna operando em condições tão próximas
quanto possível das condições de projeto da nova coluna, seja em operações de larga escala, como
em ensaios de usina piloto conduzidos com cuidado. Para determinar E existem métodos
empíricos, estatísticos e teóricos ou semi-teóricos.

EFICIÊNCIA DE PONTO (LOCAL) DE MURPHEE PARA O VAPOR

É definida para cada ponto da placa genérica n, através da yn y n*


relação:

E MV = ( yn – yn-1) / (yn* - yn-1) ponto <1,0 (100%)

yn-1 => enriquecimento real do vapor no ponto n


considerado. yn* - yn-1 => enriquecimento teórico.
Analogamente temos a Eficiência de Ponto de Murphee y n -1
para o líquido:

EML = ( xn-1 – xn)/(xn-1- xn*)ponto <1,0 (100%)

*** A eficiência de ponto varia ao longo da placa. y n* yn


EFICIÊNCIA DE PLACA DE MURPHEE

Cada corrente (L ou V) é um valor médio para toda a placa n, a


Eficiência de Placa de Murphee para o vapor é defnida pela n
expressão:
E MV = ( yn – yn-1) / (yn* - yn-1) placa
yn
yn-1 = composição média do vapor que chega à placa n.
yn = composição média do vapor que sai da placa n.
yn* = composição de equilíbrio com o líquido de composição xn.
O vapor desta eficiência pode resultar maior do que 100% devido à existência de um gradiente de
concentração do líquido ao longo da placa.

Método McCabe-Thiele – Eficiência de Estágio de Murphee – Exemplo

Uma coluna de pratos para fracionamento contínuo operando a 1 atm é usada para separar uma
mistura heptano/octano contendo 0,65 (fração molar) de n-heptano, em produtos com 95% de
pureza. A carga é introduzida na coluna a 4.000 kg/h na forma de líquido saturado. Considerando
que a coluna opera com razão de refluxo igual ao dobro da razão mínima de refluxo, determine:

(a) O número de estágios reais se a eficiência de Murphee para o vapor é de 70%.


(b) O número de pratos reais se a eficiência de Murphee para o líquido é de 80%.

29
DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA C7 - C8

0,9
y (fração molar de n-heptano no vapor)

0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de n-heptano no líquido)

DIAGRAMA DE EQUILÍBRIO PARA O SISTEMA C7 - C8

0,9
y (fração molar de n-heptano no vapor)

0,8

0,7

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
x (fração molar de n-heptano no líquido)

30
Relação entre as vazões de operação do líquido e vapor

A eficiência do contato entre o líquido e o vapor em um prato depende principalmente, da


agitação provocada pela energia que o vapor transfere ao líquido ao passar por esta em cada prato.
Para velocidades do vapor muito pequenas resultam em pratos muito baixos.
Quanto mais elevada a velocidade do vapor, maior será a eficiência do prato, isto ocorre
porque é perfeito o contato entre o vapor e o líquido. Porém, para velocidades muito elevadas do
vapor, começa a haver o arraste do líquido pelos próprios vapores, que tendem a formar um cone no
líquido permitindo livre passagem dos mesmos.

Fenômenos que ocorrem nas colunas de destilação

1. Arraste
É a transferência de gotículas de líquido de um prato para o prato superior por intermédio do vapor.
Assim, o líquido do prato inferior contaminará o prato superior com compostos mais pesados,
prejudicando o fracionamento.

2. Formação do Cone de Vapor


Ocorre quando a vazão de líquido é pequena. Neste caso haverá uma altura insuficiente de líquido
sobre as fendas dos borbulhadores ou válvulas, formando, em torno destes, uma região isenta de
líquido impedindo que haja melhor contato entre o líquido e o vapor diminuindo a eficiência do
prato.

3. Pulsação
O vapor do prato inferior não tem pressão suficiente para vencer continuamente a resistência
oferecida pelos borbulhadores ou válvulas e pelo líquido do prato superior. O vapor, então, cessa de
passar até que sua pressão aumente e seja suficiente, quando então a passagem se dará bruscamente.

4. Gotejamento
Passagem do líquido ou queda do líquido de um prato superior para o prato inferior através dos
orifícios destinados à passagem do vapor é baixa e a vazão do líquido é excessivamente alta. Para
isto ser evitado utiliza-se muitos vasos vertedores de entrada.

5. Espuma
Alguns tipos de líquidos tendem a se expandir formando bolhas que retêm vapores no seu interior.
O acúmulo destas bolhas na superfície do líquido ocasiona a formação de espuma. Se ocorrer a
formação de uma grande quantidade de espuma, esta se transferirá para o prato superior carregando
consigo algumas porções de líquido, contaminando o prato.

6. Incrustações
Quando o líquido possui sólidos em suspensão ou quando possuem sais que, pela ação do calor,
originam precipitados, pode ocorrer problemas de incrustações.

7. Inundação
Diz-se que uma coluna de pratos está inundada quando o nível de líquido nos dutos da queda chega
até o prato superior. Isto ocorre quando o líquido é aumentado sobre a bandeja com maior rapidez
do que pode fluir para o prato inferior
Causas da inundação:
- aumento na velocidade do líquido
- aumento de sujeira e incrustações
- aumento da velocidade do vapor.

31
Conseqüências da inundação:
- empobrecimento da qualidade do produto
- diminuição do gradiente térmico na seção inundada
- aumento da perda de carga
- flutuações de pressão

Soluções:
- reduzir a vazão de vapor
- reduzir a vazão do líquido
- velocidade do vapor = 50 – 60 % da velocidade do líquido
- adição de substâncias que quebrem a espuma

Quando a inundação se verifica na parte superior da torre:


- reduzir a carga da torre
- reduzir a temperatura da carga
- manter a pressão da torre o mais alto possível (para reduzir a velocidade dos vapores)
- aumentar o refluxo lateral (para remover mais calor no meio da torre)

Quando a inundação ocorre na parte inferior da torre deve-se:


- manter a pressão o mais alta possível
- aumentar a retirada de produtos laterais
- diminuir a carga da torre
- aumentar a temperatura da carga
- verificar a quantidade de vapor usada no fundo da torre (vapor excessivo = velocidade
excessiva).

Gotejamento
Inundação
Vazão de liquido

Velocidade
Região
limite do
de
operação
satisfatór
Arraste
excessivo
Cone de vapor
Esvaziamento

Vazão de vapor

32
DESTILAÇÃO FRACIONADA - COLUNAS DE RECHEIO

33
Correlações para determinação de HEPT (altura equivalente a um prato téorico)

Correlação de Peters: supôs que o enriquecimento que se obtém no vapor em um prato(numa


coluna de pratos) ocorrerá em uma certa altura de recheio(coluna recheada). Visto que todas as
seções de enchimento são fisicamente análogas, um andar de equilíbrio é representado por uma
dada altura de enchimento. A altura necessária para qualquer separação desejada é dada por :

Z = HETP x N (1)
onde: Z = altura do enchimento
HETP = AEPT = altura equivalente a um prato teórico
N = número de pratos.

Correlação de Hands e Whitt: propuseram um método aproximado para prever a HETP para anéis
de Rasching pequenos e operação à pressão atmosférica dado por :

1
HETP = ___________________ (2)
(1/ dp) . (L/ρ)1/2
onde:
HETP = altura equivalente a um prato teórico (ft)
dp = diâmetro do recheio (ft)
L = velocidade do líquido ( lb/h.ft)
ρ = viscosidade do líquido ( lb/ft.h)

Correlação de Murch: apresentou a seguinte expressão para HETP em condições de refluxo total:

HETP = C1 GC2 DC3 Z1/3 . α . µ (3)


ρ
onde:
C1 , C2 e C3 são constantes
G = velocidade máxima de vapor em lb/h.ft de área da torre
D = diâmetro da coluna ( in )
Z = altura do enchimento ( ft )
µ = viscosidade do líquido ( cP )
ρ = massa específica do líquido ( g/cm3 )
α * = volatilidade relativa
(*) - média das medidas do topo e fundo da coluna

Correlações para determinação do número de pratos

Correlação de McCabe-Thiele: propõe resolução gráfica através da curva de equilíbrio e da linha de


operação. O método considera fluxos molares de líquido e vapor constantes e calor latente molar de
vaporização constante.

Correlação de Fenske: deduziu uma equação para calcular o número de pratos, correspondentes ao
refluxo total. Esta equação pode ser usada para calcular o número mínimo de estágios teóricos
(Nmin) quando um condensador total é usado:

34
x 1 − xW
log( D )
1 − xD xW
N min = (4)
logα av

onde: Nmin = número mínimo de pratos


xD = fração molar do produto de topo
xW = fração molar do produto de fundo
αav = ( αD αW )1/2, para pequenas variações em α, sendo αD e αW são as
volatilidades relativas do vapor de topo e do líquido da base.

Correlação de Yu e Coull: desenvolveram uma relação empírica, a qual relaciona refluxo


mínimo, refluxo infinito, mínimo NOG e NOG operacional. A relação é restrita para sistemas tendo
uma volatilidade relativa constante em um grande intervalo de temperaturas da coluna:

y2
dy
N OG = ∫y , cuja integração, assumindo refluxo total e volatilidade relativa constante
y1
*
−y
1 x 1 − xW
dará: N OG = (ln D + α ln )
α − 1 xW 1 − xD

A relação entre o número de unidades de transferência e o número de pratos é dada pela correlação
de Coull e Tsung por:

NTU 2.α - (α - 1 ) . 1
____ = ____ ________ __ (5)
N α+1 α+1 K
sendo

1 + ln [ ( 1- Kw)/(1-KD)]
K = 1/2. _______________________ (6)
ln ( KD/Kw)

Correlação de Chilton e Colburn: analogamente à absorção gasosa, definiram:

1 y (1 − xW ) 1 − xW
N OG = ln D + ln
α − 1 xW (1 − y D ) 1 − yD
No uso desta equação α é assumido como um valor constante entre as condições do topo e da base
da coluna. Esta atambém se aplica a razão de refluxo total.

yD
NTU = ∫ dy (7)
yW ( y* - y)

onde: ( y* - y ) é determinado a partir da curva de equilíbrio e da linha de operação.

35
Destilação em Colunas Recheadas – Exemplo

Deseja-se projetar uma coluna recheada para separar uma mistura equimolar de benzeno e tolueno,
em um destilado que contenha 98% (molar) de benzeno e um resíduo com igual percentagem de
tolueno. A alimentação entra na forma de líquido na temperatura de ebulição. Para o recheio
empregado foi determinado experimentalmente que a altura da unidade de transmissão em
condições análogas as de projeto (HOG) é de 35 cm. Calcular a altura do recheio total para a coluna
operando com uma razão L/V igual a 0,80.
dy
Z = HOG . NOG N OG = ∫
( y * − y)

Determine a perda de carga para esta coluna se ela for recheada com selas de Berl cerâmicas de 1”.
Assuma 50% da vazão de inundação para esta coluna.

Diagrama de Equilíbrio BENZENO-TOLUENO


1

0,9

0,8

0,7

0,6

0,5
Y

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
X

36