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Transtorno de Personalidade Paranóide

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pela tendência à desconfiança de estar sendo explorado, passado para trás ou
traído, mesmo que não haja motivos razoáveis para pensar assim. A expressividade afetiva é
restrita e modulada, sendo considerado por muitos como um indivíduo frio. A hostilidade,
irritabilidade e ansiedade são sentimentos freqüentes entre os paranóide. O paranóide dificilmente
ri de si mesmo ou de seus defeitos, ao contrário ofende-se intensamente, geralmente por toda a
vida quando alguém lhe aponta algum defeito.

Aspectos essenciais

• Excessiva sensibilidade em ser desprezado.


• Tendência a guardar rancores recusando-se a perdoar insultos, injúrias ou injustiças
cometidas.
• Interpretações errôneas de atitudes neutras ou amistosas de outras pessoas, tendo
respostas hostis ou desdenhosas. Tendência a distorcer e interpretar maléficamente os
atos dos outros.
• Combativo e obstinado senso de direitos pessoais em desproporção à situação real.
• Repetidas suspeitas injustificadas relativas à fidelidade do parceiro conjugal.
• Tendência a se autovalorizar excessivamente.
• Preocupações com fofocas, intrigas e conspirações infundadas a partir dos acontecimentos
circundantes.
Pessoas Desconfiadas
A desconfiança permanente é um sinal inconfundível de paranóia. Pessoas com distúrbio
paranóide de personalidade estão constantemente em guarda, por enxergarem o mundo
como um lugar ameaçador. Tendem a confirmar suas expectativas, agarrando-se a
mínimas evidências que confirmem suas suspeitas, e ignoram ou distorcem qualquer
prova em contrário. Estão sempre alertas, procurando sinais de alguma ameaça.

Qualquer pessoa em uma situação nova — nos primeiros dias em um emprego ou


iniciando um relacionamento, por exemplo — é cautelosa e de certa forma reservada, até
sentir que seus temores são infundados. Pessoas com paranóia não conseguem abandonar
seus temores. Continuam a esperar por armadilhas e duvidam da lealdade dos outros. No
relacionamento pessoal ou no casamento, essa desconfiança pode apresentar-se sob a
forma de ciúme patológico e infundado.

Por estarem excessivamente alertas, as pessoas com distúrbio paranóide de personalidade


percebem qualquer minúcia e podem ofender-se sem motivo. Em conseqüência, tendem a
ser excessivamente defensivas e hostis. Quando cometem algum erro, não reconhecem a
culpa, nem aceitam a mais leve crítica. Entretanto, são extremamente criticas em relação
aos outros. Pode-se dizer que tais pessoas fazem “tempestade em copo d’água”.

Além de serem polemistas e irredutíveis, as pessoas com distúrbio paranóide de


personalidade têm dificuldade de manter vínculos afetivos. Parecem frias e evitam
relacionamentos interpessoais. Orgulham-se de serem racionais e objetivas. Pessoas com
uma perspectiva paranóide em relação à vida raramente procuram auxílio médico - não
faz parte de sua natureza pedir ajuda. Profissionalmente podem atuar com competência.
Pode procurar redutos sociais onde o estilo moralista e punitivo seja aceitável ou, até
certo ponto, tolerável.
Fonte:Psiquiatria Geral .

(David Shoe, David Picka , Darryl G.Kirch)

Paranóia

Paranóia é o termo usado por profissionais de saúde mental para descrever aqueles
indivíduos que sofrem de uma desconfiança exagerada e um receio constante de ser atacado
ou agredido verbal ou mesmo fisicamente pelos outros. Ainda ai, inclui-se a rejeição. A palavra
paranóia é freqüentemente usada em conversas cotidianas, mas, geralmente é usada de
forma incorreta. A desconfiança simples não significa necessariamente paranóia,
principalmente se estiver baseada numa experiência anterior ruim.
O Transtorno Paranóide é um estado estável, isto é, não é transitório e envolve um estilo
global de pensar, sentir e relacionar-se com os outros que é extraordinariamente rígido e
imutável. A coisa mais difícil é fazer um paranóico mudar de opinião. Ele pode até mesmo
concordar com você num determinado momento, mas logo, você vai ouvi-lo afirmar as
mesmas coisas que afirmava antes de discutirem. Para definir um caso de Transtorno de
Personalidade Paranóide, as crenças persecutórias do paciente não devem chegar a ser
delirantes ou seja, devem ser independentes de um diagnóstico de esquizofrenia.
Tais pacientes em geral têm um estilo cognitivo distintamente paranóide que é caracterizado
por uma busca permanente de significados ocultos, de pistas que revelem a verdadeira
intenção por detrás das aparências ou do que dizem as pessoas. Essa busca revela um
estado de hipervigilância que gera um considerável estado de tensão física e emocional no
indivíduo.
O paciente paranóide nunca relaxa. Essas pessoas tendem vasculhar cuidadosamente o
ambiente a fim de terem uma percepção muito precisa de suas condições, mas, seu
julgamento a respeito do que percebem geralmente está prejudicado.
Geralmente o paranóico tem uma experiência de relacionamento com os outros que é
descontinua, ou seja, mesmo com uma longa convivência, eles não conseguem construir uma
imagem das pessoas através das quais possam se orientar. Por exemplo, quando uma pessoa
convive com outra, aprende que determinados traços do companheiro são estáveis e outros
são instáveis de forma que poderá confiar naqueles que são estáveis.
Com o paranóico isto não acontece. Isso ocorre porque nenhum padrão ou relacionamento é
sentido como duradouro e porque eles estão tão alertas ao momento presente e assim, ficam
impossibilitados de estabelecerem escalas de valores para si próprios e para os outros.
O paranóico tem somente a percepção do momento atual. O grande problema é que todos
momentos do paranóico são tensos por causa da hipervigilância. O paranóico, quando inicia
um relacionamento já o faz com a certeza de que não vai durar. Isso ocorre por causa da
crença de que não podem ser amados ( eles geralmente tem uma auto-estima muito baixa) e
assim buscam nos comportamentos do parceiro, deslizes que confirmem suas suspeitas e
expectativas negativas.
O indivíduo paranóico tem um self que não chegou a se desenvolver completamente e assim,
eles funcionam como crianças cuja experiência traumática, ainda amedronta. Como a
experiência traumática está reprimida e por isso, eles não podem integrar a experiência, eles
sentem apenas a ameaça da situação traumática infantil. Dessa maneira, eles ficam "em
guarda" 24 horas por dia.
A experiência total do self é unicamente aquela da vivência imediata, a experiência atual. No
paranóico não há um aspecto do psiquismo que faz interpretações e a mediação entre o
símbolo e o simbolizado. Isso significa que o indivíduo tem percepções e pensamentos, mas,
não interpreta corretamente os sentimentos em relação às essas percepções. Um exemplo
pode nos ajudar a compreender melhor: O paciente paranóico não pode pensar: "Acho que
esse cara está com más intenções!" Ele vai afirmar que o outro tem péssimas intenções.
Uma outra característica dos paranóicos é a necessidade de controlar os outros. Conheci um
paranóico que desejava colocar microfones em sua empresa para saber o que seus colegas
de trabalho falavam dele quando estava ausente. A necessidade de controlar os outros reflete
uma auto-estima muito baixa e que é justamente o que está na raiz da paranóia. Um outro
paranóico ficava aflito porque desejava saber o que as pessoas que conversavam com ele,
estavam pensando (sobre ele, evidentemente).
Ele tinha o sonho de descobrir uma forma de obter esse tipo de controle. Entretanto, eles
costumam mostrarem-se grandiosos, espertos e especiais. Tais comportamentos nada mais
são que uma defesa compensatória contra os sentimentos de impotência e falta de valor.
O rebaixamento de auto-estima está também relacionado às dificuldades que os paranóicos
tem com as figuras de autoridade. Eles temem que as pessoas (que eles julgam) que estão
em melhores condições hierárquicas ( social, profissional e intelectual), possam humilhá-los e
ameaçar sua autonomia, bem como temem que qualquer pessoa que se aproxime deles tenha
como objetivo final, assumir o controle e deixá-los humilhados e submissos.
Lembro-me de uma mulher paranóica que procurou ajuda por exigência do marido. Eles
estavam casados há dois anos e ela comportava-se na cama, como se estivesse "morta". Seu
marido começou a irritar-se e chegou mesmo a propor a separação. Observamos que ela
nunca sabia como se comportar. Se expressasse o que sentia, temia que o marido fosse achá-
la uma vadia, promiscua e suja. E antão ele poderia desprezá-la.
Ela não conseguiu mudar e eles acabaram por separar-se. Na realidade sua angustia maior
era não só o que tínhamos observado como também o receio de que se mostrasse o que
sentia nas relações sexuais, seria dominada por seu marido e assim, acabaria escravizada e
controlada. Essa foi a questão que a impediu de mudar.

AS PARANÓIAS
Existem na realidade três tipos de patologias (doenças) que tem os sintomas paranóides como
elemento central. Essas três patologias são descritas como a seguir:
* Desordem de Personalidade Paranóica
* Transtorno Paranóico Delirante
* Esquizofrenia Paranóide.
No Transtorno de Personalidade Paranóide o estado paranóide a pessoa afetada pode
funcionar relativamente bem na vida social. No caso do Transtorno Delirante o transtorno já é
mais grave, indivíduo tem ilusões situadas mas também pode viver relativamente bem em
sociedade. No caso da Esquizofrenia Paranóide, a paranóia é tão severa que o indivíduo
torna-se incapacitado de conviver em sociedade.

Persecutoriedade e Desconfiança
Um sinal inconfundível da paranóia é um ininterrupto estado de desconfiança. As pessoas com
Desordem de Personalidade Paranóica estão constantemente prevenidas e tentam
protegerem-se porque elas percebem o mundo como sendo um lugar ameaçador.
Elas tendem a confirmar suas expectativas ruins fechando-se para quaisquer evidências que
possam contrariar suas suspeitas e ignoram os bons sinais interpretando-os sempre pela ótica
de suas desconfianças (rigidez). Como elas estão sempre alertas para ataques, maus-tratos e
traições, atitudes que por si só geram um grande stress, elas interpretam os fatos à sua volta
sempre pelo lado ameaçador e procuram meios de defenderem-se.
Há um momento especialmente interessante para identificar um paranóico que é quando eles
estão fazendo algum tipo de negócio com alguém. Decidir é um processo extremamente
doloroso porque, por um lado, eles não sabem determinar o valor das coisas e, por outro, eles
temem estar sendo enganados. Para lidar com isso, eles tendem a fazer infinitas consultas
sobre o assunto com os amigos e acabam por tomar decisões que não consideram as
opiniões colhidas e evidentemente, na maioria das vezes, fazem bobagem.
Qualquer pessoa que enfrenta uma nova situação - iniciando num trabalho ou começando um
novo relacionamento, por exemplo-será cautelosa e um pouco vigilante até que tenha alguma
compreensão sobre o ambiente e perceba que seus medos são infundados. Com as pessoas
que sofrem de paranóia, as coisas são diferentes. Tais indivíduos geralmente não conseguem
abandonar seus medos, que são na verdade, a grande defesa que eles tem contra a violenta
necessidade de intimidade.
Eles vivem esperando um comportamento artificial e duvidam da lealdade dos outros. Lembro-
me de uma mulher que tinha um genro excepcional. O sujeito era um cara muito querido por
todos. Então, ela procurava defeitos nele e não os encontrava. Um dia ela dizia: "Não sei não.
O dia em que esse cara mostrar quem ele é, todo mundo vai ficar de queixo caído". Um dia ele
mostrou. Foi embora porque não suportava as mentiras e paranóias da família de sua mulher
que por si mesma, era extremamente ciumenta e, via amantes, onde não caberia nenhuma.
Numa relação pessoal ou no casamento, os paranóicos tendem a apresentar um ciúme
patológico que é despertado por uma infinidade de fantasias irreais.
Viver numa cidade como São Paulo, num período onde a violência é regra, pode ser muito
desgastante para todos nós. Assim, todos nós ficamos um pouco paranóicos e isto é
absolutamente normal. Entretanto, o individuo paranóico sofre muito mais que os outros
porque o pânico e a angústia são potencializados e podem mesmo se tornarem paralisantes,
deixando-os mais estressados e agressivos.

2- FRIOS E DISTANTES
Em geral, os paranóicos são tidos como inteligentes, bons argumentadores e inflexíveis. Mas
uma olhada mais cuidadosa mostra que eles tem uma forma de pensamento que pode ser
definido como " estilo paranóico". Esse estilo é caracterizado por uma busca constante de
significados ocultos nas coisas que as pessoas fazem e falam o que os impede de viver as
experiências que permitem enriquecer a inteligência. Maleabilidade é uma coisa que eles
desconhecem completamente.
As pessoas com Desordem de Personalidade Paranóica são emocionalmente distantes de
outras pessoas. Na realidade, eles parecem frios e freqüentemente evitam a intimidade com
os outros. Eles se orgulham de sua racionalidade e objetividade (que na verdade é a
concretude). Pessoas com Desordem Paranóica de Personalidade raramente procuram
tratamento por acharem que não precisam de ajuda. Muitos funcionam presumivelmente, de
maneira competente na vida social, ainda que sejam visto como " esquisitos".
A ausência de intimidade com o paranóico surge por causa da excessiva falta de confiança e
vigilância feroz das relações interpessoais que naturalmente vai conduzir a uma ausência de
intimidade. Uma coisa muito difícil no relacionamento com um paranóico é que intimidade é o
que eles mais temem. Qualquer intimidade representa uma terrível ameaça de mergulhá-los
num completo mundo de terror.
Como lhes falta o conhecimento dos afetos sinceros e ternos, eles não sabem como atender
seus parceiros e assim, mantém uma distância segura. Geralmente esse tipo de
comportamento mina um relacionamento levando-o ao termo porque o parceiro não paranóico
está impossibilitado de compreender porque a intimidade não se solidifica e assim, começa a
ter crises de auto-estima e, se for saudável, acaba por afastar-se.
O paranóico tem um grande medo de perder o controle e amar, porque isto significa dividir o
controle com alguém, deixar-se abandonar para ser cuidado pelo outro. Eles têm um medo
enorme de se tornarem íntimos porque sua fantasia é que o parceiro está, secretamente,
tentando assumir o controle da sua mente do paranóico. Na realidade eles têm fantasias de
serem dominados (masoquismo).
É interessante observar a dicotomia entre a auto representação de características onipotentes,
vingativas, e que triunfa sobre o mundo e, por outro lado, a imagem contrastante guardada no
fundo de cada um, em que eles vêem-se como impotentes e tem uma visão completamente
humilhada de suas vidas como sendo menosprezados pelo mundo e por si próprios. É a
tensão entre estas duas imagens e a experiência deles no mundo subjetivo que cria o
sentimento de paranóia.

Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe)

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e
desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se
apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem
justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la
justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. Seu comportamento impulsivo
freqüentemente é autodestrutivo. Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si
mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à
própria sexualidade. A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que
em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.

Aspectos essenciais

• Padrão de relacionamento instável variando rapidamente entre ter um grande apreço por
certa pessoa para logo depois desprezá-la.
• Comportamento impulsivo principalmente quanto a gastos financeiros, sexual, abuso de
substâncias psicoativas, pequenos furtos, dirigir irresponsavelmente.
• Rápida variação das emoções, passando de um estado de irritação para angustiado e
depois para depressão (não necessariamente nesta ordem).
• Sentimento de raiva freqüente e falta de controle desses sentimentos chegando a lutas
corporais.
• Comportamento suicida ou auto-mutilante.
• Sentimentos persistentes de vazio e tédio.
• Dúvidas a respeito de si mesmo, de sua identidade como pessoa, de seu comportamento
sexual, de sua carreira profissional.