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Assédio moral no ambiente do trabalho e a responsabilidade civil

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Assédio moral no ambiente do trabalho e a responsabilidade civil

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empregado e empregador
http://jus.com.br/revista/texto/6173 Publicado em 01/2005 Rodrigo Cristiano Molon Como é possível reconhecer, prevenir e combater a incidência do assédio moral no ambiente do trabalho para se melhorar a qualidade de vida e o conseqüente aumento na produtividade no ambiente das organizações?

INTRODUÇÃO
Em um novo ambiente de trabalho, forjado pela globalização e a modernização, indústrias e empresas vêm cada vez mais forçando o seu ritmo de trabalho na luta pelo lucro. A organização do trabalho com a sua estruturação hierárquica, divisão de tarefas, jornadas de trabalho em turnos, ritmos, intensidade, monotonia, repetitividade e responsabilidade excessiva são fatores que contribuem para desencadear uma série de distúrbios ao trabalhador, sejam elas físicas ou psíquicas. Atualmente, as altas taxas de desemprego que assolam praticamente a maioria dos países do globo refletem a instabilidade econômica atual. A competição da sociedade capitalista em que vivemos torna as pessoas cada dia mais inseguras quanto à instabilidade no emprego. Em consonância a isso, a busca desenfreada pelo poder influencia o âmago de algumas pessoas e as fazem tornar o ambiente de trabalho um lugar de conflitos sem escrúpulos. As diferenças, sejam elas sociais, étnicas, psicológicas, políticas tornam o ambiente de trabalho lugar de discriminação e marginalização. Para piorar, o contexto econômico atual propicia a busca desenfreada pelo lucro sem precedentes na história: leis de mercado que geram competitividade exacerbada, a busca incessante do aperfeiçoamento profissional, a disciplina interna voltada para conseguir o máximo de produtividade com o mínimo de dispêndio. Tudo isso tem contribuído para gerar um certo distanciamento entre as pessoas dentro da empresa, um grau tamanho de impessoalidade com a conseqüente adoção de procedimentos moralmente reprováveis. E ainda, como assevera Sebastião Geraldo de Oliveira, "no ambiente do trabalho, mais especificamente, no posto de trabalho, ocorre a confluência de diversos riscos e agressões que afetam a saúde e a integridade física do trabalhador." [1] Ou por melhor dizer, o ambiente do trabalho em nada progride para atender as expectativas do trabalhador. A máxima individualização do trabalho olvidando-se do indivíduo como pessoa, vendo o outro como objeto ou coisa de serventia permite refletirmos sobre um novo ideal de sociedade. Para tanto, faz-se necessário o estudo dos aspectos que

permeiam o assédio moral no ambiente de trabalho, visto ser tal conduta depreciativa do caráter humano é mais grave, por vezes, que a própria lesão física, pois o espírito tem mais valia que o corpo. A autora francesa psiquiatra, psicanalista, e psicoterapeuta de família, formada em vitimologia Marie-France Hirigoyen comenta: Ao longo da vida há encontros estimulantes, que nos incitam a dar o melhor de nós mesmos, mas há igualmente encontros que nos minam e podem terminar nos aniquilando. Um indivíduo pode conseguir destruir outro por um processo de contínuo e atormentante assédio moral. Pode mesmo acontecer que o ardor furioso desta luta acabe em verdadeiro assassinato psíquico. Todos nós já fomos testemunhas de ataques perversos em um nível ou outro, seja entre um casal, dentro das famílias, dentro das empresas, ou mesmo na vida política e social. No entanto, nossa sociedade mostra-se cega diante dessa forma de violência indireta. A pretexto de tolerância, tornamo-nos complacentes. [2] Em se tratando de assédio moral, conduta imoral imposta por um sujeito a outro sujeito influenciado por diversos fatores os quais serão analisados, notamos que há um hiato perante a sociedade em definir e explicar determinada conduta, bem como que conseqüências traz ao trabalhador que sofre com tal agressão. Assim, procuramos desvendar quais as conseqüências ao trabalhador assediado e seus aspectos, sejam eles relevantes ao mundo jurídico ou ao mundo organizacional. A relevância de tal estudo reside na constatação de que só nas últimas décadas é que o assédio moral veio a ser identificado como um fenômeno capaz de atormentar e depreciar as relações humanas no ambiente de trabalho. O sociólogo italiano Domenico De Masi assim comenta sobre as condições de trabalho nas empresas: [...] em muitas empresas reina um clima de indiferença ou suspeita recíprocas, quando não de medo. Mas, mesmo quando as direções se esforçam para criar uma atmosfera colaborativa, quase sempre o convívio tem um ar artificial, forçado, as festas de trabalho e as reuniões são sempre um pouco tristes e patéticas. As panelinhas, as alianças, o bando de puxa-sacos são sempre grupos minados pela desconfiança, pela transitoriedade e pelo carreirismo. Muitas passam a vida inteira como unha e carne com os chefes e colegas de trabalho, sem abdicar do tratamento formal só por uma questão de compostura, exigida pela hierarquia e pelo clima de impessoalidade impostos pela empresa. E não são raros os casos quando alguém se torna alvo de perseguições, bodesexpiatórios, objeto de mobbing. [3] Atualmente a incidência de danos ao trabalhador, cada vez mais volumosa, tem sido motivo de reflexão perante a sociedade. Não basta o montante de leis, decretos e demais remédios legislativos para se afastar tamanho mal que acomete diariamente trabalhadores de nosso país. O assédio moral, também conhecido como mobbing ou terror psicológico, é uma das espécies de dano pessoal advinda de um sujeito perverso e tem implicações no que concerne à responsabilidade das organizações e dos trabalhadores para com os direitos fundamentais do trabalhador. O avanço desenfreado da atividade industrial e as constantes violações dos direitos fundamentais do trabalhador em face do emprego de técnicas e procedimentos antiéticos que importam risco à saúde do trabalhador bem como ao ambiente do trabalho são os focos do tema abordado. O novo Código Civil e a nova abordagem que deu à

responsabilização civil, aos direitos fundamentais já imersos na Carta Magna, à infra legislação brasileira e estrangeira, a posição jurisprudencial dos Tribunais brasileiros e estrangeiros são algumas fontes que entram em consonância com o presente estudo para proteger e repelir as atuações danosas destes sujeitos perversos face os direitos do trabalhador. Em compasso a isso, o Direito do Trabalho atual mostra que o simples trabalho com a garantia de retribuição ao empregado é incapaz de preservar a dignidade nas relações de trabalho. Como disse acertadamente Irany Ferrari: O trabalho há de ser analisado tendo em vista o homem, em razão de sua capacidade criadora, já que definido, com acerto, como o ‘animal que produz’. A par de ser, para o homem, uma necessidade vital, é também, e aí sua importância maior, o seu libertador, tanto individual como socialmente. (4) Assim, cabe-nos questionar: como é possível reconhecer, prevenir e combater a incidência do assédio moral no ambiente do trabalho para se melhorar a qualidade de vida e o conseqüente aumento na produtividade no ambiente das organizações? O reconhecimento do assédio moral faz-se a partir da análise da vítima no ambiente da organização. É importante frisar que o assédio moral é sempre uma conduta imoral, repetida e freqüente que um sujeito perverso aplica à pessoa a quem ele quer vitimar. À luz dos direitos e garantias fundamentais elencados na Constituição Federal, há como atacar o assédio moral por força de seus princípios. Sendo um direito do trabalhador o princípio à saúde e à dignidade, devemos ampliar essa conotação para confortar aí os que sofrem por esse dano. Conjunto a isso, um remédio legislativo específico para tais casos seria bastante capaz, senão para liquidar, mas para frear a incidência do dano. Haja vista já existir cidades que aprovaram leis específicas nesse sentido. Vejamos ainda no Estado Democrático de Direito imposto pela Constituição e suas garantias fundamentais alicerce para socorrer os que sofrem por tal fenômeno. Corroborando, não seria demais apresentar aqui, como já vem sendo feito em países da Europa, a iniciativa de algumas empresas imprimirem um código de ética para seus trabalhadores, visto estar a matéria na esfera do contrato de trabalho. Uma conduta ética para os trabalhadores faz com que haja cooperação e o conseqüente aumento na produtividade de cada meta. Em derradeiro, os sindicatos passariam a ter papel fundamental na assistência às vítimas, por ser este ainda aliado na luta do trabalhador. Junto a este, a Comissão de Prevenção de Acidentes das organizações exercerem influência no sentido de se prevenir e informar o trabalhador quanto aos métodos maléficos utilizados para se agredir moralmente os trabalhadores. Por tudo isso, fica que ainda é a Carta Magna e seus Direitos Fundamentais, fonte maior do direito e a sua conseqüente aplicação tornar-se-á abrigo para se acolher os que sofrem por tais agressões. Sendo assim, acredita-se que a evolução das relações laborais, e por que não dizer da humanidade, tende a caminhar para uma redução das desigualdades e para a busca de soluções concretas para os conflitos gerados. Isso, para

alcançarmos não só uma revolução de ordem econômica, política ou social, mas também uma revolução de ordem espiritual.

1 NOÇÕES GERAIS SOBRE O ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DO TRABALHO
1.1 Panorama Histórico O assédio moral nos últimos anos vem revelando-se um fenômeno social, cuja importância no meio acadêmico e no meio profissional, toma proporções jamais vista antes. Casos divulgados pela mídia no âmbito das organizações, debates entre profissionais da área médica e jurídica, a criação de associações, seminários para a discussão do tema, e enfim, projetos de lei sendo encaminhados por municípios, são apenas alguns exemplos do porque o assédio moral está na pauta das discussões atuais. O termo mobbing, segundo a autora francesa Marie-France Hirigoyen: [...] foi presumivelmente utilizado pela primeira vez pelo etnólogo Konrad Lorenz, a propósito do comportamento agressivo de animais que querem expulsar um animal intruso, e reproduzido nos anos 60 pelo médico sueco, Peter Heinemann, para descrever o comportamento hostil de determinadas crianças em relação a outras, dentro das escolas." Em 1972, ele publicou o primeiro livro sobre mobbing, o qual trata da violência de um grupo de crianças. [5] Segundo o dicionário, o termo mobbing vem do verbo inglês to mob, cuja tradução é maltratar, atacar, perseguir, sitiar. As primeiras pesquisas sobre o assédio moral no trabalho iniciaram no campo da Medicina e da Psicologia do Trabalho. Segundo a autora Márcia Novaes Guedes, ao relatar os estudos do mobbing: [...] foi no começo de 1984 Heinz Leymann publica, num pequeno ensaio científico contendo uma longa pesquisa feita pelo National Board of Occupational Safety and Health in Stokolm, no qual demonstra as conseqüências do mobbing, sobretudo na esfera neuropsíquica, sobre a pessoa que é exposta a um comportamento humilhante no trabalho durante certo lapso de tempo, seja por parte dos superiores, seja por parte dos colegas. (6) Os estudos de Leymann se desenvolveram, sobretudo na Suécia, para onde se transferira em meados dos anos cinqüenta, e verificou que em um ano 3,5% dos trabalhadores, de uma população economicamente ativa de 4,4 milhões de pessoas, sofreram perseguição moral por um período superior a 15 meses. Leymann estabeleceu que, para caracterizar a ação como de mobbing, era necessário que as humilhações se repetissem pelo menos uma vez na semana e tivessem a duração mínima de seis meses. Após a difusão de seu estudo em 1995, Leymann acabou por difundir o resultado de suas pesquisas por toda Europa. Após isso, a Alemanha adotou medidas de atendimento médico específico para amenizar o sofrimento das vítimas, e introduziu aspectos que envolvem o assédio moral em disciplina de estudo universitário, como parte da cadeira de Psicologia do Trabalho. Na França, a vitimologia passou a ser especialidade na área médica e consiste em analisar as razões que levam um indivíduo a tornar-se vítima, os

processos de vitimação, as conseqüências a que induzem e os direitos que podem pretender. Foi a partir da divulgação dos estudos de Leymann que apareceram as primeiras estatísticas sobre a violência psicológica na Europa. Pesquisa demonstrada em 1998 mostrou que 8,1% dos trabalhadores europeus empregados sofrem violência psicológica de vários tipos no ambiente do trabalho. Dentre os países pesquisados, destaca-se a Grã-Bretanha em primeiro lugar, com 16,3% dos trabalhadores violentados. Em segundo, a Suécia com 10,2%. A França com 9,9% e a Alemanha com 7,3%. A Itália contou com 4,2%; todavia os estudiosos afirmam que estes números não retratam a realidade, visto que o fenômeno poderia estar mascarado em face de aspectos culturais. [7] Os dados revelam que a Europa possui 12 milhões de indivíduos que sofrem de assédio moral. 1.2 Assédio Moral e Mobbing O assédio moral, uma espécie de dano à pessoa, está presente em todo o mundo, e por essa razão seu conceito e características variam de acordo com a cultura e o contexto de cada país. O fenômeno é conhecido na Itália, Alemanha e países escandinavos como mobbing; na Inglaterra e Estados Unidos como bullying; no Japão como ijime, nos países de língua espanhola como acoso moral ou acoso psicológico; e simplesmente assédio moral aqui no Brasil. Cada terminologia possui implicitamente diferenças culturais e organizacionais advindas dos países, assim, procura-se analisar os mais utilizados. O mobbing, segundo Marie-France Hirigoyen citando Heinz Leymann, consiste em "manobras freqüentes e repetidas no local de trabalho, visando sistematicamente a mesma pessoa e provém de um conflito que degenera, sendo uma forma particularmente grave de estresse psicossocial". [8] O bullying é mais amplo que o termo mobbing, segundo a mesma autora: O termo bullying nos parece de acepção mais ampla do que o termo mobbing. Vai de chacotas e isolamento até condutas abusivas com conotações sexuais ou agressões físicas. Refere-se mais às ofensas individuais do que à violência organizacional. Em estudo comparativo entre mobbing e o bullying, Dieter Zapf considera que o bullying é originário majoritariamente de superiores hierárquicos, enquanto o mobbing é muito mais um fenômeno de grupo. [9] Para sintetizar, os termos mobbing e bulling não tem o mesmo significado entre si, pois possuem características e acepções antagônicas. A diferença proposta pela autora é bastante esclarecedora nesse sentido: - o termo mobbing relaciona-se mais a perseguições coletivas ou à violência ligada à organização, incluindo desvios que podem acabar em violência física; - o termo bullying é mais amplo que o termo mobbing [...]; - o assédio moral diz respeito a agressões mais sutis e, portanto, mais difíceis de caracterizar e provar, qualquer que seja sua procedência. [10]

Neste caso não se configura assédio por não haver uma característica fundamental: a freqüência do ato. e de que é a finalidade do assédio atentar contra o mal.. fala-se em assédio quando o trabalhador é pressionado pelo tempo a realizar alguma tarefa ou meta. defensor da proposta de lei da bancada comunista francesa. pois segundo a autora francesa: [.No decorrer do presente trabalho utilizar-se-á tanto o termo assédio moral como o termo mobbing. tem sido freqüentemente utilizado de forma abusiva e. [11] Em outra análise sobre a dúvida do termo. que é importante analisar. pois esse fenômeno pode der abordado sob diversos ângulos (medicina. citado por Guedes "a base do assédio moral no local de trabalho é uma situação conflitiva mal resolvida". com perguntas ou pretensões insistentes". comportamento. o efeito destrutivo está nos microtraumatismos freqüentes. palavra. segundo o dicionário Aurélio. A escolha do termo moral implica a tomada de decisão de que aquele assédio é repugnado em nossa sociedade.. em virtude de ambos os fenômenos estarem diretamente ligados à violência moral dentro das organizações empresariais.] que atente. Até o momento. sociologia. O segundo termo .3 Definições Antes de se discutir o que é assédio moral deve-se buscar entender como se originou tal nomenclatura. Parece-nos absolutamente essencial estarmos atentos a esses deploráveis desvios. deturpado do seu sentido original. jurídico. Para Leymann. algumas vezes mesmo..). os estudiosos do tema não chegaram a uma exata definição do tema. 1. [13] Ou seja. constata-se que a violência isolada não é verdadeiramente grave.] a expressão. no sentido clínico do termo. que como uma "bola de neve" se transforma em um conflito. contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa. do assédio moral. enviada à Assembléia Nacional em 14 de dezembro . molestar. Por vezes. Ou seja. ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho.moral .diz respeito ao conjunto de costumes e opiniões que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao comportamento humano ou o conjunto de regras de comportamento consideradas como universalmente válidas. a mesma autora conclui: Desde que o termo assédio passou para a linguagem corrente. [14] Em tal fenômeno. terminou por englobar outros problemas que talvez não decorram.. importunar. o assédio moral inicia com um mal entendido das partes. de forma perversa.. assediar é um ato que só adquire significado pela insistência. é "perseguir com insistência. atitude.. [12] Assim. mas que expressam um mal-estar mais geral das empresas. porém toma-se emprestado o conceito de Marie-France Hirigoyen: O assédio moral no trabalho é definido como qualquer conduta abusiva [gesto. assediar. ao passar à linguagem corrente. ou seja. repetidos e incessantes sob a vítima em um certo lapso de tempo. O deputado Georges Hage. por sua repetição. associando-se tal termo conjunto com o estresse.

Segundo a vitimóloga Marie: . com conseqüências que escapam a esfera profissional. Juíza do Trabalho Substituta da 5ª Região. forçando-o a desistir do emprego. nota-se que os termos já são empregados de forma a identificar os sujeitos e buscar uma aproximação jurídica com o fenômeno. provocando a sua instabilidade física. ou o modo como um chefe esconde sua limitação intelectual ou profissional. em que predominam condutas negativas. depreende-se que o assédio moral no ambiente do trabalho é uma violência contínua. define-o como sendo: Comunicação conflitual no local de trabalho entre colegas ou entre superior e subordinados. Segundo Maria Barreto em dissertação de Mestrado em Psicologia Social na PUC de São Paulo em 2002. de um sujeito perverso direcionado a uma pessoa-vítima. que tem como finalidade atacá-la e anulá-la moralmente. 1. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas. na qual a pessoa atacada é colocada numa posição de debilidade e agredida direta ou indiretamente por uma ou mais pessoas de modo sistemático. passa pela desqualificação profissional e acaba no terrorismo visando a destruição psicológica da vítima. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. ou mesmo para se livrar de empregados incômodos. qual seja colega. gerente ou superior hierárquico ou dos colegas. psíquicas e morais da vítima. (16) Segundo a visão jurídica de Márcia Novaes Guedes. com o objetivo e/ou conseqüência da sua demissão do mundo do trabalho. atitudes humilhantes que vão desde o isolamento. de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s). autora e estudiosa do assunto. fundada na Alemanha em 1993. (17) Do conceito acima.4 Caracterização A caracterização do assédio moral no trabalho faz-se necessária em virtude da dificuldade dos estudiosos do tema em identificar o que seja realmente tal fenômeno. que também mais tarde veremos que pode ser pontual. que traduzem uma atitude de contínua e extensiva perseguição que possa acarretar danos relevantes às condições físicas. [15] Com efeito.de 1999. emocional e moral. identifica-se por qualquer ato que viole a dignidade do trabalhador. As razões de natureza pessoal podem ser a inveja que um colega desperta em outro. A Associação contra o Estresse Psicossocial e contra o mobbing. assim determinou: É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. chefe ou subordinado. baseou-se na intencionalidade da ação para conceituar o assédio moral e o citou como "qualquer degradação deliberada das condições de trabalho". freqüentemente por largo tempo. assim conceitua assédio moral: Mobbing significa todos aqueles atos e comportamentos provindos do patrão. [18] Dos conceitos citados. relações desumanas e aéticas de longa duração. ou aquela em que a empresa desencadeia e acredita nesse tipo de perversão como modo de aumentar a produtividade.

. a desqualificação. culpabilizada e desacreditada diante dos pares. a sua dignidade. constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. passando a ser hostilizada. constrangimentos. ridicularizada. na hierarquia ou nos colegas. o abuso de poder. mas que guarda profunda semelhança com o genocídio. o desprezo. a mentira. corrompida moralmente no seu próprio ambiente do trabalho. mentiras. Estes. falta de segurança. o isolamento. o induzir ao erro. Quando um sujeito perverso está decidido a destruir a vítima. o descrédito. exigências no cumprimento de metas. rompem os laços afetivos com a vítima e. quais sejam hostilidades. ´perdendo´ sua auto-estima. A autora Márcia Novaes Guedes chega a comparar o assédio moral com o nazismo: O mobbing visa dominar e destruir psicologicamente a vítima. e que pode gerar a perda da confiança que se tinha depositado na empresa. Deterioração proposital das condições de trabalho. fofocas. ou é condenada ã mais humilhante ociosidade. conflito profissional. enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando. incompatíveis com sua qualificação técnica profissional. críticas à performance profissional. a omissão da empresa em resolver o problema.o assédio moral não se confunde com estresse. isolamento da vítima do convívio com colegas. freqüentemente. o vexame. a obrigatoriedade ao ócio. ataque à vida privada. Nesse sentido é um projeto individual de destruição microscópica. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações. Tudo isso não é assédio moral. o mobbing ataca a espontaneidade. insinuações. recusa de uma explicação sobre aquele comportamento. afastando-a do mundo do trabalho. colocada para trabalha em local em condição inferior e obrigada a desempenhar tarefas sem importância. reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho. A vítima é afastada do local onde normalmente desempenhava suas funções. ou a ação da empresa em estimular métodos perversos. trabalho em situação de risco ou ergonomicamente desfavorável. [22] Segundo Maria Barreto. por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade. a rivalidade. calúnias. (23) Abaixo está uma lista de atitudes hostis empregada pelos assediadores: 1. [20] Estes exemplos não têm correlação com qualquer um dos problemas apontados anteriormente. excesso de trabalho. a caracterização do assédio moral se dá pela seguinte forma: Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados. tudo para ver a vítima imobilizada. segundo a mesma autora a recusa da comunicação direta. inferiorizada. pois aqui. À semelhança do nazismo. instaurando o ´pacto da tolerância e do silêncio´ no coletivo. (19) Alguns exemplos do que seja o assédio moral no ambiente do trabalho são. dar de ombros. retira-lhe o direito de conviver com os demais colegas. olhar de desprezo. tratamse de problemas que ferem o âmago da pessoa. recusa da comunicação. (21) O sujeito perverso emprega inúmeras formas de atacar a vítima.

A vítima é interrompida constantemente. mesmo o visual. prêmios). .Causar danos em seu local de trabalho. .Superiores hierárquicos ou colegas não dialogam com a vítima. contra a vontade dela.Isolamento e recusa de comunicação.A comunicação com ele é unicamente por escrito. trabalhos perigosos. horários..Atribuir-lhe proposital e sistematicamente tarefas inferiores às suas competências. .Não levar em conta recomendações de ordem médica indicada pelo médico do trabalho.Atribuir à vítima. .Privá-la do acesso aos instrumentos de trabalho: telefone. . . .Contestar sistematicamente todas as suas decisões.Atribuir à vítima tarefas incompatíveis com sua saúde.. .Retirar da vítima autonomia. . . .Retirar o trabalho que normalmente lhe compete. . . 2. .Dar-lhe deliberadamente instruções impossíveis de executar. . . .Criticar seu trabalho de forma injusta ou exagerada.Induzir a vítima ao erro. . .Pressioná-la para que não faça valer seus direitos (férias. dirigindo-se apenas aos outros. .Ignoram sua presença.Proíbem os colegas de lhe falar. . . .Não lhe transmitir mais as informações úteis para a realização de tarefas.Atribuir-lhe proposital e sistematicamente tarefas superiores às suas competências. . fax.É posta separada dos outros..Recusam todo o contato com ela. computador.Agir de modo a impedir que obtenha promoção.Dar-lhe permanentemente novas tarefas.

porém não vislumbramos motivos que possam elevar ou até diminuir o lapso . .Não levam em conta seus problemas de saúde..Invadem sua vida privada com ligações telefônicas ou cartas.Falam com ela aos gritos. olhares desdenhosos. . é imitada ou caricaturada. .Atribuem-lhe tarefas humilhantes. ..Já não a deixam falar com ninguém. .Atribuem-lhe problemas psicológicos (dizem que é doente mental). . .Utilizam insinuações desdenhosas para qualificá-la. .Criticam sua vida privada.Espalham rumores a seu respeito.A direção recusa qualquer pedido de entrevista. 3.Violência verbal.Zombam de suas origens ou nacionalidade.Agridem-na fisicamente. . .). é empurrada.É injuriada com termos obscenos ou degradantes.Implicam com suas crenças religiosas ou convicções políticas.É desacreditada diante dos colegas.Ameaças de violência física.Seguem-na na rua.. 4. física ou sexual . . .Fazem gestos de desprezo diante dela (suspiros. . superiores ou subordinados. .Atentado contra a dignidade. é espionada diante do domicílio.Fazem estragos em seu automóvel. . levantar de ombros. mesmo que de leve. [24] Segundo Marie-France Hirigoyen. a duração da agressão pode variar entre seis meses a três anos. . fecham-lhe a porta na cara. .Zombam de suas deficiências físicas ou de seu aspecto físico. . .É assediada ou agredida sexualmente (gestos ou propostas).

homossexualidade. O fato de a vítima sofrer a violência em um único momento não diminui em absoluto o dano psicológico. o conflito é horizontal.. (25) Márcia Novaes Guedes defende que o assédio moral pode ser regular. dada a exigüidade do tempo. uma vez que existem poucas instâncias de regulação. pois no privado a duração do assédio é menor e termina em geral com a saída da vítima.. entre outras. como veremos a seguir. a conduta de constranger os candidatos ao emprego no processo de seleção. o setor de medicina social e o do ensino. 1.5. O conflito tende a recrudescer pela omissão da empresa em não intervir. o conceito de assédio moral deverá alargarse para punir os que se aproveitam dessas situações para maltratar e ofender a dignidade da pessoa humana. [26] Segundo a autora. menor serão as conseqüências. Há também a agravante de que os grupos tendem a nivelar seus indivíduos e têm dificuldade de conviver com diferenças. as condições de trabalho dos assalariados. pois quanto antes identificado.5 Sujeitos e Tipos de Assédio O assédio moral tem sujeitos que agridem e sujeitos que são vítimas. homem em grupo de mulheres. Márcia Novaes Guedes conceitua e caracteriza esse tipo de assédio da seguinte forma: . Porém. sistemático e pode ser tanto de longa duração. Por exemplo. para melhor ou pior. a mulher em grupo de homens. duração da violência deve ser observada pelo lado do agressor. 1. Tanto a chefia como os subordinados podem ocupar o lugar da vítima como o do agressor. diferença racial. No setor privado. não configura assédio moral.1 Assédio Horizontal Este tipo de assédio é freqüente quando dois empregados disputam a obtenção de um mesmo cargo ou uma promoção. e acontece quando um colega agride moralmente o outro e a chefia não intervém. Aqui.] nas pequenas estruturas. a nomeação de um novo chefe pode transformar radicalmente.temporal da agressão. enquanto no público pode durar anos. o assédio acontece tanto em grandes. Quanto ao ambientes que o assédio perpetua-se com mais freqüências são o setor terciário. É importante analisar os sujeitos para poder buscar a identificação e o nível de responsabilização do agressor. recusando-se a tomar partido do problema. Entre o setor público e o privado nota-se algumas particularidades. quanto pode ser pontual quando adotado como prática regular de uma empresa ou de seus prepostos no processo de seleção: Nesse caso. religiosa. sob o ponto de vista jurídico e segundo a mesma autora. como pequenas e médias empresas: [. só reagindo quando uma das partes interfere na cadeia produtiva da empresa (quando falta seguidamente ao trabalho). especialmente quando se trata de jovens que vão em busca de um estágio profissional ou do primeiro emprego.

a comparação de Marie-France Hirigoyen: A experiência mostra que o assédio moral vindo de um superior hierárquico tem conseqüências muito mais graves sobre a saúde do que o assédio horizontal.. e ocorre quando os subordinados são agredidos pelos empregadores ou superiores hierárquicos. pois do contrário. aplicando sanções a ambos os empregados. Marie-France relata que pode haver diversas formas deste tipo de assédio moral.3 Assédio Vertical Descendente Este conflito já é mais comum no contexto atual. o racismo. e levados a crer de que tem que aceitar tudo o que é imposto se quiserem manter seu emprego.2 Assédio Vertical Ascendente Acontece raríssimas vezes quando por exemplo um superior recém contratado não alcança um nível de empatia e de adaptação. (28) Cabe referir aqui que. onde acontece freqüentemente em fusões ou compra de empresa por outra.] a ação discriminatória é desencadeada pelos próprios colegas de idêntico grau na escala hierárquica. ou possui métodos que são reprovados por seus subordinados. Importante referir aqui. (27) Aqui. não deixa de ser menos repugnante para as relações laborais.] tudo isso é extremamente agravado quando a comunicação interna inexiste entre superiores e subordinados.[.. o medo que um superior tem de perder o controle. Nestes casos. 1. [29] 1. dentre as quais a falsa alegação de assédio sexual com o objetivo de atentar contra a integridade e reputação moral do superior. [. as quais utilizam somente critérios estratégicos sem prévias consultas aos subordinados. interessante ressaltar a colocação da autora que afirma que o assédio pode partir tanto de um colega como de vários. a empresa deve intervir de maneira justa. A inveja e inimizades pessoais aparecem também como causadores do conflito. havendo o apoio de um superior a um dos colegas. Segundo Márcia Novaes Guedes: A violência de baixo para cima geralmente ocorre quando um colega é promovido sem a consulta dos demais. isto poderia reforçar o processo de assédio moral. por ser um tipo de assédio mais raro que os demais. [30] As razões que levam a tal perseguição são. ou seja. e também quando não dispende nenhum esforço no sentido de impor-se perante o grupo. a inveja.. a preferência pessoal do chefe porventura gozada pela vítima. a xenofobia e motivos políticos. agir de maneira educativa... ou quando este tem a necessidade de rebaixar os outros para engrandecer-se.5. Os fatores responsáveis por esse tipo de perversão moral são a competição. pois a vítima se sente ainda mais isolada e tem mais dificuldade para achar a solução do problema.. Isso pode levar a um nível de descrédito que tende a desencadear o assédio moral. a empresa está consciente de que o superior dirige . ou quando a promoção implica um cargo de chefia cujas funções os subordinados supõem que o promovido não possui méritos para desempenhar[. Em alguns casos. e reações coletivas de grupo.5. por vezes.] a vítima pode ser golpeada tanto individual como coletivo.

. Destes prejuízos decorrem perturbações físicas: cansaço.seus subordinados de forma tirânica e consente com tal medida.] o grupo tende a se alinhar com o perverso. Diga-se que tais perturbações seriam uma autodefesa do organismo a uma hiperestimulação e a tentativa de a pessoa adaptar-se para enfrentar a situação. Marie-France Hirigoyen se posiciona da seguinte maneira: Mesmo se trate de uma história muito particular. (33) Como referido. A pessoa passa a ser considerada responsável por tudo que dê errado.] Quando uma pessoa se acha em posição de bode expiatório. dores na coluna. em empregos onde há alta competitividade interna e má gerenciamento de recursos humanos. ocorre quando a vítima é atacada tanto pelos colegas de mesma linha hierárquica..6 Conseqüências às vítimas As conseqüências às vítimas de assédio moral estão diretamente ligadas com fatores que se relacionam com a intensidade e a duração da agressão.5. a ação necessariamente não precisa ser deflagrada e realizada pelo superior. creditando à vítima a responsabilidade pelos maus-tratos. mas pode este contar com a cumplicidade dos colegas de trabalho da vítima e através destes a violência pode ser desencadeada. tendo piores conseqüências psicológicas ou físicas.] pode este contar com a cumplicidade dos colegas de trabalho da vítima e através destes a violência pode ser desencadeada. etc. pois a vítima fica mais desamparada e desprotegida. enxaqueca. As conseqüências específicas em curto prazo pelas vítimas do assédio moral são o estresse e a ansiedade combinado com um sentimento de impotência e humilhação. é raro um assédio horizontal duradouro não ser vivido. como pelo superior hierárquico ou empregador.. em virtude da omissão da chefia ou do superior hierárquico. e daí. o início da agressão pode partir do próprio superior ou chefe. por causa de um superior hierárquico ou de colegas. depois de algum tempo. Aqui. distúrbios digestivos. bem como em locais de trabalho onde impera a gestão por estresse. 1. [. como assédio vertical descendente. 1. distúrbios do sono.. Márcia Novaes Guedes entende o mobbing descendente de forma a conceituá-lo como vertical e o define como: A violência psicológica é perpetrada por um superior hierárquico [. nervosismo. a designação se estende rapidamente a todo o grupo de trabalho. [.. Neste caso. as agressões se alastrarem e partirem dos próprios colegas da vítima. onde o chefe ou o patrão imprime um nível elevadíssimo de exigência. o tipo de assédio mais preocupante de todos. geralmente. (32) Márcia Novaes Guedes esclarece sobre esse tipo de assédio moral como uma espécie de mobbing vertical e estratégico: Verifica-se o assédio moral do tipo vertical quando a violência psicológica é perpetrada por um superior hierárquico. Há a uma tomada de posição dos colegas da vítima coadunada com o comportamento tirânico do superior. (31) É. [34] . Acontece.4 Assédio Misto Para este caso também difícil de acontecer.. assim. por medo de represálias futuras do chefe assediador.

Mas foi em Roma. Passa-se no próximo capítulo a análise da responsabilidade civil. ou tentativa de suicídio. ou por especial habilidade e conhecimento regular].] os romanos não desenvolveram uma noção geral e abstrata a respeito da teoria do ato ilícito. ou "olho por olho. ganho ou perda de peso. doenças de pele. as conseqüências tornam-se agravadas. tendo como base na lei de Talião. isso conforta os perversos em sua certeza de que o outro era fraco.Em longo prazo.. etc. o roubo e a rapina tinham esse condão. que desembocou da distinção entre delito e quase-delito. A lei não continha todas as hipóteses de dano.. Não era qualquer delito que autorizava o pagamento de multa ao ofendido. 2 A RESPONSABILIDADE CIVIL 2. agora dá lugar ao choque. por intermédio da Lei das XII Tábuas. Tínhamos a responsabilidade ex delicto. onde serão abordados aspectos históricos. louco. então. Não conseguem mais pensar ou concentrar-se. doenças cardiovasculares. e os pré-requisitos para sua existência efetiva. e a confusão. . Marco Aurélio S. [36] Naquela época existia a composição por meio da vingança a qual importava na reparação de um dano com a prática de outro. sem energia. O risco é ainda maior no momento em que elas tomam consciência de que foram lesadas e que nada lhes dará a possibilidade de verem reconhecidas suas razões. [. a um excesso de estresse.] O direito civil vinha indicado na lei e implicava na pena civil. Quando há um suicídio. que alguns princípios gerais da responsabilidade foram introduzidos e o procedimento da autocomposição foi se desenvolvendo. As vítimas sentem-se vazias. Segundo a vitimóloga Marie-France Hirigoyen: Esses estados depressivos estão ligados ao esgotamento. perturbado. as diferentes teorias da responsabilidade. dente por dente". Viana afirma que [. mesmo na atividade mais banais. e que as agressões que lhe eram infligidas eram justificadas. da gradação de culpa em lata ou grave [há intenção dolosa ou a negligência imprópria ao comum dos homens]. Podem.. a perturbações psicossomáticas.. úlceras de estômago). Apenas o furto. cansadas. Nada mais lhe interessa. definições dos mais variados autores estrangeiros e brasileiros. (35) Alguns distúrbios também são diagnosticados nas vítimas do assédio moral em estágio mais avançado com conseqüências fisiológicas ocasionando problemas digestivos (gastrites. porém... à ansiedade. colites. equiparando-se um delito a outro.] Partindo da casuística romana elaborou-se a teoria do ato ilícito. a leve [evitável pela atenção ordinária] e a levíssima [que poderia ser vencida pela atenção extraordinária. ou a um estado depressivo. passando o direito romano a responsabilizar o autor do delito pelo seu ato ilícito. sobrevir idéias de suicídio. antigamente não existia a distinção entre a responsabilidade civil e a penal.1 Aspectos históricos A idéia de delito sempre esteve associada à responsabilidade do agente desde os tempos remotos. [.

o qual relevou considerar algumas atividades perigosas por disposição legal ou por sua própria natureza. Nasce. deveria ser indenizado pelo autor. assim. porém o dano imaterial ou moral só passou a ser concebido na última fase do direito romano. [39] Por isso que o direito de responsabilizar quem comete à agressão é faculdade e garantia do agredido.] relaciona-se à liberdade e à racionalidade humanas que impõem à pessoa o dever de assumir os ônus correspondentes a fatos a ela referentes. onde seja a "obrigação que pode incumbir a uma pessoa de reparar o dano causado a outrem por fato seu. ou a responsabilidade extracontratual em oposição a contratual. morais ou patrimoniais da esfera jurídica de outrem. a obrigação de ressarcir o dano. pois o delito se caracteriza pela existência do prejuízo". Tanto doutrina estrangeira com a doutrina brasileira não chegam a um consenso quanto à definição de responsabilidade civil. Porém. que geram para o seu autor a obrigação de reparar o dano ocasionado. onde seu maior valor consiste em "substituir as multas fixas por uma pena proporcional ao dano causado. . o elemento culpa esteve presente nas codificações até ser introduzida a teoria do risco da atividade.. Nesse sentido.[. ou o respectivo patrimônio. aos resultados de suas ações. como demonstra Nélson Godoy Bassil Dower quando afirma que: [. Assim." [37] A partir disso. geram-lhe no campo civil. foi se firmando a idéia da responsabilidade conforme Roberto Senise Lisboa que afirmou que "a noção de responsabilidade não se assentou. a responsabilidade é corolário da faculdade de escolha e de iniciativa que a pessoa possui no mundo fático. ou pelo fato das pessoas ou das coisas dependentes a ela.. Conceitos Na evolução da responsabilidade civil. submetendo-a. mas de dano.. onde o dano que gerasse prejuízo material e moral a outrem. de sua obra Traité de la Responsabilité Civile. como um elemento subjetivo que passou a integrar a noção de responsabilidade como fator indispensável. quando contrários à ordem jurídica. faz-se necessário apresentar a seguir o conceito da responsabilidade civil para que melhor seja introduzida. Após. que. [38] A culpa foi sendo introduzida juntamente na legislação. que constitui a obrigação pelo qual o agente fica obrigado a reparar o dano causado a terceiro [41]. a teoria da responsabilidade civil. sinteticamente.] a responsabilidade civil consiste na obrigação de uma pessoa indenizar o prejuízo causado a outrem quando há prática do ato ilícito. ao atingir componentes pessoais.] A teoria da responsabilidade civil foi criada para alcançar as ações ou omissões contrárias ao direito. Carlos Alberto Bittar.. no conceito de culpa.. tomamos emprestado o conceito de Savatier.. mediante esse breve histórico. Por essa razão. o direito moderno passaria a ter suporte quanto ao direito de ressarcimento pelos danos sofridos pela vítima.Uma inovação nos conceitos jus-romanísticos em termos de responsabilidade civil é com a Lex Aquila ou aquiliana. afirma que a teoria da responsabilidade: [. citado por Caio Mário. como se percebe." [40] A teoria da responsabilidade civil passa a ter relevante importância no direito brasileiro. analisada e discutida a responsabilidade civil no ambiente do trabalho. a sociedade foi percebendo que os danos sofridos poderiam ser reparados e seus causadores responsabilizados pelos seus atos.

Marco Aurelio S.Uma vez comprovado o dano. antigo artigo 159 do Código Civil de 1916: Art. 186. [42] Desta forma. Segundo Roberto Senise Lisboa. Viana [44] nos dita que "o ato ilícito ou ato jurídico ilícito é a ação humana contrária ao direito. Orlando Gomes. Nessa esteira.3. é ato contrário ao exercício regular do direito. Com efeito. 2. deve haver a responsabilização agente que comete o dano. ofendendo desta forma. cabe a responsabilização civil do agente causador. como a matéria é de interesse apenas do prejudicado. violar direito e causar dano a outrem. a responsabilidade civil é o ressarcimento dos prejuízos acarretados ao lesado que sofreu tanto em seu patrimônio como em componentes de sua pessoa ou personalidade. que pode produzir efeitos jurídicos. ainda que exclusivamente moral. devendo ser reparado o dano sofrido. que causa dano a outrem. ao referir-se sobre a responsabilidade civil. violando direito subjetivo individual. à moral e aos bons costumes. os atos ilícitos são "os que promanam direta ou indiretamente da vontade e ocasionam efeitos jurídicos. [45] Em outras palavras. tal conseqüência jurídica é a obrigação de reparar o dano sofrido por alguém mediante ressarcimento ou compensação. pois a conseqüência jurídica do ato ilícito é a obrigação de indenizar. às custas do agressor e de forma pecuniária. Requisitos fundamentais 2. o direito de outrem e estando sujeito a ter as conseqüências dos efeitos gerados pelo ato praticado. [43] Isso porque. "a responsabilidade constitui uma relação obrigacional cujo objeto é o ressarcimento". comete ato ilícito. nos dita que "a doutrina da responsabilidade civil tem por fim determinar quem é o devedor da obrigação de indenizar quando um dano é produzido". se este se resignar a sofrer o prejuízo e se mantiver inerte. No entendimento de Sílvio de Salvo Venosa. mas contrários ao ordenamento". negligência ou imprudência. pois na medida em que o ser humano atua fora dos limites dos preceitos jurídicos. cabe a Justiça. Por outro lado. Aquele que por ação ou omissão voluntária. É a ação diversa daquela que se espera e que se tem como normal e correta. a partir de determinado ato ilícito.2 Culpa ou dolo . está desviando da real finalidade do ordenamento. em última instância. reparar as perdas experimentadas e os danos morais sofridos pela vítima do assédio ou ato ilícito.3. pois é o próprio lesado quem deve requerer a indenização. nenhuma conseqüência advirá para o agente causador do dano.1 Ato ilícito Busca-se primeiramente o conceito de ato ilícito dado pelo legislador do Código Civil. O ato ilícito é a prática de uma conduta em desacordo com a ordem jurídica. O exercício regular do direito é a realização de seu destino próprio".

assume o risco de provocar o evento danoso. e. não é mais diferenciada por seu grau. em razão do que a culpa importa. necessariamente na realização de um ato objetivamente ilícito. caberá a reparação do dano se o agente agiu culposa ou dolosamente. imprudente ou imperita.] age com dolo aquele que. assume o risco de provocá-lo. realmente querido pelo agente. Conforme Sílvio Rodrigues. mas. Por conseguinte. da seguinte maneira: Culpa é o pressuposto de responsabilidade civil subjetiva. decorrente de uma atitude negligente. que é a violação intencional de dever jurídico. sem qualquer deliberação de violar um dever. numa conclusão a qual chegou a partir do pensamento de diversos estudiosos que: [. 944 consigna a regra geral.. procura causar dano a outrem. a culpa apenas exsurge nesta teoria para eventual discussão sobre a existência da excludente de responsabilidade. (47) Roberto Senise Lisboa vincula culpa e a responsabilidade civil subjetiva. consciente das possíveis conseqüências. Desconsiderada como pressuposto da responsabilidade objetivada. No mesmo sentido Maria Helena Diniz afirma que: [. ou de terceiro pode excluir a responsabilidade do agente. intencionalmente. a culpa neste sentido. e a culpa em sentido estrito. entretanto criou uma importante exceção.. em decorrência de fato intencional ou de omissão de diligência ou cautela. Miguel Maria de Serpa Lopes entende. Com efeito. acaba por causar. Sílvio Rodrigues.] a culpa em sentido amplo.. porém ele responde mesmo que tenha se conduzido sem culpa (48). pois ele não deixará de ser responsável pelo fato de não se ter percebido do seu ato nem medido as suas conseqüências. isto é. Atua culposamente aquele que causa prejuízo a terceiro em virtude de sua imprudência. como violação de um direito jurídico. leve ou levíssima. a culpa exclusiva da vítima. imputável a alguém. imperícia ou negligência. grave. consciente das conseqüências funestas de seu ato. é aquela que dá suporte à teoria subjetiva da responsabilidade que será aprofundada posteriormente. necessário se torna a prova de um ato prejudicial em si mesmo. ou ainda aquele que.] o que resta de positivo é o seguinte: todos estão de acordo em que. para a configuração da culpa. Portanto não se reclama que o ato danoso tenha sido...A noção genérica de culpa é de relevante importância uma vez que é elemento que faz distinção entre as modalidades de responsabilidade civil. Quanto à culpa. caracterizada pela imperícia. A culpa. afirma que: [. tanto o agente que atua com dolo ou culpa e que comete ato ilícito. imprudência e negligência. voluntariamente perpetrado (49). objetivamente ilícito. compreende: o dolo. o caput do art. Percebe-se que. deve reparar os danos advindos de sua ação. Assim. (46) Assim. por conseguinte. o agente não tinha a intenção de causar o prejuízo. [50] ao dizer . ao referir-se ao Código Civil em vigor. diferentemente de como era tratada no passado. Quanto ao dolo. diz que "mantendo como tal a regra geral.. para se ter uma responsabilidade civil delitual. ao tratar da atuação dolosa ou culposa do agente. este verifica-se quando o agente intencionalmente comete o evento danoso ou.

] nem todas as condições necessárias poderão ser tidas como causas. culpa in omittendo.3. ao agir de determinada maneira (53).3. a relação entre a conduta do agente e o dano experimentado pela vítima.. imprudente. em ambos os casos ser certo. [54] Para que haja o ressarcimento das perdas que o ato ilícito veio a causar. cabe estabelecer se o agente foi o causador ao agir de determinada maneira para que se possa responsabilizá-lo no âmbito civil. Caio Mário da Silva Pereira nos dita que "a doutrina entende que o dano. podendo ser material ou moral. [55] Já Roberto Senise Lisboa nos ensina que o: . que é aquela na qual é feita uma má escolha do representante. mas o parágrafo único traz a exceção. apta a gerar a responsabilidade civil [. há de ser atual e certo".4 Dano O dano nada mais é do que o prejuízo sofrido por uma pessoa decorrente de um ato. caberá a responsabilização..3 Nexo de causalidade Outro requisito é o nexo de causalidade. Somente cabe a responsabilidade civil quando se pode estabelecer que o agente foi o causador do dano sofrido pela vítima. Não estando presente o nexo causal. 2. [51] A culpa pode ser dividida em cinco modalidades: culpa in eligendo. Além da culpa. quando há uma prática positiva. deverá ser ela admitida como ‘causa’ no sentido jurídico.. quando há uma abstenção.] desde que determinada condição. que é um dos elementos indispensáveis ao presente tema. Estabelecida a relação entre o ato praticado pelo autor e o próprio dano experimentado pela vítima. isto é. numa idéia de causa e efeito.. considerando o grau de culpa". porém se tornou necessária para que o dano surgisse. Só serão consideradas como tais as que se vincularem ao resultado final por adequada relação de causalidade. como elemento da responsabilidade civil. fundado em fato determinado e que não seja uma mera hipótese. isto é. 2.] é a relação entre a conduta do agente e o dano sofrido pela vítima. analisando-se a relação que teve com o evento danoso. culpa in vigilando. Washington de Barros Monteiro dita a respeito do nexo que: [. Deve. Brevemente. é necessário que exista essa relação de causalidade entre o comportamento do agressor. que é aquela que se demonstra na ausência de cuidado em torno de alguma pessoa. animal ou coisa que se encontra sob os cuidados do agente. que é quando não há a devida fiscalização por parte do patrão. além da prova de culpa ou de dolo e a do prejuízo. Roberto Senise Lisboa comenta que o nexo de causalidade: [. importante se faz a comprovação do liame causal do fato danoso e da conduta do autor do evento.que a indenização se mede pela extensão do dano. e culpa in custodiendo. culpa incommittendo. não há de se cogitar em ressarcimento decorrente deste ato.. (52) Encontra-se assim. negligência. sendo fundamental que o dano tenha sido causado pela culpa do sujeito". Nas palavras de Rui Stoco. "o nexo causal se torna indispensável.. onde uma vez havendo dano.

[.. isto é. Os danos morais e materiais são aqueles em que os dois âmbitos são lesados.]. cabe destacar-se que. mas nos efeitos da lesão jurídica. é necessário comprovar a ocorrência de um dano patrimonial ou moral [. Na reparação do dano moral. em parte. fundados não na índole dos direitos subjetivos afetados. nome profissional e família.. a responsabilidade civil subjetiva está disposta no artigo 186 do Código Civil Brasileiro [59] e se relaciona . Finalmente. sendo na sua forma de culposa propriamente dita ou na forma dolosa. pelo simples fato de não ser possível estimar valores para a personalidade.] Não se pode haver responsabilidade civil sem a existência de um dano a um bem jurídico. Os danos podem ser classificados como puramente materiais. de como o comportamento do agente contribuiu para o prejuízo sofrido pela vítima. Baseada na idéia de culpa. puramente morais. pois não à caracteriza se não existe o evento danoso que tenha surgido de alguma conduta ilícita. Os puramente morais. são aqueles que atingem o plano psíquico. e não o plano material como no outro caso.. decorrentes das perdas sofridas pela vítima. o dinheiro não desempenha a função de equivalência. razão pela qual o dano é elemento essencial para constituição da obrigação sucessiva. não pede um preço para sua dor.. Não se baseiam em valor pecuniário. tanto no plano econômico como no psíquico. Os puramente materiais são aqueles que atingem o patrimônio em prejuízos que podem refletir em valor monetário. que se expressem em bens corpóreos. sendo necessária a prova real e concreta dessa lesão. De modo que quando a vítima reclama a reparação pecuniária em virtude do dano moral que recai sobre a honra. O dano patrimonial compreende o dano emergente e o lucro cessante. mas apenas que se lhe outorgue um meio de atenuar. inclusos na Carta Magna de 1988 dentre os direitos e garantias fundamentais. podem ser pleiteadas apenas pelo dano material como também..4 Responsabilidade Civil Subjetiva A responsabilidade subjetiva é a modalidade de responsabilidade civil que se assenta fundamentalmente na idéia de culpa. porém. as conseqüências do prejuízo. concomitantemente.] dano (damnum) é o prejuízo causado a outrem ou a seu patrimônio. ou seja. não influi na procedência da outra e vice-versa. sintetiza a ocorrência de um dano com as seguintes palavras: Para que haja pagamento da indenização pleiteada. nos seus incisos V e X [57]. substitutiva ou suplementar.. e materiais e morais (mistos). sendo que a procedência do dever de reparação de uma. incorpóreos e direitos propriamente ditos que constituem o patrimônio em si. (56) Ele é analisado a partir dos resultados nocivos. [58] Perante tal distinção. a efetiva diminuição no patrimônio da vítima e o que ela deixou de ganhar. a função satisfatória e a de pena. mesmo que decorrentes do mesmo fato gerador. além da prova da culpa ou do dolo. no entanto. observa-se que as indenizações podem ser cumuláveis por danos material e moral. 2. Maria Helena Diniz. não há de se falar em responsabilidade civil. apenas pelo dano moral. sem a presença de um destes requisitos fundamentais.[. Não há responsabilidade civil onde não existe o prejuízo. sendo a lesão de cunho psicológico. A vítima pode ser indenizada tanto material como moralmente. como no dano material. produzidos pelo evento que trouxe conseqüências jurídicas para o agente.

por sua vez. que são: a) uma ação. independentemente de culpa nos casos especificados em lei. Por ação ou omissão voluntária entende-se que é o ato de fazer ou de deixar de fazer algo por livre e espontânea vontade.com as definições de ação ou omissão voluntária. isto é. a responsabilidade subjetiva se baseia na capacidade de entendimento ético-jurídico e determinação volitiva (vontade). de assistência. Cumpre se reúnam. em concreto. irracional e de displicência no agir.. o que a diferencia da responsabilidade civil objetiva. sem que se tenha consentimento de outrem. (61) Aqui. Por negligência.5 Responsabilidade Civil Objetiva Esta modalidade. Segundo Carlos Alberto Bittar. de eqüidade. de solidariedade.] para que haja responsabilidade civil. por ser a falta de cuidados básicos. citado pelo Professor e Magistrado Trabalhista Alexandre Agra Belmonte [62]. por sua vez. A evolução da responsabilidade subjetiva para a objetiva deu-se pois o elemento culpa como pressuposto subjetivo não mais comporta as demandas dos litígios sociais. que constitui pressuposto necessário à aplicação de determinada sanção. a culpa ou intenção do agente. e de segurança concorrem para a imposição da nova concepção de responsabilidade. (63) Assim. de diligência. formando os seus pressupostos. de prevenção. bastando que haja o risco a outrem. ocorrendo quando o agente podendo prever os acontecimentos. conforme argumento o Professor Paulo Sérgio Gomes Alonso: Elementos de caráter social. para efeito de reparação. necessária se faz – em qualquer das suas espécies . dispondo que "haverá a obrigação de reparar o dano.]. Orlando Soares nos dá a base da responsabilidade civil subjetiva da seguinte forma: Em outras palavras. adequada (a certo fato).. e o princípio da responsabilidade fundada no risco em substituição às idéias de ato ilícito e culpa. é importante trazer o parágrafo único do artigo 927 do Código Civil Brasileiro que efetivou a teoria objetiva. o desleixo injustificado da ação do autor em determinado momento. para surgir a responsabilização civil subjetiva do agente e o possível direito à indenização pelos danos sofridos aos fatores concretos. ficando certo que o comportamento ilícito do agente foi o causador do ato lesivo. não tenta evitá-los. E a imprudência.. por meio da idéia de coletivização da responsabilidade. b) o dano e c) o vínculo entre ambos. os princípios defendidos pelo sistema objetivo são: a socialização dos riscos. de forma a lhe possibilitar a sua sustentação. (60) Por isso. princípio da responsabilidade pelo fato do exercício de atividade econômica perigosa. os seus pressupostos. obriga o agente a reparar o dano sem mesmo que haja a presença do elemento culpa.. 2. ou quando a atividade . deverá ser associado o elemento culpa. O mesmo autor aduz: [. Basta que se prove a relação de causa e efeito entre o comportamento do agente e o dano sofrido pela vítima. entende-se a falta de atenção. negligência e imprudência.a conjugação de certos elementos. a atuação irrefletida. não se deve levar em consideração. a limitação legal ou contratual da responsabilidade em determinados níveis. com fundamento na culpabilidade [.

vinculada à comprovação do dano torna-se ineficiente. Assim a responsabilidade subjetiva não responde com eficácia à realidade imposta pelo desenvolvimento. Existem casos em que uma parte não se enquadra neste perfil. risco para os direitos de outrem". o dano e a relação existente entre ambos. como presume a teoria subjetiva. se ficarmos dentro dos estreitos limites da responsabilidade subjetiva. onde uma é portadora de hipossuficiência. o direito à reparação será obstativo não gerando responsabilidade civil. que há casos que não se pode partir do pressuposto de que há uma relação de igualdade entre as partes. ainda. a reparação do dano não dependerá da prova da culpa do agente. Portanto. Das próprias condições da relação entre estas partes. posto que quem tem o controle da fabricação e da administração do processo produtivo é o empregador. Nesse caso. os inconvenientes da rígida teoria da culpa (responsabilidade subjetiva) passa a ser substituído pela a teoria do risco (responsabilidade objetiva).5. conclui-se que para a caracterização da responsabilidade civil objetiva é indispensável que haja a conjugação de três elementos que a pressupõe: a ação. Alvino Lima nos apresenta com clareza as razões pelas quais a teoria da culpa apresenta-se inadequada para atender ao anseio do ressarcimento de dano produzido sem o ato voluntário do seu autor: Os problemas da responsabilidade são tão-somente os problemas de reparação de perdas. a alta competição entre trabalhadores na gestão por competitividade. Em muitos casos resta impossível ao autor da ação provar a culpa ou dolo do agente causador do dano. cujo equilíbrio é manifesto. Na área de produção de bens. a aplicação da teoria subjetiva da responsabilidade. por exemplo. sendo suficiente que se evidencie o nexo de causalidade entre a ação danosa e o prejuízo advindo. pode-se elencar a elevação do ritmo de trabalho. A teoria do risco representa uma evolução da responsabilidade civil e baseia-se no fundamento de que a pessoa que cria o risco deve arcar com a reparação dos danos que sua atividade pode causar a outrem. como é o caso dos trabalhadores diante do empregador. mas devem emergir do fato causador da lesão de um bem jurídico. a fim de se manterem incólumes os interessem em jogo. Assim. entre outros.normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Isto porque a responsabilidade baseada somente na culpa é insuficiente para responder às necessidades da atualidade. Neste sentido a indagação de Sílvio Rodrigues é exemplar: "Como poderá o viajante que caiu do trem demonstrar que os empregados da estrada negligenciaram em fechar as portas do vagão ao sair o comboio da última estação?" [64] Na mesma linha de raciocínio. Em não havendo algum destes elementos. 2. por sua natureza. Nesse passo. observa-se que os trabalhadores ficam impossibilitados para demonstrarem a culpa. a evolução do Direito. a precarização do ambiente do trabalho sem condições de exercê-lo com respeito à saúde do trabalhador. O dano e a reparação não devem ser aferidos pela medida da culpabilidade. (65) Podemos analisar. .1 A Teoria do Risco A rigidez da teoria da culpa cede lugar à teoria do risco.

tipificação e caracterização. quando em seu artigo 186 repete praticamente as disposições contidas no artigo 159 do Código Civil anterior. será a meta próxima. citado por Paulo Sérgio Gomes Alonso. Pereira.. define a responsabilidade baseada no risco como "aquela de repara o prejuízo causado por uma atividade exercida no interesse do agente e sob seu controle". É bem verdade que o novo Código mantém como regra geral a tese da responsabilidade com culpa. [68] Salienta-se que vários foram os motivos que levaram a essa tendência em matéria de responsabilidade civil: o crescente número de vítimas sofrendo as conseqüências das atividades do homem.1 Assédio Moral como Dano Pessoal No assédio moral. O assunto foi sistematizado e organizado num tópico específico do novo Digesto. Não podemos olvidar. de iure contendo. seu conceito. os direitos essenciais da pessoa é que são atacados.. ao dizer que [. S. §1°. segundo entendimento do professor Paulo Eduardo Vieira de Oliveira: . 3 ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DO TRABALHO E A RESPONSABILIDADE CIVIL: EMPREGADO E EMPREGADOR 3. a evolução ocorrida em matéria de responsabilidade civil. [67] Assim. o dano moral está inserido dentro do aspecto do dano pessoal. bem frisou Caio M. admite genericamente a aplicação da teoria do risco no campo da responsabilidade civil. Comentando a evolução deste tipo de responsabilidade. mais precisamente no Livro I. claramente a nova lei instituiu duas hipóteses para a teoria do risco: nos casos especificados em lei ou quando o autor.O jurista francês Savatier. citado por Sílvio Rodrigues. não criadora do fato. o desequilíbrio flagrante entre "criadores de risco" poderosos e suas vítimas. em função de sua atividade. Nesse passo. Conclui Alvino Lima que "a responsabilidade deve surgir exclusivamente do fato. caracterizado pela culpa in eligendo ou in vigilando. causar risco. passando pela presunção de culpa do preponente. passamos a análise da responsabilidade do empregado e empregador com base nas diferentes teorias da responsabilidade civil e com base nos conhecimentos que obtivemos até o momento sobre o assédio moral. que sujeita a caracterização do ilícito ao comportamento culposo do agente. que. capítulo I. compreendendo os artigos 927 a 954. O artigo 927. com a teoria do risco. todavia. A novidade é que há a admissão da responsabilidade sem culpa.] partindo da concorrência de culpa. [66] O novo Código Civil trouxe inovações no que diz respeito à responsabilidade. e marchando para a responsabilidade objetiva. Título IX. e o peso excessivo do dano muitas vezes decorrente da atividade exclusiva do agente. considerando-se a culpa um resquício da confusão primitiva entre a responsabilidade civil e a penal". os princípios de eqüidade que se revoltavam contra essa fatalidade jurídica de se impor à vítima inocente. [69] Do exposto acima. quando se admite a teoria do risco.

provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou redução da capacidade . [71] Portanto. as vítimas por tal dano podem buscar o justo ressarcimento pelo prejuízo moral. 3. concordamos e o assédio moral está inserido em uma espécie de dano moral e. como fez Antônio Jeová Santos citado na obra de Oliveira: O que configura o dano moral é aquela alteração do bem-estar psicofísico do indivíduo.[. consecuencia de una lesión a un interés no patrimonial.. a doutrina define o dano moral partindo da idéia de negar o que é dano patrimonial. psíquica. porquanto são atacados tanto atributos psíquicos que se compõe de direitos à liberdade. a moral e a social. (73) Tanto doutrina como jurisprudência apaziguaram o entendimento em relação ao conceito do que seja o dano moral. X. intelectual. da Constituição Federal [75]. tomado o termo pessoa em toda sua ampla dimensão. ao respeito. se refere ao aspecto não patrimonial e enfoca entendimento amplamente aceito: El daño moral importa. formados pelo direito à identidade. que são atacados".2 Assédio Moral como Acidente de Trabalho O assédio moral. que ele se verifica pela lesão à integridade física. seja moral. o dano sofrido pela vítima é pessoal. Nesse passo. derivada de la lesión a un interés no patrimonial. sendo aquele que decorre pelo exercício do trabalho. pois. [72] A definição de Ramón Daniel Pizarro. Com mayor precisión. à dignidade. pode ser interpretado como acidente do trabalho. a intelectual. que o dano moral tem a mesma compreensão que o dano pessoal. como bem conclui Oliveira: Há de se reconhecer. e da idéia de conceituá-lo positivamente. à honra. à intimidade. (74) De nossa conclusão. portanto. en el desenvolvimiento de su capacidad de entender. Se do ato de outra pessoa resultar alteração desfavorável. ética e social da pessoa humana. que abrá de traduzirse en un modo de estar diferente de aquel al que se hallaba antes del hecho. é dano pessoal ou dano à personalidade. todavia. aqueles que compõe a medula da personalidade e que resultam da entrada do ser humano no mundo jurídico. que o termo tecnicamente correto. "no terror psicológico são precisamente os direitos essenciais da pessoa. una modificación disvaliosa del espíritu. um dano pessoal.. ao decoro pessoal e às criações intelectuais. como consecuencia de éste y animicamente perjudicial. intelectual ou social. resguardado o princípio do artigo 5°. e quanto os direitos morais propriamente ditos. querer o sentir. porque melhor exprime o conceito jurídico do instituto. una minoración en la subjetividad de la persona. pues. ainda citado pelo mesmo autor. isto é. [70] Segundo Márcia Novaes Guedes.] se entenderemos. a afetiva. ambos se identificam. E. e deste estar inserido no âmbito do dano pessoal. compreendendo a integridade psicofísica. à integridade psíquica e ao segredo. por conseqüência. aí está o início da busca do dano moral. pois tal fenômeno pode transgredir diferentes faculdades da pessoa humana. além de ser um dano pessoal. aquela dor profunda que causa modificações no estado anímico.

[78] Ao comentar sobre o rol de doenças ocupacionais expostas no Regulamento da Previdência Social. E ainda. Ambas diferenciam-se devido às doenças profissionais resultarem de risco específico direto (característica do ramo de atividade).213/91. quando incorrer em dolo ou culpa. XXVIII. [77] As primeiras são desencadeadas pelo exercício profissional peculiar a determinada atividade. A Constituição Federal em seu artigo 7º. conforme o artigo 20 da Lei 8.. para a redução ou perda da sua capacidade para o trabalho. ou produzido lesão que exija atenção médica para sua recuperação. Antônio Lopes Monteiro ensina: De acordo com o Regulamento. há ainda na legislação referida. I e II da Lei 8. haja contribuído diretamente para morte do segurado. apenas as doenças profissionais causadas pelos agentes patogênicos relacionados no Anexo II poderiam ser assim consideradas. A norma constitucional colocou o ressarcimento dos danos decorrentes dos acidentes do trabalho nos campos objetivos e subjetivos. no qual o assédio moral está inserido. já consolidou o entendimento de que tal relação é meramente exemplificativa.. [81] . e ofensa física intencional. ainda. que por efeito cumulativo deflagram o processo mórbido. imprevisto e com conseqüências geralmente imediatas. previsão na própria legislação previdenciária de que doenças não existentes enquadradas naquelas referidas acima. Já as doenças do trabalho são desencadeadas em função das condições especiais em que o trabalhado é realizado e com ele se relacionem diretamente. e há uma presunção legal da comprovação do nexo de causalidade. a jurisprudência ao longo das diversas legislações. sendo. a agressão praticada por terceiro ou companheiro de trabalho em horário e em local de trabalho. enquadramento em acidente de trabalho aquele que.permanente ou temporária para o trabalho. e pela necessidade de comprovação do nexo causal via vistoria no ambiente laboral. considera-se acidente de trabalho. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. (79) O Regulamento prevê uma série de agentes patogênicos causadores de doenças ocupacionais no seu Anexo II. a lei infraconstitucional subdivide as doenças ocupacionais em doenças profissionais e doenças do trabalho. trata-se de um evento único ou continuado. e decorrem de micro traumas que cotidianamente agridem e vulneram as defesas orgânicas.] XVIII – seguro contra acidentes de trabalho. podem ser consideradas como acidente de trabalho. assim se pronuncia quanto aos acidentes de trabalho: Art. Contudo. por motivo de disputa relacionada ao trabalho. [80] Somando-se a isso.213/91. Há. a cargo do empregador. Ademais. sem excluir a indenização a que está obrigado. estando previstas no artigo 20. também havendo a incidência de microtraumatismos acumulados. [76] Ou seja. embora não tenha sido causa única. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [. inclusive de terceiro. seu rol meramente exemplificativo e não exaustivo. enquanto as doenças do trabalho têm como causa o risco específico indireto. portanto.

e. não dispondo de órgãos físicos que permitam uma ação direta. Preliminarmente. Incabível. impondo-se a compensação dos valores pagos sob tais rubricas. uma vez que o objetivo da lei é de garantia no emprego.]. demonstrados os malefícios empregados às vítimas do assédio moral. sendo nula. no presente caso. o trabalhador assediado buscar os benefícios de auxílio-acidente. Após os outros elementos pré-requisitos ensejadores da responsabilidade civil. a existência de culpa. a despedida e. É o que decidiram os magistrados no seguinte acórdão. uma ‘ficção’. Trazendo os sujeitos elencados na primeira parte deste trabalho.3 Responsabilidade Civil do Empregado e do Empregador Sobre a responsabilidade civil. Podendo ser dirigida. COMPENSAÇÃO – Considerada nula a despedida. – Relª Juíza Vanda Krindges Marques – J. a identificação dos sujeitos. importante não se olvidar dos ensinamentos de Caio Mário da Silva Pereira. é acometido de qualquer moléstia. e o nexo de causalidade. e devendo elas mesmas proceder por ação ou omissão de seus prepostos e de seus órgãos. b) superior hierárquico ou c) colega de mesma linha hierárquica.11. (84) Conclui-se. ou de quem parte a agressão e a quem é dirigida. incabível o pagamento de aviso prévio e das demais parcelas rescisórias. – RO 01368. cabe extrair da agressão os elementos principais para buscar a reparação. que o trabalhador que é assediado moralmente e. tendo ainda garantia de estabilidade como reza o artigo 118 da Lei 8. contra os quais o lesado haveria de agir. portanto. encontra-se suspenso o contrato de trabalho. não seria possível imputar-lhe o fato danoso [.030/98-0 – 3ª T.213/91 [83]. Provimento negado. Recurso provido. em conseqüência. dolo ou risco. estando a reclamante em gozo do respectivo benefício. por conseqüência. bem como a estabilidade de 12 meses do contrato de trabalho após a cessação de tal benefício. poderá reclamar o benefício do auxílio-acidente [82] desde que segurado pela Previdência Social. Por outro lado. a pessoa jurídica seria ‘incapaz de querer’ e. TRT 4ª R. 3. quais sejam o dano. da mesma forma a empregado.. colega ou superior hierárquico. sobre a pessoa jurídica: Sendo. seriam esses os responsáveis e não a pessoa jurídica. portanto. por conseqüência desta agressão. como muitos a entendiam.Cabe ressaltar. verifica-se que a agressão pode partir de: a) empregado. cabe questionar quem será compelido a reparar os prejuízos sofridos. conforme o referido acima que as moléstias originadas por agressões morais podem constituir acidente de trabalho. visto haver empregado e empregador sujeitos e vítimas do assédio moral.2001. [85] Assim. onde a empregada foi despedida sem respeito à estabilidade do referido artigo: ESTABILIDADE – REINTEGRAÇÃO – INDENIZAÇÃO – Caracterizada a doença do trabalho. bem como que os danos aplicados são de natureza pessoal (moral) devendo haver a devida reparação no âmbito civil. Primeiro. ao término do benefício. 14.. a substituição do direito à reintegração pelo pagamento de indenização compensatória. . nesse ponto. como reconhecido na sentença. ainda terá estabilidade por doze meses.

é quem "dolosamente. III .Para o estabelecimento do nexo causal entre os transtornos de saúde e as atividades do trabalhador. acrescentaríamos ainda a análise do lapso temporal da agressão. porém não impossível. é agressivo ou hostil aos fregueses da empresa para a qual trabalha".) faz ameaças a colegas de serviço. não podemos olvidar do art. a empresa ao identificar a agressão. [87] Ou como diz o professor Wagner D. passamos a análise de cada caso e qual a responsabilidade civil concernente. V . o qual diz que: Art. Quanto ao conjunto de diretrizes acima.488 de 11 de fevereiro de 1998.o estudo do local de trabalho..3. 3.a literatura atualizada. Dentre as hipóteses do referido artigo.a identificação de riscos físicos. sejam ou não da área da saúde.os dados epidemiológicos. a indisciplina e o ato lesivo da honra praticado contra o empregador e superiores hierárquicos. II . do Conselho Federal de Medicina. decisiva em qualquer diagnóstico e/ou investigação de nexo causal. VII . deve o médico considerar: I . VI . mau procedimento.. químicos. Senão vejamos. VIII .Segundo as referências expostas no capítulo anterior em relação ao nexo causal.a história clínica e ocupacional. o quanto perdurou a agressão sofrida pelo trabalhador. estressantes e outros. quando necessários. IV .1 Empregado que assedia superior hierárquico ou empregador Como já referido. além do exame clínico (físico e mental) e os exames complementares. mecânicos. (.a ocorrência de quadro clínico ou sub-clínico em trabalhador exposto a condições agressivas.os conhecimentos e as práticas de outras disciplinas e de seus profissionais.o estudo da organização do trabalho. ou seja. IX . esse caso é bem mais difícil de acontecer. 2º . segundo Amador Paes de Almeida.o depoimento e a experiência dos trabalhadores. notamos as seguintes que podem ser interpretadas como assédio moral do empregado: o mau procedimento. deve apenas dispensar o empregado naquelas hipóteses que incidam sobre a justa causa. Dito isso. elencados na CLT no artigo 482 da CLT [86]. caracterizando-se pelo ataque do empregado ou empregados ao superior hierárquico ou o próprio empregador. Segundo a legislação trabalhista. 2º da Resolução nº 1. Giglio: . biológicos.

o decoro e a paz. ou doutrinadores classificam como mau procedimento o comportamento incorreto do empregado. que após este trâmite. supondo-se não haver estrutura que comporte tal procedimento. buscando o ressarcimento material ou/e moral que entender necessário a demanda. portando incompetente a justiça comum." [89] Enquanto que o ato lesivo contra a honra do empregador e superiores hierárquicos. indenizando o empregado-assediador. bem como as ordens do proprietário empregador. e também não se enquadrar em mau procedimento ou ato lesivo à honra. Entendemos que. de grosseria. Ele é a pessoa quem repassa os comandos do chefe mor. pode o empregador promover a dispensa sem justa causa. através da prática de atos que firam a discrição pessoal. de liderança dentro da empresa. sobretudo em relação ao empregador. Cumpre salientar. [91] Nossa opinião é de que o preposto. a alternativa do remanejamento da vítima para outro setor de trabalho é resolução paliativa para o problema. tendo como competência a Justiça do Trabalho se o agredido for o empregador ou superior hierárquico. não são verdadeiros. de modo a afastar o empregado que assedia moralmente superior hierárquico ou empregador. de direção. (88) Indisciplina. pois tal alternativa não tem o condão de coibir futuras agressões por parte do empregado agressor ou empregados agressores. daí decorrendo ser ele próprio a figura fictícia do empregador. atos de impolidez. Ainda. para o caso de ser superior hierárquico o assediado. irrelevante que tais ofensas tenham sido proferidas fora do local de serviço. que ofendem a dignidade. é o "descumprimento de ordens gerais do empregador dirigidas impessoalmente ao quadro de empregados. o respeito. visto ser uma agressão de empregado direcionado a outro empregado. superior hierárquico. indisciplina e ato lesivo da honra. caracterizada está a falta nominada. Porém. não se amoldando na competência do artigo 114 da Constituição Federal. em relação às micro e pequenas empresas. Almeida ensina que: As ofensas podem ser dirigidas ao empregador ou a superiores hierárquicos. alcançada repercussão na comunidade.De uma maneira geral. segundo o mestre Valentin Carrion. Se a agressão não for alguma daquelas elencadas nas hipóteses. está por refletir a política. Ademais. o caso é mais comum e consiste quando o agressor é o próprio colega de trabalho na mesma linha hierárquica que o agredido. (90) Os atos de mau procedimento. se entendermos que o superior também é empregado. as quais não contam com muitos setores. a competência poderá ser a Justiça Civil.3. sabidamente. que exerce cargo de chefia. Acontece freqüentemente na concorrência .2 Empregado que assedia empregado Aqui. pode o empregador promover ação com vistas a responsabilizar objetivamente o empregado-agressor. seria impossível o remanejamento por ser a empresa de pequeno porte. não só poderiam como deveriam ser interpretadas ampliativamente. assacando contra eles fatos extremamente ofensivos a sua dignidade pessoal e que. aqui se torna necessário a reflexão: se o agredido é o superior hierárquico. da falta de compostura. as regras do bem viver. 3.

pois da análise do artigo 114 da CF depreende-se: Art. ainda mais quando há a súmula 341 do STF.671 de 2002 que pretende ampliar a competência da Justiça do Trabalho para comportar julgamentos de litígios decorrentes de relações entre representantes comerciais autônomos. podendo ser minorada a indenização.por cargos melhores e ainda mais em empresas com uma gestão de competição interna voltada especificamente ao lucro sem limites. Surtindo efeitos. tal projeto em nada contribui para abarcar litígios entre os próprios trabalhadores. porém. Ademais. há a Súmula 736 do STF na qual afirma que "compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta dos Municípios. Porém. visto ter a empresa auxiliado a vítima quando careceu. torna-se responsável subjetivamente pelo ato de seu preposto. seja alertando superiores sobre as agressões sofridas. pois houve desídia do empregador em cuidar dos atos de seus prepostos. por força da teoria objetiva imposta pelo Código Civil. na forma da lei. isto não será eticamente bem vindo aos olhos do magistrado que julgar a ação. higiene e saúde dos trabalhadores. outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho." Ainda. verifica-se a incompetência da Justiça do Trabalho em abarcar agressões entre trabalhadores. art. seja buscando ajuda de médico da empresa. III. arrendatários. 932. o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é o de afastar os Juízos Trabalhistas para julgar os danos entre trabalhadores. Sob essa análise. verifica-se portanto a competência da Justiça do Trabalho. Após essa referência à competência do dano. Em uma primeira análise. parceiros. e a empresa colaborar com a vítima no sentido de dispensar o agressor ou remanejá-lo. mesmo que a empresa tenha ajudado a vítima. há que se verificar se o agredido busca uma solução no decorrer do contrato de trabalho. dizendo que "é presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto". In casu. do Distrito Federal. cooperados e os tomadores de seus serviços. dos Estados e da União. ou . ambas atitudes com a intenção de solucionar o problema.114. sub-empreiteiros. Porém. como medida de aprimoramento da eficácia da prestação jurisdicional e também na alegação de que o Juiz do Trabalho tem vocação a decidir as demandas que envolvam prestação de serviços do homem. cabe à vítima buscar a indenização que entender possível junto à Justiça do Trabalho contra o agressor. bem como elegeu mal o empregado que assediou. poderá incluí-la no pólo passivo da demanda. E ainda. Compete a Justiça do Trabalho conciliar e julgar os dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores. verificado um nível da culpa in vigilando e in eligendo por parte do empregador. e. empreiteiros. inclusive coletivas. corretores. A justificativa do projeto baseia-se na alegação de que a transformação da realidade social obriga a ampliação da competência da Justiça do Trabalho. há o projeto de lei n º 6. bem como os litígios que tenham origem no cumprimento de suas próprias sentenças.

aviadores.]. estes também compreendem a calúnia. processar o autor diretamente. difamação ou a injúria. agora. Se a empresa não colaborar com o empregado agredido. a qual dependerá da hermenêutica do julgador. Risco de mal considerável. será necessário. o local onde o homem obtém os meios para prover o quanto necessário para sua sobrevivência".) e) praticar o empregador ou seus prepostos. homens-rã. devem ser os normais da profissão.. Diga-se que poderá perseguir a indenização durante o contrato de trabalho. havendo interesse do lesado. etc. como ensina a doutrina. devendo o agredido incluir a empresa na demanda. o trabalhador assediado poderá rescindir o contrato de trabalho e pleitear uma indenização pelo assédio moral dos agressores. pára-quedistas. Rodolfo de Camargo Mancuso citado por Julio Cesar de Sá da Rocha averigua que é o "habitat laboral. se agravados pela incúria patronal. absolutamente normal que sejam condenadas juridicamente se um de seus empregados adotar um comportamento inadmissível. tudo que envolve e condiciona. se forem graves. Marie-France se posiciona da seguinte forma: Quando as ocorrências de assédio moral provêm de colega ou de pertinentes à hierarquia.ainda podendo não ser condenada por seu ato positivo auxiliando o empregado agredido. poderá incluir o agressor-preposto no pólo passivo da demanda aplicando-lhe também a responsabilidade objetiva por ato doloso. [94] Aqui. contra ele ou pessoas de sua família. cabe o direito de resistência. [. (92) A inércia da empresa na busca de resoluções para o conflito. bem como na busca pela melhora constante do ambiente do trabalho implicará em um nível de culpa na relação contratual. por força das alíneas "c" e/ou "e".. [95] E ainda.. Concorrendo ainda com isso. pois. a empresa responde objetivamente. As empresas são responsáveis por seus empregados.. segundo o Código Civil.. Quanto aos atos lesivos da honra e da boa fama. (96) . [93] Em relação ao meio ambiente do trabalho. do artigo 483 da CLT. por atos de seus prepostos. cumprindo com normas de segurança e medicina do trabalho. sendo. é aquele mal originado da inércia da empresa em prover aos empregados um ambiente de trabalho saudável. Esses riscos. empresa e agressor. mas é sabido que isso é quase humanamente impossível. ato lesivo da honra e da boa fama". que dizem que o "empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando:(.) c) correr perigo manifesto de mal considerável (. direta e indiretamente. pois a empresa deixou. isto é. porém. aplica-se a teoria subjetiva..] A responsabilidade do empregador deve ser por ele assumida a partir do momento em que toma ou deveria tomar conhecimento. escafandristas. mas não adota as providências necessárias para coibir tais comportamentos. da mesma maneira que o empregador. Antônio Lamarca citado pelo professor Amador Paes de Almeida esclarece: Há profissões em que o risco é inerente [mineiros. ou vacilou em vigiar corretamente (culpa in vigilando) atos de seus prepostos.

enquanto a empresa que coaduna com atos que tendem a incorrer em lesões. responsabilidade desde que o trabalho tenha propiciado ao preposto a oportunidade de causar o dano. preciso será que este se encontre a serviço. para que haja responsabilidade do comitente. O segundo requisito é que o dano tenha sido causado no exercício ou por ocasião do trabalho.) o empregador ou comitente. o ambiente de trabalho pode se tornar verdadeiro campo de batalhas. citando De Page. por seus empregados. 3. Há. Basta..] a primeira condição para que haja responsabilidade do comitente pelo fato do preposto é. III. pois. ignorando que o preposto tinha ultrapassado os limites das suas atribuições. aos olhos dos magistrados. porém. serviçais e prepostos. para que se subsista a responsabilidade do patrão. o qual reza que são "também responsáveis pela reparação civil: (. no exercício do trabalho. Entretanto. como também pelo de seus órgãos [diretores. e por vezes de comando diretos dos patrões. por entender de modo amplo o dispositivo que assume a responsabilidade do empregador por ato de seus propostos: Em qualquer hipótese. do novo Código Civil.. tendo como competente a Justiça Trabalhista.. que o ato danoso tenha sido produzido ou facilitado pela situação do preposto como empregado ou comitente. o superior que dolosamente assedia trabalhador incorre objetivamente com a intenção de lesar. para a caracterização dessa .. porém. que são seus órgãos" [97] afirma Rui Stoco ao comentar a responsabilidade da empresa. onde há apenas um responsável: o empregador. Não é necessário que o dano tenha sido oriundo de uma atividade do preposto devidamente ordenada pelo comitente.Pois. faz crescer o descontrole das pessoas que exercem a liderança no ambiente do trabalho. O preposto não deixa de ser o representante hierárquico da empresa. ela age por via de seus administradores ou dirigentes. desde que os terceiros estejam de boa-fé. no exercício do trabalho que lhes competir.3. "Normalmente. ou em razão dele". e ainda. Sem demonstração dessa circunstância. pois se levada ao extremo. o que vai dar na responsabilidade direta ou por fato próprio. (98) Por vezes. a existência do vínculo de preposição. já estamos mais convencidos de que a empresa responde objetivamente por força da nova legislação cível. Nessa coerência de idéias. estes devem ter um nível de precaução ao aplicar a teoria objetiva do empregador. os responsáveis recebem poder que extrapola e como demonstrado. que: [.3 Superior hierárquico ou empregador que assedia empregado Deste tipo de assédio moral. ou por ocasião dele. responde objetivamente ao caso específico do artigo 932.. (99) Também é esta a posição de Washington de Barros Monteiro.] a pessoa jurídica responde como proponente pelos atos de seus empregados ou prepostos [responsabilidade por fato de terceiro]. Há responsabilidade do patrão mesmo no caso de abuso das funções por parte do empregado. pois. assembléias etc. concordamos com a autora no sentido de incluir a empresa na demanda. por ato culposo do empregado.. Arnold Wald citado por Terezinha Lorena Pohlmann Saad ensina que: [. exprimindo seu poder de chefia originado da política da empresa. então. não é lícito concluir pela responsabilidade do preponente.]. administradores.

verificados os sujeitos. por ser. Mas também não se pode olvidar daquelas pessoas que. sendo coerente que o agredido pleiteie o ressarcimento somente da empresa. observamos a inserção da responsabilidade objetiva e subjetiva a ambos os casos. não raras vezes. os atos do agressor tirano. aplica-se a teoria objetiva. sem verificação da culpa. Basta que essas funções facilitem sua prática. envolve-se tomada de posição.3. podendo a empresa reaver o que pagar. por estar em grupo. as agressões partem dos colegas e o chefe é parcial com tal atitude. segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos países desenvolvidos. a importância da legislação estrangeira e a tutela jurídica do assédio moral. aplicam a tomada de posição porém sem desferir agressões. até que ponto eles contribuíram para as agressões. Não se pode negar. Cabe analisarmos o nível de participação dos colegas. pois age com omissão aos atos de subordinados. Porém. Importa. é ele quem decide quem "vai" e quem "fica".1 Organização Internacional do Trabalho A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional cada vez mais em ascensão. o grupo toma o partido do chefe pois é ele de quem o grupo depende. Assim. por força do artigo 934 do Código Civil. Ou ainda. e as ações do Direito Brasileiro e sua posição jurisprudencial concernente ao tema. observamos que. ao demonstrar o dano que a vítima sofreu.responsabilidade. Passa-se à analisar. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde . [101] 3. fazendo com que os colegas da vítima também lhe dirijam agressões. no próximo capítulo. onde as agressões podem partir do chefe ou superior hierárquico e se alastrar. demonstrar provas que possam aferir a culpabilidade da omissão da chefia. 4 ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO: DIREITO COMPARADO E DIREITO BRASILEIRO 4. incorre na teoria subjetiva. Importante nesse caso. [100] Assim. o qual as agressões partem do chefe ou superior. pouco importa que o ato lesivo não esteja dentro das funções do preposto. aqueles representados pela política da empresa. verificando a preocupação da Organização Internacional do Trabalho com a saúde mental dos trabalhadores. que há aqueles que concordam com o chefe e o auxiliam a pisotear e agredir a vítima. enquanto no segundo caso onde o chefe age com cumplicidade aos atos de seus prepostos. ambos são responsáveis. aqui. tem-se que o primeiro caso onde as agressões partem do chefe. Ou seja. e por medo de represálias ou de perder o emprego. ao primeiro caso.4 Superior hierárquico ou empregador juntamente com empregados que assediam outro empregado É o caso do assédio misto descendente. e mesmo que já haja previsão da teoria objetiva consagrada no nosso ordenamento jurídico.

apresentado em palestra no XIX Congresso dos Magistrados do Trabalho da 2ª Região é esclarecedor: A idéia de discriminação supõe uma desigualdade. chama a atenção para o fato de que uma análise interativa dos fatores e riscos tanto sociais quanto individuais. e entre a direção e os subordinados.2 Tutela Jurídica do Assédio Moral no Direito Comparado . inaceitável diante das circunstâncias.005 de 8 de março de 2004. como o entorno e as condições de trabalho a integração entre os colegas. na medida em que os estudos mostram que a violência no local de trabalho provém de uma combinação de causas. Ou seja. pois segundo a Organização Internacional do Trabalho e Organização Mundial da Saúde. ao proporcionar possibilidade de melhoria na carreira e uma forma adequada de compensação. Polônia e Estados Unidos. a Convenção 111 que trata da discriminação no ambiente do trabalho [104]. estas serão as décadas do mal estar na globalização. os usuários dos serviços e trabalhadores. a qual conclui que uma série de fatores é que geram a violência no local de trabalho: A OIT. com propriedade. constitui um método mais seguro e rigoroso de exame da violência no local de trabalho. [103] Apesar de a OIT ainda não ter regramento sobre o assédio moral. [107] Tal convenção preocupa-se em proteger o trabalhador noturno no que tange à sua saúde. no cumprimento de suas responsabilidades familiares e sociais. quando o agente que discrimina. [105] Com isso. Reino Unido. no fundo. que promulga a Convenção nº 171 da Organização Internacional do Trabalho relativa ao trabalho noturno. que compreendem tanto o comportamento individual. Alemanha. Não qualquer desigualdade. onde predominará depressões. O entendimento do professor Estevão Mallet. mas a desigualdade arbitrária. entre os clientes. Em relato. se a justiça se relaciona com a igualdade e a igualdade repele a discriminação. desarrazoada.mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia. possui em seu bojo. [106] Cumpre salientar que o Brasil vem adotando medidas para avançar no que tange a sua legislação. Isto com o intuito de torná-la sempre avançada e em consonância com a evolução das relações trabalhistas. 4. a discriminação pode estar inserida dentro daquelas condutas praticadas pelo agente causador. Isso demonstra claramente a forma gratuita do Brasil em estar no caminho certo para o desenvolvimento das relações laborais. angustias e outros danos psíquicos. a jurista Márcia Novaes Guedes nos mostra uma análise da OIT. Por isso que. Diga-se que o modo inverso também ocorre. Temos como exemplo o Decreto de nº 5. a discriminação é também negação da justiça. utiliza-se do assédio moral à vítima para discriminá-la. relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho. devemos verificar que a discriminação e o assédio moral estão intimamente ligados no momento em que o sujeito perverso pratica ações de forma a discriminar a vítima. [102] As perspectivas são preocupantes para as próximas décadas.

com atos perpetuados por seus prepostos. consolidou que constitui discriminação o assédio a candidato a emprego e a trabalhador. praticado quando do acesso ao emprego ou no próprio emprego.087 do CC dispõe: . porém. arts. [109] A regra do artigo 2. tramitando o Projeto de Lei n. não há tutela específica para o mobbing. 4.2. nacionalidade. naquele país. capacidade de trabalho reduzida. não podendo. direta ou indireta.103 (tutela profissional do trabalhador). prevê ocorrências de assédio moral no ambiente do trabalho e ainda no decorrer da candidatura ao emprego. já há inúmeras iniciativas e previsões em outros países. Estabelece ainda que: A entidade patronal e/ou os superiores hierárquicos dos autores materiais dos actos de terrorismo psicológico e/ou assédio moral incorrem solidariamente nas sanções previstas para estes. hostil. sexo. situação familiar. deficiência ou doença crônica. quando estejam de qualquer modo envolvidos numa tal estratégia.043 (responsabilidade aquiliana). ainda. nomeadamente. Há ainda. ativa e passivamente. o projeto prevê a solidariedade passiva dos empregadores ao estarem envolvidos. principalmente na Comunidade Européia.2 Itália Próximo de Portugal. houve a inserção de dispositivos prevendo a proibição de discriminação. a doutrina e jurisprudência italiana tendem a enquadrar algumas condutas de mobbing no âmbito de proteção geral previsto no Código Civil. 2. idade. humilhante ou desestabilizador. Nesse sentido. 4. como Portugal.Em que pese o mobbing ainda não estar consolidado como lei no Brasil. Ou seja. Ocorrem.º 252/VIII que especificamente prevê a proteção laboral contra o assédio moral. de forma activa. religião.087 (tutela a saúde física e moral do trabalhador).2. trabalho ou formação profissional. Em tal mecanismo de defesa dos trabalhadores. tendo conhecimento dos fatos e nada tendo feito para os impedir. 2. orientação sexual. Ou seja. estado civil. origem étnica. e prevê pena de 1 a 4 anos de prisão para o autor dos atos de violência. o empregador. convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical. entendo-se por assédio todo o comportamento indesejado. degradante. com o objetivo ou o efeito de afetar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo. a Itália é onde se encontra a melhor e mais original sistematização jurídica dos direitos da personalidade.º 99/2003 de 27 de Agosto. [108] Da análise de tal citação. como ordenantes ou encorajadores. E. após esse dispositivo. patrimônio genético. ou passiva. consolidou as teorias objetivas e subjetivas para responsabilização dos agentes causadores. 2. baseada. na ascendência.1 Portugal Portugal recentemente consagrou o novo Código do Trabalho através da Lei n. projetos de lei com vistas a inibir as condutas perversas. também. praticar qualquer discriminação.

combinada com uma advertência ao agressor de abster-se de praticar qualquer ato atentatório à vítima. de promoção profissional. de reclassificação. [112] O principal instrumento de tutela jurídica inglesa daquele país é o Protection from Harassment Act de 1997. Além disso. há ainda diretriz no sentido da inversão do ônus da prova. de formação. há no ordenamento jurídico francês previsão penal para ao assédio moral no ambiente do trabalho. e ainda o gang bullying (assédio exercido por mais de um trabalhador). [113] 4. ou de comprometer o seu futuro profissional. de alterar a sua saúde física ou mental. diretas ou indiretas. A pena prevista é de 6 meses e multa. a qual estipula pena de reclusão ou multa de 15. Tal dispositivo. a experiência e a técnica.2. sendo um termo que designa do verbo inglês to bully. em particular no modo de remuneração. segundo as particularidades do trabalho. revertendo-se ao agressor a prova. o serial bullying (assédio contra todos os colegas de trabalho). o termo utilizado para designar o assédio moral é o bullyng. aterrorizar. Nenhum trabalhador pode ser sancionado. acompanhado de orientação jurisprudencial. fazendo com que a vítima se desincumba de provar os danos. Ademais. 4. [111] 4.2. o assédio moral está tutelado pela lei de modernização social aprovada em 17 de janeiro de 2002. são necessárias a tutelar a integridade física e a personalidade moral dos prestadores de serviço. qualificação ou de classificação. sob pena de ser majorada a condenação. o client bullying (assédio ao cliente destinatário).000 euros para quem comete esse tipo penal. em face da frágil situação da vítima. A definição do assédio moral por tal legislação é a seguinte: Nenhum trabalhador deve sofrer atos repetidos de assédio moral que tenham por objeto ou por efeito a degradação das condições de trabalho suscetível de lesar os direitos e a dignidade do trabalhador. a qual é fundada sobre o princípio geral de que uma pessoa não pode ser exposta a uma conduta que possa resultar moléstia no confronto com outra pessoa.O empregador é obrigado a adotar no exercício da empresa as medidas que. como o corporate bullying (assédio descendente). todos relacionados com agressões no interior do ambiente da empresa. obriga o empregador a adotar medidas que tutelem a integridade física e a personalidade moral dos trabalhadores com a finalidade de garantir a saúde psicofísica dos mesmos.3 Assédio Moral e a Proteção Jurídica Brasileira .4 Inglaterra Na Inglaterra. [110] Denota-se do conceito citado a ampla tutela jurídica dada ao fenômeno pelo legislador francês. despedido ou tornarse objeto de medidas discriminatórias. como já nos referimos no item 1.2. Existem inúmeros termos relacionados ao assédio moral no trabalho. de transferência ou renovação do contrato por ter sofrido ou rejeitado sofrer os comportamentos definidos no parágrafo precedente ou por haver testemunhado sobre tais comportamentos ou havê-los relatado. ou intimidar.3França Designado como harcèlement moral.

(114) Em relação a tal dispositivo a ser implantado em nosso ordenamento penal. 136-A. citado por Arnaldo Süssekind: [. sem justa causa. Por outro lado temos que a conduta de tais agentes é. julgando em 17 de fevereiro de 2004 o acórdão nº 20040071124. decidiram: .Na legislação brasileira. Aos poucos a jurisprudência vai relevando a importância de se identificar os sujeitos. tendo o escopo de minimizar as desigualdades dentro do direito empresarial do trabalho. a sua legislação.. quanto àquela pessoa que desfere uma agressão pontualmente em outra. (115) Para concluir. tendo como Relator Valdir Florindo e Revisor Francisco Antonio de Oliveira. introduzindo o artigo 136-A no Código Penal: Art. Cabe trazermos. Conjunto a isso. a tipificação e as provas do assédio moral. Em segundo. uma série de projetos de lei tramita nos âmbitos municipais. por não ter a maioria dos presídios condições de atingir o seu escopo. na aplicação da pena ao perseguidor. Primeiro porque devemos levar em conta a precária situação carcerária em que vivem milhares de apenados. medidas legislativas que comportam uma profunda mudança no meio organizacional.detenção de um a dois anos. estaduais e federais. ainda não há diretiva específica para o combate à ocorrência do assédio moral. a legislação trabalhista brasileira deve ser modernizada para abrigar novas mudanças das relações de trabalho que houve após a aprovação da CLT em 1943. Pena . Cita-se. qual seja o da reeducação do apenado no âmbito social. características intrínsecas e extrínsecas. por exemplo. o magistrado deve valer-se de sua experiência e conhecimento humano para verificar a existência ou não do dano..] o ordenamento jurídico brasileiro inicia um novo período no qual terá que rever os seus padrões anteriores e refazer. devem ser revestidas de profunda análise técnica e social. a 6ª Turma. o projeto de lei sobre assédio moral por iniciativa do deputado federal Marcos de Jesus. fase na qual terá que combinar a função tutelar do Direito do Trabalho com a função ordenadora dos interesses recíprocos dos parceiros sociais. por vezes tão repreensível. para que não se construa mais injustiças em âmbito imprescindível ao desenvolvimento das relações trabalhistas. apesar de não ser o enfoque principal deste trabalho. aqui. em outras bases. Isto no intuito de compatibilizar os anseios da sociedade com uma legislação moderna. ou tratá-lo com rigor excessivo. de qualquer forma e reiteradamente a imagem ou o desempenho de servidor público ou empregado. em razão de subordinação hierárquica funcional ou laboral. e em que termos têm se decididos os juizes de nossos tribunais brasileiros. colocando em risco ou afetando sua saúde física ou psíquica.4 A Posição Jurisprudencial Brasileira Importante analisarmos neste trabalho a efetividade da justiça no que concerne o assédio moral. notamos que se deve ter cuidado redobrado. Depreciar. No Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Assim. as palavras de Amauri Mascaro Nascimento. 4. porém.

a imagem. 3. agora pela 4ª Turma. este pesadelo é real. eivado de deslealdade e exploração. atingindo os próprios colegas de trabalho. Não há dúvidas de que o dano moral deve ser ressarcido (art. faz merecer o provimento do recorrente. pois a questão aqui transcende a figura do ofendido. O empregador. causando sérios danos a sua qualidade de vida. também por medo de perderem o emprego e cientes da competitividade própria da função. tendo como relator Francisco Ferreira Jorge Neto. Contudo. Estes. torna-se . A busca desenfreada por índices de produção elevados. torna-se responsável pelos atos de seus prepostos (Súmula n. alimentada pela competição sistemática incentivada pela empresa. Daí a corretíssima afirmação do Ilustre Aguiar Dias de que o ´prejuízo imposto ao particular afeta o equilíbrio social. V e X. O fantasma do desemprego assusta. que o assédio originou-se do empregador e após foi seguido por colegas da vítima. O que justifica o dano moral. deixando marcas profundas e às vezes indeléveis nos trabalhadores que sofrem o assédio moral. Repercussões sociais. é o assédio moral. o nome etc. A adoção de uma visão sistêmica sobre o assunto. ou assédio misto. tais como: a honra. Nesse sentido. acaba se expandindo para níveis hierárquicos inferiores. passam a hostilizar o trabalhador. CF). a liberdade. relega à preterição a higidez mental do trabalhador que se vê vitimado por comportamentos agressivos aliado à indiferença ao seu sofrimento. configurada a violação do direito e o prejuízo moral derivante. O isolamento decretado pelo empregador. A questão da ofensa à moral conflagra um subjetivismo oriundo da própria condição de cada indivíduo. Não se sente menos constrangido o trabalhador que escolhe adotar uma postura conciliadora. demonstrando um duplo caso de assédio. associando-se ao detrator na constância da crueldade imposta. Verificamos. a angústia e outros males psíquicos. nos moldes da exordial. O dano moral está presente quando se tem a ofensa ao patrimônio ideal do trabalhador. (Grifou-se) [116] Aqui. Em outro decisium do mesmo Tribunal. faz ver que o processo de globalização da economia cria para a sociedade um regime perverso. É o receio de perder o emprego que alimenta a tirania de alguns maus empregadores. Exposta a desumanidade da conduta do empregador. e que usado tiranicamente pela empresa assediadora. 2. assim decidiram os magistrados: ASSÉDIO MORAL E A RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR. que de forma aética. pois ao contrário da figura indefinida e evanescente que povoa o imaginário popular. julgando em 22 de julho de 2003 o acórdão nº 20030661740.´ Ao trabalhador assediado pelo constrangimento moral. iniqüidade que não repercutem apenas no ambiente de trabalho. mas levou em conta também a questão social do desemprego que assola trabalhadores do mundo inteiro. projetando as conseqüências pela supressão do seu posto de trabalho a quem dele eventualmente dependa economicamente. gerando grave desnível social. 341. o relevante e oportuno voto do relator Valdir Florindo não levou só em conta o dano. e revisor Salvador Franco de Lima Laurino. pela culpa na escolha e na fiscalização. sobra a depressão.Assédio moral. aqui também. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. O assédio moral é a exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. 1. o que somente ele já se afigura assustador. 5º. preferindo não detonar uma crise no ambiente de trabalho que fatalmente o prejudicará. criou para o trabalhador situações vexatórias e constrangedoras de forma continuada através das agressões verbais sofridas. STF). A responsabilidade é objetiva do empregador. incutindo na psique do recorrente pensamentos derrotistas originados de uma suposta incapacidade profissional.

A fixação analógica. Apelo desprovido. temos o fator da responsabilidade subjetiva. condicionam em grande parte a qualidade de vida. O que acontece dentro das empresas é fundamental para a democracia e os direitos humanos. por fim. sem ser-lhe atribuída qualquer tarefa. tendo em vista os danos psíquicos por que passou. nada mais salutar do que utilizar um critério previsto na própria legislação laboral. julgados pelo TRT da 17ª Região. contido no artigo 478 Consolidado. mantém-se a respeitável sentença. CONFIGURAÇÃO. CRITÉRIO PARA A SUA FIXAÇÃO. Diante da inexistência dos requisitos da responsabilidade civil. do critério original de indenização pela despedida imotivada. b) dano moral. à conclusão de que se encontra caracterizado o fenômeno denominado assédio moral. . Preferiu. Assim. Ademais. por longo período. Os elementos contidos nos autos conduzem. quando o próprio autor disse que nunca procurou orientação psicológica ou reclamações perante o Ministério do Trabalho ou a Delegacia Regional do Trabalho. sendo confinado em uma sala. (Grifou-se) [117] Neste ato. 159. No próximo acórdão. inexoravelmente. desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a Organização. optou pela improcedência. Neste caso concreto. Se não há o elemento do ato. é o mais aconselhável e adotado pelos Pretórios Trabalhistas. VALOR DA INDENIZAÇÃO. como parâmetro para a quantificação da compensação pelo dano moral.necessária a prova do preposto. Ressalte-se que a analogia está expressamente prevista no texto consolidado como forma de integração do ordenamento jurídico. tendo em vista a gravidade dos fatos relatados nestes autos. repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. no silêncio de uma regra específica para a fixação do valor da indenização. assim como as relações entre os trabalhadores. foi exatamente o que ocorreu com o autor. também neste aspecto. o dano moral é questionável. sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. por não ter o magistrado se contentado com a ausência de um dos pré-requisitos para se alcançar a responsabilidade do empregador. A prova há de ser cabal e robusta para o reconhecimento do dano moral. relações desumanas e anti-éticas de longa duração. Marta não só em relação ao autor. ele. Não sendo ela robusta e cabal. pela modalidade extracontratual (art. como também em relação aos demais funcionários. Não há elementos para se indicar a presença do assédio moral. atual 186. imprudência ou imperícia). logo. E. existindo grande repercussão em sua saúde. de um ou mais chefes dirigidas a um subordinado. O que é assédio moral no trabalho? É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras. 4. descabe a indenização por dano moral. neste particular. os julgadores procuraram dar efetividade ao combate do assédio moral quando configurado a malícia e o desejo dos empregadores em anular suas vítimas: ASSÉDIO MORAL. onde predominam condutas negativas. não prover a demanda pela insegurança da prova da ofensa moral. Código Civil de 1916. lutar contra o assédio moral no trabalho é contribuir com o exercício concreto e pessoal de todas as liberdades fundamentais. conforme se infere da redação do seu artigo 8º. A organização e condições de trabalho. O exame global das provas indica que não há elementos seguros para justificar a ofensa moral ou as agressões da Sra. c) nexo causal. Código Civil de 2002). deixa de se justificar a existência do próprio assédio. Portanto. notadamente. Uma forte estratégia do agressor na prática do assédio moral é escolher a vítima e isolá-la do grupo. já podemos verificar a não procedência do pedido da recorrente. d) culpa em sentido amplo (dolo) ou restrito (negligência. Os requisitos da responsabilidade civil subjetiva são: a) ato comissivo ou omissivo.

que a competência seria cível. tanto doutrina quanto jurisprudência pacificaram o entendimento de que a reparabilidade do dano moral. . outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho. Compete a Justiça do Trabalho conciliar e julgar os dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores. inclusive o Direito do Trabalho. que fere preceito constitucional.1. visto ser o assédio moral um dano moral. E não só isso.1 Competência para Reparação Cabe indagar nesta parte do trabalho. dos Estados e da União. Porém. conclui-se. 5.1 Processual A via sacra processual nem sempre é a mais recomendada. passa-se neste momento a aferir as possíveis formas de reparação: processual. como o conflito passa por derivação de uma relação trabalhista. Com a chamada crise do judiciário. por ano trabalhado. mas em última instância é a que provê uma solução ao conflito. apresentando a via processual. e não tem previsão penal na legislação brasileira. do Distrito Federal. 5 PROPOSTAS DE REPARAÇÃO E PREVENÇÃO AO ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO A partir da análise do assédio moral e suas particularidades. se Justiça Comum ou Federal. sob pena de no futuro haver confusão sobre a verdadeira identificação dos sujeitos e agressores. e.114. qual competência para reparação do assédio moral. na forma da lei. Bem. se esfera trabalhista ou civil. através de perícias técnicas realizadas por profissionais da área da psicologia. Em seguida. em dobro. um estudo sobre o comportamento subjetivo. legislativa. a priori. a via legislativa para punição e prevenção. verficar-se-ão propostas de reparação e prevenção ao assédio moral no trabalho. sobre as pessoas agressoras no ambiente do trabalho pode ser de grande valia aos julgadores na apreciação e julgamento dos casos de assédio. com a reformulação de sua finalidade e apresentação do marketing social. inclusive coletivas.fixando-se que a indenização será de um salário . de ordem interativa da empresa e do empenho dos sindicatos ou associações de classe. 5. e a via sindical. O artigo 114 da Constituição Federal assim prega: Art. do ônus da prova e da liquidação. com a conseqüente identificação dos responsáveis pela violência. bem como os litígios que tenham origem no cumprimento de suas próprias sentenças. os magistrados precisam tentar entender de melhor forma o tema. com análise da competência. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta dos Municípios. pela desconfiança e principalmente pela demora da prestação jurisdicional. pode estender-se a outros ramos do direito.o maior recebido pelo obreiro -. Diga-se também da reforma das leis trabalhistas que já não acompanham mais as relações entre empregados e empregadores. [118] Não obstante o assédio moral no ambiente do trabalho estar disseminado na sociedade. as pessoas ainda estão pessimistas em relação a via judiciária.

aqui também. Ficará ele . Inépcia da inicial. Reforma da decisão de primeiro grau para determinar o retorno dos autos à origem para apreciação do feito. de dissídio entre trabalhador e empregador. na espécie.surgiu exclusivamente em razão da relação de emprego." Portanto o direito da vítima de assédio moral cometida por empregador. ou superior hierárquico de receber indenização por danos morais. A Justiça do Trabalho é competente para apreciação do pleito de indenização por prejuízos causados à saúde da obreira em virtude da não-concessão de férias. assim escreveram: Mutatis mutandis. Apelo provido. em conjunto com o litígio judicial. no sentido a apreciação da Justiça do trabalho em caso de empregado que sofre de assédio sexual: DANO MORAL – ASSÉDIO SEXUAL – COMPETÊNCIA – A Justiça do Trabalho é competente para a apreciação de pedido de condenação da reclamada ao pagamento de indenização por dano moral decorrente de assédio sexual sofrido. o qual ocasionou a despedida por justa causa. sem julgamento de mérito. deve o empregado aferir que condições tem para continuar a trabalhar em ambiente hostil de assédio. pois se sabe dos infortúnios e calamidades que uma ação na justiça traz na vida do trabalhador. decorrente da relação de trabalho. 114 da Constituição a afirmar a competência da Justiça do Trabalho. frise-se que tal medida traz inúmeros transtornos para o empregado na vigência do pleito indenizatório. parágrafo único. Cuide-se. formulada como pretexto de justa causa para resolução do contrato de trabalho pelo empregador. Apenas. Correto o julgado de origem que entendeu pela incompetência desta Especializada para apreciação da pretensão. nada importando que deva ser solvido à luz de normas de Direito Civil. reformando decisão proferida pelo STJ. o que basta. Não há no ordenamento jurídico trabalhista diretriz que vede o empregado assediado a buscar a reparação durante a vigência do contrato de trabalho. verificado durante a execução do contrato de emprego. 114 da Carta da República. Extinção. a pretexto de imputação caluniosa irrogada ao trabalhador pelo empregador. sem julgamento de mérito. higiene e saúde dos trabalhadores. Determinação de retorno dos autos à origem para apreciação do mérito de tal pretensão. incisos I a IV. salvo se a vítima optar pela Justiça Comum em caso de sofrer o assédio de colega empregado.Em julgamento do STF. [119] E ainda. pois. se discute na doutrina e na jurisprudência é sobre a competência da Justiça do Trabalho em apreciar a causa na qual o empregado postula o ressarcimento por dano material e moral. Extinção. do CPC. o Tribunal do Trabalho da 4ª Região decidiu da mesma forma. a imputação caluniosa . do pleito de indenização por prejuízos causados à saúde da obreira em virtude da não-concessão de férias. [120] (Grifou-se) Como já dito. ou empregado. do pleito de comprovação dos depósitos previdenciários. Interpretação do art. conforme o art. para corroborar há a Súmula 736 do STF na qual afirma que "compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança. compete à Justiça do Trabalho. Opina-se que. Diferenças de comissões e integrações. Ainda. Não configurada qualquer das hipóteses versadas pelo artigo 295. na forma do artigo 114 da CF/88.causa petendi de ação reparatória de danos morais .

V. rés. composta por Ísis de Almeida.1. 5. o foro pode ser também o do local do ato ou fato (art. Aos Juízes federais compete processar e julgar:I . Entre qual o dispositivo a ser seguido. I da Constituição Federal é averigua a competência dos juizes federais:: Art. e sendo uma ação de reparação de dano. a). quanto ao fato constitutivo de seu direito. E ainda. . está a doutrina de Estevão Mallet e Manoel Antonio Teixeira Filho. defende a aplicabilidade plena do artigo 333 do CPC. É fixada de acordo com o critério geral ou especial. [121] Na hipótese de enquadramento do assédio moral por acidente de trabalho. II – ao réu. instituída pela União Federal figura no pólo passivo em casos de danos por assédio moral. exceto as de falência. Portanto. Não pode a seu bel-prazer promover a ação reparatória fora dessas duas possibilidades. juntamente com a ação na Justiça.] Ainda. é questão pacífica que se trata de foro especial. no seu artigo 333. Já a Consolidação das Leis do Trabalho. a vítima pode promover a ação em seu domicílio nos termos do art. o artigo 109. II. o ônus da prova da seguinte forma: Art. ou seja. A primeira. assistentes ou oponentes. relativo ao foro de competência ou competência territorial. 818. em outro foco que seria importante analisar. Amador Paes de Almeida e Campos Batalha. O Código de Processo Civil prevê. entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras.as causas em que a União. do CPC [123]. portanto não compete à Justiça do Trabalho para dirimir tais casos. é facultado optar pelo foro de seu domicílio ou pelo foro do domicílio da empresa onde se verificou o assédio moral. 769 da CLT [122] e 100. 333.2 Ônus da Prova A questão a ser posta a seguir é em relação a prova e o ônus de provar: à vitima ao denunciar o agressor. As entidades autárquicas possuem regime estatutário próprio. não sendo abrangidos pelo regime "celetista". expôs de forma simplificada o ônus de provar no seu art. 109.. modificativo ou extintivo do direito do autor. Em oposto a esta posição. 100.. Já dizia Carnelutti que a prova é o coração do processo. [. existem duas correntes doutrinárias opostas. em face da insuficiência da CLT. quanto à existência de fato impeditivo. Outra questão envolvendo competência é quando uma autarquia.continuando a ter que encarar e enfrentar monstros perversos no local de trabalho. ou ao agressor em se defender das acusações da vítima. O ônus da prova incumbe: I – ao autor. O critério geral da competência de foro no processo trabalhista é o da norma do artigo 651 da CLT. as de acidente de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. o qual afirma: "A prova das alegações incumbe à parte que as fizer". onde defende a aplicação plena do artigo 818 sem qualquer aplicação subsidiária das disposições do Código de Processo Civil.

[124] Assim. e há ainda a Lei 9. salvo se o autor da ação é empregador o qual sofreu o assédio moral por parte do empregado (assédio ascendente). ou para prestar socorro.296 (Lei das Interceptações Telefônicas) a qual regula a possibilidade deste meio de prova apenas com autorização judicial. não é fácil apresentar prova. XII. O inciso X e XI assim esclarecem: [. o onus probandi".. recorrendo à indagação do Professor Manoel Antonio Teixeira Filho. [126] Outra questão que possa ser analisada nessa parte é quanto à diretiva constitucional das provas ilícitas. no processo. inciso LVI. "revertendo para o agressor o encargo de provar a inexistência do assédio.Adota-se aqui. A jurisprudência inclina-se para aceitação desse meio de prova. Admite-se a inversão do ônus da prova. no pressuposto da igualdade formal dos litigantes. o empregado só toma consciência de sua situação quando já sofreu e se encontra em licença médica. o qual posiciona-se pela adoção do artigo 818 sem aplicação subsidiária ao CPC. no sentido de aprovar a inversão do ônus da prova na hipótese do assédio sexual. Os tribunais vêm esclarecendo que somente nos casos que violem os incisos X e XI do mesmo artigo é que a prova será considerada ilícita. a Constituição Federal se pronunciou no seu artigo 5°. in verbis: O que não nos parece ser possível. defende-se a tese de que o ônus da prova incumbirá ao agressor. que se sabe estar estribado. É por isso que é essencial buscar bem cedo . pois deve ele provar a inexistência da agressão. Com muita freqüência. ou durante o dia. pelas razões expostas.. na lei que coíbe o assédio moral no trabalho. XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo. a União Européia firmou acordo entre seus paísesmembros. Nessa mesma direção trilhou o legislador francês.] Um tipo de prova que normalmente pode ser demonstrada nas questões de assédio moral é a gravação de conversas pessoais ou telefônicas. Quanto as provas obtidas por gravações telefônicas. o critério civilista a respeito da distribuição do ônus objetivo da prova. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. pois se o autor alega que sofreu uma agressão e o réu alega que não cometeu. no seu artigo 5°. pois assim explica a Carta Magna. a honra e a imagem das pessoas.]X – são invioláveis a intimidade. o qual esclarece: "são inadmissíveis. a posição expressiva da orientação de Manoel Antônio Teixeira Filho. automaticamente. onde a desigualdade real das partes é fato inomitível. a vida privada.. ao contrário. é trasladar-se para o processo do trabalho. não podendo ser delegada a terceiro. com a ressalva de ter sido a própria vítima quem realizou a própria gravação. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. as provas obtidas por meios ilícitos". na medida em que o autor já tenha apresentado elementos suficientes para permitir a presunção de veracidade dos fatos narrados na petição inicial". por determinação judicial[. (125) Em compasso a tal posicionamento. Marie-France Hirigoyen assim se posiciona quanto a questão da prova: Como as ocorrências de assédio moral são por sua natureza muito sutis e ocultas. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.. É preciso então reconstituir o processo e buscar as provas a posteriori. então "atraiu para si.

O dano moral não é mensurável em termos materiais. e segundo é a punição do agressor. portanto. o qual não se resolve por tal medida. ou a obrigação do responsável em alterar as condições e métodos de trabalho. uma prestação pecuniária que fará a vítima realizar um sonho. importante estar consciente de que equivalência não significa exata igualdade.ajuda de natureza jurídica. salvo quando esta for o empregador. ambas desaconselhadas sob o ponto de vista do respeito e da moralidade. artigo 5º. por vezes. assegurando o direito pelo dano moral [128]. e por outro lado. buscar a devida indenização e ressarcimento.2 Legislação para Punir e Prevenir . [127] Do dito. cabe aos magistrados trabalhistas ou legisladores brasileiros. sendo relevante a análise do parágrafo único do artigo 944 do Código Civil pelo magistrado para prudente fixação do valor sob pena de haver uma supervalorização da demanda. Citando Márcia Novaes Guedes em respeito a liquidação do dano moral: Na apuração do dano moral. com o objetivo de preparar o próprio dossiê e possuir. [129] É aqui que se concentra uma das crises do poder judiciário: teme-se de um lado ao arbitramento de valores meramente simbólicos e irrisórios. até mesmo em se tratando do dano material. após. adotarem medidas no sentido de se inverter o onus probandi em favor da vítima. Em maio de 2002. 5. um pedido de desculpa da pessoa que cometeu o dano. por já haver consolidado a diretiva de proteção ao empregado. na hipótese de violação dos direitos da personalidade. onde constam parâmetros para a fixação de valores para o dano moral. Só para exemplificarmos o nosso ponto de vista. encaminho-se um Projeto de Lei de autoria do deputado Antônio Carlos Valadares. Desta análise. indenizações milionárias. Notamos que.3 Liquidação A liquidação do dano encontra respaldo na Constituição Federal. cabe indagarmos sobre o sofrimento experimentado por aquelas pessoas que sofrem ou sofreram por assédio moral. 5. e sim uma espécie de satisfação que possa devolver o estado físico e psíquico anterior. ou que seja obrigada a realizar projetos que visem a melhoria dos relacionamentos no ambiente do trabalho. um projeto que lhe dê alguma satisfação compensatória pelos sofrimentos experimentados. E ainda.1. pelo menos. não só uma mensuração pecuniária. cartas trocadas com o patrão. pois. o mais importante para essas vítimas. variando entre no mínimo 20 a 180 mil reais. constituem um imperativo categórico que deva ser relevado em conjunto com a prestação pecuniária. X. compete à vítima precaver-se anteriormente de todo o tipo de prova que houver para. dificilmente se consegue a perfeita igualdade. como mensurar a humilhação sofrida por uma pessoa que chega a ponto de acreditar que a morte é a única forma de libertação? (130) Sustenta a autora que a indenização tem dois objetivos: primeiro é dar uma compensação à vítima.

a perseguição gera uma pressão emocional insustentável que interfere no rendimento geral do trabalho e na eficiência das atividades do próprio Estado. praticar atos que denunciem desprezo ou humilhação e afastar o servidor dos contatos com seus superiores e outros colegas. Contudo. e que iniciativas no âmbito federal deveriam seguidas com a finalidade de abranger e proteger os trabalhadores não só da administração pública mas também trabalhadores de empresas privadas. de elevada eficácia. A iniciativa coíbe toda ação. forçando o servidor a solicitar cedência ou afastamento do setor. [131] O Projeto proíbe no âmbito da administração estadual a prática de assédio moral pelo servidor público. pois vulnera o direito à dignidade e à saúde em qualquer âmbito em que o servidor se encontre. Ao defender seu projeto. gesto ou palavra do servidor no exercício de suas funções e de forma repetitiva que vise atingir a auto-estima e a integridade psicofísica de outro servidor e prejudicar sua competência funcional. o qual proíbe a prática do assédio moral no âmbito da administração pública estadual. o projeto foi arquivado com parecer contrário em 15 de março de 2004. 5. A proposta configura o assédio moral quando for imposta ao servidor atribuições e atividades incompatíveis com o cargo que ocupa ou em condições e prazos inexeqüíveis. Importa frisar que a iniciativa do deputado é de suma importância por considerar os efeitos que o assédio moral provoca no âmago do trabalhador da administração pública. assegurando ao servidor comunicação com seus superiores e outros funcionários para possibilitar a realização do seu trabalho e mantendo-o informado com relação às exigências da função. nesta parte. repreensão. com efeitos nefastos na continuidade do serviço prestado pelo órgão público. Caberá aos órgãos da administração pública tomar as medidas que visem prevenir o assédio moral e garantir o exercício funcional e profissional. mas também de agir positivamente na responsabilização e na punição do agente causador. fazer críticas reiteradas sem fundamento ou comentários maliciosos que atinjam sua dignidade. Tem ela o condão não só de prevenir.Cabe referir. o deputado Ruy Pauletti reitera que o assédio moral supõe uma violação dos direitos fundamentais da pessoa em um duplo aspecto. Importa frisar que inúmeras cidades e Estados estão encaminhando projetos de lei para referendar o combate aos assediadores no âmbito organizacional. Para ele. comprovada mediante processo administrativo-disciplinar. Dentre estes está o projeto de lei complementar nº 219/2003 do Deputado Estadual Ruy Pauletti. implicará em penalidades como curso de aprimoramento pessoal. suspensão e multa. sonegar informações que sejam necessárias ao desempenho de suas funções.3 A Efetiva Prevenção no Ambiente da Empresa . que uma legislação com vistas a combater os agentes que cometem assédio moral é. desde que observadas a reincidência e a gravidade dos fatos apurados. desde que formulada com esse objetivo. em primeira análise. A prática de assédio moral. Também são consideradas como práticas de assédio moral designar o servidor para exercer funções triviais em detrimento de sua formação técnica.

Entre eles. é que a maior parte dos adolescentes entra no mercado de trabalho com um conhecimento muito reduzido dos riscos e sem formação em matéria de medidas preventivas. Por melhor dizer. Sob outro foco. com o intuito de reduzir a elevada incidência de casos de acidentes e doenças no trabalho.] As empresas tendem muito mais a investir em programas que aumentem sua imagem tanto dentro quanto fora de suas fronteiras e nesse caso. [132] Ou seja. com idade compreendidas entre os 18 e os 24 anos. implantar. ainda.. qual seja a de prover a defesa dos direitos dos trabalhadores de classe. exemplos de medidas que têm surtido efeitos na Comunidade Européia. com certeza a resposta da maioria será: que custo e que retorno terei? Segundo Márcia Novaes Guedes: [. Isto é. estas deverão instituir e manter órgãos internos com fito de evitar infortúnios. uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). obrigatoriamente. e dependendo do número de empregados e grau de riscos de acidentes. A obrigatoriedade da .. [133] O relatório cita. deverão manter um quadro de serviços especializados em segurança e medicina do trabalho . considerações de natureza econômica são menos importantes.4 Reformulação da Finalidade dos Sindicatos O papel dos sindicatos nos dias atuais está desvirtuado de sua real finalidade. os jovens trabalhadores. e um regime que vigora na França onde os alunos que realizam estágio profissional são convidados a encontrar formas de melhorar o ambiente das empresas em matéria de segurança e saúde. não desgastante. [134] 5. médico. com a finalidade de transformar o trabalho em uma atividade prazerosa. intitulado Mainstreaming Occupational Safety and Health into Education ("Integração Sistemática da Segurança e Saúde no trabalho na Educação"). provendo relações harmoniosas entre trabalhadores e entre estes e empregadores. uma metodologia para os professores italianos introduzirem a Segurança e Saúde no Trabalho no plano de estudos das escolas. Um dos principais problemas. argumentam os autores. nos temos dos artigos 162 e seguintes e em conformidade com as normas expedidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. a empresa deve e pode contribuir com uma gestão voltada primeiramente a um ambiente saudável. Se questionássemos os empresários se eles adotariam um programa de prevenção ao assédio moral. cita-se o Reino Unido. têm 50% mais probabilidades de sofrer um acidente do que o trabalhador médio em países industrializados. a prevenção de acidentes e doenças relacionadas com o trabalho deve ser iniciada logo nas escolas e universidades. o qual educa as crianças sobre os estaleiros em construção.A educação no ambiente da empresa é requisito fundamental para prevenir a incidência de assédio moral no ambiente organizacional. Ainda sobre prevenção no ambiente do trabalho da empresa. os investidores estão muito mais preocupados em imagem do que com o efetivo aumento de produtividade que uma empresa com um ambiente sadio e guarnecido com políticas voltadas ao coleguismo pode proporcionar.SESMT (engenheiro e técnicos em segurança do trabalho. não penosa. enfermeiro e técnico em enfermagem do trabalho). Como afirma a Agência Européia para a Segurança e a Saúde no Trabalho: De acordo com o relatório.

esta deve ser interpretada com parcimônia pelos julgadores. deve haver uma espécie de "marketing social" dos sindicatos em torno do fenômeno. podem prevenir. sob pena de se condenar sempre o empregador sem nenhuma mensuração do nível de culpabilidade do próprio empregado. até a própria discriminação. e à ataca pontual ou freqüentemente com atitudes hostis com o objetivo de anulá-la moralmente. Te convém?" [135] Estes são alguns exemplos que se usados convenientemente não só pelos sindicatos. por motivos que vão desde a luta por uma melhor colocação na empresa. a caracterização do dano. Salienta-se que o que há primeiramente é a conduta assediadora dentro da sociedade. Antonio Ascenzi e Gian Luigi Bergagio elaboraram frases para serem usadas objetivando o marketing social: "Tratar mal as pessoas é sempre perigoso. por vezes disfarçada.cobrança de contribuições sindicais pelos sindicalistas deveria ser alcançada para prover a prevenção das doenças e acidentes do trabalho nas empresas. pode-se verificar que o assédio mais comum é aquele que parte do empregador e do superior hierárquico ao empregados. e que o Código Civil adota para responsabilizar o empregador por atos de seus prepostos. Como disse Márcia Novaes Guedes. desde que o homem começou a se inter-relacionar com outros homens. daí residindo a ineficiência de nossos magistrados ao se deparar com tais casos. Os empregados sindicalizados deveriam cobrar uma maior efetivação dos poderes dos sindicatos na busca de seus reais interesses. Porém. . e portanto muito difícil de buscar as provas. pois há conseqüências físicas ao assediado. ou como acidente do trabalho. os sujeitos. o nexo causal. CONSIDERAÇÕES FINAIS Do exposto. derivada de um agente que escolhe uma vítima. Cabe frisar que o assédio moral é uma agressão. mas pelas empresas também. pode-se considerar que o assédio moral está inserido na sociedade desde os primórdios do ser humano. na qual baseia-se no fundamento de que a pessoa que cria o risco deve arcar com a reparação dos danos que sua atividade pode causar a outrem. Em derradeiro. O assédio moral no ambiente do trabalho é uma conduta repugnada pela sociedade. ou até mesmo acusar as condutas dos agressores morais no interior da empresa. no trabalho pode ser mortal". são suficientes para buscar a responsabilização do agente agressor. é um grande avanço da responsabilidade civil. A prevenção do assédio moral pelos sindicatos no interior da empresa deve ser uma arma para combater toda e qualquer conduta que vise anular direitos essenciais dos trabalhadores. ou "O assédio moral faz mal duas vezes: à empresa e ao Estado" e ainda "Assédio Moral: como perder 60% de produtividade na empresa. Salienta-se que a teoria subjetiva (com fulcro na culpa) para a responsabilidade objetiva (com fulcro no risco). e por conseqüência a conduta assediadora no local de trabalho. é verificado o assédio moral no ambiente do trabalho com enquadramento em dano pessoal pois fere aquelas faculdades básicas do trabalhador. Quanto aos agentes assediadores e o destino do ataque.

seja ela objetiva ou subjetiva. a convivência sadia. seriam interessantes para despertar os próprios trabalhadores para o problema. e não como uma máquina que não pensa e que não tem sentimentos. Ademais. porém não salvadora. como é o caso da medicina e da psicologia. principalmente por parte das empresas. as medidas expostas para prevenção no ambiente da empresa elencadas por Márcia Novaes Guedes. É claro que para respondermos tais questões teríamos que buscar estudos em outras áreas. a política econômica em que se insere o mercado nacional passa por uma verdadeira batalha por espaço dentro do cenário mundial. A jurisprudência caminha no mesmo sentido para dissolução dos conflitos. Assim. e que há países com legislações específicas para combater o assédio moral. Concomitante a isso. e que se valorize medidas que importem no engrandecimento do trabalhador como ser humano. Ressalta-se que a OIT já vem preocupando-se em analisar o problema das doenças mentais derivadas dos problemas no ambiente do trabalho. pois o ato mandamental do magistrado atua como remédio social perante à sociedade. Não se pode esquecer também que. questiona-se: até que ponto. para que seja uma ambiente saudável. verificamos que os diferentes sujeitos e vítimas e a aplicação das teorias de responsabilidade civil. ou haveria uma parcela de culpa da vítima por ter agido com uma determinada conduta? Estas são apenas algumas questões que ficam para que haja uma consciência da importância do tema. Importa dizer é que o Brasil vem adotando medidas no sentido de se adequar à uma política onde inclui a saúde do trabalhador como foco principal de proteção. e do quão nefastas podem ser as conseqüências se não haver aprofundamento do estudo. Destarte. amenizando e/ou sanando o assédio derivado por quem quer que seja. ou em que mensuração pode o assédio moral provocar a deterioração da saúde físico-psíquica do ser humano? Será que apenas o fator "assédio moral" está ligado a deterioração do trabalhador enfermo. Tem-se que. que possibilite a comunicação. Essa atuaria como medida eficaz. não basta despejarmos somente nas costas do empresariado à dispendiosa política de prevenção aos acidentes do trabalho. Uma delas seria a efetivação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes atuando em prol do equilíbrio do meio ambiente laboral. Principalmente quando o cenário econômico atual é regido por políticas conservadoras engendradas por altas taxas de juros e elevada tributação. o relacionamento. Possibilitar que o ambiente do trabalho seja um ambiente propício à interação não apenas profissional. mas também interpessoal. deve-se repensar profundamente o ambiente do trabalho. são capazes de se identificar e mensurar a responsabilidade do agressor. . nota-se que há inúmeras maneiras de se prevenir a incidência do assédio moral. ou há ainda outros fatores que influenciam na degradação do ambiente do trabalho? Seria inteiramente o empregador responsável em casos de assédio moral.Em relação aos agressores e os tipos de assédio moral. Deve-se despertar para a "responsabilidade social da empresa" onde ela própria adota a política interna de apoio aos seus trabalhadores na ausência do Estado.

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15. 1993. CLT Comentada. atual. Tratado de Responsabilidade Civil. 2004.5. – São Paulo: Atlas. . 9.2 ed. . p.gov. rev.vol.. 3 DE MASI.São Paulo: LTr.Rio de Janeiro: Forense.al. 1997. 2000. 210. ed. ed. .São Paulo: LTr. 2000. Direito Civil: Responsabilidade Civil. ampl. 2004. Direito Constitucional do Trabalho. e atual. ed. e ampl.Belo Horizonte: Del Rey. . . Marie-France. . 1996. STOCO. 2. 1997.br/proposicoes/2004/ProjleiDES/plc_n219-03. Sílvio. atual. Rio de Janeiro: Renovar. Notas 1 OLIVEIRA. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.São Paulo: Saraiva. . Terezinha Lorena Pohlmann. – São Paulo: LTr. rev. 4. ver. NASCIMENTO. 1998. SAAD. Orlando. 1999. ed. p. FILHO. . ed. ed. Direito Ambiental e Meio Ambiente do Trabalho. – 6. p. do direito do trabalho e da justiça do trabalho. TEIXEIRA FILHO. VIANA. . Direito Civil . Domenico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.<http://www. Vol. Rui. Rio de Janeiro: Sextante. Prática Forense e Jurisprudência. Julio Cesar de Sá da. VENOSA.35. p. ROCHA. 2001 SÜSSEKIND. SAAD. Irany. Responsabilidade Civil no Direito Brasileiro: Teoria. Manoel Antonio. Eduardo Gabriel. RODRIGUES. Responsabilidade Civil da Empresa nos Acidentes do Trabalho. . e ampl. 2003.htm. 4 FERRARI. 2001. Proteção Jurídica à Saúde do Trabalhador. 2002.ed. – 7. São Paulo: LTr.. 4.Responsabilidade Civil. do livro Responsabilidade civil e sua interpretação jurisprudencial. O Ócio Criativo. – 3. Assédio Moral: A Violência Perversa do Cotidiano. ed. Curso de Direito Civil. 6ª ed. A Prova no Processo do Trabalho. 116. SOARES. 1. Arnaldo. Sebastião Geraldo.rs. Tratado de Responsabilidade Civil. 1998. São Paulo: Editora: Revista dos Tribunais. Amauri Mascaro. São Paulo: LTr. Marco Aurelio S. Sílvio de Salvo. História do trabalho. São Paulo: LTr. 18. Ives Gandra da Silva Martins. _________. Acesso em 19 de outubro de 2004. 2 HIRIGOYEN. e ampl.

Idem. 6 GUEDES. Última atualização em julho de 2004.. M. M. Op.. p.org/site/assedio/europa. cit. 116. p.17. Maria. Acesso em 12 de Agosto de 2004. HIRIGOYEN. 34. Mal-Estar no Trabalho: redefinindo o assédio moral.. cit. F.F. cit.URL: http://www. Op. M. Op.F.. GUEDES. p. 23 24 25 .108. Op. Idem. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.assediomoral. p.. Assédio Moral e responsabilidade das organizações com os direitos fundamentais dos trabalhadores. p. HIRIGOYEN.. Op. Maria. p. 19 HIRIGOYEN. M. [on line] Disponível na Internet via WWW..org/site/assedio/Amconceito. cit. São Paulo: Revista da Amatra II. cit. BARRETO. Marie-France. N. 2002. 4.URL: http://www. M. GUEDES. 2000. N. 38. Op. p. p. M. cit. Márcia Novaes. 7 Estatística sobre Assédio Moral na Europa. Márcia Novaes. 33. Idem. Idem. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – PUC/SP.assediomoral. p. p. Disponível na Internet via WWW.php. F. Op.5 HIRIGOYEN.F.php. Uma Jornada de Humilhações. p.. cit.16. Op.. cit. 68. Op. GUEDES. M. cit. M. p. 77. p. p.F. cit. 27. M. Acesso em 14 de setembro de 2004. São Paulo: LTr. p. 76..19. 80. 2003.17. 22 Idem. 85. N. Dezembro de 2003. p. 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 BARRETO. 20 21 GUEDES. Idem. HIRIGOYEN. 8 HIRIGOYEN. 10. Op. HIRIGOYEN. Terror Psicológico no Trabalho. p.

... cit. Rio de Janeiro: Forense. Op. M. ver. p. Idem. M. 37 PEREIRA. cit. Direito Civil: responsabilidade civil. 43 GOMES. N. Op. 1. Sílvio de Salvo.. GUEDES. 82. Marco Aurélio S. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 22. 38 LISBOA. M. Belo Horizonte: Del Rey. vol. N. Carlos Alberto. 39 BITTAR. N. p. 182. cit.26 GUEDES. p. 1. Rio de Janeiro: Forense. 3 ed. 78. cit. NELPA: São Paulo. p.114.1.. S. M. Caio Mário da Silva. F. Op.. GUEDES.. ed. p. 37. 1. 313. p. p. p. 263. p. Curso de Direito Civil. vol.. Op. 2003. S. 339.. Op. e atual. Nélson Godoy Bassil. Curso Moderno de Direito Civil. São Paulo: Atlas. cit. 36. 563. 45 VENOSA. ed. Orlando. 44 VIANA.112. S. 1971.. M. p. 36. . M. Op. 46 RODRIGUES. p. 181. 36. M. p. cit. 1998. cit. HIRIGOYEN. 1993. 1994. p. Op. R. cit. p. ed. 3. 447. p. Responsabilidade Civil. Curso de Direito Civil. p. 41 DOWER. F. GUEDES. S. M.. 2001. cit. HIRIGOYEN. 3 ed. Manual Elementar de Direito Civil. A. Op. M.F. N. HIRIGOYEN. Op. 2. 40 Savatier Apud PEREIRA. vol. p. 4.. 8. p.. 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 VIANA.. p. 42 LISBOA. C. Op. Op. M. HIRIGOYEN. Introdução ao Direito Civil. p. cit. 2002. Op. p. F. Roberto Senise. cit. cit.116 Idem. 264-265. 77. São Paulo: Revista dos Tribunais.

Paulo Sérgio Gomes. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. S. 5. nos seguintes termos: V.. do livro Responsabilidade civil e sua interpretação jurisprudencial. 1996. 313. prática forense e jurisprudência. cit. Todos são iguais perante a lei. 944. ed. R. p. 356. Op. p. cit. 46. além da indenização por dano material. LISBOA. R. Tratado de Responsabilidade Civil. H. Rio de Janeiro: Frei Bastos... 60 SOARES. São Paulo: 2000. ed. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano. 48 LISBOA. Maria Helena. 177. Alexandre Agra. p. 278-279. São Paulo: Saraiva. p. Rio de Janeiro: Renovar. 49 LOPES. 17. Washington de Barros. 2001. p. e ampl... 54 STOCO. Miguel Maria de Serpa. S. 52 MONTEIRO. 53 LISBOA. atual. cit. Op. p.. e atual. à liberdade. 207. cit. 5. de acordo com o novo Código Civil (Lei n. Curso de Direito Civil. Op. violar direito e causar dano a outrem. Danos Morais no Direito do Trabalho. 58 DINIZ. 186. negligência ou imprudência. p. ed. 7. Op. são invioláveis a intimidade. Bittar apud BELMONTE. vol. a vida privada. Curso de Direito Civil Brasileiro . 55 RODRIGUES. à igualdade. à segurança e à propriedade. 43. rev. cit. moral ou à imagem. 2001. pág. Op. R. São Paulo: Editora: Revista dos Tribunais. 61 ALONSO. 1983. Rio de Janeiro: Forense. de 10-12002). 50 Art. 5º. 104. ainda que exclusivamente moral. poderá o juiz reduzir eqüitativamente a indenização. 39. p.. X. Curso de Direito Civil. 22. 62 Carlos A. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. 201. S. 51 RODRIGUES. 59 Art. p. Rui. 201. ed. sem distinção de qualquer natureza. cit. A indenização mede-se pela extensão do dano. S. a honra e a imagem das pessoas. 2003. p. p. é assegurado o direito de resposta proporcional ao agravo. S. 1.Responsabilidade Civil. Responsabilidade Civil no Direito Brasileiro: teoria. Orlando. 56 57 Art. Parágrafo Único. vol. Aquele que por ação ou omissão voluntária. comete ato ilícito. São Paulo: Saraiva.. 2001. 5.47 DINIZ. 42. p.. . Op. 36. M.. Pressupostos da Responsabilidade Civil Objetiva. 10406. aum. vol.

Art. São Paulo: Revista dos Tribunais. ver. 84. P. p. LIMA. 5º (.. 68 Caio M. cit. p. cit. Op. cit. cit. §1°. Roberto Fleury de Souza. O. Antônio Lopes. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta Lei. 2000. 33. Antônio Jeová dos Santos apud OLIVEIRA. p.. p. Culpa e Risco. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Op. II – doença do trabalho. 2ª ed. N. – 2. p... S. Op. – São Paulo: 2000. Pressupostos da Responsabilidade Civil Objetiva. 1998. Op. 39.. 19. p. Pizarro apud OLIVEIRA. 116. . E. p.927.. 12-13. independentemente de culpa.07. G. p. 71 GUEDES. Ramon D. O. V. A. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Haverá obrigação de reparar o dano.91. a vida privada. 19. – São Paulo: Saraiva. permanente ou temporária. Op. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado em com ele se relacione diretamente. Alvino. RODRIGUES. S. 10. 76 Lei 8. P. p. S. O Dano Pessoal no Direito do Trabalho – São Paulo: LTr. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. V. 69 LIMA. O. Pereira apud ALONSO. E. 77 Art. Consideram-se acidente do trabalho. constante da relação mencionada no inciso I. p. Processos de Conhecimento e de Execução e suas Questões Polêmicas. Paulo Eduardo Vieira. cit. cit. Op.63 ALONSO. a honra e a imagem das pessoas. Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais: Conceito. 112. nos termos do artigo anterior. 154. 72 73 74 75 Art. 113.ed. P. Savatier apud RODRIGUES.. Op. 34. nos casos especificados em lei. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou perturbação ou redução. 64 65 66 67 Art.10.. 78 MONTEIRO. Paulo Sérgio Gomes.) X – são invioláveis a intimidade. P. da capacidade para o trabalho.213 de 24. BERTAGNI. V. as seguintes entidades mórbidas: I – doença profissional. e atual. cit. OLIVEIRA. S.. por sua natureza. p. risco para os direitos de outrem. E. 70 OLIVEIRA. 20. M. p. Op. cit.. 2002.

A. h) ato de indisciplina ou de insubordinação. salvo em caso de legítima defesa. ou for prejudicial ao serviço. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida. haja contribuído diretamente para a morte do segurado. 1 CD-ROM.. L. GILGLIO.Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: a) ato de improbidade. 1998. Rio de Janeiro: Forense. Porto Alegre: Editora Síntese. Amador Paes de. para efeitos desta Lei: I – o acidente ligado ao trabalho que. 13.[.São Paulo: Saraiva.]" 82 Lei 8. Wagner D. 117-118. p.79 MONTEIRO.. caso não tenha havido suspensão da execução da pena. Responsabilidade Civil. k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos. 21. Ob.(grifouse). ao segurado quando. passada em julgado. 88 . ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação. F. ou ofensas físicas. i) abandono de emprego.20. Caio Mário da Silva. . 86. 84 PAIXÃO. pelo prazo mínimo de doze meses.213/91. própria ou de outrem. em conseqüência de: a) ato de agressão sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho. 80 Art. Cit. salvo em caso de legítima defesa. nas mesmas condições. d) condenação criminal do empregado. 2002. 83 Art. b) ofensa física intencional. j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa. A Previdência Social: legislação e jurisprudência. BERTAGNI. a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho. embora não tenha sido a causa única. Luiz Antonio C.118. 87 ALMEIDA. por motivo de disputa relacionada ao trabalho. b) incontinência de conduta ou mau procedimento. constando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente. e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado. Em caso excepcional. p. e) desídia no desempenho das respectivas funções. rev.] §2º. R. c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador.São Paulo: LTr. 1993. inclusive de terceiro. 85 PEREIRA. l) prática constante de jogos de azar. 2003. a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa. independentemente de percepção de auxílioacidente.. . O auxílio-acidente será concedido. para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho. Justa Causa. ed. f) embriaguez habitual ou em serviço. II – o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho. e ampl. 81 Art. g) violação de segredo da empresa. após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza. após a cessação do auxílio-doença acidentário. 4.. p. S. própria ou de outrem. PAIXÃO. [. Floriceno. 70. Art. 86 Art. 482 . 233. p. CLT Comentada. Equiparam-se também ao acidente do trabalho. resultarem seqüelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. como indenização..

. inclusive coletivas. cit.. 236. Nesse sentido. 98 De Page apud STOCO. LIIMATAINEN. cit. Polonia y Reino Unido [online] Disponível na INTERNET via www. por Eduardo Carrion.org/public/spanish/bureau/inf/pr/2000/37. Direito Ambiental e Meio Ambiente do Trabalho. do Distrito Federal. 2004.. Rui. Finlandia. 184. autônomas. 93 94 Rodolfo C. Un informe de la OIT estudia la salud mental en el trabajo en Alemania. Phylis. . Valentin. na forma da lei. São Paulo: LTr. Código Civil. Compete a Justiça do Trabalho conciliar e julgar os dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores. p. atual. 367. M. cit. Rui. p. São Paulo: LTr. rev. Mancuso apud ROCHA. ed. dos Estados e da União..89 CARRION. Op. 100 MONTEIRO. p. cit. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta dos Municípios. p. 92 Antônio Lamarca apud ALMEIDA. HRIGOYEN. p 345. salvo se o causador do dano for descendente seu. e. 91 Art. p. 96 97 STOCO. 95 Art. 99 Arnold Wald apud SAAD. 371. a obra de Lourival José de Oliveira é de consulta essencial . político e social que transcende o espaço nacional com a abertura de mercado. e que provoca transformações na estrutura da sociedade no que concerne a revolução tecnológica com inovações nos sistemas de produção. F. 6ª ed. ed atual. 932. 1999. p. 153. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.. Op. p. na forma de intervenção do Estado com a conseqüente formação de blocos econômicos. Tratado de Responsabilidade Civil. Op. 65. 153. III. Valentin. B.114. 103 A globalização se constitui em um fenômeno econômico. p. e na criação de novas fontes de direito. CARRION. absoluta ou relativamente incapaz. bem como os litígios que tenham origem no cumprimento de suas próprias sentenças. Op. Julio Cesar de Sá. 90 ALMEIDA.URL:http://www.. A.htm..ilo. outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho. P.A. p.Op. 3. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou.São Paulo: Saraiva. 102 GABRIEL. Op. P. Acesso em 17 de outubro de 2004. locais. 101 Art.31. Terezinha Lorena Pohlmann. 2003. Marjo-Riitta. 934. 1997. Responsabilidade Civil da Empresa nos Acidentes do Trabalho. Estados Unidos.. cit. 28. e ampl. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. cit. 239. W. regionais.

br:8035/020030361740. Curitiba: Juruá. Direito do Trabalho: Organização de Trabalhadores & Modernização. p.ao tema. Acesso em 17 de outubro de 2004. Dezembro de 2003. Configuração. Op.URL: <http://www. 134.[on line] Disponível na Internet via WWW. GUEDES.00. 2003. 105 MALLET. Recurso Ordinário nº 1142. 123-124. 2001. GUEDES.2001.gov. M. 133. e atual. p. Idem. Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região. Direito constitucional do trabalho. M.html>. 138-139. cit.132. 116 BRASIL. p.trt17.asp? codigo=3439&motivo=assédio%20moral>.URL: http://www.URL: <http://www. Acesso em 19 de outubro de 2004. . Disponível na Internet via WWW. Acórdão de 17 de fevereiro de 2004. Arnaldo. Op.php. N.006. 115 Amauri Mascaro Nascimento apud SÜSSEKIND.. Idem. Repercussões sociais. OLIVEIRA. 107 108 109 110 111 112 113 114 Projeto de Lei.Op. São Paulo: Revista da Amatra II. Assédio moral. 18.Rio de Janeiro: Renovar. Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Assédio moral. N. Assédio moral. Responsabilidade civil do empregador.. Acesso em 19 de outubro de 2004.9. 117 BRASIL. 118 BRASIL. GUEDES. Acórdão de 19 de setembro de 2002.. M. O Trabalho e a Discriminação.Disponível na Internet via WWW. p.gov. Lourival J. cit.trt02. Estevão. p.gov. 51. Idem.assediomoral. cit. Assédio Moral. Brasil. Recurso Ordinário nº 20040071124..br/jurisprudenciaXX. Acesso em 19 de outubro de 2004. cit. 2 ed.br:8035/020040071124.trt02. p. M. Jarbas Machado versus Embratel Relator: José Carlos Rizk. . Nilson Brito Teixeira versus Digicall Eletronica e Telecom S/A Relator: Valdir Florindo. 104 Anexo A.Disponível na Internet via WWW. Anexo B. N. ampl. 88. Op. p.URL: < http://www. Última atualização em julho de 2004. Valdinei Pereira de Lima versus Bradesco S/A Relator: Francisco Ferreira Jorge Neto.otg/site/legisla/BR-Marcos. Recurso Ordinário nº 20030361740. N.html>. Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. 106 GUEDES. Acórdão de 22 de fevereiro de 2003.17. p.

122 Art. N.URL: < http://gemini.Disponível na Internet via WWW. Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. Disponível na Internet via WWW. 126 127 128 Art.TratarAcordao? pCodProcesso=281179&pNroFormatadoComClasse=00499. à segurança e à propriedade. Acesso em 30 de outubro de 2004. 123. 116. . 651. e ampl. a vida privada. p. 100. Recurso Extraordinário nº 238797.) II – do domicílio ou da residência do alimentando. ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. p. HIRIGOYEN. Fotoptica Ltda Versus Edson Ferreira da Silva.stf.asp& Sect1=IMAGE&Sect2=THESOFF& Sect3=PLURON&Sect6=SJURN&p=1&r=1&f=G&l=20. A competência das Varas do Trabalho é determinada pela localidade onde o empregado reclamante ou reclamado. Acórdão de 17 de novembro de 1998.br/cgi-bin/nph-brs?d=SJUR&n=-julg&s1=imputa %E7%E3o+caluniosa+&u=http://www.) X – são invioláveis a intimidade. 1997. 769. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.. prestar serviços ao empregador..trt4. à igualdade. p. 120 BRASIL.São Paulo: LTr. cit. Dano moral. 112. cit.br/Jurisprudencia/Jurisp. 123 Art. nos termos seguintes(. 5º Todos são iguais perante a lei. Assédio sexual. exceto naquilo em for incompatível com as normas deste Título.732/97-9%20(RO)& pDataPublicacao=22/05/2000& pNomeJuiz=CARLOS+CESAR+CAIROLI+PAPALÉO& pCodAndamento=5230494& pOrdemApresentacao=1& pTextoTraduzido=>.stf. ver. Acesso em 30 de outubro de 2004. Relator: Carlos César Cairoli Papaléo. A Prova no Processo do Trabalho. Nos casos omissos. 121 Art. M. 114.br/nj4jurisp/jurisp.7ª ed. Acórdão de 22 de maio de 2000.URL:< http://www. . 125 Idem.732/97-9. sem distinção de qualquer natureza. Manoel Antonio. Relator: Min. a honra e a imagem das pessoas. 124 TEIXEIRA FILHO. Ltda.. Recurso Ordinário nº 00499. É competente o foro: (.. à liberdade.119 BRASIL. o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho. Op. para ação em que se pedem alimentos. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. M. Sepúlveda Pertence.gov. F. GUEDES." . Sucessão de Marlene Teresinha Mantovani versus Drebes & Cia. Supremo Tribunal Federal.gov.. p.. Op.gov. Justiça do Trabalho: Competência.

p. p. p.al. cit.eu. cit. 135 GUEDES. A indenização mede-se pela extensão do dano. estarão obrigadas a manter serviços especializados em segurança e em medicina o trabalho.htm.URL: <http://agency. 130 GUEDES. Projeto de Lei Complementar nº219/2003. 133 Agência Européia para Segurança e Saúde no Trabalho. Acesso em 27 set. Disponível em:<http://www.int/news/press_releases/pt/28_09_2004/index.rs. N. Op. Começar Cedo e Manter-se em Segurança [online] Disponível na Internet via WWW. poderá o juiz reduzir eqüitativamente. Op. Assembléia Legislativa. N.br/proposicoes/2004/ProjleiDES/plc_n219-03. M. 131 Anexo C. cit. Acesso em 19 de outubro de 2004.gov. 132 GUEDES.129 Art. N.. Autor . a indenização. 89. Parágrafo Único.148.osha. 134 Art.. 944.. Op. 162.118. de acordo com normas a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho. 2004.htm>. As empresas. RIO GRANDE DO SUL. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano. M. M.

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