ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

SÃO PAULO – SP 2009

ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

Monografia apresentada à Escola Superior de Advocacia – OAB/SP, para a obtenção do título de Especialista em Direito do Público. Orientador: Profª.Drª. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago

SÃO PAULO – SP 2009

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

TERMO DE APROVAÇÃO Esta monografia apresentada no final do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Direito Público, na Escola Superior de Advocacia da Seccional da OAB São Paulo, foi considerada suficiente como requisito parcial para obtenção do Certificado de Conclusão. O examinado foi aprovado com a nota __________

BANCA NOME 1. 2. 3.

EXAMINADORA ASSINATURA

São Paulo, _____ de __________________ de ______.

não antes da conclusão do processo administrativo. À orientadora Profª. . pela sabedoria em escolher alguns professores. Cordeiro cuja capacidade supera em muito a minha e está esculpindo um futuro brilhante. Aos diretores e chefes assediadores cuja história os julgará.DEDICATÓRIA À jovem psicóloga Valéria Silva do CRT/AIDS que nos faz sentir jovem e vislumbrar um futuro grandioso em tudo que fazemos. e a permanente luta para que o servidor público conheça e pugne por sua dignidade. À Sara Brenda T. Ao Deputado Antonio Mentor pela sensibilidade e atenção ao tema do assédio moral no serviço público paulista.Drª. F. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago pela sua competente. criminal e judicial. os quais nos orgulhamos de ter tido. À Escola Superior da Advocacia. precisa e rigorosa orientação Ao meu irmão Ruben Guimarães Frota Cordeiro pela amizade e compreensão. A minha mãe pelo eterno incentivo aos que aprendem e ensinam. G.

Ao Prof. À Profª. Maria Cristina Bruder pelas orientações internas sobre tema. Clóvis Luiz Alonso Júnior pela parceria no trabalho. À tradutora Helena Sofia Delgado pela contribuição. À Profª.AGRADECIMENTOS À Dra. . À Dra. Sônia Pizarro pela leitura crítica deste trabalho. Ely Cristina Alves de Lima sempre solícita a esclarecer nossas dúvidas durante todo o Curso de Especialização em Direito Público da ESA. Maria do Carmo Carrasco pela leitura criteriosa e revisão do trabalho de acordo com as Normas da ABNT.

a violência e a astúcia criaram os primeiros patrões. mas na ordem natural devíamos pensar que. . Dicionário Filosófico. Voltaire.“Por que fenômeno um homem pode se transformar em patrão de outro homem e por que espécie de magia incompreensível foi possível se transformar em patrão de inúmeros outros homens? [.. os mais recentes”.] Ignoro como andaram as coisas na ordem dos tempos.. nascendo os homens todos em estado de igualdade. as leis.

. com ênfase na área da saúde. Com base em textos teóricos. o histórico. área da saúde. Para tanto.RESUMO O trabalho consiste em versar sobre o assédio moral no serviço público. construindo-se um modo de percepção e conseqüente configuração do problema. para mais bem o combater. desenvolveu-se a relação entre o assédio moral e o serviço público na área da saúde. Em continuidade. serviço público. procurou-se explicitar certos traços da realização do ato do assédio moral. o psicológico e o de Direito. inicialmente se procurou levantar alguns aspectos do tema: o aspecto sociológico. Palavras-chave: Assédio moral.

Based on theoretical texts. the historical.ABSTRACT This monographic study aims at analyzing the bulling in public service with emphasis on health. Therefore. the psychological and the rule of law. by pointing the issue in order to find out the best way to solve it. we have tried to explain certain features of the bulling act. Then. it illustrates the relationship between bullying and public service in health. initially it looks for some of its aspects as the sociological. Keywords: Harassment. public service health. .

................. 26 Quadro 2 ..........LISTA DE QUADROS Quadro 1 .Tipos de assediadores .............................................Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral ........................... 27 ...............

.......SUMÁRIO INTRODUÇÃO . 3 ASPECTOS LEGAIS......... 1.....................1 Assédio Moral na área da saúde pública ........................................................................................................... 2............................................2 Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil .3 Impessoalidade e imparcialidade no serviço público ........................................................... 4......... 2......................... 3..................................................................4 Tipos de Assédio Moral .... 4........................................................................................................................................................................................................2 Os conflitos do serviço público no Brasil .................................... JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS SOBRE O ASSÉDIO MORAL ..1....... 2............ 3...................................................................................................................................................................................................................1 Introdução ao problema ............... 1.............................. 4 ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO ... 1... 3........2 Decisões judiciais sobre o Assédio Moral ............................................................................................1 Breve história do serviço público no Brasil .........1 Assédio Moral no serviço público ......... 10 1 ASSÉDIO MORAL .................. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................... 42 42 45 49 53 53 57 62 66 71 12 13 14 17 31 35 35 36 38 ..................................... 2 O SERVIÇO PÚBLICO ................................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........3 Que se pode entender sobre Assédio Moral? ...........3 A especificidade das relações de trabalho no campo estatal ........1 Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral ................... 1............................ ANEXO ........

muito em função da difícil caracterização e comprovação do fenômeno segundo os critérios utilizados na doutrina. função. Nosso entendimento. O tema é amplo e pouco estudado no serviço público do ponto de vista teórico. trabalho infantil. administrativo e jurídico sobre a matéria. a intenção deste trabalho é trazer a problemática a lume para que sejam realizados outros trabalhos de cunho sociológico. profissão. Em um Estado e em um país nos quais existem pessoas sujeitas a condição de trabalho análoga à da escravidão. Trata-se de área em que o trabalho é particularmente tenso. no entanto. em função do seu objeto e das relações interpessoais próprias ao serviço público. lutar incansavelmente contra o trabalho escravo e outras posturas coloniais ligadas ao trabalho e. as câmaras municipais. a fim de agir de maneira pontual e sensibilizar para o fenômeno do assédio moral os conselhos de saúde. idade. dissertar sobre assédio moral parece irrelevante. os conselhos de fiscalização profissional. é que pari passu deva a sociedade combater sem trégua as diversas ilegalidades. no entanto. ao mesmo tempo. as assembléias legislativas. Faz-se necessário avaliar se há diferenças nas variáveis sexo. status social. entre outros fatores. contra o assédio moral. Existem julgados que envolvem servidores públicos. estado civil. de julgados que não reconhecem o assédio moral ou entendem que determinado procedimento não seja assédio moral. mas ainda nos parece distante a possibilidade de . orientação sexual. Trata-se. possivelmente. Assim. raça/etnia. é cediça a prática do assédio moral. No serviço público e especialmente na área da saúde. os sindicatos. grau de escolaridade. ou mesmo desemprego e uma informalidade crescente nas relações de trabalho. o federal e o do trabalho. psicológico. as estratégias Mais bem escondidas no corpo social” Michel Foucault Não existem dados fidedignos sobre assédio moral exercido sobre o servidor público.10 INTRODUÇÃO “As relações de poder são. em particular o servidor da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. o Ministério Público estadual.

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trazer o tema à baila para discussão e enfrentamento, em função da baixa sensibilidade para o tema, do baixo nível de percepção do funcionalismo público em geral e, muitas vezes, das desfavoráveis características das relações de trabalho, precipuamente certo amadorismo das gerenciais, chefias e diretorias.

Nascimento (2004) traz alarmantes dados estatísticos sobre o assédio moral relacionados à União Européia, discriminadamente a França, e à Grã Bretanha. Menciona a pesquisadora que “[...] em pesquisa realizada no Brasil com um universo de 4.718 profissionais ouvidos em todo o território, 68% deles afirmaram sofrer algum tipo de humilhação várias vezes por semana, sendo que a maioria dos entrevistados (66%) disseram ter sido intimidados por seus respectivos superiores”.

Ainda que não disponhamos de consistentes dados estatísticos estaduais e nacionais, a atenção que demos ao tema é justificada pela incipiente proteção dirigida ao trabalhador contra o assédio moral, problema abrangente, tanto que estende suas raízes às esferas social, econômica, cultural e organizacional. O método de pesquisa adotado foi consulta à bibliografia técnica – teses, dissertações, livros, legislação – e à bibliografia de divulgação do assunto – jornais, revistas e sites.

Foi necessário demarcar os limites do estudo, tendo em vista a ampla bibliografia sobre o tema assédio moral, muito embora seja pouca na área da saúde. A característica deste Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização na Escola Superior de Advocacia também limita em tempo e em extensão a abordagem do tema, complexo e profundo.

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1 O ASSÉDIO MORAL

1.1 Introdução ao problema

O assédio moral ou agressão psicológica é um fato social que ocorre no meio social, familiar, estudantil e, mais intensamente, no ambiente de trabalho, abrangendo tanto o setor privado quanto a Administração Pública, e, embora na atualidade tenha atraído estudos no campo da Psicologia, Sociologia, Medicina do Trabalho e do Direito, tem origem na organização do trabalho, considerada a relação domínio-submissão entre o capital e força do trabalho. (BATALHA, 2009)

Schmidt (2001) menciona que o assédio moral foi, de maneira inédita, objeto de pesquisa, em 1996, na Suécia, do psicólogo do trabalho Heyns Leymann, que, por meio de levantamento junto a vários grupos de profissionais, chegou ao processo que qualificou de psicoterror, cunhando o termo mobbing (derivado de mob, que significa “horda”, “bando” ou “plebe”), em função d a similaridade entre tal conduta e um ataque rústico, grosseiro.

Em seu trabalho Schmidt (2001), menciona que o assédio moral tem várias denominações: na França é harcèlement moral, mobbing na Itália, na Alemanha e nos países escandinavos, bullying na Austrália e na Grã Bretanha; emotional abuse ou mistreatment nos Estados Unidos.

Dois anos após, Marie-France Hirigoyen, psiquiatra e psicanalista de grande experiência como psicoterapeuta familiar, popularizou o termo por meio do livro Lê Harcèlement moral: la violence perverse au quotidien, um best-seller que ocasionou a abertura de inúmeros debates sobre o tema, tanto na organização do trabalho como na estrutura familiar. A sociedade atual vive em um sistema em que a “racionalidade instrumental” se sobrepõe à “racionalidade comunicativa” (para usarmos a expressão de Habermas em Teoría de la Acción comunicativa: crítica de la razón

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funcionalista), o que gera distorção comunicacional; a violência torna-se resposta a sistema desumano e não pode ser considerada mero mecanismo individual. Em outras palavras, nesse processo a violência passa a ser perversão da perversão, ou seja, armadilha motivada pela crueldade do sistema.

O assédio moral geralmente nasce com pouca intensidade, como algo inofensivo, pois as pessoas tendem a relevar os ataques, considerando-os brincadeira; depois, propaga-se com força, e a vítima passa a ser alvo de maior número de humilhações e de brincadeiras de mau-gosto.

Isso talvez ocorra justamente porque as vítimas temem denunciar formalmente, com medo do “revide” que poderia ser a demissão ou o rebaixamento de cargo, por exemplo; além disso, denúncias tornariam público o processo de humilhação, o que deixaria as vítimas ainda mais constrangidas e envergonhadas. Assim, o medo (de caráter mais objetivo) e a vergonha (mais subjetiva, porém de conseqüências devastadoras) unem-se, acobertando a covardia dos ataques.

Embora seus agressores tentem desqualificá-las, normalmente as vítimas não são pessoas doentes ou frágeis. São pessoas portadoras de forte senso crítico personalidade transparente e sincera, que se posicionam, algumas vezes, questionando privilégios, e não têm grande talento para o fingimento e para a dramaturgia. Tornam-se alvos das agressões justamente por não se deixar dominar, por não se curvar à autoridade de um supervisor sem nenhum questionamento a respeito do acerto das determinações.

Em nosso meio, na área da saúde no setor público, é muito freqüente o assédio moral, muito embora faltem dados tanto de pesquisas quanto de julgados que mensurem o problema.

por conseguinte. ligado à cultura. Hoje. 2008). acrescentando-se “os traços típicos e característicos da cultura brasileira não estão distantes do cotidiano organizacional: o estilo paternalista e autoritário de administrar foi gerado no engenho. de despersonalização. Dessa forma. O que é novo é a gravidade. talvez mais de uma vez. A violência moral no trabalho não é novidade. talvez pelo próprio dinamismo imprimido pelas mudanças sociais.] o resultado do abuso de poder. moral no outros fatores O direito influenciam sempre a foi. No caso do assédio moral. Há vinte anos. uma retroalimentação constante. a maioria das pessoas poderia acreditar que trabalharia durante os anos necessários à sua aposentadoria sem um incidente sério de assédio moral. na casa-grande e na senzala. com essa. tais ligações são nítidas. Além consubstanciação dos do aspectos assédio econômicos. porém recentemente passou a despertar grande interesse entre os autores. da permissividade de agressões no local de trabalho e também da impunidade para atitudes dessa natureza. Sérgio Buarque.14 1. Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil O assédio moral não é um tema novo. zona de . no capítulo “Fronteiras da Europa”. bem como a influência da cultura nacional na sua forma de gerir as pessoas”.. trabalho.2. conforme Aguiar (apud Thome. Existe há muito tempo em todo o mundo. fortalecido pelo coronelismo e solidificado pela gerência empresarial. quase todos os trabalhadores parecem correr riscos de ser seriamente assediados em suas carreiras. A cultura ibérica. porque o identifica as origens. a generalização e a trivialização do problema.. intrinsecamente. menciona Durães (2007). o assédio moral é [. as raízes culturais brasileiras. é extremamente relevante. influenciaram no desenvolvimento do modo como o assédio é praticado no Brasil. Segundo Thome (2008) o estudo de Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. Em Raízes do Brasil. tendo. também. toma como base de sua afirmação o fato de ter sido transportada para o Brasil a cultura européia. além de refletir o autoritarismo e a forte hierarquização das organizações atuais. ao contrário. características e motivos da falta de coesão social nos movimentos brasileiros e da repulsa a todas as modalidades de racionalização e. especificamente a ibérica.

15 transição que se adiantou à Europa no final do século XV. e até mais nobilitante. incute nas relações antes orientadas pelo difuso emocionalismo brasileiro o padrão da produtividade. ou instituir uma nova escala de valores. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor exclusiva de qualquer esforço. Procurou. ou a um espanhol.. a um bom português. que “a fase atual da sociedade exige uma hierarquização de postos na máquina produtiva que eclipsa as relações pessoais. citado por Thome (2008) conclui que: “podemos dizer que de lá [tradição ibérica] nos veio a forma atual de nossa cultura. a moral do trabalho sempre representou fruto exótico”. Sérgio Buarque afirma. da impessoalidade das relações entre empregados e patrões [. de qualquer preocupação”.. porque. como legitimação às fortes críticas que Sérgio Buarque fazia aos tradicionais europeístas. da importância do trabalho. em verdade. o resto foi matéria que se sujeitou mal ou bem a essa forma” As idéias de Raízes do Brasil servem. também.]”. do que a luta insana pelo pão de cada dia. a cultura ibérica não aderiu por completo às idéias do livre-arbítrio. retornando às origens portuguesas. se foram essas tradições o que originou as características sociais brasileiras? Fortemente influenciado pelos movimentos modernistas brasileiros e pelo “Manifesto Futurista”. Ora.. como teria o Brasil maior coesão social. de Marinetti. “a burguesia mercantil não precisou adotar u m modo de agir e pensar absolutamente novo. sobre os quais se firmasse permanentemente seu predomínio. após a publicação de Raízes do Brasil. quando da retomada das tradições ibéricas. Princípios como hierarquia e obediência nunca tiveram presença constante na cultura ibérica. pois “uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente..]” e que “essa modificação vem pôr abaixo também a visão fidalga que os brasileiros tinham do trabalho manual” . antes de associar-se às antigas classes dirigentes. Dessa forma. já que “entre espanhóis e portugueses. Sérgio Buarque. não teve grandes problemas em assimilar a passagem da Idade Média para a Idade Moderna. que pretendiam formar um Brasil melhor. assimilar muitos de seus princípios [. apegada à tradição.

. a exacerbação da impessoalidade do trabalho. condicionadas bilateralmente – de um lado pela monocultura latifundiária (o cultivo de cana-de-açúcar) no que diz respeito ao sistema de produção econômica. que se caracterizava pela escassez de mulheres brancas na colônia. não se pode negar que. A título de comparação entre possíveis tipos de assédio. em suma. Essa 1 2 Idem.. Segundo Heloani (2004).] como legado da exploração da mão-de-obra escrava. „tornando inevitável um sentimento de irresponsabilidade.16 Conforme continua Thome (2008). índios e negros foram sistematicamente assediados. seus costumes. Se. as armas utilizadas por muitos empregadores assediadores são o afeto e a violência‟” Como afirma Aguiar 1. Não raro esse procedimento. essa relação senhorial ainda pode ser visivelmente notada. as relações entre brancos e “raças de cor” foram. . ainda que tenha havido um movimento de moralização da sociedade. da extorsão praticada contra imigrantes assalariados e da prática abusiva aplicada à classe operária no início da industrialização. da parte dos que dirigem. o formalismo. o personalismo. vinha 2 acompanhado de um outro que hoje denominamos assédio sexual . como características típicas da cultura brasileira a concentração de poder. ou seja. o evitamento de conflitos. a flexibilidade e a impunidade. de certa forma. [. tanto no que concerne à falta de coesão da sociedade brasileira quanto no que se refere à motivação histórico-cultural.] pode-se apontar. cultural e econômica para impingir-lhes sua visão de mundo. causou distorções terríveis nas relações de trabalho. ou melhor. humilhados por colonizadores que. a postura de espectador. julgavam-se superiores e aproveitavam-se dessa suposta superioridade militar. e de outro. aceitando como condição normal de trabalho todo tipo de maus-tratos. pela vida dos trabalhadores manuais e. como relatado por André Luiz Sousa Aguiar. no Brasil. constranger-se uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo a manter qualquer tipo de prática sexual sem que essa verdadeiramente o deseje. as idéias de Gilberto Freire. pelo sistema sócio-familiar de cunho patriarcal.. as relações de trabalho em nosso país são impregnadas pela falsa idéia de que o subalterno é obrigado a se submeter a uma forte depreciação enquanto ser humano. nos dias atuais. [. por um lado. veja-se o Anexo III sobre quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral.. tal como os senhores escravocratas. a lealdade às pessoas. sua religião. constrangedor sob vários aspectos. No Brasil colônia. quando afirma que. mormente nos casos de pequenas empresas e das relações domésticas. em sua obra clássica Casa-grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. que situa o próprio discurso em momento anterior da história brasileira. De fato.

de Marie-France Hirigoyen (2002). 2). inclusive. evoluindo para as “manobras perversas”. pode-se fazer avançar o discurso para os dias atuais. Que se pode entender por Assédio Moral? Existem vários conceitos sobre assédio moral. Leitura obrigatória sobre a matéria é o texto Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. “meio de um pequeno chefe valorizar-se”. em sua maior parte patriarcas e devassos. sendo apenas declarado nos bastidores que o „critério‟ era banir os indesejáveis (p.3.17 monocultura açucareira acabou impossibilitando a existência de uma policultura e de uma pecuária que pudessem se instalar ao redor dos engenhos. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. O ponto de partida do assédio moral. re-situando-o no estado da problemática. gestos. que se omitem. lavradores e agregados. sem atribuição. palavras. escritos que possam trazer dano à personalidade. Em um movimento dialético. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. . conceitua o assédio moral como: Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos. atos. segundo leciona Hirigoyen (2002). do alto de suas moradias. nem objetivo. que levou milhares de servidores à disponibilidade contando com apenas 30% da remuneração. A criação de gado deslocou-se para o sertão. que pode. é o abuso de poder do superior hierárquico que esmaga seus subordinados com o poder. até a fase de destruição moral (psicoterror). as carências alimentares. e evocando as palavras de Batalha (2009): Constitui marco na história recente da República o assédio moral coletivo capitaneado por Fernando Collor. que dominavam. com mão-de-ferro” (p. nem subjetivo. quando trata das relações de trabalho públicas e privadas. ter a conivência da empresa ou de dirigentes do serviço público. 2) 1. para suprir-lhes. A criação de gado deslocou-se para o sertão. já que não podiam ser demitidos em razão de direito adquirido. sendo pagos para não trabalharem. Não houve critério algum a ação [do presidente]. inclusive. o pseudo-caçador de marajás. e a casa-grande adquiriu características alimentares. escravos. Ocorreu o fato em 1989. e a casa-grande adquiriu características essencialmente feudais – senhores de engenho.

mediante a solidariedade. para a observação crítica: a política do assédio é essencialmente conduzida pelos "dominantes fragilizados". em poucas palavras. J. no entanto. p. incertezas jurídicas. (org.18 A existência de comportamentos assediantes em um indivíduo revela mais sobre o seu ambiente do que sobre ele mesmo ou sobre aquele que é seu objeto. na ordem racional. o fenômeno do assédio é constante. considerações sociais. no plano político. o assédio é socialmente desorganizador e. Assédio Moral: desafios políticos. que constroem as esferas de socialização ou de dessocialização. por aqueles que estão a um passo de perder a legitimidade de seu poder. o assédio é destruidor do laço social. Não existe assédio individual de um sobre o outro sem a cumplicidade dos outros. . O assédio faz parte. de perturbações e desordens no interior de uma relação social. dos gestos e comportamentos que formam a sociedade. quiçá. Noutras palavras. 2006. se. et al. ao contrário. todo assédio é forma indireta de questionamento de poder. portanto. Por um lado. testemunhas silenciosas ou coniventes com o fenômeno e atores implícitos ou explícitos da dominação ou de seu agravamento. por outro. 28. abrindo-se. desestruturador.3 O assédio não provoca exclusivamente um face a face. promotor de certa ordem de reorganização social e restabelecimento dos vínculos sociais. por outro lado é. impede-lhe o desenvolvimento. 4 Ibid. 29. não existe conquista ou defesa dos direitos e liberdades sem a expressão de exigências e ações de resistência em relação às instituições de poder. portanto. inscreve-se em um espaço social e político que lhe possibilita os meios de desenvolvimento ou.4 No campo delimitado das relações interindividuais.). é promotor da solidariedade civil. Mais amplamente do que as relações interpessoais. p. por aqueles que. Uberlândia: EDUFU. de perda de confiança na estabilidade das instituições. usando imprudentemente da força para se impor 3 SEIXAS. por um lado. ou deveria ser. por aqueles cuja força de imposição está prestes a se desfazer.

. professores universitários. obstruir a independência do outro. Segundo Heloani (2004): Observa-se que em épocas passadas. Hoje. homens e mulheres. O assédio tem geralmente por objeto o indivíduo que constitui a fonte potencial do questionamento do poder que o assediador detém. médicos. negar-lhe a autonomia e provocar o deslocamento de seu meio 5 6 Ibid. mais simbólico ou imaginário que seja ele. farmacêuticos. o serviçal sem maiores qualificações. juízes. em virtude de sua vulnerabilidade ou de eventual antipatia. assumem atitude inflexível. de atos de difamação sistemáticas [ sic]. para o assediador. por meio de quem o assediador confere sentido a suas próprias capacidades. entre outros. rebelde. cineastas. no Brasil. abrange todas as classes. em resumo. insolente. mentiras institucionais. e também aquele. e dá visibilidade à sua dominação. trabalhadores ou empregados. 30.. espírito livre. Diz Seixas (2006): Vale-se o assediador. a suas próprias aptidões. infelizmente „ democratizou-se‟ no mau sentido. indisciplinado. igualmente.19 aos outros. p. podendo ir do insulto à difamação. também são atingidos por esse fenômeno. o assediado. por aqueles que temem perder o poder de que dispõem. desembargadores. cidadãos. Acrescem-se a esse rol advogados. artistas. passando pelos apartes difamadores e a difusão de rumores caluniosos. por mais limitado. São estas mesmas técnicas as empregadas contra jornalistas. médicos e funcionários de funções diversas. 5 Esse ataque é uma defesa que usa de todos os meios contra aquele "agitador". políticos. acusações reiteradas ao encontro daqueles que usam sua liberdade de expressão e de ação ou que se recusam a obedecer às codificações comportamentais oriundas de pressões sociais conformistas. de falsas confidências destiladas de má fé. em face de contestações e oposições. enfermeiros. militantes de associações de defesa dos direitos dos povos ou de proteção dos direitos do homem – de todos os direitos do homem e não apenas de alguns ou de alguns poucos em um único sentido 6 – professores. O intuito do assédio é. o assédio moral se dava basicamente com o peão. muitas vezes bastante qualificados.

verifica-se que na legislação trabalhista francesa se menciona que “é da alçada do chefe da empresa tomar todas as providências necessárias tendo em vista prevenir [estas] manobras”. . diferentes locais de atuação. p. configurando-se situações específicas em diferentes formações históricas e sociais. quando há uma hostilidade difusa. "Nenhum assalariado deve sofrer manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo ou efeito uma degradação das condições de trabalho passível de atingir seus direitos ou sua dignidade. 2006.”. sentimentos que provocam. ou apenas suscitam. que sofreram mudanças no decorrer do tempo. 2006. sarcasmo. olhares e expressões do rosto.20 social.33. segundo Ravisy (2002 apud HAROCHE.36. Por sua vez. tendo-se em vista as transformações da sociedade e da conjuntura política e administrativa. 37). alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro ”.8 Esses códigos tendem a especificar comportamentos. gestos. reservas. ironia. ofensas. Em breve incursão no Direito Comparado. em última instância. 7 8 SEIXAS. No entanto a justiça e a legislação brasileira são aliadas do assediado se bem aplicadas em determinados casos. a lei francesa entende por hostilidade difusa "manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo e efeito uma degradação das condições de trabalho passíveis de ferir os seus [da pessoa] direitos e a sua dignidade. p.. certo ostracismo – que podem ser traduzidos em normas que atuarão sobre as condutas. p. Segundo tal legislação. particularmente nos locais de trabalho. a intenção é provocar a destruição de toda forma de solidariedade social. múltiplos códigos de comportamento – atitudes. No Brasil há dificuldade de comprovar o assédio moral quando ele tem aparência sutil. humilhações e ultrajes. in SEIXAS.7 Há. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro profissional. hostilidade difusa composta por reticências. Id.

a repetição das humilhações aos novatos. se a lei „buscava impedir os excessos mais grosseiros da violência bruta dando a si mesma o 9 direito de usar de violência contra os criminosos‟ . A impossibilidade de demitir-se sob pena de perder seus direitos sociais barra a descarga sensório-motora. Diz Haroche (in SEIXAS. (1981 apud HAROCHE. que descarrega o corpo do excesso de tensão. in SEIXAS. O impasse criado nestas 9 10 FREUD. que permite trabalhar o „excesso‟ intrapsíquico. a francesa sejam desvantajosos para o Brasil – no sentido de considerar positivo o alto grau de normatização de uma sociedade –. se pode entender que o relativo descompasso e a diferença de aplicação entre a atual legislação brasileira e. ela não possuía. 2006): No início dos anos 1930. 2006). condições de „levar em conta as manifestações mais prudent es e mais sensíveis da agressão humana‟ 10. os vexames e as injuções paradoxais têm valor de destruição psíquica e suspendem todo trabalho do pensamento. forçoso admitir o excessivo cerceamento a que são submetidos os indivíduos pertencente às sociedades altamente regulamentadas.. afirmou que. porém. . por um lado.] A subordinação própria à definição jurídica de contrato de trabalho prende o assalariado numa toxicidade contextual experimental. in SEIXAS. Freud exprimiu um profundo pessimismo quando. 1981 apud HAROCHE. 2006.. Numa situação de assédio. o aparelho psíquico só pode se afrontar a [sic] uma situação excessiva fonte de excitação graças a duas grandes vias de expressão: o pensamento. convencido do caráter fundador da lei nas sociedades humanas. p. de ser insultado impede o assediado de tomar medidas para mitigar ou mesmo acabar com o problema.p. o movimento. há a questão individual. Com efeito. a vergonha de ser vulnerável.21 Se. em sua reflexão sobre o mal-estar na civilização. ao estabelecimento e desenvolvimento de um aparato regulamentador. aparecem alguns conceitos que poderiam ser aplicados ao trabalho no setor público.. privada.41. Freud. Id. que deve ser levada em consideração relativamente ao tratamento da questão do assédio.41. por exemplo. Paralelamente. A vergonha de ser fraco. por outro lado. é. Em interessante trabalho de Marie-Grenier Pezè (2004). quando a autora menciona: [. no entanto.

o Estado. silenciamento da solidariedade11. as depressões e os quadros psicossomáticos certamente são dominantes. como ortopédicos e outros que não toquem a questão laboral. à vulnerabilidade. conduzindo de maneira quase inapelável à sua destruição na instituição. por razões de produtividade e de equilíbrio orçamentário das empresas. o caráter contingente e efêmero que conduz à precarização. segundo Haroche (in SEIXAS. como figura de mediação. já que podem ser cortadas de seus empregos a qualquer momento. 2006). é sorrateiro e progressivo. ostracismo. Entre esses. que se dissemina como verdadeira peste nas instituições. ou dificuldade de ascensão na carreira. que é poroso. A segurança das pessoas nos postos de trabalho não tem mais salvaguardas jurídicas consistentes. Com isso. posição que ocupava no espaço social da modernidade e por meio da qual oferecia formas de proteção para 11 No serviço público paulista as pessoas preferem dizer que estão com problemas de outra ordem. no que tange à possibilidade de perda de emprego. embora o setor de RH. No setor público existem perdas de privilégios.22 duas grandes vias de escoamento das excitações traumáticas convoca fatalmente a ruína depressiva e a via somática mais ou menos a longo termo. muitas vezes deixe vazar a informação sobre a real patologia do assediado. . salientando-se amplamente as que se devem a motivos psiquiátricos. É evidente que as licenças psiquiátricas reforçam ainda mais a experiência de destruição social da personagem afetada. as licenças de trabalho por motivos de saúde são bastante comuns. Há que se considerar também o medo. O assédio moral. ao isolamento do indivíduo em formas extremas de individualismo que implicam em [sic] uma grande violência psíquica. Nesse contexto. Haroche (in SEIXAS. realimentando no imaginário as idéias da trama diabólica e da "conspiração". 2006) afirma que: As qualidades e comportamentos exigidos dos indivíduos na esfera do trabalho nas sociedades contemporâneas fornecem as razões pelas quais o assédio irrompeu hoje com tal intensidade: a flexibilidade. confirmando a posteriori a desconfiança dos superiores e dos colegas sobre a credibilidade e a competência funcional desta. a auto-estima da personagem afetada se esvazia pouco a pouco.

operacionalizar modos de administração que favoreçam o assédio. começa a ser ostensivamente desconstruído. segura de si. as relações de violência. [.. É também por causa disso que os demais subalternos se aliam ao chefe e não ao colega assediado. o assédio não é obra de uma pessoa particular. angústia arcaica que revela o medo de perder o amor do ser amado. O gozo do poder. por . o sentimento de nunca estar fazendo o suficiente. isto é. nem perversa. agressiva. 2006) defende que: A percepção de que o assédio possa ser uma estratégia de poder de mão dupla. de crise de vigilância.. [§] A noção de assédio moral tende a focalizar o problema sobre o comportamento das pessoas. Segundo Gaulejac (in SEIXAS. em vez de focar os processos que os geram. leva-me a propor aqui uma reflexão sobre um tipo de assédio que se caracteriza como uma determinada relação de sedução entre desiguais. Ela pode.] Na maioria dos casos. mas de uma situação de conjunto. a tensão permanente para estar à altura das exigências. 2006. particularmente. pragmática. preferem associar-se ao superior para manter o seu lugar institucional e não ser assim excluídos definitivamente também do espaço social. O contexto suscita uma pressão contínua.. Daí. tem o seu reverso: a angústia da perda do objeto.79). centrada mais sobre a ação do que sobre a reflexão. todavia. insensível. seu mecanismo de funcionamento pode suscitar nos empregados comportamentos neuróticos. nem paranóica. num evidente abuso de poder. de exclusão. já que. No entanto. pronta a tudo para vencer.] Uma organização não é neurótica. É a perda de poder de mediação o que permite que os superiores de uma empresa se autorizem a fazer o que querem e bem entendem com os subalternos. p.23 os cidadãos. a angústia de não estar à altura daquilo que a empresa exige. O sistema empresarial suscita um modelo de personalidade narcisista. pronta a oferecer corpo e alma para o trabalho.. [. paranóicos ou perversos. não podendo mais acreditar e confiar na mediação do Estado para limitar efetivamente tal abuso de poder. (grifo nosso) Magalhães (in SEIXAS.

dada a situação de isolamento em que o alvo do assédio se encontra inclusive. mas que pode vir a ser.24 certo. mesmo persistente. deixando-o na “geladeira”. por propiciar vantagens recíprocas. então o Estado dispõe conseqüentemente de métodos de assédio. deve existir verdadeiro abuso de autoridade. Os sindicatos exercem importante atuação no avanço da . e para isso deve exercer determinada pressão. sublimando o sofrimento. ele volta o interesse para outras atividades. não constitui automaticamente ato de assédio. pois qualquer pressão. consentida. Não se pode olvidar que é prerrogativa do administrador público manter um andamento no trabalho. 2006): Se o assédio é manifestação de todo poder de dominação. embora tal controle seja pífio. e os mecanismos de assédio são produtos da estrutura. Estes fariam parte da sua natureza. (p. esse distanciamento do problema e da instituição lhe propicia ser transferido ou posto à disposição de autoridade superior. constituíram assim um critério do poder de dominação. e o Estado é. não raro o assediado se beneficia do processo de assédio: não lhe sendo delegada nenhuma atividade.83) Nota-se que no assédio moral. um poder de dominação.108) Nesse sentido é que instrumentos de assédio moral no serviço público são mais institucionalizados. permitindo que haja uma política discricionária e permissiva. pois a malha de proteção do funcionário é mais tênue – uma vez o executivo é na teoria controlado pelo legislativo. dos processos e da hierarquia no serviço público. distanciando-se da instituição e perdendo o vínculo. nem lhe sendo solicitado nada. uma ação de humilhação do outro. o seguinte silogismo é apresentado por Nelly Ferreira (in SEIXAS. por sua vez. de infração. João (2006) menciona que as normas coletivas de diversas categorias profissionais apresentam cláusulas que visam à prevenção ou à denúncia de práticas de assédio moral. que viabilize o assédio moral –. (grifo nosso) Embora problematizado pela própria autora. Assediar é realizar uma ação que guarde a conotação de ilegalidade. (p. ainda que mais ou menos incessante. da sua identidade de potência dominadora. em si mesmo.

no âmbito público.. Exemplo de tal manifestação de assédio é transferir o funcionário de local de trabalho com o intuito de desestabilizar o empregado. em especial por atender as especificidades das categorias profissionais e econômicas. mas ainda não tem se mostrado muito eficaz porque as pessoas têm ainda receio.. membro do Ministério Público do Trabalho.] que prevê [. mostrando sua habilidade em „esmagar‟ elegantemente É o chefe agressivo.. Em seminário realizado em 2006. porque é no exercício normal das prerrogativas patronais que o assédio se manifesta mais freqüentemente. se guardar. quando existem..Tipos de assediadores. mais difícil de demonstrar. portanto.. Humilha com cautela. do apoio que o trabalhador deve dar ao sindicato para fortalecimento dele para que ele possa dar o retorno ao trabalhador [.] uma lei no âmbito municipal [..]. Existem vários tipos de assediadores. (Seminário Antonio Mentor.. Profeta Pit. violento e perverso em palavras e atos. contudo.] escala punitiva..Bull Sua missão é enxugar a máquina demitindo indiscriminadamente os trabalhadores (as). do funcionalismo público é muito mais forte a situação de assédio moral. apresentados de forma bem-humorada no quadro 1. as pessoas preferem se fechar. A obrigação de executar o contrato de trabalho de boa-fé pode. o problema é ele conseguir a prova. vir em auxílio do trabalhador. As testemunhas.] que [. mais do que numa empresa privada. Quadro 1 . muito mais contundente e muito mais difícil de esse revelar. do trabalhador revelar e do trabalhador receber a justa reparação pelo dano que ele sofre. mas recebe desde que ele consiga a prova. a Sra.. por isso da união. Osksana Maria Dziura Boldo. reservadamente. consolidação do sindicato.. Trata-se de caso de abuso de direito sutil e.25 proteção do trabalhador. disse que: [. defendendo a atuação do sindicato e a interação entre o trabalhador e o sindicato na consecução da mitigação do assédio moral no serviço público. já se falando em serial bully.. Esse autor menciona também que o assediador seria uma pessoa incapaz de viver sem um alvo.. . são seus superiores.] existe [. já que se impõe a ambas as partes ligadas por uma relação de trabalho. 2006) Schmidt (2001) menciona que o assédio moral pode ser também visto pelo ângulo do abuso de direito do empregador de exercer seu poder diretivo ou disciplinar. da representação ao sindicato.

utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador. mantendo-se o devido sigilo: está-se propondo. 2001.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público.26 Troglodita Tigrão Mala –babão Grande irmão Garganta Tasea (“Tá se achando”) Demite friamente e humilha por prazer É o chefe brusco. Nascimento (2009) compilou leis de vários municípios e realizou um cotejo sobre os conteúdos nelas presentes. Submete-o a situações vexatórias. que há . aqui. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. procedendo-se a uma exaustiva discussão sobre o problema particular de cada município antes da promulgação da lei.H. Na primeira “oportunidade”. afastá-lo do grupo. É uma espécie de capataz moderno Aproxima-se dos trabalhadores (as) e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um. Em caso contrário. grotesco. no Anexo II . para no dia seguinte modificá-los. Aqui se defende. que a prática adequada seria dar atenção à peculiaridade de cada município no que se refere ao assédio moral. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. por exemplo. Fonte: SCHMIDT. Esconde seu conhecimento com ordens contraditórias: começa projetos novos. deve-se construir um modus operandi também adequado a cada caso. demiti-lo ou exigir produtividade É o chefe que não conhece bem o seu trabalho. além da necessidade de especificidade. mas vive contanto vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. Persegue e controla cada um com “mão de ferro”. Seu tipo é> “eu mando e você obedece” Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista a seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos Aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. Veja-se. Exige relatórios diários que não serão utilizados. entretanto. verificou que se trata do mesmo conceito.F. M. No campo legislativo. responsabiliza a “incompetência” dos seus subordinados. colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferiores à sua função Confuso e inseguro. já existem previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho que envolvem o serviço público. Acrescente-se que. independentemente se intra ou extramuros. para rebaixálo.M. como. colhe os louros. Sempre está com a razão. Se algum projeto é elogiado pelos superiores. indiscriminadamente tratado.

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uma carência tanto na adequação de teor das leis, quanto na implementação das mesmas, levando-se em consideração a peculiaridade do objeto da lei.

Na esteira da necessidade da especificidade, cabe observar que existe um tipo de assédio moral incidente sobre um grupo de assediados, ou seja, o assédio moral pode ser coletivo, conforme menciona Batalha (2009); em se tratando de servidores públicos organizados em carreira, se os colegas o assediam moralmente, cabe argüir assédio moral coletivo.

Barreto (2000), em estudo com 2072 trabalhadores de 97 empresas dos setores químico, farmacêutico, de plásticos e similares, de portes variados, dentro da região da grande São Paulo, verificou a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício de sua função, de forma repetitiva, caracterizando uma atitude desumana, violenta e antiética nas relações de trabalho, assédio este realizado por um ou mais chefes contra seu subordinado. Trata-se de estudo sobre um universo específico; pode, no entanto, servir de balizamento para uma aplicação à problemática do assédio moral ao servidor público, uma vez realizados estudos destinados a verificar a aplicabilidade deste quadro 2 quanto aos sinais e sintomas eventualmente presentes no servidor público vítima de assédio moral.
Quadro 2 - Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral.

Sintomas Crises de choro Dores generalizadas Palpitações, tremores Sentimento de inutilidade Insônia ou sonolência excessiva Depressão Diminuição da libido Sede de vingança Aumento da pressão arterial Dor de cabeça Distúrbios digestivos Tonturas Idéia de suicídio Falta de apetite Falta de ar

Mulheres 100 80 80 72 69,6 60 60 50 40 40 40 22,3 16,2 13,6 10

Homens 80 40 40 63,6 70 15 100 51,6 33,2 15 3,2 100 2,1 30

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Passa a beber Tentativa de suicídio
Fonte: BATALHA, L.R., 2009.

5 -

63 18,3

Segundo Heloani (2004), a maioria das pesquisas aponta que as mulheres são, estatisticamente, as maiores vítimas do assédio moral. Também são elas as que mais procuram ajuda médica ou psicológica e, não raro, no seu próprio grupo de trabalho, verbalizando suas queixas, pedindo ajuda.

Em relação aos trabalhadores, Schmidt (2001) menciona que, em pesquisas realizadas na França, com 153 médicos da região de Poitou-Charentes, 95% responderam que já tiveram conhecimento, ao menos uma vez, de um caso de assédio moral. Os médicos avaliam que essas situações são pouco freqüentes em 63,5% dos casos e freqüentes em 21% dos casos. As situações consideradas graves ou muito graves representam 75% das respostas. De outro lado, em 82 dos casos assinalados, os médicos diagnosticaram incapacidade (em metade dos casos, temporária, e em outra metade, definitiva) e 65% dos médicos pensam que a situações aparentes de assédio moral estão em progressão nos últimos anos. Santos (2008) veicula a seguinte contribuição estatística: “Pesquisas foram realizadas pelas Universidades de Estocolmo, na Suécia, e Alcalá, na Espanha indicando que 27% (Estocolmo) e 16,39% (Alcalá) dos entrevistados admitiam a redução da eficácia em razão do assédio psicológico.”. Trata-se de dados preocupantes, ainda que se considere que:
O trabalho, hoje, absorve a maior e melhor parte do tempo dos indivíduos, sendo, portanto, um espaço/tempo para a exposição da subjetividade, considerando que o trabalho realizado pelo homem diz respeito a ele mesmo, por expressar suas escolhas, opiniões, características, dentre outras revelações de si explicitadas cotidianamente. [§] [...] [§] Além do contexto da organização do trabalho em si, o sofrimento psíquico, no trabalho, pode ser ainda decorrente da incompatibilidade entre a história individual do sujeito e uma organização de trabalho objetiva, racional e intolerante. O quadro seria a famosa cena do filme de Chaplin, „Tempos Modernos‟: o homem tragado pela engrenagem; percebe-se claramente na metáfora um sistema de nervos, cérebro, sentimento e alma, devorados por um sistema mecânico, racional e desumano, que leva o homem a uma sensação de impotência. [...] [§] [...] [§] O assédio moral é um conceito muito subjetivo. O nível de desrespeito exercido e sofrido é variável de acordo com a percepção individual. É imprescindível considerar a cultura, a história

29 de vida e vários outros aspectos específicos de cada indivíduo. Porém, a constatação de comportamentos abusivos que se mostram muito freqüentes é de suma importância para que se possa entender melhor esse fenômeno. [§] [...] [§] Observa-se que indivíduos que de alguma forma se destacam dentro da organização tornam-se possíveis alvos de assédio moral. Isso pode ocorrer até mesmo com funcionários honestos que reclamam da impunidade, quando percebem que regras não estão sendo cumpridas, ou com sujeitos que tentam cumprir as suas funções da maneira mais competente possível. [...] [...] Comecei a escutar muita reclamação dos pais e mães porque a instituição não funcionava. Então eu pensei em fazer alguma coisa e primeiro eu fui falar com a minha chefe, para saber qual era a posição dela. [...] Eu já senti nela um tom de ameaça quando ela me disse que era assim mesmo, que ali era um serviço público e que se você quiser continuar ali, funciona dessa forma. [sic] (MARTINS, 2009)

Barreto, citada por Batalha (2009), menciona que:
[...] o perfil pessoal da vítima é delineado por uma inteligência, geralmente, um pouco acima da média, uma personalidade altruísta, ingênua, insatisfeita, honesta e consideradora dos valores morais, apegada ao trabalho e à instituição pública, o tipo de pessoa que não tolera injustiça com ninguém.

Apesar das discussões em grandes fóruns sobre o tema, no nível micro, local, vê-se muito pouca discussão sobre o tema e pouca ação no sentido de mitigar o problema. Acrescenta-se o fato de os sindicatos estarem pouco preparados e pouco disponíveis para o enfrentamento da matéria, pois sabem que terão de sair da sonolência na qual grande parte deles está, como se se tratasse de repartição pública, para enfrentar a tensão das discussões com as direções, principalmente no serviço público, onde algumas lideranças estão acomodadas em seus nichos, sem querer sair de suas zonas de conforto.

Um dos fóruns dos quais acima se falou foi a 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, realizada em 2006, que deliberou sobre os itens abaixo, tocantes ao assédio moral:
Item 54. Desenvolver ações no sentido de agilizar a tramitação do Projeto de Lei nº 2.369/03, que trata o assédio moral nas relações de trabalho como ilícito trabalhista e conceitua essa violência, com o objetivo de obter sua aprovação. Item 78. Incluir os impactos psicofísicos na saúde, resultantes do assédio moral, como fator de risco ocupacional, caracterizado como crime, ficando

imperceptível. não obstante. acordos tácitos de estabilidade efêmera. por conforto ou por medo de perder privilégios ou a tranqüilidade no trabalho. A literatura menciona que ele. permitindo que haja pequenos desvios da legalidade. Definir que sejam investigadas. na “geladeira”. sem função e. Item 155. quando menciona: . se estiver em algum cargo. Promover ações educativas e esclarecedoras em âmbito nacional no intuito de construir a conscientização da sociedade sobre essa violência e a desnaturalização dessa prática na organização do trabalho. Quando determinado funcionário não demonstra medo. existe processo de cooptação para que ele não aja contra a ordem preestabelecida. mantêm-se a estrutura em funcionamento. isso é pretexto para a inação. no sentido da prevenção do sofrimento mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Divulgar as empresas campeãs nesse "ranking" perverso. estatísticas. Item 151.30 as empresas públicas e privadas obrigadas a emitir a Comunicação de Acidente do trabalho – CAT. O que se verifica é que existe certa ingovernabilidade no serviço público. O assediado muitas vezes demora a perceber que está sendo assediado. (Relatório Final da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador . no entanto. as empresas nas quais sejam registrados casos de assédio moral no trabalho. sindicância ou processo administrativo.24/3/2006). cada vez mais. se não for cooptado. pesquisas e divulgação de casos) sobre assédio moral e sexual nas relações de trabalho em todos os níveis de atenção à saúde. mesmo que isso lhes pareça incorreto ou muitas vezes alheio à legislação. trata-se do tipo de funcionário aqui já descrito como aquele que tem o perfil de participação e se sente muito mal em estar em tal situação. Há concessões entre a direção e funcionários. que só poderão ser aferidos com base na legislação ou por meio de apurações. o procedimento normalmente é deixá-lo de lado. após algum tempo. As pessoas têm medo de sair da sua zona de conforto. pelos setores da Saúde e do Trabalho e Emprego. Para determinado tipo de funcionário. Incluir no Observatório de Saúde do Trabalhador informações específicas (notificação. especialmente os atendimentos realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial – CAP‟s. tem um “insight” do problema que está passando. A alegoria da caverna platônica nos fornece elementos para analisar um processo de assédio. pois o assédio é processo quieto. esv aziar as atribuições do cargo. ou não aceitar as regras. então não fazem o que vai de encontro à direção e suas ordens.

. Da mesma forma. existe uma fragilidade emocional na qual se encontram os funcionários da determinada repartição. 2006.Platão. o que configura a dimensão do problema. Tipos de Assédio Moral Koubi (in SEIXAS. doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia. falta sensibilidade ou há acobertamento pela alta direção dos procedimentos que ocorrem na intimidade da instituição. existe uma falta de mecanismos capazes de reverter o processo de assédio: o senso ético é muito tênue. transfere-o ou põe-no à disposição. em função de sua sensibilidade ou idiossincrasia. 1. se alguém o [o homem preso na caverna] forçasse a olhar a própria luz. muitas vezes interessadas em obter proveito próprio em função de alguma fragilidade.4. judiciária. e. Muito embora alguns consigam percebê-lo. quando observa que o assediado começa a apresentar os primeiros sinais e sintomas decorrentes do processo de assédio e que isso pode causar comprometimento. há dificuldade em obter provas e testemunhas. ainda que pressuposta. para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar. A perversidade muitas vezes chega a tal ponto.31 Portanto. fiscal. Brasília: LGE. de rigor ou severidade abusiva por parte de instituições ou pessoas determinadas. falta orientação adequada. em associação com estratégias de hostilidade ou brutalidade. que o assediador. e julgaria ainda que estes eram na 12 verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam? (A alegoria da caverna 2006) Muitas vezes o assédio é coletivo. é possível a certos usuários se dar [sic] conta de um assédio administrativo. de outrem. conseguem percebê-lo. entre outros fatores. 2006) menciona que o assédio pode ser de ordem policial.. administrativa. principalmente quando os funcionários públicos solicitam através de pedidos 12 A Alegoria da Caverna . sem cair na descrição de uma burocracia kafkaniana. há falta de regulamento interno na instituição. mas apenas um ou alguns.

ao passo em que os sadios. visão sistêmica do processo produtivo. provocando comportamentos agressivos e de indiferença ao sofrimento do outro". a subalterno] visa o [sic] reforço da autoridade. O medo de perder o emprego e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e fortalecimento da tirania. Os adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos. O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para produzir com qualidade e baixo custo. estudar a situação do assediado exige conhecer a posição do assediador: trata-se de fazer a distinção entre a pretensão de um e a situação do outro segundo os contextos e as circunstâncias nos quais se realiza. responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego. 13 O assédio moral é mais etéreo e difícil de caracterizar do que. o assédio sexual.32 ou de toda uma série de operações – seja por má fé [sic]. em que se faz lei para tudo. E um país como o nosso. rotação de tarefas. Qualquer que seja o caso. em que predominam os desmandos. humilhando-os.23) (grifo nosso) Quanto à pretensão do assediador. impor comportamentos conformistas. portanto. reforça atos individualistas.” . Decca (in SEIXAS. ameaçar de sanção as resistências. Mas. Hoje em dia. alimentar um clima de medo ou de resignação.. novas características foram incorporadas ã [ sic] função: qualificação. O enraizamento e disseminação do medo. o reforço da „cultura de empresa‟. Com a reestruturação e reorganização do trabalho. a sexóloga Marta Suplicy. a lei que criminaliza o assédio [sexual] ainda não pegou. 2009) assim define: “[. teórica ou concretamente. produtividade. a manipulação do medo. criatividade. tolerância aos desmandos e práticas autoritárias. Em um assédio descendente. qualificação. obediência obrigatória às ordens de superiores hierárquicos ou simplesmente em razão do desconhecimento dos textos aplicáveis – peças inúteis documentos inexistentes. de maneira eventualmente brutal e urgente. estes são objetivos gerais e permanentes. 2006) defende que: No Brasil é comum se dizer que as leis pegam ou não pegam. etc. eficiência.. competência. obter resultados imperativos. denunciar as injustiças mais patentes. se quer [sic] não apenas reforçar as obediências. 13 “Vilja Marques Asse (in Pereira. (p. autonomia e flexibilização. polifuncionalidade. competitividade. a competitividade. que carregam a incerteza de um dia vir a apresentar dificuldades produtivas. obter uma melhoria das condições de vida. a superior hierárquico] visa finalidades [sic] concretas: organizar a resistência à autoridade. no ambiente de trabalho. a melhoria da produtividade. A noção de assédio comporta finalidades mais imediatas: em um assédio ascendente. por exemplo. e apenas em maio de 2001 esta lei foi introduzida em nosso código penal. se exige dos trabalhadores maior escolaridade. provas impossíveis de serem localizadas. o assédio. reforçar ameaças. os programas de qualidade total associados à produtividade. portanto. tudo visando produzir mais com baixo custo. Um assédio descendente [vertical praticado por superior hierárquico e dirigido. por iniciativa da ex-prefeita da cidade de São Paulo. 2006) apresenta uma tipologia teleológica do assédio: Um assédio ascendente [vertical praticado por subalterno e dirigido. Ansart (in SEIXAS. mas. assimilam o discurso das chefias e discriminam os 'improdutivos'. desumanas e aéticas. títulos inverossímeis. O projeto-lei do assédio surgiu em 1995.] O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias.

’ Pois bem. não falta quem interprete um inequívoco „não‟ como um convite à insistência ou até como uma concordância envergonhada. contudo. assim. cargo ou função: Pena detenção.] [Em nota de rodapé:] a dificuldade conceptual deste tipo de assédio [o sexual] reside desde logo no seu início.. em Mobbing ou Assédio Moral no Trabalho. subsiste. Pouco a pouco.224 afirma em seu Artigo 216-A: „Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. 2006): A relação íntima ou próxima entre quem assedia e sua vítima.142) Na esteira da discussão da lei acima. descrevendo a volta dos Portugueses à terra mãe. ainda que travestida de uma aparente igualdade dos sexos. através de uma sequência de comportamentos. verificam-se várias manifestações no modo de realização. Isso dito. optou-se por qualificar o assédio sexual como integrando o mais amplo assédio moral [. Se deixam ir dos galgos alcançando. “O assédio moral manifesta-se.. já camões vislumbrava a fuga posta como meio de incentivar a perseguição.(p. de 1(um) a 2(dois) anos. vislumbrando aquelas ninfas disse: ‘Sigamos estas deusas e vejamos Se fantasias são ou se verdadeiras. conta-se que um dos heróis. o voltar-se as costas à vítima. velozes mais que Gamos.. em suma. Entre os tipos de assédio. Se lançam a correr pelas ribeiras. as manifestações de desprezo ou de ironia agressiva atingindo diretamente a pessoa assediada. Numa socaiede [sic] ainda profundamente machista.. prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. Os Lusíadas.33 Ainda mal conhecida lei nº 10. assim se expressa: Pese embora com algumas dúvidas conceptuais. referente ao assédio sexual. Mas mais industriosas que ligeiras. A pergunta que. 2009) Segundo as palavras Bresciani (in SEIXAS. é que [ sic] alguma coisa mudou desde então. A respeito do tema da recusa ao assédio significando uma anuência. Veloso. quando esta procura argumentar a seu favor. Pereira (2009). de forma subtil. quando desembarcando numa ilha. sorrindo e gritos dando. No Canto Nono. . melhor ou pior encadeados [. indica de modo enfático a força expressiva da palavra oral: tonalidade da voz. onde as ninfas já flechadas por Eros por desígnios dos deuses se entremostram aos lusitanos.‟.]” (PEREIRA. pressupondo sempre a presença física na situação de assédio. não se resiste a citar uma passagem heróica de Camões. Fugindo as ninfas vão por entre os ramos. as expressões faciais.

.34 Em tom conclusivo Pereira (2009) diz: [.. mas.] pode dizer-se que. contribuiu para que os mesmos se automatizassem até o limite do insuportável. ao invés. . pese embora tendo como pano de fundo pretensas preocupações sociais. na maior parte dos casos. o progresso não foi acompanhado de uma crescente humanização dos ambientes e das relações de trabalho.

são já fidalgos.. guardados pelas Câmaras.. os senhores de terras e engenhos..... Doroteu.. contudo. contra a polícia Franquearem-se as portas.. 1981.. E também... de limpo sangue‟ (Ordenações Filipinas. Os tendeiros... Agora. por um fenômeno de interpretação inversa de valores.. Os postos..35 2 O SERVIÇO PÚBLICO 2.Dicionário Buarque de Holanda. transforma o titular em portador de autoridade.. além. doce amigo. segundo Faoro (2001). em presença do chefe.. o exercício do cargo infunde o acatamento aristocrático aos súditos. Os „homens bons‟ compreendiam.. L. Seus néscios descendentes já não querem Conservar as tavernas. Não tardaria muito e a venda dos empregos elevaria aos cimos da nobreza a burguesia enriquecida. Conheço... Mal se vêem capitães. sofriam registros novos e inscrições progressivas... a outros muitos 14 Que foram almocreves e tendeiros ... tít... O severo Critilo.... a que subam Aos distintos empregos. Que foram alfaiates e fizeram. Confere-lhe a marca de nobreza.. ou nobre porque letrada... retrata bem os valores dominantes.. Os Livros da Nobreza.. ainda no século XVI. Puxando a dente o couro. E. O cargo público em sentido amplo. num alargamento contínuo. I... II). tít.. . na realidade. bem sapatos.. que mais os pagam....... esses caracteres fossem muitas vezes ignorados.... atributo do nobre de sangue ou do cortesão criado nas dobras do manto real. sem.... representante da nobreza letrada..1. na repulsa às ascensões plebéias aos postos de governo.. dos nobres de linhagem. que lhes deram Os primeiros sapatos e os primeiros 14 Almocreve: Homem que se ocupa em conduzir besta de carga.. Breve história do serviço público no Brasil No Brasil colônia. .. aqui se vendem. como as outras drogas que se compram. a comissão do rei... ou de „boa linhagem‟ (idem. Nas Câmaras se exigia igual qualificação para a escolha dos vereadores entre os „homens bons‟ . para indignação e pasmo das velhas linhagens.. Devem daqueles ser. tendeiro: homem que vende em tenda.. I)..... Como o emprego público era. as pessoas Que vêm de humildes troncos... não te rias De veres que estes são aqueles grandes Que.embora. finalmente. encostar podem Os queixos nos bastões da fina cana.. Doroteu. eliminar a categoria aristocrática. com a contínua agregação de burgueses comerciantes. Para a investidura em muitas funções públicas era condição essencial que o candidato fosse „homem fidalgo.. a burocracia civil e militar....

210 e 250. cit. em graus. que império pode Um povo sustentar.2. ou seja. 2007).] [. 2. não subjuga e aniquila a nobreza. por meio de alguns atores. o serviço público no Brasil tem realizado. um esforço para empreender mudanças no seu modo de operar. que tornou-se [sic] arraigada no âmbito das 15 Critilo. consideradas não só as raízes coloniais marcadas pelo tipo de prática interpessoal verificado na citação acima.] Os privilégios inerentes ao cargo público no sistema patrimonial estamental. senão que a esta se incorpora. porém ainda incipientes.. encostados no setor ministerial do governo. tecida de zombarias e desdéns. impedem o controle de revisão e de substituição de autoridade. . que só se forma 15 De nobres sem ofícios? A burguesia. sem o racionalismo da estrutura burocrática. A via que atrai todas as classes e as mergulha no estamento é o cargo público. A vontade do povo não tinha influência na organização do Estado. apaniguados do poder que recebiam um salário e administravam o Estado segundo seus próprios lemas e determinações. p.. Os conflitos do serviço público no Brasil De acordo com Medici e Silva (in NOGUEIRA. instrumento de amálgama e controle das conquistas por parte do soberano. Doroteu. a despeito de proporcionar espaço para as mudanças. no afidalgamento postiço da ascensão social. [. Hodiernamente. A fase taylorista sancionou tal comportamento. Daí os conflitos. as disputas de atribuições. as resistências de funcionários que se dirigem diretamente ao Conselho Ultramarino. aderindo à sua consciência social. [Cartas chilenas]. não transformou substancialmente tal prática. Op.36 Capotes com capuz de grosso pano. se afrouxa com o curso das gerações. No entanto o corpo de funcionários governamentais continuava com raras exceções a separar o planejamento e a ação da determinação da vontade social. com proteções poderosas de pessoas da corte.. O advento das democracias participativas e a eleição dos líderes do executivo e do parlamento trouxeram várias mudanças no escopo e na representatividade da administração pública. nesse sistema. mas também a persistência de tal prática. Que império. A íntima tensão. Nas origens da administração do Estado (era absolutista) os funcionários públicos nada mais eram do que funcionários do Rei.. e o fordismo.

[sic] de modo específico. colocando em questão a sua própria unidade específica. acima das classes... seguindo a trama de sua autonomia relativa. c) como ascensão das reivindicações e das lutas próprias ao pessoal do Estado.. ocasionou uma transformação na visão de mundo da administração pública: a sociedade não é composta de súditos ou concorrentes.] o que ocorreu com o Estado em geral entre os fins dos 70 e inícios dos anos 2000.. muitas vezes. no que se refere à estrutura organizacional própria dos aparelhos de Estado. [. então..] ocorrem divisões e contradições internas acirradas no seio do pessoal do Estado. estranhas ao papel ideológico e aparente de neutralidade e de árbitro. Diferente do conflito entre capital e trabalho.]”.. Uma primeira mudança de comportamento. fissuras e reorganizações destes.”..] a crise política se traduz no próprio interior do corpo do pessoal estatal de várias maneiras: a) como crise institucional do Estado. quer dizer precisamente como reorganização do conjunto dos aparelhos de Estado. .. mas sim de clientes e cidadãos.. quais são as fontes do conflito no interior do Estado. no seio do pessoal de Estado. 2007) afirma que: [. da luta e das contradições de classe tal como. Poulantzas (in NOGUEIRA.37 administrações públicas dos países centrais. elas se exprimem. Questiona. Ocorrem também divergências de natureza política e ideológica que dividem o pessoal do Estado entre posições mais à esquerda e à direita. a que assim responde: “As fontes do conflito no estado capitalista encontram-se duplamente determinadas pelas relações diretas entre funcionários e níveis de governo do Estado e pelas contradições do regime capitalista de produção. b) como acentuação. no aparelho de estado esses conflitos se revestem da forma de brigas entre membros de diversos aparelhos e ramos do Estado. [.] [. fricções entre facções e corporações dentro do Estado.. com traços próprios. Diz Nogueira (2007) que os conflitos são inerentes às relações entre trabalho e capital na sociedade. Nogueira (2007) também afirma que: [. que o Estado exerce na sociedade. foi uma profunda transformação no sentido da crise mesma do Estado ganhando cada vez mais espaço o programa do Estado mínimo ou enxuto informado pela hegemonia neoliberal em contraponto ao Estado do bem estar social. produzida pela introdução da administração flexível.

que informam as fontes dos conflitos do trabalho no setor público e no Estado. produção direta de valor para acumulação de capital. A taxa de exploração do trabalho no Estado envolve a quantidade de salário em relação à jornada de trabalho e às condições necessárias de vida em sociedade. 1998) . não seria adequado.. que não há no relacionamento coletivo dentro do Estado. com o Governo e com outros órgãos públicos. cuja especificidade. Tais regimes subdividem-se em diferentes profissões e diferentes categorias. Assim. predominantemente capitalistas. para os relacionamentos explicitados. 2007) menciona que: Para o caso do setor público. Por isso é mais adequado adotar a noção de relações de trabalho no setor público. Isto. não significa que não haja exploração direta do trabalho pelo Estado. mas. e sim reproduzir o capital.38 2. ou seja. Isto significa. das perdas salariais históricas e da melhoria das condições gerais de trabalho. [sic] não nega sua condição de pertencer a uma totalidade de relações sociais de produção. A exploração ocorre na esfera da reprodução do capital. porém. são relações de trabalho entre não proprietários de meios de produção entre si (funcionários e governo ou governantes e dirigentes). Qualquer proposta atual sobre um sistema de relações de trabalho para o setor público. que cuida das relações trabalhistas externas da empresa com os sindicatos. evidentemente. os funcionários do setor público se dividem em diferentes regimes de trabalho: o dos servidores estatutários. as políticas de contenção dos gastos públicos para enfrentar as crises dos Estados capitalistas submetem os funcionários públicos a permanentes arrochos salariais e deteriorações das suas condições de trabalho. controle e de prestação de serviços públicos. além do de Pessoal ou de Recursos Humanos. Esses diferentes status e as relações de poder a eles relacionadas dão margem a conflitos 16 “Relações Industriais é outra área relacionada a Pessoal. nos processos de serviços e administração voltados à esfera da reprodução social e política do conjunto da sociedade de classes. nas atividades de administração. Em muitas empresas há um setor específico com esta denominação. (grifo nosso) No entanto. Trata-se então de trabalho assalariado improdutivo [. às quais se associam diferentes status.]..” (OLIVEIRA. ao invés de relações sociais diretamente capitalistas. ou para a esfera interna do Estado capitalista.3. as especificidades do setor público devem ser apontadas. No caso do Estado de São Paulo. A questão dos salários informa sobre o padrão de vida dos assalariados. no parâmetro de Marx. A especificidade das relações de trabalho no campo estatal Hyman (in NOGUEIRA. o dos temporários e o dos assalariados. [sic] depende do encaminhamento dessas questões da defasagem salarial. Em primeiro lugar. [ sic] não é realizada para produzir. 16 o termo relações industriais .

é preciso captar e inserir a questão das relações de trabalho no setor público em uma rede de relações mais complexa entre funcionário público assalariado e Estado e os seus diferentes poderes. concentrando . a administração e o controle. coordena restringe-se à tradicional função de administração de pessoal. A relação existente entre o servidor público e a unidade administrativa é de natureza diversa da existente na iniciativa privada. Acrescenta Nogueira (2007): Nesse âmbito situam-se as relações de conflito entre indivíduo e organização burocrática [. também do seu lado. Até a Constituição de 1988 e a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho. que regula as circunstâncias e os interesses em jogo. Veja-se o Anexo VI . O administrador público está sujeito ao „princípio da legalidade‟.. do estatuto jurídico oriundo do direito administrativo e constitucional. [§] No campo público.. tendo como intermediários os sindicatos.] [§] [. a prestação de serviços além das atividades de planejamento. em função da fragilidade do contrato..] Ainda nos processos de trabalho do setor público há conflito potencial nas relações entre áreas de controle administrativo e áreas de prestação dos serviços.] a essência do trabalho no serviço público é o processamento intelectual e administrativo e uma operação não produtiva. o servidor público não poderia ter sindicato que o representasse. O processo de trabalho lida diretamente com a informação. a partir de sua incorporação ao ordenamento jurídico. [... podem resistir a qualquer forma de controle sobre seu trabalho e resultado. ou seja.. a área de Recursos Humanos [também chamada Departamento Pessoal ou Coordenadoria de Recursos Humanos]. passará a vigorar como lei ordinária e facilitará as relações do servidor público com o Estado. incrementa a organização sindical e fomenta processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. Com efeito.Convenção 151 – OIT. mercado capitalista e sociedade civil. a organização sindical dos servidores públicos tem maior dificuldade em alterar as condições de trabalho de forma abrangente. estas últimas ligadas diretamente à prestação dos serviços à população e que. porque estas dependem das instâncias políticas e administrativas. as relações coletivas se dão diretamente na superestrutura política e jurídica e dependem dos estatutos específicos das diversas categorias. dessa forma. Assim. A Convenção 151 da OIT está tramitando no Congresso Nacional desde 2008. Nogueira (2007) prossegue dizendo que: “[.. [§] Há na verdade maior complexidade das fontes contraditórias do confronto e no conflito coletivo do Estado. [§] No setor público. Categorias com contratos temporários e terceirizados estão mais susceptíveis ao assédio moral.]. o atendimento.39 que propiciam a prática do assédio moral.. da diferença salarial e das condições de trabalho.

Em outros termos. Isto é conseqüência do pouco investimento na qualificação profissional de pessoal específico de Recursos Humanos e da intervenção direta do nível político nas questões sindicais e das relações de trabalho no Estado. com esse fim. para que. da [sic] „racionalidade instrumental‟. as vítimas da violência não devem se culpar. que tenha por base argumentos justos e transparentes. para dar ao trabalhador agredido [por assédio moral] o direito de denunciar a agressão de que tenha sido vítima. que não lhes falta competência.22) Freitas (2007) considera que as assim chamadas áreas de Recursos Humanos estão particularmente preocupadas com sua própria sobrevivência e em mostrar serviços. no caso.] no Estado. ou seja. poderia existir dentro das próprias empresas. [. O departamento de Recursos Humanos em grande parte das vezes é composto por profissionais despreparados para enfrentar a questão do assédio moral. um local que.. angústias e expectativas... facilitando o entendimento. “aplicando a última moda de pacote prêt-à-porter”. o indivíduo agredido pode utilizar caixas postais e mesmo „urnas‟ em dependências isoladas dentro da organização. a velocidade das mudanças é muito menor. em várias de suas obras. Pertencem a uma categoria intermediária entre os ditos funcionários “do ch ão . em tese.. e a conservação do sistema tradicional de gestão do pessoal incapaz de responder às novas demandas tende a permanecer. vir a ceder espaço à „ação comunicativa‟. como diria Habermas. (grifo nosso) (p. O setor que deveria ser guardião de alguns princípios básicos da boa convivência organizacional pode ser o primeiro a exibir a dolosa política de avestruz”. por meio do departamento de Recursos Humanos da empresa [ou do serviço público]. Seria o caso. por escrito e sigilosamente.] se podem criar mecanismos. ou espaço de discussão. mas não bastam. treinamento e remuneração não desenvolvendo qualquer ação no campo das relações coletivas ou como instâncias mediadoras dos conflitos dentro das diversas instituições ou órgãos.] Poderíamos começar pela criação daquilo que Christophe Dejours. possa ter seu anonimato garantido. omitem-se e deixam “em aberto o caminho para que situações degradantes se repitam e se incorporem à cultura da organização. pode levar as pessoas a perceberem que seu problema não é individual. portanto. da [sic] lógica do sistema. que no atual momento nos parece utópica. chama de espaço público.. ou seja. onde os membros da organização pudessem expor seus problemas. São passos para amenizar o problema. tal discussão..40 seus esforços basicamente nos processos de seleção. Trata-se de um fenômeno que envolve interações sociais complexas e. Heloani (2004) afirma que: [. [§] [.

41 de fábrica” e a diretoria. as contradições do funcionário “do chão de fábrica” que também são. para que se evite tal tipo de assédio. Muitas vezes. no entanto. ficam em uma área intermediária entre a área estratégica – de comando – e a operacional. que os tem na mão – pois alguns funcionários do RH podem vir a receber benefícios de toda ordem e se esforçam para pertencer à classe dirigente –. O tema é ainda tabu nas repartições públicas. que não se faz possível empreender qualquer ação autônoma no enfrentamento do problema. também sofrem as ameaças da classe dirigente. deve intervir no nível do clima organizacional e da cultura organizacional. mesmo porque os mecanismos administrativos e legais são muito frágeis e de difícil acesso no serviço público. O setor de Recursos Humanos. o setor de Recursos Humanos é tão submisso à direção. muitas vezes desprovido de pessoas competentes para verificar o caso do assédio moral e modificar a situação. . Muitas vezes sabem da existência do problema do assédio moral. vivem. têm medo de perder os privilégios e a credibilidade dos funcionários da base. porém. sujeitos às mesmas normas. e a falta de conhecimento e reconhecimento da matéria é um dos motivos que levam à permanência do assédio moral em nosso meio. recebem a pressão dos sindicatos e das associações. estão. temem posicionar-se.

Manus (2006) menciona em proveitoso trabalho sobre o tema que. ato lesivo da honra e da boa fama” não é figura que atualmente se denomine assédio moral. inciso III. ao salário digno. na análise de Manus. O empregador pode vir a ser responsabilizado pelo assédio cometido por ele ou por um dos prepostos e condenado a indenizar o empregado quando 17 Garbin (2009) faz lembrar que “O ordenamento jurídico brasileiro não possui legislação específica sobre o tema que defina o assédio moral. reconhece a Constituição Federal o direito de o cidadão ser tratado com isonomia. Nas discussões judiciais sobre assedio moral. Isso quer dizer que. contra o empregado ou pessoas de sua família. merecendo respeito.42 3. da dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado democrático de direito foi importante passo na defesa do respeito aos valores mais caros ao cidadão. No âmbito da Administração Pública. Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral Concorda Nascimento (2004) com que a natureza jurídica do assédio moral pode inserir-se no âmbito do gênero “dano moral” ou mesmo do gênero “discriminação”. há com abundância normas de alcance administrativo no setor público. além do direito do trabalhador ao posto de serviço. Em nível federal tramitam alguns projetos de leis. enquadrar o problema do assédio de maneira transversa na constituição e na legislação trabalhista. no entanto.17 Poder-se-ia. JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS DO ASSÉDIO MORAL 3.” . porém. em nível municipal e estadual verificamos a existência de leis. acredita-se que a consagração pelo artigo 1º. pode haver enquadramento por meio de várias legislações.1. como contrapartida de seu dever de respeitar o empregador e seus prepostos. que menciona “praticar o empregador ou seus prepostos. Embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral na legislação no setor privado. muito embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral no trabalho. cívil e penal em nosso ordenamento jurídico. da Constituição Federal de 1988. entre elas o artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho. ASPECTOS LEGAIS.

do ponto de vista penal. com ofensa à dignidade do empregado. Em complementação ao acima descrito. inciso III. 139. Guerzoni (2008) defende que os incisos V e X do artigo 5º da Constituição Federal podem ser utilizados como supedâneos da reparação do dano. O fundamento para essa agravante é o artigo 61. em nosso caso ensejado pelo assédio moral. Não se pode olvidar que o artigo 932. inciso II. como no caso de o trabalhador ser humilhado por pura diversão. Diz o mesmo autor que também podem funcionar como agravantes do assédio moral a dissimulação (artigo 61. afirma ser possível que o assédio atue como circunstância agravante ou qualificadora do tipo penal. o artigo 944 do Código Civil aduz sobre o direito de indenização. estando a fixação do valor relacionada à proporção do dano causado. a ser ponderada pelo julgador no momento da quantificação da pena. O autor. inciso II. à luz do artigo 5º. cabendo-lhe. inciso V. 146 e 146-A do Código Penal. que versa sobre o motivo fútil. poder-se-ia fundamentá-lo nos parágrafos II e III do artigo 5º da Constituição Federal. fiscalizar os atos por estes praticados. No assédio moral descendente. alínea ”f”). do Código Civil responsabiliza o empregador objetivamente pelos danos causados a terceiros pelos seus empregados. e a prática de meios insidiosos (artigo 61. da Constituição Federal. ou abuso de . Quanto à possibilidade de indenização pelo dano moral. que abrangem o assédio moral e sexual respectivamente. inciso II. inciso II. a fim de coibir a prática de atos ilícitos. configuram-se as circunstâncias de abuso de autoridade (artigo 61. em robusta análise dos institutos jurídico-legais que podem fundamentar. como na situação em que o assédio tenha por intuito forçar o trabalhador a cumprir uma jornada sobre-humana. que implica direito a indenização. quando praticado no âmbito de empresas privadas.43 comprovada a hipótese de assédio moral. 140. gerentes e prepostos da vedação de atos que possam vir a configurar assédio moral. que não demonstram todo o poten cial ofensivo. que dificulta ou torna impossível a defesa do ofendido. Heloani (2004) menciona que. “c”). ademais. “a”. e sobre o motivo torpe. serviçais ou prepostos – o que implica o dever da empresa de informar seus empregados. uma demanda de assédio moral. dependendo-se da forma do assédio. configurando-se dano moral. e nos artigos 138. alínea “d”). do Código Penal.

naqueles casos em que as agressões partirem de servidores públicos. sua conduta pode ainda se enquadrada no crime de violência arbitrária. instigação ou auxílio ao suicídio (artigo 122 do Código Penal). [§] As agressões psicológicas poderão. estaremos diante do crime de lesões corporais (artigo 129 do Código Penal). [§] É possível a caracterização de crimes contra a organização do trabalho. [. sempre que o assediador criar ou reforçar o propósito da vítima de se suicidar. de 09 de dezembro de 1965.. ofício. impedindo-os de prejudicar a saúde física e psíquica dos demais trabalhadores. ainda. configurando-se o crime de aborto (artigo 124 do Código Penal). tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. (GUERZONI. “O grande desafio é definir o momento em que tais condutas se tornam suficientes [sic] graves para justificar a intervenção do Direito Penal”. causando uma perturbação no seu equilíbrio fisiológico ou psíquico. incorrerá no crime de extorsão (artigo 158 do Código Penal).] [§] Sempre que a conduta do assediador ofender a incolumidade pessoal da vítima. constranger a vítima de assédio moral a fazer. de maneira irrepreensível. alínea “g”). Dentre os diversos tipos penais dispostos nessa lei especial. assumem especial relevância para o presente tema. O artigo 197.. que ocorre quando se utiliza a violência ou grave ameaça para constranger alguém a exercer ou não exercer arte. alínea “h”)”. profissão ou indústria.Abuso de autoridade. Trata-se de figura semelhante ao constrangimento ilegal. Veja-se Anexo V.] [§] Se o sujeito ativo. bem como por não ter fiscalizado os seus empregados.898. 2008) Esses mesmo [sic] fundamentos [criminais] também tornam possível enquadrar a conduta do agente ativo no crime de induzimento. O artigo 203 define o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista.44 poder (artigo 61. refere-se ao atentado contra a liberdade de trabalho. Ainda o mesmo autor. na extorsão. previstos no Título IV da Parte Especial do Código Penal. praticado mediante fraude ou violência. inciso II. que coíbe os atos de violência ou grave ameaça que tenham por objetivo obrigar uma pessoa a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional. residindo a diferença no fato de que. em razão de não ter implementado medidas que garantissem a segurança do ambiente de trabalho. com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica.4. ou quando fornecer os instrumentos ou cooperar ativamente para que o suicídio se consume. ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. [. Mesmo que o assédio moral tenha sido praticado pelos colegas da vítima. ou nos delitos de abuso de poder cominados na Lei n. afirma que: . os atos lesivos da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. mediante violência ou grave ameaça. ser empregadas com o intuito de interromper a gravidez. A liberdade de filiação e desfiliação sindical é tutelada pelo crime de atentado contra a liberdade de associação (artigo 199 do mesmo diploma legal). inciso I. quando praticados com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal (artigo 4º. o lesado sofre um prejuízo patrimonial. previsto no artigo 322 do Código Penal... o empregador pode ser enquadrado no delito de lesões corporais culposas. [§] Quando o autor do assédio moral for servidor público.

a educação. pode-se dizer que é uma busca minuciosa de elementos objetivos que haverão de presidir o valor adequado para o caso concreto que houver lhe apresentado. a estrutura psíquica do trabalhador.00-1 – Relª. mais precisamente sentenças e acórdãos. que pode ser demonstrado por laudo psicológico.2. em sua obra “Dano Moral e o Direito do Trabalho” 18. também. V. sonegar-lhe informações e fingir que não o vê. afetando a vítima. Decisões judiciais sobre o Assédio Moral Reproduzem-se.2000. fonte de dignidade do empregado. cujo efeito é o direito à indenização por dano moral. trecho de doutrina sobre o tema e textos que veiculam decisões judiciais. p. De igual forma. as condições e as circunstâncias em que o fato-causa do dano moral se verificou. descumprindo a sua principal obrigação que é a de fornecer o trabalho. 310. O Direito Penal deve conservar o seu caráter de ultima ratio. . o assédio foi além. Dano Moral e o Direito do Trabalho. a repercussão do fato no meio social em que vive.00. fundamentalmente. com a sua personalidade abalada ou não. que o valor a ser arbitrado deve estar em sintonia com a extensão ou intensidade da ofensa. Antes de se recorrer a medidas penais. a respeito de pedidos de reparação de danos morais e a respeito de competência. Pensamos. Deve-se. Assédio moral – Contrato de inação – Indenização por dano moral. e por conseqüência. sem constrangimentos. visando forçar sua demissão ou apressar a sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empregado de tarefas inúteis.45 [. eis que minam a saúde física e mental da vítima e corrói a sua auto-estima. 4ª ed. No caso dos autos. para a duração no tempo do sofrimento moral. abaixo. Recurso improvido" ( TRT – 17ª R – RO nº 1315. 18 FLORINDO.] não se esgotaram as tentativas de solução do problema no âmbito do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo. considerar a quantidade de tempo em que o dano persistiu. A tortura psicológica destinada a golpear a auto-estima do empregado.. resultam em assédio moral. porque a empresa transformou o contrato de atividade em contrato de inação. 2002. São Paulo: LTr. Valdir Florindo.. a profissão. porque ultrapassada o âmbito profissional.17. fato esse de inegável importância como elemento objetivo para fixação do valor. quebrando o caráter sinalagmático do contrato de trabalho. é necessário constatar que as sanções de outra natureza se mostraram inadequadas para prevenir e reprimir os atos de assédio moral. 3. somente intervindo quando se mostrar absolutamente imprescindível para a proteção da dignidade do ser humano. Sônia das Dores Dionísa). o grau de cultura. assim se posiciona: Assim. ou persiste.

estando no estabelecimento do réu. Ao manipular tanto a emoção. Juíza Sônia das Dores Dionísio). A relação de emprego cuja matriz filosófica está assentada no respeito e confiança mútua das partes contratantes. A dinâmica grupal na área de Recursos Humanos objetiva testar a capacidade do indivíduo.08. da CF). Sendo o empregador pessoa jurídico (e não física).007. àquele que não cumpre sua tarefa a tempo e modo. 1294. Menezes Direito (julgado no dia 2/4/2009).. o paradigma hermenêutico ao art. praticados por empregados outros no ambiente de trabalho e com a ciência da gerência da empresa demandada – Imputabilidade de culpa ao empregador. por óbvio os atos de violação a direitos alheios imputáveis a ele serão necessariamente praticados. impõe a obrigação de o empregador abster-se de praticar lesão à honra e boa fama do seu empregado (art. Por isso.2008) adotou um paradigma ainda mais abrangente do que aquele firmado na ADIN no 3. mormente se esta agressão fora presenciada por agentes de segurança do reclamado. pelos danos morais causados ao reclamante (CCB então vigente.00-0 – Rel. A CLT. golpeia a sua auto-estima e fere o seu decoro e prestígio profissional.” (TRT – 17ª R – RO n. sofre.2002. Entretanto.5. Se o reclamante. por parte de seus colegas de trabalho. “Recurso ordinário do reclamado conhecido e desprovido” (TRT – 10ª R – 3ª T – RO n.005. como empregado do demandado. Dano moral – Empregado submetido a constrangimentos e agressão física. Tal entendimento.381/AM (DJE 8. mesmo que não pudesse o empregador impedir que parte de seus empregados desaprovasse o comportamento do reclamante e evitassem contato para com ele. Rel. por omissão. art. nos termos do art. 159 c/c art. Se a prova colhida nos autos revela. não poderia permitir a materialização de comportamento discriminatório grave para com o autor. sua aplicação inconseqüente produz efeitos danosos ao equilíbrio emocional do empregado. Somente servidores das pessoas governamentais de Direito Privado da Administração Pública Indireta devem ter suas pretensões julgadas pela . abarcou qualquer interpretação ao referido dispositivo. impõe ao empregador o dever de zelar pela dignidade do trabalhador. recentemente. ficou estampado no julgamento da Rcl nº 7.109. 114. configura assédio moral. 5º. agressões verbais e mesmo físicas por sua orientação homossexual.46 I – Dinâmica grupal – Desvirtuamento – Violação ao patrimônio moral do empregado – Assédio moral – Indenização. deboches e até chega a sofrer agressão física. os quais não esboçaram qualquer tentativa de coibi-la. que o autor sofrera no ambiente de trabalho discriminação. 483).2003 – p. e se delas tem pleno conhecimento a gerência constituída pelo empregador.00.17.10. e menos ainda omitir-se diante de agressão física sofrida pelo reclamante no ambiente de trabalho. A Reclamação constitucional (Rcl) no 5. 919/2002. Se o empregador age contrário à norma. compreensão das normas do empregador e gerar a sua socialização. este último responderá. o que significa dizer que qualquer funcionário público que se atenha a um regramento administrativo. pelos obreiros e dirigentes que integram seus quadros. em decorrência de sua orientação sexual. o objetivo passa a ser o de inferiorizá-lo e torná-lo „diferente‟ do grupo.395-6 – DF.9 – Relª. da CF/88. 5º. X. Paulo Henrique Blair – DJDF 23. deverá ser julgado pela justiça comum (federal ou estadual). X. maior fonte estatal dos direitos e deveres do empregado e empregador. da Constituição Federal. Min. 51). AgR/MG. deve responder pelo ato antijurídico que praticou. (Recurso provido). em sentido físico. No limiar do julgamento daquela demanda. como o íntimo do indivíduo. „dançar a dança da boquinha da garrafa‟. a dinâmica pode levá-lo a se sentir humilhado e menos capaz que os demais.. Impor pagamentos de prendas publicamente. tais como. pois. inequivocamente.

dado o caráter indisponível (e administrativo) da contratação. não configura o dano moral. como se particulares fossem. Como assevera o Desembargador Sérgio Cavalieri Filho. (TRT 3ª Região. por um enfoque. sem divergência. entre os amigos e até no ambiente familiar. do nexo causal e da culpa do réu. com muito mais razão merece ser proclamado o presente entendimento no que tange aos detentores de empregos públicos admitidos por concurso ou estabilizados. Não é a categoria jurídica em que os servidores estão inseridos que determina a competência para julgamento de pretensão dos daqueles em relação ao Estado. não se pode levar a extremo sua aplicação. O fato de superior imediato não tratar com urbanidade seus subalternos. no trabalho. pelo simples melindre. não pode prosperar a pretensão.RISCO DE BANALIZAÇÃO . assim.47 Justiça laboral.TURMA: Terceira Turma. pelas características administrativas ainda mais intensas que esta reação possui. Tal . "mero dissabor. a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. no mérito. DECISÃO: A TURMA. Sem a comprovação da ocorrência desses pressupostos. antes de tudo. no julgamento da Ap.O direito à indenização por danos morais requer a presença simultânea do ato ilícito. para melhorar a convivência respeitosa e valorizar a dignidade humana. RELATOR Juiz Sebastião Geraldo de Oliveira) DANO MORAL. TIPO: RO. aborrecimento.928/95. negou-lhe provimento. da 2a. mágoa. no caso dos funcionários mencionados. se para os vínculos mantidos por contratação temporária. A ADIN nº 694-1 salienta ser de competência da Justiça Comum a discussão acerca do regime jurídico próprio dos servidores admitidos em caráter temporário. no trânsito. bem como determinam a incompetência da Justiça Trabalhista para o seu julgamento – matéria de Direito Administrativo a ser discutida na Justiça Estadual. não existe. Não cabe o deferimento de dano moral pelas ocorrências rotineiras das atividades profissionais. c) E mais. Sendo assim. Quanto a isto. à unanimidade. INOCORRÊNCIA. conheceu do recurso. do implemento do dano. tais situações não são intensas e duradouras. FONTE DJMG DATA: 18-12-2001 PG: 10. EMENTA: DANO MORAL . por outro lado. b) Há uma tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) em assim se posicionar.PRESSUPOSTOS . porquanto. o reconhecimento do dano moral e sua reparação pecuniária representa progresso extraordinário da ciência jurídica. contrariedades ou pequenas mágoas. O que define a competência jurisdicional em pauta é a incidência ou não de um regime jurídico público. NUM: 13494. acabaremos por banalizar o dano moral. Se. porque as entidades privadas da Administração Pública Indireta atuam. o entendimento do STF consolidou-se em definir a incompetência da Justiça do Comum para analisar pretensões advindas do vínculo mantido entre o agente e o Estado "lato sensu". por estarem inseridos no conceito maior de "servidores públicos". Câmara Cível do TJRJ. DECISÃO: 28/11/2001. com o risco de banalizar a conquista ou levá-la ao descrédito. não havendo. Percebam-se. irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral. além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia. que há duas espécies de servidores estatais. que. Se assim não se entender. há algumas premissas: a) Que os empregados públicos detêm um vínculo jurídico-administrativo para com o ente estatal. mas sim a presença ou não do regime jurídico administrativo. ANO: 2001 NÚMERO ÚNICO PROC: RO . 7. competência bastante da Justiça do Trabalho para julgá-los. ensejando ações judiciais em busca de indenizações pelos mais triviais aborrecimentos". compete à justiça comum analisar tal relação. em regra.

e em relação à co-autora A. A prevalecer essa tese. (TRT 5ª. C. Civ. sem que tivesse o fim de denegrir sua honra e boa fama junto aos colegas de trabalho. 4. um bando de desocupadas”. N. fazendo com que as ofendidas passassem por constrangimentos. por reajuste salarial da categoria. ofensas. e quando se encontravam na parte externa do hospital ali chegou o diretor C. Ausência de dano moral. Dos Fatos. 596185181. N. conforme narrado nos autos pelo Juiz: “as autoras são funcionárias do mencionado hospital. A. e no dia 30 de maio de 2006. pois no seu hospital não permitia movimento grevista. Quanto aos danos morais. N. inclusive com a suspensão do pagamento do prêmio de incentivo. como não poderia ser diferente. constante. condenou o Estado de São Paulo a pagar DEZ salários mínimos para cada servidora por dano moral. D. dizendo que iria suspender seus salários e baixar seus prêmios incentivos. a prática reiterada. Dr(a).. N. xingou-a de “porca”. Ap Cív. quando inquirido em Juízo (fls. Ficou provado no processo que durante a “manifestação promovida pelo sindicato dos trabalhadores ligados à área da saúde. O réu é a Fazenda Pública do Estado de São Paulo e o fato ocorreu no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros. e D. DJ 24/08/2006. Por último. em relação à autora. com alegadas ofensas praticadas pelo diretor do hospital. Sustentam que esses fatos foram praticados por aquele diretor do hospital em local aberto ao público. C. nº 020810/2006. S. e que reivindicavam melhores salários.. Décio A. de tratamento grosseiro. o próprio diretor do hospital. C. ora autoras. nas dependências do hospital foram ofendidas pelo seu diretor. aduziram que em relação à autora A. ofendeu-a com o xingamento: “negra loira”. Erpen) JUIZ CONDENA GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO POR DISCRIMINAÇÃO E ASSÉDIO MORAL PRATICADO POR DIRETOR DE HOSPITAL DE SÃO PAULO.6a Câm.. a prova oral produzida é contundente em apontar as praticas dos atos considerados ofensivos. e começou a gritar com os funcionários. qualquer fissura em contrato daria ensejo no dano moral conjugado com o material. por parte da superiora hierárquica. ameaçou-as.. M.08..” (TJRS . Emílio Migliano Neto em 28 de setembro passado nos autos do processo número 053. ademais. e ainda ofendeu as três autoras com os dizeres: “cambada de porcas”. TURMA. Processo 00977-2005-020-05-00-7 RO. durante uma manifestação liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo. nada conduz a que se possa vislumbrar o indesejado mobbing. o referido diretor proferiu as seguintes palavras: “você está muito gorda e tampa até o portão com o próprio corpo”. introduzindo suas mãos dentro da blusa que trajava. afirmando que iria descontar as horas paralisadas. gerando-se um clima de suspense e de demandas. às pessoas das manifestantes. retirou o crachá que estava entre os seios da autora Áurea. O direito veio para viabilizar a vida e não truncá-la. Des. M. C.115559-9 em que são partes A. umas porcas. mas não demonstra ser abusivo quando se limitou a advertir faltas procedimentais do obreiro..48 comportamento por certo gera descontentamento e mal-estar no empregado. no caso concreto. 4ª. Não se constatando. de “negaloira”. Ainda. Uma sentença proferida pelo juiz da 7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA. ac.) “Dano Moral. Rel. S. e inclusive abalo de suas saúde”. ameaçando-a de suspender o pagamento de prêmio de . “umas gordas. Necessariamente ele não existe pela simples razão de haver um dissabor. C. Relator Desembargador VALTÉRCIO DE OLIVEIRA. M. e foi quando o diretor arrancou o crachá de dentro das vestes da autora A.. Com efeito. que teriam advindo da manifestação realizada às portas do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros. humilhações. que o diretor também chamou a autora D. M. N. O Juiz aponta na sentença que: “3. negou a autoria das ofensas e contato físico às pessoas das autoras”. N. que fica na zona leste da Capital. praticando ato atentatório ao pudor da ofendida. 81/82).

tem também como objetivo o desestímulo ao que causou a lesão. o qual estava pregado na camisa dela.”. Ficou provado que este Diretor do hospital “xingou a autora de “nega-loira”. procura ressarcir essa dor suportada pela pessoa. além da compensação às lesadas. um século depois. Os olhos vêem pelo coração e. mas principalmente da paixão. acrescidos de juros de mora. Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados Em se analisando os julgados acima. repetiria o . mas. preparar o cliente. (7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA / São Paulo) 3. assim. O advogado. para que não haja indeferimento do pedido e trivialização da matéria. e aconselhá-lo a procurar manter o necessário equilíbrio emocional. causando-lhe dor. O Juiz afirmou mais que “A prova produzida revela mais do que excessos verbais. quando procurado para esse tipo de demanda. e com esse gesto o diretor acabou provocando um risco próximo ao peito de D. O juiz sentenciando afirmou ainda que “São invioláveis a intimidade. assim como o que vê por vidros de diversas cores. com as próprias mãos. bem ou mal.” Essas são palavras do Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma de 1669. sem sombra de dúvida.. X. deve. em nosso meio. Isso nos leva a depreender que qualquer demanda dessa natureza deva estar bem fundamentada. É esse o caso deste feito. com muita cautela. todas as coisas lhe parecem daquela cor. Deve também informar o cliente. A indenização. um amadurecimento em relação ao tema do assédio moral. além de identificar a competência jurisdicional. já fragilizado. a respeito de que a ação pode ser demorada.3. verifica-se que já existe. muito embora seja o dano de difícil liquidação”. Pascal. à razão de 6% ao ano e com isso ele entende que:”A reparação do dano moral. do padre Antônio Vieira. inibindo a repetição da conduta ilícita”. a vida privada. pois. rústico e vulgar. danos estes que devem ser indenizados. arremata: “O convívio em sociedade pressupõe alguns inconvenientes. de que estão. merecendo reparação”. 5º.49 incentivo que ela recebia”. ele ainda “tentou puxar o crachá da D. afetos os coraç ões. afinal. ser muito cuidadoso com relação às provas e testemunhas indicadas pelo cliente. O Juiz entendeu que o diretor do hospital se exacerbou e por isso a Fazenda do Estado deverá indenizar cada uma das autoras no valor equivalente a dez salários mínimos vigentes à época do efetivo pagamento. da Constituição Federal)” por isso. incompatível com o fato de partir do médico diretor do hospital. Impessoalidade e imparcialidade no serviço público “Os erros dos homens não provêm apenas da ignorância. Por isso o Juiz afirmou que:” A conduta do diretor do hospital ao tentar. assim as vistas se tingem dos mesmos humores. debelar o movimento paredista do qual participavam as autoras acabou caracterizando uma conduta abusiva. Nosso ordenamento jurídico prevê possibilidade de indenização por dano moral para aquelas hipóteses em que a conduta do agente atinge a psique e os atributos pessoais da vítima. com emprego de palavreado grosseiro. a paixão a que os engana. sobre a extensão e complexidade da ação. a paixão a que lhes perturba e troca as espécies para que vejam umas coisas por outras. a honra e a imagem das pessoas (art. mencionando as possíveis conseqüências resultantes da demanda. habituado ao uso de linguagem culta. A paixão é a que erra. às regras de protocolo ou etiqueta”. que quando saem do comum podem causar danos às pessoas.

cabe discutir a impessoalidade e a imparcialidade da administração pública no que se refere às apurações preliminares. esteja atenta aos procedimentos.050/2009. sindicâncias e processos administrativos. consoante a Súmula Vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal. podem vir a lume diversas irregularidades e ilegalidades tão graves quanto o assédio ou mais graves do que ele –. pois não há que olvidar que as comissões de apuração preliminar no âmago do Estado são compostas por membros de confiança da diretoria. no que supostamente haverá marcada imparcialidade em relação às matérias lá processadas. deverá atentar ao cumprimento de todas as normas. quando se trata de assédio moral. passará a comissão a ser centralizada na Procuradoria do Estado.50 pensamento com exemplar concisão: “O coração tem razões que a própria razão desconhece. pode-se deduzir que a administração pública. para que não haja desrespeito à Constituição e à legislação. Faz-se necessário. pois o não-cumprimento das normas do estado de direito colabora para o estabelecimento e a manutenção do estado autoritário. seção São Paulo. a nãoobrigatoriedade de defesa técnica. de 20 de fevereiro de 2009. se. No Estado de São Paulo a composição da comissão processante tem como presidente um Procurador. principalmente as principiológicas. no decorrer da apuração. . sindicâncias e processos administrativos devem ser considerados com muita cautela e vigilância. Para não haver pessoalidade na apuração da questão – uma vez que. no entanto.” As apurações preliminares. que hierarquicamente está acima do suposto assediador. Veja-se o Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF. mas nos parece conseguir ser eqüidistante do problema. muitas vezes tem conhecimento do fato mas é conivente com ele. e.050. é impessoal. por força do decreto paulista nº 54. Alia-se a isso. 19 Na esteira do raciocínio de Zago (2001). imparcial. no entanto. ou seja. o advogado realizar a defesa técnica. 19 Decreto nº 54. que a Ordem dos Advogados do Brasil.

Para retomar o problema do processo administrativo. (grifo da autora) Não pode a administração agir por interesses políticos. de 11 de dezembro de 1990 – Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União –. de 29 de outubro de 1979. entendemos que tanto o funcionário que realizou acusação de assédio como o suposto assediador devem receber acompanhamento de advogado qualificado na área de apuração preliminar. elaborou-se Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades. agora buscando em Aurélio Buarque de Holanda a etimologia da palavra imparcialidade. Desse modo.. [§] [. se se pode levantar impedimento ou suspeição no processo administrativo. Entende-se que. de equilibrar interesses diversos ou antagônicos. para que não haja problema de nulidade ou visível parcialidade da comissão processante. pode-se fazê-lo também na apuração preliminar. pela valoração objetiva dos interesses públicos e privados envolvidos na relação jurídica a se formar.112. buscando a melhor solução para o alcance do resultad o justo. é a determinação de objetividade. interesses particulares. de sopesar. pois. independentemente de qualquer interesse público.] o princípio da impessoalidade é a proibição de trato subjetivo. percebe que seu significado condiz com “aquele que julga desapaixonadamente. A autora menciona que: A impessoalidade na atividade administrativa caracteriza-se. como ocorre com o princípio da imparcialidade..] A imparcialidade condiz com a atividade de avaliar. processo administrativo e assédio moral. como a Lei 8. que depende desta valoração para o alcance de uma ação de justiça e de equilíbrio.51 O trabalho de Zago (2001) é primoroso ao discutir sobre a impessoalidade e a imparcialidade no serviço público.. justo”. que diz: “No processo administrativo disciplinar pode -se levantar o impedimento ou suspeição dos membros da Comissão Processante. sindicância. aduzem sobre a matéria. importante .. públicos ou privados e interesses de grupos. devolvemos a palavra à autora. que também têm o dever de fazê-lo e a faculdade de declarar-se suspeito ou impedido por motivos íntimos. Nesse sentido. Na Secretaria de Estado da Saúde. reto.”. com eqüidistância e justiça.”. Não depende necessariamente de valoração. tanto a Lei nº 8. “[. é o sentido do interesse público. A autora.989. Estatuto dos Funcionários Civis do Estado de São Paulo.

52 instrumento a observar no encadeamento procedimental da apuração preliminar. (Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades) .

sem visão geral e a longo prazo. em determinados momentos. a Alemanha. [ sic] raros são os trabalhos publicados sobre o tema tratando-o de uma maneira abrangente. sendo a sua literatura escassa e. administradores/gestores. ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO “Enquanto você não parar de escalar. . sem uma vivência cotidiana de servidor público voltado para a prestação de serviço público de qualidade à sociedade brasileira. “O desgaste psicológico causado pelo assédio moral vem sendo estudado no mundo inteiro.1. Novamente na esteira de Batalha (2009). Já a doutrina brasileira insere o tema. Assédio Moral no serviço público Segundo Reis (2008). O tema „servidor público‟ é pouco debatido em termos de estudos acadêmicos. no âmbito do direito administrativo. Já segundo Fiorelli (2007). a Itália e a Austrália países pioneiros nesse campo. os degraus não cessarão de subir ao mesmo tempo que seus passos avançam” Kafka. que se limitam a tratar as fricções diárias do ponto de vista prático. caracterizada pelo „abuso de poder‟ e pela „manipulação perversa‟. O processo 4. deixando que as contradições se esvaziem ou se acirrem nos vários níveis do serviço público e colaborando para que se estabeleça permissividade relativamente a certas práticas como o assédio moral. principalmente na área trabalhista.53 4. A pouca literatura e a falta de debate sobre o tema servidor público dificultam o entendimento do problema pela liderança sindical e a gestora do setor público. na sua ampla maioria. As maiores produções foram organizadas por estudiosos de linha conservadora. do direito constitucional e previdenciário perpassando. sendo a Suécia. os Estados Unidos. principalmente. por outras disciplinas jurídicas. traduzindo uma verdadeira „guerra psicológica no local de trabalho‟.

Surgem. [§] Para agravar a situação. Legislativo. em significativa proporção. elementos de sua confiança. empregados que abraçam a causa do contribuinte e outros que aguardam monotonamente o advento da aposentadoria redentora. que congrega um imenso contingente de profissionais. Referimo-nos principalmente às Organizações Públicas. [§] Esse caldo administrativo compõe um laboratório para desenvolver os mais inusitados vírus de assédio moral ascendente. As relações de trabalho relativas aos servidores públicos apresentam algumas peculiaridades que favorecem a ocorrência de práticas de assédio . Escoradas na legislação. Observe-se que as chefias sabem-se transitórias. descendente e horizontal e um campo fértil para os testes de inoculação. [§] Chefias exemplares. empenhadas na melhoria da produtividade. verdadeiros heróis. sorrateiro. o que dispensa maiores comentários.54 Nessa área. estadual. entidades que admitem seus colaboradores por meio de concurso que lhes dá o direito à estabilidade no emprego. [§] No serviço público convivem chefias altamente dedicadas com outras que têm por objetivo um trampolim para novos saltos. Consoante João (2006). pois. para essas posições. Criada para dar conta de desesperadora necessidade de pessoal originária da combinação mórbida de orçamento reduzido e concursos inexistentes. O assédio moral espia. [§] Agregue-se a isso o despreparo de inúmeras chefias para a missão de comandar pessoas – há aquelas que se encastelam em suas posições e sentem-se proprietárias do tempo e da alma dos subordinados. esse jogo de interesses. seja para que chefes ou colegas „livrem se‟ de pessoas-obstáculos empenhadas na desmoralização dos serviços. enquanto os colaboradores percebem-se „permanentes‟. Empregados revoltados com a falta de produtividade e oportunidades profissionais e outros que se transformam em obstáculos. Judiciário). neutralizando a autoridade daqueles que são riscos para a estabilidade mórbida de sistemas improdutivos. muitas vezes representados pela distância entre a busca do bem público por uns e a defesa de interesses político-partidários por outros. além do mérito profissional. elas e suas chefias aguardam que o tempo solucione a questão. conforme mencionado anteriormente. valem-se dos mais exóticos mecanismos para forçar esses profissionais a requerer aposentadoria ou a transferir-se para outros organismos. incluem como importante variável a proximidade com os detentores de cargos eletivos. O drama encontrase no „tudo‟. ainda que atuem em feudos temporários e elas mesmas possam retornar para a condição de simples colaborador. seja para atuar em sentido inverso. Conhecemos chefias que lutam para promover mudanças. os quais privilegiam. gerando naturais conflitos de interesses e personalidades. os critérios de indicação de cargos de maior autoridade (aqui denominados chefias). divorciaram-se dos objetivos de prestação de serviços que seriam sua razão de ser na atividade. [§] Nelas. „com vaga e tudo‟. nas Organizações Públicas existe a figura do „empréstimo de pessoal‟. ancorados na ociosidade legalizada. empregando o conhecido jargão do serviço público. federal) e Poderes (Executivo. um dos fatores essenciais no processo de assédio moral são as normas de movimentação de pessoal. praticada ad nauseum em todos os níveis (municipal. descompassos entre os processos de admissão dos colaboradores e os procedimentos institucionalizados de nomeação das chefias. e aquelas que buscam perpetuar o status quo onde se sentem confortáveis. originou vasta quantidade de pessoas que viram suas competências desaparecerem e.

indireta e fundações públicas. Campinas. ou seja.: http://www. sugerindo como devem portar-se a fim de que as demandas judiciais tenham êxito. de 10 de janeiro de 2002. [§] Na esfera Estadual. (Grifos nossos.assediomoral. [§] Tomando-se como exemplo a lei municipal 13. relativamente aos fundamentos constitucionais do veto. b) a alternância de poder nas esferas da administração pública. Relativamente à lei paulista. . sobre o problema do assédio moral (ex.org). ou por falta de provas. São Paulo e outros tantos projetos em andamento.55 moral. Muitos procuram atribuir ao veto um caráter político. algumas destinadas a servidores públicos. em diversos sites. e que hoje tem vigência plena. que os atuais gestores temem receber grande número de reclamações. Em virtude da natureza 20 A relação de trabalho nas Secretarias de Estado de São Paulo é tão marcadamente conflituosa. em geral as leis municipais estabelecem a aplicação de penalidades administrativas em caso da prática de assédio moral nas dependências do local de trabalho. por exemplo. Dentre estas destacamos duas de maior importância: a) a estabilidade conferida pelo artigo 41 da Constituição Federal. de testemunhas e do devido encaminhamento do processo. dois Estados tiveram suas leis aprovadas pela Assembléia Legislativa: São Paulo e Rio de Janeiro.) [§] Estes aspectos com certeza devem justificar o elevado número de leis municipais sobre assédio moral aprovadas por todo o Brasil. algumas vezes estendidas ao próprio Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público. entretanto.250. nos municípios de: Americana. por não se tratar de assédio moral.2007 –. opostas quaisquer razões jurídicas suficientes para afastá-los.20 Existem várias cartilhas. aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo. uma vez que muitas das ações ajuizadas são frustradas ou por equívoco de configuração do problema. o Governador do Estado interpôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) – 3980 – STF 172398. Em site sobre assédio moral intitulado “O assédio moral na administ ração pública”. Veja-se o Anexo II Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. de 9 de fevereiro de 2006.10. Cascavel.288. cuja liminar não foi concedida e cujo julgamento do mérito agora se aguarda. 23. que veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. nº 12. como. Guarulhos. Lopes (2009) defende que não haja diferenças significativas entre a ação de assediadores no universo público e a situada no privado. sem que haja perspectiva de melhora em curto prazo. dificultando a governabilidade. não foram. Iracemópolis. uma vez que se trata de iniciativa de deputado da oposição ao governo.

. dentro de sua categoria. Na administração Pública. em que os chefes são seres intocáveis e inquestionáveis. A distribuição dessa hierarquia é questão de organização da Administração Pública e também modo de operação dos atos e não uma divisão de castas de pessoas ou funções. mas..] [§] Não se pode admitir um funcionário de grau hierárquico maior prejudicar toda uma administração. Ele não pode compactuar com expedientes odiosos. segundo Hely Lopes Meirelles. [§] Conclui-se que a hierarquia não significa superioridade de cargo ou pessoal.. simplesmente por querer humilhar seus subordinados. devendo aplicar seu poder disciplinar sobre seus subordinados. considera que um ambiente em que existe competição exacerbada.. Freitas (2007). o assédio é considerado mais grave. e sim de função dentro da organização estatal... e não porque é agente de menor ou maior capacidade do que o funcionário numa função acima da sua. decoro e urbanidade todo e qualquer cidadão. objetivando que o serviço público alcance seu objetivo maior. para restabelecer a ordem no ambiente de trabalho”. [§] [. o funcionário dos serviços gerais tem a mesma importância que um chefe de gabinete e. Na relação de trabalho. que é o bem comum. torna o comportamento decente e democrático uma falha ou uma debilidade em face da . constituída principalmente para estabelecer um grau de responsabilização e ordem. [. gera permanente pretexto para que exceções sejam transformadas em regras gerais. A hierarquia no serviço público. [§] [. Suas funções são diferenciadas apenas por questões de organização. que custeia a remuneração do agente público por meio do pagamento de tributos. porém. sim. é igual hierarquicamente a outros. analisando as organizações como palcos de interpretações e de ações de indivíduos e grupos. todo um bem elaborado sistema de controle de trabalho. Segue o autor dizendo que: A relação patronal no serviço público reside no dever do [ sic] agente público tratar com respeito. Disso Lopes (2009) conclui que “o servidor somente tem a condição de subordinado em relação ao princípio orientador da hierarquia entre a instituição e a função. mas sua importância é a mesma dentro do quadro do funcionalismo.] e ainda estabelece a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal. onde tudo é justificado em nome da guerra para sobreviver.] [§] O gestor público tem o dever de zelar por um bom ambiente de trabalho.”. coibindo e punindo casos de assédio moral.56 do serviço público. citado por Lopes (2009).]é o princípio da administração pública que distribui as funções dos seus órgãos ordenando e revendo a atuação de seus agentes [. o agente público está sujeito ao princípio da hierarquia. Este é o verdadeiro „patrão‟. hierarquia que deve ser respeitada. pelo fato de que na administração pública existe não relação patronal direta.

algumas com inclinação ideológica partidária. chefias permanecem nas Secretarias durante décadas.57 tirania dos intocáveis. a longa permanência é motivada muitas vezes por benefícios que. pouco tem sido objeto de estudo. por exemplo. gerando-se conflito e eventual abuso. 4. Nesse sentido. que aqui estudemos o assunto. no serviço público. pois. outras vezes se trata da falta de Planos de Cargos. Carreiras e Salários (PCCS).1. Veja-se o Anexo IV “Onze” conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público. que lança o funcionário público em luta pelo poder administrativo e político e pela manutenção em tal poder. verifica-se essa realidade apenas em parte pelo ethos intocável e inquestionável das chefias: no Estado de São Paulo. haja vista a preocupação internacional com o tema focado no setor da saúde pública. este deve resistir à pressão e recolher provas. Segundo relato de Thome (2008). o assédio moral. muito embora seja cediço problema de saúde pública. entre outras atitudes que Batalha (2009) consubstancia no que chama “dez conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público” e aqui serve de inspiração para o que chamamos “onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público ”. quando os conflitos geram o assédio moral. . percebido pelo servidor público. em função do tempo de permanência no cargo. Assédio Moral na área da saúde pública “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal É que os homens nada façam” Edmundo Burke Em nosso meio. muitas vezes o investido do cargo de chefia é advindo de outro ente federativo com determinada incumbência ideológicopartidária. É pertinente. vão incorporando-se ao salário.1. (grifo nosso) Parece que.

. um programa conjunto do Bureau International du Travail (BIT). Esse instrumento tem como escopo a redução ou eliminação da violência no trabalho no setor de serviços. [§] .] pressupomos que o assédio ocorre não porque os dirigentes queiram que ocorra. pelas normas. próprias da definição e do controle da organização do trabalho. foi decidido que o estresse não seria incluído no preâmbulo do documento mencionado. o conjunto de diretivas práticas sobre a violência no trabalho no setor de serviços foi adotado e o Conselho de Administração. nem na filosofia. os efeitos psicológicos de condições perniciosas de trabalho.. do que é possível. [§] Quando da realização de tal instrumento. Na vida organizacional fazemos muitas interpretações e leituras da realidade. que: [. na 288ª sessão. perdendo-se uma oportunidade para normatizar. mas porque eles não dizem que não querem que ele ocorra. ou seja. A autora acredita que não existe organização perfeita. a ausência de limites nos sugere que a fronteira é subjetiva e flexível ou que podemos empurrá-la um pouquinho para lá se isto for conveniente ao nosso objetivo ou ainda que o único julgamento de nossa ação é o resultado prático atingido. do que é certo. a comissão de peritos empregadores afirmou que era difícil definir se o estresse estava relacionado ao trabalho ou à vida privada do empregado. do que é desejável.. no âmbito da Organização Internacional do Trabalho. (grifo nosso) Acreditamos que o assédio moral ocorre porque ele encontra um terreno fértil e que tende a se cristalizar como uma prática porque os seus autores não encontram maiores resistências organizacionais nem nas regras. Depois de longas discussões. A alegação era de que os precedentes jurídicos já haviam estabelecido uma relação de causalidade entre uma carga de trabalho excessiva e o estresse. nem na autoridade. Os limites dessas interpretações são geralmente estipulados ou guiados pelas regras. pelos regulamentos e também pelas nossas consciências. Os peritos trabalhadores não concordavam com tal assertiva.] Terceirizações podem gerar conflitos entre os funcionários efetivos e os prestadores de serviços. do Conselho Internacional das Enfermeiras – Conseil International des Infirmières (CII). favorecem ou dificultam interações mais saudáveis e produtivas... [§] Posteriormente. do que é necessário. e algumas condições internas. Freitas (2007) realiza interessante análise do problema do assédio moral ao considerar que: [.. uma vez que tinham a intenção de incluir o estresse em tal documento. uma instância que impeça e puna essas ocorrências perversas.] É da natureza das organizações a busca de um comportamento controlado de pessoas e de grupos. autorizou o Diretor-Geral a publicar tal documento com o nome de Repertório de diretivas práticas da OIT sobre a violência no trabalho no setor de serviços e meios de combater o fenômeno (Recueil de directives pratiques de l’OIT sur la violence au travail dans le secteur des services et moyens de combattre le phénomène).58 Em 2002. criando um . da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Internacional de Serviços Públicos (ISP) adotou as „Diretivas gerais sobre violência no trabalho no setor de saúde‟.

Verifica-se que. Ao mesmo tempo. o que daria margem a configurar maneira de apurar a prática. do sindicato etc..59 ambiente de primeira e segunda classes para algumas categorias. em ação de vanguarda. o que estimula humilhações e exclusões [..]”. envolvidos todos os profissionais de nível superior da área da . em 2005. ainda aquém do necessário. então. Vários órgãos de classe e sindicatos da área da saúde ainda estão pouco atentos para o problema do assédio moral nas áreas pública e privada. verificando-se os traços gerais nela recorrentes. impõem. ou como se o próprio ambiente propiciasse o exercício de determinado tipo de assédio moral. Repete-se porque há pouca reclamação. pois se repete o modus operandi nos locais de mesma coordenadoria. embora possam ser observadas na área de saúde do serviço público paulista. ou seja. dando-se a sensação de falta de criatividade dos assediadores. Entendemos que é um tema a ser discutido no Fórum dos Conselhos de Fiscalização de Atividade Fim da Saúde do Estado de São Paulo. a presença de funcionário de sua confiança. publicou matéria sobre o tema. o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. a fórmula parece que está certa. no entanto.. ao contrário. É por isso que o assediado deve buscar a ajuda de um advogado. várias características do assédio moral assumem formas peculiares e dimensionam-se em graus diferentes de um local para outro. para eventualmente testemunhar contra o funcionário. a chefia se protege. não obstante. mas a velocidade é lenta. haja vista ao fato de que poucos dirigentes têm sido apenados exemplarmente por assédio moral tanto individual como coletivo. caminha-se no sentido correto. Atualmente o trabalhador deve estar alerta: os dirigentes assediadores ou dirigentes que deveriam tomar medidas contra o funcionário assediador muitas vezes não permitem que o assediado esteja acompanhado durante conversas com a chefia. e o funcionário fica à mercê dessa conduta perversa da chefia. O processo de resposta ao problema do assédio está. e houve resposta rápida de alguns colegas identificando-se com o conteúdo da matéria. há perceptível recorrência na prática desse ato ilícito. perversamente. para que seja orientado e não se comporte de modo a dificultar a sua defesa. como se um diretor ou chefe de setor o partilhasse com outro.

Produto dessa preocupação. dados preocupantes. Veiculados por Cezar (2006). . Técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem relataram ter sido vítimas também de violência no trabalho. assim como sobre outros profissionais que também trabalham em área da saúde susceptível à pressão externa ao órgão público.”. baixa auto -estima. o profissional da área da saúde pode estar sujeito tanto à violência interna. ao invés de trabalhar como guardião das normas sanitárias e éticas. Uma publicação sobre a violência ocupacional em serviço de urgência hospitalar da Cidade de Londrina demonstra que 16. 2006. apontando o assédio moral praticado no trabalho como espécie pertencente ao gênero violência ocupacional. o profissional realiza práticas que normalmente não realizaria e. imperícias. Idem. 2005 . as agressões e os homicídios nos locais de trabalho.7% dos médicos e 30% dos trabalhadores de enfermagem relataram assédio moral. tais dados informam ainda que essas violências desencadeiam e perpetuam “violências menores”: negligências. matéria sobre a necessidade de iniciar processo de discussão sobre a defesa das prerrogativas desse profissional. publicou-se. pelo desejo de eliminar o mal-estar gerado pelo assédio. atendimento fragmentado. muito embora a amostra tenha sido de 12 e 7 profissionais respectivamente. 21 22 Conselho Regional de Farmácia. ensejo para capitanear o debate com os demais funcionários da área e seus órgãos representativos.60 saúde. na Revista do Farmacêutico. 22 Outros profissionais também relatam que o assédio moral faz parte de seu cotidiano no trabalho. O objeto de estudo do referido trabalho acadêmico centra-se na violência ocupacional. Assim. sujeita-se a se omitir de desempenhar plenamente sua função. O autor menciona que “O expressivo número de trabalhadores do setor de saúde que são atingidos pela violência em diversos países chamou a atenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de outras instituições que estabeleceram diretrizes para combater o medo. praticada. entre outras. 21 No caso do assédio moral especialmente exercido sobre o farmacêutico que atua na área pública. o assédio moral pode levar o profissional a certa permissividade ética à qual ele não teria tolerância em condições de ausência do assédio: por medo de perder o emprego. a humilhação.

por meio do qual o Deputado Carlos Neder auferiu informações a respeito de denúncia de abuso de poder e assédio moral realizado por funcionário do Gabinete da Secretaria de Estado da Saúde. A denúncia em tela foi realizada por funcionário que não quis identificar-se. contudo. a dos pacientes e parentes ou amigos dos pacientes que exercem agressões verbais e físicas. por medo de represálias.61 a título de exemplos. como à violência externa. interpôs-se requerimento de informação. não se conseguiu. a ausência de uma Justiça do Trabalho que possa dirimir os conflitos e a ausência de outros mecanismos efetivos de mediação e arbitragem explicam também a recorrência do conflito no serviço público da área da saúde. saber sobre o andamento do problema. A ausência de convenções coletivas ou de acordos coletivos de trabalho. 23 23 Requerimento Carlos Neder – ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. desde que agisse politicamente independente e afinado com os eleitores. Algumas iniciativas. Quem deveria exercer esse papel é o poder legislativo. Por exemplo. . o de nº 24 de 2007. têm sido realizadas pela Assembléia Legislativa. por meio do assédio moral e da competição entre colegas. no entanto.

é exemplo de elemento que pode ser usado como fator de ameaça ao trabalhador e muitas vezes é acionado como ferramenta configuradora do assédio moral. muitas vezes não tem conhecimento do que ocorre na repartição ou setor. por falta de diálogo com os funcionários. principalmente porque o assediador muitas vezes apresenta discurso aparentemente inofensivo. onde a diretoria técnica e administrativa tem poder incontrastável. que significa “horda”. associada ao medo de perseguição mais violenta. uma vez que sói não haver resultado efetivo. Os mecanismos de combate são. de modo que muitos dos processos administrativos. a que o assediador possa ser transferido ou até mesmo promovido. dissonante com a prática do assédio. ironicamente. sindicâncias e apurações preliminares permanecem exclusivamente em sede administrativa – os assim chamados processos internos. a falta de discussão e a falta de programas de atuação entre os sindicatos. A essa possível sutileza do modo de realizar o assédio moral se contrapõe a prática grosseira.62 CONSIDERAÇÕES FINAIS Determinados órgãos da administração pública são verdadeiros feudos. além de ser instrumento pouco adequado para bem avaliar o funcionário. que filtra e manipula as informações. A isso acresce que a falta de solidariedade no serviço público faz que haja proliferação do assédio moral tanto individual quanto coletivo. dando-se margem. que é o que ocorre na maioria das vezes. pouco efetivos e há descrença na punibilidade dos assediadores. Ademais. Ardis que tais podem não ser percebidos pelo assediado. processos endógenos –. fazendo jus ao nome mobbing. os conselhos de saúde. amigável. uma vez que o pessoal da administração. derivado de mob. indício de pejoratividade. “bando” ou “plebe”. O sistema de avaliação de prêmio-incentivo utilizado na Secretaria de Estado da Saúde. . fato recorrente e perigoso. os conselhos de fiscalização de classes e as associações de funcionários públicos propiciam o assédio moral. no entanto. que está acima da diretoria. não chegando à apreciação do judiciário. como fator amenizador do problema.

pois. como contraponto da fragilidade da assistência ao assediado. desde que estas cumpram determinados acordos. as relações . exatamente no fato de que no mais das vezes o que se tem são elementos de prova pouco consistentes para configurar o assédio. A dificuldade está. de casamento e de nepotismo. quanto a Secretaria de Estado da Saúde – que deveria conter uma área no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador que acolhesse as reclamações sobre o assédio moral – são muito incipientes. que guardam privilégios para os dirigentes. Antes disso.63 Associações e sindicatos de trabalhadores do serviço público. entre vários. sua ação raramente é percebida ou combatida pelos outros funcionários. não basta haver somente legislação que proteja o servidor público. alternando-se nas respectivas funções sem a devida competência. pessoal capacitado e local adequado para o acolhimento e encaminhamento das reclamações nas instâncias jurídica. que podem incluir a desconsideração da gravidade de determinados problemas. entendemos que a ouvidoria não é instância legítima para averiguação do assédio moral. Observam-se hoje na área da saúde pessoas no comando há cerca de quinze anos. existem mesmo certos modos de proteção contra o assédio moral no serviço público: são as relações interpessoais de amizade. porque os instrumentos legais postos à disposição da vítima ainda não estão bem sedimentados: em princípio. A falta de mudança política no governo em todos os níveis também propicia a existência de uma “casta” de pessoas que vão perpetuando -se. protegem-na somente nos casos em que se têm evidências concretas o mais possível. administrativa e até psicológica. pois há um natural desgaste político e administrativo. muitas vezes permanecendo impune. De qualquer modo. dispor de preparo. policial. é necessário que haja órgãos ativos que o protejam. perfil ou capacitação. de namoro. e os dirigentes de sindicatos e conselhos de fiscalização profissional devem estar sensibilizados quanto à extensão do problema. necessitando-se de uma alternância de poder. Tanto a Delegacia Regional do Trabalho – Núcleo de Promoção de Igualdade e de Combate à Discriminação –. parecem compostos por “castas intocáveis”. Quanto ao agressor.

de conselhos de fiscalização de classes. a possibilidade de indenização pecuniária deve ser considerada quando se verifica que a organização falhou na obrigação de implementar meios eficazes de denúncia.64 associativas de sindicato. fomentar o debate sobre o assédio moral em vários fóruns. devem existir espaços para discussão e orientação dos trabalhadores. não só para punir. deve ser psicologicamente amparado. No âmbito interpessoal. cultivando-se os valores éticos da organização. Na outra ponta do problema. então. de partido político. entretanto. para isso. Nesse sentido. horizontal ou misto. muito embora haja casos em que qualquer um daqueles tipos de relações tenha funcionado de maneira contrária. O agressor. e as relações de apadrinhamento político. deve-se. e expondo-se o conteúdo das leis sobre assédio moral em locais de fácil acesso visual. ora propomos um conjunto de sugestões. das condições adequadas de trabalho e do pleno desenvolvimento profissional do trabalhador. ou relativamente protegido. Ponderado o problema. que devem atentar ao problema do assédio moral. para enfrentar esse e outros problemas nas repartições. mas também para estabelecer uma linha de apreciação do que não se deve permitir na sociedade. No âmbito legal. apuração e recomposição da auto-estima. antes de tudo. deve-se demandar mais direta e intensamente o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. que se procure despertar a solidariedade entre os trabalhadores. com punição. incrementando as comissões de saúde do trabalhador (Consat e Cipa). indicando-se o valor que se deve dar a determinado fato. códigos de ética elaborados e discutidos com os próprios funcionários. seja ele vertical (descendente ou ascendente). que devem ser expressos em regulamentos nas repartições. Por meio delas o servidor se sente protegido. conscientizando-se os funcionários e as chefias sobre o problema. além de receber as penas previstas na legislação. quando do desfazimento da relação. A prática do assédio moral deve ser séria e exaustivamente investigada e exemplarmente combatida. o papel do judiciário é de fundamental importância na apreciação do caso concreto. para se ajustar . que atuam de maneira ainda muito tímida em relação ao tema. É importante.

de proposição maniqueísta. Não se trata. santificação do assediado e demonização do assediador. buscando-se estabelecer boas condições laborais e saudáveis relações interpessoais. para que não venha a repetir-se a conduta do assédio moral. de tentativa de ponderar o problema. pois. . deve haver acompanhamento da direção.65 à sua atividade ou para integrar-se a outra. sim. trata-se.

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... da sua 5ª Súmula Vinculante. o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou o entendimento do poder Judiciário em um tema que envolve mais de 25 mil processos em [.].71 ANEXOS Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF Redação da nova súmula vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição” Com a aprovação.

288 Ente da federação São Paulo Data 11.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. Mun.72 Anexo II. Projeto Lei Federal 2001 .2002 Veda o assédio moral no âmbito dos órgãos. e dá outras providências.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo 09/01/2006 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou de interesse público.591 Proj.01.972 Lei 12. repartições ou entidades da administração. Lei 3508.409/âmbito municipal Campinas 4. fundações. empresas públicas e sociedade de economia mista. Lei/Projeto de lei/ Decreto Lei 13.171 Lei 3.2002 Dispõe sobre aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Adm.250 Iracemópolis/SP 24. indireta e fundações públicas.671/ âmbito municipal Código Ética Profissional do Servidor público Civil do Poder Executivo Federal Americana 22. Lei 8. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública municipal direta e indireta nas autarquias e fundações públicas. executivo ou do poder judiciário do Estado do Rio de Janeiro. autarquias. do poder legislativo.134/2001 Proj.2002 Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da administração pública municipal direta e indireta por servidores públicos municipais.6.2002 Origem Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Administração Pública Municipal Direta e Indireta por servidores públicos municipais Lei 1. Decreto 1.94 7.4.11. direta e indireta por servidores públicos municipais.8.163 Decreto Regulamentador 1.6.122 (funcionário público federal) Lei Estadual 3921 1990 Estado do Rio de Janeiro 23. Lei Federal 5. Públ.42/âmbito municipal Guarulhos Lei 11. lei Federal 4.

591 Lei 2. 144. fundações.250 Iracemópolis/SP 24.4. A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO.972 Lei nº12. indireta e fundações públicas. com a seguinte redação: "XIX .921. e dá outras providências.163 Decreto Regulamentador 1. lei Federal 4. Projeto de lei 4.assediar sexualmente ou moralmente outro servidor público. 1º Fica acrescido o inciso XIX ao Art.982 Servidor Federal Jaboticabal/SP 17/12/2001 Lei 1078 Sidrolandia/MS 05/11/2001 Lei 1. Dispõe sobre assédio moral na administração estadual do Rio Grande do Sul. empresas públicas e sociedades de economia mista. do poder legislativo. no âmbito dos órgãos. executivo ou judiciário do Estado do Rio de Janeiro.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo Lei 8. de 15 de outubro de 1990.134/2001 Proj. autarquias.73 5970 Lei 8. da Lei Complementar nº 04.591 Proj. Rio de Janeiro 23 de agosto de 2002 Lei Complementar nº 12. aprova e o Governador do Estado sanciona a seguinte lei complementar: Art. por servidores ou funcionários públicos municipais efetivos ou nomeados para cargos de confiança. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou interesse público.213 1991 Equipara ao acidente de trabalho as doenças profissionais e as doenças do trabalho Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral nas dependências da Administração Pública Municipal Direta. 45 da Constituição Estadual. Autárquica e Fundacional.122 (funcionário público federal) Lei nº 3. Indireta. repartições ou entidades da administração centralizada.561 Lei complementar nº 4 Rio Grande do Sul 12 de julho de 2006 15 de outubro de 1990 Mato Grosso Veda o assédio moral no trabalho. Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral no âmbito da administração municipal e dá outras providências. tendo em vista o que dispõe o Art. 09 de fevereiro de 2006 1990 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta." . de 15 de outubro de 1990. Acrescenta dispositivo à Lei Complementar nº 04. Lei Federal 5.

de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. sobre assédio moral Federal Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de "assédio moral" por parte de servidores públicos da União.. de 11 de dezembro de 1990 Projeto de lei Federal Projeto de reforma da Lei nº 8. a ser comemorado.112. anualmente. alterando a Lei nº 8. sobre coação moral.848.948 Federal 16 de junho de 2009 Constitui fonte adicional de recursos para ampliação de limites operacionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social . Reforma do Código Penal.BNDES e dá outras providências.666. Conversão da Medida Provisória nº 453. das autarquias e das fundações públicas federais a seus subordinados. indireta. direta. e dá outras providências Projeto de Lei Lei 13036 Pernambuco São Paulo s/d 29 de maio de 2008 Visa vedar a prática de assédio moral no âmbito da administração pública estadual Artigo 1º .74 Projeto de Lei nº 12.819 Bahia 2002 Projeto de Lei Projeto de Lei nº 128 Ceará Espírito Santo 2003 2002 Dispõe sobre o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. Dispõe sobre assédio moral no âmbito da administração pública do Ceará. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual. sobre .326 Federal 2004 Dispõe sobre a criação do Dia Nacional de Luta contra o Assédio Moral e outras providências Lei 11. no dia 2 de maio Projeto de lei nº 4.Fica instituído o "Dia Estadual de Luta Contra o Assédio Moral nas Relações de Trabalho". dispondo sobre o crime de assédio moral no trabalho. fundacional e autárquica e dá outras providências. indireta e fundacional. no Código Penal Brasileiro . de 2008 Projeto de lei Federal Projeto de lei Federal Introduz artigo 146-A. Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 2. Projeto de reforma da Lei 8112.Decreto-lei nº 2848. de 7 de dezembro de 1940 .

Cruzeiro/SP. Iracemópolis/SP. institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências". Curitiba/PR.970 2001 Sobre coação moral Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 5. Sidrolândia/MS. Bahia. e institui o Cadastro Nacional de Proteção contra a coação moral no emprego. Amparo/SP. São José dos Campos/SP. Porto Alegre/RS.452. Espírito Santo. Cascavel/PR. Ceará.. São Paulo/SP.org) .(MASCARO. Guaratinguetá/SP. Rio Grande do Sul./SP. de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) Dispõe sobre assédio moral nas relações de trabalho Projeto de lei nº 2. e Vitória/ES. São Gabriel do Oeste/MS.Guarulhos/SP (.. 2004). da Constituição Federal. Americana. Projeto de lei 5. Guararema/SP. 37.369 Federal 2003 Estados e municípios tais como: São Paulo. que "regulamenta o art. Jaboticabal.assediomoral.75 coação moral Altera dispositivos da Lei nº 8.666. Rio de Janeiro. (site www. de 21 de junho de 1993. Natal/RN. inciso XXI. Campinas/SP. Reserva do Iguacú/RS. Ribeirão Pires/SP.

acontece no fora dele trabalho O alvo é percebido como algo fácil O alvo é percebido como uma ou então como um desafio ameaça.. palavras ofensivas raramente aparecem.g. sexo e raça) posses (inveja) e na popularidade (ciúme. ter alto salário) Sexo e raça não influenciam. se isso não funciona. precisa ser eliminada . intrusões no campo pessoal e possessões..g. indecente ou sexual Revela-se freqüentemente através do uso de vocabulário ofensivo Revela-se por meio de críticas triviais. a segunda fase é a eliminação do alvo Quase sempre tem um foco bem claro O foco é na competência ou nas (e. discriminação. viver sozinha. mulheres. em poucos incidentes ou em muitos incidentes A vítima sabe imediatamente que está sendo assediada Todo mundo pode reconhecer um assédio. pode se tornar físico mais tarde. etc.e. pelo que eles são(e. Raramente é um único incidente e tende a ser uma acumulação de muitos pequenos incidentes A vítima pode não perceber que está sendo assediada por semanas ou meses – até que ela tem um insight Poucas pessoas podem reconhecer um assédio moral Está normalmente ligado a raça.g.. e. Acontece tanto no trabalho quanto Na maioria das vezes. famosa e vulnerável (e. Pode consistir em um único incidente. ou muito pouco.g. críticas).. Assédio em geral Tem um grande componente físico. Qualquer pessoa pode ser vítima. medo de ser excluído do grupo) Geralmente é feito com a finalidade Tende a ser secreto.g. mas quase nunca com agressoras. negros. quando isso falha.76 Anexo III. falsas alegações de incompetência ou até mesmo por falsos elogios. estar se separando do cônjuge. contatos e toques em todas as formas. a portas fechadas de obter aprovação pública. etc. ter mais de 50 anos.) Assédio moral Predominantemente psicológico (e. que precisa primeiro ser controlada e subjugada.Quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral. etc. Trata-se de uma discriminação que é baseada na competência. especialmente com agressores. especialmente se ela for competente. deficientes.. Tende a focalizar nos indivíduos. especialmente se há uma agressão. imagem e sem testemunhas do “machão”. ainda que possam ser utilizadas na privacidade Quase sempre há um elemento de A fase do assédio moral é o controle possessão e a submissão.. ter compromissos financeiros sérios.g. sexo.

agindo com grande autodisciplina O agressor é deficiente na área de qualidades interpessoais O agressor geralmente tem incompetências específicas (e. sexual) Fonte: UK National Workplace Bullyng Advice Line citado por Schmidt-2001. ..77 Geralmente é dominação para que seja manifestada a superioridade do agressor O agressor não tem autodisciplina O objetivo é o controle do assediado. porque ele constitui uma ameaça O agressor é um invejoso (das habilidades ou das posses) ou ciumento (das relações pessoais).g.

pois. no destemor. também deve ser evitado. é preciso que o assediado lance mão de suas licenças de saúde. tudo explicitado. Assim. os colegas se afastam pra que a Agressão de Estado dirigida À vítima não os afete. capacitação. assim. prêmio. Em relação aos ilícitos administrativos. SE contar que. para isso. férias. a substituição do funcionário dispensado tem custos para a Administração. no arregimentar de testemunhas. e na busca da tutela jurisdicional. cerca de 190% da remuneração anual bruta de um funcionário.78 Anexo IV . pois. em termos de Know how. Aqui se delineia uma linha de conduta para argüir o mobbing consubstanciado na paciência. O temor de represálias e da demissão. arregimentar aliados o que não é fácil. É imprescindível. 2º Conselho: Resista. neste contexto. no atestar dos danos à saúde. em geral. o tempo correrá a seu favor em forma de lucros cessantes. 4º Conselho: Arregimente testemunhas. danos ao patrimônio e falsificação. é imprescindível documentá-lo. os dias de trabalho perdidos em razão da licença por causa da Agressão de Estado as custas decorrentes de tratamentos de funcionários doentes em razão do assédio moral no serviço público: perda de funcionários competentes e produtivos. mister se faz. no registrar diário das ocorrências. para isso. . o funcionário recolha documentação sobre as ações sofridas. pois. no recolhimento de provas documentais. difamação e calúnia (crimes contra a honra) e lesão corporal. no assédio moral transversal ou horizontal são os próprios colegas os assediadores. para isso. os ressarcimentos por causas civis aos funcionários assediados. e este só irá libertar o assediador do problema. É imprescindível a paciência na caracterização do dano. correção e mora.“Onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público” [adaptado de Batalha (2009)]. as ações contra assediados custam à Administração Pública. não se pode prescindir do testemunho de colegas. a seguir: 1º Conselho: Paciência. Na configuração do assédio moral. só se facilitará o caminho para o assediador. tas como: abuso de poder (atacável por Mandado de Segurança). É preciso. pois. que. Torna-se necessário que se documente as ações assediantes contra o assediado. danos emergentes. no contabilizar dos gastos médicos. vias de fato. na denúncia ao Ministério do Trabalho e na denúncia ao ministério da Saúde. elas se consubstanciam em ações por infrações penais e administrativas. para buscar a tutela jurisdicional com tranqüilidade. ameaças (crime de ameaça). 3º Conselho: Documente-o. custos consubstanciados no tempo empregado pelo assediador para arquitetar novas formas de oprimir ou perseguir. juros.

trata-se de direito amparado pelo habeas data. há que se buscar as vias legais: neste caso o tempo conta a seu favor. bem como os prejuízos pecuniários. Aos servidores Celetistas e funcionários do serviço público é possível denunciar o assedio moral no Núcleo de Discriminação do Trabalho na Delegacia Regional do Trabalho. encaminhando ao órgão competente. A denúncia do mobbing é necessária para evitar que o fenômeno se propague. Em São Paulo o endereço é: Centro de Referência de Saúde do Trabalhador: Rua Martins Fontes. mas isso pode ser suficiente para provar uma ação “mobizante”. II. 2º. Outro direito que assiste aos “mobizados” é obter cópias de documentação que existem nos assentamentos individuai os. Denuncie o assédio moral junto às Coordenadorias Estaduais de Saúde do Trabalhador. 8º andar . rádios. 109. pela qual se indique data. Pois. 109. resultantes dos mesmo. da Portaria 604. VI. Centro 10º Conselho: Busque as vias legais. se tornou um caso de saúde pública. autor. 8º Conselho: Denuncie na Delegacia Regional do Trabalho. civil ou federal para requerer . Setor de Assédio Moral Esse comando vem da art. Isso poderá ajudar a identificar os danos causados e a configurar o assédio com vistas à indenização. para isso deve-se escrever a história pessoal de assédio moral sendo claro e conciso. 6º Conselho: Protocole-o. Uma ótima sugestão para a documentação é ter um diário de cada ação “mobizante”. Na escolha entre procedimento penal.79 5º Conselho: Organize um diário. Em São Paulo o endereço é: Rua: Martins Fontes. Outra maneira de configurá-lo é protocolá-lo. em questionamento escrito. Muitas vezes não virá resposta. de 1 de junho de 2000. fazendo uso de jornais. este. pessoas presentes. Faça uma relação dos distúrbios físicos e psíquicos todos documentados e atestados dos danos que o assédio venha causando à vitima. 9º Conselho: Denuncie o assédio moral junto ao Ministério da Saúde. tudo devidamente comprovado. 7º conselho: Reúna provas. que institui os Núcleos de Promoção e Igualdade e Oportunidades e de Combate à Discriminação em Matéria de Emprego e Profissão. hora. Por fim. do Ministério do Trabalho e do Emprego. descrição da ação assediante.Núcleo de Discriminação do Trabalho. associações de classe denunciando fatos reais e documentados.

11º Conselho: Paciência dupla. dano patrimonial. preferencialmente seu advogado faça esta busca. se poderá também documentar o dano ao Erário público por aquele que o prejudicou pela agressão de Estado. é importante que uma terceira pessoa. pois o assediado na maioria das vezes está fragilizado e tem dificuldades de entender o emaranhado de órgãos públicos e pode se estressar com isso. No caso federal. re-enquadramento. .80 indenização por dano biológico é preferível o procedimento cível para a reparação do dano biológico. Depois de começado a jornada. de reintegração. os órgãos públicos muitas vezes são difíceis de serem encontrados. indenização por danos. Neste último caso. lucros cessantes. moral e lucros cessantes. danos morais e materiais.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. emolumentos ou de qualquer outra despesa. cometerem abusos. (Alínea acrescida pela Lei nº 6. com todas as suas circunstâncias. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. permitida em lei. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.657. h) ao direito de reunião. quer quanto ao seu valor. d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada. e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança. nos casos de abuso de autoridade.898. no exercício de suas funções. se as houver. b) à inviolabilidade do domicílio. c) deixar de comunicar. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. Art. e) ao livre exercício do culto religioso. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade. d) à liberdade de consciência e de crença. i) à incolumidade física do indivíduo. quer quanto à espécie. emolumentos ou qualquer outra despesa. DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965 Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. Parágrafo único. c) ao sigilo da correspondência. f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem. f) à liberdade de associação. b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada. no máximo de três. . custas. são regulados pela presente Lei. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto. de 5/6/1979) Art. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. 4º Constitui também Abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal. Art. desde que a cobrança não tenha apoio em lei. contra as autoridades que. CÂMARA DOS DEPUTADOS Centro de Documentação e Informação LEI Nº 4.81 Anexo V.Abuso de autoridade. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição: a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar à autoridade civil ou militar culpada. custas. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. a respectiva sanção. a qualificação do acusado e o rol de testemunhas. imediatamente.

9º Simultâneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela. Art. desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade. Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima. Art. 5º Considera-se autoridade.82 h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. Art. f) demissão. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil. de natureza civil. bem assim. de 21/12/1989). A ação penal será iniciada. de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa. ou militar. por prazo de um a cinco anos. denunciará o réu. civil ou militar. independentemente de inquérito policial ou justificação. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade.711. § 1º O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais. no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente. Vetado. que estabeleçam o respectivo processo. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. Art. Art. 219 a 225 da Lei nº 1. estaduais ou federais. função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias. de pena ou de medida de segurança. ainda que transitoriamente e sem remuneração. convertida na Lei nº 7. 8º A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar. (Alínea acrescida pela Medida Provisória nº 111. consistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros. de qualquer categoria. Art. § 1º A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias. e. com perda de vencimentos e vantagens. emprego ou função pública. § 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. no prazo de quarenta e oito horas. Art. 10.960. § 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial. para os efeitos desta Lei. pela vítima do abuso. . civis ou militares. e) demissão. c) suspensão do cargo. instruída com a representação da vítima do abuso. 13. a designação de audiência de instrução e julgamento. b) repreensão. § 2º A sanção civil. poderá ser promovida. d) destituição de função. § 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem a cinco mil cruzeiros. caso não seja possível fixar o valor do dano. 11. poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória. e requererá ao Juiz a sua citação. a bem do serviço público. quem exerce cargo. i ) prolongar a execução de prisão temporária. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos. Art. a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato. por denúncia do Ministério Público. a responsabilidade civil ou penal ou ambas. § 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil. Art. de 24/11/1989. § 2º Não existindo no município. b) detenção por dez dias a seis meses. 12. § 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União). 7º Recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa. as disposições dos arts. aquele. quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. da autoridade culpada.

o perito. 22. Se o órgão do Ministério Público. § 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente. § 2º No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais duas testemunhas. Art. a não ser que o Juiz. na sede do Juízo ou. que deverá ser realizada. Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de testemunhas ou. aditar a queixa. o Juiz dará a palavra sucessivamente. o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo. apregoando em seguida o réu. até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julgamento. . proferirá despacho. Recebidos os autos. prorrogável por mais dez (10). até julgamento final e para comparecer à audiência de instrução e julgamento. § 1º No despacho em que receber a denúncia. Art. desde logo. Art. requerimentos para a realização de diligências. em resumo. ao Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu. Art. os presentes poderão retirar-se. b) requerer ao Juiz. Art. 21. as testemunhas. O órgão do Ministério Público poderá. 14. independentemente de intimação. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido. Não comparecendo o réu nem seu advogado.83 Art. 17. recebendo ou rejeitando a denúncia. Art. § 2º A citação do réu para se ver processar. querendo. 25. ou designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento. os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa. o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu. será feita por mandado sucinto que. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio. o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência. pelo prazo de quinze minutos para cada um. fará remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia. salvo o caso previsto no artigo 14. Art. os requerimentos e. considere indispensáveis tais providências. repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo. 20. termo que conterá. A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz. Encerrado o debate. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentadas em Juízo. entre dez (10) e dezoito (18) horas. porém. em despacho motivado. será admitida ação privada. dia e hora para a audiência de instrução e julgamento. excepcionalmente. ao invés de apresentar a denúncia requerer o arquivamento da representação. o Juiz. a critério do Juiz. ao qual só então deverá o Juiz atender. ditado pelo Juiz. Parágrafo único. perícias ou exames. A audiência de instrução e julgamento será pública. os despachos e a sentença. devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência. 18. por meio de duas testemunhas qualificadas. interpor recursos e. 24. na audiência de instrução e julgamento. Art. e realizar-se-á em dia útil. Parágrafo único. 16. Parágrafo único. se contrariamente não dispuser o Juiz. por extenso. o Juiz designará. dentro do prazo de quarenta e oito horas. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. a todo tempo. 15. improrrogàvelmente. 23. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu. Se o ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá: a) promover a comprovação da existência de tais vestígios. 19. retomar a ação como parte principal. no local que o Juiz designar. Art. dentro de cinco dias. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei. ou o apresentarão por escrito. o Juiz proferirá imediatamente a sentença. o Juiz. A hora marcada. no caso de negligência do querelante. será acompanhado da segunda via da representação e da denúncia. Art. a designação de um perito para fazer as verificações necessárias. Art. letra "b". se estiver presente.

28. Revogam-se as disposições em contrário. 144º da independência e 77º da República. 9 de dezembro de 1965. serão aplicáveis as normas do Código de Processo Penal. Nos casos omissos. 29. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados nesta Lei. o representante do Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a queixa.84 Art. 26. Art. sempre motivadamente. H. Das decisões. o advogado ou defensor do réu e o escrivão. despachos e sentenças. CASTELLO BRANCO Juracy Magalhães . até o dôbro. 27. Art. o juiz poderá aumentá-los. sempre que compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta Lei. Subscreverão o termo o Juiz. Art. Parágrafo único. caberão os recursos e apelações previstas no Código de Processo Penal. Brasília.

Luís Inácio Lula da Silva encaminhou para apreciação do Congresso Nacional as Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A 151 trata da organização sindical e . o Presidente da República.85 Anexo VI . Número 60 Fevereiro de 2008 As Relações de Trabalho no Setor Público: Ratificação da Convenção 151 As relações de trabalho no setor público: ratificação da Convenção 151 No dia 14 de fevereiro de 2008.Convenção 151 – OIT.

Nesta quinta-feira. normalmente o Parlamento. As Convenções da OIT são tratados internacionais “legalmente vinculantes” que. Pela Constituição da OIT. Até o momento a OIT formulou e aprovou 185 Convenções. É uma estrutura tripartite. esta entra em vigor nesse país um ano depois da aprovação da ratificação. O Brasil é signatário de 80 delas. A OIT e as Normas Internacionais do Trabalho A Organização Internacional do Trabalho é uma Agência do Sistema das Nações Unidas fundada em 1919. dos trabalhadores e dos governos. uma vez aprovadas pela Conferência Internacional do Trabalho. Caso um país membro decida ratificar uma convenção. Os países que ratificam uma convenção “estão obrigados a aplicá-la em sua legislação e em suas práticas nacionais”.86 do processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. para que um país ratifique uma Convenção esta deve ser apreciada pelas suas autoridades competentes. Ela procura esclarecer o que é a convenção 151 e as possibilidades que se abrem para o movimento sindical do setor público a partir dela. das quais 156 estão em vigor. Esta Nota Técnica procura comentar o significado das normas internacionais do trabalho e os trâmites até a sua ratificação. será divulgada nova nota técnica. tendo que enviar regularmente relatórios referentes à sua aplicação. O processo de ratificação . Já a convenção 158. que trata da convenção 158 e possíveis efeitos para o emprego. As normas são preparadas pelos dirigentes da OIT (governo. trata da garantia do emprego contra a dispensa imotivada. empresários e trabalhadores) e aprovadas na Conferência Internacional do Trabalho da OIT. em geral. As normas elaboradas podem tomar a forma de Convenção ou Resolução. podem ser ratificadas ou não pelos países membros. As normas internacionais do trabalho são instrumentos jurídicos que estabelecem princípios e direitos básicos no trabalho. que reúne representantes dos empregadores.

Proteção contra atos de ingerência das autoridades públicas na formação. 5.Concessão de facilidades aos representantes das organizações reconhecidas dos trabalhadores da função pública. com permissão para cumprir suas atividades.Proteção contra os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. estadual e federal) e se refere a garantias a toda organização que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública. funcionamento e administração das organizações de trabalhadores da função pública. 3.Instauração de processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública. Um ano depois de sua promulgação. 6. Apenas com aprovação pelas duas instâncias do Congresso Nacional. a ratificação segue para promulgação presidencial. . seja durante as suas horas de trabalho ou fora delas. Depois de receber as mensagens encaminhadas pela Presidência da República para ratificação. 4.87 O envio da proposta de ratificação da Convenção 151 e 158 pelo Executivo Federal para o Congresso Nacional é tão somente o primeiro passo para efetivação de sua ratificação pelo país. por leis e decretos. ou seja. Após sua aprovação na Câmara. 2. a Convenção entra em vigor. Nela está previsto: 1.Garantias dos direitos civis e políticos essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.segundo o regimento da casa – apreciá-la. A Convenção 151 A Convenção 151 da OIT aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas (nos níveis municipal.Independência das organizações de trabalhadores da função pública face às autoridades públicas. a Câmara dos Deputados deve . os textos seguem para apreciação do Senado. devendo sua forma de efetivação ser disciplinada por instrumentos jurídicos próprios.

Isto se tornou possível a partir da recuperação de uma concepção de democratização das relações de trabalho defendida pelo Movimento Sindical no processo de discussão da Constituição de 19882. a Câmara do Serviço Público indicou a necessidade de ratificação da Convenção 151. Por sua vez. Em 1992. CF). os servidores públicos civis tiveram reconhecido o direito de organização sindical (artigo 37. amparado nas alterações contidas na Emenda Constitucional 19. Distrito Federal ou municípios. Suas condições de trabalho sempre foram definidas unilateralmente pela União. o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 492-1 que questionava o direito à negociação coletiva no setor público. Com tais mudanças. Com o advento da Constituição de 1988. o debate sobre o direito à Negociação Coletiva retornou e. a “Reforma Administrativa” de 1998 acrescentou aos princípios constitucionais que regem a Administração Pública o princípio da eficiência. pelos Estados Federados. CF) e o direito a greve. Após dois anos de debate. sempre foi negada aos servidores a autonomia coletiva (ou negociação coletiva). porém não foi explicitada a garantia do direito à negociação coletiva (artigo 39. § 3°. Com base na experiência concreta da efetividade da prática da negociação no setor público. . o movimento sindical passou a debater a necessidade de sua regulamentação no âmbito dos debates do Fórum Nacional do Trabalho com a criação da Câmara Setorial do Serviço Público. VI. ao mesmo tempo que derrubou o Regime Jurídico Único1 (estatutário).88 Histórico A ordem jurídica brasileira nunca reconheceu o direito de os servidores participarem da elaboração de regras aplicáveis às relações de trabalho com o poder público. processos sistemáticos de Negociação Coletiva passaram a ser experimentados em diversas instituições públicas. Em outras palavras.

com efeitos ex nunc (não admitindo a retroatividade da decisão a situações jurídicas já consolidadas no tempo). em 2003. 2 Em 2002. 39 da CF. é instituído em São Paulo e em Recife o Sistema de Negociação Permanente (SINP-SP). .89 1 Com a decisão da ADIN nº 2135/2000 (02/08/2007) que restabeleceu o caput do art. o governo federal cria a Mesa Nacional de Negociação Permanente da Administração Pública Federal e a Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS. em 2007. um conjunto de outras mesas é aberto em diversos municípios ancorado nessa metodologia. além dessas experiências. os servidores voltam a ser regidos por um RJU. essa mesma metodologia é adotada nos estados da Bahia e Sergipe.

o envio da proposta de ratificação da Convenção 151 é resultado desse processo de luta dos trabalhadores do setor público na busca de garantir um efetivo processo de democratização das relações de trabalho no Estado Brasileiro. para o estabelecimento de novos padrões de relações de trabalho no setor público. Neste contexto as organizações de trabalhadores. O processo iniciado com a ratificação da Convenção 151 da OIT pode e deve gerar um novo arcabouço doutrinário e jurídico para as relações de trabalho no setor público. medidas regulamentadoras que coloquem em prática o que nela está determinado. a ratificação da Convenção 151 da OIT tem como propósito romper com os resquícios do Estado autoritário. Porém. criada no âmbito da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. ainda. A implementação das garantias definidas na Convenção 151 da OIT dialoga com o aprofundamento da democracia no país. Além disso. objeto de muitas polêmicas na tradição. em especial. já muito debatido tanto no âmbito da Câmara Setorial quanto pela sociedade. conforme definido pela Constituição Brasileira. Também nesta instância. há de se ressaltar que a ratificação da Convenção 151 pelo Congresso Nacional é tão somente um passo nesse processo. Devem ser implementadas. na medida em que caminha na defesa da tese da autonomia sindical por parte do movimento sindical brasileiro. Enfim. com isso. em especial no que se refere ao direito à negociação coletiva no serviço público. avança na transformação do Estado e contribui para assegurar direitos essenciais para o pleno exercício da liberdade sindical ao conjunto dos trabalhadores. o debate foi reaberto no Grupo de Trabalho da Mesa Nacional de Negociação Permanente3 (MNNP). e em especial as dos servidores. foi indicada a ratificação como um passo essencial para a consolidação da experiência de negociação realizada pela MNNP. reafirmam-se como importantes elementos para a constituição de uma sociedade mais justa e participativa. os do serviço público. Aponta. . Orçamento e Gestão.90 Já no início do segundo mandato do presidente Lula. Considerações Finais O paradigma orientador que vem norteando todo processo de luta pela ratificação da Convenção 151 é a construção do Estado democrático de direito.

. dos servidores e da sociedade civil através de processo de diálogo formalizado.91 3 A Mesa Nacional de Negociação Permanente foi um espaço institucional criado pelo governo federal para buscar soluções negociadas entre os interesses da Administração Pública.

Recordando que a Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. sociais e econômicos dos Estados Membros. Foram feitas algumas adaptações para o português usual do Brasil. da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. assim como a das respectivas práticas (por exemplo. Considerando as disposições da Convenção Relativa à Liberdade Sindical e à Proteção do Direito Sindical. bem como para os três níveis da Federação. 1949. o DIEESE reproduz o texto da Convenção 151. A seguir.92 Neste sentido. ser válida para os três poderes da República. necessariamente. Considerando a expansão considerável das atividades da função pública em muitos países e a necessidade de relações de trabalho sãs entre as autoridades públicas e as organizações de trabalhadores da função pública. Esta regulamentação deve. 1971. se aplicam aos representantes dos trabalhadores na empresa.ª sessão. e da Convenção e da Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. Convenção nº 151 Convenção Relativa à Proteção do Direito de Organização e aos Processos de Fixação das Condições de Trabalho na Função Pública A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho: Convocada para Genebra pelo Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho. não abrange determinadas categorias de trabalhadores da função pública e que a Convenção e a Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. na sua 64. às das autoridades . com base em sua tradução de Portugal. Congresso Nacional e Movimento Sindical devem continuar o processo de discussão dos instrumentais jurídicos que regulamentam o processo de negociação para o setor público. em 7 de Junho de 1978. 1948. 1971. Executivo Federal. no que se refere às funções respectivas das autoridades centrais e locais. onde reuniu. 1949. Verificando a grande diversidade dos sistemas políticos.

93 federais. ou ainda no que respeita à natureza das relações de trabalho). . bem como às das empresas que são propriedade pública e dos diversos tipos de organismos públicos autônomos ou semiautônomos. dos Estados Federais e das províncias.

A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão às forças armadas e à polícia. e as observações através das quais os órgãos de controle da OIT chamaram repetidas vezes a atenção para o fato de certos Governos aplicarem essas disposições de modo a excluir grandes grupos de trabalhadores da função pública da esfera de aplicação daquela Convenção.A presente Convenção aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas. Após ter decidido adotar diversas propostas relativas à liberdade sindical e aos processos de fixação das condições de trabalho na função pública. questão que constitui o quinto ponto da ordem do dia da sessão. PARTE I Esfera de aplicação e definições ARTIGO 1 1 . 1978. Após ter decidido que essas propostas tomariam a forma de uma convenção internacional: Adota. . 1949. no dia 27 de Junho de 1978.A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão aos trabalhadores da função pública de nível superior. que será denominada a Convenção Relativa às Relações de Trabalho na Função Pública.94 Considerando os problemas específicos levantados pela delimitação da esfera de aplicação de um instrumento internacional e pela adoção de definições para efeitos deste instrumento. 3 . cujas funções são normalmente consideradas de formulação de políticas ou de direção ou aos trabalhadores da função pública cujas responsabilidades tenham um caráter altamente confidencial. 2 . na medida em que lhes não sejam aplicáveis disposições mais favoráveis de outras convenções internacionais do trabalho. a seguinte Convenção. assim como as dificuldades de interpretação que surgiram a propósito da aplicação aos funcionários públicos das pertinentes disposições da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. em virtude das diferenças existentes em numerosos países entre o trabalho no setor público e no setor privado.

2 . funcionamento e administração. aplicar-se no que respeita aos atos que tenham por fim: a) Subordinar o emprego de um trabalhador da função pública à condição de este não se filiar a uma organização de trabalhadores da função pública ou deixar de fazer parte dessa organização. assimiladas a atos de ingerência. 3 . qualquer que seja a sua composição. ARTIGO 5 1 . devido à sua filiação a uma organização de trabalhadores da função pública ou à sua participação nas atividades normais dessa organização. 2 .Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. nos termos do seu artigo 1. PARTE II Proteção do direito de organização ARTIGO 4 1 .Essa proteção deve. b) Despedir um trabalhador da função pública ou prejudicá-lo por quaisquer outros meios. a expressão «organização de trabalhadores da função pública» designa toda a organização. todas as medidas tendentes a promover a criação de organizações de trabalhadores da função pública dominadas por uma autoridade pública ou a apoiar organizações de trabalhadores da função pública por meios financeiros ou quaisquer .95 ARTIGO 2 Para os efeitos da presente Convenção. designadamente. a expressão «trabalhadores da função pública» designa toda e qualquer pessoa a que se aplique esta Convenção.São.As organizações de trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de ingerência das autoridades públicas na sua formação. que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública. designadamente. ARTIGO 3 Para os efeitos da presente Convenção.As organizações de trabalhadores da função pública devem gozar de completa independência face às autoridades públicas. no sentido do presente artigo.

PARTE IV Processos de fixação das condições de trabalho ARTIGO 7 Quando necessário.A natureza e a amplitude dessas facilidades devem ser fixadas de acordo com os métodos mencionados no artigo 7 da presente Convenção ou por quaisquer outros meios adequados.96 outros. a conciliação ou a arbitragem. com o objetivo de submeter essas organizações ao controle de uma autoridade pública. tal como a mediação. . quer durante as suas horas de trabalho. 2 . PARTE III Facilidades a conceder às organizações de trabalhadores da função pública ARTIGO 6 Devem ser concedidas facilidades aos representantes das organizações de trabalhadores da função pública reconhecidas. quer fora delas. devem ser tomadas medidas adequadas às condições nacionais para encorajar e promover o desenvolvimento e utilização dos mais amplos processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública ou de qualquer outro processo que permita aos representantes dos trabalhadores da função pública participar na fixação das referidas condições. 3 . instituído de modo que inspire confiança às partes interessadas. de modo a permitir-lhes cumprir rápida e eficazmente as suas funções.A concessão dessas facilidades não deve prejudicar o funcionamento eficaz da Administração ou do serviço interessado. através da negociação entre as partes interessadas ou por um processo que dê garantias de independência e imparcialidade. PARTE V Resolução dos conflitos ARTIGO 8 A resolução dos conflitos surgidos a propósito da fixação das condições de trabalho será procurada de maneira adequada às condições nacionais.

nas condições previstas no presente artigo. no prazo de um ano após ter expirado o período de dez anos mencionado no número anterior. 3 . como os outros trabalhadores. posteriormente. .A Convenção entrará em vigor doze meses depois de registradas pelo diretor-geral as ratificações de dois membros.A presente Convenção obrigará apenas os membros da Organização Internacional do Trabalho cuja ratificação tiver sido registrada pelo diretor-geral. 2 . ARTIGO 12 1 . poderá denunciar a presente Convenção no termo de cada período de dez anos. dos direitos civis e políticos que são essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção e que. por comunicação ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registrada. ARTIGO 11 1 . esta Convenção entrará em vigor para cada membro doze meses após a data em que tiver sido registrada a sua ratificação.Em seguida.97 PARTE VI Direitos civis e políticos ARTIGO 9 Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar. A denúncia apenas produzirá efeito um ano depois de ter sido registrada.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção pode denunciá-la decorrido um período de dez anos após a data da entrada em vigor inicial da Convenção. PARTE VII Disposições finais ARTIGO 10 As ratificações formais da presente Convenção serão comunicadas ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registradas. 2 . não fizer uso da faculdade de denúncia prevista pelo presente artigo ficará obrigado por um novo período de dez anos e. com a única reserva das obrigações referentes ao seu estatuto e à natureza das funções que exercem.

No caso de a Conferência adotar uma nova convenção que reveja total ou parcialmente a presente Convenção.O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho notificará todos os membros da Organização Internacional do Trabalho do registro de todas as ratificações e denúncias que lhe forem comunicadas pelos membros da Organização. . b) A partir da data da entrada em vigor da nova convenção revista a presente Convenção deixará de estar aberta à ratificação dos membros. o diretor-geral chamará a atenção dos membros da Organização para a data em que a presente Convenção entrará em vigor. ARTIGO 14 O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho comunicará ao SecretárioGeral das Nações Unidas. da nova convenção revista acarretará. não obstante o disposto no artigo 12.A presente Convenção permanecerá em todo o caso em vigor. por um membro. para os membros que a tiverem ratificado e que não ratificarem a convenção revista. o Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho apresentará à Conferência Geral um relatório sobre a aplicação da presente Convenção e examinará a oportunidade de inscrever na ordem do dia da Conferência a questão da sua revisão total ou parcial. de acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas.98 ARTIGO 13 1 . para efeitos de registro. ARTIGO 15 Sempre que o considere necessário. 2 .Ao notificar os membros da Organização do registro da segunda ratificação que lhe tiver sido comunicada. informações completas sobre todas as ratificações e atos de denúncia que tiver registrado de acordo com os artigos anteriores. de pleno direito. na sua forma e conteúdo. 2 . e salvo disposição em contrário da nova convenção: a) A ratificação. desde que a nova convenção revista tenha entrado em vigor. ARTIGO 17 As versões francesa e inglesa do texto da presente Convenção fazem igualmente fé. a denúncia imediata da presente Convenção. ARTIGO 16 1 .

Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul Josinaldo José de Barros – Diretor STI Metalúrgicas. Mecânicas e de Material Elétrico de Osasco e Região Tadeu Morais de Sousa . Junior – Diretor SEE Bancários de São Paulo.99 DIEESE Direção Executiva João Vicente Silva Cayres – Presidente Sindicato dos. Perícias. Mecânicas. B. Metalúrgicos do ABC Carlos Eli Scopim – Vice-presidente STI Metalúrgicas.Secretário STI Metalúrgicas. C. Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo e Mogi das Cruzes Antonio Sabóia B. Mairiporã e Santa Isabel Eduardo Alves Pacheco – Diretor Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes da CUT . Informações.CNTT/CUT Direção técnica Clemente Ganz Lúcio – diretor técnico Ademir Figueiredo – coordenador de estudos e desenvolvimento Nelson Karam – coordenador de relações sindicais Francisco J. de Máquinas. Costa – Diretor Sindicato dos Eletricitários da Bahia José Carlos de Souza – Diretor STI de Energia Elétrica de São Paulo Carlos Donizeti França de Oliveira – Diretor Femaco – FE em Serviços de Asseio e Conservação Ambiental Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo Mara Luzia Feltes – Diretora SEE Assessoramentos. de Material Elétrico de Veículos e Peças Automotivas de Curitiba Paulo de Tarso G. Osasco e Região Alberto Soares da Silva – Diretor STI de Energia Elétrica de Campinas Zenaide Honório – Diretora Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) Pedro Celso Rosa – Diretor STI Metalúrgicas. Arujá. de Oliveira – coordenador de pesquisas Cláudia Fragoso – coordenadora administrativa e financeir Equipe técnica Ademir Figueiredo (revisão técnica) Fausto Augusto Junior Patrícia Toledo Pelatieri Patrícia Lino Costa Revisão Iara Heger . Mecânicas e de Materiais Elétricos de Guarulhos.

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