ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

SÃO PAULO – SP 2009

ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

Monografia apresentada à Escola Superior de Advocacia – OAB/SP, para a obtenção do título de Especialista em Direito do Público. Orientador: Profª.Drª. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago

SÃO PAULO – SP 2009

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

TERMO DE APROVAÇÃO Esta monografia apresentada no final do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Direito Público, na Escola Superior de Advocacia da Seccional da OAB São Paulo, foi considerada suficiente como requisito parcial para obtenção do Certificado de Conclusão. O examinado foi aprovado com a nota __________

BANCA NOME 1. 2. 3.

EXAMINADORA ASSINATURA

São Paulo, _____ de __________________ de ______.

e a permanente luta para que o servidor público conheça e pugne por sua dignidade. os quais nos orgulhamos de ter tido. A minha mãe pelo eterno incentivo aos que aprendem e ensinam. À orientadora Profª. .DEDICATÓRIA À jovem psicóloga Valéria Silva do CRT/AIDS que nos faz sentir jovem e vislumbrar um futuro grandioso em tudo que fazemos. precisa e rigorosa orientação Ao meu irmão Ruben Guimarães Frota Cordeiro pela amizade e compreensão. À Sara Brenda T. Ao Deputado Antonio Mentor pela sensibilidade e atenção ao tema do assédio moral no serviço público paulista. pela sabedoria em escolher alguns professores. Cordeiro cuja capacidade supera em muito a minha e está esculpindo um futuro brilhante. F. Aos diretores e chefes assediadores cuja história os julgará. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago pela sua competente. não antes da conclusão do processo administrativo.Drª. G. À Escola Superior da Advocacia. criminal e judicial.

Maria Cristina Bruder pelas orientações internas sobre tema. Sônia Pizarro pela leitura crítica deste trabalho. À Dra. Ao Prof. Clóvis Luiz Alonso Júnior pela parceria no trabalho. Maria do Carmo Carrasco pela leitura criteriosa e revisão do trabalho de acordo com as Normas da ABNT. À Profª.AGRADECIMENTOS À Dra. À Profª. À tradutora Helena Sofia Delgado pela contribuição. . Ely Cristina Alves de Lima sempre solícita a esclarecer nossas dúvidas durante todo o Curso de Especialização em Direito Público da ESA.

a violência e a astúcia criaram os primeiros patrões. mas na ordem natural devíamos pensar que..] Ignoro como andaram as coisas na ordem dos tempos. as leis.. os mais recentes”. Voltaire. nascendo os homens todos em estado de igualdade.“Por que fenômeno um homem pode se transformar em patrão de outro homem e por que espécie de magia incompreensível foi possível se transformar em patrão de inúmeros outros homens? [. . Dicionário Filosófico.

. inicialmente se procurou levantar alguns aspectos do tema: o aspecto sociológico. serviço público. construindo-se um modo de percepção e conseqüente configuração do problema. o histórico. Em continuidade. para mais bem o combater. o psicológico e o de Direito. desenvolveu-se a relação entre o assédio moral e o serviço público na área da saúde. área da saúde. Para tanto. Palavras-chave: Assédio moral. com ênfase na área da saúde. procurou-se explicitar certos traços da realização do ato do assédio moral.RESUMO O trabalho consiste em versar sobre o assédio moral no serviço público. Com base em textos teóricos.

Based on theoretical texts. .ABSTRACT This monographic study aims at analyzing the bulling in public service with emphasis on health. Keywords: Harassment. initially it looks for some of its aspects as the sociological. we have tried to explain certain features of the bulling act. Then. Therefore. by pointing the issue in order to find out the best way to solve it. the psychological and the rule of law. public service health. it illustrates the relationship between bullying and public service in health. the historical.

.......Tipos de assediadores ..................LISTA DE QUADROS Quadro 1 ....... 27 ........... 26 Quadro 2 ...........Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral .............................................................

.............................1 Introdução ao problema . 10 1 ASSÉDIO MORAL ........................3 Que se pode entender sobre Assédio Moral? .................................... 4 ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO .......................................................1 Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral .............................................................................2 Os conflitos do serviço público no Brasil ........... 42 42 45 49 53 53 57 62 66 71 12 13 14 17 31 35 35 36 38 . CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................. 4..1 Assédio Moral no serviço público ..... 2..................................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................4 Tipos de Assédio Moral ... 1..........................................3 A especificidade das relações de trabalho no campo estatal .......................................................................... 2 O SERVIÇO PÚBLICO ...................... 3 ASPECTOS LEGAIS.............2 Decisões judiciais sobre o Assédio Moral .................................................................................................. 3..........3 Impessoalidade e imparcialidade no serviço público ............................... 2.............................1 Breve história do serviço público no Brasil .....................................................1.................. 1........................................................1 Assédio Moral na área da saúde pública ................................. 2................ ANEXO ......................... 1................................................ 3............................................................................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS SOBRE O ASSÉDIO MORAL ............2 Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil .................... 4......... 1.............................. 3...........

é cediça a prática do assédio moral. profissão. a fim de agir de maneira pontual e sensibilizar para o fenômeno do assédio moral os conselhos de saúde. ao mesmo tempo. estado civil. as câmaras municipais. No serviço público e especialmente na área da saúde. Trata-se. no entanto. entre outros fatores. Existem julgados que envolvem servidores públicos. o Ministério Público estadual. raça/etnia. as assembléias legislativas. status social. orientação sexual. o federal e o do trabalho. lutar incansavelmente contra o trabalho escravo e outras posturas coloniais ligadas ao trabalho e. contra o assédio moral. trabalho infantil. idade. Faz-se necessário avaliar se há diferenças nas variáveis sexo. Nosso entendimento. em função do seu objeto e das relações interpessoais próprias ao serviço público.10 INTRODUÇÃO “As relações de poder são. a intenção deste trabalho é trazer a problemática a lume para que sejam realizados outros trabalhos de cunho sociológico. ou mesmo desemprego e uma informalidade crescente nas relações de trabalho. possivelmente. administrativo e jurídico sobre a matéria. é que pari passu deva a sociedade combater sem trégua as diversas ilegalidades. as estratégias Mais bem escondidas no corpo social” Michel Foucault Não existem dados fidedignos sobre assédio moral exercido sobre o servidor público. os conselhos de fiscalização profissional. Assim. Trata-se de área em que o trabalho é particularmente tenso. psicológico. os sindicatos. Em um Estado e em um país nos quais existem pessoas sujeitas a condição de trabalho análoga à da escravidão. O tema é amplo e pouco estudado no serviço público do ponto de vista teórico. de julgados que não reconhecem o assédio moral ou entendem que determinado procedimento não seja assédio moral. função. dissertar sobre assédio moral parece irrelevante. grau de escolaridade. no entanto. em particular o servidor da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. muito em função da difícil caracterização e comprovação do fenômeno segundo os critérios utilizados na doutrina. mas ainda nos parece distante a possibilidade de .

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trazer o tema à baila para discussão e enfrentamento, em função da baixa sensibilidade para o tema, do baixo nível de percepção do funcionalismo público em geral e, muitas vezes, das desfavoráveis características das relações de trabalho, precipuamente certo amadorismo das gerenciais, chefias e diretorias.

Nascimento (2004) traz alarmantes dados estatísticos sobre o assédio moral relacionados à União Européia, discriminadamente a França, e à Grã Bretanha. Menciona a pesquisadora que “[...] em pesquisa realizada no Brasil com um universo de 4.718 profissionais ouvidos em todo o território, 68% deles afirmaram sofrer algum tipo de humilhação várias vezes por semana, sendo que a maioria dos entrevistados (66%) disseram ter sido intimidados por seus respectivos superiores”.

Ainda que não disponhamos de consistentes dados estatísticos estaduais e nacionais, a atenção que demos ao tema é justificada pela incipiente proteção dirigida ao trabalhador contra o assédio moral, problema abrangente, tanto que estende suas raízes às esferas social, econômica, cultural e organizacional. O método de pesquisa adotado foi consulta à bibliografia técnica – teses, dissertações, livros, legislação – e à bibliografia de divulgação do assunto – jornais, revistas e sites.

Foi necessário demarcar os limites do estudo, tendo em vista a ampla bibliografia sobre o tema assédio moral, muito embora seja pouca na área da saúde. A característica deste Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização na Escola Superior de Advocacia também limita em tempo e em extensão a abordagem do tema, complexo e profundo.

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1 O ASSÉDIO MORAL

1.1 Introdução ao problema

O assédio moral ou agressão psicológica é um fato social que ocorre no meio social, familiar, estudantil e, mais intensamente, no ambiente de trabalho, abrangendo tanto o setor privado quanto a Administração Pública, e, embora na atualidade tenha atraído estudos no campo da Psicologia, Sociologia, Medicina do Trabalho e do Direito, tem origem na organização do trabalho, considerada a relação domínio-submissão entre o capital e força do trabalho. (BATALHA, 2009)

Schmidt (2001) menciona que o assédio moral foi, de maneira inédita, objeto de pesquisa, em 1996, na Suécia, do psicólogo do trabalho Heyns Leymann, que, por meio de levantamento junto a vários grupos de profissionais, chegou ao processo que qualificou de psicoterror, cunhando o termo mobbing (derivado de mob, que significa “horda”, “bando” ou “plebe”), em função d a similaridade entre tal conduta e um ataque rústico, grosseiro.

Em seu trabalho Schmidt (2001), menciona que o assédio moral tem várias denominações: na França é harcèlement moral, mobbing na Itália, na Alemanha e nos países escandinavos, bullying na Austrália e na Grã Bretanha; emotional abuse ou mistreatment nos Estados Unidos.

Dois anos após, Marie-France Hirigoyen, psiquiatra e psicanalista de grande experiência como psicoterapeuta familiar, popularizou o termo por meio do livro Lê Harcèlement moral: la violence perverse au quotidien, um best-seller que ocasionou a abertura de inúmeros debates sobre o tema, tanto na organização do trabalho como na estrutura familiar. A sociedade atual vive em um sistema em que a “racionalidade instrumental” se sobrepõe à “racionalidade comunicativa” (para usarmos a expressão de Habermas em Teoría de la Acción comunicativa: crítica de la razón

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funcionalista), o que gera distorção comunicacional; a violência torna-se resposta a sistema desumano e não pode ser considerada mero mecanismo individual. Em outras palavras, nesse processo a violência passa a ser perversão da perversão, ou seja, armadilha motivada pela crueldade do sistema.

O assédio moral geralmente nasce com pouca intensidade, como algo inofensivo, pois as pessoas tendem a relevar os ataques, considerando-os brincadeira; depois, propaga-se com força, e a vítima passa a ser alvo de maior número de humilhações e de brincadeiras de mau-gosto.

Isso talvez ocorra justamente porque as vítimas temem denunciar formalmente, com medo do “revide” que poderia ser a demissão ou o rebaixamento de cargo, por exemplo; além disso, denúncias tornariam público o processo de humilhação, o que deixaria as vítimas ainda mais constrangidas e envergonhadas. Assim, o medo (de caráter mais objetivo) e a vergonha (mais subjetiva, porém de conseqüências devastadoras) unem-se, acobertando a covardia dos ataques.

Embora seus agressores tentem desqualificá-las, normalmente as vítimas não são pessoas doentes ou frágeis. São pessoas portadoras de forte senso crítico personalidade transparente e sincera, que se posicionam, algumas vezes, questionando privilégios, e não têm grande talento para o fingimento e para a dramaturgia. Tornam-se alvos das agressões justamente por não se deixar dominar, por não se curvar à autoridade de um supervisor sem nenhum questionamento a respeito do acerto das determinações.

Em nosso meio, na área da saúde no setor público, é muito freqüente o assédio moral, muito embora faltem dados tanto de pesquisas quanto de julgados que mensurem o problema.

talvez pelo próprio dinamismo imprimido pelas mudanças sociais. Sérgio Buarque. Segundo Thome (2008) o estudo de Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. Além consubstanciação dos do aspectos assédio econômicos. 2008). ao contrário. menciona Durães (2007). A violência moral no trabalho não é novidade. bem como a influência da cultura nacional na sua forma de gerir as pessoas”. trabalho. acrescentando-se “os traços típicos e característicos da cultura brasileira não estão distantes do cotidiano organizacional: o estilo paternalista e autoritário de administrar foi gerado no engenho. moral no outros fatores O direito influenciam sempre a foi. zona de .2. conforme Aguiar (apud Thome. toma como base de sua afirmação o fato de ter sido transportada para o Brasil a cultura européia. na casa-grande e na senzala. a generalização e a trivialização do problema.14 1. porque o identifica as origens. além de refletir o autoritarismo e a forte hierarquização das organizações atuais. O que é novo é a gravidade.. ligado à cultura. o assédio moral é [. no capítulo “Fronteiras da Europa”. Hoje. tendo. Em Raízes do Brasil. porém recentemente passou a despertar grande interesse entre os autores. de despersonalização. Há vinte anos. A cultura ibérica. a maioria das pessoas poderia acreditar que trabalharia durante os anos necessários à sua aposentadoria sem um incidente sério de assédio moral. quase todos os trabalhadores parecem correr riscos de ser seriamente assediados em suas carreiras. Dessa forma..] o resultado do abuso de poder. por conseguinte. Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil O assédio moral não é um tema novo. talvez mais de uma vez. é extremamente relevante. intrinsecamente. as raízes culturais brasileiras. características e motivos da falta de coesão social nos movimentos brasileiros e da repulsa a todas as modalidades de racionalização e. da permissividade de agressões no local de trabalho e também da impunidade para atitudes dessa natureza. tais ligações são nítidas. também. uma retroalimentação constante. No caso do assédio moral. com essa. especificamente a ibérica. Existe há muito tempo em todo o mundo. fortalecido pelo coronelismo e solidificado pela gerência empresarial. influenciaram no desenvolvimento do modo como o assédio é praticado no Brasil.

ou a um espanhol. o resto foi matéria que se sujeitou mal ou bem a essa forma” As idéias de Raízes do Brasil servem. ou instituir uma nova escala de valores.15 transição que se adiantou à Europa no final do século XV. em verdade. como teria o Brasil maior coesão social. a moral do trabalho sempre representou fruto exótico”. do que a luta insana pelo pão de cada dia. Ora. sobre os quais se firmasse permanentemente seu predomínio. citado por Thome (2008) conclui que: “podemos dizer que de lá [tradição ibérica] nos veio a forma atual de nossa cultura. retornando às origens portuguesas. Procurou. não teve grandes problemas em assimilar a passagem da Idade Média para a Idade Moderna. de Marinetti. incute nas relações antes orientadas pelo difuso emocionalismo brasileiro o padrão da produtividade. apegada à tradição.]” e que “essa modificação vem pôr abaixo também a visão fidalga que os brasileiros tinham do trabalho manual” . quando da retomada das tradições ibéricas. a cultura ibérica não aderiu por completo às idéias do livre-arbítrio. antes de associar-se às antigas classes dirigentes. a um bom português. Sérgio Buarque afirma. pois “uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente. Dessa forma.. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor exclusiva de qualquer esforço.. “a burguesia mercantil não precisou adotar u m modo de agir e pensar absolutamente novo. já que “entre espanhóis e portugueses.. assimilar muitos de seus princípios [.]”.. Sérgio Buarque. que “a fase atual da sociedade exige uma hierarquização de postos na máquina produtiva que eclipsa as relações pessoais. como legitimação às fortes críticas que Sérgio Buarque fazia aos tradicionais europeístas. porque. da importância do trabalho. também. após a publicação de Raízes do Brasil. se foram essas tradições o que originou as características sociais brasileiras? Fortemente influenciado pelos movimentos modernistas brasileiros e pelo “Manifesto Futurista”. e até mais nobilitante. Princípios como hierarquia e obediência nunca tiveram presença constante na cultura ibérica. da impessoalidade das relações entre empregados e patrões [. que pretendiam formar um Brasil melhor. de qualquer preocupação”.

condicionadas bilateralmente – de um lado pela monocultura latifundiária (o cultivo de cana-de-açúcar) no que diz respeito ao sistema de produção econômica. e de outro. tal como os senhores escravocratas. Se. tanto no que concerne à falta de coesão da sociedade brasileira quanto no que se refere à motivação histórico-cultural. o personalismo. ainda que tenha havido um movimento de moralização da sociedade. da parte dos que dirigem. veja-se o Anexo III sobre quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral... aceitando como condição normal de trabalho todo tipo de maus-tratos. seus costumes. constrangedor sob vários aspectos. quando afirma que. causou distorções terríveis nas relações de trabalho. não se pode negar que. a lealdade às pessoas. Segundo Heloani (2004). as relações de trabalho em nosso país são impregnadas pela falsa idéia de que o subalterno é obrigado a se submeter a uma forte depreciação enquanto ser humano. sua religião. nos dias atuais. julgavam-se superiores e aproveitavam-se dessa suposta superioridade militar. Essa 1 2 Idem.. ou seja.] como legado da exploração da mão-de-obra escrava. No Brasil colônia. índios e negros foram sistematicamente assediados. pela vida dos trabalhadores manuais e. a flexibilidade e a impunidade. que situa o próprio discurso em momento anterior da história brasileira. pelo sistema sócio-familiar de cunho patriarcal. . como relatado por André Luiz Sousa Aguiar. [. o formalismo. o evitamento de conflitos. as armas utilizadas por muitos empregadores assediadores são o afeto e a violência‟” Como afirma Aguiar 1. da extorsão praticada contra imigrantes assalariados e da prática abusiva aplicada à classe operária no início da industrialização. A título de comparação entre possíveis tipos de assédio.16 Conforme continua Thome (2008). que se caracterizava pela escassez de mulheres brancas na colônia. ou melhor. cultural e econômica para impingir-lhes sua visão de mundo. constranger-se uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo a manter qualquer tipo de prática sexual sem que essa verdadeiramente o deseje. em sua obra clássica Casa-grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. „tornando inevitável um sentimento de irresponsabilidade. como características típicas da cultura brasileira a concentração de poder. as relações entre brancos e “raças de cor” foram. de certa forma. a postura de espectador. [. humilhados por colonizadores que. em suma. por um lado.. De fato. a exacerbação da impessoalidade do trabalho. as idéias de Gilberto Freire. no Brasil. mormente nos casos de pequenas empresas e das relações domésticas. vinha 2 acompanhado de um outro que hoje denominamos assédio sexual . essa relação senhorial ainda pode ser visivelmente notada.] pode-se apontar. Não raro esse procedimento.

até a fase de destruição moral (psicoterror). conceitua o assédio moral como: Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos. atos. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. sem atribuição. sendo apenas declarado nos bastidores que o „critério‟ era banir os indesejáveis (p. A criação de gado deslocou-se para o sertão. é o abuso de poder do superior hierárquico que esmaga seus subordinados com o poder. inclusive. palavras. quando trata das relações de trabalho públicas e privadas. 2). à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. Em um movimento dialético. em sua maior parte patriarcas e devassos. que levou milhares de servidores à disponibilidade contando com apenas 30% da remuneração. gestos. as carências alimentares. Leitura obrigatória sobre a matéria é o texto Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. “meio de um pequeno chefe valorizar-se”. Que se pode entender por Assédio Moral? Existem vários conceitos sobre assédio moral.3. e a casa-grande adquiriu características alimentares. nem objetivo. e a casa-grande adquiriu características essencialmente feudais – senhores de engenho. nem subjetivo. pode-se fazer avançar o discurso para os dias atuais. e evocando as palavras de Batalha (2009): Constitui marco na história recente da República o assédio moral coletivo capitaneado por Fernando Collor. segundo leciona Hirigoyen (2002). escravos. de Marie-France Hirigoyen (2002). Ocorreu o fato em 1989. com mão-de-ferro” (p. para suprir-lhes. que dominavam. escritos que possam trazer dano à personalidade. sendo pagos para não trabalharem. lavradores e agregados. que se omitem. 2) 1. evoluindo para as “manobras perversas”. inclusive. já que não podiam ser demitidos em razão de direito adquirido. re-situando-o no estado da problemática.17 monocultura açucareira acabou impossibilitando a existência de uma policultura e de uma pecuária que pudessem se instalar ao redor dos engenhos. Não houve critério algum a ação [do presidente]. O ponto de partida do assédio moral. . do alto de suas moradias. A criação de gado deslocou-se para o sertão. ter a conivência da empresa ou de dirigentes do serviço público. que pode. o pseudo-caçador de marajás.

testemunhas silenciosas ou coniventes com o fenômeno e atores implícitos ou explícitos da dominação ou de seu agravamento. considerações sociais. 2006.18 A existência de comportamentos assediantes em um indivíduo revela mais sobre o seu ambiente do que sobre ele mesmo ou sobre aquele que é seu objeto. incertezas jurídicas. ao contrário. quiçá. para a observação crítica: a política do assédio é essencialmente conduzida pelos "dominantes fragilizados". desestruturador. (org. por aqueles cuja força de imposição está prestes a se desfazer. . inscreve-se em um espaço social e político que lhe possibilita os meios de desenvolvimento ou. usando imprudentemente da força para se impor 3 SEIXAS. o assédio é destruidor do laço social. na ordem racional. por outro.). abrindo-se. et al. por outro lado é.3 O assédio não provoca exclusivamente um face a face. dos gestos e comportamentos que formam a sociedade. por aqueles que. J. o fenômeno do assédio é constante. portanto. por um lado. por aqueles que estão a um passo de perder a legitimidade de seu poder. 4 Ibid. é promotor da solidariedade civil. mediante a solidariedade. promotor de certa ordem de reorganização social e restabelecimento dos vínculos sociais. p. ou deveria ser. se. que constroem as esferas de socialização ou de dessocialização. em poucas palavras. 29. 28. de perda de confiança na estabilidade das instituições. todo assédio é forma indireta de questionamento de poder. impede-lhe o desenvolvimento. portanto. Uberlândia: EDUFU. Mais amplamente do que as relações interpessoais. de perturbações e desordens no interior de uma relação social. O assédio faz parte. no plano político.4 No campo delimitado das relações interindividuais. Não existe assédio individual de um sobre o outro sem a cumplicidade dos outros. p. Assédio Moral: desafios políticos. o assédio é socialmente desorganizador e. não existe conquista ou defesa dos direitos e liberdades sem a expressão de exigências e ações de resistência em relação às instituições de poder. Noutras palavras. no entanto. Por um lado.

mais simbólico ou imaginário que seja ele. p. assumem atitude inflexível. por meio de quem o assediador confere sentido a suas próprias capacidades. o assédio moral se dava basicamente com o peão. espírito livre. por mais limitado. por aqueles que temem perder o poder de que dispõem. 30. médicos. Segundo Heloani (2004): Observa-se que em épocas passadas. desembargadores. . o assediado. e dá visibilidade à sua dominação. igualmente. muitas vezes bastante qualificados. trabalhadores ou empregados. de atos de difamação sistemáticas [ sic]. infelizmente „ democratizou-se‟ no mau sentido. de falsas confidências destiladas de má fé. 5 Esse ataque é uma defesa que usa de todos os meios contra aquele "agitador". passando pelos apartes difamadores e a difusão de rumores caluniosos. e também aquele. enfermeiros. em virtude de sua vulnerabilidade ou de eventual antipatia. em resumo. Diz Seixas (2006): Vale-se o assediador. abrange todas as classes. juízes. São estas mesmas técnicas as empregadas contra jornalistas. farmacêuticos.. acusações reiteradas ao encontro daqueles que usam sua liberdade de expressão e de ação ou que se recusam a obedecer às codificações comportamentais oriundas de pressões sociais conformistas. O assédio tem geralmente por objeto o indivíduo que constitui a fonte potencial do questionamento do poder que o assediador detém. médicos e funcionários de funções diversas. o serviçal sem maiores qualificações. entre outros. insolente.19 aos outros. em face de contestações e oposições. Hoje. mentiras institucionais. políticos. homens e mulheres. artistas. podendo ir do insulto à difamação. indisciplinado. a suas próprias aptidões. negar-lhe a autonomia e provocar o deslocamento de seu meio 5 6 Ibid. professores universitários. cineastas. obstruir a independência do outro. também são atingidos por esse fenômeno. rebelde. cidadãos. para o assediador. Acrescem-se a esse rol advogados. militantes de associações de defesa dos direitos dos povos ou de proteção dos direitos do homem – de todos os direitos do homem e não apenas de alguns ou de alguns poucos em um único sentido 6 – professores. O intuito do assédio é. no Brasil.

2006. ofensas. ou apenas suscitam. p. in SEIXAS. verifica-se que na legislação trabalhista francesa se menciona que “é da alçada do chefe da empresa tomar todas as providências necessárias tendo em vista prevenir [estas] manobras”. olhares e expressões do rosto. . gestos. particularmente nos locais de trabalho. "Nenhum assalariado deve sofrer manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo ou efeito uma degradação das condições de trabalho passível de atingir seus direitos ou sua dignidade. a lei francesa entende por hostilidade difusa "manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo e efeito uma degradação das condições de trabalho passíveis de ferir os seus [da pessoa] direitos e a sua dignidade. Id. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro ”. a intenção é provocar a destruição de toda forma de solidariedade social. em última instância. certo ostracismo – que podem ser traduzidos em normas que atuarão sobre as condutas.36. No Brasil há dificuldade de comprovar o assédio moral quando ele tem aparência sutil.”.33. Segundo tal legislação. quando há uma hostilidade difusa. tendo-se em vista as transformações da sociedade e da conjuntura política e administrativa.8 Esses códigos tendem a especificar comportamentos. 2006.. p. hostilidade difusa composta por reticências. configurando-se situações específicas em diferentes formações históricas e sociais. que sofreram mudanças no decorrer do tempo. diferentes locais de atuação. sarcasmo. 7 8 SEIXAS.20 social. segundo Ravisy (2002 apud HAROCHE. reservas. Em breve incursão no Direito Comparado. múltiplos códigos de comportamento – atitudes. 37). ironia. No entanto a justiça e a legislação brasileira são aliadas do assediado se bem aplicadas em determinados casos. sentimentos que provocam. Por sua vez.7 Há. p. humilhações e ultrajes. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro profissional.

41.. há a questão individual. Numa situação de assédio. Freud exprimiu um profundo pessimismo quando.. por um lado. se a lei „buscava impedir os excessos mais grosseiros da violência bruta dando a si mesma o 9 direito de usar de violência contra os criminosos‟ . (1981 apud HAROCHE. o aparelho psíquico só pode se afrontar a [sic] uma situação excessiva fonte de excitação graças a duas grandes vias de expressão: o pensamento. in SEIXAS. em sua reflexão sobre o mal-estar na civilização. por outro lado. 2006). porém. 1981 apud HAROCHE. forçoso admitir o excessivo cerceamento a que são submetidos os indivíduos pertencente às sociedades altamente regulamentadas. . a francesa sejam desvantajosos para o Brasil – no sentido de considerar positivo o alto grau de normatização de uma sociedade –. a vergonha de ser vulnerável. p. 2006): No início dos anos 1930. Freud.p. o movimento. privada. que deve ser levada em consideração relativamente ao tratamento da questão do assédio. Id. é. que permite trabalhar o „excesso‟ intrapsíquico. de ser insultado impede o assediado de tomar medidas para mitigar ou mesmo acabar com o problema. O impasse criado nestas 9 10 FREUD.41. convencido do caráter fundador da lei nas sociedades humanas. os vexames e as injuções paradoxais têm valor de destruição psíquica e suspendem todo trabalho do pensamento. por exemplo. ao estabelecimento e desenvolvimento de um aparato regulamentador.] A subordinação própria à definição jurídica de contrato de trabalho prende o assalariado numa toxicidade contextual experimental. condições de „levar em conta as manifestações mais prudent es e mais sensíveis da agressão humana‟ 10. se pode entender que o relativo descompasso e a diferença de aplicação entre a atual legislação brasileira e. Paralelamente. aparecem alguns conceitos que poderiam ser aplicados ao trabalho no setor público. Em interessante trabalho de Marie-Grenier Pezè (2004). Com efeito. afirmou que. in SEIXAS.. A vergonha de ser fraco. que descarrega o corpo do excesso de tensão. Diz Haroche (in SEIXAS. A impossibilidade de demitir-se sob pena de perder seus direitos sociais barra a descarga sensório-motora.21 Se. 2006. ela não possuía. quando a autora menciona: [. no entanto. a repetição das humilhações aos novatos.

como figura de mediação. 2006) afirma que: As qualidades e comportamentos exigidos dos indivíduos na esfera do trabalho nas sociedades contemporâneas fornecem as razões pelas quais o assédio irrompeu hoje com tal intensidade: a flexibilidade. posição que ocupava no espaço social da modernidade e por meio da qual oferecia formas de proteção para 11 No serviço público paulista as pessoas preferem dizer que estão com problemas de outra ordem. é sorrateiro e progressivo. por razões de produtividade e de equilíbrio orçamentário das empresas. no que tange à possibilidade de perda de emprego. ou dificuldade de ascensão na carreira.22 duas grandes vias de escoamento das excitações traumáticas convoca fatalmente a ruína depressiva e a via somática mais ou menos a longo termo. A segurança das pessoas nos postos de trabalho não tem mais salvaguardas jurídicas consistentes. já que podem ser cortadas de seus empregos a qualquer momento. embora o setor de RH. como ortopédicos e outros que não toquem a questão laboral. É evidente que as licenças psiquiátricas reforçam ainda mais a experiência de destruição social da personagem afetada. a auto-estima da personagem afetada se esvazia pouco a pouco. salientando-se amplamente as que se devem a motivos psiquiátricos. Haroche (in SEIXAS. segundo Haroche (in SEIXAS. No setor público existem perdas de privilégios. O assédio moral. ao isolamento do indivíduo em formas extremas de individualismo que implicam em [sic] uma grande violência psíquica. muitas vezes deixe vazar a informação sobre a real patologia do assediado. 2006). . à vulnerabilidade. que se dissemina como verdadeira peste nas instituições. o Estado. as depressões e os quadros psicossomáticos certamente são dominantes. Nesse contexto. conduzindo de maneira quase inapelável à sua destruição na instituição. as licenças de trabalho por motivos de saúde são bastante comuns. o caráter contingente e efêmero que conduz à precarização. ostracismo. silenciamento da solidariedade11. que é poroso. realimentando no imaginário as idéias da trama diabólica e da "conspiração". Entre esses. confirmando a posteriori a desconfiança dos superiores e dos colegas sobre a credibilidade e a competência funcional desta. Há que se considerar também o medo. Com isso.

centrada mais sobre a ação do que sobre a reflexão. particularmente.] Na maioria dos casos. de crise de vigilância.. No entanto. começa a ser ostensivamente desconstruído. p. nem paranóica. a tensão permanente para estar à altura das exigências. 2006) defende que: A percepção de que o assédio possa ser uma estratégia de poder de mão dupla. pragmática.79). isto é. o sentimento de nunca estar fazendo o suficiente. [§] A noção de assédio moral tende a focalizar o problema sobre o comportamento das pessoas.. já que. não podendo mais acreditar e confiar na mediação do Estado para limitar efetivamente tal abuso de poder. num evidente abuso de poder. preferem associar-se ao superior para manter o seu lugar institucional e não ser assim excluídos definitivamente também do espaço social. É a perda de poder de mediação o que permite que os superiores de uma empresa se autorizem a fazer o que querem e bem entendem com os subalternos.. paranóicos ou perversos. nem perversa. pronta a tudo para vencer. O sistema empresarial suscita um modelo de personalidade narcisista. em vez de focar os processos que os geram. as relações de violência. Ela pode. a angústia de não estar à altura daquilo que a empresa exige. É também por causa disso que os demais subalternos se aliam ao chefe e não ao colega assediado. o assédio não é obra de uma pessoa particular. operacionalizar modos de administração que favoreçam o assédio. Segundo Gaulejac (in SEIXAS. leva-me a propor aqui uma reflexão sobre um tipo de assédio que se caracteriza como uma determinada relação de sedução entre desiguais. O gozo do poder. [. angústia arcaica que revela o medo de perder o amor do ser amado..] Uma organização não é neurótica. mas de uma situação de conjunto. O contexto suscita uma pressão contínua.23 os cidadãos. seu mecanismo de funcionamento pode suscitar nos empregados comportamentos neuróticos. 2006. de exclusão. (grifo nosso) Magalhães (in SEIXAS. agressiva. insensível. [. tem o seu reverso: a angústia da perda do objeto. Daí. pronta a oferecer corpo e alma para o trabalho. por . segura de si. todavia.

e os mecanismos de assédio são produtos da estrutura. ele volta o interesse para outras atividades. permitindo que haja uma política discricionária e permissiva. sublimando o sofrimento. uma ação de humilhação do outro. não constitui automaticamente ato de assédio. mas que pode vir a ser.108) Nesse sentido é que instrumentos de assédio moral no serviço público são mais institucionalizados. ainda que mais ou menos incessante. (grifo nosso) Embora problematizado pela própria autora. não raro o assediado se beneficia do processo de assédio: não lhe sendo delegada nenhuma atividade. Os sindicatos exercem importante atuação no avanço da . (p.24 certo. que viabilize o assédio moral –. pois a malha de proteção do funcionário é mais tênue – uma vez o executivo é na teoria controlado pelo legislativo. de infração. Assediar é realizar uma ação que guarde a conotação de ilegalidade. deixando-o na “geladeira”. um poder de dominação. esse distanciamento do problema e da instituição lhe propicia ser transferido ou posto à disposição de autoridade superior. Estes fariam parte da sua natureza. João (2006) menciona que as normas coletivas de diversas categorias profissionais apresentam cláusulas que visam à prevenção ou à denúncia de práticas de assédio moral. pois qualquer pressão. em si mesmo.83) Nota-se que no assédio moral. e o Estado é. por propiciar vantagens recíprocas. constituíram assim um critério do poder de dominação. 2006): Se o assédio é manifestação de todo poder de dominação. por sua vez. Não se pode olvidar que é prerrogativa do administrador público manter um andamento no trabalho. consentida. (p. da sua identidade de potência dominadora. dada a situação de isolamento em que o alvo do assédio se encontra inclusive. nem lhe sendo solicitado nada. e para isso deve exercer determinada pressão. distanciando-se da instituição e perdendo o vínculo. o seguinte silogismo é apresentado por Nelly Ferreira (in SEIXAS. dos processos e da hierarquia no serviço público. deve existir verdadeiro abuso de autoridade. mesmo persistente. embora tal controle seja pífio. então o Estado dispõe conseqüentemente de métodos de assédio.

Quadro 1 ..] uma lei no âmbito municipal [.Tipos de assediadores.. do apoio que o trabalhador deve dar ao sindicato para fortalecimento dele para que ele possa dar o retorno ao trabalhador [. membro do Ministério Público do Trabalho. muito mais contundente e muito mais difícil de esse revelar. Trata-se de caso de abuso de direito sutil e.Bull Sua missão é enxugar a máquina demitindo indiscriminadamente os trabalhadores (as). porque é no exercício normal das prerrogativas patronais que o assédio se manifesta mais freqüentemente. se guardar. são seus superiores. do funcionalismo público é muito mais forte a situação de assédio moral. A obrigação de executar o contrato de trabalho de boa-fé pode.. Profeta Pit.. da representação ao sindicato. mais do que numa empresa privada.] que prevê [. Esse autor menciona também que o assediador seria uma pessoa incapaz de viver sem um alvo.].] que [. as pessoas preferem se fechar. 2006) Schmidt (2001) menciona que o assédio moral pode ser também visto pelo ângulo do abuso de direito do empregador de exercer seu poder diretivo ou disciplinar... o problema é ele conseguir a prova. (Seminário Antonio Mentor. mostrando sua habilidade em „esmagar‟ elegantemente É o chefe agressivo.. consolidação do sindicato.] existe [. vir em auxílio do trabalhador. já se falando em serial bully... mais difícil de demonstrar. Em seminário realizado em 2006. em especial por atender as especificidades das categorias profissionais e econômicas. no âmbito público. . Exemplo de tal manifestação de assédio é transferir o funcionário de local de trabalho com o intuito de desestabilizar o empregado. já que se impõe a ambas as partes ligadas por uma relação de trabalho.. Osksana Maria Dziura Boldo.] escala punitiva. mas recebe desde que ele consiga a prova. disse que: [..25 proteção do trabalhador.. Humilha com cautela. por isso da união. Existem vários tipos de assediadores. As testemunhas. apresentados de forma bem-humorada no quadro 1. violento e perverso em palavras e atos. a Sra. portanto. quando existem. defendendo a atuação do sindicato e a interação entre o trabalhador e o sindicato na consecução da mitigação do assédio moral no serviço público. mas ainda não tem se mostrado muito eficaz porque as pessoas têm ainda receio. do trabalhador revelar e do trabalhador receber a justa reparação pelo dano que ele sofre. reservadamente. contudo.

M. afastá-lo do grupo. deve-se construir um modus operandi também adequado a cada caso. no Anexo II . entretanto. grotesco. Esconde seu conhecimento com ordens contraditórias: começa projetos novos. mantendo-se o devido sigilo: está-se propondo. aqui. Em caso contrário.F. Se algum projeto é elogiado pelos superiores. Aqui se defende. colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferiores à sua função Confuso e inseguro. já existem previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho que envolvem o serviço público. que há . além da necessidade de especificidade. para rebaixálo. No campo legislativo. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. Veja-se. para no dia seguinte modificá-los. como. colhe os louros. indiscriminadamente tratado. É uma espécie de capataz moderno Aproxima-se dos trabalhadores (as) e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um. procedendo-se a uma exaustiva discussão sobre o problema particular de cada município antes da promulgação da lei. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. 2001. Na primeira “oportunidade”.26 Troglodita Tigrão Mala –babão Grande irmão Garganta Tasea (“Tá se achando”) Demite friamente e humilha por prazer É o chefe brusco. Fonte: SCHMIDT. utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador.H. Acrescente-se que. mas vive contanto vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. Seu tipo é> “eu mando e você obedece” Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista a seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos Aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. Persegue e controla cada um com “mão de ferro”. verificou que se trata do mesmo conceito. Nascimento (2009) compilou leis de vários municípios e realizou um cotejo sobre os conteúdos nelas presentes. demiti-lo ou exigir produtividade É o chefe que não conhece bem o seu trabalho. por exemplo.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. que a prática adequada seria dar atenção à peculiaridade de cada município no que se refere ao assédio moral. independentemente se intra ou extramuros. M. Submete-o a situações vexatórias. responsabiliza a “incompetência” dos seus subordinados. Exige relatórios diários que não serão utilizados. Sempre está com a razão.

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uma carência tanto na adequação de teor das leis, quanto na implementação das mesmas, levando-se em consideração a peculiaridade do objeto da lei.

Na esteira da necessidade da especificidade, cabe observar que existe um tipo de assédio moral incidente sobre um grupo de assediados, ou seja, o assédio moral pode ser coletivo, conforme menciona Batalha (2009); em se tratando de servidores públicos organizados em carreira, se os colegas o assediam moralmente, cabe argüir assédio moral coletivo.

Barreto (2000), em estudo com 2072 trabalhadores de 97 empresas dos setores químico, farmacêutico, de plásticos e similares, de portes variados, dentro da região da grande São Paulo, verificou a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício de sua função, de forma repetitiva, caracterizando uma atitude desumana, violenta e antiética nas relações de trabalho, assédio este realizado por um ou mais chefes contra seu subordinado. Trata-se de estudo sobre um universo específico; pode, no entanto, servir de balizamento para uma aplicação à problemática do assédio moral ao servidor público, uma vez realizados estudos destinados a verificar a aplicabilidade deste quadro 2 quanto aos sinais e sintomas eventualmente presentes no servidor público vítima de assédio moral.
Quadro 2 - Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral.

Sintomas Crises de choro Dores generalizadas Palpitações, tremores Sentimento de inutilidade Insônia ou sonolência excessiva Depressão Diminuição da libido Sede de vingança Aumento da pressão arterial Dor de cabeça Distúrbios digestivos Tonturas Idéia de suicídio Falta de apetite Falta de ar

Mulheres 100 80 80 72 69,6 60 60 50 40 40 40 22,3 16,2 13,6 10

Homens 80 40 40 63,6 70 15 100 51,6 33,2 15 3,2 100 2,1 30

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Passa a beber Tentativa de suicídio
Fonte: BATALHA, L.R., 2009.

5 -

63 18,3

Segundo Heloani (2004), a maioria das pesquisas aponta que as mulheres são, estatisticamente, as maiores vítimas do assédio moral. Também são elas as que mais procuram ajuda médica ou psicológica e, não raro, no seu próprio grupo de trabalho, verbalizando suas queixas, pedindo ajuda.

Em relação aos trabalhadores, Schmidt (2001) menciona que, em pesquisas realizadas na França, com 153 médicos da região de Poitou-Charentes, 95% responderam que já tiveram conhecimento, ao menos uma vez, de um caso de assédio moral. Os médicos avaliam que essas situações são pouco freqüentes em 63,5% dos casos e freqüentes em 21% dos casos. As situações consideradas graves ou muito graves representam 75% das respostas. De outro lado, em 82 dos casos assinalados, os médicos diagnosticaram incapacidade (em metade dos casos, temporária, e em outra metade, definitiva) e 65% dos médicos pensam que a situações aparentes de assédio moral estão em progressão nos últimos anos. Santos (2008) veicula a seguinte contribuição estatística: “Pesquisas foram realizadas pelas Universidades de Estocolmo, na Suécia, e Alcalá, na Espanha indicando que 27% (Estocolmo) e 16,39% (Alcalá) dos entrevistados admitiam a redução da eficácia em razão do assédio psicológico.”. Trata-se de dados preocupantes, ainda que se considere que:
O trabalho, hoje, absorve a maior e melhor parte do tempo dos indivíduos, sendo, portanto, um espaço/tempo para a exposição da subjetividade, considerando que o trabalho realizado pelo homem diz respeito a ele mesmo, por expressar suas escolhas, opiniões, características, dentre outras revelações de si explicitadas cotidianamente. [§] [...] [§] Além do contexto da organização do trabalho em si, o sofrimento psíquico, no trabalho, pode ser ainda decorrente da incompatibilidade entre a história individual do sujeito e uma organização de trabalho objetiva, racional e intolerante. O quadro seria a famosa cena do filme de Chaplin, „Tempos Modernos‟: o homem tragado pela engrenagem; percebe-se claramente na metáfora um sistema de nervos, cérebro, sentimento e alma, devorados por um sistema mecânico, racional e desumano, que leva o homem a uma sensação de impotência. [...] [§] [...] [§] O assédio moral é um conceito muito subjetivo. O nível de desrespeito exercido e sofrido é variável de acordo com a percepção individual. É imprescindível considerar a cultura, a história

29 de vida e vários outros aspectos específicos de cada indivíduo. Porém, a constatação de comportamentos abusivos que se mostram muito freqüentes é de suma importância para que se possa entender melhor esse fenômeno. [§] [...] [§] Observa-se que indivíduos que de alguma forma se destacam dentro da organização tornam-se possíveis alvos de assédio moral. Isso pode ocorrer até mesmo com funcionários honestos que reclamam da impunidade, quando percebem que regras não estão sendo cumpridas, ou com sujeitos que tentam cumprir as suas funções da maneira mais competente possível. [...] [...] Comecei a escutar muita reclamação dos pais e mães porque a instituição não funcionava. Então eu pensei em fazer alguma coisa e primeiro eu fui falar com a minha chefe, para saber qual era a posição dela. [...] Eu já senti nela um tom de ameaça quando ela me disse que era assim mesmo, que ali era um serviço público e que se você quiser continuar ali, funciona dessa forma. [sic] (MARTINS, 2009)

Barreto, citada por Batalha (2009), menciona que:
[...] o perfil pessoal da vítima é delineado por uma inteligência, geralmente, um pouco acima da média, uma personalidade altruísta, ingênua, insatisfeita, honesta e consideradora dos valores morais, apegada ao trabalho e à instituição pública, o tipo de pessoa que não tolera injustiça com ninguém.

Apesar das discussões em grandes fóruns sobre o tema, no nível micro, local, vê-se muito pouca discussão sobre o tema e pouca ação no sentido de mitigar o problema. Acrescenta-se o fato de os sindicatos estarem pouco preparados e pouco disponíveis para o enfrentamento da matéria, pois sabem que terão de sair da sonolência na qual grande parte deles está, como se se tratasse de repartição pública, para enfrentar a tensão das discussões com as direções, principalmente no serviço público, onde algumas lideranças estão acomodadas em seus nichos, sem querer sair de suas zonas de conforto.

Um dos fóruns dos quais acima se falou foi a 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, realizada em 2006, que deliberou sobre os itens abaixo, tocantes ao assédio moral:
Item 54. Desenvolver ações no sentido de agilizar a tramitação do Projeto de Lei nº 2.369/03, que trata o assédio moral nas relações de trabalho como ilícito trabalhista e conceitua essa violência, com o objetivo de obter sua aprovação. Item 78. Incluir os impactos psicofísicos na saúde, resultantes do assédio moral, como fator de risco ocupacional, caracterizado como crime, ficando

imperceptível. as empresas nas quais sejam registrados casos de assédio moral no trabalho. por conforto ou por medo de perder privilégios ou a tranqüilidade no trabalho. Para determinado tipo de funcionário.24/3/2006). permitindo que haja pequenos desvios da legalidade. esv aziar as atribuições do cargo. estatísticas. Incluir no Observatório de Saúde do Trabalhador informações específicas (notificação. As pessoas têm medo de sair da sua zona de conforto. A alegoria da caverna platônica nos fornece elementos para analisar um processo de assédio. cada vez mais. sindicância ou processo administrativo. no sentido da prevenção do sofrimento mental dos trabalhadores e trabalhadoras. trata-se do tipo de funcionário aqui já descrito como aquele que tem o perfil de participação e se sente muito mal em estar em tal situação. na “geladeira”. ou não aceitar as regras. Item 155. pesquisas e divulgação de casos) sobre assédio moral e sexual nas relações de trabalho em todos os níveis de atenção à saúde. Divulgar as empresas campeãs nesse "ranking" perverso. após algum tempo. Definir que sejam investigadas. Há concessões entre a direção e funcionários. no entanto. O que se verifica é que existe certa ingovernabilidade no serviço público. Promover ações educativas e esclarecedoras em âmbito nacional no intuito de construir a conscientização da sociedade sobre essa violência e a desnaturalização dessa prática na organização do trabalho. acordos tácitos de estabilidade efêmera. então não fazem o que vai de encontro à direção e suas ordens. se não for cooptado.30 as empresas públicas e privadas obrigadas a emitir a Comunicação de Acidente do trabalho – CAT. mesmo que isso lhes pareça incorreto ou muitas vezes alheio à legislação. tem um “insight” do problema que está passando. O assediado muitas vezes demora a perceber que está sendo assediado. mantêm-se a estrutura em funcionamento. isso é pretexto para a inação. pelos setores da Saúde e do Trabalho e Emprego. Item 151. especialmente os atendimentos realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial – CAP‟s. se estiver em algum cargo. o procedimento normalmente é deixá-lo de lado. (Relatório Final da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador . A literatura menciona que ele. sem função e. Quando determinado funcionário não demonstra medo. não obstante. pois o assédio é processo quieto. que só poderão ser aferidos com base na legislação ou por meio de apurações. existe processo de cooptação para que ele não aja contra a ordem preestabelecida. quando menciona: .

é possível a certos usuários se dar [sic] conta de um assédio administrativo. falta sensibilidade ou há acobertamento pela alta direção dos procedimentos que ocorrem na intimidade da instituição. que o assediador. de rigor ou severidade abusiva por parte de instituições ou pessoas determinadas. doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia. sem cair na descrição de uma burocracia kafkaniana. falta orientação adequada. em associação com estratégias de hostilidade ou brutalidade. judiciária.. ainda que pressuposta. o que configura a dimensão do problema. Muito embora alguns consigam percebê-lo. existe uma fragilidade emocional na qual se encontram os funcionários da determinada repartição. principalmente quando os funcionários públicos solicitam através de pedidos 12 A Alegoria da Caverna . mas apenas um ou alguns. administrativa. quando observa que o assediado começa a apresentar os primeiros sinais e sintomas decorrentes do processo de assédio e que isso pode causar comprometimento.Platão. Tipos de Assédio Moral Koubi (in SEIXAS. Brasília: LGE. transfere-o ou põe-no à disposição. A perversidade muitas vezes chega a tal ponto. 2006) menciona que o assédio pode ser de ordem policial. para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar. fiscal. e julgaria ainda que estes eram na 12 verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam? (A alegoria da caverna 2006) Muitas vezes o assédio é coletivo. há dificuldade em obter provas e testemunhas. entre outros fatores.4. e. . 2006.31 Portanto. existe uma falta de mecanismos capazes de reverter o processo de assédio: o senso ético é muito tênue. há falta de regulamento interno na instituição. conseguem percebê-lo. Da mesma forma. em função de sua sensibilidade ou idiossincrasia. 1. se alguém o [o homem preso na caverna] forçasse a olhar a própria luz. de outrem. muitas vezes interessadas em obter proveito próprio em função de alguma fragilidade.

O projeto-lei do assédio surgiu em 1995. qualificação. O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para produzir com qualidade e baixo custo. que carregam a incerteza de um dia vir a apresentar dificuldades produtivas. a melhoria da produtividade. A noção de assédio comporta finalidades mais imediatas: em um assédio ascendente. Mas. a competitividade. responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego. obter uma melhoria das condições de vida. Os adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos. a sexóloga Marta Suplicy. impor comportamentos conformistas. em que se faz lei para tudo. por iniciativa da ex-prefeita da cidade de São Paulo.. estudar a situação do assediado exige conhecer a posição do assediador: trata-se de fazer a distinção entre a pretensão de um e a situação do outro segundo os contextos e as circunstâncias nos quais se realiza. ao passo em que os sadios. (p. visão sistêmica do processo produtivo. provas impossíveis de serem localizadas. a lei que criminaliza o assédio [sexual] ainda não pegou. 2006) apresenta uma tipologia teleológica do assédio: Um assédio ascendente [vertical praticado por subalterno e dirigido. E um país como o nosso. reforçar ameaças. teórica ou concretamente. humilhando-os. títulos inverossímeis. Um assédio descendente [vertical praticado por superior hierárquico e dirigido. a superior hierárquico] visa finalidades [sic] concretas: organizar a resistência à autoridade.” . eficiência. no ambiente de trabalho. estes são objetivos gerais e permanentes. 13 O assédio moral é mais etéreo e difícil de caracterizar do que.. provocando comportamentos agressivos e de indiferença ao sofrimento do outro". em que predominam os desmandos. produtividade. assimilam o discurso das chefias e discriminam os 'improdutivos'. o reforço da „cultura de empresa‟.23) (grifo nosso) Quanto à pretensão do assediador. mas. se exige dos trabalhadores maior escolaridade. autonomia e flexibilização. O enraizamento e disseminação do medo. reforça atos individualistas. competitividade. Com a reestruturação e reorganização do trabalho. alimentar um clima de medo ou de resignação. Hoje em dia. tolerância aos desmandos e práticas autoritárias. o assédio sexual.32 ou de toda uma série de operações – seja por má fé [sic]. denunciar as injustiças mais patentes. se quer [sic] não apenas reforçar as obediências. o assédio. portanto. Em um assédio descendente. a manipulação do medo. etc. de maneira eventualmente brutal e urgente. desumanas e aéticas. 2009) assim define: “[. competência. 13 “Vilja Marques Asse (in Pereira. obediência obrigatória às ordens de superiores hierárquicos ou simplesmente em razão do desconhecimento dos textos aplicáveis – peças inúteis documentos inexistentes. ameaçar de sanção as resistências. tudo visando produzir mais com baixo custo. por exemplo. Decca (in SEIXAS. portanto. Qualquer que seja o caso. novas características foram incorporadas ã [ sic] função: qualificação. criatividade. Ansart (in SEIXAS. e apenas em maio de 2001 esta lei foi introduzida em nosso código penal. obter resultados imperativos. rotação de tarefas.] O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias. polifuncionalidade. 2006) defende que: No Brasil é comum se dizer que as leis pegam ou não pegam. os programas de qualidade total associados à produtividade. O medo de perder o emprego e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e fortalecimento da tirania. a subalterno] visa o [sic] reforço da autoridade.

(p.142) Na esteira da discussão da lei acima. pressupondo sempre a presença física na situação de assédio. “O assédio moral manifesta-se.] [Em nota de rodapé:] a dificuldade conceptual deste tipo de assédio [o sexual] reside desde logo no seu início.‟. através de uma sequência de comportamentos. optou-se por qualificar o assédio sexual como integrando o mais amplo assédio moral [. vislumbrando aquelas ninfas disse: ‘Sigamos estas deusas e vejamos Se fantasias são ou se verdadeiras. não falta quem interprete um inequívoco „não‟ como um convite à insistência ou até como uma concordância envergonhada. em Mobbing ou Assédio Moral no Trabalho. ainda que travestida de uma aparente igualdade dos sexos. Entre os tipos de assédio. subsiste. onde as ninfas já flechadas por Eros por desígnios dos deuses se entremostram aos lusitanos. Mas mais industriosas que ligeiras. 2006): A relação íntima ou próxima entre quem assedia e sua vítima. descrevendo a volta dos Portugueses à terra mãe. conta-se que um dos heróis.. verificam-se várias manifestações no modo de realização. não se resiste a citar uma passagem heróica de Camões. quando esta procura argumentar a seu favor. . A respeito do tema da recusa ao assédio significando uma anuência.]” (PEREIRA. Veloso. Pereira (2009).’ Pois bem.. assim se expressa: Pese embora com algumas dúvidas conceptuais.224 afirma em seu Artigo 216-A: „Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. Pouco a pouco. Numa socaiede [sic] ainda profundamente machista.33 Ainda mal conhecida lei nº 10. Fugindo as ninfas vão por entre os ramos. em suma. indica de modo enfático a força expressiva da palavra oral: tonalidade da voz. A pergunta que. já camões vislumbrava a fuga posta como meio de incentivar a perseguição. Se deixam ir dos galgos alcançando. as manifestações de desprezo ou de ironia agressiva atingindo diretamente a pessoa assediada.. é que [ sic] alguma coisa mudou desde então. 2009) Segundo as palavras Bresciani (in SEIXAS.. cargo ou função: Pena detenção. sorrindo e gritos dando. de 1(um) a 2(dois) anos. melhor ou pior encadeados [. as expressões faciais. contudo. Se lançam a correr pelas ribeiras. velozes mais que Gamos. No Canto Nono. assim. de forma subtil. referente ao assédio sexual. prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. quando desembarcando numa ilha. Isso dito. o voltar-se as costas à vítima. Os Lusíadas.

] pode dizer-se que.34 Em tom conclusivo Pereira (2009) diz: [. . na maior parte dos casos. pese embora tendo como pano de fundo pretensas preocupações sociais. o progresso não foi acompanhado de uma crescente humanização dos ambientes e das relações de trabalho. ao invés. contribuiu para que os mesmos se automatizassem até o limite do insuportável.. mas..

... os senhores de terras e engenhos....1..... Devem daqueles ser. em presença do chefe.. eliminar a categoria aristocrática. num alargamento contínuo. na repulsa às ascensões plebéias aos postos de governo. I. Doroteu.. transforma o titular em portador de autoridade... Seus néscios descendentes já não querem Conservar as tavernas. bem sapatos. Para a investidura em muitas funções públicas era condição essencial que o candidato fosse „homem fidalgo.. O severo Critilo.. II)... guardados pelas Câmaras. Os „homens bons‟ compreendiam.... para indignação e pasmo das velhas linhagens. Confere-lhe a marca de nobreza.. representante da nobreza letrada... Puxando a dente o couro.... Breve história do serviço público no Brasil No Brasil colônia. que lhes deram Os primeiros sapatos e os primeiros 14 Almocreve: Homem que se ocupa em conduzir besta de carga.embora. . Os tendeiros.. atributo do nobre de sangue ou do cortesão criado nas dobras do manto real.. 1981.. na realidade. Nas Câmaras se exigia igual qualificação para a escolha dos vereadores entre os „homens bons‟ .. contudo...... como as outras drogas que se compram. retrata bem os valores dominantes. ou de „boa linhagem‟ (idem. ainda no século XVI.Dicionário Buarque de Holanda....35 2 O SERVIÇO PÚBLICO 2... Os Livros da Nobreza. Os postos. Doroteu. aqui se vendem... Conheço. por um fenômeno de interpretação inversa de valores. Agora.. o exercício do cargo infunde o acatamento aristocrático aos súditos.. a outros muitos 14 Que foram almocreves e tendeiros . I). não te rias De veres que estes são aqueles grandes Que.. Como o emprego público era. O cargo público em sentido amplo... E........ além. as pessoas Que vêm de humildes troncos.... Que foram alfaiates e fizeram. de limpo sangue‟ (Ordenações Filipinas. a que subam Aos distintos empregos. a burocracia civil e militar. a comissão do rei.. L.. Não tardaria muito e a venda dos empregos elevaria aos cimos da nobreza a burguesia enriquecida. sem.. E também.. tít.. ou nobre porque letrada. tít... finalmente. Mal se vêem capitães. contra a polícia Franquearem-se as portas. esses caracteres fossem muitas vezes ignorados. doce amigo. dos nobres de linhagem. sofriam registros novos e inscrições progressivas. que mais os pagam.. .. encostar podem Os queixos nos bastões da fina cana. segundo Faoro (2001).. são já fidalgos. com a contínua agregação de burgueses comerciantes. tendeiro: homem que vende em tenda..

Que império... um esforço para empreender mudanças no seu modo de operar. . 2007). Op.. p. tecida de zombarias e desdéns. A via que atrai todas as classes e as mergulha no estamento é o cargo público. por meio de alguns atores. impedem o controle de revisão e de substituição de autoridade. Os conflitos do serviço público no Brasil De acordo com Medici e Silva (in NOGUEIRA. O advento das democracias participativas e a eleição dos líderes do executivo e do parlamento trouxeram várias mudanças no escopo e na representatividade da administração pública. o serviço público no Brasil tem realizado. aderindo à sua consciência social. Nas origens da administração do Estado (era absolutista) os funcionários públicos nada mais eram do que funcionários do Rei. A vontade do povo não tinha influência na organização do Estado. se afrouxa com o curso das gerações. não subjuga e aniquila a nobreza. encostados no setor ministerial do governo.] [. no afidalgamento postiço da ascensão social. [Cartas chilenas]. apaniguados do poder que recebiam um salário e administravam o Estado segundo seus próprios lemas e determinações. Hodiernamente. que só se forma 15 De nobres sem ofícios? A burguesia. sem o racionalismo da estrutura burocrática. Daí os conflitos. consideradas não só as raízes coloniais marcadas pelo tipo de prática interpessoal verificado na citação acima. as disputas de atribuições. e o fordismo.] Os privilégios inerentes ao cargo público no sistema patrimonial estamental. Doroteu.. que tornou-se [sic] arraigada no âmbito das 15 Critilo.36 Capotes com capuz de grosso pano. A fase taylorista sancionou tal comportamento. porém ainda incipientes. não transformou substancialmente tal prática. instrumento de amálgama e controle das conquistas por parte do soberano. senão que a esta se incorpora. que império pode Um povo sustentar. [. No entanto o corpo de funcionários governamentais continuava com raras exceções a separar o planejamento e a ação da determinação da vontade social. as resistências de funcionários que se dirigem diretamente ao Conselho Ultramarino. cit. ou seja. mas também a persistência de tal prática. A íntima tensão. 2. em graus.2.210 e 250. a despeito de proporcionar espaço para as mudanças. com proteções poderosas de pessoas da corte. nesse sistema.

. Questiona. foi uma profunda transformação no sentido da crise mesma do Estado ganhando cada vez mais espaço o programa do Estado mínimo ou enxuto informado pela hegemonia neoliberal em contraponto ao Estado do bem estar social. b) como acentuação. Nogueira (2007) também afirma que: [. no seio do pessoal de Estado...]”. .] [. quer dizer precisamente como reorganização do conjunto dos aparelhos de Estado.. elas se exprimem... então.. produzida pela introdução da administração flexível. mas sim de clientes e cidadãos.. [. a que assim responde: “As fontes do conflito no estado capitalista encontram-se duplamente determinadas pelas relações diretas entre funcionários e níveis de governo do Estado e pelas contradições do regime capitalista de produção.] ocorrem divisões e contradições internas acirradas no seio do pessoal do Estado. que o Estado exerce na sociedade. da luta e das contradições de classe tal como. fissuras e reorganizações destes. colocando em questão a sua própria unidade específica.] o que ocorreu com o Estado em geral entre os fins dos 70 e inícios dos anos 2000. com traços próprios. [sic] de modo específico. [.] a crise política se traduz no próprio interior do corpo do pessoal estatal de várias maneiras: a) como crise institucional do Estado. Diz Nogueira (2007) que os conflitos são inerentes às relações entre trabalho e capital na sociedade. seguindo a trama de sua autonomia relativa.”. Poulantzas (in NOGUEIRA. c) como ascensão das reivindicações e das lutas próprias ao pessoal do Estado. no aparelho de estado esses conflitos se revestem da forma de brigas entre membros de diversos aparelhos e ramos do Estado.. quais são as fontes do conflito no interior do Estado. estranhas ao papel ideológico e aparente de neutralidade e de árbitro. Diferente do conflito entre capital e trabalho. muitas vezes. 2007) afirma que: [.. no que se refere à estrutura organizacional própria dos aparelhos de Estado. fricções entre facções e corporações dentro do Estado.37 administrações públicas dos países centrais. acima das classes. ocasionou uma transformação na visão de mundo da administração pública: a sociedade não é composta de súditos ou concorrentes. Uma primeira mudança de comportamento. Ocorrem também divergências de natureza política e ideológica que dividem o pessoal do Estado entre posições mais à esquerda e à direita.

o dos temporários e o dos assalariados. A exploração ocorre na esfera da reprodução do capital. as políticas de contenção dos gastos públicos para enfrentar as crises dos Estados capitalistas submetem os funcionários públicos a permanentes arrochos salariais e deteriorações das suas condições de trabalho. predominantemente capitalistas. Tais regimes subdividem-se em diferentes profissões e diferentes categorias. ou seja. nos processos de serviços e administração voltados à esfera da reprodução social e política do conjunto da sociedade de classes. os funcionários do setor público se dividem em diferentes regimes de trabalho: o dos servidores estatutários. [sic] depende do encaminhamento dessas questões da defasagem salarial. Isto. No caso do Estado de São Paulo. Trata-se então de trabalho assalariado improdutivo [. [sic] não nega sua condição de pertencer a uma totalidade de relações sociais de produção. nas atividades de administração. são relações de trabalho entre não proprietários de meios de produção entre si (funcionários e governo ou governantes e dirigentes).. às quais se associam diferentes status. no parâmetro de Marx. porém. A questão dos salários informa sobre o padrão de vida dos assalariados. não seria adequado. 16 o termo relações industriais .. mas. das perdas salariais históricas e da melhoria das condições gerais de trabalho. que não há no relacionamento coletivo dentro do Estado. ao invés de relações sociais diretamente capitalistas. Qualquer proposta atual sobre um sistema de relações de trabalho para o setor público. controle e de prestação de serviços públicos. A taxa de exploração do trabalho no Estado envolve a quantidade de salário em relação à jornada de trabalho e às condições necessárias de vida em sociedade. Assim. produção direta de valor para acumulação de capital. que cuida das relações trabalhistas externas da empresa com os sindicatos. evidentemente. para os relacionamentos explicitados. cuja especificidade. Por isso é mais adequado adotar a noção de relações de trabalho no setor público. que informam as fontes dos conflitos do trabalho no setor público e no Estado. Em primeiro lugar. 1998) . (grifo nosso) No entanto. A especificidade das relações de trabalho no campo estatal Hyman (in NOGUEIRA.” (OLIVEIRA.3.]. e sim reproduzir o capital. Em muitas empresas há um setor específico com esta denominação. Esses diferentes status e as relações de poder a eles relacionadas dão margem a conflitos 16 “Relações Industriais é outra área relacionada a Pessoal. 2007) menciona que: Para o caso do setor público. com o Governo e com outros órgãos públicos. não significa que não haja exploração direta do trabalho pelo Estado. Isto significa. [ sic] não é realizada para produzir. além do de Pessoal ou de Recursos Humanos.38 2. as especificidades do setor público devem ser apontadas. ou para a esfera interna do Estado capitalista.

. o servidor público não poderia ter sindicato que o representasse. Até a Constituição de 1988 e a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho. que regula as circunstâncias e os interesses em jogo. ou seja. Com efeito. [. A Convenção 151 da OIT está tramitando no Congresso Nacional desde 2008.. [§] No setor público. as relações coletivas se dão diretamente na superestrutura política e jurídica e dependem dos estatutos específicos das diversas categorias.. O administrador público está sujeito ao „princípio da legalidade‟. estas últimas ligadas diretamente à prestação dos serviços à população e que. incrementa a organização sindical e fomenta processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. podem resistir a qualquer forma de controle sobre seu trabalho e resultado. [§] Há na verdade maior complexidade das fontes contraditórias do confronto e no conflito coletivo do Estado. a organização sindical dos servidores públicos tem maior dificuldade em alterar as condições de trabalho de forma abrangente.].] a essência do trabalho no serviço público é o processamento intelectual e administrativo e uma operação não produtiva. Assim. é preciso captar e inserir a questão das relações de trabalho no setor público em uma rede de relações mais complexa entre funcionário público assalariado e Estado e os seus diferentes poderes. Categorias com contratos temporários e terceirizados estão mais susceptíveis ao assédio moral. porque estas dependem das instâncias políticas e administrativas. do estatuto jurídico oriundo do direito administrativo e constitucional. o atendimento. [§] No campo público. a área de Recursos Humanos [também chamada Departamento Pessoal ou Coordenadoria de Recursos Humanos]. passará a vigorar como lei ordinária e facilitará as relações do servidor público com o Estado. A relação existente entre o servidor público e a unidade administrativa é de natureza diversa da existente na iniciativa privada. em função da fragilidade do contrato. dessa forma. tendo como intermediários os sindicatos. Nogueira (2007) prossegue dizendo que: “[. também do seu lado. da diferença salarial e das condições de trabalho. mercado capitalista e sociedade civil.... coordena restringe-se à tradicional função de administração de pessoal.Convenção 151 – OIT.39 que propiciam a prática do assédio moral.] [§] [. concentrando . a partir de sua incorporação ao ordenamento jurídico... a administração e o controle. a prestação de serviços além das atividades de planejamento. Veja-se o Anexo VI .] Ainda nos processos de trabalho do setor público há conflito potencial nas relações entre áreas de controle administrativo e áreas de prestação dos serviços. O processo de trabalho lida diretamente com a informação. Acrescenta Nogueira (2007): Nesse âmbito situam-se as relações de conflito entre indivíduo e organização burocrática [.

] Poderíamos começar pela criação daquilo que Christophe Dejours. pode levar as pessoas a perceberem que seu problema não é individual. Heloani (2004) afirma que: [. com esse fim.] no Estado. ou seja. e a conservação do sistema tradicional de gestão do pessoal incapaz de responder às novas demandas tende a permanecer. que no atual momento nos parece utópica. portanto. tal discussão. O setor que deveria ser guardião de alguns princípios básicos da boa convivência organizacional pode ser o primeiro a exibir a dolosa política de avestruz”.. em tese.] se podem criar mecanismos. as vítimas da violência não devem se culpar. da [sic] lógica do sistema. [§] [. poderia existir dentro das próprias empresas. a velocidade das mudanças é muito menor.. ou seja. Pertencem a uma categoria intermediária entre os ditos funcionários “do ch ão .. Seria o caso. o indivíduo agredido pode utilizar caixas postais e mesmo „urnas‟ em dependências isoladas dentro da organização.40 seus esforços basicamente nos processos de seleção. ou espaço de discussão. por meio do departamento de Recursos Humanos da empresa [ou do serviço público].. mas não bastam. possa ter seu anonimato garantido. Isto é conseqüência do pouco investimento na qualificação profissional de pessoal específico de Recursos Humanos e da intervenção direta do nível político nas questões sindicais e das relações de trabalho no Estado. onde os membros da organização pudessem expor seus problemas. São passos para amenizar o problema. que não lhes falta competência. no caso. da [sic] „racionalidade instrumental‟. para que. “aplicando a última moda de pacote prêt-à-porter”. angústias e expectativas.. [.. para dar ao trabalhador agredido [por assédio moral] o direito de denunciar a agressão de que tenha sido vítima. como diria Habermas. Em outros termos. um local que. em várias de suas obras. omitem-se e deixam “em aberto o caminho para que situações degradantes se repitam e se incorporem à cultura da organização. facilitando o entendimento. vir a ceder espaço à „ação comunicativa‟. que tenha por base argumentos justos e transparentes. treinamento e remuneração não desenvolvendo qualquer ação no campo das relações coletivas ou como instâncias mediadoras dos conflitos dentro das diversas instituições ou órgãos. (grifo nosso) (p. Trata-se de um fenômeno que envolve interações sociais complexas e. por escrito e sigilosamente. O departamento de Recursos Humanos em grande parte das vezes é composto por profissionais despreparados para enfrentar a questão do assédio moral.22) Freitas (2007) considera que as assim chamadas áreas de Recursos Humanos estão particularmente preocupadas com sua própria sobrevivência e em mostrar serviços. chama de espaço público.

e a falta de conhecimento e reconhecimento da matéria é um dos motivos que levam à permanência do assédio moral em nosso meio. também sofrem as ameaças da classe dirigente. no entanto. O tema é ainda tabu nas repartições públicas. muitas vezes desprovido de pessoas competentes para verificar o caso do assédio moral e modificar a situação. porém. temem posicionar-se.41 de fábrica” e a diretoria. Muitas vezes sabem da existência do problema do assédio moral. mesmo porque os mecanismos administrativos e legais são muito frágeis e de difícil acesso no serviço público. Muitas vezes. sujeitos às mesmas normas. ficam em uma área intermediária entre a área estratégica – de comando – e a operacional. vivem. deve intervir no nível do clima organizacional e da cultura organizacional. estão. o setor de Recursos Humanos é tão submisso à direção. as contradições do funcionário “do chão de fábrica” que também são. têm medo de perder os privilégios e a credibilidade dos funcionários da base. que os tem na mão – pois alguns funcionários do RH podem vir a receber benefícios de toda ordem e se esforçam para pertencer à classe dirigente –. . O setor de Recursos Humanos. que não se faz possível empreender qualquer ação autônoma no enfrentamento do problema. recebem a pressão dos sindicatos e das associações. para que se evite tal tipo de assédio.

JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS DO ASSÉDIO MORAL 3.17 Poder-se-ia.42 3. há com abundância normas de alcance administrativo no setor público. Manus (2006) menciona em proveitoso trabalho sobre o tema que.1. contra o empregado ou pessoas de sua família. como contrapartida de seu dever de respeitar o empregador e seus prepostos. inciso III. da Constituição Federal de 1988. Nas discussões judiciais sobre assedio moral. Embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral na legislação no setor privado. pode haver enquadramento por meio de várias legislações.” . ASPECTOS LEGAIS. da dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado democrático de direito foi importante passo na defesa do respeito aos valores mais caros ao cidadão. reconhece a Constituição Federal o direito de o cidadão ser tratado com isonomia. Em nível federal tramitam alguns projetos de leis. merecendo respeito. na análise de Manus. Isso quer dizer que. No âmbito da Administração Pública. que menciona “praticar o empregador ou seus prepostos. muito embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral no trabalho. além do direito do trabalhador ao posto de serviço. acredita-se que a consagração pelo artigo 1º. enquadrar o problema do assédio de maneira transversa na constituição e na legislação trabalhista. entre elas o artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho. Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral Concorda Nascimento (2004) com que a natureza jurídica do assédio moral pode inserir-se no âmbito do gênero “dano moral” ou mesmo do gênero “discriminação”. em nível municipal e estadual verificamos a existência de leis. O empregador pode vir a ser responsabilizado pelo assédio cometido por ele ou por um dos prepostos e condenado a indenizar o empregado quando 17 Garbin (2009) faz lembrar que “O ordenamento jurídico brasileiro não possui legislação específica sobre o tema que defina o assédio moral. no entanto. cívil e penal em nosso ordenamento jurídico. porém. ao salário digno. ato lesivo da honra e da boa fama” não é figura que atualmente se denomine assédio moral.

uma demanda de assédio moral. do Código Penal. inciso II. inciso II. 146 e 146-A do Código Penal. Diz o mesmo autor que também podem funcionar como agravantes do assédio moral a dissimulação (artigo 61. e sobre o motivo torpe.43 comprovada a hipótese de assédio moral. poder-se-ia fundamentá-lo nos parágrafos II e III do artigo 5º da Constituição Federal. em nosso caso ensejado pelo assédio moral. O autor. configurando-se dano moral. serviçais ou prepostos – o que implica o dever da empresa de informar seus empregados. estando a fixação do valor relacionada à proporção do dano causado. e a prática de meios insidiosos (artigo 61. do ponto de vista penal. Heloani (2004) menciona que. afirma ser possível que o assédio atue como circunstância agravante ou qualificadora do tipo penal. como no caso de o trabalhador ser humilhado por pura diversão. quando praticado no âmbito de empresas privadas. que abrangem o assédio moral e sexual respectivamente. o artigo 944 do Código Civil aduz sobre o direito de indenização. 140. que dificulta ou torna impossível a defesa do ofendido. fiscalizar os atos por estes praticados. cabendo-lhe. do Código Civil responsabiliza o empregador objetivamente pelos danos causados a terceiros pelos seus empregados. alínea “d”). Guerzoni (2008) defende que os incisos V e X do artigo 5º da Constituição Federal podem ser utilizados como supedâneos da reparação do dano. 139. Em complementação ao acima descrito. como na situação em que o assédio tenha por intuito forçar o trabalhador a cumprir uma jornada sobre-humana. que não demonstram todo o poten cial ofensivo. a fim de coibir a prática de atos ilícitos. alínea ”f”). “a”. No assédio moral descendente. dependendo-se da forma do assédio. “c”). à luz do artigo 5º. configuram-se as circunstâncias de abuso de autoridade (artigo 61. inciso II. que versa sobre o motivo fútil. que implica direito a indenização. ademais. O fundamento para essa agravante é o artigo 61. em robusta análise dos institutos jurídico-legais que podem fundamentar. da Constituição Federal. e nos artigos 138. inciso V. com ofensa à dignidade do empregado. ou abuso de . inciso II. inciso III. Não se pode olvidar que o artigo 932. Quanto à possibilidade de indenização pelo dano moral. gerentes e prepostos da vedação de atos que possam vir a configurar assédio moral. a ser ponderada pelo julgador no momento da quantificação da pena.

afirma que: .Abuso de autoridade. impedindo-os de prejudicar a saúde física e psíquica dos demais trabalhadores. com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica. A liberdade de filiação e desfiliação sindical é tutelada pelo crime de atentado contra a liberdade de associação (artigo 199 do mesmo diploma legal)... bem como por não ter fiscalizado os seus empregados. alínea “g”). [. Mesmo que o assédio moral tenha sido praticado pelos colegas da vítima. ser empregadas com o intuito de interromper a gravidez. assumem especial relevância para o presente tema. o empregador pode ser enquadrado no delito de lesões corporais culposas. previstos no Título IV da Parte Especial do Código Penal. de 09 de dezembro de 1965. de maneira irrepreensível. [. 2008) Esses mesmo [sic] fundamentos [criminais] também tornam possível enquadrar a conduta do agente ativo no crime de induzimento.44 poder (artigo 61.898. constranger a vítima de assédio moral a fazer. os atos lesivos da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. alínea “h”)”.] [§] Se o sujeito ativo. ofício. residindo a diferença no fato de que. quando praticados com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal (artigo 4º. sua conduta pode ainda se enquadrada no crime de violência arbitrária. previsto no artigo 322 do Código Penal. O artigo 203 define o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista. em razão de não ter implementado medidas que garantissem a segurança do ambiente de trabalho. refere-se ao atentado contra a liberdade de trabalho. Veja-se Anexo V. ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. [§] É possível a caracterização de crimes contra a organização do trabalho. que coíbe os atos de violência ou grave ameaça que tenham por objetivo obrigar uma pessoa a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional. ou nos delitos de abuso de poder cominados na Lei n. inciso II. que ocorre quando se utiliza a violência ou grave ameaça para constranger alguém a exercer ou não exercer arte... inciso I. o lesado sofre um prejuízo patrimonial. tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. O artigo 197. ou quando fornecer os instrumentos ou cooperar ativamente para que o suicídio se consume. mediante violência ou grave ameaça. [§] Quando o autor do assédio moral for servidor público. ainda. “O grande desafio é definir o momento em que tais condutas se tornam suficientes [sic] graves para justificar a intervenção do Direito Penal”. configurando-se o crime de aborto (artigo 124 do Código Penal). Trata-se de figura semelhante ao constrangimento ilegal. praticado mediante fraude ou violência. [§] As agressões psicológicas poderão. na extorsão. estaremos diante do crime de lesões corporais (artigo 129 do Código Penal). causando uma perturbação no seu equilíbrio fisiológico ou psíquico. Ainda o mesmo autor. instigação ou auxílio ao suicídio (artigo 122 do Código Penal).4. naqueles casos em que as agressões partirem de servidores públicos. incorrerá no crime de extorsão (artigo 158 do Código Penal). profissão ou indústria.] [§] Sempre que a conduta do assediador ofender a incolumidade pessoal da vítima. Dentre os diversos tipos penais dispostos nessa lei especial. sempre que o assediador criar ou reforçar o propósito da vítima de se suicidar. (GUERZONI.

00-1 – Relª. a respeito de pedidos de reparação de danos morais e a respeito de competência. Valdir Florindo. porque a empresa transformou o contrato de atividade em contrato de inação. Deve-se. 18 FLORINDO. a educação. ou persiste. a estrutura psíquica do trabalhador. o assédio foi além. Sônia das Dores Dionísa). também. Dano Moral e o Direito do Trabalho. as condições e as circunstâncias em que o fato-causa do dano moral se verificou.2. Pensamos. quebrando o caráter sinalagmático do contrato de trabalho. fundamentalmente. p. De igual forma. 4ª ed. Decisões judiciais sobre o Assédio Moral Reproduzem-se. eis que minam a saúde física e mental da vítima e corrói a sua auto-estima. é necessário constatar que as sanções de outra natureza se mostraram inadequadas para prevenir e reprimir os atos de assédio moral. pode-se dizer que é uma busca minuciosa de elementos objetivos que haverão de presidir o valor adequado para o caso concreto que houver lhe apresentado. para a duração no tempo do sofrimento moral. No caso dos autos. que o valor a ser arbitrado deve estar em sintonia com a extensão ou intensidade da ofensa. considerar a quantidade de tempo em que o dano persistiu. fonte de dignidade do empregado. mais precisamente sentenças e acórdãos.00. 310. fato esse de inegável importância como elemento objetivo para fixação do valor. 3. trecho de doutrina sobre o tema e textos que veiculam decisões judiciais. visando forçar sua demissão ou apressar a sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empregado de tarefas inúteis. e por conseqüência. que pode ser demonstrado por laudo psicológico. resultam em assédio moral. Antes de se recorrer a medidas penais. São Paulo: LTr. a profissão. porque ultrapassada o âmbito profissional. A tortura psicológica destinada a golpear a auto-estima do empregado. V.2000. descumprindo a sua principal obrigação que é a de fornecer o trabalho. o grau de cultura. O Direito Penal deve conservar o seu caráter de ultima ratio. cujo efeito é o direito à indenização por dano moral.45 [. sonegar-lhe informações e fingir que não o vê. a repercussão do fato no meio social em que vive. Assédio moral – Contrato de inação – Indenização por dano moral. 2002.. abaixo.17. sem constrangimentos.. . com a sua personalidade abalada ou não.] não se esgotaram as tentativas de solução do problema no âmbito do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo. afetando a vítima. em sua obra “Dano Moral e o Direito do Trabalho” 18. Recurso improvido" ( TRT – 17ª R – RO nº 1315. assim se posiciona: Assim. somente intervindo quando se mostrar absolutamente imprescindível para a proteção da dignidade do ser humano.

por óbvio os atos de violação a direitos alheios imputáveis a ele serão necessariamente praticados. art. compreensão das normas do empregador e gerar a sua socialização. 1294.2002.17. agressões verbais e mesmo físicas por sua orientação homossexual. tais como. que o autor sofrera no ambiente de trabalho discriminação. o paradigma hermenêutico ao art.00-0 – Rel. 5º.9 – Relª. AgR/MG. da Constituição Federal.005. mesmo que não pudesse o empregador impedir que parte de seus empregados desaprovasse o comportamento do reclamante e evitassem contato para com ele. 483). 114. a dinâmica pode levá-lo a se sentir humilhado e menos capaz que os demais. X.395-6 – DF. golpeia a sua auto-estima e fere o seu decoro e prestígio profissional. os quais não esboçaram qualquer tentativa de coibi-la. sofre. por parte de seus colegas de trabalho. 159 c/c art. pois. Menezes Direito (julgado no dia 2/4/2009). X. àquele que não cumpre sua tarefa a tempo e modo. como empregado do demandado. Ao manipular tanto a emoção. 51). Tal entendimento.5. estando no estabelecimento do réu.10. deve responder pelo ato antijurídico que praticou. praticados por empregados outros no ambiente de trabalho e com a ciência da gerência da empresa demandada – Imputabilidade de culpa ao empregador. Somente servidores das pessoas governamentais de Direito Privado da Administração Pública Indireta devem ter suas pretensões julgadas pela . o que significa dizer que qualquer funcionário público que se atenha a um regramento administrativo. “Recurso ordinário do reclamado conhecido e desprovido” (TRT – 10ª R – 3ª T – RO n. da CF/88. 919/2002. Se a prova colhida nos autos revela. da CF). Min. deverá ser julgado pela justiça comum (federal ou estadual).2003 – p. A Reclamação constitucional (Rcl) no 5. não poderia permitir a materialização de comportamento discriminatório grave para com o autor. No limiar do julgamento daquela demanda. configura assédio moral.007. (Recurso provido). deboches e até chega a sofrer agressão física. o objetivo passa a ser o de inferiorizá-lo e torná-lo „diferente‟ do grupo. A dinâmica grupal na área de Recursos Humanos objetiva testar a capacidade do indivíduo. Entretanto. Dano moral – Empregado submetido a constrangimentos e agressão física. maior fonte estatal dos direitos e deveres do empregado e empregador. pelos obreiros e dirigentes que integram seus quadros. ficou estampado no julgamento da Rcl nº 7.08. Rel. Se o reclamante.2008) adotou um paradigma ainda mais abrangente do que aquele firmado na ADIN no 3. 5º. Se o empregador age contrário à norma.46 I – Dinâmica grupal – Desvirtuamento – Violação ao patrimônio moral do empregado – Assédio moral – Indenização. Paulo Henrique Blair – DJDF 23. pelos danos morais causados ao reclamante (CCB então vigente. inequivocamente. Juíza Sônia das Dores Dionísio). sua aplicação inconseqüente produz efeitos danosos ao equilíbrio emocional do empregado. mormente se esta agressão fora presenciada por agentes de segurança do reclamado. em decorrência de sua orientação sexual. Impor pagamentos de prendas publicamente. como o íntimo do indivíduo. por omissão. em sentido físico. impõe ao empregador o dever de zelar pela dignidade do trabalhador.” (TRT – 17ª R – RO n. e menos ainda omitir-se diante de agressão física sofrida pelo reclamante no ambiente de trabalho. recentemente. A CLT. nos termos do art. A relação de emprego cuja matriz filosófica está assentada no respeito e confiança mútua das partes contratantes.109. e se delas tem pleno conhecimento a gerência constituída pelo empregador.00... Sendo o empregador pessoa jurídico (e não física). impõe a obrigação de o empregador abster-se de praticar lesão à honra e boa fama do seu empregado (art.381/AM (DJE 8. abarcou qualquer interpretação ao referido dispositivo. Por isso. este último responderá. „dançar a dança da boquinha da garrafa‟.

conheceu do recurso. "mero dissabor. no trânsito. Se assim não se entender. não existe. Tal . aborrecimento. assim. da 2a. que. à unanimidade. EMENTA: DANO MORAL . não havendo. pelas características administrativas ainda mais intensas que esta reação possui. Como assevera o Desembargador Sérgio Cavalieri Filho. b) Há uma tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) em assim se posicionar. além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia. que há duas espécies de servidores estatais. por estarem inseridos no conceito maior de "servidores públicos". se para os vínculos mantidos por contratação temporária. para melhorar a convivência respeitosa e valorizar a dignidade humana. o reconhecimento do dano moral e sua reparação pecuniária representa progresso extraordinário da ciência jurídica.RISCO DE BANALIZAÇÃO . Câmara Cível do TJRJ. a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. do nexo causal e da culpa do réu. O fato de superior imediato não tratar com urbanidade seus subalternos.O direito à indenização por danos morais requer a presença simultânea do ato ilícito. antes de tudo. Sendo assim. O que define a competência jurisdicional em pauta é a incidência ou não de um regime jurídico público. tais situações não são intensas e duradouras. no trabalho. porque as entidades privadas da Administração Pública Indireta atuam.PRESSUPOSTOS . compete à justiça comum analisar tal relação. por outro lado. 7. competência bastante da Justiça do Trabalho para julgá-los. não configura o dano moral. INOCORRÊNCIA. negou-lhe provimento. no caso dos funcionários mencionados. ensejando ações judiciais em busca de indenizações pelos mais triviais aborrecimentos". em regra. com muito mais razão merece ser proclamado o presente entendimento no que tange aos detentores de empregos públicos admitidos por concurso ou estabilizados. DECISÃO: 28/11/2001. RELATOR Juiz Sebastião Geraldo de Oliveira) DANO MORAL. Não é a categoria jurídica em que os servidores estão inseridos que determina a competência para julgamento de pretensão dos daqueles em relação ao Estado. contrariedades ou pequenas mágoas.928/95. sem divergência.47 Justiça laboral. porquanto. dado o caráter indisponível (e administrativo) da contratação. TIPO: RO. pelo simples melindre. o entendimento do STF consolidou-se em definir a incompetência da Justiça do Comum para analisar pretensões advindas do vínculo mantido entre o agente e o Estado "lato sensu". no mérito. FONTE DJMG DATA: 18-12-2001 PG: 10. mágoa. Não cabe o deferimento de dano moral pelas ocorrências rotineiras das atividades profissionais. Percebam-se. entre os amigos e até no ambiente familiar. com o risco de banalizar a conquista ou levá-la ao descrédito. (TRT 3ª Região. Se. não se pode levar a extremo sua aplicação. mas sim a presença ou não do regime jurídico administrativo. por um enfoque. há algumas premissas: a) Que os empregados públicos detêm um vínculo jurídico-administrativo para com o ente estatal. NUM: 13494. Sem a comprovação da ocorrência desses pressupostos. como se particulares fossem. não pode prosperar a pretensão. bem como determinam a incompetência da Justiça Trabalhista para o seu julgamento – matéria de Direito Administrativo a ser discutida na Justiça Estadual. ANO: 2001 NÚMERO ÚNICO PROC: RO .TURMA: Terceira Turma. irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral. A ADIN nº 694-1 salienta ser de competência da Justiça Comum a discussão acerca do regime jurídico próprio dos servidores admitidos em caráter temporário. DECISÃO: A TURMA. c) E mais. do implemento do dano. Quanto a isto. acabaremos por banalizar o dano moral. no julgamento da Ap.

Processo 00977-2005-020-05-00-7 RO.. Des. afirmando que iria descontar as horas paralisadas. xingou-a de “porca”. Não se constatando. C. introduzindo suas mãos dentro da blusa que trajava. constante. fazendo com que as ofendidas passassem por constrangimentos. Necessariamente ele não existe pela simples razão de haver um dissabor. ofendeu-a com o xingamento: “negra loira”. que fica na zona leste da Capital. por reajuste salarial da categoria. o referido diretor proferiu as seguintes palavras: “você está muito gorda e tampa até o portão com o próprio corpo”. por parte da superiora hierárquica. C. Civ. umas porcas... e que reivindicavam melhores salários. S. e ainda ofendeu as três autoras com os dizeres: “cambada de porcas”. e no dia 30 de maio de 2006. N. M. Com efeito. Décio A. e D. quando inquirido em Juízo (fls. Erpen) JUIZ CONDENA GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO POR DISCRIMINAÇÃO E ASSÉDIO MORAL PRATICADO POR DIRETOR DE HOSPITAL DE SÃO PAULO. Relator Desembargador VALTÉRCIO DE OLIVEIRA. a prática reiterada. aduziram que em relação à autora A.. condenou o Estado de São Paulo a pagar DEZ salários mínimos para cada servidora por dano moral. “umas gordas. retirou o crachá que estava entre os seios da autora Áurea.08. N. a prova oral produzida é contundente em apontar as praticas dos atos considerados ofensivos. inclusive com a suspensão do pagamento do prêmio de incentivo.” (TJRS . e em relação à co-autora A. ameaçou-as. N. e começou a gritar com os funcionários. Ficou provado no processo que durante a “manifestação promovida pelo sindicato dos trabalhadores ligados à área da saúde. N. como não poderia ser diferente. M. 596185181. Ap Cív. no caso concreto. D. o próprio diretor do hospital. em relação à autora. 4ª. pois no seu hospital não permitia movimento grevista.6a Câm. Uma sentença proferida pelo juiz da 7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA.48 comportamento por certo gera descontentamento e mal-estar no empregado. 4. DJ 24/08/2006. TURMA.. O Juiz aponta na sentença que: “3. gerando-se um clima de suspense e de demandas. 81/82). Emílio Migliano Neto em 28 de setembro passado nos autos do processo número 053. O direito veio para viabilizar a vida e não truncá-la. S. A. durante uma manifestação liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo. M. de “negaloira”. e quando se encontravam na parte externa do hospital ali chegou o diretor C. ameaçando-a de suspender o pagamento de prêmio de . C. e foi quando o diretor arrancou o crachá de dentro das vestes da autora A. C. humilhações. nada conduz a que se possa vislumbrar o indesejado mobbing. sem que tivesse o fim de denegrir sua honra e boa fama junto aos colegas de trabalho. que teriam advindo da manifestação realizada às portas do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros. Rel. Dr(a). negou a autoria das ofensas e contato físico às pessoas das autoras”. (TRT 5ª. N. conforme narrado nos autos pelo Juiz: “as autoras são funcionárias do mencionado hospital. ora autoras. ac. nas dependências do hospital foram ofendidas pelo seu diretor. qualquer fissura em contrato daria ensejo no dano moral conjugado com o material.. com alegadas ofensas praticadas pelo diretor do hospital. um bando de desocupadas”. Dos Fatos. ademais. N. C. dizendo que iria suspender seus salários e baixar seus prêmios incentivos. mas não demonstra ser abusivo quando se limitou a advertir faltas procedimentais do obreiro. Quanto aos danos morais. ofensas. que o diretor também chamou a autora D. e inclusive abalo de suas saúde”. O réu é a Fazenda Pública do Estado de São Paulo e o fato ocorreu no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros. Por último. Sustentam que esses fatos foram praticados por aquele diretor do hospital em local aberto ao público. de tratamento grosseiro.) “Dano Moral. praticando ato atentatório ao pudor da ofendida. Ainda.. M. Ausência de dano moral. A prevalecer essa tese. às pessoas das manifestantes.115559-9 em que são partes A. nº 020810/2006.

e aconselhá-lo a procurar manter o necessário equilíbrio emocional. de que estão. com emprego de palavreado grosseiro. ele ainda “tentou puxar o crachá da D. Deve também informar o cliente. mencionando as possíveis conseqüências resultantes da demanda. que quando saem do comum podem causar danos às pessoas.”. a honra e a imagem das pessoas (art. à razão de 6% ao ano e com isso ele entende que:”A reparação do dano moral. merecendo reparação”. X. deve. verifica-se que já existe. preparar o cliente. o qual estava pregado na camisa dela. quando procurado para esse tipo de demanda. O advogado. da Constituição Federal)” por isso. Pascal. É esse o caso deste feito. com as próprias mãos. assim. afinal. ser muito cuidadoso com relação às provas e testemunhas indicadas pelo cliente. acrescidos de juros de mora. Impessoalidade e imparcialidade no serviço público “Os erros dos homens não provêm apenas da ignorância. repetiria o . incompatível com o fato de partir do médico diretor do hospital. a vida privada. Por isso o Juiz afirmou que:” A conduta do diretor do hospital ao tentar. com muita cautela. sem sombra de dúvida. um amadurecimento em relação ao tema do assédio moral. pois. O juiz sentenciando afirmou ainda que “São invioláveis a intimidade. A indenização. e com esse gesto o diretor acabou provocando um risco próximo ao peito de D. Ficou provado que este Diretor do hospital “xingou a autora de “nega-loira”. tem também como objetivo o desestímulo ao que causou a lesão. 5º.” Essas são palavras do Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma de 1669. Os olhos vêem pelo coração e. Nosso ordenamento jurídico prevê possibilidade de indenização por dano moral para aquelas hipóteses em que a conduta do agente atinge a psique e os atributos pessoais da vítima. arremata: “O convívio em sociedade pressupõe alguns inconvenientes. mas principalmente da paixão. do padre Antônio Vieira. assim as vistas se tingem dos mesmos humores.3. habituado ao uso de linguagem culta. já fragilizado. inibindo a repetição da conduta ilícita”. procura ressarcir essa dor suportada pela pessoa. Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados Em se analisando os julgados acima.. debelar o movimento paredista do qual participavam as autoras acabou caracterizando uma conduta abusiva. O Juiz afirmou mais que “A prova produzida revela mais do que excessos verbais. para que não haja indeferimento do pedido e trivialização da matéria. a paixão a que lhes perturba e troca as espécies para que vejam umas coisas por outras. além de identificar a competência jurisdicional. um século depois. às regras de protocolo ou etiqueta”. causando-lhe dor. assim como o que vê por vidros de diversas cores. rústico e vulgar. (7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA / São Paulo) 3. a paixão a que os engana. mas. em nosso meio. bem ou mal. muito embora seja o dano de difícil liquidação”. danos estes que devem ser indenizados.49 incentivo que ela recebia”. A paixão é a que erra. Isso nos leva a depreender que qualquer demanda dessa natureza deva estar bem fundamentada. a respeito de que a ação pode ser demorada. O Juiz entendeu que o diretor do hospital se exacerbou e por isso a Fazenda do Estado deverá indenizar cada uma das autoras no valor equivalente a dez salários mínimos vigentes à época do efetivo pagamento. sobre a extensão e complexidade da ação. além da compensação às lesadas. todas as coisas lhe parecem daquela cor. afetos os coraç ões.

muitas vezes tem conhecimento do fato mas é conivente com ele. no entanto. a nãoobrigatoriedade de defesa técnica. sindicâncias e processos administrativos. no que supostamente haverá marcada imparcialidade em relação às matérias lá processadas. no entanto. é impessoal. . 19 Na esteira do raciocínio de Zago (2001). imparcial. 19 Decreto nº 54. pois o não-cumprimento das normas do estado de direito colabora para o estabelecimento e a manutenção do estado autoritário. por força do decreto paulista nº 54. principalmente as principiológicas. mas nos parece conseguir ser eqüidistante do problema. Faz-se necessário. ou seja. sindicâncias e processos administrativos devem ser considerados com muita cautela e vigilância. deverá atentar ao cumprimento de todas as normas.050/2009. o advogado realizar a defesa técnica. consoante a Súmula Vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal. quando se trata de assédio moral. que a Ordem dos Advogados do Brasil. e. para que não haja desrespeito à Constituição e à legislação. seção São Paulo. No Estado de São Paulo a composição da comissão processante tem como presidente um Procurador. cabe discutir a impessoalidade e a imparcialidade da administração pública no que se refere às apurações preliminares. Para não haver pessoalidade na apuração da questão – uma vez que. no decorrer da apuração. Alia-se a isso. pois não há que olvidar que as comissões de apuração preliminar no âmago do Estado são compostas por membros de confiança da diretoria.050.” As apurações preliminares. de 20 de fevereiro de 2009. podem vir a lume diversas irregularidades e ilegalidades tão graves quanto o assédio ou mais graves do que ele –.50 pensamento com exemplar concisão: “O coração tem razões que a própria razão desconhece. pode-se deduzir que a administração pública. passará a comissão a ser centralizada na Procuradoria do Estado. se. esteja atenta aos procedimentos. Veja-se o Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF. que hierarquicamente está acima do suposto assediador.

A autora. [§] [. sindicância. públicos ou privados e interesses de grupos. com eqüidistância e justiça.”.51 O trabalho de Zago (2001) é primoroso ao discutir sobre a impessoalidade e a imparcialidade no serviço público. agora buscando em Aurélio Buarque de Holanda a etimologia da palavra imparcialidade. de 11 de dezembro de 1990 – Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União –. interesses particulares. de equilibrar interesses diversos ou antagônicos. pois. de sopesar. “[. buscando a melhor solução para o alcance do resultad o justo. (grifo da autora) Não pode a administração agir por interesses políticos. que depende desta valoração para o alcance de uma ação de justiça e de equilíbrio.989. como ocorre com o princípio da imparcialidade. entendemos que tanto o funcionário que realizou acusação de assédio como o suposto assediador devem receber acompanhamento de advogado qualificado na área de apuração preliminar..”. se se pode levantar impedimento ou suspeição no processo administrativo.. Na Secretaria de Estado da Saúde. que também têm o dever de fazê-lo e a faculdade de declarar-se suspeito ou impedido por motivos íntimos. que diz: “No processo administrativo disciplinar pode -se levantar o impedimento ou suspeição dos membros da Comissão Processante. para que não haja problema de nulidade ou visível parcialidade da comissão processante. Nesse sentido. reto. Para retomar o problema do processo administrativo. como a Lei 8. justo”. de 29 de outubro de 1979. A autora menciona que: A impessoalidade na atividade administrativa caracteriza-se. aduzem sobre a matéria. independentemente de qualquer interesse público. Não depende necessariamente de valoração. processo administrativo e assédio moral. Entende-se que. devolvemos a palavra à autora.112. importante . percebe que seu significado condiz com “aquele que julga desapaixonadamente.] A imparcialidade condiz com a atividade de avaliar. é o sentido do interesse público.. elaborou-se Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades. Desse modo..] o princípio da impessoalidade é a proibição de trato subjetivo. é a determinação de objetividade. pode-se fazê-lo também na apuração preliminar. Estatuto dos Funcionários Civis do Estado de São Paulo. tanto a Lei nº 8. pela valoração objetiva dos interesses públicos e privados envolvidos na relação jurídica a se formar.

(Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades) .52 instrumento a observar no encadeamento procedimental da apuração preliminar.

na sua ampla maioria.1. que se limitam a tratar as fricções diárias do ponto de vista prático. [ sic] raros são os trabalhos publicados sobre o tema tratando-o de uma maneira abrangente. O processo 4.53 4. caracterizada pelo „abuso de poder‟ e pela „manipulação perversa‟. Já a doutrina brasileira insere o tema. administradores/gestores. As maiores produções foram organizadas por estudiosos de linha conservadora. Novamente na esteira de Batalha (2009). sem uma vivência cotidiana de servidor público voltado para a prestação de serviço público de qualidade à sociedade brasileira. por outras disciplinas jurídicas. do direito constitucional e previdenciário perpassando. a Itália e a Austrália países pioneiros nesse campo. os Estados Unidos. O tema „servidor público‟ é pouco debatido em termos de estudos acadêmicos. traduzindo uma verdadeira „guerra psicológica no local de trabalho‟. A pouca literatura e a falta de debate sobre o tema servidor público dificultam o entendimento do problema pela liderança sindical e a gestora do setor público. . sendo a sua literatura escassa e. a Alemanha. os degraus não cessarão de subir ao mesmo tempo que seus passos avançam” Kafka. em determinados momentos. principalmente. sem visão geral e a longo prazo. ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO “Enquanto você não parar de escalar. deixando que as contradições se esvaziem ou se acirrem nos vários níveis do serviço público e colaborando para que se estabeleça permissividade relativamente a certas práticas como o assédio moral. “O desgaste psicológico causado pelo assédio moral vem sendo estudado no mundo inteiro. principalmente na área trabalhista. sendo a Suécia. no âmbito do direito administrativo. Já segundo Fiorelli (2007). Assédio Moral no serviço público Segundo Reis (2008).

O assédio moral espia. descendente e horizontal e um campo fértil para os testes de inoculação. Consoante João (2006). estadual. ancorados na ociosidade legalizada. seja para atuar em sentido inverso. que congrega um imenso contingente de profissionais. e aquelas que buscam perpetuar o status quo onde se sentem confortáveis. pois. Criada para dar conta de desesperadora necessidade de pessoal originária da combinação mórbida de orçamento reduzido e concursos inexistentes. sorrateiro. para essas posições. o que dispensa maiores comentários. elas e suas chefias aguardam que o tempo solucione a questão. Referimo-nos principalmente às Organizações Públicas. nas Organizações Públicas existe a figura do „empréstimo de pessoal‟. federal) e Poderes (Executivo. valem-se dos mais exóticos mecanismos para forçar esses profissionais a requerer aposentadoria ou a transferir-se para outros organismos. os quais privilegiam. Surgem. Legislativo. os critérios de indicação de cargos de maior autoridade (aqui denominados chefias). gerando naturais conflitos de interesses e personalidades. divorciaram-se dos objetivos de prestação de serviços que seriam sua razão de ser na atividade. além do mérito profissional. descompassos entre os processos de admissão dos colaboradores e os procedimentos institucionalizados de nomeação das chefias. em significativa proporção. seja para que chefes ou colegas „livrem se‟ de pessoas-obstáculos empenhadas na desmoralização dos serviços. originou vasta quantidade de pessoas que viram suas competências desaparecerem e. enquanto os colaboradores percebem-se „permanentes‟. Escoradas na legislação. entidades que admitem seus colaboradores por meio de concurso que lhes dá o direito à estabilidade no emprego. conforme mencionado anteriormente. O drama encontrase no „tudo‟. verdadeiros heróis. empenhadas na melhoria da produtividade. [§] No serviço público convivem chefias altamente dedicadas com outras que têm por objetivo um trampolim para novos saltos. incluem como importante variável a proximidade com os detentores de cargos eletivos. empregados que abraçam a causa do contribuinte e outros que aguardam monotonamente o advento da aposentadoria redentora. Empregados revoltados com a falta de produtividade e oportunidades profissionais e outros que se transformam em obstáculos. muitas vezes representados pela distância entre a busca do bem público por uns e a defesa de interesses político-partidários por outros. um dos fatores essenciais no processo de assédio moral são as normas de movimentação de pessoal. Observe-se que as chefias sabem-se transitórias. praticada ad nauseum em todos os níveis (municipal. neutralizando a autoridade daqueles que são riscos para a estabilidade mórbida de sistemas improdutivos. Conhecemos chefias que lutam para promover mudanças. [§] Nelas. Judiciário). [§] Agregue-se a isso o despreparo de inúmeras chefias para a missão de comandar pessoas – há aquelas que se encastelam em suas posições e sentem-se proprietárias do tempo e da alma dos subordinados. empregando o conhecido jargão do serviço público. [§] Para agravar a situação. „com vaga e tudo‟. esse jogo de interesses. [§] Esse caldo administrativo compõe um laboratório para desenvolver os mais inusitados vírus de assédio moral ascendente. As relações de trabalho relativas aos servidores públicos apresentam algumas peculiaridades que favorecem a ocorrência de práticas de assédio . ainda que atuem em feudos temporários e elas mesmas possam retornar para a condição de simples colaborador. elementos de sua confiança.54 Nessa área. [§] Chefias exemplares.

dois Estados tiveram suas leis aprovadas pela Assembléia Legislativa: São Paulo e Rio de Janeiro. 23.) [§] Estes aspectos com certeza devem justificar o elevado número de leis municipais sobre assédio moral aprovadas por todo o Brasil. por exemplo. Guarulhos. algumas destinadas a servidores públicos.288. nº 12. de 9 de fevereiro de 2006. b) a alternância de poder nas esferas da administração pública. de testemunhas e do devido encaminhamento do processo. em geral as leis municipais estabelecem a aplicação de penalidades administrativas em caso da prática de assédio moral nas dependências do local de trabalho.assediomoral. Muitos procuram atribuir ao veto um caráter político. Em virtude da natureza 20 A relação de trabalho nas Secretarias de Estado de São Paulo é tão marcadamente conflituosa. uma vez que se trata de iniciativa de deputado da oposição ao governo. (Grifos nossos. não foram. que veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta.: http://www. sugerindo como devem portar-se a fim de que as demandas judiciais tenham êxito. indireta e fundações públicas.10.55 moral. Iracemópolis. de 10 de janeiro de 2002. sem que haja perspectiva de melhora em curto prazo. relativamente aos fundamentos constitucionais do veto. . e que hoje tem vigência plena. aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo. Lopes (2009) defende que não haja diferenças significativas entre a ação de assediadores no universo público e a situada no privado. algumas vezes estendidas ao próprio Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público. Veja-se o Anexo II Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. Cascavel. uma vez que muitas das ações ajuizadas são frustradas ou por equívoco de configuração do problema. Em site sobre assédio moral intitulado “O assédio moral na administ ração pública”. ou por falta de provas. Relativamente à lei paulista. o Governador do Estado interpôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) – 3980 – STF 172398. dificultando a governabilidade. Campinas. [§] Na esfera Estadual. opostas quaisquer razões jurídicas suficientes para afastá-los. em diversos sites. como. que os atuais gestores temem receber grande número de reclamações. ou seja.2007 –. [§] Tomando-se como exemplo a lei municipal 13.20 Existem várias cartilhas. nos municípios de: Americana. Dentre estas destacamos duas de maior importância: a) a estabilidade conferida pelo artigo 41 da Constituição Federal.org).250. cuja liminar não foi concedida e cujo julgamento do mérito agora se aguarda. por não se tratar de assédio moral. São Paulo e outros tantos projetos em andamento. sobre o problema do assédio moral (ex. entretanto.

sim. Na relação de trabalho. Na administração Pública. [. hierarquia que deve ser respeitada. A hierarquia no serviço público. é igual hierarquicamente a outros. Freitas (2007).56 do serviço público. dentro de sua categoria. decoro e urbanidade todo e qualquer cidadão. todo um bem elaborado sistema de controle de trabalho. coibindo e punindo casos de assédio moral. segundo Hely Lopes Meirelles.”. mas. mas sua importância é a mesma dentro do quadro do funcionalismo. que custeia a remuneração do agente público por meio do pagamento de tributos. analisando as organizações como palcos de interpretações e de ações de indivíduos e grupos. [§] [. o funcionário dos serviços gerais tem a mesma importância que um chefe de gabinete e. Segue o autor dizendo que: A relação patronal no serviço público reside no dever do [ sic] agente público tratar com respeito.. Suas funções são diferenciadas apenas por questões de organização.. pelo fato de que na administração pública existe não relação patronal direta.] e ainda estabelece a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal.. citado por Lopes (2009).]é o princípio da administração pública que distribui as funções dos seus órgãos ordenando e revendo a atuação de seus agentes [. Disso Lopes (2009) conclui que “o servidor somente tem a condição de subordinado em relação ao princípio orientador da hierarquia entre a instituição e a função. para restabelecer a ordem no ambiente de trabalho”. porém.. simplesmente por querer humilhar seus subordinados. devendo aplicar seu poder disciplinar sobre seus subordinados. Ele não pode compactuar com expedientes odiosos. A distribuição dessa hierarquia é questão de organização da Administração Pública e também modo de operação dos atos e não uma divisão de castas de pessoas ou funções. o agente público está sujeito ao princípio da hierarquia. torna o comportamento decente e democrático uma falha ou uma debilidade em face da . objetivando que o serviço público alcance seu objetivo maior. em que os chefes são seres intocáveis e inquestionáveis. onde tudo é justificado em nome da guerra para sobreviver. considera que um ambiente em que existe competição exacerbada.. [§] Conclui-se que a hierarquia não significa superioridade de cargo ou pessoal.] [§] Não se pode admitir um funcionário de grau hierárquico maior prejudicar toda uma administração. constituída principalmente para estabelecer um grau de responsabilização e ordem. gera permanente pretexto para que exceções sejam transformadas em regras gerais. e sim de função dentro da organização estatal. Este é o verdadeiro „patrão‟. o assédio é considerado mais grave. e não porque é agente de menor ou maior capacidade do que o funcionário numa função acima da sua..] [§] O gestor público tem o dever de zelar por um bom ambiente de trabalho. que é o bem comum. [§] [.

pois. em função do tempo de permanência no cargo. quando os conflitos geram o assédio moral. chefias permanecem nas Secretarias durante décadas. muito embora seja cediço problema de saúde pública. É pertinente. outras vezes se trata da falta de Planos de Cargos. que aqui estudemos o assunto. este deve resistir à pressão e recolher provas. Carreiras e Salários (PCCS). Nesse sentido. por exemplo. . verifica-se essa realidade apenas em parte pelo ethos intocável e inquestionável das chefias: no Estado de São Paulo.1. Assédio Moral na área da saúde pública “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal É que os homens nada façam” Edmundo Burke Em nosso meio. vão incorporando-se ao salário. pouco tem sido objeto de estudo. gerando-se conflito e eventual abuso. algumas com inclinação ideológica partidária. 4. o assédio moral. entre outras atitudes que Batalha (2009) consubstancia no que chama “dez conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público” e aqui serve de inspiração para o que chamamos “onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público ”. percebido pelo servidor público. (grifo nosso) Parece que.57 tirania dos intocáveis. que lança o funcionário público em luta pelo poder administrativo e político e pela manutenção em tal poder.1. muitas vezes o investido do cargo de chefia é advindo de outro ente federativo com determinada incumbência ideológicopartidária. a longa permanência é motivada muitas vezes por benefícios que. Veja-se o Anexo IV “Onze” conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público. Segundo relato de Thome (2008). haja vista a preocupação internacional com o tema focado no setor da saúde pública. no serviço público.

perdendo-se uma oportunidade para normatizar. (grifo nosso) Acreditamos que o assédio moral ocorre porque ele encontra um terreno fértil e que tende a se cristalizar como uma prática porque os seus autores não encontram maiores resistências organizacionais nem nas regras. do que é necessário. na 288ª sessão. a ausência de limites nos sugere que a fronteira é subjetiva e flexível ou que podemos empurrá-la um pouquinho para lá se isto for conveniente ao nosso objetivo ou ainda que o único julgamento de nossa ação é o resultado prático atingido. nem na autoridade. ou seja. da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Internacional de Serviços Públicos (ISP) adotou as „Diretivas gerais sobre violência no trabalho no setor de saúde‟. Freitas (2007) realiza interessante análise do problema do assédio moral ao considerar que: [. [§] Posteriormente. criando um . mas porque eles não dizem que não querem que ele ocorra.. autorizou o Diretor-Geral a publicar tal documento com o nome de Repertório de diretivas práticas da OIT sobre a violência no trabalho no setor de serviços e meios de combater o fenômeno (Recueil de directives pratiques de l’OIT sur la violence au travail dans le secteur des services et moyens de combattre le phénomène). do que é certo. pelos regulamentos e também pelas nossas consciências.] pressupomos que o assédio ocorre não porque os dirigentes queiram que ocorra. [§] Quando da realização de tal instrumento. Esse instrumento tem como escopo a redução ou eliminação da violência no trabalho no setor de serviços. Os limites dessas interpretações são geralmente estipulados ou guiados pelas regras. favorecem ou dificultam interações mais saudáveis e produtivas. [§] . o conjunto de diretivas práticas sobre a violência no trabalho no setor de serviços foi adotado e o Conselho de Administração. A alegação era de que os precedentes jurídicos já haviam estabelecido uma relação de causalidade entre uma carga de trabalho excessiva e o estresse. os efeitos psicológicos de condições perniciosas de trabalho.. próprias da definição e do controle da organização do trabalho.. Os peritos trabalhadores não concordavam com tal assertiva. uma instância que impeça e puna essas ocorrências perversas.] Terceirizações podem gerar conflitos entre os funcionários efetivos e os prestadores de serviços. pelas normas.] É da natureza das organizações a busca de um comportamento controlado de pessoas e de grupos.. nem na filosofia.58 Em 2002... do que é desejável. Na vida organizacional fazemos muitas interpretações e leituras da realidade. e algumas condições internas. um programa conjunto do Bureau International du Travail (BIT). uma vez que tinham a intenção de incluir o estresse em tal documento. no âmbito da Organização Internacional do Trabalho. a comissão de peritos empregadores afirmou que era difícil definir se o estresse estava relacionado ao trabalho ou à vida privada do empregado. A autora acredita que não existe organização perfeita. do que é possível. Depois de longas discussões. foi decidido que o estresse não seria incluído no preâmbulo do documento mencionado. do Conselho Internacional das Enfermeiras – Conseil International des Infirmières (CII). que: [.

verificando-se os traços gerais nela recorrentes. O processo de resposta ao problema do assédio está. há perceptível recorrência na prática desse ato ilícito. a chefia se protege.59 ambiente de primeira e segunda classes para algumas categorias. para eventualmente testemunhar contra o funcionário. Ao mesmo tempo. o que estimula humilhações e exclusões [. o que daria margem a configurar maneira de apurar a prática. haja vista ao fato de que poucos dirigentes têm sido apenados exemplarmente por assédio moral tanto individual como coletivo. ainda aquém do necessário. ao contrário. no entanto. É por isso que o assediado deve buscar a ajuda de um advogado. ou seja.]”. em 2005. e o funcionário fica à mercê dessa conduta perversa da chefia. Atualmente o trabalhador deve estar alerta: os dirigentes assediadores ou dirigentes que deveriam tomar medidas contra o funcionário assediador muitas vezes não permitem que o assediado esteja acompanhado durante conversas com a chefia. mas a velocidade é lenta. a fórmula parece que está certa. dando-se a sensação de falta de criatividade dos assediadores. pois se repete o modus operandi nos locais de mesma coordenadoria. a presença de funcionário de sua confiança. publicou matéria sobre o tema. embora possam ser observadas na área de saúde do serviço público paulista. e houve resposta rápida de alguns colegas identificando-se com o conteúdo da matéria. caminha-se no sentido correto. para que seja orientado e não se comporte de modo a dificultar a sua defesa.. ou como se o próprio ambiente propiciasse o exercício de determinado tipo de assédio moral. então. envolvidos todos os profissionais de nível superior da área da . como se um diretor ou chefe de setor o partilhasse com outro. perversamente.. Repete-se porque há pouca reclamação.. Verifica-se que. impõem. o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. em ação de vanguarda. do sindicato etc. não obstante. várias características do assédio moral assumem formas peculiares e dimensionam-se em graus diferentes de um local para outro. Vários órgãos de classe e sindicatos da área da saúde ainda estão pouco atentos para o problema do assédio moral nas áreas pública e privada. Entendemos que é um tema a ser discutido no Fórum dos Conselhos de Fiscalização de Atividade Fim da Saúde do Estado de São Paulo.

a humilhação. o profissional realiza práticas que normalmente não realizaria e. o profissional da área da saúde pode estar sujeito tanto à violência interna. o assédio moral pode levar o profissional a certa permissividade ética à qual ele não teria tolerância em condições de ausência do assédio: por medo de perder o emprego. ao invés de trabalhar como guardião das normas sanitárias e éticas. sujeita-se a se omitir de desempenhar plenamente sua função.60 saúde. pelo desejo de eliminar o mal-estar gerado pelo assédio. as agressões e os homicídios nos locais de trabalho. Idem. ensejo para capitanear o debate com os demais funcionários da área e seus órgãos representativos. imperícias. na Revista do Farmacêutico. dados preocupantes. O objeto de estudo do referido trabalho acadêmico centra-se na violência ocupacional. entre outras. baixa auto -estima. Veiculados por Cezar (2006). muito embora a amostra tenha sido de 12 e 7 profissionais respectivamente.7% dos médicos e 30% dos trabalhadores de enfermagem relataram assédio moral. 2006. publicou-se. 21 No caso do assédio moral especialmente exercido sobre o farmacêutico que atua na área pública. atendimento fragmentado. matéria sobre a necessidade de iniciar processo de discussão sobre a defesa das prerrogativas desse profissional. 2005 . Técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem relataram ter sido vítimas também de violência no trabalho. 22 Outros profissionais também relatam que o assédio moral faz parte de seu cotidiano no trabalho. tais dados informam ainda que essas violências desencadeiam e perpetuam “violências menores”: negligências. praticada. apontando o assédio moral praticado no trabalho como espécie pertencente ao gênero violência ocupacional. Uma publicação sobre a violência ocupacional em serviço de urgência hospitalar da Cidade de Londrina demonstra que 16. assim como sobre outros profissionais que também trabalham em área da saúde susceptível à pressão externa ao órgão público. 21 22 Conselho Regional de Farmácia. O autor menciona que “O expressivo número de trabalhadores do setor de saúde que são atingidos pela violência em diversos países chamou a atenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de outras instituições que estabeleceram diretrizes para combater o medo. Assim. . Produto dessa preocupação.”.

Por exemplo. 23 23 Requerimento Carlos Neder – ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. A denúncia em tela foi realizada por funcionário que não quis identificar-se. Quem deveria exercer esse papel é o poder legislativo. por meio do qual o Deputado Carlos Neder auferiu informações a respeito de denúncia de abuso de poder e assédio moral realizado por funcionário do Gabinete da Secretaria de Estado da Saúde. por meio do assédio moral e da competição entre colegas. por medo de represálias. contudo. desde que agisse politicamente independente e afinado com os eleitores. interpôs-se requerimento de informação.61 a título de exemplos. saber sobre o andamento do problema. no entanto. têm sido realizadas pela Assembléia Legislativa. . Algumas iniciativas. não se conseguiu. como à violência externa. a ausência de uma Justiça do Trabalho que possa dirimir os conflitos e a ausência de outros mecanismos efetivos de mediação e arbitragem explicam também a recorrência do conflito no serviço público da área da saúde. A ausência de convenções coletivas ou de acordos coletivos de trabalho. o de nº 24 de 2007. a dos pacientes e parentes ou amigos dos pacientes que exercem agressões verbais e físicas.

não chegando à apreciação do judiciário. sindicâncias e apurações preliminares permanecem exclusivamente em sede administrativa – os assim chamados processos internos. O sistema de avaliação de prêmio-incentivo utilizado na Secretaria de Estado da Saúde. onde a diretoria técnica e administrativa tem poder incontrastável. que é o que ocorre na maioria das vezes. A isso acresce que a falta de solidariedade no serviço público faz que haja proliferação do assédio moral tanto individual quanto coletivo. os conselhos de saúde.62 CONSIDERAÇÕES FINAIS Determinados órgãos da administração pública são verdadeiros feudos. processos endógenos –. de modo que muitos dos processos administrativos. fazendo jus ao nome mobbing. dissonante com a prática do assédio. além de ser instrumento pouco adequado para bem avaliar o funcionário. que significa “horda”. “bando” ou “plebe”. ironicamente. amigável. uma vez que o pessoal da administração. muitas vezes não tem conhecimento do que ocorre na repartição ou setor. uma vez que sói não haver resultado efetivo. no entanto. associada ao medo de perseguição mais violenta. a que o assediador possa ser transferido ou até mesmo promovido. dando-se margem. Os mecanismos de combate são. que está acima da diretoria. a falta de discussão e a falta de programas de atuação entre os sindicatos. indício de pejoratividade. que filtra e manipula as informações. pouco efetivos e há descrença na punibilidade dos assediadores. A essa possível sutileza do modo de realizar o assédio moral se contrapõe a prática grosseira. é exemplo de elemento que pode ser usado como fator de ameaça ao trabalhador e muitas vezes é acionado como ferramenta configuradora do assédio moral. Ademais. como fator amenizador do problema. os conselhos de fiscalização de classes e as associações de funcionários públicos propiciam o assédio moral. por falta de diálogo com os funcionários. fato recorrente e perigoso. principalmente porque o assediador muitas vezes apresenta discurso aparentemente inofensivo. . Ardis que tais podem não ser percebidos pelo assediado. derivado de mob.

desde que estas cumpram determinados acordos. é necessário que haja órgãos ativos que o protejam. Observam-se hoje na área da saúde pessoas no comando há cerca de quinze anos. existem mesmo certos modos de proteção contra o assédio moral no serviço público: são as relações interpessoais de amizade. as relações . pois. entre vários. alternando-se nas respectivas funções sem a devida competência. que guardam privilégios para os dirigentes. necessitando-se de uma alternância de poder. entendemos que a ouvidoria não é instância legítima para averiguação do assédio moral. muitas vezes permanecendo impune. administrativa e até psicológica. que podem incluir a desconsideração da gravidade de determinados problemas. De qualquer modo. sua ação raramente é percebida ou combatida pelos outros funcionários. quanto a Secretaria de Estado da Saúde – que deveria conter uma área no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador que acolhesse as reclamações sobre o assédio moral – são muito incipientes. dispor de preparo. Tanto a Delegacia Regional do Trabalho – Núcleo de Promoção de Igualdade e de Combate à Discriminação –. pessoal capacitado e local adequado para o acolhimento e encaminhamento das reclamações nas instâncias jurídica. parecem compostos por “castas intocáveis”. pois há um natural desgaste político e administrativo. protegem-na somente nos casos em que se têm evidências concretas o mais possível. não basta haver somente legislação que proteja o servidor público. Quanto ao agressor. de namoro. A falta de mudança política no governo em todos os níveis também propicia a existência de uma “casta” de pessoas que vão perpetuando -se. perfil ou capacitação. exatamente no fato de que no mais das vezes o que se tem são elementos de prova pouco consistentes para configurar o assédio. porque os instrumentos legais postos à disposição da vítima ainda não estão bem sedimentados: em princípio. policial. A dificuldade está. de casamento e de nepotismo.63 Associações e sindicatos de trabalhadores do serviço público. como contraponto da fragilidade da assistência ao assediado. e os dirigentes de sindicatos e conselhos de fiscalização profissional devem estar sensibilizados quanto à extensão do problema. Antes disso.

É importante. No âmbito legal. deve-se demandar mais direta e intensamente o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. além de receber as penas previstas na legislação. incrementando as comissões de saúde do trabalhador (Consat e Cipa). com punição. para se ajustar . Ponderado o problema. para enfrentar esse e outros problemas nas repartições. que se procure despertar a solidariedade entre os trabalhadores. apuração e recomposição da auto-estima. devem existir espaços para discussão e orientação dos trabalhadores. mas também para estabelecer uma linha de apreciação do que não se deve permitir na sociedade.64 associativas de sindicato. entretanto. deve-se. O agressor. muito embora haja casos em que qualquer um daqueles tipos de relações tenha funcionado de maneira contrária. de partido político. códigos de ética elaborados e discutidos com os próprios funcionários. horizontal ou misto. que devem atentar ao problema do assédio moral. indicando-se o valor que se deve dar a determinado fato. Nesse sentido. não só para punir. conscientizando-se os funcionários e as chefias sobre o problema. quando do desfazimento da relação. antes de tudo. A prática do assédio moral deve ser séria e exaustivamente investigada e exemplarmente combatida. o papel do judiciário é de fundamental importância na apreciação do caso concreto. então. que devem ser expressos em regulamentos nas repartições. No âmbito interpessoal. para isso. de conselhos de fiscalização de classes. das condições adequadas de trabalho e do pleno desenvolvimento profissional do trabalhador. ora propomos um conjunto de sugestões. ou relativamente protegido. e expondo-se o conteúdo das leis sobre assédio moral em locais de fácil acesso visual. seja ele vertical (descendente ou ascendente). Na outra ponta do problema. deve ser psicologicamente amparado. cultivando-se os valores éticos da organização. a possibilidade de indenização pecuniária deve ser considerada quando se verifica que a organização falhou na obrigação de implementar meios eficazes de denúncia. fomentar o debate sobre o assédio moral em vários fóruns. que atuam de maneira ainda muito tímida em relação ao tema. Por meio delas o servidor se sente protegido. e as relações de apadrinhamento político.

de tentativa de ponderar o problema. pois. Não se trata. sim. deve haver acompanhamento da direção. de proposição maniqueísta. trata-se. .65 à sua atividade ou para integrar-se a outra. para que não venha a repetir-se a conduta do assédio moral. santificação do assediado e demonização do assediador. buscando-se estabelecer boas condições laborais e saudáveis relações interpessoais.

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]. o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou o entendimento do poder Judiciário em um tema que envolve mais de 25 mil processos em [.. . da sua 5ª Súmula Vinculante..71 ANEXOS Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF Redação da nova súmula vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição” Com a aprovação.

972 Lei 12. do poder legislativo.6.2002 Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da administração pública municipal direta e indireta por servidores públicos municipais.163 Decreto Regulamentador 1.122 (funcionário público federal) Lei Estadual 3921 1990 Estado do Rio de Janeiro 23.288 Ente da federação São Paulo Data 11.409/âmbito municipal Campinas 4.2002 Veda o assédio moral no âmbito dos órgãos.671/ âmbito municipal Código Ética Profissional do Servidor público Civil do Poder Executivo Federal Americana 22. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou de interesse público.11. fundações. e dá outras providências.8. Mun. direta e indireta por servidores públicos municipais. Decreto 1. Públ. executivo ou do poder judiciário do Estado do Rio de Janeiro.4.2002 Dispõe sobre aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Adm.94 7. empresas públicas e sociedade de economia mista. Lei 8.42/âmbito municipal Guarulhos Lei 11. lei Federal 4.01.171 Lei 3.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo 09/01/2006 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. Lei 3508. repartições ou entidades da administração. Lei/Projeto de lei/ Decreto Lei 13.72 Anexo II. autarquias.6.134/2001 Proj.591 Proj.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. Projeto Lei Federal 2001 . indireta e fundações públicas. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública municipal direta e indireta nas autarquias e fundações públicas.250 Iracemópolis/SP 24.2002 Origem Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Administração Pública Municipal Direta e Indireta por servidores públicos municipais Lei 1. Lei Federal 5.

982 Servidor Federal Jaboticabal/SP 17/12/2001 Lei 1078 Sidrolandia/MS 05/11/2001 Lei 1. de 15 de outubro de 1990. com a seguinte redação: "XIX . Dispõe sobre assédio moral na administração estadual do Rio Grande do Sul. no âmbito dos órgãos. A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO. indireta e fundações públicas. executivo ou judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Lei Federal 5. Acrescenta dispositivo à Lei Complementar nº 04. 09 de fevereiro de 2006 1990 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. de 15 de outubro de 1990. Indireta. lei Federal 4. aprova e o Governador do Estado sanciona a seguinte lei complementar: Art. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou interesse público. Projeto de lei 4.73 5970 Lei 8.213 1991 Equipara ao acidente de trabalho as doenças profissionais e as doenças do trabalho Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral nas dependências da Administração Pública Municipal Direta. Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral no âmbito da administração municipal e dá outras providências.921.122 (funcionário público federal) Lei nº 3.134/2001 Proj.4. 45 da Constituição Estadual.591 Lei 2. tendo em vista o que dispõe o Art. repartições ou entidades da administração centralizada.561 Lei complementar nº 4 Rio Grande do Sul 12 de julho de 2006 15 de outubro de 1990 Mato Grosso Veda o assédio moral no trabalho.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo Lei 8. autarquias.assediar sexualmente ou moralmente outro servidor público. e dá outras providências. da Lei Complementar nº 04.972 Lei nº12." . do poder legislativo. Rio de Janeiro 23 de agosto de 2002 Lei Complementar nº 12.250 Iracemópolis/SP 24. por servidores ou funcionários públicos municipais efetivos ou nomeados para cargos de confiança. empresas públicas e sociedades de economia mista. Autárquica e Fundacional.591 Proj. 1º Fica acrescido o inciso XIX ao Art.163 Decreto Regulamentador 1. fundações. 144.

848. Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 2.819 Bahia 2002 Projeto de Lei Projeto de Lei nº 128 Ceará Espírito Santo 2003 2002 Dispõe sobre o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. das autarquias e das fundações públicas federais a seus subordinados. direta.112. Conversão da Medida Provisória nº 453.BNDES e dá outras providências. fundacional e autárquica e dá outras providências. sobre . sobre assédio moral Federal Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de "assédio moral" por parte de servidores públicos da União. de 11 de dezembro de 1990 Projeto de lei Federal Projeto de reforma da Lei nº 8. Reforma do Código Penal. Projeto de reforma da Lei 8112.. anualmente. indireta e fundacional.Fica instituído o "Dia Estadual de Luta Contra o Assédio Moral nas Relações de Trabalho". dispondo sobre o crime de assédio moral no trabalho. de 7 de dezembro de 1940 Código Penal.948 Federal 16 de junho de 2009 Constitui fonte adicional de recursos para ampliação de limites operacionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social . no dia 2 de maio Projeto de lei nº 4. no Código Penal Brasileiro . sobre coação moral. indireta.666. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual.326 Federal 2004 Dispõe sobre a criação do Dia Nacional de Luta contra o Assédio Moral e outras providências Lei 11. de 7 de dezembro de 1940 . Dispõe sobre assédio moral no âmbito da administração pública do Ceará.Decreto-lei nº 2848. alterando a Lei nº 8. de 2008 Projeto de lei Federal Projeto de lei Federal Introduz artigo 146-A. a ser comemorado. e dá outras providências Projeto de Lei Lei 13036 Pernambuco São Paulo s/d 29 de maio de 2008 Visa vedar a prática de assédio moral no âmbito da administração pública estadual Artigo 1º .74 Projeto de Lei nº 12.

e institui o Cadastro Nacional de Proteção contra a coação moral no emprego. Natal/RN. Rio Grande do Sul.666. Cruzeiro/SP. e Vitória/ES. 37. São Gabriel do Oeste/MS.369 Federal 2003 Estados e municípios tais como: São Paulo. Bahia. Porto Alegre/RS. de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) Dispõe sobre assédio moral nas relações de trabalho Projeto de lei nº 2. Guararema/SP.org) . (site www.(MASCARO. Campinas/SP. Cascavel/PR. institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências".. Reserva do Iguacú/RS. Ceará. Curitiba/PR.452. Rio de Janeiro. São Paulo/SP. inciso XXI. Iracemópolis/SP. Americana. da Constituição Federal..970 2001 Sobre coação moral Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 5.assediomoral. Espírito Santo. Sidrolândia/MS. 2004). Amparo/SP.Guarulhos/SP (. Jaboticabal. Guaratinguetá/SP. de 21 de junho de 1993.75 coação moral Altera dispositivos da Lei nº 8./SP. Projeto de lei 5. Ribeirão Pires/SP. São José dos Campos/SP. que "regulamenta o art.

g. Tende a focalizar nos indivíduos. a segunda fase é a eliminação do alvo Quase sempre tem um foco bem claro O foco é na competência ou nas (e. especialmente se há uma agressão. deficientes. especialmente com agressores. contatos e toques em todas as formas. sexo e raça) posses (inveja) e na popularidade (ciúme. negros. em poucos incidentes ou em muitos incidentes A vítima sabe imediatamente que está sendo assediada Todo mundo pode reconhecer um assédio.. medo de ser excluído do grupo) Geralmente é feito com a finalidade Tende a ser secreto. ter mais de 50 anos.e.) Assédio moral Predominantemente psicológico (e.g. imagem e sem testemunhas do “machão”.. famosa e vulnerável (e. ter alto salário) Sexo e raça não influenciam. falsas alegações de incompetência ou até mesmo por falsos elogios. Trata-se de uma discriminação que é baseada na competência. pelo que eles são(e.g. especialmente se ela for competente. etc. palavras ofensivas raramente aparecem. e. sexo. quando isso falha. discriminação. Acontece tanto no trabalho quanto Na maioria das vezes. a portas fechadas de obter aprovação pública. etc. Assédio em geral Tem um grande componente físico. pode se tornar físico mais tarde.g.. mas quase nunca com agressoras. críticas).Quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral. que precisa primeiro ser controlada e subjugada. mulheres. etc.g. viver sozinha.76 Anexo III.. intrusões no campo pessoal e possessões. Pode consistir em um único incidente. precisa ser eliminada . ainda que possam ser utilizadas na privacidade Quase sempre há um elemento de A fase do assédio moral é o controle possessão e a submissão.. Qualquer pessoa pode ser vítima. Raramente é um único incidente e tende a ser uma acumulação de muitos pequenos incidentes A vítima pode não perceber que está sendo assediada por semanas ou meses – até que ela tem um insight Poucas pessoas podem reconhecer um assédio moral Está normalmente ligado a raça.. acontece no fora dele trabalho O alvo é percebido como algo fácil O alvo é percebido como uma ou então como um desafio ameaça. indecente ou sexual Revela-se freqüentemente através do uso de vocabulário ofensivo Revela-se por meio de críticas triviais. estar se separando do cônjuge. ter compromissos financeiros sérios. ou muito pouco.g. se isso não funciona.

77 Geralmente é dominação para que seja manifestada a superioridade do agressor O agressor não tem autodisciplina O objetivo é o controle do assediado.. . sexual) Fonte: UK National Workplace Bullyng Advice Line citado por Schmidt-2001.g. porque ele constitui uma ameaça O agressor é um invejoso (das habilidades ou das posses) ou ciumento (das relações pessoais). agindo com grande autodisciplina O agressor é deficiente na área de qualidades interpessoais O agressor geralmente tem incompetências específicas (e.

juros. arregimentar aliados o que não é fácil. 4º Conselho: Arregimente testemunhas. pois. no atestar dos danos à saúde. no destemor. é preciso que o assediado lance mão de suas licenças de saúde. Torna-se necessário que se documente as ações assediantes contra o assediado. pois. vias de fato. na denúncia ao Ministério do Trabalho e na denúncia ao ministério da Saúde. cerca de 190% da remuneração anual bruta de um funcionário. férias. os ressarcimentos por causas civis aos funcionários assediados. SE contar que. mister se faz. É preciso. não se pode prescindir do testemunho de colegas. para isso. É imprescindível. neste contexto. capacitação. também deve ser evitado. 3º Conselho: Documente-o. no assédio moral transversal ou horizontal são os próprios colegas os assediadores. só se facilitará o caminho para o assediador. para buscar a tutela jurisdicional com tranqüilidade. elas se consubstanciam em ações por infrações penais e administrativas. tas como: abuso de poder (atacável por Mandado de Segurança). Em relação aos ilícitos administrativos. pois. correção e mora. pois. em termos de Know how. que. os colegas se afastam pra que a Agressão de Estado dirigida À vítima não os afete. no recolhimento de provas documentais. . Aqui se delineia uma linha de conduta para argüir o mobbing consubstanciado na paciência. custos consubstanciados no tempo empregado pelo assediador para arquitetar novas formas de oprimir ou perseguir.78 Anexo IV . em geral. os dias de trabalho perdidos em razão da licença por causa da Agressão de Estado as custas decorrentes de tratamentos de funcionários doentes em razão do assédio moral no serviço público: perda de funcionários competentes e produtivos. no contabilizar dos gastos médicos. danos ao patrimônio e falsificação. a substituição do funcionário dispensado tem custos para a Administração. O temor de represálias e da demissão. difamação e calúnia (crimes contra a honra) e lesão corporal. para isso. prêmio. danos emergentes. no registrar diário das ocorrências. as ações contra assediados custam à Administração Pública. Assim. para isso. é imprescindível documentá-lo. ameaças (crime de ameaça). e na busca da tutela jurisdicional. o tempo correrá a seu favor em forma de lucros cessantes. tudo explicitado. e este só irá libertar o assediador do problema. 2º Conselho: Resista. no arregimentar de testemunhas. o funcionário recolha documentação sobre as ações sofridas.“Onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público” [adaptado de Batalha (2009)]. É imprescindível a paciência na caracterização do dano. a seguir: 1º Conselho: Paciência. assim. Na configuração do assédio moral.

II. Por fim. tudo devidamente comprovado. pessoas presentes. para isso deve-se escrever a história pessoal de assédio moral sendo claro e conciso. Outro direito que assiste aos “mobizados” é obter cópias de documentação que existem nos assentamentos individuai os. Na escolha entre procedimento penal. Em São Paulo o endereço é: Centro de Referência de Saúde do Trabalhador: Rua Martins Fontes. 7º conselho: Reúna provas.79 5º Conselho: Organize um diário. do Ministério do Trabalho e do Emprego. 8º Conselho: Denuncie na Delegacia Regional do Trabalho. se tornou um caso de saúde pública. pela qual se indique data. Uma ótima sugestão para a documentação é ter um diário de cada ação “mobizante”. Denuncie o assédio moral junto às Coordenadorias Estaduais de Saúde do Trabalhador. encaminhando ao órgão competente. 8º andar . Muitas vezes não virá resposta. há que se buscar as vias legais: neste caso o tempo conta a seu favor. A denúncia do mobbing é necessária para evitar que o fenômeno se propague. Isso poderá ajudar a identificar os danos causados e a configurar o assédio com vistas à indenização. rádios. hora. descrição da ação assediante. em questionamento escrito. Centro 10º Conselho: Busque as vias legais. da Portaria 604. mas isso pode ser suficiente para provar uma ação “mobizante”. 109. Pois. fazendo uso de jornais. Setor de Assédio Moral Esse comando vem da art.Núcleo de Discriminação do Trabalho. Faça uma relação dos distúrbios físicos e psíquicos todos documentados e atestados dos danos que o assédio venha causando à vitima. Outra maneira de configurá-lo é protocolá-lo. bem como os prejuízos pecuniários. 2º. Aos servidores Celetistas e funcionários do serviço público é possível denunciar o assedio moral no Núcleo de Discriminação do Trabalho na Delegacia Regional do Trabalho. 6º Conselho: Protocole-o. que institui os Núcleos de Promoção e Igualdade e Oportunidades e de Combate à Discriminação em Matéria de Emprego e Profissão. civil ou federal para requerer . associações de classe denunciando fatos reais e documentados. este. de 1 de junho de 2000. autor. trata-se de direito amparado pelo habeas data. 9º Conselho: Denuncie o assédio moral junto ao Ministério da Saúde. 109. resultantes dos mesmo. VI. Em São Paulo o endereço é: Rua: Martins Fontes.

moral e lucros cessantes.80 indenização por dano biológico é preferível o procedimento cível para a reparação do dano biológico. No caso federal. Neste último caso. re-enquadramento. danos morais e materiais. pois o assediado na maioria das vezes está fragilizado e tem dificuldades de entender o emaranhado de órgãos públicos e pode se estressar com isso. preferencialmente seu advogado faça esta busca. os órgãos públicos muitas vezes são difíceis de serem encontrados. lucros cessantes. é importante que uma terceira pessoa. dano patrimonial. de reintegração. Depois de começado a jornada. indenização por danos. 11º Conselho: Paciência dupla. . se poderá também documentar o dano ao Erário público por aquele que o prejudicou pela agressão de Estado.

emolumentos ou qualquer outra despesa. h) ao direito de reunião.898. a respectiva sanção. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. (Alínea acrescida pela Lei nº 6. c) ao sigilo da correspondência. nos casos de abuso de autoridade. e) ao livre exercício do culto religioso. cometerem abusos. a qualificação do acusado e o rol de testemunhas.657. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto. b) à inviolabilidade do domicílio. b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada.Abuso de autoridade. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. permitida em lei. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal. emolumentos ou de qualquer outra despesa. e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965 Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. quer quanto à espécie. são regulados pela presente Lei. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. Parágrafo único. no máximo de três. desde que a cobrança não tenha apoio em lei. Art. custas. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. de 5/6/1979) Art. . c) deixar de comunicar. se as houver. no exercício de suas funções. d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.81 Anexo V. Art. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade. f) à liberdade de associação. contra as autoridades que. custas. i) à incolumidade física do indivíduo. imediatamente. com todas as suas circunstâncias. CÂMARA DOS DEPUTADOS Centro de Documentação e Informação LEI Nº 4. quer quanto ao seu valor. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. d) à liberdade de consciência e de crença. f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição: a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar à autoridade civil ou militar culpada. 4º Constitui também Abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual.

a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. § 1º A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias. § 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.711. ou militar. Art. bem assim. por prazo de um a cinco anos. 7º Recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa. Vetado. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos. caso não seja possível fixar o valor do dano. Art. de 24/11/1989. independentemente de inquérito policial ou justificação. com perda de vencimentos e vantagens. poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória. civis ou militares.960. de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa. de pena ou de medida de segurança. quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. (Alínea acrescida pela Medida Provisória nº 111. 11. e requererá ao Juiz a sua citação. Art. para os efeitos desta Lei. instruída com a representação da vítima do abuso. desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade. emprego ou função pública. § 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem a cinco mil cruzeiros. 12. consistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros. aquele. Art. Art. § 1º O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais. função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias. de qualquer categoria. e) demissão. f) demissão. 9º Simultâneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela. ainda que transitoriamente e sem remuneração. Art. e. A ação penal será iniciada. pela vítima do abuso. denunciará o réu. 10. de 21/12/1989). poderá ser promovida. Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. Art. quem exerce cargo. § 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil. § 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. no prazo de quarenta e oito horas.82 h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. a responsabilidade civil ou penal ou ambas. Art. 5º Considera-se autoridade. § 2º A sanção civil. a bem do serviço público. por denúncia do Ministério Público. de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União). de natureza civil. convertida na Lei nº 7. estaduais ou federais. as disposições dos arts. § 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial. 8º A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar. b) repreensão. . b) detenção por dez dias a seis meses. Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima. civil ou militar. 219 a 225 da Lei nº 1. c) suspensão do cargo. da autoridade culpada. i ) prolongar a execução de prisão temporária. a designação de audiência de instrução e julgamento. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil. 13. que estabeleçam o respectivo processo. d) destituição de função. § 2º Não existindo no município. no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente.

§ 2º A citação do réu para se ver processar. por meio de duas testemunhas qualificadas. 25. o Juiz designará. A hora marcada. Art. por extenso. no caso de negligência do querelante. a critério do Juiz. na audiência de instrução e julgamento. ou o apresentarão por escrito. A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz. Art. recebendo ou rejeitando a denúncia. o Juiz. Art. . a não ser que o Juiz. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio. Art. ao invés de apresentar a denúncia requerer o arquivamento da representação. b) requerer ao Juiz. entre dez (10) e dezoito (18) horas. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei. devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência. desde logo. os presentes poderão retirar-se. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu. 21. apregoando em seguida o réu. retomar a ação como parte principal. Art. no local que o Juiz designar.83 Art. Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de testemunhas ou. 14. ditado pelo Juiz. até julgamento final e para comparecer à audiência de instrução e julgamento. perícias ou exames. Art. até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julgamento. requerimentos para a realização de diligências. o Juiz proferirá imediatamente a sentença. dentro do prazo de quarenta e oito horas. o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência. 15. § 2º No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais duas testemunhas. e realizar-se-á em dia útil. termo que conterá. A audiência de instrução e julgamento será pública. proferirá despacho. que deverá ser realizada. ao qual só então deverá o Juiz atender. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. Se o órgão do Ministério Público. fará remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia. dia e hora para a audiência de instrução e julgamento. a designação de um perito para fazer as verificações necessárias. interpor recursos e. 17. prorrogável por mais dez (10). Parágrafo único. ao Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu. improrrogàvelmente. o perito. Parágrafo único. repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo. o Juiz. letra "b". o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo. 20. 16. o Juiz dará a palavra sucessivamente. 18. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido. Se o ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá: a) promover a comprovação da existência de tais vestígios. em resumo. considere indispensáveis tais providências. o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentadas em Juízo. 24. se contrariamente não dispuser o Juiz. se estiver presente. 22. a todo tempo. querendo. dentro de cinco dias. Recebidos os autos. § 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente. as testemunhas. porém. 23. Art. na sede do Juízo ou. independentemente de intimação. os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa. salvo o caso previsto no artigo 14. O órgão do Ministério Público poderá. Parágrafo único. em despacho motivado. os despachos e a sentença. 19. Art. Art. Encerrado o debate. aditar a queixa. Art. § 1º No despacho em que receber a denúncia. os requerimentos e. ou designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento. será feita por mandado sucinto que. pelo prazo de quinze minutos para cada um. Não comparecendo o réu nem seu advogado. será acompanhado da segunda via da representação e da denúncia. será admitida ação privada. excepcionalmente. Art. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito.

Revogam-se as disposições em contrário. o advogado ou defensor do réu e o escrivão. caberão os recursos e apelações previstas no Código de Processo Penal. sempre que compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta Lei. 28. 27. Art. 29. sempre motivadamente. o representante do Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a queixa. Nos casos omissos. o juiz poderá aumentá-los. Subscreverão o termo o Juiz. Parágrafo único. Brasília. 26. 144º da independência e 77º da República. Das decisões.84 Art. H. Art. despachos e sentenças. Art. serão aplicáveis as normas do Código de Processo Penal. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados nesta Lei. 9 de dezembro de 1965. CASTELLO BRANCO Juracy Magalhães . até o dôbro.

Número 60 Fevereiro de 2008 As Relações de Trabalho no Setor Público: Ratificação da Convenção 151 As relações de trabalho no setor público: ratificação da Convenção 151 No dia 14 de fevereiro de 2008. A 151 trata da organização sindical e . Luís Inácio Lula da Silva encaminhou para apreciação do Congresso Nacional as Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). o Presidente da República.85 Anexo VI .Convenção 151 – OIT.

As Convenções da OIT são tratados internacionais “legalmente vinculantes” que. Os países que ratificam uma convenção “estão obrigados a aplicá-la em sua legislação e em suas práticas nacionais”. normalmente o Parlamento. das quais 156 estão em vigor. O Brasil é signatário de 80 delas.86 do processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. O processo de ratificação . que reúne representantes dos empregadores. uma vez aprovadas pela Conferência Internacional do Trabalho. É uma estrutura tripartite. Nesta quinta-feira. esta entra em vigor nesse país um ano depois da aprovação da ratificação. dos trabalhadores e dos governos. empresários e trabalhadores) e aprovadas na Conferência Internacional do Trabalho da OIT. para que um país ratifique uma Convenção esta deve ser apreciada pelas suas autoridades competentes. A OIT e as Normas Internacionais do Trabalho A Organização Internacional do Trabalho é uma Agência do Sistema das Nações Unidas fundada em 1919. As normas internacionais do trabalho são instrumentos jurídicos que estabelecem princípios e direitos básicos no trabalho. Pela Constituição da OIT. Até o momento a OIT formulou e aprovou 185 Convenções. será divulgada nova nota técnica. Caso um país membro decida ratificar uma convenção. Esta Nota Técnica procura comentar o significado das normas internacionais do trabalho e os trâmites até a sua ratificação. que trata da convenção 158 e possíveis efeitos para o emprego. podem ser ratificadas ou não pelos países membros. As normas são preparadas pelos dirigentes da OIT (governo. tendo que enviar regularmente relatórios referentes à sua aplicação. trata da garantia do emprego contra a dispensa imotivada. Ela procura esclarecer o que é a convenção 151 e as possibilidades que se abrem para o movimento sindical do setor público a partir dela. em geral. As normas elaboradas podem tomar a forma de Convenção ou Resolução. Já a convenção 158.

6. devendo sua forma de efetivação ser disciplinada por instrumentos jurídicos próprios. ou seja. seja durante as suas horas de trabalho ou fora delas. Nela está previsto: 1. a ratificação segue para promulgação presidencial. 3. Um ano depois de sua promulgação. Após sua aprovação na Câmara.Instauração de processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública. 5.Proteção contra atos de ingerência das autoridades públicas na formação.Garantias dos direitos civis e políticos essenciais ao exercício normal da liberdade sindical. 4. Depois de receber as mensagens encaminhadas pela Presidência da República para ratificação.Proteção contra os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. A Convenção 151 A Convenção 151 da OIT aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas (nos níveis municipal. estadual e federal) e se refere a garantias a toda organização que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública.87 O envio da proposta de ratificação da Convenção 151 e 158 pelo Executivo Federal para o Congresso Nacional é tão somente o primeiro passo para efetivação de sua ratificação pelo país. a Convenção entra em vigor. por leis e decretos. com permissão para cumprir suas atividades.segundo o regimento da casa – apreciá-la. funcionamento e administração das organizações de trabalhadores da função pública.Independência das organizações de trabalhadores da função pública face às autoridades públicas.Concessão de facilidades aos representantes das organizações reconhecidas dos trabalhadores da função pública. a Câmara dos Deputados deve . 2. . os textos seguem para apreciação do Senado. Apenas com aprovação pelas duas instâncias do Congresso Nacional.

CF). Em 1992. porém não foi explicitada a garantia do direito à negociação coletiva (artigo 39. processos sistemáticos de Negociação Coletiva passaram a ser experimentados em diversas instituições públicas. pelos Estados Federados. Distrito Federal ou municípios. . ao mesmo tempo que derrubou o Regime Jurídico Único1 (estatutário). o debate sobre o direito à Negociação Coletiva retornou e. § 3°.88 Histórico A ordem jurídica brasileira nunca reconheceu o direito de os servidores participarem da elaboração de regras aplicáveis às relações de trabalho com o poder público. Após dois anos de debate. Com o advento da Constituição de 1988. Por sua vez. o movimento sindical passou a debater a necessidade de sua regulamentação no âmbito dos debates do Fórum Nacional do Trabalho com a criação da Câmara Setorial do Serviço Público. os servidores públicos civis tiveram reconhecido o direito de organização sindical (artigo 37. Com tais mudanças. a “Reforma Administrativa” de 1998 acrescentou aos princípios constitucionais que regem a Administração Pública o princípio da eficiência. sempre foi negada aos servidores a autonomia coletiva (ou negociação coletiva). CF) e o direito a greve. Com base na experiência concreta da efetividade da prática da negociação no setor público. Em outras palavras. o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 492-1 que questionava o direito à negociação coletiva no setor público. VI. a Câmara do Serviço Público indicou a necessidade de ratificação da Convenção 151. Isto se tornou possível a partir da recuperação de uma concepção de democratização das relações de trabalho defendida pelo Movimento Sindical no processo de discussão da Constituição de 19882. amparado nas alterações contidas na Emenda Constitucional 19. Suas condições de trabalho sempre foram definidas unilateralmente pela União.

o governo federal cria a Mesa Nacional de Negociação Permanente da Administração Pública Federal e a Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS. um conjunto de outras mesas é aberto em diversos municípios ancorado nessa metodologia. 39 da CF.89 1 Com a decisão da ADIN nº 2135/2000 (02/08/2007) que restabeleceu o caput do art. com efeitos ex nunc (não admitindo a retroatividade da decisão a situações jurídicas já consolidadas no tempo). essa mesma metodologia é adotada nos estados da Bahia e Sergipe. é instituído em São Paulo e em Recife o Sistema de Negociação Permanente (SINP-SP). . em 2007. os servidores voltam a ser regidos por um RJU. além dessas experiências. 2 Em 2002. em 2003.

Aponta. Além disso. em especial no que se refere ao direito à negociação coletiva no serviço público. Devem ser implementadas. os do serviço público. Enfim. foi indicada a ratificação como um passo essencial para a consolidação da experiência de negociação realizada pela MNNP. a ratificação da Convenção 151 da OIT tem como propósito romper com os resquícios do Estado autoritário. Orçamento e Gestão. . criada no âmbito da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento.90 Já no início do segundo mandato do presidente Lula. na medida em que caminha na defesa da tese da autonomia sindical por parte do movimento sindical brasileiro. o debate foi reaberto no Grupo de Trabalho da Mesa Nacional de Negociação Permanente3 (MNNP). objeto de muitas polêmicas na tradição. Considerações Finais O paradigma orientador que vem norteando todo processo de luta pela ratificação da Convenção 151 é a construção do Estado democrático de direito. medidas regulamentadoras que coloquem em prática o que nela está determinado. A implementação das garantias definidas na Convenção 151 da OIT dialoga com o aprofundamento da democracia no país. para o estabelecimento de novos padrões de relações de trabalho no setor público. com isso. Neste contexto as organizações de trabalhadores. Também nesta instância. há de se ressaltar que a ratificação da Convenção 151 pelo Congresso Nacional é tão somente um passo nesse processo. reafirmam-se como importantes elementos para a constituição de uma sociedade mais justa e participativa. avança na transformação do Estado e contribui para assegurar direitos essenciais para o pleno exercício da liberdade sindical ao conjunto dos trabalhadores. ainda. e em especial as dos servidores. conforme definido pela Constituição Brasileira. já muito debatido tanto no âmbito da Câmara Setorial quanto pela sociedade. O processo iniciado com a ratificação da Convenção 151 da OIT pode e deve gerar um novo arcabouço doutrinário e jurídico para as relações de trabalho no setor público. em especial. o envio da proposta de ratificação da Convenção 151 é resultado desse processo de luta dos trabalhadores do setor público na busca de garantir um efetivo processo de democratização das relações de trabalho no Estado Brasileiro. Porém.

dos servidores e da sociedade civil através de processo de diálogo formalizado. .91 3 A Mesa Nacional de Negociação Permanente foi um espaço institucional criado pelo governo federal para buscar soluções negociadas entre os interesses da Administração Pública.

sociais e econômicos dos Estados Membros. Convenção nº 151 Convenção Relativa à Proteção do Direito de Organização e aos Processos de Fixação das Condições de Trabalho na Função Pública A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho: Convocada para Genebra pelo Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho. bem como para os três níveis da Federação. Executivo Federal. 1949. ser válida para os três poderes da República. no que se refere às funções respectivas das autoridades centrais e locais. Foram feitas algumas adaptações para o português usual do Brasil. 1971. o DIEESE reproduz o texto da Convenção 151. 1948. não abrange determinadas categorias de trabalhadores da função pública e que a Convenção e a Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. 1971. A seguir. e da Convenção e da Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores.92 Neste sentido. assim como a das respectivas práticas (por exemplo. em 7 de Junho de 1978. Esta regulamentação deve. Considerando as disposições da Convenção Relativa à Liberdade Sindical e à Proteção do Direito Sindical. Congresso Nacional e Movimento Sindical devem continuar o processo de discussão dos instrumentais jurídicos que regulamentam o processo de negociação para o setor público. da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. onde reuniu. às das autoridades . 1949. Recordando que a Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. na sua 64. se aplicam aos representantes dos trabalhadores na empresa. necessariamente. Verificando a grande diversidade dos sistemas políticos.ª sessão. com base em sua tradução de Portugal. Considerando a expansão considerável das atividades da função pública em muitos países e a necessidade de relações de trabalho sãs entre as autoridades públicas e as organizações de trabalhadores da função pública.

ou ainda no que respeita à natureza das relações de trabalho). dos Estados Federais e das províncias.93 federais. . bem como às das empresas que são propriedade pública e dos diversos tipos de organismos públicos autônomos ou semiautônomos.

e as observações através das quais os órgãos de controle da OIT chamaram repetidas vezes a atenção para o fato de certos Governos aplicarem essas disposições de modo a excluir grandes grupos de trabalhadores da função pública da esfera de aplicação daquela Convenção. PARTE I Esfera de aplicação e definições ARTIGO 1 1 . 1978. cujas funções são normalmente consideradas de formulação de políticas ou de direção ou aos trabalhadores da função pública cujas responsabilidades tenham um caráter altamente confidencial.A presente Convenção aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas. na medida em que lhes não sejam aplicáveis disposições mais favoráveis de outras convenções internacionais do trabalho. 3 . no dia 27 de Junho de 1978. em virtude das diferenças existentes em numerosos países entre o trabalho no setor público e no setor privado. 2 .A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão às forças armadas e à polícia. assim como as dificuldades de interpretação que surgiram a propósito da aplicação aos funcionários públicos das pertinentes disposições da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. a seguinte Convenção. Após ter decidido que essas propostas tomariam a forma de uma convenção internacional: Adota. Após ter decidido adotar diversas propostas relativas à liberdade sindical e aos processos de fixação das condições de trabalho na função pública. que será denominada a Convenção Relativa às Relações de Trabalho na Função Pública. . 1949. questão que constitui o quinto ponto da ordem do dia da sessão.94 Considerando os problemas específicos levantados pela delimitação da esfera de aplicação de um instrumento internacional e pela adoção de definições para efeitos deste instrumento.A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão aos trabalhadores da função pública de nível superior.

3 . nos termos do seu artigo 1. designadamente. qualquer que seja a sua composição. designadamente. a expressão «trabalhadores da função pública» designa toda e qualquer pessoa a que se aplique esta Convenção. ARTIGO 3 Para os efeitos da presente Convenção. 2 . a expressão «organização de trabalhadores da função pública» designa toda a organização.Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. funcionamento e administração. devido à sua filiação a uma organização de trabalhadores da função pública ou à sua participação nas atividades normais dessa organização. todas as medidas tendentes a promover a criação de organizações de trabalhadores da função pública dominadas por uma autoridade pública ou a apoiar organizações de trabalhadores da função pública por meios financeiros ou quaisquer .As organizações de trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de ingerência das autoridades públicas na sua formação. assimiladas a atos de ingerência. 2 .São.As organizações de trabalhadores da função pública devem gozar de completa independência face às autoridades públicas. no sentido do presente artigo. que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública.Essa proteção deve. b) Despedir um trabalhador da função pública ou prejudicá-lo por quaisquer outros meios. PARTE II Proteção do direito de organização ARTIGO 4 1 . aplicar-se no que respeita aos atos que tenham por fim: a) Subordinar o emprego de um trabalhador da função pública à condição de este não se filiar a uma organização de trabalhadores da função pública ou deixar de fazer parte dessa organização. ARTIGO 5 1 .95 ARTIGO 2 Para os efeitos da presente Convenção.

PARTE V Resolução dos conflitos ARTIGO 8 A resolução dos conflitos surgidos a propósito da fixação das condições de trabalho será procurada de maneira adequada às condições nacionais. com o objetivo de submeter essas organizações ao controle de uma autoridade pública. quer fora delas. tal como a mediação. 2 . 3 . quer durante as suas horas de trabalho. a conciliação ou a arbitragem.96 outros. devem ser tomadas medidas adequadas às condições nacionais para encorajar e promover o desenvolvimento e utilização dos mais amplos processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública ou de qualquer outro processo que permita aos representantes dos trabalhadores da função pública participar na fixação das referidas condições.A natureza e a amplitude dessas facilidades devem ser fixadas de acordo com os métodos mencionados no artigo 7 da presente Convenção ou por quaisquer outros meios adequados. PARTE III Facilidades a conceder às organizações de trabalhadores da função pública ARTIGO 6 Devem ser concedidas facilidades aos representantes das organizações de trabalhadores da função pública reconhecidas. PARTE IV Processos de fixação das condições de trabalho ARTIGO 7 Quando necessário. .A concessão dessas facilidades não deve prejudicar o funcionamento eficaz da Administração ou do serviço interessado. de modo a permitir-lhes cumprir rápida e eficazmente as suas funções. instituído de modo que inspire confiança às partes interessadas. através da negociação entre as partes interessadas ou por um processo que dê garantias de independência e imparcialidade.

nas condições previstas no presente artigo. 3 .A Convenção entrará em vigor doze meses depois de registradas pelo diretor-geral as ratificações de dois membros. ARTIGO 12 1 . . com a única reserva das obrigações referentes ao seu estatuto e à natureza das funções que exercem. por comunicação ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registrada. dos direitos civis e políticos que são essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção pode denunciá-la decorrido um período de dez anos após a data da entrada em vigor inicial da Convenção. não fizer uso da faculdade de denúncia prevista pelo presente artigo ficará obrigado por um novo período de dez anos e.97 PARTE VI Direitos civis e políticos ARTIGO 9 Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar. PARTE VII Disposições finais ARTIGO 10 As ratificações formais da presente Convenção serão comunicadas ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registradas. ARTIGO 11 1 . 2 .A presente Convenção obrigará apenas os membros da Organização Internacional do Trabalho cuja ratificação tiver sido registrada pelo diretor-geral.Em seguida. posteriormente. poderá denunciar a presente Convenção no termo de cada período de dez anos.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção e que. no prazo de um ano após ter expirado o período de dez anos mencionado no número anterior. esta Convenção entrará em vigor para cada membro doze meses após a data em que tiver sido registrada a sua ratificação. 2 . como os outros trabalhadores. A denúncia apenas produzirá efeito um ano depois de ter sido registrada.

não obstante o disposto no artigo 12. informações completas sobre todas as ratificações e atos de denúncia que tiver registrado de acordo com os artigos anteriores. o diretor-geral chamará a atenção dos membros da Organização para a data em que a presente Convenção entrará em vigor. ARTIGO 15 Sempre que o considere necessário. a denúncia imediata da presente Convenção. para os membros que a tiverem ratificado e que não ratificarem a convenção revista. e salvo disposição em contrário da nova convenção: a) A ratificação. para efeitos de registro. ARTIGO 14 O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho comunicará ao SecretárioGeral das Nações Unidas. ARTIGO 16 1 . ARTIGO 17 As versões francesa e inglesa do texto da presente Convenção fazem igualmente fé. da nova convenção revista acarretará.A presente Convenção permanecerá em todo o caso em vigor. de acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas. desde que a nova convenção revista tenha entrado em vigor. na sua forma e conteúdo. b) A partir da data da entrada em vigor da nova convenção revista a presente Convenção deixará de estar aberta à ratificação dos membros.O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho notificará todos os membros da Organização Internacional do Trabalho do registro de todas as ratificações e denúncias que lhe forem comunicadas pelos membros da Organização. 2 .Ao notificar os membros da Organização do registro da segunda ratificação que lhe tiver sido comunicada. 2 . por um membro. o Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho apresentará à Conferência Geral um relatório sobre a aplicação da presente Convenção e examinará a oportunidade de inscrever na ordem do dia da Conferência a questão da sua revisão total ou parcial. de pleno direito.No caso de a Conferência adotar uma nova convenção que reveja total ou parcialmente a presente Convenção.98 ARTIGO 13 1 . .

Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul Josinaldo José de Barros – Diretor STI Metalúrgicas. Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo e Mogi das Cruzes Antonio Sabóia B.CNTT/CUT Direção técnica Clemente Ganz Lúcio – diretor técnico Ademir Figueiredo – coordenador de estudos e desenvolvimento Nelson Karam – coordenador de relações sindicais Francisco J. Perícias. Mecânicas. de Material Elétrico de Veículos e Peças Automotivas de Curitiba Paulo de Tarso G. Informações. Metalúrgicos do ABC Carlos Eli Scopim – Vice-presidente STI Metalúrgicas. Mairiporã e Santa Isabel Eduardo Alves Pacheco – Diretor Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes da CUT .Secretário STI Metalúrgicas. de Oliveira – coordenador de pesquisas Cláudia Fragoso – coordenadora administrativa e financeir Equipe técnica Ademir Figueiredo (revisão técnica) Fausto Augusto Junior Patrícia Toledo Pelatieri Patrícia Lino Costa Revisão Iara Heger . Costa – Diretor Sindicato dos Eletricitários da Bahia José Carlos de Souza – Diretor STI de Energia Elétrica de São Paulo Carlos Donizeti França de Oliveira – Diretor Femaco – FE em Serviços de Asseio e Conservação Ambiental Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo Mara Luzia Feltes – Diretora SEE Assessoramentos. de Máquinas. Arujá.99 DIEESE Direção Executiva João Vicente Silva Cayres – Presidente Sindicato dos. Junior – Diretor SEE Bancários de São Paulo. B. Osasco e Região Alberto Soares da Silva – Diretor STI de Energia Elétrica de Campinas Zenaide Honório – Diretora Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) Pedro Celso Rosa – Diretor STI Metalúrgicas. Mecânicas e de Materiais Elétricos de Guarulhos. C. Mecânicas e de Material Elétrico de Osasco e Região Tadeu Morais de Sousa .

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