ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

SÃO PAULO – SP 2009

ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

Monografia apresentada à Escola Superior de Advocacia – OAB/SP, para a obtenção do título de Especialista em Direito do Público. Orientador: Profª.Drª. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago

SÃO PAULO – SP 2009

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

TERMO DE APROVAÇÃO Esta monografia apresentada no final do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Direito Público, na Escola Superior de Advocacia da Seccional da OAB São Paulo, foi considerada suficiente como requisito parcial para obtenção do Certificado de Conclusão. O examinado foi aprovado com a nota __________

BANCA NOME 1. 2. 3.

EXAMINADORA ASSINATURA

São Paulo, _____ de __________________ de ______.

A minha mãe pelo eterno incentivo aos que aprendem e ensinam. e a permanente luta para que o servidor público conheça e pugne por sua dignidade. Aos diretores e chefes assediadores cuja história os julgará. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago pela sua competente.Drª. . os quais nos orgulhamos de ter tido. À Escola Superior da Advocacia. À orientadora Profª. G.DEDICATÓRIA À jovem psicóloga Valéria Silva do CRT/AIDS que nos faz sentir jovem e vislumbrar um futuro grandioso em tudo que fazemos. não antes da conclusão do processo administrativo. pela sabedoria em escolher alguns professores. À Sara Brenda T. F. precisa e rigorosa orientação Ao meu irmão Ruben Guimarães Frota Cordeiro pela amizade e compreensão. Cordeiro cuja capacidade supera em muito a minha e está esculpindo um futuro brilhante. Ao Deputado Antonio Mentor pela sensibilidade e atenção ao tema do assédio moral no serviço público paulista. criminal e judicial.

À tradutora Helena Sofia Delgado pela contribuição. Sônia Pizarro pela leitura crítica deste trabalho. Ao Prof. Ely Cristina Alves de Lima sempre solícita a esclarecer nossas dúvidas durante todo o Curso de Especialização em Direito Público da ESA.AGRADECIMENTOS À Dra. À Profª. À Profª. Maria Cristina Bruder pelas orientações internas sobre tema. . Clóvis Luiz Alonso Júnior pela parceria no trabalho. À Dra. Maria do Carmo Carrasco pela leitura criteriosa e revisão do trabalho de acordo com as Normas da ABNT.

] Ignoro como andaram as coisas na ordem dos tempos. a violência e a astúcia criaram os primeiros patrões. os mais recentes”..“Por que fenômeno um homem pode se transformar em patrão de outro homem e por que espécie de magia incompreensível foi possível se transformar em patrão de inúmeros outros homens? [. Voltaire. mas na ordem natural devíamos pensar que. nascendo os homens todos em estado de igualdade. .. Dicionário Filosófico. as leis.

para mais bem o combater.RESUMO O trabalho consiste em versar sobre o assédio moral no serviço público. com ênfase na área da saúde. . o histórico. construindo-se um modo de percepção e conseqüente configuração do problema. inicialmente se procurou levantar alguns aspectos do tema: o aspecto sociológico. área da saúde. serviço público. Com base em textos teóricos. Em continuidade. o psicológico e o de Direito. Para tanto. Palavras-chave: Assédio moral. desenvolveu-se a relação entre o assédio moral e o serviço público na área da saúde. procurou-se explicitar certos traços da realização do ato do assédio moral.

ABSTRACT This monographic study aims at analyzing the bulling in public service with emphasis on health. the psychological and the rule of law. the historical. . public service health. Based on theoretical texts. initially it looks for some of its aspects as the sociological. Keywords: Harassment. Therefore. it illustrates the relationship between bullying and public service in health. we have tried to explain certain features of the bulling act. by pointing the issue in order to find out the best way to solve it. Then.

............. 26 Quadro 2 .............LISTA DE QUADROS Quadro 1 ............Tipos de assediadores .......... 27 .....................................................Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral ..............

.................... 2.................................................................................. ANEXO ............................................................................................ 1.....................................1 Assédio Moral no serviço público ........................... 4 ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO .............................2 Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil ........................................ 3 ASPECTOS LEGAIS.....................................1.. 3......................................................................................... CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 4..................................................................3 Que se pode entender sobre Assédio Moral? .....................1 Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral .......3 A especificidade das relações de trabalho no campo estatal ...3 Impessoalidade e imparcialidade no serviço público ..... 1.......................................... 3.................1 Assédio Moral na área da saúde pública ............. 3.................................................. 10 1 ASSÉDIO MORAL ...................1 Breve história do serviço público no Brasil .................................... 2......................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................1 Introdução ao problema ......................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................. 42 42 45 49 53 53 57 62 66 71 12 13 14 17 31 35 35 36 38 ....... 2 O SERVIÇO PÚBLICO .......2 Decisões judiciais sobre o Assédio Moral ............................. 1........................................................... 1.......2 Os conflitos do serviço público no Brasil ........... 4....................... 2..................... JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS SOBRE O ASSÉDIO MORAL ...................4 Tipos de Assédio Moral .............................

as câmaras municipais. administrativo e jurídico sobre a matéria. orientação sexual. raça/etnia. os conselhos de fiscalização profissional. o federal e o do trabalho. dissertar sobre assédio moral parece irrelevante. função. grau de escolaridade. muito em função da difícil caracterização e comprovação do fenômeno segundo os critérios utilizados na doutrina. o Ministério Público estadual. ou mesmo desemprego e uma informalidade crescente nas relações de trabalho. Existem julgados que envolvem servidores públicos. Nosso entendimento. ao mesmo tempo. O tema é amplo e pouco estudado no serviço público do ponto de vista teórico. idade. psicológico. Em um Estado e em um país nos quais existem pessoas sujeitas a condição de trabalho análoga à da escravidão. é que pari passu deva a sociedade combater sem trégua as diversas ilegalidades. no entanto. Trata-se. a fim de agir de maneira pontual e sensibilizar para o fenômeno do assédio moral os conselhos de saúde. é cediça a prática do assédio moral. Faz-se necessário avaliar se há diferenças nas variáveis sexo. possivelmente. as estratégias Mais bem escondidas no corpo social” Michel Foucault Não existem dados fidedignos sobre assédio moral exercido sobre o servidor público. contra o assédio moral. as assembléias legislativas. a intenção deste trabalho é trazer a problemática a lume para que sejam realizados outros trabalhos de cunho sociológico. trabalho infantil. lutar incansavelmente contra o trabalho escravo e outras posturas coloniais ligadas ao trabalho e.10 INTRODUÇÃO “As relações de poder são. entre outros fatores. no entanto. profissão. Assim. Trata-se de área em que o trabalho é particularmente tenso. de julgados que não reconhecem o assédio moral ou entendem que determinado procedimento não seja assédio moral. status social. No serviço público e especialmente na área da saúde. em particular o servidor da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. mas ainda nos parece distante a possibilidade de . em função do seu objeto e das relações interpessoais próprias ao serviço público. estado civil. os sindicatos.

11

trazer o tema à baila para discussão e enfrentamento, em função da baixa sensibilidade para o tema, do baixo nível de percepção do funcionalismo público em geral e, muitas vezes, das desfavoráveis características das relações de trabalho, precipuamente certo amadorismo das gerenciais, chefias e diretorias.

Nascimento (2004) traz alarmantes dados estatísticos sobre o assédio moral relacionados à União Européia, discriminadamente a França, e à Grã Bretanha. Menciona a pesquisadora que “[...] em pesquisa realizada no Brasil com um universo de 4.718 profissionais ouvidos em todo o território, 68% deles afirmaram sofrer algum tipo de humilhação várias vezes por semana, sendo que a maioria dos entrevistados (66%) disseram ter sido intimidados por seus respectivos superiores”.

Ainda que não disponhamos de consistentes dados estatísticos estaduais e nacionais, a atenção que demos ao tema é justificada pela incipiente proteção dirigida ao trabalhador contra o assédio moral, problema abrangente, tanto que estende suas raízes às esferas social, econômica, cultural e organizacional. O método de pesquisa adotado foi consulta à bibliografia técnica – teses, dissertações, livros, legislação – e à bibliografia de divulgação do assunto – jornais, revistas e sites.

Foi necessário demarcar os limites do estudo, tendo em vista a ampla bibliografia sobre o tema assédio moral, muito embora seja pouca na área da saúde. A característica deste Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização na Escola Superior de Advocacia também limita em tempo e em extensão a abordagem do tema, complexo e profundo.

12

1 O ASSÉDIO MORAL

1.1 Introdução ao problema

O assédio moral ou agressão psicológica é um fato social que ocorre no meio social, familiar, estudantil e, mais intensamente, no ambiente de trabalho, abrangendo tanto o setor privado quanto a Administração Pública, e, embora na atualidade tenha atraído estudos no campo da Psicologia, Sociologia, Medicina do Trabalho e do Direito, tem origem na organização do trabalho, considerada a relação domínio-submissão entre o capital e força do trabalho. (BATALHA, 2009)

Schmidt (2001) menciona que o assédio moral foi, de maneira inédita, objeto de pesquisa, em 1996, na Suécia, do psicólogo do trabalho Heyns Leymann, que, por meio de levantamento junto a vários grupos de profissionais, chegou ao processo que qualificou de psicoterror, cunhando o termo mobbing (derivado de mob, que significa “horda”, “bando” ou “plebe”), em função d a similaridade entre tal conduta e um ataque rústico, grosseiro.

Em seu trabalho Schmidt (2001), menciona que o assédio moral tem várias denominações: na França é harcèlement moral, mobbing na Itália, na Alemanha e nos países escandinavos, bullying na Austrália e na Grã Bretanha; emotional abuse ou mistreatment nos Estados Unidos.

Dois anos após, Marie-France Hirigoyen, psiquiatra e psicanalista de grande experiência como psicoterapeuta familiar, popularizou o termo por meio do livro Lê Harcèlement moral: la violence perverse au quotidien, um best-seller que ocasionou a abertura de inúmeros debates sobre o tema, tanto na organização do trabalho como na estrutura familiar. A sociedade atual vive em um sistema em que a “racionalidade instrumental” se sobrepõe à “racionalidade comunicativa” (para usarmos a expressão de Habermas em Teoría de la Acción comunicativa: crítica de la razón

13

funcionalista), o que gera distorção comunicacional; a violência torna-se resposta a sistema desumano e não pode ser considerada mero mecanismo individual. Em outras palavras, nesse processo a violência passa a ser perversão da perversão, ou seja, armadilha motivada pela crueldade do sistema.

O assédio moral geralmente nasce com pouca intensidade, como algo inofensivo, pois as pessoas tendem a relevar os ataques, considerando-os brincadeira; depois, propaga-se com força, e a vítima passa a ser alvo de maior número de humilhações e de brincadeiras de mau-gosto.

Isso talvez ocorra justamente porque as vítimas temem denunciar formalmente, com medo do “revide” que poderia ser a demissão ou o rebaixamento de cargo, por exemplo; além disso, denúncias tornariam público o processo de humilhação, o que deixaria as vítimas ainda mais constrangidas e envergonhadas. Assim, o medo (de caráter mais objetivo) e a vergonha (mais subjetiva, porém de conseqüências devastadoras) unem-se, acobertando a covardia dos ataques.

Embora seus agressores tentem desqualificá-las, normalmente as vítimas não são pessoas doentes ou frágeis. São pessoas portadoras de forte senso crítico personalidade transparente e sincera, que se posicionam, algumas vezes, questionando privilégios, e não têm grande talento para o fingimento e para a dramaturgia. Tornam-se alvos das agressões justamente por não se deixar dominar, por não se curvar à autoridade de um supervisor sem nenhum questionamento a respeito do acerto das determinações.

Em nosso meio, na área da saúde no setor público, é muito freqüente o assédio moral, muito embora faltem dados tanto de pesquisas quanto de julgados que mensurem o problema.

Existe há muito tempo em todo o mundo. moral no outros fatores O direito influenciam sempre a foi. No caso do assédio moral.] o resultado do abuso de poder. de despersonalização. toma como base de sua afirmação o fato de ter sido transportada para o Brasil a cultura européia. A cultura ibérica. 2008). o assédio moral é [. O que é novo é a gravidade. Há vinte anos. talvez pelo próprio dinamismo imprimido pelas mudanças sociais. da permissividade de agressões no local de trabalho e também da impunidade para atitudes dessa natureza. fortalecido pelo coronelismo e solidificado pela gerência empresarial. uma retroalimentação constante. na casa-grande e na senzala. a generalização e a trivialização do problema. as raízes culturais brasileiras. influenciaram no desenvolvimento do modo como o assédio é praticado no Brasil.2. Segundo Thome (2008) o estudo de Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. porque o identifica as origens. bem como a influência da cultura nacional na sua forma de gerir as pessoas”.. especificamente a ibérica. por conseguinte. ligado à cultura. Além consubstanciação dos do aspectos assédio econômicos. Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil O assédio moral não é um tema novo. tendo. também. com essa. conforme Aguiar (apud Thome. ao contrário. quase todos os trabalhadores parecem correr riscos de ser seriamente assediados em suas carreiras. características e motivos da falta de coesão social nos movimentos brasileiros e da repulsa a todas as modalidades de racionalização e. menciona Durães (2007). zona de . talvez mais de uma vez. no capítulo “Fronteiras da Europa”. tais ligações são nítidas. intrinsecamente. a maioria das pessoas poderia acreditar que trabalharia durante os anos necessários à sua aposentadoria sem um incidente sério de assédio moral. Em Raízes do Brasil. trabalho. acrescentando-se “os traços típicos e característicos da cultura brasileira não estão distantes do cotidiano organizacional: o estilo paternalista e autoritário de administrar foi gerado no engenho.. Hoje.14 1. Sérgio Buarque. A violência moral no trabalho não é novidade. é extremamente relevante. Dessa forma. porém recentemente passou a despertar grande interesse entre os autores. além de refletir o autoritarismo e a forte hierarquização das organizações atuais.

antes de associar-se às antigas classes dirigentes.]”. da impessoalidade das relações entre empregados e patrões [. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor exclusiva de qualquer esforço. apegada à tradição. porque. de qualquer preocupação”. sobre os quais se firmasse permanentemente seu predomínio. em verdade. quando da retomada das tradições ibéricas. “a burguesia mercantil não precisou adotar u m modo de agir e pensar absolutamente novo.]” e que “essa modificação vem pôr abaixo também a visão fidalga que os brasileiros tinham do trabalho manual” . como teria o Brasil maior coesão social. ou a um espanhol. Sérgio Buarque. Sérgio Buarque afirma. Ora. pois “uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente. após a publicação de Raízes do Brasil. não teve grandes problemas em assimilar a passagem da Idade Média para a Idade Moderna.15 transição que se adiantou à Europa no final do século XV. já que “entre espanhóis e portugueses. que “a fase atual da sociedade exige uma hierarquização de postos na máquina produtiva que eclipsa as relações pessoais. a cultura ibérica não aderiu por completo às idéias do livre-arbítrio. incute nas relações antes orientadas pelo difuso emocionalismo brasileiro o padrão da produtividade. do que a luta insana pelo pão de cada dia. Procurou. a moral do trabalho sempre representou fruto exótico”. a um bom português. assimilar muitos de seus princípios [.. se foram essas tradições o que originou as características sociais brasileiras? Fortemente influenciado pelos movimentos modernistas brasileiros e pelo “Manifesto Futurista”. o resto foi matéria que se sujeitou mal ou bem a essa forma” As idéias de Raízes do Brasil servem. Dessa forma. como legitimação às fortes críticas que Sérgio Buarque fazia aos tradicionais europeístas. ou instituir uma nova escala de valores.. da importância do trabalho. retornando às origens portuguesas.. também. Princípios como hierarquia e obediência nunca tiveram presença constante na cultura ibérica. citado por Thome (2008) conclui que: “podemos dizer que de lá [tradição ibérica] nos veio a forma atual de nossa cultura.. de Marinetti. que pretendiam formar um Brasil melhor. e até mais nobilitante.

sua religião. não se pode negar que.] pode-se apontar. índios e negros foram sistematicamente assediados. . Essa 1 2 Idem. como características típicas da cultura brasileira a concentração de poder. pela vida dos trabalhadores manuais e. essa relação senhorial ainda pode ser visivelmente notada. [. nos dias atuais. por um lado. mormente nos casos de pequenas empresas e das relações domésticas. da parte dos que dirigem. da extorsão praticada contra imigrantes assalariados e da prática abusiva aplicada à classe operária no início da industrialização. aceitando como condição normal de trabalho todo tipo de maus-tratos.. a flexibilidade e a impunidade. que se caracterizava pela escassez de mulheres brancas na colônia. no Brasil. ou melhor. e de outro.] como legado da exploração da mão-de-obra escrava. ou seja. [. ainda que tenha havido um movimento de moralização da sociedade. constrangedor sob vários aspectos. humilhados por colonizadores que. condicionadas bilateralmente – de um lado pela monocultura latifundiária (o cultivo de cana-de-açúcar) no que diz respeito ao sistema de produção econômica. de certa forma.. como relatado por André Luiz Sousa Aguiar. „tornando inevitável um sentimento de irresponsabilidade. que situa o próprio discurso em momento anterior da história brasileira. Segundo Heloani (2004). seus costumes. constranger-se uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo a manter qualquer tipo de prática sexual sem que essa verdadeiramente o deseje. a lealdade às pessoas. vinha 2 acompanhado de um outro que hoje denominamos assédio sexual . Se.16 Conforme continua Thome (2008). De fato. Não raro esse procedimento. o evitamento de conflitos.. em sua obra clássica Casa-grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. o personalismo. tanto no que concerne à falta de coesão da sociedade brasileira quanto no que se refere à motivação histórico-cultural. tal como os senhores escravocratas. a exacerbação da impessoalidade do trabalho. as relações entre brancos e “raças de cor” foram. as idéias de Gilberto Freire. A título de comparação entre possíveis tipos de assédio. quando afirma que. cultural e econômica para impingir-lhes sua visão de mundo. No Brasil colônia. causou distorções terríveis nas relações de trabalho. veja-se o Anexo III sobre quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral. as armas utilizadas por muitos empregadores assediadores são o afeto e a violência‟” Como afirma Aguiar 1. em suma. a postura de espectador. julgavam-se superiores e aproveitavam-se dessa suposta superioridade militar. o formalismo. pelo sistema sócio-familiar de cunho patriarcal.. as relações de trabalho em nosso país são impregnadas pela falsa idéia de que o subalterno é obrigado a se submeter a uma forte depreciação enquanto ser humano.

segundo leciona Hirigoyen (2002). que se omitem. do alto de suas moradias. palavras. evoluindo para as “manobras perversas”. “meio de um pequeno chefe valorizar-se”. lavradores e agregados. o pseudo-caçador de marajás. que levou milhares de servidores à disponibilidade contando com apenas 30% da remuneração. com mão-de-ferro” (p. Em um movimento dialético. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. . Não houve critério algum a ação [do presidente]. quando trata das relações de trabalho públicas e privadas. é o abuso de poder do superior hierárquico que esmaga seus subordinados com o poder. as carências alimentares. inclusive. que pode.17 monocultura açucareira acabou impossibilitando a existência de uma policultura e de uma pecuária que pudessem se instalar ao redor dos engenhos. atos. 2). sem atribuição. escritos que possam trazer dano à personalidade. e evocando as palavras de Batalha (2009): Constitui marco na história recente da República o assédio moral coletivo capitaneado por Fernando Collor. A criação de gado deslocou-se para o sertão. até a fase de destruição moral (psicoterror).3. sendo apenas declarado nos bastidores que o „critério‟ era banir os indesejáveis (p. pode-se fazer avançar o discurso para os dias atuais. Que se pode entender por Assédio Moral? Existem vários conceitos sobre assédio moral. gestos. e a casa-grande adquiriu características essencialmente feudais – senhores de engenho. nem subjetivo. inclusive. A criação de gado deslocou-se para o sertão. 2) 1. sendo pagos para não trabalharem. ter a conivência da empresa ou de dirigentes do serviço público. escravos. que dominavam. e a casa-grande adquiriu características alimentares. para suprir-lhes. re-situando-o no estado da problemática. já que não podiam ser demitidos em razão de direito adquirido. conceitua o assédio moral como: Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos. Leitura obrigatória sobre a matéria é o texto Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. de Marie-France Hirigoyen (2002). O ponto de partida do assédio moral. Ocorreu o fato em 1989. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. nem objetivo. em sua maior parte patriarcas e devassos.

desestruturador. para a observação crítica: a política do assédio é essencialmente conduzida pelos "dominantes fragilizados". portanto. incertezas jurídicas. ou deveria ser. p. o fenômeno do assédio é constante.18 A existência de comportamentos assediantes em um indivíduo revela mais sobre o seu ambiente do que sobre ele mesmo ou sobre aquele que é seu objeto. impede-lhe o desenvolvimento. Uberlândia: EDUFU. abrindo-se. se. . 29. inscreve-se em um espaço social e político que lhe possibilita os meios de desenvolvimento ou. quiçá. por aqueles que estão a um passo de perder a legitimidade de seu poder. considerações sociais. Mais amplamente do que as relações interpessoais.). 4 Ibid. por outro lado é. não existe conquista ou defesa dos direitos e liberdades sem a expressão de exigências e ações de resistência em relação às instituições de poder. no plano político. portanto. todo assédio é forma indireta de questionamento de poder. é promotor da solidariedade civil. p. promotor de certa ordem de reorganização social e restabelecimento dos vínculos sociais. de perturbações e desordens no interior de uma relação social. no entanto. o assédio é destruidor do laço social. que constroem as esferas de socialização ou de dessocialização. por aqueles que. por um lado. mediante a solidariedade. 28. na ordem racional. testemunhas silenciosas ou coniventes com o fenômeno e atores implícitos ou explícitos da dominação ou de seu agravamento. por aqueles cuja força de imposição está prestes a se desfazer. o assédio é socialmente desorganizador e. em poucas palavras. Noutras palavras. por outro. Assédio Moral: desafios políticos. Não existe assédio individual de um sobre o outro sem a cumplicidade dos outros. ao contrário. 2006.4 No campo delimitado das relações interindividuais. O assédio faz parte. Por um lado. de perda de confiança na estabilidade das instituições. et al. usando imprudentemente da força para se impor 3 SEIXAS.3 O assédio não provoca exclusivamente um face a face. (org. dos gestos e comportamentos que formam a sociedade. J.

o assédio moral se dava basicamente com o peão. militantes de associações de defesa dos direitos dos povos ou de proteção dos direitos do homem – de todos os direitos do homem e não apenas de alguns ou de alguns poucos em um único sentido 6 – professores. a suas próprias aptidões. cidadãos. muitas vezes bastante qualificados. espírito livre. no Brasil. políticos. igualmente. O assédio tem geralmente por objeto o indivíduo que constitui a fonte potencial do questionamento do poder que o assediador detém. infelizmente „ democratizou-se‟ no mau sentido. em resumo. p. artistas. e também aquele. professores universitários. juízes. Diz Seixas (2006): Vale-se o assediador. 5 Esse ataque é uma defesa que usa de todos os meios contra aquele "agitador". de atos de difamação sistemáticas [ sic]. também são atingidos por esse fenômeno. homens e mulheres.19 aos outros. negar-lhe a autonomia e provocar o deslocamento de seu meio 5 6 Ibid. podendo ir do insulto à difamação. farmacêuticos.. mentiras institucionais. em face de contestações e oposições. médicos e funcionários de funções diversas. cineastas. desembargadores. abrange todas as classes. 30. mais simbólico ou imaginário que seja ele. indisciplinado. enfermeiros. por aqueles que temem perder o poder de que dispõem. insolente. em virtude de sua vulnerabilidade ou de eventual antipatia. acusações reiteradas ao encontro daqueles que usam sua liberdade de expressão e de ação ou que se recusam a obedecer às codificações comportamentais oriundas de pressões sociais conformistas. trabalhadores ou empregados. para o assediador. . de falsas confidências destiladas de má fé. médicos. O intuito do assédio é. obstruir a independência do outro. por meio de quem o assediador confere sentido a suas próprias capacidades. entre outros. Hoje. e dá visibilidade à sua dominação. Segundo Heloani (2004): Observa-se que em épocas passadas. rebelde. o assediado. São estas mesmas técnicas as empregadas contra jornalistas. passando pelos apartes difamadores e a difusão de rumores caluniosos. por mais limitado. Acrescem-se a esse rol advogados. assumem atitude inflexível. o serviçal sem maiores qualificações.

olhares e expressões do rosto. quando há uma hostilidade difusa. múltiplos códigos de comportamento – atitudes. p.”. No Brasil há dificuldade de comprovar o assédio moral quando ele tem aparência sutil. a intenção é provocar a destruição de toda forma de solidariedade social. configurando-se situações específicas em diferentes formações históricas e sociais. humilhações e ultrajes. sentimentos que provocam. reservas. sarcasmo. in SEIXAS. 7 8 SEIXAS. verifica-se que na legislação trabalhista francesa se menciona que “é da alçada do chefe da empresa tomar todas as providências necessárias tendo em vista prevenir [estas] manobras”. segundo Ravisy (2002 apud HAROCHE. a lei francesa entende por hostilidade difusa "manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo e efeito uma degradação das condições de trabalho passíveis de ferir os seus [da pessoa] direitos e a sua dignidade. Em breve incursão no Direito Comparado. No entanto a justiça e a legislação brasileira são aliadas do assediado se bem aplicadas em determinados casos. tendo-se em vista as transformações da sociedade e da conjuntura política e administrativa. diferentes locais de atuação. Segundo tal legislação. que sofreram mudanças no decorrer do tempo.36. . "Nenhum assalariado deve sofrer manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo ou efeito uma degradação das condições de trabalho passível de atingir seus direitos ou sua dignidade. ofensas. 2006. certo ostracismo – que podem ser traduzidos em normas que atuarão sobre as condutas.8 Esses códigos tendem a especificar comportamentos. p.33. 2006. Por sua vez. 37).7 Há. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro ”. hostilidade difusa composta por reticências. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro profissional. gestos. ironia. ou apenas suscitam. particularmente nos locais de trabalho. p. em última instância.20 social. Id..

A impossibilidade de demitir-se sob pena de perder seus direitos sociais barra a descarga sensório-motora. por exemplo.. a repetição das humilhações aos novatos. que deve ser levada em consideração relativamente ao tratamento da questão do assédio. ela não possuía. é. Com efeito. Numa situação de assédio. o movimento. por um lado.. A vergonha de ser fraco. privada.41. aparecem alguns conceitos que poderiam ser aplicados ao trabalho no setor público. convencido do caráter fundador da lei nas sociedades humanas. 2006): No início dos anos 1930. 1981 apud HAROCHE. in SEIXAS. Freud exprimiu um profundo pessimismo quando. por outro lado. a vergonha de ser vulnerável. em sua reflexão sobre o mal-estar na civilização. (1981 apud HAROCHE. ao estabelecimento e desenvolvimento de um aparato regulamentador. condições de „levar em conta as manifestações mais prudent es e mais sensíveis da agressão humana‟ 10. no entanto.21 Se. 2006. Diz Haroche (in SEIXAS. que descarrega o corpo do excesso de tensão. a francesa sejam desvantajosos para o Brasil – no sentido de considerar positivo o alto grau de normatização de uma sociedade –. de ser insultado impede o assediado de tomar medidas para mitigar ou mesmo acabar com o problema. Id. porém. Freud. quando a autora menciona: [. .] A subordinação própria à definição jurídica de contrato de trabalho prende o assalariado numa toxicidade contextual experimental. forçoso admitir o excessivo cerceamento a que são submetidos os indivíduos pertencente às sociedades altamente regulamentadas. p.p. se pode entender que o relativo descompasso e a diferença de aplicação entre a atual legislação brasileira e. Paralelamente.. 2006). afirmou que. os vexames e as injuções paradoxais têm valor de destruição psíquica e suspendem todo trabalho do pensamento.41. in SEIXAS. se a lei „buscava impedir os excessos mais grosseiros da violência bruta dando a si mesma o 9 direito de usar de violência contra os criminosos‟ . há a questão individual. o aparelho psíquico só pode se afrontar a [sic] uma situação excessiva fonte de excitação graças a duas grandes vias de expressão: o pensamento. Em interessante trabalho de Marie-Grenier Pezè (2004). que permite trabalhar o „excesso‟ intrapsíquico. O impasse criado nestas 9 10 FREUD.

A segurança das pessoas nos postos de trabalho não tem mais salvaguardas jurídicas consistentes. posição que ocupava no espaço social da modernidade e por meio da qual oferecia formas de proteção para 11 No serviço público paulista as pessoas preferem dizer que estão com problemas de outra ordem. segundo Haroche (in SEIXAS. Há que se considerar também o medo. ao isolamento do indivíduo em formas extremas de individualismo que implicam em [sic] uma grande violência psíquica. que se dissemina como verdadeira peste nas instituições. Entre esses. as licenças de trabalho por motivos de saúde são bastante comuns. Com isso. por razões de produtividade e de equilíbrio orçamentário das empresas. no que tange à possibilidade de perda de emprego. . a auto-estima da personagem afetada se esvazia pouco a pouco. salientando-se amplamente as que se devem a motivos psiquiátricos. realimentando no imaginário as idéias da trama diabólica e da "conspiração". as depressões e os quadros psicossomáticos certamente são dominantes. é sorrateiro e progressivo. conduzindo de maneira quase inapelável à sua destruição na instituição. É evidente que as licenças psiquiátricas reforçam ainda mais a experiência de destruição social da personagem afetada. confirmando a posteriori a desconfiança dos superiores e dos colegas sobre a credibilidade e a competência funcional desta. como figura de mediação. embora o setor de RH. No setor público existem perdas de privilégios. muitas vezes deixe vazar a informação sobre a real patologia do assediado. O assédio moral. 2006) afirma que: As qualidades e comportamentos exigidos dos indivíduos na esfera do trabalho nas sociedades contemporâneas fornecem as razões pelas quais o assédio irrompeu hoje com tal intensidade: a flexibilidade. 2006). o caráter contingente e efêmero que conduz à precarização. Haroche (in SEIXAS. ostracismo. à vulnerabilidade.22 duas grandes vias de escoamento das excitações traumáticas convoca fatalmente a ruína depressiva e a via somática mais ou menos a longo termo. que é poroso. como ortopédicos e outros que não toquem a questão laboral. silenciamento da solidariedade11. ou dificuldade de ascensão na carreira. Nesse contexto. o Estado. já que podem ser cortadas de seus empregos a qualquer momento.

Segundo Gaulejac (in SEIXAS. [. Ela pode. começa a ser ostensivamente desconstruído. não podendo mais acreditar e confiar na mediação do Estado para limitar efetivamente tal abuso de poder..79). pragmática. a angústia de não estar à altura daquilo que a empresa exige. em vez de focar os processos que os geram. Daí. nem perversa. a tensão permanente para estar à altura das exigências. [§] A noção de assédio moral tende a focalizar o problema sobre o comportamento das pessoas. segura de si. pronta a oferecer corpo e alma para o trabalho. angústia arcaica que revela o medo de perder o amor do ser amado. de exclusão. agressiva.. de crise de vigilância. operacionalizar modos de administração que favoreçam o assédio. O sistema empresarial suscita um modelo de personalidade narcisista. particularmente.] Na maioria dos casos. [. o assédio não é obra de uma pessoa particular. preferem associar-se ao superior para manter o seu lugar institucional e não ser assim excluídos definitivamente também do espaço social. pronta a tudo para vencer.. as relações de violência. isto é. leva-me a propor aqui uma reflexão sobre um tipo de assédio que se caracteriza como uma determinada relação de sedução entre desiguais. mas de uma situação de conjunto. paranóicos ou perversos.23 os cidadãos. o sentimento de nunca estar fazendo o suficiente.] Uma organização não é neurótica. tem o seu reverso: a angústia da perda do objeto. No entanto. num evidente abuso de poder. todavia. nem paranóica. p. 2006. 2006) defende que: A percepção de que o assédio possa ser uma estratégia de poder de mão dupla. O contexto suscita uma pressão contínua. (grifo nosso) Magalhães (in SEIXAS. É também por causa disso que os demais subalternos se aliam ao chefe e não ao colega assediado. O gozo do poder.. centrada mais sobre a ação do que sobre a reflexão. por . É a perda de poder de mediação o que permite que os superiores de uma empresa se autorizem a fazer o que querem e bem entendem com os subalternos. já que. insensível. seu mecanismo de funcionamento pode suscitar nos empregados comportamentos neuróticos.

o seguinte silogismo é apresentado por Nelly Ferreira (in SEIXAS. esse distanciamento do problema e da instituição lhe propicia ser transferido ou posto à disposição de autoridade superior. e o Estado é. deixando-o na “geladeira”. não raro o assediado se beneficia do processo de assédio: não lhe sendo delegada nenhuma atividade. pois qualquer pressão. da sua identidade de potência dominadora. (p. nem lhe sendo solicitado nada. um poder de dominação. constituíram assim um critério do poder de dominação.83) Nota-se que no assédio moral.24 certo. consentida. 2006): Se o assédio é manifestação de todo poder de dominação. ainda que mais ou menos incessante. em si mesmo. por sua vez. Não se pode olvidar que é prerrogativa do administrador público manter um andamento no trabalho. mas que pode vir a ser. e para isso deve exercer determinada pressão. Assediar é realizar uma ação que guarde a conotação de ilegalidade. dos processos e da hierarquia no serviço público.108) Nesse sentido é que instrumentos de assédio moral no serviço público são mais institucionalizados. João (2006) menciona que as normas coletivas de diversas categorias profissionais apresentam cláusulas que visam à prevenção ou à denúncia de práticas de assédio moral. distanciando-se da instituição e perdendo o vínculo. (grifo nosso) Embora problematizado pela própria autora. que viabilize o assédio moral –. pois a malha de proteção do funcionário é mais tênue – uma vez o executivo é na teoria controlado pelo legislativo. ele volta o interesse para outras atividades. de infração. então o Estado dispõe conseqüentemente de métodos de assédio. Estes fariam parte da sua natureza. e os mecanismos de assédio são produtos da estrutura. por propiciar vantagens recíprocas. embora tal controle seja pífio. sublimando o sofrimento. Os sindicatos exercem importante atuação no avanço da . deve existir verdadeiro abuso de autoridade. (p. permitindo que haja uma política discricionária e permissiva. dada a situação de isolamento em que o alvo do assédio se encontra inclusive. não constitui automaticamente ato de assédio. uma ação de humilhação do outro. mesmo persistente.

Humilha com cautela. do apoio que o trabalhador deve dar ao sindicato para fortalecimento dele para que ele possa dar o retorno ao trabalhador [.. disse que: [... reservadamente. A obrigação de executar o contrato de trabalho de boa-fé pode. membro do Ministério Público do Trabalho.Bull Sua missão é enxugar a máquina demitindo indiscriminadamente os trabalhadores (as). da representação ao sindicato..25 proteção do trabalhador. o problema é ele conseguir a prova.. mostrando sua habilidade em „esmagar‟ elegantemente É o chefe agressivo. em especial por atender as especificidades das categorias profissionais e econômicas. se guardar. vir em auxílio do trabalhador. mais do que numa empresa privada. já se falando em serial bully. As testemunhas.].] escala punitiva. mais difícil de demonstrar. a Sra. . são seus superiores.. quando existem. porque é no exercício normal das prerrogativas patronais que o assédio se manifesta mais freqüentemente. do trabalhador revelar e do trabalhador receber a justa reparação pelo dano que ele sofre. contudo. por isso da união. Quadro 1 . defendendo a atuação do sindicato e a interação entre o trabalhador e o sindicato na consecução da mitigação do assédio moral no serviço público. mas ainda não tem se mostrado muito eficaz porque as pessoas têm ainda receio.. Trata-se de caso de abuso de direito sutil e. apresentados de forma bem-humorada no quadro 1. as pessoas preferem se fechar.] que prevê [. Osksana Maria Dziura Boldo.. muito mais contundente e muito mais difícil de esse revelar.. mas recebe desde que ele consiga a prova. do funcionalismo público é muito mais forte a situação de assédio moral. Existem vários tipos de assediadores. Profeta Pit.. Em seminário realizado em 2006. (Seminário Antonio Mentor. no âmbito público..] uma lei no âmbito municipal [. consolidação do sindicato.] existe [. 2006) Schmidt (2001) menciona que o assédio moral pode ser também visto pelo ângulo do abuso de direito do empregador de exercer seu poder diretivo ou disciplinar. Esse autor menciona também que o assediador seria uma pessoa incapaz de viver sem um alvo.Tipos de assediadores..] que [. portanto. já que se impõe a ambas as partes ligadas por uma relação de trabalho. Exemplo de tal manifestação de assédio é transferir o funcionário de local de trabalho com o intuito de desestabilizar o empregado. violento e perverso em palavras e atos.

deve-se construir um modus operandi também adequado a cada caso. 2001. Persegue e controla cada um com “mão de ferro”. no Anexo II . M.M. já existem previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho que envolvem o serviço público. que há . Acrescente-se que. afastá-lo do grupo. além da necessidade de especificidade. como.F. indiscriminadamente tratado. Submete-o a situações vexatórias. colhe os louros. para rebaixálo. No campo legislativo. Na primeira “oportunidade”. É uma espécie de capataz moderno Aproxima-se dos trabalhadores (as) e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um. Em caso contrário. entretanto. grotesco. Aqui se defende.H. mantendo-se o devido sigilo: está-se propondo. Esconde seu conhecimento com ordens contraditórias: começa projetos novos. que a prática adequada seria dar atenção à peculiaridade de cada município no que se refere ao assédio moral.26 Troglodita Tigrão Mala –babão Grande irmão Garganta Tasea (“Tá se achando”) Demite friamente e humilha por prazer É o chefe brusco. independentemente se intra ou extramuros. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. procedendo-se a uma exaustiva discussão sobre o problema particular de cada município antes da promulgação da lei. por exemplo. Veja-se. colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferiores à sua função Confuso e inseguro. para no dia seguinte modificá-los. Fonte: SCHMIDT. Seu tipo é> “eu mando e você obedece” Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista a seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos Aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. Exige relatórios diários que não serão utilizados. utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador. Se algum projeto é elogiado pelos superiores. Sempre está com a razão. mas vive contanto vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. demiti-lo ou exigir produtividade É o chefe que não conhece bem o seu trabalho. responsabiliza a “incompetência” dos seus subordinados.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. Nascimento (2009) compilou leis de vários municípios e realizou um cotejo sobre os conteúdos nelas presentes. verificou que se trata do mesmo conceito. aqui. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar.

27

uma carência tanto na adequação de teor das leis, quanto na implementação das mesmas, levando-se em consideração a peculiaridade do objeto da lei.

Na esteira da necessidade da especificidade, cabe observar que existe um tipo de assédio moral incidente sobre um grupo de assediados, ou seja, o assédio moral pode ser coletivo, conforme menciona Batalha (2009); em se tratando de servidores públicos organizados em carreira, se os colegas o assediam moralmente, cabe argüir assédio moral coletivo.

Barreto (2000), em estudo com 2072 trabalhadores de 97 empresas dos setores químico, farmacêutico, de plásticos e similares, de portes variados, dentro da região da grande São Paulo, verificou a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício de sua função, de forma repetitiva, caracterizando uma atitude desumana, violenta e antiética nas relações de trabalho, assédio este realizado por um ou mais chefes contra seu subordinado. Trata-se de estudo sobre um universo específico; pode, no entanto, servir de balizamento para uma aplicação à problemática do assédio moral ao servidor público, uma vez realizados estudos destinados a verificar a aplicabilidade deste quadro 2 quanto aos sinais e sintomas eventualmente presentes no servidor público vítima de assédio moral.
Quadro 2 - Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral.

Sintomas Crises de choro Dores generalizadas Palpitações, tremores Sentimento de inutilidade Insônia ou sonolência excessiva Depressão Diminuição da libido Sede de vingança Aumento da pressão arterial Dor de cabeça Distúrbios digestivos Tonturas Idéia de suicídio Falta de apetite Falta de ar

Mulheres 100 80 80 72 69,6 60 60 50 40 40 40 22,3 16,2 13,6 10

Homens 80 40 40 63,6 70 15 100 51,6 33,2 15 3,2 100 2,1 30

28

Passa a beber Tentativa de suicídio
Fonte: BATALHA, L.R., 2009.

5 -

63 18,3

Segundo Heloani (2004), a maioria das pesquisas aponta que as mulheres são, estatisticamente, as maiores vítimas do assédio moral. Também são elas as que mais procuram ajuda médica ou psicológica e, não raro, no seu próprio grupo de trabalho, verbalizando suas queixas, pedindo ajuda.

Em relação aos trabalhadores, Schmidt (2001) menciona que, em pesquisas realizadas na França, com 153 médicos da região de Poitou-Charentes, 95% responderam que já tiveram conhecimento, ao menos uma vez, de um caso de assédio moral. Os médicos avaliam que essas situações são pouco freqüentes em 63,5% dos casos e freqüentes em 21% dos casos. As situações consideradas graves ou muito graves representam 75% das respostas. De outro lado, em 82 dos casos assinalados, os médicos diagnosticaram incapacidade (em metade dos casos, temporária, e em outra metade, definitiva) e 65% dos médicos pensam que a situações aparentes de assédio moral estão em progressão nos últimos anos. Santos (2008) veicula a seguinte contribuição estatística: “Pesquisas foram realizadas pelas Universidades de Estocolmo, na Suécia, e Alcalá, na Espanha indicando que 27% (Estocolmo) e 16,39% (Alcalá) dos entrevistados admitiam a redução da eficácia em razão do assédio psicológico.”. Trata-se de dados preocupantes, ainda que se considere que:
O trabalho, hoje, absorve a maior e melhor parte do tempo dos indivíduos, sendo, portanto, um espaço/tempo para a exposição da subjetividade, considerando que o trabalho realizado pelo homem diz respeito a ele mesmo, por expressar suas escolhas, opiniões, características, dentre outras revelações de si explicitadas cotidianamente. [§] [...] [§] Além do contexto da organização do trabalho em si, o sofrimento psíquico, no trabalho, pode ser ainda decorrente da incompatibilidade entre a história individual do sujeito e uma organização de trabalho objetiva, racional e intolerante. O quadro seria a famosa cena do filme de Chaplin, „Tempos Modernos‟: o homem tragado pela engrenagem; percebe-se claramente na metáfora um sistema de nervos, cérebro, sentimento e alma, devorados por um sistema mecânico, racional e desumano, que leva o homem a uma sensação de impotência. [...] [§] [...] [§] O assédio moral é um conceito muito subjetivo. O nível de desrespeito exercido e sofrido é variável de acordo com a percepção individual. É imprescindível considerar a cultura, a história

29 de vida e vários outros aspectos específicos de cada indivíduo. Porém, a constatação de comportamentos abusivos que se mostram muito freqüentes é de suma importância para que se possa entender melhor esse fenômeno. [§] [...] [§] Observa-se que indivíduos que de alguma forma se destacam dentro da organização tornam-se possíveis alvos de assédio moral. Isso pode ocorrer até mesmo com funcionários honestos que reclamam da impunidade, quando percebem que regras não estão sendo cumpridas, ou com sujeitos que tentam cumprir as suas funções da maneira mais competente possível. [...] [...] Comecei a escutar muita reclamação dos pais e mães porque a instituição não funcionava. Então eu pensei em fazer alguma coisa e primeiro eu fui falar com a minha chefe, para saber qual era a posição dela. [...] Eu já senti nela um tom de ameaça quando ela me disse que era assim mesmo, que ali era um serviço público e que se você quiser continuar ali, funciona dessa forma. [sic] (MARTINS, 2009)

Barreto, citada por Batalha (2009), menciona que:
[...] o perfil pessoal da vítima é delineado por uma inteligência, geralmente, um pouco acima da média, uma personalidade altruísta, ingênua, insatisfeita, honesta e consideradora dos valores morais, apegada ao trabalho e à instituição pública, o tipo de pessoa que não tolera injustiça com ninguém.

Apesar das discussões em grandes fóruns sobre o tema, no nível micro, local, vê-se muito pouca discussão sobre o tema e pouca ação no sentido de mitigar o problema. Acrescenta-se o fato de os sindicatos estarem pouco preparados e pouco disponíveis para o enfrentamento da matéria, pois sabem que terão de sair da sonolência na qual grande parte deles está, como se se tratasse de repartição pública, para enfrentar a tensão das discussões com as direções, principalmente no serviço público, onde algumas lideranças estão acomodadas em seus nichos, sem querer sair de suas zonas de conforto.

Um dos fóruns dos quais acima se falou foi a 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, realizada em 2006, que deliberou sobre os itens abaixo, tocantes ao assédio moral:
Item 54. Desenvolver ações no sentido de agilizar a tramitação do Projeto de Lei nº 2.369/03, que trata o assédio moral nas relações de trabalho como ilícito trabalhista e conceitua essa violência, com o objetivo de obter sua aprovação. Item 78. Incluir os impactos psicofísicos na saúde, resultantes do assédio moral, como fator de risco ocupacional, caracterizado como crime, ficando

existe processo de cooptação para que ele não aja contra a ordem preestabelecida. imperceptível. trata-se do tipo de funcionário aqui já descrito como aquele que tem o perfil de participação e se sente muito mal em estar em tal situação. Item 151. permitindo que haja pequenos desvios da legalidade. por conforto ou por medo de perder privilégios ou a tranqüilidade no trabalho. no entanto. estatísticas. As pessoas têm medo de sair da sua zona de conforto. O que se verifica é que existe certa ingovernabilidade no serviço público. especialmente os atendimentos realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial – CAP‟s. A literatura menciona que ele. (Relatório Final da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador . cada vez mais. acordos tácitos de estabilidade efêmera. isso é pretexto para a inação. que só poderão ser aferidos com base na legislação ou por meio de apurações. Divulgar as empresas campeãs nesse "ranking" perverso. pesquisas e divulgação de casos) sobre assédio moral e sexual nas relações de trabalho em todos os níveis de atenção à saúde. Há concessões entre a direção e funcionários. pois o assédio é processo quieto.30 as empresas públicas e privadas obrigadas a emitir a Comunicação de Acidente do trabalho – CAT. então não fazem o que vai de encontro à direção e suas ordens. Item 155. após algum tempo. A alegoria da caverna platônica nos fornece elementos para analisar um processo de assédio. na “geladeira”. Promover ações educativas e esclarecedoras em âmbito nacional no intuito de construir a conscientização da sociedade sobre essa violência e a desnaturalização dessa prática na organização do trabalho. se não for cooptado. Para determinado tipo de funcionário. o procedimento normalmente é deixá-lo de lado. quando menciona: . sindicância ou processo administrativo. no sentido da prevenção do sofrimento mental dos trabalhadores e trabalhadoras. ou não aceitar as regras. Definir que sejam investigadas. mesmo que isso lhes pareça incorreto ou muitas vezes alheio à legislação. O assediado muitas vezes demora a perceber que está sendo assediado. mantêm-se a estrutura em funcionamento. sem função e. as empresas nas quais sejam registrados casos de assédio moral no trabalho. Quando determinado funcionário não demonstra medo. pelos setores da Saúde e do Trabalho e Emprego. se estiver em algum cargo.24/3/2006). esv aziar as atribuições do cargo. Incluir no Observatório de Saúde do Trabalhador informações específicas (notificação. tem um “insight” do problema que está passando. não obstante.

Tipos de Assédio Moral Koubi (in SEIXAS. .31 Portanto. sem cair na descrição de uma burocracia kafkaniana. de outrem. mas apenas um ou alguns. 1. falta sensibilidade ou há acobertamento pela alta direção dos procedimentos que ocorrem na intimidade da instituição. muitas vezes interessadas em obter proveito próprio em função de alguma fragilidade. Muito embora alguns consigam percebê-lo. em função de sua sensibilidade ou idiossincrasia.. o que configura a dimensão do problema. falta orientação adequada. existe uma fragilidade emocional na qual se encontram os funcionários da determinada repartição. doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia. se alguém o [o homem preso na caverna] forçasse a olhar a própria luz. para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar. Brasília: LGE. administrativa. judiciária. transfere-o ou põe-no à disposição. 2006. e. quando observa que o assediado começa a apresentar os primeiros sinais e sintomas decorrentes do processo de assédio e que isso pode causar comprometimento. principalmente quando os funcionários públicos solicitam através de pedidos 12 A Alegoria da Caverna . há falta de regulamento interno na instituição. fiscal.Platão. é possível a certos usuários se dar [sic] conta de um assédio administrativo. em associação com estratégias de hostilidade ou brutalidade.4. existe uma falta de mecanismos capazes de reverter o processo de assédio: o senso ético é muito tênue. A perversidade muitas vezes chega a tal ponto. conseguem percebê-lo. há dificuldade em obter provas e testemunhas. Da mesma forma. 2006) menciona que o assédio pode ser de ordem policial. entre outros fatores. de rigor ou severidade abusiva por parte de instituições ou pessoas determinadas. que o assediador. e julgaria ainda que estes eram na 12 verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam? (A alegoria da caverna 2006) Muitas vezes o assédio é coletivo. ainda que pressuposta.

competência. (p. assimilam o discurso das chefias e discriminam os 'improdutivos'. títulos inverossímeis. se exige dos trabalhadores maior escolaridade. tolerância aos desmandos e práticas autoritárias. portanto. impor comportamentos conformistas. reforçar ameaças. teórica ou concretamente. em que predominam os desmandos. Decca (in SEIXAS. obter resultados imperativos. portanto. criatividade. O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para produzir com qualidade e baixo custo.23) (grifo nosso) Quanto à pretensão do assediador. tudo visando produzir mais com baixo custo. os programas de qualidade total associados à produtividade. reforça atos individualistas. estes são objetivos gerais e permanentes. produtividade. qualificação. por iniciativa da ex-prefeita da cidade de São Paulo.] O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias. alimentar um clima de medo ou de resignação. visão sistêmica do processo produtivo. Com a reestruturação e reorganização do trabalho. o assédio sexual. O enraizamento e disseminação do medo. humilhando-os. se quer [sic] não apenas reforçar as obediências. o reforço da „cultura de empresa‟.32 ou de toda uma série de operações – seja por má fé [sic]. Um assédio descendente [vertical praticado por superior hierárquico e dirigido. Em um assédio descendente. obediência obrigatória às ordens de superiores hierárquicos ou simplesmente em razão do desconhecimento dos textos aplicáveis – peças inúteis documentos inexistentes. denunciar as injustiças mais patentes. O medo de perder o emprego e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e fortalecimento da tirania. no ambiente de trabalho. e apenas em maio de 2001 esta lei foi introduzida em nosso código penal. 2009) assim define: “[. Qualquer que seja o caso. Ansart (in SEIXAS. provas impossíveis de serem localizadas. 2006) apresenta uma tipologia teleológica do assédio: Um assédio ascendente [vertical praticado por subalterno e dirigido. ameaçar de sanção as resistências. E um país como o nosso. a competitividade. A noção de assédio comporta finalidades mais imediatas: em um assédio ascendente. provocando comportamentos agressivos e de indiferença ao sofrimento do outro". polifuncionalidade. a superior hierárquico] visa finalidades [sic] concretas: organizar a resistência à autoridade. que carregam a incerteza de um dia vir a apresentar dificuldades produtivas. estudar a situação do assediado exige conhecer a posição do assediador: trata-se de fazer a distinção entre a pretensão de um e a situação do outro segundo os contextos e as circunstâncias nos quais se realiza.” . etc. autonomia e flexibilização. Os adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos. de maneira eventualmente brutal e urgente. em que se faz lei para tudo. a subalterno] visa o [sic] reforço da autoridade. o assédio. eficiência. 13 O assédio moral é mais etéreo e difícil de caracterizar do que. por exemplo. rotação de tarefas. 2006) defende que: No Brasil é comum se dizer que as leis pegam ou não pegam.. responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego. 13 “Vilja Marques Asse (in Pereira. ao passo em que os sadios. a sexóloga Marta Suplicy. obter uma melhoria das condições de vida. O projeto-lei do assédio surgiu em 1995. Mas. competitividade.. a lei que criminaliza o assédio [sexual] ainda não pegou. a melhoria da produtividade. desumanas e aéticas. Hoje em dia. novas características foram incorporadas ã [ sic] função: qualificação. a manipulação do medo. mas.

Os Lusíadas. No Canto Nono. assim se expressa: Pese embora com algumas dúvidas conceptuais. descrevendo a volta dos Portugueses à terra mãe.‟. em Mobbing ou Assédio Moral no Trabalho. Entre os tipos de assédio. indica de modo enfático a força expressiva da palavra oral: tonalidade da voz. 2009) Segundo as palavras Bresciani (in SEIXAS. Fugindo as ninfas vão por entre os ramos. as expressões faciais. Pouco a pouco. através de uma sequência de comportamentos. ainda que travestida de uma aparente igualdade dos sexos.. prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. Veloso.]” (PEREIRA. pressupondo sempre a presença física na situação de assédio.142) Na esteira da discussão da lei acima. Se deixam ir dos galgos alcançando. contudo. não falta quem interprete um inequívoco „não‟ como um convite à insistência ou até como uma concordância envergonhada. A respeito do tema da recusa ao assédio significando uma anuência. Numa socaiede [sic] ainda profundamente machista. o voltar-se as costas à vítima. as manifestações de desprezo ou de ironia agressiva atingindo diretamente a pessoa assediada..’ Pois bem.33 Ainda mal conhecida lei nº 10. subsiste. em suma. sorrindo e gritos dando. quando esta procura argumentar a seu favor. de 1(um) a 2(dois) anos.(p.. cargo ou função: Pena detenção.. verificam-se várias manifestações no modo de realização. conta-se que um dos heróis. 2006): A relação íntima ou próxima entre quem assedia e sua vítima. A pergunta que. de forma subtil.] [Em nota de rodapé:] a dificuldade conceptual deste tipo de assédio [o sexual] reside desde logo no seu início. já camões vislumbrava a fuga posta como meio de incentivar a perseguição. melhor ou pior encadeados [. Pereira (2009).224 afirma em seu Artigo 216-A: „Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. optou-se por qualificar o assédio sexual como integrando o mais amplo assédio moral [. Isso dito. . vislumbrando aquelas ninfas disse: ‘Sigamos estas deusas e vejamos Se fantasias são ou se verdadeiras. Se lançam a correr pelas ribeiras. é que [ sic] alguma coisa mudou desde então. quando desembarcando numa ilha. assim. “O assédio moral manifesta-se. Mas mais industriosas que ligeiras. onde as ninfas já flechadas por Eros por desígnios dos deuses se entremostram aos lusitanos. velozes mais que Gamos. referente ao assédio sexual. não se resiste a citar uma passagem heróica de Camões.

] pode dizer-se que. contribuiu para que os mesmos se automatizassem até o limite do insuportável. mas. o progresso não foi acompanhado de uma crescente humanização dos ambientes e das relações de trabalho.34 Em tom conclusivo Pereira (2009) diz: [. pese embora tendo como pano de fundo pretensas preocupações sociais. . na maior parte dos casos.. ao invés..

a que subam Aos distintos empregos.. Os tendeiros. tít.35 2 O SERVIÇO PÚBLICO 2. Nas Câmaras se exigia igual qualificação para a escolha dos vereadores entre os „homens bons‟ . Os postos.... O cargo público em sentido amplo.. transforma o titular em portador de autoridade. bem sapatos. esses caracteres fossem muitas vezes ignorados. Doroteu. eliminar a categoria aristocrática. 1981.. E também. tít... tendeiro: homem que vende em tenda. por um fenômeno de interpretação inversa de valores.. Puxando a dente o couro..embora. os senhores de terras e engenhos. Agora. Não tardaria muito e a venda dos empregos elevaria aos cimos da nobreza a burguesia enriquecida.... as pessoas Que vêm de humildes troncos.. na repulsa às ascensões plebéias aos postos de governo... ou nobre porque letrada.. retrata bem os valores dominantes. I........ Os „homens bons‟ compreendiam. contra a polícia Franquearem-se as portas.. Os Livros da Nobreza... Devem daqueles ser. Doroteu. num alargamento contínuo... .. que mais os pagam.. . atributo do nobre de sangue ou do cortesão criado nas dobras do manto real. a comissão do rei...... L. contudo.. a burocracia civil e militar..... que lhes deram Os primeiros sapatos e os primeiros 14 Almocreve: Homem que se ocupa em conduzir besta de carga. finalmente. segundo Faoro (2001). ainda no século XVI.. como as outras drogas que se compram..... Mal se vêem capitães. o exercício do cargo infunde o acatamento aristocrático aos súditos. doce amigo. com a contínua agregação de burgueses comerciantes.. para indignação e pasmo das velhas linhagens. Confere-lhe a marca de nobreza..... na realidade..1. em presença do chefe.Dicionário Buarque de Holanda.. de limpo sangue‟ (Ordenações Filipinas. guardados pelas Câmaras.. Para a investidura em muitas funções públicas era condição essencial que o candidato fosse „homem fidalgo... encostar podem Os queixos nos bastões da fina cana. ou de „boa linhagem‟ (idem. I)... a outros muitos 14 Que foram almocreves e tendeiros .. representante da nobreza letrada. aqui se vendem. sem... dos nobres de linhagem. além... são já fidalgos... E. Conheço. II)... O severo Critilo. Seus néscios descendentes já não querem Conservar as tavernas. não te rias De veres que estes são aqueles grandes Que. Que foram alfaiates e fizeram. Como o emprego público era. sofriam registros novos e inscrições progressivas.. Breve história do serviço público no Brasil No Brasil colônia..

210 e 250. mas também a persistência de tal prática. que império pode Um povo sustentar. e o fordismo.] [. senão que a esta se incorpora. a despeito de proporcionar espaço para as mudanças. Nas origens da administração do Estado (era absolutista) os funcionários públicos nada mais eram do que funcionários do Rei. Doroteu. as resistências de funcionários que se dirigem diretamente ao Conselho Ultramarino. porém ainda incipientes. se afrouxa com o curso das gerações. 2007). A via que atrai todas as classes e as mergulha no estamento é o cargo público. p. em graus. impedem o controle de revisão e de substituição de autoridade. um esforço para empreender mudanças no seu modo de operar. cit. que só se forma 15 De nobres sem ofícios? A burguesia. 2.. não transformou substancialmente tal prática.36 Capotes com capuz de grosso pano. A vontade do povo não tinha influência na organização do Estado. Op. as disputas de atribuições. o serviço público no Brasil tem realizado.. [. O advento das democracias participativas e a eleição dos líderes do executivo e do parlamento trouxeram várias mudanças no escopo e na representatividade da administração pública. apaniguados do poder que recebiam um salário e administravam o Estado segundo seus próprios lemas e determinações. consideradas não só as raízes coloniais marcadas pelo tipo de prática interpessoal verificado na citação acima. Que império. . não subjuga e aniquila a nobreza. [Cartas chilenas]. que tornou-se [sic] arraigada no âmbito das 15 Critilo. por meio de alguns atores. Daí os conflitos. sem o racionalismo da estrutura burocrática. no afidalgamento postiço da ascensão social. aderindo à sua consciência social. instrumento de amálgama e controle das conquistas por parte do soberano. nesse sistema.. Os conflitos do serviço público no Brasil De acordo com Medici e Silva (in NOGUEIRA. ou seja. com proteções poderosas de pessoas da corte..2. Hodiernamente. tecida de zombarias e desdéns. A fase taylorista sancionou tal comportamento. encostados no setor ministerial do governo. No entanto o corpo de funcionários governamentais continuava com raras exceções a separar o planejamento e a ação da determinação da vontade social.] Os privilégios inerentes ao cargo público no sistema patrimonial estamental. A íntima tensão.

2007) afirma que: [.. no aparelho de estado esses conflitos se revestem da forma de brigas entre membros de diversos aparelhos e ramos do Estado. [.... Uma primeira mudança de comportamento. acima das classes. a que assim responde: “As fontes do conflito no estado capitalista encontram-se duplamente determinadas pelas relações diretas entre funcionários e níveis de governo do Estado e pelas contradições do regime capitalista de produção. no que se refere à estrutura organizacional própria dos aparelhos de Estado.] ocorrem divisões e contradições internas acirradas no seio do pessoal do Estado.] o que ocorreu com o Estado em geral entre os fins dos 70 e inícios dos anos 2000.] a crise política se traduz no próprio interior do corpo do pessoal estatal de várias maneiras: a) como crise institucional do Estado.. no seio do pessoal de Estado. colocando em questão a sua própria unidade específica. que o Estado exerce na sociedade. Nogueira (2007) também afirma que: [. mas sim de clientes e cidadãos. quer dizer precisamente como reorganização do conjunto dos aparelhos de Estado. elas se exprimem. muitas vezes. c) como ascensão das reivindicações e das lutas próprias ao pessoal do Estado. foi uma profunda transformação no sentido da crise mesma do Estado ganhando cada vez mais espaço o programa do Estado mínimo ou enxuto informado pela hegemonia neoliberal em contraponto ao Estado do bem estar social. ocasionou uma transformação na visão de mundo da administração pública: a sociedade não é composta de súditos ou concorrentes. [sic] de modo específico. Poulantzas (in NOGUEIRA.”. Ocorrem também divergências de natureza política e ideológica que dividem o pessoal do Estado entre posições mais à esquerda e à direita. estranhas ao papel ideológico e aparente de neutralidade e de árbitro.. b) como acentuação. produzida pela introdução da administração flexível. .] [. com traços próprios. seguindo a trama de sua autonomia relativa. fissuras e reorganizações destes. Diz Nogueira (2007) que os conflitos são inerentes às relações entre trabalho e capital na sociedade. então. Questiona.. da luta e das contradições de classe tal como. [...37 administrações públicas dos países centrais. Diferente do conflito entre capital e trabalho. fricções entre facções e corporações dentro do Estado. quais são as fontes do conflito no interior do Estado..]”.

e sim reproduzir o capital. A questão dos salários informa sobre o padrão de vida dos assalariados. A especificidade das relações de trabalho no campo estatal Hyman (in NOGUEIRA. Isto significa. produção direta de valor para acumulação de capital. mas. nos processos de serviços e administração voltados à esfera da reprodução social e política do conjunto da sociedade de classes. Em primeiro lugar. que cuida das relações trabalhistas externas da empresa com os sindicatos. A taxa de exploração do trabalho no Estado envolve a quantidade de salário em relação à jornada de trabalho e às condições necessárias de vida em sociedade. cuja especificidade. não significa que não haja exploração direta do trabalho pelo Estado. Assim. são relações de trabalho entre não proprietários de meios de produção entre si (funcionários e governo ou governantes e dirigentes). predominantemente capitalistas. para os relacionamentos explicitados.38 2. Tais regimes subdividem-se em diferentes profissões e diferentes categorias. as políticas de contenção dos gastos públicos para enfrentar as crises dos Estados capitalistas submetem os funcionários públicos a permanentes arrochos salariais e deteriorações das suas condições de trabalho. Esses diferentes status e as relações de poder a eles relacionadas dão margem a conflitos 16 “Relações Industriais é outra área relacionada a Pessoal.” (OLIVEIRA. não seria adequado. evidentemente. A exploração ocorre na esfera da reprodução do capital. ou seja. 1998) . (grifo nosso) No entanto. Qualquer proposta atual sobre um sistema de relações de trabalho para o setor público. Por isso é mais adequado adotar a noção de relações de trabalho no setor público... as especificidades do setor público devem ser apontadas. 16 o termo relações industriais . no parâmetro de Marx. nas atividades de administração.]. [sic] não nega sua condição de pertencer a uma totalidade de relações sociais de produção. controle e de prestação de serviços públicos. às quais se associam diferentes status. Isto.3. [sic] depende do encaminhamento dessas questões da defasagem salarial. os funcionários do setor público se dividem em diferentes regimes de trabalho: o dos servidores estatutários. que informam as fontes dos conflitos do trabalho no setor público e no Estado. que não há no relacionamento coletivo dentro do Estado. ao invés de relações sociais diretamente capitalistas. Trata-se então de trabalho assalariado improdutivo [. ou para a esfera interna do Estado capitalista. Em muitas empresas há um setor específico com esta denominação. porém. com o Governo e com outros órgãos públicos. das perdas salariais históricas e da melhoria das condições gerais de trabalho. 2007) menciona que: Para o caso do setor público. além do de Pessoal ou de Recursos Humanos. [ sic] não é realizada para produzir. No caso do Estado de São Paulo. o dos temporários e o dos assalariados.

A relação existente entre o servidor público e a unidade administrativa é de natureza diversa da existente na iniciativa privada. também do seu lado. Com efeito.. dessa forma. O administrador público está sujeito ao „princípio da legalidade‟.Convenção 151 – OIT. é preciso captar e inserir a questão das relações de trabalho no setor público em uma rede de relações mais complexa entre funcionário público assalariado e Estado e os seus diferentes poderes. estas últimas ligadas diretamente à prestação dos serviços à população e que. Até a Constituição de 1988 e a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho. Assim. A Convenção 151 da OIT está tramitando no Congresso Nacional desde 2008. em função da fragilidade do contrato. a organização sindical dos servidores públicos tem maior dificuldade em alterar as condições de trabalho de forma abrangente.. Acrescenta Nogueira (2007): Nesse âmbito situam-se as relações de conflito entre indivíduo e organização burocrática [. porque estas dependem das instâncias políticas e administrativas. concentrando .] [§] [. incrementa a organização sindical e fomenta processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. passará a vigorar como lei ordinária e facilitará as relações do servidor público com o Estado. ou seja. a prestação de serviços além das atividades de planejamento. o servidor público não poderia ter sindicato que o representasse. Categorias com contratos temporários e terceirizados estão mais susceptíveis ao assédio moral. coordena restringe-se à tradicional função de administração de pessoal. a administração e o controle. a área de Recursos Humanos [também chamada Departamento Pessoal ou Coordenadoria de Recursos Humanos]. podem resistir a qualquer forma de controle sobre seu trabalho e resultado. que regula as circunstâncias e os interesses em jogo. a partir de sua incorporação ao ordenamento jurídico.] a essência do trabalho no serviço público é o processamento intelectual e administrativo e uma operação não produtiva. mercado capitalista e sociedade civil... tendo como intermediários os sindicatos. do estatuto jurídico oriundo do direito administrativo e constitucional. da diferença salarial e das condições de trabalho. Veja-se o Anexo VI .. O processo de trabalho lida diretamente com a informação.. Nogueira (2007) prossegue dizendo que: “[. [§] No setor público. [§] No campo público.] Ainda nos processos de trabalho do setor público há conflito potencial nas relações entre áreas de controle administrativo e áreas de prestação dos serviços... as relações coletivas se dão diretamente na superestrutura política e jurídica e dependem dos estatutos específicos das diversas categorias.]. o atendimento. [. [§] Há na verdade maior complexidade das fontes contraditórias do confronto e no conflito coletivo do Estado.39 que propiciam a prática do assédio moral.

ou seja.. Heloani (2004) afirma que: [. para dar ao trabalhador agredido [por assédio moral] o direito de denunciar a agressão de que tenha sido vítima. [§] [. Isto é conseqüência do pouco investimento na qualificação profissional de pessoal específico de Recursos Humanos e da intervenção direta do nível político nas questões sindicais e das relações de trabalho no Estado. que não lhes falta competência. vir a ceder espaço à „ação comunicativa‟. (grifo nosso) (p. tal discussão. onde os membros da organização pudessem expor seus problemas. angústias e expectativas.40 seus esforços basicamente nos processos de seleção. ou espaço de discussão. o indivíduo agredido pode utilizar caixas postais e mesmo „urnas‟ em dependências isoladas dentro da organização. e a conservação do sistema tradicional de gestão do pessoal incapaz de responder às novas demandas tende a permanecer. em várias de suas obras. “aplicando a última moda de pacote prêt-à-porter”. [. omitem-se e deixam “em aberto o caminho para que situações degradantes se repitam e se incorporem à cultura da organização. no caso. possa ter seu anonimato garantido. em tese.. por escrito e sigilosamente. com esse fim. chama de espaço público.] no Estado. que no atual momento nos parece utópica. Pertencem a uma categoria intermediária entre os ditos funcionários “do ch ão . poderia existir dentro das próprias empresas. por meio do departamento de Recursos Humanos da empresa [ou do serviço público].. da [sic] lógica do sistema. pode levar as pessoas a perceberem que seu problema não é individual. Seria o caso. um local que. a velocidade das mudanças é muito menor. para que. O setor que deveria ser guardião de alguns princípios básicos da boa convivência organizacional pode ser o primeiro a exibir a dolosa política de avestruz”. O departamento de Recursos Humanos em grande parte das vezes é composto por profissionais despreparados para enfrentar a questão do assédio moral. Em outros termos.] Poderíamos começar pela criação daquilo que Christophe Dejours. treinamento e remuneração não desenvolvendo qualquer ação no campo das relações coletivas ou como instâncias mediadoras dos conflitos dentro das diversas instituições ou órgãos. como diria Habermas. mas não bastam.22) Freitas (2007) considera que as assim chamadas áreas de Recursos Humanos estão particularmente preocupadas com sua própria sobrevivência e em mostrar serviços. facilitando o entendimento. portanto.... São passos para amenizar o problema. que tenha por base argumentos justos e transparentes. as vítimas da violência não devem se culpar. da [sic] „racionalidade instrumental‟.] se podem criar mecanismos. Trata-se de um fenômeno que envolve interações sociais complexas e. ou seja.

porém. têm medo de perder os privilégios e a credibilidade dos funcionários da base. estão. sujeitos às mesmas normas. para que se evite tal tipo de assédio.41 de fábrica” e a diretoria. as contradições do funcionário “do chão de fábrica” que também são. ficam em uma área intermediária entre a área estratégica – de comando – e a operacional. que não se faz possível empreender qualquer ação autônoma no enfrentamento do problema. vivem. mesmo porque os mecanismos administrativos e legais são muito frágeis e de difícil acesso no serviço público. temem posicionar-se. . que os tem na mão – pois alguns funcionários do RH podem vir a receber benefícios de toda ordem e se esforçam para pertencer à classe dirigente –. Muitas vezes. no entanto. também sofrem as ameaças da classe dirigente. deve intervir no nível do clima organizacional e da cultura organizacional. muitas vezes desprovido de pessoas competentes para verificar o caso do assédio moral e modificar a situação. O tema é ainda tabu nas repartições públicas. O setor de Recursos Humanos. e a falta de conhecimento e reconhecimento da matéria é um dos motivos que levam à permanência do assédio moral em nosso meio. recebem a pressão dos sindicatos e das associações. o setor de Recursos Humanos é tão submisso à direção. Muitas vezes sabem da existência do problema do assédio moral.

em nível municipal e estadual verificamos a existência de leis.” . Nas discussões judiciais sobre assedio moral. no entanto. Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral Concorda Nascimento (2004) com que a natureza jurídica do assédio moral pode inserir-se no âmbito do gênero “dano moral” ou mesmo do gênero “discriminação”. ao salário digno. Isso quer dizer que. da dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado democrático de direito foi importante passo na defesa do respeito aos valores mais caros ao cidadão. Manus (2006) menciona em proveitoso trabalho sobre o tema que. Embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral na legislação no setor privado. ASPECTOS LEGAIS. ato lesivo da honra e da boa fama” não é figura que atualmente se denomine assédio moral. além do direito do trabalhador ao posto de serviço. JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS DO ASSÉDIO MORAL 3. Em nível federal tramitam alguns projetos de leis. muito embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral no trabalho.17 Poder-se-ia. da Constituição Federal de 1988. merecendo respeito. No âmbito da Administração Pública. pode haver enquadramento por meio de várias legislações. que menciona “praticar o empregador ou seus prepostos.42 3. contra o empregado ou pessoas de sua família. entre elas o artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho. O empregador pode vir a ser responsabilizado pelo assédio cometido por ele ou por um dos prepostos e condenado a indenizar o empregado quando 17 Garbin (2009) faz lembrar que “O ordenamento jurídico brasileiro não possui legislação específica sobre o tema que defina o assédio moral. há com abundância normas de alcance administrativo no setor público. na análise de Manus.1. acredita-se que a consagração pelo artigo 1º. enquadrar o problema do assédio de maneira transversa na constituição e na legislação trabalhista. reconhece a Constituição Federal o direito de o cidadão ser tratado com isonomia. como contrapartida de seu dever de respeitar o empregador e seus prepostos. inciso III. porém. cívil e penal em nosso ordenamento jurídico.

ou abuso de . que implica direito a indenização. e a prática de meios insidiosos (artigo 61. inciso V. com ofensa à dignidade do empregado. afirma ser possível que o assédio atue como circunstância agravante ou qualificadora do tipo penal. inciso II. No assédio moral descendente. serviçais ou prepostos – o que implica o dever da empresa de informar seus empregados. cabendo-lhe. quando praticado no âmbito de empresas privadas. Guerzoni (2008) defende que os incisos V e X do artigo 5º da Constituição Federal podem ser utilizados como supedâneos da reparação do dano. que dificulta ou torna impossível a defesa do ofendido. do Código Penal. à luz do artigo 5º. inciso II. que abrangem o assédio moral e sexual respectivamente. dependendo-se da forma do assédio. Em complementação ao acima descrito. 146 e 146-A do Código Penal. a fim de coibir a prática de atos ilícitos. inciso II. O fundamento para essa agravante é o artigo 61. alínea ”f”). como no caso de o trabalhador ser humilhado por pura diversão. alínea “d”). “a”. inciso II. do Código Civil responsabiliza o empregador objetivamente pelos danos causados a terceiros pelos seus empregados. do ponto de vista penal. Não se pode olvidar que o artigo 932. gerentes e prepostos da vedação de atos que possam vir a configurar assédio moral. 140. a ser ponderada pelo julgador no momento da quantificação da pena. o artigo 944 do Código Civil aduz sobre o direito de indenização. e sobre o motivo torpe. Heloani (2004) menciona que. configurando-se dano moral. “c”). Diz o mesmo autor que também podem funcionar como agravantes do assédio moral a dissimulação (artigo 61. em nosso caso ensejado pelo assédio moral. Quanto à possibilidade de indenização pelo dano moral. ademais. configuram-se as circunstâncias de abuso de autoridade (artigo 61. estando a fixação do valor relacionada à proporção do dano causado. que não demonstram todo o poten cial ofensivo. poder-se-ia fundamentá-lo nos parágrafos II e III do artigo 5º da Constituição Federal. uma demanda de assédio moral. fiscalizar os atos por estes praticados. inciso III. como na situação em que o assédio tenha por intuito forçar o trabalhador a cumprir uma jornada sobre-humana. em robusta análise dos institutos jurídico-legais que podem fundamentar. 139. e nos artigos 138. da Constituição Federal. que versa sobre o motivo fútil. O autor.43 comprovada a hipótese de assédio moral.

alínea “g”). bem como por não ter fiscalizado os seus empregados. alínea “h”)”. configurando-se o crime de aborto (artigo 124 do Código Penal). Ainda o mesmo autor.. [. o lesado sofre um prejuízo patrimonial. Trata-se de figura semelhante ao constrangimento ilegal. incorrerá no crime de extorsão (artigo 158 do Código Penal). o empregador pode ser enquadrado no delito de lesões corporais culposas. 2008) Esses mesmo [sic] fundamentos [criminais] também tornam possível enquadrar a conduta do agente ativo no crime de induzimento. Veja-se Anexo V. assumem especial relevância para o presente tema. [§] É possível a caracterização de crimes contra a organização do trabalho. em razão de não ter implementado medidas que garantissem a segurança do ambiente de trabalho. residindo a diferença no fato de que. instigação ou auxílio ao suicídio (artigo 122 do Código Penal).] [§] Se o sujeito ativo. de maneira irrepreensível. ou nos delitos de abuso de poder cominados na Lei n. mediante violência ou grave ameaça. [§] Quando o autor do assédio moral for servidor público. [§] As agressões psicológicas poderão. ainda. ser empregadas com o intuito de interromper a gravidez. impedindo-os de prejudicar a saúde física e psíquica dos demais trabalhadores. A liberdade de filiação e desfiliação sindical é tutelada pelo crime de atentado contra a liberdade de associação (artigo 199 do mesmo diploma legal). previsto no artigo 322 do Código Penal. sempre que o assediador criar ou reforçar o propósito da vítima de se suicidar. “O grande desafio é definir o momento em que tais condutas se tornam suficientes [sic] graves para justificar a intervenção do Direito Penal”.. O artigo 197. O artigo 203 define o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista. ofício. na extorsão. inciso I. naqueles casos em que as agressões partirem de servidores públicos. estaremos diante do crime de lesões corporais (artigo 129 do Código Penal).898.Abuso de autoridade.4. causando uma perturbação no seu equilíbrio fisiológico ou psíquico. refere-se ao atentado contra a liberdade de trabalho. os atos lesivos da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. constranger a vítima de assédio moral a fazer.. previstos no Título IV da Parte Especial do Código Penal. sua conduta pode ainda se enquadrada no crime de violência arbitrária. com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica. ou quando fornecer os instrumentos ou cooperar ativamente para que o suicídio se consume.44 poder (artigo 61. praticado mediante fraude ou violência. de 09 de dezembro de 1965.. Mesmo que o assédio moral tenha sido praticado pelos colegas da vítima. tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. que coíbe os atos de violência ou grave ameaça que tenham por objetivo obrigar uma pessoa a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional. [. (GUERZONI. ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. quando praticados com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal (artigo 4º. inciso II. que ocorre quando se utiliza a violência ou grave ameaça para constranger alguém a exercer ou não exercer arte. afirma que: . profissão ou indústria. Dentre os diversos tipos penais dispostos nessa lei especial.] [§] Sempre que a conduta do assediador ofender a incolumidade pessoal da vítima.

A tortura psicológica destinada a golpear a auto-estima do empregado. fato esse de inegável importância como elemento objetivo para fixação do valor. . que pode ser demonstrado por laudo psicológico.] não se esgotaram as tentativas de solução do problema no âmbito do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo. para a duração no tempo do sofrimento moral. em sua obra “Dano Moral e o Direito do Trabalho” 18. 310. a respeito de pedidos de reparação de danos morais e a respeito de competência. Deve-se. pode-se dizer que é uma busca minuciosa de elementos objetivos que haverão de presidir o valor adequado para o caso concreto que houver lhe apresentado.17.00. 2002. O Direito Penal deve conservar o seu caráter de ultima ratio. porque ultrapassada o âmbito profissional. ou persiste. e por conseqüência. Pensamos. somente intervindo quando se mostrar absolutamente imprescindível para a proteção da dignidade do ser humano. fundamentalmente. Valdir Florindo. afetando a vítima.2000. Dano Moral e o Direito do Trabalho. Assédio moral – Contrato de inação – Indenização por dano moral. considerar a quantidade de tempo em que o dano persistiu. é necessário constatar que as sanções de outra natureza se mostraram inadequadas para prevenir e reprimir os atos de assédio moral. abaixo. também. De igual forma. Recurso improvido" ( TRT – 17ª R – RO nº 1315. 4ª ed. V. assim se posiciona: Assim. fonte de dignidade do empregado. o grau de cultura. quebrando o caráter sinalagmático do contrato de trabalho.2.45 [. a profissão. sem constrangimentos. p. 3. visando forçar sua demissão ou apressar a sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empregado de tarefas inúteis. porque a empresa transformou o contrato de atividade em contrato de inação. mais precisamente sentenças e acórdãos. eis que minam a saúde física e mental da vítima e corrói a sua auto-estima. Sônia das Dores Dionísa). Antes de se recorrer a medidas penais. que o valor a ser arbitrado deve estar em sintonia com a extensão ou intensidade da ofensa. as condições e as circunstâncias em que o fato-causa do dano moral se verificou. 18 FLORINDO. Decisões judiciais sobre o Assédio Moral Reproduzem-se. sonegar-lhe informações e fingir que não o vê. cujo efeito é o direito à indenização por dano moral. descumprindo a sua principal obrigação que é a de fornecer o trabalho. com a sua personalidade abalada ou não. São Paulo: LTr. a educação. a repercussão do fato no meio social em que vive.00-1 – Relª.. o assédio foi além. trecho de doutrina sobre o tema e textos que veiculam decisões judiciais. No caso dos autos. resultam em assédio moral.. a estrutura psíquica do trabalhador.

381/AM (DJE 8. 5º. impõe ao empregador o dever de zelar pela dignidade do trabalhador. mesmo que não pudesse o empregador impedir que parte de seus empregados desaprovasse o comportamento do reclamante e evitassem contato para com ele. deve responder pelo ato antijurídico que praticou. pois. como empregado do demandado. Sendo o empregador pessoa jurídico (e não física).5. tais como. No limiar do julgamento daquela demanda.395-6 – DF. „dançar a dança da boquinha da garrafa‟. A CLT. golpeia a sua auto-estima e fere o seu decoro e prestígio profissional. àquele que não cumpre sua tarefa a tempo e modo. a dinâmica pode levá-lo a se sentir humilhado e menos capaz que os demais. por óbvio os atos de violação a direitos alheios imputáveis a ele serão necessariamente praticados. deverá ser julgado pela justiça comum (federal ou estadual).46 I – Dinâmica grupal – Desvirtuamento – Violação ao patrimônio moral do empregado – Assédio moral – Indenização. Se o empregador age contrário à norma. o objetivo passa a ser o de inferiorizá-lo e torná-lo „diferente‟ do grupo. sua aplicação inconseqüente produz efeitos danosos ao equilíbrio emocional do empregado. A Reclamação constitucional (Rcl) no 5. 5º. inequivocamente. 51). A relação de emprego cuja matriz filosófica está assentada no respeito e confiança mútua das partes contratantes. “Recurso ordinário do reclamado conhecido e desprovido” (TRT – 10ª R – 3ª T – RO n.007. 114.10. ficou estampado no julgamento da Rcl nº 7. Paulo Henrique Blair – DJDF 23. este último responderá. A dinâmica grupal na área de Recursos Humanos objetiva testar a capacidade do indivíduo. Ao manipular tanto a emoção. estando no estabelecimento do réu. por parte de seus colegas de trabalho. Entretanto. 159 c/c art. não poderia permitir a materialização de comportamento discriminatório grave para com o autor.” (TRT – 17ª R – RO n. 919/2002. deboches e até chega a sofrer agressão física.2003 – p. Impor pagamentos de prendas publicamente. da CF/88.2008) adotou um paradigma ainda mais abrangente do que aquele firmado na ADIN no 3. AgR/MG. Se o reclamante.. em sentido físico. 483).2002. por omissão. maior fonte estatal dos direitos e deveres do empregado e empregador.17. os quais não esboçaram qualquer tentativa de coibi-la.9 – Relª. Juíza Sônia das Dores Dionísio).109. recentemente. art. da Constituição Federal. Somente servidores das pessoas governamentais de Direito Privado da Administração Pública Indireta devem ter suas pretensões julgadas pela . mormente se esta agressão fora presenciada por agentes de segurança do reclamado. agressões verbais e mesmo físicas por sua orientação homossexual. Dano moral – Empregado submetido a constrangimentos e agressão física. e menos ainda omitir-se diante de agressão física sofrida pelo reclamante no ambiente de trabalho. como o íntimo do indivíduo. que o autor sofrera no ambiente de trabalho discriminação. Menezes Direito (julgado no dia 2/4/2009).. X. Por isso. o que significa dizer que qualquer funcionário público que se atenha a um regramento administrativo. configura assédio moral. sofre.005. Min. em decorrência de sua orientação sexual. nos termos do art. (Recurso provido). pelos danos morais causados ao reclamante (CCB então vigente. Rel. X. impõe a obrigação de o empregador abster-se de praticar lesão à honra e boa fama do seu empregado (art. da CF).08.00. Se a prova colhida nos autos revela. praticados por empregados outros no ambiente de trabalho e com a ciência da gerência da empresa demandada – Imputabilidade de culpa ao empregador. Tal entendimento. abarcou qualquer interpretação ao referido dispositivo. e se delas tem pleno conhecimento a gerência constituída pelo empregador.00-0 – Rel. 1294. compreensão das normas do empregador e gerar a sua socialização. o paradigma hermenêutico ao art. pelos obreiros e dirigentes que integram seus quadros.

além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia. TIPO: RO. O que define a competência jurisdicional em pauta é a incidência ou não de um regime jurídico público. no mérito. DECISÃO: A TURMA. EMENTA: DANO MORAL . Se. da 2a. DECISÃO: 28/11/2001. Não é a categoria jurídica em que os servidores estão inseridos que determina a competência para julgamento de pretensão dos daqueles em relação ao Estado. INOCORRÊNCIA. aborrecimento. pelo simples melindre. Câmara Cível do TJRJ. do implemento do dano. por outro lado. bem como determinam a incompetência da Justiça Trabalhista para o seu julgamento – matéria de Direito Administrativo a ser discutida na Justiça Estadual. O fato de superior imediato não tratar com urbanidade seus subalternos. irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral. conheceu do recurso. assim. o entendimento do STF consolidou-se em definir a incompetência da Justiça do Comum para analisar pretensões advindas do vínculo mantido entre o agente e o Estado "lato sensu". Se assim não se entender. ANO: 2001 NÚMERO ÚNICO PROC: RO . que há duas espécies de servidores estatais. no caso dos funcionários mencionados. negou-lhe provimento.O direito à indenização por danos morais requer a presença simultânea do ato ilícito. a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. (TRT 3ª Região. no julgamento da Ap. se para os vínculos mantidos por contratação temporária. 7. pelas características administrativas ainda mais intensas que esta reação possui. competência bastante da Justiça do Trabalho para julgá-los. não havendo. para melhorar a convivência respeitosa e valorizar a dignidade humana. "mero dissabor. compete à justiça comum analisar tal relação.47 Justiça laboral. c) E mais. NUM: 13494. não existe. por estarem inseridos no conceito maior de "servidores públicos". há algumas premissas: a) Que os empregados públicos detêm um vínculo jurídico-administrativo para com o ente estatal. à unanimidade.TURMA: Terceira Turma. mas sim a presença ou não do regime jurídico administrativo. b) Há uma tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) em assim se posicionar. porque as entidades privadas da Administração Pública Indireta atuam. com muito mais razão merece ser proclamado o presente entendimento no que tange aos detentores de empregos públicos admitidos por concurso ou estabilizados. como se particulares fossem. não pode prosperar a pretensão. FONTE DJMG DATA: 18-12-2001 PG: 10. mágoa. no trânsito.RISCO DE BANALIZAÇÃO . entre os amigos e até no ambiente familiar. Tal . Sendo assim.PRESSUPOSTOS . o reconhecimento do dano moral e sua reparação pecuniária representa progresso extraordinário da ciência jurídica. contrariedades ou pequenas mágoas. tais situações não são intensas e duradouras. acabaremos por banalizar o dano moral. Não cabe o deferimento de dano moral pelas ocorrências rotineiras das atividades profissionais. não configura o dano moral.928/95. Sem a comprovação da ocorrência desses pressupostos. do nexo causal e da culpa do réu. Percebam-se. RELATOR Juiz Sebastião Geraldo de Oliveira) DANO MORAL. Como assevera o Desembargador Sérgio Cavalieri Filho. Quanto a isto. em regra. A ADIN nº 694-1 salienta ser de competência da Justiça Comum a discussão acerca do regime jurídico próprio dos servidores admitidos em caráter temporário. sem divergência. por um enfoque. porquanto. que. dado o caráter indisponível (e administrativo) da contratação. antes de tudo. ensejando ações judiciais em busca de indenizações pelos mais triviais aborrecimentos". com o risco de banalizar a conquista ou levá-la ao descrédito. não se pode levar a extremo sua aplicação. no trabalho.

M. ora autoras. afirmando que iria descontar as horas paralisadas. Dr(a). às pessoas das manifestantes.. ameaçou-as. sem que tivesse o fim de denegrir sua honra e boa fama junto aos colegas de trabalho. C... Des. ac. M. ameaçando-a de suspender o pagamento de prêmio de . Não se constatando. N. durante uma manifestação liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo. Civ. nº 020810/2006. Necessariamente ele não existe pela simples razão de haver um dissabor. por parte da superiora hierárquica. como não poderia ser diferente.) “Dano Moral. inclusive com a suspensão do pagamento do prêmio de incentivo. quando inquirido em Juízo (fls. retirou o crachá que estava entre os seios da autora Áurea... qualquer fissura em contrato daria ensejo no dano moral conjugado com o material. dizendo que iria suspender seus salários e baixar seus prêmios incentivos. fazendo com que as ofendidas passassem por constrangimentos. Por último. N. umas porcas. N. Emílio Migliano Neto em 28 de setembro passado nos autos do processo número 053. S. N. C. nada conduz a que se possa vislumbrar o indesejado mobbing. Sustentam que esses fatos foram praticados por aquele diretor do hospital em local aberto ao público. Processo 00977-2005-020-05-00-7 RO.115559-9 em que são partes A. Ficou provado no processo que durante a “manifestação promovida pelo sindicato dos trabalhadores ligados à área da saúde. em relação à autora. M. aduziram que em relação à autora A. que teriam advindo da manifestação realizada às portas do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros. O Juiz aponta na sentença que: “3. O direito veio para viabilizar a vida e não truncá-la. Com efeito. e ainda ofendeu as três autoras com os dizeres: “cambada de porcas”. e inclusive abalo de suas saúde”. pois no seu hospital não permitia movimento grevista. e foi quando o diretor arrancou o crachá de dentro das vestes da autora A. C. C. ofensas. “umas gordas. que fica na zona leste da Capital. N. e no dia 30 de maio de 2006. o referido diretor proferiu as seguintes palavras: “você está muito gorda e tampa até o portão com o próprio corpo”. N. D. ofendeu-a com o xingamento: “negra loira”. a prática reiterada. de tratamento grosseiro. Rel. Quanto aos danos morais. A. condenou o Estado de São Paulo a pagar DEZ salários mínimos para cada servidora por dano moral. gerando-se um clima de suspense e de demandas.48 comportamento por certo gera descontentamento e mal-estar no empregado. Décio A. Dos Fatos. TURMA. e começou a gritar com os funcionários. ademais. e D. de “negaloira”. e em relação à co-autora A. conforme narrado nos autos pelo Juiz: “as autoras são funcionárias do mencionado hospital. que o diretor também chamou a autora D. o próprio diretor do hospital. Uma sentença proferida pelo juiz da 7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA. C. Erpen) JUIZ CONDENA GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO POR DISCRIMINAÇÃO E ASSÉDIO MORAL PRATICADO POR DIRETOR DE HOSPITAL DE SÃO PAULO. S. Relator Desembargador VALTÉRCIO DE OLIVEIRA. Ausência de dano moral.” (TJRS . nas dependências do hospital foram ofendidas pelo seu diretor. M. A prevalecer essa tese. 81/82). a prova oral produzida é contundente em apontar as praticas dos atos considerados ofensivos. (TRT 5ª. constante. praticando ato atentatório ao pudor da ofendida. 4.6a Câm. Ap Cív. negou a autoria das ofensas e contato físico às pessoas das autoras”. humilhações. com alegadas ofensas praticadas pelo diretor do hospital. mas não demonstra ser abusivo quando se limitou a advertir faltas procedimentais do obreiro. um bando de desocupadas”. e quando se encontravam na parte externa do hospital ali chegou o diretor C. e que reivindicavam melhores salários. xingou-a de “porca”. no caso concreto. introduzindo suas mãos dentro da blusa que trajava.. Ainda. DJ 24/08/2006. 596185181..08. por reajuste salarial da categoria. O réu é a Fazenda Pública do Estado de São Paulo e o fato ocorreu no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros. 4ª.

debelar o movimento paredista do qual participavam as autoras acabou caracterizando uma conduta abusiva. incompatível com o fato de partir do médico diretor do hospital. a paixão a que lhes perturba e troca as espécies para que vejam umas coisas por outras. o qual estava pregado na camisa dela.”. assim como o que vê por vidros de diversas cores. às regras de protocolo ou etiqueta”. (7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA / São Paulo) 3. O advogado. à razão de 6% ao ano e com isso ele entende que:”A reparação do dano moral. A paixão é a que erra. merecendo reparação”. com emprego de palavreado grosseiro. A indenização. X. ser muito cuidadoso com relação às provas e testemunhas indicadas pelo cliente. habituado ao uso de linguagem culta. danos estes que devem ser indenizados. da Constituição Federal)” por isso. Impessoalidade e imparcialidade no serviço público “Os erros dos homens não provêm apenas da ignorância. procura ressarcir essa dor suportada pela pessoa. inibindo a repetição da conduta ilícita”. do padre Antônio Vieira. O Juiz afirmou mais que “A prova produzida revela mais do que excessos verbais. causando-lhe dor. além de identificar a competência jurisdicional. muito embora seja o dano de difícil liquidação”. já fragilizado. O juiz sentenciando afirmou ainda que “São invioláveis a intimidade. Isso nos leva a depreender que qualquer demanda dessa natureza deva estar bem fundamentada. Por isso o Juiz afirmou que:” A conduta do diretor do hospital ao tentar. Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados Em se analisando os julgados acima. arremata: “O convívio em sociedade pressupõe alguns inconvenientes. quando procurado para esse tipo de demanda. repetiria o . ele ainda “tentou puxar o crachá da D. O Juiz entendeu que o diretor do hospital se exacerbou e por isso a Fazenda do Estado deverá indenizar cada uma das autoras no valor equivalente a dez salários mínimos vigentes à época do efetivo pagamento. para que não haja indeferimento do pedido e trivialização da matéria. verifica-se que já existe. e aconselhá-lo a procurar manter o necessário equilíbrio emocional. a paixão a que os engana. preparar o cliente. com muita cautela. mas principalmente da paixão.” Essas são palavras do Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma de 1669. em nosso meio. a honra e a imagem das pessoas (art.49 incentivo que ela recebia”. tem também como objetivo o desestímulo ao que causou a lesão. Os olhos vêem pelo coração e. afetos os coraç ões. a respeito de que a ação pode ser demorada. É esse o caso deste feito.3. bem ou mal. pois.. um amadurecimento em relação ao tema do assédio moral. deve. todas as coisas lhe parecem daquela cor. Nosso ordenamento jurídico prevê possibilidade de indenização por dano moral para aquelas hipóteses em que a conduta do agente atinge a psique e os atributos pessoais da vítima. Deve também informar o cliente. um século depois. Pascal. afinal. assim. Ficou provado que este Diretor do hospital “xingou a autora de “nega-loira”. rústico e vulgar. sem sombra de dúvida. com as próprias mãos. mencionando as possíveis conseqüências resultantes da demanda. 5º. a vida privada. além da compensação às lesadas. de que estão. assim as vistas se tingem dos mesmos humores. mas. acrescidos de juros de mora. que quando saem do comum podem causar danos às pessoas. e com esse gesto o diretor acabou provocando um risco próximo ao peito de D. sobre a extensão e complexidade da ação.

19 Na esteira do raciocínio de Zago (2001). por força do decreto paulista nº 54. esteja atenta aos procedimentos. consoante a Súmula Vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal. muitas vezes tem conhecimento do fato mas é conivente com ele. quando se trata de assédio moral. a nãoobrigatoriedade de defesa técnica. imparcial.050. No Estado de São Paulo a composição da comissão processante tem como presidente um Procurador. para que não haja desrespeito à Constituição e à legislação. pois o não-cumprimento das normas do estado de direito colabora para o estabelecimento e a manutenção do estado autoritário. mas nos parece conseguir ser eqüidistante do problema. e. sindicâncias e processos administrativos devem ser considerados com muita cautela e vigilância. se.” As apurações preliminares. que a Ordem dos Advogados do Brasil. cabe discutir a impessoalidade e a imparcialidade da administração pública no que se refere às apurações preliminares. passará a comissão a ser centralizada na Procuradoria do Estado.50 pensamento com exemplar concisão: “O coração tem razões que a própria razão desconhece. Para não haver pessoalidade na apuração da questão – uma vez que. Faz-se necessário. Veja-se o Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF. é impessoal. no que supostamente haverá marcada imparcialidade em relação às matérias lá processadas. 19 Decreto nº 54. no entanto.050/2009. ou seja. podem vir a lume diversas irregularidades e ilegalidades tão graves quanto o assédio ou mais graves do que ele –. no entanto. seção São Paulo. . que hierarquicamente está acima do suposto assediador. no decorrer da apuração. deverá atentar ao cumprimento de todas as normas. Alia-se a isso. pois não há que olvidar que as comissões de apuração preliminar no âmago do Estado são compostas por membros de confiança da diretoria. o advogado realizar a defesa técnica. sindicâncias e processos administrativos. principalmente as principiológicas. de 20 de fevereiro de 2009. pode-se deduzir que a administração pública.

sindicância. é o sentido do interesse público. Desse modo. que diz: “No processo administrativo disciplinar pode -se levantar o impedimento ou suspeição dos membros da Comissão Processante. A autora. é a determinação de objetividade. tanto a Lei nº 8.] o princípio da impessoalidade é a proibição de trato subjetivo. processo administrativo e assédio moral. de sopesar.. [§] [. interesses particulares. importante . como a Lei 8. que depende desta valoração para o alcance de uma ação de justiça e de equilíbrio. reto. (grifo da autora) Não pode a administração agir por interesses políticos.. buscando a melhor solução para o alcance do resultad o justo.51 O trabalho de Zago (2001) é primoroso ao discutir sobre a impessoalidade e a imparcialidade no serviço público. pode-se fazê-lo também na apuração preliminar. elaborou-se Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades. Não depende necessariamente de valoração. pois. Entende-se que. de equilibrar interesses diversos ou antagônicos. Na Secretaria de Estado da Saúde. independentemente de qualquer interesse público.989. como ocorre com o princípio da imparcialidade. com eqüidistância e justiça. justo”. aduzem sobre a matéria. A autora menciona que: A impessoalidade na atividade administrativa caracteriza-se. Estatuto dos Funcionários Civis do Estado de São Paulo.”. Para retomar o problema do processo administrativo. de 11 de dezembro de 1990 – Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União –... percebe que seu significado condiz com “aquele que julga desapaixonadamente. devolvemos a palavra à autora. pela valoração objetiva dos interesses públicos e privados envolvidos na relação jurídica a se formar. para que não haja problema de nulidade ou visível parcialidade da comissão processante.”. agora buscando em Aurélio Buarque de Holanda a etimologia da palavra imparcialidade.112. “[. de 29 de outubro de 1979. entendemos que tanto o funcionário que realizou acusação de assédio como o suposto assediador devem receber acompanhamento de advogado qualificado na área de apuração preliminar. que também têm o dever de fazê-lo e a faculdade de declarar-se suspeito ou impedido por motivos íntimos.] A imparcialidade condiz com a atividade de avaliar. se se pode levantar impedimento ou suspeição no processo administrativo. públicos ou privados e interesses de grupos. Nesse sentido.

(Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades) .52 instrumento a observar no encadeamento procedimental da apuração preliminar.

do direito constitucional e previdenciário perpassando. os degraus não cessarão de subir ao mesmo tempo que seus passos avançam” Kafka.1. que se limitam a tratar as fricções diárias do ponto de vista prático. sendo a sua literatura escassa e. principalmente na área trabalhista. “O desgaste psicológico causado pelo assédio moral vem sendo estudado no mundo inteiro. caracterizada pelo „abuso de poder‟ e pela „manipulação perversa‟. administradores/gestores. O tema „servidor público‟ é pouco debatido em termos de estudos acadêmicos. traduzindo uma verdadeira „guerra psicológica no local de trabalho‟. Novamente na esteira de Batalha (2009).53 4. os Estados Unidos. na sua ampla maioria. [ sic] raros são os trabalhos publicados sobre o tema tratando-o de uma maneira abrangente. As maiores produções foram organizadas por estudiosos de linha conservadora. por outras disciplinas jurídicas. A pouca literatura e a falta de debate sobre o tema servidor público dificultam o entendimento do problema pela liderança sindical e a gestora do setor público. principalmente. no âmbito do direito administrativo. Assédio Moral no serviço público Segundo Reis (2008). sendo a Suécia. ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO “Enquanto você não parar de escalar. sem visão geral e a longo prazo. a Alemanha. O processo 4. . em determinados momentos. a Itália e a Austrália países pioneiros nesse campo. deixando que as contradições se esvaziem ou se acirrem nos vários níveis do serviço público e colaborando para que se estabeleça permissividade relativamente a certas práticas como o assédio moral. Já a doutrina brasileira insere o tema. sem uma vivência cotidiana de servidor público voltado para a prestação de serviço público de qualidade à sociedade brasileira. Já segundo Fiorelli (2007).

elementos de sua confiança. e aquelas que buscam perpetuar o status quo onde se sentem confortáveis. conforme mencionado anteriormente. um dos fatores essenciais no processo de assédio moral são as normas de movimentação de pessoal. empenhadas na melhoria da produtividade. entidades que admitem seus colaboradores por meio de concurso que lhes dá o direito à estabilidade no emprego. ainda que atuem em feudos temporários e elas mesmas possam retornar para a condição de simples colaborador. descompassos entre os processos de admissão dos colaboradores e os procedimentos institucionalizados de nomeação das chefias. praticada ad nauseum em todos os níveis (municipal. o que dispensa maiores comentários. verdadeiros heróis. os critérios de indicação de cargos de maior autoridade (aqui denominados chefias). pois. As relações de trabalho relativas aos servidores públicos apresentam algumas peculiaridades que favorecem a ocorrência de práticas de assédio . estadual. em significativa proporção. esse jogo de interesses. os quais privilegiam. Consoante João (2006). Empregados revoltados com a falta de produtividade e oportunidades profissionais e outros que se transformam em obstáculos. [§] Chefias exemplares. ancorados na ociosidade legalizada. gerando naturais conflitos de interesses e personalidades. Surgem. elas e suas chefias aguardam que o tempo solucione a questão. empregados que abraçam a causa do contribuinte e outros que aguardam monotonamente o advento da aposentadoria redentora. sorrateiro.54 Nessa área. O assédio moral espia. [§] Nelas. enquanto os colaboradores percebem-se „permanentes‟. para essas posições. Legislativo. [§] Para agravar a situação. incluem como importante variável a proximidade com os detentores de cargos eletivos. Criada para dar conta de desesperadora necessidade de pessoal originária da combinação mórbida de orçamento reduzido e concursos inexistentes. [§] Agregue-se a isso o despreparo de inúmeras chefias para a missão de comandar pessoas – há aquelas que se encastelam em suas posições e sentem-se proprietárias do tempo e da alma dos subordinados. que congrega um imenso contingente de profissionais. muitas vezes representados pela distância entre a busca do bem público por uns e a defesa de interesses político-partidários por outros. [§] Esse caldo administrativo compõe um laboratório para desenvolver os mais inusitados vírus de assédio moral ascendente. Observe-se que as chefias sabem-se transitórias. descendente e horizontal e um campo fértil para os testes de inoculação. além do mérito profissional. valem-se dos mais exóticos mecanismos para forçar esses profissionais a requerer aposentadoria ou a transferir-se para outros organismos. divorciaram-se dos objetivos de prestação de serviços que seriam sua razão de ser na atividade. O drama encontrase no „tudo‟. [§] No serviço público convivem chefias altamente dedicadas com outras que têm por objetivo um trampolim para novos saltos. empregando o conhecido jargão do serviço público. Referimo-nos principalmente às Organizações Públicas. neutralizando a autoridade daqueles que são riscos para a estabilidade mórbida de sistemas improdutivos. federal) e Poderes (Executivo. nas Organizações Públicas existe a figura do „empréstimo de pessoal‟. seja para que chefes ou colegas „livrem se‟ de pessoas-obstáculos empenhadas na desmoralização dos serviços. „com vaga e tudo‟. Judiciário). seja para atuar em sentido inverso. Escoradas na legislação. Conhecemos chefias que lutam para promover mudanças. originou vasta quantidade de pessoas que viram suas competências desaparecerem e.

opostas quaisquer razões jurídicas suficientes para afastá-los. [§] Na esfera Estadual. sem que haja perspectiva de melhora em curto prazo. entretanto.org). 23. Relativamente à lei paulista. São Paulo e outros tantos projetos em andamento. dificultando a governabilidade. sugerindo como devem portar-se a fim de que as demandas judiciais tenham êxito. Veja-se o Anexo II Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público.250. ou seja. nos municípios de: Americana.20 Existem várias cartilhas. por exemplo. cuja liminar não foi concedida e cujo julgamento do mérito agora se aguarda. em geral as leis municipais estabelecem a aplicação de penalidades administrativas em caso da prática de assédio moral nas dependências do local de trabalho. que veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. como. [§] Tomando-se como exemplo a lei municipal 13. nº 12.: http://www. por não se tratar de assédio moral. algumas vezes estendidas ao próprio Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público. Campinas. uma vez que se trata de iniciativa de deputado da oposição ao governo. de 9 de fevereiro de 2006. (Grifos nossos. Muitos procuram atribuir ao veto um caráter político. de 10 de janeiro de 2002.2007 –. Em site sobre assédio moral intitulado “O assédio moral na administ ração pública”. uma vez que muitas das ações ajuizadas são frustradas ou por equívoco de configuração do problema. Em virtude da natureza 20 A relação de trabalho nas Secretarias de Estado de São Paulo é tão marcadamente conflituosa.assediomoral. Guarulhos. dois Estados tiveram suas leis aprovadas pela Assembléia Legislativa: São Paulo e Rio de Janeiro.) [§] Estes aspectos com certeza devem justificar o elevado número de leis municipais sobre assédio moral aprovadas por todo o Brasil. relativamente aos fundamentos constitucionais do veto.288. aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo.10. indireta e fundações públicas. de testemunhas e do devido encaminhamento do processo.55 moral. Lopes (2009) defende que não haja diferenças significativas entre a ação de assediadores no universo público e a situada no privado. b) a alternância de poder nas esferas da administração pública. não foram. ou por falta de provas. que os atuais gestores temem receber grande número de reclamações. o Governador do Estado interpôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) – 3980 – STF 172398. e que hoje tem vigência plena. sobre o problema do assédio moral (ex. algumas destinadas a servidores públicos. Iracemópolis. Cascavel. . Dentre estas destacamos duas de maior importância: a) a estabilidade conferida pelo artigo 41 da Constituição Federal. em diversos sites.

Na administração Pública.56 do serviço público.. citado por Lopes (2009). porém.] [§] Não se pode admitir um funcionário de grau hierárquico maior prejudicar toda uma administração. analisando as organizações como palcos de interpretações e de ações de indivíduos e grupos. o assédio é considerado mais grave.] [§] O gestor público tem o dever de zelar por um bom ambiente de trabalho. simplesmente por querer humilhar seus subordinados. mas. mas sua importância é a mesma dentro do quadro do funcionalismo.. onde tudo é justificado em nome da guerra para sobreviver. o agente público está sujeito ao princípio da hierarquia. [§] [. pelo fato de que na administração pública existe não relação patronal direta. objetivando que o serviço público alcance seu objetivo maior. sim. Segue o autor dizendo que: A relação patronal no serviço público reside no dever do [ sic] agente público tratar com respeito. e sim de função dentro da organização estatal. todo um bem elaborado sistema de controle de trabalho. hierarquia que deve ser respeitada. o funcionário dos serviços gerais tem a mesma importância que um chefe de gabinete e. considera que um ambiente em que existe competição exacerbada. Ele não pode compactuar com expedientes odiosos. A hierarquia no serviço público. decoro e urbanidade todo e qualquer cidadão. e não porque é agente de menor ou maior capacidade do que o funcionário numa função acima da sua. Este é o verdadeiro „patrão‟. Suas funções são diferenciadas apenas por questões de organização. gera permanente pretexto para que exceções sejam transformadas em regras gerais.. [§] [.]é o princípio da administração pública que distribui as funções dos seus órgãos ordenando e revendo a atuação de seus agentes [. dentro de sua categoria.] e ainda estabelece a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal. é igual hierarquicamente a outros.. torna o comportamento decente e democrático uma falha ou uma debilidade em face da . Na relação de trabalho. A distribuição dessa hierarquia é questão de organização da Administração Pública e também modo de operação dos atos e não uma divisão de castas de pessoas ou funções. coibindo e punindo casos de assédio moral. segundo Hely Lopes Meirelles. em que os chefes são seres intocáveis e inquestionáveis. [. para restabelecer a ordem no ambiente de trabalho”. devendo aplicar seu poder disciplinar sobre seus subordinados. Freitas (2007). [§] Conclui-se que a hierarquia não significa superioridade de cargo ou pessoal.”.. que custeia a remuneração do agente público por meio do pagamento de tributos.. constituída principalmente para estabelecer um grau de responsabilização e ordem. Disso Lopes (2009) conclui que “o servidor somente tem a condição de subordinado em relação ao princípio orientador da hierarquia entre a instituição e a função. que é o bem comum.

Segundo relato de Thome (2008). É pertinente. por exemplo. Nesse sentido. pois.1. a longa permanência é motivada muitas vezes por benefícios que. outras vezes se trata da falta de Planos de Cargos. vão incorporando-se ao salário. muitas vezes o investido do cargo de chefia é advindo de outro ente federativo com determinada incumbência ideológicopartidária. Assédio Moral na área da saúde pública “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal É que os homens nada façam” Edmundo Burke Em nosso meio. algumas com inclinação ideológica partidária. que lança o funcionário público em luta pelo poder administrativo e político e pela manutenção em tal poder. verifica-se essa realidade apenas em parte pelo ethos intocável e inquestionável das chefias: no Estado de São Paulo. (grifo nosso) Parece que. quando os conflitos geram o assédio moral. o assédio moral.1. 4. em função do tempo de permanência no cargo. no serviço público. percebido pelo servidor público. entre outras atitudes que Batalha (2009) consubstancia no que chama “dez conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público” e aqui serve de inspiração para o que chamamos “onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público ”. . pouco tem sido objeto de estudo. muito embora seja cediço problema de saúde pública. haja vista a preocupação internacional com o tema focado no setor da saúde pública. que aqui estudemos o assunto. este deve resistir à pressão e recolher provas.57 tirania dos intocáveis. chefias permanecem nas Secretarias durante décadas. gerando-se conflito e eventual abuso. Carreiras e Salários (PCCS). Veja-se o Anexo IV “Onze” conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público.

..] pressupomos que o assédio ocorre não porque os dirigentes queiram que ocorra. mas porque eles não dizem que não querem que ele ocorra. criando um .. nem na filosofia. e algumas condições internas. Freitas (2007) realiza interessante análise do problema do assédio moral ao considerar que: [.58 Em 2002. (grifo nosso) Acreditamos que o assédio moral ocorre porque ele encontra um terreno fértil e que tende a se cristalizar como uma prática porque os seus autores não encontram maiores resistências organizacionais nem nas regras. A alegação era de que os precedentes jurídicos já haviam estabelecido uma relação de causalidade entre uma carga de trabalho excessiva e o estresse. pelas normas. a comissão de peritos empregadores afirmou que era difícil definir se o estresse estava relacionado ao trabalho ou à vida privada do empregado.. foi decidido que o estresse não seria incluído no preâmbulo do documento mencionado. a ausência de limites nos sugere que a fronteira é subjetiva e flexível ou que podemos empurrá-la um pouquinho para lá se isto for conveniente ao nosso objetivo ou ainda que o único julgamento de nossa ação é o resultado prático atingido. ou seja.. um programa conjunto do Bureau International du Travail (BIT). Os peritos trabalhadores não concordavam com tal assertiva. próprias da definição e do controle da organização do trabalho. do que é desejável. perdendo-se uma oportunidade para normatizar. [§] . Depois de longas discussões.. A autora acredita que não existe organização perfeita. [§] Quando da realização de tal instrumento. nem na autoridade. favorecem ou dificultam interações mais saudáveis e produtivas. do que é necessário. do que é possível. que: [. o conjunto de diretivas práticas sobre a violência no trabalho no setor de serviços foi adotado e o Conselho de Administração.] Terceirizações podem gerar conflitos entre os funcionários efetivos e os prestadores de serviços. do que é certo. uma instância que impeça e puna essas ocorrências perversas. da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Internacional de Serviços Públicos (ISP) adotou as „Diretivas gerais sobre violência no trabalho no setor de saúde‟. uma vez que tinham a intenção de incluir o estresse em tal documento.] É da natureza das organizações a busca de um comportamento controlado de pessoas e de grupos. no âmbito da Organização Internacional do Trabalho. autorizou o Diretor-Geral a publicar tal documento com o nome de Repertório de diretivas práticas da OIT sobre a violência no trabalho no setor de serviços e meios de combater o fenômeno (Recueil de directives pratiques de l’OIT sur la violence au travail dans le secteur des services et moyens de combattre le phénomène). Esse instrumento tem como escopo a redução ou eliminação da violência no trabalho no setor de serviços. do Conselho Internacional das Enfermeiras – Conseil International des Infirmières (CII). na 288ª sessão. Os limites dessas interpretações são geralmente estipulados ou guiados pelas regras. [§] Posteriormente. os efeitos psicológicos de condições perniciosas de trabalho. Na vida organizacional fazemos muitas interpretações e leituras da realidade. pelos regulamentos e também pelas nossas consciências.

ainda aquém do necessário. várias características do assédio moral assumem formas peculiares e dimensionam-se em graus diferentes de um local para outro. haja vista ao fato de que poucos dirigentes têm sido apenados exemplarmente por assédio moral tanto individual como coletivo. mas a velocidade é lenta..59 ambiente de primeira e segunda classes para algumas categorias. a fórmula parece que está certa. do sindicato etc. Vários órgãos de classe e sindicatos da área da saúde ainda estão pouco atentos para o problema do assédio moral nas áreas pública e privada. impõem. o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. dando-se a sensação de falta de criatividade dos assediadores. para que seja orientado e não se comporte de modo a dificultar a sua defesa. O processo de resposta ao problema do assédio está. envolvidos todos os profissionais de nível superior da área da . pois se repete o modus operandi nos locais de mesma coordenadoria. e houve resposta rápida de alguns colegas identificando-se com o conteúdo da matéria. ao contrário. então. e o funcionário fica à mercê dessa conduta perversa da chefia. ou como se o próprio ambiente propiciasse o exercício de determinado tipo de assédio moral. Ao mesmo tempo. para eventualmente testemunhar contra o funcionário. caminha-se no sentido correto.]”. o que daria margem a configurar maneira de apurar a prática.. É por isso que o assediado deve buscar a ajuda de um advogado. Entendemos que é um tema a ser discutido no Fórum dos Conselhos de Fiscalização de Atividade Fim da Saúde do Estado de São Paulo. a presença de funcionário de sua confiança. a chefia se protege. em ação de vanguarda. Atualmente o trabalhador deve estar alerta: os dirigentes assediadores ou dirigentes que deveriam tomar medidas contra o funcionário assediador muitas vezes não permitem que o assediado esteja acompanhado durante conversas com a chefia. embora possam ser observadas na área de saúde do serviço público paulista. como se um diretor ou chefe de setor o partilhasse com outro. em 2005. Verifica-se que.. ou seja. publicou matéria sobre o tema. há perceptível recorrência na prática desse ato ilícito. perversamente. verificando-se os traços gerais nela recorrentes. não obstante. o que estimula humilhações e exclusões [. no entanto. Repete-se porque há pouca reclamação.

pelo desejo de eliminar o mal-estar gerado pelo assédio. na Revista do Farmacêutico. sujeita-se a se omitir de desempenhar plenamente sua função. o profissional da área da saúde pode estar sujeito tanto à violência interna. Veiculados por Cezar (2006). assim como sobre outros profissionais que também trabalham em área da saúde susceptível à pressão externa ao órgão público.60 saúde. as agressões e os homicídios nos locais de trabalho. muito embora a amostra tenha sido de 12 e 7 profissionais respectivamente. Idem. Assim. ao invés de trabalhar como guardião das normas sanitárias e éticas. entre outras. publicou-se. tais dados informam ainda que essas violências desencadeiam e perpetuam “violências menores”: negligências. 21 22 Conselho Regional de Farmácia. Uma publicação sobre a violência ocupacional em serviço de urgência hospitalar da Cidade de Londrina demonstra que 16. 2005 . Técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem relataram ter sido vítimas também de violência no trabalho. apontando o assédio moral praticado no trabalho como espécie pertencente ao gênero violência ocupacional. O objeto de estudo do referido trabalho acadêmico centra-se na violência ocupacional. dados preocupantes. baixa auto -estima. O autor menciona que “O expressivo número de trabalhadores do setor de saúde que são atingidos pela violência em diversos países chamou a atenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de outras instituições que estabeleceram diretrizes para combater o medo.7% dos médicos e 30% dos trabalhadores de enfermagem relataram assédio moral. a humilhação. o profissional realiza práticas que normalmente não realizaria e. ensejo para capitanear o debate com os demais funcionários da área e seus órgãos representativos. atendimento fragmentado. praticada.”. Produto dessa preocupação. imperícias. 21 No caso do assédio moral especialmente exercido sobre o farmacêutico que atua na área pública. o assédio moral pode levar o profissional a certa permissividade ética à qual ele não teria tolerância em condições de ausência do assédio: por medo de perder o emprego. 22 Outros profissionais também relatam que o assédio moral faz parte de seu cotidiano no trabalho. matéria sobre a necessidade de iniciar processo de discussão sobre a defesa das prerrogativas desse profissional. . 2006.

desde que agisse politicamente independente e afinado com os eleitores. Por exemplo. contudo. . A denúncia em tela foi realizada por funcionário que não quis identificar-se. por medo de represálias. no entanto. interpôs-se requerimento de informação. como à violência externa. não se conseguiu. têm sido realizadas pela Assembléia Legislativa. a ausência de uma Justiça do Trabalho que possa dirimir os conflitos e a ausência de outros mecanismos efetivos de mediação e arbitragem explicam também a recorrência do conflito no serviço público da área da saúde. saber sobre o andamento do problema. Algumas iniciativas. 23 23 Requerimento Carlos Neder – ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. A ausência de convenções coletivas ou de acordos coletivos de trabalho. por meio do assédio moral e da competição entre colegas. a dos pacientes e parentes ou amigos dos pacientes que exercem agressões verbais e físicas. o de nº 24 de 2007.61 a título de exemplos. Quem deveria exercer esse papel é o poder legislativo. por meio do qual o Deputado Carlos Neder auferiu informações a respeito de denúncia de abuso de poder e assédio moral realizado por funcionário do Gabinete da Secretaria de Estado da Saúde.

Os mecanismos de combate são. é exemplo de elemento que pode ser usado como fator de ameaça ao trabalhador e muitas vezes é acionado como ferramenta configuradora do assédio moral. onde a diretoria técnica e administrativa tem poder incontrastável. uma vez que sói não haver resultado efetivo. pouco efetivos e há descrença na punibilidade dos assediadores. principalmente porque o assediador muitas vezes apresenta discurso aparentemente inofensivo. associada ao medo de perseguição mais violenta. a que o assediador possa ser transferido ou até mesmo promovido. que significa “horda”. fazendo jus ao nome mobbing. que é o que ocorre na maioria das vezes. indício de pejoratividade. uma vez que o pessoal da administração. amigável. não chegando à apreciação do judiciário. a falta de discussão e a falta de programas de atuação entre os sindicatos. O sistema de avaliação de prêmio-incentivo utilizado na Secretaria de Estado da Saúde. no entanto.62 CONSIDERAÇÕES FINAIS Determinados órgãos da administração pública são verdadeiros feudos. fato recorrente e perigoso. como fator amenizador do problema. Ardis que tais podem não ser percebidos pelo assediado. . derivado de mob. muitas vezes não tem conhecimento do que ocorre na repartição ou setor. que está acima da diretoria. A essa possível sutileza do modo de realizar o assédio moral se contrapõe a prática grosseira. os conselhos de saúde. “bando” ou “plebe”. além de ser instrumento pouco adequado para bem avaliar o funcionário. A isso acresce que a falta de solidariedade no serviço público faz que haja proliferação do assédio moral tanto individual quanto coletivo. ironicamente. os conselhos de fiscalização de classes e as associações de funcionários públicos propiciam o assédio moral. sindicâncias e apurações preliminares permanecem exclusivamente em sede administrativa – os assim chamados processos internos. que filtra e manipula as informações. de modo que muitos dos processos administrativos. Ademais. dando-se margem. por falta de diálogo com os funcionários. processos endógenos –. dissonante com a prática do assédio.

dispor de preparo. A falta de mudança política no governo em todos os níveis também propicia a existência de uma “casta” de pessoas que vão perpetuando -se. administrativa e até psicológica. é necessário que haja órgãos ativos que o protejam. de casamento e de nepotismo. alternando-se nas respectivas funções sem a devida competência. Observam-se hoje na área da saúde pessoas no comando há cerca de quinze anos. porque os instrumentos legais postos à disposição da vítima ainda não estão bem sedimentados: em princípio. perfil ou capacitação. policial. pois. pois há um natural desgaste político e administrativo. entre vários. necessitando-se de uma alternância de poder. Tanto a Delegacia Regional do Trabalho – Núcleo de Promoção de Igualdade e de Combate à Discriminação –. Quanto ao agressor. entendemos que a ouvidoria não é instância legítima para averiguação do assédio moral. de namoro. Antes disso. De qualquer modo. protegem-na somente nos casos em que se têm evidências concretas o mais possível. que guardam privilégios para os dirigentes. parecem compostos por “castas intocáveis”. e os dirigentes de sindicatos e conselhos de fiscalização profissional devem estar sensibilizados quanto à extensão do problema. quanto a Secretaria de Estado da Saúde – que deveria conter uma área no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador que acolhesse as reclamações sobre o assédio moral – são muito incipientes. como contraponto da fragilidade da assistência ao assediado. existem mesmo certos modos de proteção contra o assédio moral no serviço público: são as relações interpessoais de amizade. desde que estas cumpram determinados acordos. muitas vezes permanecendo impune. A dificuldade está. sua ação raramente é percebida ou combatida pelos outros funcionários. exatamente no fato de que no mais das vezes o que se tem são elementos de prova pouco consistentes para configurar o assédio. as relações .63 Associações e sindicatos de trabalhadores do serviço público. não basta haver somente legislação que proteja o servidor público. que podem incluir a desconsideração da gravidade de determinados problemas. pessoal capacitado e local adequado para o acolhimento e encaminhamento das reclamações nas instâncias jurídica.

No âmbito interpessoal. o papel do judiciário é de fundamental importância na apreciação do caso concreto. que devem atentar ao problema do assédio moral. que se procure despertar a solidariedade entre os trabalhadores. então. de partido político. ora propomos um conjunto de sugestões. das condições adequadas de trabalho e do pleno desenvolvimento profissional do trabalhador. seja ele vertical (descendente ou ascendente). que devem ser expressos em regulamentos nas repartições. quando do desfazimento da relação. mas também para estabelecer uma linha de apreciação do que não se deve permitir na sociedade. antes de tudo. Na outra ponta do problema. conscientizando-se os funcionários e as chefias sobre o problema. fomentar o debate sobre o assédio moral em vários fóruns. a possibilidade de indenização pecuniária deve ser considerada quando se verifica que a organização falhou na obrigação de implementar meios eficazes de denúncia. para isso. A prática do assédio moral deve ser séria e exaustivamente investigada e exemplarmente combatida. ou relativamente protegido. com punição. Nesse sentido. indicando-se o valor que se deve dar a determinado fato. que atuam de maneira ainda muito tímida em relação ao tema. cultivando-se os valores éticos da organização. É importante. e as relações de apadrinhamento político. deve ser psicologicamente amparado. Ponderado o problema. deve-se demandar mais direta e intensamente o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. devem existir espaços para discussão e orientação dos trabalhadores.64 associativas de sindicato. deve-se. apuração e recomposição da auto-estima. Por meio delas o servidor se sente protegido. horizontal ou misto. além de receber as penas previstas na legislação. códigos de ética elaborados e discutidos com os próprios funcionários. incrementando as comissões de saúde do trabalhador (Consat e Cipa). No âmbito legal. O agressor. para enfrentar esse e outros problemas nas repartições. muito embora haja casos em que qualquer um daqueles tipos de relações tenha funcionado de maneira contrária. entretanto. e expondo-se o conteúdo das leis sobre assédio moral em locais de fácil acesso visual. não só para punir. para se ajustar . de conselhos de fiscalização de classes.

sim. trata-se. deve haver acompanhamento da direção. . de tentativa de ponderar o problema. pois. Não se trata. de proposição maniqueísta. buscando-se estabelecer boas condições laborais e saudáveis relações interpessoais.65 à sua atividade ou para integrar-se a outra. santificação do assediado e demonização do assediador. para que não venha a repetir-se a conduta do assédio moral.

N.. CEZAR. O.3. Cad.2009. R. S.5. Dez. BRASÍLIA. 2007. nos casos de abuso de autoridade. 2007. Assédio moral nas relações do trabalho.. et alii. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. O. BARRETO. de 9./fev. R. p.2006.html?ideNo rma=368996&PalavrasDestaque= Acesso em: 11. jan. Regula o Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. Problemas de violência ocupacional em um serviço de urgência hospitalar da Cidade de Londrina .898. S.camara. Mestrado em Psicologia Social. .br/internet/legislacao/legin. W. L. M. S.2006. Deputado Antonio Mentor. Mestrado em Direito.gov. 56. Assédio moral: saiba como se defender deste abuso. Seminário: Assédio Moral. E. M. Disponível em: http://www2. Assédio Moral em Face do Servidor Público. ______.. 2001. 3. P. ed.. pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Assédio Moral: uma visão multidisciplinar. Rio de Janeiro: Lumen Júris. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Rio de Janeiro. revis.12. ed. 2009.. R. Out. 2. BATALHA. MARZIALE. M... São Paulo: LTr. Requerimento de informação nº 24 de 2007 – Do Deputado Carlos Neder para o Secretario de Saúde do Estado de São Paulo. 25. 8ª reimp. Relatório Final da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador – 24. Brasília: LGE. FAORO. 2006. J. CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO.6. p./jan. 2000. 22(1): 217-21. Lei 4. São Paulo: Globo. Saúde Pública. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. 2006. FIORELLI.11. 57. DURÃES. Paraná. Publicação oficial do CRF/SP. Uma jornada de humilhações. Brasil. 2006. BRASIL. Prerrogativas: ter ou não ter. sobre ocorrência de abuso de poder e de assédio moral praticado por funcionário Sr./nov. H. Revista do farmacêutico.html/visualizarNorma.12. pela Universidade de São Paulo. Publicação oficial do CRF/SP. 2005.1965.66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A alegoria da caverna/ Platão. Revista do farmacêutico.

JOÃO. <http://jusvi. 2009. RAE eletrônica. p. C. V. S.3. PAROSKI.1. GUERZONI. 310. 3. Revista do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social. LTr (revista). Valor Econômico. M. Disponível em: . NASCIMENTO. P.7. n. ed. J. MANUS.8. R.6. T.-F. S.htm. M. v. O assédio moral e o contrato de trabalho. 26. A. O assédio moral na administração pública. NOGUEIRA. p. A. HELOANI. M.com/profiles/blogs/o-assedio-moral-naadministracao-publica> Acesso em: 28. 2006.2006. FREITAS.1.ning. J. P. LOPES. HIRIGOYEN. Representações na mídia impressa sobre o assédio moral no trabalho. Ago. Assédio moral: um ensaio sobre a expropriação da dignidade no trabalho. P. F. OLIVEIRA. Jan. 24. 4ª ed. v. P. São Paulo: Saraiva. 2002. M. C. conceito e caminhos para a proteção eficaz do trabalhador. Disponível em: <http://protogenescontraacorrupção. A tutela jurídica do assédio moral no trabalho. pela Universidade de São Paulo. Quem paga a conta do assédio moral no trabalho?. art. MARTINS. O. C. 2007. 2004.16-7. 2009. C. 2009. 2008. v. Disponível em: <http://www2senado. Mestrado em Saúde Pública. p. Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. Administração de Recursos Humanos x Administração de Pessoal x Relações Industriais: confusão semântica.2009. R.68. Mestrado em Direito. pela Universidade de São Paulo. Assédio moral.287. E2. ano. v. 2007. 2009. n. 2002. p. Legislação & Tributos. Jan. Doutorado em Direito./jun. GARBIN. Jan. n. NASCIMENTO.br/bdsf/bitstream/id/18711/1/noticia. São Paulo: LTr. Rio de Janeiro. V.> Acessoem: 26.gov. Assédio moral: raízes. R. Jan. 11-20. n.6./jun. pela Universidade de São Paulo.1. 10. T. 2009.5. et alii. RAE eletrônica. Relações de trabalho e gestão pública no Brasil contemporâneo. Revista Tendência do Trabalho. O assédio moral no ambiente do trabalho.67 FLORINDO. Dano Moral e o Direito do Trabalho.> Acesso em: 28. n. M.5.7. 5. Rio de Janeiro: Bertrand./jun. E. J. Assédio moral no trabalho. A.com/artigos/24294/2. 2004. 922-30. A. M. Assédio moral: uma prática perversa no ambiente de trabalho.2. Revista de Humanidades. art. n. 1998. A./jun.11-51. p. M. M. p.

L. As relações de trabalho e a convenção 151 da OIT.br/StaticFile/integra_ddilei/lei/2006/lei%20n. REIS. e dá outras providências. Coimbra: Coimbra. de 20 de fevereiro de 2009.gov.68 PEREIRA.> Acesso em: 31. O princípio da impessoalidade. Manual de Apuração Preliminar e Penalidades.). et alii (org. B. SÃO PAULO. Assédio Moral: desafios políticos. Revista de Direito do Trabalho..%20de%20 0. 21 de fevereiro de 2009./set. Disponível em: <http://www. SÃO PAULO. p. G. 97. F. Forclusão do feminino na organização do trabalho : um assédio de gênero. STF 172398. Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. R. M. Secretaria de Estado da Saúde.250. SÃO PAULO./dez. 23.servidorpublico. ZAGO. São Paulo: LTr. Set. M. indireta e fundações públicas. PEZÉ. Poder Executivo – Seção I. 13. com a redação dada pela Lei Complementar nº 942. SANTOS. 2004. J. Gabinete do Governador do Estado de São Paulo. 2006.12. SCHMIDT. . F. p. ADI – 3980 – referente à lei estadual 12. de 9 de fevereiro de 2006. 2008. SEIXAS. incertezas jurídicas. F.2001. Uberlândia: EDUFU. 2001.10. Revista do Advogado.2008.sp. Disponível em: <http://www.3.7. Regulamenta o artigo 271 da Lei nº 10.net/noticias/2008/03/06/as-relacoes-de-trabalho-e-aconvencao-151-da-oit> Acesso em: 28.2009. Centro de Legislação de Pessoal.al. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. Revista Produção. M.261. Z.050. nº 12.1. 2004. ano 27. Dano e assédio: moral e sexual. M. de 6 de junho de 2003. O assédio moral nas relações de emprego. Mobbing ou Assédio Moral no Trabalho: contributo para a sua conceptualização. n. Lei.2007. 2009. THOME. de 9 de fevereiro de 2006. O assédio moral no direito do trabalho. Coordenadoria de Recursos Humanos. Ano XXVIII. Nov. 6-13. n.. F. Rio de Janeiro: Renovar. M. n.250. que dispõe sobre o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo. 149-57. C. Decreto nº 54. A. São Paulo.250. v. K.14. de 28 de outubro de 1968. Jul. sábado.-G. p. H. SÃO PAULO. considerações sociais.142-72. 2008. Diário Oficial Estado de São Paulo. Maio.

BERNARDES. R. BRASIL. em: em: BAETA.br/bdsf/bitstream/id/7531/2/complemento_2.D4. p. R.br/bdsf/bitstream/id/7531/4/complemento_2.gov. GARCIA. A. TRTs condenam por assédio moral. BERNARDES. Legislação. Brasília. diz advogado. GARCIA.69 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ASSÉDIO MORAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.p. A. para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho. 07/08/2005. P.htm> Acesso em: 22/09/2009. à justiça.htm> Acesso em: 22/09/2009.D4. Quando o chefe vira réu. de 13 de abril de 1995. Disponível em: <http://www2.htm> Acesso em: 22/09/2009. Disponível em: <http://protogenescontraacorrupcao. p.. L.senado. BERNARDES. e dá outras providências.senado. O assédio moral degradando as relações de trabalho: um estudo de caso no Poder Judiciário. Nov/Dez. Sérgio.ning. Perseguição no trabalho é assédio moral. 27/06/2005.gov. A. M. P. Z. Disponível em: <http://www2.. Jornal do Brasil.com/profiles/blogs/o-assedio-moral-na> Acesso em: 28/07/2009.senado. H. Disponível em: <http://www2.029.. Jornal do Brasil.gov. BERNARDES. 2004. 07/08/2005.terra..8-11. CANÇADO.br/bdsf/bitstream/id/7531/1/complemento_2. M.E1.com. R. R.gov. 07/08/2005.. GARCIA.senado.br/educacao/clementino/assediomoral. ASSÉDIO MORAL: JÁ ACONTECEU COM VOCÊ? Disponível <http://paginas. A. vendedor recorre à Promotoria e ganha indenização.br/bdsf/bitstream/id/7531/3/complemento_2. RAP 38(b): 1065-84.htm> Acesso em: 22/09/2009.D4. .senado. Assédio moral chega. Jornal do Brasil. A. A.D4. 27 set.. Brasília. Valor econômico.gov. 07/08/2005. enfim. NEVES.. p. p. Lei n.htm> Acesso em: 22/09/2009.. Revista Época. p. Provar é difícil. Brasília. Vilas Boas. Pressionado. 2004. Disponível em: <http://www2. 9. Proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização. Empresas processadas evitam até mencionar as acusações. CORRÊA. GARCIA. FOLHA DE SÃO PAULO. CARRIERI.htm> Acesso 31/1/2008. São Paulo. Jornal do Brasil. e outras práticas discriminatórias. Disponível em: <http://www2.br/bdsf/bitstream/id/23880/1/noticia.Brasília.

. Caderno Mundo (João Batista Natali). O QUE É ASSÉDIO MORAL? Assédio moral no trabalho: chega de humilhação! Disponível em: <http://www. São Paulo: LTr. Disponível em: <http://www2. Suplemento Equilíbrio. FOLHA DE SÃO PAULO.php. Auto relato de situações constrangedoras no trabalho e assédio moral nos bancários: uma fotografia. Assédio Moral – Uma análise da teoria do Abuso de Direito Aplicada ao Poder do Empregador. MADEIRA. O assédio moral no ambiente de trabalho. F.gov. R. FREITAS. Psicologia & Sociedade: 19 (2):117-128.C. W. Brasília.119. 20/07/2007. p. Assédio moral e assédio sexual: faces do poder perverso nas organizações. G.2002.senado. LIMA. R. D.> Acesso em: 22/09/2009. 18.25. Brasília. Legislação & Tributos. Agosto de 2004. 21 de. p. R.gov. M.> Acesso em: 22/09/2009. S.br/bdsf/bitstream/id/5026/1/noticia. p.C. São Paulo. 2008. Revista do Ministério Público do Trabalho.fevereiro. mar.> Acesso em: 31/1/2008. 2001. Valor Econômico. 17 de dezembro de 2006. . STADLER. MACIEL. R..2003. M. n.htm.2.org/site/assedio/AMconceito. dos. de. F.. Abr/Jun.41 n. Assédio deixa de ser tabu.br/bdsf/bitstream/id/73800/1/noticia. 2007.htm.senado. P. E. CAVALCANTE.B1 (Cresceu denúncias de assédio moral no país).D8.assediomoral. M. Jornal do Brasil. FOLHA DE SÃO PAULO. D. C. H. ZIMMERMANN. 01/01/2006. MATOS. ZANETTI.70 FOLHA DE SÃO PAULO. SANTOS. ERA v. T. T. Disponível em: <http://www2. Assédio Moral e mundo do trabalho.E2.

o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou o entendimento do poder Judiciário em um tema que envolve mais de 25 mil processos em [.]. . da sua 5ª Súmula Vinculante..71 ANEXOS Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF Redação da nova súmula vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição” Com a aprovação..

executivo ou do poder judiciário do Estado do Rio de Janeiro.2002 Origem Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Administração Pública Municipal Direta e Indireta por servidores públicos municipais Lei 1. Lei Federal 5.94 7.163 Decreto Regulamentador 1. Decreto 1. autarquias. do poder legislativo. empresas públicas e sociedade de economia mista. fundações.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. direta e indireta por servidores públicos municipais. Lei/Projeto de lei/ Decreto Lei 13.409/âmbito municipal Campinas 4.288 Ente da federação São Paulo Data 11. Públ.2002 Dispõe sobre aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Adm.11. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública municipal direta e indireta nas autarquias e fundações públicas. repartições ou entidades da administração.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo 09/01/2006 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. Projeto Lei Federal 2001 .72 Anexo II. Lei 3508.591 Proj. indireta e fundações públicas. e dá outras providências.122 (funcionário público federal) Lei Estadual 3921 1990 Estado do Rio de Janeiro 23.2002 Veda o assédio moral no âmbito dos órgãos. Lei 8.4.6. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou de interesse público.972 Lei 12. lei Federal 4.6.2002 Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da administração pública municipal direta e indireta por servidores públicos municipais.42/âmbito municipal Guarulhos Lei 11.671/ âmbito municipal Código Ética Profissional do Servidor público Civil do Poder Executivo Federal Americana 22. Mun.01.171 Lei 3.250 Iracemópolis/SP 24.8.134/2001 Proj.

Rio de Janeiro 23 de agosto de 2002 Lei Complementar nº 12.982 Servidor Federal Jaboticabal/SP 17/12/2001 Lei 1078 Sidrolandia/MS 05/11/2001 Lei 1. Projeto de lei 4. de 15 de outubro de 1990. A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO.591 Lei 2. no âmbito dos órgãos.213 1991 Equipara ao acidente de trabalho as doenças profissionais e as doenças do trabalho Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral nas dependências da Administração Pública Municipal Direta.921.163 Decreto Regulamentador 1.73 5970 Lei 8. Autárquica e Fundacional.134/2001 Proj." . inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou interesse público. Indireta. 09 de fevereiro de 2006 1990 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. autarquias. executivo ou judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Acrescenta dispositivo à Lei Complementar nº 04. de 15 de outubro de 1990. por servidores ou funcionários públicos municipais efetivos ou nomeados para cargos de confiança. com a seguinte redação: "XIX . fundações. 45 da Constituição Estadual. da Lei Complementar nº 04.972 Lei nº12. Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral no âmbito da administração municipal e dá outras providências. 144.4. Dispõe sobre assédio moral na administração estadual do Rio Grande do Sul. do poder legislativo. indireta e fundações públicas. repartições ou entidades da administração centralizada. aprova e o Governador do Estado sanciona a seguinte lei complementar: Art.122 (funcionário público federal) Lei nº 3.250 Iracemópolis/SP 24. Lei Federal 5.561 Lei complementar nº 4 Rio Grande do Sul 12 de julho de 2006 15 de outubro de 1990 Mato Grosso Veda o assédio moral no trabalho.591 Proj.assediar sexualmente ou moralmente outro servidor público. empresas públicas e sociedades de economia mista.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo Lei 8. 1º Fica acrescido o inciso XIX ao Art. tendo em vista o que dispõe o Art. lei Federal 4. e dá outras providências.

de 7 de dezembro de 1940 . a ser comemorado. anualmente.848. indireta e fundacional.Fica instituído o "Dia Estadual de Luta Contra o Assédio Moral nas Relações de Trabalho". Projeto de reforma da Lei 8112. Dispõe sobre assédio moral no âmbito da administração pública do Ceará. de 7 de dezembro de 1940 Código Penal.Decreto-lei nº 2848. direta.666. sobre . no Código Penal Brasileiro . indireta. Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 2. de 11 de dezembro de 1990 Projeto de lei Federal Projeto de reforma da Lei nº 8.948 Federal 16 de junho de 2009 Constitui fonte adicional de recursos para ampliação de limites operacionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social . sobre assédio moral Federal Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de "assédio moral" por parte de servidores públicos da União. dispondo sobre o crime de assédio moral no trabalho. e dá outras providências Projeto de Lei Lei 13036 Pernambuco São Paulo s/d 29 de maio de 2008 Visa vedar a prática de assédio moral no âmbito da administração pública estadual Artigo 1º . Conversão da Medida Provisória nº 453.819 Bahia 2002 Projeto de Lei Projeto de Lei nº 128 Ceará Espírito Santo 2003 2002 Dispõe sobre o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta.326 Federal 2004 Dispõe sobre a criação do Dia Nacional de Luta contra o Assédio Moral e outras providências Lei 11. de 2008 Projeto de lei Federal Projeto de lei Federal Introduz artigo 146-A. Reforma do Código Penal.. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual. das autarquias e das fundações públicas federais a seus subordinados.BNDES e dá outras providências.112.74 Projeto de Lei nº 12. sobre coação moral. fundacional e autárquica e dá outras providências. alterando a Lei nº 8. no dia 2 de maio Projeto de lei nº 4.

. Porto Alegre/RS. Projeto de lei 5.assediomoral. Natal/RN. Rio de Janeiro. Ribeirão Pires/SP. 2004). Campinas/SP. que "regulamenta o art. Cruzeiro/SP.Guarulhos/SP (. Jaboticabal. institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências". Reserva do Iguacú/RS./SP. e institui o Cadastro Nacional de Proteção contra a coação moral no emprego.666. Curitiba/PR.(MASCARO. de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) Dispõe sobre assédio moral nas relações de trabalho Projeto de lei nº 2. Americana. Cascavel/PR. de 21 de junho de 1993. da Constituição Federal. São Paulo/SP.75 coação moral Altera dispositivos da Lei nº 8. Espírito Santo. Iracemópolis/SP. Ceará.. São José dos Campos/SP. Bahia.970 2001 Sobre coação moral Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 5. 37.452. Guararema/SP. São Gabriel do Oeste/MS.369 Federal 2003 Estados e municípios tais como: São Paulo.org) . Rio Grande do Sul. inciso XXI. Amparo/SP. Guaratinguetá/SP. e Vitória/ES. (site www. Sidrolândia/MS.

. a portas fechadas de obter aprovação pública. Acontece tanto no trabalho quanto Na maioria das vezes.Quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral. mulheres. e.. Assédio em geral Tem um grande componente físico. especialmente com agressores. ou muito pouco. pelo que eles são(e. negros. mas quase nunca com agressoras. etc. precisa ser eliminada . críticas).g. especialmente se há uma agressão.e.g. famosa e vulnerável (e.. falsas alegações de incompetência ou até mesmo por falsos elogios. Pode consistir em um único incidente. em poucos incidentes ou em muitos incidentes A vítima sabe imediatamente que está sendo assediada Todo mundo pode reconhecer um assédio.. viver sozinha. medo de ser excluído do grupo) Geralmente é feito com a finalidade Tende a ser secreto. etc.g.. sexo. a segunda fase é a eliminação do alvo Quase sempre tem um foco bem claro O foco é na competência ou nas (e. contatos e toques em todas as formas. indecente ou sexual Revela-se freqüentemente através do uso de vocabulário ofensivo Revela-se por meio de críticas triviais. que precisa primeiro ser controlada e subjugada.g. especialmente se ela for competente. se isso não funciona. discriminação. pode se tornar físico mais tarde. intrusões no campo pessoal e possessões.g.76 Anexo III.. etc. Trata-se de uma discriminação que é baseada na competência. deficientes. quando isso falha. estar se separando do cônjuge. acontece no fora dele trabalho O alvo é percebido como algo fácil O alvo é percebido como uma ou então como um desafio ameaça. ainda que possam ser utilizadas na privacidade Quase sempre há um elemento de A fase do assédio moral é o controle possessão e a submissão. Tende a focalizar nos indivíduos. imagem e sem testemunhas do “machão”.) Assédio moral Predominantemente psicológico (e. palavras ofensivas raramente aparecem. ter alto salário) Sexo e raça não influenciam.g. sexo e raça) posses (inveja) e na popularidade (ciúme. ter compromissos financeiros sérios. ter mais de 50 anos. Qualquer pessoa pode ser vítima. Raramente é um único incidente e tende a ser uma acumulação de muitos pequenos incidentes A vítima pode não perceber que está sendo assediada por semanas ou meses – até que ela tem um insight Poucas pessoas podem reconhecer um assédio moral Está normalmente ligado a raça.

. sexual) Fonte: UK National Workplace Bullyng Advice Line citado por Schmidt-2001. porque ele constitui uma ameaça O agressor é um invejoso (das habilidades ou das posses) ou ciumento (das relações pessoais)..g. agindo com grande autodisciplina O agressor é deficiente na área de qualidades interpessoais O agressor geralmente tem incompetências específicas (e.77 Geralmente é dominação para que seja manifestada a superioridade do agressor O agressor não tem autodisciplina O objetivo é o controle do assediado.

as ações contra assediados custam à Administração Pública. O temor de represálias e da demissão. difamação e calúnia (crimes contra a honra) e lesão corporal. É imprescindível. e este só irá libertar o assediador do problema. 3º Conselho: Documente-o. pois. é preciso que o assediado lance mão de suas licenças de saúde. no registrar diário das ocorrências. danos ao patrimônio e falsificação. vias de fato. no contabilizar dos gastos médicos. custos consubstanciados no tempo empregado pelo assediador para arquitetar novas formas de oprimir ou perseguir. 2º Conselho: Resista. Assim. É imprescindível a paciência na caracterização do dano. Em relação aos ilícitos administrativos. mister se faz. 4º Conselho: Arregimente testemunhas. juros. É preciso. danos emergentes.“Onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público” [adaptado de Batalha (2009)]. a substituição do funcionário dispensado tem custos para a Administração.78 Anexo IV . ameaças (crime de ameaça). para isso. tas como: abuso de poder (atacável por Mandado de Segurança). os colegas se afastam pra que a Agressão de Estado dirigida À vítima não os afete. não se pode prescindir do testemunho de colegas. SE contar que. no recolhimento de provas documentais. e na busca da tutela jurisdicional. capacitação. os ressarcimentos por causas civis aos funcionários assediados. . no atestar dos danos à saúde. em termos de Know how. o funcionário recolha documentação sobre as ações sofridas. prêmio. só se facilitará o caminho para o assediador. pois. no arregimentar de testemunhas. no assédio moral transversal ou horizontal são os próprios colegas os assediadores. o tempo correrá a seu favor em forma de lucros cessantes. pois. que. no destemor. cerca de 190% da remuneração anual bruta de um funcionário. na denúncia ao Ministério do Trabalho e na denúncia ao ministério da Saúde. para buscar a tutela jurisdicional com tranqüilidade. em geral. pois. para isso. Aqui se delineia uma linha de conduta para argüir o mobbing consubstanciado na paciência. assim. para isso. a seguir: 1º Conselho: Paciência. é imprescindível documentá-lo. neste contexto. Na configuração do assédio moral. Torna-se necessário que se documente as ações assediantes contra o assediado. férias. correção e mora. arregimentar aliados o que não é fácil. elas se consubstanciam em ações por infrações penais e administrativas. os dias de trabalho perdidos em razão da licença por causa da Agressão de Estado as custas decorrentes de tratamentos de funcionários doentes em razão do assédio moral no serviço público: perda de funcionários competentes e produtivos. também deve ser evitado. tudo explicitado.

II. Muitas vezes não virá resposta. bem como os prejuízos pecuniários. Pois. autor. civil ou federal para requerer . 7º conselho: Reúna provas.Núcleo de Discriminação do Trabalho. 109. há que se buscar as vias legais: neste caso o tempo conta a seu favor. Faça uma relação dos distúrbios físicos e psíquicos todos documentados e atestados dos danos que o assédio venha causando à vitima. de 1 de junho de 2000. pessoas presentes. Isso poderá ajudar a identificar os danos causados e a configurar o assédio com vistas à indenização. Outro direito que assiste aos “mobizados” é obter cópias de documentação que existem nos assentamentos individuai os. 8º andar . Uma ótima sugestão para a documentação é ter um diário de cada ação “mobizante”. VI. Em São Paulo o endereço é: Centro de Referência de Saúde do Trabalhador: Rua Martins Fontes. pela qual se indique data. fazendo uso de jornais. para isso deve-se escrever a história pessoal de assédio moral sendo claro e conciso. mas isso pode ser suficiente para provar uma ação “mobizante”. hora. rádios. 8º Conselho: Denuncie na Delegacia Regional do Trabalho. que institui os Núcleos de Promoção e Igualdade e Oportunidades e de Combate à Discriminação em Matéria de Emprego e Profissão. 2º. em questionamento escrito. descrição da ação assediante. tudo devidamente comprovado. trata-se de direito amparado pelo habeas data. associações de classe denunciando fatos reais e documentados. 109. 9º Conselho: Denuncie o assédio moral junto ao Ministério da Saúde. encaminhando ao órgão competente. este. 6º Conselho: Protocole-o. Denuncie o assédio moral junto às Coordenadorias Estaduais de Saúde do Trabalhador. se tornou um caso de saúde pública. A denúncia do mobbing é necessária para evitar que o fenômeno se propague. resultantes dos mesmo.79 5º Conselho: Organize um diário. Outra maneira de configurá-lo é protocolá-lo. da Portaria 604. Aos servidores Celetistas e funcionários do serviço público é possível denunciar o assedio moral no Núcleo de Discriminação do Trabalho na Delegacia Regional do Trabalho. Por fim. Na escolha entre procedimento penal. do Ministério do Trabalho e do Emprego. Em São Paulo o endereço é: Rua: Martins Fontes. Centro 10º Conselho: Busque as vias legais. Setor de Assédio Moral Esse comando vem da art.

se poderá também documentar o dano ao Erário público por aquele que o prejudicou pela agressão de Estado. . re-enquadramento. lucros cessantes. de reintegração. pois o assediado na maioria das vezes está fragilizado e tem dificuldades de entender o emaranhado de órgãos públicos e pode se estressar com isso. é importante que uma terceira pessoa. danos morais e materiais. 11º Conselho: Paciência dupla. moral e lucros cessantes. Depois de começado a jornada. dano patrimonial. os órgãos públicos muitas vezes são difíceis de serem encontrados. preferencialmente seu advogado faça esta busca. No caso federal.80 indenização por dano biológico é preferível o procedimento cível para a reparação do dano biológico. indenização por danos. Neste último caso.

e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança. custas. são regulados pela presente Lei. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição: a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar à autoridade civil ou militar culpada. emolumentos ou de qualquer outra despesa. 4º Constitui também Abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual. f) à liberdade de associação. imediatamente. d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada. f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. b) à inviolabilidade do domicílio. de 5/6/1979) Art. (Alínea acrescida pela Lei nº 6. Art. .Abuso de autoridade. se as houver. c) deixar de comunicar. no exercício de suas funções. quer quanto à espécie. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal. permitida em lei. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. desde que a cobrança não tenha apoio em lei. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto. cometerem abusos. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. d) à liberdade de consciência e de crença. h) ao direito de reunião. i) à incolumidade física do indivíduo. CÂMARA DOS DEPUTADOS Centro de Documentação e Informação LEI Nº 4.898. nos casos de abuso de autoridade. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade. contra as autoridades que. emolumentos ou qualquer outra despesa. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. Art. a qualificação do acusado e o rol de testemunhas. quer quanto ao seu valor. Parágrafo único. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. custas.81 Anexo V. c) ao sigilo da correspondência. e) ao livre exercício do culto religioso. b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada.657. no máximo de três. a respectiva sanção. com todas as suas circunstâncias. DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965 Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal.

consistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros. b) repreensão. (Alínea acrescida pela Medida Provisória nº 111. § 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato. Art. § 2º A sanção civil. . Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima. b) detenção por dez dias a seis meses. civil ou militar. por denúncia do Ministério Público. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. § 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil. as disposições dos arts. § 1º O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais. no prazo de quarenta e oito horas. por prazo de um a cinco anos. e requererá ao Juiz a sua citação. § 1º A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias. A ação penal será iniciada. civis ou militares.82 h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. a bem do serviço público. instruída com a representação da vítima do abuso. Art. de 24/11/1989. independentemente de inquérito policial ou justificação. quem exerce cargo. § 2º Não existindo no município. estaduais ou federais.711. de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União). função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias. Vetado. aquele. Art. i ) prolongar a execução de prisão temporária. Art. 12. ainda que transitoriamente e sem remuneração. convertida na Lei nº 7. desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade. Art. pela vítima do abuso. e) demissão. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos. 8º A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar. e. de qualquer categoria. de pena ou de medida de segurança. de 21/12/1989). quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. 10. emprego ou função pública. c) suspensão do cargo. 11. a designação de audiência de instrução e julgamento. 9º Simultâneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela. de natureza civil. ou militar. Art.960. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória. caso não seja possível fixar o valor do dano. Art. § 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem a cinco mil cruzeiros. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil. 5º Considera-se autoridade. poderá ser promovida. de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa. a responsabilidade civil ou penal ou ambas. § 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial. 7º Recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa. que estabeleçam o respectivo processo. Art. 219 a 225 da Lei nº 1. da autoridade culpada. Art. denunciará o réu. com perda de vencimentos e vantagens. bem assim. para os efeitos desta Lei. § 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. f) demissão. no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente. d) destituição de função. 13.

14. § 2º No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais duas testemunhas. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido. os presentes poderão retirar-se. ditado pelo Juiz. na audiência de instrução e julgamento. A hora marcada. 17. dia e hora para a audiência de instrução e julgamento. desde logo. pelo prazo de quinze minutos para cada um. 18.83 Art. apregoando em seguida o réu. a não ser que o Juiz. e realizar-se-á em dia útil. dentro de cinco dias. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu. em resumo. o Juiz. que deverá ser realizada. proferirá despacho. as testemunhas. A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz. independentemente de intimação. até julgamento final e para comparecer à audiência de instrução e julgamento. termo que conterá. Recebidos os autos. Art. por meio de duas testemunhas qualificadas. o Juiz. Art. considere indispensáveis tais providências. devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência. os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa. Se o ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá: a) promover a comprovação da existência de tais vestígios. Se o órgão do Ministério Público. Parágrafo único. 15. aditar a queixa. na sede do Juízo ou. os despachos e a sentença. O órgão do Ministério Público poderá. Art. será admitida ação privada. no local que o Juiz designar. excepcionalmente. a todo tempo. até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julgamento. 16. se contrariamente não dispuser o Juiz. Parágrafo único. 22. fará remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia. § 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente. . 19. § 2º A citação do réu para se ver processar. Art. o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu. querendo. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei. ou o apresentarão por escrito. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio. dentro do prazo de quarenta e oito horas. a critério do Juiz. interpor recursos e. Não comparecendo o réu nem seu advogado. Art. Art. ao Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu. 21. o Juiz dará a palavra sucessivamente. retomar a ação como parte principal. letra "b". será acompanhado da segunda via da representação e da denúncia. o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência. 25. no caso de negligência do querelante. 24. Encerrado o debate. o Juiz designará. Parágrafo único. será feita por mandado sucinto que. o Juiz proferirá imediatamente a sentença. o perito. repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo. Art. Art. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito. prorrogável por mais dez (10). 20. Art. Art. requerimentos para a realização de diligências. Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de testemunhas ou. perícias ou exames. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentadas em Juízo. ou designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento. ao qual só então deverá o Juiz atender. se estiver presente. os requerimentos e. em despacho motivado. 23. Art. recebendo ou rejeitando a denúncia. entre dez (10) e dezoito (18) horas. por extenso. § 1º No despacho em que receber a denúncia. o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo. improrrogàvelmente. b) requerer ao Juiz. ao invés de apresentar a denúncia requerer o arquivamento da representação. porém. A audiência de instrução e julgamento será pública. salvo o caso previsto no artigo 14. a designação de um perito para fazer as verificações necessárias.

serão aplicáveis as normas do Código de Processo Penal. 28. Art. Parágrafo único. até o dôbro. 144º da independência e 77º da República. 27. o juiz poderá aumentá-los. Das decisões. Revogam-se as disposições em contrário. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados nesta Lei. sempre motivadamente. 26. o advogado ou defensor do réu e o escrivão. Nos casos omissos. Brasília. Art. 29. caberão os recursos e apelações previstas no Código de Processo Penal. sempre que compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta Lei.84 Art. Subscreverão o termo o Juiz. H. CASTELLO BRANCO Juracy Magalhães . 9 de dezembro de 1965. o representante do Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a queixa. Art. despachos e sentenças.

Número 60 Fevereiro de 2008 As Relações de Trabalho no Setor Público: Ratificação da Convenção 151 As relações de trabalho no setor público: ratificação da Convenção 151 No dia 14 de fevereiro de 2008. A 151 trata da organização sindical e . o Presidente da República. Luís Inácio Lula da Silva encaminhou para apreciação do Congresso Nacional as Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).Convenção 151 – OIT.85 Anexo VI .

Ela procura esclarecer o que é a convenção 151 e as possibilidades que se abrem para o movimento sindical do setor público a partir dela. As normas internacionais do trabalho são instrumentos jurídicos que estabelecem princípios e direitos básicos no trabalho. O processo de ratificação . dos trabalhadores e dos governos. É uma estrutura tripartite. O Brasil é signatário de 80 delas. normalmente o Parlamento. uma vez aprovadas pela Conferência Internacional do Trabalho. em geral. As normas elaboradas podem tomar a forma de Convenção ou Resolução. esta entra em vigor nesse país um ano depois da aprovação da ratificação. trata da garantia do emprego contra a dispensa imotivada. As Convenções da OIT são tratados internacionais “legalmente vinculantes” que. Pela Constituição da OIT. que trata da convenção 158 e possíveis efeitos para o emprego. Esta Nota Técnica procura comentar o significado das normas internacionais do trabalho e os trâmites até a sua ratificação. será divulgada nova nota técnica.86 do processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. que reúne representantes dos empregadores. Nesta quinta-feira. Caso um país membro decida ratificar uma convenção. para que um país ratifique uma Convenção esta deve ser apreciada pelas suas autoridades competentes. Os países que ratificam uma convenção “estão obrigados a aplicá-la em sua legislação e em suas práticas nacionais”. Já a convenção 158. As normas são preparadas pelos dirigentes da OIT (governo. podem ser ratificadas ou não pelos países membros. empresários e trabalhadores) e aprovadas na Conferência Internacional do Trabalho da OIT. Até o momento a OIT formulou e aprovou 185 Convenções. das quais 156 estão em vigor. tendo que enviar regularmente relatórios referentes à sua aplicação. A OIT e as Normas Internacionais do Trabalho A Organização Internacional do Trabalho é uma Agência do Sistema das Nações Unidas fundada em 1919.

Proteção contra atos de ingerência das autoridades públicas na formação. Apenas com aprovação pelas duas instâncias do Congresso Nacional.Garantias dos direitos civis e políticos essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.Instauração de processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública. a Câmara dos Deputados deve . Depois de receber as mensagens encaminhadas pela Presidência da República para ratificação. 3. Um ano depois de sua promulgação. seja durante as suas horas de trabalho ou fora delas. com permissão para cumprir suas atividades. ou seja.segundo o regimento da casa – apreciá-la. 4. estadual e federal) e se refere a garantias a toda organização que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública. Após sua aprovação na Câmara. a Convenção entra em vigor.Concessão de facilidades aos representantes das organizações reconhecidas dos trabalhadores da função pública.Independência das organizações de trabalhadores da função pública face às autoridades públicas. 2. a ratificação segue para promulgação presidencial. devendo sua forma de efetivação ser disciplinada por instrumentos jurídicos próprios. funcionamento e administração das organizações de trabalhadores da função pública.Proteção contra os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. os textos seguem para apreciação do Senado. A Convenção 151 A Convenção 151 da OIT aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas (nos níveis municipal. 5. 6. Nela está previsto: 1.87 O envio da proposta de ratificação da Convenção 151 e 158 pelo Executivo Federal para o Congresso Nacional é tão somente o primeiro passo para efetivação de sua ratificação pelo país. por leis e decretos. .

o movimento sindical passou a debater a necessidade de sua regulamentação no âmbito dos debates do Fórum Nacional do Trabalho com a criação da Câmara Setorial do Serviço Público. porém não foi explicitada a garantia do direito à negociação coletiva (artigo 39. CF) e o direito a greve. processos sistemáticos de Negociação Coletiva passaram a ser experimentados em diversas instituições públicas. § 3°. Com tais mudanças. VI. Com o advento da Constituição de 1988. os servidores públicos civis tiveram reconhecido o direito de organização sindical (artigo 37. ao mesmo tempo que derrubou o Regime Jurídico Único1 (estatutário). a Câmara do Serviço Público indicou a necessidade de ratificação da Convenção 151. amparado nas alterações contidas na Emenda Constitucional 19. Com base na experiência concreta da efetividade da prática da negociação no setor público. Suas condições de trabalho sempre foram definidas unilateralmente pela União. o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 492-1 que questionava o direito à negociação coletiva no setor público. Distrito Federal ou municípios. Isto se tornou possível a partir da recuperação de uma concepção de democratização das relações de trabalho defendida pelo Movimento Sindical no processo de discussão da Constituição de 19882. Após dois anos de debate. Em 1992. pelos Estados Federados. . a “Reforma Administrativa” de 1998 acrescentou aos princípios constitucionais que regem a Administração Pública o princípio da eficiência. Em outras palavras.88 Histórico A ordem jurídica brasileira nunca reconheceu o direito de os servidores participarem da elaboração de regras aplicáveis às relações de trabalho com o poder público. o debate sobre o direito à Negociação Coletiva retornou e. Por sua vez. sempre foi negada aos servidores a autonomia coletiva (ou negociação coletiva). CF).

um conjunto de outras mesas é aberto em diversos municípios ancorado nessa metodologia. com efeitos ex nunc (não admitindo a retroatividade da decisão a situações jurídicas já consolidadas no tempo). em 2003. 39 da CF.89 1 Com a decisão da ADIN nº 2135/2000 (02/08/2007) que restabeleceu o caput do art. além dessas experiências. . 2 Em 2002. essa mesma metodologia é adotada nos estados da Bahia e Sergipe. o governo federal cria a Mesa Nacional de Negociação Permanente da Administração Pública Federal e a Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS. é instituído em São Paulo e em Recife o Sistema de Negociação Permanente (SINP-SP). os servidores voltam a ser regidos por um RJU. em 2007.

criada no âmbito da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. Devem ser implementadas. . Considerações Finais O paradigma orientador que vem norteando todo processo de luta pela ratificação da Convenção 151 é a construção do Estado democrático de direito. Também nesta instância.90 Já no início do segundo mandato do presidente Lula. em especial. em especial no que se refere ao direito à negociação coletiva no serviço público. Além disso. o envio da proposta de ratificação da Convenção 151 é resultado desse processo de luta dos trabalhadores do setor público na busca de garantir um efetivo processo de democratização das relações de trabalho no Estado Brasileiro. os do serviço público. há de se ressaltar que a ratificação da Convenção 151 pelo Congresso Nacional é tão somente um passo nesse processo. na medida em que caminha na defesa da tese da autonomia sindical por parte do movimento sindical brasileiro. e em especial as dos servidores. medidas regulamentadoras que coloquem em prática o que nela está determinado. Porém. Enfim. o debate foi reaberto no Grupo de Trabalho da Mesa Nacional de Negociação Permanente3 (MNNP). Aponta. Orçamento e Gestão. com isso. avança na transformação do Estado e contribui para assegurar direitos essenciais para o pleno exercício da liberdade sindical ao conjunto dos trabalhadores. objeto de muitas polêmicas na tradição. conforme definido pela Constituição Brasileira. a ratificação da Convenção 151 da OIT tem como propósito romper com os resquícios do Estado autoritário. para o estabelecimento de novos padrões de relações de trabalho no setor público. já muito debatido tanto no âmbito da Câmara Setorial quanto pela sociedade. O processo iniciado com a ratificação da Convenção 151 da OIT pode e deve gerar um novo arcabouço doutrinário e jurídico para as relações de trabalho no setor público. foi indicada a ratificação como um passo essencial para a consolidação da experiência de negociação realizada pela MNNP. reafirmam-se como importantes elementos para a constituição de uma sociedade mais justa e participativa. A implementação das garantias definidas na Convenção 151 da OIT dialoga com o aprofundamento da democracia no país. Neste contexto as organizações de trabalhadores. ainda.

91 3 A Mesa Nacional de Negociação Permanente foi um espaço institucional criado pelo governo federal para buscar soluções negociadas entre os interesses da Administração Pública. dos servidores e da sociedade civil através de processo de diálogo formalizado. .

às das autoridades . Convenção nº 151 Convenção Relativa à Proteção do Direito de Organização e aos Processos de Fixação das Condições de Trabalho na Função Pública A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho: Convocada para Genebra pelo Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho. Foram feitas algumas adaptações para o português usual do Brasil. Considerando as disposições da Convenção Relativa à Liberdade Sindical e à Proteção do Direito Sindical. 1971. necessariamente. não abrange determinadas categorias de trabalhadores da função pública e que a Convenção e a Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. sociais e econômicos dos Estados Membros. da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva.ª sessão.92 Neste sentido. e da Convenção e da Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. Esta regulamentação deve. 1949. Congresso Nacional e Movimento Sindical devem continuar o processo de discussão dos instrumentais jurídicos que regulamentam o processo de negociação para o setor público. na sua 64. ser válida para os três poderes da República. A seguir. 1948. Executivo Federal. 1949. assim como a das respectivas práticas (por exemplo. com base em sua tradução de Portugal. no que se refere às funções respectivas das autoridades centrais e locais. Considerando a expansão considerável das atividades da função pública em muitos países e a necessidade de relações de trabalho sãs entre as autoridades públicas e as organizações de trabalhadores da função pública. em 7 de Junho de 1978. 1971. onde reuniu. se aplicam aos representantes dos trabalhadores na empresa. o DIEESE reproduz o texto da Convenção 151. Verificando a grande diversidade dos sistemas políticos. bem como para os três níveis da Federação. Recordando que a Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva.

93 federais. dos Estados Federais e das províncias. . bem como às das empresas que são propriedade pública e dos diversos tipos de organismos públicos autônomos ou semiautônomos. ou ainda no que respeita à natureza das relações de trabalho).

na medida em que lhes não sejam aplicáveis disposições mais favoráveis de outras convenções internacionais do trabalho. no dia 27 de Junho de 1978. questão que constitui o quinto ponto da ordem do dia da sessão.94 Considerando os problemas específicos levantados pela delimitação da esfera de aplicação de um instrumento internacional e pela adoção de definições para efeitos deste instrumento. Após ter decidido que essas propostas tomariam a forma de uma convenção internacional: Adota. 3 .A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão aos trabalhadores da função pública de nível superior. . 1978. e as observações através das quais os órgãos de controle da OIT chamaram repetidas vezes a atenção para o fato de certos Governos aplicarem essas disposições de modo a excluir grandes grupos de trabalhadores da função pública da esfera de aplicação daquela Convenção. 2 .A presente Convenção aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas.A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão às forças armadas e à polícia. Após ter decidido adotar diversas propostas relativas à liberdade sindical e aos processos de fixação das condições de trabalho na função pública. que será denominada a Convenção Relativa às Relações de Trabalho na Função Pública. cujas funções são normalmente consideradas de formulação de políticas ou de direção ou aos trabalhadores da função pública cujas responsabilidades tenham um caráter altamente confidencial. PARTE I Esfera de aplicação e definições ARTIGO 1 1 . assim como as dificuldades de interpretação que surgiram a propósito da aplicação aos funcionários públicos das pertinentes disposições da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. 1949. a seguinte Convenção. em virtude das diferenças existentes em numerosos países entre o trabalho no setor público e no setor privado.

As organizações de trabalhadores da função pública devem gozar de completa independência face às autoridades públicas. designadamente. que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública. b) Despedir um trabalhador da função pública ou prejudicá-lo por quaisquer outros meios. a expressão «trabalhadores da função pública» designa toda e qualquer pessoa a que se aplique esta Convenção. 3 . todas as medidas tendentes a promover a criação de organizações de trabalhadores da função pública dominadas por uma autoridade pública ou a apoiar organizações de trabalhadores da função pública por meios financeiros ou quaisquer . nos termos do seu artigo 1.São. devido à sua filiação a uma organização de trabalhadores da função pública ou à sua participação nas atividades normais dessa organização. no sentido do presente artigo. PARTE II Proteção do direito de organização ARTIGO 4 1 . a expressão «organização de trabalhadores da função pública» designa toda a organização. 2 . qualquer que seja a sua composição.95 ARTIGO 2 Para os efeitos da presente Convenção. assimiladas a atos de ingerência.As organizações de trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de ingerência das autoridades públicas na sua formação. 2 .Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. funcionamento e administração.Essa proteção deve. aplicar-se no que respeita aos atos que tenham por fim: a) Subordinar o emprego de um trabalhador da função pública à condição de este não se filiar a uma organização de trabalhadores da função pública ou deixar de fazer parte dessa organização. designadamente. ARTIGO 3 Para os efeitos da presente Convenção. ARTIGO 5 1 .

através da negociação entre as partes interessadas ou por um processo que dê garantias de independência e imparcialidade.A concessão dessas facilidades não deve prejudicar o funcionamento eficaz da Administração ou do serviço interessado.A natureza e a amplitude dessas facilidades devem ser fixadas de acordo com os métodos mencionados no artigo 7 da presente Convenção ou por quaisquer outros meios adequados. devem ser tomadas medidas adequadas às condições nacionais para encorajar e promover o desenvolvimento e utilização dos mais amplos processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública ou de qualquer outro processo que permita aos representantes dos trabalhadores da função pública participar na fixação das referidas condições. com o objetivo de submeter essas organizações ao controle de uma autoridade pública. tal como a mediação. de modo a permitir-lhes cumprir rápida e eficazmente as suas funções. quer durante as suas horas de trabalho.96 outros. a conciliação ou a arbitragem. 3 . instituído de modo que inspire confiança às partes interessadas. 2 . PARTE III Facilidades a conceder às organizações de trabalhadores da função pública ARTIGO 6 Devem ser concedidas facilidades aos representantes das organizações de trabalhadores da função pública reconhecidas. quer fora delas. PARTE IV Processos de fixação das condições de trabalho ARTIGO 7 Quando necessário. . PARTE V Resolução dos conflitos ARTIGO 8 A resolução dos conflitos surgidos a propósito da fixação das condições de trabalho será procurada de maneira adequada às condições nacionais.

com a única reserva das obrigações referentes ao seu estatuto e à natureza das funções que exercem. 2 . 3 . não fizer uso da faculdade de denúncia prevista pelo presente artigo ficará obrigado por um novo período de dez anos e.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção e que.Em seguida. posteriormente.A Convenção entrará em vigor doze meses depois de registradas pelo diretor-geral as ratificações de dois membros. PARTE VII Disposições finais ARTIGO 10 As ratificações formais da presente Convenção serão comunicadas ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registradas. ARTIGO 12 1 . ARTIGO 11 1 . A denúncia apenas produzirá efeito um ano depois de ter sido registrada.A presente Convenção obrigará apenas os membros da Organização Internacional do Trabalho cuja ratificação tiver sido registrada pelo diretor-geral. como os outros trabalhadores. por comunicação ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registrada. poderá denunciar a presente Convenção no termo de cada período de dez anos. esta Convenção entrará em vigor para cada membro doze meses após a data em que tiver sido registrada a sua ratificação. nas condições previstas no presente artigo.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção pode denunciá-la decorrido um período de dez anos após a data da entrada em vigor inicial da Convenção. 2 .97 PARTE VI Direitos civis e políticos ARTIGO 9 Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar. . no prazo de um ano após ter expirado o período de dez anos mencionado no número anterior. dos direitos civis e políticos que são essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.

b) A partir da data da entrada em vigor da nova convenção revista a presente Convenção deixará de estar aberta à ratificação dos membros. na sua forma e conteúdo.A presente Convenção permanecerá em todo o caso em vigor. para efeitos de registro. de pleno direito. o diretor-geral chamará a atenção dos membros da Organização para a data em que a presente Convenção entrará em vigor. da nova convenção revista acarretará. ARTIGO 16 1 .98 ARTIGO 13 1 .No caso de a Conferência adotar uma nova convenção que reveja total ou parcialmente a presente Convenção.Ao notificar os membros da Organização do registro da segunda ratificação que lhe tiver sido comunicada. ARTIGO 17 As versões francesa e inglesa do texto da presente Convenção fazem igualmente fé. de acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas.O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho notificará todos os membros da Organização Internacional do Trabalho do registro de todas as ratificações e denúncias que lhe forem comunicadas pelos membros da Organização. o Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho apresentará à Conferência Geral um relatório sobre a aplicação da presente Convenção e examinará a oportunidade de inscrever na ordem do dia da Conferência a questão da sua revisão total ou parcial. desde que a nova convenção revista tenha entrado em vigor. . a denúncia imediata da presente Convenção. ARTIGO 15 Sempre que o considere necessário. informações completas sobre todas as ratificações e atos de denúncia que tiver registrado de acordo com os artigos anteriores. 2 . não obstante o disposto no artigo 12. e salvo disposição em contrário da nova convenção: a) A ratificação. ARTIGO 14 O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho comunicará ao SecretárioGeral das Nações Unidas. para os membros que a tiverem ratificado e que não ratificarem a convenção revista. 2 . por um membro.

Secretário STI Metalúrgicas. Mecânicas e de Materiais Elétricos de Guarulhos. de Material Elétrico de Veículos e Peças Automotivas de Curitiba Paulo de Tarso G. Costa – Diretor Sindicato dos Eletricitários da Bahia José Carlos de Souza – Diretor STI de Energia Elétrica de São Paulo Carlos Donizeti França de Oliveira – Diretor Femaco – FE em Serviços de Asseio e Conservação Ambiental Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo Mara Luzia Feltes – Diretora SEE Assessoramentos.CNTT/CUT Direção técnica Clemente Ganz Lúcio – diretor técnico Ademir Figueiredo – coordenador de estudos e desenvolvimento Nelson Karam – coordenador de relações sindicais Francisco J. de Oliveira – coordenador de pesquisas Cláudia Fragoso – coordenadora administrativa e financeir Equipe técnica Ademir Figueiredo (revisão técnica) Fausto Augusto Junior Patrícia Toledo Pelatieri Patrícia Lino Costa Revisão Iara Heger . Mecânicas e de Material Elétrico de Osasco e Região Tadeu Morais de Sousa . Osasco e Região Alberto Soares da Silva – Diretor STI de Energia Elétrica de Campinas Zenaide Honório – Diretora Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) Pedro Celso Rosa – Diretor STI Metalúrgicas. Informações. Mecânicas. de Máquinas. Metalúrgicos do ABC Carlos Eli Scopim – Vice-presidente STI Metalúrgicas. Arujá.99 DIEESE Direção Executiva João Vicente Silva Cayres – Presidente Sindicato dos. Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo e Mogi das Cruzes Antonio Sabóia B. B. Perícias. Junior – Diretor SEE Bancários de São Paulo. C. Mairiporã e Santa Isabel Eduardo Alves Pacheco – Diretor Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes da CUT . Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul Josinaldo José de Barros – Diretor STI Metalúrgicas.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful