ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

SÃO PAULO – SP 2009

ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO DE SÃO PAULO

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

Monografia apresentada à Escola Superior de Advocacia – OAB/SP, para a obtenção do título de Especialista em Direito do Público. Orientador: Profª.Drª. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago

SÃO PAULO – SP 2009

ROGÉRIO GUIMARÃES FROTA CORDEIRO

A DIFÍCIL COMPROVAÇÃO E EFETIVAÇÃO DO INSTITUTO DO ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO - ÁREA DA SAÚDE

TERMO DE APROVAÇÃO Esta monografia apresentada no final do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Direito Público, na Escola Superior de Advocacia da Seccional da OAB São Paulo, foi considerada suficiente como requisito parcial para obtenção do Certificado de Conclusão. O examinado foi aprovado com a nota __________

BANCA NOME 1. 2. 3.

EXAMINADORA ASSINATURA

São Paulo, _____ de __________________ de ______.

precisa e rigorosa orientação Ao meu irmão Ruben Guimarães Frota Cordeiro pela amizade e compreensão. A minha mãe pelo eterno incentivo aos que aprendem e ensinam. F. . Ao Deputado Antonio Mentor pela sensibilidade e atenção ao tema do assédio moral no serviço público paulista. À Sara Brenda T. Aos diretores e chefes assediadores cuja história os julgará. À orientadora Profª. pela sabedoria em escolher alguns professores. criminal e judicial. G. não antes da conclusão do processo administrativo. e a permanente luta para que o servidor público conheça e pugne por sua dignidade. os quais nos orgulhamos de ter tido. À Escola Superior da Advocacia. Lívia Maria Armentano Koenigstein Zago pela sua competente.DEDICATÓRIA À jovem psicóloga Valéria Silva do CRT/AIDS que nos faz sentir jovem e vislumbrar um futuro grandioso em tudo que fazemos.Drª. Cordeiro cuja capacidade supera em muito a minha e está esculpindo um futuro brilhante.

À Profª. À Profª. Maria Cristina Bruder pelas orientações internas sobre tema. Clóvis Luiz Alonso Júnior pela parceria no trabalho. Ao Prof. . Maria do Carmo Carrasco pela leitura criteriosa e revisão do trabalho de acordo com as Normas da ABNT. À Dra. Sônia Pizarro pela leitura crítica deste trabalho.AGRADECIMENTOS À Dra. Ely Cristina Alves de Lima sempre solícita a esclarecer nossas dúvidas durante todo o Curso de Especialização em Direito Público da ESA. À tradutora Helena Sofia Delgado pela contribuição.

as leis.] Ignoro como andaram as coisas na ordem dos tempos. . mas na ordem natural devíamos pensar que. Dicionário Filosófico. Voltaire..“Por que fenômeno um homem pode se transformar em patrão de outro homem e por que espécie de magia incompreensível foi possível se transformar em patrão de inúmeros outros homens? [.. nascendo os homens todos em estado de igualdade. a violência e a astúcia criaram os primeiros patrões. os mais recentes”.

o psicológico e o de Direito. Com base em textos teóricos. Palavras-chave: Assédio moral. serviço público. Em continuidade.RESUMO O trabalho consiste em versar sobre o assédio moral no serviço público. o histórico. inicialmente se procurou levantar alguns aspectos do tema: o aspecto sociológico. desenvolveu-se a relação entre o assédio moral e o serviço público na área da saúde. área da saúde. construindo-se um modo de percepção e conseqüente configuração do problema. Para tanto. procurou-se explicitar certos traços da realização do ato do assédio moral. com ênfase na área da saúde. . para mais bem o combater.

ABSTRACT This monographic study aims at analyzing the bulling in public service with emphasis on health. Then. public service health. . the psychological and the rule of law. by pointing the issue in order to find out the best way to solve it. Keywords: Harassment. we have tried to explain certain features of the bulling act. it illustrates the relationship between bullying and public service in health. Therefore. Based on theoretical texts. initially it looks for some of its aspects as the sociological. the historical.

..................................... 26 Quadro 2 .......................... 27 ........Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral ..........LISTA DE QUADROS Quadro 1 ..........Tipos de assediadores ........................

.................................. 2............................................................................................. 4 ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO .... 4..... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .. 3................................................ ANEXO ................................................... CONSIDERAÇÕES FINAIS ............ 1...................................... 2......................................1 Assédio Moral no serviço público ..................................................................1 Introdução ao problema ................................................................................................... 3............SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............3 Impessoalidade e imparcialidade no serviço público ........................2 Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil ...................................................... 3........................... 1........ JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS SOBRE O ASSÉDIO MORAL ...............................................................................3 Que se pode entender sobre Assédio Moral? ....... 42 42 45 49 53 53 57 62 66 71 12 13 14 17 31 35 35 36 38 ............................. 1.......................... 1......................................................................................................... 10 1 ASSÉDIO MORAL .................... 2................................2 Os conflitos do serviço público no Brasil ..........................1.....................................................1 Assédio Moral na área da saúde pública ............. 2 O SERVIÇO PÚBLICO ........ 4.............................................................................................. 3 ASPECTOS LEGAIS.........4 Tipos de Assédio Moral ......................1 Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral .....2 Decisões judiciais sobre o Assédio Moral ...3 A especificidade das relações de trabalho no campo estatal .............1 Breve história do serviço público no Brasil ........

status social. lutar incansavelmente contra o trabalho escravo e outras posturas coloniais ligadas ao trabalho e. ou mesmo desemprego e uma informalidade crescente nas relações de trabalho. Existem julgados que envolvem servidores públicos. em particular o servidor da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. no entanto. no entanto. idade. raça/etnia. os conselhos de fiscalização profissional. orientação sexual. Faz-se necessário avaliar se há diferenças nas variáveis sexo. ao mesmo tempo. as câmaras municipais. função. as assembléias legislativas. muito em função da difícil caracterização e comprovação do fenômeno segundo os critérios utilizados na doutrina. Em um Estado e em um país nos quais existem pessoas sujeitas a condição de trabalho análoga à da escravidão. Assim. entre outros fatores. a fim de agir de maneira pontual e sensibilizar para o fenômeno do assédio moral os conselhos de saúde. Trata-se de área em que o trabalho é particularmente tenso. é que pari passu deva a sociedade combater sem trégua as diversas ilegalidades. administrativo e jurídico sobre a matéria. mas ainda nos parece distante a possibilidade de . as estratégias Mais bem escondidas no corpo social” Michel Foucault Não existem dados fidedignos sobre assédio moral exercido sobre o servidor público. possivelmente. Trata-se. o federal e o do trabalho. psicológico. contra o assédio moral. trabalho infantil. a intenção deste trabalho é trazer a problemática a lume para que sejam realizados outros trabalhos de cunho sociológico. No serviço público e especialmente na área da saúde. Nosso entendimento. dissertar sobre assédio moral parece irrelevante. O tema é amplo e pouco estudado no serviço público do ponto de vista teórico. os sindicatos. é cediça a prática do assédio moral. grau de escolaridade. em função do seu objeto e das relações interpessoais próprias ao serviço público. profissão.10 INTRODUÇÃO “As relações de poder são. o Ministério Público estadual. estado civil. de julgados que não reconhecem o assédio moral ou entendem que determinado procedimento não seja assédio moral.

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trazer o tema à baila para discussão e enfrentamento, em função da baixa sensibilidade para o tema, do baixo nível de percepção do funcionalismo público em geral e, muitas vezes, das desfavoráveis características das relações de trabalho, precipuamente certo amadorismo das gerenciais, chefias e diretorias.

Nascimento (2004) traz alarmantes dados estatísticos sobre o assédio moral relacionados à União Européia, discriminadamente a França, e à Grã Bretanha. Menciona a pesquisadora que “[...] em pesquisa realizada no Brasil com um universo de 4.718 profissionais ouvidos em todo o território, 68% deles afirmaram sofrer algum tipo de humilhação várias vezes por semana, sendo que a maioria dos entrevistados (66%) disseram ter sido intimidados por seus respectivos superiores”.

Ainda que não disponhamos de consistentes dados estatísticos estaduais e nacionais, a atenção que demos ao tema é justificada pela incipiente proteção dirigida ao trabalhador contra o assédio moral, problema abrangente, tanto que estende suas raízes às esferas social, econômica, cultural e organizacional. O método de pesquisa adotado foi consulta à bibliografia técnica – teses, dissertações, livros, legislação – e à bibliografia de divulgação do assunto – jornais, revistas e sites.

Foi necessário demarcar os limites do estudo, tendo em vista a ampla bibliografia sobre o tema assédio moral, muito embora seja pouca na área da saúde. A característica deste Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização na Escola Superior de Advocacia também limita em tempo e em extensão a abordagem do tema, complexo e profundo.

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1 O ASSÉDIO MORAL

1.1 Introdução ao problema

O assédio moral ou agressão psicológica é um fato social que ocorre no meio social, familiar, estudantil e, mais intensamente, no ambiente de trabalho, abrangendo tanto o setor privado quanto a Administração Pública, e, embora na atualidade tenha atraído estudos no campo da Psicologia, Sociologia, Medicina do Trabalho e do Direito, tem origem na organização do trabalho, considerada a relação domínio-submissão entre o capital e força do trabalho. (BATALHA, 2009)

Schmidt (2001) menciona que o assédio moral foi, de maneira inédita, objeto de pesquisa, em 1996, na Suécia, do psicólogo do trabalho Heyns Leymann, que, por meio de levantamento junto a vários grupos de profissionais, chegou ao processo que qualificou de psicoterror, cunhando o termo mobbing (derivado de mob, que significa “horda”, “bando” ou “plebe”), em função d a similaridade entre tal conduta e um ataque rústico, grosseiro.

Em seu trabalho Schmidt (2001), menciona que o assédio moral tem várias denominações: na França é harcèlement moral, mobbing na Itália, na Alemanha e nos países escandinavos, bullying na Austrália e na Grã Bretanha; emotional abuse ou mistreatment nos Estados Unidos.

Dois anos após, Marie-France Hirigoyen, psiquiatra e psicanalista de grande experiência como psicoterapeuta familiar, popularizou o termo por meio do livro Lê Harcèlement moral: la violence perverse au quotidien, um best-seller que ocasionou a abertura de inúmeros debates sobre o tema, tanto na organização do trabalho como na estrutura familiar. A sociedade atual vive em um sistema em que a “racionalidade instrumental” se sobrepõe à “racionalidade comunicativa” (para usarmos a expressão de Habermas em Teoría de la Acción comunicativa: crítica de la razón

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funcionalista), o que gera distorção comunicacional; a violência torna-se resposta a sistema desumano e não pode ser considerada mero mecanismo individual. Em outras palavras, nesse processo a violência passa a ser perversão da perversão, ou seja, armadilha motivada pela crueldade do sistema.

O assédio moral geralmente nasce com pouca intensidade, como algo inofensivo, pois as pessoas tendem a relevar os ataques, considerando-os brincadeira; depois, propaga-se com força, e a vítima passa a ser alvo de maior número de humilhações e de brincadeiras de mau-gosto.

Isso talvez ocorra justamente porque as vítimas temem denunciar formalmente, com medo do “revide” que poderia ser a demissão ou o rebaixamento de cargo, por exemplo; além disso, denúncias tornariam público o processo de humilhação, o que deixaria as vítimas ainda mais constrangidas e envergonhadas. Assim, o medo (de caráter mais objetivo) e a vergonha (mais subjetiva, porém de conseqüências devastadoras) unem-se, acobertando a covardia dos ataques.

Embora seus agressores tentem desqualificá-las, normalmente as vítimas não são pessoas doentes ou frágeis. São pessoas portadoras de forte senso crítico personalidade transparente e sincera, que se posicionam, algumas vezes, questionando privilégios, e não têm grande talento para o fingimento e para a dramaturgia. Tornam-se alvos das agressões justamente por não se deixar dominar, por não se curvar à autoridade de um supervisor sem nenhum questionamento a respeito do acerto das determinações.

Em nosso meio, na área da saúde no setor público, é muito freqüente o assédio moral, muito embora faltem dados tanto de pesquisas quanto de julgados que mensurem o problema.

. bem como a influência da cultura nacional na sua forma de gerir as pessoas”.2. Dessa forma. na casa-grande e na senzala. Segundo Thome (2008) o estudo de Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. intrinsecamente.14 1. da permissividade de agressões no local de trabalho e também da impunidade para atitudes dessa natureza. é extremamente relevante. além de refletir o autoritarismo e a forte hierarquização das organizações atuais. fortalecido pelo coronelismo e solidificado pela gerência empresarial. menciona Durães (2007). Sérgio Buarque. com essa. No caso do assédio moral.. as raízes culturais brasileiras.] o resultado do abuso de poder. O que é novo é a gravidade. no capítulo “Fronteiras da Europa”. quase todos os trabalhadores parecem correr riscos de ser seriamente assediados em suas carreiras. moral no outros fatores O direito influenciam sempre a foi. Em Raízes do Brasil. 2008). porque o identifica as origens. Existe há muito tempo em todo o mundo. acrescentando-se “os traços típicos e característicos da cultura brasileira não estão distantes do cotidiano organizacional: o estilo paternalista e autoritário de administrar foi gerado no engenho. uma retroalimentação constante. especificamente a ibérica. influenciaram no desenvolvimento do modo como o assédio é praticado no Brasil. de despersonalização. Raízes culturais do Assédio Moral no Brasil O assédio moral não é um tema novo. A cultura ibérica. A violência moral no trabalho não é novidade. toma como base de sua afirmação o fato de ter sido transportada para o Brasil a cultura européia. trabalho. características e motivos da falta de coesão social nos movimentos brasileiros e da repulsa a todas as modalidades de racionalização e. a maioria das pessoas poderia acreditar que trabalharia durante os anos necessários à sua aposentadoria sem um incidente sério de assédio moral. a generalização e a trivialização do problema. tendo. Há vinte anos. por conseguinte. Além consubstanciação dos do aspectos assédio econômicos. ao contrário. zona de . ligado à cultura. conforme Aguiar (apud Thome. o assédio moral é [. talvez pelo próprio dinamismo imprimido pelas mudanças sociais. talvez mais de uma vez. tais ligações são nítidas. Hoje. porém recentemente passou a despertar grande interesse entre os autores. também.

O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor exclusiva de qualquer esforço. e até mais nobilitante. como legitimação às fortes críticas que Sérgio Buarque fazia aos tradicionais europeístas.. em verdade. sobre os quais se firmasse permanentemente seu predomínio. também. de Marinetti. o resto foi matéria que se sujeitou mal ou bem a essa forma” As idéias de Raízes do Brasil servem. Sérgio Buarque afirma. assimilar muitos de seus princípios [. a moral do trabalho sempre representou fruto exótico”.15 transição que se adiantou à Europa no final do século XV. citado por Thome (2008) conclui que: “podemos dizer que de lá [tradição ibérica] nos veio a forma atual de nossa cultura. já que “entre espanhóis e portugueses. como teria o Brasil maior coesão social. se foram essas tradições o que originou as características sociais brasileiras? Fortemente influenciado pelos movimentos modernistas brasileiros e pelo “Manifesto Futurista”... não teve grandes problemas em assimilar a passagem da Idade Média para a Idade Moderna. pois “uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente. a cultura ibérica não aderiu por completo às idéias do livre-arbítrio. porque.]” e que “essa modificação vem pôr abaixo também a visão fidalga que os brasileiros tinham do trabalho manual” . incute nas relações antes orientadas pelo difuso emocionalismo brasileiro o padrão da produtividade. “a burguesia mercantil não precisou adotar u m modo de agir e pensar absolutamente novo. de qualquer preocupação”. ou a um espanhol. retornando às origens portuguesas. a um bom português. Ora. da importância do trabalho. Princípios como hierarquia e obediência nunca tiveram presença constante na cultura ibérica. que pretendiam formar um Brasil melhor. Procurou. Dessa forma. antes de associar-se às antigas classes dirigentes. que “a fase atual da sociedade exige uma hierarquização de postos na máquina produtiva que eclipsa as relações pessoais. quando da retomada das tradições ibéricas. Sérgio Buarque. da impessoalidade das relações entre empregados e patrões [.. apegada à tradição. do que a luta insana pelo pão de cada dia.]”. após a publicação de Raízes do Brasil. ou instituir uma nova escala de valores.

tanto no que concerne à falta de coesão da sociedade brasileira quanto no que se refere à motivação histórico-cultural. „tornando inevitável um sentimento de irresponsabilidade. De fato. Não raro esse procedimento. [. aceitando como condição normal de trabalho todo tipo de maus-tratos. A título de comparação entre possíveis tipos de assédio. o formalismo. e de outro. que situa o próprio discurso em momento anterior da história brasileira. índios e negros foram sistematicamente assediados.16 Conforme continua Thome (2008). da parte dos que dirigem. Segundo Heloani (2004). mormente nos casos de pequenas empresas e das relações domésticas. condicionadas bilateralmente – de um lado pela monocultura latifundiária (o cultivo de cana-de-açúcar) no que diz respeito ao sistema de produção econômica. ou seja. cultural e econômica para impingir-lhes sua visão de mundo. constranger-se uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo a manter qualquer tipo de prática sexual sem que essa verdadeiramente o deseje. a flexibilidade e a impunidade. nos dias atuais.. as armas utilizadas por muitos empregadores assediadores são o afeto e a violência‟” Como afirma Aguiar 1. o personalismo. a exacerbação da impessoalidade do trabalho. [.] como legado da exploração da mão-de-obra escrava.. quando afirma que. ou melhor. No Brasil colônia. Se. essa relação senhorial ainda pode ser visivelmente notada. sua religião. ainda que tenha havido um movimento de moralização da sociedade. o evitamento de conflitos. como relatado por André Luiz Sousa Aguiar. por um lado. seus costumes. constrangedor sob vários aspectos. julgavam-se superiores e aproveitavam-se dessa suposta superioridade militar. tal como os senhores escravocratas. que se caracterizava pela escassez de mulheres brancas na colônia. as relações entre brancos e “raças de cor” foram. causou distorções terríveis nas relações de trabalho. em sua obra clássica Casa-grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. vinha 2 acompanhado de um outro que hoje denominamos assédio sexual . as relações de trabalho em nosso país são impregnadas pela falsa idéia de que o subalterno é obrigado a se submeter a uma forte depreciação enquanto ser humano. pelo sistema sócio-familiar de cunho patriarcal. no Brasil. pela vida dos trabalhadores manuais e. a lealdade às pessoas.] pode-se apontar. as idéias de Gilberto Freire. não se pode negar que. humilhados por colonizadores que. da extorsão praticada contra imigrantes assalariados e da prática abusiva aplicada à classe operária no início da industrialização. de certa forma. a postura de espectador.. em suma. veja-se o Anexo III sobre quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral. Essa 1 2 Idem.. . como características típicas da cultura brasileira a concentração de poder.

conceitua o assédio moral como: Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos.3. até a fase de destruição moral (psicoterror). palavras.17 monocultura açucareira acabou impossibilitando a existência de uma policultura e de uma pecuária que pudessem se instalar ao redor dos engenhos. quando trata das relações de trabalho públicas e privadas. escritos que possam trazer dano à personalidade. já que não podiam ser demitidos em razão de direito adquirido. nem subjetivo. . e a casa-grande adquiriu características essencialmente feudais – senhores de engenho. inclusive. de Marie-France Hirigoyen (2002). nem objetivo. sem atribuição. evoluindo para as “manobras perversas”. pode-se fazer avançar o discurso para os dias atuais. gestos. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. atos. do alto de suas moradias. Em um movimento dialético. inclusive. para suprir-lhes. 2) 1. ter a conivência da empresa ou de dirigentes do serviço público. sendo pagos para não trabalharem. é o abuso de poder do superior hierárquico que esmaga seus subordinados com o poder. segundo leciona Hirigoyen (2002). 2). à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. as carências alimentares. e evocando as palavras de Batalha (2009): Constitui marco na história recente da República o assédio moral coletivo capitaneado por Fernando Collor. Ocorreu o fato em 1989. em sua maior parte patriarcas e devassos. Leitura obrigatória sobre a matéria é o texto Assédio Moral: a violência perversa do cotidiano. Não houve critério algum a ação [do presidente]. A criação de gado deslocou-se para o sertão. e a casa-grande adquiriu características alimentares. re-situando-o no estado da problemática. O ponto de partida do assédio moral. A criação de gado deslocou-se para o sertão. com mão-de-ferro” (p. lavradores e agregados. “meio de um pequeno chefe valorizar-se”. que dominavam. o pseudo-caçador de marajás. Que se pode entender por Assédio Moral? Existem vários conceitos sobre assédio moral. que levou milhares de servidores à disponibilidade contando com apenas 30% da remuneração. que se omitem. sendo apenas declarado nos bastidores que o „critério‟ era banir os indesejáveis (p. que pode. escravos.

que constroem as esferas de socialização ou de dessocialização. (org. Por um lado. dos gestos e comportamentos que formam a sociedade. por um lado. em poucas palavras. na ordem racional. por aqueles que estão a um passo de perder a legitimidade de seu poder. Noutras palavras. 29. ao contrário. J. o fenômeno do assédio é constante. quiçá. ou deveria ser. o assédio é destruidor do laço social. portanto. o assédio é socialmente desorganizador e. incertezas jurídicas. abrindo-se. 4 Ibid. por aqueles cuja força de imposição está prestes a se desfazer.18 A existência de comportamentos assediantes em um indivíduo revela mais sobre o seu ambiente do que sobre ele mesmo ou sobre aquele que é seu objeto.3 O assédio não provoca exclusivamente um face a face. p. portanto. é promotor da solidariedade civil. O assédio faz parte. todo assédio é forma indireta de questionamento de poder. promotor de certa ordem de reorganização social e restabelecimento dos vínculos sociais. testemunhas silenciosas ou coniventes com o fenômeno e atores implícitos ou explícitos da dominação ou de seu agravamento. no plano político. 2006. não existe conquista ou defesa dos direitos e liberdades sem a expressão de exigências e ações de resistência em relação às instituições de poder. 28. de perturbações e desordens no interior de uma relação social. desestruturador. no entanto. . impede-lhe o desenvolvimento.). Mais amplamente do que as relações interpessoais.4 No campo delimitado das relações interindividuais. et al. por aqueles que. usando imprudentemente da força para se impor 3 SEIXAS. mediante a solidariedade. para a observação crítica: a política do assédio é essencialmente conduzida pelos "dominantes fragilizados". Não existe assédio individual de um sobre o outro sem a cumplicidade dos outros. por outro lado é. p. de perda de confiança na estabilidade das instituições. considerações sociais. por outro. inscreve-se em um espaço social e político que lhe possibilita os meios de desenvolvimento ou. Uberlândia: EDUFU. se. Assédio Moral: desafios políticos.

e também aquele. por aqueles que temem perder o poder de que dispõem. homens e mulheres. assumem atitude inflexível. militantes de associações de defesa dos direitos dos povos ou de proteção dos direitos do homem – de todos os direitos do homem e não apenas de alguns ou de alguns poucos em um único sentido 6 – professores. p.. mentiras institucionais. o assediado. rebelde. professores universitários. O intuito do assédio é. insolente. infelizmente „ democratizou-se‟ no mau sentido. Segundo Heloani (2004): Observa-se que em épocas passadas. 30. enfermeiros. para o assediador. o assédio moral se dava basicamente com o peão. muitas vezes bastante qualificados. farmacêuticos. e dá visibilidade à sua dominação. igualmente. juízes. por meio de quem o assediador confere sentido a suas próprias capacidades. abrange todas as classes. artistas. São estas mesmas técnicas as empregadas contra jornalistas. acusações reiteradas ao encontro daqueles que usam sua liberdade de expressão e de ação ou que se recusam a obedecer às codificações comportamentais oriundas de pressões sociais conformistas. de atos de difamação sistemáticas [ sic]. desembargadores. o serviçal sem maiores qualificações. em face de contestações e oposições. Acrescem-se a esse rol advogados. trabalhadores ou empregados.19 aos outros. Diz Seixas (2006): Vale-se o assediador. Hoje. também são atingidos por esse fenômeno. 5 Esse ataque é uma defesa que usa de todos os meios contra aquele "agitador". O assédio tem geralmente por objeto o indivíduo que constitui a fonte potencial do questionamento do poder que o assediador detém. mais simbólico ou imaginário que seja ele. médicos. por mais limitado. a suas próprias aptidões. indisciplinado. negar-lhe a autonomia e provocar o deslocamento de seu meio 5 6 Ibid. cineastas. passando pelos apartes difamadores e a difusão de rumores caluniosos. médicos e funcionários de funções diversas. no Brasil. espírito livre. . de falsas confidências destiladas de má fé. cidadãos. em resumo. obstruir a independência do outro. entre outros. políticos. em virtude de sua vulnerabilidade ou de eventual antipatia. podendo ir do insulto à difamação.

7 Há. Segundo tal legislação. No Brasil há dificuldade de comprovar o assédio moral quando ele tem aparência sutil. segundo Ravisy (2002 apud HAROCHE. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro profissional. configurando-se situações específicas em diferentes formações históricas e sociais. 2006. gestos.20 social. certo ostracismo – que podem ser traduzidos em normas que atuarão sobre as condutas. quando há uma hostilidade difusa. tendo-se em vista as transformações da sociedade e da conjuntura política e administrativa. ironia. . a lei francesa entende por hostilidade difusa "manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo e efeito uma degradação das condições de trabalho passíveis de ferir os seus [da pessoa] direitos e a sua dignidade.36. p. em última instância. Em breve incursão no Direito Comparado. 7 8 SEIXAS. No entanto a justiça e a legislação brasileira são aliadas do assediado se bem aplicadas em determinados casos.33. in SEIXAS. reservas.8 Esses códigos tendem a especificar comportamentos. alterar sua saúde física ou mental ou comprometer seu futuro ”. verifica-se que na legislação trabalhista francesa se menciona que “é da alçada do chefe da empresa tomar todas as providências necessárias tendo em vista prevenir [estas] manobras”. múltiplos códigos de comportamento – atitudes. particularmente nos locais de trabalho.. Por sua vez. p. ou apenas suscitam. 37). p. hostilidade difusa composta por reticências. Id. 2006. diferentes locais de atuação. a intenção é provocar a destruição de toda forma de solidariedade social. humilhações e ultrajes. "Nenhum assalariado deve sofrer manobras repetidas de assédio moral que têm por objetivo ou efeito uma degradação das condições de trabalho passível de atingir seus direitos ou sua dignidade. ofensas.”. sarcasmo. sentimentos que provocam. que sofreram mudanças no decorrer do tempo. olhares e expressões do rosto.

A impossibilidade de demitir-se sob pena de perder seus direitos sociais barra a descarga sensório-motora. a vergonha de ser vulnerável. Paralelamente. condições de „levar em conta as manifestações mais prudent es e mais sensíveis da agressão humana‟ 10. o aparelho psíquico só pode se afrontar a [sic] uma situação excessiva fonte de excitação graças a duas grandes vias de expressão: o pensamento. de ser insultado impede o assediado de tomar medidas para mitigar ou mesmo acabar com o problema. quando a autora menciona: [. in SEIXAS. Id. por exemplo. que deve ser levada em consideração relativamente ao tratamento da questão do assédio. p. Com efeito. Freud. Freud exprimiu um profundo pessimismo quando. . 1981 apud HAROCHE. 2006. forçoso admitir o excessivo cerceamento a que são submetidos os indivíduos pertencente às sociedades altamente regulamentadas. se a lei „buscava impedir os excessos mais grosseiros da violência bruta dando a si mesma o 9 direito de usar de violência contra os criminosos‟ . Numa situação de assédio. afirmou que. a francesa sejam desvantajosos para o Brasil – no sentido de considerar positivo o alto grau de normatização de uma sociedade –. Em interessante trabalho de Marie-Grenier Pezè (2004).41. privada. o movimento. (1981 apud HAROCHE.] A subordinação própria à definição jurídica de contrato de trabalho prende o assalariado numa toxicidade contextual experimental. os vexames e as injuções paradoxais têm valor de destruição psíquica e suspendem todo trabalho do pensamento. 2006): No início dos anos 1930. O impasse criado nestas 9 10 FREUD. ao estabelecimento e desenvolvimento de um aparato regulamentador.21 Se.p. que permite trabalhar o „excesso‟ intrapsíquico. se pode entender que o relativo descompasso e a diferença de aplicação entre a atual legislação brasileira e. in SEIXAS.. por um lado. é. em sua reflexão sobre o mal-estar na civilização. que descarrega o corpo do excesso de tensão. ela não possuía. A vergonha de ser fraco. a repetição das humilhações aos novatos. convencido do caráter fundador da lei nas sociedades humanas. aparecem alguns conceitos que poderiam ser aplicados ao trabalho no setor público. 2006)..41. no entanto.. por outro lado. Diz Haroche (in SEIXAS. porém. há a questão individual.

que se dissemina como verdadeira peste nas instituições. embora o setor de RH. por razões de produtividade e de equilíbrio orçamentário das empresas. Entre esses. salientando-se amplamente as que se devem a motivos psiquiátricos. conduzindo de maneira quase inapelável à sua destruição na instituição. a auto-estima da personagem afetada se esvazia pouco a pouco. O assédio moral. segundo Haroche (in SEIXAS. as licenças de trabalho por motivos de saúde são bastante comuns. como figura de mediação. silenciamento da solidariedade11. Nesse contexto. como ortopédicos e outros que não toquem a questão laboral.22 duas grandes vias de escoamento das excitações traumáticas convoca fatalmente a ruína depressiva e a via somática mais ou menos a longo termo. No setor público existem perdas de privilégios. 2006). que é poroso. ao isolamento do indivíduo em formas extremas de individualismo que implicam em [sic] uma grande violência psíquica. Há que se considerar também o medo. . no que tange à possibilidade de perda de emprego. Haroche (in SEIXAS. A segurança das pessoas nos postos de trabalho não tem mais salvaguardas jurídicas consistentes. à vulnerabilidade. realimentando no imaginário as idéias da trama diabólica e da "conspiração". Com isso. as depressões e os quadros psicossomáticos certamente são dominantes. o caráter contingente e efêmero que conduz à precarização. é sorrateiro e progressivo. ou dificuldade de ascensão na carreira. É evidente que as licenças psiquiátricas reforçam ainda mais a experiência de destruição social da personagem afetada. muitas vezes deixe vazar a informação sobre a real patologia do assediado. o Estado. posição que ocupava no espaço social da modernidade e por meio da qual oferecia formas de proteção para 11 No serviço público paulista as pessoas preferem dizer que estão com problemas de outra ordem. confirmando a posteriori a desconfiança dos superiores e dos colegas sobre a credibilidade e a competência funcional desta. 2006) afirma que: As qualidades e comportamentos exigidos dos indivíduos na esfera do trabalho nas sociedades contemporâneas fornecem as razões pelas quais o assédio irrompeu hoje com tal intensidade: a flexibilidade. ostracismo. já que podem ser cortadas de seus empregos a qualquer momento.

de exclusão. É também por causa disso que os demais subalternos se aliam ao chefe e não ao colega assediado. de crise de vigilância..] Uma organização não é neurótica. num evidente abuso de poder. pronta a oferecer corpo e alma para o trabalho. as relações de violência.. 2006. O sistema empresarial suscita um modelo de personalidade narcisista. tem o seu reverso: a angústia da perda do objeto. 2006) defende que: A percepção de que o assédio possa ser uma estratégia de poder de mão dupla.23 os cidadãos. preferem associar-se ao superior para manter o seu lugar institucional e não ser assim excluídos definitivamente também do espaço social. paranóicos ou perversos. pronta a tudo para vencer. o assédio não é obra de uma pessoa particular. O gozo do poder. agressiva. pragmática. No entanto. a angústia de não estar à altura daquilo que a empresa exige. seu mecanismo de funcionamento pode suscitar nos empregados comportamentos neuróticos. p. leva-me a propor aqui uma reflexão sobre um tipo de assédio que se caracteriza como uma determinada relação de sedução entre desiguais. insensível. É a perda de poder de mediação o que permite que os superiores de uma empresa se autorizem a fazer o que querem e bem entendem com os subalternos. [. [§] A noção de assédio moral tende a focalizar o problema sobre o comportamento das pessoas. Daí. a tensão permanente para estar à altura das exigências. segura de si. (grifo nosso) Magalhães (in SEIXAS.] Na maioria dos casos. em vez de focar os processos que os geram.. Ela pode. centrada mais sobre a ação do que sobre a reflexão. operacionalizar modos de administração que favoreçam o assédio. Segundo Gaulejac (in SEIXAS. isto é. mas de uma situação de conjunto. o sentimento de nunca estar fazendo o suficiente. [. por . começa a ser ostensivamente desconstruído. não podendo mais acreditar e confiar na mediação do Estado para limitar efetivamente tal abuso de poder. nem paranóica. O contexto suscita uma pressão contínua. já que. particularmente.. angústia arcaica que revela o medo de perder o amor do ser amado. nem perversa.79). todavia.

deve existir verdadeiro abuso de autoridade. o seguinte silogismo é apresentado por Nelly Ferreira (in SEIXAS.24 certo. por propiciar vantagens recíprocas.83) Nota-se que no assédio moral. mesmo persistente. de infração. e para isso deve exercer determinada pressão. que viabilize o assédio moral –. mas que pode vir a ser. em si mesmo. ele volta o interesse para outras atividades. nem lhe sendo solicitado nada. por sua vez. então o Estado dispõe conseqüentemente de métodos de assédio. da sua identidade de potência dominadora. e o Estado é. esse distanciamento do problema e da instituição lhe propicia ser transferido ou posto à disposição de autoridade superior. Não se pode olvidar que é prerrogativa do administrador público manter um andamento no trabalho. Assediar é realizar uma ação que guarde a conotação de ilegalidade. (grifo nosso) Embora problematizado pela própria autora. consentida. (p. 2006): Se o assédio é manifestação de todo poder de dominação. não raro o assediado se beneficia do processo de assédio: não lhe sendo delegada nenhuma atividade.108) Nesse sentido é que instrumentos de assédio moral no serviço público são mais institucionalizados. uma ação de humilhação do outro. permitindo que haja uma política discricionária e permissiva. (p. dos processos e da hierarquia no serviço público. distanciando-se da instituição e perdendo o vínculo. ainda que mais ou menos incessante. Estes fariam parte da sua natureza. pois a malha de proteção do funcionário é mais tênue – uma vez o executivo é na teoria controlado pelo legislativo. sublimando o sofrimento. deixando-o na “geladeira”. e os mecanismos de assédio são produtos da estrutura. um poder de dominação. embora tal controle seja pífio. constituíram assim um critério do poder de dominação. dada a situação de isolamento em que o alvo do assédio se encontra inclusive. Os sindicatos exercem importante atuação no avanço da . João (2006) menciona que as normas coletivas de diversas categorias profissionais apresentam cláusulas que visam à prevenção ou à denúncia de práticas de assédio moral. pois qualquer pressão. não constitui automaticamente ato de assédio.

Quadro 1 . do funcionalismo público é muito mais forte a situação de assédio moral. (Seminário Antonio Mentor. Humilha com cautela.] uma lei no âmbito municipal [.] que prevê [.. Osksana Maria Dziura Boldo..] escala punitiva. Existem vários tipos de assediadores... da representação ao sindicato. consolidação do sindicato. mas ainda não tem se mostrado muito eficaz porque as pessoas têm ainda receio. violento e perverso em palavras e atos.25 proteção do trabalhador. são seus superiores. portanto.. reservadamente. Em seminário realizado em 2006. muito mais contundente e muito mais difícil de esse revelar.. membro do Ministério Público do Trabalho. defendendo a atuação do sindicato e a interação entre o trabalhador e o sindicato na consecução da mitigação do assédio moral no serviço público. . já se falando em serial bully. porque é no exercício normal das prerrogativas patronais que o assédio se manifesta mais freqüentemente. contudo. vir em auxílio do trabalhador.]. as pessoas preferem se fechar. mas recebe desde que ele consiga a prova. Esse autor menciona também que o assediador seria uma pessoa incapaz de viver sem um alvo. A obrigação de executar o contrato de trabalho de boa-fé pode. quando existem. a Sra.Tipos de assediadores. As testemunhas... mais do que numa empresa privada. o problema é ele conseguir a prova. Exemplo de tal manifestação de assédio é transferir o funcionário de local de trabalho com o intuito de desestabilizar o empregado.. do apoio que o trabalhador deve dar ao sindicato para fortalecimento dele para que ele possa dar o retorno ao trabalhador [.Bull Sua missão é enxugar a máquina demitindo indiscriminadamente os trabalhadores (as). Trata-se de caso de abuso de direito sutil e. se guardar. do trabalhador revelar e do trabalhador receber a justa reparação pelo dano que ele sofre. 2006) Schmidt (2001) menciona que o assédio moral pode ser também visto pelo ângulo do abuso de direito do empregador de exercer seu poder diretivo ou disciplinar.] existe [. por isso da união. Profeta Pit.. em especial por atender as especificidades das categorias profissionais e econômicas.. disse que: [. mais difícil de demonstrar. apresentados de forma bem-humorada no quadro 1..] que [. no âmbito público. mostrando sua habilidade em „esmagar‟ elegantemente É o chefe agressivo. já que se impõe a ambas as partes ligadas por uma relação de trabalho.

responsabiliza a “incompetência” dos seus subordinados. entretanto. procedendo-se a uma exaustiva discussão sobre o problema particular de cada município antes da promulgação da lei. Nascimento (2009) compilou leis de vários municípios e realizou um cotejo sobre os conteúdos nelas presentes. para rebaixálo. por exemplo. colhe os louros. no Anexo II . Se algum projeto é elogiado pelos superiores. mantendo-se o devido sigilo: está-se propondo. deve-se construir um modus operandi também adequado a cada caso. Veja-se. No campo legislativo.F. Fonte: SCHMIDT.26 Troglodita Tigrão Mala –babão Grande irmão Garganta Tasea (“Tá se achando”) Demite friamente e humilha por prazer É o chefe brusco. já existem previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho que envolvem o serviço público. mas vive contanto vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. grotesco. Acrescente-se que. aqui. Aqui se defende. Na primeira “oportunidade”. indiscriminadamente tratado. 2001. que a prática adequada seria dar atenção à peculiaridade de cada município no que se refere ao assédio moral. Esconde seu conhecimento com ordens contraditórias: começa projetos novos.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público.M. que há . Em caso contrário. colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferiores à sua função Confuso e inseguro. além da necessidade de especificidade. Submete-o a situações vexatórias. independentemente se intra ou extramuros. utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador. Seu tipo é> “eu mando e você obedece” Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista a seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos Aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. demiti-lo ou exigir produtividade É o chefe que não conhece bem o seu trabalho. para no dia seguinte modificá-los. afastá-lo do grupo. Sempre está com a razão. verificou que se trata do mesmo conceito. É uma espécie de capataz moderno Aproxima-se dos trabalhadores (as) e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um.H. como. M. Exige relatórios diários que não serão utilizados. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. Persegue e controla cada um com “mão de ferro”. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar.

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uma carência tanto na adequação de teor das leis, quanto na implementação das mesmas, levando-se em consideração a peculiaridade do objeto da lei.

Na esteira da necessidade da especificidade, cabe observar que existe um tipo de assédio moral incidente sobre um grupo de assediados, ou seja, o assédio moral pode ser coletivo, conforme menciona Batalha (2009); em se tratando de servidores públicos organizados em carreira, se os colegas o assediam moralmente, cabe argüir assédio moral coletivo.

Barreto (2000), em estudo com 2072 trabalhadores de 97 empresas dos setores químico, farmacêutico, de plásticos e similares, de portes variados, dentro da região da grande São Paulo, verificou a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício de sua função, de forma repetitiva, caracterizando uma atitude desumana, violenta e antiética nas relações de trabalho, assédio este realizado por um ou mais chefes contra seu subordinado. Trata-se de estudo sobre um universo específico; pode, no entanto, servir de balizamento para uma aplicação à problemática do assédio moral ao servidor público, uma vez realizados estudos destinados a verificar a aplicabilidade deste quadro 2 quanto aos sinais e sintomas eventualmente presentes no servidor público vítima de assédio moral.
Quadro 2 - Sinais e sintomas oriundos do Assédio Moral.

Sintomas Crises de choro Dores generalizadas Palpitações, tremores Sentimento de inutilidade Insônia ou sonolência excessiva Depressão Diminuição da libido Sede de vingança Aumento da pressão arterial Dor de cabeça Distúrbios digestivos Tonturas Idéia de suicídio Falta de apetite Falta de ar

Mulheres 100 80 80 72 69,6 60 60 50 40 40 40 22,3 16,2 13,6 10

Homens 80 40 40 63,6 70 15 100 51,6 33,2 15 3,2 100 2,1 30

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Passa a beber Tentativa de suicídio
Fonte: BATALHA, L.R., 2009.

5 -

63 18,3

Segundo Heloani (2004), a maioria das pesquisas aponta que as mulheres são, estatisticamente, as maiores vítimas do assédio moral. Também são elas as que mais procuram ajuda médica ou psicológica e, não raro, no seu próprio grupo de trabalho, verbalizando suas queixas, pedindo ajuda.

Em relação aos trabalhadores, Schmidt (2001) menciona que, em pesquisas realizadas na França, com 153 médicos da região de Poitou-Charentes, 95% responderam que já tiveram conhecimento, ao menos uma vez, de um caso de assédio moral. Os médicos avaliam que essas situações são pouco freqüentes em 63,5% dos casos e freqüentes em 21% dos casos. As situações consideradas graves ou muito graves representam 75% das respostas. De outro lado, em 82 dos casos assinalados, os médicos diagnosticaram incapacidade (em metade dos casos, temporária, e em outra metade, definitiva) e 65% dos médicos pensam que a situações aparentes de assédio moral estão em progressão nos últimos anos. Santos (2008) veicula a seguinte contribuição estatística: “Pesquisas foram realizadas pelas Universidades de Estocolmo, na Suécia, e Alcalá, na Espanha indicando que 27% (Estocolmo) e 16,39% (Alcalá) dos entrevistados admitiam a redução da eficácia em razão do assédio psicológico.”. Trata-se de dados preocupantes, ainda que se considere que:
O trabalho, hoje, absorve a maior e melhor parte do tempo dos indivíduos, sendo, portanto, um espaço/tempo para a exposição da subjetividade, considerando que o trabalho realizado pelo homem diz respeito a ele mesmo, por expressar suas escolhas, opiniões, características, dentre outras revelações de si explicitadas cotidianamente. [§] [...] [§] Além do contexto da organização do trabalho em si, o sofrimento psíquico, no trabalho, pode ser ainda decorrente da incompatibilidade entre a história individual do sujeito e uma organização de trabalho objetiva, racional e intolerante. O quadro seria a famosa cena do filme de Chaplin, „Tempos Modernos‟: o homem tragado pela engrenagem; percebe-se claramente na metáfora um sistema de nervos, cérebro, sentimento e alma, devorados por um sistema mecânico, racional e desumano, que leva o homem a uma sensação de impotência. [...] [§] [...] [§] O assédio moral é um conceito muito subjetivo. O nível de desrespeito exercido e sofrido é variável de acordo com a percepção individual. É imprescindível considerar a cultura, a história

29 de vida e vários outros aspectos específicos de cada indivíduo. Porém, a constatação de comportamentos abusivos que se mostram muito freqüentes é de suma importância para que se possa entender melhor esse fenômeno. [§] [...] [§] Observa-se que indivíduos que de alguma forma se destacam dentro da organização tornam-se possíveis alvos de assédio moral. Isso pode ocorrer até mesmo com funcionários honestos que reclamam da impunidade, quando percebem que regras não estão sendo cumpridas, ou com sujeitos que tentam cumprir as suas funções da maneira mais competente possível. [...] [...] Comecei a escutar muita reclamação dos pais e mães porque a instituição não funcionava. Então eu pensei em fazer alguma coisa e primeiro eu fui falar com a minha chefe, para saber qual era a posição dela. [...] Eu já senti nela um tom de ameaça quando ela me disse que era assim mesmo, que ali era um serviço público e que se você quiser continuar ali, funciona dessa forma. [sic] (MARTINS, 2009)

Barreto, citada por Batalha (2009), menciona que:
[...] o perfil pessoal da vítima é delineado por uma inteligência, geralmente, um pouco acima da média, uma personalidade altruísta, ingênua, insatisfeita, honesta e consideradora dos valores morais, apegada ao trabalho e à instituição pública, o tipo de pessoa que não tolera injustiça com ninguém.

Apesar das discussões em grandes fóruns sobre o tema, no nível micro, local, vê-se muito pouca discussão sobre o tema e pouca ação no sentido de mitigar o problema. Acrescenta-se o fato de os sindicatos estarem pouco preparados e pouco disponíveis para o enfrentamento da matéria, pois sabem que terão de sair da sonolência na qual grande parte deles está, como se se tratasse de repartição pública, para enfrentar a tensão das discussões com as direções, principalmente no serviço público, onde algumas lideranças estão acomodadas em seus nichos, sem querer sair de suas zonas de conforto.

Um dos fóruns dos quais acima se falou foi a 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, realizada em 2006, que deliberou sobre os itens abaixo, tocantes ao assédio moral:
Item 54. Desenvolver ações no sentido de agilizar a tramitação do Projeto de Lei nº 2.369/03, que trata o assédio moral nas relações de trabalho como ilícito trabalhista e conceitua essa violência, com o objetivo de obter sua aprovação. Item 78. Incluir os impactos psicofísicos na saúde, resultantes do assédio moral, como fator de risco ocupacional, caracterizado como crime, ficando

por conforto ou por medo de perder privilégios ou a tranqüilidade no trabalho. tem um “insight” do problema que está passando. pois o assédio é processo quieto. cada vez mais. As pessoas têm medo de sair da sua zona de conforto. quando menciona: . então não fazem o que vai de encontro à direção e suas ordens. Item 155. (Relatório Final da 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador . pesquisas e divulgação de casos) sobre assédio moral e sexual nas relações de trabalho em todos os níveis de atenção à saúde.30 as empresas públicas e privadas obrigadas a emitir a Comunicação de Acidente do trabalho – CAT. Definir que sejam investigadas. permitindo que haja pequenos desvios da legalidade. A alegoria da caverna platônica nos fornece elementos para analisar um processo de assédio. pelos setores da Saúde e do Trabalho e Emprego. existe processo de cooptação para que ele não aja contra a ordem preestabelecida. que só poderão ser aferidos com base na legislação ou por meio de apurações. as empresas nas quais sejam registrados casos de assédio moral no trabalho. se estiver em algum cargo. não obstante. A literatura menciona que ele. após algum tempo. O assediado muitas vezes demora a perceber que está sendo assediado. ou não aceitar as regras. se não for cooptado. mesmo que isso lhes pareça incorreto ou muitas vezes alheio à legislação. mantêm-se a estrutura em funcionamento. Item 151. O que se verifica é que existe certa ingovernabilidade no serviço público. Quando determinado funcionário não demonstra medo.24/3/2006). no entanto. no sentido da prevenção do sofrimento mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Promover ações educativas e esclarecedoras em âmbito nacional no intuito de construir a conscientização da sociedade sobre essa violência e a desnaturalização dessa prática na organização do trabalho. na “geladeira”. Divulgar as empresas campeãs nesse "ranking" perverso. sindicância ou processo administrativo. o procedimento normalmente é deixá-lo de lado. imperceptível. acordos tácitos de estabilidade efêmera. especialmente os atendimentos realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial – CAP‟s. Há concessões entre a direção e funcionários. sem função e. esv aziar as atribuições do cargo. isso é pretexto para a inação. estatísticas. Incluir no Observatório de Saúde do Trabalhador informações específicas (notificação. trata-se do tipo de funcionário aqui já descrito como aquele que tem o perfil de participação e se sente muito mal em estar em tal situação. Para determinado tipo de funcionário.

o que configura a dimensão do problema. 1. de rigor ou severidade abusiva por parte de instituições ou pessoas determinadas. existe uma fragilidade emocional na qual se encontram os funcionários da determinada repartição. Da mesma forma. e. quando observa que o assediado começa a apresentar os primeiros sinais e sintomas decorrentes do processo de assédio e que isso pode causar comprometimento. entre outros fatores. de outrem. Muito embora alguns consigam percebê-lo.31 Portanto. falta sensibilidade ou há acobertamento pela alta direção dos procedimentos que ocorrem na intimidade da instituição. para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar. se alguém o [o homem preso na caverna] forçasse a olhar a própria luz. conseguem percebê-lo. doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia. A perversidade muitas vezes chega a tal ponto. em função de sua sensibilidade ou idiossincrasia. existe uma falta de mecanismos capazes de reverter o processo de assédio: o senso ético é muito tênue. ainda que pressuposta. sem cair na descrição de uma burocracia kafkaniana. muitas vezes interessadas em obter proveito próprio em função de alguma fragilidade. Tipos de Assédio Moral Koubi (in SEIXAS. falta orientação adequada. 2006. é possível a certos usuários se dar [sic] conta de um assédio administrativo. fiscal..Platão. e julgaria ainda que estes eram na 12 verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam? (A alegoria da caverna 2006) Muitas vezes o assédio é coletivo. principalmente quando os funcionários públicos solicitam através de pedidos 12 A Alegoria da Caverna . administrativa. há falta de regulamento interno na instituição. transfere-o ou põe-no à disposição. em associação com estratégias de hostilidade ou brutalidade. Brasília: LGE. 2006) menciona que o assédio pode ser de ordem policial. mas apenas um ou alguns.4. . há dificuldade em obter provas e testemunhas. judiciária. que o assediador.

mas. polifuncionalidade. Com a reestruturação e reorganização do trabalho. reforça atos individualistas.] O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias. etc. a lei que criminaliza o assédio [sexual] ainda não pegou. 13 “Vilja Marques Asse (in Pereira.. rotação de tarefas. obter resultados imperativos. assimilam o discurso das chefias e discriminam os 'improdutivos'. por exemplo. O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para produzir com qualidade e baixo custo. teórica ou concretamente. alimentar um clima de medo ou de resignação. tolerância aos desmandos e práticas autoritárias. a competitividade. estes são objetivos gerais e permanentes. Qualquer que seja o caso. provocando comportamentos agressivos e de indiferença ao sofrimento do outro". qualificação. que carregam a incerteza de um dia vir a apresentar dificuldades produtivas. 2009) assim define: “[. denunciar as injustiças mais patentes. Decca (in SEIXAS. responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego. de maneira eventualmente brutal e urgente. competitividade. E um país como o nosso. a manipulação do medo. autonomia e flexibilização. portanto. O enraizamento e disseminação do medo. o reforço da „cultura de empresa‟. Os adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos. portanto. em que se faz lei para tudo. se quer [sic] não apenas reforçar as obediências. A noção de assédio comporta finalidades mais imediatas: em um assédio ascendente. os programas de qualidade total associados à produtividade. ameaçar de sanção as resistências. tudo visando produzir mais com baixo custo. o assédio. ao passo em que os sadios. impor comportamentos conformistas. e apenas em maio de 2001 esta lei foi introduzida em nosso código penal. o assédio sexual. criatividade. eficiência.. em que predominam os desmandos. competência. novas características foram incorporadas ã [ sic] função: qualificação. Em um assédio descendente. a melhoria da produtividade. desumanas e aéticas.32 ou de toda uma série de operações – seja por má fé [sic].23) (grifo nosso) Quanto à pretensão do assediador. visão sistêmica do processo produtivo. a superior hierárquico] visa finalidades [sic] concretas: organizar a resistência à autoridade.” . reforçar ameaças. 13 O assédio moral é mais etéreo e difícil de caracterizar do que. a sexóloga Marta Suplicy. por iniciativa da ex-prefeita da cidade de São Paulo. obter uma melhoria das condições de vida. produtividade. se exige dos trabalhadores maior escolaridade. (p. 2006) defende que: No Brasil é comum se dizer que as leis pegam ou não pegam. Mas. Um assédio descendente [vertical praticado por superior hierárquico e dirigido. Hoje em dia. no ambiente de trabalho. Ansart (in SEIXAS. provas impossíveis de serem localizadas. 2006) apresenta uma tipologia teleológica do assédio: Um assédio ascendente [vertical praticado por subalterno e dirigido. obediência obrigatória às ordens de superiores hierárquicos ou simplesmente em razão do desconhecimento dos textos aplicáveis – peças inúteis documentos inexistentes. a subalterno] visa o [sic] reforço da autoridade. humilhando-os. O projeto-lei do assédio surgiu em 1995. estudar a situação do assediado exige conhecer a posição do assediador: trata-se de fazer a distinção entre a pretensão de um e a situação do outro segundo os contextos e as circunstâncias nos quais se realiza. O medo de perder o emprego e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e fortalecimento da tirania. títulos inverossímeis.

em Mobbing ou Assédio Moral no Trabalho. velozes mais que Gamos. Fugindo as ninfas vão por entre os ramos. Numa socaiede [sic] ainda profundamente machista.] [Em nota de rodapé:] a dificuldade conceptual deste tipo de assédio [o sexual] reside desde logo no seu início. . Pouco a pouco. descrevendo a volta dos Portugueses à terra mãe. cargo ou função: Pena detenção.142) Na esteira da discussão da lei acima. o voltar-se as costas à vítima. A respeito do tema da recusa ao assédio significando uma anuência. pressupondo sempre a presença física na situação de assédio..33 Ainda mal conhecida lei nº 10. A pergunta que. Veloso. as manifestações de desprezo ou de ironia agressiva atingindo diretamente a pessoa assediada. melhor ou pior encadeados [. quando esta procura argumentar a seu favor. ainda que travestida de uma aparente igualdade dos sexos. conta-se que um dos heróis. No Canto Nono. vislumbrando aquelas ninfas disse: ‘Sigamos estas deusas e vejamos Se fantasias são ou se verdadeiras. subsiste. Entre os tipos de assédio. referente ao assédio sexual.224 afirma em seu Artigo 216-A: „Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. 2009) Segundo as palavras Bresciani (in SEIXAS. assim.’ Pois bem. indica de modo enfático a força expressiva da palavra oral: tonalidade da voz. Pereira (2009). onde as ninfas já flechadas por Eros por desígnios dos deuses se entremostram aos lusitanos. assim se expressa: Pese embora com algumas dúvidas conceptuais. é que [ sic] alguma coisa mudou desde então. sorrindo e gritos dando.‟. verificam-se várias manifestações no modo de realização..]” (PEREIRA. não se resiste a citar uma passagem heróica de Camões. de 1(um) a 2(dois) anos. contudo. quando desembarcando numa ilha. 2006): A relação íntima ou próxima entre quem assedia e sua vítima. Isso dito. as expressões faciais. através de uma sequência de comportamentos.. não falta quem interprete um inequívoco „não‟ como um convite à insistência ou até como uma concordância envergonhada. Se lançam a correr pelas ribeiras. Os Lusíadas. prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego. Mas mais industriosas que ligeiras. já camões vislumbrava a fuga posta como meio de incentivar a perseguição. em suma.. “O assédio moral manifesta-se. Se deixam ir dos galgos alcançando. de forma subtil.(p. optou-se por qualificar o assédio sexual como integrando o mais amplo assédio moral [.

.] pode dizer-se que.. pese embora tendo como pano de fundo pretensas preocupações sociais. o progresso não foi acompanhado de uma crescente humanização dos ambientes e das relações de trabalho. mas.34 Em tom conclusivo Pereira (2009) diz: [. na maior parte dos casos.. contribuiu para que os mesmos se automatizassem até o limite do insuportável. ao invés.

. os senhores de terras e engenhos. L. para indignação e pasmo das velhas linhagens..... .. Que foram alfaiates e fizeram. dos nobres de linhagem. transforma o titular em portador de autoridade. Confere-lhe a marca de nobreza. Doroteu. Nas Câmaras se exigia igual qualificação para a escolha dos vereadores entre os „homens bons‟ .. que mais os pagam. aqui se vendem. esses caracteres fossem muitas vezes ignorados. Como o emprego público era....35 2 O SERVIÇO PÚBLICO 2. E... encostar podem Os queixos nos bastões da fina cana. tít. Mal se vêem capitães.... E também.. guardados pelas Câmaras... são já fidalgos........ Os tendeiros. com a contínua agregação de burgueses comerciantes. finalmente. bem sapatos. O cargo público em sentido amplo. por um fenômeno de interpretação inversa de valores. num alargamento contínuo. II). Os „homens bons‟ compreendiam. na repulsa às ascensões plebéias aos postos de governo.. eliminar a categoria aristocrática. a burocracia civil e militar. segundo Faoro (2001).embora. Os Livros da Nobreza.. Não tardaria muito e a venda dos empregos elevaria aos cimos da nobreza a burguesia enriquecida.... I).. . na realidade.. tendeiro: homem que vende em tenda. ou nobre porque letrada....... representante da nobreza letrada. que lhes deram Os primeiros sapatos e os primeiros 14 Almocreve: Homem que se ocupa em conduzir besta de carga... Conheço. como as outras drogas que se compram.. as pessoas Que vêm de humildes troncos.Dicionário Buarque de Holanda.. 1981. tít. doce amigo..... I. além. atributo do nobre de sangue ou do cortesão criado nas dobras do manto real. a que subam Aos distintos empregos.... retrata bem os valores dominantes. sofriam registros novos e inscrições progressivas. Breve história do serviço público no Brasil No Brasil colônia. sem..... Agora.. Para a investidura em muitas funções públicas era condição essencial que o candidato fosse „homem fidalgo... a comissão do rei. ainda no século XVI.. Devem daqueles ser. contra a polícia Franquearem-se as portas. Puxando a dente o couro... não te rias De veres que estes são aqueles grandes Que.. ou de „boa linhagem‟ (idem. Seus néscios descendentes já não querem Conservar as tavernas. Os postos.... em presença do chefe... O severo Critilo.. de limpo sangue‟ (Ordenações Filipinas... a outros muitos 14 Que foram almocreves e tendeiros .1. contudo.. o exercício do cargo infunde o acatamento aristocrático aos súditos. Doroteu.

um esforço para empreender mudanças no seu modo de operar. não transformou substancialmente tal prática. Doroteu. p.. Op. as disputas de atribuições.. Que império. [Cartas chilenas]. impedem o controle de revisão e de substituição de autoridade. mas também a persistência de tal prática. não subjuga e aniquila a nobreza. que tornou-se [sic] arraigada no âmbito das 15 Critilo. se afrouxa com o curso das gerações. e o fordismo. que império pode Um povo sustentar. A vontade do povo não tinha influência na organização do Estado. O advento das democracias participativas e a eleição dos líderes do executivo e do parlamento trouxeram várias mudanças no escopo e na representatividade da administração pública. aderindo à sua consciência social. que só se forma 15 De nobres sem ofícios? A burguesia. sem o racionalismo da estrutura burocrática.] [. A fase taylorista sancionou tal comportamento. ou seja. . 2.. no afidalgamento postiço da ascensão social. porém ainda incipientes. Nas origens da administração do Estado (era absolutista) os funcionários públicos nada mais eram do que funcionários do Rei. nesse sistema. consideradas não só as raízes coloniais marcadas pelo tipo de prática interpessoal verificado na citação acima. 2007). com proteções poderosas de pessoas da corte. em graus. encostados no setor ministerial do governo.2. a despeito de proporcionar espaço para as mudanças. por meio de alguns atores. Os conflitos do serviço público no Brasil De acordo com Medici e Silva (in NOGUEIRA. instrumento de amálgama e controle das conquistas por parte do soberano. tecida de zombarias e desdéns.. A íntima tensão. senão que a esta se incorpora. o serviço público no Brasil tem realizado.] Os privilégios inerentes ao cargo público no sistema patrimonial estamental. No entanto o corpo de funcionários governamentais continuava com raras exceções a separar o planejamento e a ação da determinação da vontade social. cit. apaniguados do poder que recebiam um salário e administravam o Estado segundo seus próprios lemas e determinações. Daí os conflitos. A via que atrai todas as classes e as mergulha no estamento é o cargo público. [.210 e 250.36 Capotes com capuz de grosso pano. as resistências de funcionários que se dirigem diretamente ao Conselho Ultramarino. Hodiernamente.

] ocorrem divisões e contradições internas acirradas no seio do pessoal do Estado. Poulantzas (in NOGUEIRA. Uma primeira mudança de comportamento.. a que assim responde: “As fontes do conflito no estado capitalista encontram-se duplamente determinadas pelas relações diretas entre funcionários e níveis de governo do Estado e pelas contradições do regime capitalista de produção. então.. foi uma profunda transformação no sentido da crise mesma do Estado ganhando cada vez mais espaço o programa do Estado mínimo ou enxuto informado pela hegemonia neoliberal em contraponto ao Estado do bem estar social. seguindo a trama de sua autonomia relativa. Diferente do conflito entre capital e trabalho.] a crise política se traduz no próprio interior do corpo do pessoal estatal de várias maneiras: a) como crise institucional do Estado.”.. com traços próprios. no aparelho de estado esses conflitos se revestem da forma de brigas entre membros de diversos aparelhos e ramos do Estado.. elas se exprimem. [. no que se refere à estrutura organizacional própria dos aparelhos de Estado. Diz Nogueira (2007) que os conflitos são inerentes às relações entre trabalho e capital na sociedade. quer dizer precisamente como reorganização do conjunto dos aparelhos de Estado.. que o Estado exerce na sociedade. no seio do pessoal de Estado. estranhas ao papel ideológico e aparente de neutralidade e de árbitro.]”. da luta e das contradições de classe tal como. colocando em questão a sua própria unidade específica. . Nogueira (2007) também afirma que: [..] [. fissuras e reorganizações destes. Questiona. b) como acentuação. 2007) afirma que: [. Ocorrem também divergências de natureza política e ideológica que dividem o pessoal do Estado entre posições mais à esquerda e à direita.... muitas vezes.] o que ocorreu com o Estado em geral entre os fins dos 70 e inícios dos anos 2000. c) como ascensão das reivindicações e das lutas próprias ao pessoal do Estado. [..37 administrações públicas dos países centrais. quais são as fontes do conflito no interior do Estado. [sic] de modo específico. acima das classes. fricções entre facções e corporações dentro do Estado. produzida pela introdução da administração flexível. mas sim de clientes e cidadãos. ocasionou uma transformação na visão de mundo da administração pública: a sociedade não é composta de súditos ou concorrentes.

Por isso é mais adequado adotar a noção de relações de trabalho no setor público. evidentemente. controle e de prestação de serviços públicos. produção direta de valor para acumulação de capital. mas.]. Em primeiro lugar.” (OLIVEIRA.3. A especificidade das relações de trabalho no campo estatal Hyman (in NOGUEIRA. porém. Em muitas empresas há um setor específico com esta denominação. A questão dos salários informa sobre o padrão de vida dos assalariados. (grifo nosso) No entanto. ou para a esfera interna do Estado capitalista. ao invés de relações sociais diretamente capitalistas. que informam as fontes dos conflitos do trabalho no setor público e no Estado. A taxa de exploração do trabalho no Estado envolve a quantidade de salário em relação à jornada de trabalho e às condições necessárias de vida em sociedade. No caso do Estado de São Paulo.. às quais se associam diferentes status. Tais regimes subdividem-se em diferentes profissões e diferentes categorias. que não há no relacionamento coletivo dentro do Estado. não significa que não haja exploração direta do trabalho pelo Estado. 1998) . [ sic] não é realizada para produzir. cuja especificidade. as políticas de contenção dos gastos públicos para enfrentar as crises dos Estados capitalistas submetem os funcionários públicos a permanentes arrochos salariais e deteriorações das suas condições de trabalho.38 2. para os relacionamentos explicitados. além do de Pessoal ou de Recursos Humanos. A exploração ocorre na esfera da reprodução do capital. nas atividades de administração. que cuida das relações trabalhistas externas da empresa com os sindicatos. Trata-se então de trabalho assalariado improdutivo [. com o Governo e com outros órgãos públicos.. Assim. [sic] não nega sua condição de pertencer a uma totalidade de relações sociais de produção. Isto significa. 16 o termo relações industriais . 2007) menciona que: Para o caso do setor público. Esses diferentes status e as relações de poder a eles relacionadas dão margem a conflitos 16 “Relações Industriais é outra área relacionada a Pessoal. Isto. predominantemente capitalistas. [sic] depende do encaminhamento dessas questões da defasagem salarial. Qualquer proposta atual sobre um sistema de relações de trabalho para o setor público. nos processos de serviços e administração voltados à esfera da reprodução social e política do conjunto da sociedade de classes. e sim reproduzir o capital. os funcionários do setor público se dividem em diferentes regimes de trabalho: o dos servidores estatutários. das perdas salariais históricas e da melhoria das condições gerais de trabalho. no parâmetro de Marx. não seria adequado. as especificidades do setor público devem ser apontadas. o dos temporários e o dos assalariados. ou seja. são relações de trabalho entre não proprietários de meios de produção entre si (funcionários e governo ou governantes e dirigentes).

O processo de trabalho lida diretamente com a informação. Com efeito.39 que propiciam a prática do assédio moral. também do seu lado. [§] Há na verdade maior complexidade das fontes contraditórias do confronto e no conflito coletivo do Estado. do estatuto jurídico oriundo do direito administrativo e constitucional. O administrador público está sujeito ao „princípio da legalidade‟. [.] [§] [. Acrescenta Nogueira (2007): Nesse âmbito situam-se as relações de conflito entre indivíduo e organização burocrática [. em função da fragilidade do contrato. a área de Recursos Humanos [também chamada Departamento Pessoal ou Coordenadoria de Recursos Humanos]. a administração e o controle. o atendimento. estas últimas ligadas diretamente à prestação dos serviços à população e que. Assim.] a essência do trabalho no serviço público é o processamento intelectual e administrativo e uma operação não produtiva. incrementa a organização sindical e fomenta processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. Nogueira (2007) prossegue dizendo que: “[.. mercado capitalista e sociedade civil. que regula as circunstâncias e os interesses em jogo. dessa forma.]. porque estas dependem das instâncias políticas e administrativas. a prestação de serviços além das atividades de planejamento. Veja-se o Anexo VI . coordena restringe-se à tradicional função de administração de pessoal. [§] No campo público. da diferença salarial e das condições de trabalho. ou seja. Até a Constituição de 1988 e a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho. Categorias com contratos temporários e terceirizados estão mais susceptíveis ao assédio moral.] Ainda nos processos de trabalho do setor público há conflito potencial nas relações entre áreas de controle administrativo e áreas de prestação dos serviços. as relações coletivas se dão diretamente na superestrutura política e jurídica e dependem dos estatutos específicos das diversas categorias.. A Convenção 151 da OIT está tramitando no Congresso Nacional desde 2008. concentrando . passará a vigorar como lei ordinária e facilitará as relações do servidor público com o Estado... a organização sindical dos servidores públicos tem maior dificuldade em alterar as condições de trabalho de forma abrangente.. [§] No setor público. a partir de sua incorporação ao ordenamento jurídico. o servidor público não poderia ter sindicato que o representasse. podem resistir a qualquer forma de controle sobre seu trabalho e resultado..Convenção 151 – OIT. é preciso captar e inserir a questão das relações de trabalho no setor público em uma rede de relações mais complexa entre funcionário público assalariado e Estado e os seus diferentes poderes... tendo como intermediários os sindicatos. A relação existente entre o servidor público e a unidade administrativa é de natureza diversa da existente na iniciativa privada.

chama de espaço público. O setor que deveria ser guardião de alguns princípios básicos da boa convivência organizacional pode ser o primeiro a exibir a dolosa política de avestruz”. omitem-se e deixam “em aberto o caminho para que situações degradantes se repitam e se incorporem à cultura da organização. angústias e expectativas.. facilitando o entendimento. Heloani (2004) afirma que: [. [. da [sic] lógica do sistema. Seria o caso. um local que. Isto é conseqüência do pouco investimento na qualificação profissional de pessoal específico de Recursos Humanos e da intervenção direta do nível político nas questões sindicais e das relações de trabalho no Estado. da [sic] „racionalidade instrumental‟. treinamento e remuneração não desenvolvendo qualquer ação no campo das relações coletivas ou como instâncias mediadoras dos conflitos dentro das diversas instituições ou órgãos. Trata-se de um fenômeno que envolve interações sociais complexas e. O departamento de Recursos Humanos em grande parte das vezes é composto por profissionais despreparados para enfrentar a questão do assédio moral. por escrito e sigilosamente. e a conservação do sistema tradicional de gestão do pessoal incapaz de responder às novas demandas tende a permanecer.. portanto. onde os membros da organização pudessem expor seus problemas. com esse fim. que não lhes falta competência.. ou seja. como diria Habermas. a velocidade das mudanças é muito menor. para dar ao trabalhador agredido [por assédio moral] o direito de denunciar a agressão de que tenha sido vítima. Pertencem a uma categoria intermediária entre os ditos funcionários “do ch ão . possa ter seu anonimato garantido. vir a ceder espaço à „ação comunicativa‟. tal discussão. o indivíduo agredido pode utilizar caixas postais e mesmo „urnas‟ em dependências isoladas dentro da organização. mas não bastam. (grifo nosso) (p.] se podem criar mecanismos. por meio do departamento de Recursos Humanos da empresa [ou do serviço público]. [§] [. que no atual momento nos parece utópica. em várias de suas obras.40 seus esforços basicamente nos processos de seleção. Em outros termos. pode levar as pessoas a perceberem que seu problema não é individual. para que. em tese. “aplicando a última moda de pacote prêt-à-porter”. as vítimas da violência não devem se culpar..22) Freitas (2007) considera que as assim chamadas áreas de Recursos Humanos estão particularmente preocupadas com sua própria sobrevivência e em mostrar serviços.. no caso. ou seja. ou espaço de discussão. que tenha por base argumentos justos e transparentes. São passos para amenizar o problema. poderia existir dentro das próprias empresas.] no Estado.] Poderíamos começar pela criação daquilo que Christophe Dejours..

também sofrem as ameaças da classe dirigente. o setor de Recursos Humanos é tão submisso à direção. deve intervir no nível do clima organizacional e da cultura organizacional. sujeitos às mesmas normas. O setor de Recursos Humanos. no entanto. têm medo de perder os privilégios e a credibilidade dos funcionários da base. .41 de fábrica” e a diretoria. O tema é ainda tabu nas repartições públicas. Muitas vezes. ficam em uma área intermediária entre a área estratégica – de comando – e a operacional. recebem a pressão dos sindicatos e das associações. muitas vezes desprovido de pessoas competentes para verificar o caso do assédio moral e modificar a situação. que os tem na mão – pois alguns funcionários do RH podem vir a receber benefícios de toda ordem e se esforçam para pertencer à classe dirigente –. mesmo porque os mecanismos administrativos e legais são muito frágeis e de difícil acesso no serviço público. vivem. estão. e a falta de conhecimento e reconhecimento da matéria é um dos motivos que levam à permanência do assédio moral em nosso meio. que não se faz possível empreender qualquer ação autônoma no enfrentamento do problema. temem posicionar-se. para que se evite tal tipo de assédio. porém. as contradições do funcionário “do chão de fábrica” que também são. Muitas vezes sabem da existência do problema do assédio moral.

acredita-se que a consagração pelo artigo 1º. enquadrar o problema do assédio de maneira transversa na constituição e na legislação trabalhista. inciso III. Embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral na legislação no setor privado. entre elas o artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho. que menciona “praticar o empregador ou seus prepostos. Isso quer dizer que. Nas discussões judiciais sobre assedio moral. da Constituição Federal de 1988. merecendo respeito. ASPECTOS LEGAIS. Aspectos legais que caracterizem Assédio Moral Concorda Nascimento (2004) com que a natureza jurídica do assédio moral pode inserir-se no âmbito do gênero “dano moral” ou mesmo do gênero “discriminação”.42 3.17 Poder-se-ia. Manus (2006) menciona em proveitoso trabalho sobre o tema que. No âmbito da Administração Pública. porém. no entanto.1. como contrapartida de seu dever de respeitar o empregador e seus prepostos. JUDICIAIS E PRINCIPIOLÓGICOS DO ASSÉDIO MORAL 3. ato lesivo da honra e da boa fama” não é figura que atualmente se denomine assédio moral. ao salário digno. na análise de Manus. há com abundância normas de alcance administrativo no setor público. além do direito do trabalhador ao posto de serviço. O empregador pode vir a ser responsabilizado pelo assédio cometido por ele ou por um dos prepostos e condenado a indenizar o empregado quando 17 Garbin (2009) faz lembrar que “O ordenamento jurídico brasileiro não possui legislação específica sobre o tema que defina o assédio moral. muito embora não haja especificidade para o enquadramento do assédio moral no trabalho. da dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado democrático de direito foi importante passo na defesa do respeito aos valores mais caros ao cidadão. em nível municipal e estadual verificamos a existência de leis.” . reconhece a Constituição Federal o direito de o cidadão ser tratado com isonomia. pode haver enquadramento por meio de várias legislações. contra o empregado ou pessoas de sua família. Em nível federal tramitam alguns projetos de leis. cívil e penal em nosso ordenamento jurídico.

serviçais ou prepostos – o que implica o dever da empresa de informar seus empregados. que implica direito a indenização. dependendo-se da forma do assédio. 140.43 comprovada a hipótese de assédio moral. poder-se-ia fundamentá-lo nos parágrafos II e III do artigo 5º da Constituição Federal. afirma ser possível que o assédio atue como circunstância agravante ou qualificadora do tipo penal. quando praticado no âmbito de empresas privadas. e sobre o motivo torpe. Diz o mesmo autor que também podem funcionar como agravantes do assédio moral a dissimulação (artigo 61. fiscalizar os atos por estes praticados. ou abuso de . Em complementação ao acima descrito. No assédio moral descendente. do Código Civil responsabiliza o empregador objetivamente pelos danos causados a terceiros pelos seus empregados. configuram-se as circunstâncias de abuso de autoridade (artigo 61. a ser ponderada pelo julgador no momento da quantificação da pena. ademais. à luz do artigo 5º. em robusta análise dos institutos jurídico-legais que podem fundamentar. 146 e 146-A do Código Penal. que não demonstram todo o poten cial ofensivo. como na situação em que o assédio tenha por intuito forçar o trabalhador a cumprir uma jornada sobre-humana. configurando-se dano moral. do ponto de vista penal. inciso II. inciso II. “c”). como no caso de o trabalhador ser humilhado por pura diversão. com ofensa à dignidade do empregado. que versa sobre o motivo fútil. inciso II. Heloani (2004) menciona que. da Constituição Federal. inciso II. o artigo 944 do Código Civil aduz sobre o direito de indenização. em nosso caso ensejado pelo assédio moral. a fim de coibir a prática de atos ilícitos. 139. Guerzoni (2008) defende que os incisos V e X do artigo 5º da Constituição Federal podem ser utilizados como supedâneos da reparação do dano. alínea ”f”). uma demanda de assédio moral. alínea “d”). estando a fixação do valor relacionada à proporção do dano causado. do Código Penal. O autor. Não se pode olvidar que o artigo 932. inciso V. O fundamento para essa agravante é o artigo 61. que abrangem o assédio moral e sexual respectivamente. cabendo-lhe. “a”. inciso III. que dificulta ou torna impossível a defesa do ofendido. gerentes e prepostos da vedação de atos que possam vir a configurar assédio moral. Quanto à possibilidade de indenização pelo dano moral. e nos artigos 138. e a prática de meios insidiosos (artigo 61.

[§] É possível a caracterização de crimes contra a organização do trabalho. O artigo 197. ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. O artigo 203 define o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista. previsto no artigo 322 do Código Penal. que coíbe os atos de violência ou grave ameaça que tenham por objetivo obrigar uma pessoa a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional. profissão ou indústria. na extorsão. 2008) Esses mesmo [sic] fundamentos [criminais] também tornam possível enquadrar a conduta do agente ativo no crime de induzimento. [§] As agressões psicológicas poderão. incorrerá no crime de extorsão (artigo 158 do Código Penal). ainda. quando praticados com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal (artigo 4º. assumem especial relevância para o presente tema.44 poder (artigo 61. de 09 de dezembro de 1965. [.4. mediante violência ou grave ameaça. [§] Quando o autor do assédio moral for servidor público.] [§] Sempre que a conduta do assediador ofender a incolumidade pessoal da vítima. de maneira irrepreensível. naqueles casos em que as agressões partirem de servidores públicos. inciso II. causando uma perturbação no seu equilíbrio fisiológico ou psíquico. ofício. com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica.898.. que ocorre quando se utiliza a violência ou grave ameaça para constranger alguém a exercer ou não exercer arte. ou quando fornecer os instrumentos ou cooperar ativamente para que o suicídio se consume. residindo a diferença no fato de que. [. sua conduta pode ainda se enquadrada no crime de violência arbitrária. constranger a vítima de assédio moral a fazer. o empregador pode ser enquadrado no delito de lesões corporais culposas.. ou nos delitos de abuso de poder cominados na Lei n. previstos no Título IV da Parte Especial do Código Penal. bem como por não ter fiscalizado os seus empregados. sempre que o assediador criar ou reforçar o propósito da vítima de se suicidar. tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. o lesado sofre um prejuízo patrimonial.] [§] Se o sujeito ativo. alínea “g”). ser empregadas com o intuito de interromper a gravidez. estaremos diante do crime de lesões corporais (artigo 129 do Código Penal). Mesmo que o assédio moral tenha sido praticado pelos colegas da vítima. impedindo-os de prejudicar a saúde física e psíquica dos demais trabalhadores.. Dentre os diversos tipos penais dispostos nessa lei especial. inciso I. em razão de não ter implementado medidas que garantissem a segurança do ambiente de trabalho. A liberdade de filiação e desfiliação sindical é tutelada pelo crime de atentado contra a liberdade de associação (artigo 199 do mesmo diploma legal). Veja-se Anexo V. os atos lesivos da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. Ainda o mesmo autor. (GUERZONI. “O grande desafio é definir o momento em que tais condutas se tornam suficientes [sic] graves para justificar a intervenção do Direito Penal”. refere-se ao atentado contra a liberdade de trabalho. alínea “h”)”. Trata-se de figura semelhante ao constrangimento ilegal. praticado mediante fraude ou violência. afirma que: .. configurando-se o crime de aborto (artigo 124 do Código Penal).Abuso de autoridade. instigação ou auxílio ao suicídio (artigo 122 do Código Penal).

pode-se dizer que é uma busca minuciosa de elementos objetivos que haverão de presidir o valor adequado para o caso concreto que houver lhe apresentado. a repercussão do fato no meio social em que vive. fato esse de inegável importância como elemento objetivo para fixação do valor. que o valor a ser arbitrado deve estar em sintonia com a extensão ou intensidade da ofensa.. a educação. considerar a quantidade de tempo em que o dano persistiu. a estrutura psíquica do trabalhador. Recurso improvido" ( TRT – 17ª R – RO nº 1315.. 3.2. com a sua personalidade abalada ou não. A tortura psicológica destinada a golpear a auto-estima do empregado. que pode ser demonstrado por laudo psicológico. p. De igual forma. resultam em assédio moral. sonegar-lhe informações e fingir que não o vê. Antes de se recorrer a medidas penais. somente intervindo quando se mostrar absolutamente imprescindível para a proteção da dignidade do ser humano. para a duração no tempo do sofrimento moral.] não se esgotaram as tentativas de solução do problema no âmbito do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo. descumprindo a sua principal obrigação que é a de fornecer o trabalho.2000. fundamentalmente. o grau de cultura. Deve-se. quebrando o caráter sinalagmático do contrato de trabalho. eis que minam a saúde física e mental da vítima e corrói a sua auto-estima. o assédio foi além. ou persiste. afetando a vítima. No caso dos autos. O Direito Penal deve conservar o seu caráter de ultima ratio. sem constrangimentos. Decisões judiciais sobre o Assédio Moral Reproduzem-se. 2002. mais precisamente sentenças e acórdãos. Assédio moral – Contrato de inação – Indenização por dano moral. as condições e as circunstâncias em que o fato-causa do dano moral se verificou. porque a empresa transformou o contrato de atividade em contrato de inação. cujo efeito é o direito à indenização por dano moral. 4ª ed. Pensamos. 18 FLORINDO. São Paulo: LTr. 310. trecho de doutrina sobre o tema e textos que veiculam decisões judiciais. V. Sônia das Dores Dionísa).00.00-1 – Relª. . em sua obra “Dano Moral e o Direito do Trabalho” 18. Valdir Florindo.17. fonte de dignidade do empregado. também. a profissão.45 [. porque ultrapassada o âmbito profissional. Dano Moral e o Direito do Trabalho. visando forçar sua demissão ou apressar a sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empregado de tarefas inúteis. abaixo. assim se posiciona: Assim. é necessário constatar que as sanções de outra natureza se mostraram inadequadas para prevenir e reprimir os atos de assédio moral. e por conseqüência. a respeito de pedidos de reparação de danos morais e a respeito de competência.

praticados por empregados outros no ambiente de trabalho e com a ciência da gerência da empresa demandada – Imputabilidade de culpa ao empregador..381/AM (DJE 8. AgR/MG. impõe ao empregador o dever de zelar pela dignidade do trabalhador. Entretanto. mormente se esta agressão fora presenciada por agentes de segurança do reclamado. por óbvio os atos de violação a direitos alheios imputáveis a ele serão necessariamente praticados. pelos danos morais causados ao reclamante (CCB então vigente.9 – Relª. Somente servidores das pessoas governamentais de Direito Privado da Administração Pública Indireta devem ter suas pretensões julgadas pela . “Recurso ordinário do reclamado conhecido e desprovido” (TRT – 10ª R – 3ª T – RO n. a dinâmica pode levá-lo a se sentir humilhado e menos capaz que os demais. este último responderá. compreensão das normas do empregador e gerar a sua socialização. 5º. inequivocamente. Tal entendimento. e menos ainda omitir-se diante de agressão física sofrida pelo reclamante no ambiente de trabalho. impõe a obrigação de o empregador abster-se de praticar lesão à honra e boa fama do seu empregado (art. como o íntimo do indivíduo. (Recurso provido). 5º.46 I – Dinâmica grupal – Desvirtuamento – Violação ao patrimônio moral do empregado – Assédio moral – Indenização. e se delas tem pleno conhecimento a gerência constituída pelo empregador. por parte de seus colegas de trabalho.” (TRT – 17ª R – RO n. o que significa dizer que qualquer funcionário público que se atenha a um regramento administrativo. Paulo Henrique Blair – DJDF 23. da CF/88.005. sofre. que o autor sofrera no ambiente de trabalho discriminação.2003 – p. golpeia a sua auto-estima e fere o seu decoro e prestígio profissional. o paradigma hermenêutico ao art.109. como empregado do demandado. art. 483). X. recentemente. tais como. Ao manipular tanto a emoção.2002. sua aplicação inconseqüente produz efeitos danosos ao equilíbrio emocional do empregado. Juíza Sônia das Dores Dionísio). o objetivo passa a ser o de inferiorizá-lo e torná-lo „diferente‟ do grupo. maior fonte estatal dos direitos e deveres do empregado e empregador. Rel.2008) adotou um paradigma ainda mais abrangente do que aquele firmado na ADIN no 3. por omissão. abarcou qualquer interpretação ao referido dispositivo. Dano moral – Empregado submetido a constrangimentos e agressão física. Sendo o empregador pessoa jurídico (e não física). No limiar do julgamento daquela demanda. 919/2002. em sentido físico. 51). „dançar a dança da boquinha da garrafa‟. da Constituição Federal.10. ficou estampado no julgamento da Rcl nº 7. não poderia permitir a materialização de comportamento discriminatório grave para com o autor. os quais não esboçaram qualquer tentativa de coibi-la.17. deboches e até chega a sofrer agressão física.. pois. deverá ser julgado pela justiça comum (federal ou estadual). pelos obreiros e dirigentes que integram seus quadros. A CLT. Min. Por isso.08. A Reclamação constitucional (Rcl) no 5. deve responder pelo ato antijurídico que praticou.00-0 – Rel. Se o reclamante. Menezes Direito (julgado no dia 2/4/2009). A relação de emprego cuja matriz filosófica está assentada no respeito e confiança mútua das partes contratantes. àquele que não cumpre sua tarefa a tempo e modo. agressões verbais e mesmo físicas por sua orientação homossexual.395-6 – DF. 159 c/c art. Se o empregador age contrário à norma.5. configura assédio moral. mesmo que não pudesse o empregador impedir que parte de seus empregados desaprovasse o comportamento do reclamante e evitassem contato para com ele. estando no estabelecimento do réu. A dinâmica grupal na área de Recursos Humanos objetiva testar a capacidade do indivíduo.00. 114. 1294.007. em decorrência de sua orientação sexual. Impor pagamentos de prendas publicamente. nos termos do art. X. Se a prova colhida nos autos revela. da CF).

pelas características administrativas ainda mais intensas que esta reação possui. Quanto a isto. Não é a categoria jurídica em que os servidores estão inseridos que determina a competência para julgamento de pretensão dos daqueles em relação ao Estado. em regra. Percebam-se. FONTE DJMG DATA: 18-12-2001 PG: 10. DECISÃO: A TURMA. assim.TURMA: Terceira Turma. 7. do nexo causal e da culpa do réu. por estarem inseridos no conceito maior de "servidores públicos". não havendo. "mero dissabor. por um enfoque.RISCO DE BANALIZAÇÃO . Como assevera o Desembargador Sérgio Cavalieri Filho. TIPO: RO.928/95. porque as entidades privadas da Administração Pública Indireta atuam. do implemento do dano. não pode prosperar a pretensão. por outro lado. no julgamento da Ap.PRESSUPOSTOS . com o risco de banalizar a conquista ou levá-la ao descrédito. irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral. ensejando ações judiciais em busca de indenizações pelos mais triviais aborrecimentos". aborrecimento. como se particulares fossem. O que define a competência jurisdicional em pauta é a incidência ou não de um regime jurídico público. não se pode levar a extremo sua aplicação. RELATOR Juiz Sebastião Geraldo de Oliveira) DANO MORAL. contrariedades ou pequenas mágoas. compete à justiça comum analisar tal relação. Sem a comprovação da ocorrência desses pressupostos. INOCORRÊNCIA. acabaremos por banalizar o dano moral. bem como determinam a incompetência da Justiça Trabalhista para o seu julgamento – matéria de Direito Administrativo a ser discutida na Justiça Estadual. Câmara Cível do TJRJ. Sendo assim. entre os amigos e até no ambiente familiar. EMENTA: DANO MORAL . que. competência bastante da Justiça do Trabalho para julgá-los.O direito à indenização por danos morais requer a presença simultânea do ato ilícito. mágoa. conheceu do recurso. NUM: 13494. Se assim não se entender. (TRT 3ª Região. à unanimidade. mas sim a presença ou não do regime jurídico administrativo. DECISÃO: 28/11/2001. Não cabe o deferimento de dano moral pelas ocorrências rotineiras das atividades profissionais. além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia. A ADIN nº 694-1 salienta ser de competência da Justiça Comum a discussão acerca do regime jurídico próprio dos servidores admitidos em caráter temporário. no trânsito. O fato de superior imediato não tratar com urbanidade seus subalternos. o reconhecimento do dano moral e sua reparação pecuniária representa progresso extraordinário da ciência jurídica. no mérito. Se. c) E mais. pelo simples melindre. há algumas premissas: a) Que os empregados públicos detêm um vínculo jurídico-administrativo para com o ente estatal. a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. antes de tudo. o entendimento do STF consolidou-se em definir a incompetência da Justiça do Comum para analisar pretensões advindas do vínculo mantido entre o agente e o Estado "lato sensu". dado o caráter indisponível (e administrativo) da contratação. tais situações não são intensas e duradouras.47 Justiça laboral. no trabalho. com muito mais razão merece ser proclamado o presente entendimento no que tange aos detentores de empregos públicos admitidos por concurso ou estabilizados. se para os vínculos mantidos por contratação temporária. Tal . b) Há uma tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) em assim se posicionar. no caso dos funcionários mencionados. não configura o dano moral. porquanto. sem divergência. não existe. negou-lhe provimento. que há duas espécies de servidores estatais. para melhorar a convivência respeitosa e valorizar a dignidade humana. ANO: 2001 NÚMERO ÚNICO PROC: RO . da 2a.

ademais. N. conforme narrado nos autos pelo Juiz: “as autoras são funcionárias do mencionado hospital. que o diretor também chamou a autora D. O réu é a Fazenda Pública do Estado de São Paulo e o fato ocorreu no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros. por reajuste salarial da categoria. aduziram que em relação à autora A. e em relação à co-autora A. A prevalecer essa tese. o próprio diretor do hospital. M. 4ª. Quanto aos danos morais. Processo 00977-2005-020-05-00-7 RO. 81/82). Rel. O Juiz aponta na sentença que: “3. e no dia 30 de maio de 2006. como não poderia ser diferente. e D. a prática reiterada. em relação à autora. humilhações. retirou o crachá que estava entre os seios da autora Áurea. e foi quando o diretor arrancou o crachá de dentro das vestes da autora A. e inclusive abalo de suas saúde”. nada conduz a que se possa vislumbrar o indesejado mobbing. C. Por último. gerando-se um clima de suspense e de demandas. ofensas. Relator Desembargador VALTÉRCIO DE OLIVEIRA. C. quando inquirido em Juízo (fls. por parte da superiora hierárquica. um bando de desocupadas”. D. umas porcas. Uma sentença proferida pelo juiz da 7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA. Erpen) JUIZ CONDENA GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO POR DISCRIMINAÇÃO E ASSÉDIO MORAL PRATICADO POR DIRETOR DE HOSPITAL DE SÃO PAULO. inclusive com a suspensão do pagamento do prêmio de incentivo. a prova oral produzida é contundente em apontar as praticas dos atos considerados ofensivos. Sustentam que esses fatos foram praticados por aquele diretor do hospital em local aberto ao público..6a Câm.08. o referido diretor proferiu as seguintes palavras: “você está muito gorda e tampa até o portão com o próprio corpo”. ofendeu-a com o xingamento: “negra loira”. O direito veio para viabilizar a vida e não truncá-la. sem que tivesse o fim de denegrir sua honra e boa fama junto aos colegas de trabalho. nº 020810/2006. Ficou provado no processo que durante a “manifestação promovida pelo sindicato dos trabalhadores ligados à área da saúde.. mas não demonstra ser abusivo quando se limitou a advertir faltas procedimentais do obreiro. Necessariamente ele não existe pela simples razão de haver um dissabor. N. Des. Dr(a). e ainda ofendeu as três autoras com os dizeres: “cambada de porcas”. às pessoas das manifestantes. Ainda. M. DJ 24/08/2006. durante uma manifestação liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo. N. Décio A. ora autoras. A. N. S. ac. M. introduzindo suas mãos dentro da blusa que trajava. pois no seu hospital não permitia movimento grevista. C. de “negaloira”. xingou-a de “porca”.. constante.. que fica na zona leste da Capital.115559-9 em que são partes A. praticando ato atentatório ao pudor da ofendida. N. Não se constatando. condenou o Estado de São Paulo a pagar DEZ salários mínimos para cada servidora por dano moral. ameaçando-a de suspender o pagamento de prêmio de .. qualquer fissura em contrato daria ensejo no dano moral conjugado com o material. C. Emílio Migliano Neto em 28 de setembro passado nos autos do processo número 053. ameaçou-as. M.48 comportamento por certo gera descontentamento e mal-estar no empregado. Ap Cív. nas dependências do hospital foram ofendidas pelo seu diretor.) “Dano Moral. Dos Fatos.. N. com alegadas ofensas praticadas pelo diretor do hospital. afirmando que iria descontar as horas paralisadas. “umas gordas.” (TJRS . de tratamento grosseiro. Ausência de dano moral. (TRT 5ª. TURMA. fazendo com que as ofendidas passassem por constrangimentos. 596185181.. no caso concreto. dizendo que iria suspender seus salários e baixar seus prêmios incentivos. negou a autoria das ofensas e contato físico às pessoas das autoras”. e quando se encontravam na parte externa do hospital ali chegou o diretor C. Civ. Com efeito. e que reivindicavam melhores salários. e começou a gritar com os funcionários. S. que teriam advindo da manifestação realizada às portas do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros. 4. C.

Pascal. verifica-se que já existe. merecendo reparação”. causando-lhe dor. a paixão a que lhes perturba e troca as espécies para que vejam umas coisas por outras. danos estes que devem ser indenizados. procura ressarcir essa dor suportada pela pessoa. incompatível com o fato de partir do médico diretor do hospital. em nosso meio. debelar o movimento paredista do qual participavam as autoras acabou caracterizando uma conduta abusiva. O Juiz entendeu que o diretor do hospital se exacerbou e por isso a Fazenda do Estado deverá indenizar cada uma das autoras no valor equivalente a dez salários mínimos vigentes à época do efetivo pagamento. do padre Antônio Vieira. Isso nos leva a depreender que qualquer demanda dessa natureza deva estar bem fundamentada. repetiria o . A paixão é a que erra. Deve também informar o cliente. É esse o caso deste feito. já fragilizado. O Juiz afirmou mais que “A prova produzida revela mais do que excessos verbais. arremata: “O convívio em sociedade pressupõe alguns inconvenientes. à razão de 6% ao ano e com isso ele entende que:”A reparação do dano moral. deve.”. inibindo a repetição da conduta ilícita”. além da compensação às lesadas.49 incentivo que ela recebia”. X. acrescidos de juros de mora. afetos os coraç ões. ele ainda “tentou puxar o crachá da D. Por isso o Juiz afirmou que:” A conduta do diretor do hospital ao tentar. bem ou mal. com emprego de palavreado grosseiro. que quando saem do comum podem causar danos às pessoas. e com esse gesto o diretor acabou provocando um risco próximo ao peito de D. Nosso ordenamento jurídico prevê possibilidade de indenização por dano moral para aquelas hipóteses em que a conduta do agente atinge a psique e os atributos pessoais da vítima. pois. habituado ao uso de linguagem culta. além de identificar a competência jurisdicional. 5º. o qual estava pregado na camisa dela. um século depois. muito embora seja o dano de difícil liquidação”. Ficou provado que este Diretor do hospital “xingou a autora de “nega-loira”. a paixão a que os engana. mas. sobre a extensão e complexidade da ação.3. O juiz sentenciando afirmou ainda que “São invioláveis a intimidade. Os olhos vêem pelo coração e. assim como o que vê por vidros de diversas cores. afinal. mas principalmente da paixão. a vida privada. Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados Em se analisando os julgados acima. a honra e a imagem das pessoas (art.. assim as vistas se tingem dos mesmos humores. e aconselhá-lo a procurar manter o necessário equilíbrio emocional. quando procurado para esse tipo de demanda. um amadurecimento em relação ao tema do assédio moral. da Constituição Federal)” por isso. Impessoalidade e imparcialidade no serviço público “Os erros dos homens não provêm apenas da ignorância. assim.” Essas são palavras do Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma de 1669. de que estão. a respeito de que a ação pode ser demorada. ser muito cuidadoso com relação às provas e testemunhas indicadas pelo cliente. rústico e vulgar. todas as coisas lhe parecem daquela cor. mencionando as possíveis conseqüências resultantes da demanda. tem também como objetivo o desestímulo ao que causou a lesão. com muita cautela. preparar o cliente. às regras de protocolo ou etiqueta”. com as próprias mãos. sem sombra de dúvida. (7ª VARA DE FAZENDA PÚBLICA / São Paulo) 3. para que não haja indeferimento do pedido e trivialização da matéria. A indenização. O advogado.

no entanto. consoante a Súmula Vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal.” As apurações preliminares. e. muitas vezes tem conhecimento do fato mas é conivente com ele. Alia-se a isso. pois não há que olvidar que as comissões de apuração preliminar no âmago do Estado são compostas por membros de confiança da diretoria. para que não haja desrespeito à Constituição e à legislação. . pode-se deduzir que a administração pública. 19 Decreto nº 54. é impessoal. Faz-se necessário. se. de 20 de fevereiro de 2009. sindicâncias e processos administrativos. no entanto. ou seja.050.50 pensamento com exemplar concisão: “O coração tem razões que a própria razão desconhece. esteja atenta aos procedimentos. que a Ordem dos Advogados do Brasil.050/2009. a nãoobrigatoriedade de defesa técnica. quando se trata de assédio moral. podem vir a lume diversas irregularidades e ilegalidades tão graves quanto o assédio ou mais graves do que ele –. passará a comissão a ser centralizada na Procuradoria do Estado. Veja-se o Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF. mas nos parece conseguir ser eqüidistante do problema. o advogado realizar a defesa técnica. por força do decreto paulista nº 54. cabe discutir a impessoalidade e a imparcialidade da administração pública no que se refere às apurações preliminares. Para não haver pessoalidade na apuração da questão – uma vez que. que hierarquicamente está acima do suposto assediador. 19 Na esteira do raciocínio de Zago (2001). principalmente as principiológicas. pois o não-cumprimento das normas do estado de direito colabora para o estabelecimento e a manutenção do estado autoritário. imparcial. no decorrer da apuração. No Estado de São Paulo a composição da comissão processante tem como presidente um Procurador. deverá atentar ao cumprimento de todas as normas. seção São Paulo. sindicâncias e processos administrativos devem ser considerados com muita cautela e vigilância. no que supostamente haverá marcada imparcialidade em relação às matérias lá processadas.

devolvemos a palavra à autora. buscando a melhor solução para o alcance do resultad o justo. processo administrativo e assédio moral.”.989. “[.112.. A autora menciona que: A impessoalidade na atividade administrativa caracteriza-se. Nesse sentido. Para retomar o problema do processo administrativo. entendemos que tanto o funcionário que realizou acusação de assédio como o suposto assediador devem receber acompanhamento de advogado qualificado na área de apuração preliminar.. é a determinação de objetividade. [§] [. Não depende necessariamente de valoração.”.] o princípio da impessoalidade é a proibição de trato subjetivo. pois. importante . reto. percebe que seu significado condiz com “aquele que julga desapaixonadamente. de 29 de outubro de 1979. que diz: “No processo administrativo disciplinar pode -se levantar o impedimento ou suspeição dos membros da Comissão Processante. tanto a Lei nº 8. Desse modo. de equilibrar interesses diversos ou antagônicos. que também têm o dever de fazê-lo e a faculdade de declarar-se suspeito ou impedido por motivos íntimos. é o sentido do interesse público. elaborou-se Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades. aduzem sobre a matéria. de sopesar.51 O trabalho de Zago (2001) é primoroso ao discutir sobre a impessoalidade e a imparcialidade no serviço público. se se pode levantar impedimento ou suspeição no processo administrativo. como ocorre com o princípio da imparcialidade. Estatuto dos Funcionários Civis do Estado de São Paulo.. agora buscando em Aurélio Buarque de Holanda a etimologia da palavra imparcialidade. (grifo da autora) Não pode a administração agir por interesses políticos.. de 11 de dezembro de 1990 – Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União –. para que não haja problema de nulidade ou visível parcialidade da comissão processante. A autora.] A imparcialidade condiz com a atividade de avaliar. públicos ou privados e interesses de grupos. justo”. pode-se fazê-lo também na apuração preliminar. que depende desta valoração para o alcance de uma ação de justiça e de equilíbrio. independentemente de qualquer interesse público. interesses particulares. Na Secretaria de Estado da Saúde. Entende-se que. pela valoração objetiva dos interesses públicos e privados envolvidos na relação jurídica a se formar. com eqüidistância e justiça. sindicância. como a Lei 8.

52 instrumento a observar no encadeamento procedimental da apuração preliminar. (Manual de Apuração Preliminar e as Penalidades) .

sem visão geral e a longo prazo. O processo 4. na sua ampla maioria. principalmente na área trabalhista. a Itália e a Austrália países pioneiros nesse campo. a Alemanha. do direito constitucional e previdenciário perpassando. Já a doutrina brasileira insere o tema. As maiores produções foram organizadas por estudiosos de linha conservadora. Já segundo Fiorelli (2007).53 4. traduzindo uma verdadeira „guerra psicológica no local de trabalho‟. principalmente. em determinados momentos. . caracterizada pelo „abuso de poder‟ e pela „manipulação perversa‟. O tema „servidor público‟ é pouco debatido em termos de estudos acadêmicos. que se limitam a tratar as fricções diárias do ponto de vista prático. Assédio Moral no serviço público Segundo Reis (2008). deixando que as contradições se esvaziem ou se acirrem nos vários níveis do serviço público e colaborando para que se estabeleça permissividade relativamente a certas práticas como o assédio moral. sendo a sua literatura escassa e. os degraus não cessarão de subir ao mesmo tempo que seus passos avançam” Kafka. sendo a Suécia. por outras disciplinas jurídicas. no âmbito do direito administrativo. [ sic] raros são os trabalhos publicados sobre o tema tratando-o de uma maneira abrangente. sem uma vivência cotidiana de servidor público voltado para a prestação de serviço público de qualidade à sociedade brasileira.1. A pouca literatura e a falta de debate sobre o tema servidor público dificultam o entendimento do problema pela liderança sindical e a gestora do setor público. ASSÉDIO MORAL NO SERVIÇO PÚBLICO “Enquanto você não parar de escalar. Novamente na esteira de Batalha (2009). administradores/gestores. os Estados Unidos. “O desgaste psicológico causado pelo assédio moral vem sendo estudado no mundo inteiro.

elementos de sua confiança. elas e suas chefias aguardam que o tempo solucione a questão. O drama encontrase no „tudo‟. [§] Nelas. [§] Para agravar a situação. [§] Agregue-se a isso o despreparo de inúmeras chefias para a missão de comandar pessoas – há aquelas que se encastelam em suas posições e sentem-se proprietárias do tempo e da alma dos subordinados. esse jogo de interesses. valem-se dos mais exóticos mecanismos para forçar esses profissionais a requerer aposentadoria ou a transferir-se para outros organismos. para essas posições. originou vasta quantidade de pessoas que viram suas competências desaparecerem e. „com vaga e tudo‟. descendente e horizontal e um campo fértil para os testes de inoculação. estadual. ancorados na ociosidade legalizada. nas Organizações Públicas existe a figura do „empréstimo de pessoal‟.54 Nessa área. que congrega um imenso contingente de profissionais. empenhadas na melhoria da produtividade. Judiciário). Consoante João (2006). As relações de trabalho relativas aos servidores públicos apresentam algumas peculiaridades que favorecem a ocorrência de práticas de assédio . Criada para dar conta de desesperadora necessidade de pessoal originária da combinação mórbida de orçamento reduzido e concursos inexistentes. um dos fatores essenciais no processo de assédio moral são as normas de movimentação de pessoal. os quais privilegiam. neutralizando a autoridade daqueles que são riscos para a estabilidade mórbida de sistemas improdutivos. enquanto os colaboradores percebem-se „permanentes‟. pois. os critérios de indicação de cargos de maior autoridade (aqui denominados chefias). O assédio moral espia. entidades que admitem seus colaboradores por meio de concurso que lhes dá o direito à estabilidade no emprego. o que dispensa maiores comentários. Empregados revoltados com a falta de produtividade e oportunidades profissionais e outros que se transformam em obstáculos. gerando naturais conflitos de interesses e personalidades. seja para que chefes ou colegas „livrem se‟ de pessoas-obstáculos empenhadas na desmoralização dos serviços. empregados que abraçam a causa do contribuinte e outros que aguardam monotonamente o advento da aposentadoria redentora. federal) e Poderes (Executivo. ainda que atuem em feudos temporários e elas mesmas possam retornar para a condição de simples colaborador. praticada ad nauseum em todos os níveis (municipal. [§] No serviço público convivem chefias altamente dedicadas com outras que têm por objetivo um trampolim para novos saltos. Conhecemos chefias que lutam para promover mudanças. além do mérito profissional. Surgem. [§] Chefias exemplares. e aquelas que buscam perpetuar o status quo onde se sentem confortáveis. Observe-se que as chefias sabem-se transitórias. seja para atuar em sentido inverso. em significativa proporção. conforme mencionado anteriormente. Legislativo. Referimo-nos principalmente às Organizações Públicas. incluem como importante variável a proximidade com os detentores de cargos eletivos. descompassos entre os processos de admissão dos colaboradores e os procedimentos institucionalizados de nomeação das chefias. sorrateiro. muitas vezes representados pela distância entre a busca do bem público por uns e a defesa de interesses político-partidários por outros. verdadeiros heróis. [§] Esse caldo administrativo compõe um laboratório para desenvolver os mais inusitados vírus de assédio moral ascendente. divorciaram-se dos objetivos de prestação de serviços que seriam sua razão de ser na atividade. Escoradas na legislação. empregando o conhecido jargão do serviço público.

Lopes (2009) defende que não haja diferenças significativas entre a ação de assediadores no universo público e a situada no privado. não foram. como.2007 –. sobre o problema do assédio moral (ex. sem que haja perspectiva de melhora em curto prazo.55 moral. o Governador do Estado interpôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) – 3980 – STF 172398.: http://www. em diversos sites.assediomoral. Em site sobre assédio moral intitulado “O assédio moral na administ ração pública”. algumas vezes estendidas ao próprio Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público. relativamente aos fundamentos constitucionais do veto. [§] Tomando-se como exemplo a lei municipal 13.250. Iracemópolis. Cascavel. Guarulhos. dificultando a governabilidade.288. por não se tratar de assédio moral.20 Existem várias cartilhas. b) a alternância de poder nas esferas da administração pública. sugerindo como devem portar-se a fim de que as demandas judiciais tenham êxito. ou por falta de provas. cuja liminar não foi concedida e cujo julgamento do mérito agora se aguarda. aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo. de testemunhas e do devido encaminhamento do processo. algumas destinadas a servidores públicos.org). ou seja. Campinas. de 10 de janeiro de 2002. 23. dois Estados tiveram suas leis aprovadas pela Assembléia Legislativa: São Paulo e Rio de Janeiro. por exemplo.) [§] Estes aspectos com certeza devem justificar o elevado número de leis municipais sobre assédio moral aprovadas por todo o Brasil.10. nº 12. (Grifos nossos. que os atuais gestores temem receber grande número de reclamações. opostas quaisquer razões jurídicas suficientes para afastá-los. . Em virtude da natureza 20 A relação de trabalho nas Secretarias de Estado de São Paulo é tão marcadamente conflituosa. uma vez que se trata de iniciativa de deputado da oposição ao governo. São Paulo e outros tantos projetos em andamento. Veja-se o Anexo II Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. Dentre estas destacamos duas de maior importância: a) a estabilidade conferida pelo artigo 41 da Constituição Federal. de 9 de fevereiro de 2006. em geral as leis municipais estabelecem a aplicação de penalidades administrativas em caso da prática de assédio moral nas dependências do local de trabalho. e que hoje tem vigência plena. que veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. Muitos procuram atribuir ao veto um caráter político. entretanto. [§] Na esfera Estadual. nos municípios de: Americana. Relativamente à lei paulista. uma vez que muitas das ações ajuizadas são frustradas ou por equívoco de configuração do problema. indireta e fundações públicas.

onde tudo é justificado em nome da guerra para sobreviver. mas sua importância é a mesma dentro do quadro do funcionalismo. Freitas (2007). torna o comportamento decente e democrático uma falha ou uma debilidade em face da . pelo fato de que na administração pública existe não relação patronal direta.] e ainda estabelece a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal. devendo aplicar seu poder disciplinar sobre seus subordinados. em que os chefes são seres intocáveis e inquestionáveis. Na administração Pública. para restabelecer a ordem no ambiente de trabalho”. porém. coibindo e punindo casos de assédio moral. objetivando que o serviço público alcance seu objetivo maior. constituída principalmente para estabelecer um grau de responsabilização e ordem. Suas funções são diferenciadas apenas por questões de organização. e não porque é agente de menor ou maior capacidade do que o funcionário numa função acima da sua. simplesmente por querer humilhar seus subordinados. dentro de sua categoria. Disso Lopes (2009) conclui que “o servidor somente tem a condição de subordinado em relação ao princípio orientador da hierarquia entre a instituição e a função.. [§] [. citado por Lopes (2009). Ele não pode compactuar com expedientes odiosos. o assédio é considerado mais grave. analisando as organizações como palcos de interpretações e de ações de indivíduos e grupos.56 do serviço público. Segue o autor dizendo que: A relação patronal no serviço público reside no dever do [ sic] agente público tratar com respeito. Este é o verdadeiro „patrão‟. A distribuição dessa hierarquia é questão de organização da Administração Pública e também modo de operação dos atos e não uma divisão de castas de pessoas ou funções.] [§] O gestor público tem o dever de zelar por um bom ambiente de trabalho. e sim de função dentro da organização estatal. mas. [§] Conclui-se que a hierarquia não significa superioridade de cargo ou pessoal.] [§] Não se pode admitir um funcionário de grau hierárquico maior prejudicar toda uma administração. que é o bem comum. o agente público está sujeito ao princípio da hierarquia. hierarquia que deve ser respeitada. segundo Hely Lopes Meirelles.. [..]é o princípio da administração pública que distribui as funções dos seus órgãos ordenando e revendo a atuação de seus agentes [.”. sim. considera que um ambiente em que existe competição exacerbada. todo um bem elaborado sistema de controle de trabalho.. [§] [.. A hierarquia no serviço público. gera permanente pretexto para que exceções sejam transformadas em regras gerais. o funcionário dos serviços gerais tem a mesma importância que um chefe de gabinete e. Na relação de trabalho.. é igual hierarquicamente a outros. decoro e urbanidade todo e qualquer cidadão. que custeia a remuneração do agente público por meio do pagamento de tributos.

muito embora seja cediço problema de saúde pública. 4. a longa permanência é motivada muitas vezes por benefícios que. gerando-se conflito e eventual abuso. este deve resistir à pressão e recolher provas. muitas vezes o investido do cargo de chefia é advindo de outro ente federativo com determinada incumbência ideológicopartidária. . pois. outras vezes se trata da falta de Planos de Cargos. o assédio moral. entre outras atitudes que Batalha (2009) consubstancia no que chama “dez conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público” e aqui serve de inspiração para o que chamamos “onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público ”. Segundo relato de Thome (2008). vão incorporando-se ao salário. (grifo nosso) Parece que. Veja-se o Anexo IV “Onze” conselhos úteis para configurar e argüir com sucesso o assédio moral em face do servidor público. Carreiras e Salários (PCCS). É pertinente. por exemplo. em função do tempo de permanência no cargo. verifica-se essa realidade apenas em parte pelo ethos intocável e inquestionável das chefias: no Estado de São Paulo.1. Nesse sentido. algumas com inclinação ideológica partidária. que lança o funcionário público em luta pelo poder administrativo e político e pela manutenção em tal poder. que aqui estudemos o assunto. haja vista a preocupação internacional com o tema focado no setor da saúde pública.57 tirania dos intocáveis. Assédio Moral na área da saúde pública “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal É que os homens nada façam” Edmundo Burke Em nosso meio. quando os conflitos geram o assédio moral. pouco tem sido objeto de estudo.1. percebido pelo servidor público. no serviço público. chefias permanecem nas Secretarias durante décadas.

Os limites dessas interpretações são geralmente estipulados ou guiados pelas regras.] pressupomos que o assédio ocorre não porque os dirigentes queiram que ocorra. uma instância que impeça e puna essas ocorrências perversas.. [§] Posteriormente.58 Em 2002. pelas normas. do que é necessário. Na vida organizacional fazemos muitas interpretações e leituras da realidade. ou seja. nem na autoridade. da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Internacional de Serviços Públicos (ISP) adotou as „Diretivas gerais sobre violência no trabalho no setor de saúde‟. na 288ª sessão.] Terceirizações podem gerar conflitos entre os funcionários efetivos e os prestadores de serviços. criando um . Depois de longas discussões. [§] Quando da realização de tal instrumento.] É da natureza das organizações a busca de um comportamento controlado de pessoas e de grupos. a ausência de limites nos sugere que a fronteira é subjetiva e flexível ou que podemos empurrá-la um pouquinho para lá se isto for conveniente ao nosso objetivo ou ainda que o único julgamento de nossa ação é o resultado prático atingido.. o conjunto de diretivas práticas sobre a violência no trabalho no setor de serviços foi adotado e o Conselho de Administração. perdendo-se uma oportunidade para normatizar.. no âmbito da Organização Internacional do Trabalho. os efeitos psicológicos de condições perniciosas de trabalho. favorecem ou dificultam interações mais saudáveis e produtivas.. foi decidido que o estresse não seria incluído no preâmbulo do documento mencionado. do Conselho Internacional das Enfermeiras – Conseil International des Infirmières (CII). autorizou o Diretor-Geral a publicar tal documento com o nome de Repertório de diretivas práticas da OIT sobre a violência no trabalho no setor de serviços e meios de combater o fenômeno (Recueil de directives pratiques de l’OIT sur la violence au travail dans le secteur des services et moyens de combattre le phénomène). Os peritos trabalhadores não concordavam com tal assertiva. e algumas condições internas. Freitas (2007) realiza interessante análise do problema do assédio moral ao considerar que: [. A autora acredita que não existe organização perfeita. A alegação era de que os precedentes jurídicos já haviam estabelecido uma relação de causalidade entre uma carga de trabalho excessiva e o estresse.. Esse instrumento tem como escopo a redução ou eliminação da violência no trabalho no setor de serviços. mas porque eles não dizem que não querem que ele ocorra. pelos regulamentos e também pelas nossas consciências. do que é certo. que: [.. próprias da definição e do controle da organização do trabalho. (grifo nosso) Acreditamos que o assédio moral ocorre porque ele encontra um terreno fértil e que tende a se cristalizar como uma prática porque os seus autores não encontram maiores resistências organizacionais nem nas regras. um programa conjunto do Bureau International du Travail (BIT). do que é desejável. uma vez que tinham a intenção de incluir o estresse em tal documento. do que é possível. [§] . a comissão de peritos empregadores afirmou que era difícil definir se o estresse estava relacionado ao trabalho ou à vida privada do empregado. nem na filosofia.

O processo de resposta ao problema do assédio está. publicou matéria sobre o tema. ou seja. para que seja orientado e não se comporte de modo a dificultar a sua defesa. Verifica-se que..59 ambiente de primeira e segunda classes para algumas categorias. envolvidos todos os profissionais de nível superior da área da . o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. verificando-se os traços gerais nela recorrentes. ao contrário. como se um diretor ou chefe de setor o partilhasse com outro.]”. em 2005. perversamente. e o funcionário fica à mercê dessa conduta perversa da chefia. a presença de funcionário de sua confiança. É por isso que o assediado deve buscar a ajuda de um advogado. o que daria margem a configurar maneira de apurar a prática. dando-se a sensação de falta de criatividade dos assediadores. caminha-se no sentido correto. Repete-se porque há pouca reclamação. embora possam ser observadas na área de saúde do serviço público paulista. Vários órgãos de classe e sindicatos da área da saúde ainda estão pouco atentos para o problema do assédio moral nas áreas pública e privada. em ação de vanguarda. impõem. não obstante. para eventualmente testemunhar contra o funcionário. então. ou como se o próprio ambiente propiciasse o exercício de determinado tipo de assédio moral. Entendemos que é um tema a ser discutido no Fórum dos Conselhos de Fiscalização de Atividade Fim da Saúde do Estado de São Paulo. mas a velocidade é lenta. haja vista ao fato de que poucos dirigentes têm sido apenados exemplarmente por assédio moral tanto individual como coletivo. e houve resposta rápida de alguns colegas identificando-se com o conteúdo da matéria. ainda aquém do necessário. pois se repete o modus operandi nos locais de mesma coordenadoria. do sindicato etc. várias características do assédio moral assumem formas peculiares e dimensionam-se em graus diferentes de um local para outro. Atualmente o trabalhador deve estar alerta: os dirigentes assediadores ou dirigentes que deveriam tomar medidas contra o funcionário assediador muitas vezes não permitem que o assediado esteja acompanhado durante conversas com a chefia.. no entanto. a fórmula parece que está certa.. o que estimula humilhações e exclusões [. há perceptível recorrência na prática desse ato ilícito. Ao mesmo tempo. a chefia se protege.

Uma publicação sobre a violência ocupacional em serviço de urgência hospitalar da Cidade de Londrina demonstra que 16. Idem. 2006. sujeita-se a se omitir de desempenhar plenamente sua função. muito embora a amostra tenha sido de 12 e 7 profissionais respectivamente. O objeto de estudo do referido trabalho acadêmico centra-se na violência ocupacional. entre outras. 21 22 Conselho Regional de Farmácia. o profissional da área da saúde pode estar sujeito tanto à violência interna. tais dados informam ainda que essas violências desencadeiam e perpetuam “violências menores”: negligências. praticada. publicou-se. ensejo para capitanear o debate com os demais funcionários da área e seus órgãos representativos. apontando o assédio moral praticado no trabalho como espécie pertencente ao gênero violência ocupacional. as agressões e os homicídios nos locais de trabalho. atendimento fragmentado. o profissional realiza práticas que normalmente não realizaria e. 2005 . imperícias.”.60 saúde. matéria sobre a necessidade de iniciar processo de discussão sobre a defesa das prerrogativas desse profissional. 22 Outros profissionais também relatam que o assédio moral faz parte de seu cotidiano no trabalho. Assim. . a humilhação. o assédio moral pode levar o profissional a certa permissividade ética à qual ele não teria tolerância em condições de ausência do assédio: por medo de perder o emprego. 21 No caso do assédio moral especialmente exercido sobre o farmacêutico que atua na área pública. Veiculados por Cezar (2006). pelo desejo de eliminar o mal-estar gerado pelo assédio. Produto dessa preocupação. na Revista do Farmacêutico. Técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem relataram ter sido vítimas também de violência no trabalho. baixa auto -estima. ao invés de trabalhar como guardião das normas sanitárias e éticas. O autor menciona que “O expressivo número de trabalhadores do setor de saúde que são atingidos pela violência em diversos países chamou a atenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de outras instituições que estabeleceram diretrizes para combater o medo.7% dos médicos e 30% dos trabalhadores de enfermagem relataram assédio moral. assim como sobre outros profissionais que também trabalham em área da saúde susceptível à pressão externa ao órgão público. dados preocupantes.

Por exemplo. por meio do qual o Deputado Carlos Neder auferiu informações a respeito de denúncia de abuso de poder e assédio moral realizado por funcionário do Gabinete da Secretaria de Estado da Saúde. saber sobre o andamento do problema. têm sido realizadas pela Assembléia Legislativa. A denúncia em tela foi realizada por funcionário que não quis identificar-se. contudo. . não se conseguiu. Algumas iniciativas. a ausência de uma Justiça do Trabalho que possa dirimir os conflitos e a ausência de outros mecanismos efetivos de mediação e arbitragem explicam também a recorrência do conflito no serviço público da área da saúde. desde que agisse politicamente independente e afinado com os eleitores. o de nº 24 de 2007. por medo de represálias. como à violência externa. a dos pacientes e parentes ou amigos dos pacientes que exercem agressões verbais e físicas. no entanto. 23 23 Requerimento Carlos Neder – ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. A ausência de convenções coletivas ou de acordos coletivos de trabalho. por meio do assédio moral e da competição entre colegas. interpôs-se requerimento de informação. Quem deveria exercer esse papel é o poder legislativo.61 a título de exemplos.

é exemplo de elemento que pode ser usado como fator de ameaça ao trabalhador e muitas vezes é acionado como ferramenta configuradora do assédio moral. os conselhos de saúde. os conselhos de fiscalização de classes e as associações de funcionários públicos propiciam o assédio moral. Ademais. ironicamente. uma vez que sói não haver resultado efetivo. uma vez que o pessoal da administração. . principalmente porque o assediador muitas vezes apresenta discurso aparentemente inofensivo. fato recorrente e perigoso. derivado de mob. processos endógenos –. “bando” ou “plebe”. pouco efetivos e há descrença na punibilidade dos assediadores. Os mecanismos de combate são. indício de pejoratividade. de modo que muitos dos processos administrativos. amigável. não chegando à apreciação do judiciário. O sistema de avaliação de prêmio-incentivo utilizado na Secretaria de Estado da Saúde. que significa “horda”. por falta de diálogo com os funcionários. no entanto. muitas vezes não tem conhecimento do que ocorre na repartição ou setor. que está acima da diretoria. a falta de discussão e a falta de programas de atuação entre os sindicatos. A isso acresce que a falta de solidariedade no serviço público faz que haja proliferação do assédio moral tanto individual quanto coletivo. dando-se margem. dissonante com a prática do assédio. A essa possível sutileza do modo de realizar o assédio moral se contrapõe a prática grosseira.62 CONSIDERAÇÕES FINAIS Determinados órgãos da administração pública são verdadeiros feudos. associada ao medo de perseguição mais violenta. que filtra e manipula as informações. Ardis que tais podem não ser percebidos pelo assediado. além de ser instrumento pouco adequado para bem avaliar o funcionário. como fator amenizador do problema. a que o assediador possa ser transferido ou até mesmo promovido. que é o que ocorre na maioria das vezes. fazendo jus ao nome mobbing. onde a diretoria técnica e administrativa tem poder incontrastável. sindicâncias e apurações preliminares permanecem exclusivamente em sede administrativa – os assim chamados processos internos.

e os dirigentes de sindicatos e conselhos de fiscalização profissional devem estar sensibilizados quanto à extensão do problema. dispor de preparo. Observam-se hoje na área da saúde pessoas no comando há cerca de quinze anos. administrativa e até psicológica. entendemos que a ouvidoria não é instância legítima para averiguação do assédio moral. desde que estas cumpram determinados acordos. A dificuldade está. parecem compostos por “castas intocáveis”. protegem-na somente nos casos em que se têm evidências concretas o mais possível. pois há um natural desgaste político e administrativo. alternando-se nas respectivas funções sem a devida competência. A falta de mudança política no governo em todos os níveis também propicia a existência de uma “casta” de pessoas que vão perpetuando -se. de casamento e de nepotismo. existem mesmo certos modos de proteção contra o assédio moral no serviço público: são as relações interpessoais de amizade. Tanto a Delegacia Regional do Trabalho – Núcleo de Promoção de Igualdade e de Combate à Discriminação –. policial. porque os instrumentos legais postos à disposição da vítima ainda não estão bem sedimentados: em princípio. que guardam privilégios para os dirigentes. que podem incluir a desconsideração da gravidade de determinados problemas. é necessário que haja órgãos ativos que o protejam. exatamente no fato de que no mais das vezes o que se tem são elementos de prova pouco consistentes para configurar o assédio. como contraponto da fragilidade da assistência ao assediado. pessoal capacitado e local adequado para o acolhimento e encaminhamento das reclamações nas instâncias jurídica. entre vários. Antes disso. perfil ou capacitação. muitas vezes permanecendo impune. não basta haver somente legislação que proteja o servidor público. de namoro. Quanto ao agressor.63 Associações e sindicatos de trabalhadores do serviço público. De qualquer modo. pois. necessitando-se de uma alternância de poder. quanto a Secretaria de Estado da Saúde – que deveria conter uma área no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador que acolhesse as reclamações sobre o assédio moral – são muito incipientes. as relações . sua ação raramente é percebida ou combatida pelos outros funcionários.

No âmbito interpessoal. devem existir espaços para discussão e orientação dos trabalhadores. deve-se. além de receber as penas previstas na legislação. antes de tudo. Na outra ponta do problema. para se ajustar . seja ele vertical (descendente ou ascendente).64 associativas de sindicato. incrementando as comissões de saúde do trabalhador (Consat e Cipa). mas também para estabelecer uma linha de apreciação do que não se deve permitir na sociedade. que devem atentar ao problema do assédio moral. das condições adequadas de trabalho e do pleno desenvolvimento profissional do trabalhador. entretanto. e as relações de apadrinhamento político. de partido político. É importante. de conselhos de fiscalização de classes. ou relativamente protegido. cultivando-se os valores éticos da organização. com punição. Nesse sentido. quando do desfazimento da relação. fomentar o debate sobre o assédio moral em vários fóruns. para isso. No âmbito legal. deve ser psicologicamente amparado. A prática do assédio moral deve ser séria e exaustivamente investigada e exemplarmente combatida. horizontal ou misto. e expondo-se o conteúdo das leis sobre assédio moral em locais de fácil acesso visual. que se procure despertar a solidariedade entre os trabalhadores. Por meio delas o servidor se sente protegido. a possibilidade de indenização pecuniária deve ser considerada quando se verifica que a organização falhou na obrigação de implementar meios eficazes de denúncia. não só para punir. muito embora haja casos em que qualquer um daqueles tipos de relações tenha funcionado de maneira contrária. que atuam de maneira ainda muito tímida em relação ao tema. Ponderado o problema. que devem ser expressos em regulamentos nas repartições. para enfrentar esse e outros problemas nas repartições. indicando-se o valor que se deve dar a determinado fato. conscientizando-se os funcionários e as chefias sobre o problema. ora propomos um conjunto de sugestões. apuração e recomposição da auto-estima. deve-se demandar mais direta e intensamente o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. o papel do judiciário é de fundamental importância na apreciação do caso concreto. O agressor. então. códigos de ética elaborados e discutidos com os próprios funcionários.

Não se trata. deve haver acompanhamento da direção. de tentativa de ponderar o problema. para que não venha a repetir-se a conduta do assédio moral.65 à sua atividade ou para integrar-se a outra. de proposição maniqueísta. buscando-se estabelecer boas condições laborais e saudáveis relações interpessoais. . pois. sim. trata-se. santificação do assediado e demonização do assediador.

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]. o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou o entendimento do poder Judiciário em um tema que envolve mais de 25 mil processos em [. .. da sua 5ª Súmula Vinculante.71 ANEXOS Anexo I: Súmula Vinculante nº 5 STF Redação da nova súmula vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição” Com a aprovação..

122 (funcionário público federal) Lei Estadual 3921 1990 Estado do Rio de Janeiro 23.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo 09/01/2006 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. Lei/Projeto de lei/ Decreto Lei 13.2002 Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da administração pública municipal direta e indireta por servidores públicos municipais.01.2002 Origem Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Administração Pública Municipal Direta e Indireta por servidores públicos municipais Lei 1. e dá outras providências.972 Lei 12. empresas públicas e sociedade de economia mista.2002 Veda o assédio moral no âmbito dos órgãos. Lei 8.94 7. autarquias. repartições ou entidades da administração. Projeto Lei Federal 2001 . Veda o assédio moral no âmbito da administração pública municipal direta e indireta nas autarquias e fundações públicas.8. Públ.288 Ente da federação São Paulo Data 11.171 Lei 3. Lei 3508.72 Anexo II.163 Decreto Regulamentador 1. indireta e fundações públicas. executivo ou do poder judiciário do Estado do Rio de Janeiro. lei Federal 4. Decreto 1. Mun.6.11.4.2002 Dispõe sobre aplicação de penalidades à prática de “assédio moral” nas dependências da Adm.134/2001 Proj. fundações.6. do poder legislativo.591 Proj. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou de interesse público.Previsões administrativas do assédio moral nas relações de trabalho envolvendo o serviço público. Lei Federal 5.409/âmbito municipal Campinas 4. direta e indireta por servidores públicos municipais.671/ âmbito municipal Código Ética Profissional do Servidor público Civil do Poder Executivo Federal Americana 22.250 Iracemópolis/SP 24.42/âmbito municipal Guarulhos Lei 11.

fundações. indireta e fundações públicas.972 Lei nº12. Projeto de lei 4. 09 de fevereiro de 2006 1990 Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta. e dá outras providências. empresas públicas e sociedades de economia mista.213 1991 Equipara ao acidente de trabalho as doenças profissionais e as doenças do trabalho Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral nas dependências da Administração Pública Municipal Direta.163 Decreto Regulamentador 1.921. Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de assédio moral no âmbito da administração municipal e dá outras providências.134/2001 Proj. aprova e o Governador do Estado sanciona a seguinte lei complementar: Art. Dispõe sobre assédio moral na administração estadual do Rio Grande do Sul. repartições ou entidades da administração centralizada.591 Lei 2. 144. de 15 de outubro de 1990. Rio de Janeiro 23 de agosto de 2002 Lei Complementar nº 12.250 Iracemópolis/SP 24. Lei Federal 5.982 Servidor Federal Jaboticabal/SP 17/12/2001 Lei 1078 Sidrolandia/MS 05/11/2001 Lei 1.2000 União (servidores federais) 2001 2001 Estado de São Paulo Lei 8.122 (funcionário público federal) Lei nº 3. A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO. autarquias. Indireta. inclusive concessionárias e permissionárias de serviços estaduais de utilidade ou interesse público. Autárquica e Fundacional. do poder legislativo. 1º Fica acrescido o inciso XIX ao Art.73 5970 Lei 8." . por servidores ou funcionários públicos municipais efetivos ou nomeados para cargos de confiança.561 Lei complementar nº 4 Rio Grande do Sul 12 de julho de 2006 15 de outubro de 1990 Mato Grosso Veda o assédio moral no trabalho.assediar sexualmente ou moralmente outro servidor público. com a seguinte redação: "XIX . lei Federal 4.4. de 15 de outubro de 1990. tendo em vista o que dispõe o Art. da Lei Complementar nº 04. no âmbito dos órgãos. Acrescenta dispositivo à Lei Complementar nº 04. executivo ou judiciário do Estado do Rio de Janeiro.591 Proj. 45 da Constituição Estadual.

no Código Penal Brasileiro . de 7 de dezembro de 1940 Código Penal.666. dispondo sobre o crime de assédio moral no trabalho.819 Bahia 2002 Projeto de Lei Projeto de Lei nº 128 Ceará Espírito Santo 2003 2002 Dispõe sobre o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta.326 Federal 2004 Dispõe sobre a criação do Dia Nacional de Luta contra o Assédio Moral e outras providências Lei 11.848. anualmente. Reforma do Código Penal. sobre coação moral. das autarquias e das fundações públicas federais a seus subordinados. Veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual. no dia 2 de maio Projeto de lei nº 4. Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 2.BNDES e dá outras providências. Projeto de reforma da Lei 8112. e dá outras providências Projeto de Lei Lei 13036 Pernambuco São Paulo s/d 29 de maio de 2008 Visa vedar a prática de assédio moral no âmbito da administração pública estadual Artigo 1º . sobre assédio moral Federal Dispõe sobre a aplicação de penalidades à prática de "assédio moral" por parte de servidores públicos da União.74 Projeto de Lei nº 12. de 7 de dezembro de 1940 . de 2008 Projeto de lei Federal Projeto de lei Federal Introduz artigo 146-A. indireta. de 11 de dezembro de 1990 Projeto de lei Federal Projeto de reforma da Lei nº 8.. a ser comemorado.948 Federal 16 de junho de 2009 Constitui fonte adicional de recursos para ampliação de limites operacionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social . sobre .Decreto-lei nº 2848.112. Dispõe sobre assédio moral no âmbito da administração pública do Ceará. indireta e fundacional. direta. alterando a Lei nº 8.Fica instituído o "Dia Estadual de Luta Contra o Assédio Moral nas Relações de Trabalho". fundacional e autárquica e dá outras providências. Conversão da Medida Provisória nº 453.

e institui o Cadastro Nacional de Proteção contra a coação moral no emprego. Iracemópolis/SP. de 21 de junho de 1993.452. Cruzeiro/SP. (site www. São Paulo/SP. Bahia. Espírito Santo. Campinas/SP..666./SP.. de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) Dispõe sobre assédio moral nas relações de trabalho Projeto de lei nº 2. Guararema/SP. da Constituição Federal. Natal/RN.970 2001 Sobre coação moral Altera dispositivos do Decreto-Lei nº 5. Ribeirão Pires/SP. Ceará. Guaratinguetá/SP.369 Federal 2003 Estados e municípios tais como: São Paulo. Americana.Guarulhos/SP (. 2004). Projeto de lei 5. inciso XXI. Rio Grande do Sul. São Gabriel do Oeste/MS.assediomoral. Amparo/SP. e Vitória/ES. Jaboticabal. Curitiba/PR. Sidrolândia/MS. Rio de Janeiro. São José dos Campos/SP.org) . institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências". que "regulamenta o art.75 coação moral Altera dispositivos da Lei nº 8. Reserva do Iguacú/RS. Porto Alegre/RS.(MASCARO. Cascavel/PR. 37.

. críticas)..e. mulheres. etc.Quadro comparativo entre Assédio em geral e assédio moral. etc. especialmente com agressores. ainda que possam ser utilizadas na privacidade Quase sempre há um elemento de A fase do assédio moral é o controle possessão e a submissão. ou muito pouco. Trata-se de uma discriminação que é baseada na competência. Raramente é um único incidente e tende a ser uma acumulação de muitos pequenos incidentes A vítima pode não perceber que está sendo assediada por semanas ou meses – até que ela tem um insight Poucas pessoas podem reconhecer um assédio moral Está normalmente ligado a raça. Tende a focalizar nos indivíduos. intrusões no campo pessoal e possessões. sexo e raça) posses (inveja) e na popularidade (ciúme. imagem e sem testemunhas do “machão”. famosa e vulnerável (e. palavras ofensivas raramente aparecem. e.. especialmente se ela for competente.g. etc.g. pelo que eles são(e. em poucos incidentes ou em muitos incidentes A vítima sabe imediatamente que está sendo assediada Todo mundo pode reconhecer um assédio...g. quando isso falha. negros. a portas fechadas de obter aprovação pública.) Assédio moral Predominantemente psicológico (e. Acontece tanto no trabalho quanto Na maioria das vezes.g. especialmente se há uma agressão.g. Qualquer pessoa pode ser vítima. Pode consistir em um único incidente. medo de ser excluído do grupo) Geralmente é feito com a finalidade Tende a ser secreto. viver sozinha. que precisa primeiro ser controlada e subjugada.g.. discriminação. estar se separando do cônjuge. ter mais de 50 anos. ter alto salário) Sexo e raça não influenciam. deficientes. precisa ser eliminada . acontece no fora dele trabalho O alvo é percebido como algo fácil O alvo é percebido como uma ou então como um desafio ameaça.76 Anexo III. sexo. a segunda fase é a eliminação do alvo Quase sempre tem um foco bem claro O foco é na competência ou nas (e. se isso não funciona. Assédio em geral Tem um grande componente físico. contatos e toques em todas as formas. indecente ou sexual Revela-se freqüentemente através do uso de vocabulário ofensivo Revela-se por meio de críticas triviais. pode se tornar físico mais tarde. falsas alegações de incompetência ou até mesmo por falsos elogios. mas quase nunca com agressoras. ter compromissos financeiros sérios.

g. .. sexual) Fonte: UK National Workplace Bullyng Advice Line citado por Schmidt-2001.77 Geralmente é dominação para que seja manifestada a superioridade do agressor O agressor não tem autodisciplina O objetivo é o controle do assediado. agindo com grande autodisciplina O agressor é deficiente na área de qualidades interpessoais O agressor geralmente tem incompetências específicas (e. porque ele constitui uma ameaça O agressor é um invejoso (das habilidades ou das posses) ou ciumento (das relações pessoais).

78 Anexo IV . O temor de represálias e da demissão.“Onze conselhos úteis para configurar e argüir com êxito o assédio moral sobre o servidor público” [adaptado de Batalha (2009)]. para isso. a seguir: 1º Conselho: Paciência. tudo explicitado. é preciso que o assediado lance mão de suas licenças de saúde. que. Aqui se delineia uma linha de conduta para argüir o mobbing consubstanciado na paciência. para isso. e este só irá libertar o assediador do problema. juros. custos consubstanciados no tempo empregado pelo assediador para arquitetar novas formas de oprimir ou perseguir. os ressarcimentos por causas civis aos funcionários assediados. capacitação. as ações contra assediados custam à Administração Pública. assim. cerca de 190% da remuneração anual bruta de um funcionário. para isso. no contabilizar dos gastos médicos. no atestar dos danos à saúde. Torna-se necessário que se documente as ações assediantes contra o assediado. SE contar que. só se facilitará o caminho para o assediador. tas como: abuso de poder (atacável por Mandado de Segurança). Em relação aos ilícitos administrativos. o tempo correrá a seu favor em forma de lucros cessantes. na denúncia ao Ministério do Trabalho e na denúncia ao ministério da Saúde. para buscar a tutela jurisdicional com tranqüilidade. é imprescindível documentá-lo. . no assédio moral transversal ou horizontal são os próprios colegas os assediadores. ameaças (crime de ameaça). 3º Conselho: Documente-o. É imprescindível. pois. É preciso. vias de fato. Na configuração do assédio moral. no registrar diário das ocorrências. difamação e calúnia (crimes contra a honra) e lesão corporal. o funcionário recolha documentação sobre as ações sofridas. os colegas se afastam pra que a Agressão de Estado dirigida À vítima não os afete. 4º Conselho: Arregimente testemunhas. e na busca da tutela jurisdicional. em geral. É imprescindível a paciência na caracterização do dano. prêmio. no arregimentar de testemunhas. 2º Conselho: Resista. danos ao patrimônio e falsificação. os dias de trabalho perdidos em razão da licença por causa da Agressão de Estado as custas decorrentes de tratamentos de funcionários doentes em razão do assédio moral no serviço público: perda de funcionários competentes e produtivos. mister se faz. em termos de Know how. neste contexto. não se pode prescindir do testemunho de colegas. no destemor. no recolhimento de provas documentais. correção e mora. danos emergentes. pois. pois. elas se consubstanciam em ações por infrações penais e administrativas. férias. também deve ser evitado. pois. Assim. a substituição do funcionário dispensado tem custos para a Administração. arregimentar aliados o que não é fácil.

encaminhando ao órgão competente. do Ministério do Trabalho e do Emprego. Isso poderá ajudar a identificar os danos causados e a configurar o assédio com vistas à indenização. 109. da Portaria 604.79 5º Conselho: Organize um diário. 109. Outra maneira de configurá-lo é protocolá-lo. se tornou um caso de saúde pública. Faça uma relação dos distúrbios físicos e psíquicos todos documentados e atestados dos danos que o assédio venha causando à vitima. bem como os prejuízos pecuniários. trata-se de direito amparado pelo habeas data. A denúncia do mobbing é necessária para evitar que o fenômeno se propague. para isso deve-se escrever a história pessoal de assédio moral sendo claro e conciso. em questionamento escrito. rádios. autor. Em São Paulo o endereço é: Rua: Martins Fontes. civil ou federal para requerer . de 1 de junho de 2000. Na escolha entre procedimento penal. há que se buscar as vias legais: neste caso o tempo conta a seu favor. Muitas vezes não virá resposta. Por fim. tudo devidamente comprovado. mas isso pode ser suficiente para provar uma ação “mobizante”. resultantes dos mesmo. 8º andar . pessoas presentes. Aos servidores Celetistas e funcionários do serviço público é possível denunciar o assedio moral no Núcleo de Discriminação do Trabalho na Delegacia Regional do Trabalho. Pois. Centro 10º Conselho: Busque as vias legais. fazendo uso de jornais. este. Outro direito que assiste aos “mobizados” é obter cópias de documentação que existem nos assentamentos individuai os. 8º Conselho: Denuncie na Delegacia Regional do Trabalho. que institui os Núcleos de Promoção e Igualdade e Oportunidades e de Combate à Discriminação em Matéria de Emprego e Profissão. descrição da ação assediante. VI. 6º Conselho: Protocole-o. 7º conselho: Reúna provas.Núcleo de Discriminação do Trabalho. 9º Conselho: Denuncie o assédio moral junto ao Ministério da Saúde. hora. II. associações de classe denunciando fatos reais e documentados. Setor de Assédio Moral Esse comando vem da art. Em São Paulo o endereço é: Centro de Referência de Saúde do Trabalhador: Rua Martins Fontes. Uma ótima sugestão para a documentação é ter um diário de cada ação “mobizante”. 2º. pela qual se indique data. Denuncie o assédio moral junto às Coordenadorias Estaduais de Saúde do Trabalhador.

danos morais e materiais. pois o assediado na maioria das vezes está fragilizado e tem dificuldades de entender o emaranhado de órgãos públicos e pode se estressar com isso. dano patrimonial. Neste último caso. preferencialmente seu advogado faça esta busca.80 indenização por dano biológico é preferível o procedimento cível para a reparação do dano biológico. de reintegração. re-enquadramento. os órgãos públicos muitas vezes são difíceis de serem encontrados. se poderá também documentar o dano ao Erário público por aquele que o prejudicou pela agressão de Estado. Depois de começado a jornada. 11º Conselho: Paciência dupla. No caso federal. moral e lucros cessantes. . indenização por danos. é importante que uma terceira pessoa. lucros cessantes.

desde que a cobrança não tenha apoio em lei. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. custas. Art. a qualificação do acusado e o rol de testemunhas. d) à liberdade de consciência e de crença. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal. nos casos de abuso de autoridade. se as houver. custas. no máximo de três.Abuso de autoridade. . d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada. b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada. 4º Constitui também Abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança. emolumentos ou de qualquer outra despesa. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. no exercício de suas funções. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. Art. a respectiva sanção. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965 Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. quer quanto à espécie. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto. e) ao livre exercício do culto religioso.657. de 5/6/1979) Art. A representação será feita em duas vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade. (Alínea acrescida pela Lei nº 6. quer quanto ao seu valor.81 Anexo V. Parágrafo único. imediatamente.898. c) deixar de comunicar. com todas as suas circunstâncias. b) à inviolabilidade do domicílio. emolumentos ou qualquer outra despesa. c) ao sigilo da correspondência. contra as autoridades que. cometerem abusos. CÂMARA DOS DEPUTADOS Centro de Documentação e Informação LEI Nº 4. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição: a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar à autoridade civil ou militar culpada. permitida em lei. são regulados pela presente Lei. f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem. i) à incolumidade física do indivíduo. h) ao direito de reunião. f) à liberdade de associação.

de natureza civil. 7º Recebida a representação em que for solicitada a aplicação de sanção administrativa. por prazo de um a cinco anos. poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória. b) repreensão. A ação penal será iniciada. i ) prolongar a execução de prisão temporária. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. § 2º A sanção civil. d) destituição de função.711. . § 2º Não existindo no município. por denúncia do Ministério Público. ainda que transitoriamente e sem remuneração. § 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem a cinco mil cruzeiros. a bem do serviço público. estaduais ou federais. denunciará o réu. Art. À ação civil serão aplicáveis as normas do Código de Processo Civil. Art. e requererá ao Juiz a sua citação. convertida na Lei nº 7. que estabeleçam o respectivo processo. c) suspensão do cargo. função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias. Art. Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima. civil ou militar. § 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. poderá ser promovida. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade. independentemente de inquérito policial ou justificação. de 21/12/1989). a responsabilidade civil ou penal ou ambas. § 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil. Vetado. a designação de audiência de instrução e julgamento. (Alínea acrescida pela Medida Provisória nº 111. para os efeitos desta Lei. consistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros. Art. § 1º A denúncia do Ministério Público será apresentada em duas vias. f) demissão. de pena ou de medida de segurança. caso não seja possível fixar o valor do dano. da autoridade culpada.82 h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. Art. pela vítima do abuso. aquele. de qualquer categoria. no prazo de quarenta e oito horas. ou militar. civis ou militares. Art.960. as disposições dos arts. § 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. § 1º O inquérito administrativo obedecerá às normas estabelecidas nas leis municipais. desde que o fato narrado constitua abuso de autoridade. 13. no Estado ou na legislação militar normas reguladoras do inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente. bem assim. 9º Simultâneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela. de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos. instruída com a representação da vítima do abuso. 219 a 225 da Lei nº 1. e. b) detenção por dez dias a seis meses. de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União). quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. 8º A sanção aplicada será anotada na ficha funcional da autoridade civil ou militar. 12. quem exerce cargo. § 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial. e) demissão. com perda de vencimentos e vantagens. Art. Art. Art. de 24/11/1989. 5º Considera-se autoridade. 11. a autoridade civil ou militar competente determinará a instauração de inquérito para apurar o fato. 10. emprego ou função pública.

Art. Art. repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva e intervir em todos os termos do processo. considere indispensáveis tais providências. apregoando em seguida o réu. A audiência de instrução e julgamento será pública. Art. b) requerer ao Juiz. entre dez (10) e dezoito (18) horas. os requerimentos e. ou o apresentarão por escrito. proferirá despacho. . Recebidos os autos. ao Ministério Público ou ao advogado que houver subscrito a queixa e ao advogado ou defensor do réu. Parágrafo único. o Juiz. dia e hora para a audiência de instrução e julgamento. interpor recursos e. Art. em despacho motivado. ao qual só então deverá o Juiz atender. as testemunhas. por extenso. 16. desde logo. Se o órgão do Ministério Público. 21. na audiência de instrução e julgamento. 18. ou designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no arquivamento. salvo o caso previsto no artigo 14. o Juiz nomeará imediatamente defensor para funcionar na audiência e nos ulteriores termos do processo. Depois de ouvidas as testemunhas e o perito. aditar a queixa. O órgão do Ministério Público poderá. Art. o Juiz. a designação de um perito para fazer as verificações necessárias. a não ser que o Juiz. fará remessa da representação ao Procurador-Geral e este oferecerá a denúncia. 15. se estiver presente. o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de justiça declare aberta a audiência. 14. 24. 17. A audiência somente deixará de realizar-se se ausente o Juiz. Aberta a audiência o Juiz fará a qualificação e o interrogatório do réu. se contrariamente não dispuser o Juiz. querendo. § 1º No despacho em que receber a denúncia. a todo tempo. Art. na sede do Juízo ou. § 2º A citação do réu para se ver processar. Art. prorrogável por mais dez (10). os depoimentos e as alegações da acusação e da defesa. 20. no local que o Juiz designar. pelo prazo de quinze minutos para cada um. improrrogàvelmente. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. Parágrafo único. Não serão deferidos pedidos de precatória para a audiência ou a intimação de testemunhas ou. Art. excepcionalmente. Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado nesta lei. Art. § 2º No caso previsto na letra a deste artigo a representação poderá conter a indicação de mais duas testemunhas. 22. e realizar-se-á em dia útil. o Juiz dará a palavra sucessivamente. porém. termo que conterá. Parágrafo único. que deverá ser realizada. 19. será acompanhado da segunda via da representação e da denúncia. Art. o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu. dentro do prazo de quarenta e oito horas. Se até meia hora depois da hora marcada o Juiz não houver comparecido. será feita por mandado sucinto que. Encerrado o debate. até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julgamento. o Juiz designará. por meio de duas testemunhas qualificadas. no caso de negligência do querelante. ditado pelo Juiz. os despachos e a sentença. Se o ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios o ofendido ou o acusado poderá: a) promover a comprovação da existência de tais vestígios. 25.83 Art. será admitida ação privada. devendo o ocorrido constar do livro de termos de audiência. A hora marcada. Não comparecendo o réu nem seu advogado. a critério do Juiz. § 1º O perito ou as testemunhas farão o seu relatório e prestarão seus depoimentos verbalmente. retomar a ação como parte principal. recebendo ou rejeitando a denúncia. requerimentos para a realização de diligências. perícias ou exames. Do ocorrido na audiência o escrivão lavrará no livro próprio. dentro de cinco dias. Art. até julgamento final e para comparecer à audiência de instrução e julgamento. 23. letra "b". o Juiz proferirá imediatamente a sentença. os presentes poderão retirar-se. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentadas em Juízo. o perito. independentemente de intimação. ao invés de apresentar a denúncia requerer o arquivamento da representação. em resumo.

144º da independência e 77º da República.84 Art. Art. Revogam-se as disposições em contrário. Subscreverão o termo o Juiz. serão aplicáveis as normas do Código de Processo Penal. 9 de dezembro de 1965. o advogado ou defensor do réu e o escrivão. Parágrafo único. o juiz poderá aumentá-los. despachos e sentenças. CASTELLO BRANCO Juracy Magalhães . Das decisões. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a observância dos prazos fixados nesta Lei. 29. Brasília. Art. 27. Nos casos omissos. 26. sempre motivadamente. o representante do Ministério Público ou o advogado que houver subscrito a queixa. H. Art. sempre que compatíveis com o sistema de instrução e julgamento regulado por esta Lei. caberão os recursos e apelações previstas no Código de Processo Penal. até o dôbro. 28.

A 151 trata da organização sindical e . o Presidente da República.Convenção 151 – OIT. Número 60 Fevereiro de 2008 As Relações de Trabalho no Setor Público: Ratificação da Convenção 151 As relações de trabalho no setor público: ratificação da Convenção 151 No dia 14 de fevereiro de 2008. Luís Inácio Lula da Silva encaminhou para apreciação do Congresso Nacional as Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).85 Anexo VI .

As Convenções da OIT são tratados internacionais “legalmente vinculantes” que. normalmente o Parlamento. Esta Nota Técnica procura comentar o significado das normas internacionais do trabalho e os trâmites até a sua ratificação. As normas internacionais do trabalho são instrumentos jurídicos que estabelecem princípios e direitos básicos no trabalho. esta entra em vigor nesse país um ano depois da aprovação da ratificação. podem ser ratificadas ou não pelos países membros. uma vez aprovadas pela Conferência Internacional do Trabalho. em geral. tendo que enviar regularmente relatórios referentes à sua aplicação.86 do processo de negociação dos trabalhadores do serviço público. empresários e trabalhadores) e aprovadas na Conferência Internacional do Trabalho da OIT. trata da garantia do emprego contra a dispensa imotivada. O Brasil é signatário de 80 delas. que reúne representantes dos empregadores. para que um país ratifique uma Convenção esta deve ser apreciada pelas suas autoridades competentes. será divulgada nova nota técnica. das quais 156 estão em vigor. Caso um país membro decida ratificar uma convenção. A OIT e as Normas Internacionais do Trabalho A Organização Internacional do Trabalho é uma Agência do Sistema das Nações Unidas fundada em 1919. O processo de ratificação . Os países que ratificam uma convenção “estão obrigados a aplicá-la em sua legislação e em suas práticas nacionais”. Pela Constituição da OIT. Já a convenção 158. Nesta quinta-feira. dos trabalhadores e dos governos. Até o momento a OIT formulou e aprovou 185 Convenções. As normas são preparadas pelos dirigentes da OIT (governo. As normas elaboradas podem tomar a forma de Convenção ou Resolução. Ela procura esclarecer o que é a convenção 151 e as possibilidades que se abrem para o movimento sindical do setor público a partir dela. que trata da convenção 158 e possíveis efeitos para o emprego. É uma estrutura tripartite.

Proteção contra os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho. Depois de receber as mensagens encaminhadas pela Presidência da República para ratificação. Após sua aprovação na Câmara. Nela está previsto: 1. estadual e federal) e se refere a garantias a toda organização que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública.Concessão de facilidades aos representantes das organizações reconhecidas dos trabalhadores da função pública. 6.segundo o regimento da casa – apreciá-la.Instauração de processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública. devendo sua forma de efetivação ser disciplinada por instrumentos jurídicos próprios. ou seja. Apenas com aprovação pelas duas instâncias do Congresso Nacional. com permissão para cumprir suas atividades. a Convenção entra em vigor.Independência das organizações de trabalhadores da função pública face às autoridades públicas. . os textos seguem para apreciação do Senado. por leis e decretos. seja durante as suas horas de trabalho ou fora delas.87 O envio da proposta de ratificação da Convenção 151 e 158 pelo Executivo Federal para o Congresso Nacional é tão somente o primeiro passo para efetivação de sua ratificação pelo país. A Convenção 151 A Convenção 151 da OIT aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas (nos níveis municipal. a Câmara dos Deputados deve . 2. 5. funcionamento e administração das organizações de trabalhadores da função pública. Um ano depois de sua promulgação.Garantias dos direitos civis e políticos essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.Proteção contra atos de ingerência das autoridades públicas na formação. 4. a ratificação segue para promulgação presidencial. 3.

Com o advento da Constituição de 1988. amparado nas alterações contidas na Emenda Constitucional 19. Isto se tornou possível a partir da recuperação de uma concepção de democratização das relações de trabalho defendida pelo Movimento Sindical no processo de discussão da Constituição de 19882. . pelos Estados Federados. CF). Com tais mudanças. CF) e o direito a greve. sempre foi negada aos servidores a autonomia coletiva (ou negociação coletiva). processos sistemáticos de Negociação Coletiva passaram a ser experimentados em diversas instituições públicas.88 Histórico A ordem jurídica brasileira nunca reconheceu o direito de os servidores participarem da elaboração de regras aplicáveis às relações de trabalho com o poder público. a “Reforma Administrativa” de 1998 acrescentou aos princípios constitucionais que regem a Administração Pública o princípio da eficiência. Em 1992. VI. Suas condições de trabalho sempre foram definidas unilateralmente pela União. Por sua vez. § 3°. a Câmara do Serviço Público indicou a necessidade de ratificação da Convenção 151. o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 492-1 que questionava o direito à negociação coletiva no setor público. o debate sobre o direito à Negociação Coletiva retornou e. Após dois anos de debate. ao mesmo tempo que derrubou o Regime Jurídico Único1 (estatutário). os servidores públicos civis tiveram reconhecido o direito de organização sindical (artigo 37. porém não foi explicitada a garantia do direito à negociação coletiva (artigo 39. Em outras palavras. o movimento sindical passou a debater a necessidade de sua regulamentação no âmbito dos debates do Fórum Nacional do Trabalho com a criação da Câmara Setorial do Serviço Público. Distrito Federal ou municípios. Com base na experiência concreta da efetividade da prática da negociação no setor público.

um conjunto de outras mesas é aberto em diversos municípios ancorado nessa metodologia. com efeitos ex nunc (não admitindo a retroatividade da decisão a situações jurídicas já consolidadas no tempo). em 2003. os servidores voltam a ser regidos por um RJU. além dessas experiências. essa mesma metodologia é adotada nos estados da Bahia e Sergipe. em 2007. o governo federal cria a Mesa Nacional de Negociação Permanente da Administração Pública Federal e a Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS. é instituído em São Paulo e em Recife o Sistema de Negociação Permanente (SINP-SP). 2 Em 2002. 39 da CF.89 1 Com a decisão da ADIN nº 2135/2000 (02/08/2007) que restabeleceu o caput do art. .

há de se ressaltar que a ratificação da Convenção 151 pelo Congresso Nacional é tão somente um passo nesse processo. Neste contexto as organizações de trabalhadores. reafirmam-se como importantes elementos para a constituição de uma sociedade mais justa e participativa. foi indicada a ratificação como um passo essencial para a consolidação da experiência de negociação realizada pela MNNP. Orçamento e Gestão. e em especial as dos servidores. . os do serviço público. objeto de muitas polêmicas na tradição. medidas regulamentadoras que coloquem em prática o que nela está determinado. na medida em que caminha na defesa da tese da autonomia sindical por parte do movimento sindical brasileiro. Além disso. O processo iniciado com a ratificação da Convenção 151 da OIT pode e deve gerar um novo arcabouço doutrinário e jurídico para as relações de trabalho no setor público. conforme definido pela Constituição Brasileira. A implementação das garantias definidas na Convenção 151 da OIT dialoga com o aprofundamento da democracia no país. para o estabelecimento de novos padrões de relações de trabalho no setor público. criada no âmbito da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. Também nesta instância. Porém. já muito debatido tanto no âmbito da Câmara Setorial quanto pela sociedade.90 Já no início do segundo mandato do presidente Lula. a ratificação da Convenção 151 da OIT tem como propósito romper com os resquícios do Estado autoritário. o debate foi reaberto no Grupo de Trabalho da Mesa Nacional de Negociação Permanente3 (MNNP). Devem ser implementadas. Aponta. Enfim. o envio da proposta de ratificação da Convenção 151 é resultado desse processo de luta dos trabalhadores do setor público na busca de garantir um efetivo processo de democratização das relações de trabalho no Estado Brasileiro. em especial no que se refere ao direito à negociação coletiva no serviço público. Considerações Finais O paradigma orientador que vem norteando todo processo de luta pela ratificação da Convenção 151 é a construção do Estado democrático de direito. em especial. com isso. avança na transformação do Estado e contribui para assegurar direitos essenciais para o pleno exercício da liberdade sindical ao conjunto dos trabalhadores. ainda.

. dos servidores e da sociedade civil através de processo de diálogo formalizado.91 3 A Mesa Nacional de Negociação Permanente foi um espaço institucional criado pelo governo federal para buscar soluções negociadas entre os interesses da Administração Pública.

assim como a das respectivas práticas (por exemplo. bem como para os três níveis da Federação. se aplicam aos representantes dos trabalhadores na empresa. Convenção nº 151 Convenção Relativa à Proteção do Direito de Organização e aos Processos de Fixação das Condições de Trabalho na Função Pública A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho: Convocada para Genebra pelo Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho. 1971. 1948. com base em sua tradução de Portugal. necessariamente. o DIEESE reproduz o texto da Convenção 151. onde reuniu. e da Convenção e da Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. Considerando a expansão considerável das atividades da função pública em muitos países e a necessidade de relações de trabalho sãs entre as autoridades públicas e as organizações de trabalhadores da função pública. Considerando as disposições da Convenção Relativa à Liberdade Sindical e à Proteção do Direito Sindical. 1949. Executivo Federal. 1971. na sua 64. Recordando que a Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva.92 Neste sentido.ª sessão. da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. Esta regulamentação deve. em 7 de Junho de 1978. Congresso Nacional e Movimento Sindical devem continuar o processo de discussão dos instrumentais jurídicos que regulamentam o processo de negociação para o setor público. A seguir. Foram feitas algumas adaptações para o português usual do Brasil. ser válida para os três poderes da República. às das autoridades . no que se refere às funções respectivas das autoridades centrais e locais. Verificando a grande diversidade dos sistemas políticos. não abrange determinadas categorias de trabalhadores da função pública e que a Convenção e a Recomendação Relativas aos Representantes dos Trabalhadores. sociais e econômicos dos Estados Membros. 1949.

dos Estados Federais e das províncias. ou ainda no que respeita à natureza das relações de trabalho). .93 federais. bem como às das empresas que são propriedade pública e dos diversos tipos de organismos públicos autônomos ou semiautônomos.

2 . e as observações através das quais os órgãos de controle da OIT chamaram repetidas vezes a atenção para o fato de certos Governos aplicarem essas disposições de modo a excluir grandes grupos de trabalhadores da função pública da esfera de aplicação daquela Convenção. Após ter decidido que essas propostas tomariam a forma de uma convenção internacional: Adota.94 Considerando os problemas específicos levantados pela delimitação da esfera de aplicação de um instrumento internacional e pela adoção de definições para efeitos deste instrumento. assim como as dificuldades de interpretação que surgiram a propósito da aplicação aos funcionários públicos das pertinentes disposições da Convenção Relativa ao Direito de Organização e Negociação Coletiva. 1949. em virtude das diferenças existentes em numerosos países entre o trabalho no setor público e no setor privado.A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão às forças armadas e à polícia. na medida em que lhes não sejam aplicáveis disposições mais favoráveis de outras convenções internacionais do trabalho. questão que constitui o quinto ponto da ordem do dia da sessão. que será denominada a Convenção Relativa às Relações de Trabalho na Função Pública. PARTE I Esfera de aplicação e definições ARTIGO 1 1 . 1978.A presente Convenção aplica-se a todas as pessoas empregadas pelas autoridades públicas. Após ter decidido adotar diversas propostas relativas à liberdade sindical e aos processos de fixação das condições de trabalho na função pública.A legislação nacional determinará em que medida as garantias previstas pela presente Convenção se aplicarão aos trabalhadores da função pública de nível superior. no dia 27 de Junho de 1978. a seguinte Convenção. . cujas funções são normalmente consideradas de formulação de políticas ou de direção ou aos trabalhadores da função pública cujas responsabilidades tenham um caráter altamente confidencial. 3 .

95 ARTIGO 2 Para os efeitos da presente Convenção. 3 . ARTIGO 3 Para os efeitos da presente Convenção. b) Despedir um trabalhador da função pública ou prejudicá-lo por quaisquer outros meios.Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de discriminação que acarretem violação da liberdade sindical em matéria de trabalho.As organizações de trabalhadores da função pública devem gozar de completa independência face às autoridades públicas. devido à sua filiação a uma organização de trabalhadores da função pública ou à sua participação nas atividades normais dessa organização. 2 . qualquer que seja a sua composição.Essa proteção deve. designadamente. todas as medidas tendentes a promover a criação de organizações de trabalhadores da função pública dominadas por uma autoridade pública ou a apoiar organizações de trabalhadores da função pública por meios financeiros ou quaisquer . aplicar-se no que respeita aos atos que tenham por fim: a) Subordinar o emprego de um trabalhador da função pública à condição de este não se filiar a uma organização de trabalhadores da função pública ou deixar de fazer parte dessa organização. assimiladas a atos de ingerência.As organizações de trabalhadores da função pública devem se beneficiar de uma proteção adequada contra todos os atos de ingerência das autoridades públicas na sua formação. que tenha por fim promover e defender os interesses dos trabalhadores da função pública. designadamente. ARTIGO 5 1 .São. PARTE II Proteção do direito de organização ARTIGO 4 1 . nos termos do seu artigo 1. 2 . funcionamento e administração. no sentido do presente artigo. a expressão «organização de trabalhadores da função pública» designa toda a organização. a expressão «trabalhadores da função pública» designa toda e qualquer pessoa a que se aplique esta Convenção.

A natureza e a amplitude dessas facilidades devem ser fixadas de acordo com os métodos mencionados no artigo 7 da presente Convenção ou por quaisquer outros meios adequados.96 outros. através da negociação entre as partes interessadas ou por um processo que dê garantias de independência e imparcialidade. com o objetivo de submeter essas organizações ao controle de uma autoridade pública.A concessão dessas facilidades não deve prejudicar o funcionamento eficaz da Administração ou do serviço interessado. . devem ser tomadas medidas adequadas às condições nacionais para encorajar e promover o desenvolvimento e utilização dos mais amplos processos que permitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de trabalhadores da função pública ou de qualquer outro processo que permita aos representantes dos trabalhadores da função pública participar na fixação das referidas condições. instituído de modo que inspire confiança às partes interessadas. quer durante as suas horas de trabalho. de modo a permitir-lhes cumprir rápida e eficazmente as suas funções. 3 . PARTE V Resolução dos conflitos ARTIGO 8 A resolução dos conflitos surgidos a propósito da fixação das condições de trabalho será procurada de maneira adequada às condições nacionais. PARTE IV Processos de fixação das condições de trabalho ARTIGO 7 Quando necessário. tal como a mediação. a conciliação ou a arbitragem. quer fora delas. 2 . PARTE III Facilidades a conceder às organizações de trabalhadores da função pública ARTIGO 6 Devem ser concedidas facilidades aos representantes das organizações de trabalhadores da função pública reconhecidas.

Em seguida. PARTE VII Disposições finais ARTIGO 10 As ratificações formais da presente Convenção serão comunicadas ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registradas. nas condições previstas no presente artigo. A denúncia apenas produzirá efeito um ano depois de ter sido registrada.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção e que.Qualquer membro que tiver ratificado a presente Convenção pode denunciá-la decorrido um período de dez anos após a data da entrada em vigor inicial da Convenção. por comunicação ao diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele registrada. com a única reserva das obrigações referentes ao seu estatuto e à natureza das funções que exercem. no prazo de um ano após ter expirado o período de dez anos mencionado no número anterior. 2 .97 PARTE VI Direitos civis e políticos ARTIGO 9 Os trabalhadores da função pública devem se beneficiar.A Convenção entrará em vigor doze meses depois de registradas pelo diretor-geral as ratificações de dois membros. esta Convenção entrará em vigor para cada membro doze meses após a data em que tiver sido registrada a sua ratificação. posteriormente. poderá denunciar a presente Convenção no termo de cada período de dez anos. como os outros trabalhadores. ARTIGO 11 1 . 2 . ARTIGO 12 1 . . dos direitos civis e políticos que são essenciais ao exercício normal da liberdade sindical.A presente Convenção obrigará apenas os membros da Organização Internacional do Trabalho cuja ratificação tiver sido registrada pelo diretor-geral. não fizer uso da faculdade de denúncia prevista pelo presente artigo ficará obrigado por um novo período de dez anos e. 3 .

da nova convenção revista acarretará.Ao notificar os membros da Organização do registro da segunda ratificação que lhe tiver sido comunicada.No caso de a Conferência adotar uma nova convenção que reveja total ou parcialmente a presente Convenção. de acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas. para efeitos de registro.O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho notificará todos os membros da Organização Internacional do Trabalho do registro de todas as ratificações e denúncias que lhe forem comunicadas pelos membros da Organização. ARTIGO 15 Sempre que o considere necessário. ARTIGO 16 1 . 2 . de pleno direito. para os membros que a tiverem ratificado e que não ratificarem a convenção revista.A presente Convenção permanecerá em todo o caso em vigor. ARTIGO 17 As versões francesa e inglesa do texto da presente Convenção fazem igualmente fé. . 2 . desde que a nova convenção revista tenha entrado em vigor. ARTIGO 14 O diretor-geral da Repartição Internacional do Trabalho comunicará ao SecretárioGeral das Nações Unidas. o Conselho de Administração da Repartição Internacional do Trabalho apresentará à Conferência Geral um relatório sobre a aplicação da presente Convenção e examinará a oportunidade de inscrever na ordem do dia da Conferência a questão da sua revisão total ou parcial.98 ARTIGO 13 1 . por um membro. o diretor-geral chamará a atenção dos membros da Organização para a data em que a presente Convenção entrará em vigor. na sua forma e conteúdo. não obstante o disposto no artigo 12. a denúncia imediata da presente Convenção. b) A partir da data da entrada em vigor da nova convenção revista a presente Convenção deixará de estar aberta à ratificação dos membros. informações completas sobre todas as ratificações e atos de denúncia que tiver registrado de acordo com os artigos anteriores. e salvo disposição em contrário da nova convenção: a) A ratificação.

Mecânicas e de Material Elétrico de Osasco e Região Tadeu Morais de Sousa . de Material Elétrico de Veículos e Peças Automotivas de Curitiba Paulo de Tarso G. Junior – Diretor SEE Bancários de São Paulo. de Máquinas. B. Perícias. de Oliveira – coordenador de pesquisas Cláudia Fragoso – coordenadora administrativa e financeir Equipe técnica Ademir Figueiredo (revisão técnica) Fausto Augusto Junior Patrícia Toledo Pelatieri Patrícia Lino Costa Revisão Iara Heger . Mecânicas. Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo e Mogi das Cruzes Antonio Sabóia B. Metalúrgicos do ABC Carlos Eli Scopim – Vice-presidente STI Metalúrgicas. Osasco e Região Alberto Soares da Silva – Diretor STI de Energia Elétrica de Campinas Zenaide Honório – Diretora Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) Pedro Celso Rosa – Diretor STI Metalúrgicas.CNTT/CUT Direção técnica Clemente Ganz Lúcio – diretor técnico Ademir Figueiredo – coordenador de estudos e desenvolvimento Nelson Karam – coordenador de relações sindicais Francisco J. Mecânicas e de Materiais Elétricos de Guarulhos.Secretário STI Metalúrgicas.99 DIEESE Direção Executiva João Vicente Silva Cayres – Presidente Sindicato dos. Mairiporã e Santa Isabel Eduardo Alves Pacheco – Diretor Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes da CUT . C. Costa – Diretor Sindicato dos Eletricitários da Bahia José Carlos de Souza – Diretor STI de Energia Elétrica de São Paulo Carlos Donizeti França de Oliveira – Diretor Femaco – FE em Serviços de Asseio e Conservação Ambiental Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo Mara Luzia Feltes – Diretora SEE Assessoramentos. Informações. Arujá. Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul Josinaldo José de Barros – Diretor STI Metalúrgicas.