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A data que marca o início do Humanismo em Portugal é o ano de 1418, quando D.

Duarte
nomeia Fernão Lopes como guardador da Torre do Tombo, e termina quando Sá de Miranda
retorna da Itália, em 1527, empreendendo em Portugal a campanha em prol da cultura
clássica.
Como principal manifestação literária.

Este momento histórico-social é tido como um período de transição. Marca a passagem do


fim da Idade Média para a Idade Moderna.
Com o crescimento das cidades e do comércio, o regime feudal enfraqueceu. Os servos
podiam vender sua colheita e conseguir dinheiro para pagar os serviços que deviam ao
senhor feudal; podiam ir para a cidade ou conhecer novas terras. O desejo de liberdade se
concretizava.

Os senhores feudais, aos poucos, foram perdendo suas terras e seus servos. Neste momento,
o rei, que era uma autoridade simbólica, fortalece-se, à medida que se aliava a uma classe
social emergente, a burguesia, formada por artesãos e comerciantes, detentores do dinheiro,
que viviam nas cidades.
No momento em que o rei consegue centralizar o poder, tendo como alicerce a teoria do
dinheiro divino, à igreja Romana interessa defender a estrutura feudal, por possuir uma
quantidade bastante grande de terras.
Com isso, a igreja deixou de ser a única responsável pelo monopólio da cultura, formando-se
bibliotecas fora dos mosteiros e dos conventos.

São também frutos dessa época os humanistas, homens cultos e admiradores da cultura
antiga. Eram individualistas, davam maior importância aos direitos de cada indivíduo do que
à sociedade. Acreditavam no progresso, rejeitando a hierarquia feudal.
Através do contexto histórico, podemos perceber que o homem da época rompe com o
sistema feudal e a visão teocêntrica do mundo determinada pela igreja e vai em busca de si
mesmo, de novas descobertas e novos valores.
O momento é de transição.

O homem começa a se valorizar, sem contudo abandonar por completo o temor a Deus e a
submissão.
A literatura, como está intimamente engajada no momento histórico-social, vai gerar
produções literárias que refletem esse período conflitante no qual o homem do século XV
viveu.

Humanismo da Renascença
É o espírito de aprendizado que se desenvolveu no final das idades médias com o renascimento das
letras clássicas e uma renovada confiança na habilidade dos seres humanos para determinar por si
mesmos o que é verdadeiro e o que é falso.

Humanismo Cultura
É a tradição racional e empírica que teve origem, em grande parte, nas antigas Grécia e Roma e evoluiu,
no decorrer da história européia, para constituir atualmente uma parte fundamental da abordagem
ocidental à ciência, à teoria política, à ética e à lei.

Humanismo Filosófico
É uma visão ou um modo de vida centrado na necessidade e no interesse humanos. Subcategorias deste
tipo de humanismo inclui o Humanismo Cristão e o Humanismo Moderno.

Humanismo Cristão
É definido em dicionários como sendo "uma filosofia que defende a auto-realização humana dentro da
estrutura dos princípios cristãos". Esta fé com maior direcionamento humano é em grande parte produto
da Renascença e representa um aspecto daquilo que produziu o humanismo da Renascença.
Humanismo Moderno
Também chamado Humanismo Naturalista, Humanismo Científico, Humanismo Ético, e Humanismo
Democrático, é definido por um dos seus principais proponentes, Corliss Lamont, como "uma filosofia
naturalista que rejeita todo supernaturalismo e repousa basicamente sobre a razão e a ciência, sobre a
democracia e a compaixão humana". O Humanismo Moderno tem uma origem dual, tanto secular quanto
religiosa, e estas constituem suas subcategorias.

Humanismo Secular
É uma conseqüência do racionalismo do iluminismo do século XVIII e do livre-pensamento do século XIX.
Muitos grupos seculares [...] e muitos cientistas e filósofos acadêmicos sem outra filiação defendem esta
filosofia.

Humanismo Religioso
Emergiu da Cultura Ética, do Unitarianismo e do Universalismo. Hoje em dia, muitas congregações
Unitario-Universalistas e todas as sociedades de Cultura Ética descrevem-se como humanistas no sentido
moderno.
Os humanistas seculares e os humanistas religiosos compartilham a mesma visão de mundo e os
mesmos princípios básicos. Isto fica evidente a partir do fato de que ambos, humanistas seculares e
humanistas religiosos, assinaram o Primeiro Manisfesto Humanista, em 1933, e o Segundo Manifesto
Humanista, de 1973. Do ponto de vista exclusivamente filosófico, não há diferença entre os dois. É
apenas na definição de religião e na prática da filosofia que os humanistas seculares e os humanistas
religiosos discordam efetivamente.
O Humanismo Religioso é "fé em ação". Em seu ensaio "The Faith of a Humanist", Kenneth Phife, de
congregação Unitario-Universalista, declara:
O Humanismo nos ensina que é imoral esperar que Deus aja por nós. Devemos agir para acabar com as
guerras, os crimes e a brutalidade desta e das futuras eras. Temos poderes notáveis. Termos um alto grau
de liberdade para escolher o que havemos de fazer.O humanismo nos diz que não importa qual seja a
nossa filosofia a respeito do universo, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em última
análise, cabe a nós mesmos.
A tradição humanista secular é uma tradição de desconfiança, tradição que remonta à antiga Grécia.
Podemos ver, até na mitologia grega, temas humanistas que raramente aparecem, se é que aparecem,
em mitologias de outras culturas.

Noção geral do humanismo


Não esperamos o interesse suscitado pelas novas diretivas comunistas concernentes ao humanismo
socialista para situar o problema do humanismo. Desde então, este problema está na moda; afinal há
lugar para que nos rejubilemos com isto, questões de importância central foram levantadas para o futuro.
Não se poderá mais dizer que o problema do homem só começará a ter significação depois do
desaparecimento da economia capitalista.
Todavia, não nos apercebemos ainda de que tomar posição sobre o humanismo obriga a situar ao mesmo
tempo muitos outros problemas.
Desejaria aqui, e para introduzir às considerações propostas na presente obra, chamar a atenção para
um destes problemas. Nada há que o homem deseje tanto como uma vida heróica; nada há de menos
ordinário ao homem do que o heroísmo: é, parece-me, o sentimento profundo de tal antinomia que faz, a
um só tempo, o trágico e a qualidade espiritual da obra de André Malraux. Suponho que a questão do
humanismo, mesmo socialista, não parece a Malraux uma questão de repouso.
Poderei eu afirmar que a Aristóteles tampouco ela não parecia uma questão de repouso? Propor somente
o humano ao homem, notava ele, é trair o homem e desejar sua infelicidade, porquanto pela sua parte
principal, que é o espírito, o homem é solicitado para melhor do que uma vida puramente humana. Sobre
este princípio (senão sobre a maneira de o aplicar), Ramanuja e Epíteto, Nietzsche e S. João da Cruz
estão acordes.
A nota de Aristóteles que acabo de lembrar é humanista ou é anti-humanista ? A resposta depende da
concepção que se faz do homem. Vê-se por isto que a palavra humanismo é um vocábulo ambíguo. É
claro que aquele que o pronuncia compromete de logo uma metafísica, e que, segundo existe ou não no
homem alguma coisa que respira acima do tempo, e uma personalidade cujas necessidades mais
profundas ultrapassam toda ordem do universo, a idéia que se fará do humanismo terá ressonâncias
inteiramente diferentes.
Contudo, porque a grande sabedoria pagã não pode ser supressa da tradição humanista, devemos ser
advertidos em qual quer caso em não definir o humanismo pela exclusão de toda ordenação ao super-
humano e pela abjuração de toda transcendência. Para deixar as discussões abertas, digamos que o
humanismo (e uma tal definição pode ser desenvolvida segundo linhas muito divergentes) tende
essencialmente a tornar o homem mais verdadeiramente humano, e a manifestar sua grandeza original
fazendo-o participar de tudo o que o pode enriquecer na natureza e na história ("concentrando o mundo
no homem", como dizia mais ou menos Scheler, e "dilatando o homem ao mundo"); ele exige ao mesmo
tempo que o homem desenvolva as virtualidades nele contidas, suas forças criadoras e a vida da razão, e
trabalhe por fazer das forças do mundo físico instrumento de sua liberdade.