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SINALIZAÇÃO DE TRILHAS: IMPORTÂNCIA E EFICIÊNCIA

Vanessa Andretta
Turismóloga e Mestranda em Ciências Florestais, Universidade Federal de Lavras
- UFLA, E-mail: vanessa.tur@gmail.com; Tel: (35) 3829-1122/ 9127-6424

Renato Luiz Grisi Macedo


Professor do Depto. de Ciências Florestais; Universidade Federal de Lavras –
UFLA; E-mail: rlgrisi@ufla.br;

Maria Rachel Vitorino


Professora do Depto. de Educação Física; Universidade Federal de Lavras –
UFLA; E-mail: eco@ufla.br

Gustavo Salgado Martins


Graduando em Engenharia Florestal; Universidade Federal de Lavras – UFLA
E-mail: gustavosalgadomartins@gmail.com

Eixo temático: Ecologia de paisagem: percepção e conservação ambiental.

Resumo
As trilhas em áreas naturais são a principal ligação entre o visitante e o ambiente
natural. Elas podem conduzir o visitante aos atrativos ou ainda ser o próprio atrativo. Para
que as trilhas tenham uso adequado, sofram o mínimo impacto e realizem seu papel
integralizador do visitante com o ambiente natural, a sinalização é fator primordial. Em
muitas Unidades de Conservação e áreas de uso público os visitantes não contam com o
auxílio de guias. As placas servem como principal meio de comunicação entre o visitante
e os gestores da área. A introdução de placas de sinalização em trilhas é uma importante
ferramenta de manejo. Esta sinalização pode se restringir a oferecer informações sobre:
localização, acesso, alertas sobre áreas de risco, regras e proibições ou ainda, servir
como instrumento para a interpretação ambiental e educação ambiental. O uso de placas
de sinalização podem ser um meio eficiente de comunicação com o visitante, porém
existem alguns requisitos importantes para assegurar esta eficiência. As placas devem
ser harmoniosas com o ambiente; devem ser construídas com matérias primas locais que
ofereçam resistência e durabilidade; devem conter mensagens objetivas com linguagem
adequada; devem ser apresentadas em todo percurso dando continuidade à
comunicação; podem apresentar pictogramas comumente utilizados no trade turístico
agilizando a comunicação; podem apresentar linguagem persuasiva que motivem o
visitante a seguir as orientações oferecidas; dentre outras orientações que podem garantir
o sucesso dessa comunicação. O presente trabalho de análise e reflexão teórica tem o
objetivo de analisar a importância da sinalização de trilhas, a fim de garantir a satisfação
do visitante e principalmente auxiliar os gestores de áreas naturais para conservação das
mesmas.

1. Introdução
Trilhas são um tradicional meio de deslocamento, que podem ser definidos
simplesmente como caminho estreito em meio natural que promove o deslocamento entre
os pontos A e B. Porém, as trilhas são caminhos que permitem que o transeunte
atravesse não só o espaço geográfico, como também o espaço histórico e cultural. A trilha
não é apenas o meio que leva o visitante ao atrativo, ela é também a inserção do homem
ao ambiente, podendo ser o próprio atrativo. Podem ser utilizadas como meio de acesso,
como instrumento educativo, como ferramenta recreativa, dentre muitos usos.
Para GUILLAUMON (1977) as trilhas são percursos em um sitio natural, que
propiciam explicações sobre o meio ambiente flora, fauna, fenômenos naturais, usos e
hábitos do local.
SALVATI (2006) afirma que trilhas são caminhos existentes ou estabelecidos, com
diferentes formas, comprimentos e larguras, que possuam o objetivo de aproximar o
visitante ao ambiente natural, ou conduzi-lo a um atrativo específico, possibilitando seu
entretenimento ou educação através de sinalizações ou de recursos interpretativos
Um sistema de trilhas é formado por um conjunto de caminhos e percursos
construídos com diversas funções, desde a vigilância até o turismo. Dentre os objetivos
de um sistema de trilhas está a percepção da natureza, ferramenta indispensável para o
manejo de Unidades de Conservação, pois desperta nos visitantes a idéia da importância
desta região. (DUTRA & HERCULIANI) apud. (PAGANI et al., 1997)
As trilhas são classificadas quanto à função (educativas, administrativas,
recreativas, interpretação do ambiente natural e viagens de travessia), quanto à forma
(circular, oito, linear e atalho) e quanto ao grau de dificuldade (caminhada leve, semi-
pesada e pesada) (ANDRADE & ROCHA, 1990).
Se bem construídas e devidamente mantidas, as trilhas protegem o ambiente do
impacto do uso e ainda asseguram aos visitantes maior conforto, segurança e satisfação,
tendo papel significativo na experiência do visitante e na impressão que este levará sobre
a área visitada.
Apesar das trilhas proporcionarem esta importante interação entre o homem e o
ambiente, elas também proporcionam efeitos adversos. Iniciando pela superfície da trilha,
onde a área afetada pode ser de um metro a partir de cada lado, elas facilitam o
crescimento de plantas tolerantes à luz. O constante pisoteio na trilha acaba destruindo as
plantas por choque mecânico direto e pela compactação do solo. A erosão do solo expõe
as raízes das plantas, dificultando sua sustentação e facilitando a contaminação por
pragas. Os caminhantes também trazem novas espécies para dentro do ecossistema,
principalmente gramíneas e plantas daninhas em geral As trilhas provocam impacto
físico, visual, sonoro e, até, de cheiro. (GUILLAUMON, 1977).
Estes impactos ambientais decorrentes do uso de trilhas são inevitáveis, a questão
a ser discutida é: em que intensidade esses impactos podem ser aceitáveis? É preciso
observar também que o uso de trilhas é uma forma de concentrar e restringir o impacto
ambiental a um itinerário restrito.
O manejo de trilhas é uma ferramenta indispensável às áreas naturais que
recebem uso turístico. Para que o manejo se efetive é necessário realizar um
levantamento de informações e uma coleta de dados sistemática, além de monitoramento
destes impactos, buscando adaptar os métodos de monitoramento por indicadores para
verificação das condições e de amostragem utilizados.
Porém, ainda estamos longe de definirmos como as peculiaridades de cada local
afetam a aplicação de tais métodos e seus indicadores, para podermos adaptá-los e
aplicá-los com facilidade em cada situação encontrada. Isto porque faltam experiências
com o uso destes métodos relatando quais as dificuldades enfrentadas, as soluções
adotadas e seus resultados nas diferentes situações de uso de trilhas observadas no
Brasil (ALVES, 2004).
Dentro das possibilidades dos métodos de manejo de trilhas têm-se diferentes
estratégias para transformar as trilhas em oportunidades prazerosas de educação
ambiental, traduzindo para o visitante os fatos que estão além das aparências, tais como
leis naturais, interações, funcionamentos, história ou fatos que, mesmo aparentes, não
são comumente percebidos, desenvolvendo um novo campo de percepções.
O trabalho de educação ambiental e de interpretação ambiental são as ferramentas
que podem surtir em resultados positivos para a conservação ambiental. Para tanto, são
utilizados dois métodos para desenvolver este importante trabalho: as trilhas guiadas e as
trilhas auto-guiadas, descritas por SALVATI (2006a) como:
Trilhas guiadas são aquelas acompanhadas por guias ou condutores. Sua principal
característica é o estabelecimento de um canal de comunicação e uma relação afetiva
entre o intérprete e os visitantes. A preparação física e técnica, e os conhecimentos
ecológicos do guia/ condutor de ecoturismo são os principais instrumentos de
investigação e interpretação da região a ser conhecida. Além disso, a vocação natural e a
experiência do guia/ condutor de ecoturismo também são fundamentais para o sucesso
da trilha. A preparação, o conhecimento e a experiência para a interpretação de trilhas
são adquiridas em cursos especializados, em livros, praticando caminhadas e
acompanhando o trabalho de guias/ condutores de ecoturismo mais experientes ou de
mateiros.
As trilhas guiadas são uma boa forma de garantir um contato positivo entre
visitante e a comunidade local, além de oferecer oportunidades de renda à comunidade
receptora.
Já as trilhas auto-guiadas tem como principal função facilitar a caminhada e
permitir o contato dos visitantes com o meio ambiente sem a presença do guia. Assim,
recursos visuais e gráficos indicam a direção a seguir, os elementos a serem destacados
(árvores nativas, plantas medicinais, ninhos de pássaros etc.) e os temas desenvolvidos
(mata ciliar, recursos hídricos, etc.).
As trilhas auto-guiadas oferecem mais liberdade aos visitantes, porém, podem ser
um risco tanto ao visitante, como ao ambiente, caso o mesmo não julgue necessário
atentar-se as comunicações visuais.
Desta forma é mais aconselhável o uso de guias/ condutores locais, mas nem
todas as destinações ecoturísticas contam com guias capacitados para o ecoturismo,
neste caso é essencial que se estabeleça algum tipo de comunicação com o visitante.
A introdução de placas de sinalização em trilhas pode ser uma importante
ferramenta de manejo. Esta sinalização pode se restringir a oferecer informações sobre:
localização, acesso, alertas sobre áreas de risco, regras e proibições ou ainda, servir
como instrumento para a interpretação ambiental e educação ambiental.
Mas como se comunicar com o visitante através de placas? Essa comunicação
pode ser eficiente?
O objetivo do presente trabalho é descrever a importância da sinalização de trilhas
por meio de placas, e os cuidados necessários para que se possa obter resultados e
efeitos positivos tanto com relação ao visitante como para a conservação ambiental.
2. Necessidade da Sinalização em trilhas
É através da sinalização que são oferecidas informações que substanciam o senso
de posicionamento e o reconhecimento espacial, além de suprir as necessidades básicas
para deslocamentos em lugares desconhecidos do visitante. Muitas áreas naturais de uso
público e Unidades de Conservação (UC´s) carecem de sinalização quanto à localização,
acesso, nome do local, risco de acidentes, possíveis dificuldades, dentre outras
informações que podem por em risco o visitante desinformado.
As destinações turísticas brasileiras contam com o auxílio do Guia Brasileiro de
Sinalização Turística, que é um trabalho desenvolvido pela EMBRATUR com o objetivo de
orientar os gestores de áreas publicas e privadas envolvidas com o turismo, sobre a
melhor forma de sinalizar uma localidade turística.
De acordo com o Guia Brasileiro de Sinalização Turística (EMBRATUR, 2001) “a
finalidade da sinalização é orientar os usuários, direcionando-os e auxiliando-os a atingir
os destinos pretendidos. Dessa forma, para garantir sua homogeneidade e eficácia, é
preciso que seja concebida e implantada de forma a assegurar a aplicação dos objetivos
e princípios básicos:
a) Legalidade;
b) Padronização;
c) Visibilidade, legibilidade e segurança;
d) Suficiência;
e) Continuidade e coerência
f) Atualidade e valorização
g) Manutenção e conservação “
Porém, no caso especifico de sinalização em áreas naturais deve-se atentar as
peculiaridades. Perder-se em local desconhecido não é nada agradável, contando ainda
que o visitante na maior parte das vezes está: a pé, com poucos suprimentos (água e
alimentos), sem abrigos, sem equipamentos de comunicação e muitas vezes assustado e
cansado.
A presença de placas de sinalização em áreas naturais é primordial em qualquer
localidade que receba visitantes, podendo garantir a segurança destes, e demonstrando
respeito e cuidado com os mesmos.
Em muitas UC´s e áreas de uso público os visitantes não contam com o auxílio de
guias, as placas servem como principal meio de comunicação entre o visitante e os
gestores da área. Informações sobre a conduta do visitante e sobre cuidados especiais
também devem ser comunicadas através desse meio.
Alguns gestores de áreas naturais optam por comunicar-se com seus visitantes
através de folhetos e folders. Esta prática deve ser realizada com cautela, já que muitos
desses folhetos ou folders acabam sendo descartados pelos visitantes nas trilhas, o que
pode gerar mais lixo.

3. Interferência no ambiente natural


Qualquer tipo de instalação realizada em ambiente natural promove certo impacto
ambiental e modifica a paisagem natural. Entretanto, as placas são interferências
estritamente necessárias.
O processo de percepção tem início com a atenção que não é mais do que um
processo de observação seletiva, ou seja, das observações por nós efetuadas. Este
processo faz com que nós percebamos alguns elementos em desfavor de outros. Deste
modo, são vários os fatores que influenciam a atenção, e podem ser fatores externos
(próprios do meio ambiente) e a dos fatores internos (próprios do nosso organismo).
Portanto, para chamar a atenção dos visitantes para que observem a sinalização deve-se
ter cuidado, esta não pode passar despercebida no ambiente, porém não pode destoar do
ambiente e chamar mais atenção que a paisagem natural.
As placas devem ser harmoniosas com o ambiente, dando-se preferência a
matérias-primas locais que apareçam em abundância, e apresentem resistência e
durabilidade.
Os materiais mais utilizados para esta finalidade são a madeira, rochas e metais,
porém todos exigem manutenção e tratamento com vernis ou resinas especiais, que além
de garantir mais durabilidade ao material, podem facilitar a limpeza e dificultar o
vandalismo (pixações). È muito importante que na escolha do material tenha-se a
preocupação de gerar o mínimo impacto, tanto com relação à utilização de recursos
naturais como também com relação a poluição visual.
A dimensão, formato e as cores usadas devem atender as necessidades de
comunicação. Placas com a finalidade de informarem sobre área de risco ou alerta de
perigo devem se destacar com cores quentes e chamativas.
Nunca se deve fixar as placas em árvores e plantas do local. A fixação deve ser
feita em um suporte, que pode ser de madeira ou de rochas empilhadas (tótem) com
altura adequada.
4. Comunicação Visual
A primeira forma utilizada pela humanidade para promover a comunicação foram
os signos e símbolos. No trade turístico é muito comum o uso dos pictogramas (do latim
pictus que significa pintura e do grego gramma que significa escrita), que é um desenho
que sugere uma atividade, serviço ou instalação.
“Pictograma corresponde às ilustrações que sintetizam os tipos de atrativo
turístico e de serviço auxiliar, cujo uso é recomendado para facilitar a identificação do
destino, complementando a função do topônimo e melhorando o esquema de
comunicação com o usuário. O pictograma deve ser de fácil identificação à distância,
constituída por um símbolo na cor preta, sobre campo na forma quadrada de cor branca”.
(EMBRATUR, 2001).

Existem três tipos diferentes de pictogramas:

• O figurativo que representa um objeto ou uma ação referente a este, sendo


que seu desenho está bem próximo à coisa representada;
• O semântico cujos traços gráficos são simplificados, sugerindo
esquematizadamente a idéia, ação ou comportamento através de simples
contornos que as pessoas entendam, pois aprenderam, pelo uso constante,
a entender;
• O abstrato que não representa um objeto específico, mas que faz parte ou
cria um código que será entendido apenas por aquelas pessoas que
aprenderam como usá-lo.
A intenção de qualquer sinalização pictórica é atingir o maior número de
receptores. Entretanto verifica-se que tal procedimento metodológico não é possível
devido a espontaneamente, a criatividade e a cultura de cada região (CARNEIRO, 2001).
A padronização é necessária a fim de que se estabeleça a comunicação entre
emissor e receptor. Esta se mostra possível apenas, a partir do conhecimento prévio de
seus sinais. O uso constante de determinada simbologia permite sua assimilação e
decodificação de tal modo que, quando necessário, é possível interpretá-la corretamente.
No entanto, no Ecoturismo o uso de pictogramas não é comum. Existe a
necessidade de se desenvolver projetos de sinalização ecoturística para se chegar a um
consenso de padronização, o que seria muito útil, já que as informações transmitidas
através de pictogramas podem ser assimiladas com mais rapidez pelo receptor.
Se de um lado, todo planejamento e implantação do sistema de sinalização devem
contemplar a necessidade do indivíduo, por outro, este último só entenderá a mensagem
se o repertório apresentado for igual ao seu, considerando-se as experiências pessoais e
a diversidade de sua cultura com a cultura da sociedade que o recepciona.
O uso sistemático de pictogramas para a sinalização turística induz ao
aprendizado e conseqüente interpretação.

5. Linguagem persuasiva e afirmativa


A comunicação com o ecoturista deve partir da premissa de que ele próprio já
sofreu, ou sofre, em seu cotidiano, com algum tipo de problema ambiental e a viagem ao
ambiente natural objetiva primeiramente o contato positivo com o meio ambiente
(SALVATI, 2006b).
Para que a comunicação através de placas seja eficiente é preciso dar atenção
especial ao tipo de linguagem utilizada. Assim como os textos publicitários, as mensagens
utilizadas nessas placas devem ser objetivas, lúcidas e persuasivas. O leitor deve
assimilar a idéia com facilidade, o mecanismo deve ser: ler, entender e agir.
Recursos lingüísticos e o conhecimento de técnicas podem adequar a linguagem
de tal forma que a tornem mais expressiva no ato de manifestar emoções, intenções,
pensamentos e impressões subjetivas. A linguagem persuasiva pode ser uma técnica
funcional nas mensagens das placas.
De acordo com CITELLI (2003) quem persuade leva o outro à aceitação de uma
dada idéia. È aquele irônico conselho que está embutido na própria etimologia da palavra
per + suadere = aconselhar. Persuadir não é sinônimo de enganar, mas também o
resultado de certa organização ao discurso que o constitui como verdadeiro para o
receptor.
Desta forma, a persuasão pode e deve ser usada em placas de sinalização de
trilhas, com um objetivo maior, que é de aconselhar os visitantes sobre a melhor forma de
se portar em determinado ambiente, como forma de auxiliar na conservação ambiental.
A mensagem das placas devem “vender” ao leitor a boa conduta, a prática de
mínimo impacto e a conservação ambiental.
Em muitos dos parques brasileiros e outras áreas utilizadas para o ecoturismo, as
placas limitam a comunicação em apenas ameaçar, restringir e punir o leitor. É comum
encontrarmos placas informando: “È PROIBIDO A PASSAGEM”, “NÃO ENTRE”, ”NÃO
PISE NA GRAMA”, “NÃO PERTURBE OS ANIMAIS”, NÃO ALIMENTE OS ANIMAIS”,
“PROIBIDO NADAR”, “NÃO JOGUE LIXO”, dentre outras mensagens negativas. Porém,
muitas vezes este tipo de comunicação é tão agressiva ao leitor, que este acaba
rejeitando a informação.
De acordo com os estudos de LORENTZ (2000) a palavra “não” é uma abstração.
O "não", por si só, não diz nada, logo o cérebro se fixa no que vem depois do "não". O uso
de uma linguagem negativa muitas vezes provoca o comportamento que se quer evitar.
A mesma autora afirma que é muito mais difícil e demorado pensar primeiro no
que não fazer para depois pensar no que fazer. A linguagem mais rápida e que obtém
melhores resultados é a linguagem afirmativa; dizer o que deve ser feito. Termos como
“nunca”, “evite”, e outras negativas, tem o mesmo efeito que um “não”.
Assim, as mensagens das placas terão o efeito esperado quando informarem ao
leitor o que estes devem fazer, reforçando o bom comportamento e a conduta adequada.
A comunicação com os ecoturistas, seja ela através de placas ou não, deve
transmitir informações que privilegiem os problemas locais sem esquecer os de âmbito
global. Para tanto, é necessário um profundo conhecimento em ciência ambiental e em
comunicação. A mensagem transmitida não deve ser somente expositiva e unidirecional.
Deve promover a reflexão, a reação, de forma a induzi-lo e motivá-lo a assumir
responsabilidades. Deve-se evitar as mensagens sensacionalistas e catastróficas ou
aquelas que provocam medo e culpa. (SALVATI, 2006b).
SALVATI (2006b) reforça que é fundamental na comunicação, basear-se em
conceitos científicos e introduzir um histórico sobre a relação homem-meio ambiente,
como forma de participar o ecoturista do processo que culminou com o atual estágio de
degradação ambiental. Deve-se salientar que a ciência e a tecnologia são as ferramentas
da destruição e da salvação e que a partir de suas pesquisas é que será construído os
modelos de desenvolvimento sustentável de todas as atividades humanas. A
comunicação no núcleo receptor deve estimular o contato humano entre as diferentes
culturas e ambientes, de forma a estimular e despertar o respeito por todas as formas de
vida.

6- Público-alvo
Para a elaboração das mensagens a serem transmitidas através das placas é
preciso conhecer inicialmente quem é o público alvo.
Tratando-se de UC´s e áreas de uso público destinadas ao ecoturismo existem
estudos que traçam um perfil destes visitantes.
De acordo com os estudos de BARROS & DINES (2000) e WEARING & NEIL
(2000) os ecoturistas são em maioria de classe média, tem entre 23 e 30 anos e possuem
nível superior completo, e se orientados podem apresentar alto grau de comprometimento
para conservação ambiental
BRACKENBURY citado por SALVATI (2006b) comenta que os consumidores do
ecoturismo tem dado maior atenção aos produtos que dão suporte às comunidades
locais, incrementam a conservação e educam seus clientes sobre como minimizar os
impactos ambientais e como respeitar as culturas locais. De modo geral, querem
informações sobre o destino, as características do meio ambiente e da cultura local.
SALVATI (2006b) cita os resultados da pesquisa da Ecosfera (2001) relacionada
ao perfil dos ecoturistas como:
“- Oriundos de grandes centros urbanos, vivendo cotidianos agitados, estressantes e
isento de contato com a natureza;
- São ávidos por um contato positivo com o meio ambiente e atividades de relaxamento,
contemplação e lazer;
- Procuram acesso às informações sobre o meio ambiente e sobre problemas ambientais;
- Procuram ambientes e culturas diferentes, incomuns e até exóticos, inclusive sobre o
pretexto do "antes que acabem”;
- Possuem bom nível cultural e educacional (maioria possui nível superior) e financeiro;
- Estão situados na faixa etária de 25 a 40 anos;
- Possuem consciência de que pagam mais caro por programas culturalmente e
ambientalmente corretos;
- São preocupados com a qualidade do ambiente e com a qualidade de vida da
comunidade local.”
Tendo em vista este perfil, acredita-se que a linguagem apresentada nas placas
pode ir além de sinalizar localização, acesso, alertas sobre áreas de risco, regras e
proibições, é possível transmitir informações técnicas a estes ecoturistas, que muitas
vezes tem interesse em compreender melhor os processos ecológicos, conhecer o nome
de espécies da fauna e flora, entender costumes locais e principalmente compreender o
limite do seu espaço para que promova o mínimo impacto.
A interpretação ambiental é uma importante e interessante ferramenta, mesmo
com diferentes enfoques continua sendo uma tradução da linguagem da natureza para
linguagem comum das pessoas, fazendo com que percebam um mundo que nunca
tinham visto antes. E tem sido um dos meios mais utilizados para a sensibilização
ambiental.
A forma como esta tradução é feita é que diferencia a interpretação da simples
comunicação de informações. É uma forma cativa que provoca e estimula a reflexão, com
uma comunicação amena, pertinente, organizada e temática. (VASCONCELLOS, 1997)

7. Considerações finais
A introdução de placas de sinalização em trilhas não substitui o importante
trabalho de guias e condutores em UC´s e áreas de uso publico destinadas ao
ecoturismo, porém, sabe-se que a sinalização pode ser uma importante ferramenta de
manejo contribuindo para a sensibilização, conscientização e conservação ambientais.
Alguns cuidados especiais devem ser observados na introdução desta sinalização
para que esta garanta sua eficiência como:
- as placas devem ser harmoniosas com o ambiente;
- devem ser construídas com matérias primas locais que ofereçam resistência e
durabilidade;
- devem conter mensagens objetivas com linguagem adequada;
- devem ser apresentadas em todo percurso dando continuidade à comunicação;
- podem apresentar pictogramas comumente utilizados no trade turístico agilizando
a comunicação;
- podem apresentar linguagem persuasiva que motivem o visitante a seguir as
orientações oferecidas;
- dentre outras orientações que podem garantir o sucesso dessa comunicação.
Aproximar o ecoturista do ambiente natural é um dos objetivos desta comunicação.
Utilizar-se de métodos que desenvolvam a interpretação ambiental e educação ambiental
pode ser garantia de eficiência para a sinalização ecoturística.

8. Referências bibliográficas
ALVES, R. G. Manejo e monitoramento de impactos causados pelo uso recreativo em
trilhas ecoturísticas. Lavras: UFLA, 2004. 82p.

ANDRADE, W. J. & ROCHA, L. G. Planejamento, Implantação e Manutenção de Trilhas.


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Jordão: SBS/SBEF, 1990. p. 35-47.
BARROS, M. I. A & DINES, M. Mínimo impacto em áreas naturais: uma mudança de
atitude, In: SERRANO, C. (org.). A educação pelas pedras: ecoturismo e educação
ambiental. São Paulo: Chronos, 2000. p.47-84.(Tours)

CARNEIRO, R.J.B. Sinalização Turística: Diretório e Sistemas Nacionais e Internacionais.


São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado em Turismo) Universidade de São Paulo – ECA.

CITELLI, A. Linguagem e persuasão. 15. ed. Série princípios. São Paulo: Ática, 2003

EMBRATUR. Ministério da Indústria do Comércio e do Turismo. Manual de Sinalização


Turística. São Paulo, 1996.

______. Guia Brasileiro de Sinalização Turística. São Paulo, 2001

GUILLAUMON, J. R. et al. Análise das trilhas de interpretação. São Paulo, Instituto


Florestal, 1977. 57 p. (Bol. Técn. 25).

LORENTZ, M. H. PNL e linguagem: Porque evitar o "NÃO" e a linguagem negativa.,


Disponível em: http://www.pnlbrasil.com.br/artigos/artigodomes072000.htm, acesso em
20Julho de 2005

PAGANI, M. I. et al. As trilhas interpretativas da natureza e o ecoturismo. In: LEMOS,


A.I.G. (Org.). Turismo: impactos socioambientais. São Paulo: Hucitec, 1996.

SALVATI, S. S. Trilhas: Conceitos, Técnicas de Implantação e Impactos. Disponível em:


<http://ecosfera.sites.uol.com.br/trilhas.htm>. Acesso em 12 de março 2006a

______. O perfil do ecoturista, Disponível em:


<http://ecosfera.sites.uol.com.br/ecoturistas.htm>. Acesso em 12 de março 2006b

VASCONCELLOS, J. Trilhas interpretativas aliando educação e recreação. In:


CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO, Curitiba, 1997.
Anais... Curitiba: IAP, UNILIVRE, Rede Nacional Pro Unidade de Conservação, 1997
WEARING, S. & NEIL, J. Ecotourism: impacts, potentials and possibibles. Boston: Butter
Worth-Heinemann, 2000. 144p