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CONSTRUÇÃO DO PROTÓTIPO DE RODA D’ÁGUA PARA OBTENÇÃO DE ENERGIA MARÉMOTRIZ EM SÃO LUÍS-MA.

Daniel Nascimento Moura de Oliveira (danielmoura81@hotmail.com) Jonatan Muniz Caldas (jonhjonh16@hotmail.com) Roberto Lucindo Silva (robertols10@hotmail.com) Uniceuma – Centro Universitário do Maranhão

Resumo

As marés são movimentos gerados pela atração gravitacional do sol e da lua, tal movimento gera forças que podem ser aproveitadas tanto de maneira cinética como potencial. Essa energia potencial pode ser aproveitada quando a maré sobe e quando desce, formando uma diferença que pode ser explorada em todo mundo graças à variação de altura que as marés têm. Com estudo e dispositivos apropriados, podem ser instaladas usinas marémotriz, capazes de aproveitar essa energia que vem das marés e transformá-las em energia elétrica. O dispositivo proposto para a realidade da área em estudo é uma roda d’água (Dispositivo que já era utilizado há muito tempo atrás nos engenhos pelo Brasil), ao qual seu eixo estará ligado a um gerador através de correias que transformarão essa energia mecânica em elétrica. Tal conversão é um dos objetivos principais desse trabalho que é aproveitar esse grande potencial de energia de marés para produção de energia limpa e renovável.

Palavras-chave: Marés. Usinas Marémotriz. Roda D’Água. Energia Limpa.

1 Introdução

O crescente aumento da população mundial levou a humanidade a buscar novas Fontes de energia. Tais fontes de energia não podem agredir o meio ambiente e ainda, devem ser renováveis. Nos últimos anos várias formas de gerar energia limpa foram desenvolvidas, mais nem todas são eficientes o suficiente para garantir o abastecimento da população e ainda sim serem lucrativos como os combustíveis fósseis que apesar da grande poluição causada por sua utilização, não é abandonado como fonte de energia, isso devido aos lucros exorbitantes gerados as empresas que comercializam esse produto e seus derivados. Devido ao caos que o planeta tem apresentado, pesquisadores têm buscado novas fontes de energia lucrativa, mas agora limpas. Entre tantas formas de se obter energia muitos se voltam para energia contida nos oceanos de nosso planeta, tal energia é limpa e renovável o suficiente para abastecer o planeta sem causar danos ao mesmo. Isso somente se um

mecanismo eficiente for implantado, e para tal é necessário que se faça um estudo da região em que se deseja implantar o sistema de conversão e do mecanismo que melhor se adapta ao local sem causar danos ao meio ambiente. A energia cinética e potencial contido nos diferentes níveis de maré, nas ondas e ainda no gradiente de temperatura entre a superfície e regiões profunda, em conjunto são capazes de proporcionar mais energia do que a humanidade é capaz de utilizar. Na busca por formas de obtenção de energia limpa, esse estudo busca a pesquisa e o desenvolvimento de uma forma capaz e eficiente de extrair a energia contida nos diferentes níveis de maré na ilha de São Luís - Ma, sem ferir o meio ambiente e proporcionando assim uma melhora significativa entre o homem e o planeta.

  • 2 Justificativa

Com o passar dos anos o ser humano buscou cada vez mais comodidade e qualidade de vida, para isso foi necessário uma demanda infindável de energia. Com o desenvolvimento intelectual o homem percebeu que era preciso utilizar as forças da natureza sem degredar aquela que lhe proporciona a vida. Logo a humanidade se viu forçada a buscar formas limpa de energia. O estudo da energia proveniente das marés de grande importância para um desenvolvimento sustentável devido as suas características. Características estas que proporcionam produção limpa de energia, afetando ao mínimo o meio ambiente sem causar modificações e danos ao local de implantação do projeto, beneficiando assim comunidades carentes e até mesmo indústrias que se utilizam de energia proveniente de combustíveis fósseis.

  • 3 Revisão Bibliográfica

3.1 Energia das marés

Conforme Neves (2009) a energia das marés pode ser aproveitada onde existem marés com grande diferença de nível e onde o litoral apresenta condições para construção econômica do reservatório. Porém o ciclo de marés de 12 horas e meia e o ciclo quinzenal de amplitudes máxima e mínima (maré de sizígia e maré de quadratura) apresentam problemas para que seja mantido um fornecimento regular de energia, tornando necessária a criação de sistemas mais complexos como, por exemplo, o que se vale de muitas barragens ou o que se utiliza de reservas bombeadas.

As energias renováveis marinhas, teoricamente exploráveis, são numerosas e variadas. Quando estamos perante uma exploração com níveis de produção de energia razoáveis, esta energia elétrica poderá ser exportável para o solo firme. Na conquista de novas fontes de energias que não emitem gazes de efeito estufa, nem contribuem para o agravamento dos impactos ambientais.

  • 3.2 Algumas usinas maré-motriz em atividade

    • 3.2.1 La Rance

A maior usina já construída com essa finalidade é a de La Rance, localizada no estuário do rio francês de mesmo nome. Opera desde 1966 com a capacidade instalada de 240 megawatts (MW), distribuída por 24 turbinas do tipo bulbo, com potência de 10 MW cada uma. Sua barragem possui um comprimento de 330 metros por uma largura de 8 metros, Figura (2). Com uma amplitude de oito metros, as marés do local permitem a geração anual de cerca de 540 GWh (TAVARES, 2005).

  • 3.2.2 Annapolis

Além da usina de La Rance, a outra instalação de porte razoável existente é a Annapolis Tidal Generating Station, situada na baía de Fundy, na costa leste do Canadá (figura 3). Apesar de tal baía apresentar a maior amplitude de maré do mundo, chegando a dezessete metros, a geradora possui uma capacidade instalada de 20 MW, bem inferior a unidade francesa, e foi concluída no ano de 1984. Produz anualmente cerca de 30 GWh, revelando um fator de utilização muito baixo, cerca de 17 por cento (TAVARES, 2005).

  • 3.3 Brasil

No Brasil, existem possibilidades no Amapá, Pará e Maranhão, onde são observadas as maiores amplitudes de maré em território nacional (ELETROBRÁS, 1980). Em 1968, no estado do Maranhão, foi construída uma barragem sobre o rio Bacanga (Figura 3) com o principal objetivo de diminuir a distância da capital São Luís ao porto de Itaqui. O aproveitamento da energia das marés foi vislumbrado na época da construção da barragem, fortemente influenciado pela construção da usina de La Rance na França em 1966. Entretanto, face aos custos e à viabilidade técnica, os equipamentos para a geração nunca foram instalados. A usina se fosse implantada como planejado, seria a segunda maior do mundo. Na década de 1970, a ocupação urbana no entorno do reservatório, o assoreamento e a

degradação dos equipamentos da barragem tornaram mais crítico um possível aproveitamento daquele estuário para a geração de energia elétrica (FERREIRA, 2008).

degradação dos equipamentos da barragem tornaram mais crítico um possível aproveitamento daquele estuário para a geração

Figura 2: Fotocarta da Barragem do Bacanga. Fonte: Google Earth.

4 metodologia

4.1 Área de estudo

Foram feitas pesquisas in loco dos possíveis locais para instalação do dispositivo escolhido para geração de energia maré-motriz e colhidos os dados dos locais. E para ilustrar melhor o dispositivo foi feito um protótipo em escala menor para que pudéssemos obter os resultados esperados. Ao escolher os locais, focou-se no melhor aproveitamento energético, menor custo de implantação e baixo impacto ao meio ambiente, sobressaindo dois locais: barragem do bacanga (energia potencial) canal do rio anil (energia cinética). A barragem do bacanga foi escolhida devido a sua estrutura que já esta pronta precisando apenas de reparos para a implantação de uma roda d’água para aproveitamento da energia potencial proveniente do reservatório. Notasse na estrutura três comportas, das quais apenas uma está em funcionamento, as outras duas foram levadas pela força da água e acabaram sendo fechadas com entulho, pedra e

concreto armado, mas passiveis de uso, existem ainda seis comportas laterais, mais por estarem em um nível mais elevado, perde-se rendimento (Figura 4). Resolvendo utilizar somente umas das três primeiras citadas a que esta em funcionamento foi tirada suas medidas pra melhor dimensionamento de um protótipo. A comporta e feita de aço medindo 12.5 metros de comprimento por 6 metros de largura, está fixa por pinos de aço preço a uma estrutura de concreto armado, sua base submersa e feita de uma estrutura de aço inoxidável que acomoda a comporta no momento que ela e baixada, as laterais possuem dormentes de borracha que com o peso exercido pela água na comporta acabam impedindo a passagem da água por suas laterais.

concreto armado, mas passiveis de uso, existem ainda seis comportas laterais, mais por estarem em um

Figura 1: à Esquerda a) Única das três comportas de ferro que ainda está em funcionamento. À Direita b) As 6 comportas utilizadas para encher o Estuário. Fonte: Pesquisa de trabalho de campo.

A implantação da roda d’água no bacanga será feita na estrutura já presente no local, dimensionando uma roda d’água nas medidas da comporta deixando apenas pequenos espaços nas laterais e no fundo para permitir o livre movimento da mesma. A roda d’água trabalhando a uma velocidade de 9 RPM transmiti de uma polia de raio 2,5 m através de engrenagem seu movimento a uma nova polia de raio 0,15 m que trabalha a uma nova velocidade de 120 RPM, esta através de um eixo repassa o movimento a uma polia de raio 2m, esta que agora gira a 120 RPM transmite através de correias seu movimento para uma nova polia de raio igual a 0,15m, esta última já esta acoplada ao gerador que trabalha a uma velocidade media 1600 RPM o suficiente para acoplamento de dois geradores Cummins de 2300 kwh.

4.2 Construção do Protótipo

Para se construir a Roda D’água (Figura 5) foi utilizado os seguintes materiais: um cubo de rolamento de bicicleta, Tiras de madeira para construção da estrutura que segura as pás, que foram feitas de alumínio, e uma base também feita de madeira para segurar a roda d’água. Além desses materiais foi utilizado como reservatório uma caixa de isopor de 175 l, correias de borracha e um motor que são usados em impressoras, motor esse que funciona como gerador que transforma a energia mecânica em energia elétrica.

5 Resultados e Discussões

Devido à grande amplitude de maré na baía de São Marcos e São José de Ribamar, nota-se que e possível a implantação de terminais hidroelétricos em diversos locais das baías mencionadas para a conversão de energia potencial e cinética em energia elétrica de baixo custo, porem nota-se a necessidade de estudos más aprofundados no local. As tecnologias hoje existentes são caras e impróprias para o objetivo deste trabalho que visa à obtenção de energia barata a partir das marés, foi diante este fato que se optou pelo o sistema de roda d’água, tal estrutura tem baixo custo, necessitando apenas de estudos para a quantidade de pás mais adequadas a cada situação (energia potencial ou energia cinética). Com o baixo custo e implantação e manutenção os maiores gastos serão com a compra de geradores e realocamento de famílias que hoje vim às margens do reservatório, caso utilize-se energia cinética os gastos serão apenas com a construção de estruturas para fixação da roda d’água no canal. É evidente que com estudos mais aprofundados e pequenos investimentos financeiro (quando comparado a outras tecnologias) pode-se implantar centrais hidroelétricas no litoral do Maranhão diminuindo razoavelmente a necessidade de utilização de outros tipos de energias como a termoelétrica que consomem combustíveis fosseis para a produção de eletricidade degradando fortemente o ambiente. A energia maré-motriz passa quase que despercebida pelo o meio ambiente, entre os seus impactos o mais notório e a construção de barragens, o que não é necessário na cidade de São Luis devido à existência de dois reservatórios já construídos.

Referências Bibliográficas

Centrais Elétricas Brasileiras S/A. Relatório: Aproveitamento hidroenergético do estuário do Bacanga através de uma usina de Maremotriz. Rio de Janeiro: ELETROBRÁS, 1980. v1.

FERREIRA, R.; ESTEFEN, S. Aproveitamento da energia das marés para geração de eletricidade Usina Maremotriz do Bacanga. Itajúba, volume único, n.1, 2008. Disponível em: www.cerpch.org.br. Acesso em: 15 set. 2010.

NEVES,

R.

PDIS

Energia

das

Marés

e

Ondas.

2009.

Disponível

em:

<http://paginas.fe.up.pt/~ee02035/Energia_Mares.pdf>. Acesso em: 15 set. 2010.

TAVARES, W. Produção de Energia a partir da Energia Maremotriz. 2005. Disponível em:<http://www2.camara.gov.br/documentos-e pesquisa/publicacoes/estnottec/tema16 /2005_266.pdf>. Acesso em: 18 set. 2010.