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FICHA DE FILOSOFIA Nº 3 Lembrando a unidade anterior: pensamento abstrato, linguagem e símbolos Vejamos

FICHA DE FILOSOFIA Nº 3

Lembrando a unidade anterior: pensamento abstrato, linguagem e símbolos

unidade anterior: pensamento abstrato, linguagem e símbolos Vejamos o esquema do que estudamos nos quadrinhos abaixo,

Vejamos o esquema do que estudamos nos quadrinhos abaixo, da quadrinhista Margreet de Heer

linguagem e símbolos Vejamos o esquema do que estudamos nos quadrinhos abaixo, da quadrinhista Margreet de
linguagem e símbolos Vejamos o esquema do que estudamos nos quadrinhos abaixo, da quadrinhista Margreet de
linguagem e símbolos Vejamos o esquema do que estudamos nos quadrinhos abaixo, da quadrinhista Margreet de
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A IMAGINAÇÃO SIMBÓLICA Dando prosseguimento aos nossos estudos sobre o homem e sua relação com
A IMAGINAÇÃO SIMBÓLICA Dando prosseguimento aos nossos estudos sobre o homem e sua relação com

A IMAGINAÇÃO SIMBÓLICA

Dando prosseguimento aos nossos estudos sobre o homem e sua relação com a natureza, técnica e cultura, vimos na unidade anterior que a capacidade dos humanos em desenvolver inteligência abstrata de modo complexo, os permite elevar a experiência concreta a um nível simbólico, ou seja, a transformar o momento vivenciado do aqui e agora em uma percepção, sensação, memória ou imagem. Mas o que é imaginação? De modo geral, a imaginação é a condição do desejo que temos de criar uma verdade. Assim, o artista imagina a sua verdade na obra de arte. A criança imagina a sua verdade no “faz-de-conta” e cria um mundo ideal. Não podemos nos esquecer de que o homem é um animal imaginário, na medida em que é capaz de inventar o novo a partir de sua imaginação criadora. E é em meio a esse processo que os humanos produzem símbolos, cujos múltiplos significados correspondem as suas respectivas culturas.

A VISÃO MÍTICA DO MUNDO

produzem símbolos, cujos múltiplos significados correspondem as suas respectivas culturas. A VISÃO MÍTICA DO MUNDO 3

MITOS DE CRIAÇÃO: COSMOGONIAS

Uma coisa que todas as mitologias concordam é que o mundo foi criado por um ato deliberado de um ser divino, e que homens e mulheres foram gerados especialmente para viver nesse mundo. Cada cultura tem a sua história da criação para explicar como o mundo foi feito. Muitos mitos falam do Caos, a partir do qual o mundo se formou. Outros dizem que ele foi chocado de um ovo ou surgiu no lombo de um animal.

do Caos, a partir do qual o mundo se formou. Outros dizem que ele foi chocado
A CULTURA E O IMAGINÁRIO COLETIVO A FUNÇÃO ONTOLÓGICA DOS MITOS E A QUESTÃO DA

A CULTURA E O IMAGINÁRIO COLETIVO

A FUNÇÃO ONTOLÓGICA DOS MITOS E A QUESTÃO DA VERDADE

A palavra “mito” deriva do grego mythos, que significa “fábula” ou “história”. “De acordo com o filósofo e mitólogo Mircea Eliade*, o mito conta uma história sagrada e relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do “princípio”. Os personagens dos mitos são os Entes Sobrenaturais, e graças as suas façanhas narra como uma realidade passou a existir. É sempre, portanto, a narrativa de uma “criação”. Ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma “história verdadeira”, por que sempre se refere a realidades. Muitas mitologias existem desde a origem dos tempos, com a consciência de um Deus criador. O tempo mitológico é cíclico, ao contrário do tempo real, que é linear. Ele pressupõe o que Mircea Eliade chamou de “mito do eterno retorno”. Os egípcios esperavam renascer em uma vida no Campo dos Juncos, uma versão perfeita do Egito que eles conheciam. Eles eram mantidos nessa crença pelo renascimento cotidiano de Rá, o sol. Os Vinkings acreditavam que os guerreiros mortos em batalhas eram convidados ao salão dourado do Valhala, onde festejavam ao lado dos deuses antes de lutar por Odin, o senhor dos exércitos, na batalha final de Ragnarok. O poeta romano Virgílio nos conta que o herói Enéias encontrou seu pai, Anquises, nos Campos Elísios do mundo dos mortos. Mas, quando tentou abraçá-lo, ele se desmanchou no ar. Então, quando viram as almas beber a água do esquecimento para esquecer sua vida passada e nascer de novo, perguntou a Anquises o que estava acontecendo. Anquises lhe explicou que, no princípio, o mundo era espírito puro, mas nos ligamos a vida pelo amor e pelo medo. Alguns são capazes de descansar na vida após a morte, aguardando que o ciclo do tempo se complete, quando voltarão a ser espíritos puros. A maioria anseia voltar ao mundo. Na Grécia antiga, o mito era narrado pelo poeta rapsodo, que escolhido pelos deuses transmitia o testemunho incontestável sobre a origem de todas as coisas, oriundas das relações amorosas entre os deuses, gerando assim, tudo que

existe e que existiu. Os mitos também narram o duelo entre as forças divinas que interferiam diretamente na vida dos homens, em suas guerras e no seu dia-a-dia, bem como explicava a origem dos castigos e dos males do mundo. Ou seja, a narrativa mítica é uma genealogia da origem das coisas a partir de lutas e alianças entre as forças que regem o universo. Na antiguidade clássica, o mito era tido como verdade, já que seu fundamento não se sustentava na razão ou na investigação, mas na autoridade do rapsodo. Por este motivo, todas as forças da natureza e mistérios da vida são personificados na forma de um deus ou imagem mitológica. Como nesta época a ciência ainda não havia sido inventada, os mitos, através da oralidade, buscavam dar sentido ao mundo, e transmitiam, de geração a geração, os hábitos, costumes e crenças de uma determinada civilização. Ao conjunto de mitos dá-se o nome de mitologia. Como a poesia, a mitologia oferece uma maneira de compreender o mundo por meio da metáfora. As histórias se adaptam e mudam de acordo com o narrador e o contexto.

O MITO COMO POÉTICA DA LINGUAGEM:

OS SÍMBOLOS E SUAS METÁFORAS

Mitologia, no mais elevado sentido da palavra, significa o poder que a linguagem exerce sobre o pensamento, e isto em todas as esferas possíveis da atividade espiritual. A mitologia irrompe com maior força nos tempos mais antigos da história do pensamento humano, mas nunca desaparece completamente. Segundo o filólogo Max Muller*, tudo a que chamamos mito é algo condicionado e mediado pela atividade da linguagem, como se esta colocasse o pensamento para fora. É como se o pensamento se materializasse na linguagem de um jeito especial, poético, e as coisas do mundo a partir de então passassem a ser explicadas e ter nomes. Esta é a teoria segundo qual o mito teria a mesma origem da linguagem. Outra teoria diz que o conteúdo dos mitos teria sido influenciado pelos sonhos. Os mitos são narrativas cheias de símbolos e metáforas. Metáfora é um termo que no latim, "meta" significa “direção” e “phora” significa "sem sentido". Esta palavra foi trazida do grego onde metaphorá significa "mudança”. Desse modo,

entendemos que metáfora é uma figura de linguagem que empresta o significado de uma palavra ou expressão para atribuir-lhe outro sentido. Por exemplo, quando dizemos para

uma pessoa: - você é uma flor! não estamos querendo dizer que a pessoa seja um vegetal, mas emprestando da palavra flor a qualidade de bonita, delicada, cheirosa, etc. Assim, na metáfora, a expressão nunca pode ser entendida em seu sentido literal, mas na comparação que subverte (muda) o seu

sentido.

(Texto adaptado do livro Mito e Linguagem, de Ernest Cassirer)

A TEOGONIA, DE HESÍOSO

Em sua obra Teogonia, Hesíodo apresenta uma árvore genealógica dos deuses gregos, como metáfora da origem das forças primordiais que regem universo. Desse modo, não podemos entender a construção dessa genealogia como se estivéssemos tratando de seres naturais, como de humanos, por exemplo, mas de entes sobrenaturais que simbolicamente personificam as forças da natureza. Assim, quando Hesíodo canta a origem dos deuses, celebra com isso as belas formas e criaturas que animam e povoam a natureza. Apesar do encantamento que as mitologias provocam nos jovens, ao evocar um universo maravilhoso cheio de aventuras, conflitos e paixões, não podemos de deixar de analisar de que modo o valores e formas de vida da civilização grega e do pensamento europeu, estão inseridos na estrutura narrativa dos mitos. Também é interessante observar o significado dos nomes dos deuses e sua conexão com as palavras que utilizamos no nosso dia-a-dia. A Teogonia é toda escrita na forma de poemas, pois na época dos deuses gregos, na Idade Arcaica, toda tradição literária repousava na poesia. Sendo o poeta rapsodo a autoridade responsável por cantar os mitos gregos, sua inspiração nas musas, que segunda Hesíodo são filhas de Zeus com Mnemosine, a deusa da memória, corresponde a representação dos princípios gregos necessários para elaboração e recitação de um poema. Segue abaixo a lista das nove musas e seus respectivos significados:

Clio confere a glória, o feito heróico a um poema Euterpe que confere alegria ao canto Tália une poesia à festividade Melpêmene e Tersícore unem poesia à música e dança Érato provoca nos homens o desejo de poesia Polímnia cria a rica alternância dos ritmos Urânia eleva o canto acima do humano Calíope beleza da voz na recitação

Também vamos encontrar na Teogonia, um elenco de cinquenta nereidas, que são espécies de potências divinas que se acham nas águas. São criaturas do mar que personificam uma concepção do pensamento grego sobre a navegação, e nos dão uma imagem idealizada do comércio marítimo do início do século VII. Segue abaixo algumas delas:

Proto a que leva o termo Êucrate a salvadora Eudora a dadivosa Galena a bonança Érato a que suscita a nostalgia Eunice a virgem da boa rivalidade Eulímene a virgem do bom porto Doto a doadora Ploto a navegadora Ferusa a que leva Dinamene a poderosa Pânope a que tudo vê Hipótoe veloz como um cavalo Hipônoe sagaz como um cavalo Cimatologe a que aplana as ondas Liágora a que reúne os homens Evágora a que procura um bom mercado Laomedéia a que se preocupa com o povo Eupompe a que dá boa escolta Temisto a que provê a justiça Prônoe a previdente Nemerte que é sem falsidade

A história da sucessão entre os deuses na Teogonia é dividida em três partes. A primeira defende que o mundo divino evoluía, pouco a pouco, de um estado primitivo e rude para um estado ordenado e justo. Isso está simbolizado na luta entre os deuses pelo comando do universo, que começa com os deuses primordiais até chegar em Zeus, que representa a ordem e harmonia do mundo. Na segunda parte, aparece uma idade paradisíaca na qual não existia injustiça, mas que só diz respeito ao mundo dos deuses, sem ligação com os humanos. Também encontramos na Teogonia uma terceira concepção, segundo o qual tanto as potências más quanto as boas existem lado a lado, em todos os tempos. Isso se explica na disputa pela sucessão de trono entre pai e filho: primeiramente entre Uranos e Cronos, e depois deste com Zeus. Uranos e Cronos foram derrubados em punição, segundo Hesíodo, por sua violência e injustiça, já que personificam as forças brutas e primitivas da natureza. Zeus mostrou-se justo desde o início, e por isso seu domínio perdura até hoje. O direito no qual crê Hesíodo é a ordem inviolável e necessária, graças à qual o justo recebe no final a recompensa, e o injusto, a pena. Embora em Homero já se encontre a convicção de que o homem é punido por sua cegueira, Hesíodo é, porém, o primeiro a julgar o agir humano segundo a única e rígida norma do DIREITO.

(Texto adaptado do livro A cultura grega e a origem do pensamento europeu, de Bruno Snell*)

A ILÍADA E ODISSÉIA DE HOMERO

Em Homero, os deuses promovem todas as mutações. A Ilíada tem início com a peste mandada por Apolo. Agamênnon

é obrigado a devolver Criseida e, ao tomar Briseida para si,

em compensação, provoca o desprezo de Aquiles. Desse modo é encaminhada a ação do poema. No início do segundo livro, Zeus manda a Agamênnon um sonho enganador para prometer-lhe a vitória e induzi-lo à batalha, o que é ocasião de

lutas e infortúnios para os gregos. E assim vamos em frente. No começo da Odisseia, temos a reunião dos deuses, na qual se decide o retorno de Odisseu, e os deuses continuam intervindo até que, por último, Odisseu, com ajuda de Atena, mata os pretendentes. Duas ações desenvolvem-se paralelamente: uma no mundo superior dos deuses, a outra na terra, e tudo o que sucede aqui embaixo acontece por determinação dos deuses. A ação humana não tem nenhum início efetivo e independente. O que é estabelecido e realizado é obra dos deuses. E, já que a ação humana não tem em si o seu princípio, muito menos terá um fim próprio. Só os deuses agem de modo a alcançar aquilo que se propuseram. No início mesmo da Ilíada, quando explode a discórdia entre Agamênnon e Aquiles, Agamênnon prende Briseida, paixão de Aquiles, e este, ao se sentir provocado, agarra a espada e pergunta a si mesmo se deve ou não enfrentar Agamênnon. É quando Atenas aparece (ela se manifesta apenas a Aquiles), conversa com ele e o aconselha a não deixar-se levar pela ira. Se conseguir dominar-se, a vantagem será dele. Aquiles segue sem hesitar o conselho da deusa e coloca de novo a espada na bainha. Isso quer dizer que na obra de Homero, o homem ainda não se sente responsável por suas próprias decisões, atribuindo tal responsabilidade aos deuses e não a sua própria vontade.

O homem de Homero, portanto, é livre diante de seu Deus. Se

dele recebe um dom, orgulha-se disso, mas, continua modesto, pois está consciente de que toda grandeza provém da divindade. Em Homero, quando um deus aparece ao homem, não o reduz a pó, pelo contrário, eleva-o e o torna livre, forte, corajoso e seguro. Em suas duas obras Ilíada e Odisseia, pode-se observar uma certa diferença: na Ilíada, a ação dos deuses manifesta-se a cada guinada dos eventos, ao passo que, na Odisseia, os deuses funcionam mais como fieis acompanhantes da ação humana.

(Texto extraído do livro A cultura grega e a origem do pensamento europeu, de Bruno Snell*

 
                 
   
                 
   
                 
 
                 
 
                 
   
                 
     

Mircea

Eliade

foi

um

Homero foi um poeta

épico

Grécia

da

 

Bruno Snell foi um filólogo clássico alemão. Os filólogos estudam a origem das palavras.

Ernest Cassirrer foi um filósofo alemão de origem judaica que pertenceu a escola de Marburg. Desenvolveu uma filosofia da cultura como uma teoria dos símbolos, baseada na fenomenologia do conhecimento.

Jean-Pierre Vernant foi um historiador e antropólogo francês, especialista na Grécia Antiga, particularmente na mitologia grega.

professor

das

religiões,

Hesíodo foi um poeta oral grego da antiguidade, geralmente tido como tendo estado em atividade entre 750 e 650 a.C., por volta do mesmo período que Homero.

mitólogo,

filósofo

e

Antiga,

ao

qual

romeno,

tradicionalmente

se

 

romancista naturalizado americano em 1970.

norte-

atribuiu a autoria dos

   

poemas

Ilíada

e

 

Odisseia

MITOLOGIA GREGA: TEOGONIAS DEUSES PRIMORDIAIS, TITÃS E DEUSES DO OLIMPO

1ª geração – Deuses Primordiais 2ª geração – Titãs 3ª geração – Deuses do Olimpo
1ª geração – Deuses Primordiais
2ª geração – Titãs
3ª geração – Deuses do Olimpo

Deuses Primordiais

Caos, Gaia, Urano, Tártaro, Eros, Erebo, Nix, Éter, Hemera.

Titãs

Cronos, reia, Hiérion, Teia, Mnemosine, Têmis, Oceano, Tétis, Crios, Céos, Febe, Jápeto, Prometeu, Atlas, Epimeteu

Deuses do Olimpo

Zeus, Hades, Poseidon, Hera, Héstia, Deméter, Atena, Ares, Hefesto, Afrodite, Dionísio, Apolo, Ártemis, Hermes

Outros Deuses

Perséfone, Leto, Maia e Dione

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ZEUS

ZEUS POSEIDON HADES  

POSEIDON

ZEUS POSEIDON HADES  

HADES

 
ZEUS POSEIDON HADES  

Deus dos

Deus dos

Deus do

raios e

mares e

mundo dos

 

trovões

oceanos

mortos

HÉSTIA

HÉSTIA   HERA DEMÉTER
 

HERA

HÉSTIA   HERA DEMÉTER

DEMÉTER

HÉSTIA   HERA DEMÉTER

Deusa do

Deusa da

Deusa da

lar e

fertilidade e

 

agricultura

laços

matrimônio

familiares

 

ATENA

ATENA APOLO ÁRTEMIS

APOLO

ATENA APOLO ÁRTEMIS

ÁRTEMIS

ATENA APOLO ÁRTEMIS

Deusa da

Deus do sol e da arte

Deusa da caça e lua

estratégia e

 

justiça

   

AFRODITE

AFRODITE HEFESTO  

HEFESTO

AFRODITE HEFESTO  
 

Deusa

Deus

da

da

beleza

metalurgia

ARES

ARES HERMES DIONÍSIO Deus do vinho, festas e teatro

HERMES

DIONÍSIO Deus do vinho, festas e teatro

DIONÍSIO

Deus do

vinho,

festas e

teatro

ARES HERMES DIONÍSIO Deus do vinho, festas e teatro

Deus da

Deus da

guerra

magia e

adivinhação

A FILOSOFIA SURGE COM A PÓLIS GREGA: O LOGOS E A POLÍTICA AS Teorias Orientalista, do Milagre Grego e da Continuidade

Teoria Orientalista: defende que a origem da filosofia está ligada ao contato que os gregos tiveram com a sabedoria oriental (egípcia, persa e babilônica). Vários pesquisadores são categóricos ao afirmar que as grandes civilizações orientais mantiveram contato com as civilizações gregas e essas determinaram formas da vida social, da religião, das artes e das técnicas usadas pelos gregos.

Teoria do “Milagre Grego: afirmava que o surgimento da filosofia na Grécia se deve a uma espécie de “milagre grego”, ou seja, os gregos foram um povo excepcional, sem nenhum outro semelhante a eles, nem antes nem depois deles, e por isso somente eles poderiam ter sido capazes de criar a filosofia, as ciências e dar às artes uma elevação que nenhum outro povo conseguiu.

Teoria da continuidade: a Filosofia surge como um prolongamento do pensamento mítico por influência dos acontecimentos históricos e postulado da dúvida a verdade do mito.

ÀGORA Praça pública onde as decisões eram tomadas     A GRÉCIA NO

ÀGORA Praça pública onde as decisões eram tomadas

ÀGORA Praça pública onde as decisões eram tomadas     A GRÉCIA NO PERÍODO

A GRÉCIA NO PERÍODO ARCAICO

A invenção da escrita: com o ressurgimento da escrita, entre os séculos IX e VIII a.C., esta se desliga da influência religiosa,

passando a ser utilizada para formas mais democráticas de poder. A escrita gera uma nova idade mental porque a postura de quem escreve é diferente daquela de quem apenas fala.

O surgimento da moeda: inventada na Lídia (Turquia), aparece na Grécia por volta do séc. VII a.C., vindo facilitar os negócios

e impulsionar o comércio. Com a democratização de um valor, a moeda supera os símbolos sagrados e afetivos, racionalizando uma medida comum.

A lei escrita: séc. VII a.C., proporcionou a criação de regras comum a todos, de forma racional, sujeita à discussão e

modificação. Antes dela, a justiça era dependente da interpretação da vontade divina ou da arbitrariedade dos reis.

O cidadão da pólis e a consolidação da democracia: com o nascimento da pólis grega (modelo das antigas cidades) que

estava centralizada na ágora (praça pública), lugar onde se debatiam os problemas de interesse comum. Contribuiu para a autonomia da palavra, não mais a palavra mágica dos mitos, dada pelos deuses, mas a humana do conflito, da discussão, da argumentação. O hábito da discussão pública estimulou o pensamento racional, argumentativo, distanciando-se cada vez

mais das tradições míticas.

DO MITO À RAZÃO

A Filosofia, por outro lado, trata de problematizar o porquê das coisas de maneira universal, isto é, na sua totalidade.

Buscando estruturar explicações para a origem de tudo nos elementos naturais e primordiais (água, fogo, terra e ar) por meio

de combinações e movimentos.

Enquanto o mito está no campo do fantástico e do maravilhoso, a Filosofia não admite contradição, exige lógica e coerência racional e a autoridade destes conceitos não advém do narrador como no mito, mas da razão humana, natural em todos os homens.

conceitos não advém do narrador como no mito, mas da razão humana, natural em todos os

TRAGÉDIA GREGA

conceitos não advém do narrador como no mito, mas da razão humana, natural em todos os
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MITOS DA ATUALIDADE: OS ÍDOLOS E SUPER-HERÓIS

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ATIVIDADES DE FILOSOFIA

1) Zeus ocupa o trono do universo. Agora o mundo está ordenado. Os deuses disputaram entre si, alguns triunfaram. Tudo o que havia de ruim no céu etéreo foi expulso, ou para a prisão do Tártaro ou para a Terra, entre os mortais. E os homens, o que acontece com eles? Quem são eles?” (VERNANT, Jean-Pierre. O universo, os deuses, os homens. Trad. de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 56.)

O texto acima é parte de uma narrativa mítica. Considerando que o mito pode ser uma forma de conhecimento, assinale a alternativa correta.

a) A verdade do mito obedece a critérios empíricos e científicos de comprovação.

b) O conhecimento mítico prova sua verdade de maneira lógica e argumentativa.

c) O mito busca explicações sobre o homem e o mundo, e não depende de provas.

d) A verdade do mito obedece a regras universais do pensamento racional.

2) O mito grego é uma narrativa sobre a origem das coisas, fundamentando a ordem do mundo segundo as leis, relações e feitos dos deuses. Sobre o mito, assinale a única alternativa INCORRETA:

a) A árvore genealógica é o modo pelo qual o mito narra a geração dos Deuses, das coisas, das qualidades, por outros seres que são pais ou antepassados.

b) O mito narra acontecimentos na Terra como consequência de alianças e rivalidades entre Deuses, a exemplo da Guerra de Tróia e Fúria dos Titãs.

c) O mito narra a origem das coisas no mundo encontrando recompensas e castigos que os Deuses dão aos que o obedecem ou desobedecem.

d) Os mitos são cosmologias e teologias, na medida em que explicam o surgimento das coisas e dos Deuses através do conhecimento científico.

3) Zeus ocupa o trono do universo. Agora o mundo está ordenado. Os deuses disputaram entre si, alguns triunfaram. Tudo o que havia de ruim no céu etéreo foi expulso, ou para a prisão do Tártaro ou para a Terra, entre os mortais. E os homens, o que acontece com eles? Quem são eles?” (VERNANT, Jean-Pierre. O universo, os deuses, os homens. Trad. de Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 56.)

O texto acima é parte de uma narrativa mítica. Considerando que os mitos no período arcaico da Grécia Antiga eram considerados histórias sagradas que explicam o mundo e definem nosso papel na criação por uma ordem divina, sua verdade era revelada

a) diante da comprovação de teorias científicas fundadas na racionalidade

b) no enredo das tragédias gregas de entes naturais da antiguidade clássica

c) nas histórias dos Deuses que narram como uma realidade passou a existir

d) nos arrobos poéticos deaedos como Homero que escreveu a obra “Ilíada”

4) “Eros, enquanto um dos quatro elementos que são a Origem, ao ser nomeado e ao presentificar-se ao seu domínio, envolve já a referência a todos os homens e todos os Deuses, que surgiram depois dele. Tal como a Terra, a ser nomeada como Origem, traz com sua nomeação a presença dos mortais que tem o Olimpo nevado E como potência cosmogônica, como força de acasalamento e da multiplicação da vida, Eros está mais perto e aparentado ao Céu e à Terra”. Quanto ao Tártaro, por sua natureza noturna e letal, está mais aparentado ao Kháos com sua descendência tenebrosa e mortífera. (Texto extraído da Teogonia, de Hesíodo. Trad. de Jaa Torrano. Iluminuras: São Paulo, 1991. P. 42). O texto acima, extraído do livro “Teogonia”, do poeta Hesíodo, está se referindo a qual geração dos Deuses gregos?

a) Primeira geração ou geração dos Deuses primordiais

b) Segunda geração ou geração da ordem dos Titãs

c) Terceira geração ou geração dos Deuses Olimpianos

d) Quarta geração ou geração dos Deuses Olimpianos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASSIRER, Ernest, 1874-1945. Linguagem e mito. Tradução de J. guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2013.

DORLING, Kindersley. Mitos e Lendas para Crianças. Trad. Ana Ban. 1ª ed. São Paulo: Publifolhinha, 2013.

ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. Trad. PolaCivelli. São Paulo: Perspectiva. 2010. (Coleção Debates: 52).

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Estudo e tradução de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1991.

HER, Margreet de. Filosofia para principiantes. Tradução de Daniel Eiti Missato 1ª Ed. São Paulo: Cultrix, 2013.

HOMERO. Iliíada. Introdução e notas de Eugène Lasserre. Tradução do francês de Octávio Mendes Cajado. São Paulo: Difel Difusão Editorial S.A.

NEIL, Philip. Mitos e Lendas em detalhes. Trad. Eliana Rocha. São Paulo: Publifolhinha, 2010 (Coleção em detalhes).

OLIVEIRA, Raimundo Nonato de./SILVA, José Ferreira da. Filosofia: Pensar é preciso para agir melhor 1ªed. Editora Edjovem:

Fortaleza, 2014.

SANTOS, Fernanada (org.). Enciclopédia Recreio de Mitologia Grega. São Paulo: Editora Abril, 2013.

SNELL, Bruno. A cultura grega e a origem do Pensamento Europeu. Tradução de Pérola de Carvalho. São Paulo: Perspectiva, 2012.

SOUZA, Maurício. Saiba mais sobre a Pré-História com a Turma da Mônica. Editora PaniniComics, nº 78.

INDICAÇÃO DE FILMES, VÍDEOS E DOCUMENTÁRIOS

Deuses gregos documentário completo - https://www.youtube.com/watch?v=52x1veAdYMo Deuses Gregos documentário completo Filosofia - https://www.youtube.com/watch?v=X6DKMbup-MQ Gigantes: Mistérios e Mitos - https://www.youtube.com/watch?v=seK5qHPWWAY Documentário Confronto dos Deuses Zeus - https://www.youtube.com/watch?v=ut020I9k-zw

Documentário Confronto dos Deuses Hades - https://www.youtube.com/watch?v=w1aL0hrlpKk Documentário Confronto dos Deuses Minotauro - https://www.youtube.com/watch?v=1PnM3qjXcrY Documentário Confronto dos Deuses Medusa - https://www.youtube.com/watch?v=weKqdACl19w