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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI CAMPUS SENADOR HELVIDIO NUNES DE BARROS - CSHNB BACHARELADO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI

CAMPUS SENADOR HELVIDIO NUNES DE BARROS - CSHNB

BACHARELADO EM ENFERMAGEM

DISCIPLINA: CURRICULAR I

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE ALCÓOLATRA

PICOS 2012
PICOS
2012

MARLUZA GREYCE CELLA

TALITHA ALVES DE ALENCAR

MARLUZA GREYCE CELLA

TALITHA ALVES DE ALENCAR

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE ALCÓOLATRA

Trabalho elaborado à disciplina Curricular I como pré-requisito parcial de avaliação no Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Piauí UFPI, CSHNB, PICOS, PIAUÍ.

PICOS

2012

1 INTRODUÇÃO

Alcoolismo é a dependência do indivíduo ao álcool, considerada doença pela Organização Mundial da Saúde. O uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a consequências irreversíveis.

É a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350

doenças (físicas e psiquiátricas) e torna dependentes da droga um de cada dez usuários de álcool. No Brasil, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas, acontecem devido ao álcool. Apesar de ser aceito pela sociedade, o álcool oferece uma série de perigos tanto para quem o consome quanto para as pessoas que estão próximas. Grande parte dos acidentes de trânsito, arruaças, comportamentos antissociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no

trabalho, como alterações na percepção, reação e reflexos, aumentando a chance de acidentes de trabalho, são provenientes do abuso de álcool. Um indivíduo pode tornar-se alcoolista devido a um conjunto de fatores, incluindo predisposição genética, estrutura psíquica, influências familiares e culturais. Sabe-se que homens e mulheres têm 4 vezes mais probabilidade de ter problemas com álcool se seus pais foram alcoolistas. A identificação precoce do alcoolismo geralmente é prejudicada pela negação dos pacientes quanto a sua condição de alcoólatras. Além disso, nos estágios iniciais é mais difícil fazer o diagnóstico, pois os limites entre o uso "social" e a dependência nem sempre são claros. Quando o diagnóstico é evidente e o paciente concorda em se tratar é porque já se passou muito tempo, e diversos prejuízos foram sofridos. É mais difícil de se reverter o processo. Como a maioria dos diagnósticos mentais, o alcoolismo possui um forte estigma social, e os usuários tendem a evitar esse estigma. Esta defesa natural para a preservação da autoestima acaba trazendo atrasos na intervenção terapêutica. As manifestações corporais costumam começar por vômitos pela manhã, dores abdominais, diarreia, gastrites, aumento do tamanho do fígado. Pequenos acidentes que provocam contusões, e outros tipos de ferimentos se tornam mais frequentes, bem como esquecimentos mais intensos do que os lapsos que ocorrem naturalmente com qualquer um, envolvendo obrigações e deveres sociais e trabalhistas. A susceptibilidade a infecções aumenta e dependendo da predisposição de cada um, podem surgir crises convulsivas.

muito mais comum do que se imagina a coexistência de alcoolismo

com outros problemas psiquiátricos prévios ou mesmo precipitante. Os transtornos de ansiedade, depressão e insônia podem levar ao alcoolismo. Tratando-se a base do problema muitas vezes se resolve o alcoolismo. Já os transtornos de personalidade tornam o tratamento mais difícil e prejudicam a obtenção de sucesso. Assim como outros vícios, o álcool também oferece recaídas, e em taxa muito alta: aproximadamente 90% dos alcoólatras voltam a beber nos 4 anos seguintes a interrupção, quando nenhum tratamento é feito. A semelhança com outras formas de dependência como a nicotina, tranquilizantes, estimulantes, etc., levam a crer que um há um mecanismo psicológico (cognitivo) em comum.

É

O dependente que consiga manter-se longe do primeiro gole terá mais chances de contornar a recaída Em primeiro lugar é preciso esclarecer que não existe um tratamento ideal para o alcoolismo. Por isso, os casos devem ser considerados individualmente, e a partir de um bom exame clínico, deve-se indicar o tratamento mais apropriado para cada paciente de acordo com o grau de dependência e do ponto de desenvolvimento da doença em que se encontra a pessoa. É preciso lembrar que as recaídas são comuns nos pacientes alcoolistas. Na grande maioria dos casos, o próprio paciente não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida, tendendo a negar o uso ou mesmo a sua dependência dela. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer seu problema e a necessidade de tratar-se e de tentar abster-se do álcool. A indicação de internação, pelo menos como fase inicial de desintoxicação, costuma ser a regra. Os grupos de autoajuda, como os Alcoólicos Anônimos, têm-se mostrado uma das alternativas mais eficazes no tratamento do paciente alcoolista e no acompanhamento de sua família, o que costuma ser indispensável para o bom andamento do tratamento.

alcoolista e no acompanhamento de sua família, o que costuma ser indispensável para o bom andamento
alcoolista e no acompanhamento de sua família, o que costuma ser indispensável para o bom andamento

2 HISTÓRICO DE ENFERMAGEM

D.P.S., 32 anos, sexo masculino, solteiro, evangélico, trabalhador autônomo, cursou o ensino fundamental, natural de Parambú CE, foi admitido voluntariamente após iniciativa familiar em 2008 no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad), com diagnóstico de alcoolismo. Faz uso da substância frequentemente desde os 17 anos de idade. Na anamnese o paciente relatou residir em ambiente urbano, casa de tijolos, possuindo eletricidade, água e presença de saneamento básico. Apresentava-se sem asseio corporal, não concilia sono e repouso, pratica exercícios físicos, bem como hábitos de recreação (futebol, desenho e pintura). Possui uma alimentação variada, sem restrição alimentar, com ingesta de líquidos, e costuma fazer três refeições diárias. Eliminações urinárias e intestinais presentes e normais. Ao exame físico apresenta-se consciente; orientado; ansioso, angustiado, pouco irritável com fuga de ideias. Estado nutricional normal; pele/tecidos sem alterações; crânio e tórax sem anormalidades; ausculta pulmonar normal e a oxigenação é o ar ambiente. Coração com ritmo normal; precórdio sem alteração; abdome normal; membros superiores com sensibilidade e força motora preservada em todas as extremidades; membro inferior direito com sensibilidade alterada, apresentando alterações na marcha/movimentos. Faz uso - no serviço de Amplictin 25mg, 2x/dia; Diazepam 1g, 1/2x/dia; Amitriptilina 25mg, 1x/dia; Carbamazepina 200mg, 1x/dia. Não utiliza nenhum medicamento em casa nem possui queixas. Aos fatores psicossociais, o paciente possui comunicação verbal efetiva, porém, interação social difícil por apresentar oscilações de humor e tristeza contínua medo da solidão. Esporadicamente apresenta alucinações e delírios. Toma decisões rapidamente na resolução de seus problemas; possui crença religiosa; utiliza hospitais conveniados do SUS e Estratégias de saúde da Família (ESF); não necessita de auxílio para o autocuidado e está otimista com o tratamento. Em relação ao seu problema de saúde, demonstra consciência e conhecimento sobre seus malefícios. Aos sinais vitais, encontra-se normotenso, hipocárdico, bradipnéico, normotérmico. SSVV: P.A 110x90 mmHg, P. 48 bpm, R. 14 rpm, T. 37,1ºC.

3 DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM

Ansiedade manifestada por agitação, desamparo, irritabilidade e explosões de raiva, relacionados à ameaça real ou percebida ao autoconceito secundária a fracasso.

Autoconceito perturbado caracterizado por comportamento autodestrutivo relacionado a sentimentos de abandono ou de fracasso.

Baixa autoestima situacional caracterizada por verbalização auto negativa relacionada a relacionamentos insatisfatórios.

Risco para angústia espiritual caracterizado por questionamento do sofrimento relacionado a separação da pessoa amada.

Processos

familiares

disfuncionais:

Alcoolismo

caracterizado

por

rejeição,

solidão,

infelicidade

e

incapacidade

de

satisfazer

as

necessidades emocionais.

Interação social prejudicada caracterizada por sentimentos de rejeição e afetividade baixa e triste, relacionados a afastamento dos outros secundário a queixas constantes.

Medo caracterizado por verbalização aumentada relacionado a incerteza acerca de aparência e por não ser amado.

4 PROBLEMAS INTERDEPENDENTES:

PROBLEMAS ENCONTRADOS:

Ansiedade e irritabilidade;

Déficit de autoestima;

Angústia;

Oscilações de humor;

Alcoolismo;

Medo;

Interação social prejudicada;

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES:

Dificuldade de adaptação e aprendizagem, distração frequente, lapsos de memória.

Perturbação no ambiente e agressão física aos demais pacientes.

Exacerbação de pensamentos negativos e sentimentos de desgraça, com raciocínio irracional.

Desequilíbrio devido ao medo e ansiedade extremos.

Percepção distorcida e depressão em decorrência do isolamento social.

Manifestações corporais, frequências respiratória e cardíaca elevadas, tremores, instabilidade.

Tendência a recaídas frequentes devido a instabilidade de humor.

Tentativas de suicídio devido à angústia e extremo estado de melancolia recorrente, associado ao medo da solidão.

5 PLANEJAMENTO

Aliviar o nível atual de ansiedade;

Reduzir ou eliminar os mecanismos de enfrentamento problemáticos;

Investigar sinais e sintomas;

Realizar educação em saúde;

Promover interação social;

Auxiliar na identificação e expressão dos sentimentos;

Explorar a relação entre comportamento e autoconsideração;

Encorajar o aprendizado de técnicas de enfrentamento;

Reorientar sobre o sistema de crenças;

Investigar fatores causadores e contribuintes para a angústia espiritual;

Estabelecer um relacionamento confiante;

Reeducar sobre alcoolismo e possibilidade de recaídas;

Investigar a interação social do paciente;

Identificar o comportamento problemático que impede a socialização;

Substituir

o

comportamento

social

destrutivo

pelo

comportamento

positivo;

Descrever estratégias para promover a socialização efetiva;

Proporcionar um relacionamento sustentador, individual;

Proporcionar terapia de apoio em grupo;

Monitorar a adesão às medicações;

Diminuir o comportamento problemático;

Diferenciar as situações reais das imaginárias;

Conhecer e esclarecer os medos do paciente;

Aumentar o conforto psicológico e fisiológico;

6 IMPLEMENTAÇÃO

Tranquilizar o paciente, não fazer exigências ou pedir decisões;

Não

confrontar

ou

questionar

o

paciente

com

racionalizações

defesas;

ou

Falar lenta e calmamente, usando frases curtas e instruções concisas;

Ficar atento à própria preocupação e evitar ansiedade recíproca;

Transmitir uma sensação de compreensão hepática (presença silenciosa, toque, permissão para chorar, falar);

Proporcionar a garantia de que uma solução pode ser encontrada;

Respeitar o espaço pessoal do paciente;

Remover a estimulação excessiva proporcionando um ambiente quieto, sem estímulos, iluminação suave;

Propor medidas físicas para auxiliar o relaxamento (banhos mornos, massagem, música);

Consultar o médico sobre possível terapia farmacológica, se indicada;

Proporcionar oportunidade para exercícios;

Ensinar interruptores de ansiedade para que sejam usados quando as situações estressantes não puderem ser evitadas: olhar para cima, controlar a respiração, abaixar os ombros, tornar os pensamentos mais lentos, alterar a voz, exercitar-se, mudar a expressão facial, etc;

Desenvolver um ambiente de compreensão empática;

Fornecer feedback sobre a realidade atual; identificar as realizações positivas;

Incentivar a expressão dos sentimentos;

Incentivar o interesse no ambiente externo (serviços voluntários, auxílio aos outros);

Escutar as queixas;

Orientá-lo a avaliar as situações e a si mesmo de uma maneira realista, sem distorções;

Tratar o cliente de forma calorosa, positiva;

Modificar as auto expectativas excessivas e irreais;

Fornecer informação confiável e esclarecer qualquer mal-entendido;

Ensinar sobre os recursos comunitários disponíveis, se necessário (centros de saúde mental, grupos de autoajuda);

Auxiliar a pessoa a aceitar a ajuda dos outros;

Prestar apoio, não criticar;

Aceitar o silêncio, mas deixa-lo perceber que você está presente;

Esclarecer as distorções, não confrontar;

Estimular o paciente a: ser atento, respeitar o espaço pessoal, saber interpretar o que está sendo dito;

Ensinar a pessoa a validar consensualmente com os outros;

Auxiliar a estabelecer limites pessoais apropriados;

Ensinar e encorajar os exercícios de fortalecimento da estima (autoafirmação, criações mentais, trabalho com espelho, uso de humor, meditação/preces, relaxamento).

Identificar áreas fortes da personalidade do cliente (esportes, hobbies, arte);

Promover oportunidades para a pessoa se engajar nas atividades;

Encorajar visitas/contatos com amigos e pessoas significativas;

Não permitir que ele se isole;

Usar o movimento, a arte e a música como meios de expressão;

Ser empático, sem julgamentos;

Perguntar o que estava acontecendo quando a pessoa começou a sentir-se dessa forma;

Encorajar o exame do comportamento atual e suas consequências;

Auxiliar na identificação de percepções defeituosas;

Explorar o conceito de sucesso/fracasso, perda/punição e auxiliar a colocar as coisas na perspectiva apropriada;

Auxiliar na identificação de expectativas irreais;

Ajudar a identificar os pensamentos negativos automáticos;

Examinar se a pessoa está supergeneralizando;

Expressar conforto com as crenças;

Ajudá-lo a reconhecer a importância das necessidades espirituais e que condições o fazem pensar dessa maneira;

Expressar o desejo da equipe de saúde de auxiliar na satisfação das necessidades espirituais;

Proporcionar privacidade e assegurar confidencialidade;

Contatar o líder espiritual para esclarecer as práticas e desempenhar os rituais religiosos ou as cerimônias;

Comunicar-se com o líder espiritual acerca das condições da pessoa;

Informar sobre as celebrações religiosas e os materiais disponíveis na instituição;

Corrigir crenças inexatas;

Encorajar os rituais espirituais não-prejudiciais à saúde;

Ser tolerante e não criticar nem julgar o que é revelado;

Explicar à família que as dificuldades emocionais são mais de relacionamentos do que psiquiátricas;

Discutir as características do alcoolismo; revisar um teste de triagem;

Discutir as causas e corrigir as informações erradas;

Auxiliar no estabelecimento de metas de curto e longo prazo;

Ajudar a família a entender o comportamento;

Auxiliar a pessoa a controlar os estresses da vida. Focalizar o presente e a realidade;

Ajudar a identificar como o estresse precipita os problemas;

Ajudar a identificar vias alternativas de ação;

Auxiliar a analisar as abordagens que funcionam melhor;

Proporcionar terapia de apoio em grupo;

Incentivar o desenvolvimento de relacionamentos entre os membros, por meio da abertura e da franqueza;

Usar pequenos grupos ou sessões individuais;

Questionar sobre os efeitos colaterais e a exacerbação dos sintomas

Auxiliar a ver como o comportamento ou as atitudes contribuem para seus frequentes conflitos interpessoais;

Discutir sentimentos entre os membros;

Estabelecer um plano cooperativo;

Ensinar habilidades básicas de conversação;

Evitar surpresas e estímulos dolorosos;

Usar luzes suaves e música;

Discutir os medos;

Incentivar respostas que refletem a realidade;

Proporcionar informações para reduzir as distorções da realidade;

Técnica de relaxamento progressivo, interrupção de pensamentos, de fantasias;

Ioga, hipnose, treinamento assertivo;

Fazer perguntas diretas;

Permanecer com a pessoa até que o medo acabe (ouvir, silêncio);

Encorajar mecanismos de enfrentamento dos medos.

usar o

7 EVOLUÇÃO

Espera-se que, com as intervenções de Enfermagem, o cliente possa sentir-se mais confortável, apresentando melhoras consideráveis em relação aos sentimentos de ansiedade, baixa estima, irritabilidade, medo, angústia e rejeição; possua um nível de atividade aumentado, bem como superação de sua dificuldade de interação social, desenvolvendo uma adaptação sadia por meio das habilidades de enfrentamento; reduza/elimine as recaídas; recupere sua fé; utilize os medicamentos conforme prescrição; realize as medidas de autocuidado de maneira apropriada; evolua sem apresentar complicações e que, somado às intervenções médicas, possa alcançar a cura para seus problemas.

8 CONCLUSÃO

Diante do que foi realizado, tornou-se notória a importância da enfermagem no auxílio ao cliente alcóolatra, ressaltando a necessidade de se utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em todos os níveis do cuidado, favorecendo assim, uma maior qualidade na assistência e maior satisfação pessoal na prestação do cuidado de enfermagem e na obtenção dos resultados esperados. O processo de enfermagem demonstra que não é somente a medicina que proporciona a cura, e que a enfermagem tem fundamental importância ao oferecer subsídios para a realização desse objetivo.

REFERÊNCIAS

ABC da Saúde. <Disponível em:

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?16>. Acesso dia 17 de junho de 2012, às 20:15.

CARPENITO, M.; LYNDA J.; Diagnósticos de enfermagem: aplicação à prática clínica. 10 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.

UFRRJ. Revista Plantão Médico - Drogas, Alcoolismo e Tabagismo. Editora Biologia e Saúde, Rio de Janeiro, 1998. <Disponível em:

http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/etanol5.htm>. Acesso dia 19 de junho de 2012, às 17:30.

Psicosite. <Disponível em: http://www.psicosite.com.br/tra/drg/alcoolismo.htm> Acesso dia 18 de junho de 2012, às 10:15.