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Escola E. B.

2, 3 de Pevidm
Portugus - 9. Ano

Auto da Barca do Inferno


Onzeneiro

Eis um cristo que conservava algo de comum com os judeus: a sua paixo pelo
capital. Era um usurrio que enriquecera custa dos altos juros de dinheiro, que
emprestara aos necessitados - um antepassado dos nossos modernos penhoristas, a
quem o Diabo chama, com toda a propriedade, seu parente.
Apresenta-se no estrado com um bolso que ocupa quase toda a barca. O
Onzeneiro informa-nos que vai vazio, certamente porque no pudera trazer com ele os
vinte seis milhes de cruzados que deixou bem escondidos no fundo de uma arca. Mas
s neles que ele pensa e chega a rogar ao Diabo que o deixe voltar ao mundo para ir
busc-los. Mas ali, no espao para alm da vida, apresenta-se to pobre que nem
sequer dispe duma moeda para pagar ao barqueiro. Isto leva-o a pensar, embora
erradamente, que o companheiro do Diabo troa dele por o ver to miservel.

Cena III O Onzeneiro


Personagem / Classe social
Onzeneiro/ burguesia
Elementos / Simbologia
- Bolso: simboliza a sua ganncia/ avareza/ ambio desmedida/ o apego ao dinheiro
Percurso cnico
Cais Barca do Diabo Barca do Anjo Barca do Diabo
Caracterizao psicolgica
- Pecador
- Ladro
- Usurio
- Rico
Acusaes
- Roubar, atravs dos Juros elevados
- Ter o corao cheio de pecados (ambio, maldade)
Argumentos de defesa
- Tem muito dinheiro em terra e poder pagar a passagem
- O bolso est vazio
Destino
Inferno
Inteno crtica
Gil Vicente pretende:
- Criticar a prtica da usura, denunciando o enriquecimento rpido e fcil custa dos
mais necessitados
- Fazer ver s pessoas que o dinheiro que tem no lhes vale de nada, quando
morrerem o importante as boas aes que fizeram.