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Variação e Mudança Linguística

DOMÍNIO LÍNGUA COMUNIDADE LINGUÍSTICA, VARIAÇÃO E MUDANÇA

OBJECTIVOS
Confrontar variações linguísticas, sociais ou regionais, com formas
padronizadas da língua

Aula de Português - 9º ano de escolaridade – 90 min

Actividades Tempo
1 Os alunos ouvem o episódio d’ Os Lusíadas - “Consílio dos Deuses”. 10 min

2 De seguida, resolvem o exercício interactivo “Hotpotatoes”, trabalhando a 10 min


compreensão oral, relativamente às categorias da narrativa.
3 Professor questiona
- Sequência de aulas os alunos sobre
“Prática a variedade do português
da compreensão que escutaram.
e expressão orais” - Alunos 5 min
são

4 Levantamento das palavras/expressões do português do Brasil. 5 min


(em amarelo)

5 Substituição das palavras/expressões do português do Brasil por português europeu. 10 min


(entre parênteses)

6 Sistematização (eventualmente poder-se-ia proceder ao seu registo no quadro) de 10 min


algumas diferenças entre o português do Brasil e o português europeu.

7 Análise oral do poema. (Tema: amor/solidão; sentimento do sujeito poético perante a 15 min
ausência do amado(a), etc.)

8 Breve conversa com os alunos sobre a biografia de Adriana Calcanhotto. 5 min


2010
9 Pesquisa na Internet sobre Adriana Calcanhotto (pessoal e profissional) e 20 min
levantamento de outra letra de música da cantora na qual os alunos tivessem
identificado variações do português do Brasil em relação ao português europeu.

10 Sumário da aula. Carla Monteiro 5 min

Variação e Mudança Linguística

Carla Monteiro
DOMÍNIO INTENCIONALIDADE E ADEQUAÇÃO COMUNICATIVAS

OBJECTIVOS
Apreender criticamente o significado e a intencionalidade de
mensagens veiculadas em discursos variados;
Expressar ideias e opiniões;
Dramatizar narrativas.

Aula de Português - 9º ano de escolaridade – 90 min + 90 min

Actividades – 1º bloco de 90 min Tempo


1. Audição do episódio “Consílio dos Deuses” – Os Lusíadas. 10 min
2. Resolução de um exercício interactivo “HotPotatoes”, com o objectivo 15 min
de avaliar o nível de compreensão do texto ouvido.
3. Realização de um brainstorming sobre os aspectos apreendidos acerca 15 min
do Consílio, com o respectivo registo no quadro e cadernos diários.
4. Recapitulação das partes que compõem a convocatória e das regras que 10 min
subjazem à redacção de uma acta.
5. Formação de quatro grupos (5 alunos cada) e transmissão das 10 min
orientações para o trabalho a desenvolver pelos alunos.
5.1.Conversão do texto narrativo em texto dramático, para posterior 25 min (a continuar!)
representação em cena, na aula.
6. Redacção do sumário da aula 5 min

Carla Monteiro
Ficha de Trabalho de Língua Portuguesa – 9º ano

1. Ouve o episódio do Consílio dos deuses com muita atenção. Se achares conveniente, podes tirar
notas ao longo da audição!
 Transcrição da audição do Consílio dos Deuses – Os Lusíadas

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Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando; Em luzentes assentos, marchetados
Os ventos brandamente respiravam, De ouro e de perlas, mais abaixo estavam
Das naus as velas côncavas inchando; Os outros Deuses todos assentados,
Da branca escuma os mares se mostravam Como a razão e a ordem concertavam:
Cobertos, onde as proas vão cortando Precedem os antíguos mais honrados;
As marítimas águas consagradas, Mais abaixo os menores se assentavam;
Que do gado de Próteo são cortadas. Quando Júpiter alto, assim dizendo,
C'um tom de voz começa, grave e horrendo:
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Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
Onde o governo está da humana gente, "Eternos moradores do luzente
Se ajuntam em concílio glorioso Estelífero pólo, e claro assento,
Sobre as cousas futuras do Oriente. Se do grande valor da forte gente
Pisando o cristalino Céu formoso, De Luso não perdeis o pensamento,
Vêm pela Via-Láctea juntamente, Deveis de ter sabido claramente,
Convocados da parte do Tonante, Como é dos fados grandes certo intento,
Pelo neto gentil do velho Atlante. Que por ela se esqueçam os humanos
De Assírios, Persas, Gregos e Romanos.
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Deixam dos sete Céus o regimento,
Que do poder mais alto lhe foi dado, "Já lhe foi (bem o vistes) concedido
Alto poder, que só co'o pensamento C'um poder tão singelo e tão pequeno,
Governa o Céu, a Terra, e o Mar irado. Tomar ao Mouro forte e guarnecido
Ali se acharam juntos num momento Toda a terra, que rega o Tejo ameno:
Os que habitam o Arcturo congelado, Pois contra o Castelhano tão temido,
E os que o Austro tem, e as partes onde Sempre alcançou favor do Céu sereno.
A Aurora nasce, e o claro Sol se esconde. Assim que sempre, enfim, com fama e glória,
Teve os troféus pendentes da vitória.
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Estava o Padre ali sublime e dino,
Que vibra os feros raios de Vulcano, "Deixo, Deuses, atrás a fama antiga,
Num assento de estrelas cristalino, Que coa gente de Rómulo alcançaram,
Com gesto alto, severo e soberano. Quando com Viriato, na inimiga
Do rosto respirava um ar divino, Guerra romana tanto se afamaram;
Que divino tornara um corpo humano; Também deixo a memória, que os obriga
Com uma coroa e ceptro rutilante, A grande nome, quando alevantaram
De outra pedra mais clara que diamante. Um por seu capitão, que peregrino
Fingiu na cerva espírito divino.

Carla Monteiro
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"Agora vedes bem que, cometendo Ouvido tinha aos Fados que viria
O duvidoso mar num lenho leve, Uma gente fortíssima de Espanha
Por vias nunca usadas, não temendo Pelo mar alto, a qual sujeitaria
De Áfrico e Noto a força, a mais se atreve: Da índia tudo quanto Dóris banha,
Que havendo tanto já que as partes vendo E com novas vitórias venceria
Onde o dia é comprido e onde breve, A fama antiga, ou sua, ou fosse estranha.
Inclinam seu propósito e porfia Altamente lhe dói perder a glória,
A ver os berços onde nasce o dia. De que Nisa celebra inda a memória.

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"Prometido lhe está do Fado eterno, Vê que já teve o Indo sojugado,


Cuja alta Lei não pode ser quebrada, E nunca lhe tirou Fortuna, ou caso,
Que tenham longos tempos o governo Por vencedor da Índia ser cantado
Do mar, que vê do Sol a roxa entrada. De quantos bebem a água de Parnaso.
Nas águas têm passado o duro inverno; Teme agora que seja sepultado
A gente vem perdida e trabalhada; Seu tão célebre nome em negro vaso
Já parece bem feito que lhe seja D'água do esquecimento, se lá chegam
Mostrada a nova terra, que deseja. Os fortes Portugueses, que navegam.

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"E porque, como vistes, têm passados Sustentava contra ele Vénus bela,
Na viagem tão ásperos perigos, Afeiçoada à gente Lusitana,
Tantos climas e céus experimentados, Por quantas qualidades via nela
Tanto furor de ventos inimigos, Da antiga tão amada sua Romana;
Que sejam, determino, agasalhados Nos fortes corações, na grande estrela,
Nesta costa africana, como amigos. Que mostraram na terra Tingitana,
E tendo guarnecida a lassa frota, E na língua, na qual quando imagina,
Tornarão a seguir sua longa rota." Com pouca corrupção crê que é a Latina.

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Estas palavras Júpiter dizia, Estas causas moviam Citereia,


Quando os Deuses por ordem respondendo, E mais, porque das Parcas claro entende
Na sentença um do outro diferia, Que há de ser celebrada a clara Deia,
Razões diversas dando e recebendo. Onde a gente belígera se estende.
O padre Baco ali não consentia Assim que, um pela infâmia, que arreceia,
No que Júpiter disse, conhecendo E o outro pelas honras, que pretende,
Que esquecerão seus feitos no Oriente, Debatem, e na porfia permanecem;
Se lá passar a Lusitana gente. A qualquer seus amigos favorecem.

Carla Monteiro
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Qual Austro fero, ou Bóreas na espessura "Que, se aqui a razão se não mostrasse
De silvestre arvoredo abastecida, Vencida do temor demasiado,
Rompendo os ramos vão da mata escura, Bem fora que aqui Baco os sustentasse,
Com ímpeto e braveza desmedida; Pois que de Luso vem, seu tão privado;
Brama toda a montanha, o som murmura, Mas esta tenção sua agora passe,
Rompem-se as folhas, ferve a serra erguida: Porque enfim vem de estâmago danado;
Tal andava o tumulto levantado, Que nunca tirará alheia inveja
Entre os Deuses, no Olimpo consagrado. O bem, que outrem merece, e o Céu deseja.

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Mas Marte, que da Deusa sustentava "E tu, Padre de grande fortaleza,
Entre todos as partes em porfia, Da determinação, que tens tomada,
Ou porque o amor antigo o obrigava, Não tornes por detrás, pois é fraqueza
Ou porque a gente forte o merecia, Desistir-se da cousa começada.
De entre os Deuses em pé se levantava: Mercúrio, pois excede em ligeireza
Merencório no gesto parecia; Ao vento leve, e à seta bem talhada,
O forte escudo ao colo pendurado Lhe vá mostrar a terra, onde se informe
Deitando para trás, medonho e irado, Da índia, e onde a gente se reforme."

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A viseira do elmo de diamante Como isto disse, o Padre poderoso,


Alevantando um pouco, mui seguro, A cabeça inclinando, consentiu
Por dar seu parecer, se pôs diante No que disse Mavorte valeroso,
De Júpiter, armado, forte e duro: E néctar sobre todos esparziu.
E dando uma pancada penetrante, Pelo caminho Lácteo glorioso
Com o conto do bastão no sólio puro, Logo cada um dos Deuses se partiu,
O Céu tremeu, e Apolo, de torvado, Fazendo seus reais acatamentos,
Um pouco a luz perdeu, como enfiado. Para os determinados aposentos.

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E disse assim: "Ó Padre, a cujo império Enquanto isto se passa na formosa
Tudo aquilo obedece, que criaste, Casa etérea do Olimpo omnipotente,
Se esta gente, que busca outro hemisfério, Cortava o mar a gente belicosa,
Cuja valia, e obras tanto amaste, Já lá da banda do Austro e do Oriente,
Não queres que padeçam vitupério, Entre a costa Etiópica e a famosa
Como há já tanto tempo que ordenaste, Ilha de São Lourenço; e o Sol ardente
Não onças mais, pois és juiz direito, Queimava então os Deuses, que Tifeu
Razões de quem parece que é suspeito. Com o temor grande em peixes converteu.

Carla Monteiro
2. Testa a tua compreensão! Resolve o exercício do HotPotatoes relativo ao episódio do Consílio
dos deuses, que acabaste de ouvir.

(na pasta, em anexo)

Proposta de correcção

1. Júpiter
2. b)
3. mensageiro
4. b)
5. b)
6. a)
7. contra
8. b)
9. a favor
10. d)
11. a favor
12. d)
13. a)
14. I

3. Depois de resolvido o exercício HotPotatoes, procede a um brainstorming, baseado nas


categorias da narrativa (personagens, espaço, tempo, acção, narrador…).

Proposta de correcção
Júpiter

Objectivo: cousas futuras do oriente Baco contra a chegada dos


Portugueses à Índia

Consílio
Olímpo Vénus a favor
dos
deuses

Marte contra
Decisão: ajudar os portugueses

Mercúrio

4. Recapitulação das partes que compõem a convocatória e das regras que subjazem à redacção de uma
acta, com base na leitura e discussão da ficha informativa do manual da turma (Costa & Magalhães,
2004, pp. 247-249).

Carla Monteiro
5. Formação dos grupos de trabalho (quatro grupos de cinco alunos) e distribuição dos papéis de
Mercúrio (entrega da convocatória), Júpiter, Baco, Vénus e Marte por cada elemento que integra o
grupo.
5.1. Conversão do episódio analisado em texto dramático, com as respectivas adequações
comunicativas.

7. Redacção do sumário da aula:


- Audição do episódio “Consílio dos deuses” e resolução de exercícios de compreensão.
Realização de um brainstorming sobre o Consílio e conversão do mesmo em texto dramático,
em grupo.

Carla Monteiro
DOMÍNIO EXPRESSÃO VERBAL EM INTERACÇÃO – INTENCIONALIDADE E
ADEQUAÇÃO COMUNICATIVAS

OBJECTIVOS
Dramatizar narrativas;
Exprimir-se oralmente de forma desbloqueada e autónoma, em função
de objectivos comunicativos diversos;
Produzir textos para apropriação de diferentes técnicas e modelos.

Aula de Português - 9º ano de escolaridade –90 min

Actividades – 2º bloco de 90 min Tempo


1. Conclusão do trabalho de grupo. 15 min
2. Representação do texto dramático (4 grupos). 45 min
3. Redacção da acta, a partir das notas tiradas pelos secretários. 25 min

4. Redacção do sumário da aula. 5 min

1. Os alunos concluem a conversão do episódio do Consílio dos deuses em texto dramático.

2. Os discentes apresentam, perante a turma e professora, a dramatização e, concomitantemente,


um elemento nomeado pelo grupo tira notas sobre a assembleia dos deuses.

3. Actividade atribuída:

- Imagina que foste nomeado secretário do Consílio, presidido por Júpiter. Com base no
conhecimento que adquiriste sobre as regras de elaboração de uma acta, expõe as tuas ideias à
turma e, em colaboração com a professora, redige a acta do Consílio dos deuses.

Proposta de redacção da acta:

ACTA DO CONSÍLIO DOS DEUSES

Aos cinco dias do mês de Março do ano da graça de mil quatrocentos e noventa e oito,
reuniram-se, pelas catorze horas e trinta minutos, no Monte Olimpo, todos os deuses, sob a
presidência de Júpiter, pai dos deuses e deus dos raios e dos trovões, com a seguinte ordem de
trabalhos:------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ponto único: as cousas futuras do Oriente.----------------------------------------------------------------
O Presidente do Consílio deu início aos trabalhos, lembrando aos presentes o sucesso que os
Fados determinaram para a lusitana gente no Oriente. Em seguida, traçou, de forma elogiosa, o

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percurso passado, presente e futuro dos portugueses e decidiu que a desgastada frota lusa fosse
apoiada, na costa africana, para que pudesse prosseguir a viagem sem problemas.--------------------------
Baco, temendo que o seu nome fosse esquecido no Oriente, discordou dessa posição. Por seu
turno, Vénus levantou-se em defesa dos Portugueses, salientando as suas semelhanças com os
Romanos, no valor guerreiro e na língua. Uma posição secundada por Marte, sensível ao mérito dos
portugueses, que denunciou a inveja de Baco e apelou a Júpiter para que mantivesse a decisão já por
ele tomada de apoiar os lusitanos.------------------------------------------------------------------------------------
Ouvidos todos os argumentos, Júpiter deliberou manter a decisão de apoiar a frota lusa, tendo
distribuído néctar a todos os presentes.------------------------------------------------------------------------------
E nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião, da qual se lavrou a presente acta que,
depois de lida e aprovada, será assinada nos termos da lei.---------------------------------------------------
O Presidente:
O Secretário:

5. Redacção do sumário da aula:


- Conclusão e apresentação dos trabalhos de grupo: dramatização do Consílio dos deuses.
Redacção da acta da assembleia divina.

Referência Bibliográfica

Costa, F. & Magalhães O. (2004). Com todas as letras. Porto: Porto Editora.

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