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O PROCESSO DE APRENDIZAGEM E INCLUSÃO DE CRIANÇAS AUTISTAS EM

ESCOLAS REGULARES

Amaya N. Almeida Linhares
Naide do C. M. F. Casimiro
Yasmin Ribeiro de Oliveira

RESUMO: Este estudo constitui-se de uma pesquisa bibliográfica sobre o tema aprendizagem de
crianças autistas e suas implicações quanto à inclusão dessas crianças em escolas regulares. Tem
como objetivo proporcionar uma reflexão acerca do universo autista no âmbito escolar, apontar os
aspectos cruciais para o desenvolvimento da aprendizagem desses alunos, bem como os aspectos
que podem interferir nesse processo. A partir dessa análise pode-se concluir que o autismo é um
tema que, apesar de recorrente na sociedade atual, ainda tem muito a ser explorado e carece de
informações, principalmente para auxiliar os professores que lidam diariamente com essas crianças,
de forma que os docentes também possam orientar a família para que juntos, consigam
proporcionar maior desenvolvimento dessas crianças e as incluam efetivamente no meio social.

PALAVRAS-CHAVE: Autismo, Aprendizagem, Inclusão.

INTRODUÇÃO

O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, caracterizado pelo fato de toda
vivência do indivíduo está centrada nele mesmo, apresentando uma indiferença aparente para com
a realidade que o rodeia, observando-se com maior frequência em crianças com idade inferior a três
anos de idade. Esse transtorno pode ser definido, também, pelo comprometimento de três áreas
nobres do desenvolvimento humano, a comunicação, a interação social e a imaginação, o que
chamamos de tríade do espectro autista.
Uma criança autista não responde ao contato humano, apresenta um déficit de
desenvolvimento da linguagem (aparentando ser muda), aparenta repulsa perante o contato físico e
reagem com nervosismo a mudanças no seu ambiente físico.
Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases
Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada
110. Estima-se que esse número possa chegar a dois milhões de autistas no país, segundo
Mercadante (2010).
No Brasil, é preciso alertar, sobretudo, as autoridades e governantes para a criação de
políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo, além de apoiar e subsidiar
pesquisas na área. Somente o diagnóstico precoce, e consequentemente iniciar uma intervenção
precoce, pode oferecer mais qualidade de vida às pessoas com autismo, para, em seguida se
iniciarem estatísticas na área e a partir desse ponto será possível ter ideia da dimensão dessa
realidade no Brasil e mudá-la.

bem como auxiliá-los no desenvolvimento de novas metodologias de ensino para essas crianças. mas também fez ressalvas quanto à presença de olhar periférico e breve. Se algo é mudado a situação. postulando que o autismo origina-se de uma incapacidade inata de estabelecer o contato afetivo habitual e biologicamente previsto com as pessoas. Autismo As comunidades. psiquiatra americano. cobrindo características que não foram levantadas por Kanner. ou seja. uma questão que levantou intensa polêmica nos anos subsequentes foi à observação de Kanner (1943) acerca das famílias das crianças que observara. 1999). O estudo permitirá ajudar os docentes em compreender o universo autista. a introdução de novos alimentos. o brinquedo estereotipado e privado de criatividade e espontaneidade. nos processos cognitivos. independentemente. procurando inseri-los no convívio social. ou até mesmo excluindo aqueles que não pertenciam aos padrões. além de também auxiliar a família a lidar com esse transtorno. As descrições de Asperger (1944) são na verdade mais amplas que as de Kanner. tais dificuldades formam a chamada tríade do autismo. além de incluir casos envolvendo comprometimento orgânico. chegando a rituais altamente elaborados. deixando à margem. aquilo que conservava a sua identidade e não ameaçava o isolamento da criança. Porém. as repetições nas atividades. a qual se podia apresentar sem problemas de gramática e com vocabulário variado. Dentre essas pessoas consideradas anormais. Ressaltou a questão da dificuldade das crianças que observava em fixar o olhar durante situações sociais. tal qual Kanner fizera. além de uma certa frieza nas relações afetivas. Kanner conclui o seu trabalho. Salientou não tanto o extremo retraimento social. porém monótona. As primeiras publicações sobre autismo foram feitas por Leo Kanner (1943). possibilitando o desenvolvimento efetivo da aprendizagem das mesmas. Os medos e as fortes reações a ruídos e objetos em movimento. provêm desse medo de mudança. atualmente. não podendo então ser aceita. mas a forma ingênua e inapropriada de aproximar-se das pessoas. desde os primórdios. na interação social. e Hans Asperger (1944). a situação deixa de ser idêntica. isso devido ao fato de possuírem dificuldades específicas na comunicação. os quais. chamou a atenção para as peculiaridades dos gestos – carentes de significado e caracterizados por estereotipias – e da fala. parecem ter sido criadas e dedicadas para pessoas ditas normais. Finalmente. segundo o especialista. que vivem a margem da sociedade. objetos quebrados ou incompletos. não somente era bem tolerado por ela como passava a ser objeto de interesse com o qual poderia passar horas brincando. pois. mesmo em um mínimo detalhe. se encontra os autistas. forneceram relatos sistemáticos dos casos que acompanhavam e de suas respectivas suposições teóricas para essa síndrome até então desconhecida. essa mesma sociedade tem dado mais atenção aos indivíduos que apresentam necessidades especiais. . Por outro lado. Kanner assinalava que tudo que não era alterado quanto à aparência e posição. conferia a criança uma sensação gratificante de onipotência e controle. As primeiras descrições de Kanner (1943) foram baseadas em um agrupamento de comportamentos aparentemente característicos que onze crianças que ele seguia manifestavam (Pereira. Destacou que entre os denominadores comuns a elas estavam os altos níveis de inteligência e sociocultural dos pais.

mostrando falta de objetos. com a Medical Research Council’s Developmental Psychology Unit. são igualmente típicas a extrema obsessividade. mas se caracteriza. Para Braunwald (1998). que se manifesta antes dos três anos de idade e pode manifesta-se em uma diversidade de formas ou subtipos do autismo. resume-se por: incapacidade para desenvolver relações com os outros indivíduos. Coincidentemente. que engloba uma ampla gama de níveis de funcionamento e transtornos que vão desde o autismo não-verbal. preocupação. autismo clássico é tipicamente diagnosticado antes dos três anos. quando psicólogos passaram a considera-lo como uma alteração de ordem cognitiva. Asperger acreditava que a síndrome por ele descrita diferia da de Kanner. consideram ainda que o autismo é uma disfunção neurológica. o rapaz selvagem de Aveyron. e auto-estimulação comportamento como balançar ou . Kanner. Sinais de alerta incluem o desenvolvimento da linguagem atrasada. uma vez que ambos identificaram as dificuldades de relacionamento interpessoal e na comunicação como as características mais intrigantes do quadro. No início da década de 60. de modo espontâneo e recíproco. Autores como Dunlap. 1944) para caracterizar a natureza do comprometimento. Isso foi uma tentativa de enfatizar os aspectos de intenso retraimento social observado em seus pacientes. ecolalia. embora reconhecesse similaridades. Pierce e Kay (1999). 2005). O autismo é considerado um espectro. sobretudo. segundo a primeira descrição feita por Kanner em 1943. boa memória de repetição e aparência física normal. uso não comunicativo da linguagem verbal. antes mesmo da publicação do trabalho de Kanner e de Asperger. timidez ou rejeição do contato humano. O autismo clássico é caracterizado por problemas com a comunicação. ambos empregaram o termo autismo (inicialmente na forma de adjetivo – distúrbio autístico do contato afetivo para Kanner e psicopatia autística para Asperger. Estes distúrbios têm algumas características em comum. muitas descrições como referências “a crianças invulgares. Compreender os diferentes tipos de autismo é uma maneira de auxiliar os próprios familiares do autista. Esse termo na verdade deriva do grego (autos = si mesmo + ismos = disposição/orientação). estudado por Itard” foram realizadas. jogo repetitivo e estereotipado. Para Aarons e Gitten (1992) o conjunto de características que definem os indivíduos autistas. perseverança. na comunicação e atividade lúdica (APA. O transtorno autista refere-se a uma severa e crônica anormalidade do desenvolvimento infantil. altamente verbal. 1998. quanto os professores. interação social e comportamentos repetitivos. mas também possuem diferenças importantes. “O autismo é uma síndrome representada por um distúrbio difuso do desenvolvimento da personalidade. de causa desconhecida. Rutter. facilitando maneira de lidar com essa área de desafio. Segundo Marques. caracterizada pela incapacidade da criança em desenvolver interações sociais normais ou uma linguagem comunicativa. 2002. falta de apontador ou gesticulando. e mais tarde na de substantivo – autismo infantil precoce. Tanto Kanner quanto Asperger empregaram o termo para chamar a atenção sobre a qualidade do comportamento social que perpassa a simples questão de isolamento físico. resistência a mudanças e ações estereotipadas”. atraso na aquisição da linguagem. tais como Vitor. de baixo funcionamento até a Síndrome de Asperger. apresentando um quadro de prejuízo severo na interação social. tiveram início importantes estudos dos quais resultaram importantes contributos. pela dificuldade em manter contato afetivo com os outros. manutenção do “sameness”. A partir desta década foi possível verificar alterações na maneira de compreensão da natureza do autismo.

eles podem ser capazes de rotular milhares de objetos. outro transtorno do espectro do autismo. Na maioria dos casos. um desafio. Transtorno de Rett/ Síndrome de Rett uma vez considerado um transtorno do espectro do autismo. não será incluída no espectro do autismo no DSM-V. Podem enfrentar outros desafios. Por exemplo. problemas com o jogo simbólico. não está incluída como um diagnóstico separado na última revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V). mas podem lutar para pedir ajuda usando um desses itens.Sem Outra Especificação (PDD-NOS). Transtorno Invasivo do Desenvolvimento . problemas com habilidades sociais. As pessoas diagnosticadas com PDD-NOS podem lutar com a linguagem ou as habilidades sociais e comportamentos repetitivos. Esse tipo de autismo pode variar de leve ou de alto funcionamento a grave ou de baixo funcionamento. que incluem a perda de habilidades sociais e de comunicação. crianças e adultos com Asperger pode encontrar no uso funcional da linguagem. O autismo de alto funcionamento envolve sintomas como competências linguísticas em atraso ou não funcional. pois é causado por uma mutação genética. e intenso. incluindo a deterioração de habilidades motoras e problemas com a postura. muitas vezes visto em autismo de baixo funcionamento. Apesar de os sintomas da desordem. que não afetam a maioria das pessoas do espectro do autismo. imitar o autismo clássico. Esta desordem difere de Síndrome de Asperger por causa das habilidades linguísticas. e será classificado como um transtorno do espectro do autismo em geral. antes que ele ou ela receba um diagnóstico. No entanto. No entanto. ou mesmo obsessivos interesses especiais. comprometendo o desenvolvimento social. Este tipo de autismo de alto funcionamento tem algumas características distintas. Geralmente. mas não de todas as características clássicas de autismo.bater as mãos. a doença passa por diversas fases diferentes. em casos de alto grau de funcionamento. ou a falta da capacidade de "role play" com os brinquedos e fazer outras atividades lúdicas que as crianças imaginativas neurotípicas fazem. Os sintomas do autismo são profundos e envolvem déficits graves em habilidades de comunicação. Este transtorno tem muito em comum com o autismo regressivo. incluindo excepcionais habilidades verbais. as pessoas com autismo de alto funcionamento tem um QI na faixa normal e podem exibir nenhum do comportamento compulsivo ou autodestrutivo. é outro transtorno do espectro do autismo. a doença provoca atrasos significativos no desenvolvimento e os pais ou cuidadores notar que há algo acontecendo durante os anos da criança. Aprendizagem e Autismo . desafios que envolvam o desenvolvimento da motricidade fina e grossa. algumas pessoas com PDD-NOS podem ter atrasos de linguagem. as crianças diagnosticadas com Transtorno de Rett superam muitos dos desafios que são semelhantes ao autismo. a criança pode ser ter cinco anos de idade ou mais. Transtorno Desintegrativo da Infância. que não vai levar um diagnóstico separado no DSM-V. o autismo de baixo funcionamento está associado com um QI abaixo da média. mas eles não podem encontrar desafios em todas as três áreas. também conhecido como autismo atípico. e movimentos repetitivos estereotipados . O autismo de baixo funcionamento é um caso mais grave da doença. habilidades sociais pobres. é caracterizado por uma perda de comunicação e habilidades sociais entre as idades de dois e quatro anos. No entanto. A Síndrome de Asperger. Essa síndrome se diferencia do autismo clássico em que não implica qualquer atraso de linguagem significativo ou prejuízo. Normalmente.

a teoria da equilibração trata de um ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. é considerada como um mecanismo autorregulador. o processo de aprendizagem é dinâmico. e o valor da experiência no processo de aprendizagem. estabelecendo uma relação funcional entre ambiente e comportamento. Apresenta como principais características o fato de que o indivíduo é visto como ativo em todo o processo. de uma forma razoavelmente permanente. segundo essa abordagem é sinônimo de comportamento adquirido. B. a aprendizagem é uma aquisição de comportamentos através de relações entre ambiente e comportamento. a aprendizagem. é um processo criador. O ponto de partida desta análise é a concepção vygotskyana de que o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. por buscar novos métodos visando a melhora da própria aprendizagem. a incorporar elementos que lhe são exteriores e compatíveis com a sua natureza. e assim. possuem liberdade para agir e que o comportamento delas é consequência da escolha humana. Essa teoria foi promovida em 1973 por J. é possível encontrar oportunidades para a proposição de técnicas de instrução adequadas aos seus estilos de aprendizagem. a aprendizagem é um processo integrado que provoca uma transformação qualitativa na estrutura mental daquele que aprende. isto é. 1987). As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos. pela tentativa e erro. necessária para assegurar à criança uma interação eficiente dela com o meio-ambiente (Wadsworth. interesses e habilidades em potencial. Preocupam-se em tornar a aprendizagem significativa. Skinner. . por estar sempre em mutação e procurar informações para o aprendiz. e as instruções visuais mostrando concretamente aos alunos autistas o que foi completado. e como prosseguir. por exemplo. Partindo de uma perspectiva humanista. Segundo alguns autores. Piaget postula que todo esquema de assimilação tende a alimentar-se. as programações visuais. ocorridas numa história de contingências. Os princípios que regem tal abordagem são a auto direção. Mesibov (2006) recomenda que o desenvolvimento de hábitos sistemáticos e rotinas de trabalho é uma estratégia eficaz para reduzir as dificuldades organizacionais desse aluno. experiência ou ambos. e podem ser minimizadas também com as listas de verificação. há uma valorização do potencial humano assumindo-o como ponto de partida para a compreensão do processo de aprendizagem. Nos estudos de Piaget. valorizando a compreensão em detrimento da memorização tendo em conta. seja por condicionamento operante. 1987). também. Essa transformação se dá através da alteração de conduta de um indivíduo. onde o indivíduo é visto como responsável por decidir o que quer aprender. as características do sujeito. E postula também que todo 1 Behavioristas: adeptos do Behaviorismo. Considera que as pessoas podem controlar seu próprio destino. teoria que postula o comportamento como objeto de estudo da Psicologia. o que precisa ser terminado. pois somente este possui o caráter intencional. Watson e aprofundada por B. Segundo os behavioristas1. a aprendizagem é vista como uma modelagem do comportamento (Dinah Campos. o reforço é um dos principais motores da aprendizagem. as suas experiências anteriores e as suas motivações. F. 1996). mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala (Dinah Campos. ou a intenção de aprender. O ato ou vontade de aprender é uma característica essencial do psiquismo humano. Ao considerar as limitações do indivíduo com autismo e de como ele processa a informação e quais são as melhores estratégias de ensino devido à singularidade de seus pontos fortes.

Os principais documentos que subsidiam a formulação de políticas públicas de Educação Especial são a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). Mas os excluídos socialmente são também os que não possuem condições financeiras dentro dos padrões impostos pela sociedade. os jogos de mesa são um bom exemplo.A. (1997). sem com isso. a demanda de inclusão chega às escolas antes da preparação dos professores e a solução tem sido a formação de cursos de capacitação profissional.A. As estratégias para incentivar a partilha passam pelO elogio. 1975. A aprendizagem é influenciada pela inteligência. porém. et al. 14). Devem ajudar a criança a distinguir os comportamentos e atitudes corretas e incorretas (Cuberos. A. sendo estas físicas ou não. pois ensinam a criança a ocupar só o seu espaço e a esperar a pela sua vez de jogar e o trabalho em grupos pequenos. no caso de limitações do organismo do indivíduo. Existem várias áreas a intervir na aprendizagem da criança: definição de objetivos educacionais e avaliação. que destacam o direito a igualdade e à educação para todo cidadão. os negros e os portadores de deficiências. segundo alguns teóricos. isto é. (1997). M.D. nem seus poderes anteriores de assimilação (Piaget. peso e formação física. Garrido. et al.A. pois ajuda a criança a ocupar só o seu espaço e a partilhar os materiais. Os professores devem ter uma atenção especial relativamente a estas crianças. Como estas crianças não suportam a frustração de não conseguir realizar uma tarefa. época em que se passou a perceber que as pessoas portadoras de alguma necessidade especial eram também merecedoras dos mesmos direitos que os outros cidadãos. caso ela esteja a partilhar alguma coisa com alguém. 9349 de Diretrizes e Bases da Educação (1996). o impulso. professores que possuíam interesse pela Educação Especial se dirigiam para a formação específica e depois faziam escolhas profissionais que envolviam ou não Educação Especial. mas. a Declaração de Salamanca (1994). e a Lei n. Infelizmente. Até recentemente. a se modificar em função de suas particularidades. intervenção na área de comunicação-interação. Inclusão e Autismo É difícil pensarmos que pessoas são excluídas do meio social em razão das características físicas que possuem.D. por exemplo. Embora os valores por tais . onde o estímulo. e. p. A inclusão está ligada a todas as pessoas que não têm as mesmas oportunidades dentro da sociedade. os professores têm que arranjar estratégias para as conseguirem acalmar. O mundo sempre esteve fechado para mudanças. como cor da pele. a Declaração de Guatemala (1991). pela hereditariedade.esquema de assimilação é obrigado a se acomodar aos elementos que assimila. o reforço e a resposta são os elementos básicos para o processo de fixação das novas informações absorvidas e processadas pelo indivíduo. perder sua continuidade (portanto. em relação a essas pessoas. através da música (Cuberos. Na intervenção na área de comunicação-interação.A. que podem bloquear ou facilitar esse processo. a partir de 1981. pretende-se ajudar a criança a interagir com os indivíduos que a rodeiam. motivação. intervenção na área cognitiva e intervenção nos problemas de comportamento. além dos idosos. M. seu fechamento enquanto ciclo de processos interdependentes). a ONU (Organização das Nações Unidas) criou um decreto tornando tal ano como o Ano Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiências (AIPPD). mas de forma a que estas entendam essa atenção dada. A. Garrido.

ignoram as discussões sobre sua gênese e não estão familiarizados com as principais características destes transtornos (Suplino. a escola torna-se forte aliada na tentativa de garantir uma inserção social. um profundo desrespeito a identidade. portanto.] a escola possui papel fundamental nos esforços para ultrapassar os déficits sociais destas crianças. que possua profissionais treinados e que estes sejam ativos. Jordan (2005) aponta a necessidade de orientação aos professores.. Para que o processo de inclusão seja eficaz é necessário que a escola conheça as características dos alunos e promova acomodações físicas e curriculares necessárias. a inclusão ainda é mais polêmica. por entender apenas que ele se recusa a interagir com o professor e a aprender. Culter (2000) destaca que é possível encontrar diferenças de posicionamentos entre escolas particulares e públicas sobre a inclusão dos autistas. fora do ambiente familiar e crianças da mesma idade. Com base nesta ideia. Especialmente no caso dos alunos autistas. juntamente com os decentes. para estarem constantemente em busca de novas informações e que sejam capazes de preparar programas para atender os mais diversos subtipos de autistas. (p. sendo percebido principalmente por este fator. Carr. ao possibilitar o alargamento progressivo das experiências socializadoras. De acordo com dados do ME/SEESP (2003) ao iniciar o processo de inclusão de uma criança com necessidades educacionais especiais associadas ao autismo infantil. Cale e Blakeley-Smith (2008) investigaram os efeito da inclusão em crianças com autismo. pois tais alunos possuem necessidades específicas e o ambiente escolar nem sempre estar pronto para recebê-lo. que objetivaram o aumento das interações sociais entre elas e seus pares com autismo. pois. Owen-DeSchyver.. 67)” Relacionando este fato à realidade de crianças autistas. pesquisas mostram que há pouca evidência de sucesso nessa proposta para suportar esta definição de inclusão total para alunos com autismo. pois é a falta de conhecimento a respeito dos transtornos autísticos que os impede de identificar corretamente as necessidades de seus alunos autistas. pois a obsessão pela inclusão pode apresentar uma forma de tornar invisíveis as diferenças.documentos sejam notáveis. quanto das crianças com autismo. torna-se indispensável que a escola. a parir da intervenção social. atue com o objetivo de desenvolver na criança autista a necessidade e o prazer que estão implícitos nesta comunicação. de segunda a quarta séries. Os dados coletados na hora do lanche das crianças na escola demonstraram aumento das iniciações interativas tanto dos pares treinados. o professor pode sentir-se incapaz de interagir com essa criança. Camargo e Bosa (2009) afirmam: “[. pois é responsável por apresentar às crianças o exercício de socialização secundária. como também com os professores e demais funcionários da escola. . Considerando que o autismo é evidenciado pela ausência de linguagem verbal e não verbal. mesmo os educadores que. Para cada uma das três crianças com autismo investigadas havia de duas a quatro crianças com desenvolvimento típico instruídas em sessões de treinamento. Plaisance (2004) afirma que inclusão é uma questão ética que envolve valores fundamentais. 2005). permitindo o desenvolvimento de novos conhecimentos e comportamentos. e. por vezes já ouviram sobre o autismo.

pois foi possível refletir acerca do universo autista no âmbito escolar. que são áreas comprometidas por esse transtorno. é de extrema importância considerar o autismo em suas especificidades. Acreditamos que o amor. A escola. a dedicação. Através desse trabalho observou-se que é possível sim incluir uma criança autista em uma escola regular. e apontar alguns aspectos cruciais para o desenvolvimento da aprendizagem desses alunos. tornando-o eficaz. na imaginação. Para que haja uma possível intervenção eficaz. na comunicação. Esta pesquisa alcançou seus objetivos. . adaptando o ambiente escolar e a matriz curricular com o intuito de desenvolver as aptidões e inteligência deste aluno e de desenvolver na criança autista a necessidade e o prazer que estão implícitos na interação com os colegas. responsável pela inclusão social das crianças autistas. ser dificultoso. No mundo em que vivemos a presença de preconceito ainda é muito constante e ainda temos muito que lutar por isso.CONCLUSÃO Em suma. E este nível definirá as consequências que serão reproduzidas pela criança autista. apesar de aparentemente. é possível que isso ocorra sem muitas dificuldades. tendo em vista que a escola também é um meio social de convivência com diversas experiências que preparam para a vida fora dela. Apesar de imposições e tropeços que o educador possa encontrar pelo caminho. olhando-o como um ser singular. para garantir a minimização no comprometimento do desenvolvimento na aprendizagem dessa criança. depois da instituição familiar é. e que ele pode apresentar diferentes níveis de complexidade. respeito e dedicação são as chaves pra alcançarmos nossos ideais e melhorar o futuro. além de uma representante da sociedade. É importante ressaltar que é essencial o respeito às diferenças e ao aluno. amor mostram resultados fascinantes no seu trabalho. faz-se necessário um diagnóstico coerente. qualificação. esforço. empenho.

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