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Apostila digitalizada e editada para formato eletrônico pelos alunos Osvaldo Correa De Mello Junior e
Apostila digitalizada e editada para formato eletrônico pelos alunos Osvaldo Correa De Mello Junior e
Ariane Fernanda De Souza da disciplina de “Projeto do Navio” do Curso de Tecnologia em Construção
Naval da UNIVALI. Prof. Arthur Augusto de Andrade Ennes.
Finalizada em Março de 2009. Este material se encontra em processo de revisão. R0

APRESENTAÇÃO

Este manual complementa manual técnico de engenharia e permite ao usuário, através de exemplos elucidativos, com tratamento gráfico adequado, utilização de metodologia e critérios de projeto apresentados naquele manual, mesmo sem conhecimento técnico de projetista naval. Os módulos de projeto de embarcação, a saber: requisitos do armador; dimensões principais e arranjo geral; propulsão, estabilidade intacta e desempenho econômico, são apresentados de maneira que os resultados técnicos sejam praticamente finais. Entretanto, dentro do espírito que norteou desenvolvimento destes estudos, a metodologia e os critérios de discussão entre principais envolvidos, ou sejam, armador, construtor, e órgãos interessados, no sentido de melhor adequar ao usuário final.

EQUIPE TÉCNICA

KAO YUNG HO, Engenheiro Naval

PAULO GOMES CARVALHEIRO, Engº Naval Mestre

FRANCISCO CARLOS VASQUES DE GARCIA, Engº Naval

RUI GELEHRTER DA COSTA LOPES, Engº Naval Mestre

KENJI MATSUDA, Engenheiro Naval

ANTONIO TAKAITI SHINKAWA, Arquiteto

Diagramação e ilustração: ANTONIO TAKAITI SHINKAWA

Apostila digitalizada e editada para formato eletrônico pelos alunos Osvaldo Correa De Mello Junior e Ariane Fernanda De Souza da disciplina de “Projeto do Navio” do Curso de Tecnologia em Construção Naval da UNIVALI. Prof. Arthur Augusto de Andrade Ennes.

Finalizada em Março de 2009. Este material se encontra em processo de revisão. R0

ÍNDICE

INTRODUÇÃO 5 Objetivos Definições e nomenclatura Fluxograma

6

7

9

MÓDULO I – REQUISITOS DO ARMADOR

10

Rota

11

Capacidades

12

Velocidade

13

MÓDULO II – ARRANJO GERAL E DIMENSÕES PRINCIPAIS

16

Preliminares

17

Determinação do deslocamento

19

Dimensões principais

22

Arranjo geral – arranjos padrões

31

Pesos e centros

42

MÓDULO III – PROPULSÃO

50

Preliminares 51

Roteiro de estimativa de potência

54

Variação da potência de propulsão

62

Peso da instalação propulsora

63

Cálculo de deadweight de operação

63

MÓDULO IV – ESTABILIDADE INTACTA

66

Conceitos 67

Avaliação de estabilidade

71

Planilha de cálculo de estabilidade

75

MÓDULO V – DESEMPENHO ECONÔMICO

85

INTRODUÇÃO

Este manual é gerado para que, num processo iterativo entre o usuário e as entidades envolvidas, possa ser continuamente aprimorado, ou seja, constituir-se em base para avaliação de características técnicas e econômicas de alternativas de embarcações de passageiros e cargas a serem construídas para a rede hidroviária interior da Amazônia. Na verdade, este processo iterativo de discussão e aprimoramento não se encerra no período de elaboração deste manual, mas permanece no sentido de sua atualização com introdução de novas técnicas segundo a evolução natural do estado da arte relativa ao projeto de navio. Entendidos no devido contexto, os objetivos de manual são:

Fornecer metodologia de cálculo de projeto naval que permita ao armador, sem exigir recursos tecnológicos de monta, estabelecer a um nível adequado, as características principais da embarcação desejada, partindo-se dos requisitos do armador.

Constituir-se, ademais, num elemento agregador das atividades referentes à escolha, construção e financiamento de embarcação através do estabelecimento de uma linguagem técnica comum entre armadores, construtores e agentes financiadores. As definições, símbolos e unidades empregadas neste manual basearam- se na terminologia e nomenclatura de uso consagrado no projeto naval. Conceituações preliminares de alguns itens importantes de projeto como deslocamento da embarcação, desempenho, pesos e centros, estão colocados de forma bastante objetiva e simplificada, ao alcance do usuário pouco iniciado nos assuntos técnicos e teóricos de projeto naval. Os gráficos, índices e coeficientes, que constituem meios de aplicação deste manual, foram levantados a partir de dados extraídos de pesquisa de embarcações semelhantes, realizada na etapa que antecedeu este trabalho, bem como da base teórica necessária ao projeto de embarcações. No fluxograma a ser apresentado adiante, está contida a sistemática de utilização deste manual.

OBJETIVOS

OBJETIVOS Metodologia de cálculo projeto naval visando simplificação de meios para estabelecer as características

Metodologia de cálculo projeto naval visando simplificação de meios para estabelecer as características principais da embarcação desejada.

as características principais da embarcação desejada. Linguagem técnica comum entre a rmador, construtores e

Linguagem

técnica

comum

entre

armador,

construtores

e

agentes

financiadores (escolha, construção e funcionamento).

DEFINIÇÕES E NOMENCLATURA

DEFINIÇÕES E NOMENCLATURA 7
PROPULSÃO
PROPULSÃO

V S (*) – velocidade de serviço da embarcação RT – resistência ao avanço do casco EHP – potência efetiva de arrasto – RT.V/75 BHP – potência no freio do motor (potência total de serviço) IHP – potência instalada (potência nominal total) (*) – em algumas formulações deste manual aparece na forma abreviada V

FLUXOGRAMA

O conjunto de relações técnicas e econômicas determinadas a partir de fundamentos teóricos e pesquisa de embarcações semelhantes estão compostos em cinco módulos, que utilizados segundo a sistemática estabelecida no manual, permitem a geração das características prováveis da embarcação desejada. Embora o fluxograma tenha requisitos do armador, como ponto de partida é possível consultar o manual em qualquer seqüência de módulo, se as etapas de definições estiverem adiantadas.

MÓDULO I

MÓDULO II

MÓDULO III

MÓDULO IV

MÓDULO V

REQUISITOS DO ARMADOR

Rota: distância, calado Capacidade: passageiros e cargas Velocidade: tempos
Rota: distância, calado
Capacidade: passageiros e cargas
Velocidade: tempos

DIMENSÕES PRINCIPAIS E ARRANJO GERAL

Arranjo geral padrão: faixas de parâmetros principais Escolha de dimensões: métodos e critérios (V, L,
Arranjo geral padrão: faixas de
parâmetros principais
Escolha de dimensões: métodos e
critérios (V, L, F, C, D
Pesos e Centros
)

PROPULSÃO

Estima de BHP Peso de instalação propulsora DWT operacional
Estima de BHP
Peso de instalação propulsora
DWT operacional

ESTABILIDADE INTACTA

Avaliação do GM inicial Avaliação do GM requerido
Avaliação do GM inicial
Avaliação do GM requerido

DESEMPENHO ECONÔMICO

Estima do preço de construção Custo operacional: custo diário navegando e porto Viagem redonda: avaliação
Estima do preço de construção
Custo operacional: custo diário
navegando e porto
Viagem redonda: avaliação do
custo, produção e resultado

RECICLAGEM

I – REQUISITOS DO ARMADOR

variadas

razões, o armador tem como desejáveis e

nas informações iniciais

para escolha da embarcação.

constituem-se

São

requisitos

que,

por

Esses requisitos são:

Rota

Capacidades

Velocidade

embarcação. constituem-se São requisitos que, por Esses requisitos são: • Rota • Capacidades • Velocidade 10
REQUISITOS DO ARMADOR ROTA
REQUISITOS DO ARMADOR
ROTA
REQUISITOS DO ARMADOR ROTA PORTOS A ATENDER DISTÂNCIA RESTRIÇÕES DA ROTA O calado H é a

PORTOS A

ATENDER

DISTÂNCIA
DISTÂNCIA

RESTRIÇÕES DA ROTA

O calado H é a dimensão mais importante destas restrições. Na avaliação do máximo calado da embarcação para navegar na rota desejada, deve- se levear em conta o pé-de-piloto mínimo (hp min ) que permite a passagem do navio a velocidade reduzida no trecho crítico da rota na época de ocorrência do menor nível da lâmina d’água (NA min ). O valor de hp min 0,5 m.

EXEMPLO – Na min = 2.10m hp min = 0.50m

de hp m i n 0,5 m. EXEMPLO – Na m i n = 2.10m h

H = 2.10 0.50=1.60m

REQUISITOS DO ARMADOR

CAPACIDADES As capacidades da embarcação referem-se ao número de passageiros e quantidade de carga transportada
CAPACIDADES
As capacidades da embarcação
referem-se ao número de
passageiros e quantidade de
carga transportada pela
embarcação.
DEADWEIGHT DE CARGA – DWTC
constituído pela soma dos pesos da
quantidade de carga e do número total de
passageiros a transportar, representa o porte
útil ou peso morto útil, que será rentável ao
armador.
A relação entre DEADWEIGHT de carga
(DWT C ) e a quantidade de carga (Q C )m
representada por C , constitui parâmetro de
*
referência no gráfico C DWT –DWT C .
Este gráfico, conforme será visto no módulo II
– arranjo geral e dimensões principais,
Q
pass =N pass x q
permitirá estimar deslocamento em peso (Δ) da
embarcação.
N
pass – número de
passageiros
q
– peso por passageiro,
inclusive sua bagagem
Q C - Quantidade de Carga
Requisitos do Armador VELOCIDADE V D (DISTÂNCIA A B) A B TA (TEMPO EM A)
Requisitos do Armador
VELOCIDADE
V
D (DISTÂNCIA A B)
A
B
TA (TEMPO EM A)
TB (TEMPO EM B)

A velocidade pode ser definida pelos tempos desejáveis máximos para se cobrir uma determinada distância.

(VELOCIDADE)

CONSIDERANDO: • Embarcação na condição de plena carga de projeto (∆ máximo) • Águas calmas
CONSIDERANDO:
• Embarcação na condição
de plena carga de projeto
(∆ máximo)
• Águas calmas e paradas
• Casco e propulsores,
Hélices. Limpos e em boas
condições.
2 VELOCIDADES
• Motores de propulsão
(MCPs) desenvolvendo
máxima potência de
serviço

Velocidade (V S ) – velocidade desenvolvida pela embarcação com MCP em regime contínuo de máxima potência de serviço.

Velocidade Máxima (V MAX ) – Velocidade desenvolvida pela embarcação com MCP em regime intermitente de máxima potência de serviço.

Na figura precedente tem-se: V AB = D AB .

T AB

(Velocidade entre A e B é igual a distância de A e B dividido pelo tempo

dispendido para percorrê-la)

Portanto:

T = D . V
T
=
D .
V

(tempo de viagem = distância percorrida/velocidade)

O tempo de viagem depende, ainda, do sentido e velocidade da correnteza

na rota a navegar.

do sentido e velocidade da correnteza na rota a navegar. A duração da viagem des dobra

A duração da viagem desdobra em tempos dispendidos navegando a favor

e contra a correnteza.

tempos dispendidos navegando a favor e contra a correnteza. Tempos de viagem Vs - Vc T

Tempos de viagem

Vs - Vc

T S

=

D

.

T D

=

D

.

Vs + Vc

TEMPO DE VIAGEM CONTRA A CORRENTEZA (SUBINDO O RIO)

TEMPO DE VIAGEM A FAVOR DA CORRENTEZA (DESCENDO O RIO)

O tempo total de viagem será T S +T D , ou seja:

T S + T D =

D Vs – Vc

+

D Vs + Vc

D

Distância entre duas escalas, em milhas náuticas (1 milha náutica – 1,852 Km)

Vc

Velocidade média da correnteza no trecho considerado, em nós

Vs

Velocidade de serviço do navio, em nós

T S Tempo navegando máximo desejado para subir o rio, em horas T D Tempo navegando máximo desejado para descer o rio, em horas

Sendo a rota um dos requisitos do armador, são conhecidos previamente a distância D entre duas escalas e velocidade V C da correnteza. Assim, predeterminando tempos desejáveis de viagem, pode-se estimar a velocidade de serviço necessário, conforme exemplo numérico abaixo. Será visto no módulo III – propulsão – a relação da velocidade com os parâmetros de potência de propulsão (BHP) e deslocamento (Δ). A velocidade máxima (V MAX ) será conhecida após determinados os valores de potência de propulsão e deslocamento.

os valores de potência de propulsão e deslocamento. Na ilustração ao lado, tem-se: D = 1000

Na ilustração ao lado, tem-se:

D = 1000 milhas náuticas

V C = 2 nós

T S = 125 horas (5,2 dias) navegando

T D = 84 horas (3,5 dias) navegando

V S = ? (valor a ser obtido)

T S + T D =

D

+

D

;

V S -V C

V S +V C

 

124

+84 =

1000

+

1000

;

V S -2

V S +2

209

= 1000 . ( V S +2

+ V S -2D );

 

V

S ²-4

0,209 =

2V S .

 

V S ²-4

0,209 (V S ²-4) = 2V S

0,209V S ² - 2V S - 0,836 = 0

V S =

2 ± 4 + 0,698896

0,418

.
.

DUAS SOLUÇÕES Vs = 9,97 Vs = -0,4

PORTANTO

Vs = 9,97 NÓS