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PÓS-GRADUAÇÃO EM AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO COM CRIANÇAS E

ADOLESCENTES – 4ª Edição

O Funcionamento do Contexto Familiar e sua Influência


no Desenvolvimento e Saúde Psicológica de Crianças e
Adolescentes

Professor Doutor Francisco Machado


Resumo

• Familia e (dis)funcionalidade familiar

• A relação parental

• O modelo McMaster de funcionamento familiar

• Avaliação familiar no contexto do modelo McMaster

• Intervenção familiar e parental


O QUE É A FAMÍLIA?
Funções da Família
Bradley (1995) cit in Rodrigo & Acuna (2002)

Manutenção • assegura a sobrevivência física

Estimulação • permite o desenvolver das funções cognitivas

Apoio • permite um ajustamento psicológico adequado

• Exige a supervisão das actividades da criança em relação


Controlo com o ambiente

Estruturação • permite dar à criança um ambiente organizado


Família: Sistema aberto

Trabalho

Sociedade Família Escola

Comunidade
Família: Globalidade

PAI MÃE

FILHO FILHA
Família: Não Somatividade

PAIS

Ambiente
familiar
saudável
FILHOS
Família: Sequência circular

STRESS LABORAL

DISCUSSÃO DISCUSSÃO
LABORAL FAMILIAR

STRESS
FAMILIAR
Família: feedback positivo e
negativo
Família: homeostase

A procura do equilíbrio pode ser

OU NÃO benéfica para a família,

para os seus processos e para o

desenvolvimento dos seus

elementos
Família: equifinalidade

Família 1

Equilíbrio
Família
2

Família
3
Família: Subsistemas

Individual Parental

Conjugal Fraternal
Família: Fronteiras

Devem ser claras, definidas e


permeáveis

Rígidas Difusas
CICLO VITAL DA FAMÍLIA
Ciclo vital da família
• Jovens adultos
• Formação do casal
• Famílias com crianças pequenas
• Famílias com adolescentes
• Famílias de meia-idade
• Famílias idosas
A construção social de normalidade

FAMÍLIAS NORMAIS?
Perspectivas de “Normalidade” familiar –
evolução dos estudos da família

Famílias normais
Famílias normais
como
como típicas
assintomáticas

Processos
Famílias normais
familiares
como ideias
normais
Famílias normais como assintomáticas

Família é normal quando não há sintomas de perturbações em


qualquer um dos elementos

Não dá importância aos pontos positivos da família:


• a presença de problemáticas não é necessariamente indicativa de patologias
familiares

Existência de indivíduos assintomáticos?

Uma problemática individual indica, necessariamente, uma


problemática familiar?

Famílias clínicas e não clínicas como perturbadas e não


perturbadas?
Famílias normais como típicas
Família é normal se se ajustar aos padrões
esperados para a maioria da população

Famílias que se desviem da distribuição normal


não o são

Associação de fora da norma como patológicas

Família com funcionamento óptimo seria, por


estes critérios, anormal

Os padrões mais comuns serão os mais


saudáveis?
Famílias normais como ideais, saudáveis

Família saudável é a que possui traços que conduzem a um


funcionamento óptimo

Família com funcionamento óptimo é a que consegue


cumprir as tarefas familiares enquanto promove o
crescimento e bem estar dos elementos

Construtos culturais sobre quais os comportamentos


familiares que são mais desejados

Estigmatização de famílias que não preenchem os traços


desejados
Processos familiares normais
Funcionamento familiar como inserido em contextos culturais e desenvolvimentais

Processos vistos como evoluindo ao longo do tempo

Funcionamento familiar normal

• Processos que permitem a manutenção da família


• Permite a realização de tarefas que levam ao crescimento e bem-estar dos elementos
• Transmissão de normas, padrões ou rituais
• Sistemas de crenças

Não há correlação directa entre perturbação de elemento da família e perturbação


familiar

Capacidades e estilos das famílias são resultado de interacção entre elementos e


contextos mais amplos que o familiar

Adaptação familiar mediante o ciclo familiar e stressores


Evolução de modelos teóricos

Estrutura

Funcionamento
Famílias disfuncionais?

O FIM DA
FAMÍLIA TRADICIONAL?
Formas de família
Família intacta tradicional

Família intacta contemporânea

Famílias divorciadas

Famílias monoparentais

Famílias de recasamento

Famílias homoparentais

Famílias adoptivas
PARENTALIDADE
Bidireccionalidade

PAIS FILHOS
Influências externas

Contexto sócio-económico

Relação conjugal

Redes sociais

Experiência prévia de parentalidade

Cultura
Contexto sócio-económico

Capacidade económica

Zona habitacional

Trabalho parental

Habilitações literárias dos


progenitores
Relação conjugal

Conflito conjugal

Famílias recasamento

Interacção diária
Redes sociais
Afectar directamente a
criança

Afectar a criança através


dos pais

Apoio emocional e
instrumental
Experiência prévia de
parentalidade
Sofisticação do Vocabulário
(maior para o primeiro)

Ansiedade intrusiva
(maior para o primeiro)

Exigências de maturidade
(maior para o primeiro)
Cultura

Universalidade
(Aceitação-Rejeição)

Variabilidade
(Comportamentos de A-
R)
Crenças e valores

Criança é agente ativo perante crenças e valores


transmitidos pela família.

Valores externos à família

Influenciam os comportamentos parentais

Servem como padrão de acção segundo o qual os


progenitores avaliam os seus comportamentos
Técnicas disciplinares (Hoffman, 1975, 2000;
Maccoby & Martin, 1983

Afirmação de poder

Retirada de amor

Indução
Dimensões avaliadas nas crianças
(Baumrind, 1967)

Tendência para
Humor
Auto-controlo aproximação-
subjectivo
evitamento

Relação com
Auto-confiança
pares
Dimensões avaliadas nos pais
(Baumrind, 1967)

Exigências de
Controlo
maturidade

Comunicação Cuidados
Estilos Parentais (Baumrind, 1967)

Permissivo Autoritário

Autorizado
Estilos parentais (Baumrind, 1971)

Permissivo Autoritário

Rejeitante-
Autorizado
negligente
Estilos parentais (Baumrind, 1971)
Responsividade

Autorizado
Permissivo

Exigência
Rejeitante
Negligente Autoritário
Permissivo (Baumrind, 1967)
É não-punitivo e aceitante

Consulta filhos sobre tomada de decisões

Dá explicações sobre regras

Não encoraja obediência

Evita exercer controlo


Apresenta-se como recurso para a criança e não como
agente activo
Faz poucas exigências
Usa explicações e manipulação mas não poder explicito; uso
variável de retirada de amor
Autoritário (Baumrind, 1967)
Tenta modelar, controlar e avaliar comportamento de acordo
com padrão
Controlo firme

Valoriza obediência
Favorece punições e medidas disciplinares duras; uso de
retirada de amor é variável
Restringe autonomia

Mantém distinção de estatuto

Não encoraja comunicação

Faz exigências
Autorizado (Baumrind, 1967)
Tenta dirigir o filho de forma racional

Encoraja comunicação; explica razões; pede objecções

Dá autonomia moderada

Impõe a sua perspectiva de adulto mas aceita a da criança

Exerce controlo mas não exagerado com restrições

Faz exigências moderadas


Usa explicação e poder; pouco punitivo e uso raro de
retirada de amor
Dá padrões de conduta futura reconhecendo qualidades
actuais
Rejeitante – Negligente
(Baumrind, 1971)
Rejeitante

Não tenta controlar

Não encoraja independência

É coercivo

Não tenta enriquecer o ambiente dos filhos


Padrões, estilos parentais e principais
características (Baumrind, 1989)

Padrão Estilo Exigência Responsividade Características


Envolvido Autorizado Alta Alta/média Não coercivos
Não restritivos
Psicologicamente
diferenciados
Confrontadores
Convencionais
Tradicional Baixa nas Mães Mães  alta Pais coercivos
Alta nos Pais Pais  baixa
Exigente Alta Média
Padrões, estilos parentais e principais
características (Baumrind, 1989)

Padrão Estilo Exigência Responsividade Características


Restritivo Autoritário Alta Baixa Coercivos
Confrontadores
Monitorizadores
Convencionais
Padrões, estilos parentais e principais
características (Baumrind, 1989)
Padrão Estilo Exigência Responsividade Características
Indulgente Permissivo Baixa/média Alta Não coercivos
Algo diferenciados
psicologicamente
Não convencionais
Auto-confiantes

Democrático Média Alta

Indiferenciado
Padrões, estilos parentais e principais
características (Baumrind, 1989)

Padrão Estilo Exigência Responsividade Características


Não- Rejeitante- Baixa Baixa Muito coercivos
envolvido negligente Pouco
diferenciados
psicologicamente
Não
monitorizadores
Convencionais
Não-directivo Baixa Média
Escalas de estudo na adolescência
(Baumrind, 1991)
Controlo Directivo/
Controlo Assertivo Controlo apoiante
Convencional

• controlo restritivo • monitorização firme, • controlo racional


• valores convencionais clara e não restritiva • disciplina responsiva
• confronto e exigência de • uso de explicações
cumprimento de regras • estimulação intelectual
• encorajamento da
individualização
Escalas de estudo na adolescência
(Baumrind, 1991)

Intrusividade Responsividade

• subversão da • diferenciação
independência da psicológica
criança • ser apoiante
• controlo excessivo • não intrusividade
Famílias na adolescência
(Baumrind, 1991)

Directivas Democráticas
Autorizadas (autoritárias- (democráticas e
intrusivas e não-
autoritárias directivas) não-directivas)

Não-directivas Suficientemente boas Não-envolvidas.


Epstein, Ryan, Bishop, Miller & Keitner (2005)

O MODELO MCMASTER
Princípios base
Não aborda todos os aspectos de funcionamento familiar mas
aqueles que parecem ter mais impacto

Baseia-se numa abordagem sistémica

Partes da família são vistas como estando inter-relacionadas

Uma parte da família não pode ser compreendida isoladamente


do resto do sistema

Funcionamento familiar não pode ser percebido pelo mero


conhecimento das partes

Estrutura e organização familiar são importantes na


determinação do comportamento dos elementos

Padrões transaccionais familiares são das variáveis mais


importantes que modelam o comportamento dos indivíduos
Tarefas familiares

Básicas

Desenvolvimentais

Crise
Dimensões do modelo

Resolução de
Comunicação Papeis
problemas

Responsividade Envolvimento Controlo


afectiva afectivo comportamental
Resolução de problemas

Problemas

Instrumentais Afectivos
Resolução de problemas (sistema familiar)
Identificação do problema

Comunicar à pessoa apropriada

Desenvolver alternativas

Optar por alternativa

Acção

Monitorização de acção

Avaliação de eficácia
Comunicação

Instrumental

Afectiva
Clara Vs. Mascarada
relacionado ou não com o conteúdo

Directa Vs. Indirecta


direcionada ou não ao destinatário
Papéis

Funções
familiares Outras funções
necessárias
Funções familiares necessárias
Provisão de recursos (instrumentais)

Apoio e carinho (afectivas)

Satisfação com a relação sexual (adultos)

Desenvolvimento pessoal (instrumentais e afectivas – competências)

Manutenção e gestão do sistema familiar


• Tomada de decisões (liderança)
• Fronteiras e participação (ex.: família alargada e amigos)
• Funções de controlo de comportamento (disciplina)
• Gestão de finanças
• Funções relacionadas com saúde (funções de cuidador em períodos de doença)
Outras funções

Atribuição de Monitorização
papéis dos papéis

Como é que é feita? Responsabilidade


Quem faz a atribuição? Monitorização
Implícita ou explicita? Correcção
Discussão ou ordem?
Atribuição apropriada à pessoa?
Responsividade afectiva

Afecto
Emoções de Emoções de
bem-estar emergência
Carinho, apoio, amor, Medo, raiva, tristeza,
alegria desilusão
Envolvimento afectivo

Falta de envolvimento

Envolvimento desprovido de sentimentos

Envolvimento narcísico (egocêntrico)

Envolvimento empático

Envolvimento exagerado (intrusivo)

Envolvimento simbiótico (s/ fronteiras)


Controlo comportamental

Áreas
Situações Necessidades Comportamento
psico-biológicas de socialização
fisicamente
(Comer, dormir, (dentro E fora da
perigosas agressividade, etc.) família)
Estilos de controlo comportamental

Rígido

Flexível

Laissez-faire

Caótico
A intervenção com a família deve
seguir os seguintes princípios:
Colaboração com os elementos da
família

Comunicação directa e aberta Presença de toda a família

Família é responsável pela Dirige-se a problemas actuais


mudança
Foca o potencial da família
Avaliação rigorosa e completa
Mudança comportamental

Limitação no tempo
Estádios e passos
Avaliação

• Orientação
• Recolha de dados Intervenção
• Descrição de problema(s)
• Clarificação de problema(s) • Orientação
• Clarificação de prioridades
Contrato • Atribuição de tarefas
• Avaliação de tarefas
• Orientação
• Definição de opções
• Negociação de expectativas Finalização
• Assinar contrato
• Orientação
• Resumo de intervenção
• Objectivos a longo prazo
• Follow-up
Avaliação - objectivos

Orientar a família relativamente a tratamento e


estabelecer relação empática

Identificar, com a família, os problemas existentes

Identificar os padrões de funcionamento familiar que


possam estar relacionados com os problemas existentes
Avaliação - orientação
O que
Porque a
sabemos
família
sobre a
está lá
Inquirir família sobre família

O que se Pedir
planeia permissão
fazer e para
O que atingir prosseguir
Porque estão
esperam da

sessão

Porque está Quais as Dar feedback sobre


presente expectativas
toda a sobre
família resultados
Avaliação – recolha de dados

Transpor o foco do
problema principal
Cada elemento da família
apresentado para o
descreve o problema funcionamento familiar
geral

Recolher:
• Dados factuais
• Componentes afectivos Análise segundo a
• Perspectiva histórica estrutura do modelo
• Acontecimentos precipitadores
• Quem esteve envolvido e como
Contrato
Negociação de
expectativas
• De cada elemento
Orientação • Expectativas realistas
• Expectativas de longo prazo

Definição de opções Contrato


• Manter-se como estão • Lista os problemas
• Tentar resolver problemas sem • Especifica o que se concordou
ajuda do terapeuta como estratégia de resolução
• Tentar resolver problemas com • Incluí condições do terapeuta
outro terapeuta
• Assinaturas
• Tentar resolver problemas com
este terapeuta
Intervenção – atribuição de
tarefas
Tarefa é comportamental e concreta
Ser aberto e directo com família para poder ser compreensível

Tarefa é importante para todos


Tarefas referem-se a dimensões identificadas
na fase de definição de problemas
Elementos da família sentem que
são capazes de cumprir a tarefa
Tarefas são adequada a idade, sexo e
factores sócio-culturais
Tarefas enquadram-se nos horários
familiares
Tarefas são orientadas para o aumento
de comportamentos positivos Tarefas não são em número
excessivo
Tarefas são distribuidas de forma Foco é construtivo, não assente no
equilibrada pelos elementos da família passado e em ressentimentos
MCMASTER CLINICAL RATING
SCALE
Áreas avaliadas

Resolução de
Comunicação Papéis
problemas

Responsividade Envolvimento Controlo


afectiva afectivo comportamental

Funcionamento
geral
Avaliação

Por observação da família

Cada dimensão é cotada numa


escala de 1 a 7 pontos
Pontos de referência

1 – Muito perturbada

5 e 6 – Não clínica

7 – Funcionamento superior
Resolução de problemas (RP) - etapas
Identificação do problema

Comunicar à pessoa apropriada

Desenvolver alternativas

Optar por alternativa

Acção

Monitorização de acção

Avaliação de eficácia
Princípios de cotação - RP
A família é mais saudável quão menos problemas insolucionados apresenta;

A família é mais saudável quão mais passos de resolução de problemas


conseguem alcançar;

Uma família saudável ou não clínica tem uma classificação igual ou superior
a 5;

Uma família com problemas instrumentais não resolvidos é cotada com uma
classificação igual ou inferior a 4;

Se a competência de RP da família varia muito deve-se classificar como a


família lida com o seu problema potencialmente mais disruptivo.
Famílias gravemente perturbadas
- RP
A família não reconhece a existência do problema;

A família não consegue identificar correctamente os problemas:


pode envolver projecção, transferência e distorção;

A família está vagamente consciente dos problemas mas não falam


sobre eles.

Na família persistem problemas de tipo instrumental embora esta


tenha recursos para os resolver;

A família não consegue resolver problemas sem criar muito conflito.


Famílias Não clínicas/Saudáveis -
RP
A família não permite que problemas instrumentais disruptivos se mantenham
insolucionáveis;

A família permite que apenas alguns problemas afectivos não sejam resolvidos;

Pelo menos um dos elementos da família repara nos problemas quando surgem
embora, ocasionalmente, possa identifica-lo de forma errada;

Quando um elemento da família indentifica um problema comunica-o aos


restantes membros da família;

A família propõe soluções alternativas, para a maioria dos problemas, e escolhe


uma entre elas.

Uma pequena parte dos problemas é resolvida satisfatoriamente mas o processo


de resolução não é muito eficaz.
Famílias com funcionamento
superior - RP
A família reconhece rapidamente que surgiu um problema;

A família identifica adequadamente o problema;

Através de discussão a família define claramente alternativas e decide uma acção;

Após agir a família avalia, de forma sistemática, o seu desempenho;

A família é flexível sendo capaz de ajustar as suas abordagens e soluções a


diferentes problemas;

A família tem uma história de ser capaz de lidar eficazmente com problemas.
Comunicação

Instrumental Clara e Clara e


directa indirecta

Mascarada Mascarada
e directa e indirecta
Afectiva
Princípios de cotação - Comunicação
A cotação é mais baixa quão mais mascarada for a comunicação;

A cotação é mais baixa quão mais indirecta for a comunicação;

A cotação é mais baixa quão maior for a existência de comunicações


mascaradas que perturbem a comunicação;

A comunicação instrumental mascarada e indirecta é cotada com níveis mais


baixos do que a comunicação afectiva do mesmo género;

Os problemas de comunicação de um elemento da família são menos graves


quando compensados pelos restantes membros;

Quanto mais os problemas de comunicação interferem em outros aspectos do


funcionamento familiar mais baixa será a cotação.
Famílias gravemente perturbadas
- Comunicação
A família não comunica correctamente. Utilizam: silêncio; falar caoticamente; falar
de forma irrelevante;

As mensagens instrumentais são mascaradas e, como tal, dificilmente


compreensíveis;

As mensagens instrumentais são indirectas, logo há conteúdos que chegam a


outros elementos que não o destinatário;

A comunicação afectiva é mascarada;

A comunicação afectiva é indirecta;

As mensagens são claras e directas mas há elementos da família que não escutam.
Famílias Não clínicas/Saudáveis -
Comunicação
A comunicação instrumental é clara e directa;

Na maior parte das situações a comunicação afectiva é clara, directa e


recebida de forma apropriada;

Apenas em algumas situações as mensagens são pouco claras ou


dirigidas de forma desapropriada;

Se a mensagem não for clara a família tenta clarifica-la;

A comunicação pode ser, por vezes, ineficaz ou inadequada mas não ao


ponto de ser disruptiva.
Famílias com funcionamento superior
- Comunicação
Família transmite mensagens quando necessário;

Todas as mensagens (instrumentais e afectivas) são


claras e directas;

Se o receptor não compreender a mensagem pede,


e obtém, clarificação;

As mensagens são transmitidas de forma concisa e


eficiente.
Papeis familiares necessários

Provisão de recursos

Carinho e apoio

Desenvolvimento pessoal

Manutenção e gestão do sistema familiar

Vivências de sexualidade dos adultos


Atribuição de papeis
A tarefa é explícita ou implícita? Como é realizada?

A pessoa designada tem capacidade para realizar a


tarefa?
É dado o poder necessário à pessoa a quem a tarefa é
atribuída?

Se necessário pode redistribuir-se a tarefa facilmente?

A distribuição de tarefas tem o acordo dos elementos


da família?

Os elementos da família cooperam e colaboram?


Responsabilidade pelos papeis

Os elementos sentem-se responsáveis pelas


tarefas e funções?

As pessoas respeitam a responsabilidade


atribuída?

O cumprimento da responsabilidade é
monitorizado pelos elementos da família?

Os elementos da família corrigem a situação


quando as tarefas não são realizadas?
Princípios de cotação - Papeis

Para obter a classificação 5 a família tem de quase sempre realizar de forma


adequada as 4 primeiras funções mencionadas;

Se mais de 30% da atribuição de papeis não for clara e consistente a classificação


tem de ser menor ou igual a 4;

Se mais de 30% da responsabilidade de papeis não for especificada a classificação


tem de ser menor ou igual a 4;

Se algum elemento da família assume excessivamente tarefas das primeiras quatro


funções a classificação tem de ser menor ou igual a 4;

Se algum elemento da família assume de forma desadequada responsbilidade nas


tarefas das primeiras quatro funções a classificação tem de ser menor ou igual a 4;
Famílias gravemente perturbadas -
Papeis
Uma ou mais das 4 primeiras funções não são consistentemente realizadas;

As vivências de sexualidade dos adultos são uma fonte de grandes conflitos;

A distribuição de tarefas não ocorre ou é ineficaz;

A atribuição de tarefas é feita a elementos que não têm capacidade de as realizar;

A família não consegue assegurar que as tarefas serão realizadas nem que os
elementos se sintam responsáveis por elas;

As tarefas são distribuídas de forma desigual pelos elementos;

A família não consegue compensar as perturbações no funcionamento a este nível.


Famílias Não clínicas/Saudáveis -
Papeis
As 4 primeiras funções são realizadas;

A maioria dos papeis atribuidos para as 4 primeiras funções são realizados de forma
eficaz;

Os restantes papeis são realizados de forma ineficaz mas não ao ponto de ser
disruptivo;

A família sente-se responsável pela maioria dos papeis e responde a essa


responsabilidade;

A distribuição de tarefas é adequada;

A família sabe compensar, de forma adequada, perturbações que ocorram.


Famílias com funcionamento
superior - Papeis
Todas as funções necessárias são realizadas de forma eficaz;

Os papeis são claramente distribuídos;

Os papeis são distribuídos de forma apropriada;

A responsabilidade é facilmente estabelecida;

A distribuição de tarefas é razoável e aceite por todos os elementos da


família.
Responsividade afectiva

Emoções de Emoções de
bem-estar emergência
Princípios de cotação -
Responsividade afectiva

É necessário avaliar cada elemento a nível de expressão de emoções;

Expressão de emoções inapropriadas podem ser ou não disruptivas para o


funcionamento familiar. Apenas se for é que se atribui valor igual ou menor a
4;

Quantos mais elementos de família sentem respostas afectivas


desapropriadas menor será a cotação;

Quanto mais as respostas afectivas inapropriadas perturbarem o


funcionamento familiar menor será a cotação atribuída.
Famílias gravemente perturbadas
- Responsividade afectiva

Existe um dos seguintes: Restrição grave de emoções; Constante


sobre-produção de emoções; Variação de humor constante;

A responsividade afectiva é perturbada em ambas as áreas;

A maioria dos elementos da família tem dificuldades a nível da


responsividade afectiva;

As experiências de cariz afectivo perturbam o funcionamento


familiar.
Famílias Não clínicas/Saudáveis -
Responsividade afectiva

As emoções experimentadas são apropriadas à situação apesar da


intensidade ou duração da resposta poder ser, por vezes, desapropriada.

Nenhum elemento da família experimenta consistentemente emoções


inadequadas em mais de uma área.

Menos de metade da família experimenta dificuldades de


responsividade afectiva;

A responsividade afectiva deficiente de um elemento é compensada


pelo resto da família.
Famílias com funcionamento
superior - Responsividade afectiva
Todos os elementos da família experimentam ambos os
tipos de emoções em situações apropriadas quase
sempre;

A gama de emoções experimentada reforça o


funcionamento familiar;

Quando ocorre uma resposta desapropriada a família


compensa a situação e não há perturbação do
funcionamento familiar.
Envolvimento afectivo

Mais
Intermédio Saudável
perturbado
Envolvimento
desprovido de
Falta de
sentimentos (2 a 4)
envolvimento (1,2)

Envolvimento Envolvimento
narcísico (2 a 4) empático (>5)

Envolvimento
simbiótico (1,2) Envolvimento
exagerado (3 a 5)
Controlo comportamental

ÁREAS ESTILOS

Necessidades
Perigo físico
psico-biológicas Rígido Flexível

Laissez-
Comportamento Caótico
social faire
Princípios de cotação -Controlo
comportamental
As expectativas de comportamento de pais e filhos são levadas em conta;

Quando esta função não lida eficazmente com o comportamento de um dos


progenitores a cotação atribuída é inferior do que quando isto ocorre com um dos filhos;

A cotação baixa quando os filhos se aproveitam do facto dos pais não se apoiarem
mutuamente;

A ordem de eficácia é: flexível, rígido, laissez-faire, caótico;

Famílias caóticas obtêm pontuações de 1 e 2;

Embora o controlo flexível seja o mais adequado o rígido pode, por vezes ser também
funcional.
Famílias gravemente perturbadas
-Controlo comportamental
Os comportamentos da família causam perigo físico para a família e para
outros;

Elementos da família têm padrões anti-sociais ou excessivos em diversas


áreas;

Elementos da família demonstram falta de respeito uns pelos outros;

Elementos da família não concordam sobre regras de comportamento;

Existem níveis de conflito elevados em consequência do tipo de controlo


comportamental.
Famílias Não clínicas/Saudáveis -
Controlo comportamental
A família preocupa-se, de forma adequada, com a
segurança dos seus elementos;

A família pode discordar sobre normas comportamentais


mas isto ocorre pontualmente e é resolvido;

Controlo comportamental pode desviar-se do estilo flexível


mas não é disruptivo para o funcionamento familiar;

Família conhece os padrões de comportamento desejados.


Famílias com funcionamento
superior -Controlo
comportamental
Predomina o controlo flexível

Padrões são claros embora a sua interpretação possa variar de acordo


com o contexto.

Respeito dentro e fora da família é predominante;

Em situações de perigo pode surgir o estilo rígido;

Os filhos participam no que concerne aos padrões de controlo


comportamental.
ENTREVISTA ESTRUTURADA DO
MODELO MCMASTER
Questões dirigidas a

Casal (C)

Família (F)

Família monoparental
(S)
Orientação

• Questionar sobre porque a família está ali

• Resumir respostas da família

• Clarificar os objectivos
• Explicar que se quer conhecer a família melhor
• Pedir a família que corrija quando necessário
• Pedir à família que sejam honestos e directos
Questões a debater
• Listar problemas relatados pela família
• Verificar se todos concordam e se querem acrescentar algo

• Questionar, para cada problema listado, se o discutiram

• Questionar, para cada problema listado, se fizeram algo para o resolver


• Se sim, o quê

• Questionar, para cada problema listado, se ficou resolvido


• Se não, porquê
Papeis – provisão de recursos

Até que ponto é


Quem faz? feito de forma
satisfatória
Papeis – provisão de recursos
Compras Pagamento de contas

Planear refeições Reparações

Cozinhar Carros

Comprar roupas Compras significativas

Contribuir financeiramente Decisões de procurar médicos

Tratar a roupa Disciplinar filhos

Limpar Lidar com a escola


Papeis – atribuição de tarefas
Discutem distribuição de tarefas?

Alguém se sente sobrecarregado?

Alguém faz uma tarefa que não deveria fazer?

Alguém sente que os outros não fazem suficiente?

Aceitam as tarefas sem discutir ou queixarem-se?

As discussões e queixas causam problemas na família?

Alguém se recusa a fazer tarefas?

Quando os filhos crescem as tarefas alteram-se?


Papeis – responsabilidade pelas tarefas

A família gere bem as tarefas?

Há alguém que consistentemente não


participe?

Verificam se as tarefas foram realizadas?


Papeis – desenvolvimento pessoal
Discussão de assuntos de carreira

Receber ajuda e apoio relativamente a assuntos de trabalho

Desejar receber mais apoio nesta temática

Relações sociais

Educação dos filhos

Como sentem que os filhos estão a crescer (perguntar aos filhos 1º)

Projectos futuros dos filhos, relações amorosas e sociais de filhos

Filhos recebem dinheiro ou semanada/mesada


Papeis – gestão de sistema

Se discordam numa questão quem diz a palavra final

Questionar, a cada um dos adultos, se há problemas com


os seus pais ou família alargada

Questionar, a cada um dos adultos, se há problemas com


a família do conjuge

Namorados? Alguém vive com a família? (famílias


monoparentais)
Papeis – Carinho e apoio

Quando estão perturbados


quem procuram

Ajuda procurar alguém da família


para lidar com problemas
Papeis – vivências da sexualidade dos
adultos

Sentem-se confortáveis com a quantidade de afecto que recebem

Satisfeitos com a sua vida sexual

Satisfeitos com a frequência de relações sexuais

Sentem que satisfazem o conjuge

Sentem-se satisfeitos pelo conjuge

Há problemas em dizer não


Controlo comportamental - crianças

Hora de deitar

Situações de perigo

Regras sobre: chegar a casa, higiene, refeições.

Familiares podem bater uns nos outros

Sabem distinguir quando pais estão a brincar ou a ralhar

Há coisas que família faça que sintam que estão erradas

Sabem o que acontece quando regra é quebrada

Pais são demasiado rígidos

Pais concordam com regras

Dirigir estas questões aos pais


Controlo comportamental - pai
Alguém bebe demais

Alguém come demais

Alguém corre riscos desapropriados

Alguém tem problemas legais

Sentem-se confortáveis com a forma como a família lida uns com os


outros em público
Resolução de problemas –
Instrumental e afectivo
Exemplos Agiram de acordo com o decidido

Quanto notaram o problema


Como se certificaram que estava a ser resolvido

Quem o notou
Foi bem sucedido
Comunicaram a alguém
Foi a melhor forma de solucionar
Quem comunicou

Usualmente é assim que tomam conhecimento de


Já resolveram situações mais eficazmente
problemas
Aprenderam algo nesta situação que vos ajude no
Que alternativas consideraram futuro

Como decidiram o que fazer Discutiram, como família, o que tinha funcionado
Comunicação - quantidade

Quanto tempo passam juntos por dia

Quanto deste tempo é passado a falar sobre assuntos


pessoais e familiares

Estão satisfeitos com a quantidade de tempo

Especificar para o casal


Comunicação - qualidade
Problemas em perceber o que os outros dizem
Alguém se destaca como que fala mais

Escutam-se
Alguém não fala
Mostram que perceberam o que os outros
Sentem problemas na forma como disseram
comunicam
Há temas proibidos
Os outros compreendem o que cada um diz
Alguém fala por vocês

Falam sobre sentimentos


Alguém interrompe

Falam claramente sobre sentimentos Sentem que alguém fala na vossa ausência
Responsividade afectiva – emoções a
analisar

Alegria/Prazer Afecto/Amor Raiva

Tristeza Medo
Responsividade afectiva – inquirir
sobre cada emoção
Relatar experiência

O que nesta situação fez experimentar a emoção

Sentirem que por vezes sentem demasiado a emoção e reagem


exageradamente

Sentirem que por vezes deviam sentir a emoção mas não sentem

Sentir que experimentam a emoção de forma diferente da de outros

Sentem preocupação sobre a forma como experimentam a emoção


Envolvimento afectivo
Questionar sobre coisas importantes ou de interesse para o indivíduo

Perguntar se alguém presta atenção a estas coisas

Se elementos da família mostram que estão interessados uns nos outros

Alguém sente que há elementos que estão demasiados envolvidos

Alguém se queixa que não tem espaço suficiente

Gostavam que alguém demonstrasse mais interesse

Alguém mostra interesse apenas porque é importante para o próprio

Relações suficientemente próximas

Relações excessivamente próximas


Finalização

Sentem que se ficou com uma ideia


clara de como a família funciona

Querem acrescentar algo