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UNIVERSIDADE DO MINHO

Instituto de Ciências Sociais


Mestrado em Sociologia
UC Sociologia da Deficiência e da Reabilitação
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A Sexualidade na Deficiência
Mental 
Relatório Crítico 
 
 
 

Docente:
Prof. Dr. Carlos Veiga

Discentes:
Filipa Fernandes nº11210
Marta Lima nº 10981

Ano lectivo 2007/2008

 
Universidade do Minho – Instituto de Ciências Sociais
Mestrado em Sociologia – Saúde e Sociedade
Sociologia da Deficiência e da Reabilitação A Sexualidade na Deficiência Mental

Índice

Introdução.........................................................................................................................3
Capítulo 1 – Direitos Humanos e Saúde Sexual Reprodutiva...........................................5
Capítulo 2 – Contextualização da problemática..............................................................11
2.1 A deficiência..................................................................................................11
2.2 A sexualidade.................................................................................................15
Capítulo 3 – Síndrome de Down.....................................................................................19
Capítulo 4 – Vivência da sexualidade na deficiência mental..........................................20
Capítulo 5 – Atitudes e representações de pais e técnicos face à sexualidade na
deficiência mental............................................................................................................22
Capítulo 6 – Educação Sexual na deficiência mental......................................................25
Conclusão........................................................................................................................26
Bibliografia......................................................................................................................28

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Introdução

Na sociedade actual em que vivemos, o tema da sexualidade continua envolto de


preconceitos e discriminações, que se hiperbolizam quando este conceito se alia à
população com deficiência mental. Segundo Albuquerque e Ramos (2007: 2), “as
atitudes sociais, moldadas pelo preconceito e, também, pela ignorância, traduzem-se
num conjunto de comportamentos que negam alguns dos mais elementares direitos das
pessoas com deficiência, principalmente, no que respeita ao seu aspecto afectivo e
sexual.”.
A pessoa com deficiência é ainda hoje encarada como um ser assexuado, cuja
realização afectiva e sexual é negada, pelo facto de não ser autónoma e independente
em determinados aspectos da sua vida, e a sua sexualidade é objecto de diferentes
reacções numa sociedade pouco sensibilizada para questões relacionadas com um tema
que se reveste de polémica, mitos, crenças e preconceitos. A visão do senso comum
sobre a sexualidade desta população inscreve-se num “…quadro nebuloso que necessita
ser clarificado, visando ultrapassar a sua classificação, quer como «anjos» (assexuados)
quer como seres de impulsos perversos e incontroláveis…” (Ramos, 2005: 9).
É, pois, desta realidade que aqui se procura dar conta.
Com a realização deste portefólio, pretendemos clarificar alguns conceitos
relacionados com esta problemática, identificar os factores que contribuem para a actual
situação das pessoas com deficiência no que diz respeito à sua sexualidade,
compreender as posições dos actores intervenientes e, assim, contribuir para a
desmistificação de certos preconceitos e crenças erróneas que lhe estão associados.
Na construção deste portefólio, como se de uma trajectória imaginária se
tratasse, procurou-se incluir um apanhado dos diferentes territórios da transversalidade
da deficiência mental. Dividimo-lo em 6 capítulos: no primeiro, damos conta da
existência de Direitos Humanos e Saúde Sexual Reprodutiva, dirigidos especificamente
à população portadora de deficiência mental. No segundo capítulo enquadramos
teoricamente esta problemática, citando autores como Goffman ou Foucault. No
terceiro, fazemos uma breve moldura do síndrome de down como deficiência mental.
Cingimo-nos a este tipo de deficiência porque é bastante comum, mas aludimos
esporadicamente à deficiência mental leve. No quarto capítulo damos a conhecer alguns
contornos da vivência da sexualidade neste grupo populacional. No quinto capítulo

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evidenciamos atitudes e representações de pais e técnicos face à sexualidade na


deficiência mental. Por fim, no sexto capítulo abordamos a importância da educação
sexual neste grupo social, como forma de ultrapassar todos os preconceitos e estigmas
existentes.

Os artigos recolhidos provêm de livros científicos a que acedemos consultando a


Biblioteca da Universidade do Minho e a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, mas temos
também informação recolhida da internet. Julgamos que toda a informação é credível,
pelo que fazemos neste relatório uma análise com sentido crítico.
A realização deste trabalho insere-se no âmbito da unidade curricular Sociologia
da Deficiência e da Reabilitação, do Mestrado em Sociologia da Universidade do
Minho, levado a cabo ao longo do 2º semestre do ano lectivo 2007/ 2008.

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CAPÍTULO 1 – DIREITOS HUMANOS E SAÚDE SEXUAL REPRODUTIVA

Segundo os Direitos Humanos e Saúde Sexual Reprodutiva, “uma em cada 10


pessoas, ou seja, 650 milhões em todo o Mundo, tem alguma deficiência. Este valor, de
acordo com a Organização Mundial de Saúde, tende a aumentar com o crescimento
populacional, avanços médicos e envelhecimento das comunidades”.
No artigo 25º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
(2006), é-nos dito que os “Estados parte deverão prestar às pessoas com deficiência a
mesma qualidade e o mesmo padrão de cuidados ou programas de saúde gratuitos ou
não, que os dispensados às outras pessoas, incluindo os cuidados prestadores na saúde
sexual e reprodutiva e nos programas de saúde pública”. Daqui advém que toda e
qualquer pessoa com deficiência, cidadãos e cidadãs de pleno direito, também na sua
saúde sexual e reprodutiva, devem ver garantidas todas as oportunidades e participação
em igualdade e concretização dos seus projectos pessoais.

“Ninguém deve ser discriminado, no âmbito da sua vida sexual e reprodutiva, no acesso
aos cuidados e/ou serviços (...).”
Parágrafo 3 “O Direito à igualdade e o Direito a Estar Livre de Todas as Formas de Discriminação” da
Carta de Direitos Sexuais e Reprodutivos International Planned Parenthood Federation

Os direitos sexuais e reprodutivos do cidadão deficiente convergem em 4


aspectos com os instrumentos internacionais de direitos humanos: o direito à igualdade
e não discriminação; o direito a casar e a constituir família; o direito à saúde
reprodutiva, incluindo cuidados de planeamento familiar e saúde materna, informação e
educação e o direito à integridade física. Estes Direitos estão protegidos em inúmeros
Tratados de Direitos Humanos ratificados pelos Estados, nomeadamente Portugal, tais
como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção Internacional dos
Direitos Civis e Políticos e na Convenção Internacional dos Direitos Económicos,
Sociais e Culturais.
Fazendo especificamente uma alusão aos direitos humanos em relação à Saúde
Sexual e Reprodutiva e Deficiência,

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“Muitas pessoas assumem que as pessoas com deficiência não têm vida sexual e que
não usam drogas intravenosas. Basicamente, o estereótipo de que as pessoas com
deficiência estão pouco expostas a actividades de risco face ao HIV/SIDA.”
Judy Heumann, Especialista em Deficiência do Banco Mundial durante a segunda conferência
internacional do Banco Mundial sobre “A deficiência e o desenvolvimento inclusivo:aprender,
compartilhar e construir parcerias”, 30/11 e 1/12/2004, Washington.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a sexualidade “como uma


energia que encontra a sua expressão física, psicológica e social no desejo de contacto,
ternura e às vezes amor.”, indicando que muitas deficiências e/ou incapacidades não
afectam nem a sexualidade nem a actividade sexual. Existem muitas incapacidades que
podem antes as respostas psico-sexuais.
Por outro lado, o termo “Saúde Sexual e Reprodutiva” é um conceito holístico
que inclui, entre outros: a informação e serviços de planeamento familiar; cuidados e
serviços de saúde materno-infantil; prevenção, monitorização e tratamento de Infecções
Sexualmente Transmissíveis (IST) e HIV/SIDA; prevenção e acção das e nas situações
de violência intra e extra familiar e desencorajamento de práticas tradicionais nefastas,
incluindo a mutilação genital feminina. A OMS define saúde reprodutiva “como o
estado geral de bem-estar físico, mental e social, e não mera ausência de doença, em
todos os aspectos relacionados com o sistema reprodutivo, suas funções e processos”,
integrando aspectos somáticos, emocionais, intelectuais e sociais, de forma positiva e
enriquecedora para as pessoas.
Na maioria das situações, a sexualidade e a saúde reprodutiva das pessoas com
deficiência é desconhecida, ignorada ou considerada tabu. Apesar disso, esta é uma
questão que tem vindo tratada cientificamente. Para que o tema ganhasse relevância, em
muito contribuiu o reconhecimento dos direitos fundamentais das pessoas com
deficiência e a abordagem técnico-científica e pedagógica da sexualidade de um modo
geral, associadas às questões da identidade e saúde, daí que seja necessário desenvolver
uma perspectiva holística da sexualidade, centrada mais nos direitos dos indivíduos do
que na sua deficiência e/ou incapacidade. Esta perspectiva deverá ser parte integrante da
formação de profissionais e auxiliares de saúde, educação e reabilitação.

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“As pessoas com deficiência não são seres assexuados embora muitas vezes
sejam tratadas como tais pelas famílias, sociedade e comunicação social.”
Luísa Portugal, Secretária Nacional para a Reabilitação, II Colóquio Os Direitos Humanos na
Ordem do Dia – Igualdade de Oportunidades, Direitos e Desenvolvimento, “Afectos e sexualidade nas
pessoas com deficiência”, 28/11/06, Assembleia da República, Lisboa

No âmbito desta problemática, um aspecto que não pode ser esquecido é o de


que as pessoas com deficiência e/ou incapacidade têm uma baixa escolaridade. Este
factor associado à inacessibilidade à informação sobre o VIH/SIDA estão entre os
factores que tornam este grupo tão vulnerável à infecção e contágio VIH. O diagnóstico
mundial sobre VIH/SIDA e deficiência, levado a cabo pela Universidade de Yale e
Banco Mundial, em 2006, mostra que os programas de educação sexual destinados às
pessoas com deficiência são raros e que quase não há campanhas direccionadas para a
população com deficiência. Efectivamente, locais onde haja campanhas de informação
sobre o VIH/SIDA, através da rádio, cartazes, folhetos ou televisão, grupos como os
deficientes auditivos, mentais ou visuais ficam em extrema desvantagem. De acordo
com o Programa Global para o VIH/SIDA (2002) do Banco Mundial, são precisamente
as pessoas com deficiência que estão em situação igual ou de maior risco no que se
refere a factores de contaminação, o que é justificável pela baixa escolaridade, pobreza,
falta de informação e recursos para a prática de sexo seguro, risco elevado de violência
física, abuso sexual e violação e escassa protecção nestes casos específicos, entre
outros. Para colmatar esta lacuna, é importante a implementação de programas de
prevenção, destinados especialmente a estes grupos. Os profissionais de saúde e os
serviços deverão ir de encontro às necessidades das pessoas com deficiência e o
material fornecido deve permitir que este grupo fique informado e esclarecido quanto à
sua saúde sexual e reprodutiva. O sucesso destes programas depende da participação
activa das pessoas com deficiência.
A contracepção das pessoas com deficiência carece também de análise. A
escolha de contraceptivos pode ser limitada a alguns factores: o maior ou menor grau de
deficiência física ou mental, a dependência de outras pessoas no processo de decisão, o
facto de determinada medicação interferir com contraceptivos hormonais ou de algumas
deficiências físicas limitarem ou dificultarem o uso do preservativo. No entanto, o mais
comum, nas mulheres, é a contracepção ser receitada pelos médicos e não por acordo

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com elas. É aconselhável que a pessoa deficiente e o/a profissional de saúde discutam o
método contraceptivo de acordo com o estilo de vida e as suas preferências pessoas, os
efeitos secundários, a interacção da medicação, se existir, com determinados
contraceptivos, a capacidade de conhecimento do seu próprio corpo e compreender a
importância da contracepção e prevenção de IST, incluindo o VIH/SIDA.

“Torna-se necessário avaliar o grau de auto-suficiência e do risco sexual, as


possibilidades de colaboração de familiares e/ou instituição, devendo-se privilegiar os
métodos contraceptivos mais eficazes, mais fáceis de utilizar (requerendo menor
participação da utente) e que satisfaçam as necessidades contraceptivas (temporária ou
definitiva), não esquecendo a sua inocuidade”.
Rebelo, David (2003), “Contracepção e Deficiência Mental” in Sexualidade e Planeamento Familiar, nº37
(Maio/Dezembro), Lisboa, APF.

Conforme já foi anteriormente referido, é comum que se pense que pessoas


deficientes não podem ou não devem ter relações sexuais. Em relação á mulher com
deficiência, muitos julgam que estas não podem manter relações sexuais nem devem ser
mães. No entanto, a maioria destas mulheres é capaz de sentir prazer como engravidar e
ter um parto natural.
Além de serem as mulheres com deficiência o grupo social mais desfavorecido,
com menos escolaridade e menos participação social, são também elas que estão mais
sujeitas a violência e discriminação.

“(...) Violência contra mulheres e raparigas com deficiência é um grande problema e


as estatísticas mostram que as raparigas e mulheres com deficiência estão mais sujeitas
a ser vítimas de violência devido à sua vulnerabilidade, incluindo o abuso físico e
social.”
“Manifesto das Mulheres com Deficiência na Europa”, Fórum Europeu da Deficiência, 1998.

Esta violência ocorre no próprio seio familiar, na comunidade e no Estado, visto


que mesmo em países onde as leis não são discriminatórias, as mulheres e as raparigas
com deficiência e/ou incapacidade enfrentam abusos e discriminações múltiplas nos
referidos contextos sociais. Um estudo realizado na Índia demonstrou que todas as

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mulheres e raparigas com deficiência são maltratadas e batidas nas suas próprias casas,
25% foram violadas e 6% foram sujeitas à esterilização forçada. Por isso, os Direitos
Sexuais e Reprodutivos das mulheres com deficiência são, na sua maioria, violados.
Muitas vivenciam a esterilização e abortos forçados devido às atitudes discriminatórias
no reconhecimento da maternidade, à falta de informação sobre saúde sexual e
reprodutiva e no acesso ao uso de contraceptivos de referir também que muitas vezes,
quando são mães, as mulheres perdem o exercício do poder paternal por serem
consideradas incapazes.
Também as crianças e jovens, durante o seu desenvolvimento bio-psico-sexual,
experienciam e vivenciam a sexualidade e sofrem da mesma forma problemas
emocionais e afectivos. No entanto, pela própria deficiência e representações a que a ela
estão associadas, estes problemas são com frequência exacerbados. Muitos rapazes e
raparigas com vários tipos de deficiência entram na puberdade na mesma idade que
rapazes e raparigas sem deficiência. Por isso, a probabilidade de os jovens com
deficiência serem sexualmente activos é a mesma que entre os jovens sem qualquer
deficiência. Importa não esquecer que as crianças e jovens com deficiência têm os
mesmos direitos, inclusive relativamente ao seu reconhecimento como seres sociais e a
procurar espaço para a sua realização pessoal, incluindo a sexualidade. No entanto, é
frequente que a família, a escola ou os grupos de pertença ignorem ou reprimam este
aspecto identitário e de desenvolvimento (como vamos referir posteriormente).
Por isso, a educação sexual de crianças e adolescentes com deficiência é muitas
vezes inexistente e mesmo jovens e adultos são, frequentemente, considerados crianças
assexuadas.

Em virtude das pesquisas para elaboração deste portefólio, deparamo-nos com a


“Carta dos Direitos do Cidadão Deficiente Mental”. Desta Carta, relevamos apenas o
que remete para a sexualidade do deficiente mental:

Princípio XVI
O Deficiente Mental não pode ser usado nem explorado sexualmente.
Nas situações de abuso sexual de um Deficiente Mental devem ser aplicadas as
normas consideradas para os menores, nas situações de pedofilia.

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Princípio XVII
O Deficiente Mental tem direito à sua intimidade e a fruir de uma vida
sexual e satisfazer as suas pulsões de modo individual ou com parceiro que
voluntariamente aceite.

Daqui depreendemos que este grupo “especial”, portador de deficiência mental


possui e tem direito aos mesmos direitos que o cidadão “normal.

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CAPÍTULO 2 – CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROBLEMÁTICA

2.1 A Deficiência

Etimologicamente, o termo deficiência deriva do latim deficientia e significa


“falta, carência, insuficiência, enfraquecimento”1.
Em 1977, a UNESCO afirma que a deficiência é “…uma de entres todas as
possibilidades do ser humano, portanto deve ser considerada, mesmo se as suas causas e
consequências se modificam, como um factor natural que nós mostramos e de que
falamos do mesmo modo que o fazemos em relação a todas as outras potencialidades
humanas.” (Ramos, 2005: 15).
A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1989, de acordo com a
Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidade e Desvantagens, define
deficiência como “…qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função
psicológica, fisiológica ou anatómica” (Ramos, 2005: 16). Esta perspectiva tem em
atenção que nem todas as manifestações clínicas podem ser curadas e que existe a
possibilidade de determinadas doenças poderem degenerar em anomalias permanentes
(deficiências), biológicas, físicas ou psicológicas, o que acaba por representar
incapacidade “…em termos de rendimento funcional e de actividades desempenhadas
pelo indivíduo…” (OMS apud Ramos, 2005: 16).
É possível, de acordo com esta perspectiva, distinguir deficiência, incapacidade
e desvantagem. Assim, segundo Ramos (2005), o conceito de deficiência refere-se a
qualquer perda ou alteração, temporária ou permanente, que inclui a existência ou
ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro ou outra estrutura do
corpo, incluindo a função mental. O termo incapacidade designa uma restrição ou falta
da capacidade para executar uma actividade considerada normal, podendo resultar de
uma consequência directa da deficiência, mas também de uma reacção a deficiências
físicas, sensitivas ou de outra natureza. Já o termo desvantagem (ou handicap)
representa as perdas e os danos que o indivíduo experimenta devido à sua deficiência ou
incapacidade.
Isto significa que, aplicado à doença mental, todo o funcionamento intelectual
deficitário representa uma deficiência, o comportamento resultante de uma deficiência

1
In “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” (2002), Círculo de Leitores, Tomo III, p.1201.

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mental (tal como os défices de orientação, autonomia, compreensão, etc.) revela


incapacidade e as dificuldades de integração de uma pessoa com deficiência mental
evidenciam desvantagens.
Estes conceitos pressupõem a noção de desvio em relação à norma, o que
significa que ao categorizar-se um indivíduo como possuidor de uma deficiência, está-
se, à partida, a valorizar a desvantagem que essa pessoa tem, em relação a outra, no
desempenho de determinada actividade ou função. Esta etiquetagem pressupõe um
julgamento social onde o desempenho do indivíduo com deficiência mental é avaliado,
acabando por ser rotulado.
Tudo isto acontece porque a sociedade estabelece categorias, ou quadros sociais,
que permitem a qualquer indivíduo classificar os objectos e pessoas em categorias pré-
estabelecidas. A identidade social é assim definida: o indivíduo é capaz de prever a
categoria à qual pertence e classificar outro indivíduo numa determinada categoria. Se
um indivíduo possui um atributo que “…o faz cair na ordem dos indivíduos «viciados,
amputados, deficitários, desacreditados, ou deficientes», é imediatamente reclassificado
na categoria dos indivíduos estigmatizados.” (Xiberras, 1993: 137). Este estigma,
segundo Goffman, é o que resulta da relação estabelecida entre um atributo e um
estereótipo social. Para os «normais», isto é, para aquelas pessoas que não divergem das
expectativas normativas, a percepção de um indivíduo estigmatizado é acompanhada de
uma reacção de defesa, como se a sua situação fosse uma consequência da sua
deficiência e como se tivesse culpa da sua pertença a essa categoria. Por seu lado, o
indivíduo estigmatizado, isolado da sociedade pelo sentimento de divergência em
relação às expectativas normativas, acaba por descobrir a existência de outros
compassivos (indivíduos que compartilham o mesmo estigma). Para Goffman,
dependendo do tipo de estigma partilhado, há uma tendência dos estigmatizados se
agruparem, de forma mais ou menos organizada, onde é possível encontrar a
denominação do «nós» ou dos «nossos». Em termos durkheimianos, estamos na
presença de uma consciência colectiva, mesmo quando a acção colectiva não se pode
realizar. Como refere Xiberras (1993: 139), “no limite do desejo de união situam-se os
grupos de doentes mentais, de tipo sobretudo informal.”. No entanto, segundo Goffman,
esta tendência dos estigmatizados se agruparem sob a forma de pequenos grupos sociais
até à forma de comunidades é reveladora de uma relação organizada que mantém com o

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resto da sociedade, numa tentativa de defesa dos seus próprios interesses e de


assimilação do estigma. A este propósito, “a história dos deficientes é (…)
paradigmática: é talvez agora, que não há mais exclusão no sentido forte do termo
(ruptura do laço social), que subsiste esta visibilização enquanto grupo, esta acção de
lobbying para reivindicar direitos comuns (ruptura do laço simbólico).” (ibidem: 140).
Isto significa que é necessário repensar as políticas sociais circunscritas a determinados
grupos-alvo, perante o risco de se desenvolverem formas de representação pelo estigma,
que reforça uma identidade que não tem força senão dentro do seu próprio estigma.
Para alguns autores (Esquirol, Zazzo, Porteus e Della Volta), a deficiência
reflecte o grau em que a pessoa funciona abaixo das normas sociais e culturais num
determinado tempo e lugar (Ramos, 2005). Os indivíduos com deficiência mental são
pessoas limitadas em competências humanas e o grau de desempenho com que são
avaliados determina a classe onde são rotulados: ligeira, moderada, severa e profunda.
“Este rótulo indica a presença de processos mentais inadequados cuja existência só pode
ser inferida observando o comportamento impróprio do indivíduo em causa.” (ibidem:
18). Assim, a questão da adaptação social foi introduzida na definição de deficiência
mental, presente na definição da Associação Americana de Deficiência Mental
(AAMD), revista, em 1973, por Grossman, para quem o atraso mental é um
“…funcionamento intelectual significativamente abaixo da média e existindo
concomitantemente com défices no comportamento adaptativo e manifestado durante o
período de desenvolvimento.” (Grossman apud Ramos, 2005: 19).
Outras definições têm sido apresentadas, contestando a própria definição da
AAMD, o que permite constatar que definir deficiência mental é uma tarefa complexa e
inconclusiva. Apesar do esforço de objectivação e clarificação conceptual por parte da
comunidade científica, a definição da AAMD é a mais utilizada, por promover a
uniformização de conceitos.
Com o despertar dos movimentos humanitários em defesa dos direitos humanos
e com os avanços científicos nas áreas da genética, biologia e neurociências, assiste-se a
uma mudança na forma de conceber e classificar a deficiência, e “…os critérios da sua
definição permanecem discutíveis pelas implicações determinantes do carácter
estigmatizante das classificações por níveis de dificuldade (ligeiro, moderado, severo,
profundo).” (Morato e al. apud Ramos, 2005: 26). Persiste, pois, a necessidade de

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encontrar uma definição multidimensional e integrativa da deficiência mental, que dê


conta da transversalidade deste domínio.
Neste contexto, assiste-se, em 1992, com a nova definição de deficiência mental
avançada pela AAMD, a uma mudança de paradigma, que altera a forma de
conceptualizar e reabilitar a pessoa com deficiência mental:

“A Deficiência Mental refere-se a limitações substanciais no funcionamento


actualmente presente. Caracteriza-se por um funcionamento intelectual
significativamente abaixo da média, existindo concomitantemente com
limitações relacionadas em duas ou mais áreas de aptidões adaptativas:
comunicação, autonomia pessoal, autonomia em casa, aptidões sociais, uso
de recursos da comunidade, auto-direcção, saúde e segurança, académica
funcional, lazer e ocupação/emprego. A deficiência mental manifesta-se
antes dos 18 anos.” (Luckasson et al. apud Ramos, 2005: 27).

Esta nova concepção de deficiência mental tem em conta as relações que a


pessoa com deficiência mental estabelece com o meio envolvente e os contextos dos
meios nos quais o indivíduo vive. Tem como princípio que a aplicação adequada dos
apoios necessários pode melhorar as capacidades funcionais da pessoa com deficiência
mental, tendo em vista aumentar o seu nível de independência/interdependência,
produtividade, integração social e, consequentemente, a sua qualidade de vida. Esta
nova definição reflecte, pois, o ajustamento entre as capacidades dos indivíduos e a
estrutura e expectativas do seu meio envolvente. Assim, a deficiência mental passa a ser
entendida “não como uma característica inerente somente à própria pessoa com
deficiência, mas como expressão do impacto funcional da interacção entre a pessoa com
limitações ou dificuldades intelectuais e adaptativas e o envolvimento onde se insere.”
(Morato et al. apud Ramos, 2005: 26-27).
Este modelo funcional de conceptualização da deficiência mental, avançado pela
AAMD na década de 90, levou a uma revisão da Classificação Internacional de
Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (ICIDH), publicada inicialmente pela OMS
em 1980, e sujeita a várias revisões posteriores, dando lugar a uma nova classificação –
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), cujo
objectivo é fornecer uma linguagem unificada e padronizada, bem como servir de
instrumento de trabalho para a descrição da saúde e dos estados relacionados com a
saúde. Segundo Ramos (2005: 32), “…a CIF abandonou a classificação de

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«consequências da doença» (contida na versão de 1980), para se tornar numa


classificação de «componentes da saúde».”, por se reconhecer que a terminologia
utilizada na ICIDH poderia ser estigmatizante. Assim, eliminou-se o conceito de
handicap (desvantagem, limitação) e o termo incapacidade sofreu alterações na sua
aplicação, passando a incluir deficiências, limitações na actividade e restrições na
participação. É a interacção das características de saúde com os factores ambientais que
produz a incapacidade. Esta não é um atributo do indivíduo, mas sim um conjunto de
condições, muitas das quais criadas pelo ambiente social (ibidem, 2005).

2.2 A sexualidade
A sexualidade, cumprindo a sua função natural, é uma dimensão constitutiva da
personalidade e da identidade de cada ser humano, independentemente da sua condição
mental e/ou física. A construção da identidade e da personalidade de cada um está
intrinsecamente ligada à sexualidade, ao género e à aquisição de papéis associados à
masculinidade e feminilidade.
No domínio da sexualidade humana interagem diferentes aspectos de natureza
biológica, psicológica e sócio-cultural, cuja influência é determinante de atitudes e
comportamentos. Assim, compreender a sexualidade nas suas múltiplas dimensões
significa atender aos aspectos históricos, culturais, biológicos e sociais, adicionando os
afectos e os sentimentos que imprimem ao tema uma intensidade emocional que lhe é
própria (Amaral: 2004).
“A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto,
ternura, intimidade; ela integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e
somos tocados. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e
interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental.” (Ramos, 2005:
35).
A sexualidade é, pois, parte integrante do indivíduo e está fortemente ligada à
construção da sua identidade e personalidade. A vivência da sexualidade, expressão e
dádiva do que cada um tem de mais íntimo, merece ser tratada com atenção e
delicadeza, respeito e responsabilidade, pois tanto pode ser fonte de felicidade e
enriquecimento, como pode tornar-se origem de profundo sofrimento.

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De um modo geral, o tema da sexualidade, na nossa sociedade, continua envolto


de preconceitos e discriminações, mitos e tabus, que se hiperbolizam quando este
conceito se alia à população com deficiência mental. Segundo Albuquerque e Ramos
(2007: 2), “as atitudes sociais, moldadas pelo preconceito e, também, pela ignorância,
traduzem-se num conjunto de comportamentos que negam alguns dos mais elementares
direitos das pessoas com deficiência, principalmente, no que respeita ao seu aspecto
afectivo e sexual.”.
A construção social desta problemática reporta-nos a Michel Foucault, que
analisou as relações existentes entre loucura e sexualidade, desde o século XVIII. Na
sua obra “História da Sexualidade”, Foucault refere que a sexualidade reagrupa
elementos anatómicos, funções biológicas, sensações e prazeres, transformando uma
unidade artificial em princípio causal. O sexo passa a servir como significante único e
como significado universal. Logo, marca a linha de contacto entre o saber da
sexualidade humana e as ciências biológicas da reprodução, permitindo que alguns
conteúdos da biologia e da fisiologia passassem a servir de princípios de normalidade
para a sexualidade humana (Foucault, 1994).
No desenvolvimento afectivo-sexual da pessoa com deficiência, desempenha um
papel muito importante o trabalho da imagem corporal, a transmissão de simpatia e
afecto e as relações interpessoais, culminando no aceitar-se e no ser aceite. A descoberta
do funcionamento do corpo e das mudanças que acompanham o seu desenvolvimento
tem de ser integrada no crescimento global de cada pessoa. A aceitação de cada um de
nós e dos outros, com todas as limitações e grandezas, é o primeiro passo para que se
possa conquistar a segurança indispensável e distinguir qual o caminho a seguir. O
corpo tem um papel fundamental na experiência amorosa, pois é através dele que se
manifesta a comunicação, a ternura e os afectos, indissociáveis da dimensão erótica. O
erotismo e sensualidade implicam uma auto-estima e uma auto-imagem positiva,
possibilitando uma expressão sexo-afectiva em toda a sua dimensão física e psíquica.
Sendo o erotismo e a sensualidade formas de expressão da sexualidade, e indissociável
do estar constante do ser humano, deve a pessoa com deficiência poder usufruir
plenamente do prazer, alegria e satisfação que estas proporcionam, permitindo-lhe a sua
plena realização como pessoa. As pessoas com deficiência não são objectos, nem seres

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assexuados, mas antes de mais pessoas, com as mesmas emoções, sensações e


sentimentos, que desejam partilhar com aqueles que amam.
Apesar de serem escassos os estudos sobre o processo de desenvolvimento da
sexualidade na pessoa com deficiência mental, de acordo com Félix e Marques (Ramos,
2005: 40), “…o desenvolvimento sexual da pessoa com deficiência mental não difere da
pessoa dita normal, na medida em que ela passa pelas mesmas etapas, ao nível da
sexualidade, que as pessoas sem deficiência.”. É certo que as limitações a nível da
comunicação e da inteligência prática e social inerente à pessoa com deficiência mental
afectam o seu comportamento adaptativo, comportando consequências no
desenvolvimento da personalidade. Contudo, estas limitações não devem anular a
possibilidade de potencializar a estes indivíduos uma maior competência adaptativa e
uma vida o mais normalizada possível.
A pessoa com deficiência é ainda hoje encarada como um ser assexuado, cuja
realização afectiva e sexual é negada, pelo facto de não ser autónoma e independente
em determinados aspectos da sua vida, e a sua sexualidade é objecto de diferentes
reacções numa sociedade pouco sensibilizada para questões relacionadas com um tema
que se reveste de polémica, mitos, crenças e preconceitos. A visão do senso comum
sobre a sexualidade desta população inscreve-se num “…quadro nebuloso que necessita
ser clarificado, visando ultrapassar a sua classificação, quer como «anjos» (assexuados)
quer como seres de impulsos perversos e incontroláveis…” (Ramos, 2005: 9).
Embora seja frequente a ideia de que as pessoas com deficiência mental são
seres assexuados, sem necessidades sexuais, também é comum considerar-se o oposto,
ou seja, que são hipersexuados, que só pensam em sexo. Não estarão estes
comportamentos subjugados a um sistema de representações sociais que os rotula,
excluindo, à partida, a possibilidade destes comportamentos sexuais serem
normalizados? Serão eles produto de uma clara falta de informação sobre as questões
ligadas à sexualidade?
Ao reprimir comportamentos afectivo-sexuais na pessoa com deficiência mental,
está-se a impedi-la de aceder à realização e satisfação de uma necessidade fundamental
para o seu crescimento e desenvolvimento enquanto pessoa.

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“O receio, a negação, o preconceito, as crenças dominaram e ainda dominam,


embora que em menor escala, as representações sociais de uma sociedade pouco
preparada para intervir neste domínio.” (Rocha, s.d.).
Como refere Ramos (2005), a sexualidade é, pois, objecto de um processo de
controlo social, produto de uma aprendizagem ou educação sexual que influencia, quer
pelas orientações normativas e/ou ideológicas, quer pelas atitudes sociais, as “histórias
sexuais” de cada indivíduo, a sua identidade sexual e os seus comportamentos.

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CAPITULO 3 – SÍNDROME DE DOWN

A Síndrome de Down foi descrita em 1866 por John Langdon Down. Este
médico inglês descreveu as características da Síndrome, que acabou sendo batizada com
o seu nome.
Popularmente é conhecida como mongolismo. Hoje sabemos que esta
denominação é inadequada, devido à conotação preconceituosa que a cerca. Campanhas
têm sido realizadas para a divulgação do nome Síndrome de Down ou Trossomia do 21.
Em 1959, Jerôme Lejeune descobriu que a causa da Síndrome de Down era
genética, pois até então a literatura relatava apenas as características que indicavam a
Síndrome.
É impossível diagnosticar a Síndrome de Down logo ao nascimento. O
diagnóstico, em geral, é feito pelo pediatra ou médico que recebe a criança logo após o
parto, considerando as características fenotípicas peculiares à Síndrome. A confirmação
é dada pelo exame do cariótipo (análise citogenética).
As características fenotípicas mais comuns são: hipotonia muscular generalizada;
fenda palpebral oblíqua; prega palmar transversa única; face achatada; ponte deprimida;
orelhas com baixa implantação; entre outras.
A probabilidade de um indivíduo ter Síndrome de Down é de 1:600 nascidos
vivos. O nascimento de uma criança com Síndrome de Down é mais freqüente conforme
aumenta a idade materna. Porém, qualquer pessoa está sujeita a ter um filho com esta
Síndrome que ocorre ao acaso, sem distinção de raça ou sexo (Castelão, Schiavo,
Jurberg, 2005; Moreira e Gusmão, 2002).

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CAPÍTULO 4 – VIVÊNCIA DA SEXUALIDADE NA DEFICIÊNCIA MENTAL

Este é um tema gerador de muita controvérsia. Se, por um lado, se pensa que os
indivíduos portadores de deficiência mental são exibicionistas e que exacerbam a sua
sexualidade, por outro lado também há quem pense que são seres assexuados. Mas, qual
será a realidade?
Poucas são as pessoas que imaginam um namoro entre portadores de síndrome
de down, por exemplo, e muito menos uma cena de sexo. São tidos como “anjinhos” e
como os anjos não têm sexo, “muitos acabam por viver justamente o lado infernal do
paraíso: uma vida bem comportada e casta.” (Correio da Bahia, s.d).
Mas, é importante que se reconheça que a sexualidade dos indivíduos portadores
de deficiência mental é semelhante à dos indivíduos ditos “normais”. Pode despertar
mais tarde (dependendo da sua capacidade mental), mas estes indivíduos sentem,
apaixonam-se e amam como qualquer pessoa. Como tal, sentem necessidade de se
expressar também sexualmente.
Os indivíduos portadores de síndrome de down tendem a relacionar-se
essencialmente com outros que lhes são semelhantes. Já os portadores de outra
deficiência mental têm mais hipóteses de se relacionar com pessoas ditas “normais”,
porque não possuem os traços faciais do estigma.
Entre estas pessoas o namoro é infantilizado e está sob constante vigia dos pais e
educadores. Já o desejo sexual é alvo de constrangimento e repulsa. Choca
mentalidades. Daí que muitos pais prefiram não arriscar.

“Uma mãe queria comprar uma boneca insuflável para o filho. Ela achava que a
aquisição resolveria todos os seus problemas (...) Mas a boneca foi substituída por um
equipamento mais macabro. A mãe comprou um ursinho de pelúcia e, com uma
tesoura, fez um buraco. Nem precisa dizer que o ursinho não servia apenas para o
menino dormir abraçado.”
(Correio da Bahia, s.d)
A respeito de um indivíduo portador de síndrome de Down com 27 anos.

Desta situação depreende-se que os pais não são capazes de conviver com a
sexualidade dos filhos portadores de deficiência. Mas a sociedade também não. É

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evidente que, nestas pessoas com capacidades limitadas, pode haver dificuldade na
colocação do preservativo, por exemplo. Mas isto só constitui um problema para as
pessoas “normais”. Por isso é que a sexualidade da pessoa portadora de deficiência
mental está intimamente ligada à maior compreensão das suas reais necessidades e à
diminuição dos preconceitos e indirectamente ligada aos limites impostos pelo grau de
deficiência. A repressão pura e simples das manifestações sexuais do deficiente mental
pode diminuir o seu equilíbrio interior, podendo contribuir para o aumento da
agressividade e da angústia vital, favorecendo o isolamento e reduzindo as suas
possibilidades como ser integral.
Uma das formas de encarar esta situação é através da educação sexual
especializada para indivíduos portadores de deficiência, que será desenvolvida com
maior detalhe num próximo capítulo.
Para vários estudiosos, a sexualidade dos portadores de deficiência mental não é
diferente da das outras pessoas. No entanto, a excessiva protecção dos pais tende a
atrasar, a interferir ou até a impedir a vivência sexual. Por outro lado, 50% dos pais de
jovens com síndrome de down acreditam que os seus filhos deveriam ser esterilizados
ou, no mínimo, passar por algum tipo de controlo de natalidade.

“Numa manhã de sol, luminosa e primaveril, dessas que abundam na Andaluzia, por
volta do mês de Maio, Óscar, um jovem com Síndroma de Down, estava a acariciar os
seus genitais, numa parte do pátio, abrigado por uns arbustos.
Uma religiosa do Centro e o director do mesmo passaram casualmente por
aquele lugar e viram o Óscar. A religiosa, tapando os olhos e fazendo gestos ostensivos
de reprovação e repugnância ao director, dirigiu-se imediatamente para a capela,
enquanto levava as mãos à cabeça.
O director aproximou-se do Óscar e disse-lhe amavelmente:
— Óscar, fica tranquilo. Quando terminares gostaria de falar contigo. Por
favor, vai ver-me.
Ao fim de pouco tempo, Óscar dirigiu-se ao gabinete do director. Este começou
a falar.
— Óscar, então, como estás?
— Bem. Que se passa? Vais-me falar do que aconteceu, não?

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— Sim, gostaria que falássemos sobre isso.


— Juan (nome do director), a mão é minha, não?
— Sim, a mão é tua, Óscar.
— A pila é minha, não?
— Claro Óscar, o pénis é teu.
— Estamos na hora do recreio, não?
— Com efeito, estamos na hora do recreio.
— Bem, Juan, então, onde está o problema?”

(FÉLIX, e MARQUES, 1995: 42).

A situação descrita neste exemplo acontece porque o indivíduo portador de


deficiência mental não absorve as convenções sociais, podendo vir a masturbar-se em
público.
Seja como for, a sexualidade na deficiência mental é alvo de muitos
preconceitos e estigmas, que decorrem principalmente da falta de informação. É um
facto que a líbido destas pessoas é elevada “A gente beija muuuuuuuuuiiittoo” (Correio
da Bahia, s.d) e que o assédio sexual por parte do portador de deficiência mental é
caracterizado por perguntas e atitudes inconvenientes repetidas com insistência.
Situações como estas devem ser encaradas de forma racional, tendo em conta
que as causas de tal comportamento podem ser desde ingenuidade, curiosidade ou até
manifestações afectivas próprias da idade mental em que se encontram.
Referimos ainda que esta problemática já tem sido retratada nalguns filmes,
como “O Oitavo Dia”, que aborda a sexualidade num casal portador de síndrome de
down; ou em “The Other Sister” que mostra os desafios de uma relação afectiva e
sexual num casal portador de deficiência mental leve.

“A sexualidade da pessoa com deficiência mental (a não ser nos casos


neurologicamente mais prejudicados) não é qualitativamente diferente das demais.”
(Glat apud Moreira e Gusmão, 2002: 95).

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CAPÍTULO 5 – ATITUDES E REPRESENTAÇÕES DE PAIS E TÉCNICOS


FACE À SEXUALIDADE NA DEFICIÊNCIA MENTAL2

Morgenstern (1980) citado por Ramos e Serrano (apud Ramos, 2005: 67) define
três principais categorias de atitudes sociais que influenciam significativamente a vida
sexual da população portadora de deficiência mental: a sub-humana, a da criança
inocente e a do desenvolvimento pessoal.
A primeira reporta ao “distanciamento e marginalização da população com
deficiência mental, sendo separados da população normal em instituições, isolados de
quaisquer contactos com modelos apropriados, em instituições onde são vistos como
seres assexuados e onde a privacidade não existe ou é constantemente violada”. Esta
atitude evidencia o estigma e preconceito constantes a que estas pessoas estão sujeitas.
Em relação à segunda atitude, a que Morgenstern chama de “criança inocente”,
“o adulto com deficiência mental é visto como a eterna criança, sendo esta atitude
geralmente acompanhada com um paternalismo e uma negação total da sua sexualidade,
já que é considerado como uma criança e a atitude social delineada em relação a estas é
que são seres assexuados com direitos limitados”. Ora, como vimos no primeiro
capítulo, os direitos do indivíduo portador de deficiência mental são os mesmos que o
indivíduo sem qualquer deficiência, assim como o desejo de amor e necessidade de
contacto sexual são os mesmos.
Em relação ao último caso, acerca do “desenvolvimento pessoal” Morgenstern
diz-nos que “se uma certa liberdade e alguma experiência é permitida, a experiência
sexual é desaprovada, com medo que produzam igualmente filhos com deficiência
mental, ou que sejam incapazes de cuidar de algum filho que possa resultar da
actividade sexual”. Daqui depreende-se que um namoro entre pessoas portadoras de
deficiência mental é aprovado, mas com limitações e restrições, não podendo daí
resultar uma relação sexual com o fim de evitar uma gravidez indesejada. A este
respeito convém dizer que quando o homem e a mulher possuem uma deficiência
mental leve, a probabilidade de a criança nascer com o mesmo quadro clínico é de 42%.
Se a mulher for portadora de síndrome de down, existe 50% de hipóteses de o filho
também apresentar a síndrome. Ao contrário de muitos indivíduos portadores de

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A este respeito importa consultar também Castelão, Schiavo e Jurberg (2003), Albuquerque e Ramos
(2007), Moreira e Gusmão (2002) ou Rocha (s.d).

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deficiência mental, os portadores de síndrome de down apresentam uma diminuição da


fertilidade. As mulheres têm a sua fertilidade reduzida em 50%, enquanto os homens, na
maioria das vezes, são estéreis (Correio da Bahia, s.d).
Estas três atitudes são tidas por qualquer pessoa, inclusive pelos pais e por
técnicos de instituições especializadas. Os pais entendem que a sexualidade do filho
portador de deficiência mental deve ser reprimida e é vista como uma monstruosidade.
Por parte dos técnicos, este é um problema que escapa às regras e políticas da própria
instituição (Ramos, 2005). Mitchell, Doctor e Butler (1978 apud Ramos, 2005: 74)
realizaram um estudo cujo objectivo consistia na observação das atitudes dos técnicos
em residências para indivíduos com deficiência mental, tendo chegado ás seguintes
conclusões: “apesar de uma grande parte dos técnicos considerar a educação sexual útil,
preferiam não se envolver neste assunto; revelaram não aceitar qualquer tipo de
comportamento sexual, incluindo o mero contacto físico. Isto implica que as pessoas
que poderiam desenvolver programas de educação sexual (os técnicos) apresentam
posições extremamente conservadoras no que se refere à sexualidade e afectividade da
pessoa com deficiência mental.”

“Não há diferenças específicas entre a sexualidade dos deficientes mentais e dos outros
seres humanos: todos somos mais ou menos deficientes. Não há uma sexualidade
perfeita, nem completa mas um caminho da personalidade sexuada para um
enriquecimento das suas estruturas próprias: intelectuais e orgânicas”
Duplay (1977) apud Ramos (2005: 69)

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CAPÍTULO 6 – EDUCAÇÃO SEXUAL NA DEFICIÊNCIA MENTAL

Os sentimentos, atitudes e comportamentos, aspectos da expressão sexual de


cada indivíduo, estão condicionados a uma aprendizagem sexual que se traduz na
transmissão de valores, atitudes e controlo normativo (Ramos, 2005). Neste processo de
aprendizagem ou de educação sexual intervém vários agentes, sendo a família a
referência promordial na transmissão de valores e mensagens sobre sexualidade à
pessoa com deficiência. Como refere Foucault (1994: 142), a família “...é o cambista da
sexualidade e da aliança; transporta a lei e a dimensão do jurídico para o dispositivo da
sexualidade; e transporta a economia do prazer e da intensidade das sensações para o
regime da aliança.”
Na envolvente da educação da sexualidade da pessoa com deficiência é
premente que os pais mantenham uma prudente distância e a necessária proximidade,
em doses que permitam a sua aceitação como os mais capazes neste domínio educativo.
Na aceitação dos filhos pelo que são e não pelo que esperam que eles sejam, as forças e
as inquietações decorrentes do despertar da sexualidade deverão ser reorientadas para
que a vivência da sexualidade seja compreendida como relação interpessoal, no domínio
dos afectos e no respeito pelo “outro”, e o desejo sexual seja entendido como algo
normal e fecundo, que não deve ser afogado nem reprimido, qual cumprimento de
necessidades biológicas, de forma redutora e utilitarista. Na verdade, a educação da
sexualidade deve preparar cada pessoa (independentemente das suas limitações físicas e
mentais) para se compreender como ser sexuado, uma natureza cuja expressão saudável
implica aprender a ser, mas também aprender a viver em comum. E, neste aspecto, a
família congrega em si a melhor arquitectura educativa para conferir à pessoa com
deficiência a confiança e o tempo de aceitação necessários para o seu crescimento na
relação com a sua sexualidade.
A educação é um processo mediante o qual a pessoa se forma, se constrói como
pessoa, e esta aprendizagem pode ser feita através de dois processos: “...um implícito,
espontâneo, ocasional e quotidiano, desenvolvido a partir das atitudes dos pais,
professores e outros adultos face à sexualidade e afectividade, (...) outro explícito,
estruturado, dirigido e intencional, com base em acções programadas que têm por
objectivo definido a educação da sexualidade.” (Ramos, 2005: 52).

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Conclusão

O portefólio que aqui se apresenta reúne documentos de natureza variada sobre


dois temas complexos e pluridimensionais: sexualidade e deficiência mental. Como
afirma Gomes (Félix e Marques, 1995: 11), “sexualidade e deficientes: dificilmente se
juntarão dois conceitos tão carregados de conotações negativistas e preconceituosas”.
Da análise dos documentos que integram este portefólio, uma conclusão
imediatamente ressalta à vista: a conduta sexual das pessoas com deficiência mental
segue genericamente as mesmas pautas que as da população em geral, não fosse a
sexualidade a mais normal das características humanas, sendo sentida de maneira
idêntica por deficientes e não deficientes (Craft & Craft, 1982 apud Félix e Marques,
1995).
A partir da análise dos documentos deste portefólio, várias conclusões se podem
inferir:
- O tema da sexualidade dos deficientes mentais começou a ganhar importância
quando estes se converteram num grupo com peso social, para o que terá contribuído o
prolongamento da sua esperança de vida;
- A sexualidade do indivíduo com deficiência mental é ainda um domínio pouco
estudado, gerador de conflitos, tanto para o indivíduo, como para os profissionais que
com ele trabalham;
- A pessoa com deficiência é olhada pela sociedade como um ser assexuado sem
direito à sua plena realização sexo-afectiva, pelo facto de não conseguir a sua autonomia
e independência económica;
- Embora seja frequente a ideia de que as pessoas com deficiência mental são
seres assexuados, sem necessidades sexuais, também é comum considerar-se o oposto,
ou seja, que são hipersexuados, que só pensam em sexo;
- A família tem tendência a ignorar e a não aceitar os problemas sexo-afectivos
da pessoa com deficiência e os pais consideram-nos com frequência sempre crianças e
têm atitudes de superprotecção que não os ajudam na construção da sua identidade
própria de homem e mulher;
- Os técnicos que trabalham nas instituições na área da deficiência mental são os
responsáveis por qualquer normativa afectivo-sexual, agindo de acordo com os seus
valores e atitudes face à afectividade e sexualidade da pessoa com deficiência mental;

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- A educação sexual só se mostra eficaz quando equacionada numa perespectiva


de promoção do desenvolvimento psicossexual particular, inserido no contexto mais
amplo do desenvolvimento psicológico global;
- Sendo o desenvolvimento psicossexual do indivíduo com deficiência mental
resultante da interacção deste com os outros nos contextos de vida em que se
desenvolve (escola, família, colegas, vizinhos, comunidade em geral), todos os que se
relacionam e interagem com ele poderão fazer educação sexual e influenciar positiva ou
negativamente esse desenvolvimento;
- É necessário repensar as estratégias até agora utilizadas, bem como as novas
necessidades das pessoas com deficiência mental, nas quais se incluem as da esfera da
sexualidade.
Da investigação empreendida conclui-se que, em Portugal, ainda há um longo
caminho a percorrer quanto à aceitação e normalização da sexualidade das pessoas com
deficiência mental.
A problemática que inspirou a construção deste portefólio revela-se demasiado
complexa. Por este motivo, resta uma sensação de incompletude. No entanto, este
portefólio serve de base a uma aprendizagem que se quer contínua e permanente.
Redigir uma conclusão é uma experiência e uma exigência de síntese. Concluir
não é terminar, mas antes é ser uma gota no mar do conhecimento de uma determinada
realidade, abrindo sempre portas para um novo aprofundamento e novas pesquisas.
Neste sentido, todo este processo de aprendizagem contribuiu para alargar o
campo da compreensão de um fenómeno desta natureza.

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