Você está na página 1de 27

Direito Processual do Trabalho

PROFESSOR:
Francisco Valdece Ferreira de Sousa.
f_valdece@hotmail.com

Aula 01
Teoria Geral do Direito Processual do Trabalho.

01. CONFLITO DE INTERESSES.


—> Interesses opostos.

02. LIDE E CONFLITO TRABALHISTA.


—> Reivindicação resistida.

03. PRETENSÃO.
—> É o desejo de uma pessoa submeter ao seu interesse o interesse de terceiro.

04. DA DEMANDA.
—> É o ato de vir ao judiciário pedir a tutela jurisdicional.

05. CONFLITOS TRABALHISTAS.


I - Conceito - Segundo Amauri Mascaro Nascimento, o conflito trabalhista
consiste na oposição ocasional de interesses entre um ou vários empregadores, de
uma parte, e um ou mais trabalhadores a seu serviço, desde quando tenha origem
no trabalho e uma parte pretenda a solução cogitada sobre a outra.
II - Espécies de conflitos trabalhistas - Os conflitos trabalhistas podem
eclodir tanto na esfera individual como na esfera coletiva, restando certo, ainda,
que podem ser classificados em…
…conflitos jurídicos ou de direito, que têm por finalidade a interpretação ou
aplicação de normas jurídicas existentes…
…e os conflitos de interesse ou econômicos, que visam a criação de novas
condições de trabalho.

06. JURISDIÇÃO
—> É o PODER mediante o qual o ESTADO soluciona litígios.

1
Duas são as espécies de jurisdição: contenciosa e voluntária, restando certo
que esta última é de difícil ocorrência na seara justrabalhista.

07. FORMAS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS.


07.1- Autotutela
- Greve - Dos empregados.
- Locaute - Empregador fecha seu estabelecimento
07. 2- Autocomposição
- Desistência - Renúncia à pretensão.
- Submissão - Sucumbe à resistência.
- Transação - Concessões reciprocas.
07. 3- Heterocomposição
- Arbitragem - Terceiro imparcial.
- Jurisdição - Estado Juiz através do processo.

08. HETEROCOMPOSIÇÃO.
08.1- Arbitragem
- Nos dissídios individuais - Comissão de conciliação.
- Nos dissídios coletivos - MT, MPT e ou terceiros interessados.
08. 2- Jurisdição (Direito Processual Trabalhista)
- Dissídios individuais.
- Dissídios coletivos.

09. DO PROCESSO.
O processo é uma série de atos interligados e coordenados ao objetivo de
produzir a tutela jurisdicional justa, a serem realizados no exercício de poderes ou
faculdades ou em cumprimento a deveres ou ônus. Os atos interligados em seu
conjunto, são o procedimento.
O processo é o meio de solução dos conflitos e o instrumento público previsto
em lei, por meio do qual o Estado exerce a jurisdição, dirimindo conflitos de interesse,
aplicando o direito ao caso concreto, dando a cada um o que é seu por direito, e
impondo coercitivamente o cumprimento da decisão.
O procedimento é o aspecto extrínseco do processo pelo qual se instaura,
desenvolve-se e termina. É o caminho percorrido pelo processo, a forma pelo qual se
exterioriza.

10. DOS PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS.


2
Para existência da relação processual:
a) Investidura do Juiz;
b) Demanda regularmente formulada.
São pressupostos de validade do processo:
c) Competência material,
d) Capacidade das partes,
e) Inexistência de fatos extintivos,
f) Respeito às formalidades do processo.

11. DA AÇÃO. Conceito e condições da ação.


a) Interesse processual,
b) Legitimidade,
c) Possibilidade jurídica do pedido.
d) Da avaliação das condições de ação no Processo Trabalhista e a postura
do Juiz do Trabalho.

12. CARÊNCIA DA AÇÃO.


Há carência de ação quando ausente qualquer (quaisquer) do(s) pressuposto(s)
das condições da ação.

13. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO.


I - Devido processo legal - assegura que ao cidadão deve ser concedido um
conjunto prévio de regras processuais, previstas na lei, a fim de que ele possa
postular sua pretensão em juízo e o réu possa apresentar seu direito de defesa,
valendo-se dos instrumentos processuais previstos em lei, não podendo ser
surpreendido pela arbitrariedade do julgador.
II - Do Juiz e do Promotor natural - a essência desse princípio encerra a
idéia de que nenhum litígio poderá ser julgado sem prévia existência legal de juízo
determinado, ou seja, que nenhum litígio será submetido a tribunal de exceção ou de
ocasião, de inspiração política e autoritária.
III - Da igualdade - segundo disposição contida nos artigos 7º. e 139, do CPC,
cabe ao Juiz assegurar às partes igualdade de tratamento, lembrando que a
verdadeira igualdade, conforme lição de Aristóteles, consiste em tratar os iguais na
medida das suas igualdades e os desiguais na medida das suas desigualdades.
IV - Da inafastabiliade da jurisdição - assegurando que o Juiz não tem o
direito de se eximir de julgar. Havendo lacuna na legislação, deve aplicar a analogia,
os costumes e os princípios gerais de direito para solucionar o conflito - Art. 140 do
CPC.

3
V - Do contraditório e da ampla defesa - assegura a todos o contraditório e
a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
VI - Do duplo grau de jurisdição - possibilita o controle dos atos jurisdicionais
dos órgãos judiciais inferiores pelos órgãos judiciais superiores e também a
possibilidade de o cidadão poder recorrer contra um provimento jurisdicional
desfavorável.
VII - Da motivação das decisões judiciais - Fundamentação.
VIII - Da publicidade - CF/88, art. 93, IX que assim dispõe: “todos os
julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas
as decisões…”
IX - Da vedação da prova ilícita - CF/88, art. 5º., LVI - São inadmissíveis, no
processo, as provas obtidas por meios ilícitos.
X - Da duração razoável do processo - CF/88, Artº. 5º, LXXVIII: A todos, no
âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e
os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.

14. PRINCÍPIOS DO PROCESSO CIVIL APLICÁVEIS AO PROCESSO DO


TRABALHO.
I - Princípio da ação, demanda ou da inércia do judiciário - Atribui à parte
a iniciativa de provocar a jurisdição, pois esta é inerente, nos termos do que dispõe o
artigo 2º do CPC.
II - Princípio da disponibilidade ou dispositivo - Diz respeito à liberdade que
as partes têm de praticar ou não os atos processuais que a lei lhes faculta, e também
a possibilidade de apresentar ou não uma pretensão em juízo.
III - Princípio do impulso processual - O processo começa por iniciativa da
parte, contudo, uma vez proposta ação ela se desenvolve por impulso oficial até o
final.
IV - Princípio da oralidade - Consiste no conjunto de sub-princípios que
interagem entre si, com o objetivo de fazer com que seja colhida oralmente a prova e
julgada pelo juiz que a colheu - Exceção: CP para oitava de testemunhas.
V - Princípio da instrumentalizado das formas - assegura que o processo
não é um fim em si mesmo, sendo um instrumento a serviço do direito e da justiça.

Aula 02
Princípios Orientadores do Direito Processual do Trabalho.

01. CONCEITO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO.


“Direito Processual do Trabalho é o ramo do direito processual destinado à
solução judicial dos conflitos trabalhistas.”
Amauri Mascaro Nascimento.

4
“Direito Processual do Trabalho é o ramo das ciências jurídicas que dita normas
instrumentais para atuação do Juiz e das partes, em todos os procedimentos
concernentes à matéria do trabalho.”
Luigi de Litala.
“Direito Processual do Trabalho é o complexo de princípios e normas legais que
regula: a) o processo; b) as atividades das partes; c) o órgão jurisdicional e seus
agentes.”
Eduardo Gabriel Saad.

02. AUTONOMIA DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO.


Existem controvérsias entre os doutrinadores sobre a autonomia do Direito
Processual do Trabalho, haja vista que embora uns poucos entendam tratar-se de
ciência autônoma, outros há que afirmam existir dependência direta do Direito
Material do Trabalho, máxime no aspecto de proteção ao trabalhador.
Valentin Carrion leciona que o Direito Processual do Trabalho não possui
princípio algum, pois todos os que o norteiam são do processo civil (oralidade,
celeridade, etc.); apenas deu ou pretendeu dar a alguns deles maior ênfase e relevo.
Em que pese os argumentos em contrário, Mauro Schiavi entende que o Direito
Processual do Trabalho é, sim, uma ciência autônoma, utilizando como argumento o
fato do Brasil possuir um ramo especializado do judiciário para dirimir lides
trabalhistas.

03. PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO PROCESSO DO TRABALHO.


I - PROTECIONISMO TEMPERADO (?) AO TRABALHADOR
Na ausência à audiência, arquivamento para o trabalhador, revelia para
o empregador;
Inversão do ônus da prova em desfavor do empregador;
Impulso oficial do Juiz;
Depósito recursal do empregador.
II – INFORMALIDADE
III – CONCILIAÇÃO
IV – CELERIDADE
Em razão da natureza alimentar dos créditos trabalhistas.
V – SIMPLICIDADE
VI – ORALIDADE
VII - MAJORAÇÃO DOS PODERES DO JUIZ DO TRABALHO NA
CONDUÇÃO DO PROCESSO:
Determinar diligências ex-oficio para formar seu convencimento.

5
VIII – SUBSIDIARIEDADE:
Aplicação do CPC e da Lei de Execução Fiscal no Processo do Trabalho.
IX - FUNÇÃO SOCIAL DO PROCESSO DO TRABALHO:
Caráter alimentar das parcelas trabalhistas.
X – CONCENTRAÇÃO:
Irrecorribilidade das decisões interlocutórias.
XI - IMEDIATIDADE E IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ:
O juiz que instrui um processo deve julgá-lo.
XII – PROTEÇÃO:
O Juiz só deve declarar a nulidade de um ato quando não for possível
suprir sua falta.
XIII - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
XIV - LEALDADE PROCESSUAL(?)
XV - AMPLA DEFESA
XVI - ESTABILIDADE DA LIDE
O empregado não pode modificar seu pedido após apresentação da defesa.

04. DAS FONTES DO DIREITO PROCESSUAL TRABALHISTA.


Segundo ministério de Cândido Rangel, “fontes formais do direito são os
canais pelos quais as formas vêm ao mundo jurídico, oriundas da vontade do ente
capaz de ditá-las e impô-las ou exigir sua observância. São, por esse aspecto, as
formas de expressão do direito positivo. Direito é o sistema normativo de um Estado
ou de alguma comunidade ou menos ampla. É composto pelas normas positivadas
através das diversas fontes formais, mais os valores que lhes estão à base e devem
transparecer no exame de cada fato relevante para a vida das pessoas ou grupos de
pessoas.”
São fontes do Direito Processual Trabalhista:
a) A Lei;
b) Os Regimentos Internos dos Tribunais;
c) Os Costumes;
d) Os Princípios Gerais do Direito;
e) A Jurisprudência;
f) A Equidade;
g) A Doutrina.

05. DA APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC AO PROCESSO DO TRABALHO.


CLT, ART. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte
subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for
incompatível com as normas deste Título.

6
A aplicação subsidiária só será efetivada em caso de omissão da CLT e ou
das leis processuais ditas extravagantes.
Necessário ainda que a regra a ser aplicada seja compatível com os
princípios que regem o processo do trabalho, máxime no que tange ao acesso do
trabalhador à Justiça.
Importante destacar que juristas de renome, a exemplo de Manoel Antônio
Teixeira Filho e Pedro Paulo Teixeira Manus, só admitem a aplicação do CPC nos
caso de omissão da legislação processual trabalhista, exigindo, ainda, que a regra a
ser aplicada seja compatível com os princípios justrabalhistas.

06. DA VIGÊNCIA DA NORMA PROCESSUAL TRABALHISTA E AS REGRAS DE


DIREITO INTERTEMPORAL.
Constituem princípios da legislação processual a irretroatividade da lei;
vigência imediata da lei aos processos em curso; impossibilidade de renovação das
fases processuais já ultrapassadas pela preclusão.
A CLT disciplina essa questão através dos artigos 912 e 915, cujo teor segue
abaixo transcrito:
Art. 912 - Os dispositivos de caráter imperativo terão aplicação imediata
às relações iniciadas, mas não consumadas, antes da vigência desta
Consolidação.
Art. 915 - Não serão prejudicados os recursos interpostos com apoio em
dispositivos alterados ou cujo prazo para interposição esteja em curso à data da
vigência desta Consolidação.

07 - DAS ESPÉCIES DE PROCEDIMENTOS NO PROCESSO TRABALHISTA.


O procedimento, como já explicitado anteriormente, é o aspecto exterior do
processo, o meio pelo qual ele se desenvolve ou se praticam os atos processuais. É o
inter processual.
Quatro são os ritos processuais trabalhistas:
a) Ordinário - Aplicável às causas acima de 40 salários mínimos.
b) Sumário - Regido pela Lei 5.584/70, para as causas de até 02 salários
mínimos.
c) Sumaríssimo - Regido pela Lei 9.957/00, aplicável às causas cujo valor
esteja entre 02 e 40 salários mínimos.
d) Especiais - São procedimentos com características especiais, previstos
na CLT. São eles: Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave, Dissídio
Coletivo e Ação de Cumprimento;

08 - DO PROCEDIMENTO PARA AS AÇÕES QUE NÃO ENVOLVAM PARCELAS


TRABALHISTAS STRICTO SENSU;
O procedimento previsto na CLT deve ser aplicado para todas as ações de
competência da Justiça do Trabalho, exceto para as ações que têm rito especial
7
disciplinado por lei específica, como o mandado de segurança, o habeas corpus, o
habeas data, as ações possessórias, medidas cautelares, ações de consignação
em pagamento, dentre outras.

Aula 03
Da Organização da Justiça do Trabalho.

01 - ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO BRASILEIRA.


A Revolução Industrial provocou grandes mudanças nas condições de
trabalho, uma vez que as máquinas passaram a fazer o serviço de vários
trabalhadores, causando desemprego em massa, e, concomitantemente, com o
aumento da oferta de mão de obra, um aviltamento dos salários.
Insatisfeitos, os trabalhadores se uniram e promoveram movimentos
reivindicatórios objetivando reduzir as jornadas de trabalho e melhorar a
remuneração.
Não existe consenso sobre quando surgiram os primeiros órgãos da Justiça do
Trabalho, sabe-se, contudo, que surgiram na França (Conseils de Prud`hommes) e na
Itália (Probiviri).
No Brasil, a resolução das questões trabalhistas eram, de início, uma
responsabilidade dos Juízes de Direito.
Somente com o advento da Constituição Federal de 1946 a Justiça do Trabalho
passou a integrar o Poder Judiciário.
Cumpre destacar, por oportuno, que desde o seu nascimento a Justiça do
Trabalho foi estruturada com a representação paritária em todos os seus órgãos -
Juízes Classistas - situação que se manteve inalterada até o ano 1994, quando a EC
24/99 extinguiu da Justiça do Trabalho a representação classista.
A Justiça do Trabalho está estruturada na forma do art. 111 da CF/88 da
seguinte forma:
a) Juízes do Trabalho - 1ª. Instância;
b) TRT`s - (Na Bahia TRT da 5ª. Região), 2ª. Instância;
c) TST - 3ª. Instância.
Além dos Juízes do Trabalho e dos Desembargadores, as Varas do Trabalho e
os Tribunais contam com a participação/colaboração dos servidores da Justiça do
Trabalho e de órgãos auxiliares, que praticam alguns atos processuais e desenvolvem
os serviços burocráticos da Justiça, sem olvidar que nas localidades em que há mais
de uma Vara do Trabalho e nos Tribunais Regionais existe um órgão distribuidor, a
quem cabe fazer a distribuição das reclamações trabalhistas e demais processos
iniciados ou remetidos aos tribunais.

02 – Ministério Público e Ministério Público do Trabalho.

8
I - Conceito - Segundo preceitua o artigo 127 da CF/88, o MP é a instituição
permanente e essencial à função jurisdicional, sendo de responsabilidade dos seus
integrantes promover a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis.
II - Princípios do MP - São princípios do Ministério Púbico a unidade (Os
membros pertencem a um só órgão), a indivisibilidade (Seus membros podem ser
substituídos uns pelos outros, na forma da lei) e a independência funcional.
O Ministério Público do Trabalho integra o Ministério Público da União, e todos
os seus membros gozam das mesmas garantias da magistratura, a saber:
vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de subsídio.
III - O Procurador do trabalho tem a prerrogativa de sentar ao lado do Juiz
do Trabalho nas audiências trabalhistas, sob o argumento de que, seja atuando como
Fiscal da Lei, seja atuando como parte, estará sempre defendendo o interesse público.
Cumpre anotar, por oportuno, que grande parte dos doutrinadores entende
que essa prerrogativa só é aceitável quando o Procurador do Trabalho estiver atuando
como Fiscal da Lei, pois na condição de autor deverá ocupar a posição destinada ao
advogado que patrocina os interesses do Autor.
IV - Da competência dos integrantes do MPT - Segundo preceito contido no
artigo 83 da Lei Complementar 75/93, compete aos Procuradores do Trabalho o
exercício das atribuições a seguir elencadas:

03 - ATRIBUIÇÕES DO Ministério Público do Trabalho.


Art. 6º Compete ao Ministério Público da União:
I - promover a ação direta de inconstitucionalidade e o respectivo pedido de
medida cautelar;
II - promover a ação direta de inconstitucionalidade por omissão;
III - promover a argüição de descumprimento de preceito fundamental
decorrente da Constituição Federal;
IV - promover a representação para intervenção federal nos Estados e no
Distrito Federal;
V - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
VI - impetrar habeas corpus e mandado de segurança;
VII - promover o inquérito civil e a ação civil pública para:
a) a proteção dos direitos constitucionais;
b) a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente, dos bens e
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
c) a proteção dos interesses individuais indisponíveis, difusos e coletivos,
relativos às comunidades indígenas, à família, à criança, ao adolescente, ao idoso, às
minorias étnicas e ao consumidor;
d) outros interesses individuais indisponíveis, homogêneos, sociais, difusos e
coletivos;

9
VIII - promover outras ações, nelas incluído o mandado de injunção sempre
que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania
e à cidadania, quando difusos os interesses a serem protegidos;
IX - promover ação visando ao cancelamento de naturalização, em virtude de
atividade nociva ao interesse nacional;
X - promover a responsabilidade dos executores ou agentes do estado de defesa
ou do estado de sítio, pelos ilícitos cometidos no período de sua duração;
XI - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas,
incluídos os relativos às terras por elas tradicionalmente habitadas, propondo as
ações cabíveis;
XII - propor ação civil coletiva para defesa de interesses individuais
homogêneos;
XIII - propor ações de responsabilidade do fornecedor de produtos e serviços;
XIV - promover outras ações necessárias ao exercício de suas funções
institucionais, em defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis, especialmente quanto:
a) ao Estado de Direito e às instituições democráticas;
b) à ordem econômica e financeira;
c) à ordem social;
d) ao patrimônio cultural brasileiro;
e) à manifestação de pensamento, de criação, de expressão ou de
informação;
f) à probidade administrativa;
g) ao meio ambiente;
XV - manifestar-se em qualquer fase dos processos, acolhendo solicitação do
juiz ou por sua iniciativa, quando entender existente interesse em causa que
justifique a intervenção;
XVI - (Vetado);
XVII - propor as ações cabíveis para:
a) perda ou suspensão de direitos políticos, nos casos previstos na
Constituição Federal;
b) declaração de nulidade de atos ou contratos geradores do endividamento
externo da União, de suas autarquias, fundações e demais entidades controladas
pelo Poder Público Federal, ou com repercussão direta ou indireta em suas finanças;
c) dissolução compulsória de associações, inclusive de partidos políticos, nos
casos previstos na Constituição Federal;
d) cancelamento de concessão ou de permissão, nos casos previstos na
Constituição Federal;

10
e) declaração de nulidade de cláusula contratual que contrarie direito do
consumidor;
XVIII - representar;
a) ao órgão judicial competente para quebra de sigilo da correspondência e
das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, para fins
de investigação criminal ou instrução processual penal, bem como manifestar-se
sobre representação a ele dirigida para os mesmos fins;
b) ao Congresso Nacional, visando ao exercício das competências deste ou de
qualquer de suas Casas ou comissões;
c) ao Tribunal de Contas da União, visando ao exercício das competências
deste;
d) ao órgão judicial competente, visando à aplicação de penalidade por
infrações cometidas contra as normas de proteção à infância e à juventude, sem
prejuízo da promoção da responsabilidade civil e penal do infrator, quando cabível;
XIX - promover a responsabilidade:
a) da autoridade competente, pelo não exercício das incumbências,
constitucional e legalmente impostas ao Poder Público da União, em defesa do meio
ambiente, de sua preservação e de sua recuperação;
b) de pessoas físicas ou jurídicas, em razão da prática de atividade lesiva ao
meio ambiente, tendo em vista a aplicação de sanções penais e a reparação dos danos
causados;
XX - expedir recomendações, visando à melhoria dos serviços públicos e de
relevância pública, bem como ao respeito, aos interesses, direitos e bens cuja defesa
lhe cabe promover, fixando prazo razoável para a adoção das providências cabíveis.
§ 1º Será assegurada a participação do Ministério Público da União, como
instituição observadora, na forma e nas condições estabelecidas em ato do
Procurador-Geral da República, em qualquer órgão da administração pública direta,
indireta ou fundacional da União, que tenha atribuições correlatas às funções da
Instituição.
§ 2º A lei assegurará a participação do Ministério Público da União nos órgãos
colegiados estatais, federais ou do Distrito Federal, constituídos para defesa de
direitos e interesses relacionados com as funções da Instituição.
Inquérito Civil Público.
Processo investigativo do qual poderá resultar na celebração de um TAC
ou no ajuizamento de Ação Civil Pública.
TAC - Termo de Ajuste de Conduta.
Acordo que o(a) empregador(a) faltoso celebra com o MPT admitindo o erro
apontado no inquérito Civil Público, e, concomitantemente, assumindo o
compromisso de corrigir tais erros sob pena de pagar uma indenização no valor
estipulado no TAC.

Aula 04

11
Formas de solução dos conflitos trabalhistas

01. Da mediação e conciliação.


 MEDIAÇÃO;
 CONCILIAÇÃO;
01.1 Da mediação e conciliação.
A mediação é a forma de solução de conflito por meio da qual o mediador
(Auditor do MT, Procurador do Trabalho ou Terceiro Interessado) se insere entre
as partes, e, utilizando o método da persuasão, busca aproximá-las para que elas
próprias cheguem a uma solução do conflito.
A conciliação, por sua vez, é uma forma de solução de conflito que poderá
resultar de entendimento direto entre as partes, ou, eventualmente, resultado da
atuação de um conciliador.
Doutrinadores há que inserem a mediação e a conciliação como formas de
autocomposição (Mauro Schiavi), outros há (Maurício Godinho Delgado), que
classificam modalidades como formas de heterocomposição, pois tanto o conciliador
como o mediador intervêm de forma positiva para solução do conflito.
Cumpre anotar, por oportuno, que somente são passíveis de conciliação os
direitos patrimoniais disponíveis.

02. Das comissões de conciliação prévia.


As comissões de conciliação prévia são órgãos criados no âmbito dos sindicatos
ou das empresas, com a finalidade de resolução dos conflitos individuais por meio da
autocomposição.
A criação dessas comissões é facultativa, e, como já dito, podem ser criadas
no âmbito das empresas ou dos sindicatos, e terão, necessariamente, igual número
de representantes dos empregados e dos empregadores, nos termos do que dispõe o
art. 625-A da CLT.
Importante destacar que as partes não estão obrigadas a submeter os dissídios
à comissão de conciliação, discussão pacificada pelo STF ao definir que o
comparecimento perante a conciliação prévia é uma faculdade, não constituindo
condição de ação ou pressuposto processual para o ajuizamento de reclamação
trabalhista. Havendo conciliação, o Termo de Conciliação lavrado pela Comissão
de Conciliação é titulo executivo extrajudicial e tem eficácia liberatória geral,
exceto em relação às parcelas expressamente ressalvadas.

03. Da arbitragem.
A arbitragem é uma forma de solução de conflito que se dá pelo ingresso de
terceira pessoa (árbitro) escolhida de comum acordo pelas partes, que irá solucionar
o conflito de forma definitiva.
Na seara dos conflitos trabalhistas a Constituição Federal autoriza a utilização
da arbitragem para solução dos conflitos coletivos de trabalho, se assim

12
convencionarem as partes, não existindo previsão de arbitragem nos conflitos
individuais trabalhistas.
A doutrina e a jurisprudência não têm admitido a arbitragem como forma de
solução dos conflitos individuais com os seguintes argumentos: a) o trabalhador tem
acesso amplo e irrestrito ao Judiciário Trabalhista; b) irrenunciabilidade do crédito
trabalhista; c) hipossuficiência do trabalhador; d) o estado de subordinação inerente
ao contrato de trabalho impede que o trabalhador manifeste sua vontade ao aderir a
uma cláusula compromissória.

DA JURISDIÇÃO

01. Da lide.
O conflito de interesses, nas lições de Carnelutti, denomina-se lide, que é o
conflito de interesse qualificado por uma pretensão resistida.

02. Da pretensão.
É a exigência de subordinação do interesse alheio ao interesse próprio. A
pretensão é um ato, não um poder; algo que alguém faz, mas não que alguém tem. A
pretensão pode ser deduzida tanto por quem tem quanto por quem não tem o direito.
Pode ser fundada ou infundada. Em última análise, pode haver pretensão sem direito,
e, de igual forma, direito sem pretensão.

03. Da demanda.
Demanda é o ato de comparecer perante o Poder Judiciário postulando a tutela
jurisdicional em relação à pretensão do postulante. O demandante (Autor, Acionante,
Reclamante) coloca sua pretensão diante do juiz para que ele a aprecie, e, ao final,
prolate decisão acolhendo-a ou rejeitando-a.

04. Características das ações trabalhistas.


• As ações trabalhistas são, em regra, transmissíveis e negociáveis.
• Quando a ação trabalhista visa interesse econômico, o que ocorre na
maioria dos casos, são transmissíveis e renunciáveis.
• Quando a ação tem como objeto direito pessoal, a exemplo da
reintegração, é intransferível.
• No mérito podem incidir prescrição ou a decadência.

05. Desistência da ação.


• O Autor (Reclamante) não pode desistir da ação depois que esta é
contestada, sem prévio e expresso consentimento do Reclamado.

13
• É admissível, contudo, a desistência do recurso independen-temente da
vontade do recorrido.
• A desistência da ação só surte efeito após ser homologada por sentença.
• Quando tem como objeto direitos pessoais, a exemplo da reintegração,
são intransferíveis.

06. Competência da Justiça do Trabalho.


• A competência é, acima de tudo, uma determinação dos poderes
judiciais de cada um dos juízes.
• O exercício da “jurisdição” é inerente a todos os juízes, restando certo
que a multiplicidade de conflitos exigiu se fizesse a “distribuição da jurisdição” entre
os diversos juízes, fixando, assim, a “competência” de cada um.
• Todos os juízes exercem jurisdição, mas o fazem dentro de certos
limites, o que os torna “competentes” para processar e julgar apenas e tão somente
certas e determinadas causas.
• A doutrina processual brasileira fixou o consenso de que os critérios de
competência são de três tipos, a saber: a) ratione materiae; b) ratione loci; c) ratione
personae.
• * Existe um quarto critério : o valor da causa.
Nessa esteira, pode-se afirmar que a competência da Justiça do trabalho foi
definida em razão da matéria, competindo-lhe analisar e decidir as questões que
versem sobre relação de trabalho, particularmente quando celebrado com vínculo de
emprego.
• Competência em relação ao trabalho autônomo.
O trabalho autônomo não está sob a tutela do Direito do Trabalho. Seus
serviços, como regra, são tutelados pelo Código Civil ou Código de Defesa do
Consumidor.
• Competência em relação ao trabalho eventual.
O trabalhado eventual não se fixa a um determinado tomador de serviço e
presta serviços de curta duração, não ficando, portanto, sob a tutela do Direito do
Trabalho.
• Competência em relação ao trabalho avulso.
A CF/88 igualou os direitos do trabalhador avulso às dos trabalhadores
regidos pela legislação trabalhista, em que pese lhe falte registro em CTPS. A
competência da Justiça do Trabalho em relação ao trabalho avulso está prevista no
artigo 643 da CLT.
• Competência quanto aos empregados de Cartórios Extrajudiciais.
O empregado de Cartório Extrajudicial tem seu vínculo regido pela CLT, o que
torna a Justiça do Trabalho competente para dirimir os conflitos decorrentes dessa
atividade.
• Competência para as relações de trabalho que configuram…

14
Existem controvérsias quanto a competência para conhecer e julgar as
relações de trabalho que configuram relação de consumo. Para uns, a competência é
da Justiça Comum. Para outros, uma vez existente a relação de trabalho, ainda que
inserida no bojo de uma relação de consumo, a competência será da Justiça do
Trabalho.
• Competência quanto ao servidor público. Relação estatutária.
O STF definiu que a competência para dirimir as controvérsias entre os órgãos
públicos e seus servidores é da Justiça Comum, decisão que alimenta o
inconformismo dos doutrinadores que dizem não fazer sentido que a Justiça do
Trabalho seja competente para apreciar as lides relativas aos contratos celetistas e o
seja em relação aos estatutários.

Aula 05
DOS ATOS E FATOS PROCESSUAIS

01.1 Conceito de atos processuais.


Atos processuais são aqueles que têm importância jurídica para a relação
processual, tendo por objetivo a constituição, a conservação, o desenvolvimento, a
modificação ou a cessação da relação processual.
Os atos processuais podem ser praticados pelas partes, pelo juiz e ou por
servidores.
Partes —> petição inicial, contestação, recursos, depoimentos pessoais,
transação, etc.
Juiz —> presidir as audiências, supervisionar os trabalhos da secretaria,
atender os advogados, prolatar despachos, decisões interlocutoras e sentenças. etc.
Servidores —> A notificação citatória, ato do diretor de secretária; avaliação
e penhora, pelo oficial de justiça; a perícia, por profissional indicado (nomeado) pelo
juiz.

01.2 Conceito de fatos processuais


Fatos processuais são acontecimentos naturais, não decorrentes da vontade
das partes, mas que produzem efeitos processuais.
Exemplos:
A morte de qualquer das partes, revelia, preempção, etc.

02. Princípios que regem os atos processuais.


A validade dos atos processuais no processo do trabalho exige como
pressuposto a obediência aos seguintes princípios:
Publicidade - os atos processuais serão públicos, salvo quando o contrário
determinar o interesse social.

15
Limites temporais - serão praticados nos dias úteis, entre 6h00m e 20h00m,
contudo, sendo necessário e mediante autorização expressa do juiz, poderão ser
praticados fora do limite retrocitado.
Forma - os atos e termos processuais poderão ser escritos a tinta,
datilografados, digitados ou mediante o uso de carimbo - CLT, art. 771.
Documentação - todos os atos serão documentados.
Preclusão - é a perda do direito de se praticar uma faculdade processual.

03. A prática dos atos processuais por meio eletrônico.


A Lei nº. 9800/99 permitiu o envio de petições por fax às secretarias das varas
e tribunais, desde que os originais sejam encaminhados no prazo de 05 (cinco) dias.
A Instrução Normativa nº. 28/05 do TST possibilitou a prática de atos
processuais pela internet (recebimento de petições, recursos, etc.), com certificação
digital da assinatura do advogado.
A Lei nº. 11.419/06 disciplinou a utilização do sistema eletrônico para a
prática de atos processuais, bem como de comunicação de tais atos. Mediante
cadastro prévio nos Tribunais, com a certificação da assinatura digital, todos os atos
processuais que não dependam do comparecimento da parte em juízo, poderão ser
praticados pela internet direito de se praticar uma faculdade processual.

04. Termo processual.


Segundo Moacyr Amaral Santos, termo é a documentação de um ato. O
escrivão lavra um termo, ou toma por termo, a fim de documentar a atividade ou ato
processual.

05. Dos prazos processuais.


Prazo é o tempo no qual deve ser praticado um ato processual.
Os prazos processuais estão classificados em:
Legais - são fixados na lei processual.
Judiciais - são fixados pelo juiz quando a lei for omissa.
Convencionais - fixados pelas partes, de comum acordo.
Peremptórios - são os prazos de natureza preclusiva.
Dilatórios - são os prazos preclusivo, admitem prorrogação.

06. Da contagem dos prazos processuais.


Os prazos processuais são contados excluindo-se o dia do começo e incluindo-
se o dia do vencimento.

16
Por força da Lei nº. 13.467/2017, computar-se-ão apenas e tão somente os
dias úteis.
Os prazos processuais são contínuos, entretanto, por força do que dispõe o art
775 da CLT, há possibilidade de suspensão e interrupção dos prazos.
Na suspensão, a contagem é paralisado pelo tempo correspondente ao fato
determinante, retomando-se a contagem do da paralisação.
Na interrupção, a contagem é inutilizada, recomeçando a ser feita quando
cessar a causa determinante da paralisação.

07. Privilégios de prazo.


Fazenda Pública.
Ministério Público.
CPC art. 188
- contar-se-á em o em dobro o prazo para contestar e para recorrer.

08. Da comunicação dos atos processuais.


Os atos processuais são revestidos de publicidade e devem ser conhecidos
pelas partes ou, às vezes, mesmo por terceiro, razão pela qual devem ser divulgados,
o que, no processo do trabalho, é feito pelas formas clássicas do direito processual
comum, a saber:
Citação. Notificação. Intimação.

09. Das cartas.


 Carta Rogatória – Solicitação de cooperação de um juiz brasileiro para
o juiz de outro país;
 Carta Precatória – Solicitação de cooperação de um juiz de mesma
hierarquia;
 Carta de Ordem – Uma ordem de um tribunal superior para um tribunal
ou juiz inferior.

10. Das despesas processuais.


Despesas processuais são todos os gastos que as partes realizem dentro ou
fora do processo para prover-lhes o andamento ou atender com mais segurança a
seus interesses na demanda.
Honorários periciais - A parte sucumbente no objeto de perícia é responsável
pelo pagamento dos honorários periciais, ainda que beneficiária da justiça gratuita.
Os honorários podem ser parcelados, mas o juiz não poderá exigir o adiantamento de
valores para a realização de perícias (Artigo 790-B da CLT);
Custas - No processo do trabalho as custas processuais estão disciplinadas
na CLT, artigo 789 e seguintes. Nos dissídios individuais e nos dissídios coletivos, as
17
custas relativas ao processo de conhecimento será no valor equivalente a 2% (Dois
por cento), observado o mínimo de R$ 10,64 e o máximo em valor equivalente a quatro
vezes o teto para benefícios previdênciários, e serão calculadas:
I - quando houver acordo ou condenação, sobre o respectivo valor;
II - na extinção do processo ou improcedência total, sobre o valor da causa;
Nos dissídios…
III - na procedência do pedido formulado em ação declaratório e em ação
constitutiva, sobre o valor da causa;
IV - causa de valor indeterminado, sobre o que o juiz fixar.
As custas processuais e os honorários processuais, se for o caso,
serão pagos pela parte vencida, após o trânsito em julgado da decisão;
No caso de recurso, as custas serão pagas e comprovado o
recolhimento dentro do prazo recursal;
Não sendo líquida a sentença, o juiz arbitrará e fixará o montante
das custas processuais;
Sempre que houver acordo, se de outra forma não dispuserem as
partes, o pagamento das custas será feito pró-rata;
Nos dissídios coletivos, as partes vencidas responderão
solidariamente pelo pagamento das custas, calculadas sobre o valor arbitrado
na decisão.
V- Os Reclamantes passarão a arcar com custas processuais em caso de
arquivamento por ausência injustificada à audiência, mesmo se beneficiário da
justiça gratuita. O pagamento dessas custas é condição para a propositura de nova
demanda.

11. Depósito recursal.


O depósito recursal ou judicial trabalhista é uma obrigação que o empregador
tem quando deseja recorrer de uma decisão judicial definitiva dos respectivos órgãos
jurisdicionais, quando das reclamações trabalhistas.
Os recursos contra decisões definitivas das Varas de Trabalho (sentenças) e
dos Tribunais Regionais do Trabalho (acórdãos) estão previstos nos arts. 895 e 896
da CLT. O depósito recursal está previsto no art. 899 da CLT.
O depósito recursal somente é exigível nas obrigações em pecúnia, ou seja,
quando há a condenação da empresa para pagamento de valores. Tem por finalidade
garantir a execução da sentença e o pagamento da condenação.
Se o valor da condenação em primeira instância for menor que o valor exigido
para interposição do RO junto ao TRT, a empresa deverá recolher o valor da
condenação. Se o valor for igual ou maior, recolherá o valor fixado pelo TST.
II - na extinção do processo ou improcedência total, sobre o valor da causa.
O TST publicou, por meio do ato SEGJUD-DP 360/2017, os novos valores
alusivos aos limites do depósito recursal de que trata o artigo 809 da CTL, reajustados

18
pela variação acumulada do INPC pelo IBGE, no período de 01 de agosto de 2016 a
31de julho de 2017.
—> No Recurso Ordinário (RO)……………. R$ 9.189,00
—> No Recurso de Revista (RR) ou Recurso Especial (RE)….… R$ 19.378,00
Esses valores serão de observância obrigatória a partir de 1º de agosto de 2017.
Com o advento da Lei 13.467/2017 o recolhimento do depósito recursal sofreu
as seguintes modificações:
I- deverá ser realizado mediante Guia de Depósito Judicial (Antes era feito
depósito em guia de FGTS, n conta vinculada do trabalhador) e será corrigido pelos
mesmos índices da poupança;
II- poderá ser substituído por fiança bancária ou seguro garantia judicial;
III- será reduzidos pela metade para entidade sem fins lucrativos,
empregadores domésticos, microempreendedores individuais, microempresas e
empresas de pequeno porte;
IV- Os beneficiários da justiça gratuita, entidades filantrópicas e empresas em
recuperação judicial são isentos de depósito recursal.

12. Dos honorários advocatícios.


A parte sucumbente pagará honorários de sucumbência, entre 5% e 15%
sobre o valor da liquidação da sentença, sobre o proveito econômico obtido ou
sobre o valor atualizado da causa.
São devidos mesmo quando o(a) advogado(a) atue em causa própria, quando a
parte estiver assistida pelo sindicato de sua categoria, nas ações contra a Fazenda
Pública e na reconvenção.
Em caso de procedência parcial, o juiz arbitrará sucumbência recíproca,
vedada a compensação entre os honorários.
Se a parte vencida for beneficiária da justiça gratuita e não obter proveito
econômico, o crédito fica suspenso e decai após decorridos dois anos do trânsito em
julgado (artigo 791-A e parágrafos da CLT).

13. Da litigância de má-fé.


A litigância de má-fé foi inserida na reforma nos artigos 793-A a 793-D de
forma semelhante ao CPC.
É reputado litigante de má-fé aquele que deduzir pretensão ou defesa contra
texto expresso de lei ou fato incontroverso, alterar a verdade dos fatos, usar do
processo para conseguir objetivo ilegal, opuser resistência injustificada ao
andamento do processo, proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato
do processo, provocar incidente manifestamente infundado ou interpuser recurso
com intuito protelatório.
A multa varia entre 1 a 10% sobre o valor corrigido da causa, e pode ser
aplicada à testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir
fatos essenciais ao julgamento da causa.
19
14. Da suspensão do processo.
Suspensão e paralisação temporária da relação jurídica processual em razão
de um acontecimento relevante disciplinado em lei.
A CLT prevê a suspensão do processo por força de oposição, exceção de
suspeição ou de incompetência (CLT, art. 799) e em razão de motivo relevante (CLT,
art. 844, § único).
Em razão de previsão na legislação processual trabalhista em relação a outros
motivos de suspensão, aplicam-se ao processo do trabalho as disposições contidas
nos artigos 110, 265, e 266 do CPC.

Aula 06
Da prescrição e das nulidades no Direito processual do Trabalho.

01. Da prescrição.
Segundo Pontes de Miranda, “a prescrição é a exceção, que alguém tem, contra
o que não exerceu, durante certo tempo que alguma regra jurídica fixa, sua pretensão
ou ação”.
Dispõe o Código Civil: “Art. 189 - Violado o direito, nasce para o titular a
pretensão, a qual se extingue pela prescrição, nos prazos a que aludem os artigos
205 e 206”.
Carlos Roberto Gonçalves leciona que “hoje predomina o entendimento na
moderna doutrina, de que a prescrição extingue a pretensão, que é a exige cia de
subordinação de um interesse alheio ao interesse próprio. Extinta a pretensão, não há
ação, eis que a prescrição extingue a pretensão e atinge de igual forma a ação”.
A prescrição trabalhista está prevista no art. 7º, XXIX, da CF/88.

02. Da decadência.
A decadência consiste na perda do direito em razão da inércia de seu titular.
Rodolfo Pamplona e Pablo Stolze ensinam que a decadência “consiste na
perda efetiva de um direito potestativo, pela falta de seu exercício, no período de tempo
determinado em lei ou pela vontade das próprias partes. Sendo, literalmente, a
extinção do direito é também chamada, em sentido estrito, consoante já se disse, de
caducidade, não remanescendo qualquer sombra de direito em favor do titular, que não
terá como exercer mais, de forma alguma, o direito caduco”.
No processo do trabalho, três prazos decadenciais típicos:
I- 30 dias para instauração do inquérito judicial para apuração de falta grave;
II- 02 anos para propor ação rescisória;
III- 120 dias para propor mandado de segurança.

20
03. Prescrição X Decadência.
I - A prescrição extingue a pretensão e por via oblíqua o direito, enquanto a
decadência extingue o direito e por via oblíqua a pretensão;
II - O prazo decadencial pode ser fixado por lei ou pela vontade das partes
(contrato), os prazos prescricionais, por sua vez, são fixados exclusivamente por lei;
III - O prazo decadencial corre contra todos, enquanto o prazo prescricional
pode não correr contra algumas pessoas, a exemplo dos incapazes;
IV - A prescrição, uma vez consumada, pode ser objeto de renúncia, a
decadência é irrenunciável.

04. Interrupção, impedimento e suspensão da prescrição.


Existem situações e motivos que impedem se inicie a contagem do prazo
prescricional, são as chamadas causas impeditivas. O Código Civil disciplinas, em
seus artigos 197, 198 e 199, as causas impeditivas e suspensivas da prescrição,
aplicáveis ao Processo do Trabalho.
A interrupção, por sua vez, consiste na suspensão da prescrição até que o
motivo que lhe deu causa seja afastado, o tempo decorrido é zerado e a contagem
recomeça do ato que a interrompeu.

05. Prescrição da ação declaratório no Processo do Trabalho.


A ação declaratória é imprescritível.

06. Prescrição intercorrente no Processo do Trabalho.


A prescrição intercorrente não é aplicável no processo do trabalho.

07. Prescrição. O momento de arguir.


Não obstante disposição com tida no artigo 193 do CPC, que faculta à parte
arguir a prescrição em qualquer grau de jurisdição, o TST fixou entendimento de que
a prescrição deve ser arguida na fase de conhecimento, até o segundo grau de
jurisdição.
Súmula 153 C. TST: “Não se conhece de prescrição não arguida na instância
ordinária”.

08. Prescrição. Reconhecimento de ofício.


Nos termos do que dispõe o § 5º. do art. 219 do CPC, a prescrição foi
reconhecida como matéria de ordem pública, podendo ser conhecida e declarada de
ofício pelo Juiz de Direito, contudo, não pode o Juiz do Trabalho pronunciá-la de
ofício, pois estaria violando o princípio de proteção que o Direito do Trabalho confere
ao trabalhador.

21
09. Prescrição do dano moral decorrente da relação de trabalho.
A prescrição do direito a reparação do dano moral decorrente da relação de
trabalho é a do Código Civil e o prazo é de 10 (Dez) anos, haja vista tratar-se de
reparação de índole constitucional-civil, além do que, a natureza da reparação refere-
se a um dano pessoal.

10. Prescrição dos DMM decorrentes de acidente no trabalho.


Existe grande controvérsia a respeito desse tema, pois alguns entendem que a
prescrição deva ser aquela prevista no Código Civil (03 anos), contudo, outros
entendem tratar-se de crédito trabalhista, sendo aplicável, portanto, a prescrição
ditada pelo art. 7º, XXIX da CF/88.

11. Das nulidades no Direito Processual do Trabalho.


Conceito - Nulidade é a sanção determinada pela lei, que priva o ato jurídico
de seus efeitos normais, em razão do descumprimento das formas mencionadas na
norma jurídica.
As nulidades processuais estão previstas nos artigos 794 a 798 da CLT,
aplicando-se, subsidiariamente, as regras do CPC.
Art. 794 - Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho, só
haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados prejuízo às partes.
Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das
partes, as quais deverão argui-las à primeira vez que tiverem que falar em audiência
ou nos autos.
§ 1º. - Deverá, entretanto, ser declarada a nulidade fundada em incompetência
de foro. Neste caso, serão considerados nulos os atos decisórios.
As nulidades processuais estão previstas nos artigos 794 a 798 da CLT…
Art. 795 - As nulidades…
§ 2º. - O juiz ou tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma
ocasião, que se faça a remessa do processo, com urgência, à autoridade competente,
fundamentando sua decisão.
Art. 796 - A nulidade não será pronunciada:
* Quando for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato;
* Quando arguida por quem lhe tiver dado causa.
Art. 797 - O juiz ou tribunal que se pronunciar a nulidade decretará os atos
a que a ela se estende.
Art. 798 - A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele
dependam ou sejam consequência.

12. Espécies de nulidades: Absolutas, relativas e inexistentes.

22
Nulidade absoluta ou ato nulo/insanável: será considerado nulo quando
praticado em desacordo com as normas de ordem pública. Neste caso, a nulidade
deverá ser declarada de ofício pelo magistrado ou poderá ser alegada em qualquer
tempo ou grau de jurisdição pelas partes. O juiz poderá de ofício, declarar nulidades
decorrentes da incompetência em razão da mataria ou por falta de pressupostos
processuais e condições da ação (CPC, art. 267, IV e VI e § 3º.).
Nulidade relativa ou ato anulável/sanável: será considerado como anulável
quando houver desrespeito a uma norma dispositiva. Geralmente essas normas
dispositivas tratam dos interesses das partes e sua violação acarreta um vício de
menor gravidade. Neste caso, o ato processual somente poderá ser anulado mediante
provocação da parte interessada, não podendo o magistrado agir de ofício. Assim, não
havendo provocação da parte interessada, o ato será convalidado, passando a ser
válido.
Ato inexistente: o ato será considerado inexistente quando lhe faltar alguma
característica essencial para sua formação no mundo jurídico. Esses atos não
produzem efeitos no mundo jurídico. Contém um vício tão acentuado, que não
chegam a produzir efeitos.

13. Princípios das nulidades.


I - Principio do prejuízo ou transcendência.
II - Principio da instrumentalizado das formas.
III - Principio da convalidação.
IV - Princípio da renovação dos atos processuais viciados ou sanea-mento
das nulidades.
V - Princípio do aproveitamento dos atos praticados.
VI - Princípio do interesse.

13. Princípios das nulidades.


I - Principio do prejuízo ou transcendência (CLT, art. 794).
- Não haverá nulidade se não houver prejuízo manifesto às partes
interessadas.
II - Principio da instrumentalizado das formas (CPC, arts. 154 e 244).
- O juiz deve desapegar-se das formas, procurando agir de modo a propiciar às
partes o atendimento da finalidade do processo.
III - Principio da convalidação (CLT, art. 795).
- Esse princípio diz respeito às nulidades relativas, eis que não havendo
arguição de nulidade da parte interessada o ato será convalidado.
IV - Princípio da renovação dos atos processuais viciados ou sanea-mento
das nulidades (CLT, art. 796).

23
- Também conhecido como princípio da economia processual, visa aproveitar
ao m máximo a relação jurídica processual, renovando os atos processuais
defeituosos, sem necessidade de extinção prematura do processo.
V - Princípio do aproveitamento dos atos praticados (CLT, art. 798).
- A declaração de nulidade não pode estender-se nem retroagir aos atos
validamente praticados.
VI - Princípio do interesse (CLT, art. 796).
- Somente terá interesse de postular a nulidade a parte que foi prejudicada,
mas que não deu causa a ela os processuais defeituosos, sem necessidade de extinção
prematura do processo.

Aula 07 (este item, é um resumo de internet)


DA AUDIÊNCIA NO PROCESSO DO TRABALHO

1. Introdução e conceito.
A audiência trabalhista é considerada por alguns operadores do direito como
sendo uma audiência trabalhosa, sendo mais complexa do que a audiência cível. Não
sei se é mais ou menos trabalhosa, mas a trabalhista requer o conhecimento de
algumas particularidades para que não haja imperícia na forma de condução do
trabalho pelo advogado do reclamante, ou mesmo pelo advogado da reclamada.
No presente texto seu objetivo é de uma espécie de compendio de alguns
principais temas da audiência, não tem função, no entanto, de esgotamento do tema.
Nas palavras do jurista Gerson Shiguemori “o temo audiência provém do latim
audientia, que significa também audição, que no Direito podemos entender como
sendo a realização de ato solene determinado por Juízes de Direito, para produção
de prova em processo judicial, aplicável na primeira instância, pois nos Tribunais
denomina-se sessão”.

2. Atraso em audiência.
Se extrai da legislação trabalhista que o atraso de 15 minutos previsto pelo
artigo 815 é apenas para o juiz, de modo que se uma das partes litigantes não
comparecer ao horário marcado será considerada revel, no caso da reclamada, ou
haverá extinção sem resolução de mérito no caso da ausência do reclamante.
Segundo a OJSBDI1 n. 245, “inexiste previsão legal tolerando atraso no horário de
comparecimento da parte à audiência.”

3. Poder de polícia.
Cumpre mencionar que no que diz respeito ao poder de polícia é o juiz quem
cabe “ordenar medidas para a manutenção do respeito por parte dos espectadores,
inclusive requisitando a força pública, se necessário, fazendo prender e autuar os
desobedientes, evacuar a sala, interromper os trabalhos...” (Bezerra Leite).

24
Este poder do juiz é também chamado de poder de polícia processual. Segundo
o artigo 360 da CPC ao exercer o poder de polícia o juiz deve tratar com urbanidade
as partes ou qualquer pessoa que participe do processo. Importante salientar
também, que segundo o inciso V do mesmo artigo todos os requerimentos
apresentados em audiência devem ser registrados em ata, com exatidão.

4. Audiência de conciliação, instrução e julgamento.


Reza o artigo 849 da CLT que a audiência de julgamento será contínua, mas
se não for possível concluí-la no mesmo dia será marcada em outro dia. Cumpre
mencionar que é pratica comum em São Paulo o fracionamento das audiências em
audiência de conciliação, audiência de instrução e audiência de julgamento.
Porém é importante salientar que é necessário cautela, porque há juízes que
não fracionam a audiência, sendo todos os atos realizados em uma única audiência.
A primeira audiência, de conciliação, tem o objetivo primordial de tentar a
conciliação das partes. Querendo entrar em acordo as partes conciliam e o juiz
homologa o acordo. Não existindo possibilidade de acordo, o juiz dá prosseguimento
ao processo marcando uma nova audiência.
A decisão homologatória do acordo firmado é, em tese, irrecorrível, porém pode
ser atacada por via da ação rescisória.
A segunda, audiência de instrução, serve para ouvir o preposto o Reclamante
e as testemunhas, e demais provas pertinentes.
Em audiência, depois de ouvidas as partes e as testemunhas, o juiz poderá
autorizar as partes a apresentar razões finais, sendo que este ato será praticado
oralmente pelas partes ou, entendendo o juiz pela complexidade da matéria poderá
dar prazo as partes para apresentar as razões finais depois da audiência. O advogado
também pode pedir ao juiz para que conceda prazo, ficando a critério do juiz a
decisão.
É importante já ter uma espécie de anotação para não esquecer alguma coisa
importante na hora da impugnação oral. É aconselhável olhar com atenção os
pedidos feitos pela Reclamada, assim como impugnar algum documento trazido pela
Reclamada.
Ademais, segundo Shiguemori, a audiência de julgamento é “destinado
somente ao Juízo, para o julgamento do processo, sem a presença das partes, sendo
que as partes terão ciência da decisão, via postal, oficial de justiça, imprensa oficial
ou pelo enunciado 197, que declara que as partes dão-se por notificadas no dia e
hora marcados para a publicação da decisão.
É importante salientar que se houver menção a súmula 197 do TST no corpo
da sentença o prazo para recurso começará a correr do dia marcado para audiência
de julgamento, assim, o advogado não será intimado pelo sistema PJE, devendo ter
cautela com isso.

5. Comparecimento das partes.


Segundo Bezerra Leite o “Na audiência de julgamento deverão estar presentes
o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus

25
representantes”. Apesar do que não é aconselhável a atuação sem advogado, no
intuito de preservar os direitos do trabalhador ou mesmo do empresário.
Também é necessário que o preposto seja funcionário da empresa, além de ser
conhecedor dos fatos, salvo se foi empregador doméstico ou se o empregador for micro
ou pequena empresa, conforme artigo 54 da Lei complementar 132/2006 e súmula
377 do TST.
Ademais, segundo Bezerra Leite, “alguns julgados admitem que o advogado
empregado atue, simultaneamente, como preposto do réu, o que nos parece válido,
uma vez que o causídico, na relação jurídica estabelecida com o cliente, está obrigado
a manter o sigilo profissional, o que torna incompatível o exercício concomitante das
duas funções.”
Segundo o código de ética da OAB, em seu artigo 25 prescreve que “é defeso
ao advogado funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e
preposto do empregador ou cliente.”
No caso do reclamante se ausentar na primeira audiência haverá o julgamento
sem mérito da causa, podendo ele entrar com nova ação. Porém, se a ação for extinta
por suas vezes sem resolução do mérito ocorrerá a perempção temporária, assim o
reclamante terá duas opções: reiterar o mesmos pedidos feitos da propositura ou,
aguardar seis meses e, assim, poderá propor a ação contendo novos pedidos.
Segundo Gerson Shiguemori “alguns juízes aplicam a revelia e confissão à
reclamada que encontra-se com seu preposto ausente, mesmo com advogado
presente e munido de procuração, podendo a ausência ser elidida por atestado
médico, que comprove a impossibilidade de locomoção do empregador ou preposto,
no dia da audiência, conforme súmula 122 do TST.”

6. Dos protestos.
Com relação a este tema, de suma importância para a boa condução da
audiência trabalhista, pode se dizer que é cabível toda vez que o advogado entende
que alguma discussão versada em audiência deverá ser formalmente consignada em
ata de audiência visando posteriormente conseguir a nulidade de algum ato
prejudicial a parte, em acordo ao artigo 795 e 794 da CLT.
É importante também salientar uma técnica jurídica para o caso de o juiz
indeferir o pedido de consignação dos protestos em ata. Segundo Gerson Shiguemori,
“É possível o protesto por escrito, vez que o artigo 795 da CLTprevê a manifestação
da parte a primeira vez que tiverem que falar em audiência ou nos autos, sendo este
último por escrito e ainda incondicionado a negativa do magistrado em constar na
ata de audiência.”

7. Das testemunha.
Neste tópico, a escolha deste texto é por salientar alguns pontos específicos,
sem que seja de suma importância outros.
O texto normativo prescreve que as testemunhas comparecerão a audiência
sem previa intimação, porém se o juiz intimar a parte para juntar o rol de
testemunhas há possibilidade de a oitiva da testemunha em audiência seja impedida
por esse motivo.

26
Quanto mais, em caso da ausência de da testemunha em audiência poderá a
parte requerer a remarcação da audiência, no mais das vezes, condicionado ao prévio
envio de carta convite.
Segundo Shiguemori, “A parte poderá requerer ainda que a testemunha seja
intimada por Mandado Judicial, devendo neste caso oferecer o rol previamente, ou
mesmo no dia da audiência em caso de aditamento, podendo o Juiz determinar que
sejam as testemunhas intimadas na forma do artigo 305 da Consolidação das Normas
da Corregedoria do TRT da 2 Região.”
No início da fala da testemunha, o advogado da parte contrária terá a
oportunidade de contraditar. Nesta etapa o advogado tentará mostrar para o juiz que
aquela testemunha não serve, ou não será imparcial em seu depoimento.
Por exemplo, se a testemunha é amiga intima de uma das partes. Será
perguntado para testemunha se ela tem algum interesse na causa. Se caso for
constatado que ela tem um preferido será indeferida sua oitiva, sem prejuízo de
consignar protesto a fim de buscar a nulidade do ato em eventual Recurso Ordinário.

27