Você está na página 1de 61

EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o segundo semestre de 2016
Respostas esperadas
Parte 1
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q1. (a) Sim, pois a única força capaz de gerar o torque para que a esfera role sem deslizar é o
atrito.
(b) Sim, pois o atrito é estático e não realiza trabalho, uma vez que a velocidade do ponto de
contato entre a esfera e o plano inclinado é nula (rolamento sem deslizamento).
(c) Tomando a base do plano como o zero de energia potencial gravitacional, a energia mecânica
inicial é apenas potencial gravitacional, dada por Ei = mgh. Na base do plano inclinado, a
energia mecânica é puramente cinética, dada pela energia cinética de translação do centro de
massa (CM) mais a energia de rotação em torno do CM, ou seja, Ef = mv 2 /2 + Iω 2 /2, onde v
e ω são, respectivamente, as velocidades de translação do CM e angular na base do plano. Por
conservação de energia mecânica,
1 1
mgh = mv 2 + Iω 2 . (1)
2 2
Como há rolamento sem deslizamento, a velocidade de translação do CM e a velocidade de
rotação satisfazem v = ωr. Substituindo na Eq. (1) e usando a expressão para o momento de
inércia dada no enunciado obtemos r
10
v= gh.
7

(d) Definimos um sistema de coordenadas com um eixo x paralelo ao plano inclinado e apon-
tando para a base do plano e um eixo y perpendicular ao plano e apontando para cima do
plano. A força resultante no eixo y é nula. No eixo x, usando a segunda lei de Newton,

mg sin θ − fat = ma, (2)

onde fat é a força de atrito e a a aceleração do CM. Para o movimento de rotação

τ = fat r = Iα, (3)

onde τ é o torque em relação a um eixo que passa pelo CM da esfera e α é sua aceleração
angular. Derivando em relação ao tempo a expressão do item anterior, v = ωr, obtemos
a = αr. Levando esta última relação e a Eq. (2) na Eq. (3) obtemos
2 a
(mg sin θ − ma)r = mr2 ,
5 r
donde
5
a = g sin θ. (4)
7
Dado que a é constante, podemos usar a seguinte relação, válida para um movimento unifor-
memente acelerado,

v 2 = v02 + 2a∆x
= 2ah/ sin θ, (5)

onde v0 = 0 é a velocidade no instante inicial e ∆x = h/ sin θ o deslocamento no eixo x.


Levando a Eq. (4) na Eq. (5)
r
10
v= gh,
7
que coincide com o resultado já encontrado no item (c).

1
Q2. (a) Utilizaremos como coordenada generalizada o ângulo θ que a haste faz com a vertical. O
módulo da velocidade da partı́cula é dado por v = lθ̇, de modo que sua energia cinética é
m(lθ̇)2
T = .
2
A altura na vertical, em relação à posição em que θ = 0, é dada por h = l − l cos θ. Segue que
a energia potencial gravitacional é
V = mgl(1 − cos θ).
Finalmente, a Lagrangiana do sistema é

ml2 θ̇2
L=T −V = − mgl(1 − cos θ). (6)
2

(b) A equação de movimento é obtida a partir da equação de Euler-Lagrange


 
d ∂L ∂L
− = 0.
dt ∂ θ̇ ∂θ
Utilizando a Eq. (6) na equação acima, temos
g
θ̈ = − sin θ.
l

(c) Nos pontos de equilı́brio, dV /dθ = 0, o que nos dá sin θ = 0, ou seja, os pontos procurados
são
θ = 0 e θ = π.
Para avaliar a estabilidade dos pontos de equilı́brio, analisamos o sinal de
d2 V
= mgl cos θ.
dθ2
Para θ = 0, a expressão acima tem valor positivo (mı́nimo de V ), caracterizando um equilı́brio
estável, enquanto que para θ = π, o sinal é negativo (máximo de V ), correspondendo a um
ponto de equilı́brio instável.
(d) Para pequenas oscilações em torno de θ = 0, podemos aproximar sin θ ≈ θ. A equação de
movimento fica
g
θ̈ = − θ,
l
cuja solução geral é, por inspeção,
θ(t) = A sin(ωt + δ),
onde A e δ são constantes arbitrárias determinadas pelas condições iniciais e
p
ω = g/l,

que é a frequência (angular) procurada. Alternativamente, pode-se comparar a Eq. (2) com
a equação de movimento de um oscilador harmônico simples uni-dimensional de frequência
(angular) ω,
ẍ + ω 2 x = 0,
p
e inferir que no caso em questão teremos ω = g/l.

2
Q3. a) A conservação de energia nos dá
p
E0 + mc2 = p2e c2 + m2 c4 + E, (7)
enquanto a conservação de momento linear é
p~0 + ~0 = p~ + p~e .

b) Da conservação de momento linear


p2e = (~p0 − p~)2 = p20 + p2 − 2pp0 cos θ.
Usando que, para os fótons, p0 = E0 /c e p = E/c e levando na Eq. (7)
q
E0 + mc2 = E02 + E 2 − 2EE0 cos θ + m2 c4 + E.
Isolando a raiz quadrada e elevando a equação ao quadrado
2
E0 − E + mc2 = E02 + E 2 − 2EE0 cos θ + m2 c4
E02 + E 2 + m2 c4 − 2EE0 + 2mc2 (E0 − E) = E02 + E 2 − 2EE0 cos θ + m2 c4
−EE0 + mc2 (E0 − E) = −EE0 cos θ
mc2 (E0 − E) = EE0 (1 − cos θ) .
Finalmente,
1 1 1
− = (1 − cos θ) . (8)
E E0 mc2
c) Da relação entre a energia e o comprimento de onda dos fótons
hc hc
E= e E0 = ,
λ λ0
onde λ é o comprimento de onda do fóton espalhado. Portanto,
h
λ = λ0 + (1 − cos θ) .
mc
Para θ = π/2,
h
λ = λ0 + .
mc
c) A energia cinétia do elétron espalhado é
p
K = p2e c2 + m2 c4 − mc2 = E0 − E.
Fazendo θ = π/2 na Eq. (8)
1 1 1
− = ,
E E0 mc2
donde
mc2 E0
E= .
E0 + mc2
Assim, !
mc2 mc2
 
hc
K = E0 1− = 1 − hc .
E0 + mc2 λ0 λ0
+ mc2
Finalmente,
hc 1
K= .
λ0 1 + λλ0
C

3
Q4. (a) Queremos calcular hn0 | x̂ |ni e hn0 | p̂ |ni. Utilizando que
r
† mω i
â = x̂ − √ p̂,
2~ 2mω~
obtemos
r
~
â + ↠,

x̂ =
r2mω
~mω † 
p̂ = i â − â .
2
Os elementos de matriz pedidos são
r
~
hn0 | x̂ |ni = hn0 | â + ↠|ni ,

r2mω
~mω 0 †
hn0 | p̂ |ni = i

hn | â − â |ni .
2
Como
√ √
hn0 | â |ni = hn0 | n |n − 1i = nδn0 ,n−1 ,
√ √
hn0 | ↠|ni = hn0 | n + 1 |n + 1i = n + 1δn0 ,n+1 ,

segue que
q √ √
hn0 | x̂ |ni = ~

2mω
nδn0 ,n−1 + n + 1δn0 ,n+1 ,
q √ √
hn0 | p̂ |ni = i ~mω

2
n + 1δn0 ,n+1 − nδn0 ,n−1 .

(b) Primeiramente, escrevemos x̂2 em termos de â e â†


r r
2 ~ †
 ~ †
 ~ h 2 † †
i
† 2
x̂ = â + â â + â = â + ââ + â â + â .
2mω 2mω 2mω
O valor esperado procurado é
~  2 2 
hn| x̂2 |ni = hn| â + â↠+ ↠â + ↠|ni .
2mω
Calculamos cada termo separadamente
√ √ √
hn| â2 |ni = hn| a n |n − 1i = n n − 1δn,n−2 = 0,
2 √ √ √
hn| ↠|ni = hn| a† n + 1 |n + 1i = n + 1 n + 2δn,n+2 = 0,

hn| â↠|ni = hn| a n + 1 |n + 1i = (n + 1) hn| ni = n + 1,

hn| ↠â |ni = hn| a† n |n − 1i = n hn| ni = n.

Juntando todas as contribuições


 
2 ~ ~ 1
hn| x̂ |ni = (2n + 1) = n+ .
2mω mω 2

4
(c) A energia total média em um auto estado do Hamiltoniano é
   
† 1 1
hn| Ĥ |ni = ~ω hn| â â + |ni = ~ω n + ,
2 2

onde usamos o valor esperado do operador número calculado no item anterior. A energia
potencial média em um auto estado do Hamiltoniano é
1
hn| V̂ |ni = mω 2 hn| x̂2 |ni .
2
Do item anterior    
1 ~ 1 ~ω 1
hn| V̂ |ni = mω 2 n+ = n+ .
2 mω 2 2 2
Finalmente
hn| Ĥ |ni
= 2.
hn| V̂ |ni

(d) Primeiro notamos que

dâH (t) h i h i
i~ = âH (t),Ĥ = eiĤt/~
â,Ĥ e−iĤt/~ ,
dt
já que o Hamiltoniano comuta com as exponenciais. O comutador procurado é
  
h i
† 1
= ~ω â,↠â ,
 
â,Ĥ = ~ω â, â â +
2

onde usamos que um número comuta com qualquer operador. Mas


 † 
â,â â = â↠â − ↠â2 = â↠− ↠â â = â,↠â = â,
   

já que â,↠= 1. Assim,


 

dâH (t)
i~ = ~ω eiĤt/~ âe−iĤt/~ = ~ωâH (t).
dt
Resolvendo essa equação diferencial

âH (t) = â (0) e−iωt = âe−iωt .

5
Q5. a) O gráfico pedido é mostrado na Fig. 5:

p
C

V0 rV0 V

Figura 1: Gráfico esquemático mostrando o ciclo num diagrama p x V .

b) (i) De maneira geral, o trabalho realizado pelo gás num processo reversı́vel quando o volume
varia de V1 até V2 é dado por Z V2
W = pdV
V1

Portanto, o trabalho realizado no trecho CA é nulo, pois não há variação de volume. O trecho
AB é adiabático, portanto não há troca de calor QAB entre o gás e a vizinhança. Da primeira
lei da termodinâmica ∆U = Q − W (U é a energia interna),

WAB = −∆UAB = ncV (TA − TB ),

onde usamos a expressão para a energia interna de um gás ideal. Finalmente, na isoterma BC,
usando a equação de estado do gás ideal,
Z V0
WBC = pdV = −nRTB ln r.
rV0

Como TC = TB e as isotermas são hipérboles p = nRT /V num gráfico p x V , segue que


Tmin = TB < TA = Tmax . Logo, usando cV = R/(γ − 1), o trabalho total é dado por

nR
Wtotal = (Tmax − Tmin ) − nRTmin ln r.
γ−1

(ii) Só há troca de calor entre o gás e a vizinhança nos trechos BC e CA, pois o processo AB é
adiabático. Como BC é uma isoterma, a energia interna do gás se mantém constante e, usando
a primeira lei,
QBC = WBC = −nRTB ln r < 0,
o que corresponde a uma liberação de calor do gás para sua vizinhança. Na isocórica CA, o
trabalho é nulo e, usando novamente a primeira lei,

QCA = ∆UCA = ncV (TA − TC ) = ncV (Tmax − Tmin ).

6
Portanto, o calor injetado no gás é

nR
Qinjetado = (Tmax − Tmin ).
γ−1

c) O rendimento é dado por

Wtotal (γ − 1)Tmin
η= =1− ln r.
Qinjetado (Tmax − Tmin )

d) Na adiabática AB temos que

pA V0γ = pB (rV0 )γ ⇒ pB = pA /rγ ,

e na isoterma BC temos que

pB rV0 = pC V0 ⇒ pC = rpB ,

donde
pC pC γ pA
r= = r ⇒ rγ−1 = .
pB pA pC
Da equação de estado dos gases ideais para a isovolumétrica CA
pA TA Tmax
= = .
pC TC Tmin
Assim,
 1/(γ−1)
Tmax
r= .
Tmin
Levando na expressão para o rendimento,
 
Tmin Tmax
η =1− ln .
(Tmax − Tmin ) Tmin

Se Tmax = 2Tmin , temos que


η = 1 − ln 2 ≈ 0.31,
e o rendimento da máquina de Carnot correspondente é
Tmin
ηCarnot = 1 − = 0.5,
Tmax
de forma que
η
= 2(1 − ln 2).
ηCarnot
O rendimento da máquina é menor do que o da máquina de Carnot correspondente. Isso é
o esperado porque uma das consequências da segunda lei da termodinâmica é que nenhuma
máquina operando entre dois reservatórios a temperaturas Tmax e Tmin pode ter rendimento
maior que a máquina de Carnot entre esses reservatórios.

7
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o segundo semestre de 2016
Respostas esperadas
Parte 2
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q6. a) Pela lei de Gauss, de maneira geral, sabemos que:
I
E ~ = qV ,
~ · dS (9)
S 0
onde a integral é feita sobre a superfı́cie S de uma região V e qV é a carga total contida em V .
Tomaremos, nessa questão, regiões esféricas de raio r centradas no centro da esfera isolante.
Por simetria, o campo elétrico apontará sempre na direção radial, ou seja, E ~ = E r̂.
i) Campo elétrico para r < a: Neste sub-item, escolhemos regiões esféricas de raio r < a,
representadas pelas linhas pontilhadas na Fig. 2. Desta forma, a carga em V é

qV = ρV ,
4πρ 3
qV = r .
3
Aplicando a Eq. (9) e usando que o campo elétrico é radial
4πρ 3
E4πr2 = r .
30
Portanto, a magnitude do campo elétrico será dada por
ρ
E= r.
30

ii) Campo elétrico para a < r < b: Neste caso, as regiões esféricas tem raio r tal que a < r < b,
como mostrado na Fig. 3. A carga total contida em V é qV = Q. Aplicando a Eq. (9) e usando
que o campo elétrico é radial
Q
E4πr2 = .
0
Portanto, a magnitude do campo elétrico será

Q
E= .
4π0 r2

iii) Campo elétrico para b < r < c: Nesta região, queremos o campo elétrico dentro de um
condutor em equilı́brio eletrostático (veja a Fig. 4), que sempre se anula. Portanto,

E = 0.

(iv) Campo elétrico para r > c: Agora, as regiões esféricas tem raio r > c, como mostrado na
Fig. 5. A carga contida em V é qV = Q. Aplicando novamente a Eq. (9) e usando que o campo
elétrico é radial
Q
E4πr2 = .
0
Portanto, a magnitude do campo elétrico será

Q
E= .
4π0 r2

1
Figura 2: Região V no caso (i) r < a. Figura 3: Região V no caso (ii) a < r < b.

Figura 4: Região V no caso (iii) b < r < c. Figura 5: Região V no caso (iv) r > c.

b) Em todo condutor em equilı́brio eletrostático, a carga lı́quida se distribui na sua superfı́cie.


Vamos denotar por q1 a carga induzida na superfı́cie interna do condutor (r = b) e q2 a a carga
induzida na superfı́cie externa do condutor (r = c). Como dentro do condutor temos E = 0,
aplicando a Eq. (9) a uma região como as do item (a)(iii) (raio r, tal que b < r < c), a carga
total em V nesse caso é nula. Portanto,

qV = Q + q1 = 0
⇒ q1 = −Q.

Como, por simetria, a carga se distribui de maneira uniforme na superfı́cie, segue que a densi-
dade de carga induzida em r = b é
Q
σ1 = − .
4πb2
Como o condutor está descarregado, por conservação de carga, temos que

Qcondutor = 0 = q1 + q2
q2 = −q1

Usando novamente que, por simetria, a carga se distribui de maneira uniforme na superfı́cie, a
densidade de carga induzida em r = c é

Q
σ2 = .
4πc2

2
c) Esboço do gráfico E × r:

Figura 6: Esboço do gráfico E × r.

3
Q7. a) Pelo formulário podemos ver que no vácuo (onde ρ = 0 e J~ = 0), as equações de Maxwell
são dadas por

~ = 0;
∇·E (10)
~ = 0;
∇·B (11)
~
~ = − ∂B ;
∇×E (12)
∂t
~
~ = µ0 0 ∂ E ;
∇×B (13)
∂t
Tomando o rotacional da Eq. (12) temos que
!
~
∂B
~ +∇×
∇ × (∇ × E) = 0. (14)
∂t

Utilizando a primeira identidade vetorial dada no enunciado juntamente com a Eq. (10), po-
demos re-escrever o primeiro termo do lado esquerdo da equação acima como
~ = ∇(∇ · E)
∇ × (∇ × E) ~ − ∇2 E
~ = −∇2 E
~.

Desta forma a Eq. (14) pode ser re-escrita, trocando a ordem das derivadas parciais, como

~ + ∂ ∇×B
 
−∇2 E ~ = 0.
∂t
Utilizando a Eq. (13) obtemos a equação da onda para o campo elétrico

~
∂ 2E
~ = µ0 0
∇2 E .
∂t2

Tomando agora o rotacional da Eq. (13) temos que


!
~
∂E
~ − µ0 0 ∇ ×
∇ × (∇ × B) = 0.
∂t

Utilizando a primeira identidade vetorial dada no enunciado juntamente com a Eq. (11) e
trocando a ordem das derivadas parciais, podemos re-escrever a equação acima como

~ − µ0 0 ∂ ∇ × E
 
−∇2 B ~ = 0. (15)
∂t
Finalmente, utilizando a Eq. (12) no segundo termo da Eq. (15) obtemos

~
∂ 2B
~ = µ0 0
∇2 B .
∂t2

b) A equação de onda para uma função f (~r,t) se propagando com velocidade v é dada por

1 ∂ 2 f (~r,t)
∇2 f (~r,t) = . (16)
v 2 ∂t2

4
~ eB
Comparando com as Eqs. (15) e (16), notamos que a velocidade de propagação de E ~ é
dada por

1 1
= µ0 0 ⇒ v=√ = c. (17)
v2 µ0 0

~ aponte na direção x̂ e se propague na direção ẑ, podemos


c) (0,2 pontos) Supondo que E
escrever que
~ = E0 ei(kz−wt) x̂ ,
E (18)
~ = B0 ei(kz−wt) ŷ .
B (19)

O campos “fı́sicos” podem ser escritos como (supondo E0 e B0 reais)

E~f = Re(E)
~ = E0 cos(kz − wt)x̂ , (20)
B~f = Re(B)
~ = B0 cos(kz − wt)ŷ . (21)

Essas soluções, de fato, satisfazem as quatro Eqs. (10-13) desde que ω = ck, como pode ser
verificado. De maneira geral, a direção de E~ é arbitrária, desde que seja perpendicular a ~z.
~ ~
Uma vez fixada a direção de E, B tem que ser perpendicular a E ~ e ~z. Os módulos de E
~ eB ~
são:

E = E0 cos(kz − wt) ,
B = B0 cos(kz − wt) .

d) Tomando a divergência da Eq. (13) temos



~
 ∂  
∇ · ∇ × B − µ0 0 ∇ · E = µ0 ∇ · J~ .
~ (22)
∂t
O primeiro termo se anula pela segunda identidade dada no enunciado. Usando a Eq. (10)

∂ρ
+ ∇ · J~ = 0
∂t

Esta equação expressa a lei de conservação da carga: em sua forma integral, ela implica que a
taxa de variação temporal da carga total incluı́da em uma região espacial fixa é igual ao fluxo
de corrente elétrica entrando pela superfı́cie que delimita a região.

5
Q8. (a)Das relações fornecidas
γB~
Ĥ |±i = −γB Ŝz |±i = ∓ |±i
2
Portanto, |±i são auto-vetores do Hamiltoniano com auto-valores dados, respectivamente, por

γ~B
E± = ∓ .
2

(b) De maneira geral,

|ψ (t)i = c+ e−i(E+ /~)t |+i + c− e−i(E− /~)t |−i ,


 

onde c± são coeficientes determinados pelas condições iniciais. Usando as expressões dos auto-
valores do item anterior
h γB γB
i
|ψ (t)i = c+ ei 2 t |+i + c− e−i 2 t |−i .

Em t = 0 temos
1
|ψ (t = 0)i = [c+ |+i + c− |−i] = √ [|+i − |−i] ,
2

donde c+ = −c− = 1/ 2. Portanto,

1 h i γB t −i γB t
i
|ψ (t)i = √ e 2 |+i − e 2 |−i .
2

(c) A média de Ŝi é dada por D E


Ŝi = hψ (t)| Ŝi |ψ (t)i

Utilizando a |ψ (t)i obtida no item anterior


1 h γB γB
i
Ŝx |ψ (t)i = Ŝx √ ei 2 t |+i − e−i 2 t |−i
2
~ h γB γB
i
= √ ei 2 t |−i − e−i 2 t |+i ,
2 2
1 h i γB t −i γB t
i
Ŝy |ψ (t)i = Ŝy √ e 2 |+i − e 2 |−i
2
~ h γB γB
i
= i √ ei 2 t |−i + e−i 2 t |+i ,
2 2
1 h γB γB
i
Ŝz |ψ (t)i = Ŝz √ ei 2 t |+i − e−i 2 t |−i
2
~ h i γB t γB
i
= √ e 2 |+i + e−i 2 t |−i .
2 2

6
Finalmente,
1 h γB γB
i ~ h γB γB
i
hψ (t)| Ŝx |ψ (t)i = √ e−i 2 t h+| − ei 2 t h−| √ ei 2 t |−i − e−i 2 t |+i
2 2 2
~
= − cos (γBt)
2
1 h −i γB t γB
i ~ h γB γB
i
hψ (t)| Ŝy |ψ (t)i = √ e 2 h+| − ei 2 t h−| i √ ei 2 t |−i + e−i 2 t |+i
2 2 2
~
= sin (γBt)
2
1 h γB γB
i ~ h γB γB
i
hψ (t)| Ŝz |ψ (t)i = √ e−i 2 t h+| − ei 2 t h−| √ ei 2 t |+i + e−i 2 t |−i
2 2 2
= 0
D E
Ŝx = − ~2 cos (γBt)
D E
~
Ŝy = 2
sin (γBt)
D E
Ŝz = 0

(d) Queremos t tal que

|ψ (0)i = |ψ (t)i ,
1 1 h γB γB
i
√ [|+i − |−i] = √ e+i 2 t |+i − e−i 2 t |−i ,
2 2
onde usamos o resultado do item (b). Por inspeção nota-se que a condição a ser satisfeita é
γB γB
e±i 2
t
=1⇒ t = 2nπ (n = 1,2, . . .).
2
O menor valor de t corresponde a n = 1


t= .
γB

7
Q9. a) Em qualquer outro referencial S 0 , o intervalo invariante terá o mesmo valor
2 2 2 2
∆s2 = (∆x0 ) + (∆y 0 ) + (∆z 0 ) − c2 (∆t0 ) .

Se nesse referencial os eventos ocorressem no mesmo ponto do espaço, ∆x0 = ∆y 0 = ∆z 0 = 0


e terı́amos ∆s2 = −c2 (∆t0 )2 < 0, o que contradiz o enunciado. Portanto, esse referencial não
existe.
b) Como o intervalo invariante é positivo

∆x2 + ∆y 2 + ∆z 2 > c2 ∆t2 .

Supondo a propagação de um sinal com velocidade V~ entre os eventos, terı́amos ∆x = Vx ∆t,


∆y = Vy ∆t e ∆z = Vz ∆t. Levando na desigualdade acima

Vx2 + Vy2 + Vz2 ∆t2 > c2 ∆t2 .




Assim, terı́amos Vx2 + Vy2 + Vz2 = V 2 > c2 . Portanto, o sinal teria que se propagar com uma
velocidade maior do que a da luz, o que é impossı́vel.
c) (i) Como o relógio está em repouso em S 0 , ∆x0 = ∆y 0 = ∆z 0 = 0 e ∆s2 = −c2 (∆t0 )2 < 0. O
sinal é negativo.
(ii) Observados no referencial S, os eventos são tais que ∆x = Vx ∆t, ∆y = Vy ∆t e ∆z = Vz ∆t.
Logo,
2
∆s2 = Vx2 + Vy2 + Vz2 ∆t2 − c2 ∆t2 = −c2 (∆t0 ) ,


onde usamos que o valor do intervalo invariante não depende do referencial. Segue que
r
V2
∆t0 = 1− ∆t.
c2

d) (i) No referencial de laboratório S, a separação espacial entre os eventos é a distância entre


F e D e a separação temporal é o tempo que a partı́cula leva para viajar entre um e outro

L
∆x = L e ∆t = .
V

(ii) No referencial da partı́cula, os eventos ocorrem no mesmo ponto espacial e a separação


temporal entre eles pode ser obtida usando o resultado do item (c)(ii)
r  
0 0 V2 L
∆x = 0 e ∆t = 1− 2 .
c V

(iii) Do ponto de vista de S 0 , L0 = V ∆t0 , pois F e D (e o refencial S) se movem com velocidade


−V~ . Usando a expressão para ∆t0 obtida no item anterior
r
V2
L0 = 1− L.
c2

8
Q10. a) A função de partição é obtida somando sobre todos os estados do sistema com o peso de
Boltzmann ∞ ∞  2
mω 2 x2
Z Z  
−βH dxdp p
Z = Tre = exp −β + ,
−∞ −∞ h 2m 2
onde β −1 = kB T . Usando

Z r
−ax2 π
dxe = ,
−∞ a
obtemos
r r
π 2m 2
Z =
h β βmω 2

2πkB T kB T
Z= = .
hω ~ω

b) Como os osciladores são independentes, o número médio n(x)dx pedido é igual a 3N vezes
a probabilidade de um oscilador ter sua posição no intervalo considerado. Esta probabilidade,
por sua vez, é igual ao peso de Boltzmann integrado sobre todos os valores de momento linear,
donde
3N dx ∞ dp
 2
mω 2 x2
Z  
p
n(x)dx = exp −β +
Z −∞ h 2m 2

mω 2 x2
r  
m
n(x)dx = 3N ωdx exp − .
2πkB T 2kB T

c) A energia potencial média por oscilador é


Z ∞
mω 2 x2

1
hU i = n(x)dx
3N −∞ 2
Z ∞
mω 2 x2 mω 2 x2
r   
m
= ω exp − dx
2πkB T −∞ 2 2kB T
r
2kB T ∞ 2 −x2
r Z
m
= ω (kB T ) xe .
2πkB T mω 2 −∞
R∞ 2 √
Usando que −∞ x2 e−x = π/2,
kB T
hU i = .
2
Esse resultado é o esperado pelo teorema da equipartição, que diz que o valor médio clássico
de cada grau de liberdade quadrático da Hamiltoniana (como a energia potencial) é kB T /2.
d) Temos que r
mω 2 x20 kB T x0 1 kB T
= ⇒f = = .
2 2 d ωd m
Para os dados fornecidos
f ≈ 0.03 = 3%.

9
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o primeiro semestre de 2017
Gabarito
Parte 1
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q1. (a) Da componente da segunda lei de Newton na direção vertical (orientada para cima), a
queda é descrita por
Z v Z t
dv dv dv 0
F = m = −mg − kmv ⇒ = −(g + kv) ⇒ 0
=− dt0 , (1)
dt dt 0 g + kv 0
onde usamos a condição inicial de que o corpo parte do repouso. Usando
Z
dx 1
= ln(ax + b),
ax + b a
segue que
Z v Z t
dv 0
 
0 g + kv
0
=− dt ⇒ ln = −kt. (2)
0 g + kv 0 g
Invertendo a última relação
g −kt 
v(t) = e −1 . (3)
k
Como v(t) < 0 (corpo em queda), o módulo da velocidade é
g  g
|v(t)| = − e−kt − 1 = 1 − e−kt .

k k
(b) A velocidade terminal vterm é obtida tomando-se o limite t → ∞ na Eq. (3)
g −kt  g g
vterm = lim e − 1 = − ⇒ |vterm | = .
t→∞ k k k
(c) A posição vertical do corpo é obtida integrando mais uma vez a Eq. (3)
k z 0
Z t
e−kt 1
Z
dz g −kt  −kt0

0 kz
v= = e −1 ⇒ dz = e − 1 dt ⇒ =− + − t,
dt k g 0 0 g k k
donde
g  gt
z(t) = 2 1 − e−kt − . (4)
k k
(d) Das Eqs. (3) e (4),
v g
z = − − t.
k k
Eliminando t usando a Eq. (2), encontramos a expressão procurada
 
g kv v
z(v) = 2 ln 1 + − .
k g k
Alternativamente, da Eq. (1)
dv
a= = −(g + kv).
dt
Mas
dv dv dt a
= = ⇒ v dv = a dz = −(g + kv)dz.
dz dt dz v
Logo
v Z z v z
v0 g ln(g + kv) − kv
Z
0 0

− 0
dv = dz ⇒ 2
= z ,
0 g + kv 0 k
0

0
R x bx−a ln(a+bx)
onde usamos o resultado a+bx dx = b2
. Segue que
 
g kv v
z(v) = 2 ln 1 + − .
k g k

1
Q2. (a) Seja um sistema cartesiano de coordenadas com x na horizontal orientada para a direita
e y na vertical orientada para baixo e com a origem no ponto de sustentação do pêndulo
superior. Sejam (x1 ,y1 ) e (x2 ,y2 ) as coordenadas cartesianas das partı́culas de massas m1 e m2 ,
respectivamente. Então,

x1 = l1 sin θ1 , y1 = l1 cos θ1 , x2 = l1 sin θ1 + l2 sin θ2 , y2 = l1 cos θ1 + l2 cos θ2 .

donde

ẋ1 = l1 θ̇1 cos θ1 , ẋ2 = l1 θ̇1 cos θ1 + l2 θ̇2 cos θ2 ,


ẏ1 = −l1 θ̇1 sin θ1 , ẏ2 = −l1 θ̇1 sin θ1 − l2 θ̇2 sin θ2 .

A energia cinética da partı́cula 1 é


m1 2  m1  2 2  m
1 2 2
T1 = ẋ1 + ẏ12 = l1 θ̇1 cos2 θ1 + l12 θ̇12 sin2 θ1 = l θ̇ .
2 2 2 1 1
Para a partı́cula 2

ẋ22 = l12 θ̇12 cos2 θ1 + l22 θ̇22 cos2 θ2 + 2l1 l2 θ̇1 θ̇2 cos θ1 cos θ2 ,
ẏ22 = l12 θ̇12 sin2 θ1 + l22 θ̇22 sin2 θ2 + 2l1 l2 θ̇1 θ̇2 sin θ1 sin θ2 ,

donde
m2 2  m2 h 2 2 i
T2 = ẋ2 + ẏ22 = l1 θ̇1 + l22 θ̇22 + 2l1 l2 θ̇1 θ̇2 cos(θ1 − θ2 )
2 2
A energia cinética total é
m1 2 2 m2 h 2 2 i
T = T1 + T2 = l1 θ̇1 + l1 θ̇1 + l22 θ̇22 + 2l1 l2 θ̇1 θ̇2 cos(θ1 − θ2 ) .
2 2

(b) A energia potencial é

V = −m1 gy1 − m2 gy2 = −m1 gl1 cos θ1 − m2 g (l1 cos θ1 + l2 cos θ2 ) .

(c) A Lagrangiana é L = T − V
m1  2 2 
L = l1 θ̇1 + 2gl1 cos θ1
2
m2 h 2 2 2 2
i
+ l θ̇ + l2 θ̇2 + 2l1 l2 θ̇1 θ̇2 cos(θ1 − θ2 ) + 2g (l1 cos θ1 + l2 cos θ2 ) .
2 1 1

(d) As equações de movimento são as equações de Euler-Lagrange


 
d ∂L ∂L
− = 0 (i = 1,2).
dt ∂ θ̇i ∂θi

Temos para i = 1
∂L
= −(m1 + m2 )gl1 sin θ1 − m2 l1 l2 θ̇1 θ̇2 sin (θ1 − θ2 ),
∂θ1
∂L
= (m1 + m2 )l12 θ̇1 + m2 l1 l2 θ̇2 cos(θ1 − θ2 ),
∂ θ̇1

2
e
 
d ∂L
= (m1 + m2 )l12 θ̈1 + m2 l1 l2 θ̈2 cos(θ1 − θ2 ) − m2 l1 l2 θ̇2 sin (θ1 − θ2 )(θ̇1 − θ̇2 ),
dt ∂ θ̇1
e para i = 2
∂L
= −m2 gl2 sin θ2 + m2 l1 l2 θ̇1 θ̇2 sin (θ1 − θ2 ),
∂θ2
∂L
= m2 l22 θ̇2 + m2 l1 l2 θ̇1 cos(θ1 − θ2 ),
∂ θ̇2
e  
d ∂L
= m2 l22 θ̈2 − m2 l1 l2 θ̇1 sin (θ1 − θ2 )(θ̇1 − θ̇2 ) + m2 l1 l2 θ̈1 cos(θ1 − θ2 ).
dt ∂ θ̇2
As equações procuradas são, portanto,

(m1 + m2 )(l12 θ̈1 + gl1 sin θ1 ) + m2 l1 l2 [θ̈2 cos(θ1 − θ2 ) + θ̇22 sin (θ1 − θ2 )] = 0,
m2 [l22 θ̈2 + gl2 sin θ2 ] + m2 l1 l2 [θ̈1 cos(θ1 − θ2 ) − θ̇12 sin (θ1 − θ2 )] = 0.

3
Q3. a) A Hamiltoniana do oscilador isotrópico é
1  mω 2 2
p2x + p2y + p2z + x + y2 + z2 ,

H=
2m 2
que corresponde à soma de 3 osciladores unidimensionais independentes, um para cada direção
cartesiana. Como os osciladores são independentes, os auto-estados do sistema são dados pelo
produto tensorial (ou Kronecker, ou externo) dos auto-estados de cada oscilador

|n1 ,n2 ,n3 i = |n1 i ⊗ |n2 i ⊗ |n3 i ,

onde ni = 0,1,2, . . . (i = 1,2,3 ≡ x,y,z) e |ni i são os auto-estados do oscilador harmônico na


direção i. As auto-energias são a soma das auto-energias dos 3 osciladores independentes
   
3 3
En = n1 + n2 + n3 + ~ω ≡ n + ~ω,
2 2
onde definimos n = n1 + n2 + n3 , que é um número natural arbitrário.
b) En = 27 ~ω corresponde a n = n1 + n2 + n3 = 2. Esta última equação pode ser satisfeita
por (n1 ,n2 ,n3 ) = (0,0,2) e suas permutações (0,2,0) e (2,0,0) e por (n1 ,n2 ,n3 ) = (0,1,1) e suas
permutações (1,0,1) e (1,1,0), correspondendo a uma degenerescência total de 6.
c) Os valores possı́veis de serem medidos são as auto-energias En . A probabilidade de se medir
a auto-energia En é X
Pn = δn,n1 +n2 +n3 |hn1 ,n2 ,n3 |ψi|2 .
n1 ,n2 ,n3

Os únicos valores com probabilidade não nula de serem medidos nesse caso são
 
3 5
0+0+1+ ~ω = ~ω = E1
 2 2
3 5
0+1+0+ ~ω = ~ω = E1
 2 2
3 7
0+1+1+ ~ω = ~ω = E2 .
2 2
A probabilidade de se medir E1 = (5/2)~ω é

|h0,0,1|ψi|2 + |h0,1,0|ψi|2 = 1/2 + 1/4 = 3/4.

A probabilidade de se medir E1 = (7/2)~ω é

|h0,1,1|ψi|2 = 1/4.

d) O resultado da medida foi E1 . O estado logo após a medida é a projeção do estado |ψi no
auto-sub-espaço de E1 , ou seja,
 
1 1
|ψ(t > 0)i = α √ |0,0,1i + |0,1,0i ,
2 2
2
√ constante de normalização. Normalizando o estado, acha-se |α| (1/2 + 1/4) =
onde α é uma
1 ⇒ α = 2/ 3. Assim, r
2 1
|ψ(t > 0)i = |0,0,1i + √ |0,1,0i.
3 3

4
Q4. (a) Fazendo a mudança de variáveis ν = xT , na expressão para a densidade de energia, fornecida
no enunciado, obtém-se Z ∞
4
u(T ) = T x3 f (x)dx. ≡ KT 4 ,
0
onde K é uma constante independente da temperatura. Como u tem dimensão de energia
por unidade de volume, segue que K tem dimensão de energia por unidade por unidade de
temperatura absoluta à quarta potência ou
[E] m
[K] = 3 4
= 2 4,
l k lt k
onde m tem dimensão de massa, l tem dimensão de comprimento, t tem dimensão de tempo e
k tem dimensão de temperatura absoluta e usamos que [E] = ml2 /t2 .
(b)
2
(i) O fator 8πν
c3
dν é número de modos normais de vibração do campo eletromagnético, por
unidade de volume, com frequência no intervalo [ν,ν + dν].
(ii) Se hν  kB T , exp(hν/kB T ) ≈ 1 + hν/kB T e a distribuição de energia é
hν hν
≈ hν
= kB T.
e(hν/kB T ) −1 kB T

(iii) O resultado obtido no item anterior é o que seria obtido utilizando um tratamento clássico,
via o teorema de equipartição para osciladores clássicos: kB T /2 para cada termo quadrático na
energia, termo cinético e potencial harmônico.
(c) Determinamos primeiramente tP . Escrevendo, de maneira geral,

tP = Gα hβ cγ

e levando em conta que

[G] = l3 t−2 m−1 ; [~] = ml2 t−1 ; [c] = lt−1 ,

obtém-se
l3α+2β+γ m−α+β t−2α−β−γ = t.
Logo, α = β = 1/2 e γ = −5/2. Portanto,
r
~G
tP = .
c5
A distância de Planck é r
~G
lP = ctP = .
c3
De maneira similar, para a massa de Planck

l3α+2β+γ m−α+β t−2α−β−γ = mP ,

que fornece α = −β = −1/2 e γ = 1/2. Logo,


r
~c
mP = .
G

5
A temperatura de Planck pode ser determinada fazendo a razão entre a energia de Planck,
mP c2 , e a constante de Boltzmann
s
mp c2 ~c5
TP = = 2
.
kB GkB

Utilizando os valores numéricos das quatro constantes fundamentais, ~, c, G e kB

tP ≈ 10−44 s; lP ≈ 10−35 m; mP ≈ 10−8 kg; TP ≈ 1032 K.

6
Q5. (a) A conservação de energia interna leva a
(K + mH2 O cH2 O )(Teq − Tamb )
mx cx (Tx − Teq ) = (K + mH2 O cH2 O )(Teq − Tamb ) ⇒ cx = .
mx (Tx − Teq )

(b) Usando os dados fornecidos e as fórmulas de propagação de erros do formulário

(30,0 + 50,0 × 1,0)(27,8 ± 0,1 − 25,0 ± 0,1)


cx =
200(37,8 − 27,8 ± 0,1)
2,8 ± 0,14
= 0,40 × .
10,0 ± 0,1
A fração acima é
 s 
2  2
2,8 ± 0,14 0,14 0,1
= 0,28 1 ± + 
10,0 ± 0,1 2,8 10,0
h √ i
= 0,28 1 ± 25 × 10−4 + 10−4
h √ i
= 0,28 1 ± 26 × 10 −4

= 0,28 1 ± 5,1 × 10−2


 

= 0,28 ± 0,014.

Finalmente,

cx = 0,40 × (0,28 ± 0,014)


cx = (0,112 ± 0,006) cal/ (go C).

7
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o primeiro semestre de 2017
Gabarito
Parte 2
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q6. a) O elemento de carga dQ do anel produzirá um campo dE~ no ponto P , como mostrado na
figura. O módulo deste elemento de campo elétrico é
dQ
dE = .
4π0 r2

z
dE
P

θ
r
z
y

R
O dQ x

A componente deste elemento de campo elétrico perpendicular ao eixo z é cancelada pela


componente perpendicular ao eixo z produzida pelo elemento de carga situado na posição
diametralmente oposta do anel. Ao somar os elementos de campo elétrico devido a todos os
elementos de carga do anel, apenas sobrevivem as componentes na direção do eixo z,
dQ dQ z
dEz = 2
cos θ = .
4π0 r 4π0 r2 r
Somando todas as contribuições dos elementos de carga do anel, obtemos

~ = ẑ Qz = ẑ
E
Qz
.
4π0 r 3 4π0 (R2 + z 2 )3/2

b) O potencial elétrico devido ao elemento de carga dQ no ponto P é

dQ
dV (z) = .
4π0 r

O potencial devido a todas as contribuições dos elementos de carga do anel é obtido somando
todas as contribuições, donde se obtém
Q Q
V (z) = = √ .
4π0 r 4π0 R2 + z 2

c) A energia cinética inicial da partı́cula é nula, porque ela parte do repouso. A energia
potencial elétrica inicial da partı́cula é nula também, porque −qV (z0 ) ≈ 0 se z0  R. A
conservação da energia mecânica (cinética mais potencial elétrica) nos dá a velocidade v no
centro do anel via
mv 2 mv 2 Q
0+0= + (−q)V (0) = −q ,
2 2 4π0 R
donde r
qQ
v= .
2π0 mR

1
Q7. a) Como o aro é quadrado, a área da região interna ao aro e contida no retângulo sombreado
é um triângulo isósceles de altura s e ângulos internos 45◦ ,90◦ e 45◦ . Portanto, o tamanho da
base do triângulo é 2s e sua área é
1
A = s(2s) = s2 .
2
O fluxo do campo magnético através do aro é
Z
Φ= B ~ · dS
~ = BA = Bs2 ,

onde usamos o fato de que o campo magnético é constante na região sombreada e normal ao
plano da figura.

y
v
x
L
s

B R

b) A força eletromotriz induzida pode ser calculada pela lei de Faraday:

dΦ ds
ε=− = −B2s = −2Bsv ,
∂t dt
e o valor da corrente elétrica é
2Bsv
I= . (5)
R
A área sombreada diminui com o movimento do aro e, portanto, o fluxo do campo magnético
também diminui. O sentido da força eletromotriz, pela lei de Lenz, é anti-horário para se
~ Segue que a corrente fluirá também no sentido anti-
contrapor à diminuição do fluxo de B.
horário.
c) A força magnética sobre um elemento do aro é

dF~m = Id~l × B
~.

Os elementos do √aro dentro da região sombreada são: d~l = − 22 (x̂dl + ŷdl) (lado superior
esquerdo) e d~l = 22 (x̂dl − ŷdl) (lado inferior esquerdo). A força magnética é, então,
√ √
2 2
dF~m = I[− (x̂dl + ŷdl) × B ẑ + (x̂dl − ŷdl) × B ẑ] ,
2 2
ou

dF~m = − 2IBdlx̂ ,

2

e integrando em dl de 0 a 2s (lembrando que as contribuições dos dois segmentos já foram
somadas) obtemos

F~m = −2IBsx̂ . (6)

Substituindo a Eq. (5) na Eq. (6), obtemos

4B 2 s2 v
F~m = −x̂ .
R
Para que o quadrado se mova com velocidade constante, temos que aplicar uma força de mesmo
módulo que F~m , mas de sentido oposto, isto é para a direita (sentido positivo de x).

3
Q8. a) A parte da Hamiltoniana devida ao campo elétrico é
V̂E = (−e)(−E x̂) = eE x̂,

onde x̂ é o operador posição. A Hamiltoniana total é a soma da Hamiltoniana do oscilador


harmônico e V̂E
p̂2 mω 2 x̂2
Ĥ = + + eE x̂.
2m 2
b) A coreção da energia do primeiro estado excitado em ordem linear em E é
(1)
∆E1 = h1|V̂E |1i = eEh1|x̂|1i.

Podemos usar a definição do operador de destruição


r 
1 mω p̂
â = √ x̂ + i √ ,
2 ~ m~ω
e obter r
~
x̂ = (â + ↠).
2mω
Logo, a coreção procurada é
r
(1) ~
∆E1 = eE h1|(â + ↠)|1i = 0.
2mω

c) A coreção da energia do primeiro estado excitado em ordem quadrática em E é


(2) (1)
∆E1 = = h1|V
r |δψ1 i ! r
~ eE ~ √
= eE h1|(â + ↠)|(|0i − 2|2i)
2mω ~ω 2mω
2 2
eE e2 E 2
= (h1|1i − 2h1|1i) = − .
2mω 2 2mω 2

d) Podemos re-escrever a Hamiltoniana total do sistema como


2
p̂2 mω 2 e2 E 2

eE
Ĥ = + x̂ + − .
2m 2 mω 2 2mω 2
Definindo x̂0 = x̂ + eE/(mω 2 ) e observando que [x̂0 ,p̂] = [x̂,p̂] = i~, segue que o Hamiltoniano
em termos de x̂0
p̂2 mω 2 0 2 e2 E 2
Ĥ = + (x̂ ) −
2m 2 2mω 2
corresponde a um oscilador harmônico simples mais uma constante. Portanto, suas auto-
energies são
e2 E 2
 
1
En = n + ~ω − .
2 2mω 2
Por outro lado, do cálculo perturbativo temos

(0) (1) (1) 3 e2 E 2


E1 + ∆E1 + ∆E1 = ~ω − ,
2 2m2 ω 2
que é igual ao resultado exato. Isto indica que as correções de ordem superior são todas nulas.

4
Q9. (a) Denotemos quantidades no referencial da Terra sem “linha” e no referencial da nave com
“linha”. O intervalo de tempo próprio medido pelos astronautas para a viagem de ida é
∆t0 = 3T /4 anos. O intervalo de tempo medido na Terra, por outro lado, é ∆t = cT /V , onde
V é a velocidade da nave. Da fórmula de dilatação temporal

∆t 3 c/V
∆t0 = γ(V )∆t = q ⇒ =q ,
1− V2 4 V2
1 − c2
c2

donde se obtém que


4c
V = .
5
(b) A distância D0 percorrida pela nave em seu próprio referencial corresponde à distância
percorrida no referencial da Terra cT contraı́da pelo fator de Lorentz γ(V = 4c
5
) = 53 . Logo,
0 3cT
D = cT /γ = 5 .
(c) Seja t1 = t01 = 0 o instante de emissão do primeiro pulso com a nave ainda na posição
x1 = x01 = 0. O segundo pulso é emitido em t02 = T0 = 1 ano, na posição x2 = V t2 (x02 = 0).
Esse pulso chegará na Terra em t3 = t2 + x2 /c = TP , onde TP é o perı́odo procurado, medido
no referencial da Terra. Da fórmula da dilatação temporal, t2 = γ(V )t02 = 35 anos. Assim,
   
x2 V 5 4
TP = t2 + = t2 1 + = 1+ = 3 anos.
c c 3 5

Alternativamente, da expressão do efeito Doppler da luz com T0 = 1 ano


s s
1 + V /c 1 + 4/5
TP = T0 = 1 ano = 3 anos.
1 − V /c 1 − 4/5

(d) A velocidade do módulo espacial no referencial da Terra é


−5c
u0x + V 6
+ 4c5 c
ux = V u0x
= 4.5 = − .
1+ c2
1 − 5.6 10

Portanto, o tempo da viagem de retorno do módulo é


cT 10
tR = (cT /2)/|ux | = = 5T.
2 c
Este tempo deve ser somado ao tempo necessário para chegar à metade do caminho antes de
ser feito o retorno
5T
t1/2 = (cT /2)/V = .
8
Assim, o tempo total procurado é
5T 45T
ttot = t1/2 + tR = 5T + = .
8 8

5
Q10. (a) Podemos escrever
   
1 3
En = ~ω0 2n + 1 + = ~ω0 2n + n = 0,1,2, . . .
2 2

A função de partição para o ensemble canônico de um oscilador é


∞ ∞ ∞
−β~ω0 (2n+ 32 ) − 32 β~ω0 − 32 β~ω0
X X X
−2β~ω0 n
Z1 = e =e e =e xn ,
n=0 n=0 n=0
P∞
onde β ≡ 1
kB T
e x = e−2β~ω0 . Usando n=0 xn = 1/(1 − x),
3
e− 2 β~ω0
Z1 = .
1 − e−2β~ω0
A função de partição para o sistema de N osciladores é Z = Z1N . A energia interna por oscilador

 
U 1 ∂ ∂ ∂ 3 −2β~ω0
u = =− ln Z = − ln Z1 = β~ω0 + ln(1 − e )
N N ∂β ∂β ∂β 2
2~ω0 e−2β~ω0
 
3 3 2
= ~ω0 + = ~ω0 + .
2 1 − e−2β~ω0 2 e2β~ω0 − 1

No limite clássico ~ω0  kB T , e2β~ω0 ≈ 1 + 2β~ω0 e


 
3 2 3
u ≈ ~ω0 + = ~ω0 + kB T ≈ kB T.
2 2β~ω0 2

12

10

8
U(hω0)

0
0 2 4 6 8 10
T

 
Figura 1: Esboço de u x T .

6
(b) A entropia por oscilador é

S U −F u kB ln Z u
s = = = + = + kB ln Z1
N  NT T N  T 
~ω0 3 2 3 −2β~ω0
= + − kB β~ω0 + ln(1 − e )
T 2 e2β~ω0 − 1 2
2~ω0 /T
= 2β~ω0 − kB ln(1 − e−2β~ω0 ),
e −1
onde usamos alguns resultados do item (a). No limite clássico
  
2~ω0 /T kB T
s≈ − kB ln(2β~ω0 ) = kB 1 + ln .
2β~ω0 2~ω0

2
s

0
0 2 4 6 8 10

T  

 
Figura 2: Esboço de s x T .

7
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o segundo semestre de 2017
Gabarito
Parte 1
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q1. (a) As componentes vertical (y) e horizontal (x) da equação da segunda lei de Newton são
Fy = T cos θ − mg = mÿ,
Fx = −T sin θ = mẍ,

onde T é a tração no fio. Para pequenos ângulos θ, o movimento é aproximadamente horizontal


e y = ẏ = ÿ ≈ 0. Assim, T cos θ ≈ T ≈ mg. A dinâmica horizontal fica então
x
mẍ = −mg sin θ ≈ −mgθ ≈ −mg
l
g
⇒ ẍ + x = 0.
l
p
Esta é a equação do oscilador harmônico simples com frequência angular ω = g/l. O perı́odo
procurado é, portanto, s
2π l
T = = 2π .
ω g

(b) Como a massa da esfera era muito maior que a massa do fio e os deslocamentos iniciais eram
muito menores que o comprimento do fio, o que foi confirmado pela ausência de variação do
perı́odo dentro do intervalo de variação dos deslocamentos iniciais, podemos tratar o pêndulo
utilizado com um pêndulo simples. Assim, utilizando a resposta do item anterior,
l
g = 4π 2 .
T2
Usando os valores medidos
4,00
g = 4π 2 = 9,86960 m/s2 ,
(4,00)2

que ainda está expresso com algarismos significativos em excesso. Para o cálculo do erro de g,
utilizamos
q
∆g = ∆21 + ∆22 ,
∂g 1
∆1 = ∆l = 4π 2 2 ∆l ,
∂l T
∂g l
∆2 = ∆T = −8π 2 3 ∆T .
∂T T
Usando os dados fornecidos

∆1 = π 2 × 5 × 10−3
∆2 = −π 2 × 25 × 10−3 ,

donde √ √
∆g = π 2 × 650 × 10−3 = 5π 2 × 26 × 10−3 ≈ 0,2 m/s2 .
Alternativamente, pode-se argumentar que ∆2  ∆1 e ∆g ≈ |∆2 |. O resultado final é

g = 9,9 ± 0,2 m/s2 .

1
Q2. Considerando o sistema de referência da figura abaixo, definimos as coordenadas do corpo A
como xA e yA = 0 e do corpo B como xB e yB . Dadas as distâncias S e r definidas na figura,
segue que

xB = S + r sin θ,
yB = −r cos θ,

e a inextensibilidade da corda impõe o vı́nculo entre as coordenadas

(S − xA ) + r = l.

A
M
x
θ r
S
M B

(a) Para esse item, podemos impor θ = 0 desde o inı́cio. Nesse caso,

ẋB = 0,
ẏB = −ṙ,
ẋA = ṙ,

onde usamos o vı́nculo na última equação. A energia potencial gravitacional do corpo B é


V = M gyB = −M gr, onde tomamos a altura y = 0 como referência (e, portanto, o corpo A
não contribui para V ). A Lagrangiana do sistema é

M 2
ẋA + ẋ2B + ẏB2 − V

La =
2
La = M ṙ2 + M gr.

A equação de Euler-Lagrange é
 
d ∂La ∂La
=
dt ∂ ṙ ∂r
g
2M r̈ = M g ⇒ r̈ = ,
2
que é a aceleração comum pedida.

2
(b) Deixando agora θ variar, as componentes das velocidades ficam

ẋB = ṙ sin θ + rθ̇ cos θ,


ẏB = −ṙ cos θ + rθ̇ sin θ,
ẋA = ṙ,

e a Lagrangiana do sistema fica


M 2
ẋA + ẋ2B + ẏB2 − M gyB

Lb =
2
M 2 M 2 
Lb = ṙ + ṙ + r2 θ̇2 + M gr cos θ.
2 2
A equação de Euler-Lagrange para r é
 
d ∂Lb ∂Lb
=
dt ∂ ṙ ∂r
2r̈ = rθ̇2 + g cos θ. (1)

A equação de Euler-Lagrange para θ é


 
d ∂Lb ∂Lb
=
dt ∂ θ̇ ∂θ
d  2 
r θ̇ = 2rṙθ̇ + r2 θ̈ = −gr sin θ.
dt

Fazendo θ = θ̇ = 0 na Eq. (1), o lado direito se reduz a g e recuperamos


g
r̈ = .
2

(c) Nesse caso, precisamos acrescentar as contribuições da corda para as energias cinética e
potencial. A energia cinética é
m
Tcorda = ṙ2 ,
2
já que a velocidade da corda é a mesma do corpo B e a energia potencial é
r r mg 2
Vcorda = − mg = − r ,
l 2 2l
onde usamos que a fração de massa da corda que pende ao lado da mesa é (r/l)m e a altura
do seu centro de massa é −r/2. Portanto, a Lagrangiana fica
m mg 2
Lc = M ṙ2 + ṙ2 + M gr + r
2 2l
 m 2 mg 2
Lc = M + ṙ + M gr + r .
2 2l
A equação de Euler-Lagrange é
 
d ∂Lc ∂Lc
=
dt ∂ ṙ ∂r
mg
(2M + m) r̈ = M g + r.
l

3
Q3. (a) A energia total da partı́cula 1 é E1 = γmc2 . Segundo o enunciado, E1 = 2mc2 . Portanto,
1
γ=q = 2,
v2
1− c2

v2 1
1− 2
= .
c 4
Resolvendo para v, √
3
v= c.
2
(b) Da conservação de energia, E1i + E2i = E f ,

2mc2 + mc2 = γ(V )M c2

3m = γ(V )M (2)
Da conservação de momento linear

γ(v)mv = γ(V )M V

3 √
2 mc = 3 mc = γ(V )M V. (3)
2
Dividindo (3) por (2), temos √
3
V = c. (4)
3
Substituindo (4) em (2), temos
3m p p √
M= = 1 − 1/3 3m = 2/3 3m = 6 m.
γ(V )

(c) A energia cinética procurada é dada por

K = γ(V )M c2 − M c2 = [γ(V ) − 1] M c2 .

Usando o resultado do item anterior,


! √ !
1 6 √  √ 
K= p − 1 M c2 = −1 6mc2 = 3 − 6 mc2 .
1 − 1/3 2

4
Q4. (a) Para E ∈ [0,U0 ], E > V (x) se x ∈ [0,L] e E < V (x) se x < 0 ou x > L. Isso leva a
que, nessas duas últimas regiões, a função de onda decaia exponencialmente com a distância ao
poço, o que impõe condições de contorno restritivas sobre as soluções da equação de Schrödinger
independente do tempo (ESIT). Como consequência dessas condições de contorno, a ESIT só
pode ter solução para valores discretos de E.
(b) Se x < 0 (região I) ou x > L (região III), a função de onda decai exponencialmente,
enquanto que se 0 < x < L (região II) ela tem comportamento oscilatório/senoidal. Assim, de
maneira geral,

I : ψ(x) = Ae−α|x| = Aeαx , x < 0,


II : ψ(x) = C cos(γx + φ), 0 < x < L,
III : ψ(x) = Be−β|x−L| = Be−β(x−L) , x > L.

(c) A ESIT é uma equação diferencial linear de segunda ordem. Logo, para um potencial
contı́nuo por partes não infinito, a função de onda e sua primeira derivada são sempre contı́nuas.
Impondo essas condições nas descontinuidades do potencial em x = 0 e x = L

ψ(x = 0− ) = ψ(x = 0+ ) ⇒ A = C cos φ (5)


ψ(x = L− ) = ψ(x = L+ ) ⇒ C cos(γL + φ) = B (6)
ψ 0 (x = 0− ) = ψ 0 (x = 0+ ) ⇒ Aα = −γC sin φ (7)
ψ 0 (x = L− ) = ψ 0 (x = L+ ) ⇒ −γC sin(γL + φ) = −βB. (8)

A ESIT
~2 00 ~2 00
− ψ x + V (x)ψ(x) = Eψ(x) ⇒ − ψ (x) = [E − V (x)] ψ(x)
2m 2m
aplicada nas 3 regiões nos dá
r
~2 2 2m|U0 − E|
I : − α ψ(x) = −|U0 − E|ψ(x) ⇒ α = ,
2m r ~2
~2 2 2mE
II : − γ ψ(x) = +Eψ(x) ⇒ γ = ,
2m ~2 r
~2 2 2m|U0 − E|
III : − β ψ(x) = −|U0 − E|ψ(x) ⇒ β = α = .
2m ~2
De (5) e (6), obtemos A e B em termos de C

A = C cos φ, B = C cos(γL + φ),

que, quando levadas em (7) e (8), fornecem

αC cos φ = −γC sin φ ⇒ tan φ = −α/γ (9)


γC sin(γL + φ) = βC cos(γL + φ) ⇒ tan(γL + φ) = β/γ = α/γ. (10)

As Eqs. (9) e (10) formam um sistema de duas equações em duas incógnitas, φ e E (através
de α e γ), que pode ser resolvido para achar a energia E.
(d) No limite L → 0, podemos ver que a condição na energia se torna α → −α, que só tem
solução se α → 0 ou E → U0 .

5
Q5. (a) O esboço do ciclo num diagrama P x V é

(b) Usaremos a convenção de que trabalho realizado pelo gás e calor injetado no gás são
positivos. Nesse caso, ∆U = Q − W . A energia interna de um gás ideal só depende da sua
temperatura. Como não há variação de temperatura no processo 1, a variação da energia
interna é nula ∆U1 = 0. No processo 2 o trabalho é nulo, pois não há variação de volume. A
variação de energia interna é, portanto, igual ao calor injetado no sistema (note que n = 1)
3R 3RT0
∆U2 = Q2 = CV ∆T = (2T0 − T0 ) = .
2 2

(c) Como o processo 3 é isotérmico à temperatura 2T0 , a pressão é dada por


2RT0
P = ,
V
donde se deduz que o trabalho realizado pelo gás é
Z V0 Z V0
2RT0
W3 = P dV = dV = 2RT0 ln 3.
V0 /3 V0 /3 V

(d) De forma semelhante ao feito no item (c), o trabalho realizado pelo gás no processo
isotérmico 1 à temperatura T0 é
Z V0 /3 Z V0 /3
RT0
W1 = P dV = dV = −RT0 ln 3,
V0 V0 V
de tal forma que o trabalho total é Wtot = W1 + W3 = RT0 ln 3, onde usamos que o trabalho
é nulo nos processos isovoluméticos 2 e 4. Calor é injetado (positivo na nossa convenção) no
sistema apenas nos processos 2 e 3, pois:
(i) o calor no processo 1 é igual ao trabalho W1 (já que a energia interna é constante, porque
a temperatura é constante) e W1 < 0 (ver acima) e
(ii) o calor no processo 4 é Q4 = CV ∆T = 3R
2
(T0 − 2T0 ) = − 3RT
2
0
< 0.
O calor no processo 2 foi calculado no item (b) e é Q2 = 3RT0 /2. O calor no processo 3, que
é isotérmico, é igual ao trabalho realizado pelo gás Q3 = W3 = 2RT0 ln 3, como calculado no
item (c). O calor total injetado é, portanto,
 
3
Qinj = Q2 + Q3 = RT0 + 2 ln 3 .
2

6
Finalmente, o rendimento da máquina é
Wtot ln 3
η= = 3 ≈ 0,30.
Qinj 2
+ 2 ln 3

7
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o segundo semestre de 2017
Gabarito
Parte 2
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q6. (a) O potencial eletrostático total V (z) é a soma dos potenciais dos dois aros. O potencial
devido ao aro de carga negativa é
λ · 2πb 1
V− (z) = − √ ,
4π0 z 2 + b2
já que cada elemento de carga do aro está à mesma distância do ponto P . Analogamente, o
potencial devido ao aro de carga positiva é
2λ · 2π2b 1
V+ (z) = p .
4π0 z + (2b)2
2

Somando as duas contribuições


 
λb 4 1
V (z) = V− (z) + V+ (z) = √ −√ .
20 z 2 + 4b2 z 2 + b2

(b) Por simetria, Ex (z) = Ey (z) = 0. O campo elétrico ao longo do eixo z é


 
∂V (z) λbz 4 1
Ez (z) = − = − .
∂z 20 (z 2 + 4b2 )3/2 (z 2 + b2 )3/2

(c) Pela segunda lei de Newton aplicada ao sistema, temos

mz̈ = qEz (z),

onde Ez (z) é dado no item (b).


(d) Linearizando o campo elétrico do item (b) em torno de z = 0 obtemos


z̈ ≈ − z.
40 mb2
A equação diferencial é equivalente à equação de um oscilador harmônico simples com frequência
angular r

ω= .
40 mb2
A frequência de oscilação é, portanto,
r
ω 1 qλ
f= = .
2π 4πb m0

1
Q7. (a) O campo elétrico fı́sico é dado por
h i
E(r,t) = Re Ẽ(r,t)
= E0 x̂Re ei(kz−ωt) + ŷRe iei(kz−ωt)
    

= E0 [x̂ cos(kz − ωt) − ŷ sin(kz − ωt)] .

(b) Vamos usar a lei de Faraday. Primeiramente, calculamos o rotacional de Ẽ usando a


substituição ∇ → ik para ondas planas
∇ × Ẽ = E0 ∇ × ei(kz−ωt) (x̂ + iŷ)


= E0 ikẑ × ei(kz−ωt) (x̂ + iŷ)




= ikE0 ei(kz−ωt) (ŷ − ix̂) .


Escrevendo o campo magnético na forma B̃ = B̃0 ei(kz−ωt) obtemos
∂ B̃
= −iω B̃0 ei(kz−ωt) .
∂t
Conseguimos então satisfazer a lei de Faraday se a amplitude B̃0 for tal que
∂ B̃
∇ × Ẽ = − .
∂t
ikE0 ei(kz−ωt) (ŷ − ix̂) = iω B̃0 ei(kz−ωt)
E0
⇒ B̃0 = (ŷ − ix̂) .
c
Logo, o campo magnético complexo é
E0
B̃(r,t) = (ŷ − ix̂) ei(kz−ωt) ,
c
e o campo magnético fı́sico é
h i
B(r,t) = Re B̃(r,t)
E0 
ŷRe ei(kz−ωt) − x̂Re iei(kz−ωt)
   
=
c
E0
= [ŷ cos(kz − ωt) + x̂ sin(kz − ωt)] .
c
(c) A densidade de momento linear é
g = 0 E × B
0 E02
= (x̂ cos(kz − ωt) − ŷ sin(kz − ωt)) × (ŷ cos(kz − ωt) + x̂ sin(kz − ωt))
c
0 E02
= ẑ.
c
(d) Escrevendo o vetor posição em coordenadas cilı́ndricas r = ρρ̂ + zẑ e usando o resultado
do item (c), obtemos
0 E02
`(r) = (ρρ̂ + zẑ) × ẑ
c
0 E02 ρ
= − φ̂.
c

2
Q8. (a) Usando a relação entre a energia cinética e o momento linear (não-relativı́sticos) e a relação
de de Broglie

p2
= Ecin
2m
h h
⇒λ = =√
p 2m Ecin
6,63 × 10−34
= p = 0,26 nm.
2 × (9,11 × 10−31 ) × (22) × (1,6 × 10−19 )

(b) Numa transição para o estado fundamental, temos


 
1 1
h f = 10,2 eV = 13,6 eV − .
1 n2

Podemos verificar que esta relação é satisfeita para n = 2, uma vez que
3 136 3
13,6 × = = 34 × 3/10 = 10,2.
4 4 10
Assim, o número quântico do estado excitado é n = 2.
(c) Da relação de incerteza energia-tempo, temos

~ ~ 10−34
∆E ∆t ≥ ⇒ ∆E ≥ ≈ −8
J = 10−7 eV,
2 2∆t 10
que é a incerteza procurada.
(d) A energia cinética relativı́stica é (β ≡ v/c).

mc2
Ecin = p − mc2 .
1− β2

Resolvendo para β 2 , −2


β 2 = 1 − 1 + Ecin /mc2 .
Como Ecin  mc2 , podemos expandir até primeira ordem, obtendo

v2
 
2 Ecin Ecin
β = 2 ≈ 1 − 1 − 2 2 = 2 2.
c mc mc

Logo,
mv 2 p2
Ecin ≈ ≈ .
2 2m
Alternativamente, pode-se apontar que a energia cinética do elétron incidente, 22 eV, é muito
menor que a energia de repouso da partı́cula, 511 keV, o que justifica o uso da aproximação
não-relativı́stica.

3
Q9. (a) Como todo observável, à Hamiltoniana deve corresponder um operador Hermitiano. Sua
representação matricial é realizada por uma matriz Hermitiana, ou seja, uma matriz que é
igual a sua transposta complexa-conjugada, ou ainda, uma matriz cujos elementos Hij são tais
que
Hij = Hji∗ .

Segue que, para que a matriz fornecida seja Hermitiana, então o elemento que falta é M23 e
E3 ∈ R e sua parte imaginária é zero.
(b) A matriz de A é evidentemente diagonal e dada na base considerada por
 
2 0 0
A = 0 2 0 .
0 0 1

O comutador entre A e H pode ser calculado


 
0 0 0
[A,H] = 0 0 M23  ,

0 −M23 0

e ele é, de maneira geral, não nulo. Segue que A não pode ser medido simultaneamente com
a energia. Alternativamente, pode-se dizer que A só pode ser medido simultaneamente com a
energia se M23 = 0.
(c) Devemos diagonalizar a Hamiltoniana. De sua estrutura de blocos, segue que o estado |1i
é auto-estado de H com auto-valor λ1 = E1

H|1i = E1 |1i .

Focando agora no sub-espaço gerado por |2i e |3i, as outras autoenergias são soluções de
 
E2 − λ M23
det ∗ = (E2 −λ)(E3 −λ)−|M23 |2 = 0 ⇒ λ2 −λ(E2 +E3 )+E2 E3 −|M23 |2 = 0.
M23 E3 − λ

Resolvendo a equação de segundo grau, obtemos as outras duas autoenergias


p
E2 + E3 ± (E2 − E3 )2 + 4|M23 |2
λ2,3 = .
2

(d) A Hamiltoniana nesse caso é  


1 0 0
H = 0 3 1 ,
0 1 3
e os autovalores são, usando o resultado do item (c),

λ1 = 1; λ2 = 2; λ3 = 4.

Já vimos que o auto-estado de λ1 é |λ1 i = |1i. Os auto-estados de λ2,3 são obtidos de
    
3 − λ2,3 1 a 0
= .
1 3 − λ2,3 b 0

4
Para λ2 = 2, o auto-estado é
 
1 1 1
√ → |λ2 i = √ (|2i − |3i) ,
2 −1 2
e para λ3 = 4, o auto-estado é
 
1 1 1
√ → |λ3 i = √ (|2i + |3i) .
2 1 2

O estado em t = 0 é |2i = √1 (|λ2 i + |λ3 i). A evolução temporal posterior é simples na base
2
de auto-estados de H

1  λ2 λ3
 1  2 4

|ψ(t)i = √ e−i ~ t |λ2 i + e−i ~ t |λ3 i = √ e−i ~ t |λ2 i + e−i ~ t |λ3 i .
2 2
Na base original, o estado é
1 h −i 2 t −i ~4 t
i 1 h 4
−i ~ t −i ~2 t
  4
−i ~ t −i ~2 t
 i
|ψ(t)i = e ~ (|2i − |3i) + e (|2i + |3i) = e +e |2i + e −e |3i .
2 2
O vetor coluna correspondente na base original é
 
0
1  −i 4 t 2
e ~ + e−i ~ t  .
2 4 2
e−i ~ t − e−i ~ t

5
Q10. (a) Nos itens abaixo, 1/β = kB T . Como os ı́ons são independentes, a função de partição é
dada pelo produto das funções de partição de cada ı́on

Z = Z1N ,

onde
2
X
Z1 = e−βDσ1 +βhσ1
σ1 =−1,0,+1

= e−βD+βh + 1 + e−βD−βh
= 1 + 2e−βD cosh(βh).

Logo
Z = (1 + 2e−βD cosh(βh))N .

(b) A energia livre de Helmholtz por ı́on é

F kB T
f= =− ln Z = −kB T ln Z1 = −kB T ln(1 + 2e−βD cosh(βh)).
N N

(c) A energia interna por ı́on é dada por

U 1 ∂ ∂
u= =− ln Z = − ln Z1 .
N N ∂β ∂β
Calculando a derivada
2e−βD
u= (D cosh hβ − h sinh hβ) .
2e−βD cosh hβ + 1

(d) Para h = 0, temos que


2De−βD 2D
u= −βD
= .
2e +1 2 + eβD
O calor especı́fico é dado por
D
∂u ∂u ∂β 2D2 e kB T
c= = = D .
∂T ∂β ∂T kB T 2 (2 + e kB T )2

6
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o primeiro semestre de 2018
Gabarito
Parte 1
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q1. (a) As equações de movimento são
dv
Fg = −mgẑ = m ⇒ v̇x = 0, v̇z = −g.
dt

(b) Integrando em relação ao tempo as equações de movimento,

v̇x = 0 ⇒ vx (t) = C1
vx (0) = v0 cos θ = C1 ⇒ vx (t) = v0 cos θ,

v̇z = −g ⇒ vz (t) = −gt + C2


vz (0) = v0 sin θ = C2 ⇒ vz (t) = v0 sin θ − gt.

(c) Integrando em relação ao tempo as componentes da velocidade obtidas no item (b),

dx
= vx = v0 cos θ ⇒ x(t) = v0 t cos θ + C1
dt
x(0) = 0 = C1 ⇒ x(t) = v0 t cos θ,

dz 1
= v0 sin θ − gt ⇒ z(t) = v0 t sin θ − gt2 + C2
dt 2
1 2
z(0) = 0 = C2 ⇒ z(t) = v0 t sin θ − gt .
2

(d) Utilizando os resultados dos itens (b) e (c),

L = r × p = mr × v
  
1 2
L = m x̂ (v0 t cos θ) + ẑ v0 t sin θ − gt × [x̂ (v0 cos θ) + ẑ (vo sin θ − gt)]
2
 
1 2
L = mgv0 t cos θ ŷ.
2

(e) Novamente, utilizando o resultado do item (c),

N = r × Fg
  
1 2
N = x̂ (v0 t cos θ) + ẑ v0 t sin θ − gt × (−mgẑ)
2
N = (mgv0 t cos θ) ŷ.

Comparando os resultados dos itens (d) e (e) temos, como esperado,

dL
= N.
dt

1
Q2. (a) A força pedida é
dU2 (r)
F2 = −∇U2 (r) = −r̂ = −krr̂ = −kr = −k(xx̂ + yŷ).
dr
(b) A energia cinética da partı́cula é dada por
1 1  
T = mv 2 = m ṙ2 + r2 θ̇2 .
2 2
Como U1 (y) = λy = λr sin θ, a energia potencial em coordenadas polares é
1
U = kr2 + λr sin θ.
2
A lagrangiana da partı́cula é, portanto,
L = T − U,
1  2  1
L = m ṙ + r2 θ̇2 − kr2 − λr sin θ.
2 2
Usando
∂L
= mrθ̇2 − kr − λ sin θ,
∂r
∂L
= mṙ,
∂ ṙ
∂L
= −λr cos θ,
∂θ
∂L
= mr2 θ̇,
∂ θ̇
as equações de movimento de Euler-Lagrange são dadas por
 
∂L d ∂L
− =0 ⇒ mr̈ − mrθ̇2 = −kr − λ sin θ,
∂r dt ∂ ṙ
 
∂L d ∂L d  2 
− =0 ⇒ mr θ̇ = −λr cos θ, (1)
∂θ dt ∂ θ̇ dt
 
2
m r θ̈ + 2rṙθ̇ + λr cos θ = 0.

(c) Utilizando os resultados do item (b), os momentos canonicamente conjugados são


∂L pr
pr = = mṙ ⇒ ṙ = ,
∂ ṙ m
∂L pθ
pθ = = mr2 θ̇ ⇒ θ̇ = .
∂ θ̇ mr2
A hamiltoniana é dada por
p2r p2θ 1 2
H = pr ṙ + pθ θ̇ − L = + + kr + λr sin θ.
2m 2mr2 2
(d) O momento angular é
 
L = r × p = mr × v = mrr̂ × ṙr̂ + rθ̇θ̂ = mr2 θ̇ẑ.
Comparando o resultado acima com os resultados do item (c), temos que
pθ = L z .
A equação de movimento (1) indica que pθ = Lz = constante se λ = 0, isto é, L é conservado
apenas na ausência da força F1 .

2
Q3. (a) A forma geral das soluções ψ1 (x) (região 1: x < 0) e ψ2 (x) (região 2: x > 0) é

ψ1 (x) = A eik1 x + B e−ik1 x , k1 = 2mE/~,
p
ψ2 (x) = C eik2 x + D e−ik2 x , k2 = 2m(E − V0 )/~,

onde A, B, C e D são constantes complexas a serem determinadas.


(b) O percentual pedido é dado pelo coeficiente de reflexão, que é obtido da razão entre as

densidades de corrente J = 2mi~
(ψ dψ
dx
− ψ ∗ dψ
dx
) das ondas refletida e incidente. Ele é dado por
|B| 2
R = |A|2 . Como as partı́culas são incidentes pela esquerda, D = 0. Os outros coeficientes são
determinados exigindo-se a continuidade da função de onda e sua derivada em x = 0

ψ1 (0) = ψ2 (0) ⇒ A + B = C,
ψ10 (0) = ψ20 (0) ⇒ k1 (A − B) = k2 C.

Assim,
2 2 p !2
|B|2
 
B k1 − k2 k1 − k2 1 − k2 /k1 1− (E − V0 )/E
= ⇒R= = = = p .
A k1 + k2 |A|2 k1 + k2 1 + k2 /k1 1 + (E − V0 )/E

(c) Para E < V0 , a solução geral é



ψ1 (x) = A eik1 x + B e−ik1 x , k1 = 2mE/~,
p
ψ2 (x) = C e−κx , κ = 2m(V0 − E)/~ > 0,

onde A, B e C são constantes complexas a serem determinadas e já excluı́mos um termo com
exponencial crescente para x > 0 por corresponder a uma função de onda que não é limitada
superiormente quando x → +∞.
|B|2
(d) A probabilidade pedida é o coeficiente de reflexão R = |A|2
, como no item (b).

ψ1 (0) = ψ2 (0) ⇒ A + B = C,
ψ10 (0) = ψ20 (0) ⇒ i k1 (A − B) = −κ C,

donde
B k1 − iκ |B|2 k12 + κ2
= ⇒R= = = 1.
A k1 + iκ |A|2 k12 + κ2

3
Q4. (a) Do gráfico, pode-se estimar y1 ≈ 25µm. Para o ângulo, se L é a distância da grade ao
plano do detector
2,5 × 10−5
θ1 ≈ tgθ1 = y1 /L = = 2,0 × 10−5 rad.
1,25
(b) Se d é a separação entre as fendas da grade, a condição para interferência construtiva é, do
formulário,
d senθn = nλ.
Para o primeiro máximo (n = 1)

λ = d senθ1 ≈ d θ1 = (100 × 10−9 )(2,0 × 10−5 ) = 2,0 × 10−12 m.

(c) A massa molar do C60 é 60 × 12 = 72 × 101 g/mol. Logo, a massa de uma molécula é

72 × 101 g
M= 23
= 1,2 × 10−24 kg.
6,02 × 10
O módulo do momento linear de uma molécula é

p = M v = 1,2 × 10−24 × 220 = 2,6 × 10−22 kg m/s.

(d) O comprimento de onda de de Broglie é

h
λdB = = 6,63 × 10−34 /2,6 × 10−22 = 2,6 × 10−12 m.
p

4
Q5. (a) A pressão final Pf é a soma da pressão externa Pa e a pressão Pm devido à força da mola.
Esta última é
kx 400 × 2
Pm = = −3
= 1,6 × 105 N/m2 ,
A 5 × 10
onde x é a variação de comprimento do cilindro. Assim

Pf = Pm + Pa = 2,6 × 105 N/m2 .

(b) A relação entre as variáveis termodinâmicas iniciais e finais é

Pi V i Pf V f Pf Vf Ti Pf Ti (L + x) 2,6 × 300 × 27
= ⇒ Tf = = = = 8,4 × 102 K.
Ti Tf Pi Vi Pi L 1 × 25

Alternativamente, da equação do gás ideal

Pf Vf 2,6 × 105 × 5 × 10−3 × 27 × 10−2


Tf = = = 8,4 × 102 K.
nR 5 × 10−2 × 8,31

(c) O trabalho total W realizado pelo gás é igual à soma da variação de energia potencial
elástica da mola Wm com o trabalho Wa realizado contra a pressão externa constante

kx2 400 × 102 × (2 × 10−2 )2


Wm = = = 8 J,
2 2
Wa = Pa ∆V = Pa Ax = 1 × 105 × 5 × 10−3 × 2 × 10−2 = 10 J,
W = Wm + Wa = 18 J.

(d) O calor Q fornecido ao gás é igual ao trabalho total W calculado em (c) mais a variação
da energia interna do gás ∆U

∆U = ncV ∆T = 5 × 10−2 × 12,5 × (8,4 × 102 − 300) = 3,4 × 102 J,


Q = ∆U + W = 3,6 × 102 J.

5
EUF

Exame Unificado
das Pós-graduações em Fı́sica
Para o primeiro semestre de 2018
Gabarito
Parte 2
• Estas são sugestões de possı́veis respostas.
Outras possibilidades também podem ser consideradas corretas, desde que equivalentes às res-
postas sugeridas abaixo.
Q6. (a) Há conservação de energia mecânica dos ı́ons entre a fonte e a fenda de entrada. A energia
mecânica total é a soma da energia cinética e potencial elétrica. Assim, se a velocidade final
procurada tem módulo v e as energias mecânicas inicial e final são Ei e Ef , respectivamente,
r
1 2 2qV
Ei = qV = Ef = mv ⇒ v = .
2 m
Dentro da câmara, a energia mecânica, que é puramente cinética, é conservada, já que o campo
magnético não realiza trabalho. Portanto, v é também o módulo da velocidade dos ı́ons quando
passam pela fenda de saı́da.
(b) O módulo da força magnética Fm dentro da câmara é

|Fm | = |q (v × B)| = qvB,

pois v e B são perpendiculares entre si. A força magnética é a resultante centrı́peta responsável
pelo movimento circular uniforme dos ı́ons. Portanto,

mv 2 qBr qB 2 r2
qvB = ⇒m= ⇒m= ,
r v 2V
onde usamos o resultado do item (a) no último passo.
(c) A resolução das medidas de massa ∆m está relacionada ao erro na medida do raio ∆r por

∂m qB 2 r
∆m = ∆r ⇒ ∆m = ∆r.
∂r V
Assim,
1,6 × 10−19 × (1,00)2 × 1,0 × 10−1
∆m = 100 × 10−6 = 4,0 × 10−28 kg.
4,0 × 103
(d) A diferença de massa entre os isótopos δm é aproximadamente duas vezes a massa do
nêutron
δm = 2 × 1,7 × 10−27 kg = 3,4 × 10−27 kg.
Essa diferença é 8,5 vezes a resolução do aparelho. Portanto, é possı́vel distinguir os isótopos.

1
Q7. (a) Partindo das equações de Maxwell em meios materiais (dadas no formulário) e fazendo
ρF = 0, JF = σE, D = E e B = µH,

∇·D = ρF ⇒ ∇·E = 0, (2)


∂B
∇×E = − , (3)
∂t
∇·B = 0, (4)
∂D ∂E
∇×H = JF + ⇒ ∇×B = µσE + µ . (5)
∂t ∂t
Deve-se notar que as equações sem fontes não são modificadas em meios materiais.
(b) Tomando o rotacional da Eq. (3)

∂ ∂
∇ × ∇×E = − (∇×B) ⇒ ∇ (∇·E) − ∇2 E = − (∇×B)
∂t ∂t
Usando as Eqs. (2) e (5)
 
2 ∂ ∂E
−∇ E = − µσE + µ .
∂t ∂t

Finalmente,

∂E ∂ 2E
∇2 E − µσ − µ 2 = 0.
∂t ∂t

(c) Supondo que E (x,t) = E0 ei(kx−ωt) ,

∂ 2E
∇2 E = 2
= −k 2 E
∂x
∂E
= −iωE
∂t
∂ 2E
= −ω 2 E
∂t2
⇒ −k 2 + iµσω + µω 2 E = 0

Portanto
 σ
k 2 = µω 2 + iµσω = µω 2 1 + i .
ω

(d) Quando σ 6= 0, obtemos um k complexo, ou seja, k = kR + ikI , onde kR = Re[k] e


kI = Im[k]. Haverá então atenuação da amplitude da onda

E(x,t) = E0 ei(kx−ωt) = E0 ei[(kR +ikI )x−ωt] = E0 e−kI x ei((kR x−ωt) .

Quando σ = 0, k é real e a propagação da onda se dá com amplitude constante, sem atenuação.

2
Q8. (a) Medidas da energia dão como resultado auto-valores do hamiltoniano. Ao auto-valor E0
corresponde unicamente o estado |1i. Portanto, o protocolo P1 prepara sempre o estado |1i.
(b) Ao auto-valor E corresponde o sub-espaço gerado pelos estados |2i e |3i. Portanto, os
estados preparados por P2 são da forma

|ψi = C1 |2i + C2 |3i,

onde C1 e C2 são números complexos quaisquer, não simultaneamente nulos.


(c) O hamiltoniano total após t = 0 é
 
E0 0 0
H =  0 E W.
0 W E

Para acharmos os auto-valores, precisamos resolver a equação secular



E 0 − λ 0 0
W = 0 ⇒ (E0 − λ) (E − λ)2 − W 2 = 0.
 
0
E−λ
0 W E − λ

Os auto-valores são

λ0 = E0 , λ+ = E + W, λ− = E − W.

Um dos auto-vetores é óbvio da forma bloco-diagonal do hamiltoniano.

|λ0 i = |1i

Os outros auto-vetores de λ± são obtidos de


       
E − λ± W a± ∓W W a± 0
= = ,
W E − λ± b± W ∓W b± 0

donde obtém-se a± = ±b± . Assim, normalizando os auto-vetores,


1
|λ± i = √ (|2i ± |3i) .
2

(d) Primeiramente, escrevemos o estado inicial |ψ(t = 0)i = |2i na base de auto-estados de H
1
|ψ(t = 0)i = |2i = √ (|λ+ i + |λ− i) .
2
Para t > 0, a evolução temporal na base de auto-estados de H é simples
1  λ+ λ−
 1  E+W E−W

|ψ(t)i = √ e−i ~ t |λ+ i + e−i ~ t |λ− i = √ e−i ~ t |λ+ i + e−i ~ t |λ− i .
2 2
Alternativamente, na base inicial o estado é
1 h −i E+W t E−W
i
|ψ(t)i = e ~ (|2i + |3i) + e−i ~ t (|2i − |3i) ,
2
E
|ψ(t)i = e−i ~ t [cos (W t/~) |2i − i sin (W t/~) |3i] .

3
Q9. (a) A energia dos fótons E = hc/λ é inversamente proporcional ao comprimento de onda.
Portanto, os fótons espalhados, que transferiram parte de sua energia aos elétrons, têm com-
primento de onda maior que os incidentes. Segue que o comprimento de onda dos raios X
incidentes é λ1 e o comprimento de onda dos fótons espalhados é λ2 > λ1 .
(b) O comprimento de onda do fóton incidente é

hc 1,24 keV nm
λi = = = 0,54 Å.
Ei 23 × 103 eV

(c) O comprimento de onda do fóton espalhado é, do formulário,

h λC 0,0243
λ = λi + [1 − cos (60o )] = λi + = 0,54 + = 0,55 Å.
m0 c 2 2

(d) A variação da energia total relativı́stica do elétron no evento é igual à variação procurada
de sua energia cinética ∆K, já que a energia de repouso não varia. Como a energia cinética
inicial do elétron é praticamente nula, sua energia cinética após o espalhamento é ∆K. Essa
variação, por sua vez, é igual (em módulo) à variação da energia do fóton no espalhamento, ou
seja,
hc 1,24 keV nm
∆K = Ei − = 23 keV − = (23 − 22,5) keV = 0,5 keV.
λ 0,055 nm

4
Q10. a) Se o momento da partı́cula é p = px x̂ + py ŷ + pz ẑ, seu hamiltoniano H1 é a soma das
energias cinética e potencial gravitacional

p2x p2y p2
H1 = + + z + mgz
2m 2m 2m

b) Por se tratar de um sistema de partı́culas que não interagem entre si, sua função partição
Z é
ZN
Z= 1 ,
N!
onde já incluı́mos o fator de correção de contagem de Gibbs e
ZL ZL ZL Z∞ Z∞ Z∞
1
Z1 = 3 dxdydz dpx dpy dpz e−βH1 ,
h
0 0 0 −∞ −∞ −∞

onde β = 1/(kB T ). As integrais gaussianas sobre os momentos são dadas no formulário e


obtém-se
 ∞ 3 L
2 Z Z
L  p2
−β 2m
Z1 = dpe  e−βmgz dz
h3
−∞ 0
3/2 
2
1 − e−βmgL
 
L 2πm
= .
h3 β βmg
Portanto,
"  3/2   #N
1 L2 2πm 1 − e−βmgL
Z= .
N ! h3 β βmg

c) Usando que e−βmgL ≈ 1 − βmgL,


"  3/2 #N 3N/2
1 L2 2πm 1 V N 2πm

(1 + βmgL − 1)
Z≈ = .
N ! h3 β βmg N ! h3N β

d) A energia livre de Helmholtz é


" 3N/2 #
−3N

h 2πm
F = −kB T ln Z = −kB T N ln V − kB T ln .
N! β

Usando agora que  


∂F
p=−
∂V T,N

e notando que o segundo termo da energia livre não depende de V , obtém-se


N kB T
p= ⇒ pV = N kB T,
V
que é a equação de estado do gás ideal, como esperado, já que os efeitos do campo gravitacional
são desprezı́veis no regime em questão.