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1. (Ufjf-pism 3 2017) Para responder à questão, leia o fragmento da peça Se eu fosse Iracema,
de Fernando Marque.

A história do homem branco é história.


A ciência do homem branco é ciência.
A religião do homem branco é religião.
A arte do homem branco é arte.
A filosofia do homem branco é filosofia.
E a história de qualquer outro homem é folclore,
é caso,
é mentira,
é bobagem,
é superstição,
é lenda,
é enredo de escola de samba,
é poesia de livro didático.
Só o homem branco sabe,
Só o homem branco sobe,
Só o homem branco salva,
Os outros homens: selva.

MARQUES, Fernando. Se eu fosse Iracema. Rio de Janeiro, 2016. 20p.


Folder elaborado para divulgação.

Releia o seguinte trecho:

“A filosofia do homem branco é filosofia.


E a história de qualquer outro homem é folclore.”

Substitua a conjunção “e” por outra que não altere fundamentalmente o sentido do trecho
destacado. Justifique sua escolha.

2. (Uel 2017) Leia o fôlder a seguir.

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Com base na leitura do fôlder, responda aos itens a seguir.

a) O que difere o uso dos termos sublinhados nas sentenças “Consulte sempre um médico ao
perceber os sintomas” e “Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos da gripe”?
b) Na frase “Assim como a gripe, a pneumonia pneumocócica pode ser prevenida através da
vacinação”, se fosse omitida a expressão “como a gripe”, o sentido original estaria mantido?
Por quê?

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Tentação

Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era
ruiva.
Na rua vazia as pedras vibravam de calor − a cabeça da menina flamejava. Sentada
nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando
inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o
soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado
na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento
contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era
uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente
uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às
duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a
com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A
possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma
senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua
fatalidade. Era um basset ruivo.
Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento.
Desprevenido, acostumado, cachorro.
A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante
dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a

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menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela
olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço
sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e
continuou a fitá-lo.
Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram
rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se
com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a
criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de
tantos esgotos secos − lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se
fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se
quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
Mas ambos eram comprometidos.
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela
fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada. A dona esperava impaciente sob o
guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou
espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe
compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a
bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, p. 67-69

3. (Pucrj 2017) a) Justifique a concordância de gênero aplicada à palavra sublinhada em “e


encarnada na figura de um cão” (3º parágrafo do conto Tentação).

b) Reescreva a frase abaixo no passado.

“Se nos sonhos eu sentir medo de ladrões, eles serão por certo imaginários”.

c) Reescreva o período em destaque, usando a expressão tão... que. Faça as adaptações


necessárias.

“A constatação é que as bases neurobiológicas do afeto desempenham papel muito


significativo no comportamento humano, a ponto de aumentar as chances de sobrevivência.”

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Leia o soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” do poeta português Luís Vaz de
Camões (1525?-1580) para responder à(s) questão(ões) a seguir.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,


muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,


diferentes em tudo da 1esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem – se algum houve –, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,


que já coberto foi de neve fria,
e enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,


outra mudança faz de 2mor espanto:
que não se muda já como 3soía.

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Sonetos, 2001.

1
esperança: esperado.
2
mor: maior.
3
soer: costumar (soía: costumava).

4. (Unesp 2017) A sinestesia (do grego syn, que significa “reunião”, “junção”, “ao mesmo
tempo”, e aisthesis, “sensação”, “percepção”) designa a transferência de percepção de um
sentido para outro, isto é, a fusão, num só ato perceptivo, de dois sentidos ou mais.
(Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.)

Transcreva o verso em que se verifica a ocorrência de sinestesia. Justifique sua resposta.

Reescreva o verso da terceira estrofe “que já coberto foi de neve fria”, adaptando-o para a
ordem direta e substituindo o pronome “que” pelo seu referente.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base uma passagem de uma palestra de Amadeu
Amaral (1875-1929) proferida em São Paulo, em 1914, e uma charge de Dum.

Árvores e poetas

Para o botânico, a árvore é um vegetal de grande altura, composto de raiz, tronco e


fronde, subdividindo-se cada uma dessas partes numa certa quantidade de elementos: – reduz-
se tudo a um esquema. O botânico estuda-lhe o nascimento, o crescimento, a reprodução, a
nutrição, a morte; descreve-a; classifica-a. Não lhe liga, porém, maior importância do que
aquela que empresta ao mais microscópico dos fungos ou ao mais desinteressante dos
cogumelos. O carvalho, com toda a sua corpulência e toda a sua beleza, vale tanto como a
relva que lhe cresce à sombra ou a trepadeira desprezível e teimosa que lhe enrosca os
sarmentos1 colubrinos2 pelas rugosidades do caule. Por via de regra vale até menos, porque as
grandes espécies já dificilmente deparam qualquer novidade. Para o jurista, a árvore é um bem
de raiz, um objeto de compra e venda e de outras relações de direito, assim como a paisagem
que a enquadra – são propriedades particulares, ou terras devolutas. E há muita gente a quem
a vista de uma grande árvore sugere apenas este grito de alma: – “Quanta lenha!...”
O poeta é mais completo. Ele vê a árvore sob os aspectos da beleza e sob o ângulo
antropomórfico3: encara-a de pontos de vista comuns à humanidade de todos os tempos. Vê-a
na sua graça, na sua força, na sua formosura, no seu colorido; sente tudo quanto ela lembra,
tudo quanto ela sugere, tudo quanto ela evoca, desde as impressões mais espontâneas até as
mais remotas, mais vagas e mais indefiníveis. Dá-nos, assim, uma noção “humana”, direta e
viva da árvore, – pelo menos tão verdadeira quanto qualquer outra.

(Letras floridas, 1976.)

1
sarmento: ramo delgado, flexível.
2
colubrino: com forma de cobra, sinuoso.
3
antropomórfico: descrito ou concebido sob forma humana ou com atributos humanos.

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5. (Unesp 2016) “O botânico estuda-lhe o nascimento, o crescimento, a reprodução, a nutrição,


a morte”

Do ponto de vista sintático, que relação os termos sublinhados estabelecem com o verbo? Do
ponto de vista semântico, a organização dos substantivos sublinhados aparenta seguir um
determinado critério; um desses substantivos, contudo, romperia tal organização. Identifique
qual seria esse critério e o substantivo que romperia sua organização.

6. (Unicamp 2013) A experiência que comprovou a existência da partícula conhecida como


bóson de Higgs teve ampla repercussão na imprensa de todo o mundo, pelo papel fundamental
que tal partícula teria no funcionamento do universo. Leia o comentário abaixo, retirado de um
texto jornalístico, e responda às questões propostas.

Por alguma razão, em língua portuguesa convencionou-se traduzir o apelido do bóson como
“partícula de Deus” e não “partícula Deus”, que seria a forma correta.

(Folha de São Paulo, São Paulo, 05/07/2012, Caderno Ciência, p. 10.)

a) Explique a diferença sintática que se pode identificar entre as duas expressões mencionadas
no trecho reproduzido: “partícula de Deus” e “partícula Deus”.
b) Explique a diferença de sentido entre uma e outra expressão em português.

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Gabarito:

Resposta da questão 1:
A conjunção “e” adquire, no contexto, valor semântico de oposição entre as orações, podendo
ser, assim, substituída por “mas”, “porém” ou “contudo”.

Resposta da questão 2:
a) O termo “ao” está introduzindo uma oração subordinada adverbial reduzida temporal,
podendo ser desenvolvida da seguinte forma: “Consulte sempre um médico quando
perceber os sintomas.” Nesse sentido, também está indicando em qual momento ou
circunstância temporal o médico sempre deverá ser consultado. Quanto ao termo “aos”,
observa-se que o adjetivo “semelhantes” é regido pela preposição “a”, contraindo-se com o
artigo “os”, que está substituindo o substantivo “sintomas” (flexionado no plural), evitando
sua repetição (Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos sintomas da gripe). Assim,
no primeiro caso, por se tratar de uma função conectiva (conjunção), o termo mantém-se no
singular. No segundo, diante de uma função envolvendo substituição de um substantivo no
plural, a preposição se contrai com um termo no plural.
b) Não, porque, na frase original, há uma relação de comparação estabelecida pelo conectivo
“assim como”. Nessa relação, há dois elementos em comparação: “gripe” e “pneumonia
pneumocócica”. Com a omissão da expressão “como a gripe”, estabelece-se uma relação de
conclusão referente somente à pneumonia.

Resposta da questão 3:
a) Ao relermos o período: “A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da
esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão”, vemos que a
palavra “encarnada” está no feminino, pois concorda com “possibilidade”, substantivo
também feminino.
b) O verbo “sentir” está no presente do subjuntivo e sua forma passada seria no imperfeito do
subjuntivo: “sentisse”. Já “serão” está no futuro do presente do indicativo e para manter a
correlação verbal com o imperfeito do subjuntivo, deve ser passado para o futuro do pretérito
do indicativo. Assim, temos: Se nos sonhos eu sentisse medo de ladrões, eles seriam por
certo imaginários.
c) A constatação é que as bases neurobiológicas do afeto desempenham papel tão significativo
no comportamento humano que aumentam as chances de sobrevivência.

Resposta da questão 4:
No verso “e enfim converte em choro o doce canto”, ocorre a sinestesia, transferência de
percepção do sentido gustativo (doce) para o auditivo (canto). Se o verso “que já coberto foi de
neve fria” fosse reescrito na ordem direta e o pronome “que” substituído pelo seu referente,
teríamos a seguinte redação: “o chão de verde manto já foi coberto de neve fria”.

Resposta da questão 5:
Os termos sublinhados estabelecem com o verbo a relação de objetos diretos. Do ponto de
vista semântico, a organização dos substantivos sublinhados segue o critério de sequenciar as
etapas da vida: nascer (“o nascimento”), crescer (“o crescimento”), reproduzir-se (“a
reprodução”) e morrer (“a morte”). O único vocábulo que rompe com essa sequenciação da
vida é “nutrição”.

Resposta da questão 6:
a) Na expressão “partícula de Deus”, o segmento “de Deus” é uma locução adjetiva que
caracteriza o substantivo “partícula”, exercendo a função sintática de adjunto adnominal,
enquanto em “partícula Deus”, o termo “Deus” é um substantivo próprio que individualiza o
substantivo comum “partícula”, exercendo função sintática de aposto.
b) Ao excluir a preposição “de” da expressão “de Deus”, atribui-se valor específico à partícula e
ela mesma seria “Deus”, ou seja, com capacidade para criar o universo. No caso de se manter
a preposição, a partícula seria uma parte de Deus ou, então, ela teria sido criada por Deus.

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Resumo das questões selecionadas nesta atividade

Data de elaboração: 30/05/2018 às 07:25


Nome do arquivo: Exercícios Gramática 30 de maio 3ª série

Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do SuperPro®

Q/prova Q/DB Grau/Dif. Matéria Fonte Tipo

1.............168295.....Baixa.............Português......Ufjf-pism 3/2017...................Analítica

2.............166554.....Média.............Português......Uel/2017...............................Analítica

3.............164535.....Média.............Português......Pucrj/2017............................Analítica

4.............166409.....Elevada.........Português......Unesp/2017..........................Analítica

5.............152727.....Média.............Português......Unesp/2016..........................Analítica

6.............123422.....Elevada.........Português......Unicamp/2013......................Analítica

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