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ESCREVER NA ORDEM DIRETA

“Você sempre precisa se colocar no lugar do seu leitor”, recomenda Reinaldo


Passadori, especialista em comunicação verbal. Isso significa revisar seus textos
“esquecendo” que você sabe do que tratam.
De acordo com Passadori, essa é a melhor maneira de perceber frases ambíguas,
passagens confusas ou referências incompreensíveis para quem tem contato com a
sua redação pela primeira vez.
Para ganhar agilidade nessa revisão, a recomendação é praticá-la o máximo possível.
Escrever diariamente. Fazer as peças e questões que já caíram no Exame de Ordem,
como se estivesse no ato da prova, é excelente treino.
A Professora Mara Saad, do Projeto Exame de Ordem, do Gran Cursos Online,
recomenda que a peça profissional e as questões tenham uma escrita singela e bem
posta, atentando aos detalhes da construção do texto jurídico sem ser prolixo ou
confuso. Inserir as fundamentações jurídicas, as considerações acerca do caso posto e
as argumentações favoráveis ou desfavoráveis. Para isso, basta ser linear e objetivo.
Eis as dicas:
1. Saiba do que está falando
Antes de tudo, você precisa conhecer muito bem o tema, o propósito e o objetivo do
seu texto. Tal etapa precede o início da redação. “Para que você escreve? Busca
informar, motivar, persuadir? Você precisa dessas respostas para começar”, diz
Passadori.
2. Use frases curtas
Dar rodeios ou escrever sentenças muito longas pode confundir o seu leitor. Prefira
orações breves e simples. “A concisão é a maior aliada da clareza”, diz Passadori.
3. Cuide da pontuação
Um texto mal pontuado tem muitas chances de conter ambiguidades. Sinais gráficos
como vírgulas e pontos finais não são decorativos: servem para organizar e,
sobretudo, dar sentido à sua mensagem.
4. Prefira a ordem direta
Em nome da clareza, é recomendável construir frases com sujeito, verbo e
complemento, nessa sequência. Frases simples e sequência de argumentos, como
numa sequência de solução de uma equação, diz Mara Saad.
5. Torne suas ideias palpáveis
Passadori recomenda o uso de metáforas para explicar conceitos abstratos.
“Comparações com elementos concretos tornam o seu texto mais compreensível e
didático”, explica.
6. Evite abreviaturas e siglas obscuras
Também se recomenda cuidado com formas reduzidas de palavras e expressões. No
Exame de Ordem, as abreviaturas não são bem vindas. Melhor escrever
Excelentíssimo a Exmo., por exemplo. A não ser as corriqueiras (CPC, CPP, CF/88
etc). É preciso ter cuidado, explica Mara Saad. A dica é verificar em dicionários
aquelas que são de uso comum na língua portuguesa.
7. Procure não repetir ideias
Mara alerta para não incorrer nas redundâncias da sua comunicação. Saber escrever
sem os vícios da linguagem é questão de percepção, aprendizado da mínima norma
culta e treino constante, diz a professora.
8. Deixe as emoções de fora
O estresse rotineiro do expediente muitas vezes pode contaminar a expressão escrita,
gerando textos confusos e truncados. “É importante buscar serenidade e equilíbrio
emocional na hora de concatenar ideias no papel”, aconselha Passadori.
9. Saiba o verdadeiro significado das palavras
Usar palavras difíceis – sobretudo aquelas cujo significado nem você conhece – é
outro convite ao mal-entendido. O remédio é a leitura frequente. Para ter essa técnica,
ler editoriais de jornais (os melhores escritos) é boa recomendação, afirma a
professora Mara Saad.
10. Conheça o seu público-alvo
O que é claro para alguns pode não ser para outros, segundo Passadori. O nível de
familiaridade do seu leitor com o tema do seu texto, por exemplo, determinará se ele
pode ou não conter certas alusões, termos técnicos, entre outros elementos. E esses
são os seus examinadores da Banca FGV, que primam pela clareza e assertividade.

Frases longas ou curtas?


Todos os manuais de escrita nos aconselham a usar frases curtas, na voz ativa e em
ordem direta. O leitor deve avançar na escrita sem ter que voltar atrás a toda hora. Isto
é uma tendência do jornalismo em geral e da prosa realista norte-americana, duas
formas de escrever que às vezes são confundidas uma com a outra, até pelos seus
próprios praticantes. Eu não tenho nada contra esse estilo; tentar praticá-lo me ajudou
muito a tornar mais clara a minha maneira de escrever. Mas de vez em quando eu
penso comigo mesmo, como pensa o escritor Pico Iyer neste artigo
(http://lat.ms/ycShNj): “se continuarmos neste caminho, áreas inteiras das nossas
sensações e da nossa cognição acabarão se perdendo”.

“Nos grandes mestres, o adjetivo é escasso e sóbrio


– vai abundando progressivamente à proporção que
descemos a escala de valores.”
Monteiro Lobato
Que a frase tem que ser curta para ser gravada inteira, acho que todos que leram
a parte 1 desta série já entenderam. Quanto mais comprida for a frase, menor será a
sua legibilidade, e o pobre leitor ficará naquele movimento vai e volta até entender o
sentido da frase.

Uma outra dica igualmente importante é que a memória grava melhor o que vem no
início da frase. Por isso, lembre-se de colocar sempre as informações mais importantes
no começo da frase, em ordem direta.

E para facilitar a leitura, temos que mexer na estrutura das frases:


• Usar a ordem direta, colocando as informações mais importantes no começo da
frase; e

• Preferir frases afirmativas e na voz ativa.

COLOQUE AS INFORMAÇÕES MAIS IMPORTANTES NO INÍCIO DA FRASE

Vamos lá! O sujeito antes do predicado, a oração principal antes da subordinada, o


principal antes do acessório, a causa antes do efeito.

ORDEM DIRETA
Todos conhecemos a primeira frase do Hino Nacional brasileiro:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas


de um povo heróico o brado retumbante.

Como se trata da letra de hino, existe a licença poética, deixe como está! Mas se fosse
um texto informativo? Melhor seria colocar antes o sujeito, depois o verbo e o objeto
direto, certo?

As margens plácidas do Ipiranga ouviram


o brado retumbante de um povo heróico.

Poderíamos ainda cortar os adjetivos em excesso plácidas e retumbante. Afinal todo


brado é retumbante, e quanto às margens do rio só podem ser plácidas mesmo. Agora
veja que frase fácil de ler:

As margens do Ipiranga ouviram


o brado de um povo heróico.

ORDEM DIRETA PASSO A PASSO

Vamos trabalhar agora com um período bem mais longo, publicado em um grande
jornal.

Só de olhar, já dá pra ver que o texto é pura pedreira. Tem 46 palavras, mais do dobro
do que seria aceitável, e ainda na ordem inversa! Força! É preciso ter coragem! Leia
até o fim:

“Apesar dos riscos dos impactos negativos que, certamente, a economia poderia
sofrer por causa de eventuais e imprevisíveis problemas na conjuntura externa,
que retardariam o processo de desenvolvimento, a sociedade não pode deixar
escapar a oportunidade de levar o País a retomar o rumo de crescimento.”

Muitos elementos desnecessários nesse texto. Se retirados, o texto fica com 27


palavras e muito mais fôlego!

Apesar dos riscos por problemas na situação econômica externa, que


retardariam o desenvolvimento, a sociedade deve aproveitar a oportunidade de
levar o País a retomar o crescimento.
Veja que utilizamos algumas técnicas aqui. O termo conjuntura foi substituído por outro
mais familiar situação. A expressão negativa não pode deixar escapar ficou positiva e
mais curta: deve aproveitar.

Aqui já aprendemos uma segunda lição: Prefira frases afirmativas, na voz ativa!
Substitua Não escreva frases longas por Escreva frases curtas, simples assim!
Mas veja bem, apesar de todos os ajustes, observe que o sujeito está no final do
período.

Vamos então colocá-lo na ordem direta:

A sociedade deve aproveitar a oportunidade de levar o País a retomar o crescimento,


apesar dos riscos por problemas na situação econômica externa, que retardariam o
desenvolvimento.

Valeu o esforço, não? O leitor agradece.

Exercício 1
Corte o que é desnecessário e coloque o mais importante no começo:
Em 1990, embora contasse com um contexto internacional amplamente favorável e
com uma importante unidade da burguesia brasileira, a aplicação das políticas
neoliberais no país, iniciada por Collor, ainda se dava de forma algo truncada.

Clareza, coesão, coerência


CLAREZA

Clareza é uma qualidade dos textos em geral, por isso deve ser sempre buscada. Ser
claro é se fazer entender. Quem escreve quer ser lido, então deve-se facilitar a vida do
leitor apresentando um texto que seja compreensível. Quando alguém não está
compreendendo o que lê, abandona a leitura rapidamente. Alguns procedimentos
ajudam a obter clareza, procure observá-los na redação de seus textos.

Evite períodos longos. Uma frase de grande extensão pode obrigar o leitor a lê-la mais
de uma vez para compreender o sentido. É comum também o leitor, estando no meio
da frase, ter de voltar ao início dela para recuperar alguma informação que já
esqueceu, por isso prefira frases curtas, pois são mais fáceis de serem
compreendidas. Não tenha receio de usar o ponto.

Prefira a ordem direta à inversa. Em português, os termos da frase costumam se


apresentar na seguinte ordem: sujeito → verbo → complementos. Essa é a chamada
ordem direta, a ordem natural dos termos da frase. Quando ela é invertida, colocando-
se, por exemplo, o complemento no início e o sujeito no final, você obriga o leitor a
fazer um esforço desnecessário para entender a mensagem, porque ele vai tentar
mentalmente colocar em ordem direta aquilo que você escreveu em ordem inversa.
Então, facilidade a vida dele.
Evite ambiguidades. Ambiguidade é duplicidade de sentidos. Se uma frase é ambígua,
o leitor certamente ficará em dúvida sobre o que você quis dizer e pode até dar uma
interpretação diferente daquela que você pretendia, prejudicando a clareza do texto.
Observe esta manchete veiculada pelo site UOL:

Famílias de jovens mortos na Providência relatam ameaças a ministro

O leitor pode ficar em dúvida. São as famílias dos jovens mortos que recebem
ameaças ou é o ministro que está sendo ameaçado?

A ambiguidade, muitas vezes, ocorre porque uma palavra ou expressão pode se referir
a mais de um termo da frase.

Veja este outro exemplo: É fácil comprar arma roubada no Brasil. Há duas leituras
possíveis, porque o termo no Brasil pode estar se referindo a comprar ou a roubada.
Para desambiguizar a frase, seria necessário mudar a redação conforme sugestão que
apresento a seguir.

No Brasil, é fácil comprar arma roubada.

É fácil comprar arma que foi roubada no Brasil.

Sobre esse assunto você pode encontrar mais informações num post anterior do
blogue que tem por título Ambiguidades, clicando no aqui.

Finalmente, para obter clareza tenha muita atenção com o vocabulário. Evite usar
palavras desconhecidas ou que já caíram em desuso. Isso atenta contra a clareza
além de revelar afetação de quem escreve.

COESÃO

Coesão diz respeito à relação entre elementos de texto que se interligam produzindo
sentidos. A falta de coesão interfere na clareza do texto, na medida em que termos
ficam soltos, não havendo amarração entre ideias. Coesão é mesmo que conexão.
Para usar uma expressão da informática, ela estabelece links entre partes do texto. Na
organização do texto, as palavras ganham sentido pelas relações de dependência que
estabelecem entre si. Assim, a coesão é responsável pela continuidade do texto, à
medida que liga suas partes facilitando sua compreensão pelo leitor.

Os mecanismos que conferem coesão ao texto são vários. Um deles consiste na


amarração das ideias por meio de palavras que estabelecem relações lógicas entre
segmentos de texto. Tais palavras recebem o nome de elementos de coesão e são
representadas por conjunções, que se prestam a conferir relações de sentido de
causa, condição, concessão, finalidade etc., preposições (a, após, até, para etc.),
pronomes, usados para fazer referência a outros elementos do texto, e advérbios.

A coesão não é obtida apenas por meio de recursos gramaticais (conjunções,


preposições, pronomes, advérbios). Ela decorre também da substituição de uma
palavra por um sinônimo, hiperônimo ou hipônimo. Nesse caso, tem-se o que se
denomina coesão lexical, como em Apresentou a petição ao juiz, mas o magistrado a
indeferiu, a palavra magistradoretoma o termo juiz da qual é sinônimo.
Como a coesão se efetua por relações de sentido entre partes do texto, em diversos
casos, ela se confunde com a coerência. Na verdade, a distinção entre coesão e
coerência é, sobretudo, didática, pois nos textos as relações entre coesão e coerência
são interdependentes. Segundo Irandé Antunes “a coesão é uma decorrência da
própria continuidade exigida pelo texto, a qual, por sua vez, é exigência
da unidade que dá coerência ao texto”

COERÊNCIA

Não é simples definir coerência. Na seção anterior, ressaltei que ela se confunde com
a coesão. Para Othon M. Garcia (1978, p. 274), “a coerência consiste em ordenar e
interligar as ideias de maneira clara e lógica…”. Como se pode notar, essa definição se
confunde com a que apresentei de coesão. Veja ainda que, para esse autor, é
impossível obter clareza sem coerência. Isso mostra que há uma relação muito estreita
entre clareza, coesão e coerência, uma afetando a outra.

Para Koch e Elias (2009, p. 194), “a noção de coerência não se aplica, isoladamente,
ao texto, nem ao autor, nem ao leitor, mas se estabelece na relação entre esses três
elementos”. Isso significa que um texto pode ser considerado incoerente para um leitor
ao passo que outro pode não ver nele incoerência alguma.

Em sentido amplo, coerência é ausência de contradição. Dessa forma, um texto será


coerente quando não apresentar contradições internas que não sejam justificadas.
Num texto argumentativo, por exemplo, a coerência decorre da ligação entre suas
partes, introdução, desenvolvimento e conclusão. Se num texto argumentativo, na
introdução apresenta-se uma tese afirmando ser contrário à obrigatoriedade do voto,
no desenvolvimento (a argumentação propriamente dita) devem aparecer argumentos
que comprovem essa tese e a conclusão deve decorrer logicamente dos argumentos
apresentados. Isso é que se denomina coerência interna.

Por coerência externa, diz-se da não contradição do que se expõe no texto com o
conhecimento tido por verdadeiro no contexto em que o se texto se inscreve. Nesse
sentido, considera-se incoerente um texto que afirma que a Terra é plana ou que o
câncer é uma doença incurável.

Uma forma bastante comum de incoerência são as generalizações apressadas, muito


comum hoje nas redes sociais. Elas decorrem do fato de a exceção ser tomada como
regra. Se alguém afirma: “É mentira que o fumo é prejudicial à saúde. Meu avô fumava
muito desde jovem e morreu aos 96 anos”, temos uma generalização apressada, pois
a afirmativa émentira que o fumo é prejudicial à saúde é falaciosa pois decorre de uma
exceção, de um caso particular (meu avô). O conhecimento científico de que se dispõe
hoje em dia comprova que fumar é prejudicial à saúde. Afirmar o contrário é ser
incoerente.

Esse tipo de falácia está presente nos discursos preconceituosos e intolerantes.


Afirmações como Índio é preguiçoso, Português é burro, Brasileiro não gosta de
trabalhar, Carioca é folgado, Brasileiro não sabe falar direito, não sabe gramática entre
tantas outras, são fruto de generalizações apressadas.

A coerência deve estar presente em todos os tipos de texto. A melhor forma de obtê-la
consiste em planejar o texto. De posso de um roteiro, sabe-se de onde se deve partir e
aonde se pretende chegar e que caminhos percorrer. No entanto, quando se escreve,
é comum afastar-se do roteiro; por isso, terminado o texto, ele deve ser
obrigatoriamente revisto para detectar não só problemas de coerência, mas de clareza,
de coesão e os de natureza gramatical (grafia, pontuação, concordância etc.).

Nos textos narrativos, embora não seja uma regra fixa, os acontecimentos devem ser
expostos na ordem temporal em que ocorreram, isto é, do passado para o presente. As
descrições são feitas do ponto de vista de quem observa. Se na narração, a
preocupação se volta para temporalidade, na descrição ela recai na espacialidade,
portanto deve-se atentar para a ordem em que o objeto é observado, por exemplo, se
de cima para baixo, de dentro para fora, da direita para a esquerda, do perto para o
longe etc.

Em textos argumentativos e expositivos, a coerência decorre da ordenação das ideias,


o que pressupõe que argumentos e informações mantenham entre si relações lógicas
de causa e efeito, de finalidade, de condição etc., estabelecidas por elementos
gramaticais denominados conectivos (porque, já que, para que, se, caso etc.). Quanto
aos textos argumentativos, é recomendável que o argumento mais forte seja
apresentado por último.

Regras de ouro da escrita


O texto é rua de mão dupla. Numa pista está a escrita. Na outra, a leitura. Quem escreve
precisa manter os olhos abertos e os ouvidos atentos ao que vem de lá. A tarefa é árdua.
Exige, como de todo bom motorista, atenção, sensibilidade e técnica. Convenhamos: um
ou outro condutor podem ter uma ou outra habilidade inatas. Mas precisam desenvolver
outras. É possível? É. Existem autoescolas e instrutores capazes de iluminar o caminho
das pedras. Eles não chutam. Guiam-se pelas regras do código de trânsito.
Redatores profissionais conhecem as normas da escrita. São muitas. As gramaticais estão
no papo. Concordâncias, regências, pontuações & cia. são café pequeno. Estudadas
desde os primeiros anos, oferecem-se sem resistência. O desafio reside na legibilidade. É
preciso ser entendido. Pra chegar lá, três regras merecem atenção especial. Uma: menor
é melhor. Outra: menos é mais. A lanterninha, mas não menos importante: os primeiros
serão os primeiros. Menor é melhor
Entre duas palavras, fique com a mais curta. Entre duas curtas, a mais simples. Fuja das
pretensiosas e ocas. Elas afugentam o leitor. Só ou somente? Só. Colocar ou pôr?
Pôr. Chuva ou precipitação pluviométrica? Chuva. Contabilizar ou somar?
Somar. Equalizar ou igualar? Igualar. Fidelizar ou conquistar? Conquistar. Priorizar ou dar
prioridade? Dar prioridade.
Não só vocábulos contam. Frases também entram na jogada. A frase curta — com mais
ou menos 150 toques — tem duas vantagens. Uma: diminui o número de erros. A gente
tropeça menos nas conjunções, nas vírgulas, na concordância, na correlação verbal. A
outra: torna o texto mais claro — a maior qualidade do estilo. Como chegar lá? Use
pontos. Compare:
Na Câmara e no Senado, parlamentares transformaram a eleição para a presidência em
balcão de negócios, discutindo privilégios em público, sem cerimônia ou senso de
oportunidade, buscando garantir cargos, vantagens, gabinetes, funcionários, gratificações.
Na Câmara e no Senado, parlamentares transformaram a eleição para a presidência em
balcão de negócios. Discutem vantagens em público sem cerimônia ou senso de
oportunidade. Entre as barganhas, figuram cargos, gabinetes, funcionários,
gratificações. Menos é mais
“Escrever é economizar palavras”, ensina Drummond. “Escrever é cortar”, confirma
Marques Rebelo. “Seja conciso”, aconselha o professor. Os três dão o mesmo recado —
respeite a paciência do leitor. Quanto menos palavras você gastar pra transmitir uma
ideia, melhor. Muito melhor.
Como ser conciso sem prejudicar a mensagem? Existem atalhos. Um deles: eliminar
palavras ou expressões desnecessárias. Artigos indefinidos, pronomes possessivos,
adjetivos, advérbios são candidatos à tesoura. Menos palavras é mais clareza, mais
objetividade, mais rapidez. Compare:
Neste momento, depois de tanto ler, nós acreditamos que, sempre que necessário e
aprovado pelo bom senso, o redator deve tentar escrever seus textos com substantivos e
verbos, eliminando todas as demais classes gramaticais.
Cruz credo! A ideia central está escondida na selva de palavras. Fiquemos com o
essencial:
O redator escreve textos com substantivos e verbos. Os primeiros serão os primeiros
A psicologia prova. A pessoa só consegue dominar certo número de palavras antes que
os olhos peçam pausa. Testes sobre a legibilidade e a memória demonstram dois fatos.
Um: se o período tem a média de 200 toques, o leitor retém a segunda metade pior que a
primeira. Dois: se 250 ou mais, grande parte do enunciado se perde. Daí a importância da
frase curta e da ordem direta — sujeito, verbo, objeto direto e indireto, adjunto adverbial.
Michel Temer (suj.) disputa (verbo) a presidência da Câmara (obj.) na segunda-feira. (adj.
adv.)
Fugiu dessa carreirinha? Entrou na ordem inversa:
Na segunda-feira, Michel Temer disputa a presidência da Câmara. A presidência da
Câmara Michel Temer disputa na segunda-feira. Michel Temer, na segunda-feira, disputa
a presidência da Câmara. A primeira estrofe do Hino Nacionalabusa da ordem inversa.
Com ela, dá passagem à dificuldade:
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante.
Na ordem direta, a clareza põe a cabeça de fora:
As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.
Moral da história: ao contrário do apregoado pelo dito popular, os últimos não serão os
primeiros. Serão os últimos mesmo.

Resumão para não errar mais na


hora de usar a vírgula
Você é uma daquelas pessoas que costuma ter um mini ataque de pânico sempre que precisa usar a
vírgula?
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Chega mais porque vamos tentar lhe ajudar! Separamos 18 dicas para tornar essa tarefa mais fácil e
melhorar o seu desempenho na redação.

1) Ordem direta
Para começo de conversa, é importante que você saiba que a língua portuguesa tem uma ordem
natural – sujeito + verbo + complemento – e que as palavras, quando usadas na ordem direta, não
precisam de vírgula.

Se você tem dúvidas quanto a isso, é importante revisar o conteúdo de análise sintática. Combinado?

2) Separação de frases e orações intercaladas

Sem intercalação: Meu pai vive me corrigindo.


Com intercalação: Meu pai, que é professor de português, vive me corrigindo.

(Não é preciso analisar a intercalação, ou seja, saber se ela é um aposto, adjunto adverbial,
conjunção etc., para pontuar corretamente. Basta analisar se há ou não uma quebra na estrutura
lógica da frase.)

3) Elementos explicativos

Use a vírgula para separar qualquer elemento que serve apenas para fazer uma explicação, como isto
é, com efeito, a propósito, além disso, ou seja, etc.

O que sinto, isto sim, é um grande alívio na alma.


Não aceitamos documentos originais, ou seja, você precisa nos enviar uma cópia.

4) Pequenas intercalações

Quando se tratam de intercalações de frases curtas, advérbios, pequenas explicações, a vírgula é


opcional.

Ele não se comporta assim por maldade, mas, sim, por inexperiência.
Ele não se comporta assim por maldade mas sim por inexperiência.

5) Vocativo
Deve-se sempre usar a vírgula para separar o vocativo.

Senta lá, Cláudia.


Percebe, Ivair, a petulância do cavalo?

6) Verbos de elocução

São verbos que caracterizam a fala ou a forma como alguém se expressa.

Não aceito, respondi eu, e desliguei o telefone.

Que chatice, resmungou o menino.

7) Coordenação

A vírgula é usada para indicar a coordenação de elementos, sejam eles símbolos, palavras,
expressões ou orações com mesmas funções sintáticas mas independentes entre si:

Discutem de noite, de dia, de madrugada.


(Vários adjuntos)

O amor, a saúde e o sucesso são fundamentais.


(vários substantivos formando o sujeito)

10, 25, 47, 52, 69 e 78 foram os números do último sorteio da Mega Sena.

8) Conjunção “e”

Agora vamos lhe surpreender! Aposto que você passou a vida inteira achando que a conjunção “e”
não pode ser precedida por vírgula, mas não é bem assim!

Caso 1 – usa-se vírgula depois da conjunção “e” quando ela separa orações coordenadas com
sujeitos distintos:

A guerra (sujeito 1) mata os filhos, e as mães (sujeito 2) choram desesperadas.

Caso 2 – há vírgula antes do “e’ quando há intercalação entre dois termos que ele coordena:

Acabei de ouvir o álbum Lemonade, da Beyoncé, e outras músicas pop.


9) A conjunção “mas”

– Não há razão para usar vírgula quando a conjunção “mas” liga dois termos de mesma função
sintática na frase:

Esperava que confessasse não um pecado mas uma infâmia.

– No entanto, quando inicia uma nova oração no mesmo período (se não lembra o que é “oração” e
o que é “período”, corre para pesquisar!), mas vem precedido por vírgula:

Não sei o motivo, mas acho que Katy ficou aborrecida com Taylor.

Para tudo e segura essa dica:

Nunca teremos vírgula à direita da conjunção, pois, dessa forma, estaríamos separando o conectivo
mas daquilo que une, ou seja, da oração que encabeça.
Exemplo: Não gosto de você, mas, quero que tenha sucesso.
Correto: Não gosto de você, mas quero que tenha sucesso.

10) Outras conjunções coordenativas

Adversativas
As conjunções adversativas porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto podem aparecer no
início ou no fim de uma oração, ou até mesmo intercaladas.

Gosto de chá, porém gosto ainda mais de café.

Não gosto, porém, de chimarrão.

Conclusivas
Exemplos: logo, por isso, assim, portanto.

Estou escrevendo. Logo, quero silêncio.

Se a oração anterior for separada por vírgula, evite usar outra vírgula depois da conjunção para não
caracterizar uma intercalação:

Ele está meditando, logo não quer barulho.


No entanto, há conjunções conclusivas que também se usam intercaladas:

A princípio, portanto, não tenho planos para hoje.

11) Pois e porque

As orações que são introduzidas pelas conjunções pois e porque, independente de sua classificação,
não precisam ser precedidas de vírgula quando aparecem depois da oração principal; ou seja, ela é
facultativa:

Chega de açúcar pois a massa já está bem doce.

Não foi ao jogo(,) pois estava doente.

Há muitos novos casos de HIV no Brasil (,) porque as pessoas não se previnem.

12) Orações subordinadas adverbiais

Lembra que a língua tem uma ordem natural? Usamos a vírgula quando uma oração subordinada
adverbial quebra tal ordem. Olha só:

Quando a palestra acabou, todos se levantaram.


(Ordem natural: Todos se levantaram quando a palestra acabou.)

Relembrando: oração adverbial expressa circunstância, complementando a oração principal.


Oração principal: Todos se levantaram
Circunstância: quando a palestra acabou.

13) Reduzidas de gerúndio, particípio e infinitivo

Às vezes as orações reduzidas de gerúndio, de particípio ou de infinitivo se comportam como


orações adverbiais e vêm antes da oração principal. Nesses casos, usamos a vírgula para separá-las:

Sabendo disso, ele se afastou = quando soube disso


(Reduzida de gerúndio: sabendo disso/ Oração principal: ele se afastou)

Passada a chuva, um novo sol surgiu. = quando ou depois que passou a chuva
(Reduzida de particípio: Passada a chuva/ Oração principal: um novo sol irá surgir)
Ao receber a notícia, passou mal. = quando recebeu a notícia
Reduzida de infinitivo: Ao receber a notícia/ Oração principal: passou mal)

14) Oração adjetiva explicativa

Nesse caso, a regra é clara, Galvão: toda oração adjetiva explicativa deve ser precedida por vírgula.

Comprei o último livro do Jorge Amado, que encantou o público e a crítica.

Gosto de Caetano, cuja a música me faz relaxar.

As orações adjetivas explicativas são termos acessórios; ou seja, podem ser eliminados da frase sem
prejudicar o sentido dela:

Comprei o último livro do Jorge Amado.

Gosto de Caetano.

15) Oração adjetiva restritiva

Ao contrário das orações adjetivas, as orações restritivas são indispensáveis, pois definem,
particularizam ou identificam um nome expresso anteriormente, e não são separadas por vírgula.
Aliás, se você fizer isso, pode mudar o sentido da frase.

Vamos lá:

A banda que toca aos domingos na praça nasceu por acaso. = Identificamos, qualificamos e
restringimos a banda em um mundo de possíveis bandas.

A banda, que toca aos domingos na praça, nasceu por acaso. = O autor dessa frase traz uma
informação adicional, informando quando a banda toca. A ideia principal, aqui, é frisar que a banda
nasceu por acaso.

16) Expressões de circunstâncias

Não se coloca entre vírgulas o advérbio (expressão de circunstância) situado no meio frase, pois essa
é sua posição natural:

Eu geralmente trago algo para o meu lanche.


17) Adjunto adverbial

Agora vamos falar do adjunto adverbial que altera o sentido da oração inteira, que é usado com
vírgula:

Pelo que eu saiba, Justin Bieber fez show no Brasil mês passado.
Justin Bieber fez show no Brasil mês passado, pelo que eu saiba.
Justin Bieber,pelo que eu saiba, fez show no Brasil mês passado.

Quando o adjunto é colocado no início do período e é de pequena extensão, a vírgula é dispensável:

Felizmente a chuva parou.

Mas, se houver necessidade de ênfase, a vírgula pode ser usada:

Felizmente, a chuva parou.

18) Verbo subentendido

Na feira compramos fruta e no supermercado compramos café =

Na feira compramos fruta, no supermercado café.

Ou

Na feira compramos fruta; no supermercado, café.

APRENDA DEFINITIVAMENTE A USAR A


VÍRGULA COM 4 REGRAS SIMPLES
A vírgula é um dos elementos que causam mais confusão na língua portuguesa. Pouca gente
sabe ao certo onde deve e onde não deve usá-la. O motivo disso é bem simples: sempre nos
ensinaram do jeito errado!
Você deve lembrar da sua professora falando coisas como “a vírgula é usada para indicar pausa”,
“prestem atenção em como vocês falam, quando tiver pausa, usem vírgula”. Isso é besteira, pois
cada um de nós fala de um jeito diferente, usa pausas diferentes e, basicamente, decide como
quer falar (apesar disso, devemos ter cuidado, pois somos julgados pelo jeito de falar).
Mas não podemos simplesmente decidir onde vai e onde não vai vírgula. Ela tem poder demais
para ser arbitrária. Quer ver o poder da vírgula? Assista a esse vídeo:
A IMPORTÂNCIA DA VÍRGULA

Viu como a vírgula é importante?

Pois bem, existem algumas regras para o uso da vírgula, e elas são baseadas na gramática. Deu
medo, né? Calma, o meu objetivo aqui é mastigar a gramática pra que você não estrague seus
dentes ;-)

1. USE A VÍRGULA PARA SEPARAR ELEMENTOS QUE VOCÊ PODERIA


LISTAR

Veja esta frase:

João Maria Ricardo Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que os nomes das pessoas poderiam ser separados em uma lista:

Foram almoçar:

o João
o Maria
o Ricardo
o Pedro
o Augusto

Isso significa que devem ser separados por vírgula na frase original:

João, Maria, Ricardo, Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que antes de “e Augusto” não vai vírgula. Como regra geral, não se usa vírgula antes de
“e”. Há um caso específico que eu explico daqui a pouco. Um outro exemplo:
A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores…
(Teixeira de Pascoaes)

2. USE A VÍRGULA PARA SEPARAR EXPLICAÇÕES QUE ESTÃO NO MEIO


DA FRASE

Explicações que interrompem a frase são mudanças de pensamento e devem ser separadas por
vírgula. Exemplos:
Mário, o moço que traz o pão, não veio hoje.

Dá-se uma explicação sobre quem é Mário. Se tivéssemos que classificar sintaticamente o trecho,
seria um aposto.
Eu e você, que somos amigos, não devemos brigar.

O trecho destacado explica algo sobre “Eu e você”, portanto deve vir entre vírgulas. A
classificação do trecho seria oração adjetiva explicativa.
3. USE A VÍRGULA PARA SEPARAR O LUGAR, O TEMPO OU O MODO
QUE VIER NO INÍCIO DA FRASE.

Quando um tipo específico de expressão — aquela que indica tempo, lugar, modo e outros —
iniciar a frase, usa-se vírgula. Em outras palavras, separa-se o adjunto adverbial antecipado.
Exemplos:
Lá fora, o sol está de rachar!

“Lá fora” é uma expressão que indica “lugar”. Um adjunto adverbial de lugar.

Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.

“Semana passada” indica tempo. Adjunto adverbial de tempo.

De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.

“De um modo geral” é sinônimo de “geralmente”, adjunto adverbial de modo, por isso vai vírgula.

4. USE A VÍRGULA PARA SEPARAR ORAÇÕES INDEPENDENTES

Orações independentes são aquelas que têm sentido, mesmo estando fora do texto. Nós já vimos
um tipo dessas, que são as orações coordenadas assindéticas, mas também há outros casos.
Vamos ver os exemplos:

Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar em Mana Maria. (A. de
Alcântara Machado)

Nesse exemplo, cada vírgula separa uma oração independente. Elas são coordenadas
assindéticas.

Eu gosto muito de chocolate, mas não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, porém não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, contudo não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, no entanto não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, entretanto não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, todavia não posso comer para não engordar.

Capiche? Antes de todas essas palavras aí, chamadas de conjunções adversativas, vai vírgula.
Pra quem gosta de saber os nomes (se é que tem alguém), elas se chamam orações
coordenadas sindéticas adversativas. (medo!)
Agora só faltam mais duas coisinhas:

Quando se usa vírgula antes de “e”?

Vimos aí em cima que, como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Tem só um caso em
que vai vírgula, que é quando a frase depois do “e” fala de uma pessoa, coisa, ou objeto (sujeito)
diferente da que vem antes dele. Assim:

O sol já ia fraco, e a tarde era amena. (Graça Aranha)


Note que a primeira frase fala do sol, enquanto a segunda fala da tarde. Os sujeitos são
diferentes. Portanto, usamos vírgula. Outro exemplo:
A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino (F. Namora)

Mesmo caso, a primeira oração diz respeito à mulher, a segunda aos filhos.

Existem casos em que a vírgula é opcional?

Existe um caso. Lembra do item 3, aí em cima? Se a expressão de tempo, modo, lugar etc. não
for uma expressão, mas sim uma palavra só, então a vírgula é facultativa. Vai depender do
sentido, do ritmo, da velocidade que você quer dar para a frase. Exemplos:

Depois vamos sair para jantar.


Depois, vamos sair para jantar.

Geralmente gosto de almoçar no shopping.


Geralmente, gosto de almoçar no shopping.

Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.


Semana passada todos vieram jantar aqui em casa.

Note que esse último é o mesmo exemplo do item 3. Vê como sem a vírgula a frase também fica
correta? Mesmo não sendo apenas uma palavra, dificilmente algum professor dará errado se você
omitir a vírgula.

Não se usa a vírgula!

Com as regras acima, pode ter certeza de que você vai acertar 99% dos casos em que precisará
da vírgula. Um erro muito comum que vejo é gente separando sujeito e predicado com
vírgula. Isso é errado, e você pode ser preso se for pego usando!
Jeito errado:

João, gosta de comer batatas.


Alice, Maria e Luíza, querem ir para a escola amanhã.

Jeito certo:

João gosta de comer batatas.


Alice, Maria e Luíza querem ir para a escola amanhã.