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6 - A Redação terá como propósito verificar a conter qualquer marca identificadora ou assinatura, o
capacidade de expressão escrita do candidato na que implicará atribuição de nota zero.
língua portuguesa e a Tradução de Texto a 6.9.1 - Serão descontados 5 (cinco) pontos por cada
compreensão do idioma inglês. linha não preenchida ou preenchida em
6.6.1 - Sua correção será feita por Bancas excesso, em relação ao número mínimo e máximo de
Examinadoras específicas, designadas pelo Diretor de linhas determinado.
Ensino da Marinha, de acordo com as Normas 6.9.2 - As redações receberão duas notas, atribuídas
estabelecidas pela Administração Naval. por 2 (dois) Membros da Banca, valendo
6.6.2 - A Redação deverá ser dissertativa e escrita em como nota da prova a média aritmética dessas 2
letra cursiva, com ideias claras, coerentes e (duas) notas.
objetivas, cujo título versará sobre assunto 6.9.3 - Caso as notas atribuídas a uma mesma redação
considerado de importância pela Administração apresentem uma diferença de pontuação
Naval. maior que 20 (vinte) pontos, essa será submetida à
6.7 - A Tradução de Texto consistirá em converter um apreciação do Presidente da Banca ou Membro
Texto em Inglês Técnico para a Língua mais experiente presente, para validação, que, caso
Portuguesa. necessário, atribuirá uma terceira nota,
6.8 - A média aritmética das notas da Redação e da considerando-a então como final.
Tradução de Texto comporá a fórmula 6.9.4 - Aspectos e pontuações a serem considerados
prevista para a elaboração do resultado da Seleção na correção da redação:
Inicial, acordo subitem 15.2. a) Estrutura e conteúdo - 50 (cinquenta) pontos,
6.9 - A redação não poderá ser escrita em letra de sendo:
imprensa e deverá ter no mínimo 20 (vinte) I) Coesão e coerência - até 30 (trinta) pontos; e
linhas contínuas, considerando o recuo dos II) Título e assunto - até 20 (vinte) pontos.
parágrafos, e no máximo 30 (trinta) linhas. Não b) Expressão - até 50 (cinquenta) pontos.
poderá

Texto Dissertativo

A dissertação é um texto de natureza teórica que visa expor minuciosamente um tema, desdobrando-o em todos os
seus aspectos. Através desta estruturação lógica e ordenada das concepções iniciais, o autor propõe reflexões,
incrementa uma forma de pensar, defende um ponto de vista, discorre sobre uma ideia, cria polêmicas, propõe
debates, insere raciocínios dos quais extrai consequências, introduz questionamentos que abalam as certezas
absolutas.
Sua principal qualidade é o corpo teórico que desperta profundas meditações. Dissertar passa pelo encadeamento
de causas e efeitos; seu criador pode e deve oferecer exemplificações, buscar conclusões, mas não impor suas ideias,
nem mesmo se esforçar para convencer, a qualquer custo, seus interlocutores. Acima de tudo ele precisa ter a
consciência de que vai tão somente propagar um novo saber.
As obras dissertativas enquadram-se na categoria dos escritos expositivos, ao lado dos textos científicos, dos
pareceres, das produções didáticas, dos verbetes que compõem as enciclopédias. Elas apresentam características
essencialmente informativas. Normalmente os trabalhos desta natureza são elaborados no fim das pós-graduações
ou dos mestrados.
O texto dissertativo pode ser expositivo ou argumentativo. Em nenhuma das duas modalidades há lugar para a opinião.
Na expositiva o estudante expõe um conceito, uma teoria e o seu ponto de vista sobre o assunto, além de expressar
a visão alheia. Normalmente ele expande a concepção nuclear, revelando sua essência, os precedentes, razões
imediatas ou distantes, efeitos ou exemplificações.
As produções mais objetivas conferem um tom nada pessoal à obra, e são tecidas por argumentos racionais que vão
da esfera geral à singular. As subjetivas são direcionadas não apenas à mente do outro, mas também as suas emoções;
nelas estão presentes elementos como as atitudes sarcásticas e zombeteiras. Não podem faltar nos textos
dissertativos a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.

INTRODUÇÃO: é o parágrafo de abertura, responsável pela apresentação do assunto. De maneira geral, uma boa
introdução contém de duas a três frases, distribuídas entre quatro e seis linhas. Esse espaço é suficiente para fazer
uma apresentação do tema e da tese (o objetivo do texto), que serão as ideias defendidas nos parágrafos seguintes.

DESENVOLVIMENTO: é a parte fundamental da dissertação, em que você vai desenvolver o raciocínio, por meio de
argumentos, para consubstanciar o ponto de vista inicial. Assim, para construir o desenvolvimento do texto, o autor
deve selecionar e articular informações especificamente para didaticamente expor o tema apresentado na
introdução. Isso se faz por meio de opiniões de autoridades, dados, levantamentos, estatísticas, fatos e exemplos
sobre o tema.
CONCLUSÃO: É a parte do texto, que aparece em um ou dois parágrafos, em que o autor sintetiza os seus
argumentos e a sua tese, normalmente apresentando entre eles uma relação de causa e consequência. É o fecho do
texto.

Exemplo

Um Brasil mais competitivo desponta no Norte

Um Brasil mais competitivo e com menor custo logístico começa a despontar. O Arco Norte, como
alternativa para o escoamento das commodities brasileiras, se destaca como solução para os gargalos logísticos que
emperram o crescimento econômico e trazem desgastes para o setor produtivo. A mudança deste quadro se reflete
nos 24% da produção brasileira de grãos que tiveram transbordo transferido para os portos mais ao Norte, levando à
diminuição da pressão do escoamento pelas regiões Sul e Sudeste.
Esta nova rota compreende eixos de transporte em direção aos portos situados acima do paralelo 16° S,
abrangendo os terminais das regiões Norte e Nordeste do País – mais precisamente dos Estados de Rondônia,
Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão. Para dimensionar a importância da alteração de estratégia logística, os
produtores esperam que, a partir de melhorias na infraestrutura rodoviária e ferroviária, em cinco anos, 50% da
produção do Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, seja exportada via Arco Norte.
Dados do Governo também reforçam como benefício para a produção agrícola brasileira, a aproximação do
setor portuário nortista ao Canal do Panamá, entendida como uma das saídas para o barateamento do custo
logístico de grãos (soja e milho). A consolidação deste resultado dependerá, justamente, da redistribuição dessas
commodities pelas rotas em direção ao Norte, ao invés de seguirem pelo Oceano Atlântico, para chegar ao
continente asiático. O novo caminho poderá diminuir em até cinco dias o tempo de viagem entre os continentes.
O setor portuário privado, responsável por 66% das exportações do País, reconhece a evolução neste
cenário, e prepara o campo para novas empreitadas na região amazônica. O Projeto Barra Norte traz uma nova
perspectiva para a navegação do rio Amazonas. A proposta visa a conseguir a permissão, junto às autoridades da
Marinha do Brasil, para que embarcações trafeguem com capacidade total, em razão da ampliação do calado (a
altura da parte do casco do navio que fica submersa). Os estudos observaram que, com a ampliação de apenas 20
cm, cada navio poderá transportar 1.800 toneladas a mais do que é comercializado hoje. O aumento da
profundidade previsto no projeto poderá ultrapassar os dois metros.
Em razão dos ganhos notórios para o setor, o projeto tem conquistado a adesão dos órgãos públicos sem
dificuldades. O Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, por meio da Secretaria Nacional de Portos,
manifestou interesse em participar. O Departamento Nacional de Infraestrutura (DNIT) e a própria Marinha deram
início às negociações para que seja providenciado o levantamento batimétrico na região dos bancos de areia –
relativo às medidas de profundidade para a navegação. O projeto Barra Norte pode ser absorvido, pela sua
importância, a um plano de governo.
É inegável o otimismo, tanto do setor produtivo, quanto do setor responsável pelo transporte da produção.
Para os portos brasileiros, foi um paradigma rompido, que tende a viabilizar novos investimentos que contribuirão
fortemente para o crescimento da balança comercial. A prova disso está nos números. Em 2017, os 39 terminais
portuários em operação da Região Norte movimentaram cerca de 86 milhões de toneladas em produtos. Já os
Terminais de Uso Privado (TUPs), nos últimos quatro anos, investiram R$ 1,4 bilhão, em 61 novas instalações, e
acenam com mais aporte de recursos, R$ 1,1 bilhão, para mais 19. Estamos falando de um desenvolvimento
exponencial.
Para a Região Norte, são esperados aumento na atratividade de investimentos, com diversos terminais
portuários operando, o que elevará a competitividade, além da geração de receitas e de empregos na região
amazônica. Pela maior aproximação geográfica em relação aos continentes europeu e asiático, estes ganhos, sem
dúvida, serão estendidos a todo o país.

Murillo Barbosa, presidente da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP), serviu à Marinha do Brasil por
42 anos e dirigiu a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) entre 2006 e 2010.

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