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AULA 27 – 06/06/2018

CONT: CORTINA ATIRANTADA – ROTEIRO PARA PRÉ-


DIMENSIONAMENTO DE CORTINAS ANCORADAS PELO
“MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
PROF. RAIMUNDO LEIDIMAR BEZERRA
UEPB/CAMPUS VIII/ARARUNA
leidimarbezerra@gmail.com
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
O método brasileiro foi desenvolvido pelo prof.
Costa Nunes (Nunes; Velloso, 1963) e utilizado no
projeto da primeira cortina ancorada construída
no Brasil, em 1957.
Baseado no método de Culmann (1866), esse
método considera que a superfície de ruptura é
um plano que passa pelo pé do talude (ver Fig.
7.26), ficando restrito, dessa forma, a taludes
verticais (ou praticamente verticais).
O método é restrito a solos homogêneos.
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
1) Cálculo do ângulo crítico de deslizamento
𝒊+∅
𝜽𝒄𝒓𝒊𝒕 =
𝟐
Sendo:
i = inclinação da cortina;
φ = ângulo de atrito interno do solo.

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
2) Cálculo do fator de segurança referente ao
ângulo crítico de deslizamento
𝒄. 𝒍. 𝒄𝒐𝒔𝝋
𝑭𝑺𝒎𝒊𝒏 =
𝑾. 𝒔𝒆𝒏 (𝜽𝒄𝒓𝒊𝒕 − 𝝋)
Sendo:
c = coesão do solo;
l = comprimento da linha de maior declive do plano crítico
de deslizamento;
W = peso da cunha mais provável de deslizamento com
dimensão transversal unitária.
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
3) Cálculo do coeficiente de segurança, FSp (fator
de segurança obtido com as forças de
protensão). É calculado a partir do ângulo do
plano de ancoragem, de tal forma que resulte
FSp ≥ 1,50
𝟐. 𝒄
. 𝒔𝒆𝒏 𝒊. 𝒄𝒐𝒔 𝝋
𝜸. 𝑯
𝑭𝑺𝒑 =
𝒔𝒆𝒏 𝒊 − 𝜽𝒂𝒄 . 𝒔𝒆𝒏 (𝜽𝒂𝒄 − 𝝋)
Sendo:
 = peso específico do solo;
θac = ângulo formado pela horizontal com o plano de ancoragem.
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
4) Faz-se uma interação, variando-se θac, de
maneira que FSp ≥ 1,50

5) Cálculo de λ
𝑭𝑺𝒑
λ=
𝑭𝑺𝒎𝒊𝒏
Sendo:
FSp = fator de segurança adotado, FSp ≥ 1,50;
FSmin = valor calculado no item (2).

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
6) Cálculo da força de ancoragem necessária para
estabilizar o talude (F)
λ − 𝟏 𝑾´𝒑 . 𝒔𝒆𝒏 (𝜽𝒄𝒓𝒊𝒕 − ∅)
𝑭= .
λ 𝒄𝒐𝒔 (𝜷 − ∅)
Sendo:
• W´p = peso da cunha obtido através do novo plano de ruptura
(plano de ancoragem);
• β = ângulo formado pelos tirantes com plano crítico de
deslizamento, β = (α + θcrit);
• α = ângulo formado pelos tirantes com a horizontal (inclinação dos
tirantes).
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)

Observação:
o valor encontrado para a força resultante (F),
representa a força mínima necessária aos tirantes
para que a estrutura permaneça estabilizada, sendo
então utilizada para o dimensionamento dos
mesmos.

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
7) Cálculo do número de camadas de tirantes na
vertical
𝑭. 𝒆𝒉
𝑵𝒕 =
𝑭𝒂𝒅𝒎
Sendo:
• Nt = número de camadas de tirantes na vertical;
• Eh = espaçamento horizontal entre tirantes;
• Fadm = carga de trabalho de cada tirante (obtida mediante catálogo
do fabricante)

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
8) Espaçamento vertical entre tirantes
𝑯
𝒆𝒉 =
𝑵𝒕
Sendo:
• H = altura da cortina;
• Nt = número de camadas de tirantes.

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
9) Comprimento do trecho ancorado – NBR 5629:2006
Solos arenosos
΄ 𝑻
𝑻 = 𝝈𝒛 . 𝐔. 𝑳𝒃. 𝒌𝒇 → 𝑳𝒃 = ΄
𝝈𝒛 . 𝐔. 𝒌𝒇
Sendo:
T = capacidade de carga do bulbo;
σ´z = tensão efetiva no ponto médio da ancoragem;
U = perímetro médio da seção transversal da ancoragem;
Lb = comprimento do bulbo de ancoragem;
Kf = coeficiente de ancoragem indicado na Tabela 7.2.
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
9) Comprimento do trecho ancorado – NBR 5629:2006

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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
9) Comprimento do trecho ancorado – NBR 5629:2006
Solos argilosos
𝑻
𝑻 =∝. 𝐔. 𝑳𝒃. 𝑺𝒖 → 𝑳𝒃 =
∝. 𝐔. 𝑺𝒖
Sendo:
• T = capacidade de carga do bulbo;
• α = coeficiente redutor da resistência ao cisalhamento (α=0,75 p/ Su≤40
kPa; e α=0,35 p/ Su≥100 kPa. Entre esses dois valores, interpolar
linearmente);
• U = perímetro médio da seção transversal da ancoragem;
• Lb = comprimento do bulbo de ancoragem;
• Su = resistência ao cisalhamento não drenado do solo argiloso.
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)
9) Comprimento do trecho ancorado – Expressão
proposta por JOPPERT JR (2007)
𝑻
𝑻 = 𝟗, 𝟐. 𝑵𝒔𝒑𝒕 . ∅. 𝑳𝒃. 𝒌 → 𝑳𝒃 =
𝟗, 𝟐. 𝑵𝒔𝒑𝒕 . ∅. 𝒌
Sendo:
• T = capacidade de carga do tirante;
• Nspt = número médio do SPT na região de implantação do bulbo de
ancoragem;
φ = diâmetro do tricone (Figura 2.16);
Lb = comprimento do bulbo de ancoragem;
K = coeficiente que depende do tipo de solo (t/m²). Vide Figura 2.17.
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MÉTODO BRASILEIRO (PROF. COSTA NUNES)

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

• A NBR 5629 (ABNT, 2006) preconiza que o bulbo


deve distar pelo menos 3 m da superfície de
início da perfuração. Muitos projetistas adotam
comprimentos maiores do que 3 m.
• Pinelo (1980) apresenta recomendações para o
espaçamento das ancoragens conforme as Figs.
7.32 e 7.33.
• O espaçamento entre bulbos deve ser maior do
que 1 m e maior do que seis vezes o diâmetro da
perfuração (Pinelo, 1980; GeoRio, 2014).

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

• O início do bulbo deve distar pelo menos 0,15H


da superfície crítica, sendo H a altura da
contenção.
• O recobrimento de terra, em geral, deve ter pelo
menos 5 m sobre o centro do trecho de
ancoragem (ABNT, 2006; Pinelo, 1980).

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

• Hanna (1982) cita o trabalho de Ostermayer


(1977), segundo o qual o bulbo deve distar pelo
menos 3 m da cota de fundação de outras
edificações (Fig. 7.34).
• Conforme preconizado pela NBR 5629 (ABNT,
2006, p.5), “com a introdução das forças dos
tirantes, nenhuma superfície de escorregamento
pode apresentar um fator de segurança menor
que 1,5” (Fig. 7.35).

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

• É prudente que o painel intercepte toda a


camada de colúvio ou se garanta, caso seja
mesmo possível, que não haja a possibilidade de
movimentação da referida camada de solo.
• As verificações de estabilidade devem ser
realizadas para todas as etapas construtivas, e
não somente para a condição final da cortina.
• Recomenda-se a utilização de tirantes
(monobarras) com o rosqueamento da barra
impresso e contínuo.
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7.11 RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CORTINA ATIRANTADA

• No perímetro da chapa de aço, em contato com o


concreto, deverá ser apicoada uma faixa de 3 cm,
e as partes metálicas devem ser envolvidas com
massa à base de epóxi.
• Os trechos livres e o ancorado devem ser dotados
de dispositivos visando a centralização deles.
• Possíveis emendas no trecho livre devem ser
protegidas com tubo plástico.

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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

b) Adotou-se um tirante Rocsolo ST 75/85 com diâmetro


nominal de 28 mm, que apresenta uma carga máxima de
trabalho permanente de 200 kN (ver tabela).
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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

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EXERCÍCIO DE DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ATIRANTADA

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