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ADMINISTRAÇÃO DE ANTINEOPLÁSICOS

Guia Rápido

SERVIÇO DE FARMÁCIA DA ONCOLOGIA

SERVIÇO DE FARMÁCIA DA ONCOLOGIA


Hospital Santa Izabel – Instituto Baiano do Câncer

SALVADOR
2016

Data: 30/12/2016 Revisão Nº: Data Revisão: Páginas: 1-18


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SERVIÇO DE FARMÁCIA DA ONCOLOGIA

ÍNDICE:

1. Poliquimioterapia

2. Ordem de infusão

3. Recebimento da quimioterapia

4. Acondicionamento e validade

5. Assistência de enfermagem na administração de quimioterapia

6. Complicações potenciais ao uso de acessos venosos periféricos e centrais

7. Manuseio de excretas

8. Segurança do operador e ambiente

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1. POLIQUIMIOTERAPIA

A poliquimioterapia é a associação de uma ou mais drogas antineoplásicas que


agem de forma complementar trazendo vantagens consideráveis ao tratamento.

A poliquimioterapia é padronizada a partir de protocolos clínicos internacionais,


criadosapós extensas pesquisas, que definem quais as drogas, dosagens, via de
administração, tempo de infusão e intervalos serão empregados por patologia, faixa etária,
fases do tratamento e status da doença de base.

A ordem de infusão, para alguns protocolos, é de extrema importância para garantir a


eficácia ou minimizar toxicidades decorrentes da múltipla associação de drogas. Para tanto
alguns cuidados devem ser seguidos.

2. ORDEM DE INFUSÃO

2.1 Ordem de infusão geral


 Pré-quimioterápicos
 Hidratação em “Y’ com a QT
 Quimioterápicos

a. Pré-quimioterápicos
 Antieméticos
 Decadron (dexametasona)
 Antak (ranitidina)
 Benadryl (difenidramina)
 Terapia de Suporte
 Mesna (medicamento citoprotetor)
 Dexrazoxano - Cardioxane® (medicamento cardioprotetor)
 Manitol
 Eletrólitos

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b. Prioridades de infusão
 Anticorpo monoclonal primeiro;
 Vesicantes primeiro;
 Taxanos primeiro;
 Nefrotóxicas por último;
 Bollus precede contínuo;

c. Ordem de Infusão dos protocolos mais utilizados


 1º FOLINATO DE CÁLCIO (60 MIN ANTES)> 2º 5-FLUORURACILA
 1º METOTREXATO >2º 5-FLUORURACILA
 1º 5-FLUORURACILA >2º CISPLATINA
 1º BLEOMICINA >2º 5-FLUORURACILA> 3º CISPLATINA
 (FOLFOX)1º LEUCOVORIN (1 HORA ANTES DO BOLUS DE 5-FU)EM Y
COM OXALIPLATINA >2º 5-FLUORURACILA (BOLLUS)>3º 5-
FLUORURACILA INFUSÃO CONTÍNUA
 (FOLFIRI)>1º LEUCOVORIN (1 HORA ANTES DO 5-FU) EM Y COM
IRINOTECANO >3º FLUORURACILA (BOLUS)>3º FLUORURACILA
 (CMF) 1º FLUORURACILA> 2º CICLOFOSFAMIDA >3º METOTREXATO
 (AC)1º DOXORRUBICINA >2º CICLOFOSFAMIDA
 (R-CHOP)1º RITUXIMABE >2º VINCRISTINA>3ºDOXORRUBICINA>4º
CICLOFOSFAMIDA
 (ABVD)1º DOXORRUBICINA> 2º BLEOMICINA> 3º VIMBLASTINA >4º
DACARBAZINA
 (ICE)1º ETOPOSIDEO >2º IFOSFAMIDA >3º CARBOPLATINA **MESNA (
HORA 0, 4 E 8 DA IFO )
 1º DOCETAXEL>2º GENCITABINA
 1º METOTREXATO (ALTAS DOSES) > 2º FOLINATO DE CÁLCIO (24 A 36
HORAS APÓS)
 (DV-PACE) 1º BORTEZOMIB > 2º DOXORRUBICINA (INFUSÃO DE 24H,
PREFERENCIALMENTE EM ACESSO CENTRAL) + (CISPLATINA,
ETOPOSÍDEO, CICLOFOSFAMIDA) EM INFUSÃO DE 24H,
PREFERENCIALMENTE EM ACESSOS DIFERENTES.

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*Para outros protocolos entrar em contato com a FARMÁCIA IBC, nos ramais 8865 e
8889.

3. RECEBIMENTO DA QUIMIOTERAPIA
 Ao receber a caixa contendo a quimioterapia conferir rótulo com prescrição médica,
analisando atentamente:
 nome e registro do paciente
 droga
 vazão
 via de administração
 estabilidade
 hora da manipulação
 acondicionamento

 Caso não haja um horário pré-estabelecido para a administração, instale a


quimioterapia imediatamente, NÃO AGUARDE!!
 Caso seja necessário aguardar, proceder acondicionamento conforme item 4.
 Qualquer não conformidade, entrar em contato com a Farmácia IBC (8865)

4. ACONDICIONAMENTO E VALIDADE

A validade de um produto é o período de tempo durante o qual ele se mantém dentro


dos limites especificados de pureza, qualidade e identidade, na embalagem adotada e
estocado nas condições recomendadas no rótulo.

No caso dos medicamentos antineoplásicos preparados para infusão, a validade


após reconstituição e diluição destes é definida a partir das especificações do fabricante
sobre as estabilidades físico-química e microbiológica.

A partir do estudo da bula dos fabricantes de cada medicamento, padronizados pela


farmácia, foi elaborada uma tabela que define a validade e as condições de armazenamento
que garantem esse prazo e que, deverá ser adotada nesta instituição.

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O rótulo que acompanha as bolsas e seringas traz todas as informações sobre as


condições de armazenamento, o horário da manipulação e o prazo máximo para utilização
de cada preparação.

As informações a serem adotadas pela equipe de enfermagem quanto a validade das


preparações estão presentes nas tabelas de diluição (adulto e pediátrico) presentes no Guia
Farmacoterapêutico do Hospital Santa Izabel, edição 2014, página 168 a 172. Para as
bolsas e seringas prontas para administração deve-se adotar a estabilidade informada na
coluna “Estabilidade pós-diluição”. Em caso de dúvidas entrar em contato com a FARMÁCIA
IBC, nos ramais 8865 e 8889.

4.1 Rótulo dos quimioterápicos

Informa se a droga é fotossensível.


Drogas fotossensíveis necessitam ser
infundidas em equipo apropriado,
geralmente identificado pela cor
alaranjada.
Informa as características
da droga quanto ao
potencial vesicante. Informa o tempo máximo de
estabilidade e a temperatura de
acondicionamento. Uma mesma
droga pode possuir estabilidade
nas duas condições, por isso deve-
se adotar a condição de maior
estabilidade.
Informa o horário final de
preparo do
medicamento, ou seja,
marca o início do prazo
de validade.

5. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA ADMINISTRAÇÃO DE QUIMIOTERAPIA

Para administração de quimioterapia é fundamental que a equipe de enfermagem se


atente a inúmeros fatores que promovam a total segurança do paciente. Desta forma é
fundamental a elaboração e o seguimento de um “checklist” para a administração
segura ao paciente livre de danos físicos e emocionais.

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Se atente para:

 Verifique o estado físico, cognitivo e emocional dos pacientes;


 Afira os sinais vitais do paciente (PA, FC, FR E T);
 Interrogue-o em relação aos eventos adversos à terapia antineoplásica anterior;
 Reveja os exames laboratoriais e certifique-se dos parâmetros para a liberação da
aplicação. Reporte anormalidades ao médico responsável;
 Confira a prescrição médica: nome da droga, dosagem, via, velocidade, sequência
de infusão, data do início do tratamento (d1), ciclo, drogas e soros pré-quimioterapia;
 Cheque peso, altura e superfície corporal e recalcule a dosagem. Cheque a dose
cumulativa, se necessário;
 Procure se informar sobre a farmacologia da droga: mecanismo de ação, dosagem
usual, via de administração, efeitos colaterais agudos e tardios;
 Tenha sempre drogas e equipamentos prontos para emergência e um kit de
extravasamento para eventual utilização;
 Certifique-se da identidade do paciente, pelo registro na pulseira de identificação ou
solicitando que ele informe seu nome completo, antes de aplicar as medicações;
 Providencie acesso venoso adequado e sempre se certifique do bom fluxo e refluxo
antes de aplicar qualquer droga;
 Aplique inicialmente as pré-medicações: a maior parte delas deve ser aplicadas 20 a
30 minutos antes dos antineoplásicos;
 Não misture as drogas em tratamentos combinados. “Lave” a via venosa com soro
fisiológico 0,9% ou soro glicosado 5% antes da administração, entre o uso de drogas
e após o último quimioterápico;
 Evite a aplicação de vesicantes através de veias puncionadas há mais de 24 horas e
mantê-las com esse tipo de drogas por tempo prolongado;
 Se você não conseguiu puncionar a veia periférica após 3 tentativas, chame um
colega para substituí-lo;
 Receba da Farmácia os quimioterápicos diluídos ou comprimidos fracionados,
conforme item 3.
 Separe os materiais necessários para administração da quimioterapia de acordo com
a via de administração.

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 Não permita que ninguém o interrompa durante o preparo e aplicação da


quimioterapia;
 Utilize Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), conforme recomendação do item
8.1
 Permaneça no leito do paciente nos primeiros 30 minutos de infusão, observando
potenciais eventos adversos;
 Oriente o paciente quanto ao cuidado com o acesso venoso periférico;
 Oriente o paciente quanto a observar e relatar qualquer sinal de desconforto e
comunicar a equipe imediatamente;
 Se dor, edema ou frieza no local de punção, pare infusão imediatamente, avalie
acesso, e tome as medidas necessárias;
 Se paciente se queixar de desconforto após início de infusão, parar QT, acionar
médico, de preferência o oncologista.
 Ao término da quimioterapia:
 Descarte os materiais em lixo tóxico;
 Afira novamente os sinais vitais e avalie queixas ou não do paciente;
 Realize o registro completo de forma clara de todos os procedimentos
executados.

5.1 UIDADOS DE ENFERMAGEM AOS PACIENTES EM USO DE ACESSO


VENOSO PERIFÉRICO

I. Avaliar e planejar antes, puncionar depois.


II. Avaliação criteriosa de rede venosa periférica (calibre, mobilidade, dor,
rigidez, coloração);
III. Escolha adequada do cateter (tipo de material e calibre) de acordo com a
terapia prescrita (tipo de droga, volume a ser infundido, tempo de infusão,
tipo de infusão (bólus, intermitente, contínua, contínua prolongada);
IV. Manuseio e fixação adequados.
V. Observar e tratar potenciais complicações.

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OBSERVAÇÕES:

 Algumas terapias não devem ser executadas por meio de acesso venoso periférico,
dentre elas citamos a administração de drogas vesicantes sob infusão contínua
prolongada (há alto risco para extravasamento se o tempo de infusão for
superior a 1 hora);
 Estudos tem retratado que os cateteres de politetrafluoroetileno e de poliuretano
apresentam menores complicações (eventos trombóticos, inflamatórios e flebites)
quando comparados aos de cateteres de polivinil e polietileno; ambos são
biocompatíveis, hemocompatíveis e mais resistentes à aderência microbiana.
 Os dispositivos periféricos curtos constituídos por agulha metálica (scalps) estão
associados a maior risco de extravasamento e infiltração, tais como as drogas
vesicantes. Portanto, evite o uso de tais materiais!
 Os cateteres periféricos de longa permanência (jelcos), por possuírem a
possibilidade de retirada do mandril metálico que auxilia no procedimento de punção,
permanecendo no espaço intraluminal apenas o dispositivo maleável, impede a
perda do dispositivo por transfixação venosa e favorece a movimentação do membro
puncionado. Desta forma, dê preferência a tais cateteres periféricos!
 Escolha corretamente o calibre do cateter em relação ao calibre da veia, com o
objetivo de prevenir complicações tanto mecânicas quanto infecciosas.É válido
mencionar que, para a administração de agentes antineoplásicos por cateteres
periféricos, em especial drogas vesicantes, a escolha deve ser sempre pelo
cateter de longa permanência de menor calibre (24G), cujo fluxo e refluxo
devem estar preservados no aceso venoso.
 Fatores impeditivos para a punção venosa periférica (ATENÇÃO!!!): membro
homolateral à mastectomia (não deve ser utilizado em NENHUMA HIPÓTESE, pois
há risco de linfedema); fragilidade capilar importante (risco de flebite); presença de
neuropatia periférica acentuada no membro a ser puncionado. Deve-se evitar a
punção em membros anteriormente irradiados, edemaciados, com presença de
lesões, metástases, fístulas arteriovenosas, sítios distais a uma infiltração prévia e
membros inferiores, pelo risco de trombose.
 Outro fator importante em relação ao sítio de punção é que se deve dar prioridade
para os sítios distais, deixando os proximais para os subsequentes. Sendo assim, a

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sequência de punção é: dorso da mão, antebraço, braço e fossa antecubital.


Para aplicação de quimioterápicos, o local de primeira escolha deve ser o
antebraço E JAMAIS A FOSSA ANTECUBITAL, EVITANDO PROXIMIDADES A
ARTICULAÇÕES E TENDÕES.
 É válido dizer que medidas preventivas de infecção devem ser adotadas antes da
administração de punção venosa: higienização das mãos, realização de antissepsia
com na área a ser puncionada, não palpação do local após antissepsia, proteção da
inserção e uso de equipamento de proteção individual (EPI).
 Estabilize e fixe o dispositivo de punção, de forma que não interfira na visualização e
avaliação do local de inserção do dispositivo, por meio de fita adesiva hipoalergência
ou com película semipermeável transparente, que DEVE CONTER A DATA DE
PUNÇÃO, HORÁRIO E ASSINATURA DO PROFISSIONAL.
 O sítio de inserção deve ser avaliado no intervalo mínimo de 6 em 6 horas quanto à
presença de sinais flogísticos: hiperemia, calor, rubor e dor. Em especial em
pacientes neutropênicos cujos sinais podem estar suprimidos.
 Compete ao profissional de enfermagem a educação do cliente quanto às limitações
de movimento ou mobilidade do membro puncionado, bem como a solicitação de
assistência da equipe em caso de presença de sinais flogísticos ou sinais de
infiltração (dor, edema, vazamento da solução de infusão pelo local da inserção do
cateter) no local.
 A permeabilidade do acesso venoso periférico deve ser mantida por meio de flushes
com solução fisiológica a 0,9%; em crianças, o flush deve ser realizado com 5 ml e
em adultos com 10 ml, com pressão positivo para evitar retorno venoso quando
interrompida terapia intravenosa e durante a aplicação de uma droga e outra para
impedir a interação medicamentosa.
 Atente-se:o registro de todas as informações pertinentes a este processo deve ser descrito
na anotação de enfermagem (prontuário do paciente): data da punção venosa, localização,
calibre do cateter, número de tentativas de punção, intercorrências (obstrução, infiltração,
presença de hematomas etc.) e reações do cliente no decorrer do procedimento.

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a. CUIDADOS DE ENFERMAGEM AOS PACIENTES EM USO DE CATETER


VENOSO CENTRAL DE LONGA PERMANÊNCIA (PORT-A-CATH)

I. Por requerer cuidados específicos na sua manutenção, o port-a-cath somente


deve ser manuseado por enfermeiros treinados e habilitados, com técnica
asséptica.
II. A punção deve ser feita com agulha especial, denominada agulha non coring ou
Huber point (surecan), cujo bisel tem um corte especial para acessar o
reservatório do cateter sem danificá-lo, viabilizando um maior número de
punções.
III. A agulha deve ser trocada no período máximo de sete dias, porém não deve
exceder esse período, por conta do risco de infecção aumentado.
IV. Todas as agulhas e extensões devem ser preparadas com soro fisiológico antes
de ser utilizadas e os grampos e torneiras devem estar fechados durante a troca
de seringas e infusões para que não ocorra entrada de ar no sistema.
V. Antes de acessar o port-a-cath, o enfermeiro deve avaliar a presença de
hematomas ou equimoses, edema, sinais flogísticos, sensibilidade do portador do
acesso.
VI. A administração de drogas deve ser feita após a remoção de 2 a 3 ml de sangue,
por causa dos resíduos de heparina, posteriormente deve-se realizar o flush com
solução salina estéril (10 ml). O flush deve ser realizado também entre a
aplicação de uma droga e outra.
VII. A manutenção do acesso consiste na heparinização a cada término de seu uso.
Recomenda-se que seja diluído 1 ml de heparina sódica em 10 ml de solução
fisiológica e administre-se 6 ml desta solução em clientes adultos e 4 ml em
clientes pediátricos.
VIII. Tanto para aspirar conteúdo do cateter quanto para a aplicação de fluidos,
devem-se utilizar seringas de 10 ml ou maiores, pois seringas menores exercem
alta pressão no cateter favorecendo o rompimento dele. Portanto, em nenhuma
hipótese realize qualquer procedimento utilizando seringas com calibre
menores de 10 ml!!!

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IX. Entre as orientações ao portador de um port-a-cath está o cuidado com a pele


pericateter e com o cateter e a necessidade de procurar o serviço de saúde se
houver febre, tremores, calafrios, rubor, calor ou dor no local do reservatório.
X. É recomendável a restrição para soluções viscosas como, por exemplo,
hemocomponentes e nutrição parenteral.
XI. Quando o cateter está sendo utilizado durante um longo período de tempo, é
necessário substituir o curativo, se for de compressas e adesivo, a cada 48
horas, e, no caso de curativos transparentes semipermeáveis, a cada 5 ou 7 dias,
ou sempre que necessário.
XII. Manter a cobertura o menor possível, de modo a facilitar a inspeção diária da
pele ao redor da punção.

6. COMPLICAÇÕES POTENCIAIS AO USO DE ACESSOS VENOSOS PERIFÉRICOS E


CENTRAIS

Complicações mecânicas e infecciosas podem estar relacionadas aos acessos venosos


periféricos e centrais.

Essas complicações podem estar associadas a falhas na segurança da assistência ao


paciente e, podem ser evitadas com supervisão constante, além da aplicação de medidas
efetivas.

6.1 INFILTRAÇÃO

É definida como a administração de uma solução ou medicamento não


vesicante no tecido subjacente, sendo caracterizada por edema ao redor do
ponto de inserção, decorrente do extravasamento do líquido endovenoso, dor e
sensação de frio na área, além de uma redução ou interrupção na velocidade
de fluxo.

I. Sinais e sintomas incluem:


 Edema;
 Desconforto;
 Queimação;

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 Aperto;
 Pele fria e descoloração ao redor da punção.

II. Cuidados de enfermagem:


 Parar a infusão e remover o dispositivo;
 Fazer a expressão local para retirar a maior quantidade de fármaco
possível;
 Elevar o membro para aumentar o conforto do paciente;
 Neutralizar os efeitos do fármaco, quando possível;
 Realizar punção venosa em um local diferente e reiniciar a infusão;
 Verificar o local com frequência;
 Documentar as observações medidas adotadas e, quando possível,
fotografar a área;
 Acompanhar a evolução do quadro.

6.2 EXTRAVASAMENTO

I. É definido como o escape de fármacos vesicantes ou irritantes do vaso


sanguíneo para os tecidos circunjacentes.
II. Dentre os principais eventos adversos relacionados à administração
intravenosa, o extravasamento destaca-se como a complicação aguda mais
severa, causando extremo desconforto e sofrimento ao paciente e exigindo
habilidade clínica do enfermeiro para diagnosticá-lo e intervir precocemente.
III. Aliado à habilidade técnica na punção venosa, outro aspecto destacado é a
seleção do local de punção, dando preferência veias calibrosas,
saudáveis, com grande fluxo sanguíneo e no membro não dominante.
IV. Áreas como fossa antecubital, dorso da mão, punho e pé, embora
possam apresentar veias de fácil visualização e punção, devem ser
evitadas por serem áreas em que a restrição do movimento é difícil, além
da dificuldade para a avaliação dos sinais de extravasamento e devido ao
risco de afetar a função do membro por sua proximidade com tendões e
nervos.

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V. O melhor sítio de inserção para administração de drogas vesicantes é o


antebraço, devido à maior presença de tecido subcutâneo, quem em casos
de infiltração/extravasamento acaba protegendo estruturas mais nobres.
VI. É necessário evitar infudir medicamentos sob pressão, pois esta potencializa
a ocorrência de lesões no epitélio vascular e facilita a ocorrência de
extravasamentos.
VII. Os fármacos a depender de sua osmolaridade e pH são classificados em:

• Vesicantes: Produzem lesão celular imediata, irritação severa com formação


de vesículas e subsequente necrose tecidual quando infiltrados fora do vaso
sanguíneo.

• Irritantes: Aquelas que desencadeiam parestesia, dor ou flebite no local da


punção ou ao longo do trajeto venoso, provocando reação cutânea menos intensa,
sem necrose tecidual ou formação de vesículas.

VIII. Sinais e sintomas incluem:


 Dor, ardor ou desconforto local;
 Descoloração da pele ou hiperemia local;
 Pele fria ao redor da punção;
 Eritema;
 Edema local;
 Diminuição ou ausência de retorno venoso;
 Redução da velocidade de infusão ou mesmo sua interrupção.

IX. Cuidados de enfermagem:


 Reconhecer o mais precocemente possível os sinais e sintomas de um
extravasamento;
 Manter os protocolos institucionais e kits para extravasamento em locais de
fácil de acesso;
 Evitar a punção de veias próximas às articulações, pequenas, frágeis, duras
e/ou esclerosadas e veias proeminentes, mas móveis;
 Quando a administração for periférica, evitar usar veias recém-puncionadas;

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 Após venopunção, confirmar adequado refluxo e fluxo intravenoso com


solução fisiológica;
 Após a punção, fixar o curativo, que deve se manter firme, mas cobrir a menor
área possível do trajeto venoso;
 Evitar o uso de bombas de infusão com fármacos vesicantes em acessos
periféricos;
 Instruir os pacientes a relatar imediatamente qualquer mudança de sensação
no local da administração;
 Na dúvida sobre a potência do acesso, este deve ser removido e substituído;
 Em caso de extravamento, suspender imediatamente a infusão do
quimioterápico, sem retirar o dispositivo venoso do local;
 Aspirar o máximo possível de fármaco extravasado e retirar somente após o
dispositivo venoso;
 Aplicar compressas quentes ou frias dependendo do medicamento
extravasado por, no mínimo, 24 horas (15 minutos, quatro vezes ao dia) ou
administrar antítodos, conforme o protocolo desta Instituição;
 Elevar o membro afetado do paciente;
 Notificar e registrar a ocorrência, fotografando a área afetada sempre que
possível;
 Acompanhar a evolução.

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CONDUTA EM CASO DE EXTRAVASAMENTO

SINAIS DE EXTRAVASAMENTO

- Desconforto
- Eritema ou edema
- Diminuição ou interrupção do fluxo de soro
- Aumento da resistência à infusão da droga
- Queixa do paciente (dor, queimação, “agulhada”)
- Diminuição ou parada do retorno venoso

PARE IMEDIATAMENTE A INFUSÃO

ASPIRE COM SERINGA DE 3 ML

REMOVA O CATETER PERIFÉRICO E OU AGULHA DO CATETER


CENTRAL

Se a droga extravasada for: Se a droga extravasada for:

Alcalóides da Vinca, Oxaliplatina QUALQUER OUTRA


e Taxol

Aplique compressa de água quente Aplique compressa de água gelada


durante 15 a 20 minutos pelo durante 15 a 20 minutos pelo
menos quatro vezes ao dia. menos quatro vezes ao dia.

Aplique dexametasona pomada na


área infiltrada, após a compressa de
gelo ou água quente.

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7. MANUSEIO DE EXCRETAS
 Utilizar os EPI´s, conforme item 8.1.
 As fraldas devem ser desprezadas em lixo para resíduo tóxico.
 Desprezar excretas de forma cuidadosa para evitar respingos.
 Roupas e lençóis contaminados com resíduo tóxico devem ser acondicionadas
eencaminhadas à lavanderia em saco diferenciado.
 Tampar o vaso sanitário antes de dar descarga e fazer isso por duas vezes.
 Não utilizar lenços umedecidos.
 Higienizar com água e sabão neutro.
 Orientar o paciente e acompanhante.

8. SEGURANÇA DO OPERADOR E AMBIENTE

Agentes antineoplásicos são substâncias altamente tóxicas e possuem considerável


potencial mutagênicos, carcinogênicos, teratogênicos, genotóxicos e fetotóxicos.

O manuseio de medicamentos antineoplásicos representa RISCO OCUPACIONAL,


por isso o uso de EPIs é OBRIGATÓRIO durante a manipulação e a administração de
agentes antineoplásicos e durante o manuseio das excretas de paciente em tratamento com
esse tipo de droga.

8.1 EPI’s para administração de quimioterapia e manuseio de excretas.


 1 par de luvas de procedimento
 Capa descartável impermeável
 Gorro
 Óculos
 Máscara de carvão ativado (tipo respirador)

8.2 Em caso de Acidentes:

 Olhos: Lavar com água corrente por pelo menos 5 minutos;


 Pele e mucosas: Lavar o local com água corrente e sabão (no caso de pele).

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IMPORTANTE!!

 As excretas do paciente (fezes e urina), bem como materiais de limpeza que entram
em contato com elas são considerados resíduos contaminados por agentes
antineoplásicos.
 Os cuidados durante o manuseio das excretas do paciente devem ser seguidos até
48h após a conclusão da infusão do último medicamento do protocolo.
 Os seguintes indivíduos não devem manusear os medicamentos nem excrementos
de pacientes que recebem o tratamento antineoplásico:
 Gestantes e lactantes;
 Equipe exposta a raios-X (fator de risco adicional)

REFERÊNCIAS

RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA - RDC Nº 67, DE 8 DE OUTUBRO DE 2007

RESOLUÇÃO DA DIRETOTIA COLEGIADA - RDC Nº 220, DE 21 DE SETEMBRO DE 2004.

BONASSA, et al. Terapêutica Oncológica para Enfermeiros e Farmacêuticos - Edva Bonassa. 4. ed. Atheneu, 2012.

SHIMADA, C. S. Acessos Venosos em Oncologia. 1. Ed., Págs 32-64, Editora Elsevier, Rio de Janeiro, 2014.

FONSECA, S. M.; PEREIRA, S. R. Enfermagem em Oncologia. 1. Ed., Págs 75-89, Editora Atheneu, 2013.

Autores:

Jamile de Oliveira Andrade (Coordenadora de Farmácia-Oncologia)


Marianna de Souza Almeida (Farmacêutica)
Mayara Cordeiro Martins de Brito (Farmacêutica)
Ludmylla Silva Ramos Batista de Oliveira Farmacêutica)
Martamaria de Souza Ferraz Ribeiro (Farmacêutica Residente)
Chafick Breno Rodrigues Flores (Farmacêutico Residente)
Renata Barreto de Castro Nascimento (Farmacêutica Residente)
Mariana Lima Almeida (Enfermeira Residente)

Data: 30/12/2016 Revisão Nº: Data Revisão: Páginas: 1-18