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ESCLARECIMENTO

Este material é, em grande parte, uma


tradução livre dos primeiros capítulos do método
Reading Latin, de Peter Jones e Keith Sidwell
(Cambridge University Press, 1986). O tradutor fez
algumas adaptações necessárias para os leitores
brasileiros, omitiu algumas partes e acrescentou
outras. Também há algumas poucas modificações
de caráter teórico (nomenclatura, definições, etc.).
Os textos, a ordem dos conteúdos e os enunciados
latinos apresentados como exemplos são
praticamente os mesmos do original. As partes do
material que foram elaboradas pelo tradutor e/ou
por outros professores estão indicadas em nota de
rodapé.

Alessandro Rolim de Moura


2

Material introdutório

História da língua latina1

A língua latina pertence à família indo-européia, mais precisamente ao ramo


latino-falisco do grupo itálico, que corresponderia aos primeiros povos que chegaram à
península Itálica (aproximadamente no ano 1000 a. C.). O latim era a língua falada no
antigo Lácio, região cujo centro é a cidade de Roma (fundada no séc. VIII a. C.). Com o
tempo os romanos se impuseram aos outros povos da Itália. Em 250 a. C., concluiu-se a
conquista da península (com exceção das colônias gregas no sul) e da Sicília. Como é
sabido, a expansão do poderio militar romano se fez acompanhar da propagação do
latim e do desaparecimento de outros idiomas (o último testemunho de outra língua
itálica é a Tabula Bantina, escrita em osco e datada do séc. I a. C.). O mesmo ocorreu,
posteriormente, em diversas regiões da Europa e do Mediterrâneo em geral.
A história do latim pode ser dividida, na Antigüidade, em cinco fases:

- época pré-literária;
- época arcaica;
- época clássica;
- época imperial pós-clássica;
- época imperial tardia.

Durante a época pré-literária a língua se modificou bastante. Assim, segundo


Políbio (III, 22, 3), no séc. II a. C. os próprios romanos não conseguiam compreender
facilmente os documentos mais antigos. Um exemplo dessa mudança é a transformação
do s intervocálico em r (cf. o genitivo de genus ‘gênero’, que passa de genesis a
generis). Esse fenômeno, chamado “rotacismo”, já estava concluído em meados do séc.
IV a. C. Também é importante a modificação do sistema de acentos: durante os séculos
VI-V a. C., o acento se liga à primeira sílaba da palavra; mais tarde, ele se desloca para
a penúltima sílaba, se esta é longa, ou para a antepenúltima, se a penúltima é breve (ver
“Elementos fundamentais da pronúncia do latim”).
No período arcaico os ditongos tendem a desaparecer e se transformar em vogais
longas (ei, por exemplo, passa a i — ceiuis > ciuis ‘cidadão’). No campo da sintaxe,
intensifica-se o uso da subordinação, que vai substituir o antigo predomínio da
justaposição de orações independentes. Escritores importantes desse período são Lívio
Andronico, Ênio, Plauto e Terêncio, entre outros.
A partir do séc. I a. C. se inicia a época clássica, assim chamada por causa da
concepção tradicional que enxerga na literatura desse período uma superioridade em
relação à das outras fases da cultura romana. Há também, entre os estudiosos mais
antigos, uma tendência a entender a língua da época como “melhor”, mais “precisa” ou
mais “pura”. Depois do final do período clássico (geralmente datado em 14 d. C., ano da
morte de Augusto), teríamos, então, uma “decadência” do latim.
O fato é que o período assistiu ao nascimento de muitos escritores que,
posteriormente, teriam uma influência muito grande sobre a literatura ocidental: Catulo,
Lucrécio, Cícero, César, Virgílio, Horácio, Tibulo, Tito-Lívio, etc. O fascínio exercido
sobre os intelectuais pela “época de ouro” será tanto que a morfologia do latim clássico

1
N. do T.: Elaborado por Alessandro Rolim de Moura e María Pilar Rivero.
3

será a norma seguida pelos gramáticos até o século VI d. C. Embora várias tendências
de mudança observadas na fase arcaica tornem-se mais intensas, a língua clássica é, em
geral, bastante conservadora.2 Por exemplo, o m final se mantém, sendo que há indícios
de que já não era mais pronunciado como consoante bilabial; tinha-se transformado em
mera nasalização da vogal precedente (cf. “Alfabeto e pronúncia do latim”). Outra
característica do período é a influência do grego na língua escrita culta, facilmente
perceptível na linguagem de Cícero e César.
Durante o Império, a prosa adota alguns procedimentos típicos da poesia, e
esta, por sua vez, se vê influenciada pela retórica. Entre o final do séc. I e princípios do
II d. C., aparece uma tendência arcaizante, que procura manipular artisticamente
vocábulos antigos. Outro fenômeno freqüente é a aparicão de alguns elementos da fala
popular nos textos literários, se bem que na primeira fase do Império já podemos
observar uma distância cada vez maior entre a linguagem escrita e a falada. O que
ocorre é que, enquanto o chamado "latim vulgar" evolui rapidamente, a língua escrita
continua bastante presa aos modelos clássicos. A época imperial também possui
escritores muito importantes. Os nomes de Sêneca, Lucano, Petrônio, Plínio o Antigo,
Plínio o Novo, Marcial, Juvenal, Suetônio e Apuleio são apenas uma pequena amostra
da diversidade e riqueza da produção literária de então (isso sem considerar os
primeiros autores cristãos).
Na Idade Média, o latim continuou a ser utilizado como língua falada nos
territórios onde a romanização tinha sido mais profunda (Hispânia, Gália e Dácia),
dando origem às línguas neolatinas (português, espanhol, galego, catalão, francês,
italiano, sardo, romeno, etc.). O latim escrito permaneceu como língua da ciência, da
filosofia e da literatura durante toda a época medieval. A língua latina dessa época é o
meio de expressão da cristandade, e portanto é fundamentalmente religiosa. Embora se
origine do latim literário pagão, a variedade medieval é bastante diferente: a ordem dos
termos na frase torna-se mais fixa, e são abandonados alguns tipos de subordinação;
também se produzem mudanças no uso dos casos e do modo subjuntivo, ao passo que
se faz mais freqüente a utilização de preposições.

Alfabeto e pronúncia do latim3

Introdução

Como o latim é uma língua morta, é uma tarefa difícil descobrir como os
romanos pronunciavam suas palavras. Por isso, no decorrer dos séculos, praticamente
cada país desenvolveu uma pronúncia diferente, sempre influenciada pelas
características de uma língua moderna. Há, por exemplo, uma pronúncia tradicional
portuguesa, que interpreta as letras do alfabeto latino de uma maneira muito semelhante
à do português. Por outro lado, existe a pronúncia eclesiástica, utilizada pela Igreja
Católica. É uma pronúncia muito difundida, e se baseia no sistema fonético do italiano.
Com o desenvolvimento da Lingüística no final do séc. XIX e no início do séc.
XX, contudo, os foneticistas começaram a tentar reconstruir a pronúncia que de fato foi
utilizada pelos latinos da Antigüidade, sobretudo os da época clássica. Surgiu desse
modo a chamada “pronúncia reconstituída”, “restaurada” ou “reconstruída”. Mas como
os estudiosos puderam chegar a tal resultado?
2
Que fique claro que estamos considerando, nesse panorama, sobretudo o latim escrito (mais
especificamente, o latim escrito das obras literárias e, portanto, das classes dominantes de Roma). Temos
pouquíssimos documentos a respeito do latim oral e das variedades menos prestigiadas socialmente.
3
Elaborado por Alessandro Rolim de Moura.
4

Vários são os dados que permitem que nos aproximemos do latim falado na
época clássica. Relacionemos alguns exemplos.
a) Um testemunho importante é o fornecido pelas gramáticas latinas da
Antigüidade, que tentam explicar (muitas vezes, com termos que são para nós um tanto
vagos) como se pronunciavam as letras do alfabeto. O gramático Capela, por exemplo,
afirma: “Pronunciamos o b com uma explosão do som com os lábios fechados.”

b) Outro dado fundamental é a transliteração de palavras latinas para o alfabeto


grego. O nome próprio Sicilia era transliterado Sikeliva, e não Siseliva, o que indica
que a letra C c representava uma consoante oclusiva velar, mesmo diante de I i ou E e
(ver “As letras e os sons que representam”).

c) Também erros de ortografia nas inscrições antigas nos revelam determinados


aspectos da pronúncia do latim. Muitas vezes encontra-se Caisar no lugar de Caesar, o
que é um indício de que o ae representava o ditongo [aj]. É um fenômeno semelhante
àquele que faz com que freqüentemente encontremos em português a grafia ‘caza’ em
vez de ‘casa’.

d) A análise da métrica dos poemas latinos é igualmente reveladora. Neste verso


de Catulo (VIII, 5): amata nobis quantum amabitur nulla ‘[menina] amada por nós
como nenhuma outra será amada’, a escansão só fica de acordo com o padrão esperado
se, em quantum amabitur, contamos as sílabas -tum e a- como apenas uma sílaba
métrica. Em outras palavras, na leitura ou recitação do verso, precisamos, para seguir
adequadamente o ritmo, pronunciar -tum e a- numa só sílaba, como que fundindo as
vogais [u] e [a]. Isso só será possível se a letra M m, nesse contexto, não for
pronunciada como [m], mas sim como mero sinal de nasalização (ver “As letras e os
sons que representam”).

e) É considerável a quantidade de informações que nos traz o estudo da


pronúncia das línguas derivadas do latim. Por exemplo: lat. nomen > port. ‘nome’, esp.
‘nombre’, fr. ‘nom’, it ‘nome’, rom. ‘nome’. O resultado da evolução nas línguas
neolatinas nos fornece uma visão do que pode ter sido o estado de coisas no ponto de
partida.

Dados desse tipo, bem como informações de outra natureza, é que possibilitaram
a restauração dos sons do latim. Obviamente, a pronúncia reconstituída é apenas uma
hipótese. Mas está fundamentada em testemunhos convincentes, e não se podem
desprezar os estudos que a originaram. Ao que tudo indica, portanto, trata-se da
pronúncia mais próxima da verdade histórica, e, por isso, vamos adotá-la. E tal
posicionamento não é apenas o resultado de um culto ao rigor científico. Ora, se a
poesia se baseia também no trabalho com o estrato fonético da língua, é legítimo o
esforço para se recuperar a sonoridade autêntica dos poemas latinos, a fim de que
possamos ler adequadamente as obras de autores como Virgílio, Horácio, Catulo, etc.
Ademais, é preciso estabelecer uma convenção entre os estudiosos de todo o mundo,
para que haja entendimento mútuo, coisa que não ocorria quando cada país utilizava sua
própria pronúncia. E é justo que tal convenção seja construída sobre bases científicas
sólidas. Atualmente, nos congressos internacionais, praticamente todos os latinistas
usam a pronúncia reconstituída.

Elementos fundamentais da pronúncia do latim


5

Um dos fenômenos fonéticos mais relevantes na língua latina é a duração ou


quantidade. Corresponde ao tempo que dispendemos para proferir as vogais e sílabas.
Há vogais longas e breves, e a mesma classificação é utilizada para as sílabas. Uma
vogal longa equivale ao tempo de duas breves.
A duração tem uma grande importância semântica no latim. Há uma série de
palavras que se diferenciam apenas pela quantidade da vogal. Exs.:

ara (os dois aa longos) ‘lavra!’ x ara (os dois aa breves) ‘altar’;
uenit (e breve) ‘ele/ela vem’ x uenit (e longo) ‘ele/ela veio’;
hic (i longo) ‘aqui’ x hic (i breve) ‘este’;
os (o longo) ‘boca’ x os (o breve) ‘osso’;
domus (u breve) ‘casa’ x domus (u longo) ‘da casa’.

Uma sílaba é longa quando: (a) possui uma vogal longa; (b) possui um ditongo,
como em casae ‘cabanas’; (c) possui uma vogal seguida de duas consoantes (uma
fechando a sílaba em questão e a outra iniciando a sílaba seguinte) ou de uma letra
“dupla” (X x ou Z z), como em adulescens ‘adolescente’ e senex ‘velho’,
respectivamente. Nos demais casos, as sílabas são breves.
A duração das sílabas é importante para a leitura da poesia clássica, já que o
ritmo do verso latino é marcado pela alternância de sílabas longas e breves.
Os métodos de latim costumam marcar as sílabas longas com o sinal  (mácron)
e as breves com  (braquia), embora esses símbolos não fossem utilizados pelos
antigos usuários da língua. Aos poucos, o estudante se familiariza com os modos de se
descobrir a duração das sílabas em latim, e pode, então, dispensar o auxílio do mácron e
da braquia.
Em latim não há acentuação gráfica. Para saber qual é a sílaba acentuada de uma
palavra, é preciso conhecer a duração da penúltima sílaba. Não há oxítonas em latim,
apenas paroxítonas e proparoxítonas. Quando a penúltima sílaba é longa, o acento cai
sobre ela, e a palavra é paroxítona. Quando a penúltima é breve, o acento recua, e a
palavra é proparoxítona. Exemplos: amare ‘amar’ (penúltima sílaba longa) pronuncia-se
amáre; facere ‘fazer’ (penúltima sílaba breve) pronuncia-se fácere. Como não existem
oxítonas, todas as palavras de duas sílabas são paroxítonas.
Há uma dúvida a respeito da natureza desse acento. Alguns estudiosos defendem
que era um acento de intensidade (ou seja, algumas sílabas seriam pronunciadas com
mais força do que outras). Outros pensam que o acento latino era musical, como o do
grego antigo (nesse caso, algumas sílabas seriam pronunciadas num tom mais alto).
Em seguida apresentamos um quadro que mostra como é a pronúncia
reconstituída.

As letras e os sons que representam

A a: quando é breve, pronuncia-se [a], como em port.; o a longo [a:] é semelhante ao do


ingl. ‘father’

B b: [b], como no port. ‘bota’

C c: sempre [k], como no port. ‘capa’; nunca [s], como no port. ‘cedo’

D d: [d], como no port. ‘data’ e no ingl. ‘day’; nunca como no ingl. ‘just’
6

E e: o breve é aberto [], como no port ‘pé’; o longo é fechado [e:] — pronuncia-se
quase como o fr. ‘fiancée’

F f: [f], como no port. ‘fazer’

G g: sempre [g], como no port. ‘gato’; nunca como no port. ‘gelo’

H h: indica leve aspiração, quase como no ingl. ‘home’

I i: pode representar uma vogal breve [i], como a do port. ‘vi’, ou uma longa [i:], como
no ingl. ‘deep’

J j: [j] — semivogal, como no ingl. ‘yes’

K k: [k], como no ingl. ‘kind’

L l: sempre [l], como no port. ‘lado’; nunca representa a semivogal [w], como muitas
vezes ocorre em port. — ex.: ‘Brasil’

M m: [m] no começo ou no meio das palavras, como em ‘mudo’; em final de palavra, é


articulado de modo débil, representando apenas, praticamente, uma nasalização da
vogal que o precede

N n: sempre [n], como no port. ‘neto’; nunca apenas sinal de nasalização de uma vogal

O o: o breve é aberto [] — cf. port. ‘pó’; o longo é fechado [o:] — cf. fr. ‘eau’

P p: [p], como no port. ‘pato’

Q q: [k], como no port.

R r: sempre [r], isto é, uma vibrante rolada, como no port. do Sul do Brasil e no
escocês

S s: sempre [s], como no port. ‘soma’

T t: sempre [t], como no port. ‘tudo’; nunca africado como no it. ‘ciao’

U u: representa uma vogal breve [u] ou uma vogal longa [u:], como no ingl. ‘foot’

V v: [w] — semivogal, como no port. ‘quase’ e no ingl. ‘will’

X x: [ks], como no ingl. ‘explain’

Y y: [y], como o fr. ‘mur’ e o al. ‘über’

Z z: [z], como em port.


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Observações e casos especiais

1. O alfabeto latino antigo não possuía as letras J j, U u e V v. Elas foram


introduzidas apenas no século XVI. Na época clássica, a letra I i servia para representar
os sons [i], [i:] (vogais — como em canis ‘cão’ e loci ‘lugares’, respectivamente) e [j]
(semivogal — como em iudex ‘juiz’). Havia também a letra V u, que era usada para os
sons [u], [u:] (vogais — como em locus ‘lugar’ e ducis ‘você conduz’, respectivamente)
e [w] (semivogal — como em uideo ‘eu vejo’).
No Renascimento, adotou-se o J j para os contextos em que a semivogal [j]
tinha-se transformado na consoante [] (como no port. ‘jogo’). Do mesmo modo, o V v
foi incorporado para a representação de [v] (como no port. ‘vaca’), som inexistente no
latim clássico. O U u passou a ser usado para os sons vocálicos [u] e [w].
Com o surgimento recente da pronúncia reconstituída ou restaurada, muitos
métodos de latim e edições dos textos latinos decidiram voltar a usar o alfabeto antigo.
Portanto, nesse tipo de material, o I i e o V u só representam sons vocálicos.

2. O Y y e o Z z foram introduzidos no alfabeto no fim do século I a. C. para


representar os sons [y] e [z] em palavras de origem grega.

3. No período clássico, o H h era pronunciado com aspiração pelos membros da


classe que tinha acesso a uma formação erudita. Quando aparecia acompanhando uma
consoante (th, ch, ph), fazia com que esta fosse pronunciada com leve aspiração, como
na pronúncia enfática do ingl. ‘terrible’, ‘cat’ e ‘pig’. O ch nunca se pronuncia como em
português (ex.: ‘chama’).

4. Na pronúncia reconstituída, ae e oe (às vezes grafados æ e œ) pronunciam-se


como ditongos — [aj] e [j].

5. Ao contrário do que ocorre em português, o U u é sempre pronunciado depois


de Q q e G g. Ex.: quid [kwid] ‘que’.

6. As consoantes duplas (pp, tt, etc.) pronunciam-se mais longas e fortes que as
simples.

7. Os nomes das letras em latim eram: a, be, ce, de, e, ef, ge, ha, i, ka, el, em, en,
o, pe, qu, er, es, te, u, ix, upsilon (ou Hy, ou i graeca), zeta.
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Seção 1

A Aulularia de Plauto

Introdução: familia Euclionis

quis es tu?
ego sum Euclio. senex sum.

quis es tu?
ego sum Phaedra. filia Euclionis sum.

quis es tu?
Staphyla sum, serua Euclionis.

qui estis?
familia Euclionis sumus.

dramatis personae

Euclio: Euclio senex est, pater^Phaedrae.4

Phaedra: Phaedra filia^Euclionis est.

Staphyla: serua^Euclionis est.

Euclio senex est. Euclio senex auarus est. Euclio in^aedibus habitat
cum^filia. filia^Euclionis Phaedra est. est et serua in^aedibus. 5
seruae^nomen est Staphyla.
Euclionis^familia in^aedibus habitat. sunt in^familia^Euclionis
paterfamilias, et Phaedra filia^Euclionis, et Staphyla serua. omnes
in^aedibus habitant.

Vocabulário

aedes casa filia Euclionis a filha de senex ancião, velho


auarus avaro, avarento Euclião serua escrava
cum filia com a (sua) filha habitant vivem, habitam serua Euclionis (a) escrava
ego eu habitat vive, habita de Euclião
es tu és/você é in aedibus na casa seruae nomen o nome da
est é, há in familia Euclionis na escrava
estis vocês são família de Euclião Staphyla Estáfila
et e; também omnes todos sum sou
Euclio Euclião paterfamilias o pai de sumus somos
Euclionis de Euclião família pater Phaedrae o pai sunt são, estã, há
Euclionis familia a família de Fedra tu tu/você
de Euclião Phaedra Fedra
familia família Phaedrae de Fedra
filia filha qui quem? (pl.) Memoranda
quis quem? (sing.)
4
Palavras unidas pelo sinal ^ devem ser procuradas juntas no vocabulário.
9

Substantivos seru-a escrava


Staphyl-a Estáfila Varia
Euclio Euclião
famili-a família Verbos et e; também
fili-a filha habit-o viver, habitar
Phaedr-a Fedra sum ser, estar, haver

Conteúdo gramatical e exercícios

1 sum ‘ser’, ‘estar’, ‘haver’

Morfologia

1 Verter para o latim: você é; são; há (pl.); é; vocês são; há (sing.); sou.

2 Mudar de singular para plural e vice-versa: sum; sunt; estis; est; sumus; es.

Exercício de leitura

Ler e traduzir.

(a) familia est.


(b) serua Staphyla cst.
(c) est enim aula auri plena (enim ‘realmente’; aula ‘panela’, ‘pote’; auri plena ‘cheia de
ouro’).
(d) coquus est seruus (coquus ‘cozinheiro’; seruus, ‘escravo’).
(e) Phaedra filia est.
(f) in aedibus sunt Euclio, Phaedra et serua (in aedibus ‘na casa’).
(g) auarus est senex (auarus ‘avaro’; senex ‘velho’).
(h) est prope flumen paruus ager (prope flumen ‘perto do rio’; paruus ‘pequeno’; ager
‘campo’).

Versão

Traduzir as frases latinas para o português. Depois verter as portuguesas para o latim
tomando como referência a estrutura das latinas para a ordem das palavras.

(a) sunt in familia Euclio, Phaedra, Staphyla.


Há uma escrava na casa.

(b) Euclio et Phaedra in aedibus sunt.


A escrava está na casa.

(c) Euclio sum.


Você é um escravo.

(d) filia Euclionis Phaedra est.


A escrava de Euclião é Estáfila.

(e) quis es?


Sou Euclião.
10

(f) qui estis?


Somos Euclião e Fedra.
11

Seção 1A

A ação retrocede no tempo vários anos. O avô de Euclião, Demêneto, no dia do


casamento de sua filha, temendo que seu ouro seja roubado durante a confusão dos
preparativos, confia seu tesouro aos cuidados do deus doméstico (o Lar). Coloca todo
o ouro numa panela e a esconde num buraco junto ao altar.

dramatis personae

Demaenetus: Demaenetus senex est, Euclionis^auus. 10


seruus: serui^nomen est Dauus.
serua: seruae^nomen est Pamphila.
coquus et tibicina.

(seruus in^scaenam intrat. ante^ianuam^Demaeneti stat et clamat. cur clamat? clamat


quod seruam uocat) 15

SERVVS heus, Pamphila! ego Dauus te uoco!

SERVA quis me uocat? quis clamat?

SERVVS ego Dauus te uoco.

SERVA quid est? cur me uocas?

(seruus ad^ianuam appropinquat, sed ianua clausa est. seruus igitur ianuam 20
pulsat)

SERVVS heus tu, serua! ego ianuam pulso, at tu non aperis: ianua
clausa est.

SERVA (ianuam aperit) cur clamas? ego huc et illuc cursito, tu autem
clamas. ego occupata sum, tu autem otiosus es. seruus non es, 25
sed furcifer.

SERVVS ego otiosus non sum, Pamphila. nam hodie Demaenetus,


dominus meus, filiam in^matrimonium^dat: nuptiae^filiae
sunt!

(Demaenetus, dominus^serui^et^seruae, in^scaenam intrat) 30

DEMAENETVS cur clamatis, Daue et Pamphila? cur statis? cur otiosi


estis? nam hodie nuptiae^filiae^meae sunt. cur non in^aedis
intratis et nuptias paratis?

(in^aedis intrant seruus et serua, et nuptias parant. in^scaenam intrant coquus et tibicina.
Demaenetus coquum et tibicinam uidet) 35

DEM. heus uos, qui estis? ego enim uos non cognoui.
12

COQVVS ET TIBICINA coquus et tibicina sumus. ad^nuptias^filiae^tuae


uenimus.

DEM. cur non in aedis meas intratis et nuptias paratis?

(coquus et tibicina in^aedis^Demaeneti intrant) 40

(Demaenetus coronam et unguentum portat. aulam quoque portat. aula


auri^plena est)

DEM. heu! hodie nuptias^filiae^meae paro. cuncta familia festinat.


huc et illuc cursitant pueri et puellae, ego coquos et tibicinas
uoco. nunc aedes plenae sunt coquorum^et^tibicinarum, et 45
cuncti coqui et tibicinae fures sunt. heu! homo perditus sum,
immo, perditissimus hominum. nam aulam habeo
auri^plenam. ecce! aulam porto. (senex aulam monstrat) nunc
aulam sub^ueste celo. nam ualde timeo. (cheira o ar) aurum
enim olet; et fures aurum olfactant. aurum autem non olet, si 50
sub^terra latet. si aurum sub^terra latet, nullum coquum
nullam tibicinam nullum furem timeo. aulam igitur clam
sub^terra celo. ecquis me spectat?

(Demaenetus circumspectat. nemo adest. Demaenetus igitur neminem uidet)

bene. solus sum. sed prius ad^Larem appropinquo et 55


unguentum coronamque do, et supplico.

(ad^Larem appropinquat. unguentum dat et coronam. deinde Lari supplicat)

o Lar, tutela^meae^familiae, te oro et obsecro. ego te semper


corono, semper tibi unguentum do, semper sacrificium et
honorem. tu contra bonam Fortunam das. nunc ad^te aulam 60
auri^plenam porto: sub^ueste autem aulam celo. familia
de^aula ignorat. sed hodie sunt nuptiae^filiae. plenae sunt
aedes coquorum^et^tibicinarum. immo, furum^plenae sunt.
aurum olet. ego igitur fures timeo. o Lar, te oro et obsecro.
aulam serua! 65

(senex ad^focum appropinquat. prope focum fouea est. in^fouea aulam celat)

ecce. saluum aurum est. saluus quoque ego. nunc enim tu


aulam habes, Lar.

Vocabulário da Seção 1A

Notas importantes

1. nom. significa nominativo: indica, em princípio, o sujeito ou o atributo de uma


oração.
13

2. ac. significa acusativo: indica, em princípio, o objeto de uma oração (quando aparece
sem preposição).

ad focum junto à lareira Daue (voc.) ó Davo! intratis vocês entram


ad ianuam junto à porta Dauus (nom.) Davo Lar (voc.) ó Lar! (deus
ad Larem junto ao Lar de aula sobre a panela protetor da família)
ad nuptias (filiae tuae) ao deinde depois Lari ao Lar
casamento (de tua/sua filha) Demaenetus (nom.) latet está escondido
ad te junto a ti/você, até Demêneto me (ac.) me
junto de ti/você do dou meus meu
adest está presente, está dominus (nom.) senhor monstrat mostra, revela
aedes (nom. pl.) casa dominus serui et seruae nam pois, porque
ante ianuam Demaeneti senhor do escravo e da neminem (ac.) ninguém
diante da porta de Demêneto escrava nemo (nom.) ninguém
aperis tu abres/você abre ecce eis!, olha!/olhe! non não
aperit abre ecquis (nom.) acaso alguém? nullam (ac.) nenhuna
appropinquat se aproxima ego eu nullum (ac.) nenhum
appropinquo me aproximo enim pois nunc agora
at mas Euclionis auus o avô de nuptiae (nom.) (filiae
aula (nom.) panela Euclião meae) as núpcias (de minha
aulam (ac.) panela familiae Euclionis da família filha)
auri plena (nom.) cheia de de Euclião nuptias (ac.) (filiae meae) as
ouro festinat corre núpcias (de minha filha)
auri plenam (ac.) cheia de filiae tuae de tua/sua filha o ó! (dirigindo-se a
ouro filiam (ac.) filha alguém)
aurum (nom., ac.) ouro Fortunam (ac.) sorte obsecro suplico
autem porém fouea buraco occupata ocupada,
bene bem furcifer ladrão, patife atarefada
bonam (ac.) boa furem (ac.) ladrão olet cheira, libera odor
celat esconde fures (nom.) ladrões olfactant cheiram, percebem
celo escondo, guardo, furum plenae cheias de o odor
oculto ladrões oro peço
circumspectat olha ao redor habeo tenho otiosi ociosos
clam secretamente habes tu tens/você tem otiosus ocioso
clamas tu gritas/você grita heu ai!, oh!, ah! Pamphila (nom., voc.)
clamatis vocês gritam heus ei! Pânfila
clausa (nom.) fechada hodie hoje parant preparam
cognoui conheço hominum de (os) homens paratis vocês preparam
contra contra, por outro lado homo (nom.) homem paro preparo
coqui (nom.) cozinheiros honorem (ac.) honra, perditissimus o mais
coquorum et tibicinarum de respeito desgraçado
(os) cozinheiros e de (as) huc aqui perditus perdido, desgraçado
flautistas ianua (nom.) porta plenae (nom. pl.) cheias
coquos (ac.) cozinheiros ianuam (ac.) porta portat leva
coquum (ac.) cozinheiro igitur assim, por conseguinte porto levo
coquus (nom.) (o) cozinheiro ignorat ignora, não sabe prius primeiro, antes
coronam (que) (ac.) (e) uma nada prope focum perto da lareira
coroa illuc ali puellae (nom.) meninas
corono corôo (com immo e ainda mais, ou pueri (nom.) meninos
guirlandas) melhor pulsat bate
cuncta (nom.) tudo, todas as in aedis Demaeneti na casa pulso bato
coisas de Demêneto qui quem?
cuncti (nom.) todos in aedis (meas) na (minha) quid o que?
cur por que? casa quis quem?
cursitant correm de um lado in fouea no buraco quod porque
para outro in matrimonium dat dá em quoque também
cursito corro de um lado matrimônio sacrificium (ac.) sacrifício
para outro in scaenam na cena, no palco saluum salvo, intacto
das tu dás/você dá intrant entram saluus salvo, intacto
dat dá, oferece intrat entra sed mas
14

semper sempre ualde muito


senex (nom.) velho uenimus vimos (pres. de vir) Varia
serua (nom.) escrava uidet vê
serua guarda!/guarde!, unguentum (ac.) ungüento, ad (+ ac.) a, até, junto a
protege!/proteja! perfume autem porém (coloca-se
seruae nomen o nome da uocas tu chamas/você chama depois da primeira palavra)
escrava uocat chama cur por que?
seruam (ac.) escrava uoco chamo deinde depois
serui nomen o nome do uos (nom., voc., ac.) vocês ego eu
escravo enim pois, porque, realmente
seruus (nom.) escravo Memoranda (coloca-se depois de outra
seruus Demaeneti senis palavra)
escravo do velho Demêneto Substantivos igitur pois, por conseguinte
si se (não se coloca no princípio
solus só aul-a ae 1f. panela da frase)
spectat contempla, olha aur-um i 2n. ouro in (+ ac.) a, até, em; (+ abl.)
stat está em pé coqu-us i 2m. cozinheiro em
statis vocês estão em pé coron-a ae 1f. corona me me
sub terra debaixo da terra Lar Lar-is Lar (deus protetor nam pois, porque (coloca-se
sub ueste debaixo da (minha) da família) no princípio da frase)
roupa scaen-a ae 1f. cena, palco non não
supplico rogo, suplico seru-us i 2m. escravo nunc agora
te (ac.) te/você quoque também
tibi a ti/você, para ti/você Adjetivos sed mas
tibicina (nom.) flautista semper sempre
(mulher) plen-us a um cheio (de) + si se
tibicinae (nom.) flautistas gen. sub (+ abl.) sob, debaixo de
(mulheres) te te/você
tibicinam (ac.) flautista Verbos tu tu/você
(mulher)
tibicinas (ac.) flautistas cel-o 1 esconder
(mulheres) clam-o 1 gritar
timeo temo, tenho medo habe-o 2 ter
tu (nom.) tu/você intr-o 1 entrar
tutela meae familiae port-o 1 levar, trazer
protetor (lit. proteção) de time-o 2 temer, ter medo
minha família uoc-o 1 chamar

Conteúdo gramatical e exercícios da Seção 1A

2 Presente do indicativo ativo (l.a conjugação): amo ‘amar’

3 Presente do indicativo ativo (2.a conjugação): habeo ‘ter’

4 Terminologia: conjugação, voz, tempo

5 Aspecto verbal

Morfologia

1 Conjugar: celo; timeo; porto; habeo (opcional: habito; clamo; intro; uoco; sum).

2 Traduzir cada verbo e em seguida mudar de singular para plural e vice-versa:


clamas; habent; intrat; uoco; sumus; portamus; times; habetis; est; timet; uocant; celatis;
timemus; habeo; sunt.
15

3 Verter para o latim: vocês têm; escondo; estamos levando; chamam; tens medo; está
vivendo; há (pl.); tem; entra; és.

6 Declinação: terminologia e significado

7 Número: singular e plural. Gênero: masculino, feminino, neutro

8 Substantivos da primeira declinação: seru-a ae 1 feminino (f.) ‘escrava’

9 Substantivos da segunda declinação: seru-us i 2 masculino (m.) ‘escravo’

1 Declinar: coquus; aula (opcional: seruus, familia, corona, scaena).

2 Dizer o caso de cada uma das seguintes palavras: seruarum; coquo; coronam; seruos;
scaenae; filia; coquus; serui; coquum; filiae; scaenas; seruo; coquorum, aula, seruis.

3 Traduzir cada frase; em seguida mudar, quando for conveniente, o número dos
substantivos e dos verbos. E.g. coquus seruam uocat. ‘O cozinheiro chama a escrava.’
coqui seruas uocant.

(a) sum seruus.


(b) aulam porto.
(c) coronas habent.
(d) serua timet seruum.
(e) seruas uocatis.
(f) seruae aulas portant.
(g) celamus aulas.
(h) seruas celant coqui.
(i) familia coronam habet.
(j) uocat seruus seruam.

10 Preposições: in, ad

Dar o equivalente latino de: no palco (sc. entrar em); na panela; nas panelas (sc. pôr
em); na família; até a escrava.

Exercícios de leitura

1 Ler as frases. Depois, sem traduzi-las, dizer qual é o sujeito da segunda (em latim).
Finalmente, traduzir.

(a) seruus in scaenam intrat. coronas portat.


(b) coqui in aedibus sunt. seruas uocant.
(c) est in familia Euclionis serua. Staphyla est.
(d) in scaenam intrat Demaenetus. aulam auri plenam habet.
(e) coquus et serua clamant. seruum enim timent.

2 Analisar a função de cada palavra na oração. E.g. Demaenetus coquum...


Demaenetus está no nom.; logo é sujeito, isto é, Demaenetus faz algo. coquum está no
ac.; logo é objeto, isto é, Demaenetus faz algo a coquum. Finalmente completar a frase
16

com um verbo adequado na forma correta e traduzir. E.g. Demaenetus coquum uocat.
‘Demêneto chama o cozinheiro.’

(a) aulam seruus...


(b) serua coronam, aulam seruus...
(c) seruas serui...
(d) familia coquos...
(e) Lar seruos...
(f) aurum ego...
(g) Euclio familiam...
(h) aulas auri plenas et coronas seruae...

3 Com a ajuda do vocabulário da Seção 1A, trabalhar o texto latino abaixo seguindo
estas instruções:

(a) Analisar cada palavra

(i) seu significado


(ii) sua função na frase (sujeito, objeto, etc.)

E. g.

Demaenetus coquos et tibicinas uidet.

Demaenetus ‘Demêneto’, sujeito; coquos ‘cozinheiro’, objeto; et ‘e’, usado para ligar
algo a coquos; tibicinas ‘flautistas’, ligado a coquos por et, faz parte do objeto coquos
et tibicinas; uidet ‘vê’, verbo.

(b) Traduzir

(c) Depois de ter trabalhado todo o texto, voltar ao latim e ler toda a passagem em voz
alta com a entonação correta, pensando simultaneamente no significado do que se lê.

Demaenetus coquos et tibicinas uidet. ad nuptias filiae ueniunt. in aedis Demaeneti


intrant et nuptias parant. nunc aedes Demaeneti coquorum et tibicinarum plenae sunt.
Demaenetus autem timet. aulam enim auri plenam habet. nam si aula Demaeneti in
aedibus est auri plena, fures ualde timet Demaenetus. aulam Demaenetus celat. nunc
aurum saluum est. nunc saluus Demaenetus, nunc salua aula. Lar enim aulam habet
plenam auri. nunc prope Larem Demaeneti aula sub terra latet. nunc igitur ad Larem
appropinquat Demaenetus et supplicat. “o Lar, ego Demaenetus te uoco. o tutela meae
familiae, aulam ad te auri plenam porto. filiae nuptiae sunt hodie. ego autem fures
timeo. nam aedes meae furum plenae sunt. te oro et obsecro, aulam Demaeneti auri
plenam serua.”

Versão

Traduzir as frases latinas para o português. Depois verter as portuguesas para latim,
tomando como referência a estrutura das latinas para a ordem das palavras.

(a) coquus aulam Demaeneti portat.


17

O escravo tem as coroas dos cozinheiros.

(b) tu clamas, ego autem aulas porto.


A escrava tem medo. Por conseguinte eu chamo o cozinheiro.
(c) cur scaena plena est seruorum?
Por que a casa está cheia de cozinheiros?

(d) ego Lar te uoco. cur me times?


Eu, Fedra, entro. Por que vocês escondem a panela?

(e) si aurum habet, Demaenetus timet.


Se escondem a panela, as escravas têm medo.

(f) coronas et aulas portant serui.


Demêneto chama o cozinheiro e a escrava.

Gramática da Introdução e da Seção 1A

Presente do indicativo na voz ativa

Formas

1.a conjugação

sing.

1.a pess. am-o ‘eu amo’


2.a ama-s ‘você ama’/‘tu amas’
3.a ama-t ‘ele/ela ama’

pl.

1.a ama-mus ‘nós amamos’


2.a ama-tis‘vocês amam’/‘vós amais’
3.a ama-nt ‘eles/elas amam’

2.a conjugação

sing.

1.a habe-o ‘eu tenho’


2.a habe-s ‘você tem’/‘tu tens’
3.a habe-t ‘ele/ela tem’

pl.

1.a habe-mus ‘nós temos’


2.a habe-tis ‘vocês têm’/‘vós tendes’
3.a habe-nt ‘eles/elas têm’
18

Notas

1 Todos os verbos da 1.a conjugação conjugam-se no presente como am-o ‘amar’.5 Exs.:
habit-o ‘habitar’, intr-o ‘entrar’, uoc-o ‘chamar’, clam-o ‘gritar’, par-o ‘preparar’, cel-o
‘esconder’. Os verbos da 2.a conjugação, que terminam sempre em -eo, conjugam-se
como habe-o ‘ter’. Ex.: time-o ‘temer’.

2 Observe que esse verbos regulares são construídos a partir de um radical a que são
acrescentadas terminações. Esse radical traz o significado básico do verbo (ama-
‘amar’, habe- ‘ter’), e as terminações indicam a pessoa gramatical:

-o 1.a pessoa do singular (‘eu’)


-s 2.a pessoa do singular (‘você’/‘tu’)
-t 3.a pessoa do singular (‘ele/ela’)
-mus 1.a pessoa do plural (‘nós’)
-tis 2.a pessoa do plural (‘vocês’/‘vós’)
-nt 3.a pessoa do plural (‘eles/elas’)

Compare essas terminações com as que aparecem no presente do verbo irregular sum
‘ser’, ‘estar’, ‘existir’:

su-m
e-s (na verdade es-s)
es-t
su-mus
es-tis
su-nt

O verbo sum é irregular porque, como se pode observar, é formado com dois radicais,
que se alternam dependendo da pessoa gramatical: su- e es-.

3 Observe também que a vogal característica (ou “vogal temática”) da 1.a conjugação é
-a (amA-), e a da 2.a conjugação é -e (habE-). A única forma em que essa vogal não
aparece é a da 1.a pessoa do singular da 1.a conjugação (amo), embora fosse
originalmente amao.

Significado

O presente do indicativo tem basicamente três significados possíveis. Por


exemplo, uma forma como amas pode ser traduzida por ‘você ama’, ‘você está amando’
ou ‘você realmente ama’. Cada uma dessas três possibilidades representa a ação de uma
maneira um pouco diferente. ‘Você ama’ é a mais simples afirmação do fato. ‘Você está

5
N. do T.: Em latim, quando queremos falar de um verbo, tradicionalmente referimo-nos a ele na 1. a
pessoa do singular do presente. Em português, como se sabe, usamos o infinitivo. Daí traduzirmos am-o,
em textos teóricos como este, por ‘amar’, e não por ‘eu amo’.
19

amando’ fornece uma representação mais vívida e concreta da ação, exprimindo uma
idéia de continuidade (como se pudéssemos ver a ação se desenrolando diante de nós).
Já ‘você realmente ama’ é o sentido enfático. Deve-se escolher o sentido mais adequado
pela análise do contexto. É bom lembrar, no entanto, que em geral o sentido enfático é
indicado em latim pela disposição do verbo no início da sentença.

Os casos em latim: terminologia e significado

O funcionamento do sistema de casos

As palavras “nominativo”, “vocativo”, “acusativo”, “genitivo”, “dativo” e


“ablativo” são termos técnicos para os seis “casos” dos substantivos, adjetivos e
pronomes latinos. Quando uma palavra é apresentada em todos esses casos, temos a
“declinação” da palavra. Declinar um substantivo, por exemplo, significa apresentá-lo
em todos os casos. As diferentes formas dos casos em latim têm uma importância
fundamental, e, aos poucos, devem ser apreendidas com perfeição. O estudante, num
nível um pouco mais avançado, deve conhecê-las de cor.
A razão é a seguinte. Em português, determinamos o sentido de uma frase
através da ordem em que as palavras aparecem. A frase ‘o homem morde o cachorro’
significa algo totalmente diferente da frase ‘o cachorro morde o homem’, e isso por
nenhum outro motivo além do fato de as palavras aparecerem numa ordem diferente.
Um romano da Antigüidade ficaria desnorteado com isso, porque em latim a ordem das
palavras não determina as funções gramaticais dos vocábulos na frase (embora
desempenhe um papel importante em questões relativas à ênfase). O que é vital em
latim são as formas que as palavras assumem.
Em ‘a filha chama o escravo’, o substantivo ‘filha’ é o sujeito da frase (sujeito é,
grosso modo, a palavra com que o verbo concorda), e ‘escravo’ é o objeto. Um romano,
para dizer uma frase como essa, usaria a forma do caso nominativo para indicar o
sujeito, e a forma de acusativo para indicar o objeto. Assim, quando ele escrevia ou
falava a palavra que significa ‘filha’, ou seja, filia, indicava não apenas o significado
básico do vocábulo, mas também sua função na sentença — nesse caso, sujeito. Do
mesmo modo, quando ele dizia a palavra que quer dizer ‘escravo’, isto é, seruum, a
forma utilizada servia também para mostrar que se tratava do objeto. Logo, tendo
ouvido ou lido filia seruum, um romano concluiria imediatamente que uma filha estava
fazendo alguma coisa para um escravo. Se o romano tivesse ouvido filiam seruus (note-
se a diferença na forma das palavras), teria concluído que um escravo, seruus, que está
aqui no caso nominativo, estava fazendo alguma coisa para uma filha, filiam, aqui no
caso acusativo.
A ordem das palavras em latim tem importância secundária, pois suas funções
estão mais diretamente relacionadas a problemas de ênfase, contraste e estilo do que a
problemas de sintaxe (parte da gramática ligada à função dos vocábulos na frase). Para
falantes de português, obviamente, a ordem das palavras é muito mais importante para a
determinação do significado. Em latim, a forma das palavras é que é essencial.
Podemos observar, contudo, que o português possui resíduos do sistema de casos
latino. Exs.: ‘eu gosto de cerveja’, e não ‘me gosto de cerveja’; ‘ele gosta de mim’, e
não ‘o gosta de eu’... Trata-se, conforme a terminologia tradicional, da distinção entre
pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo.

Funções e significados básicos de cada caso


20

a. Nominativo

Suas funções mais importantes são a de sujeito de uma sentença e a de


complemento do verbo sum. Duas palavras ligadas pelo verbo sum ficam sempre ambas
no nominativo. Se iniciamos uma frase com seruus est... (‘o escravo é...’), espera-se que
a palavra que vai completar a oração esteja no nominativo: seruus est coquus (‘o
escravo é um cozinheiro’).
Em frases dessa espécie (isto é, frases com verbo sum), o nome que aparece em
primeiro lugar é normalmente o sujeito, e o que aparece em segundo lugar é o
complemento6 (é o que ocorre na frase citada acima), a não ser que o contexto indique o
contrário. Em frases com outros tipos de verbo, como veremos em seguida, o sujeito
também vai para o nominativo, mas o complemento não. Resta dizer que, quando
desejamos falar de um substantivo latino, usamos a forma do nominativo (ex.: ‘o
substantivo seruus é muito comum em latim’).

b. Acusativo

Sua mais importante função é a de objeto de um verbo. O caso acusativo denota


a pessoa ou coisa sobre que se exerce a ação. Ex.: ‘o homem morde o cachorro’. Pode-
se também entendê-lo como um caso que limita ou define a extensão da ação. Ex.: ‘o
homem morde...’ O que ele morde? um pedaço de carne? um chocolate? Não: ‘morde o
cachorro’. Ex.: coquus tibicinam uidet (tibicinam é uma palavra no acusativo, e portanto
é objeto do verbo) ‘o cozinheiro vê a flautista’. O verbo sum nunca é seguido de um
complemento no acusativo (releia o item acima).

c. Vocativo

O caso vocativo (de uoco ‘chamar’) é usado para nos dirigirmos a uma pessoa.
Ex.: aue, amice ‘olá, amigo’. Sua forma é idêntica à do nominativo em quase todas as
palavras, exceto nas terminadas em -us ou -ius (no nom. sing.) da 2.a declinação. Os
vocábulos desse grupo, quando terminados em -us, têm vocativo singular em -e
(seruus, voc. sing. serue), e, quando terminados em -ius, têm vocativo singular em -i
(filius, voc. sing. fili). Outra exceção é o vocativo de meus (‘meu’), que é mi. Ex.: o mi
fili ‘ó meu filho’.

d. Genitivo

Esse caso expressa posse, pertencimento, sendo freqüente traduzi-lo por um


substantivo antecedido da preposição “de”. Ex.: seruus Euclionis ‘escravo de Euclião’.
A raiz da palavra “genitivo” é a mesma de genitor ‘autor’, ‘progenitor’, ‘pai’. Pode,
portanto, expressar também a idéia de origem: amo filium Euclionis ‘eu amo o filho de
Euclião’. Compare-se esse fenômeno com o inglês dog’s dinner ‘o jantar do cachorro’,
em que dog’s é como que uma forma de genitivo.

e. Dativo e ablativo

Por enquanto, esses casos não vão aparecer muito nos textos, e por isso vamos
deixar seu estudo para mais tarde.
6
N. do T.: O complemento do verbo sum é chamado de “predicativo do sujeito”, porque se entende que
ele atribui algo ao sujeito, descreve-o de alguma forma, enuncia alguma coisa a respeito dele.
21

Singular e plural; masculino feminino e neutro

Assim como possuem casos diferentes, os substantivos podem estar no singular


ou no plural. Essa característica é o número do substantivo. Assim, para cada caso há
uma forma de singular e uma de plural (ver quadros no item “Declinação”). Os
substantivos possuem também gênero, isto é, podem ser masculinos, femininos ou
neutros.
A ordem das palavras

Como se sabe, a ordem usual, em português, para uma sentença simples


consistindo em sujeito, verbo e objeto, é: sujeito + verbo + objeto (ordem também
representada abreviadamente pelas três iniciais em maiúsculas — SVO). Ex.: ‘a escrava
(sujeito) teme (verbo) o cozinheiro (objeto)’. Já em latim, a ordem mais comum é
sujeito + objeto + verbo (SOV). Seguindo essa regra, a frase portuguesa citada acima
fica assim em latim: serua (sujeito) coquum (objeto) timet (verbo). Note-se que essa
ordem é a mais freqüente, mas não a única. De acordo com o que já estudamos, o fato
de as funções gramaticais das palavras já estarem marcadas nas suas terminações
permite ao latim uma grande liberdade de ordenação dos termos da sentença.

Declinação

Os substantivos latinos são classificados em declinações, ou seja, em grupos de


palavras que se declinam da mesma maneira. Por exemplo, serua e filia pertencem ao
mesmo grupo, a 1.a declinação, e por isso têm as mesmas terminações para os diversos
casos (nominativo, acusativo, etc.), tanto no singular quanto no plural. Os substantivos
estão presos aos seus respectivos grupos, e têm, portanto, um número limitado de
terminações. Um substantivo da 2.a declinação como seruus, por exemplo, tem, é claro,
várias terminações possíveis (seru-us para o nom. sing., seru-i para o nom. pl e gen.
sing., seru-os para o acus. pl., etc.), mas apenas aquelas contidas no modelo da 2.a
declinação. Nunca encontraremos o acusativo singular dessa palavra expresso por -em,
terminação da 3.a declinação. Assim, todas as declinações expressam o genitivo singular
e plural, o vocativo singular e plural, etc., mas cada uma o faz a seu modo, isto é, com
suas terminações características. Vejamos agora os quadros contendo os modelos da 1. a
e da 2.a declinação:

1.a declinação (ou tipo I) 2.a declinação (ou tipo II)7

sing. pl. sing. pl.

nom. seru-a seru-ae coqu-us coqu-i

voc. seru-a seru-ae coqu-e8 coqu-i

acus. seru-am seru-as coqu-um coqu-os

7
N. do T.: Note que aqui só aparece o paradigma dos masculinos. Os neutros da 2. a declinação são um
pouco diferentes, e serão estudados mais tarde.
8
N. do T.: Para explicações mais detalhadas sobre o vocativo singular tipo II (2. a declinação), ver p. 20.
22

gen. seru-ae seru-arum coqu-i coqu-orum

dat. seru-ae seru-is coqu-o coqu-is

abl. seru-a seru-is coqu-o coqu-is

Notas

1 Perceba que o ablativo singular tipo I se diferencia do nominativo e do vocativo


singular porque estes têm uma vogal final breve, enquanto aquele tem uma vogal final
longa.

2 Note que também os substantivos são formados por um radical mais uma terminação
(compare com os verbos vistos no início deste texto). Nos substantivos tipo I e II, o
radical permanece sempre o mesmo, e apenas a terminação varia.

3 A maioria dos substantivos tipo I são femininos. Exceções comuns são agricol-a
‘agricultor’, naut-a ‘marinheiro’ e poet-a ‘poeta’, todas palavras masculinas.

4 Quase todos os substantivos que se declinam como coqu-us são masculinos. São
exceções, por exemplo, os nomes de árvores, todos femininos: pin-us ‘pinheiro’, fag-us
‘faia’, etc.

5 Observe que alguns casos têm terminações coincidentes. Exs.: seru-ae pode ser
genitivo singular, dativo singular, nominativo plural ou vocativo plural; coqu-i pode ser
genitivo singular, nominativo plural ou vocativo plural. Isso, contudo, não gera
confusões para o leitor atento, pois a ambigüidade, na maior parte das vezes, pode ser
solucionada pela análise do contexto, a não ser que a ambigüidade seja intencional ou
haja um erro grave por parte da pessoa que escreveu a frase.
23

Seção 1B

Muito tempo se passou. O velho Demêneto morreu sem desenterrar o ouro nem revelar
o segredo a seu filho. Agora, contudo, seu neto Euclião vai ter uma surpresa. Quem
explica é o deus Lar.

(Euclio in scaena dormit. dum dormit, Lar in scaenam intrat et fabulam


explicat) 70

LAR spectatores, ego sum Lar familiaris. deus sum familiae Euclionis.
ecce Euclionis aedes. est in^aedibus Euclionis thesaurus
magnus. thesaurus est Demaeneti, aui Euclionis. sed thesaurus
in aula est et sub terra latet. ego enim aulam clam in^aedibus
seruo. Euclio de thesauro ignorat. cur thesaurum clam adhuc 75
seruo? fabulam explico. Euclio non bonus est senex, sed auarus
et malus. Euclionem igitur non amo. praeterea Euclio me non
curat, mihi numquam supplicat. unguentum numquam dat;
nullas coronas, nullum honorem. sed Euclio filiam habet
bonam. nam curat me Phaedra, Euclionis filia, et multum 80
honorem, multum unguentum, multas coronas dat. Phaedram
igitur, bonam filiam Euclionis, ualde amo. sed Euclio pauper
est. nullam igitur dotem habet filia. nam senex de aula aui
ignorat. nunc autem, quia Phaedra bona est, aulam auri
plenam Euclioni do. nam Euclionem in^somnio uiso et aulam 85
monstro. uidete, spectatores.

(Euclio dormit. Lar imaginem aui in scaenam ducit. Euclio stupet)

EVCLIO dormio an uigilo? di magni! imaginem uideo aui mei,


Demaeneti. salue, Demaenete! heu! quantum mutatus
ab^illo... ab^inferis scilicet in aedis intrat. ecce! aulam 90
Demaenetus portat. cur aulam portas, Demaenete? ecce!
circumspectat Demaenetus et secum murmurat. nunc ad aram
Laris festinat. quid facis, Demaenete? foueam facit et in fouea
aulam collocat. mirum hercle est. quid autem in aula est? di
magni! aula auri plena est. 95

DEMAENETI IMAGO bene. nunc aurum meum saluum est.

EVC. non credo, Demaenete. nullum in^aedibus aurum est.


24

somnium falsum est. pauper ego sum et pauper maneo.

(Euclião desperta e se mostra aborrecido porque os deuses o atormentam com o que ele crê
serem falsos sonhos de riqueza)

EVC. heu me miserum. ego sum perditissimus hominum. pauper 100


sum, sed di falsa somnia monstrant. auum meum in^somnio
uideo. auus aulam auri plenam portat. aulam sub terra clam
collocat iuxta^Larem. non tamen credo. somnium falsum est.
quare Lar me non curat? quare me decipit?

(Euclio ad^Larem appropinquat. subito autem foueam uidet. Euclio celeriter 105
multam terram e fouea mouet. tandem aula apparet)

EVC. quid habes, o Lar? quid sub^pedibus tenes? hem. aulam uideo.
nempe somnium uerum est.

(Euclio aulam e fouea mouet. intro spectat et aurum uidet. stupet)

euge! eugepae! aurum possideo! non sum pauper, sed diues! 110

(Subitamente desanimado)

sed tamen hercle homo diues curas semper


habet multas. fures in^aedis clam intrant. o me miserum! nunc
fures timeo, quod multam pecuniam possideo. eheu! ut Lar
me uexat! hodie enim mihi multam pecuniam, multas simul
curas dat; hodie igitur perditissimus hominum sum. 115
quid tum? a! bonum consilium habeo. ecquis me spectat?

(Euclio aurum sub^ueste celat et circumspectat. neminem uidet. tandem ad^Larem


appropinquat)

ad te, Lar, aulam auri plenam porto. tu aulam serua et cela!

(Euclio aulam in^fouea iterum collocat; deinde multam terram super aulam 120
aggerat)

bene. aurum saluum est. sed anxius sum. quare autem anxius
sum? anxius sum quod thesaurus magnus multas curas dat, et
me ualde uexat. nam in diuitum hominum aedis fures multi
intrant; plenae igitur furum multorum sunt diuitum hominum 125
aedes. o me miserum!

Vocabulário da Seção 1B
a ah! ab inferis da morte, do aggero 1 amontoar,
ab illo daquele (essa frase é mundo dos mortos acumular
uma citação de Virgílio, adhuc até agora amo 1 amar
Eneida 2, 274, quando aedes (nom.) casa an? ou?
Enéias evoca o espírito de aedis (ac.) casa anxius angustiado
Heitor) appareo 2 aparecer
25

appropinquo 1 aproximar-se hem o que é isso? salue salve!, olá!


ar-a ae 1f. altar hercle por Hércules! saluum salvo
auarus avarento heu ai!, oh!, ah! scilicet evidentemente
au-us i 2m. avô hodie hoje secum consigo mesmo
bene bem hominum de (os) homens senex ancião, velho
bona (nom.) boa homo (nom.) homem, serua guarda!/guarde!
bonam (ac.) boa indivíduo seruo 1 guardar
bonum (ac.) bom honorem (ac.) honra, simul ao mesmo tempo
bonus (nom.) bom respeito ignoro 1 ignorar somnia (ac.) sonhos
cela esconde!/esconda! imaginem (ac.) visão, somnium sonho
celeriter rapidamente imagem specto 1 olho, vejo
circumspecto 1 olhar em imago (nom.) visão, imagem spectatores espectadores,
volta espectro, fantasma público
clam secretamente in aedis dentro de casa stupeo 2 surpreender-se,
colloco 1 colocar in aedibus na casa ficar
consilium plano in somnio num sonho assombrado, atônito
credo 1 crer intro dentro sub pedibus debaixo dos
cur-a ae 1f. cuidado, iterum de novo, outra vez (teus/seus) pés
atencão, diligência, interesse, iuxta (+ ac.) junto a, ao lado sub (+ abl.) debaixo de
preocupação de sub ueste debaixo da roupa
curo 1 cuidar, preocupar-se Larem (ac.) (o deus) Lar subito repentinamente
com Laris do Lar super (+ ac.) sobre
de (+ abl.) a respeito de, lateo 2 estar escondido, supplico 1 suplicar
sobre esconder-se tamen contudo, porém
decipit decepciona magni (voc.) grandes tandem finalmente, por
Demaenete ó Demêneto! magnus grande último
Demaenet-us i 2m. malus mau, perverso teneo 2 ter, segurar, guardar
Demêneto maneo 2 permanecer terr-a ae 1f. terra
de-us i 2m. deus mei de meu thesaur-us 2m tesouro
di deuses; ó deuses! meum meu tum então
diues (nom.) rico mihi a mim ualde muito
diuitum (gen.) de ricos mirum admirável uerum verdadeiro
do 1 dar miserum miserável, infeliz uexo 1 molestar, perturbar
dormio durmo, estou monstro 1 mostrar, revelar uideo 2 ver
dormindo moueo 2 mover, tirar uidete vejam!, olhem!
dormit dorme multam (ac.) muita uigilo 1 estar acordado
dotem (ac.) dote multas (ac.) muitas uiso visito
ducit leva, conduz multi (nom.) muitos unguentum ungüento,
dum enquanto multorum de muitos perfume
e fora de, desde multum (ac.) muito ut como
ecce eis aqui!, olha!/olhe! murmuro 1 murmurar
ecquis acaso alguém? mutatus mudado Memoranda
eheu ah!, ai!, que lástima! neminem (ac.) ninguém
Euclionem (ac.) Euclião nempe claramente, sem Substantivos
Euclioni (dat.) a Euclião dúvida
Euclionis de Euclião nullam (ac.) nenhuma aedis aed-is 3f. templo; pl.
euge muito bem!, bravo! nullas (ac.) nenhuma (pl.) aed-es ium casa
eugepae muito bem!, bravo! nullum (ac.) nenhum cur-a ae 1f. cuidado,
explico 1 explicar numquam nunca diligência, interesse
fabul-a ae 1f. obra, pauper (nom.) pobre de-us i 2m. deus
comédia, argumento pecuni-a ae 1f. dinheiro fur fur-is 3m. ladrão
facis tu fazes/você faz perditissimus o mais honor honor-is 3m. honra,
facit faz desgraçado respeito
falsa falsa possideo 2 possuo, tenho senex sen-is 3m. ancião,
falsum falso praeterea além disso velho
familiaris familiar quantum quanto, quão thesaur-us i 2m. tesouro
festino 1 apressar-se quare por que? unguent-um i 2n. ungüento,
foue-a ae 1f. buraco quia porque perfume
fures (nom., ac.) ladrões quid o que?
furum de (os) ladrões quod porque Adjetivos
26

mult-us a um muito
null-us a um nenhum

Verbos

am-o 1 amar
cur-o 1 cuidar, preocupar-se
com
d-o 1 dar
explic-o 1 explicar, contar
posside-o 2 possuir, ter
supplic-o 1 suplicar
uide-o 2 ver

Varia

clam secretamente
quare por que?
quod porque
tamen contudo, porém
tandem finalmente, por
último
Conteúdo gramatical e exercícios da Seção 1B

11 Substantivos da terceira declinação (tema consonântico): fur fur-is 3m. ‘ladrão’

12 Substantivos da terceira declinación (tema em -i-) aedis aed-is 3f. ‘templo’; no


plural ‘templos’, ‘casa’

13 Observações sobre os substantivos da terceira declinação: temas consonânticos

1 Declinar: honor, fur (opcional: Euclio (sing.), Lar, aedis).

2 Dizer o caso de cada uma das seguintes palavras: Euclionis, furem, aedium, honores,
Lar, senum, aedis, honorem, fur, Laris.

3 Traduzir cada frase; em seguida mudar, quando for conveniente, o número dos
substantivos e dos verbos. Ex.: furem seruus timet. ‘O escravo teme o ladrão.’ fures
serui timent.

(a) deinde thesaurum senis fur uidet.


(b) Lar honorem non habet.
(c) igitur senem deus non curat.
(d) quare tamen supplicatis, senes?
(e) unguentum senex tandem possidet.
(f) in aedibus senex nunc habitat.
(g) fur aulam auri plenam semper amat.
(h) honorem tamen non habet fur.
(i) quare in aedis non intras, senex?
(j) seruam clam amat senex.

14 Adjetivos da l.a e 2.a declinação: mult-us a um ‘muito’

15 Substantivos neutros da segunda declinação: somni-um i 2n. ‘sonho’

1 Memorizar esta lista de substantivos neutros da segunda declinação como somnium:

exiti-um i 2n. ‘destruição’


ingeni-um i 2n. ‘habilidade’, ‘talento’
pericul-um i 2n. ‘perigo’

2 Identificar o caso e dizer o nom. e gen. sing. e o significado de cada palavra desta
lista (ex.: periculorum = gen. pl. de pericul-um i ‘perigo’): honorum, ingenium, aedibus,
furum, exitio, seruum, unguentorum, aurum, senum, thesauris.

3 Assinalar e dar o significado dos substantivos plurais da seguinte lista: scaena, serua,
ingenia, familia, cura, unguentis, filia, somnia, corona, pericula.

16 Substantivo irregular da segunda declinação: de-us i 2m. ‘deus’

17A Vocativos
17B Aposição

1 Qualificar corretamente estes substantivos com o adjetivo multus (nos casos


ambíguos dar todas as alternativas possíveis): curas, aurum, fures, senem, honoris,
aedem, seruorum, senum, aedis, coronae (opcional: seruum, unguenta, aedis, familiam,
aedium, honor, aedes).

2 Assinalar os substantivos com os quais concorda a forma dada de multus:


multus: senex, cura, Larem, familiae, seruus
multi: honor, aedes, Laris, senes, serui
multis: honoribus, aedis, curam, seruum, deum, senibus, aurum
multas: senis, honores, aedis, curam, familias
multae: seruae, aedi, curam, senes, di
multa: aedes, unguenta, senem, cura, coronarum
(opcional: multos: aedis, unguentum, curas, seruos, fures
multo: aurum, Larem, curam, honori, aedem
multorum: aedium, unguentorum, seruum, senum, deorum, coronarum
multarum: furum, aurum, honorem, seruarum, aedium)

3 Verter para o latim: muitas escravas (nom.); de grande honra; de muitas coroas; muito
ouro; um homem muito velho (ac.); de muitos ladrões; muitos anciãos (ac.).

4 Traduzir estas frases:

(a) multi fures sunt in aedibus.


(b) multas curas multi senes habent.
(c) multae seruae plenae sunt curarum.
(d) multum aurum Euclio, multas aulas auri plenas habet.
(e) seruos senex habet multos.

5 Traduzir estas frases:

(a) nulla potentia longa est. (Ovídio)


(b) uita nec bonum nec malum est. (Sêneca)
(c) nobilitas sola est atque unica uirtus. (Juvenal)
(d) longa est uita si plena est. (Sêneca)
(e) fortuna caeca est. (Cícero)

potenti-a ae 1f. poder mal-us, a um mau unic-us a um único, sem


igual
long-us a um longo, nobilitas nobilitat-is 3f. uirtus uirtut-is 3f. virtude
duradouro nobreza fortun-a ae 1f. fortuna
uit-a ae 1f. vida sol-us a um só, único caec-us a um cego
nec... nec nem... nem atque e, mas

Exercício opcional

Dizer o caso (ou casos, quando houver ambigüidade) dos seguintes substantivos e
indicar a declinação a que pertencem: seruae, honori, thesauris, familia, deum, filia,
dis, corona, senum, thesaurum, honorum, deorum, seruarum, aedium.
Exercícios de leitura

1 Em cada uma das seguintes frases o verbo está em primeiro ou segundo lugar. Dizer
em cada caso se está no sing. ou no pl. Em seguida indicar, seguindo a ordem em que
aparecem, o sujeito e (se houver) o objeto do verbo. Depois traduzir para o português
e, finalmente, ler as frases em latim com a entonação correta.

(a) clamant serui, senex, seruae.


(b) dat igitur honorem multum Phaedra.
(c) nunc possidet Lar aedis.
(d) amant di multum honorem.
(e) dat aurum multas curas.
(f) habitant quoque in aedibus serui.
(g) est aurum in aula multum.
(h) timent autem fures multi senes.
(i) quare intrant senex et seruus in scaenam?
(j) tandem explicat Lar curas senis.

2 Dizer de cada termo se é sujeito, objeto ou se está no genitivo. Depois completar a


frase com um verbo adequado e na forma correta. Finalmente, traduzir.

(a) senem seruus...


(b) aedis deus...
(c) honores Lar...
(d) fur aurum...
(e) Euclionis filiam di...
(f) filiae senum honores...
(g) aedem deus...
(h) unguenta di...
(i) Larem Phaedra, Phaedram Lar... (o verbo tem de estar no sing.)
(j) seruos Phaedra et seruas...

3 Traduzir literalmente e dizer, ao mesmo tempo em que se traduz, que função tem cada
palavra (sujeito, objeto, verbo, etc.), agrupando, quando necessário, palavras que
cumprem juntas o mesmo papel. Traduzir para o português por escrito. Finalmente, ler
em latim com a entonação correta, pensando ao mesmo tempo no significado do texto.

(a) aulas enim habet multas Euclio senex.


(b) aedis furum plenas multi timent senes.
(c) thesaurum Euclionis clam uidet serua.
(d) nullus est in aedibus seruus.
(e) Phaedram, filiam Euclionis, et Staphylam, filiae Euclionis seruam, Lar amat.
(f) deinde Euclio aulam, quod fures ualde timet, celat.
(g) me igitur Phaedra amat, Phaedram ego.
(h) nam aurum Euclio multum habet, coronas multas, multum unguentum.
(i) senex autem fures, quod multum habet aurum, ualde timet.
(j) multum serui unguentum ad Larem, multas coronas portant.

Versão
Traduzir as frases latinas para o português. Depois verter as portuguesas para latim,
tomando como referência a estrutura das latinas para a ordem das palavras.

(a) Lar igitur Euclionem, quod honorem non dat, non amat.
Por conseguinte, os deuses cuidam de Fedra, porque Fedra cuida do Lar.

(b) senex autem curas habet multas, quod aurum habet multum.
Os escravos, contudo, levam muitas coroas, porque têm (usar do) muito respeito.

(c) Euclionis aedes furum sunt plenae, quod aulam auri plenam habet senex.
O templo dos deuses está cheio de ouro, porque as filhas dos ricos oferecem panelas
cheias de oro.

(d) ego multum unguentum, coronas multas, multum honorem habeo.


Você tem uma grande preocupação e um grande tesouro.

(e) te, Demaenete, non amo.


Não levo ouro, meu filho.

(f) clamant serui, supplicant seruae, timet senex.


A filha está suplicando, os velhos estão gritando e as escravas têm medo.

SEÇÃO 1B

Preposições

Preposições (de praepositus ‘colocado na frente’) são pequenas palavras


colocadas na frente dos substantivos. Por exemplo: in ‘dentro’, ‘para dentro’; ad ‘junto
a’, ‘para junto de’, ‘para’. Aprenda desde já as seguintes preposições, que são muito
importantes:

in, ad + acusativo

in ‘para dentro’, ‘em’: in casam intrat ‘ele/ela entra na choupana’ (i.e. ‘movimenta-se
para dentro da choupana’); in Romam uado ‘vou para Roma’ (mais precisamente: ‘para
dentro de Roma’)

ad ‘junto a’, ‘para junto de’, ‘para’: ad casam aulam portat ‘ele/ela leva a panela para a
choupana’ (não necessariamente ‘para dentro da choupana’; mais precisamente ‘para
junto da choupana’)

Observe que in/ad + acusativo denota o lugar em direção ao qual algo se move.
Compare com o caso seguinte.

in + ablativo

in ‘em’: in casa est ‘ele/ela está na casa’ (i.e. ‘dentro da casa’)


Observe que in + ablativo denota o lugar onde algo está (sem implicar a noção de
movimento de um lugar para outro).

Substantivos da 3.a declinação (radicais consonânticos): fur, furis 3m. ‘ladrão’

sing. pl.

nom. fur fur-es

voc. fur fur-es

acus. fur-em fur-es

gen. fur-is fur-um

dat. fur-i fur-ibus

abl. fur-e fur-ibus

Notas

1 Note que, tal como ocorria na 1.a e na 2.a declinação, as terminações de dativo e
ablativo, no plural, são idênticas. Perceba também a identidade entre as terminações de
nominativo, vocativo e acusativo no plural.

2 Esse é o paradigma das terminações para os substantivos da 3. a declinação cujos


radicais terminam em consoante. Há, contudo, pequenas mudanças de padrão para os
substantivos cujos radicais terminam com a vogal -i (chamados “substantivos em -i”),
apresentados em seguida.9

Substantivos da 3.a declinação (em -i): aedis, aed-is 3f. ‘sala’, ‘templo’; no plural
‘templos’, ‘casa’

sing. pl.

nom. aed-is aed-es

voc. aed-is aed-es

acus. aed-em aed-is (ou aed-es)

gen. aed-is aed-ium

dat. aed-i aed-ibus

abl. aed-e (ou -i) aed-ibus

9
N. do T.: Os autores estão apresentando apenas substantivos masculinos e femininos. Também existem
neutros na 3.a declinação (tanto com radical consonântico como em -i), mas eles serão estudados mais
tarde.
Notas

1 aed-is, no singular, significa ‘sala’, ‘templo’; no plural significa, usualmente, ‘casa’.

2 Observe o acusativo plural em -is, o genitivo plural em -ium e o ablativo singular


alternativo em -i. Essa predominância do -i é a marca dos substantivos em -i da 3.a
declinação. Na verdade, originalmente todos os casos teriam tido o -i, já que ele faz
parte do radical. O singular de turris, turr-is 3f. ‘torre’, que mantém as formas antigas
mesmo no latim clássico, demonstra essa hipótese: turr-is, turr-is, turr-im, turr-is, turr-
i, turr-i.

3 Note que nas explicações gramaticais nós indicamos quais substantivos e adjetivos
têm o radical em -i, mas por razões práticas apresentamos as terminações como se
estivéssemos tratando de radicais consonânticos, i.e. aed-is, e não aedi-s (que seria
tecnicamente o mais correto).10
Radicais e terminações dos substantivos da 3.a declinação

Os substantivos da 3.a declinação têm uma grande variedade de terminações no


nominativo singular. O que une todos esses vocábulos num mesmo paradigma é o fato
de que seu genitivo singular termina sempre da mesma forma: Euclio, Euclion-is; senex,
sen-is. É preciso, portanto, aprender tanto a declinação quanto o genitivo singular, bem
como o gênero desses substantivos. Por exemplo: não basta saber simplesmente aedis
‘templo’, pl. ‘casa’, mas é necessário ter todas as seguintes informações: aedis, aed-is
3f. ‘templo’, pl. ‘casa’.
O genitivo singular é duplamente importante, porque fornece o radical do
substantivo, ao qual são adicionadas as terminações para formar a declinação. Assim,
quando você aprende senex, sen-is 3m., fica sabendo que o radical é sen-. É o genitivo
singular que dá essa informação.
Você também deve ser capaz de, a partir do radical, descobrir o nominativo
singular, para achar a palavra num dicionário. Por exemplo: se você encontra pacem no
texto, você deve saber deduzir que o nominativo singular é pax. Do contrário, não
encontrará o vocábulo no dicionário. Observe alguns padrões freqüentes de radicais
consonânticos:

(a) radicais terminando em -l ou -r mantêm l e r no nominativo singular

consul-is → nom. sing. consul ‘cônsul’


fur-is → nom. sing. fur ‘ladrão’

10
N. do T.: Há um problema de terminologia que precisa ser esclarecido. A rigor, chamamos de “radical”
a parte invariável da palavra que contém o seu significado básico. Quando o radical está pronto para
receber as desinências de número e caso, é chamado de “tema”. Algumas palavras têm radicais que, antes
de receber as desinências, ganham uma vogal específica, a “vogal temática” (assim denominada porque
forma o “tema”). Outras palavras não têm vogal temática e recebem as desinências diretamente. Nesse
caso, o radical é idêntico ao tema. Portanto, o radical de fur, fur-is é fur-, e o tema tem a mesma forma.
Trata-se de uma palavra de “tema consonântico”. Já em aed-i-s, aed-i-s, o radical (aed-), antes de receber
as desinências, ganha a vogal temática -i, formando o tema aedi-. É um substantivo de tema em -i. Ocorre
que, por causa de uma série de transformações fonéticas, muitas vezes fica difícil, sem uma análise
detida, separar a vogal temática da desinência. Por isso, os métodos de latim para iniciantes preferem
tratar a desinência e a vogal temática como um todo, o qual recebe o nome de “terminação”. Como
conseqüência disso, é freqüente que não se faça nenhuma distinção entre radical e tema. Normalmente
segmentam-se os vocábulos em duas partes: radical e terminação.
(b) radicais terminando em -d ou -t terminam em -s no nominativo singular

ped-is → nom. sing. pes ‘pé’


dot-is → nom. sing. dos ‘dote’

(c) radicais terminando em -c ou -g terminam em -x no nominativo singular

reg-is → nom. sing. rex ‘rei’


duc-is → nom. sing. dux ‘comandante’

(d) radicais terminando em -on ou -ion terminam em -o ou -io no nominativo


singular

Scipion-is → nom. sing. Scipio ‘Cipião’


praedon-is → nom. sing. praedo ‘pirata’11

Adjetivos da 1.a e 2.a declinações: mult-us, a, um ‘muito’, ‘numeroso’

sing.

m. f. n.

nom. mult-us mult-a mult-um


voc. mult-e mult-a mult-um

acus. mult-um mult-am mult-um

gen. mult-i mult-ae mult-i

dat. mult-o mult-ae mult-o

abl. mult-o mult-a mult-o

pl.

m. f. n.

nom. mult-i mult-ae mult-a

voc. mult-i mult-ae mult-a

acus. mult-os mult-as mult-a

gen. mult-orum mult-arum mult-orum

dat. mult-is mult-is mult-is

11
N. do T.: Quanto aos substantivos em -i, os nominativos singulares mais freqüentes são em -is e em -es.
Exs.: ciuis, ciu-is 3m. ‘cidadão’; uestis, uest-is 3f. ‘vestimenta’; nauis, nau-is 3f. ‘navio’; uulpes, uulp-is
3f. ‘raposa’; rupes, rup-is 3f. ‘rocha’.
abl. mult-is mult-is mult-is

Notas

1 Os adjetivos (do radical de adiectus ‘adicionado a’) fornecem informações adicionais


sobre um substantivo. Por exemplo: ‘cavalo rápido’, ‘colina íngreme’ (os adjetivos são
freqüentemente chamados de “palavras descritivas”).

2 Como os substantivos podem ser masculinos, femininos e neutros, os adjetivos


precisam ter formas masculinas, femininas e neutras, de modo que possam concordar
gramaticalmente com o substantivo que descrevem. Assim, adjetivos devem concordar
com substantivos em gênero.

3 Os adjetivos devem também concordar com os substantivos em número (singular ou


plural).

4 Finalmente, eles devem concordar com os substantivos em caso (nominativo,


vocativo, acusativo, genitivo, dativo ou ablativo). Um substantivo no acusativo pode ser
descrito apenas por um adjetivo no acusativo.

5 Resumindo: em latim, se um substantivo vai ser descrito por um adjetivo, este último
terá de concordar com o substantivo em gênero, número e caso. Exemplos:

(a) ‘Eu vejo muitos templos’ — ‘templos’ é o objeto, e está no plural; a palavra que
deveremos utilizar em latim é aedis, que é feminina. Assim, se a palavra latina
correspondente a ‘muitos’ (mult-us, a, um) deve concordar com aedis, terá de estar no
acusativo feminino plural. Resposta: multas aedis.
(b) ‘Ele mostra muito respeito’ — ‘respeito’ está no singular e cumpre a função de
objeto. A palavra latina que usaremos para traduzir ‘respeito’ é honor, honor-is, que é
masculina (a forma adequada para a frase em questão é honorem). Portanto, mult-us, a,
um deve aparecer no acusativo masculino singular. Resposta: multum honorem.

(c) ‘Eu ouço a voz de muitas escravas’ — ‘escravas’ vai aparecer em latim no genitivo
plural. A palavra latina para ‘escrava’ é serua, seru-ae, um vocábulo feminino. Então
mult-us, a, um ficará no genitivo feminino plural. Resposta: multarum seruarum.

6 É importante enfatizar aqui que um adjetivo não descreve necessariamente o


substantivo ao lado do qual está. Ele descreve, isto sim, o substantivo com o qual
concorda em gênero, número e caso, independentemente de este substantivo estar
próximo ou não do adjetivo. Exemplos:

(a) multum filia seruat thesaurum — multum = acus. m. sing.; filia = nom. f. sing.;
thesaurum = acus. m. sing. Assim, multum descreve thesaurum, e não filia. A tradução
é: ‘A filha guarda um tesouro abundante’.

(b) nullum furum consilium placet — nullum = acus. m. sing. ou nom./acus. n. sing.;
furum = gen. m. pl.; consilium = nom./acus. n. sing. Portanto, nullum está descrevendo
consilium. Tradução: ‘Nenhum plano de ladrões é agradável’.
Usualmente, mult-us, a, um precede o substantivo (multi serui ‘muitos escravos’).
Quando aparece depois do substantivo, é enfático: seruos multos habeo ‘eu realmente
tenho muitos escravos’

7 Adjetivos podem ser usados isoladamente com valor de substantivos, situação em que
o gênero vai indicar o significado: bonus ‘um bom homem’, bonum ‘uma coisa boa’.

Substantivos neutros da 2.a declinação: somni-um, i 2n. ‘sonho’

sing. pl.

nom. somni-um somni-a

voc. somni-um somni-a

acus. somni-um somni-a

gen. somni (ou somni-i) somni-orum

dat. somni-o somni-is

abl. somni-o somni-is

Notas

1 Há apenas um tipo de substantivo neutro na 2.a declinação; sua terminação no


nominativo singular é sempre -um. Cf. aur-um ‘ouro’, unguent-um ‘ungüento’.

2 Como ocorre com todos os neutros, o nominativo e o acusativo são iguais (tanto no
singular quanto no plural).

3 Não confunda as formas do neutro singular com o acusativo masculino singular da 2. a


declinação (como seru-us, acus. sing. seru-um) ou com o genitivo plural da 3.a
declinação (como aed-is, gen. pl. aed-ium). Você deve saber com segurança que
palavras como somnium são neutras e pertencem à 2.a declinação.

4 Tal como se dá com todos os neutros, há o perigo de se confundirem as formas de


plural em -a com substantivos da 1.a declinação como serua.

5 Note o genitivo singular somni ou somnii. Substantivos masculinos da 2.a declinação


cujo nominativo singular termina em -ius (como filius ‘filho’) geralmente têm genitivo
singular em -i (fili), mas sempre nominativo plural em -ii (filii).

6 Observe que as formas de genitivo, dativo e ablativo são idênticas às dos masculinos
como seruus.

Substantivo irregular da 2.a declinação: de-us, i 2m. ‘deus’

sing. pl.
nom. de-us di (ou de-i/di-i)

voc. —12 di (ou de-i/di-i)

acus. de-um de-os

gen. de-i de-orum (ou de-um)

dat. de-o dis (ou de-is/di-is)

abl. de-o dis (ou de-is/di-is)

Aposto

Considere a seguinte sentença:

sum Demaenetus, Euclionis auus ‘Sou Demêneto, avô de Euclião’

O segmento frasal Euclionis auus dá mais informação a respeito de Demêneto. Diz-se


que está “em aposição” a Demaenetus, ou que é “aposto” de Demaenetus (de adpositus
‘colocado perto’). Note que auus, a principal parte da informação suplementar, está no
mesmo caso de Demaenetus. Qualquer que seja o caso em que está um substantivo, ele
pode receber um aposto. Por exemplo: em sum seruus Demaeneti senis ‘eu sou o
escravo de Demêneto, o velho’, senis (genitivo) é aposto de Demaeneti (genitivo).

Seção 1C
(Euclio ex aedibus in scaenam intrat clamatque)

EVC. exi ex aedibus! exi statim! cur non exis, serua mea?

STAPHYLA (ex aedibus exit et in scaenam intrat) quid est, mi domine?


quid facis? quare me ex aedibus expellis? serua tua sum. quare 130
me uerberas, domine?

EVC. tace! te uerbero quod mala es, Staphyla.

STAPH. egone mala? cur mala sum? misera sum, sed non mala,
domine. (secum cogitat) sed tu insanus es!

EVC. tace! exi statim! abi etiam nunc... etiam nunc... ohe! sta! 135
mane! (Euclio secum cogitat) perii! occidi! ut mala mea serua
est! nam oculos in occipitio habet. ut thesaurus meus me
miserum semper uexat! ut thesaurus multas curas dat! (clamat
iterum) mane istic! te moneo, Staphyla!

STAPH. hic maneo ego, mi domine. tu tamen quo is?


140

12
N. do T.: Não existe vocativo singular antes da época cristã, quando criou-se o vocativo deus.
EVC. ego in aedis meas redeo (secum cogitat) et thesaurum meum
clam uideo. nam fures semper in aedis hominum diuitum
ineunt...

(Euclio e scaena abit et in aedis redit)

STAPH. o me miseram! dominus meus insanus est. per^noctem 145


numquam dormit, sed peruigilat; per^diem me ex aedibus
semper expellit. quid in animo habet? quare senex tam insanus
est?

(Euclio tandem ex aedibus exit et in scaenam redit)

EVC. (secum cogitat) di me seruant! thesaurus meus saluus est! (clamat) 150
nunc, Staphyla, audi et operam da! ego te moneo. abi intro et
ianuam occlude. nam ego nunc ad praetorem abeo — pauper
enim sum. si uides araneam, araneam serua. mea enim aranea
est. si uicinus adit et ignem rogat, ignem statim exstingue. si
uicini adeunt et aquam rogant, responde “aquam numquam in 155
aedibus habeo.” si uicinus adit et cultrum rogat, statim
responde “cultrum fures habent.” si Bona Fortuna ad aedis it,
prohibe!

STAPH. Bona Fortuna numquam ad tuas aedis adit, domine.

EVC. tace, serua, et abi statim intro. 160

STAPH. taceo et statim abeo. (Staphyla abit et secum murmurat) o me


miseram! ut Phaedra, filia Euclionis, me sollicitat! nam grauida
est Phaedra e^Lyconide,^uicino Euclionis. senex tamen
ignorat, et ego taceo, neque consilium habeo.

(exit e scaena Staphyla) 165

(Agora Euclião descreve como, ainda que a contragosto, vai ao foro para pegar sua parte do
dinheiro distribuído pelo pretor — para evitar suspeitas de que é rico)

EVC. nunc ad praetorem abeo, nimis hercle inuitus. nam praetor


hodie pecuniam in^uiros diuidit. si ad forum non eo, uicini
mei “hem!” inquiunt, “nos ad forum imus, Euclio ad forum
non it, sed domi manet. aurum igitur domi senex habet!” nam
nunc celo thesaurum sedulo, sed uicini mei semper adeunt, 170
consistunt, “ut^uales, Euclio?” inquiunt, “quid^agis?” me
miserum! ut curas thesaurus meus dat multas!

Vocabulário da Seção 1C
abeo ando, vou embora anim-us i 2m. mente Bona (bon-us a um) boa
abi vai/vá embora! aqu-a ae 1f. água clamatque e grita
abit anda, vai embora arane-a ae 1f. teia de aranha, cogito 1 pensar, refletir,
adeunt aproximam-se, vêm aranha meditar
adit aproxima-se, vem audi escuta!/escute!
consili-um i 2n. plano nos (nom., ac.) nós, nos uicin-us i 2m. vizinho
consistunt põem-se ao redor numquam nunca
cultrum (ac.) faca occidi estou morto! Adjetivos
diuidit divide occipiti-um i 2n. occipício
diuitum de (os) ricos (parte ínfero-posterior da mal-us a um mau, perverso
domi em casa cabeça), nuca salu-us a um salvo
domin-us i 2m. senhor occlude fecha!/feche!
dormit dorme ocul-us i 2m. olho Verbos
e Lyconide, uicino de ohe pára!/pare! cogit-o 1 pensar, refletir,
Licônides, o vizinho operam da presta/preste meditar
e, ex (+ abl.) de, desde, fora atenção! mane-o 2 permanecer, parar
de pauper (nom.) pobre mone-o 2 aconselhar,
egone eu? pecuni-a ae 1f. dinheiro advertir
eo vou per diem durante o dia, de rog-o 1 perguntar
etiam nunc todavia, agora dia seru-o 1 guardar, conservar
exi sai!/saia! per noctem durante a noite, st-o 1 estar de pé, parar
exis vais/vai, sais/sai à noite tace-o 2 calar-se, estar
exit sai perii estou perdido! calado
expellis expulsas/expulsa peruigilo 1 estar/ficar uerber-o 1 açoitar, bater
expellit expulsa acordado uex-o 1 molestar, perturbar
exstingue apaga!/apague! praetor praetor-is 3m. pretor
facis fazes/faz prohibe proíbe!/proíba Varia
Fortun-a ae 1f. sorte quid o que?
for-um i 2n. foro quid agis que fazes/você e, ex (+ abl.) fora de, desde,
grauid-us a um pesado, faz? de
grávida (no f.) quo aonde? me-us a um meu (voc. sing.
hem bem! redeo volto m. mi)
hercle por Hércules! redit volta neque nem, e... não
hic aqui responde numquam nunca
hodie hoje responde!/responda! quid o que?
homo homin-is 3m. homem, rogo 1 perguntar por, pedir statim em seguida,
indivíduo salu-us a um salvo imediatamente
ianu-a ae 1f. porta secum consigo mesmo tu-us a um teu
ignis ign-is 3m. fogo sedulo cuidadosamente ut como!, que!
ignoro 1 ignorar serua guarda!/guarde!
imus vamos seruo 1 guardar, conservar Formas novas:
in uiros entre os homens sollicito 1 atormentar
ineunt entram sta aguarda!/aguarde!, adjetivos
inquiunt dizem pára!/pare! miser miser-a um
insan-us a um louco statim em seguida, desgraçado, infeliz
intro dentro imediatamente
inuit-us a um que procede tace cala-te!/cale-se! verbos
contra a própria vontade, taceo 2 calar-se, estar calado eo ir, vir, andar
obrigado exeo sair
is vais/vai tam tão abeo andar, partir
istic aí, ali tu-us a um teu adeo ir a, vir a, aproximar-se
it vai uerbero 1 açoitar, bater redeo voltar
iterum outra vez, de novo uexo 1 molestar, perturbar
mal-us a um mau, perverso uicin-us i 2m. vizinho
mane pára!/pare!, ut como!, que!
fica!/fique! maneo 2 ut uales como estás/está?
permanecer, parar me-us a
um meu Memoranda
mi (voc.) ó meu...!
miser miser-a um desgraçado Substantivos
moneo 2 aconselhar, advertir
murmuro 1 murmurar aqu-a ae 1f. água
neque nem, e... não domin-us i 2m. senhor, amo
nimis demasiado ignis ign-is 3m. fogo
ocul-us i 2m. olho
Conteúdo gramatical e exercícios da Seção 1C

18 Imperativo presente ativo da 1.a e da 2.a conjugação

1 Formar e traduzir o imperativo (singular e plural) dos seguintes verbos: timeo, rogo,
taceo cogito, moneo, curo, possideo (opcional: habeo, sto, explico, celo, amo, uideo,
maneo).

2 Traduzir para o português: da coronam!; porta aquam!; in aedibus manete!; tace!;


thesaurum serua!; monete filiam!

3 Verter para o latim: olhem!; pergunte a Euclião!; calem-se!; escondam a panela!

19 eo ‘ir’, ‘vir’ (irregular): presente indicativo ativo

1 Traduzir para o português e depois mudar o número: i, eunt, itis, eo, it, imus, exitis,
abimus, abitis, redeunt, reditis, ite, redeo, exeunt.

2 Verter para o latim: vamos embora; voltam; vá!; aproximem-se; está saindo; vou;
voltai!; vais.

20 Pronomes possessivos: meus, tuus

21 Adjetivos da 1.a e da 2.a declinação: miser miser-a miser-um

1 Qualificar com as formas corretas de meus e tuus os seguintes substantivos e dizer


em que caso estão: igne, aedis, honoris, familia, oculorum, domino, aquae, Euclionem,
senex.

2 Qualificar com a forma apropriada de miser os seguintes substantivos: Euclionis;


Phaedra; deus; filiam; aedibus; domini; seruarum; coquis; senum.

22 Pronomes pessoais: ego ‘eu’ e tu ‘tu/você’

1 Traduzir as seguintes frases e em seguida mudar o número dos substantivos, adjetivos


e verbos:
(a) manent in domini mei aedibus neque seruae neque serui.
(b) mali senis mala serua dominum meum uexat.
(c) tuus uicinus uicinum meum uidet.
(d) senis miseri seruus in aedibus numquam manet.
(e) seruae miserae ad Larem meum numquam adeunt neque supplicant.
(f) dominus malus seruas statim uerberat miseras.
2 Nestas frases os adjetivos, em sua maior parte, não estão junto aos substantivos que
qualificam. Ler cada frase, prevendo o gênero, o número e o caso do substantivo que se
espera (quando o adjetivo aparece em primeiro lugar), e indicar o substantivo em
questão. Depois traduzir.
(a) malus igitur senex non multum habet honorem.
(b) mea est tuus ignis in aula.
(c) meis tamen in aedibus multi habitant patres.
(d) malos enim senes Lar non amat meus.
(e) meusne tuum seruat pater ignem? (-ne é uma partícula usada em perguntas)
3 Traduzir estas orações:
(a) sola pecunia regnat. (Petrônio)
(b) ueritas numquam perit. (Sêneca)
(c) semper auarus eget. (Horácio)
(d) non deterret sapientem mors. (Cícero)
(e) in fuga foeda mors est, in uictoria gloriosa. (Cícero)
sol-us a um só auar-us 2m. avarento fug-a ae 1f. fuga
pecuni-a ae 1f. dinheiro egeo 2 estar necessitado foed-us a um feio,
regno 1 reinar deterreo 2 causar medo vergonhoso
ueritas ueritat-is 3f. sapiens sapient-is 3m. homem uictori-a ae 1f. vitória
verdade sábio glorios-us a um glorioso
pereo (conjuga-se como eo) mors mort-is 3f. morte
perecer, morrer
23 Preposições: a/ab, e/ex
Verter para o latim: fora da água; no olho (sc. entrar em); desde o fogo; até os senhores;
desde a casa; na cena (sc. entrar em). Opcional: fora da panela; para junto dos ladrões;
desde os anciãos; na casa (sc. entrar em).
Exercício de leitura
Dizer, ao mesmo tempo em que se traduz, a função de cada palavra na frase, indicando
a que substantivos os adjetivos ou pronomes se referem. Se o adjetivo ou pronome
preceder o substantivo, procurar prever o número, o caso e o gênero do substantivo.
Em seguida, completar a frase com um verbo adequado na forma correta e traduzir as
frases por escrito.
(a) uicinum senex miser...
(b) dominus enim meus tuum ignem...
(c) neque ego meum neque tu tuum seruum...
(d) deinde me serui mali...
(e) seruos malos uicinus meus...
(f) aulam, mi domine, serua mala...
(g) furem miserum ego quoque...
(h) ignem tu, ego aquam...
(i) oculos meos serua tua semper...
(j) quare aurum et unguentum et coronas Euclio miser numquam...?
Versão
Traduzir as frases latinas para o português. Em seguida, verter as portuguesas para o
latim, tomando como referência a estrutura das latinas para definir a ordem das
palavras.
(a) Staphyla, abi et aquam porta!
Escravas, saiam e peçam fogo.
(b) tu autem, mi domine, quare curas malas habes?
Mas por que tu, meu Euclião, amas uma miserável escrava?
(c) ut aurum multum senes uexat miseros!
Como o perverso ancião açoita seus infelizes cscravos!
(d) o me miseram! ut oculi mei me uexant!
Ai, pobre de mim! Que velho desgraçado eu sou!
(e) malos dominos miseri serui habent.
A infeliz filha ama um miserável ancião.
(f) malorum seruorum oculi domini miseri curas non uident.
Os olhos de uma má escrava não vêem a preocupação da desgraçada filha.
SEÇÃO 1C

Imperativo presente ativo: 1.a e 2.a conjugações

1.a 2.a
a
2. p. sing. ama ‘ama!’/‘ame!’ habe
‘tem!’/‘tenha!’

2.a p. pl. ama-te ‘amai!’/‘amem!’ habe-te ‘tende!’/‘tenham!’

Notas

1 Essas formas expressam uma ordem, tal como o imperativo em português.

2 Os sujeitos subentendidos são tu ‘tu’, ‘você’, para a 2.a pessoa do singular, e uos
‘vós’, ‘vocês’, para a 2.a pessoa do plural.

3 A forma de singular é um “radical puro”, i.e., o radical sem o acréscimo de nenhuma


desinência. Já o plural forma-se com a desinência -te.

eo ‘ir’, ‘vir’ (irregular): presente do indicativo na voz ativa

e-o Imperativos:
i-s
i-t i ‘vai’/‘vá’, ‘vem’/‘venha’
i-mus i-te ‘ide’/‘vão’, ‘vinde’/‘venham’
i-tis
e-u-nt

Notas

1 O radical do verbo é simplesmente i- ou e-.

2 Há várias palavras compostas que tomam como base o verbo eo. Por exemplo: adeo
‘aproximar-se’, ‘ir na direção de’ (cf. preposição ad ‘junto a’, ‘para junto de’, ‘para’),
ineo ‘entrar’ (cf. preposição in ‘dentro’, ‘para dentro’), etc.

Pronomes possessivos: meus, tuus

Os pronomes meus, a, um ‘meu’, ‘minha’ e tuus, a, um ‘teu’, ‘tua’/‘seu’, ‘sua’


(as traduções ‘seu’ e ‘sua’ correspondem aqui à 2. a p. s. ‘você’, e não à 3. a p. s. ‘ele/ela’)
declinam-se exatamente como adjetivos do tipo de multus, a, um, e concordam com os
substantivos seguindo as mesmas regras desses adjetivos.
O vocativo singular masculino de meus, a, um é mi. Exemplo: o mi fili ‘ó meu
filho!’.13

13
N. do T.: tuus, a, um não possui vocativo.
Adjetivos da 1.a e 2.a declinações: miser, miser-a, miser-um ‘miserável’,
‘desgraçado’, ‘infeliz’14

sing.

m. f. n.

nom. miser miser-a miser-um

voc. miser miser-a miser-um

acus. miser-um miser-am miser-um

gen. miser-i miser-ae miser-i

dat. miser-o miser-ae miser-o

abl. miser-o miser-a miser-o

pl.

m. f. n.

nom. miser-i miser-ae miser-a

voc. miser-i miser-ae miser-a

acus. miser-os miser-as miser-a

gen. miser-orum miser-arum miser-orum

dat. miser-is miser-is miser-is

abl. miser-is miser-is miser-is

Pronomes pessoais: ego ‘eu’ e tu ‘tu’, ‘você’

nom. ego tu

acus. me te

gen. mei tui

dat. mihi (ou mi) tibi


14
N. do T.: miser, miser-a, miser-um é um adjetivo da 1.a classe, como multus, a, um. A única diferença
está, como se pode notar, no nominativo e no vocativo singular masculino.
abl. me te
Notas

1 Quando o sujeito de um verbo é a 1.a pessoa do singular (‘eu’) ou a 2.a pessoa do


singular (‘tu’), o latim não precisa expressar esse sujeito separadamente através dos
pronomes ego ou tu, já que o verbo por si só indica o sujeito pelas desinências número-
pessoais -o e -s. Mas o latim emprega ego e tu quando o falante quer realçar a
identidade da pessoa que está falando ou estabelecer um contraste específico entre duas
pessoas. Exemplos:

(a) ego Euclionem amo, tu Phaedram ‘eu amo Euclião, enquanto você ama Fedra’15

(b) ego deum curo, tu senem uexas ‘eu me preocupo com o deus; você simplesmente
perturba o velho’

Trata-se de uma questão de ênfase, sobretudo quando temos um contraste.

3 mei e tui são genitivos “objetivos”, i.e. significam ‘dirigido a mim’, ‘dirigido a
ti/você’. Não expressam posse. Por exemplo, amor tui não significa ‘teu/seu amor’, mas
‘amor por ti/você’. A idéia de pertencimento, nesta situação específica, é expressa pelos
pronomes possessivos meus, a, um e tuus, a, um: amor tuus ‘teu/seu amor’.

Preposições

Outras preposições importantes são a/ab e e/ex. Ambas constroem-se apenas


com ablativo. As formas ab e ex são usadas diante de vogais: ab aula, ex igne. a/ab
indica afastamento, expressando muitas vezes o ponto de partida de um movimento:
uenio a casa ‘venho da choupana’. e/ex exprime noções semelhantes: fonte, lugar de
onde algo vem ou de dentro do qual algo sai: e fouea aurum mouet ‘tira ouro do
buraco’.16

Seção 1D

A cena muda. Entra um vizinho de Euclião, Megadoro, com sua irmã, Eunômia. Foi o
filho de Eunômia, Licônides, que engravidou Fedra; mas ninguém sabe disso, exceto
Estáfila. Eunômia deseja que Megadoro se case, e os pensamentos deste se dirigem à
bela filha de seu vizinho.

dramatis personae

Megadorus, uicinus Euclionis et frater Eunomiae: uir diues.


Eunomia, soror Megadori.
(Lyconides filius Eunomiae est.) 175
est uicinus Euclionis. nomen uicini Megadorus est. Megadorus
sororem habet. nomen sororis Eunomia est. Megadorus igitur

15
N. do T.: Para marcar a ênfase na tradução, ‘eu’ e ‘você’ podem ser pronunciados com uma entonação
especial.
16
N. do T.: Aqui fizemos várias alterações em relação ao original.
frater Eunomiae est, Eunomia soror Megadori. Eunomia filium
habet. nomen fili Lyconides est. amat Lyconides Phaedram, Euclionis
filiam. Lyconides Phaedram amat, Phaedra Lyconidem. 180
(Eunomia Megadorum ex aedibus in scaenam ducit)

MEGADORVS optima femina, da mihi manum tuam.

EVNOMIA quid dicis, mi frater? quis est optima? feminam enim


optimam non uideo. dic mihi.

MEG. tu optima es, soror mea: te optimam habeo. 185

EVN. egone optima? tune me ita optimam habes?

MEG. ita dico.

EVN. ut me optimam habes feminam, ita ego te fratrem habeo


optimum. da igitur mihi operam.

MEG. opera mea tua est. iube, soror optima, et mone: ego audio. 190
quid uis? cur me ab aedibus ducis? dic mihi.

EVN. mi frater, nunc tibi dico. uxorem non habes.

MEG. ita est. sed quid dicis?

EVN. si uxorem non habes, non habes liberos. sed uxores uiros
semper curant seruantque et pulchri liberi monumenta 195
pulchra uirorum sunt. cur uxorem domum non statim ducis?

MEG. perii, occidi! tace, soror. quid dicis? quid uis? ego diues sum;
uxores uirum diuitem pauperem statim faciunt.

EVN. ut tu frater es optimus, ita ego femina sum optima, sororque


optima tua. te ita iubeo moneoque: duc domum uxorem! 200

MEG. sed quam in animo habes?

EVN. uxorem diuitem.

MEG. sed diues sum satis, et satis pecuniae aurique habeo. praeterea
uxores diuites domi nimis pecuniae aurique rogant. non amo
uxorum diuitum clamores, imperia, eburata uehicula, pallas, 205
purpuram. sed...

EVN. dic mihi, quaeso, quam uis uxorem?

MEG. (secum cogitat, tum...) puella uicina, Phaedra nomine, filia


Euclionis, satis pulchra est...
EVN. quam dicis? puellamne Euclionis? ut tamen pulchra est, ita est 210
pauper. nam pater Phaedrae pecuniam habet nullam. Euclio
tamen, quamquam senex est nec satis pecuniae aurique habet,
non malus est.

MEG. si diuites uxores sunt dotemque magnam habent, post nuptias


magnus est uxorum sumptus: stant fullo, phrygio, aurifex, 215
lanarius, caupones flammarii; stant manulearii, stant propolae
linteones, calceolarii; strophiarii adstant, adstant simul sonarii.
pecuniam das, abeunt. tum adstant thylacistae in aedibus,
textores limbularii, arcularii. pecuniam das, abeunt.
intolerabilis est sumptus uxorum, si dotem magnam habent.
220
sed si uxor dotem non habet, in potestate uiri est.

EVN. recte dicis, frater. cur non domum Euclionis adis?

MEG. adeo. ecce, Euclionem nunc uideo. a foro redit.

EVN. uale, mi frater.

(exit e scaena soror Megadori) 225

MEG. et tu uale, soror mea.

Vocabulário da Seção 1D

a, ab (+ abl.) de, desde duco conduzo, levo, tomo Lyconides Lyconid-is 3m.
adstant estão presentes, eburat-us a um adornado Licônides
aguardam com marfim magn-us a um grande
anim-us i 2m. mente ecce eis, olha!/olhe! manuelari-us i 2m.
arculari-us i 2m. fabricante egone eu? fabricante de túnicas com
de pequenos cofres Eunomi-a ae 1f. Eunômia mangas
audio ouço, escuto faciunt fazem, convertem em manum (ac.) mão
aurifex aurific-is 3m. ourives femin-a ae 1f. mulher Megador-us i 2m. Megadoro
aurique e de ouro fili-us i 2m. filho mihi a/para mim, me
calceolari-us i 2m. sapateiro flammari-us i 2m. fabricante moneoque e aconselho
caupo caupon-is 3m. de véus de noiva monument-a orum 2n. pl.
taberneiro for-um i 2n. foro lembrança(s)
clamor clamor-is 3m. grito frater fratr-is 3m. irmão nec e... não, nem (= neque)
dic diz!/diga! fullo fullon-is 3m. lavador de nimis (+ gen.) demasiado,
dicis tu dizes/você diz panos muito, demais
dico digo habeo 2 ter por, considerar nomen nome
diues diuit-is rico imperi-um i 2n. autoridade, nomine de nome
domi em casa ordem nupti-ae arum 1f. pl. núpcias
domum para casa intolerabilis intolerável occidi estou morto!
domum duc casa-te!/case-se! ita assim oper-a ae 1f. atenção
domum non ducis tu não te iubeo 2 ordenar optim-us a um ótimo,
casas/você não se casa lanari-us i 2m. o que excelente
dos dot-is 3f. dote trabalha com lã pall-a ae 1f. manto (próprio
dotemque e um dote liber-i orum 2m. pl. filhos de mulheres ricas)
drama dramat-is 3n. drama, limbulari-us a um o que põe pater patr-is 3m. pai
comédia franjas nos vestidos pauper pauper-is pobre
ducis tu levas/você leva, tu linteo linteon-is 3m. tecedor pecuni-a ae 1f. dinheiro
tomas/você toma de lenços perii estou perdido!
person-a ae 1f. personagem Formas novas:
phrygio phrygion-is 3m. o Memoranda
que borda com ouro substantivos
post (+ ac.) depois Substantivos domi em casa
potestas potestat-is 3f. poder domum para casa
praeterea além disso femin-a ae 1f. mulher nomen nomin-is 3n. nome
propol-a ae 1m. vendedor de fili-us i 2m. filho
bugigangas frater fratr-is 3m. adjetivos
puell-a ae 1f. menina irmão pulcher pulchr-a um bonito
puellamne a menina? pater patr-is 3m. pai
pulcher pulchr-a um bonito pecuni-a ae 1f. dinheiro verbos
purpur-a ae 1f. púrpura puell-a ae 1f. menina audi-o 4 ouvir, escutar
quaeso por favor (lit. soror soror-is 3f. irmã dic-o 3 dix-, dict-** dizer,
‘pergunto’) uir uir-i 2 m. homem, falar
quam (ac.) que mulher?, esposo duc-o 3 dux-, duct-**
quem? uxor uxor-is 3f. esposa conduzir, levar (domum
quamquam embora duco levar para casa, casar)
quis quem? Adjetivos
quod porque * No Memoranda, quando
recte corretamente dives diuit-is rico aparece um significado novo
satis bastante, o bastante, o magn-us a um grande de uma palavra já aprendida,
suficiente optim-us a um ótimo, o(s) significado(s) anteri-
secum consigo excelente or(es) aparece(m) entre
mesmo/mesma pauper pauper-is pobre parênteses.
seruantque e protegem
simul ao mesmo tempo Verbos ** Essas formas são radicais
sonari-us i 2m. fabricante que servem para formar
de cintos habe-o 2 ter por, considerar outros tempos verbais a
soror soror-is 3f. irmã (ter)* serem vistos mais tarde.
sororque e (tua/sua) irmã iubeo 2 iuss-** ordenar,
strophiari-us i 2m. mandar
fabricante de sutiãs uale adeus
sumptus extravagância, gasto
textor textor-is 3m. tecelão Varia
thylacist-a ae 1f. coletor de
oferendas a, ab (+ abl.) de, desde
tibi te, a ti/lhe, a você ita assim, sim
tum então nec e... não, nem (= neque)
tune tu?/você? nimis (+ gen.) demasiado,
uale adeus muito, demais
uehicul-um i 2n. meio de -que e (= et)
transporte, veículo satis (+ gen.) bastante, o
uir uir-i 2m. homem, esposo bastante, o suficiente
uis tu queres/você quer tum então
ut como (ut... ita assim ut como (ut... ita assim
como... também, tão... como... também, tão...
quanto) quanto)
uxor uxor-is 3f. esposa
Conteúdo gramatical e exercícios da Seção 1D

24 Presente indicativo e presente imperativo ativos (3.a conjugação): dico ‘dizer’,


‘falar’

25 Presente indicativo e presente imperativo ativos (4. a conjugação): audio ‘ouvir’,


‘escutar’

1 Verter para o latim: diz; estão levando; ouvimos; dizemos; vocês ouvem; diga; escutem;
conduzam; estás dizendo; (ele/ela) ouve; estão escutando.

2 Identificar a conjugação dos seguintes verbos e traduzi-los: curo, celat, habetis, ducunt,
rogas, possidemus, audio (opcional: iubetis, supplico, clamamus).

3 Traduzir e mudar o número: dicitis, audiunt, supplicamus, audis, dico, ducimus, audimus,
clamant, taces (opcional: rogat, dicit, cogito, manetis, amatis, ducunt, moneo uocas, ducis).

26 Substantivos da 3.a declinação: nomen nomin-is 3n. ‘nome’

27 Adjetivos da 1.a e 2.a declinações: pulcher puchr-a pulchr-um ‘bonito’

28 Substantivos da 2.a declinação: puer puer-i 2m. ‘menino’, uir uir-i 2m. ‘homem’,
culter cultr-i 2m. ‘faca’

1 Qualificar com a forma adequada de magnus, miser e pulcher o substantivo nomen:


nomen, nominis, nomine, nomina, nominum.

2 Qualificar com a forma adequada de pulcher e miser cada um dos seguintes


substantivos: uxorum, sororibus, uiro, uxoris, feminae, fratre, aedis, Larem, serua, aedes,
feminis, domini, seruos.

29 Pronome interrogativo quis/qui, quis/quae, quid/quod ‘quem?’, ‘qual?’, ‘que?’

Verter para o latim as palavras sublinhadas. É necessário descobrir se o pronome está em


função substantiva ou adjetiva e qual o caso gramatical a ser empregado.

(a) De quem são estes livros?


(b) Que mulheres vemos?
(c) Que é isso?
(d) Que homem é este?
(e) Quem odeias mais?
(f) De que mulher são estas roupas?
(g) Quem perseguimos?
(h) Que homem é culpado?

30 domus ‘casa’, ‘lar’


31 satis ‘suficiente’, nimis ‘demasiado’

32 -que
2 Nestas frases os adjetivos, em sua maior parte, não estão junto aos substantivos que
qualificam. Ler cada frase, prevendo o gênero, o número e o caso do substantivo que se
espera (quando o adjetivo aparece em primeiro lugar), e indicar o substantivo em questão.
Depois traduzir.

(a) non multam possident pecuniam optimae uxores.


(b) multi meas sorores amant filii.
(c) seruos miseros optimi non uexant senes.
(d) mali fratres pulchras uerberant sorores.
(e) multi feminas pulchras domum ducunt senes.

3 Traduzir: nimis coronarum; satis seruorum; nimis aquae; satis nominum; nimis sororum;
satis ignis.

4 Traduzir estas frases:

(a) quem uirum audio?


(b) cuius nomen nunc dicitis?
(c) in aedibus Euclionis satis auri semper est.
(d) habet filia Euclionis misera nimis curarum.
(e) tu autem quam feminam domum ducis?
(f) puer pulcher est, uir tamen malus.
(g) pater meus nimis pecuniae habet, satis curarum.
(h) quare pulchra femina pauperem numquam amat?
(i) optimi uiri satis auri semper habent.

5 Traduzir estas frases:

(a) uir bonus est quis? (Horácio)


(b) quis non paupertatem extimescit? (Cícero)
(c) quis bene celat amorem? (Ovídio)
(d) quid est beata uita? securitas et perpetua tranquillitas. (Sêneca)
(e) mors quid est? aut finis aut transitus. (Sêneca)
(f) immodica ira gignit insaniam. (Sêneca)
(g) uitam regit fortuna, non sapientia. (Cícero)

bon-us a um bom perpetu-us a um perpétuo, excessivo


paupertas paupertat-is 3f. contínuo ir-a ae 1f. ira
pobreza tranquillitas tranquillitat-is 3f. gigno 3 engendrar
extimesco 3 temer tranqüilidade, paz insani-a ae 1f.
loucura
bene bem mors mort-is 3f. morte rego 3 reger, dirigir
amor amor-is 3m. amor aut... aut ou... ou fortun-a ae 1f. fortuna,
beat-us a um feliz finis, fin-is 3m. fim sorte
uit-a ae 1f. vida transitus(nom.) transição, pas- sapienti-a ae 1f. sabe-
securitas securitat-is 3f. sagem doria, inteligência
segurança immodic-us a um desmesurado,

Exercício de leitura

Observar os seguintes exemplos:

ego te uxorem habeo ‘eu te considero minha esposa’


ego te pauperem facio ‘eu faço de ti um pobre’
(NB.: facio se conjuga como audio, mas o -i- é sempre breve)

Agora completar com uma forma de habeo ou facio as frases abaixo. Em seguida, ler a
frase latina com a entonação correta.

(a) tandem uir me filium...


(b) Euclio uicinum diuitem...
(c) Euclionem pauperem...
(d) Megadorus filiam Euclionis uxorem...
(e) ego autem diuites miseros...
(f) dominus malos seruos miseros...

Versão

Traduzir as frases latinas para o português. Em seguida, verter as portuguesas para o


latim, tomando como referência a estrutura das latinas para definir a ordem das palavras.

(a) ut ego soror optima sum, ita tu frater optimus.


Da mesma maneira que Fedra é uma filha excelente, assim também Euclião é um pai
excelente.

(b) dominus meus fratrem uirum optimum habet.


Tenho as mulheres bonitas por más esposas.

(c) quid nomen uxoris est tuae?


Quem é o irmão de meu vizinho?

(d) uir pauper uxorem pauperem domum ducit.


Os maridos excelentes se casam com belas esposas.

(e) feminae in aedibus stant.


As meninas entram na água.

(f) satis ego auri habeo, satis pecuniae.


O rico tem dinheiro demais e preocupações demais.
SEÇÃO 1D

Presente do indicativo na voz ativa (3.a conjugação): dico ‘dizer’, ‘falar’


1.a sing. dic-o
2.a sing. dic-i-s
3.a sing. dic-i-t
1.a pl. dic-i-mus
2.a pl. dic-i-tis
3.a pl. dic-u-nt

Imperativo

2.a sing. dic (irregular) ‘diz!’/‘diga!’


2.a pl. dic-i-te ‘dizei!’/‘digam!’

Notas

1 Note que a 3.a conjugação tem como vogal característica um -i breve. Essa vogal não faz
parte do radical, ao contrário do que ocorre com as vogais que aparecem na 1.a e na 2.a
conjugação.

2 Observe que a 3.a pessoa do plural é dic-u-nt.

3 Outro verbo importante da 3.a conjugação é duco ‘conduzir’.

4 Os imperativos regulares da 3.a conjugação terminam em -e e -ite. O verbo dico é uma


das poucas exceções, pois não possui o -e na 2.a pessoa do singular. Compare com os
imperativos de audio, que aparecem no item seguinte

Presente do indicativo na voz ativa (4.a conjugação): audio ‘ouvir’, ‘escutar’

1.a sing. audi-o


2.a sing. audi-s
3.a sing. audi-t
1.a pl. audi-mus
2.a pl. audi-tis
3.a pl. audi-u-nt
Imperativo

2.a sing. audi ‘ouve!’/‘ouça!’


2.a pl. audi-te ‘ouvi!’/ ‘ouçam!’

Notas

1 A vogal característica da 4.a conjugação é -i. Tal como o -e da 2.a conjugação, faz parte
do radical, e aparece em todas as pessoas. Observe que esse -i é longo na 1.a e na 2.a pessoa
do plural.
2 Note que na 3.a pessoa do plural aparece um u antes da desinência (audi-u-nt). Compare
com dic-u-nt.

Substantivos da 3.a declinação: nomen, nomin-is 3n. ‘nome’

sing. pl.

nom. nomen nomin-a

voc. nomen nomin-a

acus. nomen nomin-a

gen. nomin-is nomin-um

dat. nomin-i nomin-ibus

abl. nomin-e nomin-ibus

Notas

1 Todos os substantivos neutros têm a mesma forma para o nominativo e o acusativo, tanto
no singular quanto no plural (sempre em -a). Só o contexto dirá se uma palavra neutra é
sujeito ou objeto. É claro que, se a frase tiver um neutro plural e um verbo no singular, o
neutro plural deve ser o objeto. Detalhes como esse devem ser observados com atenção.

2 Todos os substantivos da 3.a declinação terminados em -men são neutros e declinam-se


como nomen, nominis.

3 nomen, nominis é um substantivo de tema consonântico. Também há neutros da 3. a que


têm a vogal temática -i, mas serão estudados mais tarde.

Adjetivos da 1.a e 2.a declinações: pulcher, pulchr-a, pulchr-um ‘bonito’, ‘belo’

sing.

m. f. n.

nom. pulcher pulchr-a pulchr-um

voc. pulcher pulchr-a pulchr-um

acus. pulchr-um pulchr-am pulchr-um

gen. pulchr-i pulchr-ae pulchr-i

dat. pulchr-o pulchr-ae pulchr-o


abl. pulchr-o pulchr-a pulchr-o

pl.

m. f. n.

nom. pulchr-i pulchr-ae pulchr-a

voc. pulchr-i pulchr-ae pulchr-a

acus. pulchr-os pulchr-as pulchr-a

gen. pulchr-orum pulchr-arum pulchr-orum

dat. pulchr-is pulchr-is pulchr-is

abl. pulchr-is pulchr-is pulchr-is

Notas

1 Já vimos o adjetivo miser, misera, miserum, que, exceto pelo nominativo/vocativo


singular masculino, declina-se como multus, multa, multum através do radical miser-.
pulcher, pulchra, pulchrum funciona quase do mesmo modo. A única diferença está no
radical pulchr- (como se esse adjetivo tivesse perdido o e nas formas que são diferentes do
nominativo/vocativo singular masculino).

Substantivos da 2.a declinação: puer, puer-i 2m. ‘menino’, uir, uir-i 2m. ‘homem’,
culter, cultri 2m. ‘faca’

puer, puer-i
sing. pl.

nom. puer puer-i

voc. puer puer-i

acus. puer-um puer-os

gen. puer-i puer-orum

dat. puer-o puer-is

abl. puer-o puer-is

uir, uir-i
sing. pl.
nom. uir uir-i

voc. uir uir-i

acus. uir-um uir-os

gen. uir-i uir-orum

dat. uir-o uir-is

abl. uir-o uir-is

Notas

1 Esses substantivos declinam-se exatamente como seruus, serui através dos radicais puer-
e uir-. Só o nominativo/vocativo singular é diferente. Compare com miser, misera,
miserum.

culter, cultr-i
sing. pl.

nom. culter cultr-i

voc. culter cultr-i

acus. cultr-um cultr-os

gen. cultr-i cultr-orum

dat. cultr-o cultr-is

abl. cultr-o cultr-is

Notas

1 culter, cultri declina-se como seruus, serui através do radical cultr-. Só o


nominativo/vocativo singular é diferente. Compare com pulcher, pulchra, pulchrum.

Pronome interrogativo quis/qui, quis/quae, quid/quod ‘quem?’, ‘qual?’, ‘que?’17

sing.

m. f. n.

17
N. do T.: Neste item introduzimos várias mudanças no original, devido à necessidade de adaptar as
explicações para falantes de português.
nom. quis quis quid → pronomes substantivos
qui quae quod → pronomes adjetivos18

acus. quem* quam* quid → pronome substantivo


quod → pronome adjetivo

gen. cuius*

dat. cui*

abl. quo* qua* quo*

pl.

m. f. n.

nom. qui* quae* quae*

acus. quos* quas* quae*

gen. quorum* quarum* quorum*

dat. quibus (ou quis)*

abl. quibus (ou quis)*

* Formas que servem tanto para os pronomes substantivos quanto para os pronomes
adjetivos.

Notas

1 Pronomes interrogativos são palavras utilizadas especialmente para formular perguntas.

2 Observe que, assim como os substantivos, os pronomes interrogativos latinos também se


declinam, ou seja, têm formas específicas para expressar as diferentes funções que
cumprem na frase. Numa oração como ‘quem te ama?’ estamos fazendo uma pergunta
sobre o sujeito do verbo ‘ama’. Mais precisamente, o pronome ‘quem’ é o sujeito da oração
interrogativa. Portanto, ao traduzirmos essa oração para o latim, temos de substituir o
pronome português por uma forma de nominativo: quis te amat? Já em ‘quem tu vês?’,
estamos fazendo uma pergunta sobre o objeto de ‘vês’; ‘quem’ é o objeto dessa oração. A
tradução para o latim deve ser feita com o pronome no acusativo: quem uides? Em

18
N. do T.: Um pronome adjetivo, em latim, aparece sempre acompanhando um substantivo e concordando
com ele, como ocorre com os adjetivos propriamente ditos. Um pronome substantivo aparece “isolado”,
desacompanhado de substantivo. Tomemos um exemplo do português. Em ‘quem está falando?’, a palavra
‘quem’ é um pronome substantivo. Mas em ‘que homem está falando?’, o termo ‘que’ é um pronome
adjetivo.
português os pronomes não mudam de forma segundo a função que cumprem na frase. Mas
os interrogativos do inglês funcionam de modo semelhante aos do latim. Observe o
seguinte quadro comparativo:

LATIM INGLÊS PORTUGUÊS

quis te amat? who loves you? quem te ama?

quem amas? whom do you love?* quem tu amas?

cuius? whose? de quem?

* A forma whom só é usada como objeto, mas normalmente é substituída por who no inglês
falado.
3 Note que as terminações desses pronomes são uma mistura das terminações da 1. a, 2.a e
3.a declinações. Trata-se da chamada “declinação pronominal”. Veremos esse fenômeno
novamente com outros pronomes.

4 Os interrogativos podem ser utilizados como pronomes substantivos ou como pronomes


adjetivos. A forma que eles assumem para desempenhar essas duas funções é a mesma,
exceto para o nominativo singular e para o acusativo neutro singular. Verifique o quadro
acima.

5 Veja alguns exemplos do uso dos interrogativos como pronomes substantivos: quis
uocat? ‘quem está chamando?’; quid uideo? ‘que vejo?’; cui donum das? ‘a quem você dá
o presente?’

6 Finalmente, aqui estão alguns exemplos da utilização dos pronomes adjetivos: qui uir
deos non amat? ‘que homem não ama os deuses?’; quod aurum uideo? ‘que ouro eu estou
vendo?’; quam feminam amas? ‘que mulher você ama?’; cuius senis filiam amas? ‘você
ama a filha de que velho?’; qui uiri boni sunt? ‘que homens são bons?’; quos fures timetes?
‘que ladrões vocês temem?’; in quibus aedibus di habitant? ‘em que templos moram os
deuses?’

Substantivo irregular: domus f. ‘casa’19

domus, quando antecedido de preposição, significa ‘casa’ (como o inglês house), e é


um sinônimo de aedes, aedium. Para significar ‘lar’, ‘minha/sua/nossa casa’ (como o inglês
home), domus utiliza-se sem preposição. Por enquanto, vamos encontrar nos textos apenas
as seguintes formas: domum ‘para casa’; domi ‘em casa’; domo ‘de casa’. Exemplos:

(a) domum eo ‘vou para casa’ (isto é, ‘para a minha casa’);

19
N. do T.: Trata-se de um substantivo que tem terminações específicas, algumas da 2. a declinação e outras da
a
4. declinação. Vamos estudá-lo com mais detalhes em outro momento.
(b) ad domum eo ‘vou para a casa’ (isto é, ‘uma casa qualquer, não necessariamente a
minha’) — podemos dizer o mesmo usando aedes, aedium: ad aedis eo.

satis ‘suficientemente’, ‘o suficiente’, ‘suficiente’; nimis ‘demasiadamente’, ‘demais’,


‘muito’

Essas duas palavras constroem-se com substantivos no genitivo (o chamado


“genitivo partitivo”, que indica uma parte de um todo). Exemplos: satis pecuniae habeo
‘tenho dinheiro suficiente’ (literalmente ‘o suficiente de dinheiro’); nimis curarum habes
‘você tem preocupações demais’ (literalmente ‘muito de preocupações’). satis e nimis são
palavras invariáveis, ou seja, não se declinam.

Seção 1E

Euclião, de volta do foro, encontra Megadoro, e está muito desconfiado das intenções
deste. Por fim, contudo, concorda com um casamento sem dote entre Fedra e o vizinho.
Estáfila fica horrorizada ao saber.

(abit a foro in scaenam Euclio)

EVCLIO (secum cogitat) nunc domum redeo. nam ego sum hic, animus
meus domi est.

MEGADORVS salue Euclio, uicine optime.


230

EVC. (Megadorum uidet) et tu, Megadore. (secum cogitat) quid uult


Megadorus? quid^consili habet? cur homo diues pauperem
blande salutat? quare me uicinum optimum dicit? perii!
aurum meum uult!

MEG. tu bene uales?


235

EVC. pol ualeo, sed non ualeo^a pecunia. non satis pecuniae habeo, et
paupertatem meam aegre fero.

MEG. sed cur tu paupertatem tuam aegre fers? si animus aequus est,
satis habes.

EVC. perii! occidi! facinus Megadori perspicuum est: thesaurum


240
meum certe uult!

MEG. quid tu dicis?

EVC. (assustado) nihil. paupertas me uexat et curas dat multas.


paupertatem igitur aegre fero. nam filiam habeo pulchram, sed
pauper sum et dotem non habeo. 245

MEG. tace. bonum habe animum, Euclio, et da mihi operam.


consilium enim habeo.

EVC. quid consili habes? quid uis? (secum cogitat) facinus nefarium!
o scelus! non dubium est! pecuniam uult meam! domum statim
redeo. o pecuniam meam! 250

(exit e scaena in aedis Euclio)

MEG. quo abis? quid uis? dic mihi.

EVC. domum abeo...

(Euclio exit. mox in scaenam redit)

di me seruant, salua est pecunia. redeo ad te, Megadore. dic 255


mihi, quid nunc uis?

MEG. ut tu me, ita ego te cognoui. audi igitur. filiam tuam uxorem
posco. promitte!

EVC. quid dicis? cuius filiam uxorem uis?

MEG. tuam.
260

EVC. cur filiam poscis meam? irridesne me, homo diues hominem
pauperem et miserum?

MEG. non te irrideo. consilium optimum est.

EVC. tu es homo diues, ego autem pauper; meus ordo tuus non
est. tu es quasi bos, ego quasi asinus. si bos sic imperat “asine, 265
fer onus”, et asinus onus non fert, sed in luto iacet, quid bos
facit? asinum non respicit, sed irridet. asini ad boues non facile
transcendunt. praeterea, dotem non habeo. consilium igitur
tuum non bonum est.

MEG. si uxorem puellam pulchram habeo bonamque, satis dotis habeo, 270
et animus meus aequus est satis. satis diues sum. quid opus
pecuniae est? promitte!

EVC. promitto tibi filiam meam, sed nullam dotem. nullam enim habeo
pecuniam.
MEG. ita est ut uis. cur non nuptias statim facimus, ut uolumus? cur
275
non coquos uocamus? quid dicis?

EVC. hercle, optimum est. i, Megadore, fac nuptias, et filiam meam


domum duc, ut uis — sed sine dote — et coquos uoca. ego enim
pecuniam non habeo. uale.

MEG. eo. uale et tu. 280

(exit e scaena Megadorus)

EVC. di immortales! pecunia uero ualet. non dubium est: pecuniam


meam uult Megadorus. heus tu, Staphyla! te uolo! ubi es,
scelus? exisne ex aedibus? audisne me? cur in aedibus manes?

(ex aedibus in scaenam intrat Staphyla) 285


hodie Megadorus coquos uocat et nuptias facit. nam hodie
uxorem domum ducit filiam meam.

STAPH. quid dicis? quid uultis et tu et Megadorus? o puellam


miseram! subitum est nimis. stultum est facinus!

EVC. tace et abi: fac omnia, scelus, fer omnia! ego ad forum abeo. 290

(exit Euclio)

STAPH. nunc facinora sceleraque Lyconidis patent! nunc exitium


filiae Euclionis adest. nam hodie grauidam domum ducit
uxorem Megadorus, neque consilium habeo ego. perii!

Vocabulário da Seção 1E

adsum estar perto, estar certe certamente, sem dúvida facit faz
presente cognoui conheço fer leva!/leve!, traz!/traga!
aegre dificilmente, duramente consili-um i 2n. plano, decisão fero levo, suporto
aequ-us a um tranqüilo dos dot-is 3f. dote fers tu levas/você leva, tu
anim-us i 2m. mente, espírito, dubi-us a um duvidoso suportas/você suporta
coração duc conduz!/conduza!, fert leva, suporta
asin-us i 2m. asno toma!/tome! for-um i 2n. foro
audi ouve!/ouça!, exisne ver audisne grauid-us a um pesado,
escuta!/escute! fac faz!/faça! grávida (no f.)
audisne ne transforma audis facile facilmente hercle por Hércules!
em uma pergunta facimus fazemos heus ei!
bene bem, completamente facinora (nom./ac.) hic aqui
blande de modo lisonjeiro maquinações, intrigas hodie hoje
bon-us a um bom facinus (nom./ac.) homo homin-is 3m. homem,
bos bou-is 3m. boi maquinação, intiga indivíduo, ser humano
iaceo 2 jazer subit-us a um súbito, hodie hoje
immortales imortais repentino -ne partícula que, unida a uma
impero 1 ordenar tibi a/para ti, te palavra, faz com que a
irrideo 2 rir-se de (+ ac.) transcendo 3 atravessar (com interrogação incida sobre esta
lut-um i 2n. lodo, barro ad + ac. ‘transformar-se em’) occidi estou morto, estou
mihi a/para mim, me ualeo 2 estar bem, ter perdido
mox sem demora, influência (ualeo a + abl. perii estou perdido
imediatamente, logo depois ‘estar bem do ponto de vista quasi como, como se
nefari-us a um criminoso de’) quid consili que plano?
nihil nada ubi onde? (literalmente ‘o que de
nupti-ae arum 1f. pl. núpcias uero verdadeiramente plano?’)
occidi estou morto, estou uis tu queres/você quer, tu quo aonde?
perdido desejas/você deseja secum consigo mesmo/mesma
omnia (nom./ac.) todas as uolo quero, desejo ubi onde?
coisas, tudo uolumus queremos, desejamos
onus (nom./ac.) carga, peso uult quer, deseja Formas novas:
oper-a ae 1f. atenção uultis vocês querem, desejam
opus (nom./ac.) necessidade substantivos
ordo ordin-is 3f. ordem, facinus facinor-is 3n.
classe social maquinação, intriga
pateo 2 estar aberto, exposto Memoranda onus oner-is 3n. carga, peso
paupertas paupertat-is 3f. scelus sceler-is 3n. crime,
pobreza Substantivos criminoso
perii estou perdido
perspicu-us a um claro, anim-us i 2m. mente, espírito, verbos
evidente coração faci-o 3/4 fec-, fact- fazer
pol certamente (literalmente consili-um i 2n. plano, fer-o, tul-, lat- levar, trazer,
‘por Pólux!’) decisão, conselho suportar
posco 3 pedir, pedir em dos, dot-is 3f. dote uol-o querer, desejar
casamento homo homin-is 3m. homem,
praeterea ademais, além disso indivíduo, ser humano
promitte promete!/prometa! nupti-ae arum 1f. pl.: núpcias
promitto 3 prometer
quasi como, como se Adjetivos
quid consili que plano?
(literalmente ‘o que de bon-us a um bom, valente,
plano?’) honrado, conveniente
quo aonde?
respicio 3 voltar-se para olhar, Verbos
olhar para trás, olhar,
examinar irride-o 2 rir-se de (+ ac.)
salue salve!, olá! promitt-o 3 promis-, promiss-
saluto 1 saudar prometer
scelus (nom./ac.) crime, posc-o 3 pedir
criminoso salue salve!, olá!
scelera (nom./ac.) crimes,
criminosos
secum consigo mesmo/mesma
sic assim Varia
sine (+ abl.) sem
stult-us a um estúpido, tolo bene bem, totalmente, de
maneira correta
Conteúdo gramatical e exercícios da Seção 1E

33 Presente indicativo ativo (3.a/4.a conjugação): capio ‘pegar’, ‘capturar’


34 uolo ‘desejar’, ‘querer’ (irregular): presente indicativo ativo

35 fero ‘levar’, ‘trazer’ (irregular): presente indicativo ativo

36 Presente imperativo ativo (todas as conjugações)

37 Imperativos irregulares: sum, eo, dico, duco, fero, facio

1 Verter para o latim: fazes; ouvi!; trazem; traz! (dois verbos); deseja; fazemos; suporta;
vão!; queres; pede!; faço; pega o dote! Opcional: pegamos; vocês trazem; levais; desejais;
ama teu pai!
2 Traduzir e depois mudar o número: facimus; fert; uult; ferunt; dic; ferte; uolumus; est;
eunt; facis; ducite; ite; capite (opcional: fac; uis; es; habent; dicit; audite; faciunt; fers).
38 Substantivos da terceira declinação: onus oner-is 3n. ‘carga’, ‘peso’
1 Dar a forma de multus que concorde com estes casos de onus: onus, oneris, onere, onera,
oneribus.

2 Assinalar as palavras com que concorda a forma dada de pulcher:

pulchro: oneris, scelere, domini, facinus, dei, di


pulchra: femina, facinora, scelera, seruae, senex
pulchrum: opus, seruum, feminam, senes, Larem, scelus, facinoris
pulchrorum: nominum, seruarum, deorum, senum, scelerum
39 Sufixo interrogativo -ne...?
Ler estas orações em latim com a entonação correta. Depois traduzi-las. Por fim,
convertê-las em interrogações adicionando -ne à primeira palavra da frase e ler com a
entonação que essa partícula implica.
(a) est bona puella.
(b) imus ad aedis Euclionis.
(c) fert bene onus serua.
(d) optimum consilium habent.
(e) Euclio filiam statim promittit.
(f) Megadorus satis pecuniae habet.
(g) soror fratrem bene audit.
(h) scaenam uidetis.
(i) Euclio honorem numquam dat.
(j) uxores nimis auri semper habent.
40 quid + gen.
1 Traduzir: in aedis; e dote; in animo; ad homines; ab aqua; ex ignibus; domi; e periculo; in
exitium; ad aquas; in periculum.
2 Traduzir estas orações:
(a) ubi est Megadorus? quid consili habet?
(b) uxoremne pulchram uult uir diues? quid negoti est?
(c) uos igitur bonos habeo.
(d) serui in aedibus nimis faciunt scelerum, nimis facinorum malorum.
(e) quid oneris fers? quo is?
3 Traduzir estas orações:
(a) festina lente. (Suetônio)
(b) uirtus sola uitam efficit beatam. (Cícero)
(c) nihil inuitus facit sapiens. (Sêneca)
(d) auctor opus laudat. (Ovídio)
(e) nihil in uulgo modicum. (Tácito)
(f) neque bonum est uoluptas neque malum. (Aulo Gélio)

festino 1 apressar-se
lente devagar
uirtus uirtut-is 3f. virtude
sol-us a um só
uit-a ae 1f. vida
efficio 3/4 produzir, fazer
beat-us a um feliz
nihil nada
inuit-us a um obrigado
(o que faz algo obrigado)
sapiens sapient-is 3m. homem
sábio
auctor auctor-is 3m. autor
opus oper-is 3n. obra
laudo 1 louvar, elogiar
uulg-us i 2n. vulgo, povo
modic-us a um moderado
uoluptas uoluptat-is 3f. prazer
Exercício de leitura
Ler cada par de frases. Em cada caso (1) dizer se o sujeito da segunda frase é masculino,
feminino ou neutro, (2) dizer a quem ou a que se refere a segunda frase, (3) traduzir, (4)
ler em latim com a entonação correta.
(a) Megadorus filiam Euclionis sine dote domum ducit. optimus igitur homo est.
(b) Megadorus domi hodie neque nuptias parat neque coquos uocat. malum est.
(c) Eunomia soror Megadori est. bona femina est.
(d) Eunomia fratrem habet. non dubium est.
(e) Euclio filiam amat. malus non est.
(f) Euclio timet. non dubium est.
(g) Staphyla consilium Euclionis audit. malum est.
(h) Staphyla in aedis redit. curae enim plena est.
Versão
Traduzir as frases latinas para o português. Em seguida, verter as portuguesas para o
latim, tomando como referência a estrutura das latinas para definir a ordem das palavras.
(a) irridesne me, homo malus uirum optimum?
Ele, um rico, zomba de Euclião, um pobre?
(b) malum est. Megadorus enim filiam Euclionis uxorem facit.
Não há dúvida. O ancião considera a menina sua filha.
(c) redite ad Larem, serui! coronas ferte multas!
Entrem na casa, escravas. Tragam sua carga.
(d) quid consili est? Megadorusne dotem uult? malum est.
Que é? Queres dinheiro? Sem dúvida.
(e) quo abis? isne in aedis? nuptiasne paras hodie? optimum est.
O que eles querem? Estão indo para casa? Se levam a carga são bons meninos.
(f) bonum habe animum, Megadore. nam consilium bonum est.
Tenha o coração tranqüilo, senhor. É uma maquinação muito boa.

SEÇÃO 1E

Presente do indicativo ativo (3.a/4.a conjugação): capio ‘pegar’, ‘capturar’

capi-o
capi-s
capi-t
capi-mus
capi-tis
capi-u-nt

Notas

1 Há alguns verbos cujo paradigma de conjugação se assemelha ora ao da 3. a conjugação,


ora ao da 4.a (como é o caso de facio ‘fazer’, que já apareceu na Seção 1D).
2 No presente do indicativo, capio parece, à primeira vista, um verbo da 4.a conjugação.
Mas há uma diferença a ser observada. Embora em todas as formas tenhamos um -i-, essa
vogal é sempre breve, como na 3.a conjugação.20

uolo ‘desejar’, ‘querer’ (irregular): presente do indicativo ativo

uol-o
ui-s
uul-t (uol-t)
uol-u-mus
uul-tis (uol-tis)
uol-u-nt

Nota

O radical de uolo é irregular; mas observe que as terminações são regulares: -o, -s, -t, etc.

fero ‘suportar’, ‘carrregar’ (irregular): presente do indicativo ativo

fer-o
fer-s
fer-t
fer-i-mus
fer-tis
fer-u-nt

Nota

O que faz esse verbo ser irregular é a ausência de -i- entre o radical e as desinências
número-pessoais em algumas das formas.

Imperativo presente ativo (todas as conjugações)

1 2 3 4 3/4

ama habe posc-e audi cap-e


ama-te habe-te posc-ite audi-te capi-te

Imperativos irregulares

sum eo duco dico fero facio

es i duc dic fer fac


es-te i-te duc-i-te dic-i-te fer-te faci-te

20
N. do T.: O texto original chama verbos como capio de “3rd/4th conjugation verbs”. Outras gramáticas
preferem denominações como “verbos de conjugação mista”. Há autores, ainda, que dizem que capio, facio,
etc., pertencem a uma “variante da 3. a conjugação”. Já os dicionários tratam essas palavras simplesmente
como verbos da 3.a, sem maiores explicações.
Substantivos da 3.a declinação: onus, oner-is 3n. ‘peso’, ‘carga’

sing. pl.

nom. onus oner-a


voc. onus oner-a
acus. onus oner-a
gen. oner-is oner-um
dat. oner-i oner-ibus
abl. oner-e oner-ibus

Nota

Todos os substantivos da 3.a em -us, -eris são neutros (compare com nomen, outro tipo de
neutro da 3.a, já estudado na Seção 1D). Observe que, como sempre, o nominativo e o
acusativo têm formas idênticas. Note também o nom./voc./acus. pl. em -a, típico dos
neutros. É vital conhecer todas as informações básicas (i. e. onus, oneris 3n.) sobre
substantivos como onus, para que se evitem confusões com substantivos masculinos da 2. a
como thesaurus, dominus, etc. onus é um substantivo de radical consonântico.

Perguntas com -ne

A partícula -ne, unida à primeira palavra de uma sentença, transforma essa sentença
em uma pergunta. Exemplo: puerum amas ‘você ama o menino’ — amasne puerum? ‘você
ama o menino?’.
Além disso, -ne dá uma ênfase especial à palavra a que se une: puerumne amas? ‘é
o menino que você ama?’.

quid + genitivo

Já vimos que satis + genitivo significa ‘o suficiente (de)’, e que nimis + genitivo
quer dizer ‘excesso de’ (cf. Seção 1D). O interrogativo quid + genitivo, por sua vez, tem o
sentido de ‘que (de)?’. Por exemplo: quid consili? ‘que plano?’ (literalmente ‘o que de
plano?’); quid negoti? ‘que problema?’ (literalmente ‘o que de problema?’). Trata-se de
outro exemplo do chamado “genitivo partitivo”.

Seção 1F

Pitódico, o cozinheiro-chefe, distribui cozinheiros entre as casas de Euclião e de


Megadoro. O cozinheiro que vai para a casa do desconfiado Euclião recebe deste, sem
motivo aparente, um tratamento bastante rude.

(omnes coqui intrant. nomina coquorum Pythodicus, Anthrax, Congrio sunt. 295
Pythodicus dux coquorum est)
PYTHODICVS ite, coqui! intrate in scaenam, scelera! audite! dominus
meus nuptias hodie facere uult. uestrum igitur opus est cenam
ingentem coquere.

CONGRIO cuius filiam ducere uult? 300

PYTH. filiam uicini Euclionis, Phaedram.

ANTHRAX di immortales, cognouistisne hominem? lapis non ita est


aridus ut Euclio.

PYTH. quid dicis?

ANTH. de igni si fumus foras exit, clamat “mea pecunia periit! duc me 305
ad praetorem!” ubi dormire uult, follem ingentem in os
imponit, dum dormit.

PYTH. quare?

ANTH. animam amittere non uult. si lauat, aquam profundere non


uult. et apud tonsorem praesegmina amittere non uult, sed 310
omnia colligit et domum portat.

PYTH. nunc tacete et audite, coqui omnes. quid uos facere uultis?
cuius domum ire uultis, scelera? quid tu uis, Congrio?

CON. uolo ego domum uiri diuitis inire...

OMNES COQVI nos omnes domum Megadori, uiri diuitis, 315


inire uolumus, non domum Euclionis, uiri pauperis et tristis.

PYTH. ut Euclio uos uexat! nunc tacete uos omnes. (a Ântrax) tu abi
domum Megadori; (a Congrião) tu domum Euclionis.

CON. ut uexat me Euclionis paupertas! nam Euclio, scimus, auarus


et tristis est. in aedibus nil nisi inaniae et araneae ingentes sunt. 320
nihil habet Euclio, nihil dat. difficile est igitur apud Euclionem
cenam coquere.
PYTH. stultusne es, Congrio? facile enim est apud Euclionem cenam
coquere. nam nulla turba est. si^quid uis, ex aedibus tuis tecum
porta: nam nihil habet Euclio! sed Megadorus diues est. apud 325
Megadorum est ingens turba, ingentia uasa argentea, multae
uestes, multum aurum. si^quid serui amittunt, clamant
statim “coqui auferunt omnia bona! fures sunt coqui omnes!
comprehendite coquos audacis! uerberate scelera!” sed apud
Euclionem facile est nihil auferre: nihil enim habet! i mecum, 330
scelerum caput!
CON. eo.

(Congrião, com seus auxiliares, se arrasta, muito a contragosto, para dentro da casa de Euclião.
Alguns segundos depois, sai correndo)

CON. attatae! ciues omnes, date uiam! perii, occidi ego miser!

EVCLIO (chamando-o da casa) o scelus malum! redi, coque! quo


fugis tu, scelerum caput? quare? 335

CON. fugio ego quod me uerberare uis. cur clamas?

EVC. quod cultrum ingentem habes, scelus!

CON. sed ego coquus sum. nos omnes coqui sumus. omnes igitur cultros
ingentis habemus.

EVC. uos omnes scelera estis. quid^negoti est in aedibus meis? uolo 340
scire omnia.

CON. tace ergo. ingentem coquimus cenam. nuptiae enim hodie filiae
tuae sunt.

EVC. (secum cogitat) o facinus audax! mendax homo est: omne


meum aurum inuenire uult. (em voz alta) manete, coqui omnes. 345
state istic.

(Euclio domum intrat. tandem domo exit et in scaenam intrat. aulam in


manibus fert)

EVC. (secum cogitat) nunc omnem thesaurum in hac aula fero. omne
hercle aurum nunc mecum semper portabo. (em voz alta) ite 350
omnes intro. coquite, aut abite ab aedibus, scelera!

(abeunt coqui. Euclio secum cogitat)

facinus audax est, ubi homo pauper cum diuite nego-


tium^habere uult. Megadorus aurum meum inuenire et
auferre uult. mittit igitur coquos in meas aedis. “coquos” 355
dico, sed fures sunt omnes. nunc quid consili optimum est?
me miserum!

Vocabulário da Seção 1F
amittere (inf.) perder ingentem (ac.) muito grande, ubi quando
amittto 3 perder enorme uas-um i 2n. vaso
anim-a ae 1f. ar, respiração ingentes (nom.) muito uerberare (inf.) açoitar, bater
apud (+ ac.) na casa de grandes, enormes uestis uest-is 3f. roupa
arane-a ae 1f. teia de aranha ingentia (nom./ac.) muito uester uestr-a um seu (‘de
argente-us a um de prata grandes, enormes vocês’)
arid-us a um seco, árido ingentis (ac.) muito grandes, ui-a ae 1f. caminho (date
attatae ai! enormes uiam ‘abram caminho!’)
auar-us a um avarento inire (inf.) entrar uos (nom./ac.) vocês
audaces (nom.) atrevidos, intro para dentro Memoranda
desavergonhados, ousados inuenire (inf.) achar
audacis (ac.) atrevidos, ire (inf.) ir, vir Substantivos
desavergonhados, ousados istic aí
audax (nom.) atrevido, etc. lapis lapid-is 3m. pedra cen-a ae 1f. cena, palco
auferre (inf.) levar embora lauo 1 lavar ciuis ciu-is 3m. cidadão
aufero levar embora manibus (abl.) mãos nihil (indecl.) nada
auid-us a um ávido mecum comigo turb-a ae 1f. multidão,
aut ou mendax (nom.) mentiroso distúrbio
caput cabeça, fonte mitto 3 enviar
cen-a ae 1f. ceia, jantar negotium habere (inf.) fazer Verbos
ciuis ciu-is 3m. cidadão negócio
cognouistisne vocês nihil nada amitt-o 3 amis- amiss- perder
conhecem? nil nada aufer-o auferre 3 abstul-
colligo 3 coletar, juntar nisi a não ser ablat- levar embora
comprehendo 3 agarrar, nos (nom./ac.) nós, nos coqu-o 3 cozinhar
apanhar omne (nom./ac.) todo dormi-o 4 dormir
coquere (inf.) cozinhar omnes (nom.) todos, todas fugi-o 3/4 fugir, escapar
coquo 3 cozinhar omnis (ac.) todos, todas habe-o negotium ter negócio
culter cultr-i 2m. faca omnia (nom./ac. pl. n.) todas mitt-o 3 mis- miss- enviar
de (+ abl.) de as coisas, tudo ine-o entrar
difficile difícil opus oper-is 3n. trabalho, obra inueni-o 4 encontrar
domo da casa os or-is 3n. boca sci-o 4 saber
dormire (inf.) dormir paupertas paupertat-is 3f.
dormio 4 dormir pobreza Varia
ducere (inf.) conduzir periit desapareceu
dum enquanto portabo carregarei apud (+ ac.) na casa de, nas
dux duc-is 3m. chefe, líder praesegmin-a 3n. pl. pedaços mãos de
ergo logo, portanto de unha aut ou
facere (inf.) fazer praetor praetor-is 3m. pretor quid negoti? que negócio?,
facile fácil (magistrado que julgava que problema
follis foll-is 3m. saco processos criminais) ubi quando (onde)
foras fora, para fora profundere (inf.) derramar
fugio 3/4 fugir quid negoti que (de) negócio Formas novas: adjetivos
fum-us i 2m. fumaça si quid (ac.) se algo
hac esta scio 4 saber audax audac-is audaz, ousado
hercle por Hércules scire (inf.) saber facil-is e fácil
immortales imortais stult-us a um estúpido, tolo ingens ingent-is grande,
impono 3 colocar tecum contigo/com você enorme
inani-a ae 1f. vazio tonsor tonsor-is 3m. barbeiro omn-is e todo
ingens (nom.) muito grande, tristis triste, carrancudo, trist-is e triste, infeliz
enorme austero
turb-a ae 1f. multidão

Conteúdo gramatical e exercícios da Seção 1F


41 Infinitivo presente ativo (todas as conjugações)
42 Infinitivos irregulares: sum, eo, uolo, fero,

Dar o infinitivo destes verbos e traduzi-los: habeo, explico, celo, inuenio, maneo, redeo,
duco, dico, posco, sto, rogo, fugio, amitto, aufero, facio, sum, uolo.

43 Pronomes pessoais: ego nos; tu uos


44 Adjetivos da terceira declinação: omn-is e ‘todo’
45 Adjetivos da terceira declinação: ingens ingent-is ‘grande’, ‘enorme’
46 Adietivos da terceira declinação: audax audac-is ‘audaz’

1 Declinar: puer audax; omnis aqua; ingens periculum.

2 Construir um quadro de sete colunas do modo abaixo indicado:

SUBSTANTIVO CASO NÚMERO GÊNERO omnis ingens audax

Debaixo de SUBSTANTIVO escrever a seguinte lista de substantivos: seruae, thesauri,


oculos, dominus, nominibus, consilium, cena, turbarum, ciui, pecunias, puella, periculo,
ignis, animis.

Nas três colunas seguintes, determinar com exatidão o caso, número e gênero de cada
substantivo. Nas últimas três colunas dar a forma de omnis, ingens e audax que concorde
com o substantivo. Quando a forma do substantivo permitir diferentes possibilidades,
escrevê-las todas.

3 Determinar com quais dos substantivos concorda o adjetivo:

ingentem - nominum, consilium, deum, seruarum


audax - puella, consilium, homo, dominus, ingenia
omnium - oculum, coquorum, periculum, honorem
tristes - animos, domini, filiae, familiam, aedis
facilia - aqua, serua, puella, familia, scelera
difficili - coquo, frater, sororis, dominus, filia, turba, exitio

47 diues diuit-is ‘rico’, ‘homem rico’; pauper pauper-is ‘pobre’, ‘homem pobre’

1 Traduzir:

(a) cenam igitur ingentem coquus audax coquere uult.


(b) quare omnia coquorum nomina scire uis?
(c) consilium autem audax in animo habes.
(d) ubi in aedis intrare uultis, statim nos uocate.
(e) scelera audacia omnis pauper facere uult.
(f) turba hominum audacium ingens ad aedis Megadori adit.

2 Traduzir:
(a) multae neque dormiunt neque cenam coquunt.
(b) bona aufert.
(c) omnia scire uultis.
(d) pulchri pulchras amant.
(e) omnes pecuniam habere uolunt.
(f) multi fugiunt, multi autem stant.
(g) pauperem diues non amat.
(h) omnes boni ciuis curant.
(i) mali mala cogitant.
(j) pecunia omnis uexat.

3 Traduzir estas frases:

(a) aeuum omne et breue et fragile est. (Plínio)


(b) senectus insanabilis morbus est. (Sêneca)
(c) ira furor breuis est. (Horácio)
(d) rationale animal est homo. (Sêneca)
(e) facilis est ad beatam uitam uia. (Sêneca)
(f) difficile est saturam non scribere. (Juvenal)
(g) difficile est longum subito deponere amorem. (Catulo)
(h) naturam quidem mutare difficile est. (Sêneca)
(i) uarium et mutabile semper
femina (Virgílio)
(j) turpe senex miles, turpe senilis amor. (Ovídio)

aeu-um i 2n. idade quidem sem dúvida


breu-is e curto, breve natur-a ae 1f. natureza
fragil-is e frágil muto 1 alterar, mudar
senectus senectut-is 3f. uari-us a um variável, instável
velhice mutabil-is e mutável
insanabil-is e incurável turp-is e vergonhoso
morb-us i 2m. doença miles milit-is 3m. soldado
ir-a ae 1f. ira senil-is e senil
furor furor-is 3m. loucura
rational-is e racional

animal animal-is 3n. animal


beat-us a um feliz
uit-a ae 1f. vida
ui-a ae 1f. via, caminho
difficil-is e difícil
satur-a ae 1f. sátira
scribo 3 escrever
long-us a um longo,
duradouro, que durou muito
subito de repente

depono 3 abandonar, re-


nunciar
amor amor-is 3m. amor
Exercício de leitura

Dizer, ao mesmo tempo em que se traduz, as funções das palavras ou dos grupos de
palavras destas frases incompletas. Completá-las com uma forma de uolo e traduzi-las por
escrito. Enfim, ler as frases latinas com a entonação correta.

(a) ubi pauper cenam ingentem habere...?


(b) quo tu inire...?
(c) curas diuitis ferre omnis pauper...
(d) amare puellas pulchras et aurum domini auferre nos serui...
(e) facile ferre onus ciues omnes...
(f) uos apud Euclionem cenam coquere numquam...

Versão

Traduzir as frases latinas para o português. Em seguida, verter as portuguesas para o


latim, tomando como referência a estrutura das latinas para definir a ordem das palavras.

(a) quare in aedis Megadori, uiri diuitis, onus ferre uultis?


Quereis preparar uma ceia na casa de Euclião, um homem pobre?

(b) ciues omnes e periculo exire uolunt.


As audazes escravas querem fugir da casa.

(c) ingentem enim amittere pecuniam quis uult?


Que mulher não deseja encontrar uma escrava atrevida?

(d) diuites ubi nuptias faciunt, coquos in aedis uocant.


Quando querem uma grande ceia, os senhores pedem um bom cozinheiro.

(e) omnes coqui cultros portant ingentis


Uma bela mulher atrai (fero) uma grande multidão.

(f) apud tamen pauperem cena tristis est.


Na casa do rico, as ceias são excelentes.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DISCIPLINA DE LÍNGUA LATINA I
EXERCÍCIOS SUPLEMENTARES
Elaboração: Prof. Alessandro Moura e Prof. José Borges Neto

I. Analisando os dados abaixo (expressões latinas e traduções aproximadas em


português), descubra a(s) regra(s) que está(ão) por trás das frases em latim e, depois,
de posse dessas informações, faça o que se pede nos itens 2 e 3.

1. Dados

LATIM PORTUGUÊS
1. coquos amo 1. eu amo os cozinheiros
2. coquos amas 2. você ama os cozinheiros
3. coquos amat 3. ele/ela ama os cozinheiros
4. coquos amamus 4. nós amamos os cozinheiros
5. coquos amant 5. eles/elas amam os cozinheiros
6. coquos uoco 6. eu chamo os cozinheiros
7. coquos uocatis 7. vocês chamam os cozinheiros
8. coquos uocamus 8. nós chamamos os cozinheiros
9. coquos celas 9. você esconde os cozinheiros
10. coquos celat 10. ele/ela esconde os cozinheiros
11. coquos celatis 11. vocês escondem os cozinheiros
12. coquos celant 12. eles/elas escondem os cozinheiros

2. Traduza para o português

1. coquos celamus _________________________


2. coquos uocas _________________________

3. Verta para o latim

1. eu escondo os cozinheiros _________________________


2. vocês amam os cozinheiros _________________________
3. eles/elas chamam os cozinheiros _________________________
4. ele/ela chama os cozinheiros _________________________

II. No exercício abaixo você tem duas listas de expressões correspondentes (latinas e
portuguesas, na ordem). Há uma série de lacunas, faltando, às vezes, a expressão
latina e, às vezes, a expressão portuguesa. Pela análise dos pares de sentenças
correspondentes, preencha as lacunas:
LATIM: PORTUGUÊS:
1. aurum amamus 1. amamos o ouro
2. 2. você ama o ouro
3. aurum amatis 3. vocês amam o ouro
4. 4. temos o ouro
5. aurum amat 5.
6. aurum habeo 6. tenho o ouro
7. aurum timeo 7. temo o ouro
8. aurum amant 8. eles/elas amam o ouro
9. aurum habetis 9.
10. 10. eu amo o ouro
11. aurum habes 11. você tem o ouro
12. aurum habet 12. ele/ela tem o ouro
13. aurum times 13.
14. 14. eles/elas têm o ouro

III. Idem.

LATIM: PORTUGUÊS:
1. intras 1. você entra
2. 2. eu tenho medo
3. intrat 3.
4. timemus 4. nós tememos
5. intramus 5.
6. 6. você tem medo
7. intratis 7. vocês entram
8. intrant 8.
9. intro 9. eu entro
10. timetis 10.
11. 11. ele/ela tem medo
12. timent 12. eles/elas têm medo

IV. Através da análise das frases latinas e suas traduções para o português, descubra
a(s) regra(s) que está(ão) por trás dos enunciados em latim, e preencha os espaços
vazios com traduções e versões.

tibicinae timent as flautistas têm medo


coquus intrat o cozinheiro entra
seruus intrat ____________________
serui timent os escravos têm medo
tibicina timet a flautista tem medo
coqui intrant os cozinheiros entram
____________ as flautistas entram
seruus timet ____________________
____________ os cozinheiros têm medo
serua intrat a escrava entra
seruae intrant as escravas entram
tibicina intrat ____________________
____________ o cozinheiro tem medo
serui intrant ____________________

V. Idem.

puellae sumus _____________________


coquus sum sou cozinheiro
Euclio et Phaedra sumus _____________________
Staphyla serua est _____________________
Staphyla et Phaedra seruae sunt Estáfila e Fedra são escravas
ego seruus sum _____________________
____________ somos escravos
tibicina es _____________________
____________ vocês são escravos
coqui serui sunt os cozinheiros são escravos
Phaedra filia Euclionis est Fedra é filha de Euclião
senex es você é um velho
____________ sou Euclião
serua tibicina est a escrava é uma flautista
____________ o cozinheiro é um escravo
fures estis vocês são ladrões
tibicinae et coqui serui sunt ____________________
____________ você é Estáfila
pueri sumus somos meninos
puellae estis vocês são meninas
Phaedra et Staphyla tibicinae sunt ____________________
VI. Idem.

seruae seruum uident as escravas vêem o escravo


_________________ a flautista ama os cozinheiros
serui coquum timent os escravos temem o cozinheiro
coquus aurum habet _________________________
serua celat tibicinam a escrava esconde a flautista
tibicinam celat serua a escrava esconde a flautista
_________________ temos um cozinheiro
coqui seruos amant os cozinheiros amam os escravos
servos coqui amant os cozinheiros amam os escravos
_________________ vocês têm escravos
seruas times você teme as escravas
_________________ o escravo teme a escrava
seruum serua timet a escrava teme o escravo
seruam uideo _________________________
_________________ a escrava tem ouro
coqui tibicinas celant os cozinheiros escondem as flautistas
tibicinae coquos celant as flautistas escondem os cozinheiros
tibicina seruos amat a flautista ama os escravos
seruos amat tibicina _________________________
_________________ temos cozinheiros
serua coquum uidet a escrava vê o cozinheiro
seruamcoquus uidet _________________________
tibicinam uidet seruuso escravo vê a flautista
_________________ a flautista vê o escravo
uideo tibicinas vejo as flautistas

VII. Analise os dados do item 1 e faça o que se pede nos itens 2 e 3.


1. Dados

Euclio Larem amat Euclião ama o Lar


fur senem timet o ladrão teme o velho
senex furem non uidet o velho não vê o ladrão
Lar honorem habet o Lar tem honra
fures senem non uident os ladrões não vêem o velho
fures Euclionem non timent os ladrões não temem Euclião
senes furem uident os velhos vêem o ladrão
Euclio senes non uidet Euclião não vê os velhos
fures hominem timent os ladrões temem o homem
homo fures timet o homem teme os ladrões
spectatores imaginem uident os espectadores vêem a imagem
fur spectatores amat o ladrão ama os espectadores

2. Traduza para o português

homines honorem non habent _________________________


senex Larem timet _________________________
Larem senex timet _________________________
Lar fures non amat _________________________
honorem non habet Euclio _________________________
fures senem uident _________________________

3. Verta para o latim

o Lar ama a honra _________________________


os velhos amam Euclião _________________________
os espectadores não vêem o homem _________________________
o homem não vê os espectadores _________________________
o ladrão não teme o velho _________________________
Euclião ama os velhos _________________________

VIII. Idem.

1. Dados
Euclio exitium timet Euclião teme a destruição
fures monstrum timent os ladrões temem o monstro
monstrum fures timet o monstro teme os ladrões
fur ingenium habet o ladrão tem talento
senex ingenia non habet o velho não tem talentos
senex periculum non uidet o velho não vê o perigo
periculum senem uexat o perigo perturba o velho
Lar monstra uidet o Lar vê os monstros
monstra larem uident os monstros vêem o Lar
Euclio pericula timet Euclião teme os perigos
tibicina somnium habet a flautista tem um sonho
Euclio somnia habet Euclião tem sonhos
somnium Euclionem uexat o sonho perturba Euclião
somnia senem uexant os sonhos perturbam o velho

2. Traduza para o português

somnium Euclio timet _________________________


pericula Larem uexant _________________________
Lar pericula non amat _________________________
pericula non amat Lar _________________________
homo ingenium habet _________________________
monstrum hominem uexat _________________________
monstra periculum uident _________________________
3. Verta para o latim

o homem não teme os monstros _________________________


o velho vê a destruição _________________________
a destruição perturba o velho _________________________
os monstros vêem o ladrão _________________________
o monstro não vê a escrava _________________________

IX. Idem.

1. Dados
aurum multum non est o ouro não é muito
homines magni sunt os homens são grandes
tibicina auara non est a flautista não é avarenta
Euclio auarus est Euclião é avarento
aedes plenae sunt os templos estão cheios
aula plena est a panela está cheia
somnia mala sunt os sonhos são maus
senes auari sunt os velhos são avarentos
monstrum magnum est o monstro é grande
seruae multae non sunt as escravas não são muitas
seruus auarus non est o escravo não é avarento
Lar malus non est o Lar não é mau
homo magnus est o homem é grande
coqui multi sunt os cozinheiros são muitos
pericula magna sunt os perigos são grandes
aula magna est a panela é grande
aulae magnae sunt as panelas são grandes
exitium malum est a destruição é má
serui mali sunt os escravos são maus
2. Traduza para o português

serui auari sunt _________________________


coquus magnus est _________________________
tibicinae multae sunt _________________________
somnium malum non est _________________________
Lar auarus est _________________________
ingenia multa sunt _________________________
serua auara est _________________________

3. Verta para o latim

Euclião é mau _________________________


a flautista é avarenta _________________________
o monstro é avarento _________________________
os ladrões não são maus _________________________
os homens não são avarentos _________________________
os monstros são maus _________________________

X. Idem.

1. Dados

hominum aurum o ouro dos homens


hominis aurum o ouro do homem
seruae aula a panela da escrava
seruarum aula a panela das escravas
Euclionis filia a filha de Euclião
coqui somnia os sonhos do cozinheiro
coquorum somnium o sonho dos cozinheiros
auri periculum o perigo do ouro
monstri ingenium o talento do monstro
monstrorum ingenium o talento dos monstros
aedium serua a escrava dos templos
dei coronae as coroas do deus
Laris corona a coroa do Lar
deorum serui os escravos dos deuses
diuitum filiae as filhas dos ricos
seruorum aurum o ouro dos escravos
senum ingenia os talentos dos velhos
senis aula a panela do velho
furis aedes a casa do ladrão
aedis deus o deus do templo
tibicinae honor a honra da flautista
filiarum aulae as panelas das filhas
filiae ingenium o talento da filha
tibicinarum honor a honra das flautistas
exitiorum periculum o perigo das destruições
furum unguentum o ungüento dos ladrões

2. Traduza para o português

hominum ingenium magnum est _________________________


seruorum filiam amo _________________________
furis aula magna est _________________________
Euclionis seruam timeo _________________________
senum filiae coquos amant _________________________
deorum coronam uideo _________________________
tibicinae aulam uides _________________________
hominis filius tibicinam celat _________________________

3. Verta para o latim


a destruição das escravas _________________________
a panela dos velhos _________________________
o ouro dos ricos _________________________
o monstro do templo _________________________
os talentos do Lar _________________________
as filhas dos escravos _________________________
o perigo dos sonhos _________________________
a panela das filhas _________________________
XI. Idem.

1. Dados

seruarum malarum aurum uideo vejo o ouro das escravas más


aedium malarum aras uideo vejo os altares dos maus templos
serua mala hominem amat a escrava má ama o homem
tibicinae malae coquos amant as flautistas más amam os cozinheiros
Euclio seruam malam uocat Euclião chama uma escrava má
seruas malas non amo não amo as escravas más
tibicina aulam malae filiae celat a flautista esconde a panela da filha má
aedem malam uideo vejo o templo mau
Phaedra seruos malos uocat Fedra chama os maus escravos
Euclio hominem malum uocat Euclião chama o homem mau
serui mali intrant os escravos maus entram
hominis mali aulam uideo vejo a panela de um homem mau
Euclio aram dei mali timet Euclião teme o altar do deus mau
aurum exitium furum malorum est o ouro é a destruição dos maus ladrões
seruus malus in aedibus est o escravo mau está na casa
seruum malum amo amo o escravo mau
monstra mala senem uexant os monstros maus perturbam o velho
senex monstra mala uidet o velho vê os monstros maus
monstrum malum celamus escondemos o monstro mau
arae monstri mali magnae sunt os altares do monstro mau são grandes
ara monstrorum malorum magna est o altar dos monstros maus é grande

2. Traduza para o português

fures mali aurum celant ______________________________


Euclio monstrum malum uidet ______________________________
senem malum non amo ______________________________
Phaedra deorum malorum aulam celat ______________________________
tibicina seruas malas celat ______________________________
furis mali seruum uideo ______________________________
senex malus aurum celat ______________________________
coquus seruarum malarum filias timet ______________________________

3. Verta para o latim

a filha dos velhos maus é grande ______________________________


escondo os cozinheiros maus ______________________________
os ladrões maus amam o ouro ______________________________
escondo a panela da flautista má ______________________________
tememos o templo do deus mau ______________________________
você vê o monstro mau ______________________________
amo as filhas más de Euclião ______________________________
tenho uma filha má ______________________________

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DISCIPLINA DE LÍNGUA LATINA I
EXERCÍCIOS
I. Analisando os dados abaixo (expressões latinas e traduções aproximadas em
português), descubra a(s) regra(s) que está(ão) por trás das frases em latim e, depois,
de posse dessas informações, faça o que se pede nos itens 2, 3 e 4.

1. Dados

aurum Demaeneto damus damos ouro a Demêneto

seruam bonam Euclioni do dou uma boa escrava para Euclião

tibi aurum bonum non est o ouro não é bom para você

spectatoribus scaenam paratis vocês preparam a cena para os espectadores

spectatori cenam paratis vocês preparam a refeição para o espectador

coquus mihi aulam dat o cozinheiro me dá uma panela

coquo misero somnia bona sunt os sonhos são bons para o cozinheiro infeliz

Phaedrae donum mitto envio um presente para Fedra

Euclio filiis bonis multa dona dat Euclião dá muitos presentes aos bons filhos

Lar seni auaro thesaurum monstrat o deus Lar mostra o tesouro para o velho avarento

seruae aurum das você dá o ouro à escrava

dis supplico suplico aos deuses

coquis dona mittimus estamos enviando presentes para os cozinheiros

senex furibus malis aurum dat o velho dá o ouro para os ladrões maus

uicino honores Euclio dat Euclião dá honras para o vizinho

fur puellis aulas monstrat o ladrão mostra as panelas para as meninas

seruis auaris scaenam paro preparo a cena para as escravas avarentas

senibus filias meas monstro mostro as minhas filhas para os velhos

Lari coronas et unguenta portamus levamos coroas e perfumes para o deus Lar

serua familiae nuptias parat a escrava está preparando as núpcias para a família

tibicinis supplicamus suplicamos às flautistas

2. Traduza para o português

furi aurum multum porto


familia Euclionis Staphylae donum dat

uicinis nuptiae bonae non sunt

senibus auaris aurum fures dant

filio tuo thesaurum monstras

deo supplicat serua

3. Verta para o latim

você dá muitos perfumes para minha filha

meu filho me dá muito ouro

você está mostrando seu tesouro para os ladrões

preparo uma refeição para o ladrão mau

Fedra leva uma coroa para o cozinheiro avarento

4. Construa um pequeno texto explicando as regras gramaticais que você descobriu