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Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 1

Nós acreditamos
na agricultura familiar.
Nós acreditamos no Brasil.
Porque onde tem produtor rural
tem Banco do Brasil.

Somos o maior parceiro


da agricultura familiar
e reconhecemos a importância
do seu negócio. Com o Pronaf,
já são mais de 1,2 milhão
de famílias atendidas. É por isso
que o Banco do Brasil
é bom para quem produz
e bom para o país. Bom pra todos.

2 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 3
EDITORIAL

Consolidado como um material de informação e pes-


quisa, o Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar chega
Sumário
a sua quarta edição. 6 Cenário da Agricultura Familiar
Estamos orgulhosos de estar contribuindo na divulga- 36 MDA
ção e defesa da agricultura familiar que é responsável
por mais de 70% da produção de alimentos no Brasil, 164 Fruticultura
formando uma rede que proporciona segurança alimen-
tar e garantia de renda ao pequeno produtor, contri- 180 Pesquisa
buindo para o enfrentamento da pobreza e da fome.
O relatório global da Organização das Nações Unidas
182 Criações
para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado no final 218 Orgânicos
de 2014, aponta que o Brasil saiu do Mapa da Fome. O
ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, 226 Políticas Públicas
definiu essa, como uma conquista histórica, que está
ligada às políticas sociais de combate à pobreza e de 242 Tecnologia
segurança alimentar, e também às políticas de apoio à
agricultura familiar. 246 Irrigação
O Brasil tem se tornado exemplo em políticas públicas 262 Capacitação
de incentivo ao setor da Agricultura Familiar, com linhas
de crédito, assistência técnica, programas para comer- 270 Sucessão Rural
cialização institucional e agregação de valor.
A valorização do setor ainda beneficia outras cadeias 272 Mulheres Rurais
produtivas, como a de implementos agrícolas, mo-
vida pelas linhas de crédito que facilitam a aquisição
276 Previdência
dos equipamentos. Neste sentido, as indústrias estão 278 Energia
preocupadas em desenvolver equipamentos destinados
ao pequeno produtor, com as mesmas tecnologias dos 282 Biodiesel
grandes, que favorecem o aumento da produtividade e
da qualidade de vida dos produtores. 286 Habitação Rural
O sistema cooperativista está sendo fundamental na
organização dos agricultores, na produção e comercia-
292 Crédito Rural
lização. As entidades de pesquisa, assistência técnica e 294 Cooperativismo
extensão rural, como a Embrapa e a Emater, entre outras,
tem papel preponderante na cadeia produtiva em todo 320 Turismo Rural
o país, levando as inovações tecnológicas, também aos
agricultores familiares. No entanto, precisamos continuar 332 Solos
avançando e cuidar do que sustenta o trabalho no cam-
po: o solo, a água e os nossos agricultores familiares. 344 Troca-Troca

Hélio Rubem Corrêa da Silva 354 Embrapa


520 Itaipu

Expediente: Anuário da Agricultura Familiar Colaboração: Ascom MDA, Ascom Embrapa


Editora Bota Amarela Ltda. Editora: Paola Seibt – MTE 13253 Circulação: Março de 2015 a março de 2016
CNPJ: 07.361.916/0001-16 Textos: Paola Seibt e Rosa Liberman Não é permitida a reprodução, cópia, transcrição, trans-
Marketing: Érica Farias crita ou transmitida por meios eletrônicos ou gravações
Diretor presidente: Hélio Rubem Corrêa da Silva
Projeto gráfico e diagramação: Mariah Carraro Smaniotto sem a referida citação da fonte.
Diretora administrativa: Solange Leal da Silva
- Copydesk Jornalismo & Marketing Ltda
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Capa: IN HEAVEN
Centro – Erechim – RS
Impressão: Edelbra
CEP: 99700-458
Fotografias: Paola Seibt, Rosa Liberman, Ascom MDA,
Fone/Fax: 54 3520 8500
Ascom Embrapa e divulgação de empresas e entidades.

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DIVULGAÇÃO MDA
Cenário da Agricultura Familiar

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Atividade gera mais de 80% da ocupação no setor rural e responde, no Brasil, lho atrativos; além de promover a gestão inteligente dos VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO
recursos naturais, econômicos e humanos.
por sete de cada 10 empregos no campo e por 40% da produção agrícola
Representatividade
A agricultura familiar gera mais de 80% da ocupa-

A
agricultura familiar é uma forma de produ- Conforme pesquisa desenvolvida pela entidade em ção no setor rural e responde no Brasil por sete de cada
ção em que predomina a interação entre ges- 93 países, os agricultores familiares representam em mé- 10 empregos no campo e por cerca de 40% da produção
tão e trabalho. São os agricultores familiares dia mais de 80% de todas as explorações. agrícola. A maior parte dos alimentos que abastecem a 34.6%
que dirigem o processo produtivo, dando ênfase na di-
versificação e utilizando o trabalho familiar, que even-
O material da Secretaria de Agricultura Familiar
(SAF/MDA) ‘Agricultura Familiar no Brasil atuação
mesa dos brasileiros vem das pequenas propriedades. A
agricultura familiar favorece o emprego de práticas pro-
65.4%
tualmente é complementado pelo trabalho assalariado. e avanços 2014’, destaca entre as qualidades da classe: dutivas ecologicamente mais equilibradas, como a diver-
Mais de 70% dos alimentos vem da agricultura fami- controle de recursos (grau de autonomia); produção, sificação de cultivos, o menor uso de insumos industriais
liar, exercendo assim, papel fundamental na erradicação manutenção e reprodução (força de trabalho); nexo fa- e a preservação do patrimônio genético.
da fome e pobreza, contribuindo com a segurança ali- mília e estabelecimento; unidade de produção e repro- Em 2009, cerca de 60% dos alimentos que compu-
mentar e nutricional, na melhoria dos meios de subsis- dução; lugar de produção e lar da família; fluxo e cultura seram a cesta alimentar distribuída pela Companhia
tência, na gestão dos recursos naturais, na proteção do de gerações; local de experiências acumuladas; lugar de Nacional de Abastecimento (Conab) originaram-se da
meio ambiente e no desenvolvimento sustentável, espe- vivência e acumulação da cultura; integrantes da eco- agricultura familiar.
cialmente nas áreas rurais. nomia rural; paisagem, beleza, interação, equilíbrio e A participação da agricultura familiar representa
De acordo com a Organização das Nações Unidas conservação da biodiversidade. mais de 84% do total de estabelecimentos em uma área
para a Alimentação e Agricultura (FAO) são mais de 500 O estudo ainda cita entre as qualidades da agricultu- de pouco mais de 24%, além disso, a produção desta ca- 109 bilhões
milhões de propriedades agrícolas familiares no mundo, ra familiar: liberdade e autonomia; a criação de práticas tegoria representa 34,6% do Valor Bruto da Produção.
incluindo pequenos e médios agricultores, camponeses, agrícolas sustentáveis, soberania e segurança alimentar; O número total de pessoas ocupadas na agricultu-
povos indígenas, comunidades tradicionais, pescadores, o fortalecimento do desenvolvimento econômico e a re- ra familiar em 2006 - segundo dados do último censo 54 bilhões
pequenos pecuaristas, coletores, e muitos outros grupos. siliência social e ecológica; a geração de postos de traba- agropecuário do IBGE -, é mais de duas vezes superior
ao número de ocupações geradas pela construção civil.
Conforme os dados, mais de 12 milhões de pessoas estão
ÁREA TOTAL TOTAL DE ESTABELECIMENTOS ocupadas com a agricultura familiar, contra 4,2 milhões
com a agricultura.
Ainda conforme dados do MDA, 36 milhões de brasilei-
ros saíram da pobreza em 10 anos e 42 milhões de brasileiros
ascenderam de classe, o que mostra que o país melhorou.

Dificuldades
Em entrevista veiculada no site da FAO, em 17 de de-
zembro de 2014, a embaixadora especial do Ano Interna-
cional da Agricultura Familiar, Estrella Penunia, afirma
que depois de 2014, a expectativa é de que haja uma Dé-
cada Internacional da Agricultura Familiar. “Afinal, pre- os programas de agricultura, segurança alimentar e nutri-
cisamos alimentar 9 bilhões de pessoas até 2050 em meio ção.
a mudanças climáticas, e como os agricultores familiares Ela explica que a principal missão da AAA é forta-
alimentam o mundo e cuidam da terra, precisamos con- lecer os pequenos agricultores da ‑Ásia, para que eles
tinuar cuidando dos agricultores familiares,” diz. possam influenciar de forma efetiva os governos e outras
Penunia ocupa ainda o cargo de secretária-geral da As- instituições. “Fazemos isso com nossos programas de
sociação de Agricultores Asiáticos (AAA), e segundo ela, os defesa de políticas, gestão de conhecimento, desenvolvi-
agricultores familiares deveriam estar no centro de todos mento de empresas e governança,” acrescenta.

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PESSOAL OCUPADO (em milhões de pessoas) PESSOAL OCUPADO (em %) Definição de agricultura familiar nar as economias locais, especialmente quando combi-
Conforme definição baseada na Lei 11.326, de 24 de nada com políticas específicas destinadas a promover a
julho de 2006, compreende-se por agricultura familiar proteção social e o bem-estar das comunidades.
as atividades desenvolvidas no meio rural, que utilizam O documento ‘Perspectivas da Agricultura e do De-
mão de obra da própria família, com área que não ul- senvolvimento Rural nas Américas 2014: um olhar para
trapasse mais do que quatro módulos fiscais. Também a América Latina e o Caribe’, afirma que a agricultura
são beneficiários desta lei silvicultores que atendam si- familiar é uma das principais atividades geradoras de
multaneamente a todos os requisitos, produtores que novas fontes de trabalho na América Latina e Caribe. Na
cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam América do Sul, a participação da atividade nos empre-
o manejo sustentável daqueles ambientes; aquicultores gos agrícolas é significativa, oscilando nos países analisa-
que atendam simultaneamente a todos os requisitos e dos entre 53% (Argentina) e 77% (Brasil).
explorem reservatórios hídricos com superfície total de O documento foi lançado durante o Encontro de Mi-
até 2 hectares ou ocupem até 500m³ de água, quando a nistros da Agricultura das Américas em Buenos Aires,
exploração se efetivar em tanques-rede; extrativistas que Argentina, e produzido pela Comissão Econômica para
atendam aos requisitos previstos e exerçam essa ativi- a América Latina e o Caribe (CEPAL), pela Organiza-
dade artesanalmente no meio rural, excluídos os garim- ção das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura
peiros e faiscadores; pescadores que exerçam a atividade (FAO) e pelo Instituto Interamericano de Cooperação
pesqueira artesanalmente. para a Agricultura (IICA).
A agricultura familiar e de pequena escala estão vin- O relatório também observou aumento nas exporta-
culados à segurança alimentar mundial, pois preservam ções de milho no Brasil em 2012 – 20 milhões de tonela-
para as áreas urbanas em busca de melhores oportuni- os alimentos tradicionais, e contribuem para uma ali- das, quase o dobro em comparação a 2011. A Argentina
dades, especialmente os jovens. Às vezes, aqueles que mentação balanceada, para a proteção da agrobiodiversi- exportou pouco mais de 16 milhões no mesmo período,
querem ficar na agricultura sofrem com a ameaça de ex- dade e para o uso sustentável dos recursos naturais. Sem e pela primeira vez foi superada pelo Brasil no envio
Na entrevista, Estrella Penunia, ainda falou sobre os pulsão, por conta da falta de políticas claras sobre o uso dúvida, ela representa uma oportunidade para impulsio- desse produto.
principais desafios enfrentados pela classe atualmente. da terra e a garantia de posse.
Afirma que na Ásia estão 70% dos agricultores familia- A superação dos desafios seria possível com mais in-
res do mundo, que trabalham em terras de não mais que vestimentos nos pequenos agricultores. “Deveria haver po-

Eduardo Aigner / MDA


cinco hectares. Nessa região, as mulheres agricultoras líticas públicas e investimentos nas seguintes áreas especí-
realizam de 50 a 90% do trabalho no campo. ficas: direitos dos agricultores familiares sobre os recursos
Mesmo as propriedades sendo pequenas, os agricul- básicos de produção, como terra, água, florestas, sementes;
tores da Ásia e do Pacífico produzem 80% do total de ali- políticas que ajudem a promover e difundir a agricultura
mentos necessários para garantir a segurança alimentar sustentável, integrada, diversificada, resiliente e ecológica;
da região. No entanto, acrescenta, naquela região estão políticas que ajudem a estabelecer agroempresas viáveis,
63% das pessoas mais pobres e famintas do mundo, par- dos próprios agricultores ou voltadas para eles, e a desen-
ticularmente nas áreas rurais do sul e do leste asiáticos. volver um espírito de empreendedorismo e autonomia nos
Para ela, outra preocupação é com o acesso limitado à agricultores; políticas que atraiam jovens para a agricul-
terra ou a existência de sem-terras. tura; políticas que garantam a infraestrutura necessária,
Enumera também a falta de acesso a serviços básicos, como estradas para os mercados, locais para armazenar as
como água, saneamento e eletricidade. Além disso, ou- colheitas, irrigação, crédito, seguros, informações precisas
tros fatores afetam os agricultores familiares, como falta e em tempo hábil sobre as condições do tempo, seguro con-
de informação sobre os mercados e limitação das habi- tra riscos; políticas que fortaleçam as mulheres agricultoras
lidades empreendedoras e do poder de barganha, o que e promovam a igualdade de gênero na agricultura familiar;
os deixa vulneráveis e menos competitivos. O declínio políticas que reconheçam as propriedades agrícolas fami-
contínuo da renda proveniente da agricultura e a con- liares; e que institucionalizem a participação e o envolvi-
sequente pobreza estão provocando o desaparecimento mento significativos dos agricultores familiares nos proces-
da agricultura familiar, já que muitos optam por imigrar sos decisórios relativos à agricultura,” pontua.

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De acordo com o relatório, o Brasil se manteve como Pronaf

87 PRODUÇÃO VEGETAL
principal exportador de carne de ave na América Latina
e Caribe em 2012, ao gerar quase 89% das transações, e
A oferta de crédito rural também cresceu, resultan-
do em uma mecanização da agricultura familiar, o que
é previsto que em 2021 aumente seu domínio para quase favoreceu o aumento da produção de alimentos. Na safra
70 DE ALIMENTOS DA 92%. O país também lidera as exportações de carne de 2002/2003 foram ofertados 2,3 bilhões, enquanto que na
87 AGRICULTURA FAMILIAR.
PRODUÇÃO VEGETAL porco e bovina – 71,6% e 51,7%, respectivamente. safra 2014/2015 este número subiu para 24,1 bilhões,
crescendo 10 vezes em 12 anos.
70 DE ALIMENTOS DA
Produção de alimentos O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricul-
AGRICULTURA FAMILIAR. Em 2014, 83% da produção de mandioca era de tura Familiar (Pronaf) também cresceu, sendo que hoje
responsabilidade da agricultura familiar, bem como de conta com operações em 5.454 municípios e um milhão
46 70% da produção do feijão, 46% do milho, 38% do café, de famílias a mais no crédito do Pronaf desde 2002.
46 38 34% do arroz, 21% do trigo e 14% da soja. Ainda repre-
38 34 34 senta 58% da produção de leite, 50% da de aves, 59% da
de suínos e 30% da de bovinos. Apesar de cultivar uma
Programa de Aquisição de Alimentos
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) pro-
21 21 área menor com pastagens – 36,4 milhões de hectares move o acesso a alimentos às populações em situação de
-, a agricultura familiar é importante fornecedora de insegurança alimentar e a inclusão social e econômica
16
16 proteína animal.
A produção de leite cresceu 55, 5%, um crescimento
no campo por meio do fortalecimento da agricultura fa-
miliar. Também contribui para a formação de estoques
de 12,3 bilhões de litros. Com mais renda, os brasileiros estratégicos e para o abastecimento de mercado institu-
IOCA FEIJÃO MILHO CAFÉ ARROZ TRIGO SOJA
passaram a consumir mais e melhores alimentos. O con- cional de alimentos, que compreende as compras gover-
MANDIOCA FEIJÃO MILHO CAFÉ ARROZ TRIGO SOJA sumo de leite, por exemplo, cresceu 54,5% em 11 anos. namentais de gêneros alimentícios para fins diversos, e
O governo federal lançou diversos programas que in- ainda permite aos agricultores familiares que estoquem
centivam a produção de alimentos a partir dos pequenos seus produtos para serem comercializados a preços mais
agricultores, facilitando a aquisição de maquinário com justos.
acesso a linhas de crédito, além de outros que incentivam De 2003 a 2013 foram investidos 5,3 bilhões e adqui-
PRODUÇÃO ANIMAL

DIVULGAÇÃO
a comercialização institucional. A seguir destacaremos ridos mais de quatro milhões de toneladas de alimentos.
DE ALIMENTOS DA alguns destes programas. Foram mais de 20 mil entidades beneficiadas e mais de
AGRICULTURA FAMILIAR.
PRODUÇÃO ANIMAL EVOLUÇÃO DO PRONAF
DE ALIMENTOS DA
59
58 Em Bilhões (R$)

50 AGRICULTURA FAMILIAR.

59
58 30
50

LEITE AVES SUÍNOS BOVINOS

30
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EVOLUÇÃO DE RECURSOS APLICADOS NO PAA VOLUME DE RECURSOS POR REGIÃO PAA De acordo com a FAO, o Brasil está entre os países
R$ 1.000,00 que tiveram melhor desempenho na redução do número
de famintos. Em 1990, 14,8% dos brasileiros passavam
R$ 885,54 4% 6%
R$ 900,00 fome, percentual que caiu para 1,7%, conforme o rela-
tório. Com esse índice, o Brasil sai do Mapa Mundial da
R$ 800,00
Fome, que inclui países em que o problema afeta pelo
R$ 667,32
R$ 675,13
22% menos 5% da população.
R$ 700,00
Em reportagemNORTEpublicada no Portal do FNDE,
R$ 591,03
R$ 600,00 Adoniram Sanches, oficial de Segurança Alimentar
NORDESTE
da FAO para América Latina e Caribe, afirma que:
R$ 492,09 R$ 509,47
R$ 500,00 R$ 461,06 R$ 437,77
47% “O Brasil não sóSUDESTE
superou a meta, estabelecida no ano
2000, de reduzir pela metade o percentual de pessoas
R$ 400,00 SUL
R$ 333,06 desnutridas até 2015, como bateu a meta em números
R$ 300,00 21% absolutos, o queCENTRO-OESTE
é mais complicado, pois houve cres-
cimento da população”.
R$ 200,00 R$ 180,00
R$ 144,92 O documento aponta o Pnae como um dos pilares da
política de segurança alimentar e nutricional no Brasil.
R$ 100,00
% de Agricultores participantes no PAA de 2003 a
Combate a fome
R$ 0,00
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2013, por Região Geográfica O relatório 2014 - O Estado da Segurança Alimentar
VOLUME DE RECURSOS POR REGIÃO PAA% DE AGRI-
CULTORES PARTICIPANTES NO PAA DE 2003 A 2013, e Nutricional no Brasil, um retrato multidimensional
EVOLUÇÃO DA COMPRA PAA damental, ensino médio e educação de jovens e adultos POR REGIÃO GEOGRÁFICA - mostra que a implementação de políticas estruturan-
% de Municípios que estão comprando da Agricultura Familiar - matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em en- tes como o fortalecimento da agricultura familiar, em
tidades comunitárias, conveniadas com o poder público, paralelo com os programas de transferência de renda,
81%
por meio da transferência de recursos financeiros. 4% 8% como o Bolsa Família, tem sido abordagens exitosas
58% Conforme a legislação que dispõe sobre a alimenta- na diminuição da fome no Brasil. A agricultura fami-
51% ção escolar, do total dos recursos financeiros repassados liar está crescendo e hoje é responsável por 70% dos
pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação 24% alimentos consumidos internamente no país. Os inves-
(FNDE), no âmbito do PNAE, no mínimo 30% deverão timentos em políticas para apoiar os agricultores fami-
ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios dire- liares somaram R$ 17,3 bilhões em 2013; o orçamento
tamente da agricultura familiar e do empreendedor fami- do programa de crédito rural do Programa Nacional de
2010 2011 2012
liar rural ou de suas organizações, priorizando os assenta- 44% Fortalecimento da Agricultura Familiar aumentou dez
mentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais vezes entre 2003-2013.
indígenas e comunidades quilombolas. Esta medida esti-
duas mil organizações da agricultura familiar fornecedo- mula o desenvolvimento econômico e sustentável das co- Estrutura produtiva da agricultura familiar
ras. Neste período, o programa esteve presente em 3.915
4% 6%
munidades. O mercado é de R$ 1 bilhão aos agricultores
20% Segundo o Censo Agropecuário Brasileiro, realiza-
municípios brasileiros. familiares, que proporciona alimento de qualidade a 47 do pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
milhões de alunos da rede pública de ensino. (IBGE), a agricultura familiar é responsável por grande
Programa Nacional de Alimentação Escolar 22% de política pública eficaz
O Pnae é um dos exemplos parte da produção de alimentos no país.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) de combate à fome, de acordo com relatório divulgado Norte Nordeste
NORTE Sudeste Sul Centro-Oeste
De acordo com o estudo, 85% dos estabelecimen-
contribui para o crescimento, o desenvolvimento, a apren- em 2014 pela Organização das Nações Unidas para a Ali- tos brasileiros são da agricultura familiar. Entretanto,
dizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a forma- mentação e a Agricultura (FAO). O Estado da Inseguran-
NORDESTE a área ocupada pela agricultura familiar era de 80,25
ção de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta ça Alimentar no Mundo 2014 estima que 805 milhões de 47% SUDESTE milhões de hectares, ou seja, 24,3% da área ocupada
da alimentação escolar e de ações de educação alimentar pessoas sofrem de fome no mundo, mas mostra também pelos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Estes
SUL
e nutricional. São atendidos pelo programa os alunos de que esse número diminuiu em mais de 100 milhões na resultados mostram uma estrutura agrária ainda con-
toda a educação básica - educação infantil, ensino fun- última década. 21% CENTRO-OESTE centrada no Brasil: propriedades não familiares, apesar

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CONDIÇÃO DO PRODUTOR EM RELAÇÃO ÀS TERRAS, SEGUNDO A AGRICULTURA FAMILIAR - BRASIL - 2006 UTILIZAÇÃO DAS TERRAS NOS ESTABELECIMENTOS, POR TIPO DE UTILIZAÇÃO, SEGUNDO A AGRICULTURA
FAMILIAR - BRASIL - 2006
Agricultura Condição do produtor em relação às terras
familiar
Assentados sem titula- Produtor Agricultura familiar Total de Área total Utilização das terras nos estabelecimentos
Proprietários Arrendatário Parceiro Ocupantes
ção definitiva sem área estabeleci- (ha)
Lavoura
mentos
Estabele- Área Estabele- Área Estabele- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci-
cimentos (ha) cimentos (ha) cimentos (ha) mentos (ha) mentos (ha) mentos Permanentes Temporários Área plantada com forra-
geiras para corte
Total 3 946 276 306 847 605 189 191 5 750 283 230 110 9 005 203 142 531 1 985 085 412 357 6 353 218 255 024
Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área
Agricultura 3 263 868 70 346 453 170 391 4 065 596 196 111 2 093 567 126 795 708 852 368 668 3 035 985 242 069 mento (ha) mento (ha) mento (ha)
familiar - Lei
n 11.326 Total 5 175 489 329 941 393 1 480 243 11 612 227 3 127 255 44 019 726 3 313 322 4 114 557

Não familiar 682 408 236 501 18 800 1 684 687 33 999 6 911 635 15 736 1 276 234 43 689 3 317 233 12 955 Agricultura familiar - Lei n 11.326 4 367 902 80 250 453 1 233 614 4 290 241 2 719 571 12 012 792 2 851 616 1 338 027
152 Não familiar 807 587 249 690 940 246 629 7 321 986 407 684 32 006 933 461 706 2 776 530
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.
Agricultura familiar Utilização das terras nos estabelecimentos
Lavouras Pastagens
de representarem 15,6% do total dos estabelecimentos A pesquisa ainda identificou que pessoas experien-
Área para cultivo de flores Naturais Pastagens plantadas Pastagens plantadas
ocupavam 75,7% da área. A área média das proprieda- tes com 10 anos ou mais de direção nos trabalhos eram (inclusivehidroponia e plas- degradadas em boas condições
des familiares era de 18,37 hectares, e a dos não fami- a maioria (62%) na condução da atividade produtiva da ticultura), viveiros de mudas,
estufas de plantas e casas de
liares, de 309,18 hectares. agricultura familiar. Os estabelecimentos dirigidos por vegetação
pessoas com menos de cinco anos de experiência repre- Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área
Mão de obra sentam apenas 20% da agricultura familiar. mentos (ha) mento (ha) mento (ha) mento (ha)

Pouco mais de 13% dos estabelecimentos, ou seja, De acordo com os dados, 909 mil ocupados da agri- Total 11 075 100 109 1 672 328 57 316 457 313 141 9 842 925 1 510 734 91 594 484

600 mil eram dirigidos por mulheres. Na agricultura não cultura familiar possuíam menos de 14 anos de idade, Agricultura familiar - Lei n 11.326 7 119 18 378 1 361 035 14 575 542 248 086 2 762 803 1 171 043 19 052 869

familiar, a participação não chegava a 7%. sendo 507 mil homens e 402 mil mulheres. Entre os 12,3 Não familiar 3 956 81 730 311 293 42 740 915 65 055 7 080 122 339 691 72 541 615

O Censo ainda registrou 12,3 milhões de pessoas vin- milhões de pessoas ocupadas na agricultura familiar, 11 Agricultura familiar Utilização das terras nos estabelecimentos
culadas à agricultura familiar, ou seja, 74,4% do pessoal milhões, ou seja, 90% tinham laços de parentesco com Matas e/ou florestas Sistemas agroflorestais
ocupado, com uma média de 2,6 pessoas, de 14 anos ou o produtor. A união dos esforços em torno de um em- Matas e/ou florestas naturais Matas e/ou florestas Florestas plantadas com Área cultivada com espécies
mais, ocupadas. Os estabelecimentos não familiares ocu- preendimento comum é uma característica importante destinadas à preservação naturais (inclusive área de essências florestais florestais também usafa
permanente ou reserva legal preservação permanente e para lavouras e pastejo de
pavam 4,2 milhões de pessoas, o que corresponde a 25,6% da agricultura familiar. Os dados ainda mostram que dos as em sistemas agroflo- animais
da mão de obra ocupada. Entre as pessoas da agricultura 11 milhões de pessoas ocupadas na agricultura familiar restais)

familiar, a maioria eram homens (dois terços), mas o nú- e com laços de parentesco com o produtor, 8,9 milhões Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área
mentos (ha) mento (ha) mento (ha) mento (ha)
mero de mulheres ocupadas também era expressivo: 4,1 residiam no próprio estabelecimento (81%), enquanto
Total 1 097 574 50 163 102 975 307 32 621 638 188 951 4 497 324 305 826 8 197 564
milhões de mulheres (um terço dos ocupados). outros 2,1 milhões de pessoas se ocupavam no estabe-
Agricultura familiar - Lei n 11.326 795 670 8 119 041 794 732 10 618 764 148 076 592 998 250 252 2 898 493
Em média, um estabelecimento familiar possuía 1,75 lecimento, mas residiam fora deste, provavelmente em
Não familiar 301 904 42 044 061 180 575 25 002 874 40 875 3 904 326 55 574 5 299 071
homem e 0,86 mulher ocupados de 14 anos ou mais. vilas ou centros urbanos próximos.
Agricultura familiar Utilização das terras nos estabelecimentos
PRODUTOR NA DIREÇÃO DOS TRABALHOS DO ESTABELECIMENTO, POR SEXO E GRUPOS DE ANOS DE DIREÇÃO,
Tanques, lagos, açudes e/ou Construções, benfeitorias Terras degradadas Terras inaproveitáveis para
SEGUNDO A AGRICULTURA FAMILIAR - BRASIL - 2006 área de águas públicas para ou caminhos (erodidas, desertificadas, agricultura ou pecuária (pân-
exploração de agricultura salinizadas, etc.) tanos, areais, predeiras, etc.)
Agricultura Produtor na direção dos trabalhos do estabelecimento, por sexo e grupos de anos de direção
familiar Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área Estabeleci- Área
Homens Mulheres mentos (ha) mento (ha) mento (ha) mento (ha)
Menos de 1 De 1 a menos De 5 a menos De 10 anos Menos de 1 De 1 a menos De 5 a menos De 10 anos Total 439 892 1 319 492 2 193 760 4 689 700 71 891 789 238 466 927 6 093 185
ano na direção de 5 anos na de 10 anos na e mais na ano na direção de 5 anos na de 10 anos na e mais na
dos trabalhos direção dos direção dos direção dos dos trabalhos direção dos direção dos direção dos Agricultura familiar - Lei n 11.326 307 770 301 752 1 751 522 1 731 164 53 880 237 728 361 053 1 726 424
trabalhos trabalhos trabalhos trabalhos trabalhos trabalhos Não familiar 132 122 1 017 740 442 238 2 958 536 18 011 551 510 105 874 4 366 760
Total 132 730 817 681 832 868 2 735 982 16 248 103 745 109 290 426 945 Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.
Agricultura 100 878 654 887 686 234 2 325 341 14 764 93 573 98 580 393 645
familiar - Lei
nº 11.326
Não familiar 31 852 162 794 146 634 410 641 1 484 10 172 10 710 33 300
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.

16 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 17
AGRICULTURA FAMILIAR, SEGUNDO AS VARIÁVEIS SELECIONADAS – 2006 PESSOAL OCUPADO NO ESTABELECIMENTO EM 31.12, POR SEXO, SEGUNDO A AGRICULTURA FAMILIAR - BRASIL – 2006
Variáveis selecionadas Ag fam - Lei nº 11.326 Não familiar Variáveis selecionadas Ag fam - Lei nº 11.326 Não familiar Agricultura familiar Pessoal ocupado no estabelecimento em 31.12 1
Produção vegetal Valor da produção (R$) 5 344 665 578 017 976 565 Total Sexo
Arroz em casca Soja
Homens Mulheres
Estabelecimentos 354 677 41 951 Estabelecimentos 164 011 51 966
Quantidade produzida (kg) 3 199 460 329 6 247 796 383 Quantidade produzida (kg) 6 404 494 499 34 308 188 589 Total De 14 anos e mais Total De 14 anos e mais Total De 14 anos e mais
Área colhida (ha) 1 167 376 1 242 213 Área colhida (ha) 2 707 649 12 939 342
Valor da produção (R$) 1 414 740 013 2 615 404 728 Valor da produção (R$) 2 891 786 309 14 249 698 227 Total 16 567 544 15 505 243 11 515 194 10 919 257 5 052 350 4 585 986
Feijão-preto Trigo
Agricultura familiar - Lei nº 11.326 12 322 225 11 412 590 8 174 002 7 666 373 4 148 223 3 746 217
Estabelecimentos 242 398 26 620 Estabelecimentos 23 542 10 485
Quantidade produzida (kg) 531 637 055 160 899 824 Quantidade produzida (kg) 479 272 647 1 778 325 050 Não familiar 4 245 319 4 092 653 3 341 192 3 252 884 904 127 839 769
Área colhida (ha) 639 512 124 911 Área colhida (ha) 323 922 976 086 1
Inclusive produtor.
Valor da produção (R$) 378 617 041 116 504 973 Valor da produção (R$) 187 652 912 716 790 517 Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.
Feijão de cor Café arábica em grão (verde)
Estabelecimentos 411 963 50 417 Estabelecimentos 193 328 48 309
Quantidade produzida (kg) 697 231 567 597 074 955 Quantidade produzida (kg) 645 340 928 1 244 377 597 PESSOAL OCUPADO NO ESTABELECIMENTO EM 31.12 COM LAÇO DE PARENTESCO COM O PRODUTOR, POR IDADE E
Área colhida (ha) 1 015 718 409 130 Café canephora (robusta, conilon) em grão (verde) PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PESSOAL OCUPADO EM RELAÇÃO AO TOTAL, SEGUNDO A AGRICULTURA FAMI-
Valor da produção (R$) 557 814 212 508 988 359 Área colhida (ha) 513 681 778 611 LIAR - BRASIL – 2006
Feijão-fradinho, caupi, de corda ou macáçar em grão Valor da produção (R$) 2 231 728 778 5 124 878 374
Estabelecimentos 706 323 75 711 Estabelecimentos 82 185 15 523 Agricultura familiar Pessoal ocupado no estabelecimento em 31.12 com laço de parentesco com o produtor 1
Quantidade produzida (kg) 939 931 471 182 207 996 Quantidade produzida (kg) 259 180 331 211 857 088 Total Principais características em relação ao total do pessoal ocupado
Área colhida (ha) 1 855 299 283 126 Área colhida (ha) 253 437 142 125 Residiam no estabelecimento Sabiam ler e escrever
Valor da produção (R$) 780 120 429 156 704 791 Valor da produção (R$) 624 106 515 586 220 783
Total De 14 anos e mais Total De 14 anos e mais Total De 14 anos e mais
Mandioca Pecuária
Estabelecimentos 753 524 78 665 Bovinos Total 12 801 179 11 792 283 10 122 098 9 196 863 8 236 795 7 718 971
Quantidade produzida (kg) 13 952 605 062 2 141 336 546 Estabelecimentos 2 151 279 521 897 Agricultura familiar - Lei nº 11.326 11 036 701 10 135 724 8 933 708 8 105 709 6 984 632 6 524 084
Área colhida (há) 2 418 155 283 947 Número de cabeças em 31.12 51 991 528 119 621 809 Não familiar 1 764 478 1 656 559 1 188 390 1 091 154 1 252 163 1 194 887
Valor da produção (R$) 3 254 035 260 432 596 260 Leite de vaca
Milho em grão Estabelecimentos 1 089 413 259 913 Agricultura familiar Pessoal ocupado no estabelecimento em 31.12 com laço de parentesco com o produtor 1
Estabelecimentos 1 795 248 234 874 Quantidade produzida (litros) 11 721 356 256 8 436 325 272 Principais características em relação ao total do pessoal ocupado
Quantidade produzida (kg) 19 424 085 538 22 857 714 137 Valor da produção (R$) 4 975 619 521 3 841 916 092
Recebiam salário Tinham qualificação profissional Trabalhavam somente em atividade
Área colhida (ha) 6 412 137 5 312 225 Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006. não agropecuária
Total De 14 anos e mais Total De 14 anos e mais Total De 14 anos e mais
Uso da terra e produção
Total 537 964 533 420 286 729 285 634 223 671 211 747
A utilização das terras dos estabelecimentos, segun- boa parte da segurança alimentar do país, como impor-
Agricultura familiar - Lei nº 11.326 341 015 337 475 170 089 169 333 169 910 159 937
do a classificação das agriculturas, mostra que dos 80,25 tante fornecedora de alimentos para o mercado interno.
milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram
Não familiar 196 949 195 945 116 640 116 301 53 761 51 810
destinados a pastagens, enquanto a área com matas, flo- Condição do produtor 1
Inclusive produtor.
restas ou sistemas agroflorestais ocupavam 28% das áre- O estudo desenvolvido pelo IBGE demonstra que dos Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.
as, e por fim as lavouras que ocupavam 22%. 4,3 milhões de propriedades de pequenos agricultores,
A agricultura não familiar também seguia esta or- 3,2 milhões tinham acesso às terras na condição de pro- ESTABELECIMENTO EM QUE O PRODUTOR DECLAROU TER ATIVIDADE FORA DO ESTABELECIMENTO, POR TIPO DE
dem, mas a participação de pastagens, matas e florestas prietários, representando 74,7% dos estabelecimentos ATIVIDADE, SEGUNDO AGRICULTURA FAMILIAR - BRASIL - 2006
era um pouco maior - 49% e 28%, respectivamente -, en- familiares e abrangendo 87,7% das suas áreas. Outros
Agricultura familiar Estabelecimento emque o produtor declarou ter atividade fora do estabelecimento
quanto a área para lavouras era menor 17%. Destaca-se a 170 mil produtores declararam acessar as terras na con-
Tipo de atividade
participação da área das matas destinadas à preservação dição de “assentado sem titulação definitiva”. Entretanto,
Estabelecimento Agropecuária Não agropecuária Agropecuária e não agropecuária
permanente ou reserva legal de 10% em média nos esta- outros 691 mil produtores tinham acesso temporário ou
belecimentos familiares, e de outros 13% de áreas utili- precário às terras, seja na modalidade arrendatários (196 Total 1 479 362 686 659 745 594 47 109
zadas com matas e/ou florestas naturais. mil produtores), parceiros (126 mil produtores) ou ocu- Agricultura familiar - Lei n 11.326 1 113 992 557 155 524 855 31 982
Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pantes (368 mil produtores). Os menores estabelecimen- Não familiar 365 370 129 504 220 739 15 127
pastagens - 17,7 e 36,4 milhões de hectares, respectiva- tos eram os de parceiros, que contabilizaram uma área
mente -, a agricultura familiar é responsável por garantir média de 5,59 hectares.

18 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 19
Educação apenas 169 mil pessoas na agricultura familiar e 53 mil nos produtores familiares declararam ter obtido alguma re- declaradas pelo produtor, e não consideram os demais
As informações sobre educação na agricultura fami- estabelecimentos não familiares. Entretanto 26% das pro- ceita no seu estabelecimento durante aquele ano, ou seja, integrantes da família, o que explica o reduzido número
liar revelam avanços, mas também desafios: entre os 11 priedades familiares não tinham seu produtor com dedi- quase um terço da agricultura familiar declarou não ter de produtores familiares (644 mil) que declararam rece-
milhões de pessoas da agricultura familiar e com laços de cação exclusiva, porque dedicavam parte do seu tempo em obtido receita naquele ano. ber receitas de programas como o Bolsa Família.
parentesco com o produtor, quase sete milhões, ou seja, a atividades fora do seu estabelecimento, tanto agropecuárias Os três milhões de agricultores familiares que decla- Quando são considerados os valores de toda a produ-
maioria sabia ler e escrever (63%), segundo o IBGE. Mas como não agropecuárias. A ocupação dos produtores em raram ter obtido alguma receita de vendas dos produtos ção, e não somente as receitas de vendas, foram contados
por outro lado, existiam pouco mais de quatro milhões atividades fora do seu estabelecimento é comum nos países dos estabelecimentos, tinham uma receita média de R$ em 3,9 milhões o número de estabelecimentos familia-
que declararam não saber ler e escrever, principalmente desenvolvidos, e estes resultados apontam para sua impor- 13,6 mil, especialmente com a venda de produtos vege- res que declarou algum valor de produção. A agricultura
acima dos 14 anos (3,6 milhões de pessoas). tância entre os estabelecimentos da agricultura familiar. tais que representavam mais de 67,5% das receitas ob- familiar foi responsável por 38% do valor total da pro-
Ainda relacionado com o grau de escolaridade e qua- tidas. A segunda principal fonte da agricultura familiar dução dos estabelecimentos. A exemplo das receitas, a
lificação da mão de obra, o que chama a atenção é o bai- Receitas e valor da produção eram as vendas de animais e seus produtos, que repre- produção vegetal era a principal produção (72% do valor
xo número de pessoas que declarou possuir qualificação Em 2006, ano do último Censo Agropecuário reali- sentam mais de 21% das receitas obtidas nos estabele- da produção da agricultura familiar), especialmente com
profissional: apenas 170 mil pessoas na agricultura fami- zado pelo IBGE, a agricultura familiar respondia por um cimentos. Entre as demais se destacavam a “prestação as lavouras temporárias (42% do valor da produção) e
liar, e 116 mil na não familiar. terço das receitas dos estabelecimentos agropecuários de serviço para empresa integradora” e de “produtos da permanentes (19%). Em segundo lugar no valor da pro-
O número de pessoas ocupadas em atividades não brasileiros. Esta participação menor nas receitas, em agroindústria” familiar. dução, o destaque ficou com a atividade animal (25%),
agropecuárias no interior do estabelecimento era reduzido: parte, é explicada porque apenas três milhões (69%) dos Mais de 1,7 milhão de produtores familiares decla- especialmente com animais de grande porte (14%).
raram ter percebido outra receita além daquela obtida O valor médio da produção anual da agricultura fa-
RECEITAS OBTIDAS PELOS ESTABELECIMENTOS NO ANO, POR TIPO, SEGUNDO A AGRICULTURA FAMILIAR - BRASIL - 2006 no estabelecimento, especialmente as advindas de apo- miliar foi de R$ 13,99 mil, tendo a criação de aves o me-
sentadorias ou pensões (65%) e salários com atividade nor valor médio (R$ 1,56 mil), e a floricultura o maior
Agricultura familiar Receitas obtidas pelos estabelecimentos no ano, por tipo
fora do estabelecimento (24%). O valor médio anual des- valor médio (R$ 17,56 mil).
Venda
tas receitas foi de R$ 4,5 mil para a agricultura familiar, A agricultura não familiar apresentou maior valor de
Animais criados em cativei-
Estabeleci- Valor Produtos vegetais Animais e seus produtos ros (jacaré, escargô, capivara fortemente influenciado pelas aposentadorias e pensões, produção na maioria das atividades, mas em algumas
e outros)
mento (1 000 R$) com valor médio mensal de R$ 475,27. Mais de R$ 5,5 destas, a agricultura familiar era majoritária, exprimin-
Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor
mento (1 000 R$)
Estabeleci- Valor
mento (1 000 R$)
bilhões chegaram aos produtores familiares por meio de do 56% do valor da produção de animais de grande por-
mento (1 000 R$)
aposentadorias, pensões e programas especiais dos go- te, por 57% do valor agregado na agroindústria, por 63%
Total 3 620 670 121 833 136 2 306 576 91 165 433 2 096 110 20 058 611 12 611 461 296
vernos em 2006. Estes resultados são referentes às rendas da horticultura e 80% da extração vegetal no país.
Agricultura familiar - Lei n 11.326 3 031 170 41 322 443 1 970 265 27 883 780 1 729 341 8 693 506 9 802 121 293
Não familiar 589 500 80 510 693 336 311 63 281 653 366 769 11 365 105 2 809 340 633
OUTRAS RECEITAS OBTIDAS PELO PRODUTOR NO ANO, POR TIPO, SEGUNDO A AGRICULTURA FAMILIAR - BRASIL - 2006
Agricultura familiar Receitas obtidas pelos estabelecimentos no ano, por tipo
Receitas obtidas pelos estabelecimentos no ano, por tipo
Venda
Salários obtidos pelo pro- Doações de ajudas voluntá-
Atividade de turismo rural Recursos de aposentado-
Humus Esterco Exploração mineral dutor com atividades fora rias de parentes ou amigos
no estabelecimento Agricultura familiar Estabeleci- Valor rias ou pensões
do estabelecimento
Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor mento (1 000 R$)
Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor
mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) mento (1 000 R$)
mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) mento (1 000 R$)
Total 1 195 10 500 33 901 128 672 3 551 53 102 5 812 121 468 Total 2 044 976 12 707 879 976 146 5 797 186 647 518 5 664 421 44 597 87 055
Agricultura familiar - Lei n 11.326 878 6 716 25 124 34 266 2 188 13 546 4 411 28 653 Agricultura familiar - Lei n 11.326 1 710 751 7 763 150 887 912 5 063 925 388 418 1 878 093 37 995 59 478
Não familiar 317 3 784 8 777 94 406 1 363 39 556 1 401 92 815 Não familiar 334 225 4 944 729 88 234 733 262 259 100 3 786 327 6 602 27 577

Agricultura familiar Receitas obtidas pelos estabelecimentos no ano, por tipo


Receitas obtidas pelos estabelecimentos no ano, por tipo
Prestação de serviço Outras atividades não
Receitas provenientes de programas especiais dos gover-
de beneciamento e/ou Prestação de serviços para agricolas realizadas no Desinvestimentos Pescado (capturado)
Produtos da agroindustria Agricultura familiar nos (Federal, Estadual ou Municipal)
transformação de produtos empresas integradoras estabelecimento (artesanato,
agropecuários por terceiros tecelagem, etc.) Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor
mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) mento (1 000 R$)
Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor Estabeleci- Valor
mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) mento (1 000 R$) Total 713 883 631 758 31 325 433 233 33 955 94 226
Total 314 298 3 034 861 44 300 570 304 49 295 6 109 143 33 227 119 116 Agricultura familiar - Lei n 11.326 644 257 544 211 24 383 160 328 30 914 57 115
Agricultura familiar - Lei n 11.326 279 443 1 474 487 37 101 130 610 38 342 2 867 954 28 797 67 632 Não familiar 69 626 87 547 6 942 272 905 3 041 37 111
Não familiar 34 855 1 560 374 7 199 439 694 10 953 3 241 189 4 430 51 485 Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.

20 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 21
Baldan aposta no programa Mais Alimentos desde 2008
A Baldan tem orgulho em ter fabricado os primeiros discos específicas na faixa de potência do Programa para oferecer pro-
no país e ter contribuído ao longo destes 87 anos para cres- dutos com a mesma tecnologia das máquinas da agricultura de
Financiamento da produção cimento da agricultura no Brasil, com significativa contribui- grandes áreas de plantio, para melhorar o rendimento e a pro-
O estudo também apresenta números referentes à ob- ção da agricultura familiar. A empresa acredita no potencial dutividade dos pequenos agricultores.
tenção de financiamento no ano de 2006: 781 mil estabe- do produtor rural familiar, que hoje representa cerca de 12 mi- A empresa possui uma linha ampla e diversificada com mais
lecimentos familiares praticaram a captação de recursos, lhões de pessoas por todo o país, ocupa 74% da mão de obra de 120 produtos, em mais de 2.500 versões, com oferta de pro-
sendo o custeio a principal finalidade (405 mil estabe- no campo, o que a torna responsável por 70% dos alimentos dutos para atender as necessidades e peculiaridades de pro-
consumidos pelos brasileiros, atingindo atualmente 33% do dutores de todo o país. São arados, grades, subsoladores, se-
lecimentos), seguido da finalidade de investimento (344
PIB agropecuário do País. meadoras, cultivadores, aplicadores de fertilizantes, sulcadores,
mil propriedades) além da comercialização (8 mil) e ma- Por acreditar na agricultura familiar e na oportunidade distribuidores de fertilizantes, raspadores agrícolas, roçadeiras,
nutenção do estabelecimento (74 mil estabelecimentos). do pequeno agricultor em adquirir suas máquinas e moder- plainas, plataforma para colheita de milho.
Por outro lado, o Censo registrou mais de 3,5 milhões de nizar sua produção, a Baldan desde 2008, participa do Pro- “A agricultura familiar cada vez mais está utilizando tecno-
estabelecimentos da agricultura familiar que não obtive- grama Mais Alimentos, linha de crédito do Pronaf que finan- logia.“ Nós da Baldan, investimos em máquinas e implementos
ram financiamento, especialmente porque “não precisa- cia investimentos para a modernização da propriedade rural para melhorar o rendimento e a produtividade dos pequenos
ram” ou por “medo de contrair dívidas”. ◆ familiar através do Ministério do Desenvolvimento Agrário. agricultores. Nossa expectativa é sempre atender as demandas
A Baldan participa das caravanas Mais Alimentos em todas do campo e contribuirmos cada vez mais com a agricultura fa-
as regiões do país. A indústria ampliou sua linha de máquinas miliar do país”, ressalta Celso Ruiz, superintendente da Baldan.

OLDRA ÓRFÃ

Produção agroecológica reduz a contaminação ambiental

22 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 23
Agricultura Familiar:
e colocar o País na direção da liderança no abastecimen- 2013, a produtividade agrícola brasileira avançou 267%,
to mundial de alimentos. O crescimento da agricultura enquanto a dos Estados Unidos aumentou em 75%.
tem sido estimulado quase exclusivamente pelos acrésci- Se não houver compensações da sociedade pelas
mos de produtividade. Esta tem sido a principal fonte de transferências recebidas do agronegócio, o setor fatal-
crescimento. Brasil, China e Estados Unidos são os países mente tenderá à estagnação ou regressão. Essas com-

sustentáculo do dinamismo econômico com maior crescimento da produtividade”, salienta.


A demanda de insumos tem crescido de forma ace-
lerada no País, com taxas anuais médias de expansão de
pensações não se restringem ao perdão de dívidas, mas,
sim, proporcionar condições que ao mesmo tempo
aproxime o setor da sustentabilidade privada e amplie
5,5% para os fertilizantes de 11,5% para os agroquími- os benefícios que a sociedade pode auferir do setor. Tais

S
em exceção, todos os países desenvolvidos têm rurais já representam cerca de 50% do mercado nacional cos. 68% do crescimento da produção agrícola brasileira compensações podem se dar de variadas formas. Uma
na agricultura familiar um sustentáculo do de tratores”, afirma. nos últimos 40 anos estão relacionados ao emprego de prioridade é fortalecer os investimentos em ciência e
seu dinamismo econômico e de uma saudável Dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário tecnologia, enquanto 9% correspondem ao fator terra tecnologia agropecuária, educação e saúde rural, pré-
distribuição da riqueza nacional. Todos eles, em algum (MDA) mostram que, só nos três primeiros meses da (aumento de área ou terra mais produtiva) e 2% a mão de -condições para que o setor retome o padrão de cres-
momento da história, promoveram a reforma agrária e safra 2014/2015, os agricultores familiares contrataram obra. A terra não é mais fator significativo para o aumen- cimento de produtividade que ocorria até o início dos
a valorização da agricultura familiar. A discussão sobre R$ 8,3 bilhões em crédito rural através do Programa to de produção. O fundamental é a tecnologia. De 1975 a anos 2000. ◆
a importância e o papel da agricultura familiar no desen- Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
volvimento brasileiro vem ganhando força nos últimos (Pronaf). O valor é 33% superior quando comparado
anos, impulsionada pelo debate sobre desenvolvimento ao mesmo período de 2013. Em outubro de 2014, o
sustentável, geração de emprego e renda, segurança ali- MDA e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veí-

DIVULGAÇÃO
mentar e desenvolvimento local. A elevação do número culos Automotores (Anfavea), assinaram um acordo de
de agricultores assentados pela reforma agrária e a cria- cooperação para viabilização das vendas de máquinas
ção do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da agrícolas, até 2017, a produtores que se enquadrem ao
Agricultura Familiar) refletem e alimentam este debate programa Mais Alimentos.
na sociedade. “Ao partir da premissa que a agricultura familiar é
Segundo o consultor agroeconômico, Carlos Cogo, a focada na produção de alimentos, trata-se de um seg-
propriedade da terra não é o único elemento a ser con- mento que não sofre pela instabilidade de preços como o
siderado em relação à necessidade da reestruturação das commodities, por exemplo, e a comercialização dos
fundiária no Brasil. Entre os agricultores familiares que equipamentos não se restringe às grandes regiões pro-
são proprietários, muitos possuem menos de 5 hectares, dutoras. Esse segmento cresceu em 2014, sobre 2013,
o que, na maioria dos casos, inviabiliza sua sustentabi- porque é um mercado mais estável. Não flutua tanto.
lidade econômica através da agricultura, com exceção Além disso, são produtos que vendem no Brasil inteiro,
de algumas atividades econômicas, sua localização e/ou desde o Rio Grande do Sul até a nova fronteira agrícola
seu grau de capitalização. No Brasil, 39,8% dos estabe- do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e tem
lecimentos familiares possuem, sob qualquer condição, condições de avançar”, diz. Dentre as culturas que mais
menos de 5 ha, sendo que outros 30% possuem entre 5 a demandam para a empresa neste segmento, se destaca a
20 ha e 17% possuem entre 20 e 50 ha. Ou seja, 87% dos fruticultura e as produções de café, laranja, arroz, feijão,
estabelecimentos familiares possuem menos de 50 ha. batata, cebola e tomate, ou seja, produtos que compõe a
Quanto mais elevado é o nível de renda dos agriculto- mesa do brasileiro.
res familiares, maior é o percentual de estabelecimentos “A produtividade média tem crescido acima da área,
que utilizam força mecânica ou mecânica e animal nos requisitando menos superfície para expansão da produ-
trabalhos agrários. “Na lacuna deixada por um decrés- ção. Graças aos ganhos de produtividade proporcionados
cimo nas vendas de máquinas a grandes propriedades, a pelo avanço tecnológico, a produção agrícola brasileira
agricultura familiar entrou em destaque neste ano, com aumentou 244% de 1990 para cá, enquanto a área plan-
a geração de demandas por equipamentos de alta tecno- tada expandiu-se em apenas 50%. Com um aumento de
logia. Este nicho é de extrema importância para a estra- 130% da produtividade agrícola neste período, precisa-
tégia de crescimento do setor. Os pequenos produtores mos menos áreas para expandir nossa produção de grãos Carlos Cogo

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Roberto Stuckert Filho
Palavra da Presidente
Agricultura familiar:
quem não vive
dela, depende
dela para viver

28 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 29
N
os relatos a seguir, a presidente do Brasil, do agronegócio, dos trabalhadores rurais, dos ambien- gundo mandato. Não faltarão condições, nem recursos diesel foi lançado, um dos objetivos era inserir a agricultu-
Dilma Rousseff, destaca ações com o com- talistas, de todos eles, sem exceção e sem considerar as adequados para continuarmos expandindo a produção. ra familiar na cadeia de produção do biocombustível.
promisso de ampliar e fortalecer as políticas diferenças políticas ou ideológicas. É também a bandei- Vamos manter e fortalecer as políticas para setores es- “Esse foi um dos objetivos que nós perseguimos. E
públicas lutando pela erradicação da miséria, incentivan- ra de um governo que não pode discriminar quem gera pecíficos, como é o caso do financiamento dos médios acredito que a agricultura familiar, teve um papel signifi-
do o uso de tecnologia, visando o aumento da produção e alimentos e divisas para um Brasil comprometido com produtores, o programa ABC, o financiamento à pecuá- cativo nesse processo, auxiliada pelo selo social, chegan-
renda dos pequenos agricultores. Os textos foram editados a segurança alimentar do seu povo. Digo, sem medo de ria, as medidas de apoio aos produtores de cana, de café do a gerar 31% da receita aferida na comercialização. E
através de pronunciamentos oficiais em diversos eventos errar, que um dos fatores de prosperidade do Brasil está e de laranja, para citar apenas algumas; vamos fortalecer eu acredito que tanto as cooperativas que organizam a
relacionados à agricultura e agricultura familiar. representado pelos produtores rurais da CNA e em to- os programas de inovação e modernização tecnológica agricultura familiar, quanto a agricultura familiar por si
das as instituições que representam, também, a pequena do processo produtivo; vamos melhorar o seguro agrí- - e nós hoje temos 83 mil agricultores e 77 cooperativas
Agropecuária: orgulho para nosso país agricultura familiar, os médios empreendedores do cam- cola e buscar, de forma sistemática e determinada, sua de agricultores familiares -, vão ser reforçados pelo B6
No discurso da presidente Dilma Rousseff, duran- po, nas diferentes áreas, os que lutam pela terra como universalização; vamos continuar apoiando a expansão e o B7. Daí porque por todos os lados que a gente olhe,
te solenidade de posse da diretoria e conselho fiscal da meio de vida. A esses bravos e bem-sucedidos brasileiros de nossa capacidade de armazenagem; continuaremos esse é um programa muito bem-sucedido. E eu acho que
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e brasileiras de todas as áreas, do algodão, passando pela investindo no redesenho do mapa da logística de esco- seria importante dizer para uma outra questão: nós não
ela afirma que a agropecuária é “sem sombra de dúvida, laranja, pelo café, enfim, por todos os produtos, venho amento da produção brasileira; continuaremos melho- podemos, de maneira alguma, desconhecer que cada vez
um orgulho para o nosso país”. oferecer a continuidade de uma parceria que, para meu rando nossas rodovias, mas que afirmo a centralidade, que a gente introduz combustível na matriz, nós temos
“Ela produz alimentos, produz proteína animal, pro- governo, é fundamental, pois está na base do desenvolvi- no novo mandato, dos investimentos, tanto em ferrovias de avaliar o efeito sobre os preços, sobre a inflação, por-
duz cereais, enfim, produz aquilo que alimenta os povos mento do país, um desenvolvimento que queremos forte, como em hidrovias; manteremos nossa determinação de que senão seríamos inconsequentes. Nós temos certeza,
de outras nações e, sobretudo, o povo brasileiro. Gera inclusivo e sustentável.” implantar canais de escoamento mais eficientes e de me- por todos os dados, que nesta conjuntura presente, na
emprego, gera riqueza no Brasil. Estimula cadeias pro- nor custo na direção norte, dando ao Brasil uma logística situação que estamos vivendo nos últimos anos, não há
dutivas industriais de importância inquestionável para Apoio do governo ao produtor é um compro- de transportes, a partir do paralelo 16, compatível com um impacto significativo nos preços. Aliás, o impacto
o nosso crescimento. O sucesso de nossa agropecuária misso com o país o dinamismo da nossa produção agrícola; vamos dar é muito, é muito remanescente, é muito residual, e isto
é fácil de ser mensurado. Na safra de 2001/2002, nós “Na atual safra, por exemplo, garantimos aos produ- continuidade aos investimentos na expansão da produ- também mostra que, pelo lado do uso do biodiesel, nós
produzimos 96,8 milhões de toneladas em 40,2 milhões tores o maior e mais completo plano agrícola da história ção de fertilizantes no Brasil, algo que é tão importante, não estamos onerando o conjunto da população brasilei-
de hectares. Na safra atual devemos ultrapassar os 200 do Brasil. Maior e mais completo para aquele ano. Nós na medida em que se constitui em um dos fatores que ra, o que é muito relevante.”
milhões de toneladas em 58 milhões de hectares, mais sempre somos capazes de fazer, a cada ano o maior e o mais oneram o custo da produção e queremos reduzir a
que dobramos a produção, com o crescimento de 44% na mais completo plano agrícola. Neste são R$ 156 bilhões dependência que hoje temos da importação desses im- AF: Quem não vive dela, depende dela para
área plantada. Eu cito esses dados porque eles mostram para o agronegócio, além dos R$ 24 bilhões destinados à portantes insumos.” viver
que estamos oferecendo a melhor resposta possível a um agricultura familiar. Estes recursos chegam aos produto- Na cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agri-
dos desafios da humanidade: alimentar o mundo sem res com juros adequados e tão generosos quanto a nossa Biodiesel cultura Familiar 2014/2015, Dilma Rousseff, pontua que o
destruir o planeta.” capacidade permite. Em outro pronunciamento, desta vez durante a Cúpu- Brasil tem na agricultura familiar um compromisso que o
Buscamos garantir especial atenção a alguns elos da la do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), governo brasileiro considera estratégico. “Por isso eu gos-
Produzir preservando cadeia produtiva por serem prioritários ou porque, até em Nova Iorque, Dilma disse que o país adotou planos tei tanto da frase do [Alberto] Broch: quem não vive dela,
“Por meio do aumento da produtividade, estamos então, não haviam recebido o apoio suficiente do esta- setoriais para a redução do desmatamento no chamado depende dela para viver. A visão estratégica é a visão que
mostrando que é possível produzir - vale dizer, plantar, do. Foi assim que demos importantes saltos na oferta de Cerrado brasileiro; para o aumento das energias renová- percebe esse aspecto da agricultura familiar, que é um as-
colher, exportar e gerar riquezas - sem abrir mão da pro- crédito ao investimento em máquinas e implementos. veis e a promoção da Agricultura de Baixo Carbono. pecto essencial para o Brasil. É o aspecto da produção de
teção e da preservação do meio ambiente. Devemos isso Aprimoramos o financiamento à pecuária de corte, am- “O Brasil é um grande produtor de alimentos. Temos alimentos saudáveis. E por isso, de uma certa forma, eu
aos grandes, aos médios e aos pequenos produtores ru- pliamos a oferta de assistência técnica em extensão rural. consciência que as técnicas agrícolas de baixo carbono, penso o futuro, e olho para o futuro e penso: um dia nós
rais brasileiros. Devemos isso aos nossos pesquisadores, Implantamos e fortalecemos um bem sucedido pro- ao mesmo tempo em que reduzem emissões, elevam a não vamos precisar ter um plano específico para o Semi-
aos nossos agrônomos, ao trabalho de instituições como grama de fomento a Agricultura de Baixo Carbono. Am- produtividade do setor agrícola. árido, porque o Semiárido vai estar tão desenvolvido que
a Embrapa, às empresas privadas que atuam na área, às pliamos uma política da qual tenho muito orgulho, que Por sua vez, na pequena agricultura familiar, as práti- ele poderá estar junto do Plano da Agricultura Familiar, e
nossas universidades, a todos aqueles que defendem a é o apoio ao médio produtor, que antes ficava bloqueado cas agroecológicas, ajudam a reduzir a pobreza no cam- o Brasil ou terá vários planos regionais e ao mesmo tem-
agropecuária em todas as esferas: no Executivo, no Le- entre o pequeno e o grande, sem ter uma política especí- po. Ambos programas são decisivos para a segurança po um plano nacional. Mas um dia também não terá um
gislativo e no Judiciário. fica pra ele. Não fugimos, nem nos omitimos na questão alimentar e nutricional de milhões de brasileiros.” plano de agroecologia. Agricultura familiar será igual a
A bandeira da produtividade e da preservação está da transgênica e da sua aplicação responsável e correta. Em outra manifestação, durante a cerimônia de anún- produção agroecológica sustentável.”
nas mãos de todos. Por isso, eu digo que nós temos um Além de preservar e consolidar o que já conquista- cio de medidas de fomento à produção e ao consumo de Na ocasião foi lançado o plano de 24,1 bilhões em
imenso conjunto aqui representado: dos empresários mos, temos prioridades importantes a atender nesse se- biodiesel, a presidente disse que em 2004, quando o bio- créditos, previstos para essa safra. “Eu queria dizer que

30 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 31
esses 24 bilhões são 10 vezes mais do que foi aplicado seguro para o produtor. E, o que é bom também, o agri- dizer que do meu ponto de vista, nós precisamos avançar Iorque, Dilma Rousseff pontuou que o Brasil não tem
na safra 2002/2003 e isso mostra a força de vocês. Que cultor vai continuar pagando 2% sobre o valor agregado. mais, porque ser capaz de uma agricultura sustentável, ser só o agronegócio. “Uma parte expressiva da produção
mostra além do fato do governo estar sensível e atento à Essa contratação do seguro vai ser obrigatória para capaz de produzir respeitando o meio ambiente de forma de alimentos no Brasil é feito pela agricultura familiar,
importância da agricultura familiar, à importância dos evitar as sistemáticas necessidades de fazer renegociação agroecológica, não significa deixar de ter acesso ao que a pequena agricultura. Na pequena agricultura, está
assentados da reforma agrária, é o fato de que nós todos de dívida. O intuito é cercar a produção de todas as ga- tem de mais moderno em termos de máquina, pelo con- sendo extremamente relevante a chamada agroecologia,
aprendemos, o governo aprendeu, vocês aprenderam. rantias para que ele não tenha situações emergenciais no trário, a agricultura agroecológica é uma agricultura mo- que é a produção agroecológica de vários produtos para
Nesse processo, todos nós aprendemos.” qual ele seja obrigado a não pagar.” derna, é uma agricultura tecnológica, é uma agricultura consumo domiciliar no Brasil, considerando que a agri-
Neste sentido, a presidente completa que o diálogo e a “O Brasil inteiro conhece a capacidade da produção que exige assistência técnica. É por isso que ela é de outra cultura familiar responde, junto com as cooperativas,
importância das conferências foram importantes para a da agricultura familiar. Ela está nas nossas mesas, ela qualidade. E isso é algo que nós temos de garantir e asse- junto com toda uma política de incentivo a expansão
construção de um plano que correspondesse aos anseios nos alimenta e nós consumimos essa produção todos os gurar como sendo um dos valores da agricultura familiar.” dela, ela responde por uma parte fundamental da nossa
do conjunto de agricultores da agricultura familiar e da dias. Eu tenho certeza que vai ser importante no futuro, Em entrevista coletiva concedida pela presidente, alimentação, está entre 60, 70% de muitos dos produtos
reforma agrária. e disse isso aqui no início, que a marca da agricultura após a Cúpula do Clima 2014, na sede da ONU, em Nova produzidos.” ◆
Segundo ela, esse é um fato decisivo para o Brasil, familiar seja uma marca diferenciada, pautada pela qua-
pois mostra que com participação social se produz resul- lidade dos produtos. Já é diferenciada, mas eu acho que o
tados. “Eu quero também destacar esse aspecto porque Brasil vai ter no futuro, um compromisso entre agricul-

Roberto Stuckert Filho


ele mostra uma grande maturidade desta relação entre tura familiar e agroecologia. Eu acho que esse é o nosso
governo e os movimentos sociais no sentido de formu- caminho.”
lação de uma política para a agricultura familiar. E por
isso nós sabemos que as grandes conquistas, elas só são Mais tecnologia, mais produção, mais renda
grandes quando construídas pelo diálogo entre nós. Sa- “A cada Plano Safra, nós estimulamos o investimento
bemos disso e foi por esse diálogo que nós conseguimos pela agricultura familiar em máquinas e equipamentos e
várias alterações sucessivas nos planos, que vêm desde adoção de novas tecnologias para aumentar ainda mais
2003. Atendendo demandas históricas do setor, como a produção e a produtividade no setor. Nessa safra estão
seguro, a Garantia de Preços para Agricultura Familiar, previstos R$ 12 bilhões do Pronaf para as linhas de in-
o PGPAF, as compras institucionais do PAA, o acesso à vestimento. Esse montante é 15 vezes maior que o execu-
mercado, assistência técnica, que foi fruto desse debate tado no início, quando nós chegamos ao governo com o
que deu origem à Anater. presidente Lula. E os juros dessa linha variam de 0,5% a
Eu acredito que nós tivemos um processo de avanço 2%. São taxas extremamente baixas, pois nós queremos
nesse Plano Safra. Nós asseguramos taxas de juros inal- que os agricultores desse país, os pequenos agricultores
teradas. Mesmo quando a gente sabe que houve um au- desse país, tenham acesso às melhores condições possí-
mento das taxas Selic, nós garantimos as mesmas taxas veis para investir, para adquirir máquinas e equipamen-
de juros para a agricultura familiar. E isso significa que na tos que melhorem a produtividade da sua propriedade
prática nós ampliamos o subsídio ao custeio e ao investi- e, ao mesmo tempo, e por isso, gerando mais emprego e
mento. Além disso, eu considero fundamental a criação renda. Mais emprego para quem? Mais emprego na cida-
da nova linha de crédito com assistência técnica garanti- de, porque essas máquinas, esses equipamentos revolu-
da, o Pronaf Produção Orientada para apoiar a produção cionam também e melhoram a situação de emprego nas
sustentável de alimentos nas regiões que nós considera- cidades. E mais renda para quem? Para os agricultores e
mos essenciais, que tenham suporte de assistência técni- para os nossos companheiros das cidades.
ca: Norte, Nordeste e regiões e do Centro-Oeste.” “Esse ano, aliás, eu queria dizer isso para vocês: sabe
“O Proagro Mais, o Seguro da Agricultura Familiar, quanto que cresceu o investimento em máquina e equipa-
também vai permitir que o ambiente no qual o agricultor mento agrícola? Eu achei esse número fantástico. Nos últi-
e o assentado produz, seja um ambiente mais seguro, com mos 12 anos passou de R$ 80 milhões para R$ 4,5 bilhões.
mais tranquilidade. Nessa safra, é importante a gente su- É um número muito significativo. E aí, gente, é bom saber:
blinhar, que nós passaremos a garantir 80% da receita o Mais Alimentos financiou, nas últimas seis safras, 47 mil
bruta esperada, com limite de cobertura até R$ 20 mil. veículos de transporte de carga; 1,4 mil colheitadeiras e 75
Isso é muito importante porque cria um meio ambiente mil tratores. Nós conseguimos esse patamar, mas eu quero

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MDA MDA

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MDA MDA

Anuário Brasileiro da Agricultura Fami- atenção especial aos seguros agrícolas, à agroecologia, e
liar - Quais as perspectivas para a agricultura familiar também às iniciativas que promovam a igualdade entre
no Brasil? homens e mulheres no campo, a permanência do jovem
Patrus Ananias - Nós queremos fortalecer ainda no campo e à reforma agrária.
mais a agricultura familiar. Queremos que ela seja au- Para potencializar todas essas ações, vamos trabalhar
tossuficiente e que também seja mecanizada. Também de forma integrada com os demais ministérios e órgãos
queremos levar o Pronaf (Programa Nacional de For- federais, e ampliar as parcerias com setores produtivos,
talecimento da Agricultura Familiar) para um número entidades da sociedade civil e os movimentos sociais.

MDA
maior de produtores, como quilombolas, geraizeiros,
indígenas, assentados da reforma agrária e agricultores Anuário - Por falar nisso, o senhor concentrou a sua
familiares do semiárido. agenda nessas primeiras semanas no comando do MDA
Além de ampliar ainda mais esse acesso, um grande para intensificar esse diálogo com a sociedade civil or-

Ministro fala das perspectivas da desafio é avançarmos nas condições tecnológicas para
que essa produção seja competitiva, rentável para o pro-
dutor, e, ao mesmo tempo, agroecológica, que ofereça
ganizada.
Patrus Ananias - Sim. Nos primeiros dois meses de
mandato, eu procurei receber e ouvir o maior número

agricultura familiar para 2015 alimentos saudáveis, que promovam a vida. E acredito
que temos condições para isso.
Outro ponto importante é que estamos consolidando
de representantes dos movimentos sociais, associações
e cooperativas, de todas as regiões do País. Acho funda-
mental a participação da sociedade na construção e no
a Anater. Será um órgão para prestar serviços de assis- aperfeiçoamento das políticas para um País mais justo e
Em entrevista, Patrus Ananias, enfatiza ainda que a agricultura familiar pode tência técnica e extensão rural para os agricultores fa- igualitário para todos. E o que é mais notório é o anseio
miliares. Pretendemos fortalecer a rede de parceria com por uma reforma agrária efetiva e pela aplicação do prin-
contribuir para o enfrentamento da fome e da pobreza no mundo as universidades e estudos de pesquisa, para aperfeiçoar cípio constitucional da função social da propriedade.
esse conhecimento.
Também estou cada vez mais convencido de que o Anuário - Em seus discursos públicos, a reforma
cooperativismo nos ajuda muito em todo esse processo, agrária tem sido tema constante. Ela é prioridade do seu

PAULO HENRIQUE CARVALHO / ASCOM MDA


ao criar sinergia para agregar valor à produção e viabili- mandato?
zar o acesso aos mercados, especialmente aos institucio- Patrus Ananias - Dentro do nosso planejamento es-
nais, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o de tratégico, temos duas questões muito importantes. A pri-
Alimentação Escolar. meira é que estamos determinados a assentar, de forma
digna, as famílias que estão acampadas no Brasil. Para
Anuário - O senhor acredita que a agricultura fami- isso, vamos alinhar uma ação integrada com o Ministé-
liar pode contribuir para o enfrentamento da pobreza e rio do Desenvolvimento Social, para identificarmos to-
da fome? das as famílias acampadas e, a partir deste levantamento,
Patrus Ananias - No fim do ano passado, o Brasil assentarmos. Vamos identificar quem são essas famílias
saiu do Mapa da Fome. Uma conquista notável, histórica, para termos uma ideia concreta do tipo de apoio, dentro
que está ligada às políticas sociais de combate à pobreza de todas as políticas públicas de inclusão social, que elas
e de segurança alimentar, e também às políticas de apoio precisam receber.
à agricultura familiar. O segundo passo é melhorar os assentamentos, para
Mais do que manter esse patamar alcançado, o desa- garantir autonomia produtiva e financeira aos assenta-
fio é continuarmos avançando e isso também está asso- dos. Queremos levar mais infraestrutura, cultura, lazer,
ciado ao desenvolvimento das políticas voltadas para a educação, atividades esportivas e de inclusão social. Es-
produção agrícola e para a manutenção da estabilidade tas ações contribuem para a manutenção dos jovens no
de preços dos alimentos. campo. Finalmente, queremos que os assentamentos se-
Em relação à agricultura familiar, além do crédi- jam não apenas focados na produção, mas um legítimo
to e da assistência técnica, como falei antes, vamos dar espaço de vivência, cultura e lazer. ◆

36 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 37
MDA MDA

SAF Técnica e Extensão Rural, com Formação e Capacitação


continuadas; Crédito, Seguro e Garantia de Preços Mí-

Albino Oliveira / Ascom MDA


nimos, e Organização Econômica e Social para inclusão

“A expressividade e a importância nos mercados e o Abastecimento Alimentar e Energéti-


co. A partir desses eixos estruturantes, dezenas de pro-
gramas e ações chegam a todos os municípios do País

da agricultura familiar no Brasil


para as mais de 4 milhões de famílias rurais, contribuin-
do, decisivamente, para o abastecimento das cidades e
dinamização da economia local.
A estratégia fundamental para a execução das políti-

são incontestáveis,” diz secretário cas está nas parcerias com instituições públicas e priva-
das, que executam na ponta os programas e ações, desde
a produção até o abastecimento.
Em entrevista, Onaur Ruano, fala sobre o papel da agricultura familiar no Além da continuidade, aperfeiçoamento e fortale-
cimento das ações já em andamento, neste ano foram
país e no mundo eleitos temas prioritários, que a SAF tem o objetivo de
consolidar em 2015, tais como ampliar e fortalecer o

A
Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) ram que 84% dos estabelecimentos rurais no Brasil eram cooperativismo; ampliar e fortalecer a agroindústria fa-
implementa políticas públicas voltadas à da Agricultura Familiar, mas que ocupavam apenas 24% miliar; ampliar e fortalecer as capacidades locais para
agricultura familiar, de forma continuada, da área agrícola do País. Responderam por 74% dos pos- produção, multiplicação e acesso a sementes e mudas;
visando contribuir para a promoção de seu fortaleci- tos de trabalho no campo, com geração de 38% do va- fomentar a agroecologia como modelo de produção; vo-
mento econômico e social, de um modelo de produção lor bruto da produção agropecuária nacional. A grande cacionar a Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER
amigável com o meio ambiente, e para um desenvolvi- maioria dos alimentos presentes na mesa dos brasileiros para aprofundar orientação prioritária a temas como o
mento rural sustentável. Para tanto, atua potencializan- é oriunda da Agricultura Familiar. Tem-se aí 83% da acesso ao crédito, à inovação e a modelos de produção
do a produção, a organização econômica, a qualidade mandioca, 70% do feijão, 69% das hortaliças, 59% dos sustentáveis, e regularização e restauração ambiental nos
de vida das famílias rurais, sua inserção nos mercados, suínos, 58% do leite, 51% das aves, 45% do milho e 30% estabelecimentos assistidos; e ampliar e aperfeiçoar os
gerando emprego e renda. dos bovinos,” define. instrumentos de comercialização para o abastecimento
Para o secretário da Agricultura Familiar (SAF), do Para atingir resultados como esses, a Secretaria da alimentar.
MDA, Onaur Ruano, “a expressividade e a importância Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Segundo ele, no cooperativismo, o papel da assistên-
da agricultura familiar no Brasil são incontestáveis. Os Agrário, se estrutura em três pilares fundamentais de po- cia técnica e extensão rural e do crédito na melhoria da
dados do último Censo Agropecuário (2006) demonstra- líticas públicas para a Agricultura Familiar: Assistência gestão e eficiência das cooperativas, incluído aí as asso-

38 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 39
MDA

Tramontini:
ciações de agricultores familiares, será aperfeiçoado com A respeito de melhorar o seguro agrícola no senti-
a melhoria dos instrumentos e ampliação da alocação do de proteger ainda mais o agricultor familiar, Ruano
de recursos. Acrescenta que na agroindústria familiar, afirma que está sendo criado um novo modelo de se-
a qualificação dos processos de produção; a adequação guro de renda para esta categoria. Ele explica que, nas

máquinas com
do marco regulatório da Vigilância Sanitária para as condições atuais do Proagro Mais, o valor segurado é
suas especificidades, escala e tamanho; o apoio para o definido a partir do valor financiado, o que nem sem-
fortalecimento dos Sistemas de Inspeção Municipais; a pre se ajusta às necessidades de cobertura da lavoura.
inserção nos mercados; e a valorização da identidade dos “Esse modelo atual gera muitas distorções, fornecendo
produtos agroindustrializados da agricultura familiar ao cobertura excessiva para alguns e insuficiente para ou-

a essência da
público consumidor, com a elaboração e distribuição de tros,” pontua.
catálogos dos produtos, campanhas de esclarecimento e Segundo ele, no novo modelo, a base de cálculo parte
distinção dos seus aspectos culturais e tradicionais, e a da renda: o valor segurado será de 80% da receita bruta
consolidação do Selo de Identificação da Participação da esperada da lavoura, limitado a financiamento mais R$

agricultura
Agricultura Familiar (SIPAF) também são prioridades 20 mil. O novo seguro foi aprovado pelo Conselho Mo-
da Secretaria. netário Nacional (CMN) e o início das operações está
Conforme o secretário será lançado um Programa previsto para julho deste ano.
Nacional de Sementes e Mudas para a Agricultura Fami-
liar, com parcerias governamentais e com organizações Ano Internacional da Agricultura Familiar

familiar
da sociedade civil, fortalecendo as capacidades locais 2014 foi instituído como o Ano Internacional da
de conservação, produção, multiplicação e organização Agricultura Familiar. O secretário de Agricultura Fa-
da demanda e distribuição de sementes e mudas para a miliar do Brasil, acredita que esta declaração da FAO
agricultura familiar, tendo a modalidade Sementes do é um reconhecimento da importância desse segmento

A
Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Sementes, para o mundo. “Não é possível medir o impacto disso Tramontini Maquinas, com sede no município de Venâncio Aires, no
como um instrumento importante de compras locais e na agricultura familiar brasileira, mas é claro que a pro- Rio Grande do Sul, acompanhou de perto a evolução da tecnologia vol-
distribuição no território. “O Abastecimento Alimentar, jetou mundialmente, dando maior visibilidade,” acredi- tada à agricultura familiar. Fundada em 1984, a empresa iniciou suas
como conceito, deverá articular o conjunto de programas ta. E acrescenta: “o que pudemos constatar é que nossas atividades com a produção de carretas agrícolas. Em 2003, passou a fabricar um
e ações, na perspectiva de que as cadeias produtivas não políticas públicas para a Agricultura Familiar são hoje trator transportador agrícola, passo importante para a produção de microtratores
sejam tratadas de forma segmentada e apenas tecnica- referência para o mundo como sinônimo de criativida- e, posteriormente, tratores de quatro rodas, seguindo o desenvolvimento do produ-
mente nos seus fatores, mas que os sujeitos envolvidos, de, de vontade política do Governo Federal, de interse- tor na pequena propriedade rural.
da roça à mesa, possam ter seus papéis reconhecidos e torialidade e articulação de políticas, e como modelo Os tratores de maior porte chegaram em 2011, evoluindo até o 1680, de uso
respeitados,” diz. inspirador para o desenvolvimento rural sustentável e geral com motor de 80cv. Com tradição na fabricação de máquinas voltadas aos
No que se refere à participação da agricultura fami- para a segurança alimentar e nutricional.” pequenos e médios produtores, a Tramontini destaca-se por modelos que aliam
liar nas aquisições para a alimentação escolar nos muni- A articulação da política de Educação (MEC/FNDE) produtividade e economia nas operações de cultivo, com grande versatilidade de
cípios, a cota de 30% prevista pela lei para aquisição de com a política agrícola para a Agricultura Familiar aplicação.
alimentos desse segmento representou, em 2013, R$ 1,46 (MDA/SAF) é um exemplo. O Programa Nacional de Dos microtratores aos tratores de quatro rodas, a companhia também é co-
bilhões. A participação nessa cota tem evoluído desde o Alimentação Escolar (PNAE), a partir da sanção da Lei nhecida por levar ao mercado opções projetadas para culturas específicas, como
início das aquisições, com participação de 17% em 2010, N° 11.947, de 26 de junho de 2009, que estabeleceu no o premiado 1640, considerado o melhor trator do Brasil para o cultivo de uva. Sua
26% (2011), 37% (2012) e 43% em 2013. seu Art. 14 que do total dos recursos financeiros repas- estabilidade e segurança em terrenos acidentados, além do menor raio de giro do
É possível, de acordo com Ruano, encontrar na sados pelo FNDE, no âmbito do PNAE, no mínimo 30% mercado, somam-se a duas características que o tornam ainda mais atrativo: é o
alimentação dos alunos da rede pública de ensino deverão ser utilizados na aquisição de gêneros alimen- modelo mais compacto e com melhor economia de combustível em sua faixa de
do País alimentos orgânicos e agroecológicos produ- tícios diretamente da agricultura familiar, passa a mu- potência.
zidos por agricultores familiares. São 43 milhões de dar de maneira expressiva a qualidade da alimentação A alma dos projetos da Tramontini está no contato direto com o produtor. O
estudantes se alimentando adequadamente. É o maior escolar, assim como a diversificação do perfil de produ- 1640, ideal também para a cultura do café, é fruto de dois anos de pesquisas e tes-
restaurante do mundo. “Ganha quem produz e ganha ção da agricultura familiar, com melhorias importantes tes junto aos próprios agricultores, que influenciaram diretamente na definição de
quem consome.” nos dois segmentos. ◆ suas características, baseadas nas necessidades do homem do campo. Por tudo isso,
os modelos da marca carregam a essência da agricultura familiar. ◆

40 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015


MDA MDA

Diretor confirma
sucesso do programa
Mais Alimentos
Lucas Ramalho diz que nos últimos seis anos, mais de 835 mil agricultores
acessaram um crédito barato e com boas condições de pagamento
Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar endividamento a ser contratado pelo agricultor fami- carência de até três anos, a depender do projeto. Além
- O Programa Mais Alimentos é o carro- chefe e o gran- liar no ano safra 2013/2014 de R$ 200 mil para R$ 300 disso, houve o aumento no limite do valor máximo de
ALBINO OLIEVEIRA / ASCOM MDA

de sucesso do MDA, desde sua implantação. Quais foram mil; e aumento no número de contratos por ano-safra, endividamento a ser contratado por produtor, passando
as principais conquistas desse importante programa? saindo de 208,6 mil em 2012/2013 para 404,4 mil em de R$ 200 mil para R$ 300 mil.
Lucas Ramalho - Destaco a melhoria do maquiná- 2013/2014. Com o Programa Mais Alimentos Internacional, o
rio e da infraestrutura nas propriedades da agricultura Anuário - Quais estados brasileiros que mais con- Brasil passou a conceder crédito para países em desen-
familiar. Nos últimos seis anos, mais de 835 mil agricul- trataram crédito do Pronaf/Mais Alimentos? volvimento comprarem máquinas e equipamentos agrí-
tores acessaram um crédito barato e com boas condições Lucas Ramalho - Embora todos os estados se be- colas produzidos no nosso País, o que estimulou signifi-
de pagamento. Para exemplificar a dimensão do progra- neficiem com o programa, são os estados de Minas Ge- cativamente nosso parque industrial.
ma, vale dizer que 10% de todos os tratores do Brasil fo- rais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Pau- A iniciativa de estabelecer uma linha de crédito para
ram adquiridos por agricultores familiares por meio do lo, Espírito Santo, Mato Grosso, Rondônia e Goiás, nesta a exportação de maquinário e equipamento agrícola pro-
Mais Alimentos. ordem, que acessam a maior parte dos recursos. Em duzido no Brasil para agricultores familiares de outros
Isso tudo foi possível porque o crédito cresceu dez número de contratos, os estados que mais acessaram o países foi lançada durante o “Diálogo Brasil – África em
vezes nos últimos doze anos. Neste Plano Safra, foram programa foram Bahia, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvi-
R$ 24,1 bilhões voltados para a agricultura familiar. Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul. mento Rural” em março de 2010, no qual foi estabelecido
Hoje, há operações do Pronaf em 98% dos municípios Anuário - Quais sãos os principais fatores para o um diálogo permanente entre a África e o Brasil em ma-
brasileiros. Esses recursos permitiram ao agricultor fa- crescimento de financiamentos através do Pronaf/Mais téria de segurança alimentar e nutricional e de desenvol-
miliar acesso a novas e modernas tecnologias que, por Alimentos, e a implantação do Programa Mais Alimen- vimento rural. A partir desse compromisso, o programa
sua vez, resultaram na geração de milhares de empre- tos Internacional? inicialmente batizado como Mais Alimentos África, foi
gos na indústria brasileira. Lucas Ramalho - Com relação ao Programa Mais posteriormente alterado para Mais Alimentos Interna-
Vale destacar que, para continuar o processo de Alimentos Nacional, destaca-se a facilidade na contra- cional, de forma a atender as solicitações de cooperação
aperfeiçoamento do programa, o MDA empreendeu tação e na forma de pagamento do financiamento. São técnica e de apoio a projetos de desenvolvimento agrário
importantes mudanças para melhor atender os agricul- taxas de juros reduzidas, que variam de 1% a 2% ao ano; e incremento da produção da agricultura familiar reali-
Lucas Ramalho
tores familiares: aumento no limite do valor máximo de prazos de pagamento que variam de 10 a 15 anos com zadas por países localizados fora do continente africano.

42 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 43
MDA MDA

Anuário - De que maneira o Programa Mais Ali- tura familiar. Em suma, o programa promoveu a melho-
mentos contribui com a indústria brasileira de máquinas ria na qualidade de vida.
e implementos agrícolas? Anuário - Com qual objetivo o Programa Mais Ali-
Lucas Ramalho - Ao fornecer condições acessí- mentos Internacional foi criado e quais são os benefícios
veis para os agricultores familiares satisfazerem suas que ele trará para o Brasil?
demandas, o programa insere no mercado consumidor Lucas Ramalho - O Programa Mais Alimentos In-
de máquinas e implementos agrícolas 835 mil agricul- ternacional tem dois objetivos: estabelecer uma linha de
tores familiares. Havia muita demanda reprimida no crédito concessional para o financiamento de exporta-
Brasil. Hoje, os agricultores conseguem financiar seus ções brasileiras de máquinas e equipamentos destinados
maquinários por meio de um crédito acessível. Isso à agricultura familiar; e fornecer apoio a projetos de de-
aumentou exponencialmente a quantidade de consu- senvolvimento rural para o fortalecimento da produção
midores, gerando oportunidades de negócios para a da agricultura familiar e combate à insegurança alimen-
indústria nacional. tar por meio da cooperação técnica e do intercâmbio de
Anuário - Após a implantação do Programa Mais políticas públicas.
Alimentos, a indústria brasileira desenvolveu tecnologia Além de fomentar a reaproximação estratégica com
destinada ao pequeno produtor? o mercado externo, o programa possibilita transferência
Lucas Ramalho - Sim. O Brasil é referência de tecnologia desenvolvida no Brasil através da exporta-
mundial na produção de máquinas adequadas à rea- ção de máquinas e equipamentos com alto valor agrega-
lidade da agricultura familiar. São máquinas menores do, portanto, torna-se um item importante da balança
e mais leves, que aumentam a curva de produção dos comercial brasileira.
estabelecimentos da agricultura familiar. Além do de- Anuário - Quais são as expectativas para 2015?
senvolvimento de novas tecnologias, houve também Lucas Ramalho - A expectativa para 2015 é am-
adaptação dos produtos para atender esse público, pliar e aprimorar o programa. Fazer com que o Mais Ali-
como colheitadeiras, tanques de resfriamento de leite mentos alcance uma quantidade ainda maior de agricul-
e silos menores. tores familiares, dando especial atenção aos municípios
Anuário - O MDA/Mais Alimentos está sempre do semiárido e da região amazônica. No âmbito interna-
presente nas feiras/eventos de agronegócio de todo País. cional, a perspectiva é concluir os primeiros tranches de
Qual é o objetivo da participação nessas feiras, e em que exportação para os países participantes e possibilitar o
isso beneficia o agricultor familiar e as indústrias? ingresso de novos países no programa.
Lucas Ramalho - Esses eventos são oportuni- Anuário - Na sua avaliação, como o Mais Alimentos
dades para divulgar o programa Mais Alimentos. É a contribui para a economia brasileira?
oportunidade para os pequenos agricultores conhece- Lucas Ramalho - A política de crédito, por meio do
rem o que as indústrias de máquinas e equipamentos Mais Alimentos, equipa a agricultura familiar e a trans-
estão oferecendo como novidades tecnológicas, parti- forma em um vetor ainda mais importante de promoção
ciparem de palestras e aproximarem-se do setor finan- do desenvolvimento rural brasileiro. O programa contri-
ceiro. As indústrias têm espaço para exporem e divul- bui tanto para o aumento da produção de alimentos e
garem seus produtos. ampliação da renda da agricultura familiar quanto para
Anuário - Em que o Programa Mais Alimentos mu- ampliar as oportunidades de negócio e do estímulo ao
dou na vida do agricultor familiar? parque industrial brasileiro. Ou seja, o programa gera
Lucas Ramalho - Ao permitir o acesso a novas e empregos no campo e na cidade. Em outras palavras:
modernas tecnologias, o programa facilitou a lida no promove a inclusão produtiva e o desenvolvimento eco-
campo, aumentou a produtividade e a renda da agricul- nômico e social do País. ◆

44 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 45
MDA MDA

Nova Ford Série F


O caminhão mais tradicional do
Brasil volta renovado e já está
disponível no Pronaf-Mais Alimentos
C
om o lançamento da Nova Série F, a linha de perto de completar 60 anos. Desde então, a linha passou O F-350 tem rodado simples, peso bruto total de Lançado no ano passado, o Cargo 1119 é outra op-
caminhões mais tradicional do Brasil, os agri- por diversas modernizações e aprimoramentos, que aju- 4.500 kg e capacidade de carga útil de 2.128 kg. É ideal ção oferecida pela Ford no Pronaf-Mais Alimentos.
cultores familiares passaram a ter a opção de daram a construir a imagem da marca e a reputação de para transporte de hortifrútis, entregas fracionadas, ser- Caminhão leve com a maior potência e capacidade de
três novos veículos para aquisição dentro do Pronaf- caminhões fortes, com baixo custo de manutenção e de viços de manutenção e distribuição comercial. carga do mercado, conquistou rapidamente a preferên-
-Mais Alimentos. A família formada pelo modelo semi- confiança, acompanhando o produtor rural em todas as O F-4000 tem rodado duplo, peso bruto total de 6.800 cia de vários transportadores. Equipado com motor
leve F-350 e pelos leves F-4000 e F-4000 4x4 traz aprimo- fases do seu trabalho. kg e capacidade de carga útil de 3.949 kg. É indicado para Cummins 4.5 de 189 cv com gerenciamento eletrônico,
ramentos no motor, câmbio, freios e equipamentos, que Os três modelos da Nova Série F se destacam pela ro- o transporte de hortifrútis, insumos agrícolas, materiais freios ABS e controle de tração de série, conta com um
aumentam a potência, economia, conforto e segurança bustez e versatilidade tanto para uso urbano como rural, de construção e animais vivos, além de entregas fracio- chassi robusto, desenvolvido especialmente para facili-
para diversas aplicações. Tudo isso, com as característi- unindo potência e capacidade de carga superior. Eles vêm nadas, manutenção de serviços públicos e aplicações fora tar a instalação dos implementos e otimizar o transpor-
cas únicas de cabine, robustez e versatilidade da Série F equipados com o novo motor 2.8 da Cummins, de 150 cv, e de estrada. te. Tem peso bruto total de 10.510 kg e capacidade de
que todos conhecem. uma nova transmissão de cinco velocidades da Eaton. En- O F-4000 4x4 tem peso bruto total de 6.800 kg e ca- carga líquida de 7.164 kg.
Outra novidade da Ford no Pronaf em 2015 é o cami- tre outras vantagens, esse conjunto é cerca de 6% mais eco- pacidade de carga útil de 3.810 kg. Seu ângulo de entrada O Cargo 1319, incluído este ano na carteira de pro-
nhão médio Cargo 1319. Com isso, a marca agora ofere- nômico no consumo de diesel, conta com tecnologia SCR de 26 graus e ângulo de saída de 27 graus facilitam a ro- dutos da Ford para o Pronaf-Mais Alimentos, é equipado
ce seis modelos dentro do programa, incluindo o Cargo para redução de emissões e tem um nível reduzido de ruído dagem em terrenos de difícil acesso. Único do segmento com motor Cummins ISB 4.5 de 189 cv e oferece peso
816 e o Cargo 1119, que estão entre os mais vendidos do e vibrações na cabine. O freio ABS com distribuição eletrô- com tração 4x4, pode ser utilizado em serviços especiais bruto total de 13 toneladas para os agricultores que pre-
mercado. “Com essa variedade, queremos dar ao agricul- nica de frenagem (EBD) garante paradas mais seguras. como manutenção de redes elétricas, telefonia, água e cisam capacidade maior de carga para transportar seus
tor familiar a possibilidade de escolher o caminhão que Outra característica que diferencia a Série F no merca- esgoto, além de aplicações rurais diversas, suporte na produtos com segurança e economia.
melhor se adapta às suas necessidades”, diz Rodrigo Ata- do é a cabine convencional, com o mesmo padrão de con- mineração, construção civil e militar. Todos os novos caminhões Ford já vêm preparados
manchuk, consultor de Negócios da Ford Caminhões. “A forto das picapes. Ela tem espaço para o motorista e dois O Ford Cargo 816, caminhão leve mais vendido do Bra- para uso do biodiesel B20, como opção sustentável. Ou-
Ford tem uma forte ligação com esse setor, que tem uma passageiros, fácil acesso e posição confortável de dirigir. sil em 2014, também continua a ser um dos campeões de tra vantagem é a assistência pós-venda oferecida pela
importância estratégica na produção de alimentos e no Também traz ar-condicionado de série e, com o desenvol- vendas do Pronaf-Mais Alimentos. Com peso bruto total de rede de concessionárias da marca, com 140 pontos dis-
desempenho da economia brasileira.” vimento feito no novo motor, oferece um nível ainda me- 8.250 kg, capacidade máxima de tração de 11.000 kg e três tribuídos pelo Brasil. Além de técnicos treinados e esto-
A Série F tem um significado histórico para a Ford nor de ruído e vibração. Por isso, além de parceiro de tra- opções de distância entre-eixos, ele permite a adequação a que de peças, ela está preparada para oferecer o suporte
no Brasil. O primeiro veículo produzido pela marca no balho, para muitos agricultores também é o veículo usado várias necessidades de transporte. O seu motor Cummins necessário ao produtor para a manutenção do veículo
País foi um F-600, caminhão da mesma família que está para transportar a família nos fins de semana. de 4.5 litros tem potência de 162 cv e torque de 550 Nm. durante toda a sua vida útil. ◆

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MDA MDA

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MDA MDA

ALBINO OLIEVEIRA / ASCOM MDA


milhões de unidades familiares de produção. A linha de captação, armazenamento e distribuição de água e irri-
crédito de investimento do Pronaf contribui para melho- gação, de sistemas de produção de base agroecológica ou
rar a renda, aumentar a oferta de alimentos, aumentar a orgânicos, dentre outros.
produtividade, gerar e/ou manter ocupações produtivas A linha Pronaf Produtivo Orientado ou simples-
e empregos no campo. mente PPO, financia investimentos entre R$ 18 mil e
R$ 40 mil, com taxa de juros de 1% ao ano, com prazo
Anuário - Do lançamento do Pronaf Investimen- de até 10 anos para pagar, incluída a carência de três
to até o momento, quais foram as principais mudan- anos. Além disso, dá bônus de adimplência para aquele
ças e novidades? agricultor que pagar em dia, ou seja, não deixar atrasar
João Luiz Guadagnin - A redução nas taxas de juros sua prestação do financiamento.
foi uma conquista para a agricultura familiar. Nos finan-
ciamentos da safra 1995-1996 a taxa de juros era de 16%, Anuário - Quais outras informações o senhor gos-
tanto para custeio quanto para investimento. Já nas safras taria de destacar?
2013-2014 e 2014-2015 a taxa máxima para custeio era João Luiz Guadagnin - O Pronaf possui as mais
3,5% ao ano, destinada aos agricultores, e de 4% ao ano baixas taxas de juros dos financiamentos rurais, varian-
para as cooperativas de agricultores familiares. No caso do de 0,5 a 2 % ao ano para as operações de investimento
dos financiamentos de investimento, a taxa de juros teve e de 1% a 3,5 % para as de custeio.
redução de 14 %, quando comparado com o início da ope- A inadimplência média nas operações realizadas

SAF/MDA João Luiz Guadagnin


ração do Pronaf, hoje a taxa máxima é de 2%.
Diversas linhas foram criadas ao longo dos quase
20 anos do Pronaf, como o Pronaf Agroindústria para
com risco para os agentes financeiros está abaixo de
1,5%, uma das menores taxas de inadimplência de todo
o sistema financeiro nacional.

Pronaf comemora 20 anos levando


promover a agregação de renda e os ganhos de esca- O Pronaf apresenta uma trajetória de crescimento ao
la para os agricultores familiares, na safra 1997-1998. se observar o montante contratado ao longo das safras.
Outras linhas podem ser destacadas como crédito para Por exemplo, quando se compara o que foi contratado na

desenvolvimento ao campo
investimento em Energia Renovável e Sustentabilidade safra 2013-2014 em relação a 1999-2000, verifica-se um
Ambiental (Pronaf Eco), criada na safra 2007-2008, o aumento de 246% em termos reais. Na safra 1999-2000
Pronaf Mulher e o Pronaf Jovem, que surgiram na safra financiou-se R$ 6,4 bilhões em valores reais para um
2004-2005. pouco mais de 933 mil contratos. O montante de R$ 22,3
Diretor de Financiamento e Proteção Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar Cabe ressaltar uma linha nova, da safra 2014-2015, bilhões contratados na safra 2013-2014 correspondeu a
- O senhor tem algum parâmetro de avaliação de como denominada Crédito Produtivo Orientado de Investi- mais de 1.903 mil contratos.
à Produção da SAF/MDA, João Luiz o Pronaf Investimento (Mais Alimentos) tem ajudado os mento ou Pronaf Produtivo Orientado (PPO). Essa A expansão do valor contratado no Pronaf nas últi-
Guadagnin, fala sobre o Pronaf agricultores familiares? linha possibilita aos agricultores familiares contrata- mas quinze safras é em parte explicada pela elevação dos
João Luiz Guadagnin - Desde o surgimento do rem financiamentos de investimento com assistência limites de financiamento nas operações de custeio e in-
Investimento. Ele afirma que a linha Pronaf, em 1995, o Programa foi muito bem aceito pelos técnica e extensão rural, nas regiões de atuação dos vestimento do programa.
de crédito contribui para melhorar agricultores familiares, técnicos da extensão rural, lide- Fundos Constitucionais. Em síntese, a expansão do Pronaf entre a safra 1999-
ranças dos movimentos sociais e agentes financeiros. Ao Com o PPO é possível investir em inovação tecno- 2000 e 2013-2014, especialmente do montante financia-
a renda, aumentar a oferta de longo dos anos, o Pronaf se transformou e trouxe efeitos lógica da unidade familiar de produção, facilitando a do, está diretamente relacionado ao aumento das opera-
alimentos, a produtividade, gerar positivos ao desenvolvimento da agricultura familiar e convivência com o bioma, aumentando a produtividade, ções de investimento, quando se observa o número de
do rural brasileiro. A linha de investimento do Pronaf melhorando a gestão e elevando a renda. Outros inves- contratos, que supera os 60% do total nas últimas safras
e manter ocupações produtivas e permitiu a adoção de tecnologias produtivas que per- timentos também estão contemplados como a implan- do período em análise, seja com relação ao valor contra-
empregos no campo mitiram a modernização e o crescimento sustentável de tação de sistemas agroflorestais, de infraestrutura de tado, ao superar os 50%. ◆

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MDA MDA

Vila Lângaro
Família adquire trator pensando
no aumento da produtividade
V
isando aumentar a produtividade de leite e
grãos na propriedade de 60 hectares, loca-

PAOLA SEIBT
lizada na Linha Schendler, interior de Vila
Lângaro/RS, o proprietário Nédio Antônio Genário ad-
quiriu há dois anos o trator Farmall 80, da Case IH. Dos
60 hectares, pouco mais de 18 são próprios e o restante
arrendados.
A família planta soja e milho, porém o carro-chefe é a
produção de leite. Atualmente, a família possui 65 vacas
em ordenha, com uma produção que gira em torno de
1.500 litros por dia. A expectativa é aumentar o plantel,
chegando a 100 vacas em ordenha.
Genário, já tinha dois outros tratores um do ano de
1978 e outro de 1995. “Para o meu trabalho que tenho
lavoura e vacas de leite, eles já estavam ultrapassados.
Este que peguei é moderno. Fiz várias pesquisas antes
da aquisição e escolhi este da Case, pois é de uma marca
consagrada. Ele é um trator mais forte, robusto, ágil, tra-
çado e tem comando bom,” descreve.
A aquisição foi feita através do Mais Alimentos. “Este
é um programa que a vantagem é um juro mais barato,
se comparado a outros. Como um trator tem um valor
alto o financiamento facilita, pois seria bem mais difícil
reunir todo o dinheiro para comprar o bem. Assim, você
parcela com boas condições de pagamento,” esclarece.
Genário afirma que já adquiriu outros equipamentos
através do Mais Alimentos, inclusive vacas holandesas. Ago-
ra, está buscando mais uma vez conseguir o financiamento
para a construção de um galpão visando abrigar o rebanho.
“A atividade do leite é bastante desgastante, pensando nisso
e lembrando o inverno vou dar um conforto para elas e para
nós que lidamos com o leite. Também vamos procurar este
financiamento pensando no meu filho mais novo, visando
a melhoria da lida no campo. Ele quer ficar aqui, por isso
até estou ampliando os galpões, expandir sem ter sucessão
familiar não vale a pena o investimento,” diz.

52 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 53
MDA MDA

PAOLA SEIBT
FARMALL 80 CABINADO. VOCÊ VAI PRECISAR
DE MAIS POTÊNCIA PARA PRODUZIR
MAIS ALIMENTOS. ESTEJA PREPARADO.

O agricultor vê a propriedade rural como um em- mundial Case IH de identificação de seus equipamentos,
preendimento e tem consciência de que é preciso estudo os tratores Farmall contam com um novo visual, mais
aplicado na propriedade para desenvolver. “Anos atrás fiz moderno e arrojado. Pela alta versatilidade, os tratores
o segundo grau no Colégio Agrícola, depois voltei para a da linha poderão ser utilizados nas mais variadas aplica-
propriedade. Gostaria que meu filho fizesse a mesma coi- ções - por pecuaristas, produtores de grãos, na cafeicul-
sa, que ele buscasse algum estudo e voltasse para aplicar tura e cultura de cana, bem como por hortifrutigranjei-
aqui. Antigamente quando a pessoa não queria estudar, ros -, e diferentes tamanhos de propriedades. Os tratores
ficava na agricultura. Hoje você tem que estudar se não, Farmall são especialmente feitos para cultivos, pastos e
não consegue tocar,” afirma. tarefas especiais. Os três modelos, Farmall 60 (60 cv),
Farmall 80 (80 cv) e Farmall 95 (95 cv), são perfeitos
Produção para o agricultor que precisa de uma máquina de alto
A soja foi plantada em 30 hectares, com recorde de desempenho e totalmente confiável que possa atendê-lo
produção, já que a colheita foi de 72 sacos do grão por em uma variedade de aplicações.
hectare. Na propriedade o milho foi plantado em 25 hec- O motor é mais potente, econômico e menos poluen-
tares e é todo utilizado para silagem. te. Essa nova linha de motores diesel de alto desempenho
oferece toda a potência que o produtor precisa em um
Sobre o trator trator para diversas aplicações. Os novos motores não
O produtor brasileiro tem mais uma opção para são somente mais silenciosos e menos poluentes, como
melhorar o desempenho e a produtividade com a linha também consomem menos combustível e têm uma ma-
Farmall de tratores de 60, 80 e 95 cv. Os tratores são re- nutenção de baixo custo. Sem abrir mão da potência e da
conhecidos mundialmente pela robustez, simplicidade durabilidade, os tratores Farmall oferecem um desempe-
de operação e flexibilidade de uso. Seguindo o padrão nho inigualável em qualquer atividade na fazenda. ◆

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Eduardo Aigner Ascom MDA
MDA MDA

*Valores parciais referentes aos seis primeiros meses da safra.


**Valores corrigidos pelo IGP-DI
Bilhões R$ **
intenção de obter o financiamento. O agricultor também As condições de acesso ao crédito do Pronaf, formas
pode solicitar a visita de um técnico de Ater para elabo- de pagamento e taxas de juros correspondentes a cada
rar um Projeto Técnico de Financiamento. Este projeto linha são definidas, anualmente, a cada Plano Safra da
será encaminhado para análise de crédito e aprovação do Agricultura Familiar, divulgado entre os meses de junho
agente financeiro. e julho. Na safra 2014/2015, o programa possibilita o
acesso a financiamentos rurais com taxa de juros entre
Exemplo 0,5% e 3,5% para agricultores familiares e entre 1% e 4%

Mais renda e qualidade de vida: Desde quando a produtora Maria Cleusa de Barros,
56 anos, e os três filhos decidiram investir na produção
para cooperativas.

Pronaf bate recorde safra após safra


de morangos e verduras em Brazlândia, a 50 quilômetros Linhas de financiamento
de Brasília (DF), eles contaram com o crédito do Gover- Os créditos de custeio financiam o produtor indivi-
no Federal para impulsionar a produção. Ao todo, foram dualmente ou cooperativas, por meio de recursos des-
três financiamentos, no valor de R$ 10 mil cada, para o tinados ao custeio das atividades agropecuárias e não

O
Programa Nacional de Fortalecimento da capacidade de produção dos agricultores familiares e o custeio da plantação e, em setembro do ano passado, eles agropecuárias e ao beneficiamento, industrialização ou
Agricultura Familiar (Pronaf) é um marco bom relacionamento que esses trabalhadores mantêm adquiririam um veículo para transportar o fruto aos cen- comercialização da produção, como, por exemplo, des-
dos programas do Estado voltados ao fortale- com os agentes financeiros, segundo afirma o diretor tros de comercialização. pesas das atividades agrícolas e pecuárias; aquisição de
cimento da agricultura familiar brasileira: representan- de Financiamento e Proteção à Produção da Secretaria “O nosso resultado é positivo porque investimos o insumos; realização de tratos culturais e colheita; bene-
do, para muitos, a incorporação efetiva dos agricultores de Agricultura Familiar (SAF/MDA), João Luiz Guadag- recurso integralmente na nossa produção. O Pronaf é ficiamento ou industrialização do produto financiado;
familiares às políticas para o meio rural. nin. “Os agricultores familiares têm credibilidade junto importante e vale muito a pena contar com esse crédito”, produção de mudas e sementes certificadas e fiscaliza-
Ao longo da história, o Pronaf vem se modificando aos bancos. Hoje as pessoas comem mais e melhor, é conta a agricultora. Atualmente, ela e a família fornecem das, entre outras atividades.
para se adequar às necessidades das famílias de agri- um mercado favorável para a agricultura familiar, ainda diariamente a produção para a Central de Abastecimento Já os créditos de investimento são restritos a itens de
cultores, das especificidades regionais e produtivas. O mais quando os produtores são estimulados a produzir”. do Distrito Federal (Ceasa). implantação, ampliação ou modernização da estrutura
resultado, é que nos dois últimos anos agrícolas, o valor O primeiro passo é procurar o sindicato rural ou a das atividades de produção, de armazenagem, de trans-
contratado foi superior ao total anunciado pelo Governo empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ema- Requisitos porte ou de serviços agropecuários ou não agropecuá-
Federal. Na safra atual, nos seis primeiros meses, de ju- ter) para obter a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). A DAP é obrigatória. Para conceder o crédito, o rios, no estabelecimento rural ou em áreas comunitárias
lho de 2014 a dezembro de 2014, os agricultores familia- Os assentados da reforma agrária devem procurar o Ins- banco vai analisar também alguns requisitos como, por rurais próximas. São exemplos máquinas agrícolas; tra-
res brasileiros aplicaram R$ 15,3 bilhões, 23% acima do tituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (In- exemplo, se a família está em dia com as contas, se possui tores; colheitadeiras; animais; implantação de sistemas
que foi contratado no mesmo período da safra anterior cra) e os beneficiários do crédito fundiário podem ser condições para assumir novas dívidas e se a atividade a de armazenagem e de irrigação; projetos de melhoria
em mais de 1,1 milhão de contratos. atendidos pela Unidade Técnica Estadual (UTE). ser desenvolvida vai gerar renda suficiente para honrar genética; adequação e correção de solo; recuperação de
Os números positivos do programa estão ligados Em seguida, o trabalhador deve procurar um agen- com compromissos assumidos nos prazos definidos. pastagens; ações de preservação ambiental.
ao aumento da demanda por alimentos de qualidade, a te financeiro que atua com o Pronaf para apresentar sua

56 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 57
MDA MDA

Há ainda linhas especiais direcionadas, por exemplo, com o diretor de Financiamento e Proteção à Produção da
à agroindústria, agroecologia, sistemas agroflorestais, se- Secretaria de Agricultura Familiar (SAF/MDA), João Luiz
miárido, mulher e jovem. Os agricultores de mais baixa Guadagnin, os tomadores de crédito do Pronaf são exce-
renda podem contar com o microcrédito rural que per- lentes pagadores de seus compromissos; a inadimplência
mite o financiamento das atividades agropecuárias e não média no Pronaf é de cerca de 1%, uma das menores de
agropecuárias geradoras de renda. todas as políticas e programas de crédito do Brasil.
Para obter mais informações basta consultar as de- “Os aperfeiçoamentos em suas linhas de crédito e
legacias estaduais do Ministério do Desenvolvimento seguro de clima e de renda são frutos do amplo e per-
Agrário (MDA) e a Secretaria da Agricultura Familiar do manente diálogo que o MDA mantém com as repre-
MDA (SAF). sentações dos agricultores familiares e dos agentes fi-
nanceiros, rede de assistência técnica e extensão rural,
Pronaf 20 anos lideranças dos três níveis de governo e Ministérios da
O Pronaf completa 20 anos em 2015. A agricultura fa- área econômica e do desenvolvimento, especialmente os
miliar demonstrou nesse período que é técnica e econo- Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, da
micamente viável, que sabe produzir alimentos a preços Fazenda, da Integração Nacional e do Desenvolvimento
acessíveis e garantir um nível de vida equitativo aos agri- Social e Combate à Fome. O trabalho de parceria é a mar-
cultores com a geração de renda e manutenção de mais de ca do Pronaf. Essa ação perdurará e fortalecerá o Progra-
12 milhões de ocupações produtivas no campo. De acordo ma”, completa Guadagnin. ◆

ALBINO OLIEVEIRA / ASCOM MDA

58 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 59
MDA MDA

Programa garante descontos


passou a amparar as produções de maracujá, manga, ba- Decreto nº 5.996

2006
tata e batata-doce. Instituindo o PGPAF
Na safra 2013/2014, cacau e feijão caupi foram os
produtos incluídos no programa. Além disso, nessa sa-

em financiamentos do Pronaf

2007
fra, foi instituído o PGPAF Mais, que traz a possibilidade 6 Produtos (mais financiados)
de conceder preços garantidores mais elevados, com in-
tuito de estimular a produção de determinadas culturas.

2008
P
+ 5 Produtos (regionalização)
ara trazer mais segurança aos agricultores e O programa tem como objetivo garantir a sustenta- Lista dos produtos com bônus
fortalecer a produção no campo, o Progra- ção de preços da agricultura familiar, estimular a diversi- Confira a lista dos produtos com cobertura do PGPAF

2009
ma de Garantia de Preços para a Agricultura ficação da produção agropecuária e articular as diversas para contratos de custeio e investimento do Pronaf:
Familiar (PGPAF) garante às famílias que acessam o políticas de crédito e de comercialização agrícola. Abacaxi, açaí (fruto), algodão em caroço, alho,
+ 18 Produtos (regionalização)

2010
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura amendoim, arroz longo fino em casca, babaçu (amên-
Familiar (Pronaf), tanto para custeio quanto para in- Produtos com desconto doa), banana, batata, batata-doce, baru (fruto), borra-
+ 5 Produtos (sociobiodiversidade)
vestimento, um desconto no pagamento do financia- Os primeiros produtos abrangidos pelo PGPAF, na cha natural cultivada (heveicultura), borracha natural
+ 8 Produtos (fruticultura, sociobidiversidade

2011
mento (bônus). Assim, os produtores estão ampara- safra 2006/2007, foram o arroz, feijão, mandioca, milho, extrativa, cacau, café, cana-de-açúcar, cará, carne de
dos quando os preços no mercado estiverem abaixo do leite (inicialmente indexado ao preço do milho) e a soja, caprino, carne de ovino, castanha de caju, castanha do e cana-de-açúcar)
valor de garantia do programa, definido com base no que representavam o maior número de operações de cré- Brasil (em casca), cebola, feijão, girassol, inhame, juta,
custo de produção. dito no âmbito do Pronaf. laranja, leite, maçã, malva, mamona em baga, manga,

2012
+ 2 Produtos (fruticultura)
Mensalmente, o Ministério do Desenvolvimen- No ano safra seguinte, 2007/2008, com o objetivo de mangaba (fruto), maracujá, milho, pequi (fruto), pia-
to Agrário (MDA) publica uma portaria com valor do ampliar a segurança aos agricultores familiares, foram çava (fibra), pimenta do reino, carnaúba, pó cerífero de
bônus por produto e estado, de acordo com as variações selecionados novos produtos. Com base no montante carnaúba e cera de carnaúba, raiz de mandioca, sisal,

2013
do mês anterior. Com isso, agricultores familiares que financiado e considerando a valorização de produtos de soja, sorgo, tangerina, tomate, trigo, triticale, umbu + 4 Produtos (regionalização)
têm parcelas de operações de investimento do Pronaf importância regional, foram selecionados também o to- (fruto) e uva.
têm desconto correspondente à média do valor dos pro- mate, o inhame, o cará, o café arábica e o café conillon e A linha temporal ao lado apresenta o número de pro-
Decreto nº 8.026 Instituindo o PGPAF MAIS

2014
dutos definidos pela portaria. Atualmente, a lista de pro- a castanha de caju. dutos inseridos em cada ano agrícola. ◆ + 2 Produtos (regionalização)
dutos que possuem cobertura do programa tem 50 itens, Para valorizar a diversidade regional foram inclu-
além da cesta de produtos, composta por leite, raiz de ídos mais 18 produtos. A caprinovinocultura foi in-
mandioca, milho e feijão. cluída na safra 2008/2009, que atende especialmente a
O bônus do PGPAF é calculado pela Companhia Na- região Nordeste.

Rômulo Serpa / Ascom MDA


cional de Abastecimento (Conab) e divulgado pela Se- No ano agrícola de 2009/2010, para valorizar as ações
cretaria da Agricultura Familiar (SAF/MDA). A Conab de conservação do meio ambiente e fomentar formas al-
faz um levantamento nas principais praças de comer- ternativas de produção e manutenção da biodiversidade,
cialização dos produtos da agricultura familiar e que foram inseridos os produtos amparados pelo Programa
integram o PGPAF. Para as operações de investimento, de Garantia do Preço Mínimo (PGPM), com foco no
cujo principal produto gerador de renda não atenda pelo cultivo extrativo. Foram contemplados o açaí, babaçu
menos 35% da renda obtida com o empreendimento fi- (amêndoa), borracha natural extrativa, pequi (fruto) e
nanciado, será concedido o bônus referente à cesta de piaçava (fibra).
produtos, composto pela média aritmética dos bônus do Em 2010/2011 foram inseridas as culturas do aba-
leite, milho, feijão e raiz de mandioca. caxi, banana, maçã e uva, mais três produtos da socio-
O agricultor familiar que possui financiamento do biodiversidade (barú, mangaba e umbu) e a cana-de-
Pronaf participa automaticamente, do programa, sem -açúcar, para a Região Nordeste, contribuindo para a
custo de adesão. É necessário apenas manter as parce- diversificação produtiva da agricultura familiar.
las do financiamento em dia, já que o bônus só pode ser O programa foi ampliado em 2011/2012, com a in-
concedido para os produtores adimplentes. clusão da laranja e da tangerina. Em 2012/2013 o PGPAF

60 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 61
MDA MDA

Massey Ferguson oferece equipamentos


mais modernos por meio do Mais Alimentos
Tratores, colheitadeiras e implementos integram o portfólio da marca para o Programa

H
á aproximadamente dois anos, o agricultor 5650 e os implementos como plantadeiras de arrasto MF
Adelar Riva, de Teotônia (RS), comprou um 200, MF 400 e MF 500, plantadora para culturas de inverno
trator Massey Ferguson modelo MF 4275 pelo MF 600 e plataforma de colheita da cultura de milho MF
programa Mais Alimentos junto à concessionária Samaq. O 3000. “Agora temos um portfólio completo que permite ao
equipamento, escolhido por ser um velho conhecido graças agricultor mecanizar sua atividade com equipamentos mo-
à utilização por amigos e também por prestadores de servi- dernos, melhor aproveitando assim as janelas agronômicas”,
ço da região, ajudou o agricultor a aumentar a produtivida- destaca Oliveira. Para 2015, Leonel Oliveira aposta na alta
de, diminuir custos com aluguel de máquinas e a triplicar o tecnologia, na inovação e no pioneirismo da marca para
serviço do dia a dia. continuar sendo a primeira opção na hora da compra dos
Segundo Adelar, o trator faz praticamente tudo dentro produtores rurais brasileiros.
da propriedade rural. “Utilizo para silagem, carregamento
de adubo orgânico e tudo que envolve a pecuária. Sem as Sobre a Massey Ferguson
facilidades oferecidas pelo governo, acredito que seria im- A marca Massey Ferguson é líder no mercado brasilei-
possível adquirir o equipamento”, afirma o produtor. ro de tratores há mais de 50 anos ininterruptos. É fabricada
A Massey Ferguson participa do programa desde o seu pela AGCO, maior fabricante de tratores da América Latina
lançamento, em 2008. Para Leonel Oliveira, gerente regional e a maior exportadora do produto do Brasil. Os tratores, co-
de vendas da marca, a aquisição de novos tratores pelos agri- lheitadeiras e implementos Massey Ferguson são exporta-
cultores familiares, que antes investiam em máquinas usadas dos para mais de 80 países, com atuação destacada nos Es-
ou até mesmo no aluguel das mesmas, significará em 2015 tados Unidos, Argentina, Venezuela, Chile e África do Sul.
um aumento nas vendas de implementos e colheitadeiras As fábricas, no Brasil, ficam no Rio Grande do Sul: Canoas
também. “Ao adquirir máquinas mais eficientes e econômi- (tratores), Santa Rosa (colheitadeiras) e Ibirubá (implemen-
cas o pequeno e médio agricultor aumenta produtividade, tos). Mais: www.massey.com.br
reduz custos e, com isso, consegue investir em outros pro-
dutos, além de melhorar a sua qualidade de vida.”, ressalta. Sobre a AGCO
Além dos tratores MF 4265 e MF 4275, sinônimos de AGCO (NYSE: AGCO) é uma das líderes mundiais em
rentabilidade operacional, inovação, robustez, baixo custo, concepção, fabricação e distribuição de equipamentos agrí-
alto desempenho e fácil operação, a Massey Ferguson colo- colas. Para apoiar a maior produtividade no campo a AGCO
ca a disposição dos pequenos e médios produtores, clientes oferece uma linha completa de produtos que inclui tratores,
do Programa Mais Alimentos, as colheitadeiras MF 32 e MF colheitadeiras, equipamentos para fenação e forragem, pul-
verizadores, equipamentos para preparo de solo, implemen-
tos, peças de reposição e sistemas de armazenagem de grãos
e produção de proteína. Os produtos AGCO são vendidos
por meio das cinco marcas Challenger®, Fendt®, GSI®, Massey
Ferguson® e Valtra® e distribuídos globalmente por uma rede
de 3.070 concessionárias e distribuidores independentes, em
mais 140 países. A AGCO tem sua sede em Duluth, Georgia,
USA. Em 2014, a AGCO teve vendas líquidas de US$9,7 bi-
lhões. Para mais informações, visite www.AGCOcorp.com.◆

62 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 63
Ascom MDA
MDA MDA

perdas de safra, quando o produtor não consegue gerar Fundo Garantia-Safra de acordo com o número de agri-
renda com a comercialização do produto cultivado. cultores participantes.
Em quatro anos, 3,7 milhões de agricultores fami- Os procedimentos para verificação de perda da safra
liares receberam o benefício Garantia-Safra. Na safra ocorrem de acordo com que preceitua a Lei que criou o
2014/2015, cerca de 1,3 milhão de famílias devem ser Garantia-Safra e a Portaria nº 42/2012, da Secretaria de
beneficiadas pela ação. Agricultura Familiar do Ministério de Desenvolvimento
“O Garantia-Safra pretende, ainda, estimular formas Agrário (SAF/MDA). Esta portaria estabelece que, a par-
de convivência com o Semiárido, a fim de diminuir a tir da safra 2012/2013, os municípios aderidos ao Fundo
vulnerabilidade das famílias de agricultores nos perío- Garantia-Safra que apresentarem indícios de perda de
dos de seca. Essa perspectiva objetiva a redução quanto à safra em razão dos fenômenos da estiagem ou excesso
necessidade de compensações por perdas de produção”, hídrico, que sejam igual ou superior a 50% das lavouras
destaca a coordenadora do Garantia-Safra da Secretaria cobertas, devem solicitar a vistoria das lavouras e proce-
da Agricultura Familiar do MDA, Dione Freitas. der a indicação do técnico para realizar a vistoria.
A solicitação de vistoria deve ser apresentada, for-
Como acessar malmente, à SAF/MDA, via sistema informatizado de-
O agricultor deve verificar se sua cidade participa da nominado Sistema Garantia-Safra - Verificação de Per-
ação. Podem participar agricultores familiares, com ren- da. O técnico vistoriador deve ter formação superior em
da familiar mensal de, até, um salário mínimo e meio, e agronomia ou ser técnico de nível médio com formação
que possuem área total a ser plantada de, no mínimo, 0,6 em curso técnico agrícola ou técnico em agropecuária,
hectares e, no máximo, cinco hectares. com registro no conselho Regional de Engenharia, Ar-

Garantia-Safra:
A inscrição no programa deve ser realizada no es- quitetura e Agronomia (CREA) e ser do quadro próprio
critório local de assistência técnica ou no Sindicato dos da administração municipal.
Trabalhadores Rurais do município. A Declaração de Ap- Os indicadores utilizados no cálculo de perda são:
tidão ao Pronaf (DAP) permite o acesso ao Garantia-Sa- dados históricos da Pesquisa da Produção Agrícola Mu-

benefício que estimula a convivência fra e serve como mecanismo de controle dos Conselhos
Municipais de Desenvolvimento Rural (CMDRS).
Os agricultores inscritos e homologados pelos con-
nicipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE); informações dos laudos amostrais; penalização
hídrica com informações edafoclimáticas calculadas pelo

com o semiárido
selhos municipais devem procurar a prefeitura para re- Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); Pesquisa
ceber um boleto e fazer a adesão ao Garantia-Safra. O do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola feita
pagamento do boleto deve ser feito em uma agência da pelo Grupo de Coordenação de Estatística Agropecuária
Caixa Econômica Federal ou correspondente bancário, e Prognóstico da Produção Agrícola. ◆

D
evido à estiagem ou excesso de chuvas, agri- dário de benefícios sociais da Caixa Econômica Federal. dentro do prazo definido para seu município. A adesão
cultores familiares acabam sofrendo com a A cada mês, uma nova portaria é publicada incluindo deve ser antes do plantio.
perda de safras. Para amenizar o prejuízo, novos beneficiários. O valor é de R$ 850,00, por agricul- Caso seja confirmada perda de safra de, pelo menos,

Ascom MDA
milhares de famílias que vivem no Nordeste e Semiá- tor, dividido em cinco parcelas de R$ 170,00. 50% da produção agrícola (feijão, milho, arroz, mandioca
rido brasileiro, contam com o apoio do Garantia-Safra, O Benefício Garantia-Safra é pago pelo Governo Fede- e algodão) e os estados e municípios tenham realizado os
uma ação do Programa Nacional de Fortalecimento da ral com recursos do Fundo Garantia-Safra, composto por aportes ao Fundo Garantia-Safra, os agricultores receberão
Agricultura (Pronaf), do Ministério do Desenvolvimento contribuições do agricultor, do município, do estado e da o pagamento do benefício por meio de cartões com Núme-
Agrário (MDA). União. Na safra 2013/2014, a contribuição do agricultor ro de Identificação Social (NIS) nas agências e correspon-
Mais de 1,7 milhão de produtores aderiram ao progra- foi de 1,5% do valor do benefício (R$ 12,75), o município dentes bancários da Caixa Econômica Federal (CEF).
ma na safra 2013/2014. Em função da irregularidade climá- contribuiu com 4,5% (R$ 38,25 por agricultor); o estado
tica, mais de 730 mil agricultores familiares de 693 municí- com 9% do valor ao Fundo (R$ 76,50) e a União com 30% Responsabilidade
pios receberam o benefício de agosto a dezembro de 2014. (R$ 255,00 por agricultor que aderir ao Garantia-Safra). Ao assinar o Termo de Adesão, os estados e municí-
Atualmente, os pagamentos do Garantia-Safra são O programa, criado em 2003, garante, a partir do pa- pios se comprometem a coordenar a implementação do
relativos à safra 2013/2014 e começaram a ser pagos em gamento do Benefício Garantia-Safra, condições de so- Garantia-Safra, promover a divulgação e a operacionali-
agosto de 2014, nas mesmas datas definidas pelo calen- brevivência para os agricultores durante os períodos de zação das fases e destinar parcela de seu orçamento ao

64 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 65
MDA MDA

Linhas de produtos Grazmec


A
Grazmec, indústria de máquinas agrícolas, priedades de grande porte e UBS (unidades de beneficia-

Política de garantia de apresenta neste ano de 2015 três segmentos


em sua linha de produtos. A “Grazmec on
farm” contempla as já tradicionais máquinas para trata-
mento de sementes)
A terceira linha é apresentada como “Grazmec Agrí-
cola”, que conta com uma ampla linha de produtos que

preço beneficia mais de


mento de sementes, realizado na lavoura, dos quais a in- auxiliam o homem no campo, essa linha possui carre-
dústria tornou-se conhecida, como por exemplo, a Nova tos para transporte de plataforma, no qual transportam
GE que possui capacidade de tratamento de até 2.250 kg plataformas de 20 a 45 pés, classificadores rotativos de
de soja por hora, através do sistema de copinho sendo a sementes, guinchos traseiros, niveladora hidráulica, em-

7 mil famílias extrativistas


mais econômica de sua categoria. Na mesma linha pos- butidora de grãos, roçadeira química e outros.
suímos a MTS 120 Spray System, máquina que realiza Para maiores informações sobre nossos produtos,
o tratamento através do já conceituado sistema spray, pontos de venda, representantes comerciais e eventos,
dando uma maior homogeneização à semente tratada, acessem o nosso site: www.grazmec.com.br. ◆

em 2014 e a TS5 Spray System, carreta graneleira que realiza o


tratamento no momento do plantio com capacidade de
tratamento de até 140 sacos por hora de soja.
Na linha “Grazmec industrial”, apresentamos a

O
Brasil tem uma das maiores biodiversidades Somente em 2014, mais de sete mil famílias extrativistas GV240 e a GV500i, ambos equipamentos realizam o tra-
do mundo. A manutenção dessa riqueza natu- foram beneficiadas pelo PGPM-Bio. A intervenção da Co- tamento de sementes em larga escala, ideais para pro-
ral está associada ao trabalho das populações nab auxilia na preservação do meio ambiente oferecendo
extrativistas, agroextrativistas e silvicultoras e outras co- garantia de renda à coleta e comercialização de produtos
munidades que, com seus conhecimentos tradicionais, florestais não madeireiros (extrativistas). Neste mesmo ano,
contribuem para a preservação dessa diversidade. a maior parte dos recursos destinados à política de garantia
A Política de Garantia de Preços Mínimos para Pro- de preços, quase 100%, foi aplicada em atividades extrativis-
dutos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) foi criada, tas situadas no bioma Amazônico e no Maranhão.
em 2008, para apoiar as atividades extrativistas. De São responsáveis pelo programa o Ministério do
2009 a 2014 foram mais de 56 mil acessos à política, Desenvolvimento Agrário (MDA), do Meio Ambiente
com execução de cerca de R$ 19 milhões em operações (MMA), e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
direcionadas aos produtos: amêndoa de babaçu, borra- (MDS) e representantes da sociedade civil.
cha natural extrativa, castanha do Brasil, piaçava, pequi
e macaúba nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Tecnologia
Bahia, Ceará, Maranhã, Mato Grosso, Minas Gerais, Para ampliar cada vez mais o acesso dos produtores
Pará, Piauí e Rondônia. extrativistas à política, foi desenvolvido um novo sistema
Atualmente, a PGPM-Bio, contempla quinze produ- operacional, o SISBIO. A partir dele, todos os procedimen-
tos, são eles: açaí, andiroba, babaçu, baru, borracha e tos internos da PGPM-Bio estão sendo informatizados,
cacau extrativos, carnaúba, castanha do Brasil, juçara, gerando maior agilidade e segurança a todo o processo.
macaúba, mangaba, pequi, piaçava, pinhão e umbu. Outra iniciativa foi a realização de sete painéis de di-
Dentre esses produtos, a borracha apresenta o melhor vulgação e capacitação da PGPM-Bio, em parceria com
desempenho, com apoio financeiro a 6,5% da produção o MDA. As oficinas foram realizadas no Pará, Amazo-
extrativista localizada na região amazônica. nas, Santa Catarina, Paraíba, Maranhão, Bahia e Ceará. E
A Conab é responsável por elaborar a proposta de mais dois novos produtos foram incluídos na PGPM-Bio
preços mínimos e a execução das ações de sustentação em 2014. Agora, os extrativistas de macaúba e pinhão
de preços para os produtos. também podem se beneficiar com a política. ◆

66 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 67
MDA
NÃO É SÓMDAA COR
QUE FAZ A DIFERENÇA
John Deere oferece soluções NUM TRATOR.

para a agricultura familiar


A
John Deere acredita no pequeno produtor e A empresa possui uma linha de máquinas que pode
em uma agricultura mecanizada e moderna, ser financiada pelo programa Mais Alimentos: os tra-
para que assim, o Brasil possa contribuir cada tores 5055E, 5065E, 5075E e 5078E (também na versão
vez mais com a produção agrícola mundial, ajudando a cabinado), que contam com motores de 55 cv até 78 cv, e
suprir a demanda global por alimentos, que, devido ao a colheitadeira 1175, equipada com plataforma de corte
crescimento populacional, deve aumentar 70% até 2050, de 16 pés, flexível e com controle automático de altura e
segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a inclinação lateral, além de motor turbo com 6 cilindros e
Alimentação e a Agricultura). potência de 180 cv.
Dessa maneira, para a John Deere, o programa O programa proporciona uma linha de crédito acessí-
Mais Alimentos é de vital importância, pois con- vel, com limite de R$ 130 mil, que pode ser paga em até dez
tribui com o crescimento dos agricultores e vai ao anos, com até três anos de carência e juro de 2% ao ano. Os
encontro do compromisso da empresa com a agri- tratores da linha de agricultura familiar são vendidos com
cultura familiar. desconto médio de 15%, podendo chegar a 17,5%. ◆

Divulgação John Deere


• Menos trocas de óleo
• Custo de manutenção até 55% menor
• Alta reserva de torque. Economia de até 11% de combustível
• Apoio da maior e melhor rede de concessionários do país
Testes de campo realizados com o modelo 5075E. Estimativa baseada em preços de tabela de
dezembro/2014, nas primeiras duas mil horas, comparando-se os intervalos de manutenção dos
Tratores John Deere versus a concorrência. Economia de combustível em hectares por hora.

Tratores John Deere. Da pequena à grande


lavoura, a safra inteira com você.
68 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 69
0800 891 4031
MDA MDA

10 anos do seguro da
uma verdadeira catástrofe agroclimática – uma seca se
agravou, sendo a maior dos últimos 60 anos. Mais de 240
mil agricultores receberam cobertura do seguro naquele
ano. Grande parte desses agricultores já havia sofrido

agricultura familiar
perdas em anos anteriores à criação do SEAF, tinham
dívidas prorrogadas pendentes nos bancos e teriam di-
ficuldades de obter novas prorrogações. Sem o seguro,
não teriam recursos para plantar na safra seguinte e mui-
tos deles estariam na contingência de ter que abandonar
José Carlos Zukowski 1 suas atividades rurais e vender a propriedade para pagar
Fonte: Bacen. Posição em 11/02/2015. as dívidas.

E
m maio de 2005, começaram a ser realizados Um dos desafios era atender a diversidade de cultu- O seguro proveu instrumentos para administrar a si-
os primeiros pagamentos de indenização do ras existente na agricultura familiar. Somente podem O gráfico abaixo apresenta os pagamentos de inde- tuação, evitando uma grave crise social. Ajudou a evitar
Seguro da Agricultura Familiar. Era o primei- ser seguradas culturas contempladas no Zoneamento nização do SEAF. Nesses dez anos de operação, foram o êxodo rural, viabilizou recursos para o agricultor con-
ro ano de operação do Seguro e, naquele ano agrícola, a Agrícola de Risco Climático (ZARC), o qual abrangia atendidos mais de 700 mil pedidos de cobertura, com tinuar plantando, se recompor e voltar a ter perspectivas
região Sul do País foi atingida por uma forte estiagem, apenas sete culturas em 2003. Além disso, o ZARC es- um valor total superior a R$ 3,5 bilhões. de investimento na produção rural.
gerando grandes perdas nas lavouras. tava mais voltado para a região Centro-Sul, enquanto o Esse tipo de situação ocorre todos os anos em menor
O SEAF foi criado pelo Governo Federal atendendo SEAF tem a missão de operar em todo o País. Assim, escala. Não se espera que catástrofes de grande abran-
uma antiga reivindicação da agricultura familiar por começou a ser desenvolvido um extenso trabalho en- gência territorial ocorram com frequência. Mas em
um seguro com garantia de renda. Inicialmente, o valor volvendo MDA, MAPA e Embrapa para incluir novas anos normais, mesmo com recordes de safra no País, é
segurado ficou definido como financiamento mais uma culturas e regiões, o que possibilitou ultrapassar a mar- comum ocorrer eventos agroclimáticos localizados que
parcela de renda líquida limitada a R$ 1,8 mil. Esse limi- ca de 40 culturas no zoneamento. configuram verdadeiras catástrofes em uma microrre-
te de renda líquida foi sendo gradualmente elevado até Também foram incluídas no SEAF condições es- gião. O espaço geográfico é menor, mas para os agricul-
atingir R$ 7 mil, conforme mostra o gráfico abaixo. pecíficas para atender características da agricultura tores atingidos a tragédia é a mesma. Nessas situações,
familiar, com destaque para questões relacionadas à a maior contribuição do seguro é renovar os horizontes
agroecologia, que tradicionalmente sofrem vedação no do agricultor, viabilizando sua continuidade na atividade
Proagro Tradicional e nos seguros privados. Em um rural para produção de alimentos e geração de renda. ◆
Fonte: Bacen. Posição em 11/02/2015.
primeiro momento, foi admitido no SEAF o enqua- * Dados parciais. Processamento de sinistros em curso.
dramento de lavouras consorciadas. Posteriormente
também foi autorizado o uso de insumos de produção

ALBINO OLIVEIRA / ASCOM MDA


própria e de cultivares crioulas. Neste último caso, a Analisando os números do SEAF, verifica-se que o
medida somente foi consolidada após a criação do Ca- seguro tem apresentado bons indicadores técnico-finan-
dastro Nacional de Cultivares Locais, Tradicionais ou ceiros. Ainda há processos de sinistro da safra 2013-2014
Crioulas na Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), em análise, mas as projeções indicam que a relação en-
Fonte: MDA por meio da Portaria MDA 51/ 2007. tre pagamentos de cobertura e valor segurado, na média
O SEAF já nasceu como um grande programa de se- desses dez anos, deve situar-se próximo de 7,8%. Como
Em 2010 foi criada uma cobertura adicional, de até guro, atingindo mais de R$ 2,5 bilhões de valor segurado os custos operacionais do Proagro são muito baixos, isso
R$ 5 mil, para amortização de prestações de financia- no mesmo ano agrícola em que foi criado. Os quadros projeta um prêmio médio de seguro da ordem de 8%, o
mento de investimentos do Pronaf previstas para serem apresentam, em grandes números, a evolução do SEAF que é compatível com a realidade do mercado de seguro
pagas com a renda da lavoura segurada. A medida foi em seus dez primeiros anos de operação. Pode-se ver agrícola. O Governo Federal está subvencionando cerca
mais um estímulo ao investimento em tecnologia para que o valor segurado cresceu rapidamente atingindo R$ de 75% do valor do prêmio, o que é algo razoável consi-
transformação das condições de produção no campo. 7,9 bilhões na safra 2013-2014. derando tratar-se de pequenos agricultores.
1
Coordenador-geral de Gestão de Riscos e Seguro Rural no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Membro do Comitê Gestor Interministerial Altos valores de indenização como os da safra 2004-
do Seguro Rural, da Câmara Temática do Seguro Rural no Ministério da Agricultura e da Comissão Especial de Recursos do Proagro. Economista,
com mestrado pela Unicamp e Especialização em Agronegócios pela FIA/USP. Foi Gerente de Divisão na Diretoria do Banco do Brasil nas áreas 2005 naturalmente chamam a atenção. Logo no primei-
de agronegócios e cooperativismo. ro ano do seguro a região Sul do País foi atingida por
José Carlos Zukowski

70 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 71
SAC CAIXA – 0800 726 0101
(informações, reclamações, sugestões e elogios)
Para pessoas com deficiência auditiva
ou de fala – 0800 726 2492

RÉDI O URAL CAIXA.


Ouvidoria – 0800 725 7474
caixa.gov.br | facebook.com/caixa

AO LADO DO PRODUTOR RURAL,


DO PLANTIO À COMERCIALIZAÇÃO.

Os produtores rurais contam com a força da CAIXA ao seu lado em todas as fases de produção.
Com o Crédito Rural, eles podem comprar insumos, equipamentos e aumentar a produtividade do seu
agronegócio. As linhas de crédito que a CAIXA oferece – Custeio, Investimento e Comercialização – têm as
melhores soluções para produtores rurais e também para cooperativas.
72 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 73
Acesse www.creditoruralcaixa.com.br e encontre
as agências da CAIXA que disponibilizam o Crédito Rural.
ASCOM MDA

EDUARDO AIGNER / ASCOM MDA


MDA MDA

so aos serviços. Foi com o auxílio dos técnicos que ela


transformou a pequena horta da família em fonte de ren-
da e qualidade de vida para a família. “Sem a ajuda dos
extensionistas, eu não saberia nem por onde começar.
Além de avaliar o solo e nos orientar sobre o modo cor-
reto de cultivar os produtos, eles nos ajudam a pensar na
melhor forma de comercializar: se em mercados, feiras
ou por meio do PNAE (Programa Nacional de Alimenta-
ção Escolar), por exemplo”.
Diálogo com os movimentos
Anualmente, o Departamento de Assistência Téc-
nica e Extensão Rural (Dater/MDA) faz a programação
e lançamento de chamadas públicas, previstas na Lei
12.188/2010, mediante a demanda apresentada e dis-
cutida com o Comitê de Ater do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Rural Sustentável e levantamento de
informações e programações em relação a políticas pú-
blicas para os agricultores familiares. tos”, ressalta o coordenador de Fomento à Ater da Secre-
As chamadas públicas são elaboradas e discutidas taria da Agricultura Familiar do MDA, Everton Ferreira.
com a sociedade civil na forma de Grupos de Trabalho Para atender melhor às demandas de públicos especí-
Operacionais (GTO) onde são definidas as diretrizes, ficos, o serviço foi diversificado e ampliado. Foram cria-
premissas e definições gerais de cada chamada. das assistências técnicas direcionadas para: Inovação,
Somente entidades já previamente credenciadas no Gestão, Quilombola, Indígena, Plano Brasil Sem Miséria,

Assistência técnica beneficia


MDA podem enviar propostas nas chamadas públicas, Sustentabilidade, Agroecologia, Aquicultura e Pesca Ar-
cada qual em sua unidade da federação. A proposta me- tesanal, Diversificação da Cultura do Tabaco, Juventude
lhor pontuada em cada lote será considerada a vencedo- Rural, Territórios da Cidadania, dentre outros.

700 mil agricultores familiares e


ra e será encaminhada para contratação. Desde 2013, 50% dos serviços de Ater devem ser des-
tinados às mulheres rurais.
Assistência ampliada e diversificada

assentados da reforma agrária


“A Ater é uma das políticas públicas de maior desta- Agência Nacional de Assistência Técnica e
que para a agricultura familiar. Desde 2003, o MDA for- Extensão Rural (Anater)
talece esse serviço de forma a torná-lo cada vez mais de- A Agência Nacional de Assistência Técnica e Exten-
mocrático e gratuito, oferecendo novas ferramentas para são Rural (Anater) visa levar mais produtividade, renda

A
cada ano, milhares de famílias de agriculto- A iniciativa garante assistência de profissionais ex- potencializar, sustentavelmente, o desenvolvimento fora e desenvolvimento sustentável para o campo. Integrada
res familiares e assentados da reforma agrá- tensionistas, que vão até às propriedades rurais para tro- da área urbana. O resultado retorna em mais geração de à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embra-
ria melhoram a produção com os serviços de car experiências com os agricultores sobre planejamento renda e segurança alimentar, além de melhores condições pa), a agência atua na promoção e coordenação de pro-
Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). A troca de e modernização dos processos de produção, do plantio de vida para quem produz e para quem consome alimen- gramas de Assistência Técnica em parceria com órgãos
conhecimento e tecnologia resulta em aumento de renda à colheita. “Nossa função é ajudar os trabalhadores ru- de pesquisa. O objetivo é incorporar novas tecnologias
e melhoria da qualidade das famílias contempladas. rais a produzir de forma segura e moderna. Durante o Recursos às propriedades rurais.
Em 2014, os recursos para Ater chegaram a 1,1 bi- processo, existe uma troca de experiência e conhecimen- Em 2014, o Governo Federal começou a operaciona-
lhão e beneficiaram mais de 279 mil famílias de agricul- to entre o agricultor e o profissional. Assim, não existe O MDA tem investido recursos específicos para lizar a lei que autoriza a criação da agência. Foram defi-
tores familiares e 412 mil assentados da reforma agrária. dependência”, explica o engenheiro agrônomo e exten- a prestação de serviços de Ater para agricultores nidos os órgãos de direção da Agência, a formação de seu
A assistência técnica também atingiu a marca de maior sionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão familiares do Brasil. Estes recursos têm crescido Conselho Assessor Nacional, as atribuições, presidência
cobertura na história da reforma agrária, destacando-se Rural (Emater), André Müller. significativamente. Saltaram de cerca de R$ 56 e membros do Conselho de Administração e do Conse-
que 79% dos assentamentos criados entre 2011 e 2014 A produtora Inês Ferrari, 45 anos, atribui os êxitos milhões em 2003 para R$ 1,1 bilhão em 2014. lho Fiscal, bem como a forma de funcionamento do con-
têm Ater garantida. alcançados em onze anos de agricultura familiar ao aces- trato de gestão entre a Agência e o Governo Federal. ◆

74 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 75
MDA MDA

Agritech Lavrale
completa 45 anos
O
s últimos meses estão sendo de muita come- possui pontos de vendas e de serviços em todo o Brasil e
moração e alegria para a Agritech Lavrale. em diversos países da América Latina e África.
A fábrica de implementos, que foi fundada Suas equipes, sempre atentas ao mercado e as suas
em Caxias do Sul, no ano de 1969, por Francisco Stedile, transformações, estão preparadas para atender as necessi-
completou no dia 18 de setembro, 45 anos de tradição e dades comerciais e técnicas das regiões ondem atuam, pla-
sucesso. Uma importante e vasta trajetória que foi cons- nejando a melhor estratégia para atender todas as deman-
truída com muito trabalho e dedicação na fabricação de das e garantindo aos clientes soluções seguras e eficazes.
implementos agrícolas, cabinas para tratores, autopeças Entre as linhas de implementos agrícolas fornecidos
e componentes, além da linha militar. pela Lavrale, encontram-se Enxadas Rotativas, Plainas
Com diversos certificados de qualidade e prêmios Agrícolas, Pulverizadores, Roçadeiras, Segadeiras, Tritu-
conquistados no decorrer do tempo, a Agritech Lavrale radores, entre outras. ◆

76 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 77
MDA MDA

Agritech possui a maior linha de tratores


voltados para a Agricultura Familiar
A Agritech é pioneira, no Brasil, no desenvolvimento de linhas de tratores e
microtratores agrícolas voltadas especialmente para a agricultura familiar

A
Agritech, empresa fabricante dos tratores e Um exemplo desta incessante busca é o modelo 1185
microtratores Yanmar Agritech, é pioneira S, trator de 85 cv, que chegou com objetivo de, mais
na indústria brasileira ao fabricar linhas de uma vez, alçar a empresa para novos mercados, e que
tratores, microtratores e implementos agrícolas volta- traz como grandes diferenciais o câmbio sincronizado,
das especialmente para a agricultura familiar. A empresa o sistema de direção hidrostática e com grande precisão,

Gênia
sempre buscou levar tecnologia para o pequeno produtor, o eixo dianteiro mais robusto e com maior eficiência de
responsável por grande parte da produção nacional, setor tração, o sistema de refrigeração de água e óleo integra-
que emprega mais de 70% da mão de obra agrícola do do e o levantador hidráulico com Sistema Autolift e o
Brasil e é responsável por 60% de todo o alimento que motor Turbo de 85 cv, que proporciona mais torque e
chega à mesa dos brasileiros. operações silenciosas e econômicas.
A empresa possui a maior linha de produtos voltados
ao pequeno produtor graças as máquinas com versões Sobre a Agritech
personalizadas para cada cultura. A Agritech desenvolveu A Agritech Lavrale – Divisão Agritech faz parte do
linhas específicas de tratores para culturas como a do café, Grupo Stedile e surgiu com a cisão da Yanmar do Brasil.
uva e frutas, por exemplo, o que permitiu levar ao produtor O Grupo Stedile, de Caxias do Sul (RS) é um dos mais
uma máquina que suprisse exatamente sua necessidade. respeitados conglomerados industriais do Brasil e englo-
A empresa acredita que a evolução dos tratores pro- ba as empresas Agrale S.A., Germani Alimentos, Fazen-
duzidos é uma consequência direta da evolução do mer- da Três Rios e a Fundituba Indústria Metalúrgica. ◆
cado. A maior prova disso são os prêmios conquistados
ao longo do tempo pela empresa. A maior premiação da
América do Sul para o setor de máquinas e equipamen-
tos agrícolas, o Prêmio Gerdau Melhores da Terra, reco-
nheceu as qualidades dos produtos desenvolvidos pela
Agritech cinco vezes, por exemplo.
Outra conquista foi, no final de 2014, o 100.000º tra-
tor produzido pela fábrica da Agritech, em Indaiatuba
(SP). Em 1973 foi produzido o primeiro microtrator, ain-
da pela Yanmar do Brasil, e 41 anos depois, a Agritech,
que assumiu as operações agrícolas da empresa vinda do
Japão, chega a histórica marca com a fabricação do
modelo 1185 S.
Para 2015 a companhia pretende con-
tinuar investindo na agricultura familiar,
produzindo máquinas exclusivas para as
mais diversas culturas e levando tecno-
logia e desenvolvimento para o homem
do campo.

78 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 79
MDA MDA

Agrale faz a primeira


o nome de Ano Internacional da Agricultura Familiar, O diretor de vendas da Agrale, Flavio Crosa, salienta
Indígena e Camponesa (Aiaf). O MDA foi o responsável que a participação da empresa no Mais Alimentos In-
por coordenar o comitê brasileiro da Aiaf e foi uma das ternacional contribuiu nas exportações em 2014. “Ti-
primeiras instituições a se associar à campanha interna- vemos a primeira venda do programa de tratores para

entrega para Zimbábue


cional. Atuou, ainda, para ampliar os espaços da agricul- Zimbábue, na África. Foram 320 unidades e outros
tura familiar nos fóruns internacionais e nos projetos de para Cuba, na questão de tratores e motobombas. Essas
integração regional, como na Comunidade de Estados vendas foram significativas na parcela de exportações
Latinoamericanos e Caribenhos. da Agrale”, diz.
E para encerrar do Ano Internacional da Agricultu- O ano de 2014 fechou com cerca de 55.500 mil má-
ra Familiar, a Reunião Especializada sobre Agricultura quinas vendidas no mercado interno. “Foi um ano bom,

O
Programa Mais Alimentos Internacional tem Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Familiar no Mercosul (Reaf) criou os Selos Nacionais de mas os negócios caíram quase 15% em relação a 2013.
dois objetivos: estabelecer uma linha de cré- Agrário (MDA), o programa tem a participação de mais Identificação da Agricultura Familiar. O ano de 2015 será No ano passado também houve antecipação de compra
dito concessional para o financiamento de de 500 empresas brasileiras que exportam para seis países: de desafios associados aos avanços alcançados. A princi- em função do ano eleitoral”, declara Crosa.
exportações brasileiras de máquinas e equipamentos Zimbábue, Moçambique, Senegal, Gana, Quênia e Cuba. pal pauta será a consolidação do Plano Nacional de De- Para 2015, se espera um período de retração no mer-
destinados à agricultura familiar e fornecer apoio a pro- O ano de 2014 foi instituído pela Organização das senvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PNDRSS), cado de tratores. “Talvez, em alguns segmentos isso não
jetos de desenvolvimento rural para o fortalecimento da Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da com a construção dos planos estaduais e sua incorpora- aconteça e o trator médio tenha um desempenho me-
produção da agricultura familiar por meio da coopera- Agricultura Familiar para destacar a importância da área ção pelas demais áreas do governo. lhor. Mas acreditamos que essa retração chegue entre
ção técnica e do intercâmbio de políticas públicas. na produção de alimentos no mundo. No Brasil ganhou E, dezembro de 2012, o Desenvolvimento Agrário 15% a 20%”, salienta.
publicou a portaria n° 112 que dispõe sobre os crité- Diante deste cenário, o diretor de vendas diz que os
rios e procedimentos relativos à habilitação e seleção de fabricantes nacionais estão atuando de acordo com o
fornecedores brasileiros, de máquinas e implementos mercado. “Além disso, precisamos claras definições sobre
agrícolas, no programa Mais Alimentos Internacional. as linhas de crédito. Também esperamos que o programa
Nela estão descritas todas as etapas para que as em-
presas possam se habilitar. Ela define as regras para a
seleção das indústrias que participarão do programa
Internacional e habilita as empresas com interesse em
vender para o programa.
O conteúdo das portarias foi uma construção conjun-
ta do MDA com entidades representativas das indústrias,
que participaram de discussões, principalmente sobre as
regras para qualificar a melhor indústria. Metodologias,
procedimentos e critérios de habilitação foram discuti-
dos com a Associação Nacional dos Fabricantes de Ve-
ículos Automotores (Anfavea), a Associação Brasileira
da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e o
Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrí-
colas do Rio Grande do Sul (Simers).
Para o funcionamento do programa, a portaria es-
tabelece uma padronização importante, determinando,
por exemplo, que no preço do produto estará incluído o
valor dos serviços de assistência técnica no país; há tam-
bém um valor que implica custo de montagem da má-
quina e capacitação para uso da máquina.
A metodologia para a seleção da empresa avalia duas
questões: os potenciais de exportação da empresa e de
Entrega de tratores pelo programa Mais Alimentos Internacional
assistência técnica. Diretor de Vendas da Agrale, Flavio Crosa

80 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 81
MDA MDA

Mais Alimentos Internacional se mantenha nos mesmos “O Mais Alimentos tem o objetivo de
moldes para continuarmos participando”, pontua.
No que tange as novidades e lançamentos de má-
promover a segurança alimentar e nu-
quinas e implementos agrícolas, o diretor de vendas da tricional, por meio de implementação,
Agrale enfatiza que sempre se referem que a parte ergo-
nômica do trator seja adequada quanto à questão de pro-
ampliação ou modernização da estrutura
dutividade. “Nosso mercado está cada vez mais exigente. das atividades de produção, de arma-
E procuramos fazer isso. A linha 500, lançada em 2013
está resultando numa surpresa, e abrange a ergonomia,
zenagem, de transporte ou de serviços
conforto, o trator de média potência que é a agricultura agropecuários ou não agropecuários,
universal, mas com boa produtividade. O inversor é di-
reto de fábrica, sendo um adicional já, com lanternas de
no estabelecimento rural ou em áreas
LED”, conclui. ◆ comunitárias rurais próximas, de acordo
com projetos técnicos específicos” - Art
1° da portaria 97.

82 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 83
MDA MDA

Agritech exporta tratores


e implementos para a
República do Senegal
Por meio do Programa Mais Alimentos Internacional, a República do
Senegal, país situado na parte ocidental da África, adquiriu 59 tratores, 80
microtratores e 249 implementos agrícolas da Agritech

A
Agritech, pioneira na indústria brasileira ao de exportações brasileiras de máquinas e equipamentos
fabricar linhas voltadas especialmente para destinados à agricultura familiar e fornecer apoio a pro-
a agricultura familiar, realizou sua primeira jetos de desenvolvimento rural para o fortalecimento da
venda por meio do programa Mais Alimentos Interna- produção da agricultura familiar por meio da coopera-
cional. A República do Senegal receberá 59 tratores mo- ção técnica e do intercâmbio de políticas públicas.
delo 1175 (75 cv), 80 microtratores modelo TC 14 (14 cv) Coordenado pelo MDA, o programa tem a participa-
e 249 implementos agrícolas, entre roçadeiras, encateira- ção de mais de 100 empresas brasileiras, que exportam
dores e sulcadeiras, com o objetivo de ajudar no desen- para seis países: Zimbábue, Moçambique, Senegal, Gana,
volvimento agrícola do país, que tem mais de 70% de sua Quênia e Cuba.
população economicamente ativa empregada no setor. O governo brasileiro já aprovou R$ 1,2 bilhão em ex-
“Realizar uma operação como esta é muito impor- portação de tecnologia de máquinas agrícolas, área em
tante para a empresa. Primeiro porque nos permite que o Brasil é referência mundial. A previsão é de que
alavancar as vendas, que passam por um momento de mais de 2,5 mil tratores sejam comercializados pelo pro-
estabilidade no Brasil, e segundo porque nos abre novos grama. Além disso, mais de 60 mil equipamentos e má-
mercados e nos dá novas perspectivas de negócios”, co- quinas agrícolas também serão usados nas lavouras dos
menta o Gerente da Divisão de Vendas da Agritech, Nel- países cooperantes.
son Watanabe.
O primeiro embarque dos produtos para o país africa- Sobre a Agritech
no ocorre nesta quinta-feira, dia 05 de março, quando se- A Agritech Lavrale – Divisão Agritech faz parte do
rão enviados ao país 36 tratores modelo 1175, 30 microtra- Grupo Stédile e surgiu com a cisão da Yanmar do Brasil.
tores modelo TC 14 e 10 roçadeiras. O restante do pedido A Agritech é a empresa fabricante dos tratores e micro-
será embarcado no dia 16 de abril. “Esta é a primeira etapa tratores Yanmar Agritech no Brasil e pioneira na indús-
da negociação que vem sendo realizada com a República tria brasileira ao fabricar linhas de tratores, microtrato-
do Senegal. Se os produtos adquiridos nesta fase forem res e implementos agrícolas voltadas especialmente para
bem aceitos pelos agricultores, novos pedidos serão reali- a agricultura familiar. No final de 2014 a empresa atingiu
zados. Nossa expectativa é muito boa”, finaliza Watanabe. a marca de 100 mil tratores produzidos pela sua fábrica,
O Programa Mais Alimentos Internacional estabelece em Indaiatuba (SP).
uma linha de crédito concessional para o financiamento Para saber mais: www.agritech.ind.br ◆

84 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 85
MDA MDA

GOVERNOS ESTADUAIS GOVERNOS MUNICIPAIS INSTITUIÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS

Ater no Brasil
Recursos de pessoal, custeio e investimento das 1042 municípios com atuação própria em ATER; 636 ONGs credenciadas para atuar em ATER;
instituições estaduais de ATER de cerca de R$ 2,1 1744 atuando em ATER em parcerias com estados 4033 técnicos no sistema cooperativista nas UFs
bilhões; e 752 com outros financiadores; do S, SE e CO e 5.500 no total;
16 mil extensionistas envolvidos; 5 mil técnicos; Atendimento para cerca de 500 mil AFs.
Algum atendimento de cerca de 2 milhões de Algum atendimento a 500 mil AFs;
agricultores em mais de 5 mil municípios.

tiva a atuação das instituições não governamentais e dos de assistência técnica aos agricultores. A tabela abaixo
Everton Augusto Paiva Ferreira, Coordenador-geral de Fomento à Ater da serviços privados de Ater no Brasil. aponta a disponibilidade de pessoal técnico nas oito uni-
Secretaria de Agricultura Familiar no Ministério do Desenvolvimento Infraestrutura, recursos, pessoal e atendimento de dades da federação que dispõem dos maiores quantitati-
Agrário. Economista com pós-graduação em planejamento e gestão
Ater pelas esferas executoras: vos de técnicos, representando73% do total.
e extensionista na EMATER MG entre 1997 e 2011
Recursos orçamentários das organizações estaduais Há que se considerar, também, o Serviço Nacional de
de ATER alocados no ano de 2011, por região geográfica: Aprendizagem Rural (Senar), que tem um papel de des-

O
serviço de Assistência Técnica e Extensão da capacidade do Estado em prestar serviços de Ater A maior parte destes recursos é destinada ao paga- taque para a capacitação de mão de obra no meio rural e
Rural (Ater) é essencial para o processo de para a agricultura familiar. Os objetivos foram amplia- mento de pessoal, uma vez que estimativas apontam que que apresenta importante capacidade de atuar em ativi-
desenvolvimento rural sustentável e o forta- dos, novas diretrizes desenhadas, contando com a par- os órgãos estaduais de Ater dispõem de um quadro per- dades coletivas de qualificação.
lecimento da agricultura brasileira. A institucionalização ticipação da sociedade civil. Os investimentos crescentes manente de mais de 25 mil funcionários, compreenden- Atualmente, no âmbito do Governo Federal, a atri-
efetiva de um serviço de Ater no Brasil ocorreu a partir da possibilitaram dar curso a um processo de reestrutura- do 16 mil extensionistas. Dos valores totais aplicados, buição da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)
década de 50, com a criação das Associações de Crédito e ção da prestação destes serviços, mediante a construção mais de 70% correspondem a custos de pessoal, algo em pertence ao MDA. Para a sua execução, foi estruturado
Assistência Rural (ACAR), entidades civis, sem fins lucra- de parcerias com os governos estaduais e abertura para a torno de 20% se destinam para gastos de custeio e menos o Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural
tivos, que prestavam serviços de extensão rural e elabora- contribuição de organizações da sociedade civil. de 10% são recursos aplicados em investimentos.
ção de projetos técnicos, para obtenção de crédito. A ênfase dada pelo Governo Federal às políticas para Segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Mu-
Durante as décadas de 60 e 70, o Sistema Brasilei- a agricultura familiar ao longo dos últimos 10 anos; o nicípios, 3.030 municípios possuem algum serviço de Ater
ro de Extensão Rural (Siber) experimentou importante profícuo processo de parcerias dessa esfera com os go- sendo que 1.042 o fazem com recursos próprios, 1.744 via

ASCOM MDA
crescimento, com a expansão da estrutura da ACAR para vernos estaduais na sua implementação, bem como os convênios com os governos estaduais, e 752 buscam ou-
vários estados, com o consequente aumento dos muni- esforços empreendidos para a reestruturação dos órgãos tras fontes de recursos para prover Ater para seus agricul-
cípios e agricultores atendidos e dos planos de crédito estaduais de Ater, são alguns dos elementos que justifi- tores. Estima-se que os municípios que atuam nesta área
rural implantados. cam a ampliação dos recursos alocados atualmente pelos agregam aproximadamente cinco mil extensionistas.
A partir de 1974, o Siber começou a ser estatizado com governos federal, estaduais, municipais, cooperativas e As instituições não governamentais também possuem
a instituição da Empresa Brasileira de Assistência Técnica organizações não governamentais na implantação, apri- atuação significativa na prestação de serviços de Ater. As
e Extensão Rural (Embrater), tendo como atribuição prin- moramento e manutenção de estruturas capazes de rea- bases de dados do Dater registram mais de 600 instituições
cipal fomentar e integrar o Sistema Brasileiro de Assistên- lizar essa prestação de serviços. credenciadas com cerca de 10 mil técnicos e capacidade
cia Técnica e Extensão Rural (Sibrater), que agregava as Todas as unidades da federação dispõem de estru- para atender meio milhão de estabelecimentos rurais. Há
organizações estatais de Ater, mediante a capacitação de turas voltadas para a prestação dos serviços de Ater, um espectro amplo de organizações não governamentais
extensionistas e repasse de recursos de programas federais dotadas de quadro técnico e capilaridade para se fazer que prestam serviços de Ater, compreendendo: as organi-
de apoio ao setor rural. Na década de 70, o Sibrater con- presente na quase totalidade dos municípios, mesmo zações dos agricultores familiares; as cooperativas de pro-
solidou os serviços públicos de Ater no país, assumindo aqueles mais distantes dos grandes centros e desprovidos dução, de comercialização ou de técnicos e de agricultores;
importante protagonismo no processo de modernização de infraestrutura. A estrutura operacional já existente estabelecimentos de ensino que executem atividades de
da agropecuária brasileira. Na década de 80, a Embrater nas 27 unidades da federação e no conjunto de municí- Ater na sua área geoeducacional; as CFR (Casas Familia-
redirecionou sua atuação, passando a apoiar ações volta- pios implica na mobilização de mais de R$ 2,1 bilhões res Rurais), EFA (Escolas Família Agrícola) e outras enti-
das prioritariamente para os pequenos produtores rurais. anuais. O dimensionamento da estrutura existente deve dades que atuem com a Pedagogia da Alternância; redes e
No início da década de 90, a Embrater foi definiti- considerar, além da capacidade dos órgãos estaduais, a consórcios de organizações não governamentais; e outras
vamente extinta e os governos estaduais assumiram a Ater executada pelos municípios, quer isoladamente, organizações não governamentais.
responsabilidade pelo serviço de Ater. Em 2003, diante quer em parceria com os estados, uma vez que, quase a Segundo pesquisa realizada em abril de 2010 pela
do quadro de desestruturação existente, os esforços go- metade daqueles que executam essa prestação de servi- Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o siste-
vernamentais foram direcionados para a reconstrução ços o faz mediante parceria com os estados. É significa- ma cooperativo possui 5.500 técnicos prestando serviços Everton Ferrreira

86 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 87
MDA MDA

A Agricultura Familiar no Brasil representa


TABELA 2. NÚMERO DE TÉCNICOS DO SISTEMA COOPERATIVISTA, PARA Culminando essa trajetória, em 2010 foi editada a Lei
AS PRINCIPAIS UFS. 4,3 milhões de unidades produtivas, 84%
12.188, também conhecida como “Lei de Ater”, que insti- do total. São 14 milhões de pessoas
Estado PR RS GO SP MS MG SC ES Total
tucionalizou a Pnater, definiu seus objetivos e beneficiá- trabalhando a terra.* Foi pensando nessa
Técnico 1.450 550 112 600 100 533 603 85 4.033
rios, trazendo uma inovação importante na contratação gente que a Mahindra trouxe para Dois
Fonte: Sistema OCB.
da prestação desses serviços para a agricultura familiar. Irmãos - RS a fábrica dos tratores mais
vendidos do mundo. Os tratores Mahindra
O marco principal desta legislação foi a contratua- são feitos sob medida para a agricultura
(Dater), por meio do Decreto nº 5.033, de 5/04/2004, que lização da relação com as entidades executoras. As ati- familiar porque se adaptam a uma grande
aprovou a estrutura regimental do MDA, integrando a vidades desenvolvidas foram ajustadas às necessidades variedade de cultivos, são fortes e robustos,
estrutura da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF). dos agricultores e empreendimentos familiares, de acor- além de consumirem pouco e terem baixo
Como passo inicial do desempenho dessas atribui- do com seu perfil socioeconômico, desde a elaboração de custo de manutenção.
ções, foi formulada a Política Nacional de Ater (Pnater), diagnósticos, planos e projetos, até um conjunto de ati-
que além de definir princípios, objetivos e diretrizes de vidades para apoiar as famílias rurais em todo o sistema
atuação, trouxe outros aspectos como a organização de produção e gestão do estabelecimento. A sistemática
do serviço na forma de um sistema descentralizado, de chamadas públicas e a celebração de contratos estabe-
de âmbito nacional, autônomo, com objetivos, estru- leceram um novo patamar de qualidade na prestação de
turação, orientações estratégicas e metodologias para serviços de Ater brasileiro. Atualmente, no 4º ano da Lei
as instituições e organizações integrantes, visando a 12.188, essa vem possibilitando o atendimento de Ater
prestação de serviços com qualidade. A consolidação a mais de 560 mil agricultores familiares em todo país
das bases da Pnater foi se dando gradativamente, prin- mediante contratos.
cipalmente, mediante a reestruturação das entidades Contudo, os desafios persistem e são ainda maiores.
estaduais, como também com a construção de Redes de Mesmo com todo esforço governamental e da sociedade
Ater, o suporte a formação de técnicos e o incentivo à civil, o Brasil possui mais de 4,6 milhões de agricultores
inovação tecnológica. familiares e grande parte não recebe os serviços de Ater.
Sob a égide desta concepção, o Sistema Brasileiro Expandir o sistema de Ater capaz de articular as estrutu-
Descentralizado de Assistência Técnica e Extensão Ru- ras por toda sociedade e nas diversas esferas de governo
ral (Sibrater) foi instituído em 28 de março de 2006, é uma necessidade imediata. A história e conquistas da
mediante a edição da Portaria 025/2006 do MDA, com a Ater no país merecem um novo “salto histórico” capaz de
finalidade de discutir, operacionalizar e monitorar a Po- consolidá-la com a grande política de desenvolvimento
lítica Nacional de ATER. do rural brasileiro. ◆

*FONTE: www.embrapa.br/embrapa-no-ano-internacional-da-agricultura-familiar

SAC: 0800.7225482
88 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 www.mahindra.com.br/tratores Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 89
/mahindrabrasil
MDA MDA

Programa de Diversificação desenvolver estratégias de diversificação produtiva em


propriedades de agricultores familiares que produzem
fumo e criar novas oportunidades de geração de renda e
qualidade de vida às famílias.
vidamento dos agricultores que produzem tabaco, em
especial àqueles com maior dependência econômica
com esta cultura, que tem causado o empobrecimento
e consequentemente o êxodo rural, principalmente dos

em Áreas Cultivadas com Tabaco O Programa foi lançado em outubro de 2005, com
a ratificação pelo Senado brasileiro à Convenção-Qua-
dro para o Controle do Tabaco (CQCT), da Organização
jovens. A partir de ações de diversificação nas áreas de
olericultura, fruticultura, bacia leiteira e culturas de sub-
sistência em parceria com o Programa de Diversificação

garante renda e mais qualidade de vida Mundial da Saúde (OMS) e é coordenado pela Secretaria
da Agricultura Familiar do MDA, que busca articular as
políticas públicas para subsidiar o processo de diversi-
em Áreas Cultivadas com Tabaco do MDA, o município
tenta melhorar e fortalecer a produção agropecuária e as
rendas não-agrícolas dos agricultores, além de reduzir os
ficação da produção e renda em áreas fumicultoras. A altos custos com a saúde dos plantadores de fumo, como

I
nvestir na produção de alimentos e na comercia- fumo, a renda é anual, tínhamos que ter muito controle medida surgiu de uma ação conjunta de seis ministérios: consequências desta atividade.
lização de conservas orgânicas. Esta foi a oportu- para não ficar devendo”, complementa o ex-fumicultor. do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Agricultura, Pe- Depois de 17 anos plantando fumo, Regina Lúcia
nidade que Valdecir Murceski, 26 anos, e Cristina Com o abandono do fumo, Valdecir conta que a saúde cuária e Abastecimento (MAPA), da Saúde (MS), da Casa Bortolatti, 46 anos e Luciano Bortolatti, 39 anos, que
Will Murceski, 24 anos, encontraram para diversificar do casal também melhorou. “Na colheita, éramos obri- Civil, das Relações Institucionais e da Fazenda. moram em uma propriedade de 17 hectares em Sertão
as atividades e abandonar o plantio do fumo. O jovem gados a trabalhar com o fumo molhado que dava intoxi- Santana, decidiram abandonar a atividade e investir no
casal, de Nova Trento, em Santa Catarina, vive numa cação. No fumo, a gente virava noites trabalhando. Hoje Chamadas Públicas plantio de uva. Em 2008, plantaram 200 pés, logo depois
propriedade de 22 hectares, e, hoje, mantém um plantio não, temos um horário mais liberado”, relata. Desde que O Programa de Diversificação em Áreas Cultivadas aumentaram para 1,7 mil pés. O investimento garantiu
altamente diversificado. “Não precisamos comprar ali- iniciaram a transição do plantio de fumo para a produção com Tabaco tem ação orçamentária de apoio a projetos na primeira safra de 2011 a colheita de seis mil quilos da
mentos fora, temos tudo em casa”, relata Cristina. Além de alimentos orgânicos, eles procuram manter um plantio de capacitação e pesquisa para apoio a alternativas eco- fruta. Já na safra de 2012 a produção dobrou, chegando a
do plantio, eles garantem a subsistência da família com a diversificado para garantir renda durante todo o ano. nomicamente viáveis, bem como apoio a investimentos 12 mil quilos. O filho do casal, Igor Fernando Bortolatti,
criação de vacas, porcos e galinhas. em projetos de agregação de valor, em parceria com or- 18 anos, ajuda os pais na lavoura, mas hoje, pode dividir
Todo sábado eles seguem para uma feira que ocorre Estratégias ganizações públicas e privadas. A iniciativa já atendeu seu tempo entre as tarefas no campo e os estudos.
no município para comercializar conservas e produtos in Para diversificar a produção, Valdecir e Cristina re- mais de 45 mil famílias em ações de capacitação, Ater Com a construção de uma cooperativa de sucos com
natura. “Estou feliz. Agora, só planto verduras, a renda ceberam auxílio do Programa de Diversificação em Áre- e investimentos em projetos para a agricultura familiar. apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA),
melhorou e é garantida”, comemora Valdecir. “Com a ver- as Cultivadas com Tabaco, que auxilia a implementação A primeira chamada pública para Assistência Técnica em parceria com a prefeitura, a família conseguiu garan-
dura a gente tem renda mensal e também semanal. No de projetos de extensão rural, formação e pesquisa para e Extensão Rural (Ater) para Diversificação foi lançada em tir renda com a venda do produto. Além da uva, a família
2011 e atendeu 10 mil famílias dos estados do Paraná, San- Bortolatti produz arroz e olerícolas diversificadas. Ainda
Diversificação do tabaco
ta Catarina, Rio Grande do Sul, Alagoas, Bahia e Sergipe. criam peixes, ovelhas e gado de corte. A diversidade de
Em 2013, a segunda Chamada, com duração de três anos, produtos garante renda para a família o ano todo.
atendeu 11.200 famílias de Santa Catarina, Paraná e Rio O arroz é vendido para engenhos próximos ao mu-

ASCOM MDA
Grande do Sul, municípios com produção de tabaco. nicípio. As mais de 100 cabeças de ovelha são vendidas
Dados preliminares levantados junto a uma amostra a R$ 14 o quilo. A ovelha completa (matriz e reprodu-
de cerca de duas mil famílias atendidas por essa chama- tor) é vendida em média por R$ 400,00 a peça. “A di-
da, indicam que em torno de 90% tem renda líquida do versificação dá mais dinheiro que o fumo. Sempre entra
tabaco e renda agropecuária total da propriedade abaixo dinheiro, se não é da uva é do arroz ou da carne de ove-
de dois salários mínimos. Juntas, as Chamadas Públicas lha. Não tinha mais como depender apenas do fumo”,
de Ater com foco em agroecologia, diversificação, sus- enfatiza o agricultor.
tentabilidade, e leite, atendem mais de 26 mil famílias A família também conta com um açude na pro-
produtoras de tabaco. priedade para criação de peixes. Em 2011, vendeu 600
quilos de carpa para a população que busca o produto
Incentivo à agricultura familiar direto na propriedade.
O município de Sertão Santana, no Rio Grande do
Sul, está incentivando a diversificação de produção e Contribuição brasileira
renda da agricultura familiar, como forma de minimi- Em outubro de 2014, durante a 6ª Conferência das
zar os efeitos negativos oriundos do alto grau de endi- Partes (COP 6), a comitiva brasileira, da qual o MDA

90 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 91
MDA MDA

integra, conseguiu a aprovação das propostas que con-


templam a agricultura familiar. Na conferência, os re-

ASCOM MDA
presentantes brasileiros defenderam a promoção e di-
versificação da cultura do tabaco e a proteção do meio
ambiente e da saúde dos trabalhadores. A conferência é
realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e
envolve delegações de vários países. As propostas apro-
vadas fazem parte do relatório elaborado pelo Grupo de
Trabalho da CQCT, formado por 35 países.
De acordo com o representante do MDA na COP 6,
coordenador de Inovação e Sustentabilidade da Secreta-
ria da Agricultura Familiar do MDA, Hur Ben Corrêa da
Silva, a comitiva brasileira tem tido uma atuação forte nas
deliberações em defesa da agricultura familiar. “A nossa
ação é garantir a participação dos produtores na formula-
ção e implementação das soluções e fazer com que a con-
venção adote a diversificação como o caminho para a me-
lhoria das condições de vida dos fumicultores”, afirmou.
As políticas públicas do Governo Federal como crédi-
to rural, seguros, garantia de preços, assistência técnica e
extensão rural e de comercialização como o Programa de
Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de
Alimentação Escolar (Pnae) têm orientado o debate entre
os países na construção de opções de políticas públicas. ◆
Casal troca a produção de fumo por cultivo de alimentos orgânicos

ASCOM MDA

Imagem meramente ilustrativa.


Produção de uva e fabricação de vinho como alternativa economicamente viável em área de tabaco
muda realidade de família

92 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 93
DIVULGAÇÃO
MDA MDA

relata com orgulho Edson, que há quatro anos é presi- A história do produtor rural com a Valtra começa em
dente da Associação dos Produtores de Leite do Municí- 1977, quando seu pai, hoje com 89 anos, comprou o pri-
pio de Iraí e há 12 está no comando da Patrulha do Trator meiro Valmet 65. “Este modelo foi um xodó, marcou épo-
e da Retroescavadeira da Localidade de Barra Grande. ca”, relembra. Ele depois adquiriu mais dois deste modelo
Ele possui o segundo grau completo e fez cursos de usados, em 1989 e 1991, e, em 2005, com a ajuda da mu-
datilografia e contabilidade. “Eu encaro a nossa pro- lher Iliana, comprou um Valtra 685 novo. Depois trocou
priedade como uma empresa”, destaca, complementan- este último por um A750 GI, em 2011. “Com o trator, hoje
do que a família se reúne todos os dias no almoço e no eu faço sozinho o que fazíamos os três juntos. Nós lavráva-
jantar para planejar o trabalho que será realizado no mos a terra e colhíamos milho no braço”, enfatiza.
turno seguinte.
“Eu sou fã da Valtra, não troco de marca”
Trabalho entre irmãos O agricultor Neuri Tesser, 66 anos, divide com os fi-
Outro cliente da Valtra que investiu no trator A750 lhos Carlos Eduardo, 43, e João Carlos, 44, o trabalho em
Geração II foi João Carlos Pesamosca, 55 anos, do dis- suas terras localizadas em David Canabarro (RS) e a pai-
trito de Vila Salete, em Frederico Westphalen. Ele, que xão pela Valtra. “Se a Valtra se conservar assim, eu não
tinha um A750 GI, conheceu a máquina nova na Expo- troco de marca”, declara Neuri, que é cliente da Razera de
Marlene, Edson, Geriel, Eduardo, Vilma e José Folle
direto Cotrijal, feira realizada em Não-me-toque (RS). Casca (RS), comprou um A750 GII e está muito satisfeito

Revolução nas pequenas propriedades “O Série A Geração II me chamou atenção por ser mais
pesado do que o modelo que eu usava, mais comprido.
Ele melhorou muito, possui desempenho superior”, con-
com o seu desempenho. O primeiro trator dele foi um
Valmet 65 usado, adquirido em 1980. Depois, em 1989,
comprou um Valmet 68 novo e, em 2002, um BM 110,
Com design arrojado, a Série A Geração II da Valtra proporciona versatilidade, ta João Carlos, que também destaca o novo sistema de que faz o serviço pesado. Com o Valmet 65, ele fez uma
injeção da máquina, com bomba em linha, que permite aposta com um vizinho, que possuía um trator de outra
economia de combustível e baixo custo de manutenção. Conheça abaixo uma economia de combustível. marca, para mostrar que o dele tinha um desempenho
histórias de famílias que tiveram suas lavouras transformadas com os novos O produtor rural trabalha em conjunto com os ir- superior, o que foi comprovado. E, desde então, o vizinho
mãos Jair, 50 anos, e Roque, 38. Cada um possui uma se converteu em cliente da Valtra.
maquinários adquiridos por meio do crédito do Programa Mais Alimentos propriedade, mas cultivam as lavouras e cuidam do gado O A750 GII foi financiado com crédito do Programa
juntos como uma forma de diminuírem custos. João Car- Mais Alimentos em maio de 2014. Ele é utilizado para


O trator veio fazer uma revolução nas pequenas vel pelas máquinas. Ele afirma que os equipamentos da los tem 30 hectares, nos quais planta soja, milho e trigo, pulverizar, distribuir fertilizantes e carregar produtos. Os
propriedades”, resume o produtor rural Edson marca são fortes, fáceis de operar, têm baixo custo opera- com uma média de 40 sacas por hectare, e uma base de Tesser possuem uma área total de 110 hectares, nos quais
Luiz Folle, 49 anos. Ele trabalha junto com os pais, cional e não estragam. A primeira máquina da marca ad- 50 bois. Ele utiliza o A750 GII para puxar plantadeira, plantam soja, milho e aveia branca e preta, e 20 vacas de
Arlindo José e Vilma Lídia Folle, ambos de 69 anos, a es- quirida pelos Folle foi um Valmet 78, em 2006, que eles pulverizador e pé de pato. leite e 30 gados de corte. ◆
posa, Marlene, 46, e o filho, Geriel Eduardo, 20, em seus entregaram neste ano. “O freio da Valtra é um dos me-
40 hectares de terra em Iraí, onde cultivam fumo (70 mil lhores do mercado”, frisa o jovem, que não trocou a zona
pés por safra) e milho e tratam 50 vacas de leite e 14 bezer- rural pela cidade em função de seu fascínio pelo trabalho
ros confinados. A família Folle, cliente da concessionária com os tratores. Geriel e Edson ressaltam o atendimento

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO
Volkweis, de Frederico Westphalen (RS), conta com a aju- da Volkweis, concessionária da Valtra no Rio Grande do
da de dois tratores Série A da Valtra, sendo um A750 Ge- Sul: “Nós trabalhamos há anos com eles. Se precisamos
ração II (78 cv), comprado em maio de 2014, e outro A750 de uma peça, eles vêm nos trazer. Não deixam a desejar
Geração I, em fevereiro de 2011, para preparar o solo, fa- para ninguém”.
zer a pastagem, plantar, aplicar veneno e ureia e tratar as Edson e Marlene investiram em conhecimento para
vacas. Entre as melhorias do modelo novo, Edson destaca agregar mais qualidade e rendimento no trato com o
a economia de combustível: menos 1 litro por hora traba- gado e na lavoura. Eles fizeram cursos do Sebrae e do
lhada. “O trator é simples, sendo perfeito para a pequena Senar, disponibilizando inclusive a residência da família
propriedade, além de valente.” para a realização de algumas aulas, que foram assistidas
Cada familiar tem a sua função na propriedade. Ge- por cerca de 40 famílias da região. “A nossa região, Barra
riel, apaixonado por trator e fã da Valtra, é o responsá- Grande, é a que mais produz leite do município de Iraí”,
João Carlos Pesamosca Neuri Tesser e o filho João Carlos
94 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 95
MDA
A BUDNY
Em nome da boa saúde, o retorno Budny espera POSSUI UMA
COMPLETA
dos velhos hábitos na lavoura aumento de 15%
Implemento produzido na década de 70 pela Agrimec volta a ser fabricado LINHA DE
em função dos cultivos orgânicos
nas vendas em 2015 PRODUTOS
F AGRÍCOLAS,
oi a partir dela, na década de 70, que o setor de

A
implementos agrícolas inovou-se no Rio Grande Budny Indústria e Comércio, fundada em 1990, tem sua matriz localizada em Içara/

FUMAGEIROS
do Sul. A Capinadeira Rotacarp, primeiro produ- SC. Conta com filiais em solo catarinense, além do Rio Grande do Sul e Paraná.
to desenvolvido pela Agrimec, empresa de Santa Maria, RS, O objetivo da empresa é facilitar e agregar qualidade no processo de produção
considerada hoje a maior fabricante de implementos para a familiar agrícola, seguindo a ideia de desenvolver equipamentos com a função de proporcionar
lavoura arrozeira da América Latina, chegou como a solu-
ção para um problema que afetava boa parte dos produtores
de soja: o inço na lavoura. Até que a partir de 1978, uma
comodidade e bons resultados na produção.
A logística de produção, venda e distribuição é altamente integrada e dinâmica, já que os
produtos são distribuídos através de frota própria de veículos e caminhões, garantindo ao clien-
E TRATORES.
outra estratégia foi difundida, o uso de herbicidas, ocasio- te um atendimento rápido e com qualidade.
nando o encerramento na produção da capinadeira. Dentro da linha de produtos da Budny, estão disponíveis para comercialização, através da
36 anos depois, o implemento voltou a ser fabricado te no plantio de soja no município de Formosa do Rio linha de crédito Pronaf/Mais Alimentos, tratores, arados, carretas, distribuidores de adubo e
em função do cultivo orgânico, despertando o interesse Preto, na Bahia foram os primeiros clientes desta nova calcário, secadores de grãos, grades, plainas niveladoras, pulverizadores, resfriadores, orde-
de muitos produtores. Um grupo de coreanos que inves- edição do implemento. Conforme Odilo Pedro Marion, nhas, caçamba carregadeira, raspo transportador, roçadeiras e distribuidor de esterco líquido.
Diretor-Presidente da Agrimec, o funcionamento da Ro- A empresa disponibiliza a venda destes equipamentos através desta linha de crédito desde 2012.
tacarp dispensa o uso de agentes químicos: “Ela tritura a Com diferenciais que prezam pela qualidade, pontualidade na entrega, serviço de pós-ven-
maioria dos inços nas entrelinhas, cobrindo o inço rema- das e assistência técnica, o maquinário é comercializado especialmente para os estados de Santa
nescente, aterra o pé da planta e desmancha os torrões. Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, quando se trata do Pronaf. No entanto, a Budny exporta
A Rotacarp pode ser utilizada, além da soja, para as cul- para os países que compõem o Mercosul. Atua em todo o território nacional e conta com 534
turas de feijão, milho, sorgo, batata, amendoim, enfim, funcionários. Tem uma produção mensal de 2 mil equipamentos e 838 produtos que compõem
qualquer cultura plantada em linha”, explica. o catálogo de vendas.
Além da Rotacarp, a Agrimec ainda oferece outros A expectativa de vendas é de um crescimento para 2015 de 15%.
implementos agrícolas voltados para a agricultura fami- A Budny já está cadastrada no programa Mais Alimentos Internacional e, automaticamente,
liar. Você pode conferir a linha completa em www.agri- todos os produtos cadastrados na linha de crédito Pronaf/Mais alimentos. O Mais Alimentos
mec.com.br. ◆ Internacional foi criado pelo Governo Federal em 2010 para financiar a compra de máquinas e
equipamentos agrícolas para outros países, em especial os do continente africano e da América
Latina e Caribe. ◆

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Conheça nossos
equipamentos:
www.budny.com.br

96 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015


MDA MDA

Programa ajuda a aperfeiçoar


gestão de cooperativas da
agricultura familiar
O
cooperativismo é uma atividade estratégica Também está previsto o atendimento de questões es-
para o fortalecimento da agricultura familiar. pecíficas, tais como:
A organização facilita o acesso dos agriculto- –– Ampliar o acesso a produtos e serviços de apoio dis-
res aos mercados institucionais e contribui para agregar poníveis nas instituições de governo e setor privado;
valor à produção, o que resulta em mais renda às famí- –– Ampliar o acesso e a comercialização das cooperativas
lias. Para aprimorar a gestão das cooperativas, o Minis- nos mercados institucionais, especialmente Programa
tério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e PAA;
de sua Coordenação de Cooperativismo e Organização –– Introduzir melhorias técnico-gerenciais e tecnológi-
Econômica, criou, em 2012, o Programa Mais Gestão. cas nos empreendimentos;
Atualmente, mais de 160 profissionais acompanham 450 –– Incrementar o desempenho dos empreendimentos;
cooperativas, em 18 estados do Brasil. –– Contribuir para a elevação dos níveis de emprego e
“O Mais Gestão é um programa de assistência técnica renda;
para cooperativas da agricultura familiar e tem como me- –– Promover a capacitação para a inovação;
tas principais o fortalecimento da gestão da organização –– Promover o protagonismo dos empreendedores fa-
e a inserção nos mercados institucionais, convencionais miliares na interação entre os empreendimentos e
e diferenciados”, explica a coordenadora-geral substituta instituição de apoio e cooperação;
do Departamento de Geração de Renda e Agregação de
Valor do MDA, Mariana Carrara. Como acessar o programa
Existem 1,3 mil cooperativas com a Declaração de A atuação do Programa Mais Gestão é feita por
Aptidão ao Pronaf (DAP) aptas a participarem de cha- meio de chamadas públicas e atende cooperativas que
madas do programa. As perspectivas para 2015 são tenham a DAP Jurídica. As chamadas selecionam a
atender mil empreendimentos e ainda ampliar o público entidade que executará assistência a esses empreen-
beneficiário, com a inserção do atendimento de assistên- dimentos. Esses profissionais buscam desenvolver um Cooperativismo Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias,
cia técnica gerencial para outros tipos de organizações, plano de aprimoramento de qualificação da gestão das Além do Mais Gestão, a Coordenação de Coopera- entre outras); e Mobilização e coordenação de espaço de
como associações e centrais de cooperativas. cooperativas nas áreas de comercialização, organização tivismo e Organização Econômica desenvolve outras debate e formulação de políticas públicas para o coo-
O programa visa a prestação de assistência técnica e administração. ações que visam o fortalecimento do cooperativismo e perativismo da agricultura familiar, através do Comitê
direcionada aos empreendimentos coletivos da agricul- Dentre as prioridades, estão a elaboração e o acom- associativismo da agricultura familiar. Entre elas desta- Permanente de Cooperativismo do CONDRAF compos-
tura familiar. Os serviços são baseados em ferramentas panhamento de projetos técnicos de financiamento para ca-se a formação de uma Rede de Universidades, que to por 24 representações de entidades e movimentos
de apoio à tomada de decisão, visando o aprimoramento a cooperativa, o acesso e ampliação da participação do tem como objetivo desenvolver estudos e pesquisas na que atuam com o tema.
das diferentes áreas funcionais dos empreendimentos: empreendimento nos mercados institucionais e a organi- área de gestão de cooperativas e produzir dados relativos Além desses três pontos, a Coordenação também
organizacional, comercial, industrial, ambiental, finan- zação interna para atendimento dos ritos legais e fiscais à avaliação e desenvolvimento das cooperativas acom- atua na difusão das linhas e formas de acesso de crédito
ceira e de pessoas. A metodologia prevê várias fases, das cooperativas. panhadas pelo Mais Gestão; formulação e concretização para cooperativas, participação e mobilização em pro-
como mobilização, diagnósticos, matriz de identificação O Mapa abaixo demonstra a abrangência atual do de parcerias institucionais para ampliação de oferta de jetos e editais especiais como (PLANAPO, TERRASOL,
estratégica, estudo de mercado, plano de aprimoramento programa, considerando as cooperativas atendidas nas serviços e produtos para cooperativas (Unicafes, Con- TERRAFORTE, outros) e apoio ao acesso e divulgação
e visitas de implementação do plano. chamadas abertas até o momento. crab, Unisol que, juntas, formam a Unicopas - União das DAP Jurídicas. ◆

98 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 99
MDA MDA

100 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 101
MDA MDA

Selo de Identificação da
Participação da Agricultura
Familiar comemora cinco anos
O
que poderia ser apenas um detalhe na em- o Selo de Identificação da Participação da Agricultura comercialização e produção. Cooperativas e associações
balagem, na verdade, é a diferenciação e um Familiar (Sipaf). com DAP Jurídica passam pelo mesmo processo. Já as
conceito de produto, que cumpre o objetivo de “Para nós, tem dado muito certo. O selo mostra que cooperativas e associações que não têm DAP jurídica as-
identificação da produção vinculada à mão de obra fami- o produto é da agricultura familiar, mostra que tem sus- sim como as empresas, precisam comprovar uso de mais
liar, com resgate cultural dos valores regionais, fortalecen- tentabilidade e valoriza o produtor rural. Temos o selo há de 50% de matéria-prima oriunda da agricultura fami-
do a economia local e reduzindo a desigualdade social. cinco anos e acabamos de renovar o uso. Percebemos que liar nos produtos.
É dessa forma que o Selo de Identificação da Par- as vendas cresceram naturalmente”, conta o assessor de A validade do selo é de cinco anos, podendo ser reno-
ticipação da Agricultura Familiar (Sipaf) fortalece a Comercialização da Coopcerrado, Abidoran Barros. vado por igual período.
identidade social da agricultura familiar perante os con- São mais de 30 produtos, com matérias-primas O interessado deve estar em dia com a documentação ficação do Mercosul. A imagem do Sipaf também será
sumidores, informando e divulgando sua presença signi- cultivadas por 1,3 mil agricultores familiares de três (jurídica, no caso de empreendimento, e pessoal, no caso acrescida da identificação do bloco.
ficativa na produção de alimentos, bebidas e artesanato. estados – Goiás, Minas Gerais e Bahia. Na linha, há pi- de pessoa física).
Além disso, o selo pretende dar visibilidade às empresas mentas em conserva, barra de cereais, cookies, granola, Em 2015, o Ministério do Desenvolvimento Agrá- Promoção Comercial da Agricultura Familiar
e aos empreendimentos que promovem a inclusão eco- castanha de baru e mel. Segundo Abidoran, a credibili- rio deve aprimorar seu instrumento normativo para Em continuidade a estratégia de prospecção nacional
nômica e social dos agricultores. dade que o selo agrega aos produtos garante mais renda permissão de uso do selo, a fim de dar maior qualidade e internacional da Agricultura Familiar para os próximos
Criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para esses produtores. “A partir do momento em que ao processo. anos será formalizada parcerias com estados, Selo Fair
(MDA), a marca valoriza e fomenta o crescimento da as pessoas sabem o que é o selo e como ele impacta na Trade, Identificação Geográfica, Orgânicos, Sloow Food,
produção familiar. O selo completou cinco anos em 2014. vida das famílias de agricultores, começam a selecionar SIPAF e Mercosul além da participação em feiras e eventos. Nesta perspec-
Nesse período, cerca de 950 permissões de uso foram re- o produto nas prateleiras dos mercados”, avalia o asses- Em 2014, durante a XXII Reunião Especializada tiva, destaca-se a presença da Agricultura Familiar, nos
gistradas e mais de 9,5 mil produtos foram identificados. sor da Coopcerrado. sobre Agricultura Familiar no Mercosul (Reaf), foram quiosques do Brasil Orgânico Sustentável – BOS nas olim-
O consumidor pode encontrar disponível nas pra- criados os Selos Nacionais de Identificação da Partici- píadas de 2016 no Rio de Janeiro, seguindo a experiência
teleiras do varejo as mais variadas opções de produtos Como obter o selo pação da Agricultura Familiar para o Mercosul. Cada exitosa dos quiosques durante a Copa do Mundo de 2014.
com o Sipaf, oriundos de todas as regiões do Brasil. Para obter o Selo de Identificação da Participação país membro da Reaf, utilizando como modelo a ex- Os produtos vinculados ao SIPAF adquirem valores
Como exemplo, temos a Cooperativa Mista de Agricul- da Agricultura Familiar, o agricultor familiar deve ter a periência do Sipaf, desenvolverá sua própria marca e significados únicos, não apenas para os agricultores,
tores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e os produtos de identificação social para os produtos de origem da mas para os consumidores que desejam estar integrados
e Guias Turísticos do Cerrado (Coopcerrado), que têm precisam estar de acordo com as exigências legais de agricultura familiar na qual constará também a identi- a uma atitude comprometida socialmente. ◆

102 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 103
MDA MDA

Assistência Técnica e Extensão


Rural combatem a extrema
pobreza no meio rural
O
s serviços de Assistência Técnica e Extensão O público do PBSM historicamente não era público participativa e de qualidade, há maior interação entre realidade vivenciada pelo Agente de Ater. Os eixos temá-
Rural (Ater) são uma das ações importantes da ATER, pois encontram-se em situação de extrema po- as famílias e os projetos ganham em qualidade em sua ticos propiciaram a revisão das concepções pedagógicas
no Plano Brasil sem Miséria (PBSM). Foi breza, entendida pelo Plano como sendo a insuficiência construção, execução e em alternativas de comerciali- e na abordagem de Ater, a construção de conteúdos com-
criado em 02 de junho 2011 pelo Governo Federal por de renda, falta de acesso aos serviços públicos (saúde, zação. “A inclusão da família na decisão das atividades patíveis com as demandas locais e o aperfeiçoamento de
meio do Decreto nº 7.492, com a finalidade de superar educação, água, esgoto, energia elétrica, documentação, produtivas a serem desenvolvidas e suas atribuições métodos para as atividades contidas no projeto e nos tra-
a situação de extrema pobreza da população em todo o entre outros) e ausência de oportunidades de inclusão nas atividades do projeto, numa construção conjunta, balhos de campo.
território nacional, por meio da integração e articulação social e produtiva. Considera-se em extrema pobreza são pontos determinantes tratados nas ações de forma- Ao longo desses quatro anos foram ministrados 114
de políticas públicas, programas e ações. aquela família com renda per capita mensal de até R$ ção”, afirmou. cursos e 3.312 Agentes de Ater foram orientados pela Co-
Para a efetivação do PBSM foram contratados servi- 70,00 (setenta reais). O objetivo da formação do PBSM foi orientar e envol- ordenação de Formação do Departamento de Assistên-
ços de Ater, através de Chamadas Públicas e Acordos de Para Aline Gomes da Silva da Comunidade de fa- ver técnicos de Assistência Técnica e Extensão Rural de cia Técnica e Extensão Rural para atuação nas Chamadas
Cooperação Técnica pelo Departamento de Assistência zenda Buritis em Taquara no Distrito Federal, o PBSM nível médio e superior, visando sua atuação no combate Públicas e Acordos de Cooperação Técnica no Plano Bra-
Técnica e Extensão Rural da Secretaria de Agricultura abriu portas e trouxe a oportunidade de retomar sua à pobreza rural dentro dos princípios estabelecidos pela sil sem Miséria, gerando oportunidades de acesso a ren-
Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, vi- vida “eu estava sem renda e desanimada”, afirmou. Ela Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Ru- da, por meio de ações de inclusão produtiva e a garantia
sando atender às famílias em situação de extrema pobre- cultiva maxixe e vagem e faz a comercialização dos seus ral (PNATER) em trabalhos de orientação aos diversos da segurança alimentar. ◆
za, com vistas à inclusão produtiva e social, e a promoção produtos na feira de Planaltina. segmentos da agricultura familiar situados na faixa da
Ano Quantidade de Cursos Quantidade de Técnicos Orientados
da segurança alimentar e incremento da renda. A agricultora já faturou R$ 3 mil com o investi- extrema pobreza.
2011 13 473
O Plano Brasil sem Miséria está estruturado de forma mento das duas primeiras parcelas. Com o recurso da
2012 26 736
a permitir a inclusão produtiva através do fomento e do 3ª parcela está com ideia de ampliar a produção, para Formação de Agentes de ATER
2013 58 1.626
serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural, o acesso isso solicitou do técnico um estudo para financiar O processo formativo se baseou nos princípios e di-
2014 17 477
a políticas públicas de inclusão social e produtiva. Que duas estufas. retrizes da Política Nacional de Ater (PNATER) e na con-
TOTAL 114 3.312
está proporcionando a elevação da renda per capita, a se- Para o Coordenador geral de Inovação e Sustentabi- cepção dialética da educação, em que a aprendizagem
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
gurança alimentar e nutricional e a melhor condição de lidade da SAF/MDA, Hur Ben Corrêa da Silva, o Plano resulta do processo dialógico da ação/reflexão sobre a
bem-estar das famílias. Brasil Sem Miséria quando acompanhado de uma Ater

104 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 105
DIVULGAÇÃO
MDA MDA

estamos 33% acima desse crescimento”, compara o minis-


tro do MDA, Patrus Ananias, , ressaltando que o número
de acordos efetivados entre julho e setembro de 2014, em
todo o país, foi de 612.708, o que representou um aumento
de 6,5% no número de contratos assinados em relação ao
mesmo período do ano anterior, quando foram efetivados
575.226 financiamentos.
José Clemente Donadelli está entre os agricultores bra-
sileiros que passaram a contar com a ajuda do Pronaf para
ampliar seus rendimentos no campo. Este ano, ele tomou
coragem, foi até uma concessionária da Rede Iveco conhe-
cer as vantagens do Programa Mais Alimentos, que é coor-
denado pelo MDA. Desenvolvido pelo Pronaf, o programa
existe desde 2008, e oferece uma linha de financiamento
com prazo de até dez anos para pagar, três anos de carên-
cia e juros de 0, 5% a 2% ao ano. “É sensacional, porque o
veículo da Iveco é excelente e as condições de pagamento
cabem no meu bolso!”, comemora o agricultor que saiu da
concessionária Mercalf com as chaves do seu primeiro ca-
minhão 0km, um Vertis HD na versão 9 toneladas.
Aos 49 anos, esse agricultor da cidade paulista de Li-
meira hoje administra a propriedade do pai, que por sua
vez passou anos tocando o sítio do avô, com mais dois ir-
mãos. Com muito trabalho e dedicação compraram mais
três chácaras e, em 1983, fizeram a divisão. “Com a morte
de meu avô, o sítio foi vendido e o dinheiro dividido entre
os filhos. Meu pai, Aristides, investiu na chácara e como
Limeira era considerada a Capital Brasileira da Laranja,
ele optou por cultivar esse cítrico”, lembra José. “Limeira
sempre teve fama de cultivar boas laranjas.”

Ele fez da laranja, uma grande florada!


Conta a história que a tradição de plantar laranjas,
limões e limas no interior de São Paulo chegou junto com

E vejo flores em você! E


m todo o Brasil, os agricultores familiares con- os portugueses, no início da colonização do Brasil. As
trataram R$ 8,3 bilhões nas diversas linhas de primeiras mudas começaram a ser plantadas em 1502,
crédito rural do Programa Nacional de Forta- e logo renderam frutos, devido a excelente adaptação
lecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) durante os climática das árvores cítricas nas terras brasileiras. Por
três primeiros meses da safra 2014/2015. De acordo com volta de 1700, durante as missões , onde os jesuítas cate-
o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o valor quizavam os indígenas, a prática era reservar uma área
Graças ao Programa Mais Alimentos, o agricultor José Clemente Donadelli é 33% superior ao contratado no mesmo período da sa- para cultivo de um pomar de laranjeiras, pessegueiros,
fra passada. “A agricultura familiar está investindo mais limoeiros, figueiras, romeiras, abacaxis e marmeleiros.
agora conta com a ajuda de um caminhão Vertis HD para transportar suas porque está contratando mais crédito. Com isso, esses Mas foi somente a partir de 1800 que a laranja passou a
mudas de flores e plantas ornamentais pelo interior de São Paulo pequenos agricultores estão conseguindo comprando ter valor comercial.
mais máquinas e modernizando suas plantações. No ano Com a crise do café, em 1929, muitos cafezais da re-
passado crescemos 30% (em valor contratado). Agora, já gião de Limeira foram erradicados e substituídos por la-

106 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 107
MDA MDA

ranjais, fazendo com que houvesse maior capital e maior comenta o agricultor. Todas elas tem dois pontos em co-
número de postos de trabalho disponíveis no município. mum: a beleza de suas flores e o sabor de seus frutos.
Assim, por mais de três décadas toda a economia de Li-
meira esteve voltada para o cultivo, comércio e indústria Época de colheita farta
de embalagens de cítricos. De 1932 a 1936, Limeira foi É como costumava afirmar a escritora Clarice Lispec-
a maior exportadora de laranjas do Estado de São Pau- tor: “Gosto das cores, das flores, das estrelas, do verde
lo. E foi assim que, na década de 1960, a cidade paulis- das árvores, gosto de observar. A beleza da vida se escon-
ta ganhou o título de “Capital da Laranja” e ainda hoje de por ali, e por mais uma infinidade de lugares, basta
destaca-se como a maior produtora de mudas cítricas do saber, e principalmente, basta querer enxergar.”
mundo, com cerca de 200 viveiristas, com uma média de José soube enxergar essa beleza da vida! Há sete anos,
4 milhões de mudas por ano. ele precisava de um trator, mas não tinha dinheiro. Acon-
Para a felicidade dos apaixonados por flores e plan- selhado por um amigo, buscou o Mais Alimentos e conse-
tas ornamentais, José Clemente Donadelli não é um guiu financiar um trator com todos os implementos por
desses produtores de mudas cítricas. “Cultivo todo tipo R$ 98 mil. Este ano, ele precisava aumentar seu lucro, sem
de muda, só não mexo com cítricos, porque aqui já tem gerar mais despesa para o empreendimento. A solução foi
muitos especialistas trabalhando nesse ramo. Só aqui investir na diversificação de seus canais de vendas. “Com-
em Limeira, tem mais de 300 produtores de mudas, que prei um boxe no Ceasa de Campinas e passei a vender mi-
abastecem boa parte do Brasil”, assegura o agricultor, que nhas mudas no local. Como lá é visitado por pessoas de
já trabalhou com plantação de cereais, cana de açúcar e todo o Brasil, hoje tenho clientes no Rio Grande do Sul, no
laranja, mas na década de 1990 deixou a propriedade ru- Paraná e até em Goiás”, comemora.
ral da família para tentar a vida na cidade. “Cheguei a Ainda assim, era preciso solucionar outro proble-
abrir um comércio no centro de Limeira, mas não me ma gerado pela tentativa de ampliar as vendas. Sem
adaptei muito bem e acabei voltando para o campo. Na um equipamento adequado, ele era obrigado a rodar 60
época, como o negócio de mudas estava rendendo um lu- quilômetros de Limeira a Campinas, em um veículo pe-
cro bom para os fazendeiros da região, eu resolvi apostar queno. “As mudas chegavam destruídas ao Ceagesp de
nessa prática que faz parte do meu DNA, pois nasci no Campinas. Então, decidi procurar o Programa Mais Ali-
sítio e gosto de mexer com terra.” mentos para tentar um novo financiamento, visando a
Ao retornar para o campo, ele resolveu seguir a risca compra de um caminhão toco. E... consegui!”, comemora
o que poeta William Shakespeare imortalizou em um de José, que escolheu o Vertis HD, da Iveco. “Além de ser
seus versos: “O tempo é algo que não volta atrás. Por isso mais em conta do que os veículos oferecidos pela concor-
plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar rência, ele é o único caminhão toco que conseguiu entrar
que alguém lhe traga flores.” no programa Mais Alimentos.”
Não demorou para esse agricultor aprender que, Um mês depois, ele comemora a aquisição: “Estou
como disse o poeta brasileiro Augusto Branco, “as pesso- muito satisfeito com o seu desempenho. Ele tem um espa-
as são como as flores: você pode cuidar de todas as tuas ço interno excelente e é supereconômico.” Entre os pontos
flores, oferecendo sempre a mesma água diariamente. de destaque, José cita também o implemento do novo ve-
Por que não é exatamente o que você faz que às deixará ículo. “Agora, tenho um baú isotérmico, que faz com que
felizes. Mas o tempo que você se dedica a elas.” as 2 mil mudas transportadas cheguem em perfeito estado
“Troquei o estresse de um comércio na cidade pela no ponto de venda. Esse caminhão é nota 10!”
tranquilidade e a beleza da vida no campo”, avalia José, A história de José ainda não terminou, mas como nos
que atualmente trabalha com a irmã Maria Cecília Dona- contos de fadas, já tem um final feliz. É como diz aquela
delli Polatto na produção de aproximadamente 20 espécies famosa música do Ira: “De todo o meu passado, boas e
de mudas de flores e plantas ornamentais, como a Prima- más recordações. Quero viver meu presente e lembrar
vera, o Jasmim, a Sete-Léguas, a Tumbergia, a Ipoméia, a tudo depois... Nessa vida passageira, eu sou eu, você é
Alamanda e o Hibisco. “Também produzimos mudas de você. Isso é o que mais me agrada. Isso é o que me faz
pitanga, acerola, jabuticaba, romã, araçá e cajá-manga”, dizer... Que vejo flores em você!” ◆

108 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 109
MDA MDA

P
romover espaços de qualificação profissional e agentes de Ater. Nesta perspectiva, o Pronatec Campo
de agricultores e agricultoras, integrando às representa uma oportunidade estratégica de ampliar o
demais políticas de desenvolvimento rural sus- acesso dos povos do campo à formação profissional e
tentável e solidário. Este é o objetivo do Pronatec Campo. tecnológica para o fortalecimento da agricultura familiar
Entre 2012 e 2014, o programa matriculou mais de 27 e o desenvolvimento rural e sustentável em bases terri-
mil agricultores familiares. Durante o período, ocorre- toriais e agroecológicas”, destaca o coordenador de For-
ram 175 cursos, que formaram 1,5 mil turmas de estu- mação da Secretaria da Agricultura Familiar do MDA,

Pronatec Campo:
dantes que se profissionalizaram para atender as deman- Cássio Trovatto.
das de trabalho no campo.
Em 2015, o programa deve alcançar um número ain- Cursos Pronatec
Objetivos PronatecCampo
Campo
da maior de agricultores que buscam qualificação. So-
mente para o primeiro semestre, são esperadas 35 mil Qualificar o acesso às políticas públicas de inclu-

Qualificação profissional promove matrículas para os cursos do Pronatec Campo. Serão


ofertados diversos cursos, em todos os estados e no Dis-
trito Federal.
são social e produtiva no meio rural;

Oportunizar a inclusão socioprodutiva e econô-

fortalecimento da agricultura familiar


mica dos agricultores familiares, priorizando as
A indígena Maria Liberdade Kawinawá, de 34 anos,
juventudes do campo e focando na integração da
foi umas das contempladas pelo programa. Casada e mãe
formação com as estratégias de desenvolvimento
de oito filhos, ela participou do curso de agricultura fa-
rural sustentável e solidário;
miliar e aprendeu como melhorar a produção e comer-
cialização de banana, farinha, abacaxi e mamão, realiza- Estimular intercâmbios visando construir conhe-

DELEGACIA DA MULHER - AC
da na Aldeia Caucho, no município de Tarauacá, no Acre. cimentos para aprimorar a produção, adotando
“Aprendemos técnicas que não conhecíamos e colocamos princípios e práticas de matrizes tecnológicas
em prática. Eu não sabia como cuidar de hortaliças, por agroecológicas;
exemplo. Agora eu sei”, comemora a agricultora.
O Pronatec Campo integra o Programa Nacional de Apoiar o desenvolvimento de metodologias para
Acesso à Formação Profissional, Técnica e Tecnológica e promover processos de diversificação da produ-
Emprego e é executado em parceria com o Ministério da ção e a transição agroecológica;
Educação (MEC). A iniciativa possui, entre suas ações, a
Priorizar a produção para garantir a segurança
Bolsa-Formação, que fomenta a expansão da formação
alimentar e nutricional da família e comunidade;
profissional de nível básico para trabalhadores, por meio
dos Cursos de Qualificação ou Formação Inicial e Conti- Agregar valor às produções para a melhoria da
nuada (FIC) e os Cursos Técnicos para jovens ingressos renda familiar;
ou egressos do Ensino Médio.
O público-alvo são agricultores familiares, assenta- Criar oportunidades para o jovem permanecer
dos e acampados da reforma agrária, assalariados rurais, no campo e fortalecer os processos de sucessão
jovens, indígenas e povos e comunidades tradicionais. A na agricultura familiar;
metodologia do Programa intercala um período de con- Melhorar a gestão nas Unidades Familiares
vivência na sala de aula e outro no campo. de Produção e das Organizações Econômicas
“O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Familiar, e;
em sua trajetória, tem participado de forma efetiva na
construção das políticas públicas para a Educação do Promover a organização social, produtiva e o
Campo. O ministério tem desenvolvido políticas de for- acesso a mercados institucionais e privados.
Maria Liberdade Kawinawá mação de agricultores e agricultoras familiares, jovens

110 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 111
MDA MDA

Os cursos são ofertados por Institutos Federais (IFs),


Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET), Es-
colas Técnicas vinculadas às Universidades Federais e
sistemas de aprendizagem como o Senar, Senai e Senac,
além de instituições privadas.
Para facilitar o acesso dos alunos, os cursos podem
ser realizados fora das sedes dessas instituições, como,
por exemplo, em escolas municipais ou estaduais, cen-
tros de formação dos movimentos sociais e centros de
pastoral de igrejas.
A pré-matrícula é realizada nas Delegacias Federais
do Desenvolvimento Agrário (DFDA) em todos os esta-
dos. Os interessados também podem obter informações
nos sindicatos rurais do município ou órgãos que pres-
tem assistência técnica. Também podem procurar a Se-
cretaria Municipal de Agricultura; Secretaria Municipal
de Assistência Social, Conselho Municipal de Desenvol-
vimento Rural Sustentável e Superintendências Regio-
nais do Incra.
O Pronatec Campo disponibiliza mais de 30 cursos.
Entre os cursos mais ofertados, estão o de agricultor fa-
miliar, horticultor orgânico, avicultor, fruticultor, auxi-
liar agroecológico, agricultor orgânico, operador de má-
quinas e implementos agrícolas, bovinocultor de leite,
piscicultor e apicultor.

Mais qualificação no campo


As regiões mais alcançadas pelo Pronatec Campo fo-
ram a Nordeste e a Norte, com, respectivamente, 39% e
35%, seguidas pela Sul, com 11%, Centro-Oeste, com 8%
e Sudeste, com 7%.

Matrícula por Gênero


Do total de matrículas, 60% foram mulheres e 40%
homens, demonstrando assim o avanço na educação
profissional de mulheres no campo.

Matrícula por Faixa Etária


Entre os beneficiados pelo programa, 52% são jo-
vens, entre 15 e 29 anos. Um dos fatores da evasão dos
jovens do campo é o conflito de gerações, que exclui o
jovem do processo decisório e dirime suas possibilida-
des. O Pronatec Campo qualifica o jovem e o prepara
para a sucessão. ◆

112 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 113
MDA MDA

Programa do governo federal NEW HOLLAND.


facilita aquisição de máquinas PARA AJUDAR A CONSTRUIR
Colheitadeira e trator, adquiridas pelo Programa Mais Alimentos, proporcionam O BRASIL, A GENTE NUNCA SE
CANSA DE ENTRAR EM CAMPO.
rendimento e alta performance na lavoura da família Mohler no sul do Brasil

P
rodutores rurais em Linha Nova, 87 quilôme- trabalhar nas várias atividades que temos na lavoura”,
tros de Porto Alegre (RS), Enio Mohler e o filho completa ele.
Diego operam duas máquinas New Holland As colheitadeiras TC têm o consagrado sistema de
adquiridas pelo Programa Mais Alimentos no cultivo de debulha Maxitorque, a última palavra em processamento
soja, milho e trigo. “O programa nos facilitou a compra de grãos. A linha é configurada para colher, com grande
das máquinas pela taxa de juros baixa e pelo prazo maior aproveitamento, nas mais diversas culturas ou condições
de pagamento”, conta Diego. de terreno. Possui dispositivos que a tornam eficiente em
A colheitadeira TC5070 e o trator TL75, adquiridos campo, como o exclusivo sistema de separação de palha
pelo programa com a concessionária Líder Tratores, es- e grãos, Rotary Separator, que age por força centrífuga.
tão em operação na propriedade da família e, segundo Já a linha de tratores TL foi criada para atender aos
Diego, as máquinas garantem produtividade. “Estamos grandes produtores de grãos e à pecuária, mas também é
muito satisfeitos com o rendimento das máquinas que usada na citricultura e na agricultura familiar. Os tratores
estão dando um show no campo”. Por atender com efi- possuem baixo consumo de combustível, facilidade de ma-
ciência as atividades na lavoura, a família já está ne- nutenção, tecnologia acessível, rendimento operacional e
gociando outro trator com maior potência, o T7.175. sistema hidráulico de grande capacidade. Com as exclusi-
“A colheitadeira é a melhor que já encontramos no vas versões cabinadas climatizadas, as máquinas unem, a
mercado nesta categoria. Com o trator, conseguimos estas características, maior conforto durante as operações.◆

Enio Mohler e o filho Diego recebem a colheitadeira TC5070 pelo Programa Mais Alimentos

Na agricultura ou na construção, a New Holland está sempre


presente para impulsionar o Brasil rumo ao desenvolvimento.
E é assim, de portas abertas para o futuro e investindo em novas
tecnologias e equipamentos de ponta, que seguimos em frente para
fazer a diferença e ajudar a construir um país melhor, para cada um
dos brasileiros.

Esse é o nosso compromisso.


Isso é New Holland.
114 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 115
ALBINO OLIVEIRA / ASCOM MDA
MDA MDA

Essa ação deu origem ao Plano Nacional de Inovação e em parceria com os governos de estado e a sociedade civil:
Sustentabilidade na Agricultura Familiar, cuja construção de uma Ater adequada para atender as demandas da agri-
se dá no ambiente do Comitê Nacional de Ater do Condraf, cultura familiar, da questão ambiental e sustentabilidade.
e conta com ações a campo, permitindo a participação dos Atualmente, a Ater se constitui num pilar funda-
diversos segmentos envolvidos na promoção da inovação mental para a implementação das políticas públicas, tais
junto à Agricultura Familiar. Para isso foi adotada uma como Pronaf, PAA, PNAE, de conhecimento e tecnolo-
metodologia que promove a concertação dos atores, visan- gia, entre outras. A atualização dos agentes de Ater em
do organizar a gestão da inovação nos estados; a constru- tecnologias apropriadas para a diversidade da agricultu-
ção e compartilhamento de conhecimento e tecnologias, ra familiar, assim como em metodologias participativas,
e a capacitação de agentes. Essas ações se dão de forma agroecologia, cooperativismo, etc., certamente irá con-
articulada com o Plano Nacional de Produção Agroecoló- tribuir para qualificar a oferta da Ater, e consequente-
gica e Orgânica (Planapo), com a participação da Cnapo. mente para o aumento da renda e a melhoria das condi-
Um dos pilares desse trabalho é o esforço para inte- ções de vida das famílias rurais.
gração ensino - pesquisa - extensão - agricultura familiar. No ano de 2014 foram realizadas oficinas de concer-
Isso envolve a articulação dos 42 Centros da Embrapa, 17 tação em nove estados, as quais originaram grupos ges-
OEPAs, que reúnem cerca de 5 mil pesquisadores, e mais tores estaduais, com a participação dos diversos atores
de 100 Núcleos de Agroecologia, que desenvolvem proje- envolvidos na inovação no meio rural. Cerca de 1 mil
tos de pesquisa, ensino e extensão. agentes de Ater foram formados em políticas públicas,

Atualização de Agentes de Ater para O Plano de Inovação prevê beneficiar, em 2015 e 2016,
mais de 20 mil agentes de Ater que atuam com agricultu-
metodologia de Ater, e tecnologias adequadas para os
sistemas de produção dos agricultores atendidos pelos

Inovação na Agricultura Familiar


ra familiar no País. Esse esforço visa também pavimentar contratos de Ater do MDA. A meta para 2015 é de for-
um caminho a ser trilhado e ampliado pela Agência Na- mar 4 mil agentes de Ater que atuam junto as 250 mil fa-
cional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater). mílias beneficiadas pelos contratos de Ater e 3 mil agen-
O qual considera a construção que o MDA vem liderando tes de entidades que têm alguma parceria com o MDA.◆
Hur Ben Corrêa da Silva é engenheiro agrônomo, doutor em Desenvolvimento pela
Universidade de Londres, extensionista da Emater Paraná, coordenador de Inovação e
Sustentabilidade do DATER, presidente da Academia Brasileira da Extensão Rural.
METODOLOGIA DA INOVAÇÃO

D
esde 2003, a formação de agentes de Assis- Os principais temas das formações promovidas pelo
• Identificar e integrar sujeitos
tência Técnica e Extensão Rural (Ater) vem MDA incluem tecnologias para as principais cadeias
e capacidades
sendo uma das principais políticas do Minis- produtivas da agricultura familiar, tais como leite, feijão, CONCERTAÇÃO EVENTOS TEMÁTICOS
• Construir agenda e Espaço
tério do Desenvolvimento Agrário, implementada pelo milho, mandioca, frutas, oleaginosas, e pequenos ani- de gestão
Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural mais, entre outros. Outro tema importante é a Política
(DATER), da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF). Nacional de Ater (PNATER), que inclui principalmente
As ações foram realizadas, em grande parte, em parceria as metodologias de Ater, pedagogia construtivista, parti-
• Identificar, organizar e
com as entidades executoras de Ater e com universida- cipação, agroecologia e sustentabilidade. Conhecimento compartilhar
des públicas, por meio de cursos de extensão, aperfeiço- Mais recentemente o DATER iniciou uma ação es-
amento e especialização. pecífica de atualização tecnológica dos 4 mil agentes de
e • Articular redes temáticas
• Compartilhar e • Articular Mídias impressas e
Em 2010 essas iniciativas haviam assegurado pelo Ater, que atuam em contratos de Ater do MDA. Para isso Construir Tecnologia digitais, espaços virtuais
menos dois eventos de capacitação para cerca de 20 mil inovou ao estabelecer parceria com a Empresa Brasileira • Identificar Demanda
agentes, que atuavam em entidades estatais e não gover- de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio da Dire-
namentais conveniadas com o Ministério do Desenvolvi- toria e do Departamento de Transferência de Tecnologia,
mento Agrário (MDA). Com isso foi retomada a atualiza- o Conselho Nacional de Sistema Estaduais de Pesquisa • Eventos presenciais e a
ção de agentes de Ater, o que havia deixado de acontecer Agropecuária (Consepa) e os Núcleos de Agroecologia distância, dias de campo, FORMAÇÃO
desde a extinção da Empresa Brasileira de Assistência das Instituições Públicas de Ensino Superior, que o MDA ATER intercâmbios, oficinas, fóruns, CONTINUADA
Técnica e Extensão Rural (Embrater), em 1990. apoia em parceria com o CNPq. encontros, caravanas, etc

116 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 117
DIVULGAÇÃO
MDA MDA

Com matéria-prima da
agricultura familiar,
programa incentiva a
produção de 6,8 bilhões
de biodiesel por ano
118 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 119
MDA MDA

O
Programa Nacional de Produção e Uso do NÚMERO DE COOPERATIVAS BENEFICIÁRIAS QUANTIDADE DE MATÉRIA-PRIMA ADQUIRIDA DA AGRI- VALORES ADQUIRIDOS DA AGRICULTURA FAMILIAR
Biodiesel (PNPB) completa 11 anos levando CULTURA FAMILIAR NO PNPB (1.000 TONELADAS) NO PNPB (MILHÕES DE R$)
mais emprego, renda, sustentabilidade e in- 74 77
clusão social para o campo. Atualmente, a iniciativa do 65
59 2.855,19
2.792,99
Governo Federal contempla 41 usinas que, em parceria
42
com agricultores familiares, produzem 6,8 bilhões de
litros de biodiesel por ano – que representam 91% da 20 2.205,12 2.110,48
capacidade brasileira. São 83 mil estabelecimentos e 77 1.911,28
cooperativas da agricultura familiar beneficiadas. Os re-
1.652,56
cursos em aquisições de matéria-prima somam cerca de 2008 2009 2010 2011 2012 2013 1.519,16
R$ 3 bilhões e em assistência técnica R$ 35 milhões.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) 1.058,70
tem papel importante nos resultados alcançados pelo A mistura compulsória do biodiesel ao diesel, no Bra- 857,01
programa, que também conta com o envolvimento de sil, foi baseada na experiência brasileira de mistura de 677,34
outros ministérios. A pasta põe em prática a estratégia etanol na gasolina, e é um mecanismo importante para a 361,58 276,54
social do programa, por meio do Selo Combustível So- criação de demanda e para os investimentos privados no
cial. Com ele, o agricultor familiar tem sua atividade setor. A mistura de X% de biodiesel no óleo diesel mine-
reconhecida como ferramenta de desenvolvimento eco- ral é chamada de BX. 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2008 2009 2010 2011 2012 2013
nômico. Já o consumidor, ganha um instrumento para As metas referentes à mistura compulsória da Lei
certificar a qualidade do combustível. 11.097/2005, que dispõe sobre a introdução do biodiesel Como contrapartida, o produtor assume algumas zoneamento agroclimático ou recomendação técnica para
O coordenador-geral de Biocombustíveis do MDA, na matriz energética brasileira, foram antecipadas pelo obrigações descritas na Portaria n° 81/2014 como ad- a sua região. Atendendo essas questões iniciais, devem
André Machado, ressalta a importância do programa. Conselho Nacional de Política Energética. Já em janeiro quirir um percentual mínimo de matéria-prima dos entrar em contato com suas entidades representativas ou
“Quanto mais biocombustível, mais benefícios para o de 2010, a mistura obrigatória era de 5%. Recentemente, agricultores familiares no ano de produção de biodiesel; empresas de biodiesel que participam do programa.
meio ambiente, menos importação de óleo diesel e mais a Lei nº 13.033/2014 estabeleceu a mistura obrigatória de celebrar previamente contratos de compra e venda de O Selo Combustível Social é um componente de iden-
inclusão social”, afirma. 6% a partir de julho de 2014 e, finalmente, 7% a partir de matérias-primas com os agricultores familiares ou com tificação criado a partir do Decreto Nº 5.297, de 6 de de-
novembro de 2014. suas cooperativas; e assegurar a capacitação e assistência zembro de 2004, concedido pelo MDA ao produtor de
Aumento de indicadores técnica aos agricultores familiares contratados. biodiesel que cumpre os critérios descritos na Portaria
Com o recente aumento da mistura obrigatória de Mistura Compulsória de Biodiesel ao Diesel Para participar do programa, o estabelecimento e/ou n° 81 de 26 de novembro de 2014. O Selo confere ao seu
biodiesel ao diesel para 7% em todo território nacional, a cooperativa deve possuir a Declaração de Aptidão ao possuidor o caráter de promotor de inclusão social dos
o Governo Federal prevê aumento significativo na de- Como obter o selo Pronaf (DAP) e produzir matérias-primas que possuam agricultores familiares enquadrados no Pronaf. ◆
manda pelo biocombustível renovável. A expectativa é A concessão de uso do Selo Combustível Social feita
que os indicadores aumentem cerca de 40%. Com essa pelo MDA permite às empresas produtoras de biodiesel
medida, o Brasil passa a ser o segundo maior produtor ter acesso as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins com coe-
e o terceiro maior consumidor mundial de biodiesel. A ficientes de redução diferenciados para o biodiesel, que
mesma lei dispõe ainda que a adição obrigatória deverá variam de acordo com a matéria-prima adquirida e a
ser atendida preferencialmente a partir de matérias-pri- região da aquisição, além dos incentivos comerciais e
mas produzidas pela agricultura familiar. de financiamento.

2014 2014
Julho Novembro

6% 7%

120 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 121
MDA MDA

Agricultores familiares acessam A


nualmente, mais de 80 mil agricultores fa-
miliares acessam linhas de crédito rural,
custeio e investimento do Programa Nacio-
Como acessar
Para acessar as linhas de crédito do Pronaf dispo-
níveis para implementar projetos de irrigação, é neces-

crédito para implantar sistemas nal de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf),


do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), para
financiar a implantação, ampliação e modernização de
sário que o agricultor familiar tenha a Declaração de
Aptidão ao Pronaf (DAP) ativa. Além disso, é preciso
apresentar um projeto técnico que demonstre a viabi-

de irrigação
sistemas de irrigação. lidade do sistema.
A técnica é uma mais adotadas para otimizar o pro- A DAP é emitida por órgão autorizado, como o escri-
cesso produtivo e é utilizada por mais de 350 mil agri- tório de uma empresa de assistência técnica e extensão
cultores para garantir a qualidade do produto cultivado, rural ou os sindicatos de trabalhadores rurais. A emissão
principalmente quando a água da chuva não é suficiente do documento é gratuita.
para o desenvolvimento da produção. Para a elaboração do projeto de implantação do sis-

UBIRAJARA MACHADO / ASCOM MDA


Os sistemas utilizados vão desde irrigação por inun- tema de irrigação, o agricultor conta com os serviços de
dação, como no caso dos produtores de arroz do sul do Assistência Técnica e Extensão Rural do MDA (Ater/
Brasil e de outros estados, a sistemas mais modernos e MDA). O programa, que consiste na inclusão produtiva,
mais eficientes no uso da água, como as tecnologias de promoção da segurança alimentar e na melhoria da ren-
irrigação localizada, utilizada principalmente na produ- da, oferece orientação, acompanhamento e supervisão
ção de frutas, flores e hortaliças. das atividades desenvolvidas pelas famílias agricultoras.
Com o crédito do Pronaf, o agricultor consegue gerar A linha de crédito de investimento do Pronaf Mais
mais renda, já que passa a utilizar os recursos naturais de Alimentos tem como limite até R$ 150 mil por safra/
maneira mais eficiente, potencializando a mão de obra e agricultor, encargos de 1 ou 2% ao ano, prazo de carência
ofertando produtos de maior qualidade, inclusive na en- de até 3 anos e até 10 anos para pagar.
tressafra. O valor destinado ao crédito, disponibilizado na
linha Mais Alimentos, ultrapassa R$ 1,6 milhão, a cada ano. Crédito Rural
“O MDA está constantemente buscando a melhoria O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricul-
das condições de vida e de produção dos agricultores tura Familiar financia projetos que tem como objetivo
familiares e para isso estamos sempre dispostos ao diá- gerar renda aos agricultores familiares e assentados da
logo com os agricultores e seus representantes a fim de reforma agrária. O programa tem as mais baixas taxas de
adequar os nossos programas às necessidades dos entes juros dos financiamentos rurais, além das menores taxas
envolvidos no sistema de produção”, ressalta o diretor de de inadimplência entre os sistemas de crédito do País.
Financiamento e Proteção à Produção da Secretaria da Nas safras de 2012/2013 e 2013/2014, o programa bateu
Agricultura Familiar do MDA, João Luiz Guadagnin. recorde de acesso e recursos investidos. ◆

122 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 123
MDA MDA

Turismo rural
cosméticos, produtos alimentícios, artesanato, manifesta-
ções culturais e artísticas, couros e calçados, moda e joias.

DIVULGAÇÃO
“Acolhida na Colônia”

garante renda para


O desenvolvimento da atividade agrícola associa-
da ao turismo no meio rural encontra-se em expansão
no Brasil. Já são vários os exemplos de sucesso no País,
como, por exemplo, o projeto “Acolhida na Colônia”.

agricultores familiares
A Acolhida na Colônia foi implantada no Brasil em
1999, nas Encostas da Serra Geral, no estado de Santa Ca-
tarina, e atualmente conta com 180 famílias de agriculto-
res associadas e integrada à Rede Accueil Paysan, atuante
na França desde 1987. Sua proposta é valorizar o modo de

A
presença predominante da agricultura fami- vida no campo através do agroturismo ecológico. lônia, que ingressam nos cursos superiores de Agronomia,
liar no meio rural brasileiro e o expressivo Na América Latina, o Brasil foi o primeiro País a ade- Agroecologia, Hospitalidade em Turismo, dentre outros.
número de empreendimentos e atividades rir a esta Rede. As famílias associadas iniciaram na ati- A Acolhida da Colônia também articula com insti-
DIVULGAÇÃO

turísticas vinculadas ao setor proporcionou o surgimen- vidade de agroturismo atuando na prestação de serviços tuições públicas de educação para formar educadores
to de uma forma complementar de renda para os pro- de hospedagem, alimentação, venda de produtos, lazer, para atuar de forma especial em escolas do meio rural.
dutores. O Turismo Rural ganhou forças na década de educação ambiental e turismo de conhecimento. A ideia é aproximar a educação superior dos jovens, que
1980 no Brasil e representa uma alternativa para a com- Esses agricultores familiares praticam e promovem não podem deixar as propriedades rurais, E assim, depois
plementação da renda de agricultores familiares. a agricultura orgânica como base do seu trabalho, ga- de formados, eles vão atuar como multiplicadores de uma
Desde 2003, o Ministério do Desenvolvimento Agrá- rantindo com isso uma alimentação saudável para suas proposta curricular diferenciada que prestigia aspectos
rio (MDA) fomenta essa atividade, que ao mesmo tempo famílias e para seus visitantes. da vida rural e cultural. Como no caso da Universida-
em que representa uma vantagem ao agricultor familiar, Duas das atividades ofertadas pelos Agricultores Fa- de Federal de Santa Catarina (UFSC) que, por exemplo,
com a oferta de serviços e produtos, proporciona ao tu- miliares da Acolhida na Colônia se destacam: o Turismo atendendo a esta e à demanda de desenvolvimento do ter-
rista, especialmente àqueles acostumados com a rotina Pedagógico e o Cicloturismo. A prática dessas duas ativi- ritório, criou no município de Santa Rosa de Lima, uma
das grandes cidades, o compartilhamento de um modo dades, além de cumprir com o objetivo de proporcionar turma do curso de Licenciatura de Educação no Campo.
de vida diferente, ao conhecer experiências culturais e diversão, consciência de preservação ambiental e com-
naturais próprias do meio rural. partilhar conhecimento com crianças, jovens estudantes Talentos do Brasil Rural
O turismo rural, além de ser uma nova forma de em- e esportistas que visitam as propriedades, tem assumido Aproveitando a oportunidade dos grandes even-
prego, ocupação e ampliação de rendas das famílias, é também importante papel na construção de valorização tos internacionais sediados no Brasil, o Ministério do
também um meio de diversificação da economia e da do homem do campo, tanto junto à sociedade em geral, Desenvolvimento Agrário (MDA), em parceria com o
valorização do patrimônio cultural local. Assim, o estilo quanto do agricultor em relação a sua autoestima, de for- Ministério do Turismo (Mtur) e o Serviço Brasileiro de
e a cultura do campo, com seus costumes e tradições re- ma especial os jovens agricultores. Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), qualifi-
gionais específicas, devem manter suas peculiaridades, Nessa dimensão, e a partir do desafio que é o acesso à cou, por meio do Projeto Talentos do Brasil Rural, rotei-
pois é, exatamente, o modo de ser das famílias rurais, educação pelos trabalhadores do campo, o trabalho rea- ros turísticos com foco no entorno das cidades-sede da
integradas ao meio ambiente e ao patrimônio rural, um lizado pela Acolhida na Colônia visa incentivar os jovens Copa do Mundo de 2014.
dos maiores atrativos dessas regiões. a buscarem qualificação e a buscar parcerias com insti- Os roteiros turísticos e os empreendimentos da agri-
No turismo existe um amplo mercado nacional e in- tuições de ensino para aproximar a educação da juven- cultura familiar foram qualificados com o objetivo de
ternacional para o consumo sustentável de produtos e tude rural. ser uma alternativa ao turista interessado em belezas
serviços da agricultura familiar. A inserção de produtos O trabalho realizado pela Acolhida na Colônia estimu- naturais, conhecimentos tradicionais e alimentação sau-
e serviços da agricultura familiar no mercado turístico, la os jovens a buscarem qualificação para continuarem no dável. Ao todo, 23 roteiros turísticos foram trabalhados,
compreendendo meios de hospedagem, restaurantes, ba- campo, sem abrir mão de educação, saúde e moradia de buscando obter maior aproveitamento dos produtos da
res, lojas de artesanato e souvenires favorece o fortaleci- qualidade. E, além disso, terem a oportunidade de exercer agricultura familiar e o envolvimento das cooperativas.
mento da economia local dos agricultores. Muitos setores atividades que gerem renda. Com isso, cresce o número de Um dos roteiros contemplado pelo projeto está no Pa-
são beneficiados com o fomento da atividade, como o de jovens, filhos de agricultores familiares da Acolhida na Co- raná: “O Caminho do Vinho”, em São José dos Pinhais, re-

124 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 125
MDA

gião metropolitana de Curitiba. Lá, a Colônia Mergulhão


conta com mais de 29 propriedades de descendentes da
colonização italiana. Eles oferecem aos turistas ativida-
serva de Mata Atlântica do Sudeste brasileiro e a terceira
maior área de planície alagada do País.
Além de desfrutar dos atrativos turísticos, o visitante Sollus: 19 anos
desenvolvendo soluções
des de lazer, hospedagem e produtos coloniais. São canti- acessa produtos diferenciados; produtos com identidade
nas, adegas, restaurantes, e cafés coloniais, chácara de la- regional; produtos saudáveis; produtos com responsabi-
zer, colhe-pague, minhocário, pesque-pague e pousadas. lidade social e ambiental; e produtos com baixa emissão
Ainda no Sul, o roteiro “Agroturismo de Gramado” de carbono.
é feito a bordo do Princesinha, um ônibus de 1958. Um
dos percursos leva aos cenários que deram origem ao fil-
me brasileiro “O Quatrilho”, e termina com um belo café
colonial. O outro percurso, “Raízes Coloniais”, passa por
Roteiros contemplados pelo Talentos do Brasil Rural:
Tucorin: Turismo Comunitário no Baixo Rio Negro (AM);
Trilha do Visgueiro (AL); Roteiro Ecoétnico (BA); Cultu-
ra e Ecologia em Busca do Futuro (CE); Trekking Traves-
para área agrícola
A
áreas rurais nas localidades de Bonita e de Linha Nova , sia (GO); Circuito na Vivência da Agricultura Familiar do Sollus foi fundada em agosto de 1996 e, desde então, trabalha no desenvolvi-
com visitação a propriedades centenárias e à produção Serras de Minas (MG); Caminhos Rurais da Mata Atlântica mento de soluções para área agrícola, através de suas máquinas e implementos,
de erva-mate. Já o percurso “Mergulho no Vale” segue de Minas (MG); Circuito Rural e Ecológico do Vale do Rio sempre com o objetivo de oferecer aos clientes produtos e serviços da mais alta
pela localidade da linha 28 passando por uma proprie- Preto (MG); Roteiro Serras Rurais (MG); Natureco Pantanal qualidade e que principalmente atendam suas necessidades.
dade de produtos orgânicos, um alambique e casa de co- Remoto (MT); Circuito Eco-Rural Caminhos do Brejal (RJ); Atualmente, a Sollus está presente em todo território nacional e alguns países da Amé-
lonos italianos. Caminho dos Engenhos (PB); Uma Viagem à Civilização rica do Sul e continente africano.
Na região Sudeste, o roteiro “Caminhos Rurais da dos Potiguara (PB); Em Terras Quilombolas (PB); Cami- A empresa possui 250 funcionários, tem uma produção mensal de 170 unidades e co-
Mata Atlântica”, em Minas Gerais, abrange propriedades nhos Históricos da Serra (PR); Caminho do Vinho (PR); Se- mercializa seus produtos através do Pronaf Mais Alimentos. Além disso, já estuda a pos-
rurais das cidades de Ipatinga, São Domingos do Prata, ridó (RN); Porto Alegre Rural (RS); Vale dos Vinhedos (RS); sibilidade de integrar o Mais Alimentos Internacional, programa que pretende estimular
Marliéria, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso e Açu- Agroturismo Gramado (RS); Caminhos da Colônia (RS); o parque industrial de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiros. O Mais Alimentos
cena, além do Parque Estadual do Rio Doce, a maior re- Caminhos de Pedra (RS); Caminhos da Roça (SP). ◆ Internacional criado pelo Governo Federal, em 2010 visa financiar a compra de máquinas
e equipamentos agrícolas para outros países, em especial os do continente africano e da
América Latina e Caribe.
Na Sollus são fabricados implementos para três segmentos de mercado: linha de cereais,

DIVULGAÇÃO
com distribuidores de calcário e fertilizante, carretas graneleiras, varetas abastecedoras de
adubo, carreta tanque, transportadores de grãos, transportadoras de plataforma, guincho, pá
traseira e plataforma traseira; linha canavieira: com plantadora de cana, sistema de abasteci-
mento, distribuidores de torta de filtro, distribuidor para caminhão, subsolador, cultivador,
cobridor e sulcador; além da linha florestal com carreta tanque e distribuidor de fertilizante
em filete. ◆

Eduardo Green

126 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015


EDUARDO AIGNER / ASCOM MDA
MDA MDA

das alternativas econômicas para a permanência dos A partir da experiência, observa-se que a consolida-
agricultores familiares no meio rural” e para a “constru- ção dos empreendimentos agroindustriais da agricultura
ção de um novo modelo de desenvolvimento sustentá- familiar se fundamenta na qualidade dos produtos, atra-
vel”, que pensa o rural como um todo e não mais apenas vés de ações que garantam as características e padrões
ligado à produção agrícola. físicos, químicos e bacteriológicos de acordo com as nor-
As agroindústrias constituem-se em alternativas de mas “higiênico-sanitárias”, na gestão das unidades pro-
desenvolvimento rural, na medida em que possibilitam dutivas e apresentação dos produtos no mercado com
que a agricultura familiar enfrente os desafios de acesso embalagens e rótulos que valorizem suas características
a mercados tradicionalmente abastecidos pelo agrone- transmitindo informações que evidenciem a qualidade e
gócio, que por terem uma lógica da produção em larga a natureza do produto em si, sobretudo sua origem. As-
escala e articulada com grandes cadeias de comercializa- sim, é fundamental que o consumidor reconheça e acre-
ção, acabam tendo maior inserção mercadológica local e dite nas especificações dos produtos como sendo da agri-
internacional. Nesse sentido, as agroindústrias familia- cultura familiar, incorporando à qualidade do produto
res surgem como um processo de valorização do modo seu significado social, intrínseco a esse tipo de produção.
de vida rural, de agregação de valor às próprias matérias- Dentre as estratégias do Governo Federal voltadas à
-primas produzidas na propriedade, de qualidade dife- ampliação das políticas públicas para o fortalecimento
renciada e com especificidades territoriais, respondendo da agricultura familiar, o Ministério do Desenvolvimen-
à demanda de um determinado público de consumido- to Agrário, por meio da Secretaria da Agricultura Fami-
res em expansão. liar, busca alternativas de geração de renda e agregação
Segundo Censo Agropecuário do IBGE 2006, 800 mil de valor. Uma dessas alternativas é a diversificação da
famílias declararam que fazem algum tipo de processa- produção e da renda familiar.
mento. Dados da DAP registraram 143.596 agricultores A participação em feiras e eventos comerciais, no
familiares agroindustrializando sua produção e gerando Brasil e no exterior, tem sido uma grande oportunidade

Agroindústria
R$ 1,8 bilhão em valor bruto de produção. O processo de para geração de renda, acesso a tecnologias apropriadas
agroindustrialização favorece, ainda, um desenvolvimen- à agricultura familiar, agregação de valor, intercâmbios
to local e regional mais equilibrado, com o aumento da de experiências e, cada vez mais, a maior profissionali-
arrecadação de impostos, especialmente, nos pequenos zação na inserção de empreendimentos familiares nos

da produção à comercialização
municípios. Nestes locais, o estímulo para a melhoria da mercados convencionais e diferenciados. O Ministério
economia está condicionado ao surgimento de iniciativas do Desenvolvimento Agrário vem fomentando ações
que favoreçam o aumento, a permanência e a (re) aplica- que promovam a diversificação econômica e agregação
ção da renda da agricultura no próprio município e ar- de valor na agricultura familiar por meio da atividade
redores. Uma consequência imediata é o surgimento e/ turística; do apoio à comercialização de produtos e servi-

A
agricultura familiar no Brasil destaca-se pela e que depois, em 1995, foi aplicado no Distrito Federal; ou fortalecimento do comércio local, estimulado pelo au- ços da agricultura familiar; dos produtos e serviços orgâ-
produção de alimentos e, aliada à atividade em 1998, surgiu o Programa de Desenvolvimento da mento do consumo de alimentos, de vestuário e calçados, nicos/agroecológicos; das plantas medicinais e produtos
agroindustrial, desempenha um importante Agricultura Familiar Catarinense pela Verticalização da de eletrodomésticos, de pequenos equipamentos, ferra- fitoterápicos; do processamento agroindustrial; do co-
papel para o desenvolvimento rural local das diversas Produção (DESENVOLVER); em 1999, o PROVE PAN- mentas e materiais de construção e de outros insumos mércio justo e solidário; das cadeias produtivas; da bio-
regiões brasileiras. O conceito de rural não está mais as- TANAL, implementado no Mato Grosso do Sul e, em usados na produção e na industrialização agropecuária. diversidade, agrobiodiversidade e sociobiodiveridade; da
sociado somente à dimensão agrícola, pelo contrário, a 1999, o Programa da Agroindústria Familiar (PAF) no Em uma sociedade cada vez mais ávida por informa- organização produtiva e econômica.
visão de rural e de ruralidade se destaca positivamente Rio Grande do Sul. ções a respeito da origem dos produtos, do processo, do A promoção comercial dialoga com as políticas pú-
pela diversidade e multifuncionalidade do espaço rural e A partir dessas experiências, em 1999, é criado o respeito ao meio ambiente e suas interfaces, de qualida- blicas da SAF, uma vez que possibilita a promoção de
possui papel importante para o desenvolvimento do País. PRONAF Agroindústria, através da Secretaria de Desen- de, categorização dos produtos, configura-se um merca- produtos da agricultura familiar nos mercados interno e
Na década de 90, o Brasil passa a considerar a Agroin- volvimento Rural (SDR/MDA), e em 2003 o Ministério do consumidor crescentemente mais consciente de seu externo, visando novas oportunidades de negócios e ren-
dústria Familiar Rural como uma eficiente estratégia de de Desenvolvimento Agrário (MDA) criou o Programa papel social. É nesse contexto que são constituídas e for- da para os agricultores familiares e o desenvolvimento
desenvolvimento rural, iniciado com alguns incentivos de Agroindustrialização da Produção de Agricultores Fa- talecidas marcas locais da agricultura familiar, associa- social no meio rural.
públicos pioneiros, como o Programa de Verticalização miliares, que atenta para a importância da implantação das como estratégia para o desenvolvimento regional e Inúmeras ações referem-se à promoção dos empre-
da Pequena Produção Rural (PROVE) em Blumenau/SC de agroindústrias, uma vez que estas representam “uma fortalecimento da agricultura familiar. endimentos da agricultura familiar nos mercados in-

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MDA MDA

terno e externo, visando impulsionar a comercialização produção de vegetais orgânicos em parceria com uma meio de diversos engenhos movidos por tração animal, era uma condição inviável para a Agreco, dada a distân-
de seus produtos, com agregação de valor e melhoria da rede de supermercados de Florianópolis. Naquela épo- se especializaram, em produzir o açúcar mascavo e o cia entre produtores e consumidores finais.
renda e das condições das famílias. Nesse intuito o Mi- ca, um grupo de 12 famílias, formado principalmente melado, para adoçar um pouco a vida, além de alambi- A solução para o problema da venda de hortaliças foi
nistério tem promovido e/ou apoiado a participação dos por emigrantes alemães, mas que não haviam perdido ques para a produção de cachaça. As conservas de legu- converter a maioria das unidades para o processamento
empreendimentos familiares em diversas feiras e eventos o vínculo com o território, começou uma reflexão sobre mes eram produzidas para estocar legumes nas épocas de alimentos não perecíveis. A nova estratégia adotada
de promoção comercial, através da participação em Fei- os rumos do desenvolvimento na sua terra natal. O ce- de safra e serviam para preparar as refeições rápidas no permitiu manter a estrutura geográfica de produção da
ras nacionais e Internacionais e da realização de inúme- nário era desolador: dificuldades para geração de renda retorno do trabalho da roça. Depois de duas gerações, os cooperativa, sem ocasionar prejuízos em função da lo-
ras edições da Feira Nacional da Agricultura Familiar e nas atividades ligadas à agricultura familiar, devastação descendentes mantêm as tradições e os sabores produ- calização das agroindústrias nas comunidades remotas,
Reforma Agrária (FENAFRA). ambiental e utilização excessiva de agrotóxicos. zindo em agroindústrias que compõem a rede Agreco. e os produtos não perecíveis, ou com prazo de validade
Nesta direção, foram feitos acordos de cooperação do O escopo de atuação estava focado na produção, be- prolongado, passaram a permitir armazenamento. Além
Governo Federal com redes de varejo e entidades repre- neficiamento e comercialização de alimentos orgânicos. Transição do In Natura para o Processado de ser uma estratégia que admitiu maior flexibilidade à
sentativas e se desenvolveram articulações para o acesso Ao mesmo tempo em que começavam a aparecer os re- Várias adequações foram sendo realizadas ao longo comercialização, também propiciou a agregação de valor
das agroindústrias familiares nos mercados privados, sultados positivos, especialmente no que diz respeito à dos primeiros anos. Talvez a mais significativa esteja aos produtos, desta forma, absorvendo maior quantida-
criando alternativas de comercialização, em comple- geração de trabalho e renda com uma atividade produ- relacionada às necessidades de adaptação ao mercado de de mão de obra nas unidades produtivas familiares.
mento às políticas de compras institucionais do PAA e tiva saudável e respeitosa do meio ambiente, a entida- consumidor e ao surgimento de outras iniciativas que A Agreco tem sua produção estruturada em uma
PNAE. Esta ação complementar tem gerado ampliação de foi desenvolvendo estratégias para a organização do passaram a concorrer com os produtos da Agreco. As rede de 26 agroindústrias de pequeno porte. Procuran-
de demanda para novas agroindústrias que estejam con- processo produtivo e de espaços para garantir a partici- agroindústrias que operavam hortaliças minimamen- do obedecer ao princípio da diversidade, as agroindús-
solidadas, promovendo autossuficiência econômica da pação dos agricultores. Em 1997, o número de famílias te processadas tornaram-se inviáveis rapidamente. Um trias operam com várias atividades. Frutas, hortaliças,
agricultura familiar e abrindo oportunidades para que ampliou-se de doze para vinte, envolvendo cerca de cin- dos motivos para essa situação foi a distância média até grãos, mel, cana-de-açúcar, frango, praticamente tudo
outros novos agricultores possam se tornar beneficiários. quenta associados e se expandiu para outros municípios o principal mercado consumidor, Florianópolis, de 120 que se produz nas propriedades que fazem parte da rede
O espaço privado é importante, entretanto há dificul- das Encostas da Serra Geral. Atualmente, mais de 100 km. Além disso, no comércio de hortaliças, geralmente, pode ser aproveitado através do processamento. Parte
dades para atuação de pequenos fornecedores de produ- famílias participam da Agreco sendo que 35% são jo- os mercados devem ser abastecidos diariamente, e isso da matéria-prima produzida nas propriedades é desti-
tos oriundos da agricultura familiar em sua inserção no vens, filhos ou netos de agricultores, 50% tem formação
livre comércio empresarial, pois apresentam limitação universitária e decidiram continuar sendo agricultores.
de recursos para promoção comercial que são requeridos A área de produção da Agreco fica situada entre o Par-
no varejo, com investimentos e custos adicionais compa- que Nacional de São Joaquim e a Serra do Tabuleiro. Este
rados ao mercado institucional: embalagens comerciais, é um dos territórios mais ricos e promissores da Mata
vendedores, promotores no ponto de venda, repositores Atlântica Brasileira. Local onde está situado parte sig-

ANDRÉA FARIAS / ASOCM MDA


nas gôndolas, degustadores, estratégias promocionais de nificativa do Aquífero Guarani (maior depósito de água
preço e material de comunicação, entre outros. A escala doce da América do Sul). A região é detentora de fontes
menor de produção e a menor margem de negociação (mais do que de habitantes) e nascentes de rios como o
também influem neste processo para a sustentabilidade Itajaí do Sul, Tijucas, Cubatão e Tubarão. As águas das
dos contratos. Encostas da Serra Geral abastecem as principais cidades
Portanto, a efetivação da agroindustrialização de do litoral sul catarinense, destacando a Grande Floria-
pequeno porte depende do apoio de programas que in- nópolis. Preservar este grande patrimônio é tarefa que a
corporem um conjunto de ações e serviços públicos. Isto produção orgânica cumpre naturalmente e que pode ser
pode contribuir para um ambiente institucional favorá- ampliada com o seu estímulo.
vel à implantação e à consolidação das pequenas agroin- Os imigrantes alemães que chegaram às Encostas
dústrias no meio rural, superando as atuais restrições, da Serra Geral em meados do século XIX criaram uma
principalmente as de ordem legal. diversidade de pequenas fábricas artesanais de consti-
tuição familiar. A criatividade surgiu da necessidade de
Associação dos Agricultores Ecológicos produzir alimentos para a família, numa época em que a
das Encostas da Serra Geral Mata Atlântica ainda era soberana. Por meio das atafo-
A Agreco foi fundada em 1996, em Santa Rosa de nas movidas, na sua grande maioria, por rodas d’água,
Lima, sul de Santa Catarina, Brasil. Tudo começou a par- nossos primeiros colonos italianos se especializaram no
tir da articulação e envolvimento de algumas famílias na preparo da farinha de milho. Os colonos alemães, por

130 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 131
MDA MDA

nada ao beneficiamento nas agroindústrias, cujo foco


de comercialização é o mercado formal. Outra parte é
destinada à venda in natura, atendendo especialmente
mento da Agreco tem certificação orgânica pela Ecocert.
Os produtos são elaborados com matéria-prima própria.
Os vegetais são processados frescos, logo após a colheita
Plano fomenta a produção orgânica
ao mercado institucional.
Pioneiros em Alimentação Escolar Orgânica
Em junho de 2001, em uma reunião para formação
para preservar as propriedades e sabor dos alimentos.
A área de produção da Agreco fica integrada com a
Mata Atlântica preservada, garantindo um ambiente
e de base agroecológica nas políticas
do Fórum da Economia Solidária, foi elaborado um pré-
-projeto que previa a compra, pelo Estado, de produtos
da Agreco para a alimentação escolar. Imediatamente
favorável para a prática da Agroecologia. São diversas
atividades desenvolvidas de forma integrada para dina-
mizar o resultado das criações e lavouras e produzir ali-
voltadas para a agricultura familiar
aceito pelo Governo do Estado de Santa Catarina, dois mentos saudáveis e saborosos, como:

C
meses depois, 1.075 alunos (90% deles do Maciço do –– Açúcar orgânico e melado de cana orgânico om o objetivo de ampliar e efetivar ações para Conceitos
Morro da Cruz) da Escola Básica Lauro Muller recebiam –– Atomatados orgânicos orientar o desenvolvimento rural sustentável,
na escola as refeições elaboradas com os produtos orgâ- –– Conservas orgânicas impulsionado pelas crescentes preocupações Sistema orgânico de produção é aquele em que se
nicos da Agreco. –– Doces e geleias orgânicos das organizações sociais do campo e da floresta e da so- adotam técnicas específicas, conforme as normas
A escola de Educação Básica Lauro Muller foi pionei- –– Frango orgânico ciedade em geral, a respeito da necessidade da produção estabelecidas pela Lei nº 10.831/2003.
ra na adoção de alimentação escolar orgânica em agosto –– Linha de alimentos prontos para servir de alimentos saudáveis com a conservação dos recursos
Produção de base agroecológica é aquela que
de 2001 e, nos dois dias por semana em que é servida, –– Linha Institucional Orgânica naturais, o Governo Federal lançou, em 2013, o Plano
busca otimizar a integração entre capacidade
os resultados se verificam na brusca queda da evasão –– Mel orgânico Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Brasil
produtiva, uso e conservação da biodiversidade e
escolar e no rendimento social e didático de alunos que –– Sucos orgânicos Agroecológico. Até este ano, deverão ser executadas 125
dos demais recursos naturais, equilíbrio ecológi-
tinham problemas de subnutrição. iniciativas que contemplem a produção; o uso e conser-
co, eficiência econômica e justiça social, abrangi-
O sucesso desta parceria entre o Fórum do Maciço do Da Agreco à Cooperagreco vação dos recursos naturais; o conhecimento; a comer-
das ou não pela Lei nº 10.831/2003.
Morro da Cruz, Secretaria Estadual de Educação e a Agre- Um dos entraves encontrados pelos agricultores fa- cialização e o consumo – um total de R$ 8,8 bilhões que
co foi tão grande que, em três meses, outras oito escolas miliares quando iniciam atividades de transformação serão investidos até o final de 2015. Transição agroecológica é o processo gradual de
do Maciço entraram no programa. Até dezembro de 2002, ou industrialização de seus produtos relaciona-se à le- Nas últimas décadas, importantes avanços no cam- mudança de práticas e de manejo de agroecossis-
a alimentação escolar orgânica era servida em 26 escolas galidade do processo de comercialização. O uso da Nota po do conhecimento agroecológico e orgânico foram temas, tradicionais ou convencionais, por meio
da rede estadual da capital catarinense, 15 de Criciúma e Fiscal de Produtor Rural é restrito à comercialização de conquistados, integrando a ciência aos saberes tradicio- da transformação das bases produtivas e sociais
20 de Itajaí. Elas recebiam os produtos das Encostas da produtos in natura e a relação com os compradores da- nais dos agricultores, assentados da reforma agrária, e do uso da terra e dos recursos naturais, que
Serra Geral para preparar a alimentação escolar. va-se entre cada agricultor e o comprador, e não entre dos povos e comunidades tradicionais. Isso refletiu em levem a sistemas de agricultura que incorporem
Atualmente a Agreco comercializa para 182 institui- este e a Agreco. diversas ações de políticas públicas nas áreas do ensino princípios e tecnologias de base ecológica.
ções, distribuídas em 12 municípios do Estado de Santa Com a verticalização da produção e a necessidade de superior e profissionalizante, no direcionamento da pes-
Catarina, destacando-se o Restaurante Universitário da fortalecer a organização, esse modelo de comercialização quisa e nos métodos e metodologias da extensão rural,
Universidade Federal de Santa Catarina e a rede pública passou a ser inadequado, e a Agreco buscou novas es- bem como na ampliação das técnicas e tecnologias de Formação
de ensino do município de São José/SC, que adquire cer- tratégias para a realização desse processo. Inicialmente suporte à transição agroecológica. A escassez de profissionais com conhecimento em
ca de 50% dos alimentos consumidos pelos estudantes. criou-se uma microempresa, porém a demanda do mer- O Brasil Agroecológico é, então, fruto de uma am- agroecologia e na produção orgânica dificulta que os
Em 2014, no PNAE com prefeitura de Florianópolis cado institucional – que vinculou a aquisição de alimen- pla discussão entre governo e sociedade civil e responde agricultores tenham acesso a assistência técnica necessá-
foram comercializados 12 toneladas de filé de peito e 15 tos à existência de uma cooperativa – e o aumento da como as diretrizes iniciais para o desenvolvimento da ria a este tipo de produção.
de sobrecoxa, mais 50 toneladas de hortaliças e frutas e cultura cooperativista entre os associados, levou então à produção orgânica e agroecológica no País, tendo como “A inclusão e o incentivo à abordagem da agroecolo-
produtos não perecíveis como doce e molho de tomate. criação da Cooperagreco. base a Política Nacional de Agroecologia e Produção gia e dos sistemas orgânicos de produção, nos diferentes
No PAA Compra Institucional, com o no Grupo Hos- Atualmente são produzidas grande variedade e quan- Orgânica (Pnapo), instituída pelo Governo Federal, em níveis e modalidades da educação e ensino, represen-
pitalar Conceição do RS, em uma chamada publica de tidade de alimentos orgânicos que são comercializados agosto de 2012. tam alguns dos principais desafios a serem superados
compra de vegetais minimamente processados. pela Cooperagreco na Alimentação Escolar, restaurantes Dos R$ 8,8 bilhões que serão investidos no Brasil no Plano. Há necessidade de ampliação dos processos
e lojas nos Estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Distri- Agroecológico, R$ 7 bilhões vão ser utilizados na garan- de formação de professores e educadores; de orientação
Agreco Produtos Orgânicos to Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, tia de crédito para o financiamento da produção, quer nos projetos pedagógicos dos cursos para os princípios e
A linha Agreco tem mais de 65 produtos orgânicos Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, seja por meio do Programa Nacional de Fortalecimento diretrizes da agroecologia para a produção orgânica e de
com garantia de origem. Toda a produção e processa- Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. ◆ da Agricultura Familiar (Pronaf) quer seja pelo Plano base agroecológica; de ampliação de acesso aos cursos,
Agrícola e Pecuário. permitindo a inclusão das populações do campo e da

132 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 133
MDA MDA

floresta; de integração dos cursos de agroecologia com a dação de tecnologias inovadoras, no ensino contex- Mapa demonstrando as Chamadas de Ater Sustentabilidade e agroecologia Mapa demonstrando as Chamadas de Ater Agroextrativismo
educação do e no campo; e de iniciativas concretas para tualizado e na assessoria aos agricultores familiares,
reconhecimento dos cursos profissionalizantes em agro- assentados da reforma agrária, povos e comunidades Água ainda ser ampliados.Já as compras governamentais têm
ecologia por conselhos profissionais,” Cássio Trovatto, tradicionais em todo país, se coloca hoje como uma A garantia do acesso à água para todos também é tido um crescimento sistemático da participação de pro-
coordenador-geral de Formação do MDA. vantagem significativa na ampliação dos sistemas or- uma das metas previstas no plano, por meio do progra- dutos de base agroecológica, permitindo o pagamento de
Pensando nisso, o Brasil Agroecológico trouxe, ainda, gânicos e de base agroecológica.” ma Segunda Água, que capta a água da chuva em pro- até 30% de prêmio para esses produtos, como acontece
investimentos em educação, totalizando R$ 97 milhões priedades familiares para uso agroecológico. Ao todo, no PAA e Pnae. No PAA, houve ainda um aumento no
de recursos executados em 2013/2014, com 45.295 ma- Mulheres serão implantadas 60 mil unidades de tecnologias sociais limite de vendas. Só para a modalidade Compra Institu-
trículas em cursos relacionados à agroecologia ou pro- A Política Setorial de Ater para Mulheres é parte da de acesso à água. cional, o limite passou de R$ 8.000,00 para R$ 20.000,00
dução orgânica. Pnater que, a partir de 2010, lançou oito chamadas públi- Veja os resultados da universalização do acesso ao por órgão comprador/ano,” afirma Trovatto. ◆
cas de Ater específicas para mulheres, com foco no for- programa:
Redes de Ater talecimento da produção agroecológica. Ao todo, 6.300
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) mulheres foram beneficiadas. Regulamentação da produção orgânica
vem integrando novos conceitos e diretrizes nos serviços Quando do lançamento do Brasil Agroecológico, ou- A regulamentação da produção de orgânicos no Bra-
de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), direcio- tras quatro foram lançadas resultando em 4.960 mulhe- sil teve avanços significativos a partir da publicação da
nando o foco para a agricultura familiar e à promoção res beneficiadas em 19 Territórios da Cidadania, totali- Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, e do Decreto
do desenvolvimento rural sustentável. Desde 2003, a te- zando investimento no montante de R$ 15 milhões. nº 6.223, de dezembro de 2007, que dispõem sobre a pro-
mática de agroecologia foi incorporada nos princípios, dução orgânica. O documento estabeleceu um grande
normas e objetivos da Política Nacional de Assistência Ecoforte avanço sobre o ponto de vista dos mecanismos de con-
Técnica e Extensão Rural (Pnater), sendo capacitado um O programa Ecoforte também integra o Brasil Agro- trole necessários para assegurar ao consumidor a qua-
conjunto significativo de técnicos para atuarem com en- ecológico. O objetivo é desenvolver ações conjuntas que lidade do produto orgânico. Ele prevê três mecanismos
foque sustentável. fortaleçam e ampliem redes, cooperativas e organiza- para garantir a qualidade orgânica.
Entre 2013 e 2014, foram realizadas chamadas de ções socioprodutivas e econômicas de agroecologia,
Ater específicas para agroecologia, sustentabilidade, ex- extrativismo e produção orgânica, em complementação Comercialização Mapa com a quantidade de Unidades Produtivas familiares beneficiadas por município
trativismo e pesca. às ações previstas no Plano Nacional de Agroecologia e A produção orgânica e de base agroecológica tem
Para Trovatto, “as redes de Ater já estruturadas no Produção Orgânica. sido comercializada por intermédio de diversos canais
Brasil constituem importante patrimônio para a con- Um total de R$ 46 milhões estão previstos para am- de distribuição, entre eles as feiras locais e as compras
solidação e expansão da agroecologia. O conjunto de pliar e fortalecer a produção, manipulação e processa- institucionais, por meio dos programas de Aquisição de
organizações governamentais e não governamentais mento de produtos orgânicos e de base agroecológica, Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (Pnae).
do campo agroecológico, que desenvolve importantes por meio de financiamentos e subvenções econômicas “Uma parte significativa da expansão da distribuição
trabalhos de construção do conhecimento e de vali- bancarizadas ou não. desses produtos tem sido feita em feiras locais, das quais
não se tem informação sobre número de produtores en-
Chamada Agroecologia Chamada Sustentabilidade Chamada Extrativismo Chamada Pesca Total volvidos, quantidade e valor da produção comercializa-
Famílias atendidas 42.610 63.340 26.054 740 132.744 da. O apoio sistemático que tem sido dado aos grupos
Recursos executados (R$) 130 milhões 189 milhões 4,33 milhões 1,25 milhões 324 milhões organizados em torno desses equipamentos que devem

134 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 135
MDA MDA

MDA investe em parceria para


levar inovação tecnológica
para agricultores familiares
I
ncentivar projetos de inovação tecnológica para a liares, 10 mil técnicos e 13,5 mil estudantes que participa- Agronomia da UFRGS. A proposta era desenvolver junta- va de Citricultura Ecológica (Ecocitrus) e à Associação
construção e socialização de conhecimentos em ram destes, além do uso de metodologias participativas e mente com os agricultores, estudantes e pesquisadores uma Companheiros da Natureza, também de citricultura eco-
agroecologia. Com esse objetivo o Ministério do o desenvolvimento e a validação de tecnologias baseadas metodologia de adequação da tecnologia de controle de lógica. Contou com a participação direta de seis bolsistas
Desenvolvimento Agrário (MDA) através da Secretaria de nos princípios da agroecologia e do desenvolvimento rural fungos, ou seja, trabalhar o controle biológico. A pesquisa de graduação, dois de mestrado e um de doutorado, e in-
Agricultura Familiar (SAF), do Departamento de Assis- sustentável, de forma integrada com as políticas do MDA. participativa focou, especialmente, nos cultivos de berga- direta de outros seis estudantes ligados a outros grupos
tência Técnica e Extensão Rural (DATER), e da Coorde- Foram proponentes nos editais as instituições públi- mota montenegrina, variedade de principal valor econômi- de agroecologia da Faculdade.
nação de Inovação e Sustentabilidade em parceria com o cas de ensino superior, de pesquisa e assistência técnica co para os agricultores e com maior incidência da doença. Participaram, ainda, professores pesquisadores da
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tec- e extensão rural. O processo refletiu na comercialização dos frutos e Faculdade de Agronomia e da pós-graduação em Desen-
nológico (CNPq), está fomentando três editais (Edital Nº resultou em melhores preços no mercado. Além disso, volvimento Rural e Fitotecnia. Também envolveu como
81/2013, 38 e 39/2014) que têm como público prioritário Perspectivas para 2015 e 2016 promoveu outros ganhos para os agricultores como o instituições parceiras a Empresa de Assistência Técnica
os agricultores familiares. O investimento em pesquisas e Para o CNPqt, a prioridade é a sistematização dos Nú- empoderamento dos processos de experimento de novas e Extensão Rural do estado, (Emater/Ascar) e a Empresa
em estudos está sendo de R$ 17 milhões para 100 projetos. cleos de Agroecologia dos Editais Nº 81/2013, 38/2014, tecnologias, capacitação em diversos temas relacionados de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
As ações de inovação tecnológica e formação dos editais 39/2014, que será realizado pelo projeto Nacional de Sis- à agroecologia e apropriação dos resultados dos estudos O projeto atendeu seus objetivos iniciais de desen-
estão integradas ao Programa Nacional de Inovação e Pro- tematização da UFV. realizados pelo Grupo de Citricultura Ecológica da Uni- volvimento e adequação de inovação tecnológica para
grama Nacional de Formação de agentes de Ater do MDA. As ações fomentadas com o CNPq estão em diálogo versidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). a agricultura familiar. O retorno para os agricultores
A expectativa de formação nestes três editais é de com o Programa Nacional de Inovação e Programa Na- Um dos beneficiados pela pesquisa foi o agricultor e bi- aconteceu por meio da adaptação do controle biológico
aproximadamente 30 mil agricultores familiares, 2 mil cional de Formação de Agentes de Ater e são extrema- ólogo Luís Carlos Laux. Para ele, é essencial que a informa- no combate a pinta preta do citros.
técnicos e 2,5 mil estudantes participantes nos 100 pro- mente importantes para a formação de Agentes de Ater, ção esteja onde há problemas. “O projeto inovou trazendo Para a universidade, pode ser percebido tanto nos
jetos de extensão, ensino e pesquisa. estudantes e professores e, fomento a inovações tecnoló- o estudante para pesquisar e discutir na propriedade, e relatos dos estudantes bolsistas do projeto, que afirma-
Os editais têm suas bases na Política Nacional de gicas e metodológicas para a agricultura familiar. levou o agricultor para a universidade, para o laboratório ram que o projeto despertou-os não somente para o tra-
Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) e na para entender os processos e os limites dos experimentos, balho com a agricultura familiar como também formou
Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica Manejo Agroecológico da Pinta Preta dos e assim eles também começam a ajudar na pesquisa. Essa um profissional diferenciado, criativo e interessado em
(PNAPO) e no Plano Nacional de Agroecologia e Produ- Citros transparência que levou ao envolvimento”, explica. novas metodologias de pesquisa e em novos meios de
ção Orgânica (PLANAPO). O trabalho desenvolvido pelo projeto “Desenvolvimento fazer ciência.
De 2004 a 2010 o MDA fomentou sete editais englo- Participativo do Manejo Agroecológico da Pinta Preta dos Panorama Além disso, houve a consolidação do núcleo de pes-
bando 572 projetos e os resultados encontrados foram a Citros em Comunidades do Vale do Caí-RS”, surgiu em 2007 A pesquisa envolveu diretamente 114 agricultores quisa e extensão denominado Rede Orientada ao Desen-
formação de aproximadamente 160 mil agricultores fami- dentro do Grupo de Citricultura Ecológica, da Faculdade de familiares produtores de citros, associados à Cooperati- volvimento da Agroecologia (Roda). ◆

136 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 137
MDA MDA

DIVULGAÇÃO
Ainda de acordo com Kasper, os contratos foram
renovados para este ano e novos estão previstos. “A Bio-
fach é o espaço de continuidade e melhoria nas possibi-
lidades de negócios, já que boa parte das empresas nos
procura na Biofach”.

Organização
As geleias, doces, sucos e cerveja feitos com frutas da
Caatinga e produzidos por uma cooperativa baiana tam-
bém são exemplos de como a organização produtiva alia-
da às políticas públicas pode render bons frutos. Com
o incentivo do Programa Nacional de Fortalecimento

Cooperativas da
da Agricultura Familiar (Pronaf), o PAA e a Assistência
suco concentrado tem venda garantida aos mercados Técnica e Extensão Rural (Ater), do Governo Federal, a
institucionais. Para o gerente de Relações Institucionais Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá
da cooperativa, Ernesto Kasper, as políticas públicas fo- e Curaçá (Coopercuc) utiliza frutas da vegetação nativa
ram muito importantes para o aumento de renda dos baiana para melhorar a qualidade de vida e aumentar a

agricultura familiar
cooperados. “São programas muito estratégicos e que renda dos produtores.
atendem perfeitamente a agricultura familiar. No come- A sede da Coopercuc fica em Uauá, município do
ço, tínhamos muita dificuldade em comercializar para as nordeste baiano, mas conta com 18 unidades de bene-
grandes redes de supermercado, que exigiam um volume ficiamentos espalhadas também em Canudos e Curaçá

investem na
de produção muito grande. Por isso, focamos nossa pro- (BA). Maria Leide Rodrigues da Silva, conhecida como
dução de frutas no PAA e PNAE e tivemos um excelente Leda, é uma dessas cooperadas. Aos 43 anos, ela nasceu
retorno”, destaca. e se criou no campo, onde mora com o marido e um casal
A Ecocitrus já participou sete vezes da Biofach, a de filhos. “Todas fazem de tudo, mas a gente reveza o

fruticultura
maior feira de produtos orgânicos do mundo. Por meio trabalho. Num dia, uma fica dentro da cozinha e a outra
dos negócios iniciados no evento, já firmou contratos fica do lado de fora mexendo com os potes e por aí vai.
para a exportação de sucos cítricos e óleos essenciais Dependendo da produção no período das safras das fru-
para empresas europeias. No ano passado, comercia- tas, as cooperadas conseguem tirar, no total, cerca de R$
lizou R$ 1.8 milhão em óleos essenciais e sucos con- 3,5 mil”, revela a agricultora familiar.
centrado e integral. “As empresas que temos relações Para o presidente da Coopercuc, Adilson Ribeiro, a

C
oloridas, saudáveis e com aroma de dar água compras governamentais do Governo Federal, como o comercias, estão sediadas na França e Alemanha, mas criatividade aplicada no campo é um dos diferenciais da
na boca. Com a atuação de cooperativas da Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Nacional como fazem a distribuição, os produtos podem estar cooperativa. Atualmente, o produto de maior destaque é a
agricultura familiar, a fruticultura tem con- de Alimentação Escolar (PNAE). em vários países, principalmente em relação aos óleos cerveja de umbu. “Estamos em fase de teste, mas a aceita-
quistado novos mercados e ganhado a mesa dos brasi- Um bom exemplo é a Cooperativa dos Citricultores essências, pois são ingredientes para muitas possibili- ção é muito boa. Já apresentamos em algumas feiras e pre-
leiros. Quando os agricultores familiares se organizam Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus), do Rio Grande do dades como cosméticos, limpeza, bebidas, farmacêuti- tendemos exportar. Tem tudo pra dar certo”, acredita. Eles
em cooperativas em associação têm mais facilidades em Sul. A cooperativa comercializa parte da produção dos ca”, afirma Ernesto Kasper, gerente de Relações Institu- já apresentaram a cerveja na Itália e estão em negociação
agregar valor à produção e acessar aos programas de sucos integrais e reconstituídos para supermercados. O cionais da Ecocitrus. para levar esse e outros produtos para a Alemanha. ◆

138 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 139
MDA MDA

mais cooperativa e solidária”, afirma o diretor do progra- Sobre o programa


ma do MDA, Lucas Ramalho. O Mais Alimentos Internacional foi criado pelo Go-
O Zimbábue foi o primeiro a receber as máquinas verno Federal em 2010 para financiar a compra de má-
do programa, em 2014. Foram 320 tratores e mais de quinas e equipamentos agrícolas para outros países, em
7 mil implementos e equipamentos agrícolas, expor- especial os do continente africano e da América Latina
tados pela indústria brasileira, para ajudar os agricul- e Caribe. Dessa forma, o programa ajuda no combate à
tores familiares do país africano. Para o embaixador fome e no desenvolvimento rural dessas nações. As con-
do país, Thomas Bvuma, a parceria é um exemplo a dições de crédito são facilitadas. Os países têm até 15

Mais Alimentos
ser seguido em todo o mundo. “O programa é muito anos para pagar os empréstimos, com três anos de ca-
importante para nós, porque a agricultura é a base da rência e juros de 2% ao ano.
nossa economia. É o setor que emprega a maioria da

Internacional:
população”, destaca. Países que participam do programa:
O programa conta com a participação de mais de 500 Zimbábue
empresas brasileiras, destas, 30 já estão exportando para Moçambique

contribui para
os países parceiros (Zimbábue, Moçambique, Senegal, Senegal
Gana, Quênia e Cuba). Em 2015, o programa ampliará Gana
a quantidade de empresas exportadoras e aumentará o Quênia

desenvolvimento
número de países participantes, tanto no continente afri- Cuba
cano quanto na América Latina e Caribe.

da agricultura
familiar de
outros países e
aquece indústria
nacional
A
lém de promover o desenvolvimento de etapa das exportações, cerca de 3 mil tratores sejam
outros países, o Mais Alimentos Interna- comercializados. Além disso, mais 63 mil equipamen-
cional estimula significativamente o par- tos e máquinas agrícolas também serão usados em la-
que industrial de máquinas e equipamentos agrícolas vouras de países cooperantes.
brasileiros. Em 2014, o governo brasileiro aprovou “O interessante dessa iniciativa é que o Brasil assume
120 milhões de dólares em exportação por meio do o protagonismo, na condição de sétima maior economia
programa. A previsão é de que, apenas na primeira do mundo, de uma nova forma de inserção mundial,

140 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 141
MDA MDA

Piccin é uma A
Piccin Máquinas Agrícolas atua no mercado como fornecedor do Brasil,” explica o responsável pelas
de implementos, com foco no preparo do exportações da empresa, Mike Garcia. Os equipamentos
solo há mais de 50 anos. Localizada em São foram entregues em outubro de 2014 no Zimbábue, sen-
Carlos/SP, a empresa possui um núcleo administrativo do que uma equipe técnica da Piccin acompanhou o pro-

das primeiras a
familiar e está presente em 27 estados brasileiros e ex- cesso a fim de prestar uma capacitação técnica às pessoas
porta para 42 países. que iriam manipular os implementos junto ao Ministério
Na linha de produtos estão grades aradoras, nivela- da Agricultura daquele país.
doras, subsoladores, distribuidores de adubo orgânico e “Nossas expectativas para este ano são grandes, pois

comercializar pelo Mais


granulado, carretas transportadoras e arruadores para fomos os primeiros a embarcar e acreditar no projeto.
café. A produção média é de 650 produtos por mês. Temos um grande potencial para 2015,” diz.
A empresa foi uma das primeiras a comercializar Mesmo assim, Garcia acredita que o programa saiu
pelo Mais Alimentos Internacional, programa do gover- da incubadora, mas que precisa mais dinamismo para
no federal, desenvolvido com o intuito de incentivar as impulsionar ainda mais as exportações brasileiras. “So-

Alimentos Internacional exportações das indústrias brasileiras da área de imple-


mentos agrícolas. Até o momento participam do progra-
ma países da África e Cuba.
A primeira venda internacional realizada pelo pro-
grama foi para Zimbábue, na África, quando foram en-
mos um país que fabrica os melhores implementos agrí-
colas do mundo, pela durabilidade e precisão, só que
agora precisamos de mais dinamismo dos órgãos gover-
namentais e associações de indústrias de máquinas para
nos apoiar para que estes implementos venham a atingir
tregues 80 grades aradoras de controle remoto (GACR) e outros países,” explica. Ele acrescenta que nas maiores

DIVULGAÇÃO
30 distribuidores de calcário (MASTER 2500) que bene- feiras do ramo realizadas no Brasil – Agrishow, Show Ru-
ficiaram mais de 200 famílias. ral Coopavel e Expodireto Cotrijal – cada vez mais apa-
Inicialmente as delegações dos países interessados recem clientes internacionais, quando são conhecidas as
conhecerem as fábricas brasileiras, que puderam apre- necessidades que eles têm.
sentar suas propostas para oferecer seus produtos. Nos países que adquiriram os produtos brasileiros, os
“Posteriormente fomos escolhidos dentro do processo equipamentos são financiados para os pequenos e mé-
para uma exportação que englobava US$ 98 milhões, dos dios agricultores pelos seus governos com baixo custo,
quais tivemos uma participação do valor bastante consi- já que o objetivo é o desenvolvimento agrário e da cadeia
derável. Fomos escolhidos para fazer o primeiro tranche alimentar daquelas nações. ◆

Delegação do Zimbábue em visita à fábrica

142 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 143
MDA MDA

O tamanho
do Brasil Cláudio Affonso Amoretti Bier, Presidente do SIMERS - Sindicato da Indústria de Máquinas e
Implementos Agrícolas no estado do Rio Grande do Sul.

P
ara nós, brasileiros, o Brasil é grande por nova área equivalente de 69 milhões de hectares de terra Mas não apenas no mercado dessas commodities nós base diversificada de produtos compatíveis com a escala
muitas razões, o sabemos com orgulho da agricultável, caso fossem mantidos os mesmos padrões nos destacamos mundialmente. A própria produção das de produção dos pequenos agricultores.
nossa história. tecnológicos de 1990. nossas máquinas e equipamentos agrícolas se tornou No segmento de Máquinas e Implementos Agrícolas,
Particularmente, para nós que fabricamos máqui- Produzir mais preservando o meio ambiente. Isso é também objeto da demanda mundial: hoje somos con- o Rio Grande do Sul concentra 54% do valor em vendas
nas e equipamentos agrícolas, a grandeza do Brasil nos coisa para poucos. siderados a maior potência tecnológica em agricultura de tratores agrícolas, inclusive motocultivadores, comer-
é também plausível pela pujança do nosso agronegócio, Naturalmente que os ganhos de produtividade têm a tropical do mundo! cializados no País, se colocando como o principal estado
que além de garantir a segurança alimentar da nossa ver com o avanço tecnológico alcançado por nossas en- Neste contexto de desenvolvimento do agronegócio da Federação. Detém 460 estabelecimentos (27%) de um
população gera excedentes para abastecer o mundo de tidades de pesquisa, a EMBRAPA à frente, seja nos cam- brasileiro, emergiu com muita força, especialmente a total de 1.678 no Brasil.
comida e matérias primas. Inda mais se pensarmos a de- pos da biotecnologia, quanto nos campos da química partir da década passada, um segmento que tem mar- O SIMERS, Sindicato da Indústria de Máquinas e Im-
manda futura no planeta, no horizonte de 2050, quando fina e também na indústria de base mecânica. cado a evolução da nossa indústria de máquinas agrí- plementos Agrícolas no estado do Rio Grande do Sul, é
a terra comportará nove bilhões de pessoas. Particularmente nessa última, os avanços também colas: a agricultura familiar. Detentora de um acervo porta-voz de um quadro de associados com 172 unida-
Exemplos não nos faltam: o Brasil é grande porque é foram primorosos. produtivo de mais de 4,3 milhões de estabelecimentos des industriais. Com mais de 35 anos de fundação, re-
o primeiro produtor mundial em suco de laranja, açúcar, A inovação tecnológica produzida por nossas indús- agropecuários, cerca de três quartos do total no País, presenta fabricantes tanto para agricultura, tais como:
café; o segundo em soja, carne bovina, o terceiro em mi- trias permitiu uma competição equilibrada do agronegó- ocupando 24% da área produtiva, respondendo por equipamentos para plantio, tratos culturais, colheita,
lho, em carne de frango, etc. cio brasileiro com os grandes players do mercado inter- 74% do número de ocupações no campo e 38% do valor beneficiamento, armazenagem; como para a pecuária,
Acresça-se que o nosso agronegócio, além de repre- nacional de commodities agrícolas. bruto da produção. tais como: equipamentos para bovinocultura de leite, de
sentar 22% do nosso PIB, assegura 33% nos empregos Um exemplo concreto é a incorporação permanente Essa agricultura familiar é também responsável por corte, avicultura, suinocultura, etc.
formais. Nos últimos cinco anos até 2013, ampliaram-se de novas tecnologias como a da agricultura de precisão, 69% do Feijão, 88% da mandioca, 44% da batata, 56% do E através, especialmente, da adesão ao progra-
os seus saldos comerciais, passando de US$ 55 bilhões que hoje está embarcada em seus produtos, independen- leite, 47% do milho, 49% do tomate, 70% do frango, 62% ma Mais Alimentos do Governo Federal, criado e
para US$ 83 bilhões, alcançando 227 países e um mon- temente da escala de produção em que se dá a sua apli- da banana, 75% da cebola, 62% da uva, 51% dos suínos, implantado em 2008, o SIMERS é parceiro de pri-
tante exportado de US$ 100 bilhões. cação. Outro exemplo, já reconhecido mundialmente, é o 30% do café, 35% do arroz, 21% do trigo, 17% dos ovos e meira hora da agricultura familiar, emprestado toda
É lugar comum disser-se que o Brasil será celeiro do da tecnologia do Plantio Direto na Palha, que preconiza a da soja, de tudo que é produzido no Brasil. sua experiência em apoio aos pequenos agricultores,
mundo. E, de fato, o será! manutenção do solo coberto o ano todo com palhada ou Que outro país tem um segmento de pequenos agri- que garantem a comida diária na mesa de milhões
E isso terá sido possível, graças aos ganhos de produ- plantas vivas. Isso exigiu o desenvolvimento de máqui- cultores com tanta força? de brasileiros.
tividade: nos últimos vinte e cinco anos, a produção da nas de plantio que superasse esse material, rompendo-o, E para servir tecnologicamente a toda essa força re- Modestamente, assim, podemos dizer que as nossas
agricultura brasileira cresceu 223% contra apenas 41% e propiciasse a aplicação de sementes e adubos nas quan- presentada pela agricultura familiar, a indústria de má- fábricas contribuem para a grandeza do Brasil, indepen-
da área plantada. Significa que se deixou de “abrir” uma tidades necessárias. quinas e equipamentos gaúcha está presente, com uma dente das conjunturas. ◆

144 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 145
MDA MDA

AGCO A Jacto Agrícola e o Mais


Empresa presente na continuidade
do Mais Alimentos Internacional Alimentos Internacional
C
om a filosofia de jamais abandonar, a própria “A Jacto exporta efetivamente para mais de 100 paí-
sorte, o agricultor que utiliza seus produtos, ses. A habilitação da empresa no Mais Alimentos Inter-

A
AGCO é referência na comercialização de Delamare ressalta que o Mais Alimentos Internacio- a Jacto que é uma empresa comprometida e nacional foi um grande desafio e conseguir pedidos dos
tratores e outros maquinários agrícolas para nal representa a oportunidade de conhecer mais e melhor parceira do homem do campo, atende as necessidades países participantes do programa é uma resposta positi-
o Programa Mais Alimentos por meio de suas as necessidades do continente africano no setor agrícola, do pequeno ao grande agricultor. va ao direcionamento de empresa,” diz o gerente regional
marcas que oferecem experiência, conquista tecnológica, bem como participar do crescimento do agronegócio. A empresa possui uma profunda ligação com a agri- Latino América, José Emilio de Castro Filho.
mais eficiência em trabalhos pesados e baixo custo ope- “Estamos oferecendo todo o suporte técnico (treinamen- cultura familiar. Durante anos liderou o mercado com a No atual momento, os produtos exportados para o
racional - fatores essenciais para a agricultura familiar. to, assistência ao pós venda) aos nossos produtos com polvilhadeira, que por muito tempo foi o principal pro- Zimbábue e Moçambique, segundo o coordenador regio-
A iniciativa de levar o programa Mais Alimentos para a finalidade de ver esse programa também vitorioso na duto da Jacto. Além do modelo costal, havia o modelo nal para a Ásia, África, Europa e Oceania, Clóvis Basta
Gana, Senegal e outros países, resultou do sucesso desse África”, acrescenta. motorizado sobre rodas. Eram destinadas a inseticidas Beraldo, são os pulverizadores costais e o Arbus 200.
programa no Brasil. Para 2015, a empresa tem a 2ª etapa do programa e em pó para o combate de pragas e doenças do algodão, O Mais Alimentos Internacional representa um reco-
O tipo de agricultura praticada nos outros países é tam- serão contemplados os seguintes países: Zimbábue, Mo- amendoim, café, feijão, milho, soja e trigo. nhecimento da marca Jacto, como especialista em pulve-
bém familiar e, muitas vezes, de subsistência. O programa, çambique, Gana, Senegal e Quênia. A AGCO, por meio Hoje, com 67 anos de mercado a Jacto possui uma rização. “Significa que estamos no caminho certo, e isso
viabilizando que estes produtores obtenham equipamen- de suas marcas, Valtra e Massey Ferguson, estará presen- ampla linha de produtos: de pulverizadores cotais à au- nos motiva a buscar ainda mais qualidade e tecnologia
tos, oferece capacidade de produzir mais e em maior área, te na continuidade do Mais Alimentos Internacional. ◆ tomotrizes, colhedoras de café, adubadoras automotri- para seguir representando o Brasil no cenário interna-
além de erradicar a fome no país e no mundo. zes e a linha Otmis, com produtos para agricultura de cional,” afirma Beraldo.
Conforme o gerente de exportação AGCO, Francis- precisão. Produtos que conquistaram o mercado, nacio- A expectativa da empresa é exportar em 2015, den-
co Delamare, o que motiva a AGCO, por meio de suas nal e internacional. tro do Mais Alimentos Internacional para outros países

DIVULGAÇÃO
marcas Valtra e Massey Ferguson, a participar do Mais Habilitada nos programas governamentais Mais Ali- da África que já estão cadastrados no programa. ◆
Alimentos Internacional são vários aspectos, como a mentos e Mais Alimentos Internacional, a Jacto vem ex-
abrangência mundial, ou seja, o Brasil juntamente com portando seus produtos dentro do programa para países
seus fabricantes estará ajudando a África a produzir ali- como Zimbábue e Moçambique.
mentos em escala e, consequentemente, diminuindo a
fome. Além disso, os produtos em razão da similaridade
climática com a África estão preparados e adequados a
essa região não necessitando desenvolvimento especial.
“Estar na África, considerada o próximo celeiro mundial
na produção de alimentos, é estratégico para o futuro da
empresa. A AGCO, por meio de sua experiência nesse
continente e, em parceria com o governo federal MDA,
está ajudando a expandir o bem sucedido programa
Mais Alimentos nacional, no âmbito externo”, diz.
Através do programa, para Gana são disponibilizados
288 tratores Valtra A750 e 150 MF4265, da Massey Fer-
guson. Já para o Senegal, são disponibilizados 116 trato-
res A750 e três colheitadeiras BC4500, ambos da Valtra.
Mas além disso, a empresa também está em fase de ne-
gociação para o envio de seus produtos para o Quênia. Gerente de exportação AGCO, Francisco Delamare

146 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 147
MDA MDA

L
ançado pelo governo federal, o Plano Safra da Pronaf agroecologia
Agricultura Familiar 2014/2015 – Alimentos Possibilita crédito para custeio de sistemas de produ-
Para o Brasil está há mais de uma década con- ção agroecológica e orgânica, com taxas diferenciadas de
solidando as políticas públicas que estão mudando a vida 1% ao ano para produtores que querem investir na tran-
de quem mora no campo. sição agroecológica.

Plano Safra da
Nesse período, a agricultura familiar passou a contar
com recursos cada vez maiores para financiamento, as- Pronaf Jovem
sistência técnica qualificada e mecanismos de segurança Ampliação do limite de acesso de uma operação de
e proteção da produção e da renda. A qualidade de vida R$ 15 mil para três operações de até R$ 15 mil. Micro-
de agricultores hoje é maior, a produção aumentou e crédito Produtivo Orientado (Pronaf B) com ampliação
mais alimentos chegam à mesa dos brasileiros. do limite de R$ 3,5 mil para R$ 4 mil por operação, com

Agricultura Familiar
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento bônus de adimplência de 25%. Oferece ainda bônus de
Agrário, nesta safra, o crédito ofertado para a agricultu- 40% para agricultores familiares dos municípios em situ-
ra familiar é dez vezes maior do que o contratado há 12 ação de emergência pela seca do Semiárido.
anos. Saltou de R$ 2,3 bilhões, em 2002/2003, para R$
24,1 bilhões – 14,7% superior ao da safra passada. Mais produção nos assentamentos
O Plano, de acordo com a Cartilha do MDA, estimula Nos assentamentos da reforma agrária vive uma
O crédito ofertado é dez vezes maior do que o contratado há 12 anos. ainda mais a produção de alimentos, busca a garantia de parcela significativa da agricultura familiar: cerca de
renda ao produtor e a estabilidade de preços ao consumi- 1 milhão de famílias. A qualificação dessas áreas e sua
Saltou de R$ 2,3 bilhões, em 2002/2003, para R$ 24,1 bilhões – 14,7% dor. Além disso, insere milhares de assentados da refor- integração na dinâmica produtiva da agricultura fami-
superior ao da safra passada ma agrária em novas rotas produtivas, cria medidas de liar dos territórios em que estão inseridas é prioridade
crédito que consideram as diversidades regionais e ga- para o Governo Federal. Recentemente, a publicação da
rante apoio a sistemas agroecológicos. A assistência téc- Medida Provisória nº 636/2013 trouxe novas condições e
nica será ampliada ainda mais como instrumento para possibilidades concretas para que mulheres e homens as-

DIVULGAÇÃO
alavancar a produção de alimentos. sentados trilhem um novo caminho de desenvolvimento
sustentável em seus assentamentos.
Mais crédito A solução para o endividamento do passado: rene-
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricul- gociação das dívidas de cerca de 1 milhão de famílias da
tura Familiar (Pronaf), principal política pública de fi- reforma agrária, permitindo-lhes acessar novos créditos
nanciamento da produção familiar, aumentou dez vezes produtivos; liquidação das dívidas do Pronaf A com des-
ao longo de 12 anos-safra. conto de 80% e renegociação com bônus de 50% na Região
O total de recursos disponibilizado foi de R$ 24,1 bi- Norte, e 45% nas demais regiões. As operações de liqui-
lhões (14,7% maior que a safra 2013/2014) e, também dação e renegociação podem ser feitas pela internet, por
houve a manutenção das condições e taxas de juros do meio da Sala da Cidadania Digital; remissão das dívidas de
Plano Safra 2013/2014. crédito instalação, concedido aos assentados da reforma
As novas medidas do Pronaf Produção Orientada são agrária, até o valor de R$ 10 mil por beneficiário. Acima
linha de crédito voltada para produção sustentável de de R$ 10 mil até R$ 12 mil, descontos de 80% para liqui-
alimentos, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Cen- dação; e 50% para cada parcela paga até a data de venci-
tro-Oeste; direcionado para projetos de sistemas agro- mento pactuada.
florestais, convivência com o Semiárido, agroecologia e
produção de alimentos para abastecimento de centros Modelo sustentável de crédito
urbanos. A assistência técnica é garantida e financiada A nova sistemática de crédito para famílias da refor-
pelo crédito, com bônus de adimplência para pagamento ma agrária prevê ciclos progressivos e orientados de es-
de Ater no valor de R$ 3.300, a ser pago em três anos. O truturação produtiva, com assistência técnica em todas
limite de investimento é de até R$ 40 mil. as fases, agilidade na operacionalização (recursos rece-

148 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 149
MDA MDA

bidos diretamente pela família, por meio de um cartão) e necedores do Pnae, assim como as organizações produti- Pronaf mulher Pronaf jovem
articulação com outras políticas públicas. vas de mulheres rurais. O orçamento é de R$ 1,1 bilhão. Ampliação da operacionalização do microcrédito Ampliação do limite de acesso de uma operação de
Infraestrutura rural orientado para mulheres pelos agentes financeiros. R$ 15 mil para três operações de até R$ 15 mil.
Mais renda O Programa de Infraestrutura para Territórios Rurais
Segurança para quem produz (Proinf) apoia iniciativas de beneficiamento, armazena- Ater Gestão territorial
A agricultura familiar conta com programas e políti- mento e de comercialização de produtos. Além disso, 50% de atendimento para as mulheres, com a am- Plano Safra Territorial
cas que garantem renda, trazendo mais segurança para estruturação e qualificação de serviços públicos locais pliação das ações de divulgação sobre o crédito buscan- Gestão social do Plano Safra nos territórios, para
investir e aumentar a produção. ou estaduais de armazenamento, transporte, comercia- do efetivar 30% do total de contratos do Pronaf para as efetivação de políticas públicas e promoção da inclusão
lização e outros, sendo que o valor disponibilizado é de mulheres. produtiva, com ênfase em assistência técnica, financia-
Novo seguro agrícola R$ 84 milhões. mento, infraestrutura e comercialização. Abrangência:
Mecanismo de proteção para agricultores familiares Acesso à cidadania para as mulheres 239 Territórios Rurais e da Cidadania.
que contratam financiamentos de custeio agrícola no Agroecologia Programa Nacional de Documentação da Traba-
âmbito do Pronaf. Passa a garantir 80% da receita bruta Para fortalecer a produção sustentável da agricultu- lhadora Rural: 220 mil documentos e 84 mil mulheres Convivência com o semiárido
esperada, com limite de cobertura da renda líquida até ra familiar, o Governo Federal apresenta medidas para atendidas e inclusão da Sala da Cidadania do Incra nos O Plano Safra da Agricultura Familiar 2014/2015
R$ 20 mil. Garantia-Safra Segurança para agricultores incentivar a transição agroecológica e contribuir para a mutirões de documentação. apresenta um conjunto de medidas focadas na promo-
de baixa renda que vivem em localidades atingidas por efetividade do Plano Brasil Agroecológico. ção da Convivência com o Semiárido e que compõem o
adversidades climáticas, especialmente o Semiárido. Juventude no campo segundo Plano Safra Semiárido.
Em caso de perda de pelo menos 50% da produção Pronaf agroecologia Acesso a terra
agrícola, as famílias recebem o benefício no valor de Garantia de custeio para sistemas de produção As mudanças nas regras do Programa Nacional de Crédito
R$ 850. Ampliação de 1,2 milhão para 1,35 milhão de agroecológica e orgânica, com taxas diferenciadas de Crédito Fundiário favorecem o acesso a terra para a ju- R$ 4,6 bilhões para o Nordeste e juros mais baixos na
agricultores beneficiários. 1% ao ano para produtores que querem investir na ventude, com a possibilidade de financiamento entre região semiárida; microcrédito Rural com aumento do
transição agroecológica. herdeiros e a revisão do perfil de renda, patrimônio e limite de R$ 3,5 mil para R$ 4 mil e bônus de adimplên-
PGPAF Mais prazo de financiamento, facilitando a sucessão rural. cia de 40% para municípios em situação de emergência;
Nesta safra, serão incluídas novas culturas na prote- PGPAF agroecologia novo Pronaf Produção Orientada para Convivência com
ção ampliada de preços do Programa de Garantia Preços Quando a produção for agroecológica, haverá adicio- Ater para juventude o Semiárido, investimento de até R$ 40 mil com Ater
para Agricultura Familiar (PGPAF): batata, batata-doce, nal de 30% sobre o valor do produto. Nova linha de Ater exclusiva e individualizada para gratuita financiada pelo crédito. Garantia-Safra para
cará, erva-mate, inhame, mandioca, mel, tomate e car- qualificação da produção e estímulo à permanência da 1,350 milhão de famílias R$ 1,3 bilhões disponibiliza-
ne de caprino e ovino. No Nordeste, a proteção também Mais Ater juventude no campo. Serão beneficiados 20 mil jovens dos para Compras Locais na Região Nordeste por meio
contemplará a produção de leite. O Programa assegura A Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) é uma na Safra 2014/2015. do PAA e do Pnae. ◆
desconto no pagamento do financiamento às famílias política essencial para aumentar a renda e a melhoria da
agricultoras que acessam o Pronaf Custeio ou o Pronaf qualidade de vida de agricultores familiares. Atualmen-
Investimento, em caso de baixa de preços no mercado. te, 673 mil famílias da agricultura familiar e dos assenta-

DIVULGAÇÃO
mentos da reforma agrária são atendidas. Com a Agência
Programa de Aquisição de Alimentos - PAA Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ana-
Política de comercialização que possibilita a aquisição ter) os serviços serão qualificados e ampliados, assegu-
direta de alimentos produzidos por agricultores familiares rando o benefício para um maior número de produtores
e suas organizações. O orçamento é de R$ 1,2 bilhão. familiares. Na Safra 2014/2015, a Ater atenderá mais de
800 mil famílias, com a garantia de atendimento de 50%
Programa Nacional de Alimentação Esco- de mulheres do público beneficiário.
lar - Pnae
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) Mulheres e autonomia
proporciona alimentação saudável aos alunos de escolas As políticas públicas para a agricultura familiar vi-
públicas e estimula a produção da agricultura familiar. sam a garantia dos direitos econômicos das mulheres do
Assentados da reforma agrária, comunidades tradicio- campo, por meio do acesso ao crédito, da qualificação da
nais indígenas e quilombolas têm prioridade como for- produção e da cidadania.

150 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 151
MDA MDA

Banco do Brasil
Instituição é o principal
agente financeiro do Pronaf
O
Banco do Brasil é o principal agente financei- Estão disponíveis aos agricultores familiares, linhas Principais linhas de crédito, no âmbito do a indenização dos valores previstos no orçamento para
ro do Programa Nacional de Fortalecimento de crédito destinadas a operações de custeio, no qual Pronaf a lavoura financiada, garantindo parte da renda no caso
da Agricultura Familiar (Pronaf), responsá- são financiados os insumos necessários à lavoura, linhas Pronaf Custeio de perda de receitas causadas por eventos cobertos pelo
vel por 66,2% do total de recursos destinados ao setor, de crédito para investimento que financiam bens como Destina-se ao financiamento das atividades agrope- Programa; o PGPAF (Programa de Garantia de Preços da
de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pe- equipamentos, máquinas, tratores, entre outros. cuárias e de beneficiamento ou industrialização e comer- Agricultura Familiar), que objetiva garantir a concessão
cuária e Abastecimento (MAPA), de dezembro de 2014. Para a Safra 2014/2015, foram disponibilizados R$ cialização de produção própria ou de terceiros enquadra- de desconto sobre o saldo devedor do financiamento em
A agricultura familiar possui fundamental impor- 15,8 bilhões para atender aos agricultores familiares. dos no Pronaf. consonância com o preço mínimo de comercialização/
tância para o agronegócio brasileiro. É composta por Deste valor, R$ 7,9 bilhões destinados às demandas de mercado. Com isso, o produtor tem sua renda garanti-
mais de 4,4 milhões de unidades produtivas e corres- custeio e R$ 7,8 bilhões, para atender às demandas de Pronaf Mais Alimentos – Investimento da para a manutenção de suas atividades no campo. Há,
ponde a 85% do total de propriedades rurais. Responde investimento do segmento. Destinado ao financiamento da implantação, amplia- também, o PNHR (Programa Nacional de Habitação Ru-
por cerca de 10% do Produto Interno Bruto do País, 38% A solidificação do Pronaf no apoio à agricultura fa- ção ou modernização da infraestrutura de produção e ser- ral) destinado aos agricultores familiares com renda bru-
do Valor Bruto da Produção gerado, ocupando 24,3% da miliar, e a larga participação do Banco do Brasil no seg- viços, agropecuários ou não agropecuários, no estabeleci- ta anual familiar de até R$ 60.000,00, para construção ou
área total dos estabelecimentos agropecuários, confor- mento, ocorrem por meio de várias iniciativas de sucesso. mento rural ou em áreas comunitárias rurais próximas. reforma das moradias rurais. ◆
me dados do IBGE. “O Banco do Brasil possui a disposição dos agricultores
Reconhecendo a sua importância para a economia familiares, uma rede de 4.628 agências operando no cré- Pronaf Mulher
nacional, foi criado pelo Governo Federal, o Pronaf, que dito rural, em 5.440 municípios. O resultado é o atendi- Linha para o financiamento de investimentos de pro-

DIVULGAÇÃO / BB
é a força motriz do setor, como um dos principais pro- mento de mais de 1,2 milhão de famílias ao longo dos postas de crédito da mulher agricultora.
gramas de políticas públicas, oferecendo condições favo- anos e o volume da carteira, em dezembro/2014, foi de
ráveis de crédito, o que proporciona aumento da produti- mais de R$ 36 bilhões,” afirma. Ele acrescenta que atra- Pronaf Jovem
vidade e o acesso às inovações no campo. Exerce também vés do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), Financiamento de investimentos de propostas de cré-
papel fundamental na economia dos municípios na gera- já foram financiadas a construção e reforma de 19.390 dito de jovens agricultores e agricultoras.
ção de empregos e renda no campo. moradias rurais desde o início do Programa.
Para o diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, “Por meio destas e de outras iniciativas, o Banco do Pronaf Custeio e Comercialização de
Clenio Severio Teribele, diante destes dados, não há como Brasil se solidifica como o Banco da Agricultura Familiar Agroindústrias
dissociar a criação e ampliação do Pronaf da atuação do e como maior financiador da produção de alimentos,” Familiares
Banco do Brasil, seu principal agente financeiro. “A atu- pontua Teribele. Destinada aos agricultores e suas cooperativas ou as-
ação do BB no atendimento das demandas do segmento Para ter acesso às linhas de crédito do Pronaf, o agri- sociações para que financiem as necessidades de custeio
agricultura familiar tem a premissa de apoiar atividades cultor familiar deverá procurar uma agência do Banco do do beneficiamento e industrialização da produção pró-
produtivas, economicamente viáveis, socialmente justas Brasil de posse da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). pria e/ou de terceiros.
e ambientalmente corretas, sempre observada e respei- Em seguida o agricultor deve procurar a empresa de Assis- Cabe ressaltar o importante papel dos instrumentos
tada a diversidade cultural. Desde a safra 2002/2003 até tência Técnica do município para elaborar o Projeto Téc- criados pelo Governo Federal como o Proagro Mais (Pro-
março de 2015, foram aplicados pelo Banco do Brasil, R$ nico de Financiamento, que deve ser encaminhado para grama de Garantia da Atividade Agropecuária para Agri-
98,8 bilhões em crédito na agricultura familiar,” diz. análise de crédito, para negociação do financiamento. cultura Familiar), que proporciona ao agricultor familiar Diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Clenio Severio Teribele

152 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 153
MDA MDA

BNDES E
m 2015 o Banco Nacional do Desenvolvimen-
to (BNDES) está com orçamento na ordem de
mente no financiamento de máquinas e equipamentos
e no crédito rural.

Orçamento de
R$ 2 bilhões, destinados as diversas linhas do Desde 2008, quando iniciou o apoio não reembolsá-
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura vel à agropecuária familiar, foram contratados R$ 442
Familiar (Pronaf). Segundo o superintendente da área milhões em recursos para esse setor, beneficiando 134
agropecuária de inclusão social do BNDES, Marcelo mil pessoas. A modalidade de operação utilizada é atra-
Porteiro Cardoso, o banco tem grande relevância em vés da atuação e parcerias com institutos, governos e
termos de apoio a agricultura de forma geral, especial- entidades do 3º setor. Assim, foram prestados incentivos

R$ 2 bi para o
COMPROMETIMENTO EM MILHARES DE REAIS POR ANO-SAFRA

Pronaf
DIVULGAÇÃO QUANTIDADE DE OPERAÇÕES POR ANO-SAFRA

Marcelo Porteiro Cardoso

154 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 155
MDA MDA

COMPROMETIMENTO EM MILHARES DE REAIS POR ANO-SAFRA E NATUREZA DO BENEFICIÁRIO 2012/2013 2013/2014 2014/2015
Pronaf b 0,5% 833 818
Pronaf investimento 542.784 359.747 305.142
Pronaf custeio 1,5% 127.718 77.362 60.424
Pessoa fisica 9.966 77.342 60.424
Outros 20
Cooperativa 117.752
Pronaf custeio 3% 116.960 152.476 124.499
Pessoa fisica 11.285 152.462 124.499
Outros 13
Cooperativa 105.675
Pronaf custeio 3,5% 129.909 120.219
Pessoa fisica 129.889 120.219
Outros 20
Pronaf custeio 4% 180.355
Pessoa fisica 19.406
Cooperativa 160.950
Pronaf investimento 1.381.066 1.522.877 1.056.793
ORÇADO X COMPROMETIDO | ANO AGRÍCOLA 2014/2015 Pronaf investimento 0% 1.069
Pessoa fisica 1.069
Pronaf investimento 1% 152.293 30.110 19.449
Outros 50 9 2.022
Pessoa fisica 151.095 28.892 15.301
Cooperativa 1.147 1.209 2.125
Pronaf investimento 2% 1.228.773 1.491.698 1.037.344
Empresa privada pri 18.947 2.692 12.569
Pessoa fisica 1.057.548 1.281.207 870.443
Cooperativa 152.278 207.799 154.333
Total Geral 1.806.099 1.883.457 1.362.752

Aurora, em que mais de 60% dos associados são agri- bastante elaborado e complexo de assistência técnica via
cultores familiares. Emater e Embrapa,” diz Cardoso.
Os financiamentos são realizados através do Pronaf Segundo ele, os estados que mais acessam o progra-
Agroindústria ou Prodecoop, para melhoria de instala- ma através do BNDES são Paraná, Santa Catarina e Rio
ções, implantação de indústrias, compra de ativos (má- Grande do Sul. Para Cardoso, a atuação se deve a força do
quinas, unidades industriais). cooperativismo nos três estados do Sul. Por isso, agora, a
Em 2014, foram contratados aproximadamente R$ intenção é demandar esforços no intuito de desenvolver
em diversas áreas, como: apoio à agroindustrialização Aquisição de Alimentos (PAA); Programa Nacional de 400 milhões em projetos para cooperativas com base fa- estes mecanismos em outros locais do país. “Para isso es-
de assentamentos da reforma agrária; fortalecimento Alimentação Escolar (PNAE); Programa Água para To- miliar (que possuem DAP). tamos apoiando o sistema cooperativo e induzindo sua
da produção e da capacidade de comercialização de pe- dos; Brasil sem Miséria; Programa de Fortalecimento da De acordo com o superintendente, há muitos anos, instalação em outras regiões,” afirma.
quenos produtores; inserção no mercado institucional; Autonomia Econômica e Social da Juventude Rural. o banco apoia a agricultura familiar, que tem papel im- O BNDES atua no investimento social apoiando ini-
fortalecimento do cooperativismo; convivência com a Além das ações não reembolsáveis, o banco tam- portante na agricultura brasileira. “O Brasil conseguiu ciativas de qualificação e agregação de valor em áreas
seca; apoio à juventude rural e a replicação de tecnolo- bém incentiva a agricultura familiar através do apoio preservar um extrato de agricultores familiares que tem de assentamento rural reconhecidos pelo Incra. Ainda
gias sociais (PAIS). Estas ações possuem um alinhamen- às cooperativas agroindustriais de base familiar. Como importância fundamental no fortalecimento, principal- existe um programa de apoio a agroecologia e agricul-
to forte com políticas públicas, tais como: Programa de exemplo, Cardoso cita as operações para a Cooperativa mente, do mercado doméstico, através de um sistema tura orgânica. ◆

156 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 157
MDA MDA

ABIMAQ
Políticas públicas impactam
toda cadeia da agricultura
Acesso ao programa Mais Alimentos rende empregos diretos e beneficia
camponeses que não tinham acesso às novas tecnologias

A
agricultura familiar representa 25% do se- estava a avaliação das associações sobre o desempenho O vice-presidente da Abimaq acrescenta que o Mais
tor de máquinas e implementos agrícolas da agricultura familiar. Alimentos Internacional – mais novo programa do

DIVULGAÇÃO
para a Associação Brasileira da Indústria “Esse programa tem uma latitude e uma profundi- MDA - responsável por atender países da África, tam-
de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O setor vem dade que vocês ainda não tinham imaginado quando da bém é importante.
crescendo a cada ano, especialmente depois da criação sua elaboração,” disse Marchesan na época, acrescentan-
das políticas públicas de incentivo aos agricultores. O do que o programa deveria se tornar um instrumento A Abimaq
vice-presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, de política pública permanente. Em seguida, conforme A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e
que também é diretor da Marchesan Implementos e conta Marchesan, o ministro Guilherme Cassel, anun- Equipamentos (Abimaq) foi fundada em 1975, com o
Máquinas Agrícolas TATU SA, destaca que o Mais Ali- ciou que ele realmente seria um instrumento de política objetivo de atuar em favor do fortalecimento da indús-
mentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário pública permanente. tria nacional, mobilizando o setor, realizando ações jun-
(MDA), que beneficia a agricultura familiar, criou im- O programa, conforme Marchesan explica, propor- to às instâncias políticas e econômicas, estimulando o
pacto positivo nas indústrias de máquinas e implemen- ciona um impacto positivo, pois rende empregos dire- comércio e a cooperação internacionais e contribuindo
tos agrícolas no Brasil. tos e beneficia agricultores que não tinham acesso às para aprimorar seu desempenho em termos de tecnolo-
Em 2008 foi inaugurada a primeira feira de imple- novas tecnologias. gia, capacitação de recursos humanos e modernização
mentos e máquinas voltada para a agricultura familiar Com a expansão da agricultura familiar, as indústrias gerencial.
na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Nesta ocasião perceberam um mercado em crescimento, tanto que Estruturada nacionalmente com escritórios e sedes
foi entregue o primeiro trator com os respectivos imple- equipamentos específicos já estão sendo desenvolvidos regionais distribuídos pelo país, a Abimaq representa
mentos para o agricultor familiar Fernando Kubota. para este segmento. atualmente cerca de 6.500 empresas dos mais diferen-
Em 2009, no Palácio da Alvorada, em Brasília, re- Marchesan acrescenta que o Brasil é pioneiro no tes segmentos fabricantes de bens de capital mecânicos,
presentantes da Abimaq, do Sindicato das Indústrias de mundo em utilização de energia renovável para preser- cujo desempenho tem impacto direto sobre os demais
Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do vação do meio ambiente. Cita como exemplo o Plantio setores produtivos nacionais.
Sul (Simers) e da Associação Nacional dos Fabricantes Direto, que é um programa em que as indústrias de Muito além da representação institucional do setor,
de Veículos Automotores (Anfavea) foram recebidos na máquinas e implementos no Brasil dominam de forma a Abimaq tem a sua gestão profissionalizada e as suas
época pelo presidente Lula, a ministra Chefe da Casa Ci- sustentável, produzindo equipamentos para essa moda- atividades voltadas para a geração de oportunidades co-
vil Dilma Rousseff e pelo então ministro do Desenvolvi- lidade de aplicação na agricultura, além das tecnologias merciais para as suas associadas, agindo como Agência
mento Agrário, Guilherme Cassel. Na pauta da reunião utilizadas na Agricultura de Baixo Carbono. de Desenvolvimento da Indústria Brasileira de Máquinas
e Equipamentos. ◆ João Marchesan

158 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 159
MDA MDA

ABIMAQ Mais Alimentos Conab Balanço de 2014 aponta


impulsiona setor de máquinas benefícios aos agricultores familiares
Mesmo assim as vendas em 2015 devem cair cerca de 10% em relação a 2014, Companhia opera com políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos,
devido à queda no preço das commodities compra institucional e Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos
da Sociobiodiversidade

A
queda de 15% no consumo aparente e retra- cimento significativo, expressa a importância do pro-

E
ção da ordem de 29% no faturamento desti- grama,” explica. m 2014 a Companhia Nacional de Abasteci- cio assistencial e também dos equipamentos públicos de
nado ao mercado interno, em comparação a De acordo com Pedro Estevão não há como mensurar mento (Conab) operacionalizou cerca de R$ Segurança Alimentar e Nutricional como os restaurantes
2014/2013 que o setor de máquinas encerrou o ano de o que representa a agricultura familiar para a Abimaq, 340 milhões no âmbito do Programa de Aqui- populares e as cozinhas comunitárias. ◆
2014, tem como fator determinante a queda dos preços no entanto a maior parte das empresas associadas na sição de Alimentos (PAA). Esses recursos beneficiaram
PERCENTUAL DOS PROJETOS DE COMPRA COM DOAÇÃO SIMULTÂNEA (CDS)
das commodities agrícolas no mercado internacional, Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas mais de 50 mil agricultores familiares. O valor ultrapassa
especialmente os grãos. O presidente da Câmara Seto- (CSMIA) da Abimaq são pequenas e médias empresas e em mais de 50% o registrado em 2013. Valores dos Projetos em R$ 2014

rial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associa- a agricultura familiar é o principal mercado delas. São Paulo e Rio Grande do Sul foram os estados que Até 150.000 36,6%

ção Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos registraram o maior volume de recursos, seguidos de De 150.000,01 a 300.000 34%

(Abimaq), Pedro Estevão Bastos, acrescenta que a queda Tendências Bahia e Alagoas. De 300.000,01 a 450.000 13,5%

também foi originada pelo excesso de oferta. A indústria de máquinas agrícolas brasileira oferta A execução de cada Estado está relacionada a uma De 450.000,01 a 600.000 8,2%

Segundo ele, os preços das commodities não devem produtos modernos que propiciam aumento de produti- série de fatores, como o nível de organização produtiva e De 600.000,01 a 1.000.000 5,7%

reagir em 2015, e as vendas devem cair cerca de 10% em vidade, diminuem e racionalizam o uso de insumos e di- a capacidade de agregar valor à produção. Assim, um Es- Acima de 1.000.000 2,1%

relação a 2014. minuem o uso de combustíveis, além de propiciar maior tado com menor número de produtores pode ter maior
segurança e conforto para os operadores. ◆ valor investido. BENEFICIÁRIOS FORNECEDORES DO PAA EM 2014

Expansão da agricultura familiar O PAA fomenta o fortalecimento econômico dos Categoria de Fornecedores Número de Fornecedores Porcentagem

A agricultura familiar continua em expansão e va- agricultores familiares e suas organizações, por meio da Agricultor Familiar 33.377 65,2%

lorização no país, representando mais de 4 milhões de aquisição de alimentos de sua produção. Os alimentos Pescado Artesanal 1.003 2%

DIVULGAÇÃO
propriedades. Ocupa por volta de 12 milhões de pessoas, adquiridos são destinados ao abastecimento da rede só- Assentado 12.952 25,3%

sendo fundamental na produção de alimentos no país. Quilombola 1.131 2,2%


ORGANIZAÇÃO DE AGRICULTORES FAMILIARES PARTICIPANTES DO PAA Indígena 335 0,7%
Sendo que todo este enorme contingente de proprieda- EXECUTADO PELA CONAB EM 2014
des necessita de máquinas e implementos para produção Atingidos por Barragem 39 0,1%
MDA (Associações ou MDS (CNPJs) TOTAL (CNPJs s/ repetição)
de grãos, carnes, laticínios e hortifrutigranjeiros. cooperativas- CNPJs) Agroextrativistas 2.391 4,7%

Este crescimento provoca o desenvolvimento de ou- 56 1.008 1.052 Total 51.228

tros nichos ligados à agricultura familiar, como a das


indústrias de máquinas e implementos. Conforme Pe- PÚBLICO BRASIL SEM MISÉRIA PAA (SOMANDO TODAS AS MODALIDADES)
RECURSO APLICADO NO PAA EM 2014 (R$)
dro Estevão, os programas de governo específicos para Regiões Total de Fornecedores A; A/C; B Porcentagem
Ano Valor
a agricultura familiar alavancaram os volumes e a varie- Centro Oeste 4.841 2.252 47%
2014 338.004.942,00
dade de equipamentos comercializados neste segmento. Nordeste 12.096 9.410 78%

O programa Mais Alimentos, por exemplo, tem Norte 5.930 2.932 49%

sido fundamental. Dados da safra 2013/2014 apon- NÚMERO DE PROJETOS APROVADOS EM 2014 Sudeste 19.542 7.764 40%

tam que são 563 indústrias cadastradas no programa Ano CDS CPR- Estoque TOTAL Sul 8.819 1.594 18%

com 8.751 produtos em comercialização. O programa 2014 1.067 58 1.125 Total 51.228 23.952 47%

iniciou com 76 empresas e 1.856 produtos. “Este cres- Pedro Estevão

160 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 161
MDA MDA

SEAF
Mais segurança A
gricultores familiares que contratam opera- dos. Essa safra teve uma ocorrência de sinistros acima
ções de custeio agrícola do Programa Nacio- da média, sobretudo devido às perdas geradas por chuva
nal de Fortalecimento da Agricultura Fami- excessiva em lavouras de trigo no sul do país.
liar (Pronaf) têm mais segurança para produzir. Além Até 18 de fevereiro de 2015, mais de 40 mil proprie-
de assegurar recursos para investir na produção, esses dades tinham o pagamento da cobertura do seguro auto-
produtores contam com o apoio do Seguro da Agricul- rizado, totalizando mais de R$ 540 milhões.

para produzir
tura Familiar (SEAF). O seguro é contratado juntamente
com o crédito e cobre prejuízos causados por eventos ad- Como solicitar o pagamento do seguro
versos como seca, geada, granizo, chuva excessiva, ven- O pedido de cobertura pode ser feito quando os pre-
daval, ventos frios, variações intensas de temperatura e juízos forem superiores a 30% e não há irregularidades
doenças provocadas por fungos ou pragas sem método na lavoura. Para tanto, é preciso ir à agência do banco
difundido de combate. onde o financiamento foi contratado, levar as notas fis-
O SEAF foi criado no âmbito do Programa de Garan- cais dos insumos adquiridos e formalizar a Comunicação
tia da Atividade Agropecuária (Proagro), onde é deno- de Ocorrência de Perdas (COP).
minado “Proagro Mais”. No caso de eventos contínuos como estiagem, a COP

ASCOM MDA
O seguro cobre 100% do valor financiado mais uma pode ser feita até duas semanas antes da época prevista para
parcela de renda - calculada a base de 65% da renda lí- a colheita. No caso de eventos com data definida como gra-
quida e limitada a R$ 7 mil por agricultor/ano. Para con- nizo e geada, a COP deve ser feita logo após o evento.
tratar o seguro, o agricultor paga uma taxa de 2% sobre o É importante lembrar que a colheita somente pode
valor segurado. Para lavouras irrigadas e na região semi- ser feita após a vistoria final do técnico de comprovação
árida, a taxa é de 1%. de perdas e liberação da área.
O SEAF também oferece uma cobertura adicional Para garantir a cobertura do SEAF, o agricultor pre-
para operações de investimento do Pronaf, limitada a R$ cisa tomar alguns cuidados que começam na hora de
5 mil. A adesão é opcional e feita no contrato de financia- contratar o financiamento. É importante verificar se a
mento do custeio da lavoura cuja renda está prevista para cultura, a área financiada e a produtividade previstas no
pagar a prestação do financiamento de investimento. contrato estão de acordo com o que de fato será planta-
Não fosse o seguro, o agricultor familiar Luís Widz, do. A lavoura também precisa seguir os indicativos do
49 anos, teria abandonado o trabalho no campo. Em zoneamento agrícola para tipo de solo, locais e épocas de
setembro de 2013, o excesso de chuvas que atingiu o plantio e cultivares, além de observar as áreas de preser-
sul do País devastou a produção de grãos e hortaliças vação conforme a legislação ambiental.
de sua propriedade, no município de Horizontina (RS). O coordenador do SEAF, da Secretaria da Agricultu-
“Foi um alívio o seguro cobrir o meu prejuízo. Sem ele ra Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário
eu não teria recursos para plantar de novo, não teria (MDA), José Carlos Zukowski recomenda que o agricul-
como recomeçar. É um benefício muito importante pra tor busque assistência técnica. “É importante para obter
gente”, lembra. um bom resultado na plantação e contribui também para
evitar perda da cobertura do seguro por irregularidades.
Cresce valor segurado Na condução da lavoura devem ser adotados os cuidados
Na safra 2013/2014, o valor segurado atingiu R$ 7,9 na conservação do solo, correção e adubação, controle de
bilhões, com cerca de 430 mil empreendimentos segura- pragas, entre outros”, assinala. ◆

162 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 163
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

Fruticultura
Produção supera 40 milhões

DIVULGAÇÃO IBRAF
de toneladas no país
São Paulo se destaca, sendo responsável por 39% da
produção de citros

164 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 165
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

O
Brasil é atualmente um dos maiores produto- No Sul do Brasil, a maior parte dos pequenos produ- COMPARATIVO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE FRUTAS FRESCAS 2014/2013

res de frutas do mundo. Com uma produção tores tem como principal atividade ou leite ou a fruticul- País Variação 2014/2013 2014 2013

superior a 41 milhões de toneladas, o Brasil tura. E neste caso, o gerente de Inteligência de Mercado Valor (%) Volume (%) Valor (US$) Volume (Kg) Valor (US$) Volume (Kg)

é atualmente, um dos maiores produtores de frutas do do Ibraf, diz que seria mais interessante o produtor se Países Baixos (Holanda) -5,48 -4,69 258.458.735 261.345.097 273.439.888 274.203.147

mundo, ocupando o 3º lugar, ficando atrás somente da especializar em uma única cultura, podendo diversificar Reino Unido -1,10 -4,50 129.917.298 121.163.084 131.361.800 126.866.139
China e Índia, respectivamente. o trabalho com a agroindustrialização de parte da produ- Espanha 1,95 -5,70 72.714.224 87.275.535 71.324.094 92.554.745
O país, segundo o gerente de Inteligência de Mercado ção, o que proporcionará aumento de renda, principal- Uruguai 24,32 0,54 12.023.618 32.981.942 9.671.863 32.803.777
do Ibraf (Instituto Brasileiro de Frutas), Cloves Ribeiro mente se estes produtores se organizarem em associati- Estados Unidos -5,96 -10,96 30.062.105 27.141.461 31.967.693 30.482.688
Neto, é o maior produtor de laranjas do mundo sendo vismo/cooperativismo. Argentina 43,46 18,88 10.191.744 24.034.534 7.104.355 20.218.090
destaque principalmente na produção de sucos. A bana- Portugal 13,18 23,35 22.746.947 18.389.033 20.098.356 14.907.502
na é segunda fruta mais produzida no país e também a Produção orgânica Alemanha -34,85 -49,49 18.424.313 14.192.722 28.279.579 28.100.187
mais consumida. No que tange a produção orgânica, Neto diz que é um Emirados Árabes Unidos 37,25 14,26 13.255.016 12.471.250 9.657.565 10.914.620
São Paulo se destaca na produção de frutas. É o maior nicho de mercado interessante e viável para algumas fru- Bangladesh -22,69 -22,79 6.865.270 11.123.098 8.879.653 14.406.984
produtor do país, e corresponde a 39% da produção na- tas. Porém, a produção não vem crescendo nos últimos Canadá 33,31 47,15 12.845.229 10.885.925 9.635.299 7.397.748
cional, se destacando por ser um pólo citrícola com pro- anos devido a dificuldades de cultivo como o ataque de Itália -2,58 -17,21 7.895.782 9.676.571 8.104.545 11.687.735
dução de laranjas, limões e tangerinas. O Estado também pragas e doenças em algumas regiões e frutas que difi- França -13,31 -27,12 11.521.399 9.314.708 13.290.178 12.780.967
se diferencia pela diversidade de frutas produzidas devi- cultam o cultivo orgânico. ◆ Dinamarca 67,96 77,41 3.866.882 6.170.048 2.302.271 3.477.908
do às condições climáticas que permitem produzir frutas Irlanda -26,39 -25,62 4.144.578 5.493.542 5.630.383 7.385.397
de clima tropical como a manga e produz frutas de clima Rússia 118,31 99,49 2.322.140 3.277.916 1.063.698 1.643.158
temperado como maçãs e pêssegos. Bahia, Minas Gerais Polônia -39,74 -40,07 1.176.531 2.592.586 1.952.378 4.325.832

LUCIANO KSALOTE
e Rio Grande do Sul, respectivamente, são ao lado de São Suíça 15,23 29,31 3.915.813 2.044.837 3.398.159 1.581.306
Paulo os maiores produtores. Suécia -78,87 -56,25 1.082.535 2.037.448 5.124.258 4.656.698
Conforme Neto, a agricultura familiar tem um papel Bélgica 109,36 275,76 2.121.585 1.847.969 1.013.355 491.799
importante na produção de frutas, principalmente na Gana 59,84 88,06 933.529 1.244.703 584.024 661.849
produção de frutas regionalmente, mas segundo ele “é Paraguai 28,23 15,29 96.876 1.116.220 75.549 968.168
difícil mensurar números da produção familiar”. Noruega -33,56 -13,05 2.522.729 1.068.813 3.796.864 1.229.247
A produção de frutas está estável nos últimos anos, Omã -14,32 -19,49 825.144 1.026.744 963.019 1.275.266
como o cultivo das principais frutas é perene, ou seja, fi- Chile 9,01 78,62 1.097.845 1.022.139 1.007.080 572.253
cam produzindo por mais de 15 anos logo a produção não Finlândia -40,40 -39,07 1.310.177 1.018.128 2.198.428 1.670.871
se altera de forma significativa de um ano para o outro. Arábia Saudita 3,57 -19,29 463.876 471.336 447.890 583.960
Japão -17,38 -17,16 1.029.469 345.002 1.246.059 416.473
Entraves da atividade Egito - - 138.320 338.000 - -
“Além do conhecido custo Brasil, atualmente enfren- Líbia -41,42 -44,04 189.656 275.184 323.736 491.736
tamos mais aumentos tributários, condições climáticas Cingapura -55,81 -50,06 218.733 257.102 494.999 514.839
desfavoráveis nos últimos anos vem prejudicando a pro- Lituânia 102,92 114,11 534.737 255.411 263.523 119.288
dução e os investimentos no setor”, diz. Luxemburgo 7,83 -33,80 431.132 194.402 399.814 293.663
Com relação à produção, o gerente de Inteligência de Catar 92,71 90,36 162.280 183.649 84.211 96.475
Mercado do Ibraf diz que os dados mais recentes divul- África do Sul 62,72 31,92 252.978 154.440 155.473 117.072
gados pelo IBGE referem-se a 2013. O setor estima que Malta 2,00 0,00 77.112 153.720 75.600 153.720
2014 a produção tenha tido um pequeno aumento e que Marrocos - - 120.908 151.589 - -
poderá se repetir em 2015. O cultivo brasileiro de frutas Ucrânia - - 90.736 72.330 - -
em 2013 movimentou mais de R$ 23 bilhões. Angola -90,99 -54,32 14.396 26.050 159.835 57.028
Considerando a fruticultura como uma cadeia pro- Guiné Equatorial 23,19 44,34 93.763 25.131 76.113 17.411
dutiva que engloba a produção de frutas frescas e deri- Coveite (Kuweit) -71,85 -69,30 21.411 24.488 76.063 79.777
vados, o país exporta 29% da produção (frutas frescas Gerente de Inteligência de Mercado do Ibraf, Cloves Ribeiro Neto
Áustria -48,86 -52,59 21.866 23.760 42.756 50.112
e derivados).

166 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 167
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

COMPARATIVO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE FRUTAS FRESCAS 2014/2013 COMPARATIVO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE FRUTAS FRESCAS 2014/2013
País Variação 2014/2013 2014 2013 Frutas Variação 2014/2013 2014 2013
Valor (%) Volume (%) Valor (US$) Volume (Kg) Valor (US$) Volume (Kg) Valor (%) Volume (%) Valor (US$ FOB) Volume (Kg) Valor (US$ FOB) Volume (Kg)
Barein -89,06 -89,35 22.320 23.000 204.096 215.942 Melões 2,87 2,84 151.817.079 196.850.024 147.579.929 191.412.600
Grécia - - 52.988 21.600 - - Mangas 11,02 9,04 163.727.732 133.033.240 147.481.604 122.009.290
Turquia - - 4.680 18.000 - - Limões 30,00 17,43 96.099.286 92.301.008 73.923.553 78.602.709
Líbano 180,36 433,33 12.465 10.752 4.446 2.016 Bananas, exceto bananas-da-terra -10,21 -14,81 31.600.737 83.461.504 35.192.167 97.976.479
Hong Kong -89,26 -98,10 54.596 9.395 508.212 494.499 Maçãs -49,31 -48,15 31.902.813 44.294.111 62.941.935 85.429.045
Estônia 28,90 -95,04 25.505 1.050 19.787 21.168 Mamões 12,57 17,95 47.058.855 33.688.192 41.803.057 28.561.452
Bolívia 6400,00 3900,00 7.150 1.000 110 25 Melancias -0,20 -4,27 16.490.896 30.682.363 16.523.934 32.049.686
Colômbia -84,84 -84,85 6.650 1.000 43.872 6.600 Uvas -35,15 -34,35 66.790.828 28.347.952 102.994.687 43.180.556
Coreia do Sul -91,45 -91,20 11.827 880 138.300 10.000 Laranjas -9,55 -13,34 9.014.409 20.111.176 9.966.726 23.208.179
China -81,50 -72,49 5.040 720 27.238 2.617 Abacates 37,56 34,62 9.537.147 5.806.712 6.933.265 4.313.307
Nova Zelândia - - 5 5 - - Abacaxis 12,44 16,47 1.067.073 1.355.504 949.048 1.163.864
Austrália - - - - 224.913 94.775 Figos 6,46 -1,51 8.737.682 1.346.981 8.207.616 1.367.684
Índia - - - - 404.615 549.780 Bananas-da-terra -61,03 -61,02 149.500 483.000 383.674 1.239.172
Indonésia - - - - 6.001 2.282 Cocos 2.128,49 2.118,97 259.329 428.727 11.637 19.321
Palestina - - - - 12.083 2.700 Outras Frutas -8,17 -7,88 843.268 293.854 918.251 318.978
Sudão - - - - 164.640 211.680 Caquis 59,25 24,33 769.710 257.044 483.334 206.741
Total -3,21 -5,46 636.402.643 672.995.049 657.528.719 711.869.719 Goiabas 12,77 18,64 443.961 170.776 393.685 143.945
Fonte: Secex/Elaboração Ibraf Tangerinas -97,22 -93,21 19.644 43.350 707.363 638.330
Nectarinas - - 19.968 22.464 0 0
Mangostões -66,49 -39,06 39.338 15.130 117.398 24.829
Ameixas 22,03 11,56 12.798 1.930 10.488 1.730
Outros Cítricos -41,70 -98,61 590 7 1.012 502
Total -3,21 -5,46 636.402.643 672.995.049 657.524.363 711.868.399
Fonte: Secex/Elaboração Ibraf

168 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 169
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

COMPARATIVO DAS IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE FRUTAS FRESCAS 2014/2013 COMPARATIVO DAS IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE FRUTAS FRESCAS 2014/2013 - POR PAÍS
Frutas Variação 2014/2013 2014 2013 País Variação 2014/2013 2014 2013
Valor (%) Volume (%) Valor (US$ FOB) Volume (Kg) Valor (US$ FOB) Volume (Kg) Valor (%) Volume (%) Valor (US$) Volume (Kg) Valor (US$) Volume (Kg)

Peras 2,25 9,83 200.725.508 208.346.493 196.301.227 189.695.541 Argentina -8,04 -6,43 199.647.652 194.498.706 217.096.759 207.875.407
Maçãs 17,28 24,19 111.920.900 116.697.360 95.427.279 93.964.004 Chile -6,04 -12,50 131.243.214 91.752.733 139.675.873 104.860.099
Uvas 4,63 3,46 62.338.038 33.760.806 59.580.756 32.630.815 Espanha 12,86 39,89 77.093.643 70.250.535 68.308.685 50.217.634
Ameixas -8,05 0,05 42.385.039 32.235.745 46.097.692 32.219.423 Portugal 69,19 111,38 52.759.277 60.381.967 31.183.052 28.565.908
Kiwis 7,38 -19,16 39.062.571 22.221.073 36.376.257 27.486.837
Itália 39,59 46,93 33.793.903 23.225.796 24.208.935 15.807.160
Laranjas 13,83 9,98 13.826.266 16.056.011 12.146.345 14.598.407
Uruguai 14,38 10,28 10.623.526 13.512.576 9.288.325 12.253.084
Pêssegos -8,10 -13,39 15.412.389 10.636.706 16.770.872 12.281.231
Estados Unidos 3,44 -7,21 13.604.823 5.498.300 13.152.809 5.925.466
Nectarinas 1,97 -4,25 14.797.589 10.139.961 14.511.884 10.590.317
França 37,85 54,06 4.579.105 4.178.894 3.321.894 2.712.582
Tangerinas 6,25 2,49 8.976.889 9.248.924 8.448.715 9.023.844
Outras cerejas -15,16 16,89 13.838.374 3.236.362 16.311.373 2.768.678 Peru 268,46 337,18 6.629.415 3.184.984 1.799.222 728.526

Limões 11,82 6,37 3.222.739 2.884.119 2.882.115 2.711.508 Nova Zelândia 63,99 50,49 3.961.259 1.802.641 2.415.591 1.197.852

Caquis 32,10 48,00 2.211.948 1.492.328 1.674.486 1.008.358 Indonésia - - 515.526 312.000 - -

Outras Frutas 19,28 4,21 2.732.705 830.366 2.290.929 796.818 México -5,73 -23,10 864.782 250.569 917.388 325.851

Cocos 67643,23 820952,63 515.526 312.000 761 38 Colômbia 22,01 38,37 1.307.018 246.425 1.071.231 178.085

Airelas e Mirtilos 78,17 111,76 2.615.028 310.897 1.467.722 146.818 China 306,49 249,05 954.534 99.480 234.826 28.500

Pomelos -16,75 -6,84 281.790 299.473 338.502 321.455 Israel - - 176.562 20.000 - -

Damascos 31,45 82,44 465.158 177.370 353.861 97.219 Tailândia 44,45 -4,47 132.639 18.724 91.821 19.600

Framboesas 51,98 99,61 835.566 96.717 549.796 48.453 Canadá - - 57.057 15.309 - -

Morangos -21,24 -33,54 518.331 87.640 658.135 131.863 Bolívia 82,69 104,08 54.229 4.500 29.684 2.205

Tâmaras 2836,30 2476,42 398.720 48.952 13.579 1.900 Irã - - 2.440 3.728 - -

Outros Cítricos 383,44 332,10 336.821 35.000 69.672 8.100 Taiwan (Formosa) - - 11.865 800 - -

Marmelos -4,18 -19,96 34.470 32.409 35.975 40.490 Reino Unido 1481,25 -93,13 253 11 16 160

Abacates 121,91 -51,03 50.583 22.144 22.794 45.224 Filipinas - - - - 6.000 2.000

Abacaxis 81,60 -13,68 161.460 15.048 88.910 17.433 Irlanda - - - - 3.243 179

Groselhas 80,34 91,57 128.370 10.090 71.184 5.267 Países Baixos (Holanda) - - - - 4.982 60

Cerejas-ácidas (Prunus cerasus) -76,97 -82,02 53.963 9.190 234.314 51.121 Total Geral 4,91 8,95 538.012.722 469.258.678 512.810.336 430.700.358

Mangas 30,17 58,15 63.774 7.082 48.994 4.478 Fonte: Secex/Elaboração Ibraf

Bananas, exceto bananas-da-terra 235,29 94,91 91.444 7.052 27.273 3.618


Bananas-da-terra 20,47 23,64 10.763 1.360 8.934 1.100
Total 4,91 8,95 538.012.722 469.258.678 512.810.336 430.700.358
Fonte: Secex/Elaboração Ibraf

170 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 171
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

PRODUÇÃO BRASILEIRA DE FRUTAS 2013‑


Estado Valor (Mil R$) Volume (Ton) Área (ha)
São Paulo 5.315.694 16.368.436 579.282
Bahia 2.874.966 4.815.133 306.832
Minas Gerais 2.247.470 2.980.305 122.756
Rio Grande do Sul 1.943.130 2.818.019 162.364
Pará 1.036.871 1.770.174 97.694
Paraná 1.050.954 1.769.621 68.681
Santa Catarina 960.932 1.421.887 62.144
Ceará 1.037.947 1.303.688 125.998
Pernambuco 1.546.117 1.185.851 71.059
Espírito Santo 745.626 1.086.471 47.693
Sergipe 446.368 1.040.081 100.550
Rio Grande do Norte 655.118 901.302 46.936
Paraíba 549.779 805.155 38.287
Goiás 426.353 746.494 32.595
Rio de Janeiro 447.743 685.613 40.638
Amazonas 473.537 429.934 23.438
Tocantins 171.931 317.451 13.462
Mato Grosso 286.779 225.702 12.451

Distrito Federal Maranhão 141.472 211.668 19.847


Amapá Alagoas 90.293 174.265 24.932
Mato Grosso…
Roraima 168.711 156.490 13.165
Rondônia
Acre Piauí 115.882 148.567 7.815
Piauí Acre 74.554 123.982 10.406
Roraima
Rondônia 119.213 119.707 11.357
Alagoas
Maranhão Mato Grosso do Sul 40.521 72.515 3.981
Mato Grosso Amapá 51.463 49.607 5.732
Tocantins
Distrito Federal 41.145 33.957 1.562
Amazonas
Rio de Janeiro Total Geral 23.060.569 41.762.071 2.051.657
Goiás Fonte: IBGE/Elaboração Ibraf
Paraíba
Rio Grande do…
Sergipe
Espírito Santo
Pernambuco
Ceará
Santa Catarina
Paraná
Pará
Rio Grande do…
Minas Gerais
Bahia
São Paulo

- 2.000.000 4.000.000 6.000.000 8.000.000 10.000.000 12.000.000 14.000.000 16.000.000 18.000.000


Volume (Ton)

172 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 173
ROSA LIBERMAN
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

O vale das frutas


Entre as frutas tropicais mais consumidas no país, a banana, tem destaque em
propriedade da região do Vale do Rio Uruguai, assim como o abacaxi e a maçã

174 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 175
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

N
o país são cultivados 505.655 mil hecta- no cultivo de frutas variadas. A propriedade de 23 hec- se tornaram uma excelente opção e fonte de renda, pois declivoso, onde há dificuldade de entrar o maquinário,
res de banana. O estado que mais produz tares é ocupada com quase 10 ha de diferentes frutas, fazemos a colheita duas vezes por semana, então temos a produção de frutas se tornou a melhor alternativa, tor-
a fruta é São Paulo, que é responsável por representando 80% da renda familiar. renda mensal”, diz. nando-se mais viável e rentável do que a produção de
60% da produção nacional. Já no Rio Grande do Sul, A paisagem exuberante, em harmonia com a natu- O agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano grãos”, destaca o agrônomo.
a banana ocupa 11 mil hectares - área restrita devido reza, torna o local único. A cultura mais expressiva é de Dutra de Souza explica que a característica de produção A produção de banana é orgânica, mas exige bastante
às condições climáticas para seu desenvolvimento. Mas bananas, com 5 hectares, uma produção representativa, de banana se dá em regiões quentes, pois é uma fruta mão de obra para colher, fazer a limpeza, retirar os ca-
uma destas áreas está localizada no Vale do Alto Uru- já que nos 32 municípios de abrangência do Escritório tropical e, por suas peculiaridades, não é possível o culti- chos. Mas neste caso, além de renda para a família, a fru-
guai, com suas peculiaridades de clima e solo que se Regional da Emater, são 18 hectares cultivados com a vo em toda região. “Nesta localidade do Vale do Uruguai, ticultura proporcionou a sucessão rural. O casal tem dois
difere do restante da região, propiciando o cultivo de fruta. Ali a família também destina 2 ha para laranjas, 1 há grande amplitude térmica, não há muita geada, o que filhos: Guilherme 25 anos e Ângela de 17. Ambos con-
alguns alimentos só neste local. É o caso de determina- hectare para maçã e 1 ha para abacaxi. propicia seu cultivo”, diz. cluíram o Ensino Médio e estão na propriedade, traba-
das frutas, como a banana, abacaxi e também, a maçã. Waldir conta que quando adquiriu a terra havia 30 Acrescentando que, se comparar a propriedade onde lhando com os pais. Ângela diz que não pretende sair de
A produção ocorre ainda, por ser em áreas de difícil pés de banana e resolveu tentar comercializá-la no mer- está inserida, é descaracterizada, porque produzir fru- lá, pois a vida é tranquila, o trabalho é prazeroso e ainda
acesso para maquinários, o que impede a produção de cado da cooperativa local - Copaal (Cooperativa de Pro- ta em uma região onde a tradição é o cultivo de grãos, tem renda mensal. “E no verão, os bananais nos propor-
grãos - cultura expressiva no Alto Uruguai gaúcho. dutores Agropecuários de Aratiba). torna-se, realmente, um grande desafio. “Mas de acor- cionam sombra e ainda, quando estamos trabalhando e
Foi diante deste cenário que o agricultor Waldir Bugs, Foi quando recebeu incentivo de ampliar a produção. do com a área geográfica que Waldir possui, um terreno temos fome, é só tirar a banana do pé e comê-la”, diz. ◆
59 anos e sua esposa Vanda, 52 anos, que residem na co- E assim, nos últimos oito anos, ampliou de 30 pés para 5
munidade Lajeado Ouro a 9km do município de Aratiba/ hectares da fruta que vende não apenas no mercado, mas
RS, decidiram mudar de atividade e assim, investiram também para a merenda escolar. “Notamos que as frutas

ROSA LIBERMAN
Família Bugs

176 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 177
FRUTICULTURA FRUTICULTURA

O
Rio Grande do Sul é responsável pelo cultivo tado o sistema de alerta para os problemas fitossanitários não possuem efeito residual grande e não tem ação de viosidade e horas de molhamento foliar. O tipo do equi-
de 65% dos pêssegos no país, ou seja, 140 mil da cultura do pessegueiro. O propósito era auxiliar os pro- profundidade, ou seja, não controlam ovos e larvas no pamento usado foi a estação meteorológica Vantage Pro
toneladas, realizada basicamente em pequenas dutores no estabelecimento de técnicas de manejo para interior dos frutos,” aponta. 2™ Plus (Davis Instruments Corp, Hayward, CA, EUA).
propriedades de base familiar. No Estado gaúcho existem o controle da mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus e Atualmente, o controle da mosca-das-frutas é reali- Para o monitoramento das moscas em cada estação
três polos frutícolas localizados na metade Sul, mais preci- para a mariposa-oriental Grapholita molesta. zado com os inseticidas de contato e ingestão - malatio- foram instaladas 10 armadilhas McPhail, iscadas com
samente na região colonial de Pelotas - com produção des- Isso porque alguns fatores estavam gerando incerte- na e a deltametrina -, que possuem ação sobre o estágio proteína hidrolisada. Semanalmente, técnicos da Em-
tinada para a industrialização -, além das regiões da Serra zas quanto a cadeia produtiva do principal ingrediente adulto da mosca. Para Nava, apesar de serem considera- brapa e do SINDOCOPEL fazem as avaliações para con-
e metropolitana de Porto Alegre – que produzem para o para a fabricação dos Doces de Pelotas. das uma alternativa para o controle, existia um grande tagem das moscas capturadas nas armadilhas. A conta-
consumo in natura. No país, a produção é de 216 mil to- Nava explica que o projeto surgiu da necessidade de risco de perdas, já que a presença de uma única fêmea gem, a troca do atrativo e a coleta dos dados climáticos
neladas da fruta em uma área de 19 mil hectares. disponibilizar informações sobre a infestação das pragas adulta é suficiente para causar danos. Também havia são feitos de segunda à quinta-feira.
Conforme o pesquisador da Embrapa Clima Tempera- nos pomares de pêssego. O controle era realizado basi- uma preocupação com a utilização não sustentável de Nava conta que uma vez por semana a equipe do
do, Dori Edson Nava, na safra 2011/2012 em parceria com camente com inseticidas organofosforados de ação de agrotóxicos - inseticidas, fungicidas e herbicidas - que projeto se reúne para a análise dos dados e organização
a Emater, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Asso- profundidade que foram retirados da grade de agrotóxi- podem causar uma série de problemas ambientais e de das informações. Um boletim é disponibilizado com in-
ciação dos Produtores de Pêssego da Região e do Sindicato cos da cultura pelo Ministério da Agricultura, Pecuária segurança alimentar. Deste modo, naquela safra as ins- dicações a respeito da população da mosca-das-frutas e
das Indústrias de Conserva do município, foi implemen- e Abastecimento (MAPA). “Os inseticidas que restaram tituições de pesquisa e de extensão implementaram o estratégias recomendadas para o seu controle. O boletim
sistema para os principais problemas fitossanitários da é distribuído por e-mail e veiculado nos sites da Embra-
cultura do pessegueiro, baseado no monitoramento das pa Clima Temperado, da Emater, nas rádios comerciais
pragas, no registro de fatores meteorológicos, no treina- e comunitárias da região e nos programas de televisão

Rio Grande do Sul mento de produtores e na divulgação dos resultados por da Embrapa Clima Temperado e da Emater, além de ser

PAULO LUIZ LANZETTA AGAR


meio de um Boletim Semanal. impresso e distribuído aos produtores. Também são emi-
tidos torpedos, via celular, alertando os produtores sobre

Sistema de alerta para cultura do Pelotas


A região colonial de Pelotas, que engloba ainda os
municípios de Morro Redondo, Canguçu, São Louren-
a população/infestação das pragas.
A divulgação do Boletim do Sistema de Alerta sem-
pre é realizada na quinta-feira, para que, em caso da

pêssego auxilia produtividade ço e Arroio do Padre possui um dos maiores números


de minifúndios do Brasil, cuja renda familiar está con-
centrada no cultivo e industrialização do pêssego, dan-
adoção de medidas de controle, os produtores possam
fazê-las em tempo hábil.
O pesquisador acrescenta que os dados do monito-
do origem a uma das principais cadeias produtivas da ramento são utilizados para a implementação de um
Boletins divulgados semanalmente surgiram da necessidade de disponibilizar região. A indústria de conservas local produz cerca de sistema de alerta, que além de informar a população de
informações sobre a infestação de mosca-das-frutas nos pomares 95% da produção nacional de pêssegos em calda. Nesta moscas presentes nos pomares, também pode ser uti-
região, a cultura do pessegueiro é conduzida em cerca de lizado para prever a ocorrência da praga, por meio de
2 mil propriedades, envolvendo 6 mil pessoas que reali- um modelo matemático. “A previsão é feita com base nos
zam os tratos culturais durante todo o ano e a colheita dados coletados nas três últimas safras agrícolas, nas
durante os meses de outubro a janeiro. Além disto, du- exigências térmicas da mosca-das-frutas e nos dados de
rante a colheita do pêssego, as indústrias de conserva ge- temperatura, coletados pelas estações meteorológicas,
ram cerca de 7 mil empregos diretos e aproximadamente sendo fundamental para o seu controle na cultura do
3 mil empregos indiretos. pessegueiro,” revela.
O projeto entra em seu quinto ano de funcionamento
Implementação e funcionamento e o trabalho desenvolvido auxilia os produtores identifi-
O sistema de alerta se baseia no monitoramento das cando a época correta de aplicação e também mantém os
pragas, divulgação dos resultados e treinamentos de pro- persicultores atualizados quanto as técnicas de manejo
dutores. O monitoramento é realizado em nove estações e controle da mosca e de outras pragas da cultura. Além
da região colonial de Pelotas, Morro Redondo e Cangu- disso, o uso de inseticidas é menor, importante para evi-
çu. Nestes locais também foram instaladas estações me- tar contaminações do meio ambiente e da natureza, di-
teorológicas automáticas para coleta de dados climáticos minuindo os custos de produção e produzindo um pês-
como temperatura, umidade relativa do ar e do solo, plu- sego com maior qualidade alimentar. ◆

178 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 179
PESQUISA PESQUISA

Fepagro estuda culturas


potenciais para a
agricultura familiar
O
ferecer alternativas tecnológicas viáveis para rana. Segundo o pesquisador Rodrigo Favreto, na atual Favreto explica que essas pesquisas estão inseridas nalto meridional brasileiro e nordeste do Uruguai.
uma agricultura de baixo impacto ambiental. conjuntura, onde são discutidas mudanças climáticas, em uma visão geral, a qual pressupõe que a atividade Atualmente, a Fepagro Litoral Norte possui populações
Esse é o objetivo de pesquisas realizadas na menor uso de água, energia e outros recursos, é funda- agropecuária deve levar em conta as características do segregantes de goiabeira-serrana, além de acessos de
Fepagro Litoral Norte, em Maquiné, com culturas po- mental que a pesquisa seja direcionada para superar o ecossistema original - no caso das encostas do litoral interesse, disponibilizados pelos professores Rubens
tenciais para a agricultura familiar, como frutas nativas desafio de promover a viabilidade da agropecuária e a norte gaúcho, a Mata Atlântica. Onofre Nodari, da Universidade Federal de Santa Ca-
- com destaque para a palmeira juçara e a goiabeira ser- sustentabilidade dos agroecossistemas. tarina (UFSC), e Joel Donazzolo, da Universidade Tec-
Palmeira juçara nológica Federal do Paraná (UTFPR). “O trabalho é
É o que acontece com o estudo sobre a palmeira juça- desenvolvido por pesquisadores de diversas áreas de
ra (Euterpe edulis): o sentido é a valorização do recurso atuação da Fundação, juntamente com essas univer-
genético local. Ao invés de cortar o palmito e causar a sidades”, esclarece a pesquisadora da Fepagro Litoral
morte da planta, a ideia é utilizar o fruto sem matar a Norte, Raquel Paz da Silva.
planta e ainda gerar mais renda, como já vem sendo feito Conforme Raquel, o estudo é importante, pois, apesar
por agricultores da região, explica o pesquisador. de ser nativa e apresentar potencial de exploração e ma-
Conforme Favreto, a Fepagro, com apoio do Escritó- nejo, é pouco conhecida e cultivada no país, possuindo
rio Municipal da Emater e da Faculdade de Agronomia apenas quatro cultivares registradas a partir de um traba-
da Ufrgs, realiza atualmente pesquisas identificando lho conjunto entre a Empresa de Pesquisa Agropecuária e
formas economicamente viáveis de plantio da palmeira, Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e a UFSC.
como por exemplo, em consórcio com bananais. “O plan-
tio da juçara consorciado possibilita a diversificação dos Lichia
bananais, inserindo uma planta nativa da Mata Atlântica Além das nativas, frutas exóticas como a lichia
no sistema produtivo”, destaca. também estão sendo avaliadas. “A lichia (Litchi chi-
Ainda em relação à juçara, há trabalhos com microbio- nensis), originária da China, é considerada por alguns
logia, conduzidos na Fepagro Sede, em Porto Alegre, pelas como a ‘rainha das frutas tropicais’, devido a seu sabor
pesquisadoras Anelise Beneduzi da Silveira e Andréia Rotta e aroma delicados, além do aspecto atraente”, conta
de Oliveira. “A ideia é a identificação de micro-organismos Favreto. Ele esclarece que, no Rio Grande do Sul, a
do solo que sejam benéficos para a palmeira, no sentido do fruta é pouco conhecida, sendo praticamente inexis-
controle biológico de doenças como a antracnose dos frutos, tente seu cultivo. Mas atualmente estão sendo feitos
bem como na promoção do crescimento das plantas.” estudos com o cultivo da lichia em Maquiné. “As ava-
liações fitotécnicas e de produtividade estão sendo re-
Goiabeira-serrana alizadas em um pomar de 14 anos das cultivares Ben-
A goiabeira-serrana (Acca sellowiana) é uma fru- gal, Brewster e Comores, pertencente ao engenheiro
Além das nativas, frutas exóticas como a lichia também estão sendo avaliadas teira pertencente à família Myrtaceae, nativa do pla- agrônomo Ronaldo Breno Petzhold.” ◆

180 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 181
LUCAS SCHERER CARDOSO
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

Panorama da pecuária nacional


Estudo do IBGE traz dados atuais
sobre a bovinocultura, produção
leiteira, suinocultura, avicultura
e produção de ovos no país
182 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 183
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

U
ma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Bra- e o maior entre os meses de março (27,0%). Em 30 de Suínos principalmente com o desempenho positivo de Mato
sileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pu- setembro de 2014 foi registrado o maior valor da série Segundo a pesquisa do IBGE, no 3º trimestre de 2014 Grosso do Sul (+12,6%).
blicada no final do ano de 2014, traz dados histórica de preços do Cepea (R$ 132,24), de julho de foram abatidas 9,641 milhões de cabeças de suínos, re- Na comparação com o 2° trimestre de 2014, a região
atuais sobre a bovinocultura, produção leiteira, suino- 1997 a setembro de 2014. presentando aumentos de 5,1% em relação ao trimestre Sul apresentou variação positiva (+5,7%) no volume de
cultura, avicultura e produção de ovos. A oferta restrita de animais para reposição e abate, imediatamente anterior e de 3,0% na comparação com cabeças abatidas. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do
De acordo com a pesquisa, no 3º trimestre de 2014, decorrente, dentre outros fatores, da seca prolongada o mesmo período de 2013. Este resultado, além de ser o Sul tiveram variação positiva de 7,1%, 6,3% e 3,7% res-
foram abatidas 8,457 milhões de cabeças de bovinos sob iniciada no final de 2013, contribuíram marcadamen- melhor terceiro trimestre desde que a pesquisa foi cria- pectivamente. Na região Centro-Oeste, todos os estados
algum tipo de serviço de inspeção sanitária. Esse valor te para o aumento dos preços pagos aos pecuaristas. O da em 1997, estabeleceu novo recorde. No comparativo registraram aumentos no número de cabeças abatidas,
foi 1,0% menor que o registrado no trimestre imediata- repasse da alta de preços da arroba bovina ao mercado anual entre os terceiros trimestres, desde o 3º trimestre totalizando variação positiva de 7,9%. Mato Grosso do
mente anterior (8,539 milhões de cabeças) e 4,5% menor atacadista está sendo sentido pelo consumidor final. De de 2006 verifica-se crescimento ininterrupto no número Sul apresentou maiores incrementos no volume abatido,
que o registrado no 3º trimestre de 2013 (8,859 milhões acordo com o IPCA/IBGE (Índice de Preços ao Consumi- de animais abatidos. tanto em números absolutos, como na variação percen-
de cabeças). O 3º trimestre de 2014 quebra a série de 11 dor Amplo), que é o indicador oficial da inflação brasilei- O peso acumulado das carcaças no 3º trimestre de tual (+13,6%). Segundo dados da Secretaria de Comér-
sucessivos aumentos nos comparativos anuais dos mes- ra, de janeiro a setembro de 2014 todos os cortes de car- 2014 alcançou 833,369 mil toneladas, representando au- cio Exterior (Secex), no 3° trimestre de 2014 as exporta-
mos trimestres. ne bovina acompanhados pela pesquisa apresentaram mentos de 4,2% em relação ao trimestre imediatamente ções brasileiras de carne de suíno in natura registraram
Como não há variações acentuadas no peso médio aumentos de preços acima da inflação. Com exceção do anterior e de 2,8% em relação ao mesmo período de 2013. queda do volume exportado frente aos resultados do 3°
das carcaças, sobretudo em nível nacional e entre os filé-mignon (8,27%), os demais cortes bovinos também A região Sul respondeu por 66,0% do abate nacional trimestre de 2013, assim como em relação ao trimestre
mesmos períodos do ano, a série histórica do peso acu- apresentaram aumentos acima das outras principais fon- de suínos no 3º trimestre de 2014, seguida pelas Regiões imediatamente anterior. Em termos de faturamento, na
mulado de carcaças por trimestre tende a seguir o mes- tes protéicas de origem animal: carne de porco (8,47%), Sudeste (18,7%), Centro-Oeste (14,2%), Nordeste (1,0%) comparação com ambos os períodos, a variação percen-
mo comportamento da série do abate de bovinos. Nesse ovos de galinha (7,17%), leite e derivados (5,93%), pes- e Norte (0,1%). No comparativo entre os terceiros tri- tual foi positiva refletindo o aumento dos preços médios
sentido, também ocorre no 3º trimestre de 2014 quebra cados (4,32%), frango em pedaços (3,03%) e frango in- mestres 2014/2013, a região Sul apresentou aumento de internacionais que estão em patamares elevados. Esses
da série de 11 aumentos consecutivos nos comparativos teiro (-0,67%). 3,2% no número de cabeças abatidas, ampliando a sua preços seguem em ascensão desde o 2° trimestre de 2014
anuais dos mesmos trimestres. A produção de 2,037 mi- Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior participação no abate nacional em 0,2%, principalmen- porque a oferta mundial de carne suína permanece em
lhões de toneladas de carcaças bovinas, no 3º trimestre (Secex), houve decréscimo do volume de carne bovina te devido ao incremento de 8,0% no volume de cabeças baixa por problemas sanitários em alguns países expor-
de 2014, foi 1,3% maior que a registrada no trimestre in natura exportada, no comparativo do 3º trimestre de abatidas em Santa Catarina. A região Sudeste também tadores e por menores investimentos no setor.
imediatamente anterior (2,011 milhões de toneladas) 2014 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, aumentou a sua participação (+0,1%) com a escalada A Rússia é o principal parceiro comercial do Brasil no
e 4,1% menor que a registrada no 3º trimestre de 2013 mas houve aumento do faturamento em decorrência positiva de São Paulo (+9,7%), enquanto que a região mercado de suínos e tem participação de 43,0% do vo-
(2,124 milhões de toneladas). do aumento dos preços internacionais. No comparativo Centro-Oeste registrou queda de participação (-0,1%), lume exportado, aumento de 15,6% na comparação com
Em nível nacional, o abate de 402.579 cabeças de com o trimestre anterior, foram verificados aumentos no apesar de ter aumentado o número de cabeças abatidas, o 3º trimestre de 2013. A política de comércio exterior
bovinos a menos no 3º trimestre de 2014, na compa- volume exportado, no faturamento e no preço médio da
ração com igual período do ano anterior, teve como carne exportada.
destaque: Mato Grosso (- 217.187 cabeças), Rondônia Rússia (34,3% de participação), Hong Kong (20,4%),
(-114.723 cabeças), Mato Grosso do Sul (-102.922 ca- Venezuela (11,6%), Egito (8,9%), Chile (5,0%), Itália

EMBRAPA SUÍNOS E AVES


beças) e Goiás (-86.349 cabeças). Entretanto, parte da (2,7%), Irã (1,8%), Holanda (1,5%), Angola (1,4%) e
diminuição foi compensada por aumentos em outras Argélia (1,3%) foram os dez principais destinos da car-
Unidades da Federação (UFs), com destaque a: Paraná ne bovina in natura brasileira, respondendo juntos por
(+30.392 cabeças), Minas Gerais (+28.727 cabeças) e 88,9% das importações no 3º trimestre de 2014. Neste
São Paulo (+16.315 cabeças). No ranking nacional do período, 74 países importaram o produto do Brasil. Par-
abate de bovinos, Mato Grosso segue na liderança e São ticiparam da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais,
Paulo assume a segunda posição com as quedas nos no 3º trimestre de 2014, 1.241 informantes de abate de
abates de Mato Grosso do Sul e Goiás. bovinos. Dentre eles, 218 possuíam o Serviço de Inspe-
Segundo o indicador Esalq/BM&F Bovespa do Cen- ção Federal (SIF), 395 o Serviço de Inspeção Estadual
tro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Ce- (SIE) e 628 o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), res-
pea), as médias mensais dos preços da arroba bovina de pondendo, respectivamente, por 79,0%; 15,4% e 5,6% do
janeiro a setembro de 2014 mantiveram-se mais altas peso acumulado das carcaças produzidas. Todas as UFs
que nos respectivos meses de 2013. O menor aumento apresentaram abate de bovinos sob algum tipo de servi-
médio mensal ocorreu entre os meses de julho (16,5%) ço de inspeção sanitária.

184 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 185
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

íam o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e responderam cio Exterior (Secex), a exportação de carne de frango cado externo, vindo na sequência Santa Catarina e Rio
por 90,2% do peso acumulado de carcaças produzidas no no 3º trimestre de 2014 registrou aumentos no volume Grande do Sul. Juntos aumentaram de 70,9% para 75,0%
país. Dos demais informantes, 33,4% (253 informantes) exportado in natura e no faturamento, tanto na compa- a participação da região Sul nas exportações brasileiras,
sofreram o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e 52,6% ração com o trimestre imediatamente anterior, como na resultado do aumento do volume de carne de frango ex-
(398 informantes) o Serviço Inspeção Municipal (SIM). comparação com o mesmo período de 2013. O desem- portado por cada Estado. São Paulo, Minas Gerais Mato
Rondônia e Amapá foram as únicas Unidades da Federa- penho do volume exportado no mês de julho de 2014 Grosso do Sul, Rondônia, além de Distrito Federal tam-
ção que não possuíam abate de suínos sob algum tipo de esteve em patamares elevados, sendo primordial para o bém aumentaram suas exportações. Na comparação com
inspeção sanitária. resultado recorde no terceiro trimestre. Arábia Saudita o 3º trimestre de 2013, Mato Grosso registrou variação
(17,6%), Japão (11,5%), Hong-Kong (8,4%), Emirados negativa de 51,3% caindo de 6° lugar para o 8° lugar no
Frangos Árabes (7,0%), China (6,4%) e Venezuela (4,5%) foram ranking. Goiás, Pernambuco e Bahia também registra-
Dados da pesquisa ainda apontam que no 3º trimes- os principais destinos em termos de participação nas ram variação negativa. Espírito Santo, Paraíba e Tocan-
tre de 2014 foram abatidas 1,419 bilhão de cabeças de exportações brasileiras de carne de frango. Desta lista, tins não exportaram no 3° trimestre de 2013.
da Rússia ainda permanece voltada para importações de frangos, invertendo uma sequência negativa de três tri- a Venezuela foi o único que reduziu o volume de carne De julho a setembro de 2014, o IPCA/IBGE (Índice
países que não lhe impuseram sanções políticas e econô- mestres consecutivos de queda do abate a partir do 4º de frango negociado com os frigoríficos brasileiros na de Preços ao Consumidor Amplo) apresentou aumentos
micas por causa do conflito na Ucrânia, o que favoreceu trimestre de 2013 e estabelecendo novo recorde desde comparação com o trimestre imediatamente anterior. de 0,02% para o frango inteiro e de 1,75% para o frango
o comércio com o Brasil. Em contrapartida, o conflito que a pesquisa foi criada em 1997. Esse resultado signifi- A Rússia vem ampliando sua participação nas exporta- em pedaços. Para os respectivos subitens, o acumulado
no Leste Europeu fez despencar a forte participação da cou aumentos de 6,7% em relação ao trimestre imediata- ções brasileiras já que vive um período de turbulências de janeiro a setembro foi de -0,67% e de 3,03%. Segun-
Ucrânia de 22,9% para 1,5%. Na sequência vieram Hong mente anterior e de 2,7% na comparação com o mesmo políticas. No mês de julho estas compras alcançaram o do o indicador Cepea/Esalq, o preço médio do frango
Kong (14,7% de participação), Angola (9,1%), Cingapu- período de 2013. O peso acumulado das carcaças foi de patamar de 20 mil toneladas importadas, volume similar resfriado posto no frigorífico de julho a setembro de
ra (8,3%) e Uruguai (4,9%) são os cinco principais países 3,249 milhões de toneladas no 3º trimestre de 2014. Esse a países como China e Emirados Árabes. 2014 foi de R$ 3,32, variando de R$ 3,77 a R$ 2,99. No
importadores de carne de suíno do Brasil. Entre os esta- resultado representou aumentos de 6,7% em relação ao No 3° trimestre de 2014, Paraná foi o estado brasi- mesmo período de 2013 o preço médio foi de R$ 3,32,
dos exportadores de carne suína, Santa Catarina registrou trimestre imediatamente anterior e de 5,7% frente ao leiro que liderou as exportações de frangos para o mer- representando prática estabilidade no comparativo entre
aumento de 24,6% no volume exportado na comparação mesmo período de 2013.
entre os terceiros trimestres de 2014/2013 e permanece No comparativo entre os terceiros trimestres de
na liderança das estatísticas de exportação. Rio Grande 2014/2013, a região Sul aumentou sua participação no
do Sul manteve-se como segundo maior estado expor- total do abate nacional passando de 59,8% para 61,4%,

LUCAS SCHERER CARDOSO


tador do Brasil e o Paraná passou a terceiro lugar no registrando aumento de 5,4% no número de cabeças de
ranking com as quedas das exportações dos estados de frangos abatidas, consolidado pelo desempenho positivo
Goiás e Minas Gerais. A região Sul participou com 85,4% dos três estados da região, sobretudo o Rio Grande do Sul
do total das exportações, desempenho superior ao regis- com aumento de 10,1%. O Sudeste teve sua participação
trado no 3° trimestre de 2013 (76,6% de participação). reduzida de 19,9% para 19,1% e menor volume de fran-
Segundo o Indicador do suíno vivo Cepea/Esalq, o gos abatidos, com Minas Gerais abatendo 7,2% a menos.
preço médio recebido pelo produtor (R$/kg) sem ICMS, No Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal
de julho a setembro de 2014, entre as cinco regiões pes- registraram quedas no número de cabeças de frango
quisadas (RS, SC, PR, SP, MG), foi de R$ 3,79/kg, varian- abatidas, impondo um desempenho negativo para a re-
do de R$ 4,20/kg a R$ 3,36/kg. No mesmo período de gião que teve sua participação no total de abate nacional
2013, o preço médio foi de R$ 2,91/kg, representando reduzida de 15,4% para 14,4%.
aumento anual de 30,2%. No comparativo com a média Na comparação do 3º trimestre de 2014 com o tri-
dos preços de abril a junho de 2014 (R$ 3,28/kg), o rea- mestre imediatamente anterior, o desempenho positivo
juste foi de 15,6%. De julho a setembro de 2014, o Índice do abate de frangos no agregado nacional deveu-se ao
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE) registrou aumento do número de cabeças de frangos abatidas em
aumento de 6,14% nos preços da carne suína. No acumu- todos os Estados com exceção de Minas Gerais e Dis-
lado do ano, de janeiro a setembro de 2014, o aumento foi trito Federal. Com isso todas as regiões também apre-
de 8,47%. Participaram da Pesquisa Trimestral do Abate sentaram aumento, variando 8,7% na região Sul, 0,9%
de Animais 757 informantes do abate de suínos no 3º tri- na Sudeste, 5,4% na Centro-Oeste, 9,6% no Nordeste e
mestre de 2014. Destes, 14,0% (106 informantes) possu- 7,9% no Norte. Segundo dados da Secretaria de Comér-

186 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 187
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

os 3os trimestres 2014/2013. O preço médio do frango dustrialização, por sua vez, foi de 6,258 bilhões de litros, do à entrada do período de safra na região, à ocorrência anterior houve o registro de 2.100 informantes, tendo
resfriado posto no frigorífico (R$ 3,32) aumentou 2,0% aumento de 4,9% sobre o mesmo período de 2013 e de de um inverno mais ameno e a novos investimentos fei- ocorrido as maiores reduções deles em São Paulo, no Rio
na comparação com o período de abril a junho de 2014 8,1% sobre o volume registrado no 2º trimestre de 2014. tos na produção. Tal aumento foi superior à produção de Grande do Sul e em Santa Catarina. Do total de infor-
(R$ 3,26). Participaram da Pesquisa Trimestral do Aba- No comparativo mensal com o mesmo período de 2013, todo o estado de Rondônia, por exemplo. Por outro lado, mantes 41,5% tinham inspeção sanitária federal; 45,6% a
te de Animais 399 informantes do abate de frangos no a aquisição manteve-se relativamente crescente em to- São Paulo reduziu substancialmente a sua captação de estadual e 12,9% a municipal. No entanto, em termos de
3º trimestre de 2014. Destes, 37,3% (149 informantes) dos os meses do 3º trimestre de 2014, tendo registrado leite, puxando a participação regional do Sudeste. participação na produção, o cenário era: 92,6% da aqui-
possuíam o Serviço de Inspeção Sanitária Federal (SIF) e em agosto a maior variação (5,9%). Regionalmente veri- Quando o comparativo é feito entre o 3º trimestre de sição de leite foi feita por estabelecimentos com inspeção
responderam por 94,4% do peso acumulado de carcaças ficou-se que o Sul foi responsável por 38,7% da aquisição 2014 e o trimestre imediatamente anterior observam-se federal; 6,7% foi feita por estabelecimentos estaduais e o
de frangos produzidas no país. Dos demais informantes, nacional de leite, o Sudeste por 38,6% e o Centro-Oeste quedas na aquisição de leite no Norte e no Centro-Oeste residual (0,7%) por estabelecimentos sob inspeção mu-
21,8% (87 informantes) sofreram Serviço de Inspeção por 13,0% no 3º trimestre de 2014. O Nordeste do país do país. No Norte a queda foi puxada por Rondônia, en- nicipal. O Índice Geral dessazonalizado teve aumento de
Estadual (SIE) e 40,9% (163 informantes), o Serviço de contribuiu com 5,3% da aquisição e o Norte com 4,5%. quanto que no Centro-Oeste, pelo Mato Grosso. No Mato 4,78% no acumulado do ano até o mês de setembro de
Inspeção Municipal (SIM). Roraima, Amapá, Maranhão Neste 3º trimestre de 2014 o Sul do país superou o Sudes- Grosso houve relatos de estiagem e seca, fatores que po- 2014. O IPCA para o Grupo Leites e derivados teve au-
e Rio Grande do Norte foram as únicas Unidades da Fe- te na aquisição de leite, assumindo a maior participação dem ter influenciado na queda da aquisição, ao afetar a mento de 2,95% também no acumulado do ano. Dentre
deração que não possuíam registro do abate de frangos nacional neste quesito. qualidade das pastagens. Somado a isto houve a entra- os itens que o compõem observou-se reduções somente
sob algum tipo de inspeção sanitária. No comparativo entre os terceiros trimestres de 2014 da do período de entressafra nas regiões Centro-Oeste no leite longa vida (-0,96%) e na manteiga (-0,28%). To-
e de 2013 observou-se aumentos na aquisição de leite em e Norte. As demais regiões apresentaram crescimentos dos os demais itens apresentaram elevações de preços,
Aquisição de leite todas as regiões geográficas, exceto na Norte que teve na aquisição, sendo este maior no Sul, sobretudo devido sendo mais significativas em iogurte e bebidas lácteas
O estudo do IBGE publicado em 2014 aponta que no retração. No Sul do país o aumento foi de 8,8%, no Su- ao incremento no Rio Grande do Sul, embora os demais (7,89%), leite em pó (7,61%) e no queijo (6,53%). Ao se
3º trimestre de 2014 foram adquiridos, pelas indústrias deste de 0,3%, no Centro-Oeste de 7,2% e no Nordeste de estados também tenham registrado aumentos importan- observar a série nos meses que compõem o 3º trimestre
processadoras de leite, 6,267 bilhões de litros do produ- 10,0%. O aumento registrado no Sul foi o maior, em ter- tes. O Sul isoladamente foi responsável por quase totali- verificou-se aumentos de preços de 0,93% em julho; 0,9%
to, indicativo de aumentos de 4,6% sobre o 3º trimestre mos absolutos, ocorrido no país. Todos os estados do Sul dade da variação da quantidade adquirida nacional de em agosto e de 2,17% em setembro para o grupo de leite
de 2013 e de 8,1% sobre o 2º trimestre de 2014. A in- aumentaram substancialmente a captação de leite devi- leite (99,6%). Minas Gerais é o estado que mais adquiriu e derivados. Tomando por base setembro de 2014 ele-
leite, cerca de 25,2% do total nacional no 3º trimestre de vações de preços foram registradas, mais intensamente,
2014. Na sequência destacam-se o Rio Grande do Sul no leite longa vida (3,89%) e no creme de leite (1,82%).
com 15,8%, o Paraná com 12,4%, Goiás com 10,1%, San- Em sentido contrário variou somente o leite condensado
ta Catarina com 10,5% e São Paulo com 10,2% de parti- (-0,18%). Segundo o Cepea, o preço médio líquido pago
cipação. No comparativo com o mesmo período de 2013, pelo litro de leite no Brasil foi de R$1,0037 em setembro

ALCIDES OKUBO FILHO


Goiás teve aumento de produção em 2014, aproximan- para o produto entregue em agosto, indicando queda de
do-se a São Paulo em termos de participação. 0,81% no comparativo entre setembro e agosto. Entre as
No 3º trimestre de 2014 participaram da Pesquisa sete regiões em que os preços são apurados e divulga-
Trimestral do Leite 2.078 informantes distribuídos por dos somente não ocorreu redução de preços em Goiás e
todos os estados brasileiros à exceção do Amapá que na Bahia. Os maiores preços médios líquidos estaduais
não tem informantes cadastrados que se enquadram na ocorreram em Goiás (R$ 1,0462) e na Bahia (R$ 1,0459).
metodologia da pesquisa. No trimestre imediatamente Tal queda de preços está relacionada ao aumento da pro-

DIVULGAÇÃO
188 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 189
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

dução de leite, sobretudo dado o início da safra sulista, em 7,6%. No fechamento do 3º trimestre de 2014, o preço produção que caiu bastante em Goiás. No Norte a redu- começo de recuperação em setembro (0,16%). Os da-
boa ocorrência de chuvas na região Centro e Sudeste do era de US$ 5.721,69 para a tonelada do produto. ção ocorreu basicamente em todos os estados, à exceção dos do Cepea também captaram o movimento de queda
país conciliado ao menor preço do concentrado nos úl- Ovos de galinha do Pará e Rondônia. de preços em julho e agosto e o crescimento ocorrido
timos meses, estimulando sua utilização na alimentação A produção de ovos de galinha foi de 720,036 mi- Participaram da pesquisa 1.574 informantes distribu- em setembro. Para o Cepea na última semana de ju-
animal. No cenário externo as vendas brasileiras de leite lhões de dúzias no 3º trimestre de 2014. Comparativa- ídos por praticamente todos os estados brasileiros. Não lho os preços começaram a se elevar alavancados pelo
in natura registraram quedas em volume, tanto no com- mente ao 3º trimestre de 2013 e ao 2º trimestre de 2014 participam do inquérito os estados do Amapá, Tocantins crescimento da demanda, o que permitiu escoar os
parativo com o 3º trimestre de 2013 quanto com relação observaram-se aumentos respectivos de 3,9% e 3,0%. A e Maranhão, por não terem estabelecimentos produtores estoques de ovos de galinha existentes. Houve ainda a
ao 2º trimestre de 2014, sendo respectivamente de -9,8% produção de ovos de galinha obtida neste 3º trimestre que se enquadrem na metodologia adotada pela pesquisa. volta às aulas na maioria das escolas públicas; o fim da
e de -33,0%. Os principais destinos da produção brasi- foi a maior de toda a série histórica da pesquisa ini- No trimestre imediatamente anterior o número de infor- Copa do Mundo, regulando a logística de comerciali-
leira de leite in natura foram Bolívia (83,6%), África do ciada em 1987. Tomando o 1º ponto da série (janeiro mantes era de 1.596, sendo as maiores diferenças deles zação, assim como a ocorrência de temperaturas mais
Sul (9,7%), Siri Lanka (6,1%) e Estados Unidos (0,6%), de 1987) e o último, a produção de ovos cresceu duas ocorridas no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo. amenas, fatores que estimularam o consumo. Em agos-
pela ordem. Os estados de Rondônia, Minas Gerais, Rio vezes e meia. A produção de ovos de galinha em todos No comparativo com o 3º trimestre de 2013 houve au- to, segundo o Cepea, ainda havia pressão de queda das
Grande do Sul e São Paulo foram aqueles que participa- os meses do 3º trimestre de 2014, relativamente ao mento de 21 informantes, sobretudo no Sul do país (Santa cotações dos ovos justificada pela oferta elevada e pela
ram das vendas externas de leite in natura no período. mesmo período de 2013, manteve-se crescente, sobre- Catarina) e no Centro-Oeste (Distrito Federal). demanda enfraquecida. Isto contribuiu para a ocorrên-
Rondônia respondeu por 77,0% da quantidade vendida, tudo em setembro. Deve ser observado ainda que neste No 3º trimestre de 2014, dos informantes da pes- cia de descarte de poedeiras mais velhas. A proximi-
Minas Gerais (15,7%), Rio Grande do Sul (6,7%) e São mês a produção de ovos de galinha teve crescimento de quisa, 591 informaram ter como finalidade principal a dade da primavera é outro fator que tende a elevar a
Paulo (0,6%). 5,2%, enquanto o efetivo de galinhas no último dia teve produção de ovos de incubação, representando 22,2% produção de ovos por conta dos dias mais longos. As
No comércio externo de leite em pó foi registrado aumento de 2,9%. No 3º trimestre o mês de agosto foi do total produzido nacionalmente. O IPCA dessazona- quedas de preços foram maiores para os ovos verme-
aumento significativo em volume quando o comparativo aquele que apresentou a maior produção. No acumu- lizado para ovo de galinha registrou aumento de 3,97% lhos. Em setembro houve aumentos de preços, embora
foi estabelecido com o mesmo período de 2013 e queda lado do ano até setembro houve o crescimento da pro- no acumulado do ano até setembro de 2014. Ao se ob- as médias tenham sido menores do que as observadas
de 27,4% relativamente ao 2º trimestre de 2014. Os prin- dução de ovos de galinha em 3,1%, isto sobre o mesmo servar os meses que compõem o 3º trimestre houve pelo Cepea no mesmo período de 2013 na maioria das
cipais destinos da produção brasileira de leite em pó fo- período de 2013. A distribuição regional da produção queda de preços em julho (-1,35) e agosto (-0,51%) e praças investigadas. ◆
ram Venezuela, Bolívia, França, Congo e Angola; de um era no 3º trimestre de 2014: 48,9% no Sudeste do país;
total de 11 países importadores. Somente a Venezuela foi 22,1% no Sul; 13,4% no Nordeste; 13,1% no Centro-O-
responsável por 98,8% do volume total comercializado este e 2,4% no Norte. Comparativamente ao trimestre

EMBRAPA SUÍNOS E AVES


no 3º trimestre de 2014. Dentre os estados brasileiros ex- imediatamente anterior houve estabilidade da parti-
portaram leite em pó em maior volume: Minas Gerais cipação da produção de ovos de galinha nas regiões
(62,8%), Rio Grande do Sul (23,5%) e Paraná (12,9%). Norte e Nordeste do país. As regiões Sudeste e Centro-
São Paulo, Goiás, Rondônia e Rio de Janeiro também ex- -Oeste reduziram marginalmente suas participações,
portaram leite em pó no período. enquanto que a Sul ganhou participação. São Paulo foi
Quanto ao faturamento obtido na comercialização o estado brasileiro com a maior produção de ovos de
do leite in natura também foram registradas quedas no galinha (30,3%), seguido por Minas Gerais (10,4%) e
período em análise relativamente aos dois comparativos pelo Paraná (9,4%). Aumentaram suas participações,
assumidos: 3,5% relativamente ao 3º trimestre de 2013 e no comparativo com o mesmo período do ano anterior,
2,8% com relação ao 2º trimestre de 2014. O preço médio o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul.
da tonelada de leite foi de US$ 2.181,54 no 3º trimestre Ao se estabelecer um comparativo entre os terceiros
de 2014, contra US$ 1.502,63 no trimestre imediatamen- trimestres de 2014 e de 2013 pode-se verificar o aumento
te anterior e US$ 2.038,21 no mesmo trimestre de 2013. da produção de ovos de galinha nas regiões Sudeste, Sul
Com isto foram observados aumentos de preços de 7,0% e Nordeste. No Sudeste o aumento ocorreu em todos os
e 45,2% respectivamente ao 3º trimestre de 2013 e ao 2º estados que a compõem, sendo maior em São Paulo, no
trimestre de 2014. O faturamento do leite em pó regis- Espírito Santo e em Minas Gerais. No Sul, somente Santa
trou aumento significativo com relação ao 3º trimestre de Catarina reduziu a produção de ovos de galinha. O Rio
2013 e queda de 21,8% comparativamente ao 2º trimestre Grande do Sul, por sua vez, registrou o maior aumento
de 2014. Com isto as médias de preços reduziram-se no de produção regional. No Nordeste o aumento foi puxa-
comparativo com o mesmo período de 2013 em 9,7% e do, sobretudo por Pernambuco, e somente Piauí e Bahia
elevaram-se no comparativo com o 2º trimestre de 2014 reduziram suas produções. O Centro-Oeste reduziu sua

190 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 191
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

A
agricultura familiar é responsável por 30%
da produção de leite no Brasil, envolvendo

Leite
70% dos produtores. O restante é abastecido
por produtores médios e grandes. Apesar de ser menor o
percentual da produção, a participação da agricultura fa-

Consumo aumenta e
miliar na atividade é importante, segundo a Associação
Brasileira dos Produtores de Leite (Leite Brasil). Isto por-
que, mantém as pessoas no campo, ao invés delas saírem
em busca de outros trabalhos nos grandes centros.
De acordo com o presidente da Leite Brasil, Jorge Ru-

provoca aceleração
bez, o maior produtor do país é Minas Gerais, seguido pelo
Rio Grande do Sul. Mas os três estados do Sul é que pos-
suem maior representatividade da agricultura familiar. E, o
grande diferencial está relacionado à genética do rebanho.

da cadeia
Em 2014, a produção de leite no país foi de 33 bilhões
de litros. Foram importados da Argentina e Uruguai cer-
ca de 1 bilhão de litros e exportados 500 milhões de litros
para a Venezuela e outros países. “Temos um saldo ne-

192 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 193
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

Beneficiários Fornecedores Aquisição de Produtos em valor (R$)


gativo de 500 milhões de litros para sermos abastecidos. sidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite
Categoria de Fornecedores Número de Fornecedores Porcentagem Produtos 1ª Chamada 2ª Chamada
Mas não conseguimos concorrer com outros países em diz que existem ferramentas para fiscalizar estas ações e
Agricultor Familiar 33.377 65,20% Arroz 2.546.220,00 5.817.829,10
termos de exportação, onde há subsídio dos governos e, coibir as fraudes.
Pescador Artesanal 1.003 2% Feijão 987.239,70 1.645.308,30
além disso, vai sobrar produção no mercado interno, o Conforme o superintendente da Associação Leite
Assentamento 12.952 25,30% Farinha 1.184.663,60 1.426.469,20
que provoca a queda do preço. É preferível importar leite Brasil, José Edson Rosolen, o país poderia produzir um
Quilombola 1.131 2,20% Farinha de Trigo 146.183,50 169.017,00
do que sobrar, caso contrário, vai bagunçar o mercado, maior volume o qual seria destinado à exportação. En-
Indígena 335 0,70% Fubá de milho 112.559,40 129.274,70
porque quem manda é o consumo, o qual determina o tretanto, a maior dificuldade que o Brasil encontra em
Atingidos por Barragem 39 0,10% Macarrão 327.255,60 881.497,90
preço do leite”, explica. exportar o produto para países desenvolvidos é o subsi-
Agroextrativistas 2.391 4,70% Leite em pó 0 10.186.139,90
Com relação ao consumo de lácteos, Rubez diz que dio que existe nos Estados Unidos e União Européia, os
Total 5.304.091,80 20.255.536,10
está em torno de 180 litros per capita/ano, e que a pro- quais acabam direcionando o excedente para os merca-
dução tem aumentado de 2 a 5% nos últimos anos. Mas dos importadores. Mesmo assim, o Brasil chega a expor- Aquisição de Produtos em quilos
varia em determinados períodos, como em janeiro por tar leite para Venezuela e alguns países árabes. Produtos 1ª Chamada 2ª Chamada
Público Brasil Sem Miséria
exemplo, quando muitos estão de férias. “Este é um mo- Para o superintendente da Associação Leite Brasil, a Arroz 1.282.680 2.441.720
Regiões Total de Fornecedores A; A/C; B Porcentagem
mento em que o consumo retrai”, diz. agricultura familiar é muito importante porque gera em- Feijão 313.630 638.010
Centro Oeste 4.841 2.252 47%
Já sobre a fraude do leite, onde o Ministério Público prego, mesmo sendo familiar. “O dono da terra e aqueles Farinha 324.200 542.560
Nordeste 12.096 9.410 78%
desencadeou sete operações no Rio Grande do Sul, o pre- que estão produzindo têm a oportunidade de não ir para Farinha de Trigo 83.920 101.020
Norte 5.930 2.932 49%
as cidades em busca de empregos, muitas vezes medío- Fubá de milho 70.170 70.390
Sudeste 19.542 7.764 40,00%
cres. Produzindo nas suas propriedade, pelo menos, eles Macarrão 96.430 291.660
Sul 8.819 1.594 18%
Organização de agricultores Familiares participantes do PAA executado estão em uma situação mais confortável do que dispu- Leite em pó 0 897.000
pela Conab em 2014 Total 51.228 23.952 47%
tando o emprego nos centros urbanos, que exigem qua- Total 2.173.030 4.982.360
Ano MDA (Associações ou MDS(CPNJS) TOTAL (CNPJs s/
cooperativa- CNPJs) repetição) lificação”, declara.
2014 56 1.008 1.052 A agricultura familiar dispõe de uma série de progra- 17º RANKING MAIORES EMPRESAS DE LATICÍNIOS DO BRASIL - 2013
mas como Balde Cheio entre outros, que ensinam como Class1 Empresas/ Recepção leite (mil litros) Número produtores leite Litros de leite por
Marcas produtor/dia
2012 2013 Var. % 2012 2013 Var.% 2012 2013 Var.%
Recursos aplicados no PAA em 2014 (R$) Total
Ano Valor Produto- Terceiros Total Produto- Terceiros Total 2013/ 2013/ 2013/
2014 338.004.942,00 res res 2012 2012 2012

DIVULGAÇÃO
1º DPA2 1.045.500 913.000 1.958.500 1.080.000 953.000 2.033.000 4 4.915 4.320 -12 581 685 18
Aquisição de orgânicos pelo PAA em 2014 2º BRF 1.281.253 259.237 1.537.490 1.192.034 185.230 1.377.264 -10 12.635 11.084 -12 277 295 6

Ano Quantidade (Kg) Valor Valor Total PAA % PAA 3º ITAMBÉ 801.000 154.000 955.000 886.934 169.330 1.056.264 11 7.750 7.397 -5 282 329 16

2014 2.547.627 2.547.627 338.004.941,79 2,1% 4º LAICÍNIOS 439.526 195.540 635.066 523.268 305.362 828.630 31 3.784 4.537 20 317 316 0
BELA VISTA
5º COOPs CAS- 341.155 87.425 428.580 434.377 114.297 548.674 28 518 1.050 103 1.799 1.133 -37
Número de projetos aprovados em 2014 TROLANDA e
BATAVO4
Ano CDS CPR - Estoque TOTAL
6º EMBARÉ 332.413 136.269 468.682 370.573 157.148 527.721 13 1.568 1.611 3 5.779 630 9
2014 1.067 58 1.125
7º DANONE 255.000 108.000 363.000 266.067 182.649 448.716 24 600 510 -15 1.161 1.429 23
8º CONFEPAR 260.084 6.018 266.102 347.010 64.027 411.037 55 5.501 6.313 15 129 151 17
9º JUSSARA 190.520 117.615 308.135 242.197 88.183 330.380 7 2.430 2.887 19 214 230 7
Percentual dos projetos de Compra com Doação simultânea (CDS) em 2014
10º VIGOR 172.110 48.730 220.840 217.460 62.601 280.061 27 1.096 1.482 35 429 402 -6
Valores dos Projetos em R$ 2014
11º CENTRO- 245.827 0 245.827 246.301 0 246.301 0 3.940 3.774 -4 170 179 5
até 150.000 36,60% LEITE
de 150.000 a 300.000 34% 12º FRIMESA 172.351 16.963 189.314 193.021 26.583 219.604 16 3.567 3.783 6 132 140 6
de 300.000 a 450.000 13,50% Total Ranking3 5.536.739 1.888.976 7.425.715 5.999.242 2.139.132 8.138.374 10 48.304 48.748 1 313 337 8
de 450.000 a 600.000 8,20% Estimativa da capacidade instalada de processamento de leite das empresas do ranking 2013 (mil litros/ano) = 11.525.747
1
Classificação base recepção (produtores + terceiros) no ano de 2013 – 2 Números referentes a compra de leite realizada pela DPA Manufacturing Brasil em nome
de 600.000 a 1.000.000 5,70%
da Nestlé, da Fonterra, da DPA Brasil, da DPA Nordeste e da Nestlé Waters. – 3 O total de terceiros não inclui o leite recebido de participantes do ranking devido a
Acima de 1.000.000 2,10% duplicidade – 4 As duas Cooperativas exercem uma Operação Conjunta no segmento de Lácteos
Fonte: LEITE BRASIL, CNA, OCB, CBCL, VIVA LÁCTEOS e EMBRAPA/Gado de Leite
Jorge Rubez

194 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 195
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

Produção Brasileira de Leite significativamente a produtividade do rebanho brasileiro Economia familiar


Estado Ano Var. % Part. % como um todo”, diz. Para Rosolen, se houver maior atenção para a produção
2011 2012 2013 2013/2012 2013 de leite por parte dos agricultores familiares, já que a produ-
Rondônia 706.647 716.829 920.496 28 2,7 Consumo se aproxima da recomendação da ção nacional depende muito deles, pelo fato de que o custo
Acre 42.254 42.732 47.125 10 0,1 OMS de produção da economia familiar muitas vezes ser superior
Amazonas 52.033 48.168 48.969 2 0,1 Com relação ao consumo, ele vem aumentando de de quem produz muito leite, o cenário brasileiro pode pros-
Roraima 7.012 8.794 10.137 15,3 0 forma expressiva. De acordo com o superintendente da perar mais. “Essa atenção especial tem que ser voltada para
Pará 590.551 560.916 539.490 -3,8 1,6 Associação Leite Brasil, há 15 anos, era de 90 litros per a genética, com ajuda de custo por exemplo, alguma ma-
Amapá 9.481 10.996 10.948 -0,4 0 capita e hoje se aproxima de 180 litros. Os motivos foram neira de isentá-los de qualquer coisa que ele precise pagar,
Tocantins 267.305 269.883 269.255 -0,2 0,8 o aumento da população e da renda das famílias. porque a tendência é de diminuir o número de produtores
Maranhão 386.673 381.637 385.880 1,1 1,1 A recomendação da Organização Mundial da Saú- no mundo. Essa é a minha preocupação. Pelo fato de que
Piauí 89.119 85.103 82.542 -3 0,2 de é de 200 litros per capita, a exemplo da Argentina cada vez estamos produzindo mais, com menos produtores.
Ceará 464.596 461.662 455.452 -1,3 1,3 que já atingiu este consumo. “Nós estamos próximos a E isto ocorre em qualquer segmento da economia. No leite é
Rio Grande do Norte 243.249 198.052 209.150 5,6 0,6 este volume, mas vai demorar para atingir essa quan- importante dar apoio ao pequeno produtor para que ele não
Paraíba 237.102 142.546 157.258 10,3 0,5 tidade, porque ela se dá de forma gradativa diante do saia do meio rural e vá para os grandes centros com suas
Pernambuco 953.230 609.056 561.829 -7,8 1,6 cenário brasileiro”. famílias onde podem acabar até passando fome”, conclui. ◆
Alagoas 238.249 245.647 331.406 2,6 0,7
Sergipe 315.968 298.516 331.40 11 1
Bahia 1.181.339 1.079.097 1.162.598 7,7 3,4
Minas Gerais 8.756.114 8.905.984 9.309.165 4,5 27,2

ASCOM MDA
Espírito Santo 451.294 456.551 465.780 2 1,4
Rio de Janeiro 499.515 538.890 569.088 5,6 1,7
São Paulo 1.601.220 1.689.715 1.675.914 -0,8 4,9
Paraná 3.815.582 3.968.506 4.347.493 9,5 12,7
Santa Catarina 2.531.159 2.717.651 2.918.320 7,4 8,5
Rio Grande do Sul 3.879.455 4.049.487 4.508.518 11,3 13,2
Mato Grosso do Sul 521.832 524.719 523.347 -0,3 1,5
Mato Grosso 743.191 722.348 681.694 -5,6 2
Goiás 3.482.041 3.546.329 3.776.803 6,5 11
Distrito Federal 30.000 24.610 34.448 40 0,1
Brasil 32.096.211 32.304.421 34.255.240 6 100

aumentar a produtividade. Uma delas é a genética, o inseminar. Deveria ser feita a inseminação do rebanho
manejo, e tem alguns que já introduziram essas técnicas da agricultura familiar para melhorar na primeira gera-
e passaram a produtividade que era de 150 a 200 litros ção, o que consequentemente, poderia aumentar a pro-
para 600 litros. dutividade significativamente”, pontua.
O superintendente da Associação Leite Brasil enfati- Rosolen enfatiza que na agricultura familiar apenas
za que a produtividade precisa da questão genética. “O quem entrou no programa Balde Cheio ou outros pro-
Brasil não tem know-how avançado de touros provados, gramas que levam conhecimento e técnicas, melhora-
definidos como raça leiteira. E no exterior há sêmen, ram a produtividade. “Isto porque modifica o rebanho
que muitas vezes ate o Ministério da Agricultura (Mapa) e aprendem o manejo com rotação de pastagem, entre
adotou em dar ao produtor. Todavia, ele pode não saber outros métodos. Mas de modo geral, tem aumentado

196 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 197
LUCAS SCHERER CARDOSO
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

Suinocultura
Atividade que fixa o
homem no campo

198 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 199
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

A
o mesmo tempo em que a suinocultura é se- 2014 – o melhor ano da história ORGANIZAÇÃO DA SUINOCULTURA BRASILEIRA
melhante à avicultura, pois ambas têm um Ainda segundo o diretor executivo da ABCS, 2014
contexto social, emprega 1 milhão de pessoas foi o melhor ano da história da suinocultura brasileira.
e fixa o homem no campo, gera renda e produz alimen- “Uma série de fatores levou a este cenário. Tivemos bai-
tos, na suinocultura, um cenário vem sofrendo mudan- xos custos de grãos. A produção americana que influen-
ças nos últimos 15 anos. Os pequenos agricultores estão cia o preço do milho foi excepcional e a produção brasi-
deixando a atividade de lado e se dedicando a outros leira pressionou os preços da soja e milho para baixo, o
trabalhos. que é bom para o produtor de suínos. 85% do custo do
Conforme o diretor executivo da Associação Brasileira quilo da carne de suíno vem de rações”, acrescenta.
dos Criadores de Suínos (ABCS), Nilo de Sá, o cenário da Os preços internacionais e nacionais da carne suína
produção de suínos mudou nos últimos 15 anos, com uma também estavam altos, basicamente por problemas sani-
concentração maior nas mãos de produtores em escala e, tários nos EUA, onde surtos de PED mataram 7 milhões
agricultores familiares desistindo da atividade. “Trata-se de animais. “Isso causou menor oferta de animais para
de um efeito de mercado. Cada vez mais o consumidor abate nos EUA que são os maiores exportadores mun-
quer produto de melhor qualidade e pagando menos por diais. A Rússia que é o grande comprador interrompeu as
ele. E para isso, quase que invariavelmente, é preciso pro- aquisições da Europa e passou a comprar mais do Brasil.
fissionalizar, investir em equipamentos e instalações e au- Logo, custos baixos e demanda aquecida movimentaram
mentar a produção. No Sul do país, por exemplo, muitas o mercado externo”, ressalta.
vezes o produtor fica limitado, porque não tem área e o Em alguns meses chegou a ter diferença de preço de
terreno é montanhoso. Isso é nítido quando vemos a mo- 60% em relação ao ano anterior pelo mesmo produto.
vimentação das agroindústrias grandes se concentrarem, “Foi um ano excepcional. O volume de produto tam-
por exemplo, no Mato Grosso, com módulos com 4 mil bém estava mais baixo no Brasil, pois em 2011 e 2012
matrizes por granja e, no Sul a média fica em 300 matri- houve crise no setor e cerca de 120 mil matrizes saíram
zes. É uma tendência natural e uma pressão do mercado. do rebanho. Produtores pequenos que não conseguiram A REALIDADE BRASILEIRA
O consumidor quer produto de menor custo e isso força o conviver com a crise saíram da atividade. E quando isto
produtor a se profissionalizar”, explica. acontece, o reflexo se dá um ano após, por isso ocorreu
Apesar disso, 70% da suinocultura brasileira está uma menor oferta para abate entre 2013/14. A tendência
concentrada no Sul do país onde existe predomínio da
suinocultura familiar.
Título do Gráfico
DESTINO DA PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CARNE
SUÍNA EM 2012
PRINCIPAIS DESTINOS DA CARNE SUÍNA
BRASILEIRA
País 2014 Part.
14,60%
Rússia 186.594 37,75%
Hong Kong 110.922 22,44%
Angola 52.284 10,58%
Cingapura 32.288 6,53%
Uruguai 20.836 4,22%
Geórgia 8.617 1,74%
Chile 8.367 1,69%

Consumo de carnes por


Argentina 7.960 1,61%
Moldavia 5.840 1,18%
85,40%

pessoa em 2014
Albania 5.839 1,18%
Outros 54.680 11,06%
TOTAL 494,228 ton 100,00%
Fonte: ABPA Exportação Mercado Interno

200 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 201
CRIAÇÕES

Cuidar para prosperar


para 2015 é remuneração menor do que em 2014, mas “O que temos trabalhado é a saudabilidade da car-
tudo indica ainda em patamares razoáveis”, acrescenta. ne. Não existe mais aquele ‘porco banha’. A carne suína
não transmite doença e pode ser consumida também por
Consumo quem faz dieta”, diz.
O consumo de carne suína é um dos principais en- Atualmente, 85% da carne suína produzida no Brasil
traves do setor. Em quatro anos, ele passou de 13 para atingem o mercado interno. “O Brasil tem 200 milhões Alberto Broch, Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)
15,4kg per capita/ano, mas não chega a comparar com de pessoas e se aumentar o consumo faltará produto.

O
o consumo na Europa que atinge 45 kg per capita/ano. Por isso, a criação de suínos é uma boa alternativa de s agricultores familiares têm sempre em los de produção com maior sustentabilidade dos solos e
Todavia, entre as regiões do Brasil que tem menor índice renda tanto para pequenos como para grandes produ- mente: nem toda terra é boa para produzir. do meio ambiente para enfrentar as mudanças climáticas.
de consumo é o Nordeste, com 6 milhões de habitantes e tores”, conclui. ◆ Somente com um bom solo a terra produzirá O Ano Internacional dos Solos também toca numa
o consumo não passa de 6kg per capita/ano. os alimentos para a vida humana prosperar. questão muito importante para toda a sociedade: a do
Para a CONTAG foi excelente a decisão da ONU em acesso às terras onde está o SOLO em que são produzidos
TÍTULO Dados gerais da suinocultura brasileira decretar 2015 Ano Internacional dos Solos. Espera-se os alimentos. Quem tem acesso ao solo produtivo? Por
que a FAO, estimule governos e a sociedade internacio- que ele está tão concentrado e é usado de forma intensiva
ANO PRODUÇÃO Mil ton EXPORTAÇÃO Mil ton INTERNA Mil ton ՔՔ 1,65 Milhões de matrizes tecnificadas (70%
nal a promover um grande debate sobre a importância e degradante?
2007 2990 607 2260 região sul)
2008 3015 529 2390
de recuperar e preservar nossos solos para o futuro da Vamos debater o uso dos solos e daremos continui-
ՔՔ 3,5 milhões tolenadas carne (38 milhões de humanidade. Este tema não é exclusivamente dos produ- dade às ações do Ano Internacional da Agricultura Fa-
2009 3130 608 2423
abates) tores, agricultores e pecuaristas, mas de toda a sociedade miliar 2014, envolvendo organizações governamentais e
2010 3015 540 2577
ՔՔ 494 mil toneladas exportadas (1,5 bilhão e especialmente dos governos, responsáveis por políticas não-governamentais na construção de novos conceitos
2011 3195 584 2644
dólares) -2014 públicas que podem impactar mais ou menos o uso cor- e propostas para o desenvolvimento rural sustentável e
2012 3227 581 2670
2013 3330 560 2771 ՔՔ mais de 40 mil produtores (redução e concen- reto dos solos. solidário no Brasil e no mundo. ◆
2014 3,410* 494 2916* tração) Precisamos conhecer e entender a importância do
Fonte: MAPA -*Estimativa/ABCS ՔՔ 1,0 milhão de empregos (diretos e indiretos) Solo enquanto parte da camada da terra onde a vida
prospera a partir dos seus nutrientes e microrganismos
fundamentais para o crescimento de todos os tipos de se-
res vivos. Trata-se de um recurso natural que está sendo
afetado permanentemente pelo uso indiscriminado de
fertilizantes, pesticidas e herbicidas, irrigação excessiva,

LUCAS SCHERER CARDOSO

CÉSAR RAMOS
má qualidade da água e outros tipos de mal-uso.
Cuidar dos solos é cuidar do nosso futuro. Portanto,
é preciso despertar um novo olhar consciente para uso
do solo e, a partir de políticas governamentais, criar e
fomentar programas que estimulem os produtores, agri-
cultores familiares, campesinos e indígenas a recuperar
os solos degradados e manter o equilíbrio entre a produ-
ção de alimentos e sua preservação.
Solos saudáveis são solos férteis, base pela qual pode-
remos aumentar nossa produção de alimentos, assegu-
rar nossa soberania e a segurança alimentar, reduzindo a
fome e a pobreza no mundo.
A CONTAG, internamente, nas suas instâncias encon-
trará caminho e mecanismos para levar esse debate junto
a sua base, apresentará aos governos propostas de políti-
cas para a recuperação e manutenção dos solos produti-
vos e provocará o debate com a sociedade sobre os mode-
Alberto Broch

202 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 203
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

Avicultura A
vicultura, fruticultura, suinocultura, horti-
granjeiros e leite são as principais atividades
O presidente da Abpa salienta que estas são ativida-
des específicas da agricultura familiar, porque não é pos-

A força dos pequenos


desenvolvidas pela agricultura familiar no sível pensar em produzir grãos em um espaço pequeno
Brasil. Hoje, 70% da produção avícola brasileira é feita de terra. Mesmo assim, é preciso que o agricultor fami-
em pequena propriedade. No Sul, o berço da avicultura liar seja capacitado para a atividade.
e suinocultura, ainda é tradição a ocupação de pequenos No que se refere à tecnologia, Turra destaca que está
espaços. São atividades que possibilitam que pequenos havendo um direcionamento, com programas do governo
proprietários se transformem em verdadeiros empresá- federal, como o Inovagro, para que o produtor possa ter
rios rurais. equipamentos mais modernos, com menos perda e mais
Agricultura familiar é responsável por 70% da produção de aves no país Conforme o presidente da Associação Brasileira de sustentabilidade. “E é preciso caminhar nesta direção.
Proteína Animal (Abpa), Francisco Turra, há indicativos Até porque somos avicultura e suinocultura exportado-
de que onde há avicultura o PIB é sempre muito maior do ra e somos visitados todos os meses por algum país e é
que em municípios com número igual de habitantes. Além fundamental que tenhamos uma avicultura e suinocultu-
disso, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem ra sustentável”, ressalta, acrescentando que esta produção
como o número de empregos gerados é maior. sustentável está relacionada a uma produção que minimi-
Segundo ele, 2014 foi um ano bom para o setor e o ze custos e também ofereça menos riscos ao meio ambien-
mesmo deve acontecer em 2015. “Como a avicultura tem te”, conclui. ◆
margem estreita de renda, se a cadeia não for bem, ne-
nhum elo tem como ir bem. E depois de muitos anos,

ÉDI PEREIRA
2014 foi excepcional, em que a renda também se transfe-

ÉDI PEREIRA
riu ao produtor para se capitalizar”, diz.
Em função disso, Turra diz que a expectativa é do ce-
nário se repetir neste ano, esperando que não haja trepi-
dação no preço dos insumos e que o consumidor tenha
mais renda, pois é o grande mercado, tendo em vista que
70% da produção de aves atende o mercado interno e
80% da produção de suínos também fica no Brasil.
O maior produtor de suínos do Brasil é Santa Catari-
na, seguida pelo Rio Grande do Sul e Paraná. Já na avi-
cultura, o Paraná lidera a produção, seguido por Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. No que tange a produção, o
Brasil é segundo maior produtor de aves e é o líder mun-
dial em exportação desde 2005. Na suinocultura é o 4º
maior produtor mundial e o 3º maior exportador. Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), Francisco Turra

204 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 205
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

EXPORTADORES DE CARNE DE FRANGO: PREÇO DE EXPORTAÇÃO (US$/TON) CARNE DE FRANGO: EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS POTENCIAIS PARA OS MERCADOS JÁ ABERTOS
2013 potencial estimado
5
4,5 4,29 4,2 Cons.doméstico Cons. Per capita Exportações brasi- % Exp. Brasil/Cons. Consumo Domésti- Exportações rasilei-
(1000 tons) médio (kg/hab.) leiras (1000 tons) Domestico co (1000 tons) ras (1000 tons)
4
África 2.588 13 525 20% 3.743 759
3,5
América 23.725 39 281 1% 26.170 310
3
Oceania 987 8 2 0% 987 2
2,5 2,05 Ano 2013
1,99 1,9 1,81 Ásia 26.991 22 1.118 4% 33.914 1.405
2 1,58 1,51 Ano 2014
1,5 1,27 1,22 Oriente Méio 4.167 42 1.448 35% 5.289 1.838
Europa extra-EU 6.191 21 95 2% 6.660 102
1
0,5 União Européia 9.489 29 423 4% 9.489 423

0 Total 74.138 3.892 86.252 4.839

Brasil EUA EU Argentina Tailândia


Fonte: MDIC; FAS/USDA, Eurostat, Alice Mercosul, Governo Tailândia.
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CARNE DE EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CARNE DE
FRANGO PREVISÃO 2014 (MIL/ TONELADAS) FRANGO (JAN – NOV )
EXPORTADORES DE CARNE DE FRANGO: VOLUME DE EXPORTAÇÃO ( MIL TON)
12,7 12,65 7,35 7,28
4.500 Previsão 2014:
4.000 12,6 +2,8% 3,99 milhões ton
US$ 7,94 bilhões
3.500
12,5 42,81 Kg/capita
3.000
3,57 3,65
2.500 12,4
Ano 2013
2.000 12,308
Ano 2014 12,3
1.500
1.000 12,2
500
0 12,1
2013 2014 2013 2014
Brasil EUA EU Argentina Tailândia 2013 2014
Fonte: ABPA Volume (Milhões ton) Receita (bilhões US$)
Fonte: MDIC; FAS/USDA, Eurostat, Alice Mercosul, Governo Tailândia. Fonte: ABPA, SECEX

CARNE DE FRANGO: EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS


DISPONIBILIDADE INTERNA DE CARNE DE
REGIÃO Nº de Países Nº Países p/os quais o Brasil Países Brasil Exporta/Total PIB do Continente/PIB das Exp. Brasil/Consumo
Exporta Países Exp.Brasil Doméstico
FRANGO PREVISÃO 2014 (TON)
África
América
Ásia
53
34
31
46
20
22
87%
59%
71%
96%
87%
89%
19%
1%
4% 32%
Total da Avicultura
Europa Extra-EU
Oceania
Oriente Médio
17
13
13
10
2
13
59%
15%
100%
86%
0.1%
100%
2%
0%
35%
68%
US$ 8,5 bilhões
União Européia 28 19 68% 92% 4%

R$ 20,1 bilhões
EXPORTAÇÕES DA AVICULTURA BRASILEIRA | PREVISÃO PARA 2014 - COM ENCHIDOS Mercado Interno Exportação
Fonte: ABPA
Carne de frango* Carde de peru Ovos Carde de patos e outras Ovos férteis Material genético
aves
US$ 8,09 bilhões US$ 331 M|ilhões US$ 15 milhões US$ 12,9 milhões US$ 72,8 milh~es US$ 55,3 milhões

206 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 207
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

EXPORTAÇÃO DE CARNE DE FRANGO POR EXPORTAÇÕES BRASILEIRA DE CARNE DE EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE OVOS (JAN EXPORTAÇÃO BRASILEIRA DE OVOS DESTI-
REGIÕES (JAN-NOV 2014) FRANGO DESTINOS (JAN-NOV/14) (MIL TON) – NOV ) NO (JAN-NOV/14) (VOLUME)
Extra- País 2014 País 2013 Previsão 2014: IN NATURA
19,77
Oceania; 1 Arábia Saudita 592 = Arábia Saudita 634 10,9 mil ton
Europa; US$ 15,3 milhões -29% Japão; 5%
0,06% 2 EU-28 380 = EU-28 387 Outros;
4% 14,04 2%
3 Japão 379 = Japão 359
União -11,8%
4 Hong Kong 289 = Hong Kong 308 11,4
Européia; América; 10
5 Emirados Árabes 234 = Emirados Árabes 226
10% 9%
6 China 207 = China 175 Emirados
7 Venezuela 189 ↑ África do Sul 157 Árabes;
Oriente 31%
8 África do Sul 144 ↓ Venezuela 140 Uruguai;
Médio;
África; 9 Rússia 118 ↑ Kuwait 105 31%
34%
13% 10 Kuwait 94 ↓ Egito 80 2013 2014 2013 2014
Volume (Milhões ton) Receita (bilhões US$)
Outros 1.028 Outros 996
Fonte: ABPA, SECEX
Total 3.654 Total 3.568
Arábia
Fonte: ABPA, SECEX EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS CARNE DE Saudita;
Ásia; 30% 31%
PERU (JAN – NOV )
419
Fonte: ABPA, SECEX
Previsão 2014: -27,2% PROCESSADOS
125 mil ton Ovo
331 US$ milhões 305 Integral Outros;
Líquido; 1%
EXPORTAÇÃO BRASILEIRA DE CARNE DE EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS CARNE DE PATO 10%
FRANGO PRODUTOS EXPORTADOS (JAN- (JAN – NOV ) -22%
147
-NOV/14) 11,9 115

5% 9,2
4%

+582% 133% 2013 2014 2013 2014 In Natura ;


5,1 Volume (Milhões ton) Receita (bilhões US$) 88%
36%
Fonte: ABPA, SECEX

1,3 PRODUÇÃO BRASILEIRA DE OVOS PREVISÃO


2014 (BILHÕES DE UNIDADES)
55% 37,5 37,25
2013 2014 2013 2014
Volume (Milhões ton) Receita (bilhões US$) 37 +9,2% Fonte: ABPA
Fonte: ABPA, SECEX 36,5
182 unidade/capita
36
35,5
Inteiro Cortes Preparações Salgado 35
Fonte: SECEX 34,5 34,12
34
33,5
33
32,5
2013 2014
Fonte: ABPA

208 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 209
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

e macromoléculas. Ao conjunto de células e moléculas gócitos, antígenos específicos e a liberação de citoquinas


que protegem o corpo das infecções, doenças malignas em resposta a um antígeno).

O papel dos
e das células danificadas se denomina “sistema imune”. 1) Imunidade humoral: é a proteção imune que pode
Por sua vez, o sistema imune se divide em “natural” ser transferida pelo soro sanguíneo. Ela abrange as imu-
e “adquirido”. noglobulinas (receptores de antígenos e os anticorpos
a) A imunidade natural está composta pelas barrei- ligados às células B; estas últimas se desenvolvem na me-
ras físicas à infecção: pele, embranas mucosas, saliva, dula óssea e no fígado dos fetos e se diferenciam das célu-

micronutrientes
tosse, espirro, lágrima, inflamação, febre, etc., além das las do plasma, produtoras de anticorpos.) Elas reconhe-
células fagocíticas (neutrófilos, macrófagos e células cem antígenos pelas suas imunoglobulinas de superfície.
Killer), as citoquinas e proteínas da fase aguda (proteí- As células de classe II MHC e receptores complementares
nas que aumentam ou diminuem seu teor de plasma no estão nestes linfócitos. A maior parte das células B neces-
caso de inflamações). sita de um antígeno (antígeno T dependente), juntamen-

na imunidade e na
b) A imunidade adquirida é a capacidade do orga- te com as células T específicas do antígeno.
nismo de reconhecer moléculas estranhas e responder
adequadamente a elas. Cumprem esta função principal- 2) Células que induzem a imunidade:
mente os linfócitos e fagócitos (leucócitos). A imunidade celular está associada às células – T.
A imunidade adquirida, por sua vez, se divide em As células T se diferenciam no tipo e na função:

fertilidade
duas: humoral e células que induzem a imunidade (res- 1)Produtoras de anticorpos-socorro.
posta imune que não envolve anticorpos, mas ativa os fa- 2) Matam células infetadas por vírus.

É
sabido que os micronutrientes influenciam a Estas deficiências subclínicas são muito comuns a

DIVULGAÇÃO
imunidade dos bovinos; entretanto, as intera- todos os animais e não somente aos bovinos, e na maio-
ções entre nutrição, imunidade e resistência a ria dos casos, não são vistos como um problema pelos
doenças são extremamente complexas. A insuficiência produtores. Os animais crescem e se reproduzem de
de micronutrientes na dieta, leva a menor resistência às forma aparentemente normal; a diferença com uma boa
doenças. O fornecimento de micro e óligo elementos tais mineralização é que o fazem a um custo de produção
como vit. E, beta carotenos, vit. A, vit. C, zinco, cobre, mais alto.
cromo, selênio, anganês, cobalto, ferro nas quantidades Por isto é imperativo que a suplementação mineral seja
necessárias, é fundamental para manter alta a imunida- bem feita: ela resultará em produção mais eficiente. Na de-
de dos animais. ficiência subclínica, cai a imunidade, os processos enzimá-
Por outro lado, a reprodução é o parâmetro mais im- ticos ficam comprometidos, o ritmo de crescimento cai,
portante na rentabilidade das fazendas de leite: se as va- assim como a fertilidade; e somente depois de todas estas
cas não parem a cada 12 meses, os custos da propriedade perdas, é que o produtor se dará conta do problema.
aumentam. A ingestão dos nutrientes acima, bem como O manejo e a nutrição são fundamentais para a ferti-
a sua absorção, são indispensáveis para um grande nú- lidade. Uma vez satisfeitas as necessidades de energia e
mero de reações metabólicas, incluindo-se aí a resposta proteína, o gado precisa receber todos os minerais de que
imune a um patógeno, a reprodução e o crescimento. As necessita, para manter níveis adequados de reprodução.
pequenas deficiências (subclínicas) costumam ser um Mecanismos de defesa do organismo:
problema maior que a deficiência aguda, porque os sin- O sistema imune dos vertebrados protege o organis-
tomas clínicos não são evidentes ao ponto de permitir ao mo da invasão constante de patógenos microbianos.
produtor reconhecer a deficiência: elas afetarão negati- Imunidade:
vamente a imunidade, a reprodução e o crescimento do A imunidade se define como as reações do organis-
rebanho muito antes de serem detectadas. mo a substancia estranhas tais como micro-organismos Fazenda Capão Alto, quinta maior produtora de leite do país, localizada em Carmo do Rio Claro, em Minas Gerais. Na imagem, cama de Free Stall, com custo reduzido de R$ 1.800,00, para R$ 70,00

210 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 211
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

3)Regulam o nível da resposta imunológica. 3- enzimas tais como xantinaoxidase e óxidonítrico- influenciados por altas dosagens ou deficiências profun- do embrião (IGF-I) e no desenvolvimento fetal (IGF-II),
4) Estimulam a atividade microbiana das células, in- sintase (NOS) produzem O2 - e NO-. das de zinco. Monócitos são leucócitos ativados pelo zin- bem como do crescimento como um todo. A capacidade
cluindo macrófagos. Outras origens externas de ROS também contribuem co. O zinco também compõe varias enzimas tais como: de resposta das células à IGF depende do número e do
As células T reconhecem o antígeno e as moléculas direta ou indiretamente para a carga oxidante total. superóxido dismutase (SOD), RNA polimerase, DNA tipo dos receptores de IGF presentes na superfície da cé-
MHC, por meio de uma molécula de receptor. Quando polimerase, Ribonuclease, Timidinaquinase. A superó- lula e das proteínas de ligação à IGF que são secretadas
ativadas, elas transportam as moléculas classe II MHC e Exigências: xidodismutase cobre-zinco (SOD1) protege as células pelas células e inibem a ligação do IGF aos receptores da
também expõe a receptora interleucina 2 (IL-2). Quando As exigências metabólicas associadas ao final da pre- eucarióticas contra o estresse oxidativo causado pelos superfície celular. Estudos in vitro utilizando cadeias ce-
em repouso, as células T não possuem estas moléculas. nhez, do parto e ao início da lactação são produtoras de aníons superóxido. lulares modificadas, mostram que o zinco diminui a afi-
Existem três tipos principais de células T: ROS, o qual resulta em estresse oxidativo. O zinco também é essencial para a maturidade sexu- nidade de ligação de IGF para os receptores de IGFBP e
(i) Células auxiliares CT: Células imunes são particularmente sensíveis aos da- al e inicio do estro. Ele tem participa da integridade do aumenta a afinidade de ligação de IGF para os receptores
(ii) estas células se estimulam por uma combinação nos por oxigênio porque a sua membrana celular contem epitélio, o que significa que o zinco é indispensável para de IGF tipo 1 na superfície celular. Além disto, o IGF-1 se
de antígenos e moléculas Classe II MHC e se encontram alto teor de ácidos graxos poli insaturados (PUFA), os a manutenção do revestimento dos órgãos reprodutores. reduz quando há deficiência de zinco.
na superfície de uma célula que contem antígeno. Uma quais são muito suscetíveis à peroxidação. Níveis mais adequados de zinco são essenciais na repa- Assim, se houver mais zinco disponível, haverá
célula que contém antígenos é capaz de apresentar um ração do revestimento uterino após o parto, o retorno ao mais IGF liberado das IGFBF, para promover o cresci-
antígeno de linfócito em forma imunogênica. As células SISTEMA ANTIOXIDANTE DAS CÉLULAS DOS MAMÍFEROS cio, e a manutenção do revestimento para a implantação mento celular.
T auxiliares interagem com as células B para produzir Radicais livres Localização de embriões no útero.
anticorpos, e participam da maturação das células T Superóxido (O2) Citosol, membrana celular Deficiências de zinco em bovinos provocam aborto, Cobre:
citotóxicas, interagindo com outras células, como por Radicais hidroxilo (OH) Citosol, membrana celular mumificação fetal, baixo peso ao nascer e trabalhos de O cobre é essencial na manutenção do sistema imu-
exemplo, macrófagos, para secreção de linfocinas. Água oxigenada (H2O2) Citosol parto mais demorados. nológico, inclusive na formação de
(iii) Células T supressoras CT. Radicais de ácidos graxos Membrana celular Ele também é vital para a qualidade do esperma em anticorpos e das células brancas do sangue sadio. A
(iv) Células T citotóxicas CT. homens,e o zinco e o cobre também deficiência de cobre diminui a imunidade humoral e a
influenciam indiretamente a reprodução com mon- imunidade induzida pelas células, bem como a imunida-
Estresse oxidativo e imunidade: PAPEL DOS MICRONUTRIENTES NA IMUNIDADE E FERTILIDADE ta natural: touros que mancam não procuram vacas em de natural. Ele atua na fagocitose, e também na imunida-
Sies (1991) demonstrou que o estresse oxidativo num Componente Localização Nutriente Função cio; e mesmo quando as montam, podem não ejacular de específica das células fagociticas, como macrófagos e
envolvido
organismo vivo provoca desequilíbrio entre a produção devido à dor. neutrófilos. Duas enzimas que necessitam de cobre supe-
Dismutase Citosol Cobre, zinco, É uma enzima que transfor-
dos metabólitos reativos com oxigênio (ROM) e a capa- superóxido manganês ma o substrato a peróxido de O feto, por sua vez, necessita de zinco para o seu cres- róxido dismutase, possuem atividade anti-inflamatória e
cidade de neutralização dos mecanismos antioxidantes. hidrogênio (água oxigenada) cimento e desenvolvimento normais, e a sua deficiência são importantes na prevenção de danos oxidativos no te-
Estresse oxidativo é a denominação médica para os da- Catalase Citosol Ferro É uma enzima que transfor- provoca teratogênese fetal, gestação prolongada, trabalho cido, resultantes de infecções e inflamações. O cobre faz
ma água oxigenadaem água
nos nas células dos animais causado por substancias que de parto mais difícil, baixo peso ao nascer e cria fraca. parte do aparelho antioxidante do organismo, no com-
Glutation Citosol Selênio É uma enzima que transfor-
reagem com oxigênio, seja na forma de peróxidos, oxigê- peroxidase ma água oxigenadaem água Embora não saibamos qual é a exigência em Zn na plexo Cu-Zn superóxido dismutase (SOD).
nio simples, peróxido de nitrito ou água oxigenada. Atocoferol Membrana Vit. E Interrompe a reação em etapa de reprodução, muito provavelmente é maior do A SOD é considerada a primeira defesa contra pró-o-
O estresse oxidativo pode ocorrer por 3 vias distintas: cadeia de superoxidação dos em outras fases. Ele também é co-fator importante na xidantes, e se considera que seu papel contra o estresse
ácidos graxos
–– Eliminação de um átomo de hidrogênio. síntese de DNA e na transcrição dos genes, e entra na oxidativo é central. O complexo Cu-Zn- SOD tem baixo
Caroteno Membrana Caroteno Previne as reações em cadeia
–– Eliminação de um elétron. de superoxidação dos ácidos formação das prostaglandinas (porque são enzimas com peso molecular e 2 átomos de cobre e 2 de zinco.
–– Adição de oxigênio. graxos zinco),que são as responsáveis por controlar a passagem Existem 3 formas de iso-SOD: duas com Cu e Zn
–– Existem muitas maneiras de produzir substancias do ácido arafridônio. como agentes catalíticos estão no citoplasma ou fora da
com oxigênio altamente reativo: Zinco (Zn) As prostaglandinas também são as responsáveis pela célula. A terceira forma está na mitocôndria e contém
1- cadeia de transporte de elétrons na mitocôndria pela O zinco afeta a imunidade através do seu papel, mui- manutenção da gravidez, devido à Manganês (Mn) como co-factor de catálise.
qual moléculas de oxigênio escapam continuamente na for- to importante na reprodução celular. O Zn influencia as secreção de P6F2a no lumem uterino A P6F2a é a res- A principal defesa contra o anion superóxido e o pe-
ma de ROS (formas reativas de oxigênio) intermediarias. defesas do organismo através da atividade fagocítica das ponsável pelo início das contrações uterinas. róxido de hidrogênio (água oxigenada) são a SOD, a ca-
2- as reações imunes contribuem para a produção células que induzem à imunidade humoral. A deficiên- Também, durante a gravidez, o Zinco modula a ação tálise, e os peróxidos-gutation.
de substâncias oxidantes, especialmente durante as in- cia de zinco diminui o potencial da resposta celular e dos fatores de crescimento semelhantes à insulina, a A molécula de O2 é reduzida a 2H20, captando 4 elé-
fecções ou como produto das respostas autoimunes: os também dos anticorpos do sistema imune, às infecções. nível celular (IGF). Estes fatores de crescimento são trons na célula. Se a redução de 02 é parcial (só 2 elé-
neutrófilos ativados, submetidos a ROS, tentam atingir Até mesmo alterações por um tempo pequeno no nível importantes estimulantes da reprodução celular. Estão trons), o produto final é H2O2 (peróxido de hidrogênio).
patógenos externos, mas a inespecificidade destas rea- de zinco altera o desenvolvimento das células T, assim presentes no útero de várias espécies, inclusive no gado, Se O2 só capta 1 elétron o produto final é radical
ções termina em dano ao tecido dos animais. como as funções das mesmas; já os granulócitos só são e são importantes na adaptação do útero a implantação superóxido: O2 -. Tanto o H2O2 como o O2 – são ex-

212 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 213
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

plementou bezerros com cromo, aumentaram as concen-


trações de imunoglobinas séricas.

MESTRE DICAS
O cromo aumenta a imunidade humoral e também a
imunidade induzida pelas células, bem como a resistên-
cia a infecções respiratórias.Ele diminui a concentração
tremamente tóxicos para as células, os lipídios e a es- de cortisol sérico (gado estressado), o qual diminui a
trutura da membrana. A SOD e a catalase protegem as imunidade dos animais.
células de ambos. Os linfócitos de vacas suplementadas com cromo au-
Se supõe que níveis baixos de cobre diminuem a mentaram a resposta blastogenica por estimulação com
fertilidade devido a alterações nos complexos enzimáti- Con A, uma proteína ligada a carbohidratos que estimula
cos, causam estro tardio, redução da libido, diminuição a produção de células T (CD4 e CD8).
da fertilidade e morte embrionária precoce, necrose da
placenta e anormalidades no sistema nervoso central Ferro (Fe):
da cria. As maiores alterações causadas pela deficiência de
Altos níveis de ferro, enxofre ou molibdênio no solo ferro são a redução das células T periféricas, diminuição
ou nos suplementos minerais podem potencializar ain- dos fagócitos (assassinos de patógenos), dos linfócitos
da mais estes sintomas da deficiência. A deficiência de interleucina – 2, e atrofia do timo.
cobre é comum e grave nas pastagens dos bovinos. Os A anemia por deficiência de ferro prejudica a ativi-
recém nascidos são altamente dependentes do cobre re- dade bactericida dos neutrófilos e também a imunidade
cebido antes do nascimento, uma vez que os níveis de induzida pelas células. Ambas foram eliminadas com te-
cobre no leite da mãe são muito baixos. Assim, a nutrição rapia de ferro adequada.
adequada de cobre nas fêmeas em gestação é fundamen-
tal para ter armazenado no corpo do recém nascido. Selênio (Se) e Vit. E:
A deficiência de cobre nas mães está associada com o O selênio foi identificado em 1930 e considerado tó-
aumento da mortalidade em cordeiros e bezerros. xico para algumas plantas e animais. Hoje se sabe que ele
é necessário tanto para animais de laboratório, quanto
Cromo – Cr em rebanhos comercias e para o homem. O selênio é um
Vários estudos mostram que a suplementação de antioxidante que trabalha em conjunto com a vit. E para Se também está associado à tiroxina (hormônio da tire- peroxidase que destrói o H2O2 e os lipídios peroxidados.
cromo biodisponível (Cr-amino ou Crlevedura) ao gado impedir e reparar os danos às células do corpo. A defici- óide) que regula o metabolismo, reprodução, circulação A vit. E protege as membranas celulares, produzindo hi-
leiteiro, traz benefícios à sua imunidade. Quando se su- ência de Se e/ou de vit. E prejudica a resposta imune; o e função muscular. Ele também protege o organismo de droperóxido de lipídios estáveis, que são inofensivos.
metais pesados, acomplexando-os. Ele atravessa facil-
mente a placenta e também se dissolve no leite; então, a Cobalto e vit. B12:
qualidade da suplementação de selênio de uma vaca irá O cobalto é essencial na nutrição de ruminantes para
afetar diretamente a saúde e a força de sua panturrilha! a síntese de vit. B12. Ele também melhora a digestão das
Combinados, Se e vit. E aumentam as defesas contra fibras pelas bactérias. Embora as necessidades de Co na
a mastite. A deficiência de ambos aumenta a retenção de dieta seja menor que 1ppm, a sua deficiência tem efei-
placenta, enquanto que a deficiência de Se aumenta as tos devastadores sobre a saúde animal. O melhor meio
infecções uterinas, a morte embrionária e diminui a fer- de assegurar que o Co necessário está sendo oferecido
tilidade. Os níveis de vit. E na dieta total de vacas secas ao animal, é garantindo a sua presença no suplemento
é de 1000 UI/dia, 500 UI/dia para vacas em lactação e mineral. Nos ruminantes a vit. B12 é sintetizada pelos
0,3 ppm de selênio. Vários trabalhos demonstram a pou- microorganismos ruminais a partir do cobalto. Assim,
ca capacidade dos neutrófilos de sequestrar patógenos, é impossível substituir o cobalto por vit. B12, já que ele
quando há deficiência de Se. é necessário ao metabolismo microbiano.
O Se e a vit. E compartilham funções biológicas co- Ruminantes com dieta deficiente em cobalto perdem
muns a ambos; a deficiência de um afeta a atividade do o apetite,o pelo e massa muscular; aparecem casos de
outro. O Se é componente essencial da enzima glulationa apetite depravado, anemia e até morte. Os teores de co-

214 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 215
CRIAÇÕES CRIAÇÕES

balto variam muito nos alimentos, dependendo da geo- vres; a suplementação de vit. C melhora o sistema imu-
grafia, solo, pH, etc.
Os animais com deficiência parecem ter sofrido fome;
as mucosas visíveis ficam inflamadas e a pele é pálida e
nológico, as atividades celulares, e a multiplicação dos
linfócitos; ela age contra a toxicidade, mutagenicidade
e carcinogênese dos poluentes ambientais, estimulando
A MELHOR FORMA DE
frágil. Os sinais secundários da deficiência incluem fígado
gorduroso, aumento da mortalidade das crias logo após o
nascimento, infertilidade e menor resistência às infecções.
as enzimas desintoxicantes do fígado . Contribui para a
integridade da função redox das células, protegendo-as
do oxigênio reativo gerado durante a respiração e nas
PENSAR OS LUCROS
Também, o metabolismo do ácido propiônico ne-
cessita de vit. B12. O acúmulo de ácido propiônico no
respostas inflamatórias.
DA FAZENDA
sangue deprime o apetite, o que ficou demonstrado em PAPEL DA VITAMINA C NAS DEFESAS DO ORGANISMO
ovelhas: quanto maior o teor de propionato no sangue, Defesa Vitamina C
menor é o consumo do alimento quando as dietas são Pele e barreiras de mucosas Síntese de colágeno
deficientes em cobalto. Aumento da força CONHEÇ A NOSSA COMPLETA LINHA DE INOCULANTES,
A sua deficiência também afeta o funcionamento dos Neutrófilos e macrófagos Aumento da motilidade P R O B I ÓT I CO S E S U P L E M E N TO S M I N E R A I S PA R A N U T R I Ç ÃO A N I M A L .
Aumento da capacidade Killer
neutrófilos e a resistência à invasão de parasitas. Aumento da fagocitose
Assim, neutrófilos isolados de bezerros deficientes em Linfócitos B e Linfócitos T Multiplicação
Co tiveram menor capacidade de matar Candida albicans. Interferon Aumento da produção
A vit. B12 desempenha um papel central no siste-
Na Kera o produtor encontra produtos, produção localizadas em Farroupilha e
aplicações e tecnologias que agilizam e Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul.
ma imunológico, porque ela atua na divisão celular e Conclusão: otimizam os processos produtivos em to-
no crescimento. As interações entre nutrientes, imunidade e resistên- Nossa parceria com o produtor é baseada
das as fases, além de acompanhamento em eficiência.
A falta de B12 impede o amadurecimento e a multi- cia a doenças são extremamente complexas. e assistência técnica especializada.
plicação das células brancas no sangue, há diminuição Existem muitos fatores que afetam a resposta de um É por isso que nós da Kera não estamos
Os produtos são desenvolvidos com tec- no mercado competindo por preços.
dos glóbulos brancos e retenção do timo, que é o órgão animal à suplementação, estado fisiológico do animal nologia própria e equipe altamente qua-
crítico do sistema imunológico. (prenhe/vazia), ausência ou presença de antagonistas na lificada, em duas modernas estações de Competimos por resultados.
dieta, fatores ambientais, assim como a influência do es-
Vitamina A e β-caroteno: tresse sobre o metabolismo de micronutrientes.
A integridade do epitélio das superfícies mucosas Deficiências de Cu, Se, Co e vit. E reduzem a capaci-
com seu muco é o componente mais dade dos neutrófilos de matar fungos e bactérias.
importante da imunidade natural, e essencial para Deficiência de cobre reduz a produção de anticor-
evitar a invasão de microorganismos. pos, mas em geral não altera a imunidade induzida pe-
Deficiências de vit. A, que levam a perda desta las células.
integridade, causam aumento das infecções gastroin- A suplementação de vit. E e Se reduz as mastites e a
testinais, respiratórias e do aparelho urogenital. A en- retenção de placenta.
zima antimicrobiana lisozima depende da vit. A para O cromo estimula a imunidade em condições de
ser sintetizada. estresse.
Em pintos a deficiência de vit. A causou anomalias A deficiência de Co está sendo associada à baixa re-
no desenvolvimento dos órgãos linfoides primários e a sistência às infecções por parasitas.
reprodução celular diminuiu. O β-caroteno é o principal O β-caroteno aumenta a imunidade humoral e a
precursor da vit. A e aparece naturalmente nos alimen- induzida pelas células. Deficiências de oligoelementos
tos. Parece ser que o β-caroteno afeta a imunidade, in- podem afetar a produtividade dos ruminantes. A suple-
dependente da sua função de fonte de vitamina A. Ele mentação de zinco e cobalto aumenta o consumo dos
também atua como antioxidante, ao contrario da vit. A. animais rapidamente.
As respostas à suplementação de Cu e Se são mais Apropriado para uso na produção
orgânica. Utilização condicionada aos
critérios de cada regulamento orgânico NUTRIÇÃO ANIMAL
Vitamina C: lentas. Animais com deficiências subclínicas são difíceis conforme respectivo Atestado emitido.
Inspecionado pela Ecocert.
COM RESPONSABILIDADE
Como antioxidante, a vit. C é uma excelente fonte de serem diagnosticados como tal; no entanto, mudan- w w w. k e r a b r a s i l . c o m . b r
de elétrons, pois ela cede elétrons para os radicais li- ças na nutrição mineral melhoram a produção. ◆ (54) 2521-3124

216 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 217
ORGÂNICOS ORGÂNICOS

Tavares inaugura primeira


feira agroecológica da cidade
Horta Orgânica garante
A
Emater/RS-Ascar, em parceria com a prefei- culturas, a Emater/RS-Ascar e os parceiros idealizaram

segurança alimentar de família


tura de Tavares, município localizado a 230 uma feira no centro da cidade para que a população pu-
km de Porto Alegre, juntamente com o Sindi- desse comprar os produtos oriundos da produção local.
cato dos Trabalhadores Rurais, inaugurou no final de ja- Para o extensionista da Emater/RS-Ascar, Alexandre
neiro, a primeira Feira Orgânica da Agricultura Familiar Klein, além do aumento da renda familiar, a feira agro-

no Alto Sertão paraibano do município. Os agricultores comercializam diretamen-


te aos consumidores, todas as quartas-feiras, no período
da tarde no Pavilhão da Agricultura Familiar, localizado
no centro da cidade.
ecológica só tem a contribuir com os agricultores e com
a população do município, já que eles terão acesso a ali-
mentos livres de agrotóxicos. Segundo Klein, no inicio
do projeto apenas quatro agricultores queriam participar

E
m meio à vegetação típica da Caatinga, Marle- da; outra parte é vendida de porta em porta nas comuni- A população de Tavares possui origens no meio rural e, na inauguração, oito agricultores já estavam vendendo
ne Lopes dos Santos, 43 anos, e Genival Lopes dades da vizinhança. “Com essa renda extra, estamos me- e a grande maioria produz cebola, a principal fonte de os seus produtos.
dos Santos, 44, cultivam alface, cebolinha, co- lhorando a nossa qualidade de vida”, afirma o agricultor. renda, deixando culturas, como o feijão, abóbora, couve, O prefeito de Tavares, Flavio Souza, ressaltou a im-
entro e pimenta de cheiro no quintal da casa, no assen- O engenheiro agrônomo Anderson Barbosa, o téc- melancia e outros, apenas para o consumo da família. En- portância da feira no centro da cidade e o incentivo da
tamento Floresta, no município paraibano de Sousa. A nico agrícola Romério Cartaxo e o engenheiro florestal tre os problemas constatados pelos organizadores estão o Prefeitura. Ele salientou, também, a importância da di-
família iniciou há pouco mais de três meses uma horta Hidelgardo Alecrim, da Central das Associações dos baixo consumo de hortaliças de origem local e o desper- versificação de culturas, a comercialização na feira como
orgânica e já planeja ampliar as variedades produzidas. Assentamentos do Alto Sertão Paraibano (Caaasp) – en- dício de alimentos pelos agricultores. Com o objetivo de nova oportunidade de renda aos agricultores e a oferta
Localizado no Alto Sertão paraibano, a cerca de 430 qui- tidade contratada pelo Incra/PB para prestar Assessoria aproveitar a produção e incentivar a diversificação das de produtos sadios aos consumidores do município. ◆
lômetros de João Pessoa, o assentamento foi criado em Técnica, Social e Ambiental (Ates) a 31 assentamentos
2013 a partir da desapropriação do imóvel de mesmo do Alto Sertão do estado –, acompanham a horta de Ge-
nome, com área aproximada de 593 hectares, onde fo- nival e Marlene.

DIVULGAÇÃO EMATER
ram assentadas 13 famílias de trabalhadores rurais. Para a equipe, os benefícios socioambientais da agri-
Genival conta que aproveitou a experiência adqui- cultura orgânica são grandes tanto para o agricultor
rida quando trabalhava em uma horta comercial de quanto para os consumidores finais. Os profissionais
grande escala e usou equipamentos para irrigação que orientaram os agricultores a utilizar a cobertura morta
foram dispensados pelo seu antigo patrão para iniciar sobre o solo como forma de reter a umidade e melhorar
a horta familiar. a ciclagem dos nutrientes (a contínua transferência de
Atualmente, a produção de hortaliças, além de ga- nutrientes do solo para as plantas, e destas para o solo).
rantir a segurança alimentar da família de Genival e Segundo o engenheiro agrônomo Anderson Bar-
Marlene, contribui com o orçamento familiar. Marlene bosa, produzir em sistemas orgânicos não se resume
conta que viveu 23 anos na mesma localidade, mas era a eliminar os agrotóxicos nas culturas ou substituir os
obrigada a repassar metade do que produzia para o dono fertilizantes minerais por biofertilizantes. “É necessário
da terra. Agora, se sente motivada, pois tudo que produz conhecer toda a complexidade do agroecossistema para,
é para a família. O casal tem duas filhas, que também assim, manejar os recursos naturais presentes em sua to-
ajudam no cuidado com a horta. talidade, tanto o solo, como a água, as demais plantas, os
Genival explica que boa parte da produção é vendida grandes e os pequenos animais, inclusive os microrga-
em um supermercado do vizinho município de Apareci- nismos”, disse. ◆

218 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 219
ORGÂNICOS ORGÂNICOS

errei? O que devo fazer agora?”. E assim, buscar a solução arroz orgânico produzido em assentamentos com exce-

A expansão dos
para corrigir o manejo no sistema. Inclusive o de pensar em lente qualidade”, explica.
múltiplos cultivos (uma premissa básica em agroecologia é
uma maior agrobiodiversidade)”, ressalta. Expectativas para o setor
Outro entrave burocrático é atender às normas para Para a próxima década, Petry diz que haverá maior
obter a certificação. Não são complicadas, mas devem ser demanda por produtos orgânicos e agroecológicos em

alimentos saudáveis
atendidas. Não são todos que tem perfil para tal. função da insegurança alimentar ligada aos índices alar-
mantes mundiais de saúde pública (doenças do século:
Alimentos produzidos câncer, diabetes, hipertensão, obesidade...) e também no
Durante quase 10 mil anos (até o século 18), pode-se Brasil, com 50% das pessoas acima do peso, com 18,5%
dizer que a produção agrícola era de base agroecológica. com obesidade mórbida, etc.
Insegurança alimentar ligada aos índices alarmantes mundiais de saúde pública Então, é óbvio que é possível produzir qualquer cultura “Será o consumidor esclarecido e consciente que vai
num sistema agroecológico. Mas dependerá do conheci- exigir cada vez mais um alimento de qualidade. Haverá sim
são fatores que vão alavancar a produção de alimentos agroecológicos no Brasil mento e motivação da família de agricultores envolvidos maior estímulo para a produção agroecológica, que já tem
no processo. A Europa é a maior produtora de grãos or- sido fomentado desde 2003 e só tende a aumentar. No Brasil

M
esmo pequena, a produção agroecológica Vantagens da agroecologia gânicos, pois há um forte mercado consumidor exigindo desde 2012, existe uma política pública (PNAPO) e apoio
tem apresentado aumento no índice de De acordo com a professora, a primeira vantagem em pães, biscoitos, etc, orgânicos. Ou seja, o que cada região a projetos de pesquisa. A UPF, junto com CETAP, Rede
produção no país. São 1,5 milhão de hec- produzir de forma agroecológica é reduzir a contami- já produz bem de forma convencional, pode produzir Ecovida e Coonalter, aprovou um projeto junto ao CNPq e
tares com a produção de inúmeras culturas, sendo algu- nação ambiental, principalmente dos recursos hídricos. em sistema orgânico com respostas satisfatórias, já que MDA (criando o Núcleo de estudo em Agroecologia) que
mas exportáveis. “O custo para limpar a água é enorme. E não se elimina produtos orgânicos são melhor remunerados. “Na Fran- demonstra o interesse do governo de fomentar essa linha
Conforme a agrônoma, doutora e professora da Uni- moléculas sintéticas de agrotóxicos das águas contami- ça, por exemplo, a produtividade do trigo convencional de agricultura, unindo universidades a instituições de ex-
versidade de Passo Fundo, Cláudia Petry, também coor- nadas. Ao não permitir a entrada de adubos sintéticos e alcança 10 toneladas por hectare e a produção de trigo tensão rural (Agentes ATER). E sem sombra de dúvidas, é
denadora do Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA) agrotóxicos, uma propriedade agroecológica é um filtro orgânico alcança 3 toneladas por hectare (semelhante no território da agricultura familiar que a agroecologia pode
do Planalto Norte, a produção agroecológica tem cresci- para o agroecossistema regional, por isso ela é tão impor- ao trigo convencional brasileiro). Mas lá o trigo orgâni- melhor se expressar. Pois ambas reivindicam autonomia,
do no Brasil. Mesmo sendo menos de 1% da produção tante onde existe. Com menor contaminação, os alimen- co pode receber até 30% a mais, ou seja, o rendimento mão de obra familiar, agrobiodiversidade, permanência da
agrícola, a produção orgânica segundo o cadastro do Mi- tos orgânicos são 100% aproveitáveis e diminuem a carga bruto se equivale. No Rio Grande do Sul temos produção mulher e do jovem no campo, e sustentabilidade atendendo
nistério da Agricultura (Mapa), alcança em torno de 11 de ingestão de agrotóxicos pelo ser humano. Hoje se sabe de arroz biodinâmico (raro no Brasil) e também temos normas trabalhistas, ambientais e florestais”, esclarece. ◆
mil unidades de produção, 7.959 produtores e 1,5 milhão que vários cânceres são causados pela contaminação am-
Produção agroecológica reduz a contaminação ambiental
de hectares (95% de pequenos e médios produtores ru- biental, sobretudo pelo uso de agrotóxicos. O custo de
rais) e inúmeras culturas. As principais que são exporta- produção pode reduzir paulatinamente, à medida que o
das são açúcar, café, soja e óleos. Em 2013, aumentou em agricultor consiga manejar toda a agrobiodiversidade do

DIVULGAÇÃO UPF
22% o número de produtores orgânicos. sistema agroecológico com o mínimo de perdas. Mas até
Segundo a professora, em 2013, o Piauí era estado isso acontecer, o custo de produção ficará alto”, diz.
com maior número de produtores envolvidos na ativi-
dade, com 978 e o Rio Grande do Sul vinha em segundo Entraves
lugar (863 produtores), depois São Paulo e Paraná. A Entre os entraves desta forma de produção está a acei-
região Nordeste é a que tem maior número de unidades tação de mudar o hábito cultural de como fazer as coisas
de produção. e a própria rotina de trabalho. A produção agroecológica
“Há um crescimento mundial de cerca de 20% ao ano. visa o equilíbrio do agroecossistema e, por isso, não tem
Os entraves continuam sendo a restrita organização da respostas prontas (os pacotes tecnológicos), tem na verda-
cadeia, dependendo muito da venda direta (circuito cur- de respostas locais dependentes da conjuntura local.
to), do associativismo e da divulgação pessoal. Na Europa, “Um agricultor convencional sofre ao não praticar mais
a comunidade européia exige que cada país tenha uma o gesto de aplicar um agrotóxico por exemplo. Pois quando
Agência de Orgânicos com todos os produtores cadastra- em processo de conversão para a produção orgânica, e se en-
dos e produções rastreadas. Isso nos falta ainda. É difícil contrando diante de um problema fitossanitário, ele precisa
conhecer toda a oferta de produtos orgânicos no Brasil. parar de pensar “o que eu aplico?”, e começar a pensar “onde

220 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 221
ORGÂNICOS ORGÂNICOS

“Produzir agroecologicamente é
cuidar da nossa saúde e daqueles
que compram nossos produtos”,
defende agricultora cearense
M
aria de Fátima dos Santos, 51 anos, gosta Brasil agroecológico
de dizer que a vida deu um salto após ela Em 2013, durante a II Conferência Nacional de De-

SÉRGIO AMARAL
própria reconhecer o potencial do campo. senvolvimento Rural Sustentável e Solidário, a presiden-
Ex-beneficiária do Bolsa Família e agricultora familiar, te Dilma Rousseff lançou o Brasil Agroecológico – Plano
Maria devolveu o cartão do programa de transferência Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, como
de renda depois que passou a acessar políticas voltadas principal objetivo de articular políticas, programas e ações
para o meio rural como a Ater, o Pronaf e o Proinf com de incentivo à produção de alimentos em bases agroeco-
o objetivo de investir na produção agroecológica. “Mi- lógicas e orgânicos e representa um marco na agricultura
nha alegria é saber que estou plantando e colhendo para brasileira. Estão destinados R$ 8,8 bilhões para execução
alimentar minha casa enquanto outra pessoa ganhou a de 125 iniciativas. Elas envolvem crédito, qualificação e
chance de fazer o mesmo, de dar comida aos seus filhos.” promoção de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater),
Na chácara onde mora, em Itapipoca, no Ceará, a 130 desenvolvimento e disponibilização de inovações tecno-
quilômetros de Fortaleza, Maria produz mais de dez va- lógicas e ampliação do acesso a mercados institucionais,
riedades de frutas e hortaliças. “Produzir agroecologica- como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o
mente é cuidar da nossa saúde e daqueles que compram Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
nossos produtos. Por isso, o incentivo é tão importante”. Junto com o Brasil Agroecológico, foi assinado o acor-
Com intuito de estimular os agricultores familiares a do de cooperação que instituiu o Programa Ecoforte. O ob-
produzir agroecologicamente, o Plano Safra (2014/2015) jetivo é apoiar as redes, cooperativas e grupos produtivos
contemplou, pela primeira vez, políticas voltadas exclu- de agroecologia, produção orgânica e extrativismo para
sivamente para a agroecologia. Entre as medidas estão: fortalecimento da produção e processamento, do acesso
garantia de custeio para a implantação de sistemas de aos mercados convencionais, alternativos e institucionais
produção agroecológicas e orgânicas; Assistência Técni- e para ampliação da renda dos agricultores familiares e
ca e Extensão Rural (Ater) para o desenvolvimento des- extrativistas. O programa Ecoforte conta com recursos da
ses sistemas; taxa diferenciada de juros do Pronaf inves- Fundação Banco do Brasil (FBB) e do Banco Nacional de
timento em 1% ao ano. Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ◆

222 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 223
NAIARA PONTES / MDA
ORGÂNICOS ORGÂNICOS

Há dois anos, Maria do Socorro participa do Pro- e, a partir daí, tudo começou a acontecer, os caminhos
grama Produtor de Água, que tem adesão voluntária começaram a se abrir”, explica Fátima.
por parte dos agricultores. Ele prevê apoio técnico e A agricultora conta, ainda, que vai tentar acessar
financeiro para ações como construção de terraços e a linha de crédito do Ministério do Desenvolvimento
bacias de infiltração, recuperação e proteção de nascen- Agrário (MDA) voltada para a agroecologia, o Programa
tes, reflorestamento de áreas de proteção permanente, Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar -
dentre outros. A agricultora fez terraceamento (técnica Pronaf Agroecologia. “Já estou me movimentando para
agrícola e geográfica de conservação do solo, destina- acessar o Pronaf. Fizemos a transição para assegurar
da ao controle de erosão hídrica, utilizada em terrenos nossa permanência no campo, eu já estava desistindo.
muito inclinados) e reflorestamento, em sua proprieda- No modelo convencional não dá mais”, comenta.
de de 18 hectares.
“O córrego que passa aqui é o Pipiripau, que abastece Ater
duas cidades. Preservo esse córrego há muito tempo. Es- O presidente da Empresa de Assistência Técnica e
tou aqui desde 1986 e desde essa época que a gente vem Extensão Rural (Emater/ DF), Argileu Martins, res-
plantando. Hoje, na beira do córrego, está tudo florido, salta que esse trabalho de preservação já vem sendo
tem abelhas lá, os macacos aparecem para comer frutas, feito pelos técnicos de Ater. “A Ater já faz isso há muito
é a coisa mais linda”, orgulha-se Maria, que ainda cuida tempo, quando ela organiza manejo de solo. A Emater
de 50 cabeças de gado leiteiro. identifica as formas de utilização da água, verifica se
A Bacia Hidrográfica do Ribeirão Pipiripau é uma a propriedade tem áreas degradadas, se tem nascen-
área com atividade agropecuária intensiva e também tes expostas, matas ciliares não cobertas, e organiza
principal responsável pelo abastecimento de água das a recuperação das áreas de preservação permanente”,
cidades de Planaltina e Sobradinho. destaca. Foi esse o trabalho feito com as agricultoras
Maria do Socorro e Fátima.

Mulheres do campo
Transição
Fátima Cabral, 55 anos, é nova no campo. A agricul- Iniciativa
tura familiar entrou na vida dela e da família há 14 anos O Produtor de Água é uma iniciativa da Agência Na-
por necessidade. “Nós éramos da cidade, eu tinha um cional de Águas (ANA) que tem como objetivo a redu-

usam a agroecologia para


trabalho administrativo, burocrático. Nós fizemos essa ção da erosão e assoreamento dos mananciais nas áreas
migração pensando justamente nos filhos mais novos, rurais. O programa, de adesão voluntária, prevê o apoio
que, na época, estavam entrando na adolescência, na- técnico e financeiro à execução de ações de conserva-
quele grupo de risco, de drogas e álcool. Aí, eu e o meu ção da água e do solo, como, por exemplo, a construção

preservar água no DF
esposo tivemos a iniciativa de trocar tudo na cidade e vir de terraços e bacias de infiltração, a readequação de
pra área rural”, justifica. estradas vicinais, a recuperação e proteção de nascen-
A propriedade da família Cabral tem 40 hectares e lá tes, o reflorestamento de áreas de proteção permanen-
eles produzem cenoura, repolho, abobrinha e mandioca te e reserva legal, o saneamento ambiental, etc. Prevê
na forma convencional e banana no sistema agroecológi- também o pagamento de incentivos (ou uma espécie
co. O objetivo da família é adotar a forma agroecológica de compensação financeira) aos produtores rurais que,

M
aria do Socorro de Lima e Fátima Cabral Maria do Socorro tem 56 anos e uma vida toda dedi- em toda a produção. comprovadamente contribuem para a proteção e recu-
são mulheres que fazem a diferença no cada à agricultura familiar. Filha de agricultores e nasci- “A gente trabalha todo dia, acorda e levanta com esse peração de mananciais, gerando benefícios para a bacia
campo. Em tempos de crise hídrica em al- da em Pernambuco, estado localizado no Semiárido bra- propósito. Começamos essa transição há dois anos, a e a população.
guns estados do país, as agricultoras familiares de Planal- sileiro, ela aprendeu desde cedo a preservar a água. “Eu partir desse Programa Produtor de Água, que nos ajudou A concessão dos incentivos ocorre somente após a
tina (DF) participam de um projeto do governo federal venho fazendo isso há mais de 15 anos. Eu já tinha essa nessa transição. Meus filhos já vinham se negando a tra- implantação, parcial ou total, das ações e práticas con-
para melhorar a qualidade da água, reduzindo a erosão consciência há muito tempo. Já pensava ‘isso está errado, balhar com veneno, por isso se afastaram da produção. servacionistas previamente contratadas e os valores a
e o assoreamento de mananciais no meio rural. As duas vai acabar a água, vai acabar o córrego’. Aprendi o que Eu estava vendo que eles iam desistir da terra, que iam serem pagos são calculados de acordo com os resultados:
agricultoras estão entre as famílias que adotaram práticas sei sozinha, porque amo a natureza e gosto de preservar”, embora. Eu mesma cheguei a pensar em vender a terra. abatimento da erosão e da sedimentação, redução da po-
e manejos sustentáveis para conservar o solo e a água. declara a agricultora. Mas tivemos essa ideia de fazer a transição agroecológica luição difusa e aumento da infiltração de água no solo. ◆

224 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 225
POLÍTICAS PÚBLICAS POLÍTICAS PÚBLICAS

O
s 6,5 mil alunos da rede pública de Erechim estruturar os processos de compras de produtos da agri-
(RS) sentem no dia a dia os benefícios de uma cultura familiar para a merenda escolar.
alimentação saudável, elaborada com produtos A Cooperativa de Desenvolvimento Regional (Cooper-
colhidos na região. O município, localizado a 375 quilô- família), de Erechim (RS), vende alimentos para o PAA e
metros de Porto Alegre, usa todo o recurso repassado pelo o Pnae. Formada por 1,2 mil associados, a entidade co-
Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) para mercializa metade da produção para a merenda escolar do

Agricultura familiar melhora


adquirir produtos de agricultores familiares da região. município. O restante segue para entidades da assistência
De acordo com a legislação, as escolas devem desti- social, por meio da modalidade de Compra com Doação
nar pelo menos 30% dos recursos para compras da agri- Simultânea do PAA, e para mercados e feiras da cidade.
cultura familiar. Nos últimos dois anos, foram investidos A presidente da Cooperfamília, Juraci Zambon, conta

alimentação de alunos da
quase R$ 1,7 milhão na compra de alimentos para a me- que a lista de produtos é bem diversificada e atende bem à
renda escolar, dinheiro que beneficiou aproximadamen- demanda dos estudantes – principalmente com pães e bo-
te 6,3 mil agricultores familiares da região de Erechim. los, laticínios, hortaliças, frutas e legumes. Ela afirma que
“Desde o início das compras da agricultura familiar para é gratificante ver que a merenda consumida pelos filhos

rede pública as nossas escolas, observamos a redução do índice de obesi-


dade dos alunos. Além disso, temos uma melhor aceitação
das refeições porque, com produtos mais frescos, temos a
possibilidade de preparar refeições mais saborosas”, conta a
dos agricultores vem de produtos cultivados pelos próprios
pais. “É uma satisfação muito grande saber de onde vem
o alimento que eles estão consumindo e é uma forma de
reconhecer e valorizar a agricultura familiar”, completou.
Programas de compras governamentais abrem novo mercado para secretária adjunta de Educação de Erechim, Juliane Bonez.
Em 2013, o valor utilizado pelo Pnae somente para Ceará
agricultores familiares e possibilitam aquisição de produtos de mais a compra da agricultura familiar em todo o país corres- Em Quixeramobim (CE), município localizado no
qualidade para escolas pondeu a R$ 546,5 milhões de um total de R$ 3,5 bilhões Semiárido, a seca não tem permitido comprar mais do
do orçamento do programa. que 30% da agricultura familiar para a merenda dos alu-
A merenda escolar foi destacada pela Organização nos. Mesmo assim, a nutricionista responsável pelo Pnae
das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação no município, Maria Jaqueline Gomes, comemora o fato
(FAO) como fator importante para a saída do Brasil do de os produtos serem entregues na porta das escolas.

DIVULGAÇÃO
Mapa da Fome, em 2014. De 2002 a 2013, caiu em 82% “Somos privilegiados. É bom para todo mundo: para
a população de brasileiros considerados em situação de os agricultores familiares, para as crianças que têm ali-
subalimentação. Todos os dias, no Brasil, 43 milhões de mentos saudáveis e frescos da região e para o município
crianças e adolescentes se alimentam na escola – um nú- que se fortalece com a renda que não sai daqui”, conta.
mero maior do que a população da Argentina. Maria Jaqueline lembra que, antes de 2010, quando não
Segundo a FAO, a redução da fome no país também compravam da agricultura familiar, os produtos vinham
se deve ao aumento da oferta de alimentos, à maior ren- da capital Fortaleza – a 212 quilômetros de distância.
da dos mais pobres, ao Programa Bolsa Família e à re-
criação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e PAA
Nutricional (Consea). O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) possibilita
De acordo com o secretário Nacional de Segurança aos agricultores familiares a venda de produtos para o gover-
Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimen- no, que os destinam a mais de 20 mil entidades – hospitais,
to Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, creches, escolas, a asilos, comunidades terapêuticas e para a
graças a ações como essas, o Brasil já conhece a primeira população em vulnerabilidade social. Em quase 12 anos, fo-
geração sem fome. “Devemos lutar para que políticas pú- ram mais de 4 milhões de toneladas de alimentos adquiridos
blicas melhorem cada vez mais a qualidade da alimenta- pelo programa e mais de R$ 5,3 bilhões investidos.
ção e de vida das crianças, principalmente as mais pobres.”
A experiência de quase 12 anos de compras gover- Pnae
namentais por meio do Programa de Aquisição de Ali- A União repassa recursos complementares para os
mentos (PAA), coordenado pelo MDS, contribuiu para municípios e os estados para a alimentação dos alunos

226 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 227
POLÍTICAS PÚBLICAS POLÍTICAS PÚBLICAS

ORGANIZAÇÕES COLETIVAS FORNECEDORAS DO PNAE


Espírito Santo
“Com o Pnae, a renda é certa”,
comemora agricultor capixaba
Com os investimentos na propriedade, Fábio organizou a produção e comercializa,
desde 2010, polpas de manga e acerola para escolas municipais de Alegre

F
ilho de agricultores familiares, Fábio de Souza, frutas são cultivadas agroecologicamente em uma área
30 anos, nasceu e cresceu na comunidade Feliz de 1,5 hectare junto com outras que são consumidas pela
Lembrança, município de Alegre, sul do Espíri- família e vendidas em feiras da região.
to Santo. Foi nesse lugar que ele se casou, há quatro anos, “Na feira tem dia que vende mais, tem dia que vende
com Elaine Ferreira, 30, e é também onde pretende criar menos e tem dia que não vende nada. Com o Pnae, a ren-
Em 2009, 385 organizações coletivas forneciam para o Pnae. No ano de 2014, os filhos. As políticas do governo federal para a agricultura da é certa. O que dá segurança para investir e um ânimo

o Pnae já conta com 2961 empreendimentos, um crescimento de 600%. familiar foram determinantes para ele tomar essa decisão.
“Hoje, se o produtor quiser trabalhar, é bem mais fácil,
que contagia toda família. É uma das maiores portas que
já foi aberta para a agricultura familiar.”
tem apoio. Eu e meu pai começamos a investir mais na Além dele, mais 14 famílias de Feliz Lembrança se
de toda a educação básica – educação infantil, ensino Atualmente, o valor repassado, por dia letivo, para cada produção com a chegada do programa Luz para Todos, de- beneficiam do programa.
fundamental, ensino médio e educação de jovens e adul- aluno varia de R$ 0,30 (para a educação de jovens e adul- pois veio o crédito, a agroindústria, o Pnae. É outra vida.” Em 2014, segundo o Fundo Nacional de Desenvolvi-
tos –, matriculados nas escolas públicas ou conveniadas. tos) a R$ 1 (para creches e ensino integral). ◆ Com os investimentos na propriedade, Fábio orga- mento da Educação (FNDE), o governo federal investiu
nizou a produção e comercializa, desde 2010, polpas de mais de R$ 104 milhões na aquisição de alimentos sem
manga e acerola para escolas municipais de Alegre. As agrotóxicos para a alimentação escolar. ◆

UBIRAJARA MACHADO / MDA

DIVULGAÇÃO
228 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 229
POLÍTICAS PÚBLICAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Cooperativa gaúcha Ceará


Programas de comercialização garantem
fornece produtos para renda a agricultores familiares

alimentação escolar H
á quatro anos, com o sonho de melhorar a
produção e desenvolver a agricultura fami-

EDUARDO AIGNER / MDA


liar local, Airton Aloísio Kern, 50 anos, se
reuniu com outros 25 agricultores do município de Ma-
ranguape/CE, para criar a Cooperativa Agroecológica da
Agricultura Familiar do Caminho de Assis (Cooperfam).

A
Cooperativa de Desenvolvimento Regional A comercialização por meio do Pnae começou em Atualmente, 278 cooperados trabalham juntos para,
(Cooperfamília) foi fundada em 2005 com o 2011. Atualmente, os alimentos da Cooperfamília chegam cada vez mais, melhorar o meio rural onde vivem.
intuito de melhorar a qualidade da produção a 80 escolas. Somente em Erechim são mais de 30 da rede Formada somente por agricultores familiares, a sede
dos agricultores familiares do município gaúcho de Ere- municipal. “Trabalhamos com alimento, o que é vida. Aju- da Cooperfam fica a 30 quilômetros da capital Fortaleza.
chim. No começo eram 20 cooperados, hoje já são 1,3 dar tantas famílias e ver as crianças nas escolas, que são os Os integrantes produzem hortaliças, frutas, polpas de
mil. O passo inicial para garantir mais renda aos produ- nossos filhos, comendo alimentos saudáveis, é muito gra- frutas e mel. Presidente da cooperativa, Airton conta que
tores foi o acesso aos programas institucionais de com- tificante”, afirma Juraci Zambon, presidente da entidade. os produtores enfrentam dificuldades com a estiagem
pra de alimentos - Programas Nacional de Alimentação Já o acesso pelo PAA, foi antes, em 2006. “Eram para garantir a produção durante o ano inteiro. “Para
Escolar (Pnae) e o de Aquisição de Alimentos (PAA). projetos pequenos e fomos ampliando para mais mu- conviver com seca, cultivamos muitas frutas aqui da re-
Com filial em Erechim e Viadutos (RS), a cooperativa nicípios. Atualmente, estamos entregando para várias gião como tamarindo e seriguela”, diz.
atua em quase todo o Estado e conta com uma vasta lista instituições. Foi com esses programas que começamos a Os principais canais de comercialização da coopera-
de produtos. Os agricultores produzem pão, cuca, bola- organizar a produção, porque antes tínhamos um merca- tiva são os programas de Aquisição de Alimentos (PAA)
cha, hortaliças, legumes, frutas, geleias, mel, farinhas, do muito tímido”, acrescenta Juraci. e Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Essas polí-
grãos, queijos e bebidas lácteas. Mais da metade da pro- O agricultor Rodrigo Strapazzon, 28 anos, da zona rural ticas de compra nos garantem renda e isso despertou o
dução vai para a merenda escolar. de Erechim, entrou há quatro anos para a Cooperfamília. interesse de vários produtores. Eles têm nos ajudado a
Ele aproveitou o momento em que a cooperativa começava melhorar muito a produção”, afirma.
a entregar hortaliças para a merenda escolar. “É o que pro- A cooperativa conta com uma caminhonete e um lo-
duzo: alface, brócolis, couve-flor e cheiro verde. Depois dis- cal específico para processar, embalar e estocar o produ-
so consegui melhorar muito a minha propriedade”, explica. to. Ao todo, a Cooperfam atende 45 escolas no Estado.
ANDREA FARIAS / MDA

O casal aumentou, de duas para nove, a quantidade “Normalmente as escolas compram de R$ 6 a R$ 7 mil. familiares no cultivo. “Meu filho, minha esposa, primo e
de estufas para o cultivo das hortaliças, graças à renda Também vendemos em feiras todos os finais de semana”, sobrinho me ajudam. Nossa família é bem unida”.
que vem do Pnae. O agricultor também financiou um explica. Foi com a criação da cooperativa que o agricultor
caminhão pelo Programa Mais Alimentos, do Ministé- Membro da cooperativa, o agricultor Danilo Moraes viu a possibilidade de qualificar não apenas a produção,
rio do Desenvolvimento Agrário (MDA), para facilitar a da Silva, 48, conta que, além da renda obtida por meio como o escoamento dela. Acessou o Programa Nacional
entrega dos produtos. “Estamos a 18 quilômetros do cen- dos programas governamentais, ainda lucra com a venda de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para
tro, para entregarmos os produtos vai ser bem mais fácil. direta para mercados e feiras da região. “Esse dinheiro custeio e o Programa Mais Alimentos para a aquisição de
Coloquei um baú refrigerado para manter a qualidade do sempre nos ajuda a ampliar a produção”, destaca. um veículo utilitário.
produto”, comemora. Morador da Comunidade Jardim do Penedo, na zona A Cooperfam, além de Maranguape, ainda atua nos
Além das duas caminhonetes utilitárias da coopera- rural de Maranguape, Danilo relata que está na Cooper- municípios de Maracanaú, Palmácia, Paramoti, Caridade
tiva, Rodrigo conta que ele, agora, também poderá fazer fam desde sua criação, em 2010. Ele produz hortaliças e Canindé. Esses municípios formam o chamado “Cami-
a entrega dos produtos. ◆ em uma propriedade de dois hectares e tem o apoio dos nho de Assis” no Ceará. ◆

230 | Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 Anuário Brasileiro da Agricultura Familiar 2015 | 231
POLÍTICAS PÚBLICAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Rio Grande do Norte


Estado inaugura primeiro centro Agroindústrias
comercial da agricultura familiar
Ao todo, serão beneficiadas cerca de 1,2 mil famílias Família de agricultores
I
tens da agricultura familiar produzidos no Rio
Grande do Norte poderão ser encontrados mais
facilmente, com a criação do Centro de Comer-
Emater/RN à Cooperativa Central da Agricultura Fami-
liar do Rio Grande do Norte (Cooafarn), que participou
da idealização do mercado.
gaúchos aposta em
derivados da cana-de-açúcar
cialização Mercado da Terra, primeiro ponto comercial Ao todo, serão beneficiadas cerca de 1,2 mil famílias
da região voltado para o escoamento da diversidade pro- de agricultores familiares, ligadas às cooperativas que
dutiva da agricultura familiar. participam da iniciativa: Cooafarn, Assentamento Paulo
O Mercado da Terra funciona, na Barra de Tabatinga, Freire/Pureza, Coopercaju/Assentamento Serra do Mel,

D
no município de Nísia Floresta. Desde março, o público Cooafal/ Assentamento Lucrécia) e a Cooaf/Assenta- oces, melados e rapaduras produzidos em artesanal, a gente cozinha os doces na panela. É uma
pode adquirir os produtos de quinta-feira a domingo. mento Marcelino Vieira. “Lá, serão comercializados ar- Bom Princípio no Vale do Caí, no Rio Grande produção de muita qualidade”, assegurou.
“Vai tornar a agricultura familiar muito mais visível. Ta- tesanato, doces, geleias, castanhas, mel, arroz e a nossa do Sul, são alguns dos itens fabricados pela Os agricultores acessaram o Programa Nacional de
batinga é uma zona turística, com um fluxo de pessoas famosa cajuína”, detalha o delegado do MDA. agroindústria Vó Odete. Os deliciosos artigos coloniais Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para
muito grande. A partir dessa ideia, queremos colocar feitos de forma artesanal e orgânica são comercializados a compra de equipamentos, veículos e para investimen-
em evidência a produção da agricultura familiar do Rio Culinária se destaca na serra e na capital gaúcha. tos na agroindústria. “Sem esse apoio dificilmente terí-
Grande do Norte como um todo”, afirma o delegado do O diferencial do Mercado da Terra é a culinária. Os O projeto que começou para ser uma cachaçaria é amos avançado”.
MDA no estado, Dário Andrade. visitantes podem degustar pratos diferentes, como o hoje uma agroindústria especializada em derivados da
O Centro foi construído e equipado a partir de um “Cajuburguer”, “banana chip”, “canju” (canja de carne de cana-de-açúcar. “Em 1998 começamos a produzir cana- Sabores e Saberes
convênio entre o governo do Estado, Emater/RN e o Mi- caju), paçoca de caju, e bolinhos de caju, além do cardá- -de-açúcar no sistema agroecológico e fazer cachaça e li- Em 2004, a Família Mossmann foi convidada para fa-
nistério da Ciência e Tecnologia. O prédio é cedido pela pio tradicional, como escondidinho, tapioca e guizado. ◆ cores, mas devido ao custo mais baixo nos identificamos zer parte do Roteiro Turístico Regional Sabores e Saberes
com os derivados”, afirmou Adriana Mossman, 37 anos, do Vale do Caí, um roteiro de turismo rural com foco na
uma das responsáveis pela produção. agroecologia. Nesse mesmo ano eles definiram o nome da
Adriana é filha de Eugênio e Odete Mossman, os fun- marca dos produtos “Vó Odete”. “Como é ela quem está
EDUARDO AIGNER / MDA

dadores da agroindústria. “Meu pai sempre teve papel de à frente da produção, que está no tacho cozinhando os
liderança na comunidade. Então, formou uma associa- doces, nós fizemos essa homenagem”, explicou Adriana.
ção de produtores ligados à cana de açúcar e depois dis- A propriedade é uma das 13 que fazem parte desse
so, por meio de crédito do Ministério do Desenvolvimen- roteiro que tem como objetivo mostrar a possibilidade
to Agrário (MDA), conseguimos recursos para instalar a de uma vida em harmonia com a natureza, produzindo
primeira agroindústria aqui na nossa região”, disse. alimentos saudáveis, sem uso de produtos químicos.
A agroindústria atende, hoje, 18 famílias. Os produ- Os visitantes conhecem a rotina de produção e têm
tos são vendidos em parceria com a cooperativa Ecomo- uma breve explicação do processo de fabricação. Além
rango, que leva os produtos “Vó Odete” para feiras em disso, podem degustar e comprar os produtos. “No inver-
Porto Alegre, Caxias do Sul e Bento Gonçalves. no temos uma maior movimentação. Recebemos, em mé-
Segundo Adriana, a produção ultrapassa 400 quilos dia, a visita de dois grupos por semana, com 40 pessoas
por semana. “Na nossa propriedade somos somente eu, cada. Nossa expectativa é de aumentar ainda mais a pro-
meu pai e minha mãe. Os produtos são feitos de forma dução e ampliar as vendas neste ano”, concluiu Adriana.◆

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ROSA LIBERMAN
POLÍTICAS PÚBLICAS POLÍTICAS PÚBLICAS

ROSA LIBERMAN

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Adair Pasquetti, proprietário de uma agroindústria de panifícios, acredita que a feira é o melhor ponto Luciana Guarnieri e a sogra Emília fazem a comercialização dos produtos na Feira do Produtor
para vender diretamente ao consumidor localizada na área central de Erechim

A
cidade de Erechim, situada no norte do esta- verduras e legumes plantados na propriedade, situada na
do do Rio Grande do Sul, conta com nove fei- Linha Batistela, interior de Erechim, também são comer-
ras da agricultura familiar, distribuídas entre cializadas. Segundo Luciana, ela o marido, as duas filhas, a
a área central e os bairros. sogra e o sogro residem na propriedade e todos trabalham
Em 2009 havia apenas a Feira do Produtor, localizada ali. As atividades iniciam cedo, por volta das 5h30 e, geral-
no Centro, que beneficiava 36 famílias diretamente. En- mente se estendem até tarde da noite, especialmente em
tre 2009 e 2014 mais de R$ 750 mil foram investidos na dias anteriores à feira. “Durante a noite já arrumamos os
criação de oito novos espaços de comercialização. Atual- maços de cenoura e beterraba e descascamos as mandio-
mente são 109 famílias beneficiadas diretamente e mais cas,” explica. Além disso, a família é proprietária da Canti-

Erechim
de 100 indiretamente. na Guarnieri e ainda plantam milho e soja.
Em todas as feiras, são mais de 20 mil consumidores O proprietário da agroindústria de panifícios, que
mensais, com lucro de cerca de R$ 200 mil. fica na Linha 4, interior de Erechim, Adair Pasquetti
A previsão, conforme a assessoria de comunicação da acredita que a feira é o melhor ponto para vender dire-

Feiras incentivam a
prefeitura de Erechim, é que até o final de 2016 o muni- tamente ao co