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Fuzil da Comissão Alemã de 1888 “Gewehr ’88” (Rev. 1b)

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Poucos  meses  depois  da  proclamação,  em  Versailles,  da  fundação  do  novo  Império  Germânico  em
1871, Peter Paul Mauser apresentou ao Exército Imperial seu novo fuzil Mauser de ação por ferrolho,
ainda  novidade  na  época.  O  sucesso  e  as  qualidades  apresentadas  da  arma  foram  imediatamente
reconhecidas e o Exército adotou o fuzil como arma regulamentar de infantaria. O calibre do Mauser
mod. 1871 era o 11mm x 60, carregado com pólvora negra, e seus cartuchos eram alimentados um a
um.  Com  excessão  do  Estado  Bávaro,  o  novo  Exército  Imperial  Germânico  substituiu  seus  antigos
fuzis Dreyse, os conhecidos “needle‑gun”, pelos novos Mauser.

Em  1884,  Peter  Mauser  introduz  uma  significativa  evolução  da  sua  arma,  na  verdade  uma
modificação no modelo 1871, mas comportando agora um magazine tubular, posicionado debaixo do
cano,  com  capacidade  para  8  cartuchos,  tornando‑o  assim  um  dos  primeiros  fuzís  militares  de
repetição,  da  história.  Doravante,  apesar  de  que  o  carregamento  era  um  pouco  lento  e    não  era
possível recarregar a arma enquanto ainda houvessem cartuchos, o soldado alemão dispunha de um
fuzil de tiro rápido e de boa potência. Não houve significativas modificações no sistema de ferrolho e
de disparo.

Porém,  oriunda  de  sua  arqui‑rival  França,  um  novo  conceito  em  cartuchos  militares  para  armas
longas  estava  surgindo,  com  o  advento  da  pólvora  sem  fumaça.  Esse  novo  propelente  foi
desenvolvido pelo  químico  francês  Paul  Vielle,  que  o  denominou  de  “Poudre B”.  Além  da  presença
mínima de fumaça, esse tipo de pólvora deixava bem menos resíduos no interior do cano e era muito
pouco corrosiva.
A evolução dos fuzís militares alemães pós criação do Império Germânico em 1871 – o Mauser 1871, seguido do
Mauser 1871/84 e o Gewehr 1888.

Consequentemente, a adoção de um novo cartucho para fuzis desenvolvido pela França em 1886, o
8mm  Lebel,  utilizando  pela  primeira  vez  carga  de  pólvora  sem  fumaça  aliada  a  um  projétil
pontiagudo,  causou  nos  militares  alemães  um  certo  ímpeto  de  “contra‑ataque”.  Afinal,  há  15  anos,
somente, havia terminado a Guerra Franco‑Prussiana. Era agora mais que urgente a necessidade de
se desenvolver um novo cartucho para uso da Infantaria Imperial Alemã.

Um  grupo  de  técnicos,  militares  e  engenheiros,  membros  de  uma  Comissão  Especial  do  Exército,  a
“Gewehrprufungskomission“,  prontamente  respondeu  aos  anseios  dos  militares  criando  um  novo
cartucho denominado oficialmente de Patrone 7,9X57J, lançado conjuntamente com uma nova arma,
o  Fuzil  (Gewehr)  modelo  1888.  Essa  arma  também  recebe  o  nome  de  “Reichsgewehr”,  Fuzil  do
Império.  Historicamente,  o  nome  mais  difundido  na  literatura  inglesa  é  o  de  “German  Comission
Rifle mod. 1888”. Saiba mais sobre o cartucho aqui em “O Calibre 8mm Mauser“.

O Gewehr ’88, ou “Fuzil da Comissão Alemã” modelo 1888 em calibre 7,9X57 (coleção particular)

Da mesma forma que o novo cartucho foi alvo de muita confusão, a nova arma também arcou com
alguns  problemas  de  identificação.  Apesar  de  freqüentemente  e  equivocadamente  ser  chamado  de
Fuzil  Mauser  mod.  1888,  bem  como  de  Fuzil  Mannlicher,  ele  foi,  na  verdade,  desenvolvido  por
técnicos  da  Comissão  Especial  do  Exército  Alemão,  baseado  em  projetos  já  existentes  e  em  uso  no
Império, como os fuzis Mauser 71/84 e os Mannlicher austríacos. Dos primeiros, foram inspirados os
projetos para os ferrolhos (trabalhados pelo engenheiro Schlegelmich, do Arsenal de Spandau) e dos

últimos, o desenho e sistema do magazine. Lembramos que os Mauser 71/84 ainda se utilizavam de
últimos, o desenho e sistema do magazine. Lembramos que os Mauser 71/84 ainda se utilizavam de
magazines  tubulares,  situados  sob  o  cano,  muito  similares  aos  dos  rifles  e  carabinas  de  ação  por
alavanca, da Winchester.

Outro exemplar de modelo 1888 de fabricação Ludwig Loewe, Berlim, 1890

Porém,  o  engenheiro  austríaco  Ferdinand  Ri뵩�er  von  Mannlicher  possuía  um  projeto  de  fuzil  de
ferrolho  desde  1884,  levado  à  cabo  em  1885,  e  que  utilizava  um  magazine  vertical  saliente  à  parte
inferior da coronha, cujos cartuchos, previamente inseridos em um clipe metálico, eram alojados em
seu interior. O clipe era descartado automaticamente através de um pórtico abaixo do magazine após
a  utilização  do  último  dos  cinco  cartuchos.  A  rapidez  de  se  remuniciar  uma  arma  provida  de  um
clipe desse tipo era muito maior do que com uso de magazines tubulares, onde os cartuchos tinham
que ser inseridos um a um.

Diagrama mostrando o mecanismo interno da caixa de culatra do Fuzil mod. 88, com o ferrolho na posição
aberta, clipe inserido no magazine e pronto para a primeira inserção de um cartucho na câmara. Note o retém
(vermelho) que mantinha o clipe preso no magazine e a alavanca (amarela) que impulsinava os cartuchos para
cima.

Agora, com o ferrolho fechado logo após o primeiro disparo e com o clipe ainda com 4 cartuchos remanescentes.
Após a carga do último cartucho, o clipe se desprende, caindo ao chão através da abertura inferior.

No  caso  do  88,  desenvolveu‑se  um  clipe  metálico  similar  ao  Mannlicher,  para  comportar  cinco
cartuchos. Esse clipe permanecia na arma até o último disparo quando então se soltava por ação da
gravidade,  através  de  uma  abertura  inferior.  Na  verdade,  era  o  clipe  era  como  um  componente
adicional ao magazine e sem ele, os cartuchos não podiam permanecer em posição. Não durou muito
adicional ao magazine e sem ele, os cartuchos não podiam permanecer em posição. Não durou muito
tempo para perceberem que esse detalhe seria uma grande desvantagem dessa arma, pois a mesma
não poderia ser municiada sem os clipes, como acontece com os modelos Mauser que a sucederam, a
não ser que fosse utilizado apenas um cartucho por vez.

Mesmo  assim,  os  técnicos  da  Comissão


melhoraram  um  pouco  o  sistema  original  de
Mannlicher, pois os clipes podiam ser inseridos de
qualquer  lado,  o  que  não  ocorria  naquela  arma,  o
que  causava  alguns  transtornos  aos  atiradores.  Os
cartuchos  eram  sobrepostos  uns  aos  outros,
diferentemente  da  solução  utilizada  pela  Mauser
em  seus  modelos  a  partir  de  1893,  que  era  a  de
intercalá‑los,  tres  cartuchos  de  um  lado  e  dois  de
outro,  o  que  evitava  que  o  magazine  se
sobressaísse na parte inferior da coronha.

Detalhe  da  abertura  inferior  do  magazine  por  onde


passava o clipe metálico vazio após o último cartucho inserido na câmara.

Uma  vantagem  que  o  sistema  do  1888  tinha  sobre  os  futuros  Mausers  era  que  o  clipe  podia  ser
retirado da arma, com todos os cartuchos ou parte deles, através de um retém localizado dentro do
guarda‑mato, e assim descarregar a arma rapidamente. Nos modelos da Mauser isso não era possível;
para  a  retirada  dos  cartuchos  já  inseridos  no  carregador,  é  necessário  que  se  faça  utilizando  o
ferrolho, abrindo‑o e fechando‑o consecutivamente até a ejeção do último cartucho.

Além disso, a Comissão Alemã, contando com a ajuda do engenheiro Louis Schlegelmich, do Arsenal
de Spandau, melhorou também o sistema de travamento e de reforço do ferrolho, que era baseado no
fuzil Mauser 71/84, adaptando‑o para suportar a pressão mais elevada do novo cartucho 7,92mm em
relação ao antigo 11X60mm, cartucho esse ainda carregado com pólvora negra.
O clipe metálico com 5 cartuchos calibre 7,9X57mm J, utilizado no Fuzil mod. 88

Uma  outra  solução  muito  interessante  empregada  pela  Comissão,  foi  em  relação  à  montagem  do
cano. Ao invés de se utilizar os componentes da coronha de madeira para a sua proteção e fixação,
decidiram pelo uso de um tubo de metal inteiramente oco, idéia do engenheiro Armand Mieg, com
um diâmetro maior que o cano, e que o envolvia totalmente, vestindo‑o desde o receptor da arma até
a boca.

Teoricamente,  essa  capa  de  proteção  permitia  uma  melhor  precisão  de  tiro,  uma  vez  que  prevenia
mudanças no centro de impacto causadas pelas sutis alterações de dimensão das peças de madeira,
resultantes  de  umidade  e  diferenças  extremas  de  temperatura.  Na  prática,  porém,  isso  ocasionou
mais  problemas  que  benefícios:  o  tubo  sofria  impactos  que  o  amassavam  freqüentemente;  a  água
podia  penetrar  facilmente  pela  folga  existente  entre  o  tubo  e  o  cano,  na  parte  frontal,  causando
corrosão  interna  em  ambas  as  peças,  que  não  possuíam  tratamento;  o  tubo  era  somente  oxidado
externamente. Além disso, era uma peça cara e difícil de ser substituída.
Detalhe da culatra com ferrolho, e do carregador estilo Mannlicher. A pequena tecla vista no interior do guarda‑
mato servia para se soltar o clipe pela parte superior, desde que ainda houvesse um cartucho no mesmo. (foto do
autor)

Destaque da parte frontal da arma, onde se percebe a camisa (luva) que recobre o cano e sua vareta de
manutenção. O engate para a baioneta era lateral, como mostra a foto. À direita detalhe da culatra e ferrolho,
onde se nota a alavanca de trava de segurança, sistema usado pelos fuzis Mausers desde o modelo 1871. (Foto do
autor)

A  coronha  era  feita  em  uma  só  peça,  atingindo  quase  que  totalmente  o  comprimento  do  cano.  A
soleira era de aço estampado, acabamento oxidado e não havia nenhum tipo de compartimento em
seu  interior,  para  o  armazenamento  de  acessórios.  O  acabamento  da  caixa  da  culatra  era  em  aço
polido, bem como o ferrolho. A luva que cobria o cano e o magazine com guarda‑mato incorporado
eram  oxidados  pelo  processo  à  frio.  Foram  fabricadas  versões  longas  dessa  arma  (fuzis)  e  curtas
(carabinas).  No  caso  dessas,  a  coronha  se  alongava  até  a  boca  do  cano  e  o  ferrolho  utilizava  uma
alavanca de manejo em forma de colher achatada ao invés da protuberante alavanca reta.
A carabina modelo 88 (note a alavanca de ferrolho em forma de colher e alça de mira pequena), em companhia de
um capacete prussiano e de uma pistola Mauser C96 (foto do autor, de coleção particular)

No  dia  12  de  novembro  de  1888,  o  Kaiser  Guilherme  II  assinou  a  ordem  para  que  essa  arma  fosse
adotada  imediatamente  pelo  Exército  Imperial.  Até  meados  de  1890,  a  arma  já  estava  praticamente
em uso pelas tropas de 1ª linha da Baviera, Prussia, Saxônia e Wur뵩�emberg. Durante o seu período
de uso na Alemanha, modificações foram feitas na arma para minimizar alguns de seus problemas.

1. Modificação para ejetar o clipe automaticamente, após o último disparo, por ação de uma mola,
porém, pela parte superior da arma, idéia aliás muito similar à utilizada nos fuzis Garand .30 M1,
norte‑americanos. A abertura inferior foi fechada, com essa modificação.
2. Modificação para utilizar o clipe do fuzil Mauser 98, através de uma adaptação montada na parte
superior  da  caixa  de  culatra  e  criando‑se  um  sistema  de  retenção  por  mola  para  prender  os
cartuchos já municiados dentro do magazine (veja fotos abaixo).
3. A mais executada dessas alterações foi a usinagem feita na rampa de acesso à câmara e no interior
da  mesma,  para  a  utilização  das  munições  “spiꔒ�er”  (pontiagudas),  com  o  novo  diâmetro  do
projétil de .323”, contra o anterior de .318” de polegada. Leia o nosso artigo sobre o calibre 8mm
Mauser para saber mais sobre essa mudança.
Um Gewehr ’88 de fabricação de arsenal estatal de Danzig, em 1891, com as modificações para utilizar os
“clipes” de fuzil Mauser – note as peças montadas nas laterais da armação para prover os encaixes necessários –
além disso, uma usinagem na parte dianteira foi feita, pois usando‑se esses clipes os cartuchos ficavam
posicionados pouco mais à frente.

Detalhe da tampa inferior, encaixada sob pressão,
utilizada para obstruir a abertura inferior do carregador. À direita o fuzil modelo ’88 sendo municiado
utilizando‑se um clipe similar ao usados nos fuzís Mauser.
A versão fuzil e a versão carabina do Gewehr modelo 88, ambos utilizando o mesmo tipo de carregador com 5
cartuchos.

Acima, uma unidade bavariana pertencente ao Exército Imperial Alemão, em meados de 1915,  posando em um
jardim, com seus capacetes do tipo “pickelhaube”. O segundo e o quinto soldado estão armados com o Gewehr
88 com as modificações 88/14 (note a abertura de saída do clipe fechada por uma tampa). Os demais homens
portam o fuzil Mauser 71/84.

Essas  modificações  foram,  então,  denominadas  respectivamente  de  88/05,  88/14  e  88S.  A  fabricação
dessas armas se deu principalmente na Alemanha, através de vários fabricantes e arsenais, tais como
demonstra a tabela abaixo:
Fabricante Quantidade
Arsenais Estatais de Danzig,  Erfurt e Spandau 750.000
Amberg (Bavária) 425.000
Ludwig Loewe de Berlim 425.000
Steyr Oesterreische Waffenfabrik  (Áustria) 300.000
Haenel (algumas carabinas em calibre 7mm X 57 Mauser) 100.000
Total estimado produzido até 1897 1.675.000
A China, após a Revolução dos Boxers, chegou a adquirir muitos fuzis e posteriormente fabricou uma
cópia  do  mesmo,  denominada  de  Hanyang  88.  A  Iugoslávia,  Etiópia,  Turquia,  Finlândia  e  o  Brasil
adotaram  essa  arma  em  quantidades  razoáveis  e  outros  ainda  a  utilizaram,  em  menor  quantidade,
apreendidas de prisioneiros de guerra, como ocorreu no caso da Checoslováquia.

Comparação das ações de ferrolho do Fuzil mod. 1888 e do fuzil Mauser 1898. Note neste último a posição do
fechamento da alavanca de ferrolho e a ausência do magazine externo.

Detalhe da câmara, gravada com a marca do fabricante Ludwig Loewe, em 1890. Note a montagem da camisa,
que era oxidada, rosqueada à culatra, sem banho de oxidação. À direita, lado esquerdo da caixa da culatra, com a
marcação G (Gewehr) Mod. 88. A culatra não sofria acabamento contra corrosão, tal como oxidação à boneca ou
banho químico. Porém, em vários exemplares já avaliados por esse autor, não se notava marcas de corrosão
nessas peças. (foto do autor)

Os  últimos  exemplares  fabricados  e  usados  pelas  tropas  já  começavam  a  apresentar  problemas  de
Os  últimos  exemplares  fabricados  e  usados  pelas  tropas  já  começavam  a  apresentar  problemas  de
acabamento  e  de  defeitos  de  fabricação,  ocasionando  sérias  falhas  de  funcionamento  e  inclusive
ferindo alguns soldados. Um dos fabricantes do fuzil, a empresa Ludwig Loewe, de Berlim, devido à
sua  origem  judaica,  começou  a  ser  alvo  de  facções  anti‑semitas  que,  com  o  apoio  da  imprensa,
começaram  a  explorar  o  assunto,  alegando  se  tratar  de  uma  conspiração  liderada  por  Loewe  e  dos
outros fabricantes, também judeus, incluindo aí o produtor da nova pólvora sem fumaça. Com isso, a
arma acabou ganhando um infame apelido, Judenflinte, que significa “fuzil judeu”. Nota‑se aqui que
manifestações anti‑ semitas já existiam na Alemanha Imperial, bem antes do Nazismo.

Acima, a carabina modelo 1888 de fabricação do arsenal de Spandau

Conforme demonstrado no quadro acima, que lista os fabricantes e suas respectivas quantidades, a
empresa  Haenel  supostamente  a  pedido  de  um  ou  de  alguns  países  da  América  do  Sul  solicitaram
alguns exemplares em calibre 7mm X 57 Mauser, com a finalidade de testes e avaliações técnicas. O
autor acredita que o Brasil não era um desses países mas sim, mais provavelmente, Chile e Paraguai.
Há notícias de carabinas modelo 88 ainda hoje sendo encontradas neste último país.

Antes  do  fuzil  modelo  88,  o  Governo  Brasileiro  utilizava  a


carabina Comblain e nenhuma outra arma em calibre 7mm X 57,
cuja  dotação  oficial  só  veio  a  ocorrer  na  chegada  dos  primeiros
fuzís Mausers mod. 1894.

Ao lado, a alça de mira do fuzil 1888

Apesar  de  que  oficialmente  o  G’88  foi  substituído  pelo  Mauser


1898,  como  fuzil  regulamentar  pelo  Exército  Alemão  naquele
ano,  a  realidade  quanto  ao  suprimento  das  tropas  era  bem
diferente.

A Alemanha entrou na I Guerra usando ambas as armas, e no decorrer do período 1914‑1918 os G’88
foram desaparecendo gradativamente, pelo menos na linha de frente, relegado que foi à tropas de 2ª
linha,  geralmente  sitiadas  na  retaguarda.  Com  as  modificações  introduzidas  na  arma,  conforme
vimos acima, o 88 teve uma sobre‑vida razoável, pois poderia utilizar a mesma munição do Mauser
98  (projétil  spiꔒ�er  de  .323″  de  diâmetro)  bem  como  ser  carregado  com  os  mesmos  clipes  superiores
utilizados  naquela  arma.  Isso  minimizou  sobremaneira  os  problemas  logísticos  que  uma  munição
diferente  poderia  causar,  sem  se  levar  em  conta  acidentes  que  poderiam  ocorrer  com  a  arma
utilizando os cartuchos mais novos.
Uma unidade de infantaria alemã “landsturm”, em 1915, posando com seus Gewehr 1888, todos ainda na
configuração original.

O Fuzil modelo 1888 no Brasil

Segundo  um  autor  da  época,  Borges  Fortes,  o  Governo  Brasileiro  decidiu  substituir  as  carabinas
Comblain  pelos  fuzis  1888,  aqui  equivocadamente  chamados  de  Mannlicher,  nos  idos  de
1892. Segundo o historiador Adler Homero Fonseca de Castro, em seu magnífico estudo sobre Armas
no Brasil, no capítulo referente à esse fuzil, neste link, apesar do que Borges Fortes escreve, isso não
está correto, pois as armas já haviam sido distribuídas à tropa em 1892, antes do início da Revolução
Federalista, o que indica que foi a escolha final da Comissão Técnica Militar Consultiva.

Conta‑nos  também  o  historiador  que,  após  a  sua  adoção  e  utilização  em  combate,  os  problemas
começaram  a  surgir,  provenientes  de  excesso  de  poeira,  escape  de  gases  e  muitos  outros  eventos,
alguns insolucionáveis.

Curiosamente,  a  carabina  de  fabricação  Mauser  modelo  1889,  que  havia  sido  adotada  pela  Bélgica,
claramente superior à carabina modelo 1888, ficou em segundo lugar nos testes, talvez devido ao fato
de ainda não estar disponível no mercado, ou por não estarem ainda em uso oficial em nenhum país.

Apesar  disso,  frente  às  carabinas  Comblain,  a  arma  era  muito  superior  em  termos  de  balística,
precisão, cadência de tiro e potência.

Ao lado, soldado do Exército na Guerra de Canudos, posando com seu G’88. Pode‑se notar a abertura de saída
dos clipes na parte inferior do carregador.

No conflito da Guerra de Canudos essa arma teve uma participação
No conflito da Guerra de Canudos essa arma teve uma participação
bem  destacada,  apesar  de  que  alguns  problemas  de  projeto  ainda
insistiam  em  permanecer  ocorrendo,  mas  ainda  assim  participou
ativamente  das  lutas  ao  lado  das  carabinas  Comblains
remanescentes.  Seu  tempo  de  permanência  nas  nossas  fileiras  foi
curto;  adotado  em  1892,  ele  já  começou  dois  anos  depois  a  ser
substituído pelos fuzis Mauser modelo 1894 em calibre 7X57mm.

Porém,  na  verdade,  foi  essa  arma  que  abriu  as  portas  de  nossas
Forças  Armadas  para  um  tipo  conceito  de  armamento  e  de
munição, que depois, com a adoção dos fuzis Mauser modelo 1908,
iria definir e padronizar o uso de armas longas por muitos anos, no
país.  Com  os  G’88  foi  a  primeira  vez  que  se  adotava  no  Brasil  um
cartucho militar de calibre reduzido (7,92mm contra os 11mm), e o
uso de pólvora sem fumaça.

O Exército Brasileiro começou a abandonar o uso de fuzis de repetição Mauser, ou os derivados dele,
como o nacionalizado “mosquetão” Itajubá mod. 1949, a partir de 1964, com a substituição gradativa
dessas armas pelo fuzil belga semi‑automático FN FAL.

Características da arma:

Comprimento total 124,5 cm.
Comprimento do cano 75 cm.
Raiamento 4, à esquerda
Peso 3,905 Kg. descarregado
Calibre 7,9×57 mm.
Cadência de Fogo Útil 20 tiros por minuto
Carregador Integrado à arma, 5 cartuchos, com clipe tipo Mannlicher
Ação Mauser 71/84 modificada
Alça de mira Com graduação até 2.000 metros
Wri뵩�en by Carlos F P Neto

05/08/2009 às 17:50

17 Respostas

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Juliano, o calibre é o mesmo, o 7,92mmX57J, embora a fabricação seja da Waffenfabrik Steyr. Grato
pelo contato.

Carlos F P Neto
27/05/2017 at 21:57
27/05/2017 at 21:57

Tenho um com a descrição na maquina CE Wg Steyr 1891 q calibre seria corresponde a qual

Juliano campos

27/05/2017 at 18:03

Robson, por favor leia antes a nossa Política de Avaliações e Identificações. Obrigado.

Carlos F P Neto

10/01/2017 at 14:42

Boa noite amigos eu tenho um desses fuzis em casa que pertencia ao pai do meu bisavô alguém
sabe me dizer quanto vale hoje pois acredito ser uma raridade mas não tenho menor idéia de
valor desde já agradeço a atenção de todos.
Robson S

Robson Silva

10/01/2017 at 1:53

Rodrigo, saudações. Não existe, especificamente com as pontas de .318″. Encontra‑se no exterior
munição 8X57 Mauser nova, mas com pontas de .323″.

Carlos F P Neto

07/11/2016 at 10:17

Muito bom será q existe munição para o g 88 para vender no brasil obrigada

Rodrigo

06/11/2016 at 22:34

Darci, conversando posteriormente como amigos, descobri que alguns deles possuem peça
semelhante, em 7mm Mauser, com carimbos de Polícia Militar de alguns estados, o que confirma
a idéia de que o E.B. deve ter mandado recondicionar e trocar os canos, repassado essas armas às
PM de alguns estados. Definitivamente não há documentação alguma de que o E.B. as tenha
utilizado como uma espécie de arsenal de reserva, uma vez que o calibre era o mesmo dos fuzis
(naquela época).

Carlos F P Neto

01/06/2013 at 18:28

Re, Boa noite Carlos. Gostei de seu artigo respondendo a minha pergunta. Esta Comblain de meu
amigo, infelizmente foi toda alterada para ser arma de caça. Ela era muito semelhante em tudo ao
modelo
Comblain antigo ,porem em calibre 7mm. Ela continua com cano no comprimento normal
(comprido)
porem a caixa da culatra é de tamanho menor que do que o modelo antigo. A culatra é toda
proporcionalmente
reduzida. Tenho conjunto (cano curto e culatra incompleta) deste mesmo tipo. Este modelo
acredito que seja
da cavalaria. Na parte traseira destas culatras, a parte interna foi usinada em formato circular,
da cavalaria. Na parte traseira destas culatras, a parte interna foi usinada em formato circular,
sendo toda
maciça. Este cano curto tem no final uma espécie de mira para fixação da baioneta. O calibre é o
antigo.
Vou mandar fotos.
Obrigado.

D.B.

31/05/2013 at 23:05

D.B., saudações. Você teria condições de enviar‑nos algumas fotos? As Comblain em calibre 7mm
Mauser, foram fornecidas pelo próprio fabricante belga e não eram convertidas aqui no Brasil.
Segundo o historiador Adler Homero da Fonseca, essas conversões foram feitas em antigas
carabinas do Exército, para que elas pudessem disparar munição de pólvora sem fumaça, no
calibre 7×57 mm (o mesmo da Mauser modelo 1894). Sabe‑se que pelo menos a polícia do Rio de
Janeiro a recebeu, após 1898 (data limite inferior para a conversão, mas não sabemos se foi feita
naquele ano ou depois). Certamente não foram de uso das Forças Armadas, apesar de se saber
que as armas originais, usadas para a conversão, pertenceram originalmente ao Exército, havendo
exemplares dos modelos dos modelos de 1878, 1885, 1889 e 1891 convertidas para o cartucho 7×57
mm. A conversão feita é bem simples, apesar de exigir maquinário complicado – o antigo cano era
serrado próximo à culatra, perfurado e embuchado com um novo cano, no calibre reduzido. Além
disso, se colocava uma nova câmara na arma. Afora isso, a arma era basicamente a mesma dos
modelos do Exército. Alguns especialistas acreditam também que algumas carabinas Comblain já
foram encomendadas já feitas neste calibre e não seriam armas antigas, convertidas.

Carlos F P Neto

31/05/2013 at 8:42

Um amigo meu tem uma carabina Comblain em calibre 7mm. Foram muito usadas aqui no Rio
Grande
durante a revolução de 1923. De onde vieram e qual o ano de fabricação?

D.B.

30/05/2013 at 22:11

Cláudio, pode nos enviar a foto, será um prazer: armasonline@gmail.com.

Carlos F P Neto

18/01/2013 at 17:01

Parabéns pelo artigo, e pelo site todo. Incrível.
Apesar de gostar de armas de fogo, não conheço muito bem as armas da época da 1ª guerra, mas
tenho curiosidade em saber que arma meu bisavô portava numa foto de 1915. Foi tirada em Koln,
no dia em que ele saiu para combater em Ypres, na Bélgica pelo exército alemão. Se puder fazer
esse favor Carlos,, lhe envio a foto para identificação. Abraço

Claudio

18/01/2013 at 10:21

Prezado colega José Renato, do alto de seu conhecimento, um elogio é sempre bem vindo.
Carlos F P Neto
Carlos F P Neto

15/10/2012 at 12:35

Parabéns novamente, Carlos. O artigo, que já era bom, ficou ainda melhor.

José Renato

14/10/2012 at 18:55

Obrigado Carlos, ajudou bastante, estou levando sua resposta ao meu amigo!!

Abraço.

Ivan Hartke

03/07/2012 at 16:37

Ivan, realmente houve algumas carabinas G88 em calibre 7mm x57, todas fabricadas pela Haenel.
Ao que se sabe, nem fuzis nem carabinas ’88 fabricadas pela Loewe ou Steyr utilizaram esse
calibre. Entretanto, quando em algumas fontes citam‑se países da América do Sul como sendo
locais de teste e avaliação, creio que o Brasil não se enquadra aí; provavelmente Chile e Paraguai
sejam os mais prováveis. Isso porque em 1892, quando o governo adotou o G88, o calibre 7mm
X57 Mauser ainda não era oficial e nunca havia sido usado antes por aqui.

Carlos F P Neto

02/07/2012 at 8:47

Boa noite Carlos

Recentemente vi na coleção de um amigo uma carabina “Kar 88” com a alavanca do ferrolho em
formato de colher achatada como a da foto e lembrei do seu artigo.
Porém nesta arma não há marcas do fabricante (não foi reoxidada) e ela é em calibre 7x57mm, não
no tradicional 7,9x57mm. Em pesquisas encontrei que foram fabricadas pela Haenel algumas
armas em 7x57mm para que o Brasil as avaliasse. Abaixo segue o link:
h뵩�p://www.texastradingpost.com/m88/7mmcarbine.html
Gostaria de mais informações sobre esta arma (se as informações que temos procedem), se o
fabricante é realmente este e se mais alguém tem conhecimento delas em 7x57mm.
Além disso, saber o ano de fabricação da arma ou o período em que este lote veio para o Brasil.
Tenho um decalque das marcas de prova da arma, mas não consegui mais informações.

Desde já agradeço a atenção.

Abraço

Ivan Hartke

30/06/2012 at 20:51