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Adelmo da Silva Emerenciano
Luiz Augusto Baggio
Robertson Silva Emerenciano
Ari de Oliveira Pinto
Luiz Gustavo Lemos Fernandes
Sergio de Paula Emerenciano
Vinícius Simony Zwarg

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0002118-95.2018.8.26.0008 e código 77D5814.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CÍVEL

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por VINICIUS SIMONY ZWARG, protocolado em 07/11/2018 às 15:34 , sob o número WTAT18701650289 .
DO FORO REGIONAL DO TATUAPÉ DA COMARCA DE SÃO PAULO/ SP

Processo nº 0002118-95.2018.8.26.0008
Cumprimento de Sentença
Exequente: Instituto Santanense de Ensino Superior
Executado: Sport Club Corinthians Paulista

INSTITUTO SANTANENSE DE ENSINO


SUPERIOR, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, que promove contra
SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, vem respeitosamente a presença de V.
Exa., por seus advogados que esta subscrevem, em atenção ao disposto no oficio resposta
protocolado pela CBF - Confederação Brasileira de Futebol (“CBF”) às fls. 424, manifestar
e requerer o quanto segue:

Conforme se verifica dos autos, o Exequente, em


17.10.2018, às 20h42, apresentou a esse D.Juízo a retificação do montante exequendo,
requerendo a penhora, até o limite do débito, do prêmio a ser pago ao Executado em virtude
da participação na Copa do Brasil (fls.408/409). Para viabilizar tal providência, foi
requerida a expedição de ofício à CBF, determinando a retenção dos valores penhorados.

Em despacho datado de 19.10.2018 (fls.411), esse


D.Juízo determinou à serventia a expedição do ofício requerido, devendo o Exequente
providenciar o seu encaminhamento:

“Vistos.
Fls. 408/409: oficie-se como requerido à CBF,
providenciando o exequente o encaminhamento”.

SÃO PAULO | CAMPINAS | BRASÍLIA

Escritórios Internacionais*: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália,
México, Polônia, Portugal, Reino Unido e Suíça (*Lawrope)
www.emerenciano.com.br
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Referida decisão foi disponibilizada no DJe de


22.10.2018, conforme abaixo:

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0002118-95.2018.8.26.0008 e código 77D5814.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por VINICIUS SIMONY ZWARG, protocolado em 07/11/2018 às 15:34 , sob o número WTAT18701650289 .
O ofício foi expedido pela serventia em 23.10.2018, às
10h56, determinando que a CBF procedesse “à retenção do valor indicado, depositando-o
em favor deste Juízo, valor este correspondente à premiação da Copa do Brasil, recebida
da Confederação Brasileira de Futebol por Sport Club Corinthians Paulista, até o limite de
R$ 2.485.952,11(dois milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil, novecentos e cinquenta e
dois reais e onze centavos)”, sendo prontamente encaminhado à CBF, pelos patronos do
Exequente, por via eletrônica na mesma data, às 14h40:

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Não obstante tenha sido recebido o ofício, conforme
abaixo, o Exequente também providenciou o protocolo físico do documento junto à CBF
(fls.413):

No entanto, conforme se verifica da matéria jornalística


publicada pelo site https://globoesporte.globo.com/, em 22.10.2018, às 16h22 (“Corinthians
tem parte do prêmio da Copa do Brasil bloqueada na Justiça por dívida com faculdade”) é
correto afirmar que, antes mesmo da intimação acerca do deferimento do ofício à CBF, o
Executado já tinha ciência de tal ordem, visto que o requerimento do Exequente foi
acostado ao processo em 17.10.2018.

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Assim, como se trata de processo público, qualquer um


que acessasse os autos após o dia 17.10.2018, às 20h42 teria ciência acerca do pedido

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formulado pelo Exequente às fls.408/409.

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Pois bem.

Em resposta ao Ofício nº 505/2018, que lhe foi


encaminhado em 23.10.2018, a CBF informa que “o clube não possui créditos” naquela
entidade, uma vez que “o pagamento ao clube por sua participação na Final da Copa do
Brasil de 2018 foi efetuado na data de 22 de outubro de 2018”. Junta comprovante de
transferência eletrônica no valor de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais) datado de
22.10.2018, às 9h58 (fls.425) e recibo de quitação datado de 19.10.2018 (fls. 426).

Ora Excelência, é mais do evidente que se está diante de


uma fraude perpetrada pelo Executado com vistas a frustrar o cumprimento da ordem
judicial e, consequentemente, o recebimento, pelo Exequente, de seus créditos, situação esta
que não pode passar desapercebida pelo Poder Judiciário.

Diz-se isso na medida em que é inconteste que o


Executado tinha ciência do pleito formulado pelo Exequente e, assim, em conluio com a
CBF buscou adiantar o recebimento do prêmio ao qual fazia jus, frustrando, assim, o
cumprimento da determinação judicial de bloqueio desses valores.

É nítida a prática de ato atentatório à dignidade da


Justiça, cuja regulamentação encontra-se disposta nos artigos 77 e 774, do Código de
Processo Civil, in verbis:

“Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres


das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de
qualquer forma participem do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando
cientes de que são destituídas de fundamento;
III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou
desnecessários à declaração ou à defesa do direito;
IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de
natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua
efetivação;
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos
autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão
intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer
qualquer modificação temporária ou definitiva;
VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou
direito litígio.” (grifo nosso)

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“Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a


conduta comissiva ou omissiva do executado que:
I - frauda a execução;

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II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e
meios artificiosos;

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III - dificulta ou embaraça a realização da penhora;
IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais;
V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os
bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe
prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa
de ônus.”

Nesse sentido é a jurisprudência pátria, valendo citar:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESPESAS


CONDOMINIAIS. EXECUÇÃO. CUMPRIMENTO DE
SENTENÇA. CONDUTA ATENTATÓRIA À DIGNIDADE DA
JUSTIÇA. OFERECIMENTO DE IMÓVEL À PENHORA
QUE NÃO PERTENCE AOS DEVEDORES HÁ MAIS DE
DEZ ANOS. CONSTATAÇÃO FEITA PELA MATRÍCULA
DO IMÓVEL. INTENTO DELIBERADO COM A
FINALIDADE DE PREJUDICAR O CREDOR-
EXEQUENTE. MULTA. POSSIBILIDADE.
INTELIGÊNCIA DO ART. 774, III, COMBINADO COM
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL (CPC/2015). RECURSO PROVIDO EM PARTE. No
caso em julgamento, os agravados ofereceram à penhora
imóvel que não lhes pertence há mais de dez anos, conforme
constatação feita na respectiva matrícula juntado nesse
processo, fato que levou o exequente a recusá-lo e deferido
pela Juíza. Dessa forma, possível concluir pela oposição
maliciosa à execução e dificuldade à penhora, situação que
traduz ato atentatório à dignidade da Justiça que não deve
ser tolerado pelo Poder Judiciário. Decorre disso a
adequação do arbitramento da multa no percentual máximo
sobre o débito em execução com a finalidade de alertar as
partes sobre as consequências desse comportamento
processual de litigância de má-fé”. (TJSP; Agravo de
Instrumento 2144713-44.2017.8.26.0000; Relator (a): Adilson
de Araujo; Órgão Julgador: 31ª Câmara de Direito Privado;
Foro Central Cível - 18ª Vara Cível; Data do Julgamento:
27/09/2017; Data de Registro: 27/09/2017)

O Executado Excelência claramente faz pouco caso e


debocha da ordem judicial! Isso, inclusive, está estampado em matérias veiculadas na rede
mundial de computadores. Veja:

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Fonte:
livre-de-penhora,70002587702

brasil-antecipadamente-e-se-livrou-de-bloqueio-judicial.ghtml
Fonte: https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,corinthians-recebe-premio-integral-da-copa-do-brasil-e-fica-

https://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/corinthians-recebeu-premio-da-copa-do-

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Fonte: https://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/copa-do-brasil/ultimas-noticias/2018/11/05/corinthians-
recebe-premio-da-copa-do-brasil-adiantado-e-evita-bloqueio.htm

É correto afirmar que a real e efetiva vítima da trapaça e


do comportamento malicioso e desleal do Executado é o próprio Poder Judiciário e não o
Exequente, uma vez que este, de uma forma ou de outra, receberá o seu crédito. Diz-se isso
na medida em que a imagem da Justiça é que foi maculada pela chicana do Executado
posto, com tal postura, este passa a toda comunidade que o acompanha, a ideia de que
a Justiça pode ser enganada. Desmoraliza por completo o Poder Judiciário.

Isso é inadmissível!!

Os documentos apresentados pela CBF às fls. 425/426,


inclusive, deixam clara a fraude perpetrada.

Como pode alguém dar quitação acerca do recebimento


de determinado valor (bastante vultoso, consigne-se) que sequer efetivamente recebeu? Ora,
o Executado assinou um recibo de quitação com a CBF em 19.10.2018 enquanto que o
crédito de R$ 8 milhões supostamente foi realizado em sua conta em 22.10.2018,
curiosamente, na mesma data em que deferido o bloqueio por esse D. Juízo.

A situação acima narrada é deveras grave e, assim,


merece a devida apuração, com a aplicação das penalidades legais por litigância de má-fé e
ato atentatório à dignidade da justiça, razão pela qual requer a remessa do feito ao
Ministério Público para as devidas providências.

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Sem prejuízo de tais providências, a fim de viabilizar o


recebimento do crédito ao qual faz jus o Exequente, considerando que as tentativas de

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penhora de valores pertencentes ao Executado foram todas infrutíferas, requer seja
determinada a penhora da Taça do Mundial de 2012 conquistada pelo Executado e

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exposta no memorial do próprio clube, além da determinação de penhora online recorrente
de créditos existentes em contas e/ou aplicações financeiras mantidas pelo Executado, até o
limite do crédito do Exequente que, nos termos da manifestação última, perfaz o montante
de R$ 2.485.952,11 (dois milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil, novecentos e
cinquenta e dois reais e onze centavos).

Termos em que,
Pede deferimento.

São Paulo, 07 de novembro de 2018.

VINICIUS SIMONY ZWARG


OAB/SP 241.834

RENATA TEIXEIRA
OAB/SP 196.352