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Anotações – Resumo

Introdução
- As Organizações Internacionais (OI) consolidaram-se no século passado como importantes atores das
Relações Internacionais. Demonstraram sua relevância ao atestar suas capacidades de atuação como
elementos garantidores de estabilização e de previsibilidade em um sistema internacional
descentralizado e horizontal.

- A multiplicação das organizações internacionais de integração regional, na condição de entes


independentes dotados de vontade jurídica para alcançar objetivos coletivos, e o incremento de suas
competências representam esforço civilizatório por parte dos Estados no sentido de institucionalizar
uma cooperação permanente e voluntária para fins pacíficos, por meio da derrubada das fronteiras
físicas.

- “Ator”: agente do ato, aquele que atua, desempenha papel de notada influência no palco
internacional. Aquela unidade do sistema internacional (entidade, grupo, indivíduo) que tem habilidade
para mobilizar recursos que lhe permitem alcançar seus objetivos e capacidade para exercer influência
sobre outros atores do sistema e que goza de certa autonomia

- Os atores, sejam públicos ou privados, estão inseridos na seara de estudos das Relações
Internacionais. Nesse campo, o Estado concorre com outros entes que são as Organizações
Internacionais, as Organizações Não Governamentais, empresas transnacionais, indivíduos, igrejas,
movimentos sociais, grupos vinculados aos crimes internacionais...

- O Estado – ator clássico, primário – reinou solitário, em absoluta exclusividade durante séculos e, por
esse motivo, impunha ao sistema o caráter de interestatal até o século XX

- As OIs comportam um fenômeno recente na história. As primeiras, mais simples, vieram à luz no final
do século XIX, e as mais sofisticadas ganham terreno no séc. XX a partir da criação da Liga das Nações,
que nasceu sobre os escombros da Primeira Guerra Mundial

- A LDN foi a primeira OI de vocação universal e competência geral que floresceu com o objetivo de
garantir a paz e a segurança internacionais. O grande legado da LDN foi a institucionalização da
cooperação internacional através de um modelo institucional que inspirou as OIs que lhe sucederam. Ela
também pavimentou a via que oportunizou o surgimento de organismos de caráter técnico e
econômico

- As novas OIs possuem naturezas, funções, órgãos e competências muito mais complexas do que a Liga
e se multiplicaram, progressivamente, após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo com o advento dos
processos globalizantes, dos movimentos integracionistas e de seus efeitos que impulsionaram a
formação dessas novas entidades.
- Destaca-se as Organizações de Integração regional que se transformaram em tendência mundial a
partir da década de 1950, do século passado e que têm na União Europeia o exemplo mais ousado em
virtude dos seus fins, das competências que receberam dos seus Estados-Membros e pela estruturação
das suas instituições

- Características essenciais dessas Organizações: caráter voluntário, interestatalidade, composição de


um sistema orgânico permanente, autonomia na tomada de decisões, competência própria no âmbito
de determinadas matérias e cooperação internacional institucionalizada

- As OIs podem ainda ser definidas como: “associações voluntárias de Estados estabelecidas por acordo
internacional, dotadas de órgãos permanentes, próprios e independentes, encarregadas de gerir
interesses coletivos e capazes de expressar uma vontade juridicamente distinta da de seus membros”

- A integração regional que recebe essa vestimenta pode desenvolver cooperação em distintos campos
de atuação: político institucional, social, cultural e econômico

- As OIs, ao exercerem função de protagonistas ou coadjuvantes formais, desempenham atuação


destacada ao lado do mais clássico e tradicional ente da sociedade internacional que é o Estado-Nação.
Ou seja, as constantes transformações verificadas no ambiente internacional permitiram a esses atores
ocuparem posição de destaque nas importantes decisões mundiais juntamente com a figura estatal

- Uma das características do estágio atual da globalização é a desestabilização do antigo sistema de


Estados-Nação. Assim, novos atores transnacionais, dotados de meios e de ações próprias, entram em
cena e adquirem fundamental autonomia no palco das Relações Internacionais. Essa situação sinaliza
que continuará avançando o esvaziamento da soberania de Estados nacionais, o que fará necessária
uma reestruturação e ampliação das capacidades de ação política em um plano supranacional. A
dialética da globalização estabelece movimentos de recuos e avanços no tocante à questão da
soberania.

- Em suma, as últimas décadas demonstraram variados sintomas da fragilização da soberania e de


movimentação dos polos de poder e decisão, antes aglutinadas em torno da jurisdição, regulação e
arbitragem do Estado, para a arena internacional ou supranacional.

- É certo que a integração regional proporcione aceleração no processo de globalização, seja com a
ampliação das esferas de competição econômica, seja por decorrência dos compromissos internacionais
que a integração regional impõe. São esses acordos que estão desafiando e ao mesmo tempo
garantindo a sobrevivência do Estado-Nação como manifestação institucional típica do poder soberano.

- Sabe-se que as atividades domésticas dos Estados são umbilicalmente interligadas às externas. Nesse
sentido, observa-se que o estudo dos sistemas políticos dos Estados deve estar obrigatoriamente
relacionado à configuração das relações internacionais e da sua política externa

- Os fatores tradicionalmente analisados como internos atuam frequentemente de modo simultâneo


com os externos como se fizessem parte de um sistema único

- A forma motriz do Estado está sofrendo drásticas alterações. As práticas neoliberais atuando em
conjunto com as empresas transnacionais geram um certo esbatimento do protagonismo do Estado-
nação como ator no sistema mundial e o Estado parece estar a perder o estatuto da unidade
privilegiada de análise e de prática social

- Sem embargo, ao contrário das premonições fatalistas, observa-se que o Estado continua a ser o eixo
gravitacional tanto do sistema internacional como do interno. Dentro das suas fronteiras, o ente estatal
reina absoluto, sem concorrentes, apesar de estar interligado às transformações internacionais, e é o
mais poderoso maestro que ordena as estruturas políticas nacionais. Ele elabora o Direito interno e dá
vida ao Direito Internacional

- É ele também quem franqueia o ingresso das empresas multinacionais no seu território, uma vez que
elas necessitam da anuência de poderes internos para fixarem suas bases. Os incentivos transnacionais
alimentam a globalização e aceleram as trocas comerciais internacionais

- Também na seara externa, o Estado continua forte. Ele é o ente credenciado a promover a política
externa, a firmar tratados, a constituir organizações internacionais, a enviar e a receber representantes
estrangeiros por meio do direito de legação e a demandar perante tribunais internacionais

- Os recortes territoriais têm sido redesenhados, evidenciando novos contornos, mas a história tem
demonstrado que o fenecimento de um Estado tem acarretado, necessariamente, o nascimento de
outro ou outros no mesmo espaço territorial

- Mesmo não sendo mais possível estudar as Relações Internacionais sem considerar os outros atores, é
ainda imperativo colocá-lo – o Estado – no epicentro da sociedade internacional

Conceitos

- A globalização sobrepõe-se às estruturas estatais, produzindo como consequência a interação entre


distintos Estados, consubstanciada por meio da assinatura de acordos que podem ser de conteúdo
econômico, social, cultural e político

- Os processos de integração regional aparecem, no cenário globalizado, como elemento indicador das
transformações ocorridas no âmbito dos Estados-Nação. A formação desses acordos opera sob a base
de interesses predominantemente econômicos, objetivando o desenvolvimento e a melhor inserção da
região na sociedade internacional. Os Estados juntos, constroem fronteiras regionais para escapar dos
ataques às fronteiras domésticas.

- Integração regional (HAAS): um processo através do qual os Estados se mesclam, confundem e


fundem-se voluntariamente com seus vizinhos de tal modo que perdem certos atributos fáticos da
soberania, uma vez que adquirem novas técnicas para resolução conjunta de seus conflitos; ou ainda:

- Um processo dinâmico de intensificação em profundidade e abrangência das relações entre atores,


levando à criação de novas formas de governança político-institucional de escopo regional

- Além dos estímulos econômicos, a integração é motivada pela interdependência política que promove
a interação de atores nacionais e subnacionais, públicos e privados e cria instituições permanentes
comuns que são capazes de tomar decisões juridicamente vinculantes para Estados e particulares
- A integração distingue-se da cooperação intergovernamental que, por sua vez, destina-se a promover
ações conjuntas, ainda que com objetivos diferenciados, para minimizar as discriminações entre atores
estatais. Contrariamente, a integração visa suprimir a discriminação transformando os objetivos
singulares em meta única

- Há uma distinção entre organizações de integração regional e os acordos regionais formadores de


áreas de livre comércio, uniões aduaneiras, mercados comuns ou uniões monetárias. Estes últimos não
necessitam de um aparato institucional para administrar suas atividades. A integração regional pode ou
não dar origem a organizações internacionais através de ferramentas diplomáticas capitaneadas por
governo nacionais

- O conceito de regionalismo (integração regional) refere-se tanto aos acordos de integração como às
organizações internacionais. A principal característica é o fato de englobar todos os tipos de arranjo
político-jurídico desenvolvido por uma região geograficamente delimitada, sem alcance universal

- O regionalismo desenvolveu-se em duas fases distintas:


Primeira Onda: entre o fim da IIGM e o início dos anos de 1980
. “Regionalismo fechado” – percepção de que os regimes econômicos internacionais,
principalmente o do comércio desenvolvido pelo GATT, não atendiam a essa necessidade
. Sustentava-se no argumento segundo o qual os países menos desenvolvidos concorriam em
desvantagem com os mais desenvolvidos e, por isso, necessitavam de estímulos especiais que
facilitassem seus caminhos rumo à industrialização
Segunda Onda: fim da Guerra Fria
. Foi especificamente o fim da guerra fria que abriu as portas para a cooperação mais generalizada,
sobretudo nas áreas de comércio e segurança
. Essa onda despontou com a aceleração da globalização e provocou a criação de organizações
internacionais e estimulou a revitalização dos acordos já viventes
. “Regionalismo aberto” – visto como etapa intermediária para a liberalização econômica
multilateral, e não como um fim em si mesmo. Estimula a liberalização e as trocas comerciais entre
blocos, de caráter inter-regional. Ou seja, complementa o regime propugnado pela OMC.
* O Regionalismo fechado, por sua vez, respalda o protecionismo intrarregional, em contraposição às
orientações emanadas da OMC

- Esses processos de integração regional são, também, considerados um mecanismo de defesa para o
Estado-Nação, frente aos diferenciados desafios impostos, em nível mundial, ao fenômeno de
planetarização da economia, fundamentalmente, para aqueles países que até poucas décadas atrás se
encontravam isolados das transações e das competições em diversos patamares das arenas
internacionais. As uniões favorecem uma resposta mais eficaz aos desafios impostos na
contemporaneidade

Etapas de Integração Econômica

- Os processos globalizantes e a implantação das políticas de cunho neoliberal que enfatizam a


viabilização de mercados livres elevaram a integração regional como tema prioritário na agenda
internacional

- Cada fase do processo integracionista compreende integralmente a fase anterior, acrescentando-lhe


outras características peculiares que refletem o aprofundamento do modelo
- Área de Preferências Tarifárias
. É uma integração superficial, consistindo em um primeiro passo rumo à integração. Normalmente
se trata de uma experimentação para avaliar as viabilidades de efetivar um processo de integração
econômica entre as partes

- Zona de Livre Comércio


. Limitada à eliminação recíproca e paulatina das barreiras alfandegárias, restrições e onerações de
comércio. Nesta etapa, os Estados-Membros criam uma zona dentro da qual os bens podem circular,
livres de barreira tarifárias ou não tarifária, mas cada Nação preserva a sua própria política externa

- União Aduaneira
. Supõe, além da etapa anterior, a adoção de uma tarifa externa comum (TEC) sobre os produtos
provenientes de países terceiros

- Mercado Comum
. Refere-se não apenas à circulação de mercadorias, como também a outros fatores de produção,
como os serviços, os capitais e o trabalho. Ou seja, há a livre mobilidade dos fatores produtivos dentro
dos territórios dos países-parte

- União Econômica
. Também chamada de união monetária. Ultrapassa o patamar anterior uma vez que supõe a
coordenação de políticas macroeconômicas comuns, visando atingir o maior grau de aproximação
possível

- União Econômica Total


. Regime de união monetária, financeira, social, cuja execução e controle estão a cargo de
instituições supranacionais, que gozam de poder coercitivo. Caracteriza-se pela adoção de medidas
políticas e econômicas comuns e em caráter extremamente profundo

- Os intuitos integracionistas trazem como imensa vantagem a aproximação política de Estados


historicamente rivais que – num dado momento, reconhecem a impossibilidade de avanço solitário em
um mundo marcado pela interdependência e pela mundialização do capital – decidem abraçar a causa
da união em busca de atingir elevados níveis de competitividade na economia global

- Na América Latina, os acordos intergovernamentais nasceram com o propósito de promover a


industrialização por meio da substituição de importações, revelando-se como alternativa viável ao
desenvolvimento conjunto de nações afins, além de estabelecer um sistema institucional próprio. Esses
acordos pretendem ainda, facilitar uma inserção mais equilibrada do continente no sistema-mundo
globalizado regido pelos imperativos de livre comercio, competitividade e maximização dos lucros.

- O fenômeno de integração regional, apesar de demonstrar interesses predominantemente


econômicos, contidos em todos os modelos existentes, também possibilita, a circulação dos fatores de
produção, da informação, de padrões culturais e de tecnologia. Do mesmo modo, promove a interação
política e social entre os países e povos. Além disso, aglutina em torno de um eixo decisório próprio a
solução de problemas comuns, que podem, inclusive, afetar todo o globo
Teorias de Integração

- Funcionalismo
. Forte agenda normativa e ascensão no fim da IIGM
. David Mitrany – investigava como estimular os Estados a renunciarem ao recurso à guerra por meio
da formação de redes de organizações internacionais de caráter funcional
.Enfoque global de perseguição da paz. Através de uma visão otimista da natureza humana,
acreditava-se no progresso racional e na concretização da paz duradoura por meio da cooperação
estatal e dos ditames do Direito Internacional
. Essa corrente abandona a crença nas organizações de alcance global, de fins gerais, encarregadas
em defender valores coletivos, como a Liga das Nações, e apostam na funcionalidade das organizações
setoriais, de fins específicos, dedicadas a cumprir funções técnicas, especializadas.
. Argumentavam que era possível promover o divórcio entre a técnica e a política (interesses dos
Estados) na institucionalização das Relações Internacionais. Ou seja, a pacificação se concretizaria
através da cooperação técnica, da eficiência funcional, e não da lógica política. As organizações
deveriam se apartar dos projetos políticos e realizar funções técnicas. Esse era o caminho que
conduziria à tão almejada paz.
. “Peace by pieces” – paulatinamente, as OIs assumiriam funções domésticas as quais os Estados não
conseguiriam desempenhar de maneira individual. Esse efeito ficou conhecido como “spill over” ou
“transbordamento”. Isso significa que o sucesso da cooperação em um domínio transborda para outros
âmbitos incentivando a cooperação em esferas que antes permaneciam em poder dos Estados.
. A teia de instituições de funções específicas conduziria à formação de uma Organização
supranacional. O compartilhamento da soberania, então, é resultado de escolhas técnicas sobre como
desenvolver determinada função.

- Federalismo
. É mais considerado como um projeto político, cujas raízes encontram-se nas propostas de Kant
. A principal meta dessa abordagem é a concretização da paz duradoura em um continente marcado
pela ocorrência de conflitos
. A ideia era a de formular um modelo político autônomo que conjugasse o apreço pelos valores da
tolerância e do respeito mútuo e que se fizesse o espírito de união na diversidade, e não de unidade. O
propósito da união é integrar diferentes entidades, mas não assimilá-las, uma vez que se baseia no
reconhecimento constitucional formal da diferença e da diversidade

- Neofuncionalismo
. Contrário ao que os Funcionalistas defendiam, o “spill-over effect” não seria automático, uma vez
que dependia de decisões políticas a cargo dos Estados e de suas lideranças
. Os trabalhos de Haas e Lindberg combinaram elementos funcionalistas e federalistas
. Haas observa que a política é o motor que garante a continuidade da integração e viabiliza a
transferência de competências dos Estados para a organização supranacional, de modo que a
integração é aprofundada mediante decisões políticas alavancadas pelos setores domésticos
. O resultado final de um processo de integração política é uma nova comunidade política, imposta
sobre as anteriores
. Enfatiza o nascimento do poder supranacional viabilizado pela transferência de lealdades da
sociedade política plural do contexto nacional para o supranacional
. Os Neofuncionalistas percebem a relevância do papel dos atores não estatais. Os Estados
continuam como atores importantes no processo, mas não determinam exclusivamente a direção e o
alcance deste (aporte teórico).
. A ocorrência do “spill-over”, então, depende de impulsos decisórios internos emergentes de uma
sociedade política formada por uma pluralidade de atores dotados de interesses próprios,
nomeadamente, as elites e os grupos de pressão que negociam e envolvem-se em um processo de
convencimento sobre os benefícios materiais da integração

- Intergovernamentalismo (Escola de Harvard)


. Herdeiro da teoria Realista das Relações Internacionais – o Estado como ator predominante do
sistema, que se move em busca de poder respondendo a estímulos do interesse nacional
. A direção e o ritmo da integração regional serão determinados pela interação de Estados
soberanos, que controlam não só o início do processo de integração, mas também todos seus estágios
subsequentes. Sob nenhuma circunstância, esse processo poderia transformar a natureza de seus
Estados membros; seu propósito é fortalece-los e não enfraquecê-lo

- Segundo Malamud, a integração é uma etapa de transição entre a ordem westfaliana e outra
desconhecida, ainda em construção. É um processo de origem voluntária, sem um estágio final
determinado e cujas manifestações são variadas, nomeadamente, no que se referem às etapas
econômicas, ao nível de institucionalização, à participação da sociedade civil, e à intensidade de
interdependência entre os países-membros.